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tt — si i ELETRICIDADE DE AUTOMOVEIS INSTITUTO UNIVERSA BRASILEIRO ls AULA TEORICA 2 ° a < S$ & a a a 2 ad 85 2 az Introdugao io uso da eletricidade, nos automoveis e demais veiculos, tem au.centado consideravelmente. Desde quando {oi introduzida, até hoje, tem sido constante o emprego de novos equipamentos que funcionam por meio da eletricidade. Nos prdximos anos, novas descobertas se- Tao feitas e novos equipamentos serfo fabricados, de maneira a au- mentar ainda mais o uso da eletricidade. Nos primeiros automoveis, a eletricidade era usada quase que exclusivamente para criar uma faisca elétrica que fosse capaz de queimar a mistura de gasolina e ar dentro dos cilindros do motor. Atualmente, porém, a eletricidade tem as mais variadas aplicagées, desde o sistema capaz de criar a faisca até fardis, buzina, lanternas, radio, ventiladores, ar condicionado etc. Hoje em dia, temos realmente um conjunto tao grande de pegas e equipamentos elétricos num auto- m6vel que foi necessario criar uma nova categoria de técnicos espe- cializados: a dos eletricistas para autos,] UPoderiamos dizer que, atualmente, im veiculo est4 sujeito a apre- sentar danos ou reparos que devem ser corrigidos por cinco modali+ dades profissionais, dentro de uma oficina mecanica: — Funileiro, responsdvel pela corregéo de partes da carrogaria que se amassaram numa trombada, ou substituicdo de componentes, como pdra-lamas, portas etc., que se enferrujaram. — Pintor, responsdvel pela pintura das partes que o funileiro desamassou ou substituiu. — Tapeceiro, que se encarrega do conserto ou substituicao de partes do estofamento. — Mec§nico, profissional responsdvel pelo conserto do motor e da transmissao. — Eletricista, profissional que faz 0 conserto e substityi¢ao dos _ componentes elétricos de um automovel LOs trés primeiros profissionais —-funileiro, pintor e tapeceiro — sao principalmente técnicos que usam sua habilidade manual. Preci- sam ter conhecimentos especializados de como se deve, por exemplo aquecer uma pega metdlica, para dilatar no local certo, ou entao de como se deve aplicar massa sobre um pdra-lama, para conseguir um bom acabamento,, (Porem, pesam mais a sug habilidade manual, a sua paciéncia perseveranga, cuidado e atengao. ELETRICIDADE DE AUTOMOVEIS — 1.* AULA TEORICA 2 [34 as outras duas modalidades exigem conhecimentos técnicos especializados. Tanto 0 mecanico quanto o eletricista precisam estu- dar profundamente o funcionamento dos_componentes dos veiculos, a fim de bem desernpenhar a sua fungao,| . (Se bem que nao seja muito rigorosa a divisio, poderiamos dizer que a funilaria, a pintura e a tapegaria constituem atividades arte sanais, que dependem principalmente da habilidade pessoal, enquanto @ mecanica e a eletricidade sféo atividades técnicas; nao dependem tanto Ga. habilidade manual, mas sim do conhecimento técnico espe- cializado. Este”é um ponto importante que o aluno deve ter sempre em mira: quanto mais conhecimentos especializados tiver um eletricista, tanto mais apto estard ele a desenvolver a sua profisséo e, por con- seguinte, fara jus a uma remuneracéo mais elevada] {[Alids, isto se aplica & vida moderna de um modo geral. Quanto mais conhecimentos dispomos de um assunto, mais necessdrios e pro- curages nos tornamos.{ Se o aluno decidi fazer este curso é porque péde verificar, por si proprio, que isso é verdade, e sentiu a necessidade de ampliar seus conhecimentos. Assim sendo, parabéns, Agora, um lembrete: Seja persistente, estude com afinco, apren- da. “O curso que ora esté iniciando é, sem duivida, 9 melhor que existe em lingua portuguesa. Aproveite-o o mais possivel, (osso curso serdé apresentado sempre em trés partes: aula tedérica, aula_prdtica e aula suplementar. | [a aula tedrica tem por finalidade apresentar os conceitos tedri- cos da eletricidade e como funcionam os diversos equipamentos elétri- cos de um veiculo. As aulas praticas explicam como se localiza um defeito elétrico e como se procede para corrigi-lo. As aulas suple- mentares visam explicar os detalhes dos diversos equipamentos dos ulos, por exemplo, quais as diferengas entre o motor de partida um. Volkswagen e de um Chevrolet, e assim por dianteJ NOCOES GERAIS DE ELETRICIDADE [A eletricidade as vezes parece ser um ente misterioso, porque nao’é visivel. Nada tem de misterioso, entretanto. De certa maneira o sistema elétrics de um veiculo se parece com o sistema circulatorio do corpo humano. Um conjunto de artérias e veias conduz o sangue a todos os 6rgéos do corpo humano, de maneira a alimenta-los, fazé- jos funcionar. Depois, o sangue retorna & fonte original, que € 0 cora- c&o, e novamente volta a circular pelo corpo. Se algum orgao nao receber sangue, deixard de funcionar, ou, recebendo-o em quantidade insugiciente, nao ira funcionar bem. ‘tho caso de um veiculo, o conjunto de artérias é substituido por uma série de fios elétricos, os quais conduzem a eletricidade a todos os equipamentos. Se, por qualquer motivo, um desses fios se quebrar, © equipamento correspondente nao funcionard. Poderd ocorrer, tam- bém, que 0 equipamento nao pare totalmente de funcionar; entretanto, ELETRICIDADE DE AUTOMOVEIS — 1.* AULA TEORICA 3 funcionaré mal por causa de algum defeito no condutor elétrico, al- gum mau contato, ou um defeito no proprio equipamento,|_ Componentes do sistema elétrico O sistema elétrico de um veiculo (fig. 1) compde-se de um con- junto de equipamentos que geram e armazenam a eletricidade, e um conjunto de equipamentos que consomem a energia elétrica, transfor- mando-a numa outra forma de energia, que pode ser: — energia luminosa, no caso das lanternas e fardis; — energia sonora, no caso da buzina; — energia mecanica, no caso do motor de partida, do limpador a terms , 92 para-brisa, De chin BO, SISTEMA DE BUZINA chave de ignicdo interrupter de lampadas baterio carrogarie SISTEMA GERADOR motor de partida ae O—Sralizocd0--& ILUMINAGAO— Pi#s-Pi8o ELETRICIDADE DE AUTOMOVEIS — 1.2 AULA TEORICA 4 f medida que o curso for se desenvolvendo, teremos oportuni- dade de estudar cada um desses equipamentos com bastante cuidado. Por enquanto, queremos apenas apresentd-los, numa rdpida vista de olhos, para que se tornem nossos conhecidos, A energia elétrica é produzida num gerador elétrico especial, aue pode ser um dinamo ou um alternador. E_armazenada na bateria, di onde é retirada para alimentar os diversos componentes. E fécil compreender a necessidade da bateria. O gerador elétrico so produz eletricidade quando est4 girando (o aluno verd isso com detalhes, quando estudarmos os geradores) e, como ele é movimen- tado pelo proprio motor, s6 quando este estiver funcionando é que © gerador sera capaz de produzir eletricidade. Mas, neste caso, surge @ pergunta: E como é que se pode colocar o motor em funcionamento, se isso é feito pelo motor de partida, que trabalha por meio de ele- tricidade? Por certo o aluno ja observou que, mesmo estando parado, é possivel acender as lanternas de um veiculo ou os seus fardis, ou ainda a buzina. Surge novamente a pergunta: Como 6 isso possivel, se 0 gerador elétrico nao esta funcionando? Essa fungéo é6 cumprida pela bateria, que, como ja vimos, arma- zena a eletricidade durante ‘0 tempo em que o gerador elétrico esta funcionando, para em seguida devolvé-la, quando ele para. A bateria. é um equipamento eletroquimico, isto é, funciona pela acao quimica e elétrica. Quando o motor do veiculo esta funcionan- do, ele aciona o gerador elétrico e este, por sua vez, fornece eletrici- dade para o veiculo, e mais um excedente que vai ter @ bateria. Na bateria, a eletricidade produz determinadas reagées quimicas, as quais d&o como resultado o seu armazenamento na forma de certos pro- dutos quimicos. Mais tarde, quando o gerador nao estiver fun- cionando ou for insuficiente, a bateria sera capaz de fornecer uma corrente elétrica, gracas a outras reagdes quimicas, que nela ocorrem. Em ultima andlise, a bateria é um sistema que consiste no se- guinte: ao passar eletricidade por ele, ocorrem reagdes quimicas que a armazenam; quando necessdrio, se dd o imverso e a eletricidade 6 devolvida por meio de outras reagées quimicas. A energia gerada ou armazenada é consumida em diversos com- ponentes elétricos do motor. Na figura 1, indicamos uma subdivisao do consumo por quatro setores: partida, iluminacdo, buzina e ignigao. .O sistema de partida constituise basicamente de um motor elé- trico, que, recebendo energia elétrica da bateria, d4 as primeiras vol- tas ao motor, para que ele “pegue”. Uma vez em funcionamento, 0 proprio motor se mantém, n&o precisando mais do motor de partid: Convém ressaltar, desde j4, que 0 motor de partida é o equipa- mento que mais consome energia elétrica num veiculo. Se uma bate- ria ndo estiver em bom estado, seré facil constatar isso pelo fato de nao conseguir “alimentar” suficientemente o motor de partida. O sistema de iluminag&o é constituido por todos os dispositivos que utilizam la4mpadas, tais como: os fardis (luz alta e luz baixa), as lAmpadas de sinalizacdo, pisca-pisca, lampadas de painel. Poderiamos aqui inciuir também outros dispositivos modernos que se usam nos veiculos, para maior conforto, tais como: radio, ventilador etc. ELETRICIDADE DE AUTOMOVEIS — 1.2 AULA TEGRICA 5 O sistema de buzina transforma a energia elétrica em energia sonora. Finalmente, temos Q_sistema de ignicéo, o mais importante uso que se faz da eletricidade no motor. Gragas a este sistema se consegue uma complexa acdo, pela qual a voltagem elétrica da bateria, que 6 de alguns poucos volts, se transforma em milhares de volts e, de uma maneira pérfeitamente sincronizada, é enderecada a vela certa, no instante certo, para lancar uma faisca no interior da camara de combustéo e provocar a queima da mistura de ar e gasolina. ENERGIA J& utilizamos, por varias vezes, a palavra energia. Dissemos que um veiculo utiliza a energia elétrica para a producao de luz e som. A energia aciona o veiculo, fazendo-o andar. A-fonte principal de toda a energia do veiculo se-encontra na gaso- lina. E a queima desta que libera energia térmica; esta, por sua vez, faz funcionar o motor do veiculo, transformando-se em energia mec&nica. Uma grande parte da energia térmica é perdida pelo esca- pamento ou pela refrigeragéo do motor. Somente cerca de 30% de toda a energia liberada pela gasolina sio aproveitados para acionar © motor., A maior parte, ou seja, 70%, é perdida, jogada fora. Uma parte da energia mecinica é transformada em energia elétrica, que por sua vez pode transformar-se em outras formas, como ja 08, Estamos apresentando uma série de transformagdes que podem ecorrer num motor, visando destacar um fato muito importante: E © de que a energia nao pode ser criada, nem perdida; ela é sempre transformada. Toda energia que um veiculo- utiliza, quer seja na forma sonora, laminosa, elétrica, mecAnica, tem uma unica origem: a energia que ja estava contida na gasolina e que se liberou pela queima. Ela pode sofrer vdérias transformacgdés, mas é sempre a mesma obtida na queima da gasolina. A MATERIA Antes de comegar o estudo dos diversos equipamentos eiétricos existentes num veiculo, vamos fazer um estudo geral da eletricidade, seus principios, como pode ser criada. Vamos iniciar 0 nosso estudo por uma vis&o inicial do que seja @ matéria, pois a partir dela é que se cria ou se gera a eletricidade. A constituigio da matéria é um assunto que tem preocupado os homens; had 25 séculos atrds jA os homens procuravam explicagdes de como era constituida a matéria. Os filésofos gregos foram os que mais se preocuparam, na ocasifio, com esse problema. Desde aquela épocs jd se admitia que a matéria era constituida por particulas muito pequenas, indivisiveis. ELETRICIDADE DE AUTOMOVEIS — 1+ AULA TEORICA 6 © raciocinio por eles utilizado era o seguinte: Suponhamos que o aluno tenha em suas mios uma folha de papel; rasgando-a ao meio, ficaré com duas metades. Jogue fora uma das metades e a outra divida ao meio. Novamente ficaré com dois pe- dagos. Jogue um deles fora e volte a rasgar, ao meio, 0 pedacgo que restou. Continue procedendo dessa maneira, sempre rasgando o papel ao meio e jogando uma das partes fora. Pergunta-se: Até quando sera possivel proceder dessa maneira, isto 6, até quando a folha de papel poderd ser rasgada ao meio? De imediato alguém podera responder que isso é possivel até que © papel fique tao pequeno que nao se possa mais pegd-lo com os dedos. Mas aqui vamos apelar um pouco para a imaginagéo. Suponha © aluno que pudesse, teoricamente, ir sempre rasgando o papel, por exemplo, usando um microscdpio e uma pinca. Ainda assim se faria a mesma pergunta: Até onde seria possivel fazer essa operagao? Teoricamente, teriamos duas respostas: A primeira seria afirmar que tais divisées nao tém limite, que podemos dividir a matéria ao meio indefinidamente. Mas essa afirmacao nao nos leva @ uma tran- qiiilidade, porque, se nunca pararmos a divisdo, chegaremos & con- clusio de que a matéria é constituida por coisas que nao tém tama- nho, uma vez que sempre é possivel dividi-la ao meio. ‘A segunda seria afirmar que a matéria se constitui de particulas, t&o pequenas, que nao podem mais ser divididas ao meio. Isto parece mais légico. Apesar de nao serem visiveis, parece l6gico supor que existam particulas indivisiveis e que, juntando-se umas as outras, se possa obter uma substancia qualquer. O fato de as varias substancias serem diferentes entre si seria explicado pelo fato de que as particulas nao sao todas iguais entre sie nem se juntam umas as outras da mesma maneira. Os filosofos gregos deram a essas_pal iculas_o nome de atomos. Na lingua grega, dtomo quer dizer indivisi ~ “-"Partindo dai, vamos supor que a materia seja formada por dto- mos. Apesar de que jamais alguém tenha visto um datomo, existem meios para comprovar sua existéncia. Os dtomos nao sao todos iguais entre si. Por exemplo, 0 4tomo de ferro nao é igual ao atomo de aluminio, nem ao atomo de oxigé- nio. Existem mais de 100 tipos diferentes de dtomos. Quase todos existem na natureza; alguns, porém, foram criados pelo homem, em laboratério. O aluno pode achar estranho que so existam cerca de 100 dtomos diferentes, quando na verdade so conhecidas milhares e milhares de: substancias diferentes. ‘A razio disso é que aqueles 100 tipos diferentes de dtomos se combinam das mais variadas maneiras, para dar formac&o as milha; res e milhares de substancias que conhecemos. Os 100 dtomos conhecidos sao chamados elementos quimicos puros, Porém, da sua combinagao podem resultar muitos outros compostcs. ELETRICIDADE DE AUTOMOVEIS — 1." AULA TEORICA 7 Hoje em dia, jad fazemos uma idéia um pouco diferente das coisas. As substancias séo formadas por pequenas particulas, chamadas mo- léculas, e estas, por sua vez, sio formadas por a4tomos. Por exem- plo: a agua é uma substancia formada por moléculas, que por sua vez sio formadas por datomos de oxigénio e de hidrogénio. Juntando- se dois dtomos de hidrogénio com um de oxigénio, tem-se uma mo- lécula de agua. Juntando-se um dtomo de hidrogénio com um de cloro, tem-se uma molécula de acido cloridrico. Juntando-se um dtomo de cloro cam um de sddio, tem-se uma molécula de cloreto de sddio, que € o nome:cientifico do sal. E assim por diante, combinando-se adequadamente os étomos, podem-se obter as mais diversas substan- cias. Os exemplos que acabamos de dar constituem algumas substin- cias das mais simples, mas existem algumas que séo muito compiexas. Por exemplo, hé pldsticos que sfo constituidos por moléculas que dis- poem de mais de 100000 dtomos. Por ai o aluno pode ver a enorme variedade de substancias que se tem, na natureza. Por sua vez, 0 dtomo, que os gregos imaginavam ser indivisivel. hoje, na nossa concepgao, é constituido por varias outras particulas. O aluno poderé novamente estranhar e perguniar . se nin- guém até hoje conseguiu ver um dtomo, como € que podems imagina- -lo constituido por varias particulas? De fato, o homem foi aos poucos imaginando a constiiuicio 4 dtomo, mesmo sem vé-lo, porque podia fazer experiéncias e obser Os seus resultados. A rigor, a constituicaéo nao esta perfeitament hoje diversos cientistas, no mundo inteiro, estao ria, para achar a solucdo definitiva. Cada vez que uma experiéncia apresenta um nov homem procura corrigir a concepcao original e formu mais completa; diz-se, entao, que foi criado um modelo nove O modelo que vamos utilizar em nossas explics tricidade 6 0 chamado squodelo de Rutherford-Bo que giram ao Seu Soe “Esse modelo é bem parecido cot ? sistema solar, no qual o Sol ocupa o centro ¢ os planetas Seu redor. Imagine, pois, uma coisa parecida: um nticleo ae rede qual giram diversas particulas. Essas particulas s: chamada elétrons e Q nticleo é constituido de outras, Genominadas préions « anéutrons, Nao vamos nos preocupar com o mtcleo, pois ele tem interesse para ciéncias fundamentais como a Fisica Nuclear ou Fisica para nos, porém, que vamos estudar ape transporte d dade no interior dos condutores elétricos, tse objetivo de nosso curso. ELETRICIDADE DE AUTOMOVEIS — 1.* AULA TEORICA 8 nae) O aluno pode perfeitamente imaginar 0 mticleo como uma bola em cuja volta ficam girando diversas outras bolinhas, que sio os elétrons (fig. 2). Elétron Nocleo © nucleo esté carregado com uma carga elétrica positiva e os elétrons estéo carregados com uma carga elétrica negativa. Mais adiante, vamos explicar melhor esse aspecto de carga elétrica positiva e negativa. Somando-se todas as cargas elétricas dos elétrons, resulta uma carga igual & carga do nticleo, sé que esta € poSitiva e a que resulta da soma é negativa. Nessas condigdes, 0 dtomo é neutro: as cargas positivas séo exatamente iguais as negativas. Umas anulam as outras, respectivamente, e 0 dtomo fica neutro. Porém, pelo fato de o nticleo ser positivo e os elétrons negativos, eles se atraem mutuamente. Os elétrons ficam girando ao redor do mucleo continuamente. Nao escapam, porque sao atraidos pelo nucleo; e ao mesmo tempo nao caem sobre cleo, porque estao_em-—meyi- mento, com - velocidade bastante elevada, 0 Gu ‘08 impede de cair. Os dtomos mais infernos s40 fortemente atraidos pelo nucleo e é muito dificil conseguir retird-los das suas 6rbitas. Jd os mais exter- nos nao sao t&éo fortemente atraidos. Algumas vezes eles escapam do atomo e se perdem. Isso ocorre principalmente com o ultimo elétron que existe em todos os rnetais. Este ultimo elétron esté téo fracamente preso ao nticleo, que é, por isso mesmo, chamado de elétron livre. Pois bem, sao os elétrons livres em andamento que constituem a eletricidade. ELETRICIDADE DE AUTOMOVEIS — 1.° AULA TEORICA 9 OS ELETRONS LIVRES Dissemos, anteriormente, que os dtomos sao Pparticulas muito Pequenas. Sao tao pequenas que nenhum microscépio, até hoje, foi capaz de permitir sua visio. Pois bem, os elétrons sio menores ainda. O elétron 6 1 836 vezes menor que o prdéton e o néutron. Para que o aluno tenha uma idéia dessas proporgées, vamos fazer uma comparacaéo que ajudara a es. clarecer. O dtomo de ferro é constituido por um nticleo onde existem. 26 protons e 30 néutrons. Ao redor do nucleo giram 26 elétrons. Isso significa que 0 nucleo pesa 102 816 vezes mais que os 26 elétrons que giram ao seu recor. (Nota: Os protors e néutrons tém > mesmo peso: portanto, tanto um como outro pesa 1836 vezes mais que cada ele tron; dai, 26 + 30 = 56; 1836 x 56 = 102816.) Agora, imagine que se fizesse 1ma ampliac&o e o elétron ficasse do tamanho de uma bola de gude, pesando cerca de 100 gramas. Fois bem, nessa comparacao, 0 nticleo seria do tamanho de uma locomo- tiva e pesaria cerca de 10 ton2ladas. Por ai o aluno vé a desproporcio das coisas: Imagine uma loco motiva e 26 bolas de gude girando ao seu redor! Para o caso do uranio, essa comparagao é mais surpreendente ainda: Possui ele 92 protons e 146 néutrons, no seu micleo. Como resultado, ele pesa 436 968 vezes mais do que os 92 elétrons que giram ao seu redor. Para que o aluno possa sentir 0 peso dessa compara- ao, basta dizer que, calculando o peso do Volkswagen como sendo de cerca de 1 tonelada, se fizéssemos uma ampliagéo na devida propor- Gao, 0 atomo de uranio poderia ser pensado como constituido por um nucleo onde existiriam 40 Volkswagens, ao redor do qual estariam gi- rando 92 bolinhas de gude. Com tais exemplos, procuramos dar uma idéia da proporcao que existe entre o nticleo e os elétrons. O aluno pode perfeitamente avaliar duas coisas: 1 — a pequenez do elétron; 2 — 9 peso do _dtomo, que estd praticamente todo concentrado no_nucleo;.o peso dos elétrons é infimo, comparativamente. ~ Voltemos, agora, aos elétrons que estado mais longe do niicleo e que chamamos de elétrons livres. Normalmente, eles esto girando em torno do seu nucleo, da mesma maneira que Os outros. Mas. por qualquer perturbacao elétrica que sofram, eles podem escapar do ato mo. Essa perturbacio pode sei criada por uma pilha, uma bateria um ima. Criada a perturbacao, o elétron livre escapa e comeca a caminhar, pulando de um atomo para outro. ELETRICIDADE DE AUTOMOVEIS — 1. AULA TEORICA 10 . E o que procuramos indicar nas figuras 3 e 4. Inicialmente, na figura 3 temos diversos 4tomos com os respectivos elétrons girando ao seu redor: Ao criar-se a perturbacio, os elétrons livres comegam a caminhar -(fig. 4), todos no mesmo sentido. Fig. 4 Os elétrons livres caminham devagar, mas quando um comega a andar, todos os outros comecam quase a0 mesmo tempo, até os mais distantes. Por isso se diz que os elétrons caminham devagar, mas a eletricidade caminha depressa. ‘A velocidade da eletricidade é igual & da luz: 300 000 quilémetros por segundo. ELETRICIDADE DE AUTOMOVEIS — 1. AULA TEORICA 1 E uma velocidade fantdstica, ndo 6? Imagine o aluno que, se alguém quisesse dar a volta a Terra, teria que andar 40 000 quilémetros. Pois bem, a eletricidade consegue dar séte voltas e meia ao redor da Terra, em aperfas um segundo. E t&éo grande essa velocidade que dize- mos até que a eletricidade se propaga instantaneamente. Quanto maior a perturbagéo que se cria, tanto mais elétrons livres se deslocam. Dizemos, entao, que a corrente elétrica aumentou. Por conseguinte, a corrente elétrica depende do mimero de elétrons livres colocados em movimento. Quanto maior a corrente elétrica, maior o efeito que se pode conseguir. Por exemplo: a corrente elétrica que “alimenta” um farol € muito maior que a corrente elétrica que “alimenta” a luz de ilumi- nagéo interna de um veiculo. Porém, a diferenca de iluminacgio é muito grande: com o farol, consegue-se muito mais luz, porque exis- tem muito mais elétrons livres deslocando-se do que os que se diri- gem para a luz interna do veiculo. A corrente elétrica depende também de outros fatores, além da perturbagao que foi criada. Se, por exemplo, existe Pouca resisténcia pelo caminho, os elétrons podem deslocar-se mais facilmente; se existe muita resisténcia, eles se deslocam com mais dificuldade. Essa resisténcia pode ser criada: 1 — por um caminho mais longo. Pelo fato’ de o caminho ser mais comprido, os elétrons tém mais dificuldade em deslocar-se. KE por essa razio que procuramos sem- pre fazer as ligagdes o mais curtas possivel. 2 — por um caminho estreito. Quanto mais apertado for o caminho por onde eles tiverem que passar, tanto mais dificil seré para os elétrons se deslocarem. Por esse motivo nao se usam fios finos, quando se pretende con- duzir correntes elétricas elevadas. Quanto mais grosso o fio, mais corrente seré possivel conduzir, sem que ele se esquente. E evidente que ha uma limitagio para isso, que é o custo. N&o devemos usar fios grossos demais, porque s&o caros. Materiais sem elétrons livres, que denominamos isolantes, difi- cultam a passagem de corrente. Normalmente, sao utilizados como isolantes a borracha e o plastico. ELETRICIDADE DE AUTOMOVEIS — 1.* AULA TEORICA 12 Vocabulario Aciona: P6e em agao, em movimento; faz funcionar. Afinco: Persisténcia, perseveranga. Concepcao: Nogao, idéia, compreensao. Ente: Aquilo que existe; matéria, substancia, ser. Excedente: Excesso, sobra. Indivisiveis: Que nao podem ser divididos. Libera: Liberta, solta. Matéria: Qualquer substancia sdlida, liquida ou gasosa que ocupa lugar no espago. INSTITUTO UNIVERSA BRASILEIRO $ wae Oe> aoe £50 Oda 12 AULA PRATICA COMO SE MEDE A ELETRICIDADE A melhor comparacdo que se costuma fazer para se compreender a eletricidade 6 com um reservatério de dgua. Imagine 0 aluno que dispomos de um reservatério cheio de agua, colocado a certa altura (fig. 1). Um cano sai desse reservatorio, existindo, na parte inferior, uma valvula. Finalmente, na extremidade do cano hé uma roda que 6 capaz de girar, quando recebe um jato de agua. RESERVATORIO BATERIA a LAMPADA VALVULA FECHADA: Néo ha RODA corrente de dgua. INTERRUPTOR ABERTO: Nao hé corrente eletrica Fig. 1 ELETRICIDADE DE AUTOMOVEIS — 1." AULA PRATICA 2 VALVULA ABERTA: Hd corrente de 7 dgua. Ha corrente elétrica. INTERRUPTOR FECHADO: Inicialmente, suponha que a valvula esteja fechada. Nessas con- digdes, no ha circulagéo de agua e tudo permanece imével. A seguir, abrimos a vdlvula e deixamos a dgua escoar livremente. O que acontece? Estabelece-se uma corrente de 4gua que, ao atingir roda, transfere a ela sua energia, colocando-a em movimento. A corrent® de dgua surge porque ha uma diferenga de altura desde © reservatorio até o chao, 0 que provoca o seu movimento. Quanto maior a altura do reservatorio, tanto maior a corrente de d4gua e tanto maior, também, sua capacidade de girar a roda. Na nossa comparag&o, o reservatério de dgua é substituido por uma bateria que, pode-se dizer, 6 um reservatdrio de eletricidade. O cano é substituido por um fio elétrico, que 6 capaz de conduzir a ele- tricidade, e no lugar da vdlvula colocamos um interruptor. Em vez da roda de égua, usamos uma lampada. No primeiro caso, o interruptor estd aberto e, por isso, nao ha circulagéo de eletricidade, nao ha corrente elétrica. No segundo caso, fechamos 0 interruptor, 0 que equivale a estabelecer um caminho para @ corrente elétrica. Em conseqiiéncia, a eletricidade passa através da lampada, transferindo a esta sua energia, ou seja, transformando-se em energia luminosa. Da mesma maneira que para a agua, é necessdrio que se estabe- lega um caminho, a fim de que a eletricidade possa circular. Nesta altura, preste bem ‘atengéo num detalhe: a corrente elétrica somente circularé se houver um caminho de ida e um de volta. Nao basta apenas um fio. Sado precisos dois, ligando a bateria & lampada. ELETRICIDADE DE AUTOMOVEIS — 1" AULA PRATICA 3 A razao pela qual a dgua circula é a existéncia de uma diferenca de altura do reservatério e da roda de agua. Quanto maior a altura do reservatério, tanto maior serdé a corrente de agua. Analogamente, a bateria é o reservatério de eletricidade e entre seus p6los estabelece-se uma acéo igual & diferenga de altura, no outro caso. A essa agéo chamamos diferenga de potencial. Quanto maior a diferenga de potencial, maior sera a corrente elétrica. A diferenca de potencial é mais conhecida pelo nome de voltagem. Quanto_maior a—voltegem_da_bateria, mator_a corrente elétrica que © copay de fornecer, Existem baterias com voltagem de 6, 12 ow 24 volts. Em veiculos, nao se usam voltagens superiores a essas, a nao ser no sistema de ignicéo. Em nossas casas, usamos voltagens de 110 ou 220 volts, enquanto as usinas hidroelétricas enviam eletricidade a lu- gares distantes, por meio de uma linha de transmisséo que muitas vezes chega a 500 000 volts (ja se fala em 1000000 de volts). A diferenga’ de altura, no nosso circuito hidrdulico, se mede em metros. A diferenca de potencial, no nosso circuito elétrico, se mede em volts. Accorrente de dgua, no nosso circuito hidrdulico, se mede em iitros por segundo. A corrente elétrica, no nosso circuito elétrico, se mede em ampéres. Voltemos novamente 4 nossa analogia hidrdéulica. O caminho para a dgua é estabelecido por meio de canos. Observe que: 1 — Quanto mais grosso o cano, mais facil é o caminho para a agua. Quanto mais fino o cano, tanto mais dificil para a sua circulagaéo. 2 — Quanto mais comprido o cano, tanto mais dificil para a agua percorré-lo. Quanto mais curto, tanto mais facil. Da mesma maneira, no nosso circuito elétrico se pode dizer qur 1 — Quanio mais grosso o condutor elétrico por onde circula « eletricidade, tanto mais facil para ela passar. Quanto mais fino, tanto mais dificil. 2 — Quanto ‘ido o condutor elétrico, tanto mais a: ficil par: rica. Quanto mais curtc tanto mais facil. Qizemios, por isso, gue _um iio compridoe.fino tem mais. resi: téncia_que um ‘curtd @ grossa, Para correntes grandes, precisamos de fios grossos; para coitsit tes pequenas, podem ser usados fios finos. Como em geral se pretende que a resisténcia seja a menor possivel, as ligagdes elétricas séo sempre executadas com fios os mais curtos possiveis. A _resisténcia eléirica é medida cm ohms. O aluno néo ceve sionarse com 0 nome ésquisitd; apenas pense que poucos ohn cam um caminho facil para a eletricidade, enquanto muitcs ohms significam um caminho dificil para ela. ELETRICIDADE DE AUTOMOVEIS — 1." AULA PRATICA 4 Condutores e isolantes | Os materiais que possuem elétrons livres séo ditos condutores, porque deixam passar a eletricidade com facilidade. FE o caso do cobre, aluminio, ferro. Os materiais que nao dispdem .de elétrons livres sio,chamados isolantes, porque nao permitem a passagem de eletricidade. Sao exem- plos de isolantes a borracha, plastico, madeira etc. Na verdade, nao se pode falar apenas em materiais condutores e isolantes, porque uns séo mais do que os outros. O que € mais certo afirmar é que um material 6 melhor condutor ou melhor isolante que outro. Os condutores elétricos usados em veiculos sio sempre de cobre e isolados com plasticos; constituem-se de um feixe de fios finos, dai serem chamados de cabos. Antigamente se usavam cabos isolados com borracha, mas hoje em dia sé se usa praticamente plastico. Como se tem quase sempre baixa voltagem nos veiculos, a iso- lagéo de plastico é relativamente fina. Faz excegio apenas os cabos que saem da tampa do distribuidor. Como ai a voltagem é muito ele- vada (15 000 volts), os cabos tém uma isolagio reforgada. Sido bem mais grossos que os outros. Lei de Ohm Vamos, agora, estudar uma regra muito importante em eletrici- dade. Com esta regra, 0 aluno estara em condigdes de fazer varios calculos relativos & eletricidade de veiculos e diagnosticar mais facil- mente os defeitos. E uma regra bastante simples e, em Ultima and- lise, € um resumo do que ja foi dito anteriormente. Vamos insistir mais uma vez nos seguintes raciocinios: 1 — Observe a figura 2, onde se indicam duas caixas de 4gua com a mesma altura. Uma delas possui um cano grosso, outra um cano fino. Pergunta-se: Abrindo-se os registros de saida das duas caixas, qual se esvaziara primeiro? A resposta imediata, que o aluno ja deve ter concluido, é: Primeiro se esvaziara4 a caixa que tem um cano de saida mais grosso. A raz&o disso 6 que a resisténcia & passagem da corrente de agua é menor. Da mesma maneira, admitamos que o aluno disponha de duas baterias com a mesma voltagem. Uma delas esta ligada a uma resis- téncia pequena (poucos ohms) e outra a uma resisténcia grande (mui- tos ohms). Pergunta-se: Em qual dos dois circuitos se tera uma corrente elétrica maior? O-aluno imediatamente respondera que passa maior corrente elétrica no ‘circuito que tem menor resisténcia. eae ELETRICIDADE DE AUTOMOVEIS — 1° AULA’ PRATICA 5 Menor corrente de dgua Maior corrente de dgua MAIOR RESISTENCIA— MENOR RESISTENCIA= MENOR CORRENTE 5 MAIOR CORRENTE . Fig. 2 ELETRI{CIDADE DE AUTOMOVEIS — 1* AULA PRATICA 6 Essa j4 6 uma parte da chamada lei de Ohm: Dada certa volta- gem, quanto maior a resisténcia, menor a corrente elétrica. 2 — Podemos fazer outra comparagao: Digamos agora que uma das caixas de dgua esteja mais alta que a outra (fig. 3). Isso significa que ela vai dar mais pressdo 4 dgua. Se admitirmos que as duas caixas tém canos da mesma grossura, © aluno podera imediatamente afirmar que aquela que esta mais alta iré forcar mais a passagem de dgua e. portanto, iré dar uma maior corrente de dgua. Analogamente, na nossa comparagdo, admitamos agora que se te- nham duas baterias, uma de 12 volts e outra de 24 volts (fig. 3). As duas alimentam a mesma carga, digamos uma lampade. Pergunta-se: Em qual dos casos a lampada se acenderd mais forte? O aluno ime- diatamente responderd que a lampada que se acenderd com mais intensidade é aquela ligada @ bateria que da maior voltagem. VOLIAGEM MAIGR= = CORRENTE ELETRICA MAiOR ELETRICIDADE DE AUTOMOVEIS — 1.2 AULA PRATICA 7 SiMBOLOS ELETRICOS DOS CIRCUITOS ACIMA 12v 24V Fig. 3 Em outras pailavras, isso significa que, dada certa resisténcia, quan- to maior a voltagem que a alimenta, tanto maior sera a corrente elé- trica fornecida, conforme ilustram as figuras 2 e 3, O primeiro item pode ser representado, matematicamente, pela seguinte formula: I =— R Esta equacio matematica possibilita ao aluno calcular a corrente elétrica, dividindo a voltagem pela resisténcia, A equacao matematica serve apenas para simplificar as coisas. Em vez de escre- ver toda uma frase, escrevemos trés simbolos, os quais resultam no mesmo significado. A letra I representa a corrente elétrica, a letra V representa a voltagem e a letra R representa a resisténcia. Vejamos um exemplo, para aclarar e simplificar as coisas: A lam- pada do farol de um vefculo tem aproximadamente 4 ohms de resis- téncia. Se ele for ligado a uma bateria de 12 volts, que corrente elé- trica passard através dele? A férmula da lei de Ohm se aplica da seguinte maneira: Vv 12 I= ; portanto, I -- R , ou seja, I = 12+4 = 3 A corrente elétrica seré, pois, de 3 ampéres. Em aula mais adiantada, o aluno poderé constatar que isso nao é apenas um cdlculo tedrico, sem qualquer aplicagao na vida pratica. Existem aparelhos elétricos especiais de medida que podem verificar a corrente elétrica que passa num fio. Assim sendo, neste caso o aluno poderia, com um desses aparelhos, constatar se realmente € essa a corrente que estd passando, E,se nao fosse, poderia entao concluir por algum defeito no circuito. Por ai o aluno vé como o calculo Ihe podera ser muito util, ao diagnosticar algum defeito no veiculo. ELETRICIDADE DE AUTOMOVEIS — 1.1 AULA PRATICA 8 O outro caso, indicado na figura 3, poderd também ser represen- tado pela mesma equacéo matemiatica, isto é: ‘Tomemos outro exemplo: Digamos que a lampada da lanterna traseiza do Volkswagen tenha 12 ohms de resisténcia (fig. 4). Se for ligada a uma bateria que tenha 12 volts de voltagem, por ela ira cir- cular uma corrente elétrica que vale: Vv 12 , isto 6,1 = ———, ou seja: I = 12 + 12=1 12 Pela lampada iré circular uma corrente de 1 ampere. I Fig. 4 Se a mesma lampada for ligada a uma bateria de 24 volts, a cor- rente que ird passar sera de: 24 , isto 6, 2 ampéres 12 Com essa corrente, provavelmente a lampada ird queimar-se. A lei de Ohm pode ser escrita, matematicamente, de varias maneiras: Vv Vv ou V= IR oR= R T T= ELETRICIDADE DE AUTOMOVEIS — 1.25 AULA PRATICA 9 Seo aluno jd tem conhecimentos de Matematica e estudou fra- ees, podera facilmente verificar que as trés equagOes significam a mesma coisa. Se ainda nao estudou fragdes, logo apds 0 seu estudo, que serd feito nas aulas seguintes, estard em condicdes de analisdla melhor. vat As grandezas que coniparecem na lei de Ohm podem ser resum1- ‘das no seguinte quadro: Grandeza 'Simbolo Unidade Simbolo da unidade Voltagem volt Corrente ° ampere Resisténcia ohm Neste quadro, além das grandezas e suas unidades, aparecem tam- bém as colunas correspondentes aos seus simbolos. O simbolo é a maneira abreviada de escrever a grandeza ou a unidade. Por exem- plo: em vez de escrever 2 ampéres, podemos simplesmente escrever 2 A; em vez de escrever 4 ohms, podemos simplesmente escrever 4 9. Ampére-hora E um termo muito usado para indicar a quantidade de eletrici- dade contida em uma bateria. Indica a corrente elétrica que a bateria é capaz de fornecer du- rante, certo tempo. O valor dessa corrente é afetado, também, pelo ritmo com o qual a bateria cede a sua eletricidade. Por exemplo: Quando se especifica que uma bateria é de 12 vol- ts e que tem uma capacidade de 75 ampéres-hora, isso significa que ela é capaz de fornecer uma corrente de 5 A durante 15 horas (75 + +5 = 15). Associagio em série e em paralelo A finalidade do gerador elétrico 6, como o préprio nome diz, ge- rar eletricidade. E preciso, aqui, bem entender o significado da pa- lavra gerar. Na verdade, nao se esté criando energia elétrica;o que se esté fazendo é transformando energia mecanica em energia elétrica. De fato, o gerador é acionado pelo prdéprio motor do veiculo e, por conseguinte, basta energia mecanica para gerar energia elétrica, ‘Conforme ja foi dito, o gerador serve para “carregar” a bateria de eletricidade, e esta é que a fornece aos equipamentos do veiculo. Gragas a esse sistema, é possivel acender as limpadas ou buzina, mes- mo com 0 carro parado. Se o aluno observar cuidadosamente uma bateria, verd que ela é formada por elementos merores.- Uma bateria de 6 volts_é montada juntando-se 3 elementos de 2 volts cada. A montagem feita com um elemento em seguida ao Otitro é denominada de associagéo em série. ELETRICIDADE DE AUTOMOVEIS — 1." AULA PRATICA 10 As _voltagens dos elementos se somam. O terminal positivo de um élemento_¢ Tigado ao terminal negativo de outro. A corrente elétrica € comum a todos os elementos, isto 6, a mesma e inc) itado. —JDa mesma a podem Ser associadas ém paralelo- leste caso, os dois pélos positivos séo ligados entre si, e os dois pél negativos entre si, também. Resulta, entéo, que a voltagem nos ext mos é a mesma, porém a corrente que se pode fo: 6 o dobro d fornecida por uma s6 bateria. ' - Resi |, dai, as regras: 1 — Associagéo em série: Somam-se_as_voltagens, ¢ a corrente - @a@ mesma (fig, 5). | | i —— — i 2v 2v 2v 6v Fig. 5 2 Associagic em paralelo: Somam:se_as correntes e mantém- -Se a volt tagem (fig, 6). ELETRICIDADE DE AUTOMOVEIS — 12 AULA PRATICA 11 i+ = —r— Fig. 6 Também as resisténcias podem ser associadas em série ou em paralelo: T— Associando-se duas resisténcias em série (duas lampadas, por exemplo), a resisténcia total ser4 a soma das duas. Isso parece evidente, nio é mesmo? 2 — Associando-se duas resisténcias em paralelo, a resisténcia | —__total cai & metade./ ~ ae Também é evidente. Uma comparacao, neste ltimo caso, permite compreender bem 0 que se pretende. Por exemplo; na saida de um cinema que esteja lotado, as pessoas se comprimem na porta de saida. Esta é a resisténcia oposta & passagem das pessoas. Mas, se por acaso alguém abrir uma segunaa porta, a saida das pessoas se tornard mais fdcil. Quanto mais resisténcias forem associadas em paralelo, tanto menor seré a resisténcia total. Veja as figuras 7 e 8, que aju- dam a esclarecer 0 assunto. Na figura 7, temos uma indicagao de trés resisténcias (no caso, so trés lampadas) em série. Quando se ligam essas trés lampadas a uma bateria, a resisténcia total aumenta e, portanto, a corrente elétrica diminui.Isto quer dizer que a lampada se acendera ELETRICIDADE DE AUTOMOVEIS — 1.1 AULA PRATICA 12 mais fracamente.- Mas a corrente elétrica é a mesma para as trés lampada y. CORRENTE ELETRICA E A MES| MA NAS TRES LAMPADAS ¥ ¥ fd Na figura 8, emos uma associagiéo de duas lampadas em para- lelo. Neste caso, a corrente elétrica que circula em cada lampada per- manece a mesma. Isto quer dizer que as lampadas se acenderéo com a mesma intensidade, nio importando que estejam ligadas sozinhas ou em paralelo. Porém, a corrente fornecida pela bateria, agora, sera o dobro da anterior. As duas correntes elétricas se somam, e 0 total ELETRICIDADE DE AUTOMOVEIS — 1.1 AULA PRATICA 13 deve ser fornecido pela baterid) MESMA VOLTAGEM: As correntes se somam E> FAN 4 4 alt Fig. 8 = Em todos os desenhos que mostramos até agora, as ligag¢ées fo- ram sempre feitas com dois fios: Um fio saia da bateria, conduzindo @ eletricidade até a lAampada (por exemplo), e outro fio, retornando da iAmpada, conduzia a eletricidade de volta para a bateria. Estes dois fivs so sempre necessarios. Se nao houver um caminho de ida e de volta, a eletricidade nao circulara. Diremos que 0 circuito esté aberto, A eletricidade s6 circula num circuito fechado. Nos_veiculos em gerai nao se usam dois fios para alimentar os diversos equipamentus, por uma questao de economia. A propria car- rogaria dv veicuio serve para conduzir a eletricidade de volta & bateria. Pelo fato de a carrogaria ser de aco, ela também é condutora de ele- tricidade. Entéo, por que nao aproveitdé-la? & por esse motivo que o polo negativo da bateria é ligado ao chassi ou & carrogaria dos veiculos. Algumas vezes, liga-se 0 polo posi- tivo em vez do negativo; mas isso € muito raro. De qualquer ma- neira, se © aluno encontrar um yveiculo assim, nfo se impressione; Ligagdo a terra ELETRICIDADE DE AUTOMOVEIS — 12 AULA PRATICA 14 apenas tome cuidado para efetuar corretamente as ligagdes. Porém, para a eletricidade nio importa que a carrogaria seja o caminho de ida ou o de volta. De qualquer maneira, a economia de fios que se faz é muito gran- de, gragas a carrogaria e ao chassi. Entre os eletricistas, a carrocaria é chamada de “massa” ou “ter- ra” Quando dizemos que um fio esté “aterrado” ou ligado @ “massa”, queremos dizer que ele esta ligado a algum parafuso da carrocaria ou do chassi. E importante que todas as ligagdes de “terra” sejam bem feitas. Com o tempo, poderd surgir ferrugem nesses parafusos de ligagio e a eletricidade encontraré maior dificuldade para circular, prejudicando o funcionamento de algum equipamento. Convém chamar a atencdo para a palavra “terra”, que aqui nao significa nem o nosso planeta Terra, nem o chiéo em que pisamos (mesmo porque o aluno sabe que a carrogaria se encontra isolada do chao pelos quatro pneus, que sao de borracha, e em conseqtiéncia um 6timo isolante elétrico). Quando se diz, portanto, que uma ligagao esta aterrada, nao significa necessariamente que esteja ligada ao chao. Em eletricidade para autos, significa apenas que esta ligada 4 carro- caria e ao chassi. TTA bateHe, por sua ‘sua vez, ,, esta ‘jigada a carrogaria por meio. de um! cabo chato, feito com fios trangados, chamado cordoalha. Algumas vezes 6 possivel acumular ferrugem na chapa, debaixo do parafuso} que prende a cordoalha & carrogaria, resultando um contato elétrico deficiente, porque a ferrugem nao é um bom condutor de eletricidade. Resulta daf um enfraquecimento de toda a instalagio. Os fardis ficam fracos, a bateria nao consegue dar a partida normalmente, e assim or diante. Constata-se bem uma falha deste tipo a noite: Ligando-se os fa- rdis, eles emitem uma luz mais fraca que'o normal. Mas, pisando-se no acelerador e fazendo o motor funcionar em alta rotag4o, a luz se torna forte. A razdo disso é que, com o motor funcionando em alta rotag&o, o gerador fornece mais do que a voltagem da bateria, refor- igando um_pouco a eletri icendo. Fusiveis A grande maioria dos veiculos possuem fusiveis. Os fusiveis s&o pequenos dispositivos que se destinam a proteger os circuitos elétricos. Na figura 9, mostramos como € constituido um fusivel: consiste de um pequeno tubo, dentro do qual existe uma pequena placa, geralmente fabricada de chumbo, ou um suporte de ceramica sobre o qual se idade_que a propria bateria j4_esté_forne- ELETRICIDADE DE AUTOMOVEIS — 1.2 AULA PRATICA 15 apoia uma lamina de chumbo. Ele é instalado no proprio circuito que se quer proteger Por exemplo, digamos que se queira proteger 0 circuito da lan terna traseira de um carro. O circuito entéo 6 montado conforme a figura 10. A bateria tem um dos polos ligados 4 “terra” e do outro pélo saium fio que vai até a frente do veiculo, local onde, em geral, ficam todos os fusiveis reunidos (cada circuito tem um).Dai retor- na outro fie que vai até a lanterna traseira e, finalmente, da lanterna sai outro fio, que ¢ ligado a carrogaria. fechando, pois, © circuito Na figura 9 desenhamos o fusivel em tamanho grande, apenas para que se possa vé-lo com facilidade. Na verdade, o fusivel é uma peca pequena. com apenas um ou dois centimetros de comprimento. Se, por um motivo qualquer, um fio descascar (ou outras cau- sas), haverd a possibilidade de ele encostar na carrogaria. Se isso occrrer, 0s elétrons, em vez de seguireém para a lanterna, iréo preferir este novo caminho, que € mais curto. Estabelece-se, entao, o e charna de curto-circuito( tig. 11), Porém, neste caso a eletricidade néo encontra praticamente mais nenhuma resisténcia e,conforme o aluno recorda da lei de Ohm, a corrente elétrica fica muito alta. Algumas vezes. SSE to _de uma faisca...Out vezes nem isso _acontece: o fio nem cheva a-descascar, apresentandce apenas ELETRICIDADE DE AUTOMOVEIS uma _falha. por ende a eletricidade escapa. Mas, come é um curto- cull ite _elétrica € muito elevada, podendo aquecer o fio ao_ponto de gueimar o plast LOCAL DO CURTO~CIRCUITO, 4 \ “e * AULA PRATICA 16 LANTERNA TRASEIRA FUSIVEL BATERIA CAMINHO PERCORRIDO PELOS ELETRONS No CURTO-CIRCUITC Fig. 11 ELETRICIDADE DE AUTOMOVEIS — 1 AUL:. PRATICA 17 Nos dois casos, saltando faisca ou queimando o plastico, ha um perigo muito sério que é o de se formar uma chama, que podera pro- pagar-se e incendiar 0 veiculo. Quase todos os casos de incéndio de veiculos tém inicio desta maneira. Ai € que entra a ac&o do fusivel. Se a corrente crescer demais, antes de derreter o plastico ou trazer qualquer dano ao veiculo, a pequena placa de chumbo que existe no interior do fusivel se derre- tera, interrompendo o caminho da eletricidade (diz-se que “abre” 0 Muitas vezes o fusivel derreie, porque houve um defeito ou um curto-circuito momentaneo. Nio quer isso dizer que hd um defeito permanente. Basta substitui-lo por outro novo e tudo volta ao nor- al. Se, porém, apds a substituicéo, o novo fusivel também se quei- ar, ent&io 6 sinal de que o defeito que surgiu continuard a manifes. tar-se. Neste caso nao basta apenas substituir o fusivel. Deverd ‘sei procurado o defeito e corrigido. Muitas vezes, os defeitos nos fio: Go tdo generalizados que 6 necessdria a troca de uma porcio de fios| fou_até mesmo laa i a Poténcia elétrica Poderiamos dizer que a poténcia elétrica é a auantidade de ener- gia que um equipamento 6 capaz de fornecer ou gastar, em certo tempo. A poténcia corresponde ao conceito Ge consumo ou fornecimento de energia (durante certo tempo). E medida em watts. Quando dizemos, por exemplo, que um farol de automovel item 25 watts, enquanto uma lanterna de sinalizagao tem apenas, digamos, 3,5 watts, isso significa que o farol é capaz de fornecer 10 vezes mais luz do que a lanterna. Por outro lado, é evi- dente que ele ird consumir 10 vezes mais energia elétrica. Gragas a idéia de poténcia elétrica, fica muito facil comparar dois equipamentos totalmente diferentes, em termos de eletricidade. Por exemplo, digamos que um motor de partida de um determinado vei- culo tenha poténcia de 350 watts. Apesar de ser um equipamento completamente diferente do farol, porque este se destina a fornecer juz, enquanto o motor de partida se destina a fornecer energia me nica para fazer virar o motor do veiculo, ainda assim é possivel com- para-los, dizendo que o motor de partida consome 10 vezes mais ele- tricidade do que um farol. Por esse motivo, todos os equipamentos elétricos sao sem identificados pela sua poténcia elétrica. re Matematicamente, a poténcia de um equipamento pode ser calc lada multiplicando-se a voltagem aplicada a ele pela corrente elétrica que ele consome. J Wz Vx Por exempio, digamos que um farol alimentado por uma batera de 12 volis consuma uma corrente elétrica de 5 amperes. Entao, a po- tencia elétrica que eie consome sera de 12 x 5 60, isto @, de 60 watts, E'THiCIDADE DE AUTOMOVEIS — i. AULA PRATICA 18 que se conhega a voltagem aplicada ao farol (por exemplo, ‘24 volts), € que a sua poténcia seja de 72 watts. Dessa maneira, podemos entao calcular a corrente elétrica_que deve circular pelo farol, dividindo a! poténcia pela voltagem. ‘0 caso, terlamos entao: 72 + 24 = 3, isto 6, 3 amperes. Teriarnos, assim, um recurso para a eventualmente localizarmos it A corrente elétrica pode ser medida por meio de um com a calculada, leremos desconfiar de algum defeito. Se a cor- rente medida for menor que a calculada, eniféo deverd haver maus ontatos, que estardo aumentando a resisténcia a passagem da ele- tara__havendo al inici to-circuito. {~~ Observacao: Também se costuma medir a poténcia elétrica em cavalo-vapor (c.v.). Sao em geral medidas assim as poténcias dos motores. Um cavalo-vapor equivale a 736 watts. Vocabulirio Acionado: Posto em acao; movimentado. Afetado: Atingido. Analegia: Ponto de semelhanga entre coisas diferentes. Diagnosticar: Em nosso caso, localizar o defeito. Propagar: Espalhar; difundir. _-5 Podem-se também fazer os célculos ao contrario, isto €, digamos \go> aparelho' elciz:co denominado_amperime tro, que teremes oportunidade de estudar_em aula, futura."Se a medida da corfente nao coincidir tricidade. Se a corrente medida for maior que a calculada, entao es- cao - eLau-4 y t INSTITUTO == = UNIVERSAL = == BRASILEIRO CURSO DE ELETRICIDADE DE AUTOMOVEIS 12 SUPLEMENTO GRAFICOS Neste curso, faremos muito uso de grdficos e, para que entenda perfeitamente o significado deles, desejamos aqui exemplificar e ex- Pplicar perfeitamente a sua utilidade. O aluno verd depois que, usando graficos, se tornard mais facil a comunicagio. Vamos tomar como exemplo o grafico que os médicos fazem quando desejam controlar a temperatura de um doente. A maneira como varia a temperatura, indicando se ha ou nao febre, é um indicio muito importante da recuperagéo de um doente. Por esse motivo, 0 médico ou a enfermeira, de tempos em tempos (por exemplo, a cada 4 horas), coloca o termémetro no doente, “lé” a sua temperatura e marca, numa folha de papel, o resultado. No entanto, 0 resultado sera mais ilustrativo se, em vez de escrever a temperatura, for mar- cado um ponto, tal como na figura 1, indicando essa temperatura. A figura 1 mostra 0 grdéfico da evolugae da febre de um doente, durante varios dias. De ¢.ordo com ele, 0 doente esiava com 38° no dia 17, as 8 horas da mar‘14. No mesmo dia, as 12 horas, a sua temperatura baixou para 37,5: Entéo, a enfermeira marcou um novo ponto cor- respondente a essa temperatura. Por volta das 16 horas, a temperatura subiu e no grafico foram assinalados 39°. A noite, as 20 horas, a temperatura havia baixado para 38°, E, as 24 horas (meia-noite), a temperatura estava em 37,8°. Se unirmos os pontos assim marcados, teremos 0 que se chama um grafico indicando como varia a temperatura do doente em funcao das horas do dia. ELETRICIDADE DE AUTOMOVEIS — 1° SUPLEMENTO — 2 LN O grafico pode ainda prosseguir: No nosso exemplo, nao foi me- dida a temperatura do doente durante a noite, a fim de deix4-lo dor- mir trangiiilamente; mas vamos supor que no dia seguinte a enfer- meira tenha feito as seguintes notacées: 8 horas — 37,4° 12 horas —- 37,4° 16 horas — 38,3° 20 horas — 38° 24 horas — 37,3° Da mesma maneira, no dia seguinte, dia 19, as medidas de tempera- tura foram: 8 horas — 37,4° 12 horas — 37,2° 16 horas — 37,6" 20 horas — 37,5" 24 horas — 37,1° Temos, dessa maneira, 0 grafico completo. Observe agora como se tornou facil verificar se 0 doente esté melhorando ou nao. Basta olhar para o grafico, para se saber como ele estava nos dias anterio- res e constatar que nos primeiros dias a febre oscilava muito e, gra- dativamente, ela foi se tornando mais estdvel. O médico, com um rapido passar de olhos, sentird a evolugdo do doente. Se, ao invés de usar o grdfico, a enfermeira tivesse apenas mar- cado as temperaturas, a informag&o nao seria tao imediata e com- pleta. O médico poderia chegar 4s mesmas conclusées, mas teria, evi- dentemente, que fazer um exame mais detalhado das temperaturas Dizemos, por isso, que 0 grafico 6 mais comunicativo. Da mesma maneira como foi feito para a temperatura, se pode proceder para qualquer outro fendmeno. Sempre é possivel tragar um grafico correspondente. E, por causa dessa facilidade de comunicagio, os gréficos sao muito usados. Em eletricidade, eles tornam as expli- cagoes, estudo e andlise dos fendémenos bem mais faceis. CORRENTE CONTINUA E CORRENTE ALTERNADA Em eletricidade, encontramos duas modalidades de corrente elé- trica: continua ou alte: i é ‘ jizemos @ Corrente é continua, quando os elétrons cami sempre no mesmo sentido; dizemos que € alternada, quando eles ¢a. minham ora num sentido, ora_em_sentido contraric corrente continua e a gerada por meio de baterias e pilhas. corrente elétrica sai de um polo da bateria ou pilha, caminha pelos| fios e pelo aparelho que esté sendo alimentado (por exemplo: buzina| farol etc.) e retorna ao outro pdlo da bateria ou pilha, fazendo isso| ELETRICIDADE DE AUTOMOVEIS — 1. SUPLEMENTO — 3 LN _S J& na corrente alternada, os elétrons saem de um polo do gerador, assam pela carga e voltam ao outro polo do gerador. No instante seguinte, porém, eles invertem de sentido: saem do polo por onde ti- m entrado, passam pela carga e voltam ao polo de onde tinham| ido. O aluno pode estranhar o fato de se ter as duas modalidades de corrente elétrica, mas as duas sao largamente empregadas, e isso por- que os dispositivos que usamos, hoje em dia, para gerar eletricidade, s&o capazes de gerar os dois tipos. Dentro dessas duas modalidades ci- tadas — corrente continua e corrente alternada — existem ainda outras variedades. Mais tarde, o aluno ouvira falar em onda-quadrada, dente- -de-serra e outros nomes que talvez lhe paregam esquisitos. Se quiséssemos tracar grdficos das correntes continua e alternada, eles se apresentariam da maneira indicada nas figuras 2 e 3. A corrente continua se apresenta como uma linha reta horizontal. Com isso se pretende indicar que a corrente gerada nesses casos 6 constante, néo varia, como no caso da temperatura do doente que estu- damos anteriormente. A corrente continua constante é a com que costumeiramente tra- balhamos, porque os nossos sistemas de baterias e pilhas geram cor- rente desse tipo. & bom que se diga, entretanto, que a corrente con- tinua nem sempre é constante como a indicada na figura 2. Hé casos em que se gera corrente continua, mas _varidvel. i é ok 3 g1 Na figura 4 se mostra como seria 0 grafico de uma corrente con- tinua desse tipo. A corrente nao é constante: repare que ela varia 0 tempo todo. Porém, é continua, porqué os elétrons caminham sempre no mesmo sentido. Haé uma comparagaéo que permite sentir melhor esse tipo de corrente. Imagine o aluno, por exemplo, que esteja segu- rando uma mangueira de regar jardim, com a agua jorrando pela extre- midade. Agora, com uma das maos o aluno comprime e solta a man- gueira varias vezes, sucessivamente. O que acontece? A dgua fica jor- rando sempre no mesmo sentido, mas a quantidade © variivel: ora jorra mais, ora jorra menos. O resultado € um .'uxo de dgua conti- nuo, mas varidvel. O grafico deste caso seria quase o mesmo indicad + na figura 4. Esses dois tipos de corrente continua, o da figura 2 e o da figura 4, o aluno erlcontrard normalmente nos veiculos. Vejamos, agora, a corrente alternada. Pode parecer estranho ou- vir-se dizer, pela primeira vez, que a correnie alternacs ccrresponde a uma corrente de elétrons que ora caminham. num sentido, ora cami- nham em sentido contraério. Mas, nn verdade, os maiores geracores de corrente produzem eletricidade nessas condi¢gées. Teremos oportuni- dade de descrever, em ligdes futuras, de que maneira se gera corrente alternada. Por enquanto, basta destacar que todas as usinas hidroelé- tricas geram eletricidade nessas condigGes. Por conseguinte, a maior parte de eletricidade usada pelo homem é alternada. Todas as resi- déncias a usam. ELETRICIDADE DE AUTOMOVEIS — 1° SUPLEMENTO — 4 LN No caso dos veiculos, hoje em dia se est4 preferindo produzir energia elétrica alternada e depois transformdla em continua, para ser armazenada na bateria. Por isso, muitos veiculos vém equipados com alternadores, em vez de dinamos. Na figura 3 se mostra como é o grafico da corrente alternada. Observe, em primeiro lugar, que ela é varidvel; observe, também, que as vezes ela esté desenhada para cima da linha horizontal (a que cor- responde ao numero 0) e as vezes estdé desenhada para baixo desta linha. A parte que esté para cima corresponde aos elétrons caminhando no sentido positivo e a parte de baixo corresponde a volta del at ‘ostuma-se dizer que a corrente elétrica ¢ pr iva, quando sai do pdlo positivo e volta pelo negativo. E dizse que 4 negativa, quando caminha em sentido contrdrio, jsto 6, sai do_p6l egativo e vai para o positive.’ SS ~ serve também que, pelo fato de a corrente as vezes circular num sentido e as vezes circular em sentido contrario, ha determinados instantes em que ela nao existe; é aquele instante que corresponde 4 mudanga de’ sentido. O aluno pode estranhar esse fato de a corrente alternada de vez em quando ser nula, isto 6, nao existir. Porém, isso ocorre num tempo tio pequeno que nem da para perceber. S6 para que o aluno sinta o problema, basta dizer que a corrente alternada gerada nas usinas hidroelétricas tem uma freqtiéncia de 60 ciclos por segundo, isto é, em cada segundo, os elétrons caminham 60 vezes num sentido e 60 vezes em sentido contrério. Por conseguinte, em um se- gundo a corrente elétrica se anula 120 vezes. Mas isso é tao rapido que o aparelho que esté sendo alimentado nao dé o mihimo sinal. Se Jierton J& tomou um choque em casa, deve lembrar-se da sensagao ni de “formigamento” que o choque dé. Esse “formigamento” corr \de 4s variacdes da corrente elétri c MAGNETISMO Hé muitos séculos atrés, 0 homem descobriu alguns minerais curiosos, que tinham a propriedade de atrair outros. Os primeiros a perceber isso foram pastores, que viviam no campo. Era um minério de ferro, e quando se aproximava dele algum pedago de ferro, este era atrafdo por ele (fig. 5). Deram a esses materiais o nome de ima. Mais tarde, descobriram um fato muito curioso. Cortando um pedaco bem fino e comprido desse material, como se fosse um lapis, e amarrando uma linha ao seu meio, a fim de suspendé-lo, esse ima girava, oscilava um pouco e acabava parando com as pontas voltadas sempre para o mesmo lado (fig. 6). Imediatamente os homens concluiram, dai, que deveria existir na Terra outro ima que o atraia sempre para aquela posicao. Concluiram que a propria Terra deveria ser esse ima. Estava inventada a bussola. A partir disso, os navegantes perceberam que dispunham de um meio eficiente para se orientar nas viagens, mesmo quando o céu estava en- coberto e nao era possivel ver as estrelas. ELETRICIDADE DE AUTOMGOVEIS — i. SUPLEMENTO —— Depois trataram de aperfeicoar a bussola. Em vez de amarrar 0 pedacgo de minério numa linha, colocaram-no sobre outro pedago de madeira, pondo-os a flutuar na 4gua (fig. 7). Isso dava mais preciséo para se orientarem. A ponta que sempre apontava para o norte da Terra foi dado o nome de pdlo norte e 4 ponta oposta foi dado o nome de pdlo sul. Era a que apontava para o polo sul da Terra. Notaram logo um fato interessante. Quando dois pedacos de mi- nério eram colocados préximos um do outro, as duas pontas corres- pondentes a0 pdlo norte se repeliam, bem como as duas pontas cor respondentes ao pélo sul. Nasceu dai a afirmagdo que vale até hoje (tig. 8): “Pélos de nom¢ ” O contrario, porém, também acontecia: Quando se aproximava o pélo norte de um ima, do pdlo sul de outro, os dois imfs se e*raiam. Nasceu dai também outra afirmagio (fig. 9): “Pdlos de nomes com Outro fato notaével que descobriram, naquele tempo, foi que, esfre- gando-se um pedago de ferro num imi, ele também acabava virando ima. E era dessa forma que, naquele tempo, se fabricavam imas para diversas aplicagdes, particularmente as agulhas para bussolas. Em nossos dias, fabricamos imas por outro processo, que sera mostrado adiante. ‘Além disso sio conhecidos atualmente diversos materiais que dio melhores imis que os existentes na propria natureza. Fabricamos ‘mas com diversos formatos, conforme a aplicagao que se pretende. Existem imis de formas curvas, cilindricas, prisma- ticas etc. Linkers @p forca A ago de um im& sobre outro € invisivel. A forga que: atrai ou repele dois imis nao é vista pelo jhomem. Existe, porém, maneira indi- reta de se observar a aco dessas forcas. A maneira mais comum con- siste em se colocar uma folha de papel ou uma lamina de vidro sobre o im& e esparramar, por cima, um pouco de po de ferro. O pd de ferro iraé assumir algumas formas curiosas, como as mostradas na figura 10. Como o pé de ferro é muito fino, tem-se a impresséo nitida de que sé trata de linhas que saem de um polo e seguem até o outro. Nessas condic6es, as linhas que aparecem sobre a lamina de vidro representam gg Jinhas segundo as quais os imas_exercem a sua _agéio- Se fosse possivel fotografar um dos graos de ferro caminhando de um pélo até o outro, seria curioso verificar que ele nao caminha em linha reta, mas segue uma das linhas curvas que esta indicada na figura 10, como se fosse um barco no meio de uma rrenteza. Essas _linhas sao chamadas de linhas de ‘Todo o espaco do- inado por elas amado_de_camy Sti Sas s atravessam todo o espago e qualquer corpo que es- teja no seu caminho. Se o corpo for um material magnético, as linhas de forga encontrarao um caminho fécil para percorrer e, com isso, ELETRICIDADE DE AUTOMOVEIS — 1° SUPLEMENTO —6 L poderéo mudar o seu sentico. Por sua vez, o material ficaré sujeito & sua agéo. Surgiré sobre e:e uma forga. Se o material for leve, po- Ger4 inclusive ser arrastado e “grudar” no im&, como € o caso de alfinetes e pregos. Se o material nao for magnético, as linhas de forga o atravessarao, sem mudar a sua forma. Eletroimis Os imfs que se encontram na natureza sao fracos, na maioria das vezes, para as finalidades que desejamos. Modernamente sao utilizados imas fortissimos, e dia a dia se pre- cisa de imas cada vez mais fortes. Sao eles obtidos por meio de eletricidade. A descoberta de que a eletricidade podia criar um campo magnético foi feita quase por acaso. Um cientista chamado Oersted estava fazendo experiéncias com eletricidade, em seu laboratério, e sobre sua mesa havia uma bussola. Em certo momento ele verificou que, quando fazia passar eletricidade por um fio que estava perto da btissola, o ponteiro desta se deslocava. Ele repetiu a experiéncia outras vezes, concluindo ent&éo que a eletri- cidade era capaz de criar um campo magnético que atraia ou repelia a agulha imantada da btissola. Dito em outras palavras, uma corrente elétrica é capaz de criar um campo magnético. Quando se descobriu isso, foi aberto um campo enorme para os cientistas e engenheiros. Pela agéo de campos magnéticos criados por corrente elétrica é que se faz funcionar motores elétricos, geradores elétricos, eletroimas, transformadores etc. Para que o aluno mesmo verifique como uma corrente elétrica é capaz de criar um campo magnético, faga a seguinte experiéncia: Tome um prego ou um pedago de ferro com uns 10 centimetros de comprimento. Passe ao seu redor um fio, vérias vezes; quanto mais voltas der, melhor. Dé umas 30 a 50 voltas. Agora, ligue as extremidades desse fio a uma pilha. Aproxime o prego de pequenas pecas de aco, assim como alfinetes (ou percevejos), e veré como eles sao atraidos. Basta, entretanto, desligar‘a corrente elétrica (soltando uma das extremida- des do fio, por exemplo), para que os aifinetes caiam. Da maneira indicada acima, o aluno construiu um eletroima. Conforme seu desejo, 0 dispositivo pode ser um ima ou nfo. Quando se liga a corrente elétrica, ele 6 um ima; quando se desliga a corrente elétrica, ele deixa de ser. Uma constatagao interessante a que o aluno pode chegar é que, quando se desliga a eletricidade, nem sempre o prego (ou pedago de ferro) perde as suas propriedades magnéticas. Muitas: vezes, depen- dendo do material de que ele é fabricado, pode ficar imantado por rauito tempo. Isto significa que, a partir de um material que origina- riamente n4o era ima, foi possivel obter um que é. Desta maneira se fabricam, hoje em dia, imas em grande quanti- dade, para atender a toda a nossa industria; sio milhares e milhares por dia. Imagine se quiséssemos obter isso a partir de imas naturais! ELETRICIDADE DE AUTOMOVEIS — 1° SUPLEMENTO — 7 LN Estes Ultimos (naturais) s&o_chamados imas_permanentes. Os eletroimas nio podem ser fabricados com esses materiais, porqve que- remos justamente que eles deixem de ser imas, quando nao circular mais corrente elétrica. Hoje em dia, construimos eletroimas enormes. Por exemplo, em usinas de aco séo construidos eletroimas que servem como guindastes. Quando se liga a eletricidade, o eletroima atrai pecas de aco que ficam “grudadas” ao seu nticleo. Em seguida, um guindaste as transporta para outro locale af as “solta”, desde que se desligue a eletricidade. Sao construfdos assim eletroimas capazes de carregar até varias tone- ladas de ago, de uma so vez. Eletromagnetismo Conforme jé 10i dito entéo, uma _corrente elétrica, passando por_ um fio, cri oO _magnético. A 5A Si i i De fato, uma experiéncia que se costuma fazer as vezes, para de- monstrar isso, consiste em passar um fio através de uma folha de papel ou vidro. Fazendo-se circular uma corrente elétrica (forte) pelo fio e esparramando-se pé de ferro sobre a folha de papel ou vidro, este ird tomar as formas das linhas de forca, que neste caso sao cir- culares, conforme se mostra na figura 11. O campo magnético que se forma depende diretamente da cor- rente elétrica. Quanto maior a corrente, tanto maior seré o campo Stico.. Por essa razdo € que os eletroimas sao construidos usando-se vd- Tias voltas de um mesmo fio. Dessa maneira, tem-se um campo mag- nético criado pela mesma corrente elétrica, mas sé que, pelo fato de as varias espiras (voltas) passarem sempre pelo mesmo local, 0 campo \ético 6 refors juantas si spiras.. Se, em vez de usarmos esse sistema, quiséssemos construir um eletroimé com uma tnica volta, também seria possivel, mas sé que neste caso necessitariamos de uma corrente elétrica tao forte que tor- naria o processo antieconémico. O eletromagnetismo serd mais bem estudado na licaéo seguinte. Magnetismo residual Ja dissemos que, quando se desliga a corrente elétrica de um clgtroimé, este perde a sua aco, deixando de existir 0 campo mag- nético. Ha casos, entretanto, em que interessa que o eletroima conserve uma parte ou, se possivel, todo o campo magneético a ele aplicado. Exemplo de um caso em que interessa manter todo o magnetismo possivel consiste na fabricagéo de imas artificiais, que constituem, hoje, a maioria dos imas usados pelo homem; praticamente, nfo se utilizam mais os imés da natureza. . Estes im&s, conforme jé dissemos, também sio chamados de im&s permanentes. ELETRICIDADE DE AUTOMOVEIS — 1° SUPLEMENTO — 8 LN _S"Hé casos em que interessa manter apenas uma parte do magne-} tismo. E o que ocorre com motores e geradores. Nestes casos, 0 tipo de aco utilizado é tal que conserva apenas uma pequena porcao do; campo magnéiico que o eletroima é capaz de_produzir. Chama‘ na-Se,} O motor ou gerador precisa dele apenas para poder comegar a funcionar. Logo depois, o campo magnético gerado pelo proprio ele- troima ja é bastante forte para fazer funcionar a maquina elétrica apenas por agao da eletricidade. O que é o magnetismo? Algumas substfncias podem ser imantadas com facilidade, outras dificilmente o so, e algumas nunca se imantam. A teoria que explica o razao pela qual isso acontece é baseada na estrutura da materia. Admite-se que 0 ferro e o aco, os dois materiais mais empregados para se fazer imfs, sejam construidos de pequenas particulas, todas elas como se fossem pequenos {mas. No ferro, essas particulas tém certa liberdade p2:a se mexer, © que jé nfo acontece tao facilmente no aco. Se aplicarmos um campo magnético, tanto no ferro como no ago, acontecerd 0 mesmo fenémeno: todas as particulas, que si0 pe quenos imas, procurarao alinhar-se umas com as outras, o pélo nerte de uma com o polo sul de outra. Quando se retira 0 campo magnético, no caso do ferro as parti- culas continuam na posigéo em que se encontram, enquanto, no caso do aco, elas procuram voltar & posicéo original. As yarticulas dp aco estéo tao fortemente presas as posicées originais que 36 se efms- tam delas por causa do campo magnético. Deixando este de existir, as particulas logo retornam & sua posigao. Por isso dizemos que o ferro mantém a sua imantagfo, sendo capaz de se tornar um ima permanente. O ago nao: uma ves retirado o seu campo magnético, ele perde a sua imantac&o. Existem também muitos tipos de ago que retém um pouco da imantagio original. Conforme jaé dissemos, eles mantém um magne- tismo residual. Nicleo Pelo fato de o ferro e 0 ago serem bons materiais magnéticos e, além disso, baratos, sio muito utilizados como nticleo de eletroimas. Um_eletroima que possui_um_nticlea de ferro ou_aco é sempre mais forte do que um que nao possuji. A razio disso 6 que o ferro e ago consti lem um bom caminho para as linhas de forca; em vez de elas se esparramarem no ar, existindo o nticleo, elas ai se concentram. Quanto mais linhas de forca existirem “comprimidas” no mucleo, tanto mais forte serd 0 eletroima. via él Bt ray SVHOH PZ 02 «Ft «ZL a OTL LC oz ot tt oe 614 LN FIGURA 1 | A ft joe PEER 2 vanivaadwal FERRER EERE EEE HH yoy o122n>W: OD109W PANS 80f 3 34N300 ELETRICIDADE DE AUTOMOVEIS — 1° + ELETRICIDADE DE AUTOMOVEIS — 1° SUPLEMENTO LW FIGURAS 2,364 AMPERES 3 4 3 2 1 oL ° 1 2 3 4 5 & 7 8B Y 10 segundos E | jo Ob + tH HH Ht | 0 12 3 4 5 6 7 B 9% 10 segundos Fig. 4 : ELETRICIDADE DE AUTOMOVEIS — 1° SUPLEMENTO LN FIGURAS 5,6e7 ELETRICIDADE DE AUTOMOVEIS — 1. SUPLEMENTO LN FIGURAS 8 e 9 POLOS DE MESMO NOME SE REPELEM Fig. 8 POLOS DE NOMES CONTRARIOS SE ATRAEM SA N $7). N s ELETRICIDADE DE AUTOMOVEIS — 1° SUPLEMENTO LN FIGURAS 10 e 11 Pé de ferro r j { Lamina de vidro } z 6 INSTITUTO == = UNIVERSAL = == BRASILEIRO DIREITOS AUTORAIS RESERVADOS FUNDAMENTOS DE MATEMATICA 12 LIGAO Introducao © objetivo desta série de figdes de Matematica, que ora iniciamos, é ajudar o aluno, dando-lhe os ensinamentos basicos de calculo, que facili- tardo sobremodo o desenvolvimento de seu curso técnico. A matéria sera disposta de maneira facil de ser estudada e contara com explicagées tedricas, problemas resolvidos € propostos. Operacées fundamentais com os ntimeros naturais Operagdes aritméticas: Sio as diferentes operagées que podemos realizar com os numeros naturais, Numeros naturais: Chamamos de naturais os numeros 0, 1, 2, 3, 4, 5, 6, etc. As operagées fundamentais sao quatro, das quais veremos, a seguir, a primeira, que é a adicao. ADICAO Adicao 6 a operacao em que se retinem niimeros ou unidades de mesma espécie, de dois ou mais conjuntos em um s6 conjunto. Seu simbolo é uma cruz (+), que se 1é “mais”, Os. mimeros que se somam chamam-se parcelas, elementos ou termos da adicdo, e o resultado final da adicao chama-se soma ou total. Vejamos: 34+5=8 Neste exemplo, 3 e 5 sao parcelas, elementos ou termos; o sinal mais (+) indica a soma entre 3 e 5; e o numero 8 é 0 resultado soma ou total. FUNDAMENTOS DE MATEMATICA — 1.8 LICAO — 2 —— Interpretagio da adigao Seja A um conjunto ou reuniao de a elementos ou coisas e B um con- junto ou reuniao-de b elementos ou coisas. Se reunirmos A e B em um -6 conjunto C, teremos, em C, ¢-elementos ou coisas, que sera a soma entre ae b. Aplicagdo da interpretagio da adicZo Seja o esquema: Conjunto A Conjunto B gElementos: 6 quadradinhos Elementos: 4 quadradinhos Se reunirmos os conjumos A e B, teremos: Conjunto C Elementos: 10 quadradinhos a+b Aplicagéo da interpretacdo da adigio donde se conclui: Sejam A e B duas cestas; suponhamos que a cesta A tenha 5 laranjas ea cesta B tenha 3 laranjas. Reunindo, numa cesta C, as laranjas de Ae B, teremos em C a soma de 5 laranjas com 3 laranjas, isto é, 8 laranjas. Nota: O aluno devera compreender que “cenjunto” é uma reuniiio, agrupamento ou porgdo de coisas ou elementos da mesma espécie. Ts emplos: conjunto maculino — elemento: homem conyunto feminino > elemento: mulher conjunto de bolas — elemento: bola conjunto de laranjas ~» elemento: laranja FUNDAMENTOS DE MATEMATICA — 1.2 LICAO — 3 Tabuadas A fim de dar maior rapidez 4 execucdo das operacées, sugerimos ao aluno estudar atentamente as tabuadas de somar, que se seguem, e tentar memoriza-las, Observe que cada tabuada é formada pelos ntimeros de 0 (zero) a 10, aos quais somamos primeiro o numero 1 (tabuada do 1): depois, o ntiimero 2 (tabuada do 2); a seguir, o numero 3 (tabuada do 3), e assim por diante. Tabuadas de somar Tabuada do 1 Tabuada do 2 Tabuada do 3 O+1=1 O+2=2 0+3=3 141=2 14+2=3 1+3=4 241 3 24+ 2 4 243 5 B4+1=4 342=5 34+3=6 44+1=5 442 6 443 7 5+1=6 54+2=7 5+3=8 6+ 1 7 6+ 2 8 6+ 3 9 T+1 8 742 9 74+ 3 ~84+1=9 8+2= 10 843 941 10 94+2=11 943 o0+1=1 104+ 2 = 12 10 + 3 Tabuada do 4 Tabuada do 5 Tabuada do 6 O4+4= 0+5 v+6 144 1+5 146 244 2+5 24+ 6 344 345 346 444 445 446 544 5+5=10 5 +6 6+4 6+ 5=11 6+6 T+ 4 T+ 5 7+ 6 84+ 4 845 8 4-6 9+ 4 9+5 9+6 10 + 4 104+ 5 = 15 10+ 6 Tabuada do 7 Tabuada do 8 Tabuada do 9 Tabuada do 10 O0+7T=7 o+ Oo+ o+ = 10 1+7 1+ 1+ I+ lL 247 24 24 24 12 3+7 34+ 34+ 3+ 13 S47 44 44 44 14 5+ 7 5+ 5 + 5+ 15, 647 64 6+ 6+ 16 747 T+ TH+ T+ 17 847 B+ B+ B+ 18 947 94 94 94+ 19 1047 10 + 10 + 10 + 2 FUNDAMENTOS DE MATEMATICA — 1.8 LICAO — 4 algumas propriedades da adicao A adic&o possui as seguintes propriedades estruturais: 1.8) Fechamento A soma de dois numeros inteiros quaisquer ¢ sempre um ntmero inteiro. Exemplo: 14+2=6 Todas as parcelas so compostas de numeros inteiros, resultando, + soma, em nimero inteiro. 2.8) Elemento neutro O zero 6 0 tinico nimero natural que nao altera a soma, isto é, qual- quer numero somado a zero resulta no préprio numero; por isso, 0 zero € chamado elemento neutro da adic&o. Exemplo: 6+540=11 04+3=3 Como se vé, nos exemplos acima, o zero nao altera o resultado da adigio. 3 Propriedade comutativa Comutativa quer dizer: “que troca ou muda de lugar”. Exemplo 543=8 B4+5=8 Ou ainda: 24+344=9 3i2+4=9 442+23=9 Como esse fato ocorre, quaisquer seijam os niimeros, dizemos qu: “a ordem das parcelas ndo altera a soma”. Nos exemplos anteriores, 0 aluno notou que os numeros 3 e 5, come também os niimeros 2, 3 e 4, mudaram de lugar, sem que isto viesse afeta © resultado. ‘Aqui vao mais alguns exemplos: 14+544 24943 34144 94243 5+441 34942 43) Propriedade associativa Associativa quer dizer: “que associa, junta, une”. Exemplo: 8 +24 4 = 14; isto 60 mesmo que: 10+ 4= 14. fFUNDAMENTOS DE MATEMATICA — 1.* LICAO — 5 eee Como 0 aluno pode notar, 0 que houve foi apenas uma “soma ante- cipada” entre 8 e 2, o que nao veio a alterar o resultado. Sempre, quando for utilizado este tipo de propriedade, deverdo empregar-se os parén- teses ( ): 84+24+4=14 ¢ @+2)+44 10+ 4= 14 A “soma antecipada” sera a que estiver dentro dos parénteses; exem- . Plificando melhor: 443464 4 +9) + 6 +5 3 i4 +2= 20 2) + 5 = 20 — propriedade associativa T+8 ) = 17 — propriedade associativa 5.*) Propriedade dissociativa Dissociativa quer dizer: “que dissocia, desune, separa”. Podemos dizer que esta propriedade é o inverso da assuciativa. Exemplo: wW+4= 14 (6+ 2)+4= 14 84244=14 © aluno pode notar que houve apends uma dissociagdo do numero 10, que passou a ser a soma de 8 + 2. Na propriedade dissociativa, qualquer parcela de uma adicao pode ser substituida por uma soma de nimeros, tal que o resultado deles seja igual a essa parcela. Exemplo: 8 + 6 + 1 4 (3 + 5) + (3 + 3) + (2 + 2) = 12 345 +343 +242 =18 O numero 8 foi substituido pela soma de 3 e 5, 0 mesmo acontecendo com o n.° 6, que foi substituido pela soma de 3 e 3; a parcela 4 foi subs- } tituida por 2 + 2. Podemos verificar que nado houve alteracado no resultado, que conti- nuou sendo 18, Exemplo: = 18 ae 7 + 9 $+ LW =27 4 J ! @434 4454014 227 44344454 774 = 27 19 14 = 33 FUNDAMENTOS DE MATEMATICA — 1% LICAO — 6 Variacao da soma Sempre que quisermos somar um ntmero a uma parcela, notaremos que o resultado aumenta de valor, sendo esse valor o mesmo que o somado & parcela. Exemplo: 3H+l+4 4 2 + | om 9+ 1510 O aluno pode notar, no exemplo dado, queaonumero 3 foi somade+ 1, acarretando um acréscimo no resultado, que é igual ao somado A parcela (ou seja, 1). NOTAS: Aqui vao algumas observacées que servirao para um melhor entendimento da matéria, por parte do aluno: 1.4) © resultado ou soma de uma adicéo é “SEMPRE” maior que cada uma das parcelas. Exemplo: T+4=11 Note o aluno que o resultado 11 é maior que a parcela 4 ou que a parcela 11. 2%) O aluno deveraé habituar-se aos seguintes simbolos de com- paragdo: = que significa “igual”. =~ que significa “diferente”, > que significa “maior”. < que significa “menor”. Exemplos: 4=4>40 n° 4 é “igual” a ele mesmo, 3 «#250 n° 3 é “diferente” do n° 2. 3 > 1-0 n° 3 é “maior” que o n° 1. 3 < 4-50 n° 3 é “menor” que 0 n° 4. 3.8) Os algarismos que cpmpdem um numero também slo clasificados em diversas categorias, categorias estas que ‘so: unidade, dezena, centena, unidade de milhar, dezena de milhar, centena de milhar, unidade de milhdo, dezena de milhao, e assim por diante. Devemos lembrar-Ihe que esta classificacio se faz da direita para a esquerda, Observe o exemplo abaixe: 12 349 FUNDAMENTOS DE MATEMATICA — 1.8 LICAO — 7 Este numero contém: 9 unidades, 4 dezenas, 3 centenas, 2 milhares (ou 2 unidades de milhar), 1 dezena de milhar. Para melhor ilustrar, observe o esquema a seguir: Dezena de milhar Milhar Centena Dezena Unidade O aluno devera saber que dez unidades equivalem a uma dezena, que dez dezenas equivalem a uma centena, que dez centenas equivalem a um milhar, e assim por diante. O numero tomado como exemplo, ou seja, 12 349, equivale 4 seguinte soma: 1 dezena de milhar 10 000 2 milhares 2 000 3 centenas 300 + 4 dezenas 40 9 unidades 9 resultado 12 349 Regra pratica para efetuar a adigo Por parte do aluno, faremos antes uma comparacgio com o que ocorreria na vida pratica, na questdo de alinhamento. Vamos supor que o aluno fosse escrever os diversos nomes do pessoal da sua turma; entio: PAULO ANTONIO PEDRO MARIO Como o aluno pode verificar, existe certo alinhamento, que é feito da esquerda para a direita, sendo que as primeiras letras de cada nome estado também alinhadas em uma coluna, 0 mesmo acontecendo com as segundas letras, e assim por diante. O alinhamento com os numeros se procede da mesma forma. mas de maneira inversa, isto 6, para se alinhar diversas parcelas de uma adicio, parcelas que contenham ntimeros de dois ou mais algarismos, comega-se da direita para a esquerda. Exemplo: a 534 44 2 was FUNDAMENTOS DE MATEMATICA — 1.8 LICAO — 8 Observe o aluno que o alinhamento segue o sentido da flecha, e que os nimeros 9, 7 e 3 pertencem a mesma coluna, que é chamada “coluna das unidades”; 0 mesmo sucede com os numeros 4, 4 e 2, que estao em outra coluna, chamada “coluna das dezenas”; e ainda com os nimeros 3 e 4, na “coluna das centenas”, e o numero 5, na “coluna do milhar”: Mic! Di U_| M=milhar DU 5: 3 4: 9 C=centena 404) 7 D = dezena (pays U = unidade Regra pratica: Para se somar diversos numeros inteiros ou parcelas, com dois ou mais algarismos, deve-se proceder da seguinte maneira: Escrevem-se as parcelas umas abaixo das outras, conforme acabamos de ver; em seguida, 0 aluno deverd colocar um trago logo apés a ultima parcela, para poder diferenciar o resultado ou soma, das parcelas: 53 4 + 4 4 2 wre Resultado Logo apés, comeca-se a adicao, da direita para a esquerda; pegam-se os algarismos da coluna das unidades, conforme visto acima, e faz-se uma soma em separado: 9 + 7 + 3 = 19; em seguida, coloca-se 0 n.° 9 sob © trago da coluna das unidades e eleva-se o nitmero 1 para ser somado na coluna das dezenas. O aluno poderé notar que o resultado da coluna das unidades (19) é constituidd de 9 unidades e 1 dezena (confprme visto " anteriormente, em uma das notas que trata da classificagao dos algarismcs de um numero); é devido a este fato que se eleva o numero 1 @ coluna das dezenas: 53 a4a7 + Nb wre + wa© 9 19 A seguir, procede-se da mesma forma com a coluna das dezenas: 14+4+44+4 2= 11; este resultado é igual a 11, que equivale a 1 dezena eal-centena. Por isso, eleva-se o primeiro numero 1] para ser somado na coluna das centenas, e o outro coloca-se sob o trago, na direcao da co- luna das dezenas: 5 coe 1 4 4 2 wr© + 1 © Bs. ie FUNDAMENTOS DE MATEMATICA — 18 LIGAO — 9 Logo apés, somam-se os algarismos da coluna das ceatenas: 1 + 3 + + 4 = 8; como este resultado nao ultrapassa a dez centenas, e, portanto, nao contém nenhum milhar, ele é colocado simplesmente sob o trago da coluna das centenas: Como nao ha mais nada para se somar ao algarismo da coluna do milhar, ele é transportado para baixo: Para melhor assimilagdo deste nosso primeiro capitulo, daremos mais alguns exemplos, que o aluno deverd acompanhar atentamente: Primeiro exemplo: primeira passagem 1 632 632 9 579 + = 579 + 24 > 1 ll . segunda passagem terceira passagem 11 111 632 1 632 1 ? 579 + 3+ > 579+ 6 + = —_—— 7 5 di —_ 211 = i 12 quarta passagem 11 632 4 579 1211 FUNDAMENTOS DE MATEMATICA — 1.8 LICAO — 10 Obs.: O aluno devera observar, neste exemplo, que, na terceira pas- sagem, a soma da coluna das centenas ultrapassa de dez centenas; entao, somo néo hé coluna do milhar, colocaremos o resultado da soma da ter- ceira passagem embaixo do traco. Segundo exemplo: primeira passagem 494 494 4 23 + >= 23 3 + = 1 7 segunda passagem terceira passagem 1 1 494 §, 4944 b+ 23 4 2 23 4 17 ll 517 5. ‘Terceiro exemplo: primeira passagem 1 6372 6372 2 497 4 = 497 4 T+ => 21 21 1 0 10 segunda passagem terceira passagem 11 1 11 6372 7 6372 1 497 4 9+ = 497 4 34 = 21 2 21 4 90 19 890 8 quarta passagem 6372 497 4 21 6890 FUNDAMENTOS DE MATEMATICA — 13 LIGAO — ll Como treinamento, sugerimos ao aluno executar os exercicios seguin- tes. (Nao os remeta para corregéo; apenas confronte os resultados que achar com aqueles que damos.) Exercicios 1°) Dizer que tipo de propriedade foi usado nas seguintes operagées: a) B+447 (6 + 2) + 19 +0HD4+7=19 14 14 ell b) woo til ° aa oe yt t+ ++ we ut 24+2=16 16 a) wee oi 19 at ++ +4 a* 2.°) Efetuar as seguintes adicdes: a) 7844 237413 = b) 472 + 348 = c) 326 + 31 = d) 6 WU 4 458 4} i oe Respostas: 1.9) a) Propriedade dissociativa, ; b) comutativa. ©) ” associativa. 3) ” 2°} a) 1 034 b) 820, ce) 357. da) 7 159.