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A carne no mercado está barata

O corpo na atualidade adquire diferentes significados. Discutir sobre ele é pensar
em como se materializa os (auto) controles e de que forma, outros sentidos são
atribuídos neste como uma mercadoria. Assim, problematizar se as pessoas estão dentro
dos padrões de beleza torna-se relevante, justamente por colocar na agenda atual o que
se pode ser em relação ao corpo-modelo.
Ao se discutir sobre o corpo nos dias de hoje, percebe-se que este está carregado
de discursos que controlam as pessoas e as policiam para um produto, mais que
biológico, também marcado e situado num tempo social e culturalmente adequados. O
indivíduo, por exemplo, ao ser questionado sobre a sua aparência, quando está acima do
peso, já está sendo controlado pelo outro, na medida que este olhar serve como
parâmetro social do que pode ou não ser aceito e valorizado.
Após esse controle, os cuidados com o corpo e a aparência tornam-se forçosos.
Neste momento, vem o autocontrole: o que se come, bebe, produz, fazem parte de um
verdadeiro policiamento de si mesmo, são as técnicas de controle do eu. Daí a busca de
se manter no esquadro de uma norma nutritiva, com uma suposta busca pela saúde e
alimentação dita saudável. Há aí a necessidade de controlar tudo que se come, sempre
aliando métodos e práticas (academias, dietas, lipoaspiração, redução de estômago, etc.)
para que o olhar do outro aprove o corpo-modelo, adiando o descarte nas prateleiras do
consumo e do capitalismo.
Essas práticas perversas aliadas ao discurso da ‘boa saúde’, faz com que as
pessoas nunca estejam satisfeitas. Por isso, muitas vezes, olham no espelho e se veem
disformes, como por exemplo: a anorexia e a vigorexia. A primeira, entendida como um
distúrbio alimentar, a segunda, considerada pelo discurso médico como transtorno
dismórfico corporal, caracterizado pela distorção da autoimagem. Assim, há de se
concordar com o pensador francês Michel Foucault: as pessoas vivem uma era
normativa, que controla a vida humana, já que o anseio pela magreza como sinônimo de
sucesso e status social, aproxima desse policiamento.

Já o fora da norma. E-mail: aldoff@uol. pois o humano.Unidade de Morrinhos. o supostamente desleixado. oriundo de exigências sociais sobre o que é ou não adequado para as vitrines que consomem humanos- mercadorias. o corpo ao mesmo tempo em que é desejado. Assim. Docente no curso de Letras da Universidade Estadual de Goiás. carregado de sentidos e signos que demarcam o que se é no mundo social. pode-se depreender – a forma que as pessoas veem o corpo magro pode ser sinônimo de prestigio social se houver toda uma imissão para isso. Professor P-IV na SEDUCE_GO.com.br . certamente será o considerado gordo e por isso. nesta ótica. Estes últimos. doutorando em Letras e Linguística pela Universidade Federal de Goiás. Desta maneira. Dito de outra forma. nada mais são que objetivados. é também artefato cultural que circulam discursos de ordem e controle. é somente uma ‘carne no mercado que está barata’. Se o corpo ao longo da história foi situado em praticas sociais. Clodoaldo Ferreira Fernandes. usado. neste viés. ao discorrer brevemente sobre o corpo. entende-se que este é mais que um produto biológico. é fácil compreender o porquê de este ser motivo de tantos gastos e investimentos de tempo para uma projeção reconhecida e valorizada nos dias de hoje. fracassado e negado. pode ser transformado em lixo deteriorado. é produto marcado pela cultura. descartados. sem valores. e por isso. Ao mesmo tempo em que serve como percurso biológico que circula sangue nas veias.