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Uma introducao a Pesquisa Qualitativa Uwe Flick Este texto de Uwe Flick retine todos os elementos capazes de torné-lo uma obra de facil consulta para estudantes. Todas as principais teorias, os métodos ¢ as novas abordagens sao apresentados de forma acessivel. A incluséo de exemplos praticos e quadros contendo resumos auxilia estudantes e pesquisadores com informagoes sobre as decisdes corretas a serem tomadas na estratégia de pesquisa, garantindo umn texto inteiramente pratico.. Esta edigdo traz referencias e listas de leitura totalmente atualizadas e uuma novissima secio que trata de Avancos Recentes ¢ Futuros, incluindo os capitulos: Os Computadores na Pesquisa Qualitativa, Pesquisa Qualitativa e Quantitativa ¢ O Futuro da Pesquisa Qualitativa, Com uma grande abrangéncia, Uma Introducao @ Pesquisa Qualitativa, Segunda Edicao, é€ um texto introdutorio essencial € deve ser leitura recomendada a todos os estudantes de pesquisa qualitativa independentemente do curso que estiverem freqtientando. EDIT respeo Peto coNMEciMENTO iid axe poaTUL DU) YT aMQ, D OpIny uw & = 5 a E iy a = a Uma introducdo a Pesquisa litativa a APA Manel de estilo da APA: ‘egras bisteas [APA ~ Manual de publicacao da ‘American Psychologial Assocation Ged) Bookman Companhia Eitora ‘Jenin de Crass 670 BISQUERRA, SARRIERA & so0td0 Puta eae, asl MARTINEZ ntrodugioa Fone S1) 30277000 fax i) 30277070, ‘taste: enfoge informatio com eel ooknangtmeiconbr ‘9 pacoteestatistien SPSS CALLEGARIJACQUES, 5. M.— Binesttsieapeintpios € aplieagses CRESWELL, J.—Projeto de oem Pesquisa Uma introdugio & COLLIS & HUSSEY — Pesquisa ew sedministracio: um ga para alunos ea Qualitativa COOPER & SCHINDLER - Metodos de pesquisa em. administragio ed.) DANCEY & REIDY - Estatsticn sem natemitica para pscologie DENZIN & LINCOLN -0 planejamento da pesquisa ualitatvs eorat © abordagens (ed) FLICK, U.~ Uma introdueao a pesqutta qualatva (ed) GREENHALGH, T,~ Coan er iets fndaentos da ttedicina sea em evidence Get) GUYATY & RENNIE Dicrees a zag de Herts me: Etsdamentos para prin clinica da medicine beads em evicencas HAIR & COLS.~ Aalise snnlvariads de dos Ge) HATR & COLS,~Fundamentas de métoos de esquls em seine HULLEY, CUMMINGS & COS. Dalineand a pesquisa sina: ma Shondagerepdemiologica (23) JEKEL, ELMORE & KATZ. pidesologia, hestteica dlc peventna Ged) KINCHELOE & BERRY ~ Pesquisa fm edcacao: conceituando + bricolagern AUTOR Uwe Flick & psicdlogo e socidlogo. Atualmente exerce as fungies de professor de métodos qualitativos no Department of Nursing Management da Alice Salomon University (of Applied Sciences, em Berlim, Alemanha; de professor adjunto na Memorial University of Newfoundland at St. John's, Canada; e de professor visitante na Pontifica Universidad Catotica de Chile, Escuela de Psicologia em Santiago do Chile. Tem como principais interesses de pesquisa os métodos qualitativos, as representagées sociais nos campos da satide individual e piblica ea mudanga teenolégica no cotidiano. F621 Flick, Uwe ima introdugo a pesquisa qualltaciva / Uwe Fick; trad, Sandra Net ~2.e.~ Porto Alegre: Bookman, 2004 1. Pesquisa qualtatva, 1 Titulo, cou 001.891 "Catalogagio na publicaglo: Ménica Balejo Canto ~CRB 10/1023 ISBN 978-85.363-0414.4 SEGUNDA EDICAO Uma introdugio & Pesquisa Qualitativa Uwe Flick SANDRA NETZ Consultovia, superviso erevisio tenia desta edi ‘TENIZA DA SILVEIRA DDourorsem Adminiseasao Profesora da Unisinos Reimpressio 2007 2004 bra originalmente publicada sob o eu ‘Qualitative Sozialforschung © Rowohlt Taschenbuch Verlag GrabH, Rejnbek bet Hamburg 2002 ISBN 0-7619-7436-9 capa: Gustave Mace ety fra carla Krohn Superviso etoriat: Arysinha Jacques Affonso Baicorago eeténica: ‘AGE ~ Ascessoria Grifie e Faitoral Lada Reservados todes 0s diretos de publieagéo em lingue portuguesa & ARTMED® EDITORA S.A, (BOOKMAN® COMPANHIA EDITORA é uma divisdo da ARTMED® EDITORA S.A.) ‘Av, Jecénimo de Ornelas, 670 - Santana 90040340 Porto Alegre RS Fone (51) 3027-7000 Fax ($1) 3027-7070 & prolbida a duplicagio ou reproducio deste volume, no todo ou em pare, ‘0b quaisquer formas ou por quaisquer meios (elewénico, mecinic, gravac, fotocdpia, distribuigio na Web e outros), sem permissio express da Editor. ‘sho PAULO ‘Av. Angélica, 1091- Higiendpolis (01227-100 So Paulo SP Fone (11) 3665-1100 Fax (11) 3667-1393 ‘SAC 0800 703-2444 IMPRESSO NO BRASIL ‘PRINTED IN BRAZIL A gradecimentos Eineline eto ea ampliad de uma not pes qualtativa escritae publicada na Alemanha em 1995 seb o titulo Quativative Forschung: Theorie, sethoder, Anwendung in Psychologie wil Sosiabwissenschaften (Pesquisa quattativa; teria, metodos,aplicagses na pseologia enas igneiassocias).Portanto, # maior 0 espago conferido a alguns métodos e discusses encontrados principal. ‘mente nas regides de lingua alema, o que, espera-se, tenha impactos pradutivos sobre a pesquisa qualitativa em outras regibes. Esses métodos e disewssBes podem complementatas discusses eos métodos presentes nos eantextos anglo-s8xses, o8 uals so também temas centrais deste live. ‘A claboragao da edigfo em inglés ea sua revisio baselam-se em experiéncias dle ensino, com o material aqui apresentado, e em discusses que ocorreram na Universidade ‘Técnica de Berlim e na Universidade Livre de Berlim, na Escola de Medicina de Hannover, no Insciture de Metodologia da Escola de Economia de Londres, na Faculdade de Politica e Ciéncias Socins da Universidade de Cambridge (UK), na Universidade de Lisboa, na Memorial University of Newfoundland at St Jolin's, Canada ena Massey University (em Auckland, Nova Zetandia). Barry Shet~ lock contibuiu para aprimorar o inglés da primeira edicio, Foram bastante proveitosas, para este livro, as discusses geradas nos proje- tos de corte transversal “Qualitative methods in public health” (Métados qualitat vos na saide piblica) (como parte da Associagao de Pesquisa de Sade Publica de Berlim) e "Qualitative Methods Consulting" (Consulta a Métodos Qualitativos) (como parte da Associago de Pesquisa de Satie Publica do Norte da Alemanha — ambos mantidos pelo Ministério Alemo de Pesquisa ¢ Teenologia). A edigto rev sada foi preparada durante o perioda em que trabalhel como pesquisador visitante ra School of Psychology da Massey University, em Auckland, Nova Zelindia, Pretacio a segunda edi¢ao pesquisa qualitativa encontra-se em um processo continu de propagacéo, ‘como surgimento de novas abordagens e métodes, e vem sendo adotaca por lum niimero erescente de disciplinas como parte essencial do curicula, Perspect: vas recentes e mais antigas da pesquisa qualitativa podem ser aeompantiadas na sociologia, na psicologia, na antropologia, na enfermagem, nxt engenharia, nos cestudos eulturais, ete. Um dos efeitos desses avangos esté no constante cresciien- to da literatura disponivel na drea da pesquisa qualitativa: publicagio de novos livros, introdugdo de novos periédicos repletos de artigos sabrea metodologia e de resultados da pesquisa qualitativa, Outra conseqiéncia est no fato de que a pes quisa qualitativa corre o risco de dividir-se em diferentes campos de pesquisa € discussdes metodoldgicas,e de que, nese processo, passa haver a omissio de prin- cipios eidéias essenciais dessa pesquisa aceavés da diversidacle de campos, Desde a publicagao da primeira edicio deste livro, varias dreas da pesquisa ‘qualitaiva passaram por uin grande desenvolvimento, o que acarretou a necessi- dade de submeter este texto a algumas revisées. Urn exemplo desses novos avant- 0s € o uso dos computadares e dos programas de software na pesquisa qualitatva, Alista de softwares dspontvels aumentou muito na ima década, e, em maior, foram modificados para faciitar © trabalho dos ustdtios, com um acréscimo na ‘qualidade do seu desempenho e no niimero de earacteristicas. Além diss, o¢ pro _gramas ganfaram maiot complexidade, tomtando-se mais eomplicades, éeixando no ara divida: quando utilizar um computadar e um programa de sofware, e que tipo de computador e de programa € mais adequade para tim projeto de pesquisa especifico? utra questi diz respeito & indicagio de abordagens e de métodos de pes: ‘isa qualitarivos: quando e qual método ou abordagem escolher? Quais as razdes ecisivas para escolher ou deixar de escolher wm método ou uma abordagem espe- cifica? 0 objetivo deste livro & permitir que o leitor encontce tima solugio para cessas questées que atenda as suas finalidades de pesquisa, Portanta, nos eapitulas simples € naqueles que expem uma visio geral,a énfase é dada na apresentagao dos diferentes métodos da pesquisa quelitativa de forma comparativa ‘A qualidade da pesquisa qualitativa € sina urn tema relevance nessa pesqui- sa: Como avaliar a pesquisa qualitativa? Como fazer uma dlstingto entre os bons © 05 maus exemplos? Outea divida esta em definie quais eritérios devem ser ert- pregados pata responder a essa questao ¢ tragartaldistingio. também importan te determinar se essa questi implica eritérias ou uma prétiea de qualidade, ou ainda se esta seria uma questio de impacto pritico ou de impacto politica éa pes- ‘quisa qualitativa e de suas descobertas. Por fim, a pesquisa qualitativa esté na iminéncia de um debate de difusio internacional ainda maior. Os pesquisadores norte-americanas esto envolvidos: ‘em discusses e tépicas que, de certa forma, diferem daqueles pontos que seus ‘colegas europeus entendem ser relevante esclarecer, Se fotem consideradas as dis- ‘cusses e os métoclos destacados nos contextos da lingua alema ou da lingua fran ‘cesa, 0 aleance da pesquisa qualitativa seré ainda mais amplo, ea teserva dispont vel de métodos e procedimentos ainda maior. E por essa razio que este livo apre: senta diversos métodes originalmente desenvolvidos nas discussées alemas, a fim ‘de complementar o ambito mals anglo-saxio. Esta segunda edicio revisada foi expandida e complementada em vir pectos: + Atualizagio de discussées e referéncins a0 longo do texto. + Acréscimo da Parte 6, que trata dos avancos recentes efuturas em trés novos capil, * 0 Capitulo 20 aborda o uso de computadores na pesquisa qualitativa, apr. sentando esse t6pico e uma reflexaio a respeito da utilizagio dos computado- tes nos nivels de impacto positive e negativo que estes podem ter sobre a pesquisa qualitativa, © O Capitulo 21 observa a combinaglo e a relagdo da pesquisa qualitativa e da ‘quantitativa. Mais uma vez, esse capftulo apresenta 0 que pode ser feito e 0 ‘que € possivel nessa sirea e como fazé-lo, oferecenda também rellexdes sobre 2 utilidade e os problemas dessa combinacio. = Ocapitulo final (Capftulo 22) trata da questi da qualidade na pesquisa qua- Ttativa, ultrapassanclo os limites da formulagdo e da aplicagho de evtéries. Esse tema é, primeirarente, abordado a partir do Angulo da indicacio de ‘métodos e de planos da pesquisa qualitativa. A segult, através da abotdagem do controle da qualidade, delineia-se 0 processo de definigZo da qualidade na Pesquisa qualitativa, bem como de producéo e de garantia dessa qualidade durante codo o processo de pesquisa. Por titimo, mencionam-se temas relat ‘vos ao aprendizado eo ensino da pesquisa qualiativa e a maneiras de esta Delecer urn equiltbrio entre a arte e 0 método nessa pesquisa Sumario 1 A pesquisa qualitativa: relevéneia, histéria, aspectos wv Parte 1 DA TEORIA AO TEXTO. 2 Posturas tedtieas son : 3 3 A construgio ea compreensio de textos 45 Parte 2 PLANO DE PESQUISA 4. Processo e teorias — 57 S_ Questbes de pesquisa sronnnsnennes : 63 6 Encrando no campo ..... 69 7 Estratégias de amostragem, — 76 Parte 3 DADOS VERBAIS 8 Enerevistas semi-estruturadas —— 89 9 As narrativas coma dados : 109, 10 Entrevistas e discusstes tipo grupas de foco — 124 11. Dados verbais: uma visio geral ee 137 Parte 4 DADOS VISUAIS 12 Observacio, etnografi e métodos pata dads visuais. 147, 13 Dados visuals: uma visto geral = 7 — Parte 5 DO TEXTO ATEORIA 14 Docamentagao de dacos 15 Codlficacio e categorizagio 16 Analises seqienciais. 17 Incerpretacio do texto: uma visio geral 18 Oembasamento da pesquisa qualitativa 19. & redacio da pesquisa qualitativa Parte 6 AVANGOS RECENTES E FUTUROS: 20 05 computadores na pesquisa qualitativa 21. Pesquisa qualltativa e quanttativa 22 A qualidade da pesquisa qualitativa:aléma dos eritéios Referéncias bibiogréficas fndive de autores Indice 179 188 222 229 247 259 271 280 291 303 307 1 aa 61 a 72 al 82 8a 384 9.1 92 Quadros Aspects da pesquisa quolitativa: lista preliminar .. Aspectos da pesquisa qualitativa: lista completa 0s papsis no campo. ' Exemplo de amostragem tedrica : Esttatégias de amostragem na pesquisa qualicativa Exemplo de questbes extraidas da entrevista focal Exempio de questies extraidas da entrevista da fase acuta. Exemplo de quesiGes extraidas da entrevista semipadrontzada.. Exemplo de questdes extraielas da entrevista ceatralizada no problema Exemplo de uma questao gerativa narrativa na encrevista narrativa Exemplo de questdes extraisas da entrevista episédica 10.1 Exemplo de um estimulo para diseussio 10.2 Exemplos para o iniio de um grupo de foc 12.1 Aspectas da pesquisa etnografica 12.2 Instrugio pata a entievsta fotografia 14.1 As noras de eampo na pritiea 14.2 Fxemplo de uma fcha de documentagio 14.3 Convencées para a transerigio. 15.1 Exemplo de segmentagio e codificagio aberta 15.2 Exemplo da codificacio linha a linha 15.3 Exemplo de uma breve deseriglo de um caso 15.4 Gxemplo da esrutaretemtiea das anlises de caso na codificagio 16.1 Preceitos metodolégicas para os estudos analiticos de conversas. comitiea . 16.2 Niveis de interpretagio na hermenéutica ebjetiva 18.1 Btapas da indugio analitica 18.2 Critérios para o desenvolvimenta da teoria na pesquisa qualitativa 20.1 Questdes para orientar a andlise ¢ a comparagio de programas de computador na pesquisa qualitativa 22.1 Prineipios do controle de qualidade no pracesto da pesquisa qualtativa 20 a 74 80 84 90 93 97 101 no ww 130 133 159 164 182. 185 186 191 192 199 199 210 218 239 245; 265 287 Figuras 2.1. Perspectivas da pesquisa na pesquisa qualtativa 3.1. Compreensio entre construgio e interpretacio 3.2. Processo da mimese 4.1. Modielos de processo ¢teoria o 5.1. Questées de pesquisa no processo de pesquisa 6.1 Papéis de membro no campo oe 8.1 Extrato de uma teoria subjetiva sobre a confianga no aconselhamento 9.1 Formas dle conhecimento na entrevista episédica 15.1 © modeta do paradigma 19.1 Embasamento do texto 21.1 Planos de pesquisa para a integragio entre a pesquisa qualicativa ea quantitativa es 21.2 Nivels de eriangulagio da pesquisa qualitativa e quantitativa au 48 50 6 64 71 98 118 193 254 274 w= 275 Piitineieemenenamerecanen Tabelas 1.1. Pases na bistéria da pesquisa qualitativa 2.1 Posturns tedvicas na pesquisa qualitativa 5.1 Tipos de questdes de pesquisa - 7.1. Deeisdes relativas & amostragem no processo de pesquisa 7.2 Exemplo de uma estrutura de amostragem com dimenséies farnecias antecipadamence 7.3. Amostragem tedriea versus amasitagem estaistica 7.4 Bxemplo de uma estrutura de amostras resultante do processo 11.1 Comparagao entre métodos para a coleta de dados vetbais 11.2 Checktst para a selegao de um tipo de entrevista e avaliagao da sua aplicagio 12.1 Seguranga das observagées 13.1 Comparagdo entre métodas para a coleta de dados visuais 13.2 Cheeklist para a selecéo de um métada pata dados visuals «avaliagio da sua aplicagao so 15.1 Codificagdo tematica das definigdes subjecivas de tecnologia 17.1 Comparagao entre mérodos para a interpretagio de dados 17.2 Checkiise para a selegio de um método de interpretagio avaliagio da sua aplicagio 18.1 ConvengGes para as notas de eampo . 2.1 Indieagio dos métocos qualitatives de pesquisa. 22,2 Checklist para a selegao de um métada qualtarivo de pesquisa 22.3 Perspectivas de pesquisa na pesquisa qualitativa: combinando teorias ce métodos ' 22.4 Regras praicas e quest6es-chave para selecionar etapas e métodos de pesquisa 26 3 67 n 78 81 at 139-40 142 188. 173 175 200 224.25 207 231 281 262 282, 284 4 A pesquisa qualitativa: relevancia, historia, aspectos ‘A relevandia da pesquisa qualitativa 17 Limite da pesquisa quantiaiva como ponto de partia as Aspect essenciais da pesquisa qualita. ' 20 Aisa da pesquisa qualitauiva 22 Apresentagio do proceso como orienta na capo dos metodos qualita v.26 ‘A pesquisa qualitativa ao fina da moderidade : 28 | A pesquisa qualitativa vem se estabelecendo nas cigneias sociais € na psicolo- gia. Existe, atualmente, uma enorme variedade de métados especificos dispo- niveis, eada um dos quais partindo de diferentes premissas em busca de obje- t tivos distintos. Cada método baseia-se em uma compreensio especitica de seu objeto. No entanto, os métodos qualitativos nao podem ser considerados inde- Pendentemente do processo de pesquisa e do assunto em estudo. Encontrar- : se especificamente incorporados ao processo de pesquisa, sendo melhor com preendidos e descritos através de uma perspectiva do proceso. Portanto, apre- sentar as diferentes etapas no proceso de pesquisa qualitativa seré a preacu- pagio central deste livro. Os procedimentos mais importantes para a coleta & a interpretagio de dados, bem como para a avaliagio @ a apresentacao de resultados, serdo determinados nesse modlo processual, aferecendo aos lei ‘ores uma visto geral do campo da pesquisa qualitativa, de alternativas meto- doldgicas concretas e suas pretensdes, aplicagdes ¢ limites, devenda permit Ihes a escolha da estratégia metodoldgica mais apropriada no que diz respeito 2 questdo e aos assuntos de pesquisa ARELEVANCIA DA PESQUISA QUALITATIVA Axelevaincia especitica da pesquisa qualitativa para o estudo das relagées so: ciais deve-se 20 fato da pluralizagao das esteras de vida. Expressées-chave para essa pluralizagio sio a “nova obscuridade” (Habermas, 1996), a crescen- te “Individalizagio das fo a dissolucao de “velhas as dle vida e dos padres biograficos" (Beck, 1992) lesigualdades sociais dentro da nova diversidade 18 Une introdusitot Pesquisa Quaticaiva de ambientes, subculturas, estlas e formas de vida (Hradil, 1992). Essa plura- lizacdo exige uma nova sensibilidade para o estudo empirico das questées. Os defensores do pés-moclernismo argumentam que a era das grandes narrativas « teotias chegow ao final: as narrativas agora devem ser fimitadas em termos locais, temporais e situacionais. Quanto & pluralizacao de estilos de vida e de padrdes de interpretacio na sociedade moderna e pés-moderna, a afitmacao de Herbert Blumer ganha novamente relevincia, assumindo novas implies {gbes: "A postura inicial do cientista social e do psicdlogo quase sempre carece de familiatidade cor o que de fato ocorte na esfera da vida que ele se prope estudar” (1969, p. 33). ‘A muclanga social acelerada e a conseqiente diversificacao de esferas de vida fazem com que os pesquisadores socials defrontem-se, cada vez mais, com novos contextos e perspectivas socials; situaedes tio novas para eles que suas metodologias dedutivas tradicionais ~ questbes e hipéteses de pesquisa derivadas de modelos teéricos ¢ testadas sobre a evidéncia empiica ~ fracas sam na diferenciagSo de objetos. Conseqiientemente, a pesquisa é, cada vez ‘mais, obtigada a utilizar estratégias indutivas: em ver de partic de teorias para tesid-las, sio necessiios “conceitos sensibilizantes” para a abordagem de con- textos socinis a serem estudados. Entretanto, contrariando o equivoce difun- dido, tis concettos so, em sua essénca, influenciados por um conhecimento tedrico anterior. Porém, aqui, as teorias so desenvolvidas a pattir de estudos empiricos. O conhecimento € a pratica sao estudados como conhecimento & puitica locais (Geertz, 1983). No que range at pesquisa em psicologia, de forma particular, discute-se a sus falta de relevancia para a vida cotidiana por néo se dedicar suficientemen- te A descricze precisa dos faros de um caso (Dorner, 1983). O estudo dos significados subjetivos e da experiéncia e prética cotidianas é to essencial quanto a contemplacao das narrativas (Bruner, 1991; Sarbin, 1986) e dos, discursos (Harré, 1998). LIMITES DA PESQUISA QUANTITATIVA COMO PONTO DE PARTIDA Por tradigdo, a psicologia e as ciénecias sociais tém adatado como modelo as ciéncias naturais e sua exatidao, prestando uma atencdo especial para o de- senvolvimento de métodos quantitativos e padronizados. Principios norteado- res de pesquisa e de planejamento de pesquisa séo utilizados com as seguintes finalidades: isolar claramente causas e efeitos, operacionalizar corretamente relagées tedricas, medir e quantificar fendémenos, eiar planas de pesquisa (que ermitam a generalizagio de descobertas) e formular leis gerais. Por exemplo, selecionam-se amositas aleatéries de populagies de forma a se assegurar a representatividade. Enuneiados gerais so dissoeiados, o maximo possivel, de ‘cas0s coneretos que tenham sido estudados. Os fenémenas observados S50 classificados de acordo com sua fregiléncia e distribuigio, Com o intuito de classifiar, da forma mais clara possivel, as relagBes causais e sua validade, as condigdes sob as quais os fenémenos e as relagbes em estudo ocorrem 30 controladas ao extremo. Os estudos sdo planejados de tal maneira que a in Nuéncia do pesquisador (entrevistador, observador, ete.) possa ser exelaida 20 ‘meéximo. Assim, deve-se garantit a objetividade do estudo, eliminando-se, em A pesgnisa quaivaton:relevavcia, binaria, aspectos 19 ‘grande parte, as apinides subjerivas do pesquisadar, bem como daqueles indi viduos submetidos ao estudo. Padres obrigatérios gerais para a vealizacao e a avaliagio de pesquisa social empitiea tém sido formulados. Procedimentos da fordem de como construir um questioncrio, como planejar e experimentar & como analisar dados estatisticamente tornam-se cada vez mais apurados. Durante muito tempo, a pesquisa psicolégica wtlizou, quase que exclus- vamente, planos experimentais. Através desses planos, foram produzides gran- des quantidades de dados e resultados que demonstram e testam as relacoes psicol6gicas entre varidveis e as candigées sob as quais elas so validas. Pelas razdes acima mencionadas, durante um longo periodo, a pesquisa social em- pltiea teve por base essencialmente levantamentos padronizados. O objetivo era documentar e analisar a freqiiéncia e a distribuigaa dos fendmenos sociais, na populagio ~ por exemple, determinadas atitudes. Em escala cada vez. me nor, padrées ¢ procedimentos de pesquisa quantitativa foram fundamental- mente examinados e analisadas, de forma a esciarecer a quais objetos e ques- tes de pesquisa eles se ajustam e a quais nfo. ‘Quando a pesquisa realizada com os alvos acima é, em sua totalidade, equilibrada, os resultados revelam-se bastante negativés. Os ideais da objeti- vidade desencantam-se quase que por completo: hé algum tempo atrés, Max Weber (1919) anunciou 0 “deseneantamento co mundo” como a tarefa da cigncia, Mais recentemente, Bond e Hartmann (1985) propuseram 0 crescen- te desencantamento das ciéncias, seus métodos e suas deseobertas. No caso dlas cigneias sociais, o baixo grau de aplicabilidade e conectabilidade de resul- tados & considerado um indicador disso. Com umm abrangéneia bem menor do que a esperada ~e, sobretudo, de forma bastante diversa ~ as descobertas da pesquisa social t2m. achado o ¢aminho das eontextos politicos e eatidianos. A “pesquisa da utilizacio” (Beck e Bon8, 1989) demonscra que descobertas cien- sificas no sio transferidas para as prticas politics ¢ insticucionais nto quanto seria de se esperar. Quando utilizadas, so obviamente reincerpretadas criti= ceadas: "A cignecia no mais produz '‘verdades absolutas’, capazes de setem ado- tadas indiseriminadamente, Fornece ofertas limitadas para a interpretagéo, cujo aleance € maior do que 0 das ceorias cotidianas, mas que podem ser empregadas na pritica com comparavel flexibilidade” (1989, p. 31). Resta claro também que os resultados das ciéncias sociais sio raramente percebidos e utilizados na vida cotidiana porque ~ para satisfazer 2 padroes metodoldgicos ~ suas investigagdes e descobertas, muitas vezes, afastam-se das questoes e dos problemas do dia-a-dia. Por outro lado, anslises da pratica dda pesquisa demonstram que grande parte dos ideais de objetividade formula: dos com antecedéneia nao podem ser consumados. Apesat de todos 0s contro: les metoclolégicos, a pesquisa e suas descobertas sio inevitavelmente influen- ciadas pelos interesses e pelas formagies social e cultural dos envolvidos. Tais fatores influenciam 2 formulacdo das questées e hipéteses da pesquisa, assim como a interpretacao de dados e relagves. Por tiltimo, o deseneantamento relatado por Bon® e Hartmann traz con seqilénclas para a forma de conhecimento pela qual a psicologia ¢ as ciéncias sociais podem lutar para produzir e, sobretudo, so capazes de assim o fazer: “Na condigia do deseneantamento dos ideais objetivistas, néo podemos mais, irrefletidamente, partir da nocdo das frases objetivamente verdadeiras. O que fica éa possibilidade de enunciados que se relacionem a sujeitos e situagbes, © 20 Una inode & Pergusa Qualieaine (que devem ser estabelecidos por um conceito sociologicamente articulado de conhecimento” (1985, p. 21). A formulagdo empiricamence bem-embasada desses entnciados relacionados 20 sujelto e & situagio é uma meta que pode ser aleangada com a pesquisa qualitativa ASPECTOS ESSENCIAIS DA PESQUISA QUALITATIVA As idéias centrais que conduzem a pesquisa qualitativa diferem daquelas em: sgadas na pesquisa quantitativa. Os aspectos essenciais da pesquisa qualita- ‘iva (Quadro 1.1) consistem na eseolha correta de métados e teotias oportu- ros, no reconhecimento e na andlise de diferentes perspectivas, nas teflexdes dos pesquisadores a respeito de sua pesquisa como parte do processo de pro- ugio de conhecimento, e na variedade de abordagens e métodes, QUADRO 1.1 Aspeetos da pesquisa qualitative lata preiminae ‘Reropiablidede da mélodos «vores pectvas dos peripanias e sua dversisace Refleiedade de pesausador e da poegus \Varedade de sbotdagers e métosos na pesquiss qualata Apropriabilidade de métodos e teorias, Em seu influente livro-texto sobre pesquisa empitica, Bortz. (1984, p. 15-16) sugere, por exemplo, que ¢ necessiio verificar a “adequagio de idéias para investigagies” eescolher apenas aquelas idéias de pesquisa que possam ser ext ddadas empiricamente. Para ele, as seguintes idéias nao se ajustam a esse campo: as para investgagées de (.) conti filessfico (por exempo, (..) 0 sentido da vida) e investigagdes que lidem com concetos imprecsns (.) 0 estde de situagbes ‘ou pessoas excepcionais (por exemple, os problemas pscolsgicos dos anes) (..) or fim, etudos sobre a relevincia causal de aspectos iolidos, que, na verdad, 36 silo eficazes em combineglo com outros fatores que os influenctem, Nao hé diividas de que faz sentido refletir sobre a possibilidade de uma questo de pesquisa ser estudada empiricamente ou nao (vela 0 Capitulo 5). Porém, para Bortz, o critério para a avaliagao do objeto dle pesquisa consiste fem definir se os métados disponiveis (e, mais ainea, aceitas) padem ou nao ser empregados para estudé-lo, Pessoas ou situagBes excepcionais podem até ser encontradas, mas nao necessariamente em niimero suficiente que justi que uma amostra para um estudo de quantificago e descobertas generaliza- veis. O fato de que a maiotia dos fendmenos da realidade, de fato, no possam ser explicados de forma isolada é resultado da complexidade da realidade e ddos fenémenos. Se todos os estucdas empiricas fossem planejados exelusiva- mente de acordo com o modelo das nitidas relagdes de causa e efeito, todos os objetos complexos teriam de ser excluidos. Essa 6 a primeira soluedo para 0 Perspectivas dos par A pesquisa guatiationsrelevinci, bisa, aspcros 2A problema da andlise de causas abrengendo diferentes aspectos, meneionado por Bortz. Uma segunda solugio € levar em conta condigdes contextuais em planos complexos de pesquisa quantitatva (por exemplo, andlises mula frei: Saldern, 1986) e entender modelos complexos empiric c estatistica- Imente, A abstagio metodolégica necessria dificult a reintrodugio das des- Calbertas nas sitagdes cotidianas em esto. O problema bisico ~ de que 0 estado pode apenas mostrar o que 0 modelo subjacente da realidade jd abran- ge ni resovido dessa maneira A terceira forma de resolve o problema é buseada na pesquisa qualitati- va: planeiar méCodos tio abertos ac fagam justiga &complexidade do objeto tem esto, Aqui o objeto em estado éofator determinante para a escolha de tim método e nao contario, Os objetes nao S80 reduzidos a varive'stinicas, rs s50estudados em sua complexidade e otalidade em seu context dio. Portanto, os campos de estado no sio stuagBes artifiias em lnboratéro, ‘nas as prticas interagdes dos sujeitos na viea cotidiana, Aqui, em particu: lan, stuagdes ¢ pessoas excepeionais so freqientemente estudadas (veja 0 Capito 7) Emjustiqa A cversidade da vida cotidiana, os métodos caracter- bane por uma abertura para com seus objets, gurantia de diversas formas {veja os Capitulos 8a 17). A meta da pesquisa concentra-se menos em tester 0 aie j4€ bem conhecido (por exemplo,teoras ji formuladas antecipadarnen- te) e mais em descobrt o novo e desenvolver teorias empiricamence embasa- das, Além disso, avalia-se a validade do estado com referencia a objeto que esti sendo estucedo, em segui, exclisivamente ertéros académicos de cien- cin como na pesauisa quanttativa, Ao contro, os eritéros entrals, na pes: duise qualitative, consstem em determinar se as descoberiassio embasadas tm material empiteo ese os mézodas foram adequadamenteselecionados © apliados ao objeto em esto, A relevincia das descobertas ea rellexividade dos procedimentos sao eitérios adicionas (veja 0 Capitulo 18) intes e sua diversidade © exemplo das perturbagdes mentals permite-nos explicar outro aspecto da pesquisa qualitativa. Estudos epidemiolégicos mostram a lreqiiéneia da esqui- zoltenia na populacio, e, além disso, a forma como sua distribuigdo varia: em classes sociais mais baixas, perturbacdes mentais sérias, como 2 esquizofre- nia, ocorrem com bem mais freqiiéneia do que nas classes mais altas. Essas cortelagées foram descabertas por Hollingshead e Redlich (1958), na década de 1950, sendo, desde entdo, varias vezes confitmadas. No entanto, nao se conseguiu esclarecer a diregao da correlagio: ser que as condigbes de vide ‘em uma classe mais baixa favorecem a ocorréncia e a eclosdo de perturbagdes mencais, ou serd que pessoas com problemas mentais caem nas classes mais, baixas (veja Keupp, 1982)? Além disso, essas descobertas nao nos explieam 0 ‘que significa viver com uma doenca mental. Nao se esclarece o significado subjetivo dessa doenca (ou da side) para aqueles ditetamente afetados, nem se compreende a diversidade de perspectivas sobre a doenca em seu contexto. Qual € o significado subjerivo da esquizofrenia para o paciente, e qual seria esse significado paia seus familiares? Como as diversas pessoas envolvidas lidam eom a doenca na vide teal? O que levou ao aparecimento da doenga no Reflexividade do pesqui: 22_Una inerodngto & Perguisa Quarto curso da vida do paciente e 0 que fez com que esta se tornasse uma doenga crénica? Quais foram as influéneias das diversas instituigSes que trataram o paciente ao longo de sua vida nessa trajetéria? Que idéias, metas e rotinas Indicam a forma conereta de essas instituigdes tratarem 0 caso? ‘A pesquisa qualitativa a respeito de tpicos como a doenga menta! con centra-se em perguntas como essas (para um panorama geral, veja Flick, 1995b). Demonstra a variedade de perspectivas (do paciente, de seus familia. res, de profissionais) sobre 0 objeto, partindo dos significados subjetivos & socials a ele relacionados. A pesquisa qualitativa estuda o conhecimento ¢ as, priticas dos partieipantes. Analisa interagGes sobre a doena mental e formas Ge lidar com esta em um campo especifico. As interrelagées so descritas no contexto concreto do caso e explicadas em telacdo a este. A pesquisa qualita tiva considera que pontos de vista e préticas no campo sio diferentes devido As diversas perspectivas subjetivas e ambientes sociais a eles relacionactos \dor e da pesquisa De mod diferente da pesquisa quantitativa, os métodos qualitativos conside- ram a comunicacio do pesquisador com o campo e seus membros camo parte ‘explicita da produgdo de conhecimento, ao invés de exclu-lazo maximo como uma varidvel intermédia, As subjetividades do pesquisador e daqueles que esto sendo estudados sao parte do processo de pesquisa. As reflexes das pesquisadores sobre suas agdes e observagdes no campo, suas impress6es, itri- tagées, sentimentos, e assim por diante, tornam-se dados em si mesmos, con tituindo parte da interpretagio, sendo documentadas em diarios de pesquisa ‘ou em protocolos de contexto (veja 0 Capitulo 14). Variedade de abordagens e métodos na pesquisa qualitativa A pesquisa qualitativa no se baseia em um conceito tedrieo ¢ metodoldgico unificado. Varias abordagens tedricas e seus métodos caracterizam as discus: sées @ a pritica da pesquisa. Os pontos de vista subjetivos so um primeiro ponto de partida. Uma segunda corrente de pesquisa estuda a elaboracio e 0 ‘curso das interagées, a0 passo que uma terceira busca reconstruir as estrutu ras do campo social e 0 significado latente das préticas (para mais detalhes, vela o préximo capitulo), Essa variedade de abordagens distintas € resultado de diferentes linhas de desenvolvimento na histéria da pesquisa qualitativa, ccuja evolugio deu-se, até certo ponta, de forma paralela, e, em parte, de for. ma seqiencial. A HISTORIA DA PESQUISA QUALITATIVA Aqui, é possivel oferecer apenas uma visio breve e bem superficial da histéria dda pesquisa qualitativa, O emprega dos mérodos qualitativos tem uma longa tradigio na psicologia, assim como nas ciéncias sociais. Na psicologia, Wilhelm ‘Wands (2900-20) utilizou métodos de descrigio e verstelen, em sua psicolo- A pesguica qualeaton:relevincia, biaaia,apevtar 2 sia popular, a0 lado dos métodos experimentais da sua psicologia geral. Mais ‘ou menos na mesma época, uma discussdo entre uma concepgio mais mono: grifica da ciéneia, orientada para a indugio e os estudos de caso, e uma abordagem empiricae estatistica tiveram inicio na sociologia alema (Bon, 1982, p. 106). Na socialogia norte-amerieana, os métodos biograficos, os estudos de caso e os métodos descritivos foram centrais durante muito tempo (até a década de 1940), o que pode ser demonstrado pela importa cia do estudo de Thomas € Znaniecki, The Polish Peasant in Europe and ‘America (O Camponés Polonés na europa e na América) (1918-20), e, de uma maneira mais geral, com a influéncia da Escola Sociolégica de Chicago. Durante 0 posterior estabelecimento dessas duas ciéncias, parém, abor- dagens cada vez mais “duras”, experimentais, padronizantes e ele quantifica jo declararam-se contrdrias as estratégias “suaves”, compreensivas, abertas € qualitativo-deseritivas. Demorou até a déeada de 1960 para que a critica da padronizada pesquisa social quanticativa ganhasse novamente relevancia na sociologia norte-amerieana (Cicourel, 1964; Glaser ¢ Strauss, 1967). Essa ert- tiea foi, na década de 1970, empregada em discussées alemis, levando, por fmm, a uim tenascimento da pesquisa qualitativa nas ciéncias socials e também. (com algum atraso) na psicologia (Jittemann, 1985). Os avangos e discusses nos EUA e na Alemanha ndo apenas acorteram em épocas diferentes, como também s30 marcados por fases distintas, Avangos em regides de lingua alema Na Alemanha, Jirgen Habermas (1967) foi o primeiro a reconhecer que tradi Gio e discussio “diferentes” de pesquisa evolufam na sociologia nore-ameri- cana, relacionadas a nomes como Gofiman, Garfinkel e Cicourel. Desde a tra dducao da critica metodolégica de Cicowrel (1964), diversas colegées (por exern- plo, Atbeitsgruppe Bielefelder Soziologen, 1973; Bull, 1972; Gerdes, 1979; Hopf e Weingarten, 1979; Steinert, 1973; Weingarten et alii, 1976) importa ram contribuicées das discussées norte-americanas, disponibilizando, pata dis- ccussdes alemas, cextos basicos sobre eometodologia ou interacionismo bélico. A partir desse mesmo periodo, o modelo de processo de pesquisa cria- do por Glaser e Strauss (1967) atrai muita ateneZo (exemplos em Hoffmann Riem, 1980; Hopf e Weingarten, 1979; Kleining, 1982). As discussdes siio motivadas pelo propésito de se fazer mais justiga as objetos ce pesquisa clo que é possivel nia pesquisa quantitativa, conforme demonstra a alegacio de Hofimann-Riem pelo “principio da abertura”. Kleining (1982, p. 233) argu- menta que é necessério considerara compreensio do objeto da pesquisa como preliminar até o final da pesquisa, pois 0 objeto “apresentar-se-d com sas cores verdadeiras somente no final”. Ademais, as discusses sobre uma “soct- ologia naturalista” (Schatzman e Strauss, 1973) e sobre mérodos adequados sto determinadas por suposicéo similar, inicialmente implicita e posterior- ‘mente também explicita, de que entender o principio da abertura e as regras sugeridas por Kleining (por exemplo, adiar uma formulagio teérica do objeto de pesquisa) possibilita a0 pesquisador evitar constituir 0 objeto pelos mes- ‘mos métodos utilizados para estudd-lo. Ou melhor, abre-se a possibilidade de “tomar a vida coridiana em primeira lugar e sempre retomé-la na forma pela 24_Uma intraduso dt Penguisa Qualiaton ‘qual ela se apresenta em cada caso" (Grathoff, 1978; citado em Hoffmann- Riem, 1980, p. 362, que termina seu artigo com essa citacio) ‘Ao final da década de 1970, iniciou-se, na Alemanha, uma discussio mais ampla e original, que no mais contava exclusivamente com a tradugio dd literatura norte-americana. Essa discusso trabalha com entrevistas, sua aplicagio (por exemplo, Kopf, 1978; Kohli, 1978), sua interpretagio (Mihle- feld et alii, 1981) e questdes metodoldgicas (Kleining, 1982), estimulando tuma pesquisa extensiva (para panoramas gerais, veja Flicker alt, 1995, 2002) Kichler (1980) formula a questio caracterfstica desse periodo, que expde & diivida sobre a forma como esse movimento deve ser enxergado: “uma ten- ) _ Andie da nteraeso | Esto do syeto 8 ede oul) pontts) de wits _) *—~ dos dzcursas ”"\_seuls) pono) de vista (© est da composiegocutural das prtcas FIGURA 2:1 Perspocivas da posquisa na pesquiea quaeatva 42 Una irda Peguiva Quaitatioa continuados na conversa, A tercera perspectiva indaga sobre quais sio as regras implistas ou inconscientes que governam as acdes explictas na situa 20, e quais estruturas latentes ou inconscientes geram ativiades. Os focos sio a cultura correspondent e as estruturaseregras que ela ofere ce aos individuos nas sicuagBes e para estas. As opinides subjtivas e as pers pectivas interativas sio de especial relevancia como meias de exposigao ou reconstrusdo de estruturas. ‘Além dessas justaposigées, podem-se encontrar duss maneiras de res ponder a diferentés perspectivas de pesquisa. Por um lado, uma s6 posigo e sua perspectiva sobre o fenémeno em estudo sao adotadas como “inicas", € otras perspectivas sio rejeitadaseriticamente. H& muito tempo, esse tipo de emareacao determina a discussio em regides de lingua alema. Também na discussio norte-americana, posigdes dlstintas foram formalizadas em para- digmas, e, eno, justapostas em termos de paradigmas concortentes, até mesmo de “guertas de paradigmas” (veja Guba e Lincoln, 1998, p. 218) Como altemativa, diferentes perspecivas te6riea podem ser eniendidas como caminhas distintos de aeeso ao ferémeno em est. Poe-se examinar qualquer perspectva no que diz respeita a qual pare do fenémenaé porela revelado equal pare continua excluida, Partindose dessa compreensio, épossvel combinar ¢ suplementar diferentes perspectivas de pesquisa. Essa rangulagio de perspect- vas lick, 1992a; 20028) amplia 0 foco sobre ofenémena em estudo, por exem. plo, pela reconstrugto des opines dos pancipantes e andlise pstetior do desdo- bramento das siruagées compartlhadas nas interagoes. ASPECTOS COMUNS DAS DIFERENTES POSTURAS Apesar das distingdes de perspectiva, podem-se resumir os pontos a seguir como aspectos comuns que permeiam essas diferentes posturas tedricas: «# Verstehen como principio epistemolégico. A pesquisa qualitativa tem por objetivo compreensio do fendmeno ou evento em estudo a partir do interior (veja Hopf, 1985). Busca-se entender a opinido de um sujeito ou de diferentes sujeitos, 0 curso de situagOes sociis (converses, diseurso, processos de trabalho), ou as regras culturais ou socia's para uma situa Gio. © modo de expressar essa compreensio em termes metodolégicos depende da postura teérica que dé suport a pesquisa + Areaonstrupio de casas como ponto de partida. Um segundo aspecto co ‘mum as diferentes posturas € a analise do caso dinio, de uma forma mais, cou menos consistente, antes da elaboragio de enuncindos comparativos fu gerais. Por exempio, primeiramente, reconstéi-se a teoria subjetiva “ini, a conversa Gini e seu curso ou caso tinieo. Mais tarde, outros, estudos de caso e seus resultados io utilizados em uma comparacao (vein Hildenbrand, 1995) para desenvolver uma tipologia (das diferentes teo- Flas subjetivas, dos diferentes cursos de conversa das diferentes esteutu ras de caso). O que em cada caso é entendido como “caso” ~ um individuo seu panto de vist, uma interacio delimitada em local e tempo, ot um contexto espectic social ou cultural no qual um evento se desdobra ~ depende da posturate6rico utlzada para 0 estudo do material Pesta toricar 4 + Aconstrugéo da realidade como base. Os casos econstruidas ou tipalogias contém virios niveis de construgio de realidade: sujeitos, com suas opi niges sobre um determinado fendmeno, traduzem parce de sua realida- cde; em conversas e diseursos, os fendmenos sio produzidos interativa mente, e, assim, 2 realidade é constru‘da; estruturas lacentes de sentido regras relacionadas contribuem para a construciio de situacdes sociais com as atividades que geram. Portanto, a tealidade estudada pela pes: quisa qualitativa ndo é uma realidade determinada, mas € construida por diferentes “atores”: determinar qual ator ¢ considetado crucial para essa construgio depende da pastura tedrica adotada para o estudo desse processo. * 0 texto como material empirico. No processo de reconstrugio de casos, sio produzidos textos nos quais se fazem as andlises empfricas reais: opinio do sujeito € reconstruida como sua teoria subjetiva, ou assim formulada; o curso de uma interagao & gravado ¢ transcrito; recanstru- bes de estruturas latences de significado sé podem ser formuladas a partir de textos fornecidos com o detalhamento necessitio. Em todos esses casos, os textos so a base da reconstrucdo e da interpretagio. A categoria conferida ao texto depend da postura tedrica do estudo, [As posturas tedricase seus aspectos comuns so resumidos na Tabela 2.1 Assim, a lista de aspectos da pesquisa qualitativa discutida no Capitulo 1 agora pode ser completada conforme apresentado no Quadro 2.1, ‘TABELA 24 Posturas tedricas na pesquisa qualitativa Pontos de vista doe “Gomposigio culral sujettos das Yealidades socks Famagio eores Ineraconine Etnometeaoioge Esra, ‘ratioora simbolice psicandise vangos ecentet —_Inleracionisme Eiudos sobre abate Poseurs ras cltcies soos interpretative vangosracentes rapscaloaa ‘species comuns Programs de pesauite "eoriae subilvas" Pocotegia ascusie Represeragies soca \erstehen come pencpo epstemogica FReconstugae de caa0s coma ponto de paride CConstugso da reatdace coma base Teno coma rater erica ‘QUADRO 2:4 Aspectes da pesquisa a) ave: sta completa 7 Apropiabidede de méindos «teers + Perspectives des portepanies e sua dversidoge + Refendace do pesqusadare ds pesqusa 1 Vanesade de abordagors e metodo ns pesquisa quallava + Vorsonen come pip epstemoiagco * Reconsrucde de casos cara porto de perida + Construeda da residade cama base {Teta como matt emptco. EITURAS ADICIONAIS As quatio pms eters Aa Shas cain, onsite Guo Sed aes representa aangoe Male lures H. (1960) SymboteItaracenism:Porspactve ae! Method, Besley, CA; University of Catforia Devereux, G (1967) From Ansity te ettods in the Behavioral Sciences. Tha Hague: Mouton, Garnkl H. (1967) Sues Etwometedalacy, Englewood Calls, RI: Prentice-Hall Ccovermann, U. Alle, Konav, E. Krambeck, J 1979) Die Methodolegi siner “abekivon semerea un in anemene icngalsgneSucevtingm ca Seater ten. HG Souther (a), Inerpatave Vefatven in den Sasa und Texnissenschaton ‘Sugar Meter, 2p. 352433 Sonate [Denzin NK. (1889) lterpetatve Interationsm. London: Sage. Flck, U (2d) (1998) Paychoogy of he Socal Cemorisge: Cambridge Universy Press, A construgao ea compreens4o de textos Test erealidades 45 0 texto como concengio do munda: canstrugdes de primo @ se0NdO BFS 46 ‘A concepio do mundo no texto: mienese snes 48 ‘A mimese na relagio ent a biograia © 2 FAI sceneries SL No capitulo anterior, defendeu-se a idéia de que, entre os aspectos comuns da pesquisa qualitativa que permeiam diferentes posturas teéricas, encontram-se ‘o verstehen, a referéncia a casos, a construcio da realidade e a utllizagao de textos como material empirico. A partir desses aspectos, surgem varias ques- es. Como é posstvel entender o pracesso de construgio da realidade social no apenas no fendmeno em estudo, mas também no processo de estud-to? Como a realidade é representada ou produzida no caso (re)construide para fins investigatives? Qual a velagio entre texto e realidades? TEXTO E REALIDADES Os textos servem a trés finalidades no processo de pesquisa qualitativa: repre Quonier de poxpiva 6B dam a formulacdo das questOes de pesquisa nos laboratérios cientiticas e nos sgrupos de crabalho das ciéncias sociais (para panoramas gerais, veja Knore- Cetina, 1981; Knorr-Cetina e Mulkay, 1983) 'A decisio sobre uma questo concreta de pesquisa esti sempre ligada & redugio da variedade, e, assim, a estruturagaa do campo em estudo: certos ‘aspectos ganam destaque, outros so considerados menos importantes, sen ddo (ao menos para o momento) deixados em segundo plano ov exciuidos, Por exemplo, na coleta de dados, tal decisao € particularmente crucial quando se utilizam entrevisias individuais (veja os Capitulos 8 a 10). No entanto, se os dados forem coletados em forma de processo, como, por exemplo, na abserva~ ‘gio participante (veja 0 Capitulo 12), ou com entrevistas repetidas, as conse- ‘qUéncias dessa decisio podem ser modificadas com maior facilidade. PECIFICAGAO DE UMA AREA DE INTERESSE E DELIMITAGAO DO ASSUNTO © resultado da formulagio de questBes de pesquisa é a circunscrigdo, de uma rea especifica de um campo mais ou menos complexo, ao que é considerado fesencial, mesmo que o campo permita virias definigGes ce pesquisa desse tipo. Pata o estudo da situagio “aconselhamento”, por exemplo, seria possivel especificar qualquer uma das seguintes dreas como sendo de interesse: © processos interativos entre o conselheiro ¢ 0 clientes © organizagiio da administragdo de clientes como “casos © organizagao e manucengao de uma identidade profissional especifica (par exemplo, ser um ajudante em circunstincias desfavoriveis); © manifestacdes subjetivas au objetivas do “progresso” do paciente “Todas essas dreas constituem aspectos relevantes da complexidade da vida cotidiana em uma instituicao (servigo de aconselhamento, servigo so- ciopsiquidtrico). Cada uma dessas freas poderia ser enfocada em um estu- doe incorporada a uma questo de pesquisa. Por exemplo, o pesquisador poderia abordar um campo complexo (por exemplo, institucional), com o objetiva de concentrar-se em alcancar a compreensao do ponto de vista de uma pessoa ou de diversas pessoas que atucm nese campo (Beigold € Flick, 1987). Seu foco poderia ser a desericao de uma esfera de vida (veja Hitzler e Eberle, 2002). De forma semelhante, ele podetia dedicar-se a reconstruir razdes subjetivas (Holzkamp, 1986) ou objetivas (Oevermann, 1983) para as atividades, e, assim, a explicar 0 comportamento humano. Come alternativa, ele poderia concentrar-se na relagio entre as interpreta- bes subjetivas e as caracceristicas estruturais dos ambientes de atividade que padem ser descritos objetivamente. Apenas em casos bastante raros da pesquisa qualitativa, faz sentido e é realista incluir esse grande nimero de aspectos. E, sim, cructal que o campo e a questio de pesquisa sejam defini- dos de tal forma que a tiltima possa ser respondida com os recursos dispo- niveis, e que se possa obter um plano sdlido de pesquisa, Isso também cexige a formulacio de uma questo de pesquisa de tal maneira que impli- citamente nao suscite muitas outras questdes 20 mesmo tempo, a que re- sultaria em uma orientacio indistinta demais para as atividades empiricas. 86 Una introduito a Perquiss Qualitas Quests de peica BT CONCEITOS-CHAVE E A TRIANGULACAO DE PERSPECTIVAS. (0 pesquisador enfrenta o problema relative a quais aspectos incluit (0s essen, ciais, os controlives, a perspectiva relevante, etc.) e quais excluit (os secun. darios, os menos relevantes, etc.). Quais deveriam ser os molds dessa dec. so para a garantia da menor ‘perda friecional” possivel, ou seja, a garantia de que a perda da autenticidade continue sendo limitada e justificavel através de (um grau de) negligéncia aceitdvel de certos aspectos? | Por um lado, os canceitos-chave que permitem 0 acesso & seqiiéneia mais amypla possivel de processos relevantes ao campo poclem ser 0 ponto de partida dda pesquisa, Glaser ¢ Strauss os chamam de “conceit analiticas ¢ sensbilzan tes” (1967, p. 38). Por exemplo, a0 estularmos a vida cosidiana institucional do aconselhameenio, um coneeito como “confianga’ revela-se tii, O eonceito pode ser aplicaco, por exemplo, a aspectos das interagGes entre o conselheiro eo cen te, assim como a axpectos da tarefa, &timpressao do cliente sobre a instituio ¢ sta pereepeio a respeito da competéncia do conselteiro, 2 problemtica de comp fazer de uma conversa uma consulta, e assim por diante (Flick, 1989), Por outro lado, a perda friccional nas decisées entre as perspectivas de pesquisa pode ser reduvida pela abordagem da triangulaeao sistemtica das perspectivas (Flick, 1992a). Essa abordagem refere-se a combinagio de pers peetivas e métados apropriadas de pesquisa que sejam adequados para cons erat tantos aspectos diferentes de um problema quanto possivel. Un exent plo disso setia a combinagiio de tentativas na compreensdo do ponto dle vist, {de uma pessoa, cont tentativas de descricio da esfera de vida na qual ela atu De acordo com Fielding e Fielding (1986, p. 34), 0s aspectos estruturais de ‘um problema devem ser vinculados & reconstragio do seu significado para as pessoas envolvidas (quanto A triangulagio, veja o Capitulo 18). No exemple | “nteriot, sso pode ser entendido vinculando-se a reconstrucdo das teotias sub | jetivas dos conselheiros sobre a confianca a uma descrigio do processo de produ ‘Gio da confianga em uma conversa no mundo especial clo “aconselhamento”. ‘Atilizagio de conceitos-chave para ter acesso a processos televantes ea uso da triangulagéo de perspectivas para revelar a maior diversidade de as pectos possivel aumentam 0 grau de proximidade a0 objeto na forma pel {gual os casos e os campos so explorados. Esse processo pocle também perm tira abertura de novos campos de conhecimento. De um modo geral, formulae com precisio a questo de pesquisa é ume etapa central na conceltualizagio do plano de pesquisa. As questOes de pes {quisa devem ser examinadas criticamente no que diz respeito is suas origens (o que levou & real questo de pesquisa?). Sio um ponto de referéncia pard verificer a solidez. do plano de pesquisa e 2 apropriabilidade dos mérodot ‘empregados na coleta e na incerpretagio de dados. Ponto televante para a avaliagio de qualquer generalizacio: o nivel de generallzagio apropriado & aleangavel depende das questées de pesquisa que se buscam. (usisto os esatéias (Quas sto as suas consesctness? ‘Guvsiias ‘Gusis os causes? wa ue tino? TIPOS DE QUESTOES DE PESQUISA EExistem diferentes ipos de questdes de pesquisa, as quais podem ser situada ‘em um esquema abrangendo (de acordo com Lofland e Loffand, 1984, p. 94 ‘0s componentes mostrados na Tabela 5.1. Hé também elos com o “paradigm ‘Fonts Lena Latand © 1S, pe (Remain Gm 3 gal pero Je Wsuzeah ns BARGE GAT TABELA 5.1 Tipos de questdes de pescuisa Unidodes Signiieatos Estos de vito @B_ Une intra oPesquia Qualia a corlificacio", sugerido por Strauss (1987, p. 27) paca a formulagiio de ques, {Ges sobre o texto a ser interpretado (para mais decalhes, veja o Capitulo 15), De um modo geral, podemas estabelecer diferencas entre as quest&es de pesquisa voltadas para a deserieZo de estados e aquelas que descrevem pro. essos (Bude, 1995). No primeiro caso, deve-se descrever como um deter, nado estado (que tipo, quantas vezes) ocorreu (causas, estratégias), ¢ como ese se mantém (estrutura), No segundo caso, 0 objetivo & deserever como algo se desenvolve ou se modifica (causas, processos, consequéncias, esttatégias) ‘Adesctigdo dos estadas e a descrigio dos processos ~ como os dois prin, cipais tipos de questo de pesquisa ~ podem ser classificadas, na coluna ds esquerda da Tabela 5.1, em termos de “unidades” cada vez mais compleras (Lolland e Lofland, 1984). Esse esquema pode ser utilizado para situar ag questdes de pesquisa nesse espaco de possibilidades, e também para verifica a questao de pesquisa selecionada quanto a quest6es adicionais levantadas. Por fim, as questGes de pesquisa poclem ser avaliadas ou classificadas para determinar até que ponto elas siio adequadas para confirmar as supos {es existentes (como hipéteses), ou até onde seu objetivo é a descoberts de hovas questées, au, a0 menos, a abertura dessa possibilidade. Strauss chamna ‘estas titimas de “quest6es gerativas’, deinindo-as da seguinte maneira: “Ques. res que estimulam a linha de investigaao em diregoes Iucrativas; cond zem a hipsteses, comparagées titeis, coleta de certas classes de dados, até ‘mesmo a linhas getais de ataque a problemas potencialmente importantes’ (1987, p. 22) ‘As questdes de pesquisa so como uma porta pata o campo de pesquiss lem estudo. Se as atividades empiricas investigadas produzito ou nao respos ta, Iso dependerd ca formulacio dessas questdes. Sujeita também a formule {gio est a decisiio quanto a quais métodos so apropriados e quem (isto ¢, que pessoas, gtupos ott instituicses) ou © que (Isto é, que processos, atividades, estilos de vida) deve ser incluido no estudo. Os crtérios essencinis para a avaliagio de questies de pesquisa abrangem a sua solidez e clareza, mas tan bbém o questionamento quanto a possibilidade de respondé-las dentro do es quema de recursos determinados e limitados (tempo, dinheiro, ee.) LERTURAS ADICIONAS (0s dole primeira textastrazem alguns dlalhes sobre porspectivas de ligagio em ques: toes de pesquisa, ao passe que 08 outros dis fornecem iformagons classicase mals sperllgoadas de como lider com quostoes de pesquisa na pesquisa qualitava. Fling, NG, Fain, JL (1985) Linking Data. Bovey Wil, CA: Sane, Fick, U 1962) Tangulaion Revisited: Srategy of r Aternative 1 Valaon of Qultatve [aa Jouma forthe Theay af Saal Bohr 22,99. 175-7. ofan, J Ueland LH, (1884) Analyzing Soci! Setngs (2nd ean, Belmont, CA: Wadsworth Ssrauss,AL.(1987) Qualitative Analysis for Socal Scientists. Cambridge: Cambridge Unive sity Press. Entrando no campo ‘As exginetas da pesquisa qualitatva eo problema do acess0 o ‘hs dfingoes de papeis ao ena em uit campo aber 70 0 sees a instiiges, eee (0 aceso a inividuos 2 sranhezae fallaridage sn 4 AS EXIGENCIAS DA PESQUISA QUALITATIVA E 0 PROBLEMA DO ACESSO Oacesso 20 campo estudo ¢ ums qusstio mats crucial na pesquisa qualita. diva do que na quantativa, O cantata buscaGo pelos cits ay ou & tas preximo ou mas inten, o que, em esumo, poser cemonsttado em termos dos problemas enfrentacos por algun dos métadoscuaisivs ata Dor exemplo,entrevistasabertas exigem um envavinenta maior ence o en trevistago eo pesquisador do que seria necessiio na simples ence gs de um uestondeo. A gravogio de comveras dias et iigadsa um gins derevelay Go, por pare dos membros, em relagio a sua prdpia vida ctidian, que, pars cles nao é Fal controlar antecipaasnent, Os observadovs participa tes normalmente véts ao eampo para pero mse longos, De mn ponte Ge vise metodolico, a pesquisa fav ms esti a0 seu objet staves esses procedimentos. ba perspectiva da praieabiliade cotiiana, ests levam a Exigit muito mais das pessoas envolvidas. E por isso que a queso a es: pete da forma de obter aesso am compo dagueias pessoas processor tite representam interes parielar neste mereve atengao especial O ter tio generico "campo" pode sigifiear ema determinada lnsttuigao uina fubeoleara, uma familia, iim grupo expecta de “portadores de biog fas” (Sehirze, 1983), tomadores de decsGes em adminstagoes ou ern peses, e assim por dante, Em cada um dessescazos,enffentarnse 05 mies tos ptoblemasi comma 0 pesquisador garaite a colahoracio de sus pati Danses pocencais no extuda? Como ele consegue nio apenas aie se de: monstre a disponbilidade, masque ets tambein leve a entcewsasconere Tae ou a outros dads? 10 Lina intrdugto & Peruse Quaieaina Erande noconpo TA AS DEFINIGOES DE PAPEIS AO ENTRAR EM UM CAMPO ABERTO Na pesquisa qualtativa,o papel do pesquisador& de especial importnta og esqusadores eas suas competencias comuniestves consti 0 pring Epstrumento” de coleta de dados e de cogtigao, nao padendo, po iss, ada tar um papel neutro no campo e em seus contatos com as pessoas a seren crvevistagss ou observaas, Em ver dso, dever astmirceros papel posiges ou sos estes designados “Ae versinctetamente e/a 9 contragon fo. Determinar a qualsinformagSes um pesguisador ters acessoe de quate Contnuard excludo depende essenciatiente do rucesso 1 nlog89 de um papel ou uma postura apropiades. O assum ou o se desgnado Ui papa eve ser visto como um processo de negaciagio entre pesqusadote part partes, qual aravessa dversos estglos. "Participates" aqu,refereseSque| fas pessoas a seem entuevstadas o8 observadas,o, no caso da pesquisa em insteigdes, também se refete queles que dever autoiear ow falta o aces 50.0 insight cada vez maior da Smnportinela do processointrativo de nege Clagio ede determinagio de paps pa os pesquisadores no campo encanta Sua expressio nas metaforas Ulizadas para descrevé-lo. 1 ‘Aproveitando oexemplo da abservacto pateipantena pesquisa de cam po emnograico (veja 0 Capitalo 12), Adler © Adler (1987) apresentam kn Esema de paps de membro no campo (va @ Figura 6.1. les most diferentes formas deldat com este problema na hstrla da pesquisa qual fia, Emm polo, eles situa es estos da Escalade Chicago (ja o Capt fo 1)e seu uso da observagao pata dos membros em um campo, da interac | aberta eben drecionaa com ests e da partcipagio alia em sta vida coud tna. O dilema da paripagao eda bservagi torna-se elevate em quests de necessério dstanciamento (qual a inensidade de parcpagio necessrie para uma bon obserayio, qual'aintensidade de parcpaedo permissve a Eontexto do distanciamento clentfico?). Quanto &"sociolotaexistencial” de Daisies (1976), em uma pestra intermedia, Aer e Ader veem a solu do problema na partcpagio que vse a revelar of segredos do campo, No unto pal, a etnameadalogi recente (eja 0 Capitulo 2) preoepa-secom dlesergio dos métodos dos membros, em ver de sas perspectivas, afi de deserevero processo em estudo partir de dentro. Aqua problema do acesso ‘eontrolado pei meso no proteso de trabalho observnd e pela condigi de membrana campo ce pesauisa Para Adlee Adley o tratamiento da Escola de Chicago para esse probe mma eompromete-se demas com 0 dstanciamento clentiico do “objeto” da pesquisa, Por outro lado, cles 850 bastante ereos em relagdo aos tipas de ees obtidos pela etnometodologia, assim eomo pel sociclogla existe Cenbora dspostos em polos ciferentes em sua sistemslea): em ambos ose Sos, acesso€obtido pea fusio completa com oabjeto de pesquisa Oconee to gue apresentam sobre os papets de membro parece Ines uma soiueao mat feast, situada entre estes dots pls. Els formula os tpos de “paps de | tnembror0 memiro pence, oasivo eocomplets. Para oestudo de campos | decades (no eas, afcantes de droga), eles sugerem uma earabinaga de “apes pblicose ecretas” (1987, p. 21), oque signifi que aim de ober anagis 0s mais aberos osiels, eles nde revlam seu verdadlro papel (em quanto pesquisadores todos oF membros ens eam. ‘beara 08 membres Intragir com 08 memos Parllper com os membros scala de Chicago Parilpacao ivestigatva Secologia exstencial Posie de memo: fmomoropastenco mmembeo amo embod boo te Etnomelodotgia FIGURA 61 Paps de membre no campo (Adler «Adi, 1897, 30) Na pesquisa em instituigdes (por exemplo, servicos de aconselhamento), ess problema torna-se mals complicado. Geraimente, fui o envolvimento de dite rentes niveis no regulamento do acesso. Em primeiro lugar, existe 0 nivel das pessoas responsévels pela autarizagio da pesquisa: no caso de dificuldades, as ‘ autoridades externas as consiceram responsdivels por essa autorizacio. Em segundo lugar, encontramos o nivel daqueles que serao entrevistados ou ob servados, que estaria investindo seu tempo e sua disponibilidade. Para a pesquisa em administragoes, Lau e Wolff (1983, p. 419) resumem 6 processo da seguinte maneira, Em uma instituigéo, como uma administea- ‘0 social, os pesquisadores, juntamente com seu interesse pela pesquisa, 0 definidos como clientes. Comio um cliente, o pesquisador deve fazer sua solici- tagio em termos formais. Essa solicitagio, suas implicagdes (questio de pes- quisa, métodes, tempo necessério) e a pessoa do pesquisador devem passar or um “exame oficial”. O modo de cratar a solicitagao do pesquisador & ‘pré- ~ estruturado” pelo fato de o pesquisador ter sido envindo por autras autorida- des. Por um lado, isso significa que a autorizacio ou 0 suporte para a soicica- 0 por uma autoridade superior, em primeiro lugar, pode gerar desconfianca tas pessoas a serem entrevistadas (por que esta autoridade estaria a favor desta pesquisa?). Por outro lado, diante do apoio de outras pessoas (por exem- plo, colegas de outra instituigao), 0 acesso ¢ facilitado. No fim, a selicitagdo do pesquisador pode ser ajustada a rotinas administrativas e tratada com © emprego de procedimentos institucionalmente familiares. Esse processo, de~ nominado “trabalho de consentimento”, é um “produto conjunto - em alguns ‘casos, um problema operacianal explicito para ambos os lados". Por exemplo, ‘a tarela principal é a negociagaio de regras linglisticas comuns entre os pes. ‘quisadores ¢ os praticantes. 4 andlise dessa entrada como proceso construti- vo e, sinda mais importante, a andlise das falhas nesse processo (veja Kroner e Walff, 1985) permitem ao pesquisador revelar processos centrais de nego- ciago e rotinizaggo no campo de maneira exemplar (por exemplo, com clien- tes “reais”, ‘Wolff (2002) resume assim os problemas pertinentes & entrada em insti- tigSes como um camgo de pesquisa T2_Ua inves 2 Pega Qualia A pesquisa € sempre uma intervengio em ‘8 pesquisa € um fator de eupeura em relagio reage delensivamente ‘ao sistema a ser estudad, 80 ual 2. Existe uma opacidade mtu entre o projeta de pesquisa e 0 sistema social a see pesquisado. 4 toca de um grande volume de inforracées sobre a enttada no campo de pesauig nfo reduz a opacidade, Em vex dsto, leva @ uma complexidade eada vez maior ng processade acordo, podenda levara um atimento de “reacdesimunes”. Em ambos Talos, 0 produidos mos, slimentadas por uma erescence toca de informagies, 5 Ever da compreensio mitua no momento da entrada, devese lutar por um scan do enquanto um process. 6A protegia de dados¢ necesita, mas pode eontrbulrpara o aumento da complex dade no processe deacon, 7 Ocampo revlaa si mesmo a plo, porceben-se os limites de um sistema social 8 Opeojeto de pesquisa Nada pode oferecer ao siecema social. Quando muito, pode see 1 promessis sobre att rndo projeto de pesquisa entra em cena, por exem: funcional. © pesquisador deve tomar o euidado de no F Tidade da pesquisa para o sistema social. 9 Osiswems social mo possu razbes reals para rejeter a pesquls. Esses nove pontos jd trazem, em si mesmos, varias razdes para uma pos sivel fall no acordo sobre a finalidade e a necessidade da pesquisa. Uma pro jeto de pesquisa representa uma intrusdo na vida da instituieao a ser estudha dda, A pesquisa perturba, desorganiza rotinas, sem trazer compensagio per- ceptivel imediata ou a longo prazo para a instituigao e seus membros. A pes quisa instabiliza a instituigao com erés implicagdes: que as limitagdes de suas prdprias atividades vao acabar sendo reveladas, que 0s motivos ocultos da “pesquisa” sfo e continuam sendo pouco claros pars a instituigio e, finalmen- te, qule nio ha razdes consistentes para recusar as solicitacoes de pesquisa, ‘Assim, se a pesquisa deve ser evitada, é necessario inventar e manter motivos, para tanto, Aqui, entra o papel da irracionalidade no decorter do processo de acardo, Por tltima, o fornecimento de mais informagdes sobre o pano de fun- do, as intengdes, o procedimento e os resultados da pesquisa planejada néo necessariamente conduz a uma maior elareza, podendo, sim, levar a mais confuséo, geranda o oposta da compreensio. Ou seja, negociat a entrada em tuma instituigdo € menos uma questo de fornecer informacdes do que de esta- belecer uma relagio. Nessa relagio, deve-se desenvolver conlianga suficiente nos pesquisadores enquanto pessoas e em sua sollitacio, para que a instiuigdo — a despeito de tadas as reservas ~ envolva-se na pesquisa. No entanto, éainda neces srio salientar que as discrepancias de interessese petspectivas entre os pesquisa- lores e as instituigdes em estudo no podem ser, em principio, eliminadas, Po- dem, contudo, ser minimizadas pelo desenvolvimento da confianga até @ panto de forjar uma alianga de trabalho na qual a pesquisa tornesse possvel © ACESSO A INDIVIDUOS ‘Assim que 0 pesquisaclor tem acesso ao campo ou geralmente& instituicao, ele enltenta o problema de como chegar as pessoas mais interessantes dentro Enrrande no capo T3 esse campo (veja o Capiculo 7). Porexemplo, como conseguir recrutarconse- Ieitos experientes e em exercicio para participarem do estudo e no simples- mente estagiarios, semi experigncia pritica, que ainda néio possuem permissao para traballiar com casos relevantes, mas que ~ por essa raziio - dispoem de ‘mais tempo para participarem da pesquisa? Como conseguir ter acesso as fi guras centtais de um ambiente e ndo meramente Aquelas que est20 4 mar- xem? Aqui, novamente, os processos de negociagio, as estratégias de referén ia, no sentido de um procedimento “bola de neve" e, sobretudo, as compe. téncias em estabelecer relagdes clesempenham um papel principal, Muitas ve es, as restriges no campo, causadss por certos métodos, so diferentes, em cada caso, 0 que pote ser demonstrado através do exame de vitios métodos empregados no estudo da questo da confianga no aconselhamento. Aqui foram utlizadas entrevistas e anélises de conversa. O conselheira individual foi abordado com duas solicitagdes: de permisséo para ser entrevistado por uma ou duas horas e de permissiio para gravar uma ou mais consultas com clientes (que também tenham concordado de antemio). Apés terem concor: dado, de um modo geral, em participar do estudo, alguns dos conselheiros tém restrigdes quanto a serem entrevistados (tempo, miedo de perguintas “in- diseretas”), a0 passo que a gravagiio de uma sessio de aconselhamento é vista, ‘como rotina, Pata outros, nao ha problema em serem entrevistadas, mas gran- des restrigdes quanto a permitirem que alguém se aprofunde em seu trabalho concteto com clientes, Precaucies que garaniam o anonimato podem dispersar tais restrigGes somente até um ponto. Esse exemplo mostra que varios métodos podem gerar problemas, suspeitas e temores distintas em diferentes pessoas. ‘Quanto ao acesso a pessoas em instituicdes © em situagdes espectficas, 0 pesquisador enfrenta, sobretudo, o problema da disponibilidade. Entretanto, ‘com relagio a0 acesso a individuos, verifica-se a mesma dificuldade na ques- tio de como encontré-los. No esquema do estudo de individuos que nao pos- sam ser abordados, como os empregados au os clientes em uma instiuigio, ot estar presentes em um ambiente especifico, o principal problema € definir como encontté-los. Podemos tomar como exemplo o estudo biagralica do cur: s0 ea avaliagio subjetiva das carreiras profissionais. Nesse estudo, por exem- plo, era necessitio entrevistar homens que estivessem morando sozinkios apés ‘a aposentadotia, A questo, entio, & camo e onde encontrar esse tipo de pes- ‘oa. Como estratégia, poderiam ser utilizados a midia Cantincios em jornais, ‘em programas de rio) ou avisos em instituigdes (centros educacionais, pon- tos de encontto) que possam ser freqiientados por essas pessoas. Outro cami- nnho para se chegar a entrevistados para pesquisador é aplicar um procedi- mento de bola de neve de um caso para o prdximo. Ao utilizar essa estratégia, muitas vezes, sao escolhidos amigos de amigos de alguém, e, assim, pessoas pertencentes 20 seu préprio ambiente mais amplo. Hildenbrand chamna a aten- cio para os problemas relacionados a essa estratégia: mira haja normalmente a suposigo de que o avesso 80 campo sera facitado pelo estudo de pessoas que 0 pesquisador conhecesse bem, e, dessa maneita, pela Aescoberta de cans provenientes do préprio cirulo de conhecidos de alguém, exa tamente o paso & que € verdadeiro: quanto mais desconecida o amnpo, mas il seri para o pesquisador poder parecer um estanho, a quem a8 pessoas envolvidas no estudo tenbarn algo novo 3 conti. (1995, p. 258.) TA _Una introduc & Pega Quilitativa ESTRANHEZA E FAMILIARIDADE ‘A questi do acesso (a pessoas, instituicées ou campos) suscita um problema ‘que pode ser expresso pela metéfora do pesquisador que atta profissional- ‘mente como um esttanho (Agar, 1980) (Quadro 6.1). Por um lado, a necessi dade de orientat-se no campo e de encontrar o préprio eaminho & sua volta da 0 pesquisador um relance das rotinas e da auto-evidén. cia, que tém sido familiares aos membras por muito tem. PO; €, por eles, rotinizadas como “indiscutidas e press ~ Eavanho Pastas” (Schiitz, 1962). Os individuos no mais refletem QUADRO 6:1 Os papsis no campo eesche a respeito dessas rotinas, pois estas, em geval, nio S80 “ison mais acessiveis a eles. Umma forma poteneial de adquirit conhecimento adicional é assumir e manter (a0 menos temporariamente) a perspectiva de um outsider ~a “ati de de duvidar, por prineipios, da auto-evidéncia social” (Hitzler, 1988, p. 19). Essa condigio de estranho pode ser dilerenciada - dependendo da estratégia da pesquisa—em papéis de “visitante” ¢ de “prineipiance”, O “visitante” apare- {ee no campo ~ em caso extrema — aperias uma Vez, para tima tinica entrevista, ‘mas consegue adquirir conhecimento através do questionamento das rotinas cima mencionadas. No caso do principiante, o que é produtivo ¢ exatamente © processo de desisténcia gradual da perspectiva do outsider no curso da ob- servacio participante. Sobretudo, a descrigio detalhada desse process0, a pattit dda perspectiva subjetiva do pesquisacor, pode se cornar uma fonte frutifera de conhecimento. Lau e Wolff (1983) dleserevem a entrada no campo come um processo socioldgico de aprendizado. Por outro lado, certas atividades no campo ficam acultadas da visio do pesquisador como estranho. No contexto dos grupos sociais, Adler e Adler ‘mencionam “dois conjuntos de realidades sobre suzs atividades: um apresen- tado aos outsiders e outro reservado aos insiders” (1987, p. 21). Em geral, a Pesquisa qualitativa néo se interessa simplesrmente pela apresentagio exterior dos grupos sociais. Ao invés disso, “o que se quer é envolver-se em um mundo ou subcultura diferentes, e, em primeiro lugar, compreendé-lo, ao maximo possivel, a partir de suas préprias idéias voltadas ago” (Wahl et alli, 1982, . 77). Uma fonte de conhecimento, nesse contexto, é assumit graduaimente uma perspectiva de insider — para compreender o ponto de vista do individu us principios organizacionais dos grupos sociais a partir da perspectiva de ‘um membro. Os limites dessa estratégia tornam-se relevantes no exemplo de Adler e Adler (1987), mencionado acima, sobre o eéfico de drogas. Aqui, aspectos da realidade continuam obscures, néo sendo tevelados aos pesquisa ores ~ mesmo se eles estiverem integradas a0 campo e a0 grupo coma pes soas. Essas reas s6 serdo acessiveis se os pesquisadares esconderem, de cet ‘os membros do campo, seu papel como pesquisadores, Temores de transmis- so de informagées e de sangdes negativas por terceiros em relagdo As pes: soas pesquisadas, assim como problemas éticos no contato cam pessoas em estudo, séo aqui vigorosamente revelados. Mas eles desempenham um pa- pel em toda a pesquisa, Aqui sao levantadas questées quanto a como pro. feger a confianga ¢ os interesses das pessoas pesquisadas, quanto A prote- io de dados e quanto ao modo como os pesquisadores lidam com seus Pr6prios ebjetivos. nerando we compo TE Em restumo, o pesquisador enfrenta a difiealdade de negociar a proximt dade e a distancia em relagéo &(s) pessoa(s) estudada(s). Os problemas de revelagio, transparéncia e negociacdo de expectativas, objetivos e interesses ‘miituos sdo também relevantes. Pot fim, no que diz. respeito ao objeto da Pesquisa, deve-se tomar a decisio entre a adogao de uma perspectiva de insi- der out de outsider. Quanto ao campo de pesquisa, ser um insider e/ou um outsider pode ser analisado em termos da estranheza e da familiaridade do pesquisador. A posigio dos pesquisadores, nessa area de conflito entrea estra- nheea e a femiliatidade, determinard a escolha dos métodos coneretas e tam bbém definiré qual parte do campo em estuclo estard acessivel ¢ qual serd ina cessivel ao pesquisador na continuagao da pesquisa. Novamente, os temores, ent parte inconscientes, desempenham um papel espeeifico (de acardo com Devereux, 1967), evitando que 0 pesquisador interfira em um determinedo ‘campo. Para 0 pesquisador, depende da forma de acesso permitida pelo cam= po e de sua personalidade definir o quanto serao instrutivas as deserigées dos ‘casos e até onde o conhecimento abtido continuari limitade a confirmar o que ji se sabia anteriormente. LEITURAS ADICIONAS| Estes textos lidam com problemas « exemplos conertos quanto a entieda ro campa © a0 decempenho de umn papel e uma posturn neste O atgo de Schatz 4 una boa descr {lo socioligca dae quaidadse do ser um estranho, porilindo insights am eepectos femilares a membros de um campo, ‘ater... Aaa P1987) Membersvp ries Feld Research. Bavety Hills, CA Sage Schutz, A (1962) The Stranger A. Schitz, Calcd Papers, Val. an Haag: Nite ‘ier, 5.2002} Ways ito the Feld andthe arnt U, Fok, Ew Karoo and, Steinke (eos), Quaifatve Research: A Norabook London, Soe. Estratégias de amostragem Dectadesvelativas & amostragem no processo de pesquse 76 Determinago w priori da estrutara de amosttas . venee 76 Definigio gradual da esirutuea de amostras no processo de peagtines amosagean tedcca a aradual como principio perl na pesquisa qualitative aL Concetasrecentes sobre a selegogradval os 8 Exzensio ou profundiéade com objetivos da amnastragent a A constcuigdo dos ca808 8 AMOS een . — DECISOES RELATIVAS A AMOSTRAGEM NO PROCESSO DE PESQUISA guise (abela 7.1). Em um estudo pra entrevista, ela relachona ae deco DETERMINAGAO A PRIORI DA ESTRUTURA DE AMOSTRAS Em um pdlo, os critérios sio abstratas na medida em ah si medida em que partem de uma idéia de tipicidade e distribuigéo do objeto pesquisado. Tal idéia deve estar repre Exrasigias de amosragen TT TABELA7.1 Decleses rlativas 4 amastragom no procasso de posquisa Eatigio na posauisa ‘Métodos de amosiragom Durante a coe de dads “amoaragem de cas08 Grapes de amostagem de casos Durante a nerpretacte ae dados ‘Amosrager de material “Amostagam derive co mete want a epreserazio das descobortas -Amostagom da apresenty 0 sentada na amostra do material que é estudado (isto &, coletado e analisado), dde forma a permicir a incerferéncia das relagées no objeto. Essa é a ldgiea da ‘amostragem estatistica, na qual 9 material é reunido de acordo com certos critérias (por exemplo, demogratficos), por exemplo, uma amostra homogé- nea da sicuagio etéria e social (mulheres com uma determinada profissio, em lum estigio biografico especitico), ou uma amostra que represente uma deter- rminada distribuigio de tais eritérios na populacdo. Esses critérios sio abstra- tos, por terem sido desenvolvidos inclependentemente do material conerero analisado e antes de sua colera e andlise, conforme demonstram os exemplos a seguir: EXEMPLO: AMOSTRAGEM COM GRUPOS SOCIAIS DEFINIDOS ANTECIPADAMENTE Um estudo sobre @ representagio social da mudanca lecnolégica na vide catdiana (Fick, 1996) ‘ove cama panta de patisa 0 fato de que as percepsces © avaliagSes da udanga tecnalagica no cotclano depencem da profssao do entrevistado, assim como do seu sexo, sendo, por fin, iluenciadas pelo contexto cultural e poltica. A fim de ‘considerar esses fatres, foram defnidas diversas dimensdes da amosta’ as profiss6es ‘de engenheiros da informagdo (como fomentadores de tecnologia). cients socials, (como usuarios proisionais da tecnologia) professores em ciscplinas da read hu- rmanas (como ususros dios de tecnologia} daveriam ser representadas, na amostra, ar cases com um minimo de experiéncia profissiona. Pessoas do sexo masculno @ feminino ceveriam ser inlegradas, As diferentes formacées cultursis seam astudadas pala selecto de casos provenientes dos contextos da Alemanha Ocidental, da Alemanha ‘Onental eda Franga Isso levou a uma estutura de amostras de nove campos (Tabela 72), preenchicos da forme mais equlbrada possivel, com casos que reprecentas- sem cada grupo. O nimero de casos por campo dependia dos recursos (quantas ‘entevistas poderiam ser administradas,transcritas e interpraladas no tempo dispo- nivel?) © das metas do asludo (o que representam os cagos incvidais ou a total de dos casos?) ‘A.amostragem de casos para a coleta de dados é voleada para o preenchimen- to das lacunas da estrutura de amostras, com 0 méximo de equilbrio possivel, ou de todas as lacunas aclequadamente, Dentro dos grupos ou campos, aamos- tragem teérica (veja @ seguir) pode ser empregada para decidir 0 préximo ‘easo a ser incegrade, 1B_Una iro 2 Pogusn Quabiarie TABELA7.2 Exemplo do uma estrutura de amostragom comm dimensbes forncldas anteipadameate Profit ‘CONTEXTOE SEXO Alemanha Ocidental —Alemanha Ore Franca Tots IMuberos_Homens __Mulneras_Homens _Mumates_Homens Engenheros de nfoemagiea iontstas soci Professors ‘ota Jot Coleta completa na pesquisa quali umm atematvo deamestagem 4 esata da cleacompleta, ap cada por Grharde (19860, p67) Tara apres ee comes eB cea ete as evens oe ee mes a 4 ett do esrasldinos ver uma cole complet de cee eal nh sino, esndos 30930 acs, omic 50 eee Cee Fama araades real qs sowenso dea eee moe rr de ner por coe ann a Aas create tapctis uoegaocopceig rence ag doen epee, ci paral caraetzam ey care cele ee ae umes ttn Se oe poses de al ome eee ee dea ease cede aren atu meta eo a sido pe Ervin ndoseufgems uncut es PO Sate peal enpree tal mates ees o prevent So omic ogra Tar plas de pesqus ue aprovlam defines «pride eta de smn as deca tlles Soman Ea de ecru ‘Sicloat cues ou gps de cases Na lene eee inset tn srd ee proved uae ge ee corechate th iuepte oe ode Shc tence geece 2 celine i car pega naeeae ge 18 aMORTD: Asm, somsoagen a nes (Quepasa ace ea eee ee irenaeae queen slo ces) eee acm aor sna esancs qn no mew den Go cba ees As limitagdes do método Nese estratgia, a etrtura do grupos cnsiderados é dfinida antes da co leta de dados, o que restringe 0 alcance variacional de comparagto possivel, ‘Ao menos neste nivel, no haveté novas dlescobertas reais, Se 0 objetivo do estudo foro desenvolvimento da teotia, essa forma de amostragem restringe o Execs de amontragenn 19 espago relativo ao desenvolvimento da tearla em uma dimensio essencial Portanto, esse procedimento é adequedo para analisar, diferenciar e talvez testar de forma melhor as suposicdes sobre aspectos comuns e dilerencas en te grupos espeeticos. "pEFINIGAO GRADUAL DA ESTRUTURA DE AMOSTRAS NO PROCESO DE PESQUISA: AMOSTRAGEM TEORICA [As estratégias graduais baselam-se, na maioria das vezes, na “amastragem tedrica” desenvolvida por Glaser © Serauss (1967), Decisées quanto a escolha 4 reuniao de material empirico (casos, grupos, instituigées, etc.) sio toma- ddas no processo de coleta e interpretacto de dados. Glaser e Strauss desere- ‘vem essa estratégia da seguinte maneia: |Aammostragem tsérica €0 processo de caleta de dads para a geragio de teorla por ‘melo da qual analista color, codifica e analisaeonjuntamcnte sous dads, didn {do quais dados coletar a seguir e onde encontt-ts, a fim de desenvolver sua teoria ‘quando esta surgi se processo de eoleta de dos € contralado pela teoria etn formacho. (1987, p45.) Na amostragem reériea, as decisdes elativasd amostragem podem partir dle qualquer um dos dois niveis: podem ser tomadas no nivel dos grupos a serem comparados ou podem concentrar-se diretamente em pessoas especif ¢2s. Em ambos 0s casos, a amostragem de individuos, grupos ou campos con cretos iio se baseia nos crtérios ¢ nas técnicas usuais de amostragem estat tica, A representatividade de uma amostra nao é garantida nem pela amostra gem aleatéria, nem pela estatficacdo. Em vex diso, individuos, grupos, ete So selecionados de acordo com seu nivel (esperada) de novos insights para a {eoria em desenvolvimento em relacio & stuagio da elaboragio da teoria até fo momento. As decisdes relativas & amostragem visam aquele material que prometa os maiores insights, observados & luz do material ji uilizado © da mnhecimento dele extraido. A questao principal para a selecao de dacos ais grupos ou subgrupos serdo os priximos na coleta de dados? E com que finalidade tedrica? (..) HA infintas possibilidades de comparagées miltiplas, por isso 05 grupos devem ser escolhidos de acordo com critéros tebricos* (1967, p.47) Datla a infnidade de possibilidades tedrieas para uma maior integragio de pessoas, grupos, esos, et., é necessério definr ertérios para uma limita ‘Go bem fundamentada da amostragem. Esses ritéios s20 aqui definidos emt Felaglo &teoria. A teoria desenvolvida a pacir do material empitico€ 0 ponto de reeréncia. Exemapos de tas evtérios consistem em avaliar quanto 0 caso seguinte serd promissor e qual pode ser a sua relevéncia para o desenvolv mento da teoria, ‘Um exemplo da aplicagio dessa forma de amostragem & encontrado no estudo de Glaser e Strauss (1965e) sobre aconsciéncia em relacio & morte em hospitais. Nesseestudo, os autores lizeram observagbes participantes em cife rentes hospitas einstiuigGes com o intuita de desenvolver uma teoria sabre a organizagio do pracesso social da morte em umm hospital (para mais deralhes, 80_Unaintrodugio dt Perquise Qualitatia vveja também o Capitulo 15). © memorando no Quadro 7.1 descreve a decisiio 2.0 processo de amostragem. ‘Uma seguncla questo, t30 crucial quanto a primeira, & como decide quan- do interromper a integragio de casos adicionais. Glaser e Strauss stigerem 0 critério da “saturagio teérica” (de uma categoria, ete.): “O cxitério pata 0 julgamento de quando igterromper a amostragem de diferentes grupos perti- rnentes a uma categoria é a saturacdo tedriea da categoria. Saturacao significa que néo esta sendo encontrado nenhum dado adicional através do qual 0 socidlago possa desenvolver propriedades da categoria” (1967, p. 61).Aamos- tragem e a integragdo de mais material so encerradas quando a *saturagio teorica” de uma categoria ou grupo de casos for atingida, ou seja, quando nao hhouver mais o surgimento de nada novo. (Os principais agpectas da amostragem tedrica so assinalados na compa- racio com a amostragem estatistica mostrada na Tabela 7.3. QUADRO 7:1 Exemplo de amostragom tera Ts wisas a vaiossenigos melons foram progiamades de sapunia maneve. Em prinave lugar eu quara coserar servgos que minimaessom a conscencia de patente (comaca ‘sbi, cbeervanda um tsesho com Dobe premature. w eldo, um semiganeurocigice femque‘os pacientes eam, con Freqdenca, cmatosos). Depois, eu quea observer a morte fem uma stsedo na gual hava ua grande expactatva da eque , mula vezes, 00s £2 ‘ents, e morte chegovsrpidemeni, po isa, minha dbserveeao fol em una Unoce de ‘Terai ntnsiva, A segut, eu quetaabservar um servo em que hows grandes expecta tas de more por pare da equip, maz no qual as exgactabvas do pacertpodiam oUn30 68 faa 8 mars teria a selena. Ero, mnna ebsewvacdo Segue! ef um SerG0 fla cancer £m segulda, av qa coserar candies em abe a mote fase nesperada ® ‘pando, asim, pars uma seniga de emerganc, rquantaaetstioror a ifereres ips ‘4 servos, amen obseravamos os tipes ca senfcas acrra marcionaeos em outos Roe toi. Deses forma, nssa programacto de tpos de sarvigo fo contclada por um esquema onceiial geal 0 qual inl ipceses sobre a consclenca, expecta e tara de morta ‘lage assm como por uma esr concelival em desensolvnenta abrangendo quastbas ‘io sovetas em um prmoro momento, Alpumss vere, retornari ao aetsos duas agua tre semanas aposo nica da abeanverao contin im de verfes 0; Hens Gus pecisavare er chacodos, ou 05 que faavam ro period ini Finis Gisore Semis 857 p58 EXEMPLO: INTEGRAGAO GRADUAL DE GRUPOS E CASOS, Um estudo sebre © papel da confianga na terapla @ no aconssthamento (Fick, 198) compreendeu casos extaidos de grupos, nstiluigdes e campos de trabalho profissionais, espaciions. Estes foram seleconados, gradualmente, a fim de preencher as acunas no Danco de dados, que se tomavam evidentos conforme a internetagio sucessiva dos. ‘dads incorporados a cada estagio, Em primeio lugar, casos provenientes de dois cam- es de trabalho ciferentes foram coletados e comparadas (prisBo versus terapia em c= rica particular), Em seguida,intogrou-se um terceira campo di trabalho (servicos so- Capsiquiicns) para aumenta 0 valocsignifcativo das comparacdes nesse nivel. Du ante @ interoetacao do material coletado, a amostvagem, em mais uma dimensao, 70> ‘mateu insights adcionas: 0 alcance das profissdes no estud até aqucle panto (psicla- ose assislentes socials) (0! estendido por una terceira profiss4o (médicos). para aper- Eanaégias de amostragent BA feigoar ainda mais as diferencas de pontos de vista em um campo de trabalho (servigos sociopsiquiaicos). Por fim, fcau cara que o potencal epistemologico esse campo ara to grande que previa menos insiutivo contrasts-a com outros do que comparar sist maticamente diferentes insituigdes dentra desse campo. Por eata raz80, foram inte gr2d0s mais casos provenientos de outros servgos sociopsiquiatrico (veja a Tabela 7.4, na qual a seqdéncia © a ordem das dacisées na selegao sao indicadas peas letras A, B&G) Por firm, pode-se perceber que uma amostra estruturada é resultado da Utlizagao desse mécodo, assim como do emprego do mécodo de amostragem. estatistica. No entamto, aqui, a estrutura da amostra nao ¢ definida antes da coleta e da interpretagio dos dados; é desenvolvida, gradualmente, durante a coleta de dados ¢ a interpretagio destes, sendo conchuida por novas dimen: sées ou limitada a dimensdes e campos determinados, SELECAO GRADUAL COMO PRINCIPIO GERAL NA PESQUISA QUALITATIVA Nesse aspecto, a comparagio de diferentes concepcées da pesquisa qualitativa ‘demonstra que esse principio da selecio de casas e material também foi apli- ccado apés Glaser e Strauss. O principio basieo da atmostragem tedtica ¢ sele- cionar casos ou grupos de casos de acordo com critérios conetetos que digam respeito a0 seu contetido, em vez de utilizar eritérios metodolegicos abstratos. ‘A continuidade da amostragem se dé de acordo com a relevaneia dos casos, & ‘TABELA 7.3 Amostragem todrca versus amostragem estates ‘Rmostragam wearin ‘Exenaio da popuagio Bice néo @comenda Ssrlesorment Aspttos da poplactobasica nto sto Conhecios com anlecedéncia Fomulacto peta de elementos de emostepem {om cits 8 cate rede om 2960 tap2 ‘otaranne da amosra nfo dene pravarnente Intgtompe-se a amostragem quando & satraeae wones€ angida -Amostragem estasica ‘Eniensio de populagas basca 6 conheoaa aleiommente Pade-seestinar 2 ctrougde dos aspects na populagio isa Formuiéo de uma smasia em ume dies tomes, dando ‘bresseguimento a um plano srevamente donde Otamanho da amasia ¢ detnio prevamenta Inlrrampe-se a amestragem quando feds mosis ter sido estudada TABELA 7.4 Exempio de uma ectrutura de amostresresutante da processo Prsio Pricogoe x Assalentes soca a Clnicn “Senieee particular sociopsiquaticas a 8 c 82_Unna intra t Pexgive Quaticats Ezsnaigins de amstrage 88 hndo com sua representatividade. Esse principio é também caracteristico dag {que nés aqui podemos fazer ¢ tracar paralelos coma discussio sobre apropriabi estrategias de coleta de dados relacionadas na pesquisa qualitativa Por um lado, padem-se eracar paratelos com o conceito de “ttiangulagin de dados’, em Denzin (1989), 0 qual refere-se a integragio de varias Fontes de dads, diferenciadas por tempo, lugar e pessoa (veja o Capitulo 18), Dese in sugere o estudo do “mesmo fendmena” em épocas e locsis distintos e com pessoas diferentes. Denzin também afirma ter aplicado a esteatéyia da amon, Eragem tedrica do seu proprio jeito, como selegdo e integragio intencionals¢ nidticas de pessoas e grupos de pessoas e ambientes temporais e locals, A extensao do procedimento de amostragem para ambientes temporais ¢ locals _| uma vantagem d sistema de acest no mgtodo de Denzin comparsdose de Glaser ¢ Strauss. No exempo it poco mencionao, ess sie I cones da pela incegragioinencional de diferentes insttugoes (como ambient cals) eprofssoes, «pela utizacdo de diferentes tipen dle dads ‘indugio anata”, originshmente apresentada por Zaaneck (1934) (ven o Capo 18), pode também ser visa como uma forma de eaborar wey amostragem tebrieaeonereta ede desenvoluél anda mais Forge ada atencio concentra-se menos na questo de qua caso integar no eetade on geal, Em ver disso, esse eoneito parte do desenvolurienta de uta teas tbadido, modelo, et). em im dado momento e exao, pars enide posi espesiisamente ¢aralisareasos (ot mesmo grupos de caso] desvantes Ea quanta a smostagem edren visa 2 princpalmente eniquccer 4 leering desenvolvimento, a inuio anal reoeupa se em aeregurita sel ali, ou pela itepracdo de casos destianen,Enguanto a amosttgern telex iene Ji conttolaroprocesso de selegio de dados pela tora emergente 1 indeace nati waa o caso desvimte para controlar a teora em desenvolvnnees Ocasodesviante¢ aqui um complemento para oeitro da sarursons teary O eitro continua bastante ndeterminado, mas € empregado pats dor ook buldade e avalacacoeta de dados. No exeinplo acim mencionade, os cove loram minima e maximamencecontastados, Ge uma mani encitl ese ver de a eles serem aplcada etatgias que parser de cee dosmanees (e)a0 Capt 18), ‘breve comparagio de concepgbes distints da pesquisa quaiativa pode demonetrarque pines ds amosragem tina oa genie pia da seleedo de material na pesquisa quaitaiva. Essa suposigas pol ex sustentada pel referencia Aida de Slelning (1962) de un Spolela dee Imétodos da cigneas soi. De acotdo com est dea todon os meted ae besausa posuem a mesina fnce nas teenies cotidianas os métodos sean tvos Tormam primeir, eos quandatvos, o segundo nivel de auaeso dessasténiens ctiians. Se io for aplcadoanclogamente ds esata pata a seleeao de material emptico, a amostiagem teriea Ce a5 cataneoen basieamente relacionadas, conforme descnto alteriorment) a csastaan mas concreta,estando mais prxima da vida cotdian Cites de atest gem, como a representatividade, ete, s80 o segundo nivel de absacee, Face analogia de nivets de abstragfo pods sustenar a fese de que'a amectiagen tabrea€ estratégia de amostragem mais apropsiaga a pesquisa qualtcgen 2 paso que os procediments clissicos de amostagem continua voleedce ara liica da pesquisa quantiatva, Devese verifier em cada cas, ae aon ont ests procedimentos devem sar importados par a Pega sualatvs lidade dos indicadores de qualidade (veja Flick, 1987; « veja 0 Capitulo 18) CONGEITOS RECENTES SOBRE A SELEGAO GRADUAL A selecio gradual ndo é apenas o prinefpio original da amostragem em diver~ sas abordagens wadieionais da pesquisa qualitativa, E também, vivias vez adotada em discussdes mais recentes, que se concentram em deserever estra tegias de como prosseguir com as etapas da selecdo. No esquema da pesquisa de avaliagdo, Patton (1990, p. 169-81) contrasta a amostragem aleatéria emt gral com a amostragem intencional, fazendo algumas sugestdes coneretas: ‘+ Uma sugestio € incegrar casos intencionaimente extremos ou desviantes, ‘A fim de estudar 9 funcionamento de um programa de refornta, 0 esco- thidos € analisados exemplos particularmente bem-sucedidos da sua rea lizagiia. Ou casos de fracasso no pragrama sto selecionados e analisados buscando-se os motivos dessas falhas. Aqui, o campo em estudo é revela- doa pattir das suas extremidades, para se chegar a uma compreensio do ‘campo como um todo. + Outra sugestio é selecionar casos particularmente tipicos ou seja, aque- les nos quais 0 sucesso ¢ o fracasso sao particularmente tipicas na média ‘ou na maioria dos casos. Aqui, o campo € revelado a partir dedentroe do seu centro, © Uma outra sugestéo visa & variario mixima na amostra ~integrar apenas alguns casos, mas aqueles que forem 0 mais diferentes possivel, para revelar 0 aleance da vatinedo e da diferenciacdo no campo. + Além disso, é possivel selecionar casos de acordo com a intensidade pela qual aspectos, processos, experiéncias, etc, interessantes sio neles de- terminados ov supastos: ou escothem-se casos que renham maior incensi- dade, ou integram-se e comparam-se sistematicamente casos com dife- rentes intensidades. - = Aselegdo de casas erticos visa Aqueles casos nos quais as relagdes serern cstucadas tornam-se especialmente claras ~ por exemplo, na opinio de especialistas no campo - ou que sio particularmente importantes para a avaliagio do funcionamento dle um programa. + Pode ser oportuno selecionar casos politicamente importantes ou detica dos, a fim de apresentar descobertas positivas na avaliagio mais eficaz ~ © que & um argumento pata incegré-los. Entretanto, nos casos em que ‘estes possam comprometer 9 programa como um todo devide a sua forga explosiva, é melhor exelui-los «Finalmente, Patton menciona 0 eritério da conventéncta, que se refere & selego daqueles casos mais fceis de serem acessaclos em determinadas condigdes. Pode ser simplesmente para reduzir a esforgo. No entanto, cle tempos em tempos, esse critério calvez represente o tinico caminho para se fazer uma avaliacio com recursos limitados de tempo e de pessoas. Por fim, a generalizacio de resultados depende dessas estratégias de se- legiio, Pode ser maior na amostragem aleatéria, enquanto que na estratégia do BA. Un ineradai & Pesquisa Qualitatva ‘esforgo minimo, por ultimo mencionada, serd mais restrita. Contudo, devese hotr que ndo é em todo caso que a generalizagao é 2 meta de um estude ‘qualitativo, a0 passo que o problema do acesso pode ser uma das barreiras cervciais. ce Da mesma forma, Morse (1998, p. 73) define diversos critétios geraiy para um "bom informante”, que podem servi, de um modo mais gerl, com Extérios para a selecio de casos significativos (especialmente para os entre vistadlos),Eles devem ter o conhecimento e a experiéncia necessitios sobre g. sunt ou objeto & sua disposi, para responder is perguntas na entrevit, ou, nos estos observacionais, para desempenhar as agbes de interesse. De tem também tera capacidace de refletire articular, dispor de tempo para ser Jndagados (ou observados), e devem estar prontos para participar do estudo, Preenchendo-se todas esses eondigSes, é bem provavel que esse caso sea inte grado ao estude. A integracio desses casos € caracterizada por Morse como Selegdo primatia, a qual ela contrasta com a sel secundéria. itm rete reese hquces ca30s que nio satislazem a todos eritérios anteriormente men. Conados (especialmente de conhecimento experiencia), mas que se dispéem $ oferecer seu tempo pata uma entrevista. Morse sugere que nao se invistam mult reeutsos nesses casos (por exemplo, para transcrigéo ou interpreta | {G). Em vez disso, deve-se apenas avangar no trabalho desses casos se fiear | laro que realmente ndo existem casos suficientes da selegio priméria para serem descobertos. '0 Quadro 7.2 resume as estratégias de amostragem discutidas. EXTENSAO OU PROFUNDIDADE COMO OBJETIVOS DA AMOSTRAGEM Decisivo para a escotha de uma das estratégias de amostragem hé pouco del hneadas e pata o sucesso na reuniio da amostra como umn todo é observar se tessa escolha é rica em informagées relevantes. As decisbes relativas & amos- tragem sempre oscilam entre os objetivos de cobtira maior dimensio possivel {de um campo e de realizar anilises com a maxima profundidade. A primeira estratégia procura representar o campo em sua diversidade, utilizando a maior ‘Yariedade de casos possivel de forma a poder apresentar evidéncia sobre & CGsteibuigdo de maneiras de enxergar ou experimentar certas coisas. A iltima estratégia, por outro lado, busca penetrar ainda mais ‘no campo e em sua estrutura, concentrando-se em ‘exemplos tinieos ou em dererminados setores do can po. Gansiderando-se os recursos limitados (mao-de- ‘obra, dinheiro, tempo, etc), esses objetivos devem ‘qusono 7.2 Estratgias do Sostagem na posqutsa qalatva 7 Gaernnaeio 9 pa 5 ceca fer vistos como altematvas, eno como projets & 1 Aesagor de ceo extend combinar, No exemplo acima mencionado, a deci stio de se lidar de forma mais intensiva com um tipo de instituigdo (servigas sociopsiquidtricos), e, devi ddo aos recursos limitados, de nao se coletat ou ans- lisar nenhum dado mais nas oucras instituicdes, fo resultada da ponderacio da excensfo (estudar a con- Fianca no aconselhamento em tantas formas diferen- tes de instituigdes quanto for possivel) contra a pro 1 paevagam de ca ie 1 Amstagem da vanacdo maem 1 mestregem da tensa {Vmstragem de caso ozo {Tmrtager 62 caso delcase 1 pmosvager de convennes 1 Saeee emaia 1 step socundtva Bxaranigias deamoseragens 85 fundidade (prosseguir com as andlises, até once for possivel, em um tipo de instituigao), | ACONSTITUIGAO DOS CASOS NAAMOSTRA [esse contexto, surge o problema de definir que caso & considerado em uma mostra e ~ em tettos mais concretas ~ de o que esse caso representa a cada momento, No exemplo dos estudas sobre a confianga no aconselhamento © a ‘mudanga teenolégica, jé mencionadas diversas vezes, o caso fi tratado como tumcaso: a amostragem, assim como a coleta e a interpretagao de dads, pros- seguiu como uma seqiéncia de estuclos de caso. Para a constituigio da amos- tra, ao final, cada easo fai representative em cinco aspectos: ‘+ Ocaso representa a si mesmo. De acordo com Hildenbrand, o%easo tinico (.) pode ser compreendido dialeticamente como tum universal indivi- dualizado” (1987, p. 161). Assim, o caso tnico é visto inicialmente como 6 resultado da socializagio individual especifica contra um pano de fun: dlo geral ~ por exemplo, como um médico ou psicélogo com uma biogra- fia individual especifica, em contraste com 0 pano de fundo das mudan- ‘gas na psiquiatria e na compreensiio das perturbagdes psiquistricas nas décadas de 1970 e 1980. O que também se aplica a socializagio de um engenbeiro da informacio, em contraste com o pano de fundo das mu- dangas na ciéneia da informacio e no contexto cultural de cada easo. Essa socializacio tem levado a opinides, atitucles e pontos ce vista diferentes e subjetivos, que podem ser enconcrados na situagdo real da entrevista. A fim de apurar aqui qual o significado conereto do “universal individua- lizado”, revelou-se também necesséria conceitualizar o caso da seguinte Imaneira: 0 caso representa um contexto instituctonal espectico, no qual © individuo atua, ¢ 6 qual ele também deve representar para outros. Portanto, os pantos de vista nas teorias subjetivas sobre a confianga hho aconselhamento so Influenciados pelo fato de que o caso (por exemplo, como médico ou assistente social) orienta suas priticas € percepgées para as metas da instituigzo de “servicos sociopsiquiditri- 0s". Ou ele pode até mesmo transformar esses pontos de vista em atividades com clientes ou enunciados na entrevista ~talvez ao lidar de forma eritica com essas metas, * Ocaso representa uma profissionalizagio espectica alcancada (como mé- dico, psiedlogo, assistente social, engenheito da informagio, etc), que & revelada em seus conceitas e modasde atuar. Assim, apesar da existéncia do trabalho de equipe e da cooperagio na instituigdo, foi possivel identi ficar diferengas nas formas pelas quais profissionais dos mesmos servigos sociopsiquistricos apresentaram clientes, perturbagGes e pontos de parti da para traté-lo. # 0 caso representa uma subjetividade desenvolvida como resultado da aquisigdo de certas reservas de conhecimento e da evolugao de modos especificos de atuar e perceber = 0 caso representa um contexto de atividade interativamente realizado e re- alizavel (por exemplo, aconselhamento, tecnologia em desenvolvimento). ‘As decsbes relativas & amostragem nio podem ser tomtadas isoladamen. te. Nao existe decisdo nem estratégia certa perse. A apropriabilidade da este. tura.e dos conteidos da amostta, e, assim, a apropriabilidade da estrutura escolhida para a obtencfo de ambas, somente poderd ser avaliada com refe. Féncia & quesizo de pesquisa do estudo: quais e quantos casos so necessétiog para responder $s perpuntas do estudo? Por outro lado, & possivel avaliar a propriabilidade da amostra selecionada quanto ao grau de generalizacao que Se busea alcancas Pode ser dificil elaborat enunciados de umm modo geral vali. dos, com base apenas em um estudo de caso Unico. Porém, é também dif fornecer descrigoes ¢ explicacdes profundas de um caso encontrado aplican- do-seo principio da amostragem aleatéria, As estratégias de amostragem des- crevern formas de revelar um campo. Este processo pode iniciar em casos extremos, negatives, critics ou desviantes, partindo, assim, das extremiclades {0 campo, Pode ser revelado a partir de dentro, comegando em casos particu. larmente tipicos ou desenvolvides. Consegue-se obte-o partindo-se da sua esrutura suposta ~integrando-se casos os mais diferentes possiveis em sua ‘reriaggo, Aestrutura da amostra pode ser deserita antecipadamente e preen- chida através da cole de dados, ou pode ser desenvolvca e, ainda, diferen. tiada gradualmente durante a selecio, a coletae a interpretagio do material. ‘Aqui, além disso, a deciséo entre a definigio antecipada eo desenvolvimento gradual da amostra deve ser determinada pela questao de pesquisa e pelo rau de generalizaco que se procura ‘As coraceristicns da pesquisa qualitativa mencionadas no Capito 2 tam- bém se aplicam is estratégias de amostragem. Uma abordagem especifica para 2 compreenisao do campo € dos casos selecionadas reside implicita na selegéo feita nas decisées relativas & amoseragem. Em uma estratégia diferente de telegio, a compreensio seria diferente em seus resultados. Como as decis6es relativas & amostragem partem da integracio de casos concretos, a origem da Teconsttugdo de casos ¢ concretamente entendida. Nas decistes relativas & mostragem, a realidade em estudo & construda de maneita espectica: eta tizamse certas partes © aspectos, outros sfo removidos em estigios. Essas Gecisdes determinam substancialmente o que se torna material empiico (em forma de texto), 0 que &extraido eoncretamente de texts disponivels e como iss0 € uilzado Parte 3 DADOS VERBAIS ‘LEITURAS ADICIONAIS © primeito 6 0 texto cléssico sobre a amostragam teésea. Os cutros dois olerecem Concetes tecentes para aprimarar essa estat {laser 86, Straus, AL (1967) The Discover af Grounded Theory Sisteges for Quaative Research, New York: Ai. Morse, J (1996) ‘Desgning Funded Qualitative Resoere iN. Denzn, YS. Lincoln et, ‘Svotgies of Gualiatve Research, 9p. = 86 London: Sage ait, MO, (1990) Quatave Evaluation and Research Methods London: Sage Enirevistas semi-estruturadas ‘entrevista Focal A ‘entrevista semipadronizad arose : 95 A entrevscecentalizada no problema onnee 100 ‘entrevista com expecalisas io8 ‘Aenicevita exnogesea : 105 Enitevitas semi-estratuadas: problems de medingio ditegio wsvnsesone 106 Por muito tempo, nos Estados Unidos, ¢ particularmente em periodos mais antigos da pesquisa qualitativa, a discussie metodoldgica girou em torno da ‘observacio como o mécoda principal para a coleta de dados, As entrevistas abertas se sobressaem na regido de lingua alema (por exemplo, Hoffmann- Riem, 1980; Hopf, 1978; 2002; Kohli, 1978) e agora atraem mais aten¢So também nas drezs anglo-saxdnicas (veja, por exemplo, Kvale, 1996; Smith, 1995). As entrevistas sem-estrucuradas, em particular, tem atraido imeresse, sendo amplamente wtilizadas. Tal interesse esta vinculado a expectativa de ‘que € mais provavel que os pontos de vista dos sujeitas entrevistados sejam cexpressos em uma situagdo de entrevista com um planejamento relativamente aberto do que em uma entrevista padronizada ou em um questionsrio (exem- plos em Kohli, 1978). i possivel distinguir diversos tipos ce entrevistas semi- estcuturadas, ¢ algumas delas serdo discutidas aqui, tanto em termos de sua prépria légica, como também em termos de sua contribuiedo para desenvol- ver ainda mais a entrevista semi-estruturada enquanto método em geri ‘AENTREVISTA FOCAL Merton ¢ Kendall (1946) desenvolveram a entrevista focal para a pesquisa da midia. Apés a apresentagéo de um estimulo uniforme (um filme, uma trans mnissio por radio, et.), estuda-se o impacto deste sobre o entrevstado, utili- zando-se, para isso, um guia da entrevista. O objetivo original dessa entrevista era fornecer uma base para a interpretagio de descobertas estatstieamente significances (a pactir de um estudo paralelo ou posteriormente quamtiticado) 80 Cine ine Elementos rac it Pesgiee Qualitative sobre 0 impacto da midia na comunicagio de massa. O estimulo apresentadg tem seu concetido analisado de ancemao, o que possibilita que se faca ung distingdo entre os fatos “objetivos” da situago e as definigées subjetivas gera, ddas pelos enttevistados a respeito da situacao com vistas a compard-los ‘Quatro critérios devem ser preenchidas durante o planejamento do gui da entrevista e a condugio da entrevista propriamente dita: © néo-direciona, | ‘mento, a especificidade, o espectro, além da profundidade e do contexto pes s0al revelados pelo entrevistado. Os diferentes elementos do método servitag | para satislazer a esses critérios. da entrevista focal (© ndo-direcionamento é conseguido através de diversas formas de questbest, A primeira consiste nas questes ndo-estruturadas CO que 6 que mais impres. sionow voo® nesse filme?). Na segunda forma, questBes semi-estruturadas, opta-se ou pela definigia do assunto conereta (por exemplo, uma determina: dda cena de um filme), deixando-se a resposta em aberto (“Como voce se sen. ‘iu em relago a parte que descreve Jo sendo afastado do exéreico como um psiconeurético?); ou pela definigio da reagio, deixando-se o assunto concre- | fo em aberto ("Que novas informagdes esse panfleto trouxe a vocé?"). Ne istico ou informativo?"). Primeiramente, lazemt-se perguntas ndo-estrutura das, € uma maior estruturagio ¢ introduzida somente mais tarde, durante 3 entrevista, para evitar que o sistema de referéncia do entrevistador seja im posto sobre os pontos de vista do entrevistado (Quadro 8.1). Nesse aspecto, ‘Merton e Kendall exigem a utilizagao flexivel do programa de entrevista. 0 centrevistador deve abster-se, na medida do possivel, de fazer avaliagies pre cores, devendo desempenhar um estilo ndo-diretivo de conversa, apoiado em Rogers (1944). Poder suigir problemas se as perguntas forem feitas no mo- | mento errado, e 0 entrevistado for, dessa maneira, impedido de apresentar 0 seu ponto de vista ao invés de apaiado a assim 0 fazé-lo, ou caso a pergunta errada seja utiizada na hora errada, © etitétio da especificidade significa que a entrevista deve ressaltar os elementos especificos que determinam o impacto ou sign ‘QUADRO 8.1 Exemplo de questées entradas da entovsta focal ~ O.que mas impeeasonou voek nates tie? ‘como voce se set en e780 a atts que doscrve Jo sendoafatade do exéccto come tum psiconevrate? + Gve nova intormarbososso panfato tune a voed? + Alulgar pat time, woes acna que o equipamento alemso de combate eta melhor, Bo bom {quanto u plore aus 0 eaupamantaataado pelos ameriesror? + Aga, vendo pensar iso, auais foam as sus eagbes aqiea pare do fie? + Owino o deen de Chamoarlan voce 9 aenou pronapendica ou informatvo? * os exemplas foram exaidos de Meron e Wendl (1946). Eutreviteas smi-errueuradas 94 para o entrevistado, a fim de impedir que esta permaneca no nivel dos enun- Eiados getais, Para esse propésito, as formas mais apropriadas de questGes S50 quelas que trazem o minimo de desvantagens possivel ao entrevistado. Para fumentar a especifieidade, a inspecdo retrospectiva deve ser estimulada. Aqui ‘entrevistado pode ser auxiliado a recordar uma situagio especifiea, através do uso de macerias (por exemplo, um extrato de texto, uma ilustraggo) e das {questies correspondentes ‘Agora, voltando a pensar nisso, quais foram as suas reagdes aquela parte do filme?”). Como alternativa, € possivel atingir fesse crtério pela “referéncia explicita &situagao de estimulo” CHouve algo no filme que Ihe deu essa impressao2"). Fim uma regra geral, Merton e Kendall sugerem que a “espeeificagio das questGes deve ser explfeta o suliciente para aunilia o suleitoa relacionar suas respostasa determinados aspectos da sitta- fo de estimulo, mas geral o suficiente, para evitar que o entrevistador a es- fruture” (1946, p. $52). 0 critério do espectro visa a assegurar que todos o$ aspectos e tépicos relevantes 8 questéo de pesquisa sejam mencionados durante a entrevista. Por tum lado, deve ser dada a chance a0 entrevistado de introduait tpicos pré prias e novos na entrevista. Por out lado, a dupla tarefa do entrevistadar & aqui mencionada: abranger gradualmente o espectto do t6pico (contido no guia da entrevista), introduzindo novos tépieos ou iniciando mudangas no {gue tiver sido escathido. Isso também significa que ele deve volar a t6picos que jd tenhiam sido mencionados, mas néo detalhados em profundidade suf- Giente, especialmente se ele tiver a impressio de que o entrevistado ercami nihou a entrevista para fora do tépico a fim de evité-lo. Aqul, o entrevistador deve reincroduziro t6pico inicial novamente com “transigoes reversiveis" (1946, 1p. 553). Entretanto, no preenchimento desse critério, Merton e Kendall perce bem 0 perigo de “confindir espectro com superiicalidade” (1946, p. 554), AAté que pont isso vem a configurar um problema depende da mancita que 0 entrevistador introdu 0 espectro do t6pico do guia da entrevista, e do seu grau de depencléncis em relagao a esse guia, Portanto, o entrevstadors6 deve mencionar t6picos se ele realmente quiser garantir que estes sejam tratados com detalhes. {A profurididade e o contexto pessoal revelados pelo entrevisado signifl- cam que ele deve assegurar-se de que as respostas emocionais na entrevista tltrapassem avaliagées simples do tipo “agradavel” ou “desagradavel”. A meta & em vez disso, “um méximo de comentiios auto-reveladores no que diz respeito & forma como o material de estimulo foi aproveitado” pelo entrevista- do (1946, pp. 554-5). Como resultado dessa meta, uma tarefa concreta para 0 entrevistador € diagnosticar continuamente o nivel corrente de profundidade, a fim de “deslocar esse nivel para qualquer finalidade do ‘continuut de pro- fundiciade’ que ele achar apropriada ao caso determinado”, As estratégias para élevar o grau de profundidade sdo, por exemplo, “o foco em sentimentos”, a “reafirmacio de sentimentos inferidos ou expressos” ¢ a “eferéncia a situia~ ‘ges comparative”. Aqui, também podem-se pereeber referencias a0 estilo ho-diretivo de condugao de conversas de Rogers (1944) ‘A aplicagéo desse método em outros campos de pesquisa € orientada prineipalmente para os prinefpios gerais do método. Na entrevista, 0 foco & entendido como ligado ao t6pico de estudo, ¢ ndo ao us0 de estimulos, tals como filmes: | $2_ Una intredugtoe Pequot Quataon EXEMPLO: 0S CONCEITOS DAS PESSOAS SOBRE A NATUREZA HUMANA Baseado no métado de Merlan @ Kendall, Ceres (1995; ve também Oerter ef ali, 1995, 1. 43:7) desenvolveu a “entrevista da fase adula" para o estudo de conceias sobre 2 nalureza humana e a fase adula em dierentes culluras (Estados Unidos, Alemanha Ocidenta,Indonésia, Jando @ Coréia) (Quacro 8 2) -Acntovista semtestrturade dvdece om qusto partes peacipels. Na prima pane, sa | fotos arguntas gaa sobe a fase adults por exemple, qual deve sera apart 6 uy uta, o que 6 adeqvado para a fase aduta A segunda pare ba com 1s pats pincea 42 fase edu: familar, 0 ocupacionel eo pal. Atercora part aa a tencio para | ‘saad do enlrvistdo,infagande sobre muda eats a0 desenvolimenta dora ‘s2co8 outs anos anteores A lina pale dente ia com ofa ede do ene ‘do, com pergunis a resp da suas mas de vide © novos evans. 1095p. 213.) 0 entivistado deftonta-se,enldo, com histxias que envolvam dlemas, aoompanhedes ovariente por um entrevista focal ‘Pede-s0 30 sujet onirevstado que doscrova a suse (na hist) @ encore a soli (0 entrevistado fz pergunas @ tata singir © maior vel que o suet posse slanca, Novarente ¢ fundamental que oenrevstadr sia einadona campreensd0e a aaa do rival ee! do individu, © fim da fazer pergurias que s9 aproxmam do pono de vile desta (198, 213) ‘Buscando uma maior conceniragio da entevita no ponto de vista do euiete, 0 ula de entrouista incl “sugest6es geras" como: "Estimule o suit, na media do necessati: oot pode expica iss0 com mais detalhes? O que voot quer dizer com. ..7"(Oerter et ali, 1996, p. 43-7), Problemas na condugio da entrevista (0s critérios sugeridos por Merton ¢ Kendall (1946) para a condugéo da entre- vista retinem alguns objetivos que no podem ser combinados em toda situa- ‘0 (por exemplo, especificidade e profundidade versus espectro}. © preen- chimento desses critérios néo pode ser imaginado com antecedéncia ~ por ‘exempla, no planejamento do guia da entrevista. Até que panto eles so real- mente cumpridos em uma entrevista real depende, em grande parte, da situa ‘gio real da entrevista e de como ela se desenrola. Esses critérios realgam as decisses que o entrevistador deve tomar e as priotidades necessdrias que ele deve estabelecer ad hoe na situacéo de entrevista. Enfatizam que nao existe nenhuma definicdio sem ambigiidades sobre o camportamento “correto” para 6 entrevistador na entrevista focal (ou em qualquer outra entrevista serni- estruturada). O sucesso na execucio de tais entrevistas depende essencial- mente da competéncia situacional do entrevistador. Essa competéncia pode ser intensificada pela experiéncia prética da tomada de decisées necessérias em situacdes de entrevista, em entrevistas de ensaio e no treinamento para centrevistas. Nesse treinamento, as situagaes de enttevista sio simuladas e ana Contribuigao para a discuss Ennnevintasemi-erertnnadis 98 {QUADRO 8.2 Exempl de questons exraldas da entrevista da fase adults 7 Fergus gras sobre 9 aoe ata (2) Qual deve sor 0 comertamento devin sao? Que hablidades/atdées ele devo ter? ‘Qual a dea gus vot for de um auto? () Como voce defnria um aculo de vercade? Qual eronga ene um ado ea & um {ule wea? Porque alas c30 assim? {e)E ossivel aus as erenqas entre oa seal oeal (onze como um alo devia Se comprare como el, fat. se comport? Coma? (Se arespsta form, pe cue 07) (6) tas pessoas consieram a respansebicad um ctieto important da fase adults Para ‘ood, o que ei a palavaresponsabilisedo7(.) {e) Alta pea felodade (geo esa et) € vista, com requacia, como a mea mais port {e-ara 0s seres humanos, Voos concorde com feo? Na sua opingo, 9 quae fleas Soqueé o esr fla? (Nasu opi, quale o senigo aa vida? Por que estamos wos? 2 Outs explcagbes sobre os tr paps cipal de um acto (@) Concopgées acerca uo papel pofissions de ua poston Pergunts: ( gus voc acka nocessirio para eonsaguir um emprego? “rapaino eemprogo sto realmente nacessai? Facen ou no parle do se do? (@) Concepts secs da fra famiba de ums pessoe Perguntss (Um adults dove tera sus peépria aria? ‘Como le seve ve compartar em su fama? Até que panto ela dave se envoher com ela? Papel politico oO Pergueras: -auants 20 papel polite de um aeuto? Ele tem tartas politics Ele doves s8 eng tem athidades policas? Ete deve se preccupar com quests pibieas? Ele dove assumirrespenebilades pe ‘ante comune? @ lisadas posteriormente com vistas oferecer aos entrevistadores-estagirios algu- ‘ma experiéncia e alguns exemplas das necessidades tipicas por decisdes entre mais profindidade (obtida por novas investigacdes) e garantia do espectro (pela introdugio de novos tépicos ou da préxima questio do guia da entrevista), tta~ ‘endo diferentes solug6es em cada ponto. Isso faclita o contiole dos ilemas dos alvos contraditérios, embora estes no possam ser completamente resohidos, metodolégica geral 0s quatro eritérios e os problemas a eles vinculados podem ser aplicados a ‘outros tipos de entrevista semi-estruturada sem o emprego de um estimulo antecipado e a busca de outras questdes de pesquisa. Tomaram-se critérios mais gerais para o planejamento @ a conducdo de entrevistas semi-estruvura~ das, e um ponto de partida para a descriglo dos dilemmas nesse método (exem- plos em Hopf, 1978). De modo geral, as Sugestes concretas fetas por Merton Kendall para o preenchimento des eritérios e a formulacao das questoes podem ser utilizadas como uma orientagao para a conceitualizagio e a condu- 94 Unneineradunio d Pesquisa Qualitativa «lo de entrevistas semi-estruturadas de forma mais ampla, Concentrar-se ny um objeto especitico © em seu significado tomou-se, na medida do possivel um objetivo geval das entrevistas semi-estruturadas, O mesmo ocorre em relg ‘sd0 as estrategias sugeridas por Merton e Kendall para entender esses objet vos - 0 mais importante é dar ao entrevistado o maior escopo possivel pars apresentar as suas opinides, Ajuste do método dentro do processo de pesquisa Com esse método, é possivel estudar pontos de vista subjetivos em diferentes {grupos sociais. O objetivo pode sera geragéo de hipdteses para estudos quan titativos posteriores, mas também a interpretagdo aprofundada das descober. tas experimentais (veja Merton e Kendall, 1946, p. 542), Normalmente, 05 ‘grupos investigados séo definidos com antecedéncia, e 0 processo de pesquisa fem um planejamento linear (veja 0 Capitulo 4). As questées de pesquisa con. ccentram-se no impacto dos eventos eoneretos au na manipulacao subjetiva das condicoes das atividades da propria pessoa. A interpretacao nio se fixa a lum método espeeifico. Porém, os procedimentos de codificagio (veja 0 Capi tulo 15) pareeem ser mais apropriados. As limitagdes do método: © aspecto especifico da entrevista focal ~ a utilizacio, na entrevista, de um estimulo, como um filme - é uma variagia da situagio-padrio da entrevista semi-estruturada que quase nunca é empregada, mas que, no entanto, origina alguns problemas especificos que devem ser considerados, Merton e Kendall Preocupam-se menos com a maneita pela qual a entrevistado peteebe e avalia © material concreto do que com as relagées gerais na recepedo do material filmado. Nesse contexto, intetessam-se por visbes subjetivas sobre o material ‘concreto, Pode-se duvidar que eles obtenharn os “tatos objetivos do caso” (1946, P. 541) pela analise desse material, que pode ser distinguido das “definigaes subjetivas da sieuagdo”. Porém, dessa forma, eles recebem ma segunda ver- siio do objeto. A essa segunda versio, eles conseguem relacionar visdes subje- tivas de um nico entrevistada, bem camo o espectro das perspectivas de diversos entrevistados. Além disso, dispdem de uma base para responder a Perguntas do tipo: que elenientos das apresentagées do entrevistado possuem uma contrapartida no resultado da anclise do contetido da filme, ete.? Que partes foram omitidas, do lado do entrevistado, embora estejam no filme, segundo a andlise do conteiido? Que tépicas o entrevistado introduziu ov actescentou? ‘Outro problema desse método & que ele quase nunca é empregado em sua forma pura e completa. Sua recente releviincia é definide antes por seu {mpeto para conceitualizar e conduzir outras formas de entrevista semi-estra- turada que foram, a partir dele, desenvolvidas, e que sio freqtientemente uti lizadas. Ademais, pode-se mencionar a sugestfo de combinar entrevistas abertas ‘com outtas abordagens metodoldgicas para o objeto em estudo. Fstas podem oferecer um ponto de referéneta para a intecpretagio dos pontos de vista sub- Biveists semi-ceruraraes 98 jetivos na entrevista, Essa idéia ¢ discutida de forma mais ampla sob o tieulo “wiangulagao” (veja 0 Capitulo 18), ENTREVISTA SEMIPADRONIZADA Em seu métode para a reconstrucéo de teorias subjetivas, Scheele e Groeben (4985) sugerem ima caboragio espectien da entrevista sein-earurwradn (vet também Groeben, 1990). 0 tetmo “teoria subjetiva” refere-se ao fato de a entre- vistado possuir uma reserva complexa de conhecimento sobre o tépico em esiu- ddo. Esse conhecimenta inclui suposiqdes que so explicit e imediatas, as quais cle pode expressar espontaneamente ao responder a uma pengunta aberta, e que ‘io complementadas por suposigdes implicit. A fim de articulitlas, é necessirio, que 0 entrevistado esteja ampatado por auxilios metodol6gicos, razio pela qual sito aqui aplicados diferentes tipos de questdes (veja abaixo). Fssas questies sto utilizadas para reeonstruita teoria subjetiva do entrevistado sobre @ assunto erm estudo, por exemplo, as eorias subietivas sabre a confianca empregadas por con selleiros em atividades com seus cliences (ve Fick, 1989; 1992a).. entrevista real & complementada por uma técnica de representagio grifea, chamada de “técnica da disposicio da estrutura”, Aplicandosse essa técnica em conjunta com co entrevistado, seus enunciados extrados da entrevista anterior sao transforma: dlosem uma estrutura, o que também permite sua validagio comunieativa sto é, « obtengiio do consentimento do entrevistado para esses enuinciados. EXEMPLO: TEORIAS SUBJETIVAS SOBRE A CONFIANGANO ACONSELMAMENTO Em um estude sobre a confianga no aconsethamento (Flick, 1988), foram entrevstados 15 consolheiras, com diferentes formagdes profissionais, ullizando-se esse mélodo. O programa de entrevista incluia topicos como a definicsa de conanca, a relagao isco @ controle, estatégia,infarmagées @ connecimento anterior, razses para a confanga, ea relevancia para o trabalho peicossociel, eas condigSes ea canfianga ca estuturainstitu- ‘ional As entrevista revelaram como as teoras subjelivas compoem-se de reservas de conhecimonto armazenadas para a idantficagao de diferentes tipos de abertra de uma situacdo de aconsolhamento, representages-alvo de tipes Ideais dossas situacdes @ suas condigdes,e idsias de como ao menos chegarpréximo de produ tas Condicoes na stuagie atual, A andlise de atividades de aconssihamento ravelou como os cans: Iheicos agem de acorco com eseas raservas de conhecimento as ublzam paraenire. larsitvagbes novas correntes Elomentos da entrevista semipadronizada Durante as entrevistas, os contetidos da tearia subjetiva sio reconsteuidos © guia da entrevista menciona diversas Areas de t6picos, catia uma delas introduzida por uma questio aberta e concluida por uma questda confron tativa, Questées abertas? (“O que vocé acha sobre por cue as pessoas, em 2 Os exempos frum exis de Fick (1989) 98 inn inode a Pesgisa Quationive Enerevistassomi-eeruturades A técnica da disposicao da estrutura (TDE) geral, esto preparadas para confiar umas nas outras?) podem ser respon, didas com base no conhecimenta que o enttevistado possui imediatamenr a mio. EXEMPLO: DEFINIGAO SUBJETIVA SOBRE A CONFIANGA NO ACONSELHAMENT Em resposta & questao "Voo® poderia me cizer, em poucas palavras, aque Voce reac, ‘aria otermo’confancs’, se vocs pensarno seu exercicio profissional”" uma enltevists da dew a seguinte detnicgo Penssndo no meu exoeco profesional = bem (.) 0 mutes 2s pessoas que me pein tam, lag de ii, se poders conta em mim nese ela, ¢ como eu estou represent, do uma agéncia pobies~ se eu eaiments manteeisegred co qu ets tverem peta ne ona Aess8 ata, a confanca para mia, com snetiede, come eu devo far com isso, que twso sera concencel até um cats porto, mas que, se elas me contatem ag foto compromctecor com o qual ev tena difculdage, ai ou tee da avst-las nese pain, Bem para min, contianga@ iso: er ranca em rlaga0 a 880.8 & queso do uramena do segrede, que, na verdage, © pont pcg, Além disso, sdo feitas perguntas controladas pela tearia e direcionaddas para as ‘hipéteses, Estas s20 voltadas para a literatura cientifica sobre 0 1épico, ou ste bbaseadas nas pressuposicées tedricas do pesquisador ("E possivel a confianga entre estranhos, ou € necessirio que as pessoas envolvidas se conhecam?, | [Na entrevista, as relagies formuladas nessas questdes servem ao propesito de tomar 0 conkecimento implicite do entrevistado mais explicto. As suposigées essa questées sto planejadas como uma proposta a0 entrevistado, a qual ele pode adotar ou recusar, “conforme elas corresponderem ot ndo a sua teoria subjetiva” (Scheele e Groeben, 1988, p. 35-6). j 0 terceira tipo de questes ~ questées confrontativas ~ corresponde &s teorias e relagdes apresentadas pelo entrevistado até aquele ponto, a fim de eexaminar eriticamente essas nogaes & luz de alternativas eoncorrentes. Et- fatiza-se o fata de que essas alcernativas devem se colocar em “verdadeira posigéo temitica” aos enunciados do entrevistado para evitar a possibilidade de sua integragio & teoria subjetiva do entrevistado, Por essa razio, o guia da entrevista inclu diversas versGes alternativas dessas questdes confrontativas Definir qual delas utilizar de forma concresa depende da compreensio do assunto desenvolvida na entrevista até aquele ponto. A condugdo da entrevista, aqui, caracteriza-se pela introdueio de Areas | de tépicos e pela formulagio intencional de questées baseadas em teorias cientificas sobre o tépico (nas perguntas direcionadas para as hipdteses) (Qua dro 8.3), | Em um segundo encontro com o entrevistado, néo mais do que uma ou duas semanas apés a primeira entrevista, aplica-se a TDE, Nese meio: } tempo, a entrevista, que havia sido apenas esbocada, foi transcrita, e set | QUADRO 8.3 Exemplo de queslaos exraicas da entrevista semipadronizads 7 VocS padeia me dem pouces palawas, que woud wlcionarao forma conianga f= ‘oos penesram sou averlea profesional? + Voce poderia me dae quis S89 a: aspects estencae decisvos da confange ene Exile um proven: “confar & tom, cantor é melhor, Pansande no seu tszaho &na rolagbs com 0s seus chante, ¢ ena nnn tds 39 Isr com eles? CConsehers eclenas consoguem sing suas metas sem cana uns nos cues? Elo estaro poparadoe para confisr uns ns autos = a hovvar urn inane ankle? (Gust a deorenga onto as pessoas quo cdo paparades ava coniar = aquelos que nS0 sto dspesias conta? a possoas que deronsram maior facade para ganhar 2 eonange dos outs? Coma ‘esses possoas confleels se dferenciam das ouvSs7 No cou vabao.eustem atdades que voce poses exercer sam que hala confanga ents Noob aeu canis? + Parsando na empresa na qual voce Laban, qe flores facta o desevoliments ‘conan ene worse ss clantes? Que fators a mam mate ae? + Omaso como as pessoas chegem a tu8 nati mlvercla no desenvaviniena & can- anes? + Voos ta sante mais respansivel por um cian sa voc vt que ale conta eon vate? contetido, mais ou menos analisado. No segundo encontro, os enunciados essenciais do entrevistado sio apresentados a ele na forma de conceitos, ‘em pequenos cartées, com duas finalidades. A primeira & avaliar os con. tetidos: pede-se ao entrevistado que reeorde a entrevista e verifique se 0 seu contetido esté corretamente representado nos cartdes. Se nao for esse © caso, ele pode reformular, eliminar e/ou substituir enunciades por our {10s mais apropriados. Essa avaliagdo quanto a0s contetidas, isto é, a vali- dagao comunicativa dos enunciados pelo entrevistado, é temporeriamente concluida. A segunda finalidade ¢ estruturar os conceitos restantes, em uma forma semelhante as teorias eientificas, aplieando-se as regras da TDE. Com esse objetivo, di-se a0 entrevistado um breve artigo de introdugo & ‘TDE, a fim de familiarizd-lo com as regras para a sua aplicagio e ~ ns medida do necessario e do possivel - com 0 modo de pensar no qual esta se baseia. Nesse artigo, também constard um conjunto de exemplos?. A Figu- ra 8.1 mostra um extrato retirado de um exemplo de aplicacao da técnica € de algumas das regras possiveis para a represencaciio das relagbes eausais entre os conceitos, tals como “A é uma precondigdo para BY, ou "C é uma ccandigao promocional de D”. O resultado de tal processo estruturador empregando.a TDE é uma repre: sentagio grfica de uma teoria subjetiva. No final, o entrevistado compara sua estrutura com a versio que o entrevistador preparou entre os dois encontros. Essa comparacdo ~semelhante as questdes confrontativas ~ serve ao propési- tode fazer com que o entrevistado reflita novamente sobre suas opinices i luz das alternativas concorrentes. "Un oaigo complet com rapes pe ser encontrado em Shes ¢ Graben (1588, S252). 8 agentes mostra gue ee deve se adapt & propa queria de pegs adequodo sos entree ‘adr prncpalmene no qed espeto aor exempos des | $8 Lina ined Pesquisa Quiinien Enarevoassomicesrnturidas 99 aa problemas na aplicacao do método emptenae restates | | Oconsehovo conece = shiagia co ste O conse dia ou ai bu compataness 2 cient, © principal problema em ambasas partes do método ¢ identifica até que pontoo entrevstador eonsegue tomar plausveis os procedimentos para seu parceiro,e Iida com as inriagées que ss questées eonfronatvas possam provoca: A introd- ‘fo cuidadosa de pontas de vista alternatvos (por exemplo, ‘Alguém tavez pu esse ver o problema que voce mencionou hii pouco da seguinte maneira..") & tema forma de lidar com esses eontratempos. AS regras Ga TDE e o modo de pensar no qual elas se baseiam podem provocarirtagdes, porgue, para as pes- $005, nttoduzi conceitos em relacbes formalizadas a fim de visualzae suas incer- ‘onexBes nem sempre é um procedimento-padiio, Portano, sugere-s deixar cla ro ao ensrevistado que a aplicagio da TDE ede suas regras nao deve ser entend- 6a, de orma alguma, como um teste de desempenho, even, sim, ser utlizada de forma divertida.Apés a superagio das inibighesinicais, na maivia dos casos, € possivel mostrar na entrevista a confianga necessiria na aplicagdo do método. ‘ consemneuo da bstanie spare ao cen ‘Grande oportunidad par mau use do poder. Concicsa ] DO conssnale areanta ‘emma stvacio, ‘Confianga ena ciate e consenera| A maior dos antes vem nate potterem sce avaiaces bale Assstencla Socal, come ndoconfave’s Contribuigio para a discusstio metodolégica geral A relevancia geral dessa abordagem & que os diferentes tipos de questées permi- tem ao pesquisador lidar de forma mais explicita com as pressuposiqies que ele ‘zd entrevista em relagdo aos aspectos do entrevistado. O" principio da sbertu- 8 Ts pecsons acca | Womaina dos exes» | Oconsahoros | Mapped ras na pesquisa qultativa (Hoffmann-Rem, 1980), tem sido, muita vere, mal Peace peers aan | eens interpretado, como se estimulasse uma attade de dis. Aqui. ese principio ‘conseguem mais confiar | fo repleta de: ‘panto da vida do transforma-se em um didlogo entre posturas, resultado dos diversos graus de confrontagio explicita com os tdpicos. Nesse dislogo, a postura do entrevistado & cexplictada, padendo também ser mais desenvolvia. Os diferentes tipos de ques- ‘tes, os qua representam diferentes abordagens para comnar explicito 0 conheci- ‘mento implicito, podem indicar o caminho para a soluco de um problema mais geral da pesquisa qualitaiva, Uma meta das entrevistas semi-estrucuradas em as stages contaterpas. lore, @novamente revrade em out. Preconcetos em relgie um caro clone ropagados pelos Eotgas no Assstenca inate ara etree convo, eonsehnere coca se fen os ineresens co Genie ov mereases | S23! Scansaaro pee eral &revelar 0 conhecimento existente de modo a poder expressé-o na forma a burecroc. an de respostas, tomando-se, assim, acessivel 4 interpretacio. ‘ing cone Soe ‘A técnica da disposicao da estrutura também oferece um modelo para a burcrect Shnte dns mala estruturagio dos contetidos das entrevistas no qual utilizam-se diferentes for- 4 resp 30 aeveze, mula breve mas de quest&es, 0 fato de essa estrutura ser desenvolvida com o entrevistado Tertnas de oases snstincasooay | ste. ese nsiuigd durante a coleta de dados, e nfo meramente pelo pesaulsador na interpreta dntenctren sna cna os esses co io, faz dela um elemento dos dados. Somente em um caso individual, é pos- Sivel decidir se o formato sugerido por Scheele e Groeben para essa estrutura € as relagdes indicadas correspondem ao assunto da pesquisa. Em tesumo, © {ue se propde aqui é um coneeito metodoldgico que considera explicitamente = He - condita etarcatves Condo |= pracnagao 2 reconstrugio do objeto de pesquisa (neste caso, uma teoriasubjetiva) na situaglo de entrevista, em vez. da propagagio de uma abordagem mais ou Seen <— norsn menes incondicional para um ceterminado objeto. Ajuste do método dentro do processo de pesquisa T-— = condgées om pare srametianas, fom pane relardatvas ‘© pano de Fundo teérico para essa abordagem 6 a reconstruao dos pontos de vista subjetivos. Silo feltas pressuposigGes acerca da sua estrutura e de seus passfveis contetidos. Porm, 9 escopo desse metodo para moldar os conteidos da FIGURA 81 Etat da ua loorscutjotia eobre a canlnga no acorsehamento Uns introdusio & Pegs Quatitativu eoria subjetiva permanece amplo osuficiente para que o objetivo geral da fy acho da grounded theories sefa entendido, assim como o uso de estratégies g ‘amosttagem orientadas para casos. As questdes de pesquisa buscadas com étodo concentram-se, em parte, no conteido das teorias subjetivas (Dor exer, plo, teorias subjetivas de pacientes psiquidticas a respeito de doencas) «, eg parte, no mado de aplied Jas em atividades (por exemplo, profissionais) As limitagées do método 0s detalhes melindrosos do método (tipos de questies,regras da TDE) pre sam ser adaptados & questo da pesquisa e 20s possivets entrevistados eo redugio das regras sugeridas por Scheele e Groeben, e, talvez, com o abend as questGes confrontativas (por exerapo, em entrevistas com pacientes so ‘sus teoriessubjetivas a respeito das doencas).Portanto, em uma grande parted pesquisa sobre teotiassubjeivas, apenas uma breve versio do método é alia Gutto problema é a interpretagdo dos dados coletados com esse método, vi {que nao hi sugestoes explicit de como proceder. A experiéncia mostra que gf procedlmentos de codificag tém um melhor ajuste (vejao Capitulo 15), Devi JB complexa estrutura do caso tinico, as tentativas de generalizacio enfrentam problema de como abreviar diferentes teorias subjetivas em grupos. Para as que {Bes de pesquisa relacionadas a processos (por exemplo, bogrétcos) ou a compen} nentes inconscientes de agées, esse metodo no ¢ adequado. AENTREVISTA CENTRALIZADA NO PROBLEMA ‘Acentrevista centralizada no problema, sugerida por Witeel (1982; 1985), t atraido algum interesse, sendo aplicada principalmente na psicologia aleni ‘Com a utilizagio especifiea de um guia da entrevista, que retine questées e ‘estimulos narratives, é possivel coletar dados biogréficos com relagéo a uit determinado problema, Essa entrevista caracteriza-se por trés critérios eeu trais: centralizagdo no problema, au seja, a “orientagio do pesquisador pat lum problema social relevante” (1985, p. 230); orientagito do objeto, isto ¢, auf fos métodos sejam desenvalvides ou modificados com respeito a tum objeto dt pesquisa; e, finalmente, orientagio do processo no processo de pesquisa € ml ‘compreensio do objeto de pesquisa. Elementos da entrevista centralizada no problema Wivzel cita quatro “elementos parciais” para a entrevista que ele conceitua: “et trevista qualitativa",“método biogratfico”, “andlise de cas0” ¢ “discussio em gr po” (1985, p. 235-41). Sua eoncepegio ce entrevista qualitativa compreende ts pequeno questiondrio precedente, o guia da entrevista, o gravador e o péseseti Cum protocolo de entrevistas). © guia da entrevista é planejado para auxliar@ “corrente nartativa desenwvolvida pelo proprio entrevistado" (1985, p. 237); ma sobretudo, & empregado como base para dar a entrevista um novo rumo “10 de uma conversa estagnante ou de um topico improdutivo”. © entrevistador de Entrevista semi-crrtunadas 404 10 4 Examplo de questoos extraidas da entrovita cetralizada no problema aus ver esponlansamente 4 sua mele quando voce owe as plavas-chave Visco oupargo Paras Saude’? Bais 0 cos par a sais que voo8 mesmo observa? oot fr alge pa clda de sua cava? Hanae pessoas olzem que nossa sade ¢ peusieae por subslonclas venanasas no an agua ena tame {a) Como vocb avala esse problema? (B). Woot ache que sua eaude eta meagads por cuentes amienais? Por quais? {@)_ O aus far com que woot se preoeuposse com as conseqlencas dos pollens antiga para 2 seve? wa {a} como vo adguirenformagées sere o topio "melo ambiente salco"? (0) Come voce terre ax nomaeses na mica? (Qual cectldade das decaraqaes cieatieas nsse contento? ravanio@ credits doe poltone? decidir, com base no guia da entrevista, “quando apresentar seu interesse centta- lizado no problema na forma de questbes exmanent [isto é, ditecionadas), a fim de diferencia ainda mais 0 tépico” (Quadra 8.4). Sio mencionadas quatro estra- {égias comunicativas centrais na enttevista centtalizada no problema: a entrada ‘conversacional, as induces geral e especiticae as questdes ai hoc (1985, p. 245). Ent um estudo sobre como adolescentes descobriram sua profissao, Witze! utili- zou, como entrada conversacional: “Voeé quer ser (um mecénico, etc), como vvood chegou a esta decisio? Gostaria que voeé me contasse isso!” (1985, p.246). Aindugio geral oferece “material” e detalhes exiras do que fol apresentado aré 0 momento, Com essa finalidade, empregam-se questdes adicionais do tipo “Me conte com detalhes 0 que aconteceu la?” ou “De onde vacé conhece iss0?". A. indugo especifica aprofunda a compreensio, por parte do entievistador, refletin- do (resumo, feedback, interpretagio pelo entrevistador) o que foi dito, através de {questies de compreensio e confrontando o entrevistado com conttadigoes e in- consisténcias em seus enunciados. Aqui, "é importante que o entrevistador deixe claro o seu inceresse substancial e seja capaz de manter ama boa atmosfera na conversa” (1985, p. 248). EXEMPLO: TEORIAS SUBJETIVAS SOBRE DOENGAS REFERENTES A PSEUDOCRUPE Em um estudo com pale de 22 eriangas que adoecaram por pseudocrupe (uma tosse forte em exiangas, causada pela poluicdo ambiental), analisando a5 leotas subjetivas, oles sobre doencast, Ruf (1898; 1998) conduziv enrovistas centralizadas no proble. ‘ma, O guia da entiouistaincuia as seguintes questbes-chave * enquantno metodo dsr antesormente foi deeenoldo espectalmente para a reconstragio de reo sues, ences enalanda o problema € ween empregudn av es Onalidade Dos vielenemene, urs subets sha abjo em ambos os exempls. Contribuigio para a discussao metodolégica geral Ajuste de método dentro do processo de pesquisa + Como ocorreu 0 primsico epiedtio da doenga © como 0s pa idaram com ean +O que os pais entendem ser a causa da doenca de seus fihos? vida cotiiana e ae planejamento do futuro? + De acorda com a opinido dos pais, quais poluertes ambienlals oferecem riscoe sate de seus filnoe? Coma eles ldam com esses poluentes? (1998, p. 287) [Em uma das principals dascobertas, especicou-se que dois tercos dos pais entre fosse, geralmente, vista come apenas um dos motives entve cures passvels,¢ a8 a sigdes causais estivessem vinculedas a uma grande incertaza, a maiora destes py hhaviaadaptado seu cotdiano @ também, em parte, «planejamento da sua vis ftura ‘essa nova visio do problema (1993, p. 292-4, \itzl de utilizar um pequeno questionérojuntamente com aentrevsta é prod tva, Ela possiblta 20 pesqusador eoletar os dados (por exemplo, dados demo: sgrificos) que sejam menos relevantes do que os r6pieas de prépria entreviea nes da entrevista rea, [ss permite ao pesquisador reduzir o nimero de ques tes e~ 0 que € particularmentevaliso em um programa com espaco de tempo § limizado ~ utilizar 0 custo tempo da entrevista para topicos mais essenciais. Ao contrério da sugestéo de Wiel, de usar ese questionirio antes da entrevista parece que faria mats sentido empregé-lo 20 final a fim de impedie que sua ext tura de perguntas e respostas se imponka sobre 6 didlogo na entrevista ‘Coma segunda sugestio,¢possiveltransfriro pés-escrco da abordagen: | de Witzel para outras formas de entrevistas. Imediatamente apés 0 términods | entrevista, o entrevistador deve anotar suas impressdes a respeito da comuni cago, do entrevistado enquanto pessoa, dele mesmo e do seu comportamenta na situacio, das influéneias externas, da sala na quala entrevista ocorreu, ete {veja 0 Capitulo 14). Assim, documentam-se as informagoes extraidas do con texto que possam ser instrutivas. Essa documentagio pode ser Gil para a ir terpretagdo posterior dos emuneiados na entrevista, podendo permitir a com patacio de diferentes situagées de entrevista. Quanto a gravagio das entrevis- tas em fits, sugerida por Witzel para uma melhor contextualizacao dos enutt ciados, esta jé foi instituida ha bastante tempo ao empregarem-se as entrevis: tas semiestruturadas. As diferentes estratégias (indugbes gerais e especif a8), sugeridas por Witzel, de investigar com maior profundidade as respostas do entrevistado, sito mais uma sugestio que pode ser transferida a outras formas de entrevista © pano de fundo teérico do método é 0 interesse nos pontos de vista subjet vos. A pesquisa baseia-se em um madelo da processo com o objetiva de desen- Entrevista semi-ctrntaradas 103 volver reorias (veja 0 Capitulo 4). As questdes de pesquisa sio voltadas para 0 conhecimento acerea de fatos ou processos de socializarao. A selecio de en- trevistados deve prosseguir gradualmente (veja 0 Capitulo 7) a fim de conete- tizar a orientacéo de processo do método. Essa abordagem nzo se comprome- te com nenhum méeode especial de interpretacdo, mas, sim, essencialmente com procedimentos de codificagéo, aproveitando principalmente a anélise ‘qualitativa do contetido (veja 0 Capitulo 15). A combinagio de natrativas e quest@es, sugeriéa por Witzel, tem por objetivo focalizar a opinigo do entrevistado em relagio ao problema em torne do qual entrevista se centraliza, Em alguns pontos, as sugestaes de Witzel de como ttlizar 0 guia da entrevista deixam a impressiio de uma compreensio excessi- vamente pragmética da forma de lidar com a situaedo de entrevista. Por isso, tle sugere introduzir perguntas para narrativas de atalho sobre um “t6pico improdutivo” (1985, p. 237). Para integrar as diferentes abotdagens, Witzel inciui as discussdes em grupo e o “método biogréfiea". Como o autor discute esses componentes sob 0 titulo “elementos parciais da entrevista centralizada no problema” (1982, p. 74; 1985, p. 235), 0 papel da discussio em grupo, por cexemplo, permanece pouco nitido aqui: pode ser acrescentada comio uma se- sgunda etapa ou tuma etapa adicianal, mas nao pode fazer parte de uma entre- vista com uma pessoa, Existem restrigGes quanto ao critério da centralizagaio nna problema ~ um eritério ndo muito til para distinguir esse método de ou- tros, jf que a maioria das entrevisias concentra-se em problemas especiais. Contudo, o nome e 6 conceiza do mécodo so uma promessa implicita de que este estald ~ talvez mais do que outras entrevistas ~ centralizaco em tomo de tum determinado problema, o que geralmente fez.com que o método seja espe- cialmente atraente para iniciantes na pesquisa qualitativa, As sugestdes de Witzel para o guia da entrevista (1985, p. 236-7; 1982, p. 90-1) enfatizam que este deve abranger éreas de interesse, porém nao mencionam tipos con- cretos de questées a serem incluidas. Embora sejam dadas instrugdes a0 er: ttevistador sobre como moldar investigagdes mais aprofundadas para 2s res- postas dos entrevistados, com as “indugées gerais e especificas”, as aplicagoes do método, entretanta, t2m demonstrado que essas instrugdes nao afastam os tentrevistadores dos dilemas entre a profundidade e o espectro acima mencio- nnados em relagio a entrevista focal. ‘As entrevistas semi-estruturadas discutidas até agora foram mais deta- thadas quanto aos aspectos metodoldgicos. A desericao da entrevista focal deve-se ao fato de esta representar, de um modo geral, a forca motriz por trés esses métodos, e porque oferece algumas sugestGes de como entender as tentrevistas semiestruturadas, & entrevista semipadronizada inclu diferentes tipos de quest6es, senda complementada por idéias acerca de como estruturar seus contetidos durante a coleta de dads. A entrevista centralizada no pro- blema oferece sugestées adicionais sobre como documentar 0 contexto ecomo, lidar eom informagdes secundrias. A seguit, sao discutidos, brevemente, al: ‘guns outros tipos de entrevistas semi-estruturadas que tém sido desenvolvidas para campos especificas de aplicagio na pesquisa qualitativa