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Quatro pontos breves sobre a conjuntura

Por Valerio Arcary, esquerdaonline.com.br/2017/05/23/quatro-pontos-breves-sobre-a-conjuntura/

Abriu-se uma nova conjuntura. Ela foi precipitada por uma divisão séria na classe dominante. No
plano imediato, mais tático, há aqueles que já defendem que a queda de Temer é inevitável, e terá um
custo inferior à sua permanência para o destino das reformas trabalhista e da previdência.

Outra fração ainda hesita, porque temerosa de que a destituição pelo TSE, uma renúncia, ou
impeachment, sejam fatais para o futuro das reformas. Receiam que a derrubada de Temer subverta a
continuidade da agenda reacionária que permitiu formar o bloco que se articulou para fazer o
impeachment de Dilma Rousseff, um ano atrás, e praticar a política de choque pelas reformas.

As duas frações têm muito medo de que não seja possível eleger, pela segunda vez, um presidente
no Congresso Nacional com um mínimo de legitimidade. Mas estes dois blocos expressam diferenças,
também, mais estratégicas.

Uma fração defende a iniciativa do Ministério Público, da Polícia Federal, e de uma parcela do
Judiciário que, através da LavaJato, desde 2014, há três anos, decidiu abraçar um programa de reforma
política, em especial, de reforma do sistema partidário erguido nos últimos trinta anos, desde o fim da
ditadura. Percebem que este sistema partidário é anacrônico, atrasado, obsoleto, corrupto e passou a ser
disfuncional. Em primeiríssimo lugar, porque os grandes partidos são todos financiados, ilegalmente,
pelas grandes corporações.

A outra fração resiste, porque teme as consequências de um desmoronamento abrupto do sistema.
Ambos os blocos são reacionários. Nenhum deles merece apoio algum. Alianças com qualquer um
destes dois blocos serão fatais para a esquerda brasileira.

Há que explorar as possibilidades abertas pela divisão dos inimigos, mas marchar de forma
independente. Isso significa defender o Fora Temer, mas, também, um Fora às contrarreformas
trabalhista e previdenciária, e denunciar os planos de um golpe dentro do golpe, que seria a eleição
indireta de um novo presidente por este Congresso Nacional.

Os métodos de luta são, também, importantes. Uma nova greve geral deve começar a ser
construída, imediatamente, a partir do Ocupa Brasília da quarta-feira dia 24 de maio. Somos socialistas,
não “grevicultores”. Mas a Greve Geral para derrubar Temer se impõe como o próximo passo para que a
classe trabalhadora ganhe confiança em suas próprias forças como o sujeito social que abre o caminho.

2. Já tinha ocorrido uma inflexão favorável na relação social de forças entre as classes depois da
greve geral de 28 de abril. A entrada em cena dos grandes batalhões da classe trabalhadora organizada
confirmou que a maioria da população já tinha concluído que as reformas trabalhista e previdenciária
eram inaceitáveis, e tinha se deslocado para a oposição às reformas do governo Temer.

A revelação ainda parcial do conteúdo escandaloso da delação premiada parece estar produzindo
uma reviravolta positiva na consciência de muitos milhões de trabalhadores. As camadas médias
parecem estar perplexas. É possível que franjas da classe média se desloquem para o campo do Fora
Temer, o que seria muito positivo.

Agora o que está em cheque não são somente as reformas, mas a própria continuidade do governo
Temer. Acontece que esta dinâmica ainda é lenta, como se confirmou nas primeiras passeatas,
essencialmente, de uma vanguarda jovem muito combativa, na última semana. Portanto, a mudança na
conjuntura não permite concluir que estamos em uma situação revolucionária. Não existe situação

O que estamos vivendo não autoriza analogias apressadas com a situação de 2001/02 na Argentina. desde o fim do ano passado. é verdade. O Psol tem um lugar especial na formação desta Frente – porque ele deve indicar quem deverá ser o porta-voz desta candidatura – para a qual devem ser chamados todos os partidos e organizações da esquerda radical. Não estava nos seus planos derrotar as reformas. agitar pela dissolução do Congresso Nacional. mas. isto é. Esta disposição. mas quer que o Congresso Nacional decida quem deve governar. Defender Diretas Já significa dizer não à política da fração burguesa que já se deslocou para o Fora Temer. que seria uma referência de um terceiro campo político. do Fora às reformas. o PT e Lula ainda têm influência de massas. do ponto de vista dos interesses da classe trabalhadora. na iminência de uma crise de regime que pode colocar. contra o lulismo. Agora o PT e a CUT se reposicionaram à esquerda. O papel da Frente Povo Sem Medo. sem ultimatismos. Podemos e devemos defender eleições gerais. no contexto de uma situação defensiva. O que podemos é impedir a burguesia de conseguir governar. Mas ainda não se deu este salto de qualidade. Sem uma nova greve geral. 4. aliadas aos movimentos sociais. simultaneamente. Mas o fundamental é começar a popularizar um programa. porque a tendência é colocar para o movimento tarefas que não podem cumpridas. maior e mais poderosa não será possível que a força social dos trabalhadores se manifeste. Apesar de estarem desgastados pela crise das propinas. a ofensiva das reformas trabalhista e previdenciária voltará com força total. Estamos em um momento em que o decisivo é ampliar a força social pelo Fora Temer. 3. diante dos dois blocos burgueses em disputa. e assumido a defesa simultânea do Fora Temer. Não nos enganemos. Defender Diretas Já não é capitular a uma “saída eleitoral” nos limites da democracia liberal burguesa. um sinal de que estão sentindo a pressão social. ainda não está madura. Não se trata de um “argentinazo” em câmara lenta. Quem ainda governa. Pensar que estaríamos. de alguma maneira. nem muito menos tentar derrubar Temer. O desfecho ainda incerto da luta para derrubar Temer abre a necessidade da CSP/Conlutas se apresentar como uma Central Sindical e Popular engajada na luta pela Frente Única chamando à Greve Geral sem vacilação. Isso não é secundário. foi indispensável para o sucesso do 28 de Abril. o papel do PT e PcdB neste processo ainda será decisivo. Sua estratégia era desgastar o governo em função das eleições do ano que vem. Ações aventureiras foram responsáveis pelo isolamento e refluxo depois de fevereiro de 2014. Devemos ser conscientes que a disputa política em curso tem os seus ritmos. mas construir um bloco político contra as eleições indiretas. tem sido muito progressivo. Somos por um governo dos trabalhadores e do povo. não surgiram ainda sequer organismos de base que expressem a frente única. das Diretas Já para a presidência e das eleições gerais. e da divisão na classe média. como um sujeito social independente. Não há Conselhos Populares. a perspectiva da luta direta pelo poder é uma ilusão muito perigosa. em especial. em função das fissuras na burguesia. . porque tem se destacado na denúncia dos dois blocos da classe dominante. A importância do papel da esquerda socialista não deve ser subestimada. Não estamos em uma situação revolucionária. portanto. Manter uma política de construir a frente única com um programa de emergência diante da crise é vital. infelizmente. evidentemente. nem embriões de Poder Popular. O governo Temer agoniza.revolucionária sem disposição revolucionária de luta entre os trabalhadores. com a fórmula Lula 2018. Mas é inegável que a frente única construída a partir da convocação da greve geral pelas centrais sindicais. Queremos que se forme uma Frente da Esquerda Socialista com um programa anticapitalista. contra os blocos burgueses e. Aprendamos as lições das Jornadas abertas em Junho de 2013. precipitar ações aventureiras. O movimento de resistência dos trabalhadores e da juventude veio acumulando forças. Mas pode dar um salto de qualidade. plenamente. ainda que pouco é Meirelles. a não ser como propostas literárias. também. Por isso. Mas ainda não temos forças acumuladas para lutar pelo poder. Porque se a classe dominante conseguir arbitrar as suas diferenças.