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DIÁLOGO COM AS SOMBRAS
HERMÍNIO C. MIRANDA

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ÍNDICE
DOUTRINAÇÃO E DESOBSESSÃO
INTRODUÇÃO

PRIMEIRA PARTE - A INSTRUMENTAÇÃO
CAPITULO 1 = O GRUPO

SEGUNDA PARTE - AS PESSOAS
CAPITULO 2 = OS ENCARNADOS
CAPITULO 3 = OS MÉDiUNS
CAPITULO 4 = O DOUTRINADOR
CAPITULO 5 = OUTROS PARTICIPANTES
CAPITULO 6 = OS ASSISTENTES
CAPITULO 7 = RENOVAÇÃO DO GRUPO
CAPITULO 8 = OS DESENCARNADOS - OS ORIENTADORES
CAPITULO 9 = OS MANIFESTANTES
CAPITULO 10 = O OBSESSOR
CAPITULO 11 = O PERSEGUIDO
CAPITULO 12 = DEFORMAÇÕES
CAPITULO 13 = O DIRIGENTE DAS TREVAS
CAPITULO 14 = O PLANEJADOR
CAPITULO 15 = OS JURISTAS
CAPITULO 16 = O EXECUTOR
CAPITULO 17 = O RELIGIOSO
CAPITULO 18 = O MATERIALISTA
CAPITULO 19 = O INTELECTUAL
CAPITULO 20 = O VINGADOR
CAPITULO 21 = MAGOS E FEITICEIROS
CAPITULO 22 = MAGNETIZADORES E HIPNOTIZADORES
CAPITULO 23 = MULHERES

TERCEIRA PARTE - O CAMPO DE TRABALHO
CAPITULO 24 = O PROBLEMA
CAPITULO 25 = O PODER
CAPITULO 26 = VAIDADE E ORGULHO
CAPITULO 27 = PROCESSOS DE FUGA
CAPITULO 28 = AS ORGANIZAÇÕES: ESTRUTURA, ÉTICA, MÉTODOS,
HIERARQUIA E DISCIPLINA

QUARTA PARTE - TÉCNICAS E RECURSOS
CAPITULO 29 = TÉCNICAS E RECURSOS
CAPITULO 30 = O DESENVOLVIMENTO DO DIÁLOGO. FIXAÇÕES.
CACOETES. DORES “FÍSICAS”. DEFORMAÇÕES. MUTILAÇÕES
CAPITULO 31 = LINGUAGEM ENÉRGICA
CAPITULO 32 = A PRECE
CAPITULO 33 = O PASSE
CAPITULO 34 = RECORDAÇÕES DO PASSADO
CAPITULO 35 = A CRISE
CAPITULO 36 = PERSPECTIVAS

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CAPITULO 37 = O INTERVALO
CAPITULO 38 = SONHOS E DESDOBRAMENTOS
CAPITULO 39 = RESUMO E CONCLUSÕES

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DOUTRINAÇÃO E DESOBSESSÃO
“Qual é o teu nome?” — indaga Jesus. Responde-lhe:
“O meu nome é Legião, porque somos muitos.” E lhe imploravam
com insistência que não os mandasse para fora dessa região
(Gerasa). (Marcos, 5:9 e 10.)

Temos sob as vistas um novo livro de Hermínio C. Miranda: “D IÁLOGO
COM AS SOMBRAS — Teoria e Prática da Doutrinação”.
Estamos familiarizados com os escritos do autor, pois acompanhamo-lo em
seus estudos, ano após ano, pelas páginas de “Reformador”. Conhecemos-lhe
as análises criteriosas de dezenas de obras de bastante repercussão, nas
esferas da Religião, da Filosofia e das Pesquisas, no mundo do Espiritualismo
e, mais especificamente, do Espiritismo e do Evangelho de Jesus. Raros serão
os livros marcantes de escritores contemporâneos e antigos, nessas
especialidades, que lhe não hajam merecido a crítica serena e construtiva. Os
sistemas doutrinários erguidos pelo pensamento humano, na sua longa e
exaus tiva elaboração, no curso de milênios, são-lhe objeto de estudos e
elucubrações, geralmente traduzidos em artigos e livros que a Federação
Espírita Brasileira vai imprimindo e difundindo, aqui e fora dos próprios limites
territoriais das Terras de Santa Cruz.
Nos últimos anos, os trabalhos de Hermínio C. Miranda têm esflorado temas
de grande importância, como sempre, mas de abordagem difícil, alguns deles
pouco estudados antes. “O Médium do Anticristo”, por exemplo. Os artigos
referentes a “A Morte Provisória (5 e II)”, “Uri Geller”, “O Cinqüentenário de
Lady Nona”, “A Maldição dos Faraós”, etc., fazem-nos pensar mais
detidamente nas profundidades do Desconhecido.
Ao lado de livros e artigos, os prefácios, introduções e sínteses de obras,
como em “Procês des Spirites” e “Processo dos Espíritas”, de Mme. Marina
Leymarie; “Imitation de l’Évangile selon le Spiritlsme”, de Allan Kardec. E mais
o que se acha por enquanto inédito.
Experiências que se acumularam ao longo de decênios desta e de vidas
pretéritas, consolidadas graças a esforços incessantes e renovadas
perquirições, conferem-lhe espontaneidade e simplicidade no trato dos
enigmas mais sérios e das questões complexas, de toda uma gama de
assuntos no âmbito do inabitual, permitindo-lhe escrever para os simples e os
doutos, na linguagem desataviada que todos entendem.
A ciência de servir é uma arte rara, exigindo dedicação e persistência. Nela,
o nosso Amigo exercita-se há muito tempo, desinibido e despreconceituoso,
como quem se movimenta com a naturalidade própria dos que sabem da sua
vocação e não hesitam em seguir os rumos que devem trilhar.
Escrever sobre “teoria e prática da doutrinação”, apresentando o patrimônio
provisionado durante pelo menos dez anos Ininterruptos de serviço ativo, no
demorado “diálogo com as Sombras”, não é tarefa fácil. A contribuição de
Hermínio, no entanto, foge ao comum dos livros de divulgação doutrinária e
evangélica, no campo espírita. É mais um extraordinário documentário ou
cartilha de orientação, descendo aos pormenores daquilo que se pode chamar
de elaboração séria, metódica, gradativamente desenvolvida, elucidativa de
todo o contexto das intercomunicações e interligações entre vários planos
vibratórios, no atendimento responsável e cristão da assistência es piritual em

acima de tudo. Ora. como resposta. * Questão séria. na tessitura de um livro desta natureza. com os quais todos os seus pensamentos se afinam. nem de Interpretações. de aceitar. É claro que. A propósito. O autor trata detalhadamente desse assunto. a rigor. mais comumente citada como licantropia. à segura argumentação que faz. especialmente no que tanga a locais para sessões práticas de desobsessão e a métodos de trabalho. uma carta do médium F. Não compete à Federação censurar opiniões. Pediu confirmação ao Espírito e recebeu. à medida que adentra na exposição simples de coisas difíceis. consegue aglutinar. Miranda é dos mais seguros estudiosos. mediúnica ou não. recordamos o livro “Libertação”. porqüanto. pois o mesmo direito que tem o expositor de argumentar e aconselhar. na vigília e no sono. na verdade. não necessita de explicações ou apresentações. deixamos aos nossos leitores o encargo de analisar tudo quanto o autor expõe ou sugere. é a da zoantropia. em Espiritismo. O que Importa. o Diretor incumbido da análise Inicial dessas páginas mediúnicas considerou um tanto “exageradas” umas afirmativas e detalhes pertinentes a um caso de licantropia. ou não. doação! * O livro. têm os demais. numa leitura ou estudo ligeiro da vasta literatura espírita. “o segredo da doutrinação é o amor”. como reconhece o autor. em que transmitia a solicitação do autor espiritual. Ele não faz revelações especiais nem ensina princípios não sabidos. exceto quando entrem em choque com os princípios fundamentais da Doutrina Espírita. porque não fez literatura: seu livro é vida! É compreensão. tudo nele é de meridiana clareza. com a explicação seguinte: “Se o nosso amigo não pôde admitir isso. No entanto. para a qual gostaríamos de pedir atenção. defensores e propagandistas daqueles princípios. ternura. Miranda alcançou com o maior êxito o fim a que se propõs. . C. as pequeninas verdades que as desatenções dos estudiosos nem sempre permitem captar e estereotipar nas mentes e corações. cada ensino ou experiência e suas implicações. Xavier. de André Luiz: quando os originais fo ram-nos enviados. mas num mapa por assim dizer comportamental durante as demais horas. Acreditamos que Hermínio C. com proficiência. é que “Diálogo com as Sombras” é livro doutrinariamente correto e constitui valiosa contribuição para o estudo e a prática dos serviços de desobsessão espírita. o autor nele coloca as próprias idéias. Trata-se do exercício natural do sagrado direito que cada qual tem de pensar por si mesmo e de abraçar os pontos de vista que lhe parecem os melhores. no sentido de retirar dos originais aquelas palavras que lhe haviam suscitado dúvidas. São horas vividas não apenas no circulo das tarefas mediúnlcas propriamente ditas. Assim. 5 desobsessão. O próprio autor justifica cada detalhe. Hermínio C. ainda quando não as encampe ou oficialize. é sinal que precisamos aguardar outra oportunidade. nem sempre concordantes com as de outros autores igualmente editorados pela Federação Espírita Brasileira. os seus argumentos e conselhos.

mais que as palavras articuladas. pelo médium Frederico Júnior. na verdade. Estamos certos de que. 6250 milheiro. mesmo com a parte que André Luiz sugeriu fosse eliminada do texto. convidamos o leitor a conhe cer o livro de Hermínio. editado pela FEB (33ª edição. 22 de junho de 1979 FRANCISCO THIESEN Presidente da Federação Espírita Brasileira . as coisas ainda ficavam bem longe da realidade. Mas o comentário particular de Chico Xavier. que a respectiva cura chegou a ser objeto de mensagens de Allan Kardec. no Rio de Janeiro (RJ). também não admitirão. os exemplos que encerra causar- lhe-ão a nítida convicção. especialmente no campo do amor e da exemplificação das virtudes cristãs. o Consolador Prometido por Jesus.” As palavras da carta do médium eram aproximadamente essas. dada a preocupação da Espiritualidade Superior no sentido de o assunto ser encarado com a seriedade e o preparo precisos. ao lê-lo.” * O problema da obsessão — grande flagelo da Humanidade — étão grave. foi este: “E na verdade. Os referidos ditados estão incorporados no opúsculo “A Prece segundo o Evangelho”. em 1888 e 1889. mas o sentido exatamente esse. 1979). de que o Espiritismo é. Rio de Janeiro (RJ). a pessoa que nos merece a maior credibilidade. 6 pois os leitores. com maior razão. de Allan Kardec. que é bem pior do que pensamos. * Terminadas estas páginas iniciais.

Realmente. do lado de lá. a massa imensa daqueles que se acham da média para baixo. sempre dispostos a nos ajudar. não termina com Kardec. velam por nós companheiros de elevada categoria. até os extremos mais dolorosos do aviltamento moral. mas sim. pois não perdoa despreparo e ignorância. de simbolos. * O Livro dos Médiuns. mesmo Incipientes. evidentemente. Podemos. a meu ver. Isto não quer dizer. voluntária ou involuntariamente. obviamente. mas não nos podemos esquecer de que eles não podem fazer por nós as tarefas de que nos incumbem. com a sua proteção carinhosa. Como a base do fenômeno mediúnico é a sintonia espiritual. nos afi namos com maior facilidade com aqueles que também se acham perturbados por desequilíbrios de maior ou menor gravidade. encontrando-se em variados estágios de desenvolvimento moral. fantástico ou sobrenatural. não à custa de oferendas. O importante é que. O mundo espiritual é povoado de seres que foram ho mens e mulheres como nós mesmos. do rancor. É claro que a lista não termina aí. Ali. no pórtico deste livro. com um procedimento reto. uns com respeito e amor. ao Iniciarmos o trato com os Espíritos desencarnados. por conseguinte. serena ou tumultuadamente. Alguns o fazem compulsoriamente ou com relutância: outros com espontaneidade. e. nada tendo de místico. este jamos com um mínimo de preparação. 7 INTRODUÇÃO Creio necessário declarar. A prática mediúnica não deve ser improvisada. Isto é: * O Livro dos Espíritos. da vingança. Aquele que se atira à fenomenologia mediúnica sem estes petrechos indispensáveis. é natural. outros com leviandade e indiferença: e muitos sem mesmo perceberem o que se passa e o que deve ser feito para ordenar um fenômeno que. na literatura espírita. ou aquele que é arrastado a ela pela mediunidade indisciplinada ou desgovernada. no qual procuremos . que estejamos à inteira mercê dos espíritos perturbados e perturbadores. em princípio. encontramos espíritos nobres e dotados de atributos morais avançados. de ritos mágicos. qualquer pessoa dotada de faculdades mediúnicas. igualmente. da revolta. pois não nos devemos esquecer de que o Espiritismo. começa com ele. e * A Gênese. da angústia. * O Evangelho segundo o Espiritismo. estará se expondo a riscos Imprevisíveis para o seu equilíbrio emocional e orgânico. como aquI. de “trabalhos” encomendados. pode estabelecer contacto com os desencarnados. e como ainda nos encontramos todos em estágios inferiores da evolução. contar com a boa-vontade e a ajuda desses irmãos maiores. apoiada num mínimo de informação. um acervo considerável de livros que constituem leitura obrigatória para todo aquele que se propõe a um trabalho sério junto aos companheiros desencarnados. * O Céu e o Inferno. Isolada do contexto dos cinco documentos básicos da Doutrina. Pelo nosso mundo de encarnados podemos inferir o outro. nenhuma obra acerca dos aspectos experimentais do Espiritismo terá valor por si mesma. que. Há. da ignorância. e muito menos coibir os mecanismos do nosso livre-arbítrio. consciente ou inconscientemente. O relacionamento com o mundo espiritual se reveste de enganosa simplicidade. como tantos outros. mas. nem livrar- nos das nossas prova ções. como doutrina essencialmente evolutiva.

mas também no interesse de cada um. da sua inspiração oportuna. modernamente. Se estamos com essas disposições. suporte indispensável de toda a tarefa programada. não apenas no interesse da doutrina que todos professamos. forçando-o a uma tarefa acima de suas forças. confrades que não gostam de freqüentar sessões espíritas. ao amor ilimitado. e da sua ajuda desinteressada. Assim. não é possessivo. * “Encontramos. sem reservas. Léon Denis. Estão preparados para a tarefa? Desejam o filho? Dispõem-se aos sacrifícios e renúncias que o trabalho impõe? Estão conscientes das suas responsabilidades. As razões que os levam a essa decisão — creio eu — são respeitáveis. naquilo que for realmente proveitoso ao nosso espírito. sem condições e sem imposições? O amor não exige recompensa. não para nos livrar das nossas dores. seja o pão ou a palavra de consolo e solidariedade. que a seguir transcrevo. é preciso insistir: a formação ou nascimento de um grupo émuito importante. Nunca é demais enfatizar que a organização de um grupo de trabalho mediúnico começa muito antes de dar-se início às suas tarefas propriamente ditas. julguei necessária uma pequena introdução que situasse a obra em seu contexto próprio. e das complementares. Não foi preciso escrevê-la. Gustavo Geley. pois cada um de nós sabe de si e do que. Voltaremos às questões que formulamos acima. Nunca somos tão pobres de bens materiais e espirituais que não possamos doar alguma coisa ao companheiro necessitado. ao comparar o grupo nascente com um filho. e não pela execução atabalhoada e sem preparo. no sentido humano. “Reformador” de fevereiro de 1966 publicou um artigo intitulado “Espiritismo sem sessão espírita?”. podemos começar. O amor. por interessar aos objetivos deste livro. dizia Edgar Cayce. pois já estava pronta. Antes. da Doutrina Espírita: as de Allan Kardec. e não naquilo que julgamos o seja. mas para nos concederem o privilégio da sua presença amiga. às vezes. dos percalços e das lutas que os esperam? Para que desejam o filho? Sonham fazer dele um grande homem. Examinaremos o assunto por partes e com as cautelas devidas. examinar de perto essa posição e ver o que contém ela de legítimo. e certos trabalhos de origem mediúnica. nem para cumprir mandados nossos ou atender às nossas menores exigências e súplicas. 8 desenvolver em nós mesmos o esforço moralizador. a educação dos pais. E começar pelo planejamento. É com estas atitudes que nos asseguramos da assistência de Irmãos mais experimentados e evoluidos. para a qual não esteja preparado. ou se dispõem a criar condições para fazer dele um ser digno. Gabriel Delanne. Muita ênfase precisa ser posta no estudo dos escritos que cuidam do complexo problema da mediunidade. entretanto. É preciso. . pacificado e amoroso? Estão prontos a receber a tarefa com humildade? E. uma observação de caráter pessoal: ao planejar a elaboração deste livro. o amor é. ainda no corpo desta conversa inicial. como os de André Luiz. e deve ser cercado dos mesmos cuidados que precedem à formação e ao nascimento de uma criança: ou seja. acima de tudo: estão prontos e dispostos a se doarem integralmente. se convencionou chamar de suas motivações. com o estudo sistemático das obras básicas. o aprendizado constante e a dedicação desinteressada ao semelhante.

a fundo e com a mente desarmada de preconceitos. Se é incompleto o conhecimento sem a prática mediúnica. das tarefas a que se propõe. em grande parte. suas grandezas. como indispensável ao futuro da Humanidade. O Espiritismo doutrinário nasceu das práticas mediúnicas. compreensão e caridade no cha mado mundo espiritual. O intercâmbio. Parece claro. essa estranha faculdade humana sobre a qual ainda há muito o que estudar. De aflições — embora passageiras — causadas pelo desfile das angústias de irmãos sofredores. mas para aquele que assiste aos trabalhos e deles participa. Há sempre. realmente. O primeiro deles — e dos mais sérios — é o da própria mediunidade. em planos diferentes. De aceitação de inverdades sutilmente apresentadas sob fascinantes roupagens. Evidentemente. Há outros problemas e dificuldades de menor importância. 9 De fato. Os erros que cometemos. Mas se não a observarmos em ação. no final de contas. como poderemos almejar compreendê-la um dia? Só aprendemos a nadar pulando dentro dágua sob a orientação de quem já tenha. com regularidade e seriedade. somente assumiu expressão e sentido filosófico depois que Kardec ordenou e metodizou os conhecimentos adquiridos no contacto com os nossos irmãos desencarnados. A análise das questões mais complexas quase sempre começa pelas definições acacianas e de vez em quando é bom a gente recorrer a velhos conceitos para iluminar obstáculos novos. Será. os riscos que oferece. O Espírito que erra. Convém pensar também que a própria dinâmica da Doutrina Espírita exige esse intercâmbio espiritual. a respeito. nesta vida ou . que o eqüacionamento e a solução das grandes inquietações humanas vão depender. também. mas creio que basta considerarmos aqui apenas esses dois — o que não é pouco. invariavelmente prejudica a alguém mais. precisamos estar atentos ao puro mediunismo sem objetivos mais elevados. Logo. Há riscos. ao estudo dela. porém. entre o mundo espiritual e este. noções satisfatórias. também o é o exercício desta sem o estudo daquilo que já se sabe sobre o fenômeno. o seu desenvolvimento futuro. esclarecimento. sim. não apenas para o médium. não são mais que um único. prendem-nos a uma cadeia de fatos e de seres que se estende pelo tempo a fora. das alegrias que experimentamos ao encaminhar às trilhas da paz um Espírito em crise? Há um universo a explorar. Nunca o drama de um Espírito é apenas seu. a prática mediúnica é. em primeiro lugar para que se observe e estude o fenômeno da mediunidade. Há uma Humanidade inteira cla mando por ajuda. De mistificações por parte de pobres irmãos carecentes de entendimento. há alguns problemas ligados à freqüência de trabalhos mediúnicos. que isso constitui motivo para nos privarmos das recompensas do aprendizado. Outra dificuldade ponderável é a organização de um bom grupo que se incumba. da exata compreensão do mecanismo das relações entre esses dois mundos que. delas se nutre e delas depende. É claro que a mediunidade tem um mecanismo muito complexo e até agora poucos foram os cientistas dignos desse nome que se dedicaram. as oportunidades de aprendizado e progresso que contém. não apenas aconselhável. Seus dramas e suas angústias não são puramente individuais. como também ao animismo de certos médiuns mais interessados nas suas próprias idéias que na transmissão daquilo que recebem dos companheiros desencarnadOS. cada vez mais.

consolamos com a nossa própria imperfeição e com a certeza da recuperação. tanto na carne como no Espaço. Que não se deixe desencorajar por dificuldades ou pela aparente insignificáncia dos primeiros resultados. Aquele que odeia. Aos que ainda desejam vingar-se de antiquíssimas ofensas. iniludíveis. Lições terríveis ministradas com lágrimas e gritos de desespero por aqueles que assumiram débitos enormes diante da Lei. de que as leis universais são perfeitas. ao mesmo tempo que fornecem os recursos para o reencontro do Espírito com o seu próprio destino. sem ostentação. cada vez melhor. A cada bom grupo de seres encarnados dispostos à tarefa. não apenas o seu espírito da tormenta do ódio. Crentes ou descrentes. de preferência familiar. na milenar batalha contra as suas próprias deficiências. pelo menos. no entanto. No exercício constante dessa atividade. a solidez inabalável da doutrina que nos legaram os Espíritos. aprendemos a contemplar a transitoriedade do mal. vemos. elos que nos ligam a outros seres e e outras dores. demonstrada a seriedade de propósitos. mas flexíveis. mostramos a inutilidade do seu intento e os novos problemas com que virão agravar o seu futuro. sob a orientação de Espíritos esclarecidos. são tão poucos os grupos que se dispõem a esse trabalho que tão altos dividendos paga em conhecimento e progresso espiritual. É bom que o grupo seja pequeno. não será tão difícil assim. Os que já atingiram elevados patamares de conhecimento e amor. lições de doce tranqüilidade e de serena humildade dos que já superaram as suas fraquezas e vêm. o ônus terrível da vaidade. muitas vezes já está maduro para o perdão — basta uma palavra serena de esclarecimento. 10 em algumas das anteriores. ouvimo-los com admiração e proveito. Muitos nos buscam apenas para trazer notícias das suas próprias conclusões. desprezar esse trabalho magnífico que tanta recompensa nos traz e também aos nossos irmãos do outro lado da vida? Quanto à organização dos grupos. através da lúcida inteligência de Kardeç. a amarga decepção do suicida. Há estudos sérios e muito seguros de orientação doutrinária a respeito. da nova compreensão diante desse mistério sempre renovado da vida. de que reencarna. um gesto de tranqüila compreensão para libertar. a crueza do arrependimento daquele que desperdiçou o seu tempo na busca ansiosa das ilusões mundanas. Nos dramas a que assistimos nas sessões mediúnicas. então. corresponderá um grupo . apenas para mostrar como é o Espírito daquele que já venceu a si mesmo. Muitas e variadas lições. como criaturas encarnadas. de que progride e aprende. Por que. na qual o Espírito fica. católi cos ou protestantes. pois exigem reparação. mas também o irmão que lhe sofre as agressivas vibrações. nem se deixe fanatizar ou fascinar por pseudoguias. composto de pessoas que se harmonizem perfeitamente e que estejam interessadas num trabalho sério e contínuo. lá estão à espera de ajuda e. os trabalhos irão surgindo. Multidões de seres que aqui viveram inúmeras vezes. Ao que ainda se prende a superadas teologias. anestesiado nas suas angústias. a tensa expectativa de um novo mergulho na carne redentora. provocadas por antigas mágoas. Aos poucos. aprendizado extenso e profundo para todos os que desejarem realmente apressar os passos e encurtar a caminhada que leva a Deus. todos nos vêm confirmar as verdades mestras do Espiritismo: as de que o Espírito sobrevive à morte física. ajudamos a com- preender a nova realidade que tem diante de si. A todos os que erraram. a inutilidade das posições humanas.

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equivalente de Espíritos, num intercâmbio salutar de profundas repercussões,
pois Espiritismo é doutrina, mas é também prática mediúnica, e todos nós,
ainda que nem sequer suspeitemos disso, temos compromissos a executar,
ajustes a realizar com irmãos que nos aguardam mergulhados em ódios e
incompreensões, que se envene nam a si mesmos e a nós próprios.
“Lamentar a desgraça — dizia Horace Mann — é apenas humano; minorá-
la é divino.”

*

E assim, creio que estamos prontos para entrar na matéria propriamente
dita.

Rio de Janeiro (RJ), 1976
HERMÍNIO C. MIRANDA

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PRIMEIRA PARTE
A INSTRUMENTAÇÃO

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1
O GRUPO
Voltemos às perguntas formuladas na Introdução.
Em primeiro lugar, o preparo, que consiste na educação e na instrução
dos componentes do grupo que se planeja, nos leva a outro quesito preliminar:
— quem devem ser os componentes?
A tarefa começa, pois, com a seleção das pessoas que deverão
participar dos trabalhos. Como todo grupamento humano, este também deve
ter alguém que assuma a posição de coordenador, de condutor. É preciso, não
obstante, muita atenção e vigilância desde esta primeira hora. Esse motivador,
ou iniciador, não poderá fugir de certa posição de liderança, mas é necessário
não esquecer nunca de que tal condição não confere a ninguém poderes
ditatoriais e arbitrários sobre o grupo. Por outro lado, o líder, ou dirigente, terá
que dispor de certa dose de autoridade, exercida por consenso geral, para
disciplinação e harmonização do grupo. Liderar é coordenar esforços, não
impor condições. O líder natural e espontâneo é aceito também com
naturalidade e espontaneidade, sem declarar-se tal. É até possível que, nos
trabalhos preliminares de organização do grupo, surja a sutil faculdade da
liderança em pessoas nas quais mais inesperada ela parecia. Nestas
condições, aquele que iniciou a idéia deve ter grandeza suficiente para
reconhecer que o outro, que revelou melhores disposições, está mais indicado
para a função do que ele próprio. Num grupo espírita, todos são de igual
importância.
O problema das rivalidades é tão antigo como a própria mediunidade. O
apóstolo Paulo tratou dele, na sua notável Primeira Epístola aos Coríntios,
capítulos 12, 13 e 14, e, especificamente, nos versículos 4 a 30 do capítulo 12.
(1)
O primeiro passo, portanto, que deve dar alguém que pretenda organizar um
grupo mediúnico é selecionar as pessoas que irão compo-lo. É bom que isto se
faça mesmo antes de se decidir que tipo de trabalho será executado — do que
falaremos mais adiante — e quem será incumbido da direção das tarefas. Os
motivos são de fácil entendimento. Em primeiro lugar, o problema da liderança
a que acima aludimos: é possível que a pessoa mais indicada para dirigir os
trabalhos não seja aquela que se propõe, de início, a organizar o grupo,
cumprindo-lhe provar, no decorrer das gestões preparatórias, a força tranq üila
e segura da sua personalidade. Em segundo lugar, o grupo será a soma dos
seus componentes, disporá das forças de cada um e terá como pontos fracos
as fraquezas dos seus participantes. Em terceiro lugar, a natureza dos
trabalhos a serem programados dependerá dos diferentes tipos de
mediunidade que for possível reunir, do grau de sensibilidade, tato, inteligência,
conhecimento e evangelização de cada um e de todos, e da qualidade do
relacionamento pessoal entre os que se propõem trabalhar juntos nesse
campo.
Assim, não basta juntar alguns amigos e familiares, apagar a luz e
aguardar as manifestações. Que amigos e familiares vamos selecionar? Essa
tarefa é extremamente delicada e crítica, pois dela vai depender, em grande
parte, o êxito ou fracasso do grupo. Será recomendável que a pessoa que
pretenda fundar um grupo, mesmo de âmbito doméstico, de proporções
modestas e sem grandes ambições, guarde consigo mesma, por longo tempo,

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as suas intenções; que se entregue à prece constante, à meditação e ao
estudo silencioso e demorado de cada pessoa; que examine, sem paixões e
sem preferências, com toda a imparcialidade possível, as potencialidades de
cada um, bem como os seus defeitos, virtudes, inclinações, tendências e
temperamento. Não nos devem guiar aqui as preferências pessoais: — “Vou
incluir Fulano ou Sicrana porque gosto dele ou dela.” É essencial que todos se
estimem no grupo, mas só isto não basta. Podemos amar profundamente uma
criatura que não ofereça condições mínimas para um

(1) Seria oportuna, sob este aspecto, a leitura do artigo “O Livro dos
Médiuns de Paulo, o Apóstolo”, em “Reformador” de fevereiro de 1974.

trabalho tão sério como esse. É claro, por outro lado, que não éaconselhável
incluir aqueles que, embora ofereçam outras condições favoráveis, se
coloquem na posição de adversários e críticos demolidores de qualquer outro
componente do grupo. Até a discordância ideológica acentuada, mesmo em
outros setores do pensamento, pode criar dificuldades ao trabalho. Isto não
quer dizer que todos tenham que pensar igualzinho, ou se transformarem em
criaturas invertebradas, sem idéias próprias, sem personalidade e opinião. A
franqueza é também um dos ingredientes necessários ao bom trabalho, desde
que não alcance os estágios da rudeza que fere, mas a homogeneização dos
ideais e das aspirações é condição importante para o bom entendimento que
precisa prevalecer durante todo o tempo. Um só membro que desafine dessa
atmosfera de harmonia, poderá transformar-se em brecha por onde espíritos
desajustados introduzirão sutilmente fatores de perturbação e eventual
desintegração do grupo.
É preciso entender, logo de início, que os componentes encarnados de um
grupo são apenas a sua parte visível, O papel que lhes cabe é importante, por
certo, mas nada se compara com as complexidades do trabalho que se
desenrola do outro lado da vida, entre os desencarnados. Lá é que se realiza a
parte mais crítica e delicada das responsabilidades atribuidas a qualquer grupo
mediúnico, desde o cuidadoso planejamento das tarefas até a sua realização
no plano físico, no tempo certo. Os componentes encarnados já fazem
bastante quando não atrapalham, não perturbam, não interferem
negativamente. É óbvio que ajudam de maneira decisiva, quando se portam
com dignidade, em perfeita harmonia com o grupo; mas se não puderem
ajudar, que pelo menos não dificultem as coisas. É melhor, por isso, recusar,
logo de princípio, um participante em perspectiva, sobre o qual tenhamos algu-
mas dúvidas mais sérias, do que sermos constrangidos, depois, a dizer-lhe
que, infelizmente, tem que deixar o grupo, por não se estar adaptando às
condições exigidas pelo trabalho.
É por isso que se recomenda uma longa meditação antes de decidir quanto
à composição humana do grupo, para não fazermos o convite senão àqueles
dos quais podemos contar com um mínimo de compreensão, entendimento e
entrosamento com os demais.
Isto nos leva a uma outra questão, que deve ser logo decidida:
Quantos componentes encarnados deve ter um grupo? A experiência
recomenda que os grupos não devem ser muito grandes, pois, quanto
maiores, mais difícil mantê -los em clima de disciplina e harmonia. Léon
Denis, em seu livro “No Invisível”, sugere de quatro a oito pessoas. O grupo

No caso de apenas dois. não apenas do dirigente encarnado do grupo. e o médium não teria condições de prolongar o trabalho sem grande desgaste psíquico. pois. fazer funcionar razoavelmente bem um grupo com mais de oito pessoas. pois o assunto. assim. É possível. É certo. galhofeiros. de Allan Kardec. nem quanto à natureza dos trabalhos que pretendem realizar conosco. logo que tenhamos resolvido. . quebra-se com freqüência o esforço de concentração. quando não claramente mal- intencionados. mas é certo que. no entanto. tanto para os que se dedicam. pior ainda. segundo a palavra do Cristo. já atuantes. especialmente em “O Livro dos Médiuns”. será aberta com a leitura de um texto evangélico e uma prece. chegamos a outro aspecto da questão: Para que desejamos um grupo? Para simples estudo da Doutrina? Para conversar sobre Espiritismo? Para oferecer condições à manifestação de espíritos familiares. como de seus orientadores invisíveis. à medida que cada um apresentar sua contribuição ao debate. de que nomes deveremos cogitar para a composição do grupo. que um grupo muito pequeno tem suas possibilidades também limitadas. porém. porém. E. de caráter doutrinário? Para os chamados trabalhos de desobsessão? Esse ponto somente pode ser decidido. Se a intenção é apenas fazer passar o tempo. tem sido tratado em várias obras de confiança. com a finalidade de entrar em contacto com os desencarnados. Em seguida. para a qual deverão ser convidados aqueles cujos nomes foram lembrados para uma consulta. sempre que um grupo se dispõe a reunir-se. que venham trazer pequenas mensagens. que. do que poderão resultar obsessões penosas e tenazes. virão os espíritos levianos. e o prejuízo é certo para a tarefa. aquele que tomou a iniciativa de convocá-la fará uma breve exposição de seus objetivos e intenções. mas acima de doze vai-se tornando bastante problemática a sua eficácia. Não está previsto no escopo deste livro um estudo sobre o desenvolvimento da mediunidade. mais ou menos íntimas? Para experimentação e observação de na tureza cientifica? Para tarefas mais sérias. quanto para aqueles outros que se reúnem para se divertirem ou. para que Ele aí esteja. Por isso. um teria que ser o médium e o outro o doutrinador. 15 pode funcionar bem até com duas pessoas. ao se planejar a instalação de um grupo. É bom começar sem grandes ambições ou planos grandiosos. com seriedade e boas intenções. bastará que dois ou mais se reúnam em seu nome. para exame e debate das inúmeras questões que começam a colocar- se. Essa reunião. obviamente não mediúnica. ainda não saibamos quanto à intenção dos espíritos que nos são fami liares. se alcançada impecável homogeneização. Isto é vá lido. porque a equipe se torna mais heterogénea. fúteis e inconseqüentes. mesmo assim. depois que tivermos selecionado os companheiros encarnados que vão compor a equipe. em definitivo. por exemplo. para práticas condenáveis. e os que tenham potencial mediúnico suscetível de desenvolvimento. Serão arrolados os médiuns presentes. Acima dos oito componentes sugeridos por Denis. estes se apresentarão no momento oportuno. É claro. no silêncio da meditação e da prece. o pensamento divaga. O mais certo é que. vai-se tornando mais difícil a tarefa. bastante complexo. A reunião será conduzida com descontração e espontaneidade. convém convocar uma reunião. alguma coisa séria poderia ser realizada.

O instrutor ia dosando seus ensinamentos segundo as forças e a receptividade do discípulo. não deve ser desenvolvida isoladamente e sem apoio dos livros essenciais ao entendimento dos seus componentes básicos. pouco a pouco. em “Mecanismos da Mediunidade”. Colocado num grupo harmonioso e bem assistido. Não há fórmulas mágicas. experimentação. 16 Léon Denis também ofe rece contribuição valiosa. e. tato. * Após esta digressão acerca do desenvolvimento mediúnico. De forma alguma. vigilância. mas. a apresentar um panorama. no entanto. Qualquer que seja a natureza do seu trabalho — estudo. A mediunidade. o treinamento mediúnico deve ser intentado com base em obras suspeitas ou organizações que prometam resultados prontos e maravilhosos em algumas lições. bem como o livro interpretativo de Martins Peralva “Estudando a Mediunidade”. capacidade de observação. difícil e muito importante. épossível ao médium incipiente desenvolver. Creio oportuno acrescentar que esses livros não se dedicam especificamente a ensinar como desenvolver a mediunidade. ainda. o perfil do grupo que se pretende implantar já deve estar suficientemente definido. suas faculdades. para não levarem o futuro médium a vícios funcionais e até mesmo a perturbações emocionais de problemática recuperação. de que a técnica do desenvolvimento mediúnico ainda exige atenção. tão abrangente quanto possível. todos editados pela Federação Espírita Brasileira. Ao cabo de algumas reuniões de debate e ajustamento. desobsessão — não deve iniciar suas tarefas especificas senão ao cabo de um . que exige conhecimento doutrinário. voltemos ao assunto em foco. esse encargo era de caráter iniciático. porém. André Luiz. nem ritos especiais para fazer eclodir a mediunidade numa pessoa que a tenha em potencial. No passado remoto. por estágios sucessivos. também. O dirigente do grupo deve manter-se atento a essa possibilidade. não só em “No Invisível”. as condições mínimas exigidas para a tarefa a que se propunha. hoje. e este somente chegava aos estudos mais avançados de desenvolvimento de suas faculdades se ao longo do processo viesse demonstrando. em outras de suas obras. É também uma imprudéncia forçar o desenvolvimento sem nenhuma preocupação de estudar a questão nos livros que compõem a Codificação de Kardec e a obra complementar de seus continuadores. muito mais comum do que tanta gente estaria disposta a admitir. dos diversos aspectos dessa notável faculdade humana. Recomenda-se. acompanhamento e orientação pessoal de alguém que tenha condições morais e doutrinárias para fazê -lo. em que funcionem médiuns bem disciplinados e já em plena atividade. O desenvolvimento mediúnico é trabalho delicado. Não nos esqueçamos. até o ponto ideal. sim. “Nos Domínios da Mediunidade” e “Libertação”. necessidade de um guru que leve o discípulo. sistematicamente. tornando o conhecimento básico acessível ao homem comum. pesquisa. O Espiritismo desmistificou o antigo ocultismo. salvo casos especiais. Evidentemente não há. firmeza e muita sensibilidade para identificar desvios e desajustes que precisam ser prontamente cor rigidos.

durante o período que vai de uma reunião à seguinte. excluir. A reunião se destina à verificação do progresso que cada um realiza na revisão. mesmo que haja no grupo médiuns já desenvolvidos. dedicação. A duração e freqüência das reuniões de estudo serão objeto de debate e ajuste entre os componentes. que cuida “Do mundo espírita ou mundo dos Espíritos”. Embora não gostemos de admitir. sem atritos ou desgosto. mais adiante. no desejo de . tolerância. nosso conhecimento é menor do que pensamos. do que insistirem em ficar. ainda. Tarefas como essas não podem ser impostas. que exige. seguido de “O Livro dos Médiuns”. De certo ponto em diante — e isto fica a critério daquele que se responsabiliza por esta fase dos trabalhos — as tarefas mediúnicas poderão ser iniciadas em paralelo com as de estudo. Será útil para todos um período de atualização de conhecimentos. como também os desencarnados que. deve ser dada prioridade à “Parte Segunda” de “O Livro dos Espíritos”. Ademais. ajustar seus vários componentes. Os impacientes deixarão o grupo espontaneamente. segundo o grau de conhecimento dos seus componentes. Talvez em outra oportunidade. mas por ser melhor que abandonem a tarefa pela metade. pois não apenas os encarnados se beneficiam dela. pelo “O Livro dos Espíritos”. desde aquele que tem apenas vagas noções. começarão a ser trazidos pelos benfeitores espirituais. O mais provável éque o grupo se componha de gente em diferentes estágios de conhecimento. Para não prolongar demasiadamente este período de revisão. nem forçadas. por um processo natural de seleção. Por algum tempo. no segundo. assiduidade. o estudo precederá as manifestações e deverá. revelar as tendências e potencialidades de cada um e. estariam prejudicando apenas a si mesmos. vale a pena uma revisão geral. até o que já possui conhecimentos mais profundos. que poderá ser mais longo ou mais curto. ainda por algum tempo. até mesmo. e à Segunda Parte de “O Livro dos Médiuns”. sacrificariam todo o conjunto. Não deve subsistir nenhuma preocupação com o tempo despendido nesse trabalho preparatório. para aproveitarem os ensina mentos ministrados. todas as obras essenciais à tarefa a que se propõem. e em profundidade. para obter a integração do grupo. Nesse caso. certamente. certamente. resolvam dedicar- se com maior entusiasmo e firmeza. Mesmo que os componentes da futura equipe se julguem suficientemente informados e conhece dores da Doutrina dos Espíritos. Nunca é demais enfatizar a importância e utilidade desta fase preparatória. têm que se apoiar num impulso interior. naturalmente. Não é preciso fazer a leitura de cada capítulo no decorrer das reuniões. que poderá ser longo. Esse período é. aqueles que não se sentirem em condições de se entregar ao trabalho. a boa-vontade e a dedicação de cada um. torna-se aconselhável serem evitadas as manifestações mediúnicas. em prejuízo dos resultados. Seu objetivo final será sempre o de homogeneizar os diversos graus de conhecimento doutrinário. é difícil reunir um grupo de pessoas — seis ou oito — que conheçam igualmente. em processo de exclusão natural. 17 aprendizado mais ou menos longo das questões doutrinárias. estudo e amor. No primeiro caso. renúncia. até que se consiga alcançar uma fase de melhor preparo doutrinário. e ao debate e esclarecimento das dúvidas surgidas. ocupar boa parte do horário. desde que todos o tenham estudado. a partir do capítulo 14 — “Dos Médiuns”. muito útil para afinar o grupo. Não que sejam impuros (por favor!). segundo a programação acordada. a começar.

pois. pois. que o grupo se resolva pelo trabalho de desobsessão. bem como a duração e freqüência das reuniões (sobre o que falaremos. encontramo-nos perfeitamente conscientizados das responsabilidades que assumimos. quem navega sem destino não sabe aonde vai. 18 servir. após algum tempo de estudo teórico. Não há muito a dizer aqui sobre este aspecto. aos poucos. . Estamos cientes disso. é claro. com ênfase na fenomenologia. o grupo já deverá estar com o seu perfil suficientemente nítido. não creditáveis exclusivamente ao trabalho individual deste ou daquele componente do grupo. dado que o assunto escapa à minha área de competência e experiência. Da mesma forma. Um pouco de humildade nos fará. às visitas. de modo que os resultados obtidos sejam impessoais. ao relaxamento. de que estamos preparados para ele. Este livro está mais voltado para esta última opção. A essa altura. Suponhamos. É possível que desejem apenas a experimentação de caráter puramente científico. podem ser constituídos apenas para o estudo teórico da doutrina. em virtude do cansaço. A primeira grande divisão consiste em saber se o grupo vai dedicar-se apenas a estudos ou a trabalhos experimentais. da qual se escondem aflitivamente. senão a de que estamos tentando despertá- los para realidade extremamente dolorosa. É um dia de recolhimento íntimo. A responsabilidade é grande. Estamos igualmente dispostos aos sacrifícios e às renúncias que o trabalho impõe. portanto. em outro ponto deste livro). Como os trabalhos são usualmente realizados à noite. ao qual temos que nos habituar. Já decidimos que desejamos o trabalho. desejamos o grupo. o que seria uma tarefa quase de laboratório. de apagar-se. voltam-se contra nós. Encontraremos percalços e nos empenharemos em lutas remidas pelo bem. já nos convencemos. mas às quais nem sempre estamos acostumados: moderação e vigilância. e é sobre ela que nos fixaremos. Mesmo assim. dentro da equipe. no desespero em que se precipitaram. Outros podem combinar o estudo teórico com a experimentação científica ou mediúnica. então. coletivos. segundo os inte resses e inclinações de seus componentes. especialmente daqueles que se dedicam à organização da equipe. quais são os médiuns. pequena -nas. e sabemos disso. à leitura de livro recreativo ou à novela de televisão. ainda. muitas vezes sem razão alguma. A tarefa precisa ser desenvolvida com muita assiduidade e continuidade ininterrupta. do desgaste e das tensões provocados pela atividade profissional. Alguns grupos. O dia destinado à reunião exige renúncias diversas. desinteressados do aspecto prático. um bem enorme. aos passeios. chegado o momento de especificar a finalidade e os objetivos do grupo. Vamos nos defrontar com espíritos desajustados que. É. A natureza do trabalho pode variar bastante. se necessário. como diziam os antigos. aqui. das lutas naturais da vida diária. Não que uma coisa exclua a outra. Nem sempre estaremos físicamente dispostos a ela. Quem não estiver disposto a aceitar essas condições não está preparado para o trabalho. quem se revelou com melhores condições de liderança e tato na condução da equipe. Também são válidos. Já se sabe quais os que o compõem. e qual a natureza do trabalho a que esta deve dedicar-se. dos inconvenientes oriundos de pequenas indisposições orgânicas. por exemplo. Voltemos à imagem do filho. mas a definição é importante porque. não podemos destiná-la ao convívio da família.

à noite. Dificilmente um grupo terá condições de reunir-se regularmente. que não pode ser parcial. Isto é especialmente válido para os médiuns. A próxima questão que se coloca é: onde e quando reuni-lo? Consideremos primeiro a segunda parte. 19 Não planejamos um grupo para reformar o mundo. estão em condições de avaliar as nossas forças. Muitos espíritos. a partir de certa hora. reservado. o . com duração máxima de duas horas. a partir de 20 horas ou 20h30m. possibilidades e intenções. encarnados. que colocaremos em prática aquele sábio ensino de Jesus. porque. portanto. Sem aquele amor incondicional que nos recomendava o Cristo. Resta o compromisso do amor fraterno. com receio da influência negativa dos espíritos desarmonizados que são atraidos. A questão é delicada e não pode ser respondida sumariamente. De tudo isto estamos conscientes. Todos ou quase todos os seus componentes têm compromissos sociais. quando já tivemos a oportunidade de nos refazer das canseiras dos dias de atividade. familiares e até profissionais. a meio coração. tem de ser total. recursos. num centro espírita bem orientado. indignados com a nossa interferência em seus afazeres. nos quais o desgaste psíquico é sempre grande nos dias em que atuam. É nessa oportunidade. para o que. em doloroso estado de desajuste emocional. Ha veremos de nos preparar apenas para a nossa pequena oferenda. Justifique mos a escolha da segunda-feira. que tornam impraticável reuniões mais freqüentes. sim ou não. as preliminares. Tudo isto aceitamos. Temos o grupo montado e já definimos os seus objetivos. que se renovará em todos os encontros. para os trabalhos mediúnicos. O planejamento é realizado no mundo espiritual. que precisa apoiar-se no perfeito entrosamento emocional de todos. A noite é escolhida justamente porque. condicionado. agressivos. como verdadeiros inimigos. movidos pela esperança secreta de que os conquistemos para as alegrias do amor fraterno. durante vários anos. Uma boa sugestão seria reservar. Sem isso. a segunda-feira. A nós. se apresentarão. Se for possível um local apropriado. mais de uma vez por semana. com acomodações especiais? Alguns confrades temem a realização de trabalhos de desobsessão em casa. muito melhor do que nós. impraticável seria doar o amor de que necessitam os irmãos desencarnados que nos procurarem. é indispensável que todos se estimem e se respeitem. Começa com o relacionamento entre os componentes do grupo. Há uma porção de condicionantes. de preferência um centro. Os orientadores espirituais saberão o que fazer dela. dentro das nossas limitações. que nos recomenda amar os nossos inimigos. diante de nós. irritados. bem como as nossas fraquezas. estão todos com as tarefas do dia concluidas. caberá executá-lo. a deblaterarem em altas vozes. A freqüência as reuniões é usualmente de uma vez por semana. obviamente. As sessões podem ser realizadas em casa ou convém buscar outro local. nem para conquistar todos os grandes espíritos que se debatem nas sombras. Ê que ela sucede ao repouso mais longo do fim de semana. O outro aspecto da questão diz respeito ao local. tanto profissional quanto no próprio grupo. como iremos oferecer-lhes a segurança da compreensão e da tolerância de que tanto necessitam? * Estão resolvidas.

paixões subalternas e desajus tes de toda sorte. 20 trabalho deve ser feito aí. assegurar um clima de equilíbrio e proteção. Se na vida diária. Isto não exclui a necessidade de vigilância e atenta observa ção. criando brechas por onde penetrem emissões negativas e inquietantes. Por outro lado — e isto vai dito com bastante pesar — nem todos os centros oferecem condições ideais para o difícil trabalho da desobsessão. de aperfeiçoar-se. como para as pessoas que vivem na casa. é a prece. emocional. Por outro lado. Os espíritos perturbadores poderão e ncontrar meios para neutralizar tarefas que se anunciam. de servir. porém. é o equilíbrio psíquico. a realização de trabalhos de desobsessão poderá agravar as condições. pode funcionar sem problemas e até com benefícios para a vida doméstica. Em tais condições. Mas isto acontece. Pode haver casos em que o ambiente psíquico de uma instituição esteja sob a influência de rivalidades. O que garante a estabilidade de um bom grupo mediúnico não é a sua localização física. pois. Num lar normal. ou seja. ciúmes. Para cobrar nossos compromissos. disputas internas. questões de ordem material ou financeira. rivalidades. já somos tão assediados pelos cobradores invisíveis. Seria o mesmo que mandar os filhos à escola e fazer por eles todos os deveres. Nada de ilusões. e. tanto para os espíritos trazidos para serem atendidos. haja ou não haja grupo mediúnico reunido em casa. mas. em todo relacionamento com o mundo espiritual. pois é evidente que espíritos infelicitados pela desarmonia interior tenderão sempre a transmitir sua perturbação àqueles aos quais tiverem acesso. qualquer grupo torna-se vulnerável ao assédio cons tante das vibrações negativas que cercam os seus componentes. sob a proteção de orientadores espirituais competentes e esclarecidos. desorientações ou práticas que a Doutrina Espírita não endossa e até mesmo condena formalmente. promissoras. O que nos defende da investida de companheiros infelizes das sombras não é a realização de sessões bem distantes do local onde vivemos. o trabalho mediúnico equilibrado e bem dirigido. ódios e rancores. de início. Essa. àqueles que deixarem cair suas guardas. os Espíritos não a farão por nós. sob condições perfeitamente normais. antigos comparsas de erros passados procuram sempre impedir que caminhemos pela senda áspera da recuperação. O trabalho de desobsessão não é fácil. até nas profundezas de esconderijos mais abjetos na carne. Não quer isso dizer que não haja proteção e amparo por parte dos espíritos bem- intencionados que nos assistem. é claro que podemos contar com um esforço muito maior deles. por isso. os espíritos desajustados nos buscam em qualquer lugar. ou nas furnas do mundo espiritual inferior. já se encontre tumultuado e desequilibrado. do ponto de vista humano. há sempre a parte que compete a nós realizar. é o desejo de purificar-se. quando nos dedicamos à delicada tarefa de interferir com as suas paixões. pois sabem que é com esses processos que nos redimimos e nos colocamos ao abrigo de suas investidas. q ualquer que seja o ambiente em que se realize. Por outro lado. no lar ou no centro. são as boas intenções. daqueles que o comPõem. geográfica. pois será difícil aos companheiros desencarnados. num lar tumultuado por disputas. Em ambiente perturbado. não pode ser recomendado para um meio que. O cômodo destinado às sessões deve ser escolhido com critério e extremo . que orientam o grupo. torna-se muito difícil um trabalho mediúnico sério e responsável.

que se achavam presentes à conversação prévia. . Precisa ser suficientemente amplo e arejado. sendo inadmissível. Com freqüência. O ingresso na sala deve ser feito apenas minutos antes do início da sessão. depois. mais difícil manter um clima de absoluta vigilância. a música erudita. A qualquer momento. para acomodar bem todos os participantes. como uma sala de entrada que dê para a rua. causando choques e perturbações àqueles que se acham concentrados. por motivos mais que óbvios. A recepção dos componentes e a conversação inicial serão realizadas em outro cômodo. a temática pode perfeitamente girar em torno de questões doutrinárias. sons de televisão ou rádio ligados nas redondezas. dado que o mal-estar físico dos participantes dificulta sobremaneira o bom andamento dos trabalhos. Quer isto dizer que são proscritos dessas conversações prévias. uma passagem obrigatória para aqueles q ue não participem dos trabalhos. pode escapar um pensamento impróprio ou uma expressão infeliz. por maior que seja o cuidado. Essa recomendação é tão válida para a hipótese de se desenvolver o trabalho em casa. como no centro espírita. que usualmente vai de uma reunião à outra. não perturbar a harmonia do ambiente. pedindo que fiquemos nos temas de caráter doutrinário ou. especialmente nos dias de reunião. em conversa neutra. em sua casa ou no centro. por algumas horas. A proteção magnética da sala mediúnica deve ser preservada com todo o cuidado. o que se nota. Quem não puder manter essas condições mínimas. dessa maneira. Deve ser isolado. a sala onde se realizam os trabalhos mediúnicos deverá ser preservada. deve ser provido de um condicionador de ar. Deve estar igualmente abrigado de ruídos de tráfego ou gritos vindos da rua. por exemplo. no decorrer dos trabalhos. o estudo sério. Ë preciso evitar ali reuniões sociais. os espíritos nos demons tram. os comentários sobre o crime da semana. portanto. enquanto não são removidos para instituições apropriadas. para essa finalidade. eles fazem uma advertência amiga. uma pessoa da casa ou um visitante inesperado estaria tocando a campainha ou batendo à porta. Ademais. com freqüência. atos reprováveis. das demais dependências do prédio. 21 cuidado. pelo menos. como a boa leitura. ao se penetrar no cômodo. Sempre que a conversa descamba para assuntos menos nobres. a piada do dia. visitas inconvenientes. O cômodo não deve ter telefones que possam tocar subitamente. Mesmo nos demais dias da semana. de vez que. alguns espíritos em tratamento ficam ali em repouso. interrompendo o curso das atividades. Torna-se. O ideal. que deixaremos para as frívolas reuniões sociais. por exemplo. numa conversa descontraída. após o espaço de uma semana. não interferir com os meticulo sos preparativos realizados pelos companheiros desencarnados que dirigem e orientam as tarefas. conversas descuidadas. Quando isso for impraticável. para as noites de verão intenso. não deve tentar trabalho mediúnico de responsabilidade. Quando possível. sobre o último casamento do astro da novela. quase todos gostam de relatar experiências e acon- tecimentos. que pelo menos se tenha o cuidado de usá-lo apenas para atividades nobres. Em lugar desses assuntos. o preparo de artigos e livros doutrinários. ou a derrota do nosso time de futebol. tanto quanto possível. de um dia para o outro. é ter um compartimento destinado somente à tarefa mediúnica. para não viciar os dispositivos de segurança do trabalho. especialmente porque. O ambiente costuma ser mantido em elevado teor vibratório pelos trabalhadores espirituais.

Depois de todos esses preparativos. ini ciado no mundo espiritual. todas as conversas. um dos médiuns viu. através de aparelhos e “fios” luminosos que se prendiam às cadeiras de cada membro. ao cômodo destinado aos trabalhos. o gravador com a fita já também em posição para captar a mensagem final dos mentores do grupo. que parece útil. a sala está preparada físicamente para a reunião: mesa e cadeiras em posição. ainda com relação à distribuição do pessoal em torno da mesa: sempre que possível. a essa altura. o cômodo destinado às reuniões fica completamente isolado do corpo da casa. para que o grupo não se embrenhe pela fantasia. que os espíritos em tratamento posteriormente confirmam. com mentores do grupo ou com os companheiros que estão sendo tratados ou que ainda virão a manifestar-se. * Minutos antes de iniciar a sessão. tendo acesso apenas por uma passagem externa. desde o preparo da sala. lápis. canetas esferográficas. Freqüentemente. desligam-se das preocupações do dia. Cessaram. No grupo do qual faço parte. material para eventual psicografia. Outra recomendação. De modo geral. a sala já está preparada pelos responsáveis espirituais. Aquietam-se as mentes. preferenternente de cor. Sugere-se a cor vermelha. bem como às condições do espírito que será trazido para tratamento. em retrospecto. os “sonhos”. em retrospecto. a água destinada à fluidificação. em silêncio. É evidente que esse material deve ser examinado e criticado com extremo cuidado. Cerca de duas horas antes. os livros que contêm os textos destinados à leitura. Neste caso. naquilo que pode contribuir para ajudar o desenvolvimento do trabalho. todos se dirigirão. O tema é tratado mais amplamente em outro ponto deste livro. Essa técnica se desenvolve com o tempo. os médiuns e outros participantes têm sonhos. o caderno de preces. intuições e “recados” do mundo espiritual. que são verdadeiros desdobramentos. e todos se predispõem ao trabalho. antes que a manifestação se torne ostensiva no grupo mediúnico. uma pequena luz indireta. tranqüilizam-se os corações. mais tarde. depois de recolhido ao leito. e se sentarão em torno da mesa. a esta altura. pois a luz branca é prejudicial a certos fenômenos mediúnicos. recebem intuições ou pequenos avisos e conselhos de Espíritos amigos. Esta é a razão pela qual cada um deve ter seu lugar fixo em torno da mesa. papel. A essa altura. dando voltas em torno da mesa e providenciando para que fossem estabelecidas certas “ligações” com o plano superior. A experiência do pequeno grupo do qual faço parte tem sido bastante positiva neste particular. os trabalhadores do mundo espiritual. em desdobramento. segundo viu o nosso médium. atendendo a características específicas de suas mediunidades. trazem informações valiosas. passam a observar com maior atenção os acontecimentos e anotar sonhos. uma vez que os dispositivos ligados às cadeiras se destinam a fácilitar o trabalho. inspecionam o cômodo. no decorrer do diálogo mantido com o doutrinador. 22 Uma boa sugestão é a de recapitular a semana. ou têm a relatar contactos mantidos. toda a sessão. Geralmente. esses contactos são preliminares ao trabalho. Depois que todos os componentes do grupo forem alertados para as suas possibilidades e va ntagens. relaxam os músculos. o dirigente .

gravar a data da sessão. Se há psicografia. que recomenda que duas ou mais pessoas. deve estar pronto para entrar em ação com o mínimo de operações e ruídos: a fita em posição. A razão é puramente subjetiva e psicológica. Na hora da prece. É mais fácil. sem fazer alarido e arrastamento ruidoso de cadeiras. É conveniente. o objetivo não é disputar uma peleja de vida ou morte. ao testá-lo. A água destinada a ser fluidificada deve estar num jarro de vidro. “Fonte Viva” —. em forma de cruz. quem ficar ao lado do médium deve estar preparado para remover as folhas. Não convém que a água esteja gelada: um amigo espiritual nos disse. sempre em silêncio. façamos uma revisão geral na sala. bastará dar a partida. o livro que contém o material de leitura preparatória. ou por outro autor da preferência do grupo. atirar os objetos ao chão. de preferência ao lado da mesa. à sua agressividade. sem comentários. Se emitir luz intensa de algum visor. à medida que são escritas. Este conselho é ditado pela boa técnica de reuniões profanas. do que se ela estiver exatamente diante de nós. para eliminar qualquer empecilho que possa existir entre o comunicante e o doutrinador. Se opomos. Todos devem ocupar os assentos em silêncio. pois um espírito mais turbulento pode. convém que o material não fique ao alcance dos médiuns de incorporação. alcançar um entendimento com uma pessoa ao nosso lado. o material correspondente deve achar-se sobre a mesa: papel em folhas soltas. num copo ou outro recipiente apropriado. de preferência posto sobre um móvel ao lado da mesa principal. Quanto ao gravador de som. não sejam atirados ao chão. pois. que vão debater um assunto. de psicografia e incorporação. vários lápis apontados e esferográficas. 23 deve sentar-se de forma a ficar ao lado dos médiuns e não face a face. os nomes das pessoas desencarnadas. serão mentalizados pelos interessados. sobre a mesa. igualmente. O caderno de preces destina-se a receber o nome dos encarnados e desencarnados para os quais desejamos solicitar ajuda espiritual. não devem defrontar-se. “Pão Nosso”. acumuladas ao longo do . Pode ser adotado o processo de indicar com um pequeno sinal. Antes de prosseguir. ou seja. Se há trabalhos de psicografia. num movimento mais violento. geralmente uma obra mediúnica assinada por Emmanuel — “Vinha de Luz”. No grupo que freqüentamos. Tudo deve ser feito. No momento oportuno. nada conseguiremos. Se os trabalhos forem mistos. para não exacerbar o antagonismo. Os nomes devem ser escritos antes de começar a sessão. Lá está. este deve ser coberto com um objeto opaco. num gesto brusco. o gravador é reservado para a mensagem final. A posição frente a frente parece le vantar em nós os resíduos e os depósitos acumulados pelos milênios em que enfrentávamos nossos adversários em lutas pela sobrevivência. mi crofone já anteriormente testado. para que. que a água à temperatura normal do ambiente se prestava mais facilmente à fluidificação ou magnetização. No caso das sessões mediúnicas. Os móveis estão na posição certa e os lugares predeterminados. mas dialogar amistosamente com um Espírito em estado de confusão e desespero. usualmente transmitida depois do atendimento dos companheiros necessitados. Essas mensagens. juntamente com pequenos copos. a nossa. que desejamos despertar para uma realidade que ele se recusa tenazmente a aceitar. a qualquer um de nós. certa vez.

todos ficam recolhidos. fixando- lhes até o número de Espíritos que deverão atender. aqui.) Alguns grupos costumam comentar o texto lido. indireta. na qual se solicite a proteção para os trabalhos. se não estiver bem preparado para a sua tarefa e habituado ao exercício da mediunidade vigilante. restando apenas a lâmpada mais fraca. Não convém correr esse risco. em silêncio. o dirigente encarnado dos trabalhos. É feita a prece. nem elaborados. a postos. evita que todos sejam tomados ao mesmo tempo e se crie balbúrdia prejudicial ao trabalho. de preferência em cor suave. As sugestões oferecidas a seguir não são. e muitas vezes. que vão sobrecarregar os companheiros desencarnados. nem decorada. Por outro lado. assim. a colaboração dos amigos espirituais. ou em tom de discurso: uma rogativa simples. concentrados. Os mentores do grupo conhecem bem esse mecanismo e sabem melhor como dispor as manifestações. Finda a prece. Depois de todos acomodados e em silêncio. que forneça iluminação discreta. sofrer variações. o plane - jamento reali zado no mundo espiritual. Em alguns grupos. não é recomendável o procedimento. Na minha experiência . Acresce ainda uma observação. atentos. geralmente. apenas suficiente para se distinguir o ambiente. É que os Espíritos a serem tratados encontram-se ali. A designação prévia do médium pode criar neste uma expectativa. bem como os médiuns que não deverão “dar passividade” a nenhum manifestante. ou seja. e se. tais comentários não devem ser muito longos. Todos se encontram. É bem possível que convenha encaminhar primeiro determinado Espírito. e até certa ansiedade. nem guardar tom oratório: serão singelos e sem retórica bombástica. tolerância e compreensão. pois cada grupo acaba por encontrar a sua dinâmica própria. costuma designar previamente os médiuns que irão atuar. com precisão. por desconhecimento. Em seguida. que o leve a “forçar” uma comuni cação. evidente mente. mas em estado de tranqüilidade e relaxamento muscular. não conhecemos. dentro do roteiro mais ou menos comum a esse tipo de trabalho. Embora se trate de uma posição respeitável e bem-intencionada. 24 tempo. o que acarretará adaptações de última hora. e até mesmo levá-lo ao fenômeno do animismo. mandamentais. pois nem todos os grupos estariam preparados para identificar a dificuldade e corrigi-la. um para cada sessão. Convém retirar. é feita a leitura do texto do dia. por determinado médium. designamos outro médium. em seqüência. os objetos que se encontrem sobre a mesa. Procurarei apresentar as razões. as pessoas e os objetos. a luz mais intensa é apagada. o próximo companheiro já vem predisposto e mais receptivo à doutrinação. obviamente. no ambiente. depois de presenciarem um atendimento particularmente dramático ou tocante. que também não deve ser longa. Proporemos. altera-se a seqüência do trabalho programado. (A data da sessão deverá ser anotada ao pé da página. a inspiração e a predisposição para receber os companheiros aflitos com amor. de uma vez. neste momento.Acreditam alguns que esse processo de designar cada médium. pelas razões já apresentadas. ou o mentor espiritual. com o propósito aparente de disciplinar as atividades do grupo. que pode. constituirão precioso repositório de ensinamentos e de experiência no trato com os problemas do mundo espiritual. a critério de cada grupo. e devem ser preservadas para referência futura. um roteiro típico.

dizia que os comentários devem ser disciplinados. depois das várias manifestações de companheiros aflitos. usualmente. de vez que outras tarefas inadiáveis os aguardam alhures. tudo fazem para permanecer como estão. um dos orientadores recomendou-nos. que tais comentários obedeçam a uma disciplina. no entanto. os trabalhos são encerrados com uma prece. em termos inequívocos. sabendo disso. devem ficar a critério dos dirigentes espirituais do grupo. Épreciso. às vezes barulhentas e indignadas. após uma sessão mediúnica. para provocar distúr bios e levar o pânico ao grupo. começou a manobrar para ganhar tempo. há uma pausa. Os espíritos turbulentos. É excusado dizer que a sessão deve ter hora prefixada para começar e para terminar. que. mas. Pelo contrário. Terminado o atendimento. recolhimento e carinho é insincera. os mentores terão recursos suficientes para contê-los. Seria desastroso que um comentário descaridoso fosse feito. É freqüente verificarmos que outros médiuns já se acham ligados aos próximos manifestantes. composta de obreiros do lado de lá. Explicou que o trabalho mediúnico é protegido e assistido por uma equipe de segurança. que irão atuar ou não. Em hipótese alguma deve permitir-se que. Esgotado o prazo. que deve ser usada para uma pequena prece. O dirigente . Terminado o atendimento. o diálogo ainda se alongou por alguns minutos. Por isso. muito ardilosamente. em total dissonância com as palavras de amor fraterno que há pouco foram ditas. 25 pessoal. por algum tempo. quanto menos interferirmos. por iniciativa dos manifestantes. num grupo bem ajustado. que ajuda a repor o ambiente em termos mais calmos. Concluída a mensagem final. e o mecanismo de segurança fica substancialmente enfraquecido. eles têm que se retirar. A lição é importante. como vimos. ele apelou para a boa educação: — Você está me mandando embora? E com essas e outras. Os manifestantes. durante a doutrinação. melhor. Em suma: a seqüência da apresentação dos desencarnados e a escolha dos médiuns. no recinto. ou não. nunca encontrei essa dificuldade. Os companheiros necessitados devem ser atendidos rigorosamente dentro do horário a eles destinado. É que. o que seria desastroso. Certa vez. para que possam ser úteis a todos. Se percebem que toda aquela atitude de respeito. É hora dos comentários finais. até que chegue a vez de falarem. convém gravar. seja ultrapassada a hora. tivemos a esse respeito uma lição preciosa. que não têm necessidade de anunciar-nos previamente o plano de trabalho da noite. * Há sempre o que comentar. para futura referência e estudo. para que ele se desenrole harmoniosamente. Embora inconscientemente desejem ser convencidos da verdade. enquanto se aguarda a palavra final dos mentores. Percebendo que a hora se esgotava. que evitássemos a repetição do ocorrido. dificilmente poderão ser ajudados de outra vez. o espírito manifestante. no estado de confusão mental em que se encontram. os Espíritos atendidos ainda permanecem. lutam desesperadamente para continuar a crer ou a descrer naquilo que lhes parece indicado. pelo dirigente. procuram demorar-se. Quando o dirigente lhe disse que precisava partir.

o Espírito me cobrou. em grande estado de agitação — desencarnação recente. Certo Espírito. é distribuída a água. recomenda- se uma parada para pensar e uma pequena prece. por mais uma noite de trabalho redentor. É preciso que se tenha o cuidado para não pregar uma coisa e fazer outra inteiramente diversa. Se o dirigente não dispõe do recurso da vidência. que nada tinham a ver com o trabalho mediúnico: . Todo cuidado é pouco. e os componentes do grupo. ao terminar a sessão. Por outro lado. as fraquezas que conseguiram identificar em nós. enfim. com o mínimo de interferência. observar que o trabalho dos componentes de um grupo mediúnico não termina com o encerramento da sessão. especialmente os que moram longe. ou têm acesso a fenômenos que usualmente interessam ao bom andamento dos trabalhos ou trazem indicações a serem utilizadas na sessão seguinte. usualmente. Os médiuns videntes sempre têm algo a dizer. que eu conhecia. e não podia. Desejam testar a boa-vontade. qualquer que seja o local onde nos encontremos. Nos momentos em que sentirmos que vamos fraquej ar. envolver-nos com seus artifícios. É preciso. porém. é tarde da noite. Inúmeras vezes. avaliar a sinceridade. no desespero inconsciente em q ue se acham. estaremos admi tindo. de invigilância. pois não tinha ainda o que dizer à pobre senhora. Outro me disse. durante os trabalhos. sem elevar demasiadamente a voz. para que possam continuar no livre exercício de suas paixões e desvarios. de maledicência. de certa forma todos estão envolvidos nas tarefas. sem gargalhadas estrepitosas. Mesmo durante o espaço de tempo que vai de uma reunião à próxima. oferecemos brechas causadas por impulsos de cólera. em circunstâncias trágicas — me pediu que falasse com sua mãe. embora estejam todos. especialmente do médium pelo qual se manifestaram e do dirigente que se incumbiu de doutriná -los. felizes e bem- humorados. Os comentários finais não devem prolongar-se por muito tempo. em ordem e discretamente. Antes de se retirarem. Geralmente. certamente. O mesmo se aplica aos médiuns clariaudientes. pois percebem a presença desta ou daquela entidade. Estejamos. no decorrer da semana. na intimidade do ser. logo na sessão seguinte: — Você não falou com a minha mãe! Respondi-lhe que não tinha ainda uma palavra tranqüilizadora para dizer a ela. 26 deve perguntar pela experiência de cada um. os Espíritos em tratamento nos dizem claramente que nos seguiram em nossa atividade normal. aqueles companheiros particularmente enfurecidos tentarão. É claro que não nos podemos colocar como seres puríssimos e redimidos. falar do verdadeiro estado de aflição em que se encontrava ele. Embora eu não o tenha prometido. precisam retirar-se. no próximo encontro. pois eles o farão. evidentemente. o comportamento de todos. na esperança de nos neutralizar. incapazes de errar. emanações negativas que os companheiros infelizes estão sempre prontos a emitir contra nós. preparados para uma interpelação. ao cabo de uma semana particularmente angustiosa para mim. com as suas lutas e canseiras. os médiuns videntes do grupo devem ajudá-lo discretamente. ainda no recinto. Se. ajuizar-se do comportamento de cada membro do grupo. assim. Mesmo que a sessão tenha terminado. deve ser discreto. Os irmãos desesperados certamente nos cobrarão. em virtude de terrível pressão de problemas humanos. pois o trabalho os espera pela manhã do dia seguinte. de intolerância.

aqui. Como não ignoram. a assiduidade dos médiuns e a continuidade do trabalho são vitais ao seu bom rendimento. A prática de reproduzir sumariamente os principais aspectos de cada manifestação se revelou sempre de grande alcance. Descreva-se cada manifestação e faça-se um resumo do diálogo mantido com o Espírito. sob o título “Trabalhos do Grupo Ismael”. o médium que lhe seja mais indicado pelas características da mediunidade ou pela natureza do trabalho a ser realizado. como modelo. . querendo. a não ser que a sessão seja de pesquisa. Feita a ligação. o trabalho junto ao sofredor fica como que em expectativa. aqueles que cuidam desses problemas. o número de ordem da sessão. Se a comunicação final for gravada. Lamentavelmente. Anote-se a data e. para referência. É sempre útil que alguém se incumba de anotar. Isto não é. Sugere-se. Se o médium falta. Assim. Quando se trata de tarefa de desobsessão. hoje. esses livros se acham. os mentores espirituais escolhem. um argumento muito válido. ao voltar. mas bibliotecas especializadas dispõem de exemplares. mas também. para consulta. Guillon Ribeiro. basta uma referência identificadora. nas vezes subseqüentes. em favor da continuidade dos trabalhos e da assiduidade dos médiuns. para o aprendizado constante que representam as tarefas mediúnicas. a não ser por motivos muito fortes e justificados. não apenas na condução dos trabalhos. esgotados. uma ata. Essa tarefa deve caber. num caderno. porém. suspenso. ao dirigente ou a alguma pessoa que se mantenha lúcida — sem transe mediúnico — durante toda a sessão. a série de livros publicados pela Federação Espírita Brasileira. um resumo do trabalho realizado em cada reunião. de preferência. aguardando a próxima oportunidade. preparados com extremo cuidado e competência pelo Dr. virá usualmente pelo mesmo mé- dium. Ainda te pego! * É oportuno colocar. para cada manifestante. 27 — Esta semana eu quase te peguei. não é preciso ir a esses rigores. * Ainda uma sugestão. o Espírito.

28 SEGUNDA PARTE AS PESSOAS .

no escritório. ao escrever esta página. está hoje perfeitamente documentada através da câmara de Kirlian. ciumenta. 29 2 OS ENCARNADOS O trabalho do grupo mediúnico se desdobra simultaneamente nos dois planos da vida. Lá chegaremos. O amigo confirmou e justificou: — Meu caro confrade: a gente. nos observam. depende de inúmeras tarefas preparatórias. desenvolvidas em desdobramento. em condições de conferir cientificamente e documentadamente as observações dos videntes do passado. ainda desarmonizados. durante a noite. e um senhor idoso. tivesse medo de desencarnar. Muito do que conseguimos obter. ao verificar que um espírita esclarecido. pois. como se estivesse atrás de uma espessa máscara. não podemos esquecer-nos de que os Espíritos dispõem de maior liberdade de ir e vir. colérica. Ao terminar sua exposição. na carne. para perguntas e comentários. nos cinemas. do que nós. éocupação que toma vinte e quatro horas por dia. e. da que circunda a pessoa desequilibrada. Eles nos vigiam. da mesma forma que a gradação espiritual é facilmente identificável pela aparência “visual” do Espírito desencarnado. precisa convencer-se de que deve estar em permanente vigilância consigo mesmo. descobrir os nossos pontos fracos. nos arvoramos em santarrões de fachada. que aquele que resolver dedicar-se ao trabalho mediúnico. vai levando a vida escondido. Estaria completamente equivocado aquele que julgasse que o trabalho se realiza apenas durante a sessão propriamente dita. Cada atitude mental imprime à aura suas características. disfarçado. com o que diz e faz. Além do mais. numa palestra pública. com espírito crítico. sensual. como ele. na rua. nos restaurantes. com seus pensamentos. por todos os meios. quanto à interpretação dos fenômenos luminosos produzidos na aura. no auditõrio. É que a “atmosfera” psíquica que carregamos conosco resulta do nosso pensamento. a palavra foi franqueada. Nosso procedimento é minuciosamente analisado. durante as duas horas da sessão. declarou seu espanto. ou na região perispiritual do ser. que era apenas uma afirmativa de caráter teórico. cor e movimento. e que. que capta na chapa fotográfica o espetáculo colorido e movimentado que se desdobra na aura dos seres vivos. não obstante. mas não apenas por isso. como dizia tão bem o sensitivo americano Edgar Cayce. impiedosamente. pelos companheiros invisíveis que. em hora e meia ou duas horas de sessão. em forma. na intimidade do lar. declarando que tinha medo de morrer. o procedimento diário precisa ser correto. E isto. especialmente no que se convencionou chamar de desobsessão. e haveremos de nos certificar de que a aura do ser pacificado difere muito. É claro. certa vez escandalizou seus ouvintes. e complementadas posteriormente. e confrade muito inteligente. Do lado de lá. Ainda não estamos. Um amigo meu. aqui. procuram. Somos aquilo que pensamos. isto é impossível: mostramo-nos em toda a nudez da nossa imperfeição. no entanto. quase sempre. para nos mostrarem que somos tão imperfeitos e pecadores quanto eles mesmos. Principalmente com os . agressiva. nos seguem por toda parte. num intercâmbio tanto mais proveitoso quanto melhor for a afinização entre os diversos componentes encarnados e desencarnados. Por isso.

grutas perdidas na solidão. O que enxerga um pouco mais. a cada momento. em termos vibratórios — para usar uma palavra mais ou menos aceita — que dificilmente conseguem eles alcançar-nos. porém. aos extremos do misticismo. um pensamento de rancor ou de revolta. senão aqueles que ainda estão a caminho com eles? A distância entre nós e os que já se redimiram é tão grande. no qual uns devem suportar e amparar os outros. Toda atenção é pouca. embora a supervisionem cuidadosamente. na rua. O mesmo princípio opera. Quem poderia alcançar estes. E é necessário. para um trabalho direto. ou de inveja. seres humanos como nós mesmos. voltará a falar. a mulher. um dia. A vigilância dispara o sinal de alarme: a prece. amparar o coxo. Por outro lado. Não é difícil. ou. mosteiros inacessíveis. com o homem. de falhas clamorosas. uma piada grosseira e pesada. inquietações. Também somos pecadores. para nos defender dos párias. o distraído olhar de cobiça para uma mulher atraente. a ponto de viver rezando pelos cantos. mas significa que devemos policiar-nos constantemente. uma tremenda multidão de estropiados espirituais. temos. mas. nos fenômenos de efeito físico. de olhos baixos pela rua. talvez. E como!. pode levar-nos a escorregões de imprevisíveis conseqüências. Não é que tenhamos que nos isolar. aliás. A doutrina explica-nos que tais fenômenos são usualmente reali zados por espíritos de condição vibratória compatível com a nossa. Como seres imperfeitos. Não vamos deixar de ter as nossas falhas. Somos. na lingua gem evangélica: amar-nos uns aos outros. porém. Ninguém precisa chegar. se. mazelas e imperfeições. o velho. Ai de nós. às deficiências que carregamos. a assistência a um filme pernicioso. em relação ao chefe ou companheiro de trabalho. e façamos um esforço muito grande para nos livrarmos deles. E quem sabe se o aleijado dispõe de conhecimento construtivo que possa transmitir ao mudo? Este. É preciso desenvolver um mecanismo automático interior. no futuro. Não há como fugir de ninguém e isolar-se em to rres de marfim. numa redoma ou numa couraça. ajuda o cego. com as mesmas angústias. este disponha de pernas para caminhar e pode. para ensinar e construir. não é lá grande coisa. Exemplos? Há muitos: o envolvimento numa conversa male dicente. pois vive mos num mundo transviado. Nosso trabalho é aqui mesmo. a defesa e a correção. no passado mais distante e no passado recente. Há milhões de motivos. Daí a recomendação da vigilância. temendo o “contágio” com os pecadores.. Será que ainda não descobrimos que somos párias também? A vigilância é para que fique mos apenas com os males que nos afligem intimamente. como se vê em André Luiz. 30 pensamentos. com a maior facilidade. com relação a alguém que se destacou por qualquer motivo. que acenda uma luzinha vermelha a qualquer “fuga” ou distração maior. junto ao nosso espírito. Vivemos num universo inteiramente solidário. pois. a leitura de livro pornográfico. pois. diante de nós. somarmos as que rece- . assim.. também imperfeito. e a diferença evolutiva entre nós. mas estaremos sempre prontos a advertir-nos interiormente e a reajustar a mente que. que nos cercam por toda parte. aqui na Terra. exatamente porque reflete o transviamento da massa de seres desajustados que vivem na sua psicosfera. no sentido de que todos trazemos fe ridas não cicatrizadas. Não quer isto dizer que temos de nos transformar em santos da noite para o dia. de viver com o semelhante. Os espíritos elevados não participam diretamente de tarefas desta natureza. a criança. a Providência Divina vale-se precisamente dos imperfeitos para ajudar os mais imperfeitos.

em vez de cuidarmos. ou até mesmo os provocaram. De outras vezes. nesse campo especializado. pois. inexplicavelmente agitada ou inquieta. à hora da saída para a reunião. Os Espíritos trazidos às reuniões. As recomendações de comportamento adequado são particularmente rígidas para o dia em que as sessões se realizam. É nesse sentido que deve funcionar o mecanismo de advertência. Geralmente são trazidos porque foram incomodados na sua atividade lamentável. certamente. São essenciais. desde cedo. chove ou faz muito frio. por exemplo. Nem percebem que os companheiros das sombras souberam tirar bom partido dos acontecimentos. é tarefa para todas as horas do dia e da noite. se. Não custa muito. Com freqüência enorme são inteligentes. Ali mentação sóbria. Fugiremos ao envolvimento em discussões e desajustes de variada natureza. já se trata de aproximação de Espíritos angustiados. agressivos. chegue uma visita inesperada. que se vão somando. ou o egoísmo de um terceiro. ou horas depois. Isto se dará. Se em lugar de vigilância e prece. consiste em atacar aqueles que interferem com seus planos. leve. No desespero em que vivem mergulhados. Chegam impetuosos e dispostos a fazer qualquer coisa. Já bastam as nossas mazelas. lhes oferecemos o flanco desguarne cido. a rigor. um pouco de repouso físico e mental. e essa defesa. e mais bem informados do que nós. “No dia marcado para as tarefas de desobsessão” — escreve André Luiz —. a respeito deles. Cuidado. até neutralizá -los de todo. como no caso do súbito mal-estar próprio ou de um membro da família. ou a irresponsabilidade de outro. Que não se cometa. 31 bermos por “contágio espiritual”. Daí a advertência de que o trabalho mediúnico. não hesitarão em promover qualquer medida defensiva. especialmente se o grupo mediúníco se envolver em tarefas de desobsessão. Para que captar outras que infelicitam os companheiros de jornada? * Estas recomendações e sugestões nada têm de puramente teórico ou acadêmico. encarnados. “os integrantes da equipe precisam. abster-se de carne. e um pensamento de comodismo e preguiça nos segreda a palavra de desânimo. com relaxamento muscular e pacificação interior. No dia seguinte.) É possível que. por exemplo. de aniquilar a nossa arrogância. Enfrentemos com disposição e coragem os empecilhos naturais que possam obstar o comparecimento à reunião: um mal-estar de última hora. o mal-estar terá passado. principalmente no caso dos médiuns. mas o . para continuar a proceder como acham de seu direito e até de seu dever. na vigilância. geralmente. Sempre que possível. irônicos. apresentam-se hostis. pelo menos nesse dia. durante o dia ou nas horas que precedem a reunião.” (1) Resguardarem-se todos na prece. para tratamento. cultivar atitude mental digna. Muitos obreiros promissores têm sido afastados de tarefas redentoras por pequeninos incidentes como estes. como por encanto. que transmitem suas vibrações depressivas. a ingenuidade de pensar que são ignorantes. ou uma criança se ponha a chorar. passarmos a imitar a avareza do irmão que segue ao nosso lado. ou calor excessivo. e é necessário prescindir do álcool e do fumo. (Muitas vezes. ou coléricos. sintonizamo-nos com as suas vibrações agressivas e acabaremos por ser envolvidos.

em suma. que se acham no mundo espiritual. O dirigente do grupo não é o que se senta à cabeceira da mesa e dá instruções — ele é apenas um companheiro. que deve predomlnar entre os encarnados um clima de liberdade consciente. e nunca o diremos com ênfase bastante. O bom entendimento entre todos é condição (1) Desobsessão. franqueza sem agressividade. Qualquer sintoma de rivalidade entre médiuns deve ser prontamente identificado e combatido. FEB. Francisco Cândido Xavler e Waldo Vieira. dos verdadeiros responsáveis pela tarefa global. Isto implica dizer que os elementos perturbadores dessa harmonia interna devem ser prontamente identificados. provocarão a desagregação impiedosamente. e. restrições mútuas. como disputa pelos diversos postos: dirigente. A grande vitória começa com as pequenas escaramuças. 32 trabalho das trevas já está feito: um obreiro a menos na seara. e perfeita unidade de propósitos. afeição sem preferências. mais uma vez lembramos: é vital que os unam laços da mais sincera e descontraída afeição. ao longo dos séculos. mais adiante. Ainda falaremos disso. No momento em que o desentendimento e a desafeição começam a medrar entre os encarnados. * Quanto aos componentes encarnados do grupo. basta dizer. insubstituível. serenidade. médium principal e outras infantilidades. Se os componentes do grupo oferecerem condições de desentendimento. 3ª ed. lealdade sem submissão. pois esta é a sua especialidade. O responsável pelo grupo. o grupo está em processo de desagregação. Muitos deles não têm feito outra coisa. Julgam-se com direito de fazerem o que fazem. Ë preciso entendê-los. Não pode haver desconfianças. reservas. Nem sempre o fazem por maldade intrínseca. pelo menos naquele dia. Assim sendo. se o grupo almeja tarefas mais nobres. autoridade sem prepotência. Eles vivem num contexto que lhes parece tão natural. dividindo para conquistar. infelizmente para eles próprios. pelo menos por algum tempo. até que se afastem os elementos dissonantes. por isso. não se detêm diante de nenhum escrúpulo ou temor. ou quem for para isso designado. pois o trabalho das equipes encarnada e desencarnada deve ser . atenção. Não se admite. é melhor que um grupo com dimensões internas encerre suas atividades. como o de qualquer outro ser humano. porque para eles isto é questão de vital importância. Se não for possível reconduzi-los a uma atitude construtiva. não resta alternativa senão o afastamento. Os espíritos desarmonizados sabem tirar partido de tais situações. um auxiliar. deve procurar os desajustados para entendimento particular. Por ora. indispensável. capitulo 1. um coordenador. a fim de continuarem a agir na impunidade temporária em que se entrincheiraram. reservado. justificável e lógico. senão isto: atirar as criaturas umas contra as outras. Qualquer dissonância entre os componentes encarnados pode servir de instrumento de desagregação. firmeza. Cuidado. qualquer desarmonia interna. num grupo responsável e empenhado em trabalho sério.

quase um “excomungado”. É preciso que ofereçamos a eles aquele mínimo de condição indispensável. de desconfianças e rivalidades. Não apenas o grupo se privará do seu concurso. e nem deve ser tomada precipitadamente e por ouvir dizer. porque. por assim dizer. . em situa ções como essa. equilíbrio e serenidade. mas os objetivos e finalidades do grupo devem ficar a salvo de nossas paixões. Eles desejam que nós sejamos capazes de discernir e assumir a responsabilidade pelos nossos atos. mais cedo ou mais tarde. isto é. ligados à tarefa. teremos que fazê -lo. é uma das grandes e freqüentes dificuldades ocorridas em inúmeros grupos. for necessário afastar um ou outro companheiro. já regenerado. Cumprir o desagradável mandato com amor. embora não mencionado usualmente nas anotações sobre trabalho mediúnico. Precisamos estar preparados para ela porque. essas e outras decisões. poderá cair numa faixa de desânimo. O que esperam de nós é um clima de harmonização. dificilmente nos darão ordens para admitir este componente ou desligar aquele. Este aspecto é aqui abordado com franqueza e sem temores. em cada reunião. quando não de revolta. qualquer que seja a sua posição. à gestão terrena do grupo. repetimos. colocar diante de nós a tarefa que desejam que realizemos. Talvez o companheiro perturbador possa retornar à tarefa mais adiante. para que possam. Não se trata de criar uma atmosfera inquisitorial de espionagem mútua. que o desprotege espiritualmente e o precipita em imprevisíveis aflições. haveremos de encontrá-la. ou rancores surdos. Atenção. pois é uma ação de natureza grave. não há como hesitar. O bom senso e a prece serão sempre os melhores conselheiros. Os benfeitores espirituais. Por outro lado. para isso. todas aquelas que dizem respeito. porém: nada de processos inquisitoriais. cabem aos encarnados. sentindo-se como que “expulso”. pois disso também se aproveitariam os irmãos desencarnados que precisam do nosso afeto e compreensão. como ele próprio. mas entre sacrificá-lo pessoalmente e sacrificar todo o programa. 33 colocado acima das nossas posições pessoais. Se. mas também com firmeza. A decisão de afastar alguém não é fácil.

o planejador eficiente e hábil que facilmente submeteu todos os demais à sua vontade. Vemos. qualquer pressão. essa definição é um primor de clareza. por ela. ou talvez mais ainda. naturalmente. mas depositário desse dom. Quanto mais amplas e variadas as faculdades. envolvimento ou oferta. mas aqueles que dispõem de faculdades mediúnicas estão como se tivessem devassado o seu mundo interior a seres desconhecidos e invisíveis. bem planejados e. Pessoa que pode servir de intermediário entre os Espíritos e os homens. que podem ser bons e amigos. Seus ex- companheiros de crime desejam-no de volta ao grupo. por conseguinte. que os antigos comparsas o encontram. Fora o líder de seu grupo. como também podem ser antigos e ferrenhos desafetos ou comparsas de crimes hediondos. às imperfeições e mazelas que nos afligem a todos e. uma faculdade. mas honesto. semear e plantar. obteve liberdade condicional. Tudo é tentado para afastá-lo do caminho da recuperação. o indício de renitentes imperfeições. e sugere a seguinte definição: — Médium — (Do latim medium. com a má utilização dos talentos sobre os quais nos falam os Evangelhos. ameaças. por certo. que a mediunidade. de “O Livro dos Médiuns”. é. Revelando o cuidado e o extraordinário poder de síntese que Kardec sempre demonstra. que o médium é uma pessoa. aos prazeres. por outro lado. um instrumento com o qual o médium pode trabalhar. Sabemos. isso é válido para todos nós. Vale tudo. De certa forma. O médium foi realmente distinguido com o recurso da mediunidade. encontra o amor na pessoa de uma jovem. ou ferir-se mais uma vez. intitula-se “Vocabulário Espírita”. Representa. para colher mais tarde. em virtude da prática de assaltos audaciosos. Isso me faz lembrar um filme que vi há algum tempo. que acreditava na capacidade evolutiva do ser humano. pelo esforço de um trabalhador social compreensivo. Não se trata de um ser aureolado pelo dom divino. isto é. para produzir mais. ao contrário. mais exposto ficará ao assédio dos companheiros invisíveis que se opõem ao seu esforço evolutivo. É. que lhe é concedido em confiança. com propostas. 34 3 OS MÉDiUNS O capítulo 32. e dedica-se a trabalho humilde. É nessa fase de reconstrução íntima e esforço regenerativo. longe de ser a marca da nossa grandeza espiritual. uma capacidade concedida pelos poderes que nos assistem. Enfim: o médium utiliza -se de uma aptidão que não faz dele um privilegiado. às . portanto. Começa o cerco. o assédio. na escala dos valores. tão propenso à queda quanto qualquer um de nós. e a doce cantilena do êxito ma- terial. para apressar ou abreviar o resgate de suas faltas passadas. do aprendizado espírita. deseja esquecer o passado tenebroso. Qualquer ardil serve. Estivera alguns anos na prisão. de baixa remuneração. como seres de eleição. um risco. um ser encarnado. Ao sair da prisão. porque sua capacidade de sintonizar-se com os desencarnados o expõe a um grau mais elevado de influenciação. sujeito. muito rendosos financeiramente. acima dos seus companheiros desprovidos dessas faculdades. para uso adequado. como se o médium fosse colocado à parte e acima dos vis mortais. mas não no sentido humano. O jovem herói. o cérebro da organização. um ônus. antes. no sentido de colocá-lo. intermediário). meio.

tolerantes e serenos. é um ser em liberdade condicional. O médium. Os primeiros manifestantes são. fa miliares. que é da essência mesma do seu compromisso. Os dirigentes de grupos devem combater sem tréguas o “vedetismo” de alguns médiuns. sem humilhações. e. atormentados seres do mundo das dores. Cabe a ele provar que já écapaz de fazer bom uso dela. questão 123. Isso está amplamente documentado na Codificação. O ideal seria que os orientadores se revezassem. A semelhança com a situação do médium é impressionante. corrigindo. de que nos falava Paulo. as “tomadas” para o erro. o peso específico que o arrasta para baixo. obsessores impiedosos. como todos nós. nos grupos mediúnicos. ele precisa estar vigilante. o orientador desencarnado. mas são também firmes e rigorosos. a não ser que ele próprio deixe cair suas guardas. utilizando-se dos demais médiuns. das trevas onde se escondem. A tarefa não é fácil. Mais do que qualquer um de nós. trate de se corrigir. não quer dizer que ele esteja àmercê dos companheiros desvairados das sombras. — Por que há Deus permitido que os Espíritos possam tomar o caminho do mal? — pergunta Kardec. como um pequeno balão. atento. quer ele deseje ou não. É comum. . à irresponsabilidade. A experiência com os espíritos ensina- nos que eles são compassivos. enfim. como qualquer outro: nem melhor. pois nem mesmo a Kardec deixaram eles de dizer o que era necessário dizer. Procure manter um bom clima mental. viva com simplicidade. enfrente os problemas da existência: profissionais. para as palavras de esclarecimento e as diretrizes gerais. quase sempre. assistência. modificando. Participe da luta diária. o problema é de cada um. dar-se destaque indevido ao médium que recebe. acrescentando. o bom combate. sem prepotência. mas eles não estão interessados em preservar as nossas ridículas suscetibilidades e vaidades. sociais. as cicatrizes. que o põem em relação com o mundo espiritual. tentando impedir que ele se escape. porque. Não lhe faltarão recursos. eliminando. Isso é particularmente agudo quando a mediunidade começa a desabrochar. Não deixe de estudar suas faculdades. se os médiuns que não o recebem ficam enciumados. nem superior. que por muitos séculos planejaram e executaram juntos crimes inomináveis. porém. leia. às vezes até com inesperada severidade. pacientes. daqueles que estão interessados no seu progresso espiritual. por exemplo. verdugos que não desejam deixar escapar a presa pelos portões do trabalho regenerador. O fato de ser ele uma pessoa dotada de antenas psíquicas. humanos. são associados de outros tempos. segundo “O Livro dos Espíritos”. trabalho mediúnico. ligado a um bom grupo de trabalho. traz em si o apelo do passado. Nada de pânico. Se o médium que os recebe sente-se envaidecido. Seus comparsas não se conformam. informações e. nem inferior. de falhas dolorosas. sem rancores. Estude. vigie seus sentimentos. então. amorosos. 35 loucuras. mas não seja temerário. compulsando livros doutriná rios de confiança. Ele contará sempre com a proteção carinhosa e atenta de seus guias. para o azul infinito da libertação espiritual. quando necessário. Ou. Não tema. observando suas próprias faculdades. melhorando. é um simples trabalhador. mal curadas. acima de tudo. mas não se envaideça do que aprendeu nem dos recur sos que conseguiu desenvolver. é claro. nem pior. buscam-no incessantemente. Na hora da tarefa. como qualquer um de nós. mais do que aqueles que não dispõem da faculdade.

todavia. clariaudiência. de exteriorizarem ectoplasma. contudo. seu estado de irritação ou de serenidade. O assunto é demasiado complexo para um tratamento sumário e foge aos objetivos das nossas especulações aqui. da formação ou do desenvolvi mento do médium. ou até mesmo se utilizando. meros aprendizes primários de uma verdade que transcende. nem de temores. dizer o seguinte: A sabedoria de Deus está na liberdade de escolher que Ele deixa a cada um. mas é preciso não se esquecer que o ponto de partida de qualquer trabalho. ou de incorporação. quando possível e necessário. sentimos com maior facilidade as reações que se processam no manifestante. da faculdade. tão logo lhe seja possível. de euforia. fornecendo ocasionais indicações e instruções. ajudando o companheiro. a nossa compreensão? Assim. ou companheira. poderia ser substituida. 36 E eles respondem: — Como ousais pedir a Deus contas de seus atos? Supondes poder penetrar-lhe os desígnios? Podeis. todas as potencialidades serão devidamente estudadas e aproveitadas. É possível. direta e viva. o componente da equipe deve comunicar-se. neste livro. ou seja. A mediunidade que melhor se presta aos trabalhos de desobsessão é a psicofonia. impulsos de dizer ou escrever algo. Os benfeitores espirituais terão melhores oportunidades de desenvolver suas tarefas por nosso intermédio. Há obras que cuidam do problema. de excitações. revelar a existência de outros médiuns em potencial. . Os benfeitores espirituais saberão como conduzir o labor necessário. operando através da vidência de um. neste caso. com o dirigente. Com ela. suas ironias. talvez intuições. na posição que sempre ocupou e aguarde a sua vez. porqüanto. O dirigente humano acompanhará atentamente o trabalho. no decorrer do tempo. Que ela se mantenha junto aos companheiros. Num grupo bem orientado. que as tarefas do grupo mediúnico venham. nas lides iniciais da sua empreitada. suas vacilações. suas emoções. seus cacoetes. Nada de açodamento. é“O Livro dos Médiuns”. Não é necessário. não se espere que os benfeitores espirituais tomem precauções especiais para nos preservar o orgulho e a vaidade. de fanta- sias. colocar a pessoa em quarentena. da intuição de um terceiro. de preferência. da mediunidade de efeitos físicos. sua personalidade. em muitos aspectos. sem perda considerável da eficácia do processo. que têm outros. cada um tem o mérito de suas obras. Em casos extremos. nesse sentido. e dificilmente a palavra falada. Não quer isso dizer que o grupo deva reunir apenas mediuns de incorporação. Não cuidaremos. nesse tipo de trabalho. sem interromper os trabalhos em curso. Quando estes pequenos fenômenos ocorrerem. nem desligá-la do grupo. O diálogo com o desencarnado é da própria essência da tarefa. assim. Os fenômenos começarão espaçados e indecisoS: rápidas vidências. a não ser por motivos imperiosos. no entanto. quando dispuserem de mais ampla variedade de faculdades. E o interlocutor era Allan Kardec! Por que razão ficarão com “panos quentes” conosco. da clariaudiência de outro. mas a experiência revela que nada substitui a palavra falada. depois de encerrada a sessão. em trabalhos especiais que ainda discutiremos. poderá ser utilizada a psicografia: o doutrinador falaria e o espírito responderia por escrito. até que a mediunidade nascente comece a desabrochar e possa ser utilizada. de Allan Kardec. sua sinceridade.

à reprimenda. óculos e jóias. enquanto ele se acha doutrinando. em trabalho mediúnico. a que se refere André Luiz. à atitude antifraterna. como vi dência. mais sensíveis também à crítica. * Uso do vestuário que lhes seja mais cômodo para a tarefa. Nesse caso. linguagem. que essa ou aquela entidade queira pronunciar por seu intermédio. um valioso decálogo de recomendações e sugestões. * efesa permanente contra bajulações e elogios. os médiuns presentes serão. André Luiz nos oferece. incumbidos de o auxiliarem com pequenas e discretas observações e recomendações recebidas dos benfeitores. canetas. * As pessoas que lidam com médiuns. no fundo. inclusive reprimir todas as expressões e palavras obscenas ou injuriosas. é da própria essência da mediunidade. parece que vale a pena reproduzir aqui o texto. que trabalham junto deles. André considera tais cuidados “essenciais ao êxito e à segurança da atividade” atribuida aos médiuns. não devem esquecer-se de que esses companheiros de seara são criaturas dotadas de certo grau de exaltação da sensibilidade. para que se lhes apure a capacidade de transmissão. qualquer atividade em paralelo com eles. * Discernimento natural da qualidade dos Espíritos que lhes procurem as faculdades. enfim. são mais suscetíveis. Ou. ou audiência. alijando. seja pelas impressões de sua presença. evitando as inconveniências do compromisso de desobsessão em várias equipes ao mesmo tempo. * Abstenção de melindres ante apontamentos dos esclarecedores ou dos companheiros. Mesmo que o leitor disponha de um exemplar. os objetos que costumem trazer jungidos ao corpo. eflúvios magnéticos. Em decorrência dessa particularidade que. pois. porém. para aceitar ou não a influência dos Espíritos desencarnados. por outra: são médiuns exatamente porque têm a sensibilidade mais aguda do que o comum dos homens e das mulheres. as vezes. aos médiuns psicofônicos: * Desenvolvimento da autocrítica. É aconselhável. Isso deve ser feito com muita sutileza e de maneira breve e sumária. Como a psicofonia é a mediunidade mais indicada para esse tipo de tarefa. aproveitando observações e avisos para melhorar-se em serviço. como sejam relógios. no seu já citado “Desobsessão”. conquanto saiba agradecer o estímulo e a amizade de quantos lhe incentivem o coração ao cumprimento do dever. seja pela sua conduta geral. * Reconhecimento de que o médium é responsável pela comunicação que transmite. * Interesse real na melhoria das próprias condições de senti mento e cultura. que desempenham. 37 Tal variedade de faculdades é particularmente desejável quando o doutrinador não for dotado de mediunidade ostensiva. tanto quanto ao elogio e à bajulação. à palavra agressiva. . * Fixação num só grupo. * Domínio completo sobre si próprio. * Aceitação dos próprios erros.

porque isso exporia. esse adjetivo algo pomposo. Deve ser-lhe grato pela sua contribuição ao grupo. pois. Evidentemente. seu pontífice máximo. tanto quanto possível. seja entre estes e os desencarnados. que deverá estimular sua responsabilidade e não sua vaidade. Para que o trabalho se desenvolva com segurança e eficácia. e compreensão entre os seus diversos componentes. No grupo em que predominar legitimo sentimento de afeição. no caso. este assunto extremamente delicado e complexo. merecedor de uma palavra de estímulo e gratidão. nada mais. Médium disciplinado é uma coisa. O médium equilibrado e disciplinado sabe que nada deve esperar de diferente. nem o escravo acorrentado aos caprichos dos desavisados que. É o do relacionamento do médium com o doutrinador. Não vamos. Se o dirigente não puder socorrê-lo com um passe restaurador. esse relacionamento precisa ser impecável.. com nova ênfase. É que tais assuntos se apresentam muito intimamente interligados. em nome da disciplina e da ordem. e onde começa o rigorismo ditatorial que leve o médium ao pânico ou à revolta. que deixam resíduos vibratórios perturbadores. dificilmente surgirão problemas dessa natureza. procurando ajudá-lo na solução dos problemas que surgirem no exercício de sua faculdade. ao longo deste livro. onde e quando necessário. como tal. Tentaremos clarificar. a ele e ao grupo. Tentemos explicar o que significa. uma expressão de agradecimento e uma palmada afetuosa no ombro. que precisa ser preservada. também como os demais. A mediunidade é um mecanismo extremamente delicado e sus cetíve l. exaustiva e bem realizada. dolorosas. o médium não deve e não pode ser endeusado. mas diga-lhe uma breve palavra de carinho ou lhe faça um gesto de solidariedade. e que desaparecem aqui. a imprevisíveis e desastrosas conseqüências. cuidado e carinho. E. de submeter o médium a um regime disciplinar inadequado. distingui-lo com nenhum favor especial. É apenas um dos componentes do grupo. designe alguém no grupo para fazê-lo. atenção especial com os médiuns. naquilo que diga respeito à sua condição peculiar de sensibilidade. exclusivo ou extraordinário. credor da mesma estima e respeito devidos aos demais companheiros. para que o médium sinta o apoio e a compreensão para a sua árdua tarefa. a quem de direito. estaria recebendo “mensagens ” diretas de Deus-. É preciso que o dirigente dos trabalhos tenha bom senso suficiente para distinguir até onde vai a disciplina. que alguns pontos são repisados em diferentes contextos. Não custa. sem. Há manifestações difíceis. dando-lhe apoio e conselhos. o médium não deve ser abandonado à sua sorte. O médium não é nem a “vedete” do grupo. em nome da boa ordem dos trabalhos. seja entre os encarnados. O leitor deverá notar. cair no outro extremo. impõem condições inaceitáveis ao exercício das faculdades mediúnicas. mas é preciso estar atento para que tais questões não venham a perturbar a tarefa. com as dores e as canseiras resultantes. 38 É preciso. Em breve. por uma tarefa particularmente difícil. médium inibido éoutra. Um desses pontos é o relacionamento entre os componentes do grupo. O dirigente deverá tratar o médium com todo o carinho e atenção. porém. Além do seu sentido etimológico — incapaz . e. à semelhança dos fios coloridos que fazem o desenho dum tapete. ditado pela prepotência e pela arbitrariedade. no entanto. para reaparecer ali. Em casos assim. que deve ser tratado com atenção. Repisaremos aqui um deles.

“em estado de graça”. com quem demonstre ter experiência. da mesma forma que um médium mais culto fornece melhores recursos para uma manifestação de teor mais erudito ou um médium de temperamento mais violento oferece condições mais propícias a manifestações violentas. para a qual o médium deve atentar com toda a sua vigilância. feliz. como trabalhos desenvolvidos no mundo espiritual: “Mecanismos da Mediunidade”. ao contrário. experimentaram tal ou qual sensação: força. sem má- cula ou defeito. é demonstrada. Essa contaminação. não consegue fazer tudo quanto desejava. dispersá-los por meio de passes. até às lágrimas. Estima sem servilismo e sem fanatismo. pior ainda. que atua energicamente sobre o perispírito do médium. às vezes. paz. como costumo dizer. aos livros de André Luiz. porque as vibra- ções afetivas entre médium e doutrinador arrefecem inevitavelmente tais impulsos. exatamente porque não logram dar vazão aos seus impulsos e intenções. faça perguntas. Quando o relacionamento médium-doutrinador é imperfeito ou sofre abalos mais sérios. e ainda que agrida o doutrinador com palavras ou gestos. não sujeito a pecar — impecável quer dizer perfeito. A razão é simples e óbvia: ao incorporar-se. Há sempre aspectos e informações que a uma ou duas passagens deixamos escapar. o espírito manifestante vem trabalhar com os elementos ou instrumental que encontra no médium. põe-se em risco a qualidade do trabalho mediúnico. após a desincorporação. quando ainda se acha consciente no corpo e depois que o reassume. Muitos são os que se queixam disso. tristeza. se trata de um espírito pacificado e bondoso. do contrário. de maneira tão ampla. * Uma insistente palavra final para o médium: estude. os resíduos vibrató rios que permanecem na intimidade do perispírito do médium. sendo necessário. embora transitória. pois. nas reações preliminares e posteriores do médium. quase sempre. Pela mesma razão. harmonizado. Da mesma forma. correto. comovido. este também traz uma carga. Com freqüência. havendo. É preciso ainda considerar que se o médium realiza esse trabalho de impregnação fluídica no perispírito do manifestante. sem sombra alguma de dúvida. são bastante conhecidos. é claro que a sua tarefa negativa será bastante facilitada. leia. Quando. ao sentirem a aproximação do espírito manifestante. o espírito o dominaria e faria com ele o que bem desejasse. nossos médiuns declaram que. como lamentavelmente acontece com freqüência. Médium e doutrinador devem estimar-se e respeitar-se. serenidade. ou seja. durante suas manifestações. respeito sem temores e sem reservas íntimas. o espírito agressivo fica algo contido. Mante nha-se ligado às cinco obras da Codificação. certa “contaminação” mútua. a fim de que o médium se recomponha. discuta os diferentes aspectos e problemas da mediunidade. se existe entre médium e doutrinador um vínculo mais forte de afeição. quando são desagradáveis e agressivos. Se existe ali alguma reserva com relação ao doutrinador. que desenvolvem. alguma hosti lidade mais declarada. angústia ou amor. 39 de pecar. portanto. . às vezes pesada e agressiva. o médium desperta. “Entre a Terra e o Céu”. ou. “O Livro dos Médiuns” deve ser leitura e releitura constantes. não apenas aspectos específicos da mediunidade. ódio.

de Madame d’Espérance. “Desobsessão”. ainda. que lidamos com a comunicação entre os dois mundos. “Memórias de um Suicida”. do Dr. de onde recebemos jatos de luz que. de Martins Peralva. 40 “Missionários da Luz”. observando-a com atenção. mundos acima. “No País das Sombras”. iluminam. Bezerra de Menezes. de tempos em tempos. por alguns momentos. com os companheiros que se acham acorrentados às mais negras e tormentosas paixões e sofrimentos. “Libertação”. “Dramas da Obsessão”. “Estudando a Mediunidade”. “Nos Bastidores da Ob sessão”. através de um pequenino retângulo. somente podemos estudar a mediunidade assistindo-a em ação. porque é através dele que se abre o postigo pelo qual dialogamos. precisa estar bem certo de que é ainda muito pouco o que sabemos sobre essa notável faculdade humana. discutindo suas inúmeras facetas com os companheiros que constituem a equipe de trabalho. do que o próprio médium. Ademais. O médium. e com maior respeito e carinho. lendo o estudo daqueles que. mundos abaixo. os ambientes de meia-luz em que vivemos. e. Ninguém precisa estudá-la mais. de Manoel Philomeno de Miranda. antes de nós. ou. “Nos Domínios da Mediunidade”. já se tenham dedicado aos seus mistérios e grandezas. Toda a humildade e todo o respeito ante ela ainda serão poucos. tanto quanto todos nós. de Camilo Cândido Botelho. . anotando suas peculiaridades. A literatura é ampla e não há ainda limites visíveis neste vasto campo.

O doutrinador precisa estar convencido de que a Doutrina Espírita dispõe de todos os informes de que ele necessita para cuidar dos manifestantes em desequilíbrio. bem preparados e experimentados em diferentes técnicas de debate. reconhece até mesmo a existência de Deus. por mais modesta. no contexto da prática mediúnica. a autoridade necessária. e não mestre. porque ele pode ser um bom conhecedor dos princípios teóricos do Espiritismo e ser completamente desinteressado do aspecto evangélico. Se o dirigente encarnado dos trabalhos está bem familiarizado com as obras fundamentais do Espiritismo. e com a qual pretendemos ajudá-lo. chama-se doutrinador a pessoa que se incumbe de dialogar com os companheiros desencarnados necessitados de ajuda e esclarecimento. conhe cer a doutrina e recitar . ainda. Entre os espíritos que lhe são trazidos para entendimento. Ele não vem disposto a ouvir uma pregação. Qualquer bom dicionário leigo dirá que doutrinar é instruir em uma doutrina. porque o espírito que comparece para debater conosco os seus problemas e aflições. E aqui já começamos a esbarrar nas dificuldades que a palavra doutrinador nos oferece. há argumentadores prodigiosamente inteligentes. porém. ele é apenas um dos componentes. de sentimentos. não tem muito a ensinar-lhe. Por outro lado. Muitas vezes ele está perfeitamente fami- liarizado com inúmeros pontos importantes da Doutrina Espírita. de enorme capacidade intelectual e de impecável formação filosófica. ele precisa estar preparado para exercer. Isto não significa que todo doutrinador tem de ser um gênio. Sabe que é um Espírito sobrevivente. presunçosamente. Não se esquecer. Em primeiro lugar. ensinar. nem de culturas. admite. O confronto aqui não é de inteligências. ele encontrará sempre o que dizer ao manifestante. no momento oportuno. que toda pessoa incumbida de uma tarefa. O conhecimento doutrinário torna-se importante como base de sustentação. no grupo mediúnico. simplesmente. o chamado doutrinador não é o sumo-sacerdote de um culto ou de uma seita. A conversa com os espíritos desajustados não deve ser um frio debate acadêmico. com quem estabelece o diálogo. que se coloque na posição de mestre. como ouvinte paciente ante um guru evoluído. ou. de receber instruções doutrinárias. Quanto à comunicabilidade entre encarnados e desencarnados. a ditar normas de ação e a pregar. sem conhecimento íntimo dos postulados da Doutri na Espírita. não está em condições. logo aos primeiros contactos. de que. nem predisposto ao aprendizado. ele nem discute. mas isso não é tudo. ou. pois está justamente produzindo uma demonstração prática do fenômeno. acerca da Doutrina Espírita. que professamos. A despeito disso. ainda que não esteja no mesmo nível intelectual dele. ante evidências que lhe são mais do que óbvias. ou seja. o companheiro encarnado. Sua formação doutrinaria é de extrema importânçia. conhece suas responsabilidades perante as leis universais. um estágio ideal de moral. Não poderá jamais fazer um bom trabalho. Portanto. e seria infantilidade de sua parte tentar ignorar a realidade. sumo-sacerdote ou rei. um trabalhador. em termos gerais de doutrina. os mecanismos da reencarnação. é de corações. dotados de excelente dialética. que nem ele próprio conseguiu alcançar. deve ter. 41 4 O DOUTRINADOR Num grupo mediúnico.

mas qual de nós. de quem os ouça com paciência e tolerância. por certo. que ainda não nos perdoaram. É nesse momento que ele precisa utilizar-se de seus conhecimentos gerais. ou crimes que praticamos em vidas pregressas. Se estivermos recitando lindos te xtos evangélicos. Não é preciso ser santo. antes que o doutrinador possa dedicar-se a este aspecto específico. e até mais do que nós. Tudo serve. sem sustentação na afeição legítima. que nos são trazidos às sessões mediúnicas. Não podemos impor ao companheiro infeliz uma superioridade moral inexistente. enquanto estás a caminho com ele. 42 prontamente qualquer versículo evangélico. mas isto não pode e não deve inibi-lo para a tarefa. e. observa-nos. ou um erro mais grave cometido no passado recente. não pelos resultados que obtemos. É preciso que o doutrinador esteja preparado para estas situações. a fim de obter dele a informação de que necessita. às vezes. ainda em lutas homéricas contra imperfeições milenares. Não adianta exibir virtudes que não possui ainda. Por outro lado. dedicam- se a tarefas mais complexas. ele o saberá também. Muitos são desafetos antigos. nos lembra uma situação irregular em que nos encontramos. comparsas de desacertos hediondos. mas pelo esforço que realizamos para alcançá-los. Tem condições de aferir nossa personalidade e nossos propósitos. de uma posição vantajosa para ele: na invisibilidade. É preciso . para doutrinar. Os espíritos em estado de perturbação. como. Muitas vezes. tanto quanto nós. É aqui que vemos a validade da palavra sábia do Cristo: — Reconcilia-te com o teu adversário. Deve lembrar-se. Voltaremos ao assunto quando tratarmos do problema específico da doutrinação. Aqueles que já se purificaram a esse ponto. por exemplo: — Você não tem força para deixar o vício de fumar. não estão. ele deve estar preparado para discutir o problema pessoal do espírito. não podemos esperar a perfeição para ajudar o irmão que sofre. do que o mero som das palavras que pronunciamos. A doutrinação virá no momento oportuno. Sua autoridade moral é importante. por serem. que estamos em condições de servi-lo mais de perto. a intensidade e a sinceridade do nosso sentimento. em condições psicológicas adequadas à pregação doutrinária. refere-se desabridamente a uma ou outra fraqueza íntima nossa. em que fomos. intercalando aqui e ali um pensamento evangélico que se adapte às condições desenvolvidas no diálogo. Ele nos vigia. como quer me obrigar a deixar de perseguir aquele que me prejudicou? Ou então. de maior responsabilidade. de que somos julgados e avaliados. Isto nos leva a outro aspecto importante: o “status” moral do doutrinador. O espírito que debate conosco sabe de nossas inúmeras fraquezas. companheiros de antigas encarnações. Necessitam aflitivamente de primeiros socorros. compatíveis com o adiantamento espiritual que já alcançaram. mas não apoiar o seu conhecimento na emoção e no legítimo desejo de servir e ajudar. pela maneira como agimos em nosso relacionamento com os semelhantes. porém. Percebe mais as nossas intenções. talvez. freqüentemente. como já dissemos. analisa-nos e estuda-nos. encarnados. O doutrinador é também um ser falível e cons ciente das suas imperfeições. logo de início. pode arrogar-se uma atitude de superioridade moral sobre os companheiros mais desarvorados das sombras? Ainda temos mazelas e ainda erramos gravemente. É exatamente porque ainda somos tão imper feitos quanto ele.

é a fé que cura o servo doente do romano pagão e estanca a hemorragia da mulher que O tocou. Pela fé. ou pretendemos ser. que muitos companheiros espirituais desarvorados. Sem ela. sobre o qual ainda falaremos adiante. ao expulsar o Espírito que atormentava o jovem lunático (Mateus. mesmo que ainda não tenhamos alcançado os estágios superiores da evolução. sem êxito. diríeis a esta montanha: Transporta-te daí para ali. nós outros. inabalável. É uma afirmativa de extraordinário vigor. Se me perguntassem qual o elemento mais importante na estrutura da personalidade do doutrinador. Marcos narra o episódio no capítulo 9 (versículos 14 a 29). que tanto nos interessa. ter com Jesus. sabemos que o universo foi criado pela palavra de Deus. Em Paulo. no capitulo 11 da Epístola aos Hebreus: — A fé — disse ele — é a garantia do que se espera. a fé do tamanho de uma semente de mostarda bastaria para remover montanhas. pedem explicações. nossa boa intenção é legítima.” O episódio é de grande força e beleza. Se tivermos paciência e tolerância. Coloquemo-la de forma positiva: tudo é possível àquele que crê. em Kardec é a certeza daquilo que o conhecimento. em particular. lógica. a prova das realidades invisíveis. e lhe perguntaram: “Por que não pudemos. * Quero falar aqui daquela fé sobre a qual Paulo escreveu seu belissimo poema. e nos respeitarão por isso. Façamos uma pausa na exposição. Para Ele. a fé era o suporte das realidades que o conhecimento ainda não atingira. convicta. plenamente suportada pela razão. mas ficaria indeciso entre a fé e o amor. eu não saberia dizer. É a ausência de fé que Ele censura docemente nos discípulos que temeram a tempestade e a morte. ser uma criatura de fé viva. o esforço que desenvolvemos é digno. O doutrinador precisa. para um exame da fé. vêem em nós mais aqueles que fomos do que o que somos hoje. e ante a facilidade com que o Cristo resolve o problema. Batidos pelo fracasso. Pois em verdade vos digo. Que tipo de fé? A fé espírita. confirmou no coração do homem. expulsar esse demônio?” Respondeulhes Jesus: “Por causa da vossa incredulidade. com ela. 43 levar em conta. Para o Cristo. neste. então. doutrinar o possessor que fazia o que queria com o infeliz jovem. 17:14-20): — Os discípulos vieram. . pouco ou nada podemos. positiva. e ela se transportaria e nada vos seria impossível. (1) (1) O texto citado é da Bíblia de Jerusalém. feita por quem Possuía autoridade mais do que suficiente para fazê -la. tal como a conceituou Kardec: sincera. que nos conheceram em passado tenebroso. É ainda a falta de fé que Ele repreende nos discípulos. Os discípulos já haviam tentado. de maneira que o que se vê resultasse daquilo que não se vê. o manifestante acabará por admitir que. se tivésseis fé do tamanho de um grão de mostarda. “nada é impossível”. Ele não pode dar aquilo que não tem. ainda. ainda. Resposta: fé. como em tantos outros contextos. afinal alcançado. mas sem se deixar contaminar pela frieza hierática do racionalismo estéril e vazio.

) O comentário de Kardec é de transcendental importância. que não consegue fazer quem duvida de si”. Ele deve saber que. No contexto.” (Destaque meu. em “O Evangelho segundo o Espiritismo”. provavelmente desacordado. “Da fé vacilante — diz Kardec. Por isso. ao levantar-se para dar um passe. ranger os dentes. e ainda mais: que aquela classe de espíritos não poderia ser tratada senão com a prece. .. fazia-o espumar.. da mais violenta revolta. depois de curá-lo. Ao comentar a passagem. não estará em condições de realizar o trabalho a que se propõe. Dificilmente se poderia dizer melhor. A conceituação de fé tornou-se. pouco depois — resultam a incerteza e a hesitação. vai encontrar a resposta ao que implora. Fora disso. opinião. Os discípulos nada puderam fazer. Para não transcrevê-lo por inteiro. É também aí que o Codificador escreveu sua famosa sentença: — Fé inabalável só é a que pode encarar de frente a razão. era possuído por um Espírito mudo. as palavras devem ser entendidas em seu sentido moral. do mais angustioso desespero. Ele precisa estar confiante nos poderes espirituais que sustentam o seu trabalho. segundo o pai. é a fé que lhe dá o apoio da confiança de que ele precisa para aventurar-se pelas ásperas e tenebrosas regiões do mais terrível sofrimento. Kardec escreve que “a confiança nas suas próprias forças torna o homem capaz de executar coisas materiais. porque não acredita que possa vencer. é o amor. em todas as épocas da Humanidade. essa fé não procura os meios de vencer. mas não será fé. 44 Jesus cura o infeliz possesso que. aqui. da 57ª edição da FEB. com relação aos demais atributos necessários à sua função. na psicologia do doutrinador. que aparecia nos textos mais antigos. que se apoderava dele em qualquer lugar. sou como o bronze que soa e o címbalo que retine. derrubava-o ao solo. em benefício do companheiro que sofre. Sem ela. Se não tem fé. sempre. conjetura. Impossível seria considerar a caridade sem o amor. sem os quais nenhuma tarefa de desobsessão é possível. definitiva. traduções modernas do Evangelho substituiram por amor a expressão caridade. Precisa ser inabalável. porém. o Cristo insiste em que tudo é possível àquele que crê. com tão poucas palavras. despreparado para a sua tarefa. Não se trata. imagem usada pelo Cristo para fixar o seu pensamento na memória dos ouvintes. confiante-mente. da Primeira Epístola de Paulo aos Coríntios: — Ainda que eu fale a linguagem dos homens e dos anjos. Não é por acaso que nos textos evangélicos caridade e amor são tratados como sinônimos. tanto quanto o amor descaridoso. a fé lhe trará os recursos de que necessita para servir. é preferível recomendar que o leitor não deixe de estudá-lo e de meditar pausadamente acerca de todas as suas implicações. com Kardec. Somente assim será inabalável. e todos os riscos são iminentes e inevitáveis. por mais bem-dotado que seja. presunção. pode ser crença. o doutrinador estará desarmado. e o deixava rígido. é certo. se não tenho amor. Se não tenho amor. Outro ingrediente necessário. em todas as épocas. tem que “encarar a razão” destemidamente. de remover montanhas de terra e pedra. ao formular sua prece. páginas 284 a 293. do belíssimo capítulo 13. pois ele ocupa todo o capítulo 19 de “O Evangelho segundo o Espiritismo”. suspeita. Ele tem de saber que. Além disso. de que se aproveitam os adversários que se tem de combater. e. parecer.

Não estamos ainda nesse estado evolutivo. não se irrita. caracteriza bem a gradação cuidadosa do sentimento que Paulo desejou transmitir aos seus amigos de Corinto. não tem orgulho. Sem nenhuma figura de retórica. o candidato a tal função deve . ou afirmar que somente pode investir-se na função de doutrinador aquele que possuir cumulativamente todas essas virtudes. É isto bem verdadeiro. portanto. nem presunçoso. no campo do amor. O amor tudo crê. vêm com a força e a agressividade de inimigos implacáveis. que o ajudam e assistem a distância. do amor passional e egoísta. porque é ele o seu porta-voz. a qualquer companheiro espiritual que se manifeste. é ele. vive rodeado de conhecidos. restariam a fé. ao se apresentarem diante de nós. no trabalho de desobsessão. O amor não se acaba nunca. Se não dispuser de um mínimo de aptidões. incondicional. por assim dizer. tudo espera. É desse amor-doação que precisa o doutrinador. portanto. É lógico e natural.. amor fraterno. e. transformado em compreensão. em nota de rodapé. diferente. no caso da doutrinação de Espíritos conturbados. ainda. devemos sentir. mas particularmente se dirigem ao doutrinador. O amor épaciente e serviçal. Do amor que. .. não é interesseiro. que se dirige. mas não conta com grandes afeições e dedicações. Se respondermos à sua agressividade com a nossa. deverá vir de Cima. do trabalho. É claro que estas observações são válidas para todos os componentes do grupo. o médium doutrinador não se encontra. do ódio. sincero. é nele que os Espíritos desequilibrados identificam a petulante intenção de interferir com seus planos pessoais. indiscri minadamente. não se alegra com a injustiça e sim com a verdade. precisa estar ligado aos Planos Superiores. Muitas vezes. é preciso ter. Prossigamos. tudo suporta. na sua vida de encarnado. * Isto não esgota. principalmente. porque. o trabalho se perde e desencadeamos contra nós a reação sustentada da cólera. como força construtiva do bem. que a expressão do original grego agapô.. segundo o Cristo. para isso. cercado pelo sentimento de afeição de familiares e companheiros. para os irmãos desorientados. em favor do próximo. usualmente. O amor não é invejoso. pronto na doação. a esperança e o amor. terrenos. não é temerário. Agapô é o amor- benevolência. para distribuí-lo assim. ainda no exame dos componentes morais e psicológicos da personalidade de um bom doutrinador. com relação aos nossos próprios inimigos.. do rancor. a capacidade de amar os inimigos. O médium doutrinador tem que devolver todo esse concentrado ataque vibratório. Nem pretendemos esgotá-lo aqui. o rol das aptidões que devem integrar a personalidade do doutrinador. 45 nada me aproveita. no entanto. Sem amor profundo. A sustentação do seu teor vibratório. bem como suas cóleras e suas ameaças. A Bíblia de Jerusalém lembra. legítimo. nem precipitado. o responsável pela direção dos aspectos. no ambiente de trabalho. é impraticável o trabalho mediúnico realmente produtivo e libertador. que se concéntre no doutrinador grande parte do esforço de envolvimento.“É preciso — escrevia eu em “Reformador” de fevereiro de 1975 — ter muito amor a dar. Se tudo se acabasse. Tem seus parentes. tolerância e.

Creio poder afirmar que não seria desejável qualquer forma de mediunidade que colocasse o dirigente. que o leve a falsos caminhos. Tem que ouvir. seja mais sensível e acessível. não há posições dogmáticas. enérgica. Uma questão cabe introduzir aqui: convém que ele disponha de alguma forma de mediunidade ostensiva? Em Espiritismo. nem depois da oportunidade. Vigilância e boa intenção não são santidade. até que estejamos seguros de poder tomar uma posição ou uma decisão sobre o assunto. que deve ser controlada e oportuna. mas não disparam. quando não despertada: a sensibilidade. Isto. Será também útil dispor da faculdade de clariaudiência. a sensibilidade e o tato nos facultam as informações que buscamos. não parti- cularmente rara. É a hora da energia. 46 procurar desenvolvê-las. ou da aparência pessoal do Espírito manifestante e de seus eventuais companheiros. Há mais ainda. Nem antes. responsáveis pelo trabalho. na doutrinação. poria a vidência. em que se torna imperiosa a tomada de uma atitude firme. ou doutrinador. nem agressiva. mas que precisa ser cultivada. Colocaria em primeiro lugar a intuitiva. quando cuidarmos do trabalho propriamente dito. seus recursos pessoais sejam mais adequados. vamos. segundo a qual. e não o será mesmo. Tem que aguardar o momento de falar. com seus próprios recursos e suas próprias palavras. nem nos sustentam no que fizermos. com os demais componentes do grupo. e. Vigilância quanto aos seus proprios sentimentos e pensamentos. por si mesmos. e desenvolvê-las junto ao manifestante. quanto ao que se contém nas entrelinhas do que diz o manifestante. A paciência. propriamente dito. não o coloca inteiramente a salvo de alguma palavra. Minha opinião pessoal é a de que algumás formas de mediunidade são desejáveis. Convém repetir: não precisa ser um santo. sem prejuízo sério para o seu trabalho. atirar-se sofregamente ao interrogatório do Espírito manifestante. Veremos isto. nos informando de determinada situação ou acontecimento. quanto às suas suposições e intuições. ouviria diretamente as instruções e “recados” do mundo espiritual. agressões verbais e impertinências. em estado de inconsciência. aturar desaforos e impropérios. Ele precisa manter-se lúcido durante todo o período de trabalho. não nos indicam a providência a tomar. quanto ao que ocorre à sua volta. que certamente auxiliará na visão de cenas e quadros. Uma dessas virtudes é a paciência. na mais ampla acepção do termo. que não pode ser contundente. O doutrinador deve estar em permanente estado de vigilância. neste caso. serena. quanto à sua própria conduta. procurando localizar os pontos em que o manifestante. difícil e desconhecido em que pisa. não apenas durante o trabalho mediúnico. Isto se faz com uma qualidade pessoal chamada tato. Para isso. . necessita de outra qualidade pessoal. as reações do Espírito. mas no seu pro- ceder diário. Para isso. por sua vez. e o momento tem que ser o certo. pela observação cuidadosa. que o levará a sentir pacientemente o terreno estranho. para a qual. ou seja. ou assumir outra tarefa. que fossem de interesse para o seu trabalho. soprada desavisadamente. se pede outra disposição que poderíamos chamar de energia. Não pode ele. porém. Em segundo lugar. O doutrinador precisa servir em estado de alertamento constante. Há de chegar-se a um ponto. através da qual o doutrinador possa receber as inspirações de seus amigos espirituais. os mecanismos da ação.

em sentido genérico. com freqüência impressionante. pois temia que sua ostensiva mediunidade de incorporação interferisse com a boa marcha do trabalho. quando não conseguimos convencer o companheiro infeliz. a sua surpresa. a faculdade mais comumente encontrada num doutrinador é. por sua vez. porque o pretensioso ficará literalmente aniquilado pela obsessão ou pela fascinação de Espíritos ardilosos. e não poucas obsessões pertinazes têm resultado dessa ingênua e perigosa imaturidade. Depois. ela passou a recusar. também. ainda. pouco ou nenhum progresso conseguiremos realizar. Por ela. sentindo-se girar “como um parafuso” — disse ela —. por isso. para mostrar o seu poder e confirmar a sua vaidade e seu orgulho. a sua informação. dedicando-se a outras atividades. em muitos casos. que o doutrinador deve mostrar toda a sua compaixão humilde e o seu respeito pela dor alheia. Precisamos estar preparados para a derrota. experimentada nas lides espíritas. tão nobres quanto essa. começou a sentir-se envolvida. arrependido e em pranto. é certo. com firmeza. também incorporada. com eficiência e oportunidade. criando certo pânico na sessão. qualquer solicitação para funcionar como doutrinadora. para a ajuda de que ele não pode prescindir. Suponho que. pregando estranhas e confusas idéias. Ele vai precisar dela. Claro que positivo. daí a pouco estava. mas com serenidade e sem remorsos. E. estamos sempre aprendendo e nunca sabemos o suficiente. precisamente. com a abençoada mediunidade de cura. não haverá nem bom nem mau. a intuição. com tristeza. contou-me que certa vez se encontrou ante a contingência de dirigir uma sessão de desobsessão. Um dia — . É a partir do momento em que o turbulento manifestante de há pouco se converte em verdadeiro trapo humano. Se ele procura sintonizar-se com o mundo espiritual. por sua vez. no seu coração. Tem. Se não nos aproximarmos dele com humildade. para as quais estava perfeitamente preparada. ele sempre o é. Já fazemos muito quando não atrapalhamos os dedicados companheiros da Espiritualidade Maior. em doutrinadores do doutrinador. perdeu o fio da conver- sação e. Mesmo naquele que não conseguimos demover de seus propósitos. em breve. chegamos a outra faculdade necessária ao doutrinador: a humildade. Nada de pretensões tolas de que o trabalho foi cem por cento positivo. que ser humilde no aprendizado. Não há bom doutrinador sem a colaboração e o apoio dos Espíritos mais esclarecidos. Com isto. Realmente. para aceitar as ironias. para não assumir a atitude do vencedor que pisa na garganta do vencido. se tivermos tido habilidade e tato. concordou em assumir o encargo. nem a sua vontade. o companheiro. Mais de uma vaidade tem sido explodida por causa disso. Se manifestamos a tola pretensão de dispensar-lhes a ajuda. tiremos de nossa cabeça a noção falaz de que o bom doutrinador pode dispensar a colaboração dos Espíritos Superiores. se e quando conseguir convencer. Depois dessa experiência. que se apresentam com nomes pomposos e se arvoram. a sementeira da verdade. de vez que jamais impõem a sua presença. eles se afastarão. 47 Uma confreira. de seus enganos e de seus erros. De uma vez por todas. A princípio. A humildade é necessária. seus companheiros mais esclarecidos se comunicarão. foi o que aconteceu. Ao iniciar a tarefa do diálogo com um Espírito manifestante. Em trabalho mediúnico. agressões e impertinências dos pobres irmãos atormentados. Relutantemente. esta via de comunicação bastará ao seu trabalho. teremos realizado. Cada manifesta ção traz a sua lição.

de maneira tranqüila e segura: — Nada de temores infundados. E. se cumpra. Não contemos. que vamos convencê-lo de seus enganos. Não quer dizer que nos devamos curvar servilmente diante dele. que não estamos em condições de superá-lo naquilo que constitui o seu ponto forte. que se desenrolam diante de nós. É até possível que uma ou outra. Nem é essa a técnica recomendada. ameaçam céus e terras. e eles manipulam. ao amor. que lecionou em Faculdades. às vezes. provocar acidentes. o levará a respeitar-nos também. se assim fosse. Fustigados pela interferência dos grupos mediúnicos em seus tene brosos afazeres. nos quais facilmente nos vencerá. aconteça acidentalmente. das ameaças esbravejadas contra nós. em trabalho mediúnico. Não é no terreno dele que nos vamos medir. mesmo. O destemor é de extrema utilidade nas tarefas de doutrinação. arrastam-se há séculos. com o êxito total da conversão imediata e definitiva. recebeu. ainda assim. nem semideuses. Ele precisa de atenção. fraternidade. evidentemente. de todos os Espíritos que nos são trazidos. Manifestam-se aos berros. 48 não importa quando — ele vai lembrar-se do que lhe dissemos e conferi-lo com a realidade. Um pouco de humildade. estaremos realmente perdidos. sem ser temerários. que. Não somos super-homens. Lembremos ainda uma qualidade: o destemor. quando precisarmos reconhecer o potencial intelectual do irmão espiritual com o qual nos defrontamos. um Espírito de elevada cultura. e de medíocre cultura intelectual. enquanto a exibição inútil de precários conhecimentos filosóficos. a humildade. seria indicada. Coragem não é o mesmo que imprudência. como doença inesperada cm um de nós. Seria injusto. os Espíritos violentos comparecerão possuídos de irritação. Nesse campo. O arsenal de ameaças é vasto. para aceitar esses casos e continuar lutando. não de debates estéreis. porque nos colocaremos na faixa vibratória desejada por eles. as honrarias que tantos buscam. Humildade. pois. Estariam subvertidos todos os princípios da Jus tiça Divina. de aparentar o que ainda não somos. mesmo que o fôssemos. enfim. É verdadeiro. governam o Universo. rancor e ódio. ainda. Muitos daqueles dramas. as armas da pressão. Os benfeitores espirituais sempre nos advertem. para conversar conosco. em vez da paz interior. perturbações. isso. Não se ajustam em minutos de conversa. porém. ou seja. com extrema sagacidade. pois. da nossa parte. E isso é muito freqüente. não é discutindo Filosofia. Já disse alhures que. dão murros na mesa. ou . se a paga da dedicação ao irmão que sofre resultasse em sofrimento indevido e em punição imerecida. Sofremos apenas aquilo que está nos nossos compromissos espirituais. por parte das leis supremas. com ele. Suponhamos que compareça. e não em decorrência do trabalho de desobsessão. ocupou assentos em Academias. só poderá estimular nele o desprezo por nós e pela nossa posição. rendendo homenagens à sua inteligência e ao seu conhecimento. Se nos deixarmos impressionar pelas verdadeiras cenas que fazem. temos que ser destemidos. procuram intimidar e propõem-se a vigiar-nos implacavelmente. doenças. E foi justamente o debate inútil e o vão filosofar que arruinaram sua vida espiritual. Nada. respeito e sinceridade. quer dizer que precisamos admitir. Humildade. para consolidar a sua vaidade lamentável. ele dispõe de mais recursos do que nós. a atacar nossos pontos fracos ou fazer um cerco impiedoso em torflo de nossa família.

Procuramos. É ele. mas não para dar cobertura à imprudência. aqui. usualmente. nem assim devemos nos desesperar e inti midar: estejamos certos de que estava já nos nossos compromissos. 49 em membro da nossa família. mais eficaz e produtivo. o doutrinador é. difícil. nitidamente ligado ao trabalho mediúnico. sem dúvida alguma. e do doutrinador. Isto. Amor. porém. As demais são desejáveis. rigorosas e numerosas. Ele precisa saber que o trabalho é árduo. lançando mão de um acervo de experiências pessoais preciosas. o doutrinador não pode deixar de dispor de cinco qualidades. . traçar um perfil ideal e. em geral. Em suma. criticas: importantes também. O trabalho está sob a proteção de forças positivas e abençoadas. mas não tão Paciência. trazidos ao diálogo. o pára-raios predileto do grupo. como todo ideal. Que isso não desencoraje ninguém à responsabilidade do trabalho. não significa que deve remos e poderemos deixar cair as guardas. na sessão seguinte. * A longa digressão acerca das aptidões desejáveis a um doutrinador não deve necessariamente desencorajar aquele que pretende se preparar para a tarefa. Ainda voltaremos a este tema fascinante. um acontecimento desagradável realmente acontecer conosco. Os Espíritos amigos saberão dosar as tarefas. idealmente. usualmente. porém. ou com alguém da nossa convivência. Estejamos certos de que. Se. e nenhuma projeção especial o espera. Energia. Tato. senão impossível de ser atingido. segundo as forças e as possibilidades de cada grupo. Familiaridade com o Evangelho de Jesus. Vigilância. Por outro lado. A proteção existe. com apoio insubstituível nos livros da Codificação Kardequiana. as qualificações são. para se vangloriar: — Eu não disse? Não tema. bem como o seu porta-voz junto ao mundo espiritual. Fé. Sensibilidade. anotar mais uma das aptidões necessárias ao bom desempenho do trabalho mediúnico. É nele que identificam a origem de seus problemas. porque os Espíritos atribulados. o organizador ou responsável pelo grupo. pois. virá de novo o irmão infeliz. ou aptidões básicas: Formação doutrinária muito sólida. os riscos são muitos. Dificilmente um doutrinador reunirá tantos e tão grandes atributos pessoais. e mais: os recursos socorristas virão. Humildade. à irresponsabilidade. siga em frente. Ao contrário) quanto mais apagado o seu trabalho. com ele se entendem e se desentendem. em particular: a prudência. Não custa. Autoridade moral.

cabe a ele suportar os ônus e as responsabilidades decorrentes.. deve o dirigente comportar-se como simples participante. No momento de tomar a decisão. Poderá ser o primeiro entre eles. médiuns ou não. antes de prosseguir. Precisa tratar a todos. como já dissemos. Precisa despertar. sim. a afeição. falta ainda abordar um aspecto final. sem abandonar a firmeza. dirá o leitor. para debater problemas ligados ao trabalho. precisa. estar consciente dessa responsabilidade e usar sua autoridade com muito tato. a camaradagem e o respeito. mas não e o maior”. sem paternalismos e preferências. para estimular a criatividade e a contribuição dos demais membros. É. algo inquieto: — Mas é muito difícil ser doutrinador. É verdade. . Quando o grupo reunir-se. 50 Destemor.. Com respeito ao doutrinador. nos seus companheiros. com o mesmo carinho e compreensão. certamente deverá ser o único a falar com os Espíritos. Prudência. mas sem má-vontade contra qualquer um dos membros da equipe. Como é também o dirigente humano do grupo. A essa altura. Disciplina não é sinônimo de ditadura.

sem mediunidade ostensiva. Estão interessados num trabalho sério. por assim dizer. orientação e renúncias bastante sérias. Quem ouve o consumado virtuoso do piano. que podem e devem participar. mantendo boas relações de amizade com os demais componentes? Estarão dispostos a contentar-se com uma tarefa aparentemente inútil e apagada? O trabalho. dificuldades e desenganos. facilmente é levado a esquecer os longos anos de aprendizado. São geralmente amigos e parentes de um ou outro membro. até chegar àquele ponto. a exigir estudo. se não tem condições de “receber” Espíritos. Há sempre outros companheiros. É como se contemplássemos um produto de apurado acabamento. Não apresenta. sem a menor noção de sua gênese e da técnica e adestramento que a sua confecção exigiu do artífice. incertezas. Raramente a mediunidade eclode assim. respeitados o limite numérico e a qualificação pessoal anteriormente referidos. através de um médium perfeitamente ajustado. que fiquem à nossa disposição. não oferece atrativos àqueles que não estejam preparados para a dedicação. para distrair aqueles que buscam nos fatos mediúnicos apenas a manifestação mais dramática. que muitas mediunidades ficam. não imaginamos quanto trabalho preparatório foi necessário desenvolver. nem comunicações de Espíritos luminosos ou célebres. sem mediunidade ostensiva. inacabadas. paciência. quanta vigilância. Devem obedecer à mesma disciplina. levitação e outras). como as de efeitos físicos (materializações. ou de um dos instrutores anônimos do Mundo Superior. e sentem-se atraidos pelo trabalho. muitas vezes penoso. transportes. as cansativas horas de exercício. ainda que não manifestamente. espontânea e fulminante. exige dedicação. ver ou ouvir os companheiros desencarnados. passem a funcionar como médiuns perfeitamente ajustados. o companheiro. sem escolher funções e sem buscar posições de relevo. o esforço constante de aprimoramento. nos grupos de desobsessão. cansativo. Tais participantes merecem atenção e cuidados. Nada disso. quantas dores. dedicação. O grupo não se reúne para divertir-se com Espíritos. esforço concentrado. mas para servir e aprender. A norma geral é o desabrochar lento. 51 5 OUTROS PARTICIPANTES Um grupo mediúnico não se constitui apenas de um doutri nador e alguns médiuns já desenvolvidos e preparados para os seus encargos. renúncia. Por outro lado. O trabalho é muito mais humilde. toscas e primitivas. de uma hora para outra. ademais. ou companheira. como quaisquer outros que integrem o grupo. pois. fenomenologia espetacular. como obras que o artista não teve suficiente . Quando assistimos àmanifestação de um Espírito sofredor. Só excepcionalmente isso acontece. É necessário estudar bem e discutir com franqueza as suas motivações. contínuo e disciplinado? Acham-se apenas impulsionados pela curiosidade passageira? Integram-se bem no grupo. e entregar-se ao mesmo aprendizado doutrinário e à mesma atenta observação a que cada um dos demais é submetido. escrever páginas psicográficas. para responder a qualquer pergunta ou fazer qualquer favor. e preces. também trazem ao grupo a sua contribuição. também. pronta e afinada. Não esperemos reve lações extraordinárias. destinadas a abalar o mundo. E é por isso. nem convívio com os Espíritos redimidos. Muitos buscam aderir aos grupos na esperança de que isto aconteça e. pode deixar-se envolver pela frustração.

e por ele orientados darão passes nos médiuns. para experimentar-lhes a paciência e a tenacidade. Por mais de uma vez. lhe é devido. Neste caso. aqueles que não dispõem de faculdades para incorporação. Ele trabalhou muito e lutou muito para que assim fosse. Se estão bem entrosados com as demais pessoas e mantém atitude construtiva. dispensáveis os componentes do grupo que não ofereçam condições mediúnicas? Não. Quase sempre podem também ser muito úteis como médiuns de passes. Sua participação é desejável. então. em qualquer circunstância. nem mesmo desejável. Deixem aos operadores desencarnados a incumbência de decidir quanto à utilização dos recursos de cada um. indistintamente. ou a companheira. poderão incumbir-se da nobre tarefa do passe reparador. ou de fria observação. um dos Espíritos que se incumbiam da orientação do grupo afirmou que. Além do mais. Portanto. como “dínamo de vibrações amorosas”. na captação de uma ou outra palavra ou intuição. Há condições para desen- volvê-la harmoniosamente. como se o membro do grupo fosse mero espectador. este sim. A juízo do dirigente. A atitude negativa acarreta dificuldades e desarmonias que prejudicam seriamente as tarefas mediúnicas. Dizem que o gênio é dez por cento inspiração e noventa por cento transpiração. Podem ainda Contribuir para a fluidificação da água. intimamente. e ao longo dos anos. é comum desenvolverem-se nesses companheiros preciosas mediunidades. tive oportunidade de verificar casos específicos de atitudes assim. nosso respeito pelo médium. tal pessoa nos prestava excelentes serviços. psicografia ou vidência. Ainda que inconscientemente. Com o decorrer do tempo. Nada de ciúmes pelo que ele faz. Os nossos instrutores espirituais estão cansados de insistir em que todos os recursos humanos colocados à disposição do trabalho são aproveitados. 52 dedicação e tenacidade para concluir. É muito freqüente ouvirmos desses companheiros uma palavra de desânimo e desinteresse. quando o companheiro. . ao contrário. e prestam serviços relevantes de apoio. nem de elogios balofos que o percam. aliviar aflições residuais deixadas pelas vibrações dolorosas do manifestante em desarmonia. sejam médiuns. de que estava pleno o seu coração. questionou a validade da sua presença no grupo. tão necessária num grupo de trabalhos práticos. Não é necessário que todos. manifestemos. o que é falso. fornecendo recursos vibratórios de alto valor. a fim de ajudá-los no reequilíbrio de suas energias e. numa rápida vidência. Serão. dado que praticamente todos os seres humanos dispõem dessa condição em potencial. que se acham apenas em potencial. contribuem para a concentração das mentes no clima de segurança e de harmonia. sem que ela tivesse consciência do fato. Esses recursos eram amplamente utilizados no trabalho. a mediunidade talvez guarde relação semelhante. ao presenciarmos o suave fluir de uma bem treinada mediunidade. em período de expectativa e de provas. por acharem que nada estão fazendo no grupo. mas nosso apreço. se tiverem desejo de servir e pureza de intenções. da mesma forma que o espírito Crítico. começa a ensaiar-se timidamente a faculdade. uma atitude construtiva e disposta à cooperação. A um desses. após comunicações particularmente penosas. sob supervisão de alguém mais experi mentado. Os companheiros sem mediunidade ostensiva precisam convencer-se de que devem manter. muitas vezes têm papel importante no grupo.

ou mesmo desejar. como já ensinava Paulo. Mantenham-se em calma. que é inútil. às vezes. Esse grupo. onde ficaria o ouvido? E se fosse todo ouvido. venham a manifestar indícios indubitáveis de excelentes faculdades. nem mesmo uma palavra perdida. Os resultados eram bons. no entanto. porém. as tarefas foram distribuídas por uma espécie de consenso geral: A. capítulo 12. deixaria de ser parte do corpo. vigie seus pensamentos. tomamos algumas decisões mais drásticas. sua participação é preciosa. ou a fugaz visão de um companheiro desencarnado. acompanhando com interesse as instruções e observações dos nossos benfeitores desencarnados. Nenhum fenômeno. e. versículos 14 e seguintes) — o corpo não se compõe de um só membro. não vê ou não ouve Espíritos. onde ficaria o olfato? Nada. contribua para manter um bom ambiente de vibrações amorosas. que então nos procuravam. que poderão ser cultivadas e aproveitadas. disse aquele que estava com a palavra: — Só você falará com os Espíritos. Se o pé dissesse: “Como não sou mão. pelo menos. Sentava-me entre os companheiros. porque nos esforçávamos por manter a harmonia. ou. O aprendizado dos tempos em que fiquei como simples observador revelou-se precioso. sem açodamento ou excitação. a rigidez de uma disciplina mais rigorosa. uma experiência pessoal. . não pertenço ao corpo”. faculdades para as quais não estamos preparados. O participante. tenham paciência e portem-se com humildade e respeito. procurava portar-me com respeito. D fará as preces de abertura e encerramento. meu Deus! Aos irmãos aflitos e desarmonizados. constituído de pessoas que muito se estimavam e se mantinham bem afinadas. Estudem e observem. Não se aflija se a sua contribuição é menos ostensiva. uma noite. ainda não esta mos preparados. antes da reunião. de ambicionar. atenção e vigilância interior. ao sabor dos acontecimentos. sob este aspecto. precisa estar preparado para a eventualidade de conviver com o grupo por longos anos. nenhuma forma de mediunidade. A tudo ouvia. Durante vários anos freqüentei um grupo mediúnico. que eu tivesse captado.Com efeito — dizia ele aos Coríntios (Primeira Epístola. ha tantos séculos: . Não pense. Vários dos seus componentes conversavam com os Espíritos. Eu? Que diria. sem saber ao certo o que fazia. Tenho. por isso? E se o ouvido dissesse: “Como não sou olho. e. que poderíamos fazer melhor a nossa tarefa. Senti um “frio por dentro”. por certo. não pertenço ao corpo”. por isso? Se todo o corpo fosse o olho. O dirigente do grupo deverá ter sensibilidade bastante para identificar os indícios e acompanhar cada caso individual. É possível que. porém. Num grupo bem harmonizado. porém. 53 Quanto ao mais. todos são úteis e necessários. pois. não tinha. com o tempo. só porque não incorpora. sem que nenhum fenômeno ostensivo se passe na intimidade de seu ser. participando dos dramas e aflições dos irmãos desarvorados. E. senão de muitos. permaneça concen- trado e em prece nos momentos mais críticos. Conserve-se firme e tranqüilo. voltando-se para mim. comecei a tarefa que me fora atribuida procurando corresponder às esperanças daqueles que ma concediam. ainda que thnidamente e sentindo cuidadosamente o difícil terreno em que pisava. deixaria de ser parte do corpo. Como o grupo não tinha uma liderança clara e específica. Sentíamos. B e C se limitarão às suas respectivas mediunidades. com sabedoria e bom senso.

assisti-lo no esclarecimento de dúvidas. a reaprender. sempre disposto a aprender mais. como me conservaram no posto pelo resto do tempo em que o grupo funcionou. O dirigente do grupo deve estar bem atento a toda e qualquer contribuição dessa natureza. Colocando à disposição do companheiro sua experiência e orientação. inesperadamente. por outra. a atestar a infinita capacidade criadora dAquele que nos formulou no seu pensamento e nos deu forma. utilize seus conhecimentos de maneira construtiva. não perdemos o tempo. mas. vida e consciência. aquele que souber um pouco. creio que Correspondi à confiança que em mim depositaram. mas pela boa-vontade que evidenciarmos. me achei investido de uma responsabilidade que nem suspeitava me seria conferida. ou. no grupo. Esperemos com paciência. a rever pontos de vista. . não importa. sem colocar-se na Posição de mestre infalível que tudo sabe. longe disso. estudando junto com ele (ou ela) as dificuldades da tarefa. uma vez que cada um de nós é um ser diferente. Não somos julgados pelos resultados. Este episódio é aqui documentado. 54 E foi assim que. estamos. mais ostensiva. cada manifestação é diferente. pois em questão de mediunidade precisamos ser humildes e sensatos para admitir que não sabemos tudo. sendo imperceptivelmente preparados e testados para responsabilidades futuras. Cada caso é diferente. muitas vezes. Não Posso dizer se dei boa conta dela. apenas para enfatizar a circunstância de que. estimulando-a com interesse. oferecendo sugestões. E se não chegar o dia de uma participação mais dinâmica e efetiva. ofertando O Pouco de que dispomos: alguém se beneficiou mesmo com esse pequeno óbolo da viúva. procurando ajudá-lo.

não como norma de procedimento O grupo pode perfeita mente assistir os companheiros encarnados sob as provações da obsessão. a não ser que os responsáveis espirituais pelo trabalho recomendem taxativamente a presença da pessoa. porém. É preferível pecar por excesso de rigor. que. ou ausência de espírito de colaboração. rancorosos e violentos. no ambiente em que se realisam as sessões. Uns por mera curiosidade. sem introduzi-los no seu ambiente de trabalho. espíritas. é que não estaremos recusando ajuda simplesmente por não concordarmos com o eventual comparecimento de alguém aos trabalhos do grupo. embora desgovernados. como regra geral. do que arriscar-se a pôr em xeque a harmonia e a segurança da tarefas. Os motivos são muitos. que vai facultar ou fácilitar a tarefa. Sabemos que esta reserva é quebrada. apresentam inva riavelmente um componente mediúnico. Pelo menos é essa a experiência que tenho tido. custa recusar pedidos de ajuda a pessoas que. a presença de pes soas perturbadas. ou seja. porém. Mais do que desnecessária. Sei que alguns dirigentes de grupo objetarão a esse radicalismo. seja a um público reduzido e selecionado. nos trabalhos de desobsessão. grupos que contem com excelentE cobertura espiritual poderão admitir essa prática. Não é a presença física deles. O certo. outros na esperança de se deixarem convencer. Os benfeitores espirituais dispõem de recursos mais seguros e eficazes para isso. seja a qualquer pessoa que se apresente. desajustados e ignorantes de suas fa culdades e Possibilidades. são também médiuns. Ainda que aqueles que solicitam nossa ajuda interpretem a recusa como falta de caridade. para que o trabalho seja feito. ante a partida de pessoas queridas. Sob condições normais. em vários anos de prática. ao contrário. pode provocar incidentes e dificuldades insuperáveis. essa presença pode causar consideráveis trans tornos. deve ser preservada a intimidade do trabalho mediúnico. outros na expecta tiva de uma cura. seja de males orgânicos. estados de angústia ou de desespero. Basta dizer ao interessado que não é necessária a sua presença física. isso deve ser tormalmente evitado. ou de se manterem na sua vaidosa e tola descrença. 55 6 OS ASSISTENTES Dificilmente um grupo mediúnico deixará de ser procurado por pessoas que desejam assistir aos seus trabalhos. junto ao grupo. é bom repetir. enquanto outros adotam a prática de abrir suas portas. mas. em caráter permanente. Assim. na imensa maioria dos casos. somente em casos excepcionais se justifica a presença de pessoas estranhas ao grupo. Também não se torna necessário descer a pormenores explicativos e justificativos dessa atitude. Na minha opinião. Em casos excepcionais. e a nós. O que acontece é que pessoas sob o domínio de obsessores implacáveis e vingativos. . não havendo necessidade de correr riscos indevidos. muitas vezes. ela não é necessária à tarefa que nos incumbe junto aos obsidiados que buscam o socorro de um grupo mediúnico. com freqüência. em muitos grupos. sabemos que assim não é. como a obsessão. julgo. no ambiente onde se desenrola o trabalho me diúnico. certamente relevantes. E não é mesmo. seja de desarmoniza ções espirituais. nos são muito caras.

com um caso especial. ainda. a sessão exige tais cuidados que. e não integrado na equipe que constitui o grupo que se incumbe de socorrê-lo. passou a assistir. Enfim. até ó local onde habitualmente se realiza a sessão. na página seguinte (76. com a qual desejam pôr o Espírito manifestante em contacto direto. que seja necessária a presença de determinada pessoa encarnada. Pode ser que o tratamento exija certos tipos conjugados de mediunidade. nem exibido.. Sem ser espírita. interferir no fluxo normal do trabalho. Somente em condições muito especiais. sob o domínio de rancorosos obsessores ou possessores. às interferências voluntárias ou involuntárias. de discrição. quem dela deve participar. como espetáculo público. Não que o grupo mediúnico seja uma sociedade secreta. porque é da sua essência uma atitude de recato. ou possesso. Esses casos serão previamente selecionados pelos mentores do grupo. hermética. se dispuser de cobertura e consentimento expresso dos benfeitores espirituais. narra André Luiz o tratamento de um caso de possessão. os Espíritos orientadores solicitarão uma sessão especial. estaria havendo dificuldade em atrair o Espírito a ser tratado. em problemas de outras pessoas. que não desejem. mas dotado de curiosidade intelectual e pragmatismo. O trabalho mediúnico. há sempre razões respeitáveis. o obsidiado. Ou então. mas.. antes de ser um médium na acepção comum do termo.) Assim. não. pelo atendimento aos sofredores desencarnados. se o grupo não estiver muito bem preparado para essa responsabilidade. obviamente. nessa hipótese. Evidentemente. em dia e hora previamente combinados. por nome Pedro. da 6ª edição da FEB): “. especialmente o de desobsessão. como acontece com freqüência. como médium: — “Pela passividade com que reflete o inimigo desencarnado. começou a observar. e a solicitar livros. em seu próprio lar. e aqueles que apenas desejam “assistir” aos trabalhos? Devem ser admitidos? Na minha opinião. esotérica e misteriosa. 56 No livro “Nos Domínios da Mediunidade”.” E mais adiante. um amigo a quem muito respeito e admiro. ainda. número maior de médiuns. Pode ser. Por esse motivo (compromissos do passado). não é para ser divulgado. será justo tê- lo nessa conta. Isso. como explicou mais adiante. também. o grupo mediúnico não deve permitir a presença de pessoas estranhas às suas tarefas. que poderá trazer sérias complicações. na condição de médium desgovernado. e nem sempre conhecemos as razões pelas quais assim decidem. pelas nobres qualidades de caráter e cultura. designando. ou um doutrinador especial. como. Nestes casos. ou de recursos outros. facilmente introduzirá nele um fator de perturbação e desequilíbrio. precisamos considerar que. algumas sessões. Pedro traz consigo aflitiva mediunidade de provação. deverá fazê-lo. não poderia ser realizada sob as condições normais.” (Destaques meus. me fez uma pergunta perfeita mente válida: Você não acha que existe aí um problema ético bastante grave? Queria referir-se. contudo. por exemplo. excepcionais mesmo. a formação de um pequeno grupo mediúnico. Ao observar que os trabalhos enveredavam. no que diz respeito a pessoas perturbadas. Em suma: a meu ver. de sigilo. mas. para informar-se do assunto. Há algum tempo. como regra geral. Pode ser. de que o grupo não disponha no momento. a distáncia. Hilário pergunta ao Instrutor se deve considerar o doente. do grupo. quando um dirigente espiritual de nossa confiança propõe que o trabalho seja feito à parte. é um Espírito endívidado a redimir-se. encarnadas ou .

Por isso. divulgada ou comentada. na desesperada tentativa de desarmonizar-me. infelizmente. E isto é legitimo e proveitoso. se verdadeira. ou vítima. por conseguinte. prostrado de rosto ao solo. desencarnado recentemente e ainda em difíceis condições de desajus tamento no mundo espiritual. essa informação é recebida com reserva e. que ele chama de infiel. que ora me trazia? Felizmente. meu irmão atormentou-se com o vicio do álcool. OU não-iniciado. que põem à mostra aspectos de nossa pobre pessoa. precisamos estar preparados para que tais revelações não nos apanhem de surpresa e não nos atinjam de maneira a desequilibrar-nos. Voltemos. será convencido por todos. o ardil não produziu os resultados . na Primeira Epístola aos Coríntios. o de levar o descrente. não podemos no entanto. Não é para ser proclamada. Já naqueles recuados tempos. nem o tenha trazido. sob seu domínio. com todas as suas fraquezas. dizia: — Não tente escapar. com poderosos recursos de hipnotizador. julgado Por todos. antiqüissimo. sem dúvida. Paulo. e o problema. e aparentemente dirigindo-se a ele. se todos profetizam (1). que eu aperto mais o laço. Sim. não me deixei Impressionar. E voltando-se para mim: — Ele gostava de tomar umas e outras. Quando. Dizia ele que meu irmão estava presente. no decorrer do trabalho mediúnico surge uma denúncia. Ou. trouxe ao nosso grupo o Espírito de um irmão meu. Todos nós estamos em posição vulnerável. perder de vista o fato de que a norma é o respeito à intimidade alheia. com relação aos segredos da intimidade alheia. com redobrado respeito e discrição. um companheiro. no desespero angustioso de me ferir. capítulo 14. (1) Ao que se depreende do texto. mas apenas imaginado o episódio como estratagema. versículos 24 e 25 —. É certo. como disse é válida. porque muitos dos que se acham mais fortemente entrinc heirados nas suas descrenças e revoltas precisam de um impacto maior para desalojarem-se do seu Comodismo ou de sua vaidade. nem mesmo na intimidade da equipe de trabalho. Dei-lhe razão. não é? Graças a Deus. e entra um infiel. 57 não. talvez. Uma vez mais. por mais clamorosos que sejam. que desejaríamos continuassem em segredo. ou não-iniciado à crença e ao reconhecimento da presença de Deus entre os primitivos cristãos. que ocorrem no andamento dos trabalhos mediúnicos. ou revelação acerca das fraquezas alheias. com relação a essas im- piedosas indiscrições. dava-se o fenô meno da indiscrição de espíritos afoitos. ou seja. à experiência e à sabedoria do nosso amado Paulo: — Pelo contrário — escreve ele. e ao trato das revelações de caráter íntimo. no seu pragmatísmo via no caso o seu aspecto positi vo. confessando que Deus está verdadeiramente entre vós. seus desenganos e seus erros. suas angústias. Paulo dá o nome de profeta ao médium de Incorporação ou Psicofônico. Uma ocasião. adorará a Deus. Os segredos de seu coração serão descobertos e. A pergunta. Quem sabe se do próprio. realmente que o diálogo com os Espíritos que se arvoram em cobradores de faltas alheias traz revelações e informações que devassam a intimidade alheia. provavelmente sob a influência obsessiva de algum antigo comparsa.

fora do círculo que compunha a mesa. tanto entre os encarnados como entre estes e os orientadores desencarnados. Por duas vezes quebramos. e que causava inegável obstrução ao fluxo normal das tarefas da noite. e partiu arrependido e em pranto. para que a sessão pudesse realizar-se. e lá ficou. e nem as movia a simples curiosidade. é a regra. a regra que havíamos estabelecido.. É certo que. mas é evidente que a sua presença desregulou qualquer coisa imponderável e acarretou a necessidade de cuidados adicionais. o problema se torna bem mais sério. resolvemos concordar com seu comparecimento a uma das sessões semanais. sua presença não impediu a realização dos trabalhos da noite. portanto. Talvez alimentasse ele a esperança de uma noticia acerca da esposa ou. O companheiro acabou se convencendo. em silêncio e em atitude respeitosa. com as mesmas características. em circunstâncias semelhantes. 58 que ele esperava. Essa. por parte de nossos benfeitores. não é a leviandade de um pobre Espírito. e ele estava profundamente abalado. que vai desequilibrá-lo. mas. . Na verdade. se há estranhos na sala. A conversa prolongou-se por muito tempo e extravasou para outras sessões. e parecia pairar no ar certa dissonância. que nem sempre épossível corrigir com facilidade e rapidez. Embora não-espírita. que não conseguimos vencer. quem sabe? até uma palavra dela mesma. Tive. e isso nem passaria pelas nossas mentes. Depois dessas duas experiências. Por outro lado. de não admitir pessoas estranhas às ta refas. mesmo abstraindo essas ocorrências mais graves. conscientemente. voltamos à rígida política de não admitir ninguém. com uma jovem a quem concedemos permissão para assistir aos trabalhos. graças a Deus. Não havia problemas particularmente graves com essas pessoas. em estado de angústia. imposta pela disciplina e pela segurança da tarefa. Sentou-se em uma cadeira à parte. Num caso. tratava -se de um colega de trabalho de dois dos membros do grupo. encarava com simpatia nossa Doutrina. se o grupo está bem ajustado e integrado. a não ser os componentes regulares da equipe. todos se estimam e se respeitam. Esse aspecto negativo repetiu-se. ele não contribuiu para dificultar-nos o curso do trabalho. havia grandes hiatos entre uma manifestação e a seguinte. não podemos ignorar que há um clima de sintonia espiritual entre os que participam de trabalhos mediúnicos. A introdução de um estranho causa certo desajuste. também. mas eles se arrastaram dificultosamente. algumas experiências nesse sentido. De modo que.. em um grupo mediúnico. Sua esposa desencarnara relativamente jovem. A instâncias de um dos nossos companheiros.

é necessário um exame bastante criterioso. mas estejamos sempre conscientes de que nenhum trabalho de equipe se realiza sem um mínimo de ordem. se for o caso. temporária ou definitivamente. para que todos possam trabalhar de espírito desarmado e tranqüilo. a ponto de introduzir um fator de perturbação. que predomine a imposição ou a simples vontade de um só. Não creio que o assunto esteja esgotado. Guardemo-nos de imitar essas formas de disciplina brutal e cruel. Nas diversas vezes em que me vi diante do problema da admissão de um novo membro. por parte dos amigos espirituais: o problema era nosso. em grupos responsáveis. Se os componentes do grupo não se entenderem. da inquietação. para ajudar a decisão. Como nos portarmos diante das solicitações de adesão aos nossos trabalhos? Sempre haverá um parente. A disciplina deve ser consciente. Estejamos. Há. é preciso dispensar o companheiro que traga para dentro do grupo o fermento da dissidência. dirigidos por Espíritos discretos e esclarecidos. Como se faz isso? É preciso considerar. como poderão oferecer. deseje participar do grupo. ou amigo que. A disciplina e a coesão da equipe devem ser mantidas serenamente e com firmeza. das qualificações e intenções daquele que se oferece. porém. e por mais que relutemos intimamente. A experiência indica que. 59 7 RENOVAÇÃO DO GRUPO Já discutimos ligeiramente o problema da exclusão de algum participante do grupo mediúnico. porém. Se ainda não alcançamos o número prefixado. mas não parece necessário esmiuçá-lo mais. Devemos admiti-lo? Em primeiro lugar: se já atingimos o número de componentes inicialmente fixado como o máximo desejável. O problema é nosso. que a decisão final deverá resultar de um consenso geral dos componentes do grupo. não podemos cogitar de receber mais companheiros. dos que estão do lado de cá da vida. são deixadas aos encarnados. o exemplo da soli dariedade e da compreensão? As organizações espirituais geradas e mantidas na sombra podem ter inúmeros defeitos. digamos terrenos. com uma palavra decisiva dos companheiros desencarnados que nos orientam. preparados para enfrentá-lo. o anverso da medalha. a mesma atitude. de perseguições. Os benfeitores espirituais. Não contemos. Nada. as deliberações quanto aos negócios. tomando conhecimento da nossa atividade. em diferentes grupos. Se alguém destoar. deve ser afastado. Em qualquer caso. mesmo consultados. franco e leal. da indisciplina. recusam-se a dar ordens ou decidir se um novo companheiro deve ser admitido. A admissão de um novo componente pode alte rar profundamente a estrutura e os métodos de . em caráter permanente. aos companheiros desarvorados do mundo espiritual. de espionagem e de regras policiais. evitando. mas são implacavelmente disciplinadas. pois. encontrei sempre. de início. que pode neutralizar as melhores intenções e provocar até a desagregação da equipe. ainda que bastante credenciados. Por mais que nos pese. Respeitemos esse ponto de vista e não tentemos forçá-los a dizer o que não pretendem. tanto quanto possível. do grupo. ou se outro deve deixar o grupo. podemos considerar a possibilidade.

nem insistir na sua admissão a qualquer preço. Neste caso. Se. É possível que a sua sugestão seja acolhida. mal-humorado? Que tipo de trabalho pretende realizar? É médium? Que faculdade mediúnica tem em desenvolvimento ou já desenvolvida? Tem conhecimento teórico da Doutrina? Relaciona-se bem com as pessoas? Se essas e outras inúmeras indagações forem atendidas satisfatoriamente. observando tudo sem espírito crítico negativo. não é estar pronto para trabalho de tanta responsabilidade. trazendo uma contribuição construtiva. Não se magoe. leal. às quais ele deverá subordinar-se. tanto num sentido. sem desejo de aferir virtudes e defeitos alheios. Nada de processos iniciáticos. O candidato não deve impor condições. precisa de tato e bom senso ao apresentá-la. e o que se espera dele. ou ela. também. Aja com prudência. é só apresentá-lo aos demais companheiros e começar o trabalho. ainda que não indesejável. dinamizadora e eficiente. Aguarde o amadurecimento de suas impressões e a sua perfeita sintonização com os demais companheiros. . e só então. as condições dc trabalho. também com franqueza e serenidade. de rituais de “batismo”. bem integrado e formado de pessoas que se estimam e se respeitam? Mais ainda: ele deve ter o que dar. com habilidade e na oportunidade adequada. pois. Que tem ele a oferecer? Qual a sua experiência em outros grupos ou em tarefas semelhantes? Qual o seu tipo de personalidade? Ajustado. as suas credenciais. agora. Apreciemos o problema. Deve procurar integrar-se no trabalho. deve ter suficiente equilíbrio e bom senso para recuar ou aguardar outra oportunidade. poderá. crítico. ou se deseja brilhar. com sua influência. deve certificar-se de que está disposto ao trabalho construtivo e disciplinado. Se tiver alguma contribuição positiva a fazer. como noutro. de que o grupo lhe oferece as condições que ele entende como necessárias e desejáveis. Faça-o. e dar impulso às tarefas. ou seja. Suponhamos que seja admitido. Se perceber que sua adesão é inoportuna ou mesmo indesejada. porém. se o forem. em particular. ou seja. do ponto de vista do candidato. o que lhe competirá fazer na equipe. está mal preparado. de preferência. Se nos convencermos de que ele. revitalizando o grupo. se não forem acolhidos. Juntar-se a um grupo para tirar partido. tranqüilo. O novo companheiro pode trazer um bom acervo de conhecimento ou de experiência. está em condições de integrar-se na equipe. e desapaixonadamente. Será debatida com ele a natureza do seu encargo. ao dirigente do grupo. ou infestado de frustrações. Cabe-nos. mas não deixe de expressar seus pontos de vista. como os demais membros. deverão ser expostas a ele. fechado. Se deseja participar das tarefas de determinado grupo. será considerada a possibilidade de recebê-lo no grupo. aniquilar o grupo. apoiado em boa base doutrinária. mas pode ser que o grupo tenha razões para agir da forma que. Sua presença não deve ser impingida sob condições. examinar com serenidade. de vestimentas especiais ou cerimônias de qualquer natureza. de início. para buscar vantagens e privilégios. não se vanglorie. Certo. pode ter-lhe parecido suscetível de correção. disciplinado? Ou agressivo. Mantenha-se discreto e tranqüilo. tanto para o lado positivo como para o lado negativo. com a intenção de melhorar o trabalho. 60 trabalho da equipe. se os julgar oportunos e aplicáveis. É um grupo sério. de simbolismos.

e a prática decorrente do trato com os nossos companheiros desencarnados — tanto instrutores e orientadores. inacessíveis. Como estudantes que somos. como Espíritos em desequilíbrio — nos trazem contribuições importantes que. quando os antigos se revelarem insuficientes ou impróprios. 61 Para resumir: os trabalhos mediúnicos devem ser realizados em grupos fechados. Tem que haver espaço para a renovação de pessoas e de métodos. E se estamos sinceramente dedicados ao progresso espiritual. pois são eles que fazem baixar a nota das nossas provas. . e nada mais do que isso. Ouçamos com atenção as recomendações e as sugestões dos dirigentes espirituais da tarefa. exatamente aqueles pontos sobre os quais cometemos nossos piores erros. a fim de sermos. mas não herméticos. aqui e ali. Precisamos ter a coragem e a humildade de abandonar práticas inadequadas e adotar novos métodos. desejamos com todo o interesse o certificado de conclusão do curso. aconselham correções e reajustes no método de ação. inabordáveis. aprendemos mais e melhor. para nunca mais esquecer. Empenhemo-nos em aprender com os nossos próprios erros. O próprio estudo. tão cedo quanto possível. promovidos à admissão na próxima escola que está à nossa espera.

segundo sua natureza. o isolamento e o manicômio. urgente despertá -los para a realidade que se recusavam. o Espírito culpado se aliena. incapacitados para quaisquer aquisições facultativas de progresso”. no mundo espiritual. Não vamos conviver apenas com aqueles que vêm para ajudar-nos. apenas distribuídos em diferentes estágios evolutivos. Teremos que aprender a trabalhar com ambos os grupos. Inseguro e temeroso diante da dor que ele sabe ser aguda. É certo. Além disso. para as primeiras palavras de estímulo e encorajamento.OS ORIENTADORES Sempre que um grupo de pessoas se reúne para trabalho de natureza mediúnica. Pereira. em contacto com o ser humano encarnado. na esperança de pelo menos adiar o momento duro e fatal do despertamento. Todos nós temos. que devemos à abençoada mediunidade de Yvonne A. 62 8 OS DESENCARNADOS . outros nos seguem um passo ou dois atrás. por terem caminhado um pouco mais do que nós. um grupo deles se mantinha irredutivelmente fixo nas suas angústias. Falemos primeiro dos irmãos que vêm nos ajudar a servir. lembrei os preciosos esclarecimentos colhidos no livro “Memórias de um Suicida”. porém. Tornara-se imperioso encontrar um grupo de médiuns em condições de socorrerem Espíritos de suicidas: “Chegara a um “impasse” o processo de recuperação. Em “Reformador” de fevereiro de 1975. como o maestro competente que verifica se todos os instrumentos estão perfeitamente afinados. que é o reino de Deus em cada qual. porém. tanto quanto desafetos e obsessores em potencial ou em atividade. ou seja. imersos em lamentável estado de inércia men- tal. é raro que tenhamos conhecimento da natureza do trabalho que pretendam realizar conosco. É da lei universal da fraternidade que todos se apóiem mutuamente. Tornara-se. para chegarem à paz interior. Os Espíritos sempre nos dizem que precisam de nós para determinadas tarefas. é certo que um Espírito amigo se manifeste. recorrer à terapêutica da . profunda e inexorável. a enfrentar. quase sempre. Os resultados podem não ser espetaculares — e geralmente não o são mesmo — porque os companheiros incumbidos da nossa orientação ainda estão trabalhando nos ajustes e nos testes. no artigo intitulado “A Doutrinação: variações sobre um tema complexo”. semi-inconscientes. Os casos estavam distribuídos. pois. muito bem estudado. a três ambientes distintos: o hospital propriamente dito. que somente podem ser desenvolvidas com o concurso da mediunidade. Trata-se aqui de um conhecido mecanismo de fuga defensiva. que eles já dispõem de um plano. Se o grupo já dispõe de um ou mais médiuns desenvolvidos. compatível com as forças e possibilidades dos trabalhadores encarnados. Em casos como esses é necessário. Enquanto alguns se acham à nossa frente. É sempre um momento de emoção a primeira reunião mediúnica de um grupo. “permaneciam atordoados. não podemos esquecer-nos de que somos todos irmãos. companheiros. Uns tantos desses. um grupo correspondente de Espíritos se aproxima. Nessa altura. e nem seria esta a finalidade de um grupo que se prepara para a difícil tarefa da desobsessão. amigos e guias. mais inconsciente do que conscientemente. A despeito do desvelo e competência dos técnicos e mentores da organização espiritual especializada no tratamento dos suicidas.

Não sabemos. conduzidos no mundo espiritual.” É para esse trabalho que os mentores espirituais solicitam o concurso dos encarnados. “Memórias de um Suicida” nos fala dos longos e cuidadosos preparativos. Sem dúvida alguma. Convém acrescentar que registros semelhantes — obviamente para outras finalidades — existem também nos redutos trevosos. dirigia-se. Poderíamos dizer que cada grupo tem os guias e protetores que merece. O Espírito precisa retomar a sua marcha e o recurso empregado com maior eficácia é o do choque. que se torna. são rígidas. ao iniciar uma atividade mediúnica. em muitos casos. dentro do Evangelho do Cristo. 63 mediunidade. mais tarde. Contamos com a ajuda e o apoio de companheiros bem esclarecidos e competentes. à sua equipe invisível e recomendava: — Gravem isto! Ou então: — Gravaram aí o que ele disse? Não alimentemos. podemos estar certos. são examinadas as “Fichas espirituais dos médiuns” que compõem os grupos sob exame. Para que fossem tocados na intimidade do ser. de quando em quando. É preciso localizar um grupo que ofereça as condições de segurança e amparo de que necessitam os Espíritos transviados. e as qualificações exigidas. que tipo de tarefa nos será atribuida. mostravam-se eles inatingíveis aos processos mais sutis de que dispõem os técnicos do Espaço. num esforço considerável de automaterialização. a que o autor de “Memórias de um Suicida” chama de “revivescência de vibrações animalizadas”. Nossos menores gestos e palavras eram como que filmados e gravados para exame e debate. como preliminares à tarefa mediúnica propriamente dita. Habituados a tais vibrações mais grosseiras. Decide-se por este último e. era preciso alcançá-los “através da ação e da palavra humanas -Como estavam. Por várias vezes tive a oportunidade de testemunhar pessoal-mente essa realidade. Espíritos desarmonizados informaram-me que estávamos sendo rigorosamente observados e estudados.) Por aí se vê que os nossos grupos e os nossos médiuns se acham meticulosamente catalogados nas organizações do Espaço. mas precisamos oferecer-lhes um mínimo de condições.” (Destaque desta transcrição. “Na Seção de Relações Externas — prossegue o mencionado artigo de “Reformador” — são consultadas as indicações sobre grupos espíritas que possam oferecer as condições desejadas para o delicado trabalho. particularmente agressivo e desesperado. disposto a amar . um Espírito. nas cúpulas administrativas do mundo das sombras. na Espanha e no Brasil. pois. pois. escorado na Doutrina Espírita. Certa vez. ilusões. por mais que estes reduzissem o seu teor vibratório. para as tarefas que desempenham junto a nós.” E mais adiante: “Verifica-se a existência de grupos em Portugal. de que os orientadores espirituais do grupo somente nos trarão encargos que estejam ao nosso alcance. a fim de melhor nos conhecerem e poderem planejar a estratégia a ser usada contra nós. não entendiam a palavra dos mentores e nem mesmo os distinguiam visualmente. não obstante. São enormes as responsabilidades desses amigos invisíveis. como vimos. em seguida. já estudaram nossas possibilidades e intenções. insubstituível. Se o grupo empenha-se em servir desinteressadamente.

ou um desportista bem treinado. mais fácil. talvez. recomendam e põem-se de lado. verdadeiros técnicos da difícil ciência da alma. de seu próprio ponto de vista. Preferiram colocar-se à disposição de Kardec. mas não deixam de apontar-nos o caminho e seguir-nos amorosamente. Sua presença é constante. discorrendo sobre a anatomia do trabalho. experimentamos o prazer de contemplar os gestos bem medidos. simplesmente ditar os livros que expusessem as linhas mestras do pensamento doutri nário. que se incumbiram de transmitir os fundamentos da Doutrina aos homens. Voltam sob seus passos. trazem-nos a ajuda anônima de que precisamos para dar mais um passo à frente. não precisariam trazê-los até nós. Os benfeitores espirituais não vão ditar um breviário de instruções minuciosas. Não desejam. porém. porque parece muito fácil fazer aquilo que aprendemos a fazer bem. o cuidado extremo de não interferir com o mecanismo do nosso livre-arbítrio. e caberia aos homens. retificam e estimulam. pois não se encontram ao nosso lado para resolver por nós os nossos problemas. de uma óptica essencialmente humana. portanto. às vezes de antigas experiências reencarnató rias. e isso teria sido. falam com simplicidade. Ligados emocionalmente a nós. colocar as questões. sugerem. acompanham-nos até mesmo no desenrolar de nossas tarefas hu- manas. para o exercício do livre-arbítrio. Os ensinamentos destinavam-se aos homens. A competência costuma passar despercebida. muitas vezes. para que ele formulasse as perguntas. mas para dar-nos a solidariedade do seu afeto. Assim são os companheiros que nos amparam. Apresentam-se. Mesmo no trabalho específico do grupo. do seu longo período de adestramento. tanto quanto a responsabilidade pelos erros cometidos. ante . de repetição e correção. a suave facilidade com que se desempenham. negam-se a impor condições. pois também é trabalho de cooperação e entendimento entre os dois planos da vida. para que tenhamos o mérito dos acertos. Aconselham. que nos tornemos dependentes deles. São modestos e humildes. pois sabem muito bem que o Espírito desajustado precisa de ser abordado e tratado de um ponto de vista ainda bem humano. Guardam. 64 incondicionalmente. mas revestem-se de autoridade. O trabalho desses amigos é silencioso e sereno. para qualquer passo que tenhamos de dar. diante do corpo vivo do próprio trabalho. para estender-nos a mão. Lembremo-nos. Preferem ensinar pelo exemplo. ao longo de anos e anos de dedicação. de forma alguma. com nomes desconhecidos. de forma que as respostas viessem já acomodadas às estruturas do pensamento do ser encarnado. Poderiam os Espíritos Superiores. evitam dar ordens. leais e francos. de renúncia. terá como apoio e sustentação uma equipe correspondente. a fim de que. Amorosos. Corrigem. Essa mesma técnica foi usada com o próprio Allan Kardec. interferem o mínimo possível. Em suma. possamos ajudar aqueles que se acham caídos pelos caminhos. Inspiram-nos através da intuição. Se fosse possível resolver suas angústias no mundo espiritual. a observar. Dificilmente nos dizem o que fazer. são tranqüilos. de companheiros desencarnados do mais elevado padrão espiritual. porém. de estudo. e das suas cansativas horas de trabalho monótono. os Espíritos não nos tomam pela mão. A tarefa dos grupos mediúnicos de desobsessão apôia-se nos mesmos princípios. a nosso turno. Quando vemos um operário altamente qualificado na sua especialidade. É preciso que fique margem suficiente para a iniciativa de cada um. Não foi assim que fizeram. mas firmes.

Técnicas de magnetização e persuasão. muitas vezes tidas por inexpugná veis. mas não são grupos integrados na Doutrina Espírita. Os benfeitores espirituais é que se incumbiram de localizá-los e desalojá-los de suas posições. no decorrer de muito tempo de trabalho. Nada temos contra os grupos que seguem tais recomendações. ainda que de limitados recursos. sob orientação de seus companheiros desencarnados. entendendo-se como tal a Doutrina contida nos livros básicos da Codificação Kardequiana. onde se reúnem pessoas de boa-vontade. Sabemos muito bem que a maior parte do trabalho. já vêm para a manifestação mediúnica com um certo preparo prévio. onde qualquer exte riorização voltada para os aspectos materiais é dispensável. simbolos. Só que. Haverão de nos seguir a distância. Mesmo com relação à essência do trabalho. encarnados e desencarnados. que não está se entrosando? São problemas nossos. mas com firmeza. Inúmeros recursos são utilizados para isso. mas respeitando nossas decisões. Jamais nos recomendam ritos especiais. depois que o Espírito ne cessitado é atendido. mesmo erradas. para entender. Os Espíritos desarvorados. 65 duas ou mais alternativas. como preces exclusivas. mas não impõem a sua vontade. imagens. ou melhor ainda. são . que se incumbem de orientar e assistir inúmeros grupos. por esses atalhos. Todo o seu esforço é conjugado com o de outros Espíritos. amorosos e apreensivos. e temos que resolvê-los dentro do contexto humano. segundo nosso entendimento e bom senso. E se um companheiro começar a recomendar tais processos. * Os amigos espirituais que se incumbem de orientar o grupo raramente revelam toda a extensão de suas responsabilidades e encargos. para trazê -los até nós. ritos ou vestes especiais. Somente a observação atenta. Merecem todo o nosso respeito e carinho. O trabalho que nos trazem obedece a pla nejamentos cuidadosos. é feita no mundo espiritual. Não é preciso. limitam-se a aconselhar e sugerir. não obstante. nem nos obrigam a fórmulas dogmáticas rígidas e insubstituíveis. não poderemos continuar contando com o mesmo tipo de apoio e sustentação. seja por que razão for. nossa experiência ensina. não nos faltarão com suas advertências amigas. Podem ser bem- intencionados e realizar trabalhos de valor. podemos tranqüilamente dissuadi-lo. São eles os preparadores das tarefas específicas do grupo. Geralmente fazem parte de amplas organizações socorristas. a mais delicada e de maior responsabilidade. sem necessidade de recorrer a práticas exteriores de suporte. cuja vastidão e seriedade nem podemos alcançar. permite-nos avaliar parcialmente a importância de suas presenças junto de nós. Nada. O suporte de que os grupos mediúnicos ne cessitam vem do mundo espiritual superior. E se insistimos em seguir pelas trilhas que nos afastam do roteiro da verdade e da segurança. éclaro. com êxito. ou simbolos místicos e vestimentas características. com bons modos. mas nos deixarão palmilhar os caminhos da nossa preferência. ainda desconhecidas de nós. que podem realizar o mesmo tipo de trabalho. de velas. e são eles que se incumbem de dar continuidade ao serviço. pois. A função dos orientadores espirituais mais responsáveis não é ditar normas. Devemos ou não acolher um companheiro que se propõe a trabalhar conosco? Devemos ou não excluir outro.

formulado o juízo sobre os nossos orientadores. com eles. O nível espiritual e o “status” moral desses companheiros revela-se na sua maneira de agir e falar. do qual participamos. enquanto adormecemos no corpo físico. pelo conhecimento doutrinário e pela prática evangélica. nossos Espíritos. mais do que nunca. necessitam. para acolher apenas o que a razão sancionar. que deveremos aceitar tudo quanto nos vem do mundo espiritual. incentiva-nos a tudo examinar. para o tratamento preliminar de companheiros já selecionados para a experiência mediúnica. já atendidos por nós. Com algum tempo de vivência na tarefa mediúnica. sem análise critica. cabe-lhes recolher os companheiros aflitos. estejam ou não despertados para a realidade maior. os Espíritos atormentados nem sabem por que se acham numa sessão. como figuras sempre secundárias. em casos mais difíceis. nos momentos críticos. ao contrário. Encerrada a sessão. Temos que aprender a formular sobre eles o nosso próprio juízo. para ajudar no trabalho de doutrinação ou de passes. Os benfeitores assistem à sessão. às vezes. se nos mantivermos atentos e vigilantes. juntam-se aos benfeitores. socorrem-nos com seus recursos. porém. julgando que vieram por livre e espontânea vontade. Freqüentemente. Os Espíritos arrependidos e dispostos à recuperação são leva dos a centros de reeducação e tratamento. Ignoram como foram trazidos. não cair no extremo oposto de tratar qualquer companheiro espiritual com aspereza e desconfiança injustificáveis. o que não é o mesmo que aceitar tudo sem exame. saberemos identificá-los e conheceremos seus métodos de ação. entretanto. Sem um perfeito entendimento entre as equipes encarnada e desencarnada. às profundezas da dor e. contidos. muitas vezes. realizamos. incorporam-se em outro médium. parcialmente libertos. Os Espíritos esclarecidos não se aborrecem nem se irritam com esses cui dados. desde o descondicionamento a dolorosas e lamentáveis concepções. A delicadeza do trabalho e seu ponto crítico estão exatamente nesse balanceamento entre vigilância e confiança. sob controle. mas não sabem de onde vem a força que os contém. Descemos. e sustentado pela prece. falando através de um médium. É preciso. Muitas vezes admitem estar constrangidos. . até o preparo de uma nova encarnação. estaremos em condições de fazê-lo com relativa segurança. fazem pequenas recomendações ou dão indicações sumárias. de assistência e amparo. já adestradas para esse tipo de encargo. autênticas sessões em pleno Espaço. para as readaptações e o aprendizado que os levará à reconstrução de suas vidas. desprendidos. através da intuição ou da mediunidade ostensiva de algum companheiro. Durante a noite. De outras vezes. Temos que buscar o terreno comum da harmonização e da integração. Cabe às equipes de esclarecidos companheiros desencarnados todo esse trabalho invisível. em nossos desprendimentos. enquanto a tarefa no grupo mediúnico prossegue. que entendem necessários. para o preparo das futuras tarefas mediúnicas. e entregues a outras equipes espirituais. ou irmãos que. contará sempre com o apoio de companheiros desencarnados esclarecidos. com eles. ou se dizem convidados. A Doutrina Espírita não recomenda a aceitação cega de coisa alguma. O grupo bem orientado. Ao cabo de algum tempo de convivência. 66 aplicadas com enorme competência e sentimento da mais funda fraternidade. Isto não quer dizer. é impraticável um trabalho produtivo e positivo.

precisará dirigir- se ao conjunto. com o grupo em vias de desagregação. estritamente relacionados com a ordem doutrinária do serviço. uti lizar-se-ão preferentemente do tempo destinado à comunicação inicial. e até obsidiados ou fascinados por Espíritos que se apresentam com nomes importantes. em planos muito superiores aos nossos. quando não desarvorados também.” A consulta não deverá descambar para assuntos de natureza puramente pessoal. porque contém. nem sentiremos a mudança. Se não estivermos atentos. concordam em voltar sobre seus passos e vir nos estender as mãos generosas e seguras. e. Se tiverem que nos transmitir alguma instrução específica. deixarem de nos proporcionar toda a assistência de que necessitamos. na condição de condutor do agrupamento. comparecem para uma palavra de estímulo e de consolo. é indispensável. para substituir os mais esclarecidos. exatamente por aqueles que se opõem aos nossos planos. estaremos inteiramente dominados. Não nos esqueçamos de que todos os métodos são válidos para aqueles que se enquistaram no transviamento moral.” Durante o desenrolar dos trabalhos. em “Desobsessão” —é necessária. Esse é o momento em que outros companheiros desencarnados se aproximam. quase sempre. preciosos esclarecimentos acerca dos trabalhos. ou incorporarem-se para um diálogo mais direto com o Espírito. sem. e o amigo espiritual. E tudo no silêncio e na segurança daqueles que não buscam reconhecimento nem aplausos. Nenhum trabalho mediúnico sério é possível sem o apoio desses dedicados e muitas vezes anônimos companheiros. perante a Vida Maior. mas isto não é comum. * Os orientadores do grupo geralmente dirigem uma breve palavra de saudação. com seus recursos magnéticos. e vai insensivelmente afastando-se das boas práticas doutrinárias. dentro em pouco. que. 67 Essa vigilância. Fazem muito mais por nós do que nós por eles. se possível. Se o grupo trans -via-se. como se desejassem simplesmente dizer: “Estamos aqui. envolvidos numa vasta e bem urdida mistificação. As . interferindo o mínimo possível. transmitindo algum aviso ou propondo determinadas medidas. os companheiros desencarnados usualmente tomarão a iniciativa de dizer uma palavra de esclarecimento e ajuda. e uma ou outra recomendação sumária. situados. portam-se com discrição e serenidade. em geral. Fazem isso mais para marcar sua presença. no entanto. poderão tentar assumir também a identidade dos que se afastaram. É esta a mensagem que. em particular. no princípio da reunião. em relação à que eles nos oferecem. e sobre a Doutrina. Ao final da sessão. usualmente. porqüanto existem situações e problemas. Em casos assim. apenas visíveis a ele. Não temam. “Essa medida — escreve André Luiz. deve ser gravada. mas cingir-se às tarefas específicas do grupo. fica entregue à sua própria sorte. cessado o trabalho de atendimento aos sofredores. Em casos extremos podem provocar a contenção do manifestante. Quando a orientação pessoal tornar-se imperiosa. amigos. A colaboração que lhes emprestamos é mínima. lembrando minudências e respondendo a alguma consulta ocasional que o dirigente lhe queira fazer. insistimos.

e objetivamente. . Não devemos tentar envolver os orientadores espirituais em problemas que estejamos em condições de resolver com os nossos próprios recursos. para não tomar tempo às tarefas de atendimento. 68 perguntas deverão ser formuladas de maneira sintética.

Ninguém precisa. outra coisa. impurezas e imperfeições. porque. abandonado. de socorro às almas que sofrem dores maiores. No anverso da medalha encontramos os Espíritos envolvidos em dolorosos processos de atordoamento moral. Não buscam. às vezes. Claro que não são. seres redimi-dos. E. no fundo. e ninguém deve esperar perfeição. para servir. nem se julgam. nas lutas redentoras em que se empenham. nunca chegaríamos a fazê-lo. ao amor fraterno. Não nos iludamos com os seus rancores. a despeito de tudo quanto digam ou façam. há séculos ou milênios. O próprio trabalho a que se dedicam. Sem a pretensão de cobrir todo o terreno e esgotar o assunto. é um dos mais eficazes instrumentos de auto-resgate. sua violência e agressividade: são terrivelmente infelizes. Vimos aqueles que pertencem às equipes socorristas. coisa ainda mais estra nha. à soleira da perfeição. A couraça de ódio de que se revestem não passa de uma defesa desesperada contra a infiltração benéfica do amor. trazem também amor no coração. . 69 9 OS MANIFESTANTES Variam muito as categorias de Espíritos que comparecem a um grupo mediúnico. Ainda trazem. à renúncia. Temem mais o amor do que o ódio. a que dão combate sem tréguas. dedicados ao bem. ainda que sepultado em profundas camadas de desesperança e desenganos. então. mas desejam-no acima de tudo neste mundo. senão serem convencidos de seus erros. para retomarem o caminho evolutivo. ao trabalho construtivo. tentaremos apresentar e estudar algumas dessas categorias. sua gritaria. como todos nós.

tanto maior também será aquela. por exemplo. porque um Espírito desencarnado não pode tomar definitivamente o lugar de um encarnado.. pois que isso só se pode dar pela morte. na obsessão grave. o ser encarnado é constrangido a tomar atitudes absurdas. o obsidiado fica envolto e impregnado de fluídos perniciosos que cumpre dispersar pela aplicação “de um fluído melhor”. Kardec chama a obsessão de “ação persistente que um Espírito mau exerce sobre um indivíduo”. “Kardec distingue dois aspectos: a moral e a corporal. “que o termo subjugação é mais apropriado do que possessão. usualmente. “em vez de agir exteriormente. por processos magnéticos. o que certamente o incomoda.. menos a ele próprio. seja abandonado pelo seu dono. (Os destaques são desta transcrição. por mais fantásticas que sejam. por isso. o Codificador. A primeira delas é a menos perniciosa porque. obrigando a sua vítima a gestos de dra- mático e lamentável ridículo. pela razão de que a união molecular do perispírito e do corpo só se pode operar no momento da concepção”. como se estivesse completamente privado do seu próprio senso crítico. mas não o perturba a ponto de provocar desarranjos mentais. o que conhecemos por possessão não seria senão um caso grave e extremo de obsessão. o obsessor “atua sobre os órgãos materiais e provoca movimentos involuntários”. o Espírito atuante se substitui. toma-lhe o corpo para domicílio. entretanto. conseguintemente. a palavra obsessão é termo genérico de um fenômeno que pode desdobrar-se em três principais variedades: a obsessão simples. a fascinação e a subjugação. atuar sobre o ser inteligente (destaque do original) ao qual é preciso se possua o direito de falar com autoridade que. No primeiro caso. ou seja. de uso mais antigo”. o médium — pois todo obsidiado tem forte componente mediúnico — está consciente das manobras e dissimulações do Espírito. por assim dizer. para dizer que a fascinação é bem mais grave. Define ele como obsessão “o domínio que alguns Espíritos logram adquirir sobre certas pessoas”. cumpre. com a lucidez que o caracteriza. inibindo-lhe o raciocínio e levando-a à perigosa convicção de que as idéias que expressa. é sempre temporária e intermitente. “porque o agente espiritual atua diretamente sobre o pensamento de sua vítima.” “Nem sempre. no entanto. escrevi o seguinte: “.) “Ensina Kardec” — prossegue o artigo — “que. Nessa linha de raciocínio. porém” — adverte Kardec —. que segue. um dos maiores problemas decorrentes do exercício da mediunidade. sobretudo. em “A Gênese”. Ao reexaminar o problema. No segundo caso. sem que este. enquanto que na possessão. Em artigo para “Reformador” (1). 70 10 O OBSESSOR Todo o capítulo 23 de “O Livro dos Médiuns” é dedicado ao problema da obsessão. o Espírito que se apoderou sutilmente de sua mente”. Quanto maior esta for. A possessão.” Esse artigo prossegue comentando Kardec. portanto. “Na subjugação” — diz ainda o artigo —. provêm de um Espírito de elevado gabarito intelectual e moral. através de passes.” . falece a quem não tenha superioridade moral.” Acha. que Kardec considera. ao Espírito encarnado. “basta esta ação mecânica. Seu engano é evidente a todos. fascinado e servil.

pelo resgate. o núcleo de sua problemática. A obsessão é impotente diante de Espíritos redimidos. é invariavelmente um Espírito que sofre. Pode-se então ter a grata satisfação de libertar um encarnado e de converter um Espírito imperfeito. o Espírito perseguidor busca alívio para o seu sofrimento fazendo sofrer aquele que o feriu.desponte nele. assim como o desejo do bem. Voltaremos a cuidar do problema. amiúde. ao mesmo tempo em que permitem a cobrança de nossas faltas. um processo de vingança. nos liberam. Por mais violento e agressivo que seja. indispensável se torna que o Espírito perverso seja levado a renunciar aos seus maus desígnios.” (Destaques desta transcrição. que. e sim com o coração aberto do companheiro que procura compreender as suas razões. o porquê da sua revolta.) Ninguém poderia descrever melhor. A obsessão é. o programa — síntese do processo de desobsessão: o obsessor não deve ser arrancado à força ou expulso. acerca das técnicas e recursos sugeridos para o trabalho. ainda não é tudo: para assegurar a libertação da vítima. pelo qual procure mos educá-lo moralmente. mas sem a arrogãncia do mestre petulante. por meio de instruções habilmente ministradas. Isto se faz buscando com ele um entendimento. em evocações particularmente feitas com o objetivo de dar-lhe educação moral. 71 E acrescenta: “Mas. que se faça que o arrependimento . A argumentação que utilizarmos tem que ser convincente. É preciso observar. em tão poucas palavras. um diálogo. (1) “Reformador” de maio de 1074. Ele precisa ser convencido a abandonar seus propósitos e levado ao arrependimento. Deseducado moralmente. . artigo “Possessão e exorcismo”. tornando-se ambos infelizes e envolvendo ainda outros nas tramas das suas desgraças. quando tivermos de conversar. do seu ódio. no entanto. que tudo está previsto nas leis divinas. como diz Kardec. ainda que não o reconheça. mais adiante.

Bezerra de Menezes. o sofrimento. jovem ainda na carne. visto que sua própria organização psíquica atraiçoou-o. casos semelhantes. que durava as vinte e quatro horas do dia. Em nosso grupo. com os cuidados necessários para não identificá-lo. ou mais remoto. mesmo que a vítima o tenha perdoado imedia tamente. não pudesse ser reconhecido. ligando-se a ele por largo tempo. na esperança de minorar- lhe as dores. A falta cometida contra o semelhante expoe seu autor aos azares do resgate. vindo a colher. cada qual mais revoltado e odiento. segundo nos explicaram nossos mentores. que o deslocavam da posição de ex-algoz para a de joguete impotente de implacáveis vingadores. embora tenhamos alcançado. Uma vez. conseguimos aliviar a pressão que se exercia.” Uma vez identificado o antigo devedor. Começamos a cuidar dele. Um foi particularmente doloroso e aflitivo. como conseqüência inexorável. reuniram-se em torno dele. que não conseguimos livrá-lo das suas dores. que não conhece limites nem barreiras. Não importa que o perseguido. Enganou-se. mesmo que este se oculte sob os mais bem elaborados disfarces. havendo neste livro várias referências esparsas sobre ele. porém. quando ainda encarnado. alucinado pelo ódio. ou obsidiado. . custaram um pouco a identificá-lo em sua nova roupagem. 72 11 O PERSEGUIDO A vítima da obsessão é sempre uma alma endívidada perante a lei. modelando traços fisionômicos e anormalidades físicas idênticas aos que arrastara na época citada. mesmo sob formas femi ninas. e tão sérios. em nossa experiência direta. dia e noite. porém. no passado mais recente. desencadeou-se sobre ele toda a tormenta da obsessão. com a graça de Deus. apaziguar muitos dos seus temíveis carrascos e atraí-los para as tarefas de recuperação. assim disfarçado. aqui e no Espaço. localizado. tratamos dele por muito tempo ainda. narra o Dr. desrespeitou seriamente a lei universal da fraternidade. pela mediunidade de Yvonne A. esteja na carne ou no mundo espiritual. Verdadeira multidão de Espíritos atormentava este irmão. vida após vida. porque os compromissos do obsidiado eram muito graves e suas dívidas cármicas acusavam reincidências lamentáveis. sobre ele e sua família. mas por alguém em seu nome. Não importa que a falta tenha sido cometida nesta vida ou em remotas existências. O vingador implacável acaba descobrindo o seu antigo algoz. um caso desses: “Aterrorizado ante as vinditas atrozes movidas pelos Espíritos de seus antigos amos de Lisboa. ainda que não autorizado por ele. esperançado de que. o Espírito João-José preferiu ocultar-se numa encarnação de formas femininas. a vingança como que se despersonaliza. Muitas vezes. assistimos a um trágico e incessante desfile de companheiros desarmonizados que enxameavam em torno dele. Como o seu caso tinha implicações profundas com o nosso plano geral de trabalho. Seus compromissos eram tantos. Não importa que se lembre ou não da ofensa. Temos tido. Em “Dramas da Obsessão”. Pereira. um de seus obsessores. Ao que me disse. certa vez. aqueles que ainda se sentiam com suas contas por ajustar com ele. passando a ser exercida não por aquele que foi prejudicado. De alguma forma grave. num cerco implacável. Por algum tempo.

os amores. esquecer de tudo. 73 Seguiam-no nos seus afazeres diários e o atormentavam durante o desprendimento do sono. para fugas. não peques mais. então. impunham-lhe longos períodos de alienação. mais acessível àabordagem de seus algozes. em tempos da Roma antiga. crises de mutismo. ele não deve paralisar-nos. como se nada tivesse acontecido? Não. — Vai e não peques mais — disse o Cristo. sob formas monstruosas. com destaque. os bens. sem que estivessem preparados para suportar essas perdas. indispunham-no com a família e descontrola vam-lhe o pensamento. (João. tem que ser construtivo. e ajudou a desencadear uma das mais terríveis perseguições aos cristãos. de policiamento de nossas atitudes. descoordenando-lhe as idéias. palavras e pensamentos. o que. e os outros. postavam-se diante de sua visão espiritual. a punição. neutralizavam o efeito de intensivo tratamento médico e espiritual. para as mais tresloucadas atitudes. aquele . tomavam-lhe o corpo. Ao contrário. É certo que suas vítimas daquela época o perdoaram. A lembrança cons tante dos crimes que cometemos nos mantém sintonizados com os perseguidores. o poder. pois estes dispõem do “esconderijo” do corpo físico e se acham beneficiados pelo esquecimento temporário de suas faltas. A perseguição continuou. — Estás curado — diz Ele ao paralítico. para que não te suceda algo ainda pior. do outro lado da vida. do aperfeiçoamento moral. enceguecidos pelo ódio. Mas. buscar reacender a chamazinha do amor. talvez ainda mais encarniçada. porque o processo da libertação pode dar-se também por meio do serviço ao próximo. Não que te nhamos de nos redimir necessariamente através do mecanismo da dor. 5:14. da prece e da vigilància. em virtude do descondicionamento vibratório. e eles tudo fazem para que não nos esqueçamos dos erros praticados. e a despeito de todo o cuidado de que foi cercado. que existe em todos nós. praticamo-las abundantemente no passado — é imperioso que nos voltemos para as tarefas de reconstrução interior. Cientes ou não da gravidade das nossas faltas — e. caminhadas. inúmeras vezes. o erro — que os evangelistas chamam de pecado — acarreta o sofrimento. para pregar sermões bonitos. os desencarnados são mais vulne ráveis do que os encarnados. com equi líbrio e resignação? Ao cabo de alguns anos de implacável perseguição de seus adversários. Enquanto estamos remoendo nossas faltas. que lhe guardaram rancor? A quantos teria ele mandado tirar a vida. o resgate. continuamos ligados aos obsessores. porém. O Cristo sempre ligou o problema do sofrimento. O arrependimento. Devemos. Ao que nos foi indicado.) Dessa forma. Estava agora mais exposto. pois as obsessões não se limitam a atingir os encarnados. sem dúvida alguma. certamente. o pobre companheiro desencarnou tragicamente. as esperanças. A dor não é inevitável. de dedicação ao semelhante que sofre. ao do erro. espetavam-lhe “agulhas” de todos os ta manhos. hoje sabemos da profunda realidade que encerra o ensino evangélico. servir. de certa forma. físico ou espiritual. lhes dá alguma trégua. ou seja. sopravam-lhe constantemente a idéia do suicídio. a quem mandou tomar a sua cama e andar —. Da mesma forma. se foram realmente seguidores fiéis do Cristo. É preciso orar. exerceu. Por muito tempo se pensou que isso fosse apenas um tema sugestivo.

ou no próximo milênio. uma experiência inesquecível. mas pensam. digno e sério. ninguém deve nem precisa arvorar-se em seu executor. E é por isso que nenhum trabalho de desobsessão. isto é. assim como perdoamos os nossos devedores. perdoa-nos as nossas dívidas — relata Mateus. ficam presas. Nesse angustioso círculo de fogo e lágrimas. a fim de serem doutrinados. Alguns deles continuaram a ser levados ao grupo de desobsessão. É que o perdão que concedemos àquele que nos feriu não lava o ofensor do seu pecado. A lei do equilíbrio universal se incumbirá dele. ela apenas junta mais lenha à fogueira que arde. com o perdão. perseguido por uma pequena multidão de implacáveis obsessores. e. por mais gravemente que o tenha sido. de revolta e dor. Por muito tempo achamos que toda essa doutrina do perdão fosse apenas um belo conjunto de figuras de retórica. certa vez. Outros se afastaram. descarregavam todo o seu rancor e agressividade sobre os componentes da equipe de socorro. não deve nem precisa tomar a vingança em suas mãos. seja com a do amor. ao sermos ofendidos. reassumimos os compromissos que poderíamos ter resgatado com aquela humilhação ou aquele sofrimento. mas que tanto temos relutado em experimentar. Jesus é ainda mais explícito: — “Que se perdoardes aos homens as suas ofensas. no desespero em que viviam. que o Cristo nos ensinou. acabou por ser recolhido pelos trabalhadores do bem. no próximo século. deve ser intentado sem apoio nos ensinamentos do Cristo. mas se emitimos o nosso pensamento de vingança e ódio. que. em lamentável estado de desorientação. desse mesmo capítulo. Não é uma simples teoria.. São muitos os que não tomam realmente a vingança em suas mãos. por séculos e séculos. ainda e sempre. Alguns de seus perseguidores foram tratados e reeducados moralmente. mais de uma lição encontramos. seja com a moeda da dor. o texto adquire uma dimensão que antes não havíamos notado. multidões eneeguecidas pelo ódio e nunca saciadas pela vingança. O resgate pode ser despersonalizado. Neste ponto. No versículo 14. senão hoje. tampouco vosso Pai perdoará as vossas ofensas. da sua falta. dado que não há reparos dolorosos como forma de punição aos inocentes. evita que se reabra o círculo vicioso do crime para resgatar o crime. na intimidade do seu ser. Isto não significa que. aquele que fala e procura convencê-los a . ou seja. especialmente contra o doutrinador. pois a vingança não sacia coisa alguma.. A Doutrina dos Espíritos veio propor- nos um entendimento infinitamente mais racional e objetivo: o de que o perdão liberta. o Pai Nosso: -“.” Sob as luzes da Doutrina Espírita.. 6:12 —. pois é certo que ninguém sofre por acaso. como ensina Kardec. é uma verdade. continuamos ligados ao erro. com o mesmo rancor: — Ele pagará! É verdade. também vos perdoará o vosso Pai Celestial. Também neste ponto tivemos. ele pagará. que Jesus a imortalizou no texto da oração dominical. 74 que foi ferido pelo seu companheiro. devamos transferir o nosso impulso de vingança às leis de Deus. tão vital à problemática do espírito. mas se não perdoardes aos homens. A questão é tão Importante. por sentir que a vítima punha-se fora de seu alcance. por ser este o porta-voz. no Evangelho de Jesus. para que o outro resgate a sua falta. Um companheiro desencarnado. mas libera o ofendido.

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abandonar seus propósitos, que eles julgam justíssimos.
Pois bem. Certa noite, volta, para receber os nossos cuidados, o
companheiro que havia sido recolhido. Estava novamente em poder de um
impiedoso hipnotizador, de quem já o havíamos subtraído, a duras penas. Ele
próprio confessou o seu drama: recaira na faixa vibratória de seus
perseguidores, ao deixar tombar as guardas que o protegiam. No decorrer do
diálogo revelou-se mais impaciente do que nunca, exigindo, quase, solução
imediata para o seu caso, pedindo a presença de parentes, sem nenhum
desejo de entregar-se à prece e, acima de tudo, pronto para a vingança! “Assim
que estivesse em condições” — e exatamente por isso não conseguia alcançar
tais condições — “ele”, o obsessor, “iria ver...”
Meu Deus, como poderemos negar o perdão ao que nos feriu, se o
exigimos para nós, exatamente para as dores que resultaram da nossa
imprudência em ferir os outros?
O obsidiado só pensa em livrar-se de seus adversários, a qualquer preço,
mas se esquece, ou ignora, que ele também está em dívida perante a lei, pois,
de outra maneira, não estaria sujeito à obsessão, o obsessor, por sua vez,
procura punir o companheiro que o fez sofrer, deslembrado de que ele próprio
criou, com a sua incúria, as condições para merecer a dor que lhe é infligida.
Julga-se no direito de cobrar, pensando assim cumprir a lei de Deus, para que
a “justiça” se faça. E, de fato, a lei do equilíbrio uni versal coloca o ofensor ao
alcance da punição, que é, em suma, a oportunidade do reajuste. Por isso,
dizia o nosso Paulo, em sua penetrante sabedoria:
— Tudo me é lícito, mas nem tudo me convém.
Com freqüência, os perseguidos apresentam-se em nossos grupos, nos
primeiros momentos da libertação. Quantos dramas, Senhor! Vêm transidos de
pavor, cansados de prisões tenebrosas, fugindo de obsessões que lhes
parecem terem durado uma eternidade. Esgotaram todo o cálice de profundas
amarguras, sofreram todos os tormentos, passaram por todas as humilhações,
submeteram-se a caprichos e desmandos, cumpriram ordens iníquas.
Um desses nos disse que estivera num dos calabouços infectos das trevas,
onde nem chorar podia. Passaram-se séculos. Só nos pôde dizer que foi um
sacerdote e que traiu alguém. Sente agora o peso de um enorme
arrependimento e, quando convidado a orar comigo, não tem coragem de
dirigir-se a Deus, pois se julga o último dos réprobos. A muito custo, consegue
murmurar uma palavra:
- Jesus!...
E fala baixinho, consigo mesmo:
— Que sacrilégio, meu Deus!
Outro, também egresso de um calabouço, não conseguia arti cular a
palavra; fazia entender-se por gestos. Trazia um peso na cabeça, que o
obrigava a manter-se curvado sobre si mesmo e, além de tudo, estava cego.
Um terceiro apresenta -se com as “carnes” roídas pelos “ratos” e “baratas”,
após um longo período de reclusão.
Quase todos trazem ainda no perispírito os estigmas de suas penas:
cegueira, deformações e mutilações, e, na mente, a lembrança de torturas e
horrores inconcebíveis.
Subitamente, ao cabo de agonias seculares, durante as quais resgataram-
se através da dor, escapam à sanha de seus perseguidores, tornam-se
inacessíveis aos seus processos, evadem-se das masmorras e libertam-se do

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domínio magnético sob o qual se encontravam. Em suma: a Lei disse o
“Basta!” a que até mesmo o mais terrível perseguidor tem de obedecer, ao
assistir, impotente, à escapada da vítima. Chegou ao fim o processo corretivo e
reajus tador. Antes, era impossível: ninguém conseguiria interromper o curso da
dor.
Este é o exemplo vivo da experiência mediúnica. Espíritos superiores, e já
redimidos, seguem-nos os passos, até mesmo às profundezas da dor mais
horrenda, sem poderem interferir senão com uma prece, ou uma vibração
amorosa, pois o pobre companheiro transviado nem mesmo a presença dos
amigos maiores pode perceber. Chegado, porém, o momento, tudo se
precipita. Os mensageiros do bem estão apenas à espera de uma prece, ainda
que somente esboçada, de um impulso de arrependimento, de um gesto de
boa-vontade ou de perdão. Lembram-se da advertência do Cristo?
— Reconcilia-te com teu adversário enquanto estás a caminho com ele,
para que não te arraste ele ao juiz, e o juiz te entregue ao oficial de justiça, e
este te ponha no cárcere. Digo-te que não sairás de lá enquanto não tiveres
pago o último centavo.
Não está bem claro?
E muitos ainda acham que o Evangelho é só literatura... ou só poesia, ideal,
inatingível... Razão de sobra teve Kardec para optar pela adoção da moral
evangélica, pois há mais sabedoria e ciência nos textos ali preservados, do que
em todos os tratados de psicologia jamais escritos e nos que ainda se
escreverão. A problemática do ser humano, suas complexidades e seus
mecanismos de reajuste, estão inseparavelmente ligados aos conceitos
fundamentais da moral. Um dia, a psicologia e a psiquiatria descobrirão o
Cristo.

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DEFORMAÇÕES
O perispírito é o veículo das nossas emoções. O Espírito pensa, o
perispírito transmite o impulso, o corpo físico executa. Da mesma forma, as
sensações que vêm de fora, recebidas através dos sentidos, são levadas ao
Espírito pelos mecanismos perispirituais. É o perispírito que preside à formação
do ser, funcionando como molde, a ordenar as substâncias que vão constituir o
corpo físico. É nele que se gravam, como num “video tape”, as nossas
experiências, com suas imagens, sons e emoções. Isto se demonstra no
processo de regressão da memória, espontâneo ou provocado, no qual vamos
descobrir, com todo o seu impacto, cenas e emoções que pareciam diluídas
pelos milênios. É ele, pois, a nossa ficha de identidade, com o registro intacto
da vida pregressa, a nossa folha corrida o nosso prontuário.
Ele é denso, enquanto caminhamos pelos escuros caminhos de muitos
enganos, e vai-se tornando cada vez mais diáfano, à medida que vamos
galgando estágios mais avançados na escalada evolutiva. É nele, portanto, que
se gravam alegrias e conquistas, tanto quanto as dores. Mas, como tudo no
universo obedece à lei irrevogável da sintonia vibratória, parece que, ao nos
desfazermos dos fluídos mais pesados e escuros, que envolvem o nosso
perispírito, nos primeiros estágios evolutivos, vamos também nos libertando
das mazelas que naqueles fluídos se fixavam, ou seja, vamos nos purificando.
Seria quase inadmissível a deformação perispiritual num ser de elevada
condição moral. É, no entanto, muito comum na queles que se acham ainda
tateando nas sombras de suas paixões, e os trabalhadores da desobsessão
encontram fatos dramáticos dessa natureza, a cada passo.
Muitos casos desse tipo tenho presenciado, desde pequenos cacoetes, ou
apenas sensações quase físicas, até deformações e mutilações terríveis,
culminando com as mais dolorosas ocorrências de zoantropia. (1)
Vimos, linhas atrás, alguns exemplos de mutilação provocada por “ratos” e
“baratas”, em masmorras tenebrosas do mundo trágico das dores.
Encontramos, na prática mediúnica, inúmeros exemplos aflitivos de
desequilíbrio perispiritual.
Um antigo sacristão português, desencarnado, era recompensado, pela
tarefa de lançar discórdias, com abundantes “refeições”, regadas a bom “vinho”
de sua terra.
Um ex-oficial nazista, que não se identificou, mostrou-se desesperado de
fome. Renunciou a toda a arrogância, com que a princípio se apresentou, e
humilhou-se, para pedir-nos, em voz baixa, para que ninguém o ouvisse, um
simples pedaço de pão.
Tivemos casos de deformações “físicas”, como a daquele irmão
atormentado que trazia o braço paralítico. Quando me ofereci para curá-lo com
um passe, ele declarou que, assim, teria mais um braço para brandir o chicote
com que castigava suas vítimas.
De outras vezes, apresentaram-se pobres infelizes, que não podiam
expressar-se senão por gestos, porque a língua lhes tinha sido extirpada. Um
destes, depois de reconstituída a sua condição, em vez de agradecer a Deus o
benefício que acabava de receber, declarou que se vingaria daquele que, em
antiga existência, mandara mutilá -lo. Foi-lhe mostrado, então, que, em
existência anterior àquela, ele próprio mandara cortar a língua daquele mesmo

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que, depois, ordenou a sua mutilação. Nem assim ele se deu por achador
aquele a quem ele privara da língua não passava de um cão, pois era um mero
escravo... Havia, porém, chegado a sua vez, e ele, não resistindo à realidade,
entrou numa crise de arrependimento que o salvou.
Um dos casos mais dramáticos que presenciei foi o de um companheiro que
havia sido reduzido, por métodos implacáveis de hipnose, à condição de um
fauno. Estava de tal maneira preso à sua indução, que não podia falar, pois um
fauno não fala. A despeito de tudo, porém, acabou falando inteligivelmente,
para enorme sur presa sua. Fazendo o médium exibir suas mãos, dissera:

1) Zoantropia, segundo o dicionário, é uma variedade de monomania em
que o doente se julga convertido em animal.

— Veja. Não tenho mãos, e sim cascos.
Estivera mergulhado, por séculos a fio, num tenebroso antro, onde
conviveu, sob as mais abjetas condições subumanas, com outros seres
reduzidos a condições semelhantes à sua, e que nem mais se conscientizavam
de terem sido criaturas racionais. Fora também um poderoso, aí pelo século
15, na Alemanha, e deve ter cometido erros espantosos.
Um dos companheiros do grupo forneceu-nos recursos ecto plasmáticos e,
com nossos passes e o apoio que obtivemos através da prece, foi possível
restituir-lhe a forma perispiritual de ser humano. Alcançado esse ponto, um dos
benfeitores presentes informou-nos do seu nome, pois ele não sabia quem era.
Retomada a sua identidade, caiu numa crise de choro comovedora e teve um
impulso de generosidade, lamentando não ter condições de volver sobre seus
passos, para salvar os companheiros que continuavam retidos nas medonhas
masmorras de onde conseguiram resgatá -lo.
Tivemos, certa ocasião, um doloroso caso de licantropia. Ao apresentar-se,
incorporado no médium, o Espírito não consegue articular nenhuma palavra.
Inteiramente animalizado, sabe apenas rosnar, esforçando-se por me morder.
Embora o médium se mantenha sentado, ele investe contra mim, procurando
atingir-me com as mãos, dobradas, como se fossem patas; de vez em quando,
ameaça outro componente do grupo. Lembro-me de vagas cenas de atividades
em desdobramento noturno, quando resgatamos, de sinistra região das trevas,
um ser vivo que, em estado de vigília, não consegui caracterizar.
Como ele não tinha condições de falar, falei eu, tentando convencê-lo de
que era um ser humano, e não um animal. A conversa foi longa e difícil. Sabia
que, diretamente, ele ainda não tinha possibilidade de entender com clareza as
palavras que eu dizia, mas estava certo de que, aos poucos, se tornaria
sensível às vibrações de carinho e compreensão que sustentavam aquelas
palavras. Falei-lhe, pois, continuamente, por longo tempo, procurando
desimantá-lo, para libertá-lo do seu terrível condicionamento. Repetia-lhe que
era um ser humano e não um animal; que tinha mãos, e não patas, unhas e
não garras. Às vezes, ele tinha crises assustadoras, gargalhando, alucinado.
Insistia em ferir-me, com as suas “garras”, e tentou, mesmo, agredir-me, com
as duas mãos, como se ten tasse abrir-me o peito, para arrancar-me o coração.
Mantive calma inalterada, a despeito da profunda e dolorosa compaixão, e da
ternura que sentia por ele. Foi um momento que exigiu muita vigilância e
enorme cobertura espiritual, para que o grupo não entrasse em pânico, e não
se perdesse a oportunidade de servir a um irmão tão desesperado. Não

o tapete. os entalhes. as cadeiras. Não que Deus nos castigue. pois ele se contorce e grita. Estava ainda apavorado. Dificilmente temos oportunidade de endívidar-nos tão gravemente. ele preserva os valores imortais do espírito. que se apresentarão como instrumento da justiça divina. por um minuto. Ademais. estava em estado de inconsciência total. uma prece comovida e alguns passes. por tempo que não sei estimar. porém. realmente. de vez em quando. assinamos uma promissória inexo rável. o braço. como um Pai severo e frio. desesperado. mas é que a nossa consciência exige de nós a reparação. É quase certo que tivesse uma bagagem respeitável de conhecimentos e recursos. o rosto. como se tentasse surpreender algum carrasco. Aparentemente. Insistimos nos passes. ele começou a aquietar-se. parece que alguém o chicoteia violentamente. que um dia vencerá e nos será apresentada para resgate. para testar. É certo. sob a proteção de imunidades incontestáveis. Digo-lhe que ele foi retirado de lá. errando apenas contra nós mesmos. Enquanto fazia isso. mas. com todas as aquisições feitas no rosário de vidas que já tinha vivido. em termos de aprendizado. o estofamento. não resta alternativa senão a dor. Tínhamos que falar a ele como a um irmão em crise. é preciso lembrar que o reajuste nunca é desproporcional à gravidade da pena. e lá perdeu a visão e o senso das coisas. código sagrado que aviltamos. ele pareceu ter readquirido a forma humana e começou a “conferir” suas mãos. A cada falta cometida. 79 podíamos esquecer. a madeira. nos coloca à mercê da cobrança. A certa altura. mesmo porque a lei universal. o sofá. orei fervorosamente. ao lado do médium. mas uma criatura humana. ainda. Aos poucos. e a pena é sempre compatível com o grau de consciência com o qual praticamos a falta. ávidos ante a oportunidade de se vingarem. mas ainda insistiu em atacar-me. também pelo tato.) Olhava para trás. ao cabo de muito tempo. e podemos estar certos de que não faltarão cobradores. eu ia lhe expli cando o que era cada coisa em que ele tocava. vamos trans mitindo a ele uma sensação de segurança e calma. numa sala limpa. caso contrário. Apalpou a mesa que tinha diante de si. a cabeça. que dívidas assim tão grandes e penosas. queixara-se de uma terrível sensação de medo. Invariavelmente. examinou. Tudo que estava ao alcance de sua mão. apalpando-me as mãos. que julgamos meros instrumentos do nosso gozo e poder. pois na escalada espiritual nada se perde. Se tivermos acumulado a moeda limpa do serviço ao próximo. o rosto. agora. com uma das mãos sobre os seus olhos e a outra na nuca. pouco antes da incorporação desse Espírito. teremos com que pagar. nas quais houvesse oportunidade para oprimir o semelhante impunemente. em decorrência do seu terrível comprometimento ante as leis divinas. a falta cometida sacrifica e martiriza muitos irmãos. Pacientemente. o chão. e não vai mais voltar para a sua prisão. ele apalpou. Parece que ele esteve encerrado em alguma caverna escura. ou simplesmente de darem azo às suas frustrações lamentáveis. O ambiente estava tenso de emoção e do desejo de servi-lo. mas. (O médium. não a um lobo feroz. De pé. e que está. . somente podem ter sido assumidas em posições de relevo. no fundo do ser. as cortinas. mas ainda não conseguia enxergar: passou as mãos diante dos olhos. ele procurava me reconhecer. Não havia dito ainda uma palavra. Ao cabo de prolongado monólogo com o irmão alienado. e. à medida que se acalmava. o corpo. que se tornou temporariamente irracional. começou a reconhe cer o ambiente. investigou. que ele não era um animal irracional.

Disso se valem. deixando o médium desorientado. talvez) as sensações do tato e da visão. valem-se de organizações poderosas. fossos adversários espirituais. Entra em cena. enquanto apanho o jarro. com extrema habilidade e competência. pela visão. Por conseguinte. em que a vítima do passado — es- quecida de que foi vítima precisamente porque também errou —associa-se a alguém que possa exercer por ela requintes de vingança. o suave milagre do amor. que a lei nos proporciona o benefício do esquecimento e nos concede a oportunidade do recomeço em cada vida. mais uma vez. Exa minou os componentes do grupo. outros. sem uma palavra. é encaminhado a competentes . esmagado pela emoção. Olhou os móveis. porque ele se contrai e protege a vista com os braços. tantas são as especializações lamentáveis. consegue dizer uma palavra: — Água! E fica a repeti-la. pois a lei não cobra senão o necessário para o reajuste e o reequilibrio das forças universais desrespeitadas pelo nosso livre-arbítrio. Somos livres para errar e somos forçados a resgatar. uma troca de favores. Realiza-se. Por fim. obviamente. e lhe servimos vários copos. do qual não nos livra nem mesmo a trégua com que somos beneficiados ao renascer. Está calmo. as suas próprias mãos. determinando todos os nossos condicionamentos. os bons e os outros. então. pela dor ou pelo amor. sem faltas e sem passado. através de contratos. e se desprende. É exatamente para que tenhamos a iniciativa da correção espontânea. A extensão do resgate e sua profundidade guardam precisa relação com a gravidade da falta cometida. Não podemos. mas a Doutrina Espírita nos oferece alguns dados que nos permitem entrever a estrutura básica do processo. que conserva mos sobre outro móvel. onde a divisão do trabalho nefando ficou como que racionalizada. na medida em que erramos. em silêncio. aí. um por um. * Como pode uma criatura humana ser reduzida a uma condição como essa? É evidente que ainda não dispomos de conhecimentos suficientes para apreender o fenômeno em todas as suas implicações e pormenores. Se o caso comporta. Somente nos expomos ao resgate. Muitos são os que agem pessoalmente contra nós. a sala. nos registros indeléveis do perispírito. Parece que jatos de luz intensa o atingem nos olhos. Não há como fugir a esse esquema. no qual eu o acompanho. esquecer que o passado está em nós. quanto à sua posição na sala. agora. a fria equipe das trevas. O trabalho todo durou uma hora. acordos. desesperadamente. Ao terminar a prece. me abraça. pela primeira vez. digamos. que ele bebe sofregamente. aqueles a quem infligimos dores e penas atrozes num passado recente ou remoto. em muito tempo (séculos. como se nascêssemos puros. Como continuo a insistir em que ele pode falar. pactos e arranjos de toda sorte. 80 e creio que. como se estivesse colocando juntas. a falta cria em nós o “molde” necessário ao reajuste. porém. por alguns momentos. no entanto. emocionado até o fundo do meu ser. A gênese desse processo é. a culpa. percebo que está orando um Pai Nosso. por isso. Ele começou a perceber os objetos. e voltou a conferir tudo na sala. a “solução” da deformação perispiritual. realizou-se.

para a expectativa da libertação. consideradas as incontáveis multidões de seres aprisionados nas trevas pelas suas aflições íntimas. a propósito. por tempo imprevisível. Os casos mais graves de deformações perispirituais. Esteja. porque eles virão realmente fora de si. esse é um recurso de que se utilizam os trabalhadores do bem. A promissória maior está paga. de ódio. em particular. no tenebroso xadrez das trevas. manipulado com perícia. é tão difícil quão doloroso. e jamais poderá ser feito sem a mais ampla cobertura espiritual. de todo o convívio com criaturas humanas normais e equilibradas. às vezes. as condições mais abjetas. que precisa estar preparado. e são guardados a sete chaves e defendidos com unhas e dentes. por conta própria ou alheia. a vítima acaba por assumir formas grotescas. o grupo. não há defesa que consiga resistir à vontade soberana de Deus. que funciona como agente da vingança. o capitulo 5º. transtornados (1) Leia-se. resguardado na prece e em imaculada pureza de intenções. às vezes. Nessas condições. perde o uso da pa- lavra. “Operações seletivas”. imperam o terror. e os trabalhadores humildes da seara do Cristo conseguem trazê-los. de “Liber- tacão”. ou o magnetizador. acaba por aceitar as sugestões e promover. e é preciso começar a reconstrução interior. O trabalho de resgate desses pobres irmãos. a alienação mais dolorosa. o perispírito da sua vítima. resgatam crimes tenebrosos. são relativamente raros. nos braços amorosos. em geral. recuperar o prestígio perante seus comandados e impor castigo exemplar ao grupo que teve a insensata ousadia de exasperá-los. Geralmente. Furiosos pela temeridade dos seareiros do Cristo. à sua vontade. É essa. ante o atrevimento daqueles que ousam provocá-los. no seu corpo perispiritual. Nessas furnas de dor superlativa. Aliás. como vimos. criaturas que. e a licantropia. Quem não deve à lei de Deus? (1) É claro que o hipnotizador. estejamos certos de que a audácia de socorrer tais irmãos desata sobre os grupos que a manifestam toda a cólera das organizações que os subjugam. a angústia mais terrível. não pode moldar. contra as quais nada têm. atento e preparado para recebê-los. mas ele sabe como movimentar forças naturais e os dispositivos mentais. às vezes. porém. numa excursão a essas furnas da dor. Em antros diante dos quais o inferno é uma tosca e apagada imagem. como tivemos oportunidade de verificar pessoalmente. ocuparam na Terra elevadas posições. que chegam até a perder a consciência da sua própria identidade. a única maneira de trazê-los à doutrinação e à tentativa de entendimento. iniciando o trabalho no campo fértil do endívidamento de cada um. de forma que o Espírito . 81 manipuladores da hipnose e do magnetismo. como a zoantropia. eles se voltam contra o grupo mediúnico. Eles precisam “lavar a sua honra”. Além da dor que experimentamos ao presenciar tão espantosa aflição. para desalojar de seus redutos os verdadeiros responsáveis por essas atrocidades inomináveis. pedra por pedra. Chegado. que imediatamente se aproximarão de suas vítimas. volume 7º da série André Luiz. as deformações e condicionamentos induzidos pelo operador das trevas. porém. pessoalmente. assume as atitudes e as reações típicas dos animais e é segregado. são Espíritos de consideráveis cabedais e . com os escombros de um passado calamitoso. o momento do resgate. que entre os homens permaneceram impunes. Eles constituem importantes figuras.

As forças são as mesmas. São usualmente recolhidos a instituições especializadas. os mecanismos são idênticos. Eles têm condições de retomar a trilha evolutiva. doutrinadores. os recursos são semelhantes. embora ainda com muitos erros a resgatar. somente a direção é que muda. agora quer curar. o que foi destruído com ódio. profundos conhecedores da biologia transcendental e das complexidades da mente. sem a sustentação dos poderes da Luz. 82 possibilidades. em nome de incontroladas ambições pessoais. onde vai realizar-se a tarefa do descondicionamento. É novamente a hora de inúmeros especialistas: médicos da alma. doutrinadores. porque os arquivos da alma são permanentes. são aqueles mesmos que. pois quase sempre os dedicados operadores que nos ajudam a reconstruir o Espírito. trabalhando ao arrepio das leis divinas. para impor angústias e aflições. Recebem de volta a consciência de sua própria identidade e recomeçam o aprendizado. com amor. e o que antes feria. invertendo-se os sinais da operação. cirurgiões do perispíríto. Comparecem planejadores. ao voltar-se para o lado bom da vida. utilizaram-se dos seus conhecimentos para oprimir. que se transviaram muito gravemente. onde conta com o apoio de seus irmãos maiores? . pelos planejadores. que não conseguirá agora. magnetizadores. em épocas remotas. arrasado pela dor do resgate. médiuns e magnetizadores das trevas. mas mudou a motivação. Se antes conseguia realizar tanta coisa espantosa. O conhecimento ficou. para reconstruir. médiuns.

desde a primeira manifestação. iam à frente dele áulicos. estudar as pessoas. mas de tremendo realismo para ele. desta lembrança. estão esquecidos das próprias angústias. escravos. frio. Evitam descer do pedestal em que se colocam para revelar-nos seus problemas pessoais. a fim de poder tomar suas “providências”. pois está habituado apenas a expedir ordens e não a debater problemas. envolvidos em imponentes “vestimentas”. anéis. no ódio. inescrupulosos. indicadores. como se a contemplação do sofrimento alheio provocasse neles generalizada insensibilização. Acostumado ao exercício da autoridade incontestada. que emergiu. ou seja. contemplou. são chefes. de “elevada” condição. vem exigir. e sim na agressividade. que personalizam os problemas que enfrentam e os colocam na “perigosa” faixa de sintonia emocional que abre as portas de acesso à intimidade do ser. Comparecem cercados de toda a pompa. é arrogante. 83 13 O DIRIGENTE DAS TREVAS Esta é uma figura freqüente nos trabalhos de desobsessão. ameaçar. O impacto desta revelação. gostam de deixar bem claro. tocando campainhas portáteis. experimentado e violento. como figuras de grandes sacerdotes e imperadores. Não dispõe de paciência para o diálogo. guardas. . Pobre irmão desorientado! Num irresistível processo de regressão de memória. às vezes “armados”. Foi geralmente um encarnado poderoso. Não são executores. Estão rodeados de servidores. “montados” em “animais” ou transportados sob “pálios”. deixaram-no em estado de choque e desespero. com horror. para que todos abrissem alas e soubessem quem vinha. na tolerância. invisível aos nossos olhos. que ocupou posições de mando. que era um dos trabalhadores do Cristo e não desejava senão restabelecer o poderio da “sua” Igreja. envolventes. portando símbolos. acólitos. Enquanto odeiam e infligem dores aos outros. Situa-se num plano de olímpica superioridade e nada vem pedir. mesmo porque. Um deles me disse. inteligente. como os pobres componentes de um grupo de desobsessão. sua antiga condição: participara do doloroso drama da Crucificação do Cristo. Tais dirigentes são ágeis de raciocínio. a execução ficará sempre a cargo de seus asseclas. ainda mais com seres que considera inferiores e ignorantes. na desconfiança. incontrolável. enfim. intimidar. consciente ou inconscientemente. pois vinha nos afirmando. Para me dar uma idéia da sua grandeza. assessores. informou- me que. certa vez. temem tais revelações. Estao ali somente para colher elementos para suas decisões. Comparece para observar. dos registros indeléveis do seu perispírito. na humildade. pois o poder de que desfrutam não pode escorar-se na doçura. que eu não o estava tratando com o devido respeito — o que não era verdadeiro — porque achava impertinentes minhas perguntas e comentários. calculista. ordenar. sentir mais de perto os métodos de ação do grupo. sondar o doutrinador. quando se deslocava.

A certa altura. ele verifica que o problema é mais complexo do que esperava. Tivemos vários casos dessa natureza. Nada pode ser deixado ao acaso. consultavam a ele. propor concessões e arquitetar alternativas e opções. naturalmente. Era um sacerdote. manobrava os grandes. simples mortal. impessoal. pois sempre desprezou. soubemos da perda . valendo-se de sua brilhante inteligência. também desequilibrados. Pelas reações de irmãos. Consultara a lista de “baixas” que a organização solicitante havia sofrido. que procure meus superiores. mas havia sido convidado — e gentilmente acedeu. porque os impetuosos e agressivos chefes. pois em sua organização o trabalho era bem distribuído. Mostra-se amável. mesmo “em vida”. é excelente dialético. já que sua tarefa é noutra organização. inteligente. Sorria. aparentemente tranqüilo e sem ódios. Sua meta: restabelecer o prestígio da Igreja. É evidente. Digo-lhe. Sente- se. 84 14 O PLANEJADOR Este é frio. que se apresentaram posteriormente ao nosso grupo. que sente enorme satisfação ao recordar que. Há um “post scriptum” a esta narrativa: a conversão deste companheiro representou uma perda irreparável para as hostes das sombras. muito abalado nestes últimos tempos. Dar-nos-á uma trégua. ou seja. evidentemente. aqueles que se deixaram converter à doutrina do amor. e se apresta a abandonar o caso. até. Tem um momento de honesta candura. porque já àquele tempo era um hábil articulador. Com o passar das semanas. Aliás. os planejadores gozam de enorme prestígio e respeito nas organizações trevosas. não expede ordens. aqueles que. ao impulso. um complicado problema de obsessão. que não sou líder e não tenho condições de negociar com ele. à improvisação. como queiram: acha-se um cínico. com toda honestidade. Não se envolve diretamente com os métodos de trabalho das organizações trevosas. com o qual não pretende envolver-se. porém. para tratamento. dizia-se muito importante e foi logo declarando que não era dos que executam. da sua “humilde” posição. Acha que foi um mal sufocar o pensamento e não permitir que a razão imperasse na Igreja. ou realismo. entendendo-se por “baixa”. É preciso prever reações. por certo — para dar “parecer” sobre o caso de que estávamos cuidando. e os executo res teleguiados. muito envaidecido de sua brilhante inteligência e do poder e satisfação que isso lhe dá. nem as executa. em caso de alguma falha ou mudança de condições básicas. Citarei um. Maneja muito bem o sofisma. pertencia a outro setor de atividade. Por isso. Nada de gritos. de murros ou de -violências. Apresentou-se mansamente. que lhe pediam conselhos e sugestões. que hoje estaria ainda dominando os homens. Os planejadores são elementos altamente cre- denciados e respeitados na comunidade do crime invisível. limita -se a estudar a problemática do caso e traçar os planos com extrema habilidade. pensador sutil e aproveita-se de qualquer descuido ou palavra infeliz do doutrinador para procurar confundi-lo. informou. em elevadas posições hierárquicas. através da reeducação moral de que nos fala Kardec. culto. sentem-se sem condições de estudar meticulosa-mente e traçar friamente um plano de trabalho que se desdobre como vasta e complexa operação de um xadrez psicológico. propõe um acordo entre dois lideres: ele e eu. estudar personalidades.

Tudo se fará no tempo devido. Seus companheiros de direção costumam ser impetuosos homens de ação. A essa altura. ou então. admitir que alguém tão lúcido e brilhante se tenha deixado convencer por um doutrinador encarnado. se não tiverem quem os contenha dentro de um inteligente planejamento global. planejamento e ação. Eles sabem muito bem que. destemido. onde não se admite o fracasso. somente podem concluir pela alternativa mais viável: o companheiro foi seqüestrado. Toda campanha é estudada. que se entregam facilmente ao impulso desorientado de partir para a ação pessoal isolada. para levá-lo “de qualquer maneira”. dos gritos. ali. Équando mais precisam de um competente planejador. organizam verdadeiro estado-maior de lideres brilhantes. conquistas de posições —passam a constituir objeto de cogitação coletiva. por achar-se ligado à organização poderosa. isoladamente. senão impossível. É difícil. estarão sozinhos diante de seus próprios problemas pessoais. como tal. Formam suas estruturas organizacionais segundo as afinidades. O planejador é o poder moderador. fatalmente comparece ao grupo um truculento representante das trevas. É hora. dos conchavos. dotado de habilidade bastante para demonstrar. ainda mais em situações de crise. planejada e executada com precisão militar e dentro de rigoroso regime disciplinar. figura importantíssima na ordenação dessas tarefas maquiavélicas. desde que os fins sejam alcançados. É preciso reunir forças e desencadear uma ação fulminante para resgatá-lo. que nunca foi bom conselheiro. para as hostes da sombra. e provar aos “cabeças-quentes”. logo após a perda de um elemento importante — planejador ou executor —. mas. 85 irreparável que representou. por mais forte que seja este. Para alcançarem os objetivos que têm em mira. mas também a segurança da organização. Seus comparsas compareciam dispostos a tudo para resgatá-lo. das ofertas de trégua. então. que domina pelo terror impiedoso. No interesse de todos. que o interesse coletivo precisa sobrepor-se ao individual. E o . Os irmãos desorientados empenham-se em verdadeiras campanhas belicosas. Como não conseguem admitir isso. Por isso. que desperdiçam esforços e põem em risco a segurança da comunidade. e. da ameaça. experimentados e audaciosos. ao desligarem-se da organização. para os companheiros que permanecem na organização das sombras. submetendo-se à mesma estratégia: estudo. o planejador exerce função importantíssima. e todos têm direito à utilização dos recursos da organização: seus técnicos. portanto. já estão agindo à base do impulso emocional. que proteja não apenas os inte resses de cada um dos componentes. Nessas estruturas rígidas. tudo a tempo e hora. que conservam a cabeça fria para conceber os planos estratégicos indispensáveis. porém. porque é dos poucos. pois julgavam-no nosso prisioneiro. implacável. agressivo. atabalhoadas. a coisa tem que funcionar com muita precisão e firmeza. perseguições. dos murros. segundo os interesses que tenham em comum. seus “soldados” e trabalhadores de toda a natureza. Nada de ações isoladas. têm que esperar a vez e a oportunidade. É preciso que cada componente da sinistra máfia espiritual compreenda que os casos pessoais de cada um — vinganças. É preciso compreender bem tais reações. seus instrumentos. violentado em sua vontade e levado prisioneiro para alguma perdida masmorra. Sua perda acarreta uma desorientação geral. O planejador é. Quem falhar perde a proteção de que desfruta. o despertamento desse companheiro. pois. acima de tudo. nas quais tudo vale e tudo é permitido. por certo.

É portanto.. tentou recuar e voltar sobre seus passos. demonstra indisfarçável embaraço por encontrar-se ali. Nada pode ser deixado ao acaso. por fios e aparelhagem de transmissão. que se desdobre como vasta e complexa operação de um xadrez psicológico. certos impactos. segundo informa. Andaram gravando nossas reuniões em “video tape” — a expressão é dele mesmo — para estudar-nos. contemporâneo de Kardec e não esconde que conhece a Doutrina Espírita. num ou noutro coração mais predisposto ao apelo do amor fraterno. porque envolve inúmeros fatores imponderáveis. que muitas vezes os deixa completamente desarvorados. mas já era tarde. na eventualidade de alguma falha ou mudança das condições básicas inicialmente articuladas. que subitamente emergem da imprevisível condição humana. estudar personalidades. Há pouco. É preciso prever tais reações. então. Os líderes militares são bons na ação. não teria vindo. mas para tentar recuperar um Espírito que havíamos conseguido atrair e convencer de seus enganos. bem como gravações e relatórios a nosso respeito. É estranho que ignorasse isto. vai revelando sua história. acham-se ligados aos seus redutos. a conversa do doutrinador também é transmitida e produz lá. Daí a importância que os trabalha dores do bem conferem aos planejadores. como no tempo em que exerciam tais funções na Terra.) Conhece o nosso mentor e. estudar o terreno. naqueles redutos. até mais do que nós. ao vê -lo. Daí o prestígio e o respeito que esses brilhantes estrategistas gozam nas comunidades trevosas. aos planejadores elaborar a programação da “cam- panha”. se o soubesse. Ao incorporar- se no médium. A tarefa é muito mais sutil. uma pessoa que teria conhecido na França. parecendo estar realmente desarmado e perplexo. ao impulso. Aos poucos. com o propósito de se manterem firmes. Não viera especificamente para debater conosco. Não basta preparar soldados e equipamentos. Não estão lidando mais com dados concretos. num membro encarnado do grupo.. apoiados pelos companheiros que lá ficam. Tinham nossas “fichas” completas. para que não sejam arrastados pela “fraqueza” da conversão ao bem. minuciosamente levantadas. 86 desespero de não tê-lo leva ao desvario. sem falsa modéstia. no decorrer da sessão mediúnica. inter- rogado com prudência paciente. propor concessões e arquitetar alternativas e opções. Mesmo enquanto conversam conosco. Depois de tudo documentado. pois não sabia que o grupo era aquele e. à improvisação. cabendo. Fora realmente apanhado desprevenido. comprar armamentos e entrar em ação. Esquecem-se de que. estudam-nos em grupos de trabalho. falava um desses líderes das trevas sobre a sofisticação da sua aparelhagem. sendo esse material todo colhido na indormida vigilância que exercem sobre nós. mas quase nunca dispõem de condições para estudar meticulosamente e traçar fria-mente um plano de trabalho. Essa matriz era sustentada pelas emanações mentais de alguns . * Um desses sutis planejadores nos causou impressão profunda. Identifica. por aqueles mesmos dispositivos. Está convicto de que o Espiritismo precisa de uma “revisão” atualizadora e ele é um dos que colaborou no preparo de certa matriz (palavra sua) que dará origem a uma forma “moderna” de Espiritismo. no século passado. Declara-se conselheiro e planejador da organização à qual se acha filiado. Hesita e negaceia.

admite que não fez acordo com a treva: ele é a própria treva.. que prevê. Por fim. 87 companheiros encarnados. um comentário. Está em crise. meramente informativa. dizendo-lhe que nenhum pacto a protegerá dos seus compromissos cármicos. chama-nos de amigos e nos adverte — agora com total sinceridade — dos riscos da nossa tarefa. a seu ver. e parte. e continua a sentir-se embaraçado diante de nós. Gostaria de voltar a ser um humilde galileu. atuantes no movimento e aos quais foi prometida uma fatia de poder. . para ele. mas também das inúmeras vezes em que.. Está perfeitamente consciente de suas responsabilidades e não deseja recuar do pacto feito com seus superiores. Deixo-o falar. Ë difícil encontrar um bom planejador para repor uma “baixa” importante como essa. a sua frustração e o seu temor. Depois de uma longa conversa. Afinal. traiu o Mestre. parece tomar uma decisão mais drástica e começa a falar em altos brados. em que ele vai revelando sua história. mas sinto nele falta de convicção. uma substancial parcela de poder e proteção para uma filha que estaria encarnada e muito assediada por Espíritos trevosos. Lembra-se de passadas encarnações e da constante presença do Cristo em suas vidas. a dar com as mãos na mesa. a essa altura. agarra as nossas mãos. com o que ele parece concordar com o seu silêncio. Encaixo. para vazar a sua cólera. em pranto. orando ao Cristo. até que ele se acalma um pouco e começa a dar-me conselhos e fazer algumas confidências. Também a sua perda desencadeou sobre o grupo um processo de agressões violentas e passionais.

em “Reformador” de fevereiro de 1975 —. para argumentar comigo. a sentença — invariavelmente condenatória. aliás. segundo este jurista invisível. 88 15 OS JURISTAS Muitas vezes nos encontramos com esses trabalhadores das sombras. porque o bedel lhe dera primeiro um dos processos. Quando pediu ao contínuo que lhe passasse os autos. até assassinatos. “Estes também — diz o artigo já citado. as audiências. os laudos. Na sua opinião. . e ele. este lhe deu a documentação errada. em tom áspero e imperioso: — Não é este. qualquer juiz terreno. foi descobrir que estava lendo os autos de seu próprio processo! Trouxera consigo um servidor da sua equipe apenas para “carregar” os autos. os autos do processo. medianamente instruído. proferiria a mesma sentença diante daqueles fatos. São os terríveis juristas do Espaço. se desorientam).. eu havia apelado. coisa indigna de sua elevada condição de magistrado. invisível a mim. quando previstos nos “códigos” pelos quais se orientam (ou melhor. os depoimentos. e começou a citar a lista de crimes que o acusado havia cometido. tão compenetrados de suas tarefas como quaisquer outros. exoneram-se facilmente de qualquer culpa porque. E até as revisões. com sentença profe rida. é o outro! O “outro” era o dele! Já me trouxeram também os autos do processo de minha “heresia”. O engano foi. os pareceres. Só depois. desde o desencaminhamento de jovens inexperientes. em caso que. os despachos e.” São também impessoais e frios aplicadores das “leis”. Um desses juizes deu-me a honra de trazer. autoritários e seguros de si. cingem-se aos autos do processo. Todo o formalismo processualístico ali está: as denúncias. pobre irmão. e os apelos. como também autos já arquivados. por fim. segundo informam ao doutrinador. . as perícias. seu mesmo. Abriu sobre a mesa o caderno.

Outros são estimulados a atos de particular “bravura”. a troco de nada. de obsessões violentas. sem exigir coisa alguma. com as luminosas tintas do amor e da emoção. a princípio. Havia mais. apenas executa ordens.. com as sombrias cores do rancor. incompreensível. a serviço de um grupo que dispunha de vasto plano de atividade. mas que deixava aos nossos . ainda me parece ouvir sua voz pausada. pois não é o mandante. a um Espírito muito querido ao seu coração. deblatera. de arrependimento. sem remorsos. É justamente isso que ele não entende: descobrira que. de amor. metido a reformista. Quantos deles encontramos nos trabalhos de desobsessão! São remunerados das maneiras mais engenhosas e diversas. à sua espera. Seus “soldados” estão lá fora. Era. Conhece- me de longa data: sempre fui um herético impenitente. Consideramo-la uma das coisas mais lindas e mais emocionantes que tivemos. porém. mal conseguia conter o seu ódio e a sua irritação. quanto às atrocidades que pratica. nada tem de pessoal contra suas vítimas inermes. que tanto nos esforçávamos por ajudar o filho. com todo o nosso afeto e dedicação. obteve permissão para transmitir-nos uma mensagem de gratidão. Quando.. de fato. Já vimos o exemplo do sacristão que era pago com suculentas refeições e vinhos deliciosos. as que mais se ajustam à sua psicologia. ridiculariza. sem temores. Há os que são compensados com prazeres mais vis. aos seus vícios e às suas deformações. Empenhara-se num processo tenebroso e complexo.. a nós. Não se teria dignado comparecer diante de nós. Aquilo era demais para a sua compreensão. Ao cabo de algum tempo de diálogo. treinara “soldados” para nos dar combate sem tréguas. ao longo de muitos anos de prática mediúnica. Agasalham-se na crueldade agressiva e fria. nas várias vezes em que compareceu ao grupo. que em antiga encarnação fora seu filho e que nunca mais esquecera. ameaça e diz-se um dos trabalhadores do Cristo. Quando me lembro disso. uma preciosa condecoração por um gesto de enorme dedicação à causa de seus mandantes: empenhara-se em castigar sua própria irmã! Outro. 89 16 O EXECUTOR Sente -se também totalmente desligado da responsabilidade. Pergunto-lhe se não tem alguém a quem possamos servir. a chorar o tempo perdido. embargada.. sofrida. e depois. mesmo sem o saber. parece entrar em pânico e não consegue ocultar certo temor. a ausência do filho amado. em alguma coisa de que necessite. sem dramas de consciência. com orgulho e frieza. escrita. enquanto ele tudo fazia para perseguir-nos. desses companheiros desarvorados. Um deles me exibia. começamos a conseguir dele alguma reação positiva. Não podia compreender como estávamos ajudando o “menino”. sus tentados por luminosos trabalhadores espirituais. ofereço-me para ajudá-lo. estávamos já servindo. deixou-nos uma das mais comoventes lições. Usualmente. ele que sempre foi destemido homem de ação. Revela sua elevada hierarquia. no entanto. Descobrira que os mais terríveis obsessores de seu filho eram precisamente os companheiros da sua própria organização! E. Passadas algumas semanas. com vistosas condecorações. que não lhe era possível nem visitar. se não nos tivéssemos metido em coisas que não eram de nossa conta. Ao manifestar-se.

Trazem dores milenares e. 90 cuidados. Não nos impressionemos com a sua violência e agressividade. um dia. Sustentava-o a esperança de um reencontro alhures.. a despeito de si mesmos. que se prenunciava de muitas dores e renúncias. Estava de partida para uma nova encarnação.. como ele precisava. para o reajuste. um dia. preservou-se em seus corações a pequenina chama do amor. pobres irmãos desorientados.. Assim são eles. .. Basta um sopro de compreensão e afeto para que ela se reacenda. no tempo e no espaço.

pois costumam trazer os mesmos argumentos. Emmanuel informa. em angústias e rancores inominá veis. encarnadas e desencarnadas. inteligentes. que se arrastam. quase sempre.. vida após vida. que se revezam na carne e no mundo espiritual. necessária e justificável. nas sessões de desobsessão. violentos. mas a espada. — “Não mediste. por isso. estavam associados os próprios sacerdotes. posições de mando e destaque. que podiam vender animais para os sacrifícios do Templo”. São argutos. suas organizações sinistras e implacáveis parecem eternizar-se no comando de vastas massas humanas. A determinadas horas da . o protetor de Abigail. mantendo estreito intercâmbio. mediante influência de certo Alexandre. “incluir-se entre os negociantes privilegiados. impiedosos e arrogantes. Ainda comentaremos tais problemas. que invocam como exemplo de que a violência é. bem escolhidas aos seus propósitos. como a cena da expulsão dos vendilhões do templo. deliberadamente. ainda — diz Gúbio. agressivos. como zelosos trabalhadores do Cristo. nas organizações reli giosas a que se filiaram. — Ao mesmo tempo — escreve Mateus (21:13) — os instruía. ao qual deu o título de “Estranha moral”. empenhados na defesa da “sua” Igreja. O intercâmbio. que Zacarias. não a si mesmos. a mesma teologia deformada. Apresentam-se. à noite. em “Paulo e Estêvão”. orgulhosos.. aqui e lá. Realizam-se reuniões. nem fica sem explicações. 91 17 O RELIGIOSO É impressionante a elevada participação de transviados “reli giosos” no trágico e doloroso desfile de Espíritos em lamentável desequilíbrio. pelos séculos. O grande problema desses queridos companheiros desarvorados é o poder. no mundo póstumo. às vezes. Muitos daqueles cambistas e negociantes não passavam de meros “testas-de-ferro” dos donos da verdade. com a qual justificam seus impulsos e sua tática. é intenso. a extensão do intercâmbio entre encarnados e desencarnados. quando se acham parcialmente libertos os encarnados. como aquela em que o Cristo declara que não veio trazer a paz. 10:34. Multidões de ex-prelados debatem-se. e do dinheiro. por todas as nações? Entretanto. o instrutor —. Parece terem freqüentado a mesma escola no Além.) Kardec tratou dessas questões no capítulo 23 de “O Evangelho segundo o Espiritismo”. esquecendo-se. Quase sempre exerceram. dizendo: Não está escrito: “Minha casa será chamada casa de oração. porque também se revezam no poder. às vezes. parente próximo de Anás. das motivações daquele gesto: a vergonhosa comercialização das coisas sagradas e a indústria do sacrifício de pobres animais inocentes. e. André Luiz nos dá uma pequena amostra dessa atividade em “Libertação”. (Mateus. conseguiu. desde que os objetivos que escolheram sejam alcançados. Constituem equipes imensas. O gesto não é gratuito. fizestes dela um covil de ladrões!” A esse comércio vil. Têm os seus temas prediletos. quando cuidarmos especificamente das técnicas e recursos sugeridos para o trabalho de desobsessão. Os “religiosos” desorientados invocam também outras passagens. para debate. estudo e planejamento. pois tudo se permitem. no capítulo “Observações e novidades”. Estão acostumados a dominar os outros.

enorme cidade das trevas. muitas vezes se forjam dolorosos dramas que se desenrolam nos campos da carne. é irresponsável e perturbada. tal como faziam aqui na Terra. Comparecem. isto é. acontecimentos mais trágicos estarreceriam as criaturas. 75 por cento! André não fala especificamente de reuniões promovidas por religiosos. freqüentes e tenebrosas. prazeres. Ligara-se a um ser encarnado. Monsenhor falou que era preciso evitar o aguilhão”. pela influência natural do sono. atuava precisamente naquilo que constituía o principal problema do companheiro encarnado: sexo. na missa. ela respondeu que não. na irresponsabilidade da sua inconsciência. gostava da sua tarefa. Quando eu lhe disse que era mero instrumento em mãos alheias. participando. não fosse o trabalho ativo e constante dos Espíritos protetores que se desvelam pelos homens no labor sacrificial da caridade oculta e da educação perseverante. por fuga ou fraque za. e do exercício da opressão e da intimidação. permanecem detidos nos círculos de baixa vibração qual este em que nos movimentamos provisoriamente (1). Por aqui. encontrarão o espectro temido da dor. Conservam. nos contou. Dispõem de recursos extremos e não hesitam em empregá-los. no mundo espiritual. ou seja. Ai daquele que se intromete em seus afazeres e tenta impedir a realização de seus planos criminosos! precisa estar muito bem preparado. certamente. Encontrava-se muito bem preparada pelos seus ínstrutores. que se sairem dali. três pessoas em cada quatro. Celebram suas missas pregam sermões. cuja libertação é o tema central do livro. desde que atinjam seus fins. com penosa ingenuidade. guardado na prece e assistido por Espíritos do mais elevado teor vibratório. de quem cuidamos certa vez. era dirigida por um ex-papa. assim. Uma jovem desencarnada. suas jóias e todos os símbolos de suas posições.” Prestaram bem atenção? Três quartos da população encarnada na Terra. que vivia alegremente. três quartas partes da população de cada um dos hemisférios da Crosta Terrestre se acham nas zonas de contacto conosco e a maior percentagem desses semilibertos do corpo. pois gozava de inteira liberdade. Era “remunerada” com “roupas” luxuosas e bonitas e. Comparecia uma vez por semana à presença do nosso amigo encarnado e o induzia aos desatinos dos sentidos desgovernados. esses pobres “ministros de Deus” (1) A organização visitada. as lágrimas. Enquanto estão ali. aliás. era simples instrumento sob o poder implacável de seus senhores. desenvolveram apurada técnica de trituração. aqueles que a conquistaram pela ardilosa sagacidade. Não é maldosa. têm diversões. Grandes crimes têm nestes sítios as respectivas nascentes e. investidos de enorme autoridade. sem que ele o soubesse. Ao longo de muitos séculos de intriga política. evidentemente. vigilante. 92 noite. sentam-se em “tronos”. pela prepotência e total desinteresse pelos aspectos éticos das questões envolvidas. vestidos bonitos e até mesmo os “tranqüilizantes” psicológicos para a . Conta que “ainda ontem. a quem estávamos interessados em ajudar. sob a égide do Cristo. Vivem em “construções” suntuosas e soturnas. dessas orgias. seus paramentos. Totalmente teleguiada. cercam-se de áulicos prontos a executar-lhes o menor desejo. Sabem. mantendo um ritual pomposo e meramente exte rior. o desespero. Agindo sob hipnose. mas estas são ativas.

em outra vida — não ficamos sabendo se casada com o seu antigo marido —. à vontade. Viera em busca da filha que desaparecera. Ainda rancorosos.. embora va riadas na forma. todas se escondem”. entre eles. atoleimados. quase pura. Por fim. reconhecem. sempre as mesmas. seu amigo. como alega. tudo convém... em medonhas masmorras infectas. seja lícito ou não. alienados. diante do que sabem. realizando verdadeiras lavagens cerebrais. A despeito de seus desvairamentos. nem têm como negá-la. dizem. também. então sob tratamento em nosso grupo. a perdoava e a estimulava a prosseguir na sua deplorável tarefa. Poderia ser minha filha. Seus artífices não ignoram as verdades contidas na Doutrina Espírita. se eu fosse seu pai.. misturam os conceitos de uma deformada teologia com os ritos da magia negra e com as técnicas da hipnose e da magnetiza ção. 93 consciência atormentada. para estes irmãos religiosos transviados. mantêm os mesmos processos de tortura e de encarceramento. Quantos companheiros não socorremos. Na sessão seguinte compareceu um sacerdote. Há. os ex-inquisidores. precisamente a moça da semana anterior. desencadeando processos obsessivos penosíssimos. A Igreja a admite há muito tempo. É.. mortos a fome. desde que os ajude a alcançar seus objetivos. mas justificam suas atrocidades com frases estereotipadas. muitos sem condições sequer de chorar. porque um sacerdote. prossegue. tuberculosos. como disse.. nos contou a seguinte história: numa existência anterior. apavorados. faço uma prece e ela se sente perdida. Pobre irmão desgovernado! Ignorava que ela estava sendo vergonhosamente explorada pela mesma “organização” a que ele servia! Dizia Paulo que tudo nos é lícito. com o qual ex-“ministros de Deus” conseguem manipular. Mas. mas nem tudo nos convém. Tinha forte sotaque alemão e era o “guia espiritual” do nosso companheiro encarnado. tagarelando inconseqüentemente. provocando pavorosas desfigurações perispirituais. carregando correntes imaginárias. desmembrados. digo-lhe. mas . por exemplo. com rancor e consciência tranqüila. pobres inocentes úteis que lhes caem sob o poder. no fundo. e ela responde que. enceguecidos pelas trevas. roidos pelos ratos. Uma das infelizes criaturas a que atendemos certa vez. Sim. E assim. Mais um argumento que ela intimamente reconhece legítimo. o que parece impressioná-la. não anda fazendo boas coisas. sem saber o que fazer. sinto-a interiormente ingénua. mas ela teme e hesita. Todo esse arsenal alucinante de opressão e miséria tem como suporte uma teologia que lhes é própria. sem dúvida. com os olhos ou a língua arrancados. um plano maquiavélico. é verdadeira a doutrina da reencarnação. porque ex-sacerdotes fanatizados e duros ministram- lhes “sacramentos”. para dizer que “quando eu vou lá. nesse caso. Aproveito o ensejo para dizer-lhe que. levam-nas às missas que celebram e absolvem-nas dos pecados que porventura tenham cometido. ela não teria coragem de vir me ver. ela me confessa que veio escondida. — Portanto — digo-lhe eu — você não tem liberdade. ainda sentindo as sensações de estrangulamento. atormentava-a livremente. acaba cedendo e parte com ela. “Eles” não podem saber. fora traída por uma mulher. Localizando esta agora. Vê uma jovem serena e bela que a chama. mais fanáticos do que nunca. Nesse ponto.

São muitos os que rapidamente se adaptam às condições do mundo espiritual. conscientes das grandezas do Evangelho de Jesus. pois. Verdadeiras batalhas travam-se em torno de determinadas figuras humanas.. a todo custo. buscava -me há mais de quatro séculos. com ódio e desprezo: — Protestante e espírita. sob o guante de terríveis obsessões. porém. que cumpre esmagar. uma nova versão do Evangelho. os obsidiados são peças importantes no complexo jogo de xadrez das sombras. apóstatas que têm de destruir. Para os antigos comparsas. e. tramam. como eles entendem que seja. graças a Deus. Os grupos espíritas de trabalho mediúnico interferem direta ou indiretamente em seus planos. seja com ameaças. ou seja. tal como no passado. no mundo espiritual. estaria perguntando se não há sacerdotes de boa índole. o período de . e os grupos que intentam salvá-las das suas afli ções precisam estar realmente bem preparados. 94 conserva tais conhecimentos limitados a uma elite pensante. tanto na Igreja Católica como na Protestante. que existe. no entanto. quando conseguirem restaurar todo o poderio da Igreja. Muitas vezes. o movimento espírita moderno. com surpreendente brevidade. fanático e não mau. ao tentarem ajudar companheiros encarnados ou desencarnados. me disse. seja com promessas sedutoras ou barganhas inaceitáveis. Enquanto isso. tais grupos se envolvem em autênticos vespeiros. especialmente no Brasil. ou serão impiedosamente esmagados pela agressividade dos poderosos dirigentes das trevas. É claro. antes ainda da Reforma Protestante. quando se passam para o mundo póstumo. pois da última vez em que fomos companheiros. Certamente que sim. Por outro lado. dois porcos num só. para ser lançada no momento oportuno. em grande número. envolvem. heréticos que precisam calar. Esse momento é sempre o mesmo: quando restabelecerem novamente o domínio total sobre a Humanidade. o leitor. éramos sacerdotes católicos. nem o inferno aterrador. próprias e alheias. pronta. Outro. com a cumplicidade de muitas fraquezas humanas. com as mais terríveis invectivas! Um deles. que o alvo de preferência de suas investidas é o Espiritismo. onde não encontram nem o céu de gozos inefáveis. nem tampouco o purgatório lendário. mas apenas as condições que criaram para si mesmos. monges e frades que se dedicaram à caridade e ao serviço ao próximo. conhecendo meu passado. algo impressionado. em que era honra concedida aos reis beijarem os pés dos Papas. conta com enorme quantidade de antigos sacerdotes. Outros se empenham em “recuperar-nos”. arrependidos de seus desatinos passados. Quantos me têm interpelado. Um dia.. A esta altura. São eles os serenos párocos de aldeia. Alguns dos mais destacados membros da hierarquia eclesiástica também vencem. com redobrado ardor. que muitos combateram “em vida” e que prosseguem combatendo. em não poucas oportunidades. Um deles me declarou. cuidadosamente preparada. em nova encarnação. É que. pois essas informações não devem ser transmitidas à massa popular. certa vez. entre aqueles que foram pequenos e humildes servidores da Igreja. com muito mais freqüência. procurando. esses conhecimentos serão liberados e o Evangelho do Cristo será novamente pregado tal como é. planejam e executam. lavar as manchas de crimes hediondos que cometeram. são trânsfugas desprezíveis.

que nos tratava com superior condescendência. cabisbaixa e encolhida num recanto. manifestado no Grupo Ismael. separadas. Guillon Ribeiro. declara. foi acolhido por um velho e humílimo criado de quarto. segundo suas próprias declarações na sessão anterior. a ambição e o fanatismo parecem coexistir no mesmo Espírito. Quando daqui regressei. Extraordinário fenômeno. desde a visita que vos fiz. mas ocorrem. de que somente tomamos conhecimento por via indireta. a lamentosa queixa do arrependimento. da autoridade. em sua comunicação. elevado à mais alta dignidade eclesiástica. edição da FEB. 95 perplexidade em que mergulham com a desencarnação. o Infinito como que se havia transmudado e novo cenário se me deparou. diria mesmo fenomenal. A coorte dos que me acompanhavam. Comovente. não pelo combate ao Espiritismo. meus irmãos.. porém. julho/1939 a dezembro/1940. Um dos poderosos “Príncipes da Igreja”. na Terra de Santa Cruz. Às vezes. a referência à coorte dos que o seguiam e ao desapontamento em que ficaram. Note-se. vol. o exercício (1) “Trabalhos do Grupo Ismael”. * Muitas são as lições dolorosas que nos ministram os dramas vividos por esses pobres irmãos que insistem em declarar-se trabalhadores do Cristo. página 137. Os ambiciosos desejam o poder.” (1) Fora daqueles que. Estupenda. venho entre vós. também. homens terrenos. sem impor sua . são as pequenas manifestações anônimas. De outro cardeal desencarnado ouvi. Medito e considero: eu. beber da água da vida que o ensino da Igreja romana nunca pôde proporcionar ao meu espírito sedento. na maioria sem grande preparo intelectual. também. na sua segunda comunicação: — “É estupenda a metamorfose que se operou no meu Espírito. meios de conseguir que cessassem as atividades da Federação. mas pelo que deixara de fazer de bom. “procurara. servidor da Igreja. estudando suas atitudes e pronunciamentos. Compilação do Dr. quando dispunha de tantos recursos e poderes. malquistos pela sociedade perversa dos vossos dias. Não sabem viver sem mandar. Examinando suas tendências. neles: ambição e fanatismo. ao ver o bravo cardeal render- se espontaneamente àqueles que todos consideravam como adversários. creio que poderíamos identificar duas posições básicas. pelo considerar falsa e errônea essa doutrina. certa vez. Era. é a obra em que colaborais. em serviços preciosos. grandiosa. socorrido exatamente na organização que tentara fazer calar. “em vida”. Um deles. em virtude do íntimo conhecimento dos bastidores políticos da Igreja. sem oprimir. juntamente com outros digni tários da sua Igreja. capaz de confundir a inteligência mais atilada e a criatura melhor provida de conhecimentos teológicos e profanos. que o servira nos seus dias de glória. vós outros. na propaganda do Espiritismo. demonstrava a sua contrariedade pelos efeitos que a minha visita produzira em meu espírito. 1941. que não mereciam piedade nem consideração. prejudicial ao Catolicismo”. criaturas simples. agora. impetuoso e arrogante.

Quanto aos fanáticos. Querem-na forte. com exclusão de todas as demais. para partilharem do vasto bolo do poder. Seria Joana dArc? Todos esses sabem muito bem por que fogem às lembranças do passado: é que as recordações arrastam-nos. Estão convencidos de que sua forma de pensar é a Única certa. Muitos desses Espíritos repetem incessantemente seus enganos por séculos a fio. Desde que constituam bons parceiros na conquista das posições. autoritária. não tanto porque desejam posições de mando. Para isto. para não terem que enfrentar conscientemente uma realidade estranha. Enquanto estão ali. no sentido da disputa do domínio político. repondo a esclerosada organização terrena no seu antigo “esplendor”. que está sempre recuando e entregando- se. sacerdotes de ele vada hierarquia eclesiástica. Combatem o Espiritismo. encontram apoio nos mais insuspeitados setores da atividade humana. por exemplo. Quantos deles não nos têm confessado sua impaciência e irritação ante a desagregação da autoridade da velha organização eclesiásfica terrena! Não é essa a imagem da Igreja com que sonham. e voltam a insistir. acham-se abri gados da dor. quando toda a sua atividade e todas as suas verdadeiras convicções são um desmentido formal à doutrina de amor contida nos Evangelhos. sempre disputando posições de relevo. ditatorial. despertam para a realidade. não estão . Para que essas mudanças tão radicais de posição teológica não os incomode. mas porque o consideram uma odiosa heresia. de onde possam mano brar. inapelavelmente. um esconderijo. quaisquer que sejam as crenças em que se apóiam. o fanático puro serve de instrumento ao ambicioso. Foram hierofantes de decadentes cultos egípcios. repetiram a experiência. como aquele imponente “servidor” do Cristo que acabou descobrindo que participara pes- soalmente do drama da cruz. Por isso. como sacerdotes judeus. suas hipocrisias. se e quando o reconquistarem. perfeitamente entrosados com antigos governantes leigos que se revelaram indiferentes às questões pura- mente religiosas ou francamente hostis ao movimento cristão. como se acuada. seus desvios. nem sempre são ambiciosos. buscando sempre os núcleos do poder. Não importa. suas fraquezas. como no mundo espiritual. condicionam-se a um esquecimento das antigas circunstâncias. 96 vontade e suas idéias. No fundo.. como a de declararem-se em luta pela restauração da Igreja do Cristo. sustentadas e impulsionadas pela filosofia da restauração da “verdadeira” Igreja do Cristo. É certo que. entre os desencarnados. como prelados católi cos. O esquecimento deliberado e auto -induzido é uma fuga. No mundo espiritual em que vivem. Um terceiro lamentava ter queimado uma santa. as tenebrosas alianças realizam-se. e sim pelo poder que uma teologia deformada e bem manipulada pode proporcionar. Só lhes resta reimplantar esses modelos entre os encarnados. como nos tempos idos. com os quais celebram pactos sinistros de apoio mútuo. Às vezes. poderosa. com todo o seu cortejo de vícios.. para esses objetivos. quando de suas passagens pela carne. incontestada. pois este não se interessa pelo pensamento religioso em si. conservaram os modelos medievais. É comum encontrarmos... tanto aqui. que alguns deles chegaram mesmo a combater tenazmente. a enfrentar suas próprias contradições íntimas. Movem-nos ambições desmedidas. ante o impacto traumático de revelações que dormitavam em seus indeléveis registros perispirituais. não essa aí. Outro ajudou a apedrejar Madalena. ligam-se a Outros poderosos do passado.

especificamente. sabem muito bem que não são trabalhadores do Cristo. 97 interessados. nesta ou naquela teologia — o que importa é a ação. mas há tanto tempo se condicionaram a essa atitude. que acabam por se convencer da sua autenticidade. o poder. . No fundo. É preciso um impacto mais violento para desalojá-los de suas terríveis auto-ilusões.

totalmente desligado da nova realidade que vivia. Em “Reformador” de setembro de 1975. porém. não foram intrinsecamente maus. Quando incorporados aos médiuns. entregaram-se de corpo e alma ao culto desenfreado da ma téria. perseguindo aqueles encarnados e desencarnados que se atravessaram no seu caminho. a despeito da descrença em si mesmo. Para estes. indiferentes. de suas vontades. 98 18 O MATERIALISTA Este não constitui problema difícil. promovendo negociatas. pois somente nela se sentem relativamente felizes. isto é. roubando. e. poderá colocá-los em lamentável estado de choque emocional. a princípio. vivera agarrado aos seus bens e. tais posições foram meramente filosóficas. nada importa. na aparência. e mais prontamente aceitam a nova realidade. embora. ainda. Lembram-se das doenças que tiveram. não apenas pelo esquecimento de suas mi sérias íntimas. pois estão pensando e falando. apenas desencantados. tratado com extrema habilidade e carinho por uma excelente doutrinadora inglesa. se preciso fosse. vaidade. seguros e tranqüilos. ele sobreviveu. Disputaram fortunas a ferro e fogo. por nome Tom. Aos poucos. Temos que compreender que é difícil àquele que não acredita na sobrevivência admitir que. Alguns deles. estes são os que o praticam. do que admitirem. que foram ludibriados por sua própria descrença na verdade superior. está relatado um caso desses. na carne. desarvorados intimamente. mas se recusam a admitir que “morreram”. são daqueles que. São mais acessíveis. A objetiva realidade da vida póstuma põe-nos em estado de total confusão. através de um corpo que. Ao contrário dos teóricos do materialismo. falsificando. de que. honestamente. vai sendo conduzido a admiti-la. convicto de que além da matéria nada existe. de seus desejos. continuava a mani pular as moedas. o choque desperta para uma condição que eles não poderiam jamais admitir sem o impacto da desencarnação. no artigo “Lendo e Comentando”. continuam a viver no mesmo clima de maquinações e articulações. É preciso conduzi-los com tato e paciência. embora confusos. evidentemente. endurecidos nas suas convicções. descrentes da vida espiri tual. que avilta todos os sentidos e anestesia cada vez mais as faculdades e a sensibilidade. vendo e sentindo. não é o seu. só há o silêncio e a escuridão do não-ser. Em outros. Às vezes. platônicas. Geralmente desejam a volta à carne. acabam por reconhecer que continuam vivos depois da “morte”. especialmente. Outros. ao mesmo tempo em que se deixaram arrastar pelo sensualismo pesado. O Espírito. porque isto implicaria reconhecer que o materialismo que professavam éinteiramente falso. no mundo espiritual. A súbita e inoportuna revelação da nova condição em que se encontram. A despeito da descrença em qualquer tipo de realidade póstuma. ao seu ouro. por algum tempo. intrigando. nada é sagrado. Preferem continuar negando. ainda presos aos seus interesses terrenos. em todos os sentidos. matando. Viveu. . na sua imaginação. no trabalho de esclarecimento. mas porque lhes proporciona os prazeres mais gros- seiros a que se habituaram. A relutância é. além da morte. senão a satisfação de suas ambições.

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O INTELECTUAL
Nem sempre é materialista. A escala cromática aqui é ampla e variada.
Encontramo-los de todos os feitios, variedades e tendências. Há-os descrentes,
indiferentes, materialistas, espiritualistas, religiosos ou não. Foram escritores,
sacerdotes, artistas, poetas, médicos, advogados, nobres, ricos, pobres. Quase
sempre se deixaram dominar por invencível vaidade, fracassando na provação
da inteligência.
No binômio cérebro/coração, no qual o homem deve buscar equilíbrio,
deixaram disparar na frente um dos componentes, em sacrifício do outro.
Brilhantes, demoram-se na doce e venenosa contemplação narcisista da
própria inteligência, fascinados pelos seus mecanismos, sua engenhosidade e
os belos pensamentos que produzem. Julgam-se geniais — e muitas vezes o
são mesmo. São bons argumentadores e, quando movidos para objetivos bem
definidos, tornam-se verdadeiramente difíceis de serem despertados, pois se
acham solidamente convencidos do poder e da força das suas próprias
fantasias, suas doutrinas, seus sofismas e suas auto-justificações.
Vemo-los, às vezes, na condição de ex-sacerdotes também, como exímios
criadores de tais sofismas. Estudaram profundamente os Evangelhos e a
teologia ortodoxa. Leram os seus filósofos, escreveram tratados, pregaram
sermões belíssimos, do ponto de vista literário, e tanto consolidaram suas
construções, que acabaram acreditando nelas. São estes que constituem o
diálogo mais difícil para o doutrinador. Não se exaltam, nem dão murros.
Parecem, mesmo, suaves e tranqüilos. Têm respostas prontas e engenhosas
para tudo, fazem perguntas bem formuladas, procurando confundir, para
desarvorar o interlocutor.
Ao cabo de algum tempo de observação atenta, descobrimos que o
intelectualismo é como qualquer outra forma de fuga; é também um
esconderijo, para o Espírito que reluta em enfrentar uma realidade dolorosa.
Se conseguirmos restabelecer o vínculo, que sempre deverá existir, entre
cabeça e coração, estaremos a caminho de ajudá-lo. Narrarei um caso prático,
para ilustrar o que desejo dizer com isso.
O companheiro apresentou-se irônico, aparentemente muito seguro de si. É
culto, inteligente, bom sofista, versado em filosofia, em teologia e até mesmo
nos textos evangélicos, que cita com a maior facilidade e propriedade.
Conversamos longamente, e ele não perde oportunidade de ridicularizar-me,
ante minha pobreza intelectual e cultural. Num momento de incontida irritação,
chama-me de débil mental e idiota, mas logo se contém, ao ser chamado
àatenção por um companheiro desencarnado de mais elevada hierarquia,
como depois verificamos.
Mesmo com a voz pausada, deixa escapar suas terríveis ameaças, dizendo
que nosso barco vai virar e seremos empurrados para o fundo, com barco e
tudo.
— Dessa vez — diz ele — não vai ser fácil. Você vai cair do galho, macaco!
Segundo diz, há muito me segue e tem vontade de dizer algumas verdades
na minha cara, porque ainda tenho muito do homem velho, com o que
concordo plenamente. Não sabe por que não as diz, pois está certo de que, se
isso acontecesse, naquela mesma noite o grupo estaria liquidado. (Está,
certamente, sentindo os controles do médium.) Fala do cerco que me vem

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fazendo, até mesmo nas minhas atividades profissionais, e refere episódios ve-
rídicos, para demonstrar sua familiaridade com o que diz respeito à minha vida
particular. Conclui dizendo que, há tempos, quase conseguiram derrubar-me.
(Há sempre um quase, na bondade infinita de Deus, quando nos empenhamos
na tarefa abençoada de servir.)
Ao cabo de longa conversa, despede-se, algo sonolento, mas firme nas
suas convicções. Oro por ele durante toda a semana e, na reunião seguinte,
ele volta.
Não está mais tão irônico e seguro de si, como da primeira vez. Perdeu a
aparente serenidade, revelando-se profundamente irritado, furioso mesmo,
ameaçador, agressivo, impaciente. Deve ser por causa da perda do valoroso
companheiro que na semana anterior o advertira, quando me chamou de débil
mental e que, com a graça de Deus, conseguimos despertar.
Declara-se um líder, e que, se eu tivesse visão espiritual, veria que todos os
seus companheiros estão ali, atrás dele , como um bloco. Estão prontos e
dispostos a desencadear a luta. As ameaças são terríveis, mas sinto -o mais
desesperado do que rancoroso. Diz que transpusemos todas as barreiras e que
é preciso um basta final.
Enquanto conversamos, outro médium do grupo avisa-me que ouve
bimbalhar de sinos e, em seguida, sons de órgão. Ele também ouve, mas
recusa-se a reconhecer a situação, que, obviamente, teme, e insiste em
retomar o debate filosófico-religioso. É a fuga desesperada ante toda e
qualquer aproximação da emoção, que não seja o frio jogo de palavras a que
está habituado e que o anestesia espiritualmente.
De vez em quando, dirige-se, irritado, a alguém invisível, que lhe cita
trechos evangélicos. Em uma dessas, diz, nervoso:
— Eu sei. 4:19, Primeira aos Coríntios. (1)
Segundo me diz o outro médium, a música prossegue a vibrar dentro dele.
A essa altura, ele começa a apalpar o seu médium: a face, os olhos e o corpo,
demorando-se nas mãos. Começa sutilmente a crise. Ele conclui, em voz alta,
que são mãos de um organista (que o médium foi, realmente, em antiga
encarnação, na Ale manha). Pouco depois, ainda irritado, ante minha evidente
falta de acuidade, diz-me que é cego! E mesmo assim domina, é um líder!,
informa, satisfeito consigo mesmo. Sinto por ele uma compaixão infinita e me
dirijo a ele com ternura, como se a pedir-lha que me perdoe por não ter notado
isso antes. Pergunto se permite que tentemos curá-lo, e ele recusa
energicamente.
A essa altura, não consegue mais evitar que a música domine todo o seu
ser. Fala sobre acordes que lhe causam verdadeiros choques. A crise
aprofunda-se e ele ouve agora, irresistivelmente, a música sublime de um
organista incomparável. Tenta desesperadamente fugir dela, tapa os ouvidos,
bate com os cotovelos na mesa, cantarola uma canção, e diz a si mesmo:
— Reaja, frouxo!
Mas a torrente daquela música divina, que ele tem o privi légio de ouvir,
arrasta-o irresistivelmente. Segundo me informam

(1) “Mas, Irei logo onde estais, se for da vontade do Senhor; o então,
conhecerei, não a palavra desses orgulhosos, mas o seu poder.”

do mundo espiritual, ele costumava ouvir os recitais sempre do mesmo lugar,

101

na terceira fila à direita. Digo-lhe isso, enquanto ele parece também
reconhecer, daquele tempo, o seu médium atual.
Por fim, graças a Deus, a emoção daquela música inesquecível domina-o
inapelavelmente. Está arrasado e murmura:
— Ele é um monstro... Tudo nele é grande.. -
Refere-se, por certo, ao organista que, do invisível, toca para ele neste
momento. Logo a seguir, começa a chorar, vencida pela emoção que há tanto
sufocou em seu coração generoso. A música que ele amava, e compreendia
como poucos, foi o instrumento sutil que a misericórdia divina utilizou para
restabelecer o perdido contacto entre coração e mente, que andavam
divorciados.
Trato-o com infinito carinho e amor fraterno, e quando lhe peço perdão pela
dor que lhe causamos naquela crise necessária, ele retruca, entre irritado e
confuso:
— Não peça perdão, seu tolo!
Em seguida parte, ainda em pranto e com a visão recuperada.

102

20
O VINGADOR
Vingar-se é ir à forra, punir alguém por aquilo que fez ao vingador e, por
isso, vingança é uma palavra-chave nos trabalhos de desobsessão e
esclarecimento. Aquele que se dedica a essas tarefas, precisa estudá-la a
fundo, suas origens, suas motivações, seus mecanismos e as soluções que lhe
estão abertas.
É preciso entender o vingador e aceitá-lo como ele se apresenta, se é que
pretendemos ajudá-lo, pois ele é, antes de tudo, um pri sioneiro de si mesmo,
através da sua cólera e da sua frustração. Sua maior ilusão é a de que a
vingança aplaca o ódio, quando, na realidade, o alimenta e o mantém vivo. Sua
lógica é, ao mesmo tempo, fria e apaixonada, calculada e impulsiva, paciente e
violenta, e sempre implacável. Envolvido no seu processo, ele nem sequer
admite o perdão, e é capaz de perseguir sua vítima através de séculos e
séculos, ao longo de muitas vidas, tanto aqui, na carne, como no mundo
espiritual.
Quase sempre a vingança desdobra-se a partir de um caso pessoal, mas é
comum encontrarmos também o vingador impessoal, aquele que trabalha para
uma organização opressora. Ainda ve remos isso mais adiante.
O vingador observa, planeja e espera a ocasião oportuna e o momento
favorável. Não se precipita, mas não esquece: sempre que pode, interfere,
ainda que seja somente para espetar uma agulha em sua vítima indefesa.
Casos tremendos e persistentes de obsessão vingativa resultam de amores
frustrados, traidos ou indiferentes. Paixões irrealizadas ou aviltadas despertam
os mais profundos sentimentos de revolta. De outras vezes, são crimes
horrendos, como assassinatos, espoliações, desonras, difamações, iniqüidades
de toda sorte.
O vingador é aquele que tomou em suas mãos os instrumentos da justiça
divina. Não confia nela, ignora-a ou não tem paciência de esperar por ela. Não
sabe, ainda, que o reajuste virá fatalmente, através da lei de causa e efeito.
Todo aquele que fere com a espada, há de ser ferido por ela, segundo nos
advertiu o Cristo. É certo, porém, que chegado o momento do resgate, a lei não
exige que alguém — seja quem for — tenha que empunhar a espada para ferir
o irmão devedor. Pode dar-se muito bem que ele se fira acidentalmente, caindo
sobre um instrumento, por exemplo, ou morrendo numa intervenção cirúrgica,
em princípio destinada a preservar-lhe a vida e, portanto, sem nenhuma
intenção de cortar o fio que mantém unidos corpo físico e perispírito.
Em mensagem transmitida a Francisco Cândido Xavier, o “Irmão X” narra
um episódio desses, em que uma atrocidade praticada no ano 177, ao tempo
de Marco Aurélio, veio a ser cobrada pela lei, na tragédia de 17 de dezembro
de 1961, na cidade fluminense de Niterói. As simetrias são perfeitas. Não faltou
um só elemento nessa cobrança coletiva e despersonalizada. Aqueles que
ajudaram a promover o dantesco episódio de Lyon, há quase dezoito séculos,
reuniram-se no circo de Niterói. As mesmas correrias, o mesmo atropelo, a
mesma passagem estreita por onde alguns escaparam ao inferno. (1)
Tivemos, certa vez, um caso de vingança que muito nos marcou. Alguém
nos pedira ajuda espiritual para uma jovem em constante estado de revolta,
angústia e desajuste. Colocamos seu nome em nosso caderno de preces e
aguardamos. Sem muita demora, duas ou três semanas após, compareceu ao

como. inconsciente. Lembrei-me de perguntar se não tinham tido filhos. No entanto. E adormeceu. Seu desejo. para ele. na Idade Média. que atrás da porta seguinte. No caso. Eram gente abastada e provavelmente da nobreza. Na sessão seguinte. em situações como essas. É extremamente complexo o processo da vingança. ele perseguiu o Espírito da antiga amada. no passado. não importa. Houve um diálogo emocionado. Parece que lhe restou uma esperança de reconquista. que não a perseguirei mais. longe de pacificar seu coração ou aplacar seu rancor. Fora seu esposo (1) “Tragédia no Circo”. Não tem mais ânimo.. 103 grupo o Espírito indignado de seu perseguidor. ainda. há um curioso processo emocional que o doutrinador precisa conhecer e empregar. Realmente tiveram. todos os dias. porque. tênue. nem para vingar-se. Disse-me. com sua falta contra nós. mas isso. trouxeram-lhe. É o paradoxo do ódio-amor. desde então. não poderia subsistir ao lado da doçura do amor paterno. Era preciso. é porque. Sente-se vazio e cansado. já a teria esquecido e não se manteria preso a ela durante tanto tempo. tiveram outras vidas. temia ele acertadamente. De certa forma. e eu também — diz a ela. em antiga existência. Seu drama é que. e a história desenrolou-se. Tanto ele. e. E. Matou-a e suicidou-se. — Você é um trapo. a lei universal nos proporciona os elementos para exercê-la. por isso. No caso sob exame. para tê-la totalmente sob seu domínio. As dores que se seguiram consolidaram seu ódio. agora. Se a odiasse simplesmente. o que interessa no momento — e esse momento dura séculos! — éa vingança em si mesma. à mesma hora. aquele que nos feriu colocou-se à mercê da reparação. se ele sofreu traição. já traiu também. mas persistente. através dos séculos decorridos. que ele se recusava sempre a transpor. a despeito de tudo. nesse ínterim. duas criaturinhas encantadoras. a tragédia. em razão do horrendo crime do suicídio. que o colocaria em uma situação de ternura que ele queria evitar. quase sempre dolorosa.. E como poderemos negar indefinidamente o perdão de uma falta cometida contra nós — por mais grave que seja — se também precisamos de que as nossas próprias faltas sejam perdoadas? Mas. não apenas por causa do assassinato da esposa. ou ignoram. um casal. o Espírito da ex- esposa. também. “Reformador” de março de 1962. os vingadores sempre se esquecem. Que Deus nos abençoe. Vá em paz. por desdobramento. como ela. era o de levá-la ao suicídio (a jovem sofria realmente de impulsos suicidas). e ela estava novamente encarnada. que não há sofrimento sem motivo. porque sofreu horrores. — Somos dois trapos. foi realmente o que os salvou do tene broso drama. sabia que encontraria os filhos amados. Ele sabe da sua responsabilidade e está bem consciente de que responderá pelos novos crimes que pratica para vingar-se. ainda mais o exacerbou. o vingador sente -se um instrumento da justiça . ele abre determinada porta. do qual percebíamos apenas as suas falas. pois viviam num castelo. no entanto. O vingador pensa odiar uma criatura que ele ainda ama. segundo os deformados “códigos de honra” daquela época. dolorosa. por sua vez. já sabendo o que vai encontrar: a cena inesquecível do flagrante de traição. Por outro lado. manter acesa a chama rubra do ódio que. segundo ele. que ele ternamente dizia que eram dois anjos.

Sem poderem. O que acontece. que se voltará contra ele. mas a vingança não é. pela santificação. Por outro lado. por situar-se fora de seu alcance. nos seus métodos de ação e no que poderíamos chamar de sua filosofia. perante a lei desrespeitada. às vezes. Ao vingar-se. que lhe faculta a decisão de agir. coloca-se sob a proteção da própria lei divina. Não há outras opções: ou ele perdoa e segue à frente. pelas conseqüências amargas e inelutáveis que provoca. O Espírito pode vingar-se longa e profundamente. Assistimos. porém. havia resgatado pela própria aflição que procura punir a seu modo. às suas angústias. .. é que. pois as culpas são resgatadas também através do amor e não apenas da dor. dedicado à prece. enquanto ele. mas que também se acham em débito perante a lei. Não sei se me faço entender. alguém ouviu dizer. ao longo do tempo. que sofre um processo vingativo. em parte. 104 divina.. responde do mesmo modo. ao mesmo tempo em que ele se vinga. continua preso à sua problemática e. mas. os “cobradores” alcançam-na fazendo sofrer aqueles que a cercam e que. É que o Espírito. por motivos outros. ele reabre o ciclo da culpa e expõe-se. ao serviço ao próximo. porque ao errar expôs-se ao reajuste. nem os pais pelos filhos. e demora-se nas sombras do sofrimento. nesses casos. um processo obsessivo. mesmo devendo.. Isto não quer dizer que a vítima indireta seja invulnerável ou inatingível. ou insiste em cobrar. à melhora íntima. encarnado e desencarnado. poderá estar a salvo da obsessão em si mesma. por qualquer razão. de certa forma. por sua vez. alhures no tempo e no espaço.. que lhe concede um crédito de confiança. envolvido em antiquíssima trama vingativa. o perseguidor. necessariamente. ou a esposa pelo marido. eles diferem sutilmente: obsessão muitas vezes é vingança. de vez que o livre-arbítrio. para um pormenor: isto não significa que sofram os justos pelos devedores. o ofensor libera-se pela dor. esquecido de que está reassumindo um compromisso que. à vingança indireta. sem desencadear obsessões à sua vítima. Não há sofrimento inocente na justiça divina. De um pobre irmão. Consideramos diferentemente o obsessor e o vingador. empenhando-se apenas em criar-lhe dificuldades e dores. novamente à lei. está. certa vez: — Sou o responsável por todas as dores que os teus vêm sofrendo há muito tempo. empenhada em sincero e ho nesto processo de recuperação. portanto. Atenção. estaremos em condições de ajudá-lo a libertar-se. Se conseguirmos convencer o vingador da lógica férrea desse mecanismo. caso contrário. com um passivo enorme de faltas ainda por resgatar. e acaba. angústias e frustrações. é que o vingador atinge a vítima (que se colocou fora de seu alcance) através daqueles que lhe são caros. com todo o direito de exercê-la. atingir a vítima visada. ele seguirá escravo da sua própria vingança. Embora tenham muito em comum. à mercê de seu algoz. por suas falhas pessoais e por suas conexões espirituais com a vítima. são impiedosamente sacrificadas ao ódio.

no mundo espiritual. o pensamento contido nesse período é. como podemos veri ficar do exame das questões números 551 a 557. persistem nas suas práticas e rituais. nos credenciamos a esse amparo? Talvez seja melhor reformular a questão: Quando nos tornamos vulneráveis e. a época não estava madura para o aprofundamento do problema. Naquilo que Deus não o permite. especialmente porque éescassa. do seu relacionamento com Deus e com o Universo. limitando-se a respostas sumárias que. ao alcance de dores inomináveis. O próprio Cristo advertiu-nos de que. nem seria isto apropriado no livro básico da Doutrina Espírita. donde somente seríamos liberados depois de cumprida toda a pena. de que podem fazer mau uso. deixaram aberturas para futuros desdobramentos. Foram muito sóbrios os Espíritos. como a da obsessão. por exemplo. o assunto precisa ser abordado com muita prudência e lucidez. Disseram. realmente. O tema não ficou indiferente a Kardec. de “O Livro dos Espíritos”. e o juiz nos mandaria à prisão. ao cometer nossos desatinos. não obstante. Feiticeiros”. Talismãs. mas estejamos certos de que. sob o título “Poder oculto. se maus forem seus próprios Espíritos. sobretudo. . mas que “algumas pessoas dispõem de grande força magnética. porém. terão oportunidade de observar tentativas de envolvimento do grupo e de seus componentes. seria desastroso que qualquer Espírito desajustado pudesse fazer conosco o que bem entendesse. 105 21 MAGOS E FEITICEIROS Os trabalhadores da desobsessão não devem ignorar a reali dade da magia negra. amplo e exato. porque “Deus não o permitiria”. Os Instrutores do eminente Codificador colocaram a questão naquele clima de prudência e lucidez de que há pouco falávamos. ou de pessoas que dele se socorrem. colocando-nos. nada podem fazer os Espíritos ainda voltados para o mal — e essa é a nossa proteção. fazer mal ao seu próximo”. nesse particular. Com freqüência. cujo escopo era o de entregar aos homens uma síntese didática acerca do Espírito e suas manifestações. porém. ao mesmo tempo. caso em que possível se torna serem secundados por outros Espíritos maus”. se não nos reconciliássemos com os nossos adversários. Realmente. pois o que seria de nós se tudo lhes fosse permitido? Quando. É assim que um Espírito faltoso coloca-se. eles nos levariam ao juiz. Obviamente. mal compreendidos. não fora de sua proteção. “com o auxílio de um mau Espírito que lhe seja dedicado. portanto. que um “homem mau” não poderia. levando em conta as superstições que prevaleciam àquele tempo. Ensinaram. mas submetidos às conseqüências de nossas próprias ações. os Espíritos foram cautelosos. portanto. Extremamente complexo e delicado. mal observados e. o sufi ciente para formular-se um juízo sobre a matéria. A despeito da notável economia de palavras. declarando que tais fatos são naturais. promovidas por antigos magos e feiticeiros que. abrimos a eles as portas da nossa intimidade. a literatura doutrinária de confiança existente. por exemplo. até o último centavo. não abandonados por Deus. a fim de não serem tomados de surpresa nas suas tarefas redentoras. expostos àcobrança? A partir do momento em que nos atritamos com as leis divinas. Quanto à crença no poder de enfeitiçar.

mormente os de uso pessoal. Sobre a influência dos astros. mas funciona como uma espécie de condensador de energias psíquicas emanadas do operador que. fórmulas. como muito bem observa Kardec. ensina Emmanuel (1) que: — “As antigas assertivas astrológicas têm a sua razão de ser. têm a sua história viva e. assim formulada: “Não pode aquele que. nada vale. Também os números “possuem a sua mística natural”. porqüanto estes só são atraidos pelo pensamento e não pelas coisas materiais. em que os fatos se apresentam exagerados pela imaginação. podem constituir o ponto de atenção das entidades perturbadas. pelo pensamento. confia no que chama a virtude de um talismã. esclarecem que todas são mera charlata naria. por exemplo. atrai os seres desencarnados que lhe são afins. retirando-lhe a aura de mistério e ocultismo.” Kardec. às vezes. que tenha qualq uer ação sobre os Espíritos. os nomes que recebem. aberto. sobre Espíritos encarnados ou desencarnados. mas é certo que o Espiritismo tem condições para desmistificar muito da complicada e. nem talismã. como vimos. 106 Sobre as fórmulas. de . nenhum sinal cabalístico. O campo magnético e as conjunções dos planetas influenciam no complexo celular do homem físico. racional. atrair um Espírito. apetrechos e instrumentos de que se valem os operadores. e o Evangelho nos ensina que cada qual receberá por suas obras. visto que. mas. acima de todas as verdades astrológicas. A Doutrina empenha-se em negar é o caráter sobrenatural que alguns procuram atribuir aos fenômenos. de seus antigos possuidores no mundo. por efeito mesmo dessa confiança. por vezes. por causa da “simbologia sagrada das palavras”. para expli cá-la em termos de conhecimento científico. Os próprios objetos armazenam energias que ainda não estão bem definidas para nós. reconhece. em nota de sua autoria. porque. temos o Evangelho. com ou sem razão. Se as influências astrais não favorecem a determi nadas criaturas. invocações. O Espiritismo não ignora o fenômeno. que não passam de médiuns agindo em consonância com seus companheiros desencarnados. no entanto. da pureza da intenção e da elevação dos sentimentos depende a natureza do Espírito que é atraído. por vezes. insistiu. porém. a existência planetária é sinônimo de luta. dentro do contexto das leis naturais.” Lamentavelmente não temos ainda um estudo aprofundado dessa curiosa temática. nem o nega.) Dentro dessa mesma linha de pensamento. as influências que podem exercer. “O Espiritismo e o magnetismo nos dão a chave de uma imensidade de fenômenos sobre os quais a ignorância teceu um sem-número de fábulas. símbolos. achando-se cada homem sob as influências que merece. bem como as inúteis complicações dos ritos. o escla recido mentor. segundo suas vibrações.” (Destaques meus. em si. Realmente. em seguida à Questão número 555.” (Destaques meus. então. não passando o talismã de um sinal que apenas lhe auxilia a concentração?” “É verdade — respondem os Espíritos —. com a pergunta 554. urge que estas lutem contra os elementos perturbadores.) Do que se depreende que o talismã. em sua formação orgânica e em seu nascimento na Terra. e prosseguem: “Não há palavra sacramental nenhuma. — “Os objetos — responde Emmanuel à questão número 143 —. ingênua ritualística da magia. o que atua é o pensamento. razão por que parecem tocados. posturas.

107

singulares influências ocultas, porém, nosso esforço deve ser o da libertação
espiritual, sendo indispensável lutarmos contra os fetiches, para considerar tão-
somente os valores morais do homem na sua jornada para o Perfeito.”
(Destaques meus.)
O assunto mereceu também observações, ainda que sumãrias, de André
Luiz, em “Evolução em dois Mundos” — livro que talvez ainda levemos meio
século para desdobrar em todas as suas implicações. Diz o autor espiritual
que, a certo ponto da história evolutiva...

(1)“O Consolador”, questão numero 140.

- ... “Iniciou-se o correio entre o plano físico e o plano extrafísico, mas,
porque a ignorância embotasse ainda a mente humana, os médiuns primitivos
nada mais puderam realizar que a fascinação recíproca, ou magia elementar,
em que os desencarna dos, igualmente inferiores, eram aproveitados, por via
magnética, na execução de atividades materialonas, sem qualquer alicerce na
sublimação pessoal.”
E prossegue:
— “Apareceu então a goecia ou magia negra, à qual as inte ligências
superiores opuseram a religião por magia divina, acentuando-se a formação da
mitologia em todos os setores da vida tribal.”
“A luta entre os Espíritos retardados na sombra e os aspirantes da luz
encontrou seguro apoio nas almas encarnadas que lhes eram irmãs. Desde
essas eras recuadas, empenham-se o bem e o mal em tremendo conflito que
ainda está muito longe de terminar, com base na mediunidade consciente ou
inconsciente, técnica ou empírica.”
Essa digressão introdutória tornou-se indispensável para que a nossa
penetração no lusco-fusco da magia conte com um suporte de bom senso e
racionalismo, a funcionar como fio de Ariadne, que nos permita transitar pelos
seus meandros, sem o menor temor de perder o caminho de volta.
Não resta dúvida de que os fenômenos elementares de magia reportam-se
às eras primitivas, como nos assegura André Luiz. Embora os autores
especializados procurem distinguir magia de feitiçaria — e ainda veremos isto
um pouco adiante — a Enciclopédia Britânica lembra que o termo inglês para
esta última — “witchcraft” — quer dizer a arte ou ofício do sábio, de vez que a
raiz semântica da primeira seção da palavra — “witch” — está associada com a
palavra “wit”, saber.
Realmente, os magos, originários, segundo Lewis Spence (1), da antiga
Pérsia, eram cultores da sabedoria de Zoroastro. Possivelmente da raça média,
adquiriram enorme prestígio, especialmente,

(1) “An Encyclopaedia of Occultism”, University Books, New York, 1960.

ao que parece, depois que Ciro os institucionalizou, ao fundar o império persa,
sobre o qual exerceram considerável influência político-religiosa. É evidente
que esse prestígio tinha que ser alicerçado em rico acervo de conhecimentos,
pois o homem sempre respeita e, às vezes, teme aquele que sabe.
“Religião, filosofia e ciência — escreve Spence — estavam todas em suas
mãos. Eram médicos universais que curavam os doentes do corpo e do espírito
e em estrita consistência com essas características, socorriam as mazelas do

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Estado que é apenas o homem em sentido mais amplo.”
Distribuíram-se em três graus: os discípulos, os professores e os mestres, o
que vale dizer que o conhecimento de que dispunham os grandes mestres era
ministrado por processos iniciáticos, à medida que o discípulo revelava
condições de absorvê-lo e aplicá-lo rigorosamente, segundo os métodos e
interesses da Ordem.
A organização correspondeu generosamente ao apoio que recebeu de Círo,
muito contribuindo, com seus recursos, para consolidação das conquistas do
rei persa, mas, por volta do ano 500 antes do Cristo, entrou em desagregação,
especialmente por causa da tenaz perseguição de Dario Histaspes.
Emigrações em massa espalharam-nos pela Capadócia e pela Índia, mas
ainda eram uma força respeitável ao tempo de Alexandre, o Grande (356-323
a. C.) que, segundo Spence, sentiu-se enciumado de seus poderes.
São profundas as implicações da magia em alguns cultos reli giosos, mais
intensamente, é claro, nos primitivos, tanto quanto na medicina, na astrologia,
no magnetismo, na alquimia e em certas correntes místicas que prevalecem
até hoje.
Lewis Spence declara, no seu erudito verbete, que, a seu ver, misticismo e
magnetismo são idênticos para alguns ocultistas, entre os quais cita, em
tempos recentes, Auguste Comte, o Barão du Potet e o Barão de
Guldenstubbé, este último autor do livro “La Realité des Esprits”, publicado em
1857. (1)
Sir James Frazer (2) considera magia e religião uma só coisa, tão
identificadas se acham entre si. Isto é provavelmente verdadeiro

(1) Ver o artigo “O Tempo, o preconceito e a humildade”, em “Re-
formador”, agosto/1975.
(2) “The Golden Bough”, MacMilian, New York, 1951, eruditíssimo tratado
sobre magia e religião que, mesmo em forma condensada, apresenta-Se
com 827 páginas de texto. A obra completa consta de 12 volumes.

para as primitivas crenças, mas não para as religiões mais recentes, que
embora conservem sinais exteriores dos antigos cultos — simbolos, ritos,
fórmulas, encantações —, perderam contacto com os seus aspectos
esotéricos.
Um conceito reproduzido por Spence informa-nos que o apelo aos deuses
constitui prática religiosa, enquanto a prática da magia tenta forçá-los à
complacência. A religião é freqüentemente oficial e quase sempre organizada,
enquanto a magia é, usualmente, proibida e secreta.
Embora Spence nos fale da magia na Pérsia, sabemos que ela floresceu
amplamente no Egito, muito antes da época citada na sua obra. Os livros
mediúnicos de Rochester, vários deles publicados pela FEB, narram, com
minúcias de extremo realismo, processos terríveis de magia e ocultismo, como
em “O Chanceler de Ferro” e “Romance de uma Rainha”.
O segundo livro do Antigo Testamento — o Êxodo — especialmente nos
capítulos de números 5 a 13, narra o duelo entre os magos egípcios e hebreus,
ante a aturdida expectativa de todo o país.
Já antes disso, no capítulo 4, os guias espirituais de Moisés conferem-lhe
poderes ostensivos, pois certamente ele deveria conhecer bastante acerca dos
rituais e da teoria que os sustentava.

109

O Espírito que se apresenta como Jeová ordena que conduza o povo
hebreu para fora do Egito, mas Moisés revela sua impotência em convencer
sua gente a segui-lo.
— Não acreditarão em mim — diz ele — nem ouvirão a minha voz, pois
dirão: Jeová não te apareceu coisa alguma.
— Que tens tu na mão? — pergunta-lhe Jeová.
— Um cajado.
— Atira-o ao chão.
Mal atirado ao solo, o cajado transformou-se numa serpente. Ante o temor
de Moisés, o Espírito disse-lhe que a agarrasse pelo pescoço, o que ele fez,
voltando a serpente a ser um mero cajado.
Essa mesma “mágica”, no melhor sentido da palavra, Moisés faria diante do
Faraó e sua corte.
Segundo Will Durant (1), a crença na feitiçaria, na Idade Média, era
praticamente universal. “O Livro da Penitência”, do Bispo de

(1)“The Age of Falth”, Simon and Schuster, New York, 1950.

Exeter, condena as mulheres “que professam a faculdade de modificar a mente
dos homens pela feitiçaria, ou encantamento, como do ódio para o amor ou do
amor para o ódio, bem como enfeitiçar ou roubar os bens dos homens”, ou
ainda as que declaram “cavalgar durante certas noites certos animais, com um
bando de demônios em formas femininas, ou estarem em companhia de tais”.
Quando a Igreja resolveu entrar em cena para coibir a prática, criou-se um
clima de terror que, ao mesmo tempo em que combatia as crendices, parecia
atribuir-lhes certa substância, que mais as autenticavam na imaginação do
povo inculto, porque ninguém combate aquilo que não teme. As conseqüê ncias
dessas impiedosas perseguições foram danosas e lamentáveis para o
entendimento do fenômeno mediúnico, e é bem provável que a notícia que os
Espíritos superiores vieram trazer a Kardec, no século 19 pudesse ter sido
antecipada de um século ou mais, se em vez de queimar os médiuns
medievais, sob a acusação de que mantinham pactos com o demônio,
procurassem estudá-los com respeito e interesse. A despeito disso, não foram
poucos os prelados católicos que, durante toda a existência, mantiveram cultos
paralelos de magia negra, com os seus estranhos rituais.
Ao escrevermos este livro, o mundo moderno assiste, algo perplexo, a um
fantástico ressurgimento da magia negra e da feitiçaria, por toda parte e, desta
vez, não nos países menos desenvolvidos, ou primitivos, e sim nos de mais
avançada tecnologia e mais sofisticada cultura, como a Inglaterra, os Estados
Unidos, a França, a Itália.
A Britânica, tanto quanto Sir James Frazer, atribui à magia origens
nitidamente religiosas, sob a forma de cultos à base de animais sacrificados.
Oferendas de sangue e de estranhas substâncias eram feitas para propiciar os
deuses em troca de favores, fosse em benefício de alguém ou com a intenção
de destruí-lo.
Entre os ritos destinados a destruir um inimigo, por exemplo, o mais antigo,
dramático e conhecido, consiste em modelar uma pequena estátua
representativa da vítima, geralmente em cera, e, com os métodos apropriados,
espetá-lo com agulhas e punhais.
Seria impraticável, num resumo como este, repassar todo o campo da

110

magia e empreender sua avaliação em termos de Doutrina Espírita;
poderemos, não obstante, tentar oferecer algumas noções colhidas em
alentados livros, facilmente encontráveis no mercado, praticamente em todas
as línguas vivas.
Um desses autores é o médico francês, Dr. Gérard Encausse,
contemporâneo de Allan Kardec, que, sob o pseudônimo de Papus, escreveu
abundantemente sobre o assunto. Seu filho, o Dr. Philippe Encausse, também
médico, revelou igual interesse pela matéria, produzindo algumas obras sobre
o assunto, como “Sciences Occultes et Déséquilibre Mental”.
Colheremos algumas informações na obra de Papus intitulada “Tratado
Elementar de Magia Prática”. (1)
Antes de mergulharmos no seu livro, creio útil transmitir ao leitor espírita
uma idéia da posição de Papus em relação ao
Espiritismo:
“Existe, não obstante — escreve ele, à página 11 de seu livro —, uma forma
de experiências mágicas próprias para as pessoas pusilânimes, e que
aconselharemos a quantas desejarem divertir-se, dedicando, à sobremesa,
alguns momentos aos fenômenos de espiritismo. Nada têm de difíceis e sim
muito consoladores, e, afinal de contas, situam-se a tal distância da verdadeira
magia, que não há a temer nenhum acidente sério, desde que não se esqueça
da precaução de deixar as coisas no momento oportuno.”
Ao apreciar alguns aspectos da magia, da qual o Dr. Encausse é admirador
ardoroso, tentemos não ser tão radicais e superficiais como ele, em relação ao
Espiritismo.
Papus acata o princípio, também lembrado por Sir James Frazer, acima
citado, segundo o qual o mecanismo da magia precisa de um veículo entre a
vontade humana e as coisas inanimadas. Na opinião de Sir James Frazer, toda
a magia baseia-se na lei da simpatia, ou seja, “as coisas atuam umas sobre as
outras, a distância, por estarem secretamente ligadas entre si por laços
invisíveis
“Para isso — escreve Papus — o operador deverá aplicar sua vontade, não
sobre a matéria, mas sobre aquilo que incessantemente a modifica, o que a
Ciência Oculta denomina o plano de formação do mundo material, ou seja, o
plano astral.” (O primeiro destaque é meu; o segundo, do original.)
Esse plano, os magos concebem como sendo as forças da na tureza, das
quais, por certo, tanto se utilizam os trabalhadores do bem, como os outros.

(1) Tradução de medial Shaiah, 1974, 5ª edição da Editorial Kier, Buenos
Aires, do original francês “Traité Elementaire de Magia Pratique”.

“Não cabe dúvida — prossegue Papus — que são as forças da natureza
que o mágico deverá pôr em ação, sob o influxo da sua vontade; mas que
classe de forças são essas?”
Diz ele que são as forças hiperfísicas, assim entendidas as que apenas
diferem das energias meramente físicas nas suas origens, pois emanam de
seres vivos e não de mecanismos inanimados.
No fenômeno da pronta germinação, crescimento da planta e produção de
frutos, que alguns faquires teriam realizado, segundo testemunhos nos quais
Papus acredita, aconteceria apenas uma abundante doação, à semente, e
depois à planta e ao fruto, das energias orgânicas do faquir, que se poriam em

não sobre os fluídos. atribuindo a base do fenômeno à formação das chamadas larvas. em transe. a prática mediúnica espírita seria uma dessas causas. a indústria. em Londres. uma fórmula e uma prece puseram em comunicação a imagem física com a forma astral e então cortamos o desenho em vários pedaços. pura e simplesmente. e haveremos de declarar que a Magia (ele a escreve com letra maiúscula. pela aplicação exterior de forças físicas. atuando diretamente. arcaremos com a responsabilidade correspondente. Orientado pela descrição da mulher. uma ação consciente da vontade sobre a vida. magnetizando uma senhora na presença do obsidiado. E é precisamente na aplicação que mais veementes restrições o Espiritismo teria a fazer à magia. com a ajuda de uma grande e afiada lâmina de aço. 3ª — Psiquicamente.” A magia seria. que casadas aos elementos de nossa esfera faziam da câmara mediúnica precioso e complicado laboratório. inclusive da Natureza em derredor. levaria um ano para atingir aquele ponto de crescimento. por exemplo. Num deles.” Vamos conferir: “Colaboradores desencarnados — escreve André Luiz (1) —extraiam forças de pessoas e coisas da sala. Ao cuidarem dos problemas da obsessão. chama-se vida. A . A mulher. em todos os seus ramos.” (Destaques meus. resume ele a sua teorização. A Medicina. e segundo Papus. revelam um despreparo comovedor. obteremos resultados positivos. modificando a estrutura de um ser. outro de ação direta. a planta.) O resto é aplicação prática desses princípios: se os orienta mos para o bem. modificando a estrutura do ser ou de um ponto qualquer na natureza. mas sobre os princípios que os põem em movimento. Papus desenhou a faixa num pedaço de papel branco. Para a criação dessas larvas. Exemplifica ambos. se os dirigirmos para o mal. não à forma exterior. é um exemplo desse caso. optou pelo método indireto. via uma faixa fluídica pairando em certo recanto da residência da vítima. em algumas horas. embora escreva Espiritismo com letra minús cula) admite a possibilidade de influir sobre os fluídos astrais que atuam na natureza e sobre os que atuam nos homens.” À página 91. basta que se tenha medo dos ataques de ódio de outra pessoa. A dita força não tem muitos e diversos nomes de bom sentido. Papus oferece dois métodos diferentes para tratamento dessas “obsessões”: um de ação indireta. entram neste quadro. mesmo os adeptos mais bem informados da magia. com todas as suas transformações. em condições normais. 2ª — Fisiológica ou astralmente. “consagrado e perfumado”. por meio da aplicação de certos princípios e de certas forças. 111 consonância com as energias armazenadas na semente. ao dizer que são três as maneiras de agir sobre a natureza: 1ª — Físicamente. A agricultura. em todas as categorias. ainda que sem tocar os tenebrosos domínios da magia negra. que utiliza o trabalho do homem. A definição completa proposta por Papus é a seguinte: “É a aplicação da vontade humana dinami zada à evolução rápida das forças vivas da natureza. portanto. mas aos fluídos que circulam dentro do aludido ser. que se alimentariam da “substância astral” emanada do “imprudente que lhes deu vida”. que. e prossegui u: “Terminado que foi o desenho. “A vontade do faquir — diz Papus — põe em ação uma força capaz de desenvolver.

na forma astral. Em seguida. limitamo-nos a expô-los. nos quatro pontos cardeais. que. Por exemplos como estes. 112 mulher adormecida declarou que os cortes influiram. (1) “Nos Domínios da Mediunidade”. Segundo o autor. pois como seres humanos. pois. pronunciando-se o Grande Conjuro de Salomão. incontinenti. e irmãos nossos. se essa técnica perdeu-se para os encarnados — pelo menos para os que têm escrito os tratados mais conhecidos de magia —. consagrando-os segundo o procedimento habitual. Seus recursos e conhecimentos eram muito mais amplos e profundos. “sponte sua”. no seguinte: toma-se uma mecha de cabelos do obsidiado. sabem muito bem que pouca diferença existe entre esse procedimento e o recurso igualmente inócuo do exorcismo eclesiástico. O método consiste. Mas. mas é raro que um obsessor ferrenho e tenaz desista definitivamente da luta. ordenando à larva que se dissolva. apenas porque alguém o ameaçou com uma espada. ela se preservou para os Espíritos desencarnados.. de sete em sete dias. colocar o cabelo. o oficiante deverá vestir-se de roupas brancas. pelo menos depois de repetido três vezes. Baseia-se no princípio de que as larvas e os elementais — seres algo animalizados que servem aos magos — alimentam-se da substância astral de que é muito rico o sangue. as quatro letras do tetragrama sagrado. traçar à sua volta um círculo. em tempos idos. podemos admitir que os verdadeiros segredos da magia perderam-se há muito. capitulo 28 — “Efeitos Físicos”. Em seguida. Restaram apenas fragmentos de uma técnica que. Num ou noutro caso. foi manipulada com habilidade e competência. a ponto de tentarem curá-la com práticas tão ingênuas. estaria curada a “obsessão”. Para isto. antigos magos que levaram para a vida póstuma os conhecimentos especializados. merecem respeito e consideração.” E. ou porque resolveu. se desfez em pedaços. sobre uma pequena prancha. produzir resultados positivos. que deverão ser incensados. na sua falta. seja porque o Espírito obsessor ficou algo impressionado com as complexidades do ritual. Escrever no interior do círculo. com uma ponta de aço comum. molhado em sangue. abandonar sua vítima. o processo raramente falha. o paciente deverá aproximar-se e diante dele se molhará um punhado de seus cabelos no sangue de uma pomba ou de uma cobaia. persas e egípcios não ignoravam fenômenos elementares como os da obsessão.. com isto. A reprodução destes métodos não tem por objeto aqui ridicula rizar o procedimento daqueles que os praticam. desenhando-o com uma mistura de carvão e ímã pulverizado. igualmente. Os magos caldeus. inteiramente aleatórios. O segundo método (direto) seria recomendável para “os casos em que a obsessão toma um caráter especialmente grave”. também consagrados sob a influência de Júpiter ou de Apolo. no entanto. parece ainda oportuno reproduzir uma das normas coligidas por Papus: . com a espada mágica (ou. A propósito. edição FEB. com cabo de madeira envernizada) investir energicamente contra os cabelos. A seguir. Aqueles que lidam com graves problemas obsessivos. podem.

encontramos em “Nos Domínios da Mediunidade” esta observação preciosa de Aulus: — “Abstenhamo-nos de julgar. que perdoa. pelos embaixadores hieráticos das três partes do mundo conhecido.” A despeito do apelo ao perdão. para o sábio. isto é. por exemplo. ela nem ao menos reconhece que seu misterioso fundador foi saudado no seu berço por três magos. o amor deve ser nossa única atitude para com os adversários. aconselho-vos que é melhor imitar a Deus. é algo pomposo. não o entrega a ninguém. em que o conceito fundamental da magia está na movimentação. às vezes obscuro e nem sempre muito coerente. o de Papus. dizendo que o mago é o engenheiro da magia. mas os princípios fundamentais identificam-se em vários (1)Editora Pensamento. “outra coisa não são . que poderemos aguardar senão a cegueira e a morte?” Outro autor bastante conceituado entre os entendidos é Eliphas Levi. como.” A obra de Papus é bem mais didática e ordenada do que a de Levi. porém. 113 “Tratai de não vos servir jamais desta arte contra vosso próximo. a Trindade. para o mago. dos segredos e forças da natureza. e que vos tem perdoado a vós mesmos. Consoante a lição do Mestre que hoje abraçamos. num sentido. diz ele.” O estilo de Levi. Embora sem declarar-se católico. como. é indispensável para que a força aplicada. sob o império da sombra. temos de distinguir o mago. “Há uma verdadeira e uma falsa ciência — escreve Levi —. E. isto é. ou seja. falar é criar.” Quanto ao fenômeno das mesas girantes. Anésia. Ambos concordam. O Dr. se robus teça e a vença. enquanto o feiticeiro é simples obreiro. também. refere-se a ele com respeito e admiração. como esta. do charlatão. como nós o provaremos mais tarde. Gérard Encausse tem-no em elevada conta e. mentirosa e tene brosa. aliás. Papus usa uma imagem. Mesmo assim. Mal por mal. por exemplo: “A Igreja ignora a magia. a não ser para uma vingança justa. Aquele que deseja possuir. a existência do céu e do inferno. E não há ocasião mais meritória do que a de perdoar. quem achará que sua vingança é injusta? Buscando novamente André Luiz. em suas obras. A despeito disso. quando o Espiritismo estava ainda na fase preliminar das mesas girantes. como este. Só pode dispor do amor dos outros aquele que é dono do seu. A vingança. porque deve ignorá-la ou perecer. pontos importantes e ambos consideram o mago como o verdadeiro conhecedor e o feiticeiro como simples imitador. por vá rias vezes. foi escrita em 1855. temos de revelar uma e desvendar outra. é a alma da magia negra. imaginar é ver. Seus dogmas não são menos surpreendentes. significa o eclipse absoluto da razão. por exemplo: “Assim. e dos três mundos analógicos da filosofia oculta. uma magia divina e uma magia infernal. Eliphas Levi também viveu no século 19 e sua obra “Dogma e Ritual da Alta Magia” (1). e o adepto. não deve dar-se. em sentido contrário. em proveito próprio. São Paulo. do feiticeiro. Levi defende a tese de que a resistência. Levi acata os principais dogmas ortodoxos: a divindade de Jesus. porém. não se furta a algumas criticas veementes.

então. e solicitações da natureza que nos convida. tive imediatamente o braço adormecido até os ombros. sem nenhum ritual complicado. um homem estava diante de mim. e colocou à disposição dele. Ao cabo de complicadíssimo ritual. um Espírito manifestou-se. sem substâncias. fechando os olhos. dentro de um envelope. realmente: — “Chamei três vezes Apolônio. se torna. que procura uma cadeia de entusiasmo para formar novas correntes”. de que me restou. e sem evocação. e. e. pela ponta. espadas e vestimentas especiais. apresenta o autor o que chama de revelação nova e que consiste no seguinte: “O diabo. deixa entrever que o domínio que muitos buscam exercer sobre o semelhante não está tanto nos ritos e nas práticas. mas na própria psicologia humana: . por este signo.” Às vezes. um cartão cortado transversalmente. “raps” e os instrumentos que tocam. às três horas. em Londres. aparentemente sozinhos. com este recado: “Amanhã. caí num adormecimento profundo e acompanhado de sonhos. e dirigi para ele a ponta da espada. é o grande agente mágico empregado para o mal por uma vontade perversa. Experimentei uma sensação extraordinária de frio. envolto inteiramente por uma espécie de lençol. e quando abri a boca para interrogar o fantasma. Desde que fiquei assentado. após os juramentos devidos. é de uma riqueza impressionante de minúcias e começa com um sabor de romance de capa e espada. para a salvação da humanidade. a reconstituir as grandes cadeias simpáticas e religiosas”. a cada instante. no circulo junto a mim. mas senti tão grande fraqueza nos meus ombros e um repentino desfalecimento apoderar-se de mim. no entanto. Por isso. com toda a instrumentação necessária a uma evocação. alguma coisa tendo-me tocado na mão que segurava a espada. arsenal completo. que. sob a influência de uma vontade má. então. triste e sem barba. a forma ficou mais confusa e ele desapareceu imediatamente. 114 senão correntes magnéticas que começam a formar-se.” Era uma senhora. Os golpes. que me pareceu ser mais cinzento do que branco. quando os abri. a sua forma era magra. somente uma lembrança confusa e vaga. real e positivamente o demônio. “O instrumento do enfeitiçamento não é outro senão o próprio grande agente. círculos. Julguei entender que esta espada ofendia o Espírito. o que não combinava exatamente com a idéia que primeiro tinha de Apolônio. junto a mim. realiza-se. a não me amedrontar e a obedecer-me. atribui “todos os fatos estranhos do movimento das mesas ao agente magnético universal. e a plantei. em magia negra. vos será apresentada a outra metade deste cartão. “são ilusões produzidas pelas mesmas causas”. quando ele recebe. Então.) Assim foi realizada a evocação que. Quanto à magia negra.” (Destaques meus. em incontáveis sessões mediúnicas. diante da abadia de Westminster. Pus. A figura humana reapareceu logo. no hotel. a mão sobre o signo do pentagrama. que dei dois passos para me assentar. ordenando-lhe mentalmente. quando voltei a mim.” Também o enfeitiçamento está dentro dessa linha de raciocínios. Sua descrição da evocação do Espírito de Apolônio de Tiana. Ordenei-lhe que voltasse: então senti passar. me foi impossível articular um som. como que um sopro.

Se o nosso trabalho é de Deus. Ë claro. sóbrio e casto. com os seus rituais.” Por causa desse e de outros princípios e noções. Se estamos num grupo mediúnico bem constituído e harmonizado. Estejamos preparados. Nada sofreremos em razão do próprio trabalho de desobsessão. e esta fé deve traduzir-se imediatamente em atos. A primeira e mais importante das obras mágicas échegar a esta rara superioridade. de nossa vida pregressa. porém. Que um espírito hábil e mau se apodere desta mola. a fim de surpreenderem-nos no momento em que mostramos onde a nossa cerca está arrombada. como dizia Levi. para enfrentar os companheiros desarmonizados. o egoísmo para o maior número. e estais perdidos.” Em suma. Não nos impressionemos. na ordem dos mesmos erros e das mesmas depravações. vigiando-nos. Estejamos vigilantes.” “O magista — prossegue adiante — deve. estão habituados a vencer pela vontade disciplinada — que aprenderam a dominar — todos os obstáculos. como que o umbigo do seu nascimento pecador. Entrarão em ação imediatamente. para nossa alma. . seus gestos. não é fácil lidar com os magos desencarnados. que é. impenetrável e inacessível a toda espécie de preconceitos ou terror. destemidos. 115 “Acariciar as fraquezas de uma individualidade é apoderar-se dela e fazer dela um instrumento. suas palavras misteriosas e secretas. e é por ele que o inimigo sempre nos pode pegar. porém. É preciso crer que se pode. Deve ser sem defeitos corporais e estar à prova de todas as contradições e de todos os sofrimentos. “para poder é preciso crer que se pode e esta fé deve traduzir- se imediatamente em atos”. ser impassível. Aqueles que por longos séculos vêm praticando a magia. Como nos disse um amigo espiritual.. nada conseguirão contra nós. serenos. Vejam este outro conselho: “Ter o maior respeito por si mesmo e considerar-se como um soberano desconhecido. pensam eles. é só questão de tempo e oportunidade. a vaidade.” Ou então: “Todos nós temos um defeito dominante. pois. desinteressado. o que seria injusto. seus talismãs. ou seja.. para uns. porém tranqüilos e guardados na paz do Cristo. para poder impor a sua vontade. sigamos em frente. ele tem que aprender a querer. que os trabalhadores das sombras empenharão o melhor de seus esforços no levantamento de nossas fichas. no decorrer do trabalho de desobsessão.” De outras vezes. como seres imperfeitos que somos. apenas aquilo que estiver autorizado pela nossa ficha cármica. Estão convictos de que poderão atingir-nos. que assim faz para reconquistar a sua coroa. pois. certa vez. confiantes. Não exatamente por causa dos danos que possam causar-nos. temos abertas as brechas das nossas próprias imperfeições. quando uma vontade firme e dinâmica sustenta os seus interesses. suas evocações. sofreremos. por que tanto se empenham em conquistar a insensibilidade os Espíritos encarnados e desencarnados que fazem do domínio sobre o semelhante a meta de suas vidas: “Só o adepto de coração sem paixão — escreve Levi — disporá do amor ou ódio daqueles que quiser fazer de instrumento da sua ciência. de relance. e preguiça para outros. A instrumentação é secundária. mas é claro que. percebemos. estudando-nos sob todos os ângulos. e.

os escombros dos antigos sonhos. pois este é o momento mais grave. século após século. no fundo. velas. esmagadora. Era um exemplo para . em tempos idos. revertidos ao mundo espiritual. do qual a infeliz vítima não podia livrar-se. pela vigilância e pela prática da caridade. comparecem. porque a dor do despertamento é. alguns empenhados em finalidades nobres. quase sempre. as angústias. É preciso tratá -los com carinho. mais profundamente humano de suas vidas: quando entrevêem uma réstia de luz a iluminar-lhes o próprio coração. com os quais se afina bem. no interesse de ambos. perseguição. de rastros. infligindo sofrimentos atrozes aos infelizes que lhes caem sob o poder maligno e infeliz. pois. em toda a sua profundidade. o desespero. Em Espiritismo. retomaram suas experiências. somente aquele que a experimentou. Com os esclarecimentos contidos hoje na Doutrina Espírita. é válido. excepcionalmente. À visão espiritual de nossos médiuns apresentavam-se com as vestimentas e os simbolos de sua preferência. que continuando no Além seus estudos e práticas. pois ela não encontra ressonância e. aos trabalhos de desobsessão nos quais se acham envolvidos. mais sério. Lembremo-nos de que os Espíritos que na Terra estiveram envolvidos nas práticas mágicas não desapareceram. praticaram a magia e. Entre eles encontramos até ex-sacerdotes católicos que. os desenganos. ou portando “obje tos”. não alcança êxito junto àqueles que já se redimiram. da manipulação de drogas e fluídos. os fantasmas que trazem no íntimo. * Por mais de uma vez temos tido experiências com processos de magia. reduzido a uma deplo rável Condição subumana de pavor e deformação perispiritual. poções. Quem a presenciou pode fazer idéia. diríamos que se trata de sintonia vibratória. embora aparentemente següros e frios. ou que. e revezam-se na carne e no além. mas muito reais. apoiando-se mutuamente. Não que a magia tenha poderes por si mesma. porque senti-la. O conceito de Sir James Frazer. com humildade e singela compreensão. em trabalhos de esclarecimento mediúnico. pelo menos. por mais que se debatesse. e outros envolvidos. da hipnose. Magos do passado. o mago sempre foi um médium. em lamentáveis e tenebrosas práticas de dominação e vingança. assistido por companheiros desencarnados. num círculo magnético infernal. ligados por interesses comuns. de que a magia baseia-se na simpatia. para servi-los. mas sobre os seus Espíritos atormentados. Os Espíritos vivem em grupos. no serviço ao próximo. os remorsos. acham-se defendidos pela prece. pois não gostam de descobrir-se. por conseguinte. Toda aquela serenidade aparente desmorona. quando conseguimos convencê- los de seus trágicos enganos. estamos em condições de entender muitos desses segredos e mistérios. 116 Temos que atuar não sobre esses sinais exteriores dos seus cultos. tortura. de forças naturais e de toda a parafernália que lhes proporcionava poderes secretos e misteriosos. Um deles trouxe -nos — certamente para intimidar-nos — um pobre ser espiritual inteiramente dominado. construti vas e reparadoras. Estejamos prontos para ajudá-los. signos. nem se perdeu o conhecimento dos mecanismos de certas leis do magnetismo. substâncias e até acompanhados de acólitos. Nosso médium viu-o atirar esse pobre espírito.

embora reclamando que seu “cavalo” não prestava. ou lanternas. pois vivem disso. conhecia os segredos de sua arte e a neutralizava. Um desses companheiros infelizes confessou que via ao nosso lado quem. colocaram sete lâmpadas. pronta para o “serviço”.. agarrados ainda ao lado escuro da vida. profundos conhecedores desses trabalhos. ao apelo do amor e do perdão. e oferece riscos realmente sérios. são pouco acessíveis à doutrinação. disse ele. Não se detêm diante de nenhum escrúpulo. Mais do que isso: por processos que não se revelaram aos nossos sentidos. as mais das vezes. pela sua extraordinária sofisticação. Quer que vire. também antigos magos. De outra vez. Mais tarde manifestou-se outro de sua equipe — ou seria ele mesmo? — com a proposta de “desfazer” o trabalho. Acontece. um desses visitantes sinistros deixou sobre a mesa. pequenas caveiras com as órbitas iluminadas por uma baça luz vermelha. que entregaria a ele sua vítima. Depois de seu ritual. da falta. através do qual mantinha. alcançar seus objetivos ocultos e lamentáveis. Sabem muito bem que no dia em que “fraquejarem”. Não. não temem represálias. Nosso médium viu apenas que. como todo Espírito envolvido nas sombras das suas paixões inferiores. em torno dele. oprimem para não serem oprimidos. . eu viro.. o grupo dispõe de proteção e ajuda de companheiros redimidos. segundo relato de um de nossos videntes. Não podia deixar de atender ao “irmão de sangue”. 117 nós. não queríamos que ele virasse. Os magos desencarnados são. Um caso marcou época. que somente estarão protegidos da dor enquanto mantiverem em torno de si mesmos aquele clima de terror. com o que ele ficou muito desapontado. eu viro. de pés e mãos atados. no mesmo grupo. e apresentou-se agora com outro nome. tentando dominar pelo terror. do erro. incessantemente: —Quer que vire. É claro que ela age apenas quando e onde encontra as necessárias brechas e o condicionamento da culpa. selada com sangue. espalham a dor para fugirem às suas próprias. inteligentes. que nos sintoniza com o mal e nos expõe à aproximação dos implacáveis cobradores das trevas. Em suma. a magia é mais comum do que desejaríamos admitir. Outro veio traçar signos e fazer invocações contra um de nós. se aquele a quem ele visava propusesse um “pacto”. contra os quais os grupos mediúnicos têm que estar muito bem preparados e assistidos. a fim de que deixássemos de interferir em sua atividade. empenhado em trabalhos redentores. e partiu. E repetia. passou para outro médium. o mago foi completamente desarmado em suas táticas. para ele. Tinha diante de si um prato de sangue. melhor do que ele. com o qual pretendia alcançar-nos. O mago era realmente profundo conhecedor de sua arte e engendrou um mecanismo magnético. cumprido à nossa vista. Sabem. num terreiro. tão cuidadosamente planejadas. de cores dife rentes. Uma para cada um de nós. Tinha recebido uma solicitação. nas suas práticas funestas. Atacam para nao serem atacados. porém. subjugadas aos seus propósitos. experimentados e conhecedores profundos das mazelas e fraquezàs humanas. Vendo-se recusado. especificamente. sempre presentes para contraporem seus conhecimentos e recursos às desesperadas tentativas desses irmãos. as mentes de quatro seres encarnados. -. porque não o obedecia. pois obviamente teria sido muito mais fácil. declarou que sua vítima “estava amarrada”. que.

em seu proveito. Por isso são implacáveis e. por -isso. pois o mal não é eterno. . paradoxalmente. de que um dia — não importa quando — terão fatalmente que enfrentar a realidade de si mesmos. utilizam-se da vontade bem treinada. chegará o duro momento da verdade e começará a longa escalada de volta. Não há outro caminho. E quem desceu semeando sofrimentos. os compromete cada vez mais. demoram- se no erro que. que muito bem conhecem. só pode contar com sofrimentos durante a subida. Estão perfeitamente conscientes. Enquanto isso. 118 ou seja. no entanto. aceitarem a realidade maior. para movimentar. as forças da Natureza.

. basta uma indução superficial. como por encanto. tanto entre os Espíritos esclarecidos e despertos para as verdades maiores. com plena identidade de tendências ou opiniões. (1) “Memórias de um Suicida”.” . pois. no seu sentido mais lato — escreve Bernheim. como recurso extremo para desalojar realidades soterradas na memória profunda do ser e que precisam ser trazidas à tona para desencadear o mecanismo da recuperação. em que espíritos altamente credenciados.. um ao outro. reproduzir e movimentar os pensamentos. é imprescindível que a onda do hipnotizador se case perfeitamente à onda do hipnotizado. como todo recurso do conhecimento humano. com que costumamos medir.) É claro. ressurgem. da 4ª edição da Federação Espírita Brasileira... com enorme respeito e carinho. “. que nisto. para impressionarem a placa e se tornarem visíveis como a própria realidade que foi vivida!. para corrigir desvios. os arquivos da mente. por métodos hipnóticos e magnéticos. Desdobra-se ali um processo de regressão irresistível. 119 22 MAGNETIZADORES E HIPNOTIZADORES São amplamente utilizados.. mas para os procedimentos mais elaborados. como para fazer cair aquele que está de pé. este também é neutro. pela ação magnética. psicografia de Yvonne A. capitulo 2º — “Os arquivos da alma”. é uma espécie de termômetro ou máquina fotográfica. os métodos são os mesmos. com profundos conhecedores e hábeis experimentadores dessas técnicas de indução. Para incumbências de importância secundária. nos atos mais complexos do Espírito — ensina André Luiz. os hipnotiza dores do espaço utilizam- se de recursos extremamente sofisticados. em “Hypnotisme et Suggestion” —. como entre os encarnados. vamos encontrar o mesmo dispositivo da sintonia vibratória. (1) — O aparelhamento que vedes — explica um dos instrutores —. tanto pode ser usado para ajudar a levantar o ser que caiu. Os Espíritos superiores utilizam-se da hipnose para socorrer. para aliviar. moralmente. “Defino a sugestão. (Grifos meus. para dominar e punir. como o ato pelo qual uma idéia é despertada no cérebro e aceita por ele. nos processos obsessivos. isto é. o autor espiritual oferece exemplos desses trabalhos redentores. as recordações. Em “Memórias de um Suicida”. para ajudar. como entre aqueles que ainda se debatem nas sombras de suas paixões. dos escombros da memória profunda de nossos discípulos. competentes e moralizados. qual se estivessem iungidos. nos recessos da afinidade profunda. Pereira. os atos passados que se imprimiram nos refolhos psíquicos da mente e que.. os métodos da hipnose e do magnetismo. 2ª parte. Mas. em “Mecanismos da Mediunidade” —. que contam. movimentam. para que haja sintonia nas ações que envolvam compromisso moral. Lá. no Além. Os desajusta dos. harmonizado em substâncias extraídas dos raios solares — cujo magnetismo exercerá a influência do ímã —. como em quase toda a problemática espiritual. páginas 220 e seguinte.

Coloquei-a na frente de seus olhos e lhe disse: — Pode pegar. certamente. Com freqüéncia. durante o desprendimento do sono.. Mesmo incorporado ao médium. com os dedos unidos.. tudo é válido. por meio de passes de dispersão. pois a sugestão é transmitida ao Espírito. Matar minha mãe. Nada os detém e. ou mesmo durante a vigília. sem que eu apertasse a sua: mantinha minha mão estendida. pois não apenas a sugestão se lhe ia implantando cada vez mais na vontade. é preciso que hipnotizador e hipnotizado estejam “jungidos moralmente um ao outro. pelo menos para uma trégua. As vezes. hábil magnetizador. um Espírito atormentado e. como diz André Luiz. foi possível libertá-lo.. antes de iniciarem o trabalho propriamente dito. o processo — e não podemos aqui fazer estudo mais profundo e extenso do fenômeno — os hipnotizadores e magnetizadores das trevas acabam por alcançar o domínio de suas vítimas depois de obterem a aceitação de que nos fala Bemheim. exausto. Para isso. Odeio meu pai. 120 Passando por sobre a conotação materialista da definição proposta. Já lembramos. desde que alcancem os resultados que desejam. Odeio meu irmão. Odeio minha mãe. recaiu sob seu domínio. mesmo que forçada. do lado da luz.. Com um esforço muito grande.. os companheiros que assistem o grupo. e não ao cérebro. porém. Não é nada fácil lidar com esses terríveis manipuladores da mente humana. os hipnotizadores procuram atuar sobre os membros encarnados do grupo. Matar meu pai. pretendeu usar comigo a sua técnica. Alguns magnetizadores e hipnotizadores adotam o procedimento de segurar os polegares de seus “sujets”. O pobre irmão repetia incessantemente: — Odeio minha mãe. e pediu a ajuda de Deus. mesmo depois de resgatado e posto a salvo da faixa vibratória de seu hipnotizador.. de preces e de contra- sugestões. por causa de sua própria invigilância. este irmão não se furtava com facilidade à terrível influência de seu perseguidor que. Seja qual for.. Algo então aconteceu de estranho e curioso. interferem de maneira sutil. Ele hesitou um instante e depois agarrou-a fortemente. que os coloca em condições de ajustarem-se fluídicamente. para eles. a própria lei de causa e efeito. Para esta aceitação. nos recessos da afinidade profunda”. Pediu- me a mão. Através da minha mão. num intercâmbio vibratório. O Espírito culpado. também. que instaura o processo do domínio. Parou. ou seja. vingança e morte... que é a da aceitação pelo “sujet”. por algum tempo. algures neste livro. Certa vez. sugerindo- lhe idéias de ódio. à desencarnação. com o médium coberto de suor. ainda encarnada. sem parar. como ainda. manipulam com extrema habilidade os dispositivos da culpa e da cobrança. falando continuamente.. E assim por diante. mas eficaz. Temos presenciado alguns casos dramáticos. cede e entrega-se.. vemos que há uma condição básica.. pois conseguíramos que ele dissesse que amava a mãe e não que a odiava. tentava induzi- lo a arrastar toda a sua família. ele recebeu . Com isto se afinizam com ele (ou ela). nesse campo. convencido dessa culpabilidade. ele era impedido de ouvir as observações do doutrinador. respiração opressa e acelerada. em nossa presença. aquele companheiro desencarnado que. lançando as bases de induções preliminares. a serem desenvolvidas depois.

que estava sendo atendido. sobre os quais já falei neste livro. Outro que tentava me dominar por meio de passes magnéticos. que neutralizava todo o seu trabalho junto a mim. E é pela magnetização (passes) positiva que se torna possível restituir-lhes a condição normal. o próprio médium que o recebeu — um dos nossos queridos companheiros. Como que pensando alto. o rei poderoso a que se refere a Bíblia? Conta-nos o Livro Sagrado que ele viveu. um irmão transviado. profundo conhecedor do assunto. Talvez algo temeroso. acima de tudo.. — “Temos aqui — escreve André Luiz. mas evidentemente também com respeito. e por mais esforço que fizesse. inclusive com a outra mão tentando desprender seus dedos. ele nos dizia que sabia o que os nossos amigos estavam fazendo. evidentemente uma descarga magnética. sentindo-se animal. para o bem. Trouxera os seus instrumentos e as substâncias necessárias. segundo nos informou. tomando-se por base. 121 uma espécie de choque elétrico. Isto o impressionou de tal forma que. de técnica superior à dele. que o atingiu na altura do plexo cardíaco. para a investigação dos médicos encarnados. de “o homem da mão” . em “Libertação” —a génese dos fenômenos de licantropia. O hipnotismo é tão velho quanto o mundo e é recurso empregado pelos bons e pelos maus. Lembras-te de Nabucodono sor. A certa altura. os elementos plásticos do perispírito.” (Destaques meus. mas nada podia contra eles. inextricáveis. só a muito custo libertou-se do laço magnético. durante sete anos. da próxima vez que compareceu. como casos de zoantropia.. Procedimentos magnéticos são também usados para reduzir seres gravemente endívidados a condições de extrema e aviltante deformação perispiritual. depois da sessão. começou a chamar-me.) . percebeu a presença daqueles que nos defendiam. pensou em retirar logo a sua mão e não o conseguia! Embora ele é que segurasse a minha mão. Certa ocasião. e não eu a dele. utilizando-se. com ironia. ainda. tinha atrás de si. também se utilizava de processos de magnetismo e magia contra o grupo. por certo.

que são usadas à falta de outras. preferentemente. os Espíritos deveriam ser assemelhados? Disse-me ele. optam pelo aprimoramento de alguns aspectos espirituais em que este jam particularmente interessados. Ao responderem à . na esperança de alcançar uma visão mais clara de suas dificuldades. sendo. dado a gestos de coragem física. que odeiam? Sim. talvez sejam convenientes algumas observações de caráter doutrinário. ampliar um pouco mais a questão. de “O Livro dos Espíritos”. 122 23 MULHERES O trabalho mediúnico oferece insuspeitadas condições de aprendizado. ao recato. nesses dramas que se desenrolam entre os dois mundos? Há mulheres obsessoras? Há mulheres que se vingam. portanto. Tentemos. Como a perfeição deverá resultar. ou melhor. lhes proporciona provações e deveres especiais e. aceitam condições que lhes facultam desenvolvimento de certas faculdades. * Antes de prosseguir. alcançando o ponto desejado. um ou outro sexo. A contínua observação desse vaivém de companheiros desencarnados. ensejo de ganharem experiência. até que. constituem experiência inesquecível para aqueles que. renascendo continuamente como homem ou mulher. o poder do passe. Certa vez. que. Assim é. Cada sessão traz as suas surpresas. como Espíritos. o Espírito encarnado como homem. o desfile trágico de problemas. do desenvolvimento harmonioso de todas as faculdades possíveis ao ser humano. na sua estrutura psíquica. conservam características em comum. um dia. mas que costuma escolher. a força irresistível do amor. Visto que lhes cumpre progredir em tudo. em diferentes existências. dores e ódios. porque não têm sexo. Aquele que só como homem encarnasse só saberia o que sabem os homens. ao se reencarnarem. entregam-se a essas tarefas redentoras. as maravilhas da prece. Por que isso. Kardec escreveu o seguinte: “Os Espíritos encarnam como homens ou como mulheres. não tendo sexo.) Ao comentar as respostas. mais acessível à emoção e aos sentimentos. é natural que este tenha que ir por etapas. O homem é mais agressivo. cada sexo. Que papel representam as mulheres. ao longo dos anos. não são muito precisas as expressões Espírito feminino e Espírito masculino.” Dessa forma. A questão é bem mais complexa do que parece à superfície. como cada posição social. angústias. que perseguem. Uma pergunta poderá ser colocada agora. coerente com os postulados doutrinários. daquele que se encarna como mulher. com isso. em detrimento de outras. menos sentimental. mas em número bem mais reduzido que os homens. possa encetar outras realizações. cultivando-as em buques. O Espiritismo ensina que o Espírito não tem sexo. realmente. à renúncia. perguntei a um amigo espiritual por que difere tanto. (Questões números 200 a 202. mas. não obstante. podendo encarnar-se como homem ou como mulher. se. cada manifestação suas lições e ensinamentos. ao passo que a mulher inclina -se mais à compassividade.

Ao declararem que o sexo depende da organização. em resposta à pergunta número 30: “Há órgãos no corpo espiritual?” (1). capítulo 1 — “Ciências Fundamentais: Biologia”. da grande maioria dos que habitam aquela colônia. pois fica contida nos limites extremos da organização perispiritual. por conseguinte. esses instrutores. que sim. nada de materialidade e. as quais. Quando a direção da colônia tomou providências mais enérgicas para coibir os abusos. bebidas excitantes. em virtude da condição perispiritual.” Certamente que sentiram.. 123 pergunta formulada por Kardec (Têm sexos os Espíritos?). ainda. se enquadram nas indispensáveis provações ou testemunhos de cada individuo”. Muitos dos recém-chegados da carne “duplicavam exigências”. a questão alimentar era muito séria ali na colônia. Isto é confirmado pelos relatos mediúnicos. “dilatando velhos vícios terrenos”. . a Doutrina nos ensina. estabeleceu-se um comércio clandestino com os representantes das trevas que. partilham do corpo físico pelo núcleo da célula em que se mantêm. 4ª edição. mas baseados na concordância dos sentimentos. e prossegue acrescentando que tal exteriorização “subordina (-se) aos imperativos da matéria mais grosseira. profundamente impreg (1) “O Consolador”. de aprofundar mais a questão. capitulo 6º. 3ª edição. alhures. os instrutores informaram o seguinte: “Não como o entendeis. Para não alongar demais esta digressão. no mecanismo das heranças celulares.” (Destaques meus. agindo. regressem ao mundo póstumo. ainda bastante densa. pois o corpo físico “e uma exteriorização aproximada do corpo perispiritual”. que não era tempo. Foram implantadas severas medidas de correção e reajuste. perispírito e corpo físico. como sempre. mas os alimentos não foram totalmente abolidos. pois que os sexos dependem da organização. e do corpo espiritual pelo citoplasma em que se implantam. pela desencarnação. de sensações e necessidades bem semelhantes às que experimentava na carne. FEB. com uma pesada carga fluídica. sob o título “Problema da alimentação”. que os seres que trazem o perispírito ainda espesso. Queriam mesas lautas. Há entre eles amor e simpatia. representado pelo Espírito imortal. sendo a série André Luiz bastante rica em informações desse tipo. deixaram bem entendido que a diferenciação sexual não alcança o núcleo da individualidade. utilizavam-se desse lamentável inter- câmbio como instrumento de infiltração e assalto à vasta organização regeneradora intitulada “Nosso Lar”. Por outro lado. que o ser encarnado resulta de um “arranjo” entre três componentes distintos: espírito.) É bastante compreensível. De fato. sugiro a releitura do capítulo 99 de “Nosso Lar”. estruturados em grânulos infinitesimais de natureza fisiopsicossomática. através das brechas que as nossas paixões inferiores lhes abrem. Informa Lísias que. Essa interdependência entre corpo físico e perispírito é acentuada por André Luiz (2) ao declarar que: “Os cromossomos. por sua vez. pois. (2) Evolução em dois Mundos”. página 50. Emmanuel informa. há cerca de um século. mas disseram o bastante para compreendermos alguns pontos essenciais.

por isso. apenas a lembrança de uma experiência valiosa que. o que exige longos períodos de reparação. junto com a sutili zação progressiva do Espírito. em faixas desarmonizadas. Assim. chegado à condição de pureza. perseguem.) Não resta dúvida. sentindo e agindo como tais. mais adiante: “Convictos desta realidade universal (a aquisição gradativa das virtudes) não podemos esquecer que nenhuma exteriorização do instinto sexual na Terra. entre eles. “jóias”. . mancomunados aos seus comparsas das sombras. que o sexo persiste no mundo póstumo. será destruida. Prestam serviços tene brosos junto a companheiros encarnados. levando para o Além as suas frustrações. porém. lhe serviu de degrau para a sua escalada. da mesma forma que os problemas alimentares. tombam em situações calamitosas no mundo póstumo. senão transmudada no estado de sublimação. A sublimação há de marchar.” (Destaques meus. que lhes asseguram uma “boa vida” de prazeres e proteção contra a dor que as espera fatalmente. Despendemos grande quantidade de energias. onde se consorciam com outros seres igualmente desarvorados. — “Entre os casais mais espiritualizados — informa Laura a André —. rancorosos e violentos.” E. a troco de favores.” “Inútil é supor — diz um elevado instrutor (1) — que a morte física ofereça solução pacífica aos espíritos em extremo desequilíbrio. qualquer que seja sua forma de expressão.) Portanto. o carinho e a confiança. pois que. o sexo será. no imenso laboratório da vida. mesmo para aqueles Espíritos mais esclarecidos. para o Espírito. ainda que mais humildes. É necessário renovar provisões de força. suas ânsias. em “Nosso Lar”. Exercem seus poderes de sedução sobre outros seres. poderemos responder que. em que se debatem. que as dispensam quase por completo. Espíritos que passaram por experiências no sexo feminino também odeiam. até que seja subli mado. mas.” (Destaques meus. reduzida. para o reencontro. para darem prosseguimento ao exercício das paixões incontroladas. a alimentação com substâ ncias concentradas é ainda indispensável. Somente os mais purificados conseguem libertar-se dos apelos da carne. continuam mulheres. lá na frente. simplesmente porque se deu a desencarnação. obsidiam. nossas refeições aqui são muito mais agradáveis que na Terra. Alguns são mesmo particularmente agressivos. que entregam o corpo aos desregramentos passionais. os de sexo não ficam totalmente eliminados por um passe de mágica. É que. Nesse estado. portanto. Há residências. entre outras. um dia. Espíritos enredados nas tramas da sensualidade. por Espíritos credenciados. nossas perguntas iniciais. fatalmente. nas zonas do Ministério do Auxílio. recaem. 124 No capítulo 18 dessa mesma obra. A loucura. infelizmente. “sapatos” e “perfumes”. tendo em vista os serviços pesados que as circunstâncias impõem. Laura informa que: — “Afinal. seus desvios. ganham “vestimentas”. do estudo doutrinário e das observações colhidas. Retomando. a realização transitória. a dedicação e o entendimento mútuos permanecem muito acima da união física. que se entregam a tarefas redentoras. não podemos prescindir dos concentrados fluídicos. não procede de simples modificações do cérebro: dimana da desassociação dos centros perispiriticos.

Quando lhe formulo questão mais complexa. comparece aos nossos trabalhos mediúnicos. Do mundo espiritual. De outras vezes. mas se mostra visivelmente transtornada. noutro ponto deste livro. perde a calma. Ainda muito condescendente. a juntar minhas coisas e partir enquanto é tempo. Seria apenas a antecipação do que. tentando destruir um lar. Por fim. sob a alegação de que. Já há algum tempo vinha tentando induzir um dos componentes do grupo a uma atitude extremamente arriscada. Informa que “trabalha” junto a casais e que seu objetivo é libertar a mulher. envolvente e doce. grávida e na vergonha. dementadas. pára a exposição para rir. também. esguia. o caso da irmã que se empenhava em perturbar uma família. segundo o Espírito. apresentando-se ante seus olhos espirituais. Não haveria culpa alguma. Vimos. que a incentivava. em andrajos imundos. aconselha -me. desculpa-se. O caso era apresentado de maneira sutil. ou durante o desdobramento do sono natural. Localizando-o como encarnado. felizes e livres para gozar a vida. tentando — e conseguindo — induzi-lo a erros bastante sérios. abandona a atitude de inconseqüente e . sorri. desengonçado e ridículo. Tivemos o caso de uma jovem que se suicidara por uma paixão desvairada. sugerem-me que lhe pergunte por que fugiu de um certo castelo inglês. perambulando. feio. Conhecia-me apenas de nome e a realidade não confere com a imagem que formulou a respeito da minha aparência. unhas muito polidas. Diz-se muito bela. Trata-me com condescendência e superiori dade. muito divertida da situação. inteligente. cordial. De vez em quando. apresentava-se bem vestida. Finalmente. Temos tido algumas experiências com espíritos femininos. capitulo 11 — “Sexo”. Esquiva -se habilmente às perguntas. por vales de sombras espessas. teleguiada por hábeis indutores. quando aquele a quem amava abandonou-a. reduzidas à condição mais abjeta. aquela pobre companheira. que transviava um homem encarnado e era recompensada com festas. em encarnação anterior. provavelmente no confessionário. Conta casos. Em certa oportunidade compareceu uma bem mais difícil. Acha-me. Tem a voz suave. vestidos bonitos e prazeres. numa antiga encarnação na Escócia. da responsabilidade. pois deixa entrever que se decepcionou profundamente comigo. muito segura. Era “físicamente” simpática. Ri-se. são escravizadas. como se fosse a coisa mais natural do mundo. “absolvendo-a”. FEB. desgastadas pelo sofrimento. 125 (1) “No Mundo Maior”. faz gestos graciosos e parece imensamente segura de si mesma. e seviciadas. ela também fora traída. portanto. perseguia-o. inteligente e tranqüila. provavelmente. Ela continua a negacear. até que. porque é a favorita. em cumprimento a “ordens superiores”. para que todas sejam como ela. para o que contava com o apoio de um sacerdote desencarnado. estava já programado para mais tarde. tenham um impulso de arrependimento que lhes possibilite o socorro de que tanto necessitam. 5ª edIção. Já lembrei. Outra — fora irmã de caridade — atormentava uma criatura encarnada. bem-cuidada. Diz que no mundo em que vive é muito poderosa. sem preconceitos. dizendo que é uma mulher e não é dada à Filosofia. pois não tenho a menor idéia do que estou fazendo e onde estou me metendo. sorridente. elegante. e a isentava de culpa. como amiga. Várias vezes tentou influenciar o nosso companheiro. educada.

suportar a lembrança das suas próprias atrocidades. pois muitas vezes deve ter presenciado esse momento dramático. para que ela pudesse. Diz-lhe que está à sua espera e ri.. é mera criação de sua mente. as suas recordações e. se sente prisioneira numa ilha sinistra. maliciosamente. chamando-a de assassina. empenhada em fascinar criaturas encarnadas e desencarnadas. no entanto. a pobre e querida irmã. Também é das que se dizem atraentes e sedutoras. Vai logo dizendo. esperava. Declara-se muito sutil e por isso é destacada para missões delicadas. por meio de imagens vivas. mas ela está bem preparada para o confronto. Até aqui — o trabalho todo durou cerca de uma hora — o tempo foi aplicado em tatear a sua personalidade e os seus problemas. sem se perturbar e perder o “equilíbrio”. Não queria filhos. em outros Espíritos endívidados. Ainda se fossem outras conversas. já dispomos de alguns elementos mais concretos. Ela ainda consegue dizer que seu ventre secou e. ante o desespero em que ela se precipita. detesta aquele vestido vermelho. Elà pressente as dores que a esperam. enquanto revê as cenas. de que tanto se orgulha. para me provar que não tenho razão. e me volto para ela. muito sorridente. e não um desenxabido senhor de cabeça a branquear. mas.) Respondo-lhe que tentou também queimar as pontes para o futuro e. de quem ela matou todos os filhos recém-nascidos e os enterrou no jardim. Presa aos seus condicionamentos. Nesse ponto. Agora. Está igualmente preparada para esse encontro. a serviço dos seus mandantes. entre dentes. 126 superior condescendência. porque eles “deformam o corpo”. como favorita de um poderoso líder das trevas. de início. e começa a temer o momento fatal em que terá de deixar o médium para enfrentar a nova realidade que se pastou diante dela subitamente. dize ndo que não adianta mostrar-lhe nada. que eu fosse jovem e belo. principalmente. estando. no entanto. tudo aquilo lhe fora mostrado em retrospecto. a fim de obter informações. por isso. Seu ex-marido incorpora-se em outro médiuni e atira-lhe impropérios. por fim. . para ajudá-la a enfrentar o seu problema. ao mesmo tempo em que suas roupas apresentam-se sujas e em frangalhos. Poucas semanas depois deste caso. desprende-se com enorme sofrimento para o médium. vê junto dela um Espírito de aparência agressiva e pejado de vibrações desarmonizadas. tentando acalmá-lo. por certo. Agora. que sua beleza física. por certo. Digo- lhe. está aparentemente segura e coretinua a rir-se de tudo. de prazer insano. começa nela um fulminante processo de envelhecimento. De repente. É chegado o momento de começar realmente o processo de doutrinação. que não consegue trocar. obviamente. não resiste muito tempo e entra em crise dolorosa. não inesperadamente. Na organização em que vive. o seu futuro.1º burned all the bridges behind me. que ficou com os resíduos da sua profunda e dolorosa angústia. e ordena-me autoritariamente que me sente. que não venha com as minhas conversas macias. para permanecer junto do médium que a recebe. É uma longa e penosa agonia! Sente as mãos sujas de sangue. Ela me responde em perfeito inglês: . tivemos outra manifestação de Espírito feminino. Dirijo a ele algumas palavras. (Queimei todas as pontes por que passei. Pede um espelho. É um antigo esposo. A despeito do seu preparo. numa emergência como esta. mal pode esconder seu desapontamento. em filme. Teria descoberto que o pobre doutrinador é muito amado e teve o desejo de conhecê-lo pessoalmente. o que não quero fazer.. não obstante. diz.

127 Digo-lhe que realmente sou um velho sem graça e quando lhe pergunto se ela é jovem. tão violentas e agressivas como os homens. Sente-se muito emocionada ante o carinho e o respeito com que a tratamos. A conversa prolonga-se aparentemente sem rumo. me ajude! Houve. e tenta confundi-la. Vê. perguntou se eu ainda dispunha de tempo para atendê-lo. As vezes. . mas. não. Ela deixa cair todas as guardas e me conta que é uma infeliz: foi explorada pelos homens aqui. mas poderíamos conversar na oportunidade seguinte. repetindo uma pequena prece que lhe sugiro: — Jesus. Ela teme seus verdugos e está apavorada ante as perspectivas de ser arrastada por eles. em outro médium. e ela parte. O companheiro que se incorporou em outro médium. Sente-se muito desconcertada e arrependida de ter-me tratado como tratou. não. que precisava ser obedecida. digo-lhe que ela acaba de me dar o mais lindo presente: seu coração. a chorar às escondidas. neste caso. viu-a em pranto. necessário trazê-lo novamente ao grupo. mas é a fase em que são colhidas as informações de que necessitamos para o trabalho real de doutrinação. Vive num verdadeiro campo de concentração. infelizmente. de início. para ameaçá-la. nossos mentores disseram-nos que ele havia sido doutrinado no mundo espiritual mesmo. como depois apuramos. A uma outra pergunta minha. numa crise emocionante. para consolá-la de dores que me havia confiado. Diz que sim. mas um dos emissários da sua tene brosa organização está presente. socorrida. ela me interrompe para afirmar que não teve a intenção de me ofender: Como estou. não sendo. Ela protesta. e que se esclarecera. permitindo que fosse. Peço- lhe que siga a moça. Havia sido incumbida de uma tarefa. diante da sua vítima em perspectiva. (Estava presente também quando telefonei para essa amiga encarnada. responde corretamente que o Espírito não tem idade.) Aproveito para dizer-lhe que foi aquele momento de compaixão. o que não é verdade. ao deixar o médium. ela se debruça sobre a mesa. elas são obsessoras implacáveis. dizendo que voltaria. que a salvou. por- tanto. junto à esposa de alguém que estávamos interessados em ajudar. declara que vive no céu. em pranto. Respondi-lhe que. Quando lhe digo que tenho idade para ser seu pai. em suas atividades. ao seu lado. comemorando 56 anos de idade. dizendo que a moça que a espera também é deles. com o que ele concordou. alegando que eu oro demais e. com outras criaturas infelizes. por sua vez. porém. precisamente naquela noite. * São essas algumas experiências com Espíritos ditos femininos. que veio recebê-la. à irmã atendida semanas antes e que descobrimos ter sido uma duquesa — foi protegida. No decorrer da semana. se diz cansada e confessa que até aos meus prejudicou bastante. ao chegar junto a essa pobre senhora. Enquanto “ela” estava lá — refere-se. na carne. e continua a ser explorada do lado de lá. uma jovem pacificada e tranqüila. Pergunto se ela confia em mim. agora. depois. Depois de reunidos os elementos que me parecem suficientes. porque tínhamos uma disciplina de trabalho. dolorosa. proponho -me a orar. Sinto por ela uma infinita e paternal ternura e lhe falo com muito carinho. mal me levanto. um pós-escrito. Teve pena dela e ficou sem coragem de exe- cutar friamente o seu mandato. pois o céu é um estado de espírito e ela é muito feliz.

que guardaram ternuras profundas. mas quase sempre já mais avançadas no caminho da pacificação. . reagem como seres humanos. que se trans viara lamentavelmente. em relação aos Espíritos masculinos e. ou. filhas. alimentadas em esperanças que nunca se apagaram. Matilde desce aos subterrâneos da dor. em trabalhos mediúnicos. decididamente. em resgates dolorosos. porque mais sensíveis ao apelo da ternura. do respeito à sua condição feminina. nas suas paixões e no desejo insaciável de vingança. 128 tão irracionais quanto eles. Um destes casos. intensamente dramático. por isso mesmo. está relatado por André Luiz. e é com o seu amor apenas — e é tudo! — que enfrenta a sua cólera. às vezes. mais cedo ou mais tarde. ainda que estejam transitoria- mente numa posição de aviltamento. para resgatar o seu amado Gregório. porém. nem mesmo esmoreceram. Comparecem. às vibrações da nossa afeição. irmãs. talvez. esposas. São velhos e seculares amores: mães. O mais comum. ainda enoveladas. Algumas encontram-se de há muito revestidas de luz e harmonia. elas próprias. em “Libertação”. mais abertas ao entendimento e predispostas ao despertamento. numa cena inesquecível. é encontrar mulheres que vêm recolher nos seus braços amorosos os companheiros recém-despertos. da emoção. respondendo. mas são estatisticamente em número reduzido. Ao sentirem que são tratadas como seres humanos.

129 TERCEIRA PARTE O CAMPO DE TRABALHO .

ao contrário. pressionado ou sustentado por ela.. que ele odeia porque ainda ama. ele subsiste. que traiu ou abandonou. porque em termos de relacionamento homem/mulher. etimologicamente. e nos confundimos nela e com ela. porque a amamos. Para desfazer esse clima de crepúsculo. mesmo quando. Ela nos afeta. que o dinheiro ou o poder nos sejam arrebatados. porque nos recusa. com menor dificuldade. fixa-o ainda mais. como dizia Paulo aos Coríntios. ou seja. o filho. ocasionalmente. luz e sombra. ainda que pouco percebida: o amor. ou alçado aos píncaros da felicidade e da paz. o amor frustrado. e. o dinheiro. No momento em que conseguimos convencer o companheiro desencarnado. compreendendo que essa é uma verdade com a qual ele ainda não havia atinado. a posição social. O trabalho de desobsessão não deve ignorar essa realidade. encarnado ou desencarnado. que se atormentam mutuamente. desliga-se do objeto de sua dor. Estejamos certos. nos desprezou. nos traiu. também ao vingador. criando uma opressiva atmosfera de penumbra. Cedo compreende que não vale a pena perder seu tempo. num sentido ou noutro. Por mais estranho que pareça. que o filho nos rejeite. o esposo. porque é comum tocarem-se os extremos. de uma realidade indisputável. muitas vezes. percebemos que amor e ódio são duas faces de uma só realidade. a fim de separá-los. que o santifica. na qual perdemos a visão dos caminhos e o senso da direção. o poder. soterrado no rancor e na vingança. que o esmaga. ajudar os Irmãos. e angustiar-se no doloroso processo de vingar- se. dado que — e isto também pode parecer contraditório — não podemos ignorar o fato de que a vingança impõe. ele começa a recuperar-se. O que acontece éque temos em nós todos o instinto egoísta — e quase todos os instintos são egoístas — de conservar a posse total do objeto de nossa preferência ou afeição: a esposa. É oportuno lembrar que emoção. o ódio é. Passamos imediatamente a odiar os que nos privaram da posse daquilo que amamos ou valorizamos. o rancor contra a amada. a colocarem um ponto final nas suas angústias. Aquele que deixou de amar é porque não amou bastante e. é que mantém acesa a chamazinha da esperança. para isso. Suponhamos que a esposa nos traia. vive no clima da emoção. Esse deslocamento o conduz a extremos de paixão. parece não existir em nós. renasce. ou o amado. penosas vibrações de sofrimento. muitas vezes. Mesmo envo lvido. o processo da desobsessão se desencadeia. caminhando para as trevas de sofrimentos inenarráveis ou subindo para os planos superiores da realização pessoal. sobrevive. está ali. ou a culminâncias de devotamento. segundo ele se deixe dominar pelo ódio ou se entregue ao amor. por amor. é preciso ajudá- lo a identificar bem seus sentimentos. confunde-se em nós a realidade ódio/amor. o Espírito se desloca.. Com isto. em estágios ainda inferiores da evolução. mover. de maneira paradoxal. que em determinado ponto absorveram-se uma na outra. não acaba nunca. quer dizer ato de deslocar. Arrastado pela emoção. levado por ela às furnas mais profundas da dor e da revolta . Odiamos aquela criatura exatamente porque parece que ela não quer o nosso amor. O ódio não o exclui. em crise. que agonia e desorienta o Espírito. . 130 24 O PROBLEMA O ser humano. e é lembrando esse aspecto que conseguimos. Freqüentemente. às vezes.

Afinal de contas. já em pranto. muito chocada. por doce constrangimento. a princípio timidamente. fazia parte de nosso grupo e ela ainda trazia em seu coração um rancor que 130 anos não conseguiram extinguir. expurgado da paixão que fora a sua perda. onde vi veram momentos de intensa felicidade e enlevo. não pensara noutra coisa. recolhida ao mundo espiritual. Reencontrou-se ela. com todo o vigor antigo. Visitava eu a família. minha querida. Renasceu. ele tentou dialogar com ela. De outras vezes. ora encarnado. era a retomada da trilha evolutiva. Uma bela criança. falando entre lágrimas: — Quando vai terminar esta farsa? Pacientemente. semana após semana. vivi uma das mais belas e comovedoras emoções da minha experiência no trato com os Espíritos. E ela. 131 Vários casos assim temos encontrado na experiência de nossos grupos. E por mais de um século. Tudo foi tentado pelos nossos queridos amigos espirituais. na Europa. Levaram-na a um encontro com ele desdobrado pelo sono — a um local. bastante pacificado e dedicado ao trabalho construtivo. pois ele também dispunha de excelentes faculdades mediúnicas. Começou a ceder. achara que não valera a pena o seu sacrifício e que ele não dera valor às suas renúncias e nem as merecera. Nossos benfeitores. tão verídica e dramática quanto a própria vida. Certa vez. através do médium. que suas lágrimas também são uma farsa? Estava chegando ao fim de sua longa e penosa agonia Íntima. nos seus esforços. graças a esse episódio. teve um final emocionante e. e depois. mas a experiência foi negativa. Agora. sentindo que começava a ceder aos argumentos ou aos sentimentos de afeição que colhia no grupo. o doutrinador. tive oportunidade de vê-la. com outra filha — esta reencarnada — à qual se dirigia com carinho e afeição. Quando ela percebeu que falava por seu intermédio. encontrava em si mesma todas as justificativas para continuar agindo daquela maneira. como podiam. Ajudavam. à medida em que o amor reacendia a sua chama. Logo aos primeiros meses de sua nova existência. Esta história. Seu antigo companheiro. de elevada posição social. a perspectiva de novas experiências redentoras: a querida irmãzinha preparava-se para reencarnar-se. também. o doutrinador lhe devolveu a pergunta com outra: — Você acha. O Espírito manifestante era de uma mulher. trouxeram-na de volta. objeto de seus ran- cores. ligaram-na com o próprio companheiro. inteligente. os benfeitores espirituais. Um desses foi comovente. Acabou por reconciliar-se com o seu antigo amado. Certa vez. em lar feliz e equilibrado. perfeitamente reconciliada com a vida e com o amor. pois a sua palavra parecia exacerbar o rancor que a infelicitava. e rompera com todas as convenções da época para segui-lo. Certa noite. . Ela era muito brilhante e estava muito magoada: tinha respostas oportunas. Nada. mas agora purificado. O drama e a dor estavam encerrados. irredutível. Esse drama durou meses. em lugar de ligá-la ao seu médium ha bitual. Foi muito difícil o diálogo com ela. Foi-nos permitido identificá-la na nova encarnação que se iniciava sob tão belos auspícios e tão gratas alegrias para todos aqueles que a amavam. revoltada. Ela veio indignada. encontros com um fi lho que o casal tivera naquela ocasião e que se encontrava também no mundo espiritual. Fora muito bela. reti rou-se prontamente. ela desligou-se subitamente do médium. ela veio apenas para despedir-se. por mais de um século! Promoveram.

como um anjo que era. Nossos erros são cometidos contra a lei divina. que mereceu também a bênção do reencontro e da reconciliação. Em seguida. objetivam-se. cometeu faltas idênticas contra o próximo. Quase sempre se esquece o vingador de que ele próprio desencadeou o mecanismo do resgate quando. não são os seus próprios enganos. para que sejais filhos de vosso Pai celestial. Isto é válido também — e como! — para a maneira pela qual recebemos nossos irmãos em desajuste e com eles dialogamos. e dormiu ainda alguns segundos. por certo — é um ensina mento do mais elevado valor prático. A mãe acendeu a luz. Deixaremos para debater esse aspecto mais adiante. segundo nossas próprias reações. do que enfrentarmos a dura realidade de que a causa está em nós mesmos e que o ser a quem perseguimos foi apenas o infeliz instrumento da lei. Depois. adormeceu novamente. quando cuidarmos das . hoje. o poder. Seus olhinhos exprimiam felicidade e amor. ou se dilui.. atravessa os séculos e os milênios.. Se deixamos de odiar e passamos a orar por aquele que nos atormenta. sempre observadas atentamente pelos nossos cobradores... O rancor que sentem por nós sobrexiste. Isto é uma realidade terrível. sob meus protestos. que identificamos como causadora de nossa derrota. (1) Orar por aqueles que nos perseguem não é apenas um preceito evangélico teórico — e já seria muito. e é mais fácil lutarmos e tentarmos destruir uma pessoa. em trabalhos de desobsessão. mas indelével. de suas frustrações. 132 e a jovem mãe me chamou para ver a criança. é aquele que ali está. contemplou-me — seu antigo doutrinador. ante os companheiros com os quais nos desentendemos no passado. Nunca será suficientemente enfatizada a importância deste conceito. amigo. que faz brilhar o seu sol sobre os maus e sobre os bons e chover sobre os justos e os injustos. Pois vos digo: Amai os vossos inimigos e rogai pelos que vos perseguem. o dinheiro ou o amor. Sem dúvida alguma. que multidões de sofredores ignoram. libertamos pelo menos dois seres: a nós e a ele. Sua expressão me dizia. persiste. * A coisa não é tão fácil quando o Espírito desajustado persegue aquele que o fez perder a posição. está reabrindo o ciclo da dor. mas ela continuou dormindo. com quem sustentou batalhas impetuosas — e me deu o prêmio inesperado de um belissimo sorriso. Sua revolta e sua angústia como que se perso- nalizam. Entramos no quarto em que ela dormia profundamente. Era linda. pois temia que ela acordasse. o amor transcendental da neta muito querida pelo avô. é preciso deixar a ela o trabalho de reajuste. Na confusão em que se envolve. fica estimulado. Senti naquele sorriso a mensagem da paz e da gratidão. encarnado ou desencarnado. em vez de fechá-lo com o perdão. na linguagem inarticulada da emoção: — Ah! É você? Eu já estou aqui. o ódio que nos votam sustenta-se. o culpado de sua queda. Mais uma vez é preciso lembrar aqui a técnica desobsessiva que o Cristo nos ensinou: “Ouvistes dizer: Amai vosso próximo e odiai vosso inimigo. Aquele que assume a posição de tomar a justiça divina em suas mãos. Seu antigo companheiro recebe dela. abriu os olhinhos. o amor também renascera com ela. além de outros que possam estar comprometidos no processo. em passado esquecido. lamentavelmente. Se os odiamos também.

por isso. que a expressão era forçada. pois. Mais adiante. experimentado nas lides espíritas. Neste caso. onde melhor poderia alcançar seus propósitos. A Bíblia de Jerusalém esclarece. Como me mantinha sereno e imperturbável. Esclarece. estudaremos um caso destes. ao meu lado. Neste ponto. senão da profunda emoção e gratidão pela sua resposta ao sentimento da fraternidade? O doutrinador tem que estar. com voz emocionada. entre muitos. Que me restava dizer a ele. em nota de rodapé. 19:18. também de irritação. de onde foi extraída a citação. 133 técnicas e recursos sugeridos para o trabalho. O companheiro manifestou-se impetuoso e logo revelou-se indignado porque não conseguiu despertar em mim uma reação idêntica à sua. berrou-lhe. para que se criasse o clima da desavença que pensam convir-lhes. porém jamais reconheceriam isso. porém. e que acumulou. Estão. em tom e em palavras que nunca mais me esquecerei: — Não precisa armar-se. insistir e repetir: os Espíritos em (1) Mateus. por causa da pobreza da língua. era ódio. seria inimigo. dessa curiosa posição espiritual. para as quais o doutrinador tem que estar preparado. mas ainda não convencido. profundamente irritado com o desajustado Espírito manifestante. ele se esvaziou pouco a pouco do seu ímpeto e partiu.. talvez pensando em descobrir um método qualquer de me irritar. tudo o que não pudesse ser considerado amor. Convém. Lembro-me de um exemplo. tanto para o que persegue. 5:43-45. não tinha uma expressão correta para descrever o sentimento que não seria nem amor. O vocabulário da época. . pois não consta de Levíticos. Isto vale.. Na semana seguinte deu-se a coisa mais linda. algo desapontado. quanto para o perseguido. no auge da desarmonização: — Materializa -te. para não deixar envolver- se pelo rancor que o Espírito traz em si. repetindo enganos e desenganos. extenso rol de casos curiosos. todo aquele que não fosse amigo. que a expressão odiai vosso inimigo não se encontra no texto da lei. ou seja. estado de perturbação avaliam as nossas emoções e não as nossas palavras. nem ódio. Se no debate opusermos nossa irritação à deles. Você já me ganhou. a tarefa assume implicações de natureza muito pessoal. muito atento. a fim de arrastar-me para a sua faixa vibratória. Um confrade. no entanto. o que é verdadeiro. De certa forma. basta extrair da situação um ensinamento extremamente precioso e que nunca deve ser esquecido: o de que o arrependimento e o remorso também devem ser construtivos. essa pobreza semántica perdura. ao que se depreende. Uma simples frase dessas descreve um mundo de emoções e de decisões que um livro não poderia conter. ao longo dos anos. que quero te dar uma bofetada! * A situação é consideravelmente mais difícil quando o doutri nador defronta- se com seu próprio obsessor. no fundo. nada conseguiremos senão confirmá-los nos erros em que se enquistaram através do tempo. Incorporou-se ao seu médium. nem indiferença e. ansiosos de que os convençamos de seu erro. olhou-me e disse. contou-me que um doutri nador desavisado.

Sim. pois é exatamente este sentimento que lhe dá os primeiros recursos para livrar-se da dor. pois. e entrega-se ao remorso desenfreado. O erro vem de muito longe. vai continuar paralisado pelo remorso. ou obsidiado. — Paga a tua dívida! — gritou certo companheiro desarvorado. Está cansado. apenas o véu do esquecimento o protege. Temos tido oportunidade de presenciar arrependimentos dramáticos. Por outro lado. século após século. Digamos que ele tenha sido assassinado. porque um dos grandes infelizes é ele próprio. encerrar o processo da vingança. enquanto exercia elevada posição de mando. pois é da natureza do ódio jamais satisfazer-se em si mesmo. pois. Toda a sua cólera. Ele não quer saber que anteriormente. merece todos os castigos e punições. ele próprio cometeu faltas muito mais terríveis do que aquela que pretendeu cobrar. como um rei. uma flor belíssima. portanto. Pode ele. em tais circunstâncias. e deve ser muito grave. Como Espírito. que estava parado na estrada da evolução. expomo-nos. O remorso é. colocamo-nos em posições nas quais não podemos sequer ser ajudados. porque o mesmo sentimento de remorso que o levou a merecer ajuda. Além do mais. naquela vida ou em outra. a causa anterior que determinou o efeito da sua dor. se não for canalizado para fins construtivos. mas não podemos per- mitir que o nosso arrependimento alimente indefinidamente o seu rancor. cons ciente ou não. Se ele tem oportunidade. a nosso turno. aquele severo perseguidor resolva. de muitos e pontiagudos espinhos. estamos arrependidos do erro cometido contra o irmão. de lembranças extremamente dolorosas. à cobrança. É certo que ele ignora. no passado. senão ele. como a todos nós. num diálogo. dificulta a libertação de seu próprio Espírito e do de seu verdugo. A situação é. De outro lado. É preciso estudá-lo. ele não o ignora. 134 Tentemos explicar este delicadíssimo mecanismo. porque o arrependimento serve dupla-mente. ainda. ele mesmo praticou falta semelhante e agora recebe a visita inevitável da lei. ao errarmos. ele sabe também que. Sem arrependimento. de conhecer a razão de sua obsessão. porém. Ele persegue e vinga-se de alguém implacavelmente. pagar como? Que entenderia ele por pagar a dívida? Certamente que . remota ou não. Imaginemos um Espírito desencarnado. ele não pode ignorar o arrependimento. tratá-lo com serenidade. ou. no mundo das trevas. aliás. pode retê-lo à mercê do seu perseguidor. Nem sempre ele sabe por que sofre os rigores da vingança. muito complexa e delicada. vejamos o perseguido. mostrando-lhe que o remorso deve ser construtivo. como para estimular a cobrança. o seu obsessor. afinal. que ele se esforça: manter a sua vítima sempre lembrada do erro. chegou à conclusão de que não vale a pena continuar. É nisso. envolvido num tene broso processo de obsessão. se concentra naquele que provocou a sua desencarnação. mais grave ainda. tanto para fazê-la sofrer. descobriu que. o que. equilíbrio e humildade. em nome de um Deus em que ele mesmo não acreditava. que se eterniza. desesperados. É o momento de ajudá-lo a construir algo com os salvados de sua tragédia. que ao cabo de uma feliz doutrinação. que não temos condição de suportar com a nossa consciência de vigília. num ódio que parece não ter fim e que nunca chega à saciedade. na sua maneira de pensar. por alguém. para que ele sofra daquela maneira. Mas. Ele só sabe que aquele miserável o matou e. por exemplo. mas ele desconhece as causas da sua dor e nem sequer tem oportunidade de enfrentar. ou déspota medieval. dá-lhe o “direito” de punir e de vingar-se. descer a abismos de autocomiseração e dor. Suponhamos.

Ainda voltaremos a este tema. . É uma situação extremamente critica e delicada. que contém outras implicações e conotações de grande interesse para o trabalho de doutrinação. 135 com a dor que resgata e com o arrependimento que nos retém preso a ela.

Entre nós. como simples anões espirituais. “pois o que se exalta será humilhado e o que se humilha será exaltado. e o que manda. Em outra oportunidade. Nessa invertida escala de valores. Confundimos. o exercício do poder com a grandeza. que leva uma existência a serviço do próximo. Um Espírito disse-me certa vez em que dialogávamos: — Sempre fui grande! Em termos humanos. desde remotíssimos tempos. que não tínhamos noção real do conceito de grandeza: “Em verdade vos digo que não há. mesmo que do lado negativo da ética. contudo.” Em Lucas (22:24-27) o texto é ainda mais explícito: “Entre eles. assim. sutilmente. quantas vezes. mas não assim. 23:11. temos nos deixado levar pela perigosa ilusão de que somos grandes. É um grande criminoso aquele que mata com requintes de crueldade uma pessoa ou duas. que ampliaram os poderes materiais da organização. houve também uma discussão sobre quem parecia ser o maior. passa despercebida. Ele mesmo. que os parâmetros humanos de aferição da grandeza são inaceitáveis em termos espirituais. Mas. confirmava-se como simples servidor. sim. fora grande. Jesus confirmou e ampliou o seu pensamento.” Vemos. somente porque dispomos de autoridade incontestada. Porque quem é o maior. freqüente mente. desde o antigo Egito até à Europa moderna. têm o seu núcleo principal na terrível paixão pelo poder. senão que o maior entre vós seja como o menor. quer sua obra seja construtiva ou desagregadora. mas o de servir ao semelhante. o que está à mesa ou o que serve? Não é o que está à mesa? Pois eu estou entre vós como aquele que serve!” Portanto. a cometer tremendos enganos. É grande o que disputou e conquistou a sangue e fogo posições de mando e governou multidões com pulso de ferro. ignorada e até desprezada. amorosa. tudo o que sobreleva à mediocridade dos nossos horizontes torna-se grande. Os sinais exteriores do poder nada dizem sobre o gabarito moral do Espírito que os detém. São grandes os “príncipes” da Igreja. entre vós. mas é um grande guerreiro aquele que mata milhares. que tudo -avaliamos segundo a insignificância de nossas medidas. maior do que João Batista. utilizando-se de sua impecável didática. Isto nos induz a colocar sob suspeita nossos critérios usuais de avaliação da grandeza. pois eles nos têm levado. segundo Mateus. E muitos de nós. ao longo do tempo. cuja verdadeira grandeza era impossível de ser ocultada. 136 25 O PODER Muitos dramas. como a que nos demonstrar. entre os nascidos de mulher. o que é realmente a grandeza? “O maior dentre vós seja vosso servidor” — disse o Cristo. Ele lhes disse: Os reis das nações governam como senhores absolutos e os que exercem autoridade sobre elas se fazem chamar benfeitores. em renúncias ocultas e no silêncio do anonimato. mas. igual ao que serve. o menor no Reino dos Céus é maior do que ele. a criatura evangelizada. o conceito de grandeza formulado pelo Cristo não foi o de servir às nossas paixões. não temos subido as escadarias do poder? O pior. cujos vagalhões vêm rebentar em nossas mesas de trabalho mediúnico. É grande o escritor que obteve muito sucesso literário. no . no passado e no presente. serena.

. que se apresentou como líder religioso. Mas. que se utilizam deles para oprimir e es- palhar a desarmonia por toda parte. assessores de confiança. É por isso. que chega às fronteiras da “divinização”. que pensais hoje de tudo isso?” — “Que tenho direito. contanto que lhes sejam conferidos os sinais externos do poder. está em agarrarem-Se te nazmente ao poder. no entanto. 137 entanto. é que o vírus do poder nos contamina. Segunda Parte. Que se enviem escravas. os séquitos. o trato é difícil. me disse: — Meu Imperador é Fulano — e disse o nome de alguém que. porque sabem muito bem que. quando se encontram privados daquilo que constitui o próprio ar que respiram. ex-rainha da França.. em condições melho res do que a da infeliz rainha indiana. parece-me que pouco se preocupam com a minha pessoa. Épreciso compreendê-los. A decepção de alguns desses Espíritos é terrível.. a única saída possível. também. os que se revezam nos postos de mando. para me servirem!.) — “Vós. (“O Céu e o Inferno”. que . e lá se juntam às organizações trevosas. Como vão deixar o poder? Entregá-lo a quem? E por quê? Como irão viver sem as pompas.” E depois: — “Tendes inveja da liberdade de que gozam as européias?” — “Que poderia importar-me tal liberdade? Servem-nas. montando e dirigindo terríveis organizações especializa das no crime espiritual. Eles se prestam a isso. a viver fora desse clima.” — “A vossa hierarquia terrestre concorreu para que tivésseis outra mais elevada nesse mundo em que ora estais?” — “Continuo a ser rainha.. alguém que fora obscuro servidor da sua corte e de quem agora ela dependia para ser ajudada. Muitos são. permanecem ao abrigo dos olhares amargurados de antigos amores. e a infecção instala-se em nós. pela reencarnação de resgate? O único jeito. em tempos idos. Kardec nos preservou a comunicação de uma rainha indiana de Ouda. aqui e lá. e não devemos alimentar esperanças de rápidas e radicais conversações. aqui. as expedições. de joelhos?” Outra grande dama. as insígnias. os tronos.. acaso. Dificilmente comparecem aos trabalhos de doutrinação os verdadeiros chefes dessas organizações.. no próprio contexto em que vivem. a paixão invencível do mando. encontrou em elevada posição. as ordens. enquanto permanecerem ligados àquelas tenebrosas estruturas. pelo sofrimento anônimo.. sou sempre a mesma. Enquanto estão ali. que o tempo não apagou. eu. para o mundo espiritual.. as verdadeiras campanhas que desencadeiam contra aqueles que consideram seus irredutíveis adversários? Como voltar a ser um simples e endívidado Espírito.. comandou exércitos e povos. que vivestes nos esplendores do luxo. estão adiando o momento do encontro consigo mesmos. despojado de suas próprias “defesas”? Sim. que exercem com a sensibilidade anestesiada. Por que trocar a glória. não sei.. no mundo espiritual. ainda. Contudo. com suas mazelas. cercada de honras. por séculos e séculos. bem como o comando de vastas organizações opressoras. seus remorsos. suas consciências. Mesmo com os chefes menores. Espíritos atingidos por esse deslumbramento lamentável arrastam consigo. Vêm geralmente seus emissários mais credenciados.. capítulo VIL. os planejamentos. pois não aprenderam.. Um deles. seus destacados líderes.

. da compaixão. Enquanto estiverem no exercício do poder estarão ao abrigo da dor maior. 138 se recusam terminantemente a um diálogo que possa arrastá-los para a faixa da emoção. de enfrentarem a si mesmos. da sentimentalidade. É mais fácil enfrentar a dor dos outros. da brandura.

Cabe-lhe fazer com que a lei seja cum prida. É uma afirmativa desesperada. ri. lá mesmo. propõe. muito vivo e inteligente. como prisioneiro. Fez com alguns companheiros encarnados um pacto. no mundo espiritual. Não só isso. mas vai aos poucos cedendo. Vimos como se entrelaçam. necessitado de socorro urgente e de passes restauradores. A essa altura. em tempos passados. Sente-se nele a evidente satisfação consigo mesmo. Muitos são os que nos visitam. devo-lhe algo muito sério. fingindo ser um pobre enforcado. pois lhe arrebatei alguém que estava destinado a ficar também. no caso da rainha indiana. Ele os ajuda a conquistarem uma fatia de domínio.. por fim. inclusive o meu envolvimento. Tem ali muitos prisioneiros. Quanto a mim. bem como os que alardeiam conhecimentos intelectuais estupendos. enquanto um súbito e estranho processo de envelhecimento destrói-lhe as belas feições. A vaidade se apresenta sob muitos aspectos e é claro que nem sempre está associada ao exercício do poder. confessa que seu ódio “perdeu a força”. Retoma o diálogo irônico. e enquanto entra em crise. por sua vez. mantos. fora seu escravo. Ao apresentar-se. são seus próprios crimes. arrancada do fundo de si mesmo. Ao perceber que não conseguiu iludir-nos. jóias. respondo-me. Depois. Às vezes. brilhante e poderoso. com elo gios e lisonja. Revela -se um dos magistrados do Espaço. Sempre fora importante. indignado. É o senhor daquela região (o médium havia sido levado. e que chicoteou. irracionais e tolas. antecipa minha resposta: — “Sei que você vai dizer que o amor não é uma arma. e à sua obra sinistra. dizendo que estamos ficando muito sabidos e perigosos. e também o do orgulho. as vestimentas. por desprendimento). numa autopunição inevitável. com aquilo que faz. Ouve choro de crianças (te-las-ia sacrificado?) e. os que ostentam condecorações... Quando comparece da segunda vez. também não tenho autoridade para fazer acordos. limita-se aos cuidados com a aparência “física”. Não é ele quem retém seus prisioneiros. Coitado! Como é difícil cair do pedestal. poderoso. Fale com meus superiores. nas sessões mediúnicas. E. em troca de uma condição: devo “depor as minhas armas”. Tudo ele tenta. pois vê sua beleza física desmoronar-se lentamente. a alegria quase infantil com que contempla a si mesmo. ele que é um “deus”. Volta a dizer que é belo. e não . também a mim. no lado de cá da vida. 139 26 VAIDADE E ORGULHO Muito ligado ao problema do poder está o da vaidade. falou imediatamente sobre si mesmo: era belo. Poder versus poder. Não está acostumado a resistências assim. uma barganha: libertará aqueles em quem estou interessado. inteligente. séquitos de servidores e acólitos. “divino — Você me vê? — pergunta-me. Há os que se julgam muito belos (ou belas). ou à inteligência. envolvente. em seus tenebrosos domínios. Um desses foi enfático. em nossa presença. e eles lhe dão. a parte que lhe toca. Dirigia uma organização que mantinha Espíritos aprisionados sob as mais abjetas condições do submundo das dores. e eles querem ficar lá. desapontado.. faz uma cena. o pior lhe acontece. em estado de exaltação vaidosa. guardados por um velho que. perde a paciência. mas.

Acabamos. Alguns nos invocam a velha fórmula: — Você sabe com quem está falando? Comandam vastas instituições do terror. descobrindo as fontes ocultas de seu fanatismo religioso: em tempos idos. Um deles me disse que acreditava em Deus: — O fato de eu existir — afirmou —. ou assaz rancorosos e agressivos. trâns fugas miseráveis. coitados! Que olímpica indignação! Um destes me conheceu em antiga encarnação. e vem sempre associado à vaidade ou ao poder. quanto ao Cristo. não o teríamos tratado daquela forma. Demonstrada. condescendendo em conversar conosco. demoníaca. como o Espiritismo? Que pompa. muito brilhantes e cultos. Às vezes são. Num “flash” de inspiração. ambos. com o objetivo de obter a condenação do doutrinador. onde fôramos adversários. prova que alguém me criou. a crise começou a precipitar-se nele. Era ele mesmo. chocado com o tratamento que haviamos dispensado ao seu “chefe”. Outro companheiro. através de suas próprias palavras. Que prazer sentem em oprimir e dominar! Que orgulho pelas po- sições que ocupam. durante a Reforma Protestante. que comparecem tremendamente enfatuados. porque. as demais vaidades também entraram em colapso. a insuficiência da vaidade física. conquistadas com dores e sofrimentos infligidos ao semelhante! Vivem.. literalmente. Alguns crêem-se realmente divinizados e onipotentes. * Quanto ao orgulho. a ele próprio. em pedestais. Mas. traidores vis. pois. Apresentam-se aparentemente tranqüilos e seguros. no campo teológico. visita-nos com igual freqüência. Ele era muito importante mesmo: — Ah! se você soubesse quem é ele.. E os antigos “Príncipes” da Igreja. até mesmo algo assustado. 140 deve ter sido fácil para ele reconhecê-lo. encontrarão seus próprios fantasmas. ele fora um daqueles que apedrejaram Estevão. ou a ambos. manifestou-se irritado. artificiosos no raciocínio envolvente. na formulação de perguntas embaraçosas. se o fizerem. envolvidos com uma doutrina maléfica. suas angústias pessoais.. identifiquei-o pelo nome. que eram grandiosos. do contrário. pois estou familiarizado com as minúcias da história da Reforma. fora um fraco. a partir do momento em que deixou de ser belo. de fato. suas culpas. dizendo-nos que nem fazíamos idéia de quem era ele. através de outro médium. hábeis manipuladores do método socrático.. contanto que Ele não interferisse com seus planos. dos quais nem pensam em descer. Nada tinha contra Ele. .

quando chegar. para eles também. cada um toma o caminho que lhe impõem os seus fantasmas interiores. essencial mesmo. ou o que seja. guardam todas. padrões. a sua individualidade e as suas surpresas. e cada uma delas. Não sei como explicar esse jogo. os impulsos. Sabem de suas responsabilidades. pelo cruel e desumano processo de acostumar-se à fria conte mplação da dor alheia. No fundo. o que os espera um dia. agredindo. justificar. das suas angústias e frustrações. perante sua própria consciência. das suas próprias dores. maltratando. Temos que nos aproximar deles com sentimento de amor fraterno e de compreensão. Em suma: há certas constantes que se repetem. mantendo certa autonomia. Fogem de si mesmos. É preciso entendê-los bem. para aquele que precisa. ao longo dos anos. que constituem modelos. que se cristalizam. em cada uma delas. ocultar-se de si mesmo. para perseguir aquele que o . e eles os réprobos perdidos em seus crimes. as motivações. num conceito amplo de determinismo difuso. Defendem-se da dor. Sejam quais forem as justificativas que invoquem para as suas atitudes — quando as apresentam — o mecanismo é sempre o mesmo: procuram esquecer seus próprios crimes e aflições. como se fôssemos os redimidos. enquanto podem. esses refúgios. dentro delas. dentro dos quais a individualidade de cada um se preserva. e imaginam. Por outro lado. para sempre. que espalham a dor. adiar o encontro com a verdade. Vamos a alguns exemplos. repetem- se os gestos. mas que saberão “ser homens”. a cobrança! Enquanto não chega. No entanto. anestesiar-se na insensibilidade. e não é impenetrável aos fluídos sutis do amor. mas. Temos de entender que estão em fuga. Quantos deles nos têm dito que sabem muito bem disso. quando “caírem”. ele sente forças. Tentam cicatrizar suas próprias feridas abrindo ferimentos em outros corações. 141 27 PROCESSOS DE FUGA A contínua observação desses métodos. mas não ignorá-las para sempre. Uma das constantes. Enquanto o perseguidor estiver “esquecido” das origens de sua verdadeira dor. que dominam. não com nojo. Parece que as posições são basicamente as mesmas. Não são seres desprezíveis. Essa é a doutrina da fuga. No caso. quem foge precisa de esconderijos para ocultar-se. Ë como se. com bastante precisão. vai desenhando para nós um perfil mais nítido dos segredos e mistérios do transviamento moral. O principal deles talvez seja o esquecimento do passado. que merecem o santo horror e a condenação eterna. uma vingança impiedosa. em si mesmo. eles agissem dentro de um amplo raio de livre escolha. A couraça de que se revestem émais frágil do que parece. as palavras. por exemplo. entre o inédito e o esperado. buscando apoio nas organizações a que pertencem. que tenhamos de abandonar à sua própria sorte. é a fuga. São muitos. pois essa é a lei a que se apegam: a lei da solidariedade incondicional. Este recurso é básico. Não são monstros irrecuperáveis. As atitudes agrupam-se e. Por isso mesmo é que resistem. atacando. que os protege mutuamente do dia do despertamento. sabem que podem somente adiar o reencontro com as suas realidades interiores. identificadas nesses Espíritos que perseguem. que se prolonga no tempo e vara séculos ou milênios. prosseguem suas tarefas abomináveis.

mesmo assim. Amava a glória e o poder. que sempre foi bom e correto. Há os que se prendem aos conceitos teológicos. mas não buscam os esconderijos habituais. muitas vezes. 142 feriu. É vítima “ino- cente” de um crime inominável. Ao fim de longa conversa. na sua aparente tranqüilidade. a ele. De outras vezes. que se apoiam em fantásticas teologias. O diálogo prossegue. Quantos deles temos encontrado nas tarefas mediúnicas! Lembro-me de um. O que importa é o que fazem no momento.. seja a disputa de maiores fatias de poder. nas trevas. É claro que se vê naquilo que chama sua própria “câmara”. nem isso basta. Isto éparticularmente válido para os antigos sacerdotes. causou dor semelhante a alguém. sejam as campanhas mais amplas. levou-o ao crime. prosseguem na fria execução de seus planos medonhos. Apresenta-se aparentemente muito humilde e manso. ao suicídio. acima de tudo. vivem a salvo das suas próprias dores. a posição que lhe convinha aos propósitos pessoais. Ocupara. O esquecimento o ajuda a manter acesa a chama rubra do ódio e. em particular. em que emprestam sua colaboração à organização a que pertencem. enquanto ele permanece escondido na sua mansidão aparente. conhecem bem o passado e. através de várias encarnações infelizes. por sua vez. através de uma longa e tenebrosa experiência espiritual. a da vingança. irá descobrir que sofreu aquele ferimento exatamente porque. É a segunda vez. portanto. Montara sua própria organização. Responsabili dades. que há séculos vêm os dois disputando. no próprio Evangelho do Cristo. sua perplexidade é enorme. em que ele se mantém ameaçador. de certa forma. faltando. em cada vida. A imaginação de cada um cria seu próprio mecanismo de fuga. mas as ameaças mais claras começam a filtrar-se: não nos deixará sair dali. e sim o atordoamento da ação. difícil. Aos poucos. aquela mesma mulher. Isso lhes agrada. Quer saber o que desejamos dele. pois tem seus auxiliares para contactos e execução dos planos. Se um dia ele descobre. à miséria. por exemplo. conseguimos . porque a entrevista lhe foi solicitada por pessoas que ele respeita e admira. também os protege. e. organizando planos tenebrosos e os levando a efeito. embora certamente o saiba. seja a vingança. Um deles confessou-me que conhecia bem o seu passado. Informa-me que “consentiu em receber-nos na sua câmara”. alheios aos seus dramas e desesperos. para servirem aos seus propósitos. e em textos escolhidos com extremo cui dado. que nenhum mal fez a ninguém. em muitos anos.. à ponta de punhal. E daí? Outros dizem que não se importam com o resgate. que concorda em tratar diretamente com alguém. assim. ao seu preté rito. Se ele voltar sobre seus passos. pois são muitos os que. e que. quase sempre no lado errado da vida. Enquanto estão atordoados. à lei universal da fraternidade. tranqüilo. o impacto dessa lembrança é suficiente para sacudi-lo fora de seu esconderijo psicológico e recolocá-lo na trilha evolutiva da recuperação interior. Estes também estão em fuga. nossos benfeitores revelam-nos que se trata de um antigo franciscano extraviado. espezinhou a sua honra. claro que tinha muitas. depois de desfi gurá-los e corrompê-los. antes. pois dignou-se a conceder-nos a entrevista. A desesperada atividade mantém-nos. É isso que desejam fazer. Aquele miserável roubou-lhe a mulher. sem saber do que se trata.

estamos a caminho de poder ajudá-los a libertar-se da dor. De algum modo. Deixo abertas as opções mencionadas. é uma só: esconder-se das próprias angústias. mas isto será revelado — dizem — quando a Igreja for restabelecida em toda a sua glória. os Espíritos iluminados podem descer. o que seria inadmissível. incorporado no médium. no cômodo em que realizamos os trabalhos mediúnicos. vigilantes. frágil e desarticulada. Frequentemente. temos presenciado esse fenômeno do deslocamento de médiuns. Ao passo que eles não têm condições de peso específico para subir às regiões da luz a fim de promover distúrbios e “conquistas”. A finalidade. a fim de tentar o resgate de companheiros que já ofe reçam um mínimo de condições para ser ajudados. cada um constrói o seu esconderijo. especulativamente. de um Cristo que pretendem colocar a serviço de suas paixões subalternas e de um Evangelho que somente citam naquilo que lhes convém. em suas furnas escuras. aos antros da angústia. e o fazem com freqüência. Enfim. inventa suas defesas. pois. poderia julgar-se recebendo-nos em sua “câmara”? Os nossos mentores não nos explicaram o ocorrido. não teriam jamais a oportunidade de se libertarem de sua condição tão dolorosa. ao contrário. . mas. vão ao encontro do Espírito que os nossos mentores desejam pôr em contacto conosco. em nome de um Deus que não amam. recursos e intenções. Às vezes o esconderijo é a cultura intelectual. mas creio que não seria fantasioso admitir. até o “local”. nem a comunicabilidade dos Espíritos. Qual teria sido o mecanismo do fenômeno. Os indícios precisos eles mesmos no -los fornecem. Se o fossem. sob a proteção do Alto. porém. aquele irmão deve ter sido preparado e condicionado de tal forma. sacrificialmente. desdobrados do corpo físico. mesmo deslocado. segundo suas Inclinações. em nosso grupo sentia-se ainda em toda a segurança do seu reduto. que. Por mais defendidos que se julguem encontrar esses companheiros desarvorados. É preciso estarmos atentos. que. não são invulneráveis à misericórdia divina. precisam de um inteligente mecanismo de fuga. pelos trabalhadores do Cristo. nem por isso. bastante inteligente. nem a sobrevivência. sendo eles inteli gentes. É possível também — e esta seria uma forma alternativa de considerar o caso — que o nosso médium tenha realmente sido desdobrado. ou seja. cujo conhecimento ainda nos escapa. com as interpretações que lhes interessam. com as suas pouco ve ladas ameaças. nesse caso. * São muitos os que falam em nome de uma fé que não possuem mais. Um dia saberemos o suficiente para entender melhor essa extraordinária faculdade que é a mediunidade. quando voltar a dominar. Inventam brilhantes sofismas e adestram-se em uma dialética deformada. 143 despertá-lo para a realidade que ele tanto teme enfrentar. e de lá transmitido a mensagem que nos possibilitou o diálogo. Constroem seus próprios sistemas. Quando descobrimos suas motivações. que se poderia chamar de “inversão de local”? Como e por que o Espírito. bem como outras que não me tenham ocorrido. a velha e segura técnica da hipnose. como ins trumento de suas ambições. Não negam a reencarnação. no qual condescendia generosamente em receber-nos.

144 pacientes e prontos a servi-los naquilo que lhes convém aos Espíritos atormentados. . e não naquilo que possa estimular-lhes as paixões abrasadoras.

flexível. onde estiverem. Espíritos longamente experimentados no mal. aqui. mas segura impunidade em que continuam a viver. nas mãos de alguns líderes. é preciso não cometer o trágico engano de subestimá- las. no trato com seus representantes. pois. As equipes orientadas por esses dedicados trabalhadores anônimos do mundo superior manter-se-ão equilibradas. não podemos esquecer-nos de que precisamos manter nossa própria organização disciplinada. sustentam-se aqui e lá. nossos irmãos desarvorados. e o compromisso de apoio e solidariedade irrestritos. no exercício do poder. Sua liderança revelou-se na ação. Foram concebidas e são operadas por inteligências privilegiadas. como signatários de pactos de vida e morte. enquanto por aqui se encontram. ainda que não o seja em objetivos e métodos. escolhidos por um processo impiedoso de seleção natural. O problema de lidar com elas é. de tanto ouvi-los falar delas. em termos huma- nos. sejam quais forem as condições. para manter-se no poder. com as inúmeras peças do gigantesco “puzzle”. mas porque precisam uns dos outros. Dominam pelo terror que inspiram em toda parte. da parte dos que ficam no mundo espiritual. Tentemos estudá-las mais de perto. MÉTODOS. 145 28 AS ORGANIZAÇÕES: ESTRUTURA. . se- gundo seus próprios recursos e possibilidades. para interpretá-las corretamente e pô-las em prática. em termos de estrutura e disciplina. e a provisória. sobre as organizações do submundo da dor e do desespero. no desempenho de tarefas redentoras do bem. Se o grupo conta com a colaboração de companheiros experientes. à medida que conseguimos passar pelas preliminares. e as tarefas de maior responsabilidade vão sendo trazidas. de menor envergadura. Muitos deles. pois é exatamente isso que desejam e a que se acostumaram. nos deixemos dominar pelo pavor. É claro que jamais nos trouxeram. estaremos correndo riscos imprevisíveis. Quando se reencarnam. em benefício de nós mesmos. em que se revezam encarnados e desencarnados. sempre que se portarem com prudência e sabedoria. porque a “do outro lado” é tão boa ou melhor do que a nossa. E nunca é demais repetir: não o faça quem não esteja suficientemente apoiado por Espíritos esclarecidos. mas limitam-se a nos aconselhar e esclarecer. quando retornam aos seus domínios. atenta. ajustada. em postos subalternos. creio possível montar. não porque se estimem. trazem programas muito bem elaborados. devotados ao bem e experimentados nesses trabalhos. As instituições das trevas são estruturadas numa rígida concentração do poder. e. mas. com segurança. num princípio que tem muito mais de autodefesa do que de fidelidade. um quadro inteligível desse tenebroso painel de desespero e aflição. São fiéis uns aos outros. Em primeiro lugar. eles saberão dosar o trabalho. nos meandros do sofisma. Isto não significa que. se cairmos nessa faixa. que obtêm. Se nos sairmos bem das tarefas iniciais e passarmos nos testes a que somos submetidos. os esquemas e organogramas de suas instituições. Elas são realmente temíveis. ÉTICA. ou confirmou-se através de séculos e séculos. HIERARQUIA E DISCIPLiNA Muito temos falado. extremamente complexo. Assim se explicam os êxitos. Como esses abnegados companheiros não impõem condições. é preciso estarmos atentos às suas sugestões e observações.

agora. com a sua decepcionada hostilidade. ante aqueles Espíritos que levara ao trans viamento. A estrutura administrativa dessas instituições está preparada para aceitar tal flexibilidade. abandonam-nos à sua própria sorte. passou uma semana a estudar diferentes grupos mediúnicos. em nosso afeto. que o desejam de volta e ameaçam arrebatá-lo a qualquer preço. a resguardar. durante os desprendimentos parciais. Quando conseguimos colher. Sua frase final foi de uma beleza transcen- dental: — Farei com as minhas lágrimas um rosário para oferecer a Jesus. a fim de decidir onde levar seus companheiros. Podemos contar. Mesmo assim. quando não procuram voltar contra eles todo o poderio da própria instituição que antes eles comandavam. usar dessa mesma influência para reencaminhá-los ao bem. Ao que depreendemos da conversa com ele. e. e se tenha tornado praticamente insubstituível.. estava disposto a ajudá-los. logo. com manifestações de indigna dos e agressivos assessores seus. como ele. Sua sinceridade era evidente. Nenhuma esperança tinha ele — acertadamente — em grupos cujos componentes apresentavam-se com mazelas semelhantes à dos Espíritos que precisavam de tratamento. Uma vez convencidos a mudar de rumo. ou que o arrasam. Confessou-nos que não vira condições suficientes nos grupos que visitara. no mundo do crime. sem prejuízo para as suas tarefas. de sua orientação. Ao que tudo indica. Eles confiavam no seu antigo chefe. podem voltar sobre seus passos e tentar convencer seus antigos comparsas. até mesmo enquanto na carne. pois há interesses poderosíssimos a proteger e personagens muito destacadas. * . Competia-lhe. por maiores que sejam as atrocidades que cometem. quando o seu chefe supremo é convertido ao bem. A não ser que o líder esteja colocado em posição muito elevada. sentiu todo o peso de sua responsabilidade. de sua palavra. Elas não podem falhar e. mas muito realista. doutrinados e des- pertados.. Assim. e sua franqueza rude. E também não é sempre que esses líderes. Um desses lideres portou-se com dignidade impressionante. Dependiam dele. hipocrisia. dificilmente a instituição é desmantelada. para que fossem. Verificada. provocados pelo sono. na máquina do poder. pelos seus ex-amigos. especialmente quando são figuras importantes. como homens. falta de fraternidade. exatamente porque confiavam nele é que foram levados ao extremo de cometerem crimes terríveis. mesmo convertidos. há uma verdadeira celeuma na retaguarda. caem em desgraça ante seus companheiros. e continuam a exercer a parcela de autoridade de que dispõem entre eles. a organização sobrevive naqueles que o substituem. mantêm-Se em contacto íntimo e permanente com seus comparsas do Além. Convencido a abandonar suas tarefas tenebrosas. por isso. pois não teria paz enquanto não conseguisse recuperá-los também. rivalidades. a impossibilidade de “salvá-los”. O primeiro impulso destes é resgatá-los. São muitos os dramas e as manobras dessa hora decisiva. um desses poderosos companheiros extraviados. realizando contactos. mas precisavam de ser convencidos. 146 após a desencarnação. na sessão seguinte. há sempre alguém em condições de suprir uma ausência ocasional ou definitiva.

grandes ou pequenas. porém. produzem o terror e a opressão. quando se trata de organização de menor porte. pois. que podem causar consideráveis trans tornos. sermões. seus executores. se assim o permitirmos. guardas. empregando milhares de servidores. Sejam. quase sempre. seus planei adores. desarticule -se. pois as estruturas resistem. E qua ndo os grupos de socorro espiritual começam a interferir em seus trabalhos. organizações menores filiam-se às maiores. e dispõem de planos alternativos. endurecidos na prática do mal. porque os objetivos. porém. porque as mais vastas. dispõem de tropas de choque. para um trabalho de saneamento. Têm seus chefes. ou muito se assemelham os métodos de ação. e têm delas supervisão e proteção. condecoram e distribuem prêmios aos que se destacam por trabalhos de especial relevância. No primeiro caso. ritos. porém. Estão preparadas para isso. É preciso enfrentá -los com paciente firmeza e confiança nos poderes que nos sustentam. Só que. Não podemos abrir brechas em nossa vigilância. como as sociedades anônimas da Terra. para emergências. os benfeitores espirituais valem-se do momento de crise. pois. têm condições de tentar ajudar os que ficaram. concilios. em vez de visarem a atividades industriais ou comerciais. Promulgam leis. porque penetrarão. Nada os detém. punem os indisciplinados. devem estar bem preparados para enfrentá-los. elas se aconchegam umas às outras e desenvolvem planos combinados de ataque. operários. ainda que ocasional e temporário. desde que os fins a que visam sejam alcançados. inflexível. Nada de ilusões. e tudo se lhes permite. Seus métodos são os do terror pela violência. movimentam documentação. com o fim de produzirem lucro. sobrevivem a essas crises. uma vez convertidos. Muitas vezes. Promovem reuniões. ainda que seus líderes as abandonem. seria permitido pela própria estrutura e pelos métodos da organização a que pertenceram por longo tempo. porque não lhes. 147 Há. que resolvem organizar um grupo mediúnico de desobsessão. sua incontestável hierarquia apóia-se num regime disciplinar implàcável. seus organogramas são tão bem planei ados e implementados como os de uma empresa. a desobediência. que pode abalar seriamente as instituições e até mesmo neutralizá-las. sem nenhuma cerimônia. de vez que nada lhes é sagrado. aqueles que. o deslize. “armadas” e bem adestradas. tudo é permitido. Em casos excepcionais. são os mesmos. e lutam pelo poder e por aquilo que entendem como glória pessoal. é possível admitir que a instituição se desfaça. a revolta. pelas portas das nossas fraquezas. Conservam registros meticulosos. Aqueles. exposições. rígido. debates. . conferências. Sua ética é governada pela total ausência de escrúpulo. utilizam-se de aparelhos. e há aqueles que não podem sequer pensar nisso. Não se tolera a falta.

148 QUARTA PARTE TÉCNICAS E RECURSOS .

que cada manifestação é diferente. O médium é um ser humano ultra-sensível. que problemas nos traz. também. mas. quais são suas características. como um microscópio ou um relógio. 149 29 TÉCNICAS E RECURSOS Dissemos alhures. Além do mais. mas está muito longe de ser mero aparelho mecânico de comunicação. que há diferentes formas de mediunidade: de incorporação. para sentir o quanto essas duas manifestações diferem uma da outra. o manifestante assumiria posse total do seu organismo e faria com ele o que bem entendesse. a própria mediunidade não é um instrumento de precisão. Ao escrever isso. dar murros. neste livro. no estado de inconsciência. segundo os recursos e censuras que encontrarem em seus médiuns. O máximo que se pode dizer é que a consciência não está presente no corpo físico. Se o médium mergulhasse. ou totalmente sem disciplina. para cedê-lo ao manifestante. e promover distúrbios semelhantes. fazendo-o gritar. Por outro lado. basta invocar esta. melhor ainda. A mediunidade sonambúlica assemelha-se ao estado de possessão. rasgar livros e cadernos. da sua confiança nos companheiros que o cercam e. repetidamente. do ambiente. muito embora se fale em sintonia e em vibrações. durante as quais os Espíritos incorporados movimentam o instrumento mediúnico aparentemente à sua vontade. com ele. de vi dência. da sua fé ou ausência dela. E mesmo estes. Devo abrir um parêntese. não apenas os guias espirituais do grupo estarão atentos. temporariamente ocupado ou ma- nipulado por entidade estranha à sua economia. no dirigente do grupo e. psicografia. quando a ele nos refe rimos. do seu interesse no trabalho. da sua problemática íntima. não se mani festa através do corpo material. pois muitos Espíritos necessitam ser ligados a tais médiuns. mas não nos esqueçamos de que. Eles provocarão distúrbios e agitar-se-ão bastante. especialmente. mas o médium não é um possesso. Suas faculdades sofrem influências várias. qual a razão de sua presença entre nós. para que eles . tudo quanto entender. pois oferece condições para que outro Espírito se incorpore nele. de maneira previsível e controlável. que funcione. as intenções do Espírito que se aproxima. do seu estado de saúde. obvia- mente. e médiuns que passam ao que se convencionou chamar de estado “inconsciente”. Nunca sabemos. segundo suas próprias disposições. clariaudiência. em Espírito. a mediunidade sonambúlica pode e deve funcionar perfeitamente. como um telefone ou um rádio. dos Espíritos manifestantes. assim como há médiuns que conservam sua consciência durante a manifestação. e muito livres. de psicologia complexa. ao certo. que são também seres humanos — não nos esqueçamos disto — variam suas apresentações. O possesso é realmente um médium. simplesmente porque se afastou do seu corpo físico. a qualquer momento e sem limite de tempo. O Espírito do médium não está em estado de inconsciência. no sentido de que o manifestante possa fazer. ou. ou psicofônica. de uma para outra manifestação. da sua capacidade de concentração. julgo inadequada a expressão “mediunidade incons ciente”. não estou esquecido do fato de que há manifestações violentas. para reiterar uma antiga opinião: de minha parte. levantar-se. incumbido de transmitir o pensamento de um desencarnado. é preciso considerar. que pode flutuar. derrubar móveis. Num grupo mediúnico em que a supervisão espiritual seja firme e segura.

embora não dotados de mediunidade ostensiva. acompanhando atentamente a manifestação. o que. interferir. agitar ligeiramente a cabeça ou o corpo. É preciso. aqui. para que o Espírito manifestante não se exèeda. sensação de angústia indefinível e. o médium sofre inevitável mal-estar físico. o Espírito começa logo a falar. . os companheiros desencarnados doentes. Geralmente. em que o Espírito é virtualmente “manietado”. com certeza. Esteja ou não esteja o Espírito ligado ao médium antes da sessão. infelizmente. respirar com maior profundidade. saudando-o com atenção. tenha ou não mediunidade ostensiva. o Espírito manifestante é parcialmente ligado ao médium. porque acham. implacável. embora a manifestação não se torne ostensiva. é verdadeiro. o doutrinador deve aproveitar esses momentos para uma palavra de boas-vindas. ainda que lhe permitindo considerável faixa de liberdade. não se apavore. voltemos ao fio da exposição. 150 não cometam desatinos. para conter as manifestações mais violentas. acabam com o grupo. afastá-lo do trabalho. quando o Espírito começa a acomodar-se à organização mediúnica. agressividade e vários outros sintomas de desarmonização psicossomática. ou seja. não tema e. sobretudo. O doutrinador experiente saberá identificar prontamente os primeiros sinais da incorporação. assim. Elas são imprevisíveis e inesperadas. por causa dessas dissonâncias psicofísicas. é certo que o planejamento espiritual já tem as tarefas da noite distribuídas por antecipação. mas. não deixe de comparecer ao trabalho. pressão sobre a nuca. estado febril. perfeitamente preparado para inúmeras formas de manifestação. sofrem também terríveis pressões dos irmãos perturbados. Nestes casos. O cerco em torno dele é permanente. duas ou três vezes. numa sematologia que o doutri nador. ele precisa de alguns segundos para apossar-se dos controles psíquicos do médium. freqüentemente. e na seqüência que julgar mais conveniente ao bom andamento dos trabalhos. Um dos alvos prediletos dessas penosas aproximações é o doutri nador. Às vezes. a fim de iniciar o tratamento do irmão que se apresenta. pois é isso mesmo que desejam os companheiros desequilibrados. para indicar o início da comunicação: colocar as mãos sobre a mesa. antes da sessão. O médium experimentado e res- ponsável deve estar preparado para isso. Não se assuste. gemer. levantar os braços. saberá identificar. que o neutralizando. mas de realidade indiscutível para ele. usualmente. porque o imobiliza instantaneamente. e pode. Já tivemos oportunidade de presenciar alguns desses casos. irritabilidade. impiedoso. e não consegue falar senão depois de se ter acomodado bem à organização do seu instrumento. como o próprio médium estará presente e consciente. muitas vezes. * Mas. lembrar que. horas. até mesmo. quando se trata de um Espírito desarmonizado. dor de cabeça. e até dias inteiros. ou a esbravejar. por laços fluídicos invisíveis aos nossos olhos. prostração. O grupo deve estar. Em casos extremos os orientadores espirituais do grupo também adotarão medidas de exceção. sobre os plexos. Esse envolvimento pode dar-se também com os demais participantes do grupo que. tenaz. habituado a trabalhar com ele. porque isto implicaria admitir mediunidade totalmente descontrolada. cada médium tem seu próprio “estilo”.

ou preparando ciladas. tinha dificuldade em expressar-se. mas todos necessitados — e desejosos — de uma palavra de compreensão e carinho. assegura-nos suas boas intenções. Em alguns casos o Espírito somente consegue expressar-se a muito custo. por mais que reajam à nossa aproximação. por mais que se esforce — coisa estranha! — não consegue pronunciar o nome de Deus. ou tem cons ciência do que se passa com ele? É culto. 151 carinho e respeito. mas. mistificar. explode em irritação e “abre o jogo”. e entrar. com paciência. E derrama um arsenal de ameaças e intimidações. depois de receber o companheiro com uma saudação sinceramente cortês e respeitosa. usando o vocabulário limitado de uma pessoa de pouquíssima instrução. Em certas ocasiões. desde que ele venha em nome de Deus. divertindo-se com a minha falta de inspiração. o que fiz com um passe. com um apelo “aos corações bem formados”. depois. e ele começou a rir. a sua história . a fim de tentar ajudá-lo. De outras vezes. revelar clamorosa ignorância. certa vez. com uma dedicação Comovedora. passou a colaborar em nossas tarefas. ou simplesmente entregam-se ao prazer irresponsável de enganar. usando de ardis. o doutrinador deve esperar. Por fim. que possibilidades e conhecimentos Estará ligado a alguém que estamos tentando ajudar? Tem problemas pessoais com algum membro do grupo? Luta por uma causa? Ignora seu estado. que precisa de socorro. Alguns bem mais desarmonizados do que outros. começou serenamente. ou então. Propus-me a ajudá-lo. sumariamente como ignorante. particular-mente grato ao meu coração. de esgotar o médium incumbido de dar-lhes passes. às vezes. gritando que acabou a farsa. Seja quem for que compareça diante de nós. com o que ele se diverte bastante. em virtude de seu estado de perturbação. como alguns me dizem. ou por estar com deformações perispirituais que o inibem. Aos Poucos. de indignação. Há os que fingem dores que não sentem. Houve um que começou fingindo uma terrível dor de cabeça. na posse de todo o acervo cultural de que dispõe. defraudar. que angústias traz no coração. Riem-se muito dos nossos enganos. numa linguagem de pacificação e entendimento. Um deles. por estranho que pareça. depois de recuperado. Dentre os muitos casos assim. Nossa experiência acumulada é muito mais ampla do que suspeitamos. a distrair nossa atenção do ponto focal de sua problemática. é um Espírito desajustado. que intenções. lembro-me de um. Pode. para que o doutrinador se esgote. Ao apresentar-se. ou mutilações que não possuem. Ainda não sabemos a que vem o Espírito. na tentativa de descobrir suas motivações. Visam. dá-nos conselhos. Os primeiros momentos de um contacto mediúnico são muito críticos. de início. Dificilmente o Espírito é bastante primário para ser classificado. Digo-lhe que estamos dispostos à pacificação e ao entendimento. como cegueira ou falta da língua. o que o deixou bastante impressionado. mantém-se em silêncio. ou se apresenta ainda Inexperiente e incapaz de um diálogo mais sofisticado? Uma coisa é certa: não devemos subestimá-lo. Qualquer que seja a abertura da comunicação. mas. inteligente. com esses artifícios. começou realmente a sentir uma dor real. porque o companheiro. Diz palavras doces. que esperanças e recursos. vem ele revestido de um manto de mansidão e tranqüila segurança. como eu lhe pedira.

Por detrás de sua pobreza verbal. a técnica a que estão acostumados. e sua afeição e gratidão por nós. pelas ruas do Rio de Janeiro. sem atavios. e estava em condições de reencetar sua escalada evolutiva. mesmo no mundo espiritual. tão dificilmente conquistada. Suas observações eram sempre judiciosas. conseguiu dar os primeiros passos sem a “muleta”. o que talvez lhe tenha favorecido a superação de suas inibições inte riores. estava curado o querido companheiro. o que. do seu limitado vocabulário e das suas curiosas expressões populares. Suas primeiras manifestações seguem. Tentarei explicar. sentíamos nele. dosada e sustentada pela sua aflo rante emotividade. ainda caminhava de muletas. nós próprios teríamos a alegria de granjear uma afeição e uma dedicação iguais àquela? Às vezes. Exemplifico: suponhamos que. para falar-nos de maneira inusitada. graças a Deus. devido à ausência de grande número de companheiros. Nada de expulsá-los sumariamente. cujos bairros do subúrbio conhecia muito bem. Onde e quando teria ele outra oportunidade de entendimento e recuperação? E onde. simples. aqui. Pelo que depreendemos. aprendera a dura lição da humildade e tinha certo receio de abandonar sua obscura posição espiritual. Mas. o que contribuiu para que sua recuperação demorasse um pouco mais. Foi. a sessão alcançou um clima de maior intimidade. não obstante. enfim. sua humildade uma constante. Num infeliz acidente de trem. mas levara um tombo. Se os companheiros do mundo espiritual permitiram sua manifestação. Aguardemos pacientemente. na sua linguagem colorida. com o que ele muito se alegrou. surgem Espíritos acostumados a essas práticas. quase sempre. tivera um passado de brilho e destaque. Nossos orientadores espirituais começaram a utilizá- lo em pequenas tarefas auxiliares. experiência. embora o grupo não realize nenhum trabalho de Umbanda. mas conseguindo claramente expressar nobres pensamentos e demonstrar bastante segurança. e vivera em pobreza extrema. para saber o que desejam. 152 foi se desenrolando. para nós. aliás. o grupo o tratasse com superior condescendência e o despedisse com uma palavra de desesperança. ao recebê-lo. Certa noite. Fora um homem de cor. emocionado até às lágrimas. orientado pelos ensinamentos . podendo caminhar sem elas. No entanto. revelando o que de há muito entrevíamos nele: conhecimento. Quando lhe disse que não precisava mais de muletas. “não era barbante podre. Uma noite. ele respondeu que já o experimentara. uma respeitável bagagem espiritual. e recair nos velhos processos da vaidade. veio para ilustrar algumas realidades espirituais que não podemos ignorar. que chegara ao fim da sua provação maior. * Esse caso. não”. algo patético. para ele. num grupo estritamente espírita. e quando. Era evidente. um senso filosófico muito profundo da vida e uma das mais lindas e autênticas humildades que já vi. a despeito de sua indubitável vivência espiritual. o que o salvou e. Esse querido amigo — que nos deu o nome de Eusébio — esteve aos nossos cuidados por longo tempo. popular. paradoxalmente. em que expandia o coração amoroso e pleno de generosidade. perdera uma perna e. continuava a falar-nos na linguagem do Eusébio. sem lamentável prejuízo para o Espírito manifestante. também.

O nosso bom e querido Justino. e. sobre a mesa. ao correr dos séculos. abandonara seus propósitos de continuar a freqüentar os terreiros. reunidos em apartamento de luxo. Era particularmente ativo e estava sempre presente para restabelecer o tônus vibratório dos médiuns. — Fui um verdadeiro demônio — me disse ele. Perguntei-lhe onde fora isso e ele me respondeu: — A gente nem sabia onde estava. no Espírito. Manteve sua maneira algo rude de falar. Era levado de um lugar para outro. Fora. enquanto falava tranqüilamente. Éramos uns “cartolas” grã-finos. Não nos contou ele toda a sua terrível saga. haverá alguma razão para isso. desde que. mas a afeição por nós lá estava. segundo ele. que. para curar. o que este recusava terminantemente. que ameaçava quebrar-se por causa de uma rara e incurável moléstia óssea. mês após mês. curado de antigas mazelas. também. no campo político-religioso. logo em seguida. de vigorosa inteligência e de muita cultura filosófico-religiosa. como escravo negro. também. a “receita” de um chá caseiro. identifiquei seu Espírito nas . então. Provavelmente.. a essa altura. etc. entre nós. Em mim mesmo. No seu terreiro. -. Talvez buscasse esconder suas emoções. dava passes no seu médium. pelo reencontro com os velhos companheiros. com seus conhecimentos e seu coração. por meio de passes. que despertava lúcido e livre dos resíduos vibratórios do Espírito desarmonizado que o precedera. profundamente contristado. Certa vez. há quatro séculos. Por muito tempo o diálogo se manteve nesse tom. Tivera uma existência no Brasil. Parece que foi nessa existência que se familiarizou com a uti lização dos recursos da Natureza. pois sempre nos demonstrou ser conhecedor seguro das mazelas do corpo humano e dos métodos de minorá-las. mas uma só narrativa bastou. Manipulava bem esses fluídos naturais e devia trazer. Confessou. etc. Ele estava muito bem lá. num impulso rápido de inspiração. e começava a doutrinar-nos. haviam se distanciado na sua frente. e isso o salvou. o que não é verdadeiro. que tanto o infelicitaram. envolvera-se em erros lamentáveis. em impulsos tresloucados. vez por outra. e muito mais facilmente. Ao manifestar-se. como bicho. quando a manifestação era por demais penosa. ele traçava infalivelmente o seu sinal. temos uma experiência pessoal. sem floreios e artifícios de linguagem. Incorporava-se. 153 de Allan Kardec. que. também se fazia o bem. não sabia ainda (ou pelo menos não revelara) por que estava ali. perdera-nos de vista — a mim e a outro companheiro do grupo. graças a Deus. quem fluidificava a nossa água e quem tratava das nossas pequenas mazelas orgânicas. Aqui. certa vez. Só muito mais tarde a história se desvendou. dizia. dando- nos conselhos e passes e. e não queria nada conosco. Parece que sua intenção inicial era arrastar esse companheiro — o médium através do qual se manifestava — para os terreiros de Umbanda. no século 16. Também este integrou-se no nosso grupo. por divergência doutrinária insuperável. sua gratidão e sua alegria. alguma antiga experiência na Medicina. Tivera uma longa e penosíssima experiência. um homem de grande magnetismo pessoal. feliz em poder servir-nos. colocou um “remendo” na coluna. Era quem nos dava um passe final.

O longo trato com eles nos ensina que têm . amigos. e aparece um grupo. justamente porque não conseguem sair sozinhos das suas dificuldades. aflição. no desenrolar do trabalho. em que a culpa é tão clara? Que petulância! Que impertinência! É preciso deixá-los falar. em que ele continuará a buscar alhures o que não encontrou em nós: compreensão para os seus problemas e suas angústias. da sua auto-hipnose. E quantas vezes não são eles aqueles mesmos que causam desequilíbrios em nós próprios. Muita coisa vai depender. Mas nós. a primeira regra do diálogo. do contrário. com a dor do Espírito aturdido pelo impasse que criou dentro de si mesmo. colegas de serviço. com falsidades e subterfúgios. num processo legitimamente constituído. As primeiras palavras são de importância vital. com ódio e agressividade. ou funcionar como juiz. porque nos ajudam na prática da lei suprema da solidariedade que. E ainda que relutem. por igual. Muito devemos a esse querido companheiro. companheiros de jornada. jamais. com ignorância e má-fé. das suas perplexidades. amorosa e tranqüila. segundo a natureza dos problemas que os abrasam. da maneira pela qual recebemos os nossos irmãos em crise. pois. não somente pelo que fez por nós. é esta: paciência e tolerância. ou obsessões naqueles que nos cercam: parentes. uma eloqüente manifestação de revolta. porque nos trazem lições. mas pelas inesquecíveis lições que nos trouxe. quando nem sequer sabemos ainda de suas motivações e de suas dores. rancor. são. suas motivações e suas razões. desespero. dos seus sofismas. a seu turno. Não é ele quem nos incomoda e fustiga. nos libertará também. da parte daqueles que se acham desarmonizados. para tentar arrancá-lo daquilo que constitui o seu mundo. com eles. isto sim. 154 lutas dramáticas da Reforma Protestante. Toda conversa. Ele está parado no tempo e no espaço. ou trabalhar pelo restabelecimento da Igreja do Cristo. preso à sua problemática. como o nosso. enfim? Além disso. com a inadmissível tentativa de fazê -lo desistir dos seus propósitos. não poderemos ajudá-los. em suma. Esperemos. não podemos despachá-los. não precisariam de nós: já teriam encontrado seus próprios caminhos. e não é essa mesma a essência imortal do “Amai-vos uns aos outros”? * Assim. éum permanente exercício dessas duas virtudes. Não esperemos. desencanto. empenhado numa tarefa que julga do maior relevo e importância. Como? Então não vemos que ele não faz mais do que cobrar uma dívida. e podem constituir a diferença entre uma oportunidade de pacificação ou a alienação do companheiro por mais um tempo. Contemos com mistificações e ardis. de um Espírito assim. decisivas. que o fustigamos. É claro que o pri meiro impulso de hostilidade. ou perplexidade. Nunca é demais lembrar e insistir: eles precisam de nós. precisamos deles. com os nossos irmãos em crise. Seria difícil distinguir a gratidão dele da nossa. tem de ser contra nós. às vezes. mal enunciaram as primeiras palavras. tentando obrigá-lo a mover-se. somos nós que o agravamos. a sua razão de ser. indeterminado. mas respeitamos seu anonimato e ele nunca mais deixou de trazer-nos a vibração do seu amor fraterno e do seu reconhecimento humilde. eles acabam revelando a razão de sua presença no grupo. demorem e usem de mil e um artifícios. Se assim fosse. uma expressão inicial sensata e equilibrada. É necessário conhecer a sua história.

embora pudessem sonegar a verdade por maior espaço de tempo. amargor. em palavras e gestos. e depois. na língua que ele falou por último. em afirmar que o médium traduz em palavras o que ele sente no Espírito manifestante: suas emoções. mesmo os mais hábeis e ardilosos deixam-se envolver. seu temperamento. e a voz alteia-se ou sussurra. Estacou subitamente e comentou consigo mesmo: .. e todo médium precisaria ser xenoglóssico. do qual muitas vezes eles nem tomam conhecimento. a qualquer palavra que pudesse levar-nos a descobrir suas motivações. Era excelente argumentador e dialético de muitos recursos. o núcleo de suas dificuldades maiores. suas desarmonias. ele deixou escapar o fragmento de uma palavra reveladora. que os traz a nós. muito embora seja isto o que mais parecem temer.. mesmo assim. cobrir as razões de sua presença entre nós.. qua nto o perseguidor. que funciona como verdadeiro centro de aglutinação. Em outro caso» depois de muito debatermos as questões suscitadas entre nós. estaríamos em melhor posição para o ajudar a resolvê-lo. pois. eles acabariam por revelar as suas verdadeiras posições. Isto se deve a um mecanismo psicológico irresistível. mas relutou o quanto lhe foi possível. pois. É que o médium lhes capta o pensamento. Se o médium se limitasse a transmitir-lhes a palavra. ironia ou. Fugia a qualquer referência pessoal.. Num caso desses. que constituem o centro. perplexidade ou aflição. seus problemas. No fundo. Em suma. e a dúvida que havia entre nós reportava-se ao tempo da Segunda Cruzada. Se conseguirmos desfazer aquele núcleo. pois é isso. ocultar as verdadeiras causas da sua dor e a razão da sua presença. por muito tempo. perante o Sinédrio: — Não aconteça que vos encontreis lutando contra Deus! Percebi que a citação o atingiu mais profundamente do que ele talvez desejasse. A certa altura do diálogo. o núcleo. ele estava mesmo era cansado de sofrer porque a vingança e a perseguição tanto sacrificam o perseguido. e não a palavra falada. Eles não conseguirão. e disse: — Eu era um sol. Veio para isso mesmo. Seguia meus passos desde que “tua maldita mãe te colocou no mundo”. Se pudesse. Resmungou que nada tinha com Gamaliel. teríamos que falar com cada Espírito na sua própria língua. 155 um hábito peculiar de “pensar alto”. me destruiria. pois sabia muito bem que. deixa cair os véus com os quais tentou. a personalidade reagrupa-se em novos equilíbrios redentores. o Espírito fez um longo circunlóquio filosófico-teológico. na sua mais recente encarnação. Se assim não fosse. disse ele. em torno do qual gira toda a personalidade e agrupam-se os problemas mais críticos e mais urgentes. ao mesmo tempo em que lhe reproduz os gestos. de início. Essas causas estão de tal forma gravadas nos seus Espíritos. mas evidentemente estava envolvido no doloroso “processo da cruz”. ou seja. e no qual. reflete ódio ou desprezo. É certo. Ao cabo do diálogo. pois eu cometi contra ele um crime do qual jamais me perdoaria. aquilo que o Espírito elabora na sua mente. precisamente. Insistimos. chegados ao cerne do problema. mas é do próprio dispositivo mediúnico converter. ele não se conteve mais: seu ódio era contra mim. lembro a ele a inesquecível palavra de Gamaliel. que acabarão por revelar a razão de sua presença entre nós. que se estendeu por mais de uma sessão. Pretendia transformar o meu lar num hospício.

Incontáveis multidões. tato e paciência. Basta um pouco de ajuda. Ele a dirá. também. Para não transformar o tema numa composição literária. Sempre fui um soldado. Era esse o problema que ele mais temia revelar. ouvia sem cessar um alarido de vozes que berravam coisas confusas e um tilintar de armas que ele se recusava a identificar. O doutrinador precisa estar muito atento a esses sinais reve ladores. a força da sua presença em nós. marcando passo. lutando. Ninguém gosta de revelar suas fraquezas. ignorando seus próprios fantasmas interiores. cruzarmos os braços e esconder-nos. para libertar-se. mas por que demorar-nos no arrependimento. não temos empatia. agora. não dá sequer para começar. neste mesmo livro. no entanto. e não podemos voltar sobre nossos passos. Estacionamos precisamente porque nos falta coragem para enfrentar o olhar severo da própria cons ciência. pois. Lembre-se de que ela se encontra ali mesmo. Espere com paciência. essa fuga. para desfazê-lo. na memória daquele irmão que sofre. ou do próprio Templo. seus crimes. com- preender sua relutância em abrir-se. estamos envergonhados.. conscientes de que o nosso erro está presente em nós. Nada de coações. que tenhamos a faculdade da empatia. que a verdade virá. ao longo da sua inesquecível via crucis. seus erros. Este caso encerra outra lição importante. 156 — Veja o que eu ia dizendo. É preciso aprender a vibrar com ele. da penosa missão de aprisionar o Cristo. Podemos. ao qual há referências alhures. que nos mantém presos. sofrer com ele. Sem essa abertura corajosa. vendo a multidão passar por nós. O que temos de fazer. de imposições. dentro da carapaça das ilusões? O arrependimento somente se dissolve no trabalho construtivo. mantém-nos paralisados à beira do caminho. mostrar-lhes que estamos fazendo alg uma coisa. suas mazelas e imperfeições. E. no entanto. desde a sua primeira manifestação.. talvez tanto quanto eles. É preciso. A culpa existe em nós. se é que chegou a sua hora de mudar de rumo. apreciação emocional dos sentimentos alheios. Se apenas assistimos às agonias de um Espírito que se debate nas suas angústias. busque com tranqüila perseverança. aceitar seu temor em descobrir suas . de pressões. enquanto nossos companheiros e nossos amores seguem à frente. no entanto. Chamemo-la a lição do arrependimento construtivo. detidos. Precisamos. É claro que também somos endívidados. ou até mais. É necessário que as nossas emoções estejam envolvidas. enfrentando os nossos espectros interiores. pois o erro já está cometido mesmo. paciência e compreensão. somos meros espectadores. baste-nos lembrar que há dois tipos de arrependimento: o positivo e o negativo. habilidade. impossível negá-lo. porque é justamente esse fingimento. É verdade. em busca da paz. o segundo. ou de conduzi-lo. a refazer o que não podemos mais desfazer. uma ou duas semanas antes. ajuda- nos a reconstruir logo o que destruímos. ou seja. tentam fugir de si mesmas. Participara. não é fingir que ela não existe. Veja bem: apreciação emocional. como um caramujo. temerosos e angustiados. e devemos. Na verdade. O primeiro. Esse mecanismo tem que ser bem compreendido por aquele que se propõe ajudar Espíritos endívidados. mas que precisava enfrentar. como diz o provérbio chinês: a caminhada de 100 quilômetros começa com o primeiro passo. como soldado romano. e temos que reconhecer. as cutiladas do remorso. as censuras da consciência. mas que o faça com muito tato. Tentar identificá-los é sua tarefa.

. por mais alguns anos. neste momento. Estejamos certos. sentindo-se ainda despreparado. de que a resistência será grande. mas estudar com empatia (novamente a palavra mágica) o drama que aflige o companheiro. que amparou aquele a quem você persegue por tanto tempo. e muitas vezes o Espírito recuará novamente. ingênua e perigosa imprudência tentar superá-lo numa discussão. libertando o Espírito. agora. que era a motivação de sua vida. está contido pelos dispositivos da encarnação e. que a intuição do doutrinador deverá indicar. Espere um pouco mais. ou. ou confirmando-o na sua dor. Não apenas se encontra na condição de visita. porém... Seria. não uma discussão. ignorante de fatos importantes. Falávamos do primeiro contacto com o Espírito manifestante. Nela se definem muitas coisas sutis. uma contenda. presenciamos a dura batalha entre os lampejos da esperança de paz e os apelos de seu insaciado desejo de vingança: iria. e difícil. por assim dizer. temeroso. O doutrinador não o forçou. mas. com o coração aberto à compreensão e ao afeto: — A decisão é sua. ninguém melhor do que ele sentia a inadiável necessidade de uma atitude de renúncia. Junto de um companheiro particularmente agoniado. pois veio até a nossa casa. estejamos atentos. O Espírito precisa ser atendido com interesse. do que o doutrinador. que nos agrida. Preciso pensar. por mais bem preparado que seja.. Limitou-se a dizer. pois. Deus. enfrentou grandes debatedores. O que interessa. Creio que foi possível deixar bem claro o quanto é importante essa primeira aproximação. Freqüentemente ocorre ser ele muito mais treinado. ajudá-lo a descobri-las. ouvimos sempre uma destas frases: — Ainda não estou preparado. ameace e procure intimidar-nos. argumentou em causas importantes. Repitamos: o diálogo com os nossos irmãos desarvorados é um exercício de tolerância e paciência. mantenha mo-nos compreensivos e discretos. abandonar tudo aquilo. a luta interior que presenciaremos será dolorosa. quando nos deixamos envolver pela sua . de uma forma ou de outra. se o recebemos com fria e polida cortesia. Não se esqueça. ou séculos.. Claro que você pode continuar a fazer isso. em pelejas dessa categoria. Mas. teólogo. uma disputa. 157 feridas. acovardado. pensador. É uma tentativa de entendimento. como poucos. na maioria das vezes.. Foi tribuno. nos antecipando. À medida que ele se desenrola. que podem decidir o caso. e o tinha sido por séculos e séculos? Entregar-se à dor? Abandonar a sua vítima? E a sua vingança? E. muito mais que com simples urbanidade. escritor. Dê-me mais tempo.. Leva nítida vantagem sobre o doutrinador que. embora sabendo que apenas trocava uma dor por outra. orador. a despeito de tudo isso. e você? É isto que lhe convém? É isto mesmo que você quer? * Estamos. talvez. E acrescentamos: muito amor... de que não pode deixar o Espírito falando sozinho. a não ser em condições muito especiais. no entanto. difícil.. adquiriu cultura e aprendeu a manejar a palavra. pior ainda. não é “ganhar a briga”. há de continuar amparando-o. Deixe-me. Neste caso. Não importa que ele leve a melhor no debate. De outra vez. que o Espírito conhece e manipula com inteligência e acuidade. como ele ficará ainda mais irritado. por outro lado.

Aguarde pacientemente. . em voz baixa e tranqüila. que. não o force. Use-o com a mesma voz tranqüila e serena. certo de que o Espírito está negaceando. a sabedoria ilimitada do Cristo e a assistência incansável de nossos irmãos mais experimentados. que o aturde e o traz à razão. a infinita misericórdia de Deus. tolerância. se ele insistir em falar em altos brados. o doutrinador tem de aceitar o papel de um pobre. hipócrita. nem mais culto. 158 agressividade e respondemos com idêntica hostilidade. As leis morais. ao impulso de “responder-lhe à altura”. De vez em quando. bravatas. Não altere a voz. medroso —. que sabe ser o mais “perigoso”. covarde. mas resista mesmo. É o clima que convém aos seus propósitos. Na sua dolorosa e compreensível inconsciência. É a sensibilidade do doutrinador que vai indicar em que ponto e em que momento interferir. Siga-o na conversa. ou eticamente melhor do que ele: você está ali para ajudá-lo. tantas vezes. É muito difícil um diálogo áspero entre duas pessoas. ameaças. o Evangelho do Cristo e a prática espírita nos repetem. Resista. paciência. não se deixe irritar. a mesma lição: a de que são os próprios pecadores que se ajudam mutuamente: o coxo servindo ao cego. ainda. teológicas e psicológicas. Que a gente somente grita quando não tem razão. e reiteradas. que não é preciso gritar. * É certo. compreendê-lo e servi-lo. sobre todos nós. Quantas vezes tenho ouvido agressões iniciais. usarão de todos os recursos ao seu alcance para atingir esse fim. e ele um réprobro enredado nos seus crimes. pois assim não conseguirá ajudá-lo. que cai num vazio. de mil formas. haverá mistificações. Você não está ali para provar que é mais inteligente do que ele. o desejo de nos arrastar à discussão azeda e violenta. tanto melhor. Estejamos certos de encontrar sempre. Espere o momento oportuno. precisamente para evitar cair nesse campo. Ele acabará por convencer-se da justeza dessa observação. que o aliena cada vez mais. o cego ao mudo e. Procure dirigir a conversação para o terreno pessoal. sem atritar-se com ele. Mas. infeliz débil mental. como estas: — Fale como homem! Não suporto essa voz melíflua! Será que você não tem sangue nas veias? Não seja covarde! Está com medo? Calma. ironias. Enquanto esse momento não chega — e geralmente ele não ocorre. tentativas de inti midação. Não é importante superá-lo na troca de idéias. Mantenhamos o equilíbrio. quando somente uma grita. O gritador acaba por perceber que está fazendo papel ridículo e usando violência desnecessária. faça-o compreender. o clima torna-se insus tentável e a situação difícil de ser contornada. propostas. durante esse diálogo difícil — em que. ao fato de que humildade não quer dizer submissão e aceitação sem exame de tudo quanto nos diz o Espírito manifestante. mesmo que tenha o argumento que parece decisivo. Se o doutri nador cai na tolice de gritar-lhe de volta. que se alongaram mais profundamente no caminho da luz. pois ele se encontra diante de nós exatamente para que tentemos convencê-lo de seus enganos. sem aumentar sua irritação. não reaja da maneira que ele espera. atentos. Não há razão alguma para pensar que você é um Espírito redimido. porém. por ser o único revelador do núcleo inte rior de sua problemática. Se o tem mesmo. fantasias e deformações filosóficas. da parte deles.

ao contrário. e não como um agressivo guerreiro. esse engano. mal-entendidos entre familiares. — Sim. num reencontro de dois seres que seguiram rotas diferentes. Usualmente. me diz.. o rancor está firme atrás delas. sem me ferir. uma inexplicável ternura que. aflições maiores. na História. atentos às informações que o Espírito nos fornece. na qual insiste. pois não desejava causar-me dano pessoal. dado que é com elas que vamos montando o quadro que nos mostrará o perfil psicológico do comunicante. sob variadas formas: pequenos incidentes na vida diária. Sonha grande. pelo menos. porque ele tem implicações muito sérias no trabalho de doutrinação. mas se isso fosse impraticável. Está muito bem como está. doenças inesperadas. Como pode alguém desejar viver na obscuridade. Um terceiro. que ele não entende. Um deles me anunciou que iria “botar fogo” no grupo. apoiada numa bravata: estava disposto a afastar-me de qualquer maneira. É isso. é essencial ao entendimento da personalidade daquele irmão. O problema das ameaças merece alguma digressão mais ampla. Atenção com os pormenores que pareçam irrelevantes: uma referência passageira. A essa altura. se pode. Não poucos serão os que. Embora dificilmente admi ta. cujo aspecto truculento e olhar terrível o médium descreveu antes que se incorporasse. Lembremo-nos de que o perfil que procuramos é importante. já estamos conversando. essas bravatas e ameaças terminam assim. a não ser que a isto fosse obrigado. é verdade — digo-lhe eu —. porque a pedra tinha que ser afastada.. tentar a glória? Nem sempre. como um temível conquistador. que de forma alguma precisa de nós. . Tudo serve para compor o quadro. amistosamente. porém. que tem por mim certa afeição e — coisa estranha. o tom de voz. uma lembrança fugaz. precisamente. uma observação aparentemente sem importância. Fala-me da sua glória. mesmo. meu Deus! —sinto por ele. E me perguntou: — Como é que você quer morrer? Você fecha o grupo espontaneamente. ele replicará com toda a veemência. e pelo menos algumas das ameaças concretizam-se mesmo. de maneira dúbia: — Você preferiu outros caminhos. Confessa. Falam-nos do enorme poder de que dispõem — e muitas vezes isso é estritamente verdadeiro — e das “providências enérgicas” que tomarão contra nós. preferi a obscuridade. para que eles passassem. Já no passado cometeu. embora projetando-se. também pronunciou sua ameaça. ele precisa da nossa ajuda. com um mero doutrinador espírita. surgido dos registros históricos. como dois velhos amigos que se reencontraram. vem das telas infinitas desse continuo espa- ço-tempo em que vivemos. várias vezes. se possível por bem. também. Ao falar das suas grandezas. nos farão propostas e nos dirão as mais estranhas bravatas. do século XX. se possível. 159 mesmo. mas continuam a estimar-se e respeitar-se. ou nós teremos que fazê -lo? Outro me Informou que tinha “ordens do chefe” para remover-me do seu caminho. não sei de onde nem de quando. então. mas não hesita diante da violência. para realizar os seus sonhos de domínio. era para arrebentar tudo a dinamite. porém. na fase inicial do diálogo — esperemos com paciência. Se o mencionarmos.

preciosas. e em prece. como nos disse um Espírito amigo. o mesmo que. teme novas quedas. segundo Marcos — “para não cairdes em tentação. mas a carne é fraca. mais do que ninguém. uma enorme capacidade de amar. e não apenas para o médium. que contar com contratempos. e jamais em decorrência do trabalho de desobsessão. pois o espírito está pronto. nos espionam e nos assediam. ferimentos e angústias. no fundo. ele nos será muito grato se o conseguirmos e. com emoção e respeito. com a peçonha de seu rancor inconsciente. ainda há poucas semanas. não podemos colher rosas. como disse um amigo espiritual muito querido. Mesmo com toda a vigilância. enquanto puderem. mas não deve deter os nossos passos na ajuda ao irmão que sofre. sua vontade debilita-se e a fraqueza da carne vence as melhores intenções. quando lhe estendermos a mão. hão de reter-nos na reta guarda. ainda que estejamos guardados na prece e na vigilância. ou para o doutrinador. temos que prosseguir o trabalho de resgate. deseja e . eles nos lembram: — Você pensa que é invulnerável? Quem poderá responder que é? E as nossas mazelas. temos. não pôde conter sua gratidão. Então. Quanta verdade nesta imagem! Por mais estranho que nos pareça. a uma observação superficial. está pronto para a vida em plano melhor e mais purificado. — “Vigiai e orai” — disse o Cristo. No trabalho mediúnico de desobsessão. mas. em si mesmo.) O Espírito deseja a libertação. no fundo. bem no fundo de si mesmo. poderoso. vamos ser punidos porque estamos procurando. Mesmo que ele nos fira. os Espíritos mais terrivelmente perturbados e desarmonizados guardam em si incrível potencial para as realizações futuras — aptidões. sonha com a paz. para engrossar as fileiras dos que estão parados. e. mergulhado no corpo físico. Os seres desencarnados inferiores que nos vigiam. Isto é válido para todo o grupo. Um deles. a mão de seu aturdido doutrinador. bem certos de que. para ajudá-lo a levantar-se. ele daria tudo para destruir. por mais fantástico que nos pareça. sofreremos senão na quilo em que ofendemos a Lei. não tão difícil e grosseiro como este mundo de provas em que vivemos. quase inabordável.” (Marcos. em nenhuma hipótese. pelo menos. de um ou outro desengano maior. especialmente se deixarmos cair as nossas guardas. depois de desperto: beijou. tão bem ou melhor do que nós. sem jamais nos ferirmos nos espinhos. pois. das ameaças e. É preciso estarmos. 160 Em primeiro lugar. E “eles” sabem disso: quando o esquecemos. continuamos vulne ráveis. as culpas ainda não cobradas. muito difícil. experiências e quali ficações inesperadas. Nossa bagagem de erros ainda a resgatar não nos permite usar o manto da invulnerabilidade. sofre a ausência de afetos muito profundos e. sabem disso. as infâmias ainda não desfeitas? Contudo. O cerco aperta-se. no entanto. se assim não fosse. agressivo. exatamente. mas não a devolveremos com uma palavra ou um gesto de desafio que de provocação. a despeito dos espinhos das rosas. pelo menos. É necessário não intimidar-se diante da bravata. ele. de certa forma. mas sem cometer o engano de ridicularizá -la. praticar a Lei universal do amor fraterno e da solidariedade que nos recomenda o Cristo? Não aceitaremos a intimidação. os erros ainda não resgatados. ou. 14:38. que o sufoca. e. Seria profundamente injusta a Lei. Há uma diferença considerável em ser íntimorato e ser temerário. certa vez. logicamente.

pouco a pouco.. bem como. pois que. Você sabe. por exemplo. por si mesmo. nem desafiar a ameaça. O que você deseja para parar com isso? “Parar com isso” é deixá-los fazer o que entendem. àquele que me propunha desfazer um “trabalho”. ou em liberar outros.. aparentemente tão frágil. que mantêm prisioneiros no mundo espiritual. a que particularmente este jamos dedicados. ao que tudo indicava. porque ele não voltaria: já havia “cruzado a ponte”.. Um grupo bem orientado e bem guardado pelos amigos espirituais invisíveis começará. Se podem comprar nossa desistência. imperturbável: — Sabe. na sua instituição. em deixar de atormentar alguém. não responder à ironia com a mofa. igualmente. sim. mas não ser imprudente. a imaginação deles é fértil e a habilidade ilimitada. também estaremos nos libertando das nossas próprias culpas. A proposta pode ser um simples negócio. De um Espírito encarnado. também. e esta precisa. Inúmeros outros seres e grupos que tentaram. Ou então nos oferecem coisas mais terra-a-terra. se os espinhos nos ferirem. no passado. De modo que. que eu ficaria estarrecido. deram-se mal. E. com seus próprios recursos. e foram afastados sumariamente. impedir seus passos. De outras vezes a proposição é mais sutil. A regra. como também aos desequilibrados Espíritos manifestantes. a obter resultados que surpreenderão não apenas aos próprios componentes encarnados.. se soubesse daqueles que haviam concordado com arranjos semelhantes. à prática do mal. de algumas considerações à parte.. Regra semelhante poderia ser sugerida para responder à proposta.. não hesitarão em propor uma barganha: — Está bem. tão reduzido. como dominar a minha. aqui e ali. votadas.. por ele mesmo. Acham que tudo tem seu preço e dispõem-se sempre a pagar o preço combinado por aquilo que lhes interessa. Estes não compreendem como pode um pequeno grupo. dominar mentes. encerrar as atividades do grupo ou dedicar-se a outros afazeres mais inócuos e menos prejudiciais aos seus interesses. ainda. é esta: não ridicularizar a bravata. nas suas organizações. no trato de situações como essa. afinal de contas. os companheiros desvairados proporão barganhas e tréguas. passado o rompante das primeiras agressões. como dinheiro. 161 espera que nós consigamos salvá -lo. A um desses respondi que não sabia. Estão acostumados a tais ajustes e transações. Um deles me disse. não se intimidar. e muitos são os que se deixam fascinar por esse cântico funesto. ele não o conseguiu ainda. A imaginação é fértil e a experiência deles é longa. Concordarão. que nosso grupo estava particularmente interessado em socorrer. exaltando nossas fabulosas “virtudes”: — Você não sabe a força que tem! Poderia arrastar multidões. certa vez. aqueles que nos acenam com “belíssimas” posições. Há os que propõem desembaraçar-nos de pessoas que supostamente nos estariam atrapalhando. resistir à investida de tremendas e poderosas organizações espirituais. E ele. Começam com elo gios. prazeres. há um tempo enorme. Já referi aqui. posição. para o lado de . nos foi dito que desis- tíssemos. a da resistência inesperada. ou pequenas concessões. Como dizia há pouco.. portanto. Por que não fazemos um acordo? Outro convidou-me para “pregar”. feito contra mim. por exemplo.

e nem a aceito. nas quais têm. Não alimentemos a ilusão de demonstrar-lhes que. ou fazer. nessas duvidosas transações. sobre tais propostas e acomodações: a primeira. A cobrança virá. Não os subestimemos jamais. indica uma boa transação concluída de maneira auspiciosa. São irmãos doentes. com isso. costumo ter uma resposta padroni zada. O negócio. porém. Eles não estão habituados a fazer acordos para obter o que podem conseguir pela imposição e pela intimidação. fora bom para ambos os lados. por mais infantil que seja. estaremos sintonizando-nos com o mesmo diapasão ético com que eles nos experimentam e. ante a resistência inesperada à sua vontade. nada impede que desfaçam o trato. Duas observações básicas é preciso ainda fazer. Em situações como esta. e nós. Tenhamos. não podemos permitir-nos utilizar. que precisam de ajuda e compreensão. pode ser desastroso. com a finalidade de nos levarem a abandonar o trabalho. o que. passa a vítima inerme de sua própria tolice.. 162 lá. sobre aquele que concordou com o trato e que. de suposto aliado. iremos desinfetar. seres redimidos. ou pelo terror. e não de que os confirmemos nas suas práticas. diante de nós. evidentemente. são simples vermes infestados de culpas. as concessões que nos oferecem têm elevado preço. retrucando aos seus processos ardilosos com ardis de idêntico teor. então. aí no mundo de vocês. por mais ino centes que se apresentem. Além disso. a qualquer tempo. e. esquecer- nos de que são pobres irmãos desorientados. é porque estão começando a sentir-se algo perplexos. que as con- seqüências serão funestas para nós. o bom senso de não procurar tirar partido da situação. Eles compreenderão nossos escrúpulos e nosso jogo aberto e acabarão respeitando-nos por isso. Se a uma proposta. Não recuso a proposta. métodos semelhantes aos seus. ou seja. São metódicos. irá por terra a precária ascendência moral que porventura tenhamos alcançado sobre eles. jamais. porque sentimos que estão fracos e algo perplexos. Usualmente. depois. Procure um dos nossos companheiros espirituais. qualquer concessão. dispostos a tudo. ou um bispo valioso. além do mais. mais experimentados do que nós. Confesso-me simplesmente incapaz de decidir. quando os nossos irmãos atormentados propõem semelhantes transações. dispõem de amplos e minuciosos planejamentos. deixar de ajudar alguém. às vezes. da parte deles. alguém que prove ser pelo menos um pouco melhor do que a média humana. Buscam aflitivamente alguém que não possam corromper com suas propostas.. desesperados. Encaram suas tarefas deploráveis como complexas partidas de xadrez. Além do mais. Absolutamente. enfim. que sacrificar uma dama. votados à maldade intrínseca. A segunda observação é a de que. é desumano. é mais do que óbvia. digo qualquer coisa assim: — Não tenho autoridade para tratar com você. jamais. Escarnecer de suas propostas. tentarmos “virar a mesa”. à primeira vista. estejam ou não convencidos ante a nossa argumentação. mas que necessitam de nós. Não podemos. para dar o xeque ao rei. A prudência continua a ser a melhor conselheira. É bem possível que sejam mais atilados psicólogos do que nós. quando não mais interessar-lhes o nosso concurso ou caducar a razão pela qual se valeram da nossa ingenuidade infantil. imatura e precipitadamente. Tinha tudo quanto queria. estava muito feliz. na prática comercial. com a qual estão acostumados a lidar. o que é estritamente verdadeiro. O que ele resolver. está bem . que condescendemos em estender-lhes a mão salvadora que.

sem dúvida. pela simples razão de que não o somos. O tom pode ser este. gritou e fez tudo quanto lhe foi possível para destroçar- nos ou quebrar o nosso moral. estará tudo resolvido e não mais o incomodaremos. no passado —. como tenho observado: — Está bem. Seria profundamente desumano negacear com ela. Eles não poderão fazer nada. um grande e generoso coração. experimentemos a mesma arma. Se não podemos provar-lhes que somos melhores do que eles — e não podemos mesmo. não importam os métodos. é inadmissível. Não lutava especificamente contra nós. Que ela tente. desde que os fins sejam alcançados. Um dia. e até mesmo respeitosa. necessitada de compreensão e de amparo. mas que nós. e se você acabar com o grupo. Estava recolhido a uma instituição socorrista. Tinha. como tantos outros. pois a dor alheia jamais poderá constituir espetáculo de diversão. um pobre transviado. incorporada ao médium. todos aqueles que se lhe opunham tinham que ser removidos de qualquer maneira: pela intimidação ou pela lisonja. pois estava mais certo do que nunca do nosso amor fraternal. mas pelas suas idéias. pelas atitudes agressivas e despropositadas ante o seu doutrinador e o próprio grupo. É preciso respeitá-la. Um pobre irmão desses. porém. Às vezes eles insistem. Essa história tem ainda um post scriptum. portanto. você sabe. convenceu-se de seu engano. Ele visitou-nos novamente. pelo menos. para despedir-se. com a graça de Deus.. semana após semana.. pela dor ou pela sedução. um de nossos médiuns teve com ele um encontro. Nesse ínterim. A criatura que está diante de nós. tranqüila. no seu desespero. para dizer-nos desses nobres sentimentos. tentou enganar-nos. por algum tempo. que tanto se esforçava por salvá-lo. e arrasado de remorso. a não ser para aqueles que também estejam em desequilíbrio. Voltou. 163 para mim. evidenciemos que nossos métodos são melhores. extremamente desarvorado. depois. e vinha pedir nossas preces. pelo menos na extensão que a nossa vaidade poderia sugerir — que. deu murros na mesa. Caso contrário. também. A posição do doutrinador tem que continuar firme. totalmente dedicado à sua ingrata causa. assediou-nos. tempos depois. viu-se em toda a extensão de seus enganos. no mundo espiritual. atormentou-nos. isso é compreensível. tentando ludibriá-la com os mesmos recursos com que. mas você pode resolver a parte que lhe toca. com ameaças terríveis. Desceu do seu pedestal de poder e arrogância — fora também um grande e.. Merece nosso respeito. redespertados em seu coração. . se não tiverem o grupo. muito contrito e infinitamente grato aos pequenos trabalhadores que o ajudaram: preparava-se para reencarnar. em desdobramento.. encontra-se desatinada. Acreditava na legitimidade incontestável da sua causa. que combatia o bom combate de que nos falava Paulo. paciente. Era profundamente honesto consigo mesmo e. pois sabem muito bem o que significa a minha resposta. e achava.

Usam da ironia. afetuosa e cordial. de raríssimas exceções. achou graça num comentário do manifestante. pois. que não se retirava — esta é outra técnica intimidadora. Como o companheiro correspondeu à sua abordagem. MUTILAÇÕES. pois. é necessário deixar o Espírito falar. Suas palavras singelas. e depois dirigir-se a cada um de nós em particular. dizendo prontamente a que vieram e o que pretendem. muito embora soubéssemos perfeitamente que este não o estava apoiando. Muitos o fazem logo de início. Neste caso. o diálogo vai se desenvolvendo. necessário ao trabalho. por ver que encontrava apoio num dos componentes do grupo. um vínculo positivo. em nosso grupo. entre nós todos e ele. este elo. Um companheiro esclarecido e experimentado que. mas certamente o estava favorecendo involuntariamente. todos. os resultados podem se tornar desastrosos. Seu objetivo não era o de distinguir este ou aquele. após longo tempo de conversa. porém. respondendo-nos com outras perguntas ou com sutis evasivas. criavam. Muita atenção com estes artifícios. Mesmo a estes. os Es- píritos desarmonizados também a conhecem e procuram empregá-la. 164 30 O DESENVOLVIMENTO DO DIÁLOGO. a partir de uma espécie de monólogo. Sentiu-se fortalecido e disse. nos orientava. a fim de nos aproximarmos do âmago de seus problemas. de estímulo e encorajamento. O Espírito começou a dirigir-se a ele. que ainda estudaremos — com a clara intenção de desmoralizar o doutrinador. Há. para provocar o riso. Eles trazem em si uma sutileza perigosa e envolvente. É comum tentarem envolver o grupo todo na conversa. mas. Se um companheiro desavi sado responde. esquecendo aparentemente a presença do doutrinador e suas palavras. no princípio. dizem gracejos. certa vez. mesmo com um simples sorriso. era apenas o de estabelecer. DEFORMAÇÕES. que . FIXAÇÕES. o que acaba acontecendo. do mundo invisível. sem dúvida alguma. CACOETES. a cada um de nós. Várias artimanhas são empregadas para esse fim. como vimos. fogem às perguntas. nos braços ou nas mãos dos que lhes ficam mais próximos. o Espírito sentiu-se à vontade para prosseguir e foi muito franco e espontâneo ao manifestar sua satisfação. que ficaria falando sozinho. o princípio de deixar que apenas o doutrinador fale com o manifestante. Ele tinha o hábito de fazer uma saudação geral. e nem mesmo de dar conselhos individuais sobre nossos problemas humanos. ensaiam a indução hipnótica ou o passe magnético. que nos predispunha ao trabalho em equipe e certamente contribuía para que nos mantivéssemos. Pouco a pouco. que nada dizem. costumava sempre dar uma palavra inicial. pois isto faz parte da técnica. em boa faixa de equilíbrio e concentração. pois. excelentes razões para manter como regra. Ë através daquele que atuam os Espíritos orientadores. a técnica era obviamente utilizada para o bem. para que informe sobre si mesmo. com finalidades muito diversas. Outros são bem mais artificiosos. pois constituem uma técnica de penetrar o psiquismo alheio. com uma palavra mais pessoal. Dirigem perguntas aos demais circunstantes. Tivemos disso um exemplo. mesmo. quando alguém. tentam captar a atenção por meio de gestos e toques. todas as semanas. DORES “FÍSICAS”. é preciso deixar falar. para as árduas tarefas que nos esperavam cada noite.

165 ficariam com seu esforço dispersado se tivessem que dar atenção e atuar. com um senso crítico imprudente. ele falha mesmo. Também pode acontecer que o Espírito manifestante sinta real necessidade de uma palavra direta. Se ele estiver certo. que alguém. mas é melhor excluir-se. Não que o doutrinador seja infalível. imaginando o que diriam em tais circunstâncias. tentando arrastar outros membros do grupo ao debate. e este não possuir. mesmo. condições para a sua tarefa. Convém a eles a generalização da conversa. os circunstantes encarnados. segundo sua intuição ou a instrução . Pode ser. interferir no difícil diálogo que o doutrinador está tentando estabelecer. freqüentemente. não bem afinados afetiva mente com o doutrinador. deve afastar-se do grupo. fazer-lhe um pedido de perdão. se o fize rem. alguém que não possa concordar com os métodos empregados pelo doutrinador. não acarrete maiores dificuldades. ainda que tenha falhado. certamente tirarão partido da discrepância. mesmo mentalmente. no grupo. condições de captar-lhes o pensamento e. ou com um gesto de que se lembre com saudade. mas ele precisará do apoio e da compreensão de seus companheiros. que ele esteja certo. pelo menos. o que é importante para o desenvolvimento das tarefas. Às vezes. Dessa forma. por exemplo. então nada tem a contribuir de bom para o grupo e poderá acarretar-lhe considerável dano. bem atento aos seus companheiros encarnados. perfeito. via intuição. pois emprestam seu apoio vibratório silencioso ao doutrinador. Os Espíritos manifestantes têm. Ê possível. quanto ao que se passa. nem que esteja sempre certo e com a razão. no entanto. sobre todos os componentes do grupo incumbidos ou autorizados a falar com o Espírito. é difícil. Lembremos. a ponto de tornar-se criticamente negativo. Por isso. para que se mantenham firmes nas suas posições. ou a conveniência de alguém mais falar. assim. tenha qualquer problema pessoal com o Espírito manifestante. imprevisível e traiçoeiro. se persistirem em acompanhar mentalmente a doutrinação. Estes companheiros não devem fe char-se na indiferença. e o doutrinador errado. É comum que este procure burlar a norma. O doutrinador tem que estar. pois. com freqüência. por amá-lo particularmente. mas não devem cometer o engano de se envolver na conversa. além do pensa- mento. a validade da regra que recomenda que apenas o doutrinador fale com o Espírito manifestante. numa técnica muito sutil de desmoralização. as coisas encaminhar-se-ão para um desfecho natural. e. que. a ponto de. porque o terreno em que pisamos. o doutrinador julgará. com a emoção de uma voz que há muito não ouve. com alguém presente que. no trato com esses irmãos desarvorados. é possível que ocorra a necessidade. tanto se insiste na importância da fraternidade. que afasta o doutrinador e o coloca mais ou menos à margem. do que permanecer no grupo como um ponto de atrito oculto. em torno da mesa. um gesto de fraternidade mais objetivo. claro. Sob condições especiais. mesmo que ela fique imanifesta. Se não pode ajudar. entendimento e compreensão entre todos os componentes do grupo encarnado. médiuns ou não. podem introduzir perigosos fatores de desagregação no grupo. na maneira de apreciar o trabalho do doutrinador. Em casos assim. pode ajudar a despertá-lo. e se sinta fortemente impelido a dizer-lhe uma palavra de conciliação. que mina o trabalho. para perscrutar o arcabouço psicológico e moral do seu interlocutor invisível. se apenas critica e discorda em razão de distorções de sua própria psicologia.

Mas é preciso saber por que ele (ou ela) persegue o companheiro encarnado. é preciso ajudá-lo a quebrar o terrível círculo vicioso em que se debate. mas não se envolvam nele. que insistimos em qualificar de excepcionais. como um louco varrido. o choque que se criou entre eles? Em suma: quais são as fixações do Espírito? Todo processo obsessivo tem o seu núcleo: traição. nem mesmo por palavras inarticuladas. vigiem bem seus pensamentos. de conotações essencialmente humanas. Qual a sua ligação com o obsidiado? De onde vem. porque cabe a ele a responsabilidade por esse aspecto da tarefa. continuará a repetir incessantemente a mesma cantilena trágica: a vingança. falando-lhe de uma passagem evangélica. Fora desses casos. Muitos são os que invocam os dispositivos da Lei Maior. Ele tem que sair com seu próprio esforço. de sua influência obsessiva. pois. Enquanto isso se passa. em vista de suas ligações com os companheiros espirituais. com muita sutileza. Por mais voltas que dê o Espírito. a impossibilidade do perdão. ou seja. a que veio o Espírito. descobriu a razão pela qual foi atraido ao grupo. O doutrinador precisa ter bastante habilidade para mudar o rumo de seu pensamento. ou seja. por exemplo. Talvez já saiba. de elementos suficientes para formular um juízo acerca do caso que tem diante de si. com problemas sus citados no relacionamento. seguindo com extremo cuidado o diálogo. uma pergunta mais pessoal. Ainda não dispõe. e coisas semelhantes. Deixe-o falar. Além do mais — dizem —. subtrair. para retomá-lo quando julgar ne cessário. no tempo e no espaço. que se aplique particularmente ao seu caso e sempre haverá uma ou mais. alguém que nos pediu ajuda. . neste livro. não obstante. espoliação. a conversa prossegue. 166 dos mentores. arrancá-lo à força. deve continuar atento. Terá que fazê-lo. Estamos tentando. o ódio. deve prevalecer a regra geral do silêncio e da sustentação psicológica aos médiuns e ao doutrinador. Claro que. que se adaptam perfeitamente às circunstâncias. Ele não tem poderes para fazê-lo cessar tudo? Por que não exerce tais poderes? Atenção. senão ficará andando em círculo. Dificilmente um Espírito obsidia outro apenas porque discorda dele em questões filosóficas ou religiosas. pelos outros. No entanto. ele está convencido dos seus direitos e. para exercerem suas vinganças e perseguições. vingança. digamos. É. um caso pessoal. permitindo que outra pessoa fale ao Espírito. aquilo que lhes compete realizar. ele não conseguirá isso por muito tempo. Se grita e esbraveja. à volta de sua idéia central. Mantenham-se atentos ao diálogo. Deixemo-lo falar. aqui e ali. por mais errado que esteja. Neste caso. no seu ódio irracional. é que Deus o permite. para essas idéias fixas. o desejo de fazer a vítima arrastar-se no chão. mesmo assim. em casos extremos de fanatismo apaixonado. embora isto também seja possível. apenas pensadas. mesmo com a intenção consciente de ocultar sua moti vação. mas não tudo quanto queira. quase sempre. o doutrinador. é ele quem está preparado para ela. procure apaziguá-lo. Outra norma subsidiária: os circunstantes. não quebrar. se podem fazer aquilo. Não se esquecer de que. até mesmo. Ajudar a fazer não é o mesmo que fazer. porém. desamor. da cobertura divina. Veja bem: ajudá-lo a quebrar. como componentes encarnados do grupo. através dos dispositivos especiais a que nos referimos alhures. arriscando.

procurando atraí-lo para outras áreas da sua memória. ou. neste livro. até que adquiram confiança em nós e nas nossas intenções. porque costuma funcionar. melhor ainda. Vamos a alguns exemplos: citei alhures. Tem que haver. Ou. Coloque. Como. como vai entregá-la a alguém — a um desconhecido bisbilhoteiro. um mecanismo de defesa. a fixação é. fornecendo-lhe pontos de apoio. porém. perguntei-lhe o que havia com o seu braço. sobre os quais ela possa expandir-se. Não nos esque çamos. . O processo pode alongar-se por muito tempo. pois. ou.. em certos casos — seu próprio espírito sente as vibrações fraternas que sustentam as palavras. continue a falar-lhe. de ouvir o doutrinador. É certo que tudo isso está ligado ao problema interior que os atormenta. além daquela que constitui o núcleo da sua problemática. Não sei. Já tivemos oportunidade de observar esses pormenores. mutilações e deformações perispirituais. simplesmente.. devem limitar-se a conduzir a conversação. que o Espírito não tem condições. O objetivo das perguntas não é. Ele não quis dizer. do núcleo central que o bloqueia e o impede até mesmo de buscar a saida daquele círculo de fogo e lágrimas em que se encerrou inadvertidamente. Isto não significa que o doutrinador deve calar-se. de que espontaneamente ele não sairá. nem saberia conscientemente a razão. às vezes. provavelmente. ao . o momento de ajudá-lo a sair um pouco de si mesmo. de muitas maneiras e sob variadas condições. Simplesmente “esquecemos” das causas que nos levaram àquela situação. Sua vingança é a própria razão de ser de sua vida. por exemplo: teve filhos? Que fazia para viver? Crê em Deus? Onde viveu? Quando aconteceu o drama? Tem noticias de amigos e parentes daquela época? É claro. respondem. Notei que durante o diálogo ele não movimentava aquele membro. os manifestantes reagem. Ninguém gosta de submeter-se a devassas íntimas. a fim de afastar o pensamento do comunicante. pelo menos. Por que seria? No momento que me pareceu oportuno. tão pronunciada e tão absorvente. e não na pessoa que ele persegue e odeia? Além das fixações penosas. não porque não queira. que as palavras irão insensivelmente se depositando nele. que parece construir uma barricada às nossas costas. que é aquele momento patético em que ele descobre que a causa da sua dor está em si mesmo. ainda que temporariamente. Com freqüência. uma pergunta diferente. como o doutrinador — a troco de uma realidade penosa. sem precipitação. o episódio do pobre irmão que tinha um braço paralisado. logo nos primeiros contactos. Se é que o doutrinador realmente sente o que fala ou. sob a forma de trejeitos e contrações. obviamente. 167 Por outro lado. para levar-nos a um conveniente esquecimento do passado. de vez em quando. se recusam a responder. por isso. o de satisfazer a uma curiosidade malsã e. Nem sempre estarão prontos para nos ajudarem a ajudá-los.. sequer.. outros sentimentos e até mesmo outras angústias. não reage de maneira inteligível ao que este lhe diz. Aguarde-se. porém. Ou dão respostas evasivas. e mesmo que ele pareça não ouvir — e isso ocorre. mas porque não sabe. nestes casos. Ou. que essas perguntas não devem ser desfechadas numa espécie de bombardeio ou de interrogatório. fala o que de fato sente. perguntando se estão sendo forçados a processos inquisitoriais. mesmo. para poder fixar-nos no objeto do ódio e da vingança. na sua memória. aparentemente irrelevantes. os Espíritos conturbados costumam apresentar cacoetes. outras lembranças. ainda.

porque ela lhe dava uma aparência terrível. mesmo decepada. ainda. toda a anatomia facial e craniana: os olhos.. pois convicto de que estava sem cabeça. segura pelos cabelos. não acreditava que Deus o tivesse feito. Se sabia.-. que ele chamara até de porco! Outro companheiro desorientado conservava feia cicatriz sobre o olho direito. “você andou também cortando a cabeça de alguém”. a ouvir os comentários de visitantes e turistas sobre suas próprias atrocidades. que atemorizava aqueles a quem ele queria perseguir e afligir. de um pobre sofredor.Mesmo assim. É verdade. também. Outro sentia. O diálogo inicial foi difícil. além dos passes habituais. na mão direita. pois Deus não permitiria que um homem andasse sem cabeça por tanto tempo. que ele acreditava não fossem seus. Sua “cura”. Em uma oportunidade. o nariz. como. Quanto ao que lhe acontecera. guilhotinado na França. Quando me propus a curá-lo por meio de passes.. a esposa e os filhos. Levo-o cautelosamente para uma introspecção. Ele se lembra. . e ele se lembrou da cena de um passado distante. agora. Oramos e lhe demos passes. porém. Continuava preso ao local onde exercera um poder discricionário. depois de condenados. ficou bom. embora as esqueçamos. “Provavelmente”. isso. Só então. para o que é necessário dispor de algum ectoplasma. Enquanto a tivesse ali. ele não tinha condições de falar. Vivia apa- vorado ante a idéia de perder de vista a cabeça e nunca mais recuperá-la. foi possível liberar o seu mecanismo de censura. seu drama resolveu-se. a boca. o fui convencendo de que podia falar através do médium. ele sentiu que a cabeça voltara à sua posição correta. ali mentava a esperança de “repô-la” no lugar. Um terceiro tinha a voz rouca — seria um antigo câncer? —e quase inaudível. por meio de passes. por incorporação. Reviu até a fila de espera. ao que parece. pois achava que ela o havia traído. tivemos também um caso. E conferia. Estava tudo lá. tentando fazer que ele encontre em si mesmo a razão do seu espantoso sofrimento. Explico-lhe que vivemos muitas existências. para castigá-lo. a punhal. Subitamente. a dor aguda de uma lança que o penetrara há séculos. ele recusou — sem muita convicção — dizendo que. com a ponta dos dedos. quando sacrificou. realmente. levou-o a um reexame bem menos apaixonado da figura de seu doutrinador. e vi logo que ele reagia. Casos mais sérios de deformações espirituais exigem o concurso de médiuns especiais. 168 certo. A custo. intensamente dramático. as orelhas. se ficasse curado. orei e dei-lhe passes ao longo do braço imobilizado. Isto foi possível fazer. .. E. levantei-me. que eram enfiéis a Jeová e. ele os executava. com a graça de Deus. E dizia: — Posso falar! Estou falando! Queria saber quem fizera o “milagre” de “colar” a cabeça novamente no lugar próprio. Exposto o âmago do problema. não apenas para recebê-los. Louco de alegria. seria apenas para ter mais um braço para empunhar o chicote . ele apalpava-se e só sabia repetir: — Ela está aqui! Ela está aqui!. voltando a movimentar o braço. se ele sabia a razão da paralisia de seu braço. quando terminou uma existência de inconcebíveis desatinos. Desde então — segundo apuramos em seguida — trazia a cabeça “destacada do corpo”. digo-lhe. Em alguma de suas vidas anteriores ele encontraria a explicação. te ntava ignorá- la. durante a Revolução. sentindo o impacto dos fluídos que o alcançavam.. para ajudar na recomposição da forma “física”. à mão.

pela vingança. como noutra. impunemente. * Mas o diálogo prossegue. uma falta cometida contra mim. tanto numa. A sociedade humana tenta a reparação pelos caminhos da punição. Em outros casos de deformações perispirituais e zoantropia. pela regeneração. a divina. a da impunidade. ao Espírito tumultuado pela paixão da vingança? Como iremos mostrar-lhe a falácia da sua filosofia da . porque ela tem outras aplicações. respondendo por desatinos cometidos. O criminoso terreno deve pagar pelo que fez. de ajudar a reconstituir lesões perispirituais e recompor seres reduzidos a formações animalizadas. de forma convincente. o que se percebeu. as faltas cometidas contra nós. nós mesmos. como explicar tudo isso. que reabre o ciclo da culpa e nos obriga a pagar aquilo que consideramos simples reparação? Mas. cada vez mais dolo rosa e ampla. mesmo que. a lei humana não leva em conta o fato de que o homem sofre justamente aquilo que está nos seus compromissos cármicos. que ele se recomponha perante a sua vítima. E se não colocamos um ponto final nessa espiral de horrores. imperfeita imitação dos conceitos superiores do Direito Cósmico. sua lei não teria sido muito melhor do que a nossa. pois que direito é esse. o quadro que se lhe apresenta. se Deus me assegurasse o direito de cobrar. de cabeça decepada. o concurso de um médium de efeitos físicos foi decisivo. com movimentos aflitivos das mãos. Ante a lei humana. do qual conhecemos as primeiras letras. mas parece que não podemos ser punidos por exercer uma ação que o direito nos assegura. ela continuará a abrir-se para baixo e para o futuro. Por outro lado. 169 Mesmo para o companheiro a que há pouco nos referimos. mesmo sem a vidência. Creio que. Enquanto lhe dávamos passes. existe a idéia básica da reparação. A lei humana não toma conhecimento da sobrevivência do espírito. Não obstante. ele ainda insiste em racionalizar a seu jeito. através de sua própria consciência. o médium expeliu realmente grande quantidade de ectoplasma pela boca. Dessa forma. pelos movimentos irreprimíveis que fazia como se estivesse vomitando em seco. ele pode cobrar. independentemente do que acontece com aquele a quem ele prejudicou. Ainda falaremos sobre a ectoplasmia nos grupos mediúnicos. ele esteja quite. É claro que não falo aqui no direito humano. em face dos códigos terrenos. Mesmo com tudo isso presente à sua consciência. que há pouco mencionamos. Não sei se os juristas que me lêem concordam com isto. Suponhamos já ter sido possível identificar o núcleo principal do problema. Continua a submetê -lo ao seu próprio juízo e a invocar o seu direito à cobrança. além da. Já discutimos alguns aspectos teóricos desta questão. sim. Não que tenha um direito assegurado nos códigos divinos. Não obstante. não haveria direito líquido e certo de cobrarmos. porque a idéia de direito implicaria. a lei divina vai adiante e lhe pede a reconciliação. ele parecia absorver os fluídos avidamente. a prisão ou a indenização redimem o criminoso. procurando impregnar-se deles. Teoricamente. talvez. A lei divina pede do ser. muito falta ainda para dissolver e dispersar aquele núcleo doloroso. Já descobrimos as razões fundamentais do seu drama.

170 reparação? Em muitos casos. revezando- se nas posições de perseguidor e perseguido? Além do mais. e somente o libera da sua própria dor. procure encarar o processo. assim mesmo. Às vezes. ou seja. Ele não se mostrará sensível ao apelo. que. que o rancor não se satisfaz nunca. a vítima às vezes se lhe escapa irrevogavelmente das mãos pelo próprio sofrimento que lhe é infligido. estaremos começando a ajudá-lo. Acha ele. pelo despertamento de seu Espírito. e que continua retido. a de que. no momento oportuno. Se conseguirmos despertá-lo para essas verdades. enquanto não se convencer de que isso é uma realidade irresistível. através de seres que lhe são caros. Por que manter dois Espíritos amarrados. exercendo a vingança por suas próprias mãos. Ao longo do tempo ele ficará falando sozinho. muito menos pelos caminhos do sofrimento alheio. indefinidamente. na alienação da sua vingança sem objeto. ele nem percebe que também sofre. Nem sempre lhe adianta uma bela pregação moral. Sacudido pela tormenta das suas paixões. Por mais absurda que pareça a tese ao vingador. Quando chegar a hora da dor. por exemplo. se esse dia pode ser hoje. Não sabe ele. como se estivesse apreciando um caso. com prazer. com objetividade e sangue-frio. medite. sobre as virtudes teológicas do perdão. mas isto é uma vingança frustrada e o satisfaz ainda menos do que a outra. com mais um século ou dois de rancor. vida após vida. Um dia despertará. vai conseguir o que não conseguiu em dois ou três? Pretende continuar preso à roda-viva da aflição? Por quanto tempo? Não está cansado? Não deseja experimentar ao menos um pouco de paz? Pare e reflita. ele se inscreve novamente como culpado. diz ele. não o seu caso. e as sofrerá. que o interessa pessoalmente. pelo esforço que faz em ajustar- se perante as leis divinas. ele já está convencido dessa realidade. Não importa. para retomar a sua caminhada. agora? . pelo perdão. o seu ódio somente se estanca. porém. E por que esperar tantos desenganos. afinal. Ele quer cobrar. porque pelo menos terá saciado o seu rancor. basta uma pergunta bem colocada. no processo que ele próprio criou. E então o perseguidor não terá mais como atingi-lo. ele arcará com as suas responsabilidades. Poderá ainda insistir em persegui-lo indiretamente. no tribunal invisível da sua própria consciência.

em não nos deixarmos envolver pela sua “faixa”. em tom afável. E. Bastam as ansiedades do irmão que nos visita e. se for necessário dizê-la. que pediu a Deus. para impedir que ele escapasse novamente do seu poder. depois de recolhido pelos trabalhadores espirituais. diz que sim. em estado de terrível agitação. recaíra em poder de seu perseguidor. A uma palavra minha. Quando me levanto para ajudá-lo. resvala nova mente no precipício da desarmonia. Isto não exclui. da nossa parte. como num passe de mágica. que o recoloca à mercê de seus perseguidores. diz. apoiada na compreensão e na tolerância. Deseja morrer. É hora de falar-lhe com mais firmeza. que Deus não se acha à nossa disposição. pois desencarnara. falou aflitivamente de seu problema. Contraditoriamente. e do carinho de nossos dedicados irmãos. para atender a qualquer capricho ou cumprir ordens. a necessidade. Está possuído de intenso ódio e de muita revolta. deblaterando contra a ineficácia dos nossos métodos de trabalho. que ele não pediu a Deus. de ressentimento ou de condenação. em estado de pânico e aflição indescritíveis. às suas aflições. às vezes. mas tem que reconhecer. que. recomeçou a indução. são decorrência de suas próprias faltas contra a lei divina. mas naquilo que dizemos. em altos brados e com desprezo. pois. também não posso lhe tirar a dor. Este é o irmão a que já me referi. tato e oportunidade. Ele deve convencer-se de que precisa ser mais humilde. ao contar que. seu hipnotizador. Caíra em poder de implacável hipnotizador. certa vez. Agora. também. Não é assim que as coisas funcionam. afinal de contas. Certo Espírito apresentou-se-nos. 171 31 LINGUAGEM ENÉRGICA Sem dúvida alguma. Por outro lado. A voz precisa continuar calma. que de nada valem meus passes e minhas preces. se pretendemos minorá-las. a seguir. mas éimprescindível que seja sustentada pela mais absoluta sinceridade e por um legitimo sentimento de amor fraterno. A energia não está no tom de voz. que se achava presente. ainda e sempre. mas que isso de nada adiantou. ainda que sem o mais leve traço de arrogância. Nada de precipitações e ansiedades. A despeito de todo o cuidado. o esforço deve ser redobrado. Ele precisa. Ele foi recolhido. sem pieguice. mais desarvorado do que nunca. reclama. quando conseguir pegá-lo. que se vingará implacavelmente de seu obsessor. por certo. Um deles tentou aliciar a atenção de um dos componentes do grupo — uma . de compreensão e de esclarecimento. em condições dolorosas e trágicas. mais paciente. Digo-lhe. porém. que o reduzira ao mais extremo desespero. Se o companheiro éagressivo e violento. de uma palavra mais enérgica. o momento de dizê-la tem que ser bus cado com extrema sensibilidade. A essa altura. Este é o momento em que certa dose de energia torna -se de imperiosa necessidade. a nossa tranqüilidade. autoritária ou rude. sem precisar ser melosa. pelo nosso grupo. mas. Aproveitando-se da incorporação ao médium e da proteção do grupo. Foi socorrido e encaminhado a uma instituição hospitalar do Espaço. ele tentou exigir de Deus um imediato alívio para os seus males. exige uma solução para o seu caso. desintegrar-se. temos que contrapor. muito jovem. a tônica do nosso diálogo com os irmãos desnorteados é a paciência. é preciso que a voz não se altere a ponto de soar violenta.

com extraordinário vigor e habilidade. mentores espirituais. no entanto. Na reunião seguinte pareceu-me que o momento propício che gara. eles nos orientam e assistem. deixando-o “brincar” um pouco. Mas. faz uma brincadeira como aquela. 172 jovem senhora — explorando sua repugnância por baratas e ratos. pois que não podemos esquecer-nos de que os Espíritos desarvorados empenham-se. com seus recursos. fazem-no com extrema discrição. como quem se desculpa: — Foi o que encontrei aqui. um homem assim inte ligente e culto. para doutrinar o Espírito manifestado. Tomou um pequeno lenço. um pequeno incidente. Se pronunciada antes da hora. Dizia que a sala estava cheia de baratas “astrais”. e.. que não era ainda a oportunidade de falar-lhe. um “professor” de Doutrina Espírita. Em casos excepcionais. mas deixam a nosso critério a condução do diálogo. Era um líder. no momento inoportuno. poder de oratória. mais a sério. O problema da palavra enérgica é. A cena com as “baratas” e os “ratos astrais” era. e. na sessão anterior. quando isto se torna imperioso. certa vez disse um “Basta!”. porém. o episódio ficara esquecido. nestes casos. pois. não nos esqueçamos. como quem apela para um recurso extremo. que se diz líder e mestre. presentes. por certo. Esse meio-termo. Um desses companheiros amados. para isso. o momento tem que ser oportuno e. agressividade e arrojo. habilidade como argumentador. de baratinhas e ratinhos astrais? Ele parece ter sido apanhado de surpresa. que não conseguia convencer-nos pela argumentação. Durante nossa conversa anterior — confirmada no prosseguimento do diálogo — ele nos dera inequívoca demonstração de capacidade intelectual. por outro lado. sob condições especiais. talvez. só podemos contar com a intuição. de agressividade. que se achava sobre a mesa. no mínimo. estará arriscando-se a sérias e imprevisíveis dificuldades. e de ratos que corriam de um lado para outro. desviei sua conversação animada. clima em que se sentem muito mais à vontade do que o doutrinador. A certo ponto. falarem com inusitada energia e firmeza. incongruente. muitas vezes.. é a marca que distingue um doutrinador razoável de um incapaz. para o problema das baratas: — Como é que você — disse-lhe eu —. evasiva mente. de impaciência. quando falham os outros. revelar-se temeroso e intimidado. Mas estava evidentemente desbalanceado. Algo desconcertado. sobre a “doutrina” de Kardec. em arrastar-nos para a altercação e o conflito. pode acarretar inconvenientes e perigos incontornáveis. para que o próprio doutrinador a desenvolva. e revelava desespero. É comum. que subiam pelo corpo dela. dado que os Espíritos que nos ajudam não nos trans formam em meros repetidores de suas palavras. Raramente interferem e. . ao Espírito que deblaterava com arrogância e impertinência. que. pensou. Ela se manteve firme. e eu também não lhe disse nada. incorporam-se em outros médiuns. entre destemor e intrepidez. limitando-se a transmitir uma pequena informação. extremamente delicado. Achei. Se este “topar a briga”. com incontestável autoridade. disse-me. como eu deixara passar a ocasião de falar. sem o menor traço de rancor. sobre os seus “recursos”. fácilita-nos o acesso à verdadeira motivação da sua problemática. como este. e largou-o sobre as mãos que ela conservava pousadas sobre os olhos fechados. Não pode. Percebera.

quando desafiado. e. estaremos em apuros muito sérios. que seja. pois começa a ficar vaidoso. depois de uma observação mais enérgica. ou seja. Uma das muitas armas que manipulam. ou em que transpareça uma pequena pitada de cinismo. quando começa a perceber que está cedendo. para os seus fins. está perdido: é melhor passar suas atribuições a outro que. a palavra enérgica é necessária. seria desastroso recuar. 173 pois os bons mesmo são rarissimos. Muitas vezes envolvem. tenha melhor condição. Se o doutrinador julga-se invulnerável e infalível. tem que ser ainda mais adoçada. Qualquer um de nós redobra suas energias. pois. pois. tratamos logo de provar que. intimidado. Os próprios Espíritos desequilibrados encarregam-se de demonstrar que não há doutrinadores impecáveis. neste livro. mas deve ser dosada. E aquele que se julga um bom doutrinador está a caminho de sua própria perda. mesmo. Nunca deve ir à agressividade. A interferência enérgica é. embora não tão qualificado intelectual-mente. O Espírito perturbado tiraria disto o melhor partido possível. com extrema habilidade. em freqüentes ocasiões. . Quando alguém põe em dúvida um. é a do ridículo. Ademais. É humano. nem grosseria. com extrema sensibilidade. indispensável. de hipocrisia ou de prepotência. se conseguir manter-se ao mesmo tempo firme e humilde. à irritação. Esses momentos de firmeza são também necessários quando o Espírito entra no processo que costumo chamar de “crise”. estarmos atentos e preparados para interferir com mais energia. esse impulso. Nada de gritos e murros na mesa. encorajadora. o momento certo. neste caso. e que o mais profundo amor fraterno pode e deve coexistir no mesmo impulso de exortação franca e corajosa. e não repressiva. enganam e mistificam. ao contrário. Baste aqui dizer que a energia. dos nossos mais modestos atributos. é naquilo que somos bons. é incontestavelmente humano. escolhido com seguro tato. e jamais ao desafio. Precisamos saber quando dizer que eles estão errados. e por quê. à cólera. certos de que firmeza não é estupidez. uma questão de oportunidade. Ainda veremos isto mais adiante. Se cairmos na tolice de dizer-lhes algo que não podemos sustentar. É preciso. e da maneira sugerida pela intuição do momento. porque em muitos casos é fator decisivo no despertamento do irmão aturdido. Em suma. precisa ser decidida à vista da psicologia do próprio Espírito manifestante.

no mesmo capítulo de “O Evangelho segundo o Espiritismo”: “A qualidade principal da prece é ser clara. que são meros adornos de lantejoulas. E acrescentou. 174 32 A PRECE A fé e o amor são os dois grandes instrumentos de trabalho do doutrinador. mais adiante. Citando os seus amigos espirituais. em qualquer oportunidade. 11:1). A prece o envolve em vibrações pacificadoras. quando diz.” Estes ensinamentos são. cada um segundo suas convicções e da maneira que mais o toque. 13:13.) Uma fé assim é preciso para orar pelos nossos queridos irmãos desarvorados. Numa palavra: deve fazer refletir. . ele se surpreendia em achá -la tão legítima. que você não se importa. pela expressão da fisionomia. ilógica ou irracional. A fé e o amor causam impactos espantosos em nossos irmãos infelizes. pelo som mesmo da voz. mas são de capital importância na prece que formulamos pelo Espírito desajustado que temos diante de nós. para os trabalhos de desobsessão. tão firme. Somente sob essa condição pode a prece alcançar o seu objetivo. é durante a prece. despertar uma idéia. Muitas vezes. subsistiriam “a fé. esse tema inesgotável. Ainda voltaremos a falar sobre o amor. o pensamento é tudo. ao qual se conserva indiferente a alma. Kardec torna isto particularmente claro. Vêem-se lábios a mover-se.” (Primeira Epístola aos Coríntios. não passa de ruído. Quantas vezes tenho ouvido depoimentos. em “O Evangelho segundo o Espiritismo” (capítulo 28): “Os Espíritos hão dito sempre: “A forma nada vale. ou por alguém por ele indicado no grupo. no decorrer do diálogo conosco. para qualquer tipo de prece. de Espíritos aturdidos ante a evidência desses senti mentos: — Que fé absurda tem você! — disse-me um deles. preciosos. Ore. E que. é a observação de que a prece “deve fazer refletir”. Cada palavra deve ter alcance próprio. puramente exterior. tão viva. estão no original. sem fraseologia inútil. extravagante. na verdade. que o Espírito manifestante faz uma pequena pausa para pensar. sempre a nos sur preender com o seu infinito potencial. pois. Ele não queria dizer que a minha fé era falsa. de outro modo. A força e o poder da fé transmitem-se à prece. mesmo depois de tudo dito e vivido. que “a fé é a garantia do que se espera. incorporado ao médium. na maioria dos casos. a prova das realidades invisíveis” (Hebreus. os três. em uma ternura que. Um bom pensamento vale mais do que grande número de palavras com as quais nada tenha o coração. nem luxo de epítetos. enunciada com emoção e sinceridade. a esperança e o amor. Ela deve ser elaborada em torno da própria temática que o com- panheiro nos tenha revelado. De transcendental importância. de reservas inexauríveis de energia criadora. simples e concisa. Bem dizia o nosso Paulo. de harmonias insuspeitadas. veri fica-se que ali apenas há um ato maquinal. pôr em vibração uma fibra da alma.” Lembro que os destaques não são meus. talvez há muito não experimente. Entretanto.. notai com que ar distraído e com que volubilidade elas são ditas. especialista em tais assuntos. dita em voz alta pelo doutrinador. de comovedora sinceridade. fonte de belezas eternas. estupefato: — O mundo pode desabar em cima de você. mas. Kardec escreve..

ao longo dos séculos. que se acham “defendidos”. por julgarem-se além de toda recuperação.. Curioso. às vezes por séculos. muito critica e importante. ou fazer um comentário condescendente: — Pode orar. Se já dispõe de alguma informação sobre ele. de que esses canais de acesso estão abertos também a eles. colocando diante dela o problema de dois seres que haviam errado gravemente. zombando ou ridicularizando. aguardar esclarecimentos e informações que — nunca é demais recomendar — não devem ser colhidas em interrogatórios e através dos artifícios da bisbilhotice. com as palavras e as emoções que ele mesmo escolheria para dirigir-se ao Pai ou a Jesus. Alguns. Como disse. no máximo. Geralmente ouvem-na em silêncio. Poderá. tentando reproduzir. a prece foi elaborada como se partindo de nós dois: o doutrinado e o doutrinador. mesmo porque. dificilmente ele se oporá. como que a concentrar nele as vibrações e as bênçãos que invocamos. “protegidos” por “couraças” e “capacetes” invioláveis. e. ou de alienação. A prece deve ser dita de preferência de pé. O melhor. Ambos havíamos sofrido. Em alguns casos. do Espírito. Basta dizer. de se dirigirem a Deus. nos quais — esperam eles — as energias suscitadas pela prece não poderiam penetrar. com as mãos estendidas para ele. Dirija a sua prece a Deus. no entanto. como um intermediário entre ele e os poderes supremos que nos orientam e amparam. Ou lhes falta coragem. por causa daqueles enganos. por exemplo: — Vamos orar? Ou: — Agora vou fazer uma prece. é esperar um pouco. que varia. insistem em continuar falando.. em gestos. Em certas ocasiões épreciso orar ainda no princípio da manifestação. . que muito raramente eles procuram perturbar a prece. a Jesus ou a Maria. Dificilmente ele recusará. as imagens contidas no sentido das palavras pronunciadas. Um deles procurou dramatizar as minhas palavras. ou durante a prece. se estivesse em condições de fazê-lo. ao lado do companheiro manifestado. a prece tem seu momento psicológico ótimo. No momento propício — e mais uma vez temos que recorrer à intuição e ao senso de oportunidade — convém dirigir-se ao próprio Espírito e propor-lhe a prece. Certa ocasião. mas como se fosse ele próprio. em virtude de o estado de agitação. necessariamente. ainda que o recuse. no entanto. dar um muxoxo desinteressado. no entanto. devemos fazê-la. um pouco da sua história e da sua motivação. e até milênios. pois estávamos envolvidos muito profundamente em compromissos mútuos. pelo menos comedido. 175 Como tudo o mais que tentamos realizar nos grupos de desobsessão. antes. costumo orar não apenas pelo Espírito manifestante. indignos e incapazes de projetarem o pensamento a tão elevadas entidades. não nos permitir colher. Não têm mais vontade. não deve mos pedir-lhe permissão para orar. Já era mais do que tempo de chegarmos a um entendimento e colocarmos ponto final naquela penosa e aflitiva desarmonia. Alguns informam depois. de um caso para outro. julgando servi-lo. senão respeitoso. Eles se esqueceram. e sim comunicar- lhe que vamos fazê-lo. pedindo ajuda para o companheiro que sofre. que acreditava muito cômicos. Dirigi-me à doce Mãe de Jesus. fale especificamente de seu problema. se quiser. ou interesse.

Não são poucos os que continuam. até mesmo a prece. A prece muito contribui para vencer estas últimas inibições e hesitações. sem os rancores que nos prendiam a um passado lamentável. quando pedimos para orar conosco. pobres irmãos. difere de um caso para outro. Não podemos esquecer-nos de que são muitos os que praticaram. 176 para que. sur preendente. sentem-se atônitos e temerosos.. Alguns deles. transformou-se em mero instrumento de poder. não se sentem encorajados a “falar” com Ele através da prece. que ao cabo de tantos desenganos. e acabou cedendo. os que se comovem. oficiar os ritos e os sacramentos a que estiveram habituados na vida terrena. cega e injusta. ou pronunciaram julgamento sobre o próximo. sem convicção. dizendo que “ali não há condições”. ainda que nem sempre instantâneo. esvaziando-se de todo o seu elevado e nobre con- teúdo. Entre continuar numa dor que já conhecem. a falta dos paramentos e dos livros adequados. singela. a celebrar suas missas. da prece — um riso nervoso. Desculpam-se. pediram favores insólitos a Deus. então. pois.. desculpam-se desajeitadamente. que precisam de algum tempo para deixarem-se alcançar. Isto é especialmente invocado pelos companheiros que foram prelados. quando propomos que eles orem também. mas pode ser grupada dentro de classificações mais ou menos didáticas. Por isso. mas ainda precisam de tempo. sabem que aquilo é estranho à simplicidade e à autenticidade do Cristo e de seu Evangelho. mas. Estão com medo. Como se julgam alienados da doce intimi dade do Cristo. pura. por exemplo. São muitos os sofredores que se enquistaram de tal maneira atrás de suas defesas e de suas couraças. quando convidados a orar de verdade. em silêncio. A reação. ou. pois. ou como se somente pudessem exercê-lo com os apetrechos a que se habituaram. Para esses pobres companheiros desarvorados. recusam-se. passem a não crer nela. manifestação mais pura do diálogo entre o homem e Deus. aparatoso e vazio. com a impropriedade do ambiente. um culto formal e frio. mesmo. como se não dessem nenhuma importância a qualquer ato de contrição. Medo da emoção que os leva à crise. Não é de admirar. que nos concede aquilo que não merecemos. no curso dos seus pensamentos habituais. os que a ridicularizam. exteriormente. ou seja. vida após vida. em respeitoso silêncio. e da crise que os leva à dor que os espera ao longo do extenso caminho de volta. como acima esboçado. por algum tempo. juntos. Estes ainda riem. os que se . embora reagindo. para exigir favores de uma divindade servil. Com essa prece aviltada e despovoada de emoção. Outros. porque temem seus efeitos. no qual o coração e a fé não se envolveram. ou com a qual não se acham familiarizados. escorada na emoção e no afeto. como irmãos que éramos. ou continuem a entender que a prece é para isso mesmo. preferem ficar como estão. a vida inteira. a ponto de realizar-se neles o milagre sempre renovado do amor. pois. e que se encontra anestesiada. Ela os leva a alguns instantes de pausa. e entregar-se a outra que desconhecem. São incríveis a força e o impacto de uma prece límpida. a nossa caminhada. no atormentado mundo espiritual em que vivem. conseguís semos retomar. mas não tentam impedir-nos. ambos. Fosse Ela a advogada da nossa causa e nos ajudasse a encontrar os caminhos da paz. Ele ouviu a prece. Representa uma experiência da qual se desabituaram. Há. no fundo. os que ouvem. O efeito é “milagroso”. ou não concede o que julgamos merecer.

de coração sangrando. ou diante de nós. A prece nos liga porque. ou líder. Na profunda inti midade do seu ser. ele deveria realmente acreditar que era um excelente trabalhador do Cristo. às culminâncias da esperança. contempla a esperança e ajuda-nos na doação do amor. que oram até mesmo com certa veemência. estava ao abrigo de suas próprias contradições ínti mas. Falava em nome da “equipe humilde” do Cristo. É possível que ele fosse sincero no seu apelo. que estávamos muito necessitados de socorro e orientação. 177 recusam a dizê-la. Sendo. e continuava a negacear diante da difícil decisão de abandonar o poder e a glória. de intensa e desastrosa sinceridade. e preparou-se para orar. falando com entusiasmo e brilho. A prece é o instrumento do amor grande e puro de que nos falou o Cristo. mas. . convencidos de que Deus. a esperança e o amor. Recolheu-se a uma postura correta. descer do pedestal de grande mestre. ou não necessitados. Sua prece era um tanto oratória e. porque o Cristo sabia de suas ne cessidades e aspirações. juntando as mãos em frente dos olhos fechados do médium. aprisionado ainda no erro. por me faltar autoridade para fazê-lo. é por ela que a caridade nos faz agentes da Divindade. de suas responsabilidades maiores. porque o fanatismo é. virá imediatamente em seu socorro. Ele ainda comentou a minha atitude. Ë por ela que conseguimos alçar o nosso espírito. Disse-lhe que não me cabia autorizar um ato desses. pelos caminhos espinhosos da recuperação. a prece é o convite para que a esperança se realize em nós. a uma platéia invisível a nós. algo surpreso. Paulo apresentou juntos a fé. mas pedia para nós. aguardou alguns momentos de silêncio respeitoso e se pôs a orar a Jesus. a fé. e os que se acham de tal maneira alienados. Um deles tomou a iniciativa de pedir-me para orar. por julgarem-se indignos. diante de um doutrinador impertinente. espicaçado pelo remorso. e nada pedia para eles próprios. ou o Cristo. pois. Enquanto isso. depois nos deu uma demonstração de seus recursos de pregador. às vezes. no seu caso. com muita veemência. de fato. apoiada na fé. os componentes do grupo. para voltar a ferir os pés descalços. “a garantia do que se espera e a prova das realidades invisíveis”. continuei com a impressão de que aquele era apenas mais um dos inúmeros mecanismos usados para fuga. para livrá-los da situação em que se encontram. a quem orava com todo o fervor.

que dizem basicamente a mesma coisa: — Passes. através da oração. pl. por exemplo. que o passe “é sempre valioso no tratamento devido aos enfermos de toda classe. opera certa lesão no hemisfério psicossomático. o passe é utilizado também para magnetizar. sobre o passe apli cado aos . pelo menos no Brasil. merece algumas observações específicas. no século passado. porém. cabe ao médium passista buscar na prece o fio de ligação com os planos mais elevados da vida. provocando. nos seres responsáveis. de vez que o magnetismo foi amplamente cultivado na Europa. a fim de que o Estado Orgânico. nessa ou naquela contingência. a vontade fortalecida no bem pode soerguer a vontade enfraquecida de outrem. que. reiteradas posterior-mente por vários pesquisadores. capítulo 15: — “Pelo passe magnético. por desajustes complicados do cérebro. a refletir-se em desarmonia no hemisfério somático ou veículo carnal. dissera ele que: “Toda queda moral.” Pouco antes. que mais se poderia exigir de um dicionário não especializado em fenomenologia espírita? André Luiz. para que essa vontade. desde as crianças tenras aos pacientes em posição provecta na experiência física. Como sabemos. A literatura sobre o passe magnético é vasta. principalmente na França. Tão difundida está hoje.” Retomando o tema. mesmo fora do âmbito estritamente doutrinário do Espiritismo. no entanto. como. Observamos que os textos aqui reproduzidos referem-se especificamente ao passe curador. e até o acesso à memória integral e conseqüente conhecimento de vidas anteriores. em toda situação e em qualquer tempo. o de Caldas Aulete e o da Academia Brasileira de Letras. nas sessões de desobsessão. 178 33 O PASSE A técnica do passe magnético. que até os dicionários comuns contêm definições aceitáveis dele. ou sobre a parte doente da pessoa que se pretende curar por força mediúnica. o desdobramento do perispírito. ser menos rico de resultados imediatos nos doentes adultos que se mostrem jungidos à inconsciência temporária. aplicado em seres encarnados. novamente ajustada à confiança magnetize naturalmente os milhões de agentes microscópicos a seu serviço. se recomponha para o equilíbrio indispensável. a idéia do passe. É certo que a definição não cobriu todo o campo de ação do passe. segundo experiências de Albert de Rochas. porém. ou perispíríto. porqüanto. passagens que se fazem com as mãos por diante dos olhos de pessoa que se pretende magnetizar. observa ainda. do ponto de vista da medicina humana. informando sobre o passe. a lhe utilizarem os recursos para a extensão incessante do Eterno Bem”. Esclarecemos. contará com a presença sutil dos instrutores que atendem aos misteres da Providência Divina. declara. nesse caso. Poucos estudos existem. mas. organizado pelo Professor Antenor Nascentes. provocando determinada causa de sofrimento. ao que sabemos. notadamente aquele que se baseia no divino manancial da prece. em “Evolução em Dois Mundos”. reconhecendo-se no entanto. esse mesmo autor espiritual. em “Mecanismos da Mediunidade”.

embora mais sutil noutro campo vibratório. altamente éticos. Sem dúvida alguma. A teorização somente é válida quando escorada na experiência. 179 seres desencarnados. o Espírito desencarnado. apoiado na prece. o passe é recurso válido nos labores mediúnicos. quando informam que o passe magnético. com a técnica adequada e na extensão necessária. e creio que algumas observações já estão mais amadurecidas e em condições de mais aprofundados estudos e desenvolvimento. ou seja. como nas outras. é imprevisível. qual a técnica e qual a extensão. precisa ser ministrado no momento certo. os amigos espirituais que tão generosamente se colocaram ao nosso lado. além de ser uma organização consciente extremamente complexa. hediondos e totalmente desprovidos de qualquer compromisso com a moral. Dessa forma. tal como codificada por Kardec e suplementada pelos seus continuadores. não apenas para fins curativos de disfunções perispirituais. Podem também ser desenvolvidas e treinadas por métodos limpos. têm-nos trazido sempre o estímulo dos seus ensinamentos. no entanto. As faculdades psíquicas. mas que. qual o momento. Talvez um exemplo ajude a esclarecer o que tenho em mente ao escrever isto. em virtude de permanecerem em segredo. No entanto. incorporado ao médium. mas deve ser empregado com certas cautelas e com moderação. com seriedade e respeito. pois é ele o modelador da nossa organização material. Tanto podem ser empregadas nas tarefas do bem. ou por meio de processos aviltantes. é similar à do corpo físico. a experimentação deve balizar-se dentro daqueles conceitos fundamentais que a Doutrina e a lógica já confirmaram. tanto no encarnado como no desencarnado. são. portanto. em hipótese alguma. para orientar e apoiar o nosso trabalho de doutrinação. como para provocar a regressão de memória. constitui poderoso fator de reajustamento para os desencarnados cujos perispíritos se acham lesados em decorrência de quedas morais. O passe. pouca gente . Os rituais da magia negra também revelam e desenvolvem faculdades psíquicas. O perispírito. mas bastante encorajadoras. lógico inferir que o mecanismo é idêntico ao passe aplicado em seres encarnados. definições precisas e definitivas não existem ainda. Os ensinamentos de André Luiz permitem-nos concluir assim. o conhecimento real emerge da experimentação. está presente. em si mesmas. mas não devemos esquecer que a recíproca também é legítima. aberto aos benefícios que o passe proporciona. Sua estrutura. como todos os demais recursos com que procuramos socorrer os nossos irmãos desencarnados em crise. tenho tido oportunidade de observar as possibilidades e recursos do passe sobre companheiros desencarnados e creio poder contribuir com algumas observações. Parece. ainda que preliminares. de falhas e de êxitos. pelo simples fato de que o ser humano. Não sei se me faço entender. mas por processos abjetos que. neste campo de trabalho. como veículo da sensibilidade e intermediário entre o Espírito e o ambiente em que vive. torna-se facilmente acessível ao passe magnético e. Na prática da desobsessão. desligados dos conceitos fundamentais da Doutrina Espírita. Nunca é demais lembrar que. como sabemos. de um ou outro engano. neutras. deveremos enveredar imprudentemente pelas trilhas da fantasia. Mas. Nesse campo. para cada caso? Não podemos ainda — e creio que não poderemos fazê-lo tão cedo — escrever normas rígidas para a tecnologia do passe sobre os desencarnados.

Com o passe. a fim de que. É fácil imaginar que tipo de mediunidade e que pactos sinistros emergirão desses métodos sinistros. sempre que nos levantamos para dar passes num irmão desencarnado incorporado. às vezes. da auto -hipnose. mas é preciso usá-lo com moderação. isso é necessário. ao despertamento de Espírito em estado de alienação. sua técnica. para tratamento mais adequado. ao tentarmos acalmar um Espírito agitado. pode criar vícios de difícil erradicação posterior. O passe ajuda também a desintegrar certos apetrechos que costumam trazer. e ele continua agitado. Com o passe os adormecemos. precisa ser desenvolvida com muita prudência e seriedade. simbolos. De outras vezes. o que. no trato dos nossos irmãos desencarnados. pois localizam-se muito realisticamente em pontos específicos de seus perispíritos. e por qualquer motivo. ao longo dos braços. condensar ou dispersar fluídos. Se temos necessidade de dialogar. no entanto. Ele é realmente o recurso válido e potente. Ele pode serenar ou excitar. em termos de Doutrina Espírita. para que dar passes? Em vários casos ele pode ser aplicado. O passe cura dores que julgam totalmente “físicas”. construir ou destruir. nas sessões de desobsessão. a identificação da mediunidade em potencial e o seu desenvolvimento. como vamos entorpecê-lo a ponto de levá-lo ao sono magnético? Às vezes. pelo menos por enquanto. “objetos” imanta dos. como “capacetes”. não o levemos a um estado de sonolência que dificulte a comunicação com ele. para que. tinha que ser dito. e que tenebrosos compromissos acarreta rão para o Espírito. que parecem escorrer como uma descarga elétrica. “couraças”. nesta fase. ou trazido na sessão seguinte. Em contraposição a tais processos. armas. estudo metó dico e prática bem orientada. em melhores condições de acesso. devem resultar de cuidadoso planejamento. isto é. para ajudá-lo. transmitir vibrações de amor ou de ódio. justamente do que mais precisamos. enfim. mesmo porque. qualquer trabalho mal orientado. Com passes — e neste caso precisamos também de um médium que tenha condições de exteriorizar ectoplasma — poderemos reconstituir-lhes lesões mais sérias ou deformações perispirituais. ou da própria. transmitindo-lhes diretamente ao coração as vibrações do nosso afeto. curar ou trazer mais dor. . podemos mais facilmente alcançar-lhes o centro da emoção. A primeira norma que poderíamos lembrar é a de que não deve ser aplicado a qualquer momento. não obstante. causar bem-estar ou incômodo. encarnado ou desencarnado. indiscriminadamente. com as quais os mentores do grupo compõem os “quadros fluídicos”. vestimentas especiais. tão necessários. ou fazê-las cessar. Com o passe podemos também ajudá-los a livrar-se da indução hipnótica alheia. subjugar ou liberar. O passe provoca reações variadas no ser humano. o passe pode ajudá-lo a serenar-se. foi dito. Já debatemos por algum tempo o seu problema. seja recolhido a instituições de repouso. ao ser retirado pelos mentores. Mas. 180 tem noção do nível de degradação a que podem levar. Precisamos estar sempre protegidos pela prece e pelas boas intenções. é necessário mesmo adormecê-lo. Neste caso. provocar crises psíquicas e orgânicas. Para isto serão passes de dispersão. para provocar fenômenos de regressão de memória ou projeções mentais. Creio que princípios gerais semelhantes a esses aplicam-se também ao estudo do passe.

violento e de dificílima abordagem. para sustentá -lo na sua “perigosa” missão junto a nós. grita-lhe impropérios terriveis. que rompeu o dique das suas emoções represadas: ele próprio fora seu obsessor. começou a chamar pela mãe. como no caso daquele que nos trouxe. ainda aceitava a mãe. ao seu grupo. na sessão anterior. Creio que ele não conheceu o pai e. mas nem sempre necessariamente em vidas anteriores. de braços estendidos. numa época de preconceitos muito severos. manda-a de volta ao cais. A sua reencarnação através dela foi um recurso da lei divina . por causa de sua vida miserável. mas nunca pôde esquecer-se de suas origens e perdoar a progenitora por ter sido uma pobre e infeliz peixeira do cais. de modo a serem conduzidos pelos trabalhadores desencarnados. Quando vê diante de si o Espírito de sua mãe. com voz mansa. Desta vez. as ligações foram mantidas e. a despeito deles mesmos. Na semana seguinte. um invisível prato de sangue. através dele. especialmente ao fim da conversa. 181 De todos esses aspectos temos tido experiências altamente ins trutivas e algumas de intensa dramaticidade. Ele sabe que o espírito é imortal e que vivemos muitas vidas. aos comparsas do Espírito mani festado. as palavras que ele ouvia do doutrinador. Ele se tornou sonolento e. Certo Espírito. está pelo menos em condições de ouvir melhor o que lhe digo. quando. Ao que parece. por exemplo . É também comum o trabalho de “desfazer” vestimentas especiais. Por que razão teria ele. São também constantes os fenômenos de regressão de memória. Cinqüenta companheiros seus haviam ficado reunidos. a propósito. Com mais freqüência do que seria de supor-se. Veremos outros exemplos. O Espírito era agressivo. Lembro-me. dentro das quais se julgam protegidos de nossos fluídos. O passe ajuda os Espíritos. se “retransmitisse”. Começo a pedir-lhe que procure compreender a mãe. os mentores do grupo utilizaram-se daqueles condutos para levar ao grupo deles uma vigorosíssima carga fluídica. precisamente. São mais freqüentes as oportunidades em que é preciso adormecer o Espírito. somos instruí-dos a provocar a desintegração de objetos e apetrechos. para que. de um doloroso e comovente caso. voltou novamente com todo o ímpeto. e não outra? É porque já estava ligado a ela anteriormente. até que adormeceu sobre a mesa e foi retirado. nesses mergulhos providenciais no passado. em rigorosa concentração. Ajudados por nossos passes. muito pequeno. Seu problema central é a mãe. Já relatei algumas ao longo destas páginas. destacou- se na vida. segundo nos explicou. que depositou sobre a mesa. até à infância. sofreu humilhações na escola. O passe pode “desfazer” os fios que ligam Espíritos aos seus redutos. Ademais. no devido tempo. Tem-lhe ódio mortal. ligava-se por um fio. agora agravado pelos “ardis” que utilizamos contra ele. ameaça bater-lhe e humilha-a de todas as maneiras. segundo diz. sabia ele das obsessões de que ela fora vítima? Foi isto. além de capacete e couraça. que os desarvorou completamente. quase sempre reportando-se a vidas anteriores. enquanto ela se encontrava na carne e ele permanecia no mundo espiritual. os amigos espirituais fazem com ele uma regressão de memória. porém. Numa dessas ocasiões. o fio também foi preservado. porque dependia dela e a consciência do seu drama interior estava adormecida. Ainda muito difícil. escolhido aquela mãe. nas quais se escondem núcleos de problemas afetivos. para fins muito bem definidos.

Ao cabo de uma longa conversa — e agora é o momento em que o doutrinador precisa de maior sensibilidade ainda — ele énovamente adormecido e levado. 182 do reajuste. Um dia saberemos mais acerca desse precioso instrumento de trabalho. Não deve ser empregado para atordoar o manifestante. precisa ser aplicado exatamente para serená-lo e prepará-lo para outra ocasião. é que exercitem com parcimônia o recurso do passe em Espíritos desencarnados e observem atentamente seus efeitos e possibilidades. Num “flash” doloroso. Em assuntos dessa natureza. às vezes. em que se apresentará mais receptivo. necessário a ambos. exatamente quando precisamos de sua lucidez para argumentar com ele sobre o seu problema. no campo mediúnico. Tenho perfeita consciência das dificuldades que o problema oferece e do embaraço em que me encontro para ser mais específico na formulação de observações concretas e de normas de ação mais definidas. Em suma: o passe tem importante lugar no trabalho mediúnico. . Se posso sugerir alguma Coisa. mas. é melhor confessar a escassez de conhecimentos do que arriscar-se a ditar regras que não estão nitidamente definidas pela experiência. ele compreendeu todo o seu drama terrível e entrou numa tremenda crise de remorso. mas precisa ser utilizado com prudência e sob cuidadosa orientação dos trabalhadores desencarnados.

naturalmente. trágica. o passado não interessa e o presente é a única realidade que aceitam e manipulam livremente. todo o nosso esforço é posto na tarefa inglória de manter soltas as paíxões. Se. jamais.” O escritor judaico não positivou no livro a sua crença na reencarnação. indomadas. comovedora. saberão fazê-lo com dignidade e coragem. desesperada. nesses momentos dramáticos em que o Espírito se acha completamente aturdido ante a enormidade de seus erros. Para o Espírito atormentado pelos seus desequilíbrios. e sim o poder de esquecer. as sementeiras da paz. Talvez por isso escreveu Sholem Asch. tentando suplantar os apelos negativos que insistem em infelicitar-nos. fortemente protegido pelos mecanismos do esquecimento deliberado. quanto o são perante a alheia. maior a dor que experimenta ao despertar para as realidades que procurou ignorar por tanto tempo. Esperam. no entanto. se fôssemos obrigados a viver sob o tropel das pungentes recordações de antigos e medonhos erros? É preciso. mas. enquanto se aprofundam em nós as raízes do desequilíbrio. Comprimidos numa estreita faixa de presente. Quando os advertimos dessas incongruências funestas. entre um futuro que ainda não existe e um passado que procuram igno rar. simplesmente. que se há de fazer? Temos a impenitente propensão para rejeitar como inválida a experiência alheia. paramos no tempo. a lembrança das existências anteriores. segundo os impulsos do momento. Que seria de nós. e presas as recordações. cons titui uma das condições necessárias à nossa existência. no trabalho de desobsessão. A dor dos grandes criminosos é terrível. a chave mais importante de que dispõe o doutrinador consiste em levá-lo a contemplar seu próprio passado. esquecem-se de que não poderão. no terreno fértil das paixões que julgamos tragicamente indomáveis. Dormem soterradas nos tenebrosos porões do inconsciente as razões das nossas angústias de hoje. É precisamente por isso que a sabedoria divina determinou que se apagasse em nós. mas. Para abrir diante dele uma janela sobre si mesmo. na abertura de “O Na zareno”: “Não o poder de recordar. ao tomarmos novo estágio na carne. e cultivamos. São de incontestável importância estas noções. dado que. O esquecimento . mas não se pode negar a sua intuição da verdade. Quanto mais arrogante e belicoso o companheiro desarvorado. Estamos a caminho da redenção quando damos apoio consciente às tendências do bem em nós. respondem-nos que não estão preocupados com o futuro. 183 34 RECORDAÇÕES DO PASSADO Somos o nosso próprio passado. fugir às suas res- ponsabilidades e compromissos. o futuro não importa. distinguir bem uma coisa da outra. com as nossas lágrimas. ao contrário. ser tão valentes perante a dor própria. quando estimulamos. ao chegar a vez de sofrerem pelos seus erros. com amor e sofrimento. quando são. É preciso saber que cabe a nós — e a ning uém mais — domá-las. que lutam por consolidar-se na complexidade da nossa psicologia. tanto quanto estão em nós as conquistas positivas. nos deixamos dominar pelas sombras que trazemos no íntimo. embora seja essa a temática de que se utilizou para elaborar a sua estória. Trágico e doloroso engano é esse. enquanto nos apraz o erro. que procuram viver com toda a intensidade possível.

como se estivesse momentaneamente desligado das suas culpas. ligando-se a tenebrosas organizações. enfim. Dentro dessa lógica atormentada. Vamos primeiro “gozar” a vida. agora. É só. dos desenganos. que nem sempre ele sabe avaliar. porque a redenção ainda vem longe. é mais certo que continue o percurso da dor. depois de uma pausa. veremos como acertar essas contas com o que. Quantas ve zes os temos surpreendido a advertirem-se do “perigo” que representa. Dentro de pouco tempo — e que é o tempo. açambarcar o poder. Com a finalidade de conceder-lhe todas as oportunidades. o esquecimento do passado constitui dádiva preciosa. assim envolvido. há milênios sem conta. poderá prosseguir no áspero caminho da redenção. para eles. na trajetória evolutiva do Espírito. congela o coração. à sua condição de espírito desencarnado. para refazer-se. passa à condição de não-existente. dominar o semelhante. da renúncia. para que faça um inventário geral de seu acervo espiritual — as aflições que remanescem e as conquistas que já conseguiu realizar. além disso. no mundo espiritual. alegremente. mesmo. e colocar à sua disposição os melhores instrumentos. acaba por acreditar-se uma criatura sem passado. sair em campo. Ficam para depois as conquistas sobre nós mesmos. que temos de descobrir uma fórmula para levá-lo a recordar. encerra-se o Espírito endívidado num círculo de fogo. na fase da reencarnação. seus remorsos extremamente penosos. de sua própria criação. O melhor. como se o passado não existisse mais em nós. sepultá-las. É seguir em frente. é uma bênção. utilize-se. em nova aventura na carne. uma concessão. para aquele que muito errou. dentro das quais os membros protegem-se mutuamente. Esse momento é crítico. Novamente se vê ele numa das inúmeras encruzilhadas da vida: por um lado. É aquele que opta por este caminho. 184 proporcionado ao Espírito. acumular riquezas materiais. de todo o acervo de experiências e conhecimentos que traz em si. caírem na faixa da . que talvez ainda o fascine. enquanto mutuamente se servirem. Suas angústias são muitas. do ponto em que a inocência a deixou. em proveito próprio. ainda que efêmera. viver. embora ainda responsável por elas. daquele mesmo passado que renega. ou ao poder. teimamos em chamar de destino. Só poderá sair queimando-se. por aí dificilmente ele irá à glória imediata. pode ser-lhe facultado o acesso à memória integral. É como se a vida principiasse nova mente. adstrito à incoerência dos alienados. embora. É certo que. irresponsavelmente. em tais condições? — o passado. o frio anestesia a sensibilidade e o imuniza da dor alheia. e o futuro nunca fosse existir. buscar seus comparsas. Depois. pois. porque é justamente disso que ele foge. enquanto permanecer ali. Se é verdade. para que ele tente a reconstrução de si mesmo. está o caminho aparentemente mais fácil e certamente mais convidativo do adiamento. está abrigado de si mesmo. O Espírito. é esquecê- las. no mundo espiritual. intensamente. que foi recalcado para os subterrâneos da memória perispiritual. não obstante. Do outro lado. é igualmente verdadeiro que se torna extremamente difícil fazê-lo. por largos séculos ou milênios. Está pronto o obsessor para a sua tarefa. pois. e ninguém pode gozar a vida com esse lastro de aflições. Para proteger-se do calor que faz à sua volta. ignorá-las. Re tornando. perseguir seus inimigos e construir um nicho para si mesmo. que também decide pelo esquecimento. conseguiu abrandar algumas arestas mais contundentes do seu caráter e desenvolver umas poucas virtudes embrionárias.

no passado. justificado pela expectativa da cura de seu doente. vivas e dramáticas. me surpreendeu pelas características diferentes com que o trabalho era levado a efeito. do drama. os encarnados. Um dos mais comuns é o da projeção dos chamados “quadros fluídicos”. mas. diante de si. Pela primeira vez. a matéria-prima. . Afinal de contas. em muito tempo. os recursos necessários para desencadear o processo terapêutico. no capítulo 17 — recolhiam as forças mentais emitidas pelos irmãos presentes. perguntou-me. indispensável a essas montagens. foi encontrar raízes muito mais profundas. e até onde irá. recolhida dos encarnados presentes. para obter dos companheiros desarvorados o mergulho necessário nas lembranças recalcadas. como temem os fantasmas interiores. no futuro? Um desses companheiros atormentados. explicando que.” — “Esse material — explicou o instrutor — representa vigorosos recursos plásticos. anti-semita irredutível. condições e conhecimentos para apreender a essência das técnicas empregadas para a obtenção das projeções. quando narra o trabalho de doutrinação junto a um ex-sacerdote desencarnado: “. O Espírito vê.. o que. 185 recordação. André Luiz deixa-nos entrever tais processos.. não obstante já se acharem desligados dela.. Vários recursos são empregados. ainda. Os técnicos desencarnados limitam-se a manipular. Como reagem. Não temos. É evidente que as cenas não são criadas com a substância evanescente da fantasia. especialmente aquelas que constituem o núcleo de sua problemática. como o médico que ministra um remédio amargo.” (Destaques desta transcrição. vários ajudantes de serviço — escreve ele. que precisa ser dispersado. para que os benfeitores de nossa esfera se façam visíveis aos irmãos perturbados e aflitos. porém. como relutam. cenas vivas de seu passado. com essas formas de energia. enfrentara o difícil problema da longuíssima saga do povo hebreu. indispensáveis ao reavivamento da emotividade e da confiança nas almas infelizes. ou para que materializem provisoriamente certas imagens ou quadros. que parecem surgir límpidas. às vezes. e. que lhes pareciam desintegrados para sempre na poeira do tempo!. viu os quadros do êxodo no antigo Egito. inclusive as que fluíam abundantemente do organismo mediúnico. com respeito e dignidade. de um passado que julgavam morto. o que estão fazendo? Que loucura é aquela em que mergulhamos? De onde vem tudo isso. os irmãos desarvorados parecem saltar o circulo de fogo que os envolve. podem os benfeitores espirituais prestar certos serviços importantes àqueles que se encontram ainda presos ao padrão vibratório da carne. na antiga Babilônia. onde foi um dos membros sacrificados da corte do faraó. pelos mentores espirituais dos grupos de desobsessão. Recuando mais. algo perplexo: — Será que isso não tem fim? Senti que a pergunta era mais dirigida a ele próprio do que a mim. Ante o impacto dessas imagens. há muito tempo. em posição diferente. encontra-se nos arquivos perispirituais do ser ali presente. incoercivelmente.) O instrutor prossegue. embora não fosse novidade.. para desatar os laços que o prendem às suas angústias e ao seu alheamento. em “Missionários da Luz”. como se do lado de fora de si mesmos. têm uma pausa para reexame de suas posições desesperadas. onde.

suporta as humilhações. de vigorosa dramaticidade. durante a qual dominara povos. como para formar os próprios “quadros”. para levá-lo ao reexame de seus atos. no passado. A certa altura. Em outro caso. fez o gesto de virar a capa. Fizera-o. um dos médiuns começou a expelir ectoplasma. arrosta as ingratidões. ao passado.. por um esforço da nossa vontade. Lembram-se das cenas finais de “Libertação”? É a mãe que vai buscar o filho amado. destacadamente. um grosso livro. como se um “video tape” as reproduzisse. com toda a sua intensidade e emotividade. antigo amor. Era a história de sua própria vida. e impõem-se. cheios de amor fraterno. e procuram fugir das visões que. encadernado em capa de madeira. a despeito deles próprios. provavelmente os de sua vítima.. as regiões da felicidade.. o ectoplasma formou. Ela alcançara. como verificamos no texto de André Luiz. não obstante. as cores. Que lhe cortem a mão que assinou a sentença e que fique cego. os sons. Era. acima transcrito. sobre a qual estava seu nome. cuja lembrança ele procurava recalcar nos porões da memória. Num caso particularmente difícil que tivemos. o Espírito viu. certamente. A lição era por demais óbvia: nada construíra naquela existência tumultuada. Pede que lhe tirem da frente o papel e a pena. Cabia-lhe assinar o documento. que devem tornar-se visíveis. escrito em belos caracteres de bronze. não apenas para adensar as formas perispirituais de companheiros desencarnados. ao longo dos séculos e das vicissitudes. . evidentemente. produzido por médiuns de efeitos físicos. podemos pôr um ponto final nesses círculos viciosos. vence o ódio. enquanto eu dialogava com o Espírito incorporado. para não contemplar mais aqueles olhos. Se fosse realizada uma pesquisa estatística sobre tais manifestações. e a dor de ter o seu amado preso ainda . vence tudo. que se torna necessário aos benfeitores utilizar ectoplasma.. enfim. Seu desespero é atroz. mas não se sentia encorajado. e agora revia o momento dramático. A pureza do amor materno permanece inalterável. que buscam eternizar-se dentro de nós.Todo o livro estava em branco. o Espírito acha-se tão profundamente condicionado ao clima vibratório mais grosseiro.. mas. um recurso. e informa: “uns são canonizados e outros queimados”. esposas. com uma diferença: alguém contemplava. ao poder da espada impiedosa. 186 disse-lhe que sim. Depois de muita relutância. já há muito. os Espíritos relutam em contemplá-las. * Muito freqüente é a presença de antigos e esquecidos amores: mães. filhos. tornam-se irrecusáveis. Ele sabia que precisava abri-lo. As cenas são mostradas com todo o seu realismo: o movi mento. a curta distância. estou certo de que as mães ocupariam o primeiro lugar. nas profundezas de seus tenebrosos domínios. Com muita freqüência. que só é possível depois de compreendermos a inutilidade do ódio e a força invencível do amor. ou amigos muito chegados ao coração. fixando nele um par de olhos tranqüilos. A primeira página estava em branco! Fez uma pausa e virou mais uma: também em branco. para a sua visão. A um deles a visão era de uma folha de papel e uma pena. Às vezes. Diz que matou uma santa. as letras de um nome de mulher. que ele sabia ser uma sentença de morte. sobre a mesa.

através de processos de regressão de memória. que. Pouco falava nas suas manifestações. Ainda vê nele o filho querido de quatro séculos atrás. de nosso conhecimento. Oramos. Sofre muito e foi trazida somente para encontrar-se com ele. Digo-lhe que as mães são seres humanos e. por isso. que o perturbou há duas semanas. manifesta-se um Espírito feminino e conta a sua dolorosa história. Foi. — Ele é bom — diz ela —. de revolta e de impotência. um dia. a seu ver. também erram. Manifestou-se. Ele a abandonara à sua própria sorte e ela enveredara pela degradação mais abjeta. a si mesmo. se fosse o caso. incontestado. a pedir-lhe perdão. Tinha o poder de um semideus. desencadeou-se extenso processo. Ele se havia tornado muito importante na hierarquia eclesiástica. Diz que tudo ruiu em torno dele. que nos velam de lágrimas os olhos! Lembro-me de um deles. — “Sou Matilde — diz ela — alma de tua alma. procurou-o e foi repelida. que não tem mãe. Na vez seguinte suas preocupações estavam ampliadas. certa preocupação. Disse que ia passando por ali e resolvera fazer-nos uma visita. por ela. Em seguida. que nos ajudou. semana após semana. por outro médium. 187 às paixões do mundo? Vai ao seu encontro. No passado. e ainda mergulhada nas dores do resgate. e por isso ele repete agora. precisamente. Por algumas semanas. dominado pelo ódio e espicaçado pela humilhação. me pegaria. mãe digna. observou- nos. Adormece e parte. que ela agradece. Em caso semelhante a esse.. Deixou no ar a ameaça ô partiu. porque algum delator. mas começava a deixar transparecer. Se pudesse. em particular. Ela mesma ainda não está bem. Mal suspeitava eu da demorada aventura que ali começava . também teve um encontro dramático com ele. numa descida sacrificial às difíceis regiões em que ele vive e sobre as quais reina. Na semana seguinte não consegue mais manter-se calmo.” Quantas vezes temos assistido a reencontros emocionados. a sua presença ali. Os séculos se passaram. tem a primeira visão de algo que muito o perturba. também. era merecer novamente a oportunidade de ser mãe. Com este caso. embalado pelo amor ao poder. estávamos penetrando certos núcleos. Está indignado. O Espírito vinha assediando-nos há tempos. mas muito vaidoso. a despertar o valoroso Espírito que adormecera nas suas paixÕes. havia contado a nós os seus propósitos e objetivos. no entanto. que já tinha sob seu controle alguns daqueles que dispunham de maior quantidade de “massa cinzenta”. esquecer a ajuda daquela mãe humilde. Revelou. Nessa mesma noite. à roda. apenas. agora. Quando já se encontrava na sarjeta. com a sua presença amiga. que se desdobrou em aspectos inesperados e de profundas implicações. e tudo quanto ela esperava. tomar suas providências”. Ele reluta e resiste. por certo. enquanto encarnados. pri meiro aparentemente muito calmo e tranqüilo. Nada queria de especial: iria apenas observar-nos e. para mandar queimar-me vivo! Acaba em pranto.. te adotou por filho querido e a quem amaste como dedicada mãe espiritual. e “fomos mexer com a sua familia!” Dá murros na mesa. ajoelhada diante dele. Nunca pudemos. dizendo que tem de voltar para onde está. Ofereço-lhe a nossa ajuda. furioso. porque é este. Foi mãe daquele que acaba de retirar-se. . no momento. porque des- cobriu que. junto dele. o Espírito consegue divisar a figura de sua mãe. o âmago de sua problemática: foi abandonado. como das vezes anteriores.

em palavras simples. junto de Deus. o Espírito viera dar uma ajuda. para aconchegá-lo junto ao seu coração. Ela lhe lembra as velhas cantigas e aquele tempo em que ele orava no quarto. diante de nós. O problema era extremamente difícil. Depois lhe diz que vai deixar o médium. pois minha presença obviamente reanimava nele as antigas paixões e frustrações. agora. Estava. Servira aos imperadores romanos. para que a luz penetre o coração angustiado desses queridos companheiros. vagava ainda pelas trilhas da revolta e do rancor. Ora. a visita de um menino (teria sido seu filho ou neto?) que o desarmou com seu carinho. dirijo a ela um pensamento de infinita ternura e gratidão. pois seu caso ali é outro. 188 damos-lhe passes. comovidamente. seus apelos. ainda trazia ressaibos de ironia. sem-cerimônia. de mais de oito séculos! Em conseqüência desse. recebeu. — Não sou um desgraçado! De outra vez. o Espírito tinha um problema pessoal comigo. Ele se mantinha irredutível. que abandone aquela vida e venha para junto de seu coração. Basta um momento assim. fazendo mesuras. continue a fazer seus bordados. Numa dessas oportunidades. Deseja ouvir dele próprio a negativa. que não esquecera e sofria com a ausência do filho. perdidos num dédalo de sentimentos confusos. precisamente aquele que se incumbia de doutriná-lo e esclarecê-lo. por fim. num caso a que já me referi alhures. Respeitemos suas razões. Não está convencido de que ele a recuse. Quando conseguimos. não o teríamos alcançado. Ao manifestar-se. entre a mãe amorosa. o Espírito. de amor. e. Pede-lhe ela. porque estava achando impossível viver sem o ódio e a vingança. Era sua mãe. mas não se revelam à visão do Espírito manifestado. E ele diz que não a quer mesmo. porque fui um dos agentes de sua angústia. e de outros desenganos. Todos estão juntos na família.. Bem que ela poderia também ter guardado certa mágoa de mim. Informou-me de que. de b raços estendidos. dizia. ele não mais resiste: — Tenho mãe! — diz ele. sua ternura infantil. com enorme respeito. despertar o amado companheiro. expondo o seu problema e as suas dores. pelo qual lhe está falando. Em tempos idos. em silêncio. para o seu colo. bastante lúcido. e o filho que recusava obstinadamente o amor. à Mãe Santíssima. Que ela não se meta. fora um dos principais instrumentos dos terríveis desvarios daquele a quem desejava. Em outro caso. fez uma saudação: — Divino! Divino! E o médium dobrava-se sobre a mesa. Mesmo assim. autoritário e empolgado pelas suas idéias e pelo seu rancor. porque estou certo de que. no caso de um companheiro de quem estávamos tratando. mas não teve para mim uma palavra de censura ou de amargor. das quais não conseguira desembaraçar-se. de ternura. afinal. porém. Eles ainda se julgavam deuses. dominados pela aflição. saltando. porque se tratava de um caso em que o ódio concentrava-se direta mente sobre um de nós. de recordação. ajudar a libertar de suas angústias. Elevei meu pensamento em prece e. que usualmente são válidas: não teria ainda chegado a hora do reencontro. Foi num desses pontos críticos do diálogo que outro médium me disse que um Espírito presente desejava dizer alguma coisa diretamente a ele. ouvi o diálogo através do tempo. amigos e parentes acham-se presentes. Era questão antiga. cercados de sombras. sem o seu concurso. só ele está ausente.. nesse ínterim de . De outras vezes. também muito difícil. com infinito carinho e humildade.

muito respeito com o trabalho dos nossos mentores . em vista da profundidade a que descera. Digo-lhe que precisa. quer se encontrem endívidados ou redimidos perante a lei. estava perfeitamente lúcido e consciente do que fazia. desarvorado e sofredor. Lamenta a perniciosa influência q ue exerceu sobre os seus soberanos. Poderia perturbá-lo. Quanto ao Cristianismo. Nunca sabemos. não. só que agora. Eu deveria fazer isso. movimento. já assentados. De outras vezes. enquanto ele o fizera para o mal. para o bem. não como a um poderoso. para poderem impressionar seus sentidos. que sabia dos planos. já sabia. não obstante. animado por meio de recursos retirados. Antes de desligar-se do médium. muito embora sabendo que era longo o caminho a percorrer. persona gens. no entanto. tivera outras encarnações. a respeito da próxima encarnação de seu antigo chefe. na sua nobre tarefa de despertar os companheiros que permanecem hipnotizados às suas angústias. que era a doutrina melhor. emoções. mas ele. açulando-lhes paixões aviltantes. ou através de outro médium. disse-me. utilizam-se da projeção fluídica. Esses quadros exibem figuras humanas. é necessária a presença real dos Espíritos ligados aos manifestantes. pois não chegara ainda o momento de apresentar-se à sua visão. utilizando o poder dos Césares para promover seus interesses inconfessáveis. Por isso. ao lado. é claro. em recentes ou antigas encarnações. também. Promete ajudar e diz que o que o salvou foi a visão de um homem pregado à cruz. com cenários. naquele tempo. fácil de conduzir. Diz-me uma palavra de muito afeto e anuncia que ficaria ali. que precisa de muita ajuda e compreensão. porque não lhe convinha. mas continuam sendo projeções. Os quadros são apresentados com todo o seu vigor e realismo. 189 quase dois milênios. ou se tornam semimaterializados. os benfeitores espirituais incumbem-se de localizar os Espíritos ligados ao irmão que precisa de ajuda. consciente e disposto a corrigir-se. mas como a um Espírito infeliz. à minha direita. ainda que estejam encarnados. como explica André Luiz. cores. agora. conversam com eles diretamente. Despedimo-nos com uma palavra de afeição muito sincera e amiga. na antiga Roma. As vezes. Nos casos em que essa presença se faz indispensável. aqui mesmo. Eles se apresentam aos seus olhos. E me diz. mas formados com “material” sacado do subconsciente do Espírito. compreensão e simpatia. que “ele” era uma criança grande. Conhecedor de suas próprias aflições interiores. Aqueles olhos lhe penetravam as mais profundas e ignotas camadas do ser. com inesquecível toque de autenticidade. mas rejeitou-a deliberadamente. estava ainda preso a eles. dos presentes em torno da mesa de trabalho. Já vimos. mais pela presença de suas vibrações pessoais. Bastava dar-lhe a impressão de que a decisão tomada fosse dele. ainda. Eram pobres criaturas desequilibradas. e cujo olhar não mais esquecera. Este Espírito deixou em mim uma sensação de fraternidade. e de trazê-los ao ambiente do trabalho. conserva va-se. encarar seu antigo amo. É preciso. e que não iria ser nada fácil. que métodos e recursos empregarão os nossos mentores espirituais. do que pelo mero apelo da memória. caso em que o Espírito manteve o diálogo com a antiga esposa — no momento encarnada — que ele assassinara na Idade Média. pois. pois. através dos tempos. invisível ao seu antigo chefe. num impulso de paixão e ciúme. sons.

como crianças timidas e ingênuas. por outro lado. Isto não significa que devamos cruzar os braços e deixá -los fazer tudo. assistir a tudo sem espírito crítico e sem a necessária vigilância. muito atentos. pois. mas não podem fazer. e que não se deixarão conduzir pela mão. que infalível só é a visão divina. os recursos e a sua presença cons tante. aquilo que nos compete. de falha. por nós. dos méritos. não nos envaideçamos com o resultado do trabalho realizado: cabe muito pouco. mas nosso conhecimento é muito limitado. Quanto à tarefa que lhes cabe. através da intuição. amparam-nos nas horas de incerteza. tranqüila. que eles demonstrarem seus conhecimentos e sua capacidade. de seres encarnados. deixemos à sua iniciativa a condução dos trabalhos. definitivamente. estejamos tranqüilos: tudo será feito. de que tanto nos falam eles. pois a visão que têm dos problemas suscitados é incomparavelmente mais ampla do que a nossa. durante os desprendimentos. pois. dão-nos o apoio. ajudam-nos nos momentos de fraqueza e de desânimo. Sabem eles. ali presentes. depois. 190 invisíveis. não tentemos forçá-la. mas pelo esforço que empregamos em atingi-los. integrado num trabalho sério e fecundo. E. as sutis instruções que nos ministram. às vezes. por exemplo. participamos de algumas fases do planejamento e dos contactos realizados no mundo espiritual. pois há Espíritos ardilosos. São eles que nos preparam o trabalho. um componente de incerteza. mesmo naquIlo que lhes cabe fazer. que há sempre. embora não infalível. a inspiração. Estejamos. É claro que os trabalhadores da seara do amor precisam de nossa colaboração. identificados como autênticos trabalhadores do Cristo. que não poderão garantir o resultado. Enfim. Não estão manipulando mecanismos cibernéticos. Se os companheiros dele. seria arriscado segui-los confiadamente. dotados de livre-arbítrio. para melhor dominar e impor as suas condições. não obstante. Uma vez. acompanhando-os em excursões pelo mundo da dor. naturalmente. com todas as opções e alternativas previamente examinadas. desde o planejamento cuidadoso até o último pormenor da execução. também ignoramos. no entanto. muito bem dotados intelectual-mente. É certo. a nós. ainda não é chegado o momento de exibir uma projeção fluídica. Mesmo o grupo mais bem ajustado. do contrário. precisamos (especialmente o doutrinador) estar com as antenas psíquicas permanentemente sintonizadas com os trabalhadores invisíveis. Se. para autorizar-nos a precipitar qualquer situação. que se apresentam revestidos de peles de mansos cordeiros. Eles nos assistem com desvelado carinho. que somos julgados não pelos resultados que alcançamos. a nossa posição é de ativa expectativa. imprevisíveis e. para captar- lhes. porém. naquilo em que os nossos compromissos e erros passados nos sintonizem com os companheiros desarvorados. mas cuidando de seres humanos. Eles sabem. devem ser exibidos à sua visão. Para isso. de certa forma. de descuido. em nós. Baste-nos a alegria do dever cumprido. poderá ser sutilmente envolvido pelos ardis das sombras. ou não. que pode pôr tudo a perder. porém. com passes e sugestões verbais. Antes que inspirem essa confiança em nós. segura. Procuremos respeitar-lhes o planejamento e a execução. tudo fariam sem nós. . muitos deles nossos antigos comparsas. bem como a segurança com que executam suas tarefas. Não é tudo que eles podem fazer por nós. Naturalmente que. ao Espírito manifestado.

191 a doce felicidade de ter. uma vez mais. servido de humildes e imperfeitos instrumentos da pacificação. .

a explosão é inevitável e o dano pode ser irreparável. O momento é oportuno. tentando mostrar-lhe a inutili dade de seu desesperado esforço de lutar contra Deus e. ele nos respeitará e. mesmo que ele esteja bem longe de entregar-se à verdade. porém. Por este motivo. Mesmo irritado. temendo ser “dobrado” pelo doutrinador — o que é. mas não opor grito contra grito. aos queridos companheiros desatinados. É hora de falar-lhe com carinhosa franqueza. dando murros na mesa. pelo menos. o doutrinador deve abandonar sua técnica de contestação e argumentação. a argumentação é inútil. o Espírito deve ser recebido com respeito e carinho. O fato. proferindo ameaças terríveis. É preciso esperar que o vagalhão impetuoso do rancor se desfaça. seu Espírito parece cansado e disposto a uma acomodação. 192 35 A CRISE O doutrinador precisa estar atento aos primeiros sinais de que o Espírito manifestante começa a ceder. pois é muito difícil sustentá-la indefinidamente contra quem não nos oferece resistência. ou ele não nos ouvirá. porque ele só deseja gritar. ele poderá iniciar o período do sofrimento redentor e não daquele que ainda mais o mergulha nas profundezas do erro. Espíritos muito agressivos e violentos manifestam-se. abre-se uma perspectiva de entendimento. De certo ponto em diante. que ele sabe muito bem ser impossível: a luta continua à sua espera. e. sua palavra não tem mais aquele fator de convicção. A cólera passa. aos nossos princípios. Encontra-se ainda convicto da justeza de sua posição. contra seus próprios interesses pessoais. para entrar na fase de doutrinação propriamente dita. de reduzir o volume de seu vozerio. lutando interiormente consigo mesmo. em altos brados. Se opomos resistência. uma humilhação — mas. costumo dizer. Aos primeiros sinais de que a reação salutar começou. não signi fica que já esteja resolvido o seu problema. portanto. ou inconscientemente. pensando apenas no que nos dirá a seguir. são tão importantes os primeiros diálogos de cada manifestação. aos poucos. Não é possível. também. só que. É hora de fazer um apelo para que ele se detenha um pouco. falaremos juntos. irritadissimos. na praia mansa. Se a conversa for bem orientada. Não iludi-lo com a paz imediata. Não que só agora seja possível falar-lhe do Cristo: éque só agora os . murro contra murro. a sensibilidade do doutri nador o advertirá de que o manifestante começa a ceder: sua cólera esvaziou-se. de início. que só grita aquele que não tem razão. intensa e dolorosa como nunca. Nesses casos. é a partir desse ponto que começa a fluir o diálogo que poderá levar-nos a um entendimento com ele e ao seu eventual despertamento. uma vez despertado para a realidade. contudo. adverti-lo de que não precisa “converter-se” à nossa crença. por si mesmo. Antes disso. nessa condição. desejando-o intimamente. ao mesmo tempo. Não que ele o reconheça nesses termos. com a voz no tom normal. para ele. já é possível uma conversa entre dois seres civilizados. irá compreendendo que não precisa gritar seus argumentos. porém. Não ficar mudo ante a sua cólera. se o tentarmos. para dirigir o seu pensamento para a sabedoria eterna do Evangelho. para pensar. esbravejando. ameaçador. Mas. argumentar com eles. É preciso ter paciência e esperar. para que ele próprio —doutrinador — possa reformular a sua tática. e a batalha verbal poderá ser muito longa. pois insistirá e poderá ter ainda surtos de reação. ao contrário.

aceitam um ou outro argumento nosso. ao partirem. aos braços da dor que redime? É preciso respeitar sua hesitação e assisti-lo no seu estado de pânico. que perseguia sem tréguas uma pobre criatura. mas que virão fatalmente a germinar. começou a ceder. ainda. ambos o atraem. de certa forma. a perder-se nas trevas do passado. Entre um mundo que rui e outro que ainda não construímos. Ele precisa saber que não estamos pelejando naquele momento. do lado negativo da faixa vibratória da vida. não sabemos. ilusões desastrosas e erros clamorosos. mas por ele próprio. 193 ensinamentos de Jesus começam a ter. Está. mesmo os mais violentos. um sentido novo. ou se apenas levam uma disposição para reexa- minar suas convicções. Argumentava eu. eles estão realmente convencidos e prontos a mudar de rumo. alongar-se por outras oportunidades de manifestação e. pois a prece tem esse condão de fazer calar a imensa maioria dos Espíritos desajustados. não lhes tira o valor. a crise. Ou estavam. às vezes altamente qualificados e experientes. certa vez. por uma causa ou pelos interesses de um obsidiado. não exclui o fato de que são Espíritos. ele deve estar certo da nossa absoluta sinceridade e do nosso afeto desinteressado. Mais do que nunca. levarão no coração as sementes de um futuro. pode ocorrer. De um lado. com um desses companheiros desarvorados. ele a ouviu em silêncio. também. porém. sou advogado seu! Sabem que esta simples frase o levou a ver-me sob nova luz e a aceitar- me? Daí por diante. Um diálogo um tanto difícil. para aquele que está convicto da legitimidade de seus . em explosões de luz. como diz a expressão inglesa. de uma vez. a incógnita do porvir. Como sempre. e chegam até a uma ou outra palavra de velada e timida afeição ou respeito. o abriga da terrível realidade. a sensação de atordoamento é inevitável. Do outro. se. Não é fácil. a voz desce de tom. ele disse. que quase todos eles estão absolutamente convencidos de sua própria verdade. aceitável. obsessor. De qualquer maneira. com o brilhante e combativo Espírito de um ex- inquisidor. que pode ser próximo ou remoto. Ele se debate entre os dois abismos: o passado e o futuro. apenas — e isso é tudo — operam desastrosamente. irritado: — Você é advogado dela? — Não — disse eu —. Percebemos que a fase da aceitação chega por peque ninos e quase imperceptíveis sinais: começam a ouvir-nos com um pouco mais de atenção. muitas vezes. a meu pedido. como se pensasse em voz alta: . ou lançar-se. um terrível e doloroso acervo de loucuras e desenganos lastimáveis. não lhes reduz o conhecimento. estarão mais acessíveis. mas a batalha pode durar ainda muito tempo.Uma coisa é preciso reconhecer: você ora com sinceridade. Que decisão tomar? Permanecer na faixa do erro que. O fato de permanecerem envolvidos em erros de julgamento aflitivos. certa vez. A partir desse ponto.. mesmo assim.. Terminada a rogativa ao Alto. Ë o momento mais dramático da manifestação: o Espírito começa a sentir que não terá forças para resistir aos apelos da Verdade. sobre o fio da navalha. Sente fugir o terreno em que pisa. então. Ao cabo dessa fase de maior receptividade aos pensamentos e à afeição do doutrinador. a fim de que eu pudesse fazer uma prece. foi suspenso. até o momento. Temos que entender. Ambos o chamam. um dia. para ele. mesmo nos mais valorosos Espíritos. quando ele me perguntou.

mas que o mantém fortemente contido. Afinal. Em segundo lugar. de um ponto de vista vantajoso. quanto no espaço. como já vimos. nada mais. quanto ao campo sentimental. Volta a esbravejar. a todos. a fim de que o ímpeto do vagalhão se quebrasse contra a branca areia da paciência e do amor. cons ciente ou inconscientemente. alegando que quase havia caído. A decisão é difícil. Desesperançado de arrastar-me para o debate estéril. pois acabou tocado pelo sentimento de afeição que encontrou entre nós. ameaçar. Na semana seguinte. pular por cima da linha invisível que separa o bem do mal. no campo puramente filosófico. mas concordou em não gritar mais e a não nos incomodar. dizendo que estou me esgotando inutilmente na tentativa de dominá-lo. através do roteiro luminoso do amor fraterno. Seguirá seu caminho de sempre.. ainda. por causa da nossa afeição. Quando tenta reagir “físicamente”. O doutrinador precisa estar preparado para situações assim. para servir aos seus propositos e justificar sua filosofia de vida. a existência de Deus. reagir. que ridicularizà à vontade. São inteligentes e experimentados. a intimidar. é preciso considerar que nada temos a dizer-lhes que eles não saibam. a punir. Estava ameaçando ceder. o vulto espiritual de um ser a quem muito amaram. mas com firmeza. É honesto: responde com dignidade à nossa tentativa de aproximação e entendimento. a mandar. agradeço sua lealdade e ele segue procurando atrair-me para o debate. porque está minado de imprevistos. Claro que interpreta a minha calma como covardia. E é precisamente por isso que. Ele ainda insiste em falar e prosseguir o debate. Deixei-o falar. com a sua presença. ele o “vira” à sua maneira. mas não quero fazer isso.. pois. o clima da discussão é o que convém a esses irmãos atormentados. mas acaba calando-se. a imortalidade. o apelo de uma voz cariciosa. A certo ponto. Quando menos se espera. Certa vez. mas que conseguira reagir. o livre-arbítrio assegura-nos. É evidente que tenta. o conceito da reencarnação. Em primeiro lugar. e procura acalmar- se. o direito de escolha. Qualquer argumento que lhe apresente. dava murros. a responsabilidade que assumiram perante a lei. gritava. surge do passado uma lembrança esquecida. Não é. mas era ainda muito cedo para uma decisão final. cesso a conversa e oro. Bem que se esforçou — diz ele — em mostrar-me o caminho: somente se deixaria convencer pela argumentação. Ameaçava. sim. pelos caminhos frios da mente que chegaremos a eles e. dali em diante. está preso pelos pulsos por um laço fluídico. Faz pouco da minha inte ligência. que conhecem e no qual podem esgrimir à vontade seus argumentos. mesmo. promete. voltou novamente agressivo e irritado. pensar no assunto. recebemos um companheiro excepcionalmente violento e agressivo. Começa a crise maior. consideram “perigoso”. interpondo apenas uma ou outra observação. A conversa mansa e a busca de entendimento não interessa aos seus propósitos. por mais que se esforce. e acrescentou: — Poderia enganar você e dizer que estou convertido. Acostumara-se ao poder incontestado. procuram arrastar-nos para o debate: terreno firme. Tenhamos paciência e procuremos ajudá-lo a tomá-la sem precipitação. afinal. invisível a nós. Não . 194 caminhos. Conhecem perfeitamente a sua condição de Espíritos desencarnados. tanto na carne. como vimos nas próximas sessões. Não está convencido.

Apresenta-se completamente desarvorado. É preciso ajudá-lo. Começa. que nos ajudam na fase final da doutrinação. enquanto a crise se adensa e aprofunda. Diz que determinará aos seus guardas que me deixem passar li vremente. como temos visto. Está arrasado. que se estenderão pelos séculos futuros. de elevada condição espiritual. sim. Muito respeito pela sua crise. Confessa que. mas sente um arrastamento incoercível. Ele está arrasado. que o tira de cima do fio da navalha e o coloca no lado positivo da fronteira da nova existência. ou pressente. Este é o momento mais emocionante de todo o trabalho. e depois esbraveja: — Maldito lago! As visões o atormentam implacavelmente. de despertar o seu Espírito. ele se volta para mim — e isto me comove profundamente — e me propõe uma visita minha aos seus domínios. o amor indubitável do Cristo. muito carinho com as suas dificuldades. Por fim. tem medo: está vazio e quer dormir. seus temores. pela primeira vez. uma mulher. ao contrário. do amor fraterno. a presença infalível de Deus em nossas vidas. mais do que nunca. a presença de antigos e esquecidos amores: mães. tentando convencer- se de que está vivendo um pesadelo. o irmão entrou em crise e começou a monologar. em seguida. Este irmão voltou mais uma vez. É o grande momento da compreensão. pois seus soldados estão lá fora e não devem vê-lo naquele estado. mas não sinto nele nenhum ódio: é apenas desespero. mas que ele ainda não consegue lobrigar com precisão. Ainda reage. que tudo está ruindo em torno dele e dentro dele. Depois de algum tempo. desesperado. e parte. o que o espera. É o lago abençoado em que pregara o Cristo. na semana seguinte. da ternura. Dou- lhe prolongados passes. até onde e quando. que deseja que o pecador se salve. — Você sabe — acrescenta — que eu não te farei mal algum. mesmo que ainda tente uma reação desesperada. somente Deus saberá. Chama-me de traidor. em termos de resgates dolorosos. Digo-lhe que. de última hora. Subitamente. em crise. nunca falta. esposas. em silêncio reverente. mas ainda procura iludir-se. Além do mais. tentando sugestionar-se de que é forte e não vai “cair”. do qual vai acordar a qualquer momento. de uma palavra de sincera afeição. nessa hora. Num caso desses. com muita paciência. agora é que ele acordou de um pesadelo multissecular. É necessário assegurar-lhe. terna-mente. — E vocês — dirige-se a companheiros invisíveis — com essas caras luminosas. a ver cenas do seu passado distante. 195 tenho a menor intenção de dominá -lo e. para esquecer. seus desesperos. precisa. chora. ele começa a gritar que não quer e não pode fazer aquilo. Alguém. e diz que precisa recompor-se. e informa. que estão aí me olhando? E para mim: — E você? Não diz nada? Só sei dizer duas palavras: — Meu amigo! Ele a repete. enquanto fico ao seu lado. o . Ele sabe. irmãos. amigos. e não que seja condenado a conviver com angústias que parecem eternizar-se. a dar o passo final. nesse momento. realmente em pânico. O Espírito. levá- lo. cujas perspectivas se abrem diante dele.

Não tente enganá-lo. Não o atemorize com ameaças. humano. rude. sente diante deles uma vergonha mortal. fora também um inquisidor. vimos obrigar o médium a ajoelhar-se. mas procure não desperdiçar a ocasião de estimulá-lo a tomar a decisão que vai mudar sua vida. com todo o poder de sua inteligência e de seus conheci- mentos. ante o inevitável. Há. Não se esqueça de que a dor e o temor o atormentam. contemplando as duas perspectivas — passado e presente — tenho-a num caso de que tratamos. temor. A essa altura. do afeto. em corpos deformados. ao contrário. amoroso. diante da enormidade de suas culpas. que ele sabe não estar ao seu alcance. Não se julga digno da afeição de Espíritos tão elevados. Em suma: a crise manifesta-se de muitas maneiras. realista. em pranto. que o doutrinador não pode deixar passar. Julga-se um abutre sem remissão. e o impediu de atender ao apelo de seus verdadeiros amigos. Estas crises caracterizam-se pela revolta. o trabalho de reconstrução que o aguarda. ele teme vinganças cruéis. mas ele ainda reluta. ou assusta-se ante a perspectiva de encarnações extremamente penosas. de amor sem limites. Coloque em seu coração a semente da esperança e mostre-lhe. pela enormidade de seus desvarios. revolta ou deslumbramento. a oportunidade preciosa. acenando-lhe com um paraíso imediato. Ao despertar para a verdade. ele não os conhece muito bem. mas dentro de certas configurações padronizadas: arrependimento. segundo conceituação de um dos nossos companheiros. porém. para ajudá-lo. Vem sempre acompanhada de profundas emoções. que se manifestara com requintes de arrogância e ironia. Além do mais. o impeliu a cometer tantos e tão graves desatinos. não carregue nas cores do sofrimento que o espera. não é um momento que o Espírito consiga viver com indiferença e frieza. dos . Trate- o com muito carinho. por tanto tempo. 196 espera no limiar da nova existência. mencione a assistência espiritual que estará ao seu dispor. pois esse foi o clima em que viveu durante séculos. não conseguira ainda assimilar. sendo. para alcançá-lo através do sentimento. confessa a aflição que experimenta. da emotividade. a quem conhecera pessoalmente. Ele não pode mais contar com aqueles que pensava serem seus amigos. do “trabalho”. mas para fazer com ele. agressivo e violento. da coragem otimista. Era extremamente rebelde. por conseguinte. mas cuja mensagem. quando o Espírito fica sobre a linha. Pensa em pedir uma licença aos seus chefes e afastar-se. e aqueles que o esperam. as perspectivas da paz. ou então. as que precipitam no arrependimento e no remorso mais patético. Tivera o privilégio de viver na época do muito amado Francisco de Assis. ou milênios. cegos ou mutilados. senão para castigá-lo pela sua “fraqueza”. não para fazer por ele. Um típico exemplo desses. ele não pode mais voltar sobre seus passos. Destaque os reencontros espirituais com os seus amados. como o de sua mãe. Seja simples. para a proteção feroz da sua antiga organização ou do seu regime de irresponsabilidade pessoal. confiante. A um desses pobres irmãos desarvorados. da confiança. à pavorosa técnica do “crime religioso”. Não o force. por algum tempo. que há tanto tempo o esperam. guie os seus passos vacilantes pelo novo caminho que começa a trilhar. Está perplexo ante a cegueira espiritual que. Seus ex-comparsas não mais o receberiam. Lembre a necessidade da prece constante. dedicava-se. Ofereça-lhe a sua ajuda.

no mundo das sombras. Preocupa-se com aque les que liderava. E parte. Pede que oremos por ele e que o perdoemos pelo tratamento que nos deu. por uma ou outra palavra mais enérgica. de início. seria precisamente a de ajudar a recuperar os irmãos que ainda ficaram nas sombras. para o despertamento. a seu ver. necessária. ficariam agora ao abandono. pela primeira vez em muito. segundo nos informa. que. Também eu lhe peço minhas desculpas. Digo-lhe que Deus vela por todos nós e que uma tarefa que poderia desempenhar. com a sua agressividade. muito tempo. Ele chora. 197 quais nem percebia a presença junto de si. mais tarde. . às vezes.

A partir do momento em que os companheiros são recolhidos. os convenceriam a voltar à vida de crimes. Em outra ocasião o manifestante disse-nos que. e contra a sua vontade. Quase todos precisam de mergulhar em nova reencarnação o quanto antes e. sob a direção de Espíritos especializados e altamente qualificados. ainda que não tenhamos condições de conhecê-las Num caso desses. com o mesmo carinho de antigamente. mas em tarefas de menor importância. Trabalhadores espirituais competentes levam-nos para o repouso e a reeducação. das quais nem tomamos conhecimento consciente a não ser excepcionalmente. É possível que a providência da reencarnação tenha que esperar mais tempo. tranqüi lizemo-nos e demos nossas graças a Deus. pois . Ê que a primeira impressão dos que ficaram nas sombras é a de que nós violentamos a vontade do companheiro. cessam os encargos do grupo mediúnico ao entregá-los aos trabalhadores dos planos superiores. é levado a um local de repouso e tratamento perispiritual e mental. nos deixa? São muitos os caminhos que se abrem diante dele. que não pode ser prejudicado com a interferência de curiosos ou de diletantes inexpertos. Geralmente. De modo geral. ele se reunira com os demais companheiros. Certa vez. para reassumir seu posto no mundo das sombras. este reencontro é proporcionado. Fora vê-lo pessoalmente. além da certeza de que os seus antigos amores acham-se novamente ao seu lado. para mentalizá-lo e ajudá-lo no seu desespero. porque havíamos feito “cair” o seu chefe e ele estava reduzido a um “trapo” (sua expressão). transcende suas qualificações e possibilidades. durante a semana. O mundo espiritual tem sua programação meticulosa. e nem desejava voltar sobre seus passos. para a reencarnação na Terra. o trabalho bem dividido e especializado. começa o preparo. eles são trazidos para despedirem-se de nós. durante os desprendimentos do sono. raros. que o antigo chefe não fora obrigado a converter-se. por esses discretos e competentes trabalhadores do Cristo. com as cautelas que. Acham que. de sempre. para uma prédica. pois eles estão em boas mãos. se fosse possível conversar com eles. um dos nossos amados mentores utilizou-se do espaço de tempo que costumamos reservar para a mensagem final. Mas. 198 36 PERSPECTIVAS O que acontece quando o Espírito. agora. Cabe agora voltar-se para o outro médium e receber o novo companheiro. Isto não quer dizer que a nossa tarefa estará sempre concluida nesse ponto. mas esse estudo e planejamento não está mais na alçada do grupo mediúnico. Em casos excepcionais. cerca de um ano antes. Poderemos ainda prestar alguma colaboração no plano espiritual. um companheiro desarvorado manifestou-se em grande aflição. emocionada e belíssima. No momento é o de que mais precisa. Em alguns casos. levando-o à força. por si mesmo. podemos imaginar. após termos conseguido “conquistar” o seu líder. não lhe foi difícil verificar. a três Espíritos que. Em raras oportunidades os mentores estabelecem contacto entre aqueles que se retardam nas trevas e os que tiveram a coragem de cruzar a linha. assim despertado. para “prisões” e castigos. tratados pelo grupo. assim que estejam em condições. por certo. partiam.

199 interpretavam as vibrações de aflição. verificou seu engano e acabou também cedendo aos nossos argumentos. porém. . em certos casos — será mais modesta ou. que dele recebiam. a participação — ainda que importante. Logo. que acreditavam prisioneiro nosso. Em resumo: o trabalho prossegue no mundo espiritual. mas a nós. como um apelo do ex-comparsa. pelo menos. de outra natureza. que não diga respeito especificamente ao trabalho mediúnico. encarnados. junto ao companheiro resgatado dos porões tenebrosos da dor e reconvertido à doutrina do amor.

difícil e constante. não deve fingir que sabe de tudo.. São inúmeras. 200 37 O INTERVALO Muito trabalho. não tão impetuoso e violento. e talvez mais afeito à organização mediúnica. muito mais amplo. no grupo encarnado. durante os nossos desprendimentos. o Espírito está mais predisposto ao entendimento ou. é preferível ser honesto e dizer ao companheiro que ele precisa lembrar-se de que os seres encarnados não costumam registrar na memória cons ciente aquilo que fizeram em seus desdobramentos. Nestes casos. pelo menos. tencionava espionar a nossa reunião. os mentores levam. porém. A tarefa preliminar desenrola-se sob condições que ainda desconhecemos. Você já me falou sobre isso no nosso encontro. entre uma sessão e outra: trabalho complementar. certo de que ninguém ali sabia da sua presença. Não se esqueça de que os Espíritos nessa condição “pensam alto”. Ao que tudo indica. naquilo que ele vai dizendo. tanto os componentes encarnados do grupo.. Em casos como esse. certa vez: — Eu sei. ao manifestar-se. o pensamento do companheiro manifestante. ele terá que confessar sua ignorância. praticamente tudo quanto formular no pensamento. o médium transmite. a um ponto de reunião. ao contrário. as tarefas desenvolvidas durante a semana. E contou o caso. Por outro lado. e trabalho preparatório. Durante a semana. porque. embora de menor vulto. que o contacto direto com o corpo físico do médium poderia acarretar choques penosos e até perigosos. ou seja. entre uma sessão e outra. no entanto. no Espaço. com extrema atenção. introduzira-se sorrateiramente em uma reunião que mantivemos. a uma pergunta mais embaraçosa.. a observar e ouvir. Companheiros nossos por várias vezes nos têm falado de verdadeiras sessões mediúnicas que se realizam. não apenas . É necessário lembrar-se de que o Espírito manifestante nem sempre está consciente do fato de que os encarnados esquecem-se do que se passa enquanto estão desdobrados pelo sono comum. Depois descobriu que. com aqueles que ele chamou de nossos “diretores”. com os companheiros que se acham em tratamento e já tiveram uma ou mais manifestações no grupo. nas horas mortas da noite.. como vimos. Um deles me disse. Ficara escondido atrás de uma coluna. O doutrinador tem que estar bem atento a esse pormenor. mas. Este trabalho preparatório é particularmente indicado para os casos em que os Espíritos a serem tratados acham-se de tal forma envolvidos em vibrações pesadas. Outros me perguntam: — Por que você me chamou aqui? É preciso estar preparado para uma resposta que não revele total ignorância e surpresa. quanto os Espíritos necessitados. Com freqüência ouvimo-los referirem-se aos encontros que mantivemos no mundo espiritual. com os médiuns desdobrados pelo sono fisiológico. A atitude indicada é conservar-se na expectativa e acompanhar. nem um conhecimento que nossa memória consciente não guarda. desenvolve-se no mundo espiritual. Um desses disse-me. ao reiniciar o diálogo interrompido na semana anterior: — Acho que dei um “fora”. afinal.

a reuniões de estudo. em que o infeliz companheiro ficara reduzido à forma “física” de um fauno. . na semana seguinte. que pingava no chão. senão que o haviam permitido. Os componentes do grupo. resgatamos companheiros a serem doutrinados em futuras sessões. a atividade noturna. a uns poucos metros abaixo. ficou documentada a reação tremenda que desenvolveram para impedir-nos. Lembra-se ele. de trabalho. Uma ou duas semanas depois. pelo menos. que fazia lembrar um jipe terreno. pouco acima de suas cabeças. do uma cena fragmentária. Os mentores espirituais levam os encarnados. do qual nada me lembro. era figura importante para seus esquemas nefastos. Não sei o que foi feito e dito nessa reunião. no regresso. enquanto milhares de formigas pretas e agressivas atacavam feroz- mente aqueles que se empenhavam na tarefa. cujo único acesso ao exterior era uma espécie de chaminé estreita. mas. Na imagem das formigas agressivas. que nos atacavam. Vejo-me. aberta na rocha. dirigidos pelos benfeitores espirituais. Em certos grupos de desobsessão. pois. a seguir. As peripécias seguintes da jornada não ficaram documentadas na memória do companheiro desperto. neste livro. contendo já um pouco de sangue. aquele ser. e de que resultaria sua libertação. sem hostilidade. Era como se eu levitasse. aquele “algo”. que haviam alcançado numa “condução” rústica. que havia sido resgatado. A indignação dos guardiães do pobre irmão foi inconcebíve l. Não sabia o que se passara com ele. ou a descidas profundas e perigosas nos antros milenares da dor. encarnados. Há. ao manifestar-se no grupo mediúnico. sombria e agreste.. Fomos recebidos no local — escuro e opressivo — com alguns sinais de cordialidade ou. é muito intensa. reduzido à mais abjeta condição humana. Uma das criaturas — uma mulher — trazia nas mãos uma longa seringa. A certo ponto. desprendidos pelo sono. ao despertar. de debates e planejamento. conseguiu preservar a lembrança fragmentária. Perdera a noção da sua identidade pessoal. às vezes. mas disse que olhara num espelho e não se reconhecera. segundo apuramos. Estava do lado de dentro de uma caverna.. As imagens eram as de um sonho comum. desceram e fizeram o resto do percurso a pé. como sempre acontece nesses casos. um “branco”. Alguns companheiros ficaram de fora. recordei-me. sendo perseguido por um grupo belicoso. depois. para retirar de mim certa quantidade de sangue. de algumas cenas ocorridas numa dessas incursões em território perigoso e agreste. Já narrei aqui um caso de zoantropia. manifestou-se no grupo: era um ser humano!. 201 sabiam que ele estava ali. com extraordinária lucidez. já no final dessa visita. De outra vez. de onde. encontravam-se em vasta região desolada. nos intervalos das sessões.. Esse irmão foi resgatado ao mundo tenebroso do sofrimento superlativo. enquanto os de dentro passaram para eles.. mas écerto que. com extremo cuidado. Nesse momento. ele estava profundamente modificado e até mesmo atônito. como se voasse. que tentava agarrar-me. nos braços. Via-os correrem desesperadamente atrás de mim. pararam. numa incursão de que um de nós. grosso e escuro. Algumas semanas depois. “algo” que traziam. Isto foi o princípio de um processo de regressão de memória em que se precipitou e ao qual me referi alhures. enquanto eu me afastava. com enorme dificuldade. comecei a escapar-lhes. de extremo realismo. apresentou-se o “chefe” daquela região tétrica. no entanto. pois era até esperado.

também. das cinzas de muitos sonhos e das sombras de muitas agonias. mas. com nossos maiores. Oremos por eles. eles assim se consideram. que lhes mostre a verdade.. A meu pedido. usualmente. em nós. ou ao trabalho. e do sangue de nossos companheiros encarnados. para onde nos levam. Um de nossos médiuns conseguiu registrar. em pactos que garantiam a uma parte muitos “sucessos” na vida material. de tole rância e paciência. nas instituições especializadas do Além. precisamos ter a atenção voltada para os companheiros que se acham em tratamento no grupo. Só a prece pode socorrer-nos. o preceito evangélico que nos recomenda amar os nossos inimigos. onde também existe amor. no aproveitamento desses intervalos entre uma sessão e outra. porém. que se imprimiram nos nossos arquivos perispirituaís. Sem dúvida alguma tentarão criar-nos dificuldades. durante os dias em que aguardamos as próximas manifesta ções. episódios. Nem sempre. Precisavam do meu sangue para os seus “trabalhos”. no entanto. enquanto ainda bem vivo na memória. que precisa ser abordado. Envolvamo-los numa atmosfera de amor e compreensão. Por outro lado. em potencial. dado que a recordação poderia prejudicar-nos de alguma forma. porque eu havia escapado. É hora de pôr em prática. sensações de angústia indefinível. também. Ficam apenas as linhas mestras das instruções recebidas. A prece é o fio que realiza esse milagre. mal-estar. Durante a semana toda haveremos de sentir-lhes a presença ou as “mensagens” vibratórias de seus pensamentos hostis. amorosamente. de qualquer maneira.. com amor. e à outra. 202 numa incorporação mediúnica. pronto a emergir. As vezes. às vezes. o evidente domínio sobre seus espíritos. os próprios benfeitores espirituais incumbem-se de condicionar-nos ao esquecimento. ou de símbolos. mas com fervor. no mundo superior. Ele veio disposto a arrebatar- nos o sangue. também. em tais situações. Não podemos esquecer-nos de que os companheiros desarvorados. Outro aspecto importante. Estava indignado. Como as sessões se realizam. Eles precisam de nossas preces e do nosso pensamento construtivo e amoroso. que receberam o primeiro impacto de uma incorporação e doutrinação. Estão convencidos da legitimidade de seus propósitos e da nossa posição de intrusos. que lhes ilumine os corações. sim. essas incursões são. É claro que provocarão. a troco de favores. Eu ficaria surpreso — disse — se soubesse daqueles que o haviam doado espontaneamente. depressão e desânimo. para tratamento. por desconhecimento e defesa. Embora não os consideremos como tais. que nada têm a ver com os seus problemas pessoais e os seus planos. é o da prece. o que muito nos serviu depois. e procuremos devolver as suas agressões mentais com o nosso pensamento de afeição e carinho. Lembremo-nos de que não o fazem por maldade intrínseca e irredutível e. . com toda a convicção. uma dessas incursões. a fim de podermos assistir a reuniões de estudo e planejamento. A qualquer momento que pudermos recolher-nos para a prece. conservar a lembrança delas. com grande precisão e detalhamento. ficam com os ânimos ainda mais acirrados contra nós. não apenas aqueles que ainda não foram “convertidos”. nos lembramos de tais. Ê difícil. sob a forma de frases soltas. escreveu todo o relato. companheiros competentes e seguros. implorando a Deus que os ajude. aqueles que já se acham recolhidos. tanto quanto necessitamos do apoio dos nossos benfeitores. uma vez por se mana. novamente. quando nada com as vibrações negativas de seu pensamento.

neste livro: o trabalho de doutrinação não se resume às poucas horas em que conversamos diretamente com os Espíritos incorporados aos nossos médiuns. Quando o Cristo disse que um dia poderíamos fazê-los também. mostra-se extremamente “perturbado” pelas nossas preces. A doutrinação é um ato de amor. acompanha mos nossos mentores. o instrumento daqueles que querem realizá-lo. Com freqüência impressionante o são mesmo. 203 especialmente nas horas e locais em que costumamos meditar. miraculoso. além de irmãos. em pensamento e ação. Diria. Não é difícil. nos contactos e nas tarefas que se desenrolam no mundo do Espírito. atenta a pequenos detalhes. A tarefa dos seres encarnados. O amor é realmente milagroso. que serão sempre. a quem muito devemos. ou que somente puder amar aqueles que o amam. para que fôssemos bonzinhos — Ele nada disse que não se conformasse com as suas íntimas convicções. Outros se confessam paralisados. num grupo mediúnico de desobsessão. é pouco mais que isso: assistirem à constante realização do milagre sempre renovado do amor. desmandos de toda sorte. que poderiam passar despercebidos. com muito amor mesmo. Aquele que não souber amar sem reservas. Um deles me disse. Mantenhamos uma atitude vigilante. já mencionado. oremos por eles. A “telefonista” recebera-os em seu lugar. Para resumir e insistir num ponto. antevisões e experiências. Não conseguem mais raciocinar com clareza e levar avante os projetos em que estavam empenhados: perseguições. É extraordinário o poder da prece. irritado: — Você vive rezando. Imaginemo-los como companheiros muito queridos. e a prece. ele se projeta ao longo dos dias e segue nas realizações da noite. não estava apenas acenando com uma visão quimérica.. ao manifestar-se pela segunda ou terceira vez. invariavelmente. mas que se revelam subitamente de enorme importância na decifração do enigma que esses amados companheiros trazem em si e q ue não podem resolver sozinhos. Às vezes. que havia interceptado meus “telefonemas”. o irmão atormentado. mesmo. Muita gente ainda não descobriu que a essência dos “milagres” evangélicos é o amor. filhos. certa vez. em desdobramento. Inúmeras e repetidas vezes temos presenciado o seu poder invencível. obsessões. quando. parceiros de antigas lutas e até credores nossos. não está preparado para essa tarefa. . pelo menos naquilo que fora deliberadamente dirigido para ele. mas sua referência provava que ele tomara conhecimento da minha atividade mental e emocional durante a semana. Um deles disse-me. alhures.. construtiva. não fosse tão abusada essa palavra extraordinária.

reflete-se nos sonhos. Resumindo. ocupam 23 páginas. é que formam esses conjuntos estranhos e confusos. não apenas em termos gerais de Doutrina. As singulares imagens do que se passa ou se passou em mundos desconhecidos. de maneira muito especial. 204 38 SONHOS E DESDOBRAMENTOS Páginas atrás. durante as horas de repouso. Creio que é oportuno desenvolver um pouco mais o conhecimento desse aspecto. sempre que pode. que nenhum sentido ou ligação parecem ter. estado em que maior amplitude adquirem suas faculdades. Enquanto a questão do sexo dos Espíritos. em “O Livro dos Espíritos”. os ensinamentos recebidos. É como se a uma narração se truncassem as frases ou trechos ao acaso. do sonambulismo. que mais independente se torna pela suspensão da vida ativa e de relação. A incoerência dos sonhos ainda se explica pelas lacunas que apresenta a recordação incompleta que conservamos do que nos apareceu quando sonhávamos. concluímos ser muito intensa a atividade do espírito parcialmente liberto pelo sono natural ou provo cado. Por esses ensinamentos. segundo seus interesses e afinidades. com satisfação. Daí também a lembrança que traz à memória acontecimentos da precedente existência ou das existências anteriores. como em sua aplicação prática aos trabalhos de desobsessão. mais adiante (questão 425). Reunidos depois. no capítulo 8º. É nesse estado que ele consegue entrar na posse de algumas das suas faculdades superiores. Kardec escreveu isto: “Os sonhos são efeito da emancipação da alma. ocupa cerca de meia página (perguntas 200 a 202). sob o título “Da Emancipação da Alma”. pelo acesso aos arquivos da sua memória integral. os problemas relacionados com a atividade do Espírito encarnado. da oportunidade de escapar da prisão corporal. nesses estados de libertação parcial. que contém importantes conotações. entremeados de coisas do mundo atual. em Kardec. com palavras suas. Bezerra de Menezes Manoel Philomeno de Miranda e outros.” Ao cuidar. Daí uma espécie de clarividência indefinida que se alonga até aos mais afastados lugares e até mesmo a outros mundos. mas. quando o corpo encontra-se em repouso. Essa importância ressalta do próprio tratamento que Kardec e seus instrutores deram ao assunto. ficou bem claro. através de sonhos e desdobramentos. A alma tem então percepçães de que não dispõe no sonho. Emmanuel. e que a atividade desenvolvida. Nesse estado de liberdade parcial. o encarnado cultiva intenso intercâmbio com encarnados e desencarnados. os fragmentos restantes nenhuma significação racional teriam. que o espírito encarnado aproveita-se. que é um estado de . através de médiuns de absoluta confiança e respeito. em situações especiais. O mesmo interesse encontramos nas obras mediúnicas em geral. no opulento acervo de informações que nos transmitiram André Luiz. afastar a densa cortina que encobre o futuro. Daí lembrar-se de encarnações passadas e até mesmo. que não devem ser ignoradas. os instrutorês conceituam-no como “estado de independência do Espírito. por exemplo. mais completo do que no sonho. Na verdade. ficou documentada uma referência sumária àatividade desenvolvida pelos componentes do grupo mediúnico.

com incorporação e doutrinação. em que se desenvolve a tarefa mediúnica propriamente dita. também. de onde resgatamos seres alucinados de dor e desorientação. por se encontrar este gozando do repouso indispensável àmatéria. “modernizações” e “atualizações” da Doutrina Espírita.) Acrescentam. dos riscos que corre o Espírito desatento e desprevenido. aqui. 205 sonambulismo imperfeito”. Os órgãos materiais. coloquemo-nos à disposição dos nossos amigos espirituais para as humildes tarefas que estiverem ao nosso alcance realizar junto deles. Para isto.. ainda. “No sonambulismo — prosseguem —. “. para não deixar dúvidas. ao despertarmos. implantar. sob a direção de competentes e dedicados servidores do Cristo. entre nós. que os companheiros desencarnados que orientam os trabalhos dos grupos mediúnicos dispõem de amplas possibilidades de colaboração da parte dos componentes encarnados. enquanto estes repousam. Vão beber doutrinas ainda mais vis.” (Destaques meus. como “reformulações”. mais ignóbeis. ocasião em que o Espírito pode abandonar provisoriamente o corpo. comparecem a esses núcleos de alucinação dos sentidos. até mesmo declarada-mente espíritas. ou em busca de gozos quiçá mais baixos do que os em que aqui se deleitam. às incursões no submundo do desespero.” (O primeiro destaque é do original. ou a mundos inferiores à Terra. onde os chamam velhas afeições. Em diferentes oportunidades. é mais intensa e extensa do que o curto período de uma hora ou duas. enquanto o espírito se acha desdobrado pelo sono. nossos mentores têm-se referido às reuniões de que participamos. durante as horas do sono. em tais desdobramentos. não resulte nossa canhestra interferência em agravação de suas dificuldades. enquanto dormem. que não existe diferença entre o sonambulismo provocado e o natural. ou fundam movimentos paralelos.) Muitos ignoram como isso é autêntico. deixam de receber as impressões exteriores. pelos informes da Doutrina Espírita. e até mesmo a sessões mediúnicas. Na verdade. mais funestas do que as que professam entre vós. como em todos os outros pontos de seus ensina mentos. o segundo. para que. tal como aqui. desta transcrição. em lugar de colaborar. duma trágica e dolorosa autenticidade. Isto significa. Os autores espirituais de “O Livro dos Espíritos” foram ine quívocos nesse. Companheiros encarnados. para efeitos práticos. Esse estado se apresenta principalmente durante o sono. achando-se de certa forma em estado de catalepsia. Lembranças residuais dessa atividade permanecem em nossa memória de vigília. ou aos centros de irradiação de doutrinas nefastas que tentam. Aqueles que se sintonizarem com as faixas inferiores. recomenda-se que. como.. vão. procurar predispor-se positivamente às tarefas noturnas. Essa atividade é realizada por equipes bem adestradas e precisamos estar afinados com seus componentes. a experiência indica-nos claramente que a atividade em desdobramento. o Espírito está na posse plena de si mesmo. Bem sabemos.. tão logo lhes seja possível apossarem-se de organizações terrenas que lhes forneçam a base de que necessitam para os . entre os encarnados. portanto. hoje. e é de utilidade ao trabalho mediúnico observá-las com atenção e interesse.. e peçamos a proteção divina para toda a atividade a desenrolar-se além das fronteiras da matéria bruta. na prece que precede o sono. O planejamento e o preparo das sessões é todo feito no mundo espiritual.

É lá. pois. quase imperceptivelmente. mas sóbrios. eles se apresentam emocionados. cujos reflexos absorvem do arquivo em que se lhe amontoam as próprias lembranças. fatos esses sempre organizados pelos mentores espirituais de elevada hierarquia. as modestas conquistas que porventura tenha mos conseguido realizar na vigília..” (Destaques meus. evoluídos ou não. nas horas em que repousa o nosso corpo físico. Cuidado. em “O Consolador”. ou sugando-lhe as energias e assoprando-lhe sugestões infelizes quando. equilibrados. que precisa ser examinado. é a mente suscetível àinfluenciação dos desencarnados que. e quando o encarnado em temporária liberdade pode receber a palavra e a influência diretas de seus amigos e orientadores do plano invisível. com o material onírico. com “revelações” sensacionais. em que se envolvem tantos companheiros promissores.. o sonho representa a liberdade relativa do espírito prisioneiro da Terra. todavia. tudo muito sutil. a fim de que não ponhamos a perder. os pobres instrumentos humanos que regressam ao nosso meio para espalhar a discórdia. é lá que são programados. as visões proféticas. Em determinadas circunstâncias. serenos. evitar a conclusão apressada de que todo sonho tenha algo a ver com o trabalho mediúnico que estejamos realizando ou que qualquer lembrança de atividade em desdobramento é aproveitável. contudo. com encontros com Espíritos que se apresentam sob identidades pomposas. questão 49 — o sonho constitui atividade reflexa das situações psicológicas do homem no mecanismo das lutas de cada dia.. pela solução de um caso particularmente difícil e delicado. André Luiz adverte-nos. pois. o desentendimento. “. em que a alma encarnada alcança elevada porcentagem de desprendimento parcial. quando não seja o asfixiante pesar do remorso por faltas cometidas. É lá que se forjam pactos sinistros de apoio mútuo. porque qualquer empolgamento já é suspeito.. então. a dissensão. lhe visitam o ser. criticado e aproveitado com prudência. que lhe favorece a estagnação na preguiça ou a envolve nas obsessões viciosas pelas .) Atenção. obedecendo a fins superiores. ofertando-lhe auxílio eficiente quando se mostre inclinada à ascensão de ordem moral. todo cuidado é pouco com a atividade em desdobramento. quando. a princípio.. em “Evolução em Dois Mundos”. quanto possível. se poderá verificar a comunicação inter vivos. 206 seus propósitos. com extremo cuidado e competência. É preciso. — “Na maioria das vezes — esclarece Emmanuel. adere ao consórcio psíquico de espécie aviltante. pela própria ociosidade ou intenção maligna. por certo. Os companheiros espirituais mais responsáveis não agem à base de inconseqüências e entusiasmos injustificados. quando. Mesmo nos momentos de maior alegria. porém.” E mais: “Numa e noutra condição. gratos. com “mis- sões” importantes. padecendo a inquietação das vísceras ou dos nervos injuriados pela sua rendição à licenciosidade. portanto. dos riscos que o Espírito encarnado corre durante o desprendimento do sono. nessas regiões tenebrosas. com elogios descabidos. ou nos de sonambulismo. que se praticam as mais lamentáveis formas de lavagem cerebral e hipnose..) os resultados de seus próprios excessos. quando as forças orgânicas dormitam em repouso indispensável. atraidos pelos quadros que se lhe filtram da aura. recolhe (. como nos fenômenos premonitórios. e. selecionado. No que diz respeito ao trabalho específico da desobsessão.

profundas meditações e cautelosa aplicação prática. Vejamos. dessa obra. A prece será sempre boa conselheira. em preciosos instrumentos dos Benfeitores da Espiritualidade. Cautela. advertências muito pormenorizadas sobre a responsabilidade do trabalho que se realiza nas chamadas horas “mortas” da noite. verdadeiramente sentida e vivida. O temor pa- ralisa. ante qualquer surpresa menos agradável. em romagens de serviço edificante fora do carro de matéria densa. André Luiz assegura-nos que podemos ser adestrados para essa atividade. Habituados à orientação pelo corpo físico. não nos deve atemorizar o vulto de tais responsabilidades. extravasam em todas as direções. de “Mecanismos da Mediunidade”.” (Des- taques meus. já nos parágrafos finais do capítulo: “É imperioso notar. Antes de encerrar estas notas. Se todos os homens prezassem seriamente o valor da preparação espiritual. como oficiais de ligação entre a esfera física e a esfera extrafísica. muitas vezes. à maneira do molusco que se refugia na própria concha. em enfatizar que o assunto merece cuidadoso estudo. Do ponto de vista do espírito. principalmente as que se adestraram para esse fim. temor.” (Destaques meus. diante de semelhante gênero de tarefa. na ansiosa expectativa. por exemplo.) Mas. seria bom reler todo o capítulo 11 — “Desdobramento em serviço”. para servir melhor. inconscientemente. procuram instintivamente o retorno ao vaso carnal. Insistimos.) Não faltam. sim. que considerável número de pessoas. nos domínios psíquicos. esta observação. e de outros que o leitor descobrirá: vigilância com os próprios hábitos diários. tanto quanto o capítulo 21 — “Desdobramento”. que ressaltam dos textos que examinamos aqui. imobiliza os esforços. pois. pois. do que as de vigília. não resta dúvida de que são mais vivas. o sonho e o desdobramento espiritual. do repouso noturno para sair à caça de emoções frívolas ou menos dignas. longamente sopitados durante a vigília. na Crosta — observa Sertório. ainda mesmo quando ligados a envoltórios infe riores. É preciso vencer a inibição inicial e caminhar. para o nosso desenvolvimento espiritual.” (Destaques meus. efetuam incursões nos planos do Espírito. em “Missionários da Luz” —. a maioria se vale.) Ouçamos agora Aulus. essas horas. transformando-se. diante de qualquer impressão em desacordo com os seus movimentos rotineiros. a par de recomendações óbvias. por falta de educação espiritual. certo efetuariam as conquistas mais brilhantes. Relaxam-se as defesas próprias e certos impulsos.” (Destaques meus. não. contudo. uma observação ainda parece oportuna e necessária.) Aliás. nossos médiuns contam-nos episódios em que . porém. esses trabalhos são inexprimíveis e imensos. 207 quais se entrega a temíveis contratos com as forças sombrias.“Raros Espíritos encarnados conseguem absoluto domínio de si próprios. não é só isso: — “Quando encarnados. logicamente. Com freqüência. Infelizmente. cuidado com a alimentação. não temos bastante consciência dos serviços realizados durante o sono físico. Por outro lado. que estuda o sono. pois as responsabilidades envolvidas são enormes. na esfera de fenômenos inabituais. porém. atenção com a saúde do corpo físico. em “Nos Domínios da Mediunidade”: . desejo de aprender. com real proveito para o nosso trabalho e.

Depende de nós a decisão: vamos pela escura e tortuosa viela que desce. transmitindo mensagens de outros planos. depois de já desdobrado do corpo físico. pela desencarnação? Não temos o direito de pôr sob suspeita o testemunho de alguns companheiros de confiança. nos quais funcionaram como médiuns. Os companheiros que nos estão esperando podem ser aqueles que nos arrastam para os porões escuros do desvario. por sua vez. Eu sabia. como. capítulo 36 — “O Sonho”. em modestas posições de meros aprendizes. no dia da sessão. É possível. em “Nosso Lar”. Tenhamos cuidado para não comprometê-los com o nosso despreparo e a nossa incúria. que deixara o veículo inferior no apartamento das Câmaras de Retificação. e tinha absoluta consciência daquela movimentação em plano diverso. ou os que nos guiam os passos incertos nas trilhas do bem. também lá. porém. ou separado dele definitivamente. enquanto nosso corpo repousa. nossos médiuns compareceram a reuniões de instrução e funcionaram mediunicamente. cansados das lutas do dia. ou preferimos a estrada que sobe. ao encontrar-se em plano muito elevado. por exemplo. afirmava-se cada vez mais intensa. 208 participaram de trabalhos no plano espiritual. é a que se desdobra para além dos nossos grosseiros sentidos físicos. um desdobramento. não é a que se realiza em torno da mesa. perfeitamente.) Disso tudo podemos sumarizar uma observação final: a maior parte do trabalho mediúnico. Minhas noções de espaço e tempo eram exatas. André Luiz. Aproximemo-nos com respeito da hora em que nos preparamos para adormecer. A riqueza de emoções. Em casos de meu conhecimento. em “Nosso Lar”. participamos de tais atividades. sempre que para isto se prepararam devidamente. desdobrados. Isso é perfeitamente possível e tem o decidido suporte da experiência.” (Destaques meus. em companhia do luminoso Espírito de sua mãe: “O sonho não era propriamente qual se verifica na Terra. Aqui e ali. reta e iluminada? .

dos pesos. mas seus métodos têm que ser suficientemente ágeis. em . O grupo merece e exige cuidados muito especiais. muito pessoal. Se o trabalho que lhe for cometido. que tentamos redimir-nos na tarefa sagrada do serviço ao próximo. essencialmente humana. na tentativa de fixar no papel alguns dos muitos ensinamentos amealhados. seus métodos de trabalho. É necessário que observemos com toda a atenção qualquer pormenor. pela razão. ele será implacavelmente assediado. cada manifestação traz uma surpresa ou um ensinamento novo. Nossos amigos espirituais de há muito nos haviam prevenido de que. de profundo e sincero amor fraterno. e até milenares. pelos companheiros espirituais. Seu objeto é o ser humano. para destruí-lo. ferramenta de trabalho. de volta àluz abençoada do Senhor. para as acomodações necessárias. revelar-se fecundo e promissor. na fase de planejamento. Citarei um pequeno incidente. na frieza clássica dos números. em termos espirituais. pela própria natureza das experiências que procura transmitir. Perderam-se no emaranhado de suas perplexidades e não podem atinar sozinhos com a trilha que os leve para fora do poço profundo e escuro. sob a qual possam contemplar suas im- perfeições e empenhar-se em alijá-las do coração. sem prejuízo das tarefas que se desdobram. usualmente em penoso estado de desarmonização interior. não são quantidades físicas de substâncias químicas. em inglês (rescue work). chamado tão apropriadamente de trabalho de resgate. o que o torna uma atividade do coração. é precisamente a perseguição indormida. mas subimos também nós. a pressão assídua de companheiros em desequilíbrio. por vezes. desde antes mesmo de constituir-se. Não há nele espaço para meias-verdades. que me parece muito simples e válida. Levantar-se-ão contra ele forças obstinadas. O grupo mediúnico é instrumento de socorro. só é possível em clima de total doação. fingimentos “inocentes”. de que ele é mesmo um depoimento pessoal. É preciso criar para ele uma estrutura robus ta. das medidas. campo de experimentações fraternas e escada por onde sobem não apenas os nossos companheiros desarvorados. 209 39 RESUMO E CONCLUSÕES Creio haver chegado ao final da tarefa que me impus. indiferença ou comodismos. Assim. para que possa funcionar sem hesitações e interrupções. dedicação constante. que não hesitarão diante de nenhum recurso. em mais de uma década. O trabalho de doutrinação. cujas reações podemos prever. além de suas finalidades e objetivos. nada de ilusões: a medida de seu êxito. seculares. no trato íntimo e permanente com inúmeros companheiros desencarnados. aprendamos a lição que cada um deles contém e a incorporemos ao acervo da experiência. dispostas a tudo para fazê-lo calar-se e dissolver-se. Não me foi possível evitar que este livro se revestisse das características de um depoimento pessoal. Os irmãos que comparecem aos nossos grupos mediúnicos estão em crises. Por isso. vigilância permanente. devem ficar bem definidos. mas suficientemente flexível. estudar e repetir à vontade. Nunca saberemos o suficiente em matéria de contacto com os nossos irmãos desvairados pela dor e pela revolta. aparentemente sem importância. Nunca chegaremos a prever todas as situações que um grupo poderá enfrentar. de empatia. Cada sessão é diferente.

nem ser dominado por ele. absoluta. em clima de segurança e confiança. a ponto de merecer advertência específica? Além de tais observações esporádicas. ele é apenas mais um trabalhador. nossos companheiros em torno da mesa. para subsistir. Por que a recomendação? Muito simples: não apenas a preocupação excessiva com o tempo pode desviar-nos do clima exigido pelo trabalho. a seleção dos médiuns é da mais alta importância. exigindo provavelmente esforço maior dos companheiros desencarnados. bem como a maneira de tratá-los e inte grá-los no trabalho. precisa contar com o respeito afetuoso de seus companheiros. observações que pas- saram despercebidas. Se sentir que não tem condições pessoais para doutrinar. para consultá-lo. ele é também gente. Muito bem. É fácil testar essa verdade. neste livro. o que não significa que a disciplina do grupo deva correr à matroca. Encarnada e desencarnada. para que possam trabalhar todos em harmonia. ou de “O Livro dos Médiuns”. e lemos trechos substanciais. o doutrinador acumula as funções de dirigente encarnado dos trabalhos. objetivos e métodos. pela simples razão de que. como um general em campanha. deve atribuir essas funções a outros membros da equipe. O doutrinador não será jamais o sumo-sacerdote de um novo culto. mas porque até mesmo o próprio gesto de voltar-me poderia quebrar a continuidade da tarefa junto ao irmão incorporado. Se a recomendação de estudar sempre é válida para o grupo. por mais que você esteja certo de conhecer bem a obra de Kardec. na sala de trabalho. a ditar ordens. Leia você. como as obras complementares. a mente divaga. que julgue mais bem qualificados. leitor. infinitamente mais experimentados do que nós. e leva-nos a esquecer recomendações e instruções importantes. Redobrei o cuidado com o controle do tempo e. sem a participação do consciente. Segundo. Um grupo. Se ele é também o dirigente humano. porque nossa memória é falha. Quem poderia imaginar que a mera posição de um relógio. Quanto aos encarnados. o estudo é uma necessidade imperiosa. não é despotismo. Temos a tendência de julgar que sabemos mais do que realmente sabemos. para o médium ela adquire as proporções de uma obrigação. . Se for constituído à base de elementos inconstantes e inseguros. serão remotas suas possibilidades de sobrevivência e inseguros os trabalhos. dos companheiros espirituais. por melhores que sejam as intenções. por várias razões. a fim de que possam dar de si mesmos. O grupo tem que começar de maneira certa. deixássemos ultrapassar o horário de atendimento. como um todo. no contexto de um grupo humano. fosse tão importante. Usualmente. não fosse necessário virar-me e tomá-lo nas mãos. e sim portar-se como um dos trabalhadores que o compõem. como ficou dito e explicado alhures. toda a atenção deve ser posta em selecioná-los. porém. porque mesmo durante a leitura. O aprendizado tem que ser constante. porém. Liderança. O médium não deve dominar o grupo. como costumava fazer. ângulos insuspeitados. O mesmo é válido para qualquer outro documento doutrinário sério. já lidas no passado. veio outra observação: recomendavam-me que procurasse colocar o relógio diante de meus olhos. de forma que. a impor ritos e fórmulas mágicas. não são apenas finalidades. Além dos demais pontos críticos. Primeiro. e verá que há sempre aspectos que você não havia ainda notado. qualquer página de “O Livro dos Espíritos”. então. alguém precisa assumir a liderança. 210 hipótese alguma.

quer o companheiro aceite ou não. e nunca nos cansamos de admirar a sua força positiva e construtiva. Ao criar-nos. o amor. para declamar aos Espíritos. Vemo-lo repetir-se a cada instante. são ilimitadas as nossas possibilidades de crescimento. Para o doutrinador. como um movimento irreprimível. Quem poderá resistir? — “Se Deus está conosco — dizia o nosso Paulo — quem estará contra nós?” Se me fosse pedido o segredo da doutrinação. dili cilmente reúnem-se todas as características desejáveis numa só pessoa. por isso. creio que se referia especificamente ao amor em nós. ante os companheiros que sofrem. Por isso. no livro. diria apenas uma palavra: — AMOR! Fim . quando conseguimos transmutar-nos em amor. Entre estas colocaria. Assim. no qual nos doamos integralmente. Jamais deixei de me surpreender com o espetáculo emocionante desse impacto. por isso. sem dúvida alguma. tem que emergir das profundezas do ser. E freqüentemente nos esquecemos de que uma fagulha do infinito é também infinita e. em nossa miserável existência de seres imperfeitos. De minha parte. no trabalho de doutrinação. Deus colocou em nós a fagulha do amor. lembrei por aí. 211 São rigorosas as especificações de um bom doutrinador. como vimos: * Formação doutrinária * Evangelização * Autoridade moral * Fé * Amor O grande ativador desses petrechos espirituais é. tem que ser sentido mesmo. Quando Ele falou a João que nós somos deuses. somos irresistivelmente atraídos para Ele. não são apenas frases bonitas. de pronto. dizem os grandes instrutOres. sempre o mesmo. e aquele outro. éuma das coisas mais impressionantes e comoventes do trabalho de doutrinação. O impacto do amor Sincero. O amor fraterno. “amai os VOSSOS inimigos”. estamos nos colocando no sentido e na direção que segue todo o Universo. no coração de um irmão que sofre. que não há doutrinadores perfeitos. pelas trilhas do amor. mas condições essenciais ao trabalho. o único. Parece que o Pai imantou com esse amor a nossa pequenina limalha e. considero algumas dessas qualidades como apenas desejáveis. a nossa entrega. o preceito evangélico do “amai-vOS uns aos outros”. através do espaço infinito e do tempo imemorial. que nos dá realmente a sensação de que o amor é um milagre que podemos realizar em nome do Cristo. e não apenas fingido ou forçado. e outras indispensáveis. contentemo-nos em ser razoáveis e lutemos por adquirir as qualidades que nos faltam.

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