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DIÁLOGO COM AS SOMBRAS
HERMÍNIO C. MIRANDA

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ÍNDICE
DOUTRINAÇÃO E DESOBSESSÃO
INTRODUÇÃO

PRIMEIRA PARTE - A INSTRUMENTAÇÃO
CAPITULO 1 = O GRUPO

SEGUNDA PARTE - AS PESSOAS
CAPITULO 2 = OS ENCARNADOS
CAPITULO 3 = OS MÉDiUNS
CAPITULO 4 = O DOUTRINADOR
CAPITULO 5 = OUTROS PARTICIPANTES
CAPITULO 6 = OS ASSISTENTES
CAPITULO 7 = RENOVAÇÃO DO GRUPO
CAPITULO 8 = OS DESENCARNADOS - OS ORIENTADORES
CAPITULO 9 = OS MANIFESTANTES
CAPITULO 10 = O OBSESSOR
CAPITULO 11 = O PERSEGUIDO
CAPITULO 12 = DEFORMAÇÕES
CAPITULO 13 = O DIRIGENTE DAS TREVAS
CAPITULO 14 = O PLANEJADOR
CAPITULO 15 = OS JURISTAS
CAPITULO 16 = O EXECUTOR
CAPITULO 17 = O RELIGIOSO
CAPITULO 18 = O MATERIALISTA
CAPITULO 19 = O INTELECTUAL
CAPITULO 20 = O VINGADOR
CAPITULO 21 = MAGOS E FEITICEIROS
CAPITULO 22 = MAGNETIZADORES E HIPNOTIZADORES
CAPITULO 23 = MULHERES

TERCEIRA PARTE - O CAMPO DE TRABALHO
CAPITULO 24 = O PROBLEMA
CAPITULO 25 = O PODER
CAPITULO 26 = VAIDADE E ORGULHO
CAPITULO 27 = PROCESSOS DE FUGA
CAPITULO 28 = AS ORGANIZAÇÕES: ESTRUTURA, ÉTICA, MÉTODOS,
HIERARQUIA E DISCIPLINA

QUARTA PARTE - TÉCNICAS E RECURSOS
CAPITULO 29 = TÉCNICAS E RECURSOS
CAPITULO 30 = O DESENVOLVIMENTO DO DIÁLOGO. FIXAÇÕES.
CACOETES. DORES “FÍSICAS”. DEFORMAÇÕES. MUTILAÇÕES
CAPITULO 31 = LINGUAGEM ENÉRGICA
CAPITULO 32 = A PRECE
CAPITULO 33 = O PASSE
CAPITULO 34 = RECORDAÇÕES DO PASSADO
CAPITULO 35 = A CRISE
CAPITULO 36 = PERSPECTIVAS

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CAPITULO 37 = O INTERVALO
CAPITULO 38 = SONHOS E DESDOBRAMENTOS
CAPITULO 39 = RESUMO E CONCLUSÕES

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DOUTRINAÇÃO E DESOBSESSÃO
“Qual é o teu nome?” — indaga Jesus. Responde-lhe:
“O meu nome é Legião, porque somos muitos.” E lhe imploravam
com insistência que não os mandasse para fora dessa região
(Gerasa). (Marcos, 5:9 e 10.)

Temos sob as vistas um novo livro de Hermínio C. Miranda: “D IÁLOGO
COM AS SOMBRAS — Teoria e Prática da Doutrinação”.
Estamos familiarizados com os escritos do autor, pois acompanhamo-lo em
seus estudos, ano após ano, pelas páginas de “Reformador”. Conhecemos-lhe
as análises criteriosas de dezenas de obras de bastante repercussão, nas
esferas da Religião, da Filosofia e das Pesquisas, no mundo do Espiritualismo
e, mais especificamente, do Espiritismo e do Evangelho de Jesus. Raros serão
os livros marcantes de escritores contemporâneos e antigos, nessas
especialidades, que lhe não hajam merecido a crítica serena e construtiva. Os
sistemas doutrinários erguidos pelo pensamento humano, na sua longa e
exaus tiva elaboração, no curso de milênios, são-lhe objeto de estudos e
elucubrações, geralmente traduzidos em artigos e livros que a Federação
Espírita Brasileira vai imprimindo e difundindo, aqui e fora dos próprios limites
territoriais das Terras de Santa Cruz.
Nos últimos anos, os trabalhos de Hermínio C. Miranda têm esflorado temas
de grande importância, como sempre, mas de abordagem difícil, alguns deles
pouco estudados antes. “O Médium do Anticristo”, por exemplo. Os artigos
referentes a “A Morte Provisória (5 e II)”, “Uri Geller”, “O Cinqüentenário de
Lady Nona”, “A Maldição dos Faraós”, etc., fazem-nos pensar mais
detidamente nas profundidades do Desconhecido.
Ao lado de livros e artigos, os prefácios, introduções e sínteses de obras,
como em “Procês des Spirites” e “Processo dos Espíritas”, de Mme. Marina
Leymarie; “Imitation de l’Évangile selon le Spiritlsme”, de Allan Kardec. E mais
o que se acha por enquanto inédito.
Experiências que se acumularam ao longo de decênios desta e de vidas
pretéritas, consolidadas graças a esforços incessantes e renovadas
perquirições, conferem-lhe espontaneidade e simplicidade no trato dos
enigmas mais sérios e das questões complexas, de toda uma gama de
assuntos no âmbito do inabitual, permitindo-lhe escrever para os simples e os
doutos, na linguagem desataviada que todos entendem.
A ciência de servir é uma arte rara, exigindo dedicação e persistência. Nela,
o nosso Amigo exercita-se há muito tempo, desinibido e despreconceituoso,
como quem se movimenta com a naturalidade própria dos que sabem da sua
vocação e não hesitam em seguir os rumos que devem trilhar.
Escrever sobre “teoria e prática da doutrinação”, apresentando o patrimônio
provisionado durante pelo menos dez anos Ininterruptos de serviço ativo, no
demorado “diálogo com as Sombras”, não é tarefa fácil. A contribuição de
Hermínio, no entanto, foge ao comum dos livros de divulgação doutrinária e
evangélica, no campo espírita. É mais um extraordinário documentário ou
cartilha de orientação, descendo aos pormenores daquilo que se pode chamar
de elaboração séria, metódica, gradativamente desenvolvida, elucidativa de
todo o contexto das intercomunicações e interligações entre vários planos
vibratórios, no atendimento responsável e cristão da assistência es piritual em

é que “Diálogo com as Sombras” é livro doutrinariamente correto e constitui valiosa contribuição para o estudo e a prática dos serviços de desobsessão espírita. ternura. para a qual gostaríamos de pedir atenção. de André Luiz: quando os originais fo ram-nos enviados. porqüanto. C. exceto quando entrem em choque com os princípios fundamentais da Doutrina Espírita. têm os demais. doação! * O livro. em que transmitia a solicitação do autor espiritual. A propósito. de aceitar. ainda quando não as encampe ou oficialize. o autor nele coloca as próprias idéias. a rigor. no sentido de retirar dos originais aquelas palavras que lhe haviam suscitado dúvidas. É claro que. Hermínio C. com a explicação seguinte: “Se o nosso amigo não pôde admitir isso. O autor trata detalhadamente desse assunto. especialmente no que tanga a locais para sessões práticas de desobsessão e a métodos de trabalho. acima de tudo. deixamos aos nossos leitores o encargo de analisar tudo quanto o autor expõe ou sugere. é a da zoantropia. Não compete à Federação censurar opiniões. Ora. 5 desobsessão. como reconhece o autor. No entanto. em Espiritismo. defensores e propagandistas daqueles princípios. cada ensino ou experiência e suas implicações. não necessita de explicações ou apresentações. com proficiência. na verdade. com os quais todos os seus pensamentos se afinam. Acreditamos que Hermínio C. à segura argumentação que faz. nem sempre concordantes com as de outros autores igualmente editorados pela Federação Espírita Brasileira. mediúnica ou não. Pediu confirmação ao Espírito e recebeu. na vigília e no sono. mas num mapa por assim dizer comportamental durante as demais horas. Miranda é dos mais seguros estudiosos. . mais comumente citada como licantropia. “o segredo da doutrinação é o amor”. recordamos o livro “Libertação”. Assim. tudo nele é de meridiana clareza. Ele não faz revelações especiais nem ensina princípios não sabidos. O que Importa. O próprio autor justifica cada detalhe. porque não fez literatura: seu livro é vida! É compreensão. na tessitura de um livro desta natureza. Miranda alcançou com o maior êxito o fim a que se propõs. ou não. uma carta do médium F. as pequeninas verdades que as desatenções dos estudiosos nem sempre permitem captar e estereotipar nas mentes e corações. Trata-se do exercício natural do sagrado direito que cada qual tem de pensar por si mesmo e de abraçar os pontos de vista que lhe parecem os melhores. o Diretor incumbido da análise Inicial dessas páginas mediúnicas considerou um tanto “exageradas” umas afirmativas e detalhes pertinentes a um caso de licantropia. consegue aglutinar. São horas vividas não apenas no circulo das tarefas mediúnlcas propriamente ditas. à medida que adentra na exposição simples de coisas difíceis. como resposta. pois o mesmo direito que tem o expositor de argumentar e aconselhar. os seus argumentos e conselhos. numa leitura ou estudo ligeiro da vasta literatura espírita. Xavier. * Questão séria. nem de Interpretações. é sinal que precisamos aguardar outra oportunidade.

convidamos o leitor a conhe cer o livro de Hermínio. 22 de junho de 1979 FRANCISCO THIESEN Presidente da Federação Espírita Brasileira . dada a preocupação da Espiritualidade Superior no sentido de o assunto ser encarado com a seriedade e o preparo precisos. Estamos certos de que. 1979). mesmo com a parte que André Luiz sugeriu fosse eliminada do texto. 6 pois os leitores. mais que as palavras articuladas. que é bem pior do que pensamos. de que o Espiritismo é. em 1888 e 1889.” As palavras da carta do médium eram aproximadamente essas.” * O problema da obsessão — grande flagelo da Humanidade — étão grave. Os referidos ditados estão incorporados no opúsculo “A Prece segundo o Evangelho”. especialmente no campo do amor e da exemplificação das virtudes cristãs. com maior razão. mas o sentido exatamente esse. no Rio de Janeiro (RJ). as coisas ainda ficavam bem longe da realidade. que a respectiva cura chegou a ser objeto de mensagens de Allan Kardec. ao lê-lo. pelo médium Frederico Júnior. o Consolador Prometido por Jesus. na verdade. de Allan Kardec. também não admitirão. editado pela FEB (33ª edição. Mas o comentário particular de Chico Xavier. a pessoa que nos merece a maior credibilidade. 6250 milheiro. foi este: “E na verdade. * Terminadas estas páginas iniciais. Rio de Janeiro (RJ). os exemplos que encerra causar- lhe-ão a nítida convicção.

e * A Gênese. da ignorância. nos afi namos com maior facilidade com aqueles que também se acham perturbados por desequilíbrios de maior ou menor gravidade. nenhuma obra acerca dos aspectos experimentais do Espiritismo terá valor por si mesma. a massa imensa daqueles que se acham da média para baixo. mas sim. e como ainda nos encontramos todos em estágios inferiores da evolução. como tantos outros. na literatura espírita. é natural. O importante é que. a meu ver. Aquele que se atira à fenomenologia mediúnica sem estes petrechos indispensáveis. Como a base do fenômeno mediúnico é a sintonia espiritual. que estejamos à inteira mercê dos espíritos perturbados e perturbadores. nem livrar- nos das nossas prova ções. de simbolos. no pórtico deste livro. qualquer pessoa dotada de faculdades mediúnicas. este jamos com um mínimo de preparação. * O Céu e o Inferno. de “trabalhos” encomendados. contar com a boa-vontade e a ajuda desses irmãos maiores. A prática mediúnica não deve ser improvisada. em princípio. do rancor. com a sua proteção carinhosa. Pelo nosso mundo de encarnados podemos inferir o outro. Realmente. fantástico ou sobrenatural. Há. da angústia. começa com ele. mas. ao Iniciarmos o trato com os Espíritos desencarnados. Podemos. que. apoiada num mínimo de informação. Isolada do contexto dos cinco documentos básicos da Doutrina. ou aquele que é arrastado a ela pela mediunidade indisciplinada ou desgovernada. É claro que a lista não termina aí. estará se expondo a riscos Imprevisíveis para o seu equilíbrio emocional e orgânico. não à custa de oferendas. O relacionamento com o mundo espiritual se reveste de enganosa simplicidade. pode estabelecer contacto com os desencarnados. uns com respeito e amor. * O Livro dos Médiuns. Ali. Isto é: * O Livro dos Espíritos. * O Evangelho segundo o Espiritismo. da vingança. mesmo Incipientes. um acervo considerável de livros que constituem leitura obrigatória para todo aquele que se propõe a um trabalho sério junto aos companheiros desencarnados. não termina com Kardec. voluntária ou involuntariamente. pois não perdoa despreparo e ignorância. e. encontrando-se em variados estágios de desenvolvimento moral. O mundo espiritual é povoado de seres que foram ho mens e mulheres como nós mesmos. outros com leviandade e indiferença: e muitos sem mesmo perceberem o que se passa e o que deve ser feito para ordenar um fenômeno que. por conseguinte. velam por nós companheiros de elevada categoria. pois não nos devemos esquecer de que o Espiritismo. no qual procuremos . sempre dispostos a nos ajudar. evidentemente. Isto não quer dizer. igualmente. consciente ou inconscientemente. serena ou tumultuadamente. do lado de lá. obviamente. Alguns o fazem compulsoriamente ou com relutância: outros com espontaneidade. mas não nos podemos esquecer de que eles não podem fazer por nós as tarefas de que nos incumbem. da revolta. e muito menos coibir os mecanismos do nosso livre-arbítrio. encontramos espíritos nobres e dotados de atributos morais avançados. nada tendo de místico. 7 INTRODUÇÃO Creio necessário declarar. até os extremos mais dolorosos do aviltamento moral. de ritos mágicos. com um procedimento reto. como doutrina essencialmente evolutiva. como aquI.

Gabriel Delanne. acima de tudo: estão prontos e dispostos a se doarem integralmente. Assim. julguei necessária uma pequena introdução que situasse a obra em seu contexto próprio. E começar pelo planejamento. sem condições e sem imposições? O amor não exige recompensa. suporte indispensável de toda a tarefa programada. * “Encontramos. O amor. Gustavo Geley. 8 desenvolver em nós mesmos o esforço moralizador. Léon Denis. . e da sua ajuda desinteressada. As razões que os levam a essa decisão — creio eu — são respeitáveis. Muita ênfase precisa ser posta no estudo dos escritos que cuidam do complexo problema da mediunidade. Nunca é demais enfatizar que a organização de um grupo de trabalho mediúnico começa muito antes de dar-se início às suas tarefas propriamente ditas. Nunca somos tão pobres de bens materiais e espirituais que não possamos doar alguma coisa ao companheiro necessitado. a educação dos pais. não apenas no interesse da doutrina que todos professamos. não é possessivo. sem reservas. mas também no interesse de cada um. e certos trabalhos de origem mediúnica. com o estudo sistemático das obras básicas. pacificado e amoroso? Estão prontos a receber a tarefa com humildade? E. Não foi preciso escrevê-la. que a seguir transcrevo. às vezes. pois cada um de nós sabe de si e do que. Estão preparados para a tarefa? Desejam o filho? Dispõem-se aos sacrifícios e renúncias que o trabalho impõe? Estão conscientes das suas responsabilidades. e deve ser cercado dos mesmos cuidados que precedem à formação e ao nascimento de uma criança: ou seja. no sentido humano. o amor é. e das complementares. não para nos livrar das nossas dores. Examinaremos o assunto por partes e com as cautelas devidas. modernamente. ou se dispõem a criar condições para fazer dele um ser digno. entretanto. forçando-o a uma tarefa acima de suas forças. mas para nos concederem o privilégio da sua presença amiga. é preciso insistir: a formação ou nascimento de um grupo émuito importante. naquilo que for realmente proveitoso ao nosso espírito. ao comparar o grupo nascente com um filho. e não pela execução atabalhoada e sem preparo. É preciso. da sua inspiração oportuna. confrades que não gostam de freqüentar sessões espíritas. e não naquilo que julgamos o seja. se convencionou chamar de suas motivações. Antes. dos percalços e das lutas que os esperam? Para que desejam o filho? Sonham fazer dele um grande homem. o aprendizado constante e a dedicação desinteressada ao semelhante. da Doutrina Espírita: as de Allan Kardec. É com estas atitudes que nos asseguramos da assistência de Irmãos mais experimentados e evoluidos. seja o pão ou a palavra de consolo e solidariedade. ao amor ilimitado. Se estamos com essas disposições. podemos começar. ainda no corpo desta conversa inicial. Voltaremos às questões que formulamos acima. pois já estava pronta. nem para cumprir mandados nossos ou atender às nossas menores exigências e súplicas. dizia Edgar Cayce. para a qual não esteja preparado. como os de André Luiz. uma observação de caráter pessoal: ao planejar a elaboração deste livro. “Reformador” de fevereiro de 1966 publicou um artigo intitulado “Espiritismo sem sessão espírita?”. examinar de perto essa posição e ver o que contém ela de legítimo. por interessar aos objetivos deste livro.

em primeiro lugar para que se observe e estude o fenômeno da mediunidade. suas grandezas. compreensão e caridade no cha mado mundo espiritual. o seu desenvolvimento futuro. Mas se não a observarmos em ação. as oportunidades de aprendizado e progresso que contém. a prática mediúnica é. Os erros que cometemos. sim. entre o mundo espiritual e este. também. Há outros problemas e dificuldades de menor importância. das alegrias que experimentamos ao encaminhar às trilhas da paz um Espírito em crise? Há um universo a explorar. realmente. não apenas para o médium. Há uma Humanidade inteira cla mando por ajuda. porém. Será. como também ao animismo de certos médiuns mais interessados nas suas próprias idéias que na transmissão daquilo que recebem dos companheiros desencarnadOS. Parece claro. invariavelmente prejudica a alguém mais. mas creio que basta considerarmos aqui apenas esses dois — o que não é pouco. De mistificações por parte de pobres irmãos carecentes de entendimento. precisamos estar atentos ao puro mediunismo sem objetivos mais elevados. Seus dramas e suas angústias não são puramente individuais. somente assumiu expressão e sentido filosófico depois que Kardec ordenou e metodizou os conhecimentos adquiridos no contacto com os nossos irmãos desencarnados. também o é o exercício desta sem o estudo daquilo que já se sabe sobre o fenômeno. os riscos que oferece. noções satisfatórias. no final de contas. a respeito. É claro que a mediunidade tem um mecanismo muito complexo e até agora poucos foram os cientistas dignos desse nome que se dedicaram. Logo. das tarefas a que se propõe. Evidentemente. Convém pensar também que a própria dinâmica da Doutrina Espírita exige esse intercâmbio espiritual. esclarecimento. em planos diferentes. A análise das questões mais complexas quase sempre começa pelas definições acacianas e de vez em quando é bom a gente recorrer a velhos conceitos para iluminar obstáculos novos. De aflições — embora passageiras — causadas pelo desfile das angústias de irmãos sofredores. Há riscos. prendem-nos a uma cadeia de fatos e de seres que se estende pelo tempo a fora. Se é incompleto o conhecimento sem a prática mediúnica. cada vez mais. Nunca o drama de um Espírito é apenas seu. De aceitação de inverdades sutilmente apresentadas sob fascinantes roupagens. em grande parte. essa estranha faculdade humana sobre a qual ainda há muito o que estudar. a fundo e com a mente desarmada de preconceitos. como indispensável ao futuro da Humanidade. delas se nutre e delas depende. Há sempre. da exata compreensão do mecanismo das relações entre esses dois mundos que. 9 De fato. com regularidade e seriedade. não são mais que um único. como poderemos almejar compreendê-la um dia? Só aprendemos a nadar pulando dentro dágua sob a orientação de quem já tenha. O Espírito que erra. nesta vida ou . há alguns problemas ligados à freqüência de trabalhos mediúnicos. mas para aquele que assiste aos trabalhos e deles participa. que o eqüacionamento e a solução das grandes inquietações humanas vão depender. Outra dificuldade ponderável é a organização de um bom grupo que se incumba. O Espiritismo doutrinário nasceu das práticas mediúnicas. não apenas aconselhável. O intercâmbio. O primeiro deles — e dos mais sérios — é o da própria mediunidade. que isso constitui motivo para nos privarmos das recompensas do aprendizado. ao estudo dela.

a crueza do arrependimento daquele que desperdiçou o seu tempo na busca ansiosa das ilusões mundanas. iniludíveis. mas flexíveis. de preferência familiar. não apenas o seu espírito da tormenta do ódio. sem ostentação. na milenar batalha contra as suas próprias deficiências. A todos os que erraram. Há estudos sérios e muito seguros de orientação doutrinária a respeito. pelo menos. a amarga decepção do suicida. mas também o irmão que lhe sofre as agressivas vibrações. o ônus terrível da vaidade. Nos dramas a que assistimos nas sessões mediúnicas. apenas para mostrar como é o Espírito daquele que já venceu a si mesmo. aprendemos a contemplar a transitoriedade do mal. Aquele que odeia. pois exigem reparação. de que progride e aprende. A cada bom grupo de seres encarnados dispostos à tarefa. Aos que ainda desejam vingar-se de antiquíssimas ofensas. a inutilidade das posições humanas. Crentes ou descrentes. católi cos ou protestantes. são tão poucos os grupos que se dispõem a esse trabalho que tão altos dividendos paga em conhecimento e progresso espiritual. desprezar esse trabalho magnífico que tanta recompensa nos traz e também aos nossos irmãos do outro lado da vida? Quanto à organização dos grupos. provocadas por antigas mágoas. composto de pessoas que se harmonizem perfeitamente e que estejam interessadas num trabalho sério e contínuo. consolamos com a nossa própria imperfeição e com a certeza da recuperação. na qual o Espírito fica. um gesto de tranqüila compreensão para libertar. tanto na carne como no Espaço. Aos poucos. É bom que o grupo seja pequeno. ao mesmo tempo que fornecem os recursos para o reencontro do Espírito com o seu próprio destino. 10 em algumas das anteriores. cada vez melhor. através da lúcida inteligência de Kardeç. No exercício constante dessa atividade. Lições terríveis ministradas com lágrimas e gritos de desespero por aqueles que assumiram débitos enormes diante da Lei. lições de doce tranqüilidade e de serena humildade dos que já superaram as suas fraquezas e vêm. Muitos nos buscam apenas para trazer notícias das suas próprias conclusões. corresponderá um grupo . demonstrada a seriedade de propósitos. ajudamos a com- preender a nova realidade que tem diante de si. então. como criaturas encarnadas. ouvimo-los com admiração e proveito. Por que. aprendizado extenso e profundo para todos os que desejarem realmente apressar os passos e encurtar a caminhada que leva a Deus. de que as leis universais são perfeitas. mostramos a inutilidade do seu intento e os novos problemas com que virão agravar o seu futuro. da nova compreensão diante desse mistério sempre renovado da vida. elos que nos ligam a outros seres e e outras dores. vemos. todos nos vêm confirmar as verdades mestras do Espiritismo: as de que o Espírito sobrevive à morte física. nem se deixe fanatizar ou fascinar por pseudoguias. os trabalhos irão surgindo. Multidões de seres que aqui viveram inúmeras vezes. Os que já atingiram elevados patamares de conhecimento e amor. Muitas e variadas lições. de que reencarna. lá estão à espera de ajuda e. anestesiado nas suas angústias. sob a orientação de Espíritos esclarecidos. não será tão difícil assim. Ao que ainda se prende a superadas teologias. no entanto. a solidez inabalável da doutrina que nos legaram os Espíritos. a tensa expectativa de um novo mergulho na carne redentora. muitas vezes já está maduro para o perdão — basta uma palavra serena de esclarecimento. Que não se deixe desencorajar por dificuldades ou pela aparente insignificáncia dos primeiros resultados.

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equivalente de Espíritos, num intercâmbio salutar de profundas repercussões,
pois Espiritismo é doutrina, mas é também prática mediúnica, e todos nós,
ainda que nem sequer suspeitemos disso, temos compromissos a executar,
ajustes a realizar com irmãos que nos aguardam mergulhados em ódios e
incompreensões, que se envene nam a si mesmos e a nós próprios.
“Lamentar a desgraça — dizia Horace Mann — é apenas humano; minorá-
la é divino.”

*

E assim, creio que estamos prontos para entrar na matéria propriamente
dita.

Rio de Janeiro (RJ), 1976
HERMÍNIO C. MIRANDA

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PRIMEIRA PARTE
A INSTRUMENTAÇÃO

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1
O GRUPO
Voltemos às perguntas formuladas na Introdução.
Em primeiro lugar, o preparo, que consiste na educação e na instrução
dos componentes do grupo que se planeja, nos leva a outro quesito preliminar:
— quem devem ser os componentes?
A tarefa começa, pois, com a seleção das pessoas que deverão
participar dos trabalhos. Como todo grupamento humano, este também deve
ter alguém que assuma a posição de coordenador, de condutor. É preciso, não
obstante, muita atenção e vigilância desde esta primeira hora. Esse motivador,
ou iniciador, não poderá fugir de certa posição de liderança, mas é necessário
não esquecer nunca de que tal condição não confere a ninguém poderes
ditatoriais e arbitrários sobre o grupo. Por outro lado, o líder, ou dirigente, terá
que dispor de certa dose de autoridade, exercida por consenso geral, para
disciplinação e harmonização do grupo. Liderar é coordenar esforços, não
impor condições. O líder natural e espontâneo é aceito também com
naturalidade e espontaneidade, sem declarar-se tal. É até possível que, nos
trabalhos preliminares de organização do grupo, surja a sutil faculdade da
liderança em pessoas nas quais mais inesperada ela parecia. Nestas
condições, aquele que iniciou a idéia deve ter grandeza suficiente para
reconhecer que o outro, que revelou melhores disposições, está mais indicado
para a função do que ele próprio. Num grupo espírita, todos são de igual
importância.
O problema das rivalidades é tão antigo como a própria mediunidade. O
apóstolo Paulo tratou dele, na sua notável Primeira Epístola aos Coríntios,
capítulos 12, 13 e 14, e, especificamente, nos versículos 4 a 30 do capítulo 12.
(1)
O primeiro passo, portanto, que deve dar alguém que pretenda organizar um
grupo mediúnico é selecionar as pessoas que irão compo-lo. É bom que isto se
faça mesmo antes de se decidir que tipo de trabalho será executado — do que
falaremos mais adiante — e quem será incumbido da direção das tarefas. Os
motivos são de fácil entendimento. Em primeiro lugar, o problema da liderança
a que acima aludimos: é possível que a pessoa mais indicada para dirigir os
trabalhos não seja aquela que se propõe, de início, a organizar o grupo,
cumprindo-lhe provar, no decorrer das gestões preparatórias, a força tranq üila
e segura da sua personalidade. Em segundo lugar, o grupo será a soma dos
seus componentes, disporá das forças de cada um e terá como pontos fracos
as fraquezas dos seus participantes. Em terceiro lugar, a natureza dos
trabalhos a serem programados dependerá dos diferentes tipos de
mediunidade que for possível reunir, do grau de sensibilidade, tato, inteligência,
conhecimento e evangelização de cada um e de todos, e da qualidade do
relacionamento pessoal entre os que se propõem trabalhar juntos nesse
campo.
Assim, não basta juntar alguns amigos e familiares, apagar a luz e
aguardar as manifestações. Que amigos e familiares vamos selecionar? Essa
tarefa é extremamente delicada e crítica, pois dela vai depender, em grande
parte, o êxito ou fracasso do grupo. Será recomendável que a pessoa que
pretenda fundar um grupo, mesmo de âmbito doméstico, de proporções
modestas e sem grandes ambições, guarde consigo mesma, por longo tempo,

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as suas intenções; que se entregue à prece constante, à meditação e ao
estudo silencioso e demorado de cada pessoa; que examine, sem paixões e
sem preferências, com toda a imparcialidade possível, as potencialidades de
cada um, bem como os seus defeitos, virtudes, inclinações, tendências e
temperamento. Não nos devem guiar aqui as preferências pessoais: — “Vou
incluir Fulano ou Sicrana porque gosto dele ou dela.” É essencial que todos se
estimem no grupo, mas só isto não basta. Podemos amar profundamente uma
criatura que não ofereça condições mínimas para um

(1) Seria oportuna, sob este aspecto, a leitura do artigo “O Livro dos
Médiuns de Paulo, o Apóstolo”, em “Reformador” de fevereiro de 1974.

trabalho tão sério como esse. É claro, por outro lado, que não éaconselhável
incluir aqueles que, embora ofereçam outras condições favoráveis, se
coloquem na posição de adversários e críticos demolidores de qualquer outro
componente do grupo. Até a discordância ideológica acentuada, mesmo em
outros setores do pensamento, pode criar dificuldades ao trabalho. Isto não
quer dizer que todos tenham que pensar igualzinho, ou se transformarem em
criaturas invertebradas, sem idéias próprias, sem personalidade e opinião. A
franqueza é também um dos ingredientes necessários ao bom trabalho, desde
que não alcance os estágios da rudeza que fere, mas a homogeneização dos
ideais e das aspirações é condição importante para o bom entendimento que
precisa prevalecer durante todo o tempo. Um só membro que desafine dessa
atmosfera de harmonia, poderá transformar-se em brecha por onde espíritos
desajustados introduzirão sutilmente fatores de perturbação e eventual
desintegração do grupo.
É preciso entender, logo de início, que os componentes encarnados de um
grupo são apenas a sua parte visível, O papel que lhes cabe é importante, por
certo, mas nada se compara com as complexidades do trabalho que se
desenrola do outro lado da vida, entre os desencarnados. Lá é que se realiza a
parte mais crítica e delicada das responsabilidades atribuidas a qualquer grupo
mediúnico, desde o cuidadoso planejamento das tarefas até a sua realização
no plano físico, no tempo certo. Os componentes encarnados já fazem
bastante quando não atrapalham, não perturbam, não interferem
negativamente. É óbvio que ajudam de maneira decisiva, quando se portam
com dignidade, em perfeita harmonia com o grupo; mas se não puderem
ajudar, que pelo menos não dificultem as coisas. É melhor, por isso, recusar,
logo de princípio, um participante em perspectiva, sobre o qual tenhamos algu-
mas dúvidas mais sérias, do que sermos constrangidos, depois, a dizer-lhe
que, infelizmente, tem que deixar o grupo, por não se estar adaptando às
condições exigidas pelo trabalho.
É por isso que se recomenda uma longa meditação antes de decidir quanto
à composição humana do grupo, para não fazermos o convite senão àqueles
dos quais podemos contar com um mínimo de compreensão, entendimento e
entrosamento com os demais.
Isto nos leva a uma outra questão, que deve ser logo decidida:
Quantos componentes encarnados deve ter um grupo? A experiência
recomenda que os grupos não devem ser muito grandes, pois, quanto
maiores, mais difícil mantê -los em clima de disciplina e harmonia. Léon
Denis, em seu livro “No Invisível”, sugere de quatro a oito pessoas. O grupo

tanto para os que se dedicam. chegamos a outro aspecto da questão: Para que desejamos um grupo? Para simples estudo da Doutrina? Para conversar sobre Espiritismo? Para oferecer condições à manifestação de espíritos familiares. Acima dos oito componentes sugeridos por Denis. Por isso. galhofeiros. em definitivo. o pensamento divaga. obviamente não mediúnica. quebra-se com freqüência o esforço de concentração. mesmo assim. Se a intenção é apenas fazer passar o tempo. mas acima de doze vai-se tornando bastante problemática a sua eficácia. porém. ainda não saibamos quanto à intenção dos espíritos que nos são fami liares. tem sido tratado em várias obras de confiança. à medida que cada um apresentar sua contribuição ao debate. e o médium não teria condições de prolongar o trabalho sem grande desgaste psíquico. para que Ele aí esteja. segundo a palavra do Cristo. um teria que ser o médium e o outro o doutrinador. no silêncio da meditação e da prece. É certo. com a finalidade de entrar em contacto com os desencarnados. E. especialmente em “O Livro dos Médiuns”. e os que tenham potencial mediúnico suscetível de desenvolvimento. e o prejuízo é certo para a tarefa. no entanto. ao se planejar a instalação de um grupo. Serão arrolados os médiuns presentes. logo que tenhamos resolvido. virão os espíritos levianos. O mais certo é que. No caso de apenas dois. quanto para aqueles outros que se reúnem para se divertirem ou. de Allan Kardec. por exemplo. É bom começar sem grandes ambições ou planos grandiosos. nem quanto à natureza dos trabalhos que pretendem realizar conosco. A reunião será conduzida com descontração e espontaneidade. quando não claramente mal- intencionados. porém. de caráter doutrinário? Para os chamados trabalhos de desobsessão? Esse ponto somente pode ser decidido. bastará que dois ou mais se reúnam em seu nome. alguma coisa séria poderia ser realizada. vai-se tornando mais difícil a tarefa. para a qual deverão ser convidados aqueles cujos nomes foram lembrados para uma consulta. que um grupo muito pequeno tem suas possibilidades também limitadas. . de que nomes deveremos cogitar para a composição do grupo. É claro. aquele que tomou a iniciativa de convocá-la fará uma breve exposição de seus objetivos e intenções. fazer funcionar razoavelmente bem um grupo com mais de oito pessoas. estes se apresentarão no momento oportuno. já atuantes. fúteis e inconseqüentes. Essa reunião. assim. pior ainda. não apenas do dirigente encarnado do grupo. será aberta com a leitura de um texto evangélico e uma prece. mais ou menos íntimas? Para experimentação e observação de na tureza cientifica? Para tarefas mais sérias. bastante complexo. depois que tivermos selecionado os companheiros encarnados que vão compor a equipe. do que poderão resultar obsessões penosas e tenazes. que venham trazer pequenas mensagens. Não está previsto no escopo deste livro um estudo sobre o desenvolvimento da mediunidade. sempre que um grupo se dispõe a reunir-se. Isto é vá lido. Em seguida. como de seus orientadores invisíveis. se alcançada impecável homogeneização. para práticas condenáveis. pois. 15 pode funcionar bem até com duas pessoas. mas é certo que. convém convocar uma reunião. porque a equipe se torna mais heterogénea. para exame e debate das inúmeras questões que começam a colocar- se. com seriedade e boas intenções. pois o assunto. que. É possível.

Recomenda-se. épossível ao médium incipiente desenvolver. em “Mecanismos da Mediunidade”. sistematicamente. suas faculdades. O desenvolvimento mediúnico é trabalho delicado. o treinamento mediúnico deve ser intentado com base em obras suspeitas ou organizações que prometam resultados prontos e maravilhosos em algumas lições. salvo casos especiais. Qualquer que seja a natureza do seu trabalho — estudo. capacidade de observação. para não levarem o futuro médium a vícios funcionais e até mesmo a perturbações emocionais de problemática recuperação. tato. hoje. e. André Luiz. tornando o conhecimento básico acessível ao homem comum. muito mais comum do que tanta gente estaria disposta a admitir. de que a técnica do desenvolvimento mediúnico ainda exige atenção. experimentação. bem como o livro interpretativo de Martins Peralva “Estudando a Mediunidade”. em que funcionem médiuns bem disciplinados e já em plena atividade. “Nos Domínios da Mediunidade” e “Libertação”. tão abrangente quanto possível. acompanhamento e orientação pessoal de alguém que tenha condições morais e doutrinárias para fazê -lo. vigilância. as condições mínimas exigidas para a tarefa a que se propunha. Não há fórmulas mágicas. que exige conhecimento doutrinário. Evidentemente não há. pouco a pouco. necessidade de um guru que leve o discípulo. pesquisa. O Espiritismo desmistificou o antigo ocultismo. mas. até o ponto ideal. a apresentar um panorama. ainda. 16 Léon Denis também ofe rece contribuição valiosa. não deve ser desenvolvida isoladamente e sem apoio dos livros essenciais ao entendimento dos seus componentes básicos. no entanto. e este somente chegava aos estudos mais avançados de desenvolvimento de suas faculdades se ao longo do processo viesse demonstrando. É também uma imprudéncia forçar o desenvolvimento sem nenhuma preocupação de estudar a questão nos livros que compõem a Codificação de Kardec e a obra complementar de seus continuadores. sim. Não nos esqueçamos. em outras de suas obras. O dirigente do grupo deve manter-se atento a essa possibilidade. Colocado num grupo harmonioso e bem assistido. não só em “No Invisível”. Creio oportuno acrescentar que esses livros não se dedicam especificamente a ensinar como desenvolver a mediunidade. De forma alguma. firmeza e muita sensibilidade para identificar desvios e desajustes que precisam ser prontamente cor rigidos. todos editados pela Federação Espírita Brasileira. esse encargo era de caráter iniciático. A mediunidade. voltemos ao assunto em foco. desobsessão — não deve iniciar suas tarefas especificas senão ao cabo de um . Ao cabo de algumas reuniões de debate e ajustamento. o perfil do grupo que se pretende implantar já deve estar suficientemente definido. * Após esta digressão acerca do desenvolvimento mediúnico. porém. nem ritos especiais para fazer eclodir a mediunidade numa pessoa que a tenha em potencial. difícil e muito importante. No passado remoto. dos diversos aspectos dessa notável faculdade humana. também. por estágios sucessivos. O instrutor ia dosando seus ensinamentos segundo as forças e a receptividade do discípulo.

Seu objetivo final será sempre o de homogeneizar os diversos graus de conhecimento doutrinário. que cuida “Do mundo espírita ou mundo dos Espíritos”. revelar as tendências e potencialidades de cada um e. mais adiante. O mais provável éque o grupo se componha de gente em diferentes estágios de conhecimento. que poderá ser mais longo ou mais curto. ocupar boa parte do horário. segundo a programação acordada. no segundo. do que insistirem em ficar. para obter a integração do grupo. tolerância. Esse período é. e ao debate e esclarecimento das dúvidas surgidas. que poderá ser longo. que exige. até que se consiga alcançar uma fase de melhor preparo doutrinário. a partir do capítulo 14 — “Dos Médiuns”. De certo ponto em diante — e isto fica a critério daquele que se responsabiliza por esta fase dos trabalhos — as tarefas mediúnicas poderão ser iniciadas em paralelo com as de estudo. certamente. mesmo que haja no grupo médiuns já desenvolvidos. No primeiro caso. em processo de exclusão natural. seguido de “O Livro dos Médiuns”. deve ser dada prioridade à “Parte Segunda” de “O Livro dos Espíritos”. a começar. em prejuízo dos resultados. estudo e amor. segundo o grau de conhecimento dos seus componentes. para aproveitarem os ensina mentos ministrados. Não que sejam impuros (por favor!). aqueles que não se sentirem em condições de se entregar ao trabalho. ainda. Não deve subsistir nenhuma preocupação com o tempo despendido nesse trabalho preparatório. Mesmo que os componentes da futura equipe se julguem suficientemente informados e conhece dores da Doutrina dos Espíritos. por um processo natural de seleção. excluir. certamente. Ademais. Os impacientes deixarão o grupo espontaneamente. o estudo precederá as manifestações e deverá. e à Segunda Parte de “O Livro dos Médiuns”. pois não apenas os encarnados se beneficiam dela. a boa-vontade e a dedicação de cada um. vale a pena uma revisão geral. Para não prolongar demasiadamente este período de revisão. Embora não gostemos de admitir. nem forçadas. Será útil para todos um período de atualização de conhecimentos. desde aquele que tem apenas vagas noções. estariam prejudicando apenas a si mesmos. ajustar seus vários componentes. torna-se aconselhável serem evitadas as manifestações mediúnicas. começarão a ser trazidos pelos benfeitores espirituais. sem atritos ou desgosto. Tarefas como essas não podem ser impostas. no desejo de . como também os desencarnados que. até o que já possui conhecimentos mais profundos. e em profundidade. Por algum tempo. ainda por algum tempo. sacrificariam todo o conjunto. pelo “O Livro dos Espíritos”. renúncia. durante o período que vai de uma reunião à seguinte. A duração e freqüência das reuniões de estudo serão objeto de debate e ajuste entre os componentes. Nunca é demais enfatizar a importância e utilidade desta fase preparatória. resolvam dedicar- se com maior entusiasmo e firmeza. Não é preciso fazer a leitura de cada capítulo no decorrer das reuniões. desde que todos o tenham estudado. A reunião se destina à verificação do progresso que cada um realiza na revisão. nosso conhecimento é menor do que pensamos. dedicação. têm que se apoiar num impulso interior. todas as obras essenciais à tarefa a que se propõem. naturalmente. Talvez em outra oportunidade. 17 aprendizado mais ou menos longo das questões doutrinárias. Nesse caso. assiduidade. até mesmo. mas por ser melhor que abandonem a tarefa pela metade. muito útil para afinar o grupo. é difícil reunir um grupo de pessoas — seis ou oito — que conheçam igualmente.

A tarefa precisa ser desenvolvida com muita assiduidade e continuidade ininterrupta. por exemplo. podem ser constituídos apenas para o estudo teórico da doutrina. é claro. o grupo já deverá estar com o seu perfil suficientemente nítido. 18 servir. ao relaxamento. então. especialmente daqueles que se dedicam à organização da equipe. quais são os médiuns. Este livro está mais voltado para esta última opção. A responsabilidade é grande. o que seria uma tarefa quase de laboratório. dado que o assunto escapa à minha área de competência e experiência. e é sobre ela que nos fixaremos. já nos convencemos. em outro ponto deste livro). É. Outros podem combinar o estudo teórico com a experimentação científica ou mediúnica. É possível que desejem apenas a experimentação de caráter puramente científico. Suponhamos. encontramo-nos perfeitamente conscientizados das responsabilidades que assumimos. portanto. A essa altura. em virtude do cansaço. bem como a duração e freqüência das reuniões (sobre o que falaremos. se necessário. É um dia de recolhimento íntimo. Já decidimos que desejamos o trabalho. coletivos. não creditáveis exclusivamente ao trabalho individual deste ou daquele componente do grupo. às visitas. Já se sabe quais os que o compõem. senão a de que estamos tentando despertá- los para realidade extremamente dolorosa. mas às quais nem sempre estamos acostumados: moderação e vigilância. ainda. pois. Estamos cientes disso. da qual se escondem aflitivamente. com ênfase na fenomenologia. Não há muito a dizer aqui sobre este aspecto. como diziam os antigos. e sabemos disso. pequena -nas. Voltemos à imagem do filho. no desespero em que se precipitaram. aos poucos. de que estamos preparados para ele. ao qual temos que nos habituar. A natureza do trabalho pode variar bastante. segundo os inte resses e inclinações de seus componentes. de apagar-se. Não que uma coisa exclua a outra. um bem enorme. Estamos igualmente dispostos aos sacrifícios e às renúncias que o trabalho impõe. Como os trabalhos são usualmente realizados à noite. chegado o momento de especificar a finalidade e os objetivos do grupo. Da mesma forma. Quem não estiver disposto a aceitar essas condições não está preparado para o trabalho. Vamos nos defrontar com espíritos desajustados que. e qual a natureza do trabalho a que esta deve dedicar-se. mas a definição é importante porque. pois. Alguns grupos. que o grupo se resolva pelo trabalho de desobsessão. quem navega sem destino não sabe aonde vai. O dia destinado à reunião exige renúncias diversas. do desgaste e das tensões provocados pela atividade profissional. à leitura de livro recreativo ou à novela de televisão. aos passeios. desinteressados do aspecto prático. A primeira grande divisão consiste em saber se o grupo vai dedicar-se apenas a estudos ou a trabalhos experimentais. aqui. dentro da equipe. Também são válidos. Encontraremos percalços e nos empenharemos em lutas remidas pelo bem. desejamos o grupo. . não podemos destiná-la ao convívio da família. de modo que os resultados obtidos sejam impessoais. Um pouco de humildade nos fará. Nem sempre estaremos físicamente dispostos a ela. após algum tempo de estudo teórico. voltam-se contra nós. dos inconvenientes oriundos de pequenas indisposições orgânicas. das lutas naturais da vida diária. quem se revelou com melhores condições de liderança e tato na condução da equipe. muitas vezes sem razão alguma. Mesmo assim.

Sem aquele amor incondicional que nos recomendava o Cristo. durante vários anos. A nós. que tornam impraticável reuniões mais freqüentes. de preferência um centro. num centro espírita bem orientado. para os trabalhos mediúnicos. familiares e até profissionais. porque. irritados. Ê que ela sucede ao repouso mais longo do fim de semana. nem para conquistar todos os grandes espíritos que se debatem nas sombras. indignados com a nossa interferência em seus afazeres. muito melhor do que nós. Tudo isto aceitamos. sim ou não. nos quais o desgaste psíquico é sempre grande nos dias em que atuam. a partir de 20 horas ou 20h30m. caberá executá-lo. é indispensável que todos se estimem e se respeitem. Sem isso. que se renovará em todos os encontros. Resta o compromisso do amor fraterno. Isto é especialmente válido para os médiuns. como verdadeiros inimigos. as preliminares. bem como as nossas fraquezas. Dificilmente um grupo terá condições de reunir-se regularmente. que não pode ser parcial. com acomodações especiais? Alguns confrades temem a realização de trabalhos de desobsessão em casa. tanto profissional quanto no próprio grupo. Justifique mos a escolha da segunda-feira. condicionado. A noite é escolhida justamente porque. quando já tivemos a oportunidade de nos refazer das canseiras dos dias de atividade. com duração máxima de duas horas. O planejamento é realizado no mundo espiritual. Se for possível um local apropriado. 19 Não planejamos um grupo para reformar o mundo. que precisa apoiar-se no perfeito entrosamento emocional de todos. a meio coração. em doloroso estado de desajuste emocional. a deblaterarem em altas vozes. Há uma porção de condicionantes. reservado. As sessões podem ser realizadas em casa ou convém buscar outro local. A próxima questão que se coloca é: onde e quando reuni-lo? Consideremos primeiro a segunda parte. Os orientadores espirituais saberão o que fazer dela. estão todos com as tarefas do dia concluidas. se apresentarão. De tudo isto estamos conscientes. diante de nós. que nos recomenda amar os nossos inimigos. Muitos espíritos. Começa com o relacionamento entre os componentes do grupo. mais de uma vez por semana. a partir de certa hora. Temos o grupo montado e já definimos os seus objetivos. Todos ou quase todos os seus componentes têm compromissos sociais. como iremos oferecer-lhes a segurança da compreensão e da tolerância de que tanto necessitam? * Estão resolvidas. dentro das nossas limitações. A freqüência as reuniões é usualmente de uma vez por semana. o . movidos pela esperança secreta de que os conquistemos para as alegrias do amor fraterno. a segunda-feira. É nessa oportunidade. tem de ser total. O outro aspecto da questão diz respeito ao local. para o que. Uma boa sugestão seria reservar. estão em condições de avaliar as nossas forças. recursos. com receio da influência negativa dos espíritos desarmonizados que são atraidos. obviamente. à noite. A questão é delicada e não pode ser respondida sumariamente. impraticável seria doar o amor de que necessitam os irmãos desencarnados que nos procurarem. Ha veremos de nos preparar apenas para a nossa pequena oferenda. que colocaremos em prática aquele sábio ensino de Jesus. possibilidades e intenções. encarnados. portanto. agressivos.

é o equilíbrio psíquico. de servir. Por outro lado. O que garante a estabilidade de um bom grupo mediúnico não é a sua localização física. os Espíritos não a farão por nós. os espíritos desajustados nos buscam em qualquer lugar. ódios e rancores. pois sabem que é com esses processos que nos redimimos e nos colocamos ao abrigo de suas investidas. Essa. rivalidades. não pode ser recomendado para um meio que. mas. Isto não exclui a necessidade de vigilância e atenta observa ção. por isso. O que nos defende da investida de companheiros infelizes das sombras não é a realização de sessões bem distantes do local onde vivemos. em todo relacionamento com o mundo espiritual. de aperfeiçoar-se. de início. sob a proteção de orientadores espirituais competentes e esclarecidos. porém. Os espíritos perturbadores poderão e ncontrar meios para neutralizar tarefas que se anunciam. criando brechas por onde penetrem emissões negativas e inquietantes. é o desejo de purificar-se. assegurar um clima de equilíbrio e proteção. pois é evidente que espíritos infelicitados pela desarmonia interior tenderão sempre a transmitir sua perturbação àqueles aos quais tiverem acesso. qualquer grupo torna-se vulnerável ao assédio cons tante das vibrações negativas que cercam os seus componentes. O cômodo destinado às sessões deve ser escolhido com critério e extremo . Se na vida diária. a realização de trabalhos de desobsessão poderá agravar as condições. pode funcionar sem problemas e até com benefícios para a vida doméstica. Em tais condições. é a prece. pois. como para as pessoas que vivem na casa. no lar ou no centro. questões de ordem material ou financeira. Mas isto acontece. ciúmes. haja ou não haja grupo mediúnico reunido em casa. e. Seria o mesmo que mandar os filhos à escola e fazer por eles todos os deveres. do ponto de vista humano. Pode haver casos em que o ambiente psíquico de uma instituição esteja sob a influência de rivalidades. já somos tão assediados pelos cobradores invisíveis. Nada de ilusões. quando nos dedicamos à delicada tarefa de interferir com as suas paixões. Por outro lado. ou seja. desorientações ou práticas que a Doutrina Espírita não endossa e até mesmo condena formalmente. tanto para os espíritos trazidos para serem atendidos. Em ambiente perturbado. emocional. disputas internas. até nas profundezas de esconderijos mais abjetos na carne. o trabalho mediúnico equilibrado e bem dirigido. já se encontre tumultuado e desequilibrado. q ualquer que seja o ambiente em que se realize. paixões subalternas e desajus tes de toda sorte. Não quer isso dizer que não haja proteção e amparo por parte dos espíritos bem- intencionados que nos assistem. daqueles que o comPõem. que orientam o grupo. Para cobrar nossos compromissos. geográfica. ou nas furnas do mundo espiritual inferior. num lar tumultuado por disputas. pois será difícil aos companheiros desencarnados. são as boas intenções. promissoras. sob condições perfeitamente normais. há sempre a parte que compete a nós realizar. àqueles que deixarem cair suas guardas. O trabalho de desobsessão não é fácil. antigos comparsas de erros passados procuram sempre impedir que caminhemos pela senda áspera da recuperação. Por outro lado — e isto vai dito com bastante pesar — nem todos os centros oferecem condições ideais para o difícil trabalho da desobsessão. torna-se muito difícil um trabalho mediúnico sério e responsável. é claro que podemos contar com um esforço muito maior deles. 20 trabalho deve ser feito aí. Num lar normal.

a sala onde se realizam os trabalhos mediúnicos deverá ser preservada. atos reprováveis. não perturbar a harmonia do ambiente. no decorrer dos trabalhos. Com freqüência. os espíritos nos demons tram. ao se penetrar no cômodo. O ingresso na sala deve ser feito apenas minutos antes do início da sessão. sobre o último casamento do astro da novela. especialmente nos dias de reunião. de vez que. a piada do dia. A proteção magnética da sala mediúnica deve ser preservada com todo o cuidado. O ambiente costuma ser mantido em elevado teor vibratório pelos trabalhadores espirituais. como uma sala de entrada que dê para a rua. Precisa ser suficientemente amplo e arejado. Deve ser isolado. conversas descuidadas. que usualmente vai de uma reunião à outra. Torna-se. por exemplo. mais difícil manter um clima de absoluta vigilância. Quer isto dizer que são proscritos dessas conversações prévias. dado que o mal-estar físico dos participantes dificulta sobremaneira o bom andamento dos trabalhos. a música erudita. que pelo menos se tenha o cuidado de usá-lo apenas para atividades nobres. Quando possível. com freqüência. por motivos mais que óbvios. O ideal. enquanto não são removidos para instituições apropriadas. os comentários sobre o crime da semana. sendo inadmissível. quase todos gostam de relatar experiências e acon- tecimentos. por algumas horas. ou a derrota do nosso time de futebol. das demais dependências do prédio. que deixaremos para as frívolas reuniões sociais. por exemplo. visitas inconvenientes. uma passagem obrigatória para aqueles q ue não participem dos trabalhos. não interferir com os meticulo sos preparativos realizados pelos companheiros desencarnados que dirigem e orientam as tarefas. Em lugar desses assuntos. em sua casa ou no centro. Quem não puder manter essas condições mínimas. uma pessoa da casa ou um visitante inesperado estaria tocando a campainha ou batendo à porta. por maior que seja o cuidado. deve ser provido de um condicionador de ar. Essa recomendação é tão válida para a hipótese de se desenvolver o trabalho em casa. interrompendo o curso das atividades. A qualquer momento. Quando isso for impraticável. para as noites de verão intenso. tanto quanto possível. Ademais. para não viciar os dispositivos de segurança do trabalho. Deve estar igualmente abrigado de ruídos de tráfego ou gritos vindos da rua. Ë preciso evitar ali reuniões sociais. alguns espíritos em tratamento ficam ali em repouso. . dessa maneira. como a boa leitura. pelo menos. Mesmo nos demais dias da semana. de um dia para o outro. a temática pode perfeitamente girar em torno de questões doutrinárias. o preparo de artigos e livros doutrinários. eles fazem uma advertência amiga. que se achavam presentes à conversação prévia. A recepção dos componentes e a conversação inicial serão realizadas em outro cômodo. para essa finalidade. depois. pode escapar um pensamento impróprio ou uma expressão infeliz. o que se nota. especialmente porque. causando choques e perturbações àqueles que se acham concentrados. o estudo sério. em conversa neutra. não deve tentar trabalho mediúnico de responsabilidade. para acomodar bem todos os participantes. após o espaço de uma semana. sons de televisão ou rádio ligados nas redondezas. 21 cuidado. portanto. como no centro espírita. Sempre que a conversa descamba para assuntos menos nobres. O cômodo não deve ter telefones que possam tocar subitamente. numa conversa descontraída. pedindo que fiquemos nos temas de caráter doutrinário ou. é ter um compartimento destinado somente à tarefa mediúnica.

material para eventual psicografia. uma pequena luz indireta. e todos se predispõem ao trabalho. O tema é tratado mais amplamente em outro ponto deste livro. Geralmente. em retrospecto. Cessaram. Essa técnica se desenvolve com o tempo. naquilo que pode contribuir para ajudar o desenvolvimento do trabalho. que são verdadeiros desdobramentos. depois de recolhido ao leito. papel. inspecionam o cômodo. atendendo a características específicas de suas mediunidades. tranqüilizam-se os corações. Freqüentemente. intuições e “recados” do mundo espiritual. dando voltas em torno da mesa e providenciando para que fossem estabelecidas certas “ligações” com o plano superior. mais tarde. Depois de todos esses preparativos. preferenternente de cor. trazem informações valiosas. que parece útil. o gravador com a fita já também em posição para captar a mensagem final dos mentores do grupo. É evidente que esse material deve ser examinado e criticado com extremo cuidado. lápis. a sala está preparada físicamente para a reunião: mesa e cadeiras em posição. ou têm a relatar contactos mantidos. o caderno de preces. passam a observar com maior atenção os acontecimentos e anotar sonhos. todos se dirigirão. a sala já está preparada pelos responsáveis espirituais. ini ciado no mundo espiritual. em desdobramento. para que o grupo não se embrenhe pela fantasia. o cômodo destinado às reuniões fica completamente isolado do corpo da casa. ainda com relação à distribuição do pessoal em torno da mesa: sempre que possível. a essa altura. os “sonhos”. canetas esferográficas. os livros que contêm os textos destinados à leitura. segundo viu o nosso médium. em retrospecto. A experiência do pequeno grupo do qual faço parte tem sido bastante positiva neste particular. De modo geral. que os espíritos em tratamento posteriormente confirmam. no decorrer do diálogo mantido com o doutrinador. uma vez que os dispositivos ligados às cadeiras se destinam a fácilitar o trabalho. Esta é a razão pela qual cada um deve ter seu lugar fixo em torno da mesa. A essa altura. em silêncio. o dirigente . desligam-se das preocupações do dia. esses contactos são preliminares ao trabalho. antes que a manifestação se torne ostensiva no grupo mediúnico. recebem intuições ou pequenos avisos e conselhos de Espíritos amigos. No grupo do qual faço parte. Neste caso. a esta altura. Cerca de duas horas antes. 22 Uma boa sugestão é a de recapitular a semana. a água destinada à fluidificação. ao cômodo destinado aos trabalhos. Outra recomendação. relaxam os músculos. pois a luz branca é prejudicial a certos fenômenos mediúnicos. os trabalhadores do mundo espiritual. * Minutos antes de iniciar a sessão. os médiuns e outros participantes têm sonhos. através de aparelhos e “fios” luminosos que se prendiam às cadeiras de cada membro. todas as conversas. toda a sessão. um dos médiuns viu. desde o preparo da sala. com mentores do grupo ou com os companheiros que estão sendo tratados ou que ainda virão a manifestar-se. Sugere-se a cor vermelha. tendo acesso apenas por uma passagem externa. Aquietam-se as mentes. Depois que todos os componentes do grupo forem alertados para as suas possibilidades e va ntagens. bem como às condições do espírito que será trazido para tratamento. e se sentarão em torno da mesa.

que a água à temperatura normal do ambiente se prestava mais facilmente à fluidificação ou magnetização. os nomes das pessoas desencarnadas. O caderno de preces destina-se a receber o nome dos encarnados e desencarnados para os quais desejamos solicitar ajuda espiritual. façamos uma revisão geral na sala. Se opomos. à medida que são escritas. “Fonte Viva” —. Antes de prosseguir. sempre em silêncio. No caso das sessões mediúnicas. juntamente com pequenos copos. alcançar um entendimento com uma pessoa ao nosso lado. É mais fácil. ao testá-lo. num gesto brusco. ou por outro autor da preferência do grupo. No grupo que freqüentamos. A posição frente a frente parece le vantar em nós os resíduos e os depósitos acumulados pelos milênios em que enfrentávamos nossos adversários em lutas pela sobrevivência. A razão é puramente subjetiva e psicológica. geralmente uma obra mediúnica assinada por Emmanuel — “Vinha de Luz”. gravar a data da sessão. do que se ela estiver exatamente diante de nós. a qualquer um de nós. Este conselho é ditado pela boa técnica de reuniões profanas. de psicografia e incorporação. de preferência ao lado da mesa. não sejam atirados ao chão. Lá está. Se há trabalhos de psicografia. o gravador é reservado para a mensagem final. num copo ou outro recipiente apropriado. Se há psicografia. “Pão Nosso”. à sua agressividade. que desejamos despertar para uma realidade que ele se recusa tenazmente a aceitar. o material correspondente deve achar-se sobre a mesa: papel em folhas soltas. a nossa. que recomenda que duas ou mais pessoas. bastará dar a partida. Quanto ao gravador de som. deve estar pronto para entrar em ação com o mínimo de operações e ruídos: a fita em posição. este deve ser coberto com um objeto opaco. Todos devem ocupar os assentos em silêncio. o livro que contém o material de leitura preparatória. acumuladas ao longo do . o objetivo não é disputar uma peleja de vida ou morte. de preferência posto sobre um móvel ao lado da mesa principal. No momento oportuno. 23 deve sentar-se de forma a ficar ao lado dos médiuns e não face a face. mas dialogar amistosamente com um Espírito em estado de confusão e desespero. ou seja. Os nomes devem ser escritos antes de começar a sessão. Se emitir luz intensa de algum visor. para eliminar qualquer empecilho que possa existir entre o comunicante e o doutrinador. para que. serão mentalizados pelos interessados. pois. que vão debater um assunto. igualmente. num movimento mais violento. Pode ser adotado o processo de indicar com um pequeno sinal. vários lápis apontados e esferográficas. É conveniente. Se os trabalhos forem mistos. certa vez. em forma de cruz. quem ficar ao lado do médium deve estar preparado para remover as folhas. Os móveis estão na posição certa e os lugares predeterminados. nada conseguiremos. sobre a mesa. pois um espírito mais turbulento pode. sem comentários. mi crofone já anteriormente testado. usualmente transmitida depois do atendimento dos companheiros necessitados. não devem defrontar-se. sem fazer alarido e arrastamento ruidoso de cadeiras. A água destinada a ser fluidificada deve estar num jarro de vidro. atirar os objetos ao chão. para não exacerbar o antagonismo. Essas mensagens. Na hora da prece. convém que o material não fique ao alcance dos médiuns de incorporação. Não convém que a água esteja gelada: um amigo espiritual nos disse. Tudo deve ser feito.

constituirão precioso repositório de ensinamentos e de experiência no trato com os problemas do mundo espiritual. um roteiro típico. de preferência em cor suave. designamos outro médium. 24 tempo. a colaboração dos amigos espirituais. ou em tom de discurso: uma rogativa simples. (A data da sessão deverá ser anotada ao pé da página. Em alguns grupos. ou o mentor espiritual. o plane - jamento reali zado no mundo espiritual. A designação prévia do médium pode criar neste uma expectativa. Por outro lado. geralmente. tolerância e compreensão. que também não deve ser longa. em silêncio. na qual se solicite a proteção para os trabalhos. no ambiente. Proporemos. e muitas vezes. um para cada sessão. Na minha experiência . e se. por determinado médium. Não convém correr esse risco. nem guardar tom oratório: serão singelos e sem retórica bombástica.) Alguns grupos costumam comentar o texto lido. indireta. apenas suficiente para se distinguir o ambiente. e devem ser preservadas para referência futura. costuma designar previamente os médiuns que irão atuar.Acreditam alguns que esse processo de designar cada médium. o próximo companheiro já vem predisposto e mais receptivo à doutrinação. não é recomendável o procedimento. neste momento. fixando- lhes até o número de Espíritos que deverão atender. com o propósito aparente de disciplinar as atividades do grupo. É feita a prece. bem como os médiuns que não deverão “dar passividade” a nenhum manifestante. depois de presenciarem um atendimento particularmente dramático ou tocante. e até certa ansiedade. que pode. a postos. altera-se a seqüência do trabalho programado. dentro do roteiro mais ou menos comum a esse tipo de trabalho. Embora se trate de uma posição respeitável e bem-intencionada. que vão sobrecarregar os companheiros desencarnados. mas em estado de tranqüilidade e relaxamento muscular. Em seguida. todos ficam recolhidos. que forneça iluminação discreta. obviamente. evidente mente. tais comentários não devem ser muito longos. não conhecemos. o que acarretará adaptações de última hora. evita que todos sejam tomados ao mesmo tempo e se crie balbúrdia prejudicial ao trabalho. em seqüência. Depois de todos acomodados e em silêncio. Acresce ainda uma observação. pois nem todos os grupos estariam preparados para identificar a dificuldade e corrigi-la. a inspiração e a predisposição para receber os companheiros aflitos com amor. pelas razões já apresentadas. se não estiver bem preparado para a sua tarefa e habituado ao exercício da mediunidade vigilante. as pessoas e os objetos. pois cada grupo acaba por encontrar a sua dinâmica própria. restando apenas a lâmpada mais fraca. As sugestões oferecidas a seguir não são. É bem possível que convenha encaminhar primeiro determinado Espírito. nem elaborados. assim. a critério de cada grupo. que o leve a “forçar” uma comuni cação. ou seja. concentrados. o dirigente encarnado dos trabalhos. aqui. Procurarei apresentar as razões. sofrer variações. é feita a leitura do texto do dia. nem decorada. os objetos que se encontrem sobre a mesa. atentos. Todos se encontram. com precisão. de uma vez. Convém retirar. mandamentais. e até mesmo levá-lo ao fenômeno do animismo. É que os Espíritos a serem tratados encontram-se ali. por desconhecimento. a luz mais intensa é apagada. Finda a prece. Os mentores do grupo conhecem bem esse mecanismo e sabem melhor como dispor as manifestações.

Quando o dirigente lhe disse que precisava partir. Seria desastroso que um comentário descaridoso fosse feito. tivemos a esse respeito uma lição preciosa. Pelo contrário. Em suma: a seqüência da apresentação dos desencarnados e a escolha dos médiuns. Em hipótese alguma deve permitir-se que. Os espíritos turbulentos. procuram demorar-se. quanto menos interferirmos. para futura referência e estudo. melhor. eles têm que se retirar. Embora inconscientemente desejem ser convencidos da verdade. os trabalhos são encerrados com uma prece. enquanto se aguarda a palavra final dos mentores. durante a doutrinação. É hora dos comentários finais. dificilmente poderão ser ajudados de outra vez. que ajuda a repor o ambiente em termos mais calmos. convém gravar. Por isso. de vez que outras tarefas inadiáveis os aguardam alhures. como vimos. o diálogo ainda se alongou por alguns minutos. que deve ser usada para uma pequena prece. em termos inequívocos. ele apelou para a boa educação: — Você está me mandando embora? E com essas e outras. O dirigente . A lição é importante. após uma sessão mediúnica. e o mecanismo de segurança fica substancialmente enfraquecido. o que seria desastroso. Percebendo que a hora se esgotava. Explicou que o trabalho mediúnico é protegido e assistido por uma equipe de segurança. que tais comentários obedeçam a uma disciplina. composta de obreiros do lado de lá. que. para provocar distúr bios e levar o pânico ao grupo. nunca encontrei essa dificuldade. que evitássemos a repetição do ocorrido. dizia que os comentários devem ser disciplinados. no estado de confusão mental em que se encontram. lutam desesperadamente para continuar a crer ou a descrer naquilo que lhes parece indicado. no recinto. * Há sempre o que comentar. usualmente. pelo dirigente. o espírito manifestante. num grupo bem ajustado. para que ele se desenrole harmoniosamente. mas. os mentores terão recursos suficientes para contê-los. depois das várias manifestações de companheiros aflitos. É que. às vezes barulhentas e indignadas. Terminado o atendimento. É freqüente verificarmos que outros médiuns já se acham ligados aos próximos manifestantes. Concluída a mensagem final. muito ardilosamente. Esgotado o prazo. Certa vez. ou não. até que chegue a vez de falarem. os Espíritos atendidos ainda permanecem. recolhimento e carinho é insincera. Se percebem que toda aquela atitude de respeito. 25 pessoal. um dos orientadores recomendou-nos. Os manifestantes. no entanto. em total dissonância com as palavras de amor fraterno que há pouco foram ditas. sabendo disso. Terminado o atendimento. para que possam ser úteis a todos. começou a manobrar para ganhar tempo. seja ultrapassada a hora. por iniciativa dos manifestantes. há uma pausa. É excusado dizer que a sessão deve ter hora prefixada para começar e para terminar. por algum tempo. que irão atuar ou não. devem ficar a critério dos dirigentes espirituais do grupo. tudo fazem para permanecer como estão. Os companheiros necessitados devem ser atendidos rigorosamente dentro do horário a eles destinado. Épreciso. que não têm necessidade de anunciar-nos previamente o plano de trabalho da noite.

Geralmente. emanações negativas que os companheiros infelizes estão sempre prontos a emitir contra nós. na intimidade do ser. o Espírito me cobrou. as fraquezas que conseguiram identificar em nós. ajuizar-se do comportamento de cada membro do grupo. Todo cuidado é pouco. e os componentes do grupo. ao cabo de uma semana particularmente angustiosa para mim. observar que o trabalho dos componentes de um grupo mediúnico não termina com o encerramento da sessão. aqueles companheiros particularmente enfurecidos tentarão. na esperança de nos neutralizar. Embora eu não o tenha prometido. É preciso. incapazes de errar. em grande estado de agitação — desencarnação recente. Se o dirigente não dispõe do recurso da vidência. com o mínimo de interferência. pois eles o farão. enfim. estaremos admi tindo. Desejam testar a boa-vontade. em ordem e discretamente. recomenda- se uma parada para pensar e uma pequena prece. ou têm acesso a fenômenos que usualmente interessam ao bom andamento dos trabalhos ou trazem indicações a serem utilizadas na sessão seguinte. oferecemos brechas causadas por impulsos de cólera. Nos momentos em que sentirmos que vamos fraquej ar. preparados para uma interpelação. é distribuída a água. Os comentários finais não devem prolongar-se por muito tempo. especialmente do médium pelo qual se manifestaram e do dirigente que se incumbiu de doutriná -los. que nada tinham a ver com o trabalho mediúnico: . sem elevar demasiadamente a voz. evidentemente. deve ser discreto. Por outro lado. sem gargalhadas estrepitosas. que eu conhecia. O mesmo se aplica aos médiuns clariaudientes. É preciso que se tenha o cuidado para não pregar uma coisa e fazer outra inteiramente diversa. assim. especialmente os que moram longe. 26 deve perguntar pela experiência de cada um. pois não tinha ainda o que dizer à pobre senhora. por mais uma noite de trabalho redentor. falar do verdadeiro estado de aflição em que se encontrava ele. Outro me disse. durante os trabalhos. o comportamento de todos. pois o trabalho os espera pela manhã do dia seguinte. usualmente. e não podia. em circunstâncias trágicas — me pediu que falasse com sua mãe. precisam retirar-se. de certa forma todos estão envolvidos nas tarefas. envolver-nos com seus artifícios. pois percebem a presença desta ou daquela entidade. Se. É claro que não nos podemos colocar como seres puríssimos e redimidos. qualquer que seja o local onde nos encontremos. Os irmãos desesperados certamente nos cobrarão. Inúmeras vezes. ainda no recinto. os médiuns videntes do grupo devem ajudá-lo discretamente. Mesmo que a sessão tenha terminado. porém. de intolerância. Estejamos. em virtude de terrível pressão de problemas humanos. embora estejam todos. no próximo encontro. os Espíritos em tratamento nos dizem claramente que nos seguiram em nossa atividade normal. Antes de se retirarem. com as suas lutas e canseiras. é tarde da noite. de invigilância. no desespero inconsciente em q ue se acham. Os médiuns videntes sempre têm algo a dizer. certamente. de maledicência. para que possam continuar no livre exercício de suas paixões e desvarios. ao terminar a sessão. no decorrer da semana. Mesmo durante o espaço de tempo que vai de uma reunião à próxima. felizes e bem- humorados. Certo Espírito. avaliar a sinceridade. logo na sessão seguinte: — Você não falou com a minha mãe! Respondi-lhe que não tinha ainda uma palavra tranqüilizadora para dizer a ela.

esgotados. basta uma referência identificadora. para cada manifestante. um argumento muito válido. Quando se trata de tarefa de desobsessão. Feita a ligação. sob o título “Trabalhos do Grupo Ismael”. não é preciso ir a esses rigores. Essa tarefa deve caber. para consulta. ao voltar. aqueles que cuidam desses problemas. preparados com extremo cuidado e competência pelo Dr. como modelo. a não ser por motivos muito fortes e justificados. . mas também. A prática de reproduzir sumariamente os principais aspectos de cada manifestação se revelou sempre de grande alcance. Se o médium falta. Isto não é. hoje. os mentores espirituais escolhem. 27 — Esta semana eu quase te peguei. nas vezes subseqüentes. virá usualmente pelo mesmo mé- dium. Anote-se a data e. em favor da continuidade dos trabalhos e da assiduidade dos médiuns. aguardando a próxima oportunidade. a assiduidade dos médiuns e a continuidade do trabalho são vitais ao seu bom rendimento. Sugere-se. a não ser que a sessão seja de pesquisa. para o aprendizado constante que representam as tarefas mediúnicas. o trabalho junto ao sofredor fica como que em expectativa. Ainda te pego! * É oportuno colocar. o médium que lhe seja mais indicado pelas características da mediunidade ou pela natureza do trabalho a ser realizado. num caderno. ao dirigente ou a alguma pessoa que se mantenha lúcida — sem transe mediúnico — durante toda a sessão. Se a comunicação final for gravada. esses livros se acham. a série de livros publicados pela Federação Espírita Brasileira. Assim. querendo. suspenso. Descreva-se cada manifestação e faça-se um resumo do diálogo mantido com o Espírito. porém. uma ata. * Ainda uma sugestão. não apenas na condução dos trabalhos. Como não ignoram. Lamentavelmente. o número de ordem da sessão. um resumo do trabalho realizado em cada reunião. É sempre útil que alguém se incumba de anotar. o Espírito. aqui. para referência. Guillon Ribeiro. de preferência. mas bibliotecas especializadas dispõem de exemplares.

28 SEGUNDA PARTE AS PESSOAS .

e complementadas posteriormente. disfarçado. Somos aquilo que pensamos. declarando que tinha medo de morrer. com seus pensamentos. na intimidade do lar. numa palestra pública. O amigo confirmou e justificou: — Meu caro confrade: a gente. tivesse medo de desencarnar. desenvolvidas em desdobramento. Estaria completamente equivocado aquele que julgasse que o trabalho se realiza apenas durante a sessão propriamente dita. no entanto. durante a noite. e um senhor idoso. precisa convencer-se de que deve estar em permanente vigilância consigo mesmo. como se estivesse atrás de uma espessa máscara. está hoje perfeitamente documentada através da câmara de Kirlian. que capta na chapa fotográfica o espetáculo colorido e movimentado que se desdobra na aura dos seres vivos. num intercâmbio tanto mais proveitoso quanto melhor for a afinização entre os diversos componentes encarnados e desencarnados. ciumenta. como dizia tão bem o sensitivo americano Edgar Cayce. que aquele que resolver dedicar-se ao trabalho mediúnico. que era apenas uma afirmativa de caráter teórico. nos observam. ainda desarmonizados. Muito do que conseguimos obter. Um amigo meu. em forma. pois. durante as duas horas da sessão. procuram. descobrir os nossos pontos fracos. depende de inúmeras tarefas preparatórias. cor e movimento. Ao terminar sua exposição. ou na região perispiritual do ser. Eles nos vigiam. Do lado de lá. com o que diz e faz. nos cinemas. nos restaurantes. Além do mais. certa vez escandalizou seus ouvintes. não podemos esquecer-nos de que os Espíritos dispõem de maior liberdade de ir e vir. o procedimento diário precisa ser correto. vai levando a vida escondido. especialmente no que se convencionou chamar de desobsessão. É claro. na rua. no escritório. no auditõrio. nos seguem por toda parte. na carne. como ele. não obstante. e que. por todos os meios. e. e haveremos de nos certificar de que a aura do ser pacificado difere muito. em hora e meia ou duas horas de sessão. declarou seu espanto. É que a “atmosfera” psíquica que carregamos conosco resulta do nosso pensamento. sensual. Principalmente com os . mas não apenas por isso. ao escrever esta página. em condições de conferir cientificamente e documentadamente as observações dos videntes do passado. Nosso procedimento é minuciosamente analisado. Por isso. quanto à interpretação dos fenômenos luminosos produzidos na aura. éocupação que toma vinte e quatro horas por dia. para perguntas e comentários. 29 2 OS ENCARNADOS O trabalho do grupo mediúnico se desdobra simultaneamente nos dois planos da vida. agressiva. para nos mostrarem que somos tão imperfeitos e pecadores quanto eles mesmos. pelos companheiros invisíveis que. Cada atitude mental imprime à aura suas características. quase sempre. ao verificar que um espírita esclarecido. com espírito crítico. nos arvoramos em santarrões de fachada. da mesma forma que a gradação espiritual é facilmente identificável pela aparência “visual” do Espírito desencarnado. impiedosamente. Lá chegaremos. isto é impossível: mostramo-nos em toda a nudez da nossa imperfeição. a palavra foi franqueada. do que nós. colérica. da que circunda a pessoa desequilibrada. E isto. Ainda não estamos. e confrade muito inteligente. aqui.

Daí a recomendação da vigilância. assim. Não quer isto dizer que temos de nos transformar em santos da noite para o dia. o velho. somarmos as que rece- . É preciso desenvolver um mecanismo automático interior. nos fenômenos de efeito físico. para um trabalho direto. grutas perdidas na solidão. Será que ainda não descobrimos que somos párias também? A vigilância é para que fique mos apenas com os males que nos afligem intimamente. e a diferença evolutiva entre nós. no sentido de que todos trazemos fe ridas não cicatrizadas. não é lá grande coisa. Somos. Como seres imperfeitos. ajuda o cego. aqui na Terra. com a maior facilidade. mas estaremos sempre prontos a advertir-nos interiormente e a reajustar a mente que. A doutrina explica-nos que tais fenômenos são usualmente reali zados por espíritos de condição vibratória compatível com a nossa. Não há como fugir de ninguém e isolar-se em to rres de marfim.. um pensamento de rancor ou de revolta. junto ao nosso espírito. com o homem. que nos cercam por toda parte. Os espíritos elevados não participam diretamente de tarefas desta natureza. voltará a falar. inquietações. Toda atenção é pouca. mosteiros inacessíveis. mazelas e imperfeições. em termos vibratórios — para usar uma palavra mais ou menos aceita — que dificilmente conseguem eles alcançar-nos. talvez. de olhos baixos pela rua. de falhas clamorosas. senão aqueles que ainda estão a caminho com eles? A distância entre nós e os que já se redimiram é tão grande. Quem poderia alcançar estes. A vigilância dispara o sinal de alarme: a prece. no qual uns devem suportar e amparar os outros. em relação ao chefe ou companheiro de trabalho. com relação a alguém que se destacou por qualquer motivo. a leitura de livro pornográfico. porém. a defesa e a correção. Há milhões de motivos. exatamente porque reflete o transviamento da massa de seres desajustados que vivem na sua psicosfera. Nosso trabalho é aqui mesmo. também imperfeito. a Providência Divina vale-se precisamente dos imperfeitos para ajudar os mais imperfeitos. embora a supervisionem cuidadosamente. Não é que tenhamos que nos isolar. mas significa que devemos policiar-nos constantemente. o distraído olhar de cobiça para uma mulher atraente. este disponha de pernas para caminhar e pode. uma piada grosseira e pesada. temendo o “contágio” com os pecadores. pois. O que enxerga um pouco mais. a assistência a um filme pernicioso. para nos defender dos párias. E como!. como se vê em André Luiz.. no passado mais distante e no passado recente. diante de nós. aos extremos do misticismo. uma tremenda multidão de estropiados espirituais. E é necessário. um dia. a ponto de viver rezando pelos cantos. Também somos pecadores. E quem sabe se o aleijado dispõe de conhecimento construtivo que possa transmitir ao mudo? Este. Por outro lado. temos. 30 pensamentos. O mesmo princípio opera. amparar o coxo. ou de inveja. com as mesmas angústias. pois vive mos num mundo transviado. às deficiências que carregamos. se. na lingua gem evangélica: amar-nos uns aos outros. mas. aliás. numa redoma ou numa couraça. Não é difícil. que acenda uma luzinha vermelha a qualquer “fuga” ou distração maior. a criança. para ensinar e construir. ou. e façamos um esforço muito grande para nos livrarmos deles. porém. no futuro. pode levar-nos a escorregões de imprevisíveis conseqüências. Ninguém precisa chegar. Não vamos deixar de ter as nossas falhas. a mulher. pois. Vivemos num universo inteiramente solidário. na rua. Exemplos? Há muitos: o envolvimento numa conversa male dicente. Ai de nós. de viver com o semelhante. seres humanos como nós mesmos. a cada momento.

” (1) Resguardarem-se todos na prece. e é necessário prescindir do álcool e do fumo. especialmente se o grupo mediúníco se envolver em tarefas de desobsessão. Isto se dará. Enfrentemos com disposição e coragem os empecilhos naturais que possam obstar o comparecimento à reunião: um mal-estar de última hora. encarnados. As recomendações de comportamento adequado são particularmente rígidas para o dia em que as sessões se realizam. desde cedo. e um pensamento de comodismo e preguiça nos segreda a palavra de desânimo. principalmente no caso dos médiuns. como no caso do súbito mal-estar próprio ou de um membro da família. na vigilância. para continuar a proceder como acham de seu direito e até de seu dever. para tratamento. irônicos. e essa defesa. Fugiremos ao envolvimento em discussões e desajustes de variada natureza. durante o dia ou nas horas que precedem a reunião. Daí a advertência de que o trabalho mediúnico. sintonizamo-nos com as suas vibrações agressivas e acabaremos por ser envolvidos. chegue uma visita inesperada. De outras vezes. ou horas depois. de aniquilar a nossa arrogância. pois. à hora da saída para a reunião. chove ou faz muito frio. a rigor. abster-se de carne. É nesse sentido que deve funcionar o mecanismo de advertência. que se vão somando. nesse campo especializado. em vez de cuidarmos. um pouco de repouso físico e mental. passarmos a imitar a avareza do irmão que segue ao nosso lado. Se em lugar de vigilância e prece. agressivos. Que não se cometa. ou uma criança se ponha a chorar. Os Espíritos trazidos às reuniões. Com freqüência enorme são inteligentes. Para que captar outras que infelicitam os companheiros de jornada? * Estas recomendações e sugestões nada têm de puramente teórico ou acadêmico. Ali mentação sóbria. Já bastam as nossas mazelas. até neutralizá -los de todo. Não custa muito. não hesitarão em promover qualquer medida defensiva. consiste em atacar aqueles que interferem com seus planos. apresentam-se hostis. o mal-estar terá passado. ou a irresponsabilidade de outro. Geralmente são trazidos porque foram incomodados na sua atividade lamentável. ou o egoísmo de um terceiro. a ingenuidade de pensar que são ignorantes.) É possível que. por exemplo. “os integrantes da equipe precisam. a respeito deles. ou até mesmo os provocaram. No desespero em que vivem mergulhados. ou calor excessivo. cultivar atitude mental digna. pelo menos nesse dia. certamente. por exemplo. já se trata de aproximação de Espíritos angustiados. São essenciais. inexplicavelmente agitada ou inquieta. leve. 31 bermos por “contágio espiritual”. que transmitem suas vibrações depressivas. com relaxamento muscular e pacificação interior. Chegam impetuosos e dispostos a fazer qualquer coisa. lhes oferecemos o flanco desguarne cido. Muitos obreiros promissores têm sido afastados de tarefas redentoras por pequeninos incidentes como estes. No dia seguinte. (Muitas vezes. se. e mais bem informados do que nós. “No dia marcado para as tarefas de desobsessão” — escreve André Luiz —. mas o . como por encanto. é tarefa para todas as horas do dia e da noite. geralmente. ou coléricos. Sempre que possível. Cuidado. Nem percebem que os companheiros das sombras souberam tirar bom partido dos acontecimentos.

O bom entendimento entre todos é condição (1) Desobsessão. No momento em que o desentendimento e a desafeição começam a medrar entre os encarnados. 3ª ed. o grupo está em processo de desagregação. pois o trabalho das equipes encarnada e desencarnada deve ser . Assim sendo. atenção. FEB. ou quem for para isso designado. como disputa pelos diversos postos: dirigente. pois esta é a sua especialidade. Ainda falaremos disso. porque para eles isto é questão de vital importância. insubstituível. até que se afastem os elementos dissonantes. Não pode haver desconfianças. e. que deve predomlnar entre os encarnados um clima de liberdade consciente. em suma. médium principal e outras infantilidades. lealdade sem submissão. afeição sem preferências. reservas. Muitos deles não têm feito outra coisa. Não se admite. a fim de continuarem a agir na impunidade temporária em que se entrincheiraram. * Quanto aos componentes encarnados do grupo. basta dizer. provocarão a desagregação impiedosamente. mais uma vez lembramos: é vital que os unam laços da mais sincera e descontraída afeição. Os espíritos desarmonizados sabem tirar partido de tais situações. franqueza sem agressividade. Julgam-se com direito de fazerem o que fazem. 32 trabalho das trevas já está feito: um obreiro a menos na seara. Cuidado. qualquer desarmonia interna. Isto implica dizer que os elementos perturbadores dessa harmonia interna devem ser prontamente identificados. indispensável. dos verdadeiros responsáveis pela tarefa global. mais adiante. Por ora. justificável e lógico. Se os componentes do grupo oferecerem condições de desentendimento. autoridade sem prepotência. como o de qualquer outro ser humano. por isso. pelo menos por algum tempo. restrições mútuas. não resta alternativa senão o afastamento. Francisco Cândido Xavler e Waldo Vieira. que se acham no mundo espiritual. pelo menos naquele dia. O responsável pelo grupo. dividindo para conquistar. e nunca o diremos com ênfase bastante. num grupo responsável e empenhado em trabalho sério. ao longo dos séculos. A grande vitória começa com as pequenas escaramuças. serenidade. se o grupo almeja tarefas mais nobres. Se não for possível reconduzi-los a uma atitude construtiva. firmeza. e perfeita unidade de propósitos. um auxiliar. capitulo 1. deve procurar os desajustados para entendimento particular. Ë preciso entendê-los. senão isto: atirar as criaturas umas contra as outras. reservado. é melhor que um grupo com dimensões internas encerre suas atividades. Qualquer sintoma de rivalidade entre médiuns deve ser prontamente identificado e combatido. Qualquer dissonância entre os componentes encarnados pode servir de instrumento de desagregação. infelizmente para eles próprios. O dirigente do grupo não é o que se senta à cabeceira da mesa e dá instruções — ele é apenas um companheiro. Eles vivem num contexto que lhes parece tão natural. não se detêm diante de nenhum escrúpulo ou temor. Nem sempre o fazem por maldade intrínseca. um coordenador.

equilíbrio e serenidade. mais cedo ou mais tarde. para que possam. mas entre sacrificá-lo pessoalmente e sacrificar todo o programa. haveremos de encontrá-la. e nem deve ser tomada precipitadamente e por ouvir dizer. Não se trata de criar uma atmosfera inquisitorial de espionagem mútua. que o desprotege espiritualmente e o precipita em imprevisíveis aflições. embora não mencionado usualmente nas anotações sobre trabalho mediúnico. pois disso também se aproveitariam os irmãos desencarnados que precisam do nosso afeto e compreensão. Eles desejam que nós sejamos capazes de discernir e assumir a responsabilidade pelos nossos atos. porque. por assim dizer. dificilmente nos darão ordens para admitir este componente ou desligar aquele. pois é uma ação de natureza grave. ligados à tarefa. não há como hesitar. em cada reunião. isto é. Os benfeitores espirituais. O bom senso e a prece serão sempre os melhores conselheiros. sentindo-se como que “expulso”. repetimos. mas também com firmeza. teremos que fazê -lo. porém: nada de processos inquisitoriais. já regenerado. for necessário afastar um ou outro companheiro. Não apenas o grupo se privará do seu concurso. . colocar diante de nós a tarefa que desejam que realizemos. para isso. todas aquelas que dizem respeito. quando não de revolta. em situa ções como essa. A decisão de afastar alguém não é fácil. O que esperam de nós é um clima de harmonização. mas os objetivos e finalidades do grupo devem ficar a salvo de nossas paixões. quase um “excomungado”. Talvez o companheiro perturbador possa retornar à tarefa mais adiante. cabem aos encarnados. qualquer que seja a sua posição. de desconfianças e rivalidades. como ele próprio. à gestão terrena do grupo. É preciso que ofereçamos a eles aquele mínimo de condição indispensável. Se. Precisamos estar preparados para ela porque. 33 colocado acima das nossas posições pessoais. ou rancores surdos. Cumprir o desagradável mandato com amor. Atenção. é uma das grandes e freqüentes dificuldades ocorridas em inúmeros grupos. essas e outras decisões. poderá cair numa faixa de desânimo. Por outro lado. Este aspecto é aqui abordado com franqueza e sem temores.

34 3 OS MÉDiUNS O capítulo 32. por outro lado. mas honesto. intermediário). como também podem ser antigos e ferrenhos desafetos ou comparsas de crimes hediondos. que acreditava na capacidade evolutiva do ser humano. uma faculdade. que a mediunidade. tão propenso à queda quanto qualquer um de nós. isso é válido para todos nós. semear e plantar. O jovem herói. no sentido de colocá-lo. com propostas. bem planejados e. para produzir mais. como se o médium fosse colocado à parte e acima dos vis mortais. uma capacidade concedida pelos poderes que nos assistem. às . mas aqueles que dispõem de faculdades mediúnicas estão como se tivessem devassado o seu mundo interior a seres desconhecidos e invisíveis. Vale tudo. encontra o amor na pessoa de uma jovem. o indício de renitentes imperfeições. que os antigos comparsas o encontram. longe de ser a marca da nossa grandeza espiritual. deseja esquecer o passado tenebroso. Seus ex- companheiros de crime desejam-no de volta ao grupo. Não se trata de um ser aureolado pelo dom divino. como seres de eleição. e dedica-se a trabalho humilde. o assédio. de “O Livro dos Médiuns”. Começa o cerco. portanto. É nessa fase de reconstrução íntima e esforço regenerativo. para apressar ou abreviar o resgate de suas faltas passadas. meio. mas depositário desse dom. obteve liberdade condicional. que o médium é uma pessoa. Fora o líder de seu grupo. antes. isto é. o cérebro da organização. Representa. por ela. Ao sair da prisão. por conseguinte. às imperfeições e mazelas que nos afligem a todos e. em virtude da prática de assaltos audaciosos. Revelando o cuidado e o extraordinário poder de síntese que Kardec sempre demonstra. ou ferir-se mais uma vez. naturalmente. é. na escala dos valores. Tudo é tentado para afastá-lo do caminho da recuperação. Pessoa que pode servir de intermediário entre os Espíritos e os homens. para colher mais tarde. um instrumento com o qual o médium pode trabalhar. Enfim: o médium utiliza -se de uma aptidão que não faz dele um privilegiado. e sugere a seguinte definição: — Médium — (Do latim medium. que lhe é concedido em confiança. mas não no sentido humano. que podem ser bons e amigos. sujeito. com a má utilização dos talentos sobre os quais nos falam os Evangelhos. um ser encarnado. para uso adequado. ameaças. um risco. ao contrário. qualquer pressão. Vemos. É. pelo esforço de um trabalhador social compreensivo. Isso me faz lembrar um filme que vi há algum tempo. O médium foi realmente distinguido com o recurso da mediunidade. Qualquer ardil serve. envolvimento ou oferta. essa definição é um primor de clareza. porque sua capacidade de sintonizar-se com os desencarnados o expõe a um grau mais elevado de influenciação. Sabemos. Quanto mais amplas e variadas as faculdades. do aprendizado espírita. muito rendosos financeiramente. por certo. aos prazeres. De certa forma. acima dos seus companheiros desprovidos dessas faculdades. um ônus. Estivera alguns anos na prisão. mais exposto ficará ao assédio dos companheiros invisíveis que se opõem ao seu esforço evolutivo. intitula-se “Vocabulário Espírita”. o planejador eficiente e hábil que facilmente submeteu todos os demais à sua vontade. ou talvez mais ainda. de baixa remuneração. e a doce cantilena do êxito ma- terial.

de falhas dolorosas. o problema é de cada um. quase sempre. nem pior. o orientador desencarnado. Mais do que qualquer um de nós. segundo “O Livro dos Espíritos”. É comum. mas não se envaideça do que aprendeu nem dos recur sos que conseguiu desenvolver. que por muitos séculos planejaram e executaram juntos crimes inomináveis. como um pequeno balão. que é da essência mesma do seu compromisso. enfim. porém. verdugos que não desejam deixar escapar a presa pelos portões do trabalho regenerador. Os dirigentes de grupos devem combater sem tréguas o “vedetismo” de alguns médiuns. é um simples trabalhador. A semelhança com a situação do médium é impressionante. sem prepotência. como qualquer outro: nem melhor. traz em si o apelo do passado. melhorando. tolerantes e serenos. observando suas próprias faculdades. vigie seus sentimentos. O médium. Não deixe de estudar suas faculdades. viva com simplicidade. para as palavras de esclarecimento e as diretrizes gerais. atormentados seres do mundo das dores. Isso é particularmente agudo quando a mediunidade começa a desabrochar. O fato de ser ele uma pessoa dotada de antenas psíquicas. informações e. Se o médium que os recebe sente-se envaidecido. à irresponsabilidade. nos grupos mediúnicos. mas são também firmes e rigorosos. como qualquer um de nós. Nada de pânico. Ou. sociais. não quer dizer que ele esteja àmercê dos companheiros desvairados das sombras. Seus comparsas não se conformam. mas eles não estão interessados em preservar as nossas ridículas suscetibilidades e vaidades. porque. nem superior. dar-se destaque indevido ao médium que recebe. Ele contará sempre com a proteção carinhosa e atenta de seus guias. Isso está amplamente documentado na Codificação. é claro. as cicatrizes. amorosos. assistência. . mas não seja temerário. para o azul infinito da libertação espiritual. se os médiuns que não o recebem ficam enciumados. nem inferior. obsessores impiedosos. acima de tudo. Os primeiros manifestantes são. eliminando. trabalho mediúnico. Na hora da tarefa. Não lhe faltarão recursos. a não ser que ele próprio deixe cair suas guardas. corrigindo. sem humilhações. de que nos falava Paulo. questão 123. modificando. compulsando livros doutriná rios de confiança. pacientes. são associados de outros tempos. A experiência com os espíritos ensina- nos que eles são compassivos. humanos. — Por que há Deus permitido que os Espíritos possam tomar o caminho do mal? — pergunta Kardec. que o põem em relação com o mundo espiritual. mais do que aqueles que não dispõem da faculdade. o bom combate. as “tomadas” para o erro. acrescentando. é um ser em liberdade condicional. mal curadas. atento. sem rancores. ligado a um bom grupo de trabalho. fa miliares. e. leia. Procure manter um bom clima mental. 35 loucuras. Não tema. A tarefa não é fácil. ele precisa estar vigilante. trate de se corrigir. como todos nós. Participe da luta diária. enfrente os problemas da existência: profissionais. das trevas onde se escondem. daqueles que estão interessados no seu progresso espiritual. por exemplo. Estude. pois nem mesmo a Kardec deixaram eles de dizer o que era necessário dizer. buscam-no incessantemente. então. Cabe a ele provar que já écapaz de fazer bom uso dela. O ideal seria que os orientadores se revezassem. quando necessário. o peso específico que o arrasta para baixo. às vezes até com inesperada severidade. quer ele deseje ou não. utilizando-se dos demais médiuns. tentando impedir que ele se escape.

a nossa compreensão? Assim. neste livro. de fanta- sias. Quando estes pequenos fenômenos ocorrerem. é“O Livro dos Médiuns”. seu estado de irritação ou de serenidade. todavia. mas a experiência revela que nada substitui a palavra falada. da clariaudiência de outro. ou até mesmo se utilizando. quando possível e necessário. Nada de açodamento. nas lides iniciais da sua empreitada. contudo. seus cacoetes. colocar a pessoa em quarentena. nem de temores. fornecendo ocasionais indicações e instruções. de euforia. suas ironias. 36 E eles respondem: — Como ousais pedir a Deus contas de seus atos? Supondes poder penetrar-lhe os desígnios? Podeis. neste caso. nesse tipo de trabalho. Com ela. em trabalhos especiais que ainda discutiremos. clariaudiência. nem desligá-la do grupo. cada um tem o mérito de suas obras. suas vacilações. Em casos extremos. no decorrer do tempo. sua personalidade. Os fenômenos começarão espaçados e indecisoS: rápidas vidências. É possível. direta e viva. da formação ou do desenvolvi mento do médium. poderá ser utilizada a psicografia: o doutrinador falaria e o espírito responderia por escrito. suas emoções. A mediunidade que melhor se presta aos trabalhos de desobsessão é a psicofonia. E o interlocutor era Allan Kardec! Por que razão ficarão com “panos quentes” conosco. Não cuidaremos. O dirigente humano acompanhará atentamente o trabalho. nesse sentido. ou seja. na posição que sempre ocupou e aguarde a sua vez. operando através da vidência de um. porqüanto. Que ela se mantenha junto aos companheiros. de exteriorizarem ectoplasma. Há obras que cuidam do problema. ou de incorporação. O diálogo com o desencarnado é da própria essência da tarefa. meros aprendizes primários de uma verdade que transcende. até que a mediunidade nascente comece a desabrochar e possa ser utilizada. todas as potencialidades serão devidamente estudadas e aproveitadas. que as tarefas do grupo mediúnico venham. tão logo lhe seja possível. impulsos de dizer ou escrever algo. da intuição de um terceiro. e dificilmente a palavra falada. que têm outros. o componente da equipe deve comunicar-se. talvez intuições. sua sinceridade. . poderia ser substituida. Num grupo bem orientado. Os benfeitores espirituais saberão como conduzir o labor necessário. sem perda considerável da eficácia do processo. da mediunidade de efeitos físicos. Não é necessário. de preferência. Não quer isso dizer que o grupo deva reunir apenas mediuns de incorporação. sem interromper os trabalhos em curso. Os benfeitores espirituais terão melhores oportunidades de desenvolver suas tarefas por nosso intermédio. dizer o seguinte: A sabedoria de Deus está na liberdade de escolher que Ele deixa a cada um. assim. depois de encerrada a sessão. ou companheira. quando dispuserem de mais ampla variedade de faculdades. revelar a existência de outros médiuns em potencial. com o dirigente. de excitações. sentimos com maior facilidade as reações que se processam no manifestante. não se espere que os benfeitores espirituais tomem precauções especiais para nos preservar o orgulho e a vaidade. O assunto é demasiado complexo para um tratamento sumário e foge aos objetivos das nossas especulações aqui. da faculdade. de Allan Kardec. a não ser por motivos imperiosos. ajudando o companheiro. no entanto. em muitos aspectos. mas é preciso não se esquecer que o ponto de partida de qualquer trabalho.

porém. óculos e jóias. ou audiência. no fundo. enfim. seja pela sua conduta geral. no seu já citado “Desobsessão”. inclusive reprimir todas as expressões e palavras obscenas ou injuriosas. eflúvios magnéticos. Como a psicofonia é a mediunidade mais indicada para esse tipo de tarefa. alijando. que desempenham. enquanto ele se acha doutrinando. é da própria essência da mediunidade. que trabalham junto deles. pois. É aconselhável. os objetos que costumem trazer jungidos ao corpo. * As pessoas que lidam com médiuns. à atitude antifraterna. canetas. 37 Tal variedade de faculdades é particularmente desejável quando o doutrinador não for dotado de mediunidade ostensiva. conquanto saiba agradecer o estímulo e a amizade de quantos lhe incentivem o coração ao cumprimento do dever. Nesse caso. à palavra agressiva. à reprimenda. em trabalho mediúnico. André Luiz nos oferece. parece que vale a pena reproduzir aqui o texto. são mais suscetíveis. a que se refere André Luiz. * Uso do vestuário que lhes seja mais cômodo para a tarefa. * Interesse real na melhoria das próprias condições de senti mento e cultura. incumbidos de o auxiliarem com pequenas e discretas observações e recomendações recebidas dos benfeitores. linguagem. seja pelas impressões de sua presença. mais sensíveis também à crítica. as vezes. Isso deve ser feito com muita sutileza e de maneira breve e sumária. André considera tais cuidados “essenciais ao êxito e à segurança da atividade” atribuida aos médiuns. tanto quanto ao elogio e à bajulação. Mesmo que o leitor disponha de um exemplar. * Aceitação dos próprios erros. * Fixação num só grupo. não devem esquecer-se de que esses companheiros de seara são criaturas dotadas de certo grau de exaltação da sensibilidade. * Discernimento natural da qualidade dos Espíritos que lhes procurem as faculdades. evitando as inconveniências do compromisso de desobsessão em várias equipes ao mesmo tempo. como sejam relógios. * Abstenção de melindres ante apontamentos dos esclarecedores ou dos companheiros. Em decorrência dessa particularidade que. * Reconhecimento de que o médium é responsável pela comunicação que transmite. Ou. como vi dência. . que essa ou aquela entidade queira pronunciar por seu intermédio. * efesa permanente contra bajulações e elogios. qualquer atividade em paralelo com eles. * Domínio completo sobre si próprio. aproveitando observações e avisos para melhorar-se em serviço. aos médiuns psicofônicos: * Desenvolvimento da autocrítica. um valioso decálogo de recomendações e sugestões. para aceitar ou não a influência dos Espíritos desencarnados. por outra: são médiuns exatamente porque têm a sensibilidade mais aguda do que o comum dos homens e das mulheres. os médiuns presentes serão. para que se lhes apure a capacidade de transmissão.

que precisa ser preservada. No grupo em que predominar legitimo sentimento de afeição. cuidado e carinho. em nome da boa ordem dos trabalhos. É que tais assuntos se apresentam muito intimamente interligados. também como os demais. porque isso exporia. mas é preciso estar atento para que tais questões não venham a perturbar a tarefa. e onde começa o rigorismo ditatorial que leve o médium ao pânico ou à revolta. sem. Não vamos. credor da mesma estima e respeito devidos aos demais companheiros. seja entre estes e os desencarnados. tanto quanto possível. como tal. É preciso que o dirigente dos trabalhos tenha bom senso suficiente para distinguir até onde vai a disciplina. à semelhança dos fios coloridos que fazem o desenho dum tapete. com as dores e as canseiras resultantes. mas diga-lhe uma breve palavra de carinho ou lhe faça um gesto de solidariedade. seja entre os encarnados. que deve ser tratado com atenção. Além do seu sentido etimológico — incapaz . que deixam resíduos vibratórios perturbadores. no caso. dificilmente surgirão problemas dessa natureza. Tentemos explicar o que significa. Se o dirigente não puder socorrê-lo com um passe restaurador. nada mais. O médium não é nem a “vedete” do grupo. ditado pela prepotência e pela arbitrariedade. que deverá estimular sua responsabilidade e não sua vaidade. dando-lhe apoio e conselhos. Não custa. e que desaparecem aqui. nem o escravo acorrentado aos caprichos dos desavisados que. com nova ênfase. porém. por uma tarefa particularmente difícil. Um desses pontos é o relacionamento entre os componentes do grupo. cair no outro extremo. pois. naquilo que diga respeito à sua condição peculiar de sensibilidade. Em breve. Deve ser-lhe grato pela sua contribuição ao grupo. e compreensão entre os seus diversos componentes. É o do relacionamento do médium com o doutrinador. impõem condições inaceitáveis ao exercício das faculdades mediúnicas. para que o médium sinta o apoio e a compreensão para a sua árdua tarefa. procurando ajudá-lo na solução dos problemas que surgirem no exercício de sua faculdade. A mediunidade é um mecanismo extremamente delicado e sus cetíve l. onde e quando necessário. É apenas um dos componentes do grupo. Médium disciplinado é uma coisa.. distingui-lo com nenhum favor especial. e. médium inibido éoutra. a imprevisíveis e desastrosas conseqüências. atenção especial com os médiuns. em nome da disciplina e da ordem. esse relacionamento precisa ser impecável. seu pontífice máximo. no entanto. Evidentemente. O leitor deverá notar. ao longo deste livro. Em casos assim. a quem de direito. a ele e ao grupo. E. estaria recebendo “mensagens ” diretas de Deus-. Há manifestações difíceis. O médium equilibrado e disciplinado sabe que nada deve esperar de diferente. o médium não deve e não pode ser endeusado. esse adjetivo algo pomposo. Para que o trabalho se desenvolva com segurança e eficácia. O dirigente deverá tratar o médium com todo o carinho e atenção. exclusivo ou extraordinário. de submeter o médium a um regime disciplinar inadequado. Repisaremos aqui um deles. 38 É preciso. o médium não deve ser abandonado à sua sorte. uma expressão de agradecimento e uma palmada afetuosa no ombro. para reaparecer ali. designe alguém no grupo para fazê-lo. que alguns pontos são repisados em diferentes contextos. merecedor de uma palavra de estímulo e gratidão. Tentaremos clarificar. dolorosas. exaustiva e bem realizada. este assunto extremamente delicado e complexo.

leia. É preciso ainda considerar que se o médium realiza esse trabalho de impregnação fluídica no perispírito do manifestante. Médium e doutrinador devem estimar-se e respeitar-se. é demonstrada. que atua energicamente sobre o perispírito do médium. portanto. sem má- cula ou defeito. correto. pois. a fim de que o médium se recomponha. exatamente porque não logram dar vazão aos seus impulsos e intenções. ódio. este também traz uma carga. às vezes. porque as vibra- ções afetivas entre médium e doutrinador arrefecem inevitavelmente tais impulsos. alguma hosti lidade mais declarada. durante suas manifestações. * Uma insistente palavra final para o médium: estude. “O Livro dos Médiuns” deve ser leitura e releitura constantes. serenidade. Com freqüência. A razão é simples e óbvia: ao incorporar-se. de maneira tão ampla. ou seja. sem sombra alguma de dúvida. até às lágrimas. como lamentavelmente acontece com freqüência. 39 de pecar. é claro que a sua tarefa negativa será bastante facilitada. ou. não apenas aspectos específicos da mediunidade. Estima sem servilismo e sem fanatismo. às vezes pesada e agressiva. o médium desperta. quando são desagradáveis e agressivos. Muitos são os que se queixam disso. “em estado de graça”. como costumo dizer. havendo. aos livros de André Luiz. experimentaram tal ou qual sensação: força. quando ainda se acha consciente no corpo e depois que o reassume. se existe entre médium e doutrinador um vínculo mais forte de afeição. os resíduos vibrató rios que permanecem na intimidade do perispírito do médium. do contrário. Quando. põe-se em risco a qualidade do trabalho mediúnico. como trabalhos desenvolvidos no mundo espiritual: “Mecanismos da Mediunidade”. nossos médiuns declaram que. não consegue fazer tudo quanto desejava. se trata de um espírito pacificado e bondoso. . harmonizado. discuta os diferentes aspectos e problemas da mediunidade. o espírito o dominaria e faria com ele o que bem desejasse. ao contrário. o espírito agressivo fica algo contido. Essa contaminação. embora transitória. comovido. o espírito manifestante vem trabalhar com os elementos ou instrumental que encontra no médium. Se existe ali alguma reserva com relação ao doutrinador. dispersá-los por meio de passes. Da mesma forma. da mesma forma que um médium mais culto fornece melhores recursos para uma manifestação de teor mais erudito ou um médium de temperamento mais violento oferece condições mais propícias a manifestações violentas. que desenvolvem. Mante nha-se ligado às cinco obras da Codificação. faça perguntas. “Entre a Terra e o Céu”. não sujeito a pecar — impecável quer dizer perfeito. são bastante conhecidos. angústia ou amor. para a qual o médium deve atentar com toda a sua vigilância. após a desincorporação. quase sempre. certa “contaminação” mútua. com quem demonstre ter experiência. feliz. respeito sem temores e sem reservas íntimas. Há sempre aspectos e informações que a uma ou duas passagens deixamos escapar. paz. nas reações preliminares e posteriores do médium. e ainda que agrida o doutrinador com palavras ou gestos. Quando o relacionamento médium-doutrinador é imperfeito ou sofre abalos mais sérios. Pela mesma razão. tristeza. sendo necessário. pior ainda. ao sentirem a aproximação do espírito manifestante.

“Nos Bastidores da Ob sessão”. iluminam. lendo o estudo daqueles que. de onde recebemos jatos de luz que. que lidamos com a comunicação entre os dois mundos. de Camilo Cândido Botelho. do que o próprio médium. . “Libertação”. ou. Toda a humildade e todo o respeito ante ela ainda serão poucos. 40 “Missionários da Luz”. “Dramas da Obsessão”. de Manoel Philomeno de Miranda. de tempos em tempos. do Dr. somente podemos estudar a mediunidade assistindo-a em ação. “Memórias de um Suicida”. “No País das Sombras”. precisa estar bem certo de que é ainda muito pouco o que sabemos sobre essa notável faculdade humana. mundos acima. Bezerra de Menezes. os ambientes de meia-luz em que vivemos. e. observando-a com atenção. já se tenham dedicado aos seus mistérios e grandezas. e com maior respeito e carinho. por alguns momentos. de Martins Peralva. tanto quanto todos nós. mundos abaixo. anotando suas peculiaridades. “Nos Domínios da Mediunidade”. ainda. antes de nós. Ademais. através de um pequenino retângulo. porque é através dele que se abre o postigo pelo qual dialogamos. de Madame d’Espérance. O médium. “Desobsessão”. discutindo suas inúmeras facetas com os companheiros que constituem a equipe de trabalho. Ninguém precisa estudá-la mais. A literatura é ampla e não há ainda limites visíveis neste vasto campo. “Estudando a Mediunidade”. com os companheiros que se acham acorrentados às mais negras e tormentosas paixões e sofrimentos.

o chamado doutrinador não é o sumo-sacerdote de um culto ou de uma seita. de enorme capacidade intelectual e de impecável formação filosófica. sem conhecimento íntimo dos postulados da Doutri na Espírita. Em primeiro lugar. conhece suas responsabilidades perante as leis universais. e com a qual pretendemos ajudá-lo. Não poderá jamais fazer um bom trabalho. Qualquer bom dicionário leigo dirá que doutrinar é instruir em uma doutrina. sumo-sacerdote ou rei. de sentimentos. A despeito disso. ensinar. ou. Sua formação doutrinaria é de extrema importânçia. que professamos. mas isso não é tudo. o companheiro encarnado. ou seja. porém. como ouvinte paciente ante um guru evoluído. ainda que não esteja no mesmo nível intelectual dele. ou. ele é apenas um dos componentes. de que. pois está justamente produzindo uma demonstração prática do fenômeno. ele encontrará sempre o que dizer ao manifestante. ele nem discute. não está em condições. e seria infantilidade de sua parte tentar ignorar a realidade. por mais modesta. 41 4 O DOUTRINADOR Num grupo mediúnico. porque ele pode ser um bom conhecedor dos princípios teóricos do Espiritismo e ser completamente desinteressado do aspecto evangélico. Quanto à comunicabilidade entre encarnados e desencarnados. reconhece até mesmo a existência de Deus. no momento oportuno. E aqui já começamos a esbarrar nas dificuldades que a palavra doutrinador nos oferece. Muitas vezes ele está perfeitamente fami- liarizado com inúmeros pontos importantes da Doutrina Espírita. logo aos primeiros contactos. presunçosamente. O doutrinador precisa estar convencido de que a Doutrina Espírita dispõe de todos os informes de que ele necessita para cuidar dos manifestantes em desequilíbrio. um trabalhador. que se coloque na posição de mestre. que nem ele próprio conseguiu alcançar. ainda. ante evidências que lhe são mais do que óbvias. Ele não vem disposto a ouvir uma pregação. no grupo mediúnico. chama-se doutrinador a pessoa que se incumbe de dialogar com os companheiros desencarnados necessitados de ajuda e esclarecimento. admite. a autoridade necessária. O conhecimento doutrinário torna-se importante como base de sustentação. a ditar normas de ação e a pregar. acerca da Doutrina Espírita. deve ter. ele precisa estar preparado para exercer. e não mestre. Se o dirigente encarnado dos trabalhos está bem familiarizado com as obras fundamentais do Espiritismo. Por outro lado. no contexto da prática mediúnica. dotados de excelente dialética. Entre os espíritos que lhe são trazidos para entendimento. com quem estabelece o diálogo. um estágio ideal de moral. que toda pessoa incumbida de uma tarefa. O confronto aqui não é de inteligências. Isto não significa que todo doutrinador tem de ser um gênio. não tem muito a ensinar-lhe. conhe cer a doutrina e recitar . Sabe que é um Espírito sobrevivente. de receber instruções doutrinárias. é de corações. nem predisposto ao aprendizado. bem preparados e experimentados em diferentes técnicas de debate. Portanto. em termos gerais de doutrina. porque o espírito que comparece para debater conosco os seus problemas e aflições. simplesmente. há argumentadores prodigiosamente inteligentes. Não se esquecer. A conversa com os espíritos desajustados não deve ser um frio debate acadêmico. nem de culturas. os mecanismos da reencarnação.

intercalando aqui e ali um pensamento evangélico que se adapte às condições desenvolvidas no diálogo. ainda em lutas homéricas contra imperfeições milenares. freqüentemente. comparsas de desacertos hediondos. dedicam- se a tarefas mais complexas. não podemos esperar a perfeição para ajudar o irmão que sofre. de que somos julgados e avaliados. É aqui que vemos a validade da palavra sábia do Cristo: — Reconcilia-te com o teu adversário. como quer me obrigar a deixar de perseguir aquele que me prejudicou? Ou então. ou crimes que praticamos em vidas pregressas. como já dissemos. Ele nos vigia. Os espíritos em estado de perturbação. de maior responsabilidade. Muitas vezes. mas pelo esforço que realizamos para alcançá-los. Aqueles que já se purificaram a esse ponto. É preciso que o doutrinador esteja preparado para estas situações. Necessitam aflitivamente de primeiros socorros. a fim de obter dele a informação de que necessita. O doutrinador é também um ser falível e cons ciente das suas imperfeições. pela maneira como agimos em nosso relacionamento com os semelhantes. Muitos são desafetos antigos. O espírito que debate conosco sabe de nossas inúmeras fraquezas. Não adianta exibir virtudes que não possui ainda. É preciso . 42 prontamente qualquer versículo evangélico. Não é preciso ser santo. A doutrinação virá no momento oportuno. do que o mero som das palavras que pronunciamos. nos lembra uma situação irregular em que nos encontramos. Não podemos impor ao companheiro infeliz uma superioridade moral inexistente. em que fomos. ele deve estar preparado para discutir o problema pessoal do espírito. logo de início. refere-se desabridamente a uma ou outra fraqueza íntima nossa. compatíveis com o adiantamento espiritual que já alcançaram. e. para doutrinar. mas qual de nós. Sua autoridade moral é importante. ele o saberá também. Percebe mais as nossas intenções. que estamos em condições de servi-lo mais de perto. Se estivermos recitando lindos te xtos evangélicos. em condições psicológicas adequadas à pregação doutrinária. a intensidade e a sinceridade do nosso sentimento. É exatamente porque ainda somos tão imper feitos quanto ele. Isto nos leva a outro aspecto importante: o “status” moral do doutrinador. encarnados. observa-nos. não pelos resultados que obtemos. tanto quanto nós. pode arrogar-se uma atitude de superioridade moral sobre os companheiros mais desarvorados das sombras? Ainda temos mazelas e ainda erramos gravemente. não estão. Deve lembrar-se. por serem. de quem os ouça com paciência e tolerância. É nesse momento que ele precisa utilizar-se de seus conhecimentos gerais. que ainda não nos perdoaram. e até mais do que nós. analisa-nos e estuda-nos. de uma posição vantajosa para ele: na invisibilidade. mas isto não pode e não deve inibi-lo para a tarefa. que nos são trazidos às sessões mediúnicas. ou um erro mais grave cometido no passado recente. mas não apoiar o seu conhecimento na emoção e no legítimo desejo de servir e ajudar. enquanto estás a caminho com ele. sem sustentação na afeição legítima. porém. Tudo serve. Por outro lado. por certo. companheiros de antigas encarnações. Tem condições de aferir nossa personalidade e nossos propósitos. por exemplo: — Você não tem força para deixar o vício de fumar. como. antes que o doutrinador possa dedicar-se a este aspecto específico. às vezes. talvez. Voltaremos ao assunto quando tratarmos do problema específico da doutrinação.

eu não saberia dizer. no capitulo 11 da Epístola aos Hebreus: — A fé — disse ele — é a garantia do que se espera. é a fé que cura o servo doente do romano pagão e estanca a hemorragia da mulher que O tocou. tal como a conceituou Kardec: sincera. É ainda a falta de fé que Ele repreende nos discípulos. nossa boa intenção é legítima. a fé era o suporte das realidades que o conhecimento ainda não atingira. expulsar esse demônio?” Respondeulhes Jesus: “Por causa da vossa incredulidade. 43 levar em conta. Coloquemo-la de forma positiva: tudo é possível àquele que crê. o esforço que desenvolvemos é digno. É uma afirmativa de extraordinário vigor. Em Paulo. em particular. convicta. que muitos companheiros espirituais desarvorados. com ela. e ela se transportaria e nada vos seria impossível. positiva. mas sem se deixar contaminar pela frieza hierática do racionalismo estéril e vazio. * Quero falar aqui daquela fé sobre a qual Paulo escreveu seu belissimo poema. e nos respeitarão por isso. a fé do tamanho de uma semente de mostarda bastaria para remover montanhas. Se tivermos paciência e tolerância. Os discípulos já haviam tentado. sabemos que o universo foi criado pela palavra de Deus. 17:14-20): — Os discípulos vieram. Façamos uma pausa na exposição. ao expulsar o Espírito que atormentava o jovem lunático (Mateus. a prova das realidades invisíveis. Pela fé. que nos conheceram em passado tenebroso. ainda. Marcos narra o episódio no capítulo 9 (versículos 14 a 29). plenamente suportada pela razão. sobre o qual ainda falaremos adiante. É a ausência de fé que Ele censura docemente nos discípulos que temeram a tempestade e a morte. então. O doutrinador precisa. nós outros. ser uma criatura de fé viva. Resposta: fé. que tanto nos interessa. o manifestante acabará por admitir que. diríeis a esta montanha: Transporta-te daí para ali. ou pretendemos ser. pouco ou nada podemos. ter com Jesus. Se me perguntassem qual o elemento mais importante na estrutura da personalidade do doutrinador. neste. Pois em verdade vos digo. em Kardec é a certeza daquilo que o conhecimento. afinal alcançado. Sem ela. vêem em nós mais aqueles que fomos do que o que somos hoje. Para Ele. sem êxito. mas ficaria indeciso entre a fé e o amor. “nada é impossível”. pedem explicações. confirmou no coração do homem. e ante a facilidade com que o Cristo resolve o problema.” O episódio é de grande força e beleza. para um exame da fé. ainda. doutrinar o possessor que fazia o que queria com o infeliz jovem. de maneira que o que se vê resultasse daquilo que não se vê. Batidos pelo fracasso. lógica. Para o Cristo. . e lhe perguntaram: “Por que não pudemos. inabalável. Que tipo de fé? A fé espírita. feita por quem Possuía autoridade mais do que suficiente para fazê -la. mesmo que ainda não tenhamos alcançado os estágios superiores da evolução. (1) (1) O texto citado é da Bíblia de Jerusalém. como em tantos outros contextos. Ele não pode dar aquilo que não tem. se tivésseis fé do tamanho de um grão de mostarda.

do mais angustioso desespero. mas não será fé. ao formular sua prece. Fora disso. . sou como o bronze que soa e o címbalo que retine. na psicologia do doutrinador. provavelmente desacordado. tem que “encarar a razão” destemidamente. o doutrinador estará desarmado. ranger os dentes. imagem usada pelo Cristo para fixar o seu pensamento na memória dos ouvintes. presunção. conjetura. suspeita. e o deixava rígido. segundo o pai. fazia-o espumar. da 57ª edição da FEB. com tão poucas palavras. é certo. Dificilmente se poderia dizer melhor. em benefício do companheiro que sofre. Não se trata. Além disso. a fé lhe trará os recursos de que necessita para servir. Ao comentar a passagem. aqui. pois ele ocupa todo o capítulo 19 de “O Evangelho segundo o Espiritismo”. Kardec escreve que “a confiança nas suas próprias forças torna o homem capaz de executar coisas materiais. despreparado para a sua tarefa. É também aí que o Codificador escreveu sua famosa sentença: — Fé inabalável só é a que pode encarar de frente a razão. as palavras devem ser entendidas em seu sentido moral. essa fé não procura os meios de vencer. Sem ela. Se não tenho amor. parecer.. porque não acredita que possa vencer. Não é por acaso que nos textos evangélicos caridade e amor são tratados como sinônimos. 44 Jesus cura o infeliz possesso que.. páginas 284 a 293. é o amor. pouco depois — resultam a incerteza e a hesitação. Se não tem fé. Precisa ser inabalável. Por isso. confiante-mente. No contexto. era possuído por um Espírito mudo. sempre. é a fé que lhe dá o apoio da confiança de que ele precisa para aventurar-se pelas ásperas e tenebrosas regiões do mais terrível sofrimento. em “O Evangelho segundo o Espiritismo”. Para não transcrevê-lo por inteiro. em todas as épocas da Humanidade. A conceituação de fé tornou-se. de remover montanhas de terra e pedra. porém. e. que não consegue fazer quem duvida de si”. depois de curá-lo. tanto quanto o amor descaridoso. se não tenho amor. Os discípulos nada puderam fazer. que aparecia nos textos mais antigos. de que se aproveitam os adversários que se tem de combater. vai encontrar a resposta ao que implora. não estará em condições de realizar o trabalho a que se propõe. derrubava-o ao solo. Outro ingrediente necessário. e ainda mais: que aquela classe de espíritos não poderia ser tratada senão com a prece. “Da fé vacilante — diz Kardec. da Primeira Epístola de Paulo aos Coríntios: — Ainda que eu fale a linguagem dos homens e dos anjos. ao levantar-se para dar um passe. é preferível recomendar que o leitor não deixe de estudá-lo e de meditar pausadamente acerca de todas as suas implicações. Impossível seria considerar a caridade sem o amor. do belíssimo capítulo 13. traduções modernas do Evangelho substituiram por amor a expressão caridade. e todos os riscos são iminentes e inevitáveis. com relação aos demais atributos necessários à sua função. o Cristo insiste em que tudo é possível àquele que crê. Ele deve saber que.) O comentário de Kardec é de transcendental importância. sem os quais nenhuma tarefa de desobsessão é possível. que se apoderava dele em qualquer lugar. Ele precisa estar confiante nos poderes espirituais que sustentam o seu trabalho. por mais bem-dotado que seja. opinião. pode ser crença.” (Destaque meu. com Kardec. Somente assim será inabalável. em todas as épocas. Ele tem de saber que. definitiva. da mais violenta revolta.

incondicional. o rol das aptidões que devem integrar a personalidade do doutrinador. Não estamos ainda nesse estado evolutivo. o candidato a tal função deve . a qualquer companheiro espiritual que se manifeste. nem presunçoso. que a expressão do original grego agapô. na sua vida de encarnado. é nele que os Espíritos desequilibrados identificam a petulante intenção de interferir com seus planos pessoais. ao se apresentarem diante de nós. Se respondermos à sua agressividade com a nossa. no caso da doutrinação de Espíritos conturbados. transformado em compreensão. O amor tudo crê. o responsável pela direção dos aspectos. que se concéntre no doutrinador grande parte do esforço de envolvimento. Muitas vezes. restariam a fé. . Sem amor profundo. vêm com a força e a agressividade de inimigos implacáveis. Se tudo se acabasse. O amor não se acaba nunca. devemos sentir. no campo do amor. indiscri minadamente. mas particularmente se dirigem ao doutrinador. é ele. ainda no exame dos componentes morais e psicológicos da personalidade de um bom doutrinador. usualmente.. segundo o Cristo. precisa estar ligado aos Planos Superiores. ou afirmar que somente pode investir-se na função de doutrinador aquele que possuir cumulativamente todas essas virtudes. em favor do próximo. amor fraterno. porque. tudo suporta. no entanto. É claro que estas observações são válidas para todos os componentes do grupo. caracteriza bem a gradação cuidadosa do sentimento que Paulo desejou transmitir aos seus amigos de Corinto. Tem seus parentes. portanto. porque é ele o seu porta-voz. por assim dizer. Sem nenhuma figura de retórica. portanto. que o ajudam e assistem a distância. bem como suas cóleras e suas ameaças. não tem orgulho. Se não dispuser de um mínimo de aptidões. no ambiente de trabalho. o médium doutrinador não se encontra. nem precipitado. tudo espera. não é interesseiro. do trabalho. ainda. deverá vir de Cima. como força construtiva do bem. pronto na doação. A Bíblia de Jerusalém lembra. É desse amor-doação que precisa o doutrinador. Agapô é o amor- benevolência. para os irmãos desorientados. * Isto não esgota. a capacidade de amar os inimigos. em nota de rodapé. para isso. legítimo. é preciso ter. É isto bem verdadeiro. cercado pelo sentimento de afeição de familiares e companheiros.. no trabalho de desobsessão. com relação aos nossos próprios inimigos. do ódio. diferente. não se irrita. O amor épaciente e serviçal. do amor passional e egoísta. tolerância e. principalmente. e. não é temerário. 45 nada me aproveita. que se dirige. não se alegra com a injustiça e sim com a verdade. O amor não é invejoso. sincero. O médium doutrinador tem que devolver todo esse concentrado ataque vibratório.. para distribuí-lo assim. Do amor que. é impraticável o trabalho mediúnico realmente produtivo e libertador. mas não conta com grandes afeições e dedicações. Nem pretendemos esgotá-lo aqui. vive rodeado de conhecidos. A sustentação do seu teor vibratório.. terrenos.“É preciso — escrevia eu em “Reformador” de fevereiro de 1975 — ter muito amor a dar. o trabalho se perde e desencadeamos contra nós a reação sustentada da cólera. É lógico e natural. a esperança e o amor. Prossigamos. do rancor.

soprada desavisadamente. Não pode ele. neste caso. por sua vez. quanto à sua própria conduta. ou doutrinador. . Nem antes. porém. Há de chegar-se a um ponto. necessita de outra qualidade pessoal. procurando localizar os pontos em que o manifestante. pela observação cuidadosa. Creio poder afirmar que não seria desejável qualquer forma de mediunidade que colocasse o dirigente. quando cuidarmos do trabalho propriamente dito. e o momento tem que ser o certo. O doutrinador deve estar em permanente estado de vigilância. seus recursos pessoais sejam mais adequados. O doutrinador precisa servir em estado de alertamento constante. Minha opinião pessoal é a de que algumás formas de mediunidade são desejáveis. 46 procurar desenvolvê-las. propriamente dito. e desenvolvê-las junto ao manifestante. enérgica. quanto ao que se contém nas entrelinhas do que diz o manifestante. por si mesmos. seja mais sensível e acessível. que certamente auxiliará na visão de cenas e quadros. em estado de inconsciência. e não o será mesmo. poria a vidência. se pede outra disposição que poderíamos chamar de energia. vamos. ouviria diretamente as instruções e “recados” do mundo espiritual. difícil e desconhecido em que pisa. Ele precisa manter-se lúcido durante todo o período de trabalho. não há posições dogmáticas. quando não despertada: a sensibilidade. Para isso. não parti- cularmente rara. mas não disparam. responsáveis pelo trabalho. Uma dessas virtudes é a paciência. não o coloca inteiramente a salvo de alguma palavra. quanto ao que ocorre à sua volta. que o levará a sentir pacientemente o terreno estranho. sem prejuízo sério para o seu trabalho. Vigilância quanto aos seus proprios sentimentos e pensamentos. a sensibilidade e o tato nos facultam as informações que buscamos. os mecanismos da ação. com os demais componentes do grupo. não apenas durante o trabalho mediúnico. ou assumir outra tarefa. para a qual. que não pode ser contundente. até que estejamos seguros de poder tomar uma posição ou uma decisão sobre o assunto. nem nos sustentam no que fizermos. Isto. Tem que aguardar o momento de falar. não nos indicam a providência a tomar. nem agressiva. Isto se faz com uma qualidade pessoal chamada tato. mas que precisa ser cultivada. Em segundo lugar. serena. A paciência. É a hora da energia. segundo a qual. Colocaria em primeiro lugar a intuitiva. Veremos isto. Vigilância e boa intenção não são santidade. Para isso. Convém repetir: não precisa ser um santo. mas no seu pro- ceder diário. na doutrinação. que deve ser controlada e oportuna. que o leve a falsos caminhos. com seus próprios recursos e suas próprias palavras. Uma questão cabe introduzir aqui: convém que ele disponha de alguma forma de mediunidade ostensiva? Em Espiritismo. na mais ampla acepção do termo. nem depois da oportunidade. aturar desaforos e impropérios. Tem que ouvir. as reações do Espírito. Há mais ainda. agressões verbais e impertinências. quanto às suas suposições e intuições. ou da aparência pessoal do Espírito manifestante e de seus eventuais companheiros. ou seja. em que se torna imperiosa a tomada de uma atitude firme. e. Será também útil dispor da faculdade de clariaudiência. através da qual o doutrinador possa receber as inspirações de seus amigos espirituais. nos informando de determinada situação ou acontecimento. atirar-se sofregamente ao interrogatório do Espírito manifestante. que fossem de interesse para o seu trabalho.

Nada de pretensões tolas de que o trabalho foi cem por cento positivo. Já fazemos muito quando não atrapalhamos os dedicados companheiros da Espiritualidade Maior. não haverá nem bom nem mau. para a ajuda de que ele não pode prescindir. ela passou a recusar. tiremos de nossa cabeça a noção falaz de que o bom doutrinador pode dispensar a colaboração dos Espíritos Superiores. para as quais estava perfeitamente preparada. também incorporada. criando certo pânico na sessão. a sua surpresa. se e quando conseguir convencer. 47 Uma confreira. A humildade é necessária. Em trabalho mediúnico. Realmente. Se manifestamos a tola pretensão de dispensar-lhes a ajuda. É a partir do momento em que o turbulento manifestante de há pouco se converte em verdadeiro trapo humano. é certo. por sua vez. Se ele procura sintonizar-se com o mundo espiritual. precisamente. Tem. E. chegamos a outra faculdade necessária ao doutrinador: a humildade. daí a pouco estava. Suponho que. em breve. a faculdade mais comumente encontrada num doutrinador é. concordou em assumir o encargo. com freqüência impressionante. Mesmo naquele que não conseguimos demover de seus propósitos. pois temia que sua ostensiva mediunidade de incorporação interferisse com a boa marcha do trabalho. Claro que positivo. dedicando-se a outras atividades. Precisamos estar preparados para a derrota. Depois. Se não nos aproximarmos dele com humildade. qualquer solicitação para funcionar como doutrinadora. a sua informação. ele sempre o é. teremos realizado. se tivermos tido habilidade e tato. Ele vai precisar dela. esta via de comunicação bastará ao seu trabalho. o companheiro. para aceitar as ironias. mas com serenidade e sem remorsos. em muitos casos. para mostrar o seu poder e confirmar a sua vaidade e seu orgulho. pregando estranhas e confusas idéias. nem a sua vontade. Cada manifesta ção traz a sua lição. arrependido e em pranto. de vez que jamais impõem a sua presença. experimentada nas lides espíritas. que o doutrinador deve mostrar toda a sua compaixão humilde e o seu respeito pela dor alheia. em doutrinadores do doutrinador. em sentido genérico. tão nobres quanto essa. de seus enganos e de seus erros. com firmeza. Relutantemente. começou a sentir-se envolvida. que ser humilde no aprendizado. e não poucas obsessões pertinazes têm resultado dessa ingênua e perigosa imaturidade. com tristeza. a sementeira da verdade. estamos sempre aprendendo e nunca sabemos o suficiente. A princípio. com eficiência e oportunidade. por sua vez. por isso. a intuição. perdeu o fio da conver- sação e. ainda. agressões e impertinências dos pobres irmãos atormentados. com a abençoada mediunidade de cura. Não há bom doutrinador sem a colaboração e o apoio dos Espíritos mais esclarecidos. no seu coração. também. foi o que aconteceu. seus companheiros mais esclarecidos se comunicarão. para não assumir a atitude do vencedor que pisa na garganta do vencido. sentindo-se girar “como um parafuso” — disse ela —. Por ela. Ao iniciar a tarefa do diálogo com um Espírito manifestante. eles se afastarão. quando não conseguimos convencer o companheiro infeliz. contou-me que certa vez se encontrou ante a contingência de dirigir uma sessão de desobsessão. Com isto. pouco ou nenhum progresso conseguiremos realizar. porque o pretensioso ficará literalmente aniquilado pela obsessão ou pela fascinação de Espíritos ardilosos. Depois dessa experiência. De uma vez por todas. que se apresentam com nomes pomposos e se arvoram. Um dia — . Mais de uma vaidade tem sido explodida por causa disso.

quer dizer que precisamos admitir. não é discutindo Filosofia. só poderá estimular nele o desprezo por nós e pela nossa posição. É verdadeiro. da nossa parte. ou seja. mesmo. Humildade. nem semideuses. dão murros na mesa. perturbações. as honrarias que tantos buscam. em vez da paz interior. por parte das leis supremas. se a paga da dedicação ao irmão que sofre resultasse em sofrimento indevido e em punição imerecida. pois. E. sem ser temerários. a humildade. Não se ajustam em minutos de conversa. Coragem não é o mesmo que imprudência. Suponhamos que compareça. procuram intimidar e propõem-se a vigiar-nos implacavelmente. não de debates estéreis. às vezes. que vamos convencê-lo de seus enganos. em trabalho mediúnico. que se desenrolam diante de nós. Nem é essa a técnica recomendada. ocupou assentos em Academias. temos que ser destemidos. e de medíocre cultura intelectual. as armas da pressão. governam o Universo. Nada. fraternidade. de maneira tranqüila e segura: — Nada de temores infundados. E foi justamente o debate inútil e o vão filosofar que arruinaram sua vida espiritual. porém. aconteça acidentalmente. para consolidar a sua vaidade lamentável. Sofremos apenas aquilo que está nos nossos compromissos espirituais. Não contemos. enquanto a exibição inútil de precários conhecimentos filosóficos. os Espíritos violentos comparecerão possuídos de irritação. quando precisarmos reconhecer o potencial intelectual do irmão espiritual com o qual nos defrontamos. para conversar conosco. 48 não importa quando — ele vai lembrar-se do que lhe dissemos e conferi-lo com a realidade. ele dispõe de mais recursos do que nós. ameaçam céus e terras. porque nos colocaremos na faixa vibratória desejada por eles. provocar acidentes. que. ainda. Lembremos ainda uma qualidade: o destemor. nos quais facilmente nos vencerá. mesmo que o fôssemos. Não é no terreno dele que nos vamos medir. com o êxito total da conversão imediata e definitiva. ao amor. de aparentar o que ainda não somos. evidentemente. Não quer dizer que nos devamos curvar servilmente diante dele. enfim. Se nos deixarmos impressionar pelas verdadeiras cenas que fazem. pois. que não estamos em condições de superá-lo naquilo que constitui o seu ponto forte. Um pouco de humildade. Nesse campo. a atacar nossos pontos fracos ou fazer um cerco impiedoso em torflo de nossa família. Já disse alhures que. se cumpra. Muitos daqueles dramas. ou . Estariam subvertidos todos os princípios da Jus tiça Divina. Os benfeitores espirituais sempre nos advertem. seria indicada. das ameaças esbravejadas contra nós. Não somos super-homens. Seria injusto. como doença inesperada cm um de nós. Ele precisa de atenção. se assim fosse. E isso é muito freqüente. doenças. rancor e ódio. o levará a respeitar-nos também. O arsenal de ameaças é vasto. que lecionou em Faculdades. com ele. estaremos realmente perdidos. rendendo homenagens à sua inteligência e ao seu conhecimento. Fustigados pela interferência dos grupos mediúnicos em seus tene brosos afazeres. isso. ainda assim. com extrema sagacidade. de todos os Espíritos que nos são trazidos. arrastam-se há séculos. recebeu. O destemor é de extrema utilidade nas tarefas de doutrinação. e eles manipulam. para aceitar esses casos e continuar lutando. um Espírito de elevada cultura. É até possível que uma ou outra. e não em decorrência do trabalho de desobsessão. Humildade. respeito e sinceridade. Manifestam-se aos berros.

Procuramos. Isto. Não custa. As demais são desejáveis. Por outro lado. Os Espíritos amigos saberão dosar as tarefas. idealmente. Ao contrário) quanto mais apagado o seu trabalho. Autoridade moral. criticas: importantes também. O trabalho está sob a proteção de forças positivas e abençoadas. Que isso não desencoraje ninguém à responsabilidade do trabalho. as qualificações são. A proteção existe. e do doutrinador. porque os Espíritos atribulados. trazidos ao diálogo. Vigilância. o doutrinador é. Familiaridade com o Evangelho de Jesus. difícil. Humildade. Ainda voltaremos a este tema fascinante. usualmente. com ele se entendem e se desentendem. os riscos são muitos. com apoio insubstituível nos livros da Codificação Kardequiana. nitidamente ligado ao trabalho mediúnico. usualmente. Fé. mas não para dar cobertura à imprudência. ou com alguém da nossa convivência. senão impossível de ser atingido. . e nenhuma projeção especial o espera. para se vangloriar: — Eu não disse? Não tema. ou aptidões básicas: Formação doutrinária muito sólida. nem assim devemos nos desesperar e inti midar: estejamos certos de que estava já nos nossos compromissos. em geral. aqui. mas não tão Paciência. não significa que deve remos e poderemos deixar cair as guardas. * A longa digressão acerca das aptidões desejáveis a um doutrinador não deve necessariamente desencorajar aquele que pretende se preparar para a tarefa. Dificilmente um doutrinador reunirá tantos e tão grandes atributos pessoais. Em suma. segundo as forças e as possibilidades de cada grupo. como todo ideal. Tato. 49 em membro da nossa família. o organizador ou responsável pelo grupo. em particular: a prudência. Energia. mais eficaz e produtivo. Amor. à irresponsabilidade. siga em frente. bem como o seu porta-voz junto ao mundo espiritual. o doutrinador não pode deixar de dispor de cinco qualidades. Estejamos certos de que. Ele precisa saber que o trabalho é árduo. Se. anotar mais uma das aptidões necessárias ao bom desempenho do trabalho mediúnico. sem dúvida alguma. porém. um acontecimento desagradável realmente acontecer conosco. É nele que identificam a origem de seus problemas. na sessão seguinte. e mais: os recursos socorristas virão. o pára-raios predileto do grupo. pois. virá de novo o irmão infeliz. traçar um perfil ideal e. Sensibilidade. lançando mão de um acervo de experiências pessoais preciosas. rigorosas e numerosas. porém. É ele.

antes de prosseguir. Poderá ser o primeiro entre eles. deve o dirigente comportar-se como simples participante. No momento de tomar a decisão. Como é também o dirigente humano do grupo. sim. mas sem má-vontade contra qualquer um dos membros da equipe. estar consciente dessa responsabilidade e usar sua autoridade com muito tato. algo inquieto: — Mas é muito difícil ser doutrinador. cabe a ele suportar os ônus e as responsabilidades decorrentes.. sem paternalismos e preferências. a afeição. É verdade. Disciplina não é sinônimo de ditadura. como já dissemos. mas não e o maior”. 50 Destemor. para estimular a criatividade e a contribuição dos demais membros.. É. A essa altura. falta ainda abordar um aspecto final. Com respeito ao doutrinador. com o mesmo carinho e compreensão. Precisa despertar. sem abandonar a firmeza. para debater problemas ligados ao trabalho. certamente deverá ser o único a falar com os Espíritos. precisa. Quando o grupo reunir-se. nos seus companheiros. médiuns ou não. . dirá o leitor. Precisa tratar a todos. Prudência. a camaradagem e o respeito.

escrever páginas psicográficas. como quaisquer outros que integrem o grupo. o esforço constante de aprimoramento. dedicação. passem a funcionar como médiuns perfeitamente ajustados. as cansativas horas de exercício. Só excepcionalmente isso acontece. ainda que não manifestamente. Raramente a mediunidade eclode assim. e entregar-se ao mesmo aprendizado doutrinário e à mesma atenta observação a que cada um dos demais é submetido. fenomenologia espetacular. não imaginamos quanto trabalho preparatório foi necessário desenvolver. destinadas a abalar o mundo. Por outro lado. quantas dores. orientação e renúncias bastante sérias. dificuldades e desenganos. E é por isso. se não tem condições de “receber” Espíritos. paciência. São geralmente amigos e parentes de um ou outro membro. sem a menor noção de sua gênese e da técnica e adestramento que a sua confecção exigiu do artífice. 51 5 OUTROS PARTICIPANTES Um grupo mediúnico não se constitui apenas de um doutri nador e alguns médiuns já desenvolvidos e preparados para os seus encargos. cansativo. ademais. nos grupos de desobsessão. incertezas. Quem ouve o consumado virtuoso do piano. por assim dizer. o companheiro. sem mediunidade ostensiva. O grupo não se reúne para divertir-se com Espíritos. É como se contemplássemos um produto de apurado acabamento. para distrair aqueles que buscam nos fatos mediúnicos apenas a manifestação mais dramática. não oferece atrativos àqueles que não estejam preparados para a dedicação. até chegar àquele ponto. mas para servir e aprender. pois. e preces. Estão interessados num trabalho sério. sem escolher funções e sem buscar posições de relevo. renúncia. também trazem ao grupo a sua contribuição. que podem e devem participar. como as de efeitos físicos (materializações. contínuo e disciplinado? Acham-se apenas impulsionados pela curiosidade passageira? Integram-se bem no grupo. quanta vigilância. inacabadas. Não apresenta. através de um médium perfeitamente ajustado. esforço concentrado. Tais participantes merecem atenção e cuidados. toscas e primitivas. Não esperemos reve lações extraordinárias. levitação e outras). a exigir estudo. facilmente é levado a esquecer os longos anos de aprendizado. espontânea e fulminante. respeitados o limite numérico e a qualificação pessoal anteriormente referidos. que muitas mediunidades ficam. como obras que o artista não teve suficiente . nem convívio com os Espíritos redimidos. mantendo boas relações de amizade com os demais componentes? Estarão dispostos a contentar-se com uma tarefa aparentemente inútil e apagada? O trabalho. ou de um dos instrutores anônimos do Mundo Superior. exige dedicação. transportes. muitas vezes penoso. Muitos buscam aderir aos grupos na esperança de que isto aconteça e. pode deixar-se envolver pela frustração. Nada disso. também. pronta e afinada. É necessário estudar bem e discutir com franqueza as suas motivações. Quando assistimos àmanifestação de um Espírito sofredor. sem mediunidade ostensiva. ver ou ouvir os companheiros desencarnados. A norma geral é o desabrochar lento. que fiquem à nossa disposição. de uma hora para outra. nem comunicações de Espíritos luminosos ou célebres. Há sempre outros companheiros. e sentem-se atraidos pelo trabalho. ou companheira. Devem obedecer à mesma disciplina. para responder a qualquer pergunta ou fazer qualquer favor. O trabalho é muito mais humilde.

nem mesmo desejável. ao presenciarmos o suave fluir de uma bem treinada mediunidade. e ao longo dos anos. então. sob supervisão de alguém mais experi mentado. mas nosso apreço. e por ele orientados darão passes nos médiuns. se tiverem desejo de servir e pureza de intenções. Ainda que inconscientemente. após comunicações particularmente penosas. é comum desenvolverem-se nesses companheiros preciosas mediunidades. como se o membro do grupo fosse mero espectador. como “dínamo de vibrações amorosas”. muitas vezes têm papel importante no grupo. Quase sempre podem também ser muito úteis como médiuns de passes. lhe é devido. A juízo do dirigente. ao contrário. nosso respeito pelo médium. começa a ensaiar-se timidamente a faculdade. e prestam serviços relevantes de apoio. para experimentar-lhes a paciência e a tenacidade. manifestemos. na captação de uma ou outra palavra ou intuição. indistintamente. Esses recursos eram amplamente utilizados no trabalho. Ele trabalhou muito e lutou muito para que assim fosse. Neste caso. tão necessária num grupo de trabalhos práticos. Portanto. o que é falso. este sim. uma atitude construtiva e disposta à cooperação. Se estão bem entrosados com as demais pessoas e mantém atitude construtiva. 52 dedicação e tenacidade para concluir. da mesma forma que o espírito Crítico. de que estava pleno o seu coração. . por acharem que nada estão fazendo no grupo. intimamente. que se acham apenas em potencial. psicografia ou vidência. Com o decorrer do tempo. poderão incumbir-se da nobre tarefa do passe reparador. ou de fria observação. fornecendo recursos vibratórios de alto valor. um dos Espíritos que se incumbiam da orientação do grupo afirmou que. nem de elogios balofos que o percam. Deixem aos operadores desencarnados a incumbência de decidir quanto à utilização dos recursos de cada um. numa rápida vidência. Há condições para desen- volvê-la harmoniosamente. Os nossos instrutores espirituais estão cansados de insistir em que todos os recursos humanos colocados à disposição do trabalho são aproveitados. aliviar aflições residuais deixadas pelas vibrações dolorosas do manifestante em desarmonia. Serão. tive oportunidade de verificar casos específicos de atitudes assim. sem que ela tivesse consciência do fato. Sua participação é desejável. sejam médiuns. questionou a validade da sua presença no grupo. aqueles que não dispõem de faculdades para incorporação. dispensáveis os componentes do grupo que não ofereçam condições mediúnicas? Não. tal pessoa nos prestava excelentes serviços. Por mais de uma vez. em qualquer circunstância. quando o companheiro. a fim de ajudá-los no reequilíbrio de suas energias e. A atitude negativa acarreta dificuldades e desarmonias que prejudicam seriamente as tarefas mediúnicas. É muito freqüente ouvirmos desses companheiros uma palavra de desânimo e desinteresse. contribuem para a concentração das mentes no clima de segurança e de harmonia. A um desses. Não é necessário que todos. ou a companheira. em período de expectativa e de provas. dado que praticamente todos os seres humanos dispõem dessa condição em potencial. Nada de ciúmes pelo que ele faz. Além do mais. Dizem que o gênio é dez por cento inspiração e noventa por cento transpiração. a mediunidade talvez guarde relação semelhante. Podem ainda Contribuir para a fluidificação da água. Os companheiros sem mediunidade ostensiva precisam convencer-se de que devem manter.

e. porém. precisa estar preparado para a eventualidade de conviver com o grupo por longos anos. pelo menos. Nenhum fenômeno. Não pense. constituído de pessoas que muito se estimavam e se mantinham bem afinadas. nenhuma forma de mediunidade. . uma experiência pessoal. Tenho. senão de muitos. como já ensinava Paulo. deixaria de ser parte do corpo. Esse grupo. Não se aflija se a sua contribuição é menos ostensiva. atenção e vigilância interior. onde ficaria o ouvido? E se fosse todo ouvido. não pertenço ao corpo”. todos são úteis e necessários. Sentava-me entre os companheiros. por certo. D fará as preces de abertura e encerramento. ou mesmo desejar. as tarefas foram distribuídas por uma espécie de consenso geral: A. ainda não esta mos preparados. contribua para manter um bom ambiente de vibrações amorosas. porque nos esforçávamos por manter a harmonia. Mantenham-se em calma. nem mesmo uma palavra perdida. Conserve-se firme e tranqüilo. Como o grupo não tinha uma liderança clara e específica. que então nos procuravam. que poderão ser cultivadas e aproveitadas. O participante. sem açodamento ou excitação. disse aquele que estava com a palavra: — Só você falará com os Espíritos. Se o pé dissesse: “Como não sou mão. venham a manifestar indícios indubitáveis de excelentes faculdades. que poderíamos fazer melhor a nossa tarefa. no entanto. versículos 14 e seguintes) — o corpo não se compõe de um só membro. a rigidez de uma disciplina mais rigorosa. só porque não incorpora. tomamos algumas decisões mais drásticas. que é inútil. meu Deus! Aos irmãos aflitos e desarmonizados. 53 Quanto ao mais. e. por isso? Se todo o corpo fosse o olho. A tudo ouvia. não tinha. Sentíamos. ha tantos séculos: . B e C se limitarão às suas respectivas mediunidades. porém. porém. ao sabor dos acontecimentos. O aprendizado dos tempos em que fiquei como simples observador revelou-se precioso. E. com sabedoria e bom senso.Com efeito — dizia ele aos Coríntios (Primeira Epístola. de ambicionar. ou a fugaz visão de um companheiro desencarnado. sua participação é preciosa. não vê ou não ouve Espíritos. não pertenço ao corpo”. antes da reunião. permaneça concen- trado e em prece nos momentos mais críticos. acompanhando com interesse as instruções e observações dos nossos benfeitores desencarnados. vigie seus pensamentos. sem que nenhum fenômeno ostensivo se passe na intimidade de seu ser. por isso? E se o ouvido dissesse: “Como não sou olho. É possível que. O dirigente do grupo deverá ter sensibilidade bastante para identificar os indícios e acompanhar cada caso individual. uma noite. pois. Vários dos seus componentes conversavam com os Espíritos. deixaria de ser parte do corpo. Num grupo bem harmonizado. Senti um “frio por dentro”. Estudem e observem. capítulo 12. ainda que thnidamente e sentindo cuidadosamente o difícil terreno em que pisava. com o tempo. que eu tivesse captado. faculdades para as quais não estamos preparados. procurava portar-me com respeito. participando dos dramas e aflições dos irmãos desarvorados. comecei a tarefa que me fora atribuida procurando corresponder às esperanças daqueles que ma concediam. voltando-se para mim. às vezes. ou. Eu? Que diria. sem saber ao certo o que fazia. Os resultados eram bons. onde ficaria o olfato? Nada. Durante vários anos freqüentei um grupo mediúnico. tenham paciência e portem-se com humildade e respeito. sob este aspecto.

muitas vezes. não perdemos o tempo. mais ostensiva. por outra. ofertando O Pouco de que dispomos: alguém se beneficiou mesmo com esse pequeno óbolo da viúva. aquele que souber um pouco. Não somos julgados pelos resultados. pois em questão de mediunidade precisamos ser humildes e sensatos para admitir que não sabemos tudo. Cada caso é diferente. E se não chegar o dia de uma participação mais dinâmica e efetiva. ou. utilize seus conhecimentos de maneira construtiva. O dirigente do grupo deve estar bem atento a toda e qualquer contribuição dessa natureza. Este episódio é aqui documentado. 54 E foi assim que. sempre disposto a aprender mais. estimulando-a com interesse. assisti-lo no esclarecimento de dúvidas. sendo imperceptivelmente preparados e testados para responsabilidades futuras. sem colocar-se na Posição de mestre infalível que tudo sabe. mas. cada manifestação é diferente. longe disso. a atestar a infinita capacidade criadora dAquele que nos formulou no seu pensamento e nos deu forma. vida e consciência. . procurando ajudá-lo. estamos. apenas para enfatizar a circunstância de que. Colocando à disposição do companheiro sua experiência e orientação. me achei investido de uma responsabilidade que nem suspeitava me seria conferida. creio que Correspondi à confiança que em mim depositaram. como me conservaram no posto pelo resto do tempo em que o grupo funcionou. oferecendo sugestões. inesperadamente. uma vez que cada um de nós é um ser diferente. estudando junto com ele (ou ela) as dificuldades da tarefa. Não Posso dizer se dei boa conta dela. não importa. a reaprender. no grupo. Esperemos com paciência. mas pela boa-vontade que evidenciarmos. a rever pontos de vista.

que. embora desgovernados. porém. ela não é necessária à tarefa que nos incumbe junto aos obsidiados que buscam o socorro de um grupo mediúnico. e a nós. com freqüência. Basta dizer ao interessado que não é necessária a sua presença física. Sei que alguns dirigentes de grupo objetarão a esse radicalismo. julgo. sem introduzi-los no seu ambiente de trabalho. outros na esperança de se deixarem convencer. ou seja. nos são muito caras. Assim. Uns por mera curiosidade. seja de males orgânicos. Mais do que desnecessária. Não é a presença física deles. ou de se manterem na sua vaidosa e tola descrença. rancorosos e violentos. Também não se torna necessário descer a pormenores explicativos e justificativos dessa atitude. como a obsessão. não como norma de procedimento O grupo pode perfeita mente assistir os companheiros encarnados sob as provações da obsessão. Sabemos que esta reserva é quebrada. pode provocar incidentes e dificuldades insuperáveis. do que arriscar-se a pôr em xeque a harmonia e a segurança da tarefas. O certo. é que não estaremos recusando ajuda simplesmente por não concordarmos com o eventual comparecimento de alguém aos trabalhos do grupo. em caráter permanente. Sob condições normais. Ainda que aqueles que solicitam nossa ajuda interpretem a recusa como falta de caridade. na imensa maioria dos casos. Os motivos são muitos. não havendo necessidade de correr riscos indevidos. Na minha opinião. ante a partida de pessoas queridas. certamente relevantes. a presença de pes soas perturbadas. grupos que contem com excelentE cobertura espiritual poderão admitir essa prática. para que o trabalho seja feito. em muitos grupos. Os benfeitores espirituais dispõem de recursos mais seguros e eficazes para isso. essa presença pode causar consideráveis trans tornos. seja a qualquer pessoa que se apresente. em vários anos de prática. são também médiuns. muitas vezes. é bom repetir. O que acontece é que pessoas sob o domínio de obsessores implacáveis e vingativos. mas. apresentam inva riavelmente um componente mediúnico. seja a um público reduzido e selecionado. a não ser que os responsáveis espirituais pelo trabalho recomendem taxativamente a presença da pessoa. no ambiente em que se realisam as sessões. junto ao grupo. nos trabalhos de desobsessão. enquanto outros adotam a prática de abrir suas portas. seja de desarmoniza ções espirituais. . isso deve ser tormalmente evitado. no ambiente onde se desenrola o trabalho me diúnico. somente em casos excepcionais se justifica a presença de pessoas estranhas ao grupo. porém. que vai facultar ou fácilitar a tarefa. estados de angústia ou de desespero. Pelo menos é essa a experiência que tenho tido. sabemos que assim não é. É preferível pecar por excesso de rigor. ou ausência de espírito de colaboração. desajustados e ignorantes de suas fa culdades e Possibilidades. custa recusar pedidos de ajuda a pessoas que. outros na expecta tiva de uma cura. deve ser preservada a intimidade do trabalho mediúnico. espíritas. E não é mesmo. como regra geral. 55 6 OS ASSISTENTES Dificilmente um grupo mediúnico deixará de ser procurado por pessoas que desejam assistir aos seus trabalhos. ao contrário. Em casos excepcionais.

Nestes casos. Ou então. para informar-se do assunto. há sempre razões respeitáveis. designando..” (Destaques meus. O trabalho mediúnico.” E mais adiante. ou um doutrinador especial. em dia e hora previamente combinados. não. de que o grupo não disponha no momento. será justo tê- lo nessa conta. Somente em condições muito especiais. pelo atendimento aos sofredores desencarnados. Pode ser. em problemas de outras pessoas. Há algum tempo. se dispuser de cobertura e consentimento expresso dos benfeitores espirituais. encarnadas ou . se o grupo não estiver muito bem preparado para essa responsabilidade. a formação de um pequeno grupo mediúnico. nem exibido. começou a observar. Pode ser. precisamos considerar que. deverá fazê-lo. e a solicitar livros. Não que o grupo mediúnico seja uma sociedade secreta. na página seguinte (76. excepcionais mesmo. estaria havendo dificuldade em atrair o Espírito a ser tratado. Ao observar que os trabalhos enveredavam. os Espíritos orientadores solicitarão uma sessão especial. em seu próprio lar. algumas sessões. de sigilo. como regra geral. o obsidiado. hermética. Por esse motivo (compromissos do passado). um amigo a quem muito respeito e admiro. Pode ser que o tratamento exija certos tipos conjugados de mediunidade. é um Espírito endívidado a redimir-se. pelas nobres qualidades de caráter e cultura. facilmente introduzirá nele um fator de perturbação e desequilíbrio. Esses casos serão previamente selecionados pelos mentores do grupo. contudo. Em suma: a meu ver. Pedro traz consigo aflitiva mediunidade de provação.. número maior de médiuns. com um caso especial. 56 No livro “Nos Domínios da Mediunidade”. interferir no fluxo normal do trabalho. a distáncia. porque é da sua essência uma atitude de recato. quando um dirigente espiritual de nossa confiança propõe que o trabalho seja feito à parte. Isso. não é para ser divulgado. passou a assistir. de discrição. na condição de médium desgovernado. me fez uma pergunta perfeita mente válida: Você não acha que existe aí um problema ético bastante grave? Queria referir-se. mas. também. Enfim. não poderia ser realizada sob as condições normais. ainda. quem dela deve participar. como acontece com freqüência. da 6ª edição da FEB): “. Sem ser espírita. do grupo. como médium: — “Pela passividade com que reflete o inimigo desencarnado. como. sob o domínio de rancorosos obsessores ou possessores. mas. o grupo mediúnico não deve permitir a presença de pessoas estranhas às suas tarefas. que seja necessária a presença de determinada pessoa encarnada. Hilário pergunta ao Instrutor se deve considerar o doente. ou possesso. até ó local onde habitualmente se realiza a sessão. que não desejem. nessa hipótese. com a qual desejam pôr o Espírito manifestante em contacto direto. e aqueles que apenas desejam “assistir” aos trabalhos? Devem ser admitidos? Na minha opinião. a sessão exige tais cuidados que. antes de ser um médium na acepção comum do termo. por nome Pedro. ou de recursos outros. por exemplo. especialmente o de desobsessão. obviamente. mas dotado de curiosidade intelectual e pragmatismo. ainda. como espetáculo público. às interferências voluntárias ou involuntárias.) Assim. que poderá trazer sérias complicações. esotérica e misteriosa. Evidentemente. e não integrado na equipe que constitui o grupo que se incumbe de socorrê-lo. como explicou mais adiante. no que diz respeito a pessoas perturbadas. narra André Luiz o tratamento de um caso de possessão. e nem sempre conhecemos as razões pelas quais assim decidem.

suas angústias. adorará a Deus. ou vítima. por conseguinte. será convencido por todos. dava-se o fenô meno da indiscrição de espíritos afoitos. Dizia ele que meu irmão estava presente. com relação a essas im- piedosas indiscrições. 57 não. Por isso. confessando que Deus está verdadeiramente entre vós. que eu aperto mais o laço. É certo. e o problema. Todos nós estamos em posição vulnerável. não é? Graças a Deus. versículos 24 e 25 —. com poderosos recursos de hipnotizador. ou revelação acerca das fraquezas alheias. que põem à mostra aspectos de nossa pobre pessoa. no desespero angustioso de me ferir. e aparentemente dirigindo-se a ele. e ao trato das revelações de caráter íntimo. um companheiro. porque muitos dos que se acham mais fortemente entrinc heirados nas suas descrenças e revoltas precisam de um impacto maior para desalojarem-se do seu Comodismo ou de sua vaidade. infelizmente. que ele chama de infiel. (1) Ao que se depreende do texto. Ou. Os segredos de seu coração serão descobertos e. prostrado de rosto ao solo. E voltando-se para mim: — Ele gostava de tomar umas e outras. não podemos no entanto. ou não-iniciado à crença e ao reconhecimento da presença de Deus entre os primitivos cristãos. Paulo. sem dúvida. perder de vista o fato de que a norma é o respeito à intimidade alheia. que ora me trazia? Felizmente. realmente que o diálogo com os Espíritos que se arvoram em cobradores de faltas alheias traz revelações e informações que devassam a intimidade alheia. Não é para ser proclamada. Uma ocasião. como disse é válida. sob seu domínio. trouxe ao nosso grupo o Espírito de um irmão meu. essa informação é recebida com reserva e. antiqüissimo. A pergunta. por mais clamorosos que sejam. e entra um infiel. Dei-lhe razão. provavelmente sob a influência obsessiva de algum antigo comparsa. Paulo dá o nome de profeta ao médium de Incorporação ou Psicofônico. Uma vez mais. que ocorrem no andamento dos trabalhos mediúnicos. que desejaríamos continuassem em segredo. com redobrado respeito e discrição. Quem sabe se do próprio. dizia: — Não tente escapar. à experiência e à sabedoria do nosso amado Paulo: — Pelo contrário — escreve ele. no seu pragmatísmo via no caso o seu aspecto positi vo. julgado Por todos. nem o tenha trazido. na Primeira Epístola aos Coríntios. Quando. divulgada ou comentada. desencarnado recentemente e ainda em difíceis condições de desajus tamento no mundo espiritual. não me deixei Impressionar. na desesperada tentativa de desarmonizar-me. Sim. nem mesmo na intimidade da equipe de trabalho. o de levar o descrente. capítulo 14. Já naqueles recuados tempos. se verdadeira. meu irmão atormentou-se com o vicio do álcool. mas apenas imaginado o episódio como estratagema. o ardil não produziu os resultados . precisamos estar preparados para que tais revelações não nos apanhem de surpresa e não nos atinjam de maneira a desequilibrar-nos. E isto é legitimo e proveitoso. se todos profetizam (1). OU não-iniciado. ou seja. talvez. Voltemos. no decorrer do trabalho mediúnico surge uma denúncia. com relação aos segredos da intimidade alheia. com todas as suas fraquezas. seus desenganos e seus erros.

também. mas é evidente que a sua presença desregulou qualquer coisa imponderável e acarretou a necessidade de cuidados adicionais. Depois dessas duas experiências. e isso nem passaria pelas nossas mentes. se há estranhos na sala. ele não contribuiu para dificultar-nos o curso do trabalho. Sentou-se em uma cadeira à parte. mesmo abstraindo essas ocorrências mais graves. todos se estimam e se respeitam. e lá ficou. em circunstâncias semelhantes. Talvez alimentasse ele a esperança de uma noticia acerca da esposa ou. tratava -se de um colega de trabalho de dois dos membros do grupo. Por duas vezes quebramos. com uma jovem a quem concedemos permissão para assistir aos trabalhos. se o grupo está bem ajustado e integrado. quem sabe? até uma palavra dela mesma. e ele estava profundamente abalado. é a regra. em silêncio e em atitude respeitosa. Não havia problemas particularmente graves com essas pessoas. e que causava inegável obstrução ao fluxo normal das tarefas da noite.. imposta pela disciplina e pela segurança da tarefa. De modo que. Esse aspecto negativo repetiu-se. mas. graças a Deus. Embora não-espírita. A conversa prolongou-se por muito tempo e extravasou para outras sessões. portanto. para que a sessão pudesse realizar-se. algumas experiências nesse sentido. que nem sempre épossível corrigir com facilidade e rapidez. em um grupo mediúnico. que vai desequilibrá-lo. mas eles se arrastaram dificultosamente. o problema se torna bem mais sério. por parte de nossos benfeitores. a não ser os componentes regulares da equipe. A instâncias de um dos nossos companheiros. A introdução de um estranho causa certo desajuste. e partiu arrependido e em pranto. com as mesmas características. conscientemente. que não conseguimos vencer. sua presença não impediu a realização dos trabalhos da noite. É certo que. de não admitir pessoas estranhas às ta refas. havia grandes hiatos entre uma manifestação e a seguinte. não podemos ignorar que há um clima de sintonia espiritual entre os que participam de trabalhos mediúnicos. Num caso. O companheiro acabou se convencendo. . tanto entre os encarnados como entre estes e os orientadores desencarnados. Tive. e parecia pairar no ar certa dissonância. em estado de angústia. Na verdade.. a regra que havíamos estabelecido. encarava com simpatia nossa Doutrina. não é a leviandade de um pobre Espírito. Essa. fora do círculo que compunha a mesa. Por outro lado. voltamos à rígida política de não admitir ninguém. e nem as movia a simples curiosidade. 58 que ele esperava. resolvemos concordar com seu comparecimento a uma das sessões semanais. Sua esposa desencarnara relativamente jovem.

Se alguém destoar. é preciso dispensar o companheiro que traga para dentro do grupo o fermento da dissidência. mas estejamos sempre conscientes de que nenhum trabalho de equipe se realiza sem um mínimo de ordem. A disciplina e a coesão da equipe devem ser mantidas serenamente e com firmeza. que pode neutralizar as melhores intenções e provocar até a desagregação da equipe. aos companheiros desarvorados do mundo espiritual. A disciplina deve ser consciente. A admissão de um novo componente pode alte rar profundamente a estrutura e os métodos de . Nada. do grupo. para que todos possam trabalhar de espírito desarmado e tranqüilo. deve ser afastado. Não contemos. porém. a mesma atitude. em caráter permanente. se for o caso. Guardemo-nos de imitar essas formas de disciplina brutal e cruel. de início. Por mais que nos pese. pois. é necessário um exame bastante criterioso. Como nos portarmos diante das solicitações de adesão aos nossos trabalhos? Sempre haverá um parente. ou amigo que. O problema é nosso. Respeitemos esse ponto de vista e não tentemos forçá-los a dizer o que não pretendem. que a decisão final deverá resultar de um consenso geral dos componentes do grupo. dos que estão do lado de cá da vida. para ajudar a decisão. digamos terrenos. em diferentes grupos. Como se faz isso? É preciso considerar. a ponto de introduzir um fator de perturbação. Devemos admiti-lo? Em primeiro lugar: se já atingimos o número de componentes inicialmente fixado como o máximo desejável. Se ainda não alcançamos o número prefixado. recusam-se a dar ordens ou decidir se um novo companheiro deve ser admitido. em grupos responsáveis. Os benfeitores espirituais. das qualificações e intenções daquele que se oferece. Se os componentes do grupo não se entenderem. o anverso da medalha. mas não parece necessário esmiuçá-lo mais. Há. A experiência indica que. da indisciplina. evitando. com uma palavra decisiva dos companheiros desencarnados que nos orientam. o exemplo da soli dariedade e da compreensão? As organizações espirituais geradas e mantidas na sombra podem ter inúmeros defeitos. e por mais que relutemos intimamente. por parte dos amigos espirituais: o problema era nosso. tanto quanto possível. porém. como poderão oferecer. preparados para enfrentá-lo. da inquietação. Estejamos. de espionagem e de regras policiais. tomando conhecimento da nossa atividade. Não creio que o assunto esteja esgotado. ainda que bastante credenciados. franco e leal. mesmo consultados. Nas diversas vezes em que me vi diante do problema da admissão de um novo membro. ou se outro deve deixar o grupo. 59 7 RENOVAÇÃO DO GRUPO Já discutimos ligeiramente o problema da exclusão de algum participante do grupo mediúnico. mas são implacavelmente disciplinadas. Em qualquer caso. deseje participar do grupo. dirigidos por Espíritos discretos e esclarecidos. podemos considerar a possibilidade. que predomine a imposição ou a simples vontade de um só. encontrei sempre. não podemos cogitar de receber mais companheiros. de perseguições. as deliberações quanto aos negócios. são deixadas aos encarnados. temporária ou definitivamente.

e só então. de início. às quais ele deverá subordinar-se. mas pode ser que o grupo tenha razões para agir da forma que. e desapaixonadamente. precisa de tato e bom senso ao apresentá-la. se os julgar oportunos e aplicáveis. revitalizando o grupo. mal-humorado? Que tipo de trabalho pretende realizar? É médium? Que faculdade mediúnica tem em desenvolvimento ou já desenvolvida? Tem conhecimento teórico da Doutrina? Relaciona-se bem com as pessoas? Se essas e outras inúmeras indagações forem atendidas satisfatoriamente. disciplinado? Ou agressivo. e dar impulso às tarefas. deve ter suficiente equilíbrio e bom senso para recuar ou aguardar outra oportunidade. ou ela. Sua presença não deve ser impingida sob condições. poderá. de preferência. nem insistir na sua admissão a qualquer preço. Se nos convencermos de que ele. com a intenção de melhorar o trabalho. ao dirigente do grupo. leal. O candidato não deve impor condições. Que tem ele a oferecer? Qual a sua experiência em outros grupos ou em tarefas semelhantes? Qual o seu tipo de personalidade? Ajustado. É possível que a sua sugestão seja acolhida. de que o grupo lhe oferece as condições que ele entende como necessárias e desejáveis. se o forem. trazendo uma contribuição construtiva. está mal preparado. Certo. ou seja. e o que se espera dele. pois. Juntar-se a um grupo para tirar partido. não é estar pronto para trabalho de tanta responsabilidade. as suas credenciais. com sua influência. Nada de processos iniciáticos. em particular. ou se deseja brilhar. Suponhamos que seja admitido. O novo companheiro pode trazer um bom acervo de conhecimento ou de experiência. Não se magoe. Se tiver alguma contribuição positiva a fazer. Apreciemos o problema. tanto num sentido. Deve procurar integrar-se no trabalho. Cabe-nos. fechado. de rituais de “batismo”. será considerada a possibilidade de recebê-lo no grupo. como os demais membros. tranqüilo. tanto para o lado positivo como para o lado negativo. . de simbolismos. do ponto de vista do candidato. observando tudo sem espírito crítico negativo. o que lhe competirá fazer na equipe. agora. Neste caso. Será debatida com ele a natureza do seu encargo. as condições dc trabalho. crítico. porém. sem desejo de aferir virtudes e defeitos alheios. deve certificar-se de que está disposto ao trabalho construtivo e disciplinado. ou seja. também. Se. examinar com serenidade. é só apresentá-lo aos demais companheiros e começar o trabalho. dinamizadora e eficiente. também com franqueza e serenidade. Mantenha-se discreto e tranqüilo. Se perceber que sua adesão é inoportuna ou mesmo indesejada. bem integrado e formado de pessoas que se estimam e se respeitam? Mais ainda: ele deve ter o que dar. com habilidade e na oportunidade adequada. Se deseja participar das tarefas de determinado grupo. está em condições de integrar-se na equipe. Faça-o. para buscar vantagens e privilégios. ou infestado de frustrações. como noutro. pode ter-lhe parecido suscetível de correção. ainda que não indesejável. deverão ser expostas a ele. Aguarde o amadurecimento de suas impressões e a sua perfeita sintonização com os demais companheiros. Aja com prudência. não se vanglorie. aniquilar o grupo. se não forem acolhidos. 60 trabalho da equipe. mas não deixe de expressar seus pontos de vista. É um grupo sério. apoiado em boa base doutrinária. de vestimentas especiais ou cerimônias de qualquer natureza.

. Empenhemo-nos em aprender com os nossos próprios erros. e nada mais do que isso. Ouçamos com atenção as recomendações e as sugestões dos dirigentes espirituais da tarefa. como Espíritos em desequilíbrio — nos trazem contribuições importantes que. Precisamos ter a coragem e a humildade de abandonar práticas inadequadas e adotar novos métodos. e a prática decorrente do trato com os nossos companheiros desencarnados — tanto instrutores e orientadores. exatamente aqueles pontos sobre os quais cometemos nossos piores erros. E se estamos sinceramente dedicados ao progresso espiritual. inacessíveis. tão cedo quanto possível. aconselham correções e reajustes no método de ação. 61 Para resumir: os trabalhos mediúnicos devem ser realizados em grupos fechados. Tem que haver espaço para a renovação de pessoas e de métodos. para nunca mais esquecer. aqui e ali. pois são eles que fazem baixar a nota das nossas provas. inabordáveis. desejamos com todo o interesse o certificado de conclusão do curso. quando os antigos se revelarem insuficientes ou impróprios. mas não herméticos. promovidos à admissão na próxima escola que está à nossa espera. O próprio estudo. aprendemos mais e melhor. Como estudantes que somos. a fim de sermos.

É da lei universal da fraternidade que todos se apóiem mutuamente. porém. um grupo deles se mantinha irredutivelmente fixo nas suas angústias. muito bem estudado. Os resultados podem não ser espetaculares — e geralmente não o são mesmo — porque os companheiros incumbidos da nossa orientação ainda estão trabalhando nos ajustes e nos testes. no artigo intitulado “A Doutrinação: variações sobre um tema complexo”. Em casos como esses é necessário. imersos em lamentável estado de inércia men- tal. em contacto com o ser humano encarnado. e nem seria esta a finalidade de um grupo que se prepara para a difícil tarefa da desobsessão. profunda e inexorável. Uns tantos desses. Inseguro e temeroso diante da dor que ele sabe ser aguda. a três ambientes distintos: o hospital propriamente dito. É certo. tanto quanto desafetos e obsessores em potencial ou em atividade. para chegarem à paz interior. pois. ou seja. recorrer à terapêutica da . Tornara-se. A despeito do desvelo e competência dos técnicos e mentores da organização espiritual especializada no tratamento dos suicidas. É sempre um momento de emoção a primeira reunião mediúnica de um grupo. que somente podem ser desenvolvidas com o concurso da mediunidade. Falemos primeiro dos irmãos que vêm nos ajudar a servir. Em “Reformador” de fevereiro de 1975. quase sempre.OS ORIENTADORES Sempre que um grupo de pessoas se reúne para trabalho de natureza mediúnica. Não vamos conviver apenas com aqueles que vêm para ajudar-nos. urgente despertá -los para a realidade que se recusavam. amigos e guias. é raro que tenhamos conhecimento da natureza do trabalho que pretendam realizar conosco. Enquanto alguns se acham à nossa frente. apenas distribuídos em diferentes estágios evolutivos. semi-inconscientes. o Espírito culpado se aliena. Os casos estavam distribuídos. 62 8 OS DESENCARNADOS . “permaneciam atordoados. que eles já dispõem de um plano. que devemos à abençoada mediunidade de Yvonne A. lembrei os preciosos esclarecimentos colhidos no livro “Memórias de um Suicida”. Todos nós temos. Se o grupo já dispõe de um ou mais médiuns desenvolvidos. Teremos que aprender a trabalhar com ambos os grupos. Tornara-se imperioso encontrar um grupo de médiuns em condições de socorrerem Espíritos de suicidas: “Chegara a um “impasse” o processo de recuperação. no mundo espiritual. um grupo correspondente de Espíritos se aproxima. que é o reino de Deus em cada qual. segundo sua natureza. Pereira. Trata-se aqui de um conhecido mecanismo de fuga defensiva. porém. Além disso. o isolamento e o manicômio. Os Espíritos sempre nos dizem que precisam de nós para determinadas tarefas. incapacitados para quaisquer aquisições facultativas de progresso”. a enfrentar. na esperança de pelo menos adiar o momento duro e fatal do despertamento. Nessa altura. companheiros. compatível com as forças e possibilidades dos trabalhadores encarnados. como o maestro competente que verifica se todos os instrumentos estão perfeitamente afinados. não podemos esquecer-nos de que somos todos irmãos. outros nos seguem um passo ou dois atrás. por terem caminhado um pouco mais do que nós. é certo que um Espírito amigo se manifeste. para as primeiras palavras de estímulo e encorajamento. mais inconsciente do que conscientemente.

) Por aí se vê que os nossos grupos e os nossos médiuns se acham meticulosamente catalogados nas organizações do Espaço. dentro do Evangelho do Cristo. pois. O Espírito precisa retomar a sua marcha e o recurso empregado com maior eficácia é o do choque. Habituados a tais vibrações mais grosseiras. Espíritos desarmonizados informaram-me que estávamos sendo rigorosamente observados e estudados. Não sabemos.” É para esse trabalho que os mentores espirituais solicitam o concurso dos encarnados. um Espírito. como preliminares à tarefa mediúnica propriamente dita. não obstante. à sua equipe invisível e recomendava: — Gravem isto! Ou então: — Gravaram aí o que ele disse? Não alimentemos. num esforço considerável de automaterialização. disposto a amar . conduzidos no mundo espiritual. escorado na Doutrina Espírita. Poderíamos dizer que cada grupo tem os guias e protetores que merece. a que o autor de “Memórias de um Suicida” chama de “revivescência de vibrações animalizadas”. dirigia-se. mostravam-se eles inatingíveis aos processos mais sutis de que dispõem os técnicos do Espaço. “Memórias de um Suicida” nos fala dos longos e cuidadosos preparativos. Nossos menores gestos e palavras eram como que filmados e gravados para exame e debate. nas cúpulas administrativas do mundo das sombras. em seguida. Se o grupo empenha-se em servir desinteressadamente. Contamos com a ajuda e o apoio de companheiros bem esclarecidos e competentes. que se torna. a fim de melhor nos conhecerem e poderem planejar a estratégia a ser usada contra nós. e as qualificações exigidas. pois. de quando em quando. Sem dúvida alguma. de que os orientadores espirituais do grupo somente nos trarão encargos que estejam ao nosso alcance. Para que fossem tocados na intimidade do ser. não entendiam a palavra dos mentores e nem mesmo os distinguiam visualmente. ilusões. 63 mediunidade.” E mais adiante: “Verifica-se a existência de grupos em Portugal. “Na Seção de Relações Externas — prossegue o mencionado artigo de “Reformador” — são consultadas as indicações sobre grupos espíritas que possam oferecer as condições desejadas para o delicado trabalho. mais tarde. são examinadas as “Fichas espirituais dos médiuns” que compõem os grupos sob exame. para as tarefas que desempenham junto a nós. mas precisamos oferecer-lhes um mínimo de condições. que tipo de tarefa nos será atribuida. Decide-se por este último e. podemos estar certos. era preciso alcançá-los “através da ação e da palavra humanas -Como estavam. como vimos. insubstituível. Por várias vezes tive a oportunidade de testemunhar pessoal-mente essa realidade. Convém acrescentar que registros semelhantes — obviamente para outras finalidades — existem também nos redutos trevosos. na Espanha e no Brasil. são rígidas. São enormes as responsabilidades desses amigos invisíveis. Certa vez. em muitos casos.” (Destaque desta transcrição. por mais que estes reduzissem o seu teor vibratório. ao iniciar uma atividade mediúnica. particularmente agressivo e desesperado. já estudaram nossas possibilidades e intenções. É preciso localizar um grupo que ofereça as condições de segurança e amparo de que necessitam os Espíritos transviados.

com nomes desconhecidos. colocar as questões. mas para dar-nos a solidariedade do seu afeto. talvez. de forma alguma. Apresentam-se. Inspiram-nos através da intuição. e isso teria sido. recomendam e põem-se de lado. mais fácil. de repetição e correção. É preciso que fique margem suficiente para a iniciativa de cada um. leais e francos. de uma óptica essencialmente humana. porque parece muito fácil fazer aquilo que aprendemos a fazer bem. a nosso turno. a fim de que. experimentamos o prazer de contemplar os gestos bem medidos. terá como apoio e sustentação uma equipe correspondente. mas firmes. evitam dar ordens. Preferiram colocar-se à disposição de Kardec. O trabalho desses amigos é silencioso e sereno. os Espíritos não nos tomam pela mão. falam com simplicidade. não precisariam trazê-los até nós. Não desejam. a observar. de seu próprio ponto de vista. 64 incondicionalmente. sugerem. Os ensinamentos destinavam-se aos homens. Voltam sob seus passos. que se incumbiram de transmitir os fundamentos da Doutrina aos homens. são tranqüilos. A tarefa dos grupos mediúnicos de desobsessão apôia-se nos mesmos princípios. de companheiros desencarnados do mais elevado padrão espiritual. para qualquer passo que tenhamos de dar. mas não deixam de apontar-nos o caminho e seguir-nos amorosamente. Ligados emocionalmente a nós. Aconselham. discorrendo sobre a anatomia do trabalho. o cuidado extremo de não interferir com o mecanismo do nosso livre-arbítrio. Essa mesma técnica foi usada com o próprio Allan Kardec. pois sabem muito bem que o Espírito desajustado precisa de ser abordado e tratado de um ponto de vista ainda bem humano. ao longo de anos e anos de dedicação. possamos ajudar aqueles que se acham caídos pelos caminhos. de estudo. Assim são os companheiros que nos amparam. muitas vezes. ou um desportista bem treinado. Guardam. Lembremo-nos. às vezes de antigas experiências reencarnató rias. tanto quanto a responsabilidade pelos erros cometidos. acompanham-nos até mesmo no desenrolar de nossas tarefas hu- manas. para estender-nos a mão. a suave facilidade com que se desempenham. pois também é trabalho de cooperação e entendimento entre os dois planos da vida. Não foi assim que fizeram. Sua presença é constante. Mesmo no trabalho específico do grupo. Em suma. Corrigem. diante do corpo vivo do próprio trabalho. para que tenhamos o mérito dos acertos. Quando vemos um operário altamente qualificado na sua especialidade. e das suas cansativas horas de trabalho monótono. Os benfeitores espirituais não vão ditar um breviário de instruções minuciosas. porém. para que ele formulasse as perguntas. do seu longo período de adestramento. Preferem ensinar pelo exemplo. verdadeiros técnicos da difícil ciência da alma. trazem-nos a ajuda anônima de que precisamos para dar mais um passo à frente. São modestos e humildes. interferem o mínimo possível. portanto. pois não se encontram ao nosso lado para resolver por nós os nossos problemas. Poderiam os Espíritos Superiores. porém. e caberia aos homens. simplesmente ditar os livros que expusessem as linhas mestras do pensamento doutri nário. mas revestem-se de autoridade. de renúncia. retificam e estimulam. que nos tornemos dependentes deles. ante . de forma que as respostas viessem já acomodadas às estruturas do pensamento do ser encarnado. Dificilmente nos dizem o que fazer. A competência costuma passar despercebida. Se fosse possível resolver suas angústias no mundo espiritual. negam-se a impor condições. Amorosos. para o exercício do livre-arbítrio.

muitas vezes tidas por inexpugná veis. sem necessidade de recorrer a práticas exteriores de suporte. e temos que resolvê-los dentro do contexto humano. que se incumbem de orientar e assistir inúmeros grupos. e são eles que se incumbem de dar continuidade ao serviço. Inúmeros recursos são utilizados para isso. Podem ser bem- intencionados e realizar trabalhos de valor. já vêm para a manifestação mediúnica com um certo preparo prévio. onde se reúnem pessoas de boa-vontade. como preces exclusivas. ou simbolos místicos e vestimentas características. Nada temos contra os grupos que seguem tais recomendações. Devemos ou não acolher um companheiro que se propõe a trabalhar conosco? Devemos ou não excluir outro. Somente a observação atenta. ou melhor ainda. ainda que de limitados recursos. com êxito. não nos faltarão com suas advertências amigas. encarnados e desencarnados. Geralmente fazem parte de amplas organizações socorristas. a mais delicada e de maior responsabilidade. nossa experiência ensina. são . é feita no mundo espiritual. seja por que razão for. mesmo erradas. entendendo-se como tal a Doutrina contida nos livros básicos da Codificação Kardequiana. 65 duas ou mais alternativas. que podem realizar o mesmo tipo de trabalho. permite-nos avaliar parcialmente a importância de suas presenças junto de nós. mas não são grupos integrados na Doutrina Espírita. Técnicas de magnetização e persuasão. mas nos deixarão palmilhar os caminhos da nossa preferência. Nada. onde qualquer exte riorização voltada para os aspectos materiais é dispensável. com bons modos. mas com firmeza. Jamais nos recomendam ritos especiais. Os benfeitores espirituais é que se incumbiram de localizá-los e desalojá-los de suas posições. sob orientação de seus companheiros desencarnados. para entender. Sabemos muito bem que a maior parte do trabalho. nem nos obrigam a fórmulas dogmáticas rígidas e insubstituíveis. Mesmo com relação à essência do trabalho. limitam-se a aconselhar e sugerir. Os Espíritos desarvorados. segundo nosso entendimento e bom senso. mas não impõem a sua vontade. simbolos. ainda desconhecidas de nós. para trazê -los até nós. Haverão de nos seguir a distância. podemos tranqüilamente dissuadi-lo. imagens. mas respeitando nossas decisões. éclaro. ritos ou vestes especiais. de velas. A função dos orientadores espirituais mais responsáveis não é ditar normas. São eles os preparadores das tarefas específicas do grupo. não poderemos continuar contando com o mesmo tipo de apoio e sustentação. Não é preciso. Merecem todo o nosso respeito e carinho. no decorrer de muito tempo de trabalho. E se um companheiro começar a recomendar tais processos. que não está se entrosando? São problemas nossos. O suporte de que os grupos mediúnicos ne cessitam vem do mundo espiritual superior. * Os amigos espirituais que se incumbem de orientar o grupo raramente revelam toda a extensão de suas responsabilidades e encargos. pois. cuja vastidão e seriedade nem podemos alcançar. O trabalho que nos trazem obedece a pla nejamentos cuidadosos. E se insistimos em seguir pelas trilhas que nos afastam do roteiro da verdade e da segurança. Todo o seu esforço é conjugado com o de outros Espíritos. não obstante. amorosos e apreensivos. depois que o Espírito ne cessitado é atendido. Só que. por esses atalhos.

contará sempre com o apoio de companheiros desencarnados esclarecidos. às profundezas da dor e. De outras vezes. em casos mais difíceis. mas não sabem de onde vem a força que os contém. é impraticável um trabalho produtivo e positivo. O nível espiritual e o “status” moral desses companheiros revela-se na sua maneira de agir e falar. saberemos identificá-los e conheceremos seus métodos de ação. Os benfeitores assistem à sessão. porém. incentiva-nos a tudo examinar. ou se dizem convidados. desde o descondicionamento a dolorosas e lamentáveis concepções. nos momentos críticos. Freqüentemente. de assistência e amparo. estejam ou não despertados para a realidade maior. para o preparo das futuras tarefas mediúnicas. Encerrada a sessão. . Temos que buscar o terreno comum da harmonização e da integração. Durante a noite. ou irmãos que. O grupo bem orientado. estaremos em condições de fazê-lo com relativa segurança. sem análise critica. incorporam-se em outro médium. autênticas sessões em pleno Espaço. e entregues a outras equipes espirituais. Os Espíritos arrependidos e dispostos à recuperação são leva dos a centros de reeducação e tratamento. desprendidos. muitas vezes. realizamos. Ignoram como foram trazidos. Temos que aprender a formular sobre eles o nosso próprio juízo. Ao cabo de algum tempo de convivência. que deveremos aceitar tudo quanto nos vem do mundo espiritual. para ajudar no trabalho de doutrinação ou de passes. Sem um perfeito entendimento entre as equipes encarnada e desencarnada. juntam-se aos benfeitores. entretanto. sob controle. É preciso. se nos mantivermos atentos e vigilantes. mais do que nunca. fazem pequenas recomendações ou dão indicações sumárias. para as readaptações e o aprendizado que os levará à reconstrução de suas vidas. já atendidos por nós. e sustentado pela prece. socorrem-nos com seus recursos. através da intuição ou da mediunidade ostensiva de algum companheiro. nossos Espíritos. do qual participamos. às vezes. parcialmente libertos. julgando que vieram por livre e espontânea vontade. Com algum tempo de vivência na tarefa mediúnica. 66 aplicadas com enorme competência e sentimento da mais funda fraternidade. Isto não quer dizer. com eles. A delicadeza do trabalho e seu ponto crítico estão exatamente nesse balanceamento entre vigilância e confiança. Os Espíritos esclarecidos não se aborrecem nem se irritam com esses cui dados. que entendem necessários. enquanto adormecemos no corpo físico. falando através de um médium. com eles. pelo conhecimento doutrinário e pela prática evangélica. já adestradas para esse tipo de encargo. necessitam. A Doutrina Espírita não recomenda a aceitação cega de coisa alguma. Muitas vezes admitem estar constrangidos. o que não é o mesmo que aceitar tudo sem exame. Descemos. contidos. para o tratamento preliminar de companheiros já selecionados para a experiência mediúnica. cabe-lhes recolher os companheiros aflitos. até o preparo de uma nova encarnação. não cair no extremo oposto de tratar qualquer companheiro espiritual com aspereza e desconfiança injustificáveis. formulado o juízo sobre os nossos orientadores. para acolher apenas o que a razão sancionar. ao contrário. como figuras sempre secundárias. os Espíritos atormentados nem sabem por que se acham numa sessão. em nossos desprendimentos. enquanto a tarefa no grupo mediúnico prossegue. Cabe às equipes de esclarecidos companheiros desencarnados todo esse trabalho invisível.

amigos. perante a Vida Maior. comparecem para uma palavra de estímulo e de consolo. e sobre a Doutrina. no princípio da reunião. uti lizar-se-ão preferentemente do tempo destinado à comunicação inicial. e até obsidiados ou fascinados por Espíritos que se apresentam com nomes importantes. Em casos extremos podem provocar a contenção do manifestante. deixarem de nos proporcionar toda a assistência de que necessitamos. apenas visíveis a ele. quase sempre. se possível. estritamente relacionados com a ordem doutrinária do serviço. Se o grupo trans -via-se. exatamente por aqueles que se opõem aos nossos planos. os companheiros desencarnados usualmente tomarão a iniciativa de dizer uma palavra de esclarecimento e ajuda. mas isto não é comum. e o amigo espiritual. * Os orientadores do grupo geralmente dirigem uma breve palavra de saudação. cessado o trabalho de atendimento aos sofredores. 67 Essa vigilância. Ao final da sessão. Não temam. ou incorporarem-se para um diálogo mais direto com o Espírito. porqüanto existem situações e problemas. com seus recursos magnéticos. é indispensável. em particular. e vai insensivelmente afastando-se das boas práticas doutrinárias. situados. que. na condição de condutor do agrupamento. e uma ou outra recomendação sumária. Fazem isso mais para marcar sua presença. estaremos inteiramente dominados. fica entregue à sua própria sorte. Esse é o momento em que outros companheiros desencarnados se aproximam. deve ser gravada. envolvidos numa vasta e bem urdida mistificação. Fazem muito mais por nós do que nós por eles. nem sentiremos a mudança. concordam em voltar sobre seus passos e vir nos estender as mãos generosas e seguras. com o grupo em vias de desagregação. lembrando minudências e respondendo a alguma consulta ocasional que o dirigente lhe queira fazer. Quando a orientação pessoal tornar-se imperiosa. É esta a mensagem que. Se tiverem que nos transmitir alguma instrução específica. no entanto.” Durante o desenrolar dos trabalhos. insistimos. Se não estivermos atentos. Nenhum trabalho mediúnico sério é possível sem o apoio desses dedicados e muitas vezes anônimos companheiros. As . transmitindo algum aviso ou propondo determinadas medidas. preciosos esclarecimentos acerca dos trabalhos. “Essa medida — escreve André Luiz. interferindo o mínimo possível. em geral. poderão tentar assumir também a identidade dos que se afastaram. como se desejassem simplesmente dizer: “Estamos aqui. quando não desarvorados também. e. precisará dirigir- se ao conjunto. usualmente. portam-se com discrição e serenidade. E tudo no silêncio e na segurança daqueles que não buscam reconhecimento nem aplausos. Não nos esqueçamos de que todos os métodos são válidos para aqueles que se enquistaram no transviamento moral. Em casos assim. sem. para substituir os mais esclarecidos. porque contém. em relação à que eles nos oferecem. A colaboração que lhes emprestamos é mínima. mas cingir-se às tarefas específicas do grupo. dentro em pouco. em “Desobsessão” —é necessária.” A consulta não deverá descambar para assuntos de natureza puramente pessoal. em planos muito superiores aos nossos.

68 perguntas deverão ser formuladas de maneira sintética. e objetivamente. para não tomar tempo às tarefas de atendimento. Não devemos tentar envolver os orientadores espirituais em problemas que estejamos em condições de resolver com os nossos próprios recursos. .

sua violência e agressividade: são terrivelmente infelizes. . para retomarem o caminho evolutivo. há séculos ou milênios. Não buscam. às vezes. trazem também amor no coração. ao trabalho construtivo. O próprio trabalho a que se dedicam. mas desejam-no acima de tudo neste mundo. abandonado. Claro que não são. Temem mais o amor do que o ódio. ainda que sepultado em profundas camadas de desesperança e desenganos. de socorro às almas que sofrem dores maiores. seres redimi-dos. então. coisa ainda mais estra nha. Vimos aqueles que pertencem às equipes socorristas. e ninguém deve esperar perfeição. ao amor fraterno. é um dos mais eficazes instrumentos de auto-resgate. senão serem convencidos de seus erros. A couraça de ódio de que se revestem não passa de uma defesa desesperada contra a infiltração benéfica do amor. sua gritaria. Não nos iludamos com os seus rancores. no fundo. para servir. Sem a pretensão de cobrir todo o terreno e esgotar o assunto. a que dão combate sem tréguas. porque. nas lutas redentoras em que se empenham. E. nunca chegaríamos a fazê-lo. No anverso da medalha encontramos os Espíritos envolvidos em dolorosos processos de atordoamento moral. nem se julgam. 69 9 OS MANIFESTANTES Variam muito as categorias de Espíritos que comparecem a um grupo mediúnico. Ainda trazem. Ninguém precisa. à soleira da perfeição. à renúncia. outra coisa. a despeito de tudo quanto digam ou façam. tentaremos apresentar e estudar algumas dessas categorias. como todos nós. impurezas e imperfeições. dedicados ao bem.

que segue. provêm de um Espírito de elevado gabarito intelectual e moral. Quanto maior esta for. o que conhecemos por possessão não seria senão um caso grave e extremo de obsessão. Seu engano é evidente a todos. por exemplo. “Kardec distingue dois aspectos: a moral e a corporal. menos a ele próprio. A primeira delas é a menos perniciosa porque. um dos maiores problemas decorrentes do exercício da mediunidade. toma-lhe o corpo para domicílio. tanto maior também será aquela. em “A Gênese”. A possessão. através de passes. para dizer que a fascinação é bem mais grave. Ao reexaminar o problema. “Na subjugação” — diz ainda o artigo —. portanto.” “Nem sempre. porque um Espírito desencarnado não pode tomar definitivamente o lugar de um encarnado. porém” — adverte Kardec —. escrevi o seguinte: “. falece a quem não tenha superioridade moral. por processos magnéticos. que Kardec considera. Define ele como obsessão “o domínio que alguns Espíritos logram adquirir sobre certas pessoas”.) “Ensina Kardec” — prossegue o artigo — “que. o obsessor “atua sobre os órgãos materiais e provoca movimentos involuntários”.” Acha. por mais fantásticas que sejam. Kardec chama a obsessão de “ação persistente que um Espírito mau exerce sobre um indivíduo”. na obsessão grave. No segundo caso. a palavra obsessão é termo genérico de um fenômeno que pode desdobrar-se em três principais variedades: a obsessão simples. “basta esta ação mecânica. usualmente. inibindo-lhe o raciocínio e levando-a à perigosa convicção de que as idéias que expressa. No primeiro caso. pela razão de que a união molecular do perispírito e do corpo só se pode operar no momento da concepção”. atuar sobre o ser inteligente (destaque do original) ao qual é preciso se possua o direito de falar com autoridade que. “em vez de agir exteriormente. como se estivesse completamente privado do seu próprio senso crítico.. o Espírito que se apoderou sutilmente de sua mente”. cumpre. ao Espírito encarnado. com a lucidez que o caracteriza. o Codificador. mas não o perturba a ponto de provocar desarranjos mentais. seja abandonado pelo seu dono. “que o termo subjugação é mais apropriado do que possessão.” Esse artigo prossegue comentando Kardec. 70 10 O OBSESSOR Todo o capítulo 23 de “O Livro dos Médiuns” é dedicado ao problema da obsessão.” . enquanto que na possessão. de uso mais antigo”. obrigando a sua vítima a gestos de dra- mático e lamentável ridículo. pois que isso só se pode dar pela morte. sem que este. conseguintemente. entretanto. o ser encarnado é constrangido a tomar atitudes absurdas. no entanto. “porque o agente espiritual atua diretamente sobre o pensamento de sua vítima. por isso. Em artigo para “Reformador” (1). o que certamente o incomoda. por assim dizer. o Espírito atuante se substitui. a fascinação e a subjugação. ou seja. fascinado e servil. Nessa linha de raciocínio. o médium — pois todo obsidiado tem forte componente mediúnico — está consciente das manobras e dissimulações do Espírito. é sempre temporária e intermitente.. (Os destaques são desta transcrição. sobretudo. o obsidiado fica envolto e impregnado de fluídos perniciosos que cumpre dispersar pela aplicação “de um fluído melhor”.

e sim com o coração aberto do companheiro que procura compreender as suas razões. indispensável se torna que o Espírito perverso seja levado a renunciar aos seus maus desígnios. acerca das técnicas e recursos sugeridos para o trabalho. o Espírito perseguidor busca alívio para o seu sofrimento fazendo sofrer aquele que o feriu. artigo “Possessão e exorcismo”. assim como o desejo do bem.” (Destaques desta transcrição. ainda que não o reconheça. A argumentação que utilizarmos tem que ser convincente. o núcleo de sua problemática. por meio de instruções habilmente ministradas. pelo resgate. em evocações particularmente feitas com o objetivo de dar-lhe educação moral. um processo de vingança.desponte nele. que tudo está previsto nas leis divinas. mas sem a arrogãncia do mestre petulante. o programa — síntese do processo de desobsessão: o obsessor não deve ser arrancado à força ou expulso. do seu ódio. como diz Kardec. . em tão poucas palavras. Deseducado moralmente. Por mais violento e agressivo que seja. 71 E acrescenta: “Mas. nos liberam. A obsessão é. é invariavelmente um Espírito que sofre.) Ninguém poderia descrever melhor. um diálogo. amiúde. pelo qual procure mos educá-lo moralmente. Voltaremos a cuidar do problema. Isto se faz buscando com ele um entendimento. Pode-se então ter a grata satisfação de libertar um encarnado e de converter um Espírito imperfeito. Ele precisa ser convencido a abandonar seus propósitos e levado ao arrependimento. (1) “Reformador” de maio de 1074. quando tivermos de conversar. A obsessão é impotente diante de Espíritos redimidos. ainda não é tudo: para assegurar a libertação da vítima. o porquê da sua revolta. que se faça que o arrependimento . tornando-se ambos infelizes e envolvendo ainda outros nas tramas das suas desgraças. no entanto. É preciso observar. mais adiante. que. ao mesmo tempo em que permitem a cobrança de nossas faltas.

a vingança como que se despersonaliza. Pereira. embora tenhamos alcançado. De alguma forma grave. o sofrimento. Em “Dramas da Obsessão”. ainda que não autorizado por ele. certa vez. na esperança de minorar- lhe as dores. Como o seu caso tinha implicações profundas com o nosso plano geral de trabalho. jovem ainda na carne. custaram um pouco a identificá-lo em sua nova roupagem. o Espírito João-José preferiu ocultar-se numa encarnação de formas femininas. esteja na carne ou no mundo espiritual. num cerco implacável. havendo neste livro várias referências esparsas sobre ele. Começamos a cuidar dele. Não importa que a falta tenha sido cometida nesta vida ou em remotas existências. vindo a colher. modelando traços fisionômicos e anormalidades físicas idênticas aos que arrastara na época citada. ou obsidiado. ligando-se a ele por largo tempo. Não importa que o perseguido. Muitas vezes. segundo nos explicaram nossos mentores. visto que sua própria organização psíquica atraiçoou-o. porque os compromissos do obsidiado eram muito graves e suas dívidas cármicas acusavam reincidências lamentáveis. com os cuidados necessários para não identificá-lo. um caso desses: “Aterrorizado ante as vinditas atrozes movidas pelos Espíritos de seus antigos amos de Lisboa. desrespeitou seriamente a lei universal da fraternidade. O vingador implacável acaba descobrindo o seu antigo algoz. e tão sérios. Bezerra de Menezes. Uma vez.” Uma vez identificado o antigo devedor. Verdadeira multidão de Espíritos atormentava este irmão. quando ainda encarnado. pela mediunidade de Yvonne A. assim disfarçado. aqui e no Espaço. dia e noite. que durava as vinte e quatro horas do dia. porém. porém. mas por alguém em seu nome. ou mais remoto. apaziguar muitos dos seus temíveis carrascos e atraí-los para as tarefas de recuperação. reuniram-se em torno dele. . passando a ser exercida não por aquele que foi prejudicado. como conseqüência inexorável. com a graça de Deus. que o deslocavam da posição de ex-algoz para a de joguete impotente de implacáveis vingadores. um de seus obsessores. desencadeou-se sobre ele toda a tormenta da obsessão. assistimos a um trágico e incessante desfile de companheiros desarmonizados que enxameavam em torno dele. sobre ele e sua família. aqueles que ainda se sentiam com suas contas por ajustar com ele. Um foi particularmente doloroso e aflitivo. mesmo sob formas femi ninas. Em nosso grupo. esperançado de que. Não importa que se lembre ou não da ofensa. cada qual mais revoltado e odiento. que não conhece limites nem barreiras. Temos tido. Enganou-se. em nossa experiência direta. não pudesse ser reconhecido. no passado mais recente. alucinado pelo ódio. conseguimos aliviar a pressão que se exercia. A falta cometida contra o semelhante expoe seu autor aos azares do resgate. Por algum tempo. 72 11 O PERSEGUIDO A vítima da obsessão é sempre uma alma endívidada perante a lei. tratamos dele por muito tempo ainda. localizado. casos semelhantes. mesmo que a vítima o tenha perdoado imedia tamente. Seus compromissos eram tantos. Ao que me disse. que não conseguimos livrá-lo das suas dores. narra o Dr. vida após vida. mesmo que este se oculte sob os mais bem elaborados disfarces.

esquecer de tudo. ele não deve paralisar-nos. do aperfeiçoamento moral. buscar reacender a chamazinha do amor. Devemos. físico ou espiritual. A perseguição continuou. talvez ainda mais encarniçada. para que não te suceda algo ainda pior. o pobre companheiro desencarnou tragicamente. A lembrança cons tante dos crimes que cometemos nos mantém sintonizados com os perseguidores. aquele . hoje sabemos da profunda realidade que encerra o ensino evangélico. Ao contrário. porque o processo da libertação pode dar-se também por meio do serviço ao próximo. para fugas. para as mais tresloucadas atitudes. pois as obsessões não se limitam a atingir os encarnados. Ao que nos foi indicado. postavam-se diante de sua visão espiritual. o resgate. os amores. — Vai e não peques mais — disse o Cristo. tomavam-lhe o corpo. É certo que suas vítimas daquela época o perdoaram. neutralizavam o efeito de intensivo tratamento médico e espiritual. descoordenando-lhe as idéias. Enquanto estamos remoendo nossas faltas. do outro lado da vida. da prece e da vigilància. sem dúvida alguma. impunham-lhe longos períodos de alienação. e a despeito de todo o cuidado de que foi cercado. Cientes ou não da gravidade das nossas faltas — e. — Estás curado — diz Ele ao paralítico. que lhe guardaram rancor? A quantos teria ele mandado tirar a vida. sob formas monstruosas. É preciso orar. em tempos da Roma antiga. O arrependimento. A dor não é inevitável. com equi líbrio e resignação? Ao cabo de alguns anos de implacável perseguição de seus adversários. O Cristo sempre ligou o problema do sofrimento. enceguecidos pelo ódio. servir. Mas. de certa forma. sopravam-lhe constantemente a idéia do suicídio. então. em virtude do descondicionamento vibratório. Estava agora mais exposto. (João. exerceu. inúmeras vezes. o erro — que os evangelistas chamam de pecado — acarreta o sofrimento. ou seja. 5:14. palavras e pensamentos. Não que te nhamos de nos redimir necessariamente através do mecanismo da dor. não peques mais. a punição. de dedicação ao semelhante que sofre. que existe em todos nós. com destaque. os bens.) Dessa forma. continuamos ligados aos obsessores. se foram realmente seguidores fiéis do Cristo. caminhadas. espetavam-lhe “agulhas” de todos os ta manhos. porém. ao do erro. para pregar sermões bonitos. indispunham-no com a família e descontrola vam-lhe o pensamento. tem que ser construtivo. o poder. como se nada tivesse acontecido? Não. de policiamento de nossas atitudes. os desencarnados são mais vulne ráveis do que os encarnados. e eles tudo fazem para que não nos esqueçamos dos erros praticados. lhes dá alguma trégua. Da mesma forma. 73 Seguiam-no nos seus afazeres diários e o atormentavam durante o desprendimento do sono. mais acessível àabordagem de seus algozes. o que. e ajudou a desencadear uma das mais terríveis perseguições aos cristãos. Por muito tempo se pensou que isso fosse apenas um tema sugestivo. as esperanças. crises de mutismo. sem que estivessem preparados para suportar essas perdas. e os outros. a quem mandou tomar a sua cama e andar —. certamente. pois estes dispõem do “esconderijo” do corpo físico e se acham beneficiados pelo esquecimento temporário de suas faltas. praticamo-las abundantemente no passado — é imperioso que nos voltemos para as tarefas de reconstrução interior.

em lamentável estado de desorientação. na intimidade do seu ser. uma experiência inesquecível. Alguns de seus perseguidores foram tratados e reeducados moralmente. Neste ponto. pois é certo que ninguém sofre por acaso. que Jesus a imortalizou no texto da oração dominical. tampouco vosso Pai perdoará as vossas ofensas. mas se emitimos o nosso pensamento de vingança e ódio. acabou por ser recolhido pelos trabalhadores do bem. o Pai Nosso: -“. Nesse angustioso círculo de fogo e lágrimas. da sua falta. por séculos e séculos. ela apenas junta mais lenha à fogueira que arde. por sentir que a vítima punha-se fora de seu alcance. Não é uma simples teoria. com o perdão. tão vital à problemática do espírito. A lei do equilíbrio universal se incumbirá dele. ele pagará. ficam presas.. E é por isso que nenhum trabalho de desobsessão. deve ser intentado sem apoio nos ensinamentos do Cristo. é uma verdade. de revolta e dor.. no próximo século. Um companheiro desencarnado. Por muito tempo achamos que toda essa doutrina do perdão fosse apenas um belo conjunto de figuras de retórica. também vos perdoará o vosso Pai Celestial. que. continuamos ligados ao erro. Outros se afastaram. mais de uma lição encontramos. Também neste ponto tivemos. evita que se reabra o círculo vicioso do crime para resgatar o crime. para que o outro resgate a sua falta. não deve nem precisa tomar a vingança em suas mãos. O resgate pode ser despersonalizado. ou no próximo milênio. mas se não perdoardes aos homens. 74 que foi ferido pelo seu companheiro. É que o perdão que concedemos àquele que nos feriu não lava o ofensor do seu pecado. mas libera o ofendido. a fim de serem doutrinados. assim como perdoamos os nossos devedores. Alguns deles continuaram a ser levados ao grupo de desobsessão. por ser este o porta-voz. certa vez. ninguém deve nem precisa arvorar-se em seu executor. que o Cristo nos ensinou. como ensina Kardec. Isto não significa que. descarregavam todo o seu rancor e agressividade sobre os componentes da equipe de socorro. Jesus é ainda mais explícito: — “Que se perdoardes aos homens as suas ofensas. com o mesmo rancor: — Ele pagará! É verdade. No versículo 14. A questão é tão Importante. devamos transferir o nosso impulso de vingança às leis de Deus. mas que tanto temos relutado em experimentar. pois a vingança não sacia coisa alguma. e. reassumimos os compromissos que poderíamos ter resgatado com aquela humilhação ou aquele sofrimento. dado que não há reparos dolorosos como forma de punição aos inocentes. mas pensam. especialmente contra o doutrinador. por mais gravemente que o tenha sido. no desespero em que viviam. desse mesmo capítulo. perseguido por uma pequena multidão de implacáveis obsessores. A Doutrina dos Espíritos veio propor- nos um entendimento infinitamente mais racional e objetivo: o de que o perdão liberta. ao sermos ofendidos. 6:12 —. digno e sério. ou seja. seja com a do amor. no Evangelho de Jesus. senão hoje.. São muitos os que não tomam realmente a vingança em suas mãos. seja com a moeda da dor. ainda e sempre. o texto adquire uma dimensão que antes não havíamos notado. aquele que fala e procura convencê-los a . isto é.” Sob as luzes da Doutrina Espírita. multidões eneeguecidas pelo ódio e nunca saciadas pela vingança. perdoa-nos as nossas dívidas — relata Mateus.

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abandonar seus propósitos, que eles julgam justíssimos.
Pois bem. Certa noite, volta, para receber os nossos cuidados, o
companheiro que havia sido recolhido. Estava novamente em poder de um
impiedoso hipnotizador, de quem já o havíamos subtraído, a duras penas. Ele
próprio confessou o seu drama: recaira na faixa vibratória de seus
perseguidores, ao deixar tombar as guardas que o protegiam. No decorrer do
diálogo revelou-se mais impaciente do que nunca, exigindo, quase, solução
imediata para o seu caso, pedindo a presença de parentes, sem nenhum
desejo de entregar-se à prece e, acima de tudo, pronto para a vingança! “Assim
que estivesse em condições” — e exatamente por isso não conseguia alcançar
tais condições — “ele”, o obsessor, “iria ver...”
Meu Deus, como poderemos negar o perdão ao que nos feriu, se o
exigimos para nós, exatamente para as dores que resultaram da nossa
imprudência em ferir os outros?
O obsidiado só pensa em livrar-se de seus adversários, a qualquer preço,
mas se esquece, ou ignora, que ele também está em dívida perante a lei, pois,
de outra maneira, não estaria sujeito à obsessão, o obsessor, por sua vez,
procura punir o companheiro que o fez sofrer, deslembrado de que ele próprio
criou, com a sua incúria, as condições para merecer a dor que lhe é infligida.
Julga-se no direito de cobrar, pensando assim cumprir a lei de Deus, para que
a “justiça” se faça. E, de fato, a lei do equilíbrio uni versal coloca o ofensor ao
alcance da punição, que é, em suma, a oportunidade do reajuste. Por isso,
dizia o nosso Paulo, em sua penetrante sabedoria:
— Tudo me é lícito, mas nem tudo me convém.
Com freqüência, os perseguidos apresentam-se em nossos grupos, nos
primeiros momentos da libertação. Quantos dramas, Senhor! Vêm transidos de
pavor, cansados de prisões tenebrosas, fugindo de obsessões que lhes
parecem terem durado uma eternidade. Esgotaram todo o cálice de profundas
amarguras, sofreram todos os tormentos, passaram por todas as humilhações,
submeteram-se a caprichos e desmandos, cumpriram ordens iníquas.
Um desses nos disse que estivera num dos calabouços infectos das trevas,
onde nem chorar podia. Passaram-se séculos. Só nos pôde dizer que foi um
sacerdote e que traiu alguém. Sente agora o peso de um enorme
arrependimento e, quando convidado a orar comigo, não tem coragem de
dirigir-se a Deus, pois se julga o último dos réprobos. A muito custo, consegue
murmurar uma palavra:
- Jesus!...
E fala baixinho, consigo mesmo:
— Que sacrilégio, meu Deus!
Outro, também egresso de um calabouço, não conseguia arti cular a
palavra; fazia entender-se por gestos. Trazia um peso na cabeça, que o
obrigava a manter-se curvado sobre si mesmo e, além de tudo, estava cego.
Um terceiro apresenta -se com as “carnes” roídas pelos “ratos” e “baratas”,
após um longo período de reclusão.
Quase todos trazem ainda no perispírito os estigmas de suas penas:
cegueira, deformações e mutilações, e, na mente, a lembrança de torturas e
horrores inconcebíveis.
Subitamente, ao cabo de agonias seculares, durante as quais resgataram-
se através da dor, escapam à sanha de seus perseguidores, tornam-se
inacessíveis aos seus processos, evadem-se das masmorras e libertam-se do

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domínio magnético sob o qual se encontravam. Em suma: a Lei disse o
“Basta!” a que até mesmo o mais terrível perseguidor tem de obedecer, ao
assistir, impotente, à escapada da vítima. Chegou ao fim o processo corretivo e
reajus tador. Antes, era impossível: ninguém conseguiria interromper o curso da
dor.
Este é o exemplo vivo da experiência mediúnica. Espíritos superiores, e já
redimidos, seguem-nos os passos, até mesmo às profundezas da dor mais
horrenda, sem poderem interferir senão com uma prece, ou uma vibração
amorosa, pois o pobre companheiro transviado nem mesmo a presença dos
amigos maiores pode perceber. Chegado, porém, o momento, tudo se
precipita. Os mensageiros do bem estão apenas à espera de uma prece, ainda
que somente esboçada, de um impulso de arrependimento, de um gesto de
boa-vontade ou de perdão. Lembram-se da advertência do Cristo?
— Reconcilia-te com teu adversário enquanto estás a caminho com ele,
para que não te arraste ele ao juiz, e o juiz te entregue ao oficial de justiça, e
este te ponha no cárcere. Digo-te que não sairás de lá enquanto não tiveres
pago o último centavo.
Não está bem claro?
E muitos ainda acham que o Evangelho é só literatura... ou só poesia, ideal,
inatingível... Razão de sobra teve Kardec para optar pela adoção da moral
evangélica, pois há mais sabedoria e ciência nos textos ali preservados, do que
em todos os tratados de psicologia jamais escritos e nos que ainda se
escreverão. A problemática do ser humano, suas complexidades e seus
mecanismos de reajuste, estão inseparavelmente ligados aos conceitos
fundamentais da moral. Um dia, a psicologia e a psiquiatria descobrirão o
Cristo.

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DEFORMAÇÕES
O perispírito é o veículo das nossas emoções. O Espírito pensa, o
perispírito transmite o impulso, o corpo físico executa. Da mesma forma, as
sensações que vêm de fora, recebidas através dos sentidos, são levadas ao
Espírito pelos mecanismos perispirituais. É o perispírito que preside à formação
do ser, funcionando como molde, a ordenar as substâncias que vão constituir o
corpo físico. É nele que se gravam, como num “video tape”, as nossas
experiências, com suas imagens, sons e emoções. Isto se demonstra no
processo de regressão da memória, espontâneo ou provocado, no qual vamos
descobrir, com todo o seu impacto, cenas e emoções que pareciam diluídas
pelos milênios. É ele, pois, a nossa ficha de identidade, com o registro intacto
da vida pregressa, a nossa folha corrida o nosso prontuário.
Ele é denso, enquanto caminhamos pelos escuros caminhos de muitos
enganos, e vai-se tornando cada vez mais diáfano, à medida que vamos
galgando estágios mais avançados na escalada evolutiva. É nele, portanto, que
se gravam alegrias e conquistas, tanto quanto as dores. Mas, como tudo no
universo obedece à lei irrevogável da sintonia vibratória, parece que, ao nos
desfazermos dos fluídos mais pesados e escuros, que envolvem o nosso
perispírito, nos primeiros estágios evolutivos, vamos também nos libertando
das mazelas que naqueles fluídos se fixavam, ou seja, vamos nos purificando.
Seria quase inadmissível a deformação perispiritual num ser de elevada
condição moral. É, no entanto, muito comum na queles que se acham ainda
tateando nas sombras de suas paixões, e os trabalhadores da desobsessão
encontram fatos dramáticos dessa natureza, a cada passo.
Muitos casos desse tipo tenho presenciado, desde pequenos cacoetes, ou
apenas sensações quase físicas, até deformações e mutilações terríveis,
culminando com as mais dolorosas ocorrências de zoantropia. (1)
Vimos, linhas atrás, alguns exemplos de mutilação provocada por “ratos” e
“baratas”, em masmorras tenebrosas do mundo trágico das dores.
Encontramos, na prática mediúnica, inúmeros exemplos aflitivos de
desequilíbrio perispiritual.
Um antigo sacristão português, desencarnado, era recompensado, pela
tarefa de lançar discórdias, com abundantes “refeições”, regadas a bom “vinho”
de sua terra.
Um ex-oficial nazista, que não se identificou, mostrou-se desesperado de
fome. Renunciou a toda a arrogância, com que a princípio se apresentou, e
humilhou-se, para pedir-nos, em voz baixa, para que ninguém o ouvisse, um
simples pedaço de pão.
Tivemos casos de deformações “físicas”, como a daquele irmão
atormentado que trazia o braço paralítico. Quando me ofereci para curá-lo com
um passe, ele declarou que, assim, teria mais um braço para brandir o chicote
com que castigava suas vítimas.
De outras vezes, apresentaram-se pobres infelizes, que não podiam
expressar-se senão por gestos, porque a língua lhes tinha sido extirpada. Um
destes, depois de reconstituída a sua condição, em vez de agradecer a Deus o
benefício que acabava de receber, declarou que se vingaria daquele que, em
antiga existência, mandara mutilá -lo. Foi-lhe mostrado, então, que, em
existência anterior àquela, ele próprio mandara cortar a língua daquele mesmo

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que, depois, ordenou a sua mutilação. Nem assim ele se deu por achador
aquele a quem ele privara da língua não passava de um cão, pois era um mero
escravo... Havia, porém, chegado a sua vez, e ele, não resistindo à realidade,
entrou numa crise de arrependimento que o salvou.
Um dos casos mais dramáticos que presenciei foi o de um companheiro que
havia sido reduzido, por métodos implacáveis de hipnose, à condição de um
fauno. Estava de tal maneira preso à sua indução, que não podia falar, pois um
fauno não fala. A despeito de tudo, porém, acabou falando inteligivelmente,
para enorme sur presa sua. Fazendo o médium exibir suas mãos, dissera:

1) Zoantropia, segundo o dicionário, é uma variedade de monomania em
que o doente se julga convertido em animal.

— Veja. Não tenho mãos, e sim cascos.
Estivera mergulhado, por séculos a fio, num tenebroso antro, onde
conviveu, sob as mais abjetas condições subumanas, com outros seres
reduzidos a condições semelhantes à sua, e que nem mais se conscientizavam
de terem sido criaturas racionais. Fora também um poderoso, aí pelo século
15, na Alemanha, e deve ter cometido erros espantosos.
Um dos companheiros do grupo forneceu-nos recursos ecto plasmáticos e,
com nossos passes e o apoio que obtivemos através da prece, foi possível
restituir-lhe a forma perispiritual de ser humano. Alcançado esse ponto, um dos
benfeitores presentes informou-nos do seu nome, pois ele não sabia quem era.
Retomada a sua identidade, caiu numa crise de choro comovedora e teve um
impulso de generosidade, lamentando não ter condições de volver sobre seus
passos, para salvar os companheiros que continuavam retidos nas medonhas
masmorras de onde conseguiram resgatá -lo.
Tivemos, certa ocasião, um doloroso caso de licantropia. Ao apresentar-se,
incorporado no médium, o Espírito não consegue articular nenhuma palavra.
Inteiramente animalizado, sabe apenas rosnar, esforçando-se por me morder.
Embora o médium se mantenha sentado, ele investe contra mim, procurando
atingir-me com as mãos, dobradas, como se fossem patas; de vez em quando,
ameaça outro componente do grupo. Lembro-me de vagas cenas de atividades
em desdobramento noturno, quando resgatamos, de sinistra região das trevas,
um ser vivo que, em estado de vigília, não consegui caracterizar.
Como ele não tinha condições de falar, falei eu, tentando convencê-lo de
que era um ser humano, e não um animal. A conversa foi longa e difícil. Sabia
que, diretamente, ele ainda não tinha possibilidade de entender com clareza as
palavras que eu dizia, mas estava certo de que, aos poucos, se tornaria
sensível às vibrações de carinho e compreensão que sustentavam aquelas
palavras. Falei-lhe, pois, continuamente, por longo tempo, procurando
desimantá-lo, para libertá-lo do seu terrível condicionamento. Repetia-lhe que
era um ser humano e não um animal; que tinha mãos, e não patas, unhas e
não garras. Às vezes, ele tinha crises assustadoras, gargalhando, alucinado.
Insistia em ferir-me, com as suas “garras”, e tentou, mesmo, agredir-me, com
as duas mãos, como se ten tasse abrir-me o peito, para arrancar-me o coração.
Mantive calma inalterada, a despeito da profunda e dolorosa compaixão, e da
ternura que sentia por ele. Foi um momento que exigiu muita vigilância e
enorme cobertura espiritual, para que o grupo não entrasse em pânico, e não
se perdesse a oportunidade de servir a um irmão tão desesperado. Não

eu ia lhe expli cando o que era cada coisa em que ele tocava. e. caso contrário. . Tínhamos que falar a ele como a um irmão em crise. Insistimos nos passes. e lá perdeu a visão e o senso das coisas. ele começou a aquietar-se. o rosto. parece que alguém o chicoteia violentamente. Invariavelmente. porém. ele pareceu ter readquirido a forma humana e começou a “conferir” suas mãos. Aos poucos. numa sala limpa.) Olhava para trás. É certo. realmente. não a um lobo feroz. Ao cabo de prolongado monólogo com o irmão alienado. Não que Deus nos castigue. o estofamento. ainda. ele procurava me reconhecer. e a pena é sempre compatível com o grau de consciência com o qual praticamos a falta. a madeira. também pelo tato. como um Pai severo e frio. pois ele se contorce e grita. o rosto. por tempo que não sei estimar. Dificilmente temos oportunidade de endívidar-nos tão gravemente. as cortinas. ao lado do médium. 79 podíamos esquecer. as cadeiras. que se tornou temporariamente irracional. De pé. agora. de vez em quando. nos coloca à mercê da cobrança. nas quais houvesse oportunidade para oprimir o semelhante impunemente. É quase certo que tivesse uma bagagem respeitável de conhecimentos e recursos. ou simplesmente de darem azo às suas frustrações lamentáveis. ávidos ante a oportunidade de se vingarem. ao cabo de muito tempo. investigou. com uma das mãos sobre os seus olhos e a outra na nuca. para testar. vamos trans mitindo a ele uma sensação de segurança e calma. estava em estado de inconsciência total. apalpando-me as mãos. uma prece comovida e alguns passes. (O médium. ele apalpou. sob a proteção de imunidades incontestáveis. Enquanto fazia isso. que se apresentarão como instrumento da justiça divina. ele preserva os valores imortais do espírito. o braço. mas. o chão. A cada falta cometida. em decorrência do seu terrível comprometimento ante as leis divinas. teremos com que pagar. Ademais. não resta alternativa senão a dor. código sagrado que aviltamos. Apalpou a mesa que tinha diante de si. mesmo porque a lei universal. o corpo. mas ainda insistiu em atacar-me. A certa altura. que dívidas assim tão grandes e penosas. que ele não era um animal irracional. mas uma criatura humana. à medida que se acalmava. orei fervorosamente. Se tivermos acumulado a moeda limpa do serviço ao próximo. somente podem ter sido assumidas em posições de relevo. e que está. e não vai mais voltar para a sua prisão. pouco antes da incorporação desse Espírito. que um dia vencerá e nos será apresentada para resgate. desesperado. Digo-lhe que ele foi retirado de lá. Pacientemente. pois na escalada espiritual nada se perde. por um minuto. errando apenas contra nós mesmos. Aparentemente. o sofá. o tapete. a falta cometida sacrifica e martiriza muitos irmãos. é preciso lembrar que o reajuste nunca é desproporcional à gravidade da pena. Estava ainda apavorado. mas ainda não conseguia enxergar: passou as mãos diante dos olhos. assinamos uma promissória inexo rável. Parece que ele esteve encerrado em alguma caverna escura. queixara-se de uma terrível sensação de medo. mas é que a nossa consciência exige de nós a reparação. no fundo do ser. com todas as aquisições feitas no rosário de vidas que já tinha vivido. e podemos estar certos de que não faltarão cobradores. começou a reconhe cer o ambiente. mas. Tudo que estava ao alcance de sua mão. os entalhes. O ambiente estava tenso de emoção e do desejo de servi-lo. que julgamos meros instrumentos do nosso gozo e poder. a cabeça. Não havia dito ainda uma palavra. como se tentasse surpreender algum carrasco. examinou. em termos de aprendizado.

pela visão. talvez) as sensações do tato e da visão. Ele começou a perceber os objetos. do qual não nos livra nem mesmo a trégua com que somos beneficiados ao renascer. através de contratos. por isso. outros. Por conseguinte. em silêncio. a fria equipe das trevas. a “solução” da deformação perispiritual. pela dor ou pelo amor. no qual eu o acompanho. Como continuo a insistir em que ele pode falar. valem-se de organizações poderosas. consegue dizer uma palavra: — Água! E fica a repeti-la. determinando todos os nossos condicionamentos. * Como pode uma criatura humana ser reduzida a uma condição como essa? É evidente que ainda não dispomos de conhecimentos suficientes para apreender o fenômeno em todas as suas implicações e pormenores. tantas são as especializações lamentáveis. Entra em cena. Disso se valem. e se desprende. sem faltas e sem passado. no entanto. Não podemos. aí. então. Não há como fugir a esse esquema. um por um. aqueles a quem infligimos dores e penas atrozes num passado recente ou remoto. Parece que jatos de luz intensa o atingem nos olhos. esmagado pela emoção. A gênese desse processo é. sem uma palavra. as suas próprias mãos. emocionado até o fundo do meu ser. deixando o médium desorientado. enquanto apanho o jarro. o suave milagre do amor. nos registros indeléveis do perispírito. Olhou os móveis. esquecer que o passado está em nós. Está calmo. pela primeira vez. me abraça. e lhe servimos vários copos. agora. que a lei nos proporciona o benefício do esquecimento e nos concede a oportunidade do recomeço em cada vida. digamos. Realiza-se. O trabalho todo durou uma hora. por alguns momentos. acordos. Muitos são os que agem pessoalmente contra nós. quanto à sua posição na sala. uma troca de favores. a falta cria em nós o “molde” necessário ao reajuste. fossos adversários espirituais. realizou-se. porém. na medida em que erramos. com extrema habilidade e competência. e voltou a conferir tudo na sala. a sala. os bons e os outros. onde a divisão do trabalho nefando ficou como que racionalizada. A extensão do resgate e sua profundidade guardam precisa relação com a gravidade da falta cometida. é encaminhado a competentes . 80 e creio que. como se nascêssemos puros. percebo que está orando um Pai Nosso. Ao terminar a prece. Exa minou os componentes do grupo. em muito tempo (séculos. em que a vítima do passado — es- quecida de que foi vítima precisamente porque também errou —associa-se a alguém que possa exercer por ela requintes de vingança. mas a Doutrina Espírita nos oferece alguns dados que nos permitem entrever a estrutura básica do processo. Somos livres para errar e somos forçados a resgatar. pois a lei não cobra senão o necessário para o reajuste e o reequilibrio das forças universais desrespeitadas pelo nosso livre-arbítrio. pactos e arranjos de toda sorte. Somente nos expomos ao resgate. Se o caso comporta. como se estivesse colocando juntas. obviamente. mais uma vez. desesperadamente. que ele bebe sofregamente. que conserva mos sobre outro móvel. a culpa. porque ele se contrai e protege a vista com os braços. É exatamente para que tenhamos a iniciativa da correção espontânea. Por fim.

Furiosos pela temeridade dos seareiros do Cristo. numa excursão a essas furnas da dor. no seu corpo perispiritual. 81 manipuladores da hipnose e do magnetismo. acaba por aceitar as sugestões e promover. para a expectativa da libertação. não pode moldar. com os escombros de um passado calamitoso. É essa. O trabalho de resgate desses pobres irmãos. a angústia mais terrível. Os casos mais graves de deformações perispirituais. Nessas furnas de dor superlativa. pedra por pedra. Eles precisam “lavar a sua honra”. volume 7º da série André Luiz. Em antros diante dos quais o inferno é uma tosca e apagada imagem. que precisa estar preparado. perde o uso da pa- lavra. o grupo. o capitulo 5º. porém. as condições mais abjetas. no tenebroso xadrez das trevas. eles se voltam contra o grupo mediúnico. “Operações seletivas”. recuperar o prestígio perante seus comandados e impor castigo exemplar ao grupo que teve a insensata ousadia de exasperá-los. imperam o terror. e a licantropia. resgatam crimes tenebrosos. transtornados (1) Leia-se. Eles constituem importantes figuras. a única maneira de trazê-los à doutrinação e à tentativa de entendimento. em particular. às vezes. de forma que o Espírito . pessoalmente. esse é um recurso de que se utilizam os trabalhadores do bem. como vimos. como tivemos oportunidade de verificar pessoalmente. ocuparam na Terra elevadas posições. por conta própria ou alheia. em geral. são Espíritos de consideráveis cabedais e . nos braços amorosos. a alienação mais dolorosa. às vezes. de todo o convívio com criaturas humanas normais e equilibradas. as deformações e condicionamentos induzidos pelo operador das trevas. de “Liber- tacão”. Chegado. e jamais poderá ser feito sem a mais ampla cobertura espiritual. e são guardados a sete chaves e defendidos com unhas e dentes. Esteja. Quem não deve à lei de Deus? (1) É claro que o hipnotizador. porém. Geralmente. ante o atrevimento daqueles que ousam provocá-los. consideradas as incontáveis multidões de seres aprisionados nas trevas pelas suas aflições íntimas. não há defesa que consiga resistir à vontade soberana de Deus. Aliás. que imediatamente se aproximarão de suas vítimas. iniciando o trabalho no campo fértil do endívidamento de cada um. criaturas que. como a zoantropia. e os trabalhadores humildes da seara do Cristo conseguem trazê-los. ou o magnetizador. é tão difícil quão doloroso. assume as atitudes e as reações típicas dos animais e é segregado. a vítima acaba por assumir formas grotescas. às vezes. o perispírito da sua vítima. que entre os homens permaneceram impunes. para desalojar de seus redutos os verdadeiros responsáveis por essas atrocidades inomináveis. A promissória maior está paga. a propósito. porque eles virão realmente fora de si. que funciona como agente da vingança. Além da dor que experimentamos ao presenciar tão espantosa aflição. manipulado com perícia. e é preciso começar a reconstrução interior. o momento do resgate. que chegam até a perder a consciência da sua própria identidade. à sua vontade. atento e preparado para recebê-los. de ódio. contra as quais nada têm. são relativamente raros. mas ele sabe como movimentar forças naturais e os dispositivos mentais. resguardado na prece e em imaculada pureza de intenções. estejamos certos de que a audácia de socorrer tais irmãos desata sobre os grupos que a manifestam toda a cólera das organizações que os subjugam. Nessas condições. por tempo imprevisível.

mas mudou a motivação. os recursos são semelhantes. doutrinadores. ao voltar-se para o lado bom da vida. cirurgiões do perispíríto. são aqueles mesmos que. em nome de incontroladas ambições pessoais. o que foi destruído com ódio. pelos planejadores. As forças são as mesmas. pois quase sempre os dedicados operadores que nos ajudam a reconstruir o Espírito. médiuns. agora quer curar. Recebem de volta a consciência de sua própria identidade e recomeçam o aprendizado. trabalhando ao arrepio das leis divinas. os mecanismos são idênticos. e o que antes feria. onde conta com o apoio de seus irmãos maiores? . porque os arquivos da alma são permanentes. onde vai realizar-se a tarefa do descondicionamento. sem a sustentação dos poderes da Luz. embora ainda com muitos erros a resgatar. utilizaram-se dos seus conhecimentos para oprimir. É novamente a hora de inúmeros especialistas: médicos da alma. que se transviaram muito gravemente. Se antes conseguia realizar tanta coisa espantosa. Comparecem planejadores. O conhecimento ficou. doutrinadores. para impor angústias e aflições. magnetizadores. com amor. médiuns e magnetizadores das trevas. somente a direção é que muda. São usualmente recolhidos a instituições especializadas. em épocas remotas. profundos conhecedores da biologia transcendental e das complexidades da mente. 82 possibilidades. invertendo-se os sinais da operação. arrasado pela dor do resgate. que não conseguirá agora. Eles têm condições de retomar a trilha evolutiva. para reconstruir.

tocando campainhas portáteis. vem exigir. pois está habituado apenas a expedir ordens e não a debater problemas. experimentado e violento. desta lembrança. que personalizam os problemas que enfrentam e os colocam na “perigosa” faixa de sintonia emocional que abre as portas de acesso à intimidade do ser. pois vinha nos afirmando. Estao ali somente para colher elementos para suas decisões. Pobre irmão desorientado! Num irresistível processo de regressão de memória. Para me dar uma idéia da sua grandeza. a execução ficará sempre a cargo de seus asseclas. escravos. Comparece para observar. contemplou. são chefes. consciente ou inconscientemente. Tais dirigentes são ágeis de raciocínio. inteligente. 83 13 O DIRIGENTE DAS TREVAS Esta é uma figura freqüente nos trabalhos de desobsessão. que emergiu. invisível aos nossos olhos. para que todos abrissem alas e soubessem quem vinha. de “elevada” condição. temem tais revelações. indicadores. envolventes. ou seja. na tolerância. como se a contemplação do sofrimento alheio provocasse neles generalizada insensibilização. Não dispõe de paciência para o diálogo. estudar as pessoas. é arrogante. que eu não o estava tratando com o devido respeito — o que não era verdadeiro — porque achava impertinentes minhas perguntas e comentários. como os pobres componentes de um grupo de desobsessão. enfim. anéis. Um deles me disse. ainda mais com seres que considera inferiores e ignorantes. ordenar. a fim de poder tomar suas “providências”. sentir mais de perto os métodos de ação do grupo. deixaram-no em estado de choque e desespero. incontrolável. calculista. ameaçar. iam à frente dele áulicos. Acostumado ao exercício da autoridade incontestada. Foi geralmente um encarnado poderoso. informou- me que. na desconfiança. acólitos. sua antiga condição: participara do doloroso drama da Crucificação do Cristo. mesmo porque. Enquanto odeiam e infligem dores aos outros. guardas. que ocupou posições de mando. certa vez. estão esquecidos das próprias angústias. quando se deslocava. gostam de deixar bem claro. na humildade. pois o poder de que desfrutam não pode escorar-se na doçura. no ódio. que era um dos trabalhadores do Cristo e não desejava senão restabelecer o poderio da “sua” Igreja. envolvidos em imponentes “vestimentas”. mas de tremendo realismo para ele. Estão rodeados de servidores. dos registros indeléveis do seu perispírito. “montados” em “animais” ou transportados sob “pálios”. Não são executores. Evitam descer do pedestal em que se colocam para revelar-nos seus problemas pessoais. O impacto desta revelação. Situa-se num plano de olímpica superioridade e nada vem pedir. portando símbolos. . com horror. às vezes “armados”. inescrupulosos. desde a primeira manifestação. como figuras de grandes sacerdotes e imperadores. intimidar. Comparecem cercados de toda a pompa. sondar o doutrinador. e sim na agressividade. assessores. frio.

aqueles que se deixaram converter à doutrina do amor. Sorria. consultavam a ele. simples mortal. manobrava os grandes. muito envaidecido de sua brilhante inteligência e do poder e satisfação que isso lhe dá. mas havia sido convidado — e gentilmente acedeu. naturalmente. estudar personalidades. ele verifica que o problema é mais complexo do que esperava. Mostra-se amável. à improvisação. que se apresentaram posteriormente ao nosso grupo. evidentemente. pois sempre desprezou. Há um “post scriptum” a esta narrativa: a conversão deste companheiro representou uma perda irreparável para as hostes das sombras. Pelas reações de irmãos. Consultara a lista de “baixas” que a organização solicitante havia sofrido. por certo — para dar “parecer” sobre o caso de que estávamos cuidando. Os planejadores são elementos altamente cre- denciados e respeitados na comunidade do crime invisível. sentem-se sem condições de estudar meticulosa-mente e traçar friamente um plano de trabalho que se desdobre como vasta e complexa operação de um xadrez psicológico. e os executo res teleguiados. Citarei um. Acha que foi um mal sufocar o pensamento e não permitir que a razão imperasse na Igreja. culto. Nada de gritos. porém. porque já àquele tempo era um hábil articulador. já que sua tarefa é noutra organização. que sente enorme satisfação ao recordar que. dizia-se muito importante e foi logo declarando que não era dos que executam. de murros ou de -violências. Apresentou-se mansamente. é excelente dialético. Era um sacerdote. não expede ordens. pensador sutil e aproveita-se de qualquer descuido ou palavra infeliz do doutrinador para procurar confundi-lo. que lhe pediam conselhos e sugestões. Sente- se. da sua “humilde” posição. em caso de alguma falha ou mudança de condições básicas. como queiram: acha-se um cínico. Aliás. informou. em elevadas posições hierárquicas. um complicado problema de obsessão. que não sou líder e não tenho condições de negociar com ele. Nada pode ser deixado ao acaso. Tem um momento de honesta candura. 84 14 O PLANEJADOR Este é frio. Com o passar das semanas. propõe um acordo entre dois lideres: ele e eu. Maneja muito bem o sofisma. que procure meus superiores. nem as executa. impessoal. propor concessões e arquitetar alternativas e opções. Não se envolve diretamente com os métodos de trabalho das organizações trevosas. Dar-nos-á uma trégua. para tratamento. até. através da reeducação moral de que nos fala Kardec. limita -se a estudar a problemática do caso e traçar os planos com extrema habilidade. ao impulso. com toda honestidade. aparentemente tranqüilo e sem ódios. Tivemos vários casos dessa natureza. entendendo-se por “baixa”. ou seja. com o qual não pretende envolver-se. É preciso prever reações. Sua meta: restabelecer o prestígio da Igreja. soubemos da perda . que hoje estaria ainda dominando os homens. inteligente. Digo-lhe. mesmo “em vida”. Por isso. pois em sua organização o trabalho era bem distribuído. os planejadores gozam de enorme prestígio e respeito nas organizações trevosas. também desequilibrados. porque os impetuosos e agressivos chefes. ou realismo. aqueles que. pertencia a outro setor de atividade. valendo-se de sua brilhante inteligência. É evidente. e se apresta a abandonar o caso. muito abalado nestes últimos tempos. A certa altura.

estarão sozinhos diante de seus próprios problemas pessoais. dotado de habilidade bastante para demonstrar. Sua perda acarreta uma desorientação geral. e. e todos têm direito à utilização dos recursos da organização: seus técnicos. organizam verdadeiro estado-maior de lideres brilhantes. A essa altura. Por isso. Como não conseguem admitir isso. mas também a segurança da organização. planejamento e ação. Nessas estruturas rígidas. Seus companheiros de direção costumam ser impetuosos homens de ação. já estão agindo à base do impulso emocional. o despertamento desse companheiro. a coisa tem que funcionar com muita precisão e firmeza. experimentados e audaciosos. ali. logo após a perda de um elemento importante — planejador ou executor —. para as hostes da sombra. por mais forte que seja este. para os companheiros que permanecem na organização das sombras. que o interesse coletivo precisa sobrepor-se ao individual. Formam suas estruturas organizacionais segundo as afinidades. É hora. Tudo se fará no tempo devido. admitir que alguém tão lúcido e brilhante se tenha deixado convencer por um doutrinador encarnado. pois julgavam-no nosso prisioneiro. tudo a tempo e hora. conquistas de posições —passam a constituir objeto de cogitação coletiva. O planejador é o poder moderador. desde que os fins sejam alcançados. para levá-lo “de qualquer maneira”. isoladamente. se não tiverem quem os contenha dentro de um inteligente planejamento global. Nada de ações isoladas. onde não se admite o fracasso. que se entregam facilmente ao impulso desorientado de partir para a ação pessoal isolada. que domina pelo terror impiedoso. como tal. planejada e executada com precisão militar e dentro de rigoroso regime disciplinar. Os irmãos desorientados empenham-se em verdadeiras campanhas belicosas. É preciso compreender bem tais reações. destemido. É difícil. No interesse de todos. dos conchavos. somente podem concluir pela alternativa mais viável: o companheiro foi seqüestrado. dos gritos. E o . Seus comparsas compareciam dispostos a tudo para resgatá-lo. Eles sabem muito bem que. perseguições. Toda campanha é estudada. portanto. nas quais tudo vale e tudo é permitido. da ameaça. figura importantíssima na ordenação dessas tarefas maquiavélicas. seus instrumentos. acima de tudo. por achar-se ligado à organização poderosa. o planejador exerce função importantíssima. e provar aos “cabeças-quentes”. agressivo. atabalhoadas. implacável. É preciso reunir forças e desencadear uma ação fulminante para resgatá-lo. fatalmente comparece ao grupo um truculento representante das trevas. que proteja não apenas os inte resses de cada um dos componentes. das ofertas de trégua. ou então. segundo os interesses que tenham em comum. pois. seus “soldados” e trabalhadores de toda a natureza. violentado em sua vontade e levado prisioneiro para alguma perdida masmorra. porém. ao desligarem-se da organização. por certo. ainda mais em situações de crise. dos murros. Équando mais precisam de um competente planejador. senão impossível. É preciso que cada componente da sinistra máfia espiritual compreenda que os casos pessoais de cada um — vinganças. 85 irreparável que representou. submetendo-se à mesma estratégia: estudo. Quem falhar perde a proteção de que desfruta. Para alcançarem os objetivos que têm em mira. têm que esperar a vez e a oportunidade. porque é dos poucos. então. O planejador é. que conservam a cabeça fria para conceber os planos estratégicos indispensáveis. que desperdiçam esforços e põem em risco a segurança da comunidade. que nunca foi bom conselheiro. mas.

propor concessões e arquitetar alternativas e opções. mas quase nunca dispõem de condições para estudar meticulosamente e traçar fria-mente um plano de trabalho. Está convicto de que o Espiritismo precisa de uma “revisão” atualizadora e ele é um dos que colaborou no preparo de certa matriz (palavra sua) que dará origem a uma forma “moderna” de Espiritismo. É preciso prever tais reações. É portanto.. por fios e aparelhagem de transmissão. apoiados pelos companheiros que lá ficam. Daí a importância que os trabalha dores do bem conferem aos planejadores. É estranho que ignorasse isto. bem como gravações e relatórios a nosso respeito. se o soubesse. minuciosamente levantadas. acham-se ligados aos seus redutos. Os líderes militares são bons na ação. 86 desespero de não tê-lo leva ao desvario. naqueles redutos.. no decorrer da sessão mediúnica. A tarefa é muito mais sutil. até mais do que nós. num ou noutro coração mais predisposto ao apelo do amor fraterno. na eventualidade de alguma falha ou mudança das condições básicas inicialmente articuladas. comprar armamentos e entrar em ação. Nada pode ser deixado ao acaso. tentou recuar e voltar sobre seus passos. porque envolve inúmeros fatores imponderáveis. aos planejadores elaborar a programação da “cam- panha”. Aos poucos. estudar o terreno. não teria vindo. como no tempo em que exerciam tais funções na Terra. cabendo. no século passado. mas já era tarde. Ao incorporar- se no médium. Há pouco. Hesita e negaceia. à improvisação. sendo esse material todo colhido na indormida vigilância que exercem sobre nós. Identifica. Esquecem-se de que. vai revelando sua história. uma pessoa que teria conhecido na França. para que não sejam arrastados pela “fraqueza” da conversão ao bem. Declara-se conselheiro e planejador da organização à qual se acha filiado. num membro encarnado do grupo. contemporâneo de Kardec e não esconde que conhece a Doutrina Espírita. ao vê -lo. mas para tentar recuperar um Espírito que havíamos conseguido atrair e convencer de seus enganos. * Um desses sutis planejadores nos causou impressão profunda. com o propósito de se manterem firmes. Não estão lidando mais com dados concretos. parecendo estar realmente desarmado e perplexo. estudam-nos em grupos de trabalho. segundo informa. Essa matriz era sustentada pelas emanações mentais de alguns .) Conhece o nosso mentor e. Tinham nossas “fichas” completas. ao impulso. que se desdobre como vasta e complexa operação de um xadrez psicológico. sem falsa modéstia. falava um desses líderes das trevas sobre a sofisticação da sua aparelhagem. então. pois não sabia que o grupo era aquele e. que muitas vezes os deixa completamente desarvorados. Mesmo enquanto conversam conosco. Andaram gravando nossas reuniões em “video tape” — a expressão é dele mesmo — para estudar-nos. certos impactos. demonstra indisfarçável embaraço por encontrar-se ali. Depois de tudo documentado. Não viera especificamente para debater conosco. Fora realmente apanhado desprevenido. por aqueles mesmos dispositivos. que subitamente emergem da imprevisível condição humana. estudar personalidades. inter- rogado com prudência paciente. Não basta preparar soldados e equipamentos. a conversa do doutrinador também é transmitida e produz lá. Daí o prestígio e o respeito que esses brilhantes estrategistas gozam nas comunidades trevosas.

até que ele se acalma um pouco e começa a dar-me conselhos e fazer algumas confidências. . em que ele vai revelando sua história. Afinal. e parte. agarra as nossas mãos. para vazar a sua cólera. em pranto.. parece tomar uma decisão mais drástica e começa a falar em altos brados. Também a sua perda desencadeou sobre o grupo um processo de agressões violentas e passionais. chama-nos de amigos e nos adverte — agora com total sinceridade — dos riscos da nossa tarefa. um comentário. mas também das inúmeras vezes em que. a seu ver. Lembra-se de passadas encarnações e da constante presença do Cristo em suas vidas. e continua a sentir-se embaraçado diante de nós. Está em crise. traiu o Mestre. Encaixo. Gostaria de voltar a ser um humilde galileu. orando ao Cristo. com o que ele parece concordar com o seu silêncio. mas sinto nele falta de convicção. uma substancial parcela de poder e proteção para uma filha que estaria encarnada e muito assediada por Espíritos trevosos. Ë difícil encontrar um bom planejador para repor uma “baixa” importante como essa. 87 companheiros encarnados. que prevê. a essa altura. atuantes no movimento e aos quais foi prometida uma fatia de poder. Por fim. para ele. admite que não fez acordo com a treva: ele é a própria treva. meramente informativa. dizendo-lhe que nenhum pacto a protegerá dos seus compromissos cármicos. Depois de uma longa conversa. Deixo-o falar. a sua frustração e o seu temor.. Está perfeitamente consciente de suas responsabilidades e não deseja recuar do pacto feito com seus superiores. a dar com as mãos na mesa.

em caso que. e os apelos. e ele. os despachos e. “Estes também — diz o artigo já citado. os laudos. 88 15 OS JURISTAS Muitas vezes nos encontramos com esses trabalhadores das sombras. quando previstos nos “códigos” pelos quais se orientam (ou melhor. segundo este jurista invisível.” São também impessoais e frios aplicadores das “leis”. São os terríveis juristas do Espaço. se desorientam). E até as revisões. pobre irmão. a sentença — invariavelmente condenatória. eu havia apelado. os autos do processo. tão compenetrados de suas tarefas como quaisquer outros. Na sua opinião. Quando pediu ao contínuo que lhe passasse os autos. segundo informam ao doutrinador. O engano foi. Abriu sobre a mesa o caderno. aliás. os depoimentos. . em tom áspero e imperioso: — Não é este. em “Reformador” de fevereiro de 1975 —. seu mesmo.. invisível a mim. qualquer juiz terreno. desde o desencaminhamento de jovens inexperientes. . foi descobrir que estava lendo os autos de seu próprio processo! Trouxera consigo um servidor da sua equipe apenas para “carregar” os autos. autoritários e seguros de si. como também autos já arquivados. as perícias. até assassinatos. exoneram-se facilmente de qualquer culpa porque. Um desses juizes deu-me a honra de trazer. cingem-se aos autos do processo. os pareceres. e começou a citar a lista de crimes que o acusado havia cometido. é o outro! O “outro” era o dele! Já me trouxeram também os autos do processo de minha “heresia”. medianamente instruído. este lhe deu a documentação errada. as audiências. para argumentar comigo. por fim. coisa indigna de sua elevada condição de magistrado. Todo o formalismo processualístico ali está: as denúncias. Só depois. com sentença profe rida. porque o bedel lhe dera primeiro um dos processos. proferiria a mesma sentença diante daqueles fatos.

apenas executa ordens. parece entrar em pânico e não consegue ocultar certo temor. Empenhara-se num processo tenebroso e complexo. de amor. Não podia compreender como estávamos ajudando o “menino”. desses companheiros desarvorados. ameaça e diz-se um dos trabalhadores do Cristo. com as sombrias cores do rancor. a ausência do filho amado. ele que sempre foi destemido homem de ação. começamos a conseguir dele alguma reação positiva. Não se teria dignado comparecer diante de nós. que tanto nos esforçávamos por ajudar o filho. aos seus vícios e às suas deformações. ofereço-me para ajudá-lo. embargada. deblatera. Usualmente. Agasalham-se na crueldade agressiva e fria. com todo o nosso afeto e dedicação. e depois. Ao cabo de algum tempo de diálogo. ao longo de muitos anos de prática mediúnica. Quantos deles encontramos nos trabalhos de desobsessão! São remunerados das maneiras mais engenhosas e diversas. É justamente isso que ele não entende: descobrira que. no entanto. que não lhe era possível nem visitar. mal conseguia conter o seu ódio e a sua irritação. Era. a chorar o tempo perdido. incompreensível. deixou-nos uma das mais comoventes lições. Descobrira que os mais terríveis obsessores de seu filho eram precisamente os companheiros da sua própria organização! E. sem dramas de consciência. à sua espera. sem remorsos. Ao manifestar-se. Seus “soldados” estão lá fora. porém. Quando me lembro disso. de arrependimento. com vistosas condecorações. Havia mais. Outros são estimulados a atos de particular “bravura”. Aquilo era demais para a sua compreensão.. Conhece- me de longa data: sempre fui um herético impenitente. obteve permissão para transmitir-nos uma mensagem de gratidão. enquanto ele tudo fazia para perseguir-nos. a princípio. estávamos já servindo. metido a reformista. nada tem de pessoal contra suas vítimas inermes. Um deles me exibia. de fato. mesmo sem o saber. ridiculariza. quanto às atrocidades que pratica. a serviço de um grupo que dispunha de vasto plano de atividade. a troco de nada... de obsessões violentas. Quando. Pergunto-lhe se não tem alguém a quem possamos servir. mas que deixava aos nossos . Há os que são compensados com prazeres mais vis. uma preciosa condecoração por um gesto de enorme dedicação à causa de seus mandantes: empenhara-se em castigar sua própria irmã! Outro. 89 16 O EXECUTOR Sente -se também totalmente desligado da responsabilidade. nas várias vezes em que compareceu ao grupo. com orgulho e frieza. com as luminosas tintas do amor e da emoção. sofrida. treinara “soldados” para nos dar combate sem tréguas. a nós. as que mais se ajustam à sua psicologia. a um Espírito muito querido ao seu coração.. Já vimos o exemplo do sacristão que era pago com suculentas refeições e vinhos deliciosos. Passadas algumas semanas. Consideramo-la uma das coisas mais lindas e mais emocionantes que tivemos. que em antiga encarnação fora seu filho e que nunca mais esquecera. em alguma coisa de que necessite. Revela sua elevada hierarquia. sus tentados por luminosos trabalhadores espirituais. sem temores. sem exigir coisa alguma. pois não é o mandante. se não nos tivéssemos metido em coisas que não eram de nossa conta. escrita. ainda me parece ouvir sua voz pausada.

Não nos impressionemos com a sua violência e agressividade.. 90 cuidados. Sustentava-o a esperança de um reencontro alhures. pobres irmãos desorientados. Assim são eles. preservou-se em seus corações a pequenina chama do amor. . no tempo e no espaço.. como ele precisava. a despeito de si mesmos. um dia. Estava de partida para uma nova encarnação. que se prenunciava de muitas dores e renúncias. Trazem dores milenares e. um dia. Basta um sopro de compreensão e afeto para que ela se reacenda.. para o reajuste..

desde que os objetivos que escolheram sejam alcançados. encarnadas e desencarnadas. é intenso. às vezes. com a qual justificam seus impulsos e sua tática. que podiam vender animais para os sacrifícios do Templo”. pelos séculos. o protetor de Abigail. mantendo estreito intercâmbio.. mediante influência de certo Alexandre. como aquela em que o Cristo declara que não veio trazer a paz. André Luiz nos dá uma pequena amostra dessa atividade em “Libertação”. que Zacarias. das motivações daquele gesto: a vergonhosa comercialização das coisas sagradas e a indústria do sacrifício de pobres animais inocentes. violentos. ao qual deu o título de “Estranha moral”. Os “religiosos” desorientados invocam também outras passagens. esquecendo-se. Parece terem freqüentado a mesma escola no Além. quando se acham parcialmente libertos os encarnados. conseguiu.) Kardec tratou dessas questões no capítulo 23 de “O Evangelho segundo o Espiritismo”. suas organizações sinistras e implacáveis parecem eternizar-se no comando de vastas massas humanas. Apresentam-se. fizestes dela um covil de ladrões!” A esse comércio vil. como a cena da expulsão dos vendilhões do templo. nas organizações reli giosas a que se filiaram. A determinadas horas da .. o instrutor —. dizendo: Não está escrito: “Minha casa será chamada casa de oração. Muitos daqueles cambistas e negociantes não passavam de meros “testas-de-ferro” dos donos da verdade. aqui e lá. porque também se revezam no poder. empenhados na defesa da “sua” Igreja. quase sempre. e do dinheiro. não a si mesmos. nem fica sem explicações. 91 17 O RELIGIOSO É impressionante a elevada participação de transviados “reli giosos” no trágico e doloroso desfile de Espíritos em lamentável desequilíbrio. mas a espada. ainda — diz Gúbio. em “Paulo e Estêvão”. deliberadamente. Multidões de ex-prelados debatem-se. bem escolhidas aos seus propósitos. Constituem equipes imensas. inteligentes. (Mateus. São argutos. Ainda comentaremos tais problemas. que invocam como exemplo de que a violência é. estavam associados os próprios sacerdotes. como zelosos trabalhadores do Cristo. Quase sempre exerceram. parente próximo de Anás. que se revezam na carne e no mundo espiritual. impiedosos e arrogantes. Realizam-se reuniões. quando cuidarmos especificamente das técnicas e recursos sugeridos para o trabalho de desobsessão. agressivos. no capítulo “Observações e novidades”. pois tudo se permitem. O grande problema desses queridos companheiros desarvorados é o poder. 10:34. que se arrastam. por todas as nações? Entretanto. Estão acostumados a dominar os outros. O intercâmbio. “incluir-se entre os negociantes privilegiados. e. estudo e planejamento. posições de mando e destaque. Emmanuel informa. pois costumam trazer os mesmos argumentos. para debate. — Ao mesmo tempo — escreve Mateus (21:13) — os instruía. orgulhosos. a extensão do intercâmbio entre encarnados e desencarnados. por isso. à noite. no mundo póstumo. Têm os seus temas prediletos. em angústias e rancores inominá veis. nas sessões de desobsessão. vida após vida. O gesto não é gratuito. às vezes. necessária e justificável. a mesma teologia deformada. — “Não mediste.

esses pobres “ministros de Deus” (1) A organização visitada. mantendo um ritual pomposo e meramente exte rior. enorme cidade das trevas. o desespero. encontrarão o espectro temido da dor. Agindo sob hipnose. suas jóias e todos os símbolos de suas posições. ou seja. Ai daquele que se intromete em seus afazeres e tenta impedir a realização de seus planos criminosos! precisa estar muito bem preparado. sem que ele o soubesse. é irresponsável e perturbada. e do exercício da opressão e da intimidação. isto é. Celebram suas missas pregam sermões. Comparecia uma vez por semana à presença do nosso amigo encarnado e o induzia aos desatinos dos sentidos desgovernados. por fuga ou fraque za. Por aqui. aqueles que a conquistaram pela ardilosa sagacidade. as lágrimas. prazeres. que vivia alegremente. 75 por cento! André não fala especificamente de reuniões promovidas por religiosos. 92 noite. pela influência natural do sono. pela prepotência e total desinteresse pelos aspectos éticos das questões envolvidas. Encontrava-se muito bem preparada pelos seus ínstrutores. Totalmente teleguiada. Vivem em “construções” suntuosas e soturnas. Comparecem. Não é maldosa. Conservam. a quem estávamos interessados em ajudar. investidos de enorme autoridade. guardado na prece e assistido por Espíritos do mais elevado teor vibratório. atuava precisamente naquilo que constituía o principal problema do companheiro encarnado: sexo. era simples instrumento sob o poder implacável de seus senhores. com penosa ingenuidade. permanecem detidos nos círculos de baixa vibração qual este em que nos movimentamos provisoriamente (1). na irresponsabilidade da sua inconsciência. muitas vezes se forjam dolorosos dramas que se desenrolam nos campos da carne. sentam-se em “tronos”. não fosse o trabalho ativo e constante dos Espíritos protetores que se desvelam pelos homens no labor sacrificial da caridade oculta e da educação perseverante. Conta que “ainda ontem. Grandes crimes têm nestes sítios as respectivas nascentes e. Quando eu lhe disse que era mero instrumento em mãos alheias. Enquanto estão ali. têm diversões. na missa. três pessoas em cada quatro. dessas orgias. cercam-se de áulicos prontos a executar-lhes o menor desejo. seus paramentos. que se sairem dali. nos contou. Era “remunerada” com “roupas” luxuosas e bonitas e. três quartas partes da população de cada um dos hemisférios da Crosta Terrestre se acham nas zonas de contacto conosco e a maior percentagem desses semilibertos do corpo. de quem cuidamos certa vez. Ao longo de muitos séculos de intriga política. cuja libertação é o tema central do livro. evidentemente. era dirigida por um ex-papa. Ligara-se a um ser encarnado. sob a égide do Cristo. Uma jovem desencarnada. ela respondeu que não.” Prestaram bem atenção? Três quartos da população encarnada na Terra. mas estas são ativas. assim. desde que atinjam seus fins. freqüentes e tenebrosas. acontecimentos mais trágicos estarreceriam as criaturas. vestidos bonitos e até mesmo os “tranqüilizantes” psicológicos para a . certamente. participando. desenvolveram apurada técnica de trituração. no mundo espiritual. Dispõem de recursos extremos e não hesitam em empregá-los. vigilante. Sabem. aliás. tal como faziam aqui na Terra. Monsenhor falou que era preciso evitar o aguilhão”. gostava da sua tarefa. pois gozava de inteira liberdade.

desde que os ajude a alcançar seus objetivos. Quantos companheiros não socorremos. ela não teria coragem de vir me ver. provocando pavorosas desfigurações perispirituais.. tagarelando inconseqüentemente. para estes irmãos religiosos transviados. para dizer que “quando eu vou lá. ela me confessa que veio escondida. como disse. Seus artífices não ignoram as verdades contidas na Doutrina Espírita. Há. tudo convém. com o qual ex-“ministros de Deus” conseguem manipular. dizem. Sim. como alega. porque um sacerdote. levam-nas às missas que celebram e absolvem-nas dos pecados que porventura tenham cometido. Na sessão seguinte compareceu um sacerdote. Poderia ser minha filha. os ex-inquisidores. seu amigo. fora traída por uma mulher.. a perdoava e a estimulava a prosseguir na sua deplorável tarefa. o que parece impressioná-la... sempre as mesmas. Nesse ponto. carregando correntes imaginárias. precisamente a moça da semana anterior. Tinha forte sotaque alemão e era o “guia espiritual” do nosso companheiro encarnado. é verdadeira a doutrina da reencarnação. mas nem tudo nos convém. misturam os conceitos de uma deformada teologia com os ritos da magia negra e com as técnicas da hipnose e da magnetiza ção. roidos pelos ratos. reconhecem. todas se escondem”.. então sob tratamento em nosso grupo. e ela responde que. apavorados. sem dúvida. Mais um argumento que ela intimamente reconhece legítimo. É. mas ela teme e hesita. sem saber o que fazer. com rancor e consciência tranqüila. mortos a fome. entre eles. mais fanáticos do que nunca. muitos sem condições sequer de chorar. “Eles” não podem saber. Viera em busca da filha que desaparecera. prossegue. pobres inocentes úteis que lhes caem sob o poder. Aproveito o ensejo para dizer-lhe que. diante do que sabem. também. em medonhas masmorras infectas. faço uma prece e ela se sente perdida. nem têm como negá-la. quase pura. nesse caso. porque ex-sacerdotes fanatizados e duros ministram- lhes “sacramentos”. atoleimados. mantêm os mesmos processos de tortura e de encarceramento. digo-lhe. com os olhos ou a língua arrancados. Todo esse arsenal alucinante de opressão e miséria tem como suporte uma teologia que lhes é própria. à vontade. em outra vida — não ficamos sabendo se casada com o seu antigo marido —. — Portanto — digo-lhe eu — você não tem liberdade. enceguecidos pelas trevas. 93 consciência atormentada. Ainda rancorosos. no fundo. acaba cedendo e parte com ela. desmembrados. desencadeando processos obsessivos penosíssimos. sinto-a interiormente ingénua. se eu fosse seu pai. atormentava-a livremente. Pobre irmão desgovernado! Ignorava que ela estava sendo vergonhosamente explorada pela mesma “organização” a que ele servia! Dizia Paulo que tudo nos é lícito. mas . Localizando esta agora. realizando verdadeiras lavagens cerebrais. embora va riadas na forma. Vê uma jovem serena e bela que a chama. alienados. tuberculosos. Por fim. um plano maquiavélico. mas justificam suas atrocidades com frases estereotipadas. ainda sentindo as sensações de estrangulamento. Uma das infelizes criaturas a que atendemos certa vez. não anda fazendo boas coisas. A despeito de seus desvairamentos. seja lícito ou não. Mas. por exemplo. E assim. nos contou a seguinte história: numa existência anterior.. A Igreja a admite há muito tempo.

conscientes das grandezas do Evangelho de Jesus. tais grupos se envolvem em autênticos vespeiros. dois porcos num só. quando se passam para o mundo póstumo. o período de . como eles entendem que seja. a todo custo. cuidadosamente preparada. fanático e não mau. com surpreendente brevidade. Para os antigos comparsas. nem o inferno aterrador. sob o guante de terríveis obsessões. porém. Quantos me têm interpelado. antes ainda da Reforma Protestante. graças a Deus. especialmente no Brasil. com a cumplicidade de muitas fraquezas humanas. éramos sacerdotes católicos. ao tentarem ajudar companheiros encarnados ou desencarnados. o movimento espírita moderno. quando conseguirem restaurar todo o poderio da Igreja. procurando. Alguns dos mais destacados membros da hierarquia eclesiástica também vencem. É claro. e os grupos que intentam salvá-las das suas afli ções precisam estar realmente bem preparados. me disse. apóstatas que têm de destruir. arrependidos de seus desatinos passados. que o alvo de preferência de suas investidas é o Espiritismo. Muitas vezes. 94 conserva tais conhecimentos limitados a uma elite pensante. o leitor. envolvem. planejam e executam. Certamente que sim. e. os obsidiados são peças importantes no complexo jogo de xadrez das sombras. pronta. nem tampouco o purgatório lendário. A esta altura.. lavar as manchas de crimes hediondos que cometeram. estaria perguntando se não há sacerdotes de boa índole. tramam. mas apenas as condições que criaram para si mesmos. ou serão impiedosamente esmagados pela agressividade dos poderosos dirigentes das trevas. certa vez. ou seja. Verdadeiras batalhas travam-se em torno de determinadas figuras humanas. Por outro lado. são trânsfugas desprezíveis. que cumpre esmagar. É que. em que era honra concedida aos reis beijarem os pés dos Papas. Outros se empenham em “recuperar-nos”. Os grupos espíritas de trabalho mediúnico interferem direta ou indiretamente em seus planos. pois essas informações não devem ser transmitidas à massa popular. com ódio e desprezo: — Protestante e espírita. para ser lançada no momento oportuno. Outro. conhecendo meu passado. Um dia. conta com enorme quantidade de antigos sacerdotes. São eles os serenos párocos de aldeia. pois da última vez em que fomos companheiros. São muitos os que rapidamente se adaptam às condições do mundo espiritual. em não poucas oportunidades. monges e frades que se dedicaram à caridade e ao serviço ao próximo. no mundo espiritual. algo impressionado. que muitos combateram “em vida” e que prosseguem combatendo. seja com ameaças. Esse momento é sempre o mesmo: quando restabelecerem novamente o domínio total sobre a Humanidade. buscava -me há mais de quatro séculos. esses conhecimentos serão liberados e o Evangelho do Cristo será novamente pregado tal como é. no entanto. com as mais terríveis invectivas! Um deles.. próprias e alheias. pois. tanto na Igreja Católica como na Protestante. seja com promessas sedutoras ou barganhas inaceitáveis. tal como no passado. entre aqueles que foram pequenos e humildes servidores da Igreja. onde não encontram nem o céu de gozos inefáveis. em grande número. Enquanto isso. Um deles me declarou. com muito mais freqüência. em nova encarnação. com redobrado ardor. uma nova versão do Evangelho. que existe. heréticos que precisam calar.

diria mesmo fenomenal. desde a visita que vos fiz. vol. que nos tratava com superior condescendência. elevado à mais alta dignidade eclesiástica. também. Comovente.. Os ambiciosos desejam o poder. na maioria sem grande preparo intelectual. capaz de confundir a inteligência mais atilada e a criatura melhor provida de conhecimentos teológicos e profanos. * Muitas são as lições dolorosas que nos ministram os dramas vividos por esses pobres irmãos que insistem em declarar-se trabalhadores do Cristo. agora. porém. sem oprimir. De outro cardeal desencarnado ouvi. julho/1939 a dezembro/1940. o Infinito como que se havia transmudado e novo cenário se me deparou. edição da FEB. prejudicial ao Catolicismo”. Extraordinário fenômeno. homens terrenos. de que somente tomamos conhecimento por via indireta. em virtude do íntimo conhecimento dos bastidores políticos da Igreja.” (1) Fora daqueles que. página 137. mas ocorrem. são as pequenas manifestações anônimas. o exercício (1) “Trabalhos do Grupo Ismael”. é a obra em que colaborais. criaturas simples. Estupenda. pelo considerar falsa e errônea essa doutrina. Quando daqui regressei. na Terra de Santa Cruz. foi acolhido por um velho e humílimo criado de quarto. 1941. também. Compilação do Dr. “em vida”. “procurara. demonstrava a sua contrariedade pelos efeitos que a minha visita produzira em meu espírito. a lamentosa queixa do arrependimento. meios de conseguir que cessassem as atividades da Federação. Um dos poderosos “Príncipes da Igreja”. na propaganda do Espiritismo. manifestado no Grupo Ismael. em sua comunicação. 95 perplexidade em que mergulham com a desencarnação. juntamente com outros digni tários da sua Igreja. cabisbaixa e encolhida num recanto. impetuoso e arrogante. ao ver o bravo cardeal render- se espontaneamente àqueles que todos consideravam como adversários. vós outros. não pelo combate ao Espiritismo. a ambição e o fanatismo parecem coexistir no mesmo Espírito. Examinando suas tendências. segundo suas próprias declarações na sessão anterior. meus irmãos. venho entre vós. quando dispunha de tantos recursos e poderes. Às vezes. malquistos pela sociedade perversa dos vossos dias. socorrido exatamente na organização que tentara fazer calar. Guillon Ribeiro. grandiosa. certa vez. que o servira nos seus dias de glória. estudando suas atitudes e pronunciamentos. separadas. Note-se. a referência à coorte dos que o seguiam e ao desapontamento em que ficaram. que não mereciam piedade nem consideração. Era. creio que poderíamos identificar duas posições básicas. A coorte dos que me acompanhavam. em serviços preciosos. Não sabem viver sem mandar. neles: ambição e fanatismo. servidor da Igreja. na sua segunda comunicação: — “É estupenda a metamorfose que se operou no meu Espírito. Medito e considero: eu. da autoridade. declara. sem impor sua . beber da água da vida que o ensino da Igreja romana nunca pôde proporcionar ao meu espírito sedento. Um deles. mas pelo que deixara de fazer de bom.

Estão convencidos de que sua forma de pensar é a Única certa. 96 vontade e suas idéias. como sacerdotes judeus. e sim pelo poder que uma teologia deformada e bem manipulada pode proporcionar. incontestada. não estão . despertam para a realidade. ligam-se a Outros poderosos do passado. Muitos desses Espíritos repetem incessantemente seus enganos por séculos a fio. Às vezes. Para isto. por exemplo. Quantos deles não nos têm confessado sua impaciência e irritação ante a desagregação da autoridade da velha organização eclesiásfica terrena! Não é essa a imagem da Igreja com que sonham. que está sempre recuando e entregando- se. É comum encontrarmos.. tanto aqui. para esses objetivos. Quanto aos fanáticos. mas porque o consideram uma odiosa heresia. acham-se abri gados da dor. ditatorial.. repetiram a experiência. que alguns deles chegaram mesmo a combater tenazmente. o fanático puro serve de instrumento ao ambicioso. conservaram os modelos medievais. quando toda a sua atividade e todas as suas verdadeiras convicções são um desmentido formal à doutrina de amor contida nos Evangelhos. como no mundo espiritual. não essa aí. repondo a esclerosada organização terrena no seu antigo “esplendor”.. como se acuada. autoritária. perfeitamente entrosados com antigos governantes leigos que se revelaram indiferentes às questões pura- mente religiosas ou francamente hostis ao movimento cristão.. com os quais celebram pactos sinistros de apoio mútuo. poderosa. Outro ajudou a apedrejar Madalena. Desde que constituam bons parceiros na conquista das posições. Um terceiro lamentava ter queimado uma santa. Querem-na forte. condicionam-se a um esquecimento das antigas circunstâncias. Seria Joana dArc? Todos esses sabem muito bem por que fogem às lembranças do passado: é que as recordações arrastam-nos. um esconderijo. Combatem o Espiritismo. como nos tempos idos. Para que essas mudanças tão radicais de posição teológica não os incomode. sempre disputando posições de relevo. pois este não se interessa pelo pensamento religioso em si. não tanto porque desejam posições de mando. Enquanto estão ali. O esquecimento deliberado e auto -induzido é uma fuga. como a de declararem-se em luta pela restauração da Igreja do Cristo. as tenebrosas alianças realizam-se. Não importa. ante o impacto traumático de revelações que dormitavam em seus indeléveis registros perispirituais. com exclusão de todas as demais. e voltam a insistir. nem sempre são ambiciosos. quando de suas passagens pela carne. Foram hierofantes de decadentes cultos egípcios. No fundo. quaisquer que sejam as crenças em que se apóiam. Por isso. É certo que. encontram apoio nos mais insuspeitados setores da atividade humana. buscando sempre os núcleos do poder. para partilharem do vasto bolo do poder. sacerdotes de ele vada hierarquia eclesiástica. de onde possam mano brar. suas hipocrisias. a enfrentar suas próprias contradições íntimas. como prelados católi cos. sustentadas e impulsionadas pela filosofia da restauração da “verdadeira” Igreja do Cristo. como aquele imponente “servidor” do Cristo que acabou descobrindo que participara pes- soalmente do drama da cruz. para não terem que enfrentar conscientemente uma realidade estranha. seus desvios. se e quando o reconquistarem. suas fraquezas. Só lhes resta reimplantar esses modelos entre os encarnados. inapelavelmente. com todo o seu cortejo de vícios. No mundo espiritual em que vivem. entre os desencarnados. no sentido da disputa do domínio político. Movem-nos ambições desmedidas.

97 interessados. mas há tanto tempo se condicionaram a essa atitude. especificamente. sabem muito bem que não são trabalhadores do Cristo. o poder. nesta ou naquela teologia — o que importa é a ação. É preciso um impacto mais violento para desalojá-los de suas terríveis auto-ilusões. No fundo. que acabam por se convencer da sua autenticidade. .

desarvorados intimamente. O Espírito. Viveu. acabam por reconhecer que continuam vivos depois da “morte”. de suas vontades. está relatado um caso desses. Outros. vendo e sentindo. A relutância é. mas se recusam a admitir que “morreram”. senão a satisfação de suas ambições. pois estão pensando e falando. endurecidos nas suas convicções. do que admitirem. se preciso fosse. que foram ludibriados por sua própria descrença na verdade superior. nada é sagrado. A súbita e inoportuna revelação da nova condição em que se encontram. promovendo negociatas. embora confusos. roubando. através de um corpo que. não foram intrinsecamente maus. apenas desencantados. no artigo “Lendo e Comentando”. tais posições foram meramente filosóficas. totalmente desligado da nova realidade que vivia. evidentemente. seguros e tranqüilos. ainda presos aos seus interesses terrenos. vivera agarrado aos seus bens e. por nome Tom. que avilta todos os sentidos e anestesia cada vez mais as faculdades e a sensibilidade. não apenas pelo esquecimento de suas mi sérias íntimas. porque isto implicaria reconhecer que o materialismo que professavam éinteiramente falso. na carne. são daqueles que. Quando incorporados aos médiuns. porém. falsificando. mas porque lhes proporciona os prazeres mais gros- seiros a que se habituaram. Disputaram fortunas a ferro e fogo. Ao contrário dos teóricos do materialismo. Para estes. vaidade. não é o seu. embora. A objetiva realidade da vida póstuma põe-nos em estado de total confusão. São mais acessíveis. intrigando. estes são os que o praticam. pois somente nela se sentem relativamente felizes. convicto de que além da matéria nada existe. A despeito da descrença em qualquer tipo de realidade póstuma. vai sendo conduzido a admiti-la. o choque desperta para uma condição que eles não poderiam jamais admitir sem o impacto da desencarnação. ele sobreviveu. além da morte. poderá colocá-los em lamentável estado de choque emocional. em todos os sentidos. e mais prontamente aceitam a nova realidade. É preciso conduzi-los com tato e paciência. 98 18 O MATERIALISTA Este não constitui problema difícil. na sua imaginação. a princípio. nada importa. só há o silêncio e a escuridão do não-ser. isto é. no mundo espiritual. no trabalho de esclarecimento. na aparência. Preferem continuar negando. Temos que compreender que é difícil àquele que não acredita na sobrevivência admitir que. continuava a mani pular as moedas. Alguns deles. continuam a viver no mesmo clima de maquinações e articulações. ainda. de que. descrentes da vida espiri tual. Aos poucos. de seus desejos. . Em “Reformador” de setembro de 1975. a despeito da descrença em si mesmo. Lembram-se das doenças que tiveram. tratado com extrema habilidade e carinho por uma excelente doutrinadora inglesa. por algum tempo. platônicas. e. ao mesmo tempo em que se deixaram arrastar pelo sensualismo pesado. Às vezes. indiferentes. Geralmente desejam a volta à carne. especialmente. perseguindo aqueles encarnados e desencarnados que se atravessaram no seu caminho. entregaram-se de corpo e alma ao culto desenfreado da ma téria. ao seu ouro. honestamente. Em outros. matando.

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O INTELECTUAL
Nem sempre é materialista. A escala cromática aqui é ampla e variada.
Encontramo-los de todos os feitios, variedades e tendências. Há-os descrentes,
indiferentes, materialistas, espiritualistas, religiosos ou não. Foram escritores,
sacerdotes, artistas, poetas, médicos, advogados, nobres, ricos, pobres. Quase
sempre se deixaram dominar por invencível vaidade, fracassando na provação
da inteligência.
No binômio cérebro/coração, no qual o homem deve buscar equilíbrio,
deixaram disparar na frente um dos componentes, em sacrifício do outro.
Brilhantes, demoram-se na doce e venenosa contemplação narcisista da
própria inteligência, fascinados pelos seus mecanismos, sua engenhosidade e
os belos pensamentos que produzem. Julgam-se geniais — e muitas vezes o
são mesmo. São bons argumentadores e, quando movidos para objetivos bem
definidos, tornam-se verdadeiramente difíceis de serem despertados, pois se
acham solidamente convencidos do poder e da força das suas próprias
fantasias, suas doutrinas, seus sofismas e suas auto-justificações.
Vemo-los, às vezes, na condição de ex-sacerdotes também, como exímios
criadores de tais sofismas. Estudaram profundamente os Evangelhos e a
teologia ortodoxa. Leram os seus filósofos, escreveram tratados, pregaram
sermões belíssimos, do ponto de vista literário, e tanto consolidaram suas
construções, que acabaram acreditando nelas. São estes que constituem o
diálogo mais difícil para o doutrinador. Não se exaltam, nem dão murros.
Parecem, mesmo, suaves e tranqüilos. Têm respostas prontas e engenhosas
para tudo, fazem perguntas bem formuladas, procurando confundir, para
desarvorar o interlocutor.
Ao cabo de algum tempo de observação atenta, descobrimos que o
intelectualismo é como qualquer outra forma de fuga; é também um
esconderijo, para o Espírito que reluta em enfrentar uma realidade dolorosa.
Se conseguirmos restabelecer o vínculo, que sempre deverá existir, entre
cabeça e coração, estaremos a caminho de ajudá-lo. Narrarei um caso prático,
para ilustrar o que desejo dizer com isso.
O companheiro apresentou-se irônico, aparentemente muito seguro de si. É
culto, inteligente, bom sofista, versado em filosofia, em teologia e até mesmo
nos textos evangélicos, que cita com a maior facilidade e propriedade.
Conversamos longamente, e ele não perde oportunidade de ridicularizar-me,
ante minha pobreza intelectual e cultural. Num momento de incontida irritação,
chama-me de débil mental e idiota, mas logo se contém, ao ser chamado
àatenção por um companheiro desencarnado de mais elevada hierarquia,
como depois verificamos.
Mesmo com a voz pausada, deixa escapar suas terríveis ameaças, dizendo
que nosso barco vai virar e seremos empurrados para o fundo, com barco e
tudo.
— Dessa vez — diz ele — não vai ser fácil. Você vai cair do galho, macaco!
Segundo diz, há muito me segue e tem vontade de dizer algumas verdades
na minha cara, porque ainda tenho muito do homem velho, com o que
concordo plenamente. Não sabe por que não as diz, pois está certo de que, se
isso acontecesse, naquela mesma noite o grupo estaria liquidado. (Está,
certamente, sentindo os controles do médium.) Fala do cerco que me vem

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fazendo, até mesmo nas minhas atividades profissionais, e refere episódios ve-
rídicos, para demonstrar sua familiaridade com o que diz respeito à minha vida
particular. Conclui dizendo que, há tempos, quase conseguiram derrubar-me.
(Há sempre um quase, na bondade infinita de Deus, quando nos empenhamos
na tarefa abençoada de servir.)
Ao cabo de longa conversa, despede-se, algo sonolento, mas firme nas
suas convicções. Oro por ele durante toda a semana e, na reunião seguinte,
ele volta.
Não está mais tão irônico e seguro de si, como da primeira vez. Perdeu a
aparente serenidade, revelando-se profundamente irritado, furioso mesmo,
ameaçador, agressivo, impaciente. Deve ser por causa da perda do valoroso
companheiro que na semana anterior o advertira, quando me chamou de débil
mental e que, com a graça de Deus, conseguimos despertar.
Declara-se um líder, e que, se eu tivesse visão espiritual, veria que todos os
seus companheiros estão ali, atrás dele , como um bloco. Estão prontos e
dispostos a desencadear a luta. As ameaças são terríveis, mas sinto -o mais
desesperado do que rancoroso. Diz que transpusemos todas as barreiras e que
é preciso um basta final.
Enquanto conversamos, outro médium do grupo avisa-me que ouve
bimbalhar de sinos e, em seguida, sons de órgão. Ele também ouve, mas
recusa-se a reconhecer a situação, que, obviamente, teme, e insiste em
retomar o debate filosófico-religioso. É a fuga desesperada ante toda e
qualquer aproximação da emoção, que não seja o frio jogo de palavras a que
está habituado e que o anestesia espiritualmente.
De vez em quando, dirige-se, irritado, a alguém invisível, que lhe cita
trechos evangélicos. Em uma dessas, diz, nervoso:
— Eu sei. 4:19, Primeira aos Coríntios. (1)
Segundo me diz o outro médium, a música prossegue a vibrar dentro dele.
A essa altura, ele começa a apalpar o seu médium: a face, os olhos e o corpo,
demorando-se nas mãos. Começa sutilmente a crise. Ele conclui, em voz alta,
que são mãos de um organista (que o médium foi, realmente, em antiga
encarnação, na Ale manha). Pouco depois, ainda irritado, ante minha evidente
falta de acuidade, diz-me que é cego! E mesmo assim domina, é um líder!,
informa, satisfeito consigo mesmo. Sinto por ele uma compaixão infinita e me
dirijo a ele com ternura, como se a pedir-lha que me perdoe por não ter notado
isso antes. Pergunto se permite que tentemos curá-lo, e ele recusa
energicamente.
A essa altura, não consegue mais evitar que a música domine todo o seu
ser. Fala sobre acordes que lhe causam verdadeiros choques. A crise
aprofunda-se e ele ouve agora, irresistivelmente, a música sublime de um
organista incomparável. Tenta desesperadamente fugir dela, tapa os ouvidos,
bate com os cotovelos na mesa, cantarola uma canção, e diz a si mesmo:
— Reaja, frouxo!
Mas a torrente daquela música divina, que ele tem o privi légio de ouvir,
arrasta-o irresistivelmente. Segundo me informam

(1) “Mas, Irei logo onde estais, se for da vontade do Senhor; o então,
conhecerei, não a palavra desses orgulhosos, mas o seu poder.”

do mundo espiritual, ele costumava ouvir os recitais sempre do mesmo lugar,

101

na terceira fila à direita. Digo-lhe isso, enquanto ele parece também
reconhecer, daquele tempo, o seu médium atual.
Por fim, graças a Deus, a emoção daquela música inesquecível domina-o
inapelavelmente. Está arrasado e murmura:
— Ele é um monstro... Tudo nele é grande.. -
Refere-se, por certo, ao organista que, do invisível, toca para ele neste
momento. Logo a seguir, começa a chorar, vencida pela emoção que há tanto
sufocou em seu coração generoso. A música que ele amava, e compreendia
como poucos, foi o instrumento sutil que a misericórdia divina utilizou para
restabelecer o perdido contacto entre coração e mente, que andavam
divorciados.
Trato-o com infinito carinho e amor fraterno, e quando lhe peço perdão pela
dor que lhe causamos naquela crise necessária, ele retruca, entre irritado e
confuso:
— Não peça perdão, seu tolo!
Em seguida parte, ainda em pranto e com a visão recuperada.

102

20
O VINGADOR
Vingar-se é ir à forra, punir alguém por aquilo que fez ao vingador e, por
isso, vingança é uma palavra-chave nos trabalhos de desobsessão e
esclarecimento. Aquele que se dedica a essas tarefas, precisa estudá-la a
fundo, suas origens, suas motivações, seus mecanismos e as soluções que lhe
estão abertas.
É preciso entender o vingador e aceitá-lo como ele se apresenta, se é que
pretendemos ajudá-lo, pois ele é, antes de tudo, um pri sioneiro de si mesmo,
através da sua cólera e da sua frustração. Sua maior ilusão é a de que a
vingança aplaca o ódio, quando, na realidade, o alimenta e o mantém vivo. Sua
lógica é, ao mesmo tempo, fria e apaixonada, calculada e impulsiva, paciente e
violenta, e sempre implacável. Envolvido no seu processo, ele nem sequer
admite o perdão, e é capaz de perseguir sua vítima através de séculos e
séculos, ao longo de muitas vidas, tanto aqui, na carne, como no mundo
espiritual.
Quase sempre a vingança desdobra-se a partir de um caso pessoal, mas é
comum encontrarmos também o vingador impessoal, aquele que trabalha para
uma organização opressora. Ainda ve remos isso mais adiante.
O vingador observa, planeja e espera a ocasião oportuna e o momento
favorável. Não se precipita, mas não esquece: sempre que pode, interfere,
ainda que seja somente para espetar uma agulha em sua vítima indefesa.
Casos tremendos e persistentes de obsessão vingativa resultam de amores
frustrados, traidos ou indiferentes. Paixões irrealizadas ou aviltadas despertam
os mais profundos sentimentos de revolta. De outras vezes, são crimes
horrendos, como assassinatos, espoliações, desonras, difamações, iniqüidades
de toda sorte.
O vingador é aquele que tomou em suas mãos os instrumentos da justiça
divina. Não confia nela, ignora-a ou não tem paciência de esperar por ela. Não
sabe, ainda, que o reajuste virá fatalmente, através da lei de causa e efeito.
Todo aquele que fere com a espada, há de ser ferido por ela, segundo nos
advertiu o Cristo. É certo, porém, que chegado o momento do resgate, a lei não
exige que alguém — seja quem for — tenha que empunhar a espada para ferir
o irmão devedor. Pode dar-se muito bem que ele se fira acidentalmente, caindo
sobre um instrumento, por exemplo, ou morrendo numa intervenção cirúrgica,
em princípio destinada a preservar-lhe a vida e, portanto, sem nenhuma
intenção de cortar o fio que mantém unidos corpo físico e perispírito.
Em mensagem transmitida a Francisco Cândido Xavier, o “Irmão X” narra
um episódio desses, em que uma atrocidade praticada no ano 177, ao tempo
de Marco Aurélio, veio a ser cobrada pela lei, na tragédia de 17 de dezembro
de 1961, na cidade fluminense de Niterói. As simetrias são perfeitas. Não faltou
um só elemento nessa cobrança coletiva e despersonalizada. Aqueles que
ajudaram a promover o dantesco episódio de Lyon, há quase dezoito séculos,
reuniram-se no circo de Niterói. As mesmas correrias, o mesmo atropelo, a
mesma passagem estreita por onde alguns escaparam ao inferno. (1)
Tivemos, certa vez, um caso de vingança que muito nos marcou. Alguém
nos pedira ajuda espiritual para uma jovem em constante estado de revolta,
angústia e desajuste. Colocamos seu nome em nosso caderno de preces e
aguardamos. Sem muita demora, duas ou três semanas após, compareceu ao

Por outro lado. É extremamente complexo o processo da vingança. E adormeceu. “Reformador” de março de 1962. Era preciso. duas criaturinhas encantadoras. que atrás da porta seguinte. Parece que lhe restou uma esperança de reconquista.. De certa forma. em situações como essas. que não há sofrimento sem motivo. pois viviam num castelo. Disse-me. mas isso. Se a odiasse simplesmente. não importa. em antiga existência. segundo os deformados “códigos de honra” daquela época. ou ignoram. ainda mais o exacerbou. porque. Que Deus nos abençoe. porque sofreu horrores. que ele ternamente dizia que eram dois anjos. é porque. nesse ínterim. os vingadores sempre se esquecem. como. já traiu também. nem para vingar-se. a tragédia. O vingador pensa odiar uma criatura que ele ainda ama. aquele que nos feriu colocou-se à mercê da reparação. com sua falta contra nós. por sua vez. a lei universal nos proporciona os elementos para exercê-la. já a teria esquecido e não se manteria preso a ela durante tanto tempo. As dores que se seguiram consolidaram seu ódio. por isso. todos os dias. E como poderemos negar indefinidamente o perdão de uma falta cometida contra nós — por mais grave que seja — se também precisamos de que as nossas próprias faltas sejam perdoadas? Mas. foi realmente o que os salvou do tene broso drama. não apenas por causa do assassinato da esposa. Lembrei-me de perguntar se não tinham tido filhos. por desdobramento.. trouxeram-lhe. no passado. longe de pacificar seu coração ou aplacar seu rancor. quase sempre dolorosa. Sente-se vazio e cansado. dolorosa. No caso. — Você é um trapo. temia ele acertadamente. que o colocaria em uma situação de ternura que ele queria evitar. Seu drama é que. que não a perseguirei mais. na Idade Média. um casal. já sabendo o que vai encontrar: a cena inesquecível do flagrante de traição. ainda. o que interessa no momento — e esse momento dura séculos! — éa vingança em si mesma. para tê-la totalmente sob seu domínio. Ele sabe da sua responsabilidade e está bem consciente de que responderá pelos novos crimes que pratica para vingar-se. para ele. ele perseguiu o Espírito da antiga amada. como ela. a despeito de tudo. em razão do horrendo crime do suicídio. mas persistente. e eu também — diz a ela. através dos séculos decorridos. inconsciente. No caso sob exame. que ele se recusava sempre a transpor. — Somos dois trapos. Não tem mais ânimo. tênue. É o paradoxo do ódio-amor. Fora seu esposo (1) “Tragédia no Circo”. No entanto. Seu desejo. e a história desenrolou-se. o Espírito da ex- esposa. do qual percebíamos apenas as suas falas. à mesma hora. 103 grupo o Espírito indignado de seu perseguidor. manter acesa a chama rubra do ódio que. Realmente tiveram. Tanto ele. segundo ele. no entanto. E. também. tiveram outras vidas. ele abre determinada porta. Vá em paz. Matou-a e suicidou-se. o vingador sente -se um instrumento da justiça . não poderia subsistir ao lado da doçura do amor paterno. há um curioso processo emocional que o doutrinador precisa conhecer e empregar. e. Eram gente abastada e provavelmente da nobreza. se ele sofreu traição. Houve um diálogo emocionado. Na sessão seguinte. desde então. agora. sabia que encontraria os filhos amados. era o de levá-la ao suicídio (a jovem sofria realmente de impulsos suicidas). e ela estava novamente encarnada.

. pela santificação. às suas angústias. com todo o direito de exercê-la. alguém ouviu dizer. que sofre um processo vingativo. por motivos outros. por sua vez. alhures no tempo e no espaço. O Espírito pode vingar-se longa e profundamente. certa vez: — Sou o responsável por todas as dores que os teus vêm sofrendo há muito tempo. . o ofensor libera-se pela dor. um processo obsessivo. pois as culpas são resgatadas também através do amor e não apenas da dor. ao mesmo tempo em que ele se vinga. que lhe concede um crédito de confiança.. caso contrário. e demora-se nas sombras do sofrimento. é que o vingador atinge a vítima (que se colocou fora de seu alcance) através daqueles que lhe são caros. ele reabre o ciclo da culpa e expõe-se. ou insiste em cobrar. eles diferem sutilmente: obsessão muitas vezes é vingança. à melhora íntima. nesses casos. Não há sofrimento inocente na justiça divina. havia resgatado pela própria aflição que procura punir a seu modo. porém. Embora tenham muito em comum. por situar-se fora de seu alcance. os “cobradores” alcançam-na fazendo sofrer aqueles que a cercam e que. para um pormenor: isto não significa que sofram os justos pelos devedores. Por outro lado. portanto. empenhada em sincero e ho nesto processo de recuperação. De um pobre irmão. o perseguidor. que se voltará contra ele. Se conseguirmos convencer o vingador da lógica férrea desse mecanismo. estaremos em condições de ajudá-lo a libertar-se. são impiedosamente sacrificadas ao ódio. à mercê de seu algoz. nem os pais pelos filhos. dedicado à prece. esquecido de que está reassumindo um compromisso que. às vezes. ele seguirá escravo da sua própria vingança. envolvido em antiquíssima trama vingativa. necessariamente. coloca-se sob a proteção da própria lei divina. por suas falhas pessoais e por suas conexões espirituais com a vítima. encarnado e desencarnado. mas a vingança não é. Não há outras opções: ou ele perdoa e segue à frente. ao longo do tempo. empenhando-se apenas em criar-lhe dificuldades e dores. Não sei se me faço entender. O que acontece. por qualquer razão. responde do mesmo modo.. porque ao errar expôs-se ao reajuste. sem desencadear obsessões à sua vítima. Sem poderem. Atenção. angústias e frustrações. nos seus métodos de ação e no que poderíamos chamar de sua filosofia. ao serviço ao próximo. mas. ou a esposa pelo marido. mesmo devendo. em parte. com um passivo enorme de faltas ainda por resgatar. novamente à lei. enquanto ele. atingir a vítima visada. à vingança indireta. mas que também se acham em débito perante a lei. Assistimos. Consideramos diferentemente o obsessor e o vingador. é que. e acaba. 104 divina. de certa forma. que lhe faculta a decisão de agir. de vez que o livre-arbítrio. perante a lei desrespeitada.. Isto não quer dizer que a vítima indireta seja invulnerável ou inatingível. pelas conseqüências amargas e inelutáveis que provoca. poderá estar a salvo da obsessão em si mesma. está. Ao vingar-se. continua preso à sua problemática e. É que o Espírito.

. eles nos levariam ao juiz. colocando-nos. o assunto precisa ser abordado com muita prudência e lucidez. como a da obsessão. pois o que seria de nós se tudo lhes fosse permitido? Quando. expostos àcobrança? A partir do momento em que nos atritamos com as leis divinas. deixaram aberturas para futuros desdobramentos. de que podem fazer mau uso. Os Instrutores do eminente Codificador colocaram a questão naquele clima de prudência e lucidez de que há pouco falávamos. que um “homem mau” não poderia. a fim de não serem tomados de surpresa nas suas tarefas redentoras. sob o título “Poder oculto. realmente. nos credenciamos a esse amparo? Talvez seja melhor reformular a questão: Quando nos tornamos vulneráveis e. a época não estava madura para o aprofundamento do problema. levando em conta as superstições que prevaleciam àquele tempo. Com freqüência. Ensinaram. de “O Livro dos Espíritos”. porque “Deus não o permitiria”. declarando que tais fatos são naturais. Disseram. cujo escopo era o de entregar aos homens uma síntese didática acerca do Espírito e suas manifestações. Quanto à crença no poder de enfeitiçar. não obstante. fazer mal ao seu próximo”. caso em que possível se torna serem secundados por outros Espíritos maus”. donde somente seríamos liberados depois de cumprida toda a pena. porém. ao alcance de dores inomináveis. Obviamente. no mundo espiritual. o pensamento contido nesse período é. mas submetidos às conseqüências de nossas próprias ações. Extremamente complexo e delicado. limitando-se a respostas sumárias que. especialmente porque éescassa. Feiticeiros”. até o último centavo. mal observados e. os Espíritos foram cautelosos. Foram muito sóbrios os Espíritos. persistem nas suas práticas e rituais. abrimos a eles as portas da nossa intimidade. portanto. não abandonados por Deus. É assim que um Espírito faltoso coloca-se. Realmente. não fora de sua proteção. Talismãs. ou de pessoas que dele se socorrem. do seu relacionamento com Deus e com o Universo. ao mesmo tempo. como podemos veri ficar do exame das questões números 551 a 557. “com o auxílio de um mau Espírito que lhe seja dedicado. nesse particular. terão oportunidade de observar tentativas de envolvimento do grupo e de seus componentes. amplo e exato. nem seria isto apropriado no livro básico da Doutrina Espírita. 105 21 MAGOS E FEITICEIROS Os trabalhadores da desobsessão não devem ignorar a reali dade da magia negra. o sufi ciente para formular-se um juízo sobre a matéria. e o juiz nos mandaria à prisão. O próprio Cristo advertiu-nos de que. O tema não ficou indiferente a Kardec. mal compreendidos. mas que “algumas pessoas dispõem de grande força magnética. por exemplo. se não nos reconciliássemos com os nossos adversários. Naquilo que Deus não o permite. promovidas por antigos magos e feiticeiros que. A despeito da notável economia de palavras. a literatura doutrinária de confiança existente. seria desastroso que qualquer Espírito desajustado pudesse fazer conosco o que bem entendesse. por exemplo. porém. mas estejamos certos de que. se maus forem seus próprios Espíritos. sobretudo. nada podem fazer os Espíritos ainda voltados para o mal — e essa é a nossa proteção. portanto. ao cometer nossos desatinos.

invocações. nem talismã. que tenha qualq uer ação sobre os Espíritos.” Lamentavelmente não temos ainda um estudo aprofundado dessa curiosa temática. têm a sua história viva e. porqüanto estes só são atraidos pelo pensamento e não pelas coisas materiais. que não passam de médiuns agindo em consonância com seus companheiros desencarnados. Sobre a influência dos astros. com a pergunta 554. e prosseguem: “Não há palavra sacramental nenhuma. por vezes. os nomes que recebem. Se as influências astrais não favorecem a determi nadas criaturas.) Dentro dessa mesma linha de pensamento. por causa da “simbologia sagrada das palavras”. Também os números “possuem a sua mística natural”.” (Destaques meus. Os próprios objetos armazenam energias que ainda não estão bem definidas para nós. reconhece. — “Os objetos — responde Emmanuel à questão número 143 —. símbolos. segundo suas vibrações. às vezes. com ou sem razão. Realmente. em que os fatos se apresentam exagerados pela imaginação. atrair um Espírito. da pureza da intenção e da elevação dos sentimentos depende a natureza do Espírito que é atraído. porém. pelo pensamento. “O Espiritismo e o magnetismo nos dão a chave de uma imensidade de fenômenos sobre os quais a ignorância teceu um sem-número de fábulas. no entanto. a existência planetária é sinônimo de luta. as influências que podem exercer. de seus antigos possuidores no mundo. dentro do contexto das leis naturais. para expli cá-la em termos de conhecimento científico.) Do que se depreende que o talismã. então. por efeito mesmo dessa confiança. porque.” (Destaques meus. ingênua ritualística da magia. por vezes. posturas. O campo magnético e as conjunções dos planetas influenciam no complexo celular do homem físico. assim formulada: “Não pode aquele que. insistiu. mas funciona como uma espécie de condensador de energias psíquicas emanadas do operador que. apetrechos e instrumentos de que se valem os operadores. em si. bem como as inúteis complicações dos ritos. por exemplo. atrai os seres desencarnados que lhe são afins. como muito bem observa Kardec. podem constituir o ponto de atenção das entidades perturbadas. temos o Evangelho. A Doutrina empenha-se em negar é o caráter sobrenatural que alguns procuram atribuir aos fenômenos. achando-se cada homem sob as influências que merece. em sua formação orgânica e em seu nascimento na Terra. mas. e o Evangelho nos ensina que cada qual receberá por suas obras. visto que. O Espiritismo não ignora o fenômeno. nenhum sinal cabalístico.” Kardec. confia no que chama a virtude de um talismã. ensina Emmanuel (1) que: — “As antigas assertivas astrológicas têm a sua razão de ser. esclarecem que todas são mera charlata naria. retirando-lhe a aura de mistério e ocultismo. aberto. urge que estas lutem contra os elementos perturbadores. nada vale. razão por que parecem tocados. o que atua é o pensamento. não passando o talismã de um sinal que apenas lhe auxilia a concentração?” “É verdade — respondem os Espíritos —. 106 Sobre as fórmulas. em seguida à Questão número 555. acima de todas as verdades astrológicas. em nota de sua autoria. como vimos. de . racional. sobre Espíritos encarnados ou desencarnados. mormente os de uso pessoal. o escla recido mentor. fórmulas. nem o nega. mas é certo que o Espiritismo tem condições para desmistificar muito da complicada e.

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singulares influências ocultas, porém, nosso esforço deve ser o da libertação
espiritual, sendo indispensável lutarmos contra os fetiches, para considerar tão-
somente os valores morais do homem na sua jornada para o Perfeito.”
(Destaques meus.)
O assunto mereceu também observações, ainda que sumãrias, de André
Luiz, em “Evolução em dois Mundos” — livro que talvez ainda levemos meio
século para desdobrar em todas as suas implicações. Diz o autor espiritual
que, a certo ponto da história evolutiva...

(1)“O Consolador”, questão numero 140.

- ... “Iniciou-se o correio entre o plano físico e o plano extrafísico, mas,
porque a ignorância embotasse ainda a mente humana, os médiuns primitivos
nada mais puderam realizar que a fascinação recíproca, ou magia elementar,
em que os desencarna dos, igualmente inferiores, eram aproveitados, por via
magnética, na execução de atividades materialonas, sem qualquer alicerce na
sublimação pessoal.”
E prossegue:
— “Apareceu então a goecia ou magia negra, à qual as inte ligências
superiores opuseram a religião por magia divina, acentuando-se a formação da
mitologia em todos os setores da vida tribal.”
“A luta entre os Espíritos retardados na sombra e os aspirantes da luz
encontrou seguro apoio nas almas encarnadas que lhes eram irmãs. Desde
essas eras recuadas, empenham-se o bem e o mal em tremendo conflito que
ainda está muito longe de terminar, com base na mediunidade consciente ou
inconsciente, técnica ou empírica.”
Essa digressão introdutória tornou-se indispensável para que a nossa
penetração no lusco-fusco da magia conte com um suporte de bom senso e
racionalismo, a funcionar como fio de Ariadne, que nos permita transitar pelos
seus meandros, sem o menor temor de perder o caminho de volta.
Não resta dúvida de que os fenômenos elementares de magia reportam-se
às eras primitivas, como nos assegura André Luiz. Embora os autores
especializados procurem distinguir magia de feitiçaria — e ainda veremos isto
um pouco adiante — a Enciclopédia Britânica lembra que o termo inglês para
esta última — “witchcraft” — quer dizer a arte ou ofício do sábio, de vez que a
raiz semântica da primeira seção da palavra — “witch” — está associada com a
palavra “wit”, saber.
Realmente, os magos, originários, segundo Lewis Spence (1), da antiga
Pérsia, eram cultores da sabedoria de Zoroastro. Possivelmente da raça média,
adquiriram enorme prestígio, especialmente,

(1) “An Encyclopaedia of Occultism”, University Books, New York, 1960.

ao que parece, depois que Ciro os institucionalizou, ao fundar o império persa,
sobre o qual exerceram considerável influência político-religiosa. É evidente
que esse prestígio tinha que ser alicerçado em rico acervo de conhecimentos,
pois o homem sempre respeita e, às vezes, teme aquele que sabe.
“Religião, filosofia e ciência — escreve Spence — estavam todas em suas
mãos. Eram médicos universais que curavam os doentes do corpo e do espírito
e em estrita consistência com essas características, socorriam as mazelas do

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Estado que é apenas o homem em sentido mais amplo.”
Distribuíram-se em três graus: os discípulos, os professores e os mestres, o
que vale dizer que o conhecimento de que dispunham os grandes mestres era
ministrado por processos iniciáticos, à medida que o discípulo revelava
condições de absorvê-lo e aplicá-lo rigorosamente, segundo os métodos e
interesses da Ordem.
A organização correspondeu generosamente ao apoio que recebeu de Círo,
muito contribuindo, com seus recursos, para consolidação das conquistas do
rei persa, mas, por volta do ano 500 antes do Cristo, entrou em desagregação,
especialmente por causa da tenaz perseguição de Dario Histaspes.
Emigrações em massa espalharam-nos pela Capadócia e pela Índia, mas
ainda eram uma força respeitável ao tempo de Alexandre, o Grande (356-323
a. C.) que, segundo Spence, sentiu-se enciumado de seus poderes.
São profundas as implicações da magia em alguns cultos reli giosos, mais
intensamente, é claro, nos primitivos, tanto quanto na medicina, na astrologia,
no magnetismo, na alquimia e em certas correntes místicas que prevalecem
até hoje.
Lewis Spence declara, no seu erudito verbete, que, a seu ver, misticismo e
magnetismo são idênticos para alguns ocultistas, entre os quais cita, em
tempos recentes, Auguste Comte, o Barão du Potet e o Barão de
Guldenstubbé, este último autor do livro “La Realité des Esprits”, publicado em
1857. (1)
Sir James Frazer (2) considera magia e religião uma só coisa, tão
identificadas se acham entre si. Isto é provavelmente verdadeiro

(1) Ver o artigo “O Tempo, o preconceito e a humildade”, em “Re-
formador”, agosto/1975.
(2) “The Golden Bough”, MacMilian, New York, 1951, eruditíssimo tratado
sobre magia e religião que, mesmo em forma condensada, apresenta-Se
com 827 páginas de texto. A obra completa consta de 12 volumes.

para as primitivas crenças, mas não para as religiões mais recentes, que
embora conservem sinais exteriores dos antigos cultos — simbolos, ritos,
fórmulas, encantações —, perderam contacto com os seus aspectos
esotéricos.
Um conceito reproduzido por Spence informa-nos que o apelo aos deuses
constitui prática religiosa, enquanto a prática da magia tenta forçá-los à
complacência. A religião é freqüentemente oficial e quase sempre organizada,
enquanto a magia é, usualmente, proibida e secreta.
Embora Spence nos fale da magia na Pérsia, sabemos que ela floresceu
amplamente no Egito, muito antes da época citada na sua obra. Os livros
mediúnicos de Rochester, vários deles publicados pela FEB, narram, com
minúcias de extremo realismo, processos terríveis de magia e ocultismo, como
em “O Chanceler de Ferro” e “Romance de uma Rainha”.
O segundo livro do Antigo Testamento — o Êxodo — especialmente nos
capítulos de números 5 a 13, narra o duelo entre os magos egípcios e hebreus,
ante a aturdida expectativa de todo o país.
Já antes disso, no capítulo 4, os guias espirituais de Moisés conferem-lhe
poderes ostensivos, pois certamente ele deveria conhecer bastante acerca dos
rituais e da teoria que os sustentava.

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O Espírito que se apresenta como Jeová ordena que conduza o povo
hebreu para fora do Egito, mas Moisés revela sua impotência em convencer
sua gente a segui-lo.
— Não acreditarão em mim — diz ele — nem ouvirão a minha voz, pois
dirão: Jeová não te apareceu coisa alguma.
— Que tens tu na mão? — pergunta-lhe Jeová.
— Um cajado.
— Atira-o ao chão.
Mal atirado ao solo, o cajado transformou-se numa serpente. Ante o temor
de Moisés, o Espírito disse-lhe que a agarrasse pelo pescoço, o que ele fez,
voltando a serpente a ser um mero cajado.
Essa mesma “mágica”, no melhor sentido da palavra, Moisés faria diante do
Faraó e sua corte.
Segundo Will Durant (1), a crença na feitiçaria, na Idade Média, era
praticamente universal. “O Livro da Penitência”, do Bispo de

(1)“The Age of Falth”, Simon and Schuster, New York, 1950.

Exeter, condena as mulheres “que professam a faculdade de modificar a mente
dos homens pela feitiçaria, ou encantamento, como do ódio para o amor ou do
amor para o ódio, bem como enfeitiçar ou roubar os bens dos homens”, ou
ainda as que declaram “cavalgar durante certas noites certos animais, com um
bando de demônios em formas femininas, ou estarem em companhia de tais”.
Quando a Igreja resolveu entrar em cena para coibir a prática, criou-se um
clima de terror que, ao mesmo tempo em que combatia as crendices, parecia
atribuir-lhes certa substância, que mais as autenticavam na imaginação do
povo inculto, porque ninguém combate aquilo que não teme. As conseqüê ncias
dessas impiedosas perseguições foram danosas e lamentáveis para o
entendimento do fenômeno mediúnico, e é bem provável que a notícia que os
Espíritos superiores vieram trazer a Kardec, no século 19 pudesse ter sido
antecipada de um século ou mais, se em vez de queimar os médiuns
medievais, sob a acusação de que mantinham pactos com o demônio,
procurassem estudá-los com respeito e interesse. A despeito disso, não foram
poucos os prelados católicos que, durante toda a existência, mantiveram cultos
paralelos de magia negra, com os seus estranhos rituais.
Ao escrevermos este livro, o mundo moderno assiste, algo perplexo, a um
fantástico ressurgimento da magia negra e da feitiçaria, por toda parte e, desta
vez, não nos países menos desenvolvidos, ou primitivos, e sim nos de mais
avançada tecnologia e mais sofisticada cultura, como a Inglaterra, os Estados
Unidos, a França, a Itália.
A Britânica, tanto quanto Sir James Frazer, atribui à magia origens
nitidamente religiosas, sob a forma de cultos à base de animais sacrificados.
Oferendas de sangue e de estranhas substâncias eram feitas para propiciar os
deuses em troca de favores, fosse em benefício de alguém ou com a intenção
de destruí-lo.
Entre os ritos destinados a destruir um inimigo, por exemplo, o mais antigo,
dramático e conhecido, consiste em modelar uma pequena estátua
representativa da vítima, geralmente em cera, e, com os métodos apropriados,
espetá-lo com agulhas e punhais.
Seria impraticável, num resumo como este, repassar todo o campo da

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magia e empreender sua avaliação em termos de Doutrina Espírita;
poderemos, não obstante, tentar oferecer algumas noções colhidas em
alentados livros, facilmente encontráveis no mercado, praticamente em todas
as línguas vivas.
Um desses autores é o médico francês, Dr. Gérard Encausse,
contemporâneo de Allan Kardec, que, sob o pseudônimo de Papus, escreveu
abundantemente sobre o assunto. Seu filho, o Dr. Philippe Encausse, também
médico, revelou igual interesse pela matéria, produzindo algumas obras sobre
o assunto, como “Sciences Occultes et Déséquilibre Mental”.
Colheremos algumas informações na obra de Papus intitulada “Tratado
Elementar de Magia Prática”. (1)
Antes de mergulharmos no seu livro, creio útil transmitir ao leitor espírita
uma idéia da posição de Papus em relação ao
Espiritismo:
“Existe, não obstante — escreve ele, à página 11 de seu livro —, uma forma
de experiências mágicas próprias para as pessoas pusilânimes, e que
aconselharemos a quantas desejarem divertir-se, dedicando, à sobremesa,
alguns momentos aos fenômenos de espiritismo. Nada têm de difíceis e sim
muito consoladores, e, afinal de contas, situam-se a tal distância da verdadeira
magia, que não há a temer nenhum acidente sério, desde que não se esqueça
da precaução de deixar as coisas no momento oportuno.”
Ao apreciar alguns aspectos da magia, da qual o Dr. Encausse é admirador
ardoroso, tentemos não ser tão radicais e superficiais como ele, em relação ao
Espiritismo.
Papus acata o princípio, também lembrado por Sir James Frazer, acima
citado, segundo o qual o mecanismo da magia precisa de um veículo entre a
vontade humana e as coisas inanimadas. Na opinião de Sir James Frazer, toda
a magia baseia-se na lei da simpatia, ou seja, “as coisas atuam umas sobre as
outras, a distância, por estarem secretamente ligadas entre si por laços
invisíveis
“Para isso — escreve Papus — o operador deverá aplicar sua vontade, não
sobre a matéria, mas sobre aquilo que incessantemente a modifica, o que a
Ciência Oculta denomina o plano de formação do mundo material, ou seja, o
plano astral.” (O primeiro destaque é meu; o segundo, do original.)
Esse plano, os magos concebem como sendo as forças da na tureza, das
quais, por certo, tanto se utilizam os trabalhadores do bem, como os outros.

(1) Tradução de medial Shaiah, 1974, 5ª edição da Editorial Kier, Buenos
Aires, do original francês “Traité Elementaire de Magia Pratique”.

“Não cabe dúvida — prossegue Papus — que são as forças da natureza
que o mágico deverá pôr em ação, sob o influxo da sua vontade; mas que
classe de forças são essas?”
Diz ele que são as forças hiperfísicas, assim entendidas as que apenas
diferem das energias meramente físicas nas suas origens, pois emanam de
seres vivos e não de mecanismos inanimados.
No fenômeno da pronta germinação, crescimento da planta e produção de
frutos, que alguns faquires teriam realizado, segundo testemunhos nos quais
Papus acredita, aconteceria apenas uma abundante doação, à semente, e
depois à planta e ao fruto, das energias orgânicas do faquir, que se poriam em

A agricultura. por exemplo. não à forma exterior. a planta. mesmo os adeptos mais bem informados da magia. resume ele a sua teorização. se os dirigirmos para o mal. arcaremos com a responsabilidade correspondente. entram neste quadro. A Medicina. ainda que sem tocar os tenebrosos domínios da magia negra. magnetizando uma senhora na presença do obsidiado. Num deles. Exemplifica ambos.” À página 91. é um exemplo desse caso. inclusive da Natureza em derredor. mas sobre os princípios que os põem em movimento. atribuindo a base do fenômeno à formação das chamadas larvas. que. e haveremos de declarar que a Magia (ele a escreve com letra maiúscula.) O resto é aplicação prática desses princípios: se os orienta mos para o bem. Ao cuidarem dos problemas da obsessão. em todas as categorias. e prossegui u: “Terminado que foi o desenho. modificando a estrutura de um ser. A mulher. “A vontade do faquir — diz Papus — põe em ação uma força capaz de desenvolver. outro de ação direta. “consagrado e perfumado”.” (Destaques meus. com a ajuda de uma grande e afiada lâmina de aço. ao dizer que são três as maneiras de agir sobre a natureza: 1ª — Físicamente. e segundo Papus. revelam um despreparo comovedor. A . em condições normais. pura e simplesmente. mas aos fluídos que circulam dentro do aludido ser. A definição completa proposta por Papus é a seguinte: “É a aplicação da vontade humana dinami zada à evolução rápida das forças vivas da natureza. levaria um ano para atingir aquele ponto de crescimento. em todos os seus ramos. Papus desenhou a faixa num pedaço de papel branco. em transe. por meio da aplicação de certos princípios e de certas forças. portanto. modificando a estrutura do ser ou de um ponto qualquer na natureza. que casadas aos elementos de nossa esfera faziam da câmara mediúnica precioso e complicado laboratório. que se alimentariam da “substância astral” emanada do “imprudente que lhes deu vida”. a prática mediúnica espírita seria uma dessas causas. basta que se tenha medo dos ataques de ódio de outra pessoa. 111 consonância com as energias armazenadas na semente. E é precisamente na aplicação que mais veementes restrições o Espiritismo teria a fazer à magia. Papus oferece dois métodos diferentes para tratamento dessas “obsessões”: um de ação indireta. em Londres. Orientado pela descrição da mulher. não sobre os fluídos. embora escreva Espiritismo com letra minús cula) admite a possibilidade de influir sobre os fluídos astrais que atuam na natureza e sobre os que atuam nos homens. uma ação consciente da vontade sobre a vida.” A magia seria. obteremos resultados positivos. pela aplicação exterior de forças físicas. 3ª — Psiquicamente. atuando diretamente. com todas as suas transformações. 2ª — Fisiológica ou astralmente. A dita força não tem muitos e diversos nomes de bom sentido. uma fórmula e uma prece puseram em comunicação a imagem física com a forma astral e então cortamos o desenho em vários pedaços. Para a criação dessas larvas. optou pelo método indireto.” Vamos conferir: “Colaboradores desencarnados — escreve André Luiz (1) —extraiam forças de pessoas e coisas da sala. que utiliza o trabalho do homem. a indústria. via uma faixa fluídica pairando em certo recanto da residência da vítima. chama-se vida. em algumas horas.

com a espada mágica (ou. ou porque resolveu.. Para isto. ordenando à larva que se dissolva. seja porque o Espírito obsessor ficou algo impressionado com as complexidades do ritual. ela se preservou para os Espíritos desencarnados. Escrever no interior do círculo. apenas porque alguém o ameaçou com uma espada. pois como seres humanos. Segundo o autor. as quatro letras do tetragrama sagrado. podemos admitir que os verdadeiros segredos da magia perderam-se há muito. Aqueles que lidam com graves problemas obsessivos. merecem respeito e consideração. mas é raro que um obsessor ferrenho e tenaz desista definitivamente da luta. com isto. capitulo 28 — “Efeitos Físicos”. pronunciando-se o Grande Conjuro de Salomão. parece ainda oportuno reproduzir uma das normas coligidas por Papus: . Seus recursos e conhecimentos eram muito mais amplos e profundos. de sete em sete dias. estaria curada a “obsessão”. abandonar sua vítima. pelo menos depois de repetido três vezes. inteiramente aleatórios. se desfez em pedaços. no entanto. produzir resultados positivos. Por exemplos como estes. Baseia-se no princípio de que as larvas e os elementais — seres algo animalizados que servem aos magos — alimentam-se da substância astral de que é muito rico o sangue. Os magos caldeus. O segundo método (direto) seria recomendável para “os casos em que a obsessão toma um caráter especialmente grave”. persas e egípcios não ignoravam fenômenos elementares como os da obsessão. pois. a ponto de tentarem curá-la com práticas tão ingênuas.” E. foi manipulada com habilidade e competência. nos quatro pontos cardeais. se essa técnica perdeu-se para os encarnados — pelo menos para os que têm escrito os tratados mais conhecidos de magia —. também consagrados sob a influência de Júpiter ou de Apolo. O método consiste. 112 mulher adormecida declarou que os cortes influiram. na forma astral. no seguinte: toma-se uma mecha de cabelos do obsidiado. Em seguida. com cabo de madeira envernizada) investir energicamente contra os cabelos. antigos magos que levaram para a vida póstuma os conhecimentos especializados. Restaram apenas fragmentos de uma técnica que. limitamo-nos a expô-los. e irmãos nossos. Num ou noutro caso. molhado em sangue. edição FEB. na sua falta. colocar o cabelo. o oficiante deverá vestir-se de roupas brancas. igualmente. em tempos idos. “sponte sua”. o paciente deverá aproximar-se e diante dele se molhará um punhado de seus cabelos no sangue de uma pomba ou de uma cobaia. A propósito. que deverão ser incensados. desenhando-o com uma mistura de carvão e ímã pulverizado.. sobre uma pequena prancha. sabem muito bem que pouca diferença existe entre esse procedimento e o recurso igualmente inócuo do exorcismo eclesiástico. Mas. podem. o processo raramente falha. A seguir. consagrando-os segundo o procedimento habitual. Em seguida. incontinenti. A reprodução destes métodos não tem por objeto aqui ridicula rizar o procedimento daqueles que os praticam. com uma ponta de aço comum. (1) “Nos Domínios da Mediunidade”. que. traçar à sua volta um círculo.

como. porém. o amor deve ser nossa única atitude para com os adversários. a existência do céu e do inferno. por exemplo: “A Igreja ignora a magia. dizendo que o mago é o engenheiro da magia. a não ser para uma vingança justa. Levi defende a tese de que a resistência. aliás. Gérard Encausse tem-no em elevada conta e. 113 “Tratai de não vos servir jamais desta arte contra vosso próximo. Anésia. do charlatão. sob o império da sombra. temos de distinguir o mago. como nós o provaremos mais tarde. para o mago. Mesmo assim. é a alma da magia negra.” A despeito do apelo ao perdão. Só pode dispor do amor dos outros aquele que é dono do seu. Aquele que deseja possuir. O Dr. Levi acata os principais dogmas ortodoxos: a divindade de Jesus. aconselho-vos que é melhor imitar a Deus. A vingança. quem achará que sua vingança é injusta? Buscando novamente André Luiz. a Trindade. Consoante a lição do Mestre que hoje abraçamos. também. encontramos em “Nos Domínios da Mediunidade” esta observação preciosa de Aulus: — “Abstenhamo-nos de julgar. por exemplo: “Assim. mentirosa e tene brosa. como este. isto é. refere-se a ele com respeito e admiração. não o entrega a ninguém. Seus dogmas não são menos surpreendentes. “Há uma verdadeira e uma falsa ciência — escreve Levi —. às vezes obscuro e nem sempre muito coerente. Mal por mal. E não há ocasião mais meritória do que a de perdoar. ela nem ao menos reconhece que seu misterioso fundador foi saudado no seu berço por três magos. é indispensável para que a força aplicada. significa o eclipse absoluto da razão.” Quanto ao fenômeno das mesas girantes. em proveito próprio. como. em que o conceito fundamental da magia está na movimentação. como esta. em suas obras. por vá rias vezes. uma magia divina e uma magia infernal.” A obra de Papus é bem mais didática e ordenada do que a de Levi. A despeito disso. E. Ambos concordam. que poderemos aguardar senão a cegueira e a morte?” Outro autor bastante conceituado entre os entendidos é Eliphas Levi. Eliphas Levi também viveu no século 19 e sua obra “Dogma e Ritual da Alta Magia” (1). porém. do feiticeiro.” O estilo de Levi. por exemplo. “outra coisa não são . não deve dar-se. falar é criar. e o adepto. quando o Espiritismo estava ainda na fase preliminar das mesas girantes. foi escrita em 1855. porque deve ignorá-la ou perecer. temos de revelar uma e desvendar outra. é algo pomposo. que perdoa. ou seja. o de Papus. Papus usa uma imagem. para o sábio. em sentido contrário. se robus teça e a vença. dos segredos e forças da natureza. mas os princípios fundamentais identificam-se em vários (1)Editora Pensamento. e que vos tem perdoado a vós mesmos. enquanto o feiticeiro é simples obreiro. pelos embaixadores hieráticos das três partes do mundo conhecido. diz ele. não se furta a algumas criticas veementes. imaginar é ver. São Paulo. Embora sem declarar-se católico. num sentido. isto é. e dos três mundos analógicos da filosofia oculta. pontos importantes e ambos consideram o mago como o verdadeiro conhecedor e o feiticeiro como simples imitador.

Julguei entender que esta espada ofendia o Espírito. envolto inteiramente por uma espécie de lençol. quando os abri. Quanto à magia negra. e sem evocação. a não me amedrontar e a obedecer-me. um cartão cortado transversalmente. um homem estava diante de mim. a forma ficou mais confusa e ele desapareceu imediatamente. em Londres. é o grande agente mágico empregado para o mal por uma vontade perversa.” Também o enfeitiçamento está dentro dessa linha de raciocínios.” (Destaques meus. realiza-se. ordenando-lhe mentalmente. para a salvação da humanidade. então. então. após os juramentos devidos. somente uma lembrança confusa e vaga. Então. Pus. e quando abri a boca para interrogar o fantasma. “são ilusões produzidas pelas mesmas causas”. círculos. a mão sobre o signo do pentagrama. e dirigi para ele a ponta da espada. quando voltei a mim. que me pareceu ser mais cinzento do que branco. triste e sem barba. a cada instante. Por isso. “O instrumento do enfeitiçamento não é outro senão o próprio grande agente. e. mas na própria psicologia humana: . e solicitações da natureza que nos convida. que. diante da abadia de Westminster. vos será apresentada a outra metade deste cartão. deixa entrever que o domínio que muitos buscam exercer sobre o semelhante não está tanto nos ritos e nas práticas. de que me restou.) Assim foi realizada a evocação que. espadas e vestimentas especiais. no hotel. que dei dois passos para me assentar. Experimentei uma sensação extraordinária de frio. A figura humana reapareceu logo. real e positivamente o demônio. e. pela ponta. alguma coisa tendo-me tocado na mão que segurava a espada. é de uma riqueza impressionante de minúcias e começa com um sabor de romance de capa e espada. “raps” e os instrumentos que tocam. Os golpes. em magia negra. realmente: — “Chamei três vezes Apolônio. e colocou à disposição dele. sem nenhum ritual complicado. com este recado: “Amanhã. em incontáveis sessões mediúnicas. por este signo. aparentemente sozinhos. caí num adormecimento profundo e acompanhado de sonhos. sem substâncias. arsenal completo. Desde que fiquei assentado. junto a mim.” Às vezes. e a plantei.” Era uma senhora. com toda a instrumentação necessária a uma evocação. às três horas. que procura uma cadeia de entusiasmo para formar novas correntes”. quando ele recebe. me foi impossível articular um som. atribui “todos os fatos estranhos do movimento das mesas ao agente magnético universal. mas senti tão grande fraqueza nos meus ombros e um repentino desfalecimento apoderar-se de mim. no entanto. Sua descrição da evocação do Espírito de Apolônio de Tiana. tive imediatamente o braço adormecido até os ombros. Ordenei-lhe que voltasse: então senti passar. no circulo junto a mim. 114 senão correntes magnéticas que começam a formar-se. o que não combinava exatamente com a idéia que primeiro tinha de Apolônio. a reconstituir as grandes cadeias simpáticas e religiosas”. se torna. Ao cabo de complicadíssimo ritual. um Espírito manifestou-se. dentro de um envelope. fechando os olhos. como que um sopro. apresenta o autor o que chama de revelação nova e que consiste no seguinte: “O diabo. sob a influência de uma vontade má. a sua forma era magra.

estudando-nos sob todos os ângulos. pois. . não é fácil lidar com os magos desencarnados. Não nos impressionemos. quando uma vontade firme e dinâmica sustenta os seus interesses. Nada sofreremos em razão do próprio trabalho de desobsessão. Estejamos vigilantes. percebemos.” Por causa desse e de outros princípios e noções. Estão convictos de que poderão atingir-nos. que os trabalhadores das sombras empenharão o melhor de seus esforços no levantamento de nossas fichas. pensam eles. estão habituados a vencer pela vontade disciplinada — que aprenderam a dominar — todos os obstáculos. vigiando-nos. seus talismãs.” “O magista — prossegue adiante — deve. o que seria injusto. como seres imperfeitos que somos. para uns. sigamos em frente. ser impassível. Estejamos preparados. porém. sóbrio e casto. Que um espírito hábil e mau se apodere desta mola. nada conseguirão contra nós. Se estamos num grupo mediúnico bem constituído e harmonizado. desinteressado.. temos abertas as brechas das nossas próprias imperfeições. porém. e estais perdidos.” De outras vezes. porém tranqüilos e guardados na paz do Cristo.” Ou então: “Todos nós temos um defeito dominante. para nossa alma. e é por ele que o inimigo sempre nos pode pegar. com os seus rituais. ou seja. no decorrer do trabalho de desobsessão. por que tanto se empenham em conquistar a insensibilidade os Espíritos encarnados e desencarnados que fazem do domínio sobre o semelhante a meta de suas vidas: “Só o adepto de coração sem paixão — escreve Levi — disporá do amor ou ódio daqueles que quiser fazer de instrumento da sua ciência. A instrumentação é secundária.” Em suma. que assim faz para reconquistar a sua coroa. sofreremos. suas palavras misteriosas e secretas. mas é claro que. Vejam este outro conselho: “Ter o maior respeito por si mesmo e considerar-se como um soberano desconhecido. para poder impor a sua vontade. Não exatamente por causa dos danos que possam causar-nos. como que o umbigo do seu nascimento pecador. “para poder é preciso crer que se pode e esta fé deve traduzir- se imediatamente em atos”. o egoísmo para o maior número. Como nos disse um amigo espiritual. Ë claro. confiantes. seus gestos. serenos.. Aqueles que por longos séculos vêm praticando a magia. certa vez. destemidos. ele tem que aprender a querer. é só questão de tempo e oportunidade. pois. e esta fé deve traduzir-se imediatamente em atos. apenas aquilo que estiver autorizado pela nossa ficha cármica. impenetrável e inacessível a toda espécie de preconceitos ou terror. 115 “Acariciar as fraquezas de uma individualidade é apoderar-se dela e fazer dela um instrumento. de relance. e preguiça para outros. É preciso crer que se pode. Se o nosso trabalho é de Deus. suas evocações. e. A primeira e mais importante das obras mágicas échegar a esta rara superioridade. Entrarão em ação imediatamente. a fim de surpreenderem-nos no momento em que mostramos onde a nossa cerca está arrombada. que é. como dizia Levi. Deve ser sem defeitos corporais e estar à prova de todas as contradições e de todos os sofrimentos. de nossa vida pregressa. para enfrentar os companheiros desarmonizados. na ordem dos mesmos erros e das mesmas depravações. a vaidade.

os fantasmas que trazem no íntimo. por mais que se debatesse. Estejamos prontos para ajudá-los. que continuando no Além seus estudos e práticas. com os quais se afina bem. pelo menos. o desespero. porque a dor do despertamento é. assistido por companheiros desencarnados. e revezam-se na carne e no além. num círculo magnético infernal. ligados por interesses comuns. pois não gostam de descobrir-se. pois. não alcança êxito junto àqueles que já se redimiram. ou que. diríamos que se trata de sintonia vibratória. infligindo sofrimentos atrozes aos infelizes que lhes caem sob o poder maligno e infeliz. é válido. signos. Com os esclarecimentos contidos hoje na Doutrina Espírita. em toda a sua profundidade. no fundo. século após século. Era um exemplo para . 116 Temos que atuar não sobre esses sinais exteriores dos seus cultos. mas sobre os seus Espíritos atormentados. somente aquele que a experimentou. velas. Os Espíritos vivem em grupos. nem se perdeu o conhecimento dos mecanismos de certas leis do magnetismo. É preciso tratá -los com carinho. mais sério. esmagadora. de que a magia baseia-se na simpatia. no interesse de ambos. Nosso médium viu-o atirar esse pobre espírito. quando conseguimos convencê- los de seus trágicos enganos. apoiando-se mutuamente. no serviço ao próximo. as angústias. praticaram a magia e. comparecem. o mago sempre foi um médium. perseguição. da manipulação de drogas e fluídos. de forças naturais e de toda a parafernália que lhes proporcionava poderes secretos e misteriosos. os escombros dos antigos sonhos. À visão espiritual de nossos médiuns apresentavam-se com as vestimentas e os simbolos de sua preferência. mais profundamente humano de suas vidas: quando entrevêem uma réstia de luz a iluminar-lhes o próprio coração. tortura. por conseguinte. retomaram suas experiências. de rastros. pois este é o momento mais grave. porque senti-la. Não que a magia tenha poderes por si mesma. os remorsos. aos trabalhos de desobsessão nos quais se acham envolvidos. para servi-los. substâncias e até acompanhados de acólitos. e outros envolvidos. reduzido a uma deplo rável Condição subumana de pavor e deformação perispiritual. pois ela não encontra ressonância e. acham-se defendidos pela prece. mas muito reais. alguns empenhados em finalidades nobres. excepcionalmente. em trabalhos de esclarecimento mediúnico. com humildade e singela compreensão. ou portando “obje tos”. Em Espiritismo. poções. os desenganos. estamos em condições de entender muitos desses segredos e mistérios. Lembremo-nos de que os Espíritos que na Terra estiveram envolvidos nas práticas mágicas não desapareceram. embora aparentemente següros e frios. Entre eles encontramos até ex-sacerdotes católicos que. Magos do passado. pela vigilância e pela prática da caridade. quase sempre. * Por mais de uma vez temos tido experiências com processos de magia. Quem a presenciou pode fazer idéia. Toda aquela serenidade aparente desmorona. do qual a infeliz vítima não podia livrar-se. revertidos ao mundo espiritual. construti vas e reparadoras. em lamentáveis e tenebrosas práticas de dominação e vingança. Um deles trouxe -nos — certamente para intimidar-nos — um pobre ser espiritual inteiramente dominado. da hipnose. O conceito de Sir James Frazer. em tempos idos.

Quer que vire. inteligentes. pronta para o “serviço”. e apresentou-se agora com outro nome. Tinha diante de si um prato de sangue. espalham a dor para fugirem às suas próprias. num terreiro. Não. profundos conhecedores desses trabalhos. um desses visitantes sinistros deixou sobre a mesa. eu viro. O mago era realmente profundo conhecedor de sua arte e engendrou um mecanismo magnético. Nosso médium viu apenas que. porém. Em suma. Não se detêm diante de nenhum escrúpulo. pela sua extraordinária sofisticação. porque não o obedecia. Uma para cada um de nós. 117 nós. tão cuidadosamente planejadas. tentando dominar pelo terror. oprimem para não serem oprimidos. colocaram sete lâmpadas. conhecia os segredos de sua arte e a neutralizava. melhor do que ele. Depois de seu ritual. com o qual pretendia alcançar-nos. o grupo dispõe de proteção e ajuda de companheiros redimidos. nas suas práticas funestas. e oferece riscos realmente sérios. e partiu. não queríamos que ele virasse. as mais das vezes. Sabem muito bem que no dia em que “fraquejarem”.. alcançar seus objetivos ocultos e lamentáveis. embora reclamando que seu “cavalo” não prestava. de cores dife rentes. disse ele.. contra os quais os grupos mediúnicos têm que estar muito bem preparados e assistidos. segundo relato de um de nossos videntes. De outra vez. . Atacam para nao serem atacados. que. em torno dele. pois vivem disso. de pés e mãos atados. especificamente. ao apelo do amor e do perdão. no mesmo grupo. passou para outro médium. sempre presentes para contraporem seus conhecimentos e recursos às desesperadas tentativas desses irmãos. que somente estarão protegidos da dor enquanto mantiverem em torno de si mesmos aquele clima de terror. subjugadas aos seus propósitos. Sabem. pequenas caveiras com as órbitas iluminadas por uma baça luz vermelha. a fim de que deixássemos de interferir em sua atividade. eu viro. para ele. que entregaria a ele sua vítima. Vendo-se recusado. -. Um caso marcou época. através do qual mantinha. incessantemente: —Quer que vire. também antigos magos. que nos sintoniza com o mal e nos expõe à aproximação dos implacáveis cobradores das trevas. ou lanternas. a magia é mais comum do que desejaríamos admitir. as mentes de quatro seres encarnados. agarrados ainda ao lado escuro da vida. empenhado em trabalhos redentores. como todo Espírito envolvido nas sombras das suas paixões inferiores. declarou que sua vítima “estava amarrada”. com o que ele ficou muito desapontado. Tinha recebido uma solicitação. da falta. pois obviamente teria sido muito mais fácil. Mais do que isso: por processos que não se revelaram aos nossos sentidos. cumprido à nossa vista. Mais tarde manifestou-se outro de sua equipe — ou seria ele mesmo? — com a proposta de “desfazer” o trabalho. não temem represálias. Acontece. se aquele a quem ele visava propusesse um “pacto”. Não podia deixar de atender ao “irmão de sangue”. selada com sangue. do erro. experimentados e conhecedores profundos das mazelas e fraquezàs humanas. E repetia. É claro que ela age apenas quando e onde encontra as necessárias brechas e o condicionamento da culpa. Os magos desencarnados são. são pouco acessíveis à doutrinação. Outro veio traçar signos e fazer invocações contra um de nós. Um desses companheiros infelizes confessou que via ao nosso lado quem. o mago foi completamente desarmado em suas táticas.

chegará o duro momento da verdade e começará a longa escalada de volta. só pode contar com sofrimentos durante a subida. no entanto. pois o mal não é eterno. Não há outro caminho. por -isso. 118 ou seja. de que um dia — não importa quando — terão fatalmente que enfrentar a realidade de si mesmos. para movimentar. paradoxalmente. aceitarem a realidade maior. que muito bem conhecem. os compromete cada vez mais. em seu proveito. Estão perfeitamente conscientes. E quem desceu semeando sofrimentos. Enquanto isso. demoram- se no erro que. Por isso são implacáveis e. utilizam-se da vontade bem treinada. as forças da Natureza. .

.. tanto entre os Espíritos esclarecidos e despertos para as verdades maiores. 2ª parte. com enorme respeito e carinho. Mas. o autor espiritual oferece exemplos desses trabalhos redentores. como para fazer cair aquele que está de pé. “Defino a sugestão. em “Mecanismos da Mediunidade” —.) É claro. (1) “Memórias de um Suicida”. é imprescindível que a onda do hipnotizador se case perfeitamente à onda do hipnotizado. no seu sentido mais lato — escreve Bernheim. harmonizado em substâncias extraídas dos raios solares — cujo magnetismo exercerá a influência do ímã —. movimentam. Para incumbências de importância secundária. as recordações.. mas para os procedimentos mais elaborados.. Os Espíritos superiores utilizam-se da hipnose para socorrer. Lá. basta uma indução superficial. por métodos hipnóticos e magnéticos. para dominar e punir. “. dos escombros da memória profunda de nossos discípulos. um ao outro. como o ato pelo qual uma idéia é despertada no cérebro e aceita por ele. 119 22 MAGNETIZADORES E HIPNOTIZADORES São amplamente utilizados. como recurso extremo para desalojar realidades soterradas na memória profunda do ser e que precisam ser trazidas à tona para desencadear o mecanismo da recuperação. (1) — O aparelhamento que vedes — explica um dos instrutores —. Pereira. para que haja sintonia nas ações que envolvam compromisso moral. os atos passados que se imprimiram nos refolhos psíquicos da mente e que. como por encanto. como entre os encarnados. para corrigir desvios. vamos encontrar o mesmo dispositivo da sintonia vibratória. no Além.. tanto pode ser usado para ajudar a levantar o ser que caiu. os métodos da hipnose e do magnetismo. psicografia de Yvonne A. moralmente. os métodos são os mesmos. Desdobra-se ali um processo de regressão irresistível. para aliviar. com plena identidade de tendências ou opiniões. pela ação magnética. em “Hypnotisme et Suggestion” —. ressurgem. como em quase toda a problemática espiritual.” . este também é neutro. em que espíritos altamente credenciados. Em “Memórias de um Suicida”. nos recessos da afinidade profunda. pois. com que costumamos medir. nos atos mais complexos do Espírito — ensina André Luiz. isto é. os arquivos da mente. (Grifos meus. qual se estivessem iungidos. competentes e moralizados. reproduzir e movimentar os pensamentos. capitulo 2º — “Os arquivos da alma”. os hipnotiza dores do espaço utilizam- se de recursos extremamente sofisticados. é uma espécie de termômetro ou máquina fotográfica. Os desajusta dos. nos processos obsessivos. da 4ª edição da Federação Espírita Brasileira. páginas 220 e seguinte. como todo recurso do conhecimento humano.. como entre aqueles que ainda se debatem nas sombras de suas paixões. para impressionarem a placa e se tornarem visíveis como a própria realidade que foi vivida!. que nisto. que contam. com profundos conhecedores e hábeis experimentadores dessas técnicas de indução. para ajudar.

algures neste livro. que os coloca em condições de ajustarem-se fluídicamente. os companheiros que assistem o grupo. como diz André Luiz. cede e entrega-se. desde que alcancem os resultados que desejam. Odeio meu pai. sem que eu apertasse a sua: mantinha minha mão estendida.. à desencarnação. antes de iniciarem o trabalho propriamente dito. exausto.. Com um esforço muito grande. o processo — e não podemos aqui fazer estudo mais profundo e extenso do fenômeno — os hipnotizadores e magnetizadores das trevas acabam por alcançar o domínio de suas vítimas depois de obterem a aceitação de que nos fala Bemheim. Certa vez. interferem de maneira sutil. que é a da aceitação pelo “sujet”. Seja qual for. hábil magnetizador. pois não apenas a sugestão se lhe ia implantando cada vez mais na vontade. Ele hesitou um instante e depois agarrou-a fortemente. O Espírito culpado. vemos que há uma condição básica. Pediu- me a mão. durante o desprendimento do sono. e pediu a ajuda de Deus. ele recebeu . também.. por algum tempo. com os dedos unidos. foi possível libertá-lo. pelo menos para uma trégua. Matar meu pai. ou mesmo durante a vigília. nesse campo. recaiu sob seu domínio. de preces e de contra- sugestões.. Odeio minha mãe.. mas eficaz. e não ao cérebro. do lado da luz. mesmo que forçada.. Algo então aconteceu de estranho e curioso.. é preciso que hipnotizador e hipnotizado estejam “jungidos moralmente um ao outro. Com isto se afinizam com ele (ou ela). este irmão não se furtava com facilidade à terrível influência de seu perseguidor que.. Mesmo incorporado ao médium. respiração opressa e acelerada. Nada os detém e. Temos presenciado alguns casos dramáticos. Para isso. pois a sugestão é transmitida ao Espírito. vingança e morte. Matar minha mãe. um Espírito atormentado e. Não é nada fácil lidar com esses terríveis manipuladores da mente humana. com o médium coberto de suor. ele era impedido de ouvir as observações do doutrinador.. convencido dessa culpabilidade. a própria lei de causa e efeito. ou seja. Alguns magnetizadores e hipnotizadores adotam o procedimento de segurar os polegares de seus “sujets”. Para esta aceitação. mesmo depois de resgatado e posto a salvo da faixa vibratória de seu hipnotizador. os hipnotizadores procuram atuar sobre os membros encarnados do grupo. num intercâmbio vibratório. sem parar. ainda encarnada. Com freqüéncia. O pobre irmão repetia incessantemente: — Odeio minha mãe.. 120 Passando por sobre a conotação materialista da definição proposta. pois conseguíramos que ele dissesse que amava a mãe e não que a odiava. Através da minha mão. E assim por diante. porém. As vezes. falando continuamente.. tudo é válido. nos recessos da afinidade profunda”. lançando as bases de induções preliminares. para eles. como ainda. Parou. a serem desenvolvidas depois. Coloquei-a na frente de seus olhos e lhe disse: — Pode pegar. aquele companheiro desencarnado que. pretendeu usar comigo a sua técnica. por causa de sua própria invigilância. Odeio meu irmão. Já lembramos. manipulam com extrema habilidade os dispositivos da culpa e da cobrança. em nossa presença. sugerindo- lhe idéias de ódio. que instaura o processo do domínio. tentava induzi- lo a arrastar toda a sua família. por meio de passes de dispersão.. certamente.

de técnica superior à dele. 121 uma espécie de choque elétrico. depois da sessão. percebeu a presença daqueles que nos defendiam. e por mais esforço que fizesse. Talvez algo temeroso. mas nada podia contra eles. para o bem. da próxima vez que compareceu. o próprio médium que o recebeu — um dos nossos queridos companheiros.” (Destaques meus. só a muito custo libertou-se do laço magnético. E é pela magnetização (passes) positiva que se torna possível restituir-lhes a condição normal. Outro que tentava me dominar por meio de passes magnéticos. sentindo-se animal. tomando-se por base. de “o homem da mão” . mas evidentemente também com respeito. Lembras-te de Nabucodono sor. com ironia. O hipnotismo é tão velho quanto o mundo e é recurso empregado pelos bons e pelos maus. um irmão transviado. começou a chamar-me. também se utilizava de processos de magnetismo e magia contra o grupo. sobre os quais já falei neste livro. inextricáveis. durante sete anos. — “Temos aqui — escreve André Luiz.. Trouxera os seus instrumentos e as substâncias necessárias. profundo conhecedor do assunto. Como que pensando alto. ainda. tinha atrás de si. Isto o impressionou de tal forma que. inclusive com a outra mão tentando desprender seus dedos. ele nos dizia que sabia o que os nossos amigos estavam fazendo. Certa ocasião. acima de tudo. o rei poderoso a que se refere a Bíblia? Conta-nos o Livro Sagrado que ele viveu.. que neutralizava todo o seu trabalho junto a mim. como casos de zoantropia. para a investigação dos médicos encarnados. por certo. pensou em retirar logo a sua mão e não o conseguia! Embora ele é que segurasse a minha mão. utilizando-se.) . segundo nos informou. e não eu a dele. os elementos plásticos do perispírito. Procedimentos magnéticos são também usados para reduzir seres gravemente endívidados a condições de extrema e aviltante deformação perispiritual. que o atingiu na altura do plexo cardíaco. A certa altura. que estava sendo atendido. em “Libertação” —a génese dos fenômenos de licantropia. evidentemente uma descarga magnética.

Por que isso. o poder do passe. alcançando o ponto desejado. ensejo de ganharem experiência. um ou outro sexo. os Espíritos deveriam ser assemelhados? Disse-me ele. que são usadas à falta de outras. Certa vez. com isso. A contínua observação desse vaivém de companheiros desencarnados. Que papel representam as mulheres. porque não têm sexo. ou melhor. realmente. Kardec escreveu o seguinte: “Os Espíritos encarnam como homens ou como mulheres. mais acessível à emoção e aos sentimentos. mas em número bem mais reduzido que os homens. optam pelo aprimoramento de alguns aspectos espirituais em que este jam particularmente interessados. mas que costuma escolher. Como a perfeição deverá resultar. na sua estrutura psíquica. * Antes de prosseguir. perguntei a um amigo espiritual por que difere tanto. o desfile trágico de problemas. que odeiam? Sim.” Dessa forma. ao se reencarnarem. aceitam condições que lhes facultam desenvolvimento de certas faculdades. daquele que se encarna como mulher. constituem experiência inesquecível para aqueles que. O Espiritismo ensina que o Espírito não tem sexo. Visto que lhes cumpre progredir em tudo. cultivando-as em buques. é natural que este tenha que ir por etapas. 122 23 MULHERES O trabalho mediúnico oferece insuspeitadas condições de aprendizado. renascendo continuamente como homem ou mulher. mas. o Espírito encarnado como homem. em detrimento de outras. as maravilhas da prece. nesses dramas que se desenrolam entre os dois mundos? Há mulheres obsessoras? Há mulheres que se vingam. talvez sejam convenientes algumas observações de caráter doutrinário. do desenvolvimento harmonioso de todas as faculdades possíveis ao ser humano. dado a gestos de coragem física. ampliar um pouco mais a questão.) Ao comentar as respostas. sendo. entregam-se a essas tarefas redentoras. coerente com os postulados doutrinários. cada manifestação suas lições e ensinamentos. podendo encarnar-se como homem ou como mulher. Uma pergunta poderá ser colocada agora. angústias. (Questões números 200 a 202. ao passo que a mulher inclina -se mais à compassividade. Assim é. ao recato. a força irresistível do amor. não tendo sexo. ao longo dos anos. na esperança de alcançar uma visão mais clara de suas dificuldades. em diferentes existências. A questão é bem mais complexa do que parece à superfície. não obstante. como Espíritos. portanto. se. Tentemos. Aquele que só como homem encarnasse só saberia o que sabem os homens. que. até que. como cada posição social. Ao responderem à . que perseguem. não são muito precisas as expressões Espírito feminino e Espírito masculino. de “O Livro dos Espíritos”. à renúncia. O homem é mais agressivo. conservam características em comum. possa encetar outras realizações. Cada sessão traz as suas surpresas. cada sexo. menos sentimental. um dia. dores e ódios. preferentemente. lhes proporciona provações e deveres especiais e.

“dilatando velhos vícios terrenos”. da grande maioria dos que habitam aquela colônia. por sua vez. Para não alongar demais esta digressão. mas os alimentos não foram totalmente abolidos. pela desencarnação. FEB. estabeleceu-se um comércio clandestino com os representantes das trevas que.) É bastante compreensível. 3ª edição. Há entre eles amor e simpatia. De fato. capítulo 1 — “Ciências Fundamentais: Biologia”. Foram implantadas severas medidas de correção e reajuste. partilham do corpo físico pelo núcleo da célula em que se mantêm. perispírito e corpo físico. mas baseados na concordância dos sentimentos. Emmanuel informa. alhures. que sim. e do corpo espiritual pelo citoplasma em que se implantam. que o ser encarnado resulta de um “arranjo” entre três componentes distintos: espírito. deixaram bem entendido que a diferenciação sexual não alcança o núcleo da individualidade. como sempre. as quais. estruturados em grânulos infinitesimais de natureza fisiopsicossomática. . agindo. ainda. Informa Lísias que.” Certamente que sentiram. que não era tempo. 123 pergunta formulada por Kardec (Têm sexos os Espíritos?). ainda bastante densa. em resposta à pergunta número 30: “Há órgãos no corpo espiritual?” (1). pois o corpo físico “e uma exteriorização aproximada do corpo perispiritual”. pois. sugiro a releitura do capítulo 99 de “Nosso Lar”. a Doutrina nos ensina. bebidas excitantes. Isto é confirmado pelos relatos mediúnicos. Ao declararem que o sexo depende da organização. Quando a direção da colônia tomou providências mais enérgicas para coibir os abusos. há cerca de um século. no mecanismo das heranças celulares. mas disseram o bastante para compreendermos alguns pontos essenciais. utilizavam-se desse lamentável inter- câmbio como instrumento de infiltração e assalto à vasta organização regeneradora intitulada “Nosso Lar”. página 50. pois fica contida nos limites extremos da organização perispiritual. com uma pesada carga fluídica. a questão alimentar era muito séria ali na colônia. que os seres que trazem o perispírito ainda espesso. Muitos dos recém-chegados da carne “duplicavam exigências”. profundamente impreg (1) “O Consolador”. sob o título “Problema da alimentação”. regressem ao mundo póstumo. (2) Evolução em dois Mundos”. esses instrutores. de sensações e necessidades bem semelhantes às que experimentava na carne. Essa interdependência entre corpo físico e perispírito é acentuada por André Luiz (2) ao declarar que: “Os cromossomos. os instrutores informaram o seguinte: “Não como o entendeis. nada de materialidade e. de aprofundar mais a questão. 4ª edição.. pois que os sexos dependem da organização. em virtude da condição perispiritual. por conseguinte. sendo a série André Luiz bastante rica em informações desse tipo. através das brechas que as nossas paixões inferiores lhes abrem.” (Destaques meus. e prossegue acrescentando que tal exteriorização “subordina (-se) aos imperativos da matéria mais grosseira. se enquadram nas indispensáveis provações ou testemunhos de cada individuo”. Por outro lado. Queriam mesas lautas. capitulo 6º. representado pelo Espírito imortal.

“jóias”. Espíritos enredados nas tramas da sensualidade. — “Entre os casais mais espiritualizados — informa Laura a André —. Prestam serviços tene brosos junto a companheiros encarnados. “sapatos” e “perfumes”. É que. a realização transitória. o carinho e a confiança.” (Destaques meus. sentindo e agindo como tais. para o reencontro. o que exige longos períodos de reparação. da mesma forma que os problemas alimentares. a alimentação com substâ ncias concentradas é ainda indispensável. Nesse estado.” E. um dia. lá na frente. mancomunados aos seus comparsas das sombras. Despendemos grande quantidade de energias. lhe serviu de degrau para a sua escalada. A sublimação há de marchar. os de sexo não ficam totalmente eliminados por um passe de mágica. até que seja subli mado. entre eles. mesmo para aqueles Espíritos mais esclarecidos. Há residências. suas ânsias. pois que. mais adiante: “Convictos desta realidade universal (a aquisição gradativa das virtudes) não podemos esquecer que nenhuma exteriorização do instinto sexual na Terra. nossas refeições aqui são muito mais agradáveis que na Terra. qualquer que seja sua forma de expressão. em que se debatem. simplesmente porque se deu a desencarnação. que o sexo persiste no mundo póstumo. nossas perguntas iniciais. Assim. 124 No capítulo 18 dessa mesma obra. porém.) Não resta dúvida. para o Espírito. apenas a lembrança de uma experiência valiosa que. nas zonas do Ministério do Auxílio. obsidiam. infelizmente. no imenso laboratório da vida. do estudo doutrinário e das observações colhidas. onde se consorciam com outros seres igualmente desarvorados. Retomando. entre outras. que as dispensam quase por completo. A loucura. Exercem seus poderes de sedução sobre outros seres. por isso. tombam em situações calamitosas no mundo póstumo. que se entregam a tarefas redentoras. ainda que mais humildes. para darem prosseguimento ao exercício das paixões incontroladas. Alguns são mesmo particularmente agressivos. que entregam o corpo aos desregramentos passionais. levando para o Além as suas frustrações. chegado à condição de pureza. tendo em vista os serviços pesados que as circunstâncias impõem. mas. por Espíritos credenciados. Somente os mais purificados conseguem libertar-se dos apelos da carne. fatalmente. reduzida. em “Nosso Lar”. ganham “vestimentas”. perseguem. será destruida. portanto. a troco de favores. que lhes asseguram uma “boa vida” de prazeres e proteção contra a dor que as espera fatalmente. Espíritos que passaram por experiências no sexo feminino também odeiam. poderemos responder que.) Portanto. junto com a sutili zação progressiva do Espírito. seus desvios. senão transmudada no estado de sublimação. o sexo será. Laura informa que: — “Afinal. em faixas desarmonizadas. .” (Destaques meus. rancorosos e violentos.” “Inútil é supor — diz um elevado instrutor (1) — que a morte física ofereça solução pacífica aos espíritos em extremo desequilíbrio. não procede de simples modificações do cérebro: dimana da desassociação dos centros perispiriticos. não podemos prescindir dos concentrados fluídicos. continuam mulheres. recaem. É necessário renovar provisões de força. a dedicação e o entendimento mútuos permanecem muito acima da união física.

Acha-me. ou durante o desdobramento do sono natural. Localizando-o como encarnado. o caso da irmã que se empenhava em perturbar uma família. também. ela também fora traída. Seria apenas a antecipação do que. sorridente. porque é a favorita. inteligente. aconselha -me. Conta casos. Conhecia-me apenas de nome e a realidade não confere com a imagem que formulou a respeito da minha aparência. reduzidas à condição mais abjeta. De outras vezes. desculpa-se. capitulo 11 — “Sexo”. são escravizadas. Já lembrei. perde a calma. apresentava-se bem vestida. e a isentava de culpa. aquela pobre companheira. perseguia-o. da responsabilidade. e seviciadas. que transviava um homem encarnado e era recompensada com festas. teleguiada por hábeis indutores. pois não tenho a menor idéia do que estou fazendo e onde estou me metendo. que a incentivava. tenham um impulso de arrependimento que lhes possibilite o socorro de que tanto necessitam. Vimos. comparece aos nossos trabalhos mediúnicos. Ela continua a negacear. apresentando-se ante seus olhos espirituais. como se fosse a coisa mais natural do mundo. Era “físicamente” simpática. envolvente e doce. Tivemos o caso de uma jovem que se suicidara por uma paixão desvairada. em cumprimento a “ordens superiores”. pois deixa entrever que se decepcionou profundamente comigo. bem-cuidada. O caso era apresentado de maneira sutil. Trata-me com condescendência e superiori dade. tentando destruir um lar. provavelmente no confessionário. muito segura. desengonçado e ridículo. Tem a voz suave. grávida e na vergonha. Ainda muito condescendente. esguia. dementadas. dizendo que é uma mulher e não é dada à Filosofia. provavelmente. Informa que “trabalha” junto a casais e que seu objetivo é libertar a mulher. Finalmente. Esquiva -se habilmente às perguntas. estava já programado para mais tarde. elegante. muito divertida da situação. FEB. pára a exposição para rir. vestidos bonitos e prazeres. mas se mostra visivelmente transtornada. felizes e livres para gozar a vida. em andrajos imundos. 125 (1) “No Mundo Maior”. “absolvendo-a”. noutro ponto deste livro. como amiga. sem preconceitos. Outra — fora irmã de caridade — atormentava uma criatura encarnada. sob a alegação de que. educada. em encarnação anterior. perambulando. para que todas sejam como ela. De vez em quando. Quando lhe formulo questão mais complexa. Diz que no mundo em que vive é muito poderosa. faz gestos graciosos e parece imensamente segura de si mesma. Por fim. Do mundo espiritual. portanto. Ri-se. quando aquele a quem amava abandonou-a. 5ª edIção. Temos tido algumas experiências com espíritos femininos. até que. por vales de sombras espessas. inteligente e tranqüila. sugerem-me que lhe pergunte por que fugiu de um certo castelo inglês. para o que contava com o apoio de um sacerdote desencarnado. sorri. feio. a juntar minhas coisas e partir enquanto é tempo. Não haveria culpa alguma. numa antiga encarnação na Escócia. segundo o Espírito. Já há algum tempo vinha tentando induzir um dos componentes do grupo a uma atitude extremamente arriscada. unhas muito polidas. Diz-se muito bela. desgastadas pelo sofrimento. Em certa oportunidade compareceu uma bem mais difícil. Várias vezes tentou influenciar o nosso companheiro. abandona a atitude de inconseqüente e . tentando — e conseguindo — induzi-lo a erros bastante sérios. cordial.

não inesperadamente. ao mesmo tempo em que suas roupas apresentam-se sujas e em frangalhos. empenhada em fascinar criaturas encarnadas e desencarnadas. sem se perturbar e perder o “equilíbrio”. chamando-a de assassina. o seu futuro. Diz-lhe que está à sua espera e ri. para permanecer junto do médium que a recebe. obviamente. não obstante. e me volto para ela. para ajudá-la a enfrentar o seu problema. em outros Espíritos endívidados. Declara-se muito sutil e por isso é destacada para missões delicadas. Digo- lhe. para que ela pudesse. que não venha com as minhas conversas macias. que ficou com os resíduos da sua profunda e dolorosa angústia. enquanto revê as cenas. de prazer insano. por isso. entre dentes. começa nela um fulminante processo de envelhecimento. Ela me responde em perfeito inglês: . e começa a temer o momento fatal em que terá de deixar o médium para enfrentar a nova realidade que se pastou diante dela subitamente. Também é das que se dizem atraentes e sedutoras. tudo aquilo lhe fora mostrado em retrospecto. porque eles “deformam o corpo”. maliciosamente. Seu ex-marido incorpora-se em outro médiuni e atira-lhe impropérios. vê junto dela um Espírito de aparência agressiva e pejado de vibrações desarmonizadas. estando. Está igualmente preparada para esse encontro. não resiste muito tempo e entra em crise dolorosa. como favorita de um poderoso líder das trevas. Na organização em que vive. no entanto. mas. Ainda se fossem outras conversas. já dispomos de alguns elementos mais concretos. . Vai logo dizendo. está aparentemente segura e coretinua a rir-se de tudo. pois muitas vezes deve ter presenciado esse momento dramático. Ela ainda consegue dizer que seu ventre secou e. é mera criação de sua mente. por certo. em filme. É um antigo esposo. Presa aos seus condicionamentos. Elà pressente as dores que a esperam. muito sorridente. as suas recordações e. Agora. numa emergência como esta. por certo. diz. tivemos outra manifestação de Espírito feminino. que não consegue trocar. a fim de obter informações.1º burned all the bridges behind me. para me provar que não tenho razão. esperava. Nesse ponto.. Agora. suportar a lembrança das suas próprias atrocidades. a pobre e querida irmã. Dirijo a ele algumas palavras. e não um desenxabido senhor de cabeça a branquear. mal pode esconder seu desapontamento.) Respondo-lhe que tentou também queimar as pontes para o futuro e. que sua beleza física. Pede um espelho. por fim. principalmente. por meio de imagens vivas. tentando acalmá-lo.. Poucas semanas depois deste caso. É chegado o momento de começar realmente o processo de doutrinação. detesta aquele vestido vermelho. dize ndo que não adianta mostrar-lhe nada. Teria descoberto que o pobre doutrinador é muito amado e teve o desejo de conhecê-lo pessoalmente. desprende-se com enorme sofrimento para o médium. a serviço dos seus mandantes. e ordena-me autoritariamente que me sente. se sente prisioneira numa ilha sinistra. É uma longa e penosa agonia! Sente as mãos sujas de sangue. mas ela está bem preparada para o confronto. que eu fosse jovem e belo. no entanto. De repente. 126 superior condescendência. de início. de quem ela matou todos os filhos recém-nascidos e os enterrou no jardim. o que não quero fazer. de que tanto se orgulha. Não queria filhos. (Queimei todas as pontes por que passei. Até aqui — o trabalho todo durou cerca de uma hora — o tempo foi aplicado em tatear a sua personalidade e os seus problemas. A despeito do seu preparo. ante o desespero em que ela se precipita.

mas um dos emissários da sua tene brosa organização está presente. permitindo que fosse. alegando que eu oro demais e. por- tanto. ela me interrompe para afirmar que não teve a intenção de me ofender: Como estou. ao seu lado. Depois de reunidos os elementos que me parecem suficientes. com outras criaturas infelizes. 127 Digo-lhe que realmente sou um velho sem graça e quando lhe pergunto se ela é jovem. o que não é verdade.) Aproveito para dizer-lhe que foi aquele momento de compaixão. proponho -me a orar. mal me levanto. não. em suas atividades. * São essas algumas experiências com Espíritos ditos femininos. ela se debruça sobre a mesa. dizendo que a moça que a espera também é deles. e continua a ser explorada do lado de lá. A conversa prolonga-se aparentemente sem rumo. à irmã atendida semanas antes e que descobrimos ter sido uma duquesa — foi protegida. comemorando 56 anos de idade. que precisava ser obedecida. junto à esposa de alguém que estávamos interessados em ajudar. Sente-se muito emocionada ante o carinho e o respeito com que a tratamos. tão violentas e agressivas como os homens. com o que ele concordou. neste caso. Teve pena dela e ficou sem coragem de exe- cutar friamente o seu mandato. (Estava presente também quando telefonei para essa amiga encarnada. na carne. digo-lhe que ela acaba de me dar o mais lindo presente: seu coração. precisamente naquela noite. diante da sua vítima em perspectiva. que veio recebê-la. e ela parte. numa crise emocionante. Sinto por ela uma infinita e paternal ternura e lhe falo com muito carinho. me ajude! Houve. uma jovem pacificada e tranqüila. e que se esclarecera. infelizmente. agora. nossos mentores disseram-nos que ele havia sido doutrinado no mundo espiritual mesmo. porque tínhamos uma disciplina de trabalho. ao chegar junto a essa pobre senhora. No decorrer da semana. Respondi-lhe que. As vezes. . necessário trazê-lo novamente ao grupo. declara que vive no céu. perguntou se eu ainda dispunha de tempo para atendê-lo. de início. não sendo. Ela deixa cair todas as guardas e me conta que é uma infeliz: foi explorada pelos homens aqui. elas são obsessoras implacáveis. Havia sido incumbida de uma tarefa. ao deixar o médium. em outro médium. Vê. Enquanto “ela” estava lá — refere-se. dolorosa. Diz que sim. O companheiro que se incorporou em outro médium. Peço- lhe que siga a moça. não. Ela protesta. responde corretamente que o Espírito não tem idade. que a salvou. um pós-escrito. Sente-se muito desconcertada e arrependida de ter-me tratado como tratou. se diz cansada e confessa que até aos meus prejudicou bastante. mas. socorrida. depois. Quando lhe digo que tenho idade para ser seu pai. em pranto. para consolá-la de dores que me havia confiado. por sua vez. Vive num verdadeiro campo de concentração. porém. repetindo uma pequena prece que lhe sugiro: — Jesus. Ela teme seus verdugos e está apavorada ante as perspectivas de ser arrastada por eles. a chorar às escondidas. para ameaçá-la. mas poderíamos conversar na oportunidade seguinte. e tenta confundi-la. Pergunto se ela confia em mim. dizendo que voltaria. mas é a fase em que são colhidas as informações de que necessitamos para o trabalho real de doutrinação. pois o céu é um estado de espírito e ela é muito feliz. como depois apuramos. A uma outra pergunta minha. viu-a em pranto.

em “Libertação”. que se trans viara lamentavelmente. mas quase sempre já mais avançadas no caminho da pacificação. mais abertas ao entendimento e predispostas ao despertamento. mais cedo ou mais tarde. ainda enoveladas. porque mais sensíveis ao apelo da ternura. em trabalhos mediúnicos. 128 tão irracionais quanto eles. às vibrações da nossa afeição. filhas. alimentadas em esperanças que nunca se apagaram. em resgates dolorosos. do respeito à sua condição feminina. é encontrar mulheres que vêm recolher nos seus braços amorosos os companheiros recém-despertos. respondendo. decididamente. que guardaram ternuras profundas. ainda que estejam transitoria- mente numa posição de aviltamento. da emoção. ou. Ao sentirem que são tratadas como seres humanos. numa cena inesquecível. esposas. elas próprias. por isso mesmo. Matilde desce aos subterrâneos da dor. às vezes. em relação aos Espíritos masculinos e. nas suas paixões e no desejo insaciável de vingança. Algumas encontram-se de há muito revestidas de luz e harmonia. Comparecem. intensamente dramático. e é com o seu amor apenas — e é tudo! — que enfrenta a sua cólera. está relatado por André Luiz. talvez. São velhos e seculares amores: mães. mas são estatisticamente em número reduzido. para resgatar o seu amado Gregório. irmãs. reagem como seres humanos. O mais comum. nem mesmo esmoreceram. . porém. Um destes casos.

129 TERCEIRA PARTE O CAMPO DE TRABALHO .

criando uma opressiva atmosfera de penumbra. que o esmaga. o processo da desobsessão se desencadeia. ao contrário. luz e sombra. que traiu ou abandonou. e. Cedo compreende que não vale a pena perder seu tempo. muitas vezes. pressionado ou sustentado por ela. caminhando para as trevas de sofrimentos inenarráveis ou subindo para os planos superiores da realização pessoal. Arrastado pela emoção. a fim de separá-los. porque nos recusa. Esse deslocamento o conduz a extremos de paixão. compreendendo que essa é uma verdade com a qual ele ainda não havia atinado. nos desprezou. Mesmo envo lvido. É oportuno lembrar que emoção. ele começa a recuperar-se. penosas vibrações de sofrimento. o esposo. dado que — e isto também pode parecer contraditório — não podemos ignorar o fato de que a vingança impõe. Por mais estranho que pareça. porque é comum tocarem-se os extremos. o poder. que em determinado ponto absorveram-se uma na outra. de uma realidade indisputável. às vezes. O trabalho de desobsessão não deve ignorar essa realidade. desliga-se do objeto de sua dor. a posição social. quer dizer ato de deslocar. o filho. Estejamos certos. que o filho nos rejeite. com menor dificuldade. Suponhamos que a esposa nos traia. renasce. vive no clima da emoção. o amor frustrado. levado por ela às furnas mais profundas da dor e da revolta . confunde-se em nós a realidade ódio/amor. porque a amamos. não acaba nunca. sobrevive. é preciso ajudá- lo a identificar bem seus sentimentos. que ele odeia porque ainda ama. está ali.. etimologicamente. ou seja. e nos confundimos nela e com ela. Ela nos afeta. Freqüentemente. também ao vingador. que agonia e desorienta o Espírito. Passamos imediatamente a odiar os que nos privaram da posse daquilo que amamos ou valorizamos. que o santifica. é que mantém acesa a chamazinha da esperança. porque em termos de relacionamento homem/mulher. ele subsiste. fixa-o ainda mais. para isso.. percebemos que amor e ódio são duas faces de uma só realidade. e angustiar-se no doloroso processo de vingar- se. em crise. encarnado ou desencarnado. Odiamos aquela criatura exatamente porque parece que ela não quer o nosso amor. mesmo quando. segundo ele se deixe dominar pelo ódio ou se entregue ao amor. que o dinheiro ou o poder nos sejam arrebatados. o rancor contra a amada. O ódio não o exclui. Aquele que deixou de amar é porque não amou bastante e. O que acontece éque temos em nós todos o instinto egoísta — e quase todos os instintos são egoístas — de conservar a posse total do objeto de nossa preferência ou afeição: a esposa. o ódio é. em estágios ainda inferiores da evolução. ou a culminâncias de devotamento. na qual perdemos a visão dos caminhos e o senso da direção. mover. a colocarem um ponto final nas suas angústias. muitas vezes. o Espírito se desloca. No momento em que conseguimos convencer o companheiro desencarnado. . por amor. ocasionalmente. o dinheiro. soterrado no rancor e na vingança. nos traiu. Com isto. ou o amado. 130 24 O PROBLEMA O ser humano. como dizia Paulo aos Coríntios. Para desfazer esse clima de crepúsculo. parece não existir em nós. de maneira paradoxal. ou alçado aos píncaros da felicidade e da paz. ajudar os Irmãos. que se atormentam mutuamente. e é lembrando esse aspecto que conseguimos. num sentido ou noutro. ainda que pouco percebida: o amor.

Uma bela criança. Ela veio indignada. E por mais de um século. à medida em que o amor reacendia a sua chama. por doce constrangimento. nos seus esforços. encontrava em si mesma todas as justificativas para continuar agindo daquela maneira. ela veio apenas para despedir-se. Ela era muito brilhante e estava muito magoada: tinha respostas oportunas. era a retomada da trilha evolutiva. minha querida. a perspectiva de novas experiências redentoras: a querida irmãzinha preparava-se para reencarnar-se. vivi uma das mais belas e comovedoras emoções da minha experiência no trato com os Espíritos. Foi muito difícil o diálogo com ela. já em pranto. onde vi veram momentos de intensa felicidade e enlevo. Nada. também. E ela. por mais de um século! Promoveram. ligaram-na com o próprio companheiro. com todo o vigor antigo. a princípio timidamente. Reencontrou-se ela. tão verídica e dramática quanto a própria vida. de elevada posição social. Esta história. falando entre lágrimas: — Quando vai terminar esta farsa? Pacientemente. O drama e a dor estavam encerrados. achara que não valera a pena o seu sacrifício e que ele não dera valor às suas renúncias e nem as merecera. em lar feliz e equilibrado. Seu antigo companheiro. mas agora purificado. perfeitamente reconciliada com a vida e com o amor. teve um final emocionante e. Levaram-na a um encontro com ele desdobrado pelo sono — a um local. como podiam. Esse drama durou meses. recolhida ao mundo espiritual. . trouxeram-na de volta. fazia parte de nosso grupo e ela ainda trazia em seu coração um rancor que 130 anos não conseguiram extinguir. Quando ela percebeu que falava por seu intermédio. revoltada. O Espírito manifestante era de uma mulher. encontros com um fi lho que o casal tivera naquela ocasião e que se encontrava também no mundo espiritual. objeto de seus ran- cores. Tudo foi tentado pelos nossos queridos amigos espirituais. sentindo que começava a ceder aos argumentos ou aos sentimentos de afeição que colhia no grupo. irredutível. na Europa. Um desses foi comovente. Certa noite. Visitava eu a família. não pensara noutra coisa. tive oportunidade de vê-la. em lugar de ligá-la ao seu médium ha bitual. ele tentou dialogar com ela. expurgado da paixão que fora a sua perda. Renasceu. e depois. os benfeitores espirituais. muito chocada. Logo aos primeiros meses de sua nova existência. Fora muito bela. que suas lágrimas também são uma farsa? Estava chegando ao fim de sua longa e penosa agonia Íntima. Acabou por reconciliar-se com o seu antigo amado. ora encarnado. com outra filha — esta reencarnada — à qual se dirigia com carinho e afeição. através do médium. mas a experiência foi negativa. Ajudavam. Começou a ceder. bastante pacificado e dedicado ao trabalho construtivo. e rompera com todas as convenções da época para segui-lo. reti rou-se prontamente. inteligente. ela desligou-se subitamente do médium. o doutrinador lhe devolveu a pergunta com outra: — Você acha. graças a esse episódio. De outras vezes. Agora. Certa vez. Nossos benfeitores. semana após semana. 131 Vários casos assim temos encontrado na experiência de nossos grupos. Foi-nos permitido identificá-la na nova encarnação que se iniciava sob tão belos auspícios e tão gratas alegrias para todos aqueles que a amavam. Certa vez. pois ele também dispunha de excelentes faculdades mediúnicas. pois a sua palavra parecia exacerbar o rancor que a infelicitava. o doutrinador. Afinal de contas.

abriu os olhinhos. na linguagem inarticulada da emoção: — Ah! É você? Eu já estou aqui. fica estimulado. ante os companheiros com os quais nos desentendemos no passado. segundo nossas próprias reações. além de outros que possam estar comprometidos no processo. * A coisa não é tão fácil quando o Espírito desajustado persegue aquele que o fez perder a posição. mas indelével. Em seguida. objetivam-se. ou se dilui. Seu antigo companheiro recebe dela. é preciso deixar a ela o trabalho de reajuste. que identificamos como causadora de nossa derrota. (1) Orar por aqueles que nos perseguem não é apenas um preceito evangélico teórico — e já seria muito. está reabrindo o ciclo da dor. atravessa os séculos e os milênios. Se deixamos de odiar e passamos a orar por aquele que nos atormenta. Entramos no quarto em que ela dormia profundamente. é aquele que ali está.. 132 e a jovem mãe me chamou para ver a criança. Nunca será suficientemente enfatizada a importância deste conceito. e é mais fácil lutarmos e tentarmos destruir uma pessoa. encarnado ou desencarnado. Isto é válido também — e como! — para a maneira pela qual recebemos nossos irmãos em desajuste e com eles dialogamos. em vez de fechá-lo com o perdão. Aquele que assume a posição de tomar a justiça divina em suas mãos. Isto é uma realidade terrível. Quase sempre se esquece o vingador de que ele próprio desencadeou o mecanismo do resgate quando. O rancor que sentem por nós sobrexiste. cometeu faltas idênticas contra o próximo. A mãe acendeu a luz. Sem dúvida alguma. sob meus protestos. Pois vos digo: Amai os vossos inimigos e rogai pelos que vos perseguem. que multidões de sofredores ignoram. libertamos pelo menos dois seres: a nós e a ele.. mas ela continuou dormindo.. o dinheiro ou o amor. do que enfrentarmos a dura realidade de que a causa está em nós mesmos e que o ser a quem perseguimos foi apenas o infeliz instrumento da lei. em trabalhos de desobsessão. em passado esquecido. o amor transcendental da neta muito querida pelo avô. Seus olhinhos exprimiam felicidade e amor. Sua revolta e sua angústia como que se perso- nalizam. quando cuidarmos das . sempre observadas atentamente pelos nossos cobradores. Sua expressão me dizia. que mereceu também a bênção do reencontro e da reconciliação. contemplou-me — seu antigo doutrinador. Se os odiamos também. Deixaremos para debater esse aspecto mais adiante. pois temia que ela acordasse. amigo. o poder. Depois. o amor também renascera com ela. Era linda. adormeceu novamente. hoje. não são os seus próprios enganos. o culpado de sua queda. como um anjo que era. Senti naquele sorriso a mensagem da paz e da gratidão. Mais uma vez é preciso lembrar aqui a técnica desobsessiva que o Cristo nos ensinou: “Ouvistes dizer: Amai vosso próximo e odiai vosso inimigo. Na confusão em que se envolve. que faz brilhar o seu sol sobre os maus e sobre os bons e chover sobre os justos e os injustos. lamentavelmente. persiste.. e dormiu ainda alguns segundos. de suas frustrações. com quem sustentou batalhas impetuosas — e me deu o prêmio inesperado de um belissimo sorriso. para que sejais filhos de vosso Pai celestial. Nossos erros são cometidos contra a lei divina. por certo — é um ensina mento do mais elevado valor prático. o ódio que nos votam sustenta-se.

repetindo enganos e desenganos. era ódio. Isto vale. insistir e repetir: os Espíritos em (1) Mateus. mas ainda não convencido. De certa forma. contou-me que um doutri nador desavisado. o que é verdadeiro. em nota de rodapé. Que me restava dizer a ele. nem indiferença e. estudaremos um caso destes. porém. ao que se depreende. que quero te dar uma bofetada! * A situação é consideravelmente mais difícil quando o doutri nador defronta- se com seu próprio obsessor. estado de perturbação avaliam as nossas emoções e não as nossas palavras. também de irritação. para que se criasse o clima da desavença que pensam convir-lhes. ele se esvaziou pouco a pouco do seu ímpeto e partiu. Você já me ganhou. Neste caso. a tarefa assume implicações de natureza muito pessoal.. entre muitos. que a expressão odiai vosso inimigo não se encontra no texto da lei. de onde foi extraída a citação. 133 técnicas e recursos sugeridos para o trabalho. olhou-me e disse. em tom e em palavras que nunca mais me esquecerei: — Não precisa armar-se. todo aquele que não fosse amigo. Convém. ao meu lado. Na semana seguinte deu-se a coisa mais linda. basta extrair da situação um ensinamento extremamente precioso e que nunca deve ser esquecido: o de que o arrependimento e o remorso também devem ser construtivos. algo desapontado. 5:43-45. essa pobreza semántica perdura. Como me mantinha sereno e imperturbável. . pois. experimentado nas lides espíritas. ou seja. quanto para o perseguido. a fim de arrastar-me para a sua faixa vibratória. onde melhor poderia alcançar seus propósitos. no entanto. muito atento. Neste ponto. A Bíblia de Jerusalém esclarece. nem ódio. que a expressão era forçada. profundamente irritado com o desajustado Espírito manifestante. Lembro-me de um exemplo. dessa curiosa posição espiritual. berrou-lhe. Incorporou-se ao seu médium.. Mais adiante. tanto para o que persegue. e que acumulou. 19:18. tudo o que não pudesse ser considerado amor. pois não consta de Levíticos. por causa da pobreza da língua. no fundo. com voz emocionada. ansiosos de que os convençamos de seu erro. senão da profunda emoção e gratidão pela sua resposta ao sentimento da fraternidade? O doutrinador tem que estar. extenso rol de casos curiosos. Estão. não tinha uma expressão correta para descrever o sentimento que não seria nem amor. porém jamais reconheceriam isso. Uma simples frase dessas descreve um mundo de emoções e de decisões que um livro não poderia conter. ao longo dos anos. para as quais o doutrinador tem que estar preparado. Se no debate opusermos nossa irritação à deles. nada conseguiremos senão confirmá-los nos erros em que se enquistaram através do tempo. O companheiro manifestou-se impetuoso e logo revelou-se indignado porque não conseguiu despertar em mim uma reação idêntica à sua. por isso. O vocabulário da época. no auge da desarmonização: — Materializa -te. Esclarece. para não deixar envolver- se pelo rancor que o Espírito traz em si. talvez pensando em descobrir um método qualquer de me irritar. seria inimigo. Um confrade.

Além do mais. De outro lado. que ele se esforça: manter a sua vítima sempre lembrada do erro. pagar como? Que entenderia ele por pagar a dívida? Certamente que . ou obsidiado. senão ele. de muitos e pontiagudos espinhos. A situação é. no passado. apenas o véu do esquecimento o protege. tanto para fazê-la sofrer. ele mesmo praticou falta semelhante e agora recebe a visita inevitável da lei. Nem sempre ele sabe por que sofre os rigores da vingança. afinal. que não temos condição de suportar com a nossa consciência de vigília. ou déspota medieval. século após século. em tais circunstâncias. vai continuar paralisado pelo remorso. Ele só sabe que aquele miserável o matou e. expomo-nos. Como Espírito. enquanto exercia elevada posição de mando. Por outro lado. como um rei. pois. porque o arrependimento serve dupla-mente. Mas. — Paga a tua dívida! — gritou certo companheiro desarvorado. mas não podemos per- mitir que o nosso arrependimento alimente indefinidamente o seu rancor. por exemplo. à cobrança. Digamos que ele tenha sido assassinado. ele sabe também que. É preciso estudá-lo. cons ciente ou não. porém. encerrar o processo da vingança. aliás. que se eterniza. ou. por alguém. equilíbrio e humildade. a causa anterior que determinou o efeito da sua dor. num diálogo. É certo que ele ignora. para que ele sofra daquela maneira. mostrando-lhe que o remorso deve ser construtivo. chegou à conclusão de que não vale a pena continuar. ele não pode ignorar o arrependimento. colocamo-nos em posições nas quais não podemos sequer ser ajudados. Ele persegue e vinga-se de alguém implacavelmente. pois é da natureza do ódio jamais satisfazer-se em si mesmo. e entrega-se ao remorso desenfreado. de lembranças extremamente dolorosas. mais grave ainda. pois é exatamente este sentimento que lhe dá os primeiros recursos para livrar-se da dor. o seu obsessor. Suponhamos. Sim. vejamos o perseguido. ainda. estamos arrependidos do erro cometido contra o irmão. como para estimular a cobrança. e deve ser muito grave. dificulta a libertação de seu próprio Espírito e do de seu verdugo. Imaginemos um Espírito desencarnado. dá-lhe o “direito” de punir e de vingar-se. O remorso é. mas ele desconhece as causas da sua dor e nem sequer tem oportunidade de enfrentar. merece todos os castigos e punições. pois. aquele severo perseguidor resolva. É o momento de ajudá-lo a construir algo com os salvados de sua tragédia. o que. muito complexa e delicada. tratá-lo com serenidade. descobriu que. na sua maneira de pensar. envolvido num tene broso processo de obsessão. num ódio que parece não ter fim e que nunca chega à saciedade. O erro vem de muito longe. É nisso. Está cansado. se não for canalizado para fins construtivos. pode retê-lo à mercê do seu perseguidor. portanto. remota ou não. uma flor belíssima. descer a abismos de autocomiseração e dor. Sem arrependimento. ele próprio cometeu faltas muito mais terríveis do que aquela que pretendeu cobrar. Se ele tem oportunidade. em nome de um Deus em que ele mesmo não acreditava. Pode ele. naquela vida ou em outra. ele não o ignora. ao errarmos. desesperados. como a todos nós. 134 Tentemos explicar este delicadíssimo mecanismo. no mundo das trevas. porque um dos grandes infelizes é ele próprio. que ao cabo de uma feliz doutrinação. Ele não quer saber que anteriormente. a nosso turno. porque o mesmo sentimento de remorso que o levou a merecer ajuda. se concentra naquele que provocou a sua desencarnação. que estava parado na estrada da evolução. Temos tido oportunidade de presenciar arrependimentos dramáticos. de conhecer a razão de sua obsessão. Toda a sua cólera.

que contém outras implicações e conotações de grande interesse para o trabalho de doutrinação. . É uma situação extremamente critica e delicada. Ainda voltaremos a este tema. 135 com a dor que resgata e com o arrependimento que nos retém preso a ela.

temos nos deixado levar pela perigosa ilusão de que somos grandes. São grandes os “príncipes” da Igreja. sim. assim. Entre nós.” Vemos. É um grande criminoso aquele que mata com requintes de crueldade uma pessoa ou duas. mas o de servir ao semelhante. que tudo -avaliamos segundo a insignificância de nossas medidas. o exercício do poder com a grandeza. Ele mesmo. como a que nos demonstrar. pois eles nos têm levado. Isto nos induz a colocar sob suspeita nossos critérios usuais de avaliação da grandeza. ao longo do tempo. sutilmente. a cometer tremendos enganos.” Em Lucas (22:24-27) o texto é ainda mais explícito: “Entre eles. tudo o que sobreleva à mediocridade dos nossos horizontes torna-se grande. Porque quem é o maior. somente porque dispomos de autoridade incontestada. o conceito de grandeza formulado pelo Cristo não foi o de servir às nossas paixões. entre vós. igual ao que serve. E muitos de nós. o que está à mesa ou o que serve? Não é o que está à mesa? Pois eu estou entre vós como aquele que serve!” Portanto. mas. Jesus confirmou e ampliou o seu pensamento. como simples anões espirituais. quer sua obra seja construtiva ou desagregadora. que não tínhamos noção real do conceito de grandeza: “Em verdade vos digo que não há. Em outra oportunidade. no passado e no presente. cujos vagalhões vêm rebentar em nossas mesas de trabalho mediúnico. mas é um grande guerreiro aquele que mata milhares. É grande o escritor que obteve muito sucesso literário. Nessa invertida escala de valores. amorosa. fora grande. ignorada e até desprezada. mesmo que do lado negativo da ética. que leva uma existência a serviço do próximo. Mas. mas não assim. houve também uma discussão sobre quem parecia ser o maior. não temos subido as escadarias do poder? O pior. maior do que João Batista. desde remotíssimos tempos. no . quantas vezes. que os parâmetros humanos de aferição da grandeza são inaceitáveis em termos espirituais. Os sinais exteriores do poder nada dizem sobre o gabarito moral do Espírito que os detém. cuja verdadeira grandeza era impossível de ser ocultada. contudo. senão que o maior entre vós seja como o menor. que ampliaram os poderes materiais da organização. têm o seu núcleo principal na terrível paixão pelo poder. Um Espírito disse-me certa vez em que dialogávamos: — Sempre fui grande! Em termos humanos. freqüente mente. o que é realmente a grandeza? “O maior dentre vós seja vosso servidor” — disse o Cristo. Ele lhes disse: Os reis das nações governam como senhores absolutos e os que exercem autoridade sobre elas se fazem chamar benfeitores. em renúncias ocultas e no silêncio do anonimato. o menor no Reino dos Céus é maior do que ele. desde o antigo Egito até à Europa moderna. utilizando-se de sua impecável didática. confirmava-se como simples servidor. entre os nascidos de mulher. 136 25 O PODER Muitos dramas. Confundimos. e o que manda. segundo Mateus. É grande o que disputou e conquistou a sangue e fogo posições de mando e governou multidões com pulso de ferro. serena. “pois o que se exalta será humilhado e o que se humilha será exaltado. passa despercebida. a criatura evangelizada. 23:11.

Muitos são. (“O Céu e o Inferno”. Espíritos atingidos por esse deslumbramento lamentável arrastam consigo. para me servirem!. Contudo. Mesmo com os chefes menores. que exercem com a sensibilidade anestesiada... não sei. Que se enviem escravas. quando se encontram privados daquilo que constitui o próprio ar que respiram.. a viver fora desse clima. está em agarrarem-Se te nazmente ao poder... a única saída possível.” — “A vossa hierarquia terrestre concorreu para que tivésseis outra mais elevada nesse mundo em que ora estais?” — “Continuo a ser rainha. Épreciso compreendê-los. a paixão invencível do mando. ainda. alguém que fora obscuro servidor da sua corte e de quem agora ela dependia para ser ajudada. 137 entanto. Dificilmente comparecem aos trabalhos de doutrinação os verdadeiros chefes dessas organizações. contanto que lhes sejam conferidos os sinais externos do poder. por séculos e séculos. os planejamentos. no próprio contexto em que vivem. bem como o comando de vastas organizações opressoras. que vivestes nos esplendores do luxo. de joelhos?” Outra grande dama. Kardec nos preservou a comunicação de uma rainha indiana de Ouda. que o tempo não apagou. com suas mazelas.. Um deles. Segunda Parte. no mundo espiritual. sou sempre a mesma. A decepção de alguns desses Espíritos é terrível. parece-me que pouco se preocupam com a minha pessoa. Mas. encontrou em elevada posição. os que se revezam nos postos de mando.. seus remorsos. que se apresentou como líder religioso. as expedições. pelo sofrimento anônimo. assessores de confiança. pela reencarnação de resgate? O único jeito. É por isso. e a infecção instala-se em nós. acaso. comandou exércitos e povos. as ordens.” E depois: — “Tendes inveja da liberdade de que gozam as européias?” — “Que poderia importar-me tal liberdade? Servem-nas. e lá se juntam às organizações trevosas. Eles se prestam a isso. permanecem ao abrigo dos olhares amargurados de antigos amores. Enquanto estão ali.. as insígnias. aqui e lá. que pensais hoje de tudo isso?” — “Que tenho direito. também. as verdadeiras campanhas que desencadeiam contra aqueles que consideram seus irredutíveis adversários? Como voltar a ser um simples e endívidado Espírito. cercada de honras. que se utilizam deles para oprimir e es- palhar a desarmonia por toda parte. que chega às fronteiras da “divinização”. Como vão deixar o poder? Entregá-lo a quem? E por quê? Como irão viver sem as pompas. despojado de suas próprias “defesas”? Sim. Vêm geralmente seus emissários mais credenciados. Por que trocar a glória.. pois não aprenderam. suas consciências. os tronos. é que o vírus do poder nos contamina.. eu. em tempos idos. ex-rainha da França. enquanto permanecerem ligados àquelas tenebrosas estruturas. capítulo VIL. e não devemos alimentar esperanças de rápidas e radicais conversações. seus destacados líderes. estão adiando o momento do encontro consigo mesmos. me disse: — Meu Imperador é Fulano — e disse o nome de alguém que. que .) — “Vós.. em condições melho res do que a da infeliz rainha indiana. aqui. montando e dirigindo terríveis organizações especializa das no crime espiritual. no entanto. os séquitos. o trato é difícil. porque sabem muito bem que. para o mundo espiritual..

Enquanto estiverem no exercício do poder estarão ao abrigo da dor maior. da brandura. da compaixão. É mais fácil enfrentar a dor dos outros. . de enfrentarem a si mesmos. 138 se recusam terminantemente a um diálogo que possa arrastá-los para a faixa da emoção. da sentimentalidade.

e que chicoteou. em nossa presença. brilhante e poderoso. séquitos de servidores e acólitos. devo-lhe algo muito sério. Retoma o diálogo irônico. como prisioneiro. Depois. Vimos como se entrelaçam. e não . ou à inteligência. numa autopunição inevitável. respondo-me. propõe.. Sente-se nele a evidente satisfação consigo mesmo. e à sua obra sinistra. são seus próprios crimes. perde a paciência. com elo gios e lisonja. inclusive o meu envolvimento. envolvente. faz uma cena. uma barganha: libertará aqueles em quem estou interessado. mas. Ouve choro de crianças (te-las-ia sacrificado?) e. Sempre fora importante. nas sessões mediúnicas. e eles lhe dão.. falou imediatamente sobre si mesmo: era belo. jóias.. a parte que lhe toca. fingindo ser um pobre enforcado. as vestimentas. bem como os que alardeiam conhecimentos intelectuais estupendos. necessitado de socorro urgente e de passes restauradores. enquanto um súbito e estranho processo de envelhecimento destrói-lhe as belas feições. Coitado! Como é difícil cair do pedestal. desapontado. dizendo que estamos ficando muito sabidos e perigosos. confessa que seu ódio “perdeu a força”. fora seu escravo. Cabe-lhe fazer com que a lei seja cum prida. mantos. Não é ele quem retém seus prisioneiros. em tempos passados. Volta a dizer que é belo. por desprendimento). irracionais e tolas. por sua vez. É o senhor daquela região (o médium havia sido levado. Muitos são os que nos visitam. por fim. Um desses foi enfático. indignado. “divino — Você me vê? — pergunta-me. Quando comparece da segunda vez. Quanto a mim. a alegria quase infantil com que contempla a si mesmo. mas vai aos poucos cedendo. o pior lhe acontece. Às vezes. no mundo espiritual. com aquilo que faz. e enquanto entra em crise. arrancada do fundo de si mesmo. também não tenho autoridade para fazer acordos. Fale com meus superiores. muito vivo e inteligente. lá mesmo. antecipa minha resposta: — “Sei que você vai dizer que o amor não é uma arma. poderoso. em seus tenebrosos domínios. e eles querem ficar lá. pois lhe arrebatei alguém que estava destinado a ficar também. Tudo ele tenta. e também o do orgulho. Dirigia uma organização que mantinha Espíritos aprisionados sob as mais abjetas condições do submundo das dores. Tem ali muitos prisioneiros. em troca de uma condição: devo “depor as minhas armas”. Fez com alguns companheiros encarnados um pacto. E. Não está acostumado a resistências assim. ri. 139 26 VAIDADE E ORGULHO Muito ligado ao problema do poder está o da vaidade. limita-se aos cuidados com a aparência “física”. Ao perceber que não conseguiu iludir-nos.. guardados por um velho que. Revela -se um dos magistrados do Espaço. A vaidade se apresenta sob muitos aspectos e é claro que nem sempre está associada ao exercício do poder. também a mim. no lado de cá da vida. inteligente. Poder versus poder. Há os que se julgam muito belos (ou belas). É uma afirmativa desesperada. em estado de exaltação vaidosa. ele que é um “deus”. Ele os ajuda a conquistarem uma fatia de domínio. no caso da rainha indiana. os que ostentam condecorações. pois vê sua beleza física desmoronar-se lentamente. Ao apresentar-se. A essa altura. Não só isso.

fora um fraco. ele fora um daqueles que apedrejaram Estevão. na formulação de perguntas embaraçosas. no campo teológico. ambos. Que prazer sentem em oprimir e dominar! Que orgulho pelas po- sições que ocupam. do contrário. contanto que Ele não interferisse com seus planos.. e vem sempre associado à vaidade ou ao poder. Outro companheiro. suas culpas. a partir do momento em que deixou de ser belo. trâns fugas miseráveis. visita-nos com igual freqüência.. que eram grandiosos. Nada tinha contra Ele. pois. literalmente. pois estou familiarizado com as minúcias da história da Reforma. Era ele mesmo. prova que alguém me criou. 140 deve ter sido fácil para ele reconhecê-lo. não o teríamos tratado daquela forma. porque. quanto ao Cristo. dos quais nem pensam em descer. Um deles me disse que acreditava em Deus: — O fato de eu existir — afirmou —. através de suas próprias palavras. Mas. traidores vis. as demais vaidades também entraram em colapso. dizendo-nos que nem fazíamos idéia de quem era ele. condescendendo em conversar conosco. conquistadas com dores e sofrimentos infligidos ao semelhante! Vivem. coitados! Que olímpica indignação! Um destes me conheceu em antiga encarnação. hábeis manipuladores do método socrático. Às vezes são. a insuficiência da vaidade física. como o Espiritismo? Que pompa. . Apresentam-se aparentemente tranqüilos e seguros. a ele próprio. suas angústias pessoais. Alguns crêem-se realmente divinizados e onipotentes. encontrarão seus próprios fantasmas. artificiosos no raciocínio envolvente. muito brilhantes e cultos. ou assaz rancorosos e agressivos. de fato. descobrindo as fontes ocultas de seu fanatismo religioso: em tempos idos. E os antigos “Príncipes” da Igreja. Ele era muito importante mesmo: — Ah! se você soubesse quem é ele.. demoníaca. onde fôramos adversários. ou a ambos. com o objetivo de obter a condenação do doutrinador. a crise começou a precipitar-se nele. durante a Reforma Protestante. identifiquei-o pelo nome. até mesmo algo assustado. Num “flash” de inspiração. chocado com o tratamento que haviamos dispensado ao seu “chefe”. em pedestais. envolvidos com uma doutrina maléfica. se o fizerem. Alguns nos invocam a velha fórmula: — Você sabe com quem está falando? Comandam vastas instituições do terror. através de outro médium. manifestou-se irritado. Acabamos. * Quanto ao orgulho.. Demonstrada. que comparecem tremendamente enfatuados.

padrões. esses refúgios. Vamos a alguns exemplos. Uma das constantes. São muitos. No caso. Enquanto o perseguidor estiver “esquecido” das origens de sua verdadeira dor. dentro delas. em cada uma delas. quando “caírem”. buscando apoio nas organizações a que pertencem. num conceito amplo de determinismo difuso. Temos de entender que estão em fuga. agredindo. Não são seres desprezíveis. Em suma: há certas constantes que se repetem. o que os espera um dia. Sejam quais forem as justificativas que invoquem para as suas atitudes — quando as apresentam — o mecanismo é sempre o mesmo: procuram esquecer seus próprios crimes e aflições. justificar. como se fôssemos os redimidos. prosseguem suas tarefas abomináveis. para eles também. Este recurso é básico. 141 27 PROCESSOS DE FUGA A contínua observação desses métodos. No entanto. Sabem de suas responsabilidades. as motivações. A couraça de que se revestem émais frágil do que parece. Por isso mesmo é que resistem. entre o inédito e o esperado. e não é impenetrável aos fluídos sutis do amor. e eles os réprobos perdidos em seus crimes. mas. ao longo dos anos. que tenhamos de abandonar à sua própria sorte. Essa é a doutrina da fuga. que se cristalizam. Temos que nos aproximar deles com sentimento de amor fraterno e de compreensão. das suas angústias e frustrações. eles agissem dentro de um amplo raio de livre escolha. mantendo certa autonomia. os impulsos. as palavras. e cada uma delas. por exemplo. que espalham a dor. essencial mesmo. para perseguir aquele que o . anestesiar-se na insensibilidade. ou o que seja. que dominam. uma vingança impiedosa. Quantos deles nos têm dito que sabem muito bem disso. e imaginam. que merecem o santo horror e a condenação eterna. Tentam cicatrizar suas próprias feridas abrindo ferimentos em outros corações. adiar o encontro com a verdade. é a fuga. vai desenhando para nós um perfil mais nítido dos segredos e mistérios do transviamento moral. Ë como se. cada um toma o caminho que lhe impõem os seus fantasmas interiores. Fogem de si mesmos. para aquele que precisa. As atitudes agrupam-se e. É preciso entendê-los bem. para sempre. enquanto podem. No fundo. com bastante precisão. ocultar-se de si mesmo. Não são monstros irrecuperáveis. quem foge precisa de esconderijos para ocultar-se. Parece que as posições são basicamente as mesmas. identificadas nesses Espíritos que perseguem. das suas próprias dores. guardam todas. em si mesmo. ele sente forças. O principal deles talvez seja o esquecimento do passado. Por outro lado. repetem- se os gestos. que os protege mutuamente do dia do despertamento. pelo cruel e desumano processo de acostumar-se à fria conte mplação da dor alheia. perante sua própria consciência. atacando. dentro dos quais a individualidade de cada um se preserva. não com nojo. Defendem-se da dor. mas que saberão “ser homens”. que se prolonga no tempo e vara séculos ou milênios. pois essa é a lei a que se apegam: a lei da solidariedade incondicional. quando chegar. que constituem modelos. mas não ignorá-las para sempre. a cobrança! Enquanto não chega. sabem que podem somente adiar o reencontro com as suas realidades interiores. maltratando. Não sei como explicar esse jogo. a sua individualidade e as suas surpresas.

porque a entrevista lhe foi solicitada por pessoas que ele respeita e admira. organizando planos tenebrosos e os levando a efeito. em que ele se mantém ameaçador. sejam as campanhas mais amplas. Montara sua própria organização.. irá descobrir que sofreu aquele ferimento exatamente porque. 142 feriu. Enquanto estão atordoados. a ele. em muitos anos. Se ele voltar sobre seus passos. Um deles confessou-me que conhecia bem o seu passado. portanto. na sua aparente tranqüilidade. acima de tudo. através de uma longa e tenebrosa experiência espiritual. através de várias encarnações infelizes. enquanto ele permanece escondido na sua mansidão aparente. O esquecimento o ajuda a manter acesa a chama rubra do ódio e. assim. mesmo assim. seja a vingança. pois são muitos os que. Apresenta-se aparentemente muito humilde e manso. quase sempre no lado errado da vida. que nenhum mal fez a ninguém. a da vingança. nas trevas. para servirem aos seus propósitos. por sua vez. sua perplexidade é enorme. antes. difícil. Responsabili dades. e. É vítima “ino- cente” de um crime inominável. que se apoiam em fantásticas teologias. Ocupara. à miséria. também os protege. Ao fim de longa conversa. E daí? Outros dizem que não se importam com o resgate. no próprio Evangelho do Cristo. faltando. pois tem seus auxiliares para contactos e execução dos planos. espezinhou a sua honra. A desesperada atividade mantém-nos. prosseguem na fria execução de seus planos medonhos. Quantos deles temos encontrado nas tarefas mediúnicas! Lembro-me de um. que sempre foi bom e correto. ao seu preté rito. levou-o ao crime. Isso lhes agrada. vivem a salvo das suas próprias dores. mas não buscam os esconderijos habituais.. De outras vezes. nossos benfeitores revelam-nos que se trata de um antigo franciscano extraviado. conhecem bem o passado e. e sim o atordoamento da ação. aquela mesma mulher. seja a disputa de maiores fatias de poder. nem isso basta. Aos poucos. o impacto dessa lembrança é suficiente para sacudi-lo fora de seu esconderijo psicológico e recolocá-lo na trilha evolutiva da recuperação interior. e em textos escolhidos com extremo cui dado. ao suicídio. mas as ameaças mais claras começam a filtrar-se: não nos deixará sair dali. à lei universal da fraternidade. a posição que lhe convinha aos propósitos pessoais. e que. Quer saber o que desejamos dele. Aquele miserável roubou-lhe a mulher. em que emprestam sua colaboração à organização a que pertencem. Se um dia ele descobre. Estes também estão em fuga. tranqüilo. alheios aos seus dramas e desesperos. que concorda em tratar diretamente com alguém. causou dor semelhante a alguém. por exemplo. É claro que se vê naquilo que chama sua própria “câmara”. claro que tinha muitas. Amava a glória e o poder. É a segunda vez. sem saber do que se trata. à ponta de punhal. Informa-me que “consentiu em receber-nos na sua câmara”. que há séculos vêm os dois disputando. depois de desfi gurá-los e corrompê-los. Há os que se prendem aos conceitos teológicos. A imaginação de cada um cria seu próprio mecanismo de fuga. de certa forma. embora certamente o saiba. em particular. pois dignou-se a conceder-nos a entrevista. É isso que desejam fazer. muitas vezes. Isto éparticularmente válido para os antigos sacerdotes. conseguimos . em cada vida. O que importa é o que fazem no momento. O diálogo prossegue.

como ins trumento de suas ambições. mesmo deslocado. de um Cristo que pretendem colocar a serviço de suas paixões subalternas e de um Evangelho que somente citam naquilo que lhes convém. que. não são invulneráveis à misericórdia divina. . mas. e de lá transmitido a mensagem que nos possibilitou o diálogo. nem a comunicabilidade dos Espíritos. Por mais defendidos que se julguem encontrar esses companheiros desarvorados. Se o fossem. bem como outras que não me tenham ocorrido. estamos a caminho de poder ajudá-los a libertar-se da dor. incorporado no médium. precisam de um inteligente mecanismo de fuga. Qual teria sido o mecanismo do fenômeno. Constroem seus próprios sistemas. no qual condescendia generosamente em receber-nos. Frequentemente. nesse caso. vão ao encontro do Espírito que os nossos mentores desejam pôr em contacto conosco. recursos e intenções. sendo eles inteli gentes. nem a sobrevivência. É preciso estarmos atentos. cujo conhecimento ainda nos escapa. e o fazem com freqüência. cada um constrói o seu esconderijo. que. não teriam jamais a oportunidade de se libertarem de sua condição tão dolorosa. pelos trabalhadores do Cristo. até o “local”. sob a proteção do Alto. aquele irmão deve ter sido preparado e condicionado de tal forma. pois. que se poderia chamar de “inversão de local”? Como e por que o Espírito. Enfim. com as interpretações que lhes interessam. a fim de tentar o resgate de companheiros que já ofe reçam um mínimo de condições para ser ajudados. mas isto será revelado — dizem — quando a Igreja for restabelecida em toda a sua glória. Quando descobrimos suas motivações. Inventam brilhantes sofismas e adestram-se em uma dialética deformada. Os indícios precisos eles mesmos no -los fornecem. em suas furnas escuras. vigilantes. poderia julgar-se recebendo-nos em sua “câmara”? Os nossos mentores não nos explicaram o ocorrido. * São muitos os que falam em nome de uma fé que não possuem mais. ou seja. Um dia saberemos o suficiente para entender melhor essa extraordinária faculdade que é a mediunidade. em nosso grupo sentia-se ainda em toda a segurança do seu reduto. em nome de um Deus que não amam. segundo suas Inclinações. no cômodo em que realizamos os trabalhos mediúnicos. Deixo abertas as opções mencionadas. temos presenciado esse fenômeno do deslocamento de médiuns. Não negam a reencarnação. 143 despertá-lo para a realidade que ele tanto teme enfrentar. quando voltar a dominar. Ao passo que eles não têm condições de peso específico para subir às regiões da luz a fim de promover distúrbios e “conquistas”. a velha e segura técnica da hipnose. A finalidade. o que seria inadmissível. sacrificialmente. mas creio que não seria fantasioso admitir. De algum modo. inventa suas defesas. com as suas pouco ve ladas ameaças. aos antros da angústia. Às vezes o esconderijo é a cultura intelectual. porém. os Espíritos iluminados podem descer. é uma só: esconder-se das próprias angústias. frágil e desarticulada. desdobrados do corpo físico. ao contrário. especulativamente. bastante inteligente. É possível também — e esta seria uma forma alternativa de considerar o caso — que o nosso médium tenha realmente sido desdobrado. nem por isso.

. e não naquilo que possa estimular-lhes as paixões abrasadoras. 144 pacientes e prontos a servi-los naquilo que lhes convém aos Espíritos atormentados.

sejam quais forem as condições. é preciso estarmos atentos às suas sugestões e observações. estaremos correndo riscos imprevisíveis. sobre as organizações do submundo da dor e do desespero. é preciso não cometer o trágico engano de subestimá- las. pois. nos meandros do sofisma. escolhidos por um processo impiedoso de seleção natural. num princípio que tem muito mais de autodefesa do que de fidelidade. não porque se estimem. e o compromisso de apoio e solidariedade irrestritos. 145 28 AS ORGANIZAÇÕES: ESTRUTURA. eles saberão dosar o trabalho. Como esses abnegados companheiros não impõem condições. mas limitam-se a nos aconselhar e esclarecer. Em primeiro lugar. mas porque precisam uns dos outros. porque a “do outro lado” é tão boa ou melhor do que a nossa. da parte dos que ficam no mundo espiritual. à medida que conseguimos passar pelas preliminares. sustentam-se aqui e lá. os esquemas e organogramas de suas instituições. ÉTICA. Sua liderança revelou-se na ação. e. Tentemos estudá-las mais de perto. HIERARQUIA E DISCIPLiNA Muito temos falado. pois é exatamente isso que desejam e a que se acostumaram. com as inúmeras peças do gigantesco “puzzle”. aqui. devotados ao bem e experimentados nesses trabalhos. MÉTODOS. no desempenho de tarefas redentoras do bem. É claro que jamais nos trouxeram. As instituições das trevas são estruturadas numa rígida concentração do poder. ainda que não o seja em objetivos e métodos. ajustada. de tanto ouvi-los falar delas. no exercício do poder. flexível. no trato com seus representantes. que obtêm. de menor envergadura. onde estiverem. em benefício de nós mesmos. em postos subalternos. se cairmos nessa faixa. . como signatários de pactos de vida e morte. Quando se reencarnam. E nunca é demais repetir: não o faça quem não esteja suficientemente apoiado por Espíritos esclarecidos. atenta. com segurança. mas. trazem programas muito bem elaborados. creio possível montar. ou confirmou-se através de séculos e séculos. As equipes orientadas por esses dedicados trabalhadores anônimos do mundo superior manter-se-ão equilibradas. O problema de lidar com elas é. Elas são realmente temíveis. Muitos deles. sempre que se portarem com prudência e sabedoria. São fiéis uns aos outros. extremamente complexo. nas mãos de alguns líderes. em que se revezam encarnados e desencarnados. nos deixemos dominar pelo pavor. Se o grupo conta com a colaboração de companheiros experientes. Dominam pelo terror que inspiram em toda parte. em termos de estrutura e disciplina. não podemos esquecer-nos de que precisamos manter nossa própria organização disciplinada. e as tarefas de maior responsabilidade vão sendo trazidas. mas segura impunidade em que continuam a viver. enquanto por aqui se encontram. e a provisória. Assim se explicam os êxitos. Foram concebidas e são operadas por inteligências privilegiadas. para manter-se no poder. para interpretá-las corretamente e pô-las em prática. nossos irmãos desarvorados. Espíritos longamente experimentados no mal. quando retornam aos seus domínios. Isto não significa que. Se nos sairmos bem das tarefas iniciais e passarmos nos testes a que somos submetidos. em termos huma- nos. se- gundo seus próprios recursos e possibilidades. um quadro inteligível desse tenebroso painel de desespero e aflição.

O primeiro impulso destes é resgatá-los. Mesmo assim. a fim de decidir onde levar seus companheiros. mas muito realista. que o desejam de volta e ameaçam arrebatá-lo a qualquer preço. Uma vez convencidos a mudar de rumo. Ao que tudo indica. Sua frase final foi de uma beleza transcen- dental: — Farei com as minhas lágrimas um rosário para oferecer a Jesus. Podemos contar. quando não procuram voltar contra eles todo o poderio da própria instituição que antes eles comandavam. a resguardar. A estrutura administrativa dessas instituições está preparada para aceitar tal flexibilidade. mas precisavam de ser convencidos.. caem em desgraça ante seus companheiros. Elas não podem falhar e. para que fossem. e continuam a exercer a parcela de autoridade de que dispõem entre eles.. Nenhuma esperança tinha ele — acertadamente — em grupos cujos componentes apresentavam-se com mazelas semelhantes à dos Espíritos que precisavam de tratamento. especialmente quando são figuras importantes. pelos seus ex-amigos. exatamente porque confiavam nele é que foram levados ao extremo de cometerem crimes terríveis. 146 após a desencarnação. sentiu todo o peso de sua responsabilidade. um desses poderosos companheiros extraviados. há uma verdadeira celeuma na retaguarda. passou uma semana a estudar diferentes grupos mediúnicos. de sua orientação. E também não é sempre que esses líderes. São muitos os dramas e as manobras dessa hora decisiva. usar dessa mesma influência para reencaminhá-los ao bem. provocados pelo sono. a impossibilidade de “salvá-los”. logo. em nosso afeto. e se tenha tornado praticamente insubstituível. com a sua decepcionada hostilidade. Assim. quando o seu chefe supremo é convertido ao bem. na máquina do poder. estava disposto a ajudá-los. mantêm-Se em contacto íntimo e permanente com seus comparsas do Além. A não ser que o líder esteja colocado em posição muito elevada. Dependiam dele. de sua palavra. por maiores que sejam as atrocidades que cometem. sem prejuízo para as suas tarefas. podem voltar sobre seus passos e tentar convencer seus antigos comparsas. na sessão seguinte. Ao que depreendemos da conversa com ele. falta de fraternidade. ante aqueles Espíritos que levara ao trans viamento. Convencido a abandonar suas tarefas tenebrosas. no mundo do crime. realizando contactos. pois há interesses poderosíssimos a proteger e personagens muito destacadas. * . Verificada. abandonam-nos à sua própria sorte. até mesmo enquanto na carne. agora. Quando conseguimos colher. durante os desprendimentos parciais. Eles confiavam no seu antigo chefe. como homens. rivalidades. ou que o arrasam. Um desses lideres portou-se com dignidade impressionante. pois não teria paz enquanto não conseguisse recuperá-los também. e. há sempre alguém em condições de suprir uma ausência ocasional ou definitiva. como ele. com manifestações de indigna dos e agressivos assessores seus. dificilmente a instituição é desmantelada. Sua sinceridade era evidente. Confessou-nos que não vira condições suficientes nos grupos que visitara. hipocrisia. e sua franqueza rude. doutrinados e des- pertados. por isso. a organização sobrevive naqueles que o substituem. Competia-lhe. mesmo convertidos.

porém. a revolta. quando se trata de organização de menor porte. quase sempre. Muitas vezes. porém. produzem o terror e a opressão. a desobediência. condecoram e distribuem prêmios aos que se destacam por trabalhos de especial relevância. e têm delas supervisão e proteção. operários. Sua ética é governada pela total ausência de escrúpulo. seria permitido pela própria estrutura e pelos métodos da organização a que pertenceram por longo tempo. organizações menores filiam-se às maiores. porém. Seus métodos são os do terror pela violência. utilizam-se de aparelhos. sobrevivem a essas crises. Sejam. porque os objetivos. são os mesmos. os benfeitores espirituais valem-se do momento de crise. pois. dispõem de tropas de choque. exposições. É preciso enfrentá -los com paciente firmeza e confiança nos poderes que nos sustentam. sem nenhuma cerimônia. No primeiro caso. porque não lhes. com o fim de produzirem lucro. pelas portas das nossas fraquezas. de vez que nada lhes é sagrado. 147 Há. porque as mais vastas. ainda que ocasional e temporário. “armadas” e bem adestradas. Não podemos abrir brechas em nossa vigilância. desarticule -se. endurecidos na prática do mal. em vez de visarem a atividades industriais ou comerciais. E qua ndo os grupos de socorro espiritual começam a interferir em seus trabalhos. e tudo se lhes permite. devem estar bem preparados para enfrentá-los. que pode abalar seriamente as instituições e até mesmo neutralizá-las. Nada de ilusões. debates. que podem causar consideráveis trans tornos. pois. Aqueles. Só que. . Têm seus chefes. Em casos excepcionais. Promulgam leis. Conservam registros meticulosos. sua incontestável hierarquia apóia-se num regime disciplinar implàcável. punem os indisciplinados. seus planei adores. e lutam pelo poder e por aquilo que entendem como glória pessoal. Promovem reuniões. empregando milhares de servidores. é possível admitir que a instituição se desfaça. seus organogramas são tão bem planei ados e implementados como os de uma empresa. se assim o permitirmos. Não se tolera a falta. para um trabalho de saneamento. grandes ou pequenas. para emergências. conferências. uma vez convertidos. ritos. ou muito se assemelham os métodos de ação. que resolvem organizar um grupo mediúnico de desobsessão. Nada os detém. elas se aconchegam umas às outras e desenvolvem planos combinados de ataque. movimentam documentação. pois as estruturas resistem. concilios. ainda que seus líderes as abandonem. o deslize. e dispõem de planos alternativos. guardas. seus executores. têm condições de tentar ajudar os que ficaram. tudo é permitido. sermões. como as sociedades anônimas da Terra. aqueles que. desde que os fins a que visam sejam alcançados. Estão preparadas para isso. rígido. e há aqueles que não podem sequer pensar nisso. inflexível. porque penetrarão.

148 QUARTA PARTE TÉCNICAS E RECURSOS .

como um microscópio ou um relógio. Se o médium mergulhasse. simplesmente porque se afastou do seu corpo físico. melhor ainda. da sua confiança nos companheiros que o cercam e. mas está muito longe de ser mero aparelho mecânico de comunicação. qual a razão de sua presença entre nós. pois muitos Espíritos necessitam ser ligados a tais médiuns. as intenções do Espírito que se aproxima. ao certo. tudo quanto entender. do seu interesse no trabalho. Ao escrever isso. Eles provocarão distúrbios e agitar-se-ão bastante. que são também seres humanos — não nos esqueçamos disto — variam suas apresentações. mas o médium não é um possesso. que há diferentes formas de mediunidade: de incorporação. de uma para outra manifestação. julgo inadequada a expressão “mediunidade incons ciente”. não estou esquecido do fato de que há manifestações violentas. Por outro lado. não se mani festa através do corpo material. para sentir o quanto essas duas manifestações diferem uma da outra. durante as quais os Espíritos incorporados movimentam o instrumento mediúnico aparentemente à sua vontade. a qualquer momento e sem limite de tempo. O Espírito do médium não está em estado de inconsciência. é preciso considerar. no sentido de que o manifestante possa fazer. fazendo-o gritar. para reiterar uma antiga opinião: de minha parte. mas não nos esqueçamos de que. e médiuns que passam ao que se convencionou chamar de estado “inconsciente”. segundo suas próprias disposições. muito embora se fale em sintonia e em vibrações. levantar-se. de psicologia complexa. como um telefone ou um rádio. a mediunidade sonambúlica pode e deve funcionar perfeitamente. o manifestante assumiria posse total do seu organismo e faria com ele o que bem entendesse. também. pois oferece condições para que outro Espírito se incorpore nele. e promover distúrbios semelhantes. que cada manifestação é diferente. para que eles . da sua capacidade de concentração. com ele. clariaudiência. O médium é um ser humano ultra-sensível. a própria mediunidade não é um instrumento de precisão. Devo abrir um parêntese. psicografia. O possesso é realmente um médium. obvia- mente. E mesmo estes. incumbido de transmitir o pensamento de um desencarnado. dos Espíritos manifestantes. repetidamente. do ambiente. derrubar móveis. ou totalmente sem disciplina. ou. de maneira previsível e controlável. que problemas nos traz. do seu estado de saúde. Suas faculdades sofrem influências várias. para cedê-lo ao manifestante. neste livro. de vi dência. da sua fé ou ausência dela. temporariamente ocupado ou ma- nipulado por entidade estranha à sua economia. da sua problemática íntima. 149 29 TÉCNICAS E RECURSOS Dissemos alhures. quais são suas características. no estado de inconsciência. Nunca sabemos. em Espírito. O máximo que se pode dizer é que a consciência não está presente no corpo físico. A mediunidade sonambúlica assemelha-se ao estado de possessão. Além do mais. especialmente. não apenas os guias espirituais do grupo estarão atentos. Num grupo mediúnico em que a supervisão espiritual seja firme e segura. ou psicofônica. rasgar livros e cadernos. assim como há médiuns que conservam sua consciência durante a manifestação. e muito livres. basta invocar esta. que funcione. no dirigente do grupo e. que pode flutuar. dar murros. segundo os recursos e censuras que encontrarem em seus médiuns. quando a ele nos refe rimos. mas.

Geralmente. para indicar o início da comunicação: colocar as mãos sobre a mesa. Às vezes. tenaz. irritabilidade. porque isto implicaria admitir mediunidade totalmente descontrolada. com certeza. infelizmente. o que. antes da sessão. ele precisa de alguns segundos para apossar-se dos controles psíquicos do médium. ou a esbravejar. pois é isso mesmo que desejam os companheiros desequilibrados. ou seja. estado febril. e pode. o Espírito começa logo a falar. por causa dessas dissonâncias psicofísicas. saudando-o com atenção. agressividade e vários outros sintomas de desarmonização psicossomática. não deixe de comparecer ao trabalho. 150 não cometam desatinos. O cerco em torno dele é permanente. até mesmo. dor de cabeça. o doutrinador deve aproveitar esses momentos para uma palavra de boas-vindas. Em casos extremos os orientadores espirituais do grupo também adotarão medidas de exceção. O médium experimentado e res- ponsável deve estar preparado para isso. aqui. habituado a trabalhar com ele. e na seqüência que julgar mais conveniente ao bom andamento dos trabalhos. em que o Espírito é virtualmente “manietado”. levantar os braços. assim. sobre os plexos. Elas são imprevisíveis e inesperadas. É preciso. quando o Espírito começa a acomodar-se à organização mediúnica. usualmente. afastá-lo do trabalho. freqüentemente. não tema e. e até dias inteiros. é certo que o planejamento espiritual já tem as tarefas da noite distribuídas por antecipação. porque acham. sensação de angústia indefinível e. tenha ou não mediunidade ostensiva. Já tivemos oportunidade de presenciar alguns desses casos. Um dos alvos prediletos dessas penosas aproximações é o doutri nador. a fim de iniciar o tratamento do irmão que se apresenta. saberá identificar. para conter as manifestações mais violentas. sobretudo. porque o imobiliza instantaneamente. o Espírito manifestante é parcialmente ligado ao médium. como o próprio médium estará presente e consciente. * Mas. pressão sobre a nuca. agitar ligeiramente a cabeça ou o corpo. implacável. perfeitamente preparado para inúmeras formas de manifestação. quando se trata de um Espírito desarmonizado. embora a manifestação não se torne ostensiva. por laços fluídicos invisíveis aos nossos olhos. numa sematologia que o doutri nador. duas ou três vezes. Não se assuste. mas. Esteja ou não esteja o Espírito ligado ao médium antes da sessão. prostração. impiedoso. acompanhando atentamente a manifestação. O doutrinador experiente saberá identificar prontamente os primeiros sinais da incorporação. sofrem também terríveis pressões dos irmãos perturbados. é verdadeiro. respirar com maior profundidade. muitas vezes. lembrar que. acabam com o grupo. Esse envolvimento pode dar-se também com os demais participantes do grupo que. que o neutralizando. para que o Espírito manifestante não se exèeda. e não consegue falar senão depois de se ter acomodado bem à organização do seu instrumento. o médium sofre inevitável mal-estar físico. não se apavore. O grupo deve estar. voltemos ao fio da exposição. mas de realidade indiscutível para ele. horas. embora não dotados de mediunidade ostensiva. interferir. os companheiros desencarnados doentes. ainda que lhe permitindo considerável faixa de liberdade. . Nestes casos. cada médium tem seu próprio “estilo”. gemer.

mas todos necessitados — e desejosos — de uma palavra de compreensão e carinho. às vezes. ou por estar com deformações perispirituais que o inibem. com um apelo “aos corações bem formados”. inteligente. usando de ardis. Os primeiros momentos de um contacto mediúnico são muito críticos. Alguns bem mais desarmonizados do que outros. gritando que acabou a farsa. defraudar. vem ele revestido de um manto de mansidão e tranqüila segurança. explode em irritação e “abre o jogo”. dá-nos conselhos. ou se apresenta ainda Inexperiente e incapaz de um diálogo mais sofisticado? Uma coisa é certa: não devemos subestimá-lo. Em alguns casos o Espírito somente consegue expressar-se a muito custo. ou preparando ciladas. ou mutilações que não possuem. e ele começou a rir. Em certas ocasiões. de início. ou tem cons ciência do que se passa com ele? É culto. Riem-se muito dos nossos enganos. como eu lhe pedira. depois de recuperado. E derrama um arsenal de ameaças e intimidações. que precisa de socorro. particular-mente grato ao meu coração. Propus-me a ajudá-lo. mas. Houve um que começou fingindo uma terrível dor de cabeça. Ao apresentar-se. em virtude de seu estado de perturbação. para que o doutrinador se esgote. Há os que fingem dores que não sentem. de esgotar o médium incumbido de dar-lhes passes. começou realmente a sentir uma dor real. Por fim. Um deles. ou então. sumariamente como ignorante. mistificar. tinha dificuldade em expressar-se. passou a colaborar em nossas tarefas. Pode. na tentativa de descobrir suas motivações. lembro-me de um. Digo-lhe que estamos dispostos à pacificação e ao entendimento. Nossa experiência acumulada é muito mais ampla do que suspeitamos. é um Espírito desajustado. como alguns me dizem. por estranho que pareça. o que fiz com um passe. certa vez. mas. Visam. com esses artifícios. Dentre os muitos casos assim. depois de receber o companheiro com uma saudação sinceramente cortês e respeitosa. que possibilidades e conhecimentos Estará ligado a alguém que estamos tentando ajudar? Tem problemas pessoais com algum membro do grupo? Luta por uma causa? Ignora seu estado. Dificilmente o Espírito é bastante primário para ser classificado. o que o deixou bastante impressionado. Seja quem for que compareça diante de nós. mantém-se em silêncio. na posse de todo o acervo cultural de que dispõe. desde que ele venha em nome de Deus. que intenções. De outras vezes. por mais que se esforce — coisa estranha! — não consegue pronunciar o nome de Deus. o doutrinador deve esperar. assegura-nos suas boas intenções. divertindo-se com a minha falta de inspiração. usando o vocabulário limitado de uma pessoa de pouquíssima instrução. porque o companheiro. a distrair nossa atenção do ponto focal de sua problemática. de indignação. que esperanças e recursos. ou simplesmente entregam-se ao prazer irresponsável de enganar. Diz palavras doces. e entrar. começou serenamente. como cegueira ou falta da língua. depois. por mais que reajam à nossa aproximação. a fim de tentar ajudá-lo. a sua história . com uma dedicação Comovedora. revelar clamorosa ignorância. que angústias traz no coração. Qualquer que seja a abertura da comunicação. com o que ele se diverte bastante. Aos Poucos. numa linguagem de pacificação e entendimento. com paciência. Ainda não sabemos a que vem o Espírito. 151 carinho e respeito.

não obstante. Por detrás de sua pobreza verbal. perdera uma perna e. Esse querido amigo — que nos deu o nome de Eusébio — esteve aos nossos cuidados por longo tempo. estava curado o querido companheiro. Suas primeiras manifestações seguem. mas conseguindo claramente expressar nobres pensamentos e demonstrar bastante segurança. sem lamentável prejuízo para o Espírito manifestante. orientado pelos ensinamentos . enfim. Se os companheiros do mundo espiritual permitiram sua manifestação. emocionado até às lágrimas. uma respeitável bagagem espiritual. dosada e sustentada pela sua aflo rante emotividade. a sessão alcançou um clima de maior intimidade. Exemplifico: suponhamos que. o que contribuiu para que sua recuperação demorasse um pouco mais. 152 foi se desenrolando. graças a Deus. simples. Num infeliz acidente de trem. ainda caminhava de muletas. veio para ilustrar algumas realidades espirituais que não podemos ignorar. cujos bairros do subúrbio conhecia muito bem. o que. podendo caminhar sem elas. e estava em condições de reencetar sua escalada evolutiva. continuava a falar-nos na linguagem do Eusébio. tão dificilmente conquistada. surgem Espíritos acostumados a essas práticas. para ele. o que talvez lhe tenha favorecido a superação de suas inibições inte riores. Era evidente. nós próprios teríamos a alegria de granjear uma afeição e uma dedicação iguais àquela? Às vezes. ao recebê-lo. Uma noite. tivera um passado de brilho e destaque. quase sempre. para nós. Tentarei explicar. e sua afeição e gratidão por nós. Suas observações eram sempre judiciosas. * Esse caso. mas levara um tombo. Onde e quando teria ele outra oportunidade de entendimento e recuperação? E onde. pelas ruas do Rio de Janeiro. embora o grupo não realize nenhum trabalho de Umbanda. aliás. sua humildade uma constante. na sua linguagem colorida. não”. a técnica a que estão acostumados. Aguardemos pacientemente. do seu limitado vocabulário e das suas curiosas expressões populares. a despeito de sua indubitável vivência espiritual. e quando. popular. aprendera a dura lição da humildade e tinha certo receio de abandonar sua obscura posição espiritual. e vivera em pobreza extrema. um senso filosófico muito profundo da vida e uma das mais lindas e autênticas humildades que já vi. sem atavios. para saber o que desejam. o grupo o tratasse com superior condescendência e o despedisse com uma palavra de desesperança. num grupo estritamente espírita. mesmo no mundo espiritual. sentíamos nele. revelando o que de há muito entrevíamos nele: conhecimento. e recair nos velhos processos da vaidade. No entanto. paradoxalmente. Nada de expulsá-los sumariamente. Pelo que depreendemos. também. para falar-nos de maneira inusitada. em que expandia o coração amoroso e pleno de generosidade. Foi. experiência. que chegara ao fim da sua provação maior. conseguiu dar os primeiros passos sem a “muleta”. Quando lhe disse que não precisava mais de muletas. algo patético. com o que ele muito se alegrou. Mas. devido à ausência de grande número de companheiros. o que o salvou e. aqui. Nossos orientadores espirituais começaram a utilizá- lo em pequenas tarefas auxiliares. Certa noite. Fora um homem de cor. “não era barbante podre. ele respondeu que já o experimentara.

etc. e muito mais facilmente. pois sempre nos demonstrou ser conhecedor seguro das mazelas do corpo humano e dos métodos de minorá-las. O nosso bom e querido Justino. Era quem nos dava um passe final. por meio de passes. Só muito mais tarde a história se desvendou. Parece que sua intenção inicial era arrastar esse companheiro — o médium através do qual se manifestava — para os terreiros de Umbanda. Ao manifestar-se. dando- nos conselhos e passes e. em impulsos tresloucados. que despertava lúcido e livre dos resíduos vibratórios do Espírito desarmonizado que o precedera. colocou um “remendo” na coluna. Provavelmente. segundo ele. — Fui um verdadeiro demônio — me disse ele. feliz em poder servir-nos. dava passes no seu médium. 153 de Allan Kardec. com seus conhecimentos e seu coração. Era levado de um lugar para outro. não sabia ainda (ou pelo menos não revelara) por que estava ali. que. mês após mês. Fora. e isso o salvou. Não nos contou ele toda a sua terrível saga. alguma antiga experiência na Medicina. que ameaçava quebrar-se por causa de uma rara e incurável moléstia óssea. enquanto falava tranqüilamente. Certa vez. logo em seguida. o que este recusava terminantemente. quando a manifestação era por demais penosa. perdera-nos de vista — a mim e a outro companheiro do grupo. um homem de grande magnetismo pessoal. haviam se distanciado na sua frente. Perguntei-lhe onde fora isso e ele me respondeu: — A gente nem sabia onde estava. para curar. num impulso rápido de inspiração. sua gratidão e sua alegria. Por muito tempo o diálogo se manteve nesse tom. Ele estava muito bem lá. abandonara seus propósitos de continuar a freqüentar os terreiros. a “receita” de um chá caseiro. Também este integrou-se no nosso grupo. Manipulava bem esses fluídos naturais e devia trazer. como bicho. quem fluidificava a nossa água e quem tratava das nossas pequenas mazelas orgânicas. Manteve sua maneira algo rude de falar. Em mim mesmo. vez por outra. mas uma só narrativa bastou. ele traçava infalivelmente o seu sinal. mas a afeição por nós lá estava. no campo político-religioso. identifiquei seu Espírito nas . também. curado de antigas mazelas. No seu terreiro. e começava a doutrinar-nos. também se fazia o bem. certa vez. dizia. ao correr dos séculos. envolvera-se em erros lamentáveis. no Espírito. Tivera uma existência no Brasil. e não queria nada conosco. Éramos uns “cartolas” grã-finos. Tivera uma longa e penosíssima experiência. sem floreios e artifícios de linguagem. Aqui. Confessou. sobre a mesa. etc. Talvez buscasse esconder suas emoções. Era particularmente ativo e estava sempre presente para restabelecer o tônus vibratório dos médiuns. graças a Deus. desde que. profundamente contristado. entre nós. que. e. como escravo negro.. há quatro séculos. também. que tanto o infelicitaram. a essa altura. de vigorosa inteligência e de muita cultura filosófico-religiosa. -. pelo reencontro com os velhos companheiros. o que não é verdadeiro. haverá alguma razão para isso. temos uma experiência pessoal. então. Incorporava-se. reunidos em apartamento de luxo. por divergência doutrinária insuperável. Parece que foi nessa existência que se familiarizou com a uti lização dos recursos da Natureza. no século 16.

Mas nós. por igual. éum permanente exercício dessas duas virtudes. E ainda que relutem. do contrário. para tentar arrancá-lo daquilo que constitui o seu mundo. num processo legitimamente constituído. ou obsessões naqueles que nos cercam: parentes. como o nosso. a seu turno. da maneira pela qual recebemos os nossos irmãos em crise. que o fustigamos. Se assim fosse. de um Espírito assim. ou perplexidade. É claro que o pri meiro impulso de hostilidade. amorosa e tranqüila. nos libertará também. Muito devemos a esse querido companheiro. quando nem sequer sabemos ainda de suas motivações e de suas dores. Esperemos. enfim? Além disso. ou trabalhar pelo restabelecimento da Igreja do Cristo. tem de ser contra nós. Nunca é demais lembrar e insistir: eles precisam de nós. são. justamente porque não conseguem sair sozinhos das suas dificuldades. demorem e usem de mil e um artifícios. Contemos com mistificações e ardis. Ele está parado no tempo e no espaço. mas pelas inesquecíveis lições que nos trouxe. não precisariam de nós: já teriam encontrado seus próprios caminhos. decisivas. não somente pelo que fez por nós. da parte daqueles que se acham desarmonizados. E quantas vezes não são eles aqueles mesmos que causam desequilíbrios em nós próprios. uma eloqüente manifestação de revolta. com ignorância e má-fé. porque nos ajudam na prática da lei suprema da solidariedade que. é esta: paciência e tolerância. Não esperemos. precisamos deles. no desenrolar do trabalho. amigos. a primeira regra do diálogo. suas motivações e suas razões. rancor. pois. Muita coisa vai depender. com a dor do Espírito aturdido pelo impasse que criou dentro de si mesmo. e podem constituir a diferença entre uma oportunidade de pacificação ou a alienação do companheiro por mais um tempo. desespero. Não é ele quem nos incomoda e fustiga. não podemos despachá-los. Toda conversa. não poderemos ajudá-los. somos nós que o agravamos. eles acabam revelando a razão de sua presença no grupo. segundo a natureza dos problemas que os abrasam. às vezes. das suas perplexidades. com eles. em que a culpa é tão clara? Que petulância! Que impertinência! É preciso deixá-los falar. com ódio e agressividade. com falsidades e subterfúgios. dos seus sofismas. e não é essa mesma a essência imortal do “Amai-vos uns aos outros”? * Assim. desencanto. Como? Então não vemos que ele não faz mais do que cobrar uma dívida. com os nossos irmãos em crise. porque nos trazem lições. 154 lutas dramáticas da Reforma Protestante. tentando obrigá-lo a mover-se. companheiros de jornada. mas respeitamos seu anonimato e ele nunca mais deixou de trazer-nos a vibração do seu amor fraterno e do seu reconhecimento humilde. aflição. com a inadmissível tentativa de fazê -lo desistir dos seus propósitos. a sua razão de ser. O longo trato com eles nos ensina que têm . isto sim. em suma. jamais. indeterminado. Seria difícil distinguir a gratidão dele da nossa. preso à sua problemática. e aparece um grupo. da sua auto-hipnose. colegas de serviço. uma expressão inicial sensata e equilibrada. É necessário conhecer a sua história. empenhado numa tarefa que julga do maior relevo e importância. ou funcionar como juiz. mal enunciaram as primeiras palavras. As primeiras palavras são de importância vital. em que ele continuará a buscar alhures o que não encontrou em nós: compreensão para os seus problemas e suas angústias.

. seus problemas. mesmo assim. Se assim não fosse. e a voz alteia-se ou sussurra. precisamente. na língua que ele falou por último. que acabarão por revelar a razão de sua presença entre nós. pois é isso. ele deixou escapar o fragmento de uma palavra reveladora. pois. É que o médium lhes capta o pensamento. Essas causas estão de tal forma gravadas nos seus Espíritos.. ironia ou. do qual muitas vezes eles nem tomam conhecimento. teríamos que falar com cada Espírito na sua própria língua. e no qual. Insistimos. Eles não conseguirão. ele não se conteve mais: seu ódio era contra mim. Em suma. deixa cair os véus com os quais tentou. amargor. Se pudesse. Era excelente argumentador e dialético de muitos recursos. a qualquer palavra que pudesse levar-nos a descobrir suas motivações. ele estava mesmo era cansado de sofrer porque a vingança e a perseguição tanto sacrificam o perseguido. o Espírito fez um longo circunlóquio filosófico-teológico. ou seja. mas evidentemente estava envolvido no doloroso “processo da cruz”. na sua mais recente encarnação. Num caso desses. Veio para isso mesmo. lembro a ele a inesquecível palavra de Gamaliel. em palavras e gestos. Ao cabo do diálogo. de início. seu temperamento. qua nto o perseguidor. muito embora seja isto o que mais parecem temer. É certo. o núcleo de suas dificuldades maiores. e disse: — Eu era um sol. embora pudessem sonegar a verdade por maior espaço de tempo. mas é do próprio dispositivo mediúnico converter. que funciona como verdadeiro centro de aglutinação. Pretendia transformar o meu lar num hospício. ocultar as verdadeiras causas da sua dor e a razão da sua presença. o núcleo. Resmungou que nada tinha com Gamaliel. suas desarmonias. reflete ódio ou desprezo. pois. mas relutou o quanto lhe foi possível. Seguia meus passos desde que “tua maldita mãe te colocou no mundo”. em afirmar que o médium traduz em palavras o que ele sente no Espírito manifestante: suas emoções. perante o Sinédrio: — Não aconteça que vos encontreis lutando contra Deus! Percebi que a citação o atingiu mais profundamente do que ele talvez desejasse. chegados ao cerne do problema. Se o médium se limitasse a transmitir-lhes a palavra. Se conseguirmos desfazer aquele núcleo. disse ele. estaríamos em melhor posição para o ajudar a resolvê-lo. e todo médium precisaria ser xenoglóssico. eles acabariam por revelar as suas verdadeiras posições. perplexidade ou aflição. pois sabia muito bem que. Fugia a qualquer referência pessoal. cobrir as razões de sua presença entre nós. pois eu cometi contra ele um crime do qual jamais me perdoaria. ao mesmo tempo em que lhe reproduz os gestos. Isto se deve a um mecanismo psicológico irresistível. Em outro caso» depois de muito debatermos as questões suscitadas entre nós. 155 um hábito peculiar de “pensar alto”. e a dúvida que havia entre nós reportava-se ao tempo da Segunda Cruzada. e não a palavra falada. em torno do qual gira toda a personalidade e agrupam-se os problemas mais críticos e mais urgentes. que os traz a nós. por muito tempo. a personalidade reagrupa-se em novos equilíbrios redentores... aquilo que o Espírito elabora na sua mente. e depois. mesmo os mais hábeis e ardilosos deixam-se envolver. A certa altura do diálogo. Estacou subitamente e comentou consigo mesmo: . No fundo. que constituem o centro. que se estendeu por mais de uma sessão. me destruiria.

enfrentando os nossos espectros interiores. A culpa existe em nós. neste mesmo livro. mas por que demorar-nos no arrependimento. que nos mantém presos. sofrer com ele. estamos envergonhados. se é que chegou a sua hora de mudar de rumo. Podemos. mas que precisava enfrentar. Esse mecanismo tem que ser bem compreendido por aquele que se propõe ajudar Espíritos endívidados. essa fuga. Chamemo-la a lição do arrependimento construtivo. de imposições. cruzarmos os braços e esconder-nos. o segundo. Sempre fui um soldado. de pressões.. desde a sua primeira manifestação. Para não transformar o tema numa composição literária. e temos que reconhecer. pois o erro já está cometido mesmo. É necessário que as nossas emoções estejam envolvidas. enquanto nossos companheiros e nossos amores seguem à frente. apreciação emocional dos sentimentos alheios. Basta um pouco de ajuda. também. ajuda- nos a reconstruir logo o que destruímos. na memória daquele irmão que sofre. somos meros espectadores. agora. no entanto. Precisamos. ou de conduzi-lo. Espere com paciência. Ele a dirá. ou seja. como soldado romano. O doutrinador precisa estar muito atento a esses sinais reve ladores. com- preender sua relutância em abrir-se.. Incontáveis multidões. É verdade. no entanto. as cutiladas do remorso. porque é justamente esse fingimento. dentro da carapaça das ilusões? O arrependimento somente se dissolve no trabalho construtivo. seus erros. vendo a multidão passar por nós. É preciso aprender a vibrar com ele. em busca da paz. seus crimes. que a verdade virá. tentam fugir de si mesmas. Nada de coações. como diz o provérbio chinês: a caminhada de 100 quilômetros começa com o primeiro passo. para desfazê-lo. E. Ninguém gosta de revelar suas fraquezas. É preciso. Se apenas assistimos às agonias de um Espírito que se debate nas suas angústias. a força da sua presença em nós. mostrar-lhes que estamos fazendo alg uma coisa. não é fingir que ela não existe. O que temos de fazer. É claro que também somos endívidados. tato e paciência. conscientes de que o nosso erro está presente em nós. uma ou duas semanas antes. Veja bem: apreciação emocional. marcando passo. como um caramujo. impossível negá-lo. Era esse o problema que ele mais temia revelar. que tenhamos a faculdade da empatia. paciência e compreensão. aceitar seu temor em descobrir suas . Sem essa abertura corajosa. habilidade. mantém-nos paralisados à beira do caminho. Lembre-se de que ela se encontra ali mesmo. ao qual há referências alhures. ignorando seus próprios fantasmas interiores. e devemos. ou até mais. as censuras da consciência. pois. não temos empatia. ao longo da sua inesquecível via crucis. da penosa missão de aprisionar o Cristo. busque com tranqüila perseverança. mas que o faça com muito tato. a refazer o que não podemos mais desfazer. Tentar identificá-los é sua tarefa. ou do próprio Templo. ouvia sem cessar um alarido de vozes que berravam coisas confusas e um tilintar de armas que ele se recusava a identificar. Na verdade. no entanto. para libertar-se. suas mazelas e imperfeições. Estacionamos precisamente porque nos falta coragem para enfrentar o olhar severo da própria cons ciência. baste-nos lembrar que há dois tipos de arrependimento: o positivo e o negativo. temerosos e angustiados. talvez tanto quanto eles. lutando. e não podemos voltar sobre nossos passos. Este caso encerra outra lição importante. não dá sequer para começar. 156 — Veja o que eu ia dizendo. Participara. O primeiro. detidos.

de que não pode deixar o Espírito falando sozinho. pior ainda. ingênua e perigosa imprudência tentar superá-lo numa discussão. Repitamos: o diálogo com os nossos irmãos desarvorados é um exercício de tolerância e paciência. Não importa que ele leve a melhor no debate. não é “ganhar a briga”. temeroso. há de continuar amparando-o. argumentou em causas importantes. adquiriu cultura e aprendeu a manejar a palavra. Creio que foi possível deixar bem claro o quanto é importante essa primeira aproximação. Dê-me mais tempo. ou.. por mais bem preparado que seja. escritor. Preciso pensar. não uma discussão. orador.. que era a motivação de sua vida.. Mas. neste momento.. Claro que você pode continuar a fazer isso. de uma forma ou de outra. no entanto. e difícil. uma contenda. difícil. como ele ficará ainda mais irritado. nos antecipando.. por assim dizer. 157 feridas.. que podem decidir o caso. do que o doutrinador. enfrentou grandes debatedores. Seria. que nos agrida. ou séculos. O doutrinador não o forçou. libertando o Espírito. embora sabendo que apenas trocava uma dor por outra. Deus. Limitou-se a dizer. estejamos atentos.. abandonar tudo aquilo. com o coração aberto à compreensão e ao afeto: — A decisão é sua. O que interessa. em pelejas dessa categoria. se o recebemos com fria e polida cortesia. Leva nítida vantagem sobre o doutrinador que. mantenha mo-nos compreensivos e discretos. E acrescentamos: muito amor. Foi tribuno. ou confirmando-o na sua dor. Espere um pouco mais. É uma tentativa de entendimento. que a intuição do doutrinador deverá indicar. presenciamos a dura batalha entre os lampejos da esperança de paz e os apelos de seu insaciado desejo de vingança: iria.. a não ser em condições muito especiais. na maioria das vezes. e o tinha sido por séculos e séculos? Entregar-se à dor? Abandonar a sua vítima? E a sua vingança? E. uma disputa. talvez. por outro lado. ninguém melhor do que ele sentia a inadiável necessidade de uma atitude de renúncia. Freqüentemente ocorre ser ele muito mais treinado. que o Espírito conhece e manipula com inteligência e acuidade. sentindo-se ainda despreparado. Deixe-me. pois. Não se esqueça. Nela se definem muitas coisas sutis. À medida que ele se desenrola. pois veio até a nossa casa. que amparou aquele a quem você persegue por tanto tempo. a luta interior que presenciaremos será dolorosa. porém. ignorante de fatos importantes. ajudá-lo a descobri-las. agora. ouvimos sempre uma destas frases: — Ainda não estou preparado. pensador. Não apenas se encontra na condição de visita. O Espírito precisa ser atendido com interesse. mas estudar com empatia (novamente a palavra mágica) o drama que aflige o companheiro. Falávamos do primeiro contacto com o Espírito manifestante.. a despeito de tudo isso. por mais alguns anos. como poucos. muito mais que com simples urbanidade. teólogo. ameace e procure intimidar-nos. e muitas vezes o Espírito recuará novamente.. está contido pelos dispositivos da encarnação e. Estejamos certos. acovardado. mas. Junto de um companheiro particularmente agoniado. Neste caso. de que a resistência será grande. e você? É isto que lhe convém? É isto mesmo que você quer? * Estamos. De outra vez. quando nos deixamos envolver pela sua .

se ele insistir em falar em altos brados. Não é importante superá-lo na troca de idéias. É muito difícil um diálogo áspero entre duas pessoas. ou eticamente melhor do que ele: você está ali para ajudá-lo. Se o tem mesmo. Mantenhamos o equilíbrio. e ele um réprobro enredado nos seus crimes. 158 agressividade e respondemos com idêntica hostilidade. não o force. bravatas. ainda. Não altere a voz. Não há razão alguma para pensar que você é um Espírito redimido. infeliz débil mental. que se alongaram mais profundamente no caminho da luz. o clima torna-se insus tentável e a situação difícil de ser contornada. sem aumentar sua irritação. tentativas de inti midação. a sabedoria ilimitada do Cristo e a assistência incansável de nossos irmãos mais experimentados. o desejo de nos arrastar à discussão azeda e violenta. mesmo que tenha o argumento que parece decisivo. Siga-o na conversa. covarde. compreendê-lo e servi-lo. em voz baixa e tranqüila. que. Você não está ali para provar que é mais inteligente do que ele. tantas vezes. * É certo. É o clima que convém aos seus propósitos. não se deixe irritar. sem atritar-se com ele. que o aliena cada vez mais. que o aturde e o traz à razão. As leis morais. É a sensibilidade do doutrinador que vai indicar em que ponto e em que momento interferir. da parte deles. faça-o compreender. tolerância. durante esse diálogo difícil — em que. atentos. que não é preciso gritar. . o Evangelho do Cristo e a prática espírita nos repetem. O gritador acaba por perceber que está fazendo papel ridículo e usando violência desnecessária. porém. precisamente para evitar cair nesse campo. não reaja da maneira que ele espera. teológicas e psicológicas. medroso —. que sabe ser o mais “perigoso”. Resista. hipócrita. nem mais culto. ameaças. e reiteradas. Estejamos certos de encontrar sempre. ironias. pois ele se encontra diante de nós exatamente para que tentemos convencê-lo de seus enganos. usarão de todos os recursos ao seu alcance para atingir esse fim. de mil formas. que cai num vazio. Aguarde pacientemente. a mesma lição: a de que são os próprios pecadores que se ajudam mutuamente: o coxo servindo ao cego. Quantas vezes tenho ouvido agressões iniciais. mas resista mesmo. quando somente uma grita. como estas: — Fale como homem! Não suporto essa voz melíflua! Será que você não tem sangue nas veias? Não seja covarde! Está com medo? Calma. sobre todos nós. Procure dirigir a conversação para o terreno pessoal. Ele acabará por convencer-se da justeza dessa observação. paciência. pois assim não conseguirá ajudá-lo. ao fato de que humildade não quer dizer submissão e aceitação sem exame de tudo quanto nos diz o Espírito manifestante. fantasias e deformações filosóficas. haverá mistificações. o doutrinador tem de aceitar o papel de um pobre. Mas. Use-o com a mesma voz tranqüila e serena. Enquanto esse momento não chega — e geralmente ele não ocorre. Espere o momento oportuno. tanto melhor. ao impulso de “responder-lhe à altura”. o cego ao mudo e. Na sua dolorosa e compreensível inconsciência. Se o doutri nador cai na tolice de gritar-lhe de volta. por ser o único revelador do núcleo inte rior de sua problemática. Que a gente somente grita quando não tem razão. certo de que o Espírito está negaceando. De vez em quando. a infinita misericórdia de Deus. propostas.

e não como um agressivo guerreiro. é verdade — digo-lhe eu —. amistosamente. já estamos conversando. se possível. que tem por mim certa afeição e — coisa estranha. A essa altura. sob variadas formas: pequenos incidentes na vida diária. atentos às informações que o Espírito nos fornece. mas continuam a estimar-se e respeitar-se. para que eles passassem. não sei de onde nem de quando. sem me ferir. cujo aspecto truculento e olhar terrível o médium descreveu antes que se incorporasse. pelo menos. dado que é com elas que vamos montando o quadro que nos mostrará o perfil psicológico do comunicante. pois não desejava causar-me dano pessoal. mas se isso fosse impraticável. e pelo menos algumas das ameaças concretizam-se mesmo. Fala-me da sua glória. é essencial ao entendimento da personalidade daquele irmão. preferi a obscuridade. Ao falar das suas grandezas. Se o mencionarmos. Embora dificilmente admi ta. era para arrebentar tudo a dinamite. ou nós teremos que fazê -lo? Outro me Informou que tinha “ordens do chefe” para remover-me do seu caminho. Um terceiro. porém. 159 mesmo. Sonha grande. tentar a glória? Nem sempre. porque ele tem implicações muito sérias no trabalho de doutrinação. precisamente. . na fase inicial do diálogo — esperemos com paciência. mesmo. Não poucos serão os que. mal-entendidos entre familiares. que de forma alguma precisa de nós. o rancor está firme atrás delas. se pode. E me perguntou: — Como é que você quer morrer? Você fecha o grupo espontaneamente. mas não hesita diante da violência. Falam-nos do enorme poder de que dispõem — e muitas vezes isso é estritamente verdadeiro — e das “providências enérgicas” que tomarão contra nós. Tudo serve para compor o quadro. ele precisa da nossa ajuda. surgido dos registros históricos.. Lembremo-nos de que o perfil que procuramos é importante. também. Um deles me anunciou que iria “botar fogo” no grupo. vem das telas infinitas desse continuo espa- ço-tempo em que vivemos. esse engano. Atenção com os pormenores que pareçam irrelevantes: uma referência passageira. meu Deus! —sinto por ele. uma lembrança fugaz. também pronunciou sua ameaça. do século XX. ele replicará com toda a veemência. várias vezes. como um temível conquistador. doenças inesperadas. O problema das ameaças merece alguma digressão mais ampla. porém. Está muito bem como está. Já no passado cometeu. num reencontro de dois seres que seguiram rotas diferentes. ao contrário. apoiada numa bravata: estava disposto a afastar-me de qualquer maneira. de maneira dúbia: — Você preferiu outros caminhos. o tom de voz. uma inexplicável ternura que. É isso. a não ser que a isto fosse obrigado. uma observação aparentemente sem importância. na História. como dois velhos amigos que se reencontraram. porque a pedra tinha que ser afastada. para realizar os seus sonhos de domínio. Como pode alguém desejar viver na obscuridade. — Sim. Confessa. se possível por bem. na qual insiste. aflições maiores. nos farão propostas e nos dirão as mais estranhas bravatas. essas bravatas e ameaças terminam assim. me diz.. que ele não entende. Usualmente. então. com um mero doutrinador espírita. embora projetando-se.

” (Marcos. exatamente. Um deles. as infâmias ainda não desfeitas? Contudo. como disse um amigo espiritual muito querido. sofre a ausência de afetos muito profundos e. poderoso. ele. por mais fantástico que nos pareça. não pôde conter sua gratidão. os erros ainda não resgatados. mas sem cometer o engano de ridicularizá -la. mas não a devolveremos com uma palavra ou um gesto de desafio que de provocação. sem jamais nos ferirmos nos espinhos. — “Vigiai e orai” — disse o Cristo. a despeito dos espinhos das rosas. e jamais em decorrência do trabalho de desobsessão. e em prece. enquanto puderem. temos que prosseguir o trabalho de resgate. Isto é válido para todo o grupo. está pronto para a vida em plano melhor e mais purificado.) O Espírito deseja a libertação. sabem disso. tão bem ou melhor do que nós. pois. com a peçonha de seu rancor inconsciente. muito difícil. quase inabordável. logicamente. agressivo. mergulhado no corpo físico. eles nos lembram: — Você pensa que é invulnerável? Quem poderá responder que é? E as nossas mazelas. sonha com a paz. de um ou outro desengano maior. que contar com contratempos. preciosas. no fundo. para engrossar as fileiras dos que estão parados. a mão de seu aturdido doutrinador. vamos ser punidos porque estamos procurando. e. teme novas quedas. É necessário não intimidar-se diante da bravata. os Espíritos mais terrivelmente perturbados e desarmonizados guardam em si incrível potencial para as realizações futuras — aptidões. não podemos colher rosas. ainda há poucas semanas. as culpas ainda não cobradas. pois o espírito está pronto. bem certos de que. Então. em nenhuma hipótese. e não apenas para o médium. ele daria tudo para destruir. como nos disse um Espírito amigo. no entanto. com emoção e respeito. certa vez. ainda que estejamos guardados na prece e na vigilância. o mesmo que. para ajudá-lo a levantar-se. ou. E “eles” sabem disso: quando o esquecemos. das ameaças e. depois de desperto: beijou. sua vontade debilita-se e a fraqueza da carne vence as melhores intenções. O cerco aperta-se. Os seres desencarnados inferiores que nos vigiam. quando lhe estendermos a mão. sofreremos senão na quilo em que ofendemos a Lei. pelo menos. continuamos vulne ráveis. uma enorme capacidade de amar. 160 Em primeiro lugar. Quanta verdade nesta imagem! Por mais estranho que nos pareça. não tão difícil e grosseiro como este mundo de provas em que vivemos. ferimentos e angústias. 14:38. temos. se assim não fosse. no fundo. No trabalho mediúnico de desobsessão. Seria profundamente injusta a Lei. Há uma diferença considerável em ser íntimorato e ser temerário. mas. que o sufoca. segundo Marcos — “para não cairdes em tentação. praticar a Lei universal do amor fraterno e da solidariedade que nos recomenda o Cristo? Não aceitaremos a intimidação. mais do que ninguém. nos espionam e nos assediam. experiências e quali ficações inesperadas. deseja e . Nossa bagagem de erros ainda a resgatar não nos permite usar o manto da invulnerabilidade. Mesmo com toda a vigilância. especialmente se deixarmos cair as nossas guardas. a uma observação superficial. em si mesmo. ele nos será muito grato se o conseguirmos e. pelo menos. ou para o doutrinador. e. hão de reter-nos na reta guarda. de certa forma. Mesmo que ele nos fira. bem no fundo de si mesmo. É preciso estarmos. mas não deve deter os nossos passos na ajuda ao irmão que sofre. mas a carne é fraca.

aqui e ali.. votadas. Ou então nos oferecem coisas mais terra-a-terra. há um tempo enorme. mas não ser imprudente. bem como. para o lado de . é esta: não ridicularizar a bravata. no passado. posição. De outras vezes a proposição é mais sutil. 161 espera que nós consigamos salvá -lo. Acham que tudo tem seu preço e dispõem-se sempre a pagar o preço combinado por aquilo que lhes interessa. Inúmeros outros seres e grupos que tentaram. a imaginação deles é fértil e a habilidade ilimitada. se soubesse daqueles que haviam concordado com arranjos semelhantes. De modo que. ao que tudo indicava. A um desses respondi que não sabia. O que você deseja para parar com isso? “Parar com isso” é deixá-los fazer o que entendem. Você sabe. ou em liberar outros. ele não o conseguiu ainda. portanto. Um deles me disse. por exemplo. deram-se mal. por exemplo. Já referi aqui. De um Espírito encarnado. Estão acostumados a tais ajustes e transações. A regra. imperturbável: — Sabe. como também aos desequilibrados Espíritos manifestantes. se os espinhos nos ferirem. A proposta pode ser um simples negócio. à prática do mal. impedir seus passos. igualmente. porque ele não voltaria: já havia “cruzado a ponte”. e foram afastados sumariamente. não hesitarão em propor uma barganha: — Está bem. como dinheiro. em deixar de atormentar alguém. certa vez. e esta precisa. Se podem comprar nossa desistência.. que eu ficaria estarrecido. feito contra mim. resistir à investida de tremendas e poderosas organizações espirituais.. Há os que propõem desembaraçar-nos de pessoas que supostamente nos estariam atrapalhando.. no trato de situações como essa. exaltando nossas fabulosas “virtudes”: — Você não sabe a força que tem! Poderia arrastar multidões. afinal de contas. passado o rompante das primeiras agressões. por si mesmo. Estes não compreendem como pode um pequeno grupo. na sua instituição. Regra semelhante poderia ser sugerida para responder à proposta. àquele que me propunha desfazer um “trabalho”. E ele.. a da resistência inesperada. Por que não fazemos um acordo? Outro convidou-me para “pregar”. pois que. nas suas organizações. também. não se intimidar.. por ele mesmo. de algumas considerações à parte. nem desafiar a ameaça. A imaginação é fértil e a experiência deles é longa. sim. como dominar a minha. Como dizia há pouco. que mantêm prisioneiros no mundo espiritual. ainda. Um grupo bem orientado e bem guardado pelos amigos espirituais invisíveis começará. E. ou pequenas concessões. tão reduzido... também estaremos nos libertando das nossas próprias culpas. encerrar as atividades do grupo ou dedicar-se a outros afazeres mais inócuos e menos prejudiciais aos seus interesses. a que particularmente este jamos dedicados. com seus próprios recursos. pouco a pouco. aparentemente tão frágil. Concordarão. não responder à ironia com a mofa. Começam com elo gios. aqueles que nos acenam com “belíssimas” posições. que nosso grupo estava particularmente interessado em socorrer. dominar mentes. prazeres. e muitos são os que se deixam fascinar por esse cântico funesto. a obter resultados que surpreenderão não apenas aos próprios componentes encarnados. nos foi dito que desis- tíssemos. os companheiros desvairados proporão barganhas e tréguas.

evidentemente. O que ele resolver. A cobrança virá. Usualmente. diante de nós. imatura e precipitadamente. O negócio. ou fazer. é mais do que óbvia. por mais infantil que seja. pode ser desastroso. dispõem de amplos e minuciosos planejamentos. para dar o xeque ao rei. mas que necessitam de nós. as concessões que nos oferecem têm elevado preço. com isso. mais experimentados do que nós. São irmãos doentes. Não podemos. Não os subestimemos jamais. é desumano. costumo ter uma resposta padroni zada. Além disso. sobre tais propostas e acomodações: a primeira. às vezes. aí no mundo de vocês. é porque estão começando a sentir-se algo perplexos. nada impede que desfaçam o trato. jamais. Buscam aflitivamente alguém que não possam corromper com suas propostas. Se a uma proposta. iremos desinfetar. São metódicos. indica uma boa transação concluída de maneira auspiciosa. Absolutamente. ou pelo terror. de suposto aliado. quando não mais interessar-lhes o nosso concurso ou caducar a razão pela qual se valeram da nossa ingenuidade infantil. Não recuso a proposta. e. Não alimentemos a ilusão de demonstrar-lhes que. com a qual estão acostumados a lidar. depois. sobre aquele que concordou com o trato e que. então. e nem a aceito. e nós. por mais ino centes que se apresentem. métodos semelhantes aos seus. que as con- seqüências serão funestas para nós. Escarnecer de suas propostas. seres redimidos. o que. Tinha tudo quanto queria. que sacrificar uma dama. Eles compreenderão nossos escrúpulos e nosso jogo aberto e acabarão respeitando-nos por isso. 162 lá. fora bom para ambos os lados. a qualquer tempo. dispostos a tudo. estaremos sintonizando-nos com o mesmo diapasão ético com que eles nos experimentam e. jamais. Encaram suas tarefas deploráveis como complexas partidas de xadrez. deixar de ajudar alguém. Duas observações básicas é preciso ainda fazer. estava muito feliz. alguém que prove ser pelo menos um pouco melhor do que a média humana. o bom senso de não procurar tirar partido da situação. passa a vítima inerme de sua própria tolice. não podemos permitir-nos utilizar. que condescendemos em estender-lhes a mão salvadora que. retrucando aos seus processos ardilosos com ardis de idêntico teor. além do mais. na prática comercial. Além do mais. da parte deles. quando os nossos irmãos atormentados propõem semelhantes transações. É bem possível que sejam mais atilados psicólogos do que nós. enfim.. Confesso-me simplesmente incapaz de decidir. ou seja. nas quais têm. qualquer concessão. são simples vermes infestados de culpas. desesperados. Eles não estão habituados a fazer acordos para obter o que podem conseguir pela imposição e pela intimidação. A prudência continua a ser a melhor conselheira. esquecer- nos de que são pobres irmãos desorientados. com a finalidade de nos levarem a abandonar o trabalho. porém. votados à maldade intrínseca. irá por terra a precária ascendência moral que porventura tenhamos alcançado sobre eles. Procure um dos nossos companheiros espirituais. ante a resistência inesperada à sua vontade. ou um bispo valioso. tentarmos “virar a mesa”. o que é estritamente verdadeiro. e não de que os confirmemos nas suas práticas. A segunda observação é a de que. está bem . porque sentimos que estão fracos e algo perplexos. digo qualquer coisa assim: — Não tenho autoridade para tratar com você. estejam ou não convencidos ante a nossa argumentação. nessas duvidosas transações. Tenhamos. que precisam de ajuda e compreensão. Em situações como esta. à primeira vista..

portanto. totalmente dedicado à sua ingrata causa. no seu desespero. um pobre transviado. todos aqueles que se lhe opunham tinham que ser removidos de qualquer maneira: pela intimidação ou pela lisonja. Caso contrário. e até mesmo respeitosa. tentou enganar-nos. pois estava mais certo do que nunca do nosso amor fraternal. que tanto se esforçava por salvá-lo. é inadmissível. Nesse ínterim. no mundo espiritual. experimentemos a mesma arma. evidenciemos que nossos métodos são melhores. muito contrito e infinitamente grato aos pequenos trabalhadores que o ajudaram: preparava-se para reencarnar. deu murros na mesa. A posição do doutrinador tem que continuar firme. pelas atitudes agressivas e despropositadas ante o seu doutrinador e o próprio grupo. em desdobramento. depois. Seria profundamente desumano negacear com ela. mas pelas suas idéias. pelo menos. extremamente desarvorado. gritou e fez tudo quanto lhe foi possível para destroçar- nos ou quebrar o nosso moral. mas que nós. se não tiverem o grupo. estará tudo resolvido e não mais o incomodaremos. viu-se em toda a extensão de seus enganos. 163 para mim. Voltou.. Um pobre irmão desses. você sabe. Ele visitou-nos novamente. encontra-se desatinada. pois sabem muito bem o que significa a minha resposta. incorporada ao médium. tempos depois. não importam os métodos. Era profundamente honesto consigo mesmo e. O tom pode ser este. Se não podemos provar-lhes que somos melhores do que eles — e não podemos mesmo. convenceu-se de seu engano. Que ela tente. e achava.. necessitada de compreensão e de amparo. atormentou-nos. É preciso respeitá-la. também. e arrasado de remorso.. Um dia. Eles não poderão fazer nada. Desceu do seu pedestal de poder e arrogância — fora também um grande e. um grande e generoso coração. pela simples razão de que não o somos. desde que os fins sejam alcançados. paciente. que combatia o bom combate de que nos falava Paulo. como tenho observado: — Está bem. a não ser para aqueles que também estejam em desequilíbrio. mas você pode resolver a parte que lhe toca. Às vezes eles insistem. para dizer-nos desses nobres sentimentos. Acreditava na legitimidade incontestável da sua causa. e vinha pedir nossas preces. Não lutava especificamente contra nós. A criatura que está diante de nós. assediou-nos. . Estava recolhido a uma instituição socorrista. um de nossos médiuns teve com ele um encontro. Tinha. no passado —. pelo menos na extensão que a nossa vaidade poderia sugerir — que. e se você acabar com o grupo. porém. com a graça de Deus. redespertados em seu coração. como tantos outros. isso é compreensível. semana após semana. pois a dor alheia jamais poderá constituir espetáculo de diversão. por algum tempo. Essa história tem ainda um post scriptum. tentando ludibriá-la com os mesmos recursos com que. sem dúvida.. Merece nosso respeito. com ameaças terríveis. tranqüila. para despedir-se. pela dor ou pela sedução.

criavam. com finalidades muito diversas. um vínculo positivo. que não se retirava — esta é outra técnica intimidadora. com uma palavra mais pessoal. em nosso grupo. excelentes razões para manter como regra. é preciso deixar falar. Neste caso. pois isto faz parte da técnica. de estímulo e encorajamento. CACOETES. era apenas o de estabelecer. de raríssimas exceções. ensaiam a indução hipnótica ou o passe magnético. DEFORMAÇÕES. a partir de uma espécie de monólogo. para provocar o riso. esquecendo aparentemente a presença do doutrinador e suas palavras. dizendo prontamente a que vieram e o que pretendem. FIXAÇÕES. muito embora soubéssemos perfeitamente que este não o estava apoiando. Eles trazem em si uma sutileza perigosa e envolvente. e nem mesmo de dar conselhos individuais sobre nossos problemas humanos. Suas palavras singelas. Há. o princípio de deixar que apenas o doutrinador fale com o manifestante. mesmo com um simples sorriso. 164 30 O DESENVOLVIMENTO DO DIÁLOGO. e depois dirigir-se a cada um de nós em particular. Seu objetivo não era o de distinguir este ou aquele. Como o companheiro correspondeu à sua abordagem. Ë através daquele que atuam os Espíritos orientadores. tentam captar a atenção por meio de gestos e toques. o diálogo vai se desenvolvendo. sem dúvida alguma. DORES “FÍSICAS”. pois. Um companheiro esclarecido e experimentado que. achou graça num comentário do manifestante. Se um companheiro desavi sado responde. este elo. no princípio. Sentiu-se fortalecido e disse. mas. Várias artimanhas são empregadas para esse fim. para que informe sobre si mesmo. Pouco a pouco. que ficaria falando sozinho. pois constituem uma técnica de penetrar o psiquismo alheio. do mundo invisível. que nada dizem. entre nós todos e ele. Usam da ironia. É comum tentarem envolver o grupo todo na conversa. MUTILAÇÕES. a técnica era obviamente utilizada para o bem. quando alguém. mas certamente o estava favorecendo involuntariamente. o que acaba acontecendo. a cada um de nós. Muitos o fazem logo de início. respondendo-nos com outras perguntas ou com sutis evasivas. nos orientava. O Espírito começou a dirigir-se a ele. Mesmo a estes. pois. certa vez. necessário ao trabalho. os Es- píritos desarmonizados também a conhecem e procuram empregá-la. os resultados podem se tornar desastrosos. em boa faixa de equilíbrio e concentração. fogem às perguntas. Ele tinha o hábito de fazer uma saudação geral. porém. todos. que ainda estudaremos — com a clara intenção de desmoralizar o doutrinador. Muita atenção com estes artifícios. a fim de nos aproximarmos do âmago de seus problemas. que nos predispunha ao trabalho em equipe e certamente contribuía para que nos mantivéssemos. para as árduas tarefas que nos esperavam cada noite. pois. o Espírito sentiu-se à vontade para prosseguir e foi muito franco e espontâneo ao manifestar sua satisfação. nos braços ou nas mãos dos que lhes ficam mais próximos. que . como vimos. costumava sempre dar uma palavra inicial. todas as semanas. mesmo. dizem gracejos. Dirigem perguntas aos demais circunstantes. Outros são bem mais artificiosos. por ver que encontrava apoio num dos componentes do grupo. após longo tempo de conversa. afetuosa e cordial. Tivemos disso um exemplo. é necessário deixar o Espírito falar.

Se não pode ajudar. não acarrete maiores dificuldades. Se ele estiver certo. Os Espíritos manifestantes têm. do que permanecer no grupo como um ponto de atrito oculto. Ê possível. o que é importante para o desenvolvimento das tarefas. a ponto de tornar-se criticamente negativo. Sob condições especiais. e este não possuir. perfeito. além do pensa- mento. ele falha mesmo. Também pode acontecer que o Espírito manifestante sinta real necessidade de uma palavra direta. a validade da regra que recomenda que apenas o doutrinador fale com o Espírito manifestante. nem que esteja sempre certo e com a razão. tanto se insiste na importância da fraternidade. pode ajudar a despertá-lo. mesmo que ela fique imanifesta. que ele esteja certo. podem introduzir perigosos fatores de desagregação no grupo. pois emprestam seu apoio vibratório silencioso ao doutrinador. as coisas encaminhar-se-ão para um desfecho natural. claro. Por isso. mas ele precisará do apoio e da compreensão de seus companheiros. por exemplo. É comum que este procure burlar a norma. com a emoção de uma voz que há muito não ouve. com freqüência. bem atento aos seus companheiros encarnados. que afasta o doutrinador e o coloca mais ou menos à margem. freqüentemente. tenha qualquer problema pessoal com o Espírito manifestante. condições de captar-lhes o pensamento e. se persistirem em acompanhar mentalmente a doutrinação. e se sinta fortemente impelido a dizer-lhe uma palavra de conciliação. imprevisível e traiçoeiro. se apenas critica e discorda em razão de distorções de sua própria psicologia. mesmo. um gesto de fraternidade mais objetivo. para perscrutar o arcabouço psicológico e moral do seu interlocutor invisível. interferir no difícil diálogo que o doutrinador está tentando estabelecer. entendimento e compreensão entre todos os componentes do grupo encarnado. na maneira de apreciar o trabalho do doutrinador. 165 ficariam com seu esforço dispersado se tivessem que dar atenção e atuar. no entanto. Dessa forma. que. sobre todos os componentes do grupo incumbidos ou autorizados a falar com o Espírito. Estes companheiros não devem fe char-se na indiferença. mas é melhor excluir-se. segundo sua intuição ou a instrução . então nada tem a contribuir de bom para o grupo e poderá acarretar-lhe considerável dano. com alguém presente que. Pode ser. mas não devem cometer o engano de se envolver na conversa. e o doutrinador errado. o doutrinador julgará. por amá-lo particularmente. assim. deve afastar-se do grupo. certamente tirarão partido da discrepância. e. que mina o trabalho. pois. pelo menos. médiuns ou não. para que se mantenham firmes nas suas posições. os circunstantes encarnados. em torno da mesa. é difícil. imaginando o que diriam em tais circunstâncias. fazer-lhe um pedido de perdão. Convém a eles a generalização da conversa. Às vezes. condições para a sua tarefa. via intuição. alguém que não possa concordar com os métodos empregados pelo doutrinador. Em casos assim. ainda que tenha falhado. que alguém. O doutrinador tem que estar. porque o terreno em que pisamos. numa técnica muito sutil de desmoralização. com um senso crítico imprudente. a ponto de. no grupo. Lembremos. é possível que ocorra a necessidade. ou a conveniência de alguém mais falar. Não que o doutrinador seja infalível. tentando arrastar outros membros do grupo ao debate. mesmo mentalmente. ou com um gesto de que se lembre com saudade. quanto ao que se passa. no trato com esses irmãos desarvorados. não bem afinados afetiva mente com o doutrinador. se o fize rem.

à volta de sua idéia central. Enquanto isso se passa. para exercerem suas vinganças e perseguições. desamor. no seu ódio irracional. Ainda não dispõe. através dos dispositivos especiais a que nos referimos alhures. Terá que fazê-lo. Qual a sua ligação com o obsidiado? De onde vem. seguindo com extremo cuidado o diálogo. em casos extremos de fanatismo apaixonado. mas não tudo quanto queira. vigiem bem seus pensamentos. a que veio o Espírito. que se aplique particularmente ao seu caso e sempre haverá uma ou mais. é que Deus o permite. o desejo de fazer a vítima arrastar-se no chão. Ele não tem poderes para fazê-lo cessar tudo? Por que não exerce tais poderes? Atenção. Fora desses casos. Mas é preciso saber por que ele (ou ela) persegue o companheiro encarnado. Ele tem que sair com seu próprio esforço. um caso pessoal. não obstante. de sua influência obsessiva. uma pergunta mais pessoal. para retomá-lo quando julgar ne cessário. porém. Muitos são os que invocam os dispositivos da Lei Maior. Ajudar a fazer não é o mesmo que fazer. e coisas semelhantes. senão ficará andando em círculo. Talvez já saiba. É. mesmo com a intenção consciente de ocultar sua moti vação. da cobertura divina. Outra norma subsidiária: os circunstantes. Deixe-o falar. . neste livro. é ele quem está preparado para ela. 166 dos mentores. apenas pensadas. se podem fazer aquilo. a conversa prossegue. aquilo que lhes compete realizar. nem mesmo por palavras inarticuladas. por exemplo. com problemas sus citados no relacionamento. descobriu a razão pela qual foi atraido ao grupo. no tempo e no espaço. como componentes encarnados do grupo. quase sempre. Mantenham-se atentos ao diálogo. mas não se envolvam nele. Além do mais — dizem —. Estamos tentando. ou seja. não quebrar. com muita sutileza. permitindo que outra pessoa fale ao Espírito. Dificilmente um Espírito obsidia outro apenas porque discorda dele em questões filosóficas ou religiosas. o ódio. aqui e ali. Claro que. digamos. Por mais voltas que dê o Espírito. é preciso ajudá-lo a quebrar o terrível círculo vicioso em que se debate. a impossibilidade do perdão. deve continuar atento. que insistimos em qualificar de excepcionais. até mesmo. o choque que se criou entre eles? Em suma: quais são as fixações do Espírito? Todo processo obsessivo tem o seu núcleo: traição. porque cabe a ele a responsabilidade por esse aspecto da tarefa. mesmo assim. Veja bem: ajudá-lo a quebrar. falando-lhe de uma passagem evangélica. ele está convencido dos seus direitos e. que se adaptam perfeitamente às circunstâncias. o doutrinador. como um louco varrido. Não se esquecer de que. de elementos suficientes para formular um juízo acerca do caso que tem diante de si. por mais errado que esteja. subtrair. continuará a repetir incessantemente a mesma cantilena trágica: a vingança. deve prevalecer a regra geral do silêncio e da sustentação psicológica aos médiuns e ao doutrinador. em vista de suas ligações com os companheiros espirituais. ou seja. espoliação. de conotações essencialmente humanas. Se grita e esbraveja. Neste caso. embora isto também seja possível. O doutrinador precisa ter bastante habilidade para mudar o rumo de seu pensamento. No entanto. arriscando. ele não conseguirá isso por muito tempo. para essas idéias fixas. Deixemo-lo falar. arrancá-lo à força. vingança. alguém que nos pediu ajuda. procure apaziguá-lo. pelos outros. pois.

. não porque não queira. fornecendo-lhe pontos de apoio.. Como. Ele não quis dizer. logo nos primeiros contactos. Vamos a alguns exemplos: citei alhures. a fixação é. até que adquiram confiança em nós e nas nossas intenções. de ouvir o doutrinador. o momento de ajudá-lo a sair um pouco de si mesmo. ainda que temporariamente. do núcleo central que o bloqueia e o impede até mesmo de buscar a saida daquele círculo de fogo e lágrimas em que se encerrou inadvertidamente. procurando atraí-lo para outras áreas da sua memória. como vai entregá-la a alguém — a um desconhecido bisbilhoteiro. para poder fixar-nos no objeto do ódio e da vingança. ou. Nem sempre estarão prontos para nos ajudarem a ajudá-los. que as palavras irão insensivelmente se depositando nele. 167 Por outro lado. porém. fala o que de fato sente. porém. às vezes. respondem. além daquela que constitui o núcleo da sua problemática. continue a falar-lhe. na sua memória. Simplesmente “esquecemos” das causas que nos levaram àquela situação. Aguarde-se.. Notei que durante o diálogo ele não movimentava aquele membro. . os manifestantes reagem. uma pergunta diferente. Ou. provavelmente. não reage de maneira inteligível ao que este lhe diz. pois. Por que seria? No momento que me pareceu oportuno. outros sentimentos e até mesmo outras angústias. que essas perguntas não devem ser desfechadas numa espécie de bombardeio ou de interrogatório. Ou. e não na pessoa que ele persegue e odeia? Além das fixações penosas. neste livro. de muitas maneiras e sob variadas condições. O processo pode alongar-se por muito tempo. mutilações e deformações perispirituais. Se é que o doutrinador realmente sente o que fala ou. sob a forma de trejeitos e contrações. se recusam a responder. que é aquele momento patético em que ele descobre que a causa da sua dor está em si mesmo.. que o Espírito não tem condições. sequer. melhor ainda. e mesmo que ele pareça não ouvir — e isso ocorre. Sua vingança é a própria razão de ser de sua vida. sobre os quais ela possa expandir-se. como o doutrinador — a troco de uma realidade penosa. ou. tão pronunciada e tão absorvente. a fim de afastar o pensamento do comunicante. ainda. O objetivo das perguntas não é. um mecanismo de defesa. aparentemente irrelevantes. perguntei-lhe o que havia com o seu braço. nem saberia conscientemente a razão. ao . para levar-nos a um conveniente esquecimento do passado. de vez em quando. por isso. Com freqüência. Não sei. perguntando se estão sendo forçados a processos inquisitoriais. É certo que tudo isso está ligado ao problema interior que os atormenta. Tem que haver. que parece construir uma barricada às nossas costas. em certos casos — seu próprio espírito sente as vibrações fraternas que sustentam as palavras. pelo menos. simplesmente. porque costuma funcionar. outras lembranças. Coloque. os Espíritos conturbados costumam apresentar cacoetes. de que espontaneamente ele não sairá. obviamente. nestes casos. Ou dão respostas evasivas. Isto não significa que o doutrinador deve calar-se. mesmo. Não nos esque çamos. devem limitar-se a conduzir a conversação. sem precipitação. o episódio do pobre irmão que tinha um braço paralisado. mas porque não sabe. Já tivemos oportunidade de observar esses pormenores. o de satisfazer a uma curiosidade malsã e. Ninguém gosta de submeter-se a devassas íntimas. por exemplo: teve filhos? Que fazia para viver? Crê em Deus? Onde viveu? Quando aconteceu o drama? Tem noticias de amigos e parentes daquela época? É claro.

Sua “cura”. e vi logo que ele reagia. o nariz. que atemorizava aqueles a quem ele queria perseguir e afligir. que ele acreditava não fossem seus. Em alguma de suas vidas anteriores ele encontraria a explicação.. “Provavelmente”. Outro sentia. ali mentava a esperança de “repô-la” no lugar. ele sentiu que a cabeça voltara à sua posição correta. embora as esqueçamos. porque ela lhe dava uma aparência terrível. Um terceiro tinha a voz rouca — seria um antigo câncer? —e quase inaudível. quando sacrificou. digo-lhe. Reviu até a fila de espera. levantei-me. durante a Revolução. Só então.. a dor aguda de uma lança que o penetrara há séculos. E dizia: — Posso falar! Estou falando! Queria saber quem fizera o “milagre” de “colar” a cabeça novamente no lugar próprio. para ajudar na recomposição da forma “física”. não acreditava que Deus o tivesse feito. se ele sabia a razão da paralisia de seu braço. Oramos e lhe demos passes. Levo-o cautelosamente para uma introspecção. seu drama resolveu-se. Exposto o âmago do problema. para o que é necessário dispor de algum ectoplasma. e ele se lembrou da cena de um passado distante. Isto foi possível fazer. pois Deus não permitiria que um homem andasse sem cabeça por tanto tempo. para castigá-lo. seria apenas para ter mais um braço para empunhar o chicote . . como. além dos passes habituais. É verdade. Vivia apa- vorado ante a idéia de perder de vista a cabeça e nunca mais recuperá-la. pois convicto de que estava sem cabeça. toda a anatomia facial e craniana: os olhos. guilhotinado na França.. por incorporação. E. por meio de passes. ele recusou — sem muita convicção — dizendo que.. agora. isso. Continuava preso ao local onde exercera um poder discricionário. realmente. te ntava ignorá- la. quando terminou uma existência de inconcebíveis desatinos. tentando fazer que ele encontre em si mesmo a razão do seu espantoso sofrimento. levou-o a um reexame bem menos apaixonado da figura de seu doutrinador. Enquanto a tivesse ali. a boca. voltando a movimentar o braço. Se sabia. intensamente dramático. foi possível liberar o seu mecanismo de censura. se ficasse curado.Mesmo assim. a ouvir os comentários de visitantes e turistas sobre suas próprias atrocidades. 168 certo. Quanto ao que lhe acontecera. O diálogo inicial foi difícil. segura pelos cabelos. Louco de alegria. que ele chamara até de porco! Outro companheiro desorientado conservava feia cicatriz sobre o olho direito. ele apalpava-se e só sabia repetir: — Ela está aqui! Ela está aqui!. com a graça de Deus. depois de condenados. ele os executava. “você andou também cortando a cabeça de alguém”. pois achava que ela o havia traído. Em uma oportunidade.-. Ele se lembra. ao que parece. sentindo o impacto dos fluídos que o alcançavam. . Estava tudo lá. na mão direita. Explico-lhe que vivemos muitas existências. de um pobre sofredor. Subitamente. Desde então — segundo apuramos em seguida — trazia a cabeça “destacada do corpo”. E conferia. também. com a ponta dos dedos. A custo. ficou bom. a esposa e os filhos. a punhal. tivemos também um caso. Casos mais sérios de deformações espirituais exigem o concurso de médiuns especiais. Quando me propus a curá-lo por meio de passes. que eram enfiéis a Jeová e. o fui convencendo de que podia falar através do médium. à mão. ainda. orei e dei-lhe passes ao longo do braço imobilizado. porém. não apenas para recebê-los. ele não tinha condições de falar. mesmo decepada. as orelhas.

tanto numa. de ajudar a reconstituir lesões perispirituais e recompor seres reduzidos a formações animalizadas. a lei divina vai adiante e lhe pede a reconciliação. não haveria direito líquido e certo de cobrarmos. o concurso de um médium de efeitos físicos foi decisivo. sua lei não teria sido muito melhor do que a nossa. Suponhamos já ter sido possível identificar o núcleo principal do problema. pela regeneração. A lei divina pede do ser. as faltas cometidas contra nós. Por outro lado. como noutra. sim. Não sei se os juristas que me lêem concordam com isto. A sociedade humana tenta a reparação pelos caminhos da punição. 169 Mesmo para o companheiro a que há pouco nos referimos. que ele se recomponha perante a sua vítima. pois que direito é esse. impunemente. que há pouco mencionamos. nós mesmos. existe a idéia básica da reparação. ele pode cobrar. Teoricamente. Não obstante. Já discutimos alguns aspectos teóricos desta questão. através de sua própria consciência. pelos movimentos irreprimíveis que fazia como se estivesse vomitando em seco. porque a idéia de direito implicaria. respondendo por desatinos cometidos. o médium expeliu realmente grande quantidade de ectoplasma pela boca. ele parecia absorver os fluídos avidamente. o quadro que se lhe apresenta. Não que tenha um direito assegurado nos códigos divinos. * Mas o diálogo prossegue. imperfeita imitação dos conceitos superiores do Direito Cósmico. Creio que. E se não colocamos um ponto final nessa espiral de horrores. Enquanto lhe dávamos passes. Mesmo com tudo isso presente à sua consciência. de cabeça decepada. independentemente do que acontece com aquele a quem ele prejudicou. além da. com movimentos aflitivos das mãos. Ainda falaremos sobre a ectoplasmia nos grupos mediúnicos. a da impunidade. A lei humana não toma conhecimento da sobrevivência do espírito. Não obstante. de forma convincente. É claro que não falo aqui no direito humano. ao Espírito tumultuado pela paixão da vingança? Como iremos mostrar-lhe a falácia da sua filosofia da . cada vez mais dolo rosa e ampla. como explicar tudo isso. do qual conhecemos as primeiras letras. mas parece que não podemos ser punidos por exercer uma ação que o direito nos assegura. Já descobrimos as razões fundamentais do seu drama. mesmo sem a vidência. a lei humana não leva em conta o fato de que o homem sofre justamente aquilo que está nos seus compromissos cármicos. ela continuará a abrir-se para baixo e para o futuro. que reabre o ciclo da culpa e nos obriga a pagar aquilo que consideramos simples reparação? Mas. ele ainda insiste em racionalizar a seu jeito. Dessa forma. mesmo que. se Deus me assegurasse o direito de cobrar. a prisão ou a indenização redimem o criminoso. Em outros casos de deformações perispirituais e zoantropia. procurando impregnar-se deles. Continua a submetê -lo ao seu próprio juízo e a invocar o seu direito à cobrança. muito falta ainda para dissolver e dispersar aquele núcleo doloroso. Ante a lei humana. O criminoso terreno deve pagar pelo que fez. pela vingança. porque ela tem outras aplicações. uma falta cometida contra mim. em face dos códigos terrenos. talvez. o que se percebeu. ele esteja quite. a divina.

pelo esforço que faz em ajustar- se perante as leis divinas. basta uma pergunta bem colocada. no momento oportuno. que o interessa pessoalmente. Por que manter dois Espíritos amarrados. Ao longo do tempo ele ficará falando sozinho. diz ele. E por que esperar tantos desenganos. e somente o libera da sua própria dor. Ele não se mostrará sensível ao apelo. vida após vida. porém. Às vezes. enquanto não se convencer de que isso é uma realidade irresistível. pelo perdão. indefinidamente. como se estivesse apreciando um caso. a de que. com prazer. Nem sempre lhe adianta uma bela pregação moral. não o seu caso. Poderá ainda insistir em persegui-lo indiretamente. pelo despertamento de seu Espírito. no processo que ele próprio criou. agora? . afinal. ou seja. E então o perseguidor não terá mais como atingi-lo. revezando- se nas posições de perseguidor e perseguido? Além do mais. 170 reparação? Em muitos casos. medite. através de seres que lhe são caros. e que continua retido. assim mesmo. ele arcará com as suas responsabilidades. sobre as virtudes teológicas do perdão. que. que o rancor não se satisfaz nunca. com objetividade e sangue-frio. estaremos começando a ajudá-lo. Não importa. a vítima às vezes se lhe escapa irrevogavelmente das mãos pelo próprio sofrimento que lhe é infligido. na alienação da sua vingança sem objeto. Não sabe ele. por exemplo. mas isto é uma vingança frustrada e o satisfaz ainda menos do que a outra. se esse dia pode ser hoje. Ele quer cobrar. ele se inscreve novamente como culpado. Acha ele. porque pelo menos terá saciado o seu rancor. procure encarar o processo. o seu ódio somente se estanca. Por mais absurda que pareça a tese ao vingador. para retomar a sua caminhada. ele nem percebe que também sofre. no tribunal invisível da sua própria consciência. e as sofrerá. ele já está convencido dessa realidade. Um dia despertará. com mais um século ou dois de rancor. muito menos pelos caminhos do sofrimento alheio. Se conseguirmos despertá-lo para essas verdades. exercendo a vingança por suas próprias mãos. Sacudido pela tormenta das suas paixões. Quando chegar a hora da dor. vai conseguir o que não conseguiu em dois ou três? Pretende continuar preso à roda-viva da aflição? Por quanto tempo? Não está cansado? Não deseja experimentar ao menos um pouco de paz? Pare e reflita.

Ele precisa. temos que contrapor. falou aflitivamente de seu problema. por certo. Ele deve convencer-se de que precisa ser mais humilde. tato e oportunidade. que se vingará implacavelmente de seu obsessor. são decorrência de suas próprias faltas contra a lei divina. em não nos deixarmos envolver pela sua “faixa”. para impedir que ele escapasse novamente do seu poder. ao contar que. Este é o irmão a que já me referi. A energia não está no tom de voz. se pretendemos minorá-las. Quando me levanto para ajudá-lo. Ele foi recolhido. que ele não pediu a Deus. 171 31 LINGUAGEM ENÉRGICA Sem dúvida alguma. ele tentou exigir de Deus um imediato alívio para os seus males. que o recoloca à mercê de seus perseguidores. E. que de nada valem meus passes e minhas preces. mas naquilo que dizemos. às vezes. mas que isso de nada adiantou. mas éimprescindível que seja sustentada pela mais absoluta sinceridade e por um legitimo sentimento de amor fraterno. exige uma solução para o seu caso. é preciso que a voz não se altere a ponto de soar violenta. apoiada na compreensão e na tolerância. se for necessário dizê-la. autoritária ou rude. Nada de precipitações e ansiedades. Isto não exclui. Este é o momento em que certa dose de energia torna -se de imperiosa necessidade. a necessidade. A voz precisa continuar calma. Está possuído de intenso ódio e de muita revolta. às suas aflições. Foi socorrido e encaminhado a uma instituição hospitalar do Espaço. reclama. da nossa parte. para atender a qualquer capricho ou cumprir ordens. em altos brados e com desprezo. de uma palavra mais enérgica. em estado de pânico e aflição indescritíveis. afinal de contas. mas. e do carinho de nossos dedicados irmãos. a nossa tranqüilidade. quando conseguir pegá-lo. desintegrar-se. seu hipnotizador. pelo nosso grupo. a seguir. a tônica do nosso diálogo com os irmãos desnorteados é a paciência. Bastam as ansiedades do irmão que nos visita e. ainda e sempre. diz. muito jovem. mais desarvorado do que nunca. que se achava presente. em estado de terrível agitação. porém. Não é assim que as coisas funcionam. Um deles tentou aliciar a atenção de um dos componentes do grupo — uma . É hora de falar-lhe com mais firmeza. também. Se o companheiro éagressivo e violento. diz que sim. ainda que sem o mais leve traço de arrogância. A essa altura. Digo-lhe. Aproveitando-se da incorporação ao médium e da proteção do grupo. certa vez. deblaterando contra a ineficácia dos nossos métodos de trabalho. recaíra em poder de seu perseguidor. de compreensão e de esclarecimento. resvala nova mente no precipício da desarmonia. que pediu a Deus. em tom afável. pois desencarnara. como num passe de mágica. o esforço deve ser redobrado. Por outro lado. Deseja morrer. o momento de dizê-la tem que ser bus cado com extrema sensibilidade. Caíra em poder de implacável hipnotizador. mais paciente. que o reduzira ao mais extremo desespero. Certo Espírito apresentou-se-nos. depois de recolhido pelos trabalhadores espirituais. que Deus não se acha à nossa disposição. A despeito de todo o cuidado. também não posso lhe tirar a dor. em condições dolorosas e trágicas. pois. de ressentimento ou de condenação. que. recomeçou a indução. Agora. mas tem que reconhecer. sem pieguice. sem precisar ser melosa. A uma palavra minha. Contraditoriamente.

um homem assim inte ligente e culto. Dizia que a sala estava cheia de baratas “astrais”. de impaciência. mas deixam a nosso critério a condução do diálogo. de agressividade. pois. sob condições especiais. de baratinhas e ratinhos astrais? Ele parece ter sido apanhado de surpresa. desviei sua conversação animada. mentores espirituais. porém. como quem se desculpa: — Foi o que encontrei aqui. Mas estava evidentemente desbalanceado. Tomou um pequeno lenço. Achei. pois que não podemos esquecer-nos de que os Espíritos desarvorados empenham-se. Se este “topar a briga”. Na reunião seguinte pareceu-me que o momento propício che gara. com incontestável autoridade. fácilita-nos o acesso à verdadeira motivação da sua problemática. Não pode. e eu também não lhe disse nada. Esse meio-termo.. quando falham os outros. fazem-no com extrema discrição. para isso. em arrastar-nos para a altercação e o conflito. eles nos orientam e assistem. É comum. certa vez disse um “Basta!”. presentes. dado que os Espíritos que nos ajudam não nos trans formam em meros repetidores de suas palavras. revelar-se temeroso e intimidado. talvez. poder de oratória. limitando-se a transmitir uma pequena informação. estará arriscando-se a sérias e imprevisíveis dificuldades. e de ratos que corriam de um lado para outro. que não era ainda a oportunidade de falar-lhe. A cena com as “baratas” e os “ratos astrais” era. habilidade como argumentador. Raramente interferem e. com extraordinário vigor e habilidade. que subiam pelo corpo dela. para que o próprio doutrinador a desenvolva. que se achava sobre a mesa. com seus recursos. no momento inoportuno. Ela se manteve firme. no mínimo. evasiva mente. Se pronunciada antes da hora. quando isto se torna imperioso. que. como quem apela para um recurso extremo. o episódio ficara esquecido. não nos esqueçamos. o momento tem que ser oportuno e. no entanto. Um desses companheiros amados. e. ao Espírito que deblaterava com arrogância e impertinência. só podemos contar com a intuição. para o problema das baratas: — Como é que você — disse-lhe eu —. por outro lado. incorporam-se em outros médiuns. sem o menor traço de rancor. disse-me. Era um líder. sobre os seus “recursos”. como este. por certo. e. Percebera. pode acarretar inconvenientes e perigos incontornáveis. incongruente. é a marca que distingue um doutrinador razoável de um incapaz. muitas vezes. sobre a “doutrina” de Kardec. deixando-o “brincar” um pouco. clima em que se sentem muito mais à vontade do que o doutrinador. na sessão anterior. falarem com inusitada energia e firmeza. e revelava desespero. um “professor” de Doutrina Espírita.. . Mas. Algo desconcertado. agressividade e arrojo. entre destemor e intrepidez. nestes casos. Em casos excepcionais. A certo ponto. que não conseguia convencer-nos pela argumentação. 172 jovem senhora — explorando sua repugnância por baratas e ratos. extremamente delicado. para doutrinar o Espírito manifestado. O problema da palavra enérgica é. faz uma brincadeira como aquela. que se diz líder e mestre. um pequeno incidente. e largou-o sobre as mãos que ela conservava pousadas sobre os olhos fechados. pensou. Durante nossa conversa anterior — confirmada no prosseguimento do diálogo — ele nos dera inequívoca demonstração de capacidade intelectual. mais a sério. como eu deixara passar a ocasião de falar.

seria desastroso recuar. Em suma. Se cairmos na tolice de dizer-lhes algo que não podemos sustentar. e. Os próprios Espíritos desequilibrados encarregam-se de demonstrar que não há doutrinadores impecáveis. depois de uma observação mais enérgica. é a do ridículo. com extrema sensibilidade. nem grosseria. Qualquer um de nós redobra suas energias. é naquilo que somos bons. uma questão de oportunidade. Se o doutrinador julga-se invulnerável e infalível. O Espírito perturbado tiraria disto o melhor partido possível. escolhido com seguro tato. É preciso. porque em muitos casos é fator decisivo no despertamento do irmão aturdido. Ainda veremos isto mais adiante. pois. tenha melhor condição. e não repressiva. Ademais. tratamos logo de provar que. neste livro. tem que ser ainda mais adoçada. quando começa a perceber que está cedendo. está perdido: é melhor passar suas atribuições a outro que. ou seja. com extrema habilidade. Uma das muitas armas que manipulam. Nunca deve ir à agressividade. pois começa a ficar vaidoso. a palavra enérgica é necessária. de hipocrisia ou de prepotência. mas deve ser dosada. indispensável. se conseguir manter-se ao mesmo tempo firme e humilde. estaremos em apuros muito sérios. é incontestavelmente humano. e jamais ao desafio. que seja. 173 pois os bons mesmo são rarissimos. estarmos atentos e preparados para interferir com mais energia. precisa ser decidida à vista da psicologia do próprio Espírito manifestante. Quando alguém põe em dúvida um. e por quê. certos de que firmeza não é estupidez. pois. encorajadora. embora não tão qualificado intelectual-mente. E aquele que se julga um bom doutrinador está a caminho de sua própria perda. neste caso. intimidado. e que o mais profundo amor fraterno pode e deve coexistir no mesmo impulso de exortação franca e corajosa. dos nossos mais modestos atributos. Precisamos saber quando dizer que eles estão errados. A interferência enérgica é. para os seus fins. Nada de gritos e murros na mesa. ao contrário. . Esses momentos de firmeza são também necessários quando o Espírito entra no processo que costumo chamar de “crise”. e da maneira sugerida pela intuição do momento. Muitas vezes envolvem. Baste aqui dizer que a energia. esse impulso. ou em que transpareça uma pequena pitada de cinismo. quando desafiado. mesmo. à irritação. em freqüentes ocasiões. É humano. enganam e mistificam. o momento certo. à cólera.

Um bom pensamento vale mais do que grande número de palavras com as quais nada tenha o coração. na maioria dos casos. Muitas vezes. E que. De transcendental importância. Kardec escreve. especialista em tais assuntos. estupefato: — O mundo pode desabar em cima de você. Somente sob essa condição pode a prece alcançar o seu objetivo. preciosos. Citando os seus amigos espirituais. na verdade. 174 32 A PRECE A fé e o amor são os dois grandes instrumentos de trabalho do doutrinador. é durante a prece. mas são de capital importância na prece que formulamos pelo Espírito desajustado que temos diante de nós.” (Primeira Epístola aos Coríntios. em qualquer oportunidade.” Lembro que os destaques não são meus. Vêem-se lábios a mover-se. incorporado ao médium. Cada palavra deve ter alcance próprio. simples e concisa. que são meros adornos de lantejoulas. Kardec torna isto particularmente claro. de reservas inexauríveis de energia criadora. notai com que ar distraído e com que volubilidade elas são ditas. que “a fé é a garantia do que se espera. ele se surpreendia em achá -la tão legítima. mesmo depois de tudo dito e vivido. pôr em vibração uma fibra da alma. tão firme. tão viva. a prova das realidades invisíveis” (Hebreus. quando diz. dita em voz alta pelo doutrinador. sempre a nos sur preender com o seu infinito potencial. de comovedora sinceridade. . Quantas vezes tenho ouvido depoimentos. o pensamento é tudo. extravagante. mais adiante. Entretanto. em “O Evangelho segundo o Espiritismo” (capítulo 28): “Os Espíritos hão dito sempre: “A forma nada vale. no mesmo capítulo de “O Evangelho segundo o Espiritismo”: “A qualidade principal da prece é ser clara. puramente exterior. enunciada com emoção e sinceridade. A fé e o amor causam impactos espantosos em nossos irmãos infelizes.. subsistiriam “a fé. Bem dizia o nosso Paulo. cada um segundo suas convicções e da maneira que mais o toque. para qualquer tipo de prece. ou por alguém por ele indicado no grupo. ao qual se conserva indiferente a alma. E acrescentou. Ainda voltaremos a falar sobre o amor.) Uma fé assim é preciso para orar pelos nossos queridos irmãos desarvorados. que você não se importa. Ela deve ser elaborada em torno da própria temática que o com- panheiro nos tenha revelado. para os trabalhos de desobsessão. Numa palavra: deve fazer refletir. mas. no decorrer do diálogo conosco. os três. esse tema inesgotável. despertar uma idéia. veri fica-se que ali apenas há um ato maquinal. 11:1). fonte de belezas eternas.. nem luxo de epítetos. que o Espírito manifestante faz uma pequena pausa para pensar. não passa de ruído. ilógica ou irracional. de harmonias insuspeitadas. a esperança e o amor. de outro modo. talvez há muito não experimente. Ele não queria dizer que a minha fé era falsa. em uma ternura que. pois. de Espíritos aturdidos ante a evidência desses senti mentos: — Que fé absurda tem você! — disse-me um deles. 13:13. estão no original. pela expressão da fisionomia.” Estes ensinamentos são. pelo som mesmo da voz. é a observação de que a prece “deve fazer refletir”. A força e o poder da fé transmitem-se à prece. Ore. A prece o envolve em vibrações pacificadoras. sem fraseologia inútil.

Curioso. mesmo porque. que varia. fale especificamente de seu problema. que muito raramente eles procuram perturbar a prece. de um caso para outro. e sim comunicar- lhe que vamos fazê-lo. Em certas ocasiões épreciso orar ainda no princípio da manifestação. as imagens contidas no sentido das palavras pronunciadas. antes. pedindo ajuda para o companheiro que sofre. ou de alienação. em gestos. e até milênios. tentando reproduzir. não deve mos pedir-lhe permissão para orar. às vezes por séculos. 175 Como tudo o mais que tentamos realizar nos grupos de desobsessão. Um deles procurou dramatizar as minhas palavras. e. dar um muxoxo desinteressado. dificilmente ele se oporá. no entanto. Ambos havíamos sofrido. ainda que o recuse. Dirigi-me à doce Mãe de Jesus. A prece deve ser dita de preferência de pé. Certa ocasião. Geralmente ouvem-na em silêncio. Se já dispõe de alguma informação sobre ele. muito critica e importante. O melhor. ou durante a prece. no entanto. necessariamente. com as mãos estendidas para ele. como que a concentrar nele as vibrações e as bênçãos que invocamos. Já era mais do que tempo de chegarmos a um entendimento e colocarmos ponto final naquela penosa e aflitiva desarmonia. Alguns informam depois. que se acham “defendidos”. com as palavras e as emoções que ele mesmo escolheria para dirigir-se ao Pai ou a Jesus. Dificilmente ele recusará. Em alguns casos. é esperar um pouco. mas como se fosse ele próprio. ou interesse. Dirija a sua prece a Deus. por exemplo: — Vamos orar? Ou: — Agora vou fazer uma prece. julgando servi-lo. por causa daqueles enganos.. Eles se esqueceram. a prece foi elaborada como se partindo de nós dois: o doutrinado e o doutrinador. em virtude de o estado de agitação. a prece tem seu momento psicológico ótimo. costumo orar não apenas pelo Espírito manifestante. pois estávamos envolvidos muito profundamente em compromissos mútuos. colocando diante dela o problema de dois seres que haviam errado gravemente. não nos permitir colher. Ou lhes falta coragem. no entanto. de que esses canais de acesso estão abertos também a eles. devemos fazê-la. . senão respeitoso. a Jesus ou a Maria. Alguns. ao longo dos séculos. “protegidos” por “couraças” e “capacetes” invioláveis. nos quais — esperam eles — as energias suscitadas pela prece não poderiam penetrar. de se dirigirem a Deus. pelo menos comedido. Não têm mais vontade. um pouco da sua história e da sua motivação. aguardar esclarecimentos e informações que — nunca é demais recomendar — não devem ser colhidas em interrogatórios e através dos artifícios da bisbilhotice. Poderá. Basta dizer. Como disse. insistem em continuar falando. No momento propício — e mais uma vez temos que recorrer à intuição e ao senso de oportunidade — convém dirigir-se ao próprio Espírito e propor-lhe a prece. ao lado do companheiro manifestado. que acreditava muito cômicos. por julgarem-se além de toda recuperação. ou fazer um comentário condescendente: — Pode orar. indignos e incapazes de projetarem o pensamento a tão elevadas entidades. do Espírito. zombando ou ridicularizando. no máximo.. como um intermediário entre ele e os poderes supremos que nos orientam e amparam. se quiser. se estivesse em condições de fazê-lo.

sem convicção. e entregar-se a outra que desconhecem. passem a não crer nela. da prece — um riso nervoso. pois. em respeitoso silêncio. a celebrar suas missas. por exemplo. Desculpam-se. sur preendente. ou não concede o que julgamos merecer. ambos. Fosse Ela a advogada da nossa causa e nos ajudasse a encontrar os caminhos da paz. mas não tentam impedir-nos. Não são poucos os que continuam. exteriormente. então. Há. mas pode ser grupada dentro de classificações mais ou menos didáticas. esvaziando-se de todo o seu elevado e nobre con- teúdo. embora reagindo. sem os rancores que nos prendiam a um passado lamentável. Isto é especialmente invocado pelos companheiros que foram prelados. Como se julgam alienados da doce intimi dade do Cristo. que ao cabo de tantos desenganos. que precisam de algum tempo para deixarem-se alcançar. e que se encontra anestesiada. conseguís semos retomar. a vida inteira. como se não dessem nenhuma importância a qualquer ato de contrição. até mesmo a prece. Não é de admirar. Ela os leva a alguns instantes de pausa. cega e injusta. como irmãos que éramos.. preferem ficar como estão. Entre continuar numa dor que já conhecem. quando propomos que eles orem também. pois. recusam-se. aparatoso e vazio. Representa uma experiência da qual se desabituaram. São muitos os sofredores que se enquistaram de tal maneira atrás de suas defesas e de suas couraças. ainda que nem sempre instantâneo. Medo da emoção que os leva à crise. Estão com medo. Não podemos esquecer-nos de que são muitos os que praticaram. que nos concede aquilo que não merecemos. pediram favores insólitos a Deus. no curso dos seus pensamentos habituais. ou pronunciaram julgamento sobre o próximo. mas ainda precisam de tempo. quando pedimos para orar conosco. sentem-se atônitos e temerosos. ou seja. os que ouvem.. pobres irmãos. no qual o coração e a fé não se envolveram. a ponto de realizar-se neles o milagre sempre renovado do amor. não se sentem encorajados a “falar” com Ele através da prece. os que se . em silêncio. por algum tempo. transformou-se em mero instrumento de poder. Para esses pobres companheiros desarvorados. juntos. ou. mas. escorada na emoção e no afeto. A reação. difere de um caso para outro. O efeito é “milagroso”. Outros. e da crise que os leva à dor que os espera ao longo do extenso caminho de volta. a nossa caminhada. Por isso. A prece muito contribui para vencer estas últimas inibições e hesitações. 176 para que. como acima esboçado. mesmo. com a impropriedade do ambiente. quando convidados a orar de verdade. manifestação mais pura do diálogo entre o homem e Deus. os que se comovem. dizendo que “ali não há condições”. pura. Ele ouviu a prece. Alguns deles. pois. no atormentado mundo espiritual em que vivem. sabem que aquilo é estranho à simplicidade e à autenticidade do Cristo e de seu Evangelho. porque temem seus efeitos. e acabou cedendo. desculpam-se desajeitadamente. oficiar os ritos e os sacramentos a que estiveram habituados na vida terrena. Estes ainda riem. Com essa prece aviltada e despovoada de emoção. singela. os que a ridicularizam. no fundo. a falta dos paramentos e dos livros adequados. um culto formal e frio. vida após vida. São incríveis a força e o impacto de uma prece límpida. ou com a qual não se acham familiarizados. ou como se somente pudessem exercê-lo com os apetrechos a que se habituaram. para exigir favores de uma divindade servil. ou continuem a entender que a prece é para isso mesmo.

a quem orava com todo o fervor. porque o fanatismo é. às vezes. aprisionado ainda no erro. Um deles tomou a iniciativa de pedir-me para orar. 177 recusam a dizê-la. . ele deveria realmente acreditar que era um excelente trabalhador do Cristo. mas. com muita veemência. contempla a esperança e ajuda-nos na doação do amor. Enquanto isso. descer do pedestal de grande mestre. a prece é o convite para que a esperança se realize em nós. Na profunda inti midade do seu ser. é por ela que a caridade nos faz agentes da Divindade. de suas responsabilidades maiores. “a garantia do que se espera e a prova das realidades invisíveis”. depois nos deu uma demonstração de seus recursos de pregador. ou líder. e os que se acham de tal maneira alienados. Recolheu-se a uma postura correta. pois. Falava em nome da “equipe humilde” do Cristo. para livrá-los da situação em que se encontram. apoiada na fé. para voltar a ferir os pés descalços. ou não necessitados. e preparou-se para orar. estava ao abrigo de suas próprias contradições ínti mas. pelos caminhos espinhosos da recuperação. os componentes do grupo. e nada pedia para eles próprios. Ele ainda comentou a minha atitude. juntando as mãos em frente dos olhos fechados do médium. de fato. Paulo apresentou juntos a fé. às culminâncias da esperança. virá imediatamente em seu socorro. que oram até mesmo com certa veemência. porque o Cristo sabia de suas ne cessidades e aspirações. É possível que ele fosse sincero no seu apelo. espicaçado pelo remorso. por me faltar autoridade para fazê-lo. convencidos de que Deus. Ë por ela que conseguimos alçar o nosso espírito. de intensa e desastrosa sinceridade. no seu caso. a uma platéia invisível a nós. falando com entusiasmo e brilho. A prece nos liga porque. de coração sangrando. a fé. continuei com a impressão de que aquele era apenas mais um dos inúmeros mecanismos usados para fuga. ou diante de nós. ou o Cristo. mas pedia para nós. Sua prece era um tanto oratória e. diante de um doutrinador impertinente. a esperança e o amor. algo surpreso. aguardou alguns momentos de silêncio respeitoso e se pôs a orar a Jesus. e continuava a negacear diante da difícil decisão de abandonar o poder e a glória. Sendo. por julgarem-se indignos. A prece é o instrumento do amor grande e puro de que nos falou o Cristo. Disse-lhe que não me cabia autorizar um ato desses. que estávamos muito necessitados de socorro e orientação.

178 33 O PASSE A técnica do passe magnético. contará com a presença sutil dos instrutores que atendem aos misteres da Providência Divina. para que essa vontade. nessa ou naquela contingência. Poucos estudos existem. mas. através da oração. esse mesmo autor espiritual. declara. cabe ao médium passista buscar na prece o fio de ligação com os planos mais elevados da vida. novamente ajustada à confiança magnetize naturalmente os milhões de agentes microscópicos a seu serviço. ser menos rico de resultados imediatos nos doentes adultos que se mostrem jungidos à inconsciência temporária. observa ainda. o passe é utilizado também para magnetizar. aplicado em seres encarnados. mesmo fora do âmbito estritamente doutrinário do Espiritismo.” Pouco antes. por exemplo. passagens que se fazem com as mãos por diante dos olhos de pessoa que se pretende magnetizar. ao que sabemos. Observamos que os textos aqui reproduzidos referem-se especificamente ao passe curador. a fim de que o Estado Orgânico. merece algumas observações específicas. em toda situação e em qualquer tempo. por desajustes complicados do cérebro. informando sobre o passe. pelo menos no Brasil. a lhe utilizarem os recursos para a extensão incessante do Eterno Bem”. ou perispíríto. reconhecendo-se no entanto. nos seres responsáveis. pl. no entanto. É certo que a definição não cobriu todo o campo de ação do passe. porém. organizado pelo Professor Antenor Nascentes. porém. capítulo 15: — “Pelo passe magnético. Esclarecemos. a idéia do passe. que dizem basicamente a mesma coisa: — Passes. porqüanto. a refletir-se em desarmonia no hemisfério somático ou veículo carnal. em “Evolução em Dois Mundos”. ou sobre a parte doente da pessoa que se pretende curar por força mediúnica. que até os dicionários comuns contêm definições aceitáveis dele. provocando determinada causa de sofrimento. que o passe “é sempre valioso no tratamento devido aos enfermos de toda classe. principalmente na França.” Retomando o tema. se recomponha para o equilíbrio indispensável. que. opera certa lesão no hemisfério psicossomático. em “Mecanismos da Mediunidade”. sobre o passe apli cado aos . de vez que o magnetismo foi amplamente cultivado na Europa. como. segundo experiências de Albert de Rochas. A literatura sobre o passe magnético é vasta. do ponto de vista da medicina humana. a vontade fortalecida no bem pode soerguer a vontade enfraquecida de outrem. desde as crianças tenras aos pacientes em posição provecta na experiência física. o desdobramento do perispírito. no século passado. o de Caldas Aulete e o da Academia Brasileira de Letras. provocando. que mais se poderia exigir de um dicionário não especializado em fenomenologia espírita? André Luiz. nas sessões de desobsessão. notadamente aquele que se baseia no divino manancial da prece. e até o acesso à memória integral e conseqüente conhecimento de vidas anteriores. Como sabemos. Tão difundida está hoje. reiteradas posterior-mente por vários pesquisadores. nesse caso. dissera ele que: “Toda queda moral.

neste campo de trabalho. e creio que algumas observações já estão mais amadurecidas e em condições de mais aprofundados estudos e desenvolvimento. O passe. como veículo da sensibilidade e intermediário entre o Espírito e o ambiente em que vive. A teorização somente é válida quando escorada na experiência. tal como codificada por Kardec e suplementada pelos seus continuadores. a experimentação deve balizar-se dentro daqueles conceitos fundamentais que a Doutrina e a lógica já confirmaram. mas deve ser empregado com certas cautelas e com moderação. para cada caso? Não podemos ainda — e creio que não poderemos fazê-lo tão cedo — escrever normas rígidas para a tecnologia do passe sobre os desencarnados. está presente. neutras. Tanto podem ser empregadas nas tarefas do bem. hediondos e totalmente desprovidos de qualquer compromisso com a moral. como para provocar a regressão de memória. lógico inferir que o mecanismo é idêntico ao passe aplicado em seres encarnados. o conhecimento real emerge da experimentação. mas bastante encorajadoras. Nesse campo. Os rituais da magia negra também revelam e desenvolvem faculdades psíquicas. Os ensinamentos de André Luiz permitem-nos concluir assim. pois é ele o modelador da nossa organização material. é similar à do corpo físico. como nas outras. precisa ser ministrado no momento certo. como todos os demais recursos com que procuramos socorrer os nossos irmãos desencarnados em crise. além de ser uma organização consciente extremamente complexa. Na prática da desobsessão. os amigos espirituais que tão generosamente se colocaram ao nosso lado. ou por meio de processos aviltantes. Talvez um exemplo ajude a esclarecer o que tenho em mente ao escrever isto. em virtude de permanecerem em segredo. para orientar e apoiar o nosso trabalho de doutrinação. Parece. Podem também ser desenvolvidas e treinadas por métodos limpos. ainda que preliminares. são. mas não devemos esquecer que a recíproca também é legítima. Sem dúvida alguma. tanto no encarnado como no desencarnado. o passe é recurso válido nos labores mediúnicos. Não sei se me faço entender. embora mais sutil noutro campo vibratório. de falhas e de êxitos. como sabemos. não apenas para fins curativos de disfunções perispirituais. pelo simples fato de que o ser humano. quando informam que o passe magnético. O perispírito. Sua estrutura. Dessa forma. pouca gente . é imprevisível. no entanto. qual a técnica e qual a extensão. definições precisas e definitivas não existem ainda. em hipótese alguma. incorporado ao médium. têm-nos trazido sempre o estímulo dos seus ensinamentos. constitui poderoso fator de reajustamento para os desencarnados cujos perispíritos se acham lesados em decorrência de quedas morais. Nunca é demais lembrar que. deveremos enveredar imprudentemente pelas trilhas da fantasia. qual o momento. tenho tido oportunidade de observar as possibilidades e recursos do passe sobre companheiros desencarnados e creio poder contribuir com algumas observações. As faculdades psíquicas. 179 seres desencarnados. com a técnica adequada e na extensão necessária. desligados dos conceitos fundamentais da Doutrina Espírita. altamente éticos. Mas. mas por processos abjetos que. em si mesmas. aberto aos benefícios que o passe proporciona. com seriedade e respeito. No entanto. de um ou outro engano. apoiado na prece. ou seja. portanto. torna-se facilmente acessível ao passe magnético e. mas que. o Espírito desencarnado.

para tratamento mais adequado. ou trazido na sessão seguinte. Creio que princípios gerais semelhantes a esses aplicam-se também ao estudo do passe. ao despertamento de Espírito em estado de alienação. como vamos entorpecê-lo a ponto de levá-lo ao sono magnético? Às vezes. e ele continua agitado. vestimentas especiais. Com o passe os adormecemos. 180 tem noção do nível de degradação a que podem levar. pode criar vícios de difícil erradicação posterior. “objetos” imanta dos. O passe cura dores que julgam totalmente “físicas”. seja recolhido a instituições de repouso. nas sessões de desobsessão. não obstante. qualquer trabalho mal orientado. a identificação da mediunidade em potencial e o seu desenvolvimento. transmitir vibrações de amor ou de ódio. armas. no trato dos nossos irmãos desencarnados. curar ou trazer mais dor. ao tentarmos acalmar um Espírito agitado. da auto -hipnose. Neste caso. devem resultar de cuidadoso planejamento. Em contraposição a tais processos. Ele pode serenar ou excitar. o passe pode ajudá-lo a serenar-se. encarnado ou desencarnado. e que tenebrosos compromissos acarreta rão para o Espírito. o que. é necessário mesmo adormecê-lo. às vezes. mas é preciso usá-lo com moderação. Com passes — e neste caso precisamos também de um médium que tenha condições de exteriorizar ectoplasma — poderemos reconstituir-lhes lesões mais sérias ou deformações perispirituais. “couraças”. com as quais os mentores do grupo compõem os “quadros fluídicos”. para ajudá-lo. provocar crises psíquicas e orgânicas. ao longo dos braços. em melhores condições de acesso. enfim. não o levemos a um estado de sonolência que dificulte a comunicação com ele. mesmo porque. pois localizam-se muito realisticamente em pontos específicos de seus perispíritos. O passe provoca reações variadas no ser humano. indiscriminadamente. e por qualquer motivo. Se temos necessidade de dialogar. podemos mais facilmente alcançar-lhes o centro da emoção. simbolos. estudo metó dico e prática bem orientada. ao ser retirado pelos mentores. no entanto. que parecem escorrer como uma descarga elétrica. Mas. ou fazê-las cessar. . Precisamos estar sempre protegidos pela prece e pelas boas intenções. para que. Para isto serão passes de dispersão. para que dar passes? Em vários casos ele pode ser aplicado. ou da própria. precisa ser desenvolvida com muita prudência e seriedade. em termos de Doutrina Espírita. tinha que ser dito. isso é necessário. como “capacetes”. Já debatemos por algum tempo o seu problema. Com o passe podemos também ajudá-los a livrar-se da indução hipnótica alheia. tão necessários. sua técnica. a fim de que. causar bem-estar ou incômodo. Com o passe. nesta fase. A primeira norma que poderíamos lembrar é a de que não deve ser aplicado a qualquer momento. De outras vezes. O passe ajuda também a desintegrar certos apetrechos que costumam trazer. para provocar fenômenos de regressão de memória ou projeções mentais. subjugar ou liberar. Ele é realmente o recurso válido e potente. construir ou destruir. justamente do que mais precisamos. transmitindo-lhes diretamente ao coração as vibrações do nosso afeto. É fácil imaginar que tipo de mediunidade e que pactos sinistros emergirão desses métodos sinistros. pelo menos por enquanto. foi dito. sempre que nos levantamos para dar passes num irmão desencarnado incorporado. condensar ou dispersar fluídos. isto é.

de modo a serem conduzidos pelos trabalhadores desencarnados. agora agravado pelos “ardis” que utilizamos contra ele. no devido tempo. para fins muito bem definidos. aos comparsas do Espírito mani festado. Ainda muito difícil. muito pequeno. Quando vê diante de si o Espírito de sua mãe. e não outra? É porque já estava ligado a ela anteriormente. o fio também foi preservado. na sessão anterior. destacou- se na vida. voltou novamente com todo o ímpeto. até à infância. até que adormeceu sobre a mesa e foi retirado. de braços estendidos. Já relatei algumas ao longo destas páginas. quando. a propósito. 181 De todos esses aspectos temos tido experiências altamente ins trutivas e algumas de intensa dramaticidade. escolhido aquela mãe. que rompeu o dique das suas emoções represadas: ele próprio fora seu obsessor. especialmente ao fim da conversa. sofreu humilhações na escola. Na semana seguinte. Ele sabe que o espírito é imortal e que vivemos muitas vidas. por causa de sua vida miserável. mas nunca pôde esquecer-se de suas origens e perdoar a progenitora por ter sido uma pobre e infeliz peixeira do cais. está pelo menos em condições de ouvir melhor o que lhe digo. um invisível prato de sangue. para sustentá -lo na sua “perigosa” missão junto a nós. dentro das quais se julgam protegidos de nossos fluídos. com voz mansa. começou a chamar pela mãe. O passe pode “desfazer” os fios que ligam Espíritos aos seus redutos. violento e de dificílima abordagem. Cinqüenta companheiros seus haviam ficado reunidos. por exemplo . somos instruí-dos a provocar a desintegração de objetos e apetrechos. precisamente. ameaça bater-lhe e humilha-a de todas as maneiras. São também constantes os fenômenos de regressão de memória. Desta vez. Ele se tornou sonolento e. através dele. grita-lhe impropérios terriveis. como no caso daquele que nos trouxe. Ao que parece. para que. quase sempre reportando-se a vidas anteriores. as palavras que ele ouvia do doutrinador. nas quais se escondem núcleos de problemas afetivos. enquanto ela se encontrava na carne e ele permanecia no mundo espiritual. que os desarvorou completamente. ao seu grupo. sabia ele das obsessões de que ela fora vítima? Foi isto. Ademais. além de capacete e couraça. Seu problema central é a mãe. segundo diz. se “retransmitisse”. Certo Espírito. Lembro-me. os amigos espirituais fazem com ele uma regressão de memória. Ajudados por nossos passes. mas nem sempre necessariamente em vidas anteriores. que depositou sobre a mesa. Creio que ele não conheceu o pai e. ainda aceitava a mãe. ligava-se por um fio. os mentores do grupo utilizaram-se daqueles condutos para levar ao grupo deles uma vigorosíssima carga fluídica. Por que razão teria ele. as ligações foram mantidas e. É também comum o trabalho de “desfazer” vestimentas especiais. O passe ajuda os Espíritos. Numa dessas ocasiões. Com mais freqüência do que seria de supor-se. O Espírito era agressivo. nesses mergulhos providenciais no passado. A sua reencarnação através dela foi um recurso da lei divina . São mais freqüentes as oportunidades em que é preciso adormecer o Espírito. segundo nos explicou. em rigorosa concentração. a despeito deles mesmos. Tem-lhe ódio mortal. porém. de um doloroso e comovente caso. manda-a de volta ao cais. Veremos outros exemplos. numa época de preconceitos muito severos. porque dependia dela e a consciência do seu drama interior estava adormecida. Começo a pedir-lhe que procure compreender a mãe.

mas. Ao cabo de uma longa conversa — e agora é o momento em que o doutrinador precisa de maior sensibilidade ainda — ele énovamente adormecido e levado. precisa ser aplicado exatamente para serená-lo e prepará-lo para outra ocasião. é melhor confessar a escassez de conhecimentos do que arriscar-se a ditar regras que não estão nitidamente definidas pela experiência. em que se apresentará mais receptivo. no campo mediúnico. mas precisa ser utilizado com prudência e sob cuidadosa orientação dos trabalhadores desencarnados. 182 do reajuste. ele compreendeu todo o seu drama terrível e entrou numa tremenda crise de remorso. Um dia saberemos mais acerca desse precioso instrumento de trabalho. Tenho perfeita consciência das dificuldades que o problema oferece e do embaraço em que me encontro para ser mais específico na formulação de observações concretas e de normas de ação mais definidas. . Não deve ser empregado para atordoar o manifestante. Em assuntos dessa natureza. exatamente quando precisamos de sua lucidez para argumentar com ele sobre o seu problema. é que exercitem com parcimônia o recurso do passe em Espíritos desencarnados e observem atentamente seus efeitos e possibilidades. Num “flash” doloroso. às vezes. necessário a ambos. Se posso sugerir alguma Coisa. Em suma: o passe tem importante lugar no trabalho mediúnico.

todo o nosso esforço é posto na tarefa inglória de manter soltas as paíxões. tentando suplantar os apelos negativos que insistem em infelicitar-nos. naturalmente. segundo os impulsos do momento. fortemente protegido pelos mecanismos do esquecimento deliberado. Para abrir diante dele uma janela sobre si mesmo. Quando os advertimos dessas incongruências funestas. a lembrança das existências anteriores. enquanto se aprofundam em nós as raízes do desequilíbrio. no entanto. comovedora. dado que. São de incontestável importância estas noções. 183 34 RECORDAÇÕES DO PASSADO Somos o nosso próprio passado. que se há de fazer? Temos a impenitente propensão para rejeitar como inválida a experiência alheia. nesses momentos dramáticos em que o Espírito se acha completamente aturdido ante a enormidade de seus erros. com amor e sofrimento. entre um futuro que ainda não existe e um passado que procuram igno rar. e sim o poder de esquecer.” O escritor judaico não positivou no livro a sua crença na reencarnação. jamais. ao chegar a vez de sofrerem pelos seus erros. trágica. Comprimidos numa estreita faixa de presente. a chave mais importante de que dispõe o doutrinador consiste em levá-lo a contemplar seu próprio passado. na abertura de “O Na zareno”: “Não o poder de recordar. no terreno fértil das paixões que julgamos tragicamente indomáveis. A dor dos grandes criminosos é terrível. indomadas. nos deixamos dominar pelas sombras que trazemos no íntimo. que procuram viver com toda a intensidade possível. ao tomarmos novo estágio na carne. com as nossas lágrimas. desesperada. saberão fazê-lo com dignidade e coragem. respondem-nos que não estão preocupados com o futuro. Que seria de nós. mas. É precisamente por isso que a sabedoria divina determinou que se apagasse em nós. Para o Espírito atormentado pelos seus desequilíbrios. Dormem soterradas nos tenebrosos porões do inconsciente as razões das nossas angústias de hoje. Estamos a caminho da redenção quando damos apoio consciente às tendências do bem em nós. Quanto mais arrogante e belicoso o companheiro desarvorado. as sementeiras da paz. enquanto nos apraz o erro. Se. Trágico e doloroso engano é esse. O esquecimento . simplesmente. maior a dor que experimenta ao despertar para as realidades que procurou ignorar por tanto tempo. e presas as recordações. mas não se pode negar a sua intuição da verdade. fugir às suas res- ponsabilidades e compromissos. distinguir bem uma coisa da outra. no trabalho de desobsessão. quando estimulamos. que lutam por consolidar-se na complexidade da nossa psicologia. paramos no tempo. se fôssemos obrigados a viver sob o tropel das pungentes recordações de antigos e medonhos erros? É preciso. tanto quanto estão em nós as conquistas positivas. quando são. e cultivamos. Esperam. ao contrário. É preciso saber que cabe a nós — e a ning uém mais — domá-las. Talvez por isso escreveu Sholem Asch. mas. ser tão valentes perante a dor própria. embora seja essa a temática de que se utilizou para elaborar a sua estória. o passado não interessa e o presente é a única realidade que aceitam e manipulam livremente. cons titui uma das condições necessárias à nossa existência. quanto o são perante a alheia. esquecem-se de que não poderão. o futuro não importa.

acaba por acreditar-se uma criatura sem passado. caírem na faixa da . Depois. Esse momento é crítico. como se estivesse momentaneamente desligado das suas culpas. que foi recalcado para os subterrâneos da memória perispiritual. veremos como acertar essas contas com o que. é mais certo que continue o percurso da dor. está o caminho aparentemente mais fácil e certamente mais convidativo do adiamento. não obstante. utilize-se. intensamente. conseguiu abrandar algumas arestas mais contundentes do seu caráter e desenvolver umas poucas virtudes embrionárias. uma concessão. de sua própria criação. para que ele tente a reconstrução de si mesmo. para que faça um inventário geral de seu acervo espiritual — as aflições que remanescem e as conquistas que já conseguiu realizar. o esquecimento do passado constitui dádiva preciosa. está abrigado de si mesmo. viver. o frio anestesia a sensibilidade e o imuniza da dor alheia. Re tornando. dominar o semelhante. daquele mesmo passado que renega. O melhor. sair em campo. da renúncia. há milênios sem conta. ou ao poder. enquanto permanecer ali. de todo o acervo de experiências e conhecimentos que traz em si. Suas angústias são muitas. encerra-se o Espírito endívidado num círculo de fogo. à sua condição de espírito desencarnado. dentro das quais os membros protegem-se mutuamente. na trajetória evolutiva do Espírito. Do outro lado. É certo que. porque a redenção ainda vem longe. irresponsavelmente. O Espírito. para eles. como se o passado não existisse mais em nós. além disso. embora ainda responsável por elas. É seguir em frente. pode ser-lhe facultado o acesso à memória integral. agora. teimamos em chamar de destino. por aí dificilmente ele irá à glória imediata. em nova aventura na carne. que temos de descobrir uma fórmula para levá-lo a recordar. poderá prosseguir no áspero caminho da redenção. passa à condição de não-existente. 184 proporcionado ao Espírito. é uma bênção. Se é verdade. enfim. congela o coração. É como se a vida principiasse nova mente. que talvez ainda o fascine. Com a finalidade de conceder-lhe todas as oportunidades. seus remorsos extremamente penosos. pois. é igualmente verdadeiro que se torna extremamente difícil fazê-lo. que nem sempre ele sabe avaliar. Só poderá sair queimando-se. para refazer-se. no mundo espiritual. pois. Para proteger-se do calor que faz à sua volta. para aquele que muito errou. Vamos primeiro “gozar” a vida. mesmo. sepultá-las. e o futuro nunca fosse existir. na fase da reencarnação. e colocar à sua disposição os melhores instrumentos. alegremente. é esquecê- las. Ficam para depois as conquistas sobre nós mesmos. no mundo espiritual. É só. enquanto mutuamente se servirem. ligando-se a tenebrosas organizações. buscar seus comparsas. Está pronto o obsessor para a sua tarefa. Novamente se vê ele numa das inúmeras encruzilhadas da vida: por um lado. acumular riquezas materiais. adstrito à incoerência dos alienados. ignorá-las. em proveito próprio. perseguir seus inimigos e construir um nicho para si mesmo. ainda que efêmera. Dentro de pouco tempo — e que é o tempo. e ninguém pode gozar a vida com esse lastro de aflições. depois de uma pausa. por largos séculos ou milênios. embora. que também decide pelo esquecimento. em tais condições? — o passado. porque é justamente disso que ele foge. assim envolvido. dos desenganos. Quantas ve zes os temos surpreendido a advertirem-se do “perigo” que representa. do ponto em que a inocência a deixou. açambarcar o poder. Dentro dessa lógica atormentada. É aquele que opta por este caminho.

têm uma pausa para reexame de suas posições desesperadas. em posição diferente.. ainda. anti-semita irredutível. diante de si. como o médico que ministra um remédio amargo. viu os quadros do êxodo no antigo Egito. do drama. há muito tempo. Pela primeira vez. algo perplexo: — Será que isso não tem fim? Senti que a pergunta era mais dirigida a ele próprio do que a mim. inclusive as que fluíam abundantemente do organismo mediúnico. a matéria-prima. me surpreendeu pelas características diferentes com que o trabalho era levado a efeito. foi encontrar raízes muito mais profundas. quando narra o trabalho de doutrinação junto a um ex-sacerdote desencarnado: “. pelos mentores espirituais dos grupos de desobsessão. o que.. e. embora não fosse novidade. em “Missionários da Luz”. os recursos necessários para desencadear o processo terapêutico. ou para que materializem provisoriamente certas imagens ou quadros. porém. em muito tempo. às vezes. o que estão fazendo? Que loucura é aquela em que mergulhamos? De onde vem tudo isso. 185 recordação. Recuando mais. André Luiz deixa-nos entrever tais processos. no capítulo 17 — recolhiam as forças mentais emitidas pelos irmãos presentes. no passado. para que os benfeitores de nossa esfera se façam visíveis aos irmãos perturbados e aflitos. Afinal de contas. indispensáveis ao reavivamento da emotividade e da confiança nas almas infelizes. como relutam. cenas vivas de seu passado. Ante o impacto dessas imagens. Os técnicos desencarnados limitam-se a manipular. explicando que. encontra-se nos arquivos perispirituais do ser ali presente. mas. incoercivelmente.” (Destaques desta transcrição. os encarnados. no futuro? Um desses companheiros atormentados. com essas formas de energia. de um passado que julgavam morto. perguntou-me.. justificado pela expectativa da cura de seu doente. indispensável a essas montagens. . como se do lado de fora de si mesmos. podem os benfeitores espirituais prestar certos serviços importantes àqueles que se encontram ainda presos ao padrão vibratório da carne. que precisa ser dispersado.) O instrutor prossegue. onde. vários ajudantes de serviço — escreve ele.” — “Esse material — explicou o instrutor — representa vigorosos recursos plásticos. condições e conhecimentos para apreender a essência das técnicas empregadas para a obtenção das projeções. que lhes pareciam desintegrados para sempre na poeira do tempo!. vivas e dramáticas. Vários recursos são empregados.. O Espírito vê. na antiga Babilônia. onde foi um dos membros sacrificados da corte do faraó. não obstante já se acharem desligados dela. para desatar os laços que o prendem às suas angústias e ao seu alheamento. enfrentara o difícil problema da longuíssima saga do povo hebreu. Como reagem. e até onde irá. os irmãos desarvorados parecem saltar o circulo de fogo que os envolve. É evidente que as cenas não são criadas com a substância evanescente da fantasia. especialmente aquelas que constituem o núcleo de sua problemática. Não temos. com respeito e dignidade. recolhida dos encarnados presentes. para obter dos companheiros desarvorados o mergulho necessário nas lembranças recalcadas. que parecem surgir límpidas. como temem os fantasmas interiores. Um dos mais comuns é o da projeção dos chamados “quadros fluídicos”.

o ectoplasma formou. evidentemente. já há muito. os sons. ao longo dos séculos e das vicissitudes. e informa: “uns são canonizados e outros queimados”. que devem tornar-se visíveis. Num caso particularmente difícil que tivemos. 186 disse-lhe que sim.. As cenas são mostradas com todo o seu realismo: o movi mento. vence o ódio. não obstante. Se fosse realizada uma pesquisa estatística sobre tais manifestações. ou amigos muito chegados ao coração. mas. A um deles a visão era de uma folha de papel e uma pena. Que lhe cortem a mão que assinou a sentença e que fique cego. ao poder da espada impiedosa.. e a dor de ter o seu amado preso ainda . cuja lembrança ele procurava recalcar nos porões da memória... Seu desespero é atroz. antigo amor. no passado. . por um esforço da nossa vontade. de vigorosa dramaticidade. arrosta as ingratidões. * Muito freqüente é a presença de antigos e esquecidos amores: mães. A pureza do amor materno permanece inalterável. nas profundezas de seus tenebrosos domínios. como para formar os próprios “quadros”. as cores. para a sua visão. com uma diferença: alguém contemplava. que só é possível depois de compreendermos a inutilidade do ódio e a força invencível do amor. Depois de muita relutância. durante a qual dominara povos. como se um “video tape” as reproduzisse. Pede que lhe tirem da frente o papel e a pena. enquanto eu dialogava com o Espírito incorporado. certamente. produzido por médiuns de efeitos físicos. suporta as humilhações. fez o gesto de virar a capa. Lembram-se das cenas finais de “Libertação”? É a mãe que vai buscar o filho amado. escrito em belos caracteres de bronze. os Espíritos relutam em contemplá-las.Todo o livro estava em branco. tornam-se irrecusáveis. Cabia-lhe assinar o documento. para não contemplar mais aqueles olhos. A certa altura. a curta distância. um grosso livro. Com muita freqüência. esposas. fixando nele um par de olhos tranqüilos. enfim. não apenas para adensar as formas perispirituais de companheiros desencarnados. um recurso. as regiões da felicidade. Ele sabia que precisava abri-lo. a despeito deles próprios. as letras de um nome de mulher. Era. um dos médiuns começou a expelir ectoplasma. o Espírito viu. Fizera-o. com toda a sua intensidade e emotividade. Ela alcançara.. e impõem-se. Em outro caso. acima transcrito. Era a história de sua própria vida. cheios de amor fraterno. e agora revia o momento dramático. destacadamente. estou certo de que as mães ocupariam o primeiro lugar. ao passado. o Espírito acha-se tão profundamente condicionado ao clima vibratório mais grosseiro. para levá-lo ao reexame de seus atos. Às vezes. mas não se sentia encorajado. como verificamos no texto de André Luiz. que se torna necessário aos benfeitores utilizar ectoplasma. e procuram fugir das visões que. sobre a qual estava seu nome. vence tudo. provavelmente os de sua vítima. A primeira página estava em branco! Fez uma pausa e virou mais uma: também em branco. podemos pôr um ponto final nesses círculos viciosos. A lição era por demais óbvia: nada construíra naquela existência tumultuada. que buscam eternizar-se dentro de nós. filhos. Diz que matou uma santa. encadernado em capa de madeira. que ele sabia ser uma sentença de morte. sobre a mesa.

Quando já se encontrava na sarjeta.. precisamente. dizendo que tem de voltar para onde está. incontestado. por outro médium. que se desdobrou em aspectos inesperados e de profundas implicações. Revelou. . e por isso ele repete agora. Ela mesma ainda não está bem. Pouco falava nas suas manifestações. 187 às paixões do mundo? Vai ao seu encontro. desencadeou-se extenso processo. manifesta-se um Espírito feminino e conta a sua dolorosa história. procurou-o e foi repelida. Diz que tudo ruiu em torno dele. um dia. porque des- cobriu que. o âmago de sua problemática: foi abandonado. Em seguida. estávamos penetrando certos núcleos. Em caso semelhante a esse. porque algum delator. que não tem mãe. Com este caso.” Quantas vezes temos assistido a reencontros emocionados. porque é este. tomar suas providências”. semana após semana. havia contado a nós os seus propósitos e objetivos. no entanto. Ele a abandonara à sua própria sorte e ela enveredara pela degradação mais abjeta. Disse que ia passando por ali e resolvera fazer-nos uma visita. embalado pelo amor ao poder. Digo-lhe que as mães são seres humanos e. era merecer novamente a oportunidade de ser mãe. Ofereço-lhe a nossa ajuda. furioso. Nunca pudemos. também erram. de revolta e de impotência. Os séculos se passaram. de nosso conhecimento. Por algumas semanas. mas muito vaidoso. que o perturbou há duas semanas. — “Sou Matilde — diz ela — alma de tua alma. certa preocupação. agora. que nos ajudou. a despertar o valoroso Espírito que adormecera nas suas paixÕes. mãe digna. Foi. Nessa mesma noite. se fosse o caso. e “fomos mexer com a sua familia!” Dá murros na mesa. Ele se havia tornado muito importante na hierarquia eclesiástica. Mal suspeitava eu da demorada aventura que ali começava . à roda. como das vezes anteriores. Sofre muito e foi trazida somente para encontrar-se com ele. pri meiro aparentemente muito calmo e tranqüilo. numa descida sacrificial às difíceis regiões em que ele vive e sobre as quais reina. através de processos de regressão de memória. junto dele. dominado pelo ódio e espicaçado pela humilhação. Nada queria de especial: iria apenas observar-nos e. que nos velam de lágrimas os olhos! Lembro-me de um deles. me pegaria. observou- nos. por certo. Na semana seguinte não consegue mais manter-se calmo. por ela. também. com a sua presença amiga. apenas. Na vez seguinte suas preocupações estavam ampliadas. a pedir-lhe perdão. Tinha o poder de um semideus. que ela agradece. que já tinha sob seu controle alguns daqueles que dispunham de maior quantidade de “massa cinzenta”. por isso. a si mesmo. No passado. ajoelhada diante dele. mas começava a deixar transparecer. Foi mãe daquele que acaba de retirar-se. em particular. o Espírito consegue divisar a figura de sua mãe. tem a primeira visão de algo que muito o perturba. e ainda mergulhada nas dores do resgate. O Espírito vinha assediando-nos há tempos. a sua presença ali. Deixou no ar a ameaça ô partiu. Se pudesse. — Ele é bom — diz ela —. e tudo quanto ela esperava. no momento. Ele reluta e resiste. Ainda vê nele o filho querido de quatro séculos atrás. Está indignado. a seu ver. enquanto encarnados. também teve um encontro dramático com ele. Adormece e parte. te adotou por filho querido e a quem amaste como dedicada mãe espiritual. Manifestou-se. para mandar queimar-me vivo! Acaba em pranto. esquecer a ajuda daquela mãe humilde.. que. Oramos.

porém. dirijo a ela um pensamento de infinita ternura e gratidão. amigos e parentes acham-se presentes. dominados pela aflição. ouvi o diálogo através do tempo. Em tempos idos. recebeu. dizia. só ele está ausente. ajudar a libertar de suas angústias. que abandone aquela vida e venha para junto de seu coração. Estava. Basta um momento assim. 188 damos-lhe passes.. junto de Deus. fazendo mesuras. bastante lúcido. por fim. das quais não conseguira desembaraçar-se. porque se tratava de um caso em que o ódio concentrava-se direta mente sobre um de nós. de mais de oito séculos! Em conseqüência desse. Deseja ouvir dele próprio a negativa. em palavras simples. sua ternura infantil. o Espírito tinha um problema pessoal comigo. Quando conseguimos. cercados de sombras. — Não sou um desgraçado! De outra vez. com enorme respeito. entre a mãe amorosa. perdidos num dédalo de sentimentos confusos. despertar o amado companheiro. diante de nós. Todos estão juntos na família. e. Depois lhe diz que vai deixar o médium. nesse ínterim de . vagava ainda pelas trilhas da revolta e do rancor. a visita de um menino (teria sido seu filho ou neto?) que o desarmou com seu carinho. o Espírito viera dar uma ajuda. no caso de um companheiro de quem estávamos tratando. Respeitemos suas razões. e o filho que recusava obstinadamente o amor. sem-cerimônia. mas não se revelam à visão do Espírito manifestado. afinal. Bem que ela poderia também ter guardado certa mágoa de mim. continue a fazer seus bordados. comovidamente. também muito difícil. que não esquecera e sofria com a ausência do filho. Foi num desses pontos críticos do diálogo que outro médium me disse que um Espírito presente desejava dizer alguma coisa diretamente a ele. que usualmente são válidas: não teria ainda chegado a hora do reencontro. de recordação. Numa dessas oportunidades. de amor. autoritário e empolgado pelas suas idéias e pelo seu rancor.. em silêncio. ele não mais resiste: — Tenho mãe! — diz ele. O problema era extremamente difícil. não o teríamos alcançado. Eles ainda se julgavam deuses. fez uma saudação: — Divino! Divino! E o médium dobrava-se sobre a mesa. de ternura. à Mãe Santíssima. de b raços estendidos. pois seu caso ali é outro. Não está convencido de que ele a recuse. ainda trazia ressaibos de ironia. para que a luz penetre o coração angustiado desses queridos companheiros. Que ela não se meta. Elevei meu pensamento em prece e. para aconchegá-lo junto ao seu coração. pelo qual lhe está falando. porque estava achando impossível viver sem o ódio e a vingança. Ele se mantinha irredutível. Mesmo assim. Em outro caso. o Espírito. seus apelos. Servira aos imperadores romanos. num caso a que já me referi alhures. com infinito carinho e humildade. E ele diz que não a quer mesmo. agora. Ora. e de outros desenganos. Pede-lhe ela. pois minha presença obviamente reanimava nele as antigas paixões e frustrações. porque fui um dos agentes de sua angústia. Ao manifestar-se. porque estou certo de que. Era questão antiga. para o seu colo. mas não teve para mim uma palavra de censura ou de amargor. fora um dos principais instrumentos dos terríveis desvarios daquele a quem desejava. expondo o seu problema e as suas dores. Era sua mãe. sem o seu concurso. De outras vezes. Ela lhe lembra as velhas cantigas e aquele tempo em que ele orava no quarto. precisamente aquele que se incumbia de doutriná-lo e esclarecê-lo. Informou-me de que. saltando.

Diz-me uma palavra de muito afeto e anuncia que ficaria ali. movimento. pois não chegara ainda o momento de apresentar-se à sua visão. na antiga Roma. que era a doutrina melhor. estava ainda preso a eles. através dos tempos. só que agora. mas continuam sendo projeções. com inesquecível toque de autenticidade. e de trazê-los ao ambiente do trabalho. em recentes ou antigas encarnações. num impulso de paixão e ciúme. também. Lamenta a perniciosa influência q ue exerceu sobre os seus soberanos. que precisa de muita ajuda e compreensão. disse-me. De outras vezes. Despedimo-nos com uma palavra de afeição muito sincera e amiga. como explica André Luiz. Eu deveria fazer isso. que sabia dos planos. Digo-lhe que precisa. conserva va-se. quer se encontrem endívidados ou redimidos perante a lei. é necessária a presença real dos Espíritos ligados aos manifestantes. Bastava dar-lhe a impressão de que a decisão tomada fosse dele. animado por meio de recursos retirados. Quanto ao Cristianismo. Eram pobres criaturas desequilibradas. ainda. muito embora sabendo que era longo o caminho a percorrer. ainda que estejam encarnados. As vezes. compreensão e simpatia. aqui mesmo. mas como a um Espírito infeliz. mas ele. e cujo olhar não mais esquecera. e que não iria ser nada fácil. Por isso. emoções. naquele tempo. Aqueles olhos lhe penetravam as mais profundas e ignotas camadas do ser. Este Espírito deixou em mim uma sensação de fraternidade. agora. açulando-lhes paixões aviltantes. com cenários. ou através de outro médium. que métodos e recursos empregarão os nossos mentores espirituais. invisível ao seu antigo chefe. Já vimos. tivera outras encarnações. na sua nobre tarefa de despertar os companheiros que permanecem hipnotizados às suas angústias. para o bem. muito respeito com o trabalho dos nossos mentores . 189 quase dois milênios. para poderem impressionar seus sentidos. dos presentes em torno da mesa de trabalho. Eles se apresentam aos seus olhos. à minha direita. cores. Conhecedor de suas próprias aflições interiores. ou se tornam semimaterializados. caso em que o Espírito manteve o diálogo com a antiga esposa — no momento encarnada — que ele assassinara na Idade Média. sons. no entanto. utilizam-se da projeção fluídica. já sabia. mas formados com “material” sacado do subconsciente do Espírito. É preciso. mais pela presença de suas vibrações pessoais. não. mas rejeitou-a deliberadamente. a respeito da próxima encarnação de seu antigo chefe. persona gens. do que pelo mero apelo da memória. porque não lhe convinha. fácil de conduzir. é claro. estava perfeitamente lúcido e consciente do que fazia. Nos casos em que essa presença se faz indispensável. Nunca sabemos. não como a um poderoso. Os quadros são apresentados com todo o seu vigor e realismo. pois. desarvorado e sofredor. enquanto ele o fizera para o mal. que “ele” era uma criança grande. pois. Promete ajudar e diz que o que o salvou foi a visão de um homem pregado à cruz. não obstante. conversam com eles diretamente. ao lado. consciente e disposto a corrigir-se. Poderia perturbá-lo. utilizando o poder dos Césares para promover seus interesses inconfessáveis. já assentados. Antes de desligar-se do médium. E me diz. em vista da profundidade a que descera. Esses quadros exibem figuras humanas. os benfeitores espirituais incumbem-se de localizar os Espíritos ligados ao irmão que precisa de ajuda. encarar seu antigo amo.

dos méritos. Baste-nos a alegria do dever cumprido. tranqüila. mas pelo esforço que empregamos em atingi-los. não obstante. mesmo naquIlo que lhes cabe fazer. a inspiração. para melhor dominar e impor as suas condições. ao Espírito manifestado. assistir a tudo sem espírito crítico e sem a necessária vigilância. muito atentos. no entanto. Para isso. de certa forma. Naturalmente que. . para autorizar-nos a precipitar qualquer situação. de que tanto nos falam eles. estejamos tranqüilos: tudo será feito. mas nosso conhecimento é muito limitado. Sabem eles. por nós. com todas as opções e alternativas previamente examinadas. durante os desprendimentos. acompanhando-os em excursões pelo mundo da dor. seria arriscado segui-los confiadamente. amparam-nos nas horas de incerteza. identificados como autênticos trabalhadores do Cristo. que infalível só é a visão divina. um componente de incerteza. tudo fariam sem nós. ajudam-nos nos momentos de fraqueza e de desânimo. naturalmente. Estejamos. precisamos (especialmente o doutrinador) estar com as antenas psíquicas permanentemente sintonizadas com os trabalhadores invisíveis. É certo. não tentemos forçá-la. Não é tudo que eles podem fazer por nós. aquilo que nos compete. participamos de algumas fases do planejamento e dos contactos realizados no mundo espiritual. que somos julgados não pelos resultados que alcançamos. às vezes. pois. Se. a nossa posição é de ativa expectativa. Não estão manipulando mecanismos cibernéticos. porém. como crianças timidas e ingênuas. não nos envaideçamos com o resultado do trabalho realizado: cabe muito pouco. ali presentes. as sutis instruções que nos ministram. que há sempre. por outro lado. Eles nos assistem com desvelado carinho. Enfim. E. 190 invisíveis. pois há Espíritos ardilosos. São eles que nos preparam o trabalho. poderá ser sutilmente envolvido pelos ardis das sombras. os recursos e a sua presença cons tante. Procuremos respeitar-lhes o planejamento e a execução. Isto não significa que devamos cruzar os braços e deixá -los fazer tudo. Se os companheiros dele. dotados de livre-arbítrio. porém. mas não podem fazer. e que não se deixarão conduzir pela mão. pois a visão que têm dos problemas suscitados é incomparavelmente mais ampla do que a nossa. que se apresentam revestidos de peles de mansos cordeiros. dão-nos o apoio. mas cuidando de seres humanos. também ignoramos. Eles sabem. bem como a segurança com que executam suas tarefas. Mesmo o grupo mais bem ajustado. por exemplo. a nós. de seres encarnados. embora não infalível. integrado num trabalho sério e fecundo. muitos deles nossos antigos comparsas. definitivamente. pois. de falha. É claro que os trabalhadores da seara do amor precisam de nossa colaboração. depois. Uma vez. muito bem dotados intelectual-mente. ainda não é chegado o momento de exibir uma projeção fluídica. com passes e sugestões verbais. devem ser exibidos à sua visão. do contrário. desde o planejamento cuidadoso até o último pormenor da execução. através da intuição. Quanto à tarefa que lhes cabe. para captar- lhes. deixemos à sua iniciativa a condução dos trabalhos. imprevisíveis e. que não poderão garantir o resultado. em nós. Antes que inspirem essa confiança em nós. segura. de descuido. que eles demonstrarem seus conhecimentos e sua capacidade. que pode pôr tudo a perder. naquilo em que os nossos compromissos e erros passados nos sintonizem com os companheiros desarvorados. ou não.

servido de humildes e imperfeitos instrumentos da pacificação. 191 a doce felicidade de ter. . uma vez mais.

com a voz no tom normal. a sensibilidade do doutri nador o advertirá de que o manifestante começa a ceder: sua cólera esvaziou-se. seu Espírito parece cansado e disposto a uma acomodação. irá compreendendo que não precisa gritar seus argumentos. só que. De certo ponto em diante. adverti-lo de que não precisa “converter-se” à nossa crença. aos queridos companheiros desatinados. Encontra-se ainda convicto da justeza de sua posição. desejando-o intimamente. A cólera passa. murro contra murro. uma vez despertado para a realidade. pensando apenas no que nos dirá a seguir. pois é muito difícil sustentá-la indefinidamente contra quem não nos oferece resistência. Antes disso. pelo menos. para entrar na fase de doutrinação propriamente dita. É hora de fazer um apelo para que ele se detenha um pouco. aos nossos princípios. esbravejando. porém. Não iludi-lo com a paz imediata. aos poucos. não signi fica que já esteja resolvido o seu problema. É preciso ter paciência e esperar. proferindo ameaças terríveis. que ele sabe muito bem ser impossível: a luta continua à sua espera. Nesses casos. tentando mostrar-lhe a inutili dade de seu desesperado esforço de lutar contra Deus e. Espíritos muito agressivos e violentos manifestam-se. abre-se uma perspectiva de entendimento. para dirigir o seu pensamento para a sabedoria eterna do Evangelho. se o tentarmos. sua palavra não tem mais aquele fator de convicção. dando murros na mesa. costumo dizer. porque ele só deseja gritar. para ele. ou ele não nos ouvirá. ameaçador. o doutrinador deve abandonar sua técnica de contestação e argumentação. de reduzir o volume de seu vozerio. O fato. É preciso esperar que o vagalhão impetuoso do rancor se desfaça. irritadissimos. por si mesmo. contudo. temendo ser “dobrado” pelo doutrinador — o que é. Não é possível. ao contrário. ao mesmo tempo. O momento é oportuno. que só grita aquele que não tem razão. e a batalha verbal poderá ser muito longa. e. ou inconscientemente. Por este motivo. Não que só agora seja possível falar-lhe do Cristo: éque só agora os . argumentar com eles. Se opomos resistência. a explosão é inevitável e o dano pode ser irreparável. para pensar. o Espírito deve ser recebido com respeito e carinho. Se a conversa for bem orientada. Mesmo irritado. é a partir desse ponto que começa a fluir o diálogo que poderá levar-nos a um entendimento com ele e ao seu eventual despertamento. já é possível uma conversa entre dois seres civilizados. a argumentação é inútil. Não que ele o reconheça nesses termos. mesmo que ele esteja bem longe de entregar-se à verdade. falaremos juntos. contra seus próprios interesses pessoais. Aos primeiros sinais de que a reação salutar começou. são tão importantes os primeiros diálogos de cada manifestação. intensa e dolorosa como nunca. em altos brados. portanto. mas não opor grito contra grito. lutando interiormente consigo mesmo. ele nos respeitará e. porém. nessa condição. Mas. pois insistirá e poderá ter ainda surtos de reação. ele poderá iniciar o período do sofrimento redentor e não daquele que ainda mais o mergulha nas profundezas do erro. também. É hora de falar-lhe com carinhosa franqueza. na praia mansa. uma humilhação — mas. 192 35 A CRISE O doutrinador precisa estar atento aos primeiros sinais de que o Espírito manifestante começa a ceder. Não ficar mudo ante a sua cólera. para que ele próprio —doutrinador — possa reformular a sua tática. de início.

Ele se debate entre os dois abismos: o passado e o futuro. Como sempre. do lado negativo da faixa vibratória da vida. não exclui o fato de que são Espíritos. estarão mais acessíveis. com o brilhante e combativo Espírito de um ex- inquisidor. alongar-se por outras oportunidades de manifestação e. com um desses companheiros desarvorados. eles estão realmente convencidos e prontos a mudar de rumo. pode ocorrer. O fato de permanecerem envolvidos em erros de julgamento aflitivos. mesmo nos mais valorosos Espíritos. Está. De qualquer maneira. o abriga da terrível realidade. aceitável.. também. ou lançar-se. não sabemos. A partir desse ponto. de certa forma. mesmo os mais violentos. aceitam um ou outro argumento nosso. aos braços da dor que redime? É preciso respeitar sua hesitação e assisti-lo no seu estado de pânico. que quase todos eles estão absolutamente convencidos de sua própria verdade. Mais do que nunca.Uma coisa é preciso reconhecer: você ora com sinceridade. a incógnita do porvir. não lhes reduz o conhecimento. a voz desce de tom. que perseguia sem tréguas uma pobre criatura. ele disse. até o momento. certa vez. mas que virão fatalmente a germinar. Terminada a rogativa ao Alto. de uma vez. como diz a expressão inglesa. a crise. um dia. começou a ceder. levarão no coração as sementes de um futuro. quando ele me perguntou. ao partirem. porém. para aquele que está convicto da legitimidade de seus . não lhes tira o valor. e chegam até a uma ou outra palavra de velada e timida afeição ou respeito. às vezes altamente qualificados e experientes. Não é fácil. um terrível e doloroso acervo de loucuras e desenganos lastimáveis. irritado: — Você é advogado dela? — Não — disse eu —. foi suspenso. Ao cabo dessa fase de maior receptividade aos pensamentos e à afeição do doutrinador. ou se apenas levam uma disposição para reexa- minar suas convicções. De um lado. Ou estavam. apenas — e isso é tudo — operam desastrosamente. Do outro. Sente fugir o terreno em que pisa. sobre o fio da navalha. se. a sensação de atordoamento é inevitável. Ambos o chamam. a meu pedido. a perder-se nas trevas do passado. ainda. Ë o momento mais dramático da manifestação: o Espírito começa a sentir que não terá forças para resistir aos apelos da Verdade. mas por ele próprio. então. ele a ouviu em silêncio. Que decisão tomar? Permanecer na faixa do erro que. Ele precisa saber que não estamos pelejando naquele momento. que pode ser próximo ou remoto. Um diálogo um tanto difícil. muitas vezes. certa vez. um sentido novo. ele deve estar certo da nossa absoluta sinceridade e do nosso afeto desinteressado. como se pensasse em voz alta: . pois a prece tem esse condão de fazer calar a imensa maioria dos Espíritos desajustados. obsessor. ilusões desastrosas e erros clamorosos. mas a batalha pode durar ainda muito tempo. para ele. 193 ensinamentos de Jesus começam a ter.. Temos que entender. Entre um mundo que rui e outro que ainda não construímos. Percebemos que a fase da aceitação chega por peque ninos e quase imperceptíveis sinais: começam a ouvir-nos com um pouco mais de atenção. a fim de que eu pudesse fazer uma prece. em explosões de luz. ambos o atraem. Argumentava eu. sou advogado seu! Sabem que esta simples frase o levou a ver-me sob nova luz e a aceitar- me? Daí por diante. mesmo assim. por uma causa ou pelos interesses de um obsidiado.

surge do passado uma lembrança esquecida. que conhecem e no qual podem esgrimir à vontade seus argumentos. Começa a crise maior. nada mais. Não está convencido. Acostumara-se ao poder incontestado. Faz pouco da minha inte ligência. mas que o mantém fortemente contido. gritava. mas concordou em não gritar mais e a não nos incomodar. mesmo. e acrescentou: — Poderia enganar você e dizer que estou convertido. o conceito da reencarnação. Volta a esbravejar. Na semana seguinte. o direito de escolha. pois. dava murros. pois acabou tocado pelo sentimento de afeição que encontrou entre nós. O doutrinador precisa estar preparado para situações assim. A decisão é difícil. Conhecem perfeitamente a sua condição de Espíritos desencarnados. voltou novamente agressivo e irritado. cesso a conversa e oro. cons ciente ou inconscientemente. o apelo de uma voz cariciosa. dali em diante. consideram “perigoso”.. Em primeiro lugar. A conversa mansa e a busca de entendimento não interessa aos seus propósitos. Certa vez. e procura acalmar- se. É honesto: responde com dignidade à nossa tentativa de aproximação e entendimento. a mandar. através do roteiro luminoso do amor fraterno. Desesperançado de arrastar-me para o debate estéril. mas com firmeza. mas acaba calando-se. Qualquer argumento que lhe apresente. pelos caminhos frios da mente que chegaremos a eles e. promete. a intimidar. São inteligentes e experimentados. tanto na carne. E é precisamente por isso que. é preciso considerar que nada temos a dizer-lhes que eles não saibam. Em segundo lugar. Quando menos se espera. o livre-arbítrio assegura-nos. de um ponto de vista vantajoso. recebemos um companheiro excepcionalmente violento e agressivo. pensar no assunto. Deixei-o falar. pular por cima da linha invisível que separa o bem do mal. está preso pelos pulsos por um laço fluídico. dizendo que estou me esgotando inutilmente na tentativa de dominá-lo. 194 caminhos. alegando que quase havia caído.. no campo puramente filosófico. interpondo apenas uma ou outra observação. para servir aos seus propositos e justificar sua filosofia de vida. como vimos nas próximas sessões. mas que conseguira reagir. a todos. por mais que se esforce. Ameaçava. Não . que ridicularizà à vontade. Não é. Estava ameaçando ceder. a imortalidade. É evidente que tenta. a fim de que o ímpeto do vagalhão se quebrasse contra a branca areia da paciência e do amor. sim. Claro que interpreta a minha calma como covardia. ameaçar. a existência de Deus. Tenhamos paciência e procuremos ajudá-lo a tomá-la sem precipitação. procuram arrastar-nos para o debate: terreno firme. Bem que se esforçou — diz ele — em mostrar-me o caminho: somente se deixaria convencer pela argumentação. porque está minado de imprevistos. reagir. Quando tenta reagir “físicamente”. agradeço sua lealdade e ele segue procurando atrair-me para o debate. mas não quero fazer isso. A certo ponto. a responsabilidade que assumiram perante a lei. Ele ainda insiste em falar e prosseguir o debate. ele o “vira” à sua maneira. com a sua presença. quanto no espaço. a punir. como já vimos. ainda. quanto ao campo sentimental. mas era ainda muito cedo para uma decisão final. por causa da nossa afeição. Afinal. Seguirá seu caminho de sempre. o clima da discussão é o que convém a esses irmãos atormentados. afinal. invisível a nós. o vulto espiritual de um ser a quem muito amaram.

o irmão entrou em crise e começou a monologar. e não que seja condenado a conviver com angústias que parecem eternizar-se. Chama-me de traidor. Ele sabe. a dar o passo final. muito carinho com as suas dificuldades. cujas perspectivas se abrem diante dele. — E vocês — dirige-se a companheiros invisíveis — com essas caras luminosas. a presença de antigos e esquecidos amores: mães. Ele está arrasado. Subitamente. Além do mais. do qual vai acordar a qualquer momento. terna-mente. nessa hora. ou pressente. seus temores. enquanto a crise se adensa e aprofunda. Confessa que. que nos ajudam na fase final da doutrinação. 195 tenho a menor intenção de dominá -lo e. Alguém. nesse momento. mas não sinto nele nenhum ódio: é apenas desespero. em seguida. o que o espera. de uma palavra de sincera afeição. em termos de resgates dolorosos. irmãos. chora. Dou- lhe prolongados passes. levá- lo. para esquecer. tentando sugestionar-se de que é forte e não vai “cair”. em crise. tem medo: está vazio e quer dormir. Apresenta-se completamente desarvorado. realmente em pânico. Está arrasado. Ainda reage. em silêncio reverente. com muita paciência. nunca falta. Depois de algum tempo. e diz que precisa recompor-se. Começa. Este irmão voltou mais uma vez. e informa. e depois esbraveja: — Maldito lago! As visões o atormentam implacavelmente. somente Deus saberá. seus desesperos. o amor indubitável do Cristo. mas ainda procura iludir-se. que o tira de cima do fio da navalha e o coloca no lado positivo da fronteira da nova existência. do amor fraterno. agora é que ele acordou de um pesadelo multissecular. mas que ele ainda não consegue lobrigar com precisão. Muito respeito pela sua crise. Digo-lhe que. desesperado. Num caso desses. pois seus soldados estão lá fora e não devem vê-lo naquele estado. amigos. que se estenderão pelos séculos futuros. que tudo está ruindo em torno dele e dentro dele. que deseja que o pecador se salve. de última hora. Diz que determinará aos seus guardas que me deixem passar li vremente. Por fim. É necessário assegurar-lhe. pela primeira vez. precisa. É o grande momento da compreensão. de elevada condição espiritual. É o lago abençoado em que pregara o Cristo. que estão aí me olhando? E para mim: — E você? Não diz nada? Só sei dizer duas palavras: — Meu amigo! Ele a repete. sim. ele se volta para mim — e isto me comove profundamente — e me propõe uma visita minha aos seus domínios. como temos visto. mesmo que ainda tente uma reação desesperada. uma mulher. da ternura. ao contrário. É preciso ajudá-lo. O Espírito. ele começa a gritar que não quer e não pode fazer aquilo. até onde e quando. — Você sabe — acrescenta — que eu não te farei mal algum. e parte. mas sente um arrastamento incoercível. enquanto fico ao seu lado. a ver cenas do seu passado distante. esposas. tentando convencer- se de que está vivendo um pesadelo. na semana seguinte. o . a presença infalível de Deus em nossas vidas. mais do que nunca. de despertar o seu Espírito. Este é o momento mais emocionante de todo o trabalho.

em corpos deformados. confessa a aflição que experimenta. da emotividade. e aqueles que o esperam. quando o Espírito fica sobre a linha. revolta ou deslumbramento. mas ele ainda reluta. agressivo e violento. Vem sempre acompanhada de profundas emoções. mas para fazer com ele. pela enormidade de seus desvarios. do afeto. Um típico exemplo desses. não para fazer por ele. Ele não pode mais contar com aqueles que pensava serem seus amigos. dedicava-se. segundo conceituação de um dos nossos companheiros. Não tente enganá-lo. para a proteção feroz da sua antiga organização ou do seu regime de irresponsabilidade pessoal. acenando-lhe com um paraíso imediato. Não se julga digno da afeição de Espíritos tão elevados. a oportunidade preciosa. sendo. senão para castigá-lo pela sua “fraqueza”. o impeliu a cometer tantos e tão graves desatinos. à pavorosa técnica do “crime religioso”. para alcançá-lo através do sentimento. ele teme vinganças cruéis. Não o force. de amor sem limites. para ajudá-lo. humano. Tivera o privilégio de viver na época do muito amado Francisco de Assis. temor. a quem conhecera pessoalmente. Em suma: a crise manifesta-se de muitas maneiras. não é um momento que o Espírito consiga viver com indiferença e frieza. como o de sua mãe. mas cuja mensagem. Seja simples. guie os seus passos vacilantes pelo novo caminho que começa a trilhar. contemplando as duas perspectivas — passado e presente — tenho-a num caso de que tratamos. ou então. dos . ante o inevitável. mencione a assistência espiritual que estará ao seu dispor. ou assusta-se ante a perspectiva de encarnações extremamente penosas. não conseguira ainda assimilar. com todo o poder de sua inteligência e de seus conheci- mentos. em pranto. Seus ex-comparsas não mais o receberiam. que o doutrinador não pode deixar passar. que ele sabe não estar ao seu alcance. que há tanto tempo o esperam. da coragem otimista. Pensa em pedir uma licença aos seus chefes e afastar-se. A essa altura. Destaque os reencontros espirituais com os seus amados. fora também um inquisidor. porém. as perspectivas da paz. vimos obrigar o médium a ajoelhar-se. por algum tempo. e o impediu de atender ao apelo de seus verdadeiros amigos. Coloque em seu coração a semente da esperança e mostre-lhe. mas dentro de certas configurações padronizadas: arrependimento. Era extremamente rebelde. Lembre a necessidade da prece constante. ele não os conhece muito bem. A um desses pobres irmãos desarvorados. diante da enormidade de suas culpas. Não o atemorize com ameaças. realista. cegos ou mutilados. ao contrário. o trabalho de reconstrução que o aguarda. Há. Não se esqueça de que a dor e o temor o atormentam. Ao despertar para a verdade. pois esse foi o clima em que viveu durante séculos. Está perplexo ante a cegueira espiritual que. mas procure não desperdiçar a ocasião de estimulá-lo a tomar a decisão que vai mudar sua vida. por conseguinte. amoroso. ele não pode mais voltar sobre seus passos. Trate- o com muito carinho. ou milênios. confiante. Além do mais. as que precipitam no arrependimento e no remorso mais patético. da confiança. por tanto tempo. Estas crises caracterizam-se pela revolta. do “trabalho”. que se manifestara com requintes de arrogância e ironia. rude. Julga-se um abutre sem remissão. Ofereça-lhe a sua ajuda. 196 espera no limiar da nova existência. sente diante deles uma vergonha mortal. não carregue nas cores do sofrimento que o espera.

no mundo das sombras. seria precisamente a de ajudar a recuperar os irmãos que ainda ficaram nas sombras. pela primeira vez em muito. de início. necessária. a seu ver. por uma ou outra palavra mais enérgica. segundo nos informa. 197 quais nem percebia a presença junto de si. Também eu lhe peço minhas desculpas. mais tarde. Digo-lhe que Deus vela por todos nós e que uma tarefa que poderia desempenhar. Pede que oremos por ele e que o perdoemos pelo tratamento que nos deu. . às vezes. Preocupa-se com aque les que liderava. com a sua agressividade. que. para o despertamento. ficariam agora ao abandono. Ele chora. E parte. muito tempo.

durante os desprendimentos do sono. ainda que não tenhamos condições de conhecê-las Num caso desses. No momento é o de que mais precisa. mas em tarefas de menor importância. para “prisões” e castigos. pois eles estão em boas mãos. este reencontro é proporcionado. Acham que. por certo. por esses discretos e competentes trabalhadores do Cristo. Cabe agora voltar-se para o outro médium e receber o novo companheiro. tratados pelo grupo. é levado a um local de repouso e tratamento perispiritual e mental. Ê que a primeira impressão dos que ficaram nas sombras é a de que nós violentamos a vontade do companheiro. É possível que a providência da reencarnação tenha que esperar mais tempo. Fora vê-lo pessoalmente. além da certeza de que os seus antigos amores acham-se novamente ao seu lado. transcende suas qualificações e possibilidades. Poderemos ainda prestar alguma colaboração no plano espiritual. por si mesmo. Certa vez. das quais nem tomamos conhecimento consciente a não ser excepcionalmente. Em raras oportunidades os mentores estabelecem contacto entre aqueles que se retardam nas trevas e os que tiveram a coragem de cruzar a linha. sob a direção de Espíritos especializados e altamente qualificados. após termos conseguido “conquistar” o seu líder. Geralmente. se fosse possível conversar com eles. podemos imaginar. Quase todos precisam de mergulhar em nova reencarnação o quanto antes e. os convenceriam a voltar à vida de crimes. um companheiro desarvorado manifestou-se em grande aflição. cessam os encargos do grupo mediúnico ao entregá-los aos trabalhadores dos planos superiores. de sempre. nos deixa? São muitos os caminhos que se abrem diante dele. agora. o trabalho bem dividido e especializado. com as cautelas que. começa o preparo. não lhe foi difícil verificar. ele se reunira com os demais companheiros. durante a semana. Em casos excepcionais. assim que estejam em condições. cerca de um ano antes. e contra a sua vontade. um dos nossos amados mentores utilizou-se do espaço de tempo que costumamos reservar para a mensagem final. e nem desejava voltar sobre seus passos. Mas. partiam. raros. tranqüi lizemo-nos e demos nossas graças a Deus. O mundo espiritual tem sua programação meticulosa. para mentalizá-lo e ajudá-lo no seu desespero. com o mesmo carinho de antigamente. para a reencarnação na Terra. porque havíamos feito “cair” o seu chefe e ele estava reduzido a um “trapo” (sua expressão). Trabalhadores espirituais competentes levam-nos para o repouso e a reeducação. mas esse estudo e planejamento não está mais na alçada do grupo mediúnico. levando-o à força. assim despertado. 198 36 PERSPECTIVAS O que acontece quando o Espírito. emocionada e belíssima. Em alguns casos. Em outra ocasião o manifestante disse-nos que. pois . Isto não quer dizer que a nossa tarefa estará sempre concluida nesse ponto. De modo geral. eles são trazidos para despedirem-se de nós. que não pode ser prejudicado com a interferência de curiosos ou de diletantes inexpertos. para uma prédica. para reassumir seu posto no mundo das sombras. A partir do momento em que os companheiros são recolhidos. a três Espíritos que. que o antigo chefe não fora obrigado a converter-se.

que acreditavam prisioneiro nosso. mas a nós. junto ao companheiro resgatado dos porões tenebrosos da dor e reconvertido à doutrina do amor. verificou seu engano e acabou também cedendo aos nossos argumentos. como um apelo do ex-comparsa. 199 interpretavam as vibrações de aflição. a participação — ainda que importante. porém. em certos casos — será mais modesta ou. encarnados. pelo menos. de outra natureza. Em resumo: o trabalho prossegue no mundo espiritual. . Logo. que dele recebiam. que não diga respeito especificamente ao trabalho mediúnico.

introduzira-se sorrateiramente em uma reunião que mantivemos. com os companheiros que se acham em tratamento e já tiveram uma ou mais manifestações no grupo. nem um conhecimento que nossa memória consciente não guarda. São inúmeras. e trabalho preparatório. quanto os Espíritos necessitados. muito mais amplo. com extrema atenção. Um desses disse-me. o pensamento do companheiro manifestante. certo de que ninguém ali sabia da sua presença. A atitude indicada é conservar-se na expectativa e acompanhar.. afinal. tanto os componentes encarnados do grupo. com os médiuns desdobrados pelo sono fisiológico. Depois descobriu que. certa vez: — Eu sei. não deve fingir que sabe de tudo. Ficara escondido atrás de uma coluna. e talvez mais afeito à organização mediúnica. naquilo que ele vai dizendo. Com freqüência ouvimo-los referirem-se aos encontros que mantivemos no mundo espiritual. ao contrário. a observar e ouvir. Durante a semana. ao reiniciar o diálogo interrompido na semana anterior: — Acho que dei um “fora”. no grupo encarnado. que o contacto direto com o corpo físico do médium poderia acarretar choques penosos e até perigosos. no entanto. Companheiros nossos por várias vezes nos têm falado de verdadeiras sessões mediúnicas que se realizam. praticamente tudo quanto formular no pensamento. ao manifestar-se. mas. não tão impetuoso e violento. Em casos como esse. ou seja. entre uma sessão e outra.. Por outro lado.. não apenas . pelo menos. A tarefa preliminar desenrola-se sob condições que ainda desconhecemos. Um deles me disse. a um ponto de reunião. porém. E contou o caso. embora de menor vulto. como vimos. ele terá que confessar sua ignorância. Você já me falou sobre isso no nosso encontro. o médium transmite. o Espírito está mais predisposto ao entendimento ou. O doutrinador tem que estar bem atento a esse pormenor. tencionava espionar a nossa reunião. nas horas mortas da noite. os mentores levam. as tarefas desenvolvidas durante a semana. Ao que tudo indica.. 200 37 O INTERVALO Muito trabalho. é preferível ser honesto e dizer ao companheiro que ele precisa lembrar-se de que os seres encarnados não costumam registrar na memória cons ciente aquilo que fizeram em seus desdobramentos. difícil e constante. Outros me perguntam: — Por que você me chamou aqui? É preciso estar preparado para uma resposta que não revele total ignorância e surpresa. Nestes casos. no Espaço. desenvolve-se no mundo espiritual. com aqueles que ele chamou de nossos “diretores”. Este trabalho preparatório é particularmente indicado para os casos em que os Espíritos a serem tratados acham-se de tal forma envolvidos em vibrações pesadas. Não se esqueça de que os Espíritos nessa condição “pensam alto”. a uma pergunta mais embaraçosa. É necessário lembrar-se de que o Espírito manifestante nem sempre está consciente do fato de que os encarnados esquecem-se do que se passa enquanto estão desdobrados pelo sono comum. entre uma sessão e outra: trabalho complementar. porque. durante os nossos desprendimentos.

. dirigidos pelos benfeitores espirituais. As peripécias seguintes da jornada não ficaram documentadas na memória do companheiro desperto. Alguns companheiros ficaram de fora. Uma ou duas semanas depois. manifestou-se no grupo: era um ser humano!. comecei a escapar-lhes. contendo já um pouco de sangue. Isto foi o princípio de um processo de regressão de memória em que se precipitou e ao qual me referi alhures. com extraordinária lucidez. mas. já no final dessa visita. sombria e agreste. grosso e escuro. Já narrei aqui um caso de zoantropia. Lembra-se ele. sendo perseguido por um grupo belicoso. com extremo cuidado. Esse irmão foi resgatado ao mundo tenebroso do sofrimento superlativo. Os mentores espirituais levam os encarnados. é muito intensa. um “branco”. e de que resultaria sua libertação.. enquanto milhares de formigas pretas e agressivas atacavam feroz- mente aqueles que se empenhavam na tarefa. mas écerto que. “algo” que traziam. enquanto os de dentro passaram para eles. depois. que fazia lembrar um jipe terreno. pois era até esperado. Via-os correrem desesperadamente atrás de mim. segundo apuramos. De outra vez. pelo menos. sem hostilidade. a uns poucos metros abaixo. resgatamos companheiros a serem doutrinados em futuras sessões. do qual nada me lembro. Há. no entanto. na semana seguinte. conseguiu preservar a lembrança fragmentária. como sempre acontece nesses casos. ou a descidas profundas e perigosas nos antros milenares da dor. Algumas semanas depois. pouco acima de suas cabeças. Na imagem das formigas agressivas. Vejo-me. As imagens eram as de um sonho comum. aquele ser. do uma cena fragmentária. ele estava profundamente modificado e até mesmo atônito. de trabalho. A certo ponto. às vezes. com enorme dificuldade. de debates e planejamento. ao despertar. Não sei o que foi feito e dito nessa reunião. cujo único acesso ao exterior era uma espécie de chaminé estreita. desceram e fizeram o resto do percurso a pé. Não sabia o que se passara com ele. que nos atacavam. em que o infeliz companheiro ficara reduzido à forma “física” de um fauno. aquele “algo”. que pingava no chão. numa incursão de que um de nós. nos intervalos das sessões. pararam. Nesse momento. ficou documentada a reação tremenda que desenvolveram para impedir-nos. a seguir. recordei-me. que tentava agarrar-me. que havia sido resgatado. neste livro. encarnados. aberta na rocha. Estava do lado de dentro de uma caverna. pois. Em certos grupos de desobsessão. Era como se eu levitasse. reduzido à mais abjeta condição humana. ao manifestar-se no grupo mediúnico. apresentou-se o “chefe” daquela região tétrica. encontravam-se em vasta região desolada. A indignação dos guardiães do pobre irmão foi inconcebíve l. de onde. enquanto eu me afastava.. senão que o haviam permitido. de algumas cenas ocorridas numa dessas incursões em território perigoso e agreste. para retirar de mim certa quantidade de sangue. que haviam alcançado numa “condução” rústica. . a reuniões de estudo. como se voasse. era figura importante para seus esquemas nefastos. nos braços. desprendidos pelo sono. no regresso. a atividade noturna.. Fomos recebidos no local — escuro e opressivo — com alguns sinais de cordialidade ou. mas disse que olhara num espelho e não se reconhecera. Os componentes do grupo. 201 sabiam que ele estava ali. Uma das criaturas — uma mulher — trazia nas mãos uma longa seringa. Perdera a noção da sua identidade pessoal. de extremo realismo.

em tais situações. que precisa ser abordado. durante os dias em que aguardamos as próximas manifesta ções. Nem sempre. o preceito evangélico que nos recomenda amar os nossos inimigos. eles assim se consideram. escreveu todo o relato. quando nada com as vibrações negativas de seu pensamento. precisamos ter a atenção voltada para os companheiros que se acham em tratamento no grupo. amorosamente. É hora de pôr em prática. os próprios benfeitores espirituais incumbem-se de condicionar-nos ao esquecimento. É claro que provocarão. pronto a emergir. Eles precisam de nossas preces e do nosso pensamento construtivo e amoroso. e procuremos devolver as suas agressões mentais com o nosso pensamento de afeição e carinho. também. onde também existe amor. ficam com os ânimos ainda mais acirrados contra nós. Lembremo-nos de que não o fazem por maldade intrínseca e irredutível e. A prece é o fio que realiza esse milagre. A qualquer momento que pudermos recolher-nos para a prece. em pactos que garantiam a uma parte muitos “sucessos” na vida material. Estava indignado. Precisavam do meu sangue para os seus “trabalhos”. de qualquer maneira. 202 numa incorporação mediúnica. sim. novamente.. em nós. A meu pedido. que receberam o primeiro impacto de uma incorporação e doutrinação. .. As vezes. Estão convencidos da legitimidade de seus propósitos e da nossa posição de intrusos. e do sangue de nossos companheiros encarnados. o que muito nos serviu depois. Embora não os consideremos como tais. Não podemos esquecer-nos de que os companheiros desarvorados. de tole rância e paciência. para onde nos levam. com grande precisão e detalhamento. nos lembramos de tais. Ele veio disposto a arrebatar- nos o sangue. também. com nossos maiores. às vezes. Ficam apenas as linhas mestras das instruções recebidas. nas instituições especializadas do Além. dado que a recordação poderia prejudicar-nos de alguma forma. no aproveitamento desses intervalos entre uma sessão e outra. mas com fervor. no entanto. implorando a Deus que os ajude. que se imprimiram nos nossos arquivos perispirituaís. a troco de favores. Sem dúvida alguma tentarão criar-nos dificuldades. conservar a lembrança delas. companheiros competentes e seguros. mas. Um de nossos médiuns conseguiu registrar. Envolvamo-los numa atmosfera de amor e compreensão. das cinzas de muitos sonhos e das sombras de muitas agonias. episódios. também. Como as sessões se realizam. aqueles que já se acham recolhidos. Só a prece pode socorrer-nos. em potencial. é o da prece. porém. sensações de angústia indefinível. não apenas aqueles que ainda não foram “convertidos”. para tratamento. enquanto ainda bem vivo na memória. o evidente domínio sobre seus espíritos. Outro aspecto importante. com amor. essas incursões são. Por outro lado. tanto quanto necessitamos do apoio dos nossos benfeitores. e à outra. que nada têm a ver com os seus problemas pessoais e os seus planos. ou de símbolos. Durante a semana toda haveremos de sentir-lhes a presença ou as “mensagens” vibratórias de seus pensamentos hostis. depressão e desânimo. que lhes ilumine os corações. Eu ficaria surpreso — disse — se soubesse daqueles que o haviam doado espontaneamente. uma vez por se mana. Oremos por eles. mal-estar. com toda a convicção. usualmente. Ê difícil. no mundo superior. que lhes mostre a verdade. por desconhecimento e defesa. uma dessas incursões. porque eu havia escapado. a fim de podermos assistir a reuniões de estudo e planejamento. ou ao trabalho. sob a forma de frases soltas.

não está preparado para essa tarefa. que havia interceptado meus “telefonemas”. Inúmeras e repetidas vezes temos presenciado o seu poder invencível. Muita gente ainda não descobriu que a essência dos “milagres” evangélicos é o amor. Outros se confessam paralisados. oremos por eles. ao manifestar-se pela segunda ou terceira vez. já mencionado. não estava apenas acenando com uma visão quimérica. certa vez. ou que somente puder amar aqueles que o amam. ele se projeta ao longo dos dias e segue nas realizações da noite. invariavelmente. A “telefonista” recebera-os em seu lugar. Para resumir e insistir num ponto. para que fôssemos bonzinhos — Ele nada disse que não se conformasse com as suas íntimas convicções. neste livro: o trabalho de doutrinação não se resume às poucas horas em que conversamos diretamente com os Espíritos incorporados aos nossos médiuns. quando. pelo menos naquilo que fora deliberadamente dirigido para ele. em pensamento e ação. atenta a pequenos detalhes. a quem muito devemos. Não é difícil. Imaginemo-los como companheiros muito queridos. É extraordinário o poder da prece. o irmão atormentado. Com freqüência impressionante o são mesmo. mas sua referência provava que ele tomara conhecimento da minha atividade mental e emocional durante a semana. O amor é realmente milagroso. A tarefa dos seres encarnados. Quando o Cristo disse que um dia poderíamos fazê-los também. Às vezes. nos contactos e nas tarefas que se desenrolam no mundo do Espírito. acompanha mos nossos mentores. parceiros de antigas lutas e até credores nossos. com muito amor mesmo. que poderiam passar despercebidos. antevisões e experiências. mas que se revelam subitamente de enorme importância na decifração do enigma que esses amados companheiros trazem em si e q ue não podem resolver sozinhos. o instrumento daqueles que querem realizá-lo. e a prece. desmandos de toda sorte. além de irmãos. .. filhos. num grupo mediúnico de desobsessão. 203 especialmente nas horas e locais em que costumamos meditar. Aquele que não souber amar sem reservas.. Não conseguem mais raciocinar com clareza e levar avante os projetos em que estavam empenhados: perseguições. miraculoso. mostra-se extremamente “perturbado” pelas nossas preces. alhures. A doutrinação é um ato de amor. Um deles disse-me. Mantenhamos uma atitude vigilante. construtiva. Um deles me disse. Diria. é pouco mais que isso: assistirem à constante realização do milagre sempre renovado do amor. irritado: — Você vive rezando. obsessões. que serão sempre. em desdobramento. não fosse tão abusada essa palavra extraordinária. mesmo.

ocupa cerca de meia página (perguntas 200 a 202). que não devem ser ignoradas. mas. afastar a densa cortina que encobre o futuro. que nenhum sentido ou ligação parecem ter. Na verdade. A incoerência dos sonhos ainda se explica pelas lacunas que apresenta a recordação incompleta que conservamos do que nos apareceu quando sonhávamos.” Ao cuidar. ficou bem claro. segundo seus interesses e afinidades. ficou documentada uma referência sumária àatividade desenvolvida pelos componentes do grupo mediúnico. do sonambulismo. em Kardec. mais adiante (questão 425). no opulento acervo de informações que nos transmitiram André Luiz. concluímos ser muito intensa a atividade do espírito parcialmente liberto pelo sono natural ou provo cado. Emmanuel. ocupam 23 páginas. É como se a uma narração se truncassem as frases ou trechos ao acaso. durante as horas de repouso. que contém importantes conotações. 204 38 SONHOS E DESDOBRAMENTOS Páginas atrás. nesses estados de libertação parcial. sempre que pode. e que a atividade desenvolvida. que mais independente se torna pela suspensão da vida ativa e de relação. os ensinamentos recebidos. Nesse estado de liberdade parcial. pelo acesso aos arquivos da sua memória integral. As singulares imagens do que se passa ou se passou em mundos desconhecidos. no capítulo 8º. em situações especiais. os fragmentos restantes nenhuma significação racional teriam. em “O Livro dos Espíritos”. O mesmo interesse encontramos nas obras mediúnicas em geral. que é um estado de . da oportunidade de escapar da prisão corporal. por exemplo. É nesse estado que ele consegue entrar na posse de algumas das suas faculdades superiores. Por esses ensinamentos. A alma tem então percepçães de que não dispõe no sonho. Reunidos depois. o encarnado cultiva intenso intercâmbio com encarnados e desencarnados. Creio que é oportuno desenvolver um pouco mais o conhecimento desse aspecto. com satisfação. que o espírito encarnado aproveita-se. Bezerra de Menezes Manoel Philomeno de Miranda e outros. Enquanto a questão do sexo dos Espíritos. de maneira muito especial. estado em que maior amplitude adquirem suas faculdades. Daí lembrar-se de encarnações passadas e até mesmo. com palavras suas. quando o corpo encontra-se em repouso. os instrutorês conceituam-no como “estado de independência do Espírito. os problemas relacionados com a atividade do Espírito encarnado. Daí também a lembrança que traz à memória acontecimentos da precedente existência ou das existências anteriores. reflete-se nos sonhos. é que formam esses conjuntos estranhos e confusos. Essa importância ressalta do próprio tratamento que Kardec e seus instrutores deram ao assunto. entremeados de coisas do mundo atual. Kardec escreveu isto: “Os sonhos são efeito da emancipação da alma. Daí uma espécie de clarividência indefinida que se alonga até aos mais afastados lugares e até mesmo a outros mundos. através de médiuns de absoluta confiança e respeito. Resumindo. mais completo do que no sonho. através de sonhos e desdobramentos. como em sua aplicação prática aos trabalhos de desobsessão. não apenas em termos gerais de Doutrina. sob o título “Da Emancipação da Alma”.

duma trágica e dolorosa autenticidade. comparecem a esses núcleos de alucinação dos sentidos. dos riscos que corre o Espírito desatento e desprevenido. na prece que precede o sono. por se encontrar este gozando do repouso indispensável àmatéria. deixam de receber as impressões exteriores. para que. ao despertarmos. até mesmo declarada-mente espíritas. aqui. para efeitos práticos. durante as horas do sono. e até mesmo a sessões mediúnicas. Em diferentes oportunidades. que não existe diferença entre o sonambulismo provocado e o natural. Para isto. nossos mentores têm-se referido às reuniões de que participamos. Esse estado se apresenta principalmente durante o sono. para não deixar dúvidas. Bem sabemos... enquanto o espírito se acha desdobrado pelo sono. o segundo. de onde resgatamos seres alucinados de dor e desorientação. Lembranças residuais dessa atividade permanecem em nossa memória de vigília. também. pelos informes da Doutrina Espírita. Os autores espirituais de “O Livro dos Espíritos” foram ine quívocos nesse. com incorporação e doutrinação. em que se desenvolve a tarefa mediúnica propriamente dita. achando-se de certa forma em estado de catalepsia. o Espírito está na posse plena de si mesmo. como em todos os outros pontos de seus ensina mentos. Isto significa. “. hoje. enquanto estes repousam. como “reformulações”. vão. ou aos centros de irradiação de doutrinas nefastas que tentam. onde os chamam velhas afeições. desta transcrição. enquanto dormem.. como. tão logo lhes seja possível apossarem-se de organizações terrenas que lhes forneçam a base de que necessitam para os . O planejamento e o preparo das sessões é todo feito no mundo espiritual. às incursões no submundo do desespero. é mais intensa e extensa do que o curto período de uma hora ou duas.” (Destaques meus. Aqueles que se sintonizarem com as faixas inferiores. em lugar de colaborar. ou fundam movimentos paralelos. mais funestas do que as que professam entre vós.) Acrescentam. procurar predispor-se positivamente às tarefas noturnas. implantar. Na verdade. mais ignóbeis. a experiência indica-nos claramente que a atividade em desdobramento. ou a mundos inferiores à Terra. “No sonambulismo — prosseguem —. Essa atividade é realizada por equipes bem adestradas e precisamos estar afinados com seus componentes. em tais desdobramentos. sob a direção de competentes e dedicados servidores do Cristo. “modernizações” e “atualizações” da Doutrina Espírita. recomenda-se que. que os companheiros desencarnados que orientam os trabalhos dos grupos mediúnicos dispõem de amplas possibilidades de colaboração da parte dos componentes encarnados. tal como aqui. não resulte nossa canhestra interferência em agravação de suas dificuldades. portanto.) Muitos ignoram como isso é autêntico.. coloquemo-nos à disposição dos nossos amigos espirituais para as humildes tarefas que estiverem ao nosso alcance realizar junto deles. entre os encarnados. ou em busca de gozos quiçá mais baixos do que os em que aqui se deleitam. 205 sonambulismo imperfeito”. e é de utilidade ao trabalho mediúnico observá-las com atenção e interesse. Companheiros encarnados. Os órgãos materiais. ocasião em que o Espírito pode abandonar provisoriamente o corpo. e peçamos a proteção divina para toda a atividade a desenrolar-se além das fronteiras da matéria bruta. Vão beber doutrinas ainda mais vis.” (O primeiro destaque é do original. entre nós. ainda.

é a mente suscetível àinfluenciação dos desencarnados que. tudo muito sutil. porque qualquer empolgamento já é suspeito. fatos esses sempre organizados pelos mentores espirituais de elevada hierarquia.) os resultados de seus próprios excessos. Cuidado. ofertando-lhe auxílio eficiente quando se mostre inclinada à ascensão de ordem moral. então.) Atenção. que lhe favorece a estagnação na preguiça ou a envolve nas obsessões viciosas pelas . gratos. em “O Consolador”.. em “Evolução em Dois Mundos”. pela solução de um caso particularmente difícil e delicado. pois. lhe visitam o ser. selecionado. mas sóbrios. evoluídos ou não. No que diz respeito ao trabalho específico da desobsessão. Mesmo nos momentos de maior alegria. todo cuidado é pouco com a atividade em desdobramento. que se praticam as mais lamentáveis formas de lavagem cerebral e hipnose. ou sugando-lhe as energias e assoprando-lhe sugestões infelizes quando. É lá. equilibrados. nessas regiões tenebrosas.. evitar a conclusão apressada de que todo sonho tenha algo a ver com o trabalho mediúnico que estejamos realizando ou que qualquer lembrança de atividade em desdobramento é aproveitável. “. padecendo a inquietação das vísceras ou dos nervos injuriados pela sua rendição à licenciosidade. eles se apresentam emocionados. recolhe (. por certo. em que a alma encarnada alcança elevada porcentagem de desprendimento parcial. adere ao consórcio psíquico de espécie aviltante. que precisa ser examinado.. com o material onírico. André Luiz adverte-nos. porém. a dissensão. pois. obedecendo a fins superiores. quando. quando. a fim de que não ponhamos a perder. se poderá verificar a comunicação inter vivos. É lá que se forjam pactos sinistros de apoio mútuo. com extremo cuidado e competência. É preciso. o sonho representa a liberdade relativa do espírito prisioneiro da Terra. e. quase imperceptivelmente. o desentendimento. atraidos pelos quadros que se lhe filtram da aura. Os companheiros espirituais mais responsáveis não agem à base de inconseqüências e entusiasmos injustificados. portanto. com elogios descabidos... quanto possível. como nos fenômenos premonitórios. com encontros com Espíritos que se apresentam sob identidades pomposas. dos riscos que o Espírito encarnado corre durante o desprendimento do sono. é lá que são programados. quando não seja o asfixiante pesar do remorso por faltas cometidas. quando as forças orgânicas dormitam em repouso indispensável. a princípio. cujos reflexos absorvem do arquivo em que se lhe amontoam as próprias lembranças. as visões proféticas. nas horas em que repousa o nosso corpo físico. e quando o encarnado em temporária liberdade pode receber a palavra e a influência diretas de seus amigos e orientadores do plano invisível. Em determinadas circunstâncias. criticado e aproveitado com prudência.” E mais: “Numa e noutra condição. os pobres instrumentos humanos que regressam ao nosso meio para espalhar a discórdia.. questão 49 — o sonho constitui atividade reflexa das situações psicológicas do homem no mecanismo das lutas de cada dia. pela própria ociosidade ou intenção maligna. ou nos de sonambulismo. contudo. com “revelações” sensacionais. 206 seus propósitos. — “Na maioria das vezes — esclarece Emmanuel.” (Destaques meus. em que se envolvem tantos companheiros promissores. com “mis- sões” importantes. as modestas conquistas que porventura tenha mos conseguido realizar na vigília. todavia. serenos.

de “Mecanismos da Mediunidade”. em enfatizar que o assunto merece cuidadoso estudo. na Crosta — observa Sertório. Com freqüência. Insistimos. com real proveito para o nosso trabalho e. A prece será sempre boa conselheira.” (Destaques meus. essas horas. em preciosos instrumentos dos Benfeitores da Espiritualidade. por falta de educação espiritual. Infelizmente. temor. imobiliza os esforços. em “Missionários da Luz” —. André Luiz assegura-nos que podemos ser adestrados para essa atividade. diante de qualquer impressão em desacordo com os seus movimentos rotineiros. inconscientemente. contudo. longamente sopitados durante a vigília. não temos bastante consciência dos serviços realizados durante o sono físico. diante de semelhante gênero de tarefa. O temor pa- ralisa. É preciso vencer a inibição inicial e caminhar. procuram instintivamente o retorno ao vaso carnal. Se todos os homens prezassem seriamente o valor da preparação espiritual. sim. em romagens de serviço edificante fora do carro de matéria densa. uma observação ainda parece oportuna e necessária. pois. logicamente. a maioria se vale. Relaxam-se as defesas próprias e certos impulsos. Habituados à orientação pelo corpo físico. que estuda o sono. Do ponto de vista do espírito. nos domínios psíquicos. por exemplo. Cautela. Por outro lado. para o nosso desenvolvimento espiritual. não é só isso: — “Quando encarnados.) Aliás. a par de recomendações óbvias.” (Des- taques meus. 207 quais se entrega a temíveis contratos com as forças sombrias. efetuam incursões nos planos do Espírito. cuidado com a alimentação. ante qualquer surpresa menos agradável. seria bom reler todo o capítulo 11 — “Desdobramento em serviço”. em “Nos Domínios da Mediunidade”: . à maneira do molusco que se refugia na própria concha. advertências muito pormenorizadas sobre a responsabilidade do trabalho que se realiza nas chamadas horas “mortas” da noite. extravasam em todas as direções. esses trabalhos são inexprimíveis e imensos. esta observação. ainda mesmo quando ligados a envoltórios infe riores. profundas meditações e cautelosa aplicação prática. Antes de encerrar estas notas. atenção com a saúde do corpo físico.) Ouçamos agora Aulus. do que as de vigília. nossos médiuns contam-nos episódios em que . certo efetuariam as conquistas mais brilhantes. o sonho e o desdobramento espiritual. transformando-se. que considerável número de pessoas. que ressaltam dos textos que examinamos aqui.” (Destaques meus. Vejamos. tanto quanto o capítulo 21 — “Desdobramento”. verdadeiramente sentida e vivida. e de outros que o leitor descobrirá: vigilância com os próprios hábitos diários. na ansiosa expectativa. para servir melhor. não.) Não faltam. não nos deve atemorizar o vulto de tais responsabilidades.” (Destaques meus. na esfera de fenômenos inabituais.) Mas. pois. já nos parágrafos finais do capítulo: “É imperioso notar. porém. como oficiais de ligação entre a esfera física e a esfera extrafísica. não resta dúvida de que são mais vivas. desejo de aprender. muitas vezes. principalmente as que se adestraram para esse fim. porém. pois as responsabilidades envolvidas são enormes. dessa obra.“Raros Espíritos encarnados conseguem absoluto domínio de si próprios. do repouso noturno para sair à caça de emoções frívolas ou menos dignas.

Eu sabia. em “Nosso Lar”. ou preferimos a estrada que sobe. sempre que para isto se prepararam devidamente. é a que se desdobra para além dos nossos grosseiros sentidos físicos. 208 participaram de trabalhos no plano espiritual. É possível. nossos médiuns compareceram a reuniões de instrução e funcionaram mediunicamente. porém. Aproximemo-nos com respeito da hora em que nos preparamos para adormecer. em modestas posições de meros aprendizes. Em casos de meu conhecimento. cansados das lutas do dia. afirmava-se cada vez mais intensa. Depende de nós a decisão: vamos pela escura e tortuosa viela que desce. Isso é perfeitamente possível e tem o decidido suporte da experiência. por exemplo. não é a que se realiza em torno da mesa. participamos de tais atividades. perfeitamente. André Luiz. Os companheiros que nos estão esperando podem ser aqueles que nos arrastam para os porões escuros do desvario. ou separado dele definitivamente. no dia da sessão. ou os que nos guiam os passos incertos nas trilhas do bem. Minhas noções de espaço e tempo eram exatas. como. desdobrados.” (Destaques meus. depois de já desdobrado do corpo físico. Tenhamos cuidado para não comprometê-los com o nosso despreparo e a nossa incúria.) Disso tudo podemos sumarizar uma observação final: a maior parte do trabalho mediúnico. também lá. por sua vez. reta e iluminada? . nos quais funcionaram como médiuns. ao encontrar-se em plano muito elevado. pela desencarnação? Não temos o direito de pôr sob suspeita o testemunho de alguns companheiros de confiança. capítulo 36 — “O Sonho”. Aqui e ali. em companhia do luminoso Espírito de sua mãe: “O sonho não era propriamente qual se verifica na Terra. A riqueza de emoções. um desdobramento. transmitindo mensagens de outros planos. enquanto nosso corpo repousa. e tinha absoluta consciência daquela movimentação em plano diverso. em “Nosso Lar”. que deixara o veículo inferior no apartamento das Câmaras de Retificação.

de que ele é mesmo um depoimento pessoal. mas suficientemente flexível. mas seus métodos têm que ser suficientemente ágeis. O trabalho de doutrinação. indiferença ou comodismos. sob a qual possam contemplar suas im- perfeições e empenhar-se em alijá-las do coração. a pressão assídua de companheiros em desequilíbrio. Nunca chegaremos a prever todas as situações que um grupo poderá enfrentar. é precisamente a perseguição indormida. em . em inglês (rescue work). dedicação constante. para que possa funcionar sem hesitações e interrupções. em termos espirituais. Levantar-se-ão contra ele forças obstinadas. na frieza clássica dos números. e até milenares. Assim. Seu objeto é o ser humano. chamado tão apropriadamente de trabalho de resgate. não são quantidades físicas de substâncias químicas. vigilância permanente. ele será implacavelmente assediado. campo de experimentações fraternas e escada por onde sobem não apenas os nossos companheiros desarvorados. estudar e repetir à vontade. além de suas finalidades e objetivos. sem prejuízo das tarefas que se desdobram. pela própria natureza das experiências que procura transmitir. no trato íntimo e permanente com inúmeros companheiros desencarnados. pelos companheiros espirituais. devem ficar bem definidos. na tentativa de fixar no papel alguns dos muitos ensinamentos amealhados. essencialmente humana. Citarei um pequeno incidente. seculares. só é possível em clima de total doação. por vezes. nada de ilusões: a medida de seu êxito. para destruí-lo. O grupo mediúnico é instrumento de socorro. pela razão. que tentamos redimir-nos na tarefa sagrada do serviço ao próximo. de profundo e sincero amor fraterno. Cada sessão é diferente. para as acomodações necessárias. fingimentos “inocentes”. cada manifestação traz uma surpresa ou um ensinamento novo. das medidas. de empatia. Perderam-se no emaranhado de suas perplexidades e não podem atinar sozinhos com a trilha que os leve para fora do poço profundo e escuro. Não há nele espaço para meias-verdades. usualmente em penoso estado de desarmonização interior. ferramenta de trabalho. É preciso criar para ele uma estrutura robus ta. Se o trabalho que lhe for cometido. de volta àluz abençoada do Senhor. em mais de uma década. revelar-se fecundo e promissor. aparentemente sem importância. aprendamos a lição que cada um deles contém e a incorporemos ao acervo da experiência. cujas reações podemos prever. Não me foi possível evitar que este livro se revestisse das características de um depoimento pessoal. mas subimos também nós. dos pesos. Os irmãos que comparecem aos nossos grupos mediúnicos estão em crises. desde antes mesmo de constituir-se. Nunca saberemos o suficiente em matéria de contacto com os nossos irmãos desvairados pela dor e pela revolta. que não hesitarão diante de nenhum recurso. dispostas a tudo para fazê-lo calar-se e dissolver-se. Por isso. É necessário que observemos com toda a atenção qualquer pormenor. O grupo merece e exige cuidados muito especiais. muito pessoal. 209 39 RESUMO E CONCLUSÕES Creio haver chegado ao final da tarefa que me impus. que me parece muito simples e válida. na fase de planejamento. Nossos amigos espirituais de há muito nos haviam prevenido de que. seus métodos de trabalho. o que o torna uma atividade do coração.

para o médium ela adquire as proporções de uma obrigação. qualquer página de “O Livro dos Espíritos”. Se sentir que não tem condições pessoais para doutrinar. fosse tão importante. na sala de trabalho. ele é apenas mais um trabalhador. O doutrinador não será jamais o sumo-sacerdote de um novo culto. observações que pas- saram despercebidas. como ficou dito e explicado alhures. O médium não deve dominar o grupo. . exigindo provavelmente esforço maior dos companheiros desencarnados. sem a participação do consciente. Segundo. mas porque até mesmo o próprio gesto de voltar-me poderia quebrar a continuidade da tarefa junto ao irmão incorporado. Um grupo. nossos companheiros em torno da mesa. por melhores que sejam as intenções. O aprendizado tem que ser constante. em clima de segurança e confiança. Primeiro. alguém precisa assumir a liderança. o doutrinador acumula as funções de dirigente encarnado dos trabalhos. no contexto de um grupo humano. deixássemos ultrapassar o horário de atendimento. a seleção dos médiuns é da mais alta importância. e leva-nos a esquecer recomendações e instruções importantes. o estudo é uma necessidade imperiosa. a ditar ordens. precisa contar com o respeito afetuoso de seus companheiros. Quem poderia imaginar que a mera posição de um relógio. Quanto aos encarnados. porém. dos companheiros espirituais. e verá que há sempre aspectos que você não havia ainda notado. e sim portar-se como um dos trabalhadores que o compõem. Se a recomendação de estudar sempre é válida para o grupo. não é despotismo. por mais que você esteja certo de conhecer bem a obra de Kardec. Por que a recomendação? Muito simples: não apenas a preocupação excessiva com o tempo pode desviar-nos do clima exigido pelo trabalho. Leia você. Muito bem. nem ser dominado por ele. ele é também gente. absoluta. Liderança. a mente divaga. o que não significa que a disciplina do grupo deva correr à matroca. para subsistir. 210 hipótese alguma. veio outra observação: recomendavam-me que procurasse colocar o relógio diante de meus olhos. então. leitor. Se for constituído à base de elementos inconstantes e inseguros. por várias razões. porque mesmo durante a leitura. já lidas no passado. a ponto de merecer advertência específica? Além de tais observações esporádicas. Além dos demais pontos críticos. a fim de que possam dar de si mesmos. deve atribuir essas funções a outros membros da equipe. como costumava fazer. infinitamente mais experimentados do que nós. e lemos trechos substanciais. Se ele é também o dirigente humano. a impor ritos e fórmulas mágicas. serão remotas suas possibilidades de sobrevivência e inseguros os trabalhos. O grupo tem que começar de maneira certa. O mesmo é válido para qualquer outro documento doutrinário sério. neste livro. ou de “O Livro dos Médiuns”. Redobrei o cuidado com o controle do tempo e. É fácil testar essa verdade. que julgue mais bem qualificados. objetivos e métodos. porém. Usualmente. ângulos insuspeitados. como um general em campanha. como as obras complementares. para que possam trabalhar todos em harmonia. porque nossa memória é falha. como um todo. para consultá-lo. pela simples razão de que. não são apenas finalidades. toda a atenção deve ser posta em selecioná-los. Encarnada e desencarnada. de forma que. bem como a maneira de tratá-los e inte grá-los no trabalho. Temos a tendência de julgar que sabemos mais do que realmente sabemos. não fosse necessário virar-me e tomá-lo nas mãos.

sempre o mesmo. creio que se referia especificamente ao amor em nós. por isso. De minha parte. são ilimitadas as nossas possibilidades de crescimento. e não apenas fingido ou forçado. de pronto. Quem poderá resistir? — “Se Deus está conosco — dizia o nosso Paulo — quem estará contra nós?” Se me fosse pedido o segredo da doutrinação. mas condições essenciais ao trabalho. o preceito evangélico do “amai-vOS uns aos outros”. no livro. dili cilmente reúnem-se todas as características desejáveis numa só pessoa. o único. tem que ser sentido mesmo. Jamais deixei de me surpreender com o espetáculo emocionante desse impacto. Assim. quando conseguimos transmutar-nos em amor. no qual nos doamos integralmente. somos irresistivelmente atraídos para Ele. no coração de um irmão que sofre. considero algumas dessas qualidades como apenas desejáveis. pelas trilhas do amor. no trabalho de doutrinação. O impacto do amor Sincero. “amai os VOSSOS inimigos”. que nos dá realmente a sensação de que o amor é um milagre que podemos realizar em nome do Cristo. Para o doutrinador. e outras indispensáveis. diria apenas uma palavra: — AMOR! Fim . estamos nos colocando no sentido e na direção que segue todo o Universo. tem que emergir das profundezas do ser. O amor fraterno. contentemo-nos em ser razoáveis e lutemos por adquirir as qualidades que nos faltam. Vemo-lo repetir-se a cada instante. para declamar aos Espíritos. quer o companheiro aceite ou não. e aquele outro. Ao criar-nos. E freqüentemente nos esquecemos de que uma fagulha do infinito é também infinita e. Parece que o Pai imantou com esse amor a nossa pequenina limalha e. lembrei por aí. sem dúvida alguma. Entre estas colocaria. por isso. 211 São rigorosas as especificações de um bom doutrinador. dizem os grandes instrutOres. e nunca nos cansamos de admirar a sua força positiva e construtiva. através do espaço infinito e do tempo imemorial. Deus colocou em nós a fagulha do amor. não são apenas frases bonitas. que não há doutrinadores perfeitos. a nossa entrega. em nossa miserável existência de seres imperfeitos. o amor. como vimos: * Formação doutrinária * Evangelização * Autoridade moral * Fé * Amor O grande ativador desses petrechos espirituais é. ante os companheiros que sofrem. Quando Ele falou a João que nós somos deuses. Por isso. éuma das coisas mais impressionantes e comoventes do trabalho de doutrinação. como um movimento irreprimível.