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2017­6­7 Resíduos de serviço de saúde: definição, classificação e legislação ­ Ambiental ­ Âmbito Jurídico

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Ambiental
 

Resíduos de serviço de saúde: definição, classificação e legislação
Suellen Silva Pereira

Resumo: O presente artigo se caracteriza por ser um ensaio teórico que objetiva apresentar, à luz da literatura existe a definição, classificação e legislação concernentes
aos resíduos de serviço de saúde ‐ RSS, como forma de embasar as discussões sobre a temática em questão, haja vista a sua importância para a qualidade ambiental. Para
tanto, fez‐se uso do método analítico‐descritivo, utilizando como estratégia metodológica o levantamento bibliográfico e documental em obras de maior relevância sobre
o tema abordado, e a partir do mesmo, foi feita uma análise descritiva como forma de alcançar os objetivos propostos. Desse modo, observa‐se a necessidade de uma
ampla divulgação, bem como discussão sobre as questões que norteiam a gestão dos resíduos de serviço de saúde visando à minimização dos impactos deles decorrentes.

Palavras‐chave: Resíduos de serviço de saúde, definição, classificação, legislação, gestão.

Abstract: This article is characterized by a paper that aims to present, in light of the literature shows the definition, classification and waste legislation concerning
health care ‐ RSS as a way of basing discussions on the topic in question, given the its importance for environmental quality. To this end, it was used the descriptive‐
analytical method, using the methodological strategy bibliographic and documentary in works on the most relevant subject matter, and from it, a descriptive analysis
was done as a means of achieving those goals. Thus, there is a need for wide dissemination and discussion of issues that guide the management of waste from the health
service order to minimize the impacts deriving.

Keywords: Waste of health care, definition, classification, legislation, management.

Sumário: 1. Introdução. 2. Definição dos resíduos de serviço de saúde. 3. Classificação dos resíduos de serviço de saúde. 4. Normas e legislações referentes aos resíduos
de serviço de saúde. 5. Gerenciamento dos resíduos de serviço de saúde. 6. Considerações Finais. Referências bibliográficas.

1. Introdução

Diante das transformações vivenciadas na atualidade, observa‐se que o estilo de vida pós‐moderno vem ocasionando modificações estruturais no ambiente que nos cerca,
como forma de adequar tais espaços as necessidades e exigências do homem. É bem verdade que tais modificações, em sua maioria, ultrapassam a barreira das
necessidades mais básicas e acabam por comprometer a capacidade de reposição da natureza. Um exemplo bastante atual destas modificações são os resíduos, o aumento
de sua geração vem comprometendo a qualidade ambiental, e, por conseguinte, a qualidade de vida do homem haja vista os impactos socioeconômicos, sanitários e
ambientais a eles inerentes. Ressalta‐se que, quando se fala nos impactos decorrentes dos resíduos, estes se estendem a todas as categorias, quer sejam os urbanos,
comerciais, domésticos, portos e aeroportos, industriais, saúde, dentre outros.

Com relação aos resíduos dos serviços de saúde, só nos últimos anos iniciou‐se uma discussão mais consistente do problema. Algumas prefeituras já implantaram sistemas
específicos para a coleta destes resíduos, sem, entretanto, atacar o ponto mais delicado da questão: a manipulação correta dos resíduos dentro das unidades de
tratamento de saúde, de forma que se possa fazer a separação de acordo com o real potencial de contaminação, daqueles que podem ser considerado resíduos comuns.
Este fato se justifica, por ser a correta manipulação, como também, destinação dos resíduos de serviço de saúde ‐ RSS de responsabilidade do gerador, ou seja, de cada
estabelecimento de saúde.

Tendo em vista que algumas unidades de saúde não se comprometem com esse gerenciamento, a municipalidade termina por assumir a responsabilidade por algumas
etapas da gestão dos RSS, como por exemplo: a coleta, o transporte e a destinação dos resíduos de saúde, mesmo não sendo um problema específico do poder municipal.

  A forma adequada de destinação final ainda não é consensual entre os técnicos do setor, e a prática, na maioria dos municípios, é a disposição final em “lixões”. Os
catadores disputam esses resíduos, tendo em vista possuírem um percentual atrativo de materiais recicláveis.

Diante do exposto, o presente artigo se caracteriza por ser um ensaio teórico que objetiva apresentar, à luz da literatura existe a definição, classificação e legislação
concernentes aos RSS, como forma de embasar as discussões sobre a temática em questão, haja vista a sua importância para a qualidade ambiental.

Para tanto, fez‐se uso do método analítico‐descritivo, utilizando como estratégia metodológica o levantamento bibliográfico e documental em obras de maior relevância
sobre o tema abordado, e a partir do mesmo, foi feita uma análise descritiva como forma de alcançar os objetivos propostos. Desse modo, observa‐se a necessidade de
uma ampla divulgação, bem como discussão sobre as questões que norteiam a gestão dos resíduos de serviço de saúde visando à minimização dos impactos deles
decorrentes.

2. Definição dos resíduos de serviço de saúde

De acordo com a NBR n° 12.808 apud Ferreira (2000), os resíduos hospitalares (ou de serviços de saúde) são os resíduos produzidos pelas atividades de unidades de
serviços de saúde (hospitais, ambulatórios, postos de saúde etc.). Incluem os resíduos infectantes (classe A) como culturas, vacinas vencidas, sangue e hemoderivados,
tecidos, órgãos, perfurocortantes, animais contaminados, fluídos orgânicos; os resíduos especiais (classe B), rejeito radioativo, resíduos farmacêuticos e resíduos químicos;
e os resíduos comuns (classe C), das áreas administrativas, das limpezas de jardins, etc.

Segundo Grippi (2006) os resíduos de serviço de saúde constituem os resíduos sépticos os que contêm ou potencialmente podem conter germes patogênicos. São
produzidos em serviços de saúde, tais como: hospitais, clínicas, laboratórios, farmácias, clínicas veterinárias, postos de saúde etc. Este resíduo é constituído de agulhas,
seringas, gazes, bandagens, algodões, órgãos e tecidos removidos, meios de culturas, animais usados em teste, sangue coagulado, luvas descartáveis, filmes radiológicos,
etc.

De acordo com a RDC ANVISA nº 306/2004 e a Resolução CONAMA nº 358/2005, são definidos como geradores de resíduos de serviços de saúde todos os serviços
relacionados com o atendimento à saúde humana ou animal, inclusive os serviços de assistência domiciliar e de campo; laboratórios analíticos de produtos para a saúde;
necrotérios, funerária e serviços onde se realizem atividades de embalsamamento, serviços de medicina legal, drogarias e farmácias inclusive as de manipulação;
estabelecimentos de ensino e pesquisa na área da saúde, centro de controle de zoonoses; distribuidores de produtos farmacêuticos, importadores, distribuidores,
produtores de materiais e controles para diagnóstico in vitro, unidades móveis de atendimento à saúde; serviços de acupuntura, serviços de tatuagem, dentre outros
similares.

Conforme explicitado acima por diversos autores, os resíduos de serviço de saúde (RSS) são oriundos das diversas atividades realizadas em unidades hospitalares que
atendam a seres humanos, bem como, a animais não racionais, podendo esta, serem clínicas, laboratórios, farmácias, universidades que ofereçam cursos na área de
saúde, dentre outros. Estes resíduos são classificados de acordo com sua origem, uma vez que, dependendo da unidade geradora, estes resíduos poderão ser
encaminhados parte para reciclagem e compostagem, como papéis, plástico, papelão, vidro, lata, restos de alimentos, etc. e parte, encaminhado para incineração (o que
seria o ideal, mas na realidade este não é o meio de destino mais utilizado), devido o seu alto grau de contaminação uma vez que em contato com o meio ambiente (solo,
ar, água, animais – aqui incluídos todos os animais), pode ocasionar diversas enfermidades.

3. Classificação dos resíduos de serviço de saúde

O benefício da correta classificação dos resíduos de serviços de saúde (RSS) está em possibilitar a correta manipulação, por parte dos geradores, sem oferecer riscos aos
trabalhadores, à saúde coletiva e ao meio ambiente

De acordo com o Manual de Gerenciamento de Resíduos de Serviço de Saúde (BRASIL, 2006) a classificação dos resíduos de serviço de saúde vem sofrendo um processo de
evolução contínuo, à medida em que são introduzidos novos tipos de resíduos nas unidades de saúde e como resultado do conhecimento do comportamento destes
perante o meio ambiente e a saúde, como forma de estabelecer uma gestão segura com base nos princípios da avaliação e gerenciamento dos riscos envolvidos na sua
manipulação.

A classificação dos RSS pode obedecer a diversos sistemas, tais como o Sistema Alemão, o Sistema da Organização Mundial de Saúde (OMS), Sistema Britânico, Sistema
Environmental Protection Agency (EPA) – Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos, Sistema da Associação Brasileira de Normas e Técnicas (ABNT), além da
Agencia Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) e do Conselho Nacional de Meio Ambiente (CONAMA), cujas descrições estão expressas no Quadro 01.

Quadro 01: Características dos Sistemas de Classificação de Resíduos de Serviço de Saúde

http://www.ambitojuridico.com.br/site/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=10528&revista_caderno=5 1/4

Peças anatômicas (órgãos e tecidos) e outros resíduos provenientes de procedimentos cirúrgicos ou de estudos anatomopatológicos ou de confirmação diagnóstica. corrosivos. materiais perfurocortantes ou escarificantes e demais materiais resultantes da atenção à saúde de indivíduos ou animais. c) A3 1. podendo ser equiparados aos resíduos domiciliares. lipoescultura ou outro procedimento de cirurgia plástica que gere este tipo de resíduo. inflamáveis e reativos). farmácias. equipo de soro e outros similares não classificados como A1.004 da ABNT (tóxicos. com peso menor que 500 gramas ou estatura menor que 25 centímetros ou idade gestacional menor que 20 semanas. químico ou radiológico à saúde ou ao meio ambiente. inoculação ou mistura de culturas. 4. podem apresentar risco de infecção. e)  A5 1. b) Resíduos de saneantes. d) A4 1. será a da RDC ANVISA nº 306/04. vísceras e outros resíduos provenientes de animais não submetidos a processos de experimentação com inoculação de microorganismos. produto de fecundação sem sinais vitais. d) Efluentes dos equipamentos automatizados utilizados em análises clínicas. laboratórios de análises clínicas e serviços de medicina nuclear e radioterapia que contenham radionuclídeos em quantidade superior aos limites de eliminação. e aquelas oriundas de coleta incompleta. anti‐retrovirais.. Órgãos. desinfetantes. 2. membrana filtrante de equipamento médico‐hospitalar e de pesquisa. III ‐ GRUPO C: Quaisquer materiais resultantes de atividades humanas que contenham radionuclídeos em quantidades superiores aos limites de eliminação especificados nas normas da Comissão Nacional de Energia Nuclear ‐ CNEN e para os quais a reutilização é imprópria ou não prevista. conforme classificação da NBR 10. c) Efluentes de processadores de imagem (reveladores e fixadores). drogarias e distribuidores de medicamentos ou apreendidos e os resíduos e insumos farmacêuticos dos medicamentos controlados pela Portaria MS 344/98 e suas atualizações. Sobras de amostras de laboratório e seus recipientes contendo fezes. recipientes e materiais resultantes do processo de assistência à saúde. 5. dependendo de suas características de inflamabilidade. resto alimentar de paciente. endovenosas e dializadores. quando descartados por serviços de saúde. Culturas e estoques de microrganismos. 4. corrosividade. quando descartados. a) Produtos hormonais e produtos antimicrobianos. que não contenha sangue ou líquidos corpóreos na forma livre. resíduos contendo metais pesados. por suas características de maior virulência ou concentração. Filtros de ar e gases aspirados de área contaminada. urina e secreções. Os resíduos constituintes do Grupo A podem ser subdivididos em: a) A1 1. e nem apresentem relevância epidemiológica e risco de disseminação.ambitojuridico. inclusive os recipientes contaminados por estes. 3. microrganismos com relevância epidemiológica e risco de disseminação ou causador de doença emergente que se torne epidemiologicamente importante ou cujo mecanismo de transmissão seja desconhecido. Sobras de amostras de laboratório contendo sangue ou líquidos corpóreos.br/site/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=10528&revista_caderno=5 2/4 . para os resíduos de serviço de saúde. Carcaças. imunomoduladores. http://www. reatividade e toxicidade. d) Resíduos provenientes das áreas administrativas. Kits de linhas arteriais. com suspeita ou certeza de contaminação com príons II ‐ GRUPO B: Resíduos contendo substâncias químicas que podem apresentar risco à saúde pública ou ao meio ambiente. fluidos orgânicos. provenientes de pacientes que não contenham e nem sejam suspeitos de conter agentes Classe de Risco 4. e e) Demais produtos considerados perigosos. a) Enquadram‐se neste grupo quaisquer materiais resultantes de laboratórios de pesquisa e ensino na área de saúde. que divide a geração de resíduos em cinco grupos. bem como suas forrações. vísceras e outros resíduos provenientes de animais submetidos a processos de experimentação com inoculação de microorganismos. peças anatômicas. exceto os hemoderivados.2017­6­7 Resíduos de serviço de saúde: definição. Resíduos de tecido adiposo proveniente de lipoaspiração. b) Sobras de alimentos e do preparo de alimentos. Recipientes e materiais resultantes do processo de assistência à saúde. material utilizado em anti‐sepsia e hemostasia de venóclises. 3. resíduos de laboratórios de manipulação genética. absorventes higiênicos. Resíduos resultantes da atenção à saúde de indivíduos ou animais. Bolsas transfusionais contendo sangue ou hemocomponentes rejeitadas por contaminação ou por má conservação. anti‐neoplásicos. que não tenham valor científico ou legal e não tenha havido requisição pelo paciente ou familiares. resíduos de fabricação de produtos biológicos. e 8. quais sejam: I ‐ GRUPO A: Resíduos com a possível presença de agentes biológicos que. com suspeita ou certeza de contaminação biológica por agentes classe de risco 4. Carcaças. c) Resto alimentar de refeitório. a) Papel de uso sanitário e fralda. 6. 7. classificação e legislação ­ Ambiental ­ Âmbito Jurídico A classificação utilizada nesta dissertação. imunossupressores. e os cadáveres de animais suspeitos de serem portadores de microrganismos de relevância epidemiológica e com risco de disseminação. tecidos. que foram submetidos ou não a estudo anátomo‐patológico ou confirmação diagnóstica. meios de cultura e instrumentais utilizados para transferência. peças anatômicas. 2. Bolsas transfusionais vazias ou com volume residual pós‐transfusão. b) A2 1. citostáticos. IV ‐ GRUPO D: Resíduos que não apresentem risco biológico. ou microrganismo causador de doença emergente que se torne epidemiologicamente importante ou cujo mecanismo de transmissão seja desconhecido ou com suspeita de contaminação com príons. entre outros similares. reagentes para laboratório. Peças anatômicas (membros) do ser humano. peças descartáveis de vestuário.com. descarte de vacinas de microrganismos vivos ou atenuados. contendo sangue ou líquidos corpóreos na forma livre. ou com prazo de validade vencido. digitálicos. bem como suas forrações.

o hospital gera um volume de resíduos que são considerados perigosos à saúde e ao meio ambiente. devido ao fato de que o uso de descartáveis aumentou de 5% para 8% ao ano. conforme apresentado no Quadro 02: Quadro 02: Relação das principais normas técnicas da ABNT sobre os resíduos de serviço de saúde. dentre outros aspectos. art. de 1993. Em 2003 foi promulgada a Resolução de Diretoria Colegiada.ambitojuridico. Estes fatores também se somam aos anteriores nas justificativas para o aumento da geração de resíduos dos serviços de saúde. O entendimento foi alcançado com a revogação da RDC ANVISA n° 33/03 e a publicação da RDC ANVISA nº 306 (em dezembro de 2004). o manejo correto dos RSS. objetivando.com. quando foi aprovada a Resolução CONAMA nº 006 de 19/09/1991 que desobrigou a incineração ou qualquer outro tratamento de queima dos resíduos sólidos provenientes dos estabelecimentos de saúde e de terminais de transportes e deu competência aos órgãos estaduais de meio ambiente para estabelecerem normas e procedimentos ao licenciamento ambiental do sistema de coleta. em serviços de saúde. com o objetivo de minimizar a produção de resíduos e proporcionar aos resíduos gerados. Esta situação levou os dois órgãos a buscarem a harmonização das regulamentações. Dentre estas. em relação a problemas existentes ou potenciais. armazenamento. tais como: lâminas de barbear. à saúde e ao meio ambiente. o qual originou a Resolução CONAMA nº 283/01. especificamente. brocas. desde então. 2006). fatores culturais regionais e procedimentos adotados. que deve ser incluído no gerenciamento organizacional desses serviços. e todos os utensílios de vidro quebrados no laboratório (pipetas. capítulo II. com a quantidade de material descartável utilizado no processo. a Resolução CONAMA nº 005 de 05/08/1993. não havia sido contemplado em nenhuma resolução ou norma federal. nos estados e municípios que optaram pela não incineração (BRASIL. portanto. 8º). em função das doenças infecto‐contagiosas e da busca de melhores condições nos serviços de saúde. micropipetas. 2006). Posteriormente. armazenamento. não foi acompanhado por dotações orçamentárias do mesmo porte. a prevenção de acidentes e a qualidade de vida dos funcionários envolvidos nessa atividade. enquanto Claude et al (2004) em uma pesquisa realizada com 70 estabelecimentos verificou uma média de 3. controlar e fiscalizar os produtos e serviços que envolvam riscos à saúde pública" (Lei nº 9. Tal variação. limas endodônticas. Impõe responsabilidade aos estabelecimentos de saúde em operação e àqueles a serem implantados. cada vez mais nas áreas urbanas e a expectativa de vida média do brasileiro vem crescendo. a crescente utilização de materiais descartáveis como forma de controle mais eficiente das infecções e outros fatores associados. estipula que os estabelecimentos prestadores de serviço de saúde e terminais de transporte devem elaborar o gerenciamento de seus resíduos. lancetas. 2001) considera 1. que dependem de fatores sazonais e até do tipo de alimentação adotado (FORMAGGIA. Normas e legislações referentes aos resíduos de serviço de saúde Segundo a ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas. normativas e legais. de forma eficiente. o hospital estará buscando o máximo de eficiência e de qualidade na assistência. escalpes. implica na produção de resíduos. como coloca Naime et al (2008). cumprindo sua missão de "regulamentar. A resolução passou a considerar os riscos aos trabalhadores. Campos (apud CONFORTIM. Define os procedimentos gerais para o manejo dos resíduos a serem adotados na ocasião da elaboração do plano. Naime et al (2004) cita uma média de 2. para implementarem o PGRSS. acondicionamento. Gerenciamento dos resíduos de serviço de saúde Além de reunir um grande e variado número de portadores de doenças. portanto. A adoção desta metodologia de análise de risco da manipulação dos resíduos gerou divergência com as orientações estabelecidas pela Resolução CONAMA nº 283/01. falta de capacitação para o descarte adequado dos profissionais da saúde e a inexistência do plano de gerenciamento de resíduos. tratamento e disposição final dos resíduos. conforme determinação da Resolução n° 005. em maio de 2005. do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA) que ressalta a responsabilidade dos estabelecimentos de saúde. normalização é a atividade que estabelece. Também influem na natureza e na quantidade dos resíduos produzidos. com um mínimo de risco para os pacientes.5 kg/paciente/dia. podas e jardins. A população brasileira tem se concentrado. planejados e implementados a partir de bases científicas e técnicas. A sincronização demandou um esforço de aproximação que se constituiu em avanço na definição de regras equânimes para o tratamento dos RSS no país. dentro de um gerenciamento adequado. http://www. os visitantes e para o meio ambiente. lâminas e lamínulas. De acordo com alguns autores. um encaminhamento seguro. Para Petranovich (1991 apud NAIME. visando à proteção dos trabalhadores. contemplando os aspectos referentes à geração. 2008). tal como acondicionamento. também tem contribuído decisivamente para o aumento da geração de resíduos. publicada em 12/07/2001. e. o grande aumento de demanda verificado desde a implantação do Sistema Único de Saúde (SUS) no Brasil.5 kg/paciente/dia.782/99. com o desafio de considerar as especificidades locais de cada Estado e Município (BRASIL. segregação. onde 10% dos casos mais comuns de ocorrência de infecção hospitalar são contaminações pelos RSS. A ANVISA.0 kg/paciente/dia. e da Resolução CONAMA nº 358. lâminas de bisturi. transporte. os funcionários. cabendo aos mesmos. tubos de coleta sanguínea e placas de Petri) e outros similares. RDC ANVISA nº 33/03. 4. entre os fatores que contribuem para agravar o problema dos resíduos em hospitais estão o uso de materiais descartáveis. 5. acondicionamento e disposição final dos resíduos. Armond e Amaral  (2001) referem uma estimativa da Associação Paulista de Estudos de Controle de Infecção Hospitalar. e f) resíduos de gesso provenientes de assistência à saúde. Esta resolução sofreu um processo de aprimoramento e atualização. A realização de procedimentos. o gerenciamento dos seus resíduos desde a geração até a disposição final. A ABNT possui algumas normas relativas ao controle dos resíduos dos serviços de saúde. Além disso. classificação e legislação ­ Ambiental ­ Âmbito Jurídico e) Resíduos de varrição.br/site/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=10528&revista_caderno=5 3/4 . executados pela equipe de saúde nos usuários que buscam essa assistência. a quantidade média de resíduos de serviço de saúde gerados em estabelecimentos de saúde varia: com o tipo de estabelecimento. abrange várias atividades que vão desde a segregação até a disposição final dos RSS. na geração de resíduos. tubos capilares.2017­6­7 Resíduos de serviço de saúde: definição. cabe destacar. coleta. geraram uma defasagem na administração global do sistema. conforme a Figura 01 a seguir: Dessa forma. prescrições destinadas à utilização comum e repetitiva com vistas à obtenção do grau ótimo de ordem em um dado contexto. A Resolução CONAMA nº 283/01 dispõe especificamente sobre o tratamento e destinação final dos resíduos de serviços de saúde.” De um modo geral. ampolas de vidro. espátulas. o volume dos resíduos dos serviços de saúde tem crescido a uma taxa de 3% por ano. V ‐ GRUPO E: Materiais perfurocortantes ou escarificantes. pontas diamantadas. transporte e destino final. que dispõe sobre o regulamento técnico para o gerenciamento de resíduos de serviços de saúde. 1995). flores. a preservação da saúde pública. De acordo com a RDC n° 306 da ANVISA. entende‐se que o manuseio de tais resíduos deve ser efetuado com destreza e segurança. não englobando mais os resíduos de terminais de transporte. a implantação de ações que minimizem estes impactos é fundamental. reforça Bezerra (1995). e com o nível de segregação utilizado no estabelecimento. agulhas. Modifica o termo Plano de Gerenciamento de Resíduos da Saúde para Plano de Gerenciamento dos Resíduos de Serviços de Saúde ‐ PGRSS. dos recursos naturais e do meio ambiente. Os resíduos dos serviços de saúde ganharam destaque legal no início da década de 1990.  deve‐se ao fato de que. transporte. o gerenciamento dos serviços de saúde pode ser assim definido: “Constitui‐se em um conjunto de procedimentos de gestão. Para Cussiol et al (2000). o que. Ao normalizar e coordenar a cadeia de eventos que envolvem as atividades com os RSS. fundamentada nas diretrizes da resolução citada anteriormente. também chamou para si esta responsabilidade e passou a promover um grande debate público para orientar a publicação de uma resolução específica.

2. v.com. Deve haver promoção de um sistema para separar material contaminado do não contaminado. Anais . É Mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente. 734. Curso de Extensão: Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos de Serviços de Saúde. 93. por conseguinte. BRASIL.php3? base%gestão/index. ___________. o estabelecimento que não estiver adequado ao que esta norma determina estará incorrendo em infração sanitária e sujeitando o infrator às penalidades previstas na Lei nº 6. out 2011. M. 2001. 2004. Acesso em: 15 de abril de 2008.A. Resolução nº 358 de 29 de abril de 2005. ________. estabelece as sanções respectivas. Suellen Silva Pereira Possui graduação em Licenciatura Plena em Geografia pela Universidade Estadual da Paraíba (2005).. Resolução nº 283 de 12 de julho de 2001. Resolução RDC Nº 306. Dissertação de Mestrado em Desenvolvimento e Meio Ambiente – PRODEMA da Universidade Federal da Paraíba.. C.ambitojuridico. 2. V. 142p.  Resolução nº 005 de 5 de agosto de 1993. Taxa de Geração de Resíduos de Serviços de Saúde em um Hospital Pediátrico. Considerações Finais O Brasil tem uma Legislação Ambiental. Suellen Silva. R. O gerenciamento dos resíduos dos serviços de saúde de uma amostra de hospitais nacionais. portos. 2008). 9. conforme colocado por Bencko et al (apud NAIME. Rosália Maria de. 2 ed. M. Proposta de Tributação Ambiental na Reforma Tributária Brasileira. 2004. MOTTA. haja vista que ambas estão inter‐relacionadas. FORMAGGIA. aeroportos e terminais rodoviários e ferroviários. 2006. Atualmente é doutoranda do Programa de Pós‐Graduação em Recursos Naturais pela Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) e do Programa de Pós‐Graduação em Geografia pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Resolução nº 006 de 24 de janeiro de 1986. et al. 1995. 1. Dispõe sobre o Regulamento Técnico para o gerenciamento de resíduos de serviços de saúde.eaesp. D. CONAMA. A. de 20 de agosto de 1977. p. Prevenção e Controle. Define o Sistema Nacional de Vigilância Sanitária. 2000. Rio de Janeiro. Governo Federal. OLIVEIRA.br/site/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=10528&revista_caderno=5 4/4 . Gerenciamento de Resíduos de Serviços de Saúde (Lixo Hospitalar). CONFORTIN.C.).br/site/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=10528&revista_caderno=5 >. Revista Espaço para a Saúde. 2001. Por este motivo. A. FURG.437. bem como os riscos que envolvem os resíduos de serviço de saúde – RSS. setembro de 2004. por serem de inteira responsabilidade de seu(s) autor(es). CLAUDE. O Âmbito Jurídico não se responsabiliza. 2001. (Coord. In: Âmbito Jurídico.). In: 21º CONGRESSO BRASILEIRO DE ENGENHARIA SANITÁRIA E AMBIENTAL DA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ENGENHARIA AMBIENTAL.com. conforme a RDC nº 306. n. LEI N° 9782. reciclagem e sua história: guia para as prefeituras brasileiras. principalmente daqueles que manipulam estes materiais diariamente. p. diz respeito  à necessidade de mudança comportamental.. In: Gerenciamento de Resíduos sólidos de Serviços de Saúde. A. ________. Gerenciamento dos resíduos sólidos produzidos por serviços de um hospital‐escola. P. 3‐13. só virá através do conhecimento. Conselho Nacional de Meio Ambiente. N. Disponível em: <http://www. v. Estudo dos resíduos de serviço de saúde do hospital do Oeste/SC. A. S. Rio de Janeiro: Medsi Editora Médica e Científica Ltda. Rio de Janeiro: FGV pesquisa – Núcleo de Pesquisas e Publicações – NPP.ambitojuridico. onde se é sugerido abandonar a filosofia anterior de que todos os resíduos hospitalares devem ser tratados como infecciosos. et al.br/composer. GRIPPI. S.br>. de 20 de Agosto de 1977. e dá outras providências. Universidade Federal da Paraíba. p. de 07 de dezembro de 2004. Ambiente e Saúde: uma visão multidisciplinar. BEZERRA. LEI N° 6437. 5. CUSSIOL. Governo Federal. Rio de Janeiro: Interciência. numa melhor qualidade de vida. In: MARTINS. Revista Espaço para a Saúde. 6. 2001. da. haja vista que a minimização dos impactos. da. de 26 de janeiro de 1999. In: SISNINO.  3 Reimpressão. ARMOND. 2008. A recomendação crucial da Conferência de Copenhagen em maio de 1991: Separar resíduos perigosos dos não perigosos que não requerem nenhuma manipulação e eliminação especial. classificação e legislação. _________.  L.2017­6­7 Resíduos de serviço de saúde: definição.º 33. de 25 de fevereiro de 2003. Relatório Final. Resolução ‐ RDC N. J. idéias e conceitos emitidos nos textos. no que se refere ao Sistema de Gerenciamento de Resíduos de Serviços de Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Dissertação de Mestrado em Engenharia de Produção da Universidade Federal de Santa Catarina – Florianópolis. AMARAL. A. Londrima. Belo Horizonte. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. XIV. pelas opiniões. 2000. nem de forma individual. Tese de mestrado em Enfermagem de Saúde Pública. de. cria a Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Manual de Infecção Hospitalar: Epidemiologia. com Área de Concentração em Gerenciamento Ambiental e Sub‐Área de Pesquisa em Tecnologia Ambiental pelo Programa Regional de Pós‐Graduação em Desenvolvimento e Meio Ambiente ‐ PRODEMA UEPB/UFPB (2009). A. torna‐se indispensável o conhecimento sobre as características. F. São Paulo: CETESB. Rio Grande. n. segundo Motta (2004) traduz uma crescente preocupação com o meio ambiente e a percepção de que o crescimento futuro dependerá das condições ecológicas preservadas. Editora  Fiocruz. Resíduos de serviço de saúde: definição. Acesso em jun 2017.ed. fato que viabiliza o gerenciamento dos mesmos. Informações Bibliográficas   PEREIRA. LANGE. _________. classificação e legislação ­ Ambiental ­ Âmbito Jurídico A importância de se mensurar os resíduos gerados reside na necessidade de dimensionar o sistema de manejo que deve estar preparado para funcionar com um determinado volume de resíduos. n. D. G. jun. R. Cristina Lúcia Silveira & OLIVEIRA. Manual de gerenciamento de resíduos de serviços de saúde.     http://www. Lixo. Dez. Disponível em: < http://www.ambientebrasil. A.. Gerenciamento dos resíduos sólidos orgânicos de hospitais da cidade do Recife e a saúde dos funcionário envolvidos nesta atividade. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. 17‐27. bastante avançada no contexto dos países em desenvolvimento. SILVA.fgvsp. Conselho Nacional de Meio Ambiente. 1‐17. Ministério da Saúde. H. FERREIRA J.. Rio Grande. Resíduos Sólidos: Perspectivas Atuais.. Resíduos Sólidos. uma abordagem sobre a gestão de resíduos de saúde. Dispõe sobre o tratamento e a disposição final dos resíduos de serviços de saúde e dá outras providências. FERREIRA. p. S. 1995.html> Acesso em: 26 ago. Conselho Nacional de Meio Ambiente. Define as normas mínimas para tratamento de resíduos sólidos oriundos de serviços de saúde. Avaliação do Sistema de Gestão dos Resíduos Sólidos do Hospital de Clínicas de Porto Alegre. Disponível em: <http://www. Ações educativas. M. nem de forma solidária. Disposição sobre o regulamento técnico para o gerenciamento de resíduos de serviços de saúde. Conselho Nacional de Meio Ambiente.. (orgs. Brasília: Ministério da Saúde. Configura infrações à legislação sanitária federal. Outro aspecto de extrema relevância. NAIME. E. Resíduos de Serviços de Saúde. 2006. M.com. decorrentes da má gestão destes. M. de 07 de Dezembro de 2004.   Referências bibliográficas: ANVISA. S. E. Dispõe sobre o Gerenciamento de Resíduos Sólidos de Serviços de Saúde.  Dispõe sobre modelos de publicação de pedidos de licenciamento em quaisquer de suas modalidades. fato que resultará em uma melhor qualidade ambiental e.