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Jeferson Danilo

26 de Fevereiro de 2010

Universidade Federal do Pará

UN
IVERSIDADE
FEDERAL D
O Instituto de Ciências Exatas e Naturais

Programa de Pós-Graduação em Física

Dissertação de Mestrado

Estados Ligados e Espalhamento para Potenciais δ − δ 0
Transparentes a Altas Energias
Danilo Costa Pedrelli

Orientador: Danilo Teixeira Alves

Belém - Pará
Maio de 2017

Estados Ligados e Espalhamento para
Potenciais δ − δ 0 Transparentes a Altas Energias

Danilo Costa Pedrelli

Dissertação de Mestrado apresentada ao Programa de

Pós-Graduação em Física da Universidade Federal do

Pará (PPGF-UFPA), como parte dos requisitos neces-

sários para a obtenção do título de Mestre em Ciências

(Física).

Orientador: Danilo Teixeira Alves

Avaliada por:

Dr. Danilo Teixeira Alves - UFPA

Dr. Van Sérgio da Silva Alves - UFPA

Dr. Manoel Messias Ferreira Junior - UFMA

Belém - Pará
Maio de 2017

Resumo
Estados Ligados e Espalhamento para Potenciais δ − δ0
Transparentes a Altas Energias
Danilo Costa Pedrelli
Orientador: Danilo Teixeira Alves

Nós investigamos, no contexto do campo clássico de Schrödinger em 1 + 1 dimensões,
modelos de potenciais simulados por funções δ − δ 0 de Dirac. Na literatura, esses modelos
não exibem transparência total para partículas incidentes a altas energias. A m de obter
um caráter mais realista para esses modelos, nós propomos um potencial δ − δ 0 cujos
parâmetros de acoplamento sejam funções dependentes da energia, e obtemos a energia e
função de onda do estado ligado, assim como os coecientes e a matriz de espalhamento.
Determinando que condições devem ser satisfeitas para que o espalhamento seja causal.

Abstract
Bound States and Scattering for δ − δ0 Potentials Transparent
at High Energies
Danilo Costa Pedrelli
Supervisor: Danilo Teixeira Alves

We investigate, in the context of a classical Schrödinger eld in 1+1 dimensions, models of
potentials simulated by Dirac δ 0 functions. In the literature, these models do not exhibit
full transparency for high-energy incident particles. In order to obtain a more realistic
feature for these models, we propose a δ − δ 0 potential whose coupling parameters are
energy-dependent functions, and obtain the energy and wave function of the bound state,
as well as the scattering coecients and matrix. Determining what conditions must be
satised in order to the scattering be causal.

Agradecimentos
Agradeço aos meus pais Nerley Costa e Aroldo Pedrelli, a minha tia Maria Caitana Silva,
a meu orientador Danilo Alves, a minha namorada Estrela Fonseca e a sogra Socorro
Fonseca, aos amigos Leonardo Teixeira, Jeferson Danilo Lima e Alessandra Braga, e aos
demais amigos pelo suporte que me deram.

Dedico a Nerley. . Aroldo e Caitana.

Tao Te King. e justamente por não prender-se a ela. ela não o abandona. Lao Tsé. capítulo 2 . ele não se prende a ela.Quando a obra está terminada.

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .1 Potenciais Dependentes da Energia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 17 1. . 25 2. . . . . . . .1 Estados Ligados . . .3. . . . . . .2 Estados de Espalhamento . . .2 Condição de Contorno para o Potencial V (x) = µδ(x) + λδ 0 (x) . .2. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 37 A. .2 O Potencial V (x) = µδ(x) + λδ 0 (x) . . . . . . . . . .2 Estados de Espalhamento . . . . 23 2. . . . . . .2. . . . . .1 O Potencial V (x) = µδ(x) . . . . .2 Estados de Espalhamento . . . . . . . . . . . .2 O Potencial V (x. . . . . . . . . . . . 19 2 Potenciais δ − δ 0 Dependentes da Energia 23 2. . . . . . . . . . . . . 29 2. . . . . . . . . . . . . 6 1. . . . . . .3 O Potencial V (x. . . . . . . . . . . .3. . . . 7 1. . . . . . . . 38 A. . . . . . . . . . . . . .Conteúdo Introdução 2 1 Os Potenciais δ(x) e δ 0 (x) 6 1. . . .1 Estado Ligado . . . . 9 1. . . . . . . . E) = G(E)δ(x) + F (E)δ 0 (x): Aspectos Gerais . . . . . . . . 27 2. .1. . . . . . . . . 25 2. . . . .1 Estado Ligado . . . . . . . . . . .2. . . . . .1. . . . . 32 A Condições de Contorno 37 A. . . . . .3 Condição de Contorno para o Potencial V (E. . . . . . . . . . . . . x) = G(E)δ(x) + F (E)δ (x) . . . . . . . . . . 16 1. .2 Estados de Espalhamento . . . . E) = G(E)δ(x) + F (E)δ (x): Modelo Especíco . .2. . . . 0 28 2. . . . 0 40 B Densidade de Probabilidade 43 C Energia do Estado Ligado para Potenciais Dependentes da Energia 47 1 . .1 Estados Ligados .1 Condição de Contorno para o Potencial V (x) = µδ(x) .

Historicamente. tendem 2 . são aproximados por sua primeira derivada (δ 0 ) [2]. é equivalente a uma Hamiltoniana com um potencial tipo δ sobre esse mesmo ponto. e. devem ser completamente descritas por um conjunto de quatro parâmetros.poderem ser aproximados pela função δ [2]. Já o potencial δ 0 gera des- continuidade tanto na derivada espacial quanto na função de onda. 810] investigaram a mecânica quântica unidimensional com estes potenciais. por exemplo. Dentre outros. Albeverio et al. de acordo com [3].tipo barreira ou tipo poço . geradas por qualquer interação pontual. Porém. ’eba [1113] e outros autores [1416] construíram modelos para uma ou mais interações pontuais em diferentes dimensões. outros . no entanto. assim como interações pontuais são aproximações de po- tenciais que manifestam-se abruptamente com grande intensidade. De modo similar. Seus modelos tiveram impacto fundamental nas áreas de matéria condensada e física nuclear. e concluíram que uma Hamilto- niana livre. Um exemplo de aplicação desses potenciais é a colisão de um elétron com uma impureza ou defeito num sólido [1]. Tal descontinuidade pode parecer ir contra a ideia fundamental de que a função de onda deve ser contínua em todo o espaço [1719]. Apesar de alguns potenciais .Introdução Potenciais δ de Dirac e suas derivadas desempenham um papel importante na classe de modelos analiticamente solúveis em mecânica quântica. o primeiro trabalho sobre esse tipo de potencial foi feito por Kronig e Penney [4]. Vários aspectos matemáticos fundamentais dessas interações foram inves- tigados por Berezin e Faddeev [7]. A partir dessa análise impuseram que a Hamiltoniana livre deveria ser auto adjunta.tipo barreira seguida de poço -. seguido pelos trabalhos de Bethe e Peierls [5] e Tho- mas [6]. [3. O potencial δ possui a característica de gerar descontinuidade na derivada espacial da função de onda. mas mantém a continuidade na própria função. e obtiveram que as condições de contorno. com o comprimento de onda das partículas interagentes). Interações descritas por funções δ e suas derivadas são denominadas interações pontuais. com um determinado ponto do espaço excluído de seu domínio. em seguida. pois mimetizam interações descri- tas por potenciais de curto alcance (em comparação.

Esse comportamento. Potenciais resultantes da combinação das funções δ e δ 0 (chamamos aqui de potenciais δ − δ 0 ) têm atraído crescente interesse ultimamente. Desse modo. propomos que os parâmetros de acoplamento sejam funções que dependam explicitamente da energia total da partícula. pois quanto maior a energia. por sua vez. 32]. Gadella et al [43] estudam essa classe de potenciais no contexto da mecânica quântica. Esse comportamento associado aos potenciais δ é comumente observado na natureza. que dependa da energia com a qual incide. não é uma característica realista do modelo. tende a um valor constante. maior deve ser a probabilidade de transmissão [18]. levam à transmissão total da função de onda.rapidamente a zero. Formánek et al [34] desenvolveram uma base matemática para descrever a mecânica 3 . pois o comprimento de onda da partícula passa a ser comparável ao comprimento em que o potencial é não nulo. Além disso. independem da energia. como discutimos anteriormente. no limite de alta energia da partícula incidente. ou na equação de Klein-Gordon para uma partícula em um campo eletromagnético externo [33]. Isso acarreta em transmissão constante mesmo nos limites de energia da partícula incidente tendendo a zero ou a innito. por exemplo. no limite de altas energias esse coeciente. obtendo os coecientes de espalhamento. Apesar do modelo δ − δ 0 possuir coeciente de transmissão nulo quando a energia da partícula tende a zero (tal como no caso δ ). de modo idêntico ao potencial δ 0 . O que parece razoável. O potencial δ 0 . A m de obter coecientes de espalhamento que modiquem essa propriedade desses potenciais. que simule o eventos observados em laboratório. entre ou- tros. gera coecientes de espalhamento que dependem exclusi- vamente do parâmetro de acoplamento. conduza a uma probabilidade da partícula ser transmitida. apesar de ser esperado que o aumento suciente da energia da partícula implique em perda de validade da aproximação de potenciais em termos da δ . a função de onda e energias do estado ligado. que. e. sendo utilizados. a escolha de tais funções poderá gerar coecientes de transmissão que obedeçam a quaisquer condições de transparência. portanto. ou reetida. fato observado por vários autores [2630]. Cristihansen COMENTAR AQUI Potenciais δ geram coecientes de espalhamento dependentes da energia. Esse comportamento não nos parece razoável. na equação de Pauli-Schrödinger [31. Potenciais dependentes da energia já são conhecidos há um bom tempo na literatura. do mesmo modo uma função de onda descontínua é a aproximação de uma função contínua que muda abruptamente sua amplitude. também deve levar a transmissão total para altas energias e nula para baixas. pois espera-se que um modelo.

com potencial tipo δ − δ 0 cujos parâmetros de acoplamento são operadores (de- rivadas em relação ao tempo) que. além de denir os parâmetros de acoplamento como função dos coecientes de transmissão e reexão. reobtemos o resultado de Formánek et al. que correlaciona os estados anteriores e posteriores à interação) possua elementos analíticos em determinadas regiões do plano complexo da energia ou do momentum [36]. 4 . a denição usual de densidade de probabilidade (ψψ ∗ ) não satisfaz a equação da continui- dade. nós propomos possíveis expressões analíticas para a dependência dos parâmetros de acoplamento com a energia. distinta de Coutinho et al [35]. para que essa condição seja satisfeita. para potenciais dependentes da energia. Eles propuseram uma modicação nas condições de contorno que denem as interações. naturalmente. [34]. a denição usual de densidade de probabilidade (ψψ ∗ ) não satisfaz a equação da continuidade.quântica com tais potenciais. obedecem à condição de causalidade imposta pelas relações de analiticidade da matriz S . que propuseram uma modicação diretamente nas condições de con- torno que denem interações pontuais. é necessário que a matriz S (matriz de espalha- mento. e mostram como ela deve ser modicada. nós partimos de uma Lagrangiana cujas equações de movimento manipuladas levam. para potenciais dependentes da energia. a modicações nas referidas condições de contorno. No entanto. ao atuarem sobre a solução estacionária da equação de Schrödinger. Adotando outra linha de estudo. Modelos de interações pontuais dependentes da energia foram explorados por Coutinho et al [35]. levam a acoplamentos que são funções da energia. a energia e função de onda dos estados ligados. As expressões analíticas que investigamos no presente trabalho. Diferentemente de Coutinho et al [35]. de modo obter parâmetros dependentes da energia. a densidade de probabilidade é a mesma das interações que independem da energia. Também calcularam os co- ecientes de espalhamento. por meio do Teorema de Noether. nós propomos um modelo lagrangiano para o campo de Schrö- dinger. Adicionalmente. No presente trabalho. para descrever a depen- dência dos parâmetros de acoplamento com a energia. a m de que um espalhamento realizado em laboratório pudesse fornecer informações para a construção do modelo teórico. Em particular. [34] mostraram que. Formánek et al. Coutinho et al [35] não propuseram expressões analíticas para a dependência desses parâmetros com a energia da partícula interagente. discutindo que nem toda escolha de parâmetros dependentes da energia obedece à condição de causalidade. e em seu trabalho. de fato. um modelo parti- cular aqui proposto também leva à transparência total no limite de altas energias. [34] e mostramos que. e nosso resultado está de acordo com o obtido na Ref. De fato. Mais ainda. bem como à transmissão nula no limite de baixas.

respeitando a condição de causalidade. introduzimos o mo- delo para potenciais dependentes da energia e o aplicamos ao caso δ −δ 0 . Também introduzimos conceitos da teoria de es- palhamento. e dos coecien- tes de espalhamento para o potencial δ puro e δ − δ 0 com parâmetros de acoplamento constantes (independentes da energia). escolhemos funções apropriadas para esses parâmetros e obte- mos explicitamente a energia e função de onda do estado ligado. e os coecientes de espalhamento para quaisquer pa- râmetros de acoplamento dependentes da energia a serem utilizados. obtendo a energia e a função de onda do estado ligado. determinando os polos da matriz de espalhamento e mostrando sob quais condições mantém-se satisfeita a condição causalidade. No capítulo 2. Este trabalho divide-se da seguinte maneira: No capítulo 1. 5 . Depois. bem como os coecientes de espalhamento. fazemos uma revisão da literatura sobre o cálculo da energia e função de onda do estado ligado.

43]. é multiplicada pela delta. baseando-nos nas Refs. isto é. f (x). além de deduzirmos os coecientes de espalhamento e investigarmos o comportamento dos seus polos. f (x)δ(x − a) = f (a)δ(x − a).2) Essa relação é provada tomando-se uma função g(x). (1. tal que Z ∞ Z ∞ dxf (x)g(x)δ(x − a) = f (a)g(a) = dxf (a)g(x)δ(x − a). [18.3) −∞ −∞ 6 . pode ser resumida nas seguintes propriedades [18]: ( ) se x 6= a ∞ Z 0. δ(x − a) = . se x = a −∞ Outra característica importante é que se uma função ordinária. assim como as condições de contorno impostas por esses potenciais. Obtemos a energia e função de onda do estado ligado. isto equivale ao produto da delta pela função no ponto de divergência.1 O Potencial V (x) = µδ(x) A função delta num espaço unidimensional. δ(x). respectivamente. bem comportada. (1. (1. com δ(x − a)dx = 1. 1.Capítulo 1 Os Potenciais δ(x) e δ 0(x) Neste capítulo fazemos uma revisão da literatura para os potenciais δ puro e δ − δ 0 .1) ∞.

obtemos.8) ψ 0 () 2µ 1 ψ 0 (−) onde ψ 0 signica a derivada de ψ em relação a x.1 Estados Ligados Estados ligados são caracterizados por partículas connadas em uma determinada região do espaço.1.6) 2 dx ∂t Substituindo a solução estacionária. na forma matricial.4) 2 onde  → 0+ . Desde que toda solução da equação de Schrödinger deve ter energia 7 . t) = i Ψ(x. os estados ligados são caracterizados por uma energia nega- tiva. Ψ(x. t). E < 0. devido possuírem energia menor que a do potencial no innito.5) ∂t 2 e considerando o potencial V (x) = µδ(x). A extensão para uma função f (x) descontínua pode ser feita escrevendo [43] f (a + ) + f (a − ) f (x)δ(x − a) = f (a)δ(x − a) = δ(x − a).e. (1. por ! ! ! ψ() 1 0 ψ(−) = . E < V (±∞).7) 2 dx2 onde E é a energia da partícula. o potencial é zero em toda região do espaço exceto em x = 0. t) + µδ(x)Ψ(x. Consequentemente. Tais condições de contorno nos permitem calcular a energia do estado ligado e normalizar a função de onda. (1. (1. A partir da denição de densidade Lagrangiana para um campo de Schrödinger em 1 + 1 dimensões. encontramos a equação de Schrö- dinger independente do tempo 1 d2 − ψ(x) + µδ(x)ψ(x) = Eψ(x). t) = e−iEt ψ(x). Em nosso caso. 1. i. a seguinte equação de Schrödinger: 1 d2 ∂ − 2 Ψ(x. No Apêndice A determinamos as condições de contorno impostas pelo potencial δ em torno de x = 0.e. assim como determinar os coecientes de espalhamento. ∂ 1 L = iΨ∗ Ψ + ∇Ψ∗ · ∇Ψ − Ψ∗ V (x)Ψ. i. que são dadas. via equação de Euler-Lagrange. com µ ∈ R e m = ~ = 1. (1. (1.

sabemos que a função de onda é contínua em todo o espaço. (1. −κA − κA = 2µA.7). ψ 0 () − ψ 0 (−) = 2µψ(0). ψ(x → ±∞) = 0. (1.9) impondo que a mesma seja normalizável.10) Das condições de contorno que obtivemos para a função δ(x).10). temos necessariamente que só existem estados ligados para µ < 0. mostrada na Eq.maior que o mínimo do potencial. utilizamos a seguinte denição usual de densidade de probabilidade. κ= −2E.13) e substituímos os valores de ψ 0 (x) e ψ(x) nos pontos ± e 0.14) Desse modo.11)   ou ψ(x) = Ae−κ|x| . em particular. ou seja. (1. i.8).e. que resulta na seguinte norma: Z ∞ ψ ∗ (x)ψ(x)dx = 1. (1. Isso implica que ψ() = ψ(−). (1. encontramos a energia do estado ligado. (1. ρ(x) = |ψ(x)|2 . respectivamente.15) 2 A m de normaliza a função de onda. E < 0.12) Para determinarmos κ em termos do parâmetro de acoplamento µ. (1.8). √ ψ(x) = A0 eκx + B 0 e−κx . ψ(x) = A eκx Θ(−x) + e−κx Θ(x) . (1. i. e dividindo-a em duas regiões. µ2 E=− .e. κ = µ. temos ψ(x) = Aeκx Θ(−x) + Be−κx Θ(x). (1.16) −∞ 8 . (1. teremos que A = B na Eq. Tomando a solução de estado ligado da Eq. utilizamos (1. (1.

de onde obtemos que A2 h 2κx .

.

0 .

i −2κx .

mas também sobre os estados ligados.18)  ψ(x) = κ = µ.∞ e −∞ + e 0 = 1. ou matriz S . E > 0. obtendo informações não somente sobre o espalhamento.1. Matriz S estado inicial −→ estado nal.17) e (1. que todo o processo pode ser completamente descrito em termos dos estados inicial e nal. mas estão muito distantes. ou seja. passa por três processos de observa- ção [36]: • O estado inicial: as partículas incidentes se movem na direção uma da outra. Vericamos que a a amplitude da função de onda é diretamente proporcional a raiz do parâmetro de acoplamento. 2κ √ A = κ. podemos reescrever a função de onda como √  κx µ e Θ(−x) + e−κx Θ(x) . para o tipo de potencial que estamos tratando. no entanto. (1.19) Wheeler [48] sugeriu que é possível descrever a interação em termos unicamente da matriz S . 1. Heisenberg [47] propôs. • O estado intermediário: as partículas se aproximam uma da outra e interagem. (1.14). e a interação pode ser desconsiderada. O operador que conecta esses estados é denominado matriz de espalhamento. Nesta seção terminamos a revisão relacionada ao estado ligado. Dando continuidade. 9 . de (1. (1. por exemplo. O espalhamento de duas partículas.17) Portanto. • O estado nal: as partículas expelidas que resultam da interação voltam a car distantes entre si e não interagem mais.2 Estados de Espalhamento Estados de espalhamento são estados de uma partícula que possui energia maior que o potencial no innito. e também que a mesma é continua. faremos a revisão da literatura para o estado de espalhamento.

(1.23) e a parcela que é reetida ou transmitida. como dito anteriormente. como ψin (x) = B1 eikx Θ(−x) + A2 e−ikx Θ(x). ψin (x). que. (1.27)   Enquanto que ψd incide com amplitude A2 .20) que pode ser dividida em duas regiões. com A2 = 0. ψd . relaciona o estado ψin (x) ao estado ψout (x). como ψout (x) = B2 e−ikx Θ(−x) + A1 eikx Θ(x). por meio da seguinte relação ! ! ! A1 S11 S12 B1 = (1. é transmitida com amplitude B2 e reetida 10 . ψe . é transmitida com amplitude A1 e reetida com amplitude B2 .22) Denimos a função de onda da incidente. (1. (1. (1. (1. ψe (x) = B1 eikx + B2 e−ikx Θ(−x) + A1 eikx Θ(x). A matriz S é denida em termos dos coecientes de espalhamento. √ ψ(x) = Aeikx + Be−ikx . ψ(x) = ψe (x) + ψd (x). x > 0.7) para x 6= 0. para potenciais pontuais. (1. escrevemos a função de onda como a soma de uma parte incidente pela esquerda. (1. ψout (x).21) e ψ(x) = B1 eikx + B2 e−ikx x < 0.25) B2 S21 S22 A2 Considerando o princípio de superposição. E > 0. são obtidos utilizando a solução de ondas planas da Eq. e outra pela direita.24) A matriz S . ψ(x) = A1 eikx + A2 e−ikx . k= 2E.26) A função de onda ψe incide com amplitude B1 .

11 . A função de onda ψd será ψd (x) = rd (k)e−ikx + eikx Θ(x) + td (k)e−ikx Θ(−x). (1. associado a onda incidente pela esquerda ψe (x). (1. B2 re (k) = (1. (1. ψd (x) = A2 e−ikx + A1 eikx Θ(x) + B2 e−ikx Θ(−x). que incide pela direita.32) A2 e transmissão B2 td (k) = . sendo B1 = 0.36) portanto. fazendo B1 = 1. (1. como a amplitude é arbitrária.35) rd (k) td (k) A conservação de probabilidade implica que Ψ∗out Ψout = S † SΨ∗in Ψin = S † S = 1. encontramos a função de onda ψe (x) escrita em termos dos coecientes de espalhamento.29) B1 e o de transmissão te (k) A1 te (k) = . A1 rd (k) = .34)  Das relações acima podemos escrever ! te (k) re (k) S(k) = . (1.com amplitude A1 .31)  assim como os coecientes reexão. ψe (x) = eikx + re (k)e−ikx Θ(−x) + te (k)eikx Θ(x). (1.28)   Denindo o coeciente de reexão re (k).33) A2 relacionados a função de onda ψd (x).30) B1 E. (1. (1.

39) como |S11 | = |S22 | . −t0 ) (1. t) = i Ψ(x. Dada a unitariedade da matriz S . ∂2 ∂ 2 Ψ(x. −t0 ) + V ∗ (x)Ψ∗ (x.44) ∂x ∂t ou ∂2 ∗ ∂ 2 Ψ (x. t). (1.47) 12 . (1. a invariância por reversão temporal implica que a equação de Schrödinger.42) ∂x ∂t deve ser equivalente a ∂2 ∂ 2 Ψ(x. t) = ψ(x)e−iEt .43) ∂x ∂t Fazendo a transformação t → t0 = −t.35). (1.41) Na mecânica quântica.38) e ∗ S11 ∗ S12 + S21 S22 = 0. |S12 | = |S21 | . −t0 ) = i 0 Ψ∗ (x. (1. podemos reescrever (1. −t0 ) + V (x)Ψ(x. " #∗ " # S11 S21 S11 S12 SS † = = 1. −t0 ) (1. (1. t0 ) = −i 0 Ψ(x. t) + V (x)Ψ(x. temos que ∂2 ∗ ∂ 2 Ψ (x. −t0 ) = i 0 Ψ∗ (x.37) S12 S22 S21 S22 temos que |S11 |2 + |S21 |2 = 1. ∗ S11 ∗ S12 + S21 S22 = 0 (1. −t0 ). |S12 |2 + |S22 |2 = 1. −t0 ) = ψ ∗ (x)e−iEt . (1.45) ∂x ∂t Dado que Ψ(x. −t0 ) + V ∗ (x)Ψ∗ (x. (1. |re | = |rd | (1. obtemos |te | = |td | . (1.40) Utilizando a Eq.39) Resolvendo esse sistema de equações por substituição.46) e 0 Ψ∗ (x.

54) ik − µ ik − µ e denimos o coeciente de reexão rd (k) . e ψ(x) e ψ ∗ (x) forem ambos soluções da equação de Schrödinger. A2 .49) ∂x Isso somente é possível se o potencial V (x) for real. pois a integral.50). A1 = B1 . (1. e não podemos utilizar a normalização para determiná-las. A1 µ rd (k) = = .8). No caso de ψe . (1. não é limitada. Os termos de ψ ∗ (x) podem ser obtidos fazendo Assim.48) ∂x2 ∂2 ∗ 2 ψ (x) + V ∗ (x)ψ ∗ (x) = Eψ ∗ (x) (1. (1.51) ik − µ ik − µ de onde denimos o coeciente de reexão re (k). em todo o espaço. encontramos o seguinte sistema de equações: ! ! ! A1 + A2 1 0 B1 + B2 = . resolvendo o sistema de equações de (1. da solução de espalhamento. (1. encontramos que B2 e A1 são µ ik B2 = B1 .53) B1 ik − µ para a onda ψe (x) que incide pela esquerda. (1. obtendo µ ik A1 = A2 .teremos que as seguintes equações devem ser equivalentes: ∂2 ψ(x) + V (x)ψ(x) = Eψ(x) (1.52) B1 ik − µ e o de transmissão te (k).55) A2 ik − µ 13 . para determinarmos ψd resol- vemos a Eq.50) fazendo B1 = 0.50) ik(A1 − A2 ) 2µ 1 ik(B1 − B2 ) Esse sistema de duas equações possui quatro constantes a determinar. A1 ik te (k) = = . (1. i.e. com base nas condições de contorno (1. Analogamente. (1. B2 µ re (k) = = . B2 = A2 . A1 . B1 e B2 .

(1. dos coecientes fornecidos por (1. que implica em simetria espacial [14]. é denida como ! te (k) re (k) S(k) = . (1. e. (1.62) 0 1 o que implica em conservação da energia da partícula incidente [36]. temos ! 1 k µ S(k) = . (1. ! 1 k 2 + µ2 0 S(k)S † (k) = 2 µ + k2 0 k 2 + µ2 ! 1 0 S(k)S † (k) = .52).55) e (1. ligado. e re (k) = rd (k).60) µ − ik µ k e a matriz adjunta S † (k) ! 1 k µ † S (k) = . que resulta da simetria de reversão temporal do modelo. etc. Notemos que te (k) = td (k). A matriz S pode ser descrita em termos 14 . ψ(x) e ψ ∗ (x) devem satisfazer a Eq. (1.e o de transmissão B2 ik td (k) = = .56). se de espalhamento.7) o que da simetria temporal do potencial. (1. podemos denir A1 = B2 = 1. de modo que ψe (x) = e−ikx + re (k)eikx Θ(x) + te (k)e−ikx Θ(−x) (1. Desde que a amplitude seja arbitrária. dada em termos dos coecientes de espalhamento.58)  A matriz S . (1.56) A2 ik − µ para a onda ψd (x) que incide pela direita.que se deve ao fato do potencial ser real. (1.57)  e ψd (x) = rd (k)e−ikx + eikx Θ(−x) + td (k)eikx Θ(x).61) µ + ik µ k Mostrando que para o potencial δ puro a matriz S é unitária.59) rd (k) td (k) Desse modo. portanto. O estudo da analiticidade da matriz S é capaz de determinar em qual estado se encontra a partícula.

Escrevendo-a em termos do momentum teremos as seguintes possibilidades [36]: 1. obtemos justamente o momentum da solução de estado ligado. fornecendo duas maneiras de investigar sua analiticidade: fazendo a extensão analítica de k real para k complexo. k1 > 0. i. k = ik1 . em certa escala de energia. o polo está localizado no semiplano inferior do plano complexo. e.e. k1 < 0. como mencionado anteriormente. enquanto para µ < 0 se tem estados ligados ou de espalhamento. k0 6= 0. o polo está localizado no eixo real ou no semiplano superior do plano complexo. i. k1 > 0.e. ou.e. as partes Re e Im de k (E)). para µ > 0 o estado é unicamente de espalhamento. exceto no eixo ima- ginário. vericamos que o método de análise dos polos da matriz S nos oferece 15 . que dene a solução de estado ligado. i.e. (1. o polo está localizado no eixo imaginário negativo. k = ik1 . k1 < 0. k = k0 + ik1 .64) cuja energia é 1 E = − µ2 . o polo está localizado no eixo imaginário positivo. Em ambos os métodos devemos investigar os polos da matriz S . respectivamente.do momentum ou da energia da partícula.e. dado por k = iµ.65) 2 Dessa forma. i. 4.e. que dene a região onde os estados são ressonantes (que são estados instáveis em que a partícula não permanece ligada. E = E0 + iE1 (onde k0 (E0 ) e k1 (E1 ) são.63) e percebemos que o sinal de µ determina se o polo se encontra no eixo imaginário positivo ou negativo do plano complexo. (1. Desse modo. Fazendo k = iκ (κ ∈ R). e decai num estado de espalhamento). k0 6= 0. que dene a região onde a causalidade não é mais válida. 3. Assim. exceto no eixo imaginário. que dene o estado virtual (esses estados não serão aqui considerados por serem. não-observáveis). κ = µ. i. fazendo a extensão analítica para a energia.14). 2. (1. vericamos o polo da matriz S . k = k0 + ik1 . k = k0 + ik1 . i. (1.

lim |t(k)| = 1. Uma característica importante do potencial δ . (1. ob- temos a seguinte relação para o produto entre f (x) e a função δ 0 (x). dada uma função g(x) arbitrária bem comportada. Z ∞ Z ∞ 0 dxf (x)g(x)δ (x − a) = f (x)g(x)δ(x − − dx [f (x)g(x)]0 δ(x − a) a)|∞ −∞ −∞ −∞ Z ∞ Z ∞ 0 =− dxf (x)g(x)δ(x − a) − dxf (x)g 0 (x)δ(x − a) −∞ −∞ 0 0 = −f (a)g(a) − f (a)g (a) Z ∞ Z ∞ 0 =− dxf (a)g(x)δ(x − a) + dxf (a)g(x)δ 0 (x − a).66) k→∞ que leva-nos a concluir que o potencial δ fornece uma probabilidade crescente com a energia de que a partícula incidente atravesse a fronteira. é que o módulo do coeciente de transmissão tende a um para k → ∞.2 O Potencial V (x) = µδ(x) + λδ 0(x) A função δ 0 (x) tem a seguinte propriedade. (1.67) De maneira similar ao caso δ(x). como discutiremos mais profundamente no decorrer do texto. −∞ −∞ de modo que f (x)δ 0 (x − a) = f (a)δ 0 (x − a) − f 0 (a)δ(x − a).uma ferramenta rápida para determinar a existência de estados ligados e suas respectivas energia. na próxima seção iremos revisar o modelo mais geral que inclui a derivada da função delta.68) 16 . δ 0 (x). Z ∞ Z ∞ 0 dxf (x)δ (x − a) = f (x)δ(x − a)|∞ −∞ − dxf 0 (x)δ(x − a) −∞ −∞ 0 = −f (a) (1. Aqui nalizamos a revisão sobre estado ligado e espalhamento para o potencial δ(x). 1.

73) juntamente com (1.1 Estados Ligados Seguindo a Ref. f (a + ) + f (a − ) 0 f 0 (a + ) + f 0 (a − ) f (x)δ 0 (x − a) = δ (x − a) − δ(x − a). na Eq. (A.75) 2 2 Usando (1. encontramos a correspondente equa- ção de Schrödinger independente do tempo. (1.9).74) que.69).Aqui também podemos fazer a extensão para funções descontínuas. (1. leva a seguinte relação: κ(A + B) (B − A) 0 δ(x) + δ (x) = −µψ(x)δ(x) − λψ 0 (x)δ 0 (x). Ψ(x. 1 d2 − 2 ψ(x) + µδ(x)ψ(x) + λδ 0 (x)ψ(x) = Eψ(x). [43]. (1. encontramos ψ 00 (x) = κ2 ψ(x) − κ (A + B) δ(x) + (B − A) δ 0 (x). que fornece a seguinte densidade Lagrangiana: ∂ 1 L = iΨ∗ Ψ + ∇Ψ∗ · ∇Ψ − Ψ∗ Ψ [µδ(x) + λδ 0 (x)] . na forma matricial. após ser inserida em (1. √ ψ(x) = Aeκx Θ(−x) + Be−κx Θ(x).2.4) e (1.72) ψ 0 () 1−λ 1−λ 1+λ ψ 0 (−) Nas próximas seções iremos calcular os estados de espalhamento e ligado do sistema. t) = e−iEt ψ(x).4) e (1. 1.76) 2 17 . (1. relembramos a solução de estado ligado.70) ∂t 2 Tomando a solução estacionária.71). κ= −2E.71) 2 dx Para esta equação diferencial provamos no Apêndice A. E < 0. por ! ! ! 1+λ ψ() 0 ψ(−) = 1−λ 2µ . (1. (1. Eq. obtemos (A + B) ψ(x)δ(x) = δ(x). (1.69).  → 0.69) Consideremos o potencial V (x) = µδ(x) + λδ 0 (x). que as condições de contorno são dadas.73) e.18). diferenciando-a duas vezes e utilizando (1. (1. 2 2 (1.

83) 1 + λ2 ou. (1. Z ∞ dx |ψ(x)|2 = 1. (1.76) e (1. (1. de (1. (1.80) (A + B)2 Das condições de contorno (1.72). (1. (1.77) 2 2 Portanto. nos resta normalizar a função de onda do estado ligado. (1. vericamos que 2Aλ A−B =− .84) 2 (1 + λ2 )2 Uma vez encontrada a energia. encontramos o momentum κ. em termos da energia.82) 1−λ Substituindo as relações acima em (1. (1.75). κ(A + B) + µ(A + B) − λκ(A − B) = 0.81) 1−λ e 2A A+B = .77). −µ √ κ= = −2E. 1 µ2 E=− .85) −∞ 18 . (1.79) A+B cuja solução para µ será " # (A − B)2 µ= − 1 κ. (1.80).78) e A−B (B − A) + λ(A + B) = 0 ⇔ λ= . encontramos um sistema de duas equações. (A + B) 0 κ(A − B) ψ(x)δ 0 (x) = δ (x) − δ(x).

72). obtemos 1+λ B= A. (1.2 Estados de Espalhamento Primeiramente. (1. das condições de contorno (1.85).83). (1. substituindo (1. fornece (1 + λ)2 2 A2 + A = 2κ. (1.Assim.88) (1 − λ)2  1/2 κ A=± (1 − λ) .73) em (1. ao substituirmos em (1. dados A e B . (1.91)  ψ(x) = 2 (1 + λ ) 1.86) E.92) ψ(x) = B1 eikx + B2 e−ikx x < 0.89) 1 + λ2 e. ψ(x) = A1 eikx + A2 e−ikx . √ µ  (1 − λ) eκx Θ(−x) + (1 + λ) e−κx Θ(x) . e utilizando (1.  1/2 κ B=± (1 + λ) . (1.2. a função de onda é completamente determinada. (1. dividimos a solução de espalhamento em duas regiões.93) 19 . Z ∞ Z ∞ dxA e2 2κx Θ(−x) + dxB 2 e−2κx Θ(x) = 1 −∞ −∞ Z 0 Z ∞ 2 2κx dxA e + dxB 2 e−2κx = 1 −∞ 0 2 A  2κx 0 B 2  −2κx ∞ e −∞ − e 0 = 1 2κ 2κ A2 B 2 + = 1 2κ 2κ temos que A2 + B 2 = 2κ.87) 1−λ que. (1.90) 1 + λ2 Assim.86). x > 0.

a simetria temporal é conservada.99) ik (1 + λ2 ) − µ e ik(1 − λ2 ) td (k) = . (1. (1. fazendo A1 = 0 e B2 = 1 determinamos a função de onda ψe . (1. (1.100) ik(1 + λ2 ) − µ Por comparação.95) Substituindo a solução acima nas condições de contorno (1.96) ik (re (k) − 1) 1−λ 1+λ ikte (k) cujo resultado será µ − 2ikλ re (k) = (1. Dos coecientes de espalhamento para o potencial δ 0 (x). observamos que te (k) = td (k) e re (k) é igual a rd (k) na mudança de λ → −λ.98) ik(1 + λ2 ) − µ De maneira análoga.94) ψe (x) = re (k)eikx + e−ikx x > 0. x < 0. obtemos os coecientes para a função de onda ψd µ + 2ikλ rd (k) = . (1.72). mas a espacial é quebrada. (1.e.97) ik (1 + λ2 ) − µ e ik(1 − λ2 ) te (k) = . obtemos ! 1 ik(1 − λ2 ) −µ − 2ikλ S(k) = . fazendo B1 = 0 e A1 = 1. obtemos as equações que nos fornecerão os coecientes de espalhamento. ψe (x) = te (k)eikx . (1.102) ik(1 + λ2 ) + µ µ − 2ikλ ik(1 − λ2 ) 20 . ou seja. ! ! ! 1+λ re (k) + 1 0 te (k) = 1−λ −2µ 1−λ . (1.101) ik(1 + λ2 ) − µ −µ + 2ikλ ik(1 − λ2 ) e sua matriz auto-adjunta ! 1 ik(1 − λ2 ) µ + 2ikλ S † (k) = .

todo potencial se torna totalmente transparente a partir de uma certa escala de energia. a saber. Todavia.103) 0 1 A energia do estado ligado pode ser encontrada vericando os pontos onde os coe- cientes possuem polos no plano superior do eixo imaginário. encontramos que a matriz S(k) é unitária.105) 1 + λ2 mostrando novamente que µ deve ser negativo para que haja estado ligado. como é apontado por vários autores [2630. (1. inválida a argumentação de que a transmissão total deve ser sempre obedecida. o que.108) k→∞ 1 + λ2 Isto se deve ao fato de que os coecientes de espalhamento. De (1. 1 − λ2 lim t(k) = . 38]. e estes.106) 1 + λ2 encontramos a energia do estado 1 µ2 E=− . por sua vez. (1. não ocorre para 21 . tendem aos coecientes do caso δ 0 puro. argumentar que potenciais tipo delta não sejam mais boas representações da interação em tal limite de energia. µ κ=− .104) iµ k=− . são independentes da energia. Fazendo k = iκ. no entanto. ! 1 µ2 + k 2 (1 + λ2 )2 0 S(k)S † (k) = 2 µ + k (1 + λ2 )2 2 0 µ + k (1 + λ2 )2 2 2 ! 1 0 S(k)S † (k) = .Portanto. Identicamos aqui um aspecto problemático que o modelo apresenta para representar sistemas físicos. portanto.101). (1. sendo. identicamos o seguinte polo ik(1 + λ2 ) − µ = 0. (1. (1. no limite de altas energias. (1.84). Vemos que o potencial δ − δ 0 possui a caraterística singular de que o coeciente t(k) não leva a transmissão total para altas energias.107) 2 (1 + λ2 )2 que conrma o resultado obtido em (1. como vimos. pois. Pode-se. ainda espera-se que todo potencial leve a coecientes de espalhamento dependentes da energia.

Nosso trabalho trata justamente de descrever um novo tipo de potencial. mesmo não sendo sempre válidos em todas as escalas. sendo esta uma característica importante para criar modelos teóricos que se aproximem dos resultados experimentais. a revisão da literatura sobre potenciais δ−δ 0 . neste capítulo. Para enxergarmos isto melhor. Finalizamos. o defeito no sólido se torna imperceptível e o elétron transita livremente. porém. No próximo capítulo seguiremos a mesma rotina. 22 . lembremos que todos os potenciais nitos são transparentes a altas energias. Se a energia do elétron é muito alta. voltemos ao exemplo citado por Carreau [1]. que possua características similares ao modelo δ − δ 0 . assim como suas respectivas funções de onda. determinando os coecientes de espalhamento e a energia do estado ligado. e. no entanto. além disso. sem ser reetido.o caso δ 0 puro. de que potenciais tipo δ podem representar a interação de um elétron com um defeito num sólido. que leve a transparência total para altas energias. algumas modicações serão feitas na denição de densidade de probabilidade. e os parâmetros de acoplamento já não serão mais constantes.

(2. necessitando ser reparametrizados a medida que a energia aumenta. e determinaremos os coecientes de espalhamento. de modo que a Lagrangiana será escrita como  V x. considerando um potencial do tipo δ − δ 0 com parâmetros de acoplamento dependentes da energia. i Ψ(x. Potenciais dependentes da energia aparecem em vários ramos da física e.1 Potenciais Dependentes da Energia Os potenciais dependentes da energia são caracterizados por um operador do tipo ∂ . calculando a energia e a função de onda do estado ligado. t) + V x. em nosso caso. escolheremos funções especícas para os parâmetros.Capítulo 2 Potenciais δ − δ 0 Dependentes da Energia Neste capítulo. representam o fato de potenciais tipo delta com acoplamento constante serem razoáveis até certa escala de energia. faremos uma extensão do anterior. i Ψ. Em seguida. impondo apenas que os parâmetros dependentes da energia possam ser expandidos em série de potências. Primeiramente exporemos a estrutura do modelo em linhas gerais. i ∂t   ∂ 1 ∂ L = iΨ ∗ Ψ + ∇Ψ∗ · ∇Ψ − Ψ∗ V x. (2.1) ∂t 2 ∂t cuja equação de Schrödinger associada é 1 ∂2   ∂ ∂ − Ψ(x.2) 2 ∂x2 ∂t ∂t 23 . t). 2. vericando se os polos da matriz S levam a um espalhamento causal. t) = i Ψ(x.

(2.5) foi.2). a equação que dene a densidade de probabilidade será modicada se o potencial depender da energia total. Podemos questionar se esse procedimento é válido para um sistema com somente um nível de energia. para potenciais dependentes da energia. A m de corrigir esse problema uma nova denição de densidade de probabilidade ρ(x.4) 2 ∂x2 Formánek et al. respectivamente. vamos aplicar os conceitos apresentados ao potencial δ−δ 0 com parâmetros de acoplamento que sejam funções da energia. Como mostrado no Apêndice B. quando substituímos a solução estacionária Ψ(x. utilizaremos o teorema de Noether para Lagrangianas com dependência de ordens superiores na derivada do campo [37]. (2. tomaram o limite em que E 0 → E . Em seguida. assim como os coecientes de espalhamento. basicamente.   ∂V (x. obtemos a equação de Schrödinger independente do tempo com potencial dependente da energia.3) ∂t n=0 ∂t tal que. i = V (x) an in .E) . 24 . o que nos permite concluir que. nós obtivemos o mesmo resultado que o mostrado na Ref. 1 ∂2 − ψ(x) + V (x. [34] mostraram que. consi- derar duas funções de onda com energias E e E 0 . t) = e−iEt ψ(x) em (2. a saber.5) ∂E O método que esses autores utilizaram para chegar na Eq. a denição usual de densidade de probabilidade não satisfaz a equação da continuidade. Por essa razão. [34]. E) ∗ ρ(x. após a obtenção da equação da continuidade para essas funções. determinando a energia e a função de onda normalizada do estado ligado.   ∞  n ∂ X ∂ V x. (para maiores detalhes vericar [34]). o que leva ao termo de correção − ∂V ∂E (x. (2. t) = ψψ 1 − .O potencial é tido como uma função que possa ser expandida em série. independentemente da quantidade de níveis de energia. E) ψ(x) = Eψ(x). e também para checar a existência de um método alternativo. t) precisa ser utilizada. e. (2.

E) = G(E)δ(x) + F (E)δ 0 (x). que pode ser obtida equivalentemente fazendo µ → G(E). e λ → F (E) em (1. (2.2.4) o potencial V (x. Z ∞   ∂V (x. (2.11) −∞ ∂E 25 .10) A m de identicarmos os parâmetros A e B . (2.2.83). (2. (2.1 Estado Ligado No Apêndice C mostramos em mais detalhes como determinar a equação para a energia do estado ligado.5) de norma para potenciais dependentes da energia.9) 2 (1 + F 2 (E))2 A solução da Eq. (2. além de outras condições que dizem respeito a causalidade do modelo.6) que leva a seguinte equação de Schrödinger: 1 d2 − ψ(x) + G(E)δ(x)ψ(x) + F (E)δ 0 (x)ψ(x) = Eψ(x).7) para x 6= 0 é ψ(x) = Aeκx Θ(−x) + Be−κx Θ(x). utilizaremos a denição (2. E) ∗ ψ (x) 1 − ψ(x)dx = 1. (2. levando a G(κ) κ=− .7) 2 dx2 Escolheremos as funções G(E) e F (E) tais que haja transmissão total no limite de altas energias. vamos considerar na Eq. 2.2 O Potencial V (x. (2.8) 1 + F 2 (κ) cuja correspondente energia será 1 G2 (E) E=− . E) = G(E)δ(x) + F (E)δ 0(x): Aspec- tos Gerais Neste trabalho.

A−B ψ̄ 0∗ (0) = ψ̄ 0 (0) = . resulta em   d d 2 1 + F (E) − κ G(E) − F (E) F (E) = κ (1 − F (E))2 . (2. as condições de contorno para o potencial dependente da energia são: ! ! ! 1+F (E) ψ() 0 ψ(−) = 1−F (E) 2G(E) 1−F (E) .que.13) 2κ 2κ assim como os demais termos. 1 + F (E) B= A. (2.16) 2κ dE 2 dE 2κ Como mostrado no Apêndice A.4).14) 2κ A+B ψ̄(0) = ψ̄ ∗ (0) = . (2.15) 2 concluímos que 2 A2 + B 2    d A+B d (A − B) (A + B) (A + B) (A − B) − G(E) + F (E) + = 1. Resolvendo a primeira parcela do lado esquerdo de (2.12)   −∞ dE dE onde ψ̄ (0) = [ψ() + ψ(−)]/2 e ψ̄ 0 (0) = [ψ 0 () + ψ 0 (−)]/2.69) e (2. Z ∞ Z 0 Z ∞ ∗ ψ (x)ψ(x)dx = A 2 e 2κx dx + B 2 e−2κx dx −∞ −∞ 0 A2 B 2 = + . (2. ao substituirmos em (2.18) 1 − F (E) que.17) ψ 0 () 1−F 2 (E) 1+F (E) ψ 0 (−) A partir delas temos a relação entre A e B .6). 2 (2.16). (2. juntamente com (1. (2.19)  A dE dE 26 . (2. fornece Z ∞ d d ψ ∗ (x)ψ(x)dx − G(E)ψ̄(0)ψ̄ ∗ (0) + F (E) ψ̄ 0∗ (0)ψ̄(0) + ψ̄ ∗ (0)ψ̄ 0 (0) = 1. (1. 2κ dE 2 dE 2κ 2 2 2κ 2 A2 + B 2 A2 − B 2    d A+B d − G(E) + F (E) = 1.12).

substituindo acima a solução (2.2. √ ψe (x) = eikx + re (k)e−ikx Θ(−x) + te (k)eikx Θ(x). (2. (2. (2. ψd (x) = td (k)e−ikx Θ(−x) + e−ikx + rd (k)eikx Θ(x). considerando uma função de onda ψe incidente pela esquerda. nos resta obter os coecientes de espalhamento gerais.2 Estados de Espalhamento Para calcular os coecientes de espalhamento nós seguimos o mesmo caminho do ca- pítulo anterior. 2.26) ik (1 + F 2 (E)) − G(E) 27 . escolher funções especícas parar o nosso modelo.8) para κ. enm. temos que A e B são escritos como: " #1/2 −G(E) A = ± (1 − F (E)) 2 d d (1 + F (E)) + G(E) dE G(E) − F (E) (1 + F 2 (E)) dE 2 F (E) (2. (2. (2.22)   Uma vez determinados energia e função de onda do estado ligado.20) e " #1/2 −G(E) B = ± (1 + F (E)) 2 d d .24)  Fazendo uso de (2. (1 + F 2 (E)) + G(E) dE G(E) − F (E) (1 + F 2 (E)) dE F (E) (2.25) ik (1 + F 2 (E)) − G(E) e ik(1 − F 2 (E)) te (k) = .Em seguida. obtemos a função de onda normalizada " #1/2 −G(E) ψ(x) = 2 d d 2 (1 + F (E)) + G(E) dE G(E) − F (E) (1 + F 2 (E)) dE F (E) × (1 − F (E)) eκx H(−x) + (1 + F (E)) e−κx H(x) . encontramos os seguintes coecientes de espalhamento para a função ψe : G(E) − 2ikF (E) re (k) = . para.21) Desse modo.23)  k= 2E > 0 e uma ψd incidente pela direita.17).

levar a coecientes de espalhamento que satisfaçam a condição de realidade do campo. se escolhermos F (k) = λe−k . (2. 2. ! 1 ik(1 − F 2 (k)) −G(k) − 2ikF (k) S(k) = . (2. que é responsável 2 por manter a causalidade do sistema. (2. para a função de onda ψd : G(E) + 2ikF (E) rd (k) = . E) = G(E)δ(x) + F (E)δ 0(x): Modelo Especíco Aqui propomos funções especícas. Levar a coecientes de espalhamento que gerem transmissão total a altas energias. O problema de conseguir satisfazer essas propriedades é que boa parte das funções que levam a transmissão total para altas energias não satisfazem a condição 2. como faremos a seguir.3 O Potencial V (x. G(E) e F (E).31) E + η2 28 .e. Por exemplo. i.29) ik(1 + F 2 (k)) − G(k) −G(k) + 2ikF (k) ik(1 − F 2 (k)) possui polos dados por ik(1 + F 2 (k)) − G(k) = 0. 3. t(k) = t∗ (−k) e r(k) = r∗ (−k). 2.27) ik (1 + F 2 (E)) − G(E) e ik(1 − F 2 (E)) td (k) = . Veremos que as funções E G(E) = µ (2. Gerar polos que se encontrem na metade inferior do plano complexo ou sobre o eixo imaginário positivo.E.28) ik (1 + F 2 (E)) − G(E) A matriz de espalhamento para esses coecientes. No caso de campos reais. teremos que esta função gera innitos polos na metade superior do plano complexo. que possuam as seguintes proprie- dades: 1. (2.30) que somente poderão ser resolvidos explicitando G(k) e F (k).

34). (2. vericamos que.32) E + η2 tem a capacidade de respeitar todas as condições acima. impondo somente E + η 2 > 0 (onde η é um parâmetro com dimensão de energia). (2. (2.34) E + η2 2η 2 − κ2 e substituindo na Eq. e fazendo κ0 > 0. G(κ) µκ2 κ=− = . (2. (2.33) E + η2 2η 2 − κ2 s s η2 2η 2 F (E) = λ = λ .35) 1 + F 2 (κ) 2η 2 (1 + λ2 ) − κ2 encontramos a seguinte solução do momentum: p −µ ± µ2 + 8η 2 (λ2 + 1) κ± = . a energia do estado ligado será 1 p 2 2 E = − µ + µ + 8η (λ + 1) .8).33) e (2. 2. Nas próximas seções calculamos a energia e função de onda do estados ligado. assim como os coecientes e polos do espalhamento. (2.36) 2 Onde tomamos somente κ+ . para manter o potencial nito e real.38) 29 . pois a solução de estado ligado impõe κ > 0. podemos escrever κ < κ0 . o que pode ser feito escolhendo adequadamente os parâmetros. Denindo κ20 = 2η 2 . é necessário ter κ2 < 2η 2 .1 Estado Ligado Escrevendo (2. Assim.32) como função de κ.37) 8 Das Eqs. (2.2 2 (2.e s η2 F (E) = λ . µE µκ2 G(E) = = − .31) e (2.3. (2.

32). sendo a linha sólida κ = κ0 = 10 2. (2. comprovamos que escolher µ = 0 não fornece valores menores que κ = √ κ0 = 10 2. (2.39) 2 ou. também quebra a validade da desigualdade.40) 2κ0 2κ0 Percebemos que a desigualdade (2.31) e (2. (2.1. Na Fig.40) somente é satisfeita para µ > 0 e por uma escolha apropriada de parâmetros. obtemos um potencial real escolhendo λ . Para calcularmos a função de onda devemos derivar (2. que reobtém o caso δ 0 . e consequentemente. obtendo dG η2 4µη 2 =µ = . p −µ + µ2 + 4κ20 (1 + λ2 ) < κ0 . s 2 µ µ + λ2 + 1 < 1 + . isso se deve ao fato desse potencial não gerar estados ligados.1: κ √+ (eixo vertical) como função de λ para µ = 0 e µ = 50. impossibilitando ter um potencial real. 70 60 50 40 30 20 10 -4 -2 0 2 4 Figura 2.41) dE (E + η 2 )2 (2η 2 − κ2 )2 30 . Para µ = 50. Fazer κ0 → ∞. |2|. 2. por exemplo.

2: ψ(x) do estado ligado para diferentes valores de λ. (2. 1/2 −µκ2 (2η 2 − κ2 )  ψ(x) = (2η 2 (1 + λ2 ) − κ2 )2 (2η 2 − κ2 ) + 4µ2 η 2 κ2 − 2λ2 η 2 (2η 2 (1 + λ2 ) − κ2 ) hp p  p p  i 2 2 2 2η − κ − λ 2η e H(−x) + κx 2η − κ + λ 2η e H(x) . para λ = 0.34). (2. nos leva a função de onda normalizada. Para λ = 1. Assim.33) e (2. a função de onda se torna contínua. ao substituirmos em (2.22) juntamente com (2. com a diferença que o parâmetro de acoplamento depende da energia. tendo xos µ e η . Enquanto que. para λ = 1.5 a função de onda praticamente não altera sua amplitude. 31 .e 3/2 3/2 η 2/3 2η 2/3   dF λ λ =− =− .2 mostra o comportamento da função de onda para alguns valores de λ.5 percebemos uma descontinuidade na solução. enquanto que no lado esquerdo a amplitude se torna mais negativa.42) dE 2 E + η2 2 2η 2 − κ2 que.43) 2 2 2 −κx A Figura 2. porém a partícula ainda tem uma probabilidade razoável de ser encontrada a esquerda do ponto de interação. a partícula tem probabilidade quase nula de ser encontrada na parte negativa do gráco. tendo comportamento similar ao caso δ puro. Vemos que. conseguimos modelar sistemas onde a função de onda da partícula possua uma y(x) x Figura 2. Para λ = 0. com µ = 50 e η = 10.

51) 2 que fornece a energia  2 p −µ + µ2 + 8η 2 (λ2 + 1) E=− .28). identicando os seus polos e vericando se o modelo respeita causalidade. (2.27) e (2. (2. Escrevendo G(E) e F (E) como função de k . (2. (2. (2.8).25). p −µ + µ2 + 8η 2 (λ2 + 1) κ= .48) i (k 2 + 2η 2 (1 + λ2 )) − µk Assim. o polo da matriz S obedece k 2 + iµk + 2η 2 λ2 + 1 = 0.44) E + η2 k 2 + 2η 2 s s η2 2η 2 F (E) = λ = λ .50) 2 Fazendo k = iκ. encontramos o mesmo resultado obtido em (2. e tomando somente a solução positiva k+ . encontramos os seguintes coecientes: p µk + 2iλ 2η 2 (k 2 + 2η 2 ) rd (k) = .2 Estados de Espalhamento Nesta seção determinamos os coecientes de espalhamento. (2. (2. (2. E k2 G(E) = µ = µ .46) i (k 2 + 2η 2 (1 + λ2 )) − µk p µk − 2iλ 2η 2 (k 2 + 2η 2 ) re (k) = . (2.47) i (k 2 + 2η 2 (1 + λ2 )) − µk i (k 2 + 2η 2 (1 − λ2 )) te (k) = td (k) = t(k) = . (2.diferença abrupta de amplitude.3.45) E + η2 k 2 + 2η 2 e substituindo nas Eqs. o que era obtido da mesma maneira para o caso δ − δ 0 com parâmetros constantes.52) 8 32 . (2.49)  cuja solução é p −iµ ± iµ2 + 8η 2 (λ2 + 1) k± = . 2.

3b) variando λ e xando µ = 50 e η = 10 .3a.0 0.4 h h h 7. 2. Notamos que. (2.2 0. ocorre um decréscimo inicial na amplitude do |t(k)|.8 0.48). dado pela Eq. para diferentes conjuntos de parâmetros η .5 0.75 0. Neste caso.5. para η = 0. a energia do estado ligado.6 h 0. percebemos que. Notamos ainda que.25 0. menor será o mínimo do coeciente de transmissão.6 0. (2.3. mostramos |t(k)|.5. 2.50 0. que volta a aumentar de acordo com o momentum. consequentemente.3a) variando η e xando µ = 50 e λ = 0. (2. as curvas se tornam similares às da Fig. neste caso. No entanto. quanto menor o valor de η . para λ ≤ 1.3: |t(k)| (eixo vertical) em diferentes situações: (2. 0.3b mostramos |t(k)| para diferentes valores de λ.4 0.0 0 20 40 60 80 100 0 20 40 60 80 100 (b) (c) Figura 2.3c) variando µ e xando η = 10 e λ = 1.2 0 20 40 60 80 100 (a) 1. Na Fig. Na Fig. se λ < 1 o 33 . Na Fig. λ e µ.Provando mais uma vez que a análise dos polos nos fornece diretamente o momentum e.8 0. de modo que. 2. reobtemos o modelo δ puro [ [18]].3a mostramos |t(k)| para diferentes valores de η . 2.

que possui coeciente de transmissão constante. Nosso modelo.010 0. que representa a curva respectiva ao potencial δ puro. Neste caso.2 0 0 0. porém mantém a descontinuidade na função de onda do estado ligado.8 1 0 0 20 40 60 80 100 Figura 2. comparando t(k) do modelo δ -puro ao δ − δ 0 dependente da energia.3b mostramos |t(k)| para diferentes valores de µ. portanto. ainda assim. as curvas tendem a aproximar-se. Na Fig. Assim.4 0.4 0. para baixas energias. 34 .6 0. 2. Desse modo. Na Figura 2. possuindo transmissão nula para baixas energias e total para altas. h 0. Todavia. vericamos que ao aumentarmos µ diminuímos a transparência do potencial. a medida que a energia aumenta.2. como observamos no caso em que λ 6= 1.4: |t(k)| (eixo vertical) para µ = 50.015 0. como mostrado na Fig. se torna mais realista para λ = 1. mais lento será o aumento da transmissão. vericamos que fazer λ = 1 gera um espalhamento similar ao caso δ puro. obtemos transmissão total assintoticamente. mas.8 h 5 h 7 h 10 0. Isso se deve ao fato de que para baixas energias o potencial tende ao modelo δ 0 puro. 2. λ = 1 e vários valores de η . é não físico que um potencial possua transmissão maior que zero para uma partícula com energia nula.6 0.2 0. vemos que. quanto maior o valor de η . incluindo o caso η = 0.4 representamos algumas curvas de t(k) com λ = 1.|t(k)| tende a zero para um determinado valor do momentum. enquanto que.005 0. crescendo novamente para momentum maiores.

determinamos os coecientes de espalhamento. É possível mostrar que ambos os modelos chegam às mesmas condições de contorno. construímos um potencial cuja dependência na energia se encontra nos parâmetros de acoplamento. energia e função de onda normalizada do estado ligado. essa característica não é ob- servada em potenciais δ − δ 0 . Eq.5). e. a transparência a partir de determinada escala de energia é uma propriedade fundamental de modelos realistas. inserindo termos de acoplamento que sejam função da energia. como mostrado em (2. A m de obter um modelo δ − δ 0 que satisfaça essa propriedade. obtendo que a densidade de probabilidade será modicada para potenciais dependentes da energia. No capítulo 2 generalizamos o potencial δ − δ 0 com parâmetros constantes. no entanto. determinamos novamente as informações sobre o espalhamento e estado ligado. No capítulo 1 introduzimos alguns fundamentos da teoria de espalhamento. modicamos o potencial para que se tornasse um operador dependente de ordens superiores de derivada temporal.108). Eq. para o modelo 35 . como podemos veri- car na Eq. não foi obtida qualquer alteração na densidade de probabilidade. por outro lado. em que não especicamos quais as funções da energia do modelo. (1.17).Considerações Finais Potenciais δ puro possuem coecientes de espalhamento que levam a transmissão total quando incidem partículas com altas energias. para obter parâmetros de acoplamento dependentes da energia. conrmamos o resultado encontrado em [34]. Como pontuado por [2630]. descrita em [34]. além disso. podendo gerar. [14] desenvolveram um modelo muito similar ao nosso. no limite de altas energias. (2. seguindo a teoria de potenciais dependentes da energia. em [14] não foi discutido se o modelo respeitaria causalidade. concluímos que para parâmetros de acoplamento constantes o espalhamento é naturalmente causal. e. No entanto. usando o teorema de Noether. eles impuseram uma modica- ção nas condições de contorno. ou não. estados ligados. Coutinho et al. porém. investi- gando os polos da matriz S. que. escolhendo funções especícas da energia para o modelo.7). Neste trabalho. Em seguida. Estudando primeiramente o caso geral. Mostramos que. (2. Nós. levam a um coeciente de transmissão dependente do parâmetro de acoplamento do termo δ 0 .

que levam tanto a transmissão total quanto a um espalhamento causal. Em resumo.32).31) e (2. provando que o sistema é causal. Eqs. somente existem polos sobre o eixo imaginário do plano complexo da matriz S . propomos um conjunto de funções dependentes da energia. 49]. como mostrado na Fig. podendo ser utilizado em laboratório para modelar interações de curto alcance que não sejam plenamente descritas pelo potencial δ puro.4. em comparação com o caso δ − δ 0 com parâmetros constantes. Tais modelos são de grande importância na física da matéria condensada [2. (2. principalmente por conta do crescente desenvolvimento de estruturas nanométricas.escolhido. 36 . Ao computarmos os grácos. 2. Estas características fornecem um modelo mais realista. vericamos que o espalhamento somente faz sentido sicamente quando nossa escolha de parâmetros incluir λ = 1.

A.1) 2 − dx − − chegando em 1 1 − ψ 0 () + ψ 0 (−) + µψ(0) = 0. para determinarmos uma das condições de contorno impostas pelo potencial δ(x) sobre a função de onda ψ(x). 2 2 ψ () − ψ 0 (−) = 2µψ(0). (A.    d2 Z Z Z 1 − dx 2 ψ(x) + µ dxδ(x)ψ(x) = E dxψ(x). iremos integrar a equação (1. 0 (A.Apêndice A Condições de Contorno Neste apêndice deduziremos as condições de contorno para o potencial δ puro e δ − δ 0 com parâmetros constantes.1 Condição de Contorno para o Potencial V (x) = µδ(x) Primeiramente.7) no intervalo − < x < . assim como para o caso δ − δ 0 com parâmetros dependentes da energia.2) que caracteriza uma descontinuidade na derivada da função de onda. denimos um comprimento positivo 37 . Para encontrar a segunda condição de contorno. onde  → 0.

do ponto de interação. obtendo 1 x 0 d2 Z Z x Z x 0 0 0 0 − dx 02 ψ(x ) + µ dx δ(x )ψ(x ) = E dx0 ψ(x0 ). Z   Z  Z  Z x 1 0 0 ψ() + ψ(−) − dx [ψ (x) − ψ (L)] + µ dxΘ(x) = E dx dx0 ψ(x0 ).7) 2 − dx − − − obtendo −ψ 0 () + ψ 0 (−) + µ [ψ() + ψ(−)] − λ [ψ 0 () + ψ 0 (−)] = 0.8) Após manipulações algébricas. (A. (A. integramos a equação (1. ψ(). Na forma matricial.9) 38 . integramos novamente em − < x < .7) em −L < x0 < x (veja.3) 2 2 2 −L Posteriormente.71) em − < x < . (A.6) ψ 0 () −2µ 1 ψ 0 (−) A. [46]). 2 − 2 − − −L 1 − [ψ() − ψ(−)] = 0. ψ(−). (A.2) e (A. e a esquerda. chegamos em −ψ 0 () (1 + λ) + µψ() + ψ 0 (−) (1 − λ) + µψ(−) = 0 (A. ψ() = ψ(−). (A.4) 2 de onde encontramos a relação entre a função de onda a direita. Ref.L e integramos (1. (A.5) Mostrando que para o potencial δ(x) a função de onda se mantém contínua.2 Condição de Contorno para o Potencial V (x) = µδ(x) + λδ 0(x) De modo similar ao caso δ puro. onde  → 0. por exemplo. (A. 2 −L dx −L   Z−L x 1 0 1 0 ψ() + ψ(−) − ψ (x) + ψ (L) + µ Θ(x) = E dx0 ψ(x0 ).     d2 Z Z Z Z 1 − dx 2 ψ(x) + µ dxδ(x)ψ(x) + λ 0 dxδ (x)ψ(x) = E dxψ(x).5) podem ser reescritas como: ! ! ! ψ() 1 0 ψ(−) = .

10) 2 −L dx −L −L −L 1 d 1 d − ψ(x) + ψ(L) + µψ(0)Θ(x) + 2 dx Z 2 dx Z x x Z x +λψ(0) dx0 δ 0 (x) − λψ 0 (0) dx0 δ(x) = E dx0 ψ(x0 ).14) 2 − 2 − que fornece 1 λ − [ψ() − ψ(−)] + [ψ() + ψ(−)] = 0 2 2 −ψ() + ψ(−) + λψ() + λψ(−) = 0 (1 − λ) ψ() − (1 + λ) ψ(−) = 0.13) de − < x < . (A. (A.13) 2 −L E. (A. Agora.7) de−L < 0 a x. (A. 1+λ ψ() = ψ(−). (A. (A. Integrando (1.15) nalmente encontrando a condição de contorno para a função de onda.16) 1−λ 39 . integrando novamente (A. (A.12) −L −L −L chegando em 1 µ λ − [ψ 0 (x) + ψ 0 (L)] + [ψ() + ψ(−)] Θ(x) + [ψ() + ψ(−)] δ(x)− 2 2 2 Z x λ 0 0 − [ψ () + ψ (−)] Θ(x) = E dx0 ψ(x0 ).11) −L −L −L 1 d 1 d − ψ(x) + ψ(L) + µψ(0)Θ(x) + 2 dx Z 2 dx Z x x Z x +λψ(0) dx0 δ 0 (x) − λψ 0 (0) dx0 δ(x) + E dx0 ψ(x0 ). obtemos [46] x x x x d2 Z Z Z Z 1 − 0 dx 02 ψ(x0 )+µ 0 0 dx δ(x )ψ(x )+λ0 0 0 0 dx δ (x)ψ(x ) = E dx0 ψ(x0 ). 1  1  Z Z Z  0 0 µ − dxψ (x) + dxψ (L) + [ψ() + ψ(−)] dxΘ(x) + 2 − 2 − 2 − Z  Z  λ λ 0 + [ψ() + ψ(−)] 0 dxδ(x) − [ψ () + ψ (−)] dxΘ(x) = 0.

7) de −L < 0 a x obtemos x x x x d2 Z Z Z Z 1 − dx 02 ψ(x0 )+G(E) 0 0 0 dx δ(x )ψ(x )+F (E) 0 0 0 0 dx δ (x)ψ(x ) = E dx0 ψ(x0 ).que mostra a descontinuidade da própria função de onda ψ(x).22) 40 .17) 1−λ 1+λ Assim.20) 2 2 2 Da equação acima. 1−λ obtemos 2µ 1−λ 0 ψ 0 () = ψ(−) + ψ (−). podemos escrever as condições de contorno na representação matricial ! ! ! 1+λ ψ() 0 ψ(−) = 1−λ 2µ . Da equação acima e de (A. de (A.8). 2 −L dx −L −L −L (A.7) em − < x < . integramos a equação (2. 2 − dx − − − (A. (A. x) = G(E)δ(x) + F (E)δ 0(x) Procedendo de maneira similar à seção anterior.8) e (A.     d2 Z Z Z Z 1 0 − dx 2 ψ(x) + G(E) dxδ(x)ψ(x) + F (E) dxδ (x)ψ(x) = E dxψ(x).19) que resulta em 1 G(E) F (E) 0 − [ψ 0 () − ψ 0 (−)] + [ψ() + ψ(−)] − [ψ () + ψ 0 (−)] = 0.17).3 Condição de Contorno para o Potencial V (E. obtemos −ψ 0 () (1 + λ(E)) − µ(E)ψ() + ψ 0 (−) (1 − λ(E)) − µ(E)ψ(−) = 0 (A. −ψ 0 () (1 + λ) + µψ() + ψ 0 (−) (1 − λ) + µψ(−) = 0 1+λ −ψ 0 () (1 + λ) + µ ψ(−) + ψ 0 (−) (1 − λ) + µψ(−) = 0.21) Integrando (2. (A.18) ψ 0 () 1−λ 1−λ 1+λ ψ 0 (−) A. (A.

20).27) 1 − F (E) 1 + F (E) Desse modo.23) 2 −L Integrando novamente (A. e de (A. (A. Z  Z  Z  1 0 0 G(E) F (E) − dx [ψ (x) − ψ (L)] + [ψ() + ψ(−)] dxΘ(x) + [ψ() + ψ(−)] dxδ(x) 2 − 2 − 2 − Z  Z  Z x F (E) 0 − 0 [ψ () + ψ (−)] dxΘ(x) = E dx dx0 ψ(x0 ). (A.28) ψ 0 () 1−F 2 (E) 1+F (E) ψ 0 (−) 41 . após manipulações leva a 1 G(E) F (E) − [ψ 0 (x) − ψ 0 (L)] + [ψ() + ψ(−)] Θ(x) + [ψ() + ψ(−)] δ(x) 2 2 2 Z x F (E) 0 − 0 [ψ () + ψ (−)] Θ(x) = E dx0 ψ(x0 ) (A.que. 1 + F (E) ψ() = ψ(−). portanto. (A.24) 2 − − −L segue que   1 ψ() + ψ(−) − [ψ() − ψ(−)] + F (E) = 0 2 2 −ψ() + ψ(−) + F (E)ψ() + F (E)ψ(−) = 0 (1 − F (E)) ψ() − (1 + F (E)) ψ(−) = 0. 1 − F (E) (A.23) de − < x < . (A. encontramos −ψ 0 () (1 + F (E)) + G(E)ψ() + ψ 0 (−) (1 − F (E)) + G(E)ψ(−) = 0 1 + F (E) −ψ 0 () (1 + F (E)) + G(E) ψ(−) + ψ 0 (−) (1 − F (E)) + G(E)ψ(−) = 0.26) que leva a 2G(E) 1 − F (E) 0 ψ 0 () = − ψ(−) + ψ (−).25) 1 − F (E) Da equação acima.27) na forma matricial como segue: ! ! ! 1+F (E) ψ() 0 ψ(−) = 1−F (E) −2G(E) 1−F (E) .25) e (A. escrevemos as condições de contorno (A.

Finalizando a demonstração das condições de contorno para os potenciais δ − δ 0 depen- dentes ou não da energia. 42 .

c.3) 2 l=0 ∂ l onde Ψ(l) = Ψ. i = al il (B. E. 43 . o termo j 0 . (B. ou seja..2) ∂t l=0 ∂t podemos reescrever (2.. A quadri-corrente para ordens superiores de derivada na Lagrangiana  ∂t é dada por [37]   α ∂L ∂L ∂L j = i − ∂β + ∂γ ∂β − . (2.Apêndice B Densidade de Probabilidade Da Eq.   X ∞  l ∂ ∂ V x.c denomina o complexo conjugado. somente a densidade de probabilidade é modicada. portanto. − c. (B. A nossa Lagrangiana somente possui termos de ordem superior na derivada temporal.1) 2 ∂t Expandindo o potencial em série de Taylor.1) como ∞ 1 X L = iΨ Ψ ∗ (1) + ∇Ψ∗ · ∇Ψ − Ψ∗ al il Ψ(l) . (B.4) (1) ∂∂α ∂β Ψ ∂∂α ∂β ∂γ Ψ ∂∂α ∂β ∂γ Ψ onde c.1) temos que a Lagrangiana para um potencial dependente da energia é dada por   1 ∂ L = iΨ Ψ∗ (1) + ∇Ψ∗ · ∇Ψ − Ψ∗ V x.. . Ψ ∂∂α Ψ ∂∂α ∂β Ψ ∂∂α ∂β ∂γ Ψ    ∂L ∂L ∂L + − ∂γ + ∂γ ∂δ − . Ψ + ... i Ψ..

1 − Ψ al il δm+n+1.l ∂Ψ(m+n+1) l=0 ∗ ∗ = iΨ δm+n. segue que j0 ∂ 2 ∂L   ∂L ∂ ∂L = − + − ··· Ψ i ∂Ψ(1) ∂t ∂Ψ(2) ∂t2 ∂Ψ(3) ∂ 2 ∂L   ∂L ∂ ∂L + − + − · · · Ψ(1) ∂Ψ(2) ∂t ∂Ψ(3) ∂t2 ∂Ψ(4) ∂ 2 ∂L   ∂L ∂ ∂L + (3) − (4) + 2 (5) − · · · Ψ(2) ∂Ψ ∂t ∂Ψ ∂t ∂Ψ + ··· . (B. (B.0 − Ψ am+n+1 im+n+1 .9) e Ψ(m)∗ = (iE)m e−iEt ψ ∗ (x) = (iE)m Ψ∗ (x. (B.10) 44 .como não há termos cruzados de derivada temporal e espacial.6) i m=0 n=0 ∂t ∂Ψ De (B. t).5) Estes termos podem ser agrupados no seguinte somatório.0 − (−1)m Ψ(n) m Ψ∗ am+n+1 im+n+1 i m=0 n=0 ∂t m=0 n=0 ∂t j0 XX = iΨΨ∗ − (−1)m Ψ(n) Ψ(m)∗ am+n+1 im+n+1 (B.3). j0 XX ∂m ∂L = (−1)m Ψ(n) m (m+n+1) . .7) de modo que j0 XX ∂m XX ∂m = (−1)m Ψ(n) m iΨ∗ δm+n..8) i m=0 n=0 Sabemos que Ψ(n) = (−iE)n e−iEt ψ(x) = (−iE)n Ψ(x. (B. t) (B. temos que ∞ ∂L ∗ ∗ X = iΨ δm+n+1.

determinamos a equação para a densidade de probabilidade. Assim. j0 X = iΨΨ∗ − iΨΨ∗ (s + 1)as+1 is E s . j0 XX = iΨΨ∗ − (−1)m (−iE)n Ψ (iE)m Ψ∗ am+n+1 im+n+1 i m=0 n=0 j0 XX = iΨΨ∗ − i (−1)m (−1)n E n Ψi2(m+n) E m Ψ∗ am+n+1 i m=0 n=0 j0 XX = iΨΨ∗ − iΨΨ∗ am+n+1 im+n E m+n . (B. (B.12) i s=0 Para conectar a equação acima ao potencial V (x. E). recorramos ao fato de que V (x.11) i m=0 n=0 É possível vericar a degenerescência nos termos do somatório denindo s = m + n. 45 . como mostra a tabela a seguir: m n s 0 0 0 1 0 1 0 1 1 1 1 2 2 0 2 0 2 2 1 2 3 2 1 3 3 0 3 0 3 3 Vemos que a degenerescência é igual a s + 1.Portanto. i ∂t ∂ ).

16) −∞ ∂E 46 .14) k=1 Comparando a equação acima com (B.15) ∂E Conrmando o resultado de (2. E) ∗ ψ (x) 1 − ψ(x)dx = 1.13) Portanto. temos j0 ∂ = iΨΨ∗ − iΨΨ∗ V (x. Assim. Z ∞   ∂V (x.12). i )Ψ = V (x) ak ik k Ψ ∂t k ∂t X = V (x) ak ik Ψ(k) k X = V (x) ak ik (−iE)k Ψ k X = V (x) ak (−1)k i2k E k Ψ k X = V (x) ak E k Ψ k = V (x. (B. para corretamente normalizar a função de onda. E) = V (x) kak E k−1 = V (x) kak E k−1 ∂E k=0 k=1 X = V (x) (k + 1)ak+1 E k (B.atuando sobre a função de onda Ψ(x. t). fornece ∂ X ∂k V (x. E) i  ∂E  ∂ ∗ ρ = ΨΨ 1 − V (x. a derivada com relação a energia será ∂ X X V (x. (B.5) obtido em [34]. E) Ψ (B. E) . é necessário redenir a norma.

69).2) 2 e (A + B) 0 κ(A − B) ψ(x)δ 0 (x) = δ (x) − δ(x).6) 47 .71). (1. (C. de (C.Apêndice C Energia do Estado Ligado para Potenciais Dependentes da Energia Relembrando a Eq. obtemos (A + B) ψ(x)δ(x) = δ(x) (C.2) e (C.5).3) 2 2 Assim. (C. nós achamos a seguinte relação: κ(A + B) (B − A) 0 δ(x) + δ (x) = G(κ)ψ(x)δ(x) − F (κ)ψ 0 (x)δ 0 (x). κ(A + B) − G(κ)(A + B) − κF (κ)(A − B) = 0 (C. (C. (C. encontramos que ψ 00 (x) = κ2 ψ(x) − κ (A + B) δ(x) + (B − A) δ 0 (x). encontramos um sistema de duas equações. κ= −2E.9). diferenciando a Eq.4) na equação em (1. usando (C.69).4) e (1.3). (C.4) Após inserir a (C.5) 2 2 Portanto. E < 0.1) E.1) juntamente com (1. temos que a função de onda do estado ligado é dada por √ ψ(x) = Aeκx Θ(−x) + Be−κx Θ(x). (C.4) e (1.1) duas vezes e utilizando (1.

(C. a solução para F (κ) em termos de κ será: " # (A − B)2 F (κ) = 1 − κ. Neste trabalho propomos as seguintes funções. (C.12) 2 (1 + F 2 (E))2 No entanto. as equações acima não podem ser resolvidas até que se tenha determinado quais funções G e F estamos utilizando. (C.8). nós nalmente encontramos κ. E κ2 G(E) = µ = −µ (C. nós temos que 2AF (κ) A−B =− (C.11) 1 + F 2 (κ) ou.14) E + η2 2η 2 − κ2 Substituindo ambas em (C. −G(κ) κ= .e A−B (B − A) + F (κ)(A + B) = 0 ⇔ F (κ) = . em termos da energia pode ser escrita como 1 G2 (E) E=− . (C. (C.8) (A + B)2 Das condições de contorno (A.13) E + η2 2η 2 − κ2 e s s η2 2η 2 F (E) = λ = λ .18).11).15)  48 .7) A+B Primeiramente. (C.10) 1−κ Substituindo as relações acima em (C. obtemos uma equação de segundo grau κ2 + µκ − 2η 2 λ2 + 1 = 0.9) 1 − F (κ) e 2A A+B = . (C.

(C.17) 8 49 . p µ± µ2 + 8(λ2 + 1) κ± = .que fornece as seguintes soluções para κ. (C. A energia desse estado ligado será 1 p 2 2 2 E = − µ + µ + 8(λ + 1) .16) 2 sendo que a única solução possível é para κ+ . pois κ > 0.

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