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O STATUS QUO DE PROFISSIONAIS MÉDICOS/AS NO CONTEXTO

DO PROGRAMA DE SAÚDE DA FAMÍLIA NO ESTADO DO CEARÁ1

Júlia Salvador Argenta2
Dra. Izabel Magalhães3

RESUMO
O presente artigo tem por objetivo investigar como se dá a manutenção do status quo de profissionais
médicos/as nas práticas discursivas e sociais do Programa de Saúde da Família/PSF no estado do
Ceará. O corpus utilizado foi retirado de um projeto de pesquisa sobre o PSF, coordenado pela profa.
Dra. Izabel Magalhães, e é composto de transcrições de quatro oficinas realizadas em duas cidades do
Ceará, Crato e Salitre; e de artefatos produzidos nestas. A metodologia utilizada é a etnográfico-
discursiva, fundamentada pela Análise de Discurso Crítica. Para as análises, fizemos uso de duas
categorias: modos de operação de ideologia de Thompson (2007) e representação de atores sociais de
van Leeuwen (1997) reformulada por Fairclough (2003). Como resultados, encontramos que o status
quo é mantido por profissionais e por pacientes, visto que naturalizam e reificam as relações desiguais
de poder; e que os atores sociais pacientes são ofuscados nas práticas discursivas de ambos os grupos.

Palavras-chave: Programa de Saúde da Família; Análise de Discurso Crítica; Oficinas.

INTRODUÇÃO
A saúde pública, gratuita e irrestrita no Brasil foi instituída através da Constituição
Federal de 1988, com a criação do Sistema Único de Saúde/SUS. Já em 1997, com o objetivo
de “transformar a prática sanitária brasileira” e de garantir “a melhoria da qualidade de vida e
saúde dos cidadãos brasileiros” (BRASIL, 1997, p. 5), foi criado dentro do SUS o Programa
de Saúde da Família/PSF. Como porta de entrada do SUS, o PSF faz o atendimento primário,
com resolução de problemas básicos de saúde, prevenção de doenças e agravos, promoção de
saúde, e encaminhamento para atenção secundária e terciária quando necessário.
Quase duas décadas da implantação do PSF, muitos são os problemas encontrados. A
postura médica é umas das principais queixas ouvidas, pois é comum pessoas falarem que o/a
médico/a faltou ao expediente em hospitais ou postos de saúde públicos. Também é comum
1
Trabalho apresentado no GT Discurso e Ideologia do I Encontro Nacional sobre Discurso, Identidade e
Subjetividade (ENDIS), realizado de 27 a 29 de abril de 2016.
2
Graduanda do curso de Letras Português e Inglês da Universidade Federal do Ceará. Fortaleza-CE. Endereço
eletrônico: julia.argenta@gmail.com.
3
Professora Visitante na UFC, Fortaleza-CE. Pesquisadora Colaboradora na UnB, Brasília-DF. Bolsista de
Produtividade em Pesquisa do CNPq. Endereço eletrônico: mizabel@uol.com.br
1

técnicos/as de enfermagem. coleta de artefatos. Os objetivos específicos são compreender de que forma as Representações de Atores Sociais (FAIRCLOUGH. de uma determinada atividade (GHERARDI. grupos focais. Para a escolha dos municípios investigados. com apoio do CNPq. relatos de observação participante (ANGROSINO. pois acreditamos não ser possível haver atendimento de qualidade enquanto houver relações tão assimétricas de poder. a partir da inclusão ou exclusão de indivíduos nas práticas discursivas no contexto do PSF. 4 Coordenado pela profa. O corpus deste artigo advém de um projeto de pesquisa intitulado “O Diálogo como Instrumento de Intervenção de Profissionais da Saúde na Relação com Pacientes”. teve-se como parâmetro a divisão do estado em três macrorregiões e a identificação de seus municípios de maior e menor IDH. Izabel Magalhães (UFC). 2003) retêm o status quo de profissionais médicos. Crato. Salitre e Croatá)5 com profissionais de saúde (médicos/as. 5 A pesquisa de campo no sexto município participante do projeto – Sobral-CE – foi realizada em 2015. nos anos de 2013 e 2014. São essas e outras naturalizações do prestígio de profissionais médicos/as que justificam nossa investigação e nosso caráter posicionado (RESENDE. e identificar de que forma as práticas discursivas de profissionais de saúde e usuários do PSF propagam ideologia de prestígio de médicos/as a fim de mascarar e legitimar as relações desiguais de poder. Pacatuba. 2012). aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal do Ceará. 2009) e oficinas. 4 financiado por PPSUS – REDE/MS/FUNCAP. tecnologias e objetos que participam. composta dos seguintes instrumentos: entrevistas. nosso artigo tem como objetivo entender como se dá a manutenção do status quo de profissionais médicos/as na relação com os demais profissionais de saúde e pacientes no contexto do PSF. 2012).chamarem letras de difícil compreensão de “letra de médico” ou referirem a um horário de início de expediente tardio de “horário de médico”. Logo. Dra. A metodologia adotada no projeto foi a etnografia discursiva fundamentada pela Análise de Discurso Crítica/ADC. juntamente aos atores sociais. Artefatos são instrumentos. em Unidades Básicas de Saúde/UBS do PSF em cinco municípios do Estado do Ceará (Fortaleza. enfermeiros/as. 2 . dentistas e Agentes Comunitários/as de Saúde/ACS) e usuários/as. O projeto vem sendo continuado com apoio do CNPq: bolsa de produtividade em pesquisa em nome da professora. Este projeto foi executado.

2005) considerar a ADC uma continuação da Linguística Crítica/LC (disciplina desenvolvida em 1970). Este artigo é composto de três seções. realizadas com onze profissionais de saúde e doze usuárias do PSF nas cidades de Crato e Salitre. Magalhães (2005) defende que a ADC é um campo transdisciplinar de metodologia e teorias capazes de investigar e entender a vida social contemporânea. ideologia é inerentemente negativa. a fim de colaborar na transformação de práticas sociais hegemônicas. mantendo características em comum. Sendo assim. Sobre posicionamento científico entendemos que. PRESSUPOSTOS TEÓRICOS De acordo com Magalhães (2005). Resende (2012) esclarece que a ADC é um campo heterogêneo com diversas proposições teóricas e metodológicas. A seção seguinte abordará os conceitos teóricos. Apesar de Wodak (2001 apud MAGALHÃES. Segundo o autor. propostas por Thompson (2007) e van Leeuwen (1997). em circunstâncias particulares. professor da Universidade de Lancaster. de acordo com a perspectiva de Thompson (2007). que são modos de operação de ideologia e Representação de Atores Sociais. além da Introdução e das Considerações Finais. Para as análises. é necessário que expliquemos o termo ideologia e seu significado. reformulada por Fariclough (2003): modos de operação da ideologia e representação de atores sociais. utilizaremos duas categorias analíticas da ADC. e serve. o termo Análise de Discurso Crítica/ADC foi utilizado pela primeira vez em 1980. para estabelecer e sustentar relações sociais estruturadas das quais alguns indivíduos e grupos se beneficiam mais 6 Todas as participantes das oficinas foram mulheres. Grã-Bretanha. Antes de prosseguirmos para a explicação destas categorias. pelo linguista Norman Fairclough. por trabalharem com relações assimétricas de poder e. em seu artigo intitulado Journal of Pragmatics.6 e pelos artefatos produzidos durante essas oficinas. Um ponto a ser discutido aqui é o campo transdisciplinar da ADC. e aponta que três dessas características são a interdisciplinaridade. abuso de poder de um grupo sobre o outro. analistas de discurso crítico assumem parcialidade durante seus estudos. o corpus de nosso artigo é formado pelas transcrições dos áudios de quatro oficinas. por vezes. o posicionamento científico e a utilização da linguística para análise e crítica social. ao passo que a LC analisa uma quantidade limitada de textos. Utilizaremos em nossas análises duas categorias analíticas. 3 .

responsável por ofuscar.96). que acreditamos estabelecer uma relação assimétrica no contexto do PSF. instituições e ações). em que relações de dominação são apresentadas como justas e dignas. Este modus operandi conta com duas estratégias: a padronização (formas simbólicas são padronizadas e compartilhadas). A fragmentação é o quarto modo de operação de ideologia. de modo geral. a metáfora e a sinédoque. que tem por objetivo fragmentar e excluir grupos de pessoas que poderiam vir a ser um problema na coletividade. Neste artigo. e a simbolização da unidade (transformação de singularidades em símbolos de unidades. servindo para um grupo ou diversos grupos). Neste processo. obscurecer ou desviar a atenção do grupo dominado sobre informações e caraterísticas que sustentam o grupo dominador. e que alguns indivíduos ou grupos têm um interesse em preservar. fragmentação e reificação – pretendemos demonstrar de que forma a classe médica mantém seu prestígio. O terceiro modus operandi da ideologia é a unificação. tais como a metonímia. enquanto outros procuram contestar (THOMPSON. e o tropo (uso de figuras de estilo. O autor aponta três estratégias da dissimulação: o deslocamento (uso deslocado de uma expressão que normalmente possui cunho negativo ou positivo a fim de proporcionar esse mesmo efeito em situação diferente). sem levar em conta diferenças de pequenos grupos inseridos nessa coletividade. p. sejam entre pacientes e profissionais de saúde ou entre grupos de profissionais de saúde. a eufemização (valoração positiva de relações sociais. a universalização (interesses de um grupo de indivíduos são apresentados como interesses de todos os indivíduos) e a narrativização (apresentação de fatos históricos para impor uma tradição eterna e imutável). Neste modo. para dissimular relações de poder). as 'circunstâncias particulares' a que Thompson se refere são as práticas sociais e discursivas de profissionais médicos/as. dissimulação. 2007. Esta categoria é composta por três subcategorias: a racionalização (uso de leis e de argumentos coerentes para defender como correta uma relação de dominação). possui em si várias lutas hegemônicas. O segundo modo apontado por Thompson é a dissimulação. que outros. fazendo uso da perspectiva de ideologia e dos modos de operação de ideologia propostos por Thompson (2007) – legitimação. são apresentadas duas estratégias: a diferenciação (em que se enfatiza as 4 . status quo. cria-se uma identidade única da coletividade. Assim. Investigações como as de Magalhães (2000. unificação. 2015b) e Magalhães et al (2014) nos dão suporte para acreditarmos que a saúde pública. 2015a. O primeiro modo de operação de ideologia é a legitimação.

quando fazem algo ou fazem com que algo aconteça. ao passo que atores sociais genéricos representam uma categoria completa e são tratados como semelhantes. Para Fairclough (2003) as estratégias mais comuns são a inclusão ou exclusão de atores sociais no discurso. Em contrapartida. tornando-o inimigo de um grupo ou sociedade). assim.72) “a forma como os atores socais são representados em textos podem indicar posicionamentos ideológicos em relação a eles e a suas atividades”. falaremos de três delas. Fairclough (2003. pode ocorrer de diversas formas. por outro lado. a partir da exclusão ou da inclusão. 5 .diferenças e distinções de grupos) e o expurgo do outro (criação de uma imagem negativa do outro. Atores sociais podem ser representados por nome ou em termos de categoria por dividirem identidades e funções. a representação de atores sociais proposta inicialmente por van Leeuwen (1997) e reformulada por Fairclough (2003). temos nomeado ou classificado. A segunda forma de inclusão que adotamos aqui é específico ou genérico. Esta última estratégia da reificação está diretamente ligada com a segunda categoria de análise que faremos uso. atores sociais e ações). em que não há qualquer menção aos atores sociais no texto. e colocar em segundo plano. 145) afirma que os atores sociais são ativos quando realizam a ação. Atores sociais são representados como específicos quando pertencem a um grupo determinado de pessoas. a eternalização (momentos sócio-históricos são apresentados como eternos. ou seja. A exclusão pode ocorrer de duas formas: através supressão. Por último. apagando. atores sociais passivos são submetidos a ou recebedores de ações. As três subcategorias são a naturalização (retrato de situações controláveis como sendo naturais e inevitáveis). De acordo com Resende e Ramalho (2006. e ao que concerne este artigo. onde a exclusão é mais suave. imutáveis) e a nominalização/passivação (foco de atenção em certos temas e eventos. O último modo de operação é a reificação: situações transitórias de dominação são estabelecidas como permanentes e naturais. havendo pistas no texto que nos permite supor (porém não ter certeza) sobre a quem se está referindo. A primeira é possível verificar quando atores sociais são ativos ou passivos. p. p. assim como do ofuscamento ou do enaltecimento de atores sociais e/ou características e atividades deles. A próxima seção apresentará os procedimentos metodológicos. A inclusão.

Ressaltamos que as oficinas que analisaremos adiante é parte do corpus coletado nesta investigação. um exemplo: Oficina_Sal_ProSau. são elas: tipo de instrumento. observações participante. é importante esclarecer que o termo 'oficina' não foi abreviado durante a codificação. foi de livre e espontânea vontade. baseado em Magalhães (2000) e Sarangi (2010). Visto que analisaremos apenas oficinas. precisamos. Todos os participantes assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido/TCLE e receberam pseudônimos para salvaguardar suas identidades. inclusive nas oficinas. pretendemos descrever os processos utilizados para a realização das oficinas. 3) A codificação dos arquivos de áudio e transcrições foi preparado para fins de organização. 1) Na Introdução. a partir de um convite feito pelas pesquisadoras. 2011). cidade. coleta de artefatos e grupos focais. identificando gênero entre parênteses. as fronteiras entre a Linguística e as Ciências Sociais Críticas são inexistentes (RAMALHO e RESENDE. 4) O último aspecto a ser destacado são as convenções de transcrição de áudios adotadas no projeto. esclarecer quatro aspectos. As barras inclinadas 6 . falamos brevemente sobre o projeto “O Diálogo como Instrumento de Intervenção de Profissionais da Saúde na Relação com Pacientes”. A identificação das falhas mais recorrentes foi indispensável na elaboração do roteiro utilizado nas oficinas. Para ficar mais claro. tais como crenças e práticas sociais (ANGROSINO. significa que foi uma oficina que aconteceu na cidade de Salitre com profissionais de Saúde. por ProSau. etnografia é a ciência que descreve uma população ou grupos de pessoas nos mais variados termos. base teórica de nosso trabalho. pois foi a partir de entrevistas. possuindo no nome deles a abreviação de três informações básicas separadas pelo caractere especial sublinhado (_). por Cra. que foi realizado em cinco municípios do estado do Ceará. Isso se dá pois. 2) Salientamos que a participação dos usuários e profissionais de saúde durante todo o projeto. Multidisciplinar porque na ADC. e que este instrumento de pesquisa pertence à última etapa de coleta de dados. que a cidade de Salitre é identificada por Sal e Crato. 2009). antes. que pudemos identificar as principais falhas do PSF apontadas pelos participantes da pesquisa. e tipo de participante.METODOLOGIA Nossa pesquisa é etnografia discursiva e multidisciplinar. Para melhor compreensão quanto às condições de produção do corpus de análise. No entanto. e que oficinas realizadas com usuários é identificada por Usu e as que foram realizadas com profissionais de saúde.

Tendo sido esclarecidos esses pontos. 7 . A produção desses textos era livre. dessem possíveis soluções para os problemas que foram identificados e comentados. a partir de alterações nos tons de fala. e d) análise. em folhas em branco e utilizando canetas hidrocor. foi fácil pedir que trabalhassem em grupos ou duplas. entre outros. material de nossa análise. para que os participantes pudessem tecer comentários. apesar de ter sido salientada a importância de se fazer em dupla. sendo esta. identificando o grupo de participantes a que pertence e em que cidade foram produzidos. reticências representam pausas. no entanto.indicam interrupções no fluxo da fala. Depois que cada grupo/participante finalizou a produção dos textos. majoritariamente ilegível (dois primeiros trechos). as pesquisadoras propuseram que os participantes. os pacientes das duas localidades trabalharam individualmente. as pesquisadoras orientaram que eles comentassem e mostrassem o que haviam feito. uma com profissionais de saúde e uma com pacientes em cada cidade. as pesquisadoras se apresentaram e disseram os propósitos das oficinas e do projeto em geral. descaso com a saúde (terceiro trecho). Como dito anteriormente. c) agrupamento desses materiais selecionados. ambas cidades situadas na macrorregião do Cariri no Estado do Ceará. fazendo pausas entre eles. por trabalharem juntos. Palavras ou frases entre colchetes representam falas simultâneas. Nesse roteiro tinha a identificação do projeto e quatro trechos de entrevistas. paródias. b) seleção de trechos e artefatos relevantes que abrangessem maior incidência das categorias de análise escolhidas. O percurso para realização dessas oficinas foi o seguinte: primeiramente. e médicos faltosos (quarto trecho). Quanto à metodologia de análise do corpus. a última etapa da oficina. Como os profissionais se conheciam mais. A execução das oficinas seguiu um roteiro impresso. Ademais. foram realizadas quatro oficinas em julho de 2014. sendo duas em Salitre e duas em Crato. que traziam três problemas do PSF: letra dos médicos. Em seguida. A próxima seção versará sobre as análises. e palavras entre hifens indicam repetição ligeira. seguimos: a) leitura das transcrições e dos artefatos. palavras em caixa alta indicam ênfase. cada fala foi numerada. explicaram que leriam cada trecho. tópicos. ou seja. desenhos. que foi entregue para cada participante. Depois. podendo conter textos verbais. podemos avançar para a explicação das oficinas.

Além disso. Alguns/mas médicos/as colaboraram com entrevistas. mas sempre quem vai é o enfermeiro e sempre quem busca tá melhorando a cada dia o enfermeiro. traz uma carga semântica de interesse pessoal do/a médico/a em participar dos cursos de capacitação. Identificamos também grande resistência por parte de profissionais médicos/as em participar e colaborar com o projeto. demonstrando 'superioridade' aos demais profissionais de saúde. nenhum/a médico/a brasileiro/a participou. Oficina_Sal_ProSau: 67. No caso dos grupos focais que foram realizados em todas as cinco cidades. Morgana: É. mas não há perspectiva de mudanças. há percepção de que algo errado acontece. nem em Crato. num tem interesse de tá e quando tem apenas pra fazer a residência dele. ou seja. A não participação de médicos/as é bastante significativa. Enf. e eternalizam por verem como “permanentes. A repetição do vocábulo “sempre” e o uso da locução substantiva “nossa realidade” demonstram que a situação é e continuará sendo do modo que é. principalmente nas cidades do interior do Ceará. essa questão das capacitação dos profissionais. de forma espontânea. ainda continuando nessa questão do serviço médico. em que foram observadas consultas de médicos/as e enfermeiros/as. naturalizam e eternalizam esta situação.88). que apesar de denunciarem. Já as oficinas não contaram com a participação de nenhum/a médico/a. com profissionais de saúde e pacientes. No decorrer da realização do projeto “O Diálogo como Instrumento de Intervenção de Profissionais da Saúde na Relação com Pacientes”. p. 2007. decorrente do baixo número de profissionais contratados e da falta de assiduidade. pelas enfermeiras participantes da oficina em Salitre. vem muita capacitação.ANÁLISES A análise do presente artigo adotará duas categorias analíticas: modos de operação de ideologia e Representação de Atores Sociais. o advérbio de exclusão “apenas”. Este fato é denunciado. porque a gente vê nossa realidade aqui. nem em Salitre. o único médico que participou é um médico cubano que trabalha na cidade de Salitre. Os verbos no presente e advérbios (sublinhados no trecho a seguir) contribuem para a identificação deste fenômeno. e o médico não. Entende-se que 8 . sempre acha que sabe demais ou que é um curso besta. identificamos uma escassez de médicos/as. Naturalizam pois a enxergam como “Um estado de coisas (…) tratado como um acontecimento natural”. e realizados entrevistas. porém não permitiram observarmos consultas. grupos focais e oficinas. imutáveis e recorrentes” (THOMPSON. como a própria classificação gramatical afirma.

não falte.. porque é/ é mentira. eu sempre invento alguma coisa. 32. se o médico não for tudo bem. A enfermeira Carine. Tem que inventar alguma coisa porque apareceu um plantão de última hora. tendo no final do mês. mas que participa por interesse/s unicamente pessoal/is.. ele num veio porque adoeceu alguém da família. e se a enfermeira não for aí é que acaba tudo. eles num tem compromisso com o outro. a manutenção do status quo de profissionais médicos se dá através de legitimação. diferente da gente que a gente tá lá todos os dias independente de independente de receber ou 9 . Como também a gente marcar sítio. tem um compromisso de uma hora. eis o que conta sobre ligar ou não para o/a médico/a: Oficina_Cra_ProSau: 22. acaba que acreditano. E sempre que falta você acaba pra não prejudicar o colega.. Eu sempre dizia. pronto. recebendo. inventando desculpas. aquela corra toda. não querer. marcar sítio. Eu tenho um livrinho assim de desculpas (ininteligível) 34. né. não falte. relata que os/as enfermeiros/as muitas vezes necessitam da presença do/a médico/a no hospital em determinados momentos. atendimento perto do rio e chegar ali não. 29.. que mentem para a população sobre o não comparecimento do/a médico/a.. Entretanto. A queixa quanto à 'superioridade' de profissionais médicos/as permeou também a oficina com profissionais de saúde no Crato. mesmo assim são tantas as desculpas que as pessoas. num vou.o/a médico/a não participa para desenvolver e/ou melhorar seu desempenho e da equipe de saúde durante o atendimento no PSF. unificação e reificação. não rapaz.. não. que às vezes eles (enfermeiros) ficam barrado porque num sabe se o médico acha ruim tá ligando (…). comentando sobre a dinâmica dos hospitais. A assimetria de poder entre enfermeiros/as e médicos/as tomam proporções maiores quando a população atendida e a secretaria de saúde não aceitam a falta de um profissional. eu num acho que eles tenham compromisso não. ótimo. porque depois vai vim/ não vão reclamar com o senhor só vão reclamar comigo. Os relatos de observação participante asseveram que os/as enfermeiros/as são assíduos/as e os/as médicos/as. Em suas falas. acho que eles são [se conformam]. ele teve que cobrir o hospital tá sem ninguém. vão achar ruim. assim se conformam. Pelo médico 33. em sua maioria. doutor. Essas enfermeiras ainda afirmaram. entendeu. outros não. e o meu caso.. em falas posteriores (a seguir). mas “aceitam” de outro. e essa presença dos/as enfermeiros/as é uma das razões de eles/as terem maior fortalecimento do vínculo terapêutico com a comunidade. só com o dinheiro mesmo. Oficina_Sal_ProSau: 30. eu já fiz não vou ligar. é mentira. Enf. doutor. faltosos. principalmente quando há crescente reclamação de dor por parte de um/a paciente ou de sua família. As falas a seguir ilustram isso: Oficina_Sal_ProSau: 27. Carine: (…) e às vezes até o profissional não dá acesso. você sempre.. vou ligar. o médico não veio. mas a enfermeira tem que ir.

não querer. 2007). permanência e imutabilidade. a utilização de raciocínio lógico e carismático para justificar uma ou mais ações (THOMPSON. a exposição do interesse unicamente monetário da classe médica e a comparação que é feita entre as profissões (enfermagem e medicina) constroem um inimigo simbólico: os profissionais médicos/as As enfermeiras participantes das oficinas de Salitre mostram-se empoderadas. crianças) recebem cadernetas e cartões com informações e orientações de saúde. Identificamos. mesmo que no sentindo figurado. onde os/as pacientes.. identificamos a estratégia expurgo do outro (marcado em negrito na fala 34) (THOMPSON. As palavras utilizadas. “A simbolização da unidade pode servir em circunstâncias particulares. não independente de/ tá sempre lá. tá sempre correndo atrás de melhorias pro serviço. p. pois representa normalidade. essa estratégia. O termo “livrinho” usado neste contexto nos permite fazer. aceitam passivamente a situação. mencionada anteriormente. pois suas identidades são preservadas pelo TCLE. e o vocábulo “sempre” tem novamente papel significativo neste processo. 2007. também. Sendo assim. fragilizados. As enfermeiras.com possíveis desculpas a serem dadas para justificar a ausência do/a médico/a na UBS. Já na relação das enfermeiras enquanto participantes do projeto com as pesquisadoras. ao passo que os grupos de usuários (idosos. serve para manter a ideologia. gestantes.”. assim como um todo tá sempre correndo atrás de paciente como um todo. para estabelecer e sustentar relações de dominação” (THOMPSON. que poderiam vir a ser questionadas. os/as enfermeiros/as possuem uma caderneta .. as ações de mentir e de inventar desculpas são justificadas como sendo parte de suas funções – “para não prejudicar o colega. “tenho um livrinho assim de desculpas”. não deixando transparecer para os pacientes rupturas e assimetrias. no contexto do PSF. Ratificamos que a simbolização da unidade. uma analogia com as cadernetas e os cartões do PSF. pro paciente. ou seja. 33 e 34. A facilidade com que elas afirmam que mentem para os pacientes. A legitimação da manutenção do status quo de médicos/as ocorre através da estratégia da racionalização. falam abertamente sobre a postura dos/as médicos/as. 2007). em contexto de segurança. pois. Rajagopalan (2008) afirma que o 10 . mesmo que não haja ainda mudanças significativas na prática social.86). As desculpas dadas pelos/as enfermeiros/as servem para criar símbolos de unidade e identificação coletiva da equipe de saúde. “tem que inventar alguma coisa”.“livrinho” . Nas falas 30. ocorre entre a equipe médica como um todo e pacientes. a naturalização nos trechos anteriores.

A manutenção do status quo de médicos/as não se dá apenas na relação interprofissional.) 22. os médico escreve alguma coisa aí entrega o papel eee. para a ADC. Nos trechos a seguir. ora resiste à elas.. it is the tail that is going to wag the dog” (RAJAGOPALAN. Oficina_Cra_Usu: 13. e que a partir do empoderamento social. de boa vontade de atender com boa vontade os paciente.45). o autor utilizada da metáfora da cauda do cachorro para ilustrar as relações sociais. “o indivíduo ora se conforma às formações discursivas/sociais que o compõem. a situação se inverte. né. pois. O/a médico/a quando falta ou chega atrasado/a ou escreve com letra ilegível reproduz e mantém seus status quo construído sócio historicamente. mas também na relação entre médicos/as e pacientes. vemos que as pacientes tem consciência de que é obrigação do/a médico/a tratar e atender bem. 14.empoderamento é a tomada de consciência de sua condição. Lígia: Falta de interesse também. em que antes o cachorro (classe dominante) abanava a cauda (classe dominada). Em sua análise do personagem Caliban em A Tempestade de Shakespeare.. p. O empoderamento por parte dos pacientes também é visível nos artefatos produzidos. e isto se dá. porque ele tá aqui atendeno e ganhano através dos paciente. as dos outros e seu entorno social. demonstram-se atentas e empoderadas. 7 Rodriguez (2008) compartilha desta ideia e afirma que se gera poder a partir da participação ativa dos cidadãos em práticas que reconfiguram suas identidades. com pacientes.(. Roseana: Eu acho um descaso isso aí. dur médico. causa de (ininteligível) né. reconfigurando-as” (MELO. quanto ao mau atendimento recebido. Helena: Eu acho assim. ressignificando-as. 11 .61). 2008. né. que eles deve ter mais paciência quando quando pega um tratamento com um paciente pra ver se esse caso lá é mais/ é grave ou não. p. As pacientes participantes da oficina. porque às vezes eles nem olha pra cara da gente. 2012. A seguir estão dois artefatos resultantes da oficina com pacientes em Salitre: Figura 1 – Artefato produzido por pacientes durante oficina em Salitre 7 “From now on.

né. alí ele já 12 . Aryadna: É. nem sempre são compreendidos pelo paciente e seu acompanhante (MAGALHÃES. pois esta usuária entende que a letra dos/as médicos/as sempre foi assim e não vai mudar. as vezes eles (médicos/as) olha pra pessoa e passa um remédio que a pessoa num pode comprar. os modos de operação de ideologia têm grande relação com a representação de atores sociais. detentores de um conhecimento científico específico. pois é a partir de desvelamentos e desnaturalizações de ideologias que surge a possibilidade de impedirmos que elas funcionem (RAMALHO e RESENDE. 54). os/as médicos/as são ativos (incluídos) e os/as usuários/as. são passivos. você fala o sintoma que seu filho tá sentindo. ele apenas olha. muitas vezes que nem eu mesmo já fui lá com o meu filho. fazem uso de uma linguagem própria. pois seus termos técnicos e sua “economia na linguagem”. dois trechos de oficina: Oficina_Cra_Usu: 28. Como dito nos Pressupostos Teóricos. A naturalização e a eternalização se fazem presentes mais uma vez. Pedimos que ela desse uma sugestão para que a letra dos/as médicos/as melhorassem. ainda há a reprodução da ideologia da supremacia médica por parte de usuários/as. p. porque assim. Durante as oficinas de usuários e profissionais de saúde. infelizmente. Contudo.Figura 2 – Parte de artefato produzido por pacientes durante oficina em Salitre O empoderamento é um passo importantíssimo para a mudança social. É relevante dizer que médicos/as. né. 2003). porque eu tive que comprar os remédio (…). A seguir. pois as maneiras que os atores sociais envolvidos nas práticas sociais do PSF são incluídos ou excluídos contribuem para a reprodução do status quo de profissionais médicos/as. Durante a oficina em Crato. Sua resposta foi: “resolve não”. uma paciente perguntou o que ela deveria escrever na folha que entregamos. Inês: E outra coisa também. Oficina_Sal_Usu: 13. (ininteligível) perguntar se pessoa tem condição de comprar [Lígia: é]. por sua vez. realmente. 2011). muitas vezes eu levei/ tipo o médico apenas ele olha pra criança ele nem examina a criança. ó oo mês passado eu fiquei sem o dinheiro do bolsa família por que. 2000. afetados por ações (FAIRCLOUGH. e esse conhecimento denota poder. pronto.

se fazendo que tá morrendo (. eu sei que a saúde tá uma MERDA [Enf.. implicando que sua classe social o torna mal-educado e injusto. vamos saber buscar o nosso direito para que possamos. Os modos de operação de ideologia foram de especial ajuda para a compreensão desta reprodução.. técnicos/as de enfermagem e Agentes Comunitários/as de Saúde) é alarmante. são os que mais sofrem com os desarranjos. e não apenas os/as usuários/as da UBS onde trabalha). no entanto. vamos aprender. as pessoas não sabem muito buscar seu direito (…). mas pelo amor de deus gente.“o pobre”) e genéricos (todos/as os usuários/as do programa. Já na cidade de Crato.) Mas também as pessoas não sabem muito. Na cidade de Salitre. sofrem julgamentos acerca do que são ou do que fazem (RAMALHO e RESENDE. na maioria dos casos. a partir da tomada de consciência de seus direitos e dos deveres dos/as médicos/as. Carine: é]. colocando-os/as em posição desfavorecida no discurso. e ignorantes porque “não sabem buscar seu direito”. deixando apenas marcas de sua existência. porque “só sabe condenar” o sistema e os/as profissionais de saúde. pois estes atores sociais estão ofuscados no discurso. No trecho a seguir.176). prescreve o remédio sem tipo. (fala simultânea ininteligível) as pessoas não sabem muito buscar. por naturalização e eternalização de ideologias. CONSIDERAÇÕES FINAIS O status quo de médicos/as ainda é mantido contundentemente. Oficina_Cra_ProSau: 32. Os/as usuários/as do programa são a ponta mais fraca do sistema. os/as usuários/as do PSF são representados por uma técnica de enfermagem do Crato como classificados (em termos de classe ou categoria . num é chegar aqui no grito. TEnf. que se dá. né. condenar. As pacientes e as enfermeiras participantes se mostram empoderados. p. 2011. subcategoria da exclusão. através da reprodução de ideologias sócio historicamente construídas. já chegam “no grito”. insuficiências e falhas do PSF. pacientes são colocados em segundo plano. Amélia: Aí o pobre só sabe condenar. os pacientes são incluídos no discurso. O termo “pobre” no trecho anterior traz uma carga semântica que caracteriza os/as usuários/as. isso ainda não é suficiente para uma mudança significativa nas 13 . pois a saúde deixa de ser uma área de cuidado e proteção e passa a ser um local de fragmentação social. examinar a criança pra ver realmente se é aquele remédio/ Outro aspecto que chamou atenção foram as oficinas com profissionais de saúde. A falta de compreensão e de sensibilidade de profissionais que também sobrem muito (enfermeiros/as. No entanto.

Ministério da Saúde. As práticas devem ser repensadas e usuários/as e profissionais de saúde devem combater diariamente qualquer ação que vá de encontro aos interesses da população que depende do PSF. A falta de um governo presente. BRASIL. principalmente aquelas em cidades distantes e economicamente desfavorecidas. é preciso que enfermeiros/as. M. que as secretarias municipais não exigem como deveriam. J. estadual ou federal. bem como ACSs. Além disso. indesejados e mal-educados (representados por profissionais de saúde). seja municipal.práticas sociais. incongruências e desigualdades. Brasília. transparecendo que a equipe de saúde é unida e harmônica. ainda que os representem. quando não são colocados de segundo plano. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ANGROSINO. Os/as usuários/as do PSF já são desfavorecidos socialmente. técnicos/as de enfermagem e. como vimos. 2009. por outro lado. e. por vezes totalmente. Saúde da Família: uma estratégia para a reorientação do modelo assistencial. o poder público. por dependerem. quando o são. do SUS com todas as suas falhas. pontualidade e humanização no atendimento também auxilia na repercussão e manutenção do status quo de médicos/as. aparecem como algo distante. pois os/as pacientes. durante as oficinas. simbolicamente como inimigo. 1997. é pouco citado por profissionais e usuários/as do programa. Para que haja mudanças significativas na prática social é preciso que nossos resultados de pesquisa perpassem os limites da academia e que jamais fiquem arquivados. 14 . Trad. médicos/as ajudem os usuários a se tornarem atores ativos das práticas sociais. pois o/a médico/a que não quiser responder à exigências pode pedir demissão e procurar outro município. são passivos (representados desse modo por eles mesmo) e vistos como ignorantes. do modo como são apresentados. principalmente. Porto Alegre: Artmed. Ademais. Etnografia e observação participante. inacessível. ainda reproduzem a ideologia da supremacia médica para os/as pacientes. também contribuem para a reprodução do status quo de profissionais médicos/as. por medo. E ele/a teria facilidade devido à escassez nacional de médicos/as. Os atores sociais. Acreditamos que as enfermeiras reproduzem as ideologias também pelo fato de “papai e mamãe não contarem que brigam aos filhos”. Acreditamos. As enfermeiros. para nós. Fonseca. que cobre assiduidade. que cobre produção de qualidade de todos os profissionais de saúde.

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