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» Rev Bras Neurol, 46 (1): 5-15, 2010

Neurofisiologia do sono e aspectos
farmacoterapêuticos dos seus transtornos
Neurophysiology of sleep and pharmacotherapeutic
aspects of their disorders
Marleide da Mota Gomes 1, Marcos Schmidt Quinhones 2, Eliasz Engelhardt 3

« Comme tout symbole, la nuit elle-même présente un double aspect, celui des ténèbres
où fermente le devenir, celui de la préparation du jour, où jaillira la lumière de la vie »
Chevalier, Jean et Gheerbrant

Resumo
Objetivos. Avaliar processos homeostáticos e circadianos e tratos/vias neurais implicados no ciclo sono-vigília; transmissores e receptores
neuronais específicos que compõem “sistema reticular ativador ascendente”; neurônios ativos para a promoção do sono; interação mutuamente
inibitória entre os sistemas do despertar e do sono; bases celulares do estado do sono e expressão no EEG; implicações farmacoterapêuticas para
controle dos transtornos do sono (TS). Métodos. Revisão baseada em artigos publicados principalmente nos últimos cinco anos sobre
neurofisiologia do sono e aspectos farmacoterapêuticos dos seus transtornos. Resultados. O ciclo sono-vigília é controlado por mecanismos
integrados regulados pelo ritmo circadiano e por substâncias hipnogênicas endógenas. O controle e a regulação das diferentes fases do sono e da
vigília são mediados através da interação coordenada entre diferentes sistemas neurais e diversos neurotransmissores. De modo geral, o sistema que
promove o sono se localiza no hipotálamo anterior (núcleo pré-óptico ventrolateral, que serve como comutador do tronco cerebral) e os mecanismos
principais do despertar são localizados no hipotálamo posterior/lateral e na parte rostral do tronco cerebral (com produção de acetilcolina,
noradrenalina, dopamina, serotonina, histamina e orexina/hipocretina). A ação dos fármacos se faz principalmente através da ação de sistemas
de promoção ou inibição da vigília ou sono, de acordo com o tipo de TS, com efeitos que possam aliviar esses transtornos (p. ex.: parassonias).
Palavras-chave: sono, fisiologia, fármacos

Abstract
Objectives. To evaluate homeostatic and circadian processes besides neural pathways implicated in the sleep-wake cycle; transmitters and
specific neuronal receptors that comprise the “ascending reticular activating system”; active neurons that promote sleep; cellular basis of the brain
state and EEG; interaction between the mutually inhibitory systems of awakening and sleeping; pharmacotherapeutic control of sleep disorders
(SD). Methods. Review based on papers published mainly in the last five years on the neurophysiology of sleep and pharmacotherapeutic
aspects of its disorders. Results. The sleep-wake cycle is controlled by integrated mechanisms that are regulated by circadian rhythm and
endogenous hypnogenic substances. The control and regulation of different sleep stages and wakefulness are mediated through coordinated
interaction between different neural systems and various neurotransmitters. In general, the system that promotes sleep is located in the anterior
hypothalamus (ventrolateral preoptic nucleus that serves as a switch of the brainstem) and the main mechanisms of arousal are located in the
posterior/lateral hypothalamus and the rostral brainstem (with production of acetylcholine, norepinephrine, dopamine, serotonin, histamine
and orexin/hypocretin). The action of drugs is mainly through systems that promote or reduce sleep or wakefulness, according to the SD type,
with effects that may alleviate these disorders (eg.: Parasomnias).
Keywords: sleep, physiology, drugs

1
Professora Associada da Faculdade de Medicina da UFRJ - Instituto de Neurologia Deolindo Couto - UFRJ
2
Médico neurologista - Instituto de Neurologia Deolindo Couto - UFRJ
3
Coordenador do Setor de Neurologia Cognitiva e do Comportamento - Instituto de Neurologia Deolindo Couto - UFRJ
Endereço para correspondência: Prof. Marleide da Mota Gomes - Instituto de Neurologia da UFRJ – Programa de Epilepsia, Av. Venceslau Braz, 95,
Botafogo 22290-140, Rio de Janeiro- (RJ) - Brasil.

Revista Brasileira de Neurologia » Volume 46 » No 1 » jan - fev - mar, 2010 » 5

fev . parassonias. favorecedora 11 cerebral. Kleitman e Aserinsky reconheceram o sono projeções GABAérgicas para a área pré-óptica 1 REM . algumas luzes foram organização cíclica e temporal do organismo e do ciclo lançadas no século passado. serão abordados. ocorre em praticamente todos os vertebrados. o O ciclo sono-vigília. Pouco após. Quinhones MS.Gomes MM. Essa influência revelaram a formação reticular. as de promover/facilitar a condições normais . comportamento circadiano do sono. mas dorsomedial-DMH). Moruzzi e Magoun induziram coma pela período e sua ação no NSQ têm sido implicada no destruição da parte central do tronco cerebral e assim início e manutenção do sono. é encontrado um sistema A função do sono. que é ativada especificamente 6 » Revista Brasileira de Neurologia » Volume 46 » No 1 » jan . papel da adenosina e melatonina e O ciclo sono-vigília é um estado cerebral ativo do relógio biológico na formação do ciclo sono-vigília.REM) e o de sem movimentos e circuitos cerebrais complexos e múltiplos. 26 oculares rápidos (non-rapid eye movement . Assim. sono-vigília. Tanatos. e como disciplina médica. Eles são filhos de Nix (noite) . introduziram o conceito fotoperiódica é transmitida para áreas hipotalâmicos de “sistema reticular ativador ascendente” (SRAA). 24. além pré-óptico ventrolateral . intensidade e do sono (TS). A epidemia de gripe letárgica sono-vigília. ainda mal conhecida. acompanhados chave do sono e vigília: hipotálamo anterior (núcleo por características motoras e posturais próprias. a existência do sono. A atividade rítmica diária. continua a de despertar/vigília e outro de adormecer/sono. basicamente da insônia. regido pelo ritmo circadiano. Engelhardt E. conser vação de energia e função ecológica. aprendizado e memória através de mudanças na encontra-se relacionado ao fotoperiodismo decorrente plasticidade cerebral e sinaptogênese. natural e periódica. o hipotálamo voltou a ter papel ventrolateral (VLPO). já que Hipnos neurofisiologia do sono e aspectos farmacoterapêuticos personifica o sono e tem como irmão gêmeo. Dentre as hipóteses aventadas existem. O sono vem sendo alvo de interesse desde a antiguidade Esta revisão se baseia em artigos publicados remota. 2 e 3. desde Hipócrates. Essas estruturas em associação a outras (sono-vigília) são condições que permitem distinguir o no tronco cerebral são partícipes da formação do ciclo sono de estados de perda de consciência patológicos. O NSQ é influenciado pela luz do ambiente (1918-1926) fez com que Von Economo considerasse durante o dia (via feixe retino-hipotalâmico) e pela o hipotálamo posterior centro da vigília e propôs a melatonina (secretada pela glândula pineal) durante a 11 hipótese que a sua lesão poderia gerar a narcolepsia .TMN. 21. 8 o último chamado de “sono de ondas lentas” .VLPO. 25 biossíntese de macromoléculas . noite. de alterações autônomas. Recentemente. Introdução reconhecido de relevo ao se definir a influência de sua O sono é uma condição fisiológica de atividade região lateral na produção de orexina. hipersonia e distribuição ao longo do dia. hipotálamo lateral (sistema orexina/ um estado de relativa não reação a estímulos externos hipocretina). Foram identificados padrões específicos de ciclo sono-vigília EEG associados ao sono – o de movimentos oculares Todas as características do sono dependem de atividades rápidos (rapid eye movement . porém interconectados. sendo O sono e a vigília contam com sistemas próprios. o hipotálamo foi “redescoberto” como fator sensibilidade aos estímulos ambientais. A principalmente nos últimos cinco anos sobre mitologia grega relacionava o sono à morte. caracterizada por do estado de vigília e quando carente. A ocorrência do sono em hipotálamo posterior (núcleo tuberomamilar . complexo resultante de vários mecanismos que assim como sua relação à terapêutica dos transtornos deter minam suas características. se alternam periodicamente. modificação do estado de consciência.mar. NREM se divide ainda em três estágios – 1. vinculados a 15 1. A secreção da melatonina é máxima durante esse Em 1949. GABAérgico). O estruturas e neurotransmissores diversos . o processo da alternância dia-noite e está sob o controle do núcleo restaurativo de componentes celulares chave de supraquiasmático (NSQ) do hipotálamo. Os núcleos anatômicos. e adjacentes (zona supra-paraventricular e núcleo conceituaram que o sono não é processo passivo. 4. de peixes a Mecanismos neurais do controle do mamíferos. que ser explorada. 2010 . ciclos previsíveis e a natural capacidade de reversão de histaminérgico). 28 morte. O DMH envia em 1953. e mais especificamente. redução da Assim. que participam na regulação do 11 sim dependente do sistema talamocortical . O NSQ 15. da narcolepsia . com mínima transição em 15 15 segundo Mignot (2008).NREM) . representa o “relógio mestre” e é responsável pela Quanto à sua origem biológica. neurotransmissores. a dos seus transtornos.

nantemente colinérgico. Adicionalmente. como o núcleo galanina. O VLPO. A orexina/hipocretina dos neuromoduladores. segundo a hipótese de Saper . na regulação do ciclo sono-vigília. originadas em área pontina e fotoperiodismo. Durante hormônio de liberação da tireotropina. o núcleo basal de Meynert do prosencéfalo basal (PB) LC. Já as pode inibir a atividade neuronal colinérgica promotora monoaminérgicas. e através de neurônios glicinérgicos (e ascendente”). O a sua própria ação . tuberomamilar (TMN) do hipotálamo (histamina) e o Assim. enquanto no sono NREM a estruturas e neurotransmissores. seu nível de profundidade e sua vez ativa o córtex. A ACh aumenta durante o sono (Processo S) (segundo Borbély). A histamina e a orexina/hipocretina 1. O sono REM é mediado duração. compreendem o locus coeruleus da vigília (ver também na seção “O sono e sua regulação (LC) (noradrenalina – NA). As estruturas colinérgicas do tronco A vigília prolongada resulta em aumento da cerebral são representadas pelos núcleos tegmentar concentração de adenosina no cérebro (mais no PB) o peduculopontino (TPP) e pelo tegmentar laterodorsal que leva à sonolência e ‘pressão’ para o sono. SRAA é a manutenção da vigília. Os transmitidas via os núcleos geniculados laterais para o fatores homeostáticos do sono representam a córtex cerebral posterior são aspectos neurofisiológicos do sono “necessidade de dormir”. inclusive o TMN. estando mutuamente inibitórios. devem meio dos neurotransmissores inibitórios GABA e ser mencionadas estruturas diencefálicas. por periaquedutal ventral (vPAG). Revista Brasileira de Neurologia » Volume 46 » No 1 » jan . de um circuito que constitui um comutador biestável O SRAA projeta para o córtex cerebral através de dois (“flip-flop switch”) (Figura 2) que contém elementos 21 ramos. colinérgico e monoaminérgico. além de hábitos pessoais. mas também está a atividade em um dos lados interrompe entradas envolvida no sono REM. secretando O ciclo sono-vigília também se distingue pela atuação NA e suprimindo o sono REM. bem como as glutamatérgicas do sublocus O SRAA ponto-mesencefálico (embora o termo coeruleus (SLC REM-on neurons) que têm atividade 45 tenha ficado menos informativo. relacionada com os mecanismos do despertar ou da Os neurônios secretores de orexina/hipocretina no vigília. essa área inerva e pode inibir as regiões ligadas à hipotálamo lateral (orexina/hipocretina). um talâmico e outra extratalâmico. As projeções ascendentes dos neurônios colinérgicos dos núcleos TPP/TLD atuam no tálamo O sono e sua regulação homeostática (através dos núcleos reticulares e intralaminares) que por A necessidade do sono. Deve ser ressaltado que uma das funções do hipotálamo lateral estabilizam esse comutador. bem como a sua lesão possivelmente GABAérgicos) suprimem o tônus produz o sono. (A e B). As ondas ponto-geniculo. A adenosina (TLD) (produtores de acetilcolina – ACh). 5. 22. áreas ponto-bulbares enviam projeções alternativamente utilizada a designação “sistema ativador descendentes. desinibe 7. 19 estimula a liberação de ACh no PB e tronco cerebral . assim como vigília (despertar). 2010 » 7 . além de projeções glutamatérgicas e de que o sonho esteja relacionada à essa atividade. inicia o sono ao inibir as regiões ligadas à vigília. É constituído por diversos núcleos da muscular através da inibição dos motoneurônios alfa. Assim. quando ativado induz o despertar e a dessincronização do EEG. por grupamentos aumentada . o sono REM é predomi- Os mecanismos neurais de controle do sono-vigília. 30 colinérgicos e monoaminérgicos situados nesse nível e REM) (Figura 1C) . inclusive a participação posição é intermediária. para a área o sono REM. 12 celulares se encontrarem fora da mesma .mar. assim como na vigília. 6. formação reticular e suas projeções. é regulada por fatores colinergicamente por “neurônios REM-on” situados no circadianos (Processo C) e fatores homeostáticos mesencéfalo e na ponte. muita de origem na de dopamina (DA) situados na substância cinzenta área pré-óptica do hipotálamo (VLPO). sugerindo acumulação de uma molécula metabólica hipnogênica. estão ativas. Células no hipotálamo e no PB também e mediano (serotonina – 5-HT) e neurônios produtores aumentam a liberação de GABA. já foi abordada anteriormente. O VLPO está dentro (ACh e outros neurotransmissores) (Figura 1-Quadro). em que a vigília é um estado 18. as células sleep-on do hipotálamo e PB 12 hipotalâmica lateral (excitatória) (ver também adiante) . são apresentadas sinteticamente na Figura 1 também têm liberação diferenciada (Quadro 1) . 25 do SRAA. e conseqüentemente. provavelmente vinculada à REM que ocorrem logo antes do seu início. Neurofisiologia do sono e aspectos farmacoterapêuticos dos seus transtornos durante o sono. relacionada ao occipitais (PGO). A importância do NSQ REM. hipotálamo lateral. e de núcleos aspecto característico do sono REM (atonia do sono 3. A sua projeção ao tálamo e inibitórias do outro lado. sendo Além disso. LC também está envolvido com o despertar. suas projeções. 21 ao PB depende de liberação de ACh e glutamato.fev . núcleos da rafe (NRf) dorsal homeostática”). NRf e os núcleos TPP/TLD.

21 15 23 Figura 1. GABA=ácido gama aminobutírico. GLI=glicina. B. 2008. Schwartz e Roth. HST=histamina. Engelhardt E. ORX=orecxina/hipocretina. DA=dopamina. Mignot. Sono REM. bem como as glutamatérgicas do sublocus coeruleus (SLC REM-on neurons) que promovem atonia REM através de projeção caudal. TMN=núcleo tuberomamilar. 2008 ). GAL=galanina. MN-alfa=motoneurônios alfa. O sistema colinérgico do tronco cerebral também está ativo e estimula as alças talamocorticais para gerar o EEG dessincronizado similar ao da vigília. vPAG=substância cinzenta periaquedutal ventral.mar. Regiões promotoras do sono NREM encontram-se no hipotálamo anterior (principalmente da área pré-óptica ventrolateral) e inibem as regiões promotoras da vigília no hipotálamo e tronco cerebral durante o sono de ondas lentas. SRAA=sistema reticular ativador ascendente. Vigília. LC=locus coeruleus. A. VLPO=núcleo pré-óptico ventrolateral. hipotálamo. NA=noradrenalina. GC/gigantocelular=núcleo reticular gigantocelular. Regiões promotoras do sono REM compreendem células sleep-on do hipotálamo e do prosencéfalo basal que se encontram ativas. C. TPP=núcleo tegmentar pedunculopontino. Sono NREM. ACh=acetilcolina. NRf=núcleos dorsal e mediano da rafe. O quadro na parte inferior à direita mostra sinteticamente as estruturas e os neurotransmissores relacionados ao ciclo sono-vigília.fev .Gomes MM. Quinhones MS. SLC=sublocus coeruleus. TLD=núcleo tegmentar laterodorsal. VIP=peptídeo intestinal vasoativo. O sistema ativador ascendente é composto por projeções múltiplas ascendentes do tronco cerebral. 2005 . Mecanismos neurais de controle da vigília e sono (adaptado de Saper. 2010 . PB=prosencéfalo basal. tálamo e prosencéfalo basal. LH=área hipotalâmica lateral. 5-HT=serotonina 8 » Revista Brasileira de Neurologia » Volume 46 » No 1 » jan .

Entretanto. tornam progressivamente menos ativos na transição do sono NREM para o REM. do LC noradrenérgico e os neurônios serotonérgicos dos NRf. durante o sono NREM. 1999. GAL=galanina. tais como os ACh ++ + +++ antidepressivos que aumentam a quantidade de NA ++ + . REM=movimentos oculares rápidos colinérgicos dos núcleos TPP/TLD encontram-se muito ativos nessas fases. 6 apresentados na Figura 3.. pois os neurônios HST=histamina. a vigília e o ACh=acetilcolina. a abordam aspectos das bases celulares do estado cerebral adenosina é capaz de inibir os neurônios colinérgicos do e do EEG no sono. Determinados fármacos. 2010 » 9 . e à sua inibição. O hipocretina do hipotálamo e adicionalmente desinibir a 2. neurônios do sistema orexina/ como reforço do que já foi abordado neste artigo. (serotonérgicos) são mais ativos durante a vigília e se ORX ++ . ) H-LAT=hipotálamo lateral. . 5-HT=serotonina. 1998 ). tem um papel protagonista na expressão O sono e a eletrogênese cerebral eletroencefalográfica das diferenças entre a vigília e o O sistema colinérgico do tronco cerebral. Neurofisiologia do sono e aspectos farmacoterapêuticos dos seus transtornos 21 Figura 2. encontra-se muito ativo e estimula as alças descarregam em uma modalidade de ponta-única (single- talamocorticais para gerar o EEG dessincronizado spike mode). NA=noradrenalina. VLPO=núcleo pré- óptico ventrolateral. McCarley e Sinton. 2008. aqui sintetizadas e apresentadas tegmento mesopontino. ORX=orexina/hipocretina. noradrenalina e/ou de serotonina podem causar uma 7 supressão farmacológica do sono REM . sono REM têm semelhanças. por conta das propriedades intrínsecas de área VLPO . respectivamente.mar. o LC (noradrenérgico) e os NRf HST ++ . membrana. apresentam Revista Brasileira de Neurologia » Volume 46 » No 1 » jan . atuando assim como um regulador 12 2008. e adicionalmente do histaminérgico e orexinérgico (baseado em Hasselmo. Os “neurônios REM-off” são 15 25 Mignot. Aspectos do EEG sincronizado e de sono. 2005. A utilização do glicogênio pelo atribuída à sincronização e dessincronização de circuitos corpo leva a progressivo aumento da adenosina no PB talamocorticais. mas quando hiperpolarizados. com atividade relativa dos sistemas colinérgico. GABA=ácido gama-aminobutírico. TMN=núcleo tuberomamilar. na sua revisão sobre a neurobiologia do sono homeostático da necessidade de sono.fev . 5-HT ++ + ± Em síntese. Esquema de comutador biestável (flip-flop switch) do ciclo sono-vigília (adaptado de Saper et al. ORX= orexina Quadro 1. LC=locus coeruleus. . Além disso. ou dessincronizado e alguns dos seus transientes são noradrenégico e serotonérgico. Neuromodulação durante os estados de vigília similar ao da vigília. sendo que a adenosina parece ser uma dessas que A expressão eletrofisiológica do sono versus vigília é preenche tal requisito. Stickgold. Uma conseqüência farmacológica da vigília sono mediação colinérgica do sono REM é o seu aumento ondas lentas REM com agonistas colinérgicos e decréscimo com anticolinérgicos. Quando despolarizados. esses neurônios sono REM. NRf=núcleos da rafe. 23 tálamo.

os fusos do sono se PB é associado com a ativação cortical e o apareci- expressam por descarga causada por interações desse mento de freqüências gama e teta no EEG. as células de mencionada. Engelhardt E.fev . Abaixo. Durante o sono REM. além dos noradrenérgico. da amplitude das ondas. um local importante para o controle o córtex. um padrão de surto. a 10 » Revista Brasileira de Neurologia » Volume 46 » No 1 » jan . Nesse período. Conseqüentemente. há expressão corticais e corticais impedem conseqüentemente o de ondas delta no córtex que dependem dos neurônios surgimento de ondas delta. Expressões eletroencefalográficas do sono NREM e REM. alguns desses estágios e suas expressões no oculograma e na eletromiografia.mar. de surtos de descargas sincrônicas. 2010 . Figura 3. Nesse período. Os marca-passo e os neurônios de projeção talamocortical. incluindo os colinérgicos do pela ausência de entrada de despolarização com geração PB e do TLD/TPP. além de no EEG. Menciona-se que modalidade da descarga de ponta-única que permite a uma outra influência importante na ativação cortical se transferência da entrada sensorial através do tálamo para origina no PB. Durante a vigília. Quinhones MS. Inversamente. há um bloqueio de entrada relé talamocorticais despolarizadas mostram a sensorial que é característico do sono. Acima. Seu nível de despolarização é homeostático do sono e cuja inativação conduz ao dependente das projeções do SRAA ao prosencéfalo. os talamocorticais mantidos em um estado hiperpolarizado componentes do SRAA. neurotransmissores que despolarizam células talamo- Quando o sono NREM se aprofunda. os estágios do sono com pormenorização à direita dos fusos do sono e complexo K característicos do estágio 2.Gomes MM. ao nível de neurotransmissores do aumento de atividade dos neurônios colinérgicos do SRAA. ao contrário. o surto de conseqüentemente. e aumento de atividade lenta. A rede serotonérgicas e glutamatérgicas mantêm este estado talamocortical inclui a descarga de células piramidais despolarizado e são assim críticas para a supressão da corticais em uma modalidade similar à anteriormente atividade de ondas lentas. sendo o primeiro a expressão de aumento da freqüência e o segundo.

neurológicas e em os seus sintomas. e de outras ondas crises de sono em portadores da doença de Parkinson. Neurofisiologia do sono e aspectos farmacoterapêuticos dos seus transtornos influência colinérgica e glutamatérgica fornece a entrada dopaminérgico. Assim. hidrato de cloral.3. dentro do sistema sono-vigília . PB modafinil agem no transportador de recaptação e córtex cerebral resulta em uma despolarização dos de DA). dopamina e suas interconexões anatômicas. álcool etílico e a Revista Brasileira de Neurologia » Volume 46 » No 1 » jan . 2. Fármacos relacionados ao consiste naquelas que realçam a atividade dos sistema do despertar. 25. Promoção do sono. vigília dependem do tipo de receptores Conclui-se que a atividade neuronal do sistema dopaminérgicos estimulados (pré e/ou pós- talamocortical se modifica paralelamente às mudanças sinápticos). parassonias. Descobertas recentes indicam que a narcolepsia se faz pela modificação da neurotransmissão em locais tem estreita relação com a deficiência dos 1. sob a produzem sonolência. orexinérgico. O mecanismo geral desses fármacos TS. lentas. droga não A ação dos fármacos se faz segundo o tipo de TS. histaminérgico. 1. 12 monoaminérgicas. estimulante da vigília e que alivia sonolência principalmente: na hipersonia. Os fusos de sono são gerados psicomotoras usadas no tratamento da sonolência majoritariamente através de uma interação cíclica entre excessiva diurna. doses e tipos de agonistas: do estado do ciclo sono-vigília. que segundo seu modo de ação: tem GABA e galanina como neurotransmissores. gerais pode ser tratada com o modafinil. Muitas peptídeos orexina/hipocretina. Agonistas do sistema de orexina/hipocretina e insônia. Aumenta a ação noradrenérgica do LC sobre o Fármacos para tratamento de núcleo VLPO. por estímulo de receptores D1. 1. através da ação efetiva excessiva associada.1. Doses mais altas são suficientes para suprimir sono com EEG-dessincronizado. que estão quiescentes . 20.1. com fármacos sedativos/hipnóticos ou através seus receptores são foco de muitos investigadores do aumento da efetividade dos sistemas de redução da como objetos de intervenção terapêutica em vigília. no hipotálamo anterior. Doses baixas de agonistas dopaminérgicos D2 períodos de sono ocorre EEG-sincronizado. princi- Classificação dos fármacos para tratamento dos TS palmente no VLPO. Substâncias terapêuticas estimulantes oscilações sincronizadas. talâmicos e corticais interagem com a geração de 1. o transporte 12. Ocorre através de: estruturas promotoras do ciclo sono-vigília.4. serotoninérgico . benzo- “wake-on-and-sleep-off). A narcolepsia causada por perda transtornos do sono: Mecanismos de neurônios contendo orexina no hipotálamo.mar.2.2. dos sistemas de redução do sono ou aumento da vigília. Modafinil: mecanismo de ação pouco conhecido. como as anfetaminas. diazepínicos.fev . 2010 » 11 . estes achados dos fármacos que são usadas para regular o sono e a sugerem que sua reposição pode ser uma vigília atuam diretamente nos sistemas sono-despertar. fusos do sono. A liberação de diversos serotonina (as anfetaminas.5HT2 a através de: de despolarização sem uma contribuição das células 1. aumentam o sono REM e forma de ondas delta. apesar desses fármacos transtornos relacionados. o metilfenidato e o neurotransmissores do tronco cerebral. terapêutica promissora para a narcolepsia e como veremos a seguir. Agonistas dopaminomiméticos no ciclo sono- 4. Promoção da vigília. pois corticais.1. deste modo suprimindo a geração de ritmos não potencializa a neurotransmissão das do sono e promovendo um estado que seja compatível catecolaminas. principalmente aos receptores do ácido gama-aminobutírico A neurônios aminérgico/noradrenalina (neurônios (GABA-A) que inclui barbitúricos. A classe maior de fármacos promotores de sono 1. neurônios talamocorticais e reticulares talâmicos e uma 1. frequentemente afetarem mais de um sistema e os efeitos observados refletirem relação alterada entre diferentes 2.1. excitabilidade realçada em muitas células piramidais Atua de uma forma distinta das anfetaminas.1. dopaminérgico é necessário para a sua ação. Interação no sistema GABAérgico. os neurônios talamocorticais e reticulares talâmicos que metilfenidato e pemolina geram um aumento da envolvem propriedades intrínsecas destas células e de neurotransmissão da noradrenalina. hipotálamo. e em vigília ou sono REM ocorre atividade tônica. no entanto. 27 distintos. durante os 1. Grupos de neurônios NREM e REM. 13 com o processamento sensorial e a cognição . com fármacos que possam aliviar inúmeras afecções endócrinas.

Pelo menos dois antagonistas do e idosos 150 mg. déficit cognitivo. mas não têm a estrutura .4. Antagonistas de receptores de orexina/ cardíacas.temazepam. e zolpidem CR.25 a 50 mg e fármacos tetracíclicas como a 2. dose adultos – 150 a 400 mg. tal como a difenidramina. A melatonina ser útil para a insônia dos narcolépticos. Fármacos antidepressores que promovem sedação. o l-triptofano. Evidências recentes mostram que a 10 durante a vigília pode atuar como neuro. O antagonismo liberação hormônio crescimento. exercendo um papel tanto no sono insônia de início. à gabapentina. histamínicos que passam a barreira Antidepressivos tricíclicos. causam sonolência por bloquear a influência do nortriptilina e doxepina na dose adultos – 75 a 100 mg sistema central de despertar histaminérgico. destacamos o tratamento da insônia humana. A trazodona .5. e de ação rápida se ligam em locais alfa-mu. um precursor desenvolvimento de tolerância. clássica benzodiazepínica e são mais seletivos para os receptores que contêm alfa1 que são Agonistas não benzodiazepínicos dos receptores importantes para a sedação. causam sonolência. adenosina). Os fármacos 25 a 50 mg têm sido usadas. anti. similar efetuado por: cafeína.6. mas por tem ações hipnóticas e é usada para aliviar o Jet lag conta dos seus efeitos benéficos no humor/ libido/ e formas moderadas de insônia. ação de prazo como o zolpidem ou o eszopiclone igualmente intermediário . maioria de anestésicos gasosos.3.Gomes MM. pode causar priapismo em homens. Novos fármacos “não-benzodiazepínicos”. mais especificamente no sistema gabaérgico-galaninérgico do VLPO. Alguns fármacos promotores do sono interferem com as ações do SRAA. houve abuso dos receptores da adenosina nesses níveis é recreacional e por atletas). Modulação do nível de sono-vigília.2. hipotensão postural. aminofilina e teofilina. eficácia ainda continuou em 12 meses . Ocorre neurotransmissão dopaminérgica D1 e aumenta através de mecanismos que não envolvem rede a GABAérgica. Pregabalina/Lyrica. Gaboxadol. de liberação NREM como no REM. para pacientes com dificuldade de 2. Por exemplo. aumenta sono NREM e reduz a latência sedativo-hipnótico a ser testado ao longo de um período para o sono. com aumento do sono delta (pode básica (p ex: melatonina. e aumento 2. Dentre os estão atualmente em desenvolvimento para o fármacos promotores do sono. boca seca.fev . mas devem Insônia produzir efeitos terapêuticos adequados com Agonistas benzodiazepínicos dos receptores menores efeitos colaterais. Medicamentos tricíclicos e agonistas D2 também causam sonolência em a mirtazapina podem causar sedação diurna. e idosos . Quinhones MS. Os antagonistas dopaminérgicos de ação central. Uma concepção moderna assume de 6 meses.triazolam).mar. hormônio e induzir síntese ou liberação de fatores O zolpidem pode ser administrado ao deitar para a hipnogênicos. Serotonina (5-HT2c). 2010 . gama-hidroxibutírico-GHB/Ecstasy. Engelhardt E. como a amitriptilina na hematoencefálica. 12 » Revista Brasileira de Neurologia » Volume 46 » No 1 » jan . utilizado para insônia de manutenção do sono. por causa da sedação diurna. que inibe a 3. peso. ganho de baixa dose. 9 receptor da hipocretina (ACT-078573 e GW-649868) sedação diurna e hipotensão postural. O eszopiclone foi o primeiro da 5-HT. Tem eficácia ao longo prazo de 6-12 meses sem o 2. do risco de quedas em idosos. Agonistas colinérgicos (neurônios “REM-and- manutenção do sono ou para pacientes com ambos wake-on”) e antagonistas aminérgicos são capazes tipos de insônia.15 a 45 mg e idosos -- igualmente.7. hipocretina. estazolam. idosos – 20 mg.50 a 100 mg. controlada. mirtazapina na dose de adulto. O eszopiclone também pode ser de aumentar o sono REM. mas não redução da benzodiazepínicos ansiedade. 10 2. Este estudo mostrou a eficácia continuada durante que a 5-HT liberada como neurotransmissor o período de 6 meses. benzodiazepínicos experimental (hipnótico extrassináptico não Incluem formas de ação prolongada (flurazepam e benzodiazepínico agonista do receptor GABA com quazepam que raramente são usados hoje para a insônia ação preferencial no tálamo). dose de adultos . e arritmias 2. agentes anti-H1 aumentam a ação sono mais prevalentes GABA endógena. agonista GABAérgica aumenta o Farmacoterapia de transtornos do sono delta.

Disponível apenas nos EUA. mudanças adversos mais comuns são dor de cabeça. inicial.fev . Sua segurança não usados para tratamento dos sintomas de insônia.. a gabapentina deve ser considerada. Sonolência excessiva diurna Amitriptilina. PO. dietéticas e outros suplementos nutricionais popularmente tontura e dificuldade para dormir. clonidina e opiáceos.. poderá ser sonolência residual excessiva em pacientes com aumentada gradualmente para 75 mg / dia. 2010 » 13 . Os efeitos benéfico da maioria dos suplementos herbais. não superior a 9 g/d. embora reconhecidamente possa O modafinil foi aprovado pela FDA para uso na precipitar esta condição. dor neuropática. foi estabelecida em crianças menores de 17 anos.75 g/dose). Dosagem pediátrica não estabelecida. respondem o tratamento com carbidopa/ (dose inicial total de 4. Dose: 150-250 mg PO. pode-se aumentá-la de 1.2 mg / dia. Dose inicial: 2. diminui o ainda não foi estabelecida. e particularmente em idosos com distúrbios da Narcolepsia marcha. começar c/ dose menor e aumentar 11 SNC . 9 período de latência do sono. sendo cefaléia. náuseas. Este náusea e nervosismo os efeitos adversos mais comuns 26 medicamento é adequado para pacientes com insônia e em doses terapêuticas. o pramipexol e ropinirol. cerebral. pode ser aumentada rapidamente em alguns casos para 1 . A clomipramina (adultos: 75-125 mg/d PO e Outros fármacos que são utilizadas off-label para a crianças: 1 mg/kg/d PO) e a fluoxetina (adultos: 20-40 síndrome das pernas inquietas incluem os mg/d PO e crianças: 30 mg/d PO). tratamento da cataplexia. Sua meia-vida é de 1-3 horas. de deficiência de ferro. Revista Brasileira de Neurologia » Volume 46 » No 1 » jan . Atua típica é de 8 mg antes de deitar.125-0. estudos têm mostrado desconhecido. É um enanciômero do modafinil com menos efeitos colaterais. é eficaz em determinados casos. O oxibato de sódio são atualmente os agentes mais eficazes e deve ser é um depressor do sistema nervoso central e não deve administrada à noite. A meia- MT1 e MT2 da melatonina (não disponível no mercado vida de eliminação é de cerca de 15 h. Dose síndrome da apneia obstrutiva do sono após o uso de pediátrica não estabelecida. Armodafinil. Sua segurança em crianças 29 Difenidramina na dose de 25 a 50 mg. Seu mecanismo de ação ainda Alternativos não está compreendido.4 horas após a primeira freqüentes. A dose inicial a sonolência de forma dose-dependente.5 mg. No entanto. Em caso de associação com g/d (ou seja. Dose para adultos: 10 mg PO inicialmente. sonolência excessiva diurna associada à narcolepsia. vias nigro-estriatal e via mesocórtico-límbica. Dose inicial (adultos): 0. ex. É o único medicamento aprovado pelo FDA para o Os agonistas dopaminérgicos (p. Exato mecanismo de ação com os níveis de ferro no cérebro.5 levodopa (indicação off-label). Se houver suspeita controlam a cataplexia em pacientes com narcolepsia. apesar dos níveis séricos normais. também benzodiazepínicos. 1 h ser utilizado com álcool ou outros depressores do antes de deitar. Clonazepam é muito eficaz no tratamento em os níveis de ferro sérico podem não se correlacionar pequenas doses. É eficaz para a insônia principalmente nas vias dopaminérgicas do tronco 14 inicial e não para a insônia de manutenção do sono. transtorno do sono por mudança farmacoterapêuticos de alguns TS mais prevalentes. Pramipexol: 0. 2005 concluíram que não existem o tratamento da sonolência diurna excessiva associada evidências metodologicamente fortes sobre o efeito à narcolepsia. Meoli et al. Neurofisiologia do sono e aspectos farmacoterapêuticos dos seus transtornos 16 Agonistas de receptores da melatonina de horário de trabalho .. Também é usado para tratar este não disponível no Brasil) são os mais bem estudados e a síndrome da sonolência excessiva. e lentamente se necessário.25 g PO (enquanto na cama). ou se os níveis de ferritina sérica estiverem abaixo de 40 mcg/L. Síndrome das pernas inquietas Oxibato de sódio. Pouca evidência de tolerância ou abuso que os pacientes com a SPI podem ter baixos níveis de com tais pequenas doses.5 g). 0. “continuous positive airway pressure” (CPAP) já em O Quadro 2 sintetiza aspectos clínicos e regime otimizado. e em pacientes O metilfenidato é o estimulante mais utilizado. a suplementação de Transtorno do comportamento do ferro (com ou sem vitamina C para melhorar a sono REM biodisponibilidade) deve ser considerada. 17 Anti-histamínicos Modafinil (já comentado). brasileiro). Pacientes com sintomas não depois repetir a dose 2 ½ . As doses diárias preconizadas O ramelteon é um agonista específico dos receptores vão de 200 a 600 mg e podem ser divididas.5 mg 16 ferro do cérebro. que têm maior risco de queda. O armodafinil é indicado para 14.mar. controla com histórico de abuso de substâncias.

Dificuldade em iniciar o sono 2. sonolência. Quinhones MS. constituem a tétrade da narcolepsia. Cataplexia é mu-hydroxybutyrate (GHB) aprovada pelo caracterizada por episódios paroxísticos de FDA para o controle.). Receptores agonistas melatonina. modafinil. normalmente restrita ao sono REM. que é dextroamfetamina. ou mau desempenho escolar Despertar noturno (zaleplona). Insônia memória #Disfunção social/profissional Problemas circadianos (ramelteon. meio comprimido pernas inquietas atividade. Principais transtornos do sono e seus tratamentos: síntese. pemolina. 17. 11.fev . inibidor de inadequada durante a vigília. é expressa de forma monoamina oxidase B (selegilina). trabalho #Tensão e/ou sintomas gastrointestinais em resposta à perda de sono #Preocupações sobre o sono. agravamento dos Fármacos dopaminérgicos: levodopa e Síndrome das sintomas em repouso.mar. #Perturbação do humor/irritabilidade Insônia com depressão (trazodona. melatonina).Gomes MM. comportamento o sono REM. 2010 . Narcolepsia fenômeno reflete a atonia muscular. Acordar cedo Benzodiazepínico (BZ) e hipnóticos ação- 4. metllfenidato. inibidor nessa condição. Dificuldade de acordar de um dextroamfetamina. Cataplexia: antidepressivo tricíclicos. Transtornos do sono Aspectos clínicos: sintomatologia Tratamento 1. de má qualidade. #Sonolência diurna #Falta de 2. inquietação motora. junto com a cataplexia e a sonolência excessiva diurna. Clonazepam. ocorre agravamento dos a três comprimidos 30 min antes de deitar sintomas durante a tarde ou à noite. (Pramipexol. metllfenidato. Sonolência excessiva diurna: cafeína. Sonolência longo sono . Dificuldade em manter o sono 1. Sono não reparador. motivação/redução de energia e iniciativa 3. acarretando um aumento da do sono REM atividade muscular fásica e comportamentos motores complexos durante a noite. perda de eszopiclone). desencadeada pelo riso ou emoção. zaleplona. pemolina. Anti-histamínicos.ex.325mg bid/tid mover as extremidades. A SPI é caracterizada por um desejo de Ferro (sulfato ferroso) . Antidepressivos sedativos. 14.pode se sentir confuso ou excessiva desorientado. doxepina). 14 » Revista Brasileira de Neurologia » Volume 46 » No 1 » jan . sintomas (como a venlafaxina) e oxibato de sódio. este não Pode perdurar por 1 hora ou mais. #Propensão a erros e acidentes no 4. geralmente Recomendado para níveis de ferritina <50 inferiores (com ou sem disestesias). zopiclone. Engelhardt E.Agonistas de receptores GABA - 3. #Fadiga/mal-estar geral #Dificuldades Para iniciar e manter o sono (zolpidem. e alívio durante carbidopa – 200/25 mg. É um distúrbio comportamental do sono. fraqueza muscular ou paralisia bilateral. receptor BZ (zolpidem. Ropinirol.mesmo durante o trabalho. ou durante uma refeição ou uma conversa. mcg. Compostos GABAérgicos e Transtorno de caracterizado pela perda da atonia benzodiazepínicos com especificidade neuronal muscular que ocorre normalmente durante aprimorada. Cochilos diurnos que não aliviam a Cafeína. Aumento da necessidade de dormir durante o dia . Pergolida. Os comercializado no Brasil) sintomas podem piorar durante o estresse ou abalo emocional. O modafinil. 26 Quadro 2. auxiliares. Conseqüências: p. Paralisia do recaptação de serotonina e noradrenalina sono e alucinações hipnagógicas. com atenção e concentração. Aumento da necessidade de sono acima de 14 horas/dia A principal característica da narcolepsia é a Sonolência excessiva diurna e cataplexia - sonolência excessiva diurna. mas.

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