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BURNARD, Trevor. “The British Atlantic”, in GREEN, Jack P.; MORGAN, Philip D.

Atlantic History – A
Critical Appraisal. Oxford: Oxford University Press, 2009, pp. 111-136.

O ATLÂNTICO BRITÂNICO

TREVOR BURNARD

Que o Atlântico do século XV ao presente tem sido mais que apenas um oceano, que ele
também tem sido particularmente uma zona de troca e intercâmbio, circulação e
transmissão, não é apenas verdade, no sentido de que essas trocas e intercâmbios
moldaram a vida de quatro continentes por um período bastante longo de tempo. É
também um salto conceitual, o qual permite aos historiadores estabelecer conexões
entre lugares, povos e períodos que enriquecem nosso entendimento a respeito de
como suas sociedades foram formadas. A receptividade dos americanistas britânicos à
história atlântica pode ser vista nos títulos de livros recentes, no entusiasmo de
conferências que incorporam o Atlântico como tema, na reorientação dos institutos de
pesquisa que enfatizam a América britânica com relação aos estudos atlânticos, e na
proliferação de cursos sobre aspectos da história atlântica.1 Mas a história atlântica
também tem limitações. Essas limitações, cada vez mais perceptíveis, têm o potencial
de limitar a utilidade da perspectiva atlântica enquanto um excitante quadro de
referência histórico.

A Grã-Bretanha como uma nação atlântica

Os britânicos chegaram tarde no Oceano Atlântico ou, ao menos, tarde nas Américas.
Além disso, uma colonização interna complexa e duramente contestada no arquipélago
britânico, em grande parte liderada pela Inglaterra, acompanhou a expansão pelo
Atlântico. Tecnicamente, não podemos falar em atlântico britânico até o século XVIII.
Ainda que uma monarquia compósita que compreendia os três reinos de Inglaterra e
Gales, Escócia e Irlanda existisse desde a ascensão ao trono de Jaime VI e I às três
coroas britânicas em 1603, a Grã-Bretanha só passou a existir com a união da Escócia
com a Inglaterra e Gales em 1707. Se, durante o século XVI, os ingleses demonstraram
considerável interesse na expansão ultramarina, sua [p. 112] atenção estava centrada
acima de tudo em subjugar a ilha próxima da Irlanda e em alcançar a coexistência com
a Escócia. O problema das relações dos ingleses com outras nações do arquipélago
britânico estava longe de resolvida durante este longo período, tampouco a Inglaterra
estava segura no interior de uma Europa da qual estava cada vez mais isolada devido a
sua adoção de um protestantismo militante. Se, por volta de 1600, a Espanha havia
consolidado a si mesma como um poderoso império atlântico, o interesse inglês na
colonização permanente do Atlântico para além da Irlanda era mínimo. Os ingleses
permaneciam satisfeitos com sua exploração lucrativa, porém limitada, das zonas de
pesca da Terra Nova e com as expedições dos corsários destinadas a incomodar o
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BURNARD, Trevor. “The British Atlantic”, in GREEN, Jack P.; MORGAN, Philip D. Atlantic History – A
Critical Appraisal. Oxford: Oxford University Press, 2009, pp. 111-136.

domínio hispânico.2 A Escócia esteve pouco envolvida com a expansão ultramarina até
a desastrosa expedição de Darien no Panamá na última década do século XVII e seus
interesses residiam sobretudo na Europa continental.3
Ainda assim, a Inglaterra e, depois, a Grã-Bretanha, logo compensaram o
atraso. Por volta da metade do século XVII, seus domínios atlânticos, incluindo uma
Irlanda relativamente pacificada, só perdiam em extensão e importância para os da
Espanha. Em 1760, o Atlântico britânico compreendida 23 colônias com uma
população total de 1.972.608 pessoas, das quais 1.326.306 eram brancas e 646.305
eram negros.4 Além desses indivíduos, deve-se adicionar uma grande quantidade de
nativos americanos, ainda não subjugados, que viviam no interior da América, sendo
que uma porção significativa deles era aliada dos britânicos.5 Por fim, como acontecia
na própria Grã-Bretanha, a trajetória econômica e social era decididamente
ascendente. A principal característica do Atlântico britânico no século XVIII era o
crescimento em todas as áreas. Um rápido crescimento populacional acompanhava um
desenvolvimento econômico ainda mais veloz nas colônias americanas que iam da
Carolina do Norte até New Hampshire. Ainda que o crescimento da população branca
não tenha sido tão pronunciado nas colônias mais ao Sul e no Caribe, a maturação do
complexo escravista destinado a enviar mercadorias tropicais aos mercados britânicos
fez dessas regiões algumas das mais valiosas do Império britânico. As significativas
vitórias dos britânicos, sobretudo na Guerra dos Sete Anos (sobretudo entre 1759 e
1762), a primeira guerra global e a primeira na qual o controle do território atlântico
era crucial, confirmou o sucesso das investidas da Grã-Bretanha no Atlântico. Como
resultado da maciça aquisição de territórios, especialmente no Canadá e no interior
americano, na Flórida e nas Índias Ocidentais, através do Tratado de Paris em 1763, a
Grã-Bretanha tinha se estabelecido como o poder dominante no Atlântico.6
De fato, o Atlântico britânico em meados do século XVIII se tornara tão
poderoso e seus avanços pareciam tão inexoráveis que pensadores de longo-alcance
especulavam que não faltava muito para que as possessões britânicas na América
ultrapassassem a própria Grã-Bretanha em riqueza, população e influência. [p. 113]
Em uma investigação pioneira sobre economia política em 1751, Benjamin Franklin
calculou que a população continental da América britânica dobrava a cada vinte anos
como resultado da disponibilidade de terras, a facilidade de casamento e um ambiente
saudável. Mesmo que não houvesse mais imigração, ele argumentava, a população da
América do Norte seria, “em um século, mais do que a população da Inglaterra e [que]
haveria maior número de ingleses deste lado do Oceano”. Este ávido imperialista estava
em êxtase a respeito dessas perspectivas de desenvolvimento: “Que tamanha Obtenção
de poder ao Império Britânico tanto por Mar quanto por Terra!”.7 Mas não é assim que
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O excepcionalismo tem uma longa história no mundo de língua inglesa. Como P. A Grã-Bretanha manteve posses significativas na América – as Índias Ocidentais e o Canadá – por bem mais de um século após a Revolução Americana. in GREEN. pp.12 Por conseguinte. Pelo contrário. Atlantic History – A Critical Appraisal. J. colonização e engrandecimento imperial iniciadas no período colonial continuaram a caracterizar a expansão continental estadunidense através do século XIX. argumenta. 2009. os britânicos eram – e ainda são – europeus relutantes. o Atlântico frequentemente foi utilizado pelos britânicos como contraponto à Europa porque ele permitiu aos britânicos. convencer a si mesmos que seu destino não estava ligado ao destino dos demais 3 . historiador do período Tudor. 111-136. considerando o Canal da Mancha menos como uma via expressa que uma barreira conveniente frente à contaminação europeia. ela ainda tem domínios na América: a colônia quintessencialmente atlântica de Bermuda ainda permanece formalmente anexada à Grã-Bretanha. Trevor.11 O ceticismo com relação à Europa também.BURNARD.. para os hispânicos. Mesmo assim. “The British Atlantic”. assim como formas de ocupação. os Estados Unidos continuaram a ser um importante parceiro comercial com a Grã-Bretanha. euro-ceticismo e história atlântica A Grã-Bretanha era especialmente orgulhosa de seu Império atlântico e seu sucesso nas Américas foi um elemento crucial para a criação de uma identidade britânica distinta. Philip D. MORGAN. os domínios orientais britânicos só começaram a prevalecer sobre a porção atlântica do Império britânico em momento já bastante avançado do século XIX. Oxford: Oxford University Press. “o Canal da Mancha é muito mais largo que o Atlântico”. Esse orgulho das realizações britânicas no estabelecimento de um Império atlântico continuou até mesmo depois da Revolução Americana.9 Excepcionalismo. especialmente aos ingleses. o Atlântico britânico não terminou com a perda das treze colônias em 1783. as coisas aconteceriam. De fato. Mais ainda que os franceses e alemães. Como David Starkey. Jack P. Essa ambivalência com relação à Europa. 114] abordagens atlânticas para os pesquisadores do mundo anglófono que para aqueles dos mundos francófonos e. se reflete na historiografia e pode ser um dos motivos para a maior popularidade das [p.8 Além disso. Marshall insiste. possivelmente. levando à Revolução Americana e a uma ruptura irreversível entre a maioria dos súditos brancos do Império britânico na América. compartilhada eventualmente pelos norte- americanos. A política imperial britânica se tornou calamitosa nos decênios de 1760 e 1770.10 Os britânicos – em sua maioria ingleses – que eram ambivalentes a respeito da Europa continuaram a advogar a participação no mundo atlântico. a transição de colônias a nação independente no que se tornou os Estados Unidos não encerrou o envolvimento daquela área no mundo atlântico britânico.

. pp. O futuro da América continental britânica era americano. os Russells. MORGAN. Poucos britânicos proeminentes jamais se aventuraram nas Américas ou demonstraram muito conhecimento do que acontecia lá. que já fora um defensor do imperialismo britânico. obviamente.”.15 A realidade. datado de 1905. entre os que não estavam interessados. A Grã-Bretanha mantinha estreitos laços com a Europa desde. e quando Henrietta Marshall intitulou seu livro para crianças. in GREEN. o qual. após 1945. bastante influente. Até mesmo durante o século XVIII. as possessões britânicas no Sacro Império estavam mais próximas do coração da política externa britânica que [p. não britânico. ele observava. se tornasse capaz de colocá-los sobre aqueles agora impunham-nos nela”. a conquista normanda. com os olhos sempre para fora. europeus. “em menos tempo do que o geralmente pensado. As principais famílias da oligarquia Whig – os Cavendishes. talvez.14 Quando historiadores como o historiador imperialista oitocentista John Robert Seeley declararam que a história da Inglaterra no século XVIII não “estava localizada na Inglaterra mas na América e na Ásia”. grandes rios navegáveis. por volta de 1767 começara a pensar no “destino manifesto” da América nos termos do continente americano. solo. seria capaz de romper quaisquer grilhões que fossem impostos a ela e. Jack P. incluindo a Família Real. Ele considera seu início nas ambições de especialistas em relações internacionais de proteger os Estados Unidos e a Europa ocidental. lagos etc. Philip D.13 Mencionar o euroceticismo ou o excepcionalismo norte-americano é admitir que a perspectiva do Atlântico britânico sempre teve uma dimensão política. “The British Atlantic”. se encontravam importantes personagens.BURNARD. em uma aliança atlântica organizada. Atlantic History – A Critical Appraisal. e conforme as ações subsequentes dos britânicos ao longo da década de 1760 lhes invalidaram todos os sonhos de realizar essas ambições. Os colonos britânicos na América compartilhavam desses preconceitos. Em sua versão das origens do interesse na história do mundo atlântico. por exemplo. já que gostavam de acreditar que sua história deveria ser considerada como parte de um contexto insular e marítimo. populoso e poderoso” e. 111-136. era bastante diferente. como Our Island Story [Nossa história insular]. Nem todos estavam interessados no Atlântico – e. era um “território imenso. sobretudo após as vitórias na Guerra dos Sete Anos ter expandido seus horizontes e aguçado suas ambições. ao menos. Bernard Bailyn enfatiza a interação entre a política contemporânea e o desenvolvimento historiográfico. Franklin. Trevor. o argumento político era evidente: a Inglaterra não constituía parte da Europa mas era uma comunidade política independente. 115] suas colônias atlânticas. os Churchills e os Pelhams – não 4 . favorecido pela natureza com todas as vantagens do clima. 2009. Ele previu que ela “se tornaria um grande país. quando o Atlântico britânico se tornou de grande importância para estadistas e políticos. fincada no Oceano Atlântico. Oxford: Oxford University Press.

Existem similaridades. Além disso. não foram ainda cumpridos. ao menos em parte.. in GREEN.BURNARD. 116] Uma cronologia da expansão europeia 5 . Atlantic History – A Critical Appraisal. o argumento de Seeley. MORGAN. a própria Grã-Bretanha se tornou o problema central: como escrever as histórias interconectadas da Inglaterra. G.18 [p. Entretanto. especialmente a integração da história britânica e da América britânica. historiadores britânicos têm sido mais cautelosos a respeito de abordagens que englobam os séculos XVII e XVIII como uma única “era da primeira modernidade”. enquanto o outro tema principal era o estudo do envolvimento e. era projetado para sustentar o papel da Grã-Bretanha na Europa e apenas tangencialmente estava relacionado com os desdobramentos no Atlântico. “The British Atlantic”. pp. incluindo o desejo de se afastar do que era considerado como um provincianismo cada vez mais limitado dos estudos de pequenas cidades ou paróquias britânicas e norte-americanas e a concomitante insistência em que a história britânica era distinta da história europeia graças à importância particular que o desenvolvimento imperial tivera sobre a história e auto definição dos britânicos. Trevor.16 Os imperativos políticos envolvidos na expansão do escopo geopolítico da história britânica podem ser vistos tanto na guinada em direção à “nova” história britânica quanto na história atlântica.17 A história britânica ampliada e a história atlântica foram desenvolvidas mais ou menos ao mesmo tempo (o início dos anos 1970) e. o “longo rugido da retirada do império pode ser ouvido por trás deste apelo”. Philip D. Com uma história britânica ampliada. para uma concepção de Grã-Bretanha e seu império como uma “Magna Bretanha” [“Greater Britain”]. entre o apelo de Pocock para uma história britânica ampliada que incorpore as histórias de cada parcela do arquipélago britânico e as extensões imperiais dessas histórias no Atlântico assim como em outros locais e. 2009. Jack P. por um lado. Dois dos expoentes da “nova” ou “expandida” história britânica – J. Pocock e David Armitage – também têm sido instrumentais em incitar os historiadores a observar como certas ideias unificaram o Atlântico britânico através da formação estatal. 111-136. o aparato fiscal-militar. do imperialismo e de uma vibrante tradição republicana. da retirada imperial britânica. pelos mesmos motivos. de outro lado. estavam mais envolvidos com o mundo atlântico que os Hannover. incluindo a Marinha e o exército. do País de Gales. depois. da Escócia e da Irlanda de uma maneira que evitasse o arraigado pressuposto de que “Inglaterra” era o mesmo que “Grã-Bretanha”. os objetivos valiosos por trás da “nova” história britânica. Como Armitage destaca. A. Oxford: Oxford University Press. Ainda que os historiadores das colônias britânicas na América tenham entusiasticamente adotado perspectivas atlânticas. no final do Oitocentos.

2009. como a Geórgia. Os colonos britânicos na América podiam imaginar suas sociedades como quisessem e tinham bastante espaço para moldar sociedades que se encaixavam na sua imaginação. A escrita da história britânica continua governada pelos reinados de reis e rainhas específicos ou pela referência a outros eventos históricos importantes. estão ligadas a regiões anteriormente estabelecidas. como a Virgínia. era acompanhada por pressupostos ideológicos e políticos comuns. além do desejo dos historiadores de ver se outras regiões combinavam com padrões característicos da Nova Inglaterra. como é comum nas abordagens da América britânica colonial. da África do Sul e da Nova Zelândia muito tempo após a criação de um Estados Unidos independente. junto com sua defesa de uma cultura política libertária.BURNARD. desenvolvimento socioeconômico e o grau de sujeição aos esforços metropolitanos de conformá-las a um padrão comum. foi um poderoso fator a conformar a resistência colonial à autoridade metropolitana nas décadas de 1760 e 1770. sendo o principal a insistência dos colonos de que. a região que. os historiadores da América britânica colonial tendem a organizar seus livros seja tematicamente ou. eles tinham os mesmos direitos e privilégios que os súditos britânicos residentes na Grã-Bretanha. enquanto bretões. pp. com base em processos compartilhados de articulação social ao longo do tempo. A diversidade de estruturas socioeconômicas.. Poucos estudiosos tentaram retratar os séculos XVII e XVIII como um único período. Uma das principais diferenças entre a “nova” história britânica e as histórias tanto do Atlântico britânico quanto do período colonial estadunidense é que a primeira é mais sensível à cronologia que a última. Oxford: Oxford University Press. da Austrália. Até mesmo aqueles historiadores que insistem na importância da cronologia tendem a enfatizar intervalos de tempo e padrões de desenvolvimento social bastante amplos nos quais regiões posteriormente colonizadas. in GREEN. assim como a Inglaterra servia como emblema de toda a Grã-Bretanha para os historiadores ingleses. essa fixação com a região também é uma resposta ao óbvio fato de que as diversas regiões razoavelmente coerentes que se desenvolveram na América britânica eram notadamente diferentes umas das outras com relação a sua fundação. Obviamente. 111-136. era para a maior parte dos historiadores norte-americanos uma sinédoque da América colonial. de maneira mais comum. e tais preocupações permaneceram importantes para os colonos brancos no Caribe e nas colônias brancas do Canadá. todavia.19 Em contraste. Jack P. as diferenças entre os diferentes lugares da América britânica parecem mais interessantes que as similaridades. Atlantic History – A Critical Appraisal. MORGAN. Consequentemente.20 A causa para essa fascinação regional deriva. em parte. antes do final dos anos 1960.21 6 . “The British Atlantic”. Ela organiza os livros por tempo mais que por tema. Philip D. da continuidade histórica de fortes identidades regionais nos Estados Unidos. por região. Essa insistência na integridade dos direitos dos colonos. Trevor.

. os quais foram encorajados sobre a Coroa e mercadores ingleses por propagandistas como Richard Hakluyt. Jack P. 111-136. O tumulto no arquipélago britânico em meados do século XVII foi análogo em seus efeitos sobre a política colonial na América britânica ao colapso da autoridade central na Península Ibérica após a invasão francesa em 1808.22 O foco de Pestana sobre todo o Atlântico inglês por um breve período marcado por tumultuosas mudanças demonstra as vantagens que uma orientação cronológica pode trazer para a história atlântica britânica – e pesquisas recentes têm elucidado as divisões cronológicas dessa história. a colonização da Virgínia e de Bermuda em 1607 e 1609. in GREEN. “The British Atlantic”. A principal diferença entre os eventos na América britânica e na hispânica ou francesa. no caso britânico. sentido protestante de missão. cobrindo as investidas iniciais de Raleigh na Ilha Roanoke no começo desse período. na Europa. pp. era que. 117] O evento-chave que permitiu aos habitantes brancos do Atlântico britânico articular a natureza dos lugares que eles haviam colonizado era a Guerra Civil inglesa. as colônias britânicas na América nunca perderam a extensa autonomia que ganharam durante a Guerra Civil. Trevor. a ruptura viera no começo do processo de colonização.BURNARD. Isso também deu aos líderes dos colonos uma maior confiança em sua habilidade para gerenciar seus próprios assuntos. as colônias foram deixadas para se defender por si mesmas enquanto o núcleo imperial implodia. e o início da colonização das Índias Ocidentais e da Nova Inglaterra na década de 1620. [p. Os domínios britânicos na América após 1660 seriam comerciais e variados. Philip D. Oxford: Oxford University Press. se consolidou no reinado de Jaime VI e I. dependentes do modelo baseado no trabalho dos escravizados desenvolvido em Barbados nos anos 1640 e comprometido com os direitos dos proprietários de terras locais. o empreendimento colonial inglês na América emergiu de uma obstinada combinação de ambição nacional. pelo desejo de conter a catolicização das Américas através de um 7 . O primeiro período envolveu o planejamento e a realização de projetos de colonização do final do século XVI. Nessa fase inicial. Atlantic History – A Critical Appraisal. Ainda que Carlos II sonhasse em fortalecer sua autoridade sobre as colônias após reconquistar sua coroa. Esse período durou mais ou menos de 1580 a 1620. a importância da Guerra Civil para o início da história norte-americana é que “nenhuma colônia americana de qualquer outro Estado europeu vivenciou uma ruptura comparável no centro do império até a Revolução Francesa”. antes mesmo que a autoridade imperial tivesse sido integralmente estabelecida. uma confiança que parecia justificada pela consolidação local do poder que realizaram entre as décadas de 1640 e 1650 à revelia dos proprietários das colônias e da Coroa. Influenciado pela competição com a Espanha. respectivamente. MORGAN. no entanto. em efervescência desde o período elisabetano tardio. Em ambos os casos. pragmatismo econômico e avidez por grandeza pessoal e coletiva que. 2009. Como Carla Pestana argumenta.

a Inglaterra conseguira estabelecer prósperas colônias ao longo da costa atlântica da Nova Inglaterra à Carolina do Sul. no Leste do Caribe. protestantismo de caráter bastante agressivo e uma urgência utópica em acabar com a pobreza na Inglaterra através da exploração dos recursos atlânticos.BURNARD. conforme visões inicialmente positivas dos indígenas degeneravam em violência e discriminação racial após uma década de estabelecimento permanente. ainda que vulneráveis. Atlantic History – A Critical Appraisal. os colonos ingleses na maioria das colônias já construíram estruturas políticas e sociais viáveis. Philip D. Em 1682. Oxford: Oxford University Press. Trevor. em certo sentido. desenvolveram economias que sustentavam a si mesmas e apontavam para riquezas futuras. além de algumas inglesas. Esses sucessos tiveram certo custo. Mais importante. em medida largamente independente do controle inglês. a entrada dos ingleses na América foi [p. Além disso. as colônias inglesas na América eram irregulares e miseráveis. Logo.. ela falhou em cumprir quaisquer das expectativas iniciais. os ingleses introduziram os escravizados africanos e começaram a transformar suas comunidades em sociedades escravistas dedicadas a produzir mercadorias tropicais para os mercados europeus. as quais tinham poucas pretensões à civilidade e herdavam pouca autoridade. Entretanto. ressentidos de que estavam sendo excluídos do poder político. começado a articular visões do que queriam que suas sociedades embrionárias se tornassem. não alcançando nenhum dos objetivos ingleses para a expansão ultramarina. e também sobre os africanos. nas quais o uso da mão de obra dos escravizados era diminuto. depois. os sucessos da colonização inglesa no século XVII pareciam pouco impressionantes a observadores da época. “The British Atlantic”. 118]. Até meados da década de 1620. MORGAN. com a Baía de Chesapeake e o Sul. deixaram sua terra natal em direção às colônias e à Irlanda. além de ter adquirido Nova York dos holandeses. números que totalizavam cerca de 300 mil antes de 1660. dados os baixos 8 . 2009. com a fundação da Pensilvânia. e os brancos mais pobres. e a conquista da Jamaica em 1655. Jack P. no entanto. e já tinham. começando com Barbados e. pp. especialmente sobre os povos indígenas. muitos dos quais morreram e alguns dos quais foram escravizados. A maior realização era negativa: um prolongado ataque às comunidades vibrantes.23 O fracasso foi seguido pelo sucesso em um segundo momento marcado por um grande incremento na expansão através do Atlântico pelos ingleses a partir de meados da década de 1620 até meados do decênio de 1680. Quantidades extraordinárias de ingleses. in GREEN. o conflito era endêmico entre elites que recém estavam surgindo. Essas regiões se tornaram marcadamente diferenciadas no que diz respeito ao caráter político e socioeconômico das colônias agrárias do Norte. dos indígenas através da ocupação das terras dos nativos americanos e a deterioração das relações entre eles e os ingleses. o último ato da Renascença. Some-se a isso o estabelecimento de colônias em Barbados e nas Pequenas Antilhas. Uma geração após se estabelecerem. 111-136.

a América e a África. até o final do século XVII. no sentido de desenvolver ligações reais e significativas entre a Europa. o braço do Império foi suave. e da existência de um grande número de facções políticas. tornando-o mais dinâmico e expandindo o número de britânicos conectados ao comércio atlântico. em 1698. in GREEN. padrões de vida de que gozavam a maior parte dos colonos e a situação volátil da vida social e política.24 Durante a maior parte desse período. como Bernard Bailyn já apontou a respeito das tentativas. feitas no final do período Stuart. Entretanto. apenas num terceiro momento. Atlantic History – A Critical Appraisal. em parte. como a Guerra de Yamasee. Philip D. o qual compreende a primeira metade do século XVIII. A limitação parcial do monopólio da Royal African Company. por volta de 1700. O auge foi a Guerra dos Sete Anos. na qual a Grã-Bretanha obteve o comando da Europa através da dominação do interior da América do Norte. entre 1675 e 1676. 111-136. MORGAN. a desdobramentos na própria Grã-Bretanha. pp. A Guerra do Rei Filipe.BURNARD. Jack P. de em unificar as colônias sob um controle centralizado mais rígido. a partir da década de 1690 até o final da Guerra dos Sete Anos em 1763 também facilitou a rápida integração atlântica. foram cruciais para a abertura do tráfico de escravizados. As conexões com a Grã-Bretanha eram escassas. Elites locais nascidas na América estabeleceram e dominaram importantes instituições representativas nas quais proclamavam sua adesão às liberdades que acreditavam constituir sua herança e que foram confirmadas pela Coroa 9 . em grande medida. nas Carolinas. especialmente nas colônias centrais de Nova York. no número de mercadores negociando com as Américas). sozinhas. sobretudo com a Espanha e a França. Apesar da considerável (e crescente) diversidade étnica e religiosa. foi a última guerra nas Américas que não envolveu sérios conflitos com poderes europeus ou suas colônias americanas. Trevor. o tráfico negreiro africano estava [p. “The British Atlantic”. de uma comunidade atlântica britânica integrada. sobretudo nas finanças (o crescimento do mercado de ações e a criação de um sistema bancário nacional) e no comércio (o significativo crescimento. abandonando-as em prática mas não em teoria. e as ligações entre as diferentes colônias eram bastante limitadas. e sua extinção em 1712. O Atlântico britânico se consolidou. a integração do mundo atlântico britânico se tornou tamanha que constituiu uma comunidade atlântica genuína. no começo do século XVIII. em 1715. 2009. 119] em crescimento mas ainda não se desenvolvera de todo. As frequentes guerras nas quais a Grã-Bretanha se envolvia. A Grã- Bretanha deixava suas colônias. Nova Jérsei e Pensilvânia.. A emergência dessa comunidade se deveu. a vida social e política era notavelmente estável. Oxford: Oxford University Press. tiveram lugar num contexto no qual os poderes políticos americanos e europeus estavam inextricavelmente emaranhados. Até mesmo em conflitos com os nativos indígenas causados pela colonização. Nós não podemos falar.

entre grupos étnicos diferentes e. eles também expressavam sua aliança à monarquia dos Hannover. Philip D.26 10 . assim como o clima de medo que governava as relações entre senhores e escravizados permeava todas as interações sociais. O que mais impressiona nesse período de crescimento notável e constante em todas as áreas. 120] do conjunto de mercadorias e o desenvolvimento de uma cultura comercial baseada na importância em grande escala de bens de consumo da Grã- Bretanha que garantiu certa uniformidade estilística à cultura britânica nas Américas. entre brancos e negros. explorar e traumatizar. Para os escravizados. é a medida na qual essas sociedades bastante diversas se desenvolviam ao longo de linhas similares e convergiam culturalmente. essas elites coloniais compartilham a devoção à gentilidade. Mas a ameaça da violência por parte dos escravizados estava sempre insinuada na vida atlântica britânica do século XVIII. permitindo aos senhores. A riqueza das plantações americanas e a gentilidade que resultava da crescente riqueza dos donos de terras derivavam da exploração cada vez mais brutal e eficiente do trabalho dos escravizados. física e culturalmente. porém. Ansiosos em demonstrar suas credenciais enquanto nobres ingleses. pp. mas essas negociações eram. Oxford: Oxford University Press. A dependência dos brancos sobre a escravidão tornava seus apelos de aperfeiçoamento e nobreza extremamente problemáticos.BURNARD. indivíduos de origem africana que estavam vulneráveis. “The British Atlantic”. 2009. Um meio pelo qual se obteve essa convergência foi através da expansão [p. de modo que as revoltas dos escravizados foram poucas e severamente debeladas. já de partida. malnutridos e isolados. cultural e politicamente similares umas às outras. 111-136. desequilibradas. in GREEN. entre evangélicos e outras confissões religiosas inspiradas pelas pregações do Grande Despertar [Great Awakening] das décadas de 1730 e 1740 em relação aos anglicanos mais convencionais. Atlantic History – A Critical Appraisal. Brancos e negros podiam estar intimamente ligados em relações que eram próximas e negociadas. à contracorrente da estabilidade e prosperidade da América britânica era a escravidão. Ao mesmo tempo.25 O aspecto sombrio. Jack P. A ascensão de elites nativas nas colônias.. as quais dominavam não apenas a política mas também funcionavam como árbitros do estilo social. Existiam divisões nas sociedades norte-americanas e das Índias Ocidentais entre ricos e pobres. foi igualmente importante. Trevor. entre litoral e interior. MORGAN. e de maneira bastante fervorosa. a maior parte dos quais eram migrantes forçados originários da África Ocidental. sobretudo. que não deixavam de usar da violência. através da Revolução Gloriosa. ao aperfeiçoamento e à anglicização que não apenas as conectava culturalmente às elites na metrópole mas também as tornava social. a primeira metade do século XVIII foi um período de extensa degradação. Os donos de terra obtiveram grande sucesso na implantação de um regime de plantation vicioso.

As comunidades remanescentes de bretões na América eram minorias diminutas e isoladas. é óbvio. Trevor. Atlantic History – A Critical Appraisal. os equívocos na condução do Império que levaram à Revolução Americana. Para tomar apenas um exemplo das dimensões atlânticas da independência dos Estados Unidos. “The British Atlantic”. e a repercussão do conflito e sua resolução indicam em que medida a Grã-Bretanha e suas colônias estavam unidas em um mundo atlântico comum que compartilhava de um mesmo vocabulário. Philip D. pp. in GREEN. O período mais difícil de abordar sob a rubrica da história atlântica britânica é o quarto: o final do século XVIII e o início do XIX. Jack P.. 2009. como se torna evidente quando se considera a continuação do comércio entre a Grã-Bretanha e suas antigas colônias e pelas origens da Guerra de 1812. Eles tinham influência cada vez menor sobre um Império no qual a vasta maioria dos súditos era agora negra ou mestiça. A independência dos Estados Unidos. em 1803. Isso constituiu uma nova concepção que foi bastante importante para o clamor crescente a favor da abolição do tráfico negreiro na década de 1780. vale lembrar. não encerrou o envolvimento dos britânicos no Atlântico. Mas o desfecho daquela guerra e a aquisição. Pode-se duvidar que a abolição do tráfico negreiro e da escravidão teria ocorrido tão cedo quanto ocorreu.BURNARD. por parte dos Estados Unidos. no Império britânico. 111-136. as causas ideológicas que sustentaram esse conflito. permitiu aos Estados Unidos se voltar para o interior em direção à expansão continental. Oxford: Oxford University Press. todos esses fatores ajudaram a diminuir a importância das preocupações atlânticas por parte dos estadunidenses ao longo do século XIX.27 De um lado. no interior dos Estados Unidos. de vastas extensões territoriais com a Compra da Lousiana. MORGAN. a urgência cada vez maior de disputas internas entre os estados do Norte e do Sul. caso as colônias escravistas da América do Norte tivessem permanecido anexadas à Grã- Bretanha.28 De outro lado. ela mesma uma consequência da derrota dos franceses no Haiti. O advento da revolução industrial na Grã-Bretanha e no Nordeste dos Estados Unidos. Esses foram anos de grandes transformações e crises que tanto completaram a integração do mundo atlântico britânico quanto o destruíram. a transição de um mundo de impérios a um mundo de Estados-nação e. especialmente nas Índias Ocidentais. pode-se considerar o argumento de Christopher Brown segundo o qual o compromisso radical à igualdade esposado pelos fundadores da república estadunidense (muitos dos quais. a formação de um Estados Unidos independente diminuiu o escopo e o poder do Atlântico britânico.29 As vantagens da história atlântica britânica 11 . eram donos de escravizados) levou a uma nova concepção do Império enquanto baseado na sujeição sem escravidão mais do que sobre os direitos dos colonos junto à escravidão.

Talvez o avanço mais significativo tenha sido encorajar a incorporação de africanos e nativos americanos na construção da América colonial britânica. eles não tinham poder [p. e as mercadorias e serviços produzidos com os rendimentos de produtos que vinham das mãos dos escravizados”. 2009. Africanos e pessoas de origem africana eram o principal grupo de trabalhadores na América britânica. O que se tornou evidente é a extensão na qual a África não era um lugar sobre o qual os europeus agiam mas sim uma parte do mundo na qual o controle europeu era frágil. sua importância ainda é desprezada. controlavam o ritmo do tráfico de escravizados. algodão e. Oxford: Oxford University Press. Enquanto escravizados.31 Os africanos também eram importante social e culturalmente. pois cerca de 2. a chegada de escravizados.. Ainda é necessário incorporar integralmente a África na história do Atlântico britânico. Mesmo os melhores estudos do sistema escravista. sua presença foi tão forte que os valores africanos permeavam todo aspecto da sociedade. pouco falam sobre as origens africanas dos escravizados. Se essa cronologia é. anterior ao surgimento da história atlântica nos anos 1970. ao invés de ter sido produzido por historiadores da América britânica que tenham um profundo entendimento das culturas africanas. mas sua influência foi bastante significativa mesmo assim. Philip D. que determinavam os padrões de interação entre africanos e europeus na África Ocidental.32 Mas se a África não pode mais ser descartada enquanto um lugar fundador da cultura americana.3 milhões de africanos vieram entre 1600 e 1800 comparado a 1 milhão de europeus. como os trabalhos de Philip Morgan e Ira Berlin.33 12 . o que era feito por eles. Muito do que sabemos sobre a África nas Américas surgiu do trabalho de pesquisadores que estudam o continente africano passando rapidamente para as relações entre África e as Américas. No Caribe. 122] articular os valores e imperativos da sociedade colonial da mesma maneira que as elites britânicas eram capazes de fazê-lo. Os africanos. em particular. não os europeus. sobretudo.BURNARD. Atlantic History – A Critical Appraisal. em larga medida. “O motor do Atlântica era predominantemente os escravizados. a perspectiva atlântica tem produzido alguns outros avanços significativos.30 O que eles faziam quando chegavam era ainda mais importante que sua quantidade. Jack P. MORGAN. por exemplo. e eram eles. e não os europeus. arroz. in GREEN. “The British Atlantic”. Como Barbara Solow comenta. açúcar – que fez a América britânica próspera e valiosa ante aos olhos da Grã-Bretanha. Pesquisadores já demonstraram que indivíduos de origem africana compunham a vasta maioria daqueles que migraram à América britânica. pp. O mundo atlântico britânico era acima de tudo um mundo atlântico negro. Trevor. O reconhecimento da importância dos africanos dentro da história da América britânica encorajou os historiadores a olhar para a África seriamente enquanto uma região. 111-136. Seu trabalho produziu as mercadorias – tabaco.

Oxford: Oxford University Press. Piratas. no geral. Os nativos americanos também não estão tão bem integrados na história atlântica. Jack P. pp. É necessário investigar essa ligação mais detidamente. pelo fim do século XVII.36 A ênfase recai sobre as redes criadas não na metrópole. de 13 . esse mundo “dependia não da visão coerente imposta por um monarca ou por uma junta de comércio mas. marinheiros e. de modo a tornar o Atlântico uma zona surpreendentemente integrada. ainda que os trabalhos sobre eles tenham aumentado exponencialmente nas últimas décadas. ajudando a consolidar relações entre pessoas numa ampla gama de regiões fragilmente conectadas. Duas áreas em particular se beneficiaram desta mudança que consistiu em ver o Atlântico como uma região integrada. já que eles foram os primeiros povos que os europeus encontraram quando atravessaram o Atlântico. têm sido feitas para ligar o que estava acontecendo no interior com o que estava acontecendo no Atlântico.34 No entanto. de qual tipo de sociedade provinham e qual mundo queriam criar nas Américas. 123] caracterizam tanto o interior da América do Norte quanto o litoral atlântico britânico. Nós agora dedicamos uma atenção muito maior ao mar e às pessoas que viviam dele. Como Alison Games argumenta. No século XVII. Suas diferenças e suas semelhanças com os europeus forçaram estes a reavaliar quem eram. especialmente nos interstícios entre centros e zonas periféricas. Poucas tentativas. com suas carreiras. sempre em movimento. O encontro dos britânicos com os nativos americanos na Virgínia e na Nova Inglaterra contribuiu para moldar atitudes com relação a raça e ambiente que influenciaram todas as áreas no início da colonização. O problema está relacionado com a cronologia. MORGAN.BURNARD. mas por uma mistura de ambos. Trevor. fluidez e instabilidade [p. em especial. os nativos americanos eram vitais para a história atlântica. Philip D. realizado por David Hancock.35 Uma segunda vantagem da perspectiva atlântica é uma mudança no foco geográfico para além da Nova Inglaterra. Uma atenção particular tem sido dada às pessoas que se moviam entre diferentes espaços no mundo atlântico. contudo. os nativos americanos nas colônias ao Norte da Virgínia tinham sido em grande medida removidas do litoral atlântico em direção a áreas para além dos limites da colonização britânica. Atlantic History – A Critical Appraisal. 111-136.37 Um excelente exemplo de como as redes operavam na prática é fornecido pelo estudo. Os historiadores têm dedicado muita atenção ao modo como os europeus e indígenas interagiam no que Richard White denominou “Middle Ground”. e das colônias britânicas continentais. “The British Atlantic”. porque mobilidade. in GREEN. 2009. uma arena de conflito caracterizada pela ausência tanto de assimilação completa quanto de antagonismo escancarado. comerciantes têm papel mais proeminente no mundo atlântico britânico. das experiências de homens que viviam ao redor do mundo em uma série de experimentos ultramarinos”. territórios que eram há muito ocupadas por outros nativos americanos. pelo contrário. mas nas periferias. acima de tudo..

dinâmicas e mais importantes. in GREEN. global. 2009. Eles consideravam os povoados da Nova Inglaterra 14 . Sobre isso. já que resgata a história colonial britânica do pressuposto anacrônico segundo o qual as regiões da América do Norte que se tornaram cultural e economicamente importantes como resultado da formação dos Estados Unidos eram também as partes mais relevantes da América britânica nos séculos XVII e XVIII. mas a riqueza que elas produziam. a escravidão. por exemplo. Em sua busca por riquezas.BURNARD. agora num período um pouco posterior ao que normalmente é associado a história atlântica. As Índias Ocidentais podem ter sido um sumidouro. Trevor. e todas as regiões escravistas do Império britânico seguiam os passos de Barbados no século XVII. Ele e outros líderes britânicos consideravam as Índias Ocidentais a porção mais valiosa do Império.38 Outro exemplo dessas relações. já que ela produzia riqueza e atraía quantidades significativas de capital marítimo e mercantil britânico. consumindo vidas de brancos e negros em tamanha quantidade que a enorme imigração deixou populações bastante pequenas.41 Ao reconhecer o papel central das colônias do Caribe no Atlântico britânico e ao enfatizar que as áreas mais ricas. As Índias Ocidentais eram tão importante que a Grã-Bretanha apressou a perda de suas colônias norte-americanas ao retirar a marinha de Yorktown para evitar que os franceses conquistassem a Jamaica.40 Elas também foram o local onde se forjou aquela instituição característica do Atlântico. pensava nas Índias Ocidentais quando usava o termo “americano”. é o elucidativo estudo de Catherine Hall sobre as conflituosas noções de raça. 111-136.39 O trabalho de Hall sugere que a história atlântica também é instrumental em restaurar às Índias Ocidentais britânicas sua posição de direito como a parcela mais dinâmica da América britânica colonial. a história atlântica é um desenvolvimento bastante bem-vindo. classe e gênero que ligavam a Jamaica a Birmingham na primeira metade do século XIX. um grupo que ele caracteriza como “marginal. era imensa. eram as zonas de exploração escravista. um grupo de poderosos mercadores londrinos. do ponto de vista diplomático. Jack P. Esses comerciantes atuavam tanto na metrópole quanto nas províncias da Grã-Bretanha e da América em meados do século XVIII. expansionista e integrados”. Atlantic History – A Critical Appraisal. Philip D.. ajudando “a unificar o império conforme eles unificavam suas próprias operações comerciais”. tornando os residentes brancos dessas ilhas não apenas as pessoas mais ricas [p. MORGAN. os estudos recentes têm revisitado a perspectivas que os sujeitos da época tinham sobre a importância de cada região para o Império. eles concebiam estratégias que ligavam as diferentes partes do mundo atlântico. “The British Atlantic”. Oxford: Oxford University Press. 124] no Império mas também dando-lhes influência nos cálculos imperiais para além de sua pequena quantidade. O Duque de Newcastle. um dos principais políticos britânicos no século XVIII. pp. oportunista. principalmente do açúcar.

MORGAN. pp. as comparações mostram que a colonização britânica nas Américas não teria ocorrido da forma que aconteceu sem os exemplos de outros impérios. em 1607. fazendo os nativos americanos trabalhar para produzir comida e exportar itens em troca de mercadorias europeias. o poderio imperial espanhol começou a declinar. No começo do século XVIII. O erro mortal de Lorde North foi pressupor que essa opinião quase universal sobre o caráter distinto e o isolamento da Nova Inglaterra permitiria aos britânicos punir a região sem levar à indignação com relação ao Império em outros locais. entretanto. a “Legenda Negra” sobre a crueldade hispânica foi sempre importante para justificar a colonização britânica e ela se tornou uma das bases do discurso sobre a superioridade moral do Império britânico quando.44 Conforme a colonização progrediu. no século XVIII. 2009. Trevor. Comparar essas esferas atlânticas é importante por dois motivos.43 Os primeiros colonos em Jamestown. eram os espanhóis que precisavam copiar os britânicos. sua tolerância da diferença religiosa e a intensa busca de comércio e aprendizado era um exemplo que os hispano-americanos necessitavam emular. 125] em tributários de acordo com o modelo espanhol. com os cidadãos da América do Norte. Como John Elliott insiste. as comparações contemporâneas entre os impérios britânico e espanhol não eram “sobre dois mundos culturais auto-suficientes. condenados ao erro religioso e ao adormecimento moral. a França parecia estar prestes a retirar a 15 .. pouco relevantes e problemáticos. A relação se invertera e. J. continuou-se a fazer essas comparações. “The British Atlantic”.BURNARD. A partir do final do século XVII. crueldade e superstição. Oxford: Oxford University Press. Em primeiro lugar. Hector St John de Crèvecoeur resumiu a visão condescendente dos britânicos em sua comparação dos “espalhafatosos” comerciantes de Lima. do Império britânico. in GREEN. cujas atitudes orgulhosas. menos integrada e mais problemática. populações continentais e aquelas das Índias Ocidentais – consideravam a Nova Inglaterra como uma parte distinta. agora. 111-136. era um pouco mais difícil para os britânicos. tinham o exemplo espanhol em mente quando imaginavam seus novos domínios. Atlantic History – A Critical Appraisal.42 Uma terceira vantagem da história atlântica britânica é que ela reavalia o excepcionalismo estadunidense e britânico. sobretudo espanhóis e franceses. Torna-se difícil entender como os britânicos compreenderam tão mal as opiniões dos norte-americanos com relação ao Império após 1763 sem levar em consideração que todos – britânicos. Jack P. Não é mais possível estudar o Atlântico britânico sem reconhecer que suas atitudes eram moldadas e limitadas pelas ações de outros agentes imperiais. mas entre mundos culturais que estavam bastante cientes da presença um do outro”.45 O exemplo dos franceses na América. na maioria das vezes em prejuízo dos espanhóis e seu império. A Espanha se tornara um emblema de atraso. Eles imaginavam que eles imitariam os espanhóis encontrando ouro e prata e transformando os indígenas [p. Philip D.

Atlantic History – A Critical Appraisal. ainda. 2009. sua homogeneidade interna os transformava. No Caribe. primazia dos britânicos como o império mais bem-sucedido e dinâmico nas Américas. Oxford: Oxford University Press. Philip D. Uma das vantagens em ver a Grã- Bretanha e o Atlântico britânico em contexto é que torna visível o desafio colocado pelos franceses assim como ressalta a crescente importância de eventos que aconteciam na periferia das Américas para os assuntos europeus. as colônias da América britânica eram internamente homogêneas. Santo Domingo era a joia da época. assim como estava sujeitas a esforços cada vez mais cerrados de controle a partir de um centro autoritário e bastante presente. Durante a maior parte desse período. Em contrapartida. encorajar os historiadores a compreender o que era distinto e peculiar a ela. No Ohio e no vale do baixo Mississippi. “The British Atlantic”. parecia que os franceses iriam superar os britânicos em poder e influência.47 Situar a América britânica em contexto atlântico resulta. com cada vez mais intensidade. As características que distinguem o desenvolvimento social da América britânica são mais evidentes quanto confrontados com a América hispânica. em uma quarta vantagem.. se transformando numa das principais áreas em disputa em meados do século XVIII. Jack P.46 Além disso. 111-136. ao menos pelos padrões hispano-americanos. ainda que o absolutismo e o catolicismo francês ofendesse a eles. em grande medida. França e Grã-Bretanha competiram pelo domínio tanto da América do Norte quanto do Caribe. as únicas exceções sendo os africanos e os nativos americanos incorporados às colônias. dotadas de poderosos instrumentos de exclusão social e política. em parte por que haviam menos colonos franceses para se intrometer nos modos de vida indígenas. os franceses estabeleceram relações mais cordiais com os nativos americanos. com a região do Ohio. in GREEN. Enquanto as colônias hispano-americanas tendiam a ser sociedades. entidades políticas heterogêneas. Ao longo de cerca de cinquenta anos. Trevor. no interior. Essa heterogeneidade era aumentada pela interferência relativamente ineficaz que o governo britânico exercia sobre sua direção política e 16 .BURNARD. Assim que a ameaça francesa foi removida. MORGAN. Isso também sugere a importância da Guerra dos Sete Anos – a primeira guerra global com parcela significativa das operações na América do Norte – na história tanto da Grã-Bretanha quanto da América. com relação aos espanhóis. os colonos britânicos na América do Norte puderam se definir de maneira diferente daquela que os metropolitanos os viam. poliglotas que eram internamente heterogêneas mas organizadas social e politicamente de maneira bastante similar num nível mais amplo. pp. uma usina de força econômica que produzia cerca de 40% das exportações ultramarinas francesas por volta de 1770 e que superava até mesmo a Jamaica como principal produtora nas Antilhas. qual seja. que eram legalmente estrangeiros sem direito à presença política. os britânicos não podiam desprezar a França como uma nação atrasada da mesma forma que eles faziam.

. Os conflitos mais óbvios são entre europeus. As colônias britânicas tinham mais autonomia e maior amplitude para se construírem a si mesmas no mundo. o que transformou raça e hibridização num campo particularmente proeminente da história atlântica. pp. Atlantic History – A Critical Appraisal. 127] de cosmopolitismo ilustrado. e o comércio.BURNARD. Jack P.48 Uma quinta vantagem da história atlântica é que encoraja os historiadores da América colonial britânica a estudar as conexões e conflitos de diferentes mundos culturais e as identidades que resultarem deles. africanos e nativos americanos. todavia. os pesquisadores têm se dedicado a estudar como ideias científicas e de história natural também conectavam americanos e europeus em uma cultura atlântica compartilhada [p. algo que normalmente era determinado pelos fatores gêmeos da natureza de suas origens individuais e por sua experiência em elaborar sociedades que funcionavam por si mesmas. incluindo a ideologia republicana que ligava os colonos britânicos na América com os movimentos de oposição radical na Grã-Bretanha e que pavimentaram o caminho para a ruptura ideológica entre a metrópole e suas colônias americanas nas décadas de 1760 e 1770. enquanto os americanos utilizaram reivindicações de igualdade. in GREEN.51 Mais recentemente. também era costurado de maneiras menos agradáveis. Eles também mostraram como os europeus usaram sua compreensão dos sistemas de conhecimento americanos para avançar o pensamento iluminista na Europa. Os mercadores eram o grupo que melhor simbolizava as conexões transatlânticas britânicas e as relações que estabeleciam pelo comércio costuravam juntos povos nos três continentes. 111-136.52 O mundo atlântico. a partir do pensamento europeu. social. O mundo atlântico britânico era notavelmente pouco institucionalizado repleto de populações não-assimiladas que tinham pouco o que os unisse a não ser o medo e a incompreensão mútuos. Trevor. O mundo 17 . as áreas mais dinâmicas do comércio atlântico. o Atlântico também era um caminho para o comércio de ideias. Philip D. em suas investigações dos fenômenos naturais americanos. MORGAN. Mas os historiadores atlânticos também têm se interessado em como diferentes grupos de europeus se ajustaram aos novos ambientes e novos habitantes da América britânica. têm sido bastante estudadas. A migração tem sido de particular interesse para aqueles historiadores preocupados em traçar a formação de identidades americanas. A ameaça e a aplicação da força e a aceitação de um certo nível de violência nas relações com os escravizados e com os indígenas caracterizava as periferias imperiais como selvagens e para além da experiência normal dos europeus. construídas a partir da confluências entre aspectos herdados e novas experiências.49 Essas identidades também estavam ligadas à produção e ao consumo. 2009. principalmente de produtos básicos e de escravizados. “The British Atlantic”. Oxford: Oxford University Press.50 Entretanto. eles mesmos até certo ponto acostumados com a brutalidade.

podem ser tão destrutivas quanto são criativas. Philip D. graças à expansão da escravidão. previamente conectadas. in GREEN. Notavelmente. talvez. mesmo em áreas colonizadas e estabelecidas. “The British Atlantic”. Trevor.. 128] Mas ela também tem evidentes limitações. atitudes cosmopolitas. Um aspecto que frequentemente se negligencia. conexões transatlânticas. confirmou para muitos observadores não apenas que a região estava decaindo com relação aos nobres ideais que a fundaram mas também que a América transformava os europeus em selvagens. A violência. A ferocidade da Guerra do Rei Filipe. Oxford: Oxford University Press. MORGAN. Trata-se de uma perspectiva. Jack P. como mostra o caso do tráfico de escravizados. desde o massacre de indígenas na Virgínia. especialmente quando os Estados Unidos sofrem um significativo processo de hispanicização. historiadores da migração africana para as Américas enfatizam menos como a experiência atlântica transformou os africanos quanto nos aspectos de sua cultura que efetivamente sobreviveram.55 Os limites da história atlântica Sem sombra de dúvida. tanto na Irlanda e na Escócia durante a Guerra Civil quanto na América britânica. a qual se tornou notavelmente mais viciosa conforma se expandia o sistema de plantations ao Sul da América do Norte e nas Índias Ocidentais.54 No século XVIII. [p. o objetivo desses conflitos atlânticos com os indígenas não era apenas derrotar o inimigo mas também destruí-lo valendo-se de quaisquer meios. Se as redes atlânticas permitiram que atividades e vidas antes desconectadas pudessem se tornar interligadas.BURNARD. é que as redes. cuja ênfase em conexões globais e diversidade multicultural toca em preocupações contemporâneas do mundo anglófono. continuou sendo parte da vida atlântica britânica. a qual devastou o interior da Nova Inglaterra. na década de 1620. 111-136. a qual permaneceu tão bárbara e sem lei quanto no século anterior. um campo que estava em crescimento mas. elas também permitiram que outras. Uma maneira de evitar a conclusão de que a experiência atlântica destruiu sua subjetividade e noção de comunidade é insistir na continuidade 18 . 2009. A violência deixou extensas cicatrizes. além do mais. no entanto. à brutalidade da Rebelião de Bacon e a Guerra do Rei Filipe em meados da década de 1670. fluxo e mutação. essas guerras eram especialmente brutais. no entanto. a brutalidade aberta da guerra se deslocou para a fronteira. a adoção de uma perspectiva atlântica revigorou a história colonial britânica. Atlantic History – A Critical Appraisal. em perigo de se tornar demasiado especializado e fragmentado. incluindo a tortura e o genocídio. Os historiadores do Atlântico britânico se valem de vieses altamente assimilacionistas e homogeneizantes em sua busca desenfreada por conexões e ligações entre diferentes partes do mundo atlântico. Ao contrário das guerras na Europa continental. fossem desfeitas. pp.53 No século XVIII. colonial era fraturado por guerras. não apenas nas vítimas mas também nos perpetradores.

Oxford: Oxford University Press. 2009.59 Na medida em que os historiadores atlânticos têm sido relutantes em participar desse projeto em particular. 111-136. marcos cronológicos. a serem pensados em sua relação com desdobramentos posteriores. sempre resistiu a ser integrada na história dos Estados Unidos. por exemplo.BURNARD. em parte porque outros grupos de historiadores continuam a se sentir confortáveis em utilizá-lo como instrumento de organização conceitual. A quantidade de estudos que utilizam um enfoque atlântico diminui significativamente após 1789 e responde apenas por uma pequena proporção da avalanche de estudos produzidos pelos historiadores dos Estados Unidos enquanto nação independente. no qual as descontinuidades são bem-vindas. 129] essa falta de integração. tem apenas destacado [p. a multiplicidade de lugares e perspectivas é a norma. Os historiadores atlânticos se orgulham de escapar da camisa-de-força do Estado-nação. em grande medida. e a cronologia nem sempre gira em torno dos eventos políticos tradicionalmente importantes. contudo. Philip D.58 Sem dúvida. identidades nacionais e o desenvolvimento e o estabelecimento de instituições 19 . não tem sido compartilhado pelos historiadores que estudam seja a Grã-Bretanha. com sua predileção pela organização regional e grande interesse no mundo imperial britânico mais amplo.56 O entusiasmo dos historiadores da América britânica colonial acerca dos méritos de uma perspectiva atlântica. O movimento em direção à história atlântica. e os estudos a seu respeito estão largamente preocupados em iluminar temas do desenvolvimento nacional americano que nos melhores achados do período colonial. as história dos Estados Unidos continuam com os pés fincados no quadro conceitual do Estado-nação sobre os velhos pressupostos segundo os quais (1) sua história é excepcional e (2) que o público dessa história consiste essencialmente de norte-americanos interessados em como os Estados Unidos interagem com o restante do mundo. in GREEN. pp. mais notavelmente na desconexão resultante da história colonial da América de seu papel tradicional para entender o caráter dos Estados Unidos. como Michael Zuckerman insiste. Até mesmo os períodos revolucionário e do início da república norte-americana tendem. Jack P. quais sejam. eles tendem a se distanciar das preocupações dos historiadores que estudam os Estados Unidos ou a Grã-Bretanha. Os pesquisadores do período colonial estão muito mais preocupados que seus colegas que estudam o período republicano em evitar a teleologia implícita de estudar apenas aquelas colônias que depois se tornarão parte dos Estados Unidos. de fato.. entre práticas culturais especificamente africanas e seu desenvolvimento no Novo Mundo afro-americano.57 A possibilidade de escapar dos limites dos Estado-nação anima os historiadores mas está plena de problemas. A história colonial. seja os Estados Unidos. MORGAN. Trevor. Atlantic History – A Critical Appraisal. flutuar acima do Estado- nação tem um custo. “The British Atlantic”.

O enquadramento imperial resulta do reconhecimento de que as relações de poder ocorriam dentro de impérios. à orientação econômica e à religião. um assunto que praticamente uma geração inteira havia abandonado por lembrá-la de um passado vergonhoso. parecem resistir ao “giro imperial”. têm ambições assumidamente imperiais. sempre em competição. contudo. de culturas nacionais europeias então emergentes que diferiam umas das outras no que diz respeito ao idioma.BURNARD. no entanto. in GREEN. Trevor. 2009. ela sugere que uma perspectiva imperial talvez esteja mais em demanda que uma perspectiva atlântica para entender o mundo ultramarino britânico. com a criação dos Estados Unidos. 111-136. à lei. Uma maneira de diminuir essa distância é reconhecer que o processo colonial não terminou. provavelmente irá apenas mascarar. sobretudo pessoas comuns. esses impérios efetuaram dramáticas expansões. nacionais. provavelmente com medo que esse projeto signifique a subordinação dos interesses de suas periferias àqueles do centro e superestime a extensão à qual o centro conseguia ditar os rumos dessas periferias. argumentando que a melhor maneira de compreender o que é distinto no mundo atlântico britânico [p. assiste-se a um renovado interesse pelo fenômeno do império. Jack P. “The British Atlantic”. alguns historiadores do Atlântico britânico. 130] é estudá-lo num contexto global. e não diminuir. O principal motivo é que pode apenas acentuar duas das mais evidentes fraquezas da história atlântica: sua falta de atenção à vida interior dos indivíduos. Nos últimos anos. MORGAN. embora declaradamente anti-imperialistas em sua orientação e metodologia. talvez especialmente nos Estados Unidos. com as significativas exceções da África Ocidental e vastas seções do interior das duas Américas. Organizados em entidades nacionais. Philip D. Embora essa ressurgência dos estudos imperiais – a tal ponto que certos pesquisadores falam em um “giro imperial” – tem enfatizado mais os séculos XIX e XX. cujas conexões com os temas mais amplos do mundo atlântico eram bastante 20 . à tradição. na América do Norte.60 Ainda é uma questão para resolver saber se o quadro da história atlântica é a melhor perspectiva para examinar as continuidades entre as esferas colonial e metropolitana no mundo britânico da primeira modernidade ou entre as épocas colonial e nacional da América do Norte. desde a década de 1980. nas conexões e no intercâmbio transnacional. dominavam o mundo atlântico. às instituições.61 Não devemos desprezar as interconexões que existiam entre os impérios americanos na primeira modernidade para compreender que esses mesmos impérios. Oxford: Oxford University Press. as ambições anti-imperialistas.62 Os historiadores atlânticos. uma nação tradicionalmente ambivalente sobre as virtudes do império. aspecto que foi obscurecido pela ênfase dos historiadores do Atlântico britânico na fluidez. porém..64 Transformar a história atlântica em uma subseção da história mundial. Atlantic History – A Critical Appraisal. pp.63 Ironicamente. senão também uma importante reformulação.

a tendência natural de uma abordagem histórica é expandi-la até que não seja mais possível utilizá-la. 2009. 111-136. tendem a obscurecer as experiências da maioria dos escravizados. sendo assim. Oxford: Oxford University Press. Andrews. e. precisamos prestar atenção aos indivíduos nos dois extremos do espectro. Trade. arroz e tabaco. Sua existência é inegável. Com os apelos para expandir o mundo atlântico em direção à Ásia.65 O verdadeiro teste para a história feita na perspectiva do Atlântico britânico virá depois. e. a pressão crescente sobre historiadores do Atlântico britânico para dominar os idiomas e as histórias de outras nações europeias e da África Ocidental. Dois livros recentes ilustram bem essa fraqueza. conseguiram se transformar eles mesmos em mercadores de escravizados em Calibar. 1 For a recent discussion. assim como a transmissão de pessoas. ideias e mercadorias através do Atlântico e entre diferentes regiões dele levou a importantes e duradouras conexões que moldaram as vidas americanas. Mas as limitações dessa abordagem são reais e o que ganhamos em adotá-la pouco compensa o que perdemos ao abandonar outras maneiras de fazer história. evidentemente. em geral. LXIII (2006): 675–742. tênues. ruim. Além disso.” William and Mary Quarterly 3rd ser. ao invés de se concentrar em conectar seu trabalho com a história dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha. por exemplo. conta a história de africanos sequestrados pelo tráfico negreiro que. some-se a isso. Kenneth R. Fish into Wine: The Newfoundland Plantation in the Seventeenth Century (Chapel Hill: University of North Carolina Press. MORGAN. Obviamente.. 1978). Randy Sparks. É necessário estudar essas conexões e tentar entender o que o constante movimento do mundo atlântico significava para as relações de poder e para a vida cotidiana. no conta sobre a impressionante vida de Rebecca Protten. Jack P. são bastante atípicas para africanos e afro-americanos condenados a viver pouco e sofrerem muito nas plantações de açúcar.BURNARD. a história atlântica não se sobressai necessariamente como superior. por sua vez. 2004). se compararmos o que tem sido obtido pelos historiadores atlânticos para avançar nossa compreensão da Nova Inglaterra. O interesse dos historiadores coloniais britânicos e norte-americanos na história atlântica não é. in GREEN. e sua fixação em indivíduos extraordinários. talvez estejamos chegando ao ponto no qual os limites dessa abordagem estão se tornando visíveis. Philip D. “The British Atlantic”. 21 . pp. habilidades linguísticas e pessoais. de Chesapeake e da sociedade inglesa no auge da “nova” história social nos anos 1970. cuja própria distinção individual levanta questões sobre sua normalidade. uma cristã convertida que evangelizou no Caribe e na África. see “Forum: Beyond Atlantic History. entretanto. Pope. Trevor. Essas vidas.. mais os trabalhos realizados em outras disciplinas que não a história. John Sensbach. devido a sua distinta origem social. britânicas e africanas. O mundo atlântico britânico não é uma invenção proveniente da imaginação. Atlantic History – A Critical Appraisal. 2 Peter E. ao Pacífico e ao mundo. De fato. Plunder and Settlement: Maritime Enterprise and the British Empire 1480–1650 (Liverpool: Liverpool University Press.

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