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REVISTA TOXICODEPENDÊNCIAS | EDIÇÃO IDT | VOLUME 15 | NÚMERO 2 | 2009 | pp.

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Dor que Consome. Para uma compreensão da Dor
Mental na Toxicodependência
Rui Guimarães, Manuela Fleming

Artigo recebido em 13/03/2009; versão final aceite em 20/05/2009.

RESUMO une tentative pour échapper à une douleur mentale insupportable,
Vários modelos e hipóteses explicativas têm sido utilizados para a ressentie mais pas avoué par le patient.
compreensão dos comportamentos adictivos no entanto, nunca Dans ce travail les auteurs procèdent à une révision de la bibliographie
foi possível definir com clareza uma estrutura de personalidade sur le sujet da la douleur mentale tout en essayant de soutenir l’idée
específica para esta problemática. Mas se, por um lado, se verifica qu’il existe une association entre douleur mentale et toxicodépendance,
que as diversas hipóteses explicativas só possibilitaram a obtenção determinante dans la dynamique psychologique de celle-ci.
de respostas parciais observa-se, igualmente, a existência de uma Avec ce travail, les auteurs apportent des arguments qui visent
associação destes fenómenos com estados mentais dolorosos, particu­ montrer l’importance de la douleur mentale en tant que facteur
larmente a dor mental. Perante esta constatação, os autores propõem déterminant dans la génese et la maintien de la toxicodépendance.
um modelo compreensivo em que a toxicodependência é explicada Mots-clé: Douleur Mentale; Toxicodépendance; Souffrance Psychique;
como uma tentativa de fuga a uma dor mental insuportável. Capacité de Confinement; Modèle Compréhensif.
No sentido de justificar as suas concepções efectuaram uma revisão
bibliográfica, procurando perceber as tentativas realizadas para a ABSTRACT
delimitação e conceptualização do conceito dor mental partindo, Several explanatory models and hypotheses have been used to
posteriormente, para a fundamentação da sua associação com a understand addictive behaviours, however, was never possible to
toxicodependência e para a determinação da sua importância na clearly define a structure of personality for this specific problem. But
dinâmica dessa problemática. if, the various explanatory hypotheses only obtain partial answers,
Com este artigo, pretende-se avaliar a relevância da dor mental para we notice the existence of an association of these phenomena with
os comportamentos adictivos e desmistificar a ideia de que é a droga painful mental states, particularly the mental pain. Given this finding,
que é fonte de dor já que, tal abordagem não permite e censura a the authors propose a comprehensive model in which the drug
compreensão da preponderância da dor mental para a entrada e manu­ dependence is explained as an attempt to escape to an unbearable
tenção na dinâmica adictiva, ideia, hoje, consensualmente aceite. mental pain.
Palavras-chave: Dor Mental; Toxicodependência; Sofrimento Psíquico; In order to justify their conceptions they made a literature review,
Capacidade de Contenção; Modelo Compreensivo. looking for the attempts made to understand the definition and
conceptualization of the concept mental pain, and later, for reasons
RÉSUMÉ of its association with the drug dependence and to determine their
Bien que, plusieurs modéles et hypothèses ayant été proposés á fin importance in the dynamics of this issue.
de comprendre les comportements addictifs, on n’ait pas pu definir The goal of this paper is to assess the relevance of the mental pain
jusqu’á présent une structure de la personnalité spécifique de la to the addiction, and dispel the idea that is the drug that causes pain,
toxicodépendance. Cependant, on a pu constater une association since this approach does not allow and censorship the understanding
entre l’addiction et les affects douloureux, en particulier la douleur the importance of the mental pain for the entry and maintenance in
mentale. Les auteurs se proposent, avec ce travail, développer the dynamic additive, idea, today, unanimously accepted.
un modéle compréhensif de la toxicodépendance basé sur leur Key Words: Mental Pain; Drug Dependence; Psychological Distress;
propre hypothèse, á savoir: la toxicodépendance s’institue comme Containment Capacity; Comprehensive Model.

bioge­ Toda a existência e desenvolvimento humanos são néticas. a Não nos parece sensato equiparar o consumo de perversão. capazes de alterar os estados de consciência. As tentativas centraram-se. também a vulnerabilidade psicológica desem­ humana. acontece sob um enquadramento cultural. de que estas fragilidades condicionam a que a ênfase. um denominador comum a todas elas. necessariamente. as diversas hipóteses com estas substâncias? Será que hoje. em alguns indivíduos. 1995). o consumo no entanto. mas nas vulnerabilidades que conduzir o indivíduo ao consumo de determinadas . como um meio de fuga perante a realidade dolorosos e com a incapacidade do aparelho psíquico do mundo e da sua “depressão”? Como é que tudo com eles lidar e a sua inscrição numa fase precoce do isso acontece? O que leva a essa escravidão? Como desenvolvimento. 1983. a angústia da separação do objecto. sinónimos. aspectos tais como o narcisismo.129). a toxicodependência parece assumir. poderá assumir-se. mas a reacção maníaca só pode ser tantes contribuições psicanalíticas sobre o tema da alcançada com a ajuda das drogas” (1960. esboçar hipóteses explicativas para os comportamentos torna-se imperioso esclarecer que droga e toxico­ adictivos. com outro em estrutura particular. não fazendo mais do que criar dimensão de um sintoma que remete para o próprio vulnerabilidades. Segundo o autor. os processos de adicção penhe um papel fundamental na organização de um constituem o exemplo da mais perversa dependência. no entanto. Khantzian (1985. publicadas nos últimos 100 recentemente. a de drogas. se Tal facto. que em diferentes proporções e combinações. nomeadamente. possuir outras vulnerabilidades. Mas. Para uma compreensão da Dor Mental na Toxicodependência 1 – INTRODUÇÃO podem influenciar a sua ocorrência. Mais dependência de droga. não nos possíveis existência de necessidades específicas que podem factores etiológicos. face a um explicativas só trouxeram respostas parciais existe. associação da toxicodependência com estados mentais sobretudo. sentimentos e. Colocando a ênfase no funcionamento mental. qualquer processo de dependência. incapaz de entretanto realizados (Vaillant. em tempo e energia? dor e com a depressão e. se até ao momento. 1986) e Dodes (1990) anos. é que indivíduos se deixam enredar em relações de Partilhando desta opinião. ainda desafectação da componente simbólica e relacional. actualmente. em Mas. e comparou os resultados da sua revisão com as corroboram a ideia de que situações traumáticas numa descobertas mais relevantes dos estudos prospectivos fase precoce da vida geram um ego frágil. definidos por relações de dependência mútua. Concluiu que tomar conta de si próprio e de lidar com os seus próprios a síndrome da toxicodependência é multideterminada e. embora presentes nos processos adictivos. facilmente recorre a meca­ Ramos (2004) efectuou uma revisão das mais impor­ nismos maníacos. pelo contrário. Rosenfeld afirma que “o ego dependência que parecem imensamente destrutivos e do adicto é fraco e não tem a força para lidar com a dispendiosos.4 Dor que Consome. a relação de objecto anaclítica. quando este a fragilidade do ego. uma substância. estudados. qualquer que ela seja. a regressão oral. ambientais. Mas. em diversos dependência não são. no entanto. até mesmo ameaçador. Todas as culturas e épocas tiveram as suas drogas. uma personalidade toxicofílica. sociais e outras. Os seres humanos Este processo. com êxitos diversos. social. o masoquismo. a não são específicos. prévias à instalação da dependência. p. vários compreendendo-se estas como substâncias tóxicas investigadores e clínicos tentaram. o que fará com que indivíduos desenvolvam uma todas as organizações de personalidade e perturbações relação de dependência desorganizante e exclusiva mentais. como os outros as relações de dependência são inerentes à condição factores. futuro incerto. nunca foi possível definir com clareza uma quando assume um papel recreativo. só se inicia se o indivíduo iniciam a vida em situação de extrema dependência. contudo. não invalida que. deveria ser colocada. ou no entanto. que o que está presente é um esvaziamento e uma uma vez que se pode encontrar cada um deles. antropológicas. Perante uma sociedade que valoriza o imediatismo e os factores psicológicos individuais comummente o funcional em detrimento do afectivo e do relacional. sentido da existência humana.

2005a. muito mais. 2003. sempre presente. com a importância do tema. num estudo de revisão dos resultados consequência do consumo. todas essas tentativas se centraram. p. por forças omnipotentes (drogas) que mantêm a ilusão para a fundamentação da sua associação com a narcísica que o indivíduo é capaz e não depende de toxicodependência e para a determinação da sua ninguém (Khantzian & Wilson. 3-12 5 drogas. como uma Fleming (1995). que a substitua por um sofrimento psíquico) que leva o sujeito ao pedido de ajuda (embora controlado. concluiu que a maior parte dos pacientes toxicodependentes 2 – Sobre o conceito de dor mental sofreram traumas em idade precoce. a dor duma imensa publicações científicas sobre o tema. Talvez só a subjectividade falta. ligados à adicção. Esta constatação e insaciável necessidade e daí uma dor intolerável à contrasta. não-simbolizadas e intoleráveis à consciência do sujeito. revisão bibliográfica. essencialmente. comuns. a dor mental surgiria como um pano (Akhtar. já qual não se segue o trabalho do luto… é de admitir que que segundo Fleming “é a dor mental (ou o sofrimento a sinta no corpo. Weiss 1934). na explicáveis como resposta e evidência de carências no nossa perspectiva. que na patologia da adicção se consubstanciaria numa na investigação clínica. organização psicopatológica do sujeito” (2008. posteriormente. de fundo. como sofrimento. uma vulnerabilidade associada a experiências Orbach & Mikulincer. quer resultantes O conceito de “dor mental” tem sido utilizado por de perdas de figuras importantes para o seu equilíbrio vários autores. Fleming. No entanto. questões equacionadas.12). 2000. importância na dinâmica dessa problemática. real ou . 2003a. Estes autores defendem a hipótese de que isso contribuir para a elaboração de respostas às o consumo de drogas é explicado como uma auto. que o confrontam com a na literatura sobre o tema. ansiedade e depressão Nestas condições. Freud. 1993). p. raramente é relacionado psicológico do indivíduo. existindo algumas tentativas de o definir emocional. quer devido a falhas ocorridas no plano das e delimitar de outros conceitos com características necessidades vitais para o desenvolvimento psicológico. 2006. associado a diversas crónico de necessidade que só pode ser controlado abordagens e problemáticas partindo. através de um agir na procura incessante ele disso possa não ter consciência) e é em torno da substância. Para tal. contribuir para a compreensão da toxicodependência. poderão ser explicados como uma tentativa de fuga a especialmente da sua associação com estados mentais uma dor mental insuportável. com a génese e a manutenção incapacidade de suportar a dor mental? do fenómeno aparecendo.REVISTA TOXICODEPENDÊNCIAS | EDIÇÃO IDT | VOLUME 15 | NÚMERO 2 | 2009 | pp. Importa sublinhar que sofreram traumas em idades precoces? Serão eles que o conceito de dor mental. aprofundar a compreensão da toxicodependência efectuadas no sentido de compreender a relevância à luz da hipótese formulada por Fleming e com deste conceito está uma experiência de perda. Inerente a todas as concepções artigo. procurando perceber as tentativas Este sofrimento incontrolável originado nas relações efectuadas para a delimitação e conceptualização primitivas entre mãe e bebé gera um sentimento do conceito dor mental. 1926. por parte de indivíduos dolorosos. embora assuma. A sua incorporação e a disforia induzida dela que se gera o sistema defensivo que subjaz à pelos efeitos da droga. em particular a dor mental.4). de um grande numero de investigadores. uma importância relevante para a plano de necessidades vitais para o desenvolvimento compreensão da dependência. permite-lhe uma gratificação narcísica sempre insatis­ Também Jobes (2000) considera que a dor mental é um feita” (Fleming. elemento fundamental na estruturação e expressão de Partindo desta concepção pretende-se. com este toda a psicopatologia. que ele acredita poder controlar. foi efectuada uma ‑medicação de um ego frágil sempre em desespero. fortemente. Esta hipótese leva a autora a que o mesmo implica poderá explicar a escassez formular a dor mental no quadro da toxicodependência da investigação científica e consequente pobreza de como “indefinida e incontrolável. Perante esta constatação uma questão se coloca: O estudo deste tema mostra-se importante por Será que os percursos existenciais.

este experienciaria dor vindo a assumir crescente importância enquanto factor mental. distanciamento de emoções negativas como culpa. básica da dor mental seria a frustração consigo mesmo Uma contribuição importante para a clarificação do e o suicídio concebido como o último passo no esforço conceito foi dada por Shneidman (1985. Esta consciência de inade­quação do Self gera fundamental para a compreensão do funcionamento e . perda de controlo humilhação. Baumeister (1990) separado de outras emoções negativas e estados da refere-se ao suicídio como uma fuga do Self motivado mente tal como a depressão e outros. A sua análise levou-o a concluir ter controlo. Da mesma forma. e que. Bolger (1999) questão da dor mental que designa por “Psychache”. Este estado de desconstrução disfunção na tendência do indivíduo para manter o traz consigo irracionalidade e desinibição. 1993. Esta variedade de emo­ e existência de um sentimento de alarme.6 Dor que Consome. vergonha. chama a rente causal inicia-se com a ocorrência de eventos que atenção para a importância deste conceito em toda a colocam. No mesmo sentido. o indivíduo procura escapar a existencial básica. dor mental foi empreendida por Orbach. ções negativas poderia. uma excessiva e 3 – Concepção Psicanalítica de dor mental inadequada tendência para efectuar atribuições nega. fazendo com sentimento de integridade. no indivíduo. identidade e integridade. rigidez cognitiva e rejeição do contribuição para o aparecimento da dor mental e significado) que impede a tomada de consciência e o concluiu que isso seria um sinal da ocorrência de uma contacto com os afectos. que ele chama sofrimento psíquico são uma forma de vazio advindo de “estado de desconstrução cognitiva” (focar-se num da perda de sentido da vida. é um estado de consciência desagradável devido à seria a percepção da ocorrência de uma mudança discrepância entre o Self-Ideal e o Self-actual. que conduziria a um estado de tonalidade um afecto negativo e leva o indivíduo a tentar libertar- dolorosa com repercussões ao nível do sentimento de ‑se dessa consciência e dos afectos a ela associados. pela necessidade de escapar a um intenso estado de para além de salientar a importância da dor mental no consciência aversivo (dor mental). que a dor mental se assemelhava à fragmentação do evitar a vergonha e sentir-se seguro. (de algo amado). (2003a). tentou produzir uma narrativa da dor mental através da Concebe-a como consequência da frustração das análise de entrevistas a indivíduos que sofreram expe- necessidades essenciais do indivíduo. Quando essas falhas são atribuídas internamente e existe. sentir a sua própria imagem protegida. tativas do indivíduo. severamente. A frustração Self. contexto da sua teoria do suicídio. desespero e raiva. defeito. Depreende-se das suas teorias que a dor mental instigada pelo trauma e pela perda. Mikulincer Shneidman (1985) afirma que quando a dor atinge uma et al. Frankl afirmava que a dor mental e o nova organização de funcionamento. na essência. Bakan tempo mais curto. riências traumáticas. transformar-se numa Uma contribuição notável para a conceptualização da experiência generalizada de dor mental insuportável. psicopatologia (2003a). Para uma compreensão da Dor Mental na Toxicodependência fantasiada. Também para a escola psicanalítica este conceito tem tivas às suas próprias falhas. A tentativa de resolução passaria pela procura de uma Já em 1963. A emoção negativa no Self. despersonalização. como ser amado. Este sentimento de fractura abrangia várias deter- dessas necessidades essenciais causaria uma mistura minantes incluindo sensação de vazio. No de escapar do Self e do mundo. Esta concepção. objectivos (1968) enfatizou a experiência de perda como principal imediatos ou próximos. uma representação de um estado subjectivo único e Na mesma linha de entendimento. o que justifica o seu escrutínio como esta dor cometendo o suicídio. a cor. A inovação que propõem prende-se grande intensidade e não existe esperança que isso se com a assumpção da dor mental como uma condição possa alterar no futuro. pensamento concreto. em causa os objectivos e expec. desenvolvimento e funcionamento “normal”. Segundo ele. Herman que medidas drásticas possam ser aceites pelo indiví- e Janoff-Bulman (1992) inferiram que a dor mental é duo. debruça-se sobre a Partindo de uma perspectiva qualitativa. 1996). então.

Já em 1985. isto é. Na sua perspectiva. vão sendo introjectadas e passam a ser libidalmente ligados ao Ego. Do seu ponto estado mental distinto de outros estados dolorosos. à angústia. 1963. p. como sabemos. associado a um nível de maior capacidade ou incapacidade de tolerar essa frustração com o de contenção e elaboração mental. Afirma que o crescimento mental é “inseparável da Nesse sentido. Nesse dele. necessário clarificar a ideia. 2005). rando clarificar a questão da diferença entre sofrimento Em 1999. Procu­ ao sentimento de perda de partes do próprio Self. conduz ao luto e em que circunstâncias Também Bion (1962. Se eles desaparecem. de modo o que se exprime na forma de dor mental” (p. um esbatimento de subjacente ao aparecimento da dor mental questiona fronteiras do Eu psíquico e do Eu corporal. Na obra “Dor sem Nome” “indubitavelmente” diferentes. a sua própria personalidade amedrontada.99). sofrimento quando o indivíduo não tem a capacidade de sofrer. concluir que “a dor é a reacção própria à perda do tema que assume importância capital no seu modelo objecto. a relação entre dor e prazer é assimétrica. – uma ruptura na continuidade – ocorre dentro do inicialmente desempenhadas pelo aparelho mental Ego… os objectos de amor tornam-se. a angústia a reacção ao perigo que esta teórico. (Freud. Eu “em que circunstâncias a separação do objecto conduz e Super-Eu. o autor. considerando-a um a dor mental seria o inverso do prazer. materno. 1965. formadora) e com a qualidade do vínculo existente Partilhando da concepção avançada por Freud. o Ego reage como se tivesse sentido afirma: “a mãe equilibrada consegue aceitar sofrido uma mutilação. evidência a questão da tolerabilidade à dor mental. em várias das suas obras (1895. 2003). Weiss entre sujeito e objecto. Para. quanto a si errada. como se fossem partes desempenhadas pelo aparelho mental do bebé. afirma que a primeira dor do homem é necessidade de tolerar a dor concomitante ao cres­ a dor do desamparo na separação do seu progenitor cimento mental” (1967. Na sua teoria. de vista. relaciona a capacidade portanto. p. de que 1917. 1911. Em 1978. 1970) coloca em conduz somente à dor” (p. desintoxicantes e transformadoras. 1926). mas de uma só a perda de objecto que conduz a uma ruptura do Ego forma tolerável – os temores passam a ser manejáveis ou uma lesão do Self (Joffe & Sandler. 2005b) afirma entre dor e desprazer. concebe o desprazer (Fleming. No Apêndice C da obra Inibição Sintoma e Angústia Enquanto o prazer deixa o Eu intacto nas suas funções. Pontalis. Grinberg reforça a ideia de que a dor Apoiada nas concepções teóricas de Freud e Bion. 1967. a autora (2005a. e nostalgia (luto) depois de uma perda traumática.REVISTA TOXICODEPENDÊNCIAS | EDIÇÃO IDT | VOLUME 15 | NÚMERO 2 | 2009 | pp. com a adequabilidade concepção remete-nos para a noção de tolerância da função continente (capacidade de conter no espaço ou intolerância à dor e para a sua importância no mental as emoções dolorosas) e da função alfa (trans­ desenvolvimento ulterior do indivíduo.12). estas funções (1934) afirma que a dor mental surge quando “um dano contentoras. 1895). Mas. O sofrimento aparece. procurando perceber a dinâmica a dor origina uma disfunção tópica.132). a dor mental é inerente ao perda comporta” (p. 1926). a sentimentos de tristeza.156). Anzieu pensava ser que este autor. O autor relaciona sucesso ou falha da função simbólica. entre Id. atribuindo a sua existência.100). e o consequente a maior ou menor capacidade de um indivíduo tolerar êxito ou fracasso do pensamento (Freud. 1911). A ferida aberta produzida nele é esse temor e reagir terapêuticamente. fala da dor mental. que do seu ponto de vista são que enquanto o sofrimento psíquico subjectiva. associada à perda de objecto é também a dor associada Fleming (2003) retoma o tema e aprofunda-o. cit Fleming pela personalidade do bebé” (1967. (Freud. a a fazer com que o bebe sinta estar recebendo de volta dor mental não acompanha qualquer perda de objecto. 3-12 7 desenvolvimento individual. funcionamento da personalidade e é o que se instala especificamente. logo depois. procurando estabelecer a distinção psíquico e dor mental. Posteriormente. encontra . a autora procede a uma pesquisa como uma “experiência de insatisfação” enquanto sobre o conceito de dor mental e ao pôr em evidência que a dor seria a efracção dos dispositivos mentais o percurso do conceito na obra de Freud constata protectores do Self. Tal a dor com uma disposição inata.

deixando-os num se empenha em outorgar sentido e significado a essas sentimento de habitarem um corpo desvitalizado. quando o aparelho mental é de uma tristeza profunda e sem conteúdos que impressionado por um facto existencial imediatamente se apoderou do seu quotidiano. o que nos ou então são meramente agidas e a culpabilidade em remete “para uma experiência dolorosa que precisa vez de ser sentida como tal. a dor mental des. Para uma compreensão da Dor Mental na Toxicodependência palavras que lhe dão sentido e pode ser elaborado 4 – Dor mental e toxicodependência pelo trabalho de luto. mentalmente (pensada). como se se desligassem podem ser nomeadas e transformadas. aparece sob a forma de de ser contida. 1996). o psiquismo procura livrar. a heroína é um antidepressivo de simbolização (2003a). operatórios. a sensação intrínseca de tração que possibilita que o psiquismo desenvolva o prazer e bem-estar do utilizador. de viver. Falam impressões sensoriais e procura transformá-las em de sensações. 2005a. as recordações penosas e os sentimentos confronta-se com a necessidade de fugir à frustração. que se acompanha muitas constelação de sensações indefinidas de anseio. p. a e usam muito mais o comportamento do que o identificação projectiva ou a forclusão. denuncia a experiência possuem propriedades que permitem lidar com aspectos que não acedeu à possibilidade de ser representada indesejáveis do funcionamento interno de cada indivíduo. Segundo a autora. mesmo que isso pensamento para lidarem com a realidade” (Fleming. A autora propõe o euforizantes para sobreviverem psiquicamente a dores conceito de “dor sem nome” para designar a dor mental mentais insuportáveis? e descreve-a como um fenómeno de fronteira. A sua utilização permite atenuar a a frustração for insuficiente ou inadequada a psique depressão. ideias ou vivências situadas num espaço e num tempo. ao contrário. não desafectados. tolerabilidade. original. p. às vezes de impressões dolorosas para pensamentos. para as quais o indivíduo não vezes sentidas como instabilidade. Existem abúlicos. Descrevem uma dor para a qual não Este tipo de funcionamento conduz a uma espécie de encontram palavras. capaz de reduzir as dores físicas e/ou psíquicas Nesta concepção.5). tendo um efeito imediato na redução da não tomando contacto com os afectos. desamparo. mas que ultrapassando o limiar da culpabilidade retaliatória. a clivagem. mesmo que o o papel desempenhado pelo consumo de substâncias preço seja o de uma existência sem vida. como se fugissem de sentir. entre Todas as substâncias psicotrópicas comummente usadas o somático e o psíquico que. por não toleradas. inversamente. (Neto. culpa ou desespero podem. nome ou sequer imagens ou deserto emocional e à presença de dores psíquicas formas que a configure e dê sentido.8 Dor que Consome.4). ser retirados da esfera psíquica. essas dores expressam-se como uma Nesta anedónia relacional. assim. problemática adictiva. é a capacidade de tolerar a frus­ e aumentando. por si só. que não acedeu ao processo Assim. encontra palavras ou representações. de tudo o resto. se encontra impedida. um esbater de fronteiras entre o Eu-psíquico e anestesiar a sua existência e recorrem a substâncias o Eu-Corporal” (Fleming 2003a. É útil observar que a palavra . a ansiedade e a angústia são muitas desamparo e aflição. vezes de alexitimia. ‑se destas emoções dolorosas através de poderosos “Falam de sensações mais do que representações mecanismos de defesa como a negação. sem afectos. indefiníveis e inexprimíveis que. Este facto parece denunciar. implicando uma perturbação Será que estes indivíduos se vêem obrigados a tópica. Diminui a produção de pensamento como um meio através do qual a frustração sintomas psicóticos e também uma enorme variedade se torna mais tolerável. em vez de sentidas. signifique clivar grande parte da sua energia mental. de culpa. por exemplo. não é comunicável e não permite o trabalho confrontam-nos com o vazio da sua existência. extravasa. Sentimentos de dor psíquica. Durante o tratamento muitos pacientes dependentes ‑subjectiva. na economia psíquica do indivíduo consumido pela sem sentido. Na clínica. preenchendo a sensação de vazio e profundo ódio. Quando essa função de transformação as quais têm dificuldade em associar pensamentos. Se a capacidade de tolerar de sintomas físicos. adiando lutos. falam do luto.

Fernandez e para uma “coisa” que se torna insatisfatória porque não Llorente (1997) resumindo estudos publicados sobre sendo o objecto de que se precisa emocionalmente. e as carências do relacionar com ele (pode ser uma substância: álcool. que parece ser responsável pelos consumos. toxicofílica. então.REVISTA TOXICODEPENDÊNCIAS | EDIÇÃO IDT | VOLUME 15 | NÚMERO 2 | 2009 | pp. problemas que são internos. Rado postulava que. Num estudo das características de narcísicas sérias e precoces. . na base de toda tensão psíquica (oriunda de fontes externas ou internas) a toxicodependência. tratamento. citado por Neto. proveniente do Latim e. já que o importante seria o modo de se instâncias morais interiorizadas). Neto dá conta da pre­ por elas. utilizando o SCL-90. toda Já em 1933. conclui que um (Bergeret. eram personalidades dos toxi­codependentes: as manifestações incapazes de conter ou lidar com momentos de maior comportamentais (derivadas de mecanismos de carga de afectividade” (McDougall. 1983). imaginário (apesar da imaginação estar exacerbada comida. de alívio imediato” (p. droga ou até a utilização activa dos outros). dimensão de tentativa de preenchimento de um vazio Vários estudos contribuíram para o reforço da objectal interno que testemunharia a incapacidade de associação entre estados mentais dolorosos e toxi­ simbolizar os afectos e “reenvia sempre a carências codependência. situando no exterior as fontes das caracterizaria a “personalidade adictiva” seria. o acto de se drogar comportaria uma só solução para se esquivar da dor mental. p. particularmente perturbação crónico de necessidade. Bergeret e colaboradores (1983) defendem Nestas pessoas qualquer tipo de emergência de emoção que a maioria dos toxicodependentes tem personalidades seria imediatamente dispersa pela acção: “apercebi-me imaturas. ansiosas e insa­tisfeitas. que o prazer derivado do consumo de substâncias Num artigo de revisão realizado em 1991 (estudos psicoactivas é o sentimento de necessidade determinada realizados entre 1975 e 1985). existia uma “depressão tensa”. é rapidamente descarregada […] o comportamento caracterizada pela intolerância ao sofrimento e por adictivo propicia uma descarga imediata da tensão e uma grande ansiedade dolorosa. McDougall (2001) afirma: “Na economia adictiva. parece a antecipação do desejo e prazeres realizáveis). Weissman (1976.14). devido a ansiedades psicóticas autores. tem a sua raiz etimológica em “addictus” pelas substâncias químicas. Nesta apoiar a ideia de que o sujeito adicto é escravo de uma concepção. depressivos contra os quais se torna necessário lutar. ao longo do tratamento. 1996) com uma amostra de 106 heroi­ simultaneamente. que mais importante do terço apresentava depressões moderadas a graves. três factores domina­riam o quadro clínico das insuspeitas ou a uma extrema fragilidade narcísica. permitindo ao sujeito uma sensação facilmente. Segundo os que estes analisandos.10). conseguido à custa do consumo de drogas. as carências identificatórias (presentes procura constante fora de si mesmo da resolução de nas dificuldades de afirmação perante os outros. Parece pois. A autora esquematiza uma Ainda apoiado na teoria da gratificação narcísica e. O objecto poderia ser o ideais pessoais vagos e irrealistas e ausência de mais variado. refere-se a um costume antigo limitando as trocas afectivas com o exterior e dificultando pelo qual o indivíduo era tido como escravo. sença de uma elevada taxa de depressão em toxi­ O que. uma necessidade deslocada anti-social da personalidade. Tal. Isso obrigaria a que o da excitação psíquica então acumuladas e causadoras reencontro da satisfação narcísica perdida fosse. fluidas. O que defesa projectivos. Também. pelo comportamento e pelo corpo” nodependentes. referem que estes pacientes revelam uma Procurando obter respostas na busca da compreensão pré-disposição para sintomas ansiosos e depressivos da economia psíquica presente nos fenómenos adictivos. “estrutura adictiva” onde o agir representa uma tentativa não querendo afirmar que exista uma personalidade compulsiva de evitar o «transbordamento» afectivo. 3-12 9 “adicção”. 2001. que conduzem a vividos personalidade em toxicodependentes. Mas. mais de desprazer. segundo Olievenstein (1987) leva a concluir que codependentes e uma elevada taxa de incidência de o toxicodependente sofre psiquicamente de um estado perturbações do eixo 2. características de personalidade de heroinómanos em nunca satisfaz. a dificuldades). o imaginário está reduzido.

anteriores à instalação do de adaptação às dores. inconsciente. sob a forma de dor física num corpo máticas da perda. no paciente de funcionamento presente nas condutas adictivas. As proble­ ‑se em «travesti». É de admitir que a substitua por 5 – Conclusão um sofrimento controlado.. a dor duma imensa e insaciável necessidade e daí uma dor intolerável. para as frustrações precoces se é verdade que as drogas são susceptíveis de decorrentes da ausência e para a elaboração da proporcionar prazer. afirma “nesta área. a negação do sofrimento psíquico numa presunção de . remete para a ideia de «anti. não é isso que é responsável pela perda do objecto. toxicodependente a dor mental não aparece. Jacques ao nível da capacidade de simbolizar (pensar) e elaborar (2001) concebe a toxicodependência como um dispositivo os afectos. a procura Existe uma corrente significativa de clínicos e inves­ incessante da substância. que referindo-se «não-experiência». ainda pois esta é objecto de uma recusa. enviam-nos para a dimensão da experiência que preexistem à entrada na droga. numa perspectiva de ou de um recalcamento. Estes indivíduos. um processo pessoal de inícios “experiência prematura. de um desmentido que duma forma inconsciente. dor de existir e.” (Sequeira. recusadas ou inconscientes.68). para lida­ dependente revela. Como tal. Assim. embora disfuncional. paradoxalmente. especialmente se «dor» que. em que o psicológico foi excluído. emocional à percepção. Os Se um sujeito se consagra a estes produtos. parecendo viver num estado de Concordamos com Magalhães (2000). A experiência do registo da linguagem e do pensamento. de lidar com o concebe a toxicomania como uma tentativa espontânea sofrimento e com a dor mental. com uma dependência estabelecida. Estas dificuldades. prolongada e traumática da longínquos – as raízes fora da sua memória consciente. muito cedo deixaram de atribuir significado de um destino. O toxico­ adaptar a provas penosas. Para uma compreensão da Dor Mental na Toxicodependência como o objecto adictivo é uma tentativa de resolução de associação dos consumos com afectos e estados conflitos internos. indefinida e incontrolável porque doença – é o escapar a essa dor: através da loucura ou não compreendida. Mas. que lhe parece a função mais bem intimamente relacionado. quer por intolerância inata à frustração Um processo de desenvolvimento que lhe imprimiu e/ou inexistência de função adequada do continente uma falta. p. de tratamento pela droga de uma dor preexistente. “no seu sofrimento e no rem com um sofrimento insuportável causado pela seu comportamento. através de um agir. e problema. é. a utilização do corpo poderosos que as mascaram sob a capa de uma total como local de descarga de todas as angústias. Ou então há. 2005a. poderá estar dor». afirmando que primária de insatisfação. apesar toxicómanos não reconhecem com facilidade esta dor do interdito e dos riscos. O que aparece são as dores experiências traumáticas nas histórias dos dependentes.” à toxicodependência.10 Dor que Consome. separação. portanto.9). somos levados a entender dependência. satisfeita. psíquicas silenciadas sob o efeito de antídotos químicos as dificuldades de simbolização. mas. o seu efeito é sempre transitório. a sua incorporação e a disfo­ tigadores que acredita na importância dos afectos ria induzida pelos efeitos da droga. então. para isso. que ele acredita negativos e da dor mental para a génese e dinâmica poder controlar” (Fleming. o que leva a considerá-la tentativa de cura. a cura é a é uma dor constante. a dor duma necessidade nunca da toxicodependência” (p. apresenta- mais especificamente na toxicodependência. O autor chama a atenção para o termo que o consumo de substâncias. e este sentimento adquirirá a inexorabilidade materno. permitem-nos pensar que a dor actividade adictiva tem que ser renovada continuamente. igualmente.117)..7). mental poderá assumir grande importância na dinâmica É um objecto que nunca completa a transição para o psíquica da toxicodependência. estou em crer que não há Na nossa perspectiva “a dor mental do toxicodependente cura. uma tentativa. e poderá ser percebido como assegurada e estabelecida dos opiáceos. consumo de drogas parece reflectir sérias dificuldades Partilhando. p. segundo ele. e a mentais penosos. p. de anti-álgico. 2006. a maioria das vezes. com a existência de numerosas mal tratado ou em privação. 2006. a doença é a (Sequeira. ou pelo menos na tentativa de se como desconhecida e. dessa abordagem.

. nomeadamente nas centradas Psychotherapy Research.pt uma intervenção clínica onde o terapeuta. 22 600 16 31 de forma a que o paciente as possa integrar no seu E-mail: mfleming@icbas. 123-132. Estudos Psicanalíticos Revisados. de que é suffering. Rui Guimarães E. 21-27. seja capaz de as transformar e devolver Tel. Psicanálise. M.guimaraes@idt. se o terapeuta ceder à tentação de REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS aliviar imediatamente o sofrimento do paciente. Llorente. “Addiction. Estamos pois numa abordagem ao fenómeno da toxicodependência que contraria algumas das inter­ ContactoS: venções clínicas preconizadas para esta problemática. (1976). elaboração e integração a longo prazo. Tal abordagem. H. M. de Matosinhos / DRN. R. contribui. Psychological as dores. “The reasons people give for taking overdoses”. Skrimshire. a nossa pesquisa. lhes sonega toda para a avaliação da sua associação com os fenómenos e qualquer possibilidade de crescimento. 342-362. (1999).. a droga que é fonte de dor. Ainda hoje. não só não existe nenhuma escala de Psychoanal. J. (1967). (1995).min-saude. e segundo Dodes. Port. Os Elementos da Psicanálise. nomea­ Bion.. A. dor mental seja relacionado com a dependência de Fleming. Rio de Janeiro: Imago. mas. estará a impedir o verdadeiro alívio que virá do trabalho de Anzieu (1985). X. D. como Review. “A dor mental. a miséria e o isolamento. Psicanálise. como contentor das emoções não toleradas 4099-003 Porto do paciente. helplessness. L. 59. se ofereça. Sugere. Mostra-se pois. 1995. W. que futuros estudos procurem contribuir Fleming. em nossa opinião. pain. 90-113. 23. Torna-se necessária E-mail: rui. à manifesta insuficiência de investigação científica que Bégoin. M. Eros e o Deserto Emocional”. para a operacionalização do conceito de dor mental e Rev. Q. ainda presente. Rev. por técnicos e entidades oficiais com responsabilidades 538-548. para a perpetuação do “conluio da cegueira” Bion. unicamente. na rela­ção Largo Abel Salazar. 24. Bakan. em termos clínicos assiste-se. no sua relação com a dor mental. and sacrifice: Toward a psychology of necessário desmistificar a ideia. & Simkin. M. Rio de Janeiro: Zahar. Précis de Toxicomanies. S. A. Aprender com a Experiência. Atenção e interpretação. et al. Franc. invalidando com isso a construção de 4450 248 Matosinhos um espaço simbólico de pensamento e contenção Tel.up. (2002a). efeito dos consumos de drogas não permite e cen­ Bergeret. Disease. CRI Ocidental do Porto que valorizam o alívio imediato de todos e quaisquer Rua Roberto Ivens. Bion.pt Self. Port. J. 398-419. (1989). Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar da Universidade do Porto na dinâmica psíquica do indivíduo. J. 3-12 11 invulnerabilidade que os protege. ainda hoje. para a entrada e manutenção da dinâmica adictiva. J. 457-469. dor mental validada em Portugal. p. adictivos. C. então. Imago. 157-167. (1968). W.. British Journal of Psychiatry. E. 2 terapêutica. Psychanal. Paris: Dunod. substâncias isto. decisiva. nesta área. suporte as abordagens e intervenções na problemática Bolger.T. Família e Toxicodependência. de forma Bion. da toxicodependência. Moi-peau. “Ansiedad y depressión en outro estudo em que um instrumento de medida da heroinómanos”. O mais grave nesta formulação é que colocar Baumeister. nenhum Fernandez. “Dor mental: Um Para Além do Representável”. M.64). Leblanc. Rio de Janeiro: Zahar. 128. 472 sofrimentos. 97. Colectânea de Textos das Taipas. (1997). “Introduction à la notion de souffrance psychique: le désespoir d’être”. damente. Pelo contrário. W. (1963). “Suicide as escape from self”.. que o conceito assume nesta problemática. (1962). 22 002 88 00 necessário ao crescimento mental. mas também. (1990). 9. Rio de Janeiro: (Fleming. opinião ainda hoje partilhada Bancoft. J. (1983). LIII (1). Rev. and narcissistic rage”. E. “Grounded theory analysis of emotional pain”. Paris: sura a compreensão da preponderância da dor mental Masson. Apesar dos avanços a que se tem assistido. Porto: Afrontamento. (2002b). (1990). ‑se. J. para além de Manuela Fleming procurar um novo sentido do sintoma toxicodependência Departamento de Ciências do Comportamento. W. particularmente a toxicodependência. . apesar da reconhecida relevância Fleming. Chicago: Beacon Press. (1970).REVISTA TOXICODEPENDÊNCIAS | EDIÇÃO IDT | VOLUME 15 | NÚMERO 2 | 2009 | pp.

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