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Eixo Temático – 3.

Instituições Escolares e Políticas Educacionais

GRUPO ESCOLAR COSTA ALVARENGA: ALIMENTANDO SONHOS E
ESPERANÇAS.

Amada de Cássia Campos Reis - UFPI
Maria do Amparo Borges Ferro - UFPI

A produção historiográfica educacional brasileira tem adquirido maior visibilidade nas
últimas décadas com forte atração para o estudo sobre as instituições escolares.
Seguindo esta tendência, nos propomos, neste trabalho, abordar o processo de criação,
estruturação e funcionamento do Grupo Escolar “Costa Alvarenga”, primeira instituição
escolar desta natureza fundado em Oeiras – Piauí, em 1928. É um estudo de natureza
historiográfica, está situado no limite temporal da primeira metade do século XX,
ancorado na Nova História Cultural e teoricamente fundamentado nas idéias de autores
como Souza, (1998), Faria Filho (1998), Magalhães (1999), Julia (2001), Gatti (2002),
Buffa (2002), Vidal (2006), e outros. Adotamos como procedimentos metodológicos a
análise de documentos originais e de fontes bibliográficas pertinentes ao assunto
localizados em arquivos e bibliotecas públicas e particulares. Considerado como
prenúncio de modernidade e progresso, o Grupo Escolar “Costa Alvarenga”, fruto de
um movimento de reivindicação da própria sociedade junto ao governo estadual,
representava para os oeirenses a oportunidade de adquirir melhores conhecimentos e a
esperança de um futuro mais promissor. A criação desta instituição escolar veio
consolidar o ensino público na antiga capital do Piauí, tornando-se um marco na
educação em Oeiras, podendo a história da educação desta cidade ser escrita em dois
momentos, antes e após sua fundação. Transcorridos 79 anos de existência, o “Costa
Alvarenga” continua sendo um centro de referência educacional daquela cidade.
Esperamos que este artigo sirva de subsídio para melhor compreensão do processo de
criação e funcionamento dos grupos escolares contribuindo para a história da educação
piauiense e brasileira.
PALAVRAS-CHAVE: História da Educação. Instituição Escolar. Grupo Escolar Costa
Alvarenga.

Ao escrever a história de uma instituição escolar é preciso que se tenha em
mente o que diz Magalhães (1999, p. 64):
Compreender e explicar a existência histórica de uma instituição educativa é,
sem deixar de integrá-la na realidade mais ampla que é o sistema educativo,
contextualizá-la, implicando-a no quadro de evolução de uma comunidade e
de uma região, é por fim sistematizar e (re)escrever-lhe o itinerário de vida na
sua multidimensionalidade, conferindo um sentido histórico.

Isto implica um estudo que envolva os aspectos físicos, organizacional,
social e cultural da escola, englobando desde o processo de sua criação, estruturação
física, os procedimentos pedagógicos e gestacionais, a revelação dos sujeitos com seus
modos de pensar e agir, as relações de convivência, resgatando sua identidade dentro da

2 comunidade na qual foi gerada e que por sua vez está inserida e sofre influência de um sistema mais amplo. (2002) e Buffa (2002). nos questionamentos sobre as práticas escolares lá ocorridas. chegou aos anos de 1920 envolvido em uma situação de precariedade. ato oficializado em de 15 de setembro de 1928 (UNIÃO ARTÍSTICA. local que hoje sedia o Museu de Arte Sacra de Oeiras. 1938.. O ensino público da cidade de Oeiras. além de não atender a todos que a elas recorriam. que serviu de base para a criação da União Artística Operária Oeirense. Não existia ensino de nível secundário e as duas escolas públicas primárias de que se tem notícia na época. em 1912. Este prédio não foi escolhido por acaso. p. Buscando inspiração nas categorias de análise propostas por Magalhães (1998). Gatti Jr.. a sociedade local reagiu e a União Artística Oeirense1 encabeçou um movimento em favor da criação de um grupo escolar.. Uma escola deste nível necessitava de acomodações dignas e foi escolhido o sobrado João Nepomuceno. p. A cidade se mobilizou para receber esta grande benfeitoria. cedido pelo poder municipal. . em audiência com o Governador do Estado. solicitaram a criação do primeiro grupo escolar de Oeiras. a concretização deste sonho só ocorreu com a inauguração do Grupo Escolar Costa Alvarenga. 26-27). esta escola representava a esperança de muitos pais verem seus filhos guiados pela luz do saber com possibilidade de um futuro mais promissor. primeira capital do Piauí. fruto de uma investigação baseada. provisoriamente. Porém. Doutor João de Deus Pires Leal. como prova de aceitação do convite feito por Julia (2001. Representantes desta instituição. em 1938. Incomodada com tal situação. 12) aos historiadores da educação que para conhecer uma instituição escolar “convém voltar para o funcionamento interno dela” e conhecer sua cultura. Considerado por todos como prenúncio de modernidade e progresso. além de central e espaçoso. transmitia pela sua imponência e solidez que esta escola veio com toda força para ficar e reverter a situação de penúria porque passava o ensino público oeirense. 1 União Artística Oeirense – antiga associação filantrópica idealizada pelo poeta Nogueira Tapety. já não atendiam aos apelos da população que exigia um ensino de maior qualidade encontrando como única saída recorrer às escolas particulares. para abrigar. o “Costa Alvarenga”. em 21 de abril de 1929. apresentaremos alguns aspectos que marcaram os primeiros vinte anos de existência do Grupo Escolar “Costa Alvarenga”. principalmente.

Criou um prêmio de incentivo para as Academias de Medicina de Lisboa. de uma educação popular. v. 280-281). em Lisboa. O projeto arquitetônico do “Costa Alvarenga” foi realizado pelo engenheiro Luiz Mendes Ribeiro Gonçalves. também responsável pela edificação da maioria dos prédios escolares públicos no Piauí republicano. suas cinzas trazidas para o Brasil e depositadas na cripta da faculdade do Rio de Janeiro. A partir de então. Costa Alvarenga não esqueceu sua terra natal. A escolha do nome da escola é uma homenagem à Pedro Francisco da Costa Alvarenga. Bruxelas. p. 281). a fazer parte deste novo cenário da cidade dominando a praça na qual foi inserida e que tem o mesmo nome da escola. barateamento dos custos e a possibilidade de expansão da rede pública de ensino para atendimento de um maior número de crianças em idade escolar. A mudança do suntuoso e monumental estilo arquitetônico escolar das primeiras décadas da república para prédios mais simples e econômicos ocorrida no Brasil na década de 30 encontra em Faria Filho e Vidal (2000). Filadélfia. 156).4. dando-lhe o nome de “Prêmio Alvarenga do Piauí” (NUNES. Ele faleceu em l4 de julho de 1883. v. Tornou-se famoso mundialmente por descobrir o “duplo sopro crural”. em 1938. 1975. Este ilustre oeirense formou-se médico pela Universidade de Bruxelas e desempenhou sua profissão em Lisboa. mérito também reivindicado pelo francês Duroziez. p. 1975. 3 Oeiras na década de 1930 entrou em “fase de renovação da histórica” (QUEIROZ. motivo pelo qual esta descoberta ficou conhecida pelo nome Sinal de Alvarenga-Duroziez (NUNES. No embalo das mudanças que vinham ocorrendo em outras regiões do estado e do país. a cidade ganhou outra feição urbanística e a sede definitiva do Grupo Escolar Costa Alvarenga passou. Berlim. Viena.4. 1999. a explicação de que o primeiro modelo dava uma conotação de uma educação elitista que chocava com o ideal republicano de uma escola democrática. Adota um estilo arquitetônico que se aproxima das características da estética Art Déco predominando as linhas retas e as formas geométricas. seu corpo foi cremado. resumindo o excesso de elementos decorativos buscando uma maior racionalidade espacial com redução de custos. Paris. como reconhecimento de sua contribuição para a medicina mundial. Estocolmo e Rio de Janeiro. Mesmo morando na Europa. sinal que detecta a insuficiência aórtica. . há uma padronização das plantas. impulsionadas pelas idéias republicanas de modernidade e progresso. p. p.

Mensagem.. a ponto do Governador do Estado. 1996. Os regulamentos de 1931 e 1933. nas “mil práticas pelas quais usuários se reapropriam do espaço”. na elaboração de sua cultura. Para a efetivação de tais exigências havia necessidade que as escolas fossem equipadas com .. um contingente de 165 alumnos. Para conhecer a “vida” do Grupo Escolar Costa Alvarenga foi preciso abrir a sua “caixa preta”. ocorre na medida em que a escola “sofre e adapta-se ao exterior. Elisabeth de Carvalho (1936-1946) e Alina Ferraz Nunes (1946- 1951). podemos dizer que uma escola ganha vida na invenção do seu cotidiano. que também acumulava a função de diretora. Eva das Neves Feitosa. p. p. não podiam pagar o seu ensino ou que. no grupo escolar ‘Costa Alvarenga’. O “Costa Alvarenga”. criando também oportunidade para as crianças que. A carência de material necessário ao desenvolvimento das aulas e execução dos trabalhos burocráticos foi uma constante nas escolas públicas do Piauí. temos. conforme informação do Inspetor escolar” (PIAUHY. para explicar que a compreensão de uma escola passa pela revelação do que ocorre no seu interior. Seu quadro docente inicial era reduzido a duas professoras. indicavam que fossem seguidos os preceitos da Escola Nova. tomando como exemplo este grupo escolar: “só em Oeiras. durante os seus primeiros vinte anos de funcionamento. viviam à margem do mundo dos letrados. que por sua vez. sendo a falta de material didático e de consumo um dos problemas mais gritantes. 15). as professoras normalistas: Eva das Neves Feitosa (1929-1936). organiza-se e gera a sua própria exterioridade” (MAGALHÃES. por falta de condições financeiras de seus pais. com adoção obrigatória do método intuitivo. representava a possibilidade de um ensino de qualidade aberto a quem dele precisasse e isso fascinava e atraía os alunos. p. mas a escola também ordena. em 1929. 13). nas “maneiras de fazer”. o qual attingia 3 dias depois à cifra de 180. O “Costa Alvarenga” passou por momentos de dificuldades no período de sua instalação. 41). para o total de matrículas. 4 Recorrendo às reflexões de Certeau (2003. metáfora aeronáutica utilizada por Julia (2001. a 21 de abril. João de Deus Pires Leal manifestar sua empolgação com o aumento das matrículas nas escolas públicas. abriu suas para acolher os alunos das escolas públicas isoladas e muitos outros que estudavam nas escolas particulares existentes na cidade.. de forma incisiva. por falta de vagas nas escolas públicas. Dr. e Francisca Romana de Sá Martins. 1929). Esta escola era novidade. no dia de sua inauguração. Estiveram à frente da direção do Grupo Escolar Costa Alvarenga.

que influenciaram a minha vida”. observamos que a cultura de uma escola pode ser vista por meio da prescrição legal como também por meio de ações tomadas mediante necessidade imposta pelo cotidiano escolar. . o livro de título “Corações de crianças” foi o que mais marcou a lembrança de seus leitores como podemos constatar no depoimento de uma ex-aluna: “O livro Corações de crianças trazia em suas lições uma mensagem de vida. Eva das Neves Feitosa e Francisca Romana de Sá Martins. pois as estradas praticamente não ofereciam condições de tráfego e raros eram os veículos que circulavam por aquelas bandas. não supria as escolas de forma satisfatória. 2004. de bom comportamento e respeito aos outros. Dada estas circunstâncias. que constitui 2 Depoimento de Amália do Esp. Diante do exposto. e daí aguardavam a oportunidade de um veículo para transportá-los até Oeiras. em meio tantos outros grupos escolares já existentes no Estado construiu sua identidade. E esta forma própria de ser. Estes regulamentos determinavam que o quadro de pessoal em cada grupo escolar fosse formado. usando suas táticas. uma inspetora de alunos e zelador-porteiro. uma adjunta-estagiária. além do diretor. tornando-se singular. A remessa de material pela Diretoria Geral da Instrução Pública para o “Costa Alvarenga” era minguado e somavam-se a isso as dificuldades de envio. por iniciativa própria. Júlia de Carvalho Costa. além de uma zeladora. adaptando-os à realidade local e estabelecendo sua própria cultura escolar. o Estado como mantenedor maior das escolas públicas. comumente estas professoras buscavam o auxílio de voluntárias locais que lhes ajudavam extra-oficialmente e tomavam. Costa Alvarenga. outras providências para que as atividades escolares não sofressem descontinuidade. no começo do século XX.2 O “Costa Alvarenga” fundamentava-se nos preceitos estabelecidos pelo Regulamento de 1931 e pelo Regulamento de 1933. E. contando apenas com duas professoras. em 12 out. apresentando um déficit de funcionário. Os materiais escolares eram remetidos. no entanto. ex-aluna do G. Dos materiais enviados ao Grupo Escolar Costa Alvarenga. Oeiras dista de Teresina. iniciou suas atividades. por quatro professores. cerca de 340 km e. via Floriano através de embarcações pelo rio Parnaíba. na maioria das vezes. É neste momento que a escola. a comunicação e transporte com a capital do Estado se davam de forma muito dificultosa. 5 material didático adequado e suficiente. constrói-se historicamente ganhando vida própria. Esta escola. Foi no jogo de apropriação e adaptação das normas estabelecidas às condições apresentadas pela realidade local que o “Costa Alvarenga”. porém. Santo Campos.

.] Terminado este primeiro momento de aula do dia. Nelas eram distribuídas carteiras de madeira duplas dispostas em duas ou três filas [. [. As carteiras tinham um lugarzinho de botar o tinteiro para a gente não manchar o papel da prova. o mobiliário distribuído de forma a permitir livre circulação entre eles e as paredes decoradas com cartazes e mapas tornando o local mais aprazível e estimulante ao ato de ensinar e aprender. cópia.. 4 Depoimento de Irene Ferreira Rodrigues.4 Iniciei meus estudos quando o Grupo Escolar Costa Alvarenga já funcionava em sua sede própria.E. .. 52).. Geografia.]. Para Souza (2004.3 Os grupos escolares exigiam espaços apropriados para atender a necessidade de um ensino seriado.]. construída pelos seus autores no dia-a-dia de suas ações é que permanece viva na lembrança de seus professores e alunos. em set 2004. pelo menos o sinal da cruz se fazia. Os regulamentos. A professora passava abordar outros assuntos: História do Brasil. Nas salas de aula as carteiras eram de madeira [.. [. Matemática e Ciências [.] cantávamos hinos patrióticos. O cotidiano do “Costa Alvarenga” foi assim descrito por uma ex-aluna: As aulas começavam às 7 horas da manhã e se estendiam até as 11 horas. ex-aluna do G.. Começava sempre com aula de Português e além da leitura. Numa destas salas ficava a biblioteca cheia de livros.. Tinha muitas salas. além de outros. ex-aluna do G.] Acabava o recreio e retornávamos à sala de aula. Quando chagava na escola. também fazíamos composições e começávamos desde cedo. Costa Alvarenga.. [. quando ela chegava a classe se levantava para recebê-la e antes de começar a aula rezávamos. [.. ao se fazer um estudo histórico sobre a educação é necessário ter em mente que: para compreender o que a escola realizou em seu passado [.]. numa tentativa de racionalizar o tempo. O quadro negro era 3 Depoimento de Amália do Esp. Santo Campos. 6 sua cultura. vinha o intervalo – o recreio com uma duração de mais ou menos meia hora.... em out 2004.. [..]as salas de aula eram amplas e arejadas com janelas grandes e altas possibilitando uma boa iluminação e ventilação com piso de mosaico o que facilitava sua limpeza.. estudo das classes de palavras e análise gramatical.. A acomodação destes novos ambientes deveria ser planejada. ditado.]. tanto na instalação provisória como na sua sede definitiva fez marcas na memória de seus alunos que ao relembrá-lo não esquecem de seus detalhes: Comecei a estudar quando o Costa Alvarenga ainda funcionava no lugar onde depois foi o Palácio do Episcopal.] é preciso que a história da educação inclua o ponto de vista desses seus agentes [professores e alunos].. O ambiente do “Costa Alvarenga”. forneciam regras minuciosas. e não somente o ponto de vista do discurso emanado das esferas mais altas do poder institucional. A gente subia uma escadinha e a sala ficava do lado da direita. Costa Alvarenga.].. Era no andar de cima e minha sala ficava [. como pais e administradores.. [. mapas e globos. escrita.. E. p. no entanto o funcionamento da escola se dava a partir do ajustamento destas normas às suas necessidades diárias.] Já em sala de aula aguardávamos a professora todos sentados nas carteiras...

ativação dos sentidos 5 Depoimento de Rita de Cássia Campos. noções de cosmografia). em jul 2006. em set 2004. os hinos e outros cânticos.6 O método indicado pelos regulamentos era o intuitivo. geografia). De forma que quando um aluno concluía o primário no Costa Alvarenga estava pronto para a vida. Esta nova sede da escola era moderna e representava um progresso para a cidade e uma melhoria para a educação. p. Veja no depoimento abaixo o testemunho da execução deste currículo: O que se ensinava no meu tempo de aluna e de professora pouca coisa mudou nos conteúdos ensinados. é o currículo “que preside as atividades educativas escolares.] Além de tudo isso cabia à professora ensinar também a maneira correta dos alunos se comportarem e boas maneiras no trato com os outros. ex-professora do Grupo Escolar Costa Alvarenga. caligrafia). globos e outros materiais didáticos. .. por meio da criatividade dos professores e das atividades desenvolvidas pelos alunos e demais membros da escola. No primeiro ano era mais limitado. apenas a maneira de ensinar tornou mais ativa e afetuosa. biológica (noções de higiene.. se ensinava a ler. cívica (história. [. para assumir um emprego melhor na cidade ou enfrentar os exames de admissão em outras cidades para dar continuidade seus estudos. Este currículo ganhou vida no cotidiano do “Costa Alvarenga”. escrever e contar. o currículo é um elemento de considerável importância. desenho. p. O fundo e as laterais da escola serviam de pátio para o recreio e educação física onde meninos e meninas brincavam separadamente. 45). urbanidade). científica (matemática. Dependendo da turma a dosagem da matéria variava. também conhecido como “lições de coisas”. constavam das seguintes matérias: literária (leitura e escrita. a gente tinha um programa a seguir e ia adaptando às turmas. ex-aluna do Grupo Escolar Costa Alvarenga. música e poesias sempre relacionados aos assuntos abordados e trabalhos manuais como crochê. O currículo formal das escolas primárias do Piauí. Para Coll (1997. prática (lições de coisas. que segundo Valdemarim (2001. 7 apoiado em um cavalete e na parede tinha um crucifixo e mapas. rudimentos de ciências físicas e naturais. traz como palavras de ordem os termos “observar e trabalhar”. numa funcionava a diretoria servindo também como sala de professor e na outra uma pequena biblioteca e local para guardar mapas.5 No estudo de uma instituição educativa. social (línguas. 6 Depoimento de Maria de Macedo Reis. língua materna). No fundo da escola tinha as sentinas de buraco e um quartinho para depósito. Cada professor lecionava todas as matérias. artística (canto e música. Além das salas de aulas existiam na entrada duas salas menores. que são diretamente responsáveis pela sua execução”. bainha aberta e bordados. rudimentos da agricultura e pecuária) e manual (trabalhos). noções de educação moral e cívica. 138). ginástica). define suas intenções e proporciona guias de ação adequadas e úteis para os professores. a partir do segundo ano começava introduzir outras matérias e o ensino ia avançando a cada ano. partindo da percepção. conforme regulamento de 1933.

principalmente difundir os valores cívicos entre os alunos e a sociedade em geral. 9 Depoimento de Amália de Macedo Reis.8 Além das provas que o professor fazia todo mês e das sabatinas.] mandava escrever varias vezes uma frase ou um texto. ocorria num clima de empatia. tinham os exames.. ex-aluna do Grupo Escolar Costa Alvarenga. da esquadra de Cabral. tudo para a gente aprender melhor.] quando havia algum aluno mais danado a professora botava pra fora [. do Grito do Ipiranga e outros mais. a gente copiava e respondia. tinha aquele exame onde se fazia uma prova escrita e outra oral e vinha geralmente um inspetor de Teresina. pois ele também avaliava a escola.. Nas aulas de trabalhos manuais as meninas bordavam e os meninos faziam aquelas mesinhas.. de acordo com aquela desobediência ou falta que ele cometeu [. em out 2004. as festividades por ela promovidas visavam. ex-aluna do Grupo Escolar Costa Alvarenga. aquelas coisinhas de marceneiro. [.] daí procurar se corrigir.. Os castigos abrandaram e a escola tornou-se mais agradável e atrativa. como pode confirmar o depoimento abaixo: A relação [.10 Sendo o Grupo Escolar Costa Alvarenga uma instituição pública do regime republicano.].] se pegasse pescando.7 A verificação da aprendizagem conforme as determinações legais era feita através de provas mensais e de exames anuais realizados no final do período letivo. ex-aluno do Grupo Escolar Costa Alvarenga. tanto os alunos que iam ser examinados como as professoras e a diretora. 8 Depoimento de Maria de Macedo Reis.. A professora colocava os quesitos na lousa. em ago 2004. . prevalecendo ainda o poder e a autoridade do professor. semanalmente. Tinha também uma sabatina onde toda semana avaliava oralmente a matéria dada. [. tomava e marcava a prova. da Independência do Brasil. Além destas avaliações eram feitas. 10 Depoimento de Amália do Esp. que também eram levadas em consideração no cômputo mensal das notas. as sabatinas. do concreto para o abstrato. de respeito e de admiração principalmente do aluno para com o professor.. Nesse momento ninguém conversava.. Eu me lembro que quando era no fim do ano... em set 2004... Nesta ocasião todos ficavam apreensivos..] e entrava em contato com o pai [.] era de muito respeito e as professoras eram muito dedicadas [. 8 para a ação. A aplicação deste método pelos professores do “Costa Alvarenga” torna-se evidente nas suas práticas descritas pelos seus alunos: Quando a professora dava aula de geografia e história mostrava sempre mapas coloridos muito bonitos e aqueles retratos lindos dos portugueses. bem como o comportamento e a freqüência do aluno. ex-aluna do Grupo Escolar Costa Alvarenga. em out 2004. As avaliações geravam uma grande tensão como diz as ex-alunas: Nos dias de prova todo mundo tinha medo e o clima tornava tenso. mas também tinha a intenção de apresentar a escola como um local aprazível e alegre para a conquista de novos alunos... Santo Campos. Era um momento de interação da escola com a cidade em que a escola se mostrava aos 7 Depoimento de José Hipólito Marinho..9 Quanto à relação professor-aluno.

sua criação foi sem dúvida um marco na educação de Oeiras. A invenção do cotidiano. C. [. L. p. 9. no Dia da Árvore. Nestes momentos a escola tomava as ruas e praças da cidade com apresentação de desfiles e ginásticas rítmicas. um ambiente civilizador. FARIA FILHO. 1997. fosse segundo. era muito animado. Revista Brasileira de Educação. jul. S. . 11 Depoimento prestado pelo ex-aluno do Grupo Escolar Costa Alvarenga. 9 olhos de todos como um ambiente saudável e propício à socialização de seus membros. na minha época não tinha carros alegóricos. José Hipólito Marinho. a farda era azul e branco e tinha uma gravatinha que distinguia os anos. G. 14. O “Costa Alvarenga” comemorava as datas cívicas e religiosas com grande entusiasmo contando com a participação popular. são os elementos reveladores de sua cultura. VIDAL. Petrópolis: Vozes. era só a marcha. Os tempos e os espaços escolares no processo de institucionalização da escola primária no Brasil. 21 de setembro. História e filosofia das instituições escolares. n. D. São Paulo: Atica. In: ARAUJO. ago. REFERÊNCIAS BUFFA. terceiro e quarto ano eram duas três ou quatro listras. Campina (SP): Autores Associados. recitávamos poesias. em out 2004.jun. No 7 de setembro tinha desfile pelas ruas da cidade. M. de. Ester. 2002. maio. do seu modo próprio de ser. 2003.M. 19-34. Elas constituem no seu conjunto a alma da escola. Se fosse primeiro ano era só uma listra. a identidade por ela assumida naquele determinado período de sua história. 2000. J. fazia-se presente em procissões e novenas ou trazia a cidade para o interior de suas dependências por ocasião das seções cívicas ou das solenidades de encerramento do período letivo com entrega de certificados aos concludentes do curso e de prêmios aos que se destacaram em aproveitamento. de. Todos tinham que participar fardados e limpos. e em todas as datas cantávamos hinos. p. Novos temas em história da educação brasileira: instituições escolares e educação na imprensa. D. COLL. Sobre estas festividades escolares veja o que dizem estes ex-alunos que delas participaram: O Costa Alvarenga era uma escola muito festeira..11 As normas estabelecidas e as práticas desenvolvidas pelos agentes que fizeram o Grupo Escolar Costa Alvarenga delinearam o perfil desta escola nos seus primeiros vinte anos de existência. 25-38. fazíamos o plantio de uma árvore. Esta escola veio consolidar o ensino público na antiga capital. César. CERTEAU. Psicologia e currículo.]... ed. GATTI JR.

J. História das instituições educacionais.16. QUEIROZ. Contributo para a história das instituições educativas – entre a memória e o arquivo. pleno de glórias.). n. p. 1975. alt.. C. 1938/1939. p. Educação.). N. 1. Manuscrito.n]. n 52. M. Cynthia Pereira de. Um contributo para a história do processo de escolarização da sociedade portuguesa na transição do antigo regime. 10 GATTI JR. n. Campinas (SP): Autores Associados. SOUZA. 63-77. MAGALHÃES. p. Justino (Org. 1931. Lisboa. Braga: Universidade do Minho.n.]. São Paulo: Escrituras.). 3-24 GRUPO ESCOLAR COSTA ALVARENGA. 5. de. 74-87. 1929. In: ARAUJO. 2. Livro de correspondências expedidas. ______ (Orgs.. 1929-1939. Rogério. ______. In SOUSA. o presente cheio de realizações úteis. Regulamento Geral do Ensino. Oeiras: seu passado. PIAUHY. Oeiras: [s. 4. p. 2002.ed. V. Teresina: Imprensa Oficial. C. Manuscrito. A cultura escolar como objeto histórico. Teresina: [s. CATANI. . 09-43. VALDEMARIN. Pesquisa para a história do Piauí. 2000. UNIÃO ARTÍSTICA OPERÁRIA OEIRENSE. p. Bragança Paulista: EDUSF. São Paulo. Teresina: Expansão. JULIA.n]. PIAUHY. Mensagem apresentada à Câmara Legislativa pelo governador Dr. Regulamento da Diretoria Geral da Instrução. J. 1999. Revista do Instituto Histórico de Oeiras. P. p. 1933. v. Denise Bárbara (Orgs.. A memória e a escola. 2004. Lições de coisas: concepção científica e projeto modernizador para a sociedade. Ata da inauguração solene da União Artística Operária Oeirense. em 25 de dezembro de 1938. Revista Brasileira de História da Educação. 1999. Para a história do ensino liceal em Portugal – Actas dos Colóquios do I Centenário da Reforma de Jaime Moniz (1894-1895).. C. Rio de Janeiro: Artenova. In: FERNANDES. Práticas educativas. culturas escolares. Campina (SP): Autores Associados. 1998. 23-30. D. rev. n.147-176. Livro de ata. PIAUHY. 1996. profissão docente. Um apontamento metodológico sobre a história das instituições educativas. ______. 2001. D. O. 7-34. João de Deus. Sociedade & Cultura.51-69. p. Teresina: Imprensa Oficial. T. S. Cadernos Cedes. NUNES. Oeiras: [s. MAGALHÃES. C. p. Novos temas em história da educação brasileira: instituições escolares e educação na imprensa. de.