Você está na página 1de 7

2017­6­9 CONSIDERAÇÕES SOBRE O ROMANTISMO ALEMÃO

Criar conta  |  Entrar |  Filtro familiar:seguro

VITRINE

PARA SER FELIZ e
outros poemas
Textos > Artigos SérgioHenrique
R$20,00

Texto VAMOS LÁ! VAMOS
LER!
J B ROMANI
R$19,00
CONSIDERAÇÕES SOBRE O ROMANTISMO
ALEMÃO SENSUALidade 1
Lucibei
EUR10,00

           A NOITE TOMA O LUGAR DA “AUFKLARUNG” *
CAMILO CASTELO
BRANCO EM SANTO
     De um dos pais fundadores do Romantismo, uma guirlanda de TIRSO
ANTONIO JORGE
fragmentos: EUR15,00

Sonho, Miragem ou
“... No mundo, então, que faremos Realidade?
Benedita Azevedo
      Com tanto amor, tão fiéis? R$30,00
      Se põem de lado o velho,
Sol da Manhã
      O novo o que nos reserva? Augusta Schimidt
R$32,00
      Mas que só, desconsolado,
      O devoto do passado! (...) Histórias do Futuro
Flávio Cruz
R$24,12
 ...  Do tempo em que altas brilhavam
      As chamas da luz dos sentidos ... BLINDAGEM
Vinícius Tadeu
R$29,00
...   Do tempo em que ainda floriam
      Antigas estirpes magníficas, ... POESIAS E PROSA
Manoel Fernandes
R$20,00

...   Do tempo em que jovem e ardente INVERSOS
      A Si mesmo Deus se mostrou. (...) Jose Hilton Rosa,
Carmo Antunes
...    Mas vê temerosa saudade R$25,00

       Estarem na noite encobertos. Como anunciar nesta vitrine?
       Jamais a transitoriedade
       Acalma sede que aperta.
       Nós vamos voltar à pátria,
       Ver esse tempo sagrado.”    (Novalis. Saudades da Morte)

              SOBRE O ROMANTISMO ALEMÃO

     Edificado pelos irmãos August e Friedrich Schlegel, pelo jovem poeta
Novalis, pelo dramaturgo Ludwig Tieck e pelos filósofos Schelling e
Schleiermacher, o Romantismo alemão ­ ou a chamada “Escola
Romântica”­, estabeleceu­se, na qualidade de grupo, em torno da revista

http://www.recantodasletras.com.br/artigos/101728 1/7

 o que há de livros escritos atinente a esta temática é de uma quantidade imensa.      Augusto Meyer (1986) comenta nos seguintes termos os resultados de seus estudos sobre o tema: “Romantismo alemão. inclusive na literatura das ciências sociais em geral. Este conceito está no centro desta sua tese.. procura. Perigoso tema.recantodasletras.      Desse modo. O Romantismo. nesse caso. é freqüente entender o Romantismo como algo que poderíamos denominar de um movimento anticapitalista. Por estas razões. alguns resultados desses estudos.2017­6­9 CONSIDERAÇÕES SOBRE O ROMANTISMO ALEMÃO “Athenaum” (1797). sem dogmatismos (1).. Na medida em que ele pôs este conceito no núcleo da sua tese. o movimento romântico geralmente se estende para adiante de sua datação histórica. pois. do lado da crítica literária. verdadeira sedução da rosa dos rumos”.      Assim. Schelling. em texto introdutório da referida tese: “Benjamin foi o primeiro a valorizar a teoria romântica da ‘Reflexão’.. Fichte.” http://www. numa tentativa desesperada de reencantar o mundo. mesclando­se a uma série de outros movimentos. de lutar contra o “desencantamento do mundo” imposto pelas potencialização da técnica e pela abstração racionalista.. porém. aliás. com todas as suas implicações de crítica ao modelo de teoria do conhecimento monológico . Schlegel e Novalis surgem como marcos originários da articulação entre crítica e arte no que se refere aos estudos empreendidos por Benjamin em seu texto de doutoramento.. Desmancha­se a vinculação direta do homem com o sobrenatural. a Inglaterra e a França do século XIX. Benjamin define a crítica como um ‘medium­de­reflexão’.10­11).  Segundo o estudioso do pensamento de Benjamin Márcio Seligmann­Silva (1993: pp.      Ademais. para este fim. A tese de Benjamin reúne estudos de teoria literária. então.. em que logo nos sentimos solicitados por mil e um atalhos sem estrada real.br/artigos/101728 2/7 .      De acordo com a análise clássica do sociólogo alemão Max Weber (1982). abandonemos esse campo de múltiplas perspectivas e examinemos um dos aspectos da complexa temática pelo viés da crítica literária. a tese de doutoramento de Walter Benjamin “O Conceito de Crítica de Arte no Romantismo Alemão” (1919) consegue ­ apesar da amplitude do tema ­ trazer a lume o modo peculiar de compreender e de fazer crítica da arte entre os românticos de Jena. situando o espólio dos primeiros românticos alemães. desvendar o inconsciente. Estas. o mundo moderno experienciou um processo de desencantamento. são as principais teses que percorrem dois notáveis estudos sociológicos ­ ambos amparados pela filosofia crítica de cunho ideológico marxista ­: um de Michael Lowy e outro de Robert Sayre. ele trouxe à tona um debate ­ a crítica de um determinado modelo de razão e racionalidade. Analisemos. Entre filósofos e poetas. Ambos examinam o Romantismo de um ponto de vista marxista. tendo como solos geradores a Alemanha. filosofia e teoria do conhecimento.      Contudo.com.

99)      Em suma. esta nada mais deve fazer do que descobrir os planos ocultos da obra mesma. executar suas intenções veladas. Como muito bem observa Jeanne Marie Gagnebin (1993). 27 maio 1988.. que não exclui.. Sua determinação  não é apenas a de reunificar todos os gêneros separados da poesia e estabelecer um contato da poesia com a filosofia e a retórica. se fechar em seu ego num isolamento pleno e assim recusar a abertura que representa a exigência fragmentária.com.2017­6­9 CONSIDERAÇÕES SOBRE O ROMANTISMO ALEMÃO      Nesse sentido. Assim. Folha de São Paulo. Nesse caso. número da revista­manifesto do Romantismo “Athenaeum”..      Fragmento: intuição do Romantismo. só é obra de arte aquilo que for capaz de desencadear um conjunto de reflexões em direção ao desejo de conhecimento. toda obra de arte deve ser pensada como um núcleo de idéias ou como um “medium de reflexão”.br/artigos/101728 3/7 .B­5)      Trata­se. para tanto. uma cabeça. “. ao mesmo tempo. então.”. poetizar a espirituosidade. diz Schlegel: http://www. fundamental: o conceito de alegoria. incorporando o fragmento como estilo poético. o fragmento parece com freqüência antes um meio de se abandonar por complacência a si mesmo do que a tentativa de elaborar um modo de escrever mais rigoroso. genialidade e crítica. sobretudo  “Origem do Drama Barroco Alemão” (1925). Em ensaio comemorativo aos 190 anos do 1o. Portanto. dentre os conceitos benjaminianos. e deve. São Paulo. da reflexão da poesia por si mesma. mostrar os limites da obra de arte. ou seja. em Schlegel. animando­as com as vibrações do humor. Folhetim. “requer­se. p. Ou.” (“O ‘Athenaeum’”. Ela também quer. às vezes misturar. fazer poéticas da vida e a sociedade. a poesia romântica deve tornar­se filosófica e a filosofia deve  converter­se em poesia. na tese de doutorado de Benjamin encontram­se em gestação os conceitos fundamentais que percorrerão as obras benjaminianas posteriores. e um. preencher e saturar as formas da arte com toda espécie de cultura maciça. poesia e prosa. fundir às vezes. tornar a poesia sociável e viva. acrescenta Benjamin (1993). Da exigência da poesia em se realizar por sua própria reflexão. para Benjamin. o pensador francês Maurice Blanchot anota que. poesia artística e poesia natural. o crítico literário deve redescobrir a obra como ruína de potencialidades não concretizadas.. de acordo com Benjamin. mas excede a totalidade. Escrever fragmentariamente é.recantodasletras. A rigor. a crítica literária deve levar a obra à consciência de si mesma. então. Sobre isso. como escreveu Schlegel ­ cujas concepções sobre a fundação de uma “razão densa e ardente” são analisadas por Benjamin com rigorosa atenção ­ num dos fragmentos que compõe  “Conversa sobre a Poesia” (1994): “A poesia romântica é uma poesia universal progressiva. “para tanto. na qual o espírito poético e o espírito filosófico tenham se penetrado no todo de sua plenitude”. simplesmente acolher sua própria desordem.”  (Schlegel 1994. p. o crítico deve aperfeiçoar a obra de arte e.

 portanto.       No referido “Monólogo” de Novalis. Só se pode pasmar diante do erro ridículo de as pessoas pensarem que falariam em vista dos próprios objetos. do conceito de identidade. “Poesia”)                  IRONIA ROMÂNTICA      Finalizando. do conceito de sujeito. mas que o discurso que põe o sujeito”. mas muito mais escravo da língua; não é autor do logos.recantodasletras. para Novalis o verdadeiro sujeito é a língua: egoísta.” (Novalis. odiosa. se entretêm apenas http://www. eis o que ninguém sabe. zombeteira. apagamento do sujeito do discurso. Se fosse possível fazer entender às pessoas que acontece com a língua o mesmo que com as fórmulas matemáticas ­ elas constituem um mundo para si. “Esta auto­suficiência da língua constitui a sua essência . assim que começa o traço..”.”. acontece uma coisa doida com o falar e o escrever: a reta conversa é um mero jogo de palavras. fascina.. Assim. que garante o discurso clássico do “EU”. coloca tudo. porque sou eu mesmo algo desse gênero; nenhum estilo me é tão natural e fácil quanto o dos fragmentos. lemos o seguinte:       “Para dizer a verdade. tantas vezes e tão diversamente interpretado. salienta Jean­Yves Tadié (1992). caprichosa.com. mas seu objeto . “aquele que fala não é senhor da sua fala. consoante Jeanne Marie Gagnebin ­ em impecável tradução comentada do fragmento intitulado “Monólogo” ­. ressalta Gagnebin. Precisamente. ou melhor. da constituição do sujeito universal. então o poeta dissolveria todos os elos. Essa auto­suficiência da linguagem “acaba fatalmente por destruir o sujeito falante enquanto verdadeiro sujeito” do discurso. antecipando Proust. Mas se esse alguém quer falar sobre algo determinado. a poética fragmentada de Novalis já parecia isto bem revelar: “O poeta conclui. Se o filósofo apenas ordena   tudo. explicita a essência da linguagem. mas sem completo poder de convicção. a língua zomba das pessoas sérias.. Por extensão. mas não notam que a desprezada tagarelice é o lado infinitamente sério da língua. o próprio da língua. apud Maurice Blanchot)      Fim. que a biografia do Narrador de ‘A la recherche du temps perdu’ não é a de Marcel Proust”.2017­6­9 CONSIDERAÇÕES SOBRE O ROMANTISMO ALEMÃO “ ‘Não posso dar de minha personalidade nenhuma outra amostra além de um sistema de fragmentos. Há muito tempo que foi demonstrado. Daí também o ódio que certas pessoas sérias têm à língua. a língua caprichosa o faz então dizer as mais ridículas e disparatadas bobagens. que ela só se preocupa consigo mesma.. “O exemplo de Proust. mais originais. Todavia. Novalis “afirma que não é o sujeito que põe o discurso.br/artigos/101728 4/7 . Elas notam a sua resolução. induzindo­as a falar bobagens. Por isso ela é um segredo tão maravilhoso e tão fecundo ­ é quando alguém fala meramente por falar que enuncia as verdades mais deslumbrantes. enfim. ou seja.’” (Idem.

 exatamente por isso.2017­6­9 CONSIDERAÇÕES SOBRE O ROMANTISMO ALEMÃO consigo mesmas. O mesmo se dá com a língua. Robert. a ser escritor. não surge poesia alguma. este texto poderia ser. dessa forma. Walter.br/artigos/101728 5/7 . 1993. Tradução Jeanne Marie Gagnebin. In GAGNEBIN. Referimo­nos às seguintes obras: a) LOWY. quem percebe dentro de si a ação delicada da sua natureza interna e move a sua língua ou a sua mão segundo essa percepção.d. Tradução Márcio Seligmann­Silva. (Org. Michael. poesia sem eu nem saber nem acreditar. 1993. Barbosa). se eu fosse obrigado a falar. ‘Monólogo’. elas são tão expressivas. que ninguém pode entender isso e que disse algo inteiramente tolo pelo simples fato de querer dizê­lo. Petrópolis: Vozes. este escreverá verdades como estas que estão lendo. São Paulo: Iluminuras. p. MEYER. “Romantismo e Política”. 13 . J. do seu compasso. em compensação. Só através da sua liberdade são elas membros da natureza e só nos seus movimentos livres se exterioriza a alma do mundo. 2 ed. pois um escritor é nada mais do que um entusiasmado pela língua. *AUFKLARUNG = ILUMINISMO             REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BENJAMIN. João A. um traçado dos objetos. Se creio ter indicado assim. poderia ajudar à compreensão de um mistério da língua e eu seria chamado assim. mas não tem ouvido e sentido suficientes para escutá­la. fazendo delas uma delicada medida.com. 1993. Augusto.recantodasletras. Rio de Janeiro: Paz e Terra. 1995. [s. Quem tem um sentimento sutil do seu dedilhado. Jeanne M. b) ___________. se este impulso da língua para falar fosse o signo característico da inspiração e da eficácia da língua em mim. sei.75. este será um profeta. exatamente por isso se reflete nelas o jogo enigmático de relações que os objetos entretêm. “Walter Benjamin: os cacos da história”. porém.])                        NOTAS 1. Cadernos PUC. porém. “Textos Críticos”. da maneira mais precisa. finalmente. mas a língua caçoará dele e as pessoas escarnecerão dele como os Troianos de Cassandra. a essência e a função da poesia. São Paulo: http://www. “Sobre um monólogo de Novalis”. v. e que. SAYRE.” (Novalis. “Revolta e Melancolia: o romantismo na contramão da modernidade”. “O conceito de crítica de arte no romantismo alemão”. e se a minha vontade só quisesse aquilo a que eu fosse obrigado? Então sim.M. quem sabe bem tudo isso. GAGNEBIN. Como ficamos. São Paulo: Brasiliense. do seu espírito musical. expressam nada mais que a sua maravilhosa natureza e.

(cite o distribuir. DR. 1982. De linguagem fácil. Lisboa: Assírio & Alvim.com. “Conversa sobre poesia e outros fragmentos”. 1992. Rio de Janeiro: Guanabara.br/autores/silviomedeiros). pois esse artigo foi de grande ajuda para mim. “Os hinos à noite”. SCHLEGEL. ___________. F. TADIÉ. Sílvio. executar. Um abraço. “Pólen: fragmentos. “O romance no século XX”. Jean­Yves. Prof.br/artigos/101728 6/7 . Dr. Max. Você não pode criar obras derivadas. Tradução Waltensir Dutra.recantodasletras. F. Tweetar Comentários 22/08/2008 11:31 ­ Edilene Vilas Boas [não autenticado] Muito interessante seu texto.com. Tradução Rubens Rodrigues Torres Filho.2017­6­9 CONSIDERAÇÕES SOBRE O ROMANTISMO ALEMÃO Perspectiva.Encontrei­o na hora certa para trabalhar com meus alunos sobre o Romantismo de Jena. NOVALIS. diálogos.recantodasletras. WEBER. 1988.              PROF. 1988. von H. Bom final de semana. 1986. Tradução Victor­Pierre Stirnimann. os alunos compreenderão melhor as explicações. Edilene 01/08/2008 16:06 ­ Jacqueline Campos Rojas Nossa! Lhe agradeço. Você não pode fazer uso comercial desta obra. desde que seja dado crédito ao autor original  nome do autor (Prof. Beijos e um ótimo fim de semana! 22/09/2007 10:55 ­ Ama Pismel [não autenticado] http://www. SÍLVIO MEDEIROS                   verão de 2006 SÍLVIO MEDEIROS Enviado por SÍLVIO MEDEIROS em 21/01/2006 Código do texto: T101728 Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. São Paulo: Iluminuras. 1984. Dom Quixote. exibir. Tradução Fiama Hasse Pais Brandão. Sílvio Medeiros) e o link para o site www. “Ensaios de Sociologia”. Você pode copiar. Lisboa: Pub. monólogo”. 5 ed. Tradução Miguel Serras Pereira. São Paulo: Iluminuras.

 61 anos 268 textos (356990 leituras) (estatísticas atualizadas diariamente ­ última atualização em 09/06/17 13:33) Perfil Textos Contato Política Editorial Ajuda Editora Política de Privacidade Fale conosco Publique seu livro Condições de Uso Anuncie http://www. Ana. Comentar Sobre o autor SÍLVIO MEDEIROS Campinas ­ São Paulo ­ Brasil.br/artigos/101728 7/7 . como vai? Quero agradecer o achado de um artigo tão interessante no Recanto. Gostei do artigo. que vai ser muito útil à minha Iniciação Científica Meus cumprimentos Ana Pismel 24/02/2006 23:43 ­ Ana Côrtes [não autenticado] Prof.2017­6­9 CONSIDERAÇÕES SOBRE O ROMANTISMO ALEMÃO Olá. Aprecio também muito a sua fartura bibliográfica. Tudo enriquece! abraços.com. rs.Silvio. precioso texto! Estou refletindo com a leitura e recordando contextos.recantodasletras.Devo retornar a esse texto de novo. e manifestar minha satisfação por saber que há aqui uma fonte de pesquisa acadêmica muito produritva. Professor Sílvio.