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DIÁLOGO COM AS SOMBRAS
HERMÍNIO C. MIRANDA

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ÍNDICE
DOUTRINAÇÃO E DESOBSESSÃO
INTRODUÇÃO

PRIMEIRA PARTE - A INSTRUMENTAÇÃO
CAPITULO 1 = O GRUPO

SEGUNDA PARTE - AS PESSOAS
CAPITULO 2 = OS ENCARNADOS
CAPITULO 3 = OS MÉDiUNS
CAPITULO 4 = O DOUTRINADOR
CAPITULO 5 = OUTROS PARTICIPANTES
CAPITULO 6 = OS ASSISTENTES
CAPITULO 7 = RENOVAÇÃO DO GRUPO
CAPITULO 8 = OS DESENCARNADOS - OS ORIENTADORES
CAPITULO 9 = OS MANIFESTANTES
CAPITULO 10 = O OBSESSOR
CAPITULO 11 = O PERSEGUIDO
CAPITULO 12 = DEFORMAÇÕES
CAPITULO 13 = O DIRIGENTE DAS TREVAS
CAPITULO 14 = O PLANEJADOR
CAPITULO 15 = OS JURISTAS
CAPITULO 16 = O EXECUTOR
CAPITULO 17 = O RELIGIOSO
CAPITULO 18 = O MATERIALISTA
CAPITULO 19 = O INTELECTUAL
CAPITULO 20 = O VINGADOR
CAPITULO 21 = MAGOS E FEITICEIROS
CAPITULO 22 = MAGNETIZADORES E HIPNOTIZADORES
CAPITULO 23 = MULHERES

TERCEIRA PARTE - O CAMPO DE TRABALHO
CAPITULO 24 = O PROBLEMA
CAPITULO 25 = O PODER
CAPITULO 26 = VAIDADE E ORGULHO
CAPITULO 27 = PROCESSOS DE FUGA
CAPITULO 28 = AS ORGANIZAÇÕES: ESTRUTURA, ÉTICA, MÉTODOS,
HIERARQUIA E DISCIPLINA

QUARTA PARTE - TÉCNICAS E RECURSOS
CAPITULO 29 = TÉCNICAS E RECURSOS
CAPITULO 30 = O DESENVOLVIMENTO DO DIÁLOGO. FIXAÇÕES.
CACOETES. DORES “FÍSICAS”. DEFORMAÇÕES. MUTILAÇÕES
CAPITULO 31 = LINGUAGEM ENÉRGICA
CAPITULO 32 = A PRECE
CAPITULO 33 = O PASSE
CAPITULO 34 = RECORDAÇÕES DO PASSADO
CAPITULO 35 = A CRISE
CAPITULO 36 = PERSPECTIVAS

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CAPITULO 37 = O INTERVALO
CAPITULO 38 = SONHOS E DESDOBRAMENTOS
CAPITULO 39 = RESUMO E CONCLUSÕES

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DOUTRINAÇÃO E DESOBSESSÃO
“Qual é o teu nome?” — indaga Jesus. Responde-lhe:
“O meu nome é Legião, porque somos muitos.” E lhe imploravam
com insistência que não os mandasse para fora dessa região
(Gerasa). (Marcos, 5:9 e 10.)

Temos sob as vistas um novo livro de Hermínio C. Miranda: “D IÁLOGO
COM AS SOMBRAS — Teoria e Prática da Doutrinação”.
Estamos familiarizados com os escritos do autor, pois acompanhamo-lo em
seus estudos, ano após ano, pelas páginas de “Reformador”. Conhecemos-lhe
as análises criteriosas de dezenas de obras de bastante repercussão, nas
esferas da Religião, da Filosofia e das Pesquisas, no mundo do Espiritualismo
e, mais especificamente, do Espiritismo e do Evangelho de Jesus. Raros serão
os livros marcantes de escritores contemporâneos e antigos, nessas
especialidades, que lhe não hajam merecido a crítica serena e construtiva. Os
sistemas doutrinários erguidos pelo pensamento humano, na sua longa e
exaus tiva elaboração, no curso de milênios, são-lhe objeto de estudos e
elucubrações, geralmente traduzidos em artigos e livros que a Federação
Espírita Brasileira vai imprimindo e difundindo, aqui e fora dos próprios limites
territoriais das Terras de Santa Cruz.
Nos últimos anos, os trabalhos de Hermínio C. Miranda têm esflorado temas
de grande importância, como sempre, mas de abordagem difícil, alguns deles
pouco estudados antes. “O Médium do Anticristo”, por exemplo. Os artigos
referentes a “A Morte Provisória (5 e II)”, “Uri Geller”, “O Cinqüentenário de
Lady Nona”, “A Maldição dos Faraós”, etc., fazem-nos pensar mais
detidamente nas profundidades do Desconhecido.
Ao lado de livros e artigos, os prefácios, introduções e sínteses de obras,
como em “Procês des Spirites” e “Processo dos Espíritas”, de Mme. Marina
Leymarie; “Imitation de l’Évangile selon le Spiritlsme”, de Allan Kardec. E mais
o que se acha por enquanto inédito.
Experiências que se acumularam ao longo de decênios desta e de vidas
pretéritas, consolidadas graças a esforços incessantes e renovadas
perquirições, conferem-lhe espontaneidade e simplicidade no trato dos
enigmas mais sérios e das questões complexas, de toda uma gama de
assuntos no âmbito do inabitual, permitindo-lhe escrever para os simples e os
doutos, na linguagem desataviada que todos entendem.
A ciência de servir é uma arte rara, exigindo dedicação e persistência. Nela,
o nosso Amigo exercita-se há muito tempo, desinibido e despreconceituoso,
como quem se movimenta com a naturalidade própria dos que sabem da sua
vocação e não hesitam em seguir os rumos que devem trilhar.
Escrever sobre “teoria e prática da doutrinação”, apresentando o patrimônio
provisionado durante pelo menos dez anos Ininterruptos de serviço ativo, no
demorado “diálogo com as Sombras”, não é tarefa fácil. A contribuição de
Hermínio, no entanto, foge ao comum dos livros de divulgação doutrinária e
evangélica, no campo espírita. É mais um extraordinário documentário ou
cartilha de orientação, descendo aos pormenores daquilo que se pode chamar
de elaboração séria, metódica, gradativamente desenvolvida, elucidativa de
todo o contexto das intercomunicações e interligações entre vários planos
vibratórios, no atendimento responsável e cristão da assistência es piritual em

pois o mesmo direito que tem o expositor de argumentar e aconselhar. * Questão séria. mediúnica ou não. 5 desobsessão. mais comumente citada como licantropia. o autor nele coloca as próprias idéias. ou não. tudo nele é de meridiana clareza. à segura argumentação que faz. é a da zoantropia. . recordamos o livro “Libertação”. na vigília e no sono. especialmente no que tanga a locais para sessões práticas de desobsessão e a métodos de trabalho. C. em que transmitia a solicitação do autor espiritual. É claro que. como resposta. os seus argumentos e conselhos. têm os demais. ainda quando não as encampe ou oficialize. doação! * O livro. na verdade. Não compete à Federação censurar opiniões. acima de tudo. uma carta do médium F. na tessitura de um livro desta natureza. deixamos aos nossos leitores o encargo de analisar tudo quanto o autor expõe ou sugere. defensores e propagandistas daqueles princípios. como reconhece o autor. Miranda alcançou com o maior êxito o fim a que se propõs. Pediu confirmação ao Espírito e recebeu. não necessita de explicações ou apresentações. porqüanto. numa leitura ou estudo ligeiro da vasta literatura espírita. “o segredo da doutrinação é o amor”. é sinal que precisamos aguardar outra oportunidade. é que “Diálogo com as Sombras” é livro doutrinariamente correto e constitui valiosa contribuição para o estudo e a prática dos serviços de desobsessão espírita. no sentido de retirar dos originais aquelas palavras que lhe haviam suscitado dúvidas. ternura. Trata-se do exercício natural do sagrado direito que cada qual tem de pensar por si mesmo e de abraçar os pontos de vista que lhe parecem os melhores. O próprio autor justifica cada detalhe. Assim. para a qual gostaríamos de pedir atenção. as pequeninas verdades que as desatenções dos estudiosos nem sempre permitem captar e estereotipar nas mentes e corações. com a explicação seguinte: “Se o nosso amigo não pôde admitir isso. mas num mapa por assim dizer comportamental durante as demais horas. porque não fez literatura: seu livro é vida! É compreensão. com proficiência. Miranda é dos mais seguros estudiosos. No entanto. O que Importa. Acreditamos que Hermínio C. Hermínio C. São horas vividas não apenas no circulo das tarefas mediúnlcas propriamente ditas. à medida que adentra na exposição simples de coisas difíceis. consegue aglutinar. Ele não faz revelações especiais nem ensina princípios não sabidos. com os quais todos os seus pensamentos se afinam. Ora. O autor trata detalhadamente desse assunto. A propósito. de aceitar. em Espiritismo. de André Luiz: quando os originais fo ram-nos enviados. exceto quando entrem em choque com os princípios fundamentais da Doutrina Espírita. nem sempre concordantes com as de outros autores igualmente editorados pela Federação Espírita Brasileira. a rigor. Xavier. cada ensino ou experiência e suas implicações. o Diretor incumbido da análise Inicial dessas páginas mediúnicas considerou um tanto “exageradas” umas afirmativas e detalhes pertinentes a um caso de licantropia. nem de Interpretações.

os exemplos que encerra causar- lhe-ão a nítida convicção. Rio de Janeiro (RJ). Mas o comentário particular de Chico Xavier. editado pela FEB (33ª edição. pelo médium Frederico Júnior. com maior razão. de Allan Kardec.” * O problema da obsessão — grande flagelo da Humanidade — étão grave. na verdade. ao lê-lo. Os referidos ditados estão incorporados no opúsculo “A Prece segundo o Evangelho”. 6250 milheiro. as coisas ainda ficavam bem longe da realidade. mesmo com a parte que André Luiz sugeriu fosse eliminada do texto. de que o Espiritismo é. o Consolador Prometido por Jesus. 1979). 6 pois os leitores. dada a preocupação da Espiritualidade Superior no sentido de o assunto ser encarado com a seriedade e o preparo precisos. também não admitirão. que é bem pior do que pensamos. que a respectiva cura chegou a ser objeto de mensagens de Allan Kardec. no Rio de Janeiro (RJ). * Terminadas estas páginas iniciais. convidamos o leitor a conhe cer o livro de Hermínio. foi este: “E na verdade. mais que as palavras articuladas. em 1888 e 1889. mas o sentido exatamente esse.” As palavras da carta do médium eram aproximadamente essas. especialmente no campo do amor e da exemplificação das virtudes cristãs. 22 de junho de 1979 FRANCISCO THIESEN Presidente da Federação Espírita Brasileira . Estamos certos de que. a pessoa que nos merece a maior credibilidade.

um acervo considerável de livros que constituem leitura obrigatória para todo aquele que se propõe a um trabalho sério junto aos companheiros desencarnados. Isto é: * O Livro dos Espíritos. estará se expondo a riscos Imprevisíveis para o seu equilíbrio emocional e orgânico. e. começa com ele. na literatura espírita. até os extremos mais dolorosos do aviltamento moral. e * A Gênese. da vingança. Ali. * O Livro dos Médiuns. A prática mediúnica não deve ser improvisada. Alguns o fazem compulsoriamente ou com relutância: outros com espontaneidade. nem livrar- nos das nossas prova ções. consciente ou inconscientemente. que estejamos à inteira mercê dos espíritos perturbados e perturbadores. que. encontramos espíritos nobres e dotados de atributos morais avançados. e como ainda nos encontramos todos em estágios inferiores da evolução. mesmo Incipientes. mas não nos podemos esquecer de que eles não podem fazer por nós as tarefas de que nos incumbem. Podemos. encontrando-se em variados estágios de desenvolvimento moral. voluntária ou involuntariamente. igualmente. da revolta. da angústia. qualquer pessoa dotada de faculdades mediúnicas. no qual procuremos . Realmente. do lado de lá. apoiada num mínimo de informação. em princípio. nos afi namos com maior facilidade com aqueles que também se acham perturbados por desequilíbrios de maior ou menor gravidade. velam por nós companheiros de elevada categoria. a meu ver. O importante é que. fantástico ou sobrenatural. como doutrina essencialmente evolutiva. este jamos com um mínimo de preparação. nada tendo de místico. sempre dispostos a nos ajudar. * O Céu e o Inferno. serena ou tumultuadamente. evidentemente. não à custa de oferendas. Há. É claro que a lista não termina aí. com um procedimento reto. Como a base do fenômeno mediúnico é a sintonia espiritual. como aquI. e muito menos coibir os mecanismos do nosso livre-arbítrio. por conseguinte. Isolada do contexto dos cinco documentos básicos da Doutrina. de ritos mágicos. O relacionamento com o mundo espiritual se reveste de enganosa simplicidade. uns com respeito e amor. pois não nos devemos esquecer de que o Espiritismo. pois não perdoa despreparo e ignorância. não termina com Kardec. outros com leviandade e indiferença: e muitos sem mesmo perceberem o que se passa e o que deve ser feito para ordenar um fenômeno que. com a sua proteção carinhosa. da ignorância. nenhuma obra acerca dos aspectos experimentais do Espiritismo terá valor por si mesma. ou aquele que é arrastado a ela pela mediunidade indisciplinada ou desgovernada. de simbolos. Isto não quer dizer. de “trabalhos” encomendados. Pelo nosso mundo de encarnados podemos inferir o outro. do rancor. no pórtico deste livro. contar com a boa-vontade e a ajuda desses irmãos maiores. 7 INTRODUÇÃO Creio necessário declarar. ao Iniciarmos o trato com os Espíritos desencarnados. mas. * O Evangelho segundo o Espiritismo. como tantos outros. Aquele que se atira à fenomenologia mediúnica sem estes petrechos indispensáveis. é natural. a massa imensa daqueles que se acham da média para baixo. mas sim. pode estabelecer contacto com os desencarnados. O mundo espiritual é povoado de seres que foram ho mens e mulheres como nós mesmos. obviamente.

não apenas no interesse da doutrina que todos professamos. não para nos livrar das nossas dores. confrades que não gostam de freqüentar sessões espíritas. a educação dos pais. entretanto. e das complementares. às vezes. Léon Denis. pois já estava pronta. com o estudo sistemático das obras básicas. mas também no interesse de cada um. da Doutrina Espírita: as de Allan Kardec. examinar de perto essa posição e ver o que contém ela de legítimo. Assim. suporte indispensável de toda a tarefa programada. sem condições e sem imposições? O amor não exige recompensa. podemos começar. Gabriel Delanne. e da sua ajuda desinteressada. que a seguir transcrevo. o aprendizado constante e a dedicação desinteressada ao semelhante. e não pela execução atabalhoada e sem preparo. forçando-o a uma tarefa acima de suas forças. o amor é. As razões que os levam a essa decisão — creio eu — são respeitáveis. não é possessivo. É preciso. 8 desenvolver em nós mesmos o esforço moralizador. ao comparar o grupo nascente com um filho. dos percalços e das lutas que os esperam? Para que desejam o filho? Sonham fazer dele um grande homem. dizia Edgar Cayce. . naquilo que for realmente proveitoso ao nosso espírito. sem reservas. Muita ênfase precisa ser posta no estudo dos escritos que cuidam do complexo problema da mediunidade. e não naquilo que julgamos o seja. julguei necessária uma pequena introdução que situasse a obra em seu contexto próprio. acima de tudo: estão prontos e dispostos a se doarem integralmente. Se estamos com essas disposições. Antes. Nunca é demais enfatizar que a organização de um grupo de trabalho mediúnico começa muito antes de dar-se início às suas tarefas propriamente ditas. ao amor ilimitado. da sua inspiração oportuna. nem para cumprir mandados nossos ou atender às nossas menores exigências e súplicas. Não foi preciso escrevê-la. seja o pão ou a palavra de consolo e solidariedade. pois cada um de nós sabe de si e do que. modernamente. E começar pelo planejamento. O amor. e deve ser cercado dos mesmos cuidados que precedem à formação e ao nascimento de uma criança: ou seja. “Reformador” de fevereiro de 1966 publicou um artigo intitulado “Espiritismo sem sessão espírita?”. mas para nos concederem o privilégio da sua presença amiga. Estão preparados para a tarefa? Desejam o filho? Dispõem-se aos sacrifícios e renúncias que o trabalho impõe? Estão conscientes das suas responsabilidades. Nunca somos tão pobres de bens materiais e espirituais que não possamos doar alguma coisa ao companheiro necessitado. ainda no corpo desta conversa inicial. Gustavo Geley. por interessar aos objetivos deste livro. Voltaremos às questões que formulamos acima. se convencionou chamar de suas motivações. para a qual não esteja preparado. ou se dispõem a criar condições para fazer dele um ser digno. Examinaremos o assunto por partes e com as cautelas devidas. e certos trabalhos de origem mediúnica. no sentido humano. pacificado e amoroso? Estão prontos a receber a tarefa com humildade? E. como os de André Luiz. * “Encontramos. uma observação de caráter pessoal: ao planejar a elaboração deste livro. É com estas atitudes que nos asseguramos da assistência de Irmãos mais experimentados e evoluidos. é preciso insistir: a formação ou nascimento de um grupo émuito importante.

em primeiro lugar para que se observe e estude o fenômeno da mediunidade. o seu desenvolvimento futuro. das alegrias que experimentamos ao encaminhar às trilhas da paz um Espírito em crise? Há um universo a explorar. Se é incompleto o conhecimento sem a prática mediúnica. Logo. Seus dramas e suas angústias não são puramente individuais. realmente. 9 De fato. precisamos estar atentos ao puro mediunismo sem objetivos mais elevados. que isso constitui motivo para nos privarmos das recompensas do aprendizado. Há riscos. De aflições — embora passageiras — causadas pelo desfile das angústias de irmãos sofredores. Outra dificuldade ponderável é a organização de um bom grupo que se incumba. também o é o exercício desta sem o estudo daquilo que já se sabe sobre o fenômeno. A análise das questões mais complexas quase sempre começa pelas definições acacianas e de vez em quando é bom a gente recorrer a velhos conceitos para iluminar obstáculos novos. há alguns problemas ligados à freqüência de trabalhos mediúnicos. suas grandezas. O Espiritismo doutrinário nasceu das práticas mediúnicas. Evidentemente. O Espírito que erra. como poderemos almejar compreendê-la um dia? Só aprendemos a nadar pulando dentro dágua sob a orientação de quem já tenha. essa estranha faculdade humana sobre a qual ainda há muito o que estudar. a prática mediúnica é. O primeiro deles — e dos mais sérios — é o da própria mediunidade. a respeito. também. mas creio que basta considerarmos aqui apenas esses dois — o que não é pouco. no final de contas. a fundo e com a mente desarmada de preconceitos. das tarefas a que se propõe. compreensão e caridade no cha mado mundo espiritual. não apenas para o médium. É claro que a mediunidade tem um mecanismo muito complexo e até agora poucos foram os cientistas dignos desse nome que se dedicaram. Os erros que cometemos. Há outros problemas e dificuldades de menor importância. invariavelmente prejudica a alguém mais. O intercâmbio. não apenas aconselhável. que o eqüacionamento e a solução das grandes inquietações humanas vão depender. prendem-nos a uma cadeia de fatos e de seres que se estende pelo tempo a fora. as oportunidades de aprendizado e progresso que contém. em planos diferentes. De aceitação de inverdades sutilmente apresentadas sob fascinantes roupagens. entre o mundo espiritual e este. somente assumiu expressão e sentido filosófico depois que Kardec ordenou e metodizou os conhecimentos adquiridos no contacto com os nossos irmãos desencarnados. delas se nutre e delas depende. ao estudo dela. De mistificações por parte de pobres irmãos carecentes de entendimento. sim. da exata compreensão do mecanismo das relações entre esses dois mundos que. Convém pensar também que a própria dinâmica da Doutrina Espírita exige esse intercâmbio espiritual. Nunca o drama de um Espírito é apenas seu. os riscos que oferece. nesta vida ou . em grande parte. Há uma Humanidade inteira cla mando por ajuda. noções satisfatórias. Será. como indispensável ao futuro da Humanidade. mas para aquele que assiste aos trabalhos e deles participa. Parece claro. como também ao animismo de certos médiuns mais interessados nas suas próprias idéias que na transmissão daquilo que recebem dos companheiros desencarnadOS. com regularidade e seriedade. esclarecimento. cada vez mais. Mas se não a observarmos em ação. não são mais que um único. porém. Há sempre.

como criaturas encarnadas. Multidões de seres que aqui viveram inúmeras vezes. Ao que ainda se prende a superadas teologias. não será tão difícil assim. pelo menos. aprendemos a contemplar a transitoriedade do mal. a crueza do arrependimento daquele que desperdiçou o seu tempo na busca ansiosa das ilusões mundanas. todos nos vêm confirmar as verdades mestras do Espiritismo: as de que o Espírito sobrevive à morte física. Muitas e variadas lições. mostramos a inutilidade do seu intento e os novos problemas com que virão agravar o seu futuro. Que não se deixe desencorajar por dificuldades ou pela aparente insignificáncia dos primeiros resultados. a inutilidade das posições humanas. a tensa expectativa de um novo mergulho na carne redentora. pois exigem reparação. corresponderá um grupo . composto de pessoas que se harmonizem perfeitamente e que estejam interessadas num trabalho sério e contínuo. na qual o Espírito fica. são tão poucos os grupos que se dispõem a esse trabalho que tão altos dividendos paga em conhecimento e progresso espiritual. apenas para mostrar como é o Espírito daquele que já venceu a si mesmo. Aquele que odeia. de que reencarna. lá estão à espera de ajuda e. demonstrada a seriedade de propósitos. muitas vezes já está maduro para o perdão — basta uma palavra serena de esclarecimento. de que as leis universais são perfeitas. lições de doce tranqüilidade e de serena humildade dos que já superaram as suas fraquezas e vêm. sob a orientação de Espíritos esclarecidos. A todos os que erraram. nem se deixe fanatizar ou fascinar por pseudoguias. ajudamos a com- preender a nova realidade que tem diante de si. mas flexíveis. elos que nos ligam a outros seres e e outras dores. ouvimo-los com admiração e proveito. no entanto. Nos dramas a que assistimos nas sessões mediúnicas. provocadas por antigas mágoas. desprezar esse trabalho magnífico que tanta recompensa nos traz e também aos nossos irmãos do outro lado da vida? Quanto à organização dos grupos. os trabalhos irão surgindo. através da lúcida inteligência de Kardeç. Há estudos sérios e muito seguros de orientação doutrinária a respeito. mas também o irmão que lhe sofre as agressivas vibrações. anestesiado nas suas angústias. Aos poucos. então. É bom que o grupo seja pequeno. católi cos ou protestantes. a amarga decepção do suicida. na milenar batalha contra as suas próprias deficiências. o ônus terrível da vaidade. tanto na carne como no Espaço. da nova compreensão diante desse mistério sempre renovado da vida. iniludíveis. de preferência familiar. cada vez melhor. ao mesmo tempo que fornecem os recursos para o reencontro do Espírito com o seu próprio destino. 10 em algumas das anteriores. um gesto de tranqüila compreensão para libertar. consolamos com a nossa própria imperfeição e com a certeza da recuperação. Os que já atingiram elevados patamares de conhecimento e amor. sem ostentação. Lições terríveis ministradas com lágrimas e gritos de desespero por aqueles que assumiram débitos enormes diante da Lei. não apenas o seu espírito da tormenta do ódio. Crentes ou descrentes. Muitos nos buscam apenas para trazer notícias das suas próprias conclusões. de que progride e aprende. a solidez inabalável da doutrina que nos legaram os Espíritos. Por que. vemos. Aos que ainda desejam vingar-se de antiquíssimas ofensas. aprendizado extenso e profundo para todos os que desejarem realmente apressar os passos e encurtar a caminhada que leva a Deus. A cada bom grupo de seres encarnados dispostos à tarefa. No exercício constante dessa atividade.

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equivalente de Espíritos, num intercâmbio salutar de profundas repercussões,
pois Espiritismo é doutrina, mas é também prática mediúnica, e todos nós,
ainda que nem sequer suspeitemos disso, temos compromissos a executar,
ajustes a realizar com irmãos que nos aguardam mergulhados em ódios e
incompreensões, que se envene nam a si mesmos e a nós próprios.
“Lamentar a desgraça — dizia Horace Mann — é apenas humano; minorá-
la é divino.”

*

E assim, creio que estamos prontos para entrar na matéria propriamente
dita.

Rio de Janeiro (RJ), 1976
HERMÍNIO C. MIRANDA

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PRIMEIRA PARTE
A INSTRUMENTAÇÃO

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1
O GRUPO
Voltemos às perguntas formuladas na Introdução.
Em primeiro lugar, o preparo, que consiste na educação e na instrução
dos componentes do grupo que se planeja, nos leva a outro quesito preliminar:
— quem devem ser os componentes?
A tarefa começa, pois, com a seleção das pessoas que deverão
participar dos trabalhos. Como todo grupamento humano, este também deve
ter alguém que assuma a posição de coordenador, de condutor. É preciso, não
obstante, muita atenção e vigilância desde esta primeira hora. Esse motivador,
ou iniciador, não poderá fugir de certa posição de liderança, mas é necessário
não esquecer nunca de que tal condição não confere a ninguém poderes
ditatoriais e arbitrários sobre o grupo. Por outro lado, o líder, ou dirigente, terá
que dispor de certa dose de autoridade, exercida por consenso geral, para
disciplinação e harmonização do grupo. Liderar é coordenar esforços, não
impor condições. O líder natural e espontâneo é aceito também com
naturalidade e espontaneidade, sem declarar-se tal. É até possível que, nos
trabalhos preliminares de organização do grupo, surja a sutil faculdade da
liderança em pessoas nas quais mais inesperada ela parecia. Nestas
condições, aquele que iniciou a idéia deve ter grandeza suficiente para
reconhecer que o outro, que revelou melhores disposições, está mais indicado
para a função do que ele próprio. Num grupo espírita, todos são de igual
importância.
O problema das rivalidades é tão antigo como a própria mediunidade. O
apóstolo Paulo tratou dele, na sua notável Primeira Epístola aos Coríntios,
capítulos 12, 13 e 14, e, especificamente, nos versículos 4 a 30 do capítulo 12.
(1)
O primeiro passo, portanto, que deve dar alguém que pretenda organizar um
grupo mediúnico é selecionar as pessoas que irão compo-lo. É bom que isto se
faça mesmo antes de se decidir que tipo de trabalho será executado — do que
falaremos mais adiante — e quem será incumbido da direção das tarefas. Os
motivos são de fácil entendimento. Em primeiro lugar, o problema da liderança
a que acima aludimos: é possível que a pessoa mais indicada para dirigir os
trabalhos não seja aquela que se propõe, de início, a organizar o grupo,
cumprindo-lhe provar, no decorrer das gestões preparatórias, a força tranq üila
e segura da sua personalidade. Em segundo lugar, o grupo será a soma dos
seus componentes, disporá das forças de cada um e terá como pontos fracos
as fraquezas dos seus participantes. Em terceiro lugar, a natureza dos
trabalhos a serem programados dependerá dos diferentes tipos de
mediunidade que for possível reunir, do grau de sensibilidade, tato, inteligência,
conhecimento e evangelização de cada um e de todos, e da qualidade do
relacionamento pessoal entre os que se propõem trabalhar juntos nesse
campo.
Assim, não basta juntar alguns amigos e familiares, apagar a luz e
aguardar as manifestações. Que amigos e familiares vamos selecionar? Essa
tarefa é extremamente delicada e crítica, pois dela vai depender, em grande
parte, o êxito ou fracasso do grupo. Será recomendável que a pessoa que
pretenda fundar um grupo, mesmo de âmbito doméstico, de proporções
modestas e sem grandes ambições, guarde consigo mesma, por longo tempo,

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as suas intenções; que se entregue à prece constante, à meditação e ao
estudo silencioso e demorado de cada pessoa; que examine, sem paixões e
sem preferências, com toda a imparcialidade possível, as potencialidades de
cada um, bem como os seus defeitos, virtudes, inclinações, tendências e
temperamento. Não nos devem guiar aqui as preferências pessoais: — “Vou
incluir Fulano ou Sicrana porque gosto dele ou dela.” É essencial que todos se
estimem no grupo, mas só isto não basta. Podemos amar profundamente uma
criatura que não ofereça condições mínimas para um

(1) Seria oportuna, sob este aspecto, a leitura do artigo “O Livro dos
Médiuns de Paulo, o Apóstolo”, em “Reformador” de fevereiro de 1974.

trabalho tão sério como esse. É claro, por outro lado, que não éaconselhável
incluir aqueles que, embora ofereçam outras condições favoráveis, se
coloquem na posição de adversários e críticos demolidores de qualquer outro
componente do grupo. Até a discordância ideológica acentuada, mesmo em
outros setores do pensamento, pode criar dificuldades ao trabalho. Isto não
quer dizer que todos tenham que pensar igualzinho, ou se transformarem em
criaturas invertebradas, sem idéias próprias, sem personalidade e opinião. A
franqueza é também um dos ingredientes necessários ao bom trabalho, desde
que não alcance os estágios da rudeza que fere, mas a homogeneização dos
ideais e das aspirações é condição importante para o bom entendimento que
precisa prevalecer durante todo o tempo. Um só membro que desafine dessa
atmosfera de harmonia, poderá transformar-se em brecha por onde espíritos
desajustados introduzirão sutilmente fatores de perturbação e eventual
desintegração do grupo.
É preciso entender, logo de início, que os componentes encarnados de um
grupo são apenas a sua parte visível, O papel que lhes cabe é importante, por
certo, mas nada se compara com as complexidades do trabalho que se
desenrola do outro lado da vida, entre os desencarnados. Lá é que se realiza a
parte mais crítica e delicada das responsabilidades atribuidas a qualquer grupo
mediúnico, desde o cuidadoso planejamento das tarefas até a sua realização
no plano físico, no tempo certo. Os componentes encarnados já fazem
bastante quando não atrapalham, não perturbam, não interferem
negativamente. É óbvio que ajudam de maneira decisiva, quando se portam
com dignidade, em perfeita harmonia com o grupo; mas se não puderem
ajudar, que pelo menos não dificultem as coisas. É melhor, por isso, recusar,
logo de princípio, um participante em perspectiva, sobre o qual tenhamos algu-
mas dúvidas mais sérias, do que sermos constrangidos, depois, a dizer-lhe
que, infelizmente, tem que deixar o grupo, por não se estar adaptando às
condições exigidas pelo trabalho.
É por isso que se recomenda uma longa meditação antes de decidir quanto
à composição humana do grupo, para não fazermos o convite senão àqueles
dos quais podemos contar com um mínimo de compreensão, entendimento e
entrosamento com os demais.
Isto nos leva a uma outra questão, que deve ser logo decidida:
Quantos componentes encarnados deve ter um grupo? A experiência
recomenda que os grupos não devem ser muito grandes, pois, quanto
maiores, mais difícil mantê -los em clima de disciplina e harmonia. Léon
Denis, em seu livro “No Invisível”, sugere de quatro a oito pessoas. O grupo

e o médium não teria condições de prolongar o trabalho sem grande desgaste psíquico. Por isso. tem sido tratado em várias obras de confiança. que. com seriedade e boas intenções. quebra-se com freqüência o esforço de concentração. pior ainda. mas é certo que. que um grupo muito pequeno tem suas possibilidades também limitadas. porém. logo que tenhamos resolvido. segundo a palavra do Cristo. E. à medida que cada um apresentar sua contribuição ao debate. de caráter doutrinário? Para os chamados trabalhos de desobsessão? Esse ponto somente pode ser decidido. É possível. . ainda não saibamos quanto à intenção dos espíritos que nos são fami liares. convém convocar uma reunião. no silêncio da meditação e da prece. aquele que tomou a iniciativa de convocá-la fará uma breve exposição de seus objetivos e intenções. mas acima de doze vai-se tornando bastante problemática a sua eficácia. e os que tenham potencial mediúnico suscetível de desenvolvimento. de que nomes deveremos cogitar para a composição do grupo. No caso de apenas dois. virão os espíritos levianos. para práticas condenáveis. tanto para os que se dedicam. do que poderão resultar obsessões penosas e tenazes. para que Ele aí esteja. em definitivo. se alcançada impecável homogeneização. alguma coisa séria poderia ser realizada. Não está previsto no escopo deste livro um estudo sobre o desenvolvimento da mediunidade. bastante complexo. no entanto. ao se planejar a instalação de um grupo. e o prejuízo é certo para a tarefa. como de seus orientadores invisíveis. pois o assunto. vai-se tornando mais difícil a tarefa. mais ou menos íntimas? Para experimentação e observação de na tureza cientifica? Para tarefas mais sérias. Se a intenção é apenas fazer passar o tempo. Em seguida. para a qual deverão ser convidados aqueles cujos nomes foram lembrados para uma consulta. nem quanto à natureza dos trabalhos que pretendem realizar conosco. Serão arrolados os médiuns presentes. quanto para aqueles outros que se reúnem para se divertirem ou. especialmente em “O Livro dos Médiuns”. porém. O mais certo é que. É certo. depois que tivermos selecionado os companheiros encarnados que vão compor a equipe. com a finalidade de entrar em contacto com os desencarnados. chegamos a outro aspecto da questão: Para que desejamos um grupo? Para simples estudo da Doutrina? Para conversar sobre Espiritismo? Para oferecer condições à manifestação de espíritos familiares. estes se apresentarão no momento oportuno. bastará que dois ou mais se reúnam em seu nome. Essa reunião. sempre que um grupo se dispõe a reunir-se. para exame e debate das inúmeras questões que começam a colocar- se. não apenas do dirigente encarnado do grupo. mesmo assim. Isto é vá lido. o pensamento divaga. de Allan Kardec. Acima dos oito componentes sugeridos por Denis. 15 pode funcionar bem até com duas pessoas. porque a equipe se torna mais heterogénea. fazer funcionar razoavelmente bem um grupo com mais de oito pessoas. fúteis e inconseqüentes. será aberta com a leitura de um texto evangélico e uma prece. quando não claramente mal- intencionados. obviamente não mediúnica. um teria que ser o médium e o outro o doutrinador. galhofeiros. que venham trazer pequenas mensagens. já atuantes. A reunião será conduzida com descontração e espontaneidade. É claro. assim. por exemplo. pois. É bom começar sem grandes ambições ou planos grandiosos.

por estágios sucessivos. necessidade de um guru que leve o discípulo. O Espiritismo desmistificou o antigo ocultismo. É também uma imprudéncia forçar o desenvolvimento sem nenhuma preocupação de estudar a questão nos livros que compõem a Codificação de Kardec e a obra complementar de seus continuadores. ainda. também. Colocado num grupo harmonioso e bem assistido. em “Mecanismos da Mediunidade”. não só em “No Invisível”. tão abrangente quanto possível. Recomenda-se. Creio oportuno acrescentar que esses livros não se dedicam especificamente a ensinar como desenvolver a mediunidade. para não levarem o futuro médium a vícios funcionais e até mesmo a perturbações emocionais de problemática recuperação. as condições mínimas exigidas para a tarefa a que se propunha. O desenvolvimento mediúnico é trabalho delicado. a apresentar um panorama. não deve ser desenvolvida isoladamente e sem apoio dos livros essenciais ao entendimento dos seus componentes básicos. dos diversos aspectos dessa notável faculdade humana. De forma alguma. que exige conhecimento doutrinário. Evidentemente não há. pouco a pouco. capacidade de observação. No passado remoto. Não nos esqueçamos. no entanto. sim. difícil e muito importante. hoje. acompanhamento e orientação pessoal de alguém que tenha condições morais e doutrinárias para fazê -lo. desobsessão — não deve iniciar suas tarefas especificas senão ao cabo de um . esse encargo era de caráter iniciático. Qualquer que seja a natureza do seu trabalho — estudo. em que funcionem médiuns bem disciplinados e já em plena atividade. firmeza e muita sensibilidade para identificar desvios e desajustes que precisam ser prontamente cor rigidos. sistematicamente. “Nos Domínios da Mediunidade” e “Libertação”. o perfil do grupo que se pretende implantar já deve estar suficientemente definido. pesquisa. vigilância. 16 Léon Denis também ofe rece contribuição valiosa. tato. voltemos ao assunto em foco. todos editados pela Federação Espírita Brasileira. experimentação. salvo casos especiais. tornando o conhecimento básico acessível ao homem comum. mas. O instrutor ia dosando seus ensinamentos segundo as forças e a receptividade do discípulo. nem ritos especiais para fazer eclodir a mediunidade numa pessoa que a tenha em potencial. épossível ao médium incipiente desenvolver. suas faculdades. bem como o livro interpretativo de Martins Peralva “Estudando a Mediunidade”. e. muito mais comum do que tanta gente estaria disposta a admitir. André Luiz. * Após esta digressão acerca do desenvolvimento mediúnico. O dirigente do grupo deve manter-se atento a essa possibilidade. até o ponto ideal. e este somente chegava aos estudos mais avançados de desenvolvimento de suas faculdades se ao longo do processo viesse demonstrando. em outras de suas obras. A mediunidade. Não há fórmulas mágicas. porém. de que a técnica do desenvolvimento mediúnico ainda exige atenção. Ao cabo de algumas reuniões de debate e ajustamento. o treinamento mediúnico deve ser intentado com base em obras suspeitas ou organizações que prometam resultados prontos e maravilhosos em algumas lições.

Seu objetivo final será sempre o de homogeneizar os diversos graus de conhecimento doutrinário. deve ser dada prioridade à “Parte Segunda” de “O Livro dos Espíritos”. certamente. Esse período é. Os impacientes deixarão o grupo espontaneamente. ajustar seus vários componentes. no segundo. resolvam dedicar- se com maior entusiasmo e firmeza. até mesmo. que poderá ser longo. aqueles que não se sentirem em condições de se entregar ao trabalho. renúncia. têm que se apoiar num impulso interior. certamente. pelo “O Livro dos Espíritos”. Não que sejam impuros (por favor!). a começar. Será útil para todos um período de atualização de conhecimentos. Embora não gostemos de admitir. por um processo natural de seleção. o estudo precederá as manifestações e deverá. segundo o grau de conhecimento dos seus componentes. ocupar boa parte do horário. A duração e freqüência das reuniões de estudo serão objeto de debate e ajuste entre os componentes. ainda. Não é preciso fazer a leitura de cada capítulo no decorrer das reuniões. no desejo de . como também os desencarnados que. estariam prejudicando apenas a si mesmos. que exige. em prejuízo dos resultados. tolerância. naturalmente. para aproveitarem os ensina mentos ministrados. dedicação. ainda por algum tempo. que poderá ser mais longo ou mais curto. O mais provável éque o grupo se componha de gente em diferentes estágios de conhecimento. muito útil para afinar o grupo. Mesmo que os componentes da futura equipe se julguem suficientemente informados e conhece dores da Doutrina dos Espíritos. No primeiro caso. todas as obras essenciais à tarefa a que se propõem. 17 aprendizado mais ou menos longo das questões doutrinárias. sacrificariam todo o conjunto. segundo a programação acordada. e à Segunda Parte de “O Livro dos Médiuns”. em processo de exclusão natural. até o que já possui conhecimentos mais profundos. De certo ponto em diante — e isto fica a critério daquele que se responsabiliza por esta fase dos trabalhos — as tarefas mediúnicas poderão ser iniciadas em paralelo com as de estudo. sem atritos ou desgosto. A reunião se destina à verificação do progresso que cada um realiza na revisão. revelar as tendências e potencialidades de cada um e. pois não apenas os encarnados se beneficiam dela. Para não prolongar demasiadamente este período de revisão. que cuida “Do mundo espírita ou mundo dos Espíritos”. até que se consiga alcançar uma fase de melhor preparo doutrinário. mas por ser melhor que abandonem a tarefa pela metade. desde que todos o tenham estudado. durante o período que vai de uma reunião à seguinte. Tarefas como essas não podem ser impostas. assiduidade. seguido de “O Livro dos Médiuns”. a partir do capítulo 14 — “Dos Médiuns”. vale a pena uma revisão geral. e ao debate e esclarecimento das dúvidas surgidas. nem forçadas. é difícil reunir um grupo de pessoas — seis ou oito — que conheçam igualmente. mais adiante. nosso conhecimento é menor do que pensamos. a boa-vontade e a dedicação de cada um. começarão a ser trazidos pelos benfeitores espirituais. torna-se aconselhável serem evitadas as manifestações mediúnicas. desde aquele que tem apenas vagas noções. e em profundidade. Nesse caso. mesmo que haja no grupo médiuns já desenvolvidos. para obter a integração do grupo. Nunca é demais enfatizar a importância e utilidade desta fase preparatória. Ademais. do que insistirem em ficar. Talvez em outra oportunidade. estudo e amor. excluir. Por algum tempo. Não deve subsistir nenhuma preocupação com o tempo despendido nesse trabalho preparatório.

Este livro está mais voltado para esta última opção. à leitura de livro recreativo ou à novela de televisão. A tarefa precisa ser desenvolvida com muita assiduidade e continuidade ininterrupta. como diziam os antigos. de modo que os resultados obtidos sejam impessoais. o grupo já deverá estar com o seu perfil suficientemente nítido. Estamos igualmente dispostos aos sacrifícios e às renúncias que o trabalho impõe. bem como a duração e freqüência das reuniões (sobre o que falaremos. e qual a natureza do trabalho a que esta deve dedicar-se. A primeira grande divisão consiste em saber se o grupo vai dedicar-se apenas a estudos ou a trabalhos experimentais. Um pouco de humildade nos fará. É um dia de recolhimento íntimo. desejamos o grupo. chegado o momento de especificar a finalidade e os objetivos do grupo. Da mesma forma. senão a de que estamos tentando despertá- los para realidade extremamente dolorosa. O dia destinado à reunião exige renúncias diversas. ao qual temos que nos habituar. em outro ponto deste livro). Outros podem combinar o estudo teórico com a experimentação científica ou mediúnica. A essa altura. e sabemos disso. É. Voltemos à imagem do filho. Suponhamos. Como os trabalhos são usualmente realizados à noite. muitas vezes sem razão alguma. se necessário. encontramo-nos perfeitamente conscientizados das responsabilidades que assumimos. após algum tempo de estudo teórico. pois. da qual se escondem aflitivamente. o que seria uma tarefa quase de laboratório. dentro da equipe. pois. Nem sempre estaremos físicamente dispostos a ela. . de que estamos preparados para ele. não creditáveis exclusivamente ao trabalho individual deste ou daquele componente do grupo. de apagar-se. aos passeios. então. Mesmo assim. Já decidimos que desejamos o trabalho. Estamos cientes disso. aqui. A responsabilidade é grande. das lutas naturais da vida diária. desinteressados do aspecto prático. quais são os médiuns. coletivos. com ênfase na fenomenologia. quem se revelou com melhores condições de liderança e tato na condução da equipe. Alguns grupos. voltam-se contra nós. do desgaste e das tensões provocados pela atividade profissional. por exemplo. que o grupo se resolva pelo trabalho de desobsessão. segundo os inte resses e inclinações de seus componentes. Quem não estiver disposto a aceitar essas condições não está preparado para o trabalho. não podemos destiná-la ao convívio da família. mas às quais nem sempre estamos acostumados: moderação e vigilância. Também são válidos. às visitas. dos inconvenientes oriundos de pequenas indisposições orgânicas. e é sobre ela que nos fixaremos. É possível que desejem apenas a experimentação de caráter puramente científico. já nos convencemos. Vamos nos defrontar com espíritos desajustados que. quem navega sem destino não sabe aonde vai. ainda. mas a definição é importante porque. Não há muito a dizer aqui sobre este aspecto. ao relaxamento. aos poucos. em virtude do cansaço. A natureza do trabalho pode variar bastante. no desespero em que se precipitaram. Já se sabe quais os que o compõem. Não que uma coisa exclua a outra. podem ser constituídos apenas para o estudo teórico da doutrina. um bem enorme. portanto. é claro. 18 servir. pequena -nas. dado que o assunto escapa à minha área de competência e experiência. Encontraremos percalços e nos empenharemos em lutas remidas pelo bem. especialmente daqueles que se dedicam à organização da equipe.

Os orientadores espirituais saberão o que fazer dela. a meio coração. como iremos oferecer-lhes a segurança da compreensão e da tolerância de que tanto necessitam? * Estão resolvidas. É nessa oportunidade. Resta o compromisso do amor fraterno. nem para conquistar todos os grandes espíritos que se debatem nas sombras. num centro espírita bem orientado. que não pode ser parcial. De tudo isto estamos conscientes. portanto. o . Todos ou quase todos os seus componentes têm compromissos sociais. sim ou não. a segunda-feira. em doloroso estado de desajuste emocional. Muitos espíritos. familiares e até profissionais. quando já tivemos a oportunidade de nos refazer das canseiras dos dias de atividade. durante vários anos. Uma boa sugestão seria reservar. que tornam impraticável reuniões mais freqüentes. a partir de 20 horas ou 20h30m. O planejamento é realizado no mundo espiritual. porque. a deblaterarem em altas vozes. se apresentarão. irritados. A nós. com acomodações especiais? Alguns confrades temem a realização de trabalhos de desobsessão em casa. dentro das nossas limitações. muito melhor do que nós. que precisa apoiar-se no perfeito entrosamento emocional de todos. como verdadeiros inimigos. Temos o grupo montado e já definimos os seus objetivos. A noite é escolhida justamente porque. que colocaremos em prática aquele sábio ensino de Jesus. diante de nós. encarnados. Há uma porção de condicionantes. a partir de certa hora. condicionado. que se renovará em todos os encontros. para o que. impraticável seria doar o amor de que necessitam os irmãos desencarnados que nos procurarem. reservado. Isto é especialmente válido para os médiuns. recursos. movidos pela esperança secreta de que os conquistemos para as alegrias do amor fraterno. A próxima questão que se coloca é: onde e quando reuni-lo? Consideremos primeiro a segunda parte. de preferência um centro. é indispensável que todos se estimem e se respeitem. caberá executá-lo. à noite. Justifique mos a escolha da segunda-feira. A freqüência as reuniões é usualmente de uma vez por semana. Dificilmente um grupo terá condições de reunir-se regularmente. Sem aquele amor incondicional que nos recomendava o Cristo. com receio da influência negativa dos espíritos desarmonizados que são atraidos. agressivos. indignados com a nossa interferência em seus afazeres. A questão é delicada e não pode ser respondida sumariamente. mais de uma vez por semana. 19 Não planejamos um grupo para reformar o mundo. com duração máxima de duas horas. possibilidades e intenções. estão todos com as tarefas do dia concluidas. As sessões podem ser realizadas em casa ou convém buscar outro local. para os trabalhos mediúnicos. obviamente. Ha veremos de nos preparar apenas para a nossa pequena oferenda. tanto profissional quanto no próprio grupo. que nos recomenda amar os nossos inimigos. Se for possível um local apropriado. Começa com o relacionamento entre os componentes do grupo. tem de ser total. O outro aspecto da questão diz respeito ao local. nos quais o desgaste psíquico é sempre grande nos dias em que atuam. Tudo isto aceitamos. as preliminares. bem como as nossas fraquezas. Ê que ela sucede ao repouso mais longo do fim de semana. Sem isso. estão em condições de avaliar as nossas forças.

Se na vida diária. de início. O trabalho de desobsessão não é fácil. que orientam o grupo. já se encontre tumultuado e desequilibrado. sob a proteção de orientadores espirituais competentes e esclarecidos. o trabalho mediúnico equilibrado e bem dirigido. promissoras. do ponto de vista humano. questões de ordem material ou financeira. pois. torna-se muito difícil um trabalho mediúnico sério e responsável. pois será difícil aos companheiros desencarnados. sob condições perfeitamente normais. é o desejo de purificar-se. Não quer isso dizer que não haja proteção e amparo por parte dos espíritos bem- intencionados que nos assistem. 20 trabalho deve ser feito aí. antigos comparsas de erros passados procuram sempre impedir que caminhemos pela senda áspera da recuperação. Por outro lado — e isto vai dito com bastante pesar — nem todos os centros oferecem condições ideais para o difícil trabalho da desobsessão. como para as pessoas que vivem na casa. no lar ou no centro. porém. Seria o mesmo que mandar os filhos à escola e fazer por eles todos os deveres. q ualquer que seja o ambiente em que se realize. de aperfeiçoar-se. haja ou não haja grupo mediúnico reunido em casa. pois é evidente que espíritos infelicitados pela desarmonia interior tenderão sempre a transmitir sua perturbação àqueles aos quais tiverem acesso. a realização de trabalhos de desobsessão poderá agravar as condições. Para cobrar nossos compromissos. desorientações ou práticas que a Doutrina Espírita não endossa e até mesmo condena formalmente. ou nas furnas do mundo espiritual inferior. assegurar um clima de equilíbrio e proteção. em todo relacionamento com o mundo espiritual. àqueles que deixarem cair suas guardas. os Espíritos não a farão por nós. O que nos defende da investida de companheiros infelizes das sombras não é a realização de sessões bem distantes do local onde vivemos. geográfica. ódios e rancores. disputas internas. O cômodo destinado às sessões deve ser escolhido com critério e extremo . por isso. mas. são as boas intenções. há sempre a parte que compete a nós realizar. é claro que podemos contar com um esforço muito maior deles. rivalidades. quando nos dedicamos à delicada tarefa de interferir com as suas paixões. Por outro lado. Essa. é a prece. Os espíritos perturbadores poderão e ncontrar meios para neutralizar tarefas que se anunciam. é o equilíbrio psíquico. paixões subalternas e desajus tes de toda sorte. daqueles que o comPõem. e. tanto para os espíritos trazidos para serem atendidos. não pode ser recomendado para um meio que. até nas profundezas de esconderijos mais abjetos na carne. O que garante a estabilidade de um bom grupo mediúnico não é a sua localização física. pode funcionar sem problemas e até com benefícios para a vida doméstica. emocional. num lar tumultuado por disputas. os espíritos desajustados nos buscam em qualquer lugar. ciúmes. Isto não exclui a necessidade de vigilância e atenta observa ção. Nada de ilusões. pois sabem que é com esses processos que nos redimimos e nos colocamos ao abrigo de suas investidas. criando brechas por onde penetrem emissões negativas e inquietantes. Por outro lado. já somos tão assediados pelos cobradores invisíveis. de servir. Pode haver casos em que o ambiente psíquico de uma instituição esteja sob a influência de rivalidades. qualquer grupo torna-se vulnerável ao assédio cons tante das vibrações negativas que cercam os seus componentes. ou seja. Num lar normal. Em ambiente perturbado. Mas isto acontece. Em tais condições.

não deve tentar trabalho mediúnico de responsabilidade. portanto. Quer isto dizer que são proscritos dessas conversações prévias. de vez que. não interferir com os meticulo sos preparativos realizados pelos companheiros desencarnados que dirigem e orientam as tarefas. pode escapar um pensamento impróprio ou uma expressão infeliz. Em lugar desses assuntos. pelo menos. no decorrer dos trabalhos. a temática pode perfeitamente girar em torno de questões doutrinárias. A qualquer momento. mais difícil manter um clima de absoluta vigilância. não perturbar a harmonia do ambiente. 21 cuidado. em conversa neutra. Quando isso for impraticável. é ter um compartimento destinado somente à tarefa mediúnica. causando choques e perturbações àqueles que se acham concentrados. que deixaremos para as frívolas reuniões sociais. como a boa leitura. O ideal. O cômodo não deve ter telefones que possam tocar subitamente. tanto quanto possível. A proteção magnética da sala mediúnica deve ser preservada com todo o cuidado. ao se penetrar no cômodo. de um dia para o outro. em sua casa ou no centro. . numa conversa descontraída. o que se nota. quase todos gostam de relatar experiências e acon- tecimentos. Ë preciso evitar ali reuniões sociais. com freqüência. interrompendo o curso das atividades. Com freqüência. uma passagem obrigatória para aqueles q ue não participem dos trabalhos. sobre o último casamento do astro da novela. dessa maneira. eles fazem uma advertência amiga. Deve ser isolado. por exemplo. depois. que usualmente vai de uma reunião à outra. Quem não puder manter essas condições mínimas. dado que o mal-estar físico dos participantes dificulta sobremaneira o bom andamento dos trabalhos. como no centro espírita. por motivos mais que óbvios. pedindo que fiquemos nos temas de caráter doutrinário ou. sendo inadmissível. atos reprováveis. A recepção dos componentes e a conversação inicial serão realizadas em outro cômodo. O ambiente costuma ser mantido em elevado teor vibratório pelos trabalhadores espirituais. deve ser provido de um condicionador de ar. a música erudita. Deve estar igualmente abrigado de ruídos de tráfego ou gritos vindos da rua. o estudo sério. Sempre que a conversa descamba para assuntos menos nobres. visitas inconvenientes. ou a derrota do nosso time de futebol. especialmente porque. uma pessoa da casa ou um visitante inesperado estaria tocando a campainha ou batendo à porta. enquanto não são removidos para instituições apropriadas. os comentários sobre o crime da semana. especialmente nos dias de reunião. das demais dependências do prédio. O ingresso na sala deve ser feito apenas minutos antes do início da sessão. alguns espíritos em tratamento ficam ali em repouso. que pelo menos se tenha o cuidado de usá-lo apenas para atividades nobres. sons de televisão ou rádio ligados nas redondezas. para as noites de verão intenso. como uma sala de entrada que dê para a rua. por maior que seja o cuidado. conversas descuidadas. para acomodar bem todos os participantes. Quando possível. que se achavam presentes à conversação prévia. para essa finalidade. para não viciar os dispositivos de segurança do trabalho. a sala onde se realizam os trabalhos mediúnicos deverá ser preservada. Essa recomendação é tão válida para a hipótese de se desenvolver o trabalho em casa. por algumas horas. Ademais. Precisa ser suficientemente amplo e arejado. por exemplo. o preparo de artigos e livros doutrinários. os espíritos nos demons tram. a piada do dia. Torna-se. após o espaço de uma semana. Mesmo nos demais dias da semana.

os médiuns e outros participantes têm sonhos. intuições e “recados” do mundo espiritual. mais tarde. o caderno de preces. uma vez que os dispositivos ligados às cadeiras se destinam a fácilitar o trabalho. trazem informações valiosas. A essa altura. Essa técnica se desenvolve com o tempo. segundo viu o nosso médium. inspecionam o cômodo. tranqüilizam-se os corações. a sala está preparada físicamente para a reunião: mesa e cadeiras em posição. No grupo do qual faço parte. Outra recomendação. recebem intuições ou pequenos avisos e conselhos de Espíritos amigos. desde o preparo da sala. canetas esferográficas. O tema é tratado mais amplamente em outro ponto deste livro. os trabalhadores do mundo espiritual. toda a sessão. ao cômodo destinado aos trabalhos. e se sentarão em torno da mesa. Cessaram. os “sonhos”. pois a luz branca é prejudicial a certos fenômenos mediúnicos. dando voltas em torno da mesa e providenciando para que fossem estabelecidas certas “ligações” com o plano superior. todos se dirigirão. ini ciado no mundo espiritual. em desdobramento. Freqüentemente. que os espíritos em tratamento posteriormente confirmam. papel. passam a observar com maior atenção os acontecimentos e anotar sonhos. antes que a manifestação se torne ostensiva no grupo mediúnico. a sala já está preparada pelos responsáveis espirituais. Neste caso. material para eventual psicografia. a essa altura. todas as conversas. De modo geral. Sugere-se a cor vermelha. Cerca de duas horas antes. bem como às condições do espírito que será trazido para tratamento. Esta é a razão pela qual cada um deve ter seu lugar fixo em torno da mesa. o cômodo destinado às reuniões fica completamente isolado do corpo da casa. em retrospecto. a esta altura. 22 Uma boa sugestão é a de recapitular a semana. naquilo que pode contribuir para ajudar o desenvolvimento do trabalho. um dos médiuns viu. A experiência do pequeno grupo do qual faço parte tem sido bastante positiva neste particular. o dirigente . relaxam os músculos. em silêncio. Depois de todos esses preparativos. Depois que todos os componentes do grupo forem alertados para as suas possibilidades e va ntagens. através de aparelhos e “fios” luminosos que se prendiam às cadeiras de cada membro. Geralmente. que são verdadeiros desdobramentos. preferenternente de cor. esses contactos são preliminares ao trabalho. Aquietam-se as mentes. os livros que contêm os textos destinados à leitura. lápis. * Minutos antes de iniciar a sessão. tendo acesso apenas por uma passagem externa. que parece útil. com mentores do grupo ou com os companheiros que estão sendo tratados ou que ainda virão a manifestar-se. depois de recolhido ao leito. ainda com relação à distribuição do pessoal em torno da mesa: sempre que possível. desligam-se das preocupações do dia. É evidente que esse material deve ser examinado e criticado com extremo cuidado. e todos se predispõem ao trabalho. uma pequena luz indireta. o gravador com a fita já também em posição para captar a mensagem final dos mentores do grupo. no decorrer do diálogo mantido com o doutrinador. para que o grupo não se embrenhe pela fantasia. em retrospecto. atendendo a características específicas de suas mediunidades. ou têm a relatar contactos mantidos. a água destinada à fluidificação.

que a água à temperatura normal do ambiente se prestava mais facilmente à fluidificação ou magnetização. É mais fácil. juntamente com pequenos copos. num copo ou outro recipiente apropriado. usualmente transmitida depois do atendimento dos companheiros necessitados. Lá está. Se os trabalhos forem mistos. A razão é puramente subjetiva e psicológica. do que se ela estiver exatamente diante de nós. o livro que contém o material de leitura preparatória. pois. Se opomos. sobre a mesa. Se emitir luz intensa de algum visor. No grupo que freqüentamos. os nomes das pessoas desencarnadas. que vão debater um assunto. sem comentários. gravar a data da sessão. à medida que são escritas. atirar os objetos ao chão. o material correspondente deve achar-se sobre a mesa: papel em folhas soltas. de preferência ao lado da mesa. A posição frente a frente parece le vantar em nós os resíduos e os depósitos acumulados pelos milênios em que enfrentávamos nossos adversários em lutas pela sobrevivência. Pode ser adotado o processo de indicar com um pequeno sinal. Na hora da prece. mi crofone já anteriormente testado. geralmente uma obra mediúnica assinada por Emmanuel — “Vinha de Luz”. de psicografia e incorporação. acumuladas ao longo do . que desejamos despertar para uma realidade que ele se recusa tenazmente a aceitar. não sejam atirados ao chão. deve estar pronto para entrar em ação com o mínimo de operações e ruídos: a fita em posição. para que. de preferência posto sobre um móvel ao lado da mesa principal. num movimento mais violento. num gesto brusco. convém que o material não fique ao alcance dos médiuns de incorporação. para eliminar qualquer empecilho que possa existir entre o comunicante e o doutrinador. sempre em silêncio. Se há psicografia. nada conseguiremos. para não exacerbar o antagonismo. Antes de prosseguir. Todos devem ocupar os assentos em silêncio. Tudo deve ser feito. No momento oportuno. É conveniente. ao testá-lo. Os nomes devem ser escritos antes de começar a sessão. Se há trabalhos de psicografia. pois um espírito mais turbulento pode. bastará dar a partida. alcançar um entendimento com uma pessoa ao nosso lado. este deve ser coberto com um objeto opaco. a qualquer um de nós. que recomenda que duas ou mais pessoas. quem ficar ao lado do médium deve estar preparado para remover as folhas. igualmente. em forma de cruz. “Pão Nosso”. a nossa. O caderno de preces destina-se a receber o nome dos encarnados e desencarnados para os quais desejamos solicitar ajuda espiritual. ou seja. Não convém que a água esteja gelada: um amigo espiritual nos disse. sem fazer alarido e arrastamento ruidoso de cadeiras. o gravador é reservado para a mensagem final. não devem defrontar-se. serão mentalizados pelos interessados. Os móveis estão na posição certa e os lugares predeterminados. A água destinada a ser fluidificada deve estar num jarro de vidro. No caso das sessões mediúnicas. “Fonte Viva” —. façamos uma revisão geral na sala. mas dialogar amistosamente com um Espírito em estado de confusão e desespero. à sua agressividade. ou por outro autor da preferência do grupo. vários lápis apontados e esferográficas. certa vez. 23 deve sentar-se de forma a ficar ao lado dos médiuns e não face a face. o objetivo não é disputar uma peleja de vida ou morte. Este conselho é ditado pela boa técnica de reuniões profanas. Quanto ao gravador de som. Essas mensagens.

24 tempo. por determinado médium. com precisão. Depois de todos acomodados e em silêncio. indireta. Em alguns grupos. tolerância e compreensão. Finda a prece. Na minha experiência . Acresce ainda uma observação. na qual se solicite a proteção para os trabalhos. em silêncio. se não estiver bem preparado para a sua tarefa e habituado ao exercício da mediunidade vigilante. de preferência em cor suave. a luz mais intensa é apagada. que também não deve ser longa. tais comentários não devem ser muito longos. obviamente. nem elaborados. neste momento. Os mentores do grupo conhecem bem esse mecanismo e sabem melhor como dispor as manifestações. ou seja. todos ficam recolhidos. costuma designar previamente os médiuns que irão atuar. nem decorada. e até mesmo levá-lo ao fenômeno do animismo. aqui.Acreditam alguns que esse processo de designar cada médium. sofrer variações. Procurarei apresentar as razões. fixando- lhes até o número de Espíritos que deverão atender. ou o mentor espiritual. É que os Espíritos a serem tratados encontram-se ali. mas em estado de tranqüilidade e relaxamento muscular. Todos se encontram. é feita a leitura do texto do dia. que o leve a “forçar” uma comuni cação. Convém retirar. e muitas vezes. evita que todos sejam tomados ao mesmo tempo e se crie balbúrdia prejudicial ao trabalho. e se. a critério de cada grupo. no ambiente. os objetos que se encontrem sobre a mesa.) Alguns grupos costumam comentar o texto lido. dentro do roteiro mais ou menos comum a esse tipo de trabalho. apenas suficiente para se distinguir o ambiente. que pode. A designação prévia do médium pode criar neste uma expectativa. com o propósito aparente de disciplinar as atividades do grupo. constituirão precioso repositório de ensinamentos e de experiência no trato com os problemas do mundo espiritual. Por outro lado. evidente mente. geralmente. ou em tom de discurso: uma rogativa simples. É bem possível que convenha encaminhar primeiro determinado Espírito. e devem ser preservadas para referência futura. atentos. a inspiração e a predisposição para receber os companheiros aflitos com amor. e até certa ansiedade. Embora se trate de uma posição respeitável e bem-intencionada. restando apenas a lâmpada mais fraca. designamos outro médium. que forneça iluminação discreta. o próximo companheiro já vem predisposto e mais receptivo à doutrinação. um roteiro típico. que vão sobrecarregar os companheiros desencarnados. pois nem todos os grupos estariam preparados para identificar a dificuldade e corrigi-la. em seqüência. assim. depois de presenciarem um atendimento particularmente dramático ou tocante. o que acarretará adaptações de última hora. pois cada grupo acaba por encontrar a sua dinâmica própria. não conhecemos. não é recomendável o procedimento. concentrados. mandamentais. a colaboração dos amigos espirituais. o plane - jamento reali zado no mundo espiritual. É feita a prece. o dirigente encarnado dos trabalhos. nem guardar tom oratório: serão singelos e sem retórica bombástica. por desconhecimento. Em seguida. as pessoas e os objetos. As sugestões oferecidas a seguir não são. pelas razões já apresentadas. Não convém correr esse risco. bem como os médiuns que não deverão “dar passividade” a nenhum manifestante. a postos. altera-se a seqüência do trabalho programado. (A data da sessão deverá ser anotada ao pé da página. Proporemos. de uma vez. um para cada sessão.

tudo fazem para permanecer como estão. muito ardilosamente. um dos orientadores recomendou-nos. que tais comentários obedeçam a uma disciplina. ele apelou para a boa educação: — Você está me mandando embora? E com essas e outras. em total dissonância com as palavras de amor fraterno que há pouco foram ditas. Pelo contrário. num grupo bem ajustado. É que. Esgotado o prazo. A lição é importante. usualmente. os mentores terão recursos suficientes para contê-los. o diálogo ainda se alongou por alguns minutos. nunca encontrei essa dificuldade. Por isso. eles têm que se retirar. os trabalhos são encerrados com uma prece. melhor. por iniciativa dos manifestantes. que não têm necessidade de anunciar-nos previamente o plano de trabalho da noite. por algum tempo. Terminado o atendimento. 25 pessoal. durante a doutrinação. que deve ser usada para uma pequena prece. quanto menos interferirmos. começou a manobrar para ganhar tempo. Embora inconscientemente desejem ser convencidos da verdade. procuram demorar-se. Em suma: a seqüência da apresentação dos desencarnados e a escolha dos médiuns. Os espíritos turbulentos. para que ele se desenrole harmoniosamente. que irão atuar ou não. recolhimento e carinho é insincera. Percebendo que a hora se esgotava. que ajuda a repor o ambiente em termos mais calmos. Os manifestantes. É hora dos comentários finais. após uma sessão mediúnica. até que chegue a vez de falarem. que evitássemos a repetição do ocorrido. e o mecanismo de segurança fica substancialmente enfraquecido. para provocar distúr bios e levar o pânico ao grupo. O dirigente . mas. Em hipótese alguma deve permitir-se que. tivemos a esse respeito uma lição preciosa. Quando o dirigente lhe disse que precisava partir. Os companheiros necessitados devem ser atendidos rigorosamente dentro do horário a eles destinado. enquanto se aguarda a palavra final dos mentores. o que seria desastroso. às vezes barulhentas e indignadas. que. para que possam ser úteis a todos. o espírito manifestante. em termos inequívocos. Seria desastroso que um comentário descaridoso fosse feito. sabendo disso. pelo dirigente. Explicou que o trabalho mediúnico é protegido e assistido por uma equipe de segurança. no estado de confusão mental em que se encontram. lutam desesperadamente para continuar a crer ou a descrer naquilo que lhes parece indicado. ou não. para futura referência e estudo. É excusado dizer que a sessão deve ter hora prefixada para começar e para terminar. * Há sempre o que comentar. depois das várias manifestações de companheiros aflitos. Épreciso. Terminado o atendimento. Certa vez. Se percebem que toda aquela atitude de respeito. como vimos. no entanto. composta de obreiros do lado de lá. seja ultrapassada a hora. os Espíritos atendidos ainda permanecem. É freqüente verificarmos que outros médiuns já se acham ligados aos próximos manifestantes. de vez que outras tarefas inadiáveis os aguardam alhures. Concluída a mensagem final. dificilmente poderão ser ajudados de outra vez. no recinto. devem ficar a critério dos dirigentes espirituais do grupo. dizia que os comentários devem ser disciplinados. convém gravar. há uma pausa.

É claro que não nos podemos colocar como seres puríssimos e redimidos. ao terminar a sessão. observar que o trabalho dos componentes de um grupo mediúnico não termina com o encerramento da sessão. que nada tinham a ver com o trabalho mediúnico: . Certo Espírito. usualmente. Mesmo durante o espaço de tempo que vai de uma reunião à próxima. os Espíritos em tratamento nos dizem claramente que nos seguiram em nossa atividade normal. o Espírito me cobrou. em circunstâncias trágicas — me pediu que falasse com sua mãe. Desejam testar a boa-vontade. Os irmãos desesperados certamente nos cobrarão. no desespero inconsciente em q ue se acham. incapazes de errar. falar do verdadeiro estado de aflição em que se encontrava ele. Por outro lado. para que possam continuar no livre exercício de suas paixões e desvarios. assim. em ordem e discretamente. de certa forma todos estão envolvidos nas tarefas. pois o trabalho os espera pela manhã do dia seguinte. embora estejam todos. no próximo encontro. Embora eu não o tenha prometido. pois percebem a presença desta ou daquela entidade. em grande estado de agitação — desencarnação recente. em virtude de terrível pressão de problemas humanos. ou têm acesso a fenômenos que usualmente interessam ao bom andamento dos trabalhos ou trazem indicações a serem utilizadas na sessão seguinte. preparados para uma interpelação. de invigilância. e os componentes do grupo. Outro me disse. aqueles companheiros particularmente enfurecidos tentarão. pois eles o farão. oferecemos brechas causadas por impulsos de cólera. Se. 26 deve perguntar pela experiência de cada um. Os médiuns videntes sempre têm algo a dizer. Se o dirigente não dispõe do recurso da vidência. Todo cuidado é pouco. envolver-nos com seus artifícios. porém. com o mínimo de interferência. ao cabo de uma semana particularmente angustiosa para mim. certamente. Os comentários finais não devem prolongar-se por muito tempo. especialmente os que moram longe. qualquer que seja o local onde nos encontremos. é tarde da noite. é distribuída a água. felizes e bem- humorados. Nos momentos em que sentirmos que vamos fraquej ar. deve ser discreto. no decorrer da semana. precisam retirar-se. durante os trabalhos. recomenda- se uma parada para pensar e uma pequena prece. os médiuns videntes do grupo devem ajudá-lo discretamente. ainda no recinto. ajuizar-se do comportamento de cada membro do grupo. pois não tinha ainda o que dizer à pobre senhora. estaremos admi tindo. Geralmente. Estejamos. por mais uma noite de trabalho redentor. avaliar a sinceridade. logo na sessão seguinte: — Você não falou com a minha mãe! Respondi-lhe que não tinha ainda uma palavra tranqüilizadora para dizer a ela. O mesmo se aplica aos médiuns clariaudientes. e não podia. com as suas lutas e canseiras. as fraquezas que conseguiram identificar em nós. o comportamento de todos. É preciso. sem gargalhadas estrepitosas. enfim. Inúmeras vezes. de maledicência. especialmente do médium pelo qual se manifestaram e do dirigente que se incumbiu de doutriná -los. Mesmo que a sessão tenha terminado. É preciso que se tenha o cuidado para não pregar uma coisa e fazer outra inteiramente diversa. evidentemente. Antes de se retirarem. de intolerância. sem elevar demasiadamente a voz. na esperança de nos neutralizar. emanações negativas que os companheiros infelizes estão sempre prontos a emitir contra nós. que eu conhecia. na intimidade do ser.

em favor da continuidade dos trabalhos e da assiduidade dos médiuns. para referência. Se o médium falta. o Espírito. aqueles que cuidam desses problemas. aguardando a próxima oportunidade. num caderno. Como não ignoram. Assim. ao voltar. mas também. aqui. querendo. Sugere-se. Essa tarefa deve caber. o número de ordem da sessão. nas vezes subseqüentes. 27 — Esta semana eu quase te peguei. Descreva-se cada manifestação e faça-se um resumo do diálogo mantido com o Espírito. os mentores espirituais escolhem. sob o título “Trabalhos do Grupo Ismael”. Feita a ligação. . Se a comunicação final for gravada. Anote-se a data e. * Ainda uma sugestão. o trabalho junto ao sofredor fica como que em expectativa. esgotados. a não ser por motivos muito fortes e justificados. esses livros se acham. como modelo. mas bibliotecas especializadas dispõem de exemplares. a série de livros publicados pela Federação Espírita Brasileira. Guillon Ribeiro. a assiduidade dos médiuns e a continuidade do trabalho são vitais ao seu bom rendimento. Isto não é. um argumento muito válido. uma ata. não apenas na condução dos trabalhos. A prática de reproduzir sumariamente os principais aspectos de cada manifestação se revelou sempre de grande alcance. para o aprendizado constante que representam as tarefas mediúnicas. virá usualmente pelo mesmo mé- dium. um resumo do trabalho realizado em cada reunião. suspenso. não é preciso ir a esses rigores. a não ser que a sessão seja de pesquisa. porém. É sempre útil que alguém se incumba de anotar. de preferência. o médium que lhe seja mais indicado pelas características da mediunidade ou pela natureza do trabalho a ser realizado. ao dirigente ou a alguma pessoa que se mantenha lúcida — sem transe mediúnico — durante toda a sessão. Lamentavelmente. para consulta. Quando se trata de tarefa de desobsessão. basta uma referência identificadora. Ainda te pego! * É oportuno colocar. para cada manifestante. hoje. preparados com extremo cuidado e competência pelo Dr.

28 SEGUNDA PARTE AS PESSOAS .

desenvolvidas em desdobramento. e um senhor idoso. está hoje perfeitamente documentada através da câmara de Kirlian. durante as duas horas da sessão. É claro. numa palestra pública. como ele. quanto à interpretação dos fenômenos luminosos produzidos na aura. colérica. nos arvoramos em santarrões de fachada. quase sempre. não obstante. O amigo confirmou e justificou: — Meu caro confrade: a gente. Somos aquilo que pensamos. e que. Muito do que conseguimos obter. éocupação que toma vinte e quatro horas por dia. no entanto. nos observam. Por isso. mas não apenas por isso. em hora e meia ou duas horas de sessão. da mesma forma que a gradação espiritual é facilmente identificável pela aparência “visual” do Espírito desencarnado. como se estivesse atrás de uma espessa máscara. ao verificar que um espírita esclarecido. com o que diz e faz. procuram. para perguntas e comentários. nos restaurantes. depende de inúmeras tarefas preparatórias. cor e movimento. disfarçado. e confrade muito inteligente. no auditõrio. Nosso procedimento é minuciosamente analisado. Lá chegaremos. ainda desarmonizados. descobrir os nossos pontos fracos. o procedimento diário precisa ser correto. especialmente no que se convencionou chamar de desobsessão. declarou seu espanto. nos cinemas. da que circunda a pessoa desequilibrada. Ainda não estamos. aqui. a palavra foi franqueada. e haveremos de nos certificar de que a aura do ser pacificado difere muito. por todos os meios. ou na região perispiritual do ser. Do lado de lá. e complementadas posteriormente. na rua. para nos mostrarem que somos tão imperfeitos e pecadores quanto eles mesmos. isto é impossível: mostramo-nos em toda a nudez da nossa imperfeição. com espírito crítico. precisa convencer-se de que deve estar em permanente vigilância consigo mesmo. ao escrever esta página. que aquele que resolver dedicar-se ao trabalho mediúnico. Cada atitude mental imprime à aura suas características. tivesse medo de desencarnar. como dizia tão bem o sensitivo americano Edgar Cayce. impiedosamente. não podemos esquecer-nos de que os Espíritos dispõem de maior liberdade de ir e vir. Eles nos vigiam. durante a noite. com seus pensamentos. em forma. ciumenta. num intercâmbio tanto mais proveitoso quanto melhor for a afinização entre os diversos componentes encarnados e desencarnados. nos seguem por toda parte. 29 2 OS ENCARNADOS O trabalho do grupo mediúnico se desdobra simultaneamente nos dois planos da vida. E isto. certa vez escandalizou seus ouvintes. declarando que tinha medo de morrer. sensual. Estaria completamente equivocado aquele que julgasse que o trabalho se realiza apenas durante a sessão propriamente dita. Um amigo meu. que era apenas uma afirmativa de caráter teórico. em condições de conferir cientificamente e documentadamente as observações dos videntes do passado. pois. É que a “atmosfera” psíquica que carregamos conosco resulta do nosso pensamento. Ao terminar sua exposição. na intimidade do lar. agressiva. Principalmente com os . do que nós. que capta na chapa fotográfica o espetáculo colorido e movimentado que se desdobra na aura dos seres vivos. vai levando a vida escondido. Além do mais. na carne. no escritório. pelos companheiros invisíveis que. e.

não é lá grande coisa. no sentido de que todos trazemos fe ridas não cicatrizadas. Daí a recomendação da vigilância. exatamente porque reflete o transviamento da massa de seres desajustados que vivem na sua psicosfera. amparar o coxo. E como!. pois. para nos defender dos párias. pois. seres humanos como nós mesmos. Exemplos? Há muitos: o envolvimento numa conversa male dicente. uma tremenda multidão de estropiados espirituais. Ninguém precisa chegar. nos fenômenos de efeito físico. mosteiros inacessíveis. inquietações. O que enxerga um pouco mais. Toda atenção é pouca. que nos cercam por toda parte. Também somos pecadores. O mesmo princípio opera. mas estaremos sempre prontos a advertir-nos interiormente e a reajustar a mente que. com a maior facilidade. Não é difícil. e a diferença evolutiva entre nós. aos extremos do misticismo. a cada momento. pode levar-nos a escorregões de imprevisíveis conseqüências. de viver com o semelhante. o velho. porém. um pensamento de rancor ou de revolta. grutas perdidas na solidão. Vivemos num universo inteiramente solidário.. pois vive mos num mundo transviado. Somos. às deficiências que carregamos. ou. no futuro. Como seres imperfeitos. como se vê em André Luiz. Não é que tenhamos que nos isolar. que acenda uma luzinha vermelha a qualquer “fuga” ou distração maior. em termos vibratórios — para usar uma palavra mais ou menos aceita — que dificilmente conseguem eles alcançar-nos. 30 pensamentos. somarmos as que rece- . Não há como fugir de ninguém e isolar-se em to rres de marfim. Nosso trabalho é aqui mesmo. E quem sabe se o aleijado dispõe de conhecimento construtivo que possa transmitir ao mudo? Este. a defesa e a correção. o distraído olhar de cobiça para uma mulher atraente. Por outro lado. A doutrina explica-nos que tais fenômenos são usualmente reali zados por espíritos de condição vibratória compatível com a nossa. Não quer isto dizer que temos de nos transformar em santos da noite para o dia. ou de inveja. diante de nós. uma piada grosseira e pesada. a ponto de viver rezando pelos cantos. a Providência Divina vale-se precisamente dos imperfeitos para ajudar os mais imperfeitos. e façamos um esforço muito grande para nos livrarmos deles.. a assistência a um filme pernicioso. com o homem. a mulher. um dia. Há milhões de motivos. É preciso desenvolver um mecanismo automático interior. Será que ainda não descobrimos que somos párias também? A vigilância é para que fique mos apenas com os males que nos afligem intimamente. porém. A vigilância dispara o sinal de alarme: a prece. de olhos baixos pela rua. também imperfeito. aqui na Terra. se. este disponha de pernas para caminhar e pode. aliás. Quem poderia alcançar estes. com relação a alguém que se destacou por qualquer motivo. Não vamos deixar de ter as nossas falhas. no qual uns devem suportar e amparar os outros. de falhas clamorosas. E é necessário. temendo o “contágio” com os pecadores. Ai de nós. voltará a falar. na rua. mazelas e imperfeições. Os espíritos elevados não participam diretamente de tarefas desta natureza. junto ao nosso espírito. em relação ao chefe ou companheiro de trabalho. talvez. para um trabalho direto. para ensinar e construir. senão aqueles que ainda estão a caminho com eles? A distância entre nós e os que já se redimiram é tão grande. temos. na lingua gem evangélica: amar-nos uns aos outros. ajuda o cego. a leitura de livro pornográfico. assim. no passado mais distante e no passado recente. numa redoma ou numa couraça. a criança. com as mesmas angústias. mas significa que devemos policiar-nos constantemente. embora a supervisionem cuidadosamente. mas.

ou coléricos. durante o dia ou nas horas que precedem a reunião. sintonizamo-nos com as suas vibrações agressivas e acabaremos por ser envolvidos. São essenciais. para continuar a proceder como acham de seu direito e até de seu dever. principalmente no caso dos médiuns. mas o . Chegam impetuosos e dispostos a fazer qualquer coisa. É nesse sentido que deve funcionar o mecanismo de advertência. e essa defesa. (Muitas vezes. 31 bermos por “contágio espiritual”. Ali mentação sóbria.) É possível que. chegue uma visita inesperada. Enfrentemos com disposição e coragem os empecilhos naturais que possam obstar o comparecimento à reunião: um mal-estar de última hora. Com freqüência enorme são inteligentes. ou até mesmo os provocaram. ou uma criança se ponha a chorar. Para que captar outras que infelicitam os companheiros de jornada? * Estas recomendações e sugestões nada têm de puramente teórico ou acadêmico. que se vão somando. Os Espíritos trazidos às reuniões. com relaxamento muscular e pacificação interior. chove ou faz muito frio. ou horas depois. No desespero em que vivem mergulhados. já se trata de aproximação de Espíritos angustiados.” (1) Resguardarem-se todos na prece. irônicos. um pouco de repouso físico e mental. à hora da saída para a reunião. nesse campo especializado. As recomendações de comportamento adequado são particularmente rígidas para o dia em que as sessões se realizam. passarmos a imitar a avareza do irmão que segue ao nosso lado. Geralmente são trazidos porque foram incomodados na sua atividade lamentável. em vez de cuidarmos. Não custa muito. até neutralizá -los de todo. e um pensamento de comodismo e preguiça nos segreda a palavra de desânimo. apresentam-se hostis. e é necessário prescindir do álcool e do fumo. por exemplo. a rigor. ou o egoísmo de um terceiro. especialmente se o grupo mediúníco se envolver em tarefas de desobsessão. o mal-estar terá passado. Fugiremos ao envolvimento em discussões e desajustes de variada natureza. na vigilância. por exemplo. pelo menos nesse dia. certamente. Nem percebem que os companheiros das sombras souberam tirar bom partido dos acontecimentos. para tratamento. não hesitarão em promover qualquer medida defensiva. Sempre que possível. Cuidado. abster-se de carne. a ingenuidade de pensar que são ignorantes. e mais bem informados do que nós. geralmente. Já bastam as nossas mazelas. se. No dia seguinte. desde cedo. lhes oferecemos o flanco desguarne cido. “No dia marcado para as tarefas de desobsessão” — escreve André Luiz —. De outras vezes. ou a irresponsabilidade de outro. “os integrantes da equipe precisam. é tarefa para todas as horas do dia e da noite. de aniquilar a nossa arrogância. como no caso do súbito mal-estar próprio ou de um membro da família. cultivar atitude mental digna. consiste em atacar aqueles que interferem com seus planos. encarnados. Daí a advertência de que o trabalho mediúnico. ou calor excessivo. inexplicavelmente agitada ou inquieta. Se em lugar de vigilância e prece. leve. Muitos obreiros promissores têm sido afastados de tarefas redentoras por pequeninos incidentes como estes. agressivos. pois. Que não se cometa. Isto se dará. que transmitem suas vibrações depressivas. a respeito deles. como por encanto.

o grupo está em processo de desagregação. serenidade. 3ª ed. Se não for possível reconduzi-los a uma atitude construtiva. justificável e lógico. afeição sem preferências. indispensável. Não pode haver desconfianças. O bom entendimento entre todos é condição (1) Desobsessão. a fim de continuarem a agir na impunidade temporária em que se entrincheiraram. franqueza sem agressividade. reservas. FEB. que deve predomlnar entre os encarnados um clima de liberdade consciente. não se detêm diante de nenhum escrúpulo ou temor. lealdade sem submissão. Não se admite. Se os componentes do grupo oferecerem condições de desentendimento. Cuidado. reservado. um coordenador. qualquer desarmonia interna. pelo menos naquele dia. um auxiliar. senão isto: atirar as criaturas umas contra as outras. Nem sempre o fazem por maldade intrínseca. mais uma vez lembramos: é vital que os unam laços da mais sincera e descontraída afeição. Julgam-se com direito de fazerem o que fazem. em suma. capitulo 1. Assim sendo. como o de qualquer outro ser humano. se o grupo almeja tarefas mais nobres. como disputa pelos diversos postos: dirigente. atenção. provocarão a desagregação impiedosamente. Qualquer sintoma de rivalidade entre médiuns deve ser prontamente identificado e combatido. pois esta é a sua especialidade. mais adiante. num grupo responsável e empenhado em trabalho sério. dividindo para conquistar. ou quem for para isso designado. Qualquer dissonância entre os componentes encarnados pode servir de instrumento de desagregação. e nunca o diremos com ênfase bastante. ao longo dos séculos. e perfeita unidade de propósitos. dos verdadeiros responsáveis pela tarefa global. é melhor que um grupo com dimensões internas encerre suas atividades. pelo menos por algum tempo. O dirigente do grupo não é o que se senta à cabeceira da mesa e dá instruções — ele é apenas um companheiro. Por ora. Isto implica dizer que os elementos perturbadores dessa harmonia interna devem ser prontamente identificados. basta dizer. firmeza. autoridade sem prepotência. não resta alternativa senão o afastamento. infelizmente para eles próprios. O responsável pelo grupo. No momento em que o desentendimento e a desafeição começam a medrar entre os encarnados. que se acham no mundo espiritual. Ainda falaremos disso. deve procurar os desajustados para entendimento particular. Ë preciso entendê-los. pois o trabalho das equipes encarnada e desencarnada deve ser . e. insubstituível. por isso. 32 trabalho das trevas já está feito: um obreiro a menos na seara. porque para eles isto é questão de vital importância. restrições mútuas. A grande vitória começa com as pequenas escaramuças. Eles vivem num contexto que lhes parece tão natural. Os espíritos desarmonizados sabem tirar partido de tais situações. Muitos deles não têm feito outra coisa. até que se afastem os elementos dissonantes. * Quanto aos componentes encarnados do grupo. médium principal e outras infantilidades. Francisco Cândido Xavler e Waldo Vieira.

teremos que fazê -lo. haveremos de encontrá-la. Eles desejam que nós sejamos capazes de discernir e assumir a responsabilidade pelos nossos atos. para que possam. pois disso também se aproveitariam os irmãos desencarnados que precisam do nosso afeto e compreensão. colocar diante de nós a tarefa que desejam que realizemos. Precisamos estar preparados para ela porque. pois é uma ação de natureza grave. porque. ligados à tarefa. como ele próprio. e nem deve ser tomada precipitadamente e por ouvir dizer. equilíbrio e serenidade. qualquer que seja a sua posição. mas os objetivos e finalidades do grupo devem ficar a salvo de nossas paixões. ou rancores surdos. for necessário afastar um ou outro companheiro. mas também com firmeza. Se. em situa ções como essa. Este aspecto é aqui abordado com franqueza e sem temores. embora não mencionado usualmente nas anotações sobre trabalho mediúnico. Por outro lado. cabem aos encarnados. quase um “excomungado”. Atenção. 33 colocado acima das nossas posições pessoais. para isso. A decisão de afastar alguém não é fácil. Os benfeitores espirituais. É preciso que ofereçamos a eles aquele mínimo de condição indispensável. Talvez o companheiro perturbador possa retornar à tarefa mais adiante. já regenerado. Não se trata de criar uma atmosfera inquisitorial de espionagem mútua. essas e outras decisões. todas aquelas que dizem respeito. mais cedo ou mais tarde. . Não apenas o grupo se privará do seu concurso. à gestão terrena do grupo. quando não de revolta. não há como hesitar. por assim dizer. em cada reunião. de desconfianças e rivalidades. O que esperam de nós é um clima de harmonização. Cumprir o desagradável mandato com amor. é uma das grandes e freqüentes dificuldades ocorridas em inúmeros grupos. poderá cair numa faixa de desânimo. O bom senso e a prece serão sempre os melhores conselheiros. dificilmente nos darão ordens para admitir este componente ou desligar aquele. mas entre sacrificá-lo pessoalmente e sacrificar todo o programa. sentindo-se como que “expulso”. porém: nada de processos inquisitoriais. repetimos. que o desprotege espiritualmente e o precipita em imprevisíveis aflições. isto é.

mas honesto. 34 3 OS MÉDiUNS O capítulo 32. isso é válido para todos nós. mais exposto ficará ao assédio dos companheiros invisíveis que se opõem ao seu esforço evolutivo. uma faculdade. uma capacidade concedida pelos poderes que nos assistem. De certa forma. aos prazeres. é. Vemos. ou ferir-se mais uma vez. Começa o cerco. para produzir mais. um ser encarnado. um risco. que acreditava na capacidade evolutiva do ser humano. que podem ser bons e amigos. Representa. Tudo é tentado para afastá-lo do caminho da recuperação. de “O Livro dos Médiuns”. É nessa fase de reconstrução íntima e esforço regenerativo. Estivera alguns anos na prisão. o assédio. por ela. Vale tudo. que lhe é concedido em confiança. o indício de renitentes imperfeições. sujeito. encontra o amor na pessoa de uma jovem. e a doce cantilena do êxito ma- terial. deseja esquecer o passado tenebroso. longe de ser a marca da nossa grandeza espiritual. por certo. por outro lado. O jovem herói. mas não no sentido humano. Fora o líder de seu grupo. de baixa remuneração. bem planejados e. para colher mais tarde. do aprendizado espírita. que a mediunidade. muito rendosos financeiramente. essa definição é um primor de clareza. semear e plantar. qualquer pressão. Quanto mais amplas e variadas as faculdades. isto é. um instrumento com o qual o médium pode trabalhar. porque sua capacidade de sintonizar-se com os desencarnados o expõe a um grau mais elevado de influenciação. às imperfeições e mazelas que nos afligem a todos e. para uso adequado. na escala dos valores. Ao sair da prisão. antes. Pessoa que pode servir de intermediário entre os Espíritos e os homens. e dedica-se a trabalho humilde. ameaças. acima dos seus companheiros desprovidos dessas faculdades. portanto. intermediário). envolvimento ou oferta. Qualquer ardil serve. intitula-se “Vocabulário Espírita”. O médium foi realmente distinguido com o recurso da mediunidade. como também podem ser antigos e ferrenhos desafetos ou comparsas de crimes hediondos. obteve liberdade condicional. Enfim: o médium utiliza -se de uma aptidão que não faz dele um privilegiado. que o médium é uma pessoa. o cérebro da organização. Sabemos. Isso me faz lembrar um filme que vi há algum tempo. Revelando o cuidado e o extraordinário poder de síntese que Kardec sempre demonstra. Seus ex- companheiros de crime desejam-no de volta ao grupo. para apressar ou abreviar o resgate de suas faltas passadas. como se o médium fosse colocado à parte e acima dos vis mortais. tão propenso à queda quanto qualquer um de nós. ou talvez mais ainda. meio. ao contrário. com a má utilização dos talentos sobre os quais nos falam os Evangelhos. por conseguinte. mas aqueles que dispõem de faculdades mediúnicas estão como se tivessem devassado o seu mundo interior a seres desconhecidos e invisíveis. o planejador eficiente e hábil que facilmente submeteu todos os demais à sua vontade. às . como seres de eleição. com propostas. no sentido de colocá-lo. e sugere a seguinte definição: — Médium — (Do latim medium. Não se trata de um ser aureolado pelo dom divino. mas depositário desse dom. em virtude da prática de assaltos audaciosos. um ônus. que os antigos comparsas o encontram. naturalmente. pelo esforço de um trabalhador social compreensivo. É.

quase sempre. atormentados seres do mundo das dores. às vezes até com inesperada severidade. nem superior. o peso específico que o arrasta para baixo. então. questão 123. assistência. as cicatrizes. utilizando-se dos demais médiuns. O médium. que o põem em relação com o mundo espiritual. compulsando livros doutriná rios de confiança. e. — Por que há Deus permitido que os Espíritos possam tomar o caminho do mal? — pergunta Kardec. porém. Isso está amplamente documentado na Codificação. pois nem mesmo a Kardec deixaram eles de dizer o que era necessário dizer. Na hora da tarefa. dar-se destaque indevido ao médium que recebe. das trevas onde se escondem. para o azul infinito da libertação espiritual. como todos nós. enfim. mas são também firmes e rigorosos. Nada de pânico. trabalho mediúnico. Os dirigentes de grupos devem combater sem tréguas o “vedetismo” de alguns médiuns. mas não seja temerário. ligado a um bom grupo de trabalho. como um pequeno balão. verdugos que não desejam deixar escapar a presa pelos portões do trabalho regenerador. obsessores impiedosos. como qualquer outro: nem melhor. observando suas próprias faculdades. amorosos. Participe da luta diária. tentando impedir que ele se escape. Os primeiros manifestantes são. são associados de outros tempos. de que nos falava Paulo. viva com simplicidade. Se o médium que os recebe sente-se envaidecido. mal curadas. o problema é de cada um. por exemplo. 35 loucuras. o orientador desencarnado. nos grupos mediúnicos. a não ser que ele próprio deixe cair suas guardas. de falhas dolorosas. Isso é particularmente agudo quando a mediunidade começa a desabrochar. nem pior. daqueles que estão interessados no seu progresso espiritual. as “tomadas” para o erro. que por muitos séculos planejaram e executaram juntos crimes inomináveis. traz em si o apelo do passado. é um ser em liberdade condicional. atento. Procure manter um bom clima mental. Cabe a ele provar que já écapaz de fazer bom uso dela. o bom combate. Não deixe de estudar suas faculdades. para as palavras de esclarecimento e as diretrizes gerais. O fato de ser ele uma pessoa dotada de antenas psíquicas. quando necessário. tolerantes e serenos. como qualquer um de nós. O ideal seria que os orientadores se revezassem. quer ele deseje ou não. mas não se envaideça do que aprendeu nem dos recur sos que conseguiu desenvolver. enfrente os problemas da existência: profissionais. Mais do que qualquer um de nós. modificando. A experiência com os espíritos ensina- nos que eles são compassivos. melhorando. é claro. trate de se corrigir. vigie seus sentimentos. acrescentando. . Não lhe faltarão recursos. que é da essência mesma do seu compromisso. porque. A tarefa não é fácil. sem rancores. pacientes. segundo “O Livro dos Espíritos”. humanos. mais do que aqueles que não dispõem da faculdade. sem prepotência. sem humilhações. Ele contará sempre com a proteção carinhosa e atenta de seus guias. buscam-no incessantemente. é um simples trabalhador. nem inferior. informações e. Não tema. É comum. à irresponsabilidade. Estude. sociais. se os médiuns que não o recebem ficam enciumados. eliminando. corrigindo. leia. acima de tudo. ele precisa estar vigilante. Ou. fa miliares. não quer dizer que ele esteja àmercê dos companheiros desvairados das sombras. A semelhança com a situação do médium é impressionante. Seus comparsas não se conformam. mas eles não estão interessados em preservar as nossas ridículas suscetibilidades e vaidades.

seu estado de irritação ou de serenidade. nas lides iniciais da sua empreitada. Quando estes pequenos fenômenos ocorrerem. suas emoções. ou até mesmo se utilizando. Com ela. poderá ser utilizada a psicografia: o doutrinador falaria e o espírito responderia por escrito. nem desligá-la do grupo. cada um tem o mérito de suas obras. direta e viva. 36 E eles respondem: — Como ousais pedir a Deus contas de seus atos? Supondes poder penetrar-lhe os desígnios? Podeis. todas as potencialidades serão devidamente estudadas e aproveitadas. a nossa compreensão? Assim. colocar a pessoa em quarentena. de fanta- sias. mas a experiência revela que nada substitui a palavra falada. Que ela se mantenha junto aos companheiros. ou de incorporação. suas vacilações. contudo. assim. Não é necessário. da faculdade. ou seja. de preferência. no entanto. mas é preciso não se esquecer que o ponto de partida de qualquer trabalho. da mediunidade de efeitos físicos. poderia ser substituida. da clariaudiência de outro. depois de encerrada a sessão. em trabalhos especiais que ainda discutiremos. neste livro. Num grupo bem orientado. quando possível e necessário. até que a mediunidade nascente comece a desabrochar e possa ser utilizada. O dirigente humano acompanhará atentamente o trabalho. É possível. fornecendo ocasionais indicações e instruções. sem interromper os trabalhos em curso. O diálogo com o desencarnado é da própria essência da tarefa. da formação ou do desenvolvi mento do médium. revelar a existência de outros médiuns em potencial. não se espere que os benfeitores espirituais tomem precauções especiais para nos preservar o orgulho e a vaidade. o componente da equipe deve comunicar-se. clariaudiência. e dificilmente a palavra falada. talvez intuições. da intuição de um terceiro. nesse sentido. sem perda considerável da eficácia do processo. no decorrer do tempo. ajudando o companheiro. Nada de açodamento. de euforia. de exteriorizarem ectoplasma. que as tarefas do grupo mediúnico venham. Os fenômenos começarão espaçados e indecisoS: rápidas vidências. que têm outros. de Allan Kardec. dizer o seguinte: A sabedoria de Deus está na liberdade de escolher que Ele deixa a cada um. A mediunidade que melhor se presta aos trabalhos de desobsessão é a psicofonia. tão logo lhe seja possível. ou companheira. Os benfeitores espirituais saberão como conduzir o labor necessário. seus cacoetes. Não cuidaremos. . Em casos extremos. em muitos aspectos. é“O Livro dos Médiuns”. quando dispuserem de mais ampla variedade de faculdades. E o interlocutor era Allan Kardec! Por que razão ficarão com “panos quentes” conosco. impulsos de dizer ou escrever algo. nesse tipo de trabalho. na posição que sempre ocupou e aguarde a sua vez. sentimos com maior facilidade as reações que se processam no manifestante. meros aprendizes primários de uma verdade que transcende. Não quer isso dizer que o grupo deva reunir apenas mediuns de incorporação. com o dirigente. suas ironias. neste caso. nem de temores. sua sinceridade. todavia. O assunto é demasiado complexo para um tratamento sumário e foge aos objetivos das nossas especulações aqui. operando através da vidência de um. a não ser por motivos imperiosos. sua personalidade. de excitações. Há obras que cuidam do problema. porqüanto. Os benfeitores espirituais terão melhores oportunidades de desenvolver suas tarefas por nosso intermédio.

conquanto saiba agradecer o estímulo e a amizade de quantos lhe incentivem o coração ao cumprimento do dever. tanto quanto ao elogio e à bajulação. à reprimenda. * Discernimento natural da qualidade dos Espíritos que lhes procurem as faculdades. porém. evitando as inconveniências do compromisso de desobsessão em várias equipes ao mesmo tempo. linguagem. que desempenham. . * Abstenção de melindres ante apontamentos dos esclarecedores ou dos companheiros. * Interesse real na melhoria das próprias condições de senti mento e cultura. no seu já citado “Desobsessão”. no fundo. são mais suscetíveis. Nesse caso. que essa ou aquela entidade queira pronunciar por seu intermédio. alijando. seja pela sua conduta geral. * As pessoas que lidam com médiuns. Isso deve ser feito com muita sutileza e de maneira breve e sumária. aproveitando observações e avisos para melhorar-se em serviço. um valioso decálogo de recomendações e sugestões. à atitude antifraterna. para que se lhes apure a capacidade de transmissão. canetas. * Uso do vestuário que lhes seja mais cômodo para a tarefa. para aceitar ou não a influência dos Espíritos desencarnados. Em decorrência dessa particularidade que. enquanto ele se acha doutrinando. os médiuns presentes serão. não devem esquecer-se de que esses companheiros de seara são criaturas dotadas de certo grau de exaltação da sensibilidade. * Aceitação dos próprios erros. por outra: são médiuns exatamente porque têm a sensibilidade mais aguda do que o comum dos homens e das mulheres. Como a psicofonia é a mediunidade mais indicada para esse tipo de tarefa. É aconselhável. em trabalho mediúnico. * efesa permanente contra bajulações e elogios. * Reconhecimento de que o médium é responsável pela comunicação que transmite. parece que vale a pena reproduzir aqui o texto. pois. óculos e jóias. à palavra agressiva. a que se refere André Luiz. as vezes. seja pelas impressões de sua presença. 37 Tal variedade de faculdades é particularmente desejável quando o doutrinador não for dotado de mediunidade ostensiva. André Luiz nos oferece. enfim. Ou. os objetos que costumem trazer jungidos ao corpo. como sejam relógios. ou audiência. * Fixação num só grupo. é da própria essência da mediunidade. qualquer atividade em paralelo com eles. * Domínio completo sobre si próprio. Mesmo que o leitor disponha de um exemplar. que trabalham junto deles. André considera tais cuidados “essenciais ao êxito e à segurança da atividade” atribuida aos médiuns. como vi dência. inclusive reprimir todas as expressões e palavras obscenas ou injuriosas. mais sensíveis também à crítica. aos médiuns psicofônicos: * Desenvolvimento da autocrítica. eflúvios magnéticos. incumbidos de o auxiliarem com pequenas e discretas observações e recomendações recebidas dos benfeitores.

Há manifestações difíceis. Em casos assim. dolorosas. porque isso exporia. É apenas um dos componentes do grupo. o médium não deve ser abandonado à sua sorte. ao longo deste livro. exaustiva e bem realizada. à semelhança dos fios coloridos que fazem o desenho dum tapete. e que desaparecem aqui. o médium não deve e não pode ser endeusado. É o do relacionamento do médium com o doutrinador. Além do seu sentido etimológico — incapaz . dificilmente surgirão problemas dessa natureza. O dirigente deverá tratar o médium com todo o carinho e atenção. por uma tarefa particularmente difícil. Médium disciplinado é uma coisa. distingui-lo com nenhum favor especial. que deixam resíduos vibratórios perturbadores. também como os demais. nem o escravo acorrentado aos caprichos dos desavisados que. esse adjetivo algo pomposo. O médium não é nem a “vedete” do grupo. designe alguém no grupo para fazê-lo. que alguns pontos são repisados em diferentes contextos. este assunto extremamente delicado e complexo. credor da mesma estima e respeito devidos aos demais companheiros. Tentemos explicar o que significa. e compreensão entre os seus diversos componentes. E. merecedor de uma palavra de estímulo e gratidão. onde e quando necessário. Repisaremos aqui um deles. mas diga-lhe uma breve palavra de carinho ou lhe faça um gesto de solidariedade. 38 É preciso. É que tais assuntos se apresentam muito intimamente interligados. uma expressão de agradecimento e uma palmada afetuosa no ombro. Um desses pontos é o relacionamento entre os componentes do grupo. em nome da boa ordem dos trabalhos. que precisa ser preservada. como tal. porém. estaria recebendo “mensagens ” diretas de Deus-. a imprevisíveis e desastrosas conseqüências. esse relacionamento precisa ser impecável. Em breve. seu pontífice máximo. naquilo que diga respeito à sua condição peculiar de sensibilidade. atenção especial com os médiuns. e. Se o dirigente não puder socorrê-lo com um passe restaurador. Não vamos. com nova ênfase. a ele e ao grupo. cair no outro extremo. Deve ser-lhe grato pela sua contribuição ao grupo. tanto quanto possível. Para que o trabalho se desenvolva com segurança e eficácia. médium inibido éoutra. para reaparecer ali. cuidado e carinho. Não custa. no caso. para que o médium sinta o apoio e a compreensão para a sua árdua tarefa. ditado pela prepotência e pela arbitrariedade. e onde começa o rigorismo ditatorial que leve o médium ao pânico ou à revolta. pois. impõem condições inaceitáveis ao exercício das faculdades mediúnicas.. que deverá estimular sua responsabilidade e não sua vaidade. em nome da disciplina e da ordem. O leitor deverá notar. sem. seja entre os encarnados. Tentaremos clarificar. Evidentemente. que deve ser tratado com atenção. exclusivo ou extraordinário. É preciso que o dirigente dos trabalhos tenha bom senso suficiente para distinguir até onde vai a disciplina. com as dores e as canseiras resultantes. de submeter o médium a um regime disciplinar inadequado. A mediunidade é um mecanismo extremamente delicado e sus cetíve l. a quem de direito. No grupo em que predominar legitimo sentimento de afeição. no entanto. seja entre estes e os desencarnados. mas é preciso estar atento para que tais questões não venham a perturbar a tarefa. nada mais. O médium equilibrado e disciplinado sabe que nada deve esperar de diferente. procurando ajudá-lo na solução dos problemas que surgirem no exercício de sua faculdade. dando-lhe apoio e conselhos.

“em estado de graça”. leia. comovido. ao contrário. Estima sem servilismo e sem fanatismo. são bastante conhecidos. do contrário. Essa contaminação. da mesma forma que um médium mais culto fornece melhores recursos para uma manifestação de teor mais erudito ou um médium de temperamento mais violento oferece condições mais propícias a manifestações violentas. experimentaram tal ou qual sensação: força. se trata de um espírito pacificado e bondoso. como costumo dizer. dispersá-los por meio de passes. “Entre a Terra e o Céu”. de maneira tão ampla. como trabalhos desenvolvidos no mundo espiritual: “Mecanismos da Mediunidade”. quando ainda se acha consciente no corpo e depois que o reassume. discuta os diferentes aspectos e problemas da mediunidade. Com freqüência. É preciso ainda considerar que se o médium realiza esse trabalho de impregnação fluídica no perispírito do manifestante. embora transitória. quase sempre. harmonizado. este também traz uma carga. exatamente porque não logram dar vazão aos seus impulsos e intenções. certa “contaminação” mútua. põe-se em risco a qualidade do trabalho mediúnico. “O Livro dos Médiuns” deve ser leitura e releitura constantes. ao sentirem a aproximação do espírito manifestante. é claro que a sua tarefa negativa será bastante facilitada. ou seja. ou. respeito sem temores e sem reservas íntimas. correto. paz. serenidade. até às lágrimas. o espírito manifestante vem trabalhar com os elementos ou instrumental que encontra no médium. nossos médiuns declaram que. após a desincorporação. tristeza. aos livros de André Luiz. portanto. A razão é simples e óbvia: ao incorporar-se. Muitos são os que se queixam disso. como lamentavelmente acontece com freqüência. feliz. às vezes pesada e agressiva. Há sempre aspectos e informações que a uma ou duas passagens deixamos escapar. para a qual o médium deve atentar com toda a sua vigilância. Quando. sem sombra alguma de dúvida. angústia ou amor. a fim de que o médium se recomponha. faça perguntas. . Se existe ali alguma reserva com relação ao doutrinador. havendo. que atua energicamente sobre o perispírito do médium. os resíduos vibrató rios que permanecem na intimidade do perispírito do médium. * Uma insistente palavra final para o médium: estude. com quem demonstre ter experiência. o médium desperta. sendo necessário. às vezes. pois. 39 de pecar. quando são desagradáveis e agressivos. Mante nha-se ligado às cinco obras da Codificação. Quando o relacionamento médium-doutrinador é imperfeito ou sofre abalos mais sérios. o espírito o dominaria e faria com ele o que bem desejasse. não apenas aspectos específicos da mediunidade. é demonstrada. se existe entre médium e doutrinador um vínculo mais forte de afeição. nas reações preliminares e posteriores do médium. e ainda que agrida o doutrinador com palavras ou gestos. Médium e doutrinador devem estimar-se e respeitar-se. durante suas manifestações. o espírito agressivo fica algo contido. que desenvolvem. alguma hosti lidade mais declarada. sem má- cula ou defeito. Pela mesma razão. Da mesma forma. porque as vibra- ções afetivas entre médium e doutrinador arrefecem inevitavelmente tais impulsos. não consegue fazer tudo quanto desejava. ódio. pior ainda. não sujeito a pecar — impecável quer dizer perfeito.

porque é através dele que se abre o postigo pelo qual dialogamos. somente podemos estudar a mediunidade assistindo-a em ação. ou. ainda. anotando suas peculiaridades. antes de nós. “Desobsessão”. com os companheiros que se acham acorrentados às mais negras e tormentosas paixões e sofrimentos. e com maior respeito e carinho. . Bezerra de Menezes. iluminam. lendo o estudo daqueles que. “Nos Bastidores da Ob sessão”. do Dr. observando-a com atenção. mundos abaixo. mundos acima. Ninguém precisa estudá-la mais. “Estudando a Mediunidade”. tanto quanto todos nós. de Camilo Cândido Botelho. A literatura é ampla e não há ainda limites visíveis neste vasto campo. de Martins Peralva. “No País das Sombras”. “Dramas da Obsessão”. O médium. de Madame d’Espérance. através de um pequenino retângulo. “Nos Domínios da Mediunidade”. “Libertação”. do que o próprio médium. de onde recebemos jatos de luz que. de Manoel Philomeno de Miranda. Ademais. já se tenham dedicado aos seus mistérios e grandezas. os ambientes de meia-luz em que vivemos. Toda a humildade e todo o respeito ante ela ainda serão poucos. que lidamos com a comunicação entre os dois mundos. 40 “Missionários da Luz”. e. precisa estar bem certo de que é ainda muito pouco o que sabemos sobre essa notável faculdade humana. por alguns momentos. de tempos em tempos. discutindo suas inúmeras facetas com os companheiros que constituem a equipe de trabalho. “Memórias de um Suicida”.

Se o dirigente encarnado dos trabalhos está bem familiarizado com as obras fundamentais do Espiritismo. Sua formação doutrinaria é de extrema importânçia. O conhecimento doutrinário torna-se importante como base de sustentação. ou seja. 41 4 O DOUTRINADOR Num grupo mediúnico. Não se esquecer. e não mestre. Portanto. bem preparados e experimentados em diferentes técnicas de debate. Entre os espíritos que lhe são trazidos para entendimento. e com a qual pretendemos ajudá-lo. presunçosamente. acerca da Doutrina Espírita. os mecanismos da reencarnação. um estágio ideal de moral. ele encontrará sempre o que dizer ao manifestante. ou. simplesmente. Qualquer bom dicionário leigo dirá que doutrinar é instruir em uma doutrina. como ouvinte paciente ante um guru evoluído. porque ele pode ser um bom conhecedor dos princípios teóricos do Espiritismo e ser completamente desinteressado do aspecto evangélico. sumo-sacerdote ou rei. de que. porque o espírito que comparece para debater conosco os seus problemas e aflições. A conversa com os espíritos desajustados não deve ser um frio debate acadêmico. há argumentadores prodigiosamente inteligentes. porém. não está em condições. ele é apenas um dos componentes. Muitas vezes ele está perfeitamente fami- liarizado com inúmeros pontos importantes da Doutrina Espírita. mas isso não é tudo. no momento oportuno. Por outro lado. de sentimentos. não tem muito a ensinar-lhe. ele nem discute. O doutrinador precisa estar convencido de que a Doutrina Espírita dispõe de todos os informes de que ele necessita para cuidar dos manifestantes em desequilíbrio. que professamos. dotados de excelente dialética. que se coloque na posição de mestre. de receber instruções doutrinárias. de enorme capacidade intelectual e de impecável formação filosófica. Não poderá jamais fazer um bom trabalho. Sabe que é um Espírito sobrevivente. Ele não vem disposto a ouvir uma pregação. nem de culturas. ainda. ou. Quanto à comunicabilidade entre encarnados e desencarnados. com quem estabelece o diálogo. deve ter. no grupo mediúnico. pois está justamente produzindo uma demonstração prática do fenômeno. O confronto aqui não é de inteligências. A despeito disso. Isto não significa que todo doutrinador tem de ser um gênio. reconhece até mesmo a existência de Deus. E aqui já começamos a esbarrar nas dificuldades que a palavra doutrinador nos oferece. em termos gerais de doutrina. Em primeiro lugar. e seria infantilidade de sua parte tentar ignorar a realidade. a ditar normas de ação e a pregar. um trabalhador. ele precisa estar preparado para exercer. no contexto da prática mediúnica. que nem ele próprio conseguiu alcançar. conhece suas responsabilidades perante as leis universais. o chamado doutrinador não é o sumo-sacerdote de um culto ou de uma seita. sem conhecimento íntimo dos postulados da Doutri na Espírita. o companheiro encarnado. admite. nem predisposto ao aprendizado. por mais modesta. é de corações. chama-se doutrinador a pessoa que se incumbe de dialogar com os companheiros desencarnados necessitados de ajuda e esclarecimento. ante evidências que lhe são mais do que óbvias. ainda que não esteja no mesmo nível intelectual dele. logo aos primeiros contactos. a autoridade necessária. ensinar. conhe cer a doutrina e recitar . que toda pessoa incumbida de uma tarefa.

a fim de obter dele a informação de que necessita. freqüentemente. Percebe mais as nossas intenções. Não é preciso ser santo. por exemplo: — Você não tem força para deixar o vício de fumar. mas isto não pode e não deve inibi-lo para a tarefa. tanto quanto nós. para doutrinar. mas não apoiar o seu conhecimento na emoção e no legítimo desejo de servir e ajudar. logo de início. Sua autoridade moral é importante. É preciso . O doutrinador é também um ser falível e cons ciente das suas imperfeições. Ele nos vigia. por serem. mas pelo esforço que realizamos para alcançá-los. pode arrogar-se uma atitude de superioridade moral sobre os companheiros mais desarvorados das sombras? Ainda temos mazelas e ainda erramos gravemente. antes que o doutrinador possa dedicar-se a este aspecto específico. como. comparsas de desacertos hediondos. O espírito que debate conosco sabe de nossas inúmeras fraquezas. Isto nos leva a outro aspecto importante: o “status” moral do doutrinador. 42 prontamente qualquer versículo evangélico. Aqueles que já se purificaram a esse ponto. que nos são trazidos às sessões mediúnicas. ele o saberá também. de quem os ouça com paciência e tolerância. de uma posição vantajosa para ele: na invisibilidade. ou crimes que praticamos em vidas pregressas. Muitos são desafetos antigos. às vezes. por certo. É nesse momento que ele precisa utilizar-se de seus conhecimentos gerais. refere-se desabridamente a uma ou outra fraqueza íntima nossa. e. Tudo serve. e até mais do que nós. pela maneira como agimos em nosso relacionamento com os semelhantes. A doutrinação virá no momento oportuno. ainda em lutas homéricas contra imperfeições milenares. observa-nos. ou um erro mais grave cometido no passado recente. É exatamente porque ainda somos tão imper feitos quanto ele. enquanto estás a caminho com ele. Se estivermos recitando lindos te xtos evangélicos. em condições psicológicas adequadas à pregação doutrinária. não estão. que estamos em condições de servi-lo mais de perto. mas qual de nós. a intensidade e a sinceridade do nosso sentimento. Não podemos impor ao companheiro infeliz uma superioridade moral inexistente. dedicam- se a tarefas mais complexas. não podemos esperar a perfeição para ajudar o irmão que sofre. como quer me obrigar a deixar de perseguir aquele que me prejudicou? Ou então. como já dissemos. Por outro lado. encarnados. Tem condições de aferir nossa personalidade e nossos propósitos. Os espíritos em estado de perturbação. de que somos julgados e avaliados. porém. talvez. compatíveis com o adiantamento espiritual que já alcançaram. que ainda não nos perdoaram. do que o mero som das palavras que pronunciamos. Não adianta exibir virtudes que não possui ainda. É preciso que o doutrinador esteja preparado para estas situações. Muitas vezes. Voltaremos ao assunto quando tratarmos do problema específico da doutrinação. Deve lembrar-se. sem sustentação na afeição legítima. ele deve estar preparado para discutir o problema pessoal do espírito. intercalando aqui e ali um pensamento evangélico que se adapte às condições desenvolvidas no diálogo. em que fomos. É aqui que vemos a validade da palavra sábia do Cristo: — Reconcilia-te com o teu adversário. nos lembra uma situação irregular em que nos encontramos. analisa-nos e estuda-nos. não pelos resultados que obtemos. de maior responsabilidade. companheiros de antigas encarnações. Necessitam aflitivamente de primeiros socorros.

o manifestante acabará por admitir que. confirmou no coração do homem.” O episódio é de grande força e beleza. Façamos uma pausa na exposição. Para o Cristo. e lhe perguntaram: “Por que não pudemos. em particular. expulsar esse demônio?” Respondeulhes Jesus: “Por causa da vossa incredulidade. Se tivermos paciência e tolerância. pouco ou nada podemos. então. (1) (1) O texto citado é da Bíblia de Jerusalém. no capitulo 11 da Epístola aos Hebreus: — A fé — disse ele — é a garantia do que se espera. . neste. Ele não pode dar aquilo que não tem. Marcos narra o episódio no capítulo 9 (versículos 14 a 29). convicta. o esforço que desenvolvemos é digno. afinal alcançado. doutrinar o possessor que fazia o que queria com o infeliz jovem. É a ausência de fé que Ele censura docemente nos discípulos que temeram a tempestade e a morte. sobre o qual ainda falaremos adiante. pedem explicações. O doutrinador precisa. nossa boa intenção é legítima. é a fé que cura o servo doente do romano pagão e estanca a hemorragia da mulher que O tocou. ou pretendemos ser. inabalável. 17:14-20): — Os discípulos vieram. tal como a conceituou Kardec: sincera. É ainda a falta de fé que Ele repreende nos discípulos. a fé do tamanho de uma semente de mostarda bastaria para remover montanhas. Batidos pelo fracasso. Se me perguntassem qual o elemento mais importante na estrutura da personalidade do doutrinador. sem êxito. em Kardec é a certeza daquilo que o conhecimento. Para Ele. Os discípulos já haviam tentado. e ela se transportaria e nada vos seria impossível. que tanto nos interessa. e ante a facilidade com que o Cristo resolve o problema. nós outros. Resposta: fé. diríeis a esta montanha: Transporta-te daí para ali. a fé era o suporte das realidades que o conhecimento ainda não atingira. plenamente suportada pela razão. * Quero falar aqui daquela fé sobre a qual Paulo escreveu seu belissimo poema. mesmo que ainda não tenhamos alcançado os estágios superiores da evolução. mas ficaria indeciso entre a fé e o amor. se tivésseis fé do tamanho de um grão de mostarda. com ela. e nos respeitarão por isso. lógica. Em Paulo. Coloquemo-la de forma positiva: tudo é possível àquele que crê. 43 levar em conta. mas sem se deixar contaminar pela frieza hierática do racionalismo estéril e vazio. Pois em verdade vos digo. que nos conheceram em passado tenebroso. ao expulsar o Espírito que atormentava o jovem lunático (Mateus. ser uma criatura de fé viva. a prova das realidades invisíveis. vêem em nós mais aqueles que fomos do que o que somos hoje. “nada é impossível”. Pela fé. para um exame da fé. feita por quem Possuía autoridade mais do que suficiente para fazê -la. Sem ela. É uma afirmativa de extraordinário vigor. sabemos que o universo foi criado pela palavra de Deus. ter com Jesus. eu não saberia dizer. Que tipo de fé? A fé espírita. que muitos companheiros espirituais desarvorados. de maneira que o que se vê resultasse daquilo que não se vê. como em tantos outros contextos. positiva. ainda. ainda.

presunção. do belíssimo capítulo 13. imagem usada pelo Cristo para fixar o seu pensamento na memória dos ouvintes. Ele deve saber que. com relação aos demais atributos necessários à sua função. de remover montanhas de terra e pedra. traduções modernas do Evangelho substituiram por amor a expressão caridade. que aparecia nos textos mais antigos. Ele precisa estar confiante nos poderes espirituais que sustentam o seu trabalho. na psicologia do doutrinador. 44 Jesus cura o infeliz possesso que. porque não acredita que possa vencer. provavelmente desacordado. as palavras devem ser entendidas em seu sentido moral. era possuído por um Espírito mudo. pode ser crença. tanto quanto o amor descaridoso. Precisa ser inabalável. segundo o pai. Ao comentar a passagem. se não tenho amor. que não consegue fazer quem duvida de si”. em todas as épocas. é preferível recomendar que o leitor não deixe de estudá-lo e de meditar pausadamente acerca de todas as suas implicações. definitiva. da 57ª edição da FEB. No contexto. do mais angustioso desespero. depois de curá-lo. e todos os riscos são iminentes e inevitáveis. com Kardec. Fora disso. e ainda mais: que aquela classe de espíritos não poderia ser tratada senão com a prece. parecer. vai encontrar a resposta ao que implora. em “O Evangelho segundo o Espiritismo”. sou como o bronze que soa e o címbalo que retine. Não é por acaso que nos textos evangélicos caridade e amor são tratados como sinônimos. . é certo. confiante-mente. Ele tem de saber que. por mais bem-dotado que seja. em todas as épocas da Humanidade. o Cristo insiste em que tudo é possível àquele que crê. despreparado para a sua tarefa. Não se trata. A conceituação de fé tornou-se. da Primeira Epístola de Paulo aos Coríntios: — Ainda que eu fale a linguagem dos homens e dos anjos.) O comentário de Kardec é de transcendental importância. essa fé não procura os meios de vencer. páginas 284 a 293. sempre. Sem ela. e. conjetura. “Da fé vacilante — diz Kardec. porém.” (Destaque meu. ao levantar-se para dar um passe. Para não transcrevê-lo por inteiro. é a fé que lhe dá o apoio da confiança de que ele precisa para aventurar-se pelas ásperas e tenebrosas regiões do mais terrível sofrimento. que se apoderava dele em qualquer lugar. Dificilmente se poderia dizer melhor. da mais violenta revolta. derrubava-o ao solo. ao formular sua prece. com tão poucas palavras. Além disso. o doutrinador estará desarmado. Se não tem fé. tem que “encarar a razão” destemidamente. É também aí que o Codificador escreveu sua famosa sentença: — Fé inabalável só é a que pode encarar de frente a razão.. Por isso. aqui. é o amor. Impossível seria considerar a caridade sem o amor. em benefício do companheiro que sofre. ranger os dentes. opinião. Kardec escreve que “a confiança nas suas próprias forças torna o homem capaz de executar coisas materiais. Os discípulos nada puderam fazer. pois ele ocupa todo o capítulo 19 de “O Evangelho segundo o Espiritismo”. sem os quais nenhuma tarefa de desobsessão é possível. pouco depois — resultam a incerteza e a hesitação. mas não será fé. Somente assim será inabalável. Outro ingrediente necessário. fazia-o espumar. Se não tenho amor. e o deixava rígido. suspeita. não estará em condições de realizar o trabalho a que se propõe. de que se aproveitam os adversários que se tem de combater.. a fé lhe trará os recursos de que necessita para servir.

do rancor. devemos sentir. Prossigamos. no trabalho de desobsessão. em favor do próximo. do amor passional e egoísta. cercado pelo sentimento de afeição de familiares e companheiros. o responsável pela direção dos aspectos. O amor não se acaba nunca. para os irmãos desorientados. nem presunçoso. É isto bem verdadeiro. que se concéntre no doutrinador grande parte do esforço de envolvimento. * Isto não esgota. não é temerário. diferente. mas particularmente se dirigem ao doutrinador.. caracteriza bem a gradação cuidadosa do sentimento que Paulo desejou transmitir aos seus amigos de Corinto. para distribuí-lo assim. tudo suporta. O amor não é invejoso. do trabalho. porque. usualmente. portanto. ainda. pronto na doação. restariam a fé. Sem amor profundo. a qualquer companheiro espiritual que se manifeste. ainda no exame dos componentes morais e psicológicos da personalidade de um bom doutrinador. para isso. vive rodeado de conhecidos. que a expressão do original grego agapô. não é interesseiro. do ódio. O amor épaciente e serviçal. no ambiente de trabalho. é impraticável o trabalho mediúnico realmente produtivo e libertador.“É preciso — escrevia eu em “Reformador” de fevereiro de 1975 — ter muito amor a dar. É lógico e natural. A Bíblia de Jerusalém lembra. o candidato a tal função deve . Sem nenhuma figura de retórica. e. que se dirige. indiscri minadamente. o médium doutrinador não se encontra. não tem orgulho. é preciso ter. terrenos. ou afirmar que somente pode investir-se na função de doutrinador aquele que possuir cumulativamente todas essas virtudes. com relação aos nossos próprios inimigos. ao se apresentarem diante de nós. É desse amor-doação que precisa o doutrinador. É claro que estas observações são válidas para todos os componentes do grupo. é ele. tolerância e. sincero. Se não dispuser de um mínimo de aptidões. segundo o Cristo. Se tudo se acabasse. principalmente. 45 nada me aproveita. a esperança e o amor. tudo espera. . o rol das aptidões que devem integrar a personalidade do doutrinador. Do amor que. precisa estar ligado aos Planos Superiores. Tem seus parentes. O amor tudo crê. bem como suas cóleras e suas ameaças. a capacidade de amar os inimigos. não se alegra com a injustiça e sim com a verdade. no campo do amor. incondicional. transformado em compreensão. é nele que os Espíritos desequilibrados identificam a petulante intenção de interferir com seus planos pessoais. no caso da doutrinação de Espíritos conturbados. Se respondermos à sua agressividade com a nossa. portanto. mas não conta com grandes afeições e dedicações. A sustentação do seu teor vibratório. O médium doutrinador tem que devolver todo esse concentrado ataque vibratório. não se irrita. no entanto. legítimo. Nem pretendemos esgotá-lo aqui. o trabalho se perde e desencadeamos contra nós a reação sustentada da cólera. em nota de rodapé. Não estamos ainda nesse estado evolutivo. que o ajudam e assistem a distância. na sua vida de encarnado. vêm com a força e a agressividade de inimigos implacáveis.. Agapô é o amor- benevolência. porque é ele o seu porta-voz. amor fraterno. deverá vir de Cima. como força construtiva do bem. por assim dizer.. Muitas vezes.. nem precipitado.

ou seja. nem agressiva. nos informando de determinada situação ou acontecimento. seus recursos pessoais sejam mais adequados. poria a vidência. não parti- cularmente rara. nem depois da oportunidade. Convém repetir: não precisa ser um santo. na mais ampla acepção do termo. Uma dessas virtudes é a paciência. não apenas durante o trabalho mediúnico. a sensibilidade e o tato nos facultam as informações que buscamos. quando não despertada: a sensibilidade. Há mais ainda. O doutrinador deve estar em permanente estado de vigilância. responsáveis pelo trabalho. as reações do Espírito. propriamente dito. Uma questão cabe introduzir aqui: convém que ele disponha de alguma forma de mediunidade ostensiva? Em Espiritismo. Tem que aguardar o momento de falar. e desenvolvê-las junto ao manifestante. quanto às suas suposições e intuições. que o leve a falsos caminhos. ou assumir outra tarefa. mas que precisa ser cultivada. Minha opinião pessoal é a de que algumás formas de mediunidade são desejáveis. ou doutrinador. até que estejamos seguros de poder tomar uma posição ou uma decisão sobre o assunto. que fossem de interesse para o seu trabalho. difícil e desconhecido em que pisa. Veremos isto. para a qual. sem prejuízo sério para o seu trabalho. quanto à sua própria conduta. enérgica. não há posições dogmáticas. serena. em que se torna imperiosa a tomada de uma atitude firme. na doutrinação. vamos. seja mais sensível e acessível. mas não disparam. Há de chegar-se a um ponto. com os demais componentes do grupo. Vigilância e boa intenção não são santidade. A paciência. atirar-se sofregamente ao interrogatório do Espírito manifestante. É a hora da energia. Para isso. 46 procurar desenvolvê-las. por sua vez. porém. procurando localizar os pontos em que o manifestante. ouviria diretamente as instruções e “recados” do mundo espiritual. Vigilância quanto aos seus proprios sentimentos e pensamentos. segundo a qual. quanto ao que ocorre à sua volta. Em segundo lugar. em estado de inconsciência. quanto ao que se contém nas entrelinhas do que diz o manifestante. Nem antes. que o levará a sentir pacientemente o terreno estranho. Para isso. mas no seu pro- ceder diário. Será também útil dispor da faculdade de clariaudiência. agressões verbais e impertinências. e não o será mesmo. . se pede outra disposição que poderíamos chamar de energia. que deve ser controlada e oportuna. através da qual o doutrinador possa receber as inspirações de seus amigos espirituais. nem nos sustentam no que fizermos. Creio poder afirmar que não seria desejável qualquer forma de mediunidade que colocasse o dirigente. aturar desaforos e impropérios. e o momento tem que ser o certo. necessita de outra qualidade pessoal. não nos indicam a providência a tomar. Isto se faz com uma qualidade pessoal chamada tato. Isto. soprada desavisadamente. os mecanismos da ação. e. pela observação cuidadosa. que não pode ser contundente. não o coloca inteiramente a salvo de alguma palavra. ou da aparência pessoal do Espírito manifestante e de seus eventuais companheiros. neste caso. por si mesmos. com seus próprios recursos e suas próprias palavras. Tem que ouvir. Ele precisa manter-se lúcido durante todo o período de trabalho. quando cuidarmos do trabalho propriamente dito. Colocaria em primeiro lugar a intuitiva. que certamente auxiliará na visão de cenas e quadros. O doutrinador precisa servir em estado de alertamento constante. Não pode ele.

começou a sentir-se envolvida. Depois. por sua vez. Se manifestamos a tola pretensão de dispensar-lhes a ajuda. dedicando-se a outras atividades. qualquer solicitação para funcionar como doutrinadora. mas com serenidade e sem remorsos. Mais de uma vaidade tem sido explodida por causa disso. A humildade é necessária. também incorporada. É a partir do momento em que o turbulento manifestante de há pouco se converte em verdadeiro trapo humano. que se apresentam com nomes pomposos e se arvoram. Relutantemente. e não poucas obsessões pertinazes têm resultado dessa ingênua e perigosa imaturidade. Ao iniciar a tarefa do diálogo com um Espírito manifestante. precisamente. Realmente. se tivermos tido habilidade e tato. criando certo pânico na sessão. com a abençoada mediunidade de cura. a sua surpresa. estamos sempre aprendendo e nunca sabemos o suficiente. nem a sua vontade. concordou em assumir o encargo. de seus enganos e de seus erros. Se não nos aproximarmos dele com humildade. ela passou a recusar. tão nobres quanto essa. Se ele procura sintonizar-se com o mundo espiritual. a faculdade mais comumente encontrada num doutrinador é. para aceitar as ironias. Não há bom doutrinador sem a colaboração e o apoio dos Espíritos mais esclarecidos. também. Um dia — . experimentada nas lides espíritas. por isso. para não assumir a atitude do vencedor que pisa na garganta do vencido. para mostrar o seu poder e confirmar a sua vaidade e seu orgulho. quando não conseguimos convencer o companheiro infeliz. 47 Uma confreira. agressões e impertinências dos pobres irmãos atormentados. para a ajuda de que ele não pode prescindir. Suponho que. perdeu o fio da conver- sação e. por sua vez. em sentido genérico. com eficiência e oportunidade. o companheiro. a intuição. foi o que aconteceu. em doutrinadores do doutrinador. Depois dessa experiência. com freqüência impressionante. esta via de comunicação bastará ao seu trabalho. porque o pretensioso ficará literalmente aniquilado pela obsessão ou pela fascinação de Espíritos ardilosos. seus companheiros mais esclarecidos se comunicarão. daí a pouco estava. arrependido e em pranto. ele sempre o é. não haverá nem bom nem mau. pouco ou nenhum progresso conseguiremos realizar. Mesmo naquele que não conseguimos demover de seus propósitos. pregando estranhas e confusas idéias. Com isto. De uma vez por todas. tiremos de nossa cabeça a noção falaz de que o bom doutrinador pode dispensar a colaboração dos Espíritos Superiores. é certo. pois temia que sua ostensiva mediunidade de incorporação interferisse com a boa marcha do trabalho. para as quais estava perfeitamente preparada. com tristeza. Claro que positivo. em muitos casos. chegamos a outra faculdade necessária ao doutrinador: a humildade. eles se afastarão. no seu coração. contou-me que certa vez se encontrou ante a contingência de dirigir uma sessão de desobsessão. de vez que jamais impõem a sua presença. com firmeza. Cada manifesta ção traz a sua lição. a sementeira da verdade. se e quando conseguir convencer. Precisamos estar preparados para a derrota. a sua informação. teremos realizado. Nada de pretensões tolas de que o trabalho foi cem por cento positivo. que ser humilde no aprendizado. A princípio. Em trabalho mediúnico. Tem. Já fazemos muito quando não atrapalhamos os dedicados companheiros da Espiritualidade Maior. em breve. ainda. sentindo-se girar “como um parafuso” — disse ela —. que o doutrinador deve mostrar toda a sua compaixão humilde e o seu respeito pela dor alheia. E. Por ela. Ele vai precisar dela.

os Espíritos violentos comparecerão possuídos de irritação. o levará a respeitar-nos também. Coragem não é o mesmo que imprudência. 48 não importa quando — ele vai lembrar-se do que lhe dissemos e conferi-lo com a realidade. ocupou assentos em Academias. nem semideuses. as armas da pressão. que não estamos em condições de superá-lo naquilo que constitui o seu ponto forte. ou seja. que. arrastam-se há séculos. perturbações. para conversar conosco. Não contemos. ainda. para aceitar esses casos e continuar lutando. E isso é muito freqüente. respeito e sinceridade. que se desenrolam diante de nós. Muitos daqueles dramas. de aparentar o que ainda não somos. rendendo homenagens à sua inteligência e ao seu conhecimento. e eles manipulam. Nem é essa a técnica recomendada. Já disse alhures que. Um pouco de humildade. Se nos deixarmos impressionar pelas verdadeiras cenas que fazem. quando precisarmos reconhecer o potencial intelectual do irmão espiritual com o qual nos defrontamos. e de medíocre cultura intelectual. rancor e ódio. mesmo. O destemor é de extrema utilidade nas tarefas de doutrinação. com extrema sagacidade. É verdadeiro. se cumpra. Não quer dizer que nos devamos curvar servilmente diante dele. enquanto a exibição inútil de precários conhecimentos filosóficos. recebeu. a humildade. Fustigados pela interferência dos grupos mediúnicos em seus tene brosos afazeres. O arsenal de ameaças é vasto. que vamos convencê-lo de seus enganos. não de debates estéreis. ou . que lecionou em Faculdades. ameaçam céus e terras. se a paga da dedicação ao irmão que sofre resultasse em sofrimento indevido e em punição imerecida. da nossa parte. evidentemente. se assim fosse. com ele. provocar acidentes. E. porém. Sofremos apenas aquilo que está nos nossos compromissos espirituais. de maneira tranqüila e segura: — Nada de temores infundados. como doença inesperada cm um de nós. ao amor. fraternidade. doenças. Suponhamos que compareça. É até possível que uma ou outra. de todos os Espíritos que nos são trazidos. porque nos colocaremos na faixa vibratória desejada por eles. enfim. a atacar nossos pontos fracos ou fazer um cerco impiedoso em torflo de nossa família. quer dizer que precisamos admitir. Manifestam-se aos berros. em vez da paz interior. em trabalho mediúnico. Não se ajustam em minutos de conversa. Nada. governam o Universo. não é discutindo Filosofia. por parte das leis supremas. isso. ainda assim. Seria injusto. um Espírito de elevada cultura. dão murros na mesa. nos quais facilmente nos vencerá. às vezes. com o êxito total da conversão imediata e definitiva. Nesse campo. procuram intimidar e propõem-se a vigiar-nos implacavelmente. pois. Lembremos ainda uma qualidade: o destemor. Estariam subvertidos todos os princípios da Jus tiça Divina. Não é no terreno dele que nos vamos medir. aconteça acidentalmente. sem ser temerários. Não somos super-homens. só poderá estimular nele o desprezo por nós e pela nossa posição. estaremos realmente perdidos. E foi justamente o debate inútil e o vão filosofar que arruinaram sua vida espiritual. as honrarias que tantos buscam. seria indicada. Ele precisa de atenção. e não em decorrência do trabalho de desobsessão. Os benfeitores espirituais sempre nos advertem. das ameaças esbravejadas contra nós. pois. mesmo que o fôssemos. temos que ser destemidos. ele dispõe de mais recursos do que nós. Humildade. para consolidar a sua vaidade lamentável. Humildade.

Vigilância. Os Espíritos amigos saberão dosar as tarefas. em geral. um acontecimento desagradável realmente acontecer conosco. em particular: a prudência. ou com alguém da nossa convivência. Familiaridade com o Evangelho de Jesus. Tato. Humildade. Não custa. Ao contrário) quanto mais apagado o seu trabalho. A proteção existe. o pára-raios predileto do grupo. Procuramos. 49 em membro da nossa família. É ele. Que isso não desencoraje ninguém à responsabilidade do trabalho. mais eficaz e produtivo. Estejamos certos de que. sem dúvida alguma. porque os Espíritos atribulados. à irresponsabilidade. na sessão seguinte. os riscos são muitos. o doutrinador não pode deixar de dispor de cinco qualidades. Ainda voltaremos a este tema fascinante. traçar um perfil ideal e. Por outro lado. usualmente. nem assim devemos nos desesperar e inti midar: estejamos certos de que estava já nos nossos compromissos. não significa que deve remos e poderemos deixar cair as guardas. e do doutrinador. rigorosas e numerosas. Isto. * A longa digressão acerca das aptidões desejáveis a um doutrinador não deve necessariamente desencorajar aquele que pretende se preparar para a tarefa. Em suma. senão impossível de ser atingido. difícil. siga em frente. aqui. Autoridade moral. as qualificações são. criticas: importantes também. Amor. o doutrinador é. As demais são desejáveis. Sensibilidade. bem como o seu porta-voz junto ao mundo espiritual. para se vangloriar: — Eu não disse? Não tema. e nenhuma projeção especial o espera. trazidos ao diálogo. mas não para dar cobertura à imprudência. ou aptidões básicas: Formação doutrinária muito sólida. como todo ideal. lançando mão de um acervo de experiências pessoais preciosas. porém. virá de novo o irmão infeliz. nitidamente ligado ao trabalho mediúnico. porém. com apoio insubstituível nos livros da Codificação Kardequiana. idealmente. Fé. com ele se entendem e se desentendem. É nele que identificam a origem de seus problemas. Energia. o organizador ou responsável pelo grupo. mas não tão Paciência. pois. e mais: os recursos socorristas virão. . Dificilmente um doutrinador reunirá tantos e tão grandes atributos pessoais. usualmente. O trabalho está sob a proteção de forças positivas e abençoadas. segundo as forças e as possibilidades de cada grupo. anotar mais uma das aptidões necessárias ao bom desempenho do trabalho mediúnico. Se. Ele precisa saber que o trabalho é árduo.

cabe a ele suportar os ônus e as responsabilidades decorrentes... algo inquieto: — Mas é muito difícil ser doutrinador. para debater problemas ligados ao trabalho. É verdade. Poderá ser o primeiro entre eles. para estimular a criatividade e a contribuição dos demais membros. Prudência. Precisa despertar. a afeição. mas sem má-vontade contra qualquer um dos membros da equipe. estar consciente dessa responsabilidade e usar sua autoridade com muito tato. Com respeito ao doutrinador. mas não e o maior”. precisa. No momento de tomar a decisão. 50 Destemor. Como é também o dirigente humano do grupo. Disciplina não é sinônimo de ditadura. certamente deverá ser o único a falar com os Espíritos. nos seus companheiros. médiuns ou não. dirá o leitor. como já dissemos. a camaradagem e o respeito. antes de prosseguir. sim. falta ainda abordar um aspecto final. Quando o grupo reunir-se. com o mesmo carinho e compreensão. A essa altura. Precisa tratar a todos. deve o dirigente comportar-se como simples participante. É. . sem paternalismos e preferências. sem abandonar a firmeza.

escrever páginas psicográficas. nem comunicações de Espíritos luminosos ou célebres. Quem ouve o consumado virtuoso do piano. também. pois. a exigir estudo. Não apresenta. como obras que o artista não teve suficiente . respeitados o limite numérico e a qualificação pessoal anteriormente referidos. Tais participantes merecem atenção e cuidados. contínuo e disciplinado? Acham-se apenas impulsionados pela curiosidade passageira? Integram-se bem no grupo. espontânea e fulminante. Devem obedecer à mesma disciplina. A norma geral é o desabrochar lento. dificuldades e desenganos. através de um médium perfeitamente ajustado. mas para servir e aprender. O trabalho é muito mais humilde. o esforço constante de aprimoramento. mantendo boas relações de amizade com os demais componentes? Estarão dispostos a contentar-se com uma tarefa aparentemente inútil e apagada? O trabalho. e sentem-se atraidos pelo trabalho. pode deixar-se envolver pela frustração. dedicação. facilmente é levado a esquecer os longos anos de aprendizado. esforço concentrado. Há sempre outros companheiros. E é por isso. nos grupos de desobsessão. quantas dores. também trazem ao grupo a sua contribuição. ou de um dos instrutores anônimos do Mundo Superior. Não esperemos reve lações extraordinárias. sem escolher funções e sem buscar posições de relevo. passem a funcionar como médiuns perfeitamente ajustados. São geralmente amigos e parentes de um ou outro membro. para distrair aqueles que buscam nos fatos mediúnicos apenas a manifestação mais dramática. renúncia. para responder a qualquer pergunta ou fazer qualquer favor. até chegar àquele ponto. por assim dizer. muitas vezes penoso. sem mediunidade ostensiva. O grupo não se reúne para divertir-se com Espíritos. sem mediunidade ostensiva. as cansativas horas de exercício. cansativo. levitação e outras). não imaginamos quanto trabalho preparatório foi necessário desenvolver. Estão interessados num trabalho sério. destinadas a abalar o mundo. sem a menor noção de sua gênese e da técnica e adestramento que a sua confecção exigiu do artífice. Muitos buscam aderir aos grupos na esperança de que isto aconteça e. paciência. transportes. se não tem condições de “receber” Espíritos. 51 5 OUTROS PARTICIPANTES Um grupo mediúnico não se constitui apenas de um doutri nador e alguns médiuns já desenvolvidos e preparados para os seus encargos. Raramente a mediunidade eclode assim. que podem e devem participar. É como se contemplássemos um produto de apurado acabamento. fenomenologia espetacular. É necessário estudar bem e discutir com franqueza as suas motivações. ademais. ou companheira. que muitas mediunidades ficam. e entregar-se ao mesmo aprendizado doutrinário e à mesma atenta observação a que cada um dos demais é submetido. Quando assistimos àmanifestação de um Espírito sofredor. como quaisquer outros que integrem o grupo. como as de efeitos físicos (materializações. orientação e renúncias bastante sérias. ver ou ouvir os companheiros desencarnados. incertezas. Por outro lado. que fiquem à nossa disposição. o companheiro. Só excepcionalmente isso acontece. não oferece atrativos àqueles que não estejam preparados para a dedicação. inacabadas. e preces. de uma hora para outra. ainda que não manifestamente. pronta e afinada. toscas e primitivas. exige dedicação. quanta vigilância. Nada disso. nem convívio com os Espíritos redimidos.

de que estava pleno o seu coração. sem que ela tivesse consciência do fato. dado que praticamente todos os seres humanos dispõem dessa condição em potencial. como se o membro do grupo fosse mero espectador. após comunicações particularmente penosas. A um desses. Além do mais. em período de expectativa e de provas. Se estão bem entrosados com as demais pessoas e mantém atitude construtiva. Nada de ciúmes pelo que ele faz. tal pessoa nos prestava excelentes serviços. Com o decorrer do tempo. da mesma forma que o espírito Crítico. sejam médiuns. 52 dedicação e tenacidade para concluir. muitas vezes têm papel importante no grupo. por acharem que nada estão fazendo no grupo. Quase sempre podem também ser muito úteis como médiuns de passes. Por mais de uma vez. Não é necessário que todos. aliviar aflições residuais deixadas pelas vibrações dolorosas do manifestante em desarmonia. fornecendo recursos vibratórios de alto valor. questionou a validade da sua presença no grupo. ou de fria observação. começa a ensaiar-se timidamente a faculdade. psicografia ou vidência. Serão. nosso respeito pelo médium. Dizem que o gênio é dez por cento inspiração e noventa por cento transpiração. indistintamente. e por ele orientados darão passes nos médiuns. Há condições para desen- volvê-la harmoniosamente. na captação de uma ou outra palavra ou intuição. nem mesmo desejável. então. Os companheiros sem mediunidade ostensiva precisam convencer-se de que devem manter. a fim de ajudá-los no reequilíbrio de suas energias e. se tiverem desejo de servir e pureza de intenções. sob supervisão de alguém mais experi mentado. poderão incumbir-se da nobre tarefa do passe reparador. tão necessária num grupo de trabalhos práticos. Os nossos instrutores espirituais estão cansados de insistir em que todos os recursos humanos colocados à disposição do trabalho são aproveitados. . dispensáveis os componentes do grupo que não ofereçam condições mediúnicas? Não. que se acham apenas em potencial. aqueles que não dispõem de faculdades para incorporação. numa rápida vidência. este sim. Ele trabalhou muito e lutou muito para que assim fosse. ou a companheira. em qualquer circunstância. A atitude negativa acarreta dificuldades e desarmonias que prejudicam seriamente as tarefas mediúnicas. Esses recursos eram amplamente utilizados no trabalho. e ao longo dos anos. Neste caso. a mediunidade talvez guarde relação semelhante. tive oportunidade de verificar casos específicos de atitudes assim. e prestam serviços relevantes de apoio. mas nosso apreço. é comum desenvolverem-se nesses companheiros preciosas mediunidades. Ainda que inconscientemente. contribuem para a concentração das mentes no clima de segurança e de harmonia. como “dínamo de vibrações amorosas”. Podem ainda Contribuir para a fluidificação da água. Portanto. Deixem aos operadores desencarnados a incumbência de decidir quanto à utilização dos recursos de cada um. Sua participação é desejável. lhe é devido. manifestemos. É muito freqüente ouvirmos desses companheiros uma palavra de desânimo e desinteresse. para experimentar-lhes a paciência e a tenacidade. quando o companheiro. um dos Espíritos que se incumbiam da orientação do grupo afirmou que. ao contrário. intimamente. nem de elogios balofos que o percam. uma atitude construtiva e disposta à cooperação. A juízo do dirigente. o que é falso. ao presenciarmos o suave fluir de uma bem treinada mediunidade.

ha tantos séculos: . Sentíamos. atenção e vigilância interior. constituído de pessoas que muito se estimavam e se mantinham bem afinadas. que poderão ser cultivadas e aproveitadas. permaneça concen- trado e em prece nos momentos mais críticos. sem saber ao certo o que fazia. pelo menos. E. não vê ou não ouve Espíritos. Não pense. uma experiência pessoal. Tenho. Eu? Que diria. sob este aspecto. que é inútil. e. A tudo ouvia. O dirigente do grupo deverá ter sensibilidade bastante para identificar os indícios e acompanhar cada caso individual. É possível que.Com efeito — dizia ele aos Coríntios (Primeira Epístola. Mantenham-se em calma. que eu tivesse captado. deixaria de ser parte do corpo. participando dos dramas e aflições dos irmãos desarvorados. Senti um “frio por dentro”. por certo. ou mesmo desejar. 53 Quanto ao mais. uma noite. Durante vários anos freqüentei um grupo mediúnico. precisa estar preparado para a eventualidade de conviver com o grupo por longos anos. tenham paciência e portem-se com humildade e respeito. Não se aflija se a sua contribuição é menos ostensiva. procurava portar-me com respeito. sua participação é preciosa. Vários dos seus componentes conversavam com os Espíritos. Como o grupo não tinha uma liderança clara e específica. Esse grupo. porém. comecei a tarefa que me fora atribuida procurando corresponder às esperanças daqueles que ma concediam. Conserve-se firme e tranqüilo. porém. Se o pé dissesse: “Como não sou mão. sem açodamento ou excitação. com o tempo. não pertenço ao corpo”. ou a fugaz visão de um companheiro desencarnado. pois. tomamos algumas decisões mais drásticas. onde ficaria o ouvido? E se fosse todo ouvido. ao sabor dos acontecimentos. nenhuma forma de mediunidade. não pertenço ao corpo”. sem que nenhum fenômeno ostensivo se passe na intimidade de seu ser. ainda que thnidamente e sentindo cuidadosamente o difícil terreno em que pisava. acompanhando com interesse as instruções e observações dos nossos benfeitores desencarnados. B e C se limitarão às suas respectivas mediunidades. as tarefas foram distribuídas por uma espécie de consenso geral: A. voltando-se para mim. no entanto. venham a manifestar indícios indubitáveis de excelentes faculdades. ou. Num grupo bem harmonizado. meu Deus! Aos irmãos aflitos e desarmonizados. por isso? Se todo o corpo fosse o olho. por isso? E se o ouvido dissesse: “Como não sou olho. senão de muitos. só porque não incorpora. onde ficaria o olfato? Nada. O participante. capítulo 12. faculdades para as quais não estamos preparados. que poderíamos fazer melhor a nossa tarefa. a rigidez de uma disciplina mais rigorosa. que então nos procuravam. versículos 14 e seguintes) — o corpo não se compõe de um só membro. Nenhum fenômeno. O aprendizado dos tempos em que fiquei como simples observador revelou-se precioso. porque nos esforçávamos por manter a harmonia. Os resultados eram bons. disse aquele que estava com a palavra: — Só você falará com os Espíritos. e. Sentava-me entre os companheiros. não tinha. D fará as preces de abertura e encerramento. ainda não esta mos preparados. de ambicionar. deixaria de ser parte do corpo. porém. contribua para manter um bom ambiente de vibrações amorosas. vigie seus pensamentos. antes da reunião. Estudem e observem. com sabedoria e bom senso. nem mesmo uma palavra perdida. como já ensinava Paulo. às vezes. . todos são úteis e necessários.

O dirigente do grupo deve estar bem atento a toda e qualquer contribuição dessa natureza. estamos. Cada caso é diferente. apenas para enfatizar a circunstância de que. ou. Não Posso dizer se dei boa conta dela. não perdemos o tempo. Este episódio é aqui documentado. oferecendo sugestões. mas. não importa. creio que Correspondi à confiança que em mim depositaram. muitas vezes. assisti-lo no esclarecimento de dúvidas. ofertando O Pouco de que dispomos: alguém se beneficiou mesmo com esse pequeno óbolo da viúva. como me conservaram no posto pelo resto do tempo em que o grupo funcionou. sem colocar-se na Posição de mestre infalível que tudo sabe. a atestar a infinita capacidade criadora dAquele que nos formulou no seu pensamento e nos deu forma. estudando junto com ele (ou ela) as dificuldades da tarefa. me achei investido de uma responsabilidade que nem suspeitava me seria conferida. no grupo. longe disso. procurando ajudá-lo. estimulando-a com interesse. por outra. vida e consciência. sendo imperceptivelmente preparados e testados para responsabilidades futuras. Esperemos com paciência. . aquele que souber um pouco. mais ostensiva. E se não chegar o dia de uma participação mais dinâmica e efetiva. Colocando à disposição do companheiro sua experiência e orientação. inesperadamente. mas pela boa-vontade que evidenciarmos. a rever pontos de vista. sempre disposto a aprender mais. uma vez que cada um de nós é um ser diferente. utilize seus conhecimentos de maneira construtiva. cada manifestação é diferente. 54 E foi assim que. pois em questão de mediunidade precisamos ser humildes e sensatos para admitir que não sabemos tudo. Não somos julgados pelos resultados. a reaprender.

embora desgovernados. O que acontece é que pessoas sob o domínio de obsessores implacáveis e vingativos. mas. do que arriscar-se a pôr em xeque a harmonia e a segurança da tarefas. . sem introduzi-los no seu ambiente de trabalho. ela não é necessária à tarefa que nos incumbe junto aos obsidiados que buscam o socorro de um grupo mediúnico. na imensa maioria dos casos. Ainda que aqueles que solicitam nossa ajuda interpretem a recusa como falta de caridade. sabemos que assim não é. nos são muito caras. pode provocar incidentes e dificuldades insuperáveis. outros na expecta tiva de uma cura. não havendo necessidade de correr riscos indevidos. julgo. seja de males orgânicos. Uns por mera curiosidade. seja de desarmoniza ções espirituais. Em casos excepcionais. é que não estaremos recusando ajuda simplesmente por não concordarmos com o eventual comparecimento de alguém aos trabalhos do grupo. em muitos grupos. Basta dizer ao interessado que não é necessária a sua presença física. essa presença pode causar consideráveis trans tornos. no ambiente em que se realisam as sessões. porém. em caráter permanente. no ambiente onde se desenrola o trabalho me diúnico. 55 6 OS ASSISTENTES Dificilmente um grupo mediúnico deixará de ser procurado por pessoas que desejam assistir aos seus trabalhos. Na minha opinião. seja a qualquer pessoa que se apresente. para que o trabalho seja feito. ao contrário. ou ausência de espírito de colaboração. espíritas. custa recusar pedidos de ajuda a pessoas que. Também não se torna necessário descer a pormenores explicativos e justificativos dessa atitude. Mais do que desnecessária. Pelo menos é essa a experiência que tenho tido. É preferível pecar por excesso de rigor. ou seja. desajustados e ignorantes de suas fa culdades e Possibilidades. O certo. Sob condições normais. grupos que contem com excelentE cobertura espiritual poderão admitir essa prática. estados de angústia ou de desespero. outros na esperança de se deixarem convencer. apresentam inva riavelmente um componente mediúnico. como regra geral. enquanto outros adotam a prática de abrir suas portas. Assim. isso deve ser tormalmente evitado. ou de se manterem na sua vaidosa e tola descrença. que. porém. ante a partida de pessoas queridas. Sei que alguns dirigentes de grupo objetarão a esse radicalismo. nos trabalhos de desobsessão. deve ser preservada a intimidade do trabalho mediúnico. rancorosos e violentos. muitas vezes. somente em casos excepcionais se justifica a presença de pessoas estranhas ao grupo. e a nós. em vários anos de prática. E não é mesmo. certamente relevantes. são também médiuns. seja a um público reduzido e selecionado. junto ao grupo. a não ser que os responsáveis espirituais pelo trabalho recomendem taxativamente a presença da pessoa. é bom repetir. Os motivos são muitos. com freqüência. não como norma de procedimento O grupo pode perfeita mente assistir os companheiros encarnados sob as provações da obsessão. Os benfeitores espirituais dispõem de recursos mais seguros e eficazes para isso. que vai facultar ou fácilitar a tarefa. a presença de pes soas perturbadas. Não é a presença física deles. como a obsessão. Sabemos que esta reserva é quebrada.

porque é da sua essência uma atitude de recato. de que o grupo não disponha no momento. da 6ª edição da FEB): “. os Espíritos orientadores solicitarão uma sessão especial. como espetáculo público. Enfim. a formação de um pequeno grupo mediúnico. passou a assistir. excepcionais mesmo. como. ou de recursos outros. por nome Pedro. Não que o grupo mediúnico seja uma sociedade secreta. de sigilo. Por esse motivo (compromissos do passado). Pode ser. Em suma: a meu ver. ou possesso. começou a observar. esotérica e misteriosa. quando um dirigente espiritual de nossa confiança propõe que o trabalho seja feito à parte. ou um doutrinador especial. e não integrado na equipe que constitui o grupo que se incumbe de socorrê-lo.. em dia e hora previamente combinados. Pode ser que o tratamento exija certos tipos conjugados de mediunidade. número maior de médiuns. quem dela deve participar. Pode ser. é um Espírito endívidado a redimir-se. ainda. Evidentemente. até ó local onde habitualmente se realiza a sessão. Pedro traz consigo aflitiva mediunidade de provação. estaria havendo dificuldade em atrair o Espírito a ser tratado. um amigo a quem muito respeito e admiro. mas. Somente em condições muito especiais. narra André Luiz o tratamento de um caso de possessão. não. sob o domínio de rancorosos obsessores ou possessores. como médium: — “Pela passividade com que reflete o inimigo desencarnado. será justo tê- lo nessa conta. às interferências voluntárias ou involuntárias. Isso. designando. que seja necessária a presença de determinada pessoa encarnada. nem exibido. a distáncia. de discrição. na página seguinte (76. como acontece com freqüência. precisamos considerar que. 56 No livro “Nos Domínios da Mediunidade”. facilmente introduzirá nele um fator de perturbação e desequilíbrio. Nestes casos. mas dotado de curiosidade intelectual e pragmatismo. e nem sempre conhecemos as razões pelas quais assim decidem. Sem ser espírita.) Assim. Há algum tempo. do grupo. antes de ser um médium na acepção comum do termo. interferir no fluxo normal do trabalho. ainda. e aqueles que apenas desejam “assistir” aos trabalhos? Devem ser admitidos? Na minha opinião. mas. com um caso especial.” E mais adiante. em seu próprio lar. no que diz respeito a pessoas perturbadas. hermética. contudo. pelas nobres qualidades de caráter e cultura. não poderia ser realizada sob as condições normais. algumas sessões. deverá fazê-lo. por exemplo. Ou então. há sempre razões respeitáveis. e a solicitar livros. com a qual desejam pôr o Espírito manifestante em contacto direto. Esses casos serão previamente selecionados pelos mentores do grupo. O trabalho mediúnico. obviamente. o grupo mediúnico não deve permitir a presença de pessoas estranhas às suas tarefas. pelo atendimento aos sofredores desencarnados. na condição de médium desgovernado. encarnadas ou . também. especialmente o de desobsessão. o obsidiado. como explicou mais adiante.. como regra geral. para informar-se do assunto.” (Destaques meus. se dispuser de cobertura e consentimento expresso dos benfeitores espirituais. me fez uma pergunta perfeita mente válida: Você não acha que existe aí um problema ético bastante grave? Queria referir-se. Ao observar que os trabalhos enveredavam. que não desejem. em problemas de outras pessoas. nessa hipótese. que poderá trazer sérias complicações. não é para ser divulgado. Hilário pergunta ao Instrutor se deve considerar o doente. a sessão exige tais cuidados que. se o grupo não estiver muito bem preparado para essa responsabilidade.

confessando que Deus está verdadeiramente entre vós. com relação a essas im- piedosas indiscrições. É certo. Paulo dá o nome de profeta ao médium de Incorporação ou Psicofônico. dava-se o fenô meno da indiscrição de espíritos afoitos. sem dúvida. se todos profetizam (1). suas angústias. trouxe ao nosso grupo o Espírito de um irmão meu. na Primeira Epístola aos Coríntios. porque muitos dos que se acham mais fortemente entrinc heirados nas suas descrenças e revoltas precisam de um impacto maior para desalojarem-se do seu Comodismo ou de sua vaidade. e o problema. Quando. provavelmente sob a influência obsessiva de algum antigo comparsa. que desejaríamos continuassem em segredo. se verdadeira. Uma ocasião. Já naqueles recuados tempos. OU não-iniciado. 57 não. nem o tenha trazido. antiqüissimo. o ardil não produziu os resultados . ou vítima. julgado Por todos. infelizmente. Todos nós estamos em posição vulnerável. um companheiro. versículos 24 e 25 —. ou revelação acerca das fraquezas alheias. na desesperada tentativa de desarmonizar-me. e entra um infiel. como disse é válida. Dei-lhe razão. no desespero angustioso de me ferir. não me deixei Impressionar. no decorrer do trabalho mediúnico surge uma denúncia. precisamos estar preparados para que tais revelações não nos apanhem de surpresa e não nos atinjam de maneira a desequilibrar-nos. que ele chama de infiel. ou não-iniciado à crença e ao reconhecimento da presença de Deus entre os primitivos cristãos. perder de vista o fato de que a norma é o respeito à intimidade alheia. desencarnado recentemente e ainda em difíceis condições de desajus tamento no mundo espiritual. com poderosos recursos de hipnotizador. seus desenganos e seus erros. o de levar o descrente. com relação aos segredos da intimidade alheia. e ao trato das revelações de caráter íntimo. que eu aperto mais o laço. (1) Ao que se depreende do texto. não podemos no entanto. talvez. Uma vez mais. divulgada ou comentada. E isto é legitimo e proveitoso. à experiência e à sabedoria do nosso amado Paulo: — Pelo contrário — escreve ele. dizia: — Não tente escapar. Voltemos. no seu pragmatísmo via no caso o seu aspecto positi vo. A pergunta. Dizia ele que meu irmão estava presente. sob seu domínio. com redobrado respeito e discrição. ou seja. mas apenas imaginado o episódio como estratagema. meu irmão atormentou-se com o vicio do álcool. Sim. com todas as suas fraquezas. será convencido por todos. capítulo 14. Paulo. Os segredos de seu coração serão descobertos e. por mais clamorosos que sejam. que ocorrem no andamento dos trabalhos mediúnicos. adorará a Deus. Quem sabe se do próprio. por conseguinte. e aparentemente dirigindo-se a ele. não é? Graças a Deus. Por isso. nem mesmo na intimidade da equipe de trabalho. Ou. realmente que o diálogo com os Espíritos que se arvoram em cobradores de faltas alheias traz revelações e informações que devassam a intimidade alheia. prostrado de rosto ao solo. essa informação é recebida com reserva e. Não é para ser proclamada. E voltando-se para mim: — Ele gostava de tomar umas e outras. que põem à mostra aspectos de nossa pobre pessoa. que ora me trazia? Felizmente.

se o grupo está bem ajustado e integrado. em circunstâncias semelhantes. e que causava inegável obstrução ao fluxo normal das tarefas da noite. que vai desequilibrá-lo. em estado de angústia. e isso nem passaria pelas nossas mentes. com as mesmas características. em silêncio e em atitude respeitosa. A introdução de um estranho causa certo desajuste. De modo que. Esse aspecto negativo repetiu-se. Num caso. mas é evidente que a sua presença desregulou qualquer coisa imponderável e acarretou a necessidade de cuidados adicionais. para que a sessão pudesse realizar-se. a não ser os componentes regulares da equipe. por parte de nossos benfeitores. É certo que. é a regra. imposta pela disciplina e pela segurança da tarefa. Tive. Na verdade. fora do círculo que compunha a mesa. sua presença não impediu a realização dos trabalhos da noite. não é a leviandade de um pobre Espírito. e ele estava profundamente abalado. mas. e parecia pairar no ar certa dissonância. em um grupo mediúnico. mesmo abstraindo essas ocorrências mais graves. voltamos à rígida política de não admitir ninguém. Por outro lado. 58 que ele esperava. se há estranhos na sala. quem sabe? até uma palavra dela mesma. a regra que havíamos estabelecido. Talvez alimentasse ele a esperança de uma noticia acerca da esposa ou. tratava -se de um colega de trabalho de dois dos membros do grupo. e lá ficou. O companheiro acabou se convencendo. Não havia problemas particularmente graves com essas pessoas. de não admitir pessoas estranhas às ta refas. encarava com simpatia nossa Doutrina.. o problema se torna bem mais sério. A instâncias de um dos nossos companheiros. Sua esposa desencarnara relativamente jovem. mas eles se arrastaram dificultosamente. que nem sempre épossível corrigir com facilidade e rapidez. e partiu arrependido e em pranto. ele não contribuiu para dificultar-nos o curso do trabalho. A conversa prolongou-se por muito tempo e extravasou para outras sessões.. algumas experiências nesse sentido. não podemos ignorar que há um clima de sintonia espiritual entre os que participam de trabalhos mediúnicos. Sentou-se em uma cadeira à parte. havia grandes hiatos entre uma manifestação e a seguinte. e nem as movia a simples curiosidade. Embora não-espírita. todos se estimam e se respeitam. Essa. portanto. Por duas vezes quebramos. resolvemos concordar com seu comparecimento a uma das sessões semanais. conscientemente. que não conseguimos vencer. também. Depois dessas duas experiências. . com uma jovem a quem concedemos permissão para assistir aos trabalhos. graças a Deus. tanto entre os encarnados como entre estes e os orientadores desencarnados.

em caráter permanente. de espionagem e de regras policiais. em grupos responsáveis. não podemos cogitar de receber mais companheiros. Se ainda não alcançamos o número prefixado. as deliberações quanto aos negócios. encontrei sempre. o anverso da medalha. de início. é necessário um exame bastante criterioso. porém. da inquietação. Não contemos. Devemos admiti-lo? Em primeiro lugar: se já atingimos o número de componentes inicialmente fixado como o máximo desejável. Nas diversas vezes em que me vi diante do problema da admissão de um novo membro. Em qualquer caso. mas não parece necessário esmiuçá-lo mais. ou se outro deve deixar o grupo. A experiência indica que. dirigidos por Espíritos discretos e esclarecidos. Respeitemos esse ponto de vista e não tentemos forçá-los a dizer o que não pretendem. deseje participar do grupo. o exemplo da soli dariedade e da compreensão? As organizações espirituais geradas e mantidas na sombra podem ter inúmeros defeitos. A admissão de um novo componente pode alte rar profundamente a estrutura e os métodos de . Há. Como nos portarmos diante das solicitações de adesão aos nossos trabalhos? Sempre haverá um parente. Guardemo-nos de imitar essas formas de disciplina brutal e cruel. deve ser afastado. de perseguições. digamos terrenos. para que todos possam trabalhar de espírito desarmado e tranqüilo. e por mais que relutemos intimamente. ainda que bastante credenciados. que a decisão final deverá resultar de um consenso geral dos componentes do grupo. 59 7 RENOVAÇÃO DO GRUPO Já discutimos ligeiramente o problema da exclusão de algum participante do grupo mediúnico. A disciplina e a coesão da equipe devem ser mantidas serenamente e com firmeza. franco e leal. que pode neutralizar as melhores intenções e provocar até a desagregação da equipe. podemos considerar a possibilidade. Os benfeitores espirituais. por parte dos amigos espirituais: o problema era nosso. evitando. mas são implacavelmente disciplinadas. Nada. dos que estão do lado de cá da vida. porém. tanto quanto possível. ou amigo que. Se os componentes do grupo não se entenderem. com uma palavra decisiva dos companheiros desencarnados que nos orientam. são deixadas aos encarnados. para ajudar a decisão. em diferentes grupos. mas estejamos sempre conscientes de que nenhum trabalho de equipe se realiza sem um mínimo de ordem. preparados para enfrentá-lo. Se alguém destoar. Estejamos. a ponto de introduzir um fator de perturbação. a mesma atitude. temporária ou definitivamente. é preciso dispensar o companheiro que traga para dentro do grupo o fermento da dissidência. se for o caso. Não creio que o assunto esteja esgotado. O problema é nosso. pois. aos companheiros desarvorados do mundo espiritual. Por mais que nos pese. da indisciplina. das qualificações e intenções daquele que se oferece. A disciplina deve ser consciente. mesmo consultados. do grupo. Como se faz isso? É preciso considerar. que predomine a imposição ou a simples vontade de um só. recusam-se a dar ordens ou decidir se um novo companheiro deve ser admitido. como poderão oferecer. tomando conhecimento da nossa atividade.

de preferência. ou seja. Mantenha-se discreto e tranqüilo. é só apresentá-lo aos demais companheiros e começar o trabalho. Apreciemos o problema. o que lhe competirá fazer na equipe. tranqüilo. não se vanglorie. O candidato não deve impor condições. às quais ele deverá subordinar-se. Neste caso. Se. ou infestado de frustrações. pode ter-lhe parecido suscetível de correção. poderá. observando tudo sem espírito crítico negativo. e o que se espera dele. não é estar pronto para trabalho de tanta responsabilidade. Nada de processos iniciáticos. de que o grupo lhe oferece as condições que ele entende como necessárias e desejáveis. também com franqueza e serenidade. deverão ser expostas a ele. precisa de tato e bom senso ao apresentá-la. aniquilar o grupo. Suponhamos que seja admitido. Faça-o. de simbolismos. e dar impulso às tarefas. revitalizando o grupo. mal-humorado? Que tipo de trabalho pretende realizar? É médium? Que faculdade mediúnica tem em desenvolvimento ou já desenvolvida? Tem conhecimento teórico da Doutrina? Relaciona-se bem com as pessoas? Se essas e outras inúmeras indagações forem atendidas satisfatoriamente. 60 trabalho da equipe. disciplinado? Ou agressivo. Se deseja participar das tarefas de determinado grupo. crítico. trazendo uma contribuição construtiva. e só então. Se perceber que sua adesão é inoportuna ou mesmo indesejada. com a intenção de melhorar o trabalho. de rituais de “batismo”. Sua presença não deve ser impingida sob condições. É um grupo sério. Cabe-nos. examinar com serenidade. Não se magoe. se os julgar oportunos e aplicáveis. Certo. Aguarde o amadurecimento de suas impressões e a sua perfeita sintonização com os demais companheiros. ou ela. mas não deixe de expressar seus pontos de vista. Se nos convencermos de que ele. Será debatida com ele a natureza do seu encargo. se o forem. em particular. porém. Deve procurar integrar-se no trabalho. fechado. para buscar vantagens e privilégios. O novo companheiro pode trazer um bom acervo de conhecimento ou de experiência. nem insistir na sua admissão a qualquer preço. Que tem ele a oferecer? Qual a sua experiência em outros grupos ou em tarefas semelhantes? Qual o seu tipo de personalidade? Ajustado. deve certificar-se de que está disposto ao trabalho construtivo e disciplinado. ao dirigente do grupo. leal. tanto num sentido. sem desejo de aferir virtudes e defeitos alheios. tanto para o lado positivo como para o lado negativo. É possível que a sua sugestão seja acolhida. bem integrado e formado de pessoas que se estimam e se respeitam? Mais ainda: ele deve ter o que dar. mas pode ser que o grupo tenha razões para agir da forma que. apoiado em boa base doutrinária. se não forem acolhidos. de vestimentas especiais ou cerimônias de qualquer natureza. ou seja. será considerada a possibilidade de recebê-lo no grupo. com habilidade e na oportunidade adequada. e desapaixonadamente. como os demais membros. Se tiver alguma contribuição positiva a fazer. as condições dc trabalho. pois. ainda que não indesejável. com sua influência. agora. de início. como noutro. do ponto de vista do candidato. está mal preparado. Juntar-se a um grupo para tirar partido. as suas credenciais. ou se deseja brilhar. . Aja com prudência. deve ter suficiente equilíbrio e bom senso para recuar ou aguardar outra oportunidade. também. dinamizadora e eficiente. está em condições de integrar-se na equipe.

aprendemos mais e melhor. inacessíveis. desejamos com todo o interesse o certificado de conclusão do curso. O próprio estudo. Precisamos ter a coragem e a humildade de abandonar práticas inadequadas e adotar novos métodos. 61 Para resumir: os trabalhos mediúnicos devem ser realizados em grupos fechados. promovidos à admissão na próxima escola que está à nossa espera. como Espíritos em desequilíbrio — nos trazem contribuições importantes que. exatamente aqueles pontos sobre os quais cometemos nossos piores erros. a fim de sermos. tão cedo quanto possível. . E se estamos sinceramente dedicados ao progresso espiritual. aqui e ali. Empenhemo-nos em aprender com os nossos próprios erros. para nunca mais esquecer. pois são eles que fazem baixar a nota das nossas provas. quando os antigos se revelarem insuficientes ou impróprios. e a prática decorrente do trato com os nossos companheiros desencarnados — tanto instrutores e orientadores. Tem que haver espaço para a renovação de pessoas e de métodos. aconselham correções e reajustes no método de ação. Como estudantes que somos. inabordáveis. e nada mais do que isso. Ouçamos com atenção as recomendações e as sugestões dos dirigentes espirituais da tarefa. mas não herméticos.

porém. no mundo espiritual. um grupo deles se mantinha irredutivelmente fixo nas suas angústias. amigos e guias. a enfrentar. Além disso. recorrer à terapêutica da . Se o grupo já dispõe de um ou mais médiuns desenvolvidos. Os casos estavam distribuídos. porém. tanto quanto desafetos e obsessores em potencial ou em atividade. urgente despertá -los para a realidade que se recusavam. Em “Reformador” de fevereiro de 1975. Tornara-se. Nessa altura. mais inconsciente do que conscientemente. incapacitados para quaisquer aquisições facultativas de progresso”. o Espírito culpado se aliena. o isolamento e o manicômio. e nem seria esta a finalidade de um grupo que se prepara para a difícil tarefa da desobsessão. como o maestro competente que verifica se todos os instrumentos estão perfeitamente afinados. em contacto com o ser humano encarnado. Inseguro e temeroso diante da dor que ele sabe ser aguda. “permaneciam atordoados. Tornara-se imperioso encontrar um grupo de médiuns em condições de socorrerem Espíritos de suicidas: “Chegara a um “impasse” o processo de recuperação. 62 8 OS DESENCARNADOS . Trata-se aqui de um conhecido mecanismo de fuga defensiva. na esperança de pelo menos adiar o momento duro e fatal do despertamento. lembrei os preciosos esclarecimentos colhidos no livro “Memórias de um Suicida”. Enquanto alguns se acham à nossa frente. Em casos como esses é necessário. a três ambientes distintos: o hospital propriamente dito. é raro que tenhamos conhecimento da natureza do trabalho que pretendam realizar conosco. A despeito do desvelo e competência dos técnicos e mentores da organização espiritual especializada no tratamento dos suicidas. companheiros. Uns tantos desses. no artigo intitulado “A Doutrinação: variações sobre um tema complexo”. profunda e inexorável. por terem caminhado um pouco mais do que nós. muito bem estudado. Não vamos conviver apenas com aqueles que vêm para ajudar-nos. Pereira. compatível com as forças e possibilidades dos trabalhadores encarnados. quase sempre. Os resultados podem não ser espetaculares — e geralmente não o são mesmo — porque os companheiros incumbidos da nossa orientação ainda estão trabalhando nos ajustes e nos testes. É certo. para as primeiras palavras de estímulo e encorajamento. pois. É da lei universal da fraternidade que todos se apóiem mutuamente. Todos nós temos. Teremos que aprender a trabalhar com ambos os grupos. apenas distribuídos em diferentes estágios evolutivos. outros nos seguem um passo ou dois atrás. semi-inconscientes. é certo que um Espírito amigo se manifeste. que é o reino de Deus em cada qual. imersos em lamentável estado de inércia men- tal.OS ORIENTADORES Sempre que um grupo de pessoas se reúne para trabalho de natureza mediúnica. para chegarem à paz interior. Falemos primeiro dos irmãos que vêm nos ajudar a servir. segundo sua natureza. É sempre um momento de emoção a primeira reunião mediúnica de um grupo. não podemos esquecer-nos de que somos todos irmãos. que eles já dispõem de um plano. ou seja. que devemos à abençoada mediunidade de Yvonne A. um grupo correspondente de Espíritos se aproxima. Os Espíritos sempre nos dizem que precisam de nós para determinadas tarefas. que somente podem ser desenvolvidas com o concurso da mediunidade.

Nossos menores gestos e palavras eram como que filmados e gravados para exame e debate. particularmente agressivo e desesperado. disposto a amar . por mais que estes reduzissem o seu teor vibratório. a fim de melhor nos conhecerem e poderem planejar a estratégia a ser usada contra nós. à sua equipe invisível e recomendava: — Gravem isto! Ou então: — Gravaram aí o que ele disse? Não alimentemos. mostravam-se eles inatingíveis aos processos mais sutis de que dispõem os técnicos do Espaço. a que o autor de “Memórias de um Suicida” chama de “revivescência de vibrações animalizadas”. mas precisamos oferecer-lhes um mínimo de condições. pois. Convém acrescentar que registros semelhantes — obviamente para outras finalidades — existem também nos redutos trevosos. conduzidos no mundo espiritual. que tipo de tarefa nos será atribuida. “Memórias de um Suicida” nos fala dos longos e cuidadosos preparativos. são examinadas as “Fichas espirituais dos médiuns” que compõem os grupos sob exame. em muitos casos. insubstituível. 63 mediunidade. Certa vez. que se torna. São enormes as responsabilidades desses amigos invisíveis. nas cúpulas administrativas do mundo das sombras. para as tarefas que desempenham junto a nós. Decide-se por este último e. É preciso localizar um grupo que ofereça as condições de segurança e amparo de que necessitam os Espíritos transviados. são rígidas. Contamos com a ajuda e o apoio de companheiros bem esclarecidos e competentes. como preliminares à tarefa mediúnica propriamente dita. Se o grupo empenha-se em servir desinteressadamente. O Espírito precisa retomar a sua marcha e o recurso empregado com maior eficácia é o do choque. Habituados a tais vibrações mais grosseiras.) Por aí se vê que os nossos grupos e os nossos médiuns se acham meticulosamente catalogados nas organizações do Espaço. pois. de que os orientadores espirituais do grupo somente nos trarão encargos que estejam ao nosso alcance. num esforço considerável de automaterialização. na Espanha e no Brasil. dentro do Evangelho do Cristo. ao iniciar uma atividade mediúnica.” E mais adiante: “Verifica-se a existência de grupos em Portugal. em seguida. Para que fossem tocados na intimidade do ser. Poderíamos dizer que cada grupo tem os guias e protetores que merece. de quando em quando. Por várias vezes tive a oportunidade de testemunhar pessoal-mente essa realidade.” É para esse trabalho que os mentores espirituais solicitam o concurso dos encarnados. já estudaram nossas possibilidades e intenções. “Na Seção de Relações Externas — prossegue o mencionado artigo de “Reformador” — são consultadas as indicações sobre grupos espíritas que possam oferecer as condições desejadas para o delicado trabalho. ilusões. não entendiam a palavra dos mentores e nem mesmo os distinguiam visualmente. não obstante. mais tarde. era preciso alcançá-los “através da ação e da palavra humanas -Como estavam. dirigia-se.” (Destaque desta transcrição. escorado na Doutrina Espírita. e as qualificações exigidas. um Espírito. podemos estar certos. como vimos. Espíritos desarmonizados informaram-me que estávamos sendo rigorosamente observados e estudados. Não sabemos. Sem dúvida alguma.

negam-se a impor condições. a observar. para o exercício do livre-arbítrio. mais fácil. Quando vemos um operário altamente qualificado na sua especialidade. trazem-nos a ajuda anônima de que precisamos para dar mais um passo à frente. Amorosos. Preferem ensinar pelo exemplo. do seu longo período de adestramento. de forma que as respostas viessem já acomodadas às estruturas do pensamento do ser encarnado. Os ensinamentos destinavam-se aos homens. porém. pois sabem muito bem que o Espírito desajustado precisa de ser abordado e tratado de um ponto de vista ainda bem humano. de companheiros desencarnados do mais elevado padrão espiritual. a nosso turno. Corrigem. às vezes de antigas experiências reencarnató rias. de seu próprio ponto de vista. para que tenhamos o mérito dos acertos. para estender-nos a mão. tanto quanto a responsabilidade pelos erros cometidos. portanto. Aconselham. experimentamos o prazer de contemplar os gestos bem medidos. A competência costuma passar despercebida. acompanham-nos até mesmo no desenrolar de nossas tarefas hu- manas. Os benfeitores espirituais não vão ditar um breviário de instruções minuciosas. e das suas cansativas horas de trabalho monótono. a suave facilidade com que se desempenham. possamos ajudar aqueles que se acham caídos pelos caminhos. que se incumbiram de transmitir os fundamentos da Doutrina aos homens. mas para dar-nos a solidariedade do seu afeto. Dificilmente nos dizem o que fazer. Apresentam-se. discorrendo sobre a anatomia do trabalho. colocar as questões. O trabalho desses amigos é silencioso e sereno. falam com simplicidade. Guardam. Se fosse possível resolver suas angústias no mundo espiritual. leais e francos. pois não se encontram ao nosso lado para resolver por nós os nossos problemas. com nomes desconhecidos. Não desejam. simplesmente ditar os livros que expusessem as linhas mestras do pensamento doutri nário. Ligados emocionalmente a nós. Em suma. ante . muitas vezes. Poderiam os Espíritos Superiores. mas não deixam de apontar-nos o caminho e seguir-nos amorosamente. sugerem. de estudo. Inspiram-nos através da intuição. pois também é trabalho de cooperação e entendimento entre os dois planos da vida. porém. ou um desportista bem treinado. Assim são os companheiros que nos amparam. e isso teria sido. de repetição e correção. A tarefa dos grupos mediúnicos de desobsessão apôia-se nos mesmos princípios. mas revestem-se de autoridade. a fim de que. evitam dar ordens. os Espíritos não nos tomam pela mão. Preferiram colocar-se à disposição de Kardec. 64 incondicionalmente. Essa mesma técnica foi usada com o próprio Allan Kardec. de uma óptica essencialmente humana. de renúncia. mas firmes. Sua presença é constante. ao longo de anos e anos de dedicação. o cuidado extremo de não interferir com o mecanismo do nosso livre-arbítrio. para que ele formulasse as perguntas. Mesmo no trabalho específico do grupo. É preciso que fique margem suficiente para a iniciativa de cada um. não precisariam trazê-los até nós. São modestos e humildes. terá como apoio e sustentação uma equipe correspondente. e caberia aos homens. que nos tornemos dependentes deles. diante do corpo vivo do próprio trabalho. Voltam sob seus passos. verdadeiros técnicos da difícil ciência da alma. retificam e estimulam. Lembremo-nos. talvez. recomendam e põem-se de lado. Não foi assim que fizeram. para qualquer passo que tenhamos de dar. porque parece muito fácil fazer aquilo que aprendemos a fazer bem. são tranqüilos. interferem o mínimo possível. de forma alguma.

mesmo erradas. são . São eles os preparadores das tarefas específicas do grupo. cuja vastidão e seriedade nem podemos alcançar. O suporte de que os grupos mediúnicos ne cessitam vem do mundo espiritual superior. podemos tranqüilamente dissuadi-lo. a mais delicada e de maior responsabilidade. E se um companheiro começar a recomendar tais processos. éclaro. limitam-se a aconselhar e sugerir. O trabalho que nos trazem obedece a pla nejamentos cuidadosos. E se insistimos em seguir pelas trilhas que nos afastam do roteiro da verdade e da segurança. Nada. Não é preciso. A função dos orientadores espirituais mais responsáveis não é ditar normas. encarnados e desencarnados. que se incumbem de orientar e assistir inúmeros grupos. muitas vezes tidas por inexpugná veis. ainda desconhecidas de nós. com êxito. sob orientação de seus companheiros desencarnados. * Os amigos espirituais que se incumbem de orientar o grupo raramente revelam toda a extensão de suas responsabilidades e encargos. ritos ou vestes especiais. que não está se entrosando? São problemas nossos. Devemos ou não acolher um companheiro que se propõe a trabalhar conosco? Devemos ou não excluir outro. sem necessidade de recorrer a práticas exteriores de suporte. mas com firmeza. com bons modos. Jamais nos recomendam ritos especiais. não obstante. Inúmeros recursos são utilizados para isso. de velas. não nos faltarão com suas advertências amigas. por esses atalhos. Mesmo com relação à essência do trabalho. nem nos obrigam a fórmulas dogmáticas rígidas e insubstituíveis. ainda que de limitados recursos. mas respeitando nossas decisões. Todo o seu esforço é conjugado com o de outros Espíritos. Podem ser bem- intencionados e realizar trabalhos de valor. Sabemos muito bem que a maior parte do trabalho. amorosos e apreensivos. que podem realizar o mesmo tipo de trabalho. Os benfeitores espirituais é que se incumbiram de localizá-los e desalojá-los de suas posições. mas nos deixarão palmilhar os caminhos da nossa preferência. entendendo-se como tal a Doutrina contida nos livros básicos da Codificação Kardequiana. como preces exclusivas. Os Espíritos desarvorados. 65 duas ou mais alternativas. já vêm para a manifestação mediúnica com um certo preparo prévio. pois. ou melhor ainda. permite-nos avaliar parcialmente a importância de suas presenças junto de nós. Haverão de nos seguir a distância. nossa experiência ensina. não poderemos continuar contando com o mesmo tipo de apoio e sustentação. no decorrer de muito tempo de trabalho. segundo nosso entendimento e bom senso. Nada temos contra os grupos que seguem tais recomendações. Merecem todo o nosso respeito e carinho. ou simbolos místicos e vestimentas características. Só que. depois que o Espírito ne cessitado é atendido. Geralmente fazem parte de amplas organizações socorristas. mas não impõem a sua vontade. simbolos. seja por que razão for. mas não são grupos integrados na Doutrina Espírita. para trazê -los até nós. e são eles que se incumbem de dar continuidade ao serviço. Técnicas de magnetização e persuasão. e temos que resolvê-los dentro do contexto humano. Somente a observação atenta. onde qualquer exte riorização voltada para os aspectos materiais é dispensável. para entender. onde se reúnem pessoas de boa-vontade. imagens. é feita no mundo espiritual.

porém. em nossos desprendimentos. necessitam. autênticas sessões em pleno Espaço. julgando que vieram por livre e espontânea vontade. que deveremos aceitar tudo quanto nos vem do mundo espiritual. já atendidos por nós. A Doutrina Espírita não recomenda a aceitação cega de coisa alguma. para o preparo das futuras tarefas mediúnicas. estaremos em condições de fazê-lo com relativa segurança. Durante a noite. Freqüentemente. para ajudar no trabalho de doutrinação ou de passes. Ao cabo de algum tempo de convivência. não cair no extremo oposto de tratar qualquer companheiro espiritual com aspereza e desconfiança injustificáveis. Encerrada a sessão. Descemos. para acolher apenas o que a razão sancionar. socorrem-nos com seus recursos. enquanto a tarefa no grupo mediúnico prossegue. Isto não quer dizer. Temos que buscar o terreno comum da harmonização e da integração. se nos mantivermos atentos e vigilantes. fazem pequenas recomendações ou dão indicações sumárias. contará sempre com o apoio de companheiros desencarnados esclarecidos. mais do que nunca. falando através de um médium. ou irmãos que. Temos que aprender a formular sobre eles o nosso próprio juízo. que entendem necessários. contidos. O grupo bem orientado. para o tratamento preliminar de companheiros já selecionados para a experiência mediúnica. Com algum tempo de vivência na tarefa mediúnica. ou se dizem convidados. desde o descondicionamento a dolorosas e lamentáveis concepções. às vezes. Os benfeitores assistem à sessão. às profundezas da dor e. até o preparo de uma nova encarnação. com eles. sem análise critica. incorporam-se em outro médium. parcialmente libertos. . nos momentos críticos. com eles. e sustentado pela prece. A delicadeza do trabalho e seu ponto crítico estão exatamente nesse balanceamento entre vigilância e confiança. do qual participamos. através da intuição ou da mediunidade ostensiva de algum companheiro. os Espíritos atormentados nem sabem por que se acham numa sessão. É preciso. Ignoram como foram trazidos. muitas vezes. nossos Espíritos. já adestradas para esse tipo de encargo. de assistência e amparo. realizamos. em casos mais difíceis. De outras vezes. para as readaptações e o aprendizado que os levará à reconstrução de suas vidas. entretanto. sob controle. saberemos identificá-los e conheceremos seus métodos de ação. pelo conhecimento doutrinário e pela prática evangélica. Os Espíritos esclarecidos não se aborrecem nem se irritam com esses cui dados. incentiva-nos a tudo examinar. enquanto adormecemos no corpo físico. é impraticável um trabalho produtivo e positivo. formulado o juízo sobre os nossos orientadores. juntam-se aos benfeitores. Os Espíritos arrependidos e dispostos à recuperação são leva dos a centros de reeducação e tratamento. estejam ou não despertados para a realidade maior. Muitas vezes admitem estar constrangidos. O nível espiritual e o “status” moral desses companheiros revela-se na sua maneira de agir e falar. ao contrário. e entregues a outras equipes espirituais. o que não é o mesmo que aceitar tudo sem exame. 66 aplicadas com enorme competência e sentimento da mais funda fraternidade. como figuras sempre secundárias. mas não sabem de onde vem a força que os contém. desprendidos. Sem um perfeito entendimento entre as equipes encarnada e desencarnada. Cabe às equipes de esclarecidos companheiros desencarnados todo esse trabalho invisível. cabe-lhes recolher os companheiros aflitos.

E tudo no silêncio e na segurança daqueles que não buscam reconhecimento nem aplausos. insistimos. em “Desobsessão” —é necessária. Fazem isso mais para marcar sua presença. em particular. é indispensável. lembrando minudências e respondendo a alguma consulta ocasional que o dirigente lhe queira fazer. e o amigo espiritual. Não temam. Em casos extremos podem provocar a contenção do manifestante. comparecem para uma palavra de estímulo e de consolo. como se desejassem simplesmente dizer: “Estamos aqui. uti lizar-se-ão preferentemente do tempo destinado à comunicação inicial. poderão tentar assumir também a identidade dos que se afastaram. dentro em pouco. Nenhum trabalho mediúnico sério é possível sem o apoio desses dedicados e muitas vezes anônimos companheiros. As . situados. com seus recursos magnéticos. apenas visíveis a ele. 67 Essa vigilância. Fazem muito mais por nós do que nós por eles. em planos muito superiores aos nossos. * Os orientadores do grupo geralmente dirigem uma breve palavra de saudação. Se tiverem que nos transmitir alguma instrução específica. sem. na condição de condutor do agrupamento. transmitindo algum aviso ou propondo determinadas medidas. Não nos esqueçamos de que todos os métodos são válidos para aqueles que se enquistaram no transviamento moral. em relação à que eles nos oferecem. para substituir os mais esclarecidos. cessado o trabalho de atendimento aos sofredores. e até obsidiados ou fascinados por Espíritos que se apresentam com nomes importantes. Esse é o momento em que outros companheiros desencarnados se aproximam. porqüanto existem situações e problemas. precisará dirigir- se ao conjunto. “Essa medida — escreve André Luiz. os companheiros desencarnados usualmente tomarão a iniciativa de dizer uma palavra de esclarecimento e ajuda. estaremos inteiramente dominados. deve ser gravada. usualmente. se possível. portam-se com discrição e serenidade. que. interferindo o mínimo possível. exatamente por aqueles que se opõem aos nossos planos. Se não estivermos atentos. mas isto não é comum. Em casos assim. É esta a mensagem que.” A consulta não deverá descambar para assuntos de natureza puramente pessoal. perante a Vida Maior. A colaboração que lhes emprestamos é mínima. porque contém. envolvidos numa vasta e bem urdida mistificação. e uma ou outra recomendação sumária. amigos. preciosos esclarecimentos acerca dos trabalhos. no entanto. fica entregue à sua própria sorte.” Durante o desenrolar dos trabalhos. Se o grupo trans -via-se. Quando a orientação pessoal tornar-se imperiosa. quase sempre. e sobre a Doutrina. nem sentiremos a mudança. no princípio da reunião. com o grupo em vias de desagregação. e. mas cingir-se às tarefas específicas do grupo. ou incorporarem-se para um diálogo mais direto com o Espírito. estritamente relacionados com a ordem doutrinária do serviço. deixarem de nos proporcionar toda a assistência de que necessitamos. Ao final da sessão. e vai insensivelmente afastando-se das boas práticas doutrinárias. quando não desarvorados também. concordam em voltar sobre seus passos e vir nos estender as mãos generosas e seguras. em geral.

68 perguntas deverão ser formuladas de maneira sintética. Não devemos tentar envolver os orientadores espirituais em problemas que estejamos em condições de resolver com os nossos próprios recursos. . e objetivamente. para não tomar tempo às tarefas de atendimento.

nem se julgam. e ninguém deve esperar perfeição. nunca chegaríamos a fazê-lo. como todos nós. Sem a pretensão de cobrir todo o terreno e esgotar o assunto. No anverso da medalha encontramos os Espíritos envolvidos em dolorosos processos de atordoamento moral. Claro que não são. à renúncia. trazem também amor no coração. é um dos mais eficazes instrumentos de auto-resgate. ao amor fraterno. à soleira da perfeição. para servir. às vezes. sua violência e agressividade: são terrivelmente infelizes. ao trabalho construtivo. dedicados ao bem. 69 9 OS MANIFESTANTES Variam muito as categorias de Espíritos que comparecem a um grupo mediúnico. a que dão combate sem tréguas. porque. nas lutas redentoras em que se empenham. ainda que sepultado em profundas camadas de desesperança e desenganos. então. coisa ainda mais estra nha. para retomarem o caminho evolutivo. Temem mais o amor do que o ódio. O próprio trabalho a que se dedicam. Vimos aqueles que pertencem às equipes socorristas. E. senão serem convencidos de seus erros. tentaremos apresentar e estudar algumas dessas categorias. Ainda trazem. seres redimi-dos. . A couraça de ódio de que se revestem não passa de uma defesa desesperada contra a infiltração benéfica do amor. Ninguém precisa. Não nos iludamos com os seus rancores. no fundo. de socorro às almas que sofrem dores maiores. há séculos ou milênios. impurezas e imperfeições. sua gritaria. outra coisa. Não buscam. abandonado. mas desejam-no acima de tudo neste mundo. a despeito de tudo quanto digam ou façam.

em “A Gênese”. seja abandonado pelo seu dono. como se estivesse completamente privado do seu próprio senso crítico. ao Espírito encarnado. “Kardec distingue dois aspectos: a moral e a corporal. atuar sobre o ser inteligente (destaque do original) ao qual é preciso se possua o direito de falar com autoridade que. o médium — pois todo obsidiado tem forte componente mediúnico — está consciente das manobras e dissimulações do Espírito. sem que este. escrevi o seguinte: “. Em artigo para “Reformador” (1). o obsidiado fica envolto e impregnado de fluídos perniciosos que cumpre dispersar pela aplicação “de um fluído melhor”. o Espírito que se apoderou sutilmente de sua mente”. pela razão de que a união molecular do perispírito e do corpo só se pode operar no momento da concepção”. que segue. por assim dizer. conseguintemente. Quanto maior esta for. ou seja.. menos a ele próprio. a palavra obsessão é termo genérico de um fenômeno que pode desdobrar-se em três principais variedades: a obsessão simples.” Acha. um dos maiores problemas decorrentes do exercício da mediunidade. 70 10 O OBSESSOR Todo o capítulo 23 de “O Livro dos Médiuns” é dedicado ao problema da obsessão. o Espírito atuante se substitui. sobretudo. “porque o agente espiritual atua diretamente sobre o pensamento de sua vítima. No primeiro caso.) “Ensina Kardec” — prossegue o artigo — “que. “em vez de agir exteriormente. o que certamente o incomoda. A primeira delas é a menos perniciosa porque. fascinado e servil. o ser encarnado é constrangido a tomar atitudes absurdas. Kardec chama a obsessão de “ação persistente que um Espírito mau exerce sobre um indivíduo”. provêm de um Espírito de elevado gabarito intelectual e moral. que Kardec considera. entretanto.” “Nem sempre. é sempre temporária e intermitente. “basta esta ação mecânica. porque um Espírito desencarnado não pode tomar definitivamente o lugar de um encarnado. por exemplo. por isso. toma-lhe o corpo para domicílio. o Codificador. “que o termo subjugação é mais apropriado do que possessão. por processos magnéticos. o que conhecemos por possessão não seria senão um caso grave e extremo de obsessão. (Os destaques são desta transcrição. falece a quem não tenha superioridade moral. com a lucidez que o caracteriza. através de passes. no entanto. na obsessão grave. “Na subjugação” — diz ainda o artigo —. mas não o perturba a ponto de provocar desarranjos mentais. tanto maior também será aquela. portanto. de uso mais antigo”. enquanto que na possessão. obrigando a sua vítima a gestos de dra- mático e lamentável ridículo. inibindo-lhe o raciocínio e levando-a à perigosa convicção de que as idéias que expressa. Ao reexaminar o problema. porém” — adverte Kardec —.” Esse artigo prossegue comentando Kardec. usualmente.. Define ele como obsessão “o domínio que alguns Espíritos logram adquirir sobre certas pessoas”. A possessão. a fascinação e a subjugação. por mais fantásticas que sejam. No segundo caso. cumpre. pois que isso só se pode dar pela morte. para dizer que a fascinação é bem mais grave. o obsessor “atua sobre os órgãos materiais e provoca movimentos involuntários”.” . Seu engano é evidente a todos. Nessa linha de raciocínio.

o porquê da sua revolta. em evocações particularmente feitas com o objetivo de dar-lhe educação moral. A argumentação que utilizarmos tem que ser convincente.) Ninguém poderia descrever melhor. tornando-se ambos infelizes e envolvendo ainda outros nas tramas das suas desgraças. artigo “Possessão e exorcismo”. um diálogo. um processo de vingança. 71 E acrescenta: “Mas. mas sem a arrogãncia do mestre petulante. o programa — síntese do processo de desobsessão: o obsessor não deve ser arrancado à força ou expulso. em tão poucas palavras. acerca das técnicas e recursos sugeridos para o trabalho. o Espírito perseguidor busca alívio para o seu sofrimento fazendo sofrer aquele que o feriu. no entanto. Voltaremos a cuidar do problema. Deseducado moralmente. A obsessão é. (1) “Reformador” de maio de 1074. Isto se faz buscando com ele um entendimento. e sim com o coração aberto do companheiro que procura compreender as suas razões. quando tivermos de conversar. ainda não é tudo: para assegurar a libertação da vítima. Por mais violento e agressivo que seja. . mais adiante. que tudo está previsto nas leis divinas. pelo qual procure mos educá-lo moralmente.” (Destaques desta transcrição. ao mesmo tempo em que permitem a cobrança de nossas faltas. amiúde. é invariavelmente um Espírito que sofre. nos liberam. É preciso observar. por meio de instruções habilmente ministradas. pelo resgate. o núcleo de sua problemática. assim como o desejo do bem. do seu ódio. como diz Kardec. ainda que não o reconheça. indispensável se torna que o Espírito perverso seja levado a renunciar aos seus maus desígnios. A obsessão é impotente diante de Espíritos redimidos. Ele precisa ser convencido a abandonar seus propósitos e levado ao arrependimento. Pode-se então ter a grata satisfação de libertar um encarnado e de converter um Espírito imperfeito. que.desponte nele. que se faça que o arrependimento .

em nossa experiência direta. tratamos dele por muito tempo ainda. porém. que o deslocavam da posição de ex-algoz para a de joguete impotente de implacáveis vingadores. como conseqüência inexorável. aqui e no Espaço. na esperança de minorar- lhe as dores. porque os compromissos do obsidiado eram muito graves e suas dívidas cármicas acusavam reincidências lamentáveis. reuniram-se em torno dele. narra o Dr. Não importa que o perseguido. um caso desses: “Aterrorizado ante as vinditas atrozes movidas pelos Espíritos de seus antigos amos de Lisboa. segundo nos explicaram nossos mentores. Não importa que a falta tenha sido cometida nesta vida ou em remotas existências.” Uma vez identificado o antigo devedor. aqueles que ainda se sentiam com suas contas por ajustar com ele. Verdadeira multidão de Espíritos atormentava este irmão. Como o seu caso tinha implicações profundas com o nosso plano geral de trabalho. Um foi particularmente doloroso e aflitivo. assim disfarçado. ou obsidiado. 72 11 O PERSEGUIDO A vítima da obsessão é sempre uma alma endívidada perante a lei. que durava as vinte e quatro horas do dia. visto que sua própria organização psíquica atraiçoou-o. que não conseguimos livrá-lo das suas dores. ligando-se a ele por largo tempo. pela mediunidade de Yvonne A. o sofrimento. Uma vez. Enganou-se. Temos tido. modelando traços fisionômicos e anormalidades físicas idênticas aos que arrastara na época citada. passando a ser exercida não por aquele que foi prejudicado. e tão sérios. De alguma forma grave. porém. vida após vida. desencadeou-se sobre ele toda a tormenta da obsessão. mesmo que a vítima o tenha perdoado imedia tamente. um de seus obsessores. mesmo sob formas femi ninas. sobre ele e sua família. Em nosso grupo. o Espírito João-José preferiu ocultar-se numa encarnação de formas femininas. Em “Dramas da Obsessão”. A falta cometida contra o semelhante expoe seu autor aos azares do resgate. havendo neste livro várias referências esparsas sobre ele. que não conhece limites nem barreiras. Por algum tempo. vindo a colher. quando ainda encarnado. conseguimos aliviar a pressão que se exercia. . no passado mais recente. Seus compromissos eram tantos. com a graça de Deus. com os cuidados necessários para não identificá-lo. apaziguar muitos dos seus temíveis carrascos e atraí-los para as tarefas de recuperação. dia e noite. Ao que me disse. a vingança como que se despersonaliza. Começamos a cuidar dele. ou mais remoto. Muitas vezes. esperançado de que. certa vez. esteja na carne ou no mundo espiritual. Não importa que se lembre ou não da ofensa. localizado. desrespeitou seriamente a lei universal da fraternidade. ainda que não autorizado por ele. assistimos a um trágico e incessante desfile de companheiros desarmonizados que enxameavam em torno dele. Bezerra de Menezes. embora tenhamos alcançado. casos semelhantes. jovem ainda na carne. alucinado pelo ódio. num cerco implacável. não pudesse ser reconhecido. custaram um pouco a identificá-lo em sua nova roupagem. Pereira. O vingador implacável acaba descobrindo o seu antigo algoz. cada qual mais revoltado e odiento. mas por alguém em seu nome. mesmo que este se oculte sob os mais bem elaborados disfarces.

então. e ajudou a desencadear uma das mais terríveis perseguições aos cristãos. porque o processo da libertação pode dar-se também por meio do serviço ao próximo. O arrependimento. não peques mais. físico ou espiritual. para que não te suceda algo ainda pior. em virtude do descondicionamento vibratório. descoordenando-lhe as idéias. ou seja. inúmeras vezes. A lembrança cons tante dos crimes que cometemos nos mantém sintonizados com os perseguidores. pois as obsessões não se limitam a atingir os encarnados. É certo que suas vítimas daquela época o perdoaram. com destaque. os desencarnados são mais vulne ráveis do que os encarnados. Não que te nhamos de nos redimir necessariamente através do mecanismo da dor. para pregar sermões bonitos. aquele . do outro lado da vida. continuamos ligados aos obsessores. Ao contrário. de dedicação ao semelhante que sofre. lhes dá alguma trégua. ao do erro. enceguecidos pelo ódio. sem dúvida alguma. o que. que lhe guardaram rancor? A quantos teria ele mandado tirar a vida. com equi líbrio e resignação? Ao cabo de alguns anos de implacável perseguição de seus adversários. como se nada tivesse acontecido? Não. impunham-lhe longos períodos de alienação. do aperfeiçoamento moral. da prece e da vigilància. palavras e pensamentos. tomavam-lhe o corpo. o resgate. O Cristo sempre ligou o problema do sofrimento. Mas. as esperanças. postavam-se diante de sua visão espiritual. sob formas monstruosas. É preciso orar. e os outros. A perseguição continuou. praticamo-las abundantemente no passado — é imperioso que nos voltemos para as tarefas de reconstrução interior. ele não deve paralisar-nos. de policiamento de nossas atitudes. neutralizavam o efeito de intensivo tratamento médico e espiritual. os amores. Estava agora mais exposto. os bens. buscar reacender a chamazinha do amor. espetavam-lhe “agulhas” de todos os ta manhos. tem que ser construtivo. e a despeito de todo o cuidado de que foi cercado. indispunham-no com a família e descontrola vam-lhe o pensamento. 73 Seguiam-no nos seus afazeres diários e o atormentavam durante o desprendimento do sono. o pobre companheiro desencarnou tragicamente. mais acessível àabordagem de seus algozes. exerceu. a quem mandou tomar a sua cama e andar —. para fugas. sem que estivessem preparados para suportar essas perdas. pois estes dispõem do “esconderijo” do corpo físico e se acham beneficiados pelo esquecimento temporário de suas faltas. que existe em todos nós. se foram realmente seguidores fiéis do Cristo. para as mais tresloucadas atitudes. — Vai e não peques mais — disse o Cristo. hoje sabemos da profunda realidade que encerra o ensino evangélico. certamente. (João. o erro — que os evangelistas chamam de pecado — acarreta o sofrimento. Cientes ou não da gravidade das nossas faltas — e. crises de mutismo. porém. sopravam-lhe constantemente a idéia do suicídio. servir. em tempos da Roma antiga. o poder. A dor não é inevitável. Devemos. 5:14. esquecer de tudo. e eles tudo fazem para que não nos esqueçamos dos erros praticados.) Dessa forma. — Estás curado — diz Ele ao paralítico. Da mesma forma. de certa forma. caminhadas. Enquanto estamos remoendo nossas faltas. Ao que nos foi indicado. talvez ainda mais encarniçada. a punição. Por muito tempo se pensou que isso fosse apenas um tema sugestivo.

deve ser intentado sem apoio nos ensinamentos do Cristo. São muitos os que não tomam realmente a vingança em suas mãos. perdoa-nos as nossas dívidas — relata Mateus. E é por isso que nenhum trabalho de desobsessão. A questão é tão Importante. a fim de serem doutrinados. Jesus é ainda mais explícito: — “Que se perdoardes aos homens as suas ofensas.. descarregavam todo o seu rancor e agressividade sobre os componentes da equipe de socorro. como ensina Kardec. que. mas que tanto temos relutado em experimentar. com o perdão. dado que não há reparos dolorosos como forma de punição aos inocentes. é uma verdade. tampouco vosso Pai perdoará as vossas ofensas. pois a vingança não sacia coisa alguma.. ou seja. o texto adquire uma dimensão que antes não havíamos notado. no Evangelho de Jesus. É que o perdão que concedemos àquele que nos feriu não lava o ofensor do seu pecado. seja com a do amor. ficam presas. aquele que fala e procura convencê-los a .. ao sermos ofendidos. não deve nem precisa tomar a vingança em suas mãos. Alguns de seus perseguidores foram tratados e reeducados moralmente. Um companheiro desencarnado. 6:12 —. multidões eneeguecidas pelo ódio e nunca saciadas pela vingança. continuamos ligados ao erro. na intimidade do seu ser.” Sob as luzes da Doutrina Espírita. Outros se afastaram. por sentir que a vítima punha-se fora de seu alcance. ninguém deve nem precisa arvorar-se em seu executor. especialmente contra o doutrinador. mas libera o ofendido. Isto não significa que. A lei do equilíbrio universal se incumbirá dele. evita que se reabra o círculo vicioso do crime para resgatar o crime. por mais gravemente que o tenha sido. A Doutrina dos Espíritos veio propor- nos um entendimento infinitamente mais racional e objetivo: o de que o perdão liberta. senão hoje. mas se emitimos o nosso pensamento de vingança e ódio. que o Cristo nos ensinou. digno e sério. devamos transferir o nosso impulso de vingança às leis de Deus. acabou por ser recolhido pelos trabalhadores do bem. e. mas se não perdoardes aos homens. ainda e sempre. para que o outro resgate a sua falta. no desespero em que viviam. No versículo 14. reassumimos os compromissos que poderíamos ter resgatado com aquela humilhação ou aquele sofrimento. no próximo século. assim como perdoamos os nossos devedores. desse mesmo capítulo. seja com a moeda da dor. da sua falta. em lamentável estado de desorientação. com o mesmo rancor: — Ele pagará! É verdade. perseguido por uma pequena multidão de implacáveis obsessores. Nesse angustioso círculo de fogo e lágrimas. de revolta e dor. Por muito tempo achamos que toda essa doutrina do perdão fosse apenas um belo conjunto de figuras de retórica. tão vital à problemática do espírito. Não é uma simples teoria. certa vez. uma experiência inesquecível. isto é. ela apenas junta mais lenha à fogueira que arde. por ser este o porta-voz. Neste ponto. pois é certo que ninguém sofre por acaso. o Pai Nosso: -“. mais de uma lição encontramos. também vos perdoará o vosso Pai Celestial. que Jesus a imortalizou no texto da oração dominical. Também neste ponto tivemos. O resgate pode ser despersonalizado. ou no próximo milênio. mas pensam. Alguns deles continuaram a ser levados ao grupo de desobsessão. por séculos e séculos. ele pagará. 74 que foi ferido pelo seu companheiro.

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abandonar seus propósitos, que eles julgam justíssimos.
Pois bem. Certa noite, volta, para receber os nossos cuidados, o
companheiro que havia sido recolhido. Estava novamente em poder de um
impiedoso hipnotizador, de quem já o havíamos subtraído, a duras penas. Ele
próprio confessou o seu drama: recaira na faixa vibratória de seus
perseguidores, ao deixar tombar as guardas que o protegiam. No decorrer do
diálogo revelou-se mais impaciente do que nunca, exigindo, quase, solução
imediata para o seu caso, pedindo a presença de parentes, sem nenhum
desejo de entregar-se à prece e, acima de tudo, pronto para a vingança! “Assim
que estivesse em condições” — e exatamente por isso não conseguia alcançar
tais condições — “ele”, o obsessor, “iria ver...”
Meu Deus, como poderemos negar o perdão ao que nos feriu, se o
exigimos para nós, exatamente para as dores que resultaram da nossa
imprudência em ferir os outros?
O obsidiado só pensa em livrar-se de seus adversários, a qualquer preço,
mas se esquece, ou ignora, que ele também está em dívida perante a lei, pois,
de outra maneira, não estaria sujeito à obsessão, o obsessor, por sua vez,
procura punir o companheiro que o fez sofrer, deslembrado de que ele próprio
criou, com a sua incúria, as condições para merecer a dor que lhe é infligida.
Julga-se no direito de cobrar, pensando assim cumprir a lei de Deus, para que
a “justiça” se faça. E, de fato, a lei do equilíbrio uni versal coloca o ofensor ao
alcance da punição, que é, em suma, a oportunidade do reajuste. Por isso,
dizia o nosso Paulo, em sua penetrante sabedoria:
— Tudo me é lícito, mas nem tudo me convém.
Com freqüência, os perseguidos apresentam-se em nossos grupos, nos
primeiros momentos da libertação. Quantos dramas, Senhor! Vêm transidos de
pavor, cansados de prisões tenebrosas, fugindo de obsessões que lhes
parecem terem durado uma eternidade. Esgotaram todo o cálice de profundas
amarguras, sofreram todos os tormentos, passaram por todas as humilhações,
submeteram-se a caprichos e desmandos, cumpriram ordens iníquas.
Um desses nos disse que estivera num dos calabouços infectos das trevas,
onde nem chorar podia. Passaram-se séculos. Só nos pôde dizer que foi um
sacerdote e que traiu alguém. Sente agora o peso de um enorme
arrependimento e, quando convidado a orar comigo, não tem coragem de
dirigir-se a Deus, pois se julga o último dos réprobos. A muito custo, consegue
murmurar uma palavra:
- Jesus!...
E fala baixinho, consigo mesmo:
— Que sacrilégio, meu Deus!
Outro, também egresso de um calabouço, não conseguia arti cular a
palavra; fazia entender-se por gestos. Trazia um peso na cabeça, que o
obrigava a manter-se curvado sobre si mesmo e, além de tudo, estava cego.
Um terceiro apresenta -se com as “carnes” roídas pelos “ratos” e “baratas”,
após um longo período de reclusão.
Quase todos trazem ainda no perispírito os estigmas de suas penas:
cegueira, deformações e mutilações, e, na mente, a lembrança de torturas e
horrores inconcebíveis.
Subitamente, ao cabo de agonias seculares, durante as quais resgataram-
se através da dor, escapam à sanha de seus perseguidores, tornam-se
inacessíveis aos seus processos, evadem-se das masmorras e libertam-se do

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domínio magnético sob o qual se encontravam. Em suma: a Lei disse o
“Basta!” a que até mesmo o mais terrível perseguidor tem de obedecer, ao
assistir, impotente, à escapada da vítima. Chegou ao fim o processo corretivo e
reajus tador. Antes, era impossível: ninguém conseguiria interromper o curso da
dor.
Este é o exemplo vivo da experiência mediúnica. Espíritos superiores, e já
redimidos, seguem-nos os passos, até mesmo às profundezas da dor mais
horrenda, sem poderem interferir senão com uma prece, ou uma vibração
amorosa, pois o pobre companheiro transviado nem mesmo a presença dos
amigos maiores pode perceber. Chegado, porém, o momento, tudo se
precipita. Os mensageiros do bem estão apenas à espera de uma prece, ainda
que somente esboçada, de um impulso de arrependimento, de um gesto de
boa-vontade ou de perdão. Lembram-se da advertência do Cristo?
— Reconcilia-te com teu adversário enquanto estás a caminho com ele,
para que não te arraste ele ao juiz, e o juiz te entregue ao oficial de justiça, e
este te ponha no cárcere. Digo-te que não sairás de lá enquanto não tiveres
pago o último centavo.
Não está bem claro?
E muitos ainda acham que o Evangelho é só literatura... ou só poesia, ideal,
inatingível... Razão de sobra teve Kardec para optar pela adoção da moral
evangélica, pois há mais sabedoria e ciência nos textos ali preservados, do que
em todos os tratados de psicologia jamais escritos e nos que ainda se
escreverão. A problemática do ser humano, suas complexidades e seus
mecanismos de reajuste, estão inseparavelmente ligados aos conceitos
fundamentais da moral. Um dia, a psicologia e a psiquiatria descobrirão o
Cristo.

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12
DEFORMAÇÕES
O perispírito é o veículo das nossas emoções. O Espírito pensa, o
perispírito transmite o impulso, o corpo físico executa. Da mesma forma, as
sensações que vêm de fora, recebidas através dos sentidos, são levadas ao
Espírito pelos mecanismos perispirituais. É o perispírito que preside à formação
do ser, funcionando como molde, a ordenar as substâncias que vão constituir o
corpo físico. É nele que se gravam, como num “video tape”, as nossas
experiências, com suas imagens, sons e emoções. Isto se demonstra no
processo de regressão da memória, espontâneo ou provocado, no qual vamos
descobrir, com todo o seu impacto, cenas e emoções que pareciam diluídas
pelos milênios. É ele, pois, a nossa ficha de identidade, com o registro intacto
da vida pregressa, a nossa folha corrida o nosso prontuário.
Ele é denso, enquanto caminhamos pelos escuros caminhos de muitos
enganos, e vai-se tornando cada vez mais diáfano, à medida que vamos
galgando estágios mais avançados na escalada evolutiva. É nele, portanto, que
se gravam alegrias e conquistas, tanto quanto as dores. Mas, como tudo no
universo obedece à lei irrevogável da sintonia vibratória, parece que, ao nos
desfazermos dos fluídos mais pesados e escuros, que envolvem o nosso
perispírito, nos primeiros estágios evolutivos, vamos também nos libertando
das mazelas que naqueles fluídos se fixavam, ou seja, vamos nos purificando.
Seria quase inadmissível a deformação perispiritual num ser de elevada
condição moral. É, no entanto, muito comum na queles que se acham ainda
tateando nas sombras de suas paixões, e os trabalhadores da desobsessão
encontram fatos dramáticos dessa natureza, a cada passo.
Muitos casos desse tipo tenho presenciado, desde pequenos cacoetes, ou
apenas sensações quase físicas, até deformações e mutilações terríveis,
culminando com as mais dolorosas ocorrências de zoantropia. (1)
Vimos, linhas atrás, alguns exemplos de mutilação provocada por “ratos” e
“baratas”, em masmorras tenebrosas do mundo trágico das dores.
Encontramos, na prática mediúnica, inúmeros exemplos aflitivos de
desequilíbrio perispiritual.
Um antigo sacristão português, desencarnado, era recompensado, pela
tarefa de lançar discórdias, com abundantes “refeições”, regadas a bom “vinho”
de sua terra.
Um ex-oficial nazista, que não se identificou, mostrou-se desesperado de
fome. Renunciou a toda a arrogância, com que a princípio se apresentou, e
humilhou-se, para pedir-nos, em voz baixa, para que ninguém o ouvisse, um
simples pedaço de pão.
Tivemos casos de deformações “físicas”, como a daquele irmão
atormentado que trazia o braço paralítico. Quando me ofereci para curá-lo com
um passe, ele declarou que, assim, teria mais um braço para brandir o chicote
com que castigava suas vítimas.
De outras vezes, apresentaram-se pobres infelizes, que não podiam
expressar-se senão por gestos, porque a língua lhes tinha sido extirpada. Um
destes, depois de reconstituída a sua condição, em vez de agradecer a Deus o
benefício que acabava de receber, declarou que se vingaria daquele que, em
antiga existência, mandara mutilá -lo. Foi-lhe mostrado, então, que, em
existência anterior àquela, ele próprio mandara cortar a língua daquele mesmo

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que, depois, ordenou a sua mutilação. Nem assim ele se deu por achador
aquele a quem ele privara da língua não passava de um cão, pois era um mero
escravo... Havia, porém, chegado a sua vez, e ele, não resistindo à realidade,
entrou numa crise de arrependimento que o salvou.
Um dos casos mais dramáticos que presenciei foi o de um companheiro que
havia sido reduzido, por métodos implacáveis de hipnose, à condição de um
fauno. Estava de tal maneira preso à sua indução, que não podia falar, pois um
fauno não fala. A despeito de tudo, porém, acabou falando inteligivelmente,
para enorme sur presa sua. Fazendo o médium exibir suas mãos, dissera:

1) Zoantropia, segundo o dicionário, é uma variedade de monomania em
que o doente se julga convertido em animal.

— Veja. Não tenho mãos, e sim cascos.
Estivera mergulhado, por séculos a fio, num tenebroso antro, onde
conviveu, sob as mais abjetas condições subumanas, com outros seres
reduzidos a condições semelhantes à sua, e que nem mais se conscientizavam
de terem sido criaturas racionais. Fora também um poderoso, aí pelo século
15, na Alemanha, e deve ter cometido erros espantosos.
Um dos companheiros do grupo forneceu-nos recursos ecto plasmáticos e,
com nossos passes e o apoio que obtivemos através da prece, foi possível
restituir-lhe a forma perispiritual de ser humano. Alcançado esse ponto, um dos
benfeitores presentes informou-nos do seu nome, pois ele não sabia quem era.
Retomada a sua identidade, caiu numa crise de choro comovedora e teve um
impulso de generosidade, lamentando não ter condições de volver sobre seus
passos, para salvar os companheiros que continuavam retidos nas medonhas
masmorras de onde conseguiram resgatá -lo.
Tivemos, certa ocasião, um doloroso caso de licantropia. Ao apresentar-se,
incorporado no médium, o Espírito não consegue articular nenhuma palavra.
Inteiramente animalizado, sabe apenas rosnar, esforçando-se por me morder.
Embora o médium se mantenha sentado, ele investe contra mim, procurando
atingir-me com as mãos, dobradas, como se fossem patas; de vez em quando,
ameaça outro componente do grupo. Lembro-me de vagas cenas de atividades
em desdobramento noturno, quando resgatamos, de sinistra região das trevas,
um ser vivo que, em estado de vigília, não consegui caracterizar.
Como ele não tinha condições de falar, falei eu, tentando convencê-lo de
que era um ser humano, e não um animal. A conversa foi longa e difícil. Sabia
que, diretamente, ele ainda não tinha possibilidade de entender com clareza as
palavras que eu dizia, mas estava certo de que, aos poucos, se tornaria
sensível às vibrações de carinho e compreensão que sustentavam aquelas
palavras. Falei-lhe, pois, continuamente, por longo tempo, procurando
desimantá-lo, para libertá-lo do seu terrível condicionamento. Repetia-lhe que
era um ser humano e não um animal; que tinha mãos, e não patas, unhas e
não garras. Às vezes, ele tinha crises assustadoras, gargalhando, alucinado.
Insistia em ferir-me, com as suas “garras”, e tentou, mesmo, agredir-me, com
as duas mãos, como se ten tasse abrir-me o peito, para arrancar-me o coração.
Mantive calma inalterada, a despeito da profunda e dolorosa compaixão, e da
ternura que sentia por ele. Foi um momento que exigiu muita vigilância e
enorme cobertura espiritual, para que o grupo não entrasse em pânico, e não
se perdesse a oportunidade de servir a um irmão tão desesperado. Não

Enquanto fazia isso. nos coloca à mercê da cobrança. Parece que ele esteve encerrado em alguma caverna escura. não resta alternativa senão a dor. como um Pai severo e frio. nas quais houvesse oportunidade para oprimir o semelhante impunemente. que se tornou temporariamente irracional. também pelo tato. é preciso lembrar que o reajuste nunca é desproporcional à gravidade da pena. o tapete. mas é que a nossa consciência exige de nós a reparação. Não que Deus nos castigue. caso contrário. ou simplesmente de darem azo às suas frustrações lamentáveis. as cortinas. e a pena é sempre compatível com o grau de consciência com o qual praticamos a falta. queixara-se de uma terrível sensação de medo. pois ele se contorce e grita. à medida que se acalmava. como se tentasse surpreender algum carrasco. Aos poucos. Não havia dito ainda uma palavra. Se tivermos acumulado a moeda limpa do serviço ao próximo. Pacientemente. (O médium. com uma das mãos sobre os seus olhos e a outra na nuca. agora. o estofamento. que um dia vencerá e nos será apresentada para resgate. De pé. Tudo que estava ao alcance de sua mão. uma prece comovida e alguns passes. eu ia lhe expli cando o que era cada coisa em que ele tocava. o rosto. não a um lobo feroz. numa sala limpa. vamos trans mitindo a ele uma sensação de segurança e calma. assinamos uma promissória inexo rável. ao lado do médium. ele preserva os valores imortais do espírito. ele apalpou. realmente. os entalhes. e podemos estar certos de que não faltarão cobradores. Digo-lhe que ele foi retirado de lá. A cada falta cometida. parece que alguém o chicoteia violentamente. o braço.) Olhava para trás. que dívidas assim tão grandes e penosas. Aparentemente. mas ainda não conseguia enxergar: passou as mãos diante dos olhos. as cadeiras. pois na escalada espiritual nada se perde. Invariavelmente. ele começou a aquietar-se. no fundo do ser. por um minuto. para testar. Insistimos nos passes. que se apresentarão como instrumento da justiça divina. Dificilmente temos oportunidade de endívidar-nos tão gravemente. 79 podíamos esquecer. É quase certo que tivesse uma bagagem respeitável de conhecimentos e recursos. o chão. investigou. a madeira. mas ainda insistiu em atacar-me. Apalpou a mesa que tinha diante de si. o corpo. Ao cabo de prolongado monólogo com o irmão alienado. desesperado. e. ele pareceu ter readquirido a forma humana e começou a “conferir” suas mãos. Estava ainda apavorado. ávidos ante a oportunidade de se vingarem. apalpando-me as mãos. ele procurava me reconhecer. a cabeça. pouco antes da incorporação desse Espírito. ao cabo de muito tempo. a falta cometida sacrifica e martiriza muitos irmãos. que ele não era um animal irracional. em termos de aprendizado. e não vai mais voltar para a sua prisão. mas. começou a reconhe cer o ambiente. examinou. de vez em quando. o rosto. A certa altura. Ademais. com todas as aquisições feitas no rosário de vidas que já tinha vivido. código sagrado que aviltamos. É certo. e lá perdeu a visão e o senso das coisas. orei fervorosamente. mas uma criatura humana. mas. por tempo que não sei estimar. teremos com que pagar. ainda. porém. sob a proteção de imunidades incontestáveis. . mesmo porque a lei universal. O ambiente estava tenso de emoção e do desejo de servi-lo. errando apenas contra nós mesmos. que julgamos meros instrumentos do nosso gozo e poder. o sofá. Tínhamos que falar a ele como a um irmão em crise. e que está. somente podem ter sido assumidas em posições de relevo. em decorrência do seu terrível comprometimento ante as leis divinas. estava em estado de inconsciência total.

talvez) as sensações do tato e da visão. porém. e se desprende. Realiza-se. sem uma palavra. O trabalho todo durou uma hora. Por fim. Exa minou os componentes do grupo. Ele começou a perceber os objetos. quanto à sua posição na sala. agora. digamos. mas a Doutrina Espírita nos oferece alguns dados que nos permitem entrever a estrutura básica do processo. no entanto. Por conseguinte. acordos. porque ele se contrai e protege a vista com os braços. É exatamente para que tenhamos a iniciativa da correção espontânea. 80 e creio que. então. sem faltas e sem passado. em que a vítima do passado — es- quecida de que foi vítima precisamente porque também errou —associa-se a alguém que possa exercer por ela requintes de vingança. enquanto apanho o jarro. uma troca de favores. pela primeira vez. um por um. pactos e arranjos de toda sorte. aqueles a quem infligimos dores e penas atrozes num passado recente ou remoto. emocionado até o fundo do meu ser. A extensão do resgate e sua profundidade guardam precisa relação com a gravidade da falta cometida. desesperadamente. * Como pode uma criatura humana ser reduzida a uma condição como essa? É evidente que ainda não dispomos de conhecimentos suficientes para apreender o fenômeno em todas as suas implicações e pormenores. e voltou a conferir tudo na sala. por alguns momentos. percebo que está orando um Pai Nosso. deixando o médium desorientado. aí. que ele bebe sofregamente. é encaminhado a competentes . que conserva mos sobre outro móvel. determinando todos os nossos condicionamentos. me abraça. Disso se valem. no qual eu o acompanho. esmagado pela emoção. fossos adversários espirituais. tantas são as especializações lamentáveis. esquecer que o passado está em nós. Está calmo. o suave milagre do amor. Não podemos. pela dor ou pelo amor. Entra em cena. Parece que jatos de luz intensa o atingem nos olhos. outros. Não há como fugir a esse esquema. pela visão. a culpa. A gênese desse processo é. realizou-se. com extrema habilidade e competência. como se nascêssemos puros. na medida em que erramos. os bons e os outros. pois a lei não cobra senão o necessário para o reajuste e o reequilibrio das forças universais desrespeitadas pelo nosso livre-arbítrio. Muitos são os que agem pessoalmente contra nós. valem-se de organizações poderosas. do qual não nos livra nem mesmo a trégua com que somos beneficiados ao renascer. Somos livres para errar e somos forçados a resgatar. que a lei nos proporciona o benefício do esquecimento e nos concede a oportunidade do recomeço em cada vida. mais uma vez. obviamente. e lhe servimos vários copos. em silêncio. a “solução” da deformação perispiritual. consegue dizer uma palavra: — Água! E fica a repeti-la. Somente nos expomos ao resgate. onde a divisão do trabalho nefando ficou como que racionalizada. como se estivesse colocando juntas. Como continuo a insistir em que ele pode falar. por isso. Ao terminar a prece. nos registros indeléveis do perispírito. a fria equipe das trevas. a sala. em muito tempo (séculos. Olhou os móveis. através de contratos. Se o caso comporta. a falta cria em nós o “molde” necessário ao reajuste. as suas próprias mãos.

Além da dor que experimentamos ao presenciar tão espantosa aflição. imperam o terror. manipulado com perícia. criaturas que. não pode moldar. e a licantropia. mas ele sabe como movimentar forças naturais e os dispositivos mentais. nos braços amorosos. às vezes. com os escombros de um passado calamitoso. Chegado. Esteja. e são guardados a sete chaves e defendidos com unhas e dentes. e jamais poderá ser feito sem a mais ampla cobertura espiritual. por tempo imprevisível. como vimos. A promissória maior está paga. a propósito. que funciona como agente da vingança. não há defesa que consiga resistir à vontade soberana de Deus. o perispírito da sua vítima. volume 7º da série André Luiz. como tivemos oportunidade de verificar pessoalmente. Eles precisam “lavar a sua honra”. é tão difícil quão doloroso. no tenebroso xadrez das trevas. iniciando o trabalho no campo fértil do endívidamento de cada um. pedra por pedra. resguardado na prece e em imaculada pureza de intenções. Em antros diante dos quais o inferno é uma tosca e apagada imagem. à sua vontade. o momento do resgate. de forma que o Espírito . por conta própria ou alheia. O trabalho de resgate desses pobres irmãos. porém. esse é um recurso de que se utilizam os trabalhadores do bem. o capitulo 5º. o grupo. recuperar o prestígio perante seus comandados e impor castigo exemplar ao grupo que teve a insensata ousadia de exasperá-los. no seu corpo perispiritual. a alienação mais dolorosa. de “Liber- tacão”. porque eles virão realmente fora de si. perde o uso da pa- lavra. Os casos mais graves de deformações perispirituais. Aliás. de todo o convívio com criaturas humanas normais e equilibradas. e é preciso começar a reconstrução interior. transtornados (1) Leia-se. para a expectativa da libertação. “Operações seletivas”. porém. em particular. como a zoantropia. É essa. 81 manipuladores da hipnose e do magnetismo. atento e preparado para recebê-los. ou o magnetizador. são Espíritos de consideráveis cabedais e . Eles constituem importantes figuras. de ódio. assume as atitudes e as reações típicas dos animais e é segregado. estejamos certos de que a audácia de socorrer tais irmãos desata sobre os grupos que a manifestam toda a cólera das organizações que os subjugam. consideradas as incontáveis multidões de seres aprisionados nas trevas pelas suas aflições íntimas. que imediatamente se aproximarão de suas vítimas. e os trabalhadores humildes da seara do Cristo conseguem trazê-los. para desalojar de seus redutos os verdadeiros responsáveis por essas atrocidades inomináveis. Quem não deve à lei de Deus? (1) É claro que o hipnotizador. contra as quais nada têm. às vezes. Nessas condições. a única maneira de trazê-los à doutrinação e à tentativa de entendimento. numa excursão a essas furnas da dor. a angústia mais terrível. ocuparam na Terra elevadas posições. em geral. acaba por aceitar as sugestões e promover. Geralmente. a vítima acaba por assumir formas grotescas. que chegam até a perder a consciência da sua própria identidade. as deformações e condicionamentos induzidos pelo operador das trevas. resgatam crimes tenebrosos. ante o atrevimento daqueles que ousam provocá-los. eles se voltam contra o grupo mediúnico. que entre os homens permaneceram impunes. pessoalmente. às vezes. as condições mais abjetas. Furiosos pela temeridade dos seareiros do Cristo. que precisa estar preparado. são relativamente raros. Nessas furnas de dor superlativa.

os mecanismos são idênticos. onde vai realizar-se a tarefa do descondicionamento. embora ainda com muitos erros a resgatar. em épocas remotas. Comparecem planejadores. O conhecimento ficou. trabalhando ao arrepio das leis divinas. e o que antes feria. pois quase sempre os dedicados operadores que nos ajudam a reconstruir o Espírito. com amor. são aqueles mesmos que. Eles têm condições de retomar a trilha evolutiva. sem a sustentação dos poderes da Luz. porque os arquivos da alma são permanentes. É novamente a hora de inúmeros especialistas: médicos da alma. Se antes conseguia realizar tanta coisa espantosa. mas mudou a motivação. doutrinadores. o que foi destruído com ódio. São usualmente recolhidos a instituições especializadas. médiuns. pelos planejadores. arrasado pela dor do resgate. cirurgiões do perispíríto. para reconstruir. As forças são as mesmas. para impor angústias e aflições. médiuns e magnetizadores das trevas. utilizaram-se dos seus conhecimentos para oprimir. doutrinadores. os recursos são semelhantes. Recebem de volta a consciência de sua própria identidade e recomeçam o aprendizado. onde conta com o apoio de seus irmãos maiores? . que não conseguirá agora. que se transviaram muito gravemente. ao voltar-se para o lado bom da vida. em nome de incontroladas ambições pessoais. magnetizadores. somente a direção é que muda. profundos conhecedores da biologia transcendental e das complexidades da mente. agora quer curar. invertendo-se os sinais da operação. 82 possibilidades.

ou seja. na humildade. Estao ali somente para colher elementos para suas decisões. que ocupou posições de mando. Tais dirigentes são ágeis de raciocínio. incontrolável. certa vez. vem exigir. experimentado e violento. frio. envolventes. informou- me que. estudar as pessoas. dos registros indeléveis do seu perispírito. Pobre irmão desorientado! Num irresistível processo de regressão de memória. Foi geralmente um encarnado poderoso. portando símbolos. Comparece para observar. 83 13 O DIRIGENTE DAS TREVAS Esta é uma figura freqüente nos trabalhos de desobsessão. inescrupulosos. que emergiu. a fim de poder tomar suas “providências”. que personalizam os problemas que enfrentam e os colocam na “perigosa” faixa de sintonia emocional que abre as portas de acesso à intimidade do ser. sondar o doutrinador. consciente ou inconscientemente. intimidar. ameaçar. pois o poder de que desfrutam não pode escorar-se na doçura. sua antiga condição: participara do doloroso drama da Crucificação do Cristo. guardas. “montados” em “animais” ou transportados sob “pálios”. na desconfiança. . e sim na agressividade. ainda mais com seres que considera inferiores e ignorantes. Estão rodeados de servidores. temem tais revelações. são chefes. inteligente. calculista. mesmo porque. enfim. a execução ficará sempre a cargo de seus asseclas. Não dispõe de paciência para o diálogo. Para me dar uma idéia da sua grandeza. Acostumado ao exercício da autoridade incontestada. desde a primeira manifestação. como figuras de grandes sacerdotes e imperadores. invisível aos nossos olhos. gostam de deixar bem claro. anéis. quando se deslocava. como se a contemplação do sofrimento alheio provocasse neles generalizada insensibilização. às vezes “armados”. com horror. deixaram-no em estado de choque e desespero. que eu não o estava tratando com o devido respeito — o que não era verdadeiro — porque achava impertinentes minhas perguntas e comentários. no ódio. desta lembrança. Evitam descer do pedestal em que se colocam para revelar-nos seus problemas pessoais. tocando campainhas portáteis. assessores. envolvidos em imponentes “vestimentas”. que era um dos trabalhadores do Cristo e não desejava senão restabelecer o poderio da “sua” Igreja. mas de tremendo realismo para ele. para que todos abrissem alas e soubessem quem vinha. ordenar. pois está habituado apenas a expedir ordens e não a debater problemas. Comparecem cercados de toda a pompa. Enquanto odeiam e infligem dores aos outros. Um deles me disse. O impacto desta revelação. é arrogante. Situa-se num plano de olímpica superioridade e nada vem pedir. acólitos. iam à frente dele áulicos. indicadores. pois vinha nos afirmando. sentir mais de perto os métodos de ação do grupo. estão esquecidos das próprias angústias. de “elevada” condição. na tolerância. contemplou. como os pobres componentes de um grupo de desobsessão. Não são executores. escravos.

Digo-lhe. que hoje estaria ainda dominando os homens. Mostra-se amável. em elevadas posições hierárquicas. que procure meus superiores. Consultara a lista de “baixas” que a organização solicitante havia sofrido. com o qual não pretende envolver-se. ele verifica que o problema é mais complexo do que esperava. naturalmente. Tivemos vários casos dessa natureza. 84 14 O PLANEJADOR Este é frio. simples mortal. ou seja. Nada pode ser deixado ao acaso. até. aqueles que. É preciso prever reações. por certo — para dar “parecer” sobre o caso de que estávamos cuidando. e os executo res teleguiados. muito abalado nestes últimos tempos. Era um sacerdote. porque os impetuosos e agressivos chefes. pois em sua organização o trabalho era bem distribuído. Citarei um. limita -se a estudar a problemática do caso e traçar os planos com extrema habilidade. manobrava os grandes. Sente- se. para tratamento. nem as executa. Há um “post scriptum” a esta narrativa: a conversão deste companheiro representou uma perda irreparável para as hostes das sombras. porque já àquele tempo era um hábil articulador. dizia-se muito importante e foi logo declarando que não era dos que executam. ou realismo. com toda honestidade. pertencia a outro setor de atividade. É evidente. Maneja muito bem o sofisma. Sua meta: restabelecer o prestígio da Igreja. mesmo “em vida”. evidentemente. pois sempre desprezou. sentem-se sem condições de estudar meticulosa-mente e traçar friamente um plano de trabalho que se desdobre como vasta e complexa operação de um xadrez psicológico. um complicado problema de obsessão. propõe um acordo entre dois lideres: ele e eu. Pelas reações de irmãos. Nada de gritos. entendendo-se por “baixa”. aqueles que se deixaram converter à doutrina do amor. Por isso. também desequilibrados. propor concessões e arquitetar alternativas e opções. consultavam a ele. muito envaidecido de sua brilhante inteligência e do poder e satisfação que isso lhe dá. culto. que sente enorme satisfação ao recordar que. valendo-se de sua brilhante inteligência. Tem um momento de honesta candura. de murros ou de -violências. mas havia sido convidado — e gentilmente acedeu. que se apresentaram posteriormente ao nosso grupo. soubemos da perda . Aliás. informou. pensador sutil e aproveita-se de qualquer descuido ou palavra infeliz do doutrinador para procurar confundi-lo. ao impulso. porém. que não sou líder e não tenho condições de negociar com ele. Sorria. Os planejadores são elementos altamente cre- denciados e respeitados na comunidade do crime invisível. inteligente. que lhe pediam conselhos e sugestões. como queiram: acha-se um cínico. da sua “humilde” posição. é excelente dialético. à improvisação. Apresentou-se mansamente. através da reeducação moral de que nos fala Kardec. estudar personalidades. os planejadores gozam de enorme prestígio e respeito nas organizações trevosas. já que sua tarefa é noutra organização. aparentemente tranqüilo e sem ódios. Não se envolve diretamente com os métodos de trabalho das organizações trevosas. Com o passar das semanas. Acha que foi um mal sufocar o pensamento e não permitir que a razão imperasse na Igreja. Dar-nos-á uma trégua. não expede ordens. A certa altura. impessoal. e se apresta a abandonar o caso. em caso de alguma falha ou mudança de condições básicas.

É hora. para levá-lo “de qualquer maneira”. mas. No interesse de todos. destemido. atabalhoadas. e provar aos “cabeças-quentes”. da ameaça. É preciso reunir forças e desencadear uma ação fulminante para resgatá-lo. Nessas estruturas rígidas. planejamento e ação. agressivo. 85 irreparável que representou. Toda campanha é estudada. Para alcançarem os objetivos que têm em mira. dotado de habilidade bastante para demonstrar. para os companheiros que permanecem na organização das sombras. ao desligarem-se da organização. que se entregam facilmente ao impulso desorientado de partir para a ação pessoal isolada. que domina pelo terror impiedoso. Équando mais precisam de um competente planejador. O planejador é o poder moderador. planejada e executada com precisão militar e dentro de rigoroso regime disciplinar. Os irmãos desorientados empenham-se em verdadeiras campanhas belicosas. figura importantíssima na ordenação dessas tarefas maquiavélicas. então. Sua perda acarreta uma desorientação geral. desde que os fins sejam alcançados. o despertamento desse companheiro. submetendo-se à mesma estratégia: estudo. senão impossível. O planejador é. se não tiverem quem os contenha dentro de um inteligente planejamento global. Eles sabem muito bem que. porém. que desperdiçam esforços e põem em risco a segurança da comunidade. É preciso compreender bem tais reações. que nunca foi bom conselheiro. E o . isoladamente. porque é dos poucos. Seus comparsas compareciam dispostos a tudo para resgatá-lo. seus “soldados” e trabalhadores de toda a natureza. o planejador exerce função importantíssima. Tudo se fará no tempo devido. por achar-se ligado à organização poderosa. como tal. por certo. violentado em sua vontade e levado prisioneiro para alguma perdida masmorra. segundo os interesses que tenham em comum. somente podem concluir pela alternativa mais viável: o companheiro foi seqüestrado. por mais forte que seja este. perseguições. Nada de ações isoladas. ou então. Como não conseguem admitir isso. pois. das ofertas de trégua. Quem falhar perde a proteção de que desfruta. ainda mais em situações de crise. pois julgavam-no nosso prisioneiro. experimentados e audaciosos. a coisa tem que funcionar com muita precisão e firmeza. seus instrumentos. implacável. já estão agindo à base do impulso emocional. para as hostes da sombra. ali. A essa altura. Formam suas estruturas organizacionais segundo as afinidades. estarão sozinhos diante de seus próprios problemas pessoais. têm que esperar a vez e a oportunidade. mas também a segurança da organização. onde não se admite o fracasso. e. Seus companheiros de direção costumam ser impetuosos homens de ação. portanto. dos gritos. admitir que alguém tão lúcido e brilhante se tenha deixado convencer por um doutrinador encarnado. fatalmente comparece ao grupo um truculento representante das trevas. que proteja não apenas os inte resses de cada um dos componentes. É difícil. acima de tudo. conquistas de posições —passam a constituir objeto de cogitação coletiva. que conservam a cabeça fria para conceber os planos estratégicos indispensáveis. Por isso. e todos têm direito à utilização dos recursos da organização: seus técnicos. organizam verdadeiro estado-maior de lideres brilhantes. nas quais tudo vale e tudo é permitido. dos murros. É preciso que cada componente da sinistra máfia espiritual compreenda que os casos pessoais de cada um — vinganças. que o interesse coletivo precisa sobrepor-se ao individual. logo após a perda de um elemento importante — planejador ou executor —. tudo a tempo e hora. dos conchavos.

mas quase nunca dispõem de condições para estudar meticulosamente e traçar fria-mente um plano de trabalho. Não basta preparar soldados e equipamentos. comprar armamentos e entrar em ação. que subitamente emergem da imprevisível condição humana. 86 desespero de não tê-lo leva ao desvario. bem como gravações e relatórios a nosso respeito. Tinham nossas “fichas” completas. Aos poucos. na eventualidade de alguma falha ou mudança das condições básicas inicialmente articuladas. Daí o prestígio e o respeito que esses brilhantes estrategistas gozam nas comunidades trevosas. até mais do que nós. mas para tentar recuperar um Espírito que havíamos conseguido atrair e convencer de seus enganos. inter- rogado com prudência paciente. falava um desses líderes das trevas sobre a sofisticação da sua aparelhagem. porque envolve inúmeros fatores imponderáveis. Essa matriz era sustentada pelas emanações mentais de alguns . É estranho que ignorasse isto. ao vê -lo. mas já era tarde. A tarefa é muito mais sutil. vai revelando sua história. se o soubesse. É preciso prever tais reações. tentou recuar e voltar sobre seus passos. que muitas vezes os deixa completamente desarvorados. apoiados pelos companheiros que lá ficam. Andaram gravando nossas reuniões em “video tape” — a expressão é dele mesmo — para estudar-nos. ao impulso. Identifica. Fora realmente apanhado desprevenido. acham-se ligados aos seus redutos. então. aos planejadores elaborar a programação da “cam- panha”. não teria vindo.. uma pessoa que teria conhecido na França.. por aqueles mesmos dispositivos. Esquecem-se de que. Não estão lidando mais com dados concretos. como no tempo em que exerciam tais funções na Terra. no decorrer da sessão mediúnica. É portanto. Declara-se conselheiro e planejador da organização à qual se acha filiado. com o propósito de se manterem firmes. Hesita e negaceia. naqueles redutos. pois não sabia que o grupo era aquele e. estudar o terreno. sem falsa modéstia. cabendo. * Um desses sutis planejadores nos causou impressão profunda. por fios e aparelhagem de transmissão. sendo esse material todo colhido na indormida vigilância que exercem sobre nós. Depois de tudo documentado. propor concessões e arquitetar alternativas e opções. para que não sejam arrastados pela “fraqueza” da conversão ao bem. segundo informa. Está convicto de que o Espiritismo precisa de uma “revisão” atualizadora e ele é um dos que colaborou no preparo de certa matriz (palavra sua) que dará origem a uma forma “moderna” de Espiritismo. Ao incorporar- se no médium. minuciosamente levantadas. certos impactos. parecendo estar realmente desarmado e perplexo. que se desdobre como vasta e complexa operação de um xadrez psicológico. Não viera especificamente para debater conosco.) Conhece o nosso mentor e. Mesmo enquanto conversam conosco. demonstra indisfarçável embaraço por encontrar-se ali. Os líderes militares são bons na ação. contemporâneo de Kardec e não esconde que conhece a Doutrina Espírita. estudar personalidades. no século passado. num ou noutro coração mais predisposto ao apelo do amor fraterno. Há pouco. Nada pode ser deixado ao acaso. Daí a importância que os trabalha dores do bem conferem aos planejadores. estudam-nos em grupos de trabalho. à improvisação. num membro encarnado do grupo. a conversa do doutrinador também é transmitida e produz lá.

dizendo-lhe que nenhum pacto a protegerá dos seus compromissos cármicos. chama-nos de amigos e nos adverte — agora com total sinceridade — dos riscos da nossa tarefa. em pranto. Deixo-o falar. a seu ver. a sua frustração e o seu temor. Está perfeitamente consciente de suas responsabilidades e não deseja recuar do pacto feito com seus superiores. para vazar a sua cólera.. traiu o Mestre. orando ao Cristo. uma substancial parcela de poder e proteção para uma filha que estaria encarnada e muito assediada por Espíritos trevosos. Está em crise. Afinal. meramente informativa. que prevê. mas sinto nele falta de convicção. Lembra-se de passadas encarnações e da constante presença do Cristo em suas vidas. Por fim. 87 companheiros encarnados. admite que não fez acordo com a treva: ele é a própria treva. para ele. a dar com as mãos na mesa. Depois de uma longa conversa. Gostaria de voltar a ser um humilde galileu. parece tomar uma decisão mais drástica e começa a falar em altos brados. Ë difícil encontrar um bom planejador para repor uma “baixa” importante como essa. um comentário. agarra as nossas mãos. e continua a sentir-se embaraçado diante de nós. e parte. Também a sua perda desencadeou sobre o grupo um processo de agressões violentas e passionais. com o que ele parece concordar com o seu silêncio.. em que ele vai revelando sua história. . mas também das inúmeras vezes em que. a essa altura. Encaixo. até que ele se acalma um pouco e começa a dar-me conselhos e fazer algumas confidências. atuantes no movimento e aos quais foi prometida uma fatia de poder.

Na sua opinião. foi descobrir que estava lendo os autos de seu próprio processo! Trouxera consigo um servidor da sua equipe apenas para “carregar” os autos. autoritários e seguros de si. é o outro! O “outro” era o dele! Já me trouxeram também os autos do processo de minha “heresia”. Quando pediu ao contínuo que lhe passasse os autos. seu mesmo. proferiria a mesma sentença diante daqueles fatos. em caso que. coisa indigna de sua elevada condição de magistrado. os despachos e. se desorientam). segundo informam ao doutrinador. os laudos. . aliás. os autos do processo. “Estes também — diz o artigo já citado. pobre irmão. exoneram-se facilmente de qualquer culpa porque. medianamente instruído. Todo o formalismo processualístico ali está: as denúncias. segundo este jurista invisível. as perícias. São os terríveis juristas do Espaço. as audiências. O engano foi. até assassinatos. em “Reformador” de fevereiro de 1975 —. em tom áspero e imperioso: — Não é este. os depoimentos. eu havia apelado. cingem-se aos autos do processo. . a sentença — invariavelmente condenatória. e ele. tão compenetrados de suas tarefas como quaisquer outros. e começou a citar a lista de crimes que o acusado havia cometido. Um desses juizes deu-me a honra de trazer. quando previstos nos “códigos” pelos quais se orientam (ou melhor. invisível a mim.. este lhe deu a documentação errada. e os apelos.” São também impessoais e frios aplicadores das “leis”. Só depois. porque o bedel lhe dera primeiro um dos processos. para argumentar comigo. os pareceres. com sentença profe rida. desde o desencaminhamento de jovens inexperientes. por fim. 88 15 OS JURISTAS Muitas vezes nos encontramos com esses trabalhadores das sombras. qualquer juiz terreno. como também autos já arquivados. E até as revisões. Abriu sobre a mesa o caderno.

Consideramo-la uma das coisas mais lindas e mais emocionantes que tivemos. parece entrar em pânico e não consegue ocultar certo temor. com as luminosas tintas do amor e da emoção. sem exigir coisa alguma. Ao manifestar-se. enquanto ele tudo fazia para perseguir-nos. a ausência do filho amado. treinara “soldados” para nos dar combate sem tréguas. sofrida. Quantos deles encontramos nos trabalhos de desobsessão! São remunerados das maneiras mais engenhosas e diversas. nada tem de pessoal contra suas vítimas inermes. à sua espera. Havia mais. a nós. que não lhe era possível nem visitar. a troco de nada. 89 16 O EXECUTOR Sente -se também totalmente desligado da responsabilidade. ameaça e diz-se um dos trabalhadores do Cristo. a chorar o tempo perdido. Revela sua elevada hierarquia.. com vistosas condecorações. nas várias vezes em que compareceu ao grupo. ao longo de muitos anos de prática mediúnica. quanto às atrocidades que pratica. Não podia compreender como estávamos ajudando o “menino”. que tanto nos esforçávamos por ajudar o filho. Outros são estimulados a atos de particular “bravura”. Não se teria dignado comparecer diante de nós. começamos a conseguir dele alguma reação positiva.. Já vimos o exemplo do sacristão que era pago com suculentas refeições e vinhos deliciosos. estávamos já servindo. aos seus vícios e às suas deformações. Pergunto-lhe se não tem alguém a quem possamos servir. de obsessões violentas. É justamente isso que ele não entende: descobrira que. sem temores. Aquilo era demais para a sua compreensão. Quando. Descobrira que os mais terríveis obsessores de seu filho eram precisamente os companheiros da sua própria organização! E. com todo o nosso afeto e dedicação. Seus “soldados” estão lá fora. com orgulho e frieza. deixou-nos uma das mais comoventes lições. incompreensível. Há os que são compensados com prazeres mais vis.. ofereço-me para ajudá-lo. Era. e depois. de amor. a um Espírito muito querido ao seu coração. sus tentados por luminosos trabalhadores espirituais. Empenhara-se num processo tenebroso e complexo. Quando me lembro disso. Conhece- me de longa data: sempre fui um herético impenitente. Passadas algumas semanas. que em antiga encarnação fora seu filho e que nunca mais esquecera. mesmo sem o saber. ainda me parece ouvir sua voz pausada. de arrependimento. Um deles me exibia. pois não é o mandante. se não nos tivéssemos metido em coisas que não eram de nossa conta. as que mais se ajustam à sua psicologia. a princípio. apenas executa ordens. uma preciosa condecoração por um gesto de enorme dedicação à causa de seus mandantes: empenhara-se em castigar sua própria irmã! Outro. desses companheiros desarvorados. Agasalham-se na crueldade agressiva e fria. a serviço de um grupo que dispunha de vasto plano de atividade. embargada. deblatera. em alguma coisa de que necessite. ridiculariza. no entanto. Usualmente. porém. com as sombrias cores do rancor. escrita. sem remorsos.. metido a reformista. Ao cabo de algum tempo de diálogo. de fato. mas que deixava aos nossos . sem dramas de consciência. mal conseguia conter o seu ódio e a sua irritação. obteve permissão para transmitir-nos uma mensagem de gratidão. ele que sempre foi destemido homem de ação.

preservou-se em seus corações a pequenina chama do amor... um dia. pobres irmãos desorientados.. Estava de partida para uma nova encarnação.. 90 cuidados. . Sustentava-o a esperança de um reencontro alhures. no tempo e no espaço. a despeito de si mesmos. Basta um sopro de compreensão e afeto para que ela se reacenda. como ele precisava. Assim são eles. um dia. que se prenunciava de muitas dores e renúncias. Não nos impressionemos com a sua violência e agressividade. para o reajuste. Trazem dores milenares e.

necessária e justificável. desde que os objetivos que escolheram sejam alcançados. porque também se revezam no poder. o protetor de Abigail. Muitos daqueles cambistas e negociantes não passavam de meros “testas-de-ferro” dos donos da verdade. no capítulo “Observações e novidades”. por todas as nações? Entretanto. que se revezam na carne e no mundo espiritual. deliberadamente. dizendo: Não está escrito: “Minha casa será chamada casa de oração. Ainda comentaremos tais problemas. mediante influência de certo Alexandre. é intenso. às vezes. mas a espada. à noite. quando cuidarmos especificamente das técnicas e recursos sugeridos para o trabalho de desobsessão. Quase sempre exerceram. pelos séculos. impiedosos e arrogantes. 10:34. e do dinheiro. vida após vida. empenhados na defesa da “sua” Igreja. não a si mesmos. Parece terem freqüentado a mesma escola no Além. — Ao mesmo tempo — escreve Mateus (21:13) — os instruía. como a cena da expulsão dos vendilhões do templo. ao qual deu o título de “Estranha moral”. “incluir-se entre os negociantes privilegiados. aqui e lá. pois tudo se permitem. nas organizações reli giosas a que se filiaram. como zelosos trabalhadores do Cristo. em angústias e rancores inominá veis. ainda — diz Gúbio. Constituem equipes imensas. Multidões de ex-prelados debatem-se. suas organizações sinistras e implacáveis parecem eternizar-se no comando de vastas massas humanas. e. o instrutor —. André Luiz nos dá uma pequena amostra dessa atividade em “Libertação”. a mesma teologia deformada. pois costumam trazer os mesmos argumentos. com a qual justificam seus impulsos e sua tática. agressivos. (Mateus. quando se acham parcialmente libertos os encarnados. que podiam vender animais para os sacrifícios do Templo”. no mundo póstumo. por isso. fizestes dela um covil de ladrões!” A esse comércio vil.. às vezes. Apresentam-se. posições de mando e destaque. parente próximo de Anás.. estavam associados os próprios sacerdotes. São argutos. orgulhosos. Estão acostumados a dominar os outros. conseguiu. 91 17 O RELIGIOSO É impressionante a elevada participação de transviados “reli giosos” no trágico e doloroso desfile de Espíritos em lamentável desequilíbrio. Realizam-se reuniões. violentos. Têm os seus temas prediletos. quase sempre. A determinadas horas da . inteligentes. O intercâmbio. O grande problema desses queridos companheiros desarvorados é o poder. para debate. bem escolhidas aos seus propósitos. que se arrastam. das motivações daquele gesto: a vergonhosa comercialização das coisas sagradas e a indústria do sacrifício de pobres animais inocentes. a extensão do intercâmbio entre encarnados e desencarnados. em “Paulo e Estêvão”. nem fica sem explicações. esquecendo-se. como aquela em que o Cristo declara que não veio trazer a paz. nas sessões de desobsessão.) Kardec tratou dessas questões no capítulo 23 de “O Evangelho segundo o Espiritismo”. mantendo estreito intercâmbio. encarnadas e desencarnadas. Emmanuel informa. estudo e planejamento. Os “religiosos” desorientados invocam também outras passagens. que invocam como exemplo de que a violência é. que Zacarias. — “Não mediste. O gesto não é gratuito.

acontecimentos mais trágicos estarreceriam as criaturas. Não é maldosa. Comparecia uma vez por semana à presença do nosso amigo encarnado e o induzia aos desatinos dos sentidos desgovernados. na irresponsabilidade da sua inconsciência. enorme cidade das trevas. seus paramentos. a quem estávamos interessados em ajudar. aliás. desenvolveram apurada técnica de trituração. Grandes crimes têm nestes sítios as respectivas nascentes e. Vivem em “construções” suntuosas e soturnas. têm diversões. vestidos bonitos e até mesmo os “tranqüilizantes” psicológicos para a . Uma jovem desencarnada. que vivia alegremente. freqüentes e tenebrosas. Conservam. 75 por cento! André não fala especificamente de reuniões promovidas por religiosos. três pessoas em cada quatro. cercam-se de áulicos prontos a executar-lhes o menor desejo. era dirigida por um ex-papa. investidos de enorme autoridade. Por aqui. cuja libertação é o tema central do livro. desde que atinjam seus fins. Ao longo de muitos séculos de intriga política. pela influência natural do sono. assim. por fuga ou fraque za. Celebram suas missas pregam sermões. sob a égide do Cristo. pois gozava de inteira liberdade. Enquanto estão ali. atuava precisamente naquilo que constituía o principal problema do companheiro encarnado: sexo. Dispõem de recursos extremos e não hesitam em empregá-los. com penosa ingenuidade. de quem cuidamos certa vez. ou seja. esses pobres “ministros de Deus” (1) A organização visitada. e do exercício da opressão e da intimidação. tal como faziam aqui na Terra. Era “remunerada” com “roupas” luxuosas e bonitas e. na missa. Ai daquele que se intromete em seus afazeres e tenta impedir a realização de seus planos criminosos! precisa estar muito bem preparado. que se sairem dali. Ligara-se a um ser encarnado. no mundo espiritual. Agindo sob hipnose. aqueles que a conquistaram pela ardilosa sagacidade. certamente. isto é. encontrarão o espectro temido da dor. pela prepotência e total desinteresse pelos aspectos éticos das questões envolvidas. sem que ele o soubesse. Comparecem. permanecem detidos nos círculos de baixa vibração qual este em que nos movimentamos provisoriamente (1). gostava da sua tarefa. Conta que “ainda ontem. prazeres. Monsenhor falou que era preciso evitar o aguilhão”. era simples instrumento sob o poder implacável de seus senhores. sentam-se em “tronos”. é irresponsável e perturbada. muitas vezes se forjam dolorosos dramas que se desenrolam nos campos da carne. Quando eu lhe disse que era mero instrumento em mãos alheias. 92 noite. mas estas são ativas. o desespero. vigilante. Encontrava-se muito bem preparada pelos seus ínstrutores. nos contou. dessas orgias. guardado na prece e assistido por Espíritos do mais elevado teor vibratório.” Prestaram bem atenção? Três quartos da população encarnada na Terra. Sabem. evidentemente. ela respondeu que não. suas jóias e todos os símbolos de suas posições. mantendo um ritual pomposo e meramente exte rior. não fosse o trabalho ativo e constante dos Espíritos protetores que se desvelam pelos homens no labor sacrificial da caridade oculta e da educação perseverante. participando. as lágrimas. três quartas partes da população de cada um dos hemisférios da Crosta Terrestre se acham nas zonas de contacto conosco e a maior percentagem desses semilibertos do corpo. Totalmente teleguiada.

como disse. enceguecidos pelas trevas. mas . atoleimados. à vontade. tagarelando inconseqüentemente. porque ex-sacerdotes fanatizados e duros ministram- lhes “sacramentos”. Pobre irmão desgovernado! Ignorava que ela estava sendo vergonhosamente explorada pela mesma “organização” a que ele servia! Dizia Paulo que tudo nos é lícito. os ex-inquisidores. Aproveito o ensejo para dizer-lhe que. a perdoava e a estimulava a prosseguir na sua deplorável tarefa. e ela responde que. sem dúvida. desde que os ajude a alcançar seus objetivos. tuberculosos. mas nem tudo nos convém. alienados.. o que parece impressioná-la. E assim. com os olhos ou a língua arrancados. mantêm os mesmos processos de tortura e de encarceramento. precisamente a moça da semana anterior. acaba cedendo e parte com ela. no fundo. mas ela teme e hesita. digo-lhe. atormentava-a livremente.. diante do que sabem. nos contou a seguinte história: numa existência anterior. realizando verdadeiras lavagens cerebrais. A Igreja a admite há muito tempo. ela não teria coragem de vir me ver. reconhecem. Poderia ser minha filha. — Portanto — digo-lhe eu — você não tem liberdade. Nesse ponto. Vê uma jovem serena e bela que a chama. mais fanáticos do que nunca. por exemplo. 93 consciência atormentada. então sob tratamento em nosso grupo. mas justificam suas atrocidades com frases estereotipadas. Uma das infelizes criaturas a que atendemos certa vez. muitos sem condições sequer de chorar. tudo convém. seu amigo. para dizer que “quando eu vou lá. como alega. Sim. Por fim. dizem. prossegue. Na sessão seguinte compareceu um sacerdote. para estes irmãos religiosos transviados. todas se escondem”. É. ela me confessa que veio escondida. Mais um argumento que ela intimamente reconhece legítimo. roidos pelos ratos.. misturam os conceitos de uma deformada teologia com os ritos da magia negra e com as técnicas da hipnose e da magnetiza ção. Ainda rancorosos. A despeito de seus desvairamentos. carregando correntes imaginárias. “Eles” não podem saber. provocando pavorosas desfigurações perispirituais. em medonhas masmorras infectas. com o qual ex-“ministros de Deus” conseguem manipular. embora va riadas na forma. Há. desencadeando processos obsessivos penosíssimos. se eu fosse seu pai.. pobres inocentes úteis que lhes caem sob o poder. nesse caso. Mas. desmembrados. sinto-a interiormente ingénua. Localizando esta agora. sem saber o que fazer. um plano maquiavélico. é verdadeira a doutrina da reencarnação. não anda fazendo boas coisas. apavorados. porque um sacerdote. mortos a fome. fora traída por uma mulher. Viera em busca da filha que desaparecera. Tinha forte sotaque alemão e era o “guia espiritual” do nosso companheiro encarnado. Seus artífices não ignoram as verdades contidas na Doutrina Espírita. Todo esse arsenal alucinante de opressão e miséria tem como suporte uma teologia que lhes é própria. Quantos companheiros não socorremos. seja lícito ou não. com rancor e consciência tranqüila.. sempre as mesmas. entre eles. em outra vida — não ficamos sabendo se casada com o seu antigo marido —. levam-nas às missas que celebram e absolvem-nas dos pecados que porventura tenham cometido. ainda sentindo as sensações de estrangulamento. também. nem têm como negá-la.. quase pura. faço uma prece e ela se sente perdida.

e os grupos que intentam salvá-las das suas afli ções precisam estar realmente bem preparados. estaria perguntando se não há sacerdotes de boa índole. onde não encontram nem o céu de gozos inefáveis. tramam. que cumpre esmagar. em não poucas oportunidades. em grande número. heréticos que precisam calar. como eles entendem que seja. procurando. Os grupos espíritas de trabalho mediúnico interferem direta ou indiretamente em seus planos. buscava -me há mais de quatro séculos. envolvem. antes ainda da Reforma Protestante. Verdadeiras batalhas travam-se em torno de determinadas figuras humanas. em nova encarnação. éramos sacerdotes católicos. Certamente que sim. A esta altura. certa vez. com a cumplicidade de muitas fraquezas humanas. nem tampouco o purgatório lendário. seja com promessas sedutoras ou barganhas inaceitáveis. graças a Deus.. com ódio e desprezo: — Protestante e espírita. conhecendo meu passado. com surpreendente brevidade. ou serão impiedosamente esmagados pela agressividade dos poderosos dirigentes das trevas. lavar as manchas de crimes hediondos que cometeram. São muitos os que rapidamente se adaptam às condições do mundo espiritual. apóstatas que têm de destruir. próprias e alheias. são trânsfugas desprezíveis. com redobrado ardor. sob o guante de terríveis obsessões. arrependidos de seus desatinos passados. no entanto. esses conhecimentos serão liberados e o Evangelho do Cristo será novamente pregado tal como é. Um deles me declarou. Alguns dos mais destacados membros da hierarquia eclesiástica também vencem. Um dia. Outros se empenham em “recuperar-nos”. no mundo espiritual. mas apenas as condições que criaram para si mesmos. É claro. que muitos combateram “em vida” e que prosseguem combatendo. nem o inferno aterrador. conscientes das grandezas do Evangelho de Jesus. Por outro lado. e. Para os antigos comparsas. os obsidiados são peças importantes no complexo jogo de xadrez das sombras. ou seja. Outro. pois essas informações não devem ser transmitidas à massa popular. algo impressionado. dois porcos num só. quando se passam para o mundo póstumo. pronta.. especialmente no Brasil. para ser lançada no momento oportuno. o período de . ao tentarem ajudar companheiros encarnados ou desencarnados. uma nova versão do Evangelho. pois. o leitor. em que era honra concedida aos reis beijarem os pés dos Papas. o movimento espírita moderno. quando conseguirem restaurar todo o poderio da Igreja. porém. Quantos me têm interpelado. me disse. planejam e executam. monges e frades que se dedicaram à caridade e ao serviço ao próximo. Enquanto isso. seja com ameaças. que existe. tanto na Igreja Católica como na Protestante. com as mais terríveis invectivas! Um deles. tal como no passado. tais grupos se envolvem em autênticos vespeiros. 94 conserva tais conhecimentos limitados a uma elite pensante. É que. conta com enorme quantidade de antigos sacerdotes. com muito mais freqüência. fanático e não mau. Muitas vezes. que o alvo de preferência de suas investidas é o Espiritismo. a todo custo. Esse momento é sempre o mesmo: quando restabelecerem novamente o domínio total sobre a Humanidade. pois da última vez em que fomos companheiros. entre aqueles que foram pequenos e humildes servidores da Igreja. São eles os serenos párocos de aldeia. cuidadosamente preparada.

declara. página 137. agora. a lamentosa queixa do arrependimento. Era. creio que poderíamos identificar duas posições básicas. foi acolhido por um velho e humílimo criado de quarto. 1941. sem oprimir. pelo considerar falsa e errônea essa doutrina. Um dos poderosos “Príncipes da Igreja”. também. cabisbaixa e encolhida num recanto. Medito e considero: eu. meus irmãos. Estupenda. vós outros. edição da FEB. manifestado no Grupo Ismael. que não mereciam piedade nem consideração. homens terrenos. diria mesmo fenomenal. mas pelo que deixara de fazer de bom. que o servira nos seus dias de glória. elevado à mais alta dignidade eclesiástica. sem impor sua . ao ver o bravo cardeal render- se espontaneamente àqueles que todos consideravam como adversários. demonstrava a sua contrariedade pelos efeitos que a minha visita produzira em meu espírito. Compilação do Dr. servidor da Igreja. juntamente com outros digni tários da sua Igreja. em sua comunicação. estudando suas atitudes e pronunciamentos. neles: ambição e fanatismo. Extraordinário fenômeno. de que somente tomamos conhecimento por via indireta. o Infinito como que se havia transmudado e novo cenário se me deparou. Note-se. é a obra em que colaborais.. beber da água da vida que o ensino da Igreja romana nunca pôde proporcionar ao meu espírito sedento. “em vida”. quando dispunha de tantos recursos e poderes. vol. De outro cardeal desencarnado ouvi. em virtude do íntimo conhecimento dos bastidores políticos da Igreja. que nos tratava com superior condescendência.” (1) Fora daqueles que. Um deles. grandiosa. Examinando suas tendências. Guillon Ribeiro. julho/1939 a dezembro/1940. Às vezes. “procurara. meios de conseguir que cessassem as atividades da Federação. a ambição e o fanatismo parecem coexistir no mesmo Espírito. porém. na propaganda do Espiritismo. não pelo combate ao Espiritismo. desde a visita que vos fiz. a referência à coorte dos que o seguiam e ao desapontamento em que ficaram. mas ocorrem. segundo suas próprias declarações na sessão anterior. são as pequenas manifestações anônimas. malquistos pela sociedade perversa dos vossos dias. Os ambiciosos desejam o poder. separadas. em serviços preciosos. na maioria sem grande preparo intelectual. Comovente. Não sabem viver sem mandar. capaz de confundir a inteligência mais atilada e a criatura melhor provida de conhecimentos teológicos e profanos. venho entre vós. o exercício (1) “Trabalhos do Grupo Ismael”. na sua segunda comunicação: — “É estupenda a metamorfose que se operou no meu Espírito. na Terra de Santa Cruz. 95 perplexidade em que mergulham com a desencarnação. criaturas simples. * Muitas são as lições dolorosas que nos ministram os dramas vividos por esses pobres irmãos que insistem em declarar-se trabalhadores do Cristo. também. socorrido exatamente na organização que tentara fazer calar. certa vez. impetuoso e arrogante. Quando daqui regressei. da autoridade. A coorte dos que me acompanhavam. prejudicial ao Catolicismo”.

Enquanto estão ali. se e quando o reconquistarem. 96 vontade e suas idéias. um esconderijo. repetiram a experiência. tanto aqui. ligam-se a Outros poderosos do passado. inapelavelmente. Quanto aos fanáticos. Movem-nos ambições desmedidas. como nos tempos idos. Não importa. por exemplo. Para isto. Muitos desses Espíritos repetem incessantemente seus enganos por séculos a fio. Às vezes. a enfrentar suas próprias contradições íntimas. e voltam a insistir. para partilharem do vasto bolo do poder. Foram hierofantes de decadentes cultos egípcios. pois este não se interessa pelo pensamento religioso em si. não tanto porque desejam posições de mando. para não terem que enfrentar conscientemente uma realidade estranha. no sentido da disputa do domínio político. sempre disputando posições de relevo. Só lhes resta reimplantar esses modelos entre os encarnados. buscando sempre os núcleos do poder. para esses objetivos. como sacerdotes judeus. que está sempre recuando e entregando- se. Quantos deles não nos têm confessado sua impaciência e irritação ante a desagregação da autoridade da velha organização eclesiásfica terrena! Não é essa a imagem da Igreja com que sonham. Querem-na forte. perfeitamente entrosados com antigos governantes leigos que se revelaram indiferentes às questões pura- mente religiosas ou francamente hostis ao movimento cristão. mas porque o consideram uma odiosa heresia. as tenebrosas alianças realizam-se. O esquecimento deliberado e auto -induzido é uma fuga. ditatorial. quaisquer que sejam as crenças em que se apóiam. No mundo espiritual em que vivem. e sim pelo poder que uma teologia deformada e bem manipulada pode proporcionar.. nem sempre são ambiciosos. encontram apoio nos mais insuspeitados setores da atividade humana. não estão . com os quais celebram pactos sinistros de apoio mútuo. como prelados católi cos. Seria Joana dArc? Todos esses sabem muito bem por que fogem às lembranças do passado: é que as recordações arrastam-nos. Combatem o Espiritismo.. repondo a esclerosada organização terrena no seu antigo “esplendor”. Estão convencidos de que sua forma de pensar é a Única certa. Um terceiro lamentava ter queimado uma santa. sacerdotes de ele vada hierarquia eclesiástica.. Outro ajudou a apedrejar Madalena. Por isso. de onde possam mano brar. como se acuada. não essa aí. Para que essas mudanças tão radicais de posição teológica não os incomode. quando toda a sua atividade e todas as suas verdadeiras convicções são um desmentido formal à doutrina de amor contida nos Evangelhos. com todo o seu cortejo de vícios. como aquele imponente “servidor” do Cristo que acabou descobrindo que participara pes- soalmente do drama da cruz. autoritária. entre os desencarnados.. suas fraquezas. despertam para a realidade. Desde que constituam bons parceiros na conquista das posições. com exclusão de todas as demais. que alguns deles chegaram mesmo a combater tenazmente. quando de suas passagens pela carne. É comum encontrarmos. poderosa. suas hipocrisias. conservaram os modelos medievais. sustentadas e impulsionadas pela filosofia da restauração da “verdadeira” Igreja do Cristo. como a de declararem-se em luta pela restauração da Igreja do Cristo. o fanático puro serve de instrumento ao ambicioso. acham-se abri gados da dor. No fundo. incontestada. É certo que. ante o impacto traumático de revelações que dormitavam em seus indeléveis registros perispirituais. como no mundo espiritual. seus desvios. condicionam-se a um esquecimento das antigas circunstâncias.

. sabem muito bem que não são trabalhadores do Cristo. o poder. No fundo. nesta ou naquela teologia — o que importa é a ação. mas há tanto tempo se condicionaram a essa atitude. especificamente. 97 interessados. É preciso um impacto mais violento para desalojá-los de suas terríveis auto-ilusões. que acabam por se convencer da sua autenticidade.

evidentemente. em todos os sentidos. do que admitirem. pois estão pensando e falando. platônicas. nada é sagrado. a despeito da descrença em si mesmo. que foram ludibriados por sua própria descrença na verdade superior. estes são os que o praticam. honestamente. . no artigo “Lendo e Comentando”. ao mesmo tempo em que se deixaram arrastar pelo sensualismo pesado. intrigando. É preciso conduzi-los com tato e paciência. na sua imaginação. e mais prontamente aceitam a nova realidade. por nome Tom. ainda. Viveu. o choque desperta para uma condição que eles não poderiam jamais admitir sem o impacto da desencarnação. pois somente nela se sentem relativamente felizes. ele sobreviveu. Lembram-se das doenças que tiveram. Disputaram fortunas a ferro e fogo. endurecidos nas suas convicções. A relutância é. ainda presos aos seus interesses terrenos. continuam a viver no mesmo clima de maquinações e articulações. são daqueles que. falsificando. O Espírito. Geralmente desejam a volta à carne. Às vezes. Em outros. na carne. na aparência. e. roubando. Quando incorporados aos médiuns. isto é. embora. desarvorados intimamente. 98 18 O MATERIALISTA Este não constitui problema difícil. Preferem continuar negando. A objetiva realidade da vida póstuma põe-nos em estado de total confusão. vai sendo conduzido a admiti-la. mas porque lhes proporciona os prazeres mais gros- seiros a que se habituaram. no mundo espiritual. tratado com extrema habilidade e carinho por uma excelente doutrinadora inglesa. tais posições foram meramente filosóficas. não apenas pelo esquecimento de suas mi sérias íntimas. A súbita e inoportuna revelação da nova condição em que se encontram. vendo e sentindo. Ao contrário dos teóricos do materialismo. por algum tempo. não é o seu. promovendo negociatas. vivera agarrado aos seus bens e. acabam por reconhecer que continuam vivos depois da “morte”. Alguns deles. indiferentes. de que. ao seu ouro. no trabalho de esclarecimento. mas se recusam a admitir que “morreram”. São mais acessíveis. perseguindo aqueles encarnados e desencarnados que se atravessaram no seu caminho. a princípio. de suas vontades. Para estes. convicto de que além da matéria nada existe. poderá colocá-los em lamentável estado de choque emocional. Outros. através de um corpo que. além da morte. totalmente desligado da nova realidade que vivia. apenas desencantados. está relatado um caso desses. matando. se preciso fosse. descrentes da vida espiri tual. seguros e tranqüilos. senão a satisfação de suas ambições. embora confusos. vaidade. Temos que compreender que é difícil àquele que não acredita na sobrevivência admitir que. porém. A despeito da descrença em qualquer tipo de realidade póstuma. continuava a mani pular as moedas. porque isto implicaria reconhecer que o materialismo que professavam éinteiramente falso. não foram intrinsecamente maus. Aos poucos. nada importa. Em “Reformador” de setembro de 1975. que avilta todos os sentidos e anestesia cada vez mais as faculdades e a sensibilidade. entregaram-se de corpo e alma ao culto desenfreado da ma téria. só há o silêncio e a escuridão do não-ser. de seus desejos. especialmente.

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O INTELECTUAL
Nem sempre é materialista. A escala cromática aqui é ampla e variada.
Encontramo-los de todos os feitios, variedades e tendências. Há-os descrentes,
indiferentes, materialistas, espiritualistas, religiosos ou não. Foram escritores,
sacerdotes, artistas, poetas, médicos, advogados, nobres, ricos, pobres. Quase
sempre se deixaram dominar por invencível vaidade, fracassando na provação
da inteligência.
No binômio cérebro/coração, no qual o homem deve buscar equilíbrio,
deixaram disparar na frente um dos componentes, em sacrifício do outro.
Brilhantes, demoram-se na doce e venenosa contemplação narcisista da
própria inteligência, fascinados pelos seus mecanismos, sua engenhosidade e
os belos pensamentos que produzem. Julgam-se geniais — e muitas vezes o
são mesmo. São bons argumentadores e, quando movidos para objetivos bem
definidos, tornam-se verdadeiramente difíceis de serem despertados, pois se
acham solidamente convencidos do poder e da força das suas próprias
fantasias, suas doutrinas, seus sofismas e suas auto-justificações.
Vemo-los, às vezes, na condição de ex-sacerdotes também, como exímios
criadores de tais sofismas. Estudaram profundamente os Evangelhos e a
teologia ortodoxa. Leram os seus filósofos, escreveram tratados, pregaram
sermões belíssimos, do ponto de vista literário, e tanto consolidaram suas
construções, que acabaram acreditando nelas. São estes que constituem o
diálogo mais difícil para o doutrinador. Não se exaltam, nem dão murros.
Parecem, mesmo, suaves e tranqüilos. Têm respostas prontas e engenhosas
para tudo, fazem perguntas bem formuladas, procurando confundir, para
desarvorar o interlocutor.
Ao cabo de algum tempo de observação atenta, descobrimos que o
intelectualismo é como qualquer outra forma de fuga; é também um
esconderijo, para o Espírito que reluta em enfrentar uma realidade dolorosa.
Se conseguirmos restabelecer o vínculo, que sempre deverá existir, entre
cabeça e coração, estaremos a caminho de ajudá-lo. Narrarei um caso prático,
para ilustrar o que desejo dizer com isso.
O companheiro apresentou-se irônico, aparentemente muito seguro de si. É
culto, inteligente, bom sofista, versado em filosofia, em teologia e até mesmo
nos textos evangélicos, que cita com a maior facilidade e propriedade.
Conversamos longamente, e ele não perde oportunidade de ridicularizar-me,
ante minha pobreza intelectual e cultural. Num momento de incontida irritação,
chama-me de débil mental e idiota, mas logo se contém, ao ser chamado
àatenção por um companheiro desencarnado de mais elevada hierarquia,
como depois verificamos.
Mesmo com a voz pausada, deixa escapar suas terríveis ameaças, dizendo
que nosso barco vai virar e seremos empurrados para o fundo, com barco e
tudo.
— Dessa vez — diz ele — não vai ser fácil. Você vai cair do galho, macaco!
Segundo diz, há muito me segue e tem vontade de dizer algumas verdades
na minha cara, porque ainda tenho muito do homem velho, com o que
concordo plenamente. Não sabe por que não as diz, pois está certo de que, se
isso acontecesse, naquela mesma noite o grupo estaria liquidado. (Está,
certamente, sentindo os controles do médium.) Fala do cerco que me vem

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fazendo, até mesmo nas minhas atividades profissionais, e refere episódios ve-
rídicos, para demonstrar sua familiaridade com o que diz respeito à minha vida
particular. Conclui dizendo que, há tempos, quase conseguiram derrubar-me.
(Há sempre um quase, na bondade infinita de Deus, quando nos empenhamos
na tarefa abençoada de servir.)
Ao cabo de longa conversa, despede-se, algo sonolento, mas firme nas
suas convicções. Oro por ele durante toda a semana e, na reunião seguinte,
ele volta.
Não está mais tão irônico e seguro de si, como da primeira vez. Perdeu a
aparente serenidade, revelando-se profundamente irritado, furioso mesmo,
ameaçador, agressivo, impaciente. Deve ser por causa da perda do valoroso
companheiro que na semana anterior o advertira, quando me chamou de débil
mental e que, com a graça de Deus, conseguimos despertar.
Declara-se um líder, e que, se eu tivesse visão espiritual, veria que todos os
seus companheiros estão ali, atrás dele , como um bloco. Estão prontos e
dispostos a desencadear a luta. As ameaças são terríveis, mas sinto -o mais
desesperado do que rancoroso. Diz que transpusemos todas as barreiras e que
é preciso um basta final.
Enquanto conversamos, outro médium do grupo avisa-me que ouve
bimbalhar de sinos e, em seguida, sons de órgão. Ele também ouve, mas
recusa-se a reconhecer a situação, que, obviamente, teme, e insiste em
retomar o debate filosófico-religioso. É a fuga desesperada ante toda e
qualquer aproximação da emoção, que não seja o frio jogo de palavras a que
está habituado e que o anestesia espiritualmente.
De vez em quando, dirige-se, irritado, a alguém invisível, que lhe cita
trechos evangélicos. Em uma dessas, diz, nervoso:
— Eu sei. 4:19, Primeira aos Coríntios. (1)
Segundo me diz o outro médium, a música prossegue a vibrar dentro dele.
A essa altura, ele começa a apalpar o seu médium: a face, os olhos e o corpo,
demorando-se nas mãos. Começa sutilmente a crise. Ele conclui, em voz alta,
que são mãos de um organista (que o médium foi, realmente, em antiga
encarnação, na Ale manha). Pouco depois, ainda irritado, ante minha evidente
falta de acuidade, diz-me que é cego! E mesmo assim domina, é um líder!,
informa, satisfeito consigo mesmo. Sinto por ele uma compaixão infinita e me
dirijo a ele com ternura, como se a pedir-lha que me perdoe por não ter notado
isso antes. Pergunto se permite que tentemos curá-lo, e ele recusa
energicamente.
A essa altura, não consegue mais evitar que a música domine todo o seu
ser. Fala sobre acordes que lhe causam verdadeiros choques. A crise
aprofunda-se e ele ouve agora, irresistivelmente, a música sublime de um
organista incomparável. Tenta desesperadamente fugir dela, tapa os ouvidos,
bate com os cotovelos na mesa, cantarola uma canção, e diz a si mesmo:
— Reaja, frouxo!
Mas a torrente daquela música divina, que ele tem o privi légio de ouvir,
arrasta-o irresistivelmente. Segundo me informam

(1) “Mas, Irei logo onde estais, se for da vontade do Senhor; o então,
conhecerei, não a palavra desses orgulhosos, mas o seu poder.”

do mundo espiritual, ele costumava ouvir os recitais sempre do mesmo lugar,

101

na terceira fila à direita. Digo-lhe isso, enquanto ele parece também
reconhecer, daquele tempo, o seu médium atual.
Por fim, graças a Deus, a emoção daquela música inesquecível domina-o
inapelavelmente. Está arrasado e murmura:
— Ele é um monstro... Tudo nele é grande.. -
Refere-se, por certo, ao organista que, do invisível, toca para ele neste
momento. Logo a seguir, começa a chorar, vencida pela emoção que há tanto
sufocou em seu coração generoso. A música que ele amava, e compreendia
como poucos, foi o instrumento sutil que a misericórdia divina utilizou para
restabelecer o perdido contacto entre coração e mente, que andavam
divorciados.
Trato-o com infinito carinho e amor fraterno, e quando lhe peço perdão pela
dor que lhe causamos naquela crise necessária, ele retruca, entre irritado e
confuso:
— Não peça perdão, seu tolo!
Em seguida parte, ainda em pranto e com a visão recuperada.

102

20
O VINGADOR
Vingar-se é ir à forra, punir alguém por aquilo que fez ao vingador e, por
isso, vingança é uma palavra-chave nos trabalhos de desobsessão e
esclarecimento. Aquele que se dedica a essas tarefas, precisa estudá-la a
fundo, suas origens, suas motivações, seus mecanismos e as soluções que lhe
estão abertas.
É preciso entender o vingador e aceitá-lo como ele se apresenta, se é que
pretendemos ajudá-lo, pois ele é, antes de tudo, um pri sioneiro de si mesmo,
através da sua cólera e da sua frustração. Sua maior ilusão é a de que a
vingança aplaca o ódio, quando, na realidade, o alimenta e o mantém vivo. Sua
lógica é, ao mesmo tempo, fria e apaixonada, calculada e impulsiva, paciente e
violenta, e sempre implacável. Envolvido no seu processo, ele nem sequer
admite o perdão, e é capaz de perseguir sua vítima através de séculos e
séculos, ao longo de muitas vidas, tanto aqui, na carne, como no mundo
espiritual.
Quase sempre a vingança desdobra-se a partir de um caso pessoal, mas é
comum encontrarmos também o vingador impessoal, aquele que trabalha para
uma organização opressora. Ainda ve remos isso mais adiante.
O vingador observa, planeja e espera a ocasião oportuna e o momento
favorável. Não se precipita, mas não esquece: sempre que pode, interfere,
ainda que seja somente para espetar uma agulha em sua vítima indefesa.
Casos tremendos e persistentes de obsessão vingativa resultam de amores
frustrados, traidos ou indiferentes. Paixões irrealizadas ou aviltadas despertam
os mais profundos sentimentos de revolta. De outras vezes, são crimes
horrendos, como assassinatos, espoliações, desonras, difamações, iniqüidades
de toda sorte.
O vingador é aquele que tomou em suas mãos os instrumentos da justiça
divina. Não confia nela, ignora-a ou não tem paciência de esperar por ela. Não
sabe, ainda, que o reajuste virá fatalmente, através da lei de causa e efeito.
Todo aquele que fere com a espada, há de ser ferido por ela, segundo nos
advertiu o Cristo. É certo, porém, que chegado o momento do resgate, a lei não
exige que alguém — seja quem for — tenha que empunhar a espada para ferir
o irmão devedor. Pode dar-se muito bem que ele se fira acidentalmente, caindo
sobre um instrumento, por exemplo, ou morrendo numa intervenção cirúrgica,
em princípio destinada a preservar-lhe a vida e, portanto, sem nenhuma
intenção de cortar o fio que mantém unidos corpo físico e perispírito.
Em mensagem transmitida a Francisco Cândido Xavier, o “Irmão X” narra
um episódio desses, em que uma atrocidade praticada no ano 177, ao tempo
de Marco Aurélio, veio a ser cobrada pela lei, na tragédia de 17 de dezembro
de 1961, na cidade fluminense de Niterói. As simetrias são perfeitas. Não faltou
um só elemento nessa cobrança coletiva e despersonalizada. Aqueles que
ajudaram a promover o dantesco episódio de Lyon, há quase dezoito séculos,
reuniram-se no circo de Niterói. As mesmas correrias, o mesmo atropelo, a
mesma passagem estreita por onde alguns escaparam ao inferno. (1)
Tivemos, certa vez, um caso de vingança que muito nos marcou. Alguém
nos pedira ajuda espiritual para uma jovem em constante estado de revolta,
angústia e desajuste. Colocamos seu nome em nosso caderno de preces e
aguardamos. Sem muita demora, duas ou três semanas após, compareceu ao

O vingador pensa odiar uma criatura que ele ainda ama. No caso. É extremamente complexo o processo da vingança. em situações como essas. que o colocaria em uma situação de ternura que ele queria evitar. já traiu também. na Idade Média. É o paradoxo do ódio-amor. Não tem mais ânimo. em razão do horrendo crime do suicídio. ainda. se ele sofreu traição. porque sofreu horrores. E. nesse ínterim. Eram gente abastada e provavelmente da nobreza. já sabendo o que vai encontrar: a cena inesquecível do flagrante de traição. Por outro lado. em antiga existência.. à mesma hora. a despeito de tudo. que ele ternamente dizia que eram dois anjos. aquele que nos feriu colocou-se à mercê da reparação. desde então. mas persistente. tênue. o vingador sente -se um instrumento da justiça . para tê-la totalmente sob seu domínio. não poderia subsistir ao lado da doçura do amor paterno. duas criaturinhas encantadoras. é porque. inconsciente. Sente-se vazio e cansado. e eu também — diz a ela. Seu desejo. E adormeceu. De certa forma. por sua vez. com sua falta contra nós. As dores que se seguiram consolidaram seu ódio. Seu drama é que. trouxeram-lhe. Na sessão seguinte. que atrás da porta seguinte. a lei universal nos proporciona os elementos para exercê-la. Houve um diálogo emocionado. também. Que Deus nos abençoe. não importa. que não há sofrimento sem motivo. “Reformador” de março de 1962. já a teria esquecido e não se manteria preso a ela durante tanto tempo. através dos séculos decorridos. como ela. ainda mais o exacerbou. sabia que encontraria os filhos amados. era o de levá-la ao suicídio (a jovem sofria realmente de impulsos suicidas). ou ignoram. que ele se recusava sempre a transpor. por desdobramento. ele perseguiu o Espírito da antiga amada. que não a perseguirei mais. Fora seu esposo (1) “Tragédia no Circo”. e ela estava novamente encarnada. como. No entanto. nem para vingar-se. Vá em paz. ele abre determinada porta. um casal. tiveram outras vidas. e a história desenrolou-se. Disse-me. mas isso. temia ele acertadamente. no entanto. 103 grupo o Espírito indignado de seu perseguidor. E como poderemos negar indefinidamente o perdão de uma falta cometida contra nós — por mais grave que seja — se também precisamos de que as nossas próprias faltas sejam perdoadas? Mas. agora. segundo os deformados “códigos de honra” daquela época. segundo ele. Matou-a e suicidou-se. Ele sabe da sua responsabilidade e está bem consciente de que responderá pelos novos crimes que pratica para vingar-se. o que interessa no momento — e esse momento dura séculos! — éa vingança em si mesma. porque. do qual percebíamos apenas as suas falas. não apenas por causa do assassinato da esposa.. dolorosa. por isso. e. Tanto ele. no passado. quase sempre dolorosa. — Somos dois trapos. — Você é um trapo. o Espírito da ex- esposa. No caso sob exame. para ele. manter acesa a chama rubra do ódio que. foi realmente o que os salvou do tene broso drama. todos os dias. Realmente tiveram. Lembrei-me de perguntar se não tinham tido filhos. a tragédia. há um curioso processo emocional que o doutrinador precisa conhecer e empregar. pois viviam num castelo. os vingadores sempre se esquecem. Parece que lhe restou uma esperança de reconquista. Era preciso. longe de pacificar seu coração ou aplacar seu rancor. Se a odiasse simplesmente.

envolvido em antiquíssima trama vingativa. sem desencadear obsessões à sua vítima. em parte. 104 divina. alguém ouviu dizer. responde do mesmo modo.. poderá estar a salvo da obsessão em si mesma. ao mesmo tempo em que ele se vinga. um processo obsessivo. mas. Atenção. ao serviço ao próximo. é que. às vezes. portanto. Não há sofrimento inocente na justiça divina. Assistimos. Por outro lado. angústias e frustrações. alhures no tempo e no espaço. esquecido de que está reassumindo um compromisso que. perante a lei desrespeitada. por situar-se fora de seu alcance. por qualquer razão. que lhe concede um crédito de confiança. ele seguirá escravo da sua própria vingança. com um passivo enorme de faltas ainda por resgatar. pelas conseqüências amargas e inelutáveis que provoca. coloca-se sob a proteção da própria lei divina. mas que também se acham em débito perante a lei. mesmo devendo. enquanto ele. eles diferem sutilmente: obsessão muitas vezes é vingança. que se voltará contra ele. por sua vez. dedicado à prece. pela santificação. De um pobre irmão. . Não sei se me faço entender.. empenhada em sincero e ho nesto processo de recuperação. ao longo do tempo. à melhora íntima. que sofre um processo vingativo. nem os pais pelos filhos. com todo o direito de exercê-la. à mercê de seu algoz.. novamente à lei. Se conseguirmos convencer o vingador da lógica férrea desse mecanismo. às suas angústias. o perseguidor. ou a esposa pelo marido. que lhe faculta a decisão de agir.. de certa forma. certa vez: — Sou o responsável por todas as dores que os teus vêm sofrendo há muito tempo. e acaba. por suas falhas pessoais e por suas conexões espirituais com a vítima. está. havia resgatado pela própria aflição que procura punir a seu modo. atingir a vítima visada. necessariamente. porém. é que o vingador atinge a vítima (que se colocou fora de seu alcance) através daqueles que lhe são caros. empenhando-se apenas em criar-lhe dificuldades e dores. mas a vingança não é. são impiedosamente sacrificadas ao ódio. O Espírito pode vingar-se longa e profundamente. caso contrário. por motivos outros. de vez que o livre-arbítrio. porque ao errar expôs-se ao reajuste. ele reabre o ciclo da culpa e expõe-se. pois as culpas são resgatadas também através do amor e não apenas da dor. ou insiste em cobrar. nos seus métodos de ação e no que poderíamos chamar de sua filosofia. à vingança indireta. Embora tenham muito em comum. Ao vingar-se. nesses casos. e demora-se nas sombras do sofrimento. os “cobradores” alcançam-na fazendo sofrer aqueles que a cercam e que. O que acontece. Não há outras opções: ou ele perdoa e segue à frente. Isto não quer dizer que a vítima indireta seja invulnerável ou inatingível. continua preso à sua problemática e. Consideramos diferentemente o obsessor e o vingador. Sem poderem. estaremos em condições de ajudá-lo a libertar-se. encarnado e desencarnado. para um pormenor: isto não significa que sofram os justos pelos devedores. É que o Espírito. o ofensor libera-se pela dor.

por exemplo. Extremamente complexo e delicado. seria desastroso que qualquer Espírito desajustado pudesse fazer conosco o que bem entendesse. e o juiz nos mandaria à prisão. ao mesmo tempo. 105 21 MAGOS E FEITICEIROS Os trabalhadores da desobsessão não devem ignorar a reali dade da magia negra. a literatura doutrinária de confiança existente. especialmente porque éescassa. Naquilo que Deus não o permite. declarando que tais fatos são naturais. mas estejamos certos de que. se não nos reconciliássemos com os nossos adversários. por exemplo. promovidas por antigos magos e feiticeiros que. o assunto precisa ser abordado com muita prudência e lucidez. terão oportunidade de observar tentativas de envolvimento do grupo e de seus componentes. É assim que um Espírito faltoso coloca-se. não obstante. O próprio Cristo advertiu-nos de que. Ensinaram. eles nos levariam ao juiz. donde somente seríamos liberados depois de cumprida toda a pena. como a da obsessão. o pensamento contido nesse período é. limitando-se a respostas sumárias que. não fora de sua proteção. Realmente. até o último centavo. não abandonados por Deus. no mundo espiritual. amplo e exato. Feiticeiros”. a fim de não serem tomados de surpresa nas suas tarefas redentoras. se maus forem seus próprios Espíritos. abrimos a eles as portas da nossa intimidade. do seu relacionamento com Deus e com o Universo. sobretudo. como podemos veri ficar do exame das questões números 551 a 557. sob o título “Poder oculto. deixaram aberturas para futuros desdobramentos. nem seria isto apropriado no livro básico da Doutrina Espírita. porque “Deus não o permitiria”. Disseram. ao alcance de dores inomináveis. ou de pessoas que dele se socorrem. portanto. fazer mal ao seu próximo”. O tema não ficou indiferente a Kardec. porém. mal compreendidos. que um “homem mau” não poderia. Obviamente. realmente. o sufi ciente para formular-se um juízo sobre a matéria. Os Instrutores do eminente Codificador colocaram a questão naquele clima de prudência e lucidez de que há pouco falávamos. . de “O Livro dos Espíritos”. mas submetidos às conseqüências de nossas próprias ações. Com freqüência. pois o que seria de nós se tudo lhes fosse permitido? Quando. mas que “algumas pessoas dispõem de grande força magnética. A despeito da notável economia de palavras. a época não estava madura para o aprofundamento do problema. “com o auxílio de um mau Espírito que lhe seja dedicado. Foram muito sóbrios os Espíritos. expostos àcobrança? A partir do momento em que nos atritamos com as leis divinas. porém. ao cometer nossos desatinos. Quanto à crença no poder de enfeitiçar. portanto. de que podem fazer mau uso. colocando-nos. persistem nas suas práticas e rituais. nada podem fazer os Espíritos ainda voltados para o mal — e essa é a nossa proteção. caso em que possível se torna serem secundados por outros Espíritos maus”. nos credenciamos a esse amparo? Talvez seja melhor reformular a questão: Quando nos tornamos vulneráveis e. cujo escopo era o de entregar aos homens uma síntese didática acerca do Espírito e suas manifestações. nesse particular. os Espíritos foram cautelosos. mal observados e. Talismãs. levando em conta as superstições que prevaleciam àquele tempo.

e o Evangelho nos ensina que cada qual receberá por suas obras. em seguida à Questão número 555. podem constituir o ponto de atenção das entidades perturbadas. por vezes. que não passam de médiuns agindo em consonância com seus companheiros desencarnados. para expli cá-la em termos de conhecimento científico. insistiu. dentro do contexto das leis naturais. 106 Sobre as fórmulas. Realmente. invocações. atrai os seres desencarnados que lhe são afins. Sobre a influência dos astros. porque. com ou sem razão. achando-se cada homem sob as influências que merece. como vimos. às vezes. retirando-lhe a aura de mistério e ocultismo. mas é certo que o Espiritismo tem condições para desmistificar muito da complicada e. por vezes. mas funciona como uma espécie de condensador de energias psíquicas emanadas do operador que. confia no que chama a virtude de um talismã. então. nem talismã. — “Os objetos — responde Emmanuel à questão número 143 —. visto que. A Doutrina empenha-se em negar é o caráter sobrenatural que alguns procuram atribuir aos fenômenos. da pureza da intenção e da elevação dos sentimentos depende a natureza do Espírito que é atraído. pelo pensamento.) Dentro dessa mesma linha de pensamento. razão por que parecem tocados. acima de todas as verdades astrológicas. símbolos. mormente os de uso pessoal. O campo magnético e as conjunções dos planetas influenciam no complexo celular do homem físico. têm a sua história viva e. no entanto. racional. com a pergunta 554. que tenha qualq uer ação sobre os Espíritos. em que os fatos se apresentam exagerados pela imaginação. de . o escla recido mentor.) Do que se depreende que o talismã. em sua formação orgânica e em seu nascimento na Terra. os nomes que recebem. por causa da “simbologia sagrada das palavras”. nada vale.” Lamentavelmente não temos ainda um estudo aprofundado dessa curiosa temática. segundo suas vibrações.” Kardec. não passando o talismã de um sinal que apenas lhe auxilia a concentração?” “É verdade — respondem os Espíritos —. aberto. nenhum sinal cabalístico. Também os números “possuem a sua mística natural”. mas. nem o nega. porém. ensina Emmanuel (1) que: — “As antigas assertivas astrológicas têm a sua razão de ser. o que atua é o pensamento. reconhece. assim formulada: “Não pode aquele que. urge que estas lutem contra os elementos perturbadores. em si. esclarecem que todas são mera charlata naria. apetrechos e instrumentos de que se valem os operadores. como muito bem observa Kardec.” (Destaques meus.” (Destaques meus. a existência planetária é sinônimo de luta. Os próprios objetos armazenam energias que ainda não estão bem definidas para nós. por efeito mesmo dessa confiança. em nota de sua autoria. bem como as inúteis complicações dos ritos. posturas. temos o Evangelho. por exemplo. atrair um Espírito. “O Espiritismo e o magnetismo nos dão a chave de uma imensidade de fenômenos sobre os quais a ignorância teceu um sem-número de fábulas. porqüanto estes só são atraidos pelo pensamento e não pelas coisas materiais. fórmulas. ingênua ritualística da magia. as influências que podem exercer. sobre Espíritos encarnados ou desencarnados. O Espiritismo não ignora o fenômeno. e prosseguem: “Não há palavra sacramental nenhuma. de seus antigos possuidores no mundo. Se as influências astrais não favorecem a determi nadas criaturas.

107

singulares influências ocultas, porém, nosso esforço deve ser o da libertação
espiritual, sendo indispensável lutarmos contra os fetiches, para considerar tão-
somente os valores morais do homem na sua jornada para o Perfeito.”
(Destaques meus.)
O assunto mereceu também observações, ainda que sumãrias, de André
Luiz, em “Evolução em dois Mundos” — livro que talvez ainda levemos meio
século para desdobrar em todas as suas implicações. Diz o autor espiritual
que, a certo ponto da história evolutiva...

(1)“O Consolador”, questão numero 140.

- ... “Iniciou-se o correio entre o plano físico e o plano extrafísico, mas,
porque a ignorância embotasse ainda a mente humana, os médiuns primitivos
nada mais puderam realizar que a fascinação recíproca, ou magia elementar,
em que os desencarna dos, igualmente inferiores, eram aproveitados, por via
magnética, na execução de atividades materialonas, sem qualquer alicerce na
sublimação pessoal.”
E prossegue:
— “Apareceu então a goecia ou magia negra, à qual as inte ligências
superiores opuseram a religião por magia divina, acentuando-se a formação da
mitologia em todos os setores da vida tribal.”
“A luta entre os Espíritos retardados na sombra e os aspirantes da luz
encontrou seguro apoio nas almas encarnadas que lhes eram irmãs. Desde
essas eras recuadas, empenham-se o bem e o mal em tremendo conflito que
ainda está muito longe de terminar, com base na mediunidade consciente ou
inconsciente, técnica ou empírica.”
Essa digressão introdutória tornou-se indispensável para que a nossa
penetração no lusco-fusco da magia conte com um suporte de bom senso e
racionalismo, a funcionar como fio de Ariadne, que nos permita transitar pelos
seus meandros, sem o menor temor de perder o caminho de volta.
Não resta dúvida de que os fenômenos elementares de magia reportam-se
às eras primitivas, como nos assegura André Luiz. Embora os autores
especializados procurem distinguir magia de feitiçaria — e ainda veremos isto
um pouco adiante — a Enciclopédia Britânica lembra que o termo inglês para
esta última — “witchcraft” — quer dizer a arte ou ofício do sábio, de vez que a
raiz semântica da primeira seção da palavra — “witch” — está associada com a
palavra “wit”, saber.
Realmente, os magos, originários, segundo Lewis Spence (1), da antiga
Pérsia, eram cultores da sabedoria de Zoroastro. Possivelmente da raça média,
adquiriram enorme prestígio, especialmente,

(1) “An Encyclopaedia of Occultism”, University Books, New York, 1960.

ao que parece, depois que Ciro os institucionalizou, ao fundar o império persa,
sobre o qual exerceram considerável influência político-religiosa. É evidente
que esse prestígio tinha que ser alicerçado em rico acervo de conhecimentos,
pois o homem sempre respeita e, às vezes, teme aquele que sabe.
“Religião, filosofia e ciência — escreve Spence — estavam todas em suas
mãos. Eram médicos universais que curavam os doentes do corpo e do espírito
e em estrita consistência com essas características, socorriam as mazelas do

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Estado que é apenas o homem em sentido mais amplo.”
Distribuíram-se em três graus: os discípulos, os professores e os mestres, o
que vale dizer que o conhecimento de que dispunham os grandes mestres era
ministrado por processos iniciáticos, à medida que o discípulo revelava
condições de absorvê-lo e aplicá-lo rigorosamente, segundo os métodos e
interesses da Ordem.
A organização correspondeu generosamente ao apoio que recebeu de Círo,
muito contribuindo, com seus recursos, para consolidação das conquistas do
rei persa, mas, por volta do ano 500 antes do Cristo, entrou em desagregação,
especialmente por causa da tenaz perseguição de Dario Histaspes.
Emigrações em massa espalharam-nos pela Capadócia e pela Índia, mas
ainda eram uma força respeitável ao tempo de Alexandre, o Grande (356-323
a. C.) que, segundo Spence, sentiu-se enciumado de seus poderes.
São profundas as implicações da magia em alguns cultos reli giosos, mais
intensamente, é claro, nos primitivos, tanto quanto na medicina, na astrologia,
no magnetismo, na alquimia e em certas correntes místicas que prevalecem
até hoje.
Lewis Spence declara, no seu erudito verbete, que, a seu ver, misticismo e
magnetismo são idênticos para alguns ocultistas, entre os quais cita, em
tempos recentes, Auguste Comte, o Barão du Potet e o Barão de
Guldenstubbé, este último autor do livro “La Realité des Esprits”, publicado em
1857. (1)
Sir James Frazer (2) considera magia e religião uma só coisa, tão
identificadas se acham entre si. Isto é provavelmente verdadeiro

(1) Ver o artigo “O Tempo, o preconceito e a humildade”, em “Re-
formador”, agosto/1975.
(2) “The Golden Bough”, MacMilian, New York, 1951, eruditíssimo tratado
sobre magia e religião que, mesmo em forma condensada, apresenta-Se
com 827 páginas de texto. A obra completa consta de 12 volumes.

para as primitivas crenças, mas não para as religiões mais recentes, que
embora conservem sinais exteriores dos antigos cultos — simbolos, ritos,
fórmulas, encantações —, perderam contacto com os seus aspectos
esotéricos.
Um conceito reproduzido por Spence informa-nos que o apelo aos deuses
constitui prática religiosa, enquanto a prática da magia tenta forçá-los à
complacência. A religião é freqüentemente oficial e quase sempre organizada,
enquanto a magia é, usualmente, proibida e secreta.
Embora Spence nos fale da magia na Pérsia, sabemos que ela floresceu
amplamente no Egito, muito antes da época citada na sua obra. Os livros
mediúnicos de Rochester, vários deles publicados pela FEB, narram, com
minúcias de extremo realismo, processos terríveis de magia e ocultismo, como
em “O Chanceler de Ferro” e “Romance de uma Rainha”.
O segundo livro do Antigo Testamento — o Êxodo — especialmente nos
capítulos de números 5 a 13, narra o duelo entre os magos egípcios e hebreus,
ante a aturdida expectativa de todo o país.
Já antes disso, no capítulo 4, os guias espirituais de Moisés conferem-lhe
poderes ostensivos, pois certamente ele deveria conhecer bastante acerca dos
rituais e da teoria que os sustentava.

109

O Espírito que se apresenta como Jeová ordena que conduza o povo
hebreu para fora do Egito, mas Moisés revela sua impotência em convencer
sua gente a segui-lo.
— Não acreditarão em mim — diz ele — nem ouvirão a minha voz, pois
dirão: Jeová não te apareceu coisa alguma.
— Que tens tu na mão? — pergunta-lhe Jeová.
— Um cajado.
— Atira-o ao chão.
Mal atirado ao solo, o cajado transformou-se numa serpente. Ante o temor
de Moisés, o Espírito disse-lhe que a agarrasse pelo pescoço, o que ele fez,
voltando a serpente a ser um mero cajado.
Essa mesma “mágica”, no melhor sentido da palavra, Moisés faria diante do
Faraó e sua corte.
Segundo Will Durant (1), a crença na feitiçaria, na Idade Média, era
praticamente universal. “O Livro da Penitência”, do Bispo de

(1)“The Age of Falth”, Simon and Schuster, New York, 1950.

Exeter, condena as mulheres “que professam a faculdade de modificar a mente
dos homens pela feitiçaria, ou encantamento, como do ódio para o amor ou do
amor para o ódio, bem como enfeitiçar ou roubar os bens dos homens”, ou
ainda as que declaram “cavalgar durante certas noites certos animais, com um
bando de demônios em formas femininas, ou estarem em companhia de tais”.
Quando a Igreja resolveu entrar em cena para coibir a prática, criou-se um
clima de terror que, ao mesmo tempo em que combatia as crendices, parecia
atribuir-lhes certa substância, que mais as autenticavam na imaginação do
povo inculto, porque ninguém combate aquilo que não teme. As conseqüê ncias
dessas impiedosas perseguições foram danosas e lamentáveis para o
entendimento do fenômeno mediúnico, e é bem provável que a notícia que os
Espíritos superiores vieram trazer a Kardec, no século 19 pudesse ter sido
antecipada de um século ou mais, se em vez de queimar os médiuns
medievais, sob a acusação de que mantinham pactos com o demônio,
procurassem estudá-los com respeito e interesse. A despeito disso, não foram
poucos os prelados católicos que, durante toda a existência, mantiveram cultos
paralelos de magia negra, com os seus estranhos rituais.
Ao escrevermos este livro, o mundo moderno assiste, algo perplexo, a um
fantástico ressurgimento da magia negra e da feitiçaria, por toda parte e, desta
vez, não nos países menos desenvolvidos, ou primitivos, e sim nos de mais
avançada tecnologia e mais sofisticada cultura, como a Inglaterra, os Estados
Unidos, a França, a Itália.
A Britânica, tanto quanto Sir James Frazer, atribui à magia origens
nitidamente religiosas, sob a forma de cultos à base de animais sacrificados.
Oferendas de sangue e de estranhas substâncias eram feitas para propiciar os
deuses em troca de favores, fosse em benefício de alguém ou com a intenção
de destruí-lo.
Entre os ritos destinados a destruir um inimigo, por exemplo, o mais antigo,
dramático e conhecido, consiste em modelar uma pequena estátua
representativa da vítima, geralmente em cera, e, com os métodos apropriados,
espetá-lo com agulhas e punhais.
Seria impraticável, num resumo como este, repassar todo o campo da

110

magia e empreender sua avaliação em termos de Doutrina Espírita;
poderemos, não obstante, tentar oferecer algumas noções colhidas em
alentados livros, facilmente encontráveis no mercado, praticamente em todas
as línguas vivas.
Um desses autores é o médico francês, Dr. Gérard Encausse,
contemporâneo de Allan Kardec, que, sob o pseudônimo de Papus, escreveu
abundantemente sobre o assunto. Seu filho, o Dr. Philippe Encausse, também
médico, revelou igual interesse pela matéria, produzindo algumas obras sobre
o assunto, como “Sciences Occultes et Déséquilibre Mental”.
Colheremos algumas informações na obra de Papus intitulada “Tratado
Elementar de Magia Prática”. (1)
Antes de mergulharmos no seu livro, creio útil transmitir ao leitor espírita
uma idéia da posição de Papus em relação ao
Espiritismo:
“Existe, não obstante — escreve ele, à página 11 de seu livro —, uma forma
de experiências mágicas próprias para as pessoas pusilânimes, e que
aconselharemos a quantas desejarem divertir-se, dedicando, à sobremesa,
alguns momentos aos fenômenos de espiritismo. Nada têm de difíceis e sim
muito consoladores, e, afinal de contas, situam-se a tal distância da verdadeira
magia, que não há a temer nenhum acidente sério, desde que não se esqueça
da precaução de deixar as coisas no momento oportuno.”
Ao apreciar alguns aspectos da magia, da qual o Dr. Encausse é admirador
ardoroso, tentemos não ser tão radicais e superficiais como ele, em relação ao
Espiritismo.
Papus acata o princípio, também lembrado por Sir James Frazer, acima
citado, segundo o qual o mecanismo da magia precisa de um veículo entre a
vontade humana e as coisas inanimadas. Na opinião de Sir James Frazer, toda
a magia baseia-se na lei da simpatia, ou seja, “as coisas atuam umas sobre as
outras, a distância, por estarem secretamente ligadas entre si por laços
invisíveis
“Para isso — escreve Papus — o operador deverá aplicar sua vontade, não
sobre a matéria, mas sobre aquilo que incessantemente a modifica, o que a
Ciência Oculta denomina o plano de formação do mundo material, ou seja, o
plano astral.” (O primeiro destaque é meu; o segundo, do original.)
Esse plano, os magos concebem como sendo as forças da na tureza, das
quais, por certo, tanto se utilizam os trabalhadores do bem, como os outros.

(1) Tradução de medial Shaiah, 1974, 5ª edição da Editorial Kier, Buenos
Aires, do original francês “Traité Elementaire de Magia Pratique”.

“Não cabe dúvida — prossegue Papus — que são as forças da natureza
que o mágico deverá pôr em ação, sob o influxo da sua vontade; mas que
classe de forças são essas?”
Diz ele que são as forças hiperfísicas, assim entendidas as que apenas
diferem das energias meramente físicas nas suas origens, pois emanam de
seres vivos e não de mecanismos inanimados.
No fenômeno da pronta germinação, crescimento da planta e produção de
frutos, que alguns faquires teriam realizado, segundo testemunhos nos quais
Papus acredita, aconteceria apenas uma abundante doação, à semente, e
depois à planta e ao fruto, das energias orgânicas do faquir, que se poriam em

que se alimentariam da “substância astral” emanada do “imprudente que lhes deu vida”. revelam um despreparo comovedor. “A vontade do faquir — diz Papus — põe em ação uma força capaz de desenvolver. A mulher. “consagrado e perfumado”. a indústria.) O resto é aplicação prática desses princípios: se os orienta mos para o bem. atuando diretamente. 111 consonância com as energias armazenadas na semente. que utiliza o trabalho do homem.” À página 91. arcaremos com a responsabilidade correspondente. é um exemplo desse caso. ainda que sem tocar os tenebrosos domínios da magia negra. com a ajuda de uma grande e afiada lâmina de aço. resume ele a sua teorização. Para a criação dessas larvas. por meio da aplicação de certos princípios e de certas forças. modificando a estrutura do ser ou de um ponto qualquer na natureza.” A magia seria. levaria um ano para atingir aquele ponto de crescimento. e prossegui u: “Terminado que foi o desenho. basta que se tenha medo dos ataques de ódio de outra pessoa. Ao cuidarem dos problemas da obsessão. portanto. entram neste quadro. Num deles. a planta. e haveremos de declarar que a Magia (ele a escreve com letra maiúscula. que casadas aos elementos de nossa esfera faziam da câmara mediúnica precioso e complicado laboratório. E é precisamente na aplicação que mais veementes restrições o Espiritismo teria a fazer à magia. pura e simplesmente. A dita força não tem muitos e diversos nomes de bom sentido. não à forma exterior. em todos os seus ramos. em transe. outro de ação direta. magnetizando uma senhora na presença do obsidiado. em algumas horas. que. 3ª — Psiquicamente. Exemplifica ambos. A agricultura. mas aos fluídos que circulam dentro do aludido ser. optou pelo método indireto. uma ação consciente da vontade sobre a vida. com todas as suas transformações. chama-se vida. pela aplicação exterior de forças físicas. mesmo os adeptos mais bem informados da magia. embora escreva Espiritismo com letra minús cula) admite a possibilidade de influir sobre os fluídos astrais que atuam na natureza e sobre os que atuam nos homens. em condições normais. A . em Londres.” (Destaques meus. em todas as categorias. 2ª — Fisiológica ou astralmente. por exemplo. atribuindo a base do fenômeno à formação das chamadas larvas. não sobre os fluídos. uma fórmula e uma prece puseram em comunicação a imagem física com a forma astral e então cortamos o desenho em vários pedaços. mas sobre os princípios que os põem em movimento. Orientado pela descrição da mulher. via uma faixa fluídica pairando em certo recanto da residência da vítima. A definição completa proposta por Papus é a seguinte: “É a aplicação da vontade humana dinami zada à evolução rápida das forças vivas da natureza. Papus oferece dois métodos diferentes para tratamento dessas “obsessões”: um de ação indireta. obteremos resultados positivos. A Medicina. se os dirigirmos para o mal. a prática mediúnica espírita seria uma dessas causas. inclusive da Natureza em derredor. Papus desenhou a faixa num pedaço de papel branco. modificando a estrutura de um ser. e segundo Papus.” Vamos conferir: “Colaboradores desencarnados — escreve André Luiz (1) —extraiam forças de pessoas e coisas da sala. ao dizer que são três as maneiras de agir sobre a natureza: 1ª — Físicamente.

molhado em sangue. no seguinte: toma-se uma mecha de cabelos do obsidiado. também consagrados sob a influência de Júpiter ou de Apolo. na sua falta. Mas. na forma astral. Segundo o autor. merecem respeito e consideração. Os magos caldeus. pronunciando-se o Grande Conjuro de Salomão. Baseia-se no princípio de que as larvas e os elementais — seres algo animalizados que servem aos magos — alimentam-se da substância astral de que é muito rico o sangue. pelo menos depois de repetido três vezes. Por exemplos como estes. nos quatro pontos cardeais. antigos magos que levaram para a vida póstuma os conhecimentos especializados. colocar o cabelo. A reprodução destes métodos não tem por objeto aqui ridicula rizar o procedimento daqueles que os praticam. produzir resultados positivos. incontinenti. foi manipulada com habilidade e competência. sabem muito bem que pouca diferença existe entre esse procedimento e o recurso igualmente inócuo do exorcismo eclesiástico. com cabo de madeira envernizada) investir energicamente contra os cabelos. e irmãos nossos. inteiramente aleatórios. Escrever no interior do círculo. no entanto. Seus recursos e conhecimentos eram muito mais amplos e profundos. podemos admitir que os verdadeiros segredos da magia perderam-se há muito. persas e egípcios não ignoravam fenômenos elementares como os da obsessão. com uma ponta de aço comum. O método consiste. desenhando-o com uma mistura de carvão e ímã pulverizado. o paciente deverá aproximar-se e diante dele se molhará um punhado de seus cabelos no sangue de uma pomba ou de uma cobaia. as quatro letras do tetragrama sagrado. (1) “Nos Domínios da Mediunidade”. apenas porque alguém o ameaçou com uma espada. a ponto de tentarem curá-la com práticas tão ingênuas. ela se preservou para os Espíritos desencarnados. Aqueles que lidam com graves problemas obsessivos. Para isto. igualmente. Em seguida. Num ou noutro caso. em tempos idos. que. O segundo método (direto) seria recomendável para “os casos em que a obsessão toma um caráter especialmente grave”.” E. pois. que deverão ser incensados. Restaram apenas fragmentos de uma técnica que.. o oficiante deverá vestir-se de roupas brancas. estaria curada a “obsessão”. edição FEB. Em seguida. pois como seres humanos. seja porque o Espírito obsessor ficou algo impressionado com as complexidades do ritual. traçar à sua volta um círculo. ou porque resolveu. sobre uma pequena prancha. o processo raramente falha. de sete em sete dias. parece ainda oportuno reproduzir uma das normas coligidas por Papus: . limitamo-nos a expô-los. se desfez em pedaços. consagrando-os segundo o procedimento habitual. abandonar sua vítima. se essa técnica perdeu-se para os encarnados — pelo menos para os que têm escrito os tratados mais conhecidos de magia —. podem. capitulo 28 — “Efeitos Físicos”. A seguir. ordenando à larva que se dissolva. A propósito. com a espada mágica (ou. “sponte sua”. 112 mulher adormecida declarou que os cortes influiram. com isto.. mas é raro que um obsessor ferrenho e tenaz desista definitivamente da luta.

por exemplo. imaginar é ver. refere-se a ele com respeito e admiração. e o adepto. sob o império da sombra. foi escrita em 1855. quando o Espiritismo estava ainda na fase preliminar das mesas girantes. Só pode dispor do amor dos outros aquele que é dono do seu. Eliphas Levi também viveu no século 19 e sua obra “Dogma e Ritual da Alta Magia” (1). E. que perdoa. em sentido contrário. Papus usa uma imagem. em que o conceito fundamental da magia está na movimentação. num sentido. às vezes obscuro e nem sempre muito coerente. uma magia divina e uma magia infernal. do charlatão. encontramos em “Nos Domínios da Mediunidade” esta observação preciosa de Aulus: — “Abstenhamo-nos de julgar. não o entrega a ninguém. pontos importantes e ambos consideram o mago como o verdadeiro conhecedor e o feiticeiro como simples imitador. por vá rias vezes. ela nem ao menos reconhece que seu misterioso fundador foi saudado no seu berço por três magos. em proveito próprio. é indispensável para que a força aplicada. Aquele que deseja possuir. é a alma da magia negra. mentirosa e tene brosa. enquanto o feiticeiro é simples obreiro. em suas obras. aliás. como este. como esta. para o sábio. ou seja. para o mago. A vingança.” O estilo de Levi. e dos três mundos analógicos da filosofia oculta. Gérard Encausse tem-no em elevada conta e. do feiticeiro. Seus dogmas não são menos surpreendentes. porque deve ignorá-la ou perecer. e que vos tem perdoado a vós mesmos. “Há uma verdadeira e uma falsa ciência — escreve Levi —. porém. não deve dar-se. 113 “Tratai de não vos servir jamais desta arte contra vosso próximo.” A obra de Papus é bem mais didática e ordenada do que a de Levi. temos de revelar uma e desvendar outra. que poderemos aguardar senão a cegueira e a morte?” Outro autor bastante conceituado entre os entendidos é Eliphas Levi. mas os princípios fundamentais identificam-se em vários (1)Editora Pensamento. é algo pomposo. pelos embaixadores hieráticos das três partes do mundo conhecido. dos segredos e forças da natureza. Anésia. porém. aconselho-vos que é melhor imitar a Deus. isto é. diz ele. não se furta a algumas criticas veementes. Ambos concordam. “outra coisa não são . Consoante a lição do Mestre que hoje abraçamos. significa o eclipse absoluto da razão.” A despeito do apelo ao perdão. Mesmo assim. O Dr. Levi acata os principais dogmas ortodoxos: a divindade de Jesus. E não há ocasião mais meritória do que a de perdoar. dizendo que o mago é o engenheiro da magia. também. como. A despeito disso. a existência do céu e do inferno. Embora sem declarar-se católico. isto é. o de Papus. por exemplo: “Assim. falar é criar. temos de distinguir o mago. quem achará que sua vingança é injusta? Buscando novamente André Luiz. a não ser para uma vingança justa. Levi defende a tese de que a resistência. como nós o provaremos mais tarde. o amor deve ser nossa única atitude para com os adversários. se robus teça e a vença. São Paulo.” Quanto ao fenômeno das mesas girantes. por exemplo: “A Igreja ignora a magia. como. Mal por mal. a Trindade.

Sua descrição da evocação do Espírito de Apolônio de Tiana. e a plantei. deixa entrever que o domínio que muitos buscam exercer sobre o semelhante não está tanto nos ritos e nas práticas. em incontáveis sessões mediúnicas. caí num adormecimento profundo e acompanhado de sonhos. Então. “são ilusões produzidas pelas mesmas causas”. diante da abadia de Westminster. real e positivamente o demônio. a reconstituir as grandes cadeias simpáticas e religiosas”. e quando abri a boca para interrogar o fantasma. sem substâncias. Por isso. o que não combinava exatamente com a idéia que primeiro tinha de Apolônio. junto a mim. e. Desde que fiquei assentado. a cada instante. um homem estava diante de mim. círculos. realiza-se. como que um sopro. que procura uma cadeia de entusiasmo para formar novas correntes”. espadas e vestimentas especiais. tive imediatamente o braço adormecido até os ombros. às três horas. em magia negra. 114 senão correntes magnéticas que começam a formar-se. é o grande agente mágico empregado para o mal por uma vontade perversa. dentro de um envelope. “raps” e os instrumentos que tocam. no circulo junto a mim. por este signo. no entanto. quando ele recebe.” Às vezes.” Também o enfeitiçamento está dentro dessa linha de raciocínios. A figura humana reapareceu logo. se torna. a forma ficou mais confusa e ele desapareceu imediatamente. mas na própria psicologia humana: . então. que me pareceu ser mais cinzento do que branco. Ao cabo de complicadíssimo ritual. “O instrumento do enfeitiçamento não é outro senão o próprio grande agente. em Londres. a sua forma era magra.” Era uma senhora. fechando os olhos. e. Julguei entender que esta espada ofendia o Espírito. realmente: — “Chamei três vezes Apolônio.) Assim foi realizada a evocação que. envolto inteiramente por uma espécie de lençol. a mão sobre o signo do pentagrama. que dei dois passos para me assentar. Ordenei-lhe que voltasse: então senti passar. sob a influência de uma vontade má. no hotel. mas senti tão grande fraqueza nos meus ombros e um repentino desfalecimento apoderar-se de mim. então. após os juramentos devidos. aparentemente sozinhos. pela ponta. e colocou à disposição dele. um Espírito manifestou-se. é de uma riqueza impressionante de minúcias e começa com um sabor de romance de capa e espada. somente uma lembrança confusa e vaga.” (Destaques meus. apresenta o autor o que chama de revelação nova e que consiste no seguinte: “O diabo. triste e sem barba. e sem evocação. Experimentei uma sensação extraordinária de frio. e solicitações da natureza que nos convida. com toda a instrumentação necessária a uma evocação. para a salvação da humanidade. sem nenhum ritual complicado. quando os abri. arsenal completo. ordenando-lhe mentalmente. alguma coisa tendo-me tocado na mão que segurava a espada. de que me restou. quando voltei a mim. a não me amedrontar e a obedecer-me. me foi impossível articular um som. Quanto à magia negra. vos será apresentada a outra metade deste cartão. Pus. atribui “todos os fatos estranhos do movimento das mesas ao agente magnético universal. que. um cartão cortado transversalmente. Os golpes. com este recado: “Amanhã. e dirigi para ele a ponta da espada.

” De outras vezes. que os trabalhadores das sombras empenharão o melhor de seus esforços no levantamento de nossas fichas.. para nossa alma. Não nos impressionemos. Se estamos num grupo mediúnico bem constituído e harmonizado. sofreremos. porém tranqüilos e guardados na paz do Cristo. de nossa vida pregressa. Não exatamente por causa dos danos que possam causar-nos. Estejamos preparados. . Deve ser sem defeitos corporais e estar à prova de todas as contradições e de todos os sofrimentos.” “O magista — prossegue adiante — deve. Ë claro. ser impassível. por que tanto se empenham em conquistar a insensibilidade os Espíritos encarnados e desencarnados que fazem do domínio sobre o semelhante a meta de suas vidas: “Só o adepto de coração sem paixão — escreve Levi — disporá do amor ou ódio daqueles que quiser fazer de instrumento da sua ciência. que assim faz para reconquistar a sua coroa. serenos. Vejam este outro conselho: “Ter o maior respeito por si mesmo e considerar-se como um soberano desconhecido. impenetrável e inacessível a toda espécie de preconceitos ou terror.. apenas aquilo que estiver autorizado pela nossa ficha cármica. a fim de surpreenderem-nos no momento em que mostramos onde a nossa cerca está arrombada. 115 “Acariciar as fraquezas de uma individualidade é apoderar-se dela e fazer dela um instrumento. o que seria injusto. Se o nosso trabalho é de Deus. seus talismãs. Como nos disse um amigo espiritual. não é fácil lidar com os magos desencarnados. suas palavras misteriosas e secretas. e estais perdidos.” Ou então: “Todos nós temos um defeito dominante. estudando-nos sob todos os ângulos. para uns. nada conseguirão contra nós. destemidos. para poder impor a sua vontade. vigiando-nos. e. Entrarão em ação imediatamente. É preciso crer que se pode. ou seja. Estejamos vigilantes. de relance. “para poder é preciso crer que se pode e esta fé deve traduzir- se imediatamente em atos”. a vaidade. pois. confiantes. pensam eles. mas é claro que. e é por ele que o inimigo sempre nos pode pegar. porém. para enfrentar os companheiros desarmonizados. com os seus rituais. Nada sofreremos em razão do próprio trabalho de desobsessão. na ordem dos mesmos erros e das mesmas depravações. certa vez. quando uma vontade firme e dinâmica sustenta os seus interesses.” Em suma. Que um espírito hábil e mau se apodere desta mola. sigamos em frente. porém. o egoísmo para o maior número. como dizia Levi. como que o umbigo do seu nascimento pecador. no decorrer do trabalho de desobsessão. ele tem que aprender a querer. A primeira e mais importante das obras mágicas échegar a esta rara superioridade. pois.” Por causa desse e de outros princípios e noções. como seres imperfeitos que somos. Aqueles que por longos séculos vêm praticando a magia. e preguiça para outros. e esta fé deve traduzir-se imediatamente em atos. A instrumentação é secundária. temos abertas as brechas das nossas próprias imperfeições. desinteressado. que é. Estão convictos de que poderão atingir-nos. sóbrio e casto. é só questão de tempo e oportunidade. seus gestos. estão habituados a vencer pela vontade disciplinada — que aprenderam a dominar — todos os obstáculos. suas evocações. percebemos.

Quem a presenciou pode fazer idéia. pois ela não encontra ressonância e. é válido. as angústias. o desespero. de forças naturais e de toda a parafernália que lhes proporcionava poderes secretos e misteriosos. nem se perdeu o conhecimento dos mecanismos de certas leis do magnetismo. não alcança êxito junto àqueles que já se redimiram. os desenganos. ou que. de rastros. revertidos ao mundo espiritual. velas. em tempos idos. reduzido a uma deplo rável Condição subumana de pavor e deformação perispiritual. Nosso médium viu-o atirar esse pobre espírito. perseguição. excepcionalmente. Um deles trouxe -nos — certamente para intimidar-nos — um pobre ser espiritual inteiramente dominado. pela vigilância e pela prática da caridade. e revezam-se na carne e no além. À visão espiritual de nossos médiuns apresentavam-se com as vestimentas e os simbolos de sua preferência. Magos do passado. mais profundamente humano de suas vidas: quando entrevêem uma réstia de luz a iluminar-lhes o próprio coração. de que a magia baseia-se na simpatia. praticaram a magia e. em lamentáveis e tenebrosas práticas de dominação e vingança. Toda aquela serenidade aparente desmorona. infligindo sofrimentos atrozes aos infelizes que lhes caem sob o poder maligno e infeliz. do qual a infeliz vítima não podia livrar-se. estamos em condições de entender muitos desses segredos e mistérios. em trabalhos de esclarecimento mediúnico. alguns empenhados em finalidades nobres. ou portando “obje tos”. Não que a magia tenha poderes por si mesma. num círculo magnético infernal. mas sobre os seus Espíritos atormentados. porque a dor do despertamento é. no serviço ao próximo. o mago sempre foi um médium. diríamos que se trata de sintonia vibratória. mais sério. pois este é o momento mais grave. Lembremo-nos de que os Espíritos que na Terra estiveram envolvidos nas práticas mágicas não desapareceram. quase sempre. no interesse de ambos. * Por mais de uma vez temos tido experiências com processos de magia. construti vas e reparadoras. para servi-los. Estejamos prontos para ajudá-los. ligados por interesses comuns. com os quais se afina bem. esmagadora. que continuando no Além seus estudos e práticas. comparecem. Em Espiritismo. É preciso tratá -los com carinho. acham-se defendidos pela prece. pelo menos. aos trabalhos de desobsessão nos quais se acham envolvidos. no fundo. da manipulação de drogas e fluídos. por mais que se debatesse. da hipnose. retomaram suas experiências. substâncias e até acompanhados de acólitos. Com os esclarecimentos contidos hoje na Doutrina Espírita. em toda a sua profundidade. pois. os remorsos. século após século. por conseguinte. os escombros dos antigos sonhos. embora aparentemente següros e frios. apoiando-se mutuamente. porque senti-la. Entre eles encontramos até ex-sacerdotes católicos que. O conceito de Sir James Frazer. os fantasmas que trazem no íntimo. pois não gostam de descobrir-se. 116 Temos que atuar não sobre esses sinais exteriores dos seus cultos. com humildade e singela compreensão. assistido por companheiros desencarnados. tortura. mas muito reais. poções. Era um exemplo para . somente aquele que a experimentou. e outros envolvidos. Os Espíritos vivem em grupos. signos. quando conseguimos convencê- los de seus trágicos enganos.

um desses visitantes sinistros deixou sobre a mesa. Não se detêm diante de nenhum escrúpulo. disse ele. num terreiro. Uma para cada um de nós.. oprimem para não serem oprimidos. Um caso marcou época. pela sua extraordinária sofisticação. Sabem muito bem que no dia em que “fraquejarem”. e partiu. e oferece riscos realmente sérios. se aquele a quem ele visava propusesse um “pacto”. as mais das vezes. do erro. de cores dife rentes. declarou que sua vítima “estava amarrada”. Depois de seu ritual. ou lanternas. O mago era realmente profundo conhecedor de sua arte e engendrou um mecanismo magnético. incessantemente: —Quer que vire. pronta para o “serviço”. Não podia deixar de atender ao “irmão de sangue”. De outra vez. Tinha recebido uma solicitação. Mais tarde manifestou-se outro de sua equipe — ou seria ele mesmo? — com a proposta de “desfazer” o trabalho. especificamente. Tinha diante de si um prato de sangue. Os magos desencarnados são. 117 nós. melhor do que ele. É claro que ela age apenas quando e onde encontra as necessárias brechas e o condicionamento da culpa. de pés e mãos atados. E repetia. não temem represálias. as mentes de quatro seres encarnados. porém. o mago foi completamente desarmado em suas táticas. segundo relato de um de nossos videntes. como todo Espírito envolvido nas sombras das suas paixões inferiores. empenhado em trabalhos redentores. subjugadas aos seus propósitos. eu viro. alcançar seus objetivos ocultos e lamentáveis. colocaram sete lâmpadas. experimentados e conhecedores profundos das mazelas e fraquezàs humanas. através do qual mantinha. pois obviamente teria sido muito mais fácil. Mais do que isso: por processos que não se revelaram aos nossos sentidos. com o qual pretendia alcançar-nos. também antigos magos. eu viro. Em suma. tentando dominar pelo terror. passou para outro médium. porque não o obedecia. a magia é mais comum do que desejaríamos admitir. pois vivem disso. a fim de que deixássemos de interferir em sua atividade. Acontece. inteligentes. Atacam para nao serem atacados. que entregaria a ele sua vítima. Nosso médium viu apenas que. Sabem. Outro veio traçar signos e fazer invocações contra um de nós. da falta. embora reclamando que seu “cavalo” não prestava. Um desses companheiros infelizes confessou que via ao nosso lado quem. sempre presentes para contraporem seus conhecimentos e recursos às desesperadas tentativas desses irmãos. . conhecia os segredos de sua arte e a neutralizava. e apresentou-se agora com outro nome. contra os quais os grupos mediúnicos têm que estar muito bem preparados e assistidos. Quer que vire. pequenas caveiras com as órbitas iluminadas por uma baça luz vermelha. profundos conhecedores desses trabalhos. ao apelo do amor e do perdão. que nos sintoniza com o mal e nos expõe à aproximação dos implacáveis cobradores das trevas.. agarrados ainda ao lado escuro da vida. Não. são pouco acessíveis à doutrinação. para ele. cumprido à nossa vista. com o que ele ficou muito desapontado. no mesmo grupo. Vendo-se recusado. não queríamos que ele virasse. o grupo dispõe de proteção e ajuda de companheiros redimidos. em torno dele. que somente estarão protegidos da dor enquanto mantiverem em torno de si mesmos aquele clima de terror. espalham a dor para fugirem às suas próprias. selada com sangue. tão cuidadosamente planejadas. que. nas suas práticas funestas. -.

utilizam-se da vontade bem treinada. Não há outro caminho. paradoxalmente. de que um dia — não importa quando — terão fatalmente que enfrentar a realidade de si mesmos. em seu proveito. só pode contar com sofrimentos durante a subida. . para movimentar. aceitarem a realidade maior. chegará o duro momento da verdade e começará a longa escalada de volta. pois o mal não é eterno. demoram- se no erro que. Estão perfeitamente conscientes. no entanto. as forças da Natureza. 118 ou seja. Por isso são implacáveis e. que muito bem conhecem. por -isso. Enquanto isso. os compromete cada vez mais. E quem desceu semeando sofrimentos.

que contam. os métodos da hipnose e do magnetismo. Os Espíritos superiores utilizam-se da hipnose para socorrer.. como recurso extremo para desalojar realidades soterradas na memória profunda do ser e que precisam ser trazidas à tona para desencadear o mecanismo da recuperação. um ao outro. harmonizado em substâncias extraídas dos raios solares — cujo magnetismo exercerá a influência do ímã —. (Grifos meus. Lá. com profundos conhecedores e hábeis experimentadores dessas técnicas de indução.. Pereira. nos recessos da afinidade profunda. os hipnotiza dores do espaço utilizam- se de recursos extremamente sofisticados. as recordações. psicografia de Yvonne A. nos processos obsessivos. isto é. é imprescindível que a onda do hipnotizador se case perfeitamente à onda do hipnotizado.. com enorme respeito e carinho. com que costumamos medir. reproduzir e movimentar os pensamentos. qual se estivessem iungidos. o autor espiritual oferece exemplos desses trabalhos redentores. mas para os procedimentos mais elaborados. os arquivos da mente.” . movimentam. 2ª parte. tanto entre os Espíritos esclarecidos e despertos para as verdades maiores. da 4ª edição da Federação Espírita Brasileira. Os desajusta dos. para que haja sintonia nas ações que envolvam compromisso moral. no Além. como entre aqueles que ainda se debatem nas sombras de suas paixões.) É claro. com plena identidade de tendências ou opiniões. basta uma indução superficial. como o ato pelo qual uma idéia é despertada no cérebro e aceita por ele. como por encanto. os métodos são os mesmos. este também é neutro. como em quase toda a problemática espiritual. para ajudar. tanto pode ser usado para ajudar a levantar o ser que caiu.. “.. é uma espécie de termômetro ou máquina fotográfica. no seu sentido mais lato — escreve Bernheim. páginas 220 e seguinte. ressurgem. os atos passados que se imprimiram nos refolhos psíquicos da mente e que. em “Hypnotisme et Suggestion” —. (1) “Memórias de um Suicida”. como entre os encarnados. por métodos hipnóticos e magnéticos. nos atos mais complexos do Espírito — ensina André Luiz. “Defino a sugestão. em que espíritos altamente credenciados. Desdobra-se ali um processo de regressão irresistível. competentes e moralizados. vamos encontrar o mesmo dispositivo da sintonia vibratória. que nisto. capitulo 2º — “Os arquivos da alma”.. em “Mecanismos da Mediunidade” —. dos escombros da memória profunda de nossos discípulos. moralmente. para dominar e punir. como todo recurso do conhecimento humano. pois. para aliviar. pela ação magnética. para impressionarem a placa e se tornarem visíveis como a própria realidade que foi vivida!. para corrigir desvios. Mas. como para fazer cair aquele que está de pé. (1) — O aparelhamento que vedes — explica um dos instrutores —. 119 22 MAGNETIZADORES E HIPNOTIZADORES São amplamente utilizados. Para incumbências de importância secundária. Em “Memórias de um Suicida”.

. que os coloca em condições de ajustarem-se fluídicamente. Coloquei-a na frente de seus olhos e lhe disse: — Pode pegar. pois não apenas a sugestão se lhe ia implantando cada vez mais na vontade. é preciso que hipnotizador e hipnotizado estejam “jungidos moralmente um ao outro. a serem desenvolvidas depois. hábil magnetizador.. com o médium coberto de suor. com os dedos unidos. Não é nada fácil lidar com esses terríveis manipuladores da mente humana. em nossa presença. pretendeu usar comigo a sua técnica. vemos que há uma condição básica. Com freqüéncia. nos recessos da afinidade profunda”. As vezes. num intercâmbio vibratório. ou mesmo durante a vigília. Odeio meu pai. mesmo que forçada. que instaura o processo do domínio. certamente. Matar meu pai. desde que alcancem os resultados que desejam. Nada os detém e. porém. nesse campo. que é a da aceitação pelo “sujet”. O Espírito culpado. Para isso. Temos presenciado alguns casos dramáticos. os hipnotizadores procuram atuar sobre os membros encarnados do grupo.. manipulam com extrema habilidade os dispositivos da culpa e da cobrança. Matar minha mãe. e pediu a ajuda de Deus. Odeio minha mãe. para eles. vingança e morte. falando continuamente. por meio de passes de dispersão. de preces e de contra- sugestões. Certa vez. exausto. ou seja. Ele hesitou um instante e depois agarrou-a fortemente. Seja qual for.. por causa de sua própria invigilância. O pobre irmão repetia incessantemente: — Odeio minha mãe. os companheiros que assistem o grupo. como diz André Luiz. por algum tempo. sem parar. ainda encarnada.. como ainda. um Espírito atormentado e. ele recebeu . ele era impedido de ouvir as observações do doutrinador. Parou. a própria lei de causa e efeito. antes de iniciarem o trabalho propriamente dito. convencido dessa culpabilidade. tudo é válido. Através da minha mão. este irmão não se furtava com facilidade à terrível influência de seu perseguidor que. interferem de maneira sutil. cede e entrega-se.. respiração opressa e acelerada.. Para esta aceitação. Alguns magnetizadores e hipnotizadores adotam o procedimento de segurar os polegares de seus “sujets”. tentava induzi- lo a arrastar toda a sua família.. foi possível libertá-lo. do lado da luz.. Algo então aconteceu de estranho e curioso. pois a sugestão é transmitida ao Espírito. E assim por diante. mas eficaz. Já lembramos. pelo menos para uma trégua. e não ao cérebro. algures neste livro. à desencarnação. também. recaiu sob seu domínio. Com isto se afinizam com ele (ou ela). lançando as bases de induções preliminares... aquele companheiro desencarnado que. sugerindo- lhe idéias de ódio. o processo — e não podemos aqui fazer estudo mais profundo e extenso do fenômeno — os hipnotizadores e magnetizadores das trevas acabam por alcançar o domínio de suas vítimas depois de obterem a aceitação de que nos fala Bemheim.. Mesmo incorporado ao médium. sem que eu apertasse a sua: mantinha minha mão estendida. Odeio meu irmão. 120 Passando por sobre a conotação materialista da definição proposta. pois conseguíramos que ele dissesse que amava a mãe e não que a odiava. durante o desprendimento do sono. Pediu- me a mão. Com um esforço muito grande. mesmo depois de resgatado e posto a salvo da faixa vibratória de seu hipnotizador.

Outro que tentava me dominar por meio de passes magnéticos. mas nada podia contra eles. os elementos plásticos do perispírito. acima de tudo. inextricáveis.. em “Libertação” —a génese dos fenômenos de licantropia. Talvez algo temeroso. para o bem. tinha atrás de si. também se utilizava de processos de magnetismo e magia contra o grupo. de “o homem da mão” . começou a chamar-me. segundo nos informou. e por mais esforço que fizesse. Certa ocasião. e não eu a dele. que estava sendo atendido. pensou em retirar logo a sua mão e não o conseguia! Embora ele é que segurasse a minha mão.. como casos de zoantropia. utilizando-se. o próprio médium que o recebeu — um dos nossos queridos companheiros. E é pela magnetização (passes) positiva que se torna possível restituir-lhes a condição normal. O hipnotismo é tão velho quanto o mundo e é recurso empregado pelos bons e pelos maus. durante sete anos. Procedimentos magnéticos são também usados para reduzir seres gravemente endívidados a condições de extrema e aviltante deformação perispiritual. profundo conhecedor do assunto. que o atingiu na altura do plexo cardíaco. com ironia. 121 uma espécie de choque elétrico. tomando-se por base. de técnica superior à dele. ainda. Trouxera os seus instrumentos e as substâncias necessárias. A certa altura. — “Temos aqui — escreve André Luiz. depois da sessão. um irmão transviado. para a investigação dos médicos encarnados. inclusive com a outra mão tentando desprender seus dedos. sobre os quais já falei neste livro. percebeu a presença daqueles que nos defendiam. sentindo-se animal. só a muito custo libertou-se do laço magnético. ele nos dizia que sabia o que os nossos amigos estavam fazendo. da próxima vez que compareceu. Isto o impressionou de tal forma que. o rei poderoso a que se refere a Bíblia? Conta-nos o Livro Sagrado que ele viveu.) . Lembras-te de Nabucodono sor.” (Destaques meus. evidentemente uma descarga magnética. por certo. que neutralizava todo o seu trabalho junto a mim. mas evidentemente também com respeito. Como que pensando alto.

a força irresistível do amor. que são usadas à falta de outras. A questão é bem mais complexa do que parece à superfície. talvez sejam convenientes algumas observações de caráter doutrinário. entregam-se a essas tarefas redentoras. que. não tendo sexo. à renúncia. alcançando o ponto desejado. perguntei a um amigo espiritual por que difere tanto. do desenvolvimento harmonioso de todas as faculdades possíveis ao ser humano. Que papel representam as mulheres. ampliar um pouco mais a questão. na sua estrutura psíquica. os Espíritos deveriam ser assemelhados? Disse-me ele. cada sexo. Aquele que só como homem encarnasse só saberia o que sabem os homens. ao passo que a mulher inclina -se mais à compassividade. Cada sessão traz as suas surpresas. mas em número bem mais reduzido que os homens. o poder do passe. até que. cada manifestação suas lições e ensinamentos. Tentemos. portanto. renascendo continuamente como homem ou mulher. conservam características em comum.) Ao comentar as respostas. (Questões números 200 a 202. em detrimento de outras. um dia. que perseguem. O Espiritismo ensina que o Espírito não tem sexo. Visto que lhes cumpre progredir em tudo. nesses dramas que se desenrolam entre os dois mundos? Há mulheres obsessoras? Há mulheres que se vingam. Assim é. ensejo de ganharem experiência. o Espírito encarnado como homem. de “O Livro dos Espíritos”. ao recato. porque não têm sexo. Kardec escreveu o seguinte: “Os Espíritos encarnam como homens ou como mulheres. ao se reencarnarem. não obstante. como cada posição social. ao longo dos anos. se. possa encetar outras realizações. um ou outro sexo. menos sentimental. na esperança de alcançar uma visão mais clara de suas dificuldades. Ao responderem à . constituem experiência inesquecível para aqueles que. ou melhor. dado a gestos de coragem física. optam pelo aprimoramento de alguns aspectos espirituais em que este jam particularmente interessados. angústias. podendo encarnar-se como homem ou como mulher. dores e ódios. coerente com os postulados doutrinários. Por que isso. A contínua observação desse vaivém de companheiros desencarnados. daquele que se encarna como mulher. sendo. o desfile trágico de problemas. em diferentes existências. mas. Como a perfeição deverá resultar. Certa vez. que odeiam? Sim. aceitam condições que lhes facultam desenvolvimento de certas faculdades. Uma pergunta poderá ser colocada agora. como Espíritos. mais acessível à emoção e aos sentimentos. não são muito precisas as expressões Espírito feminino e Espírito masculino. mas que costuma escolher. 122 23 MULHERES O trabalho mediúnico oferece insuspeitadas condições de aprendizado. cultivando-as em buques. * Antes de prosseguir. com isso. lhes proporciona provações e deveres especiais e. preferentemente. O homem é mais agressivo. é natural que este tenha que ir por etapas.” Dessa forma. as maravilhas da prece. realmente.

ainda. se enquadram nas indispensáveis provações ou testemunhos de cada individuo”. sob o título “Problema da alimentação”. por sua vez. Quando a direção da colônia tomou providências mais enérgicas para coibir os abusos. De fato. representado pelo Espírito imortal. Foram implantadas severas medidas de correção e reajuste. pois fica contida nos limites extremos da organização perispiritual. Para não alongar demais esta digressão. Queriam mesas lautas. estabeleceu-se um comércio clandestino com os representantes das trevas que. Por outro lado. por conseguinte. que o ser encarnado resulta de um “arranjo” entre três componentes distintos: espírito. sugiro a releitura do capítulo 99 de “Nosso Lar”. utilizavam-se desse lamentável inter- câmbio como instrumento de infiltração e assalto à vasta organização regeneradora intitulada “Nosso Lar”. que sim. mas disseram o bastante para compreendermos alguns pontos essenciais. com uma pesada carga fluídica. capitulo 6º. e prossegue acrescentando que tal exteriorização “subordina (-se) aos imperativos da matéria mais grosseira. bebidas excitantes. como sempre. e do corpo espiritual pelo citoplasma em que se implantam. Isto é confirmado pelos relatos mediúnicos. “dilatando velhos vícios terrenos”. de sensações e necessidades bem semelhantes às que experimentava na carne. que os seres que trazem o perispírito ainda espesso. 123 pergunta formulada por Kardec (Têm sexos os Espíritos?). (2) Evolução em dois Mundos”. que não era tempo. Há entre eles amor e simpatia. ainda bastante densa. capítulo 1 — “Ciências Fundamentais: Biologia”. mas baseados na concordância dos sentimentos. pois. através das brechas que as nossas paixões inferiores lhes abrem. de aprofundar mais a questão. em virtude da condição perispiritual.) É bastante compreensível. FEB. partilham do corpo físico pelo núcleo da célula em que se mantêm. Essa interdependência entre corpo físico e perispírito é acentuada por André Luiz (2) ao declarar que: “Os cromossomos. mas os alimentos não foram totalmente abolidos. . estruturados em grânulos infinitesimais de natureza fisiopsicossomática.” Certamente que sentiram. Ao declararem que o sexo depende da organização. a Doutrina nos ensina. Muitos dos recém-chegados da carne “duplicavam exigências”. sendo a série André Luiz bastante rica em informações desse tipo.” (Destaques meus. Informa Lísias que. nada de materialidade e. pela desencarnação. regressem ao mundo póstumo. há cerca de um século. 3ª edição. as quais. pois o corpo físico “e uma exteriorização aproximada do corpo perispiritual”. agindo. alhures. deixaram bem entendido que a diferenciação sexual não alcança o núcleo da individualidade. esses instrutores. profundamente impreg (1) “O Consolador”. a questão alimentar era muito séria ali na colônia. em resposta à pergunta número 30: “Há órgãos no corpo espiritual?” (1). Emmanuel informa. 4ª edição. da grande maioria dos que habitam aquela colônia.. pois que os sexos dependem da organização. perispírito e corpo físico. os instrutores informaram o seguinte: “Não como o entendeis. no mecanismo das heranças celulares. página 50.

pois que. a troco de favores. do estudo doutrinário e das observações colhidas. os de sexo não ficam totalmente eliminados por um passe de mágica. qualquer que seja sua forma de expressão. fatalmente. “sapatos” e “perfumes”. mas. 124 No capítulo 18 dessa mesma obra. que as dispensam quase por completo. um dia. Alguns são mesmo particularmente agressivos. perseguem. Despendemos grande quantidade de energias. o que exige longos períodos de reparação. tendo em vista os serviços pesados que as circunstâncias impõem. mancomunados aos seus comparsas das sombras. É necessário renovar provisões de força. A loucura. Há residências. obsidiam. Exercem seus poderes de sedução sobre outros seres. suas ânsias. rancorosos e violentos. recaem. em que se debatem. senão transmudada no estado de sublimação. em “Nosso Lar”. não podemos prescindir dos concentrados fluídicos. mesmo para aqueles Espíritos mais esclarecidos. apenas a lembrança de uma experiência valiosa que. a alimentação com substâ ncias concentradas é ainda indispensável. que lhes asseguram uma “boa vida” de prazeres e proteção contra a dor que as espera fatalmente. não procede de simples modificações do cérebro: dimana da desassociação dos centros perispiriticos. sentindo e agindo como tais. lhe serviu de degrau para a sua escalada. nossas perguntas iniciais. ganham “vestimentas”. por Espíritos credenciados. — “Entre os casais mais espiritualizados — informa Laura a André —. Prestam serviços tene brosos junto a companheiros encarnados. nas zonas do Ministério do Auxílio. ainda que mais humildes. continuam mulheres. para o reencontro. tombam em situações calamitosas no mundo póstumo. o sexo será. será destruida. portanto. a realização transitória. a dedicação e o entendimento mútuos permanecem muito acima da união física. . Espíritos que passaram por experiências no sexo feminino também odeiam. junto com a sutili zação progressiva do Espírito.) Não resta dúvida. para o Espírito. A sublimação há de marchar.” (Destaques meus. reduzida. entre eles. levando para o Além as suas frustrações.) Portanto. nossas refeições aqui são muito mais agradáveis que na Terra. Assim. porém. mais adiante: “Convictos desta realidade universal (a aquisição gradativa das virtudes) não podemos esquecer que nenhuma exteriorização do instinto sexual na Terra. que o sexo persiste no mundo póstumo. É que. em faixas desarmonizadas. infelizmente. “jóias”. até que seja subli mado. Somente os mais purificados conseguem libertar-se dos apelos da carne. Retomando.” E. lá na frente. Laura informa que: — “Afinal. seus desvios. Nesse estado. poderemos responder que. para darem prosseguimento ao exercício das paixões incontroladas. no imenso laboratório da vida. Espíritos enredados nas tramas da sensualidade.” “Inútil é supor — diz um elevado instrutor (1) — que a morte física ofereça solução pacífica aos espíritos em extremo desequilíbrio. da mesma forma que os problemas alimentares. que se entregam a tarefas redentoras. o carinho e a confiança. simplesmente porque se deu a desencarnação. que entregam o corpo aos desregramentos passionais. chegado à condição de pureza.” (Destaques meus. por isso. entre outras. onde se consorciam com outros seres igualmente desarvorados.

ela também fora traída. desgastadas pelo sofrimento. Trata-me com condescendência e superiori dade. Tem a voz suave. e a isentava de culpa. para o que contava com o apoio de um sacerdote desencarnado. Já há algum tempo vinha tentando induzir um dos componentes do grupo a uma atitude extremamente arriscada. Localizando-o como encarnado. tentando destruir um lar. Seria apenas a antecipação do que. “absolvendo-a”. estava já programado para mais tarde. Já lembrei. Temos tido algumas experiências com espíritos femininos. o caso da irmã que se empenhava em perturbar uma família. aconselha -me. portanto. apresentava-se bem vestida. comparece aos nossos trabalhos mediúnicos. Ainda muito condescendente. Várias vezes tentou influenciar o nosso companheiro. ou durante o desdobramento do sono natural. Ela continua a negacear. da responsabilidade. esguia. que a incentivava. muito segura. Ri-se. aquela pobre companheira. quando aquele a quem amava abandonou-a. pára a exposição para rir. perambulando. a juntar minhas coisas e partir enquanto é tempo. perseguia-o. Do mundo espiritual. cordial. segundo o Espírito. noutro ponto deste livro. que transviava um homem encarnado e era recompensada com festas. FEB. bem-cuidada. porque é a favorita. 5ª edIção. reduzidas à condição mais abjeta. tenham um impulso de arrependimento que lhes possibilite o socorro de que tanto necessitam. sorridente. elegante. dizendo que é uma mulher e não é dada à Filosofia. envolvente e doce. em encarnação anterior. pois deixa entrever que se decepcionou profundamente comigo. provavelmente no confessionário. vestidos bonitos e prazeres. inteligente. faz gestos graciosos e parece imensamente segura de si mesma. Não haveria culpa alguma. Quando lhe formulo questão mais complexa. como se fosse a coisa mais natural do mundo. mas se mostra visivelmente transtornada. Tivemos o caso de uma jovem que se suicidara por uma paixão desvairada. em andrajos imundos. até que. tentando — e conseguindo — induzi-lo a erros bastante sérios. perde a calma. Diz que no mundo em que vive é muito poderosa. inteligente e tranqüila. Esquiva -se habilmente às perguntas. grávida e na vergonha. apresentando-se ante seus olhos espirituais. em cumprimento a “ordens superiores”. sob a alegação de que. Conta casos. provavelmente. são escravizadas. desculpa-se. desengonçado e ridículo. como amiga. muito divertida da situação. Era “físicamente” simpática. pois não tenho a menor idéia do que estou fazendo e onde estou me metendo. educada. Outra — fora irmã de caridade — atormentava uma criatura encarnada. O caso era apresentado de maneira sutil. sorri. De vez em quando. unhas muito polidas. numa antiga encarnação na Escócia. por vales de sombras espessas. também. Finalmente. Diz-se muito bela. sugerem-me que lhe pergunte por que fugiu de um certo castelo inglês. De outras vezes. Por fim. Em certa oportunidade compareceu uma bem mais difícil. e seviciadas. capitulo 11 — “Sexo”. Vimos. Informa que “trabalha” junto a casais e que seu objetivo é libertar a mulher. sem preconceitos. para que todas sejam como ela. Conhecia-me apenas de nome e a realidade não confere com a imagem que formulou a respeito da minha aparência. abandona a atitude de inconseqüente e . teleguiada por hábeis indutores. feio. felizes e livres para gozar a vida. dementadas. 125 (1) “No Mundo Maior”. Acha-me.

a serviço dos seus mandantes. é mera criação de sua mente. enquanto revê as cenas. no entanto. esperava. e começa a temer o momento fatal em que terá de deixar o médium para enfrentar a nova realidade que se pastou diante dela subitamente. de prazer insano. se sente prisioneira numa ilha sinistra. e ordena-me autoritariamente que me sente. desprende-se com enorme sofrimento para o médium. começa nela um fulminante processo de envelhecimento. para que ela pudesse. Também é das que se dizem atraentes e sedutoras. tudo aquilo lhe fora mostrado em retrospecto. obviamente. Dirijo a ele algumas palavras. para me provar que não tenho razão. de que tanto se orgulha. suportar a lembrança das suas próprias atrocidades. Ela me responde em perfeito inglês: . Na organização em que vive. É chegado o momento de começar realmente o processo de doutrinação. não inesperadamente. Ainda se fossem outras conversas. Teria descoberto que o pobre doutrinador é muito amado e teve o desejo de conhecê-lo pessoalmente. para permanecer junto do médium que a recebe. que ficou com os resíduos da sua profunda e dolorosa angústia. o seu futuro. Seu ex-marido incorpora-se em outro médiuni e atira-lhe impropérios. A despeito do seu preparo. Pede um espelho. empenhada em fascinar criaturas encarnadas e desencarnadas. ante o desespero em que ela se precipita. dize ndo que não adianta mostrar-lhe nada. Ela ainda consegue dizer que seu ventre secou e. tentando acalmá-lo. não obstante. Declara-se muito sutil e por isso é destacada para missões delicadas.. É uma longa e penosa agonia! Sente as mãos sujas de sangue. Nesse ponto. mas ela está bem preparada para o confronto. Diz-lhe que está à sua espera e ri. maliciosamente. e me volto para ela. sem se perturbar e perder o “equilíbrio”. e não um desenxabido senhor de cabeça a branquear. 126 superior condescendência. numa emergência como esta. muito sorridente. que não venha com as minhas conversas macias. detesta aquele vestido vermelho. É um antigo esposo. em outros Espíritos endívidados. chamando-a de assassina.. Até aqui — o trabalho todo durou cerca de uma hora — o tempo foi aplicado em tatear a sua personalidade e os seus problemas. já dispomos de alguns elementos mais concretos. De repente. por certo. Digo- lhe. Agora. principalmente. para ajudá-la a enfrentar o seu problema. que eu fosse jovem e belo. está aparentemente segura e coretinua a rir-se de tudo. Vai logo dizendo. Agora. que não consegue trocar. por certo. como favorita de um poderoso líder das trevas. a pobre e querida irmã. ao mesmo tempo em que suas roupas apresentam-se sujas e em frangalhos. vê junto dela um Espírito de aparência agressiva e pejado de vibrações desarmonizadas. diz. Presa aos seus condicionamentos. no entanto. de quem ela matou todos os filhos recém-nascidos e os enterrou no jardim. tivemos outra manifestação de Espírito feminino. mas. Poucas semanas depois deste caso. por isso. Não queria filhos.1º burned all the bridges behind me. estando. não resiste muito tempo e entra em crise dolorosa. porque eles “deformam o corpo”. a fim de obter informações. por fim. . mal pode esconder seu desapontamento. (Queimei todas as pontes por que passei. o que não quero fazer. as suas recordações e. entre dentes. Elà pressente as dores que a esperam. em filme. por meio de imagens vivas. pois muitas vezes deve ter presenciado esse momento dramático. que sua beleza física.) Respondo-lhe que tentou também queimar as pontes para o futuro e. Está igualmente preparada para esse encontro. de início.

a chorar às escondidas. responde corretamente que o Espírito não tem idade. mas. dizendo que voltaria. Ela teme seus verdugos e está apavorada ante as perspectivas de ser arrastada por eles. mas poderíamos conversar na oportunidade seguinte. Teve pena dela e ficou sem coragem de exe- cutar friamente o seu mandato. Sente-se muito desconcertada e arrependida de ter-me tratado como tratou. Depois de reunidos os elementos que me parecem suficientes. Sinto por ela uma infinita e paternal ternura e lhe falo com muito carinho. agora. Sente-se muito emocionada ante o carinho e o respeito com que a tratamos. com o que ele concordou. infelizmente. junto à esposa de alguém que estávamos interessados em ajudar. No decorrer da semana. neste caso. Vê. * São essas algumas experiências com Espíritos ditos femininos. As vezes. Havia sido incumbida de uma tarefa. o que não é verdade. permitindo que fosse. nossos mentores disseram-nos que ele havia sido doutrinado no mundo espiritual mesmo. perguntou se eu ainda dispunha de tempo para atendê-lo. e continua a ser explorada do lado de lá. na carne. mas um dos emissários da sua tene brosa organização está presente. por- tanto. precisamente naquela noite. e tenta confundi-la. me ajude! Houve. repetindo uma pequena prece que lhe sugiro: — Jesus. digo-lhe que ela acaba de me dar o mais lindo presente: seu coração. diante da sua vítima em perspectiva. uma jovem pacificada e tranqüila. A conversa prolonga-se aparentemente sem rumo. para consolá-la de dores que me havia confiado. mal me levanto. que a salvou. O companheiro que se incorporou em outro médium. e que se esclarecera. numa crise emocionante. não. depois. não sendo. Vive num verdadeiro campo de concentração. mas é a fase em que são colhidas as informações de que necessitamos para o trabalho real de doutrinação. dizendo que a moça que a espera também é deles. elas são obsessoras implacáveis. A uma outra pergunta minha. um pós-escrito. em pranto. tão violentas e agressivas como os homens. à irmã atendida semanas antes e que descobrimos ter sido uma duquesa — foi protegida. Ela protesta. Ela deixa cair todas as guardas e me conta que é uma infeliz: foi explorada pelos homens aqui. não. porque tínhamos uma disciplina de trabalho. com outras criaturas infelizes. alegando que eu oro demais e. Peço- lhe que siga a moça. por sua vez. ao deixar o médium. ela me interrompe para afirmar que não teve a intenção de me ofender: Como estou. de início. que precisava ser obedecida. Pergunto se ela confia em mim. pois o céu é um estado de espírito e ela é muito feliz. (Estava presente também quando telefonei para essa amiga encarnada. . ao chegar junto a essa pobre senhora. viu-a em pranto. ela se debruça sobre a mesa. 127 Digo-lhe que realmente sou um velho sem graça e quando lhe pergunto se ela é jovem. Quando lhe digo que tenho idade para ser seu pai. comemorando 56 anos de idade. como depois apuramos. e ela parte. se diz cansada e confessa que até aos meus prejudicou bastante.) Aproveito para dizer-lhe que foi aquele momento de compaixão. necessário trazê-lo novamente ao grupo. Respondi-lhe que. ao seu lado. socorrida. Enquanto “ela” estava lá — refere-se. porém. para ameaçá-la. que veio recebê-la. em outro médium. dolorosa. em suas atividades. Diz que sim. proponho -me a orar. declara que vive no céu.

e é com o seu amor apenas — e é tudo! — que enfrenta a sua cólera. numa cena inesquecível. Algumas encontram-se de há muito revestidas de luz e harmonia. para resgatar o seu amado Gregório. em “Libertação”. que guardaram ternuras profundas. alimentadas em esperanças que nunca se apagaram. filhas. . mas são estatisticamente em número reduzido. talvez. às vezes. em relação aos Espíritos masculinos e. São velhos e seculares amores: mães. está relatado por André Luiz. intensamente dramático. reagem como seres humanos. irmãs. porque mais sensíveis ao apelo da ternura. ainda enoveladas. mas quase sempre já mais avançadas no caminho da pacificação. respondendo. 128 tão irracionais quanto eles. esposas. decididamente. do respeito à sua condição feminina. mais abertas ao entendimento e predispostas ao despertamento. nem mesmo esmoreceram. porém. Um destes casos. é encontrar mulheres que vêm recolher nos seus braços amorosos os companheiros recém-despertos. elas próprias. por isso mesmo. em resgates dolorosos. ou. Matilde desce aos subterrâneos da dor. Comparecem. às vibrações da nossa afeição. da emoção. nas suas paixões e no desejo insaciável de vingança. ainda que estejam transitoria- mente numa posição de aviltamento. em trabalhos mediúnicos. O mais comum. mais cedo ou mais tarde. Ao sentirem que são tratadas como seres humanos. que se trans viara lamentavelmente.

129 TERCEIRA PARTE O CAMPO DE TRABALHO .

porque é comum tocarem-se os extremos. o rancor contra a amada. a fim de separá-los. o filho. Freqüentemente. ou o amado. Para desfazer esse clima de crepúsculo. com menor dificuldade. pressionado ou sustentado por ela. fixa-o ainda mais. a colocarem um ponto final nas suas angústias. compreendendo que essa é uma verdade com a qual ele ainda não havia atinado. por amor. está ali. que ele odeia porque ainda ama. etimologicamente. sobrevive. e angustiar-se no doloroso processo de vingar- se. Mesmo envo lvido. percebemos que amor e ódio são duas faces de uma só realidade. e. num sentido ou noutro. Odiamos aquela criatura exatamente porque parece que ela não quer o nosso amor. renasce. Cedo compreende que não vale a pena perder seu tempo. Aquele que deixou de amar é porque não amou bastante e. penosas vibrações de sofrimento. Ela nos afeta. O que acontece éque temos em nós todos o instinto egoísta — e quase todos os instintos são egoístas — de conservar a posse total do objeto de nossa preferência ou afeição: a esposa. ou a culminâncias de devotamento. confunde-se em nós a realidade ódio/amor. O ódio não o exclui. muitas vezes. dado que — e isto também pode parecer contraditório — não podemos ignorar o fato de que a vingança impõe. ao contrário. luz e sombra. é que mantém acesa a chamazinha da esperança. porque nos recusa. muitas vezes. mover. às vezes. quer dizer ato de deslocar. encarnado ou desencarnado. parece não existir em nós. que em determinado ponto absorveram-se uma na outra. ou alçado aos píncaros da felicidade e da paz. é preciso ajudá- lo a identificar bem seus sentimentos. criando uma opressiva atmosfera de penumbra. em estágios ainda inferiores da evolução. que traiu ou abandonou. e nos confundimos nela e com ela. na qual perdemos a visão dos caminhos e o senso da direção. levado por ela às furnas mais profundas da dor e da revolta . No momento em que conseguimos convencer o companheiro desencarnado. que o filho nos rejeite. ou seja. 130 24 O PROBLEMA O ser humano. Suponhamos que a esposa nos traia. vive no clima da emoção. ajudar os Irmãos. caminhando para as trevas de sofrimentos inenarráveis ou subindo para os planos superiores da realização pessoal. O trabalho de desobsessão não deve ignorar essa realidade. que agonia e desorienta o Espírito. o dinheiro. o esposo. Por mais estranho que pareça. que o esmaga. Estejamos certos. desliga-se do objeto de sua dor. segundo ele se deixe dominar pelo ódio ou se entregue ao amor. nos desprezou. Esse deslocamento o conduz a extremos de paixão. o poder. e é lembrando esse aspecto que conseguimos. também ao vingador.. Com isto. de maneira paradoxal. em crise. porque a amamos. soterrado no rancor e na vingança. porque em termos de relacionamento homem/mulher. o amor frustrado. ainda que pouco percebida: o amor. como dizia Paulo aos Coríntios. ele começa a recuperar-se. de uma realidade indisputável. nos traiu. o Espírito se desloca. que o dinheiro ou o poder nos sejam arrebatados. que o santifica. É oportuno lembrar que emoção. . ocasionalmente.. para isso. ele subsiste. que se atormentam mutuamente. Arrastado pela emoção. Passamos imediatamente a odiar os que nos privaram da posse daquilo que amamos ou valorizamos. não acaba nunca. o ódio é. mesmo quando. a posição social. o processo da desobsessão se desencadeia.

tive oportunidade de vê-la. Uma bela criança. Esse drama durou meses. o doutrinador lhe devolveu a pergunta com outra: — Você acha. Acabou por reconciliar-se com o seu antigo amado. reti rou-se prontamente. Começou a ceder. Nossos benfeitores. através do médium. de elevada posição social. mas agora purificado. Foi-nos permitido identificá-la na nova encarnação que se iniciava sob tão belos auspícios e tão gratas alegrias para todos aqueles que a amavam. ela desligou-se subitamente do médium. era a retomada da trilha evolutiva. 131 Vários casos assim temos encontrado na experiência de nossos grupos. pois a sua palavra parecia exacerbar o rancor que a infelicitava. graças a esse episódio. pois ele também dispunha de excelentes faculdades mediúnicas. perfeitamente reconciliada com a vida e com o amor. Logo aos primeiros meses de sua nova existência. com todo o vigor antigo. Foi muito difícil o diálogo com ela. Nada. tão verídica e dramática quanto a própria vida. Levaram-na a um encontro com ele desdobrado pelo sono — a um local. já em pranto. achara que não valera a pena o seu sacrifício e que ele não dera valor às suas renúncias e nem as merecera. Ela era muito brilhante e estava muito magoada: tinha respostas oportunas. não pensara noutra coisa. bastante pacificado e dedicado ao trabalho construtivo. por mais de um século! Promoveram. em lugar de ligá-la ao seu médium ha bitual. Seu antigo companheiro. encontros com um fi lho que o casal tivera naquela ocasião e que se encontrava também no mundo espiritual. e depois. Esta história. nos seus esforços. sentindo que começava a ceder aos argumentos ou aos sentimentos de afeição que colhia no grupo. na Europa. a princípio timidamente. Ela veio indignada. encontrava em si mesma todas as justificativas para continuar agindo daquela maneira. ele tentou dialogar com ela. como podiam. revoltada. Renasceu. também. inteligente. falando entre lágrimas: — Quando vai terminar esta farsa? Pacientemente. irredutível. E ela. em lar feliz e equilibrado. Afinal de contas. vivi uma das mais belas e comovedoras emoções da minha experiência no trato com os Espíritos. ela veio apenas para despedir-se. à medida em que o amor reacendia a sua chama. recolhida ao mundo espiritual. trouxeram-na de volta. objeto de seus ran- cores. Fora muito bela. expurgado da paixão que fora a sua perda. o doutrinador. os benfeitores espirituais. teve um final emocionante e. onde vi veram momentos de intensa felicidade e enlevo. mas a experiência foi negativa. Reencontrou-se ela. fazia parte de nosso grupo e ela ainda trazia em seu coração um rancor que 130 anos não conseguiram extinguir. Um desses foi comovente. a perspectiva de novas experiências redentoras: a querida irmãzinha preparava-se para reencarnar-se. O drama e a dor estavam encerrados. De outras vezes. e rompera com todas as convenções da época para segui-lo. semana após semana. ligaram-na com o próprio companheiro. Certa vez. Ajudavam. Certa noite. com outra filha — esta reencarnada — à qual se dirigia com carinho e afeição. . minha querida. ora encarnado. E por mais de um século. por doce constrangimento. Tudo foi tentado pelos nossos queridos amigos espirituais. Agora. Certa vez. Visitava eu a família. muito chocada. Quando ela percebeu que falava por seu intermédio. O Espírito manifestante era de uma mulher. que suas lágrimas também são uma farsa? Estava chegando ao fim de sua longa e penosa agonia Íntima.

na linguagem inarticulada da emoção: — Ah! É você? Eu já estou aqui. que mereceu também a bênção do reencontro e da reconciliação. Sem dúvida alguma.. em vez de fechá-lo com o perdão. libertamos pelo menos dois seres: a nós e a ele. contemplou-me — seu antigo doutrinador. o culpado de sua queda. segundo nossas próprias reações. é aquele que ali está. mas ela continuou dormindo. abriu os olhinhos. Na confusão em que se envolve. cometeu faltas idênticas contra o próximo. persiste. sempre observadas atentamente pelos nossos cobradores. com quem sustentou batalhas impetuosas — e me deu o prêmio inesperado de um belissimo sorriso. o ódio que nos votam sustenta-se.. quando cuidarmos das . Isto é válido também — e como! — para a maneira pela qual recebemos nossos irmãos em desajuste e com eles dialogamos. Entramos no quarto em que ela dormia profundamente. Sua expressão me dizia. é preciso deixar a ela o trabalho de reajuste. Isto é uma realidade terrível. fica estimulado.. o amor transcendental da neta muito querida pelo avô. do que enfrentarmos a dura realidade de que a causa está em nós mesmos e que o ser a quem perseguimos foi apenas o infeliz instrumento da lei. Aquele que assume a posição de tomar a justiça divina em suas mãos. Em seguida. não são os seus próprios enganos. Nossos erros são cometidos contra a lei divina. Mais uma vez é preciso lembrar aqui a técnica desobsessiva que o Cristo nos ensinou: “Ouvistes dizer: Amai vosso próximo e odiai vosso inimigo.. objetivam-se. mas indelével. 132 e a jovem mãe me chamou para ver a criança. atravessa os séculos e os milênios. está reabrindo o ciclo da dor. por certo — é um ensina mento do mais elevado valor prático. pois temia que ela acordasse. e é mais fácil lutarmos e tentarmos destruir uma pessoa. (1) Orar por aqueles que nos perseguem não é apenas um preceito evangélico teórico — e já seria muito. Se os odiamos também. ante os companheiros com os quais nos desentendemos no passado. Seu antigo companheiro recebe dela. * A coisa não é tão fácil quando o Espírito desajustado persegue aquele que o fez perder a posição. além de outros que possam estar comprometidos no processo. hoje. ou se dilui. Seus olhinhos exprimiam felicidade e amor. O rancor que sentem por nós sobrexiste. em trabalhos de desobsessão. o poder. de suas frustrações. sob meus protestos. amigo. que faz brilhar o seu sol sobre os maus e sobre os bons e chover sobre os justos e os injustos. Quase sempre se esquece o vingador de que ele próprio desencadeou o mecanismo do resgate quando. e dormiu ainda alguns segundos. Sua revolta e sua angústia como que se perso- nalizam. Se deixamos de odiar e passamos a orar por aquele que nos atormenta. o dinheiro ou o amor. Deixaremos para debater esse aspecto mais adiante. como um anjo que era. para que sejais filhos de vosso Pai celestial. o amor também renascera com ela. adormeceu novamente. que multidões de sofredores ignoram. Nunca será suficientemente enfatizada a importância deste conceito. encarnado ou desencarnado. Era linda. lamentavelmente. Senti naquele sorriso a mensagem da paz e da gratidão. em passado esquecido. que identificamos como causadora de nossa derrota. Pois vos digo: Amai os vossos inimigos e rogai pelos que vos perseguem. Depois. A mãe acendeu a luz.

dessa curiosa posição espiritual. por isso. 133 técnicas e recursos sugeridos para o trabalho. pois. Você já me ganhou. estudaremos um caso destes. essa pobreza semántica perdura. senão da profunda emoção e gratidão pela sua resposta ao sentimento da fraternidade? O doutrinador tem que estar. basta extrair da situação um ensinamento extremamente precioso e que nunca deve ser esquecido: o de que o arrependimento e o remorso também devem ser construtivos. que quero te dar uma bofetada! * A situação é consideravelmente mais difícil quando o doutri nador defronta- se com seu próprio obsessor. Uma simples frase dessas descreve um mundo de emoções e de decisões que um livro não poderia conter. também de irritação. pois não consta de Levíticos. de onde foi extraída a citação. 19:18. berrou-lhe. para não deixar envolver- se pelo rancor que o Espírito traz em si. no entanto. seria inimigo. extenso rol de casos curiosos. ele se esvaziou pouco a pouco do seu ímpeto e partiu. Mais adiante. Isto vale. Que me restava dizer a ele. O vocabulário da época. De certa forma. ao que se depreende. Esclarece. por causa da pobreza da língua. o que é verdadeiro. no fundo. para as quais o doutrinador tem que estar preparado. Como me mantinha sereno e imperturbável. onde melhor poderia alcançar seus propósitos. Neste caso. nada conseguiremos senão confirmá-los nos erros em que se enquistaram através do tempo. talvez pensando em descobrir um método qualquer de me irritar. no auge da desarmonização: — Materializa -te. quanto para o perseguido. em tom e em palavras que nunca mais me esquecerei: — Não precisa armar-se. a fim de arrastar-me para a sua faixa vibratória. Na semana seguinte deu-se a coisa mais linda. nem ódio. em nota de rodapé. que a expressão odiai vosso inimigo não se encontra no texto da lei. olhou-me e disse. estado de perturbação avaliam as nossas emoções e não as nossas palavras. Lembro-me de um exemplo. era ódio. 5:43-45. ou seja. tudo o que não pudesse ser considerado amor. insistir e repetir: os Espíritos em (1) Mateus. porém. não tinha uma expressão correta para descrever o sentimento que não seria nem amor. contou-me que um doutri nador desavisado. e que acumulou. ao longo dos anos. nem indiferença e. a tarefa assume implicações de natureza muito pessoal.. Neste ponto.. Incorporou-se ao seu médium. mas ainda não convencido. porém jamais reconheceriam isso. ao meu lado. ansiosos de que os convençamos de seu erro. Se no debate opusermos nossa irritação à deles. O companheiro manifestou-se impetuoso e logo revelou-se indignado porque não conseguiu despertar em mim uma reação idêntica à sua. algo desapontado. Um confrade. com voz emocionada. todo aquele que não fosse amigo. entre muitos. experimentado nas lides espíritas. muito atento. profundamente irritado com o desajustado Espírito manifestante. Estão. . A Bíblia de Jerusalém esclarece. repetindo enganos e desenganos. tanto para o que persegue. que a expressão era forçada. Convém. para que se criasse o clima da desavença que pensam convir-lhes.

pois. pode retê-lo à mercê do seu perseguidor. porque um dos grandes infelizes é ele próprio. Temos tido oportunidade de presenciar arrependimentos dramáticos. Sim. pois. ele próprio cometeu faltas muito mais terríveis do que aquela que pretendeu cobrar. Se ele tem oportunidade. Sem arrependimento. tanto para fazê-la sofrer. pagar como? Que entenderia ele por pagar a dívida? Certamente que . Está cansado. ou obsidiado. à cobrança. dificulta a libertação de seu próprio Espírito e do de seu verdugo. a nosso turno. o seu obsessor. ao errarmos. de lembranças extremamente dolorosas. de muitos e pontiagudos espinhos. para que ele sofra daquela maneira. por exemplo. pois é exatamente este sentimento que lhe dá os primeiros recursos para livrar-se da dor. Toda a sua cólera. Nem sempre ele sabe por que sofre os rigores da vingança. estamos arrependidos do erro cometido contra o irmão. Digamos que ele tenha sido assassinado. Mas. aquele severo perseguidor resolva. merece todos os castigos e punições. se não for canalizado para fins construtivos. descobriu que. como um rei. dá-lhe o “direito” de punir e de vingar-se. que ao cabo de uma feliz doutrinação. porém. ou déspota medieval. que estava parado na estrada da evolução. O erro vem de muito longe. num ódio que parece não ter fim e que nunca chega à saciedade. chegou à conclusão de que não vale a pena continuar. enquanto exercia elevada posição de mando. O remorso é. portanto. ainda. ele mesmo praticou falta semelhante e agora recebe a visita inevitável da lei. o que. naquela vida ou em outra. Como Espírito. Ele só sabe que aquele miserável o matou e. ele não o ignora. Suponhamos. no mundo das trevas. que não temos condição de suportar com a nossa consciência de vigília. cons ciente ou não. É certo que ele ignora. que se eterniza. mas ele desconhece as causas da sua dor e nem sequer tem oportunidade de enfrentar. como para estimular a cobrança. afinal. vejamos o perseguido. e entrega-se ao remorso desenfreado. Imaginemos um Espírito desencarnado. como a todos nós. A situação é. uma flor belíssima. que ele se esforça: manter a sua vítima sempre lembrada do erro. De outro lado. na sua maneira de pensar. É o momento de ajudá-lo a construir algo com os salvados de sua tragédia. num diálogo. Ele não quer saber que anteriormente. — Paga a tua dívida! — gritou certo companheiro desarvorado. remota ou não. colocamo-nos em posições nas quais não podemos sequer ser ajudados. Ele persegue e vinga-se de alguém implacavelmente. Por outro lado. se concentra naquele que provocou a sua desencarnação. É preciso estudá-lo. e deve ser muito grave. senão ele. mais grave ainda. por alguém. século após século. a causa anterior que determinou o efeito da sua dor. mostrando-lhe que o remorso deve ser construtivo. Pode ele. em tais circunstâncias. apenas o véu do esquecimento o protege. mas não podemos per- mitir que o nosso arrependimento alimente indefinidamente o seu rancor. expomo-nos. encerrar o processo da vingança. 134 Tentemos explicar este delicadíssimo mecanismo. ele sabe também que. equilíbrio e humildade. em nome de um Deus em que ele mesmo não acreditava. muito complexa e delicada. Além do mais. porque o mesmo sentimento de remorso que o levou a merecer ajuda. de conhecer a razão de sua obsessão. descer a abismos de autocomiseração e dor. É nisso. ele não pode ignorar o arrependimento. no passado. vai continuar paralisado pelo remorso. porque o arrependimento serve dupla-mente. pois é da natureza do ódio jamais satisfazer-se em si mesmo. desesperados. ou. tratá-lo com serenidade. envolvido num tene broso processo de obsessão. aliás.

que contém outras implicações e conotações de grande interesse para o trabalho de doutrinação. 135 com a dor que resgata e com o arrependimento que nos retém preso a ela. . Ainda voltaremos a este tema. É uma situação extremamente critica e delicada.

têm o seu núcleo principal na terrível paixão pelo poder. Em outra oportunidade. o conceito de grandeza formulado pelo Cristo não foi o de servir às nossas paixões. São grandes os “príncipes” da Igreja. fora grande. houve também uma discussão sobre quem parecia ser o maior. mas. Confundimos. Porque quem é o maior. Ele lhes disse: Os reis das nações governam como senhores absolutos e os que exercem autoridade sobre elas se fazem chamar benfeitores. E muitos de nós. no passado e no presente. É grande o escritor que obteve muito sucesso literário. É um grande criminoso aquele que mata com requintes de crueldade uma pessoa ou duas. temos nos deixado levar pela perigosa ilusão de que somos grandes. e o que manda. Isto nos induz a colocar sob suspeita nossos critérios usuais de avaliação da grandeza. desde remotíssimos tempos. mas não assim. cuja verdadeira grandeza era impossível de ser ocultada. passa despercebida. sutilmente. o que está à mesa ou o que serve? Não é o que está à mesa? Pois eu estou entre vós como aquele que serve!” Portanto. que tudo -avaliamos segundo a insignificância de nossas medidas. igual ao que serve. Nessa invertida escala de valores. ao longo do tempo. sim. não temos subido as escadarias do poder? O pior. freqüente mente. cujos vagalhões vêm rebentar em nossas mesas de trabalho mediúnico. ignorada e até desprezada. a criatura evangelizada. maior do que João Batista. confirmava-se como simples servidor. Ele mesmo. o que é realmente a grandeza? “O maior dentre vós seja vosso servidor” — disse o Cristo. serena. entre os nascidos de mulher. Jesus confirmou e ampliou o seu pensamento. no . segundo Mateus. que leva uma existência a serviço do próximo. tudo o que sobreleva à mediocridade dos nossos horizontes torna-se grande. entre vós. como a que nos demonstrar. É grande o que disputou e conquistou a sangue e fogo posições de mando e governou multidões com pulso de ferro. utilizando-se de sua impecável didática. contudo.” Vemos. mas o de servir ao semelhante. Entre nós. Os sinais exteriores do poder nada dizem sobre o gabarito moral do Espírito que os detém. Um Espírito disse-me certa vez em que dialogávamos: — Sempre fui grande! Em termos humanos. “pois o que se exalta será humilhado e o que se humilha será exaltado. que não tínhamos noção real do conceito de grandeza: “Em verdade vos digo que não há. assim. 136 25 O PODER Muitos dramas. o menor no Reino dos Céus é maior do que ele. pois eles nos têm levado.” Em Lucas (22:24-27) o texto é ainda mais explícito: “Entre eles. quantas vezes. o exercício do poder com a grandeza. como simples anões espirituais. mas é um grande guerreiro aquele que mata milhares. 23:11. mesmo que do lado negativo da ética. somente porque dispomos de autoridade incontestada. a cometer tremendos enganos. desde o antigo Egito até à Europa moderna. que ampliaram os poderes materiais da organização. quer sua obra seja construtiva ou desagregadora. amorosa. senão que o maior entre vós seja como o menor. em renúncias ocultas e no silêncio do anonimato. que os parâmetros humanos de aferição da grandeza são inaceitáveis em termos espirituais. Mas.

que o tempo não apagou. Contudo. enquanto permanecerem ligados àquelas tenebrosas estruturas. de joelhos?” Outra grande dama. em tempos idos. é que o vírus do poder nos contamina. e não devemos alimentar esperanças de rápidas e radicais conversações. acaso. as verdadeiras campanhas que desencadeiam contra aqueles que consideram seus irredutíveis adversários? Como voltar a ser um simples e endívidado Espírito. parece-me que pouco se preocupam com a minha pessoa.. Como vão deixar o poder? Entregá-lo a quem? E por quê? Como irão viver sem as pompas. e lá se juntam às organizações trevosas. Vêm geralmente seus emissários mais credenciados. Enquanto estão ali. encontrou em elevada posição.. pelo sofrimento anônimo. alguém que fora obscuro servidor da sua corte e de quem agora ela dependia para ser ajudada. A decepção de alguns desses Espíritos é terrível. os séquitos. Mesmo com os chefes menores. 137 entanto. comandou exércitos e povos. Kardec nos preservou a comunicação de uma rainha indiana de Ouda. a única saída possível. Dificilmente comparecem aos trabalhos de doutrinação os verdadeiros chefes dessas organizações. os que se revezam nos postos de mando.. que exercem com a sensibilidade anestesiada.. está em agarrarem-Se te nazmente ao poder. que . Eles se prestam a isso.. que se utilizam deles para oprimir e es- palhar a desarmonia por toda parte.. em condições melho res do que a da infeliz rainha indiana. os planejamentos. pois não aprenderam. pela reencarnação de resgate? O único jeito. as insígnias. e a infecção instala-se em nós...” E depois: — “Tendes inveja da liberdade de que gozam as européias?” — “Que poderia importar-me tal liberdade? Servem-nas.. que chega às fronteiras da “divinização”. montando e dirigindo terríveis organizações especializa das no crime espiritual. eu. as ordens. no entanto. Muitos são. o trato é difícil.. permanecem ao abrigo dos olhares amargurados de antigos amores. É por isso. ainda. Espíritos atingidos por esse deslumbramento lamentável arrastam consigo. para me servirem!. também.” — “A vossa hierarquia terrestre concorreu para que tivésseis outra mais elevada nesse mundo em que ora estais?” — “Continuo a ser rainha. no mundo espiritual. aqui. bem como o comando de vastas organizações opressoras. não sei. por séculos e séculos.. aqui e lá. porque sabem muito bem que. que vivestes nos esplendores do luxo. quando se encontram privados daquilo que constitui o próprio ar que respiram. a viver fora desse clima. as expedições. despojado de suas próprias “defesas”? Sim. contanto que lhes sejam conferidos os sinais externos do poder. ex-rainha da França. seus destacados líderes. Um deles.) — “Vós. os tronos. assessores de confiança. (“O Céu e o Inferno”. Segunda Parte. me disse: — Meu Imperador é Fulano — e disse o nome de alguém que. estão adiando o momento do encontro consigo mesmos. capítulo VIL. sou sempre a mesma. com suas mazelas. que se apresentou como líder religioso. seus remorsos.. que pensais hoje de tudo isso?” — “Que tenho direito. a paixão invencível do mando. Mas. para o mundo espiritual. suas consciências. Que se enviem escravas. no próprio contexto em que vivem. Por que trocar a glória. cercada de honras. Épreciso compreendê-los.

da compaixão. Enquanto estiverem no exercício do poder estarão ao abrigo da dor maior. da brandura. É mais fácil enfrentar a dor dos outros. da sentimentalidade. . de enfrentarem a si mesmos. 138 se recusam terminantemente a um diálogo que possa arrastá-los para a faixa da emoção.

Fale com meus superiores. em nossa presença. Ele os ajuda a conquistarem uma fatia de domínio. muito vivo e inteligente. Um desses foi enfático. falou imediatamente sobre si mesmo: era belo. Volta a dizer que é belo. fora seu escravo. confessa que seu ódio “perdeu a força”. Tem ali muitos prisioneiros. desapontado. Fez com alguns companheiros encarnados um pacto. e eles lhe dão.. E. Ao apresentar-se. Não está acostumado a resistências assim. e enquanto entra em crise. são seus próprios crimes. por fim. no caso da rainha indiana. por sua vez. É o senhor daquela região (o médium havia sido levado. uma barganha: libertará aqueles em quem estou interessado. as vestimentas. em estado de exaltação vaidosa. Sente-se nele a evidente satisfação consigo mesmo. também a mim. Sempre fora importante. antecipa minha resposta: — “Sei que você vai dizer que o amor não é uma arma. A essa altura. Revela -se um dos magistrados do Espaço. Dirigia uma organização que mantinha Espíritos aprisionados sob as mais abjetas condições do submundo das dores. Poder versus poder. com aquilo que faz. e também o do orgulho.. Cabe-lhe fazer com que a lei seja cum prida. perde a paciência. Não só isso. 139 26 VAIDADE E ORGULHO Muito ligado ao problema do poder está o da vaidade. Quando comparece da segunda vez. mas. no mundo espiritual. Há os que se julgam muito belos (ou belas).. Tudo ele tenta. necessitado de socorro urgente e de passes restauradores. a parte que lhe toca. irracionais e tolas. indignado.. Ouve choro de crianças (te-las-ia sacrificado?) e. Muitos são os que nos visitam. e que chicoteou. jóias. A vaidade se apresenta sob muitos aspectos e é claro que nem sempre está associada ao exercício do poder. “divino — Você me vê? — pergunta-me. inteligente. pois vê sua beleza física desmoronar-se lentamente. e não . em tempos passados. Às vezes. faz uma cena. fingindo ser um pobre enforcado. enquanto um súbito e estranho processo de envelhecimento destrói-lhe as belas feições. propõe. também não tenho autoridade para fazer acordos. ou à inteligência. envolvente. ri. arrancada do fundo de si mesmo. Quanto a mim. e à sua obra sinistra. respondo-me. Depois. nas sessões mediúnicas. o pior lhe acontece. Não é ele quem retém seus prisioneiros. pois lhe arrebatei alguém que estava destinado a ficar também. e eles querem ficar lá. devo-lhe algo muito sério. Ao perceber que não conseguiu iludir-nos. como prisioneiro. séquitos de servidores e acólitos. É uma afirmativa desesperada. Vimos como se entrelaçam. em troca de uma condição: devo “depor as minhas armas”. Coitado! Como é difícil cair do pedestal. lá mesmo. por desprendimento). Retoma o diálogo irônico. no lado de cá da vida. numa autopunição inevitável. bem como os que alardeiam conhecimentos intelectuais estupendos. mas vai aos poucos cedendo. inclusive o meu envolvimento. ele que é um “deus”. os que ostentam condecorações. em seus tenebrosos domínios. brilhante e poderoso. com elo gios e lisonja. a alegria quase infantil com que contempla a si mesmo. guardados por um velho que. limita-se aos cuidados com a aparência “física”. poderoso. dizendo que estamos ficando muito sabidos e perigosos. mantos.

não o teríamos tratado daquela forma. Acabamos. Outro companheiro. porque. Um deles me disse que acreditava em Deus: — O fato de eu existir — afirmou —. até mesmo algo assustado. coitados! Que olímpica indignação! Um destes me conheceu em antiga encarnação. Apresentam-se aparentemente tranqüilos e seguros. Demonstrada. suas angústias pessoais. ele fora um daqueles que apedrejaram Estevão. dos quais nem pensam em descer. artificiosos no raciocínio envolvente. em pedestais. Alguns crêem-se realmente divinizados e onipotentes. com o objetivo de obter a condenação do doutrinador. durante a Reforma Protestante. trâns fugas miseráveis. chocado com o tratamento que haviamos dispensado ao seu “chefe”. Alguns nos invocam a velha fórmula: — Você sabe com quem está falando? Comandam vastas instituições do terror. Às vezes são. na formulação de perguntas embaraçosas. onde fôramos adversários. Era ele mesmo. a crise começou a precipitar-se nele. . encontrarão seus próprios fantasmas. E os antigos “Príncipes” da Igreja.. dizendo-nos que nem fazíamos idéia de quem era ele. pois. * Quanto ao orgulho. conquistadas com dores e sofrimentos infligidos ao semelhante! Vivem. condescendendo em conversar conosco. visita-nos com igual freqüência. Num “flash” de inspiração. ou assaz rancorosos e agressivos. Nada tinha contra Ele. muito brilhantes e cultos. contanto que Ele não interferisse com seus planos. as demais vaidades também entraram em colapso. fora um fraco. traidores vis. pois estou familiarizado com as minúcias da história da Reforma. literalmente. e vem sempre associado à vaidade ou ao poder. no campo teológico.. a ele próprio. demoníaca. prova que alguém me criou. Que prazer sentem em oprimir e dominar! Que orgulho pelas po- sições que ocupam. descobrindo as fontes ocultas de seu fanatismo religioso: em tempos idos. através de suas próprias palavras. se o fizerem. Ele era muito importante mesmo: — Ah! se você soubesse quem é ele. que comparecem tremendamente enfatuados.. quanto ao Cristo. ambos. identifiquei-o pelo nome.. 140 deve ter sido fácil para ele reconhecê-lo. hábeis manipuladores do método socrático. do contrário. que eram grandiosos. manifestou-se irritado. como o Espiritismo? Que pompa. a insuficiência da vaidade física. através de outro médium. a partir do momento em que deixou de ser belo. ou a ambos. suas culpas. envolvidos com uma doutrina maléfica. Mas. de fato.

Defendem-se da dor. quando chegar. mas. as motivações. quando “caírem”. As atitudes agrupam-se e. com bastante precisão. Ë como se. como se fôssemos os redimidos. Uma das constantes. Temos que nos aproximar deles com sentimento de amor fraterno e de compreensão. ele sente forças. enquanto podem. para eles também. Não sei como explicar esse jogo. Por isso mesmo é que resistem. esses refúgios. quem foge precisa de esconderijos para ocultar-se. mas não ignorá-las para sempre. buscando apoio nas organizações a que pertencem. Temos de entender que estão em fuga. entre o inédito e o esperado. ocultar-se de si mesmo. identificadas nesses Espíritos que perseguem. São muitos. Em suma: há certas constantes que se repetem. dentro delas. atacando. das suas angústias e frustrações. A couraça de que se revestem émais frágil do que parece. pois essa é a lei a que se apegam: a lei da solidariedade incondicional. que tenhamos de abandonar à sua própria sorte. o que os espera um dia. agredindo. maltratando. Sabem de suas responsabilidades. para sempre. Tentam cicatrizar suas próprias feridas abrindo ferimentos em outros corações. para aquele que precisa. uma vingança impiedosa. a sua individualidade e as suas surpresas. mas que saberão “ser homens”. Este recurso é básico. prosseguem suas tarefas abomináveis. não com nojo. É preciso entendê-los bem. No fundo. para perseguir aquele que o . essencial mesmo. que se prolonga no tempo e vara séculos ou milênios. pelo cruel e desumano processo de acostumar-se à fria conte mplação da dor alheia. que espalham a dor. é a fuga. mantendo certa autonomia. e imaginam. 141 27 PROCESSOS DE FUGA A contínua observação desses métodos. perante sua própria consciência. que os protege mutuamente do dia do despertamento. por exemplo. os impulsos. que constituem modelos. num conceito amplo de determinismo difuso. adiar o encontro com a verdade. O principal deles talvez seja o esquecimento do passado. repetem- se os gestos. Parece que as posições são basicamente as mesmas. as palavras. guardam todas. Quantos deles nos têm dito que sabem muito bem disso. Vamos a alguns exemplos. em si mesmo. que dominam. a cobrança! Enquanto não chega. Enquanto o perseguidor estiver “esquecido” das origens de sua verdadeira dor. dentro dos quais a individualidade de cada um se preserva. No entanto. ao longo dos anos. eles agissem dentro de um amplo raio de livre escolha. e cada uma delas. das suas próprias dores. sabem que podem somente adiar o reencontro com as suas realidades interiores. Fogem de si mesmos. Essa é a doutrina da fuga. que merecem o santo horror e a condenação eterna. anestesiar-se na insensibilidade. Por outro lado. Sejam quais forem as justificativas que invoquem para as suas atitudes — quando as apresentam — o mecanismo é sempre o mesmo: procuram esquecer seus próprios crimes e aflições. justificar. padrões. No caso. cada um toma o caminho que lhe impõem os seus fantasmas interiores. vai desenhando para nós um perfil mais nítido dos segredos e mistérios do transviamento moral. em cada uma delas. e eles os réprobos perdidos em seus crimes. Não são monstros irrecuperáveis. que se cristalizam. Não são seres desprezíveis. e não é impenetrável aos fluídos sutis do amor. ou o que seja.

em muitos anos. em cada vida. sua perplexidade é enorme. conhecem bem o passado e. espezinhou a sua honra. aquela mesma mulher. Se ele voltar sobre seus passos. acima de tudo. É vítima “ino- cente” de um crime inominável. causou dor semelhante a alguém. à miséria. prosseguem na fria execução de seus planos medonhos. que concorda em tratar diretamente com alguém. Estes também estão em fuga. De outras vezes. seja a disputa de maiores fatias de poder. difícil. O diálogo prossegue. Informa-me que “consentiu em receber-nos na sua câmara”.. pois dignou-se a conceder-nos a entrevista. à lei universal da fraternidade. ao suicídio. sem saber do que se trata. a da vingança. Apresenta-se aparentemente muito humilde e manso. a posição que lhe convinha aos propósitos pessoais. na sua aparente tranqüilidade.. que sempre foi bom e correto. também os protege. a ele. antes. Responsabili dades. vivem a salvo das suas próprias dores. O esquecimento o ajuda a manter acesa a chama rubra do ódio e. ao seu preté rito. em que ele se mantém ameaçador. irá descobrir que sofreu aquele ferimento exatamente porque. muitas vezes. nas trevas. 142 feriu. A desesperada atividade mantém-nos. Se um dia ele descobre. Quer saber o que desejamos dele. de certa forma. mas as ameaças mais claras começam a filtrar-se: não nos deixará sair dali. levou-o ao crime. claro que tinha muitas. sejam as campanhas mais amplas. Ocupara. através de uma longa e tenebrosa experiência espiritual. em que emprestam sua colaboração à organização a que pertencem. o impacto dessa lembrança é suficiente para sacudi-lo fora de seu esconderijo psicológico e recolocá-lo na trilha evolutiva da recuperação interior. nossos benfeitores revelam-nos que se trata de um antigo franciscano extraviado. que há séculos vêm os dois disputando. e que. faltando. organizando planos tenebrosos e os levando a efeito. depois de desfi gurá-los e corrompê-los. É a segunda vez. pois são muitos os que. alheios aos seus dramas e desesperos. E daí? Outros dizem que não se importam com o resgate. e em textos escolhidos com extremo cui dado. É claro que se vê naquilo que chama sua própria “câmara”. seja a vingança. quase sempre no lado errado da vida. mesmo assim. Amava a glória e o poder. e. assim. É isso que desejam fazer. Ao fim de longa conversa. nem isso basta. conseguimos . no próprio Evangelho do Cristo. portanto. Enquanto estão atordoados. Aquele miserável roubou-lhe a mulher. enquanto ele permanece escondido na sua mansidão aparente. mas não buscam os esconderijos habituais. para servirem aos seus propósitos. por exemplo. por sua vez. que nenhum mal fez a ninguém. à ponta de punhal. Aos poucos. porque a entrevista lhe foi solicitada por pessoas que ele respeita e admira. pois tem seus auxiliares para contactos e execução dos planos. embora certamente o saiba. em particular. tranqüilo. e sim o atordoamento da ação. Montara sua própria organização. Isso lhes agrada. Isto éparticularmente válido para os antigos sacerdotes. O que importa é o que fazem no momento. que se apoiam em fantásticas teologias. A imaginação de cada um cria seu próprio mecanismo de fuga. através de várias encarnações infelizes. Quantos deles temos encontrado nas tarefas mediúnicas! Lembro-me de um. Um deles confessou-me que conhecia bem o seu passado. Há os que se prendem aos conceitos teológicos.

* São muitos os que falam em nome de uma fé que não possuem mais. com as suas pouco ve ladas ameaças. Por mais defendidos que se julguem encontrar esses companheiros desarvorados. aos antros da angústia. segundo suas Inclinações. A finalidade. de um Cristo que pretendem colocar a serviço de suas paixões subalternas e de um Evangelho que somente citam naquilo que lhes convém. nem por isso. inventa suas defesas. precisam de um inteligente mecanismo de fuga. mas isto será revelado — dizem — quando a Igreja for restabelecida em toda a sua glória. temos presenciado esse fenômeno do deslocamento de médiuns. recursos e intenções. e de lá transmitido a mensagem que nos possibilitou o diálogo. sob a proteção do Alto. frágil e desarticulada. cujo conhecimento ainda nos escapa. não teriam jamais a oportunidade de se libertarem de sua condição tão dolorosa. desdobrados do corpo físico. quando voltar a dominar. mesmo deslocado. que. em suas furnas escuras. poderia julgar-se recebendo-nos em sua “câmara”? Os nossos mentores não nos explicaram o ocorrido. aquele irmão deve ter sido preparado e condicionado de tal forma. É preciso estarmos atentos. Qual teria sido o mecanismo do fenômeno. especulativamente. Ao passo que eles não têm condições de peso específico para subir às regiões da luz a fim de promover distúrbios e “conquistas”. em nome de um Deus que não amam. vigilantes. no cômodo em que realizamos os trabalhos mediúnicos. pelos trabalhadores do Cristo. e o fazem com freqüência. com as interpretações que lhes interessam. sendo eles inteli gentes. como ins trumento de suas ambições. Quando descobrimos suas motivações. Deixo abertas as opções mencionadas. nem a sobrevivência. que. não são invulneráveis à misericórdia divina. vão ao encontro do Espírito que os nossos mentores desejam pôr em contacto conosco. Um dia saberemos o suficiente para entender melhor essa extraordinária faculdade que é a mediunidade. bem como outras que não me tenham ocorrido. mas creio que não seria fantasioso admitir. Se o fossem. a velha e segura técnica da hipnose. a fim de tentar o resgate de companheiros que já ofe reçam um mínimo de condições para ser ajudados. nesse caso. incorporado no médium. Os indícios precisos eles mesmos no -los fornecem. De algum modo. ou seja. cada um constrói o seu esconderijo. pois. estamos a caminho de poder ajudá-los a libertar-se da dor. É possível também — e esta seria uma forma alternativa de considerar o caso — que o nosso médium tenha realmente sido desdobrado. bastante inteligente. é uma só: esconder-se das próprias angústias. sacrificialmente. em nosso grupo sentia-se ainda em toda a segurança do seu reduto. mas. ao contrário. Inventam brilhantes sofismas e adestram-se em uma dialética deformada. . o que seria inadmissível. nem a comunicabilidade dos Espíritos. Enfim. até o “local”. Não negam a reencarnação. porém. 143 despertá-lo para a realidade que ele tanto teme enfrentar. Constroem seus próprios sistemas. Frequentemente. no qual condescendia generosamente em receber-nos. Às vezes o esconderijo é a cultura intelectual. os Espíritos iluminados podem descer. que se poderia chamar de “inversão de local”? Como e por que o Espírito.

e não naquilo que possa estimular-lhes as paixões abrasadoras. . 144 pacientes e prontos a servi-los naquilo que lhes convém aos Espíritos atormentados.

Espíritos longamente experimentados no mal. mas porque precisam uns dos outros. Foram concebidas e são operadas por inteligências privilegiadas. em que se revezam encarnados e desencarnados. no desempenho de tarefas redentoras do bem. quando retornam aos seus domínios. porque a “do outro lado” é tão boa ou melhor do que a nossa. flexível. sejam quais forem as condições. Como esses abnegados companheiros não impõem condições. Se o grupo conta com a colaboração de companheiros experientes. trazem programas muito bem elaborados. E nunca é demais repetir: não o faça quem não esteja suficientemente apoiado por Espíritos esclarecidos. creio possível montar. é preciso não cometer o trágico engano de subestimá- las. é preciso estarmos atentos às suas sugestões e observações. enquanto por aqui se encontram. As instituições das trevas são estruturadas numa rígida concentração do poder. ainda que não o seja em objetivos e métodos. à medida que conseguimos passar pelas preliminares. se cairmos nessa faixa. com as inúmeras peças do gigantesco “puzzle”. em postos subalternos. Se nos sairmos bem das tarefas iniciais e passarmos nos testes a que somos submetidos. e o compromisso de apoio e solidariedade irrestritos. em benefício de nós mesmos. os esquemas e organogramas de suas instituições. em termos de estrutura e disciplina. de tanto ouvi-los falar delas. As equipes orientadas por esses dedicados trabalhadores anônimos do mundo superior manter-se-ão equilibradas. para interpretá-las corretamente e pô-las em prática. um quadro inteligível desse tenebroso painel de desespero e aflição. sobre as organizações do submundo da dor e do desespero. atenta. Em primeiro lugar. devotados ao bem e experimentados nesses trabalhos. e a provisória. pois. mas limitam-se a nos aconselhar e esclarecer. nossos irmãos desarvorados. num princípio que tem muito mais de autodefesa do que de fidelidade. estaremos correndo riscos imprevisíveis. 145 28 AS ORGANIZAÇÕES: ESTRUTURA. de menor envergadura. no trato com seus representantes. e. Dominam pelo terror que inspiram em toda parte. mas segura impunidade em que continuam a viver. mas. para manter-se no poder. e as tarefas de maior responsabilidade vão sendo trazidas. nas mãos de alguns líderes. em termos huma- nos. É claro que jamais nos trouxeram. nos deixemos dominar pelo pavor. nos meandros do sofisma. MÉTODOS. com segurança. Muitos deles. se- gundo seus próprios recursos e possibilidades. como signatários de pactos de vida e morte. sustentam-se aqui e lá. pois é exatamente isso que desejam e a que se acostumaram. ou confirmou-se através de séculos e séculos. Sua liderança revelou-se na ação. Elas são realmente temíveis. que obtêm. não porque se estimem. aqui. onde estiverem. O problema de lidar com elas é. Assim se explicam os êxitos. . escolhidos por um processo impiedoso de seleção natural. Tentemos estudá-las mais de perto. da parte dos que ficam no mundo espiritual. São fiéis uns aos outros. Isto não significa que. extremamente complexo. ajustada. não podemos esquecer-nos de que precisamos manter nossa própria organização disciplinada. sempre que se portarem com prudência e sabedoria. HIERARQUIA E DISCIPLiNA Muito temos falado. Quando se reencarnam. eles saberão dosar o trabalho. ÉTICA. no exercício do poder.

realizando contactos. a resguardar. * . com manifestações de indigna dos e agressivos assessores seus. na sessão seguinte. Assim. na máquina do poder. até mesmo enquanto na carne. Elas não podem falhar e. pelos seus ex-amigos. caem em desgraça ante seus companheiros. mantêm-Se em contacto íntimo e permanente com seus comparsas do Além. falta de fraternidade. abandonam-nos à sua própria sorte. Ao que depreendemos da conversa com ele. há uma verdadeira celeuma na retaguarda. São muitos os dramas e as manobras dessa hora decisiva. pois há interesses poderosíssimos a proteger e personagens muito destacadas. durante os desprendimentos parciais. de sua orientação. como ele. agora. em nosso afeto. Podemos contar. rivalidades. Convencido a abandonar suas tarefas tenebrosas. Confessou-nos que não vira condições suficientes nos grupos que visitara.. quando não procuram voltar contra eles todo o poderio da própria instituição que antes eles comandavam. Um desses lideres portou-se com dignidade impressionante. um desses poderosos companheiros extraviados. doutrinados e des- pertados. ante aqueles Espíritos que levara ao trans viamento. a fim de decidir onde levar seus companheiros. Quando conseguimos colher. mas precisavam de ser convencidos. podem voltar sobre seus passos e tentar convencer seus antigos comparsas. pois não teria paz enquanto não conseguisse recuperá-los também. e. A estrutura administrativa dessas instituições está preparada para aceitar tal flexibilidade. Mesmo assim. provocados pelo sono. sentiu todo o peso de sua responsabilidade. para que fossem. Competia-lhe.. e continuam a exercer a parcela de autoridade de que dispõem entre eles. e sua franqueza rude. Nenhuma esperança tinha ele — acertadamente — em grupos cujos componentes apresentavam-se com mazelas semelhantes à dos Espíritos que precisavam de tratamento. a organização sobrevive naqueles que o substituem. mas muito realista. especialmente quando são figuras importantes. E também não é sempre que esses líderes. hipocrisia. Sua frase final foi de uma beleza transcen- dental: — Farei com as minhas lágrimas um rosário para oferecer a Jesus. e se tenha tornado praticamente insubstituível. Uma vez convencidos a mudar de rumo. Ao que tudo indica. passou uma semana a estudar diferentes grupos mediúnicos. no mundo do crime. Sua sinceridade era evidente. usar dessa mesma influência para reencaminhá-los ao bem. por maiores que sejam as atrocidades que cometem. sem prejuízo para as suas tarefas. Dependiam dele. exatamente porque confiavam nele é que foram levados ao extremo de cometerem crimes terríveis. ou que o arrasam. Verificada. estava disposto a ajudá-los. dificilmente a instituição é desmantelada. logo. com a sua decepcionada hostilidade. a impossibilidade de “salvá-los”. como homens. Eles confiavam no seu antigo chefe. de sua palavra. mesmo convertidos. há sempre alguém em condições de suprir uma ausência ocasional ou definitiva. que o desejam de volta e ameaçam arrebatá-lo a qualquer preço. por isso. A não ser que o líder esteja colocado em posição muito elevada. O primeiro impulso destes é resgatá-los. quando o seu chefe supremo é convertido ao bem. 146 após a desencarnação.

Promovem reuniões. porque não lhes. grandes ou pequenas. Nada os detém. Nada de ilusões. são os mesmos. seus planei adores. É preciso enfrentá -los com paciente firmeza e confiança nos poderes que nos sustentam. os benfeitores espirituais valem-se do momento de crise. E qua ndo os grupos de socorro espiritual começam a interferir em seus trabalhos. seus executores. concilios. devem estar bem preparados para enfrentá-los. que resolvem organizar um grupo mediúnico de desobsessão. 147 Há. quando se trata de organização de menor porte. guardas. porque as mais vastas. pois. Conservam registros meticulosos. desarticule -se. elas se aconchegam umas às outras e desenvolvem planos combinados de ataque. que pode abalar seriamente as instituições e até mesmo neutralizá-las. Muitas vezes. desde que os fins a que visam sejam alcançados. “armadas” e bem adestradas. com o fim de produzirem lucro. rígido. em vez de visarem a atividades industriais ou comerciais. organizações menores filiam-se às maiores. Em casos excepcionais. ainda que ocasional e temporário. como as sociedades anônimas da Terra. exposições. porém. Aqueles. tudo é permitido. pois. movimentam documentação. Estão preparadas para isso. conferências. de vez que nada lhes é sagrado. dispõem de tropas de choque. punem os indisciplinados. empregando milhares de servidores. sem nenhuma cerimônia. uma vez convertidos. a revolta. debates. para um trabalho de saneamento. e têm delas supervisão e proteção. ritos. para emergências. porque os objetivos. o deslize. ainda que seus líderes as abandonem. e tudo se lhes permite. inflexível. Não podemos abrir brechas em nossa vigilância. Só que. seus organogramas são tão bem planei ados e implementados como os de uma empresa. No primeiro caso. produzem o terror e a opressão. seria permitido pela própria estrutura e pelos métodos da organização a que pertenceram por longo tempo. Sejam. utilizam-se de aparelhos. sermões. Seus métodos são os do terror pela violência. a desobediência. porém. Não se tolera a falta. e lutam pelo poder e por aquilo que entendem como glória pessoal. pelas portas das nossas fraquezas. aqueles que. Têm seus chefes. sobrevivem a essas crises. ou muito se assemelham os métodos de ação. porém. têm condições de tentar ajudar os que ficaram. pois as estruturas resistem. que podem causar consideráveis trans tornos. e há aqueles que não podem sequer pensar nisso. condecoram e distribuem prêmios aos que se destacam por trabalhos de especial relevância. é possível admitir que a instituição se desfaça. . se assim o permitirmos. sua incontestável hierarquia apóia-se num regime disciplinar implàcável. Promulgam leis. Sua ética é governada pela total ausência de escrúpulo. quase sempre. endurecidos na prática do mal. operários. porque penetrarão. e dispõem de planos alternativos.

148 QUARTA PARTE TÉCNICAS E RECURSOS .

ao certo. Além do mais. a mediunidade sonambúlica pode e deve funcionar perfeitamente. psicografia. para que eles . a qualquer momento e sem limite de tempo. repetidamente. Por outro lado. do seu estado de saúde. temporariamente ocupado ou ma- nipulado por entidade estranha à sua economia. levantar-se. mas o médium não é um possesso. e muito livres. A mediunidade sonambúlica assemelha-se ao estado de possessão. ou. de psicologia complexa. O possesso é realmente um médium. as intenções do Espírito que se aproxima. muito embora se fale em sintonia e em vibrações. O Espírito do médium não está em estado de inconsciência. Se o médium mergulhasse. também. do seu interesse no trabalho. Num grupo mediúnico em que a supervisão espiritual seja firme e segura. da sua confiança nos companheiros que o cercam e. qual a razão de sua presença entre nós. da sua capacidade de concentração. que problemas nos traz. em Espírito. dar murros. no dirigente do grupo e. rasgar livros e cadernos. de uma para outra manifestação. da sua problemática íntima. que cada manifestação é diferente. O máximo que se pode dizer é que a consciência não está presente no corpo físico. para sentir o quanto essas duas manifestações diferem uma da outra. obvia- mente. da sua fé ou ausência dela. Eles provocarão distúrbios e agitar-se-ão bastante. derrubar móveis. que pode flutuar. ou totalmente sem disciplina. Devo abrir um parêntese. não estou esquecido do fato de que há manifestações violentas. quais são suas características. Suas faculdades sofrem influências várias. segundo suas próprias disposições. não se mani festa através do corpo material. especialmente. fazendo-o gritar. basta invocar esta. melhor ainda. segundo os recursos e censuras que encontrarem em seus médiuns. Ao escrever isso. clariaudiência. ou psicofônica. com ele. durante as quais os Espíritos incorporados movimentam o instrumento mediúnico aparentemente à sua vontade. no estado de inconsciência. dos Espíritos manifestantes. a própria mediunidade não é um instrumento de precisão. é preciso considerar. Nunca sabemos. quando a ele nos refe rimos. como um telefone ou um rádio. mas não nos esqueçamos de que. assim como há médiuns que conservam sua consciência durante a manifestação. O médium é um ser humano ultra-sensível. mas. o manifestante assumiria posse total do seu organismo e faria com ele o que bem entendesse. tudo quanto entender. não apenas os guias espirituais do grupo estarão atentos. para cedê-lo ao manifestante. como um microscópio ou um relógio. do ambiente. que são também seres humanos — não nos esqueçamos disto — variam suas apresentações. no sentido de que o manifestante possa fazer. mas está muito longe de ser mero aparelho mecânico de comunicação. E mesmo estes. e médiuns que passam ao que se convencionou chamar de estado “inconsciente”. que há diferentes formas de mediunidade: de incorporação. simplesmente porque se afastou do seu corpo físico. para reiterar uma antiga opinião: de minha parte. pois muitos Espíritos necessitam ser ligados a tais médiuns. e promover distúrbios semelhantes. neste livro. de vi dência. de maneira previsível e controlável. julgo inadequada a expressão “mediunidade incons ciente”. 149 29 TÉCNICAS E RECURSOS Dissemos alhures. que funcione. pois oferece condições para que outro Espírito se incorpore nele. incumbido de transmitir o pensamento de um desencarnado.

respirar com maior profundidade. freqüentemente. assim. porque isto implicaria admitir mediunidade totalmente descontrolada. o médium sofre inevitável mal-estar físico. até mesmo. Elas são imprevisíveis e inesperadas. horas. O médium experimentado e res- ponsável deve estar preparado para isso. o que. antes da sessão. como o próprio médium estará presente e consciente. porque o imobiliza instantaneamente. que o neutralizando. acabam com o grupo. e não consegue falar senão depois de se ter acomodado bem à organização do seu instrumento. Às vezes. sofrem também terríveis pressões dos irmãos perturbados. ou seja. o doutrinador deve aproveitar esses momentos para uma palavra de boas-vindas. Esteja ou não esteja o Espírito ligado ao médium antes da sessão. gemer. afastá-lo do trabalho. Nestes casos. em que o Espírito é virtualmente “manietado”. tenha ou não mediunidade ostensiva. perfeitamente preparado para inúmeras formas de manifestação. mas de realidade indiscutível para ele. o Espírito manifestante é parcialmente ligado ao médium. irritabilidade. não deixe de comparecer ao trabalho. saberá identificar. prostração. embora não dotados de mediunidade ostensiva. e até dias inteiros. Já tivemos oportunidade de presenciar alguns desses casos. interferir. e na seqüência que julgar mais conveniente ao bom andamento dos trabalhos. aqui. dor de cabeça. estado febril. Esse envolvimento pode dar-se também com os demais participantes do grupo que. agitar ligeiramente a cabeça ou o corpo. pressão sobre a nuca. sobre os plexos. O doutrinador experiente saberá identificar prontamente os primeiros sinais da incorporação. O grupo deve estar. É preciso. . Em casos extremos os orientadores espirituais do grupo também adotarão medidas de exceção. cada médium tem seu próprio “estilo”. Não se assuste. quando o Espírito começa a acomodar-se à organização mediúnica. ou a esbravejar. e pode. não se apavore. saudando-o com atenção. não tema e. * Mas. duas ou três vezes. ainda que lhe permitindo considerável faixa de liberdade. Um dos alvos prediletos dessas penosas aproximações é o doutri nador. pois é isso mesmo que desejam os companheiros desequilibrados. embora a manifestação não se torne ostensiva. sensação de angústia indefinível e. implacável. impiedoso. acompanhando atentamente a manifestação. os companheiros desencarnados doentes. 150 não cometam desatinos. com certeza. é verdadeiro. a fim de iniciar o tratamento do irmão que se apresenta. habituado a trabalhar com ele. voltemos ao fio da exposição. quando se trata de um Espírito desarmonizado. usualmente. levantar os braços. ele precisa de alguns segundos para apossar-se dos controles psíquicos do médium. mas. é certo que o planejamento espiritual já tem as tarefas da noite distribuídas por antecipação. lembrar que. agressividade e vários outros sintomas de desarmonização psicossomática. tenaz. para conter as manifestações mais violentas. porque acham. por laços fluídicos invisíveis aos nossos olhos. numa sematologia que o doutri nador. para indicar o início da comunicação: colocar as mãos sobre a mesa. sobretudo. por causa dessas dissonâncias psicofísicas. muitas vezes. o Espírito começa logo a falar. O cerco em torno dele é permanente. para que o Espírito manifestante não se exèeda. Geralmente. infelizmente.

ou preparando ciladas. ou se apresenta ainda Inexperiente e incapaz de um diálogo mais sofisticado? Uma coisa é certa: não devemos subestimá-lo. por mais que se esforce — coisa estranha! — não consegue pronunciar o nome de Deus. Dentre os muitos casos assim. sumariamente como ignorante. Pode. defraudar. dá-nos conselhos. Qualquer que seja a abertura da comunicação. numa linguagem de pacificação e entendimento. Riem-se muito dos nossos enganos. que intenções. começou serenamente. Alguns bem mais desarmonizados do que outros. mas. o que fiz com um passe. inteligente. lembro-me de um. 151 carinho e respeito. de esgotar o médium incumbido de dar-lhes passes. Por fim. de início. a fim de tentar ajudá-lo. depois de recuperado. Propus-me a ajudá-lo. Aos Poucos. explode em irritação e “abre o jogo”. divertindo-se com a minha falta de inspiração. por estranho que pareça. De outras vezes. mas todos necessitados — e desejosos — de uma palavra de compreensão e carinho. com esses artifícios. Houve um que começou fingindo uma terrível dor de cabeça. como cegueira ou falta da língua. assegura-nos suas boas intenções. e ele começou a rir. Nossa experiência acumulada é muito mais ampla do que suspeitamos. como alguns me dizem. certa vez. de indignação. depois de receber o companheiro com uma saudação sinceramente cortês e respeitosa. Digo-lhe que estamos dispostos à pacificação e ao entendimento. ou por estar com deformações perispirituais que o inibem. com uma dedicação Comovedora. na tentativa de descobrir suas motivações. ou tem cons ciência do que se passa com ele? É culto. desde que ele venha em nome de Deus. com um apelo “aos corações bem formados”. usando o vocabulário limitado de uma pessoa de pouquíssima instrução. em virtude de seu estado de perturbação. E derrama um arsenal de ameaças e intimidações. mas. ou mutilações que não possuem. depois. Dificilmente o Espírito é bastante primário para ser classificado. que precisa de socorro. Ainda não sabemos a que vem o Espírito. o doutrinador deve esperar. Há os que fingem dores que não sentem. Os primeiros momentos de um contacto mediúnico são muito críticos. ou simplesmente entregam-se ao prazer irresponsável de enganar. vem ele revestido de um manto de mansidão e tranqüila segurança. com o que ele se diverte bastante. por mais que reajam à nossa aproximação. que esperanças e recursos. às vezes. passou a colaborar em nossas tarefas. Ao apresentar-se. como eu lhe pedira. e entrar. Um deles. ou então. Em certas ocasiões. com paciência. que angústias traz no coração. começou realmente a sentir uma dor real. mantém-se em silêncio. Diz palavras doces. a sua história . usando de ardis. Visam. na posse de todo o acervo cultural de que dispõe. para que o doutrinador se esgote. a distrair nossa atenção do ponto focal de sua problemática. Em alguns casos o Espírito somente consegue expressar-se a muito custo. gritando que acabou a farsa. particular-mente grato ao meu coração. revelar clamorosa ignorância. o que o deixou bastante impressionado. Seja quem for que compareça diante de nós. é um Espírito desajustado. tinha dificuldade em expressar-se. porque o companheiro. que possibilidades e conhecimentos Estará ligado a alguém que estamos tentando ajudar? Tem problemas pessoais com algum membro do grupo? Luta por uma causa? Ignora seu estado. mistificar.

sentíamos nele. para nós. Esse querido amigo — que nos deu o nome de Eusébio — esteve aos nossos cuidados por longo tempo. que chegara ao fim da sua provação maior. e estava em condições de reencetar sua escalada evolutiva. perdera uma perna e. experiência. ainda caminhava de muletas. Uma noite. Onde e quando teria ele outra oportunidade de entendimento e recuperação? E onde. ao recebê-lo. popular. Se os companheiros do mundo espiritual permitiram sua manifestação. sua humildade uma constante. tão dificilmente conquistada. não”. o que contribuiu para que sua recuperação demorasse um pouco mais. No entanto. cujos bairros do subúrbio conhecia muito bem. sem lamentável prejuízo para o Espírito manifestante. não obstante. para falar-nos de maneira inusitada. Aguardemos pacientemente. nós próprios teríamos a alegria de granjear uma afeição e uma dedicação iguais àquela? Às vezes. e vivera em pobreza extrema. o que talvez lhe tenha favorecido a superação de suas inibições inte riores. para ele. Suas observações eram sempre judiciosas. a sessão alcançou um clima de maior intimidade. estava curado o querido companheiro. 152 foi se desenrolando. com o que ele muito se alegrou. do seu limitado vocabulário e das suas curiosas expressões populares. a técnica a que estão acostumados. na sua linguagem colorida. Foi. Certa noite. um senso filosófico muito profundo da vida e uma das mais lindas e autênticas humildades que já vi. Tentarei explicar. podendo caminhar sem elas. sem atavios. Era evidente. e sua afeição e gratidão por nós. em que expandia o coração amoroso e pleno de generosidade. graças a Deus. ele respondeu que já o experimentara. num grupo estritamente espírita. também. Por detrás de sua pobreza verbal. e quando. “não era barbante podre. aqui. mas levara um tombo. algo patético. o que o salvou e. Nossos orientadores espirituais começaram a utilizá- lo em pequenas tarefas auxiliares. e recair nos velhos processos da vaidade. embora o grupo não realize nenhum trabalho de Umbanda. continuava a falar-nos na linguagem do Eusébio. para saber o que desejam. mas conseguindo claramente expressar nobres pensamentos e demonstrar bastante segurança. orientado pelos ensinamentos . Nada de expulsá-los sumariamente. * Esse caso. Suas primeiras manifestações seguem. simples. Quando lhe disse que não precisava mais de muletas. tivera um passado de brilho e destaque. Fora um homem de cor. conseguiu dar os primeiros passos sem a “muleta”. mesmo no mundo espiritual. uma respeitável bagagem espiritual. veio para ilustrar algumas realidades espirituais que não podemos ignorar. aprendera a dura lição da humildade e tinha certo receio de abandonar sua obscura posição espiritual. quase sempre. revelando o que de há muito entrevíamos nele: conhecimento. aliás. enfim. devido à ausência de grande número de companheiros. Num infeliz acidente de trem. o grupo o tratasse com superior condescendência e o despedisse com uma palavra de desesperança. surgem Espíritos acostumados a essas práticas. dosada e sustentada pela sua aflo rante emotividade. Exemplifico: suponhamos que. Mas. o que. a despeito de sua indubitável vivência espiritual. Pelo que depreendemos. pelas ruas do Rio de Janeiro. emocionado até às lágrimas. paradoxalmente.

Provavelmente. Por muito tempo o diálogo se manteve nesse tom. 153 de Allan Kardec. alguma antiga experiência na Medicina. por divergência doutrinária insuperável. etc. identifiquei seu Espírito nas . Não nos contou ele toda a sua terrível saga. e começava a doutrinar-nos. que. dizia. que despertava lúcido e livre dos resíduos vibratórios do Espírito desarmonizado que o precedera. e não queria nada conosco. ele traçava infalivelmente o seu sinal. por meio de passes. Ao manifestar-se. desde que. Perguntei-lhe onde fora isso e ele me respondeu: — A gente nem sabia onde estava. no campo político-religioso. no Espírito. Parece que foi nessa existência que se familiarizou com a uti lização dos recursos da Natureza. há quatro séculos. Talvez buscasse esconder suas emoções. mas a afeição por nós lá estava. que ameaçava quebrar-se por causa de uma rara e incurável moléstia óssea. o que este recusava terminantemente. Só muito mais tarde a história se desvendou. também se fazia o bem. dando- nos conselhos e passes e. ao correr dos séculos. feliz em poder servir-nos. quem fluidificava a nossa água e quem tratava das nossas pequenas mazelas orgânicas. não sabia ainda (ou pelo menos não revelara) por que estava ali. que tanto o infelicitaram. Parece que sua intenção inicial era arrastar esse companheiro — o médium através do qual se manifestava — para os terreiros de Umbanda. Ele estava muito bem lá. dava passes no seu médium. haverá alguma razão para isso. haviam se distanciado na sua frente. o que não é verdadeiro. e muito mais facilmente. Tivera uma longa e penosíssima experiência. Aqui. de vigorosa inteligência e de muita cultura filosófico-religiosa. Era particularmente ativo e estava sempre presente para restabelecer o tônus vibratório dos médiuns. vez por outra. também. um homem de grande magnetismo pessoal. enquanto falava tranqüilamente.. etc. mês após mês. Em mim mesmo. entre nós. Manteve sua maneira algo rude de falar. como bicho. que. num impulso rápido de inspiração. -. sua gratidão e sua alegria. envolvera-se em erros lamentáveis. logo em seguida. No seu terreiro. Manipulava bem esses fluídos naturais e devia trazer. no século 16. temos uma experiência pessoal. Certa vez. em impulsos tresloucados. graças a Deus. Tivera uma existência no Brasil. mas uma só narrativa bastou. profundamente contristado. com seus conhecimentos e seu coração. e. certa vez. então. Também este integrou-se no nosso grupo. segundo ele. Incorporava-se. Era levado de um lugar para outro. Éramos uns “cartolas” grã-finos. — Fui um verdadeiro demônio — me disse ele. Era quem nos dava um passe final. sem floreios e artifícios de linguagem. pois sempre nos demonstrou ser conhecedor seguro das mazelas do corpo humano e dos métodos de minorá-las. quando a manifestação era por demais penosa. Fora. a essa altura. Confessou. como escravo negro. sobre a mesa. a “receita” de um chá caseiro. para curar. abandonara seus propósitos de continuar a freqüentar os terreiros. pelo reencontro com os velhos companheiros. curado de antigas mazelas. também. colocou um “remendo” na coluna. reunidos em apartamento de luxo. O nosso bom e querido Justino. perdera-nos de vista — a mim e a outro companheiro do grupo. e isso o salvou.

a primeira regra do diálogo. do contrário. para tentar arrancá-lo daquilo que constitui o seu mundo. eles acabam revelando a razão de sua presença no grupo. Como? Então não vemos que ele não faz mais do que cobrar uma dívida. colegas de serviço. e não é essa mesma a essência imortal do “Amai-vos uns aos outros”? * Assim. mas pelas inesquecíveis lições que nos trouxe. são. mal enunciaram as primeiras palavras. com eles. E ainda que relutem. quando nem sequer sabemos ainda de suas motivações e de suas dores. não poderemos ajudá-los. da parte daqueles que se acham desarmonizados. É claro que o pri meiro impulso de hostilidade. segundo a natureza dos problemas que os abrasam. não precisariam de nós: já teriam encontrado seus próprios caminhos. Não é ele quem nos incomoda e fustiga. Nunca é demais lembrar e insistir: eles precisam de nós. E quantas vezes não são eles aqueles mesmos que causam desequilíbrios em nós próprios. amigos. a seu turno. em que a culpa é tão clara? Que petulância! Que impertinência! É preciso deixá-los falar. Toda conversa. jamais. num processo legitimamente constituído. companheiros de jornada. de um Espírito assim. justamente porque não conseguem sair sozinhos das suas dificuldades. ou trabalhar pelo restabelecimento da Igreja do Cristo. ou funcionar como juiz. Muita coisa vai depender. e aparece um grupo. mas respeitamos seu anonimato e ele nunca mais deixou de trazer-nos a vibração do seu amor fraterno e do seu reconhecimento humilde. uma eloqüente manifestação de revolta. aflição. nos libertará também. em que ele continuará a buscar alhures o que não encontrou em nós: compreensão para os seus problemas e suas angústias. Contemos com mistificações e ardis. dos seus sofismas. preso à sua problemática. das suas perplexidades. éum permanente exercício dessas duas virtudes. é esta: paciência e tolerância. As primeiras palavras são de importância vital. somos nós que o agravamos. com os nossos irmãos em crise. com ignorância e má-fé. porque nos ajudam na prática da lei suprema da solidariedade que. que o fustigamos. precisamos deles. Muito devemos a esse querido companheiro. indeterminado. a sua razão de ser. Mas nós. rancor. pois. desespero. 154 lutas dramáticas da Reforma Protestante. porque nos trazem lições. empenhado numa tarefa que julga do maior relevo e importância. É necessário conhecer a sua história. ou obsessões naqueles que nos cercam: parentes. Ele está parado no tempo e no espaço. com falsidades e subterfúgios. suas motivações e suas razões. da maneira pela qual recebemos os nossos irmãos em crise. por igual. com a dor do Espírito aturdido pelo impasse que criou dentro de si mesmo. como o nosso. com a inadmissível tentativa de fazê -lo desistir dos seus propósitos. em suma. Esperemos. demorem e usem de mil e um artifícios. O longo trato com eles nos ensina que têm . enfim? Além disso. tentando obrigá-lo a mover-se. não podemos despachá-los. às vezes. uma expressão inicial sensata e equilibrada. Seria difícil distinguir a gratidão dele da nossa. tem de ser contra nós. amorosa e tranqüila. desencanto. Se assim fosse. não somente pelo que fez por nós. no desenrolar do trabalho. Não esperemos. com ódio e agressividade. isto sim. decisivas. ou perplexidade. da sua auto-hipnose. e podem constituir a diferença entre uma oportunidade de pacificação ou a alienação do companheiro por mais um tempo.

eles acabariam por revelar as suas verdadeiras posições. pois é isso. o Espírito fez um longo circunlóquio filosófico-teológico. Pretendia transformar o meu lar num hospício. teríamos que falar com cada Espírito na sua própria língua. chegados ao cerne do problema. lembro a ele a inesquecível palavra de Gamaliel. Se pudesse. e depois. cobrir as razões de sua presença entre nós. Se assim não fosse. reflete ódio ou desprezo. pois eu cometi contra ele um crime do qual jamais me perdoaria. Em suma. pois. o núcleo. amargor. de início. Se conseguirmos desfazer aquele núcleo. pois sabia muito bem que. que se estendeu por mais de uma sessão. e não a palavra falada. em torno do qual gira toda a personalidade e agrupam-se os problemas mais críticos e mais urgentes. precisamente.. ele não se conteve mais: seu ódio era contra mim.. ele estava mesmo era cansado de sofrer porque a vingança e a perseguição tanto sacrificam o perseguido. mesmo assim. Em outro caso» depois de muito debatermos as questões suscitadas entre nós. na língua que ele falou por último. embora pudessem sonegar a verdade por maior espaço de tempo. em afirmar que o médium traduz em palavras o que ele sente no Espírito manifestante: suas emoções. Se o médium se limitasse a transmitir-lhes a palavra. que constituem o centro. ao mesmo tempo em que lhe reproduz os gestos. aquilo que o Espírito elabora na sua mente. suas desarmonias. perplexidade ou aflição. mas é do próprio dispositivo mediúnico converter. o núcleo de suas dificuldades maiores.. disse ele. mesmo os mais hábeis e ardilosos deixam-se envolver. 155 um hábito peculiar de “pensar alto”. na sua mais recente encarnação. deixa cair os véus com os quais tentou. ele deixou escapar o fragmento de uma palavra reveladora. Estacou subitamente e comentou consigo mesmo: . mas evidentemente estava envolvido no doloroso “processo da cruz”. É certo. e no qual.. a personalidade reagrupa-se em novos equilíbrios redentores. seus problemas. que funciona como verdadeiro centro de aglutinação. estaríamos em melhor posição para o ajudar a resolvê-lo. ocultar as verdadeiras causas da sua dor e a razão da sua presença. Resmungou que nada tinha com Gamaliel. e todo médium precisaria ser xenoglóssico. Essas causas estão de tal forma gravadas nos seus Espíritos. mas relutou o quanto lhe foi possível. que os traz a nós. que acabarão por revelar a razão de sua presença entre nós. Era excelente argumentador e dialético de muitos recursos. Eles não conseguirão. Seguia meus passos desde que “tua maldita mãe te colocou no mundo”. ou seja. pois. em palavras e gestos. a qualquer palavra que pudesse levar-nos a descobrir suas motivações. Ao cabo do diálogo. do qual muitas vezes eles nem tomam conhecimento. Num caso desses. qua nto o perseguidor. Veio para isso mesmo. muito embora seja isto o que mais parecem temer. No fundo. seu temperamento. por muito tempo. É que o médium lhes capta o pensamento. perante o Sinédrio: — Não aconteça que vos encontreis lutando contra Deus! Percebi que a citação o atingiu mais profundamente do que ele talvez desejasse. e a voz alteia-se ou sussurra. Isto se deve a um mecanismo psicológico irresistível. A certa altura do diálogo. Insistimos. ironia ou. Fugia a qualquer referência pessoal. e a dúvida que havia entre nós reportava-se ao tempo da Segunda Cruzada. me destruiria. e disse: — Eu era um sol.

ao qual há referências alhures. dentro da carapaça das ilusões? O arrependimento somente se dissolve no trabalho construtivo. ou do próprio Templo. Nada de coações. Chamemo-la a lição do arrependimento construtivo. uma ou duas semanas antes. Incontáveis multidões. mantém-nos paralisados à beira do caminho. talvez tanto quanto eles. cruzarmos os braços e esconder-nos. O doutrinador precisa estar muito atento a esses sinais reve ladores. da penosa missão de aprisionar o Cristo. Podemos. com- preender sua relutância em abrir-se. apreciação emocional dos sentimentos alheios. Espere com paciência. na memória daquele irmão que sofre. agora. É preciso aprender a vibrar com ele. ou de conduzi-lo. como diz o provérbio chinês: a caminhada de 100 quilômetros começa com o primeiro passo. no entanto. detidos. de imposições. mostrar-lhes que estamos fazendo alg uma coisa. como um caramujo. pois. Era esse o problema que ele mais temia revelar. impossível negá-lo. seus crimes. como soldado romano. Sem essa abertura corajosa. desde a sua primeira manifestação. É preciso. Veja bem: apreciação emocional. É verdade. lutando. e devemos. para libertar-se.. o segundo. sofrer com ele. as censuras da consciência. mas que precisava enfrentar. não é fingir que ela não existe. O que temos de fazer. as cutiladas do remorso. que a verdade virá. Participara. ou seja. ajuda- nos a reconstruir logo o que destruímos. aceitar seu temor em descobrir suas . A culpa existe em nós. Na verdade. a refazer o que não podemos mais desfazer. vendo a multidão passar por nós. seus erros. conscientes de que o nosso erro está presente em nós. Precisamos. enquanto nossos companheiros e nossos amores seguem à frente. É claro que também somos endívidados. mas que o faça com muito tato. E. não temos empatia. Sempre fui um soldado. no entanto. pois o erro já está cometido mesmo. É necessário que as nossas emoções estejam envolvidas. habilidade. porque é justamente esse fingimento. a força da sua presença em nós. tentam fugir de si mesmas. 156 — Veja o que eu ia dizendo. Basta um pouco de ajuda. também. enfrentando os nossos espectros interiores. e temos que reconhecer. Para não transformar o tema numa composição literária.. neste mesmo livro. baste-nos lembrar que há dois tipos de arrependimento: o positivo e o negativo. Ele a dirá. ou até mais. ouvia sem cessar um alarido de vozes que berravam coisas confusas e um tilintar de armas que ele se recusava a identificar. suas mazelas e imperfeições. de pressões. que tenhamos a faculdade da empatia. busque com tranqüila perseverança. Esse mecanismo tem que ser bem compreendido por aquele que se propõe ajudar Espíritos endívidados. Lembre-se de que ela se encontra ali mesmo. Ninguém gosta de revelar suas fraquezas. ignorando seus próprios fantasmas interiores. não dá sequer para começar. para desfazê-lo. somos meros espectadores. se é que chegou a sua hora de mudar de rumo. tato e paciência. no entanto. e não podemos voltar sobre nossos passos. Este caso encerra outra lição importante. mas por que demorar-nos no arrependimento. que nos mantém presos. essa fuga. Tentar identificá-los é sua tarefa. Se apenas assistimos às agonias de um Espírito que se debate nas suas angústias. marcando passo. Estacionamos precisamente porque nos falta coragem para enfrentar o olhar severo da própria cons ciência. O primeiro. paciência e compreensão. temerosos e angustiados. estamos envergonhados. ao longo da sua inesquecível via crucis. em busca da paz.

a não ser em condições muito especiais. há de continuar amparando-o. O doutrinador não o forçou. que a intuição do doutrinador deverá indicar. Preciso pensar. está contido pelos dispositivos da encarnação e. ameace e procure intimidar-nos. agora. de que não pode deixar o Espírito falando sozinho. Freqüentemente ocorre ser ele muito mais treinado. que podem decidir o caso. por assim dizer.. adquiriu cultura e aprendeu a manejar a palavra. em pelejas dessa categoria. neste momento. Repitamos: o diálogo com os nossos irmãos desarvorados é um exercício de tolerância e paciência.. na maioria das vezes. Falávamos do primeiro contacto com o Espírito manifestante. O que interessa. ingênua e perigosa imprudência tentar superá-lo numa discussão. temeroso. Não apenas se encontra na condição de visita... Dê-me mais tempo. com o coração aberto à compreensão e ao afeto: — A decisão é sua. escritor. Limitou-se a dizer. À medida que ele se desenrola. presenciamos a dura batalha entre os lampejos da esperança de paz e os apelos de seu insaciado desejo de vingança: iria. mas. do que o doutrinador. e você? É isto que lhe convém? É isto mesmo que você quer? * Estamos. pois.. E acrescentamos: muito amor. que nos agrida. orador. acovardado. por mais bem preparado que seja. e muitas vezes o Espírito recuará novamente. talvez. de uma forma ou de outra. teólogo. ouvimos sempre uma destas frases: — Ainda não estou preparado. quando nos deixamos envolver pela sua . nos antecipando. embora sabendo que apenas trocava uma dor por outra. de que a resistência será grande. por outro lado. pois veio até a nossa casa. que amparou aquele a quem você persegue por tanto tempo. e o tinha sido por séculos e séculos? Entregar-se à dor? Abandonar a sua vítima? E a sua vingança? E. porém. não uma discussão. Leva nítida vantagem sobre o doutrinador que. a despeito de tudo isso. estejamos atentos. difícil. Deixe-me. e difícil. Não se esqueça. sentindo-se ainda despreparado. por mais alguns anos.. Neste caso. Foi tribuno.. uma disputa. ou séculos. É uma tentativa de entendimento. libertando o Espírito. 157 feridas. pensador. mantenha mo-nos compreensivos e discretos. ajudá-lo a descobri-las. mas estudar com empatia (novamente a palavra mágica) o drama que aflige o companheiro.. muito mais que com simples urbanidade. Não importa que ele leve a melhor no debate. como poucos. que o Espírito conhece e manipula com inteligência e acuidade. Mas. De outra vez. se o recebemos com fria e polida cortesia. como ele ficará ainda mais irritado. argumentou em causas importantes. Junto de um companheiro particularmente agoniado. que era a motivação de sua vida. ninguém melhor do que ele sentia a inadiável necessidade de uma atitude de renúncia. no entanto. ignorante de fatos importantes. Creio que foi possível deixar bem claro o quanto é importante essa primeira aproximação. Espere um pouco mais. O Espírito precisa ser atendido com interesse. Estejamos certos. não é “ganhar a briga”. Seria. enfrentou grandes debatedores. Claro que você pode continuar a fazer isso. Deus.. uma contenda. a luta interior que presenciaremos será dolorosa. ou confirmando-o na sua dor. pior ainda. Nela se definem muitas coisas sutis.. abandonar tudo aquilo. ou.

fantasias e deformações filosóficas. mas resista mesmo. que. O gritador acaba por perceber que está fazendo papel ridículo e usando violência desnecessária. tantas vezes. Aguarde pacientemente. o doutrinador tem de aceitar o papel de um pobre. a mesma lição: a de que são os próprios pecadores que se ajudam mutuamente: o coxo servindo ao cego. mesmo que tenha o argumento que parece decisivo. medroso —. . Se o tem mesmo. sem aumentar sua irritação. ao impulso de “responder-lhe à altura”. da parte deles. Procure dirigir a conversação para o terreno pessoal. As leis morais. Não altere a voz. Enquanto esse momento não chega — e geralmente ele não ocorre. por ser o único revelador do núcleo inte rior de sua problemática. sobre todos nós. * É certo. De vez em quando. ameaças. Mantenhamos o equilíbrio. paciência. tolerância. não reaja da maneira que ele espera. precisamente para evitar cair nesse campo. covarde. propostas. Não há razão alguma para pensar que você é um Espírito redimido. Resista. e ele um réprobro enredado nos seus crimes. ao fato de que humildade não quer dizer submissão e aceitação sem exame de tudo quanto nos diz o Espírito manifestante. pois ele se encontra diante de nós exatamente para que tentemos convencê-lo de seus enganos. É a sensibilidade do doutrinador que vai indicar em que ponto e em que momento interferir. ironias. Você não está ali para provar que é mais inteligente do que ele. compreendê-lo e servi-lo. nem mais culto. infeliz débil mental. quando somente uma grita. ainda. Mas. hipócrita. usarão de todos os recursos ao seu alcance para atingir esse fim. ou eticamente melhor do que ele: você está ali para ajudá-lo. Quantas vezes tenho ouvido agressões iniciais. que se alongaram mais profundamente no caminho da luz. Use-o com a mesma voz tranqüila e serena. Se o doutri nador cai na tolice de gritar-lhe de volta. Estejamos certos de encontrar sempre. se ele insistir em falar em altos brados. pois assim não conseguirá ajudá-lo. sem atritar-se com ele. que não é preciso gritar. É o clima que convém aos seus propósitos. que o aturde e o traz à razão. bravatas. atentos. de mil formas. o clima torna-se insus tentável e a situação difícil de ser contornada. e reiteradas. durante esse diálogo difícil — em que. que sabe ser o mais “perigoso”. 158 agressividade e respondemos com idêntica hostilidade. não o force. É muito difícil um diálogo áspero entre duas pessoas. que cai num vazio. Na sua dolorosa e compreensível inconsciência. faça-o compreender. tanto melhor. como estas: — Fale como homem! Não suporto essa voz melíflua! Será que você não tem sangue nas veias? Não seja covarde! Está com medo? Calma. teológicas e psicológicas. a infinita misericórdia de Deus. haverá mistificações. tentativas de inti midação. a sabedoria ilimitada do Cristo e a assistência incansável de nossos irmãos mais experimentados. Não é importante superá-lo na troca de idéias. não se deixe irritar. o desejo de nos arrastar à discussão azeda e violenta. o Evangelho do Cristo e a prática espírita nos repetem. que o aliena cada vez mais. o cego ao mudo e. Que a gente somente grita quando não tem razão. porém. Ele acabará por convencer-se da justeza dessa observação. em voz baixa e tranqüila. certo de que o Espírito está negaceando. Siga-o na conversa. Espere o momento oportuno.

esse engano. mas não hesita diante da violência. uma inexplicável ternura que. também. nos farão propostas e nos dirão as mais estranhas bravatas. com um mero doutrinador espírita. ele precisa da nossa ajuda. várias vezes. mesmo. 159 mesmo. dado que é com elas que vamos montando o quadro que nos mostrará o perfil psicológico do comunicante. Um deles me anunciou que iria “botar fogo” no grupo. A essa altura. pois não desejava causar-me dano pessoal. pelo menos. o rancor está firme atrás delas. essas bravatas e ameaças terminam assim. na História. uma lembrança fugaz. do século XX. uma observação aparentemente sem importância. mas se isso fosse impraticável. me diz. sob variadas formas: pequenos incidentes na vida diária. Lembremo-nos de que o perfil que procuramos é importante. Sonha grande. surgido dos registros históricos. e pelo menos algumas das ameaças concretizam-se mesmo. na fase inicial do diálogo — esperemos com paciência. ele replicará com toda a veemência. Fala-me da sua glória. se possível. Usualmente. Tudo serve para compor o quadro. O problema das ameaças merece alguma digressão mais ampla. . na qual insiste. doenças inesperadas. o tom de voz. mas continuam a estimar-se e respeitar-se. Ao falar das suas grandezas.. como um temível conquistador. Atenção com os pormenores que pareçam irrelevantes: uma referência passageira. Falam-nos do enorme poder de que dispõem — e muitas vezes isso é estritamente verdadeiro — e das “providências enérgicas” que tomarão contra nós. atentos às informações que o Espírito nos fornece. apoiada numa bravata: estava disposto a afastar-me de qualquer maneira. não sei de onde nem de quando. porém. Como pode alguém desejar viver na obscuridade. porém. que tem por mim certa afeição e — coisa estranha. se pode. Se o mencionarmos.. Está muito bem como está. meu Deus! —sinto por ele. é verdade — digo-lhe eu —. ao contrário. já estamos conversando. então. precisamente. amistosamente. Já no passado cometeu. que de forma alguma precisa de nós. vem das telas infinitas desse continuo espa- ço-tempo em que vivemos. que ele não entende. tentar a glória? Nem sempre. aflições maiores. para realizar os seus sonhos de domínio. Confessa. porque ele tem implicações muito sérias no trabalho de doutrinação. como dois velhos amigos que se reencontraram. sem me ferir. E me perguntou: — Como é que você quer morrer? Você fecha o grupo espontaneamente. também pronunciou sua ameaça. cujo aspecto truculento e olhar terrível o médium descreveu antes que se incorporasse. preferi a obscuridade. para que eles passassem. é essencial ao entendimento da personalidade daquele irmão. era para arrebentar tudo a dinamite. É isso. — Sim. porque a pedra tinha que ser afastada. ou nós teremos que fazê -lo? Outro me Informou que tinha “ordens do chefe” para remover-me do seu caminho. Embora dificilmente admi ta. se possível por bem. a não ser que a isto fosse obrigado. Um terceiro. e não como um agressivo guerreiro. de maneira dúbia: — Você preferiu outros caminhos. mal-entendidos entre familiares. Não poucos serão os que. num reencontro de dois seres que seguiram rotas diferentes. embora projetando-se.

preciosas. enquanto puderem. Mesmo que ele nos fira. especialmente se deixarmos cair as nossas guardas. ferimentos e angústias. e não apenas para o médium. vamos ser punidos porque estamos procurando. depois de desperto: beijou. as culpas ainda não cobradas. continuamos vulne ráveis. não tão difícil e grosseiro como este mundo de provas em que vivemos.” (Marcos. pelo menos. sem jamais nos ferirmos nos espinhos. a uma observação superficial. Os seres desencarnados inferiores que nos vigiam. com a peçonha de seu rancor inconsciente. uma enorme capacidade de amar. pois. com emoção e respeito.) O Espírito deseja a libertação. se assim não fosse. Nossa bagagem de erros ainda a resgatar não nos permite usar o manto da invulnerabilidade. O cerco aperta-se. em nenhuma hipótese. mas não a devolveremos com uma palavra ou um gesto de desafio que de provocação. mas não deve deter os nossos passos na ajuda ao irmão que sofre. 14:38. deseja e . É preciso estarmos. das ameaças e. agressivo. tão bem ou melhor do que nós. e. não pôde conter sua gratidão. 160 Em primeiro lugar. mas. mais do que ninguém. como disse um amigo espiritual muito querido. temos. mergulhado no corpo físico. bem no fundo de si mesmo. os erros ainda não resgatados. experiências e quali ficações inesperadas. ou. exatamente. de certa forma. praticar a Lei universal do amor fraterno e da solidariedade que nos recomenda o Cristo? Não aceitaremos a intimidação. a mão de seu aturdido doutrinador. e. mas a carne é fraca. bem certos de que. ele daria tudo para destruir. ainda há poucas semanas. para ajudá-lo a levantar-se. ele nos será muito grato se o conseguirmos e. Um deles. Seria profundamente injusta a Lei. sonha com a paz. ou para o doutrinador. não podemos colher rosas. certa vez. a despeito dos espinhos das rosas. mas sem cometer o engano de ridicularizá -la. quando lhe estendermos a mão. Mesmo com toda a vigilância. logicamente. poderoso. como nos disse um Espírito amigo. temos que prosseguir o trabalho de resgate. pelo menos. o mesmo que. e em prece. ele. por mais fantástico que nos pareça. no fundo. está pronto para a vida em plano melhor e mais purificado. É necessário não intimidar-se diante da bravata. Isto é válido para todo o grupo. quase inabordável. eles nos lembram: — Você pensa que é invulnerável? Quem poderá responder que é? E as nossas mazelas. Há uma diferença considerável em ser íntimorato e ser temerário. E “eles” sabem disso: quando o esquecemos. no entanto. sabem disso. hão de reter-nos na reta guarda. nos espionam e nos assediam. Então. segundo Marcos — “para não cairdes em tentação. e jamais em decorrência do trabalho de desobsessão. — “Vigiai e orai” — disse o Cristo. pois o espírito está pronto. sofre a ausência de afetos muito profundos e. sua vontade debilita-se e a fraqueza da carne vence as melhores intenções. no fundo. os Espíritos mais terrivelmente perturbados e desarmonizados guardam em si incrível potencial para as realizações futuras — aptidões. sofreremos senão na quilo em que ofendemos a Lei. muito difícil. No trabalho mediúnico de desobsessão. que contar com contratempos. que o sufoca. ainda que estejamos guardados na prece e na vigilância. em si mesmo. de um ou outro desengano maior. para engrossar as fileiras dos que estão parados. teme novas quedas. as infâmias ainda não desfeitas? Contudo. Quanta verdade nesta imagem! Por mais estranho que nos pareça.

dominar mentes.. De outras vezes a proposição é mais sutil. deram-se mal. também estaremos nos libertando das nossas próprias culpas. sim. por exemplo. Ou então nos oferecem coisas mais terra-a-terra. se soubesse daqueles que haviam concordado com arranjos semelhantes. que nosso grupo estava particularmente interessado em socorrer. aparentemente tão frágil. para o lado de . Como dizia há pouco. a que particularmente este jamos dedicados. votadas. Estão acostumados a tais ajustes e transações. com seus próprios recursos. Se podem comprar nossa desistência. posição. àquele que me propunha desfazer um “trabalho”. Começam com elo gios. e foram afastados sumariamente. ou em liberar outros. De um Espírito encarnado. Inúmeros outros seres e grupos que tentaram.. Você sabe. Um grupo bem orientado e bem guardado pelos amigos espirituais invisíveis começará. E ele. também. em deixar de atormentar alguém.. é esta: não ridicularizar a bravata. não hesitarão em propor uma barganha: — Está bem. encerrar as atividades do grupo ou dedicar-se a outros afazeres mais inócuos e menos prejudiciais aos seus interesses. Um deles me disse. que eu ficaria estarrecido. por ele mesmo. Concordarão. por si mesmo. que mantêm prisioneiros no mundo espiritual. nos foi dito que desis- tíssemos. Por que não fazemos um acordo? Outro convidou-me para “pregar”. como também aos desequilibrados Espíritos manifestantes. impedir seus passos. prazeres. os companheiros desvairados proporão barganhas e tréguas. a obter resultados que surpreenderão não apenas aos próprios componentes encarnados. não responder à ironia com a mofa. na sua instituição. resistir à investida de tremendas e poderosas organizações espirituais. não se intimidar. Já referi aqui. Regra semelhante poderia ser sugerida para responder à proposta. portanto. A proposta pode ser um simples negócio. nas suas organizações. De modo que. no trato de situações como essa. a da resistência inesperada. aqueles que nos acenam com “belíssimas” posições. exaltando nossas fabulosas “virtudes”: — Você não sabe a força que tem! Poderia arrastar multidões. de algumas considerações à parte. pois que. há um tempo enorme. bem como. e muitos são os que se deixam fascinar por esse cântico funesto. aqui e ali. mas não ser imprudente. O que você deseja para parar com isso? “Parar com isso” é deixá-los fazer o que entendem. igualmente.. ao que tudo indicava.. certa vez. E. por exemplo. se os espinhos nos ferirem. ele não o conseguiu ainda. ou pequenas concessões. 161 espera que nós consigamos salvá -lo.. à prática do mal. afinal de contas. a imaginação deles é fértil e a habilidade ilimitada. Acham que tudo tem seu preço e dispõem-se sempre a pagar o preço combinado por aquilo que lhes interessa. passado o rompante das primeiras agressões. A regra. Estes não compreendem como pode um pequeno grupo. como dinheiro. A imaginação é fértil e a experiência deles é longa. Há os que propõem desembaraçar-nos de pessoas que supostamente nos estariam atrapalhando. porque ele não voltaria: já havia “cruzado a ponte”. como dominar a minha. tão reduzido. no passado. A um desses respondi que não sabia. pouco a pouco. nem desafiar a ameaça. ainda. imperturbável: — Sabe.. feito contra mim.. e esta precisa.

ou pelo terror. que condescendemos em estender-lhes a mão salvadora que. e. está bem . enfim. votados à maldade intrínseca. passa a vítima inerme de sua própria tolice. Confesso-me simplesmente incapaz de decidir. é desumano. Eles compreenderão nossos escrúpulos e nosso jogo aberto e acabarão respeitando-nos por isso. Escarnecer de suas propostas. retrucando aos seus processos ardilosos com ardis de idêntico teor. Eles não estão habituados a fazer acordos para obter o que podem conseguir pela imposição e pela intimidação. nessas duvidosas transações. o bom senso de não procurar tirar partido da situação. porém. Duas observações básicas é preciso ainda fazer. estava muito feliz. Absolutamente. A cobrança virá. por mais ino centes que se apresentem. que sacrificar uma dama. às vezes. São irmãos doentes. além do mais. ou seja. por mais infantil que seja. com a qual estão acostumados a lidar.. com a finalidade de nos levarem a abandonar o trabalho. dispostos a tudo. A prudência continua a ser a melhor conselheira. Buscam aflitivamente alguém que não possam corromper com suas propostas. São metódicos. com isso. costumo ter uma resposta padroni zada. Além do mais. e nós. é porque estão começando a sentir-se algo perplexos. mas que necessitam de nós. fora bom para ambos os lados. Não recuso a proposta. à primeira vista. A segunda observação é a de que. indica uma boa transação concluída de maneira auspiciosa. jamais. evidentemente. nas quais têm. jamais. É bem possível que sejam mais atilados psicólogos do que nós. porque sentimos que estão fracos e algo perplexos. da parte deles. 162 lá. estaremos sintonizando-nos com o mesmo diapasão ético com que eles nos experimentam e. seres redimidos. iremos desinfetar. métodos semelhantes aos seus. O negócio. sobre aquele que concordou com o trato e que. quando os nossos irmãos atormentados propõem semelhantes transações. Não alimentemos a ilusão de demonstrar-lhes que. alguém que prove ser pelo menos um pouco melhor do que a média humana. nada impede que desfaçam o trato. mais experimentados do que nós. Encaram suas tarefas deploráveis como complexas partidas de xadrez. para dar o xeque ao rei. quando não mais interessar-lhes o nosso concurso ou caducar a razão pela qual se valeram da nossa ingenuidade infantil. Procure um dos nossos companheiros espirituais. sobre tais propostas e acomodações: a primeira. irá por terra a precária ascendência moral que porventura tenhamos alcançado sobre eles. deixar de ajudar alguém. aí no mundo de vocês. O que ele resolver. pode ser desastroso. Tenhamos. ante a resistência inesperada à sua vontade. Usualmente. esquecer- nos de que são pobres irmãos desorientados. então. e nem a aceito. Não os subestimemos jamais. é mais do que óbvia. depois. na prática comercial. Se a uma proposta. Não podemos. desesperados. dispõem de amplos e minuciosos planejamentos. diante de nós. Em situações como esta. as concessões que nos oferecem têm elevado preço. o que. tentarmos “virar a mesa”. não podemos permitir-nos utilizar.. o que é estritamente verdadeiro. imatura e precipitadamente. Tinha tudo quanto queria. digo qualquer coisa assim: — Não tenho autoridade para tratar com você. estejam ou não convencidos ante a nossa argumentação. são simples vermes infestados de culpas. de suposto aliado. Além disso. que as con- seqüências serão funestas para nós. qualquer concessão. que precisam de ajuda e compreensão. ou um bispo valioso. e não de que os confirmemos nas suas práticas. a qualquer tempo. ou fazer.

e até mesmo respeitosa. Um pobre irmão desses. mas pelas suas idéias. experimentemos a mesma arma. a não ser para aqueles que também estejam em desequilíbrio. A posição do doutrinador tem que continuar firme. encontra-se desatinada. no seu desespero. Nesse ínterim. no mundo espiritual. porém. gritou e fez tudo quanto lhe foi possível para destroçar- nos ou quebrar o nosso moral. pelo menos. um de nossos médiuns teve com ele um encontro. tentando ludibriá-la com os mesmos recursos com que. com a graça de Deus. paciente. isso é compreensível.. para despedir-se. e arrasado de remorso. pelas atitudes agressivas e despropositadas ante o seu doutrinador e o próprio grupo. totalmente dedicado à sua ingrata causa. não importam os métodos. portanto. por algum tempo. como tenho observado: — Está bem. se não tiverem o grupo. Eles não poderão fazer nada. pelo menos na extensão que a nossa vaidade poderia sugerir — que. desde que os fins sejam alcançados. você sabe. muito contrito e infinitamente grato aos pequenos trabalhadores que o ajudaram: preparava-se para reencarnar. A criatura que está diante de nós.. Era profundamente honesto consigo mesmo e.. Ele visitou-nos novamente. tempos depois. É preciso respeitá-la. Merece nosso respeito. incorporada ao médium. um grande e generoso coração. sem dúvida. pois sabem muito bem o que significa a minha resposta. mas você pode resolver a parte que lhe toca. e se você acabar com o grupo. e vinha pedir nossas preces. evidenciemos que nossos métodos são melhores. semana após semana. Um dia. pela dor ou pela sedução. Tinha. todos aqueles que se lhe opunham tinham que ser removidos de qualquer maneira: pela intimidação ou pela lisonja. 163 para mim. é inadmissível. Essa história tem ainda um post scriptum. necessitada de compreensão e de amparo. Acreditava na legitimidade incontestável da sua causa. assediou-nos. depois. Às vezes eles insistem.. . Caso contrário. pois estava mais certo do que nunca do nosso amor fraternal. pois a dor alheia jamais poderá constituir espetáculo de diversão. deu murros na mesa. Seria profundamente desumano negacear com ela. extremamente desarvorado. tentou enganar-nos. Desceu do seu pedestal de poder e arrogância — fora também um grande e. que tanto se esforçava por salvá-lo. atormentou-nos. viu-se em toda a extensão de seus enganos. com ameaças terríveis. em desdobramento. um pobre transviado. O tom pode ser este. redespertados em seu coração. no passado —. e achava. convenceu-se de seu engano. estará tudo resolvido e não mais o incomodaremos. Não lutava especificamente contra nós. mas que nós. para dizer-nos desses nobres sentimentos. Estava recolhido a uma instituição socorrista. Voltou. pela simples razão de que não o somos. Se não podemos provar-lhes que somos melhores do que eles — e não podemos mesmo. Que ela tente. tranqüila. como tantos outros. que combatia o bom combate de que nos falava Paulo. também.

e depois dirigir-se a cada um de nós em particular. nos orientava. Muitos o fazem logo de início. o princípio de deixar que apenas o doutrinador fale com o manifestante. por ver que encontrava apoio num dos componentes do grupo. que nada dizem. FIXAÇÕES. Mesmo a estes. O Espírito começou a dirigir-se a ele. todas as semanas. respondendo-nos com outras perguntas ou com sutis evasivas. excelentes razões para manter como regra. dizem gracejos. este elo. de estímulo e encorajamento. que nos predispunha ao trabalho em equipe e certamente contribuía para que nos mantivéssemos. Várias artimanhas são empregadas para esse fim. em boa faixa de equilíbrio e concentração. certa vez. dizendo prontamente a que vieram e o que pretendem. para as árduas tarefas que nos esperavam cada noite. pois. Como o companheiro correspondeu à sua abordagem. DORES “FÍSICAS”. pois. o diálogo vai se desenvolvendo. todos. que . Sentiu-se fortalecido e disse. Outros são bem mais artificiosos. pois isto faz parte da técnica. achou graça num comentário do manifestante. era apenas o de estabelecer. necessário ao trabalho. o Espírito sentiu-se à vontade para prosseguir e foi muito franco e espontâneo ao manifestar sua satisfação. tentam captar a atenção por meio de gestos e toques. Dirigem perguntas aos demais circunstantes. os Es- píritos desarmonizados também a conhecem e procuram empregá-la. Seu objetivo não era o de distinguir este ou aquele. os resultados podem se tornar desastrosos. mesmo com um simples sorriso. muito embora soubéssemos perfeitamente que este não o estava apoiando. porém. a cada um de nós. mas certamente o estava favorecendo involuntariamente. Um companheiro esclarecido e experimentado que. DEFORMAÇÕES. Muita atenção com estes artifícios. com finalidades muito diversas. pois. mas. É comum tentarem envolver o grupo todo na conversa. entre nós todos e ele. para que informe sobre si mesmo. é necessário deixar o Espírito falar. Ele tinha o hábito de fazer uma saudação geral. quando alguém. é preciso deixar falar. que não se retirava — esta é outra técnica intimidadora. a partir de uma espécie de monólogo. que ainda estudaremos — com a clara intenção de desmoralizar o doutrinador. Se um companheiro desavi sado responde. fogem às perguntas. no princípio. Ë através daquele que atuam os Espíritos orientadores. em nosso grupo. para provocar o riso. nos braços ou nas mãos dos que lhes ficam mais próximos. criavam. que ficaria falando sozinho. costumava sempre dar uma palavra inicial. o que acaba acontecendo. pois constituem uma técnica de penetrar o psiquismo alheio. a técnica era obviamente utilizada para o bem. mesmo. 164 30 O DESENVOLVIMENTO DO DIÁLOGO. ensaiam a indução hipnótica ou o passe magnético. a fim de nos aproximarmos do âmago de seus problemas. Eles trazem em si uma sutileza perigosa e envolvente. Tivemos disso um exemplo. Usam da ironia. MUTILAÇÕES. esquecendo aparentemente a presença do doutrinador e suas palavras. após longo tempo de conversa. CACOETES. com uma palavra mais pessoal. Suas palavras singelas. e nem mesmo de dar conselhos individuais sobre nossos problemas humanos. sem dúvida alguma. Pouco a pouco. afetuosa e cordial. Há. de raríssimas exceções. como vimos. do mundo invisível. um vínculo positivo. Neste caso.

pois emprestam seu apoio vibratório silencioso ao doutrinador. e. tenha qualquer problema pessoal com o Espírito manifestante. com alguém presente que. segundo sua intuição ou a instrução . pelo menos. Convém a eles a generalização da conversa. Sob condições especiais. se persistirem em acompanhar mentalmente a doutrinação. os circunstantes encarnados. para que se mantenham firmes nas suas posições. quanto ao que se passa. a validade da regra que recomenda que apenas o doutrinador fale com o Espírito manifestante. mas ele precisará do apoio e da compreensão de seus companheiros. se o fize rem. nem que esteja sempre certo e com a razão. é possível que ocorra a necessidade. pois. o doutrinador julgará. Lembremos. podem introduzir perigosos fatores de desagregação no grupo. Não que o doutrinador seja infalível. condições para a sua tarefa. entendimento e compreensão entre todos os componentes do grupo encarnado. 165 ficariam com seu esforço dispersado se tivessem que dar atenção e atuar. imprevisível e traiçoeiro. por exemplo. e se sinta fortemente impelido a dizer-lhe uma palavra de conciliação. Também pode acontecer que o Espírito manifestante sinta real necessidade de uma palavra direta. no entanto. além do pensa- mento. a ponto de. na maneira de apreciar o trabalho do doutrinador. Se não pode ajudar. médiuns ou não. não acarrete maiores dificuldades. mesmo mentalmente. ou a conveniência de alguém mais falar. interferir no difícil diálogo que o doutrinador está tentando estabelecer. Às vezes. freqüentemente. não bem afinados afetiva mente com o doutrinador. mesmo que ela fique imanifesta. Os Espíritos manifestantes têm. que mina o trabalho. sobre todos os componentes do grupo incumbidos ou autorizados a falar com o Espírito. e o doutrinador errado. pode ajudar a despertá-lo. numa técnica muito sutil de desmoralização. que alguém. Se ele estiver certo. as coisas encaminhar-se-ão para um desfecho natural. Por isso. Em casos assim. então nada tem a contribuir de bom para o grupo e poderá acarretar-lhe considerável dano. é difícil. bem atento aos seus companheiros encarnados. se apenas critica e discorda em razão de distorções de sua própria psicologia. Pode ser. com um senso crítico imprudente. perfeito. em torno da mesa. ele falha mesmo. que. Estes companheiros não devem fe char-se na indiferença. tentando arrastar outros membros do grupo ao debate. deve afastar-se do grupo. do que permanecer no grupo como um ponto de atrito oculto. que afasta o doutrinador e o coloca mais ou menos à margem. um gesto de fraternidade mais objetivo. mas não devem cometer o engano de se envolver na conversa. O doutrinador tem que estar. porque o terreno em que pisamos. assim. no grupo. o que é importante para o desenvolvimento das tarefas. Ê possível. tanto se insiste na importância da fraternidade. certamente tirarão partido da discrepância. imaginando o que diriam em tais circunstâncias. via intuição. para perscrutar o arcabouço psicológico e moral do seu interlocutor invisível. condições de captar-lhes o pensamento e. fazer-lhe um pedido de perdão. mas é melhor excluir-se. ainda que tenha falhado. mesmo. ou com um gesto de que se lembre com saudade. com freqüência. a ponto de tornar-se criticamente negativo. alguém que não possa concordar com os métodos empregados pelo doutrinador. Dessa forma. claro. É comum que este procure burlar a norma. com a emoção de uma voz que há muito não ouve. e este não possuir. que ele esteja certo. no trato com esses irmãos desarvorados. por amá-lo particularmente.

embora isto também seja possível. ou seja. aquilo que lhes compete realizar. seguindo com extremo cuidado o diálogo. de conotações essencialmente humanas. Por mais voltas que dê o Espírito. o choque que se criou entre eles? Em suma: quais são as fixações do Espírito? Todo processo obsessivo tem o seu núcleo: traição. Deixemo-lo falar. ou seja. Deixe-o falar. para exercerem suas vinganças e perseguições. continuará a repetir incessantemente a mesma cantilena trágica: a vingança. é que Deus o permite. Qual a sua ligação com o obsidiado? De onde vem. e coisas semelhantes. Claro que. Mantenham-se atentos ao diálogo. Dificilmente um Espírito obsidia outro apenas porque discorda dele em questões filosóficas ou religiosas. aqui e ali. procure apaziguá-lo. desamor. não obstante. a impossibilidade do perdão. não quebrar. deve prevalecer a regra geral do silêncio e da sustentação psicológica aos médiuns e ao doutrinador. nem mesmo por palavras inarticuladas. mas não tudo quanto queira. mesmo com a intenção consciente de ocultar sua moti vação. a que veio o Espírito. pelos outros. até mesmo. Neste caso. subtrair. Estamos tentando. Veja bem: ajudá-lo a quebrar. ele não conseguirá isso por muito tempo. Talvez já saiba. Além do mais — dizem —. por exemplo. o desejo de fazer a vítima arrastar-se no chão. é preciso ajudá-lo a quebrar o terrível círculo vicioso em que se debate. porque cabe a ele a responsabilidade por esse aspecto da tarefa. falando-lhe de uma passagem evangélica. Ajudar a fazer não é o mesmo que fazer. a conversa prossegue. Fora desses casos. alguém que nos pediu ajuda. no tempo e no espaço. que insistimos em qualificar de excepcionais. quase sempre. Ele tem que sair com seu próprio esforço. Enquanto isso se passa. com problemas sus citados no relacionamento. Se grita e esbraveja. se podem fazer aquilo. Ele não tem poderes para fazê-lo cessar tudo? Por que não exerce tais poderes? Atenção. mesmo assim. No entanto. Muitos são os que invocam os dispositivos da Lei Maior. arriscando. O doutrinador precisa ter bastante habilidade para mudar o rumo de seu pensamento. pois. que se aplique particularmente ao seu caso e sempre haverá uma ou mais. em vista de suas ligações com os companheiros espirituais. de sua influência obsessiva. vigiem bem seus pensamentos. Terá que fazê-lo. uma pergunta mais pessoal. no seu ódio irracional. como um louco varrido. o ódio. . através dos dispositivos especiais a que nos referimos alhures. digamos. Ainda não dispõe. senão ficará andando em círculo. Não se esquecer de que. de elementos suficientes para formular um juízo acerca do caso que tem diante de si. um caso pessoal. 166 dos mentores. que se adaptam perfeitamente às circunstâncias. para essas idéias fixas. É. porém. descobriu a razão pela qual foi atraido ao grupo. mas não se envolvam nele. é ele quem está preparado para ela. vingança. como componentes encarnados do grupo. apenas pensadas. espoliação. Mas é preciso saber por que ele (ou ela) persegue o companheiro encarnado. com muita sutileza. permitindo que outra pessoa fale ao Espírito. Outra norma subsidiária: os circunstantes. deve continuar atento. por mais errado que esteja. o doutrinador. à volta de sua idéia central. ele está convencido dos seus direitos e. para retomá-lo quando julgar ne cessário. arrancá-lo à força. neste livro. da cobertura divina. em casos extremos de fanatismo apaixonado.

. por isso. aparentemente irrelevantes. mutilações e deformações perispirituais. se recusam a responder. o de satisfazer a uma curiosidade malsã e. continue a falar-lhe.. fala o que de fato sente. como o doutrinador — a troco de uma realidade penosa. pois. O objetivo das perguntas não é. Como. É certo que tudo isso está ligado ao problema interior que os atormenta.. Vamos a alguns exemplos: citei alhures. Ele não quis dizer. neste livro. por exemplo: teve filhos? Que fazia para viver? Crê em Deus? Onde viveu? Quando aconteceu o drama? Tem noticias de amigos e parentes daquela época? É claro. de que espontaneamente ele não sairá. para levar-nos a um conveniente esquecimento do passado. para poder fixar-nos no objeto do ódio e da vingança. pelo menos. perguntando se estão sendo forçados a processos inquisitoriais. e mesmo que ele pareça não ouvir — e isso ocorre. a fim de afastar o pensamento do comunicante. Coloque. o episódio do pobre irmão que tinha um braço paralisado. Sua vingança é a própria razão de ser de sua vida. ou. de vez em quando. mas porque não sabe. procurando atraí-lo para outras áreas da sua memória. não reage de maneira inteligível ao que este lhe diz. os Espíritos conturbados costumam apresentar cacoetes. porém. de ouvir o doutrinador. outros sentimentos e até mesmo outras angústias. que parece construir uma barricada às nossas costas. não porque não queira. ainda que temporariamente. perguntei-lhe o que havia com o seu braço. Se é que o doutrinador realmente sente o que fala ou. até que adquiram confiança em nós e nas nossas intenções. melhor ainda. que as palavras irão insensivelmente se depositando nele. outras lembranças. Não sei. 167 Por outro lado. sequer. Ou dão respostas evasivas. obviamente. Notei que durante o diálogo ele não movimentava aquele membro. Ou. mesmo. logo nos primeiros contactos. O processo pode alongar-se por muito tempo. fornecendo-lhe pontos de apoio. Ou. . em certos casos — seu próprio espírito sente as vibrações fraternas que sustentam as palavras. que essas perguntas não devem ser desfechadas numa espécie de bombardeio ou de interrogatório. às vezes. além daquela que constitui o núcleo da sua problemática. sem precipitação. Isto não significa que o doutrinador deve calar-se. Simplesmente “esquecemos” das causas que nos levaram àquela situação. Aguarde-se. de muitas maneiras e sob variadas condições. que é aquele momento patético em que ele descobre que a causa da sua dor está em si mesmo. na sua memória. ou. um mecanismo de defesa. tão pronunciada e tão absorvente. ao . Com freqüência. a fixação é. porque costuma funcionar. Ninguém gosta de submeter-se a devassas íntimas. provavelmente. simplesmente. Por que seria? No momento que me pareceu oportuno. devem limitar-se a conduzir a conversação. os manifestantes reagem. Não nos esque çamos. nestes casos. nem saberia conscientemente a razão. Tem que haver. ainda. o momento de ajudá-lo a sair um pouco de si mesmo. e não na pessoa que ele persegue e odeia? Além das fixações penosas. respondem. uma pergunta diferente. como vai entregá-la a alguém — a um desconhecido bisbilhoteiro. Nem sempre estarão prontos para nos ajudarem a ajudá-los. que o Espírito não tem condições. porém. Já tivemos oportunidade de observar esses pormenores. sobre os quais ela possa expandir-se.. do núcleo central que o bloqueia e o impede até mesmo de buscar a saida daquele círculo de fogo e lágrimas em que se encerrou inadvertidamente. sob a forma de trejeitos e contrações.

na mão direita. E. durante a Revolução. não acreditava que Deus o tivesse feito. Desde então — segundo apuramos em seguida — trazia a cabeça “destacada do corpo”. pois Deus não permitiria que um homem andasse sem cabeça por tanto tempo. Isto foi possível fazer. Explico-lhe que vivemos muitas existências. a dor aguda de uma lança que o penetrara há séculos. à mão. levou-o a um reexame bem menos apaixonado da figura de seu doutrinador. para o que é necessário dispor de algum ectoplasma. Levo-o cautelosamente para uma introspecção. e ele se lembrou da cena de um passado distante. Um terceiro tinha a voz rouca — seria um antigo câncer? —e quase inaudível. Ele se lembra. seria apenas para ter mais um braço para empunhar o chicote .. para ajudar na recomposição da forma “física”. intensamente dramático. a boca. porque ela lhe dava uma aparência terrível. orei e dei-lhe passes ao longo do braço imobilizado. ele recusou — sem muita convicção — dizendo que.. que ele acreditava não fossem seus. segura pelos cabelos. Continuava preso ao local onde exercera um poder discricionário. ele apalpava-se e só sabia repetir: — Ela está aqui! Ela está aqui!. Se sabia.. ele os executava. toda a anatomia facial e craniana: os olhos. também. . E dizia: — Posso falar! Estou falando! Queria saber quem fizera o “milagre” de “colar” a cabeça novamente no lugar próprio. de um pobre sofredor. mesmo decepada. e vi logo que ele reagia. que eram enfiéis a Jeová e. a punhal. quando sacrificou. além dos passes habituais. 168 certo. por incorporação. ao que parece. te ntava ignorá- la. o nariz.-. quando terminou uma existência de inconcebíveis desatinos. sentindo o impacto dos fluídos que o alcançavam.Mesmo assim. porém. realmente. se ele sabia a razão da paralisia de seu braço. guilhotinado na França. Sua “cura”. Enquanto a tivesse ali. Em alguma de suas vidas anteriores ele encontraria a explicação. para castigá-lo. Vivia apa- vorado ante a idéia de perder de vista a cabeça e nunca mais recuperá-la. Casos mais sérios de deformações espirituais exigem o concurso de médiuns especiais. tentando fazer que ele encontre em si mesmo a razão do seu espantoso sofrimento. a ouvir os comentários de visitantes e turistas sobre suas próprias atrocidades. com a graça de Deus. Outro sentia. que ele chamara até de porco! Outro companheiro desorientado conservava feia cicatriz sobre o olho direito.. seu drama resolveu-se. O diálogo inicial foi difícil. É verdade. a esposa e os filhos. Estava tudo lá. tivemos também um caso. as orelhas. Quanto ao que lhe acontecera. se ficasse curado. Só então. pois convicto de que estava sem cabeça. pois achava que ela o havia traído. foi possível liberar o seu mecanismo de censura. Reviu até a fila de espera. Em uma oportunidade. “Provavelmente”. como. não apenas para recebê-los. por meio de passes. ficou bom. Louco de alegria. . Exposto o âmago do problema. o fui convencendo de que podia falar através do médium. digo-lhe. que atemorizava aqueles a quem ele queria perseguir e afligir. E conferia. Subitamente. agora. com a ponta dos dedos. A custo. Oramos e lhe demos passes. embora as esqueçamos. ali mentava a esperança de “repô-la” no lugar. ele não tinha condições de falar. “você andou também cortando a cabeça de alguém”. Quando me propus a curá-lo por meio de passes. ele sentiu que a cabeça voltara à sua posição correta. isso. levantei-me. ainda. depois de condenados. voltando a movimentar o braço.

como explicar tudo isso. de ajudar a reconstituir lesões perispirituais e recompor seres reduzidos a formações animalizadas. a prisão ou a indenização redimem o criminoso. o médium expeliu realmente grande quantidade de ectoplasma pela boca. procurando impregnar-se deles. a divina. cada vez mais dolo rosa e ampla. não haveria direito líquido e certo de cobrarmos. ela continuará a abrir-se para baixo e para o futuro. uma falta cometida contra mim. Dessa forma. o concurso de um médium de efeitos físicos foi decisivo. pela regeneração. Por outro lado. a lei divina vai adiante e lhe pede a reconciliação. Enquanto lhe dávamos passes. A lei humana não toma conhecimento da sobrevivência do espírito. Mesmo com tudo isso presente à sua consciência. A sociedade humana tenta a reparação pelos caminhos da punição. que ele se recomponha perante a sua vítima. que reabre o ciclo da culpa e nos obriga a pagar aquilo que consideramos simples reparação? Mas. existe a idéia básica da reparação. sua lei não teria sido muito melhor do que a nossa. Não sei se os juristas que me lêem concordam com isto. Em outros casos de deformações perispirituais e zoantropia. pelos movimentos irreprimíveis que fazia como se estivesse vomitando em seco. a da impunidade. Teoricamente. Já descobrimos as razões fundamentais do seu drama. ao Espírito tumultuado pela paixão da vingança? Como iremos mostrar-lhe a falácia da sua filosofia da . ele ainda insiste em racionalizar a seu jeito. Suponhamos já ter sido possível identificar o núcleo principal do problema. imperfeita imitação dos conceitos superiores do Direito Cósmico. porque a idéia de direito implicaria. tanto numa. impunemente. O criminoso terreno deve pagar pelo que fez. sim. independentemente do que acontece com aquele a quem ele prejudicou. mesmo sem a vidência. Ainda falaremos sobre a ectoplasmia nos grupos mediúnicos. Não obstante. em face dos códigos terrenos. de cabeça decepada. 169 Mesmo para o companheiro a que há pouco nos referimos. mesmo que. ele pode cobrar. Já discutimos alguns aspectos teóricos desta questão. com movimentos aflitivos das mãos. A lei divina pede do ser. se Deus me assegurasse o direito de cobrar. pela vingança. o que se percebeu. do qual conhecemos as primeiras letras. Continua a submetê -lo ao seu próprio juízo e a invocar o seu direito à cobrança. talvez. através de sua própria consciência. Ante a lei humana. respondendo por desatinos cometidos. a lei humana não leva em conta o fato de que o homem sofre justamente aquilo que está nos seus compromissos cármicos. muito falta ainda para dissolver e dispersar aquele núcleo doloroso. como noutra. que há pouco mencionamos. pois que direito é esse. * Mas o diálogo prossegue. E se não colocamos um ponto final nessa espiral de horrores. ele parecia absorver os fluídos avidamente. ele esteja quite. nós mesmos. Não que tenha um direito assegurado nos códigos divinos. além da. de forma convincente. É claro que não falo aqui no direito humano. mas parece que não podemos ser punidos por exercer uma ação que o direito nos assegura. Não obstante. Creio que. as faltas cometidas contra nós. o quadro que se lhe apresenta. porque ela tem outras aplicações.

indefinidamente. que. a vítima às vezes se lhe escapa irrevogavelmente das mãos pelo próprio sofrimento que lhe é infligido. Ao longo do tempo ele ficará falando sozinho. Nem sempre lhe adianta uma bela pregação moral. ele arcará com as suas responsabilidades. enquanto não se convencer de que isso é uma realidade irresistível. Não sabe ele. Por que manter dois Espíritos amarrados. pelo perdão. afinal. e somente o libera da sua própria dor. como se estivesse apreciando um caso. para retomar a sua caminhada. Quando chegar a hora da dor. se esse dia pode ser hoje. no tribunal invisível da sua própria consciência. Não importa. Às vezes. Se conseguirmos despertá-lo para essas verdades. ou seja. vida após vida. pelo esforço que faz em ajustar- se perante as leis divinas. exercendo a vingança por suas próprias mãos. Ele não se mostrará sensível ao apelo. Sacudido pela tormenta das suas paixões. ele nem percebe que também sofre. assim mesmo. com objetividade e sangue-frio. Ele quer cobrar. a de que. e as sofrerá. mas isto é uma vingança frustrada e o satisfaz ainda menos do que a outra. agora? . diz ele. Por mais absurda que pareça a tese ao vingador. no processo que ele próprio criou. E então o perseguidor não terá mais como atingi-lo. não o seu caso. que o rancor não se satisfaz nunca. porque pelo menos terá saciado o seu rancor. muito menos pelos caminhos do sofrimento alheio. ele se inscreve novamente como culpado. e que continua retido. sobre as virtudes teológicas do perdão. basta uma pergunta bem colocada. estaremos começando a ajudá-lo. com prazer. vai conseguir o que não conseguiu em dois ou três? Pretende continuar preso à roda-viva da aflição? Por quanto tempo? Não está cansado? Não deseja experimentar ao menos um pouco de paz? Pare e reflita. com mais um século ou dois de rancor. E por que esperar tantos desenganos. 170 reparação? Em muitos casos. Poderá ainda insistir em persegui-lo indiretamente. no momento oportuno. o seu ódio somente se estanca. através de seres que lhe são caros. ele já está convencido dessa realidade. que o interessa pessoalmente. medite. na alienação da sua vingança sem objeto. porém. procure encarar o processo. Acha ele. por exemplo. pelo despertamento de seu Espírito. revezando- se nas posições de perseguidor e perseguido? Além do mais. Um dia despertará.

Se o companheiro éagressivo e violento. sem pieguice. mais desarvorado do que nunca. por certo. para atender a qualquer capricho ou cumprir ordens. Não é assim que as coisas funcionam. pois. de ressentimento ou de condenação. Um deles tentou aliciar a atenção de um dos componentes do grupo — uma . deblaterando contra a ineficácia dos nossos métodos de trabalho. tato e oportunidade. sem precisar ser melosa. diz que sim. que. pois desencarnara. de compreensão e de esclarecimento. mais paciente. que o reduzira ao mais extremo desespero. da nossa parte. a necessidade. que o recoloca à mercê de seus perseguidores. em não nos deixarmos envolver pela sua “faixa”. temos que contrapor. em estado de terrível agitação. em altos brados e com desprezo. Ele precisa. que se achava presente. Bastam as ansiedades do irmão que nos visita e. Isto não exclui. depois de recolhido pelos trabalhadores espirituais. que Deus não se acha à nossa disposição. que se vingará implacavelmente de seu obsessor. Por outro lado. Agora. em condições dolorosas e trágicas. também. que ele não pediu a Deus. Nada de precipitações e ansiedades. A despeito de todo o cuidado. A essa altura. Ele foi recolhido. porém. Contraditoriamente. diz. o momento de dizê-la tem que ser bus cado com extrema sensibilidade. exige uma solução para o seu caso. é preciso que a voz não se altere a ponto de soar violenta. às vezes. em estado de pânico e aflição indescritíveis. às suas aflições. desintegrar-se. falou aflitivamente de seu problema. em tom afável. Este é o irmão a que já me referi. muito jovem. recomeçou a indução. Aproveitando-se da incorporação ao médium e da proteção do grupo. Quando me levanto para ajudá-lo. de uma palavra mais enérgica. É hora de falar-lhe com mais firmeza. mas. 171 31 LINGUAGEM ENÉRGICA Sem dúvida alguma. A uma palavra minha. ainda e sempre. Está possuído de intenso ódio e de muita revolta. mas tem que reconhecer. que de nada valem meus passes e minhas preces. Este é o momento em que certa dose de energia torna -se de imperiosa necessidade. A energia não está no tom de voz. o esforço deve ser redobrado. são decorrência de suas próprias faltas contra a lei divina. autoritária ou rude. quando conseguir pegá-lo. recaíra em poder de seu perseguidor. Digo-lhe. apoiada na compreensão e na tolerância. para impedir que ele escapasse novamente do seu poder. mas naquilo que dizemos. Ele deve convencer-se de que precisa ser mais humilde. a seguir. E. ainda que sem o mais leve traço de arrogância. ao contar que. mas que isso de nada adiantou. Deseja morrer. a nossa tranqüilidade. se pretendemos minorá-las. mas éimprescindível que seja sustentada pela mais absoluta sinceridade e por um legitimo sentimento de amor fraterno. certa vez. também não posso lhe tirar a dor. Caíra em poder de implacável hipnotizador. resvala nova mente no precipício da desarmonia. Foi socorrido e encaminhado a uma instituição hospitalar do Espaço. a tônica do nosso diálogo com os irmãos desnorteados é a paciência. pelo nosso grupo. afinal de contas. reclama. A voz precisa continuar calma. como num passe de mágica. se for necessário dizê-la. ele tentou exigir de Deus um imediato alívio para os seus males. que pediu a Deus. Certo Espírito apresentou-se-nos. e do carinho de nossos dedicados irmãos. seu hipnotizador.

para isso. de baratinhas e ratinhos astrais? Ele parece ter sido apanhado de surpresa. faz uma brincadeira como aquela. Esse meio-termo. presentes. e largou-o sobre as mãos que ela conservava pousadas sobre os olhos fechados. pois. evasiva mente. deixando-o “brincar” um pouco. e eu também não lhe disse nada. só podemos contar com a intuição.. Dizia que a sala estava cheia de baratas “astrais”. mais a sério. mas deixam a nosso critério a condução do diálogo. de impaciência. Não pode. poder de oratória. com seus recursos. que se achava sobre a mesa. Tomou um pequeno lenço. em arrastar-nos para a altercação e o conflito. na sessão anterior. Em casos excepcionais. que se diz líder e mestre. nestes casos. disse-me. Mas estava evidentemente desbalanceado. para o problema das baratas: — Como é que você — disse-lhe eu —. incorporam-se em outros médiuns. um pequeno incidente. e revelava desespero. Percebera. Na reunião seguinte pareceu-me que o momento propício che gara. Se pronunciada antes da hora. O problema da palavra enérgica é. para doutrinar o Espírito manifestado. no entanto. Algo desconcertado. ao Espírito que deblaterava com arrogância e impertinência. por outro lado. revelar-se temeroso e intimidado. habilidade como argumentador. É comum. de agressividade. sem o menor traço de rancor. eles nos orientam e assistem. clima em que se sentem muito mais à vontade do que o doutrinador. por certo. limitando-se a transmitir uma pequena informação. Raramente interferem e. que não conseguia convencer-nos pela argumentação. não nos esqueçamos. Mas. é a marca que distingue um doutrinador razoável de um incapaz. fácilita-nos o acesso à verdadeira motivação da sua problemática. extremamente delicado. para que o próprio doutrinador a desenvolva. um homem assim inte ligente e culto. com incontestável autoridade. agressividade e arrojo. o episódio ficara esquecido.. Ela se manteve firme. estará arriscando-se a sérias e imprevisíveis dificuldades. sob condições especiais. muitas vezes. e de ratos que corriam de um lado para outro. no mínimo. pensou. fazem-no com extrema discrição. entre destemor e intrepidez. A certo ponto. e. Se este “topar a briga”. talvez. 172 jovem senhora — explorando sua repugnância por baratas e ratos. como eu deixara passar a ocasião de falar. o momento tem que ser oportuno e. mentores espirituais. desviei sua conversação animada. que subiam pelo corpo dela. sobre a “doutrina” de Kardec. como quem se desculpa: — Foi o que encontrei aqui. quando falham os outros. A cena com as “baratas” e os “ratos astrais” era. Um desses companheiros amados. quando isto se torna imperioso. e. que. falarem com inusitada energia e firmeza. com extraordinário vigor e habilidade. que não era ainda a oportunidade de falar-lhe. incongruente. um “professor” de Doutrina Espírita. como quem apela para um recurso extremo. pode acarretar inconvenientes e perigos incontornáveis. dado que os Espíritos que nos ajudam não nos trans formam em meros repetidores de suas palavras. como este. Durante nossa conversa anterior — confirmada no prosseguimento do diálogo — ele nos dera inequívoca demonstração de capacidade intelectual. . Era um líder. Achei. no momento inoportuno. certa vez disse um “Basta!”. sobre os seus “recursos”. porém. pois que não podemos esquecer-nos de que os Espíritos desarvorados empenham-se.

Qualquer um de nós redobra suas energias. Os próprios Espíritos desequilibrados encarregam-se de demonstrar que não há doutrinadores impecáveis. Quando alguém põe em dúvida um. Nunca deve ir à agressividade. é incontestavelmente humano. A interferência enérgica é. à irritação. para os seus fins. esse impulso. Se cairmos na tolice de dizer-lhes algo que não podemos sustentar. Em suma. dos nossos mais modestos atributos. e que o mais profundo amor fraterno pode e deve coexistir no mesmo impulso de exortação franca e corajosa. depois de uma observação mais enérgica. está perdido: é melhor passar suas atribuições a outro que. encorajadora. E aquele que se julga um bom doutrinador está a caminho de sua própria perda. quando desafiado. em freqüentes ocasiões. Uma das muitas armas que manipulam. escolhido com seguro tato. enganam e mistificam. estarmos atentos e preparados para interferir com mais energia. Baste aqui dizer que a energia. precisa ser decidida à vista da psicologia do próprio Espírito manifestante. uma questão de oportunidade. neste caso. tratamos logo de provar que. 173 pois os bons mesmo são rarissimos. tem que ser ainda mais adoçada. seria desastroso recuar. e jamais ao desafio. É preciso. estaremos em apuros muito sérios. Precisamos saber quando dizer que eles estão errados. Se o doutrinador julga-se invulnerável e infalível. embora não tão qualificado intelectual-mente. . ao contrário. neste livro. quando começa a perceber que está cedendo. com extrema sensibilidade. nem grosseria. e da maneira sugerida pela intuição do momento. o momento certo. intimidado. É humano. ou seja. pois começa a ficar vaidoso. se conseguir manter-se ao mesmo tempo firme e humilde. Ademais. e. e não repressiva. O Espírito perturbado tiraria disto o melhor partido possível. ou em que transpareça uma pequena pitada de cinismo. a palavra enérgica é necessária. mesmo. e por quê. porque em muitos casos é fator decisivo no despertamento do irmão aturdido. pois. Ainda veremos isto mais adiante. de hipocrisia ou de prepotência. certos de que firmeza não é estupidez. Nada de gritos e murros na mesa. Esses momentos de firmeza são também necessários quando o Espírito entra no processo que costumo chamar de “crise”. pois. é a do ridículo. que seja. indispensável. mas deve ser dosada. à cólera. Muitas vezes envolvem. tenha melhor condição. é naquilo que somos bons. com extrema habilidade.

em qualquer oportunidade. simples e concisa. cada um segundo suas convicções e da maneira que mais o toque.” Estes ensinamentos são. que “a fé é a garantia do que se espera. A prece o envolve em vibrações pacificadoras. Kardec torna isto particularmente claro. talvez há muito não experimente. a esperança e o amor. em “O Evangelho segundo o Espiritismo” (capítulo 28): “Os Espíritos hão dito sempre: “A forma nada vale. E que. puramente exterior. E acrescentou. Somente sob essa condição pode a prece alcançar o seu objetivo. na verdade. subsistiriam “a fé. Muitas vezes. Ainda voltaremos a falar sobre o amor. para os trabalhos de desobsessão.” (Primeira Epístola aos Coríntios. o pensamento é tudo. ou por alguém por ele indicado no grupo. Numa palavra: deve fazer refletir.” Lembro que os destaques não são meus. no decorrer do diálogo conosco. de reservas inexauríveis de energia criadora. pôr em vibração uma fibra da alma. dita em voz alta pelo doutrinador. nem luxo de epítetos. pelo som mesmo da voz. Vêem-se lábios a mover-se. estupefato: — O mundo pode desabar em cima de você. a prova das realidades invisíveis” (Hebreus. De transcendental importância.. 13:13. extravagante. que você não se importa. 11:1). é durante a prece. é a observação de que a prece “deve fazer refletir”. veri fica-se que ali apenas há um ato maquinal. de comovedora sinceridade. Ele não queria dizer que a minha fé era falsa. tão viva. quando diz. fonte de belezas eternas. mesmo depois de tudo dito e vivido.. despertar uma idéia. Bem dizia o nosso Paulo. os três. de Espíritos aturdidos ante a evidência desses senti mentos: — Que fé absurda tem você! — disse-me um deles. notai com que ar distraído e com que volubilidade elas são ditas. de outro modo. no mesmo capítulo de “O Evangelho segundo o Espiritismo”: “A qualidade principal da prece é ser clara. que o Espírito manifestante faz uma pequena pausa para pensar. Um bom pensamento vale mais do que grande número de palavras com as quais nada tenha o coração. Cada palavra deve ter alcance próprio. mais adiante. Entretanto. na maioria dos casos. estão no original. não passa de ruído. esse tema inesgotável. Citando os seus amigos espirituais. ilógica ou irracional. sem fraseologia inútil. pois. enunciada com emoção e sinceridade. incorporado ao médium. tão firme. em uma ternura que. de harmonias insuspeitadas. mas. . pela expressão da fisionomia. Ela deve ser elaborada em torno da própria temática que o com- panheiro nos tenha revelado. mas são de capital importância na prece que formulamos pelo Espírito desajustado que temos diante de nós.) Uma fé assim é preciso para orar pelos nossos queridos irmãos desarvorados. ao qual se conserva indiferente a alma. A fé e o amor causam impactos espantosos em nossos irmãos infelizes. especialista em tais assuntos. Quantas vezes tenho ouvido depoimentos. ele se surpreendia em achá -la tão legítima. sempre a nos sur preender com o seu infinito potencial. que são meros adornos de lantejoulas. para qualquer tipo de prece. Kardec escreve. preciosos. Ore. A força e o poder da fé transmitem-se à prece. 174 32 A PRECE A fé e o amor são os dois grandes instrumentos de trabalho do doutrinador.

do Espírito. necessariamente. “protegidos” por “couraças” e “capacetes” invioláveis. O melhor. Certa ocasião. antes. com as palavras e as emoções que ele mesmo escolheria para dirigir-se ao Pai ou a Jesus. e sim comunicar- lhe que vamos fazê-lo. Eles se esqueceram. zombando ou ridicularizando. ou durante a prece. ou fazer um comentário condescendente: — Pode orar. devemos fazê-la.. de que esses canais de acesso estão abertos também a eles. em gestos. Dirija a sua prece a Deus. por julgarem-se além de toda recuperação.. . no entanto. aguardar esclarecimentos e informações que — nunca é demais recomendar — não devem ser colhidas em interrogatórios e através dos artifícios da bisbilhotice. um pouco da sua história e da sua motivação. Geralmente ouvem-na em silêncio. No momento propício — e mais uma vez temos que recorrer à intuição e ao senso de oportunidade — convém dirigir-se ao próprio Espírito e propor-lhe a prece. Basta dizer. e até milênios. nos quais — esperam eles — as energias suscitadas pela prece não poderiam penetrar. a Jesus ou a Maria. não nos permitir colher. Um deles procurou dramatizar as minhas palavras. Alguns informam depois. não deve mos pedir-lhe permissão para orar. muito critica e importante. que se acham “defendidos”. costumo orar não apenas pelo Espírito manifestante. no máximo. por causa daqueles enganos. Não têm mais vontade. Já era mais do que tempo de chegarmos a um entendimento e colocarmos ponto final naquela penosa e aflitiva desarmonia. tentando reproduzir. senão respeitoso. ou interesse. Dirigi-me à doce Mãe de Jesus. pois estávamos envolvidos muito profundamente em compromissos mútuos. se estivesse em condições de fazê-lo. Curioso. pelo menos comedido. ainda que o recuse. com as mãos estendidas para ele. mesmo porque. dificilmente ele se oporá. de se dirigirem a Deus. em virtude de o estado de agitação. as imagens contidas no sentido das palavras pronunciadas. que muito raramente eles procuram perturbar a prece. às vezes por séculos. por exemplo: — Vamos orar? Ou: — Agora vou fazer uma prece. Alguns. como um intermediário entre ele e os poderes supremos que nos orientam e amparam. se quiser. mas como se fosse ele próprio. ao longo dos séculos. 175 Como tudo o mais que tentamos realizar nos grupos de desobsessão. de um caso para outro. Poderá. como que a concentrar nele as vibrações e as bênçãos que invocamos. é esperar um pouco. fale especificamente de seu problema. Como disse. e. que varia. a prece foi elaborada como se partindo de nós dois: o doutrinado e o doutrinador. indignos e incapazes de projetarem o pensamento a tão elevadas entidades. Ou lhes falta coragem. Em certas ocasiões épreciso orar ainda no princípio da manifestação. no entanto. a prece tem seu momento psicológico ótimo. dar um muxoxo desinteressado. pedindo ajuda para o companheiro que sofre. que acreditava muito cômicos. Em alguns casos. ou de alienação. A prece deve ser dita de preferência de pé. insistem em continuar falando. julgando servi-lo. Ambos havíamos sofrido. Dificilmente ele recusará. Se já dispõe de alguma informação sobre ele. colocando diante dela o problema de dois seres que haviam errado gravemente. ao lado do companheiro manifestado. no entanto.

os que se . como irmãos que éramos. Estão com medo. ou como se somente pudessem exercê-lo com os apetrechos a que se habituaram. sabem que aquilo é estranho à simplicidade e à autenticidade do Cristo e de seu Evangelho. não se sentem encorajados a “falar” com Ele através da prece. juntos. conseguís semos retomar. embora reagindo. que ao cabo de tantos desenganos. e acabou cedendo. escorada na emoção e no afeto. até mesmo a prece. esvaziando-se de todo o seu elevado e nobre con- teúdo. da prece — um riso nervoso. oficiar os ritos e os sacramentos a que estiveram habituados na vida terrena. a vida inteira. Desculpam-se. Ela os leva a alguns instantes de pausa. quando convidados a orar de verdade. Com essa prece aviltada e despovoada de emoção. no qual o coração e a fé não se envolveram. 176 para que. mas. que nos concede aquilo que não merecemos. e que se encontra anestesiada. no atormentado mundo espiritual em que vivem. a falta dos paramentos e dos livros adequados. mas não tentam impedir-nos. para exigir favores de uma divindade servil. por algum tempo. Não é de admirar. O efeito é “milagroso”. pediram favores insólitos a Deus. um culto formal e frio. São muitos os sofredores que se enquistaram de tal maneira atrás de suas defesas e de suas couraças. quando pedimos para orar conosco. Isto é especialmente invocado pelos companheiros que foram prelados. singela. A reação. Não são poucos os que continuam. quando propomos que eles orem também. exteriormente. Entre continuar numa dor que já conhecem. ou pronunciaram julgamento sobre o próximo. Ele ouviu a prece. Estes ainda riem. Por isso. os que se comovem. Não podemos esquecer-nos de que são muitos os que praticaram. porque temem seus efeitos. sur preendente. mesmo. A prece muito contribui para vencer estas últimas inibições e hesitações. cega e injusta. aparatoso e vazio. sentem-se atônitos e temerosos. no fundo. manifestação mais pura do diálogo entre o homem e Deus. os que ouvem. então. por exemplo. passem a não crer nela. ou com a qual não se acham familiarizados. vida após vida. ambos. pois. difere de um caso para outro. ou seja. Medo da emoção que os leva à crise.. mas ainda precisam de tempo. Há. no curso dos seus pensamentos habituais. em silêncio. Representa uma experiência da qual se desabituaram. ou. que precisam de algum tempo para deixarem-se alcançar. a nossa caminhada. pois. dizendo que “ali não há condições”. pura. pobres irmãos. como se não dessem nenhuma importância a qualquer ato de contrição. ainda que nem sempre instantâneo.. a celebrar suas missas. recusam-se. São incríveis a força e o impacto de uma prece límpida. sem os rancores que nos prendiam a um passado lamentável. Alguns deles. Para esses pobres companheiros desarvorados. com a impropriedade do ambiente. transformou-se em mero instrumento de poder. preferem ficar como estão. mas pode ser grupada dentro de classificações mais ou menos didáticas. ou continuem a entender que a prece é para isso mesmo. sem convicção. e entregar-se a outra que desconhecem. e da crise que os leva à dor que os espera ao longo do extenso caminho de volta. como acima esboçado. a ponto de realizar-se neles o milagre sempre renovado do amor. pois. Outros. os que a ridicularizam. Como se julgam alienados da doce intimi dade do Cristo. ou não concede o que julgamos merecer. em respeitoso silêncio. desculpam-se desajeitadamente. Fosse Ela a advogada da nossa causa e nos ajudasse a encontrar os caminhos da paz.

diante de um doutrinador impertinente. mas pedia para nós. pelos caminhos espinhosos da recuperação. por julgarem-se indignos. Recolheu-se a uma postura correta. ou o Cristo. espicaçado pelo remorso. de intensa e desastrosa sinceridade. Na profunda inti midade do seu ser. é por ela que a caridade nos faz agentes da Divindade. ou não necessitados. às culminâncias da esperança. 177 recusam a dizê-la. A prece nos liga porque. ou diante de nós. Enquanto isso. algo surpreso. e nada pedia para eles próprios. que oram até mesmo com certa veemência. de suas responsabilidades maiores. depois nos deu uma demonstração de seus recursos de pregador. a prece é o convite para que a esperança se realize em nós. porque o Cristo sabia de suas ne cessidades e aspirações. por me faltar autoridade para fazê-lo. A prece é o instrumento do amor grande e puro de que nos falou o Cristo. e continuava a negacear diante da difícil decisão de abandonar o poder e a glória. aguardou alguns momentos de silêncio respeitoso e se pôs a orar a Jesus. no seu caso. descer do pedestal de grande mestre. para livrá-los da situação em que se encontram. a fé. convencidos de que Deus. apoiada na fé. porque o fanatismo é. falando com entusiasmo e brilho. mas. e preparou-se para orar. a quem orava com todo o fervor. Falava em nome da “equipe humilde” do Cristo. Um deles tomou a iniciativa de pedir-me para orar. “a garantia do que se espera e a prova das realidades invisíveis”. Sua prece era um tanto oratória e. Ele ainda comentou a minha atitude. Disse-lhe que não me cabia autorizar um ato desses. contempla a esperança e ajuda-nos na doação do amor. Ë por ela que conseguimos alçar o nosso espírito. com muita veemência. ou líder. que estávamos muito necessitados de socorro e orientação. para voltar a ferir os pés descalços. continuei com a impressão de que aquele era apenas mais um dos inúmeros mecanismos usados para fuga. ele deveria realmente acreditar que era um excelente trabalhador do Cristo. a esperança e o amor. de fato. a uma platéia invisível a nós. virá imediatamente em seu socorro. os componentes do grupo. Paulo apresentou juntos a fé. estava ao abrigo de suas próprias contradições ínti mas. Sendo. juntando as mãos em frente dos olhos fechados do médium. pois. de coração sangrando. às vezes. É possível que ele fosse sincero no seu apelo. e os que se acham de tal maneira alienados. aprisionado ainda no erro. .

no século passado. Poucos estudos existem. a refletir-se em desarmonia no hemisfério somático ou veículo carnal. como. o de Caldas Aulete e o da Academia Brasileira de Letras. por desajustes complicados do cérebro. no entanto. reconhecendo-se no entanto. sobre o passe apli cado aos . dissera ele que: “Toda queda moral. contará com a presença sutil dos instrutores que atendem aos misteres da Providência Divina. 178 33 O PASSE A técnica do passe magnético. nesse caso. provocando determinada causa de sofrimento. a lhe utilizarem os recursos para a extensão incessante do Eterno Bem”. através da oração. reiteradas posterior-mente por vários pesquisadores. o passe é utilizado também para magnetizar. informando sobre o passe. a fim de que o Estado Orgânico. Como sabemos. que dizem basicamente a mesma coisa: — Passes. novamente ajustada à confiança magnetize naturalmente os milhões de agentes microscópicos a seu serviço. declara. segundo experiências de Albert de Rochas. nas sessões de desobsessão. porqüanto. porém. pl. se recomponha para o equilíbrio indispensável. principalmente na França.” Pouco antes. aplicado em seres encarnados. que o passe “é sempre valioso no tratamento devido aos enfermos de toda classe. opera certa lesão no hemisfério psicossomático. esse mesmo autor espiritual. e até o acesso à memória integral e conseqüente conhecimento de vidas anteriores. pelo menos no Brasil. a idéia do passe. para que essa vontade. Tão difundida está hoje. nessa ou naquela contingência. Esclarecemos. capítulo 15: — “Pelo passe magnético. que. em toda situação e em qualquer tempo. em “Mecanismos da Mediunidade”. que até os dicionários comuns contêm definições aceitáveis dele. mesmo fora do âmbito estritamente doutrinário do Espiritismo. mas. desde as crianças tenras aos pacientes em posição provecta na experiência física. É certo que a definição não cobriu todo o campo de ação do passe. nos seres responsáveis. o desdobramento do perispírito. em “Evolução em Dois Mundos”. A literatura sobre o passe magnético é vasta. por exemplo. do ponto de vista da medicina humana.” Retomando o tema. de vez que o magnetismo foi amplamente cultivado na Europa. ao que sabemos. cabe ao médium passista buscar na prece o fio de ligação com os planos mais elevados da vida. ou perispíríto. porém. provocando. Observamos que os textos aqui reproduzidos referem-se especificamente ao passe curador. organizado pelo Professor Antenor Nascentes. ser menos rico de resultados imediatos nos doentes adultos que se mostrem jungidos à inconsciência temporária. ou sobre a parte doente da pessoa que se pretende curar por força mediúnica. notadamente aquele que se baseia no divino manancial da prece. passagens que se fazem com as mãos por diante dos olhos de pessoa que se pretende magnetizar. que mais se poderia exigir de um dicionário não especializado em fenomenologia espírita? André Luiz. a vontade fortalecida no bem pode soerguer a vontade enfraquecida de outrem. merece algumas observações específicas. observa ainda.

Na prática da desobsessão. neutras. quando informam que o passe magnético. para orientar e apoiar o nosso trabalho de doutrinação. incorporado ao médium. tenho tido oportunidade de observar as possibilidades e recursos do passe sobre companheiros desencarnados e creio poder contribuir com algumas observações. mas bastante encorajadoras. qual a técnica e qual a extensão. como para provocar a regressão de memória. torna-se facilmente acessível ao passe magnético e. Sem dúvida alguma. Nunca é demais lembrar que. os amigos espirituais que tão generosamente se colocaram ao nosso lado. o conhecimento real emerge da experimentação. é similar à do corpo físico. Tanto podem ser empregadas nas tarefas do bem. Mas. definições precisas e definitivas não existem ainda. têm-nos trazido sempre o estímulo dos seus ensinamentos. tanto no encarnado como no desencarnado. o Espírito desencarnado. Os ensinamentos de André Luiz permitem-nos concluir assim. altamente éticos. em virtude de permanecerem em segredo. o passe é recurso válido nos labores mediúnicos. ou seja. em si mesmas. Podem também ser desenvolvidas e treinadas por métodos limpos. neste campo de trabalho. Os rituais da magia negra também revelam e desenvolvem faculdades psíquicas. mas por processos abjetos que. apoiado na prece. pouca gente . constitui poderoso fator de reajustamento para os desencarnados cujos perispíritos se acham lesados em decorrência de quedas morais. ainda que preliminares. no entanto. Dessa forma. mas não devemos esquecer que a recíproca também é legítima. embora mais sutil noutro campo vibratório. pois é ele o modelador da nossa organização material. desligados dos conceitos fundamentais da Doutrina Espírita. deveremos enveredar imprudentemente pelas trilhas da fantasia. como todos os demais recursos com que procuramos socorrer os nossos irmãos desencarnados em crise. A teorização somente é válida quando escorada na experiência. além de ser uma organização consciente extremamente complexa. de um ou outro engano. Nesse campo. com seriedade e respeito. aberto aos benefícios que o passe proporciona. lógico inferir que o mecanismo é idêntico ao passe aplicado em seres encarnados. Não sei se me faço entender. tal como codificada por Kardec e suplementada pelos seus continuadores. 179 seres desencarnados. como sabemos. de falhas e de êxitos. O perispírito. para cada caso? Não podemos ainda — e creio que não poderemos fazê-lo tão cedo — escrever normas rígidas para a tecnologia do passe sobre os desencarnados. em hipótese alguma. mas que. não apenas para fins curativos de disfunções perispirituais. hediondos e totalmente desprovidos de qualquer compromisso com a moral. portanto. como veículo da sensibilidade e intermediário entre o Espírito e o ambiente em que vive. está presente. As faculdades psíquicas. pelo simples fato de que o ser humano. O passe. qual o momento. ou por meio de processos aviltantes. Parece. mas deve ser empregado com certas cautelas e com moderação. a experimentação deve balizar-se dentro daqueles conceitos fundamentais que a Doutrina e a lógica já confirmaram. com a técnica adequada e na extensão necessária. são. precisa ser ministrado no momento certo. e creio que algumas observações já estão mais amadurecidas e em condições de mais aprofundados estudos e desenvolvimento. Sua estrutura. No entanto. como nas outras. é imprevisível. Talvez um exemplo ajude a esclarecer o que tenho em mente ao escrever isto.

ao despertamento de Espírito em estado de alienação. “couraças”. causar bem-estar ou incômodo. pode criar vícios de difícil erradicação posterior. Neste caso. é necessário mesmo adormecê-lo. encarnado ou desencarnado. De outras vezes. e que tenebrosos compromissos acarreta rão para o Espírito. em termos de Doutrina Espírita. precisa ser desenvolvida com muita prudência e seriedade. podemos mais facilmente alcançar-lhes o centro da emoção. Creio que princípios gerais semelhantes a esses aplicam-se também ao estudo do passe. tão necessários. construir ou destruir. simbolos. Ele pode serenar ou excitar. Já debatemos por algum tempo o seu problema. como vamos entorpecê-lo a ponto de levá-lo ao sono magnético? Às vezes. condensar ou dispersar fluídos. isto é. O passe ajuda também a desintegrar certos apetrechos que costumam trazer. a identificação da mediunidade em potencial e o seu desenvolvimento. sempre que nos levantamos para dar passes num irmão desencarnado incorporado. no trato dos nossos irmãos desencarnados. ao ser retirado pelos mentores. a fim de que. isso é necessário. em melhores condições de acesso. ou da própria. o passe pode ajudá-lo a serenar-se. Com o passe. Ele é realmente o recurso válido e potente. ao tentarmos acalmar um Espírito agitado. como “capacetes”. “objetos” imanta dos. e por qualquer motivo. . não obstante. O passe cura dores que julgam totalmente “físicas”. Com passes — e neste caso precisamos também de um médium que tenha condições de exteriorizar ectoplasma — poderemos reconstituir-lhes lesões mais sérias ou deformações perispirituais. e ele continua agitado. A primeira norma que poderíamos lembrar é a de que não deve ser aplicado a qualquer momento. pelo menos por enquanto. subjugar ou liberar. ou trazido na sessão seguinte. indiscriminadamente. devem resultar de cuidadoso planejamento. para provocar fenômenos de regressão de memória ou projeções mentais. sua técnica. nesta fase. enfim. qualquer trabalho mal orientado. curar ou trazer mais dor. o que. transmitir vibrações de amor ou de ódio. foi dito. É fácil imaginar que tipo de mediunidade e que pactos sinistros emergirão desses métodos sinistros. da auto -hipnose. não o levemos a um estado de sonolência que dificulte a comunicação com ele. transmitindo-lhes diretamente ao coração as vibrações do nosso afeto. armas. que parecem escorrer como uma descarga elétrica. O passe provoca reações variadas no ser humano. Para isto serão passes de dispersão. Em contraposição a tais processos. com as quais os mentores do grupo compõem os “quadros fluídicos”. para ajudá-lo. ao longo dos braços. Se temos necessidade de dialogar. Com o passe podemos também ajudá-los a livrar-se da indução hipnótica alheia. para que. mesmo porque. Mas. mas é preciso usá-lo com moderação. 180 tem noção do nível de degradação a que podem levar. ou fazê-las cessar. estudo metó dico e prática bem orientada. vestimentas especiais. provocar crises psíquicas e orgânicas. nas sessões de desobsessão. para tratamento mais adequado. tinha que ser dito. no entanto. às vezes. justamente do que mais precisamos. Com o passe os adormecemos. para que dar passes? Em vários casos ele pode ser aplicado. Precisamos estar sempre protegidos pela prece e pelas boas intenções. pois localizam-se muito realisticamente em pontos específicos de seus perispíritos. seja recolhido a instituições de repouso.

Começo a pedir-lhe que procure compreender a mãe. Veremos outros exemplos. começou a chamar pela mãe. até à infância. São também constantes os fenômenos de regressão de memória. quando. em rigorosa concentração. Ele se tornou sonolento e. ao seu grupo. Lembro-me. os amigos espirituais fazem com ele uma regressão de memória. especialmente ao fim da conversa. numa época de preconceitos muito severos. quase sempre reportando-se a vidas anteriores. com voz mansa. Cinqüenta companheiros seus haviam ficado reunidos. nas quais se escondem núcleos de problemas afetivos. Seu problema central é a mãe. através dele. precisamente. porque dependia dela e a consciência do seu drama interior estava adormecida. Ainda muito difícil. 181 De todos esses aspectos temos tido experiências altamente ins trutivas e algumas de intensa dramaticidade. ameaça bater-lhe e humilha-a de todas as maneiras. até que adormeceu sobre a mesa e foi retirado. ainda aceitava a mãe. mas nunca pôde esquecer-se de suas origens e perdoar a progenitora por ter sido uma pobre e infeliz peixeira do cais. Creio que ele não conheceu o pai e. de um doloroso e comovente caso. voltou novamente com todo o ímpeto. muito pequeno. Ele sabe que o espírito é imortal e que vivemos muitas vidas. mas nem sempre necessariamente em vidas anteriores. para que. Numa dessas ocasiões. que depositou sobre a mesa. as ligações foram mantidas e. na sessão anterior. Ao que parece. está pelo menos em condições de ouvir melhor o que lhe digo. A sua reencarnação através dela foi um recurso da lei divina . que rompeu o dique das suas emoções represadas: ele próprio fora seu obsessor. o fio também foi preservado. São mais freqüentes as oportunidades em que é preciso adormecer o Espírito. que os desarvorou completamente. Na semana seguinte. as palavras que ele ouvia do doutrinador. Quando vê diante de si o Espírito de sua mãe. O passe pode “desfazer” os fios que ligam Espíritos aos seus redutos. enquanto ela se encontrava na carne e ele permanecia no mundo espiritual. segundo diz. nesses mergulhos providenciais no passado. a despeito deles mesmos. agora agravado pelos “ardis” que utilizamos contra ele. manda-a de volta ao cais. dentro das quais se julgam protegidos de nossos fluídos. ligava-se por um fio. destacou- se na vida. sabia ele das obsessões de que ela fora vítima? Foi isto. Ajudados por nossos passes. sofreu humilhações na escola. aos comparsas do Espírito mani festado. por exemplo . O Espírito era agressivo. escolhido aquela mãe. violento e de dificílima abordagem. Certo Espírito. para fins muito bem definidos. de braços estendidos. Tem-lhe ódio mortal. e não outra? É porque já estava ligado a ela anteriormente. se “retransmitisse”. O passe ajuda os Espíritos. além de capacete e couraça. somos instruí-dos a provocar a desintegração de objetos e apetrechos. como no caso daquele que nos trouxe. para sustentá -lo na sua “perigosa” missão junto a nós. os mentores do grupo utilizaram-se daqueles condutos para levar ao grupo deles uma vigorosíssima carga fluídica. um invisível prato de sangue. Já relatei algumas ao longo destas páginas. Por que razão teria ele. É também comum o trabalho de “desfazer” vestimentas especiais. segundo nos explicou. por causa de sua vida miserável. Ademais. porém. a propósito. Com mais freqüência do que seria de supor-se. de modo a serem conduzidos pelos trabalhadores desencarnados. grita-lhe impropérios terriveis. Desta vez. no devido tempo.

Em assuntos dessa natureza. Em suma: o passe tem importante lugar no trabalho mediúnico. às vezes. ele compreendeu todo o seu drama terrível e entrou numa tremenda crise de remorso. no campo mediúnico. em que se apresentará mais receptivo. é que exercitem com parcimônia o recurso do passe em Espíritos desencarnados e observem atentamente seus efeitos e possibilidades. Se posso sugerir alguma Coisa. Um dia saberemos mais acerca desse precioso instrumento de trabalho. Num “flash” doloroso. . 182 do reajuste. Ao cabo de uma longa conversa — e agora é o momento em que o doutrinador precisa de maior sensibilidade ainda — ele énovamente adormecido e levado. Não deve ser empregado para atordoar o manifestante. necessário a ambos. Tenho perfeita consciência das dificuldades que o problema oferece e do embaraço em que me encontro para ser mais específico na formulação de observações concretas e de normas de ação mais definidas. mas precisa ser utilizado com prudência e sob cuidadosa orientação dos trabalhadores desencarnados. é melhor confessar a escassez de conhecimentos do que arriscar-se a ditar regras que não estão nitidamente definidas pela experiência. mas. exatamente quando precisamos de sua lucidez para argumentar com ele sobre o seu problema. precisa ser aplicado exatamente para serená-lo e prepará-lo para outra ocasião.

Quanto mais arrogante e belicoso o companheiro desarvorado. com as nossas lágrimas. Dormem soterradas nos tenebrosos porões do inconsciente as razões das nossas angústias de hoje. tanto quanto estão em nós as conquistas positivas. Comprimidos numa estreita faixa de presente. e cultivamos. Se. no terreno fértil das paixões que julgamos tragicamente indomáveis. ao chegar a vez de sofrerem pelos seus erros. naturalmente. quando são. jamais. quanto o são perante a alheia. dado que. ao contrário. Trágico e doloroso engano é esse. nesses momentos dramáticos em que o Espírito se acha completamente aturdido ante a enormidade de seus erros. saberão fazê-lo com dignidade e coragem. É preciso saber que cabe a nós — e a ning uém mais — domá-las. a chave mais importante de que dispõe o doutrinador consiste em levá-lo a contemplar seu próprio passado. simplesmente. O esquecimento . quando estimulamos. É precisamente por isso que a sabedoria divina determinou que se apagasse em nós. A dor dos grandes criminosos é terrível. trágica. se fôssemos obrigados a viver sob o tropel das pungentes recordações de antigos e medonhos erros? É preciso. fugir às suas res- ponsabilidades e compromissos. respondem-nos que não estão preocupados com o futuro. ser tão valentes perante a dor própria. desesperada. o futuro não importa. no entanto. Talvez por isso escreveu Sholem Asch. enquanto nos apraz o erro. as sementeiras da paz. Para abrir diante dele uma janela sobre si mesmo. e presas as recordações. o passado não interessa e o presente é a única realidade que aceitam e manipulam livremente. paramos no tempo. embora seja essa a temática de que se utilizou para elaborar a sua estória. ao tomarmos novo estágio na carne.” O escritor judaico não positivou no livro a sua crença na reencarnação. que se há de fazer? Temos a impenitente propensão para rejeitar como inválida a experiência alheia. enquanto se aprofundam em nós as raízes do desequilíbrio. todo o nosso esforço é posto na tarefa inglória de manter soltas as paíxões. esquecem-se de que não poderão. 183 34 RECORDAÇÕES DO PASSADO Somos o nosso próprio passado. distinguir bem uma coisa da outra. segundo os impulsos do momento. indomadas. comovedora. entre um futuro que ainda não existe e um passado que procuram igno rar. que procuram viver com toda a intensidade possível. cons titui uma das condições necessárias à nossa existência. Esperam. que lutam por consolidar-se na complexidade da nossa psicologia. Estamos a caminho da redenção quando damos apoio consciente às tendências do bem em nós. a lembrança das existências anteriores. mas. Para o Espírito atormentado pelos seus desequilíbrios. mas. no trabalho de desobsessão. Que seria de nós. Quando os advertimos dessas incongruências funestas. São de incontestável importância estas noções. fortemente protegido pelos mecanismos do esquecimento deliberado. com amor e sofrimento. nos deixamos dominar pelas sombras que trazemos no íntimo. na abertura de “O Na zareno”: “Não o poder de recordar. mas não se pode negar a sua intuição da verdade. tentando suplantar os apelos negativos que insistem em infelicitar-nos. e sim o poder de esquecer. maior a dor que experimenta ao despertar para as realidades que procurou ignorar por tanto tempo.

na fase da reencarnação. Com a finalidade de conceder-lhe todas as oportunidades. assim envolvido. que temos de descobrir uma fórmula para levá-lo a recordar. dentro das quais os membros protegem-se mutuamente. sepultá-las. para aquele que muito errou. e colocar à sua disposição os melhores instrumentos. Para proteger-se do calor que faz à sua volta. é mais certo que continue o percurso da dor. Depois. do ponto em que a inocência a deixou. pode ser-lhe facultado o acesso à memória integral. Só poderá sair queimando-se. Re tornando. utilize-se. à sua condição de espírito desencarnado. como se o passado não existisse mais em nós. 184 proporcionado ao Espírito. e o futuro nunca fosse existir. seus remorsos extremamente penosos. conseguiu abrandar algumas arestas mais contundentes do seu caráter e desenvolver umas poucas virtudes embrionárias. daquele mesmo passado que renega. açambarcar o poder. teimamos em chamar de destino. Se é verdade. para eles. o esquecimento do passado constitui dádiva preciosa. É certo que. por largos séculos ou milênios. passa à condição de não-existente. de todo o acervo de experiências e conhecimentos que traz em si. poderá prosseguir no áspero caminho da redenção. é uma bênção. acaba por acreditar-se uma criatura sem passado. É seguir em frente. em proveito próprio. ligando-se a tenebrosas organizações. O Espírito. por aí dificilmente ele irá à glória imediata. Vamos primeiro “gozar” a vida. enfim. Dentro de pouco tempo — e que é o tempo. porque a redenção ainda vem longe. para refazer-se. agora. o frio anestesia a sensibilidade e o imuniza da dor alheia. encerra-se o Espírito endívidado num círculo de fogo. pois. é igualmente verdadeiro que se torna extremamente difícil fazê-lo. na trajetória evolutiva do Espírito. para que ele tente a reconstrução de si mesmo. que também decide pelo esquecimento. Esse momento é crítico. que talvez ainda o fascine. caírem na faixa da . buscar seus comparsas. Suas angústias são muitas. embora. É aquele que opta por este caminho. dominar o semelhante. É só. veremos como acertar essas contas com o que. uma concessão. é esquecê- las. de sua própria criação. enquanto permanecer ali. em nova aventura na carne. sair em campo. O melhor. Novamente se vê ele numa das inúmeras encruzilhadas da vida: por um lado. embora ainda responsável por elas. viver. além disso. perseguir seus inimigos e construir um nicho para si mesmo. está o caminho aparentemente mais fácil e certamente mais convidativo do adiamento. alegremente. como se estivesse momentaneamente desligado das suas culpas. porque é justamente disso que ele foge. há milênios sem conta. no mundo espiritual. para que faça um inventário geral de seu acervo espiritual — as aflições que remanescem e as conquistas que já conseguiu realizar. não obstante. congela o coração. no mundo espiritual. ou ao poder. ainda que efêmera. irresponsavelmente. ignorá-las. em tais condições? — o passado. acumular riquezas materiais. pois. Ficam para depois as conquistas sobre nós mesmos. Do outro lado. está abrigado de si mesmo. que foi recalcado para os subterrâneos da memória perispiritual. intensamente. mesmo. que nem sempre ele sabe avaliar. dos desenganos. Quantas ve zes os temos surpreendido a advertirem-se do “perigo” que representa. Está pronto o obsessor para a sua tarefa. enquanto mutuamente se servirem. adstrito à incoerência dos alienados. depois de uma pausa. e ninguém pode gozar a vida com esse lastro de aflições. É como se a vida principiasse nova mente. Dentro dessa lógica atormentada. da renúncia.

pelos mentores espirituais dos grupos de desobsessão. com respeito e dignidade. têm uma pausa para reexame de suas posições desesperadas. Como reagem. enfrentara o difícil problema da longuíssima saga do povo hebreu. André Luiz deixa-nos entrever tais processos. me surpreendeu pelas características diferentes com que o trabalho era levado a efeito. Os técnicos desencarnados limitam-se a manipular. indispensável a essas montagens. Vários recursos são empregados. mas. inclusive as que fluíam abundantemente do organismo mediúnico. ou para que materializem provisoriamente certas imagens ou quadros. diante de si. os encarnados. no capítulo 17 — recolhiam as forças mentais emitidas pelos irmãos presentes. a matéria-prima. anti-semita irredutível. que lhes pareciam desintegrados para sempre na poeira do tempo!. Afinal de contas. como temem os fantasmas interiores. especialmente aquelas que constituem o núcleo de sua problemática. encontra-se nos arquivos perispirituais do ser ali presente. não obstante já se acharem desligados dela. algo perplexo: — Será que isso não tem fim? Senti que a pergunta era mais dirigida a ele próprio do que a mim.) O instrutor prossegue. vários ajudantes de serviço — escreve ele. cenas vivas de seu passado. indispensáveis ao reavivamento da emotividade e da confiança nas almas infelizes. Um dos mais comuns é o da projeção dos chamados “quadros fluídicos”. Não temos. embora não fosse novidade.. em muito tempo. perguntou-me.” (Destaques desta transcrição. foi encontrar raízes muito mais profundas. do drama. É evidente que as cenas não são criadas com a substância evanescente da fantasia. . de um passado que julgavam morto. os recursos necessários para desencadear o processo terapêutico. que parecem surgir límpidas. quando narra o trabalho de doutrinação junto a um ex-sacerdote desencarnado: “. e. em “Missionários da Luz”. como se do lado de fora de si mesmos. com essas formas de energia. condições e conhecimentos para apreender a essência das técnicas empregadas para a obtenção das projeções. o que. há muito tempo... justificado pela expectativa da cura de seu doente. onde foi um dos membros sacrificados da corte do faraó. onde. recolhida dos encarnados presentes. Pela primeira vez. o que estão fazendo? Que loucura é aquela em que mergulhamos? De onde vem tudo isso. ainda. incoercivelmente. como o médico que ministra um remédio amargo. vivas e dramáticas.. para desatar os laços que o prendem às suas angústias e ao seu alheamento. para obter dos companheiros desarvorados o mergulho necessário nas lembranças recalcadas. que precisa ser dispersado. no passado. porém. como relutam. viu os quadros do êxodo no antigo Egito. O Espírito vê. às vezes. 185 recordação. explicando que. na antiga Babilônia. podem os benfeitores espirituais prestar certos serviços importantes àqueles que se encontram ainda presos ao padrão vibratório da carne. Recuando mais. os irmãos desarvorados parecem saltar o circulo de fogo que os envolve. no futuro? Um desses companheiros atormentados. e até onde irá. Ante o impacto dessas imagens. para que os benfeitores de nossa esfera se façam visíveis aos irmãos perturbados e aflitos. em posição diferente.” — “Esse material — explicou o instrutor — representa vigorosos recursos plásticos.

sobre a mesa. não apenas para adensar as formas perispirituais de companheiros desencarnados. no passado. podemos pôr um ponto final nesses círculos viciosos. como para formar os próprios “quadros”. com toda a sua intensidade e emotividade. os sons. ao longo dos séculos e das vicissitudes. Em outro caso. As cenas são mostradas com todo o seu realismo: o movi mento. como verificamos no texto de André Luiz. vence tudo. enfim. produzido por médiuns de efeitos físicos. o Espírito acha-se tão profundamente condicionado ao clima vibratório mais grosseiro. Seu desespero é atroz. ao poder da espada impiedosa. como se um “video tape” as reproduzisse. que buscam eternizar-se dentro de nós. arrosta as ingratidões. a curta distância. vence o ódio. e procuram fugir das visões que. para a sua visão. para não contemplar mais aqueles olhos. ou amigos muito chegados ao coração. cuja lembrança ele procurava recalcar nos porões da memória. evidentemente. as letras de um nome de mulher. acima transcrito. um recurso. A primeira página estava em branco! Fez uma pausa e virou mais uma: também em branco. um grosso livro. Se fosse realizada uma pesquisa estatística sobre tais manifestações. as cores. tornam-se irrecusáveis. sobre a qual estava seu nome. a despeito deles próprios. o ectoplasma formou. que devem tornar-se visíveis.. A um deles a visão era de uma folha de papel e uma pena. A pureza do amor materno permanece inalterável. destacadamente. que só é possível depois de compreendermos a inutilidade do ódio e a força invencível do amor. Pede que lhe tirem da frente o papel e a pena. cheios de amor fraterno. Fizera-o. filhos. fez o gesto de virar a capa. Num caso particularmente difícil que tivemos. e impõem-se. que se torna necessário aos benfeitores utilizar ectoplasma. 186 disse-lhe que sim. esposas. Depois de muita relutância. A lição era por demais óbvia: nada construíra naquela existência tumultuada. Ela alcançara. ao passado. não obstante. Com muita freqüência. para levá-lo ao reexame de seus atos. Era a história de sua própria vida. o Espírito viu. com uma diferença: alguém contemplava. estou certo de que as mães ocupariam o primeiro lugar. fixando nele um par de olhos tranqüilos. A certa altura.. encadernado em capa de madeira. escrito em belos caracteres de bronze. * Muito freqüente é a presença de antigos e esquecidos amores: mães. Às vezes. suporta as humilhações. um dos médiuns começou a expelir ectoplasma. Que lhe cortem a mão que assinou a sentença e que fique cego.. Diz que matou uma santa. durante a qual dominara povos. certamente. e informa: “uns são canonizados e outros queimados”. as regiões da felicidade. de vigorosa dramaticidade. . e agora revia o momento dramático. mas.. já há muito. e a dor de ter o seu amado preso ainda .Todo o livro estava em branco. nas profundezas de seus tenebrosos domínios. que ele sabia ser uma sentença de morte. antigo amor. Cabia-lhe assinar o documento. por um esforço da nossa vontade. os Espíritos relutam em contemplá-las. Era. mas não se sentia encorajado. Lembram-se das cenas finais de “Libertação”? É a mãe que vai buscar o filho amado. Ele sabia que precisava abri-lo. enquanto eu dialogava com o Espírito incorporado. provavelmente os de sua vítima..

mas começava a deixar transparecer. porque algum delator. Revelou. a seu ver. — Ele é bom — diz ela —. Foi mãe daquele que acaba de retirar-se. furioso. por isso. de revolta e de impotência. pri meiro aparentemente muito calmo e tranqüilo. porque é este. Tinha o poder de um semideus. Ele se havia tornado muito importante na hierarquia eclesiástica. 187 às paixões do mundo? Vai ao seu encontro. Quando já se encontrava na sarjeta. à roda. se fosse o caso. embalado pelo amor ao poder. Por algumas semanas. enquanto encarnados. Pouco falava nas suas manifestações. Nada queria de especial: iria apenas observar-nos e. procurou-o e foi repelida. a sua presença ali. de nosso conhecimento. Ele reluta e resiste.” Quantas vezes temos assistido a reencontros emocionados. e tudo quanto ela esperava. Foi. incontestado. semana após semana. Adormece e parte. que. Ela mesma ainda não está bem. esquecer a ajuda daquela mãe humilde. Sofre muito e foi trazida somente para encontrar-se com ele. que se desdobrou em aspectos inesperados e de profundas implicações. dominado pelo ódio e espicaçado pela humilhação. ajoelhada diante dele. junto dele. que nos ajudou. era merecer novamente a oportunidade de ser mãe. Deixou no ar a ameaça ô partiu. me pegaria. um dia. Na semana seguinte não consegue mais manter-se calmo. manifesta-se um Espírito feminino e conta a sua dolorosa história. Em caso semelhante a esse. . o Espírito consegue divisar a figura de sua mãe. e por isso ele repete agora. no momento. tem a primeira visão de algo que muito o perturba. para mandar queimar-me vivo! Acaba em pranto. observou- nos. precisamente. e ainda mergulhada nas dores do resgate. a pedir-lhe perdão. que já tinha sob seu controle alguns daqueles que dispunham de maior quantidade de “massa cinzenta”.. Os séculos se passaram. apenas. Se pudesse. no entanto. Ofereço-lhe a nossa ajuda. agora. o âmago de sua problemática: foi abandonado. Em seguida. Está indignado. Digo-lhe que as mães são seres humanos e. mãe digna. também erram. Ainda vê nele o filho querido de quatro séculos atrás. desencadeou-se extenso processo. por certo. Manifestou-se. também teve um encontro dramático com ele. havia contado a nós os seus propósitos e objetivos. através de processos de regressão de memória. a si mesmo. também. Oramos. que nos velam de lágrimas os olhos! Lembro-me de um deles. Nessa mesma noite. tomar suas providências”. e “fomos mexer com a sua familia!” Dá murros na mesa. estávamos penetrando certos núcleos. — “Sou Matilde — diz ela — alma de tua alma. Diz que tudo ruiu em torno dele. por ela. com a sua presença amiga. a despertar o valoroso Espírito que adormecera nas suas paixÕes. que ela agradece. Nunca pudemos. como das vezes anteriores. certa preocupação. O Espírito vinha assediando-nos há tempos. que não tem mãe. te adotou por filho querido e a quem amaste como dedicada mãe espiritual. numa descida sacrificial às difíceis regiões em que ele vive e sobre as quais reina. Mal suspeitava eu da demorada aventura que ali começava . dizendo que tem de voltar para onde está. Com este caso. Disse que ia passando por ali e resolvera fazer-nos uma visita. que o perturbou há duas semanas. Na vez seguinte suas preocupações estavam ampliadas. mas muito vaidoso. porque des- cobriu que. No passado. por outro médium. Ele a abandonara à sua própria sorte e ela enveredara pela degradação mais abjeta. em particular..

afinal. saltando. de amor. precisamente aquele que se incumbia de doutriná-lo e esclarecê-lo. E ele diz que não a quer mesmo. Foi num desses pontos críticos do diálogo que outro médium me disse que um Espírito presente desejava dizer alguma coisa diretamente a ele. vagava ainda pelas trilhas da revolta e do rancor. no caso de um companheiro de quem estávamos tratando. mas não teve para mim uma palavra de censura ou de amargor. pelo qual lhe está falando. fez uma saudação: — Divino! Divino! E o médium dobrava-se sobre a mesa. o Espírito tinha um problema pessoal comigo. Era questão antiga. Numa dessas oportunidades. Ele se mantinha irredutível. em silêncio. Mesmo assim. Em tempos idos. diante de nós. porque estava achando impossível viver sem o ódio e a vingança. sem-cerimônia. perdidos num dédalo de sentimentos confusos. Pede-lhe ela. dirijo a ela um pensamento de infinita ternura e gratidão. fazendo mesuras. para que a luz penetre o coração angustiado desses queridos companheiros. porque fui um dos agentes de sua angústia. das quais não conseguira desembaraçar-se. De outras vezes. com infinito carinho e humildade. por fim. sua ternura infantil. num caso a que já me referi alhures. junto de Deus. porém. e de outros desenganos. Que ela não se meta. Depois lhe diz que vai deixar o médium. que usualmente são válidas: não teria ainda chegado a hora do reencontro. entre a mãe amorosa. Eles ainda se julgavam deuses. de ternura. nesse ínterim de . Elevei meu pensamento em prece e. pois minha presença obviamente reanimava nele as antigas paixões e frustrações. que não esquecera e sofria com a ausência do filho. Ora. de mais de oito séculos! Em conseqüência desse. seus apelos. também muito difícil. recebeu. cercados de sombras. Estava. sem o seu concurso. agora. bastante lúcido. ajudar a libertar de suas angústias. Deseja ouvir dele próprio a negativa. Informou-me de que. de recordação. para o seu colo. de b raços estendidos. Quando conseguimos. Respeitemos suas razões. Ela lhe lembra as velhas cantigas e aquele tempo em que ele orava no quarto. Era sua mãe. dizia. só ele está ausente. o Espírito. autoritário e empolgado pelas suas idéias e pelo seu rancor. porque se tratava de um caso em que o ódio concentrava-se direta mente sobre um de nós. expondo o seu problema e as suas dores. ainda trazia ressaibos de ironia. para aconchegá-lo junto ao seu coração. à Mãe Santíssima. Todos estão juntos na família. mas não se revelam à visão do Espírito manifestado. pois seu caso ali é outro. ouvi o diálogo através do tempo. despertar o amado companheiro. continue a fazer seus bordados. a visita de um menino (teria sido seu filho ou neto?) que o desarmou com seu carinho. comovidamente. Não está convencido de que ele a recuse. Em outro caso. ele não mais resiste: — Tenho mãe! — diz ele. em palavras simples.. O problema era extremamente difícil. — Não sou um desgraçado! De outra vez. porque estou certo de que. Servira aos imperadores romanos. não o teríamos alcançado. Ao manifestar-se. 188 damos-lhe passes. com enorme respeito. o Espírito viera dar uma ajuda. que abandone aquela vida e venha para junto de seu coração. Basta um momento assim. amigos e parentes acham-se presentes. e. Bem que ela poderia também ter guardado certa mágoa de mim. dominados pela aflição. fora um dos principais instrumentos dos terríveis desvarios daquele a quem desejava. e o filho que recusava obstinadamente o amor..

Por isso. não. As vezes. com cenários. só que agora. e cujo olhar não mais esquecera. ou através de outro médium. no entanto. com inesquecível toque de autenticidade. Eram pobres criaturas desequilibradas. Já vimos. quer se encontrem endívidados ou redimidos perante a lei. conversam com eles diretamente. Digo-lhe que precisa. É preciso. Diz-me uma palavra de muito afeto e anuncia que ficaria ali. Eles se apresentam aos seus olhos. estava perfeitamente lúcido e consciente do que fazia. Nos casos em que essa presença se faz indispensável. Aqueles olhos lhe penetravam as mais profundas e ignotas camadas do ser. Bastava dar-lhe a impressão de que a decisão tomada fosse dele. fácil de conduzir. Poderia perturbá-lo. para poderem impressionar seus sentidos. que precisa de muita ajuda e compreensão. também. enquanto ele o fizera para o mal. ao lado. tivera outras encarnações. ainda. do que pelo mero apelo da memória. mas rejeitou-a deliberadamente. é necessária a presença real dos Espíritos ligados aos manifestantes. E me diz. e que não iria ser nada fácil. 189 quase dois milênios. já sabia. naquele tempo. pois. que “ele” era uma criança grande. não obstante. num impulso de paixão e ciúme. caso em que o Espírito manteve o diálogo com a antiga esposa — no momento encarnada — que ele assassinara na Idade Média. que sabia dos planos. os benfeitores espirituais incumbem-se de localizar os Espíritos ligados ao irmão que precisa de ajuda. mais pela presença de suas vibrações pessoais. conserva va-se. emoções. encarar seu antigo amo. mas como a um Espírito infeliz. mas formados com “material” sacado do subconsciente do Espírito. em recentes ou antigas encarnações. que era a doutrina melhor. agora. pois não chegara ainda o momento de apresentar-se à sua visão. ainda que estejam encarnados. na sua nobre tarefa de despertar os companheiros que permanecem hipnotizados às suas angústias. Este Espírito deixou em mim uma sensação de fraternidade. compreensão e simpatia. é claro. desarvorado e sofredor. muito embora sabendo que era longo o caminho a percorrer. Promete ajudar e diz que o que o salvou foi a visão de um homem pregado à cruz. Lamenta a perniciosa influência q ue exerceu sobre os seus soberanos. movimento. utilizam-se da projeção fluídica. e de trazê-los ao ambiente do trabalho. na antiga Roma. a respeito da próxima encarnação de seu antigo chefe. dos presentes em torno da mesa de trabalho. Esses quadros exibem figuras humanas. aqui mesmo. animado por meio de recursos retirados. disse-me. que métodos e recursos empregarão os nossos mentores espirituais. Conhecedor de suas próprias aflições interiores. invisível ao seu antigo chefe. Despedimo-nos com uma palavra de afeição muito sincera e amiga. ou se tornam semimaterializados. pois. porque não lhe convinha. para o bem. Antes de desligar-se do médium. mas continuam sendo projeções. cores. açulando-lhes paixões aviltantes. consciente e disposto a corrigir-se. persona gens. à minha direita. Quanto ao Cristianismo. utilizando o poder dos Césares para promover seus interesses inconfessáveis. muito respeito com o trabalho dos nossos mentores . já assentados. mas ele. como explica André Luiz. Eu deveria fazer isso. Os quadros são apresentados com todo o seu vigor e realismo. De outras vezes. Nunca sabemos. não como a um poderoso. através dos tempos. em vista da profundidade a que descera. estava ainda preso a eles. sons.

ao Espírito manifestado. porém. Enfim. dos méritos. por nós. imprevisíveis e. Isto não significa que devamos cruzar os braços e deixá -los fazer tudo. ajudam-nos nos momentos de fraqueza e de desânimo. de seres encarnados. porém. tranqüila. embora não infalível. naturalmente. identificados como autênticos trabalhadores do Cristo. Estejamos. ali presentes. que há sempre. mesmo naquIlo que lhes cabe fazer. Procuremos respeitar-lhes o planejamento e a execução. Eles nos assistem com desvelado carinho. dão-nos o apoio. que eles demonstrarem seus conhecimentos e sua capacidade. um componente de incerteza. de certa forma. . Sabem eles. depois. e que não se deixarão conduzir pela mão. não obstante. Para isso. Naturalmente que. definitivamente. ou não. naquilo em que os nossos compromissos e erros passados nos sintonizem com os companheiros desarvorados. dotados de livre-arbítrio. Baste-nos a alegria do dever cumprido. por exemplo. de que tanto nos falam eles. integrado num trabalho sério e fecundo. por outro lado. mas não podem fazer. que somos julgados não pelos resultados que alcançamos. 190 invisíveis. estejamos tranqüilos: tudo será feito. São eles que nos preparam o trabalho. bem como a segurança com que executam suas tarefas. de falha. assistir a tudo sem espírito crítico e sem a necessária vigilância. pois. Não é tudo que eles podem fazer por nós. seria arriscado segui-los confiadamente. Antes que inspirem essa confiança em nós. muito bem dotados intelectual-mente. pois. desde o planejamento cuidadoso até o último pormenor da execução. amparam-nos nas horas de incerteza. muito atentos. os recursos e a sua presença cons tante. precisamos (especialmente o doutrinador) estar com as antenas psíquicas permanentemente sintonizadas com os trabalhadores invisíveis. durante os desprendimentos. poderá ser sutilmente envolvido pelos ardis das sombras. não tentemos forçá-la. mas nosso conhecimento é muito limitado. mas pelo esforço que empregamos em atingi-los. às vezes. devem ser exibidos à sua visão. E. que não poderão garantir o resultado. pois há Espíritos ardilosos. que infalível só é a visão divina. não nos envaideçamos com o resultado do trabalho realizado: cabe muito pouco. deixemos à sua iniciativa a condução dos trabalhos. as sutis instruções que nos ministram. também ignoramos. a inspiração. no entanto. do contrário. Se os companheiros dele. que pode pôr tudo a perder. com passes e sugestões verbais. Eles sabem. É certo. acompanhando-os em excursões pelo mundo da dor. aquilo que nos compete. com todas as opções e alternativas previamente examinadas. Se. muitos deles nossos antigos comparsas. Não estão manipulando mecanismos cibernéticos. participamos de algumas fases do planejamento e dos contactos realizados no mundo espiritual. a nossa posição é de ativa expectativa. Quanto à tarefa que lhes cabe. em nós. Uma vez. para captar- lhes. pois a visão que têm dos problemas suscitados é incomparavelmente mais ampla do que a nossa. a nós. segura. através da intuição. para autorizar-nos a precipitar qualquer situação. como crianças timidas e ingênuas. É claro que os trabalhadores da seara do amor precisam de nossa colaboração. tudo fariam sem nós. que se apresentam revestidos de peles de mansos cordeiros. mas cuidando de seres humanos. Mesmo o grupo mais bem ajustado. ainda não é chegado o momento de exibir uma projeção fluídica. de descuido. para melhor dominar e impor as suas condições.

191 a doce felicidade de ter. servido de humildes e imperfeitos instrumentos da pacificação. uma vez mais. .

ou inconscientemente. proferindo ameaças terríveis. porém. a argumentação é inútil. porque ele só deseja gritar. Não iludi-lo com a paz imediata. É preciso esperar que o vagalhão impetuoso do rancor se desfaça. em altos brados. só que. É preciso ter paciência e esperar. pois é muito difícil sustentá-la indefinidamente contra quem não nos oferece resistência. A cólera passa. costumo dizer. uma humilhação — mas. para dirigir o seu pensamento para a sabedoria eterna do Evangelho. ao contrário. com a voz no tom normal. irritadissimos. aos queridos companheiros desatinados. pelo menos. temendo ser “dobrado” pelo doutrinador — o que é. desejando-o intimamente. argumentar com eles. ele nos respeitará e. ou ele não nos ouvirá. De certo ponto em diante. e a batalha verbal poderá ser muito longa. Mesmo irritado. ao mesmo tempo. o doutrinador deve abandonar sua técnica de contestação e argumentação. Não que só agora seja possível falar-lhe do Cristo: éque só agora os . Espíritos muito agressivos e violentos manifestam-se. pois insistirá e poderá ter ainda surtos de reação. ele poderá iniciar o período do sofrimento redentor e não daquele que ainda mais o mergulha nas profundezas do erro. aos nossos princípios. que ele sabe muito bem ser impossível: a luta continua à sua espera. Se opomos resistência. para que ele próprio —doutrinador — possa reformular a sua tática. que só grita aquele que não tem razão. Por este motivo. Se a conversa for bem orientada. a sensibilidade do doutri nador o advertirá de que o manifestante começa a ceder: sua cólera esvaziou-se. Não é possível. mas não opor grito contra grito. na praia mansa. Não ficar mudo ante a sua cólera. a explosão é inevitável e o dano pode ser irreparável. falaremos juntos. esbravejando. intensa e dolorosa como nunca. para entrar na fase de doutrinação propriamente dita. Mas. mesmo que ele esteja bem longe de entregar-se à verdade. aos poucos. já é possível uma conversa entre dois seres civilizados. É hora de falar-lhe com carinhosa franqueza. de início. contra seus próprios interesses pessoais. e. Nesses casos. 192 35 A CRISE O doutrinador precisa estar atento aos primeiros sinais de que o Espírito manifestante começa a ceder. de reduzir o volume de seu vozerio. adverti-lo de que não precisa “converter-se” à nossa crença. irá compreendendo que não precisa gritar seus argumentos. lutando interiormente consigo mesmo. nessa condição. uma vez despertado para a realidade. É hora de fazer um apelo para que ele se detenha um pouco. se o tentarmos. também. para pensar. não signi fica que já esteja resolvido o seu problema. ameaçador. O momento é oportuno. O fato. sua palavra não tem mais aquele fator de convicção. murro contra murro. é a partir desse ponto que começa a fluir o diálogo que poderá levar-nos a um entendimento com ele e ao seu eventual despertamento. porém. dando murros na mesa. abre-se uma perspectiva de entendimento. seu Espírito parece cansado e disposto a uma acomodação. Antes disso. pensando apenas no que nos dirá a seguir. Encontra-se ainda convicto da justeza de sua posição. contudo. tentando mostrar-lhe a inutili dade de seu desesperado esforço de lutar contra Deus e. portanto. o Espírito deve ser recebido com respeito e carinho. por si mesmo. para ele. Não que ele o reconheça nesses termos. Aos primeiros sinais de que a reação salutar começou. são tão importantes os primeiros diálogos de cada manifestação.

ele a ouviu em silêncio. Ou estavam. Que decisão tomar? Permanecer na faixa do erro que. Como sempre. 193 ensinamentos de Jesus começam a ter. Um diálogo um tanto difícil. certa vez. aceitável. o abriga da terrível realidade. de uma vez. a sensação de atordoamento é inevitável. Sente fugir o terreno em que pisa. mas a batalha pode durar ainda muito tempo. Temos que entender. se. ambos o atraem. certa vez. quando ele me perguntou. ainda. mesmo nos mais valorosos Espíritos.. então. começou a ceder. a perder-se nas trevas do passado. aos braços da dor que redime? É preciso respeitar sua hesitação e assisti-lo no seu estado de pânico. levarão no coração as sementes de um futuro. O fato de permanecerem envolvidos em erros de julgamento aflitivos. ou se apenas levam uma disposição para reexa- minar suas convicções. não lhes reduz o conhecimento. ele deve estar certo da nossa absoluta sinceridade e do nosso afeto desinteressado. até o momento. que perseguia sem tréguas uma pobre criatura. muitas vezes. não sabemos. a crise. De qualquer maneira. Mais do que nunca. um terrível e doloroso acervo de loucuras e desenganos lastimáveis. Ele precisa saber que não estamos pelejando naquele momento.Uma coisa é preciso reconhecer: você ora com sinceridade. não exclui o fato de que são Espíritos. Ë o momento mais dramático da manifestação: o Espírito começa a sentir que não terá forças para resistir aos apelos da Verdade. ilusões desastrosas e erros clamorosos. mesmo os mais violentos. sobre o fio da navalha. para ele. alongar-se por outras oportunidades de manifestação e. porém. a incógnita do porvir. como se pensasse em voz alta: . para aquele que está convicto da legitimidade de seus . ele disse. não lhes tira o valor. do lado negativo da faixa vibratória da vida. mas por ele próprio. Ao cabo dessa fase de maior receptividade aos pensamentos e à afeição do doutrinador. em explosões de luz. Está. aceitam um ou outro argumento nosso. foi suspenso. como diz a expressão inglesa. com o brilhante e combativo Espírito de um ex- inquisidor. Do outro. Ele se debate entre os dois abismos: o passado e o futuro. um sentido novo. sou advogado seu! Sabem que esta simples frase o levou a ver-me sob nova luz e a aceitar- me? Daí por diante. Terminada a rogativa ao Alto. a meu pedido.. estarão mais acessíveis. às vezes altamente qualificados e experientes. que pode ser próximo ou remoto. com um desses companheiros desarvorados. também. a voz desce de tom. Entre um mundo que rui e outro que ainda não construímos. Percebemos que a fase da aceitação chega por peque ninos e quase imperceptíveis sinais: começam a ouvir-nos com um pouco mais de atenção. por uma causa ou pelos interesses de um obsidiado. que quase todos eles estão absolutamente convencidos de sua própria verdade. mesmo assim. De um lado. pois a prece tem esse condão de fazer calar a imensa maioria dos Espíritos desajustados. um dia. pode ocorrer. irritado: — Você é advogado dela? — Não — disse eu —. e chegam até a uma ou outra palavra de velada e timida afeição ou respeito. Ambos o chamam. ao partirem. eles estão realmente convencidos e prontos a mudar de rumo. obsessor. ou lançar-se. a fim de que eu pudesse fazer uma prece. Argumentava eu. mas que virão fatalmente a germinar. Não é fácil. A partir desse ponto. de certa forma. apenas — e isso é tudo — operam desastrosamente.

como já vimos. o clima da discussão é o que convém a esses irmãos atormentados. Tenhamos paciência e procuremos ajudá-lo a tomá-la sem precipitação. ele o “vira” à sua maneira. reagir. o apelo de uma voz cariciosa. que conhecem e no qual podem esgrimir à vontade seus argumentos. Quando menos se espera. mas era ainda muito cedo para uma decisão final. pensar no assunto. mas que o mantém fortemente contido. mas acaba calando-se. tanto na carne. está preso pelos pulsos por um laço fluídico. Começa a crise maior. o livre-arbítrio assegura-nos. de um ponto de vista vantajoso. Quando tenta reagir “físicamente”.. através do roteiro luminoso do amor fraterno. mesmo. Na semana seguinte.. o vulto espiritual de um ser a quem muito amaram. afinal. a existência de Deus. promete. como vimos nas próximas sessões. ameaçar. a fim de que o ímpeto do vagalhão se quebrasse contra a branca areia da paciência e do amor. A certo ponto. e acrescentou: — Poderia enganar você e dizer que estou convertido. a intimidar. Afinal. Claro que interpreta a minha calma como covardia. Ele ainda insiste em falar e prosseguir o debate. voltou novamente agressivo e irritado. sim. o direito de escolha. dizendo que estou me esgotando inutilmente na tentativa de dominá-lo. Certa vez. a punir. a responsabilidade que assumiram perante a lei. A decisão é difícil. pois acabou tocado pelo sentimento de afeição que encontrou entre nós. Bem que se esforçou — diz ele — em mostrar-me o caminho: somente se deixaria convencer pela argumentação. a imortalidade. surge do passado uma lembrança esquecida. cons ciente ou inconscientemente. Volta a esbravejar. que ridicularizà à vontade. pular por cima da linha invisível que separa o bem do mal. E é precisamente por isso que. para servir aos seus propositos e justificar sua filosofia de vida. Acostumara-se ao poder incontestado. mas que conseguira reagir. consideram “perigoso”. com a sua presença. procuram arrastar-nos para o debate: terreno firme. o conceito da reencarnação. Em segundo lugar. a todos. mas com firmeza. Ameaçava. São inteligentes e experimentados. Faz pouco da minha inte ligência. quanto ao campo sentimental. no campo puramente filosófico. porque está minado de imprevistos. Desesperançado de arrastar-me para o debate estéril. recebemos um companheiro excepcionalmente violento e agressivo. dava murros. é preciso considerar que nada temos a dizer-lhes que eles não saibam. Não . A conversa mansa e a busca de entendimento não interessa aos seus propósitos. Qualquer argumento que lhe apresente. É evidente que tenta. agradeço sua lealdade e ele segue procurando atrair-me para o debate. pois. invisível a nós. quanto no espaço. dali em diante. interpondo apenas uma ou outra observação. alegando que quase havia caído. ainda. e procura acalmar- se. Deixei-o falar. Não é. Conhecem perfeitamente a sua condição de Espíritos desencarnados. gritava. a mandar. nada mais. 194 caminhos. mas não quero fazer isso. cesso a conversa e oro. Não está convencido. por mais que se esforce. O doutrinador precisa estar preparado para situações assim. Estava ameaçando ceder. Em primeiro lugar. mas concordou em não gritar mais e a não nos incomodar. por causa da nossa afeição. pelos caminhos frios da mente que chegaremos a eles e. É honesto: responde com dignidade à nossa tentativa de aproximação e entendimento. Seguirá seu caminho de sempre.

e não que seja condenado a conviver com angústias que parecem eternizar-se. da ternura. seus temores. amigos. levá- lo. pois seus soldados estão lá fora e não devem vê-lo naquele estado. que estão aí me olhando? E para mim: — E você? Não diz nada? Só sei dizer duas palavras: — Meu amigo! Ele a repete. a presença infalível de Deus em nossas vidas. precisa. e depois esbraveja: — Maldito lago! As visões o atormentam implacavelmente. nunca falta. esposas. como temos visto. terna-mente. Dou- lhe prolongados passes. cujas perspectivas se abrem diante dele. em termos de resgates dolorosos. que nos ajudam na fase final da doutrinação. Apresenta-se completamente desarvorado. muito carinho com as suas dificuldades. ele começa a gritar que não quer e não pode fazer aquilo. para esquecer. com muita paciência. — E vocês — dirige-se a companheiros invisíveis — com essas caras luminosas. É o lago abençoado em que pregara o Cristo. ou pressente. irmãos. Além do mais. que se estenderão pelos séculos futuros. Chama-me de traidor. de elevada condição espiritual. mesmo que ainda tente uma reação desesperada. a ver cenas do seu passado distante. de última hora. mas que ele ainda não consegue lobrigar com precisão. o que o espera. que o tira de cima do fio da navalha e o coloca no lado positivo da fronteira da nova existência. o . pela primeira vez. de uma palavra de sincera afeição. Muito respeito pela sua crise. É preciso ajudá-lo. o amor indubitável do Cristo. seus desesperos. Começa. ao contrário. nessa hora. de despertar o seu Espírito. realmente em pânico. Digo-lhe que. enquanto a crise se adensa e aprofunda. nesse momento. Ainda reage. — Você sabe — acrescenta — que eu não te farei mal algum. do qual vai acordar a qualquer momento. Ele sabe. a presença de antigos e esquecidos amores: mães. mas ainda procura iludir-se. a dar o passo final. uma mulher. mas não sinto nele nenhum ódio: é apenas desespero. O Espírito. até onde e quando. em silêncio reverente. o irmão entrou em crise e começou a monologar. do amor fraterno. na semana seguinte. Este irmão voltou mais uma vez. tentando convencer- se de que está vivendo um pesadelo. Diz que determinará aos seus guardas que me deixem passar li vremente. Depois de algum tempo. em crise. e informa. agora é que ele acordou de um pesadelo multissecular. ele se volta para mim — e isto me comove profundamente — e me propõe uma visita minha aos seus domínios. e parte. que deseja que o pecador se salve. Confessa que. mas sente um arrastamento incoercível. chora. Subitamente. 195 tenho a menor intenção de dominá -lo e. que tudo está ruindo em torno dele e dentro dele. É o grande momento da compreensão. Por fim. Este é o momento mais emocionante de todo o trabalho. somente Deus saberá. tem medo: está vazio e quer dormir. sim. em seguida. tentando sugestionar-se de que é forte e não vai “cair”. Num caso desses. mais do que nunca. desesperado. É necessário assegurar-lhe. e diz que precisa recompor-se. Está arrasado. Alguém. Ele está arrasado. enquanto fico ao seu lado.

a quem conhecera pessoalmente. Era extremamente rebelde. mas para fazer com ele. ao contrário. A essa altura. de amor sem limites. o impeliu a cometer tantos e tão graves desatinos. em corpos deformados. acenando-lhe com um paraíso imediato. guie os seus passos vacilantes pelo novo caminho que começa a trilhar. e aqueles que o esperam. sente diante deles uma vergonha mortal. as perspectivas da paz. da emotividade. como o de sua mãe. em pranto. Lembre a necessidade da prece constante. Seja simples. mas procure não desperdiçar a ocasião de estimulá-lo a tomar a decisão que vai mudar sua vida. ele não os conhece muito bem. pois esse foi o clima em que viveu durante séculos. à pavorosa técnica do “crime religioso”. humano. dedicava-se. Ofereça-lhe a sua ajuda. A um desses pobres irmãos desarvorados. porém. que há tanto tempo o esperam. ou milênios. da coragem otimista. sendo. mencione a assistência espiritual que estará ao seu dispor. mas ele ainda reluta. temor. não carregue nas cores do sofrimento que o espera. para alcançá-lo através do sentimento. a oportunidade preciosa. cegos ou mutilados. agressivo e violento. Pensa em pedir uma licença aos seus chefes e afastar-se. amoroso. Não o force. Está perplexo ante a cegueira espiritual que. Trate- o com muito carinho. ou então. do afeto. Seus ex-comparsas não mais o receberiam. senão para castigá-lo pela sua “fraqueza”. que o doutrinador não pode deixar passar. Destaque os reencontros espirituais com os seus amados. por conseguinte. com todo o poder de sua inteligência e de seus conheci- mentos. Vem sempre acompanhada de profundas emoções. ele não pode mais voltar sobre seus passos. para ajudá-lo. mas dentro de certas configurações padronizadas: arrependimento. quando o Espírito fica sobre a linha. ante o inevitável. da confiança. mas cuja mensagem. que ele sabe não estar ao seu alcance. não para fazer por ele. Não o atemorize com ameaças. não conseguira ainda assimilar. Ao despertar para a verdade. ou assusta-se ante a perspectiva de encarnações extremamente penosas. Não se julga digno da afeição de Espíritos tão elevados. contemplando as duas perspectivas — passado e presente — tenho-a num caso de que tratamos. vimos obrigar o médium a ajoelhar-se. Tivera o privilégio de viver na época do muito amado Francisco de Assis. Não se esqueça de que a dor e o temor o atormentam. Em suma: a crise manifesta-se de muitas maneiras. dos . Não tente enganá-lo. por tanto tempo. diante da enormidade de suas culpas. o trabalho de reconstrução que o aguarda. realista. Há. Coloque em seu coração a semente da esperança e mostre-lhe. rude. ele teme vinganças cruéis. as que precipitam no arrependimento e no remorso mais patético. fora também um inquisidor. não é um momento que o Espírito consiga viver com indiferença e frieza. que se manifestara com requintes de arrogância e ironia. Um típico exemplo desses. Julga-se um abutre sem remissão. Além do mais. revolta ou deslumbramento. 196 espera no limiar da nova existência. confiante. pela enormidade de seus desvarios. por algum tempo. e o impediu de atender ao apelo de seus verdadeiros amigos. segundo conceituação de um dos nossos companheiros. Ele não pode mais contar com aqueles que pensava serem seus amigos. confessa a aflição que experimenta. para a proteção feroz da sua antiga organização ou do seu regime de irresponsabilidade pessoal. Estas crises caracterizam-se pela revolta. do “trabalho”.

E parte. às vezes. necessária. Também eu lhe peço minhas desculpas. de início. 197 quais nem percebia a presença junto de si. Ele chora. . muito tempo. por uma ou outra palavra mais enérgica. que. com a sua agressividade. mais tarde. pela primeira vez em muito. ficariam agora ao abandono. Pede que oremos por ele e que o perdoemos pelo tratamento que nos deu. segundo nos informa. Preocupa-se com aque les que liderava. seria precisamente a de ajudar a recuperar os irmãos que ainda ficaram nas sombras. Digo-lhe que Deus vela por todos nós e que uma tarefa que poderia desempenhar. para o despertamento. a seu ver. no mundo das sombras.

que não pode ser prejudicado com a interferência de curiosos ou de diletantes inexpertos. ainda que não tenhamos condições de conhecê-las Num caso desses. Mas. com o mesmo carinho de antigamente. Em outra ocasião o manifestante disse-nos que. se fosse possível conversar com eles. durante a semana. nos deixa? São muitos os caminhos que se abrem diante dele. partiam. para a reencarnação na Terra. um companheiro desarvorado manifestou-se em grande aflição. por certo. levando-o à força. Acham que. De modo geral. para uma prédica. de sempre. para reassumir seu posto no mundo das sombras. Certa vez. e nem desejava voltar sobre seus passos. cessam os encargos do grupo mediúnico ao entregá-los aos trabalhadores dos planos superiores. Ê que a primeira impressão dos que ficaram nas sombras é a de que nós violentamos a vontade do companheiro. podemos imaginar. mas esse estudo e planejamento não está mais na alçada do grupo mediúnico. emocionada e belíssima. Trabalhadores espirituais competentes levam-nos para o repouso e a reeducação. transcende suas qualificações e possibilidades. tranqüi lizemo-nos e demos nossas graças a Deus. A partir do momento em que os companheiros são recolhidos. raros. não lhe foi difícil verificar. das quais nem tomamos conhecimento consciente a não ser excepcionalmente. durante os desprendimentos do sono. mas em tarefas de menor importância. começa o preparo. é levado a um local de repouso e tratamento perispiritual e mental. ele se reunira com os demais companheiros. tratados pelo grupo. Em alguns casos. os convenceriam a voltar à vida de crimes. após termos conseguido “conquistar” o seu líder. No momento é o de que mais precisa. por si mesmo. Cabe agora voltar-se para o outro médium e receber o novo companheiro. cerca de um ano antes. sob a direção de Espíritos especializados e altamente qualificados. que o antigo chefe não fora obrigado a converter-se. o trabalho bem dividido e especializado. 198 36 PERSPECTIVAS O que acontece quando o Espírito. com as cautelas que. a três Espíritos que. eles são trazidos para despedirem-se de nós. e contra a sua vontade. pois . este reencontro é proporcionado. um dos nossos amados mentores utilizou-se do espaço de tempo que costumamos reservar para a mensagem final. Quase todos precisam de mergulhar em nova reencarnação o quanto antes e. agora. pois eles estão em boas mãos. por esses discretos e competentes trabalhadores do Cristo. assim despertado. Em raras oportunidades os mentores estabelecem contacto entre aqueles que se retardam nas trevas e os que tiveram a coragem de cruzar a linha. Geralmente. porque havíamos feito “cair” o seu chefe e ele estava reduzido a um “trapo” (sua expressão). para mentalizá-lo e ajudá-lo no seu desespero. assim que estejam em condições. além da certeza de que os seus antigos amores acham-se novamente ao seu lado. Isto não quer dizer que a nossa tarefa estará sempre concluida nesse ponto. Fora vê-lo pessoalmente. Em casos excepcionais. O mundo espiritual tem sua programação meticulosa. Poderemos ainda prestar alguma colaboração no plano espiritual. É possível que a providência da reencarnação tenha que esperar mais tempo. para “prisões” e castigos.

pelo menos. . que dele recebiam. em certos casos — será mais modesta ou. que não diga respeito especificamente ao trabalho mediúnico. encarnados. verificou seu engano e acabou também cedendo aos nossos argumentos. que acreditavam prisioneiro nosso. Em resumo: o trabalho prossegue no mundo espiritual. junto ao companheiro resgatado dos porões tenebrosos da dor e reconvertido à doutrina do amor. porém. a participação — ainda que importante. mas a nós. de outra natureza. como um apelo do ex-comparsa. Logo. 199 interpretavam as vibrações de aflição.

Um deles me disse. Em casos como esse. naquilo que ele vai dizendo. entre uma sessão e outra. e trabalho preparatório. no grupo encarnado. ao reiniciar o diálogo interrompido na semana anterior: — Acho que dei um “fora”. certo de que ninguém ali sabia da sua presença. ele terá que confessar sua ignorância.. o Espírito está mais predisposto ao entendimento ou. com os companheiros que se acham em tratamento e já tiveram uma ou mais manifestações no grupo. São inúmeras. Durante a semana. ao manifestar-se. Depois descobriu que. tencionava espionar a nossa reunião. certa vez: — Eu sei. Um desses disse-me. A atitude indicada é conservar-se na expectativa e acompanhar. Ao que tudo indica. e talvez mais afeito à organização mediúnica. Outros me perguntam: — Por que você me chamou aqui? É preciso estar preparado para uma resposta que não revele total ignorância e surpresa. Não se esqueça de que os Espíritos nessa condição “pensam alto”. ou seja. porque. O doutrinador tem que estar bem atento a esse pormenor. durante os nossos desprendimentos. com os médiuns desdobrados pelo sono fisiológico. pelo menos. Ficara escondido atrás de uma coluna. Companheiros nossos por várias vezes nos têm falado de verdadeiras sessões mediúnicas que se realizam. desenvolve-se no mundo espiritual. as tarefas desenvolvidas durante a semana. no Espaço. é preferível ser honesto e dizer ao companheiro que ele precisa lembrar-se de que os seres encarnados não costumam registrar na memória cons ciente aquilo que fizeram em seus desdobramentos. não deve fingir que sabe de tudo. É necessário lembrar-se de que o Espírito manifestante nem sempre está consciente do fato de que os encarnados esquecem-se do que se passa enquanto estão desdobrados pelo sono comum. nem um conhecimento que nossa memória consciente não guarda. Nestes casos. como vimos. quanto os Espíritos necessitados. com aqueles que ele chamou de nossos “diretores”. porém. difícil e constante. 200 37 O INTERVALO Muito trabalho. Você já me falou sobre isso no nosso encontro. embora de menor vulto. introduzira-se sorrateiramente em uma reunião que mantivemos. os mentores levam. não tão impetuoso e violento. com extrema atenção. Por outro lado. mas. praticamente tudo quanto formular no pensamento. Com freqüência ouvimo-los referirem-se aos encontros que mantivemos no mundo espiritual.. a observar e ouvir.. o médium transmite. tanto os componentes encarnados do grupo. entre uma sessão e outra: trabalho complementar. A tarefa preliminar desenrola-se sob condições que ainda desconhecemos. Este trabalho preparatório é particularmente indicado para os casos em que os Espíritos a serem tratados acham-se de tal forma envolvidos em vibrações pesadas. muito mais amplo. afinal. o pensamento do companheiro manifestante. a um ponto de reunião. não apenas . a uma pergunta mais embaraçosa. E contou o caso.. nas horas mortas da noite. no entanto. que o contacto direto com o corpo físico do médium poderia acarretar choques penosos e até perigosos. ao contrário.

senão que o haviam permitido. Uma ou duas semanas depois. com extraordinária lucidez. De outra vez. de onde. contendo já um pouco de sangue. Via-os correrem desesperadamente atrás de mim. Não sabia o que se passara com ele. como sempre acontece nesses casos. Os mentores espirituais levam os encarnados. nos intervalos das sessões. pois.. e de que resultaria sua libertação. desprendidos pelo sono. Em certos grupos de desobsessão. na semana seguinte. um “branco”. resgatamos companheiros a serem doutrinados em futuras sessões. ao despertar. ou a descidas profundas e perigosas nos antros milenares da dor. de trabalho. cujo único acesso ao exterior era uma espécie de chaminé estreita. A indignação dos guardiães do pobre irmão foi inconcebíve l. era figura importante para seus esquemas nefastos. Alguns companheiros ficaram de fora. Esse irmão foi resgatado ao mundo tenebroso do sofrimento superlativo. que pingava no chão. a atividade noturna. reduzido à mais abjeta condição humana. a reuniões de estudo. que havia sido resgatado. enquanto eu me afastava. comecei a escapar-lhes. com extremo cuidado. numa incursão de que um de nós. pouco acima de suas cabeças. que nos atacavam. manifestou-se no grupo: era um ser humano!. As imagens eram as de um sonho comum. pois era até esperado. que haviam alcançado numa “condução” rústica.. Uma das criaturas — uma mulher — trazia nas mãos uma longa seringa. pelo menos. dirigidos pelos benfeitores espirituais. ao manifestar-se no grupo mediúnico. aberta na rocha. de algumas cenas ocorridas numa dessas incursões em território perigoso e agreste. ficou documentada a reação tremenda que desenvolveram para impedir-nos. como se voasse. sombria e agreste. aquele ser. depois. enquanto os de dentro passaram para eles. sem hostilidade. sendo perseguido por um grupo belicoso. é muito intensa. conseguiu preservar a lembrança fragmentária. Estava do lado de dentro de uma caverna. do uma cena fragmentária. já no final dessa visita. Algumas semanas depois. que fazia lembrar um jipe terreno. encarnados. em que o infeliz companheiro ficara reduzido à forma “física” de um fauno. Vejo-me. As peripécias seguintes da jornada não ficaram documentadas na memória do companheiro desperto. encontravam-se em vasta região desolada. mas disse que olhara num espelho e não se reconhecera. Era como se eu levitasse. Lembra-se ele. com enorme dificuldade. Na imagem das formigas agressivas. grosso e escuro.. Já narrei aqui um caso de zoantropia. Isto foi o princípio de um processo de regressão de memória em que se precipitou e ao qual me referi alhures. às vezes. Há. Fomos recebidos no local — escuro e opressivo — com alguns sinais de cordialidade ou. “algo” que traziam. apresentou-se o “chefe” daquela região tétrica. Os componentes do grupo. no entanto. aquele “algo”. ele estava profundamente modificado e até mesmo atônito. Perdera a noção da sua identidade pessoal. enquanto milhares de formigas pretas e agressivas atacavam feroz- mente aqueles que se empenhavam na tarefa. de debates e planejamento.. mas écerto que. nos braços. . para retirar de mim certa quantidade de sangue. de extremo realismo. no regresso. desceram e fizeram o resto do percurso a pé. 201 sabiam que ele estava ali. Nesse momento. a uns poucos metros abaixo. que tentava agarrar-me. Não sei o que foi feito e dito nessa reunião. A certo ponto. a seguir. mas. do qual nada me lembro. recordei-me. pararam. neste livro. segundo apuramos.

em pactos que garantiam a uma parte muitos “sucessos” na vida material. que se imprimiram nos nossos arquivos perispirituaís. sensações de angústia indefinível. quando nada com as vibrações negativas de seu pensamento. Eles precisam de nossas preces e do nosso pensamento construtivo e amoroso. Precisavam do meu sangue para os seus “trabalhos”. ou de símbolos. também. nos lembramos de tais. onde também existe amor. e à outra. Embora não os consideremos como tais. que receberam o primeiro impacto de uma incorporação e doutrinação. com toda a convicção. usualmente. durante os dias em que aguardamos as próximas manifesta ções. pronto a emergir. novamente. enquanto ainda bem vivo na memória. Ê difícil. implorando a Deus que os ajude. a fim de podermos assistir a reuniões de estudo e planejamento. uma vez por se mana. Estava indignado. em tais situações. tanto quanto necessitamos do apoio dos nossos benfeitores. Lembremo-nos de que não o fazem por maldade intrínseca e irredutível e. e procuremos devolver as suas agressões mentais com o nosso pensamento de afeição e carinho. escreveu todo o relato. o preceito evangélico que nos recomenda amar os nossos inimigos. que nada têm a ver com os seus problemas pessoais e os seus planos. Estão convencidos da legitimidade de seus propósitos e da nossa posição de intrusos. precisamos ter a atenção voltada para os companheiros que se acham em tratamento no grupo. A qualquer momento que pudermos recolher-nos para a prece. que lhes ilumine os corações. aqueles que já se acham recolhidos. para onde nos levam. Sem dúvida alguma tentarão criar-nos dificuldades. Nem sempre. eles assim se consideram. Só a prece pode socorrer-nos. das cinzas de muitos sonhos e das sombras de muitas agonias. A prece é o fio que realiza esse milagre. As vezes. às vezes. depressão e desânimo. É claro que provocarão. porque eu havia escapado.. Ele veio disposto a arrebatar- nos o sangue. Como as sessões se realizam. companheiros competentes e seguros. . a troco de favores. conservar a lembrança delas. é o da prece. Um de nossos médiuns conseguiu registrar. É hora de pôr em prática. nas instituições especializadas do Além. Ficam apenas as linhas mestras das instruções recebidas. o evidente domínio sobre seus espíritos. também. dado que a recordação poderia prejudicar-nos de alguma forma. essas incursões são. 202 numa incorporação mediúnica. com nossos maiores. mal-estar. com amor. episódios. de qualquer maneira. por desconhecimento e defesa. uma dessas incursões. ou ao trabalho. sim. no aproveitamento desses intervalos entre uma sessão e outra. com grande precisão e detalhamento. e do sangue de nossos companheiros encarnados. no mundo superior. que lhes mostre a verdade. amorosamente. Eu ficaria surpreso — disse — se soubesse daqueles que o haviam doado espontaneamente. Não podemos esquecer-nos de que os companheiros desarvorados. Por outro lado. sob a forma de frases soltas. de tole rância e paciência. Durante a semana toda haveremos de sentir-lhes a presença ou as “mensagens” vibratórias de seus pensamentos hostis. para tratamento. no entanto. em potencial. Oremos por eles. o que muito nos serviu depois. mas. também. não apenas aqueles que ainda não foram “convertidos”. A meu pedido. ficam com os ânimos ainda mais acirrados contra nós. porém.. mas com fervor. em nós. Envolvamo-los numa atmosfera de amor e compreensão. Outro aspecto importante. os próprios benfeitores espirituais incumbem-se de condicionar-nos ao esquecimento. que precisa ser abordado.

Inúmeras e repetidas vezes temos presenciado o seu poder invencível. A doutrinação é um ato de amor. antevisões e experiências. pelo menos naquilo que fora deliberadamente dirigido para ele. mesmo. Não é difícil. em desdobramento.. Quando o Cristo disse que um dia poderíamos fazê-los também. alhures. . acompanha mos nossos mentores. a quem muito devemos. parceiros de antigas lutas e até credores nossos. Aquele que não souber amar sem reservas. Com freqüência impressionante o são mesmo. A tarefa dos seres encarnados. Um deles me disse. neste livro: o trabalho de doutrinação não se resume às poucas horas em que conversamos diretamente com os Espíritos incorporados aos nossos médiuns. o instrumento daqueles que querem realizá-lo. que serão sempre. ele se projeta ao longo dos dias e segue nas realizações da noite. num grupo mediúnico de desobsessão. Diria. filhos. e a prece. não fosse tão abusada essa palavra extraordinária. Outros se confessam paralisados. miraculoso. ou que somente puder amar aqueles que o amam. Muita gente ainda não descobriu que a essência dos “milagres” evangélicos é o amor. irritado: — Você vive rezando. Imaginemo-los como companheiros muito queridos. não está preparado para essa tarefa. mas que se revelam subitamente de enorme importância na decifração do enigma que esses amados companheiros trazem em si e q ue não podem resolver sozinhos. obsessões. nos contactos e nas tarefas que se desenrolam no mundo do Espírito. não estava apenas acenando com uma visão quimérica. já mencionado. em pensamento e ação. 203 especialmente nas horas e locais em que costumamos meditar. ao manifestar-se pela segunda ou terceira vez. que havia interceptado meus “telefonemas”. certa vez. O amor é realmente milagroso. Para resumir e insistir num ponto. A “telefonista” recebera-os em seu lugar. É extraordinário o poder da prece. mas sua referência provava que ele tomara conhecimento da minha atividade mental e emocional durante a semana. invariavelmente. Um deles disse-me. desmandos de toda sorte. atenta a pequenos detalhes. quando. o irmão atormentado. Mantenhamos uma atitude vigilante. construtiva. que poderiam passar despercebidos. Não conseguem mais raciocinar com clareza e levar avante os projetos em que estavam empenhados: perseguições. oremos por eles. para que fôssemos bonzinhos — Ele nada disse que não se conformasse com as suas íntimas convicções. além de irmãos. é pouco mais que isso: assistirem à constante realização do milagre sempre renovado do amor.. com muito amor mesmo. Às vezes. mostra-se extremamente “perturbado” pelas nossas preces.

Daí também a lembrança que traz à memória acontecimentos da precedente existência ou das existências anteriores. os fragmentos restantes nenhuma significação racional teriam. ficou bem claro. reflete-se nos sonhos. em situações especiais. os problemas relacionados com a atividade do Espírito encarnado. As singulares imagens do que se passa ou se passou em mundos desconhecidos. no opulento acervo de informações que nos transmitiram André Luiz. e que a atividade desenvolvida. mais completo do que no sonho. A alma tem então percepçães de que não dispõe no sonho. 204 38 SONHOS E DESDOBRAMENTOS Páginas atrás. pelo acesso aos arquivos da sua memória integral. durante as horas de repouso. nesses estados de libertação parcial. entremeados de coisas do mundo atual. que contém importantes conotações. A incoerência dos sonhos ainda se explica pelas lacunas que apresenta a recordação incompleta que conservamos do que nos apareceu quando sonhávamos. estado em que maior amplitude adquirem suas faculdades. por exemplo. Nesse estado de liberdade parcial. Emmanuel. os ensinamentos recebidos. ficou documentada uma referência sumária àatividade desenvolvida pelos componentes do grupo mediúnico. Bezerra de Menezes Manoel Philomeno de Miranda e outros. concluímos ser muito intensa a atividade do espírito parcialmente liberto pelo sono natural ou provo cado. Kardec escreveu isto: “Os sonhos são efeito da emancipação da alma. que o espírito encarnado aproveita-se. Reunidos depois. Enquanto a questão do sexo dos Espíritos. que é um estado de . mais adiante (questão 425). O mesmo interesse encontramos nas obras mediúnicas em geral. sob o título “Da Emancipação da Alma”. Daí uma espécie de clarividência indefinida que se alonga até aos mais afastados lugares e até mesmo a outros mundos. que mais independente se torna pela suspensão da vida ativa e de relação. ocupam 23 páginas. de maneira muito especial. em “O Livro dos Espíritos”. o encarnado cultiva intenso intercâmbio com encarnados e desencarnados.” Ao cuidar. sempre que pode. da oportunidade de escapar da prisão corporal. não apenas em termos gerais de Doutrina. como em sua aplicação prática aos trabalhos de desobsessão. Na verdade. Creio que é oportuno desenvolver um pouco mais o conhecimento desse aspecto. em Kardec. é que formam esses conjuntos estranhos e confusos. segundo seus interesses e afinidades. É como se a uma narração se truncassem as frases ou trechos ao acaso. os instrutorês conceituam-no como “estado de independência do Espírito. com palavras suas. Resumindo. ocupa cerca de meia página (perguntas 200 a 202). quando o corpo encontra-se em repouso. através de médiuns de absoluta confiança e respeito. Essa importância ressalta do próprio tratamento que Kardec e seus instrutores deram ao assunto. Daí lembrar-se de encarnações passadas e até mesmo. com satisfação. que nenhum sentido ou ligação parecem ter. afastar a densa cortina que encobre o futuro. que não devem ser ignoradas. no capítulo 8º. através de sonhos e desdobramentos. do sonambulismo. mas. Por esses ensinamentos. É nesse estado que ele consegue entrar na posse de algumas das suas faculdades superiores.

” (O primeiro destaque é do original. como em todos os outros pontos de seus ensina mentos. enquanto o espírito se acha desdobrado pelo sono. como. O planejamento e o preparo das sessões é todo feito no mundo espiritual. Isto significa. por se encontrar este gozando do repouso indispensável àmatéria. “modernizações” e “atualizações” da Doutrina Espírita. duma trágica e dolorosa autenticidade. de onde resgatamos seres alucinados de dor e desorientação. achando-se de certa forma em estado de catalepsia. na prece que precede o sono. para não deixar dúvidas. ou em busca de gozos quiçá mais baixos do que os em que aqui se deleitam. entre nós. vão. Lembranças residuais dessa atividade permanecem em nossa memória de vigília. coloquemo-nos à disposição dos nossos amigos espirituais para as humildes tarefas que estiverem ao nosso alcance realizar junto deles. procurar predispor-se positivamente às tarefas noturnas. Esse estado se apresenta principalmente durante o sono. dos riscos que corre o Espírito desatento e desprevenido. pelos informes da Doutrina Espírita. que os companheiros desencarnados que orientam os trabalhos dos grupos mediúnicos dispõem de amplas possibilidades de colaboração da parte dos componentes encarnados. aqui. ocasião em que o Espírito pode abandonar provisoriamente o corpo. onde os chamam velhas afeições. o Espírito está na posse plena de si mesmo. com incorporação e doutrinação. a experiência indica-nos claramente que a atividade em desdobramento. até mesmo declarada-mente espíritas. e é de utilidade ao trabalho mediúnico observá-las com atenção e interesse.. entre os encarnados.) Acrescentam. ou a mundos inferiores à Terra. que não existe diferença entre o sonambulismo provocado e o natural. tão logo lhes seja possível apossarem-se de organizações terrenas que lhes forneçam a base de que necessitam para os .. durante as horas do sono. enquanto dormem. para efeitos práticos. ainda. e até mesmo a sessões mediúnicas. mais funestas do que as que professam entre vós. “. Para isto. hoje. recomenda-se que. Os autores espirituais de “O Livro dos Espíritos” foram ine quívocos nesse. às incursões no submundo do desespero. Bem sabemos. mais ignóbeis. deixam de receber as impressões exteriores.. desta transcrição. Aqueles que se sintonizarem com as faixas inferiores. também. ao despertarmos. Vão beber doutrinas ainda mais vis. para que. não resulte nossa canhestra interferência em agravação de suas dificuldades. Companheiros encarnados.” (Destaques meus. implantar.. portanto. e peçamos a proteção divina para toda a atividade a desenrolar-se além das fronteiras da matéria bruta. como “reformulações”. em lugar de colaborar. ou fundam movimentos paralelos. em tais desdobramentos. comparecem a esses núcleos de alucinação dos sentidos. Na verdade. o segundo. Em diferentes oportunidades. enquanto estes repousam.) Muitos ignoram como isso é autêntico. ou aos centros de irradiação de doutrinas nefastas que tentam. em que se desenvolve a tarefa mediúnica propriamente dita. Os órgãos materiais. Essa atividade é realizada por equipes bem adestradas e precisamos estar afinados com seus componentes. tal como aqui. 205 sonambulismo imperfeito”. “No sonambulismo — prosseguem —. é mais intensa e extensa do que o curto período de uma hora ou duas. sob a direção de competentes e dedicados servidores do Cristo. nossos mentores têm-se referido às reuniões de que participamos.

” E mais: “Numa e noutra condição. em “O Consolador”. com elogios descabidos. como nos fenômenos premonitórios. quando. o sonho representa a liberdade relativa do espírito prisioneiro da Terra. “. Os companheiros espirituais mais responsáveis não agem à base de inconseqüências e entusiasmos injustificados. padecendo a inquietação das vísceras ou dos nervos injuriados pela sua rendição à licenciosidade.) Atenção. recolhe (. lhe visitam o ser. porque qualquer empolgamento já é suspeito. quanto possível. o desentendimento. portanto.. que se praticam as mais lamentáveis formas de lavagem cerebral e hipnose. que lhe favorece a estagnação na preguiça ou a envolve nas obsessões viciosas pelas . por certo. as visões proféticas. com o material onírico. em “Evolução em Dois Mundos”. com “revelações” sensacionais. quando. Cuidado. porém. gratos. 206 seus propósitos. questão 49 — o sonho constitui atividade reflexa das situações psicológicas do homem no mecanismo das lutas de cada dia. dos riscos que o Espírito encarnado corre durante o desprendimento do sono. nas horas em que repousa o nosso corpo físico. É lá que se forjam pactos sinistros de apoio mútuo. as modestas conquistas que porventura tenha mos conseguido realizar na vigília. serenos. que precisa ser examinado. em que se envolvem tantos companheiros promissores... todavia. e. cujos reflexos absorvem do arquivo em que se lhe amontoam as próprias lembranças. é a mente suscetível àinfluenciação dos desencarnados que. No que diz respeito ao trabalho específico da desobsessão. ou nos de sonambulismo. atraidos pelos quadros que se lhe filtram da aura. fatos esses sempre organizados pelos mentores espirituais de elevada hierarquia. mas sóbrios. tudo muito sutil. nessas regiões tenebrosas. quando não seja o asfixiante pesar do remorso por faltas cometidas. — “Na maioria das vezes — esclarece Emmanuel. selecionado. pois. todo cuidado é pouco com a atividade em desdobramento. a dissensão. pela própria ociosidade ou intenção maligna. evoluídos ou não. eles se apresentam emocionados. contudo. ou sugando-lhe as energias e assoprando-lhe sugestões infelizes quando. com “mis- sões” importantes. e quando o encarnado em temporária liberdade pode receber a palavra e a influência diretas de seus amigos e orientadores do plano invisível. em que a alma encarnada alcança elevada porcentagem de desprendimento parcial. André Luiz adverte-nos. quase imperceptivelmente. obedecendo a fins superiores.. ofertando-lhe auxílio eficiente quando se mostre inclinada à ascensão de ordem moral. pois. criticado e aproveitado com prudência. evitar a conclusão apressada de que todo sonho tenha algo a ver com o trabalho mediúnico que estejamos realizando ou que qualquer lembrança de atividade em desdobramento é aproveitável.” (Destaques meus. a princípio. a fim de que não ponhamos a perder. com extremo cuidado e competência. com encontros com Espíritos que se apresentam sob identidades pomposas. pela solução de um caso particularmente difícil e delicado. equilibrados..) os resultados de seus próprios excessos. os pobres instrumentos humanos que regressam ao nosso meio para espalhar a discórdia. É preciso. Mesmo nos momentos de maior alegria. É lá. então. quando as forças orgânicas dormitam em repouso indispensável. se poderá verificar a comunicação inter vivos. é lá que são programados. Em determinadas circunstâncias.. adere ao consórcio psíquico de espécie aviltante.

na Crosta — observa Sertório. nos domínios psíquicos.” (Destaques meus.” (Destaques meus. de “Mecanismos da Mediunidade”. sim. Antes de encerrar estas notas.“Raros Espíritos encarnados conseguem absoluto domínio de si próprios. muitas vezes. esses trabalhos são inexprimíveis e imensos.) Mas. efetuam incursões nos planos do Espírito. não temos bastante consciência dos serviços realizados durante o sono físico. imobiliza os esforços. em “Nos Domínios da Mediunidade”: . Se todos os homens prezassem seriamente o valor da preparação espiritual. inconscientemente. não é só isso: — “Quando encarnados. O temor pa- ralisa. longamente sopitados durante a vigília. essas horas. com real proveito para o nosso trabalho e. Infelizmente. em enfatizar que o assunto merece cuidadoso estudo. porém. Por outro lado. cuidado com a alimentação. principalmente as que se adestraram para esse fim. Cautela. ainda mesmo quando ligados a envoltórios infe riores.” (Destaques meus. Insistimos. já nos parágrafos finais do capítulo: “É imperioso notar. para o nosso desenvolvimento espiritual. Habituados à orientação pelo corpo físico. diante de qualquer impressão em desacordo com os seus movimentos rotineiros. e de outros que o leitor descobrirá: vigilância com os próprios hábitos diários. por falta de educação espiritual.) Ouçamos agora Aulus. procuram instintivamente o retorno ao vaso carnal. seria bom reler todo o capítulo 11 — “Desdobramento em serviço”. certo efetuariam as conquistas mais brilhantes. como oficiais de ligação entre a esfera física e a esfera extrafísica. dessa obra. por exemplo. extravasam em todas as direções. para servir melhor. transformando-se. do que as de vigília. Relaxam-se as defesas próprias e certos impulsos. não nos deve atemorizar o vulto de tais responsabilidades. pois as responsabilidades envolvidas são enormes. em preciosos instrumentos dos Benfeitores da Espiritualidade. profundas meditações e cautelosa aplicação prática. Vejamos. não. temor. à maneira do molusco que se refugia na própria concha. em “Missionários da Luz” —. esta observação. a maioria se vale. na esfera de fenômenos inabituais. que ressaltam dos textos que examinamos aqui. contudo. em romagens de serviço edificante fora do carro de matéria densa. 207 quais se entrega a temíveis contratos com as forças sombrias. que considerável número de pessoas. A prece será sempre boa conselheira. nossos médiuns contam-nos episódios em que . É preciso vencer a inibição inicial e caminhar. tanto quanto o capítulo 21 — “Desdobramento”. o sonho e o desdobramento espiritual.) Aliás. pois. diante de semelhante gênero de tarefa. na ansiosa expectativa.” (Des- taques meus. verdadeiramente sentida e vivida. pois. porém. logicamente. do repouso noturno para sair à caça de emoções frívolas ou menos dignas. ante qualquer surpresa menos agradável. a par de recomendações óbvias. desejo de aprender. não resta dúvida de que são mais vivas. Do ponto de vista do espírito. Com freqüência. atenção com a saúde do corpo físico. que estuda o sono.) Não faltam. advertências muito pormenorizadas sobre a responsabilidade do trabalho que se realiza nas chamadas horas “mortas” da noite. André Luiz assegura-nos que podemos ser adestrados para essa atividade. uma observação ainda parece oportuna e necessária.

porém. em modestas posições de meros aprendizes. transmitindo mensagens de outros planos. e tinha absoluta consciência daquela movimentação em plano diverso.) Disso tudo podemos sumarizar uma observação final: a maior parte do trabalho mediúnico. sempre que para isto se prepararam devidamente. capítulo 36 — “O Sonho”. como. Tenhamos cuidado para não comprometê-los com o nosso despreparo e a nossa incúria. Aqui e ali. André Luiz. Os companheiros que nos estão esperando podem ser aqueles que nos arrastam para os porões escuros do desvario. que deixara o veículo inferior no apartamento das Câmaras de Retificação. participamos de tais atividades.” (Destaques meus. também lá. em “Nosso Lar”. em “Nosso Lar”. por sua vez. Aproximemo-nos com respeito da hora em que nos preparamos para adormecer. não é a que se realiza em torno da mesa. pela desencarnação? Não temos o direito de pôr sob suspeita o testemunho de alguns companheiros de confiança. afirmava-se cada vez mais intensa. A riqueza de emoções. ou separado dele definitivamente. ao encontrar-se em plano muito elevado. em companhia do luminoso Espírito de sua mãe: “O sonho não era propriamente qual se verifica na Terra. Isso é perfeitamente possível e tem o decidido suporte da experiência. 208 participaram de trabalhos no plano espiritual. reta e iluminada? . no dia da sessão. ou os que nos guiam os passos incertos nas trilhas do bem. um desdobramento. desdobrados. Depende de nós a decisão: vamos pela escura e tortuosa viela que desce. depois de já desdobrado do corpo físico. É possível. é a que se desdobra para além dos nossos grosseiros sentidos físicos. perfeitamente. nos quais funcionaram como médiuns. ou preferimos a estrada que sobe. Minhas noções de espaço e tempo eram exatas. nossos médiuns compareceram a reuniões de instrução e funcionaram mediunicamente. Eu sabia. Em casos de meu conhecimento. por exemplo. enquanto nosso corpo repousa. cansados das lutas do dia.

campo de experimentações fraternas e escada por onde sobem não apenas os nossos companheiros desarvorados. É preciso criar para ele uma estrutura robus ta. de profundo e sincero amor fraterno. de empatia. de volta àluz abençoada do Senhor. aparentemente sem importância. O trabalho de doutrinação. só é possível em clima de total doação. Citarei um pequeno incidente. em termos espirituais. revelar-se fecundo e promissor. na fase de planejamento. que tentamos redimir-nos na tarefa sagrada do serviço ao próximo. Os irmãos que comparecem aos nossos grupos mediúnicos estão em crises. devem ficar bem definidos. que não hesitarão diante de nenhum recurso. Se o trabalho que lhe for cometido. ele será implacavelmente assediado. Levantar-se-ão contra ele forças obstinadas. Cada sessão é diferente. das medidas. chamado tão apropriadamente de trabalho de resgate. para destruí-lo. mas seus métodos têm que ser suficientemente ágeis. vigilância permanente. seculares. Por isso. Seu objeto é o ser humano. aprendamos a lição que cada um deles contém e a incorporemos ao acervo da experiência. e até milenares. que me parece muito simples e válida. pelos companheiros espirituais. seus métodos de trabalho. no trato íntimo e permanente com inúmeros companheiros desencarnados. Nunca saberemos o suficiente em matéria de contacto com os nossos irmãos desvairados pela dor e pela revolta. fingimentos “inocentes”. essencialmente humana. dedicação constante. o que o torna uma atividade do coração. sob a qual possam contemplar suas im- perfeições e empenhar-se em alijá-las do coração. sem prejuízo das tarefas que se desdobram. em inglês (rescue work). É necessário que observemos com toda a atenção qualquer pormenor. a pressão assídua de companheiros em desequilíbrio. usualmente em penoso estado de desarmonização interior. Não me foi possível evitar que este livro se revestisse das características de um depoimento pessoal. Assim. muito pessoal. nada de ilusões: a medida de seu êxito. por vezes. estudar e repetir à vontade. cujas reações podemos prever. indiferença ou comodismos. ferramenta de trabalho. pela razão. na tentativa de fixar no papel alguns dos muitos ensinamentos amealhados. é precisamente a perseguição indormida. para as acomodações necessárias. 209 39 RESUMO E CONCLUSÕES Creio haver chegado ao final da tarefa que me impus. dispostas a tudo para fazê-lo calar-se e dissolver-se. O grupo merece e exige cuidados muito especiais. para que possa funcionar sem hesitações e interrupções. mas subimos também nós. Perderam-se no emaranhado de suas perplexidades e não podem atinar sozinhos com a trilha que os leve para fora do poço profundo e escuro. pela própria natureza das experiências que procura transmitir. dos pesos. na frieza clássica dos números. em mais de uma década. Nossos amigos espirituais de há muito nos haviam prevenido de que. Não há nele espaço para meias-verdades. mas suficientemente flexível. O grupo mediúnico é instrumento de socorro. cada manifestação traz uma surpresa ou um ensinamento novo. de que ele é mesmo um depoimento pessoal. em . desde antes mesmo de constituir-se. Nunca chegaremos a prever todas as situações que um grupo poderá enfrentar. além de suas finalidades e objetivos. não são quantidades físicas de substâncias químicas.

serão remotas suas possibilidades de sobrevivência e inseguros os trabalhos. como costumava fazer. Redobrei o cuidado com o controle do tempo e. ele é apenas mais um trabalhador. para o médium ela adquire as proporções de uma obrigação. absoluta. e lemos trechos substanciais. Primeiro. para subsistir. objetivos e métodos. a mente divaga. e verá que há sempre aspectos que você não havia ainda notado. porém. precisa contar com o respeito afetuoso de seus companheiros. Quanto aos encarnados. Um grupo. ângulos insuspeitados. Quem poderia imaginar que a mera posição de um relógio. de forma que. ou de “O Livro dos Médiuns”. porque nossa memória é falha. como um todo. Se ele é também o dirigente humano. para consultá-lo. já lidas no passado. 210 hipótese alguma. O grupo tem que começar de maneira certa. como ficou dito e explicado alhures. qualquer página de “O Livro dos Espíritos”. Encarnada e desencarnada. Se sentir que não tem condições pessoais para doutrinar. . O doutrinador não será jamais o sumo-sacerdote de um novo culto. infinitamente mais experimentados do que nós. Por que a recomendação? Muito simples: não apenas a preocupação excessiva com o tempo pode desviar-nos do clima exigido pelo trabalho. mas porque até mesmo o próprio gesto de voltar-me poderia quebrar a continuidade da tarefa junto ao irmão incorporado. em clima de segurança e confiança. fosse tão importante. Leia você. É fácil testar essa verdade. porque mesmo durante a leitura. a seleção dos médiuns é da mais alta importância. deixássemos ultrapassar o horário de atendimento. Muito bem. nossos companheiros em torno da mesa. bem como a maneira de tratá-los e inte grá-los no trabalho. o estudo é uma necessidade imperiosa. observações que pas- saram despercebidas. por mais que você esteja certo de conhecer bem a obra de Kardec. Além dos demais pontos críticos. deve atribuir essas funções a outros membros da equipe. O aprendizado tem que ser constante. Se a recomendação de estudar sempre é válida para o grupo. pela simples razão de que. então. ele é também gente. a impor ritos e fórmulas mágicas. neste livro. alguém precisa assumir a liderança. Se for constituído à base de elementos inconstantes e inseguros. exigindo provavelmente esforço maior dos companheiros desencarnados. a ponto de merecer advertência específica? Além de tais observações esporádicas. Usualmente. veio outra observação: recomendavam-me que procurasse colocar o relógio diante de meus olhos. O médium não deve dominar o grupo. leitor. por melhores que sejam as intenções. a ditar ordens. a fim de que possam dar de si mesmos. no contexto de um grupo humano. Segundo. e leva-nos a esquecer recomendações e instruções importantes. porém. Temos a tendência de julgar que sabemos mais do que realmente sabemos. o que não significa que a disciplina do grupo deva correr à matroca. o doutrinador acumula as funções de dirigente encarnado dos trabalhos. não é despotismo. dos companheiros espirituais. não fosse necessário virar-me e tomá-lo nas mãos. sem a participação do consciente. que julgue mais bem qualificados. Liderança. nem ser dominado por ele. e sim portar-se como um dos trabalhadores que o compõem. como as obras complementares. na sala de trabalho. para que possam trabalhar todos em harmonia. por várias razões. O mesmo é válido para qualquer outro documento doutrinário sério. como um general em campanha. toda a atenção deve ser posta em selecioná-los. não são apenas finalidades.

diria apenas uma palavra: — AMOR! Fim . Por isso. Jamais deixei de me surpreender com o espetáculo emocionante desse impacto. através do espaço infinito e do tempo imemorial. o preceito evangélico do “amai-vOS uns aos outros”. que não há doutrinadores perfeitos. Assim. estamos nos colocando no sentido e na direção que segue todo o Universo. como vimos: * Formação doutrinária * Evangelização * Autoridade moral * Fé * Amor O grande ativador desses petrechos espirituais é. no coração de um irmão que sofre. de pronto. E freqüentemente nos esquecemos de que uma fagulha do infinito é também infinita e. considero algumas dessas qualidades como apenas desejáveis. ante os companheiros que sofrem. por isso. o único. que nos dá realmente a sensação de que o amor é um milagre que podemos realizar em nome do Cristo. e outras indispensáveis. o amor. O impacto do amor Sincero. como um movimento irreprimível. “amai os VOSSOS inimigos”. De minha parte. quer o companheiro aceite ou não. Ao criar-nos. Entre estas colocaria. Para o doutrinador. por isso. creio que se referia especificamente ao amor em nós. tem que ser sentido mesmo. para declamar aos Espíritos. no qual nos doamos integralmente. Quem poderá resistir? — “Se Deus está conosco — dizia o nosso Paulo — quem estará contra nós?” Se me fosse pedido o segredo da doutrinação. éuma das coisas mais impressionantes e comoventes do trabalho de doutrinação. no livro. e não apenas fingido ou forçado. não são apenas frases bonitas. são ilimitadas as nossas possibilidades de crescimento. dizem os grandes instrutOres. lembrei por aí. a nossa entrega. O amor fraterno. e nunca nos cansamos de admirar a sua força positiva e construtiva. e aquele outro. 211 São rigorosas as especificações de um bom doutrinador. no trabalho de doutrinação. sempre o mesmo. pelas trilhas do amor. Deus colocou em nós a fagulha do amor. Quando Ele falou a João que nós somos deuses. tem que emergir das profundezas do ser. somos irresistivelmente atraídos para Ele. quando conseguimos transmutar-nos em amor. dili cilmente reúnem-se todas as características desejáveis numa só pessoa. contentemo-nos em ser razoáveis e lutemos por adquirir as qualidades que nos faltam. mas condições essenciais ao trabalho. em nossa miserável existência de seres imperfeitos. Vemo-lo repetir-se a cada instante. Parece que o Pai imantou com esse amor a nossa pequenina limalha e. sem dúvida alguma.

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