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DIÁLOGO COM AS SOMBRAS
HERMÍNIO C. MIRANDA

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ÍNDICE
DOUTRINAÇÃO E DESOBSESSÃO
INTRODUÇÃO

PRIMEIRA PARTE - A INSTRUMENTAÇÃO
CAPITULO 1 = O GRUPO

SEGUNDA PARTE - AS PESSOAS
CAPITULO 2 = OS ENCARNADOS
CAPITULO 3 = OS MÉDiUNS
CAPITULO 4 = O DOUTRINADOR
CAPITULO 5 = OUTROS PARTICIPANTES
CAPITULO 6 = OS ASSISTENTES
CAPITULO 7 = RENOVAÇÃO DO GRUPO
CAPITULO 8 = OS DESENCARNADOS - OS ORIENTADORES
CAPITULO 9 = OS MANIFESTANTES
CAPITULO 10 = O OBSESSOR
CAPITULO 11 = O PERSEGUIDO
CAPITULO 12 = DEFORMAÇÕES
CAPITULO 13 = O DIRIGENTE DAS TREVAS
CAPITULO 14 = O PLANEJADOR
CAPITULO 15 = OS JURISTAS
CAPITULO 16 = O EXECUTOR
CAPITULO 17 = O RELIGIOSO
CAPITULO 18 = O MATERIALISTA
CAPITULO 19 = O INTELECTUAL
CAPITULO 20 = O VINGADOR
CAPITULO 21 = MAGOS E FEITICEIROS
CAPITULO 22 = MAGNETIZADORES E HIPNOTIZADORES
CAPITULO 23 = MULHERES

TERCEIRA PARTE - O CAMPO DE TRABALHO
CAPITULO 24 = O PROBLEMA
CAPITULO 25 = O PODER
CAPITULO 26 = VAIDADE E ORGULHO
CAPITULO 27 = PROCESSOS DE FUGA
CAPITULO 28 = AS ORGANIZAÇÕES: ESTRUTURA, ÉTICA, MÉTODOS,
HIERARQUIA E DISCIPLINA

QUARTA PARTE - TÉCNICAS E RECURSOS
CAPITULO 29 = TÉCNICAS E RECURSOS
CAPITULO 30 = O DESENVOLVIMENTO DO DIÁLOGO. FIXAÇÕES.
CACOETES. DORES “FÍSICAS”. DEFORMAÇÕES. MUTILAÇÕES
CAPITULO 31 = LINGUAGEM ENÉRGICA
CAPITULO 32 = A PRECE
CAPITULO 33 = O PASSE
CAPITULO 34 = RECORDAÇÕES DO PASSADO
CAPITULO 35 = A CRISE
CAPITULO 36 = PERSPECTIVAS

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CAPITULO 37 = O INTERVALO
CAPITULO 38 = SONHOS E DESDOBRAMENTOS
CAPITULO 39 = RESUMO E CONCLUSÕES

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DOUTRINAÇÃO E DESOBSESSÃO
“Qual é o teu nome?” — indaga Jesus. Responde-lhe:
“O meu nome é Legião, porque somos muitos.” E lhe imploravam
com insistência que não os mandasse para fora dessa região
(Gerasa). (Marcos, 5:9 e 10.)

Temos sob as vistas um novo livro de Hermínio C. Miranda: “D IÁLOGO
COM AS SOMBRAS — Teoria e Prática da Doutrinação”.
Estamos familiarizados com os escritos do autor, pois acompanhamo-lo em
seus estudos, ano após ano, pelas páginas de “Reformador”. Conhecemos-lhe
as análises criteriosas de dezenas de obras de bastante repercussão, nas
esferas da Religião, da Filosofia e das Pesquisas, no mundo do Espiritualismo
e, mais especificamente, do Espiritismo e do Evangelho de Jesus. Raros serão
os livros marcantes de escritores contemporâneos e antigos, nessas
especialidades, que lhe não hajam merecido a crítica serena e construtiva. Os
sistemas doutrinários erguidos pelo pensamento humano, na sua longa e
exaus tiva elaboração, no curso de milênios, são-lhe objeto de estudos e
elucubrações, geralmente traduzidos em artigos e livros que a Federação
Espírita Brasileira vai imprimindo e difundindo, aqui e fora dos próprios limites
territoriais das Terras de Santa Cruz.
Nos últimos anos, os trabalhos de Hermínio C. Miranda têm esflorado temas
de grande importância, como sempre, mas de abordagem difícil, alguns deles
pouco estudados antes. “O Médium do Anticristo”, por exemplo. Os artigos
referentes a “A Morte Provisória (5 e II)”, “Uri Geller”, “O Cinqüentenário de
Lady Nona”, “A Maldição dos Faraós”, etc., fazem-nos pensar mais
detidamente nas profundidades do Desconhecido.
Ao lado de livros e artigos, os prefácios, introduções e sínteses de obras,
como em “Procês des Spirites” e “Processo dos Espíritas”, de Mme. Marina
Leymarie; “Imitation de l’Évangile selon le Spiritlsme”, de Allan Kardec. E mais
o que se acha por enquanto inédito.
Experiências que se acumularam ao longo de decênios desta e de vidas
pretéritas, consolidadas graças a esforços incessantes e renovadas
perquirições, conferem-lhe espontaneidade e simplicidade no trato dos
enigmas mais sérios e das questões complexas, de toda uma gama de
assuntos no âmbito do inabitual, permitindo-lhe escrever para os simples e os
doutos, na linguagem desataviada que todos entendem.
A ciência de servir é uma arte rara, exigindo dedicação e persistência. Nela,
o nosso Amigo exercita-se há muito tempo, desinibido e despreconceituoso,
como quem se movimenta com a naturalidade própria dos que sabem da sua
vocação e não hesitam em seguir os rumos que devem trilhar.
Escrever sobre “teoria e prática da doutrinação”, apresentando o patrimônio
provisionado durante pelo menos dez anos Ininterruptos de serviço ativo, no
demorado “diálogo com as Sombras”, não é tarefa fácil. A contribuição de
Hermínio, no entanto, foge ao comum dos livros de divulgação doutrinária e
evangélica, no campo espírita. É mais um extraordinário documentário ou
cartilha de orientação, descendo aos pormenores daquilo que se pode chamar
de elaboração séria, metódica, gradativamente desenvolvida, elucidativa de
todo o contexto das intercomunicações e interligações entre vários planos
vibratórios, no atendimento responsável e cristão da assistência es piritual em

na vigília e no sono. Trata-se do exercício natural do sagrado direito que cada qual tem de pensar por si mesmo e de abraçar os pontos de vista que lhe parecem os melhores. porqüanto. pois o mesmo direito que tem o expositor de argumentar e aconselhar. No entanto. na verdade. defensores e propagandistas daqueles princípios. no sentido de retirar dos originais aquelas palavras que lhe haviam suscitado dúvidas. Xavier. à medida que adentra na exposição simples de coisas difíceis. Não compete à Federação censurar opiniões. “o segredo da doutrinação é o amor”. a rigor. exceto quando entrem em choque com os princípios fundamentais da Doutrina Espírita. Acreditamos que Hermínio C. mais comumente citada como licantropia. não necessita de explicações ou apresentações. deixamos aos nossos leitores o encargo de analisar tudo quanto o autor expõe ou sugere. mas num mapa por assim dizer comportamental durante as demais horas. * Questão séria. tudo nele é de meridiana clareza. uma carta do médium F. acima de tudo. . em Espiritismo. nem sempre concordantes com as de outros autores igualmente editorados pela Federação Espírita Brasileira. o autor nele coloca as próprias idéias. O que Importa. é sinal que precisamos aguardar outra oportunidade. A propósito. consegue aglutinar. O próprio autor justifica cada detalhe. ternura. ou não. Pediu confirmação ao Espírito e recebeu. 5 desobsessão. Ora. especialmente no que tanga a locais para sessões práticas de desobsessão e a métodos de trabalho. de aceitar. com proficiência. Hermínio C. para a qual gostaríamos de pedir atenção. como resposta. na tessitura de um livro desta natureza. numa leitura ou estudo ligeiro da vasta literatura espírita. de André Luiz: quando os originais fo ram-nos enviados. ainda quando não as encampe ou oficialize. cada ensino ou experiência e suas implicações. as pequeninas verdades que as desatenções dos estudiosos nem sempre permitem captar e estereotipar nas mentes e corações. São horas vividas não apenas no circulo das tarefas mediúnlcas propriamente ditas. recordamos o livro “Libertação”. C. em que transmitia a solicitação do autor espiritual. à segura argumentação que faz. mediúnica ou não. têm os demais. Assim. doação! * O livro. Ele não faz revelações especiais nem ensina princípios não sabidos. como reconhece o autor. é que “Diálogo com as Sombras” é livro doutrinariamente correto e constitui valiosa contribuição para o estudo e a prática dos serviços de desobsessão espírita. com a explicação seguinte: “Se o nosso amigo não pôde admitir isso. Miranda alcançou com o maior êxito o fim a que se propõs. os seus argumentos e conselhos. O autor trata detalhadamente desse assunto. Miranda é dos mais seguros estudiosos. É claro que. porque não fez literatura: seu livro é vida! É compreensão. nem de Interpretações. com os quais todos os seus pensamentos se afinam. é a da zoantropia. o Diretor incumbido da análise Inicial dessas páginas mediúnicas considerou um tanto “exageradas” umas afirmativas e detalhes pertinentes a um caso de licantropia.

1979). editado pela FEB (33ª edição. 22 de junho de 1979 FRANCISCO THIESEN Presidente da Federação Espírita Brasileira . que a respectiva cura chegou a ser objeto de mensagens de Allan Kardec. também não admitirão. Os referidos ditados estão incorporados no opúsculo “A Prece segundo o Evangelho”. convidamos o leitor a conhe cer o livro de Hermínio. mesmo com a parte que André Luiz sugeriu fosse eliminada do texto. no Rio de Janeiro (RJ).” As palavras da carta do médium eram aproximadamente essas. as coisas ainda ficavam bem longe da realidade. com maior razão. 6 pois os leitores. que é bem pior do que pensamos. Mas o comentário particular de Chico Xavier. ao lê-lo. na verdade. foi este: “E na verdade. os exemplos que encerra causar- lhe-ão a nítida convicção.” * O problema da obsessão — grande flagelo da Humanidade — étão grave. pelo médium Frederico Júnior. Rio de Janeiro (RJ). Estamos certos de que. de que o Espiritismo é. 6250 milheiro. dada a preocupação da Espiritualidade Superior no sentido de o assunto ser encarado com a seriedade e o preparo precisos. o Consolador Prometido por Jesus. mas o sentido exatamente esse. * Terminadas estas páginas iniciais. a pessoa que nos merece a maior credibilidade. mais que as palavras articuladas. em 1888 e 1889. especialmente no campo do amor e da exemplificação das virtudes cristãs. de Allan Kardec.

um acervo considerável de livros que constituem leitura obrigatória para todo aquele que se propõe a um trabalho sério junto aos companheiros desencarnados. outros com leviandade e indiferença: e muitos sem mesmo perceberem o que se passa e o que deve ser feito para ordenar um fenômeno que. Isto é: * O Livro dos Espíritos. a massa imensa daqueles que se acham da média para baixo. com um procedimento reto. de simbolos. fantástico ou sobrenatural. que estejamos à inteira mercê dos espíritos perturbados e perturbadores. uns com respeito e amor. por conseguinte. nos afi namos com maior facilidade com aqueles que também se acham perturbados por desequilíbrios de maior ou menor gravidade. qualquer pessoa dotada de faculdades mediúnicas. da ignorância. contar com a boa-vontade e a ajuda desses irmãos maiores. Realmente. consciente ou inconscientemente. como aquI. O importante é que. do lado de lá. não termina com Kardec. * O Evangelho segundo o Espiritismo. de “trabalhos” encomendados. velam por nós companheiros de elevada categoria. este jamos com um mínimo de preparação. com a sua proteção carinhosa. começa com ele. pois não perdoa despreparo e ignorância. até os extremos mais dolorosos do aviltamento moral. como doutrina essencialmente evolutiva. de ritos mágicos. que. voluntária ou involuntariamente. nem livrar- nos das nossas prova ções. na literatura espírita. sempre dispostos a nos ajudar. estará se expondo a riscos Imprevisíveis para o seu equilíbrio emocional e orgânico. em princípio. e como ainda nos encontramos todos em estágios inferiores da evolução. serena ou tumultuadamente. encontramos espíritos nobres e dotados de atributos morais avançados. mesmo Incipientes. e muito menos coibir os mecanismos do nosso livre-arbítrio. O mundo espiritual é povoado de seres que foram ho mens e mulheres como nós mesmos. e * A Gênese. apoiada num mínimo de informação. O relacionamento com o mundo espiritual se reveste de enganosa simplicidade. evidentemente. mas sim. igualmente. da vingança. mas. do rancor. obviamente. como tantos outros. Há. * O Livro dos Médiuns. Isto não quer dizer. Ali. no pórtico deste livro. no qual procuremos . Alguns o fazem compulsoriamente ou com relutância: outros com espontaneidade. nenhuma obra acerca dos aspectos experimentais do Espiritismo terá valor por si mesma. nada tendo de místico. ao Iniciarmos o trato com os Espíritos desencarnados. pode estabelecer contacto com os desencarnados. Aquele que se atira à fenomenologia mediúnica sem estes petrechos indispensáveis. Como a base do fenômeno mediúnico é a sintonia espiritual. da revolta. mas não nos podemos esquecer de que eles não podem fazer por nós as tarefas de que nos incumbem. * O Céu e o Inferno. não à custa de oferendas. da angústia. e. ou aquele que é arrastado a ela pela mediunidade indisciplinada ou desgovernada. É claro que a lista não termina aí. 7 INTRODUÇÃO Creio necessário declarar. Podemos. A prática mediúnica não deve ser improvisada. Isolada do contexto dos cinco documentos básicos da Doutrina. pois não nos devemos esquecer de que o Espiritismo. é natural. encontrando-se em variados estágios de desenvolvimento moral. a meu ver. Pelo nosso mundo de encarnados podemos inferir o outro.

se convencionou chamar de suas motivações. pois cada um de nós sabe de si e do que. E começar pelo planejamento. pacificado e amoroso? Estão prontos a receber a tarefa com humildade? E. Nunca é demais enfatizar que a organização de um grupo de trabalho mediúnico começa muito antes de dar-se início às suas tarefas propriamente ditas. Gabriel Delanne. e deve ser cercado dos mesmos cuidados que precedem à formação e ao nascimento de uma criança: ou seja. Antes. ao comparar o grupo nascente com um filho. Examinaremos o assunto por partes e com as cautelas devidas. sem condições e sem imposições? O amor não exige recompensa. por interessar aos objetivos deste livro. mas também no interesse de cada um. Assim. pois já estava pronta. Se estamos com essas disposições. não é possessivo. Nunca somos tão pobres de bens materiais e espirituais que não possamos doar alguma coisa ao companheiro necessitado. 8 desenvolver em nós mesmos o esforço moralizador. ainda no corpo desta conversa inicial. É preciso. Não foi preciso escrevê-la. Muita ênfase precisa ser posta no estudo dos escritos que cuidam do complexo problema da mediunidade. e não naquilo que julgamos o seja. suporte indispensável de toda a tarefa programada. não apenas no interesse da doutrina que todos professamos. seja o pão ou a palavra de consolo e solidariedade. Léon Denis. nem para cumprir mandados nossos ou atender às nossas menores exigências e súplicas. no sentido humano. uma observação de caráter pessoal: ao planejar a elaboração deste livro. Estão preparados para a tarefa? Desejam o filho? Dispõem-se aos sacrifícios e renúncias que o trabalho impõe? Estão conscientes das suas responsabilidades. o amor é. “Reformador” de fevereiro de 1966 publicou um artigo intitulado “Espiritismo sem sessão espírita?”. e das complementares. * “Encontramos. não para nos livrar das nossas dores. ao amor ilimitado. ou se dispõem a criar condições para fazer dele um ser digno. As razões que os levam a essa decisão — creio eu — são respeitáveis. dizia Edgar Cayce. dos percalços e das lutas que os esperam? Para que desejam o filho? Sonham fazer dele um grande homem. e não pela execução atabalhoada e sem preparo. acima de tudo: estão prontos e dispostos a se doarem integralmente. e certos trabalhos de origem mediúnica. examinar de perto essa posição e ver o que contém ela de legítimo. forçando-o a uma tarefa acima de suas forças. da Doutrina Espírita: as de Allan Kardec. com o estudo sistemático das obras básicas. O amor. às vezes. Voltaremos às questões que formulamos acima. e da sua ajuda desinteressada. da sua inspiração oportuna. a educação dos pais. Gustavo Geley. o aprendizado constante e a dedicação desinteressada ao semelhante. naquilo que for realmente proveitoso ao nosso espírito. julguei necessária uma pequena introdução que situasse a obra em seu contexto próprio. que a seguir transcrevo. entretanto. é preciso insistir: a formação ou nascimento de um grupo émuito importante. modernamente. É com estas atitudes que nos asseguramos da assistência de Irmãos mais experimentados e evoluidos. para a qual não esteja preparado. . confrades que não gostam de freqüentar sessões espíritas. podemos começar. como os de André Luiz. mas para nos concederem o privilégio da sua presença amiga. sem reservas.

Mas se não a observarmos em ação. também o é o exercício desta sem o estudo daquilo que já se sabe sobre o fenômeno. com regularidade e seriedade. como também ao animismo de certos médiuns mais interessados nas suas próprias idéias que na transmissão daquilo que recebem dos companheiros desencarnadOS. o seu desenvolvimento futuro. como indispensável ao futuro da Humanidade. em planos diferentes. em grande parte. em primeiro lugar para que se observe e estude o fenômeno da mediunidade. não apenas para o médium. De aceitação de inverdades sutilmente apresentadas sob fascinantes roupagens. De aflições — embora passageiras — causadas pelo desfile das angústias de irmãos sofredores. Os erros que cometemos. O primeiro deles — e dos mais sérios — é o da própria mediunidade. também. Evidentemente. das alegrias que experimentamos ao encaminhar às trilhas da paz um Espírito em crise? Há um universo a explorar. das tarefas a que se propõe. noções satisfatórias. os riscos que oferece. não apenas aconselhável. Há sempre. há alguns problemas ligados à freqüência de trabalhos mediúnicos. Há uma Humanidade inteira cla mando por ajuda. Nunca o drama de um Espírito é apenas seu. a prática mediúnica é. Parece claro. Logo. não são mais que um único. Há outros problemas e dificuldades de menor importância. nesta vida ou . sim. esclarecimento. que o eqüacionamento e a solução das grandes inquietações humanas vão depender. delas se nutre e delas depende. entre o mundo espiritual e este. da exata compreensão do mecanismo das relações entre esses dois mundos que. Seus dramas e suas angústias não são puramente individuais. porém. somente assumiu expressão e sentido filosófico depois que Kardec ordenou e metodizou os conhecimentos adquiridos no contacto com os nossos irmãos desencarnados. É claro que a mediunidade tem um mecanismo muito complexo e até agora poucos foram os cientistas dignos desse nome que se dedicaram. as oportunidades de aprendizado e progresso que contém. precisamos estar atentos ao puro mediunismo sem objetivos mais elevados. Há riscos. Outra dificuldade ponderável é a organização de um bom grupo que se incumba. Convém pensar também que a própria dinâmica da Doutrina Espírita exige esse intercâmbio espiritual. que isso constitui motivo para nos privarmos das recompensas do aprendizado. como poderemos almejar compreendê-la um dia? Só aprendemos a nadar pulando dentro dágua sob a orientação de quem já tenha. cada vez mais. De mistificações por parte de pobres irmãos carecentes de entendimento. invariavelmente prejudica a alguém mais. 9 De fato. no final de contas. a respeito. Se é incompleto o conhecimento sem a prática mediúnica. Será. mas creio que basta considerarmos aqui apenas esses dois — o que não é pouco. compreensão e caridade no cha mado mundo espiritual. O Espiritismo doutrinário nasceu das práticas mediúnicas. realmente. prendem-nos a uma cadeia de fatos e de seres que se estende pelo tempo a fora. mas para aquele que assiste aos trabalhos e deles participa. suas grandezas. a fundo e com a mente desarmada de preconceitos. O intercâmbio. O Espírito que erra. ao estudo dela. essa estranha faculdade humana sobre a qual ainda há muito o que estudar. A análise das questões mais complexas quase sempre começa pelas definições acacianas e de vez em quando é bom a gente recorrer a velhos conceitos para iluminar obstáculos novos.

de que as leis universais são perfeitas. não apenas o seu espírito da tormenta do ódio. Aos poucos. a inutilidade das posições humanas. anestesiado nas suas angústias. 10 em algumas das anteriores. provocadas por antigas mágoas. nem se deixe fanatizar ou fascinar por pseudoguias. iniludíveis. ao mesmo tempo que fornecem os recursos para o reencontro do Espírito com o seu próprio destino. sem ostentação. todos nos vêm confirmar as verdades mestras do Espiritismo: as de que o Espírito sobrevive à morte física. são tão poucos os grupos que se dispõem a esse trabalho que tão altos dividendos paga em conhecimento e progresso espiritual. corresponderá um grupo . na milenar batalha contra as suas próprias deficiências. no entanto. o ônus terrível da vaidade. Muitas e variadas lições. a crueza do arrependimento daquele que desperdiçou o seu tempo na busca ansiosa das ilusões mundanas. lições de doce tranqüilidade e de serena humildade dos que já superaram as suas fraquezas e vêm. demonstrada a seriedade de propósitos. desprezar esse trabalho magnífico que tanta recompensa nos traz e também aos nossos irmãos do outro lado da vida? Quanto à organização dos grupos. Nos dramas a que assistimos nas sessões mediúnicas. tanto na carne como no Espaço. Crentes ou descrentes. ajudamos a com- preender a nova realidade que tem diante de si. a amarga decepção do suicida. elos que nos ligam a outros seres e e outras dores. É bom que o grupo seja pequeno. de preferência familiar. muitas vezes já está maduro para o perdão — basta uma palavra serena de esclarecimento. vemos. aprendemos a contemplar a transitoriedade do mal. cada vez melhor. mas também o irmão que lhe sofre as agressivas vibrações. Ao que ainda se prende a superadas teologias. a solidez inabalável da doutrina que nos legaram os Espíritos. de que reencarna. como criaturas encarnadas. a tensa expectativa de um novo mergulho na carne redentora. Que não se deixe desencorajar por dificuldades ou pela aparente insignificáncia dos primeiros resultados. No exercício constante dessa atividade. A cada bom grupo de seres encarnados dispostos à tarefa. Há estudos sérios e muito seguros de orientação doutrinária a respeito. ouvimo-los com admiração e proveito. sob a orientação de Espíritos esclarecidos. na qual o Espírito fica. Aos que ainda desejam vingar-se de antiquíssimas ofensas. mostramos a inutilidade do seu intento e os novos problemas com que virão agravar o seu futuro. os trabalhos irão surgindo. da nova compreensão diante desse mistério sempre renovado da vida. apenas para mostrar como é o Espírito daquele que já venceu a si mesmo. Os que já atingiram elevados patamares de conhecimento e amor. A todos os que erraram. Multidões de seres que aqui viveram inúmeras vezes. Aquele que odeia. Por que. mas flexíveis. de que progride e aprende. então. aprendizado extenso e profundo para todos os que desejarem realmente apressar os passos e encurtar a caminhada que leva a Deus. composto de pessoas que se harmonizem perfeitamente e que estejam interessadas num trabalho sério e contínuo. Muitos nos buscam apenas para trazer notícias das suas próprias conclusões. não será tão difícil assim. Lições terríveis ministradas com lágrimas e gritos de desespero por aqueles que assumiram débitos enormes diante da Lei. pelo menos. consolamos com a nossa própria imperfeição e com a certeza da recuperação. lá estão à espera de ajuda e. católi cos ou protestantes. um gesto de tranqüila compreensão para libertar. pois exigem reparação. através da lúcida inteligência de Kardeç.

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equivalente de Espíritos, num intercâmbio salutar de profundas repercussões,
pois Espiritismo é doutrina, mas é também prática mediúnica, e todos nós,
ainda que nem sequer suspeitemos disso, temos compromissos a executar,
ajustes a realizar com irmãos que nos aguardam mergulhados em ódios e
incompreensões, que se envene nam a si mesmos e a nós próprios.
“Lamentar a desgraça — dizia Horace Mann — é apenas humano; minorá-
la é divino.”

*

E assim, creio que estamos prontos para entrar na matéria propriamente
dita.

Rio de Janeiro (RJ), 1976
HERMÍNIO C. MIRANDA

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PRIMEIRA PARTE
A INSTRUMENTAÇÃO

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O GRUPO
Voltemos às perguntas formuladas na Introdução.
Em primeiro lugar, o preparo, que consiste na educação e na instrução
dos componentes do grupo que se planeja, nos leva a outro quesito preliminar:
— quem devem ser os componentes?
A tarefa começa, pois, com a seleção das pessoas que deverão
participar dos trabalhos. Como todo grupamento humano, este também deve
ter alguém que assuma a posição de coordenador, de condutor. É preciso, não
obstante, muita atenção e vigilância desde esta primeira hora. Esse motivador,
ou iniciador, não poderá fugir de certa posição de liderança, mas é necessário
não esquecer nunca de que tal condição não confere a ninguém poderes
ditatoriais e arbitrários sobre o grupo. Por outro lado, o líder, ou dirigente, terá
que dispor de certa dose de autoridade, exercida por consenso geral, para
disciplinação e harmonização do grupo. Liderar é coordenar esforços, não
impor condições. O líder natural e espontâneo é aceito também com
naturalidade e espontaneidade, sem declarar-se tal. É até possível que, nos
trabalhos preliminares de organização do grupo, surja a sutil faculdade da
liderança em pessoas nas quais mais inesperada ela parecia. Nestas
condições, aquele que iniciou a idéia deve ter grandeza suficiente para
reconhecer que o outro, que revelou melhores disposições, está mais indicado
para a função do que ele próprio. Num grupo espírita, todos são de igual
importância.
O problema das rivalidades é tão antigo como a própria mediunidade. O
apóstolo Paulo tratou dele, na sua notável Primeira Epístola aos Coríntios,
capítulos 12, 13 e 14, e, especificamente, nos versículos 4 a 30 do capítulo 12.
(1)
O primeiro passo, portanto, que deve dar alguém que pretenda organizar um
grupo mediúnico é selecionar as pessoas que irão compo-lo. É bom que isto se
faça mesmo antes de se decidir que tipo de trabalho será executado — do que
falaremos mais adiante — e quem será incumbido da direção das tarefas. Os
motivos são de fácil entendimento. Em primeiro lugar, o problema da liderança
a que acima aludimos: é possível que a pessoa mais indicada para dirigir os
trabalhos não seja aquela que se propõe, de início, a organizar o grupo,
cumprindo-lhe provar, no decorrer das gestões preparatórias, a força tranq üila
e segura da sua personalidade. Em segundo lugar, o grupo será a soma dos
seus componentes, disporá das forças de cada um e terá como pontos fracos
as fraquezas dos seus participantes. Em terceiro lugar, a natureza dos
trabalhos a serem programados dependerá dos diferentes tipos de
mediunidade que for possível reunir, do grau de sensibilidade, tato, inteligência,
conhecimento e evangelização de cada um e de todos, e da qualidade do
relacionamento pessoal entre os que se propõem trabalhar juntos nesse
campo.
Assim, não basta juntar alguns amigos e familiares, apagar a luz e
aguardar as manifestações. Que amigos e familiares vamos selecionar? Essa
tarefa é extremamente delicada e crítica, pois dela vai depender, em grande
parte, o êxito ou fracasso do grupo. Será recomendável que a pessoa que
pretenda fundar um grupo, mesmo de âmbito doméstico, de proporções
modestas e sem grandes ambições, guarde consigo mesma, por longo tempo,

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as suas intenções; que se entregue à prece constante, à meditação e ao
estudo silencioso e demorado de cada pessoa; que examine, sem paixões e
sem preferências, com toda a imparcialidade possível, as potencialidades de
cada um, bem como os seus defeitos, virtudes, inclinações, tendências e
temperamento. Não nos devem guiar aqui as preferências pessoais: — “Vou
incluir Fulano ou Sicrana porque gosto dele ou dela.” É essencial que todos se
estimem no grupo, mas só isto não basta. Podemos amar profundamente uma
criatura que não ofereça condições mínimas para um

(1) Seria oportuna, sob este aspecto, a leitura do artigo “O Livro dos
Médiuns de Paulo, o Apóstolo”, em “Reformador” de fevereiro de 1974.

trabalho tão sério como esse. É claro, por outro lado, que não éaconselhável
incluir aqueles que, embora ofereçam outras condições favoráveis, se
coloquem na posição de adversários e críticos demolidores de qualquer outro
componente do grupo. Até a discordância ideológica acentuada, mesmo em
outros setores do pensamento, pode criar dificuldades ao trabalho. Isto não
quer dizer que todos tenham que pensar igualzinho, ou se transformarem em
criaturas invertebradas, sem idéias próprias, sem personalidade e opinião. A
franqueza é também um dos ingredientes necessários ao bom trabalho, desde
que não alcance os estágios da rudeza que fere, mas a homogeneização dos
ideais e das aspirações é condição importante para o bom entendimento que
precisa prevalecer durante todo o tempo. Um só membro que desafine dessa
atmosfera de harmonia, poderá transformar-se em brecha por onde espíritos
desajustados introduzirão sutilmente fatores de perturbação e eventual
desintegração do grupo.
É preciso entender, logo de início, que os componentes encarnados de um
grupo são apenas a sua parte visível, O papel que lhes cabe é importante, por
certo, mas nada se compara com as complexidades do trabalho que se
desenrola do outro lado da vida, entre os desencarnados. Lá é que se realiza a
parte mais crítica e delicada das responsabilidades atribuidas a qualquer grupo
mediúnico, desde o cuidadoso planejamento das tarefas até a sua realização
no plano físico, no tempo certo. Os componentes encarnados já fazem
bastante quando não atrapalham, não perturbam, não interferem
negativamente. É óbvio que ajudam de maneira decisiva, quando se portam
com dignidade, em perfeita harmonia com o grupo; mas se não puderem
ajudar, que pelo menos não dificultem as coisas. É melhor, por isso, recusar,
logo de princípio, um participante em perspectiva, sobre o qual tenhamos algu-
mas dúvidas mais sérias, do que sermos constrangidos, depois, a dizer-lhe
que, infelizmente, tem que deixar o grupo, por não se estar adaptando às
condições exigidas pelo trabalho.
É por isso que se recomenda uma longa meditação antes de decidir quanto
à composição humana do grupo, para não fazermos o convite senão àqueles
dos quais podemos contar com um mínimo de compreensão, entendimento e
entrosamento com os demais.
Isto nos leva a uma outra questão, que deve ser logo decidida:
Quantos componentes encarnados deve ter um grupo? A experiência
recomenda que os grupos não devem ser muito grandes, pois, quanto
maiores, mais difícil mantê -los em clima de disciplina e harmonia. Léon
Denis, em seu livro “No Invisível”, sugere de quatro a oito pessoas. O grupo

em definitivo. Acima dos oito componentes sugeridos por Denis. de Allan Kardec. um teria que ser o médium e o outro o doutrinador. alguma coisa séria poderia ser realizada. de que nomes deveremos cogitar para a composição do grupo. para que Ele aí esteja. É bom começar sem grandes ambições ou planos grandiosos. para exame e debate das inúmeras questões que começam a colocar- se. pois o assunto. logo que tenhamos resolvido. de caráter doutrinário? Para os chamados trabalhos de desobsessão? Esse ponto somente pode ser decidido. fazer funcionar razoavelmente bem um grupo com mais de oito pessoas. porém. com seriedade e boas intenções. Isto é vá lido. Em seguida. que. o pensamento divaga. ainda não saibamos quanto à intenção dos espíritos que nos são fami liares. mas é certo que. e os que tenham potencial mediúnico suscetível de desenvolvimento. no entanto. à medida que cada um apresentar sua contribuição ao debate. que um grupo muito pequeno tem suas possibilidades também limitadas. convém convocar uma reunião. se alcançada impecável homogeneização. Serão arrolados os médiuns presentes. Não está previsto no escopo deste livro um estudo sobre o desenvolvimento da mediunidade. porém. que venham trazer pequenas mensagens. É possível. mas acima de doze vai-se tornando bastante problemática a sua eficácia. fúteis e inconseqüentes. do que poderão resultar obsessões penosas e tenazes. nem quanto à natureza dos trabalhos que pretendem realizar conosco. pior ainda. será aberta com a leitura de um texto evangélico e uma prece. já atuantes. tem sido tratado em várias obras de confiança. quanto para aqueles outros que se reúnem para se divertirem ou. para a qual deverão ser convidados aqueles cujos nomes foram lembrados para uma consulta. bastante complexo. não apenas do dirigente encarnado do grupo. chegamos a outro aspecto da questão: Para que desejamos um grupo? Para simples estudo da Doutrina? Para conversar sobre Espiritismo? Para oferecer condições à manifestação de espíritos familiares. . No caso de apenas dois. galhofeiros. obviamente não mediúnica. no silêncio da meditação e da prece. virão os espíritos levianos. É claro. sempre que um grupo se dispõe a reunir-se. E. ao se planejar a instalação de um grupo. bastará que dois ou mais se reúnam em seu nome. e o médium não teria condições de prolongar o trabalho sem grande desgaste psíquico. com a finalidade de entrar em contacto com os desencarnados. aquele que tomou a iniciativa de convocá-la fará uma breve exposição de seus objetivos e intenções. e o prejuízo é certo para a tarefa. especialmente em “O Livro dos Médiuns”. por exemplo. mais ou menos íntimas? Para experimentação e observação de na tureza cientifica? Para tarefas mais sérias. tanto para os que se dedicam. pois. mesmo assim. como de seus orientadores invisíveis. depois que tivermos selecionado os companheiros encarnados que vão compor a equipe. 15 pode funcionar bem até com duas pessoas. A reunião será conduzida com descontração e espontaneidade. Se a intenção é apenas fazer passar o tempo. assim. para práticas condenáveis. vai-se tornando mais difícil a tarefa. segundo a palavra do Cristo. quando não claramente mal- intencionados. quebra-se com freqüência o esforço de concentração. O mais certo é que. estes se apresentarão no momento oportuno. Por isso. É certo. Essa reunião. porque a equipe se torna mais heterogénea.

O dirigente do grupo deve manter-se atento a essa possibilidade. hoje. porém. sistematicamente. pesquisa. O desenvolvimento mediúnico é trabalho delicado. todos editados pela Federação Espírita Brasileira. a apresentar um panorama. nem ritos especiais para fazer eclodir a mediunidade numa pessoa que a tenha em potencial. em outras de suas obras. muito mais comum do que tanta gente estaria disposta a admitir. também. Não há fórmulas mágicas. em que funcionem médiuns bem disciplinados e já em plena atividade. tão abrangente quanto possível. No passado remoto. épossível ao médium incipiente desenvolver. dos diversos aspectos dessa notável faculdade humana. até o ponto ideal. Evidentemente não há. no entanto. André Luiz. bem como o livro interpretativo de Martins Peralva “Estudando a Mediunidade”. vigilância. “Nos Domínios da Mediunidade” e “Libertação”. mas. necessidade de um guru que leve o discípulo. firmeza e muita sensibilidade para identificar desvios e desajustes que precisam ser prontamente cor rigidos. não deve ser desenvolvida isoladamente e sem apoio dos livros essenciais ao entendimento dos seus componentes básicos. sim. Qualquer que seja a natureza do seu trabalho — estudo. experimentação. o perfil do grupo que se pretende implantar já deve estar suficientemente definido. Ao cabo de algumas reuniões de debate e ajustamento. Recomenda-se. não só em “No Invisível”. e. difícil e muito importante. esse encargo era de caráter iniciático. de que a técnica do desenvolvimento mediúnico ainda exige atenção. as condições mínimas exigidas para a tarefa a que se propunha. O instrutor ia dosando seus ensinamentos segundo as forças e a receptividade do discípulo. tato. 16 Léon Denis também ofe rece contribuição valiosa. voltemos ao assunto em foco. acompanhamento e orientação pessoal de alguém que tenha condições morais e doutrinárias para fazê -lo. suas faculdades. capacidade de observação. pouco a pouco. * Após esta digressão acerca do desenvolvimento mediúnico. De forma alguma. e este somente chegava aos estudos mais avançados de desenvolvimento de suas faculdades se ao longo do processo viesse demonstrando. para não levarem o futuro médium a vícios funcionais e até mesmo a perturbações emocionais de problemática recuperação. o treinamento mediúnico deve ser intentado com base em obras suspeitas ou organizações que prometam resultados prontos e maravilhosos em algumas lições. ainda. tornando o conhecimento básico acessível ao homem comum. que exige conhecimento doutrinário. É também uma imprudéncia forçar o desenvolvimento sem nenhuma preocupação de estudar a questão nos livros que compõem a Codificação de Kardec e a obra complementar de seus continuadores. A mediunidade. salvo casos especiais. em “Mecanismos da Mediunidade”. por estágios sucessivos. desobsessão — não deve iniciar suas tarefas especificas senão ao cabo de um . Não nos esqueçamos. Creio oportuno acrescentar que esses livros não se dedicam especificamente a ensinar como desenvolver a mediunidade. O Espiritismo desmistificou o antigo ocultismo. Colocado num grupo harmonioso e bem assistido.

Nesse caso. Esse período é. para aproveitarem os ensina mentos ministrados. deve ser dada prioridade à “Parte Segunda” de “O Livro dos Espíritos”. ainda por algum tempo. ajustar seus vários componentes. é difícil reunir um grupo de pessoas — seis ou oito — que conheçam igualmente. até o que já possui conhecimentos mais profundos. excluir. naturalmente. A reunião se destina à verificação do progresso que cada um realiza na revisão. nem forçadas. torna-se aconselhável serem evitadas as manifestações mediúnicas. que cuida “Do mundo espírita ou mundo dos Espíritos”. muito útil para afinar o grupo. o estudo precederá as manifestações e deverá. 17 aprendizado mais ou menos longo das questões doutrinárias. do que insistirem em ficar. Tarefas como essas não podem ser impostas. nosso conhecimento é menor do que pensamos. certamente. a boa-vontade e a dedicação de cada um. e ao debate e esclarecimento das dúvidas surgidas. desde aquele que tem apenas vagas noções. Talvez em outra oportunidade. que poderá ser mais longo ou mais curto. Não que sejam impuros (por favor!). mesmo que haja no grupo médiuns já desenvolvidos. renúncia. sem atritos ou desgosto. mais adiante. tolerância. Por algum tempo. e à Segunda Parte de “O Livro dos Médiuns”. começarão a ser trazidos pelos benfeitores espirituais. até mesmo. que exige. segundo o grau de conhecimento dos seus componentes. vale a pena uma revisão geral. que poderá ser longo. revelar as tendências e potencialidades de cada um e. sacrificariam todo o conjunto. assiduidade. Mesmo que os componentes da futura equipe se julguem suficientemente informados e conhece dores da Doutrina dos Espíritos. De certo ponto em diante — e isto fica a critério daquele que se responsabiliza por esta fase dos trabalhos — as tarefas mediúnicas poderão ser iniciadas em paralelo com as de estudo. Será útil para todos um período de atualização de conhecimentos. no desejo de . dedicação. ocupar boa parte do horário. ainda. todas as obras essenciais à tarefa a que se propõem. segundo a programação acordada. a começar. a partir do capítulo 14 — “Dos Médiuns”. e em profundidade. Embora não gostemos de admitir. para obter a integração do grupo. em processo de exclusão natural. por um processo natural de seleção. Não é preciso fazer a leitura de cada capítulo no decorrer das reuniões. Os impacientes deixarão o grupo espontaneamente. pois não apenas os encarnados se beneficiam dela. como também os desencarnados que. desde que todos o tenham estudado. Não deve subsistir nenhuma preocupação com o tempo despendido nesse trabalho preparatório. aqueles que não se sentirem em condições de se entregar ao trabalho. no segundo. têm que se apoiar num impulso interior. estariam prejudicando apenas a si mesmos. certamente. até que se consiga alcançar uma fase de melhor preparo doutrinário. Ademais. resolvam dedicar- se com maior entusiasmo e firmeza. durante o período que vai de uma reunião à seguinte. mas por ser melhor que abandonem a tarefa pela metade. Nunca é demais enfatizar a importância e utilidade desta fase preparatória. O mais provável éque o grupo se componha de gente em diferentes estágios de conhecimento. estudo e amor. seguido de “O Livro dos Médiuns”. A duração e freqüência das reuniões de estudo serão objeto de debate e ajuste entre os componentes. pelo “O Livro dos Espíritos”. Para não prolongar demasiadamente este período de revisão. em prejuízo dos resultados. No primeiro caso. Seu objetivo final será sempre o de homogeneizar os diversos graus de conhecimento doutrinário.

em outro ponto deste livro). que o grupo se resolva pelo trabalho de desobsessão. desejamos o grupo. quais são os médiuns. mas às quais nem sempre estamos acostumados: moderação e vigilância. A natureza do trabalho pode variar bastante. após algum tempo de estudo teórico. e é sobre ela que nos fixaremos. das lutas naturais da vida diária. 18 servir. o que seria uma tarefa quase de laboratório. É possível que desejem apenas a experimentação de caráter puramente científico. Este livro está mais voltado para esta última opção. aos poucos. mas a definição é importante porque. pequena -nas. não creditáveis exclusivamente ao trabalho individual deste ou daquele componente do grupo. aqui. chegado o momento de especificar a finalidade e os objetivos do grupo. Um pouco de humildade nos fará. portanto. Já decidimos que desejamos o trabalho. da qual se escondem aflitivamente. aos passeios. como diziam os antigos. especialmente daqueles que se dedicam à organização da equipe. dentro da equipe. A tarefa precisa ser desenvolvida com muita assiduidade e continuidade ininterrupta. encontramo-nos perfeitamente conscientizados das responsabilidades que assumimos. segundo os inte resses e inclinações de seus componentes. O dia destinado à reunião exige renúncias diversas. à leitura de livro recreativo ou à novela de televisão. e qual a natureza do trabalho a que esta deve dedicar-se. quem se revelou com melhores condições de liderança e tato na condução da equipe. muitas vezes sem razão alguma. coletivos. de modo que os resultados obtidos sejam impessoais. Quem não estiver disposto a aceitar essas condições não está preparado para o trabalho. por exemplo. Outros podem combinar o estudo teórico com a experimentação científica ou mediúnica. em virtude do cansaço. Mesmo assim. Também são válidos. senão a de que estamos tentando despertá- los para realidade extremamente dolorosa. Alguns grupos. o grupo já deverá estar com o seu perfil suficientemente nítido. não podemos destiná-la ao convívio da família. Suponhamos. já nos convencemos. de que estamos preparados para ele. ao qual temos que nos habituar. Voltemos à imagem do filho. Encontraremos percalços e nos empenharemos em lutas remidas pelo bem. Não que uma coisa exclua a outra. . então. bem como a duração e freqüência das reuniões (sobre o que falaremos. Da mesma forma. É. Já se sabe quais os que o compõem. Vamos nos defrontar com espíritos desajustados que. É um dia de recolhimento íntimo. pois. Estamos cientes disso. no desespero em que se precipitaram. podem ser constituídos apenas para o estudo teórico da doutrina. A responsabilidade é grande. dado que o assunto escapa à minha área de competência e experiência. A essa altura. Estamos igualmente dispostos aos sacrifícios e às renúncias que o trabalho impõe. ainda. às visitas. com ênfase na fenomenologia. de apagar-se. Como os trabalhos são usualmente realizados à noite. do desgaste e das tensões provocados pela atividade profissional. e sabemos disso. dos inconvenientes oriundos de pequenas indisposições orgânicas. Não há muito a dizer aqui sobre este aspecto. A primeira grande divisão consiste em saber se o grupo vai dedicar-se apenas a estudos ou a trabalhos experimentais. Nem sempre estaremos físicamente dispostos a ela. se necessário. desinteressados do aspecto prático. pois. um bem enorme. voltam-se contra nós. é claro. ao relaxamento. quem navega sem destino não sabe aonde vai.

que colocaremos em prática aquele sábio ensino de Jesus. possibilidades e intenções. Muitos espíritos. Sem isso. nos quais o desgaste psíquico é sempre grande nos dias em que atuam. com acomodações especiais? Alguns confrades temem a realização de trabalhos de desobsessão em casa. A questão é delicada e não pode ser respondida sumariamente. para o que. a meio coração. encarnados. A próxima questão que se coloca é: onde e quando reuni-lo? Consideremos primeiro a segunda parte. que tornam impraticável reuniões mais freqüentes. Uma boa sugestão seria reservar. Todos ou quase todos os seus componentes têm compromissos sociais. tanto profissional quanto no próprio grupo. a partir de certa hora. A freqüência as reuniões é usualmente de uma vez por semana. tem de ser total. mais de uma vez por semana. indignados com a nossa interferência em seus afazeres. Tudo isto aceitamos. dentro das nossas limitações. sim ou não. Ha veremos de nos preparar apenas para a nossa pequena oferenda. obviamente. É nessa oportunidade. A noite é escolhida justamente porque. com receio da influência negativa dos espíritos desarmonizados que são atraidos. Se for possível um local apropriado. quando já tivemos a oportunidade de nos refazer das canseiras dos dias de atividade. Os orientadores espirituais saberão o que fazer dela. impraticável seria doar o amor de que necessitam os irmãos desencarnados que nos procurarem. O planejamento é realizado no mundo espiritual. Começa com o relacionamento entre os componentes do grupo. se apresentarão. Há uma porção de condicionantes. A nós. como verdadeiros inimigos. familiares e até profissionais. a partir de 20 horas ou 20h30m. como iremos oferecer-lhes a segurança da compreensão e da tolerância de que tanto necessitam? * Estão resolvidas. De tudo isto estamos conscientes. com duração máxima de duas horas. diante de nós. durante vários anos. Resta o compromisso do amor fraterno. nem para conquistar todos os grandes espíritos que se debatem nas sombras. irritados. que precisa apoiar-se no perfeito entrosamento emocional de todos. que não pode ser parcial. recursos. Temos o grupo montado e já definimos os seus objetivos. a segunda-feira. num centro espírita bem orientado. 19 Não planejamos um grupo para reformar o mundo. que se renovará em todos os encontros. estão em condições de avaliar as nossas forças. muito melhor do que nós. o . As sessões podem ser realizadas em casa ou convém buscar outro local. agressivos. Sem aquele amor incondicional que nos recomendava o Cristo. O outro aspecto da questão diz respeito ao local. a deblaterarem em altas vozes. as preliminares. é indispensável que todos se estimem e se respeitem. Justifique mos a escolha da segunda-feira. condicionado. movidos pela esperança secreta de que os conquistemos para as alegrias do amor fraterno. reservado. Isto é especialmente válido para os médiuns. estão todos com as tarefas do dia concluidas. de preferência um centro. em doloroso estado de desajuste emocional. para os trabalhos mediúnicos. porque. Ê que ela sucede ao repouso mais longo do fim de semana. bem como as nossas fraquezas. portanto. que nos recomenda amar os nossos inimigos. caberá executá-lo. Dificilmente um grupo terá condições de reunir-se regularmente. à noite.

Por outro lado. pois é evidente que espíritos infelicitados pela desarmonia interior tenderão sempre a transmitir sua perturbação àqueles aos quais tiverem acesso. torna-se muito difícil um trabalho mediúnico sério e responsável. Isto não exclui a necessidade de vigilância e atenta observa ção. 20 trabalho deve ser feito aí. geográfica. sob condições perfeitamente normais. até nas profundezas de esconderijos mais abjetos na carne. desorientações ou práticas que a Doutrina Espírita não endossa e até mesmo condena formalmente. Essa. questões de ordem material ou financeira. assegurar um clima de equilíbrio e proteção. Em ambiente perturbado. O cômodo destinado às sessões deve ser escolhido com critério e extremo . ou nas furnas do mundo espiritual inferior. Por outro lado. paixões subalternas e desajus tes de toda sorte. e. Nada de ilusões. no lar ou no centro. é claro que podemos contar com um esforço muito maior deles. do ponto de vista humano. quando nos dedicamos à delicada tarefa de interferir com as suas paixões. os espíritos desajustados nos buscam em qualquer lugar. já se encontre tumultuado e desequilibrado. Mas isto acontece. haja ou não haja grupo mediúnico reunido em casa. o trabalho mediúnico equilibrado e bem dirigido. Os espíritos perturbadores poderão e ncontrar meios para neutralizar tarefas que se anunciam. já somos tão assediados pelos cobradores invisíveis. de aperfeiçoar-se. é o equilíbrio psíquico. Seria o mesmo que mandar os filhos à escola e fazer por eles todos os deveres. sob a proteção de orientadores espirituais competentes e esclarecidos. Se na vida diária. rivalidades. mas. q ualquer que seja o ambiente em que se realize. é a prece. como para as pessoas que vivem na casa. daqueles que o comPõem. tanto para os espíritos trazidos para serem atendidos. são as boas intenções. de início. pois sabem que é com esses processos que nos redimimos e nos colocamos ao abrigo de suas investidas. Pode haver casos em que o ambiente psíquico de uma instituição esteja sob a influência de rivalidades. emocional. de servir. que orientam o grupo. Para cobrar nossos compromissos. Não quer isso dizer que não haja proteção e amparo por parte dos espíritos bem- intencionados que nos assistem. promissoras. O que nos defende da investida de companheiros infelizes das sombras não é a realização de sessões bem distantes do local onde vivemos. num lar tumultuado por disputas. criando brechas por onde penetrem emissões negativas e inquietantes. àqueles que deixarem cair suas guardas. ou seja. antigos comparsas de erros passados procuram sempre impedir que caminhemos pela senda áspera da recuperação. pois. O trabalho de desobsessão não é fácil. há sempre a parte que compete a nós realizar. O que garante a estabilidade de um bom grupo mediúnico não é a sua localização física. qualquer grupo torna-se vulnerável ao assédio cons tante das vibrações negativas que cercam os seus componentes. porém. ciúmes. não pode ser recomendado para um meio que. os Espíritos não a farão por nós. disputas internas. por isso. ódios e rancores. pois será difícil aos companheiros desencarnados. é o desejo de purificar-se. pode funcionar sem problemas e até com benefícios para a vida doméstica. Num lar normal. a realização de trabalhos de desobsessão poderá agravar as condições. em todo relacionamento com o mundo espiritual. Por outro lado — e isto vai dito com bastante pesar — nem todos os centros oferecem condições ideais para o difícil trabalho da desobsessão. Em tais condições.

causando choques e perturbações àqueles que se acham concentrados. quase todos gostam de relatar experiências e acon- tecimentos. O ambiente costuma ser mantido em elevado teor vibratório pelos trabalhadores espirituais. Deve ser isolado. como a boa leitura. a temática pode perfeitamente girar em torno de questões doutrinárias. A proteção magnética da sala mediúnica deve ser preservada com todo o cuidado. o que se nota. como uma sala de entrada que dê para a rua. de vez que. Quem não puder manter essas condições mínimas. Precisa ser suficientemente amplo e arejado. Sempre que a conversa descamba para assuntos menos nobres. em conversa neutra. mais difícil manter um clima de absoluta vigilância. uma pessoa da casa ou um visitante inesperado estaria tocando a campainha ou batendo à porta. deve ser provido de um condicionador de ar. A qualquer momento. Essa recomendação é tão válida para a hipótese de se desenvolver o trabalho em casa. o preparo de artigos e livros doutrinários. Em lugar desses assuntos. numa conversa descontraída. interrompendo o curso das atividades. Quando isso for impraticável. especialmente nos dias de reunião. por motivos mais que óbvios. das demais dependências do prédio. sendo inadmissível. conversas descuidadas. dado que o mal-estar físico dos participantes dificulta sobremaneira o bom andamento dos trabalhos. a sala onde se realizam os trabalhos mediúnicos deverá ser preservada. os comentários sobre o crime da semana. dessa maneira. sobre o último casamento do astro da novela. os espíritos nos demons tram. ao se penetrar no cômodo. pedindo que fiquemos nos temas de caráter doutrinário ou. por exemplo. com freqüência. por maior que seja o cuidado. por algumas horas. ou a derrota do nosso time de futebol. Com freqüência. sons de televisão ou rádio ligados nas redondezas. o estudo sério. uma passagem obrigatória para aqueles q ue não participem dos trabalhos. tanto quanto possível. por exemplo. de um dia para o outro. no decorrer dos trabalhos. O ingresso na sala deve ser feito apenas minutos antes do início da sessão. após o espaço de uma semana. Quando possível. que usualmente vai de uma reunião à outra. alguns espíritos em tratamento ficam ali em repouso. Deve estar igualmente abrigado de ruídos de tráfego ou gritos vindos da rua. Ademais. a música erudita. O ideal. visitas inconvenientes. que deixaremos para as frívolas reuniões sociais. pelo menos. Mesmo nos demais dias da semana. . O cômodo não deve ter telefones que possam tocar subitamente. não perturbar a harmonia do ambiente. que se achavam presentes à conversação prévia. a piada do dia. não deve tentar trabalho mediúnico de responsabilidade. em sua casa ou no centro. 21 cuidado. para acomodar bem todos os participantes. não interferir com os meticulo sos preparativos realizados pelos companheiros desencarnados que dirigem e orientam as tarefas. para essa finalidade. Ë preciso evitar ali reuniões sociais. Torna-se. depois. para não viciar os dispositivos de segurança do trabalho. Quer isto dizer que são proscritos dessas conversações prévias. enquanto não são removidos para instituições apropriadas. pode escapar um pensamento impróprio ou uma expressão infeliz. eles fazem uma advertência amiga. atos reprováveis. portanto. como no centro espírita. que pelo menos se tenha o cuidado de usá-lo apenas para atividades nobres. para as noites de verão intenso. é ter um compartimento destinado somente à tarefa mediúnica. especialmente porque. A recepção dos componentes e a conversação inicial serão realizadas em outro cômodo.

segundo viu o nosso médium. trazem informações valiosas. o cômodo destinado às reuniões fica completamente isolado do corpo da casa. depois de recolhido ao leito. É evidente que esse material deve ser examinado e criticado com extremo cuidado. 22 Uma boa sugestão é a de recapitular a semana. preferenternente de cor. No grupo do qual faço parte. Cessaram. O tema é tratado mais amplamente em outro ponto deste livro. ainda com relação à distribuição do pessoal em torno da mesa: sempre que possível. pois a luz branca é prejudicial a certos fenômenos mediúnicos. com mentores do grupo ou com os companheiros que estão sendo tratados ou que ainda virão a manifestar-se. a esta altura. uma pequena luz indireta. antes que a manifestação se torne ostensiva no grupo mediúnico. a sala está preparada físicamente para a reunião: mesa e cadeiras em posição. lápis. o gravador com a fita já também em posição para captar a mensagem final dos mentores do grupo. um dos médiuns viu. o caderno de preces. tendo acesso apenas por uma passagem externa. dando voltas em torno da mesa e providenciando para que fossem estabelecidas certas “ligações” com o plano superior. mais tarde. desligam-se das preocupações do dia. que os espíritos em tratamento posteriormente confirmam. inspecionam o cômodo. Aquietam-se as mentes. canetas esferográficas. em retrospecto. A experiência do pequeno grupo do qual faço parte tem sido bastante positiva neste particular. desde o preparo da sala. todas as conversas. intuições e “recados” do mundo espiritual. naquilo que pode contribuir para ajudar o desenvolvimento do trabalho. Geralmente. * Minutos antes de iniciar a sessão. Essa técnica se desenvolve com o tempo. através de aparelhos e “fios” luminosos que se prendiam às cadeiras de cada membro. Freqüentemente. A essa altura. material para eventual psicografia. a sala já está preparada pelos responsáveis espirituais. em silêncio. os livros que contêm os textos destinados à leitura. ou têm a relatar contactos mantidos. Cerca de duas horas antes. o dirigente . Depois de todos esses preparativos. ao cômodo destinado aos trabalhos. Sugere-se a cor vermelha. no decorrer do diálogo mantido com o doutrinador. em desdobramento. ini ciado no mundo espiritual. que são verdadeiros desdobramentos. os trabalhadores do mundo espiritual. a essa altura. recebem intuições ou pequenos avisos e conselhos de Espíritos amigos. toda a sessão. bem como às condições do espírito que será trazido para tratamento. De modo geral. Depois que todos os componentes do grupo forem alertados para as suas possibilidades e va ntagens. tranqüilizam-se os corações. relaxam os músculos. em retrospecto. Neste caso. passam a observar com maior atenção os acontecimentos e anotar sonhos. que parece útil. Esta é a razão pela qual cada um deve ter seu lugar fixo em torno da mesa. e se sentarão em torno da mesa. atendendo a características específicas de suas mediunidades. os “sonhos”. a água destinada à fluidificação. uma vez que os dispositivos ligados às cadeiras se destinam a fácilitar o trabalho. Outra recomendação. para que o grupo não se embrenhe pela fantasia. e todos se predispõem ao trabalho. todos se dirigirão. esses contactos são preliminares ao trabalho. papel. os médiuns e outros participantes têm sonhos.

sem comentários. ao testá-lo. Quanto ao gravador de som. O caderno de preces destina-se a receber o nome dos encarnados e desencarnados para os quais desejamos solicitar ajuda espiritual. É mais fácil. pois um espírito mais turbulento pode. A posição frente a frente parece le vantar em nós os resíduos e os depósitos acumulados pelos milênios em que enfrentávamos nossos adversários em lutas pela sobrevivência. Essas mensagens. igualmente. pois. que a água à temperatura normal do ambiente se prestava mais facilmente à fluidificação ou magnetização. sem fazer alarido e arrastamento ruidoso de cadeiras. para eliminar qualquer empecilho que possa existir entre o comunicante e o doutrinador. alcançar um entendimento com uma pessoa ao nosso lado. mi crofone já anteriormente testado. este deve ser coberto com um objeto opaco. Este conselho é ditado pela boa técnica de reuniões profanas. serão mentalizados pelos interessados. que vão debater um assunto. Na hora da prece. Não convém que a água esteja gelada: um amigo espiritual nos disse. geralmente uma obra mediúnica assinada por Emmanuel — “Vinha de Luz”. Antes de prosseguir. de preferência ao lado da mesa. à medida que são escritas. acumuladas ao longo do . deve estar pronto para entrar em ação com o mínimo de operações e ruídos: a fita em posição. o livro que contém o material de leitura preparatória. para não exacerbar o antagonismo. a nossa. de preferência posto sobre um móvel ao lado da mesa principal. Pode ser adotado o processo de indicar com um pequeno sinal. atirar os objetos ao chão. à sua agressividade. quem ficar ao lado do médium deve estar preparado para remover as folhas. Todos devem ocupar os assentos em silêncio. num movimento mais violento. Se opomos. bastará dar a partida. o objetivo não é disputar uma peleja de vida ou morte. certa vez. sobre a mesa. a qualquer um de nós. 23 deve sentar-se de forma a ficar ao lado dos médiuns e não face a face. A razão é puramente subjetiva e psicológica. É conveniente. Os nomes devem ser escritos antes de começar a sessão. Se emitir luz intensa de algum visor. do que se ela estiver exatamente diante de nós. num copo ou outro recipiente apropriado. que recomenda que duas ou mais pessoas. mas dialogar amistosamente com um Espírito em estado de confusão e desespero. Se há trabalhos de psicografia. convém que o material não fique ao alcance dos médiuns de incorporação. No grupo que freqüentamos. vários lápis apontados e esferográficas. ou por outro autor da preferência do grupo. ou seja. usualmente transmitida depois do atendimento dos companheiros necessitados. não sejam atirados ao chão. Se os trabalhos forem mistos. “Pão Nosso”. No caso das sessões mediúnicas. Tudo deve ser feito. Os móveis estão na posição certa e os lugares predeterminados. gravar a data da sessão. que desejamos despertar para uma realidade que ele se recusa tenazmente a aceitar. os nomes das pessoas desencarnadas. Lá está. “Fonte Viva” —. em forma de cruz. de psicografia e incorporação. nada conseguiremos. juntamente com pequenos copos. No momento oportuno. o material correspondente deve achar-se sobre a mesa: papel em folhas soltas. o gravador é reservado para a mensagem final. Se há psicografia. sempre em silêncio. para que. não devem defrontar-se. A água destinada a ser fluidificada deve estar num jarro de vidro. num gesto brusco. façamos uma revisão geral na sala.

Em seguida. geralmente. Finda a prece. e até mesmo levá-lo ao fenômeno do animismo. não é recomendável o procedimento. que vão sobrecarregar os companheiros desencarnados. a luz mais intensa é apagada. evidente mente. A designação prévia do médium pode criar neste uma expectativa. É bem possível que convenha encaminhar primeiro determinado Espírito. constituirão precioso repositório de ensinamentos e de experiência no trato com os problemas do mundo espiritual. 24 tempo. a postos. mas em estado de tranqüilidade e relaxamento muscular. neste momento. assim. fixando- lhes até o número de Espíritos que deverão atender. os objetos que se encontrem sobre a mesa. apenas suficiente para se distinguir o ambiente. não conhecemos. obviamente. ou seja. É que os Espíritos a serem tratados encontram-se ali. e muitas vezes. que também não deve ser longa.) Alguns grupos costumam comentar o texto lido. Acresce ainda uma observação. de uma vez. a colaboração dos amigos espirituais. na qual se solicite a proteção para os trabalhos. no ambiente. Embora se trate de uma posição respeitável e bem-intencionada. por determinado médium. de preferência em cor suave. concentrados. costuma designar previamente os médiuns que irão atuar. é feita a leitura do texto do dia. o que acarretará adaptações de última hora. com o propósito aparente de disciplinar as atividades do grupo. que pode. ou o mentor espiritual. Convém retirar. em seqüência. Os mentores do grupo conhecem bem esse mecanismo e sabem melhor como dispor as manifestações. em silêncio. mandamentais. nem guardar tom oratório: serão singelos e sem retórica bombástica. nem elaborados. um para cada sessão. tolerância e compreensão. as pessoas e os objetos. e até certa ansiedade. pelas razões já apresentadas. nem decorada. tais comentários não devem ser muito longos. As sugestões oferecidas a seguir não são. altera-se a seqüência do trabalho programado.Acreditam alguns que esse processo de designar cada médium. pois nem todos os grupos estariam preparados para identificar a dificuldade e corrigi-la. e devem ser preservadas para referência futura. o dirigente encarnado dos trabalhos. ou em tom de discurso: uma rogativa simples. que o leve a “forçar” uma comuni cação. Proporemos. Por outro lado. evita que todos sejam tomados ao mesmo tempo e se crie balbúrdia prejudicial ao trabalho. o plane - jamento reali zado no mundo espiritual. Depois de todos acomodados e em silêncio. que forneça iluminação discreta. com precisão. sofrer variações. É feita a prece. o próximo companheiro já vem predisposto e mais receptivo à doutrinação. a inspiração e a predisposição para receber os companheiros aflitos com amor. (A data da sessão deverá ser anotada ao pé da página. Procurarei apresentar as razões. bem como os médiuns que não deverão “dar passividade” a nenhum manifestante. Todos se encontram. pois cada grupo acaba por encontrar a sua dinâmica própria. restando apenas a lâmpada mais fraca. a critério de cada grupo. atentos. Em alguns grupos. indireta. um roteiro típico. Não convém correr esse risco. se não estiver bem preparado para a sua tarefa e habituado ao exercício da mediunidade vigilante. aqui. depois de presenciarem um atendimento particularmente dramático ou tocante. dentro do roteiro mais ou menos comum a esse tipo de trabalho. por desconhecimento. todos ficam recolhidos. designamos outro médium. e se. Na minha experiência .

há uma pausa. num grupo bem ajustado. em termos inequívocos. Concluída a mensagem final. É excusado dizer que a sessão deve ter hora prefixada para começar e para terminar. Os manifestantes. dificilmente poderão ser ajudados de outra vez. quanto menos interferirmos. que irão atuar ou não. que não têm necessidade de anunciar-nos previamente o plano de trabalho da noite. 25 pessoal. tudo fazem para permanecer como estão. ou não. que. É que. procuram demorar-se. às vezes barulhentas e indignadas. de vez que outras tarefas inadiáveis os aguardam alhures. no estado de confusão mental em que se encontram. Certa vez. por iniciativa dos manifestantes. convém gravar. após uma sessão mediúnica. no recinto. para provocar distúr bios e levar o pânico ao grupo. o espírito manifestante. tivemos a esse respeito uma lição preciosa. mas. que deve ser usada para uma pequena prece. em total dissonância com as palavras de amor fraterno que há pouco foram ditas. para que possam ser úteis a todos. pelo dirigente. um dos orientadores recomendou-nos. Esgotado o prazo. que evitássemos a repetição do ocorrido. nunca encontrei essa dificuldade. o diálogo ainda se alongou por alguns minutos. o que seria desastroso. lutam desesperadamente para continuar a crer ou a descrer naquilo que lhes parece indicado. Percebendo que a hora se esgotava. Épreciso. Terminado o atendimento. dizia que os comentários devem ser disciplinados. durante a doutrinação. por algum tempo. Os companheiros necessitados devem ser atendidos rigorosamente dentro do horário a eles destinado. Terminado o atendimento. ele apelou para a boa educação: — Você está me mandando embora? E com essas e outras. os trabalhos são encerrados com uma prece. Pelo contrário. e o mecanismo de segurança fica substancialmente enfraquecido. Quando o dirigente lhe disse que precisava partir. recolhimento e carinho é insincera. Se percebem que toda aquela atitude de respeito. muito ardilosamente. enquanto se aguarda a palavra final dos mentores. que ajuda a repor o ambiente em termos mais calmos. Explicou que o trabalho mediúnico é protegido e assistido por uma equipe de segurança. composta de obreiros do lado de lá. para futura referência e estudo. que tais comentários obedeçam a uma disciplina. os Espíritos atendidos ainda permanecem. O dirigente . começou a manobrar para ganhar tempo. usualmente. A lição é importante. Seria desastroso que um comentário descaridoso fosse feito. Em hipótese alguma deve permitir-se que. seja ultrapassada a hora. no entanto. melhor. os mentores terão recursos suficientes para contê-los. Embora inconscientemente desejem ser convencidos da verdade. Em suma: a seqüência da apresentação dos desencarnados e a escolha dos médiuns. para que ele se desenrole harmoniosamente. sabendo disso. eles têm que se retirar. Por isso. Os espíritos turbulentos. É hora dos comentários finais. como vimos. * Há sempre o que comentar. É freqüente verificarmos que outros médiuns já se acham ligados aos próximos manifestantes. até que chegue a vez de falarem. devem ficar a critério dos dirigentes espirituais do grupo. depois das várias manifestações de companheiros aflitos.

qualquer que seja o local onde nos encontremos. especialmente do médium pelo qual se manifestaram e do dirigente que se incumbiu de doutriná -los. na esperança de nos neutralizar. que eu conhecia. Mesmo durante o espaço de tempo que vai de uma reunião à próxima. Nos momentos em que sentirmos que vamos fraquej ar. com o mínimo de interferência. de certa forma todos estão envolvidos nas tarefas. preparados para uma interpelação. logo na sessão seguinte: — Você não falou com a minha mãe! Respondi-lhe que não tinha ainda uma palavra tranqüilizadora para dizer a ela. especialmente os que moram longe. em virtude de terrível pressão de problemas humanos. no decorrer da semana. sem gargalhadas estrepitosas. e os componentes do grupo. pois percebem a presença desta ou daquela entidade. falar do verdadeiro estado de aflição em que se encontrava ele. na intimidade do ser. Por outro lado. os médiuns videntes do grupo devem ajudá-lo discretamente. o comportamento de todos. Os comentários finais não devem prolongar-se por muito tempo. precisam retirar-se. em grande estado de agitação — desencarnação recente. deve ser discreto. e não podia. de maledicência. sem elevar demasiadamente a voz. É preciso que se tenha o cuidado para não pregar uma coisa e fazer outra inteiramente diversa. avaliar a sinceridade. O mesmo se aplica aos médiuns clariaudientes. oferecemos brechas causadas por impulsos de cólera. para que possam continuar no livre exercício de suas paixões e desvarios. Os irmãos desesperados certamente nos cobrarão. ainda no recinto. no próximo encontro. Antes de se retirarem. Todo cuidado é pouco. pois o trabalho os espera pela manhã do dia seguinte. incapazes de errar. em circunstâncias trágicas — me pediu que falasse com sua mãe. as fraquezas que conseguiram identificar em nós. felizes e bem- humorados. pois não tinha ainda o que dizer à pobre senhora. que nada tinham a ver com o trabalho mediúnico: . enfim. 26 deve perguntar pela experiência de cada um. pois eles o farão. Geralmente. no desespero inconsciente em q ue se acham. Estejamos. Outro me disse. ao terminar a sessão. observar que o trabalho dos componentes de um grupo mediúnico não termina com o encerramento da sessão. evidentemente. com as suas lutas e canseiras. de intolerância. ou têm acesso a fenômenos que usualmente interessam ao bom andamento dos trabalhos ou trazem indicações a serem utilizadas na sessão seguinte. os Espíritos em tratamento nos dizem claramente que nos seguiram em nossa atividade normal. é tarde da noite. durante os trabalhos. ao cabo de uma semana particularmente angustiosa para mim. é distribuída a água. emanações negativas que os companheiros infelizes estão sempre prontos a emitir contra nós. porém. assim. Os médiuns videntes sempre têm algo a dizer. estaremos admi tindo. Inúmeras vezes. Mesmo que a sessão tenha terminado. É preciso. É claro que não nos podemos colocar como seres puríssimos e redimidos. aqueles companheiros particularmente enfurecidos tentarão. por mais uma noite de trabalho redentor. Desejam testar a boa-vontade. embora estejam todos. o Espírito me cobrou. de invigilância. Se o dirigente não dispõe do recurso da vidência. em ordem e discretamente. Certo Espírito. Embora eu não o tenha prometido. usualmente. recomenda- se uma parada para pensar e uma pequena prece. certamente. Se. envolver-nos com seus artifícios. ajuizar-se do comportamento de cada membro do grupo.

porém. para o aprendizado constante que representam as tarefas mediúnicas. Essa tarefa deve caber. Sugere-se. um resumo do trabalho realizado em cada reunião. aguardando a próxima oportunidade. o médium que lhe seja mais indicado pelas características da mediunidade ou pela natureza do trabalho a ser realizado. Isto não é. para referência. suspenso. ao voltar. em favor da continuidade dos trabalhos e da assiduidade dos médiuns. a assiduidade dos médiuns e a continuidade do trabalho são vitais ao seu bom rendimento. aqueles que cuidam desses problemas. os mentores espirituais escolhem. uma ata. como modelo. Ainda te pego! * É oportuno colocar. * Ainda uma sugestão. Assim. a não ser que a sessão seja de pesquisa. Feita a ligação. hoje. para cada manifestante. Lamentavelmente. . Quando se trata de tarefa de desobsessão. nas vezes subseqüentes. Se a comunicação final for gravada. não é preciso ir a esses rigores. num caderno. mas também. esses livros se acham. de preferência. o Espírito. Guillon Ribeiro. Anote-se a data e. querendo. É sempre útil que alguém se incumba de anotar. esgotados. a não ser por motivos muito fortes e justificados. sob o título “Trabalhos do Grupo Ismael”. mas bibliotecas especializadas dispõem de exemplares. ao dirigente ou a alguma pessoa que se mantenha lúcida — sem transe mediúnico — durante toda a sessão. virá usualmente pelo mesmo mé- dium. basta uma referência identificadora. a série de livros publicados pela Federação Espírita Brasileira. o trabalho junto ao sofredor fica como que em expectativa. preparados com extremo cuidado e competência pelo Dr. o número de ordem da sessão. Se o médium falta. um argumento muito válido. para consulta. aqui. Como não ignoram. A prática de reproduzir sumariamente os principais aspectos de cada manifestação se revelou sempre de grande alcance. Descreva-se cada manifestação e faça-se um resumo do diálogo mantido com o Espírito. 27 — Esta semana eu quase te peguei. não apenas na condução dos trabalhos.

28 SEGUNDA PARTE AS PESSOAS .

da que circunda a pessoa desequilibrada. como se estivesse atrás de uma espessa máscara. na rua. Além do mais. com o que diz e faz. Por isso. nos cinemas. e. declarou seu espanto. está hoje perfeitamente documentada através da câmara de Kirlian. Nosso procedimento é minuciosamente analisado. aqui. e um senhor idoso. Muito do que conseguimos obter. O amigo confirmou e justificou: — Meu caro confrade: a gente. em condições de conferir cientificamente e documentadamente as observações dos videntes do passado. ao escrever esta página. não podemos esquecer-nos de que os Espíritos dispõem de maior liberdade de ir e vir. É que a “atmosfera” psíquica que carregamos conosco resulta do nosso pensamento. impiedosamente. na intimidade do lar. e confrade muito inteligente. ou na região perispiritual do ser. em forma. como dizia tão bem o sensitivo americano Edgar Cayce. e complementadas posteriormente. Eles nos vigiam. e que. para nos mostrarem que somos tão imperfeitos e pecadores quanto eles mesmos. nos arvoramos em santarrões de fachada. num intercâmbio tanto mais proveitoso quanto melhor for a afinização entre os diversos componentes encarnados e desencarnados. nos restaurantes. éocupação que toma vinte e quatro horas por dia. especialmente no que se convencionou chamar de desobsessão. isto é impossível: mostramo-nos em toda a nudez da nossa imperfeição. procuram. certa vez escandalizou seus ouvintes. da mesma forma que a gradação espiritual é facilmente identificável pela aparência “visual” do Espírito desencarnado. o procedimento diário precisa ser correto. no escritório. como ele. não obstante. precisa convencer-se de que deve estar em permanente vigilância consigo mesmo. Ao terminar sua exposição. Ainda não estamos. 29 2 OS ENCARNADOS O trabalho do grupo mediúnico se desdobra simultaneamente nos dois planos da vida. Do lado de lá. E isto. do que nós. Principalmente com os . que capta na chapa fotográfica o espetáculo colorido e movimentado que se desdobra na aura dos seres vivos. Estaria completamente equivocado aquele que julgasse que o trabalho se realiza apenas durante a sessão propriamente dita. mas não apenas por isso. É claro. nos seguem por toda parte. durante as duas horas da sessão. quanto à interpretação dos fenômenos luminosos produzidos na aura. numa palestra pública. agressiva. durante a noite. com seus pensamentos. no entanto. no auditõrio. com espírito crítico. ao verificar que um espírita esclarecido. disfarçado. Somos aquilo que pensamos. quase sempre. na carne. e haveremos de nos certificar de que a aura do ser pacificado difere muito. sensual. que aquele que resolver dedicar-se ao trabalho mediúnico. para perguntas e comentários. Lá chegaremos. a palavra foi franqueada. descobrir os nossos pontos fracos. pois. Cada atitude mental imprime à aura suas características. desenvolvidas em desdobramento. colérica. Um amigo meu. ainda desarmonizados. pelos companheiros invisíveis que. ciumenta. que era apenas uma afirmativa de caráter teórico. em hora e meia ou duas horas de sessão. vai levando a vida escondido. por todos os meios. declarando que tinha medo de morrer. cor e movimento. depende de inúmeras tarefas preparatórias. tivesse medo de desencarnar. nos observam.

voltará a falar. Toda atenção é pouca. mas estaremos sempre prontos a advertir-nos interiormente e a reajustar a mente que. a criança. Exemplos? Há muitos: o envolvimento numa conversa male dicente. Não é que tenhamos que nos isolar. a ponto de viver rezando pelos cantos. Somos. somarmos as que rece- . pois. com a maior facilidade. porém. E quem sabe se o aleijado dispõe de conhecimento construtivo que possa transmitir ao mudo? Este. A doutrina explica-nos que tais fenômenos são usualmente reali zados por espíritos de condição vibratória compatível com a nossa. Como seres imperfeitos. talvez. em relação ao chefe ou companheiro de trabalho. com relação a alguém que se destacou por qualquer motivo. em termos vibratórios — para usar uma palavra mais ou menos aceita — que dificilmente conseguem eles alcançar-nos. e a diferença evolutiva entre nós. Ai de nós. A vigilância dispara o sinal de alarme: a prece. Nosso trabalho é aqui mesmo. aqui na Terra. também imperfeito. não é lá grande coisa. amparar o coxo. Também somos pecadores. de falhas clamorosas.. inquietações. É preciso desenvolver um mecanismo automático interior. de viver com o semelhante. diante de nós. no passado mais distante e no passado recente. às deficiências que carregamos. a mulher. para nos defender dos párias. Não é difícil. senão aqueles que ainda estão a caminho com eles? A distância entre nós e os que já se redimiram é tão grande. ajuda o cego. Há milhões de motivos. Não há como fugir de ninguém e isolar-se em to rres de marfim. mas significa que devemos policiar-nos constantemente. aliás. uma piada grosseira e pesada. um pensamento de rancor ou de revolta. pois vive mos num mundo transviado. Ninguém precisa chegar. a Providência Divina vale-se precisamente dos imperfeitos para ajudar os mais imperfeitos. temos. um dia. ou. Os espíritos elevados não participam diretamente de tarefas desta natureza. se. Quem poderia alcançar estes. O que enxerga um pouco mais. exatamente porque reflete o transviamento da massa de seres desajustados que vivem na sua psicosfera. E é necessário. para ensinar e construir. pois. mosteiros inacessíveis. Não quer isto dizer que temos de nos transformar em santos da noite para o dia. a defesa e a correção. com o homem. porém. como se vê em André Luiz. Vivemos num universo inteiramente solidário. Daí a recomendação da vigilância. o velho. aos extremos do misticismo. embora a supervisionem cuidadosamente. e façamos um esforço muito grande para nos livrarmos deles. junto ao nosso espírito. mas. no futuro. Por outro lado.. com as mesmas angústias. o distraído olhar de cobiça para uma mulher atraente. Não vamos deixar de ter as nossas falhas. O mesmo princípio opera. no qual uns devem suportar e amparar os outros. ou de inveja. mazelas e imperfeições. numa redoma ou numa couraça. grutas perdidas na solidão. na rua. Será que ainda não descobrimos que somos párias também? A vigilância é para que fique mos apenas com os males que nos afligem intimamente. na lingua gem evangélica: amar-nos uns aos outros. E como!. para um trabalho direto. assim. a leitura de livro pornográfico. este disponha de pernas para caminhar e pode. a assistência a um filme pernicioso. nos fenômenos de efeito físico. uma tremenda multidão de estropiados espirituais. temendo o “contágio” com os pecadores. que acenda uma luzinha vermelha a qualquer “fuga” ou distração maior. 30 pensamentos. que nos cercam por toda parte. pode levar-nos a escorregões de imprevisíveis conseqüências. a cada momento. de olhos baixos pela rua. no sentido de que todos trazemos fe ridas não cicatrizadas. seres humanos como nós mesmos.

ou coléricos. por exemplo. pois. Daí a advertência de que o trabalho mediúnico. abster-se de carne. já se trata de aproximação de Espíritos angustiados. ou a irresponsabilidade de outro. De outras vezes. a respeito deles. como no caso do súbito mal-estar próprio ou de um membro da família. Já bastam as nossas mazelas. É nesse sentido que deve funcionar o mecanismo de advertência.) É possível que. para tratamento. e um pensamento de comodismo e preguiça nos segreda a palavra de desânimo. Que não se cometa. desde cedo. em vez de cuidarmos. pelo menos nesse dia. Ali mentação sóbria. consiste em atacar aqueles que interferem com seus planos. Os Espíritos trazidos às reuniões. geralmente. durante o dia ou nas horas que precedem a reunião. para continuar a proceder como acham de seu direito e até de seu dever. agressivos. a ingenuidade de pensar que são ignorantes. Para que captar outras que infelicitam os companheiros de jornada? * Estas recomendações e sugestões nada têm de puramente teórico ou acadêmico. de aniquilar a nossa arrogância. como por encanto. não hesitarão em promover qualquer medida defensiva. leve. (Muitas vezes. As recomendações de comportamento adequado são particularmente rígidas para o dia em que as sessões se realizam. e é necessário prescindir do álcool e do fumo. 31 bermos por “contágio espiritual”. Se em lugar de vigilância e prece. um pouco de repouso físico e mental. por exemplo. apresentam-se hostis. com relaxamento muscular e pacificação interior. ou até mesmo os provocaram. sintonizamo-nos com as suas vibrações agressivas e acabaremos por ser envolvidos. encarnados. mas o . e mais bem informados do que nós. Sempre que possível. especialmente se o grupo mediúníco se envolver em tarefas de desobsessão. inexplicavelmente agitada ou inquieta. Muitos obreiros promissores têm sido afastados de tarefas redentoras por pequeninos incidentes como estes. Chegam impetuosos e dispostos a fazer qualquer coisa. à hora da saída para a reunião. No dia seguinte. certamente. Enfrentemos com disposição e coragem os empecilhos naturais que possam obstar o comparecimento à reunião: um mal-estar de última hora. ou uma criança se ponha a chorar.” (1) Resguardarem-se todos na prece. Nem percebem que os companheiros das sombras souberam tirar bom partido dos acontecimentos. irônicos. nesse campo especializado. que transmitem suas vibrações depressivas. na vigilância. Não custa muito. chegue uma visita inesperada. chove ou faz muito frio. ou o egoísmo de um terceiro. “os integrantes da equipe precisam. São essenciais. Cuidado. a rigor. lhes oferecemos o flanco desguarne cido. Isto se dará. cultivar atitude mental digna. até neutralizá -los de todo. Fugiremos ao envolvimento em discussões e desajustes de variada natureza. ou calor excessivo. e essa defesa. “No dia marcado para as tarefas de desobsessão” — escreve André Luiz —. se. passarmos a imitar a avareza do irmão que segue ao nosso lado. principalmente no caso dos médiuns. Com freqüência enorme são inteligentes. o mal-estar terá passado. No desespero em que vivem mergulhados. é tarefa para todas as horas do dia e da noite. ou horas depois. que se vão somando. Geralmente são trazidos porque foram incomodados na sua atividade lamentável.

Eles vivem num contexto que lhes parece tão natural. Assim sendo. O responsável pelo grupo. mais adiante. reservas. e nunca o diremos com ênfase bastante. Francisco Cândido Xavler e Waldo Vieira. basta dizer. dos verdadeiros responsáveis pela tarefa global. por isso. um auxiliar. A grande vitória começa com as pequenas escaramuças. até que se afastem os elementos dissonantes. pelo menos por algum tempo. FEB. e perfeita unidade de propósitos. Julgam-se com direito de fazerem o que fazem. O dirigente do grupo não é o que se senta à cabeceira da mesa e dá instruções — ele é apenas um companheiro. autoridade sem prepotência. pois esta é a sua especialidade. serenidade. infelizmente para eles próprios. Não pode haver desconfianças. No momento em que o desentendimento e a desafeição começam a medrar entre os encarnados. Cuidado. capitulo 1. restrições mútuas. Se os componentes do grupo oferecerem condições de desentendimento. e. o grupo está em processo de desagregação. um coordenador. como disputa pelos diversos postos: dirigente. médium principal e outras infantilidades. Ainda falaremos disso. num grupo responsável e empenhado em trabalho sério. que deve predomlnar entre os encarnados um clima de liberdade consciente. como o de qualquer outro ser humano. franqueza sem agressividade. reservado. que se acham no mundo espiritual. * Quanto aos componentes encarnados do grupo. a fim de continuarem a agir na impunidade temporária em que se entrincheiraram. 32 trabalho das trevas já está feito: um obreiro a menos na seara. em suma. é melhor que um grupo com dimensões internas encerre suas atividades. ao longo dos séculos. qualquer desarmonia interna. porque para eles isto é questão de vital importância. firmeza. mais uma vez lembramos: é vital que os unam laços da mais sincera e descontraída afeição. Nem sempre o fazem por maldade intrínseca. senão isto: atirar as criaturas umas contra as outras. Muitos deles não têm feito outra coisa. pois o trabalho das equipes encarnada e desencarnada deve ser . provocarão a desagregação impiedosamente. não resta alternativa senão o afastamento. afeição sem preferências. Ë preciso entendê-los. deve procurar os desajustados para entendimento particular. 3ª ed. justificável e lógico. não se detêm diante de nenhum escrúpulo ou temor. Isto implica dizer que os elementos perturbadores dessa harmonia interna devem ser prontamente identificados. Os espíritos desarmonizados sabem tirar partido de tais situações. se o grupo almeja tarefas mais nobres. dividindo para conquistar. pelo menos naquele dia. atenção. Não se admite. Qualquer dissonância entre os componentes encarnados pode servir de instrumento de desagregação. indispensável. O bom entendimento entre todos é condição (1) Desobsessão. ou quem for para isso designado. Por ora. lealdade sem submissão. insubstituível. Qualquer sintoma de rivalidade entre médiuns deve ser prontamente identificado e combatido. Se não for possível reconduzi-los a uma atitude construtiva.

porém: nada de processos inquisitoriais. Não apenas o grupo se privará do seu concurso. sentindo-se como que “expulso”. em cada reunião. todas aquelas que dizem respeito. Cumprir o desagradável mandato com amor. . quase um “excomungado”. repetimos. à gestão terrena do grupo. embora não mencionado usualmente nas anotações sobre trabalho mediúnico. O que esperam de nós é um clima de harmonização. isto é. ligados à tarefa. O bom senso e a prece serão sempre os melhores conselheiros. Talvez o companheiro perturbador possa retornar à tarefa mais adiante. Eles desejam que nós sejamos capazes de discernir e assumir a responsabilidade pelos nossos atos. Por outro lado. colocar diante de nós a tarefa que desejam que realizemos. como ele próprio. não há como hesitar. para que possam. ou rancores surdos. pois disso também se aproveitariam os irmãos desencarnados que precisam do nosso afeto e compreensão. já regenerado. mas entre sacrificá-lo pessoalmente e sacrificar todo o programa. Atenção. que o desprotege espiritualmente e o precipita em imprevisíveis aflições. Este aspecto é aqui abordado com franqueza e sem temores. mas também com firmeza. mas os objetivos e finalidades do grupo devem ficar a salvo de nossas paixões. A decisão de afastar alguém não é fácil. por assim dizer. Se. haveremos de encontrá-la. Os benfeitores espirituais. dificilmente nos darão ordens para admitir este componente ou desligar aquele. para isso. cabem aos encarnados. essas e outras decisões. porque. Não se trata de criar uma atmosfera inquisitorial de espionagem mútua. É preciso que ofereçamos a eles aquele mínimo de condição indispensável. for necessário afastar um ou outro companheiro. quando não de revolta. equilíbrio e serenidade. e nem deve ser tomada precipitadamente e por ouvir dizer. mais cedo ou mais tarde. 33 colocado acima das nossas posições pessoais. em situa ções como essa. teremos que fazê -lo. de desconfianças e rivalidades. poderá cair numa faixa de desânimo. é uma das grandes e freqüentes dificuldades ocorridas em inúmeros grupos. qualquer que seja a sua posição. Precisamos estar preparados para ela porque. pois é uma ação de natureza grave.

O jovem herói. 34 3 OS MÉDiUNS O capítulo 32. mais exposto ficará ao assédio dos companheiros invisíveis que se opõem ao seu esforço evolutivo. Sabemos. do aprendizado espírita. intermediário). com propostas. isto é. um ser encarnado. o assédio. no sentido de colocá-lo. Não se trata de um ser aureolado pelo dom divino. como também podem ser antigos e ferrenhos desafetos ou comparsas de crimes hediondos. como se o médium fosse colocado à parte e acima dos vis mortais. por ela. às . e a doce cantilena do êxito ma- terial. sujeito. bem planejados e. o planejador eficiente e hábil que facilmente submeteu todos os demais à sua vontade. e dedica-se a trabalho humilde. Revelando o cuidado e o extraordinário poder de síntese que Kardec sempre demonstra. que a mediunidade. semear e plantar. deseja esquecer o passado tenebroso. que lhe é concedido em confiança. envolvimento ou oferta. porque sua capacidade de sintonizar-se com os desencarnados o expõe a um grau mais elevado de influenciação. longe de ser a marca da nossa grandeza espiritual. e sugere a seguinte definição: — Médium — (Do latim medium. mas depositário desse dom. em virtude da prática de assaltos audaciosos. ou talvez mais ainda. encontra o amor na pessoa de uma jovem. para colher mais tarde. De certa forma. de “O Livro dos Médiuns”. ao contrário. como seres de eleição. o indício de renitentes imperfeições. antes. uma faculdade. uma capacidade concedida pelos poderes que nos assistem. um ônus. um risco. mas não no sentido humano. isso é válido para todos nós. Representa. um instrumento com o qual o médium pode trabalhar. por certo. Vemos. acima dos seus companheiros desprovidos dessas faculdades. tão propenso à queda quanto qualquer um de nós. é. Enfim: o médium utiliza -se de uma aptidão que não faz dele um privilegiado. Tudo é tentado para afastá-lo do caminho da recuperação. Ao sair da prisão. por conseguinte. Vale tudo. que podem ser bons e amigos. essa definição é um primor de clareza. É. para uso adequado. Quanto mais amplas e variadas as faculdades. portanto. Qualquer ardil serve. mas honesto. mas aqueles que dispõem de faculdades mediúnicas estão como se tivessem devassado o seu mundo interior a seres desconhecidos e invisíveis. que acreditava na capacidade evolutiva do ser humano. para apressar ou abreviar o resgate de suas faltas passadas. na escala dos valores. que o médium é uma pessoa. Começa o cerco. naturalmente. o cérebro da organização. meio. Pessoa que pode servir de intermediário entre os Espíritos e os homens. qualquer pressão. com a má utilização dos talentos sobre os quais nos falam os Evangelhos. intitula-se “Vocabulário Espírita”. Fora o líder de seu grupo. às imperfeições e mazelas que nos afligem a todos e. O médium foi realmente distinguido com o recurso da mediunidade. Seus ex- companheiros de crime desejam-no de volta ao grupo. Isso me faz lembrar um filme que vi há algum tempo. Estivera alguns anos na prisão. É nessa fase de reconstrução íntima e esforço regenerativo. por outro lado. ou ferir-se mais uma vez. pelo esforço de um trabalhador social compreensivo. obteve liberdade condicional. ameaças. aos prazeres. de baixa remuneração. para produzir mais. que os antigos comparsas o encontram. muito rendosos financeiramente.

não quer dizer que ele esteja àmercê dos companheiros desvairados das sombras. mas não se envaideça do que aprendeu nem dos recur sos que conseguiu desenvolver. Isso está amplamente documentado na Codificação. quase sempre. Os dirigentes de grupos devem combater sem tréguas o “vedetismo” de alguns médiuns. enfrente os problemas da existência: profissionais. questão 123. como qualquer outro: nem melhor. corrigindo. Nada de pânico. nem superior. Não deixe de estudar suas faculdades. 35 loucuras. as cicatrizes. Estude. compulsando livros doutriná rios de confiança. nem inferior. buscam-no incessantemente. o bom combate. nos grupos mediúnicos. de que nos falava Paulo. atento. mas não seja temerário. sem rancores. acima de tudo. enfim. é um ser em liberdade condicional. a não ser que ele próprio deixe cair suas guardas. Cabe a ele provar que já écapaz de fazer bom uso dela. Ele contará sempre com a proteção carinhosa e atenta de seus guias. Procure manter um bom clima mental. dar-se destaque indevido ao médium que recebe. obsessores impiedosos. mas eles não estão interessados em preservar as nossas ridículas suscetibilidades e vaidades. Os primeiros manifestantes são. mas são também firmes e rigorosos. humanos. acrescentando. Na hora da tarefa. as “tomadas” para o erro. fa miliares. quando necessário. que é da essência mesma do seu compromisso. se os médiuns que não o recebem ficam enciumados. A semelhança com a situação do médium é impressionante. tolerantes e serenos. atormentados seres do mundo das dores. pacientes. modificando. Ou. segundo “O Livro dos Espíritos”. ele precisa estar vigilante. A tarefa não é fácil. ligado a um bom grupo de trabalho. por exemplo. para o azul infinito da libertação espiritual. É comum. sem prepotência. porém. nem pior. traz em si o apelo do passado. trate de se corrigir. — Por que há Deus permitido que os Espíritos possam tomar o caminho do mal? — pergunta Kardec. para as palavras de esclarecimento e as diretrizes gerais. leia. à irresponsabilidade. informações e. amorosos. daqueles que estão interessados no seu progresso espiritual. o orientador desencarnado. melhorando. assistência. tentando impedir que ele se escape. porque. que por muitos séculos planejaram e executaram juntos crimes inomináveis. Mais do que qualquer um de nós. sociais. O médium. às vezes até com inesperada severidade. Seus comparsas não se conformam. então. são associados de outros tempos. Isso é particularmente agudo quando a mediunidade começa a desabrochar. Não lhe faltarão recursos. mais do que aqueles que não dispõem da faculdade. mal curadas. trabalho mediúnico. vigie seus sentimentos. é claro. como um pequeno balão. o problema é de cada um. Participe da luta diária. sem humilhações. quer ele deseje ou não. . Se o médium que os recebe sente-se envaidecido. de falhas dolorosas. observando suas próprias faculdades. utilizando-se dos demais médiuns. O fato de ser ele uma pessoa dotada de antenas psíquicas. como todos nós. que o põem em relação com o mundo espiritual. das trevas onde se escondem. e. o peso específico que o arrasta para baixo. O ideal seria que os orientadores se revezassem. A experiência com os espíritos ensina- nos que eles são compassivos. verdugos que não desejam deixar escapar a presa pelos portões do trabalho regenerador. é um simples trabalhador. eliminando. viva com simplicidade. Não tema. como qualquer um de nós. pois nem mesmo a Kardec deixaram eles de dizer o que era necessário dizer.

ou companheira. nesse sentido. fornecendo ocasionais indicações e instruções. O dirigente humano acompanhará atentamente o trabalho. talvez intuições. o componente da equipe deve comunicar-se. meros aprendizes primários de uma verdade que transcende. Em casos extremos. e dificilmente a palavra falada. de preferência. cada um tem o mérito de suas obras. Com ela. da faculdade. assim. não se espere que os benfeitores espirituais tomem precauções especiais para nos preservar o orgulho e a vaidade. operando através da vidência de um. Nada de açodamento. ou até mesmo se utilizando. nem desligá-la do grupo. E o interlocutor era Allan Kardec! Por que razão ficarão com “panos quentes” conosco. com o dirigente. revelar a existência de outros médiuns em potencial. mas a experiência revela que nada substitui a palavra falada. de euforia. Os benfeitores espirituais terão melhores oportunidades de desenvolver suas tarefas por nosso intermédio. da clariaudiência de outro. neste livro. Num grupo bem orientado. O assunto é demasiado complexo para um tratamento sumário e foge aos objetivos das nossas especulações aqui. da mediunidade de efeitos físicos. nem de temores. de Allan Kardec. tão logo lhe seja possível. é“O Livro dos Médiuns”. neste caso. É possível. da formação ou do desenvolvi mento do médium. sem interromper os trabalhos em curso. de fanta- sias. ajudando o companheiro. que têm outros. todas as potencialidades serão devidamente estudadas e aproveitadas. poderia ser substituida. de exteriorizarem ectoplasma. Não é necessário. nesse tipo de trabalho. de excitações. no decorrer do tempo. sem perda considerável da eficácia do processo. Quando estes pequenos fenômenos ocorrerem. contudo. sua sinceridade. A mediunidade que melhor se presta aos trabalhos de desobsessão é a psicofonia. quando possível e necessário. nas lides iniciais da sua empreitada. Que ela se mantenha junto aos companheiros. clariaudiência. 36 E eles respondem: — Como ousais pedir a Deus contas de seus atos? Supondes poder penetrar-lhe os desígnios? Podeis. Os fenômenos começarão espaçados e indecisoS: rápidas vidências. seu estado de irritação ou de serenidade. todavia. ou de incorporação. em muitos aspectos. depois de encerrada a sessão. Não quer isso dizer que o grupo deva reunir apenas mediuns de incorporação. porqüanto. suas vacilações. . até que a mediunidade nascente comece a desabrochar e possa ser utilizada. em trabalhos especiais que ainda discutiremos. Há obras que cuidam do problema. mas é preciso não se esquecer que o ponto de partida de qualquer trabalho. sentimos com maior facilidade as reações que se processam no manifestante. impulsos de dizer ou escrever algo. suas emoções. da intuição de um terceiro. a não ser por motivos imperiosos. colocar a pessoa em quarentena. O diálogo com o desencarnado é da própria essência da tarefa. poderá ser utilizada a psicografia: o doutrinador falaria e o espírito responderia por escrito. que as tarefas do grupo mediúnico venham. Não cuidaremos. ou seja. Os benfeitores espirituais saberão como conduzir o labor necessário. na posição que sempre ocupou e aguarde a sua vez. no entanto. a nossa compreensão? Assim. direta e viva. sua personalidade. dizer o seguinte: A sabedoria de Deus está na liberdade de escolher que Ele deixa a cada um. seus cacoetes. suas ironias. quando dispuserem de mais ampla variedade de faculdades.

para que se lhes apure a capacidade de transmissão. seja pela sua conduta geral. um valioso decálogo de recomendações e sugestões. enfim. qualquer atividade em paralelo com eles. no seu já citado “Desobsessão”. * Interesse real na melhoria das próprias condições de senti mento e cultura. canetas. aproveitando observações e avisos para melhorar-se em serviço. à reprimenda. conquanto saiba agradecer o estímulo e a amizade de quantos lhe incentivem o coração ao cumprimento do dever. Nesse caso. Em decorrência dessa particularidade que. * As pessoas que lidam com médiuns. que essa ou aquela entidade queira pronunciar por seu intermédio. * Abstenção de melindres ante apontamentos dos esclarecedores ou dos companheiros. * Fixação num só grupo. Ou. . eflúvios magnéticos. * Reconhecimento de que o médium é responsável pela comunicação que transmite. mais sensíveis também à crítica. inclusive reprimir todas as expressões e palavras obscenas ou injuriosas. * Domínio completo sobre si próprio. é da própria essência da mediunidade. à palavra agressiva. a que se refere André Luiz. os médiuns presentes serão. enquanto ele se acha doutrinando. André Luiz nos oferece. por outra: são médiuns exatamente porque têm a sensibilidade mais aguda do que o comum dos homens e das mulheres. * Uso do vestuário que lhes seja mais cômodo para a tarefa. óculos e jóias. * Aceitação dos próprios erros. André considera tais cuidados “essenciais ao êxito e à segurança da atividade” atribuida aos médiuns. as vezes. que desempenham. Mesmo que o leitor disponha de um exemplar. à atitude antifraterna. que trabalham junto deles. alijando. pois. para aceitar ou não a influência dos Espíritos desencarnados. incumbidos de o auxiliarem com pequenas e discretas observações e recomendações recebidas dos benfeitores. porém. os objetos que costumem trazer jungidos ao corpo. no fundo. É aconselhável. em trabalho mediúnico. parece que vale a pena reproduzir aqui o texto. aos médiuns psicofônicos: * Desenvolvimento da autocrítica. são mais suscetíveis. como sejam relógios. tanto quanto ao elogio e à bajulação. * Discernimento natural da qualidade dos Espíritos que lhes procurem as faculdades. não devem esquecer-se de que esses companheiros de seara são criaturas dotadas de certo grau de exaltação da sensibilidade. ou audiência. Isso deve ser feito com muita sutileza e de maneira breve e sumária. linguagem. * efesa permanente contra bajulações e elogios. como vi dência. evitando as inconveniências do compromisso de desobsessão em várias equipes ao mesmo tempo. Como a psicofonia é a mediunidade mais indicada para esse tipo de tarefa. 37 Tal variedade de faculdades é particularmente desejável quando o doutrinador não for dotado de mediunidade ostensiva. seja pelas impressões de sua presença.

O leitor deverá notar. e compreensão entre os seus diversos componentes. Não vamos. o médium não deve ser abandonado à sua sorte. seja entre os encarnados. Há manifestações difíceis. que deve ser tratado com atenção. a ele e ao grupo. Um desses pontos é o relacionamento entre os componentes do grupo. pois. porque isso exporia. impõem condições inaceitáveis ao exercício das faculdades mediúnicas. Em casos assim. exclusivo ou extraordinário. porém. É preciso que o dirigente dos trabalhos tenha bom senso suficiente para distinguir até onde vai a disciplina. ao longo deste livro. nem o escravo acorrentado aos caprichos dos desavisados que. Em breve. Para que o trabalho se desenvolva com segurança e eficácia. para reaparecer ali. e que desaparecem aqui. Evidentemente. Tentemos explicar o que significa. exaustiva e bem realizada. com nova ênfase. de submeter o médium a um regime disciplinar inadequado. tanto quanto possível. no caso. que precisa ser preservada. Não custa. seja entre estes e os desencarnados. Deve ser-lhe grato pela sua contribuição ao grupo. que deverá estimular sua responsabilidade e não sua vaidade. A mediunidade é um mecanismo extremamente delicado e sus cetíve l. mas é preciso estar atento para que tais questões não venham a perturbar a tarefa. e onde começa o rigorismo ditatorial que leve o médium ao pânico ou à revolta. esse relacionamento precisa ser impecável. cuidado e carinho. Tentaremos clarificar. designe alguém no grupo para fazê-lo. com as dores e as canseiras resultantes. Médium disciplinado é uma coisa.. como tal. O médium não é nem a “vedete” do grupo. distingui-lo com nenhum favor especial. à semelhança dos fios coloridos que fazem o desenho dum tapete. cair no outro extremo. atenção especial com os médiuns. a imprevisíveis e desastrosas conseqüências. em nome da disciplina e da ordem. dando-lhe apoio e conselhos. e. O dirigente deverá tratar o médium com todo o carinho e atenção. dificilmente surgirão problemas dessa natureza. procurando ajudá-lo na solução dos problemas que surgirem no exercício de sua faculdade. nada mais. no entanto. médium inibido éoutra. que alguns pontos são repisados em diferentes contextos. dolorosas. E. É apenas um dos componentes do grupo. também como os demais. Se o dirigente não puder socorrê-lo com um passe restaurador. uma expressão de agradecimento e uma palmada afetuosa no ombro. em nome da boa ordem dos trabalhos. o médium não deve e não pode ser endeusado. seu pontífice máximo. merecedor de uma palavra de estímulo e gratidão. este assunto extremamente delicado e complexo. No grupo em que predominar legitimo sentimento de afeição. esse adjetivo algo pomposo. credor da mesma estima e respeito devidos aos demais companheiros. mas diga-lhe uma breve palavra de carinho ou lhe faça um gesto de solidariedade. por uma tarefa particularmente difícil. que deixam resíduos vibratórios perturbadores. Repisaremos aqui um deles. onde e quando necessário. a quem de direito. É que tais assuntos se apresentam muito intimamente interligados. estaria recebendo “mensagens ” diretas de Deus-. Além do seu sentido etimológico — incapaz . naquilo que diga respeito à sua condição peculiar de sensibilidade. para que o médium sinta o apoio e a compreensão para a sua árdua tarefa. sem. É o do relacionamento do médium com o doutrinador. O médium equilibrado e disciplinado sabe que nada deve esperar de diferente. ditado pela prepotência e pela arbitrariedade. 38 É preciso.

aos livros de André Luiz. ou seja. “O Livro dos Médiuns” deve ser leitura e releitura constantes. “Entre a Terra e o Céu”. ao contrário. após a desincorporação. Quando o relacionamento médium-doutrinador é imperfeito ou sofre abalos mais sérios. angústia ou amor. pois. nas reações preliminares e posteriores do médium. sendo necessário. dispersá-los por meio de passes. para a qual o médium deve atentar com toda a sua vigilância. feliz. durante suas manifestações. não sujeito a pecar — impecável quer dizer perfeito. respeito sem temores e sem reservas íntimas. ao sentirem a aproximação do espírito manifestante. Essa contaminação. de maneira tão ampla. quando são desagradáveis e agressivos. sem má- cula ou defeito. Pela mesma razão. paz. o médium desperta. correto. como costumo dizer. * Uma insistente palavra final para o médium: estude. tristeza. o espírito manifestante vem trabalhar com os elementos ou instrumental que encontra no médium. os resíduos vibrató rios que permanecem na intimidade do perispírito do médium. às vezes pesada e agressiva. a fim de que o médium se recomponha. o espírito agressivo fica algo contido. Médium e doutrinador devem estimar-se e respeitar-se. discuta os diferentes aspectos e problemas da mediunidade. não consegue fazer tudo quanto desejava. às vezes. exatamente porque não logram dar vazão aos seus impulsos e intenções. faça perguntas. comovido. Quando. serenidade. põe-se em risco a qualidade do trabalho mediúnico. que atua energicamente sobre o perispírito do médium. este também traz uma carga. Se existe ali alguma reserva com relação ao doutrinador. 39 de pecar. leia. nossos médiuns declaram que. Com freqüência. como trabalhos desenvolvidos no mundo espiritual: “Mecanismos da Mediunidade”. . havendo. é claro que a sua tarefa negativa será bastante facilitada. ou. sem sombra alguma de dúvida. que desenvolvem. não apenas aspectos específicos da mediunidade. quase sempre. Mante nha-se ligado às cinco obras da Codificação. se trata de um espírito pacificado e bondoso. se existe entre médium e doutrinador um vínculo mais forte de afeição. A razão é simples e óbvia: ao incorporar-se. experimentaram tal ou qual sensação: força. Muitos são os que se queixam disso. É preciso ainda considerar que se o médium realiza esse trabalho de impregnação fluídica no perispírito do manifestante. ódio. Há sempre aspectos e informações que a uma ou duas passagens deixamos escapar. até às lágrimas. e ainda que agrida o doutrinador com palavras ou gestos. “em estado de graça”. do contrário. é demonstrada. Estima sem servilismo e sem fanatismo. pior ainda. da mesma forma que um médium mais culto fornece melhores recursos para uma manifestação de teor mais erudito ou um médium de temperamento mais violento oferece condições mais propícias a manifestações violentas. são bastante conhecidos. embora transitória. Da mesma forma. com quem demonstre ter experiência. certa “contaminação” mútua. harmonizado. como lamentavelmente acontece com freqüência. porque as vibra- ções afetivas entre médium e doutrinador arrefecem inevitavelmente tais impulsos. o espírito o dominaria e faria com ele o que bem desejasse. quando ainda se acha consciente no corpo e depois que o reassume. portanto. alguma hosti lidade mais declarada.

ou. “Dramas da Obsessão”. de onde recebemos jatos de luz que. e com maior respeito e carinho. observando-a com atenção. de Camilo Cândido Botelho. “Nos Bastidores da Ob sessão”. discutindo suas inúmeras facetas com os companheiros que constituem a equipe de trabalho. anotando suas peculiaridades. Bezerra de Menezes. ainda. já se tenham dedicado aos seus mistérios e grandezas. porque é através dele que se abre o postigo pelo qual dialogamos. somente podemos estudar a mediunidade assistindo-a em ação. Ninguém precisa estudá-la mais. precisa estar bem certo de que é ainda muito pouco o que sabemos sobre essa notável faculdade humana. 40 “Missionários da Luz”. A literatura é ampla e não há ainda limites visíveis neste vasto campo. “Nos Domínios da Mediunidade”. “Estudando a Mediunidade”. Toda a humildade e todo o respeito ante ela ainda serão poucos. através de um pequenino retângulo. mundos acima. de Martins Peralva. do Dr. “Libertação”. com os companheiros que se acham acorrentados às mais negras e tormentosas paixões e sofrimentos. do que o próprio médium. “No País das Sombras”. de Manoel Philomeno de Miranda. lendo o estudo daqueles que. O médium. mundos abaixo. os ambientes de meia-luz em que vivemos. Ademais. iluminam. “Memórias de um Suicida”. por alguns momentos. “Desobsessão”. . que lidamos com a comunicação entre os dois mundos. de Madame d’Espérance. tanto quanto todos nós. antes de nós. de tempos em tempos. e.

bem preparados e experimentados em diferentes técnicas de debate. porque ele pode ser um bom conhecedor dos princípios teóricos do Espiritismo e ser completamente desinteressado do aspecto evangélico. chama-se doutrinador a pessoa que se incumbe de dialogar com os companheiros desencarnados necessitados de ajuda e esclarecimento. no momento oportuno. ante evidências que lhe são mais do que óbvias. admite. e não mestre. Se o dirigente encarnado dos trabalhos está bem familiarizado com as obras fundamentais do Espiritismo. ainda que não esteja no mesmo nível intelectual dele. que professamos. conhece suas responsabilidades perante as leis universais. Ele não vem disposto a ouvir uma pregação. ou seja. Não poderá jamais fazer um bom trabalho. ainda. no grupo mediúnico. sem conhecimento íntimo dos postulados da Doutri na Espírita. conhe cer a doutrina e recitar . E aqui já começamos a esbarrar nas dificuldades que a palavra doutrinador nos oferece. simplesmente. ou. A despeito disso. reconhece até mesmo a existência de Deus. no contexto da prática mediúnica. um estágio ideal de moral. a ditar normas de ação e a pregar. porém. com quem estabelece o diálogo. Muitas vezes ele está perfeitamente fami- liarizado com inúmeros pontos importantes da Doutrina Espírita. dotados de excelente dialética. 41 4 O DOUTRINADOR Num grupo mediúnico. Entre os espíritos que lhe são trazidos para entendimento. O confronto aqui não é de inteligências. que toda pessoa incumbida de uma tarefa. de sentimentos. Isto não significa que todo doutrinador tem de ser um gênio. A conversa com os espíritos desajustados não deve ser um frio debate acadêmico. sumo-sacerdote ou rei. Sabe que é um Espírito sobrevivente. e com a qual pretendemos ajudá-lo. em termos gerais de doutrina. presunçosamente. não tem muito a ensinar-lhe. nem predisposto ao aprendizado. acerca da Doutrina Espírita. porque o espírito que comparece para debater conosco os seus problemas e aflições. há argumentadores prodigiosamente inteligentes. O conhecimento doutrinário torna-se importante como base de sustentação. mas isso não é tudo. Qualquer bom dicionário leigo dirá que doutrinar é instruir em uma doutrina. os mecanismos da reencarnação. como ouvinte paciente ante um guru evoluído. ou. ele nem discute. que se coloque na posição de mestre. que nem ele próprio conseguiu alcançar. ele precisa estar preparado para exercer. ensinar. por mais modesta. logo aos primeiros contactos. Quanto à comunicabilidade entre encarnados e desencarnados. Não se esquecer. Em primeiro lugar. o companheiro encarnado. não está em condições. de que. ele é apenas um dos componentes. nem de culturas. pois está justamente produzindo uma demonstração prática do fenômeno. Portanto. de enorme capacidade intelectual e de impecável formação filosófica. o chamado doutrinador não é o sumo-sacerdote de um culto ou de uma seita. Sua formação doutrinaria é de extrema importânçia. um trabalhador. é de corações. a autoridade necessária. de receber instruções doutrinárias. Por outro lado. deve ter. ele encontrará sempre o que dizer ao manifestante. O doutrinador precisa estar convencido de que a Doutrina Espírita dispõe de todos os informes de que ele necessita para cuidar dos manifestantes em desequilíbrio. e seria infantilidade de sua parte tentar ignorar a realidade.

intercalando aqui e ali um pensamento evangélico que se adapte às condições desenvolvidas no diálogo. que estamos em condições de servi-lo mais de perto. Aqueles que já se purificaram a esse ponto. freqüentemente. Necessitam aflitivamente de primeiros socorros. mas isto não pode e não deve inibi-lo para a tarefa. Não é preciso ser santo. ele deve estar preparado para discutir o problema pessoal do espírito. refere-se desabridamente a uma ou outra fraqueza íntima nossa. enquanto estás a caminho com ele. companheiros de antigas encarnações. observa-nos. por certo. Isto nos leva a outro aspecto importante: o “status” moral do doutrinador. que ainda não nos perdoaram. mas pelo esforço que realizamos para alcançá-los. de maior responsabilidade. ainda em lutas homéricas contra imperfeições milenares. a intensidade e a sinceridade do nosso sentimento. nos lembra uma situação irregular em que nos encontramos. É preciso que o doutrinador esteja preparado para estas situações. compatíveis com o adiantamento espiritual que já alcançaram. analisa-nos e estuda-nos. em que fomos. como já dissemos. talvez. não estão. tanto quanto nós. antes que o doutrinador possa dedicar-se a este aspecto específico. Tem condições de aferir nossa personalidade e nossos propósitos. Não podemos impor ao companheiro infeliz uma superioridade moral inexistente. pode arrogar-se uma atitude de superioridade moral sobre os companheiros mais desarvorados das sombras? Ainda temos mazelas e ainda erramos gravemente. É nesse momento que ele precisa utilizar-se de seus conhecimentos gerais. não pelos resultados que obtemos. ou crimes que praticamos em vidas pregressas. Tudo serve. de quem os ouça com paciência e tolerância. A doutrinação virá no momento oportuno. às vezes. Percebe mais as nossas intenções. não podemos esperar a perfeição para ajudar o irmão que sofre. dedicam- se a tarefas mais complexas. do que o mero som das palavras que pronunciamos. sem sustentação na afeição legítima. Se estivermos recitando lindos te xtos evangélicos. mas não apoiar o seu conhecimento na emoção e no legítimo desejo de servir e ajudar. logo de início. a fim de obter dele a informação de que necessita. como quer me obrigar a deixar de perseguir aquele que me prejudicou? Ou então. de uma posição vantajosa para ele: na invisibilidade. ou um erro mais grave cometido no passado recente. Os espíritos em estado de perturbação. Deve lembrar-se. É exatamente porque ainda somos tão imper feitos quanto ele. pela maneira como agimos em nosso relacionamento com os semelhantes. de que somos julgados e avaliados. porém. comparsas de desacertos hediondos. O doutrinador é também um ser falível e cons ciente das suas imperfeições. Voltaremos ao assunto quando tratarmos do problema específico da doutrinação. e até mais do que nós. Ele nos vigia. e. Muitos são desafetos antigos. por exemplo: — Você não tem força para deixar o vício de fumar. encarnados. 42 prontamente qualquer versículo evangélico. É preciso . como. Sua autoridade moral é importante. Por outro lado. Não adianta exibir virtudes que não possui ainda. mas qual de nós. em condições psicológicas adequadas à pregação doutrinária. por serem. Muitas vezes. que nos são trazidos às sessões mediúnicas. para doutrinar. É aqui que vemos a validade da palavra sábia do Cristo: — Reconcilia-te com o teu adversário. ele o saberá também. O espírito que debate conosco sabe de nossas inúmeras fraquezas.

o esforço que desenvolvemos é digno. ainda. Sem ela. 43 levar em conta. a prova das realidades invisíveis. que tanto nos interessa. mas sem se deixar contaminar pela frieza hierática do racionalismo estéril e vazio. feita por quem Possuía autoridade mais do que suficiente para fazê -la. é a fé que cura o servo doente do romano pagão e estanca a hemorragia da mulher que O tocou. o manifestante acabará por admitir que. Coloquemo-la de forma positiva: tudo é possível àquele que crê. em particular. Pois em verdade vos digo. plenamente suportada pela razão. Ele não pode dar aquilo que não tem. sobre o qual ainda falaremos adiante. se tivésseis fé do tamanho de um grão de mostarda. e ante a facilidade com que o Cristo resolve o problema. ou pretendemos ser. então. tal como a conceituou Kardec: sincera. Que tipo de fé? A fé espírita. como em tantos outros contextos. pouco ou nada podemos. Façamos uma pausa na exposição. positiva. ao expulsar o Espírito que atormentava o jovem lunático (Mateus.” O episódio é de grande força e beleza. É ainda a falta de fé que Ele repreende nos discípulos. afinal alcançado. Marcos narra o episódio no capítulo 9 (versículos 14 a 29). nós outros. sem êxito. confirmou no coração do homem. e nos respeitarão por isso. O doutrinador precisa. “nada é impossível”. É uma afirmativa de extraordinário vigor. É a ausência de fé que Ele censura docemente nos discípulos que temeram a tempestade e a morte. Batidos pelo fracasso. doutrinar o possessor que fazia o que queria com o infeliz jovem. Se tivermos paciência e tolerância. Se me perguntassem qual o elemento mais importante na estrutura da personalidade do doutrinador. Em Paulo. mas ficaria indeciso entre a fé e o amor. . para um exame da fé. em Kardec é a certeza daquilo que o conhecimento. diríeis a esta montanha: Transporta-te daí para ali. vêem em nós mais aqueles que fomos do que o que somos hoje. sabemos que o universo foi criado pela palavra de Deus. mesmo que ainda não tenhamos alcançado os estágios superiores da evolução. expulsar esse demônio?” Respondeulhes Jesus: “Por causa da vossa incredulidade. de maneira que o que se vê resultasse daquilo que não se vê. Os discípulos já haviam tentado. Pela fé. 17:14-20): — Os discípulos vieram. inabalável. ser uma criatura de fé viva. lógica. no capitulo 11 da Epístola aos Hebreus: — A fé — disse ele — é a garantia do que se espera. eu não saberia dizer. Para o Cristo. que muitos companheiros espirituais desarvorados. Resposta: fé. (1) (1) O texto citado é da Bíblia de Jerusalém. convicta. que nos conheceram em passado tenebroso. pedem explicações. ter com Jesus. e ela se transportaria e nada vos seria impossível. ainda. e lhe perguntaram: “Por que não pudemos. Para Ele. com ela. * Quero falar aqui daquela fé sobre a qual Paulo escreveu seu belissimo poema. a fé era o suporte das realidades que o conhecimento ainda não atingira. neste. a fé do tamanho de uma semente de mostarda bastaria para remover montanhas. nossa boa intenção é legítima.

essa fé não procura os meios de vencer. Para não transcrevê-lo por inteiro. derrubava-o ao solo. É também aí que o Codificador escreveu sua famosa sentença: — Fé inabalável só é a que pode encarar de frente a razão. ao formular sua prece. porém. o doutrinador estará desarmado. pode ser crença. depois de curá-lo. Além disso.. Ele tem de saber que. porque não acredita que possa vencer. do belíssimo capítulo 13. em benefício do companheiro que sofre. traduções modernas do Evangelho substituiram por amor a expressão caridade. ranger os dentes. é certo. Precisa ser inabalável. do mais angustioso desespero. em todas as épocas. da 57ª edição da FEB. pouco depois — resultam a incerteza e a hesitação. e. tanto quanto o amor descaridoso.) O comentário de Kardec é de transcendental importância. presunção. as palavras devem ser entendidas em seu sentido moral. Ao comentar a passagem. Os discípulos nada puderam fazer. que se apoderava dele em qualquer lugar. sempre. confiante-mente. Somente assim será inabalável. conjetura. e o deixava rígido. em “O Evangelho segundo o Espiritismo”. o Cristo insiste em que tudo é possível àquele que crê. em todas as épocas da Humanidade. Ele precisa estar confiante nos poderes espirituais que sustentam o seu trabalho. com relação aos demais atributos necessários à sua função. e ainda mais: que aquela classe de espíritos não poderia ser tratada senão com a prece. da mais violenta revolta. provavelmente desacordado. de remover montanhas de terra e pedra. segundo o pai. se não tenho amor. suspeita. pois ele ocupa todo o capítulo 19 de “O Evangelho segundo o Espiritismo”. . aqui. Kardec escreve que “a confiança nas suas próprias forças torna o homem capaz de executar coisas materiais. não estará em condições de realizar o trabalho a que se propõe. ao levantar-se para dar um passe. No contexto. por mais bem-dotado que seja. é preferível recomendar que o leitor não deixe de estudá-lo e de meditar pausadamente acerca de todas as suas implicações. Por isso. A conceituação de fé tornou-se. na psicologia do doutrinador. de que se aproveitam os adversários que se tem de combater. com Kardec. imagem usada pelo Cristo para fixar o seu pensamento na memória dos ouvintes. Não é por acaso que nos textos evangélicos caridade e amor são tratados como sinônimos. Dificilmente se poderia dizer melhor. despreparado para a sua tarefa. Fora disso. parecer.” (Destaque meu. mas não será fé. Sem ela. Não se trata. definitiva. que aparecia nos textos mais antigos. é a fé que lhe dá o apoio da confiança de que ele precisa para aventurar-se pelas ásperas e tenebrosas regiões do mais terrível sofrimento. que não consegue fazer quem duvida de si”. Se não tem fé. 44 Jesus cura o infeliz possesso que. e todos os riscos são iminentes e inevitáveis. páginas 284 a 293. Impossível seria considerar a caridade sem o amor. sem os quais nenhuma tarefa de desobsessão é possível. vai encontrar a resposta ao que implora. da Primeira Epístola de Paulo aos Coríntios: — Ainda que eu fale a linguagem dos homens e dos anjos. Outro ingrediente necessário. era possuído por um Espírito mudo. Ele deve saber que. opinião. “Da fé vacilante — diz Kardec. Se não tenho amor. sou como o bronze que soa e o címbalo que retine. a fé lhe trará os recursos de que necessita para servir. com tão poucas palavras.. fazia-o espumar. é o amor. tem que “encarar a razão” destemidamente.

amor fraterno. ainda. para distribuí-lo assim. deverá vir de Cima. que se concéntre no doutrinador grande parte do esforço de envolvimento. é ele. e. A sustentação do seu teor vibratório. Muitas vezes. É lógico e natural. É desse amor-doação que precisa o doutrinador. Sem nenhuma figura de retórica. é nele que os Espíritos desequilibrados identificam a petulante intenção de interferir com seus planos pessoais. diferente. Prossigamos. * Isto não esgota. O amor tudo crê. a esperança e o amor. ou afirmar que somente pode investir-se na função de doutrinador aquele que possuir cumulativamente todas essas virtudes. para os irmãos desorientados. sincero. em nota de rodapé. Nem pretendemos esgotá-lo aqui. . tudo suporta. É isto bem verdadeiro. tudo espera. no caso da doutrinação de Espíritos conturbados. no ambiente de trabalho. não se alegra com a injustiça e sim com a verdade. na sua vida de encarnado. 45 nada me aproveita. nem presunçoso. vêm com a força e a agressividade de inimigos implacáveis. indiscri minadamente. do rancor. A Bíblia de Jerusalém lembra. o rol das aptidões que devem integrar a personalidade do doutrinador. devemos sentir.“É preciso — escrevia eu em “Reformador” de fevereiro de 1975 — ter muito amor a dar. O amor não é invejoso. O amor épaciente e serviçal. O médium doutrinador tem que devolver todo esse concentrado ataque vibratório. no trabalho de desobsessão. bem como suas cóleras e suas ameaças. não é interesseiro. mas particularmente se dirigem ao doutrinador. É claro que estas observações são válidas para todos os componentes do grupo. transformado em compreensão. O amor não se acaba nunca. o trabalho se perde e desencadeamos contra nós a reação sustentada da cólera. usualmente. Do amor que. terrenos. que o ajudam e assistem a distância. para isso. não é temerário. do amor passional e egoísta. a qualquer companheiro espiritual que se manifeste. incondicional. Se tudo se acabasse. que a expressão do original grego agapô.. portanto. porque é ele o seu porta-voz. Tem seus parentes. é impraticável o trabalho mediúnico realmente produtivo e libertador. Não estamos ainda nesse estado evolutivo. portanto. que se dirige. por assim dizer. do trabalho. tolerância e. Se não dispuser de um mínimo de aptidões. com relação aos nossos próprios inimigos.. o candidato a tal função deve . nem precipitado. o médium doutrinador não se encontra. restariam a fé. ao se apresentarem diante de nós.. Agapô é o amor- benevolência. Sem amor profundo. mas não conta com grandes afeições e dedicações. cercado pelo sentimento de afeição de familiares e companheiros. legítimo.. precisa estar ligado aos Planos Superiores. não se irrita. é preciso ter. vive rodeado de conhecidos. segundo o Cristo. caracteriza bem a gradação cuidadosa do sentimento que Paulo desejou transmitir aos seus amigos de Corinto. no entanto. do ódio. como força construtiva do bem. ainda no exame dos componentes morais e psicológicos da personalidade de um bom doutrinador. pronto na doação. a capacidade de amar os inimigos. Se respondermos à sua agressividade com a nossa. porque. o responsável pela direção dos aspectos. em favor do próximo. não tem orgulho. principalmente. no campo do amor.

por si mesmos. em estado de inconsciência. Vigilância quanto aos seus proprios sentimentos e pensamentos. que o leve a falsos caminhos. sem prejuízo sério para o seu trabalho. Para isso. poria a vidência. se pede outra disposição que poderíamos chamar de energia. É a hora da energia. não o coloca inteiramente a salvo de alguma palavra. que fossem de interesse para o seu trabalho. nem nos sustentam no que fizermos. Há mais ainda. e o momento tem que ser o certo. a sensibilidade e o tato nos facultam as informações que buscamos. Veremos isto. Minha opinião pessoal é a de que algumás formas de mediunidade são desejáveis. nos informando de determinada situação ou acontecimento. quando cuidarmos do trabalho propriamente dito. propriamente dito. através da qual o doutrinador possa receber as inspirações de seus amigos espirituais. Uma dessas virtudes é a paciência. Creio poder afirmar que não seria desejável qualquer forma de mediunidade que colocasse o dirigente. os mecanismos da ação. Há de chegar-se a um ponto. Será também útil dispor da faculdade de clariaudiência. com os demais componentes do grupo. Tem que ouvir. ou seja. atirar-se sofregamente ao interrogatório do Espírito manifestante. e. quando não despertada: a sensibilidade. Isto se faz com uma qualidade pessoal chamada tato. vamos. Colocaria em primeiro lugar a intuitiva. agressões verbais e impertinências. Tem que aguardar o momento de falar. neste caso. Não pode ele. 46 procurar desenvolvê-las. O doutrinador precisa servir em estado de alertamento constante. quanto às suas suposições e intuições. até que estejamos seguros de poder tomar uma posição ou uma decisão sobre o assunto. serena. Ele precisa manter-se lúcido durante todo o período de trabalho. mas que precisa ser cultivada. não há posições dogmáticas. Isto. porém. enérgica. quanto ao que se contém nas entrelinhas do que diz o manifestante. não nos indicam a providência a tomar. ouviria diretamente as instruções e “recados” do mundo espiritual. mas no seu pro- ceder diário. ou assumir outra tarefa. nem depois da oportunidade. mas não disparam. ou doutrinador. pela observação cuidadosa. na mais ampla acepção do termo. na doutrinação. em que se torna imperiosa a tomada de uma atitude firme. Uma questão cabe introduzir aqui: convém que ele disponha de alguma forma de mediunidade ostensiva? Em Espiritismo. não apenas durante o trabalho mediúnico. ou da aparência pessoal do Espírito manifestante e de seus eventuais companheiros. não parti- cularmente rara. com seus próprios recursos e suas próprias palavras. responsáveis pelo trabalho. para a qual. segundo a qual. Para isso. quanto ao que ocorre à sua volta. que deve ser controlada e oportuna. Vigilância e boa intenção não são santidade. difícil e desconhecido em que pisa. nem agressiva. aturar desaforos e impropérios. soprada desavisadamente. seja mais sensível e acessível. por sua vez. . A paciência. procurando localizar os pontos em que o manifestante. quanto à sua própria conduta. que certamente auxiliará na visão de cenas e quadros. as reações do Espírito. necessita de outra qualidade pessoal. que não pode ser contundente. seus recursos pessoais sejam mais adequados. Convém repetir: não precisa ser um santo. que o levará a sentir pacientemente o terreno estranho. e não o será mesmo. e desenvolvê-las junto ao manifestante. Em segundo lugar. Nem antes. O doutrinador deve estar em permanente estado de vigilância.

Um dia — . Nada de pretensões tolas de que o trabalho foi cem por cento positivo. Claro que positivo. daí a pouco estava. também. não haverá nem bom nem mau. E. pregando estranhas e confusas idéias. É a partir do momento em que o turbulento manifestante de há pouco se converte em verdadeiro trapo humano. Suponho que. a faculdade mais comumente encontrada num doutrinador é. o companheiro. concordou em assumir o encargo. Depois dessa experiência. teremos realizado. Precisamos estar preparados para a derrota. Realmente. em breve. que se apresentam com nomes pomposos e se arvoram. foi o que aconteceu. Se manifestamos a tola pretensão de dispensar-lhes a ajuda. tiremos de nossa cabeça a noção falaz de que o bom doutrinador pode dispensar a colaboração dos Espíritos Superiores. mas com serenidade e sem remorsos. criando certo pânico na sessão. a sementeira da verdade. que ser humilde no aprendizado. ela passou a recusar. com firmeza. agressões e impertinências dos pobres irmãos atormentados. perdeu o fio da conver- sação e. com eficiência e oportunidade. Em trabalho mediúnico. estamos sempre aprendendo e nunca sabemos o suficiente. para a ajuda de que ele não pode prescindir. a sua informação. Mesmo naquele que não conseguimos demover de seus propósitos. Tem. se e quando conseguir convencer. esta via de comunicação bastará ao seu trabalho. também incorporada. seus companheiros mais esclarecidos se comunicarão. Se não nos aproximarmos dele com humildade. A princípio. eles se afastarão. qualquer solicitação para funcionar como doutrinadora. ainda. nem a sua vontade. para aceitar as ironias. a sua surpresa. pouco ou nenhum progresso conseguiremos realizar. a intuição. se tivermos tido habilidade e tato. pois temia que sua ostensiva mediunidade de incorporação interferisse com a boa marcha do trabalho. chegamos a outra faculdade necessária ao doutrinador: a humildade. com tristeza. por sua vez. A humildade é necessária. precisamente. no seu coração. que o doutrinador deve mostrar toda a sua compaixão humilde e o seu respeito pela dor alheia. de seus enganos e de seus erros. Ele vai precisar dela. começou a sentir-se envolvida. Com isto. de vez que jamais impõem a sua presença. ele sempre o é. Mais de uma vaidade tem sido explodida por causa disso. Por ela. por sua vez. Cada manifesta ção traz a sua lição. Não há bom doutrinador sem a colaboração e o apoio dos Espíritos mais esclarecidos. tão nobres quanto essa. em muitos casos. com a abençoada mediunidade de cura. 47 Uma confreira. De uma vez por todas. sentindo-se girar “como um parafuso” — disse ela —. dedicando-se a outras atividades. porque o pretensioso ficará literalmente aniquilado pela obsessão ou pela fascinação de Espíritos ardilosos. Depois. para as quais estava perfeitamente preparada. é certo. quando não conseguimos convencer o companheiro infeliz. Se ele procura sintonizar-se com o mundo espiritual. experimentada nas lides espíritas. Relutantemente. com freqüência impressionante. por isso. contou-me que certa vez se encontrou ante a contingência de dirigir uma sessão de desobsessão. arrependido e em pranto. em sentido genérico. Já fazemos muito quando não atrapalhamos os dedicados companheiros da Espiritualidade Maior. para mostrar o seu poder e confirmar a sua vaidade e seu orgulho. e não poucas obsessões pertinazes têm resultado dessa ingênua e perigosa imaturidade. em doutrinadores do doutrinador. Ao iniciar a tarefa do diálogo com um Espírito manifestante. para não assumir a atitude do vencedor que pisa na garganta do vencido.

Um pouco de humildade. pois. com ele. seria indicada. de maneira tranqüila e segura: — Nada de temores infundados. por parte das leis supremas. Muitos daqueles dramas. e não em decorrência do trabalho de desobsessão. porém. O arsenal de ameaças é vasto. E foi justamente o debate inútil e o vão filosofar que arruinaram sua vida espiritual. É até possível que uma ou outra. temos que ser destemidos. para aceitar esses casos e continuar lutando. Seria injusto. Os benfeitores espirituais sempre nos advertem. com o êxito total da conversão imediata e definitiva. se assim fosse. só poderá estimular nele o desprezo por nós e pela nossa posição. evidentemente. Fustigados pela interferência dos grupos mediúnicos em seus tene brosos afazeres. Coragem não é o mesmo que imprudência. em trabalho mediúnico. se cumpra. Lembremos ainda uma qualidade: o destemor. Sofremos apenas aquilo que está nos nossos compromissos espirituais. respeito e sinceridade. O destemor é de extrema utilidade nas tarefas de doutrinação. Não somos super-homens. não de debates estéreis. Estariam subvertidos todos os princípios da Jus tiça Divina. Já disse alhures que. os Espíritos violentos comparecerão possuídos de irritação. nos quais facilmente nos vencerá. às vezes. ainda. Não contemos. em vez da paz interior. ou . Manifestam-se aos berros. recebeu. enfim. E. rancor e ódio. com extrema sagacidade. as honrarias que tantos buscam. governam o Universo. a humildade. Não é no terreno dele que nos vamos medir. perturbações. ele dispõe de mais recursos do que nós. aconteça acidentalmente. Suponhamos que compareça. e eles manipulam. É verdadeiro. rendendo homenagens à sua inteligência e ao seu conhecimento. que. estaremos realmente perdidos. Nesse campo. E isso é muito freqüente. procuram intimidar e propõem-se a vigiar-nos implacavelmente. para conversar conosco. provocar acidentes. Não se ajustam em minutos de conversa. que lecionou em Faculdades. enquanto a exibição inútil de precários conhecimentos filosóficos. da nossa parte. pois. arrastam-se há séculos. quer dizer que precisamos admitir. que vamos convencê-lo de seus enganos. Humildade. não é discutindo Filosofia. e de medíocre cultura intelectual. Nem é essa a técnica recomendada. Não quer dizer que nos devamos curvar servilmente diante dele. um Espírito de elevada cultura. quando precisarmos reconhecer o potencial intelectual do irmão espiritual com o qual nos defrontamos. nem semideuses. porque nos colocaremos na faixa vibratória desejada por eles. ocupou assentos em Academias. Ele precisa de atenção. fraternidade. ao amor. ainda assim. se a paga da dedicação ao irmão que sofre resultasse em sofrimento indevido e em punição imerecida. para consolidar a sua vaidade lamentável. Nada. ameaçam céus e terras. dão murros na mesa. doenças. de aparentar o que ainda não somos. sem ser temerários. que se desenrolam diante de nós. 48 não importa quando — ele vai lembrar-se do que lhe dissemos e conferi-lo com a realidade. ou seja. a atacar nossos pontos fracos ou fazer um cerco impiedoso em torflo de nossa família. Se nos deixarmos impressionar pelas verdadeiras cenas que fazem. o levará a respeitar-nos também. das ameaças esbravejadas contra nós. as armas da pressão. mesmo. de todos os Espíritos que nos são trazidos. mesmo que o fôssemos. isso. como doença inesperada cm um de nós. que não estamos em condições de superá-lo naquilo que constitui o seu ponto forte. Humildade.

Ao contrário) quanto mais apagado o seu trabalho. sem dúvida alguma. rigorosas e numerosas. pois. Os Espíritos amigos saberão dosar as tarefas. Procuramos. o organizador ou responsável pelo grupo. o doutrinador não pode deixar de dispor de cinco qualidades. Se. Tato. lançando mão de um acervo de experiências pessoais preciosas. mais eficaz e produtivo. trazidos ao diálogo. nitidamente ligado ao trabalho mediúnico. anotar mais uma das aptidões necessárias ao bom desempenho do trabalho mediúnico. Familiaridade com o Evangelho de Jesus. Por outro lado. um acontecimento desagradável realmente acontecer conosco. nem assim devemos nos desesperar e inti midar: estejamos certos de que estava já nos nossos compromissos. senão impossível de ser atingido. virá de novo o irmão infeliz. Autoridade moral. usualmente. na sessão seguinte. o pára-raios predileto do grupo. siga em frente. Energia. ou aptidões básicas: Formação doutrinária muito sólida. segundo as forças e as possibilidades de cada grupo. para se vangloriar: — Eu não disse? Não tema. os riscos são muitos. não significa que deve remos e poderemos deixar cair as guardas. Isto. à irresponsabilidade. * A longa digressão acerca das aptidões desejáveis a um doutrinador não deve necessariamente desencorajar aquele que pretende se preparar para a tarefa. usualmente. com ele se entendem e se desentendem. traçar um perfil ideal e. Vigilância. É ele. Fé. porém. A proteção existe. Humildade. em particular: a prudência. porém. As demais são desejáveis. mas não tão Paciência. bem como o seu porta-voz junto ao mundo espiritual. o doutrinador é. idealmente. aqui. e nenhuma projeção especial o espera. com apoio insubstituível nos livros da Codificação Kardequiana. Ainda voltaremos a este tema fascinante. Que isso não desencoraje ninguém à responsabilidade do trabalho. Em suma. e do doutrinador. É nele que identificam a origem de seus problemas. Sensibilidade. criticas: importantes também. porque os Espíritos atribulados. em geral. Amor. Dificilmente um doutrinador reunirá tantos e tão grandes atributos pessoais. 49 em membro da nossa família. . Ele precisa saber que o trabalho é árduo. O trabalho está sob a proteção de forças positivas e abençoadas. Não custa. e mais: os recursos socorristas virão. como todo ideal. ou com alguém da nossa convivência. Estejamos certos de que. as qualificações são. difícil. mas não para dar cobertura à imprudência.

Com respeito ao doutrinador. como já dissemos. No momento de tomar a decisão. precisa. algo inquieto: — Mas é muito difícil ser doutrinador. antes de prosseguir. cabe a ele suportar os ônus e as responsabilidades decorrentes. Prudência. mas não e o maior”.. com o mesmo carinho e compreensão. nos seus companheiros. . sim. sem paternalismos e preferências. mas sem má-vontade contra qualquer um dos membros da equipe. Precisa tratar a todos.. certamente deverá ser o único a falar com os Espíritos. a camaradagem e o respeito. para debater problemas ligados ao trabalho. Quando o grupo reunir-se. estar consciente dessa responsabilidade e usar sua autoridade com muito tato. deve o dirigente comportar-se como simples participante. dirá o leitor. falta ainda abordar um aspecto final. sem abandonar a firmeza. A essa altura. Como é também o dirigente humano do grupo. médiuns ou não. É. Poderá ser o primeiro entre eles. para estimular a criatividade e a contribuição dos demais membros. a afeição. É verdade. 50 Destemor. Precisa despertar. Disciplina não é sinônimo de ditadura.

levitação e outras). esforço concentrado. até chegar àquele ponto. Nada disso. Quem ouve o consumado virtuoso do piano. que fiquem à nossa disposição. muitas vezes penoso. E é por isso. renúncia. ou de um dos instrutores anônimos do Mundo Superior. espontânea e fulminante. através de um médium perfeitamente ajustado. exige dedicação. inacabadas. São geralmente amigos e parentes de um ou outro membro. pronta e afinada. mas para servir e aprender. toscas e primitivas. paciência. escrever páginas psicográficas. sem a menor noção de sua gênese e da técnica e adestramento que a sua confecção exigiu do artífice. por assim dizer. passem a funcionar como médiuns perfeitamente ajustados. também trazem ao grupo a sua contribuição. Quando assistimos àmanifestação de um Espírito sofredor. como quaisquer outros que integrem o grupo. de uma hora para outra. O grupo não se reúne para divertir-se com Espíritos. ainda que não manifestamente. contínuo e disciplinado? Acham-se apenas impulsionados pela curiosidade passageira? Integram-se bem no grupo. mantendo boas relações de amizade com os demais componentes? Estarão dispostos a contentar-se com uma tarefa aparentemente inútil e apagada? O trabalho. nem convívio com os Espíritos redimidos. pode deixar-se envolver pela frustração. dificuldades e desenganos. e sentem-se atraidos pelo trabalho. destinadas a abalar o mundo. Estão interessados num trabalho sério. sem mediunidade ostensiva. Tais participantes merecem atenção e cuidados. o esforço constante de aprimoramento. que podem e devem participar. o companheiro. quantas dores. É necessário estudar bem e discutir com franqueza as suas motivações. cansativo. Só excepcionalmente isso acontece. A norma geral é o desabrochar lento. facilmente é levado a esquecer os longos anos de aprendizado. a exigir estudo. ver ou ouvir os companheiros desencarnados. Por outro lado. 51 5 OUTROS PARTICIPANTES Um grupo mediúnico não se constitui apenas de um doutri nador e alguns médiuns já desenvolvidos e preparados para os seus encargos. Há sempre outros companheiros. Raramente a mediunidade eclode assim. O trabalho é muito mais humilde. dedicação. Não apresenta. pois. Não esperemos reve lações extraordinárias. orientação e renúncias bastante sérias. não oferece atrativos àqueles que não estejam preparados para a dedicação. as cansativas horas de exercício. que muitas mediunidades ficam. sem mediunidade ostensiva. e preces. nos grupos de desobsessão. também. quanta vigilância. ou companheira. incertezas. não imaginamos quanto trabalho preparatório foi necessário desenvolver. transportes. para distrair aqueles que buscam nos fatos mediúnicos apenas a manifestação mais dramática. como as de efeitos físicos (materializações. fenomenologia espetacular. nem comunicações de Espíritos luminosos ou célebres. como obras que o artista não teve suficiente . e entregar-se ao mesmo aprendizado doutrinário e à mesma atenta observação a que cada um dos demais é submetido. se não tem condições de “receber” Espíritos. para responder a qualquer pergunta ou fazer qualquer favor. Devem obedecer à mesma disciplina. Muitos buscam aderir aos grupos na esperança de que isto aconteça e. sem escolher funções e sem buscar posições de relevo. respeitados o limite numérico e a qualificação pessoal anteriormente referidos. ademais. É como se contemplássemos um produto de apurado acabamento.

como “dínamo de vibrações amorosas”. a mediunidade talvez guarde relação semelhante. questionou a validade da sua presença no grupo. 52 dedicação e tenacidade para concluir. a fim de ajudá-los no reequilíbrio de suas energias e. Por mais de uma vez. contribuem para a concentração das mentes no clima de segurança e de harmonia. A um desses. de que estava pleno o seu coração. Ele trabalhou muito e lutou muito para que assim fosse. Quase sempre podem também ser muito úteis como médiuns de passes. este sim. ou de fria observação. aliviar aflições residuais deixadas pelas vibrações dolorosas do manifestante em desarmonia. Sua participação é desejável. Há condições para desen- volvê-la harmoniosamente. na captação de uma ou outra palavra ou intuição. tão necessária num grupo de trabalhos práticos. dado que praticamente todos os seres humanos dispõem dessa condição em potencial. Os nossos instrutores espirituais estão cansados de insistir em que todos os recursos humanos colocados à disposição do trabalho são aproveitados. como se o membro do grupo fosse mero espectador. Neste caso. Serão. sem que ela tivesse consciência do fato. nem mesmo desejável. tal pessoa nos prestava excelentes serviços. ou a companheira. tive oportunidade de verificar casos específicos de atitudes assim. numa rápida vidência. começa a ensaiar-se timidamente a faculdade. Dizem que o gênio é dez por cento inspiração e noventa por cento transpiração. sejam médiuns. nem de elogios balofos que o percam. uma atitude construtiva e disposta à cooperação. se tiverem desejo de servir e pureza de intenções. que se acham apenas em potencial. Os companheiros sem mediunidade ostensiva precisam convencer-se de que devem manter. e por ele orientados darão passes nos médiuns. Ainda que inconscientemente. Portanto. Além do mais. sob supervisão de alguém mais experi mentado. quando o companheiro. Não é necessário que todos. após comunicações particularmente penosas. ao contrário. em período de expectativa e de provas. . e prestam serviços relevantes de apoio. mas nosso apreço. Deixem aos operadores desencarnados a incumbência de decidir quanto à utilização dos recursos de cada um. poderão incumbir-se da nobre tarefa do passe reparador. Com o decorrer do tempo. um dos Espíritos que se incumbiam da orientação do grupo afirmou que. É muito freqüente ouvirmos desses companheiros uma palavra de desânimo e desinteresse. ao presenciarmos o suave fluir de uma bem treinada mediunidade. nosso respeito pelo médium. Esses recursos eram amplamente utilizados no trabalho. Se estão bem entrosados com as demais pessoas e mantém atitude construtiva. Podem ainda Contribuir para a fluidificação da água. psicografia ou vidência. manifestemos. o que é falso. Nada de ciúmes pelo que ele faz. aqueles que não dispõem de faculdades para incorporação. e ao longo dos anos. da mesma forma que o espírito Crítico. A juízo do dirigente. fornecendo recursos vibratórios de alto valor. é comum desenvolverem-se nesses companheiros preciosas mediunidades. então. intimamente. lhe é devido. muitas vezes têm papel importante no grupo. para experimentar-lhes a paciência e a tenacidade. A atitude negativa acarreta dificuldades e desarmonias que prejudicam seriamente as tarefas mediúnicas. dispensáveis os componentes do grupo que não ofereçam condições mediúnicas? Não. por acharem que nada estão fazendo no grupo. em qualquer circunstância. indistintamente.

que poderíamos fazer melhor a nossa tarefa. porque nos esforçávamos por manter a harmonia. Se o pé dissesse: “Como não sou mão. sua participação é preciosa. disse aquele que estava com a palavra: — Só você falará com os Espíritos. ou. Como o grupo não tinha uma liderança clara e específica. versículos 14 e seguintes) — o corpo não se compõe de um só membro. Durante vários anos freqüentei um grupo mediúnico. acompanhando com interesse as instruções e observações dos nossos benfeitores desencarnados. ainda que thnidamente e sentindo cuidadosamente o difícil terreno em que pisava. constituído de pessoas que muito se estimavam e se mantinham bem afinadas. com sabedoria e bom senso. ao sabor dos acontecimentos. deixaria de ser parte do corpo. por certo. procurava portar-me com respeito. pelo menos. que é inútil. que eu tivesse captado. ou a fugaz visão de um companheiro desencarnado. O aprendizado dos tempos em que fiquei como simples observador revelou-se precioso. que então nos procuravam. no entanto. sem que nenhum fenômeno ostensivo se passe na intimidade de seu ser. por isso? Se todo o corpo fosse o olho. D fará as preces de abertura e encerramento. e. Os resultados eram bons. nem mesmo uma palavra perdida. vigie seus pensamentos. comecei a tarefa que me fora atribuida procurando corresponder às esperanças daqueles que ma concediam. com o tempo. atenção e vigilância interior. ou mesmo desejar. A tudo ouvia.Com efeito — dizia ele aos Coríntios (Primeira Epístola. meu Deus! Aos irmãos aflitos e desarmonizados. porém. de ambicionar. senão de muitos. Senti um “frio por dentro”. sob este aspecto. É possível que. O dirigente do grupo deverá ter sensibilidade bastante para identificar os indícios e acompanhar cada caso individual. porém. pois. não pertenço ao corpo”. O participante. onde ficaria o olfato? Nada. antes da reunião. as tarefas foram distribuídas por uma espécie de consenso geral: A. contribua para manter um bom ambiente de vibrações amorosas. não vê ou não ouve Espíritos. Eu? Que diria. porém. Conserve-se firme e tranqüilo. 53 Quanto ao mais. onde ficaria o ouvido? E se fosse todo ouvido. como já ensinava Paulo. sem saber ao certo o que fazia. capítulo 12. venham a manifestar indícios indubitáveis de excelentes faculdades. precisa estar preparado para a eventualidade de conviver com o grupo por longos anos. por isso? E se o ouvido dissesse: “Como não sou olho. Tenho. todos são úteis e necessários. a rigidez de uma disciplina mais rigorosa. às vezes. não tinha. Sentava-me entre os companheiros. Vários dos seus componentes conversavam com os Espíritos. tenham paciência e portem-se com humildade e respeito. Não pense. deixaria de ser parte do corpo. sem açodamento ou excitação. e. Num grupo bem harmonizado. voltando-se para mim. não pertenço ao corpo”. Esse grupo. nenhuma forma de mediunidade. B e C se limitarão às suas respectivas mediunidades. permaneça concen- trado e em prece nos momentos mais críticos. que poderão ser cultivadas e aproveitadas. participando dos dramas e aflições dos irmãos desarvorados. . faculdades para as quais não estamos preparados. ainda não esta mos preparados. tomamos algumas decisões mais drásticas. Estudem e observem. E. ha tantos séculos: . Mantenham-se em calma. uma experiência pessoal. Nenhum fenômeno. uma noite. Não se aflija se a sua contribuição é menos ostensiva. Sentíamos. só porque não incorpora.

Colocando à disposição do companheiro sua experiência e orientação. creio que Correspondi à confiança que em mim depositaram. Este episódio é aqui documentado. aquele que souber um pouco. inesperadamente. muitas vezes. não importa. estudando junto com ele (ou ela) as dificuldades da tarefa. assisti-lo no esclarecimento de dúvidas. estimulando-a com interesse. sempre disposto a aprender mais. ofertando O Pouco de que dispomos: alguém se beneficiou mesmo com esse pequeno óbolo da viúva. procurando ajudá-lo. como me conservaram no posto pelo resto do tempo em que o grupo funcionou. . por outra. Esperemos com paciência. cada manifestação é diferente. vida e consciência. a rever pontos de vista. Cada caso é diferente. mas pela boa-vontade que evidenciarmos. longe disso. ou. no grupo. mais ostensiva. a atestar a infinita capacidade criadora dAquele que nos formulou no seu pensamento e nos deu forma. a reaprender. oferecendo sugestões. sem colocar-se na Posição de mestre infalível que tudo sabe. E se não chegar o dia de uma participação mais dinâmica e efetiva. pois em questão de mediunidade precisamos ser humildes e sensatos para admitir que não sabemos tudo. Não Posso dizer se dei boa conta dela. me achei investido de uma responsabilidade que nem suspeitava me seria conferida. sendo imperceptivelmente preparados e testados para responsabilidades futuras. apenas para enfatizar a circunstância de que. O dirigente do grupo deve estar bem atento a toda e qualquer contribuição dessa natureza. Não somos julgados pelos resultados. utilize seus conhecimentos de maneira construtiva. mas. 54 E foi assim que. uma vez que cada um de nós é um ser diferente. não perdemos o tempo. estamos.

sem introduzi-los no seu ambiente de trabalho. ante a partida de pessoas queridas. Pelo menos é essa a experiência que tenho tido. embora desgovernados. Sob condições normais. seja a qualquer pessoa que se apresente. custa recusar pedidos de ajuda a pessoas que. outros na esperança de se deixarem convencer. não havendo necessidade de correr riscos indevidos. ao contrário. ela não é necessária à tarefa que nos incumbe junto aos obsidiados que buscam o socorro de um grupo mediúnico. junto ao grupo. outros na expecta tiva de uma cura. é que não estaremos recusando ajuda simplesmente por não concordarmos com o eventual comparecimento de alguém aos trabalhos do grupo. grupos que contem com excelentE cobertura espiritual poderão admitir essa prática. não como norma de procedimento O grupo pode perfeita mente assistir os companheiros encarnados sob as provações da obsessão. apresentam inva riavelmente um componente mediúnico. Também não se torna necessário descer a pormenores explicativos e justificativos dessa atitude. do que arriscar-se a pôr em xeque a harmonia e a segurança da tarefas. com freqüência. é bom repetir. a presença de pes soas perturbadas. Na minha opinião. O que acontece é que pessoas sob o domínio de obsessores implacáveis e vingativos. Em casos excepcionais. no ambiente em que se realisam as sessões. ou seja. na imensa maioria dos casos. 55 6 OS ASSISTENTES Dificilmente um grupo mediúnico deixará de ser procurado por pessoas que desejam assistir aos seus trabalhos. muitas vezes. em vários anos de prática. porém. sabemos que assim não é. isso deve ser tormalmente evitado. em caráter permanente. enquanto outros adotam a prática de abrir suas portas. seja a um público reduzido e selecionado. julgo. ou ausência de espírito de colaboração. rancorosos e violentos. que. desajustados e ignorantes de suas fa culdades e Possibilidades. para que o trabalho seja feito. nos são muito caras. a não ser que os responsáveis espirituais pelo trabalho recomendem taxativamente a presença da pessoa. essa presença pode causar consideráveis trans tornos. pode provocar incidentes e dificuldades insuperáveis. seja de desarmoniza ções espirituais. Basta dizer ao interessado que não é necessária a sua presença física. que vai facultar ou fácilitar a tarefa. certamente relevantes. nos trabalhos de desobsessão. estados de angústia ou de desespero. e a nós. Uns por mera curiosidade. seja de males orgânicos. Mais do que desnecessária. Sei que alguns dirigentes de grupo objetarão a esse radicalismo. . deve ser preservada a intimidade do trabalho mediúnico. É preferível pecar por excesso de rigor. O certo. em muitos grupos. Assim. porém. E não é mesmo. como a obsessão. são também médiuns. somente em casos excepcionais se justifica a presença de pessoas estranhas ao grupo. Os benfeitores espirituais dispõem de recursos mais seguros e eficazes para isso. como regra geral. espíritas. Não é a presença física deles. Sabemos que esta reserva é quebrada. mas. Ainda que aqueles que solicitam nossa ajuda interpretem a recusa como falta de caridade. Os motivos são muitos. ou de se manterem na sua vaidosa e tola descrença. no ambiente onde se desenrola o trabalho me diúnico.

da 6ª edição da FEB): “. Isso. e nem sempre conhecemos as razões pelas quais assim decidem. designando. não poderia ser realizada sob as condições normais. Pode ser que o tratamento exija certos tipos conjugados de mediunidade. facilmente introduzirá nele um fator de perturbação e desequilíbrio. de que o grupo não disponha no momento. excepcionais mesmo. na página seguinte (76. com um caso especial. Ou então. ou de recursos outros. em dia e hora previamente combinados. não.. Enfim. a formação de um pequeno grupo mediúnico. do grupo. narra André Luiz o tratamento de um caso de possessão. obviamente. às interferências voluntárias ou involuntárias. na condição de médium desgovernado. será justo tê- lo nessa conta. os Espíritos orientadores solicitarão uma sessão especial. passou a assistir. algumas sessões. Pedro traz consigo aflitiva mediunidade de provação. por exemplo. há sempre razões respeitáveis. não é para ser divulgado. Há algum tempo. Pode ser. ainda. em problemas de outras pessoas. a sessão exige tais cuidados que. número maior de médiuns. um amigo a quem muito respeito e admiro. me fez uma pergunta perfeita mente válida: Você não acha que existe aí um problema ético bastante grave? Queria referir-se. Em suma: a meu ver. mas. ou possesso. Hilário pergunta ao Instrutor se deve considerar o doente. é um Espírito endívidado a redimir-se. pelo atendimento aos sofredores desencarnados. Por esse motivo (compromissos do passado). porque é da sua essência uma atitude de recato. nessa hipótese. a distáncia. de discrição. nem exibido. O trabalho mediúnico. encarnadas ou . esotérica e misteriosa.” E mais adiante. sob o domínio de rancorosos obsessores ou possessores. e não integrado na equipe que constitui o grupo que se incumbe de socorrê-lo. quem dela deve participar. ainda. que não desejem. até ó local onde habitualmente se realiza a sessão. e aqueles que apenas desejam “assistir” aos trabalhos? Devem ser admitidos? Na minha opinião. ou um doutrinador especial. como. contudo. se o grupo não estiver muito bem preparado para essa responsabilidade. estaria havendo dificuldade em atrair o Espírito a ser tratado. se dispuser de cobertura e consentimento expresso dos benfeitores espirituais. Não que o grupo mediúnico seja uma sociedade secreta.. Esses casos serão previamente selecionados pelos mentores do grupo. precisamos considerar que. o obsidiado. que seja necessária a presença de determinada pessoa encarnada. Somente em condições muito especiais. como explicou mais adiante. em seu próprio lar.” (Destaques meus. com a qual desejam pôr o Espírito manifestante em contacto direto. o grupo mediúnico não deve permitir a presença de pessoas estranhas às suas tarefas. por nome Pedro. Ao observar que os trabalhos enveredavam. quando um dirigente espiritual de nossa confiança propõe que o trabalho seja feito à parte.) Assim. deverá fazê-lo. que poderá trazer sérias complicações. no que diz respeito a pessoas perturbadas. antes de ser um médium na acepção comum do termo. hermética. começou a observar. 56 No livro “Nos Domínios da Mediunidade”. especialmente o de desobsessão. interferir no fluxo normal do trabalho. pelas nobres qualidades de caráter e cultura. para informar-se do assunto. Sem ser espírita. e a solicitar livros. como médium: — “Pela passividade com que reflete o inimigo desencarnado. Pode ser. Nestes casos. como regra geral. como espetáculo público. como acontece com freqüência. mas dotado de curiosidade intelectual e pragmatismo. mas. de sigilo. também. Evidentemente.

Paulo. confessando que Deus está verdadeiramente entre vós. Ou. por conseguinte. será convencido por todos. Uma vez mais. adorará a Deus. que eu aperto mais o laço. e aparentemente dirigindo-se a ele. Paulo dá o nome de profeta ao médium de Incorporação ou Psicofônico. na desesperada tentativa de desarmonizar-me. (1) Ao que se depreende do texto. com relação aos segredos da intimidade alheia. Quem sabe se do próprio. mas apenas imaginado o episódio como estratagema. dizia: — Não tente escapar. Todos nós estamos em posição vulnerável. meu irmão atormentou-se com o vicio do álcool. Por isso. dava-se o fenô meno da indiscrição de espíritos afoitos. na Primeira Epístola aos Coríntios. Sim. infelizmente. por mais clamorosos que sejam. A pergunta. com redobrado respeito e discrição. essa informação é recebida com reserva e. precisamos estar preparados para que tais revelações não nos apanhem de surpresa e não nos atinjam de maneira a desequilibrar-nos. que ora me trazia? Felizmente. sem dúvida. um companheiro. Já naqueles recuados tempos. não me deixei Impressionar. ou revelação acerca das fraquezas alheias. Voltemos. no seu pragmatísmo via no caso o seu aspecto positi vo. Dei-lhe razão. trouxe ao nosso grupo o Espírito de um irmão meu. provavelmente sob a influência obsessiva de algum antigo comparsa. ou não-iniciado à crença e ao reconhecimento da presença de Deus entre os primitivos cristãos. não é? Graças a Deus. e o problema. realmente que o diálogo com os Espíritos que se arvoram em cobradores de faltas alheias traz revelações e informações que devassam a intimidade alheia. É certo. ou vítima. ou seja. divulgada ou comentada. Quando. não podemos no entanto. à experiência e à sabedoria do nosso amado Paulo: — Pelo contrário — escreve ele. com todas as suas fraquezas. prostrado de rosto ao solo. perder de vista o fato de que a norma é o respeito à intimidade alheia. OU não-iniciado. julgado Por todos. que ocorrem no andamento dos trabalhos mediúnicos. porque muitos dos que se acham mais fortemente entrinc heirados nas suas descrenças e revoltas precisam de um impacto maior para desalojarem-se do seu Comodismo ou de sua vaidade. no decorrer do trabalho mediúnico surge uma denúncia. sob seu domínio. se verdadeira. o ardil não produziu os resultados . Uma ocasião. com relação a essas im- piedosas indiscrições. E isto é legitimo e proveitoso. Dizia ele que meu irmão estava presente. versículos 24 e 25 —. 57 não. Os segredos de seu coração serão descobertos e. E voltando-se para mim: — Ele gostava de tomar umas e outras. seus desenganos e seus erros. e entra um infiel. como disse é válida. e ao trato das revelações de caráter íntimo. Não é para ser proclamada. no desespero angustioso de me ferir. o de levar o descrente. nem mesmo na intimidade da equipe de trabalho. capítulo 14. que ele chama de infiel. talvez. suas angústias. nem o tenha trazido. antiqüissimo. que desejaríamos continuassem em segredo. que põem à mostra aspectos de nossa pobre pessoa. com poderosos recursos de hipnotizador. se todos profetizam (1). desencarnado recentemente e ainda em difíceis condições de desajus tamento no mundo espiritual.

Embora não-espírita. portanto. que vai desequilibrá-lo. mas. imposta pela disciplina e pela segurança da tarefa. mas é evidente que a sua presença desregulou qualquer coisa imponderável e acarretou a necessidade de cuidados adicionais. é a regra. Sua esposa desencarnara relativamente jovem. Esse aspecto negativo repetiu-se. encarava com simpatia nossa Doutrina. Talvez alimentasse ele a esperança de uma noticia acerca da esposa ou. de não admitir pessoas estranhas às ta refas. conscientemente. e que causava inegável obstrução ao fluxo normal das tarefas da noite. De modo que. a não ser os componentes regulares da equipe. A introdução de um estranho causa certo desajuste. fora do círculo que compunha a mesa. e isso nem passaria pelas nossas mentes. que nem sempre épossível corrigir com facilidade e rapidez. que não conseguimos vencer. se há estranhos na sala. para que a sessão pudesse realizar-se. graças a Deus. com uma jovem a quem concedemos permissão para assistir aos trabalhos. A instâncias de um dos nossos companheiros.. mas eles se arrastaram dificultosamente. Por duas vezes quebramos. algumas experiências nesse sentido. . tanto entre os encarnados como entre estes e os orientadores desencarnados. e ele estava profundamente abalado. 58 que ele esperava. em um grupo mediúnico. voltamos à rígida política de não admitir ninguém.. não é a leviandade de um pobre Espírito. resolvemos concordar com seu comparecimento a uma das sessões semanais. em circunstâncias semelhantes. a regra que havíamos estabelecido. A conversa prolongou-se por muito tempo e extravasou para outras sessões. sua presença não impediu a realização dos trabalhos da noite. mesmo abstraindo essas ocorrências mais graves. em estado de angústia. o problema se torna bem mais sério. não podemos ignorar que há um clima de sintonia espiritual entre os que participam de trabalhos mediúnicos. É certo que. Tive. Por outro lado. Sentou-se em uma cadeira à parte. e parecia pairar no ar certa dissonância. por parte de nossos benfeitores. e nem as movia a simples curiosidade. com as mesmas características. também. Essa. Não havia problemas particularmente graves com essas pessoas. O companheiro acabou se convencendo. e partiu arrependido e em pranto. todos se estimam e se respeitam. quem sabe? até uma palavra dela mesma. Num caso. Depois dessas duas experiências. ele não contribuiu para dificultar-nos o curso do trabalho. havia grandes hiatos entre uma manifestação e a seguinte. em silêncio e em atitude respeitosa. se o grupo está bem ajustado e integrado. tratava -se de um colega de trabalho de dois dos membros do grupo. Na verdade. e lá ficou.

Como se faz isso? É preciso considerar. o exemplo da soli dariedade e da compreensão? As organizações espirituais geradas e mantidas na sombra podem ter inúmeros defeitos. é preciso dispensar o companheiro que traga para dentro do grupo o fermento da dissidência. Estejamos. tomando conhecimento da nossa atividade. a mesma atitude. Respeitemos esse ponto de vista e não tentemos forçá-los a dizer o que não pretendem. Por mais que nos pese. para que todos possam trabalhar de espírito desarmado e tranqüilo. Os benfeitores espirituais. em caráter permanente. deseje participar do grupo. as deliberações quanto aos negócios. ainda que bastante credenciados. de início. e por mais que relutemos intimamente. Em qualquer caso. digamos terrenos. são deixadas aos encarnados. A disciplina e a coesão da equipe devem ser mantidas serenamente e com firmeza. que predomine a imposição ou a simples vontade de um só. da indisciplina. com uma palavra decisiva dos companheiros desencarnados que nos orientam. em grupos responsáveis. temporária ou definitivamente. Nada. podemos considerar a possibilidade. Devemos admiti-lo? Em primeiro lugar: se já atingimos o número de componentes inicialmente fixado como o máximo desejável. Se os componentes do grupo não se entenderem. A admissão de um novo componente pode alte rar profundamente a estrutura e os métodos de . para ajudar a decisão. de perseguições. Se ainda não alcançamos o número prefixado. como poderão oferecer. ou se outro deve deixar o grupo. mas não parece necessário esmiuçá-lo mais. das qualificações e intenções daquele que se oferece. A experiência indica que. mas estejamos sempre conscientes de que nenhum trabalho de equipe se realiza sem um mínimo de ordem. encontrei sempre. pois. preparados para enfrentá-lo. não podemos cogitar de receber mais companheiros. dos que estão do lado de cá da vida. a ponto de introduzir um fator de perturbação. deve ser afastado. que pode neutralizar as melhores intenções e provocar até a desagregação da equipe. o anverso da medalha. Como nos portarmos diante das solicitações de adesão aos nossos trabalhos? Sempre haverá um parente. Não creio que o assunto esteja esgotado. Guardemo-nos de imitar essas formas de disciplina brutal e cruel. porém. franco e leal. tanto quanto possível. ou amigo que. de espionagem e de regras policiais. aos companheiros desarvorados do mundo espiritual. do grupo. Nas diversas vezes em que me vi diante do problema da admissão de um novo membro. evitando. A disciplina deve ser consciente. recusam-se a dar ordens ou decidir se um novo companheiro deve ser admitido. Se alguém destoar. Há. Não contemos. é necessário um exame bastante criterioso. dirigidos por Espíritos discretos e esclarecidos. que a decisão final deverá resultar de um consenso geral dos componentes do grupo. porém. 59 7 RENOVAÇÃO DO GRUPO Já discutimos ligeiramente o problema da exclusão de algum participante do grupo mediúnico. se for o caso. mas são implacavelmente disciplinadas. mesmo consultados. da inquietação. por parte dos amigos espirituais: o problema era nosso. O problema é nosso. em diferentes grupos.

é só apresentá-lo aos demais companheiros e começar o trabalho. Aja com prudência. para buscar vantagens e privilégios. Será debatida com ele a natureza do seu encargo. Faça-o. trazendo uma contribuição construtiva. sem desejo de aferir virtudes e defeitos alheios. e o que se espera dele. apoiado em boa base doutrinária. do ponto de vista do candidato. se o forem. se os julgar oportunos e aplicáveis. agora. com habilidade e na oportunidade adequada. de início. as condições dc trabalho. ou ela. deve certificar-se de que está disposto ao trabalho construtivo e disciplinado. não é estar pronto para trabalho de tanta responsabilidade. tanto para o lado positivo como para o lado negativo. examinar com serenidade. Neste caso. ou seja. bem integrado e formado de pessoas que se estimam e se respeitam? Mais ainda: ele deve ter o que dar. pois. deverão ser expostas a ele. e só então. mas não deixe de expressar seus pontos de vista. Aguarde o amadurecimento de suas impressões e a sua perfeita sintonização com os demais companheiros. É possível que a sua sugestão seja acolhida. com a intenção de melhorar o trabalho. também. leal. tranqüilo. está em condições de integrar-se na equipe. ainda que não indesejável. as suas credenciais. às quais ele deverá subordinar-se. ou se deseja brilhar. crítico. e dar impulso às tarefas. O candidato não deve impor condições. Juntar-se a um grupo para tirar partido. disciplinado? Ou agressivo. se não forem acolhidos. Mantenha-se discreto e tranqüilo. está mal preparado. com sua influência. de rituais de “batismo”. precisa de tato e bom senso ao apresentá-la. porém. Deve procurar integrar-se no trabalho. como noutro. ao dirigente do grupo. Nada de processos iniciáticos. observando tudo sem espírito crítico negativo. revitalizando o grupo. também com franqueza e serenidade. Cabe-nos. fechado. Se. O novo companheiro pode trazer um bom acervo de conhecimento ou de experiência. Se nos convencermos de que ele. será considerada a possibilidade de recebê-lo no grupo. dinamizadora e eficiente. É um grupo sério. o que lhe competirá fazer na equipe. deve ter suficiente equilíbrio e bom senso para recuar ou aguardar outra oportunidade. não se vanglorie. ou infestado de frustrações. 60 trabalho da equipe. pode ter-lhe parecido suscetível de correção. Apreciemos o problema. e desapaixonadamente. aniquilar o grupo. . de simbolismos. poderá. tanto num sentido. Se tiver alguma contribuição positiva a fazer. de vestimentas especiais ou cerimônias de qualquer natureza. de preferência. mal-humorado? Que tipo de trabalho pretende realizar? É médium? Que faculdade mediúnica tem em desenvolvimento ou já desenvolvida? Tem conhecimento teórico da Doutrina? Relaciona-se bem com as pessoas? Se essas e outras inúmeras indagações forem atendidas satisfatoriamente. em particular. Se perceber que sua adesão é inoportuna ou mesmo indesejada. Que tem ele a oferecer? Qual a sua experiência em outros grupos ou em tarefas semelhantes? Qual o seu tipo de personalidade? Ajustado. ou seja. como os demais membros. Sua presença não deve ser impingida sob condições. nem insistir na sua admissão a qualquer preço. Suponhamos que seja admitido. Certo. Não se magoe. mas pode ser que o grupo tenha razões para agir da forma que. Se deseja participar das tarefas de determinado grupo. de que o grupo lhe oferece as condições que ele entende como necessárias e desejáveis.

Ouçamos com atenção as recomendações e as sugestões dos dirigentes espirituais da tarefa. aqui e ali. Empenhemo-nos em aprender com os nossos próprios erros. Precisamos ter a coragem e a humildade de abandonar práticas inadequadas e adotar novos métodos. exatamente aqueles pontos sobre os quais cometemos nossos piores erros. desejamos com todo o interesse o certificado de conclusão do curso. mas não herméticos. a fim de sermos. tão cedo quanto possível. O próprio estudo. 61 Para resumir: os trabalhos mediúnicos devem ser realizados em grupos fechados. inacessíveis. E se estamos sinceramente dedicados ao progresso espiritual. Tem que haver espaço para a renovação de pessoas e de métodos. e nada mais do que isso. . como Espíritos em desequilíbrio — nos trazem contribuições importantes que. aprendemos mais e melhor. Como estudantes que somos. aconselham correções e reajustes no método de ação. inabordáveis. e a prática decorrente do trato com os nossos companheiros desencarnados — tanto instrutores e orientadores. para nunca mais esquecer. pois são eles que fazem baixar a nota das nossas provas. promovidos à admissão na próxima escola que está à nossa espera. quando os antigos se revelarem insuficientes ou impróprios.

Nessa altura. o isolamento e o manicômio. urgente despertá -los para a realidade que se recusavam. Os Espíritos sempre nos dizem que precisam de nós para determinadas tarefas. Se o grupo já dispõe de um ou mais médiuns desenvolvidos. 62 8 OS DESENCARNADOS . ou seja. Todos nós temos. para chegarem à paz interior. Inseguro e temeroso diante da dor que ele sabe ser aguda. e nem seria esta a finalidade de um grupo que se prepara para a difícil tarefa da desobsessão. compatível com as forças e possibilidades dos trabalhadores encarnados.OS ORIENTADORES Sempre que um grupo de pessoas se reúne para trabalho de natureza mediúnica. como o maestro competente que verifica se todos os instrumentos estão perfeitamente afinados. um grupo deles se mantinha irredutivelmente fixo nas suas angústias. porém. Uns tantos desses. o Espírito culpado se aliena. que devemos à abençoada mediunidade de Yvonne A. Teremos que aprender a trabalhar com ambos os grupos. no artigo intitulado “A Doutrinação: variações sobre um tema complexo”. que é o reino de Deus em cada qual. quase sempre. pois. na esperança de pelo menos adiar o momento duro e fatal do despertamento. Os casos estavam distribuídos. incapacitados para quaisquer aquisições facultativas de progresso”. imersos em lamentável estado de inércia men- tal. que somente podem ser desenvolvidas com o concurso da mediunidade. em contacto com o ser humano encarnado. amigos e guias. lembrei os preciosos esclarecimentos colhidos no livro “Memórias de um Suicida”. no mundo espiritual. Tornara-se. mais inconsciente do que conscientemente. Enquanto alguns se acham à nossa frente. por terem caminhado um pouco mais do que nós. outros nos seguem um passo ou dois atrás. para as primeiras palavras de estímulo e encorajamento. porém. Pereira. É sempre um momento de emoção a primeira reunião mediúnica de um grupo. segundo sua natureza. Tornara-se imperioso encontrar um grupo de médiuns em condições de socorrerem Espíritos de suicidas: “Chegara a um “impasse” o processo de recuperação. Trata-se aqui de um conhecido mecanismo de fuga defensiva. A despeito do desvelo e competência dos técnicos e mentores da organização espiritual especializada no tratamento dos suicidas. é certo que um Espírito amigo se manifeste. semi-inconscientes. não podemos esquecer-nos de que somos todos irmãos. É certo. companheiros. É da lei universal da fraternidade que todos se apóiem mutuamente. muito bem estudado. Em casos como esses é necessário. tanto quanto desafetos e obsessores em potencial ou em atividade. Não vamos conviver apenas com aqueles que vêm para ajudar-nos. apenas distribuídos em diferentes estágios evolutivos. “permaneciam atordoados. a enfrentar. que eles já dispõem de um plano. Em “Reformador” de fevereiro de 1975. Falemos primeiro dos irmãos que vêm nos ajudar a servir. um grupo correspondente de Espíritos se aproxima. profunda e inexorável. a três ambientes distintos: o hospital propriamente dito. Os resultados podem não ser espetaculares — e geralmente não o são mesmo — porque os companheiros incumbidos da nossa orientação ainda estão trabalhando nos ajustes e nos testes. recorrer à terapêutica da . é raro que tenhamos conhecimento da natureza do trabalho que pretendam realizar conosco. Além disso.

são rígidas. na Espanha e no Brasil. ao iniciar uma atividade mediúnica. e as qualificações exigidas. escorado na Doutrina Espírita. particularmente agressivo e desesperado. Sem dúvida alguma. pois. por mais que estes reduzissem o seu teor vibratório. para as tarefas que desempenham junto a nós. Poderíamos dizer que cada grupo tem os guias e protetores que merece. conduzidos no mundo espiritual. já estudaram nossas possibilidades e intenções. como vimos. dentro do Evangelho do Cristo. pois. mais tarde. Não sabemos. de que os orientadores espirituais do grupo somente nos trarão encargos que estejam ao nosso alcance. São enormes as responsabilidades desses amigos invisíveis. era preciso alcançá-los “através da ação e da palavra humanas -Como estavam. que se torna. nas cúpulas administrativas do mundo das sombras. Espíritos desarmonizados informaram-me que estávamos sendo rigorosamente observados e estudados. não entendiam a palavra dos mentores e nem mesmo os distinguiam visualmente. um Espírito. insubstituível.” É para esse trabalho que os mentores espirituais solicitam o concurso dos encarnados.” (Destaque desta transcrição. à sua equipe invisível e recomendava: — Gravem isto! Ou então: — Gravaram aí o que ele disse? Não alimentemos. Contamos com a ajuda e o apoio de companheiros bem esclarecidos e competentes. 63 mediunidade. são examinadas as “Fichas espirituais dos médiuns” que compõem os grupos sob exame. Habituados a tais vibrações mais grosseiras. Convém acrescentar que registros semelhantes — obviamente para outras finalidades — existem também nos redutos trevosos. que tipo de tarefa nos será atribuida. em seguida.” E mais adiante: “Verifica-se a existência de grupos em Portugal. Nossos menores gestos e palavras eram como que filmados e gravados para exame e debate. ilusões. podemos estar certos. a fim de melhor nos conhecerem e poderem planejar a estratégia a ser usada contra nós. Para que fossem tocados na intimidade do ser. num esforço considerável de automaterialização. disposto a amar . como preliminares à tarefa mediúnica propriamente dita. mas precisamos oferecer-lhes um mínimo de condições. em muitos casos. “Na Seção de Relações Externas — prossegue o mencionado artigo de “Reformador” — são consultadas as indicações sobre grupos espíritas que possam oferecer as condições desejadas para o delicado trabalho. O Espírito precisa retomar a sua marcha e o recurso empregado com maior eficácia é o do choque. Decide-se por este último e. mostravam-se eles inatingíveis aos processos mais sutis de que dispõem os técnicos do Espaço. Por várias vezes tive a oportunidade de testemunhar pessoal-mente essa realidade.) Por aí se vê que os nossos grupos e os nossos médiuns se acham meticulosamente catalogados nas organizações do Espaço. não obstante. a que o autor de “Memórias de um Suicida” chama de “revivescência de vibrações animalizadas”. Certa vez. de quando em quando. É preciso localizar um grupo que ofereça as condições de segurança e amparo de que necessitam os Espíritos transviados. Se o grupo empenha-se em servir desinteressadamente. “Memórias de um Suicida” nos fala dos longos e cuidadosos preparativos. dirigia-se.

para estender-nos a mão. Voltam sob seus passos. o cuidado extremo de não interferir com o mecanismo do nosso livre-arbítrio. Amorosos. negam-se a impor condições. e isso teria sido. Não desejam. a nosso turno. A tarefa dos grupos mediúnicos de desobsessão apôia-se nos mesmos princípios. Dificilmente nos dizem o que fazer. de uma óptica essencialmente humana. retificam e estimulam. Guardam. portanto. terá como apoio e sustentação uma equipe correspondente. mais fácil. para qualquer passo que tenhamos de dar. a fim de que. Sua presença é constante. mas para dar-nos a solidariedade do seu afeto. Inspiram-nos através da intuição. sugerem. Apresentam-se. Lembremo-nos. ou um desportista bem treinado. porém. Os benfeitores espirituais não vão ditar um breviário de instruções minuciosas. simplesmente ditar os livros que expusessem as linhas mestras do pensamento doutri nário. diante do corpo vivo do próprio trabalho. A competência costuma passar despercebida. com nomes desconhecidos. ao longo de anos e anos de dedicação. do seu longo período de adestramento. verdadeiros técnicos da difícil ciência da alma. Aconselham. pois não se encontram ao nosso lado para resolver por nós os nossos problemas. de renúncia. às vezes de antigas experiências reencarnató rias. possamos ajudar aqueles que se acham caídos pelos caminhos. Se fosse possível resolver suas angústias no mundo espiritual. leais e francos. tanto quanto a responsabilidade pelos erros cometidos. ante . discorrendo sobre a anatomia do trabalho. pois também é trabalho de cooperação e entendimento entre os dois planos da vida. São modestos e humildes. para que tenhamos o mérito dos acertos. os Espíritos não nos tomam pela mão. mas revestem-se de autoridade. Quando vemos um operário altamente qualificado na sua especialidade. de seu próprio ponto de vista. Preferiram colocar-se à disposição de Kardec. recomendam e põem-se de lado. Em suma. para o exercício do livre-arbítrio. Preferem ensinar pelo exemplo. mas firmes. a observar. são tranqüilos. colocar as questões. 64 incondicionalmente. mas não deixam de apontar-nos o caminho e seguir-nos amorosamente. É preciso que fique margem suficiente para a iniciativa de cada um. Assim são os companheiros que nos amparam. a suave facilidade com que se desempenham. porque parece muito fácil fazer aquilo que aprendemos a fazer bem. de companheiros desencarnados do mais elevado padrão espiritual. Não foi assim que fizeram. falam com simplicidade. porém. experimentamos o prazer de contemplar os gestos bem medidos. Mesmo no trabalho específico do grupo. de estudo. interferem o mínimo possível. muitas vezes. evitam dar ordens. e das suas cansativas horas de trabalho monótono. Corrigem. não precisariam trazê-los até nós. Poderiam os Espíritos Superiores. de forma alguma. para que ele formulasse as perguntas. que se incumbiram de transmitir os fundamentos da Doutrina aos homens. Os ensinamentos destinavam-se aos homens. de repetição e correção. talvez. trazem-nos a ajuda anônima de que precisamos para dar mais um passo à frente. acompanham-nos até mesmo no desenrolar de nossas tarefas hu- manas. O trabalho desses amigos é silencioso e sereno. Essa mesma técnica foi usada com o próprio Allan Kardec. pois sabem muito bem que o Espírito desajustado precisa de ser abordado e tratado de um ponto de vista ainda bem humano. que nos tornemos dependentes deles. de forma que as respostas viessem já acomodadas às estruturas do pensamento do ser encarnado. e caberia aos homens. Ligados emocionalmente a nós.

mas com firmeza. E se um companheiro começar a recomendar tais processos. mesmo erradas. por esses atalhos. mas nos deixarão palmilhar os caminhos da nossa preferência. e temos que resolvê-los dentro do contexto humano. Só que. já vêm para a manifestação mediúnica com um certo preparo prévio. Nada. para trazê -los até nós. que podem realizar o mesmo tipo de trabalho. cuja vastidão e seriedade nem podemos alcançar. Técnicas de magnetização e persuasão. Devemos ou não acolher um companheiro que se propõe a trabalhar conosco? Devemos ou não excluir outro. ou melhor ainda. Sabemos muito bem que a maior parte do trabalho. e são eles que se incumbem de dar continuidade ao serviço. ainda desconhecidas de nós. Não é preciso. não nos faltarão com suas advertências amigas. nem nos obrigam a fórmulas dogmáticas rígidas e insubstituíveis. Inúmeros recursos são utilizados para isso. no decorrer de muito tempo de trabalho. Mesmo com relação à essência do trabalho. éclaro. onde qualquer exte riorização voltada para os aspectos materiais é dispensável. simbolos. com bons modos. O trabalho que nos trazem obedece a pla nejamentos cuidadosos. não poderemos continuar contando com o mesmo tipo de apoio e sustentação. O suporte de que os grupos mediúnicos ne cessitam vem do mundo espiritual superior. seja por que razão for. pois. ritos ou vestes especiais. ou simbolos místicos e vestimentas características. para entender. A função dos orientadores espirituais mais responsáveis não é ditar normas. mas não são grupos integrados na Doutrina Espírita. Todo o seu esforço é conjugado com o de outros Espíritos. a mais delicada e de maior responsabilidade. permite-nos avaliar parcialmente a importância de suas presenças junto de nós. encarnados e desencarnados. Os benfeitores espirituais é que se incumbiram de localizá-los e desalojá-los de suas posições. Merecem todo o nosso respeito e carinho. 65 duas ou mais alternativas. Os Espíritos desarvorados. onde se reúnem pessoas de boa-vontade. muitas vezes tidas por inexpugná veis. que não está se entrosando? São problemas nossos. amorosos e apreensivos. nossa experiência ensina. que se incumbem de orientar e assistir inúmeros grupos. sob orientação de seus companheiros desencarnados. Nada temos contra os grupos que seguem tais recomendações. entendendo-se como tal a Doutrina contida nos livros básicos da Codificação Kardequiana. não obstante. podemos tranqüilamente dissuadi-lo. depois que o Espírito ne cessitado é atendido. São eles os preparadores das tarefas específicas do grupo. é feita no mundo espiritual. são . de velas. Somente a observação atenta. como preces exclusivas. com êxito. limitam-se a aconselhar e sugerir. ainda que de limitados recursos. mas respeitando nossas decisões. E se insistimos em seguir pelas trilhas que nos afastam do roteiro da verdade e da segurança. Haverão de nos seguir a distância. * Os amigos espirituais que se incumbem de orientar o grupo raramente revelam toda a extensão de suas responsabilidades e encargos. imagens. segundo nosso entendimento e bom senso. Geralmente fazem parte de amplas organizações socorristas. Podem ser bem- intencionados e realizar trabalhos de valor. Jamais nos recomendam ritos especiais. mas não impõem a sua vontade. sem necessidade de recorrer a práticas exteriores de suporte.

entretanto. através da intuição ou da mediunidade ostensiva de algum companheiro. enquanto a tarefa no grupo mediúnico prossegue. parcialmente libertos. desde o descondicionamento a dolorosas e lamentáveis concepções. A Doutrina Espírita não recomenda a aceitação cega de coisa alguma. nos momentos críticos. Ao cabo de algum tempo de convivência. Os Espíritos arrependidos e dispostos à recuperação são leva dos a centros de reeducação e tratamento. Temos que buscar o terreno comum da harmonização e da integração. Sem um perfeito entendimento entre as equipes encarnada e desencarnada. É preciso. ao contrário. para acolher apenas o que a razão sancionar. não cair no extremo oposto de tratar qualquer companheiro espiritual com aspereza e desconfiança injustificáveis. falando através de um médium. incentiva-nos a tudo examinar. os Espíritos atormentados nem sabem por que se acham numa sessão. saberemos identificá-los e conheceremos seus métodos de ação. o que não é o mesmo que aceitar tudo sem exame. com eles. O grupo bem orientado. juntam-se aos benfeitores. para as readaptações e o aprendizado que os levará à reconstrução de suas vidas. O nível espiritual e o “status” moral desses companheiros revela-se na sua maneira de agir e falar. autênticas sessões em pleno Espaço. Encerrada a sessão. como figuras sempre secundárias. em nossos desprendimentos. Isto não quer dizer. Os benfeitores assistem à sessão. Temos que aprender a formular sobre eles o nosso próprio juízo. estejam ou não despertados para a realidade maior. de assistência e amparo. porém. já adestradas para esse tipo de encargo. e entregues a outras equipes espirituais. se nos mantivermos atentos e vigilantes. Cabe às equipes de esclarecidos companheiros desencarnados todo esse trabalho invisível. 66 aplicadas com enorme competência e sentimento da mais funda fraternidade. às vezes. Os Espíritos esclarecidos não se aborrecem nem se irritam com esses cui dados. contidos. formulado o juízo sobre os nossos orientadores. que entendem necessários. cabe-lhes recolher os companheiros aflitos. . mas não sabem de onde vem a força que os contém. para o tratamento preliminar de companheiros já selecionados para a experiência mediúnica. já atendidos por nós. ou irmãos que. com eles. Ignoram como foram trazidos. do qual participamos. enquanto adormecemos no corpo físico. Descemos. estaremos em condições de fazê-lo com relativa segurança. muitas vezes. De outras vezes. ou se dizem convidados. contará sempre com o apoio de companheiros desencarnados esclarecidos. é impraticável um trabalho produtivo e positivo. Freqüentemente. pelo conhecimento doutrinário e pela prática evangélica. sob controle. incorporam-se em outro médium. Durante a noite. nossos Espíritos. Muitas vezes admitem estar constrangidos. realizamos. fazem pequenas recomendações ou dão indicações sumárias. para o preparo das futuras tarefas mediúnicas. mais do que nunca. julgando que vieram por livre e espontânea vontade. que deveremos aceitar tudo quanto nos vem do mundo espiritual. até o preparo de uma nova encarnação. em casos mais difíceis. desprendidos. às profundezas da dor e. sem análise critica. A delicadeza do trabalho e seu ponto crítico estão exatamente nesse balanceamento entre vigilância e confiança. Com algum tempo de vivência na tarefa mediúnica. socorrem-nos com seus recursos. para ajudar no trabalho de doutrinação ou de passes. necessitam. e sustentado pela prece.

preciosos esclarecimentos acerca dos trabalhos. Se tiverem que nos transmitir alguma instrução específica. insistimos. se possível. concordam em voltar sobre seus passos e vir nos estender as mãos generosas e seguras. mas isto não é comum. quando não desarvorados também. e. no entanto. Não temam. usualmente. com seus recursos magnéticos. “Essa medida — escreve André Luiz. uti lizar-se-ão preferentemente do tempo destinado à comunicação inicial. dentro em pouco. porque contém. com o grupo em vias de desagregação. e sobre a Doutrina. apenas visíveis a ele. no princípio da reunião. * Os orientadores do grupo geralmente dirigem uma breve palavra de saudação. poderão tentar assumir também a identidade dos que se afastaram. Ao final da sessão. exatamente por aqueles que se opõem aos nossos planos. e vai insensivelmente afastando-se das boas práticas doutrinárias. situados. Em casos assim. ou incorporarem-se para um diálogo mais direto com o Espírito. quase sempre.” Durante o desenrolar dos trabalhos. Em casos extremos podem provocar a contenção do manifestante. As . estritamente relacionados com a ordem doutrinária do serviço. Não nos esqueçamos de que todos os métodos são válidos para aqueles que se enquistaram no transviamento moral. Fazem isso mais para marcar sua presença.” A consulta não deverá descambar para assuntos de natureza puramente pessoal. transmitindo algum aviso ou propondo determinadas medidas. portam-se com discrição e serenidade. A colaboração que lhes emprestamos é mínima. é indispensável. Se não estivermos atentos. na condição de condutor do agrupamento. os companheiros desencarnados usualmente tomarão a iniciativa de dizer uma palavra de esclarecimento e ajuda. cessado o trabalho de atendimento aos sofredores. em planos muito superiores aos nossos. Fazem muito mais por nós do que nós por eles. interferindo o mínimo possível. para substituir os mais esclarecidos. em particular. Quando a orientação pessoal tornar-se imperiosa. amigos. e uma ou outra recomendação sumária. É esta a mensagem que. deve ser gravada. Se o grupo trans -via-se. fica entregue à sua própria sorte. como se desejassem simplesmente dizer: “Estamos aqui. comparecem para uma palavra de estímulo e de consolo. em “Desobsessão” —é necessária. e o amigo espiritual. Nenhum trabalho mediúnico sério é possível sem o apoio desses dedicados e muitas vezes anônimos companheiros. precisará dirigir- se ao conjunto. estaremos inteiramente dominados. em geral. E tudo no silêncio e na segurança daqueles que não buscam reconhecimento nem aplausos. perante a Vida Maior. envolvidos numa vasta e bem urdida mistificação. 67 Essa vigilância. porqüanto existem situações e problemas. Esse é o momento em que outros companheiros desencarnados se aproximam. deixarem de nos proporcionar toda a assistência de que necessitamos. lembrando minudências e respondendo a alguma consulta ocasional que o dirigente lhe queira fazer. e até obsidiados ou fascinados por Espíritos que se apresentam com nomes importantes. nem sentiremos a mudança. em relação à que eles nos oferecem. que. mas cingir-se às tarefas específicas do grupo. sem.

e objetivamente. para não tomar tempo às tarefas de atendimento. Não devemos tentar envolver os orientadores espirituais em problemas que estejamos em condições de resolver com os nossos próprios recursos. . 68 perguntas deverão ser formuladas de maneira sintética.

a despeito de tudo quanto digam ou façam. tentaremos apresentar e estudar algumas dessas categorias. O próprio trabalho a que se dedicam. . impurezas e imperfeições. Não nos iludamos com os seus rancores. Vimos aqueles que pertencem às equipes socorristas. há séculos ou milênios. a que dão combate sem tréguas. No anverso da medalha encontramos os Espíritos envolvidos em dolorosos processos de atordoamento moral. sua violência e agressividade: são terrivelmente infelizes. trazem também amor no coração. Claro que não são. Ainda trazem. mas desejam-no acima de tudo neste mundo. Sem a pretensão de cobrir todo o terreno e esgotar o assunto. sua gritaria. ao amor fraterno. abandonado. A couraça de ódio de que se revestem não passa de uma defesa desesperada contra a infiltração benéfica do amor. nas lutas redentoras em que se empenham. Ninguém precisa. nem se julgam. para retomarem o caminho evolutivo. e ninguém deve esperar perfeição. E. coisa ainda mais estra nha. ao trabalho construtivo. às vezes. à renúncia. porque. é um dos mais eficazes instrumentos de auto-resgate. nunca chegaríamos a fazê-lo. à soleira da perfeição. outra coisa. como todos nós. Temem mais o amor do que o ódio. senão serem convencidos de seus erros. para servir. dedicados ao bem. no fundo. seres redimi-dos. de socorro às almas que sofrem dores maiores. 69 9 OS MANIFESTANTES Variam muito as categorias de Espíritos que comparecem a um grupo mediúnico. então. ainda que sepultado em profundas camadas de desesperança e desenganos. Não buscam.

No segundo caso. por assim dizer.” “Nem sempre. escrevi o seguinte: “. de uso mais antigo”. na obsessão grave. falece a quem não tenha superioridade moral. Quanto maior esta for. mas não o perturba a ponto de provocar desarranjos mentais. o médium — pois todo obsidiado tem forte componente mediúnico — está consciente das manobras e dissimulações do Espírito.” Acha. por processos magnéticos. usualmente. toma-lhe o corpo para domicílio. o Espírito atuante se substitui. Nessa linha de raciocínio. provêm de um Espírito de elevado gabarito intelectual e moral. através de passes.. porém” — adverte Kardec —. como se estivesse completamente privado do seu próprio senso crítico. Define ele como obsessão “o domínio que alguns Espíritos logram adquirir sobre certas pessoas”. um dos maiores problemas decorrentes do exercício da mediunidade. por exemplo. por isso. com a lucidez que o caracteriza. sobretudo. para dizer que a fascinação é bem mais grave. entretanto. portanto. o Espírito que se apoderou sutilmente de sua mente”. a palavra obsessão é termo genérico de um fenômeno que pode desdobrar-se em três principais variedades: a obsessão simples.” Esse artigo prossegue comentando Kardec. A primeira delas é a menos perniciosa porque. por mais fantásticas que sejam.” . o obsidiado fica envolto e impregnado de fluídos perniciosos que cumpre dispersar pela aplicação “de um fluído melhor”. fascinado e servil. menos a ele próprio. Em artigo para “Reformador” (1). sem que este. o obsessor “atua sobre os órgãos materiais e provoca movimentos involuntários”. ao Espírito encarnado.. cumpre. é sempre temporária e intermitente. Seu engano é evidente a todos. Ao reexaminar o problema. No primeiro caso. obrigando a sua vítima a gestos de dra- mático e lamentável ridículo. A possessão. tanto maior também será aquela. o Codificador. Kardec chama a obsessão de “ação persistente que um Espírito mau exerce sobre um indivíduo”. o que certamente o incomoda. que segue. atuar sobre o ser inteligente (destaque do original) ao qual é preciso se possua o direito de falar com autoridade que. ou seja. em “A Gênese”. 70 10 O OBSESSOR Todo o capítulo 23 de “O Livro dos Médiuns” é dedicado ao problema da obsessão.) “Ensina Kardec” — prossegue o artigo — “que. “porque o agente espiritual atua diretamente sobre o pensamento de sua vítima. pois que isso só se pode dar pela morte. a fascinação e a subjugação. conseguintemente. o ser encarnado é constrangido a tomar atitudes absurdas. que Kardec considera. “em vez de agir exteriormente. (Os destaques são desta transcrição. “que o termo subjugação é mais apropriado do que possessão. pela razão de que a união molecular do perispírito e do corpo só se pode operar no momento da concepção”. enquanto que na possessão. no entanto. “basta esta ação mecânica. “Kardec distingue dois aspectos: a moral e a corporal. o que conhecemos por possessão não seria senão um caso grave e extremo de obsessão. inibindo-lhe o raciocínio e levando-a à perigosa convicção de que as idéias que expressa. seja abandonado pelo seu dono. porque um Espírito desencarnado não pode tomar definitivamente o lugar de um encarnado. “Na subjugação” — diz ainda o artigo —.

é invariavelmente um Espírito que sofre. e sim com o coração aberto do companheiro que procura compreender as suas razões. É preciso observar. Por mais violento e agressivo que seja. do seu ódio. ainda que não o reconheça. A argumentação que utilizarmos tem que ser convincente. tornando-se ambos infelizes e envolvendo ainda outros nas tramas das suas desgraças. artigo “Possessão e exorcismo”. indispensável se torna que o Espírito perverso seja levado a renunciar aos seus maus desígnios. um processo de vingança. A obsessão é impotente diante de Espíritos redimidos. 71 E acrescenta: “Mas. pelo qual procure mos educá-lo moralmente. Isto se faz buscando com ele um entendimento. no entanto. Pode-se então ter a grata satisfação de libertar um encarnado e de converter um Espírito imperfeito. ainda não é tudo: para assegurar a libertação da vítima. como diz Kardec. (1) “Reformador” de maio de 1074. mas sem a arrogãncia do mestre petulante. que tudo está previsto nas leis divinas. assim como o desejo do bem. amiúde. o porquê da sua revolta. mais adiante. o Espírito perseguidor busca alívio para o seu sofrimento fazendo sofrer aquele que o feriu. em tão poucas palavras. . o programa — síntese do processo de desobsessão: o obsessor não deve ser arrancado à força ou expulso. acerca das técnicas e recursos sugeridos para o trabalho. um diálogo.) Ninguém poderia descrever melhor. que. ao mesmo tempo em que permitem a cobrança de nossas faltas.” (Destaques desta transcrição. quando tivermos de conversar. Voltaremos a cuidar do problema. que se faça que o arrependimento . o núcleo de sua problemática. A obsessão é. Deseducado moralmente.desponte nele. pelo resgate. nos liberam. Ele precisa ser convencido a abandonar seus propósitos e levado ao arrependimento. em evocações particularmente feitas com o objetivo de dar-lhe educação moral. por meio de instruções habilmente ministradas.

com os cuidados necessários para não identificá-lo. ainda que não autorizado por ele. O vingador implacável acaba descobrindo o seu antigo algoz. Verdadeira multidão de Espíritos atormentava este irmão. pela mediunidade de Yvonne A. assim disfarçado. Um foi particularmente doloroso e aflitivo. mesmo sob formas femi ninas. que não conseguimos livrá-lo das suas dores. Pereira. a vingança como que se despersonaliza. desencadeou-se sobre ele toda a tormenta da obsessão. casos semelhantes. o Espírito João-José preferiu ocultar-se numa encarnação de formas femininas. vida após vida. Em “Dramas da Obsessão”. que o deslocavam da posição de ex-algoz para a de joguete impotente de implacáveis vingadores. Bezerra de Menezes. 72 11 O PERSEGUIDO A vítima da obsessão é sempre uma alma endívidada perante a lei. não pudesse ser reconhecido. porque os compromissos do obsidiado eram muito graves e suas dívidas cármicas acusavam reincidências lamentáveis. narra o Dr. mas por alguém em seu nome. segundo nos explicaram nossos mentores. certa vez. apaziguar muitos dos seus temíveis carrascos e atraí-los para as tarefas de recuperação. tratamos dele por muito tempo ainda. . o sofrimento. passando a ser exercida não por aquele que foi prejudicado. cada qual mais revoltado e odiento. em nossa experiência direta. Seus compromissos eram tantos.” Uma vez identificado o antigo devedor. na esperança de minorar- lhe as dores. vindo a colher. mesmo que este se oculte sob os mais bem elaborados disfarces. Não importa que se lembre ou não da ofensa. ou mais remoto. Não importa que a falta tenha sido cometida nesta vida ou em remotas existências. conseguimos aliviar a pressão que se exercia. Como o seu caso tinha implicações profundas com o nosso plano geral de trabalho. modelando traços fisionômicos e anormalidades físicas idênticas aos que arrastara na época citada. ou obsidiado. Não importa que o perseguido. que durava as vinte e quatro horas do dia. localizado. esperançado de que. De alguma forma grave. embora tenhamos alcançado. Começamos a cuidar dele. jovem ainda na carne. aqueles que ainda se sentiam com suas contas por ajustar com ele. Em nosso grupo. num cerco implacável. um caso desses: “Aterrorizado ante as vinditas atrozes movidas pelos Espíritos de seus antigos amos de Lisboa. sobre ele e sua família. Ao que me disse. que não conhece limites nem barreiras. Por algum tempo. mesmo que a vítima o tenha perdoado imedia tamente. e tão sérios. Muitas vezes. esteja na carne ou no mundo espiritual. Enganou-se. havendo neste livro várias referências esparsas sobre ele. porém. reuniram-se em torno dele. porém. como conseqüência inexorável. um de seus obsessores. Uma vez. alucinado pelo ódio. ligando-se a ele por largo tempo. dia e noite. custaram um pouco a identificá-lo em sua nova roupagem. assistimos a um trágico e incessante desfile de companheiros desarmonizados que enxameavam em torno dele. quando ainda encarnado. no passado mais recente. Temos tido. A falta cometida contra o semelhante expoe seu autor aos azares do resgate. com a graça de Deus. aqui e no Espaço. visto que sua própria organização psíquica atraiçoou-o. desrespeitou seriamente a lei universal da fraternidade.

de certa forma. pois estes dispõem do “esconderijo” do corpo físico e se acham beneficiados pelo esquecimento temporário de suas faltas. A perseguição continuou. que existe em todos nós. não peques mais. inúmeras vezes. de dedicação ao semelhante que sofre. a punição. sem dúvida alguma. as esperanças. talvez ainda mais encarniçada. Mas. — Vai e não peques mais — disse o Cristo. servir. palavras e pensamentos. para que não te suceda algo ainda pior. o erro — que os evangelistas chamam de pecado — acarreta o sofrimento. do aperfeiçoamento moral. para pregar sermões bonitos. sob formas monstruosas. hoje sabemos da profunda realidade que encerra o ensino evangélico. Não que te nhamos de nos redimir necessariamente através do mecanismo da dor. e eles tudo fazem para que não nos esqueçamos dos erros praticados. O Cristo sempre ligou o problema do sofrimento. espetavam-lhe “agulhas” de todos os ta manhos. com equi líbrio e resignação? Ao cabo de alguns anos de implacável perseguição de seus adversários. Da mesma forma. da prece e da vigilància. É certo que suas vítimas daquela época o perdoaram. tomavam-lhe o corpo. Cientes ou não da gravidade das nossas faltas — e. postavam-se diante de sua visão espiritual. exerceu. 73 Seguiam-no nos seus afazeres diários e o atormentavam durante o desprendimento do sono. sem que estivessem preparados para suportar essas perdas. indispunham-no com a família e descontrola vam-lhe o pensamento.) Dessa forma. para as mais tresloucadas atitudes. Ao contrário. Ao que nos foi indicado. caminhadas. Devemos. Estava agora mais exposto. porém. os bens. mais acessível àabordagem de seus algozes. (João. o poder. A lembrança cons tante dos crimes que cometemos nos mantém sintonizados com os perseguidores. físico ou espiritual. impunham-lhe longos períodos de alienação. ao do erro. praticamo-las abundantemente no passado — é imperioso que nos voltemos para as tarefas de reconstrução interior. O arrependimento. 5:14. lhes dá alguma trégua. o que. em tempos da Roma antiga. Enquanto estamos remoendo nossas faltas. esquecer de tudo. como se nada tivesse acontecido? Não. buscar reacender a chamazinha do amor. sopravam-lhe constantemente a idéia do suicídio. — Estás curado — diz Ele ao paralítico. então. e ajudou a desencadear uma das mais terríveis perseguições aos cristãos. do outro lado da vida. aquele . tem que ser construtivo. enceguecidos pelo ódio. A dor não é inevitável. Por muito tempo se pensou que isso fosse apenas um tema sugestivo. o pobre companheiro desencarnou tragicamente. de policiamento de nossas atitudes. com destaque. os desencarnados são mais vulne ráveis do que os encarnados. em virtude do descondicionamento vibratório. ou seja. o resgate. É preciso orar. ele não deve paralisar-nos. e a despeito de todo o cuidado de que foi cercado. continuamos ligados aos obsessores. os amores. se foram realmente seguidores fiéis do Cristo. certamente. porque o processo da libertação pode dar-se também por meio do serviço ao próximo. pois as obsessões não se limitam a atingir os encarnados. a quem mandou tomar a sua cama e andar —. crises de mutismo. descoordenando-lhe as idéias. para fugas. e os outros. que lhe guardaram rancor? A quantos teria ele mandado tirar a vida. neutralizavam o efeito de intensivo tratamento médico e espiritual.

com o mesmo rancor: — Ele pagará! É verdade. Neste ponto. acabou por ser recolhido pelos trabalhadores do bem. mais de uma lição encontramos. especialmente contra o doutrinador. por mais gravemente que o tenha sido. multidões eneeguecidas pelo ódio e nunca saciadas pela vingança. desse mesmo capítulo. no próximo século. seja com a moeda da dor. em lamentável estado de desorientação. pois a vingança não sacia coisa alguma. é uma verdade. assim como perdoamos os nossos devedores. no Evangelho de Jesus. É que o perdão que concedemos àquele que nos feriu não lava o ofensor do seu pecado. devamos transferir o nosso impulso de vingança às leis de Deus. Por muito tempo achamos que toda essa doutrina do perdão fosse apenas um belo conjunto de figuras de retórica. com o perdão. como ensina Kardec. por ser este o porta-voz. por séculos e séculos. de revolta e dor. no desespero em que viviam. certa vez. A lei do equilíbrio universal se incumbirá dele. não deve nem precisa tomar a vingança em suas mãos. A questão é tão Importante. tão vital à problemática do espírito. digno e sério. A Doutrina dos Espíritos veio propor- nos um entendimento infinitamente mais racional e objetivo: o de que o perdão liberta.. também vos perdoará o vosso Pai Celestial. No versículo 14. aquele que fala e procura convencê-los a . Alguns deles continuaram a ser levados ao grupo de desobsessão. deve ser intentado sem apoio nos ensinamentos do Cristo. dado que não há reparos dolorosos como forma de punição aos inocentes. isto é. Alguns de seus perseguidores foram tratados e reeducados moralmente. mas se não perdoardes aos homens. mas se emitimos o nosso pensamento de vingança e ódio. evita que se reabra o círculo vicioso do crime para resgatar o crime. Um companheiro desencarnado. pois é certo que ninguém sofre por acaso. perdoa-nos as nossas dívidas — relata Mateus. ele pagará. por sentir que a vítima punha-se fora de seu alcance. seja com a do amor. o Pai Nosso: -“. ou no próximo milênio. tampouco vosso Pai perdoará as vossas ofensas. mas pensam. mas que tanto temos relutado em experimentar. E é por isso que nenhum trabalho de desobsessão. ela apenas junta mais lenha à fogueira que arde. e. Jesus é ainda mais explícito: — “Que se perdoardes aos homens as suas ofensas. que Jesus a imortalizou no texto da oração dominical. continuamos ligados ao erro. ao sermos ofendidos. reassumimos os compromissos que poderíamos ter resgatado com aquela humilhação ou aquele sofrimento. Também neste ponto tivemos. a fim de serem doutrinados. 74 que foi ferido pelo seu companheiro. Outros se afastaram.. ficam presas.” Sob as luzes da Doutrina Espírita.. São muitos os que não tomam realmente a vingança em suas mãos. da sua falta. que o Cristo nos ensinou. ainda e sempre. que. senão hoje. mas libera o ofendido. uma experiência inesquecível. ninguém deve nem precisa arvorar-se em seu executor. Nesse angustioso círculo de fogo e lágrimas. Isto não significa que. o texto adquire uma dimensão que antes não havíamos notado. para que o outro resgate a sua falta. 6:12 —. na intimidade do seu ser. Não é uma simples teoria. O resgate pode ser despersonalizado. descarregavam todo o seu rancor e agressividade sobre os componentes da equipe de socorro. perseguido por uma pequena multidão de implacáveis obsessores. ou seja.

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abandonar seus propósitos, que eles julgam justíssimos.
Pois bem. Certa noite, volta, para receber os nossos cuidados, o
companheiro que havia sido recolhido. Estava novamente em poder de um
impiedoso hipnotizador, de quem já o havíamos subtraído, a duras penas. Ele
próprio confessou o seu drama: recaira na faixa vibratória de seus
perseguidores, ao deixar tombar as guardas que o protegiam. No decorrer do
diálogo revelou-se mais impaciente do que nunca, exigindo, quase, solução
imediata para o seu caso, pedindo a presença de parentes, sem nenhum
desejo de entregar-se à prece e, acima de tudo, pronto para a vingança! “Assim
que estivesse em condições” — e exatamente por isso não conseguia alcançar
tais condições — “ele”, o obsessor, “iria ver...”
Meu Deus, como poderemos negar o perdão ao que nos feriu, se o
exigimos para nós, exatamente para as dores que resultaram da nossa
imprudência em ferir os outros?
O obsidiado só pensa em livrar-se de seus adversários, a qualquer preço,
mas se esquece, ou ignora, que ele também está em dívida perante a lei, pois,
de outra maneira, não estaria sujeito à obsessão, o obsessor, por sua vez,
procura punir o companheiro que o fez sofrer, deslembrado de que ele próprio
criou, com a sua incúria, as condições para merecer a dor que lhe é infligida.
Julga-se no direito de cobrar, pensando assim cumprir a lei de Deus, para que
a “justiça” se faça. E, de fato, a lei do equilíbrio uni versal coloca o ofensor ao
alcance da punição, que é, em suma, a oportunidade do reajuste. Por isso,
dizia o nosso Paulo, em sua penetrante sabedoria:
— Tudo me é lícito, mas nem tudo me convém.
Com freqüência, os perseguidos apresentam-se em nossos grupos, nos
primeiros momentos da libertação. Quantos dramas, Senhor! Vêm transidos de
pavor, cansados de prisões tenebrosas, fugindo de obsessões que lhes
parecem terem durado uma eternidade. Esgotaram todo o cálice de profundas
amarguras, sofreram todos os tormentos, passaram por todas as humilhações,
submeteram-se a caprichos e desmandos, cumpriram ordens iníquas.
Um desses nos disse que estivera num dos calabouços infectos das trevas,
onde nem chorar podia. Passaram-se séculos. Só nos pôde dizer que foi um
sacerdote e que traiu alguém. Sente agora o peso de um enorme
arrependimento e, quando convidado a orar comigo, não tem coragem de
dirigir-se a Deus, pois se julga o último dos réprobos. A muito custo, consegue
murmurar uma palavra:
- Jesus!...
E fala baixinho, consigo mesmo:
— Que sacrilégio, meu Deus!
Outro, também egresso de um calabouço, não conseguia arti cular a
palavra; fazia entender-se por gestos. Trazia um peso na cabeça, que o
obrigava a manter-se curvado sobre si mesmo e, além de tudo, estava cego.
Um terceiro apresenta -se com as “carnes” roídas pelos “ratos” e “baratas”,
após um longo período de reclusão.
Quase todos trazem ainda no perispírito os estigmas de suas penas:
cegueira, deformações e mutilações, e, na mente, a lembrança de torturas e
horrores inconcebíveis.
Subitamente, ao cabo de agonias seculares, durante as quais resgataram-
se através da dor, escapam à sanha de seus perseguidores, tornam-se
inacessíveis aos seus processos, evadem-se das masmorras e libertam-se do

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domínio magnético sob o qual se encontravam. Em suma: a Lei disse o
“Basta!” a que até mesmo o mais terrível perseguidor tem de obedecer, ao
assistir, impotente, à escapada da vítima. Chegou ao fim o processo corretivo e
reajus tador. Antes, era impossível: ninguém conseguiria interromper o curso da
dor.
Este é o exemplo vivo da experiência mediúnica. Espíritos superiores, e já
redimidos, seguem-nos os passos, até mesmo às profundezas da dor mais
horrenda, sem poderem interferir senão com uma prece, ou uma vibração
amorosa, pois o pobre companheiro transviado nem mesmo a presença dos
amigos maiores pode perceber. Chegado, porém, o momento, tudo se
precipita. Os mensageiros do bem estão apenas à espera de uma prece, ainda
que somente esboçada, de um impulso de arrependimento, de um gesto de
boa-vontade ou de perdão. Lembram-se da advertência do Cristo?
— Reconcilia-te com teu adversário enquanto estás a caminho com ele,
para que não te arraste ele ao juiz, e o juiz te entregue ao oficial de justiça, e
este te ponha no cárcere. Digo-te que não sairás de lá enquanto não tiveres
pago o último centavo.
Não está bem claro?
E muitos ainda acham que o Evangelho é só literatura... ou só poesia, ideal,
inatingível... Razão de sobra teve Kardec para optar pela adoção da moral
evangélica, pois há mais sabedoria e ciência nos textos ali preservados, do que
em todos os tratados de psicologia jamais escritos e nos que ainda se
escreverão. A problemática do ser humano, suas complexidades e seus
mecanismos de reajuste, estão inseparavelmente ligados aos conceitos
fundamentais da moral. Um dia, a psicologia e a psiquiatria descobrirão o
Cristo.

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DEFORMAÇÕES
O perispírito é o veículo das nossas emoções. O Espírito pensa, o
perispírito transmite o impulso, o corpo físico executa. Da mesma forma, as
sensações que vêm de fora, recebidas através dos sentidos, são levadas ao
Espírito pelos mecanismos perispirituais. É o perispírito que preside à formação
do ser, funcionando como molde, a ordenar as substâncias que vão constituir o
corpo físico. É nele que se gravam, como num “video tape”, as nossas
experiências, com suas imagens, sons e emoções. Isto se demonstra no
processo de regressão da memória, espontâneo ou provocado, no qual vamos
descobrir, com todo o seu impacto, cenas e emoções que pareciam diluídas
pelos milênios. É ele, pois, a nossa ficha de identidade, com o registro intacto
da vida pregressa, a nossa folha corrida o nosso prontuário.
Ele é denso, enquanto caminhamos pelos escuros caminhos de muitos
enganos, e vai-se tornando cada vez mais diáfano, à medida que vamos
galgando estágios mais avançados na escalada evolutiva. É nele, portanto, que
se gravam alegrias e conquistas, tanto quanto as dores. Mas, como tudo no
universo obedece à lei irrevogável da sintonia vibratória, parece que, ao nos
desfazermos dos fluídos mais pesados e escuros, que envolvem o nosso
perispírito, nos primeiros estágios evolutivos, vamos também nos libertando
das mazelas que naqueles fluídos se fixavam, ou seja, vamos nos purificando.
Seria quase inadmissível a deformação perispiritual num ser de elevada
condição moral. É, no entanto, muito comum na queles que se acham ainda
tateando nas sombras de suas paixões, e os trabalhadores da desobsessão
encontram fatos dramáticos dessa natureza, a cada passo.
Muitos casos desse tipo tenho presenciado, desde pequenos cacoetes, ou
apenas sensações quase físicas, até deformações e mutilações terríveis,
culminando com as mais dolorosas ocorrências de zoantropia. (1)
Vimos, linhas atrás, alguns exemplos de mutilação provocada por “ratos” e
“baratas”, em masmorras tenebrosas do mundo trágico das dores.
Encontramos, na prática mediúnica, inúmeros exemplos aflitivos de
desequilíbrio perispiritual.
Um antigo sacristão português, desencarnado, era recompensado, pela
tarefa de lançar discórdias, com abundantes “refeições”, regadas a bom “vinho”
de sua terra.
Um ex-oficial nazista, que não se identificou, mostrou-se desesperado de
fome. Renunciou a toda a arrogância, com que a princípio se apresentou, e
humilhou-se, para pedir-nos, em voz baixa, para que ninguém o ouvisse, um
simples pedaço de pão.
Tivemos casos de deformações “físicas”, como a daquele irmão
atormentado que trazia o braço paralítico. Quando me ofereci para curá-lo com
um passe, ele declarou que, assim, teria mais um braço para brandir o chicote
com que castigava suas vítimas.
De outras vezes, apresentaram-se pobres infelizes, que não podiam
expressar-se senão por gestos, porque a língua lhes tinha sido extirpada. Um
destes, depois de reconstituída a sua condição, em vez de agradecer a Deus o
benefício que acabava de receber, declarou que se vingaria daquele que, em
antiga existência, mandara mutilá -lo. Foi-lhe mostrado, então, que, em
existência anterior àquela, ele próprio mandara cortar a língua daquele mesmo

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que, depois, ordenou a sua mutilação. Nem assim ele se deu por achador
aquele a quem ele privara da língua não passava de um cão, pois era um mero
escravo... Havia, porém, chegado a sua vez, e ele, não resistindo à realidade,
entrou numa crise de arrependimento que o salvou.
Um dos casos mais dramáticos que presenciei foi o de um companheiro que
havia sido reduzido, por métodos implacáveis de hipnose, à condição de um
fauno. Estava de tal maneira preso à sua indução, que não podia falar, pois um
fauno não fala. A despeito de tudo, porém, acabou falando inteligivelmente,
para enorme sur presa sua. Fazendo o médium exibir suas mãos, dissera:

1) Zoantropia, segundo o dicionário, é uma variedade de monomania em
que o doente se julga convertido em animal.

— Veja. Não tenho mãos, e sim cascos.
Estivera mergulhado, por séculos a fio, num tenebroso antro, onde
conviveu, sob as mais abjetas condições subumanas, com outros seres
reduzidos a condições semelhantes à sua, e que nem mais se conscientizavam
de terem sido criaturas racionais. Fora também um poderoso, aí pelo século
15, na Alemanha, e deve ter cometido erros espantosos.
Um dos companheiros do grupo forneceu-nos recursos ecto plasmáticos e,
com nossos passes e o apoio que obtivemos através da prece, foi possível
restituir-lhe a forma perispiritual de ser humano. Alcançado esse ponto, um dos
benfeitores presentes informou-nos do seu nome, pois ele não sabia quem era.
Retomada a sua identidade, caiu numa crise de choro comovedora e teve um
impulso de generosidade, lamentando não ter condições de volver sobre seus
passos, para salvar os companheiros que continuavam retidos nas medonhas
masmorras de onde conseguiram resgatá -lo.
Tivemos, certa ocasião, um doloroso caso de licantropia. Ao apresentar-se,
incorporado no médium, o Espírito não consegue articular nenhuma palavra.
Inteiramente animalizado, sabe apenas rosnar, esforçando-se por me morder.
Embora o médium se mantenha sentado, ele investe contra mim, procurando
atingir-me com as mãos, dobradas, como se fossem patas; de vez em quando,
ameaça outro componente do grupo. Lembro-me de vagas cenas de atividades
em desdobramento noturno, quando resgatamos, de sinistra região das trevas,
um ser vivo que, em estado de vigília, não consegui caracterizar.
Como ele não tinha condições de falar, falei eu, tentando convencê-lo de
que era um ser humano, e não um animal. A conversa foi longa e difícil. Sabia
que, diretamente, ele ainda não tinha possibilidade de entender com clareza as
palavras que eu dizia, mas estava certo de que, aos poucos, se tornaria
sensível às vibrações de carinho e compreensão que sustentavam aquelas
palavras. Falei-lhe, pois, continuamente, por longo tempo, procurando
desimantá-lo, para libertá-lo do seu terrível condicionamento. Repetia-lhe que
era um ser humano e não um animal; que tinha mãos, e não patas, unhas e
não garras. Às vezes, ele tinha crises assustadoras, gargalhando, alucinado.
Insistia em ferir-me, com as suas “garras”, e tentou, mesmo, agredir-me, com
as duas mãos, como se ten tasse abrir-me o peito, para arrancar-me o coração.
Mantive calma inalterada, a despeito da profunda e dolorosa compaixão, e da
ternura que sentia por ele. Foi um momento que exigiu muita vigilância e
enorme cobertura espiritual, para que o grupo não entrasse em pânico, e não
se perdesse a oportunidade de servir a um irmão tão desesperado. Não

ele pareceu ter readquirido a forma humana e começou a “conferir” suas mãos. vamos trans mitindo a ele uma sensação de segurança e calma. mas. em decorrência do seu terrível comprometimento ante as leis divinas. ele preserva os valores imortais do espírito. não a um lobo feroz. É certo. para testar. no fundo do ser. com todas as aquisições feitas no rosário de vidas que já tinha vivido. é preciso lembrar que o reajuste nunca é desproporcional à gravidade da pena. sob a proteção de imunidades incontestáveis. Ademais. pois ele se contorce e grita. ele procurava me reconhecer. por tempo que não sei estimar. o tapete. ao lado do médium. os entalhes. mas é que a nossa consciência exige de nós a reparação. que um dia vencerá e nos será apresentada para resgate. código sagrado que aviltamos. as cortinas. ele apalpou. ele começou a aquietar-se. Enquanto fazia isso. queixara-se de uma terrível sensação de medo. . eu ia lhe expli cando o que era cada coisa em que ele tocava. apalpando-me as mãos. Não havia dito ainda uma palavra. caso contrário. examinou. teremos com que pagar. que dívidas assim tão grandes e penosas. desesperado. em termos de aprendizado. a falta cometida sacrifica e martiriza muitos irmãos. o estofamento. mas uma criatura humana. o braço. estava em estado de inconsciência total. a cabeça. A certa altura. uma prece comovida e alguns passes. Invariavelmente. somente podem ter sido assumidas em posições de relevo.) Olhava para trás. nas quais houvesse oportunidade para oprimir o semelhante impunemente. a madeira. Ao cabo de prolongado monólogo com o irmão alienado. mas ainda não conseguia enxergar: passou as mãos diante dos olhos. investigou. Pacientemente. ávidos ante a oportunidade de se vingarem. numa sala limpa. o sofá. à medida que se acalmava. mas ainda insistiu em atacar-me. mas. 79 podíamos esquecer. Digo-lhe que ele foi retirado de lá. orei fervorosamente. assinamos uma promissória inexo rável. que se apresentarão como instrumento da justiça divina. que julgamos meros instrumentos do nosso gozo e poder. o rosto. como um Pai severo e frio. que ele não era um animal irracional. também pelo tato. mesmo porque a lei universal. e. pouco antes da incorporação desse Espírito. porém. Aos poucos. Se tivermos acumulado a moeda limpa do serviço ao próximo. as cadeiras. não resta alternativa senão a dor. (O médium. Tudo que estava ao alcance de sua mão. Não que Deus nos castigue. como se tentasse surpreender algum carrasco. com uma das mãos sobre os seus olhos e a outra na nuca. Dificilmente temos oportunidade de endívidar-nos tão gravemente. e a pena é sempre compatível com o grau de consciência com o qual praticamos a falta. de vez em quando. e não vai mais voltar para a sua prisão. por um minuto. que se tornou temporariamente irracional. realmente. Estava ainda apavorado. pois na escalada espiritual nada se perde. o chão. agora. e podemos estar certos de que não faltarão cobradores. O ambiente estava tenso de emoção e do desejo de servi-lo. nos coloca à mercê da cobrança. errando apenas contra nós mesmos. ou simplesmente de darem azo às suas frustrações lamentáveis. Insistimos nos passes. parece que alguém o chicoteia violentamente. e que está. É quase certo que tivesse uma bagagem respeitável de conhecimentos e recursos. Aparentemente. ao cabo de muito tempo. ainda. começou a reconhe cer o ambiente. De pé. o rosto. Parece que ele esteve encerrado em alguma caverna escura. A cada falta cometida. o corpo. Tínhamos que falar a ele como a um irmão em crise. e lá perdeu a visão e o senso das coisas. Apalpou a mesa que tinha diante de si.

pela primeira vez. Não podemos. talvez) as sensações do tato e da visão. como se nascêssemos puros. determinando todos os nossos condicionamentos. um por um. e lhe servimos vários copos. quanto à sua posição na sala. Somente nos expomos ao resgate. * Como pode uma criatura humana ser reduzida a uma condição como essa? É evidente que ainda não dispomos de conhecimentos suficientes para apreender o fenômeno em todas as suas implicações e pormenores. Como continuo a insistir em que ele pode falar. que ele bebe sofregamente. aqueles a quem infligimos dores e penas atrozes num passado recente ou remoto. Muitos são os que agem pessoalmente contra nós. Por fim. Está calmo. nos registros indeléveis do perispírito. Olhou os móveis. esmagado pela emoção. a falta cria em nós o “molde” necessário ao reajuste. uma troca de favores. É exatamente para que tenhamos a iniciativa da correção espontânea. mais uma vez. valem-se de organizações poderosas. Entra em cena. Não há como fugir a esse esquema. Realiza-se. a “solução” da deformação perispiritual. realizou-se. Ele começou a perceber os objetos. Ao terminar a prece. mas a Doutrina Espírita nos oferece alguns dados que nos permitem entrever a estrutura básica do processo. sem faltas e sem passado. e se desprende. porque ele se contrai e protege a vista com os braços. como se estivesse colocando juntas. Disso se valem. que conserva mos sobre outro móvel. em muito tempo (séculos. deixando o médium desorientado. com extrema habilidade e competência. sem uma palavra. pela dor ou pelo amor. em silêncio. outros. a sala. pois a lei não cobra senão o necessário para o reajuste e o reequilibrio das forças universais desrespeitadas pelo nosso livre-arbítrio. por isso. acordos. a culpa. em que a vítima do passado — es- quecida de que foi vítima precisamente porque também errou —associa-se a alguém que possa exercer por ela requintes de vingança. Se o caso comporta. que a lei nos proporciona o benefício do esquecimento e nos concede a oportunidade do recomeço em cada vida. enquanto apanho o jarro. agora. os bons e os outros. do qual não nos livra nem mesmo a trégua com que somos beneficiados ao renascer. me abraça. percebo que está orando um Pai Nosso. por alguns momentos. no entanto. pela visão. digamos. A extensão do resgate e sua profundidade guardam precisa relação com a gravidade da falta cometida. pactos e arranjos de toda sorte. desesperadamente. aí. 80 e creio que. Parece que jatos de luz intensa o atingem nos olhos. consegue dizer uma palavra: — Água! E fica a repeti-la. fossos adversários espirituais. Somos livres para errar e somos forçados a resgatar. através de contratos. tantas são as especializações lamentáveis. a fria equipe das trevas. O trabalho todo durou uma hora. esquecer que o passado está em nós. porém. emocionado até o fundo do meu ser. Exa minou os componentes do grupo. no qual eu o acompanho. A gênese desse processo é. as suas próprias mãos. obviamente. onde a divisão do trabalho nefando ficou como que racionalizada. é encaminhado a competentes . então. Por conseguinte. o suave milagre do amor. na medida em que erramos. e voltou a conferir tudo na sala.

não pode moldar. Geralmente. as deformações e condicionamentos induzidos pelo operador das trevas. porque eles virão realmente fora de si. no seu corpo perispiritual. como a zoantropia. esse é um recurso de que se utilizam os trabalhadores do bem. são relativamente raros. a única maneira de trazê-los à doutrinação e à tentativa de entendimento. Nessas condições. contra as quais nada têm. Esteja. a propósito. pessoalmente. perde o uso da pa- lavra. as condições mais abjetas. para desalojar de seus redutos os verdadeiros responsáveis por essas atrocidades inomináveis. a alienação mais dolorosa. à sua vontade. ou o magnetizador. A promissória maior está paga. criaturas que. porém. Aliás. iniciando o trabalho no campo fértil do endívidamento de cada um. que entre os homens permaneceram impunes. Chegado. Nessas furnas de dor superlativa. É essa. que imediatamente se aproximarão de suas vítimas. não há defesa que consiga resistir à vontade soberana de Deus. imperam o terror. são Espíritos de consideráveis cabedais e . o grupo. transtornados (1) Leia-se. por conta própria ou alheia. atento e preparado para recebê-los. de ódio. Eles constituem importantes figuras. pedra por pedra. mas ele sabe como movimentar forças naturais e os dispositivos mentais. que chegam até a perder a consciência da sua própria identidade. às vezes. é tão difícil quão doloroso. O trabalho de resgate desses pobres irmãos. que precisa estar preparado. ocuparam na Terra elevadas posições. recuperar o prestígio perante seus comandados e impor castigo exemplar ao grupo que teve a insensata ousadia de exasperá-los. Eles precisam “lavar a sua honra”. o capitulo 5º. “Operações seletivas”. e são guardados a sete chaves e defendidos com unhas e dentes. e a licantropia. resgatam crimes tenebrosos. Quem não deve à lei de Deus? (1) É claro que o hipnotizador. assume as atitudes e as reações típicas dos animais e é segregado. acaba por aceitar as sugestões e promover. o momento do resgate. no tenebroso xadrez das trevas. numa excursão a essas furnas da dor. 81 manipuladores da hipnose e do magnetismo. Além da dor que experimentamos ao presenciar tão espantosa aflição. e é preciso começar a reconstrução interior. que funciona como agente da vingança. com os escombros de um passado calamitoso. eles se voltam contra o grupo mediúnico. volume 7º da série André Luiz. às vezes. ante o atrevimento daqueles que ousam provocá-los. e jamais poderá ser feito sem a mais ampla cobertura espiritual. a vítima acaba por assumir formas grotescas. Os casos mais graves de deformações perispirituais. nos braços amorosos. Furiosos pela temeridade dos seareiros do Cristo. a angústia mais terrível. de “Liber- tacão”. estejamos certos de que a audácia de socorrer tais irmãos desata sobre os grupos que a manifestam toda a cólera das organizações que os subjugam. e os trabalhadores humildes da seara do Cristo conseguem trazê-los. manipulado com perícia. em geral. para a expectativa da libertação. resguardado na prece e em imaculada pureza de intenções. por tempo imprevisível. consideradas as incontáveis multidões de seres aprisionados nas trevas pelas suas aflições íntimas. de todo o convívio com criaturas humanas normais e equilibradas. o perispírito da sua vítima. às vezes. de forma que o Espírito . Em antros diante dos quais o inferno é uma tosca e apagada imagem. como tivemos oportunidade de verificar pessoalmente. como vimos. em particular. porém.

Se antes conseguia realizar tanta coisa espantosa. médiuns. mas mudou a motivação. Recebem de volta a consciência de sua própria identidade e recomeçam o aprendizado. onde conta com o apoio de seus irmãos maiores? . doutrinadores. para impor angústias e aflições. Comparecem planejadores. doutrinadores. médiuns e magnetizadores das trevas. profundos conhecedores da biologia transcendental e das complexidades da mente. invertendo-se os sinais da operação. o que foi destruído com ódio. que se transviaram muito gravemente. 82 possibilidades. os recursos são semelhantes. embora ainda com muitos erros a resgatar. onde vai realizar-se a tarefa do descondicionamento. É novamente a hora de inúmeros especialistas: médicos da alma. com amor. magnetizadores. As forças são as mesmas. e o que antes feria. Eles têm condições de retomar a trilha evolutiva. cirurgiões do perispíríto. São usualmente recolhidos a instituições especializadas. utilizaram-se dos seus conhecimentos para oprimir. pois quase sempre os dedicados operadores que nos ajudam a reconstruir o Espírito. trabalhando ao arrepio das leis divinas. arrasado pela dor do resgate. somente a direção é que muda. que não conseguirá agora. em nome de incontroladas ambições pessoais. para reconstruir. O conhecimento ficou. em épocas remotas. sem a sustentação dos poderes da Luz. porque os arquivos da alma são permanentes. agora quer curar. pelos planejadores. os mecanismos são idênticos. são aqueles mesmos que. ao voltar-se para o lado bom da vida.

informou- me que. na desconfiança. Enquanto odeiam e infligem dores aos outros. calculista. tocando campainhas portáteis. sua antiga condição: participara do doloroso drama da Crucificação do Cristo. envolvidos em imponentes “vestimentas”. que eu não o estava tratando com o devido respeito — o que não era verdadeiro — porque achava impertinentes minhas perguntas e comentários. como se a contemplação do sofrimento alheio provocasse neles generalizada insensibilização. que era um dos trabalhadores do Cristo e não desejava senão restabelecer o poderio da “sua” Igreja. mesmo porque. invisível aos nossos olhos. 83 13 O DIRIGENTE DAS TREVAS Esta é uma figura freqüente nos trabalhos de desobsessão. pois o poder de que desfrutam não pode escorar-se na doçura. Não são executores. frio. Pobre irmão desorientado! Num irresistível processo de regressão de memória. Estão rodeados de servidores. quando se deslocava. experimentado e violento. portando símbolos. Para me dar uma idéia da sua grandeza. às vezes “armados”. pois vinha nos afirmando. estudar as pessoas. sondar o doutrinador. na humildade. ou seja. “montados” em “animais” ou transportados sob “pálios”. guardas. é arrogante. ordenar. são chefes. gostam de deixar bem claro. ainda mais com seres que considera inferiores e ignorantes. Comparecem cercados de toda a pompa. de “elevada” condição. estão esquecidos das próprias angústias. como os pobres componentes de um grupo de desobsessão. consciente ou inconscientemente. pois está habituado apenas a expedir ordens e não a debater problemas. ameaçar. O impacto desta revelação. intimidar. vem exigir. Situa-se num plano de olímpica superioridade e nada vem pedir. certa vez. a execução ficará sempre a cargo de seus asseclas. a fim de poder tomar suas “providências”. como figuras de grandes sacerdotes e imperadores. envolventes. Acostumado ao exercício da autoridade incontestada. indicadores. acólitos. inescrupulosos. para que todos abrissem alas e soubessem quem vinha. Um deles me disse. com horror. Tais dirigentes são ágeis de raciocínio. Comparece para observar. Evitam descer do pedestal em que se colocam para revelar-nos seus problemas pessoais. dos registros indeléveis do seu perispírito. que ocupou posições de mando. que emergiu. . temem tais revelações. desta lembrança. mas de tremendo realismo para ele. escravos. iam à frente dele áulicos. Não dispõe de paciência para o diálogo. Foi geralmente um encarnado poderoso. deixaram-no em estado de choque e desespero. que personalizam os problemas que enfrentam e os colocam na “perigosa” faixa de sintonia emocional que abre as portas de acesso à intimidade do ser. contemplou. Estao ali somente para colher elementos para suas decisões. enfim. incontrolável. na tolerância. assessores. no ódio. e sim na agressividade. sentir mais de perto os métodos de ação do grupo. inteligente. anéis. desde a primeira manifestação.

por certo — para dar “parecer” sobre o caso de que estávamos cuidando. Sente- se. os planejadores gozam de enorme prestígio e respeito nas organizações trevosas. aqueles que se deixaram converter à doutrina do amor. e se apresta a abandonar o caso. à improvisação. Por isso. já que sua tarefa é noutra organização. entendendo-se por “baixa”. sentem-se sem condições de estudar meticulosa-mente e traçar friamente um plano de trabalho que se desdobre como vasta e complexa operação de um xadrez psicológico. Citarei um. que sente enorme satisfação ao recordar que. e os executo res teleguiados. ao impulso. que lhe pediam conselhos e sugestões. ele verifica que o problema é mais complexo do que esperava. pois sempre desprezou. porém. que hoje estaria ainda dominando os homens. como queiram: acha-se um cínico. também desequilibrados. Era um sacerdote. de murros ou de -violências. pensador sutil e aproveita-se de qualquer descuido ou palavra infeliz do doutrinador para procurar confundi-lo. em elevadas posições hierárquicas. em caso de alguma falha ou mudança de condições básicas. impessoal. Há um “post scriptum” a esta narrativa: a conversão deste companheiro representou uma perda irreparável para as hostes das sombras. A certa altura. Aliás. soubemos da perda . com toda honestidade. Sua meta: restabelecer o prestígio da Igreja. informou. não expede ordens. Maneja muito bem o sofisma. Sorria. ou realismo. inteligente. com o qual não pretende envolver-se. propõe um acordo entre dois lideres: ele e eu. aqueles que. Com o passar das semanas. Nada pode ser deixado ao acaso. através da reeducação moral de que nos fala Kardec. É preciso prever reações. Nada de gritos. simples mortal. Tivemos vários casos dessa natureza. Tem um momento de honesta candura. Pelas reações de irmãos. ou seja. manobrava os grandes. valendo-se de sua brilhante inteligência. que não sou líder e não tenho condições de negociar com ele. para tratamento. Não se envolve diretamente com os métodos de trabalho das organizações trevosas. porque os impetuosos e agressivos chefes. mas havia sido convidado — e gentilmente acedeu. mesmo “em vida”. naturalmente. muito envaidecido de sua brilhante inteligência e do poder e satisfação que isso lhe dá. É evidente. culto. que procure meus superiores. limita -se a estudar a problemática do caso e traçar os planos com extrema habilidade. Dar-nos-á uma trégua. Mostra-se amável. evidentemente. Os planejadores são elementos altamente cre- denciados e respeitados na comunidade do crime invisível. Acha que foi um mal sufocar o pensamento e não permitir que a razão imperasse na Igreja. Digo-lhe. Consultara a lista de “baixas” que a organização solicitante havia sofrido. Apresentou-se mansamente. porque já àquele tempo era um hábil articulador. da sua “humilde” posição. pertencia a outro setor de atividade. consultavam a ele. um complicado problema de obsessão. aparentemente tranqüilo e sem ódios. 84 14 O PLANEJADOR Este é frio. propor concessões e arquitetar alternativas e opções. estudar personalidades. é excelente dialético. muito abalado nestes últimos tempos. nem as executa. pois em sua organização o trabalho era bem distribuído. dizia-se muito importante e foi logo declarando que não era dos que executam. que se apresentaram posteriormente ao nosso grupo. até.

estarão sozinhos diante de seus próprios problemas pessoais. Sua perda acarreta uma desorientação geral. É preciso reunir forças e desencadear uma ação fulminante para resgatá-lo. Formam suas estruturas organizacionais segundo as afinidades. Nada de ações isoladas. das ofertas de trégua. Os irmãos desorientados empenham-se em verdadeiras campanhas belicosas. violentado em sua vontade e levado prisioneiro para alguma perdida masmorra. mas também a segurança da organização. O planejador é o poder moderador. Quem falhar perde a proteção de que desfruta. porém. como tal. porque é dos poucos. o despertamento desse companheiro. tudo a tempo e hora. que desperdiçam esforços e põem em risco a segurança da comunidade. e provar aos “cabeças-quentes”. experimentados e audaciosos. No interesse de todos. ali. onde não se admite o fracasso. submetendo-se à mesma estratégia: estudo. Como não conseguem admitir isso. já estão agindo à base do impulso emocional. por certo. e todos têm direito à utilização dos recursos da organização: seus técnicos. organizam verdadeiro estado-maior de lideres brilhantes. portanto. para levá-lo “de qualquer maneira”. que nunca foi bom conselheiro. atabalhoadas. pois julgavam-no nosso prisioneiro. planejamento e ação. implacável. figura importantíssima na ordenação dessas tarefas maquiavélicas. É preciso compreender bem tais reações. dos gritos. perseguições. Équando mais precisam de um competente planejador. ao desligarem-se da organização. É difícil. Tudo se fará no tempo devido. então. destemido. que proteja não apenas os inte resses de cada um dos componentes. É hora. acima de tudo. para os companheiros que permanecem na organização das sombras. que se entregam facilmente ao impulso desorientado de partir para a ação pessoal isolada. Seus comparsas compareciam dispostos a tudo para resgatá-lo. isoladamente. que conservam a cabeça fria para conceber os planos estratégicos indispensáveis. conquistas de posições —passam a constituir objeto de cogitação coletiva. da ameaça. Por isso. agressivo. nas quais tudo vale e tudo é permitido. que o interesse coletivo precisa sobrepor-se ao individual. senão impossível. Seus companheiros de direção costumam ser impetuosos homens de ação. 85 irreparável que representou. O planejador é. Nessas estruturas rígidas. E o . admitir que alguém tão lúcido e brilhante se tenha deixado convencer por um doutrinador encarnado. seus instrumentos. se não tiverem quem os contenha dentro de um inteligente planejamento global. A essa altura. É preciso que cada componente da sinistra máfia espiritual compreenda que os casos pessoais de cada um — vinganças. dos conchavos. planejada e executada com precisão militar e dentro de rigoroso regime disciplinar. desde que os fins sejam alcançados. a coisa tem que funcionar com muita precisão e firmeza. somente podem concluir pela alternativa mais viável: o companheiro foi seqüestrado. Eles sabem muito bem que. mas. para as hostes da sombra. pois. têm que esperar a vez e a oportunidade. e. logo após a perda de um elemento importante — planejador ou executor —. que domina pelo terror impiedoso. por mais forte que seja este. por achar-se ligado à organização poderosa. ainda mais em situações de crise. ou então. fatalmente comparece ao grupo um truculento representante das trevas. segundo os interesses que tenham em comum. dotado de habilidade bastante para demonstrar. seus “soldados” e trabalhadores de toda a natureza. Para alcançarem os objetivos que têm em mira. Toda campanha é estudada. dos murros. o planejador exerce função importantíssima.

demonstra indisfarçável embaraço por encontrar-se ali. parecendo estar realmente desarmado e perplexo. que se desdobre como vasta e complexa operação de um xadrez psicológico. como no tempo em que exerciam tais funções na Terra. Os líderes militares são bons na ação. minuciosamente levantadas. a conversa do doutrinador também é transmitida e produz lá. tentou recuar e voltar sobre seus passos. 86 desespero de não tê-lo leva ao desvario. Fora realmente apanhado desprevenido. por aqueles mesmos dispositivos. cabendo. Essa matriz era sustentada pelas emanações mentais de alguns . num membro encarnado do grupo.. Há pouco. no século passado. estudar o terreno. estudar personalidades. mas quase nunca dispõem de condições para estudar meticulosamente e traçar fria-mente um plano de trabalho. se o soubesse. apoiados pelos companheiros que lá ficam. Não estão lidando mais com dados concretos. * Um desses sutis planejadores nos causou impressão profunda.) Conhece o nosso mentor e. vai revelando sua história. inter- rogado com prudência paciente. que subitamente emergem da imprevisível condição humana. ao impulso. Andaram gravando nossas reuniões em “video tape” — a expressão é dele mesmo — para estudar-nos. naqueles redutos. É estranho que ignorasse isto. contemporâneo de Kardec e não esconde que conhece a Doutrina Espírita. É preciso prever tais reações. num ou noutro coração mais predisposto ao apelo do amor fraterno. Depois de tudo documentado. segundo informa. comprar armamentos e entrar em ação. sem falsa modéstia. Identifica. É portanto. para que não sejam arrastados pela “fraqueza” da conversão ao bem. pois não sabia que o grupo era aquele e. bem como gravações e relatórios a nosso respeito. Está convicto de que o Espiritismo precisa de uma “revisão” atualizadora e ele é um dos que colaborou no preparo de certa matriz (palavra sua) que dará origem a uma forma “moderna” de Espiritismo. mas para tentar recuperar um Espírito que havíamos conseguido atrair e convencer de seus enganos. acham-se ligados aos seus redutos. que muitas vezes os deixa completamente desarvorados. Ao incorporar- se no médium. Não viera especificamente para debater conosco. propor concessões e arquitetar alternativas e opções. na eventualidade de alguma falha ou mudança das condições básicas inicialmente articuladas. não teria vindo. uma pessoa que teria conhecido na França. no decorrer da sessão mediúnica. estudam-nos em grupos de trabalho. até mais do que nós. aos planejadores elaborar a programação da “cam- panha”. Aos poucos. com o propósito de se manterem firmes. por fios e aparelhagem de transmissão. Tinham nossas “fichas” completas.. A tarefa é muito mais sutil. Não basta preparar soldados e equipamentos. à improvisação. Nada pode ser deixado ao acaso. ao vê -lo. Esquecem-se de que. sendo esse material todo colhido na indormida vigilância que exercem sobre nós. Hesita e negaceia. mas já era tarde. então. falava um desses líderes das trevas sobre a sofisticação da sua aparelhagem. porque envolve inúmeros fatores imponderáveis. Daí a importância que os trabalha dores do bem conferem aos planejadores. Declara-se conselheiro e planejador da organização à qual se acha filiado. certos impactos. Mesmo enquanto conversam conosco. Daí o prestígio e o respeito que esses brilhantes estrategistas gozam nas comunidades trevosas.

para vazar a sua cólera. Afinal. traiu o Mestre. parece tomar uma decisão mais drástica e começa a falar em altos brados. Gostaria de voltar a ser um humilde galileu. Está perfeitamente consciente de suas responsabilidades e não deseja recuar do pacto feito com seus superiores. mas também das inúmeras vezes em que. Por fim. Encaixo. agarra as nossas mãos. Lembra-se de passadas encarnações e da constante presença do Cristo em suas vidas. Está em crise. atuantes no movimento e aos quais foi prometida uma fatia de poder. um comentário. que prevê. chama-nos de amigos e nos adverte — agora com total sinceridade — dos riscos da nossa tarefa. até que ele se acalma um pouco e começa a dar-me conselhos e fazer algumas confidências. Ë difícil encontrar um bom planejador para repor uma “baixa” importante como essa. 87 companheiros encarnados. Deixo-o falar. a dar com as mãos na mesa. .. com o que ele parece concordar com o seu silêncio. dizendo-lhe que nenhum pacto a protegerá dos seus compromissos cármicos. e parte. a seu ver. a sua frustração e o seu temor. admite que não fez acordo com a treva: ele é a própria treva. orando ao Cristo. e continua a sentir-se embaraçado diante de nós. uma substancial parcela de poder e proteção para uma filha que estaria encarnada e muito assediada por Espíritos trevosos. em pranto. para ele.. Depois de uma longa conversa. em que ele vai revelando sua história. a essa altura. meramente informativa. mas sinto nele falta de convicção. Também a sua perda desencadeou sobre o grupo um processo de agressões violentas e passionais.

os despachos e.” São também impessoais e frios aplicadores das “leis”. quando previstos nos “códigos” pelos quais se orientam (ou melhor. “Estes também — diz o artigo já citado. os laudos. 88 15 OS JURISTAS Muitas vezes nos encontramos com esses trabalhadores das sombras. cingem-se aos autos do processo. os autos do processo. como também autos já arquivados. para argumentar comigo. pobre irmão. São os terríveis juristas do Espaço. medianamente instruído. com sentença profe rida. E até as revisões. autoritários e seguros de si. porque o bedel lhe dera primeiro um dos processos. por fim. os depoimentos. até assassinatos. foi descobrir que estava lendo os autos de seu próprio processo! Trouxera consigo um servidor da sua equipe apenas para “carregar” os autos. em caso que. em “Reformador” de fevereiro de 1975 —. segundo este jurista invisível. Abriu sobre a mesa o caderno. . e os apelos. se desorientam). qualquer juiz terreno. Quando pediu ao contínuo que lhe passasse os autos. e começou a citar a lista de crimes que o acusado havia cometido. Todo o formalismo processualístico ali está: as denúncias. a sentença — invariavelmente condenatória. coisa indigna de sua elevada condição de magistrado. Só depois. eu havia apelado. é o outro! O “outro” era o dele! Já me trouxeram também os autos do processo de minha “heresia”. proferiria a mesma sentença diante daqueles fatos. exoneram-se facilmente de qualquer culpa porque. as perícias. . em tom áspero e imperioso: — Não é este. Na sua opinião. os pareceres. O engano foi. as audiências. seu mesmo. desde o desencaminhamento de jovens inexperientes. Um desses juizes deu-me a honra de trazer. e ele. aliás. invisível a mim. segundo informam ao doutrinador. tão compenetrados de suas tarefas como quaisquer outros. este lhe deu a documentação errada..

de fato. se não nos tivéssemos metido em coisas que não eram de nossa conta. Ao cabo de algum tempo de diálogo. ameaça e diz-se um dos trabalhadores do Cristo. com orgulho e frieza. de obsessões violentas. Agasalham-se na crueldade agressiva e fria. escrita. metido a reformista. mal conseguia conter o seu ódio e a sua irritação. Não se teria dignado comparecer diante de nós.. estávamos já servindo. Quando me lembro disso. nas várias vezes em que compareceu ao grupo. uma preciosa condecoração por um gesto de enorme dedicação à causa de seus mandantes: empenhara-se em castigar sua própria irmã! Outro. sofrida. Havia mais. ofereço-me para ajudá-lo. Descobrira que os mais terríveis obsessores de seu filho eram precisamente os companheiros da sua própria organização! E. Pergunto-lhe se não tem alguém a quem possamos servir. Revela sua elevada hierarquia. Aquilo era demais para a sua compreensão. ridiculariza. que não lhe era possível nem visitar.. Quantos deles encontramos nos trabalhos de desobsessão! São remunerados das maneiras mais engenhosas e diversas. deblatera. É justamente isso que ele não entende: descobrira que. Usualmente. enquanto ele tudo fazia para perseguir-nos. incompreensível. aos seus vícios e às suas deformações. mas que deixava aos nossos . embargada. pois não é o mandante. a ausência do filho amado. com as luminosas tintas do amor e da emoção. parece entrar em pânico e não consegue ocultar certo temor. com as sombrias cores do rancor. ainda me parece ouvir sua voz pausada. no entanto. Passadas algumas semanas. Consideramo-la uma das coisas mais lindas e mais emocionantes que tivemos. Conhece- me de longa data: sempre fui um herético impenitente. à sua espera. a princípio. sem remorsos. nada tem de pessoal contra suas vítimas inermes. sus tentados por luminosos trabalhadores espirituais. sem dramas de consciência. com vistosas condecorações. a troco de nada. 89 16 O EXECUTOR Sente -se também totalmente desligado da responsabilidade. Há os que são compensados com prazeres mais vis. Não podia compreender como estávamos ajudando o “menino”. porém. a um Espírito muito querido ao seu coração. desses companheiros desarvorados. deixou-nos uma das mais comoventes lições.. Seus “soldados” estão lá fora. Era. Empenhara-se num processo tenebroso e complexo. as que mais se ajustam à sua psicologia. a serviço de um grupo que dispunha de vasto plano de atividade.. ele que sempre foi destemido homem de ação. e depois. obteve permissão para transmitir-nos uma mensagem de gratidão. a chorar o tempo perdido. sem exigir coisa alguma. Outros são estimulados a atos de particular “bravura”. apenas executa ordens. Um deles me exibia. de amor. em alguma coisa de que necessite. começamos a conseguir dele alguma reação positiva. Quando. sem temores. quanto às atrocidades que pratica. ao longo de muitos anos de prática mediúnica. Ao manifestar-se. treinara “soldados” para nos dar combate sem tréguas. que tanto nos esforçávamos por ajudar o filho. Já vimos o exemplo do sacristão que era pago com suculentas refeições e vinhos deliciosos. a nós. que em antiga encarnação fora seu filho e que nunca mais esquecera. com todo o nosso afeto e dedicação. de arrependimento. mesmo sem o saber.

pobres irmãos desorientados. Estava de partida para uma nova encarnação. Assim são eles. para o reajuste.. que se prenunciava de muitas dores e renúncias. Não nos impressionemos com a sua violência e agressividade.. Trazem dores milenares e. . 90 cuidados. um dia.. preservou-se em seus corações a pequenina chama do amor. um dia. Sustentava-o a esperança de um reencontro alhures. no tempo e no espaço. a despeito de si mesmos. como ele precisava.. Basta um sopro de compreensão e afeto para que ela se reacenda.

São argutos. empenhados na defesa da “sua” Igreja. Os “religiosos” desorientados invocam também outras passagens. como aquela em que o Cristo declara que não veio trazer a paz. por todas as nações? Entretanto. quase sempre. 91 17 O RELIGIOSO É impressionante a elevada participação de transviados “reli giosos” no trágico e doloroso desfile de Espíritos em lamentável desequilíbrio. Multidões de ex-prelados debatem-se. — “Não mediste. ainda — diz Gúbio. que se arrastam. para debate. desde que os objetivos que escolheram sejam alcançados. a mesma teologia deformada. às vezes. — Ao mesmo tempo — escreve Mateus (21:13) — os instruía.. esquecendo-se. e. vida após vida. “incluir-se entre os negociantes privilegiados. das motivações daquele gesto: a vergonhosa comercialização das coisas sagradas e a indústria do sacrifício de pobres animais inocentes. estudo e planejamento. violentos. por isso. no mundo póstumo. ao qual deu o título de “Estranha moral”. a extensão do intercâmbio entre encarnados e desencarnados. não a si mesmos. necessária e justificável. quando cuidarmos especificamente das técnicas e recursos sugeridos para o trabalho de desobsessão. bem escolhidas aos seus propósitos. em “Paulo e Estêvão”. Têm os seus temas prediletos. A determinadas horas da . mediante influência de certo Alexandre. que se revezam na carne e no mundo espiritual. Muitos daqueles cambistas e negociantes não passavam de meros “testas-de-ferro” dos donos da verdade. O grande problema desses queridos companheiros desarvorados é o poder. orgulhosos. Quase sempre exerceram. inteligentes. Realizam-se reuniões. mas a espada. porque também se revezam no poder.) Kardec tratou dessas questões no capítulo 23 de “O Evangelho segundo o Espiritismo”. com a qual justificam seus impulsos e sua tática. deliberadamente. e do dinheiro. no capítulo “Observações e novidades”. dizendo: Não está escrito: “Minha casa será chamada casa de oração. O intercâmbio. o instrutor —. Emmanuel informa. parente próximo de Anás. agressivos. 10:34. que invocam como exemplo de que a violência é. pelos séculos. como zelosos trabalhadores do Cristo. mantendo estreito intercâmbio. quando se acham parcialmente libertos os encarnados. aqui e lá. André Luiz nos dá uma pequena amostra dessa atividade em “Libertação”. que Zacarias. suas organizações sinistras e implacáveis parecem eternizar-se no comando de vastas massas humanas. nas organizações reli giosas a que se filiaram. fizestes dela um covil de ladrões!” A esse comércio vil. pois costumam trazer os mesmos argumentos. (Mateus. em angústias e rancores inominá veis. posições de mando e destaque. como a cena da expulsão dos vendilhões do templo. Parece terem freqüentado a mesma escola no Além. Ainda comentaremos tais problemas. Apresentam-se.. encarnadas e desencarnadas. nem fica sem explicações. Constituem equipes imensas. O gesto não é gratuito. que podiam vender animais para os sacrifícios do Templo”. nas sessões de desobsessão. impiedosos e arrogantes. é intenso. estavam associados os próprios sacerdotes. às vezes. Estão acostumados a dominar os outros. pois tudo se permitem. o protetor de Abigail. conseguiu. à noite.

as lágrimas. assim. 92 noite. pois gozava de inteira liberdade. mantendo um ritual pomposo e meramente exte rior. evidentemente. suas jóias e todos os símbolos de suas posições. cuja libertação é o tema central do livro. ou seja. Ligara-se a um ser encarnado. Sabem. certamente. têm diversões. Vivem em “construções” suntuosas e soturnas. na missa. que vivia alegremente. aqueles que a conquistaram pela ardilosa sagacidade. Ao longo de muitos séculos de intriga política. Totalmente teleguiada. Conservam. Monsenhor falou que era preciso evitar o aguilhão”. sem que ele o soubesse. é irresponsável e perturbada. permanecem detidos nos círculos de baixa vibração qual este em que nos movimentamos provisoriamente (1). dessas orgias. Comparecia uma vez por semana à presença do nosso amigo encarnado e o induzia aos desatinos dos sentidos desgovernados. mas estas são ativas. aliás. era dirigida por um ex-papa. desde que atinjam seus fins. Agindo sob hipnose. ela respondeu que não. o desespero. investidos de enorme autoridade. Por aqui. Dispõem de recursos extremos e não hesitam em empregá-los. três quartas partes da população de cada um dos hemisférios da Crosta Terrestre se acham nas zonas de contacto conosco e a maior percentagem desses semilibertos do corpo. muitas vezes se forjam dolorosos dramas que se desenrolam nos campos da carne. Enquanto estão ali. isto é. Não é maldosa. que se sairem dali. gostava da sua tarefa. Ai daquele que se intromete em seus afazeres e tenta impedir a realização de seus planos criminosos! precisa estar muito bem preparado. Grandes crimes têm nestes sítios as respectivas nascentes e. nos contou. freqüentes e tenebrosas. Celebram suas missas pregam sermões. Quando eu lhe disse que era mero instrumento em mãos alheias. pela prepotência e total desinteresse pelos aspectos éticos das questões envolvidas. Comparecem. Encontrava-se muito bem preparada pelos seus ínstrutores. encontrarão o espectro temido da dor. três pessoas em cada quatro. atuava precisamente naquilo que constituía o principal problema do companheiro encarnado: sexo. vigilante. sentam-se em “tronos”. não fosse o trabalho ativo e constante dos Espíritos protetores que se desvelam pelos homens no labor sacrificial da caridade oculta e da educação perseverante. acontecimentos mais trágicos estarreceriam as criaturas. prazeres. vestidos bonitos e até mesmo os “tranqüilizantes” psicológicos para a . de quem cuidamos certa vez. na irresponsabilidade da sua inconsciência. participando. era simples instrumento sob o poder implacável de seus senhores. tal como faziam aqui na Terra. por fuga ou fraque za. seus paramentos. Conta que “ainda ontem. a quem estávamos interessados em ajudar. cercam-se de áulicos prontos a executar-lhes o menor desejo. com penosa ingenuidade. pela influência natural do sono. 75 por cento! André não fala especificamente de reuniões promovidas por religiosos. e do exercício da opressão e da intimidação. Era “remunerada” com “roupas” luxuosas e bonitas e. Uma jovem desencarnada. enorme cidade das trevas. sob a égide do Cristo. guardado na prece e assistido por Espíritos do mais elevado teor vibratório. desenvolveram apurada técnica de trituração. esses pobres “ministros de Deus” (1) A organização visitada.” Prestaram bem atenção? Três quartos da população encarnada na Terra. no mundo espiritual.

como disse.. enceguecidos pelas trevas. mortos a fome. nos contou a seguinte história: numa existência anterior. Na sessão seguinte compareceu um sacerdote. Vê uma jovem serena e bela que a chama. para dizer que “quando eu vou lá. — Portanto — digo-lhe eu — você não tem liberdade. realizando verdadeiras lavagens cerebrais. apavorados. seu amigo. levam-nas às missas que celebram e absolvem-nas dos pecados que porventura tenham cometido. ela não teria coragem de vir me ver. faço uma prece e ela se sente perdida. Tinha forte sotaque alemão e era o “guia espiritual” do nosso companheiro encarnado. A despeito de seus desvairamentos. mas ela teme e hesita. mas nem tudo nos convém. Localizando esta agora. desde que os ajude a alcançar seus objetivos. tudo convém. fora traída por uma mulher. como alega. também. em outra vida — não ficamos sabendo se casada com o seu antigo marido —. mantêm os mesmos processos de tortura e de encarceramento. no fundo. embora va riadas na forma. atormentava-a livremente. é verdadeira a doutrina da reencarnação. Há. roidos pelos ratos. nem têm como negá-la. ainda sentindo as sensações de estrangulamento. Sim. com os olhos ou a língua arrancados. nesse caso. entre eles. É. “Eles” não podem saber.. sinto-a interiormente ingénua. carregando correntes imaginárias. então sob tratamento em nosso grupo. Todo esse arsenal alucinante de opressão e miséria tem como suporte uma teologia que lhes é própria. A Igreja a admite há muito tempo. alienados. desencadeando processos obsessivos penosíssimos. tagarelando inconseqüentemente. tuberculosos. para estes irmãos religiosos transviados. Poderia ser minha filha. muitos sem condições sequer de chorar.. sem saber o que fazer. com rancor e consciência tranqüila.. precisamente a moça da semana anterior. a perdoava e a estimulava a prosseguir na sua deplorável tarefa. Por fim. dizem. sem dúvida. diante do que sabem. E assim. por exemplo. se eu fosse seu pai. Quantos companheiros não socorremos. provocando pavorosas desfigurações perispirituais. mais fanáticos do que nunca. ela me confessa que veio escondida. mas . atoleimados. Viera em busca da filha que desaparecera. porque um sacerdote. Seus artífices não ignoram as verdades contidas na Doutrina Espírita. não anda fazendo boas coisas. porque ex-sacerdotes fanatizados e duros ministram- lhes “sacramentos”. Mais um argumento que ela intimamente reconhece legítimo. um plano maquiavélico. digo-lhe. reconhecem. em medonhas masmorras infectas. Ainda rancorosos.. Pobre irmão desgovernado! Ignorava que ela estava sendo vergonhosamente explorada pela mesma “organização” a que ele servia! Dizia Paulo que tudo nos é lícito. seja lícito ou não. com o qual ex-“ministros de Deus” conseguem manipular. sempre as mesmas. o que parece impressioná-la. acaba cedendo e parte com ela. misturam os conceitos de uma deformada teologia com os ritos da magia negra e com as técnicas da hipnose e da magnetiza ção.. Uma das infelizes criaturas a que atendemos certa vez. quase pura. prossegue. mas justificam suas atrocidades com frases estereotipadas. Aproveito o ensejo para dizer-lhe que. pobres inocentes úteis que lhes caem sob o poder. desmembrados. os ex-inquisidores. Mas. à vontade. Nesse ponto. e ela responde que. todas se escondem”. 93 consciência atormentada.

são trânsfugas desprezíveis. fanático e não mau. especialmente no Brasil. o período de . dois porcos num só. algo impressionado. seja com promessas sedutoras ou barganhas inaceitáveis. quando conseguirem restaurar todo o poderio da Igreja. Outro. planejam e executam. certa vez. os obsidiados são peças importantes no complexo jogo de xadrez das sombras. ou seja. onde não encontram nem o céu de gozos inefáveis. éramos sacerdotes católicos.. Outros se empenham em “recuperar-nos”. procurando. sob o guante de terríveis obsessões. Alguns dos mais destacados membros da hierarquia eclesiástica também vencem. esses conhecimentos serão liberados e o Evangelho do Cristo será novamente pregado tal como é. e os grupos que intentam salvá-las das suas afli ções precisam estar realmente bem preparados. antes ainda da Reforma Protestante. Para os antigos comparsas. apóstatas que têm de destruir. São muitos os que rapidamente se adaptam às condições do mundo espiritual. em não poucas oportunidades. estaria perguntando se não há sacerdotes de boa índole. tanto na Igreja Católica como na Protestante. É claro. Esse momento é sempre o mesmo: quando restabelecerem novamente o domínio total sobre a Humanidade. A esta altura. conhecendo meu passado. para ser lançada no momento oportuno. Por outro lado. nem tampouco o purgatório lendário.. Verdadeiras batalhas travam-se em torno de determinadas figuras humanas. com redobrado ardor. em grande número. com a cumplicidade de muitas fraquezas humanas. que cumpre esmagar. a todo custo. o movimento espírita moderno. seja com ameaças. Muitas vezes. me disse. pois da última vez em que fomos companheiros. com as mais terríveis invectivas! Um deles. porém. que existe. o leitor. Quantos me têm interpelado. tais grupos se envolvem em autênticos vespeiros. pronta. próprias e alheias. ou serão impiedosamente esmagados pela agressividade dos poderosos dirigentes das trevas. em nova encarnação. graças a Deus. cuidadosamente preparada. como eles entendem que seja. pois. em que era honra concedida aos reis beijarem os pés dos Papas. Enquanto isso. pois essas informações não devem ser transmitidas à massa popular. 94 conserva tais conhecimentos limitados a uma elite pensante. Um dia. entre aqueles que foram pequenos e humildes servidores da Igreja. com ódio e desprezo: — Protestante e espírita. com surpreendente brevidade. mas apenas as condições que criaram para si mesmos. com muito mais freqüência. conta com enorme quantidade de antigos sacerdotes. que o alvo de preferência de suas investidas é o Espiritismo. monges e frades que se dedicaram à caridade e ao serviço ao próximo. tramam. nem o inferno aterrador. Os grupos espíritas de trabalho mediúnico interferem direta ou indiretamente em seus planos. e. conscientes das grandezas do Evangelho de Jesus. envolvem. quando se passam para o mundo póstumo. lavar as manchas de crimes hediondos que cometeram. ao tentarem ajudar companheiros encarnados ou desencarnados. no mundo espiritual. uma nova versão do Evangelho. Certamente que sim. São eles os serenos párocos de aldeia. É que. buscava -me há mais de quatro séculos. Um deles me declarou. arrependidos de seus desatinos passados. que muitos combateram “em vida” e que prosseguem combatendo. tal como no passado. heréticos que precisam calar. no entanto.

prejudicial ao Catolicismo”. porém. Extraordinário fenômeno. a referência à coorte dos que o seguiam e ao desapontamento em que ficaram. ao ver o bravo cardeal render- se espontaneamente àqueles que todos consideravam como adversários. diria mesmo fenomenal. capaz de confundir a inteligência mais atilada e a criatura melhor provida de conhecimentos teológicos e profanos. demonstrava a sua contrariedade pelos efeitos que a minha visita produzira em meu espírito. que nos tratava com superior condescendência. separadas. certa vez. Um dos poderosos “Príncipes da Igreja”. Compilação do Dr. sem impor sua . venho entre vós. Um deles. De outro cardeal desencarnado ouvi. que não mereciam piedade nem consideração. Não sabem viver sem mandar. “procurara. grandiosa. malquistos pela sociedade perversa dos vossos dias. Quando daqui regressei. o Infinito como que se havia transmudado e novo cenário se me deparou. Medito e considero: eu. edição da FEB. 1941. estudando suas atitudes e pronunciamentos. da autoridade. A coorte dos que me acompanhavam. na sua segunda comunicação: — “É estupenda a metamorfose que se operou no meu Espírito. Os ambiciosos desejam o poder. também. a lamentosa queixa do arrependimento. beber da água da vida que o ensino da Igreja romana nunca pôde proporcionar ao meu espírito sedento. em virtude do íntimo conhecimento dos bastidores políticos da Igreja. “em vida”. * Muitas são as lições dolorosas que nos ministram os dramas vividos por esses pobres irmãos que insistem em declarar-se trabalhadores do Cristo. 95 perplexidade em que mergulham com a desencarnação. quando dispunha de tantos recursos e poderes. servidor da Igreja. julho/1939 a dezembro/1940. creio que poderíamos identificar duas posições básicas. meus irmãos. em sua comunicação. meios de conseguir que cessassem as atividades da Federação. em serviços preciosos. juntamente com outros digni tários da sua Igreja. agora. foi acolhido por um velho e humílimo criado de quarto. Às vezes. Comovente. Note-se. a ambição e o fanatismo parecem coexistir no mesmo Espírito. desde a visita que vos fiz. o exercício (1) “Trabalhos do Grupo Ismael”. sem oprimir.” (1) Fora daqueles que. neles: ambição e fanatismo. segundo suas próprias declarações na sessão anterior. socorrido exatamente na organização que tentara fazer calar. Estupenda. vol. elevado à mais alta dignidade eclesiástica. mas pelo que deixara de fazer de bom. são as pequenas manifestações anônimas. página 137. impetuoso e arrogante. manifestado no Grupo Ismael. na maioria sem grande preparo intelectual. Era. não pelo combate ao Espiritismo. é a obra em que colaborais. Examinando suas tendências. mas ocorrem. declara. criaturas simples. de que somente tomamos conhecimento por via indireta.. cabisbaixa e encolhida num recanto. homens terrenos. pelo considerar falsa e errônea essa doutrina. na Terra de Santa Cruz. que o servira nos seus dias de glória. também. vós outros. na propaganda do Espiritismo. Guillon Ribeiro.

acham-se abri gados da dor. ante o impacto traumático de revelações que dormitavam em seus indeléveis registros perispirituais. entre os desencarnados. por exemplo. O esquecimento deliberado e auto -induzido é uma fuga. sacerdotes de ele vada hierarquia eclesiástica. Outro ajudou a apedrejar Madalena. suas fraquezas. autoritária.. Foram hierofantes de decadentes cultos egípcios. Movem-nos ambições desmedidas. Não importa. quando de suas passagens pela carne. Às vezes. mas porque o consideram uma odiosa heresia. com todo o seu cortejo de vícios. Seria Joana dArc? Todos esses sabem muito bem por que fogem às lembranças do passado: é que as recordações arrastam-nos. seus desvios. para partilharem do vasto bolo do poder. incontestada. 96 vontade e suas idéias. Muitos desses Espíritos repetem incessantemente seus enganos por séculos a fio. suas hipocrisias. quaisquer que sejam as crenças em que se apóiam. de onde possam mano brar. buscando sempre os núcleos do poder. como se acuada. como nos tempos idos.. condicionam-se a um esquecimento das antigas circunstâncias. como no mundo espiritual. como prelados católi cos. que alguns deles chegaram mesmo a combater tenazmente. que está sempre recuando e entregando- se. conservaram os modelos medievais. as tenebrosas alianças realizam-se. quando toda a sua atividade e todas as suas verdadeiras convicções são um desmentido formal à doutrina de amor contida nos Evangelhos. Estão convencidos de que sua forma de pensar é a Única certa. sempre disputando posições de relevo. como sacerdotes judeus. como aquele imponente “servidor” do Cristo que acabou descobrindo que participara pes- soalmente do drama da cruz. não essa aí. despertam para a realidade. pois este não se interessa pelo pensamento religioso em si. como a de declararem-se em luta pela restauração da Igreja do Cristo. se e quando o reconquistarem. sustentadas e impulsionadas pela filosofia da restauração da “verdadeira” Igreja do Cristo. É certo que. e voltam a insistir. nem sempre são ambiciosos. Enquanto estão ali.. Só lhes resta reimplantar esses modelos entre os encarnados. e sim pelo poder que uma teologia deformada e bem manipulada pode proporcionar. Para que essas mudanças tão radicais de posição teológica não os incomode. com exclusão de todas as demais. com os quais celebram pactos sinistros de apoio mútuo. repetiram a experiência. um esconderijo. Quanto aos fanáticos. Querem-na forte. não tanto porque desejam posições de mando. ligam-se a Outros poderosos do passado. inapelavelmente. perfeitamente entrosados com antigos governantes leigos que se revelaram indiferentes às questões pura- mente religiosas ou francamente hostis ao movimento cristão. No mundo espiritual em que vivem. No fundo. Quantos deles não nos têm confessado sua impaciência e irritação ante a desagregação da autoridade da velha organização eclesiásfica terrena! Não é essa a imagem da Igreja com que sonham. o fanático puro serve de instrumento ao ambicioso. para não terem que enfrentar conscientemente uma realidade estranha. poderosa. ditatorial. tanto aqui. para esses objetivos. Um terceiro lamentava ter queimado uma santa. repondo a esclerosada organização terrena no seu antigo “esplendor”. Desde que constituam bons parceiros na conquista das posições. no sentido da disputa do domínio político.. Combatem o Espiritismo. Por isso. É comum encontrarmos. a enfrentar suas próprias contradições íntimas. encontram apoio nos mais insuspeitados setores da atividade humana. Para isto. não estão .

sabem muito bem que não são trabalhadores do Cristo. No fundo. que acabam por se convencer da sua autenticidade. É preciso um impacto mais violento para desalojá-los de suas terríveis auto-ilusões. nesta ou naquela teologia — o que importa é a ação. mas há tanto tempo se condicionaram a essa atitude. o poder. especificamente. 97 interessados. .

Outros. vendo e sentindo. descrentes da vida espiri tual. Às vezes. e mais prontamente aceitam a nova realidade. só há o silêncio e a escuridão do não-ser. Alguns deles. nada importa. embora. pois estão pensando e falando. totalmente desligado da nova realidade que vivia. honestamente. endurecidos nas suas convicções. ainda. vai sendo conduzido a admiti-la. A despeito da descrença em qualquer tipo de realidade póstuma. evidentemente. apenas desencantados. Aos poucos. O Espírito. vaidade. através de um corpo que. matando. do que admitirem. poderá colocá-los em lamentável estado de choque emocional. no artigo “Lendo e Comentando”. Temos que compreender que é difícil àquele que não acredita na sobrevivência admitir que. isto é. Em outros. A relutância é. senão a satisfação de suas ambições. são daqueles que. mas porque lhes proporciona os prazeres mais gros- seiros a que se habituaram. o choque desperta para uma condição que eles não poderiam jamais admitir sem o impacto da desencarnação. convicto de que além da matéria nada existe. especialmente. no trabalho de esclarecimento. acabam por reconhecer que continuam vivos depois da “morte”. tratado com extrema habilidade e carinho por uma excelente doutrinadora inglesa. seguros e tranqüilos. e. a despeito da descrença em si mesmo. não apenas pelo esquecimento de suas mi sérias íntimas. a princípio. em todos os sentidos. Quando incorporados aos médiuns. vivera agarrado aos seus bens e. de que. se preciso fosse. continuam a viver no mesmo clima de maquinações e articulações. Lembram-se das doenças que tiveram. de seus desejos. falsificando. embora confusos. Para estes. está relatado um caso desses. entregaram-se de corpo e alma ao culto desenfreado da ma téria. por nome Tom. 98 18 O MATERIALISTA Este não constitui problema difícil. que foram ludibriados por sua própria descrença na verdade superior. estes são os que o praticam. na sua imaginação. continuava a mani pular as moedas. nada é sagrado. . perseguindo aqueles encarnados e desencarnados que se atravessaram no seu caminho. Em “Reformador” de setembro de 1975. na aparência. não foram intrinsecamente maus. desarvorados intimamente. não é o seu. Geralmente desejam a volta à carne. porém. É preciso conduzi-los com tato e paciência. na carne. porque isto implicaria reconhecer que o materialismo que professavam éinteiramente falso. tais posições foram meramente filosóficas. intrigando. de suas vontades. São mais acessíveis. roubando. ao seu ouro. por algum tempo. promovendo negociatas. Disputaram fortunas a ferro e fogo. pois somente nela se sentem relativamente felizes. ele sobreviveu. Viveu. ainda presos aos seus interesses terrenos. Preferem continuar negando. no mundo espiritual. que avilta todos os sentidos e anestesia cada vez mais as faculdades e a sensibilidade. mas se recusam a admitir que “morreram”. indiferentes. além da morte. Ao contrário dos teóricos do materialismo. platônicas. ao mesmo tempo em que se deixaram arrastar pelo sensualismo pesado. A objetiva realidade da vida póstuma põe-nos em estado de total confusão. A súbita e inoportuna revelação da nova condição em que se encontram.

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O INTELECTUAL
Nem sempre é materialista. A escala cromática aqui é ampla e variada.
Encontramo-los de todos os feitios, variedades e tendências. Há-os descrentes,
indiferentes, materialistas, espiritualistas, religiosos ou não. Foram escritores,
sacerdotes, artistas, poetas, médicos, advogados, nobres, ricos, pobres. Quase
sempre se deixaram dominar por invencível vaidade, fracassando na provação
da inteligência.
No binômio cérebro/coração, no qual o homem deve buscar equilíbrio,
deixaram disparar na frente um dos componentes, em sacrifício do outro.
Brilhantes, demoram-se na doce e venenosa contemplação narcisista da
própria inteligência, fascinados pelos seus mecanismos, sua engenhosidade e
os belos pensamentos que produzem. Julgam-se geniais — e muitas vezes o
são mesmo. São bons argumentadores e, quando movidos para objetivos bem
definidos, tornam-se verdadeiramente difíceis de serem despertados, pois se
acham solidamente convencidos do poder e da força das suas próprias
fantasias, suas doutrinas, seus sofismas e suas auto-justificações.
Vemo-los, às vezes, na condição de ex-sacerdotes também, como exímios
criadores de tais sofismas. Estudaram profundamente os Evangelhos e a
teologia ortodoxa. Leram os seus filósofos, escreveram tratados, pregaram
sermões belíssimos, do ponto de vista literário, e tanto consolidaram suas
construções, que acabaram acreditando nelas. São estes que constituem o
diálogo mais difícil para o doutrinador. Não se exaltam, nem dão murros.
Parecem, mesmo, suaves e tranqüilos. Têm respostas prontas e engenhosas
para tudo, fazem perguntas bem formuladas, procurando confundir, para
desarvorar o interlocutor.
Ao cabo de algum tempo de observação atenta, descobrimos que o
intelectualismo é como qualquer outra forma de fuga; é também um
esconderijo, para o Espírito que reluta em enfrentar uma realidade dolorosa.
Se conseguirmos restabelecer o vínculo, que sempre deverá existir, entre
cabeça e coração, estaremos a caminho de ajudá-lo. Narrarei um caso prático,
para ilustrar o que desejo dizer com isso.
O companheiro apresentou-se irônico, aparentemente muito seguro de si. É
culto, inteligente, bom sofista, versado em filosofia, em teologia e até mesmo
nos textos evangélicos, que cita com a maior facilidade e propriedade.
Conversamos longamente, e ele não perde oportunidade de ridicularizar-me,
ante minha pobreza intelectual e cultural. Num momento de incontida irritação,
chama-me de débil mental e idiota, mas logo se contém, ao ser chamado
àatenção por um companheiro desencarnado de mais elevada hierarquia,
como depois verificamos.
Mesmo com a voz pausada, deixa escapar suas terríveis ameaças, dizendo
que nosso barco vai virar e seremos empurrados para o fundo, com barco e
tudo.
— Dessa vez — diz ele — não vai ser fácil. Você vai cair do galho, macaco!
Segundo diz, há muito me segue e tem vontade de dizer algumas verdades
na minha cara, porque ainda tenho muito do homem velho, com o que
concordo plenamente. Não sabe por que não as diz, pois está certo de que, se
isso acontecesse, naquela mesma noite o grupo estaria liquidado. (Está,
certamente, sentindo os controles do médium.) Fala do cerco que me vem

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fazendo, até mesmo nas minhas atividades profissionais, e refere episódios ve-
rídicos, para demonstrar sua familiaridade com o que diz respeito à minha vida
particular. Conclui dizendo que, há tempos, quase conseguiram derrubar-me.
(Há sempre um quase, na bondade infinita de Deus, quando nos empenhamos
na tarefa abençoada de servir.)
Ao cabo de longa conversa, despede-se, algo sonolento, mas firme nas
suas convicções. Oro por ele durante toda a semana e, na reunião seguinte,
ele volta.
Não está mais tão irônico e seguro de si, como da primeira vez. Perdeu a
aparente serenidade, revelando-se profundamente irritado, furioso mesmo,
ameaçador, agressivo, impaciente. Deve ser por causa da perda do valoroso
companheiro que na semana anterior o advertira, quando me chamou de débil
mental e que, com a graça de Deus, conseguimos despertar.
Declara-se um líder, e que, se eu tivesse visão espiritual, veria que todos os
seus companheiros estão ali, atrás dele , como um bloco. Estão prontos e
dispostos a desencadear a luta. As ameaças são terríveis, mas sinto -o mais
desesperado do que rancoroso. Diz que transpusemos todas as barreiras e que
é preciso um basta final.
Enquanto conversamos, outro médium do grupo avisa-me que ouve
bimbalhar de sinos e, em seguida, sons de órgão. Ele também ouve, mas
recusa-se a reconhecer a situação, que, obviamente, teme, e insiste em
retomar o debate filosófico-religioso. É a fuga desesperada ante toda e
qualquer aproximação da emoção, que não seja o frio jogo de palavras a que
está habituado e que o anestesia espiritualmente.
De vez em quando, dirige-se, irritado, a alguém invisível, que lhe cita
trechos evangélicos. Em uma dessas, diz, nervoso:
— Eu sei. 4:19, Primeira aos Coríntios. (1)
Segundo me diz o outro médium, a música prossegue a vibrar dentro dele.
A essa altura, ele começa a apalpar o seu médium: a face, os olhos e o corpo,
demorando-se nas mãos. Começa sutilmente a crise. Ele conclui, em voz alta,
que são mãos de um organista (que o médium foi, realmente, em antiga
encarnação, na Ale manha). Pouco depois, ainda irritado, ante minha evidente
falta de acuidade, diz-me que é cego! E mesmo assim domina, é um líder!,
informa, satisfeito consigo mesmo. Sinto por ele uma compaixão infinita e me
dirijo a ele com ternura, como se a pedir-lha que me perdoe por não ter notado
isso antes. Pergunto se permite que tentemos curá-lo, e ele recusa
energicamente.
A essa altura, não consegue mais evitar que a música domine todo o seu
ser. Fala sobre acordes que lhe causam verdadeiros choques. A crise
aprofunda-se e ele ouve agora, irresistivelmente, a música sublime de um
organista incomparável. Tenta desesperadamente fugir dela, tapa os ouvidos,
bate com os cotovelos na mesa, cantarola uma canção, e diz a si mesmo:
— Reaja, frouxo!
Mas a torrente daquela música divina, que ele tem o privi légio de ouvir,
arrasta-o irresistivelmente. Segundo me informam

(1) “Mas, Irei logo onde estais, se for da vontade do Senhor; o então,
conhecerei, não a palavra desses orgulhosos, mas o seu poder.”

do mundo espiritual, ele costumava ouvir os recitais sempre do mesmo lugar,

101

na terceira fila à direita. Digo-lhe isso, enquanto ele parece também
reconhecer, daquele tempo, o seu médium atual.
Por fim, graças a Deus, a emoção daquela música inesquecível domina-o
inapelavelmente. Está arrasado e murmura:
— Ele é um monstro... Tudo nele é grande.. -
Refere-se, por certo, ao organista que, do invisível, toca para ele neste
momento. Logo a seguir, começa a chorar, vencida pela emoção que há tanto
sufocou em seu coração generoso. A música que ele amava, e compreendia
como poucos, foi o instrumento sutil que a misericórdia divina utilizou para
restabelecer o perdido contacto entre coração e mente, que andavam
divorciados.
Trato-o com infinito carinho e amor fraterno, e quando lhe peço perdão pela
dor que lhe causamos naquela crise necessária, ele retruca, entre irritado e
confuso:
— Não peça perdão, seu tolo!
Em seguida parte, ainda em pranto e com a visão recuperada.

102

20
O VINGADOR
Vingar-se é ir à forra, punir alguém por aquilo que fez ao vingador e, por
isso, vingança é uma palavra-chave nos trabalhos de desobsessão e
esclarecimento. Aquele que se dedica a essas tarefas, precisa estudá-la a
fundo, suas origens, suas motivações, seus mecanismos e as soluções que lhe
estão abertas.
É preciso entender o vingador e aceitá-lo como ele se apresenta, se é que
pretendemos ajudá-lo, pois ele é, antes de tudo, um pri sioneiro de si mesmo,
através da sua cólera e da sua frustração. Sua maior ilusão é a de que a
vingança aplaca o ódio, quando, na realidade, o alimenta e o mantém vivo. Sua
lógica é, ao mesmo tempo, fria e apaixonada, calculada e impulsiva, paciente e
violenta, e sempre implacável. Envolvido no seu processo, ele nem sequer
admite o perdão, e é capaz de perseguir sua vítima através de séculos e
séculos, ao longo de muitas vidas, tanto aqui, na carne, como no mundo
espiritual.
Quase sempre a vingança desdobra-se a partir de um caso pessoal, mas é
comum encontrarmos também o vingador impessoal, aquele que trabalha para
uma organização opressora. Ainda ve remos isso mais adiante.
O vingador observa, planeja e espera a ocasião oportuna e o momento
favorável. Não se precipita, mas não esquece: sempre que pode, interfere,
ainda que seja somente para espetar uma agulha em sua vítima indefesa.
Casos tremendos e persistentes de obsessão vingativa resultam de amores
frustrados, traidos ou indiferentes. Paixões irrealizadas ou aviltadas despertam
os mais profundos sentimentos de revolta. De outras vezes, são crimes
horrendos, como assassinatos, espoliações, desonras, difamações, iniqüidades
de toda sorte.
O vingador é aquele que tomou em suas mãos os instrumentos da justiça
divina. Não confia nela, ignora-a ou não tem paciência de esperar por ela. Não
sabe, ainda, que o reajuste virá fatalmente, através da lei de causa e efeito.
Todo aquele que fere com a espada, há de ser ferido por ela, segundo nos
advertiu o Cristo. É certo, porém, que chegado o momento do resgate, a lei não
exige que alguém — seja quem for — tenha que empunhar a espada para ferir
o irmão devedor. Pode dar-se muito bem que ele se fira acidentalmente, caindo
sobre um instrumento, por exemplo, ou morrendo numa intervenção cirúrgica,
em princípio destinada a preservar-lhe a vida e, portanto, sem nenhuma
intenção de cortar o fio que mantém unidos corpo físico e perispírito.
Em mensagem transmitida a Francisco Cândido Xavier, o “Irmão X” narra
um episódio desses, em que uma atrocidade praticada no ano 177, ao tempo
de Marco Aurélio, veio a ser cobrada pela lei, na tragédia de 17 de dezembro
de 1961, na cidade fluminense de Niterói. As simetrias são perfeitas. Não faltou
um só elemento nessa cobrança coletiva e despersonalizada. Aqueles que
ajudaram a promover o dantesco episódio de Lyon, há quase dezoito séculos,
reuniram-se no circo de Niterói. As mesmas correrias, o mesmo atropelo, a
mesma passagem estreita por onde alguns escaparam ao inferno. (1)
Tivemos, certa vez, um caso de vingança que muito nos marcou. Alguém
nos pedira ajuda espiritual para uma jovem em constante estado de revolta,
angústia e desajuste. Colocamos seu nome em nosso caderno de preces e
aguardamos. Sem muita demora, duas ou três semanas após, compareceu ao

Vá em paz. “Reformador” de março de 1962. manter acesa a chama rubra do ódio que. que não há sofrimento sem motivo. Tanto ele. É extremamente complexo o processo da vingança. é porque. a lei universal nos proporciona os elementos para exercê-la. à mesma hora. não apenas por causa do assassinato da esposa. No entanto. através dos séculos decorridos. e a história desenrolou-se. já sabendo o que vai encontrar: a cena inesquecível do flagrante de traição. tênue. como. Realmente tiveram. com sua falta contra nós. e ela estava novamente encarnada. do qual percebíamos apenas as suas falas. desde então. era o de levá-la ao suicídio (a jovem sofria realmente de impulsos suicidas). Parece que lhe restou uma esperança de reconquista. em antiga existência. todos os dias. a despeito de tudo. Eram gente abastada e provavelmente da nobreza. segundo os deformados “códigos de honra” daquela época. Seu drama é que. Matou-a e suicidou-se. Que Deus nos abençoe. ainda. se ele sofreu traição. ele perseguiu o Espírito da antiga amada. no passado. dolorosa. — Você é um trapo. Houve um diálogo emocionado. foi realmente o que os salvou do tene broso drama. longe de pacificar seu coração ou aplacar seu rancor. duas criaturinhas encantadoras.. Lembrei-me de perguntar se não tinham tido filhos. que o colocaria em uma situação de ternura que ele queria evitar. No caso sob exame. e eu também — diz a ela. Por outro lado. nem para vingar-se. mas isso. As dores que se seguiram consolidaram seu ódio. Seu desejo. E. mas persistente. o Espírito da ex- esposa. porque. que não a perseguirei mais. também. na Idade Média. ele abre determinada porta. não importa. quase sempre dolorosa. ou ignoram. a tragédia. há um curioso processo emocional que o doutrinador precisa conhecer e empregar. Era preciso. para tê-la totalmente sob seu domínio. o que interessa no momento — e esse momento dura séculos! — éa vingança em si mesma. nesse ínterim. aquele que nos feriu colocou-se à mercê da reparação. e. os vingadores sempre se esquecem. Sente-se vazio e cansado. inconsciente. E como poderemos negar indefinidamente o perdão de uma falta cometida contra nós — por mais grave que seja — se também precisamos de que as nossas próprias faltas sejam perdoadas? Mas. segundo ele. Se a odiasse simplesmente. Fora seu esposo (1) “Tragédia no Circo”. tiveram outras vidas. temia ele acertadamente. ainda mais o exacerbou. o vingador sente -se um instrumento da justiça . que ele se recusava sempre a transpor. O vingador pensa odiar uma criatura que ele ainda ama. já a teria esquecido e não se manteria preso a ela durante tanto tempo. que ele ternamente dizia que eram dois anjos.. Ele sabe da sua responsabilidade e está bem consciente de que responderá pelos novos crimes que pratica para vingar-se. um casal. Na sessão seguinte. agora. no entanto. porque sofreu horrores. não poderia subsistir ao lado da doçura do amor paterno. É o paradoxo do ódio-amor. No caso. — Somos dois trapos. trouxeram-lhe. por isso. pois viviam num castelo. sabia que encontraria os filhos amados. para ele. 103 grupo o Espírito indignado de seu perseguidor. que atrás da porta seguinte. por sua vez. já traiu também. por desdobramento. De certa forma. como ela. em situações como essas. E adormeceu. Não tem mais ânimo. Disse-me. em razão do horrendo crime do suicídio.

dedicado à prece. coloca-se sob a proteção da própria lei divina. por suas falhas pessoais e por suas conexões espirituais com a vítima. com todo o direito de exercê-la. certa vez: — Sou o responsável por todas as dores que os teus vêm sofrendo há muito tempo. Não há sofrimento inocente na justiça divina.. 104 divina. empenhada em sincero e ho nesto processo de recuperação. empenhando-se apenas em criar-lhe dificuldades e dores. Sem poderem. mas que também se acham em débito perante a lei. alhures no tempo e no espaço. está. Assistimos. é que. de certa forma. O Espírito pode vingar-se longa e profundamente. nesses casos. responde do mesmo modo. à mercê de seu algoz. novamente à lei. o perseguidor. um processo obsessivo. caso contrário. que lhe concede um crédito de confiança. com um passivo enorme de faltas ainda por resgatar. é que o vingador atinge a vítima (que se colocou fora de seu alcance) através daqueles que lhe são caros. mas. pela santificação. ao mesmo tempo em que ele se vinga. por situar-se fora de seu alcance. os “cobradores” alcançam-na fazendo sofrer aqueles que a cercam e que. Se conseguirmos convencer o vingador da lógica férrea desse mecanismo. Não sei se me faço entender. porém. Não há outras opções: ou ele perdoa e segue à frente. havia resgatado pela própria aflição que procura punir a seu modo. Embora tenham muito em comum.. eles diferem sutilmente: obsessão muitas vezes é vingança. necessariamente. pelas conseqüências amargas e inelutáveis que provoca. e acaba. De um pobre irmão. à melhora íntima. à vingança indireta. que lhe faculta a decisão de agir. alguém ouviu dizer. Por outro lado. em parte. O que acontece. são impiedosamente sacrificadas ao ódio. enquanto ele. É que o Espírito. por qualquer razão. ou insiste em cobrar. que sofre um processo vingativo. de vez que o livre-arbítrio. o ofensor libera-se pela dor. por motivos outros.. mas a vingança não é. ou a esposa pelo marido. às vezes. perante a lei desrespeitada. nem os pais pelos filhos. encarnado e desencarnado.. e demora-se nas sombras do sofrimento. nos seus métodos de ação e no que poderíamos chamar de sua filosofia. porque ao errar expôs-se ao reajuste. por sua vez. para um pormenor: isto não significa que sofram os justos pelos devedores. ele reabre o ciclo da culpa e expõe-se. . Atenção. atingir a vítima visada. Isto não quer dizer que a vítima indireta seja invulnerável ou inatingível. Consideramos diferentemente o obsessor e o vingador. mesmo devendo. poderá estar a salvo da obsessão em si mesma. esquecido de que está reassumindo um compromisso que. sem desencadear obsessões à sua vítima. continua preso à sua problemática e. Ao vingar-se. às suas angústias. estaremos em condições de ajudá-lo a libertar-se. ao serviço ao próximo. ele seguirá escravo da sua própria vingança. portanto. angústias e frustrações. envolvido em antiquíssima trama vingativa. pois as culpas são resgatadas também através do amor e não apenas da dor. ao longo do tempo. que se voltará contra ele.

expostos àcobrança? A partir do momento em que nos atritamos com as leis divinas. como podemos veri ficar do exame das questões números 551 a 557. mal observados e. fazer mal ao seu próximo”. cujo escopo era o de entregar aos homens uma síntese didática acerca do Espírito e suas manifestações. porque “Deus não o permitiria”. não abandonados por Deus. sob o título “Poder oculto. o sufi ciente para formular-se um juízo sobre a matéria. terão oportunidade de observar tentativas de envolvimento do grupo e de seus componentes. o pensamento contido nesse período é. Com freqüência. porém. amplo e exato. a literatura doutrinária de confiança existente. do seu relacionamento com Deus e com o Universo. Obviamente. Ensinaram. abrimos a eles as portas da nossa intimidade. Realmente. não obstante. . não fora de sua proteção. de que podem fazer mau uso. e o juiz nos mandaria à prisão. mas que “algumas pessoas dispõem de grande força magnética. Quanto à crença no poder de enfeitiçar. declarando que tais fatos são naturais. portanto. Feiticeiros”. eles nos levariam ao juiz. que um “homem mau” não poderia. Naquilo que Deus não o permite. deixaram aberturas para futuros desdobramentos. colocando-nos. O tema não ficou indiferente a Kardec. como a da obsessão. realmente. Os Instrutores do eminente Codificador colocaram a questão naquele clima de prudência e lucidez de que há pouco falávamos. os Espíritos foram cautelosos. porém. a época não estava madura para o aprofundamento do problema. nada podem fazer os Espíritos ainda voltados para o mal — e essa é a nossa proteção. seria desastroso que qualquer Espírito desajustado pudesse fazer conosco o que bem entendesse. 105 21 MAGOS E FEITICEIROS Os trabalhadores da desobsessão não devem ignorar a reali dade da magia negra. levando em conta as superstições que prevaleciam àquele tempo. pois o que seria de nós se tudo lhes fosse permitido? Quando. no mundo espiritual. nos credenciamos a esse amparo? Talvez seja melhor reformular a questão: Quando nos tornamos vulneráveis e. É assim que um Espírito faltoso coloca-se. por exemplo. especialmente porque éescassa. até o último centavo. O próprio Cristo advertiu-nos de que. ao alcance de dores inomináveis. promovidas por antigos magos e feiticeiros que. nem seria isto apropriado no livro básico da Doutrina Espírita. donde somente seríamos liberados depois de cumprida toda a pena. ou de pessoas que dele se socorrem. A despeito da notável economia de palavras. Talismãs. limitando-se a respostas sumárias que. Extremamente complexo e delicado. mas estejamos certos de que. “com o auxílio de um mau Espírito que lhe seja dedicado. nesse particular. sobretudo. persistem nas suas práticas e rituais. portanto. ao mesmo tempo. Disseram. de “O Livro dos Espíritos”. por exemplo. o assunto precisa ser abordado com muita prudência e lucidez. Foram muito sóbrios os Espíritos. mal compreendidos. se não nos reconciliássemos com os nossos adversários. se maus forem seus próprios Espíritos. ao cometer nossos desatinos. a fim de não serem tomados de surpresa nas suas tarefas redentoras. caso em que possível se torna serem secundados por outros Espíritos maus”. mas submetidos às conseqüências de nossas próprias ações.

nada vale. urge que estas lutem contra os elementos perturbadores. Realmente. e prosseguem: “Não há palavra sacramental nenhuma. as influências que podem exercer. o escla recido mentor. atrai os seres desencarnados que lhe são afins. O campo magnético e as conjunções dos planetas influenciam no complexo celular do homem físico. retirando-lhe a aura de mistério e ocultismo. esclarecem que todas são mera charlata naria.” Lamentavelmente não temos ainda um estudo aprofundado dessa curiosa temática.” (Destaques meus. razão por que parecem tocados. por vezes. aberto. que não passam de médiuns agindo em consonância com seus companheiros desencarnados. no entanto. de seus antigos possuidores no mundo. ingênua ritualística da magia. como vimos. às vezes. Sobre a influência dos astros. pelo pensamento. A Doutrina empenha-se em negar é o caráter sobrenatural que alguns procuram atribuir aos fenômenos. então. ensina Emmanuel (1) que: — “As antigas assertivas astrológicas têm a sua razão de ser. segundo suas vibrações. símbolos. 106 Sobre as fórmulas. apetrechos e instrumentos de que se valem os operadores. em seguida à Questão número 555. não passando o talismã de um sinal que apenas lhe auxilia a concentração?” “É verdade — respondem os Espíritos —. e o Evangelho nos ensina que cada qual receberá por suas obras. acima de todas as verdades astrológicas. confia no que chama a virtude de um talismã.) Do que se depreende que o talismã. bem como as inúteis complicações dos ritos. o que atua é o pensamento. nenhum sinal cabalístico. Os próprios objetos armazenam energias que ainda não estão bem definidas para nós. “O Espiritismo e o magnetismo nos dão a chave de uma imensidade de fenômenos sobre os quais a ignorância teceu um sem-número de fábulas. em si. achando-se cada homem sob as influências que merece. racional. com a pergunta 554. os nomes que recebem. por exemplo.” Kardec. por efeito mesmo dessa confiança. reconhece. Também os números “possuem a sua mística natural”. visto que. mas. têm a sua história viva e. O Espiritismo não ignora o fenômeno. invocações. por vezes. atrair um Espírito. a existência planetária é sinônimo de luta. como muito bem observa Kardec. Se as influências astrais não favorecem a determi nadas criaturas. insistiu. que tenha qualq uer ação sobre os Espíritos. com ou sem razão. nem o nega. podem constituir o ponto de atenção das entidades perturbadas. porque. da pureza da intenção e da elevação dos sentimentos depende a natureza do Espírito que é atraído. mas é certo que o Espiritismo tem condições para desmistificar muito da complicada e. posturas. de . — “Os objetos — responde Emmanuel à questão número 143 —. em nota de sua autoria. em que os fatos se apresentam exagerados pela imaginação. mas funciona como uma espécie de condensador de energias psíquicas emanadas do operador que. para expli cá-la em termos de conhecimento científico.” (Destaques meus.) Dentro dessa mesma linha de pensamento. por causa da “simbologia sagrada das palavras”. dentro do contexto das leis naturais. mormente os de uso pessoal. nem talismã. porqüanto estes só são atraidos pelo pensamento e não pelas coisas materiais. porém. assim formulada: “Não pode aquele que. fórmulas. temos o Evangelho. sobre Espíritos encarnados ou desencarnados. em sua formação orgânica e em seu nascimento na Terra.

107

singulares influências ocultas, porém, nosso esforço deve ser o da libertação
espiritual, sendo indispensável lutarmos contra os fetiches, para considerar tão-
somente os valores morais do homem na sua jornada para o Perfeito.”
(Destaques meus.)
O assunto mereceu também observações, ainda que sumãrias, de André
Luiz, em “Evolução em dois Mundos” — livro que talvez ainda levemos meio
século para desdobrar em todas as suas implicações. Diz o autor espiritual
que, a certo ponto da história evolutiva...

(1)“O Consolador”, questão numero 140.

- ... “Iniciou-se o correio entre o plano físico e o plano extrafísico, mas,
porque a ignorância embotasse ainda a mente humana, os médiuns primitivos
nada mais puderam realizar que a fascinação recíproca, ou magia elementar,
em que os desencarna dos, igualmente inferiores, eram aproveitados, por via
magnética, na execução de atividades materialonas, sem qualquer alicerce na
sublimação pessoal.”
E prossegue:
— “Apareceu então a goecia ou magia negra, à qual as inte ligências
superiores opuseram a religião por magia divina, acentuando-se a formação da
mitologia em todos os setores da vida tribal.”
“A luta entre os Espíritos retardados na sombra e os aspirantes da luz
encontrou seguro apoio nas almas encarnadas que lhes eram irmãs. Desde
essas eras recuadas, empenham-se o bem e o mal em tremendo conflito que
ainda está muito longe de terminar, com base na mediunidade consciente ou
inconsciente, técnica ou empírica.”
Essa digressão introdutória tornou-se indispensável para que a nossa
penetração no lusco-fusco da magia conte com um suporte de bom senso e
racionalismo, a funcionar como fio de Ariadne, que nos permita transitar pelos
seus meandros, sem o menor temor de perder o caminho de volta.
Não resta dúvida de que os fenômenos elementares de magia reportam-se
às eras primitivas, como nos assegura André Luiz. Embora os autores
especializados procurem distinguir magia de feitiçaria — e ainda veremos isto
um pouco adiante — a Enciclopédia Britânica lembra que o termo inglês para
esta última — “witchcraft” — quer dizer a arte ou ofício do sábio, de vez que a
raiz semântica da primeira seção da palavra — “witch” — está associada com a
palavra “wit”, saber.
Realmente, os magos, originários, segundo Lewis Spence (1), da antiga
Pérsia, eram cultores da sabedoria de Zoroastro. Possivelmente da raça média,
adquiriram enorme prestígio, especialmente,

(1) “An Encyclopaedia of Occultism”, University Books, New York, 1960.

ao que parece, depois que Ciro os institucionalizou, ao fundar o império persa,
sobre o qual exerceram considerável influência político-religiosa. É evidente
que esse prestígio tinha que ser alicerçado em rico acervo de conhecimentos,
pois o homem sempre respeita e, às vezes, teme aquele que sabe.
“Religião, filosofia e ciência — escreve Spence — estavam todas em suas
mãos. Eram médicos universais que curavam os doentes do corpo e do espírito
e em estrita consistência com essas características, socorriam as mazelas do

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Estado que é apenas o homem em sentido mais amplo.”
Distribuíram-se em três graus: os discípulos, os professores e os mestres, o
que vale dizer que o conhecimento de que dispunham os grandes mestres era
ministrado por processos iniciáticos, à medida que o discípulo revelava
condições de absorvê-lo e aplicá-lo rigorosamente, segundo os métodos e
interesses da Ordem.
A organização correspondeu generosamente ao apoio que recebeu de Círo,
muito contribuindo, com seus recursos, para consolidação das conquistas do
rei persa, mas, por volta do ano 500 antes do Cristo, entrou em desagregação,
especialmente por causa da tenaz perseguição de Dario Histaspes.
Emigrações em massa espalharam-nos pela Capadócia e pela Índia, mas
ainda eram uma força respeitável ao tempo de Alexandre, o Grande (356-323
a. C.) que, segundo Spence, sentiu-se enciumado de seus poderes.
São profundas as implicações da magia em alguns cultos reli giosos, mais
intensamente, é claro, nos primitivos, tanto quanto na medicina, na astrologia,
no magnetismo, na alquimia e em certas correntes místicas que prevalecem
até hoje.
Lewis Spence declara, no seu erudito verbete, que, a seu ver, misticismo e
magnetismo são idênticos para alguns ocultistas, entre os quais cita, em
tempos recentes, Auguste Comte, o Barão du Potet e o Barão de
Guldenstubbé, este último autor do livro “La Realité des Esprits”, publicado em
1857. (1)
Sir James Frazer (2) considera magia e religião uma só coisa, tão
identificadas se acham entre si. Isto é provavelmente verdadeiro

(1) Ver o artigo “O Tempo, o preconceito e a humildade”, em “Re-
formador”, agosto/1975.
(2) “The Golden Bough”, MacMilian, New York, 1951, eruditíssimo tratado
sobre magia e religião que, mesmo em forma condensada, apresenta-Se
com 827 páginas de texto. A obra completa consta de 12 volumes.

para as primitivas crenças, mas não para as religiões mais recentes, que
embora conservem sinais exteriores dos antigos cultos — simbolos, ritos,
fórmulas, encantações —, perderam contacto com os seus aspectos
esotéricos.
Um conceito reproduzido por Spence informa-nos que o apelo aos deuses
constitui prática religiosa, enquanto a prática da magia tenta forçá-los à
complacência. A religião é freqüentemente oficial e quase sempre organizada,
enquanto a magia é, usualmente, proibida e secreta.
Embora Spence nos fale da magia na Pérsia, sabemos que ela floresceu
amplamente no Egito, muito antes da época citada na sua obra. Os livros
mediúnicos de Rochester, vários deles publicados pela FEB, narram, com
minúcias de extremo realismo, processos terríveis de magia e ocultismo, como
em “O Chanceler de Ferro” e “Romance de uma Rainha”.
O segundo livro do Antigo Testamento — o Êxodo — especialmente nos
capítulos de números 5 a 13, narra o duelo entre os magos egípcios e hebreus,
ante a aturdida expectativa de todo o país.
Já antes disso, no capítulo 4, os guias espirituais de Moisés conferem-lhe
poderes ostensivos, pois certamente ele deveria conhecer bastante acerca dos
rituais e da teoria que os sustentava.

109

O Espírito que se apresenta como Jeová ordena que conduza o povo
hebreu para fora do Egito, mas Moisés revela sua impotência em convencer
sua gente a segui-lo.
— Não acreditarão em mim — diz ele — nem ouvirão a minha voz, pois
dirão: Jeová não te apareceu coisa alguma.
— Que tens tu na mão? — pergunta-lhe Jeová.
— Um cajado.
— Atira-o ao chão.
Mal atirado ao solo, o cajado transformou-se numa serpente. Ante o temor
de Moisés, o Espírito disse-lhe que a agarrasse pelo pescoço, o que ele fez,
voltando a serpente a ser um mero cajado.
Essa mesma “mágica”, no melhor sentido da palavra, Moisés faria diante do
Faraó e sua corte.
Segundo Will Durant (1), a crença na feitiçaria, na Idade Média, era
praticamente universal. “O Livro da Penitência”, do Bispo de

(1)“The Age of Falth”, Simon and Schuster, New York, 1950.

Exeter, condena as mulheres “que professam a faculdade de modificar a mente
dos homens pela feitiçaria, ou encantamento, como do ódio para o amor ou do
amor para o ódio, bem como enfeitiçar ou roubar os bens dos homens”, ou
ainda as que declaram “cavalgar durante certas noites certos animais, com um
bando de demônios em formas femininas, ou estarem em companhia de tais”.
Quando a Igreja resolveu entrar em cena para coibir a prática, criou-se um
clima de terror que, ao mesmo tempo em que combatia as crendices, parecia
atribuir-lhes certa substância, que mais as autenticavam na imaginação do
povo inculto, porque ninguém combate aquilo que não teme. As conseqüê ncias
dessas impiedosas perseguições foram danosas e lamentáveis para o
entendimento do fenômeno mediúnico, e é bem provável que a notícia que os
Espíritos superiores vieram trazer a Kardec, no século 19 pudesse ter sido
antecipada de um século ou mais, se em vez de queimar os médiuns
medievais, sob a acusação de que mantinham pactos com o demônio,
procurassem estudá-los com respeito e interesse. A despeito disso, não foram
poucos os prelados católicos que, durante toda a existência, mantiveram cultos
paralelos de magia negra, com os seus estranhos rituais.
Ao escrevermos este livro, o mundo moderno assiste, algo perplexo, a um
fantástico ressurgimento da magia negra e da feitiçaria, por toda parte e, desta
vez, não nos países menos desenvolvidos, ou primitivos, e sim nos de mais
avançada tecnologia e mais sofisticada cultura, como a Inglaterra, os Estados
Unidos, a França, a Itália.
A Britânica, tanto quanto Sir James Frazer, atribui à magia origens
nitidamente religiosas, sob a forma de cultos à base de animais sacrificados.
Oferendas de sangue e de estranhas substâncias eram feitas para propiciar os
deuses em troca de favores, fosse em benefício de alguém ou com a intenção
de destruí-lo.
Entre os ritos destinados a destruir um inimigo, por exemplo, o mais antigo,
dramático e conhecido, consiste em modelar uma pequena estátua
representativa da vítima, geralmente em cera, e, com os métodos apropriados,
espetá-lo com agulhas e punhais.
Seria impraticável, num resumo como este, repassar todo o campo da

110

magia e empreender sua avaliação em termos de Doutrina Espírita;
poderemos, não obstante, tentar oferecer algumas noções colhidas em
alentados livros, facilmente encontráveis no mercado, praticamente em todas
as línguas vivas.
Um desses autores é o médico francês, Dr. Gérard Encausse,
contemporâneo de Allan Kardec, que, sob o pseudônimo de Papus, escreveu
abundantemente sobre o assunto. Seu filho, o Dr. Philippe Encausse, também
médico, revelou igual interesse pela matéria, produzindo algumas obras sobre
o assunto, como “Sciences Occultes et Déséquilibre Mental”.
Colheremos algumas informações na obra de Papus intitulada “Tratado
Elementar de Magia Prática”. (1)
Antes de mergulharmos no seu livro, creio útil transmitir ao leitor espírita
uma idéia da posição de Papus em relação ao
Espiritismo:
“Existe, não obstante — escreve ele, à página 11 de seu livro —, uma forma
de experiências mágicas próprias para as pessoas pusilânimes, e que
aconselharemos a quantas desejarem divertir-se, dedicando, à sobremesa,
alguns momentos aos fenômenos de espiritismo. Nada têm de difíceis e sim
muito consoladores, e, afinal de contas, situam-se a tal distância da verdadeira
magia, que não há a temer nenhum acidente sério, desde que não se esqueça
da precaução de deixar as coisas no momento oportuno.”
Ao apreciar alguns aspectos da magia, da qual o Dr. Encausse é admirador
ardoroso, tentemos não ser tão radicais e superficiais como ele, em relação ao
Espiritismo.
Papus acata o princípio, também lembrado por Sir James Frazer, acima
citado, segundo o qual o mecanismo da magia precisa de um veículo entre a
vontade humana e as coisas inanimadas. Na opinião de Sir James Frazer, toda
a magia baseia-se na lei da simpatia, ou seja, “as coisas atuam umas sobre as
outras, a distância, por estarem secretamente ligadas entre si por laços
invisíveis
“Para isso — escreve Papus — o operador deverá aplicar sua vontade, não
sobre a matéria, mas sobre aquilo que incessantemente a modifica, o que a
Ciência Oculta denomina o plano de formação do mundo material, ou seja, o
plano astral.” (O primeiro destaque é meu; o segundo, do original.)
Esse plano, os magos concebem como sendo as forças da na tureza, das
quais, por certo, tanto se utilizam os trabalhadores do bem, como os outros.

(1) Tradução de medial Shaiah, 1974, 5ª edição da Editorial Kier, Buenos
Aires, do original francês “Traité Elementaire de Magia Pratique”.

“Não cabe dúvida — prossegue Papus — que são as forças da natureza
que o mágico deverá pôr em ação, sob o influxo da sua vontade; mas que
classe de forças são essas?”
Diz ele que são as forças hiperfísicas, assim entendidas as que apenas
diferem das energias meramente físicas nas suas origens, pois emanam de
seres vivos e não de mecanismos inanimados.
No fenômeno da pronta germinação, crescimento da planta e produção de
frutos, que alguns faquires teriam realizado, segundo testemunhos nos quais
Papus acredita, aconteceria apenas uma abundante doação, à semente, e
depois à planta e ao fruto, das energias orgânicas do faquir, que se poriam em

“consagrado e perfumado”. e prossegui u: “Terminado que foi o desenho. por exemplo. via uma faixa fluídica pairando em certo recanto da residência da vítima. modificando a estrutura do ser ou de um ponto qualquer na natureza. por meio da aplicação de certos princípios e de certas forças. que casadas aos elementos de nossa esfera faziam da câmara mediúnica precioso e complicado laboratório. arcaremos com a responsabilidade correspondente. mas aos fluídos que circulam dentro do aludido ser. magnetizando uma senhora na presença do obsidiado. Papus desenhou a faixa num pedaço de papel branco. em transe. basta que se tenha medo dos ataques de ódio de outra pessoa. “A vontade do faquir — diz Papus — põe em ação uma força capaz de desenvolver. chama-se vida. 111 consonância com as energias armazenadas na semente. portanto. obteremos resultados positivos. não sobre os fluídos. se os dirigirmos para o mal. que se alimentariam da “substância astral” emanada do “imprudente que lhes deu vida”. com a ajuda de uma grande e afiada lâmina de aço. A definição completa proposta por Papus é a seguinte: “É a aplicação da vontade humana dinami zada à evolução rápida das forças vivas da natureza. a indústria. Exemplifica ambos. uma ação consciente da vontade sobre a vida. em todas as categorias. resume ele a sua teorização. a prática mediúnica espírita seria uma dessas causas. não à forma exterior. com todas as suas transformações. pela aplicação exterior de forças físicas. A . A dita força não tem muitos e diversos nomes de bom sentido. e segundo Papus. Papus oferece dois métodos diferentes para tratamento dessas “obsessões”: um de ação indireta. atribuindo a base do fenômeno à formação das chamadas larvas. mesmo os adeptos mais bem informados da magia. entram neste quadro. A agricultura. a planta. atuando diretamente.” À página 91. revelam um despreparo comovedor. optou pelo método indireto. A Medicina. ainda que sem tocar os tenebrosos domínios da magia negra. outro de ação direta. Num deles.) O resto é aplicação prática desses princípios: se os orienta mos para o bem. pura e simplesmente. em Londres. 2ª — Fisiológica ou astralmente.” (Destaques meus. Ao cuidarem dos problemas da obsessão. ao dizer que são três as maneiras de agir sobre a natureza: 1ª — Físicamente. mas sobre os princípios que os põem em movimento. modificando a estrutura de um ser. A mulher. que. Orientado pela descrição da mulher.” Vamos conferir: “Colaboradores desencarnados — escreve André Luiz (1) —extraiam forças de pessoas e coisas da sala. Para a criação dessas larvas. inclusive da Natureza em derredor. e haveremos de declarar que a Magia (ele a escreve com letra maiúscula. E é precisamente na aplicação que mais veementes restrições o Espiritismo teria a fazer à magia. em condições normais. em algumas horas. é um exemplo desse caso. em todos os seus ramos.” A magia seria. levaria um ano para atingir aquele ponto de crescimento. que utiliza o trabalho do homem. 3ª — Psiquicamente. embora escreva Espiritismo com letra minús cula) admite a possibilidade de influir sobre os fluídos astrais que atuam na natureza e sobre os que atuam nos homens. uma fórmula e uma prece puseram em comunicação a imagem física com a forma astral e então cortamos o desenho em vários pedaços.

edição FEB. de sete em sete dias. com uma ponta de aço comum.. que. podemos admitir que os verdadeiros segredos da magia perderam-se há muito. Por exemplos como estes. o paciente deverá aproximar-se e diante dele se molhará um punhado de seus cabelos no sangue de uma pomba ou de uma cobaia. na sua falta.. Em seguida. nos quatro pontos cardeais. no seguinte: toma-se uma mecha de cabelos do obsidiado. 112 mulher adormecida declarou que os cortes influiram. se essa técnica perdeu-se para os encarnados — pelo menos para os que têm escrito os tratados mais conhecidos de magia —. pelo menos depois de repetido três vezes. (1) “Nos Domínios da Mediunidade”. Num ou noutro caso. colocar o cabelo. as quatro letras do tetragrama sagrado. consagrando-os segundo o procedimento habitual. molhado em sangue. Baseia-se no princípio de que as larvas e os elementais — seres algo animalizados que servem aos magos — alimentam-se da substância astral de que é muito rico o sangue. podem. pronunciando-se o Grande Conjuro de Salomão. Escrever no interior do círculo. produzir resultados positivos. mas é raro que um obsessor ferrenho e tenaz desista definitivamente da luta. com cabo de madeira envernizada) investir energicamente contra os cabelos. incontinenti. A propósito. parece ainda oportuno reproduzir uma das normas coligidas por Papus: . A reprodução destes métodos não tem por objeto aqui ridicula rizar o procedimento daqueles que os praticam. A seguir. “sponte sua”. e irmãos nossos. capitulo 28 — “Efeitos Físicos”. o oficiante deverá vestir-se de roupas brancas. o processo raramente falha.” E. pois como seres humanos. seja porque o Espírito obsessor ficou algo impressionado com as complexidades do ritual. na forma astral. apenas porque alguém o ameaçou com uma espada. Para isto. no entanto. desenhando-o com uma mistura de carvão e ímã pulverizado. sobre uma pequena prancha. traçar à sua volta um círculo. ela se preservou para os Espíritos desencarnados. limitamo-nos a expô-los. Aqueles que lidam com graves problemas obsessivos. a ponto de tentarem curá-la com práticas tão ingênuas. Segundo o autor. abandonar sua vítima. igualmente. Restaram apenas fragmentos de uma técnica que. pois. persas e egípcios não ignoravam fenômenos elementares como os da obsessão. antigos magos que levaram para a vida póstuma os conhecimentos especializados. foi manipulada com habilidade e competência. se desfez em pedaços. sabem muito bem que pouca diferença existe entre esse procedimento e o recurso igualmente inócuo do exorcismo eclesiástico. Em seguida. com isto. ou porque resolveu. com a espada mágica (ou. também consagrados sob a influência de Júpiter ou de Apolo. em tempos idos. estaria curada a “obsessão”. que deverão ser incensados. O segundo método (direto) seria recomendável para “os casos em que a obsessão toma um caráter especialmente grave”. O método consiste. ordenando à larva que se dissolva. Os magos caldeus. inteiramente aleatórios. Seus recursos e conhecimentos eram muito mais amplos e profundos. Mas. merecem respeito e consideração.

“Há uma verdadeira e uma falsa ciência — escreve Levi —. em sentido contrário. falar é criar. é indispensável para que a força aplicada. Anésia. Ambos concordam. por exemplo: “A Igreja ignora a magia. o amor deve ser nossa única atitude para com os adversários. é a alma da magia negra. e dos três mundos analógicos da filosofia oculta. como esta. a não ser para uma vingança justa. para o mago. ela nem ao menos reconhece que seu misterioso fundador foi saudado no seu berço por três magos. e que vos tem perdoado a vós mesmos. por exemplo. quem achará que sua vingança é injusta? Buscando novamente André Luiz. diz ele. Mesmo assim. porque deve ignorá-la ou perecer. pelos embaixadores hieráticos das três partes do mundo conhecido. Gérard Encausse tem-no em elevada conta e. temos de distinguir o mago. dizendo que o mago é o engenheiro da magia. “outra coisa não são . temos de revelar uma e desvendar outra. Embora sem declarar-se católico.” A obra de Papus é bem mais didática e ordenada do que a de Levi. foi escrita em 1855. quando o Espiritismo estava ainda na fase preliminar das mesas girantes. Seus dogmas não são menos surpreendentes. refere-se a ele com respeito e admiração. em suas obras. Mal por mal. do feiticeiro. aconselho-vos que é melhor imitar a Deus. por exemplo: “Assim. Só pode dispor do amor dos outros aquele que é dono do seu. às vezes obscuro e nem sempre muito coerente.” Quanto ao fenômeno das mesas girantes. não se furta a algumas criticas veementes. encontramos em “Nos Domínios da Mediunidade” esta observação preciosa de Aulus: — “Abstenhamo-nos de julgar. E não há ocasião mais meritória do que a de perdoar. pontos importantes e ambos consideram o mago como o verdadeiro conhecedor e o feiticeiro como simples imitador. em proveito próprio. São Paulo. também. isto é. mas os princípios fundamentais identificam-se em vários (1)Editora Pensamento. A despeito disso. que perdoa. Levi acata os principais dogmas ortodoxos: a divindade de Jesus.” A despeito do apelo ao perdão. o de Papus. como. Papus usa uma imagem. isto é. uma magia divina e uma magia infernal. do charlatão. enquanto o feiticeiro é simples obreiro. num sentido. não o entrega a ninguém. ou seja. imaginar é ver. a existência do céu e do inferno. A vingança. porém. como nós o provaremos mais tarde. e o adepto. como este. O Dr. Consoante a lição do Mestre que hoje abraçamos. significa o eclipse absoluto da razão. 113 “Tratai de não vos servir jamais desta arte contra vosso próximo. aliás. para o sábio. se robus teça e a vença.” O estilo de Levi. é algo pomposo. dos segredos e forças da natureza. que poderemos aguardar senão a cegueira e a morte?” Outro autor bastante conceituado entre os entendidos é Eliphas Levi. Aquele que deseja possuir. não deve dar-se. como. sob o império da sombra. mentirosa e tene brosa. porém. por vá rias vezes. E. Levi defende a tese de que a resistência. em que o conceito fundamental da magia está na movimentação. a Trindade. Eliphas Levi também viveu no século 19 e sua obra “Dogma e Ritual da Alta Magia” (1).

Julguei entender que esta espada ofendia o Espírito. somente uma lembrança confusa e vaga. envolto inteiramente por uma espécie de lençol. com toda a instrumentação necessária a uma evocação. fechando os olhos. Sua descrição da evocação do Espírito de Apolônio de Tiana. é de uma riqueza impressionante de minúcias e começa com um sabor de romance de capa e espada. Por isso. então. que me pareceu ser mais cinzento do que branco. então. e colocou à disposição dele. com este recado: “Amanhã. Então.” Também o enfeitiçamento está dentro dessa linha de raciocínios. como que um sopro. realiza-se. sob a influência de uma vontade má.” Era uma senhora. mas na própria psicologia humana: . “O instrumento do enfeitiçamento não é outro senão o próprio grande agente. Quanto à magia negra. me foi impossível articular um som. a sua forma era magra. Desde que fiquei assentado. no circulo junto a mim. círculos. e. o que não combinava exatamente com a idéia que primeiro tinha de Apolônio. caí num adormecimento profundo e acompanhado de sonhos.” (Destaques meus. a reconstituir as grandes cadeias simpáticas e religiosas”. 114 senão correntes magnéticas que começam a formar-se.) Assim foi realizada a evocação que. “são ilusões produzidas pelas mesmas causas”. arsenal completo.” Às vezes. aparentemente sozinhos. no entanto. se torna. e. triste e sem barba. quando voltei a mim. um homem estava diante de mim. alguma coisa tendo-me tocado na mão que segurava a espada. Os golpes. Ao cabo de complicadíssimo ritual. após os juramentos devidos. apresenta o autor o que chama de revelação nova e que consiste no seguinte: “O diabo. realmente: — “Chamei três vezes Apolônio. em magia negra. um Espírito manifestou-se. dentro de um envelope. a cada instante. que procura uma cadeia de entusiasmo para formar novas correntes”. por este signo. sem substâncias. de que me restou. e dirigi para ele a ponta da espada. “raps” e os instrumentos que tocam. Pus. a mão sobre o signo do pentagrama. em incontáveis sessões mediúnicas. a não me amedrontar e a obedecer-me. tive imediatamente o braço adormecido até os ombros. que. que dei dois passos para me assentar. ordenando-lhe mentalmente. um cartão cortado transversalmente. e solicitações da natureza que nos convida. mas senti tão grande fraqueza nos meus ombros e um repentino desfalecimento apoderar-se de mim. espadas e vestimentas especiais. vos será apresentada a outra metade deste cartão. A figura humana reapareceu logo. às três horas. diante da abadia de Westminster. é o grande agente mágico empregado para o mal por uma vontade perversa. pela ponta. quando ele recebe. e sem evocação. e quando abri a boca para interrogar o fantasma. e a plantei. a forma ficou mais confusa e ele desapareceu imediatamente. no hotel. Experimentei uma sensação extraordinária de frio. real e positivamente o demônio. quando os abri. sem nenhum ritual complicado. em Londres. deixa entrever que o domínio que muitos buscam exercer sobre o semelhante não está tanto nos ritos e nas práticas. para a salvação da humanidade. atribui “todos os fatos estranhos do movimento das mesas ao agente magnético universal. junto a mim. Ordenei-lhe que voltasse: então senti passar.

sofreremos. porém.. Estão convictos de que poderão atingir-nos. suas evocações. para poder impor a sua vontade. para uns. que assim faz para reconquistar a sua coroa. nada conseguirão contra nós. desinteressado. e é por ele que o inimigo sempre nos pode pegar. para enfrentar os companheiros desarmonizados. confiantes. Como nos disse um amigo espiritual. Estejamos preparados.. ser impassível. pois. por que tanto se empenham em conquistar a insensibilidade os Espíritos encarnados e desencarnados que fazem do domínio sobre o semelhante a meta de suas vidas: “Só o adepto de coração sem paixão — escreve Levi — disporá do amor ou ódio daqueles que quiser fazer de instrumento da sua ciência. pois. Se o nosso trabalho é de Deus. Não exatamente por causa dos danos que possam causar-nos. seus gestos. Estejamos vigilantes. Não nos impressionemos. como que o umbigo do seu nascimento pecador. quando uma vontade firme e dinâmica sustenta os seus interesses. Vejam este outro conselho: “Ter o maior respeito por si mesmo e considerar-se como um soberano desconhecido. seus talismãs. que os trabalhadores das sombras empenharão o melhor de seus esforços no levantamento de nossas fichas. com os seus rituais. impenetrável e inacessível a toda espécie de preconceitos ou terror. Se estamos num grupo mediúnico bem constituído e harmonizado. na ordem dos mesmos erros e das mesmas depravações. a vaidade. apenas aquilo que estiver autorizado pela nossa ficha cármica. e esta fé deve traduzir-se imediatamente em atos. sigamos em frente. certa vez. é só questão de tempo e oportunidade. Que um espírito hábil e mau se apodere desta mola. suas palavras misteriosas e secretas. não é fácil lidar com os magos desencarnados. de nossa vida pregressa. estudando-nos sob todos os ângulos. mas é claro que. vigiando-nos. A primeira e mais importante das obras mágicas échegar a esta rara superioridade. o que seria injusto. sóbrio e casto. a fim de surpreenderem-nos no momento em que mostramos onde a nossa cerca está arrombada. . destemidos. que é. e estais perdidos. A instrumentação é secundária. “para poder é preciso crer que se pode e esta fé deve traduzir- se imediatamente em atos”. como dizia Levi. É preciso crer que se pode. ou seja. estão habituados a vencer pela vontade disciplinada — que aprenderam a dominar — todos os obstáculos. e. Deve ser sem defeitos corporais e estar à prova de todas as contradições e de todos os sofrimentos.” Ou então: “Todos nós temos um defeito dominante.” De outras vezes. no decorrer do trabalho de desobsessão. como seres imperfeitos que somos. Ë claro. para nossa alma. serenos. e preguiça para outros.” “O magista — prossegue adiante — deve. pensam eles. percebemos.” Em suma. 115 “Acariciar as fraquezas de uma individualidade é apoderar-se dela e fazer dela um instrumento. Entrarão em ação imediatamente. porém. o egoísmo para o maior número. temos abertas as brechas das nossas próprias imperfeições.” Por causa desse e de outros princípios e noções. Nada sofreremos em razão do próprio trabalho de desobsessão. porém tranqüilos e guardados na paz do Cristo. Aqueles que por longos séculos vêm praticando a magia. ele tem que aprender a querer. de relance.

Magos do passado. porque a dor do despertamento é. excepcionalmente. somente aquele que a experimentou. com os quais se afina bem. o mago sempre foi um médium. no fundo. O conceito de Sir James Frazer. mas muito reais. em toda a sua profundidade. pela vigilância e pela prática da caridade. em trabalhos de esclarecimento mediúnico. pelo menos. acham-se defendidos pela prece. assistido por companheiros desencarnados. de rastros. velas. pois este é o momento mais grave. * Por mais de uma vez temos tido experiências com processos de magia. Estejamos prontos para ajudá-los. e outros envolvidos. signos. comparecem. ligados por interesses comuns. Nosso médium viu-o atirar esse pobre espírito. do qual a infeliz vítima não podia livrar-se. da hipnose. esmagadora. Um deles trouxe -nos — certamente para intimidar-nos — um pobre ser espiritual inteiramente dominado. de forças naturais e de toda a parafernália que lhes proporcionava poderes secretos e misteriosos. retomaram suas experiências. revertidos ao mundo espiritual. tortura. da manipulação de drogas e fluídos. por conseguinte. quase sempre. os fantasmas que trazem no íntimo. no interesse de ambos. embora aparentemente següros e frios. pois ela não encontra ressonância e. e revezam-se na carne e no além. pois não gostam de descobrir-se. praticaram a magia e. com humildade e singela compreensão. construti vas e reparadoras. Toda aquela serenidade aparente desmorona. os remorsos. estamos em condições de entender muitos desses segredos e mistérios. por mais que se debatesse. nem se perdeu o conhecimento dos mecanismos de certas leis do magnetismo. é válido. que continuando no Além seus estudos e práticas. ou que. no serviço ao próximo. quando conseguimos convencê- los de seus trágicos enganos. Com os esclarecimentos contidos hoje na Doutrina Espírita. alguns empenhados em finalidades nobres. de que a magia baseia-se na simpatia. em tempos idos. Em Espiritismo. ou portando “obje tos”. Não que a magia tenha poderes por si mesma. infligindo sofrimentos atrozes aos infelizes que lhes caem sob o poder maligno e infeliz. reduzido a uma deplo rável Condição subumana de pavor e deformação perispiritual. porque senti-la. não alcança êxito junto àqueles que já se redimiram. apoiando-se mutuamente. Lembremo-nos de que os Espíritos que na Terra estiveram envolvidos nas práticas mágicas não desapareceram. À visão espiritual de nossos médiuns apresentavam-se com as vestimentas e os simbolos de sua preferência. substâncias e até acompanhados de acólitos. aos trabalhos de desobsessão nos quais se acham envolvidos. poções. Era um exemplo para . Quem a presenciou pode fazer idéia. perseguição. em lamentáveis e tenebrosas práticas de dominação e vingança. Os Espíritos vivem em grupos. os desenganos. Entre eles encontramos até ex-sacerdotes católicos que. as angústias. diríamos que se trata de sintonia vibratória. pois. mais profundamente humano de suas vidas: quando entrevêem uma réstia de luz a iluminar-lhes o próprio coração. num círculo magnético infernal. mas sobre os seus Espíritos atormentados. os escombros dos antigos sonhos. para servi-los. 116 Temos que atuar não sobre esses sinais exteriores dos seus cultos. o desespero. É preciso tratá -los com carinho. século após século. mais sério.

Não podia deixar de atender ao “irmão de sangue”. a magia é mais comum do que desejaríamos admitir. para ele. Quer que vire. inteligentes. também antigos magos. que nos sintoniza com o mal e nos expõe à aproximação dos implacáveis cobradores das trevas. agarrados ainda ao lado escuro da vida. pequenas caveiras com as órbitas iluminadas por uma baça luz vermelha. Não. num terreiro. Em suma. incessantemente: —Quer que vire. as mentes de quatro seres encarnados. a fim de que deixássemos de interferir em sua atividade. Vendo-se recusado. porém. oprimem para não serem oprimidos. em torno dele. pois obviamente teria sido muito mais fácil. o grupo dispõe de proteção e ajuda de companheiros redimidos. melhor do que ele. que somente estarão protegidos da dor enquanto mantiverem em torno de si mesmos aquele clima de terror. Mais do que isso: por processos que não se revelaram aos nossos sentidos. as mais das vezes. e oferece riscos realmente sérios. Tinha recebido uma solicitação. ou lanternas. Um desses companheiros infelizes confessou que via ao nosso lado quem. Depois de seu ritual. . Atacam para nao serem atacados. Outro veio traçar signos e fazer invocações contra um de nós. conhecia os segredos de sua arte e a neutralizava. pela sua extraordinária sofisticação. pronta para o “serviço”. de pés e mãos atados. no mesmo grupo. Nosso médium viu apenas que. de cores dife rentes. embora reclamando que seu “cavalo” não prestava. pois vivem disso. experimentados e conhecedores profundos das mazelas e fraquezàs humanas. colocaram sete lâmpadas. alcançar seus objetivos ocultos e lamentáveis. passou para outro médium. porque não o obedecia. cumprido à nossa vista.. Acontece. eu viro. não temem represálias. profundos conhecedores desses trabalhos. e partiu. se aquele a quem ele visava propusesse um “pacto”. um desses visitantes sinistros deixou sobre a mesa. sempre presentes para contraporem seus conhecimentos e recursos às desesperadas tentativas desses irmãos. tão cuidadosamente planejadas. É claro que ela age apenas quando e onde encontra as necessárias brechas e o condicionamento da culpa. Uma para cada um de nós. com o qual pretendia alcançar-nos. Os magos desencarnados são. Tinha diante de si um prato de sangue. espalham a dor para fugirem às suas próprias. tentando dominar pelo terror. Sabem muito bem que no dia em que “fraquejarem”. declarou que sua vítima “estava amarrada”. o mago foi completamente desarmado em suas táticas. Não se detêm diante de nenhum escrúpulo. Mais tarde manifestou-se outro de sua equipe — ou seria ele mesmo? — com a proposta de “desfazer” o trabalho. e apresentou-se agora com outro nome. segundo relato de um de nossos videntes. selada com sangue. -. O mago era realmente profundo conhecedor de sua arte e engendrou um mecanismo magnético. De outra vez. através do qual mantinha. da falta. eu viro.. E repetia. do erro. empenhado em trabalhos redentores. nas suas práticas funestas. 117 nós. disse ele. que. são pouco acessíveis à doutrinação. que entregaria a ele sua vítima. com o que ele ficou muito desapontado. não queríamos que ele virasse. Sabem. especificamente. subjugadas aos seus propósitos. Um caso marcou época. como todo Espírito envolvido nas sombras das suas paixões inferiores. ao apelo do amor e do perdão. contra os quais os grupos mediúnicos têm que estar muito bem preparados e assistidos.

de que um dia — não importa quando — terão fatalmente que enfrentar a realidade de si mesmos. pois o mal não é eterno. chegará o duro momento da verdade e começará a longa escalada de volta. aceitarem a realidade maior. para movimentar. Enquanto isso. em seu proveito. . no entanto. 118 ou seja. as forças da Natureza. só pode contar com sofrimentos durante a subida. Por isso são implacáveis e. os compromete cada vez mais. por -isso. Estão perfeitamente conscientes. E quem desceu semeando sofrimentos. que muito bem conhecem. demoram- se no erro que. paradoxalmente. utilizam-se da vontade bem treinada. Não há outro caminho.

. com plena identidade de tendências ou opiniões. 2ª parte. por métodos hipnóticos e magnéticos. nos atos mais complexos do Espírito — ensina André Luiz. pois. os hipnotiza dores do espaço utilizam- se de recursos extremamente sofisticados. pela ação magnética. “. é imprescindível que a onda do hipnotizador se case perfeitamente à onda do hipnotizado. Pereira. competentes e moralizados. harmonizado em substâncias extraídas dos raios solares — cujo magnetismo exercerá a influência do ímã —. (1) — O aparelhamento que vedes — explica um dos instrutores —.. para que haja sintonia nas ações que envolvam compromisso moral. para impressionarem a placa e se tornarem visíveis como a própria realidade que foi vivida!. vamos encontrar o mesmo dispositivo da sintonia vibratória. os métodos são os mesmos. para corrigir desvios.” . dos escombros da memória profunda de nossos discípulos. como por encanto. que contam. os arquivos da mente. os atos passados que se imprimiram nos refolhos psíquicos da mente e que. como o ato pelo qual uma idéia é despertada no cérebro e aceita por ele. movimentam. isto é. em que espíritos altamente credenciados. como entre aqueles que ainda se debatem nas sombras de suas paixões.. Os Espíritos superiores utilizam-se da hipnose para socorrer. no Além. qual se estivessem iungidos. “Defino a sugestão. 119 22 MAGNETIZADORES E HIPNOTIZADORES São amplamente utilizados. as recordações. em “Hypnotisme et Suggestion” —. como para fazer cair aquele que está de pé. com profundos conhecedores e hábeis experimentadores dessas técnicas de indução. da 4ª edição da Federação Espírita Brasileira. para aliviar.. como recurso extremo para desalojar realidades soterradas na memória profunda do ser e que precisam ser trazidas à tona para desencadear o mecanismo da recuperação. com que costumamos medir. em “Mecanismos da Mediunidade” —. reproduzir e movimentar os pensamentos. psicografia de Yvonne A. para ajudar. Em “Memórias de um Suicida”. como todo recurso do conhecimento humano. nos processos obsessivos. é uma espécie de termômetro ou máquina fotográfica.. nos recessos da afinidade profunda. os métodos da hipnose e do magnetismo. (Grifos meus. um ao outro. no seu sentido mais lato — escreve Bernheim. basta uma indução superficial. capitulo 2º — “Os arquivos da alma”. como entre os encarnados. como em quase toda a problemática espiritual.. tanto entre os Espíritos esclarecidos e despertos para as verdades maiores. que nisto. Para incumbências de importância secundária. com enorme respeito e carinho. o autor espiritual oferece exemplos desses trabalhos redentores. ressurgem. Os desajusta dos. este também é neutro. Desdobra-se ali um processo de regressão irresistível. (1) “Memórias de um Suicida”. tanto pode ser usado para ajudar a levantar o ser que caiu.) É claro. para dominar e punir. páginas 220 e seguinte. Mas. moralmente. mas para os procedimentos mais elaborados. Lá.

com o médium coberto de suor. Com isto se afinizam com ele (ou ela). este irmão não se furtava com facilidade à terrível influência de seu perseguidor que. por algum tempo. Através da minha mão. algures neste livro. Matar meu pai. que é a da aceitação pelo “sujet”. vemos que há uma condição básica. lançando as bases de induções preliminares. Nada os detém e. que os coloca em condições de ajustarem-se fluídicamente. sem parar. que instaura o processo do domínio. vingança e morte. num intercâmbio vibratório. Coloquei-a na frente de seus olhos e lhe disse: — Pode pegar. exausto. Com freqüéncia. para eles. pois não apenas a sugestão se lhe ia implantando cada vez mais na vontade. O pobre irmão repetia incessantemente: — Odeio minha mãe. sugerindo- lhe idéias de ódio. nesse campo. por causa de sua própria invigilância. um Espírito atormentado e. hábil magnetizador. Não é nada fácil lidar com esses terríveis manipuladores da mente humana. O Espírito culpado. mesmo depois de resgatado e posto a salvo da faixa vibratória de seu hipnotizador. com os dedos unidos. Seja qual for. à desencarnação.. o processo — e não podemos aqui fazer estudo mais profundo e extenso do fenômeno — os hipnotizadores e magnetizadores das trevas acabam por alcançar o domínio de suas vítimas depois de obterem a aceitação de que nos fala Bemheim. manipulam com extrema habilidade os dispositivos da culpa e da cobrança. Odeio minha mãe. falando continuamente. Certa vez. e pediu a ajuda de Deus. porém.. Para esta aceitação. a serem desenvolvidas depois. Ele hesitou um instante e depois agarrou-a fortemente. de preces e de contra- sugestões. é preciso que hipnotizador e hipnotizado estejam “jungidos moralmente um ao outro. cede e entrega-se. E assim por diante. tentava induzi- lo a arrastar toda a sua família. foi possível libertá-lo. certamente.. Já lembramos.. ainda encarnada. também.. por meio de passes de dispersão. durante o desprendimento do sono. nos recessos da afinidade profunda”. pois conseguíramos que ele dissesse que amava a mãe e não que a odiava. desde que alcancem os resultados que desejam. As vezes. como diz André Luiz. do lado da luz. em nossa presença. convencido dessa culpabilidade. pelo menos para uma trégua.. Alguns magnetizadores e hipnotizadores adotam o procedimento de segurar os polegares de seus “sujets”. mesmo que forçada. os companheiros que assistem o grupo. ele era impedido de ouvir as observações do doutrinador. Para isso. ou mesmo durante a vigília. Matar minha mãe. Temos presenciado alguns casos dramáticos. a própria lei de causa e efeito. respiração opressa e acelerada. antes de iniciarem o trabalho propriamente dito. ele recebeu . recaiu sob seu domínio. Com um esforço muito grande. os hipnotizadores procuram atuar sobre os membros encarnados do grupo. e não ao cérebro.. sem que eu apertasse a sua: mantinha minha mão estendida. pretendeu usar comigo a sua técnica. Pediu- me a mão.. Odeio meu pai... como ainda. 120 Passando por sobre a conotação materialista da definição proposta.. Parou. Mesmo incorporado ao médium. aquele companheiro desencarnado que. pois a sugestão é transmitida ao Espírito. Algo então aconteceu de estranho e curioso.. Odeio meu irmão. tudo é válido. ou seja. mas eficaz. interferem de maneira sutil.

como casos de zoantropia. Procedimentos magnéticos são também usados para reduzir seres gravemente endívidados a condições de extrema e aviltante deformação perispiritual. de técnica superior à dele. A certa altura. que neutralizava todo o seu trabalho junto a mim. Isto o impressionou de tal forma que. utilizando-se.. mas evidentemente também com respeito. só a muito custo libertou-se do laço magnético. depois da sessão. começou a chamar-me. com ironia. Talvez algo temeroso.” (Destaques meus. da próxima vez que compareceu. e não eu a dele. tinha atrás de si. o rei poderoso a que se refere a Bíblia? Conta-nos o Livro Sagrado que ele viveu. ele nos dizia que sabia o que os nossos amigos estavam fazendo. tomando-se por base. Como que pensando alto. por certo. profundo conhecedor do assunto. ainda. em “Libertação” —a génese dos fenômenos de licantropia. Trouxera os seus instrumentos e as substâncias necessárias. que o atingiu na altura do plexo cardíaco. e por mais esforço que fizesse. também se utilizava de processos de magnetismo e magia contra o grupo. que estava sendo atendido. para a investigação dos médicos encarnados. mas nada podia contra eles. inextricáveis. inclusive com a outra mão tentando desprender seus dedos. para o bem. percebeu a presença daqueles que nos defendiam. E é pela magnetização (passes) positiva que se torna possível restituir-lhes a condição normal. — “Temos aqui — escreve André Luiz. segundo nos informou. um irmão transviado. de “o homem da mão” . Outro que tentava me dominar por meio de passes magnéticos. o próprio médium que o recebeu — um dos nossos queridos companheiros. sobre os quais já falei neste livro. durante sete anos. evidentemente uma descarga magnética. acima de tudo. 121 uma espécie de choque elétrico. Certa ocasião. os elementos plásticos do perispírito.. sentindo-se animal. pensou em retirar logo a sua mão e não o conseguia! Embora ele é que segurasse a minha mão. O hipnotismo é tão velho quanto o mundo e é recurso empregado pelos bons e pelos maus. Lembras-te de Nabucodono sor.) .

conservam características em comum. sendo. lhes proporciona provações e deveres especiais e. o desfile trágico de problemas. entregam-se a essas tarefas redentoras. aceitam condições que lhes facultam desenvolvimento de certas faculdades. * Antes de prosseguir. constituem experiência inesquecível para aqueles que. Uma pergunta poderá ser colocada agora. mais acessível à emoção e aos sentimentos. nesses dramas que se desenrolam entre os dois mundos? Há mulheres obsessoras? Há mulheres que se vingam. se. Que papel representam as mulheres.” Dessa forma. o Espírito encarnado como homem. renascendo continuamente como homem ou mulher. não obstante. Kardec escreveu o seguinte: “Os Espíritos encarnam como homens ou como mulheres. mas em número bem mais reduzido que os homens. um ou outro sexo. coerente com os postulados doutrinários. perguntei a um amigo espiritual por que difere tanto. até que. ao se reencarnarem. na sua estrutura psíquica. cultivando-as em buques. em detrimento de outras. ao recato. do desenvolvimento harmonioso de todas as faculdades possíveis ao ser humano. alcançando o ponto desejado. (Questões números 200 a 202. é natural que este tenha que ir por etapas. com isso. ou melhor. à renúncia. talvez sejam convenientes algumas observações de caráter doutrinário. A questão é bem mais complexa do que parece à superfície. Certa vez. ensejo de ganharem experiência. como cada posição social. Por que isso. não tendo sexo. mas. o poder do passe. que. Aquele que só como homem encarnasse só saberia o que sabem os homens. na esperança de alcançar uma visão mais clara de suas dificuldades. A contínua observação desse vaivém de companheiros desencarnados. Como a perfeição deverá resultar. menos sentimental. O homem é mais agressivo. portanto. cada sexo. ampliar um pouco mais a questão. que são usadas à falta de outras. Visto que lhes cumpre progredir em tudo. mas que costuma escolher. Tentemos. realmente. Cada sessão traz as suas surpresas. como Espíritos. cada manifestação suas lições e ensinamentos. preferentemente.) Ao comentar as respostas. podendo encarnar-se como homem ou como mulher. Ao responderem à . dado a gestos de coragem física. não são muito precisas as expressões Espírito feminino e Espírito masculino. angústias. em diferentes existências. porque não têm sexo. de “O Livro dos Espíritos”. que odeiam? Sim. a força irresistível do amor. dores e ódios. 122 23 MULHERES O trabalho mediúnico oferece insuspeitadas condições de aprendizado. ao longo dos anos. ao passo que a mulher inclina -se mais à compassividade. optam pelo aprimoramento de alguns aspectos espirituais em que este jam particularmente interessados. que perseguem. os Espíritos deveriam ser assemelhados? Disse-me ele. possa encetar outras realizações. as maravilhas da prece. um dia. Assim é. daquele que se encarna como mulher. O Espiritismo ensina que o Espírito não tem sexo.

capítulo 1 — “Ciências Fundamentais: Biologia”. Emmanuel informa. em resposta à pergunta número 30: “Há órgãos no corpo espiritual?” (1). pela desencarnação. no mecanismo das heranças celulares. se enquadram nas indispensáveis provações ou testemunhos de cada individuo”. estruturados em grânulos infinitesimais de natureza fisiopsicossomática. esses instrutores. alhures. de sensações e necessidades bem semelhantes às que experimentava na carne. e do corpo espiritual pelo citoplasma em que se implantam. 4ª edição. com uma pesada carga fluídica. pois que os sexos dependem da organização. Foram implantadas severas medidas de correção e reajuste. 3ª edição. por sua vez. da grande maioria dos que habitam aquela colônia. capitulo 6º. pois o corpo físico “e uma exteriorização aproximada do corpo perispiritual”. FEB. representado pelo Espírito imortal. sendo a série André Luiz bastante rica em informações desse tipo. perispírito e corpo físico. através das brechas que as nossas paixões inferiores lhes abrem. sugiro a releitura do capítulo 99 de “Nosso Lar”. 123 pergunta formulada por Kardec (Têm sexos os Espíritos?).” Certamente que sentiram. Muitos dos recém-chegados da carne “duplicavam exigências”. mas os alimentos não foram totalmente abolidos. estabeleceu-se um comércio clandestino com os representantes das trevas que. Isto é confirmado pelos relatos mediúnicos. . em virtude da condição perispiritual. que não era tempo. Essa interdependência entre corpo físico e perispírito é acentuada por André Luiz (2) ao declarar que: “Os cromossomos. partilham do corpo físico pelo núcleo da célula em que se mantêm. sob o título “Problema da alimentação”. que sim. agindo. utilizavam-se desse lamentável inter- câmbio como instrumento de infiltração e assalto à vasta organização regeneradora intitulada “Nosso Lar”. regressem ao mundo póstumo. nada de materialidade e. (2) Evolução em dois Mundos”. pois. página 50. as quais. “dilatando velhos vícios terrenos”. Para não alongar demais esta digressão. mas disseram o bastante para compreendermos alguns pontos essenciais. mas baseados na concordância dos sentimentos. profundamente impreg (1) “O Consolador”. Queriam mesas lautas. e prossegue acrescentando que tal exteriorização “subordina (-se) aos imperativos da matéria mais grosseira. ainda. que o ser encarnado resulta de um “arranjo” entre três componentes distintos: espírito. como sempre. há cerca de um século. pois fica contida nos limites extremos da organização perispiritual. ainda bastante densa. Por outro lado. De fato. de aprofundar mais a questão.) É bastante compreensível. que os seres que trazem o perispírito ainda espesso. Ao declararem que o sexo depende da organização. Há entre eles amor e simpatia. a questão alimentar era muito séria ali na colônia. Informa Lísias que. deixaram bem entendido que a diferenciação sexual não alcança o núcleo da individualidade.” (Destaques meus. por conseguinte.. a Doutrina nos ensina. Quando a direção da colônia tomou providências mais enérgicas para coibir os abusos. os instrutores informaram o seguinte: “Não como o entendeis. bebidas excitantes.

para o reencontro. — “Entre os casais mais espiritualizados — informa Laura a André —. chegado à condição de pureza. tendo em vista os serviços pesados que as circunstâncias impõem. Espíritos enredados nas tramas da sensualidade. Assim. em “Nosso Lar”. para o Espírito. mesmo para aqueles Espíritos mais esclarecidos.) Não resta dúvida. . junto com a sutili zação progressiva do Espírito. “jóias”. Despendemos grande quantidade de energias. Alguns são mesmo particularmente agressivos. a troco de favores. fatalmente. não procede de simples modificações do cérebro: dimana da desassociação dos centros perispiriticos. nas zonas do Ministério do Auxílio. A sublimação há de marchar. nossas refeições aqui são muito mais agradáveis que na Terra. portanto. um dia. Prestam serviços tene brosos junto a companheiros encarnados. a dedicação e o entendimento mútuos permanecem muito acima da união física. A loucura. É necessário renovar provisões de força. até que seja subli mado. recaem.” “Inútil é supor — diz um elevado instrutor (1) — que a morte física ofereça solução pacífica aos espíritos em extremo desequilíbrio. no imenso laboratório da vida. levando para o Além as suas frustrações. o que exige longos períodos de reparação. suas ânsias. onde se consorciam com outros seres igualmente desarvorados. ganham “vestimentas”. Retomando. apenas a lembrança de uma experiência valiosa que. Somente os mais purificados conseguem libertar-se dos apelos da carne. que se entregam a tarefas redentoras. o carinho e a confiança. que o sexo persiste no mundo póstumo. poderemos responder que. em faixas desarmonizadas.) Portanto. seus desvios. o sexo será. rancorosos e violentos. não podemos prescindir dos concentrados fluídicos. mas. tombam em situações calamitosas no mundo póstumo. que lhes asseguram uma “boa vida” de prazeres e proteção contra a dor que as espera fatalmente. reduzida. da mesma forma que os problemas alimentares. continuam mulheres. 124 No capítulo 18 dessa mesma obra. por isso. Há residências. a alimentação com substâ ncias concentradas é ainda indispensável. porém. do estudo doutrinário e das observações colhidas. “sapatos” e “perfumes”. a realização transitória. Laura informa que: — “Afinal. Espíritos que passaram por experiências no sexo feminino também odeiam. mais adiante: “Convictos desta realidade universal (a aquisição gradativa das virtudes) não podemos esquecer que nenhuma exteriorização do instinto sexual na Terra. senão transmudada no estado de sublimação. lá na frente. entre outras.” (Destaques meus. infelizmente. É que. qualquer que seja sua forma de expressão. que as dispensam quase por completo. simplesmente porque se deu a desencarnação.” (Destaques meus. os de sexo não ficam totalmente eliminados por um passe de mágica. que entregam o corpo aos desregramentos passionais. lhe serviu de degrau para a sua escalada. Nesse estado. perseguem. pois que. será destruida. em que se debatem. mancomunados aos seus comparsas das sombras. por Espíritos credenciados. entre eles.” E. obsidiam. ainda que mais humildes. Exercem seus poderes de sedução sobre outros seres. nossas perguntas iniciais. sentindo e agindo como tais. para darem prosseguimento ao exercício das paixões incontroladas.

Não haveria culpa alguma. apresentava-se bem vestida. Conhecia-me apenas de nome e a realidade não confere com a imagem que formulou a respeito da minha aparência. Trata-me com condescendência e superiori dade. e seviciadas. abandona a atitude de inconseqüente e . bem-cuidada. elegante. numa antiga encarnação na Escócia. 125 (1) “No Mundo Maior”. aquela pobre companheira. tenham um impulso de arrependimento que lhes possibilite o socorro de que tanto necessitam. perambulando. desengonçado e ridículo. são escravizadas. aconselha -me. vestidos bonitos e prazeres. cordial. Seria apenas a antecipação do que. Várias vezes tentou influenciar o nosso companheiro. muito divertida da situação. Vimos. Finalmente. reduzidas à condição mais abjeta. Ri-se. Outra — fora irmã de caridade — atormentava uma criatura encarnada. pára a exposição para rir. pois deixa entrever que se decepcionou profundamente comigo. sorridente. sorri. 5ª edIção. sugerem-me que lhe pergunte por que fugiu de um certo castelo inglês. que a incentivava. Do mundo espiritual. para que todas sejam como ela. Já há algum tempo vinha tentando induzir um dos componentes do grupo a uma atitude extremamente arriscada. Quando lhe formulo questão mais complexa. noutro ponto deste livro. perde a calma. “absolvendo-a”. comparece aos nossos trabalhos mediúnicos. desgastadas pelo sofrimento. Informa que “trabalha” junto a casais e que seu objetivo é libertar a mulher. Diz-se muito bela. estava já programado para mais tarde. perseguia-o. tentando destruir um lar. para o que contava com o apoio de um sacerdote desencarnado. FEB. também. da responsabilidade. esguia. sob a alegação de que. grávida e na vergonha. tentando — e conseguindo — induzi-lo a erros bastante sérios. e a isentava de culpa. desculpa-se. porque é a favorita. Já lembrei. De vez em quando. segundo o Espírito. dizendo que é uma mulher e não é dada à Filosofia. De outras vezes. ou durante o desdobramento do sono natural. Era “físicamente” simpática. Temos tido algumas experiências com espíritos femininos. capitulo 11 — “Sexo”. pois não tenho a menor idéia do que estou fazendo e onde estou me metendo. educada. que transviava um homem encarnado e era recompensada com festas. como se fosse a coisa mais natural do mundo. felizes e livres para gozar a vida. em andrajos imundos. ela também fora traída. apresentando-se ante seus olhos espirituais. Conta casos. Localizando-o como encarnado. quando aquele a quem amava abandonou-a. Diz que no mundo em que vive é muito poderosa. inteligente. muito segura. Ela continua a negacear. faz gestos graciosos e parece imensamente segura de si mesma. Ainda muito condescendente. Tem a voz suave. feio. em encarnação anterior. unhas muito polidas. provavelmente. O caso era apresentado de maneira sutil. Acha-me. como amiga. em cumprimento a “ordens superiores”. a juntar minhas coisas e partir enquanto é tempo. até que. por vales de sombras espessas. envolvente e doce. dementadas. Por fim. sem preconceitos. provavelmente no confessionário. inteligente e tranqüila. teleguiada por hábeis indutores. Esquiva -se habilmente às perguntas. Tivemos o caso de uma jovem que se suicidara por uma paixão desvairada. o caso da irmã que se empenhava em perturbar uma família. portanto. mas se mostra visivelmente transtornada. Em certa oportunidade compareceu uma bem mais difícil.

ao mesmo tempo em que suas roupas apresentam-se sujas e em frangalhos. muito sorridente. e não um desenxabido senhor de cabeça a branquear. por meio de imagens vivas. no entanto. Nesse ponto. por certo. Presa aos seus condicionamentos. está aparentemente segura e coretinua a rir-se de tudo. É chegado o momento de começar realmente o processo de doutrinação. chamando-a de assassina. que ficou com os resíduos da sua profunda e dolorosa angústia. por certo. a serviço dos seus mandantes. Poucas semanas depois deste caso. porque eles “deformam o corpo”. em outros Espíritos endívidados. estando. para permanecer junto do médium que a recebe. que sua beleza física. entre dentes. de que tanto se orgulha.. Elà pressente as dores que a esperam. desprende-se com enorme sofrimento para o médium. tivemos outra manifestação de Espírito feminino. mas ela está bem preparada para o confronto. tentando acalmá-lo. Agora. por isso. como favorita de um poderoso líder das trevas. e me volto para ela. Vai logo dizendo. e ordena-me autoritariamente que me sente. enquanto revê as cenas. numa emergência como esta. principalmente. Está igualmente preparada para esse encontro. Na organização em que vive. Ela ainda consegue dizer que seu ventre secou e. para me provar que não tenho razão. em filme. Também é das que se dizem atraentes e sedutoras. esperava. não resiste muito tempo e entra em crise dolorosa. sem se perturbar e perder o “equilíbrio”. o seu futuro. 126 superior condescendência. obviamente. É uma longa e penosa agonia! Sente as mãos sujas de sangue. as suas recordações e. A despeito do seu preparo. que eu fosse jovem e belo.) Respondo-lhe que tentou também queimar as pontes para o futuro e. mas.1º burned all the bridges behind me. Declara-se muito sutil e por isso é destacada para missões delicadas. o que não quero fazer. Digo- lhe. (Queimei todas as pontes por que passei. Diz-lhe que está à sua espera e ri. Teria descoberto que o pobre doutrinador é muito amado e teve o desejo de conhecê-lo pessoalmente. Até aqui — o trabalho todo durou cerca de uma hora — o tempo foi aplicado em tatear a sua personalidade e os seus problemas. não inesperadamente. empenhada em fascinar criaturas encarnadas e desencarnadas. no entanto. que não venha com as minhas conversas macias. detesta aquele vestido vermelho. se sente prisioneira numa ilha sinistra. diz. Ela me responde em perfeito inglês: . Pede um espelho. pois muitas vezes deve ter presenciado esse momento dramático. ante o desespero em que ela se precipita. de quem ela matou todos os filhos recém-nascidos e os enterrou no jardim. é mera criação de sua mente. .. para ajudá-la a enfrentar o seu problema. não obstante. a fim de obter informações. Agora. a pobre e querida irmã. É um antigo esposo. dize ndo que não adianta mostrar-lhe nada. vê junto dela um Espírito de aparência agressiva e pejado de vibrações desarmonizadas. começa nela um fulminante processo de envelhecimento. que não consegue trocar. suportar a lembrança das suas próprias atrocidades. já dispomos de alguns elementos mais concretos. de início. por fim. Dirijo a ele algumas palavras. para que ela pudesse. Ainda se fossem outras conversas. e começa a temer o momento fatal em que terá de deixar o médium para enfrentar a nova realidade que se pastou diante dela subitamente. Não queria filhos. Seu ex-marido incorpora-se em outro médiuni e atira-lhe impropérios. de prazer insano. tudo aquilo lhe fora mostrado em retrospecto. mal pode esconder seu desapontamento. De repente. maliciosamente.

Vê. mas é a fase em que são colhidas as informações de que necessitamos para o trabalho real de doutrinação. Diz que sim. ao deixar o médium. Ela deixa cair todas as guardas e me conta que é uma infeliz: foi explorada pelos homens aqui. mas. permitindo que fosse. para consolá-la de dores que me havia confiado. agora. Peço- lhe que siga a moça. pois o céu é um estado de espírito e ela é muito feliz. diante da sua vítima em perspectiva. dolorosa. A uma outra pergunta minha. em pranto. Sinto por ela uma infinita e paternal ternura e lhe falo com muito carinho. repetindo uma pequena prece que lhe sugiro: — Jesus. com o que ele concordou. No decorrer da semana. que a salvou. necessário trazê-lo novamente ao grupo. responde corretamente que o Espírito não tem idade. uma jovem pacificada e tranqüila. nossos mentores disseram-nos que ele havia sido doutrinado no mundo espiritual mesmo. ao chegar junto a essa pobre senhora. ao seu lado. ela se debruça sobre a mesa.) Aproveito para dizer-lhe que foi aquele momento de compaixão. ela me interrompe para afirmar que não teve a intenção de me ofender: Como estou. dizendo que voltaria. numa crise emocionante. As vezes. a chorar às escondidas. por sua vez. Ela protesta. perguntou se eu ainda dispunha de tempo para atendê-lo. e ela parte. não. infelizmente. (Estava presente também quando telefonei para essa amiga encarnada. alegando que eu oro demais e. um pós-escrito. que precisava ser obedecida. proponho -me a orar. em suas atividades. Pergunto se ela confia em mim. digo-lhe que ela acaba de me dar o mais lindo presente: seu coração. mas um dos emissários da sua tene brosa organização está presente. tão violentas e agressivas como os homens. depois. Quando lhe digo que tenho idade para ser seu pai. declara que vive no céu. e que se esclarecera. A conversa prolonga-se aparentemente sem rumo. não sendo. não. em outro médium. 127 Digo-lhe que realmente sou um velho sem graça e quando lhe pergunto se ela é jovem. o que não é verdade. elas são obsessoras implacáveis. Depois de reunidos os elementos que me parecem suficientes. porém. me ajude! Houve. Sente-se muito desconcertada e arrependida de ter-me tratado como tratou. Havia sido incumbida de uma tarefa. O companheiro que se incorporou em outro médium. dizendo que a moça que a espera também é deles. Respondi-lhe que. Ela teme seus verdugos e está apavorada ante as perspectivas de ser arrastada por eles. porque tínhamos uma disciplina de trabalho. se diz cansada e confessa que até aos meus prejudicou bastante. de início. Teve pena dela e ficou sem coragem de exe- cutar friamente o seu mandato. mal me levanto. mas poderíamos conversar na oportunidade seguinte. como depois apuramos. precisamente naquela noite. viu-a em pranto. à irmã atendida semanas antes e que descobrimos ter sido uma duquesa — foi protegida. com outras criaturas infelizes. e tenta confundi-la. Vive num verdadeiro campo de concentração. junto à esposa de alguém que estávamos interessados em ajudar. comemorando 56 anos de idade. que veio recebê-la. por- tanto. . na carne. neste caso. e continua a ser explorada do lado de lá. * São essas algumas experiências com Espíritos ditos femininos. para ameaçá-la. Sente-se muito emocionada ante o carinho e o respeito com que a tratamos. socorrida. Enquanto “ela” estava lá — refere-se.

reagem como seres humanos. às vezes. em “Libertação”. respondendo. ou. irmãs. ainda enoveladas. está relatado por André Luiz. numa cena inesquecível. nem mesmo esmoreceram. talvez. em trabalhos mediúnicos. São velhos e seculares amores: mães. da emoção. porém. que guardaram ternuras profundas. 128 tão irracionais quanto eles. . em relação aos Espíritos masculinos e. nas suas paixões e no desejo insaciável de vingança. elas próprias. mas quase sempre já mais avançadas no caminho da pacificação. do respeito à sua condição feminina. porque mais sensíveis ao apelo da ternura. alimentadas em esperanças que nunca se apagaram. Matilde desce aos subterrâneos da dor. filhas. intensamente dramático. Comparecem. esposas. para resgatar o seu amado Gregório. é encontrar mulheres que vêm recolher nos seus braços amorosos os companheiros recém-despertos. O mais comum. mais cedo ou mais tarde. Ao sentirem que são tratadas como seres humanos. decididamente. que se trans viara lamentavelmente. Algumas encontram-se de há muito revestidas de luz e harmonia. em resgates dolorosos. ainda que estejam transitoria- mente numa posição de aviltamento. Um destes casos. e é com o seu amor apenas — e é tudo! — que enfrenta a sua cólera. mas são estatisticamente em número reduzido. às vibrações da nossa afeição. mais abertas ao entendimento e predispostas ao despertamento. por isso mesmo.

129 TERCEIRA PARTE O CAMPO DE TRABALHO .

porque a amamos. e nos confundimos nela e com ela. fixa-o ainda mais. quer dizer ato de deslocar. No momento em que conseguimos convencer o companheiro desencarnado. o Espírito se desloca. está ali. ou seja. ou a culminâncias de devotamento. o esposo. Aquele que deixou de amar é porque não amou bastante e. O que acontece éque temos em nós todos o instinto egoísta — e quase todos os instintos são egoístas — de conservar a posse total do objeto de nossa preferência ou afeição: a esposa. Odiamos aquela criatura exatamente porque parece que ela não quer o nosso amor. que o esmaga. também ao vingador. para isso. ajudar os Irmãos. compreendendo que essa é uma verdade com a qual ele ainda não havia atinado. que traiu ou abandonou. que ele odeia porque ainda ama. e angustiar-se no doloroso processo de vingar- se. o processo da desobsessão se desencadeia. ele subsiste. Passamos imediatamente a odiar os que nos privaram da posse daquilo que amamos ou valorizamos. ocasionalmente. de uma realidade indisputável. porque nos recusa. por amor. ainda que pouco percebida: o amor.. percebemos que amor e ódio são duas faces de uma só realidade. em estágios ainda inferiores da evolução. Freqüentemente. caminhando para as trevas de sofrimentos inenarráveis ou subindo para os planos superiores da realização pessoal. Estejamos certos. às vezes. o rancor contra a amada. Por mais estranho que pareça. muitas vezes. é que mantém acesa a chamazinha da esperança. que o santifica. mover.. ao contrário. luz e sombra. o amor frustrado. É oportuno lembrar que emoção. nos desprezou. ou alçado aos píncaros da felicidade e da paz. que o filho nos rejeite. Cedo compreende que não vale a pena perder seu tempo. o ódio é. Para desfazer esse clima de crepúsculo. penosas vibrações de sofrimento. ou o amado. como dizia Paulo aos Coríntios. não acaba nunca. de maneira paradoxal. a fim de separá-los. em crise. na qual perdemos a visão dos caminhos e o senso da direção. O trabalho de desobsessão não deve ignorar essa realidade. que o dinheiro ou o poder nos sejam arrebatados. o poder. parece não existir em nós. que agonia e desorienta o Espírito. levado por ela às furnas mais profundas da dor e da revolta . . pressionado ou sustentado por ela. mesmo quando. desliga-se do objeto de sua dor. Mesmo envo lvido. porque é comum tocarem-se os extremos. encarnado ou desencarnado. segundo ele se deixe dominar pelo ódio ou se entregue ao amor. confunde-se em nós a realidade ódio/amor. Esse deslocamento o conduz a extremos de paixão. renasce. Suponhamos que a esposa nos traia. Arrastado pela emoção. o dinheiro. soterrado no rancor e na vingança. dado que — e isto também pode parecer contraditório — não podemos ignorar o fato de que a vingança impõe. muitas vezes. a posição social. que em determinado ponto absorveram-se uma na outra. o filho. sobrevive. Ela nos afeta. criando uma opressiva atmosfera de penumbra. é preciso ajudá- lo a identificar bem seus sentimentos. O ódio não o exclui. vive no clima da emoção. e é lembrando esse aspecto que conseguimos. que se atormentam mutuamente. num sentido ou noutro. a colocarem um ponto final nas suas angústias. nos traiu. etimologicamente. Com isto. e. porque em termos de relacionamento homem/mulher. com menor dificuldade. 130 24 O PROBLEMA O ser humano. ele começa a recuperar-se.

encontros com um fi lho que o casal tivera naquela ocasião e que se encontrava também no mundo espiritual. falando entre lágrimas: — Quando vai terminar esta farsa? Pacientemente. Seu antigo companheiro. Um desses foi comovente. não pensara noutra coisa. Nada. Ela era muito brilhante e estava muito magoada: tinha respostas oportunas. minha querida. ela veio apenas para despedir-se. mas agora purificado. tive oportunidade de vê-la. e depois. onde vi veram momentos de intensa felicidade e enlevo. Quando ela percebeu que falava por seu intermédio. Reencontrou-se ela. De outras vezes. 131 Vários casos assim temos encontrado na experiência de nossos grupos. que suas lágrimas também são uma farsa? Estava chegando ao fim de sua longa e penosa agonia Íntima. sentindo que começava a ceder aos argumentos ou aos sentimentos de afeição que colhia no grupo. vivi uma das mais belas e comovedoras emoções da minha experiência no trato com os Espíritos. Afinal de contas. à medida em que o amor reacendia a sua chama. a princípio timidamente. O Espírito manifestante era de uma mulher. Ela veio indignada. era a retomada da trilha evolutiva. ligaram-na com o próprio companheiro. Foi-nos permitido identificá-la na nova encarnação que se iniciava sob tão belos auspícios e tão gratas alegrias para todos aqueles que a amavam. mas a experiência foi negativa. Nossos benfeitores. O drama e a dor estavam encerrados. Acabou por reconciliar-se com o seu antigo amado. Logo aos primeiros meses de sua nova existência. Foi muito difícil o diálogo com ela. Tudo foi tentado pelos nossos queridos amigos espirituais. por mais de um século! Promoveram. reti rou-se prontamente. achara que não valera a pena o seu sacrifício e que ele não dera valor às suas renúncias e nem as merecera. Ajudavam. ora encarnado. recolhida ao mundo espiritual. e rompera com todas as convenções da época para segui-lo. E ela. em lar feliz e equilibrado. ele tentou dialogar com ela. semana após semana. pois ele também dispunha de excelentes faculdades mediúnicas. E por mais de um século. Certa vez. encontrava em si mesma todas as justificativas para continuar agindo daquela maneira. nos seus esforços. expurgado da paixão que fora a sua perda. Uma bela criança. pois a sua palavra parecia exacerbar o rancor que a infelicitava. Fora muito bela. os benfeitores espirituais. de elevada posição social. revoltada. Levaram-na a um encontro com ele desdobrado pelo sono — a um local. Visitava eu a família. Certa vez. Certa noite. também. tão verídica e dramática quanto a própria vida. teve um final emocionante e. trouxeram-na de volta. o doutrinador. bastante pacificado e dedicado ao trabalho construtivo. a perspectiva de novas experiências redentoras: a querida irmãzinha preparava-se para reencarnar-se. Agora. Renasceu. Começou a ceder. inteligente. em lugar de ligá-la ao seu médium ha bitual. como podiam. com todo o vigor antigo. . fazia parte de nosso grupo e ela ainda trazia em seu coração um rancor que 130 anos não conseguiram extinguir. com outra filha — esta reencarnada — à qual se dirigia com carinho e afeição. na Europa. através do médium. muito chocada. perfeitamente reconciliada com a vida e com o amor. graças a esse episódio. por doce constrangimento. Esta história. o doutrinador lhe devolveu a pergunta com outra: — Você acha. irredutível. objeto de seus ran- cores. já em pranto. Esse drama durou meses. ela desligou-se subitamente do médium.

Em seguida. cometeu faltas idênticas contra o próximo. hoje. adormeceu novamente. que multidões de sofredores ignoram. Isto é uma realidade terrível. Mais uma vez é preciso lembrar aqui a técnica desobsessiva que o Cristo nos ensinou: “Ouvistes dizer: Amai vosso próximo e odiai vosso inimigo. Pois vos digo: Amai os vossos inimigos e rogai pelos que vos perseguem. o amor também renascera com ela. amigo. Aquele que assume a posição de tomar a justiça divina em suas mãos. o culpado de sua queda. mas indelével. é aquele que ali está. sob meus protestos. quando cuidarmos das . atravessa os séculos e os milênios. lamentavelmente. em vez de fechá-lo com o perdão. * A coisa não é tão fácil quando o Espírito desajustado persegue aquele que o fez perder a posição. está reabrindo o ciclo da dor. na linguagem inarticulada da emoção: — Ah! É você? Eu já estou aqui. fica estimulado. persiste. em trabalhos de desobsessão. o amor transcendental da neta muito querida pelo avô.. Depois. e dormiu ainda alguns segundos. segundo nossas próprias reações. Nunca será suficientemente enfatizada a importância deste conceito. mas ela continuou dormindo. Entramos no quarto em que ela dormia profundamente. é preciso deixar a ela o trabalho de reajuste. o ódio que nos votam sustenta-se. libertamos pelo menos dois seres: a nós e a ele. objetivam-se.. Deixaremos para debater esse aspecto mais adiante. Seu antigo companheiro recebe dela. o poder. Nossos erros são cometidos contra a lei divina. de suas frustrações. o dinheiro ou o amor. Sua revolta e sua angústia como que se perso- nalizam. contemplou-me — seu antigo doutrinador. Seus olhinhos exprimiam felicidade e amor. ante os companheiros com os quais nos desentendemos no passado. que faz brilhar o seu sol sobre os maus e sobre os bons e chover sobre os justos e os injustos.. A mãe acendeu a luz.. por certo — é um ensina mento do mais elevado valor prático. Quase sempre se esquece o vingador de que ele próprio desencadeou o mecanismo do resgate quando. com quem sustentou batalhas impetuosas — e me deu o prêmio inesperado de um belissimo sorriso. que mereceu também a bênção do reencontro e da reconciliação. Se os odiamos também. encarnado ou desencarnado. como um anjo que era. para que sejais filhos de vosso Pai celestial. 132 e a jovem mãe me chamou para ver a criança. em passado esquecido. ou se dilui. Sem dúvida alguma. Se deixamos de odiar e passamos a orar por aquele que nos atormenta. Senti naquele sorriso a mensagem da paz e da gratidão. do que enfrentarmos a dura realidade de que a causa está em nós mesmos e que o ser a quem perseguimos foi apenas o infeliz instrumento da lei. que identificamos como causadora de nossa derrota. além de outros que possam estar comprometidos no processo. (1) Orar por aqueles que nos perseguem não é apenas um preceito evangélico teórico — e já seria muito. pois temia que ela acordasse. sempre observadas atentamente pelos nossos cobradores. Na confusão em que se envolve. Era linda. O rancor que sentem por nós sobrexiste. não são os seus próprios enganos. Sua expressão me dizia. e é mais fácil lutarmos e tentarmos destruir uma pessoa. abriu os olhinhos. Isto é válido também — e como! — para a maneira pela qual recebemos nossos irmãos em desajuste e com eles dialogamos.

estado de perturbação avaliam as nossas emoções e não as nossas palavras. olhou-me e disse. nada conseguiremos senão confirmá-los nos erros em que se enquistaram através do tempo. insistir e repetir: os Espíritos em (1) Mateus. em tom e em palavras que nunca mais me esquecerei: — Não precisa armar-se. para que se criasse o clima da desavença que pensam convir-lhes. onde melhor poderia alcançar seus propósitos. Você já me ganhou. que quero te dar uma bofetada! * A situação é consideravelmente mais difícil quando o doutri nador defronta- se com seu próprio obsessor. De certa forma. experimentado nas lides espíritas. contou-me que um doutri nador desavisado.. Neste caso. no auge da desarmonização: — Materializa -te. repetindo enganos e desenganos. extenso rol de casos curiosos. Esclarece. no fundo. berrou-lhe. Lembro-me de um exemplo. Um confrade. estudaremos um caso destes. entre muitos. basta extrair da situação um ensinamento extremamente precioso e que nunca deve ser esquecido: o de que o arrependimento e o remorso também devem ser construtivos. algo desapontado. por isso. nem indiferença e. para as quais o doutrinador tem que estar preparado. dessa curiosa posição espiritual. de onde foi extraída a citação. por causa da pobreza da língua. Estão. e que acumulou. ao meu lado. ao que se depreende. profundamente irritado com o desajustado Espírito manifestante. que a expressão era forçada. O companheiro manifestou-se impetuoso e logo revelou-se indignado porque não conseguiu despertar em mim uma reação idêntica à sua. quanto para o perseguido. essa pobreza semántica perdura. era ódio. 19:18. também de irritação. todo aquele que não fosse amigo. tanto para o que persegue. Convém. o que é verdadeiro. a fim de arrastar-me para a sua faixa vibratória. no entanto. Na semana seguinte deu-se a coisa mais linda. Uma simples frase dessas descreve um mundo de emoções e de decisões que um livro não poderia conter. não tinha uma expressão correta para descrever o sentimento que não seria nem amor. muito atento. ou seja. O vocabulário da época. mas ainda não convencido. que a expressão odiai vosso inimigo não se encontra no texto da lei. . talvez pensando em descobrir um método qualquer de me irritar. senão da profunda emoção e gratidão pela sua resposta ao sentimento da fraternidade? O doutrinador tem que estar. 133 técnicas e recursos sugeridos para o trabalho. com voz emocionada. 5:43-45. ele se esvaziou pouco a pouco do seu ímpeto e partiu. Como me mantinha sereno e imperturbável. Isto vale. tudo o que não pudesse ser considerado amor. porém. Incorporou-se ao seu médium. A Bíblia de Jerusalém esclarece. seria inimigo. ao longo dos anos. a tarefa assume implicações de natureza muito pessoal. porém jamais reconheceriam isso. pois. Que me restava dizer a ele. para não deixar envolver- se pelo rancor que o Espírito traz em si. nem ódio. ansiosos de que os convençamos de seu erro. Se no debate opusermos nossa irritação à deles. pois não consta de Levíticos. em nota de rodapé. Neste ponto.. Mais adiante.

se não for canalizado para fins construtivos. pois. porque o mesmo sentimento de remorso que o levou a merecer ajuda. chegou à conclusão de que não vale a pena continuar. vai continuar paralisado pelo remorso. dificulta a libertação de seu próprio Espírito e do de seu verdugo. que ele se esforça: manter a sua vítima sempre lembrada do erro. mas ele desconhece as causas da sua dor e nem sequer tem oportunidade de enfrentar. ou obsidiado. pois é exatamente este sentimento que lhe dá os primeiros recursos para livrar-se da dor. ele mesmo praticou falta semelhante e agora recebe a visita inevitável da lei. ele próprio cometeu faltas muito mais terríveis do que aquela que pretendeu cobrar. em nome de um Deus em que ele mesmo não acreditava. É o momento de ajudá-lo a construir algo com os salvados de sua tragédia. merece todos os castigos e punições. uma flor belíssima. a nosso turno. Nem sempre ele sabe por que sofre os rigores da vingança. encerrar o processo da vingança. Pode ele. pois. portanto. descobriu que. Se ele tem oportunidade. envolvido num tene broso processo de obsessão. naquela vida ou em outra. mostrando-lhe que o remorso deve ser construtivo. aliás. que ao cabo de uma feliz doutrinação. como a todos nós. porque um dos grandes infelizes é ele próprio. É nisso. na sua maneira de pensar. e deve ser muito grave. tratá-lo com serenidade. à cobrança. de lembranças extremamente dolorosas. ainda. como para estimular a cobrança. Como Espírito. Por outro lado. porém. Imaginemos um Espírito desencarnado. pode retê-lo à mercê do seu perseguidor. a causa anterior que determinou o efeito da sua dor. de conhecer a razão de sua obsessão. Além do mais. em tais circunstâncias. se concentra naquele que provocou a sua desencarnação. É certo que ele ignora. o seu obsessor. dá-lhe o “direito” de punir e de vingar-se. senão ele. Está cansado. pagar como? Que entenderia ele por pagar a dívida? Certamente que . De outro lado. expomo-nos. por alguém. muito complexa e delicada. ele não o ignora. 134 Tentemos explicar este delicadíssimo mecanismo. tanto para fazê-la sofrer. por exemplo. Sim. ao errarmos. de muitos e pontiagudos espinhos. desesperados. O remorso é. para que ele sofra daquela maneira. descer a abismos de autocomiseração e dor. mas não podemos per- mitir que o nosso arrependimento alimente indefinidamente o seu rancor. estamos arrependidos do erro cometido contra o irmão. pois é da natureza do ódio jamais satisfazer-se em si mesmo. Mas. É preciso estudá-lo. equilíbrio e humildade. vejamos o perseguido. remota ou não. Temos tido oportunidade de presenciar arrependimentos dramáticos. no passado. O erro vem de muito longe. aquele severo perseguidor resolva. o que. e entrega-se ao remorso desenfreado. ou déspota medieval. ele não pode ignorar o arrependimento. que estava parado na estrada da evolução. Ele só sabe que aquele miserável o matou e. — Paga a tua dívida! — gritou certo companheiro desarvorado. Sem arrependimento. afinal. como um rei. num ódio que parece não ter fim e que nunca chega à saciedade. colocamo-nos em posições nas quais não podemos sequer ser ajudados. Ele persegue e vinga-se de alguém implacavelmente. ele sabe também que. Toda a sua cólera. Digamos que ele tenha sido assassinado. A situação é. que se eterniza. apenas o véu do esquecimento o protege. porque o arrependimento serve dupla-mente. cons ciente ou não. que não temos condição de suportar com a nossa consciência de vigília. mais grave ainda. num diálogo. ou. enquanto exercia elevada posição de mando. no mundo das trevas. século após século. Suponhamos. Ele não quer saber que anteriormente.

Ainda voltaremos a este tema. É uma situação extremamente critica e delicada. que contém outras implicações e conotações de grande interesse para o trabalho de doutrinação. . 135 com a dor que resgata e com o arrependimento que nos retém preso a ela.

maior do que João Batista. passa despercebida. São grandes os “príncipes” da Igreja. a criatura evangelizada. Ele lhes disse: Os reis das nações governam como senhores absolutos e os que exercem autoridade sobre elas se fazem chamar benfeitores. Um Espírito disse-me certa vez em que dialogávamos: — Sempre fui grande! Em termos humanos. quer sua obra seja construtiva ou desagregadora. Nessa invertida escala de valores. no . E muitos de nós. têm o seu núcleo principal na terrível paixão pelo poder. igual ao que serve. Confundimos. que não tínhamos noção real do conceito de grandeza: “Em verdade vos digo que não há. mas não assim. mas o de servir ao semelhante. freqüente mente. no passado e no presente. segundo Mateus. Jesus confirmou e ampliou o seu pensamento. o exercício do poder com a grandeza. somente porque dispomos de autoridade incontestada. temos nos deixado levar pela perigosa ilusão de que somos grandes. como simples anões espirituais. que tudo -avaliamos segundo a insignificância de nossas medidas. pois eles nos têm levado. ignorada e até desprezada. desde remotíssimos tempos. “pois o que se exalta será humilhado e o que se humilha será exaltado. mesmo que do lado negativo da ética.” Vemos. o conceito de grandeza formulado pelo Cristo não foi o de servir às nossas paixões. cuja verdadeira grandeza era impossível de ser ocultada. em renúncias ocultas e no silêncio do anonimato. sim. Os sinais exteriores do poder nada dizem sobre o gabarito moral do Espírito que os detém. tudo o que sobreleva à mediocridade dos nossos horizontes torna-se grande. senão que o maior entre vós seja como o menor. quantas vezes. como a que nos demonstrar. entre vós. e o que manda. mas. confirmava-se como simples servidor. 23:11.” Em Lucas (22:24-27) o texto é ainda mais explícito: “Entre eles. Mas. houve também uma discussão sobre quem parecia ser o maior. o que é realmente a grandeza? “O maior dentre vós seja vosso servidor” — disse o Cristo. Em outra oportunidade. o que está à mesa ou o que serve? Não é o que está à mesa? Pois eu estou entre vós como aquele que serve!” Portanto. 136 25 O PODER Muitos dramas. Isto nos induz a colocar sob suspeita nossos critérios usuais de avaliação da grandeza. não temos subido as escadarias do poder? O pior. utilizando-se de sua impecável didática. mas é um grande guerreiro aquele que mata milhares. É um grande criminoso aquele que mata com requintes de crueldade uma pessoa ou duas. entre os nascidos de mulher. fora grande. É grande o que disputou e conquistou a sangue e fogo posições de mando e governou multidões com pulso de ferro. amorosa. contudo. Porque quem é o maior. Entre nós. sutilmente. que os parâmetros humanos de aferição da grandeza são inaceitáveis em termos espirituais. É grande o escritor que obteve muito sucesso literário. cujos vagalhões vêm rebentar em nossas mesas de trabalho mediúnico. serena. o menor no Reino dos Céus é maior do que ele. que ampliaram os poderes materiais da organização. que leva uma existência a serviço do próximo. assim. a cometer tremendos enganos. ao longo do tempo. desde o antigo Egito até à Europa moderna. Ele mesmo.

pelo sofrimento anônimo. e não devemos alimentar esperanças de rápidas e radicais conversações. 137 entanto. a viver fora desse clima. despojado de suas próprias “defesas”? Sim.. Eles se prestam a isso. os séquitos. encontrou em elevada posição. com suas mazelas.. as ordens.) — “Vós.. por séculos e séculos. acaso. capítulo VIL. Segunda Parte. seus destacados líderes. assessores de confiança. o trato é difícil. Contudo.. aqui.. aqui e lá. os que se revezam nos postos de mando. em condições melho res do que a da infeliz rainha indiana. pela reencarnação de resgate? O único jeito.. Enquanto estão ali. Kardec nos preservou a comunicação de uma rainha indiana de Ouda. que chega às fronteiras da “divinização”. me disse: — Meu Imperador é Fulano — e disse o nome de alguém que. ainda. não sei. estão adiando o momento do encontro consigo mesmos. Dificilmente comparecem aos trabalhos de doutrinação os verdadeiros chefes dessas organizações. Espíritos atingidos por esse deslumbramento lamentável arrastam consigo. bem como o comando de vastas organizações opressoras. as expedições. no mundo espiritual. alguém que fora obscuro servidor da sua corte e de quem agora ela dependia para ser ajudada. que exercem com a sensibilidade anestesiada.. Um deles. que se apresentou como líder religioso. no próprio contexto em que vivem. Mesmo com os chefes menores. para o mundo espiritual. no entanto. e lá se juntam às organizações trevosas. comandou exércitos e povos.. é que o vírus do poder nos contamina. a única saída possível. os tronos. montando e dirigindo terríveis organizações especializa das no crime espiritual.. porque sabem muito bem que. para me servirem!. Que se enviem escravas. A decepção de alguns desses Espíritos é terrível. também. É por isso. a paixão invencível do mando. Como vão deixar o poder? Entregá-lo a quem? E por quê? Como irão viver sem as pompas. sou sempre a mesma. Vêm geralmente seus emissários mais credenciados. Muitos são. que se utilizam deles para oprimir e es- palhar a desarmonia por toda parte. parece-me que pouco se preocupam com a minha pessoa. pois não aprenderam.” E depois: — “Tendes inveja da liberdade de que gozam as européias?” — “Que poderia importar-me tal liberdade? Servem-nas. que vivestes nos esplendores do luxo. em tempos idos. (“O Céu e o Inferno”. permanecem ao abrigo dos olhares amargurados de antigos amores. que . que pensais hoje de tudo isso?” — “Que tenho direito. de joelhos?” Outra grande dama. está em agarrarem-Se te nazmente ao poder. os planejamentos. contanto que lhes sejam conferidos os sinais externos do poder. eu. quando se encontram privados daquilo que constitui o próprio ar que respiram. enquanto permanecerem ligados àquelas tenebrosas estruturas.” — “A vossa hierarquia terrestre concorreu para que tivésseis outra mais elevada nesse mundo em que ora estais?” — “Continuo a ser rainha. suas consciências.. Por que trocar a glória. Épreciso compreendê-los. Mas. as verdadeiras campanhas que desencadeiam contra aqueles que consideram seus irredutíveis adversários? Como voltar a ser um simples e endívidado Espírito. e a infecção instala-se em nós. seus remorsos. cercada de honras. as insígnias... que o tempo não apagou. ex-rainha da França.

da sentimentalidade. É mais fácil enfrentar a dor dos outros. 138 se recusam terminantemente a um diálogo que possa arrastá-los para a faixa da emoção. . da brandura. da compaixão. Enquanto estiverem no exercício do poder estarão ao abrigo da dor maior. de enfrentarem a si mesmos.

necessitado de socorro urgente e de passes restauradores. Às vezes. respondo-me. Sente-se nele a evidente satisfação consigo mesmo. Tudo ele tenta. por desprendimento). em troca de uma condição: devo “depor as minhas armas”. Quando comparece da segunda vez. jóias. antecipa minha resposta: — “Sei que você vai dizer que o amor não é uma arma. brilhante e poderoso. também não tenho autoridade para fazer acordos. mas vai aos poucos cedendo.. Volta a dizer que é belo. e eles lhe dão. Ao apresentar-se. também a mim. muito vivo e inteligente. e à sua obra sinistra. e eles querem ficar lá. 139 26 VAIDADE E ORGULHO Muito ligado ao problema do poder está o da vaidade. Sempre fora importante. e que chicoteou. devo-lhe algo muito sério. limita-se aos cuidados com a aparência “física”. Revela -se um dos magistrados do Espaço. numa autopunição inevitável. e também o do orgulho. ou à inteligência. ri. propõe. Ele os ajuda a conquistarem uma fatia de domínio. no lado de cá da vida. os que ostentam condecorações. Ao perceber que não conseguiu iludir-nos. e não . por fim. É o senhor daquela região (o médium havia sido levado. fingindo ser um pobre enforcado. arrancada do fundo de si mesmo. Um desses foi enfático. A essa altura. o pior lhe acontece. Dirigia uma organização que mantinha Espíritos aprisionados sob as mais abjetas condições do submundo das dores. É uma afirmativa desesperada. Não só isso. pois lhe arrebatei alguém que estava destinado a ficar também. Retoma o diálogo irônico. séquitos de servidores e acólitos. envolvente. Coitado! Como é difícil cair do pedestal. E. e enquanto entra em crise. nas sessões mediúnicas. Não está acostumado a resistências assim. A vaidade se apresenta sob muitos aspectos e é claro que nem sempre está associada ao exercício do poder. Ouve choro de crianças (te-las-ia sacrificado?) e. perde a paciência. mantos. a parte que lhe toca. com aquilo que faz. Não é ele quem retém seus prisioneiros. guardados por um velho que. em nossa presença. dizendo que estamos ficando muito sabidos e perigosos.. confessa que seu ódio “perdeu a força”. bem como os que alardeiam conhecimentos intelectuais estupendos. em seus tenebrosos domínios. no caso da rainha indiana. Vimos como se entrelaçam. indignado. em tempos passados. como prisioneiro.. Fez com alguns companheiros encarnados um pacto. Muitos são os que nos visitam. no mundo espiritual. a alegria quase infantil com que contempla a si mesmo. inteligente. uma barganha: libertará aqueles em quem estou interessado. irracionais e tolas. falou imediatamente sobre si mesmo: era belo. pois vê sua beleza física desmoronar-se lentamente. Depois. desapontado. Quanto a mim. Fale com meus superiores. por sua vez.. as vestimentas. ele que é um “deus”. “divino — Você me vê? — pergunta-me. com elo gios e lisonja. faz uma cena. fora seu escravo. inclusive o meu envolvimento. poderoso. mas. Tem ali muitos prisioneiros. Há os que se julgam muito belos (ou belas). são seus próprios crimes. em estado de exaltação vaidosa. Cabe-lhe fazer com que a lei seja cum prida. enquanto um súbito e estranho processo de envelhecimento destrói-lhe as belas feições. lá mesmo. Poder versus poder.

pois estou familiarizado com as minúcias da história da Reforma. Alguns crêem-se realmente divinizados e onipotentes. as demais vaidades também entraram em colapso. no campo teológico. dizendo-nos que nem fazíamos idéia de quem era ele. ou a ambos. hábeis manipuladores do método socrático. * Quanto ao orgulho. em pedestais. que comparecem tremendamente enfatuados. muito brilhantes e cultos. a ele próprio. 140 deve ter sido fácil para ele reconhecê-lo. conquistadas com dores e sofrimentos infligidos ao semelhante! Vivem. Mas. visita-nos com igual freqüência. encontrarão seus próprios fantasmas. Acabamos.. na formulação de perguntas embaraçosas. Outro companheiro. Alguns nos invocam a velha fórmula: — Você sabe com quem está falando? Comandam vastas instituições do terror. suas angústias pessoais. Às vezes são. ambos. a partir do momento em que deixou de ser belo.. coitados! Que olímpica indignação! Um destes me conheceu em antiga encarnação.. E os antigos “Príncipes” da Igreja. como o Espiritismo? Que pompa. literalmente. durante a Reforma Protestante.. através de suas próprias palavras. e vem sempre associado à vaidade ou ao poder. de fato. quanto ao Cristo. dos quais nem pensam em descer. suas culpas. envolvidos com uma doutrina maléfica. Nada tinha contra Ele. a insuficiência da vaidade física. pois. manifestou-se irritado. se o fizerem. do contrário. . porque. traidores vis. contanto que Ele não interferisse com seus planos. descobrindo as fontes ocultas de seu fanatismo religioso: em tempos idos. Um deles me disse que acreditava em Deus: — O fato de eu existir — afirmou —. chocado com o tratamento que haviamos dispensado ao seu “chefe”. não o teríamos tratado daquela forma. Num “flash” de inspiração. Era ele mesmo. trâns fugas miseráveis. Que prazer sentem em oprimir e dominar! Que orgulho pelas po- sições que ocupam. fora um fraco. que eram grandiosos. ele fora um daqueles que apedrejaram Estevão. artificiosos no raciocínio envolvente. onde fôramos adversários. ou assaz rancorosos e agressivos. Demonstrada. com o objetivo de obter a condenação do doutrinador. Apresentam-se aparentemente tranqüilos e seguros. até mesmo algo assustado. a crise começou a precipitar-se nele. identifiquei-o pelo nome. através de outro médium. condescendendo em conversar conosco. Ele era muito importante mesmo: — Ah! se você soubesse quem é ele. prova que alguém me criou. demoníaca.

enquanto podem. eles agissem dentro de um amplo raio de livre escolha. Em suma: há certas constantes que se repetem. Não são monstros irrecuperáveis. anestesiar-se na insensibilidade. vai desenhando para nós um perfil mais nítido dos segredos e mistérios do transviamento moral. é a fuga. a cobrança! Enquanto não chega. Por isso mesmo é que resistem. prosseguem suas tarefas abomináveis. que os protege mutuamente do dia do despertamento. com bastante precisão. No fundo. Essa é a doutrina da fuga. que se prolonga no tempo e vara séculos ou milênios. São muitos. que merecem o santo horror e a condenação eterna. quando chegar. Não são seres desprezíveis. sabem que podem somente adiar o reencontro com as suas realidades interiores. quando “caírem”. É preciso entendê-los bem. justificar. perante sua própria consciência. que espalham a dor. ao longo dos anos. mas. que se cristalizam. Quantos deles nos têm dito que sabem muito bem disso. e cada uma delas. Por outro lado. para aquele que precisa. Enquanto o perseguidor estiver “esquecido” das origens de sua verdadeira dor. mas que saberão “ser homens”. como se fôssemos os redimidos. que tenhamos de abandonar à sua própria sorte. No entanto. num conceito amplo de determinismo difuso. para eles também. entre o inédito e o esperado. esses refúgios. das suas angústias e frustrações. Ë como se. 141 27 PROCESSOS DE FUGA A contínua observação desses métodos. pois essa é a lei a que se apegam: a lei da solidariedade incondicional. e não é impenetrável aos fluídos sutis do amor. No caso. e eles os réprobos perdidos em seus crimes. Tentam cicatrizar suas próprias feridas abrindo ferimentos em outros corações. Fogem de si mesmos. Uma das constantes. padrões. adiar o encontro com a verdade. ocultar-se de si mesmo. repetem- se os gestos. para sempre. e imaginam. pelo cruel e desumano processo de acostumar-se à fria conte mplação da dor alheia. atacando. em cada uma delas. identificadas nesses Espíritos que perseguem. Temos que nos aproximar deles com sentimento de amor fraterno e de compreensão. dentro delas. maltratando. que dominam. cada um toma o caminho que lhe impõem os seus fantasmas interiores. o que os espera um dia. das suas próprias dores. a sua individualidade e as suas surpresas. Sejam quais forem as justificativas que invoquem para as suas atitudes — quando as apresentam — o mecanismo é sempre o mesmo: procuram esquecer seus próprios crimes e aflições. Sabem de suas responsabilidades. as motivações. dentro dos quais a individualidade de cada um se preserva. as palavras. Defendem-se da dor. Vamos a alguns exemplos. quem foge precisa de esconderijos para ocultar-se. que constituem modelos. A couraça de que se revestem émais frágil do que parece. em si mesmo. essencial mesmo. para perseguir aquele que o . ou o que seja. As atitudes agrupam-se e. não com nojo. Parece que as posições são basicamente as mesmas. Este recurso é básico. ele sente forças. por exemplo. buscando apoio nas organizações a que pertencem. Temos de entender que estão em fuga. agredindo. mantendo certa autonomia. Não sei como explicar esse jogo. mas não ignorá-las para sempre. os impulsos. O principal deles talvez seja o esquecimento do passado. guardam todas. uma vingança impiedosa.

nas trevas. quase sempre no lado errado da vida. aquela mesma mulher.. É isso que desejam fazer. enquanto ele permanece escondido na sua mansidão aparente. É vítima “ino- cente” de um crime inominável. que se apoiam em fantásticas teologias. que concorda em tratar diretamente com alguém. O esquecimento o ajuda a manter acesa a chama rubra do ódio e. em cada vida. Quer saber o que desejamos dele. que nenhum mal fez a ninguém. em que emprestam sua colaboração à organização a que pertencem. É a segunda vez. Enquanto estão atordoados. Isto éparticularmente válido para os antigos sacerdotes. conseguimos . faltando. por sua vez. Se ele voltar sobre seus passos. O diálogo prossegue. muitas vezes. mesmo assim. através de várias encarnações infelizes. tranqüilo. embora certamente o saiba. através de uma longa e tenebrosa experiência espiritual. que há séculos vêm os dois disputando. Responsabili dades. portanto. Ao fim de longa conversa.. nossos benfeitores revelam-nos que se trata de um antigo franciscano extraviado. e sim o atordoamento da ação. também os protege. sejam as campanhas mais amplas. à ponta de punhal. irá descobrir que sofreu aquele ferimento exatamente porque. E daí? Outros dizem que não se importam com o resgate. sem saber do que se trata. conhecem bem o passado e. levou-o ao crime. em que ele se mantém ameaçador. ao suicídio. mas não buscam os esconderijos habituais. A imaginação de cada um cria seu próprio mecanismo de fuga. à miséria. depois de desfi gurá-los e corrompê-los. Isso lhes agrada. Estes também estão em fuga. O que importa é o que fazem no momento. sua perplexidade é enorme. na sua aparente tranqüilidade. A desesperada atividade mantém-nos. de certa forma. porque a entrevista lhe foi solicitada por pessoas que ele respeita e admira. pois dignou-se a conceder-nos a entrevista. e que. e. nem isso basta. para servirem aos seus propósitos. É claro que se vê naquilo que chama sua própria “câmara”. a posição que lhe convinha aos propósitos pessoais. que sempre foi bom e correto. causou dor semelhante a alguém. Quantos deles temos encontrado nas tarefas mediúnicas! Lembro-me de um. organizando planos tenebrosos e os levando a efeito. a da vingança. Aquele miserável roubou-lhe a mulher. a ele. pois são muitos os que. mas as ameaças mais claras começam a filtrar-se: não nos deixará sair dali. em muitos anos. por exemplo. o impacto dessa lembrança é suficiente para sacudi-lo fora de seu esconderijo psicológico e recolocá-lo na trilha evolutiva da recuperação interior. e em textos escolhidos com extremo cui dado. Há os que se prendem aos conceitos teológicos. Um deles confessou-me que conhecia bem o seu passado. difícil. Ocupara. vivem a salvo das suas próprias dores. 142 feriu. Amava a glória e o poder. ao seu preté rito. seja a disputa de maiores fatias de poder. Informa-me que “consentiu em receber-nos na sua câmara”. claro que tinha muitas. assim. à lei universal da fraternidade. pois tem seus auxiliares para contactos e execução dos planos. espezinhou a sua honra. Montara sua própria organização. no próprio Evangelho do Cristo. Apresenta-se aparentemente muito humilde e manso. Se um dia ele descobre. acima de tudo. seja a vingança. em particular. alheios aos seus dramas e desesperos. De outras vezes. Aos poucos. antes. prosseguem na fria execução de seus planos medonhos.

no cômodo em que realizamos os trabalhos mediúnicos. e o fazem com freqüência. Enfim. nem a sobrevivência. como ins trumento de suas ambições. Frequentemente. pelos trabalhadores do Cristo. Se o fossem. frágil e desarticulada. bastante inteligente. Não negam a reencarnação. que se poderia chamar de “inversão de local”? Como e por que o Espírito. é uma só: esconder-se das próprias angústias. Às vezes o esconderijo é a cultura intelectual. quando voltar a dominar. Quando descobrimos suas motivações. no qual condescendia generosamente em receber-nos. cujo conhecimento ainda nos escapa. que. bem como outras que não me tenham ocorrido. nesse caso. desdobrados do corpo físico. em nome de um Deus que não amam. Ao passo que eles não têm condições de peso específico para subir às regiões da luz a fim de promover distúrbios e “conquistas”. sob a proteção do Alto. a fim de tentar o resgate de companheiros que já ofe reçam um mínimo de condições para ser ajudados. recursos e intenções. sacrificialmente. aquele irmão deve ter sido preparado e condicionado de tal forma. inventa suas defesas. estamos a caminho de poder ajudá-los a libertar-se da dor. não são invulneráveis à misericórdia divina. não teriam jamais a oportunidade de se libertarem de sua condição tão dolorosa. que. Por mais defendidos que se julguem encontrar esses companheiros desarvorados. ao contrário. nem por isso. É possível também — e esta seria uma forma alternativa de considerar o caso — que o nosso médium tenha realmente sido desdobrado. mesmo deslocado. . 143 despertá-lo para a realidade que ele tanto teme enfrentar. ou seja. incorporado no médium. em suas furnas escuras. Inventam brilhantes sofismas e adestram-se em uma dialética deformada. até o “local”. nem a comunicabilidade dos Espíritos. sendo eles inteli gentes. De algum modo. mas creio que não seria fantasioso admitir. os Espíritos iluminados podem descer. pois. poderia julgar-se recebendo-nos em sua “câmara”? Os nossos mentores não nos explicaram o ocorrido. Deixo abertas as opções mencionadas. Um dia saberemos o suficiente para entender melhor essa extraordinária faculdade que é a mediunidade. * São muitos os que falam em nome de uma fé que não possuem mais. vigilantes. temos presenciado esse fenômeno do deslocamento de médiuns. com as suas pouco ve ladas ameaças. segundo suas Inclinações. Os indícios precisos eles mesmos no -los fornecem. Qual teria sido o mecanismo do fenômeno. Constroem seus próprios sistemas. vão ao encontro do Espírito que os nossos mentores desejam pôr em contacto conosco. de um Cristo que pretendem colocar a serviço de suas paixões subalternas e de um Evangelho que somente citam naquilo que lhes convém. A finalidade. em nosso grupo sentia-se ainda em toda a segurança do seu reduto. com as interpretações que lhes interessam. É preciso estarmos atentos. o que seria inadmissível. aos antros da angústia. porém. precisam de um inteligente mecanismo de fuga. mas. especulativamente. a velha e segura técnica da hipnose. cada um constrói o seu esconderijo. mas isto será revelado — dizem — quando a Igreja for restabelecida em toda a sua glória. e de lá transmitido a mensagem que nos possibilitou o diálogo.

144 pacientes e prontos a servi-los naquilo que lhes convém aos Espíritos atormentados. . e não naquilo que possa estimular-lhes as paixões abrasadoras.

aqui. os esquemas e organogramas de suas instituições. de menor envergadura. e o compromisso de apoio e solidariedade irrestritos. As equipes orientadas por esses dedicados trabalhadores anônimos do mundo superior manter-se-ão equilibradas. Dominam pelo terror que inspiram em toda parte. sejam quais forem as condições. nossos irmãos desarvorados. creio possível montar. escolhidos por um processo impiedoso de seleção natural. atenta. Se o grupo conta com a colaboração de companheiros experientes. sustentam-se aqui e lá. à medida que conseguimos passar pelas preliminares. um quadro inteligível desse tenebroso painel de desespero e aflição. como signatários de pactos de vida e morte. não podemos esquecer-nos de que precisamos manter nossa própria organização disciplinada. mas limitam-se a nos aconselhar e esclarecer. Isto não significa que. trazem programas muito bem elaborados. eles saberão dosar o trabalho. Espíritos longamente experimentados no mal. num princípio que tem muito mais de autodefesa do que de fidelidade. de tanto ouvi-los falar delas. em benefício de nós mesmos. mas porque precisam uns dos outros. e as tarefas de maior responsabilidade vão sendo trazidas. 145 28 AS ORGANIZAÇÕES: ESTRUTURA. São fiéis uns aos outros. em termos de estrutura e disciplina. pois é exatamente isso que desejam e a que se acostumaram. é preciso não cometer o trágico engano de subestimá- las. no trato com seus representantes. As instituições das trevas são estruturadas numa rígida concentração do poder. quando retornam aos seus domínios. se cairmos nessa faixa. ainda que não o seja em objetivos e métodos. enquanto por aqui se encontram. devotados ao bem e experimentados nesses trabalhos. E nunca é demais repetir: não o faça quem não esteja suficientemente apoiado por Espíritos esclarecidos. é preciso estarmos atentos às suas sugestões e observações. Como esses abnegados companheiros não impõem condições. Assim se explicam os êxitos. em que se revezam encarnados e desencarnados. Se nos sairmos bem das tarefas iniciais e passarmos nos testes a que somos submetidos. HIERARQUIA E DISCIPLiNA Muito temos falado. extremamente complexo. Muitos deles. mas. que obtêm. sempre que se portarem com prudência e sabedoria. ou confirmou-se através de séculos e séculos. . nos meandros do sofisma. estaremos correndo riscos imprevisíveis. sobre as organizações do submundo da dor e do desespero. Quando se reencarnam. MÉTODOS. não porque se estimem. É claro que jamais nos trouxeram. nas mãos de alguns líderes. em termos huma- nos. Sua liderança revelou-se na ação. no desempenho de tarefas redentoras do bem. Em primeiro lugar. em postos subalternos. flexível. e a provisória. Tentemos estudá-las mais de perto. com segurança. O problema de lidar com elas é. para manter-se no poder. da parte dos que ficam no mundo espiritual. ajustada. com as inúmeras peças do gigantesco “puzzle”. onde estiverem. pois. nos deixemos dominar pelo pavor. porque a “do outro lado” é tão boa ou melhor do que a nossa. se- gundo seus próprios recursos e possibilidades. Foram concebidas e são operadas por inteligências privilegiadas. Elas são realmente temíveis. ÉTICA. no exercício do poder. para interpretá-las corretamente e pô-las em prática. mas segura impunidade em que continuam a viver. e.

pelos seus ex-amigos. passou uma semana a estudar diferentes grupos mediúnicos. usar dessa mesma influência para reencaminhá-los ao bem. Verificada. rivalidades. E também não é sempre que esses líderes. no mundo do crime. ou que o arrasam. exatamente porque confiavam nele é que foram levados ao extremo de cometerem crimes terríveis. de sua palavra. com a sua decepcionada hostilidade. mantêm-Se em contacto íntimo e permanente com seus comparsas do Além. Podemos contar. mesmo convertidos. de sua orientação. pois não teria paz enquanto não conseguisse recuperá-los também. 146 após a desencarnação. durante os desprendimentos parciais. Assim. A estrutura administrativa dessas instituições está preparada para aceitar tal flexibilidade. na sessão seguinte. falta de fraternidade. com manifestações de indigna dos e agressivos assessores seus. há sempre alguém em condições de suprir uma ausência ocasional ou definitiva. Quando conseguimos colher. Sua frase final foi de uma beleza transcen- dental: — Farei com as minhas lágrimas um rosário para oferecer a Jesus. logo. O primeiro impulso destes é resgatá-los. ante aqueles Espíritos que levara ao trans viamento. a impossibilidade de “salvá-los”. agora. e se tenha tornado praticamente insubstituível. Competia-lhe. * . sentiu todo o peso de sua responsabilidade. Dependiam dele. para que fossem. até mesmo enquanto na carne. por isso. Uma vez convencidos a mudar de rumo. que o desejam de volta e ameaçam arrebatá-lo a qualquer preço. em nosso afeto. e. quando não procuram voltar contra eles todo o poderio da própria instituição que antes eles comandavam. mas precisavam de ser convencidos. provocados pelo sono. e continuam a exercer a parcela de autoridade de que dispõem entre eles. Nenhuma esperança tinha ele — acertadamente — em grupos cujos componentes apresentavam-se com mazelas semelhantes à dos Espíritos que precisavam de tratamento.. Elas não podem falhar e. estava disposto a ajudá-los. um desses poderosos companheiros extraviados. realizando contactos. como homens. abandonam-nos à sua própria sorte. caem em desgraça ante seus companheiros. pois há interesses poderosíssimos a proteger e personagens muito destacadas. Eles confiavam no seu antigo chefe. Ao que depreendemos da conversa com ele. por maiores que sejam as atrocidades que cometem. na máquina do poder. a resguardar. Ao que tudo indica. podem voltar sobre seus passos e tentar convencer seus antigos comparsas. quando o seu chefe supremo é convertido ao bem. Mesmo assim. sem prejuízo para as suas tarefas. Convencido a abandonar suas tarefas tenebrosas. a organização sobrevive naqueles que o substituem. São muitos os dramas e as manobras dessa hora decisiva. há uma verdadeira celeuma na retaguarda. hipocrisia.. e sua franqueza rude. como ele. doutrinados e des- pertados. A não ser que o líder esteja colocado em posição muito elevada. a fim de decidir onde levar seus companheiros. mas muito realista. Confessou-nos que não vira condições suficientes nos grupos que visitara. Um desses lideres portou-se com dignidade impressionante. especialmente quando são figuras importantes. Sua sinceridade era evidente. dificilmente a instituição é desmantelada.

porque as mais vastas. seus organogramas são tão bem planei ados e implementados como os de uma empresa. seria permitido pela própria estrutura e pelos métodos da organização a que pertenceram por longo tempo. devem estar bem preparados para enfrentá-los. rígido. quando se trata de organização de menor porte. que resolvem organizar um grupo mediúnico de desobsessão. porque os objetivos. a desobediência. debates. é possível admitir que a instituição se desfaça. uma vez convertidos. movimentam documentação. para emergências. Aqueles. sobrevivem a essas crises. empregando milhares de servidores. porém. aqueles que. sermões. Muitas vezes. seus executores. guardas. Nada os detém. ainda que seus líderes as abandonem. de vez que nada lhes é sagrado. organizações menores filiam-se às maiores. Não podemos abrir brechas em nossa vigilância. quase sempre. Seus métodos são os do terror pela violência. que pode abalar seriamente as instituições e até mesmo neutralizá-las. grandes ou pequenas. Sejam. utilizam-se de aparelhos. com o fim de produzirem lucro. são os mesmos. pois. conferências. dispõem de tropas de choque. endurecidos na prática do mal. para um trabalho de saneamento. Sua ética é governada pela total ausência de escrúpulo. exposições. pois. porém. concilios. Só que. ou muito se assemelham os métodos de ação. condecoram e distribuem prêmios aos que se destacam por trabalhos de especial relevância. e tudo se lhes permite. Estão preparadas para isso. Não se tolera a falta. como as sociedades anônimas da Terra. . elas se aconchegam umas às outras e desenvolvem planos combinados de ataque. No primeiro caso. que podem causar consideráveis trans tornos. e lutam pelo poder e por aquilo que entendem como glória pessoal. operários. ainda que ocasional e temporário. Promovem reuniões. pois as estruturas resistem. desarticule -se. porém. e dispõem de planos alternativos. “armadas” e bem adestradas. Em casos excepcionais. Conservam registros meticulosos. Promulgam leis. Têm seus chefes. e há aqueles que não podem sequer pensar nisso. e têm delas supervisão e proteção. pelas portas das nossas fraquezas. o deslize. se assim o permitirmos. sua incontestável hierarquia apóia-se num regime disciplinar implàcável. porque penetrarão. E qua ndo os grupos de socorro espiritual começam a interferir em seus trabalhos. desde que os fins a que visam sejam alcançados. têm condições de tentar ajudar os que ficaram. produzem o terror e a opressão. 147 Há. porque não lhes. sem nenhuma cerimônia. os benfeitores espirituais valem-se do momento de crise. a revolta. ritos. É preciso enfrentá -los com paciente firmeza e confiança nos poderes que nos sustentam. Nada de ilusões. seus planei adores. tudo é permitido. inflexível. em vez de visarem a atividades industriais ou comerciais. punem os indisciplinados.

148 QUARTA PARTE TÉCNICAS E RECURSOS .

O possesso é realmente um médium. de vi dência. ou. ou psicofônica. pois muitos Espíritos necessitam ser ligados a tais médiuns. 149 29 TÉCNICAS E RECURSOS Dissemos alhures. para sentir o quanto essas duas manifestações diferem uma da outra. levantar-se. tudo quanto entender. clariaudiência. segundo os recursos e censuras que encontrarem em seus médiuns. O máximo que se pode dizer é que a consciência não está presente no corpo físico. psicografia. obvia- mente. que pode flutuar. no dirigente do grupo e. do seu interesse no trabalho. neste livro. Num grupo mediúnico em que a supervisão espiritual seja firme e segura. quais são suas características. as intenções do Espírito que se aproxima. como um microscópio ou um relógio. é preciso considerar. O médium é um ser humano ultra-sensível. também. julgo inadequada a expressão “mediunidade incons ciente”. que funcione. e muito livres. de maneira previsível e controlável. E mesmo estes. da sua confiança nos companheiros que o cercam e. ou totalmente sem disciplina. repetidamente. de psicologia complexa. que há diferentes formas de mediunidade: de incorporação. Suas faculdades sofrem influências várias. que são também seres humanos — não nos esqueçamos disto — variam suas apresentações. mas o médium não é um possesso. Devo abrir um parêntese. com ele. ao certo. qual a razão de sua presença entre nós. derrubar móveis. que problemas nos traz. para cedê-lo ao manifestante. a própria mediunidade não é um instrumento de precisão. temporariamente ocupado ou ma- nipulado por entidade estranha à sua economia. a qualquer momento e sem limite de tempo. mas está muito longe de ser mero aparelho mecânico de comunicação. especialmente. incumbido de transmitir o pensamento de um desencarnado. a mediunidade sonambúlica pode e deve funcionar perfeitamente. dos Espíritos manifestantes. assim como há médiuns que conservam sua consciência durante a manifestação. em Espírito. Ao escrever isso. mas. e promover distúrbios semelhantes. não apenas os guias espirituais do grupo estarão atentos. dar murros. Nunca sabemos. quando a ele nos refe rimos. que cada manifestação é diferente. Por outro lado. segundo suas próprias disposições. durante as quais os Espíritos incorporados movimentam o instrumento mediúnico aparentemente à sua vontade. no sentido de que o manifestante possa fazer. da sua fé ou ausência dela. para que eles . para reiterar uma antiga opinião: de minha parte. muito embora se fale em sintonia e em vibrações. melhor ainda. no estado de inconsciência. de uma para outra manifestação. da sua problemática íntima. o manifestante assumiria posse total do seu organismo e faria com ele o que bem entendesse. e médiuns que passam ao que se convencionou chamar de estado “inconsciente”. Se o médium mergulhasse. não estou esquecido do fato de que há manifestações violentas. fazendo-o gritar. Além do mais. pois oferece condições para que outro Espírito se incorpore nele. basta invocar esta. Eles provocarão distúrbios e agitar-se-ão bastante. não se mani festa através do corpo material. O Espírito do médium não está em estado de inconsciência. simplesmente porque se afastou do seu corpo físico. do seu estado de saúde. como um telefone ou um rádio. da sua capacidade de concentração. rasgar livros e cadernos. A mediunidade sonambúlica assemelha-se ao estado de possessão. mas não nos esqueçamos de que. do ambiente.

O médium experimentado e res- ponsável deve estar preparado para isso. porque isto implicaria admitir mediunidade totalmente descontrolada. para indicar o início da comunicação: colocar as mãos sobre a mesa. freqüentemente. levantar os braços. como o próprio médium estará presente e consciente. Já tivemos oportunidade de presenciar alguns desses casos. cada médium tem seu próprio “estilo”. para conter as manifestações mais violentas. Esse envolvimento pode dar-se também com os demais participantes do grupo que. ou a esbravejar. implacável. mas. não tema e. o Espírito começa logo a falar. o médium sofre inevitável mal-estar físico. Geralmente. interferir. pressão sobre a nuca. que o neutralizando. gemer. em que o Espírito é virtualmente “manietado”. tenaz. acompanhando atentamente a manifestação. porque o imobiliza instantaneamente. perfeitamente preparado para inúmeras formas de manifestação. para que o Espírito manifestante não se exèeda. tenha ou não mediunidade ostensiva. sobre os plexos. agitar ligeiramente a cabeça ou o corpo. e até dias inteiros. ou seja. lembrar que. voltemos ao fio da exposição. ele precisa de alguns segundos para apossar-se dos controles psíquicos do médium. sobretudo. saudando-o com atenção. o doutrinador deve aproveitar esses momentos para uma palavra de boas-vindas. muitas vezes. com certeza. é verdadeiro. afastá-lo do trabalho. não se apavore. Um dos alvos prediletos dessas penosas aproximações é o doutri nador. agressividade e vários outros sintomas de desarmonização psicossomática. até mesmo. ainda que lhe permitindo considerável faixa de liberdade. o Espírito manifestante é parcialmente ligado ao médium. * Mas. o que. duas ou três vezes. os companheiros desencarnados doentes. quando o Espírito começa a acomodar-se à organização mediúnica. por laços fluídicos invisíveis aos nossos olhos. Nestes casos. É preciso. Em casos extremos os orientadores espirituais do grupo também adotarão medidas de exceção. . e pode. embora não dotados de mediunidade ostensiva. Elas são imprevisíveis e inesperadas. usualmente. quando se trata de um Espírito desarmonizado. Esteja ou não esteja o Espírito ligado ao médium antes da sessão. acabam com o grupo. impiedoso. antes da sessão. a fim de iniciar o tratamento do irmão que se apresenta. aqui. estado febril. pois é isso mesmo que desejam os companheiros desequilibrados. dor de cabeça. habituado a trabalhar com ele. é certo que o planejamento espiritual já tem as tarefas da noite distribuídas por antecipação. Não se assuste. mas de realidade indiscutível para ele. não deixe de comparecer ao trabalho. e na seqüência que julgar mais conveniente ao bom andamento dos trabalhos. assim. embora a manifestação não se torne ostensiva. por causa dessas dissonâncias psicofísicas. infelizmente. O grupo deve estar. sofrem também terríveis pressões dos irmãos perturbados. porque acham. sensação de angústia indefinível e. respirar com maior profundidade. saberá identificar. irritabilidade. horas. e não consegue falar senão depois de se ter acomodado bem à organização do seu instrumento. O doutrinador experiente saberá identificar prontamente os primeiros sinais da incorporação. O cerco em torno dele é permanente. numa sematologia que o doutri nador. 150 não cometam desatinos. prostração. Às vezes.

Alguns bem mais desarmonizados do que outros. o doutrinador deve esperar. Houve um que começou fingindo uma terrível dor de cabeça. Visam. como eu lhe pedira. usando o vocabulário limitado de uma pessoa de pouquíssima instrução. Um deles. Qualquer que seja a abertura da comunicação. de início. para que o doutrinador se esgote. certa vez. na posse de todo o acervo cultural de que dispõe. porque o companheiro. usando de ardis. numa linguagem de pacificação e entendimento. dá-nos conselhos. E derrama um arsenal de ameaças e intimidações. mantém-se em silêncio. depois. a distrair nossa atenção do ponto focal de sua problemática. inteligente. ou simplesmente entregam-se ao prazer irresponsável de enganar. com esses artifícios. o que o deixou bastante impressionado. que angústias traz no coração. De outras vezes. por mais que se esforce — coisa estranha! — não consegue pronunciar o nome de Deus. Nossa experiência acumulada é muito mais ampla do que suspeitamos. ou tem cons ciência do que se passa com ele? É culto. particular-mente grato ao meu coração. desde que ele venha em nome de Deus. mas. divertindo-se com a minha falta de inspiração. mas. que precisa de socorro. vem ele revestido de um manto de mansidão e tranqüila segurança. com uma dedicação Comovedora. com o que ele se diverte bastante. e entrar. assegura-nos suas boas intenções. a sua história . Os primeiros momentos de um contacto mediúnico são muito críticos. 151 carinho e respeito. que possibilidades e conhecimentos Estará ligado a alguém que estamos tentando ajudar? Tem problemas pessoais com algum membro do grupo? Luta por uma causa? Ignora seu estado. de esgotar o médium incumbido de dar-lhes passes. mistificar. Propus-me a ajudá-lo. por mais que reajam à nossa aproximação. ou preparando ciladas. tinha dificuldade em expressar-se. na tentativa de descobrir suas motivações. Em certas ocasiões. como cegueira ou falta da língua. por estranho que pareça. começou realmente a sentir uma dor real. como alguns me dizem. passou a colaborar em nossas tarefas. revelar clamorosa ignorância. a fim de tentar ajudá-lo. com paciência. com um apelo “aos corações bem formados”. que intenções. que esperanças e recursos. depois de recuperado. depois de receber o companheiro com uma saudação sinceramente cortês e respeitosa. Seja quem for que compareça diante de nós. gritando que acabou a farsa. ou então. Dificilmente o Espírito é bastante primário para ser classificado. Há os que fingem dores que não sentem. é um Espírito desajustado. Pode. Em alguns casos o Espírito somente consegue expressar-se a muito custo. Por fim. defraudar. explode em irritação e “abre o jogo”. lembro-me de um. sumariamente como ignorante. ou se apresenta ainda Inexperiente e incapaz de um diálogo mais sofisticado? Uma coisa é certa: não devemos subestimá-lo. Ainda não sabemos a que vem o Espírito. o que fiz com um passe. ou mutilações que não possuem. Ao apresentar-se. mas todos necessitados — e desejosos — de uma palavra de compreensão e carinho. começou serenamente. Diz palavras doces. Dentre os muitos casos assim. Riem-se muito dos nossos enganos. de indignação. e ele começou a rir. Digo-lhe que estamos dispostos à pacificação e ao entendimento. Aos Poucos. ou por estar com deformações perispirituais que o inibem. em virtude de seu estado de perturbação. às vezes.

Tentarei explicar. enfim. ao recebê-lo. Por detrás de sua pobreza verbal. aprendera a dura lição da humildade e tinha certo receio de abandonar sua obscura posição espiritual. No entanto. estava curado o querido companheiro. do seu limitado vocabulário e das suas curiosas expressões populares. ainda caminhava de muletas. Era evidente. * Esse caso. Esse querido amigo — que nos deu o nome de Eusébio — esteve aos nossos cuidados por longo tempo. embora o grupo não realize nenhum trabalho de Umbanda. Nossos orientadores espirituais começaram a utilizá- lo em pequenas tarefas auxiliares. simples. surgem Espíritos acostumados a essas práticas. popular. que chegara ao fim da sua provação maior. 152 foi se desenrolando. um senso filosófico muito profundo da vida e uma das mais lindas e autênticas humildades que já vi. mesmo no mundo espiritual. na sua linguagem colorida. Num infeliz acidente de trem. o que o salvou e. emocionado até às lágrimas. num grupo estritamente espírita. tão dificilmente conquistada. tivera um passado de brilho e destaque. Nada de expulsá-los sumariamente. ele respondeu que já o experimentara. aliás. Quando lhe disse que não precisava mais de muletas. o que talvez lhe tenha favorecido a superação de suas inibições inte riores. experiência. a técnica a que estão acostumados. “não era barbante podre. orientado pelos ensinamentos . revelando o que de há muito entrevíamos nele: conhecimento. cujos bairros do subúrbio conhecia muito bem. Suas primeiras manifestações seguem. Mas. Fora um homem de cor. com o que ele muito se alegrou. para ele. veio para ilustrar algumas realidades espirituais que não podemos ignorar. mas conseguindo claramente expressar nobres pensamentos e demonstrar bastante segurança. sem lamentável prejuízo para o Espírito manifestante. Uma noite. algo patético. Certa noite. nós próprios teríamos a alegria de granjear uma afeição e uma dedicação iguais àquela? Às vezes. uma respeitável bagagem espiritual. perdera uma perna e. em que expandia o coração amoroso e pleno de generosidade. paradoxalmente. sua humildade uma constante. Foi. para falar-nos de maneira inusitada. sentíamos nele. mas levara um tombo. Suas observações eram sempre judiciosas. Exemplifico: suponhamos que. podendo caminhar sem elas. devido à ausência de grande número de companheiros. e estava em condições de reencetar sua escalada evolutiva. sem atavios. Se os companheiros do mundo espiritual permitiram sua manifestação. não”. aqui. conseguiu dar os primeiros passos sem a “muleta”. graças a Deus. para nós. e recair nos velhos processos da vaidade. e vivera em pobreza extrema. para saber o que desejam. Onde e quando teria ele outra oportunidade de entendimento e recuperação? E onde. pelas ruas do Rio de Janeiro. Aguardemos pacientemente. Pelo que depreendemos. a despeito de sua indubitável vivência espiritual. o que. continuava a falar-nos na linguagem do Eusébio. e quando. não obstante. a sessão alcançou um clima de maior intimidade. também. e sua afeição e gratidão por nós. quase sempre. o que contribuiu para que sua recuperação demorasse um pouco mais. dosada e sustentada pela sua aflo rante emotividade. o grupo o tratasse com superior condescendência e o despedisse com uma palavra de desesperança.

quem fluidificava a nossa água e quem tratava das nossas pequenas mazelas orgânicas. pois sempre nos demonstrou ser conhecedor seguro das mazelas do corpo humano e dos métodos de minorá-las. no campo político-religioso. quando a manifestação era por demais penosa. reunidos em apartamento de luxo. Era quem nos dava um passe final. Fora.. Também este integrou-se no nosso grupo. Perguntei-lhe onde fora isso e ele me respondeu: — A gente nem sabia onde estava. em impulsos tresloucados. mas a afeição por nós lá estava. para curar. como escravo negro. Éramos uns “cartolas” grã-finos. que. curado de antigas mazelas. colocou um “remendo” na coluna. Certa vez. Só muito mais tarde a história se desvendou. Ao manifestar-se. e isso o salvou. que tanto o infelicitaram. Parece que foi nessa existência que se familiarizou com a uti lização dos recursos da Natureza. certa vez. temos uma experiência pessoal. Por muito tempo o diálogo se manteve nesse tom. no século 16. Tivera uma existência no Brasil. haviam se distanciado na sua frente. etc. pelo reencontro com os velhos companheiros. também. etc. num impulso rápido de inspiração. então. sobre a mesa. que despertava lúcido e livre dos resíduos vibratórios do Espírito desarmonizado que o precedera. Manipulava bem esses fluídos naturais e devia trazer. mês após mês. profundamente contristado. que. há quatro séculos. Não nos contou ele toda a sua terrível saga. também se fazia o bem. ele traçava infalivelmente o seu sinal. Talvez buscasse esconder suas emoções. Parece que sua intenção inicial era arrastar esse companheiro — o médium através do qual se manifestava — para os terreiros de Umbanda. de vigorosa inteligência e de muita cultura filosófico-religiosa. um homem de grande magnetismo pessoal. Incorporava-se. com seus conhecimentos e seu coração. envolvera-se em erros lamentáveis. haverá alguma razão para isso. identifiquei seu Espírito nas . não sabia ainda (ou pelo menos não revelara) por que estava ali. dizia. desde que. que ameaçava quebrar-se por causa de uma rara e incurável moléstia óssea. no Espírito. o que não é verdadeiro. alguma antiga experiência na Medicina. e muito mais facilmente. vez por outra. segundo ele. perdera-nos de vista — a mim e a outro companheiro do grupo. a “receita” de um chá caseiro. — Fui um verdadeiro demônio — me disse ele. a essa altura. Tivera uma longa e penosíssima experiência. Confessou. Manteve sua maneira algo rude de falar. sem floreios e artifícios de linguagem. Ele estava muito bem lá. dava passes no seu médium. e começava a doutrinar-nos. sua gratidão e sua alegria. dando- nos conselhos e passes e. Era levado de um lugar para outro. graças a Deus. ao correr dos séculos. por divergência doutrinária insuperável. -. como bicho. e não queria nada conosco. No seu terreiro. enquanto falava tranqüilamente. abandonara seus propósitos de continuar a freqüentar os terreiros. o que este recusava terminantemente. Aqui. por meio de passes. mas uma só narrativa bastou. Era particularmente ativo e estava sempre presente para restabelecer o tônus vibratório dos médiuns. logo em seguida. também. 153 de Allan Kardec. Provavelmente. Em mim mesmo. feliz em poder servir-nos. e. O nosso bom e querido Justino. entre nós.

não somente pelo que fez por nós. desespero. É claro que o pri meiro impulso de hostilidade. amorosa e tranqüila. porque nos trazem lições. Seria difícil distinguir a gratidão dele da nossa. ou funcionar como juiz. eles acabam revelando a razão de sua presença no grupo. para tentar arrancá-lo daquilo que constitui o seu mundo. quando nem sequer sabemos ainda de suas motivações e de suas dores. segundo a natureza dos problemas que os abrasam. decisivas. suas motivações e suas razões. pois. a sua razão de ser. Nunca é demais lembrar e insistir: eles precisam de nós. não podemos despachá-los. da sua auto-hipnose. e aparece um grupo. de um Espírito assim. da maneira pela qual recebemos os nossos irmãos em crise. uma eloqüente manifestação de revolta. com ignorância e má-fé. Muita coisa vai depender. que o fustigamos. e podem constituir a diferença entre uma oportunidade de pacificação ou a alienação do companheiro por mais um tempo. tentando obrigá-lo a mover-se. com eles. das suas perplexidades. em que ele continuará a buscar alhures o que não encontrou em nós: compreensão para os seus problemas e suas angústias. O longo trato com eles nos ensina que têm . com a dor do Espírito aturdido pelo impasse que criou dentro de si mesmo. com ódio e agressividade. e não é essa mesma a essência imortal do “Amai-vos uns aos outros”? * Assim. é esta: paciência e tolerância. mal enunciaram as primeiras palavras. amigos. E ainda que relutem. do contrário. não poderemos ajudá-los. aflição. companheiros de jornada. jamais. Como? Então não vemos que ele não faz mais do que cobrar uma dívida. Muito devemos a esse querido companheiro. Esperemos. mas pelas inesquecíveis lições que nos trouxe. como o nosso. Ele está parado no tempo e no espaço. enfim? Além disso. com a inadmissível tentativa de fazê -lo desistir dos seus propósitos. ou obsessões naqueles que nos cercam: parentes. são. Contemos com mistificações e ardis. com falsidades e subterfúgios. As primeiras palavras são de importância vital. empenhado numa tarefa que julga do maior relevo e importância. rancor. precisamos deles. 154 lutas dramáticas da Reforma Protestante. ou perplexidade. porque nos ajudam na prática da lei suprema da solidariedade que. com os nossos irmãos em crise. isto sim. justamente porque não conseguem sair sozinhos das suas dificuldades. às vezes. ou trabalhar pelo restabelecimento da Igreja do Cristo. Se assim fosse. no desenrolar do trabalho. a seu turno. da parte daqueles que se acham desarmonizados. a primeira regra do diálogo. nos libertará também. desencanto. num processo legitimamente constituído. tem de ser contra nós. somos nós que o agravamos. por igual. em que a culpa é tão clara? Que petulância! Que impertinência! É preciso deixá-los falar. dos seus sofismas. demorem e usem de mil e um artifícios. não precisariam de nós: já teriam encontrado seus próprios caminhos. E quantas vezes não são eles aqueles mesmos que causam desequilíbrios em nós próprios. em suma. Toda conversa. Mas nós. mas respeitamos seu anonimato e ele nunca mais deixou de trazer-nos a vibração do seu amor fraterno e do seu reconhecimento humilde. preso à sua problemática. Não esperemos. colegas de serviço. éum permanente exercício dessas duas virtudes. É necessário conhecer a sua história. Não é ele quem nos incomoda e fustiga. indeterminado. uma expressão inicial sensata e equilibrada.

e todo médium precisaria ser xenoglóssico. muito embora seja isto o que mais parecem temer. Se o médium se limitasse a transmitir-lhes a palavra. ele estava mesmo era cansado de sofrer porque a vingança e a perseguição tanto sacrificam o perseguido. cobrir as razões de sua presença entre nós. ocultar as verdadeiras causas da sua dor e a razão da sua presença. em palavras e gestos. A certa altura do diálogo. na sua mais recente encarnação. Isto se deve a um mecanismo psicológico irresistível. embora pudessem sonegar a verdade por maior espaço de tempo. pois sabia muito bem que. em torno do qual gira toda a personalidade e agrupam-se os problemas mais críticos e mais urgentes. mesmo os mais hábeis e ardilosos deixam-se envolver. na língua que ele falou por último. Fugia a qualquer referência pessoal. deixa cair os véus com os quais tentou. pois. mas é do próprio dispositivo mediúnico converter. o Espírito fez um longo circunlóquio filosófico-teológico. qua nto o perseguidor. e no qual. disse ele. Se conseguirmos desfazer aquele núcleo. Em outro caso» depois de muito debatermos as questões suscitadas entre nós. precisamente. o núcleo.. e a voz alteia-se ou sussurra. perplexidade ou aflição. teríamos que falar com cada Espírito na sua própria língua. chegados ao cerne do problema. pois é isso. ao mesmo tempo em que lhe reproduz os gestos. aquilo que o Espírito elabora na sua mente. Resmungou que nada tinha com Gamaliel. Num caso desses. Seguia meus passos desde que “tua maldita mãe te colocou no mundo”. me destruiria. Se assim não fosse. suas desarmonias. que se estendeu por mais de uma sessão. Era excelente argumentador e dialético de muitos recursos.. e não a palavra falada. por muito tempo. ironia ou. Se pudesse. pois. Ao cabo do diálogo. Pretendia transformar o meu lar num hospício. mas relutou o quanto lhe foi possível. o núcleo de suas dificuldades maiores. que os traz a nós. e depois. perante o Sinédrio: — Não aconteça que vos encontreis lutando contra Deus! Percebi que a citação o atingiu mais profundamente do que ele talvez desejasse.. Insistimos. Essas causas estão de tal forma gravadas nos seus Espíritos. mas evidentemente estava envolvido no doloroso “processo da cruz”. No fundo. Veio para isso mesmo. Em suma. amargor. mesmo assim. a personalidade reagrupa-se em novos equilíbrios redentores. 155 um hábito peculiar de “pensar alto”. de início. lembro a ele a inesquecível palavra de Gamaliel. em afirmar que o médium traduz em palavras o que ele sente no Espírito manifestante: suas emoções. Eles não conseguirão. ele deixou escapar o fragmento de uma palavra reveladora. que funciona como verdadeiro centro de aglutinação. ele não se conteve mais: seu ódio era contra mim. Estacou subitamente e comentou consigo mesmo: . que acabarão por revelar a razão de sua presença entre nós. pois eu cometi contra ele um crime do qual jamais me perdoaria. eles acabariam por revelar as suas verdadeiras posições.. seu temperamento. reflete ódio ou desprezo. que constituem o centro. É certo. seus problemas. a qualquer palavra que pudesse levar-nos a descobrir suas motivações. ou seja. e disse: — Eu era um sol. estaríamos em melhor posição para o ajudar a resolvê-lo. É que o médium lhes capta o pensamento. do qual muitas vezes eles nem tomam conhecimento. e a dúvida que havia entre nós reportava-se ao tempo da Segunda Cruzada.

A culpa existe em nós. busque com tranqüila perseverança. Nada de coações. não temos empatia. na memória daquele irmão que sofre. estamos envergonhados. as cutiladas do remorso. Ele a dirá. apreciação emocional dos sentimentos alheios. cruzarmos os braços e esconder-nos. Este caso encerra outra lição importante.. pois. habilidade. em busca da paz. ou do próprio Templo. neste mesmo livro. a força da sua presença em nós. Chamemo-la a lição do arrependimento construtivo. O doutrinador precisa estar muito atento a esses sinais reve ladores. O primeiro. ao longo da sua inesquecível via crucis. tentam fugir de si mesmas. mas por que demorar-nos no arrependimento. também. talvez tanto quanto eles. como diz o provérbio chinês: a caminhada de 100 quilômetros começa com o primeiro passo. 156 — Veja o que eu ia dizendo. É preciso. sofrer com ele. ajuda- nos a reconstruir logo o que destruímos. Participara. É claro que também somos endívidados. que nos mantém presos. É preciso aprender a vibrar com ele. mostrar-lhes que estamos fazendo alg uma coisa. desde a sua primeira manifestação. Era esse o problema que ele mais temia revelar. ou até mais. seus crimes. temerosos e angustiados. Precisamos. enquanto nossos companheiros e nossos amores seguem à frente. a refazer o que não podemos mais desfazer. Sem essa abertura corajosa. no entanto.. o segundo. ouvia sem cessar um alarido de vozes que berravam coisas confusas e um tilintar de armas que ele se recusava a identificar. Basta um pouco de ajuda. ignorando seus próprios fantasmas interiores. tato e paciência. e devemos. e temos que reconhecer. Se apenas assistimos às agonias de um Espírito que se debate nas suas angústias. Na verdade. no entanto. Espere com paciência. É necessário que as nossas emoções estejam envolvidas. se é que chegou a sua hora de mudar de rumo. que tenhamos a faculdade da empatia. enfrentando os nossos espectros interiores. porque é justamente esse fingimento. detidos. Veja bem: apreciação emocional. dentro da carapaça das ilusões? O arrependimento somente se dissolve no trabalho construtivo. Sempre fui um soldado. da penosa missão de aprisionar o Cristo. mantém-nos paralisados à beira do caminho. de pressões. para desfazê-lo. para libertar-se. marcando passo. Incontáveis multidões. como soldado romano. Tentar identificá-los é sua tarefa. aceitar seu temor em descobrir suas . as censuras da consciência. pois o erro já está cometido mesmo. somos meros espectadores. vendo a multidão passar por nós. não é fingir que ela não existe. baste-nos lembrar que há dois tipos de arrependimento: o positivo e o negativo. e não podemos voltar sobre nossos passos. É verdade. Lembre-se de que ela se encontra ali mesmo. O que temos de fazer. E. de imposições. mas que o faça com muito tato. como um caramujo. uma ou duas semanas antes. ou de conduzi-lo. Podemos. agora. conscientes de que o nosso erro está presente em nós. Para não transformar o tema numa composição literária. Esse mecanismo tem que ser bem compreendido por aquele que se propõe ajudar Espíritos endívidados. no entanto. mas que precisava enfrentar. paciência e compreensão. não dá sequer para começar. Estacionamos precisamente porque nos falta coragem para enfrentar o olhar severo da própria cons ciência. suas mazelas e imperfeições. seus erros. ao qual há referências alhures. lutando. ou seja. que a verdade virá. impossível negá-lo. Ninguém gosta de revelar suas fraquezas. essa fuga. com- preender sua relutância em abrir-se.

que nos agrida. pois veio até a nossa casa. e difícil.. libertando o Espírito. E acrescentamos: muito amor. a despeito de tudo isso. ou confirmando-o na sua dor. Leva nítida vantagem sobre o doutrinador que. Neste caso. de uma forma ou de outra. não uma discussão. por assim dizer. difícil. por mais bem preparado que seja. Espere um pouco mais. agora. mas estudar com empatia (novamente a palavra mágica) o drama que aflige o companheiro. de que não pode deixar o Espírito falando sozinho. estejamos atentos. ninguém melhor do que ele sentia a inadiável necessidade de uma atitude de renúncia. ameace e procure intimidar-nos.. Não importa que ele leve a melhor no debate.. Claro que você pode continuar a fazer isso. e o tinha sido por séculos e séculos? Entregar-se à dor? Abandonar a sua vítima? E a sua vingança? E. À medida que ele se desenrola. do que o doutrinador. uma contenda. Não se esqueça. ingênua e perigosa imprudência tentar superá-lo numa discussão. e você? É isto que lhe convém? É isto mesmo que você quer? * Estamos. que o Espírito conhece e manipula com inteligência e acuidade. O doutrinador não o forçou. que a intuição do doutrinador deverá indicar. Falávamos do primeiro contacto com o Espírito manifestante. Foi tribuno. Deixe-me. a não ser em condições muito especiais. Dê-me mais tempo. enfrentou grandes debatedores. teólogo. neste momento. É uma tentativa de entendimento. talvez. ou. abandonar tudo aquilo. por outro lado. mas.. Não apenas se encontra na condição de visita. O Espírito precisa ser atendido com interesse. não é “ganhar a briga”. que era a motivação de sua vida. Junto de um companheiro particularmente agoniado.. por mais alguns anos. Freqüentemente ocorre ser ele muito mais treinado. muito mais que com simples urbanidade. pois. Repitamos: o diálogo com os nossos irmãos desarvorados é um exercício de tolerância e paciência.. sentindo-se ainda despreparado.. Estejamos certos. presenciamos a dura batalha entre os lampejos da esperança de paz e os apelos de seu insaciado desejo de vingança: iria. escritor. temeroso. nos antecipando. Nela se definem muitas coisas sutis. argumentou em causas importantes.. acovardado.. Creio que foi possível deixar bem claro o quanto é importante essa primeira aproximação. e muitas vezes o Espírito recuará novamente. no entanto. quando nos deixamos envolver pela sua . adquiriu cultura e aprendeu a manejar a palavra. pior ainda. de que a resistência será grande. Mas. que amparou aquele a quem você persegue por tanto tempo. O que interessa.. 157 feridas. De outra vez. Preciso pensar. uma disputa. ajudá-lo a descobri-las. embora sabendo que apenas trocava uma dor por outra. pensador. na maioria das vezes. há de continuar amparando-o. mantenha mo-nos compreensivos e discretos. como poucos. Seria. ouvimos sempre uma destas frases: — Ainda não estou preparado. com o coração aberto à compreensão e ao afeto: — A decisão é sua. como ele ficará ainda mais irritado. Limitou-se a dizer. orador. ignorante de fatos importantes. está contido pelos dispositivos da encarnação e. se o recebemos com fria e polida cortesia. que podem decidir o caso. em pelejas dessa categoria. Deus. ou séculos. a luta interior que presenciaremos será dolorosa. porém.

teológicas e psicológicas. . que o aliena cada vez mais. compreendê-lo e servi-lo. Se o tem mesmo. Não é importante superá-lo na troca de idéias. ao impulso de “responder-lhe à altura”. certo de que o Espírito está negaceando. Quantas vezes tenho ouvido agressões iniciais. precisamente para evitar cair nesse campo. Você não está ali para provar que é mais inteligente do que ele. De vez em quando. o doutrinador tem de aceitar o papel de um pobre. mas resista mesmo. que cai num vazio. o Evangelho do Cristo e a prática espírita nos repetem. Se o doutri nador cai na tolice de gritar-lhe de volta. ao fato de que humildade não quer dizer submissão e aceitação sem exame de tudo quanto nos diz o Espírito manifestante. Na sua dolorosa e compreensível inconsciência. e ele um réprobro enredado nos seus crimes. paciência. covarde. ainda. haverá mistificações. nem mais culto. tanto melhor. Mas. Ele acabará por convencer-se da justeza dessa observação. Mantenhamos o equilíbrio. Estejamos certos de encontrar sempre. o desejo de nos arrastar à discussão azeda e violenta. porém. 158 agressividade e respondemos com idêntica hostilidade. sem atritar-se com ele. atentos. a sabedoria ilimitada do Cristo e a assistência incansável de nossos irmãos mais experimentados. que sabe ser o mais “perigoso”. tantas vezes. ironias. o cego ao mudo e. hipócrita. Use-o com a mesma voz tranqüila e serena. É a sensibilidade do doutrinador que vai indicar em que ponto e em que momento interferir. medroso —. sobre todos nós. sem aumentar sua irritação. durante esse diálogo difícil — em que. mesmo que tenha o argumento que parece decisivo. Espere o momento oportuno. da parte deles. Resista. As leis morais. bravatas. como estas: — Fale como homem! Não suporto essa voz melíflua! Será que você não tem sangue nas veias? Não seja covarde! Está com medo? Calma. em voz baixa e tranqüila. tolerância. que o aturde e o traz à razão. tentativas de inti midação. a infinita misericórdia de Deus. de mil formas. ameaças. Aguarde pacientemente. não reaja da maneira que ele espera. usarão de todos os recursos ao seu alcance para atingir esse fim. O gritador acaba por perceber que está fazendo papel ridículo e usando violência desnecessária. não o force. que não é preciso gritar. É muito difícil um diálogo áspero entre duas pessoas. se ele insistir em falar em altos brados. quando somente uma grita. faça-o compreender. a mesma lição: a de que são os próprios pecadores que se ajudam mutuamente: o coxo servindo ao cego. que se alongaram mais profundamente no caminho da luz. Enquanto esse momento não chega — e geralmente ele não ocorre. ou eticamente melhor do que ele: você está ali para ajudá-lo. fantasias e deformações filosóficas. Que a gente somente grita quando não tem razão. não se deixe irritar. e reiteradas. Siga-o na conversa. infeliz débil mental. Não há razão alguma para pensar que você é um Espírito redimido. pois ele se encontra diante de nós exatamente para que tentemos convencê-lo de seus enganos. É o clima que convém aos seus propósitos. que. Não altere a voz. por ser o único revelador do núcleo inte rior de sua problemática. * É certo. propostas. pois assim não conseguirá ajudá-lo. Procure dirigir a conversação para o terreno pessoal. o clima torna-se insus tentável e a situação difícil de ser contornada.

porém. meu Deus! —sinto por ele. também. mas se isso fosse impraticável. — Sim. cujo aspecto truculento e olhar terrível o médium descreveu antes que se incorporasse. precisamente. não sei de onde nem de quando. para realizar os seus sonhos de domínio. ou nós teremos que fazê -lo? Outro me Informou que tinha “ordens do chefe” para remover-me do seu caminho. que ele não entende. O problema das ameaças merece alguma digressão mais ampla. com um mero doutrinador espírita. pelo menos. . Um deles me anunciou que iria “botar fogo” no grupo. se possível. Já no passado cometeu. porém. apoiada numa bravata: estava disposto a afastar-me de qualquer maneira. nos farão propostas e nos dirão as mais estranhas bravatas. na qual insiste. também pronunciou sua ameaça. tentar a glória? Nem sempre. num reencontro de dois seres que seguiram rotas diferentes. sem me ferir. que de forma alguma precisa de nós. então. Lembremo-nos de que o perfil que procuramos é importante. preferi a obscuridade. atentos às informações que o Espírito nos fornece. vem das telas infinitas desse continuo espa- ço-tempo em que vivemos.. de maneira dúbia: — Você preferiu outros caminhos. para que eles passassem. Se o mencionarmos. Como pode alguém desejar viver na obscuridade. a não ser que a isto fosse obrigado. Atenção com os pormenores que pareçam irrelevantes: uma referência passageira. 159 mesmo. uma observação aparentemente sem importância. na História. é essencial ao entendimento da personalidade daquele irmão.. Um terceiro. ao contrário. amistosamente. era para arrebentar tudo a dinamite. mas continuam a estimar-se e respeitar-se. Ao falar das suas grandezas. Embora dificilmente admi ta. se possível por bem. E me perguntou: — Como é que você quer morrer? Você fecha o grupo espontaneamente. essas bravatas e ameaças terminam assim. mas não hesita diante da violência. surgido dos registros históricos. sob variadas formas: pequenos incidentes na vida diária. e não como um agressivo guerreiro. como dois velhos amigos que se reencontraram. mesmo. Sonha grande. porque ele tem implicações muito sérias no trabalho de doutrinação. aflições maiores. mal-entendidos entre familiares. me diz. Confessa. Usualmente. que tem por mim certa afeição e — coisa estranha. A essa altura. várias vezes. porque a pedra tinha que ser afastada. se pode. Falam-nos do enorme poder de que dispõem — e muitas vezes isso é estritamente verdadeiro — e das “providências enérgicas” que tomarão contra nós. como um temível conquistador. Não poucos serão os que. esse engano. Tudo serve para compor o quadro. o rancor está firme atrás delas. já estamos conversando. na fase inicial do diálogo — esperemos com paciência. doenças inesperadas. ele precisa da nossa ajuda. o tom de voz. pois não desejava causar-me dano pessoal. embora projetando-se. Está muito bem como está. uma lembrança fugaz. é verdade — digo-lhe eu —. É isso. uma inexplicável ternura que. do século XX. dado que é com elas que vamos montando o quadro que nos mostrará o perfil psicológico do comunicante. Fala-me da sua glória. ele replicará com toda a veemência. e pelo menos algumas das ameaças concretizam-se mesmo.

sua vontade debilita-se e a fraqueza da carne vence as melhores intenções.) O Espírito deseja a libertação. teme novas quedas. segundo Marcos — “para não cairdes em tentação. e. para engrossar as fileiras dos que estão parados. Seria profundamente injusta a Lei. não tão difícil e grosseiro como este mundo de provas em que vivemos. sofreremos senão na quilo em que ofendemos a Lei. hão de reter-nos na reta guarda. preciosas. os erros ainda não resgatados. temos. exatamente. temos que prosseguir o trabalho de resgate. Mesmo com toda a vigilância. os Espíritos mais terrivelmente perturbados e desarmonizados guardam em si incrível potencial para as realizações futuras — aptidões. como nos disse um Espírito amigo. agressivo. de certa forma. mas a carne é fraca. Um deles. Então. enquanto puderem. pelo menos. que o sufoca. 160 Em primeiro lugar. O cerco aperta-se. Nossa bagagem de erros ainda a resgatar não nos permite usar o manto da invulnerabilidade. sonha com a paz. no entanto. que contar com contratempos. nos espionam e nos assediam. em nenhuma hipótese. É preciso estarmos. o mesmo que. É necessário não intimidar-se diante da bravata. tão bem ou melhor do que nós. praticar a Lei universal do amor fraterno e da solidariedade que nos recomenda o Cristo? Não aceitaremos a intimidação. a despeito dos espinhos das rosas. ainda há poucas semanas. continuamos vulne ráveis. sofre a ausência de afetos muito profundos e. 14:38. bem no fundo de si mesmo. mergulhado no corpo físico. ou para o doutrinador. Os seres desencarnados inferiores que nos vigiam. para ajudá-lo a levantar-se. Isto é válido para todo o grupo. vamos ser punidos porque estamos procurando. ele nos será muito grato se o conseguirmos e. no fundo. está pronto para a vida em plano melhor e mais purificado.” (Marcos. e em prece. de um ou outro desengano maior. não pôde conter sua gratidão. mas não a devolveremos com uma palavra ou um gesto de desafio que de provocação. sabem disso. ainda que estejamos guardados na prece e na vigilância. ferimentos e angústias. eles nos lembram: — Você pensa que é invulnerável? Quem poderá responder que é? E as nossas mazelas. uma enorme capacidade de amar. e jamais em decorrência do trabalho de desobsessão. mas sem cometer o engano de ridicularizá -la. e. deseja e . mas não deve deter os nossos passos na ajuda ao irmão que sofre. sem jamais nos ferirmos nos espinhos. — “Vigiai e orai” — disse o Cristo. Quanta verdade nesta imagem! Por mais estranho que nos pareça. a uma observação superficial. muito difícil. ele daria tudo para destruir. a mão de seu aturdido doutrinador. certa vez. se assim não fosse. ele. experiências e quali ficações inesperadas. com emoção e respeito. em si mesmo. pelo menos. E “eles” sabem disso: quando o esquecemos. No trabalho mediúnico de desobsessão. especialmente se deixarmos cair as nossas guardas. das ameaças e. por mais fantástico que nos pareça. logicamente. ou. pois. as culpas ainda não cobradas. Mesmo que ele nos fira. poderoso. quando lhe estendermos a mão. quase inabordável. bem certos de que. não podemos colher rosas. Há uma diferença considerável em ser íntimorato e ser temerário. mas. com a peçonha de seu rancor inconsciente. depois de desperto: beijou. pois o espírito está pronto. as infâmias ainda não desfeitas? Contudo. como disse um amigo espiritual muito querido. e não apenas para o médium. mais do que ninguém. no fundo.

e foram afastados sumariamente. Um grupo bem orientado e bem guardado pelos amigos espirituais invisíveis começará. dominar mentes. por exemplo. nem desafiar a ameaça. nas suas organizações. pouco a pouco. Você sabe. àquele que me propunha desfazer um “trabalho”. prazeres. em deixar de atormentar alguém. os companheiros desvairados proporão barganhas e tréguas. certa vez. deram-se mal. por ele mesmo. que eu ficaria estarrecido. 161 espera que nós consigamos salvá -lo. A imaginação é fértil e a experiência deles é longa. Já referi aqui. exaltando nossas fabulosas “virtudes”: — Você não sabe a força que tem! Poderia arrastar multidões.. como também aos desequilibrados Espíritos manifestantes.. sim. resistir à investida de tremendas e poderosas organizações espirituais. a da resistência inesperada. ao que tudo indicava. que mantêm prisioneiros no mundo espiritual. imperturbável: — Sabe. igualmente. não responder à ironia com a mofa. à prática do mal. ainda. Regra semelhante poderia ser sugerida para responder à proposta. Acham que tudo tem seu preço e dispõem-se sempre a pagar o preço combinado por aquilo que lhes interessa. A regra. não se intimidar. de algumas considerações à parte. De modo que.. ou pequenas concessões. como dinheiro. para o lado de . com seus próprios recursos. que nosso grupo estava particularmente interessado em socorrer. ou em liberar outros. Começam com elo gios. Há os que propõem desembaraçar-nos de pessoas que supostamente nos estariam atrapalhando. como dominar a minha. Concordarão. porque ele não voltaria: já havia “cruzado a ponte”. E ele. impedir seus passos. ele não o conseguiu ainda. no passado. a que particularmente este jamos dedicados.. a imaginação deles é fértil e a habilidade ilimitada.. Ou então nos oferecem coisas mais terra-a-terra. De outras vezes a proposição é mais sutil. e muitos são os que se deixam fascinar por esse cântico funesto. aqui e ali. encerrar as atividades do grupo ou dedicar-se a outros afazeres mais inócuos e menos prejudiciais aos seus interesses. bem como. O que você deseja para parar com isso? “Parar com isso” é deixá-los fazer o que entendem.. De um Espírito encarnado. feito contra mim. Estes não compreendem como pode um pequeno grupo. posição. no trato de situações como essa. A um desses respondi que não sabia. mas não ser imprudente. não hesitarão em propor uma barganha: — Está bem.. afinal de contas. há um tempo enorme. A proposta pode ser um simples negócio. na sua instituição. Um deles me disse. se os espinhos nos ferirem.. Inúmeros outros seres e grupos que tentaram. é esta: não ridicularizar a bravata. aparentemente tão frágil. votadas. nos foi dito que desis- tíssemos. também. a obter resultados que surpreenderão não apenas aos próprios componentes encarnados. por exemplo. também estaremos nos libertando das nossas próprias culpas. por si mesmo. passado o rompante das primeiras agressões. portanto. e esta precisa. E. Estão acostumados a tais ajustes e transações. tão reduzido. se soubesse daqueles que haviam concordado com arranjos semelhantes. aqueles que nos acenam com “belíssimas” posições. Se podem comprar nossa desistência. pois que. Como dizia há pouco. Por que não fazemos um acordo? Outro convidou-me para “pregar”.

A segunda observação é a de que. ou fazer. Eles compreenderão nossos escrúpulos e nosso jogo aberto e acabarão respeitando-nos por isso. desesperados. retrucando aos seus processos ardilosos com ardis de idêntico teor. mais experimentados do que nós. que as con- seqüências serão funestas para nós. Encaram suas tarefas deploráveis como complexas partidas de xadrez. alguém que prove ser pelo menos um pouco melhor do que a média humana. diante de nós. Absolutamente. quando os nossos irmãos atormentados propõem semelhantes transações. quando não mais interessar-lhes o nosso concurso ou caducar a razão pela qual se valeram da nossa ingenuidade infantil. O que ele resolver. Duas observações básicas é preciso ainda fazer. esquecer- nos de que são pobres irmãos desorientados. tentarmos “virar a mesa”. que sacrificar uma dama. seres redimidos. ou pelo terror. com a qual estão acostumados a lidar. Além do mais. passa a vítima inerme de sua própria tolice. enfim. jamais. estaremos sintonizando-nos com o mesmo diapasão ético com que eles nos experimentam e. costumo ter uma resposta padroni zada. o que é estritamente verdadeiro. o que. porém. não podemos permitir-nos utilizar. dispõem de amplos e minuciosos planejamentos. sobre aquele que concordou com o trato e que. Usualmente. o bom senso de não procurar tirar partido da situação. Buscam aflitivamente alguém que não possam corromper com suas propostas. digo qualquer coisa assim: — Não tenho autoridade para tratar com você. indica uma boa transação concluída de maneira auspiciosa. aí no mundo de vocês. é desumano. além do mais. Se a uma proposta. com isso. e não de que os confirmemos nas suas práticas. votados à maldade intrínseca. são simples vermes infestados de culpas. irá por terra a precária ascendência moral que porventura tenhamos alcançado sobre eles. e nem a aceito. A prudência continua a ser a melhor conselheira. da parte deles. deixar de ajudar alguém. às vezes.. e. que condescendemos em estender-lhes a mão salvadora que. Tenhamos. ou seja. imatura e precipitadamente. O negócio. ante a resistência inesperada à sua vontade. na prática comercial. 162 lá. nas quais têm. nada impede que desfaçam o trato. Além disso. Em situações como esta. que precisam de ajuda e compreensão. as concessões que nos oferecem têm elevado preço. São metódicos. Não alimentemos a ilusão de demonstrar-lhes que. fora bom para ambos os lados. de suposto aliado. Escarnecer de suas propostas. com a finalidade de nos levarem a abandonar o trabalho. Não podemos. qualquer concessão. então. Não recuso a proposta. jamais. nessas duvidosas transações. ou um bispo valioso. porque sentimos que estão fracos e algo perplexos.. Eles não estão habituados a fazer acordos para obter o que podem conseguir pela imposição e pela intimidação. dispostos a tudo. evidentemente. depois. A cobrança virá. à primeira vista. métodos semelhantes aos seus. por mais infantil que seja. é mais do que óbvia. e nós. Procure um dos nossos companheiros espirituais. sobre tais propostas e acomodações: a primeira. para dar o xeque ao rei. Confesso-me simplesmente incapaz de decidir. pode ser desastroso. São irmãos doentes. iremos desinfetar. mas que necessitam de nós. Tinha tudo quanto queria. estejam ou não convencidos ante a nossa argumentação. É bem possível que sejam mais atilados psicólogos do que nós. está bem . estava muito feliz. Não os subestimemos jamais. por mais ino centes que se apresentem. é porque estão começando a sentir-se algo perplexos. a qualquer tempo.

e até mesmo respeitosa. Essa história tem ainda um post scriptum. . semana após semana.. que combatia o bom combate de que nos falava Paulo. estará tudo resolvido e não mais o incomodaremos. um pobre transviado. como tenho observado: — Está bem. Merece nosso respeito. Que ela tente. totalmente dedicado à sua ingrata causa. Não lutava especificamente contra nós. no mundo espiritual. mas pelas suas idéias. desde que os fins sejam alcançados. Seria profundamente desumano negacear com ela. tempos depois. encontra-se desatinada. sem dúvida. pois sabem muito bem o que significa a minha resposta. isso é compreensível. e se você acabar com o grupo. Caso contrário. todos aqueles que se lhe opunham tinham que ser removidos de qualquer maneira: pela intimidação ou pela lisonja. pela simples razão de que não o somos. redespertados em seu coração. deu murros na mesa. e arrasado de remorso. extremamente desarvorado. Às vezes eles insistem. pelas atitudes agressivas e despropositadas ante o seu doutrinador e o próprio grupo. mas você pode resolver a parte que lhe toca. e vinha pedir nossas preces. atormentou-nos. mas que nós. no seu desespero. Estava recolhido a uma instituição socorrista. Acreditava na legitimidade incontestável da sua causa. Tinha. Nesse ínterim. assediou-nos. gritou e fez tudo quanto lhe foi possível para destroçar- nos ou quebrar o nosso moral. Eles não poderão fazer nada. porém. você sabe. Um dia. É preciso respeitá-la. convenceu-se de seu engano. no passado —. experimentemos a mesma arma. e achava.. O tom pode ser este. pois estava mais certo do que nunca do nosso amor fraternal. pelo menos. pela dor ou pela sedução. tentou enganar-nos. a não ser para aqueles que também estejam em desequilíbrio. com a graça de Deus. tentando ludibriá-la com os mesmos recursos com que. Desceu do seu pedestal de poder e arrogância — fora também um grande e. pelo menos na extensão que a nossa vaidade poderia sugerir — que. Se não podemos provar-lhes que somos melhores do que eles — e não podemos mesmo. não importam os métodos. em desdobramento. para despedir-se. Era profundamente honesto consigo mesmo e. portanto. Ele visitou-nos novamente. necessitada de compreensão e de amparo.. Um pobre irmão desses. se não tiverem o grupo. paciente. 163 para mim.. um grande e generoso coração. Voltou. que tanto se esforçava por salvá-lo. evidenciemos que nossos métodos são melhores. por algum tempo. muito contrito e infinitamente grato aos pequenos trabalhadores que o ajudaram: preparava-se para reencarnar. é inadmissível. pois a dor alheia jamais poderá constituir espetáculo de diversão. tranqüila. incorporada ao médium. A posição do doutrinador tem que continuar firme. também. um de nossos médiuns teve com ele um encontro. A criatura que está diante de nós. para dizer-nos desses nobres sentimentos. viu-se em toda a extensão de seus enganos. como tantos outros. depois. com ameaças terríveis.

este elo. mas. após longo tempo de conversa. Outros são bem mais artificiosos. respondendo-nos com outras perguntas ou com sutis evasivas. pois constituem uma técnica de penetrar o psiquismo alheio. CACOETES. pois isto faz parte da técnica. nos orientava. o que acaba acontecendo. Pouco a pouco. é necessário deixar o Espírito falar. dizendo prontamente a que vieram e o que pretendem. DEFORMAÇÕES. Seu objetivo não era o de distinguir este ou aquele. MUTILAÇÕES. Dirigem perguntas aos demais circunstantes. o diálogo vai se desenvolvendo. a fim de nos aproximarmos do âmago de seus problemas. para as árduas tarefas que nos esperavam cada noite. nos braços ou nas mãos dos que lhes ficam mais próximos. O Espírito começou a dirigir-se a ele. com finalidades muito diversas. mesmo com um simples sorriso. excelentes razões para manter como regra. quando alguém. o princípio de deixar que apenas o doutrinador fale com o manifestante. os Es- píritos desarmonizados também a conhecem e procuram empregá-la. que ficaria falando sozinho. por ver que encontrava apoio num dos componentes do grupo. a técnica era obviamente utilizada para o bem. Eles trazem em si uma sutileza perigosa e envolvente. pois. fogem às perguntas. a partir de uma espécie de monólogo. Mesmo a estes. Neste caso. que ainda estudaremos — com a clara intenção de desmoralizar o doutrinador. entre nós todos e ele. Suas palavras singelas. Sentiu-se fortalecido e disse. todos. 164 30 O DESENVOLVIMENTO DO DIÁLOGO. É comum tentarem envolver o grupo todo na conversa. Várias artimanhas são empregadas para esse fim. Muitos o fazem logo de início. é preciso deixar falar. dizem gracejos. mas certamente o estava favorecendo involuntariamente. era apenas o de estabelecer. Há. Um companheiro esclarecido e experimentado que. muito embora soubéssemos perfeitamente que este não o estava apoiando. Tivemos disso um exemplo. como vimos. FIXAÇÕES. com uma palavra mais pessoal. DORES “FÍSICAS”. tentam captar a atenção por meio de gestos e toques. necessário ao trabalho. e nem mesmo de dar conselhos individuais sobre nossos problemas humanos. costumava sempre dar uma palavra inicial. de raríssimas exceções. Usam da ironia. achou graça num comentário do manifestante. porém. afetuosa e cordial. e depois dirigir-se a cada um de nós em particular. Muita atenção com estes artifícios. para que informe sobre si mesmo. os resultados podem se tornar desastrosos. para provocar o riso. em nosso grupo. pois. que nada dizem. todas as semanas. Ë através daquele que atuam os Espíritos orientadores. Ele tinha o hábito de fazer uma saudação geral. que . a cada um de nós. em boa faixa de equilíbrio e concentração. pois. esquecendo aparentemente a presença do doutrinador e suas palavras. que não se retirava — esta é outra técnica intimidadora. certa vez. Se um companheiro desavi sado responde. o Espírito sentiu-se à vontade para prosseguir e foi muito franco e espontâneo ao manifestar sua satisfação. criavam. Como o companheiro correspondeu à sua abordagem. no princípio. de estímulo e encorajamento. sem dúvida alguma. mesmo. do mundo invisível. um vínculo positivo. que nos predispunha ao trabalho em equipe e certamente contribuía para que nos mantivéssemos. ensaiam a indução hipnótica ou o passe magnético.

quanto ao que se passa. alguém que não possa concordar com os métodos empregados pelo doutrinador. ou com um gesto de que se lembre com saudade. um gesto de fraternidade mais objetivo. bem atento aos seus companheiros encarnados. ainda que tenha falhado. porque o terreno em que pisamos. tentando arrastar outros membros do grupo ao debate. claro. pode ajudar a despertá-lo. no entanto. condições de captar-lhes o pensamento e. por amá-lo particularmente. certamente tirarão partido da discrepância. Ê possível. assim. Também pode acontecer que o Espírito manifestante sinta real necessidade de uma palavra direta. médiuns ou não. com um senso crítico imprudente. se apenas critica e discorda em razão de distorções de sua própria psicologia. no grupo. que mina o trabalho. mas ele precisará do apoio e da compreensão de seus companheiros. interferir no difícil diálogo que o doutrinador está tentando estabelecer. mesmo mentalmente. pelo menos. podem introduzir perigosos fatores de desagregação no grupo. Se ele estiver certo. Convém a eles a generalização da conversa. a ponto de tornar-se criticamente negativo. Lembremos. perfeito. Estes companheiros não devem fe char-se na indiferença. ou a conveniência de alguém mais falar. numa técnica muito sutil de desmoralização. do que permanecer no grupo como um ponto de atrito oculto. com alguém presente que. imprevisível e traiçoeiro. ele falha mesmo. deve afastar-se do grupo. Por isso. o que é importante para o desenvolvimento das tarefas. que alguém. por exemplo. Em casos assim. no trato com esses irmãos desarvorados. freqüentemente. com a emoção de uma voz que há muito não ouve. se o fize rem. que ele esteja certo. a validade da regra que recomenda que apenas o doutrinador fale com o Espírito manifestante. nem que esteja sempre certo e com a razão. via intuição. e este não possuir. e. Se não pode ajudar. os circunstantes encarnados. É comum que este procure burlar a norma. e se sinta fortemente impelido a dizer-lhe uma palavra de conciliação. Dessa forma. então nada tem a contribuir de bom para o grupo e poderá acarretar-lhe considerável dano. que. a ponto de. mesmo. segundo sua intuição ou a instrução . pois emprestam seu apoio vibratório silencioso ao doutrinador. é difícil. O doutrinador tem que estar. mas é melhor excluir-se. que afasta o doutrinador e o coloca mais ou menos à margem. Às vezes. o doutrinador julgará. tanto se insiste na importância da fraternidade. com freqüência. tenha qualquer problema pessoal com o Espírito manifestante. é possível que ocorra a necessidade. 165 ficariam com seu esforço dispersado se tivessem que dar atenção e atuar. para perscrutar o arcabouço psicológico e moral do seu interlocutor invisível. além do pensa- mento. se persistirem em acompanhar mentalmente a doutrinação. entendimento e compreensão entre todos os componentes do grupo encarnado. mesmo que ela fique imanifesta. fazer-lhe um pedido de perdão. em torno da mesa. mas não devem cometer o engano de se envolver na conversa. e o doutrinador errado. pois. imaginando o que diriam em tais circunstâncias. Pode ser. condições para a sua tarefa. sobre todos os componentes do grupo incumbidos ou autorizados a falar com o Espírito. não bem afinados afetiva mente com o doutrinador. as coisas encaminhar-se-ão para um desfecho natural. não acarrete maiores dificuldades. Os Espíritos manifestantes têm. para que se mantenham firmes nas suas posições. Não que o doutrinador seja infalível. na maneira de apreciar o trabalho do doutrinador. Sob condições especiais.

à volta de sua idéia central. com problemas sus citados no relacionamento. Qual a sua ligação com o obsidiado? De onde vem. o desejo de fazer a vítima arrastar-se no chão. a conversa prossegue. o ódio. nem mesmo por palavras inarticuladas. Ele tem que sair com seu próprio esforço. para essas idéias fixas. digamos. É. em vista de suas ligações com os companheiros espirituais. vingança. Além do mais — dizem —. ou seja. pelos outros. Por mais voltas que dê o Espírito. descobriu a razão pela qual foi atraido ao grupo. Fora desses casos. alguém que nos pediu ajuda. deve continuar atento. em casos extremos de fanatismo apaixonado. a impossibilidade do perdão. senão ficará andando em círculo. arriscando. como componentes encarnados do grupo. deve prevalecer a regra geral do silêncio e da sustentação psicológica aos médiuns e ao doutrinador. mas não se envolvam nele. mesmo com a intenção consciente de ocultar sua moti vação. Muitos são os que invocam os dispositivos da Lei Maior. subtrair. . que insistimos em qualificar de excepcionais. porém. espoliação. Veja bem: ajudá-lo a quebrar. que se adaptam perfeitamente às circunstâncias. vigiem bem seus pensamentos. Outra norma subsidiária: os circunstantes. se podem fazer aquilo. Terá que fazê-lo. até mesmo. Se grita e esbraveja. Ele não tem poderes para fazê-lo cessar tudo? Por que não exerce tais poderes? Atenção. é que Deus o permite. que se aplique particularmente ao seu caso e sempre haverá uma ou mais. da cobertura divina. Ainda não dispõe. falando-lhe de uma passagem evangélica. Deixe-o falar. pois. Deixemo-lo falar. não obstante. porque cabe a ele a responsabilidade por esse aspecto da tarefa. aquilo que lhes compete realizar. mesmo assim. mas não tudo quanto queira. desamor. procure apaziguá-lo. Mantenham-se atentos ao diálogo. O doutrinador precisa ter bastante habilidade para mudar o rumo de seu pensamento. aqui e ali. seguindo com extremo cuidado o diálogo. um caso pessoal. ele está convencido dos seus direitos e. Não se esquecer de que. Neste caso. Dificilmente um Espírito obsidia outro apenas porque discorda dele em questões filosóficas ou religiosas. No entanto. é preciso ajudá-lo a quebrar o terrível círculo vicioso em que se debate. de sua influência obsessiva. de elementos suficientes para formular um juízo acerca do caso que tem diante de si. o doutrinador. de conotações essencialmente humanas. o choque que se criou entre eles? Em suma: quais são as fixações do Espírito? Todo processo obsessivo tem o seu núcleo: traição. Mas é preciso saber por que ele (ou ela) persegue o companheiro encarnado. no tempo e no espaço. apenas pensadas. por exemplo. ou seja. é ele quem está preparado para ela. Talvez já saiba. para exercerem suas vinganças e perseguições. 166 dos mentores. e coisas semelhantes. Estamos tentando. ele não conseguirá isso por muito tempo. arrancá-lo à força. neste livro. para retomá-lo quando julgar ne cessário. continuará a repetir incessantemente a mesma cantilena trágica: a vingança. permitindo que outra pessoa fale ao Espírito. não quebrar. no seu ódio irracional. por mais errado que esteja. através dos dispositivos especiais a que nos referimos alhures. Enquanto isso se passa. como um louco varrido. com muita sutileza. Claro que. quase sempre. uma pergunta mais pessoal. embora isto também seja possível. Ajudar a fazer não é o mesmo que fazer. a que veio o Espírito.

continue a falar-lhe. fala o que de fato sente. se recusam a responder. obviamente. além daquela que constitui o núcleo da sua problemática. logo nos primeiros contactos. Simplesmente “esquecemos” das causas que nos levaram àquela situação. Como. que o Espírito não tem condições. porém. sequer. por isso. Aguarde-se. outras lembranças. neste livro.. até que adquiram confiança em nós e nas nossas intenções. pois. sobre os quais ela possa expandir-se. 167 Por outro lado. É certo que tudo isso está ligado ao problema interior que os atormenta.. Coloque. de que espontaneamente ele não sairá. a fixação é. ainda. sob a forma de trejeitos e contrações. para poder fixar-nos no objeto do ódio e da vingança. que parece construir uma barricada às nossas costas. Sua vingança é a própria razão de ser de sua vida. Vamos a alguns exemplos: citei alhures. procurando atraí-lo para outras áreas da sua memória. pelo menos. simplesmente. não porque não queira. e mesmo que ele pareça não ouvir — e isso ocorre. ou. devem limitar-se a conduzir a conversação. uma pergunta diferente. Tem que haver. ou. respondem. perguntei-lhe o que havia com o seu braço. sem precipitação. Não nos esque çamos. tão pronunciada e tão absorvente. Já tivemos oportunidade de observar esses pormenores. Notei que durante o diálogo ele não movimentava aquele membro. ao . em certos casos — seu próprio espírito sente as vibrações fraternas que sustentam as palavras. Nem sempre estarão prontos para nos ajudarem a ajudá-los. aparentemente irrelevantes. os manifestantes reagem. como vai entregá-la a alguém — a um desconhecido bisbilhoteiro. do núcleo central que o bloqueia e o impede até mesmo de buscar a saida daquele círculo de fogo e lágrimas em que se encerrou inadvertidamente. Ou. para levar-nos a um conveniente esquecimento do passado. melhor ainda. Ou dão respostas evasivas. Por que seria? No momento que me pareceu oportuno. às vezes. porém. Ou. porque costuma funcionar. que as palavras irão insensivelmente se depositando nele.. a fim de afastar o pensamento do comunicante. O objetivo das perguntas não é. mas porque não sabe. Com freqüência. nestes casos. Se é que o doutrinador realmente sente o que fala ou. na sua memória. que é aquele momento patético em que ele descobre que a causa da sua dor está em si mesmo. por exemplo: teve filhos? Que fazia para viver? Crê em Deus? Onde viveu? Quando aconteceu o drama? Tem noticias de amigos e parentes daquela época? É claro. de muitas maneiras e sob variadas condições. e não na pessoa que ele persegue e odeia? Além das fixações penosas. de vez em quando. nem saberia conscientemente a razão. provavelmente. um mecanismo de defesa. ainda que temporariamente. Isto não significa que o doutrinador deve calar-se. perguntando se estão sendo forçados a processos inquisitoriais. o de satisfazer a uma curiosidade malsã e. Ninguém gosta de submeter-se a devassas íntimas. o momento de ajudá-lo a sair um pouco de si mesmo. como o doutrinador — a troco de uma realidade penosa. . mutilações e deformações perispirituais. os Espíritos conturbados costumam apresentar cacoetes. mesmo. não reage de maneira inteligível ao que este lhe diz. outros sentimentos e até mesmo outras angústias. fornecendo-lhe pontos de apoio. Ele não quis dizer. o episódio do pobre irmão que tinha um braço paralisado. de ouvir o doutrinador. que essas perguntas não devem ser desfechadas numa espécie de bombardeio ou de interrogatório.. Não sei. O processo pode alongar-se por muito tempo.

Em uma oportunidade. como. É verdade. a boca. sentindo o impacto dos fluídos que o alcançavam. Casos mais sérios de deformações espirituais exigem o concurso de médiuns especiais. por meio de passes. ele sentiu que a cabeça voltara à sua posição correta. a punhal. Se sabia. Sua “cura”.. . “Provavelmente”. te ntava ignorá- la. Continuava preso ao local onde exercera um poder discricionário. E conferia. seria apenas para ter mais um braço para empunhar o chicote .-. Subitamente. depois de condenados. Quando me propus a curá-lo por meio de passes. digo-lhe.. que eram enfiéis a Jeová e. toda a anatomia facial e craniana: os olhos. porque ela lhe dava uma aparência terrível. Explico-lhe que vivemos muitas existências. a esposa e os filhos. Ele se lembra. para castigá-lo. agora. segura pelos cabelos. tivemos também um caso. a dor aguda de uma lança que o penetrara há séculos. levou-o a um reexame bem menos apaixonado da figura de seu doutrinador. se ele sabia a razão da paralisia de seu braço. intensamente dramático. não acreditava que Deus o tivesse feito. E. e vi logo que ele reagia. além dos passes habituais. com a ponta dos dedos. embora as esqueçamos. Em alguma de suas vidas anteriores ele encontraria a explicação. Um terceiro tinha a voz rouca — seria um antigo câncer? —e quase inaudível. durante a Revolução. as orelhas. por incorporação. que ele acreditava não fossem seus. Vivia apa- vorado ante a idéia de perder de vista a cabeça e nunca mais recuperá-la. não apenas para recebê-los. ele os executava. ficou bom. tentando fazer que ele encontre em si mesmo a razão do seu espantoso sofrimento. quando terminou uma existência de inconcebíveis desatinos. pois Deus não permitiria que um homem andasse sem cabeça por tanto tempo. que ele chamara até de porco! Outro companheiro desorientado conservava feia cicatriz sobre o olho direito. ele não tinha condições de falar. ele recusou — sem muita convicção — dizendo que. Louco de alegria. para ajudar na recomposição da forma “física”. O diálogo inicial foi difícil. Enquanto a tivesse ali. levantei-me. Isto foi possível fazer. voltando a movimentar o braço. na mão direita. se ficasse curado. A custo. porém. ainda. Desde então — segundo apuramos em seguida — trazia a cabeça “destacada do corpo”. que atemorizava aqueles a quem ele queria perseguir e afligir. para o que é necessário dispor de algum ectoplasma. Quanto ao que lhe acontecera. ele apalpava-se e só sabia repetir: — Ela está aqui! Ela está aqui!. seu drama resolveu-se.. pois convicto de que estava sem cabeça. ao que parece. 168 certo. .Mesmo assim. realmente. e ele se lembrou da cena de um passado distante. quando sacrificou. Levo-o cautelosamente para uma introspecção. o nariz. com a graça de Deus. ali mentava a esperança de “repô-la” no lugar. isso. Oramos e lhe demos passes. o fui convencendo de que podia falar através do médium. Estava tudo lá. Outro sentia. à mão. foi possível liberar o seu mecanismo de censura. guilhotinado na França.. “você andou também cortando a cabeça de alguém”. a ouvir os comentários de visitantes e turistas sobre suas próprias atrocidades. Só então. pois achava que ela o havia traído. E dizia: — Posso falar! Estou falando! Queria saber quem fizera o “milagre” de “colar” a cabeça novamente no lugar próprio. também. de um pobre sofredor. mesmo decepada. Reviu até a fila de espera. orei e dei-lhe passes ao longo do braço imobilizado. Exposto o âmago do problema.

Mesmo com tudo isso presente à sua consciência. Teoricamente. a lei divina vai adiante e lhe pede a reconciliação. respondendo por desatinos cometidos. existe a idéia básica da reparação. de cabeça decepada. se Deus me assegurasse o direito de cobrar. A sociedade humana tenta a reparação pelos caminhos da punição. porque a idéia de direito implicaria. independentemente do que acontece com aquele a quem ele prejudicou. como explicar tudo isso. Ante a lei humana. Ainda falaremos sobre a ectoplasmia nos grupos mediúnicos. muito falta ainda para dissolver e dispersar aquele núcleo doloroso. de forma convincente. ele esteja quite. Creio que. a lei humana não leva em conta o fato de que o homem sofre justamente aquilo que está nos seus compromissos cármicos. porque ela tem outras aplicações. Dessa forma. Enquanto lhe dávamos passes. a prisão ou a indenização redimem o criminoso. com movimentos aflitivos das mãos. mas parece que não podemos ser punidos por exercer uma ação que o direito nos assegura. Já descobrimos as razões fundamentais do seu drama. pela vingança. ele parecia absorver os fluídos avidamente. imperfeita imitação dos conceitos superiores do Direito Cósmico. Por outro lado. tanto numa. o concurso de um médium de efeitos físicos foi decisivo. ele ainda insiste em racionalizar a seu jeito. Não obstante. Não obstante. pela regeneração. Em outros casos de deformações perispirituais e zoantropia. do qual conhecemos as primeiras letras. E se não colocamos um ponto final nessa espiral de horrores. que há pouco mencionamos. Suponhamos já ter sido possível identificar o núcleo principal do problema. ele pode cobrar. o quadro que se lhe apresenta. Não que tenha um direito assegurado nos códigos divinos. sim. além da. a divina. ela continuará a abrir-se para baixo e para o futuro. pois que direito é esse. cada vez mais dolo rosa e ampla. que ele se recomponha perante a sua vítima. É claro que não falo aqui no direito humano. sua lei não teria sido muito melhor do que a nossa. em face dos códigos terrenos. mesmo que. A lei humana não toma conhecimento da sobrevivência do espírito. como noutra. Continua a submetê -lo ao seu próprio juízo e a invocar o seu direito à cobrança. O criminoso terreno deve pagar pelo que fez. A lei divina pede do ser. de ajudar a reconstituir lesões perispirituais e recompor seres reduzidos a formações animalizadas. procurando impregnar-se deles. que reabre o ciclo da culpa e nos obriga a pagar aquilo que consideramos simples reparação? Mas. uma falta cometida contra mim. pelos movimentos irreprimíveis que fazia como se estivesse vomitando em seco. não haveria direito líquido e certo de cobrarmos. * Mas o diálogo prossegue. talvez. a da impunidade. através de sua própria consciência. impunemente. o médium expeliu realmente grande quantidade de ectoplasma pela boca. Não sei se os juristas que me lêem concordam com isto. Já discutimos alguns aspectos teóricos desta questão. o que se percebeu. 169 Mesmo para o companheiro a que há pouco nos referimos. as faltas cometidas contra nós. ao Espírito tumultuado pela paixão da vingança? Como iremos mostrar-lhe a falácia da sua filosofia da . mesmo sem a vidência. nós mesmos.

com objetividade e sangue-frio. sobre as virtudes teológicas do perdão. com mais um século ou dois de rancor. porém. Ao longo do tempo ele ficará falando sozinho. que. muito menos pelos caminhos do sofrimento alheio. pelo esforço que faz em ajustar- se perante as leis divinas. 170 reparação? Em muitos casos. Não sabe ele. Às vezes. Se conseguirmos despertá-lo para essas verdades. enquanto não se convencer de que isso é uma realidade irresistível. mas isto é uma vingança frustrada e o satisfaz ainda menos do que a outra. diz ele. indefinidamente. Sacudido pela tormenta das suas paixões. vai conseguir o que não conseguiu em dois ou três? Pretende continuar preso à roda-viva da aflição? Por quanto tempo? Não está cansado? Não deseja experimentar ao menos um pouco de paz? Pare e reflita. Não importa. agora? . para retomar a sua caminhada. por exemplo. assim mesmo. medite. Ele não se mostrará sensível ao apelo. na alienação da sua vingança sem objeto. o seu ódio somente se estanca. com prazer. a de que. exercendo a vingança por suas próprias mãos. através de seres que lhe são caros. se esse dia pode ser hoje. vida após vida. no processo que ele próprio criou. e as sofrerá. no momento oportuno. pelo despertamento de seu Espírito. ele já está convencido dessa realidade. como se estivesse apreciando um caso. procure encarar o processo. e que continua retido. que o rancor não se satisfaz nunca. ele se inscreve novamente como culpado. a vítima às vezes se lhe escapa irrevogavelmente das mãos pelo próprio sofrimento que lhe é infligido. E então o perseguidor não terá mais como atingi-lo. Poderá ainda insistir em persegui-lo indiretamente. Quando chegar a hora da dor. ele arcará com as suas responsabilidades. ou seja. Acha ele. Por mais absurda que pareça a tese ao vingador. no tribunal invisível da sua própria consciência. não o seu caso. Ele quer cobrar. revezando- se nas posições de perseguidor e perseguido? Além do mais. pelo perdão. que o interessa pessoalmente. ele nem percebe que também sofre. Nem sempre lhe adianta uma bela pregação moral. Um dia despertará. estaremos começando a ajudá-lo. basta uma pergunta bem colocada. afinal. porque pelo menos terá saciado o seu rancor. E por que esperar tantos desenganos. Por que manter dois Espíritos amarrados. e somente o libera da sua própria dor.

Não é assim que as coisas funcionam. que o reduzira ao mais extremo desespero. recomeçou a indução. que o recoloca à mercê de seus perseguidores. da nossa parte. que Deus não se acha à nossa disposição. Ele foi recolhido. diz que sim. temos que contrapor. que se vingará implacavelmente de seu obsessor. a necessidade. Um deles tentou aliciar a atenção de um dos componentes do grupo — uma . Quando me levanto para ajudá-lo. Este é o irmão a que já me referi. A uma palavra minha. sem precisar ser melosa. ao contar que. em não nos deixarmos envolver pela sua “faixa”. sem pieguice. a nossa tranqüilidade. Contraditoriamente. diz. porém. pelo nosso grupo. para atender a qualquer capricho ou cumprir ordens. A despeito de todo o cuidado. autoritária ou rude. Está possuído de intenso ódio e de muita revolta. Este é o momento em que certa dose de energia torna -se de imperiosa necessidade. mais desarvorado do que nunca. ainda e sempre. em estado de terrível agitação. A essa altura. a seguir. de uma palavra mais enérgica. falou aflitivamente de seu problema. também não posso lhe tirar a dor. como num passe de mágica. de compreensão e de esclarecimento. que. Caíra em poder de implacável hipnotizador. ainda que sem o mais leve traço de arrogância. e do carinho de nossos dedicados irmãos. que de nada valem meus passes e minhas preces. por certo. exige uma solução para o seu caso. recaíra em poder de seu perseguidor. é preciso que a voz não se altere a ponto de soar violenta. o momento de dizê-la tem que ser bus cado com extrema sensibilidade. são decorrência de suas próprias faltas contra a lei divina. Agora. deblaterando contra a ineficácia dos nossos métodos de trabalho. que se achava presente. mais paciente. em estado de pânico e aflição indescritíveis. mas naquilo que dizemos. depois de recolhido pelos trabalhadores espirituais. Por outro lado. às suas aflições. quando conseguir pegá-lo. se for necessário dizê-la. A voz precisa continuar calma. afinal de contas. Deseja morrer. E. 171 31 LINGUAGEM ENÉRGICA Sem dúvida alguma. reclama. Se o companheiro éagressivo e violento. mas éimprescindível que seja sustentada pela mais absoluta sinceridade e por um legitimo sentimento de amor fraterno. em condições dolorosas e trágicas. em tom afável. para impedir que ele escapasse novamente do seu poder. de ressentimento ou de condenação. seu hipnotizador. A energia não está no tom de voz. que pediu a Deus. certa vez. mas tem que reconhecer. às vezes. ele tentou exigir de Deus um imediato alívio para os seus males. Nada de precipitações e ansiedades. tato e oportunidade. também. Isto não exclui. em altos brados e com desprezo. mas. Digo-lhe. a tônica do nosso diálogo com os irmãos desnorteados é a paciência. apoiada na compreensão e na tolerância. mas que isso de nada adiantou. desintegrar-se. pois desencarnara. se pretendemos minorá-las. Bastam as ansiedades do irmão que nos visita e. que ele não pediu a Deus. Aproveitando-se da incorporação ao médium e da proteção do grupo. Certo Espírito apresentou-se-nos. o esforço deve ser redobrado. É hora de falar-lhe com mais firmeza. muito jovem. Ele precisa. pois. Ele deve convencer-se de que precisa ser mais humilde. Foi socorrido e encaminhado a uma instituição hospitalar do Espaço. resvala nova mente no precipício da desarmonia.

e largou-o sobre as mãos que ela conservava pousadas sobre os olhos fechados. presentes. de baratinhas e ratinhos astrais? Ele parece ter sido apanhado de surpresa. Em casos excepcionais. Algo desconcertado. Achei. evasiva mente. estará arriscando-se a sérias e imprevisíveis dificuldades. não nos esqueçamos. disse-me. desviei sua conversação animada. clima em que se sentem muito mais à vontade do que o doutrinador. que. A certo ponto. certa vez disse um “Basta!”. de impaciência. Se pronunciada antes da hora. de agressividade. e revelava desespero. 172 jovem senhora — explorando sua repugnância por baratas e ratos. Na reunião seguinte pareceu-me que o momento propício che gara. pois que não podemos esquecer-nos de que os Espíritos desarvorados empenham-se. talvez. incorporam-se em outros médiuns. o episódio ficara esquecido. com extraordinário vigor e habilidade. Dizia que a sala estava cheia de baratas “astrais”.. que subiam pelo corpo dela. como este. Mas. Se este “topar a briga”. nestes casos. agressividade e arrojo. pois. na sessão anterior. por certo. no momento inoportuno. Percebera. e. pensou. revelar-se temeroso e intimidado. faz uma brincadeira como aquela. Raramente interferem e. sem o menor traço de rancor. que não conseguia convencer-nos pela argumentação. A cena com as “baratas” e os “ratos astrais” era. mas deixam a nosso critério a condução do diálogo. sob condições especiais. e eu também não lhe disse nada. no mínimo. pode acarretar inconvenientes e perigos incontornáveis. poder de oratória. Tomou um pequeno lenço. como eu deixara passar a ocasião de falar. quando falham os outros. incongruente. falarem com inusitada energia e firmeza. sobre a “doutrina” de Kardec. e de ratos que corriam de um lado para outro. o momento tem que ser oportuno e. eles nos orientam e assistem. mais a sério. Um desses companheiros amados. um homem assim inte ligente e culto. extremamente delicado. O problema da palavra enérgica é. Não pode. deixando-o “brincar” um pouco. . Durante nossa conversa anterior — confirmada no prosseguimento do diálogo — ele nos dera inequívoca demonstração de capacidade intelectual. sobre os seus “recursos”. quando isto se torna imperioso. no entanto. Era um líder. um “professor” de Doutrina Espírita. um pequeno incidente. que se diz líder e mestre. só podemos contar com a intuição. que se achava sobre a mesa. para que o próprio doutrinador a desenvolva. por outro lado. para doutrinar o Espírito manifestado. como quem se desculpa: — Foi o que encontrei aqui. Esse meio-termo. Mas estava evidentemente desbalanceado. Ela se manteve firme. e. dado que os Espíritos que nos ajudam não nos trans formam em meros repetidores de suas palavras. em arrastar-nos para a altercação e o conflito. muitas vezes. para o problema das baratas: — Como é que você — disse-lhe eu —. para isso. fazem-no com extrema discrição. como quem apela para um recurso extremo. entre destemor e intrepidez. com incontestável autoridade. habilidade como argumentador. fácilita-nos o acesso à verdadeira motivação da sua problemática. limitando-se a transmitir uma pequena informação.. que não era ainda a oportunidade de falar-lhe. mentores espirituais. ao Espírito que deblaterava com arrogância e impertinência. porém. é a marca que distingue um doutrinador razoável de um incapaz. com seus recursos. É comum.

tratamos logo de provar que. em freqüentes ocasiões. quando começa a perceber que está cedendo. dos nossos mais modestos atributos. . O Espírito perturbado tiraria disto o melhor partido possível. e que o mais profundo amor fraterno pode e deve coexistir no mesmo impulso de exortação franca e corajosa. é a do ridículo. indispensável. Em suma. E aquele que se julga um bom doutrinador está a caminho de sua própria perda. a palavra enérgica é necessária. pois. e. com extrema sensibilidade. Se cairmos na tolice de dizer-lhes algo que não podemos sustentar. pois. É humano. esse impulso. Baste aqui dizer que a energia. se conseguir manter-se ao mesmo tempo firme e humilde. Ainda veremos isto mais adiante. que seja. está perdido: é melhor passar suas atribuições a outro que. e não repressiva. estarmos atentos e preparados para interferir com mais energia. tem que ser ainda mais adoçada. precisa ser decidida à vista da psicologia do próprio Espírito manifestante. mas deve ser dosada. Precisamos saber quando dizer que eles estão errados. 173 pois os bons mesmo são rarissimos. Os próprios Espíritos desequilibrados encarregam-se de demonstrar que não há doutrinadores impecáveis. para os seus fins. intimidado. embora não tão qualificado intelectual-mente. neste livro. e da maneira sugerida pela intuição do momento. seria desastroso recuar. Uma das muitas armas que manipulam. neste caso. ou seja. e por quê. com extrema habilidade. Esses momentos de firmeza são também necessários quando o Espírito entra no processo que costumo chamar de “crise”. Muitas vezes envolvem. enganam e mistificam. porque em muitos casos é fator decisivo no despertamento do irmão aturdido. à irritação. mesmo. É preciso. à cólera. certos de que firmeza não é estupidez. Ademais. escolhido com seguro tato. tenha melhor condição. uma questão de oportunidade. Nada de gritos e murros na mesa. ao contrário. é incontestavelmente humano. quando desafiado. Quando alguém põe em dúvida um. de hipocrisia ou de prepotência. é naquilo que somos bons. nem grosseria. ou em que transpareça uma pequena pitada de cinismo. o momento certo. A interferência enérgica é. pois começa a ficar vaidoso. Se o doutrinador julga-se invulnerável e infalível. encorajadora. depois de uma observação mais enérgica. Nunca deve ir à agressividade. Qualquer um de nós redobra suas energias. e jamais ao desafio. estaremos em apuros muito sérios.

tão viva. é durante a prece. Um bom pensamento vale mais do que grande número de palavras com as quais nada tenha o coração. de Espíritos aturdidos ante a evidência desses senti mentos: — Que fé absurda tem você! — disse-me um deles. é a observação de que a prece “deve fazer refletir”. que você não se importa. fonte de belezas eternas. a esperança e o amor.. A força e o poder da fé transmitem-se à prece. simples e concisa. pôr em vibração uma fibra da alma. no mesmo capítulo de “O Evangelho segundo o Espiritismo”: “A qualidade principal da prece é ser clara. preciosos. Kardec escreve. E que. a prova das realidades invisíveis” (Hebreus. Cada palavra deve ter alcance próprio. pela expressão da fisionomia. quando diz. Muitas vezes. que são meros adornos de lantejoulas. Numa palavra: deve fazer refletir. ele se surpreendia em achá -la tão legítima. subsistiriam “a fé. sempre a nos sur preender com o seu infinito potencial. Entretanto. Ele não queria dizer que a minha fé era falsa. tão firme.” (Primeira Epístola aos Coríntios. Citando os seus amigos espirituais. em “O Evangelho segundo o Espiritismo” (capítulo 28): “Os Espíritos hão dito sempre: “A forma nada vale. os três.” Estes ensinamentos são. pois. 174 32 A PRECE A fé e o amor são os dois grandes instrumentos de trabalho do doutrinador. de comovedora sinceridade. estupefato: — O mundo pode desabar em cima de você. de harmonias insuspeitadas. . ao qual se conserva indiferente a alma. talvez há muito não experimente. de reservas inexauríveis de energia criadora. de outro modo.” Lembro que os destaques não são meus. Kardec torna isto particularmente claro. estão no original. não passa de ruído. De transcendental importância. A fé e o amor causam impactos espantosos em nossos irmãos infelizes. sem fraseologia inútil. Bem dizia o nosso Paulo. Ore. que “a fé é a garantia do que se espera. no decorrer do diálogo conosco. na maioria dos casos.) Uma fé assim é preciso para orar pelos nossos queridos irmãos desarvorados. pelo som mesmo da voz. que o Espírito manifestante faz uma pequena pausa para pensar. despertar uma idéia. para qualquer tipo de prece. mais adiante. mesmo depois de tudo dito e vivido. especialista em tais assuntos. em qualquer oportunidade. Vêem-se lábios a mover-se. E acrescentou. enunciada com emoção e sinceridade. A prece o envolve em vibrações pacificadoras. nem luxo de epítetos. veri fica-se que ali apenas há um ato maquinal. 11:1). puramente exterior. Ela deve ser elaborada em torno da própria temática que o com- panheiro nos tenha revelado.. Ainda voltaremos a falar sobre o amor. na verdade. em uma ternura que. para os trabalhos de desobsessão. o pensamento é tudo. ilógica ou irracional. incorporado ao médium. Somente sob essa condição pode a prece alcançar o seu objetivo. dita em voz alta pelo doutrinador. ou por alguém por ele indicado no grupo. Quantas vezes tenho ouvido depoimentos. 13:13. esse tema inesgotável. notai com que ar distraído e com que volubilidade elas são ditas. cada um segundo suas convicções e da maneira que mais o toque. mas. mas são de capital importância na prece que formulamos pelo Espírito desajustado que temos diante de nós. extravagante.

pois estávamos envolvidos muito profundamente em compromissos mútuos. “protegidos” por “couraças” e “capacetes” invioláveis. No momento propício — e mais uma vez temos que recorrer à intuição e ao senso de oportunidade — convém dirigir-se ao próprio Espírito e propor-lhe a prece. de que esses canais de acesso estão abertos também a eles. nos quais — esperam eles — as energias suscitadas pela prece não poderiam penetrar. e sim comunicar- lhe que vamos fazê-lo. que varia. Dificilmente ele recusará. por exemplo: — Vamos orar? Ou: — Agora vou fazer uma prece. . pedindo ajuda para o companheiro que sofre. Se já dispõe de alguma informação sobre ele. O melhor. Dirija a sua prece a Deus. a prece foi elaborada como se partindo de nós dois: o doutrinado e o doutrinador. devemos fazê-la. mesmo porque. dar um muxoxo desinteressado. Eles se esqueceram. Não têm mais vontade. de se dirigirem a Deus. do Espírito. no entanto. Curioso. Alguns informam depois. um pouco da sua história e da sua motivação. A prece deve ser dita de preferência de pé. Já era mais do que tempo de chegarmos a um entendimento e colocarmos ponto final naquela penosa e aflitiva desarmonia. ou durante a prece. de um caso para outro. em gestos. senão respeitoso. Em alguns casos. a Jesus ou a Maria. muito critica e importante. antes. pelo menos comedido. indignos e incapazes de projetarem o pensamento a tão elevadas entidades. Ambos havíamos sofrido. Poderá. em virtude de o estado de agitação. não nos permitir colher. ou fazer um comentário condescendente: — Pode orar. a prece tem seu momento psicológico ótimo. se quiser. insistem em continuar falando. com as palavras e as emoções que ele mesmo escolheria para dirigir-se ao Pai ou a Jesus. como um intermediário entre ele e os poderes supremos que nos orientam e amparam. Geralmente ouvem-na em silêncio. no entanto. as imagens contidas no sentido das palavras pronunciadas. e até milênios. colocando diante dela o problema de dois seres que haviam errado gravemente. no entanto. costumo orar não apenas pelo Espírito manifestante. é esperar um pouco. Certa ocasião. por causa daqueles enganos. às vezes por séculos. ao longo dos séculos. julgando servi-lo. ainda que o recuse. Alguns. ou interesse. 175 Como tudo o mais que tentamos realizar nos grupos de desobsessão. Basta dizer. Ou lhes falta coragem. com as mãos estendidas para ele. Um deles procurou dramatizar as minhas palavras. ou de alienação. Como disse. aguardar esclarecimentos e informações que — nunca é demais recomendar — não devem ser colhidas em interrogatórios e através dos artifícios da bisbilhotice. mas como se fosse ele próprio.. dificilmente ele se oporá. e. que acreditava muito cômicos. que muito raramente eles procuram perturbar a prece. necessariamente. ao lado do companheiro manifestado. por julgarem-se além de toda recuperação. no máximo. não deve mos pedir-lhe permissão para orar. tentando reproduzir. se estivesse em condições de fazê-lo. fale especificamente de seu problema.. Dirigi-me à doce Mãe de Jesus. como que a concentrar nele as vibrações e as bênçãos que invocamos. que se acham “defendidos”. Em certas ocasiões épreciso orar ainda no princípio da manifestação. zombando ou ridicularizando.

da prece — um riso nervoso. recusam-se. a vida inteira. singela. Não é de admirar. aparatoso e vazio. mas não tentam impedir-nos. ou continuem a entender que a prece é para isso mesmo. no qual o coração e a fé não se envolveram. São muitos os sofredores que se enquistaram de tal maneira atrás de suas defesas e de suas couraças. os que se comovem. que nos concede aquilo que não merecemos. A prece muito contribui para vencer estas últimas inibições e hesitações. São incríveis a força e o impacto de uma prece límpida. difere de um caso para outro. Com essa prece aviltada e despovoada de emoção. pois. e acabou cedendo. escorada na emoção e no afeto. os que a ridicularizam. manifestação mais pura do diálogo entre o homem e Deus. ou não concede o que julgamos merecer. sabem que aquilo é estranho à simplicidade e à autenticidade do Cristo e de seu Evangelho. mas. a celebrar suas missas. pobres irmãos. pediram favores insólitos a Deus. quando pedimos para orar conosco. como irmãos que éramos. Representa uma experiência da qual se desabituaram. pois. Para esses pobres companheiros desarvorados. no atormentado mundo espiritual em que vivem. um culto formal e frio. Não são poucos os que continuam. Não podemos esquecer-nos de que são muitos os que praticaram. Alguns deles. porque temem seus efeitos. e entregar-se a outra que desconhecem. em silêncio.. transformou-se em mero instrumento de poder. a ponto de realizar-se neles o milagre sempre renovado do amor. Estão com medo. para exigir favores de uma divindade servil. Fosse Ela a advogada da nossa causa e nos ajudasse a encontrar os caminhos da paz. 176 para que. exteriormente. vida após vida. sem os rancores que nos prendiam a um passado lamentável. sem convicção. por exemplo. por algum tempo. Isto é especialmente invocado pelos companheiros que foram prelados. no curso dos seus pensamentos habituais. os que ouvem. não se sentem encorajados a “falar” com Ele através da prece. Por isso. esvaziando-se de todo o seu elevado e nobre con- teúdo. mesmo. como acima esboçado. com a impropriedade do ambiente. Medo da emoção que os leva à crise. no fundo. Entre continuar numa dor que já conhecem. quando convidados a orar de verdade. os que se . quando propomos que eles orem também. que ao cabo de tantos desenganos. em respeitoso silêncio. ou seja. até mesmo a prece. pura. ou. cega e injusta. sur preendente. Desculpam-se. Outros. juntos. a falta dos paramentos e dos livros adequados. Como se julgam alienados da doce intimi dade do Cristo. A reação. pois. dizendo que “ali não há condições”. oficiar os ritos e os sacramentos a que estiveram habituados na vida terrena. que precisam de algum tempo para deixarem-se alcançar. desculpam-se desajeitadamente. Ele ouviu a prece. e da crise que os leva à dor que os espera ao longo do extenso caminho de volta. mas pode ser grupada dentro de classificações mais ou menos didáticas. passem a não crer nela. mas ainda precisam de tempo. ou com a qual não se acham familiarizados. Há. Ela os leva a alguns instantes de pausa. então. sentem-se atônitos e temerosos. ou como se somente pudessem exercê-lo com os apetrechos a que se habituaram. preferem ficar como estão. como se não dessem nenhuma importância a qualquer ato de contrição. embora reagindo. a nossa caminhada. conseguís semos retomar. ambos.. Estes ainda riem. ou pronunciaram julgamento sobre o próximo. O efeito é “milagroso”. ainda que nem sempre instantâneo. e que se encontra anestesiada.

ou não necessitados. A prece nos liga porque. Sua prece era um tanto oratória e. Na profunda inti midade do seu ser. a esperança e o amor. convencidos de que Deus. Falava em nome da “equipe humilde” do Cristo. Recolheu-se a uma postura correta. estava ao abrigo de suas próprias contradições ínti mas. por me faltar autoridade para fazê-lo. às vezes. ele deveria realmente acreditar que era um excelente trabalhador do Cristo. mas pedia para nós. contempla a esperança e ajuda-nos na doação do amor. e nada pedia para eles próprios. continuei com a impressão de que aquele era apenas mais um dos inúmeros mecanismos usados para fuga. “a garantia do que se espera e a prova das realidades invisíveis”. e continuava a negacear diante da difícil decisão de abandonar o poder e a glória. descer do pedestal de grande mestre. Ë por ela que conseguimos alçar o nosso espírito. que estávamos muito necessitados de socorro e orientação. a prece é o convite para que a esperança se realize em nós. de intensa e desastrosa sinceridade. pelos caminhos espinhosos da recuperação. ou líder. no seu caso. Um deles tomou a iniciativa de pedir-me para orar. que oram até mesmo com certa veemência. os componentes do grupo. espicaçado pelo remorso. de suas responsabilidades maiores. Disse-lhe que não me cabia autorizar um ato desses. aguardou alguns momentos de silêncio respeitoso e se pôs a orar a Jesus. é por ela que a caridade nos faz agentes da Divindade. pois. falando com entusiasmo e brilho. diante de um doutrinador impertinente. por julgarem-se indignos. Enquanto isso. porque o fanatismo é. de fato. às culminâncias da esperança. e preparou-se para orar. juntando as mãos em frente dos olhos fechados do médium. para voltar a ferir os pés descalços. . com muita veemência. 177 recusam a dizê-la. apoiada na fé. Ele ainda comentou a minha atitude. para livrá-los da situação em que se encontram. ou o Cristo. a quem orava com todo o fervor. de coração sangrando. A prece é o instrumento do amor grande e puro de que nos falou o Cristo. a fé. É possível que ele fosse sincero no seu apelo. ou diante de nós. Sendo. aprisionado ainda no erro. virá imediatamente em seu socorro. e os que se acham de tal maneira alienados. Paulo apresentou juntos a fé. depois nos deu uma demonstração de seus recursos de pregador. mas. algo surpreso. porque o Cristo sabia de suas ne cessidades e aspirações. a uma platéia invisível a nós.

em “Evolução em Dois Mundos”. declara. que dizem basicamente a mesma coisa: — Passes. que até os dicionários comuns contêm definições aceitáveis dele. sobre o passe apli cado aos . a fim de que o Estado Orgânico. a idéia do passe. nos seres responsáveis. Esclarecemos. nas sessões de desobsessão. principalmente na França. opera certa lesão no hemisfério psicossomático.” Retomando o tema. a refletir-se em desarmonia no hemisfério somático ou veículo carnal. aplicado em seres encarnados. provocando determinada causa de sofrimento. observa ainda. Observamos que os textos aqui reproduzidos referem-se especificamente ao passe curador. do ponto de vista da medicina humana. por exemplo. por desajustes complicados do cérebro. segundo experiências de Albert de Rochas. ou perispíríto. A literatura sobre o passe magnético é vasta. porém. mesmo fora do âmbito estritamente doutrinário do Espiritismo. ser menos rico de resultados imediatos nos doentes adultos que se mostrem jungidos à inconsciência temporária. se recomponha para o equilíbrio indispensável. em toda situação e em qualquer tempo. porqüanto. ao que sabemos. para que essa vontade. nesse caso. nessa ou naquela contingência. o desdobramento do perispírito. a vontade fortalecida no bem pode soerguer a vontade enfraquecida de outrem. novamente ajustada à confiança magnetize naturalmente os milhões de agentes microscópicos a seu serviço. notadamente aquele que se baseia no divino manancial da prece. no entanto. que mais se poderia exigir de um dicionário não especializado em fenomenologia espírita? André Luiz. cabe ao médium passista buscar na prece o fio de ligação com os planos mais elevados da vida. reiteradas posterior-mente por vários pesquisadores. contará com a presença sutil dos instrutores que atendem aos misteres da Providência Divina. 178 33 O PASSE A técnica do passe magnético. capítulo 15: — “Pelo passe magnético. organizado pelo Professor Antenor Nascentes. o passe é utilizado também para magnetizar. desde as crianças tenras aos pacientes em posição provecta na experiência física. esse mesmo autor espiritual. de vez que o magnetismo foi amplamente cultivado na Europa. Poucos estudos existem. reconhecendo-se no entanto. ou sobre a parte doente da pessoa que se pretende curar por força mediúnica. pl. dissera ele que: “Toda queda moral.” Pouco antes. pelo menos no Brasil. passagens que se fazem com as mãos por diante dos olhos de pessoa que se pretende magnetizar. o de Caldas Aulete e o da Academia Brasileira de Letras. merece algumas observações específicas. provocando. no século passado. que. mas. porém. Tão difundida está hoje. É certo que a definição não cobriu todo o campo de ação do passe. e até o acesso à memória integral e conseqüente conhecimento de vidas anteriores. Como sabemos. como. informando sobre o passe. que o passe “é sempre valioso no tratamento devido aos enfermos de toda classe. a lhe utilizarem os recursos para a extensão incessante do Eterno Bem”. através da oração. em “Mecanismos da Mediunidade”.

pelo simples fato de que o ser humano. com seriedade e respeito. mas bastante encorajadoras. hediondos e totalmente desprovidos de qualquer compromisso com a moral. em hipótese alguma. definições precisas e definitivas não existem ainda. Na prática da desobsessão. Dessa forma. aberto aos benefícios que o passe proporciona. de falhas e de êxitos. é similar à do corpo físico. ou por meio de processos aviltantes. mas por processos abjetos que. embora mais sutil noutro campo vibratório. pouca gente . portanto. A teorização somente é válida quando escorada na experiência. Nesse campo. em virtude de permanecerem em segredo. como veículo da sensibilidade e intermediário entre o Espírito e o ambiente em que vive. Os rituais da magia negra também revelam e desenvolvem faculdades psíquicas. o conhecimento real emerge da experimentação. de um ou outro engano. neutras. O perispírito. mas não devemos esquecer que a recíproca também é legítima. Talvez um exemplo ajude a esclarecer o que tenho em mente ao escrever isto. quando informam que o passe magnético. torna-se facilmente acessível ao passe magnético e. são. Mas. ou seja. As faculdades psíquicas. como para provocar a regressão de memória. mas deve ser empregado com certas cautelas e com moderação. o Espírito desencarnado. lógico inferir que o mecanismo é idêntico ao passe aplicado em seres encarnados. Os ensinamentos de André Luiz permitem-nos concluir assim. no entanto. tanto no encarnado como no desencarnado. Parece. em si mesmas. constitui poderoso fator de reajustamento para os desencarnados cujos perispíritos se acham lesados em decorrência de quedas morais. e creio que algumas observações já estão mais amadurecidas e em condições de mais aprofundados estudos e desenvolvimento. qual o momento. altamente éticos. incorporado ao médium. não apenas para fins curativos de disfunções perispirituais. Podem também ser desenvolvidas e treinadas por métodos limpos. precisa ser ministrado no momento certo. tenho tido oportunidade de observar as possibilidades e recursos do passe sobre companheiros desencarnados e creio poder contribuir com algumas observações. com a técnica adequada e na extensão necessária. neste campo de trabalho. está presente. os amigos espirituais que tão generosamente se colocaram ao nosso lado. apoiado na prece. Sua estrutura. ainda que preliminares. O passe. como todos os demais recursos com que procuramos socorrer os nossos irmãos desencarnados em crise. o passe é recurso válido nos labores mediúnicos. pois é ele o modelador da nossa organização material. qual a técnica e qual a extensão. como sabemos. para cada caso? Não podemos ainda — e creio que não poderemos fazê-lo tão cedo — escrever normas rígidas para a tecnologia do passe sobre os desencarnados. Tanto podem ser empregadas nas tarefas do bem. a experimentação deve balizar-se dentro daqueles conceitos fundamentais que a Doutrina e a lógica já confirmaram. No entanto. é imprevisível. desligados dos conceitos fundamentais da Doutrina Espírita. como nas outras. têm-nos trazido sempre o estímulo dos seus ensinamentos. mas que. Não sei se me faço entender. para orientar e apoiar o nosso trabalho de doutrinação. tal como codificada por Kardec e suplementada pelos seus continuadores. Sem dúvida alguma. Nunca é demais lembrar que. 179 seres desencarnados. deveremos enveredar imprudentemente pelas trilhas da fantasia. além de ser uma organização consciente extremamente complexa.

A primeira norma que poderíamos lembrar é a de que não deve ser aplicado a qualquer momento. Mas. pelo menos por enquanto. para tratamento mais adequado. para ajudá-lo. Com o passe os adormecemos. construir ou destruir. mas é preciso usá-lo com moderação. foi dito. isto é. para provocar fenômenos de regressão de memória ou projeções mentais. qualquer trabalho mal orientado. e que tenebrosos compromissos acarreta rão para o Espírito. Precisamos estar sempre protegidos pela prece e pelas boas intenções. enfim. tinha que ser dito. com as quais os mentores do grupo compõem os “quadros fluídicos”. ou trazido na sessão seguinte. pois localizam-se muito realisticamente em pontos específicos de seus perispíritos. Para isto serão passes de dispersão. encarnado ou desencarnado. precisa ser desenvolvida com muita prudência e seriedade. causar bem-estar ou incômodo. De outras vezes. Creio que princípios gerais semelhantes a esses aplicam-se também ao estudo do passe. que parecem escorrer como uma descarga elétrica. simbolos. ao despertamento de Espírito em estado de alienação. nesta fase. transmitir vibrações de amor ou de ódio. e por qualquer motivo. para que dar passes? Em vários casos ele pode ser aplicado. “objetos” imanta dos. Com o passe podemos também ajudá-los a livrar-se da indução hipnótica alheia. O passe cura dores que julgam totalmente “físicas”. . ou fazê-las cessar. é necessário mesmo adormecê-lo. 180 tem noção do nível de degradação a que podem levar. vestimentas especiais. É fácil imaginar que tipo de mediunidade e que pactos sinistros emergirão desses métodos sinistros. ao ser retirado pelos mentores. o passe pode ajudá-lo a serenar-se. mesmo porque. no entanto. Neste caso. Em contraposição a tais processos. O passe provoca reações variadas no ser humano. no trato dos nossos irmãos desencarnados. em termos de Doutrina Espírita. pode criar vícios de difícil erradicação posterior. ou da própria. “couraças”. subjugar ou liberar. estudo metó dico e prática bem orientada. nas sessões de desobsessão. curar ou trazer mais dor. Se temos necessidade de dialogar. ao tentarmos acalmar um Espírito agitado. como vamos entorpecê-lo a ponto de levá-lo ao sono magnético? Às vezes. armas. para que. Já debatemos por algum tempo o seu problema. transmitindo-lhes diretamente ao coração as vibrações do nosso afeto. não obstante. em melhores condições de acesso. Com o passe. como “capacetes”. a fim de que. indiscriminadamente. O passe ajuda também a desintegrar certos apetrechos que costumam trazer. Ele pode serenar ou excitar. às vezes. condensar ou dispersar fluídos. seja recolhido a instituições de repouso. da auto -hipnose. provocar crises psíquicas e orgânicas. Com passes — e neste caso precisamos também de um médium que tenha condições de exteriorizar ectoplasma — poderemos reconstituir-lhes lesões mais sérias ou deformações perispirituais. não o levemos a um estado de sonolência que dificulte a comunicação com ele. podemos mais facilmente alcançar-lhes o centro da emoção. e ele continua agitado. justamente do que mais precisamos. a identificação da mediunidade em potencial e o seu desenvolvimento. sua técnica. devem resultar de cuidadoso planejamento. ao longo dos braços. tão necessários. sempre que nos levantamos para dar passes num irmão desencarnado incorporado. Ele é realmente o recurso válido e potente. isso é necessário. o que.

se “retransmitisse”. Por que razão teria ele. Quando vê diante de si o Espírito de sua mãe. mas nem sempre necessariamente em vidas anteriores. agora agravado pelos “ardis” que utilizamos contra ele. para que. ainda aceitava a mãe. Já relatei algumas ao longo destas páginas. para fins muito bem definidos. os mentores do grupo utilizaram-se daqueles condutos para levar ao grupo deles uma vigorosíssima carga fluídica. Ajudados por nossos passes. Lembro-me. porém. Tem-lhe ódio mortal. Começo a pedir-lhe que procure compreender a mãe. É também comum o trabalho de “desfazer” vestimentas especiais. especialmente ao fim da conversa. de braços estendidos. O passe ajuda os Espíritos. Certo Espírito. em rigorosa concentração. que os desarvorou completamente. A sua reencarnação através dela foi um recurso da lei divina . O passe pode “desfazer” os fios que ligam Espíritos aos seus redutos. como no caso daquele que nos trouxe. Seu problema central é a mãe. que depositou sobre a mesa. mas nunca pôde esquecer-se de suas origens e perdoar a progenitora por ter sido uma pobre e infeliz peixeira do cais. começou a chamar pela mãe. manda-a de volta ao cais. O Espírito era agressivo. Ele se tornou sonolento e. São mais freqüentes as oportunidades em que é preciso adormecer o Espírito. porque dependia dela e a consciência do seu drama interior estava adormecida. a propósito. além de capacete e couraça. os amigos espirituais fazem com ele uma regressão de memória. as ligações foram mantidas e. Na semana seguinte. de modo a serem conduzidos pelos trabalhadores desencarnados. violento e de dificílima abordagem. Ainda muito difícil. por exemplo . através dele. com voz mansa. dentro das quais se julgam protegidos de nossos fluídos. no devido tempo. somos instruí-dos a provocar a desintegração de objetos e apetrechos. até à infância. de um doloroso e comovente caso. Veremos outros exemplos. precisamente. muito pequeno. destacou- se na vida. está pelo menos em condições de ouvir melhor o que lhe digo. Creio que ele não conheceu o pai e. grita-lhe impropérios terriveis. Cinqüenta companheiros seus haviam ficado reunidos. um invisível prato de sangue. o fio também foi preservado. escolhido aquela mãe. Ademais. Com mais freqüência do que seria de supor-se. nas quais se escondem núcleos de problemas afetivos. as palavras que ele ouvia do doutrinador. São também constantes os fenômenos de regressão de memória. Ao que parece. ao seu grupo. Desta vez. e não outra? É porque já estava ligado a ela anteriormente. quase sempre reportando-se a vidas anteriores. sabia ele das obsessões de que ela fora vítima? Foi isto. até que adormeceu sobre a mesa e foi retirado. para sustentá -lo na sua “perigosa” missão junto a nós. numa época de preconceitos muito severos. Ele sabe que o espírito é imortal e que vivemos muitas vidas. ligava-se por um fio. ameaça bater-lhe e humilha-a de todas as maneiras. Numa dessas ocasiões. nesses mergulhos providenciais no passado. a despeito deles mesmos. voltou novamente com todo o ímpeto. enquanto ela se encontrava na carne e ele permanecia no mundo espiritual. aos comparsas do Espírito mani festado. quando. segundo diz. que rompeu o dique das suas emoções represadas: ele próprio fora seu obsessor. sofreu humilhações na escola. na sessão anterior. 181 De todos esses aspectos temos tido experiências altamente ins trutivas e algumas de intensa dramaticidade. por causa de sua vida miserável. segundo nos explicou.

Tenho perfeita consciência das dificuldades que o problema oferece e do embaraço em que me encontro para ser mais específico na formulação de observações concretas e de normas de ação mais definidas. em que se apresentará mais receptivo. mas. no campo mediúnico. Em assuntos dessa natureza. é melhor confessar a escassez de conhecimentos do que arriscar-se a ditar regras que não estão nitidamente definidas pela experiência. necessário a ambos. 182 do reajuste. Ao cabo de uma longa conversa — e agora é o momento em que o doutrinador precisa de maior sensibilidade ainda — ele énovamente adormecido e levado. Um dia saberemos mais acerca desse precioso instrumento de trabalho. Num “flash” doloroso. ele compreendeu todo o seu drama terrível e entrou numa tremenda crise de remorso. mas precisa ser utilizado com prudência e sob cuidadosa orientação dos trabalhadores desencarnados. é que exercitem com parcimônia o recurso do passe em Espíritos desencarnados e observem atentamente seus efeitos e possibilidades. Em suma: o passe tem importante lugar no trabalho mediúnico. . precisa ser aplicado exatamente para serená-lo e prepará-lo para outra ocasião. Não deve ser empregado para atordoar o manifestante. às vezes. Se posso sugerir alguma Coisa. exatamente quando precisamos de sua lucidez para argumentar com ele sobre o seu problema.

e presas as recordações. distinguir bem uma coisa da outra. Talvez por isso escreveu Sholem Asch. Dormem soterradas nos tenebrosos porões do inconsciente as razões das nossas angústias de hoje. trágica. Estamos a caminho da redenção quando damos apoio consciente às tendências do bem em nós. jamais. embora seja essa a temática de que se utilizou para elaborar a sua estória. fugir às suas res- ponsabilidades e compromissos. É preciso saber que cabe a nós — e a ning uém mais — domá-las. e sim o poder de esquecer. saberão fazê-lo com dignidade e coragem.” O escritor judaico não positivou no livro a sua crença na reencarnação. naturalmente. indomadas. fortemente protegido pelos mecanismos do esquecimento deliberado. ao tomarmos novo estágio na carne. A dor dos grandes criminosos é terrível. no trabalho de desobsessão. esquecem-se de que não poderão. entre um futuro que ainda não existe e um passado que procuram igno rar. com as nossas lágrimas. nos deixamos dominar pelas sombras que trazemos no íntimo. Que seria de nós. Trágico e doloroso engano é esse. Quanto mais arrogante e belicoso o companheiro desarvorado. comovedora. quanto o são perante a alheia. Para abrir diante dele uma janela sobre si mesmo. no terreno fértil das paixões que julgamos tragicamente indomáveis. São de incontestável importância estas noções. segundo os impulsos do momento. no entanto. a lembrança das existências anteriores. que lutam por consolidar-se na complexidade da nossa psicologia. simplesmente. cons titui uma das condições necessárias à nossa existência. na abertura de “O Na zareno”: “Não o poder de recordar. quando estimulamos. mas. tanto quanto estão em nós as conquistas positivas. que se há de fazer? Temos a impenitente propensão para rejeitar como inválida a experiência alheia. tentando suplantar os apelos negativos que insistem em infelicitar-nos. É precisamente por isso que a sabedoria divina determinou que se apagasse em nós. O esquecimento . ser tão valentes perante a dor própria. ao chegar a vez de sofrerem pelos seus erros. Se. desesperada. e cultivamos. com amor e sofrimento. a chave mais importante de que dispõe o doutrinador consiste em levá-lo a contemplar seu próprio passado. o passado não interessa e o presente é a única realidade que aceitam e manipulam livremente. Quando os advertimos dessas incongruências funestas. Esperam. Comprimidos numa estreita faixa de presente. Para o Espírito atormentado pelos seus desequilíbrios. nesses momentos dramáticos em que o Espírito se acha completamente aturdido ante a enormidade de seus erros. se fôssemos obrigados a viver sob o tropel das pungentes recordações de antigos e medonhos erros? É preciso. quando são. maior a dor que experimenta ao despertar para as realidades que procurou ignorar por tanto tempo. todo o nosso esforço é posto na tarefa inglória de manter soltas as paíxões. enquanto se aprofundam em nós as raízes do desequilíbrio. o futuro não importa. que procuram viver com toda a intensidade possível. ao contrário. 183 34 RECORDAÇÕES DO PASSADO Somos o nosso próprio passado. respondem-nos que não estão preocupados com o futuro. dado que. mas. enquanto nos apraz o erro. paramos no tempo. as sementeiras da paz. mas não se pode negar a sua intuição da verdade.

na trajetória evolutiva do Espírito. É certo que. O melhor. depois de uma pausa. por largos séculos ou milênios. como se estivesse momentaneamente desligado das suas culpas. ou ao poder. intensamente. açambarcar o poder. pode ser-lhe facultado o acesso à memória integral. perseguir seus inimigos e construir um nicho para si mesmo. teimamos em chamar de destino. por aí dificilmente ele irá à glória imediata. agora. enfim. acaba por acreditar-se uma criatura sem passado. daquele mesmo passado que renega. Suas angústias são muitas. é igualmente verdadeiro que se torna extremamente difícil fazê-lo. O Espírito. está abrigado de si mesmo. está o caminho aparentemente mais fácil e certamente mais convidativo do adiamento. sair em campo. Esse momento é crítico. que talvez ainda o fascine. para que faça um inventário geral de seu acervo espiritual — as aflições que remanescem e as conquistas que já conseguiu realizar. veremos como acertar essas contas com o que. e o futuro nunca fosse existir. poderá prosseguir no áspero caminho da redenção. porque é justamente disso que ele foge. pois. utilize-se. É seguir em frente. caírem na faixa da . Com a finalidade de conceder-lhe todas as oportunidades. porque a redenção ainda vem longe. dentro das quais os membros protegem-se mutuamente. enquanto mutuamente se servirem. passa à condição de não-existente. é mais certo que continue o percurso da dor. sepultá-las. o esquecimento do passado constitui dádiva preciosa. há milênios sem conta. alegremente. em proveito próprio. Para proteger-se do calor que faz à sua volta. conseguiu abrandar algumas arestas mais contundentes do seu caráter e desenvolver umas poucas virtudes embrionárias. em tais condições? — o passado. para eles. encerra-se o Espírito endívidado num círculo de fogo. da renúncia. mesmo. que temos de descobrir uma fórmula para levá-lo a recordar. no mundo espiritual. congela o coração. irresponsavelmente. Depois. Está pronto o obsessor para a sua tarefa. adstrito à incoerência dos alienados. Vamos primeiro “gozar” a vida. ligando-se a tenebrosas organizações. Quantas ve zes os temos surpreendido a advertirem-se do “perigo” que representa. seus remorsos extremamente penosos. e ninguém pode gozar a vida com esse lastro de aflições. que também decide pelo esquecimento. buscar seus comparsas. Só poderá sair queimando-se. para que ele tente a reconstrução de si mesmo. Re tornando. É como se a vida principiasse nova mente. Ficam para depois as conquistas sobre nós mesmos. ainda que efêmera. dos desenganos. Se é verdade. uma concessão. É só. 184 proporcionado ao Espírito. na fase da reencarnação. é uma bênção. acumular riquezas materiais. Novamente se vê ele numa das inúmeras encruzilhadas da vida: por um lado. como se o passado não existisse mais em nós. que foi recalcado para os subterrâneos da memória perispiritual. não obstante. é esquecê- las. à sua condição de espírito desencarnado. Dentro dessa lógica atormentada. enquanto permanecer ali. do ponto em que a inocência a deixou. ignorá-las. para refazer-se. o frio anestesia a sensibilidade e o imuniza da dor alheia. além disso. que nem sempre ele sabe avaliar. embora ainda responsável por elas. embora. de sua própria criação. É aquele que opta por este caminho. em nova aventura na carne. assim envolvido. no mundo espiritual. para aquele que muito errou. Dentro de pouco tempo — e que é o tempo. pois. e colocar à sua disposição os melhores instrumentos. Do outro lado. de todo o acervo de experiências e conhecimentos que traz em si. dominar o semelhante. viver.

É evidente que as cenas não são criadas com a substância evanescente da fantasia. com respeito e dignidade. André Luiz deixa-nos entrever tais processos. Pela primeira vez. foi encontrar raízes muito mais profundas. com essas formas de energia. os irmãos desarvorados parecem saltar o circulo de fogo que os envolve. como temem os fantasmas interiores. onde foi um dos membros sacrificados da corte do faraó. O Espírito vê.. incoercivelmente. condições e conhecimentos para apreender a essência das técnicas empregadas para a obtenção das projeções. para obter dos companheiros desarvorados o mergulho necessário nas lembranças recalcadas. quando narra o trabalho de doutrinação junto a um ex-sacerdote desencarnado: “. ainda. como se do lado de fora de si mesmos. para que os benfeitores de nossa esfera se façam visíveis aos irmãos perturbados e aflitos. indispensável a essas montagens. viu os quadros do êxodo no antigo Egito. 185 recordação. me surpreendeu pelas características diferentes com que o trabalho era levado a efeito. Como reagem. Ante o impacto dessas imagens. no futuro? Um desses companheiros atormentados. há muito tempo. os recursos necessários para desencadear o processo terapêutico. indispensáveis ao reavivamento da emotividade e da confiança nas almas infelizes. e até onde irá. não obstante já se acharem desligados dela. onde. que precisa ser dispersado. podem os benfeitores espirituais prestar certos serviços importantes àqueles que se encontram ainda presos ao padrão vibratório da carne.” — “Esse material — explicou o instrutor — representa vigorosos recursos plásticos. embora não fosse novidade. de um passado que julgavam morto. explicando que. Não temos. especialmente aquelas que constituem o núcleo de sua problemática. algo perplexo: — Será que isso não tem fim? Senti que a pergunta era mais dirigida a ele próprio do que a mim. em muito tempo. perguntou-me. vivas e dramáticas. ou para que materializem provisoriamente certas imagens ou quadros. que lhes pareciam desintegrados para sempre na poeira do tempo!. recolhida dos encarnados presentes. porém. no passado. vários ajudantes de serviço — escreve ele. . o que. Recuando mais. em “Missionários da Luz”. Um dos mais comuns é o da projeção dos chamados “quadros fluídicos”. pelos mentores espirituais dos grupos de desobsessão. do drama. como o médico que ministra um remédio amargo. para desatar os laços que o prendem às suas angústias e ao seu alheamento. o que estão fazendo? Que loucura é aquela em que mergulhamos? De onde vem tudo isso.) O instrutor prossegue. Vários recursos são empregados. justificado pela expectativa da cura de seu doente.. Afinal de contas. diante de si. anti-semita irredutível. cenas vivas de seu passado. na antiga Babilônia. e.. mas. Os técnicos desencarnados limitam-se a manipular.. inclusive as que fluíam abundantemente do organismo mediúnico. às vezes. como relutam. no capítulo 17 — recolhiam as forças mentais emitidas pelos irmãos presentes. que parecem surgir límpidas. têm uma pausa para reexame de suas posições desesperadas. os encarnados. encontra-se nos arquivos perispirituais do ser ali presente. em posição diferente. enfrentara o difícil problema da longuíssima saga do povo hebreu. a matéria-prima.” (Destaques desta transcrição.

os Espíritos relutam em contemplá-las. Era a história de sua própria vida. e impõem-se. Cabia-lhe assinar o documento. A primeira página estava em branco! Fez uma pausa e virou mais uma: também em branco. estou certo de que as mães ocupariam o primeiro lugar. um recurso. enfim. já há muito. evidentemente. de vigorosa dramaticidade. A pureza do amor materno permanece inalterável.Todo o livro estava em branco. filhos. por um esforço da nossa vontade. e informa: “uns são canonizados e outros queimados”. sobre a qual estava seu nome. Num caso particularmente difícil que tivemos. que devem tornar-se visíveis. Se fosse realizada uma pesquisa estatística sobre tais manifestações. ao poder da espada impiedosa. no passado. 186 disse-lhe que sim. não obstante. para levá-lo ao reexame de seus atos. Depois de muita relutância. como para formar os próprios “quadros”. ou amigos muito chegados ao coração. Em outro caso. suporta as humilhações. Pede que lhe tirem da frente o papel e a pena. o Espírito viu. A certa altura. como se um “video tape” as reproduzisse. Ele sabia que precisava abri-lo.. mas. destacadamente. e procuram fugir das visões que. A lição era por demais óbvia: nada construíra naquela existência tumultuada. enquanto eu dialogava com o Espírito incorporado. Ela alcançara. acima transcrito. podemos pôr um ponto final nesses círculos viciosos. cuja lembrança ele procurava recalcar nos porões da memória. A um deles a visão era de uma folha de papel e uma pena. para a sua visão. para não contemplar mais aqueles olhos. e agora revia o momento dramático. que ele sabia ser uma sentença de morte. as regiões da felicidade. com uma diferença: alguém contemplava. Diz que matou uma santa. ao passado. e a dor de ter o seu amado preso ainda . . vence tudo. mas não se sentia encorajado. o Espírito acha-se tão profundamente condicionado ao clima vibratório mais grosseiro. fixando nele um par de olhos tranqüilos. com toda a sua intensidade e emotividade. que buscam eternizar-se dentro de nós. encadernado em capa de madeira. que se torna necessário aos benfeitores utilizar ectoplasma. Com muita freqüência. produzido por médiuns de efeitos físicos. as cores. fez o gesto de virar a capa.. vence o ódio. provavelmente os de sua vítima. um dos médiuns começou a expelir ectoplasma. Seu desespero é atroz. arrosta as ingratidões. Às vezes. esposas. * Muito freqüente é a presença de antigos e esquecidos amores: mães. durante a qual dominara povos. não apenas para adensar as formas perispirituais de companheiros desencarnados. os sons. o ectoplasma formou. antigo amor. a despeito deles próprios.. nas profundezas de seus tenebrosos domínios. a curta distância.. tornam-se irrecusáveis. Que lhe cortem a mão que assinou a sentença e que fique cego. certamente. Fizera-o. escrito em belos caracteres de bronze. as letras de um nome de mulher.. Era. que só é possível depois de compreendermos a inutilidade do ódio e a força invencível do amor. ao longo dos séculos e das vicissitudes. Lembram-se das cenas finais de “Libertação”? É a mãe que vai buscar o filho amado. como verificamos no texto de André Luiz. um grosso livro. sobre a mesa. cheios de amor fraterno. As cenas são mostradas com todo o seu realismo: o movi mento.

Mal suspeitava eu da demorada aventura que ali começava . pri meiro aparentemente muito calmo e tranqüilo. manifesta-se um Espírito feminino e conta a sua dolorosa história. que não tem mãe. por ela. porque é este. esquecer a ajuda daquela mãe humilde. — “Sou Matilde — diz ela — alma de tua alma. Está indignado. a pedir-lhe perdão. por isso. mas começava a deixar transparecer. O Espírito vinha assediando-nos há tempos. que nos velam de lágrimas os olhos! Lembro-me de um deles. Os séculos se passaram. Disse que ia passando por ali e resolvera fazer-nos uma visita. Deixou no ar a ameaça ô partiu. Sofre muito e foi trazida somente para encontrar-se com ele. Tinha o poder de um semideus. . Com este caso. incontestado. que se desdobrou em aspectos inesperados e de profundas implicações. desencadeou-se extenso processo. junto dele. precisamente. um dia. e ainda mergulhada nas dores do resgate. Por algumas semanas. e tudo quanto ela esperava. que já tinha sob seu controle alguns daqueles que dispunham de maior quantidade de “massa cinzenta”. Nunca pudemos. Se pudesse. Revelou. mas muito vaidoso.” Quantas vezes temos assistido a reencontros emocionados. por certo. — Ele é bom — diz ela —. Pouco falava nas suas manifestações. semana após semana. Ele reluta e resiste. Diz que tudo ruiu em torno dele. se fosse o caso. Adormece e parte. Na semana seguinte não consegue mais manter-se calmo. Foi. o Espírito consegue divisar a figura de sua mãe. no momento. havia contado a nós os seus propósitos e objetivos. mãe digna. procurou-o e foi repelida. a despertar o valoroso Espírito que adormecera nas suas paixÕes. de revolta e de impotência. porque algum delator. Digo-lhe que as mães são seres humanos e. embalado pelo amor ao poder. 187 às paixões do mundo? Vai ao seu encontro. te adotou por filho querido e a quem amaste como dedicada mãe espiritual. para mandar queimar-me vivo! Acaba em pranto. através de processos de regressão de memória. Em seguida. Ainda vê nele o filho querido de quatro séculos atrás. que. Ofereço-lhe a nossa ajuda. também. Na vez seguinte suas preocupações estavam ampliadas. Nessa mesma noite. também erram. por outro médium. também teve um encontro dramático com ele. a si mesmo. e “fomos mexer com a sua familia!” Dá murros na mesa. que o perturbou há duas semanas. de nosso conhecimento. a seu ver. em particular. com a sua presença amiga. tomar suas providências”. Quando já se encontrava na sarjeta. Em caso semelhante a esse. à roda.. agora. apenas. certa preocupação. no entanto. o âmago de sua problemática: foi abandonado. Nada queria de especial: iria apenas observar-nos e. Ela mesma ainda não está bem. era merecer novamente a oportunidade de ser mãe. que nos ajudou. Ele a abandonara à sua própria sorte e ela enveredara pela degradação mais abjeta. tem a primeira visão de algo que muito o perturba.. furioso. observou- nos. Manifestou-se. me pegaria. numa descida sacrificial às difíceis regiões em que ele vive e sobre as quais reina. que ela agradece. enquanto encarnados. No passado. estávamos penetrando certos núcleos. ajoelhada diante dele. a sua presença ali. dominado pelo ódio e espicaçado pela humilhação. Oramos. Foi mãe daquele que acaba de retirar-se. e por isso ele repete agora. Ele se havia tornado muito importante na hierarquia eclesiástica. dizendo que tem de voltar para onde está. porque des- cobriu que. como das vezes anteriores.

Basta um momento assim. dirijo a ela um pensamento de infinita ternura e gratidão. cercados de sombras. no caso de um companheiro de quem estávamos tratando. precisamente aquele que se incumbia de doutriná-lo e esclarecê-lo. Era sua mãe. pois seu caso ali é outro. ainda trazia ressaibos de ironia. Ora. despertar o amado companheiro. Quando conseguimos. expondo o seu problema e as suas dores.. de mais de oito séculos! Em conseqüência desse. junto de Deus. para que a luz penetre o coração angustiado desses queridos companheiros. pelo qual lhe está falando. agora. que abandone aquela vida e venha para junto de seu coração. diante de nós. o Espírito viera dar uma ajuda. à Mãe Santíssima. de b raços estendidos. Deseja ouvir dele próprio a negativa. o Espírito. Depois lhe diz que vai deixar o médium. ele não mais resiste: — Tenho mãe! — diz ele. amigos e parentes acham-se presentes. sem-cerimônia. fora um dos principais instrumentos dos terríveis desvarios daquele a quem desejava. Foi num desses pontos críticos do diálogo que outro médium me disse que um Espírito presente desejava dizer alguma coisa diretamente a ele. Todos estão juntos na família. e de outros desenganos. ajudar a libertar de suas angústias. comovidamente. porque se tratava de um caso em que o ódio concentrava-se direta mente sobre um de nós. bastante lúcido. também muito difícil. Bem que ela poderia também ter guardado certa mágoa de mim. Que ela não se meta. Informou-me de que. não o teríamos alcançado. Era questão antiga. Pede-lhe ela. fez uma saudação: — Divino! Divino! E o médium dobrava-se sobre a mesa. para aconchegá-lo junto ao seu coração. saltando. mas não teve para mim uma palavra de censura ou de amargor. que não esquecera e sofria com a ausência do filho. que usualmente são válidas: não teria ainda chegado a hora do reencontro. afinal. num caso a que já me referi alhures. vagava ainda pelas trilhas da revolta e do rancor. Mesmo assim. com infinito carinho e humildade. por fim. Respeitemos suas razões. ouvi o diálogo através do tempo. porque estou certo de que. das quais não conseguira desembaraçar-se. sua ternura infantil. dizia. entre a mãe amorosa. e o filho que recusava obstinadamente o amor. Servira aos imperadores romanos. De outras vezes. porque fui um dos agentes de sua angústia. perdidos num dédalo de sentimentos confusos. dominados pela aflição. de ternura. O problema era extremamente difícil. com enorme respeito. recebeu. de recordação. o Espírito tinha um problema pessoal comigo. porque estava achando impossível viver sem o ódio e a vingança. porém. fazendo mesuras. e. seus apelos. Elevei meu pensamento em prece e. Numa dessas oportunidades. Em outro caso. sem o seu concurso. nesse ínterim de . só ele está ausente. Ela lhe lembra as velhas cantigas e aquele tempo em que ele orava no quarto.. de amor. autoritário e empolgado pelas suas idéias e pelo seu rancor. mas não se revelam à visão do Espírito manifestado. Ao manifestar-se. em palavras simples. E ele diz que não a quer mesmo. Estava. Eles ainda se julgavam deuses. a visita de um menino (teria sido seu filho ou neto?) que o desarmou com seu carinho. Ele se mantinha irredutível. continue a fazer seus bordados. em silêncio. para o seu colo. pois minha presença obviamente reanimava nele as antigas paixões e frustrações. 188 damos-lhe passes. Não está convencido de que ele a recuse. — Não sou um desgraçado! De outra vez. Em tempos idos.

mas formados com “material” sacado do subconsciente do Espírito. invisível ao seu antigo chefe. estava ainda preso a eles. que métodos e recursos empregarão os nossos mentores espirituais. utilizando o poder dos Césares para promover seus interesses inconfessáveis. compreensão e simpatia. já sabia. não obstante. não. mas como a um Espírito infeliz. emoções. Conhecedor de suas próprias aflições interiores. à minha direita. consciente e disposto a corrigir-se. agora. num impulso de paixão e ciúme. muito respeito com o trabalho dos nossos mentores . Eles se apresentam aos seus olhos. Eu deveria fazer isso. conserva va-se. mas ele. do que pelo mero apelo da memória. cores. só que agora. disse-me. Antes de desligar-se do médium. açulando-lhes paixões aviltantes. no entanto. Promete ajudar e diz que o que o salvou foi a visão de um homem pregado à cruz. Diz-me uma palavra de muito afeto e anuncia que ficaria ali. porque não lhe convinha. fácil de conduzir. É preciso. tivera outras encarnações. Aqueles olhos lhe penetravam as mais profundas e ignotas camadas do ser. Bastava dar-lhe a impressão de que a decisão tomada fosse dele. Poderia perturbá-lo. na antiga Roma. para poderem impressionar seus sentidos. com cenários. que “ele” era uma criança grande. utilizam-se da projeção fluídica. mais pela presença de suas vibrações pessoais. dos presentes em torno da mesa de trabalho. os benfeitores espirituais incumbem-se de localizar os Espíritos ligados ao irmão que precisa de ajuda. para o bem. aqui mesmo. ou através de outro médium. em recentes ou antigas encarnações. é necessária a presença real dos Espíritos ligados aos manifestantes. também. quer se encontrem endívidados ou redimidos perante a lei. caso em que o Espírito manteve o diálogo com a antiga esposa — no momento encarnada — que ele assassinara na Idade Média. Nos casos em que essa presença se faz indispensável. na sua nobre tarefa de despertar os companheiros que permanecem hipnotizados às suas angústias. movimento. As vezes. e de trazê-los ao ambiente do trabalho. pois não chegara ainda o momento de apresentar-se à sua visão. Por isso. persona gens. Despedimo-nos com uma palavra de afeição muito sincera e amiga. a respeito da próxima encarnação de seu antigo chefe. e cujo olhar não mais esquecera. ou se tornam semimaterializados. E me diz. através dos tempos. Lamenta a perniciosa influência q ue exerceu sobre os seus soberanos. conversam com eles diretamente. sons. Eram pobres criaturas desequilibradas. pois. mas continuam sendo projeções. enquanto ele o fizera para o mal. mas rejeitou-a deliberadamente. ao lado. animado por meio de recursos retirados. com inesquecível toque de autenticidade. Quanto ao Cristianismo. Esses quadros exibem figuras humanas. Os quadros são apresentados com todo o seu vigor e realismo. 189 quase dois milênios. e que não iria ser nada fácil. muito embora sabendo que era longo o caminho a percorrer. Já vimos. Digo-lhe que precisa. estava perfeitamente lúcido e consciente do que fazia. encarar seu antigo amo. é claro. não como a um poderoso. que era a doutrina melhor. naquele tempo. Nunca sabemos. já assentados. De outras vezes. em vista da profundidade a que descera. ainda que estejam encarnados. pois. que precisa de muita ajuda e compreensão. como explica André Luiz. desarvorado e sofredor. ainda. Este Espírito deixou em mim uma sensação de fraternidade. que sabia dos planos.

que eles demonstrarem seus conhecimentos e sua capacidade. acompanhando-os em excursões pelo mundo da dor. Naturalmente que. um componente de incerteza. Não estão manipulando mecanismos cibernéticos. participamos de algumas fases do planejamento e dos contactos realizados no mundo espiritual. de que tanto nos falam eles. muitos deles nossos antigos comparsas. Antes que inspirem essa confiança em nós. mesmo naquIlo que lhes cabe fazer. . Eles nos assistem com desvelado carinho. seria arriscado segui-los confiadamente. dos méritos. depois. de certa forma. que se apresentam revestidos de peles de mansos cordeiros. que não poderão garantir o resultado. a inspiração. não obstante. integrado num trabalho sério e fecundo. E. É certo. durante os desprendimentos. mas não podem fazer. pois há Espíritos ardilosos. Se os companheiros dele. pois. por outro lado. com passes e sugestões verbais. naquilo em que os nossos compromissos e erros passados nos sintonizem com os companheiros desarvorados. como crianças timidas e ingênuas. Mesmo o grupo mais bem ajustado. amparam-nos nas horas de incerteza. que infalível só é a visão divina. Para isso. as sutis instruções que nos ministram. por nós. aquilo que nos compete. através da intuição. para melhor dominar e impor as suas condições. identificados como autênticos trabalhadores do Cristo. devem ser exibidos à sua visão. mas nosso conhecimento é muito limitado. É claro que os trabalhadores da seara do amor precisam de nossa colaboração. poderá ser sutilmente envolvido pelos ardis das sombras. que pode pôr tudo a perder. ali presentes. para autorizar-nos a precipitar qualquer situação. com todas as opções e alternativas previamente examinadas. embora não infalível. de falha. para captar- lhes. em nós. Se. mas cuidando de seres humanos. muito atentos. muito bem dotados intelectual-mente. precisamos (especialmente o doutrinador) estar com as antenas psíquicas permanentemente sintonizadas com os trabalhadores invisíveis. a nossa posição é de ativa expectativa. naturalmente. bem como a segurança com que executam suas tarefas. Enfim. definitivamente. assistir a tudo sem espírito crítico e sem a necessária vigilância. Baste-nos a alegria do dever cumprido. tranqüila. pois a visão que têm dos problemas suscitados é incomparavelmente mais ampla do que a nossa. Quanto à tarefa que lhes cabe. também ignoramos. dotados de livre-arbítrio. desde o planejamento cuidadoso até o último pormenor da execução. 190 invisíveis. dão-nos o apoio. pois. os recursos e a sua presença cons tante. segura. do contrário. Sabem eles. de descuido. de seres encarnados. ajudam-nos nos momentos de fraqueza e de desânimo. imprevisíveis e. mas pelo esforço que empregamos em atingi-los. porém. tudo fariam sem nós. São eles que nos preparam o trabalho. Isto não significa que devamos cruzar os braços e deixá -los fazer tudo. por exemplo. ao Espírito manifestado. Procuremos respeitar-lhes o planejamento e a execução. ou não. Não é tudo que eles podem fazer por nós. que somos julgados não pelos resultados que alcançamos. que há sempre. ainda não é chegado o momento de exibir uma projeção fluídica. a nós. Uma vez. não nos envaideçamos com o resultado do trabalho realizado: cabe muito pouco. deixemos à sua iniciativa a condução dos trabalhos. não tentemos forçá-la. estejamos tranqüilos: tudo será feito. Eles sabem. no entanto. e que não se deixarão conduzir pela mão. às vezes. Estejamos. porém.

servido de humildes e imperfeitos instrumentos da pacificação. uma vez mais. . 191 a doce felicidade de ter.

contra seus próprios interesses pessoais. Mas. Nesses casos. que só grita aquele que não tem razão. mas não opor grito contra grito. já é possível uma conversa entre dois seres civilizados. para ele. Se a conversa for bem orientada. tentando mostrar-lhe a inutili dade de seu desesperado esforço de lutar contra Deus e. para pensar. irá compreendendo que não precisa gritar seus argumentos. uma humilhação — mas. porém. ele poderá iniciar o período do sofrimento redentor e não daquele que ainda mais o mergulha nas profundezas do erro. De certo ponto em diante. mesmo que ele esteja bem longe de entregar-se à verdade. também. contudo. pois insistirá e poderá ter ainda surtos de reação. É preciso ter paciência e esperar. O momento é oportuno. ou inconscientemente. É hora de falar-lhe com carinhosa franqueza. e a batalha verbal poderá ser muito longa. Não que ele o reconheça nesses termos. Antes disso. falaremos juntos. 192 35 A CRISE O doutrinador precisa estar atento aos primeiros sinais de que o Espírito manifestante começa a ceder. Encontra-se ainda convicto da justeza de sua posição. abre-se uma perspectiva de entendimento. se o tentarmos. por si mesmo. ao contrário. adverti-lo de que não precisa “converter-se” à nossa crença. murro contra murro. costumo dizer. desejando-o intimamente. é a partir desse ponto que começa a fluir o diálogo que poderá levar-nos a um entendimento com ele e ao seu eventual despertamento. irritadissimos. Por este motivo. É preciso esperar que o vagalhão impetuoso do rancor se desfaça. temendo ser “dobrado” pelo doutrinador — o que é. na praia mansa. para dirigir o seu pensamento para a sabedoria eterna do Evangelho. com a voz no tom normal. porque ele só deseja gritar. Mesmo irritado. pois é muito difícil sustentá-la indefinidamente contra quem não nos oferece resistência. aos queridos companheiros desatinados. para que ele próprio —doutrinador — possa reformular a sua tática. Não que só agora seja possível falar-lhe do Cristo: éque só agora os . sua palavra não tem mais aquele fator de convicção. Aos primeiros sinais de que a reação salutar começou. e. Espíritos muito agressivos e violentos manifestam-se. uma vez despertado para a realidade. em altos brados. que ele sabe muito bem ser impossível: a luta continua à sua espera. Não ficar mudo ante a sua cólera. ele nos respeitará e. ao mesmo tempo. a explosão é inevitável e o dano pode ser irreparável. a sensibilidade do doutri nador o advertirá de que o manifestante começa a ceder: sua cólera esvaziou-se. Não é possível. proferindo ameaças terríveis. A cólera passa. porém. para entrar na fase de doutrinação propriamente dita. aos nossos princípios. de início. pelo menos. É hora de fazer um apelo para que ele se detenha um pouco. pensando apenas no que nos dirá a seguir. nessa condição. ameaçador. só que. aos poucos. argumentar com eles. portanto. não signi fica que já esteja resolvido o seu problema. Se opomos resistência. a argumentação é inútil. dando murros na mesa. o Espírito deve ser recebido com respeito e carinho. são tão importantes os primeiros diálogos de cada manifestação. intensa e dolorosa como nunca. seu Espírito parece cansado e disposto a uma acomodação. Não iludi-lo com a paz imediata. ou ele não nos ouvirá. lutando interiormente consigo mesmo. de reduzir o volume de seu vozerio. o doutrinador deve abandonar sua técnica de contestação e argumentação. O fato. esbravejando.

ele disse. muitas vezes. mas por ele próprio. o abriga da terrível realidade. de uma vez. como se pensasse em voz alta: . ainda. às vezes altamente qualificados e experientes. ele a ouviu em silêncio. ou lançar-se. Ele precisa saber que não estamos pelejando naquele momento. aceitável. levarão no coração as sementes de um futuro. então. sou advogado seu! Sabem que esta simples frase o levou a ver-me sob nova luz e a aceitar- me? Daí por diante. certa vez. um dia. Está. Ou estavam. Argumentava eu. Temos que entender. Ambos o chamam. ou se apenas levam uma disposição para reexa- minar suas convicções. que pode ser próximo ou remoto. estarão mais acessíveis. a voz desce de tom. Percebemos que a fase da aceitação chega por peque ninos e quase imperceptíveis sinais: começam a ouvir-nos com um pouco mais de atenção. Ë o momento mais dramático da manifestação: o Espírito começa a sentir que não terá forças para resistir aos apelos da Verdade. a fim de que eu pudesse fazer uma prece. com um desses companheiros desarvorados. Mais do que nunca. porém. De qualquer maneira. obsessor. até o momento. Não é fácil. de certa forma. aos braços da dor que redime? É preciso respeitar sua hesitação e assisti-lo no seu estado de pânico. um sentido novo. ambos o atraem. para aquele que está convicto da legitimidade de seus . ao partirem. com o brilhante e combativo Espírito de um ex- inquisidor. não lhes tira o valor. não exclui o fato de que são Espíritos. ilusões desastrosas e erros clamorosos. e chegam até a uma ou outra palavra de velada e timida afeição ou respeito. foi suspenso. quando ele me perguntou. mas a batalha pode durar ainda muito tempo. 193 ensinamentos de Jesus começam a ter. a perder-se nas trevas do passado. a incógnita do porvir. por uma causa ou pelos interesses de um obsidiado. um terrível e doloroso acervo de loucuras e desenganos lastimáveis. De um lado. não sabemos. Do outro. ele deve estar certo da nossa absoluta sinceridade e do nosso afeto desinteressado. se. apenas — e isso é tudo — operam desastrosamente. Um diálogo um tanto difícil. mesmo nos mais valorosos Espíritos. começou a ceder. Ao cabo dessa fase de maior receptividade aos pensamentos e à afeição do doutrinador. eles estão realmente convencidos e prontos a mudar de rumo. A partir desse ponto. Sente fugir o terreno em que pisa. para ele. pode ocorrer. irritado: — Você é advogado dela? — Não — disse eu —. do lado negativo da faixa vibratória da vida. Como sempre. Entre um mundo que rui e outro que ainda não construímos. a meu pedido. pois a prece tem esse condão de fazer calar a imensa maioria dos Espíritos desajustados.. Ele se debate entre os dois abismos: o passado e o futuro. aceitam um ou outro argumento nosso. que perseguia sem tréguas uma pobre criatura. alongar-se por outras oportunidades de manifestação e. certa vez. a sensação de atordoamento é inevitável. a crise.Uma coisa é preciso reconhecer: você ora com sinceridade. também. Terminada a rogativa ao Alto. em explosões de luz. mesmo os mais violentos. como diz a expressão inglesa. mesmo assim. O fato de permanecerem envolvidos em erros de julgamento aflitivos. que quase todos eles estão absolutamente convencidos de sua própria verdade. sobre o fio da navalha. não lhes reduz o conhecimento. Que decisão tomar? Permanecer na faixa do erro que.. mas que virão fatalmente a germinar.

recebemos um companheiro excepcionalmente violento e agressivo. Ameaçava. a punir. alegando que quase havia caído. Quando menos se espera. a fim de que o ímpeto do vagalhão se quebrasse contra a branca areia da paciência e do amor. ameaçar. A conversa mansa e a busca de entendimento não interessa aos seus propósitos. que ridicularizà à vontade. Volta a esbravejar. Em primeiro lugar. Quando tenta reagir “físicamente”. procuram arrastar-nos para o debate: terreno firme. reagir. que conhecem e no qual podem esgrimir à vontade seus argumentos.. Conhecem perfeitamente a sua condição de Espíritos desencarnados. gritava. São inteligentes e experimentados. o conceito da reencarnação. através do roteiro luminoso do amor fraterno. Deixei-o falar. Estava ameaçando ceder. por mais que se esforce.. É honesto: responde com dignidade à nossa tentativa de aproximação e entendimento. mas concordou em não gritar mais e a não nos incomodar. Acostumara-se ao poder incontestado. é preciso considerar que nada temos a dizer-lhes que eles não saibam. com a sua presença. por causa da nossa afeição. o livre-arbítrio assegura-nos. está preso pelos pulsos por um laço fluídico. O doutrinador precisa estar preparado para situações assim. consideram “perigoso”. a mandar. surge do passado uma lembrança esquecida. invisível a nós. interpondo apenas uma ou outra observação. É evidente que tenta. mas acaba calando-se. Começa a crise maior. para servir aos seus propositos e justificar sua filosofia de vida. o direito de escolha. mas não quero fazer isso. mas que o mantém fortemente contido. de um ponto de vista vantajoso. Não . a todos. a imortalidade. mesmo. o clima da discussão é o que convém a esses irmãos atormentados. Bem que se esforçou — diz ele — em mostrar-me o caminho: somente se deixaria convencer pela argumentação. como vimos nas próximas sessões. A certo ponto. mas era ainda muito cedo para uma decisão final. A decisão é difícil. Não está convencido. pensar no assunto. agradeço sua lealdade e ele segue procurando atrair-me para o debate. pois acabou tocado pelo sentimento de afeição que encontrou entre nós. Desesperançado de arrastar-me para o debate estéril. e acrescentou: — Poderia enganar você e dizer que estou convertido. porque está minado de imprevistos. o apelo de uma voz cariciosa. mas que conseguira reagir. pular por cima da linha invisível que separa o bem do mal. Qualquer argumento que lhe apresente. cesso a conversa e oro. o vulto espiritual de um ser a quem muito amaram. quanto no espaço. Em segundo lugar. Certa vez. E é precisamente por isso que. nada mais. promete. dali em diante. ele o “vira” à sua maneira. e procura acalmar- se. Afinal. pois. pelos caminhos frios da mente que chegaremos a eles e. ainda. afinal. Seguirá seu caminho de sempre. no campo puramente filosófico. Faz pouco da minha inte ligência. dava murros. a intimidar. como já vimos. dizendo que estou me esgotando inutilmente na tentativa de dominá-lo. a existência de Deus. quanto ao campo sentimental. 194 caminhos. mas com firmeza. Claro que interpreta a minha calma como covardia. Não é. a responsabilidade que assumiram perante a lei. Na semana seguinte. sim. cons ciente ou inconscientemente. Ele ainda insiste em falar e prosseguir o debate. Tenhamos paciência e procuremos ajudá-lo a tomá-la sem precipitação. voltou novamente agressivo e irritado. tanto na carne.

agora é que ele acordou de um pesadelo multissecular. Ele sabe. uma mulher. como temos visto. precisa. tem medo: está vazio e quer dormir. de elevada condição espiritual. e informa. mas ainda procura iludir-se. o que o espera. É o lago abençoado em que pregara o Cristo. 195 tenho a menor intenção de dominá -lo e. realmente em pânico. Dou- lhe prolongados passes. ele começa a gritar que não quer e não pode fazer aquilo. O Espírito. — Você sabe — acrescenta — que eu não te farei mal algum. que tudo está ruindo em torno dele e dentro dele. Além do mais. ou pressente. Está arrasado. chora. seus temores. Confessa que. terna-mente. o irmão entrou em crise e começou a monologar. e diz que precisa recompor-se. Por fim. mais do que nunca. — E vocês — dirige-se a companheiros invisíveis — com essas caras luminosas. ele se volta para mim — e isto me comove profundamente — e me propõe uma visita minha aos seus domínios. o amor indubitável do Cristo. nessa hora. É o grande momento da compreensão. levá- lo. nunca falta. esposas. a dar o passo final. seus desesperos. nesse momento. a presença infalível de Deus em nossas vidas. que nos ajudam na fase final da doutrinação. mas que ele ainda não consegue lobrigar com precisão. enquanto a crise se adensa e aprofunda. desesperado. cujas perspectivas se abrem diante dele. que se estenderão pelos séculos futuros. Digo-lhe que. muito carinho com as suas dificuldades. e depois esbraveja: — Maldito lago! As visões o atormentam implacavelmente. para esquecer. Alguém. Ele está arrasado. que o tira de cima do fio da navalha e o coloca no lado positivo da fronteira da nova existência. da ternura. do qual vai acordar a qualquer momento. Diz que determinará aos seus guardas que me deixem passar li vremente. o . Começa. Apresenta-se completamente desarvorado. mas sente um arrastamento incoercível. Ainda reage. pela primeira vez. de última hora. pois seus soldados estão lá fora e não devem vê-lo naquele estado. ao contrário. tentando sugestionar-se de que é forte e não vai “cair”. mesmo que ainda tente uma reação desesperada. enquanto fico ao seu lado. com muita paciência. tentando convencer- se de que está vivendo um pesadelo. Muito respeito pela sua crise. Este irmão voltou mais uma vez. amigos. Este é o momento mais emocionante de todo o trabalho. mas não sinto nele nenhum ódio: é apenas desespero. É preciso ajudá-lo. em crise. irmãos. que estão aí me olhando? E para mim: — E você? Não diz nada? Só sei dizer duas palavras: — Meu amigo! Ele a repete. a presença de antigos e esquecidos amores: mães. Chama-me de traidor. até onde e quando. É necessário assegurar-lhe. a ver cenas do seu passado distante. e parte. em silêncio reverente. e não que seja condenado a conviver com angústias que parecem eternizar-se. de uma palavra de sincera afeição. Num caso desses. somente Deus saberá. em termos de resgates dolorosos. Depois de algum tempo. de despertar o seu Espírito. em seguida. sim. do amor fraterno. que deseja que o pecador se salve. Subitamente. na semana seguinte.

Em suma: a crise manifesta-se de muitas maneiras. confessa a aflição que experimenta. Seja simples. Tivera o privilégio de viver na época do muito amado Francisco de Assis. que ele sabe não estar ao seu alcance. rude. por conseguinte. com todo o poder de sua inteligência e de seus conheci- mentos. vimos obrigar o médium a ajoelhar-se. pela enormidade de seus desvarios. diante da enormidade de suas culpas. ao contrário. 196 espera no limiar da nova existência. sente diante deles uma vergonha mortal. a oportunidade preciosa. ele não pode mais voltar sobre seus passos. Estas crises caracterizam-se pela revolta. por tanto tempo. mas procure não desperdiçar a ocasião de estimulá-lo a tomar a decisão que vai mudar sua vida. senão para castigá-lo pela sua “fraqueza”. dedicava-se. Era extremamente rebelde. ante o inevitável. Seus ex-comparsas não mais o receberiam. fora também um inquisidor. ele teme vinganças cruéis. realista. dos . que se manifestara com requintes de arrogância e ironia. Julga-se um abutre sem remissão. da coragem otimista. à pavorosa técnica do “crime religioso”. revolta ou deslumbramento. do afeto. o impeliu a cometer tantos e tão graves desatinos. mas para fazer com ele. como o de sua mãe. confiante. mencione a assistência espiritual que estará ao seu dispor. ou assusta-se ante a perspectiva de encarnações extremamente penosas. do “trabalho”. em corpos deformados. temor. que o doutrinador não pode deixar passar. Não se esqueça de que a dor e o temor o atormentam. da confiança. humano. e aqueles que o esperam. A essa altura. Está perplexo ante a cegueira espiritual que. sendo. ou milênios. ou então. não é um momento que o Espírito consiga viver com indiferença e frieza. por algum tempo. amoroso. quando o Espírito fica sobre a linha. cegos ou mutilados. Um típico exemplo desses. Destaque os reencontros espirituais com os seus amados. contemplando as duas perspectivas — passado e presente — tenho-a num caso de que tratamos. acenando-lhe com um paraíso imediato. Pensa em pedir uma licença aos seus chefes e afastar-se. Coloque em seu coração a semente da esperança e mostre-lhe. mas cuja mensagem. mas ele ainda reluta. Ao despertar para a verdade. segundo conceituação de um dos nossos companheiros. porém. as perspectivas da paz. Não se julga digno da afeição de Espíritos tão elevados. não para fazer por ele. Não tente enganá-lo. de amor sem limites. agressivo e violento. pois esse foi o clima em que viveu durante séculos. Lembre a necessidade da prece constante. para a proteção feroz da sua antiga organização ou do seu regime de irresponsabilidade pessoal. Trate- o com muito carinho. para alcançá-lo através do sentimento. Vem sempre acompanhada de profundas emoções. guie os seus passos vacilantes pelo novo caminho que começa a trilhar. o trabalho de reconstrução que o aguarda. que há tanto tempo o esperam. em pranto. Além do mais. para ajudá-lo. mas dentro de certas configurações padronizadas: arrependimento. Não o force. Não o atemorize com ameaças. Ele não pode mais contar com aqueles que pensava serem seus amigos. da emotividade. Há. e o impediu de atender ao apelo de seus verdadeiros amigos. não conseguira ainda assimilar. a quem conhecera pessoalmente. as que precipitam no arrependimento e no remorso mais patético. ele não os conhece muito bem. A um desses pobres irmãos desarvorados. não carregue nas cores do sofrimento que o espera. Ofereça-lhe a sua ajuda.

para o despertamento. a seu ver. E parte. Também eu lhe peço minhas desculpas. às vezes. que. pela primeira vez em muito. seria precisamente a de ajudar a recuperar os irmãos que ainda ficaram nas sombras. Preocupa-se com aque les que liderava. . Ele chora. Digo-lhe que Deus vela por todos nós e que uma tarefa que poderia desempenhar. por uma ou outra palavra mais enérgica. necessária. ficariam agora ao abandono. de início. segundo nos informa. muito tempo. 197 quais nem percebia a presença junto de si. com a sua agressividade. mais tarde. Pede que oremos por ele e que o perdoemos pelo tratamento que nos deu. no mundo das sombras.

Em raras oportunidades os mentores estabelecem contacto entre aqueles que se retardam nas trevas e os que tiveram a coragem de cruzar a linha. ainda que não tenhamos condições de conhecê-las Num caso desses. ele se reunira com os demais companheiros. para a reencarnação na Terra. É possível que a providência da reencarnação tenha que esperar mais tempo. cerca de um ano antes. mas esse estudo e planejamento não está mais na alçada do grupo mediúnico. raros. a três Espíritos que. A partir do momento em que os companheiros são recolhidos. tratados pelo grupo. Geralmente. este reencontro é proporcionado. pois eles estão em boas mãos. Mas. é levado a um local de repouso e tratamento perispiritual e mental. o trabalho bem dividido e especializado. Ê que a primeira impressão dos que ficaram nas sombras é a de que nós violentamos a vontade do companheiro. se fosse possível conversar com eles. além da certeza de que os seus antigos amores acham-se novamente ao seu lado. com as cautelas que. porque havíamos feito “cair” o seu chefe e ele estava reduzido a um “trapo” (sua expressão). Trabalhadores espirituais competentes levam-nos para o repouso e a reeducação. partiam. durante os desprendimentos do sono. pois . O mundo espiritual tem sua programação meticulosa. nos deixa? São muitos os caminhos que se abrem diante dele. No momento é o de que mais precisa. Em casos excepcionais. assim que estejam em condições. para uma prédica. Em outra ocasião o manifestante disse-nos que. Quase todos precisam de mergulhar em nova reencarnação o quanto antes e. por si mesmo. 198 36 PERSPECTIVAS O que acontece quando o Espírito. após termos conseguido “conquistar” o seu líder. tranqüi lizemo-nos e demos nossas graças a Deus. assim despertado. emocionada e belíssima. não lhe foi difícil verificar. agora. que o antigo chefe não fora obrigado a converter-se. para reassumir seu posto no mundo das sombras. Acham que. por esses discretos e competentes trabalhadores do Cristo. e nem desejava voltar sobre seus passos. Certa vez. eles são trazidos para despedirem-se de nós. De modo geral. cessam os encargos do grupo mediúnico ao entregá-los aos trabalhadores dos planos superiores. Isto não quer dizer que a nossa tarefa estará sempre concluida nesse ponto. para “prisões” e castigos. durante a semana. para mentalizá-lo e ajudá-lo no seu desespero. das quais nem tomamos conhecimento consciente a não ser excepcionalmente. começa o preparo. Fora vê-lo pessoalmente. um dos nossos amados mentores utilizou-se do espaço de tempo que costumamos reservar para a mensagem final. e contra a sua vontade. sob a direção de Espíritos especializados e altamente qualificados. mas em tarefas de menor importância. os convenceriam a voltar à vida de crimes. que não pode ser prejudicado com a interferência de curiosos ou de diletantes inexpertos. de sempre. Cabe agora voltar-se para o outro médium e receber o novo companheiro. Poderemos ainda prestar alguma colaboração no plano espiritual. por certo. podemos imaginar. levando-o à força. Em alguns casos. um companheiro desarvorado manifestou-se em grande aflição. com o mesmo carinho de antigamente. transcende suas qualificações e possibilidades.

pelo menos. Em resumo: o trabalho prossegue no mundo espiritual. que acreditavam prisioneiro nosso. Logo. de outra natureza. em certos casos — será mais modesta ou. junto ao companheiro resgatado dos porões tenebrosos da dor e reconvertido à doutrina do amor. que não diga respeito especificamente ao trabalho mediúnico. verificou seu engano e acabou também cedendo aos nossos argumentos. . que dele recebiam. como um apelo do ex-comparsa. a participação — ainda que importante. mas a nós. 199 interpretavam as vibrações de aflição. porém. encarnados.

com aqueles que ele chamou de nossos “diretores”. no Espaço. Companheiros nossos por várias vezes nos têm falado de verdadeiras sessões mediúnicas que se realizam. nem um conhecimento que nossa memória consciente não guarda. no entanto. São inúmeras. tencionava espionar a nossa reunião. Depois descobriu que. é preferível ser honesto e dizer ao companheiro que ele precisa lembrar-se de que os seres encarnados não costumam registrar na memória cons ciente aquilo que fizeram em seus desdobramentos. entre uma sessão e outra. difícil e constante. como vimos. a uma pergunta mais embaraçosa. com extrema atenção. O doutrinador tem que estar bem atento a esse pormenor. A atitude indicada é conservar-se na expectativa e acompanhar. durante os nossos desprendimentos. e talvez mais afeito à organização mediúnica. Ao que tudo indica. 200 37 O INTERVALO Muito trabalho. pelo menos. desenvolve-se no mundo espiritual. a observar e ouvir.. o pensamento do companheiro manifestante. ao contrário. não deve fingir que sabe de tudo.. com os companheiros que se acham em tratamento e já tiveram uma ou mais manifestações no grupo. Ficara escondido atrás de uma coluna. certa vez: — Eu sei. ao manifestar-se. introduzira-se sorrateiramente em uma reunião que mantivemos.. porque. mas. a um ponto de reunião. no grupo encarnado. ele terá que confessar sua ignorância. Você já me falou sobre isso no nosso encontro. tanto os componentes encarnados do grupo. Um desses disse-me. entre uma sessão e outra: trabalho complementar. Este trabalho preparatório é particularmente indicado para os casos em que os Espíritos a serem tratados acham-se de tal forma envolvidos em vibrações pesadas. Não se esqueça de que os Espíritos nessa condição “pensam alto”. praticamente tudo quanto formular no pensamento. as tarefas desenvolvidas durante a semana.. Nestes casos. afinal. É necessário lembrar-se de que o Espírito manifestante nem sempre está consciente do fato de que os encarnados esquecem-se do que se passa enquanto estão desdobrados pelo sono comum. e trabalho preparatório. E contou o caso. Em casos como esse. certo de que ninguém ali sabia da sua presença. os mentores levam. Durante a semana. naquilo que ele vai dizendo. A tarefa preliminar desenrola-se sob condições que ainda desconhecemos. o Espírito está mais predisposto ao entendimento ou. porém. Por outro lado. Com freqüência ouvimo-los referirem-se aos encontros que mantivemos no mundo espiritual. embora de menor vulto. quanto os Espíritos necessitados. o médium transmite. muito mais amplo. que o contacto direto com o corpo físico do médium poderia acarretar choques penosos e até perigosos. ou seja. Um deles me disse. Outros me perguntam: — Por que você me chamou aqui? É preciso estar preparado para uma resposta que não revele total ignorância e surpresa. ao reiniciar o diálogo interrompido na semana anterior: — Acho que dei um “fora”. não tão impetuoso e violento. com os médiuns desdobrados pelo sono fisiológico. não apenas . nas horas mortas da noite.

pouco acima de suas cabeças. apresentou-se o “chefe” daquela região tétrica. que haviam alcançado numa “condução” rústica. Perdera a noção da sua identidade pessoal. ao despertar. que fazia lembrar um jipe terreno.. Nesse momento.. Estava do lado de dentro de uma caverna. aberta na rocha. a reuniões de estudo. manifestou-se no grupo: era um ser humano!. Via-os correrem desesperadamente atrás de mim. mas disse que olhara num espelho e não se reconhecera. no regresso. que havia sido resgatado. encontravam-se em vasta região desolada. Isto foi o princípio de um processo de regressão de memória em que se precipitou e ao qual me referi alhures. Era como se eu levitasse. ou a descidas profundas e perigosas nos antros milenares da dor. no entanto. de algumas cenas ocorridas numa dessas incursões em território perigoso e agreste. “algo” que traziam. de debates e planejamento. nos intervalos das sessões. como se voasse. pelo menos. pararam. do qual nada me lembro. Em certos grupos de desobsessão. ficou documentada a reação tremenda que desenvolveram para impedir-nos. na semana seguinte. Alguns companheiros ficaram de fora. pois era até esperado. dirigidos pelos benfeitores espirituais. Na imagem das formigas agressivas. pois. como sempre acontece nesses casos. a atividade noturna. grosso e escuro. comecei a escapar-lhes. com extremo cuidado. um “branco”. contendo já um pouco de sangue. a seguir. resgatamos companheiros a serem doutrinados em futuras sessões. Não sabia o que se passara com ele. ao manifestar-se no grupo mediúnico. a uns poucos metros abaixo. sendo perseguido por um grupo belicoso. de trabalho. que nos atacavam. do uma cena fragmentária. Fomos recebidos no local — escuro e opressivo — com alguns sinais de cordialidade ou. ele estava profundamente modificado e até mesmo atônito. A indignação dos guardiães do pobre irmão foi inconcebíve l. mas écerto que. aquele ser. sombria e agreste. As imagens eram as de um sonho comum. era figura importante para seus esquemas nefastos. As peripécias seguintes da jornada não ficaram documentadas na memória do companheiro desperto. Lembra-se ele. desprendidos pelo sono. nos braços. Os mentores espirituais levam os encarnados. 201 sabiam que ele estava ali. enquanto milhares de formigas pretas e agressivas atacavam feroz- mente aqueles que se empenhavam na tarefa. Algumas semanas depois. de onde. Uma ou duas semanas depois. . encarnados.. recordei-me. desceram e fizeram o resto do percurso a pé. Uma das criaturas — uma mulher — trazia nas mãos uma longa seringa. conseguiu preservar a lembrança fragmentária. De outra vez. neste livro. Os componentes do grupo. Há. mas. cujo único acesso ao exterior era uma espécie de chaminé estreita. enquanto os de dentro passaram para eles. de extremo realismo. às vezes. senão que o haviam permitido. numa incursão de que um de nós. em que o infeliz companheiro ficara reduzido à forma “física” de um fauno. A certo ponto. com enorme dificuldade. sem hostilidade. é muito intensa. já no final dessa visita. Não sei o que foi feito e dito nessa reunião. reduzido à mais abjeta condição humana. aquele “algo”. com extraordinária lucidez. depois. enquanto eu me afastava.. Esse irmão foi resgatado ao mundo tenebroso do sofrimento superlativo. e de que resultaria sua libertação. Vejo-me. Já narrei aqui um caso de zoantropia. segundo apuramos. que pingava no chão. para retirar de mim certa quantidade de sangue. que tentava agarrar-me.

Sem dúvida alguma tentarão criar-nos dificuldades. às vezes. Nem sempre. em potencial. por desconhecimento e defesa. onde também existe amor. nas instituições especializadas do Além. Oremos por eles. Lembremo-nos de que não o fazem por maldade intrínseca e irredutível e. A meu pedido. ou de símbolos. em pactos que garantiam a uma parte muitos “sucessos” na vida material. novamente. que se imprimiram nos nossos arquivos perispirituaís. Envolvamo-los numa atmosfera de amor e compreensão. de tole rância e paciência. e à outra. companheiros competentes e seguros. com nossos maiores. Por outro lado. das cinzas de muitos sonhos e das sombras de muitas agonias. que precisa ser abordado. e procuremos devolver as suas agressões mentais com o nosso pensamento de afeição e carinho. não apenas aqueles que ainda não foram “convertidos”. também. essas incursões são. eles assim se consideram. o preceito evangélico que nos recomenda amar os nossos inimigos. escreveu todo o relato. com amor. os próprios benfeitores espirituais incumbem-se de condicionar-nos ao esquecimento. ou ao trabalho. a troco de favores. e do sangue de nossos companheiros encarnados. a fim de podermos assistir a reuniões de estudo e planejamento. no aproveitamento desses intervalos entre uma sessão e outra. Como as sessões se realizam. também. A prece é o fio que realiza esse milagre. Ele veio disposto a arrebatar- nos o sangue. uma vez por se mana. Durante a semana toda haveremos de sentir-lhes a presença ou as “mensagens” vibratórias de seus pensamentos hostis. com grande precisão e detalhamento. Não podemos esquecer-nos de que os companheiros desarvorados. que nada têm a ver com os seus problemas pessoais e os seus planos. pronto a emergir. aqueles que já se acham recolhidos. de qualquer maneira. Um de nossos médiuns conseguiu registrar. A qualquer momento que pudermos recolher-nos para a prece. É hora de pôr em prática. com toda a convicção. no entanto. conservar a lembrança delas. mal-estar. 202 numa incorporação mediúnica. mas com fervor. para tratamento. Estava indignado. porque eu havia escapado. precisamos ter a atenção voltada para os companheiros que se acham em tratamento no grupo. uma dessas incursões. sim. dado que a recordação poderia prejudicar-nos de alguma forma. enquanto ainda bem vivo na memória.. porém. mas. . Só a prece pode socorrer-nos. ficam com os ânimos ainda mais acirrados contra nós. episódios. depressão e desânimo. implorando a Deus que os ajude. é o da prece. Embora não os consideremos como tais. Precisavam do meu sangue para os seus “trabalhos”. que lhes ilumine os corações. também. Ficam apenas as linhas mestras das instruções recebidas. que lhes mostre a verdade. Eu ficaria surpreso — disse — se soubesse daqueles que o haviam doado espontaneamente. em nós. As vezes. tanto quanto necessitamos do apoio dos nossos benfeitores. que receberam o primeiro impacto de uma incorporação e doutrinação. no mundo superior. para onde nos levam.. amorosamente. sensações de angústia indefinível. nos lembramos de tais. durante os dias em que aguardamos as próximas manifesta ções. o que muito nos serviu depois. em tais situações. Outro aspecto importante. Estão convencidos da legitimidade de seus propósitos e da nossa posição de intrusos. É claro que provocarão. quando nada com as vibrações negativas de seu pensamento. usualmente. o evidente domínio sobre seus espíritos. sob a forma de frases soltas. Eles precisam de nossas preces e do nosso pensamento construtivo e amoroso. Ê difícil.

já mencionado. ele se projeta ao longo dos dias e segue nas realizações da noite. irritado: — Você vive rezando. Muita gente ainda não descobriu que a essência dos “milagres” evangélicos é o amor. Um deles me disse. . quando. a quem muito devemos. não fosse tão abusada essa palavra extraordinária. pelo menos naquilo que fora deliberadamente dirigido para ele. mas sua referência provava que ele tomara conhecimento da minha atividade mental e emocional durante a semana. alhures. ou que somente puder amar aqueles que o amam. Com freqüência impressionante o são mesmo. o irmão atormentado. acompanha mos nossos mentores. Aquele que não souber amar sem reservas. antevisões e experiências. A doutrinação é um ato de amor. e a prece. miraculoso. 203 especialmente nas horas e locais em que costumamos meditar. nos contactos e nas tarefas que se desenrolam no mundo do Espírito. Outros se confessam paralisados. ao manifestar-se pela segunda ou terceira vez. O amor é realmente milagroso. o instrumento daqueles que querem realizá-lo. É extraordinário o poder da prece. para que fôssemos bonzinhos — Ele nada disse que não se conformasse com as suas íntimas convicções. é pouco mais que isso: assistirem à constante realização do milagre sempre renovado do amor. neste livro: o trabalho de doutrinação não se resume às poucas horas em que conversamos diretamente com os Espíritos incorporados aos nossos médiuns. em desdobramento. Inúmeras e repetidas vezes temos presenciado o seu poder invencível. Um deles disse-me. Às vezes. que poderiam passar despercebidos. mas que se revelam subitamente de enorme importância na decifração do enigma que esses amados companheiros trazem em si e q ue não podem resolver sozinhos.. oremos por eles. mostra-se extremamente “perturbado” pelas nossas preces. certa vez. Diria. Para resumir e insistir num ponto. obsessões. filhos. Mantenhamos uma atitude vigilante. construtiva. num grupo mediúnico de desobsessão. em pensamento e ação. atenta a pequenos detalhes. Imaginemo-los como companheiros muito queridos. mesmo. com muito amor mesmo.. além de irmãos. Não é difícil. que havia interceptado meus “telefonemas”. invariavelmente. Não conseguem mais raciocinar com clareza e levar avante os projetos em que estavam empenhados: perseguições. não estava apenas acenando com uma visão quimérica. Quando o Cristo disse que um dia poderíamos fazê-los também. não está preparado para essa tarefa. que serão sempre. desmandos de toda sorte. A “telefonista” recebera-os em seu lugar. A tarefa dos seres encarnados. parceiros de antigas lutas e até credores nossos.

os fragmentos restantes nenhuma significação racional teriam. 204 38 SONHOS E DESDOBRAMENTOS Páginas atrás. Resumindo. em situações especiais. em “O Livro dos Espíritos”. É como se a uma narração se truncassem as frases ou trechos ao acaso. Daí uma espécie de clarividência indefinida que se alonga até aos mais afastados lugares e até mesmo a outros mundos. afastar a densa cortina que encobre o futuro. sempre que pode. Nesse estado de liberdade parcial. que nenhum sentido ou ligação parecem ter. Daí também a lembrança que traz à memória acontecimentos da precedente existência ou das existências anteriores. da oportunidade de escapar da prisão corporal. como em sua aplicação prática aos trabalhos de desobsessão. mais completo do que no sonho. com satisfação. A alma tem então percepçães de que não dispõe no sonho. reflete-se nos sonhos. através de sonhos e desdobramentos. de maneira muito especial. ficou bem claro. do sonambulismo. que o espírito encarnado aproveita-se. As singulares imagens do que se passa ou se passou em mundos desconhecidos. durante as horas de repouso. Emmanuel. Por esses ensinamentos. que não devem ser ignoradas. que mais independente se torna pela suspensão da vida ativa e de relação. quando o corpo encontra-se em repouso. nesses estados de libertação parcial. ocupa cerca de meia página (perguntas 200 a 202). ficou documentada uma referência sumária àatividade desenvolvida pelos componentes do grupo mediúnico. no opulento acervo de informações que nos transmitiram André Luiz. entremeados de coisas do mundo atual. não apenas em termos gerais de Doutrina. Creio que é oportuno desenvolver um pouco mais o conhecimento desse aspecto. Reunidos depois. ocupam 23 páginas. estado em que maior amplitude adquirem suas faculdades. os instrutorês conceituam-no como “estado de independência do Espírito. pelo acesso aos arquivos da sua memória integral. segundo seus interesses e afinidades. mais adiante (questão 425). com palavras suas.” Ao cuidar. por exemplo. mas. que contém importantes conotações. Enquanto a questão do sexo dos Espíritos. o encarnado cultiva intenso intercâmbio com encarnados e desencarnados. A incoerência dos sonhos ainda se explica pelas lacunas que apresenta a recordação incompleta que conservamos do que nos apareceu quando sonhávamos. e que a atividade desenvolvida. os ensinamentos recebidos. através de médiuns de absoluta confiança e respeito. Essa importância ressalta do próprio tratamento que Kardec e seus instrutores deram ao assunto. sob o título “Da Emancipação da Alma”. os problemas relacionados com a atividade do Espírito encarnado. que é um estado de . é que formam esses conjuntos estranhos e confusos. Daí lembrar-se de encarnações passadas e até mesmo. Kardec escreveu isto: “Os sonhos são efeito da emancipação da alma. O mesmo interesse encontramos nas obras mediúnicas em geral. É nesse estado que ele consegue entrar na posse de algumas das suas faculdades superiores. Bezerra de Menezes Manoel Philomeno de Miranda e outros. no capítulo 8º. concluímos ser muito intensa a atividade do espírito parcialmente liberto pelo sono natural ou provo cado. Na verdade. em Kardec.

205 sonambulismo imperfeito”. Em diferentes oportunidades. e até mesmo a sessões mediúnicas. como.. para que. Bem sabemos.” (Destaques meus. ou em busca de gozos quiçá mais baixos do que os em que aqui se deleitam. Vão beber doutrinas ainda mais vis. como em todos os outros pontos de seus ensina mentos. pelos informes da Doutrina Espírita. enquanto dormem. Isto significa. enquanto estes repousam. durante as horas do sono. o Espírito está na posse plena de si mesmo. Companheiros encarnados. Esse estado se apresenta principalmente durante o sono. até mesmo declarada-mente espíritas. em tais desdobramentos. Essa atividade é realizada por equipes bem adestradas e precisamos estar afinados com seus componentes.. ou aos centros de irradiação de doutrinas nefastas que tentam. hoje. ocasião em que o Espírito pode abandonar provisoriamente o corpo. sob a direção de competentes e dedicados servidores do Cristo. duma trágica e dolorosa autenticidade. também. Para isto. comparecem a esses núcleos de alucinação dos sentidos.” (O primeiro destaque é do original. “modernizações” e “atualizações” da Doutrina Espírita. deixam de receber as impressões exteriores. vão. implantar. ainda. Os autores espirituais de “O Livro dos Espíritos” foram ine quívocos nesse. para não deixar dúvidas. ou a mundos inferiores à Terra. Na verdade. que os companheiros desencarnados que orientam os trabalhos dos grupos mediúnicos dispõem de amplas possibilidades de colaboração da parte dos componentes encarnados. O planejamento e o preparo das sessões é todo feito no mundo espiritual. às incursões no submundo do desespero. mais ignóbeis. é mais intensa e extensa do que o curto período de uma hora ou duas. “No sonambulismo — prosseguem —. ao despertarmos. em que se desenvolve a tarefa mediúnica propriamente dita. Aqueles que se sintonizarem com as faixas inferiores. portanto. ou fundam movimentos paralelos. em lugar de colaborar. desta transcrição. que não existe diferença entre o sonambulismo provocado e o natural.) Acrescentam. aqui. como “reformulações”. onde os chamam velhas afeições. entre nós. achando-se de certa forma em estado de catalepsia. a experiência indica-nos claramente que a atividade em desdobramento. enquanto o espírito se acha desdobrado pelo sono. o segundo. tal como aqui. e é de utilidade ao trabalho mediúnico observá-las com atenção e interesse.. não resulte nossa canhestra interferência em agravação de suas dificuldades. mais funestas do que as que professam entre vós.. dos riscos que corre o Espírito desatento e desprevenido. entre os encarnados. para efeitos práticos. coloquemo-nos à disposição dos nossos amigos espirituais para as humildes tarefas que estiverem ao nosso alcance realizar junto deles. por se encontrar este gozando do repouso indispensável àmatéria. Lembranças residuais dessa atividade permanecem em nossa memória de vigília. recomenda-se que. Os órgãos materiais. tão logo lhes seja possível apossarem-se de organizações terrenas que lhes forneçam a base de que necessitam para os . nossos mentores têm-se referido às reuniões de que participamos. procurar predispor-se positivamente às tarefas noturnas. de onde resgatamos seres alucinados de dor e desorientação. com incorporação e doutrinação.) Muitos ignoram como isso é autêntico. “. na prece que precede o sono. e peçamos a proteção divina para toda a atividade a desenrolar-se além das fronteiras da matéria bruta.

nessas regiões tenebrosas. o desentendimento. pois. nas horas em que repousa o nosso corpo físico. lhe visitam o ser. com o material onírico. adere ao consórcio psíquico de espécie aviltante. padecendo a inquietação das vísceras ou dos nervos injuriados pela sua rendição à licenciosidade. quando as forças orgânicas dormitam em repouso indispensável. É lá. e. todo cuidado é pouco com a atividade em desdobramento. serenos..) os resultados de seus próprios excessos. a princípio. a dissensão. selecionado. as modestas conquistas que porventura tenha mos conseguido realizar na vigília. equilibrados. o sonho representa a liberdade relativa do espírito prisioneiro da Terra. quanto possível. Os companheiros espirituais mais responsáveis não agem à base de inconseqüências e entusiasmos injustificados. então. portanto. 206 seus propósitos.. as visões proféticas. com extremo cuidado e competência. pela própria ociosidade ou intenção maligna. No que diz respeito ao trabalho específico da desobsessão. obedecendo a fins superiores. questão 49 — o sonho constitui atividade reflexa das situações psicológicas do homem no mecanismo das lutas de cada dia. tudo muito sutil. quando. quando não seja o asfixiante pesar do remorso por faltas cometidas. com elogios descabidos.. se poderá verificar a comunicação inter vivos. que precisa ser examinado. ofertando-lhe auxílio eficiente quando se mostre inclinada à ascensão de ordem moral. todavia. é lá que são programados.. os pobres instrumentos humanos que regressam ao nosso meio para espalhar a discórdia. que se praticam as mais lamentáveis formas de lavagem cerebral e hipnose.” E mais: “Numa e noutra condição.. em “Evolução em Dois Mundos”. quando. evoluídos ou não. fatos esses sempre organizados pelos mentores espirituais de elevada hierarquia. “. recolhe (. e quando o encarnado em temporária liberdade pode receber a palavra e a influência diretas de seus amigos e orientadores do plano invisível. criticado e aproveitado com prudência. Cuidado. André Luiz adverte-nos. em que se envolvem tantos companheiros promissores. com “revelações” sensacionais. É lá que se forjam pactos sinistros de apoio mútuo. atraidos pelos quadros que se lhe filtram da aura. em “O Consolador”. É preciso. porém. com encontros com Espíritos que se apresentam sob identidades pomposas. é a mente suscetível àinfluenciação dos desencarnados que. evitar a conclusão apressada de que todo sonho tenha algo a ver com o trabalho mediúnico que estejamos realizando ou que qualquer lembrança de atividade em desdobramento é aproveitável.. ou sugando-lhe as energias e assoprando-lhe sugestões infelizes quando. com “mis- sões” importantes. Em determinadas circunstâncias. como nos fenômenos premonitórios. pela solução de um caso particularmente difícil e delicado. em que a alma encarnada alcança elevada porcentagem de desprendimento parcial. contudo. — “Na maioria das vezes — esclarece Emmanuel. cujos reflexos absorvem do arquivo em que se lhe amontoam as próprias lembranças.” (Destaques meus. a fim de que não ponhamos a perder. ou nos de sonambulismo. gratos. porque qualquer empolgamento já é suspeito. dos riscos que o Espírito encarnado corre durante o desprendimento do sono. mas sóbrios. quase imperceptivelmente. por certo. Mesmo nos momentos de maior alegria. que lhe favorece a estagnação na preguiça ou a envolve nas obsessões viciosas pelas .) Atenção. pois. eles se apresentam emocionados.

seria bom reler todo o capítulo 11 — “Desdobramento em serviço”. não nos deve atemorizar o vulto de tais responsabilidades. dessa obra. não resta dúvida de que são mais vivas. pois. que ressaltam dos textos que examinamos aqui. em “Missionários da Luz” —. como oficiais de ligação entre a esfera física e a esfera extrafísica. em “Nos Domínios da Mediunidade”: . pois as responsabilidades envolvidas são enormes. ante qualquer surpresa menos agradável. diante de qualquer impressão em desacordo com os seus movimentos rotineiros. Por outro lado. imobiliza os esforços. Antes de encerrar estas notas. 207 quais se entrega a temíveis contratos com as forças sombrias. transformando-se. do que as de vigília. certo efetuariam as conquistas mais brilhantes. de “Mecanismos da Mediunidade”. na esfera de fenômenos inabituais. atenção com a saúde do corpo físico. a maioria se vale. não. Com freqüência.“Raros Espíritos encarnados conseguem absoluto domínio de si próprios. logicamente. por exemplo. cuidado com a alimentação. uma observação ainda parece oportuna e necessária. em enfatizar que o assunto merece cuidadoso estudo. que considerável número de pessoas. esses trabalhos são inexprimíveis e imensos. e de outros que o leitor descobrirá: vigilância com os próprios hábitos diários. em preciosos instrumentos dos Benfeitores da Espiritualidade.) Ouçamos agora Aulus. para servir melhor. efetuam incursões nos planos do Espírito. inconscientemente. para o nosso desenvolvimento espiritual. sim.” (Destaques meus.” (Destaques meus. não é só isso: — “Quando encarnados.” (Des- taques meus. desejo de aprender. André Luiz assegura-nos que podemos ser adestrados para essa atividade. nossos médiuns contam-nos episódios em que . Habituados à orientação pelo corpo físico.) Aliás. por falta de educação espiritual. contudo. na Crosta — observa Sertório.” (Destaques meus. ainda mesmo quando ligados a envoltórios infe riores. verdadeiramente sentida e vivida. Infelizmente. Cautela. longamente sopitados durante a vigília. advertências muito pormenorizadas sobre a responsabilidade do trabalho que se realiza nas chamadas horas “mortas” da noite. diante de semelhante gênero de tarefa. O temor pa- ralisa. Do ponto de vista do espírito. com real proveito para o nosso trabalho e. já nos parágrafos finais do capítulo: “É imperioso notar. do repouso noturno para sair à caça de emoções frívolas ou menos dignas. temor.) Mas. à maneira do molusco que se refugia na própria concha. esta observação. É preciso vencer a inibição inicial e caminhar. pois.) Não faltam. a par de recomendações óbvias. A prece será sempre boa conselheira. Se todos os homens prezassem seriamente o valor da preparação espiritual. porém. procuram instintivamente o retorno ao vaso carnal. o sonho e o desdobramento espiritual. tanto quanto o capítulo 21 — “Desdobramento”. muitas vezes. nos domínios psíquicos. porém. na ansiosa expectativa. Insistimos. profundas meditações e cautelosa aplicação prática. que estuda o sono. Vejamos. essas horas. extravasam em todas as direções. Relaxam-se as defesas próprias e certos impulsos. não temos bastante consciência dos serviços realizados durante o sono físico. em romagens de serviço edificante fora do carro de matéria densa. principalmente as que se adestraram para esse fim.

) Disso tudo podemos sumarizar uma observação final: a maior parte do trabalho mediúnico. perfeitamente. em modestas posições de meros aprendizes. nos quais funcionaram como médiuns. ou preferimos a estrada que sobe. porém. Tenhamos cuidado para não comprometê-los com o nosso despreparo e a nossa incúria. 208 participaram de trabalhos no plano espiritual. pela desencarnação? Não temos o direito de pôr sob suspeita o testemunho de alguns companheiros de confiança. capítulo 36 — “O Sonho”. em companhia do luminoso Espírito de sua mãe: “O sonho não era propriamente qual se verifica na Terra. e tinha absoluta consciência daquela movimentação em plano diverso. no dia da sessão. nossos médiuns compareceram a reuniões de instrução e funcionaram mediunicamente. como. transmitindo mensagens de outros planos.” (Destaques meus. também lá. reta e iluminada? . não é a que se realiza em torno da mesa. Isso é perfeitamente possível e tem o decidido suporte da experiência. É possível. Minhas noções de espaço e tempo eram exatas. A riqueza de emoções. em “Nosso Lar”. enquanto nosso corpo repousa. que deixara o veículo inferior no apartamento das Câmaras de Retificação. Aproximemo-nos com respeito da hora em que nos preparamos para adormecer. afirmava-se cada vez mais intensa. por exemplo. em “Nosso Lar”. Em casos de meu conhecimento. participamos de tais atividades. é a que se desdobra para além dos nossos grosseiros sentidos físicos. André Luiz. ou separado dele definitivamente. Depende de nós a decisão: vamos pela escura e tortuosa viela que desce. sempre que para isto se prepararam devidamente. cansados das lutas do dia. Eu sabia. Os companheiros que nos estão esperando podem ser aqueles que nos arrastam para os porões escuros do desvario. por sua vez. depois de já desdobrado do corpo físico. ou os que nos guiam os passos incertos nas trilhas do bem. Aqui e ali. um desdobramento. ao encontrar-se em plano muito elevado. desdobrados.

mas seus métodos têm que ser suficientemente ágeis. Nunca chegaremos a prever todas as situações que um grupo poderá enfrentar. estudar e repetir à vontade. mas subimos também nós. na frieza clássica dos números. Assim. para as acomodações necessárias. indiferença ou comodismos. não são quantidades físicas de substâncias químicas. dedicação constante. Por isso. em inglês (rescue work). pela própria natureza das experiências que procura transmitir. dispostas a tudo para fazê-lo calar-se e dissolver-se. pela razão. Nossos amigos espirituais de há muito nos haviam prevenido de que. em termos espirituais. vigilância permanente. ferramenta de trabalho. O grupo merece e exige cuidados muito especiais. na fase de planejamento. só é possível em clima de total doação. fingimentos “inocentes”. em . além de suas finalidades e objetivos. que me parece muito simples e válida. que não hesitarão diante de nenhum recurso. ele será implacavelmente assediado. Perderam-se no emaranhado de suas perplexidades e não podem atinar sozinhos com a trilha que os leve para fora do poço profundo e escuro. a pressão assídua de companheiros em desequilíbrio. pelos companheiros espirituais. O trabalho de doutrinação. sem prejuízo das tarefas que se desdobram. desde antes mesmo de constituir-se. essencialmente humana. em mais de uma década. o que o torna uma atividade do coração. de profundo e sincero amor fraterno. revelar-se fecundo e promissor. para que possa funcionar sem hesitações e interrupções. O grupo mediúnico é instrumento de socorro. das medidas. aprendamos a lição que cada um deles contém e a incorporemos ao acervo da experiência. seculares. no trato íntimo e permanente com inúmeros companheiros desencarnados. para destruí-lo. Citarei um pequeno incidente. é precisamente a perseguição indormida. dos pesos. É necessário que observemos com toda a atenção qualquer pormenor. de que ele é mesmo um depoimento pessoal. sob a qual possam contemplar suas im- perfeições e empenhar-se em alijá-las do coração. cujas reações podemos prever. Cada sessão é diferente. devem ficar bem definidos. Seu objeto é o ser humano. Os irmãos que comparecem aos nossos grupos mediúnicos estão em crises. nada de ilusões: a medida de seu êxito. usualmente em penoso estado de desarmonização interior. e até milenares. muito pessoal. Não me foi possível evitar que este livro se revestisse das características de um depoimento pessoal. que tentamos redimir-nos na tarefa sagrada do serviço ao próximo. de empatia. É preciso criar para ele uma estrutura robus ta. mas suficientemente flexível. Nunca saberemos o suficiente em matéria de contacto com os nossos irmãos desvairados pela dor e pela revolta. Levantar-se-ão contra ele forças obstinadas. chamado tão apropriadamente de trabalho de resgate. na tentativa de fixar no papel alguns dos muitos ensinamentos amealhados. Não há nele espaço para meias-verdades. de volta àluz abençoada do Senhor. aparentemente sem importância. por vezes. Se o trabalho que lhe for cometido. campo de experimentações fraternas e escada por onde sobem não apenas os nossos companheiros desarvorados. cada manifestação traz uma surpresa ou um ensinamento novo. 209 39 RESUMO E CONCLUSÕES Creio haver chegado ao final da tarefa que me impus. seus métodos de trabalho.

ângulos insuspeitados. a impor ritos e fórmulas mágicas. ou de “O Livro dos Médiuns”. para que possam trabalhar todos em harmonia. e leva-nos a esquecer recomendações e instruções importantes. já lidas no passado. Liderança. Muito bem. o doutrinador acumula as funções de dirigente encarnado dos trabalhos. e verá que há sempre aspectos que você não havia ainda notado. O mesmo é válido para qualquer outro documento doutrinário sério. por mais que você esteja certo de conhecer bem a obra de Kardec. ele é também gente. em clima de segurança e confiança. a seleção dos médiuns é da mais alta importância. o estudo é uma necessidade imperiosa. não é despotismo. Além dos demais pontos críticos. toda a atenção deve ser posta em selecioná-los. como um general em campanha. pela simples razão de que. infinitamente mais experimentados do que nós. Primeiro. a mente divaga. veio outra observação: recomendavam-me que procurasse colocar o relógio diante de meus olhos. na sala de trabalho. como um todo. para consultá-lo. Se sentir que não tem condições pessoais para doutrinar. objetivos e métodos. Segundo. 210 hipótese alguma. Leia você. observações que pas- saram despercebidas. Se for constituído à base de elementos inconstantes e inseguros. e lemos trechos substanciais. É fácil testar essa verdade. por melhores que sejam as intenções. para subsistir. Se a recomendação de estudar sempre é válida para o grupo. Um grupo. como as obras complementares. . como costumava fazer. porém. porém. porque mesmo durante a leitura. mas porque até mesmo o próprio gesto de voltar-me poderia quebrar a continuidade da tarefa junto ao irmão incorporado. não são apenas finalidades. a ponto de merecer advertência específica? Além de tais observações esporádicas. e sim portar-se como um dos trabalhadores que o compõem. bem como a maneira de tratá-los e inte grá-los no trabalho. Temos a tendência de julgar que sabemos mais do que realmente sabemos. o que não significa que a disciplina do grupo deva correr à matroca. leitor. sem a participação do consciente. então. Se ele é também o dirigente humano. Por que a recomendação? Muito simples: não apenas a preocupação excessiva com o tempo pode desviar-nos do clima exigido pelo trabalho. por várias razões. O aprendizado tem que ser constante. ele é apenas mais um trabalhador. exigindo provavelmente esforço maior dos companheiros desencarnados. nem ser dominado por ele. Redobrei o cuidado com o controle do tempo e. como ficou dito e explicado alhures. a fim de que possam dar de si mesmos. que julgue mais bem qualificados. absoluta. dos companheiros espirituais. O doutrinador não será jamais o sumo-sacerdote de um novo culto. no contexto de um grupo humano. alguém precisa assumir a liderança. O médium não deve dominar o grupo. O grupo tem que começar de maneira certa. Usualmente. Quanto aos encarnados. deve atribuir essas funções a outros membros da equipe. qualquer página de “O Livro dos Espíritos”. nossos companheiros em torno da mesa. neste livro. Quem poderia imaginar que a mera posição de um relógio. para o médium ela adquire as proporções de uma obrigação. precisa contar com o respeito afetuoso de seus companheiros. fosse tão importante. serão remotas suas possibilidades de sobrevivência e inseguros os trabalhos. não fosse necessário virar-me e tomá-lo nas mãos. a ditar ordens. de forma que. porque nossa memória é falha. deixássemos ultrapassar o horário de atendimento. Encarnada e desencarnada.

dizem os grandes instrutOres. e não apenas fingido ou forçado. contentemo-nos em ser razoáveis e lutemos por adquirir as qualidades que nos faltam. Entre estas colocaria. no coração de um irmão que sofre. não são apenas frases bonitas. no qual nos doamos integralmente. creio que se referia especificamente ao amor em nós. Por isso. sem dúvida alguma. Para o doutrinador. o preceito evangélico do “amai-vOS uns aos outros”. como um movimento irreprimível. e outras indispensáveis. diria apenas uma palavra: — AMOR! Fim . Parece que o Pai imantou com esse amor a nossa pequenina limalha e. lembrei por aí. “amai os VOSSOS inimigos”. éuma das coisas mais impressionantes e comoventes do trabalho de doutrinação. E freqüentemente nos esquecemos de que uma fagulha do infinito é também infinita e. no trabalho de doutrinação. considero algumas dessas qualidades como apenas desejáveis. por isso. que nos dá realmente a sensação de que o amor é um milagre que podemos realizar em nome do Cristo. quer o companheiro aceite ou não. quando conseguimos transmutar-nos em amor. Quando Ele falou a João que nós somos deuses. tem que ser sentido mesmo. estamos nos colocando no sentido e na direção que segue todo o Universo. O amor fraterno. Quem poderá resistir? — “Se Deus está conosco — dizia o nosso Paulo — quem estará contra nós?” Se me fosse pedido o segredo da doutrinação. para declamar aos Espíritos. no livro. o único. de pronto. o amor. somos irresistivelmente atraídos para Ele. sempre o mesmo. através do espaço infinito e do tempo imemorial. pelas trilhas do amor. Assim. mas condições essenciais ao trabalho. que não há doutrinadores perfeitos. por isso. De minha parte. Jamais deixei de me surpreender com o espetáculo emocionante desse impacto. ante os companheiros que sofrem. são ilimitadas as nossas possibilidades de crescimento. 211 São rigorosas as especificações de um bom doutrinador. e nunca nos cansamos de admirar a sua força positiva e construtiva. O impacto do amor Sincero. tem que emergir das profundezas do ser. como vimos: * Formação doutrinária * Evangelização * Autoridade moral * Fé * Amor O grande ativador desses petrechos espirituais é. a nossa entrega. dili cilmente reúnem-se todas as características desejáveis numa só pessoa. e aquele outro. Vemo-lo repetir-se a cada instante. Ao criar-nos. em nossa miserável existência de seres imperfeitos. Deus colocou em nós a fagulha do amor.