Você está na página 1de 113
© KARL MARX ~ KARL MARX A MISERIA DA FILOSOFIA 3 bases (ao) 246 TEORIA S CoP J0€5)/9 fe, Karl Marx Capa: Marco A. A. Giannella Revisde: José dos Anjos César Oados ve Catalogagao na Publicagao (CIP) Internacional (C4mara Brasileira do Livro, SP, Brasil) Marx, Karl, 1515-1883. “355n A miséria da filosofie / Karl Marx j tradugéo de José Paulo Netto. -- S20 Paulo : Global, 1985 Inclui cartas de Proudhon a Marx, de Marx a Proudhon e outros, prefacios e notas de Engels. ISBR &5~260-C035-7 1, Economia - Filosofie 2. Proudhon, Pierre Josepl., 1809-1865, Sisteria das contradigdes cco- nonicas, ou, Filosofia da miséria 3. Socialism I, Engels, Friedrich, 1820-1895. Ii, Proudhon, Pierre Joseph, 1809-1865. III, Titulo. CDD-330.02 85-2794 -335 Indices para catdlogo sisternatico: 1. Economia : Filosofia 330.02 2. Socialiemo ; Economia 335 3. Teoria economica 330.01 Direitos reservadoy Global editorae distribuidora Itda, Rua Franga Pinto, 836 - Cep 04016 Fone.: $72-8473 red Cate Postal 43329 - 01000 -V. Mariana OT ® Sic Paulo - SP Iwsit u +1-USOFIR FILIAL: € CIENLIAS SOociets Rua Mariz e Barros. 39 - Conj. 26,36 Fone : (O21) 973-5944 mee CA wes, \ Cep 20270 - Bairro Tyuca £44 / Bt Ruo de Janeiro - RJ 7 : No de catalogo: 1651 > SUMARIO Adverténciado Tradutor 1.6... cecec cece eect cece ee ceee Introdugdo ............... MISERIA DA FILOSOFIA . Prélogo .. 62... eee cere eee 1. Uma Descoberta Cientifica .... § 1. Oposi¢ao entre o valor de utilidade eo valor de troca § 2. Ovalor constituido ou ovalorsintético ....... § 3. Aplicacao da lei das proporcionalidades do valor a) Amoeda b) Oexcedente do trabalho 2. A Metafisicada Economia Politica . § 1. Ométodo Primeira observagao Segunda observacao Terceira observacao Quarta observacao Quinta observagao . Sexta observagao Sétima e ultima observagao | seeeee . A diviso do trabalho eas mAquinas . Aconcorrénciaeomonopélio ... . Apropriedadeouarenda .. As greves e as coalizdes de operarios ANEXOS oo... eee cecee ee Prefacio aPrimeira Edigdo Alema Prefacio a Segunda Edigao Alema . John Gray eos Vales de Trabalho . . Discurso sobre 0 Problema do Livre- ‘Cambio Cartade Marx aProudhon .. Carta de Proudhon a Marx .. Carta de Marx aP. V. Annenkov Carta de Marx aJ. B. Schweitzer nun unin ALUN me — 101 101 : 102 ADVERTENCIA DO TRADUTOR Esta versio da Miséria da Filosofia foi realizada & base do texto que, sobre a edicdo original de 1847, M. Rubel estabeleceu para as Oeuvres/Economie de Marx (Bibliothéque de la Pléiade, éd. Gallimard, Paris, I, 1965, p. 7/136). Como fontes secundérias, foram utilizadas as edicdes italiana (Miseria della Filosofia, Newton Compton Ed., Roma, 1976) e espanhola (Miseria de la Filosofia, ed. Progreso, Moscu, 1979). Foram feitos esforcos para conservar o estilo do texto original, o primeiro que Marx escreveu em francés — e € preciso recordar que o proprio Marx considerava o seu francés de 1847 como algo “bar- baro’’. O tradutor evitou ler a escritura do original francés com a lente da prosa germanica verdadeiramente classica de Marx. Por outro lado, esta traduc&o (ao contrfrio da grande maioria das versdes desta obra) recusou-se a qualquer ‘‘modernizagao"' ou ‘“‘uni- formizac4o" da nomenclatura marxiana, optando por resguardar as oscilagdes terminoldgicas existentes no original. Em notas, consignaram-se as diminutas modificagdes que Marx inseriu no exemplar que ofertou a Natalia Utina (1876), bem como as intervengdes que Engels efetuou nas primeiras versdes alemas (1885 e 1892), e que aparecem na segunda edicdo francesa (1896). Todas as notas que nao s4o originalmente de Marx vém entre colchetes; na sua maioria foram adaptadas das edicdes refe- ridas — umas poucas sdo do tradutor e nio mereceram men¢&o especial. E de ressaltar que aquelas que registram as reacdes de Proudhon a obra de Marx, manuscritas no seu exemplar da Miséria da Filosofia, foram todas extraidas da edic&o preparada por Rubel. As referéncias nao originais de Marx a Proudhon remetem ou A edigao de 1923 (Oeuvres Complétes de P.-J. Proudhon, Marcel Riviére, Paris, 1923) ou a de 1964 (Proudhon/Marx, Philosophie de 7 col. 10/18. Paris, 1964); m as remissdes UGE, elas acompanhar anhola mencionada. ize i foram traduzidos & partir oe nine Os Fn 0 PE ge rca ene MBP edici cpa a de Rubel. excel, as car tas ertinentes. Ton na edigho iF". sao indicadas sginais. Proudho™ cules ote olas entre colchetes no sAo originals KOS, pém nestes ane Ia Philosophie. jisére de Gata, INTRODUCAO José Paulo Netto A hist6ria do movimento operdrio, desde o século XIX, €um processo que se articula por uma unidade que, garantida pelo desenvolvimento da teoria social moderna (fundada por Marx), resolve-se e se consolida nas fraturas parciais que os enfrentamentos te6ricos, politicos e ideoldgicos, a direita e a esquerda, lhe impdem. O mais significativo dos primeiros destes enfrentamentos foi protagonizado por Proudhon e Marx, em 1846/1847. Ele assinala tanto a diferencia¢4o politico-ideoldgica, crucial e qualitativa, entre duas perspectivas socialistas — a reformista e a revoluciondria —, quanto, simultaneamente, 0 embasamento da teoria social mo- derna. Porque é na Miséria da Filosofia que, além da liquidacao tedrica do socialismo reformista (ut6pico-reformista) de cariz pe- queno-burgués', esto sendo explicitados e oferecidos ao publico, pela primeira vez, os fundamentos e os elementos constitutivos da teoria do ser social engendrado pelo modo de produgio capitalista. Nao € objetivo desta introdugdo propiciar ao leitor brasileiro uma analise do confronto em tela ou das relacdes entre Proudhon e (1) E preciso insistir neste aspecto: a Miséria da Filosofia opera a liquidacdo tedrica do socialismo utopico-reformista, mas n&o alcanga uma incidéncia decisiva no plano da pritica politica do movimento operario. O proprio Mehring reconheceu-o, ao afirmar que, apesar da critica marxiana de 1847, “longe de diminuir, a influéncia de Proudhon, sobre o proletariado francés e dos paises latinos em geral, aumentou™ (Mehring, F.: Karl Marx, Lisboa, 1974, I, p. 147). Esta influéncia. até hoje, a tal ponto consider&vel que 0s comunistas franceses, numa recente reedigio da obra, sentiram a necessidade de precedé-la de uma nétula de H. Mougin, que avalia polémica e negativamente a presenga do fantasma proudhoniano no seio do movi- mento operdrio(cfr. Misére de la Philosophie, Paris, 1972. p. 7/23). Marx’, O que se pretende, de modo sucinto e didAtico, é indicar as linhas mais importantes para 0 enquadramento do confronto entre os dois pensadores e sugerir a relevancia da Miséria da Filosofia no evolver da obra de Marx, 20 mesmo tempo em que se faz alusio a um elenco pluralista de fontes bibliogr4ficas pertinentes para um estudo mais profundo das questdes que se levantam na investigacao daquele confronto. Os Anos Quarenta... Proudhon e Marx se confrontam na segunda metade dos anos quarenta do século XIX. Na Europa Ocidental, estes anos marcam o derradeiro estgio da etapa inicial da revolucao industrial (ou, como querem alguns, o ocaso da primeira revolucdo industrial), que emergira na Inglaterra nos meados da centiria anterior. Nos anos quarenta, com o esgotar do essencial das possibilidades do indus- trialismo no seu primeiro est4gio, os paises-p6los europeus ja apre- sentam os tracos bAsicos da fisionomia que os caracterizara en- quanto formagdes econdmico-sociais organizadas sobre a produg&o capitalista. Isto é: nestes anos, o ser social posto pelo capitalismo evidencia ja os seus vincos decisivos — o ordenamento da producao, a definicdo das instancias politicas, a estruturac4o de uma cultura e de um ethos proprios, etc., aparecem como constelagdes histéricas de um modo de vida novo. Trata-se do momento em que 0 mundo burgués se consolida, resultante de um processo multifacético — intersecc4o da economia, da hist6ria e da cultura. E possivel sugerir as condicdes gerais desta consolidag4o evocando, mesmo que alea- toriamente, alguns dados que conformam o panorama dos anos quarenta’. A Inglaterra se oferece como o referencial das modificagdes que melhor explicitam aquele processo. Entre 1800 e 1850, a sua (2) Objeto de uma vasta bibliografia, onde cabe destacar a contribuicao dos bidgrafos de ambos os tedricos (sobre Marx, cfr. os estudos de Mehring, Cornu e Rubel; sobre Proudhon, os de Dolléans, Halevy e Bancal). Uma fonte de referéncia obrigatoria é Haubtmann, P.: Marx et Proudhon, Paris, 1947. Ao leitor brasileiro, os textos mais acessiveis so: Jackson, J. H.: Marx, Proudhon e o Socialismo Europeu, Rio de Janeiro, 1963; Menezes, D.: Proudhon, Hegel e a Dialética, Rio de Janeiro, 1966; Gurvitch, G.: Proudhon e Marx, Lisboa, s/d. (3) Fontes: Huberman, L.: Histéria da Riqueza do Homem, Rio de Janeiro, 1976; Hobsbawn, E. J.: A Era das Revolucdes, 1789/1848, Rio de Janeiro, 1977 e Da Revolucéo Industrial Inglesa ao Imperialismo, Rio de Janeiro, 1978; Abendroth, W.: A Histéria Social do Movimento Trabathista Europeu, Rio de Janeiro, 1977; Botti- gelli, E.: A Génese do Socialismo Cientifico, Lisboa, 1971; Passos Guimaraes. A.: A Crise Agréria, Rio de Janeiro, 1979. 10 populago, praticamente, duplicou, com 0 movimento demogrifico acompanhando-se por uma redistribuig4o espacial condicionada pe- la industrializacao — se, em 1770, 40% da sua populagao vivia nos campos, em 1841 esta taxa cai para 26%. A urbanizacao acelerada e desenfreada encontra em Manchester 0 seu exemplo cabal: em 40 anos (1801/1841), a populago da cidade aumentou em 13 vezes. O crescimento industrial responde por estas alteragdes. Um de seus indices € a producdo de ferro fundido, que saltou de 193000 t, em 1800, para 1400000 t, em 1840. Os nimeros mais representativos, porém, nesta etapa da industrializagado, referem-se 4 produgio téx- til: somente as exportacdes para a América Espanhola registraram, entre 1820 e 1840, um aumento de S00% (1820: 56 milhdes de jardas; 1840: 279 milhdes de jardas). Explica-se: se os teares meca- nicos, em 1813, n&o passavam de 2400, em 1850 eram mais de 224 000. Por outro lado, a mecanizagao incide sobre a estrutura da forga de trabalho: dos 240000 teceldes manuais de 1820, em 1844 <5 restavam 60000; no mesmo periodo, os que operavam teares meca- nicos variam de 10000 para 150000. Nao nos alonguemos desneces- sariamente; mencionemos apenas que, na Inglaterra, os anos quaren- ta apresentam a maior taxa (relativa a aumento percentual por déca- da) de crescimento industrial em todo o século XIX: 39,3%. Entre 1820 e 1845, o produto liquido industrial (em valor corrente) cresceu em cerca de 40% — mas sua folha de pagamentos nao aumentou em mais de 5%. E a contrapartida necess4ria deste padrao de industria- lizagio: os salarios reais comegam a baixar a partir de 1815 e, entre 1811 e 1840, as taxas de mortalidade ascendem e a miséria das massas conhece uma progressdo assustadora*. Quanto a revolucao agricola, de que fala Passos Guimaraes, ela precede esta fase: forneceu os bragos para a arrancada industrial — em 1750, os yeomen j& nao existiam como classe e, entre 1750 e 1830, cerca de 2000000 de hectares de terras, por decretos parlamentares, foram expropriados pelos landlords. No continente, o processo ocorre muito assimetricamente. Enquanto as manufaturas vegetam na Peninsula Ibérica e na Penin- sula Italica as modificagdes praticamente se restringem ao norte, a Bélgica da década de quarenta 6 um pais industrializado: entre 1830 e 1838, a poténcia das suas mAquinas a vapor é triplicada e, entre 1830 e 1850, também se triplica a sua produgdo de carvao. A Franca, embora em proporcdes mais modestas, experi- menta modificacdes similares. E no ultimo quartel do século XVIII (4) Uma classica descrigto das condigdes em que se operou este proceso & oferecida por Engels, F.: A Situagdo da Classe Trabalhadora na Inglaterra, a ser lan- cado por esta editora. 1 que. nela, se realizam as duas caracteristicas da revolu¢ao agricola: & concentracdo fundifria e a alta dos precos da terra. E a defa- Sagem, em relac&o A Inglaterra, verifica-se também nas relagdes comerciais e industriais; de qualquer modo, o capitalismo avanga: as irris6rias 65 m4quinas a vapor que existiam em 1820 j& séo mais de 5000 em 1847. Os capitais investidos no comércio e na industria passam de 30 bilhdes de francos, em 1830, para 45 bilhdes, em 1848. A urbanizacao também se intensifica — entre 1800 e 1850, a popu- lag&o de Paris duplicou. Mesmo na atrasada e dividida Alemanha, 0 novo mundo permeia a feudalidade. A concentracdo fundiaria pode ser inferida da seguinte indicag4o: se, em 1773, os assalariados rurais eram numericamente insignificantes, em 1849 somavam 2 000000 de pes- soas. A ‘‘miséria alema’’ €, naturalmente, relativa: a produgao mineira foi duplicada entre 1830 e 1842, a metalirgica triplicada entre 1800 e 1830 ¢ a produgao de bens de consumo, em 1830/1840, cresceu 8 vezes em comparacdo a de 1800/1810. Ai, igualmente, os efeitos da industrializac4o capitalista, na sua primeira etapa, sio onerosos para os trabalhadores: na Prissia, em 1848, a jornada média de trabalho varia entre 14 e 16 horas e os salarios industriais, tomando-se 100 como indice para 1800, caem progressivamente: 86 em 1800/1829, 74 em 1800/1848. ...€0 protesto operdrio Mas a consolidacao do mundo burgués é, ao mesmo tempo, a articulagdo de sua negagdo. As modificagées assinaladas n4o s4o as unicas a enformar o novo modo de vida; elas se acompanharam, sempre e inevitavelmente e em todos os lugares, do protesto operério — jA no século XVIII espolcam rebelides cegas, centradas na dés- truigdo das mAquinas (1758, Inglaterra; 1792 e 1794, Silésia). O protesto operario descreve uma curva ascendente até os anos quarenta. Conquistada a legalidade da organizagio sindical na Inglaterra (1824), manifesta-se na ilha a tendéncia operdria a asso- ciac4o: multiplicam-se as unides, federacdes, etc., que serdo catali- sadas, entre 1838 (data da publicag&io da Carta do Povo) e meados da década seguinte, pelo movimento cartista, cuja experiéncia cons- titui o primeiro legado para os futuros partidos politicos operdrios. No continente, em troca, respira-se, desde 0 Congresso de Viena (1815), a era de Metternich: repress4o e censura. E isto 0 que, acres- cido 4 defasagem dos ritmos de crescimento industrial na ilha e no continente, explica 0 baixo nivel de organizac&o do protesto ope- rario. A unica excec’o € a Franca, especialmente Paris, onde eram 12 mais ou menos amplos, comparativamente, os cspacos para a tema- tizagao politica’. Mas o controle rigoroso da movimentacao ope- r4ria®, somado a tradicdo jacobina, dao ao protesto operério francés — cuja combatividade demonstrara-se tanto em julho de 1830 quan- to, especialmente, nas revoltas lionesas de 1831 e 1834 —, contudo, a configuracao conspirativa: o veio carbondrio permanece, as “sociedades secretas’’ se generalizam e tenta-se o golpismo (1839). Na Alemanha, a repressdo mais brutal reduz o protesto operario a niveis minimos (a sua organizagdo se efetivara, realmente, no exi- lio), mas n&o consegue impedir a eclos’o de choques violentos (Silésia, 1844). A ambiéncia ideo-politica destes anos expressa com fidelidade a evolucdo do protesto operdrio na sua curva ascendente — basta evocar a larguissima bibliografia que acompanha es formulacdes tipicas do que ulteriormente se denominou ‘‘socialismo ut6pico”’. Na década de quarenta, todavia, o protesto oper4rio, sobretudo no continente, sofreu profunda inflexao. A consolidac4o do novo modo de vida do mundo burgués poe a luz do dia a dilaceragao medular deste mundo: inseparavel ac6lito da burguesia, o proletariado, ao fim da primeira etapa da revolug&o industrial, jA n&o se opde sim- plesmente a ela, mas articula um projeto societario que implica a sua supressio. Numa palavra: consolidado o mundo burgués, o proletariado converte-se em classe para si. Esta & a profunda infle- xao testemunhada pelos anos quarenta: esgotado o padrao indus- trialista da primeira fase da revolucdo industrial e definida a domi- nag’o de classe da burguesia, o proletariado se insere na prdtica politica como um agente aut6nomo — eis 0 que, a nivel hist6rico- universal, se verifica em 1848 (e que, documental e programati- camente, se registra no Manifesto Comunista). O confronto entre Proudhon e Marx ocorre, exatamente, no estagio conclusivo deste processo de qualitativa transformacao do protesto operf4rio. Em si mesmo, ele antecipa o problema que a histéria real colocar4 em 1848: reforma ou revolugdo — proletariado como classe que participa do processo social ou proletariado que direciona © processo social. Esta irredutivel oposig¢4o nao se mani- festa, porém, somente nos termos da polémica Proudhon/Marx: manifesta-se, principalmente, no fato de os dois teéricos terem cruzado os seus caminhos, desenvolvidos muito diferencialmente, no (5) Nos anes quarenta, Paris € 0 exflio privilegiado para os perseguidos Politicos de todo o continente. Um dado: em 1843, 7% dos habitamtes da capital francesa eram emigrados alemaes. (6) Controle cuja substancia se encontra no Cédigo Napolednico, cujo carater de classe ¢ inequivoco: dedica ao trabalho oito pardgrafos e, 4 propriedade, varias centenas. 13 preciso instante em que formulavam propostas s6cio-politicas dia- metralmente opostas, excludentes mesmo. Aevolucdo de Proudhon (1838/1846) Entre 1838 e 1846 decorre a primeira fase da reflexac de Proudhon ", que compreende a evolucdo que leva das Jnvestigacdes sobre as Categorias Gramaticais (ensaio de gramatica comparada que lhe propiciou, com o prémio Suard, da Academia de Besangon, uma bolsa de estudos em Paris, em 1838) a publicacao, em 15 de outubro de 1846, do Sistema das Contradicées EconGmicas ou Filo- sofia da Miséria*. Trata-se de uma evolucdo que, em resumidas contas, traga a trajet6ria que conduz de um ponto de vista aberta- mente revolucion4rio a um termo anemicamente reformista (ut6- pico-reformista). A primeira obra de Proudhon destinada ao grande puiblico é Sobre a Celebragao do Domingo, redigida e publicada em 1839°. O argumento proudhoniano, discorrendo sobre a significac&o dos rit- mos de trabalho e repouso na vida, visa a critica da espoliagao do trabalho pelo capital. O seu objetivo é ‘‘provar a todos os monopoli- zadores do trabalho, exploradores do proletariado, autocratas ou feudatarios da industria, ricagos e proprietarios a tripla poténcia, que 0 direito de trabalhar e de viver, devolvido a uma massa de homens que... ndo gozam dele, nao seria da parte dos beneficifrios uma gratificagio, mas uma restituigdo’’'° Antevendo o que Marx, ulteriormente, chamaria de pauperizac¢do, Proudhon, contra o capi- tal, conclui: ‘“Apelamos para a forca. Proprietarios, defendei-vos! Haveré combates e massacres”"' . Mas é 0 opiisculo de 1840, O que 6 a Propriedade? — que contém a célebre frase ‘‘a propriedade € um roubo” e que lhe acarretou a perda da bolsa de estudos —, que tornaré famoso 0 nome de Proudhon. Refutando a noc&o (encravada na ideologia liberal desde Locke) de que o fundamento da propriedade & o (7) Sobre Proudhon, refer€ncias biograficas podem ser localizadas nas fontes citadas na nota 2 ¢ ainda em: Cuvillier, A.: Proudhon, Paris, 1937; Dolléans, E.: Proudhon, Paris, 1948; Halevy, D.: La Vie de Proudhon, Paris, 1948. E de notar que, ‘nO seu conjunto, a obra proudhoniana é vasta: 38 livros (12 péstumos), 14 volumes de correspondéncia, 3 volumes de artigos ¢ 6 volumes de anotacdes Pessoais (os Carnets). (8) Gurvitch periodiza a evolugho de Proudhon em trés fases: interior & revolugio de 1848; 2*) entre a revolugho de 1848 ¢ a sua libertag&o (1852); 38) a final, entre 1852 ¢ 1865 (cfr. op. cit., 1, p. 31). (9) Uma edigio em tiragem comercial maior saiu em 1841, (10) ApudGurviteh, op. cit., 1, p. 35. (11) Ibidem, p. %. 14 trabalho, Proudhon assinala que ‘‘o propriet4rio ndo produz nem por si nem por seus instrumentos e, recebendo os produtos em troca de nada, é um parasita ou um ladrao’’?. Movendo-se no ambito de uma problematica de raiz iluminista (afinal, para mostrar a impos- silidade da propriedade, ele recorre a Justica, ao Direito, A Cons- ciéncia), Proudhon postula a “‘reabilitag&o do proletariado” me- diante a defesa da tese que, malgrado posteriores alteracbes, sera sempre a sua favorita: a igualdade de condi¢ées. E, um ano depois, na Segunda Meméria sobre a Propriedade, ele determina o modus para alcangar esta igualdade de condi¢ées: “‘Concito a revolugao por todos os meios ao meu alcance”” Em 1843 — em duras condiges de vida: transferira-se para Lyon, trabalhando numa empresa de transportes —, Proudhon publica A Criagao da Ordem na Humanidade. Esta obra pretensiosa (dividida em cinco partes: a Religiio, a Filosofia, a Metafisica, a Economia e a Historia) contém uma espécie de simula das idéias que Proudhon tematizaria ao longo de sua vida. Propondo-se a critica da concepgio de ordem, ele passa em revista uma longa série de filésofos (Plataéo, Bossuet, Malebranche, de Maistre, Leibniz, Kant, Hegel), polemiza com contemporaneos (Comte) e explicita a sua dialética serial que, como se sabe, pouco ou nada tem a ver com a metodologia hegeliana'*. Ainda aqui, Proudhon reafirma a sua (12) Ibidem, p. 52. (13) Apud Lowy, M.: La Teorfa de la Revolucién en el Joven Marx, México, 1978, p. 199. (14) Segundo Bancal (cfr. a sua introdug&o a Proudhon, P.-J.: Oeuvres Choi- sies, Paris, 1967), a dialética serial de Proudhon se funda numa tripla legalidade: a lei motriz — o antagonismo antindmico; a lei reguladora — a justica-equilforio; a lei realizadora — o processo serial. Para Gurvitch, a dialética de Proudhon “desemboca num pluralismo t&o bem ordenado, tho bem integrado, t8o bem equilibrado, que suspeitamos terem sido esta integracdo e este equilfbrio arranjados previamente e preconcebidos” (Dialética e Sociologia, Lisboa, 1971, p. 143); alids, ‘‘a orientacdo geral do pensamento de Proudhon vai exatamente na direc&o oposta a de Hegel”: desde Sobre a Celebragdo do Domingo, “'Proudhon proclama que o seu métodoé o da procura dos equilfbrios na diversidade"’ (ibidem, p. 139 e 143). Na verdade, Prou- dhon nao teve contatos diretos com textos hegelianos (n&o lia alemao ¢, no seu tempo, nao existiam tradugdes): 0 mesmo Gurvitch informa que o seu conhecimento de Hegel vinha do que Ahrens, emigrado alemao que lecionara no Collége de France, veiculara no seu Curso de Psicologia, publicado em 1836/1838. Entre 1844/1845, Marx forneceu-Ihe sugestdes hegelianas, posteriormente deformadas por Gron (cfr. a carta de Marx a Schweitzer, nos Anexos deste volume). Analistas das mais distintas correntes coincidem na constatagio da fragilidade metodolégica do pensamento de Proudhon: se Buber afirma que ele “‘ndo era um pensador hist6rico” (O Socialismo Ut6pico. Sao Paulo, 1971, p. 39), Peter diz que ‘“o pensamento de Proudhon é uma meciinica reguladora” (cfr. a sua introduc&o a Proudhon, P.-J./Marx, K.: Philo- sophie de la Misére/Misére de la Philosophie, Paris, 1964, p. 8); ¢ Menezes escre “E verdade que Proudhon, em muitos trechos de seus escritos, falou da triade da tese, 15 Posi¢ao revolucion&ria: o determinismo econémico — ele n&o duvida que o movimento da sociedade tem por base a vida econémica, nem que as leis da economia politica sejam as leis da histéria — nao impede, exclui ou invalida a ‘‘forca criadora revolucionéria’’'’. Na sua obra subseqiente, porém, esta ‘‘forca criadora” j4 nao encontra espaco: 0 Sisterna das Contradigées Econdémicas ou Filo- sofia da Miséria atesta a viragem decisiva de Proudhon no sentido do reformismo ou, mais exatamente, do utopismo reformista. Nao € que Proudhon tenha sofrido qualquer processo de venalizac&o ou corrupedo ideolégica. Na verdade, os dois volumes que publica em 1846 pdem em relevo, mais que as limitagdes derivadas do horizonte politico de classe que o aprisiona, as constrangedoras restricdes que 0 seu desengoncado conhecimento da dinamica social faz penetrar nas suas propostas politicas. E purque erra na andlise que Proudhon erra na proposta politica; ele nao € capaz de formular um projeto tevolucionério justamente porque nao é capaz de compreender a efetiva legalidade histérico-social. Se, nas suas obras anteriores, a precaria andlise econémico-social ndo comprometia a concluséo revolucionaria, a raz4o esta em que esta ndo se engrenava realmente naquela — era uma peticdo ética; agora, quando pretende formular um projeto de intervencao social a partir de uma investigacao siste- mitica, a solucdo que apresenta aparece inteiramente hipotecada a sua inépcia teérica. A politica que se articula no Sistema das Con- tradigées Econémicas ou Filosofia da Miséria € ut6pico-reformista porque a analise hist6rico-social que a funda é fragil e porque a teoria econdmica que a sustenta é falsa. O livro, complicado ', intenta, de forma detalhada e sistem4- tica, ‘‘uma sintese entre o capitalismo e 0 socialismo, defendendo, com os economistas burgueses, 0 principio da propriedade privada contra os socialistas e criticando, com estes, as taras do capita- lismo’’!”. Ou, como resume um analista simpAtico a Proudhon: ‘‘Os seus dois volumes tratam sucessivamente dos valores econdmicos, da divisto do trabalho, das mAquinas, da concorréncia, do monopilio, do imposto, da balanca de comércio, do crédito, da propriedade antitese € sintese; ¢ muitos comentadores, com certa leviandade, discutem a sua tournure dialectique. A terminologia é superficial — e mascara, sob aparéncia dialética, a mais banal intuigAo mecanicista acerca do encadeamento dos fendmenos. Daj no passou o grande lutador™ (op. cit., p. 29) (1S) Apud Gurviteh, Proudhon e Marx, ed. cit., I, p. 68. (16) Para Bottigelli, esta “nto &, decerto, a melhor obra que Proudhon escreveu" (up. cit., p. 222). (17) Cornu, A.: Karl Marx et Friedrich Engels, (M1: Marx é Paris, Paris, 1962, p. 53. 16 individual, da propriedade coletiva, da comunidade de bens. da populacao, do trabalho. Proudhon procura mostrar que, relativa- mente uns aos outros, estes termos sao antindmicos... [e] conduzem a resultados opostos aos que uma sociedade poderia esperar. Para sair do impasse, é preciso renunciar aos preconceitos da economia politica classica e as ‘utopias comunistas’ do tempo, que pregam a ‘comunidade de bens’, utopias que Proudhon identifica, muitas vezes sem razAo, com 0 coletivismo socialista’"*. Arrancando de uma “hipétese de Deus", j4 nas suas pri- meiras pAginas, retoricas e bombasticas”™, a obra evidencia a carac- teristica maior que permeia todos os desenvolvimentos nela con- tidos: uma hipostasia de eventos, dados e instituigdes que, retirados do processo sécio-hist6rico, s4o convertidos em antinomias que nao se resolvem por conflitos imanentes, mas, antes, so combinadas por uma razAo interveniente que é exterior a eles. Proudhon parte da idéia de que duas doutrinas disputam o mundo: a economia politica (a rotina) e 0 socialismo (a utopia). A verdade da disputa se encontra na sua conciliac&o: a combinagdo entre a conservacdo e 0 movi- mento, a tnica solu¢o para formular os fundamentos da ordem social e a “‘lei organica da humanidade Pesquisando esta supra-histérica “lei organica”, Proudhon organiza os seus materiais arbitraria e dogmaticamente. A ingenui- dade epistemolégica senta praca nos seus raciocinios: “Para nés, os fatos no s4o matéria... mas, ao contrario, manifestacdes sensiveis de idéias invisiveis’’”". A mitificagio da hist6ria é patente: “Para nés, a hist6ria das sociedades nao € mais que uma longa determi- nagao da idéia de Deus, uma revelacdo progressiva do destino do homem'’??. A sociedade é reduzida ao esquema de uma pessoa, simbolizada por Prometeu. E 0 seu dinamismo é convertido no jogo de dois principios abstratos: ‘‘A vida social se manifesta dupla- mente: conservac4o e movimento’’™. A concepcdo geral do movi- mento hist6rico-social, assim erguida, resvala, num discurso in- flado, para o banalismo mais francamente desistoricizado: “A hu- manidade, na sua marcha oscilat6ria, retorna inconscientemente 19 (18) Gurviteh, op. cit. . 1, p. 70. (19) “...Tenho necessidade da hipétese de Deus pata fundar a autoridade da ciéncia social” (Proudhon/Marx, Philosophie de la Misére/Misére de la Philosophie. ed. cit., p. 36) (20) “Direi como, portanto, estudando, no siléncio do meu coragdoe longe de toda consideragdo humana, 0 mistério das revolugdes sociais..."" (ibidem, p. 25) e por ai afora, (21) Zbidem, p. 103. (22) Ibidem, p. 37. (23) Ibidem, p. 137. sobre si mesma... A verdade, no movimento da civilizacdo, perma- nece sempre idéntica e nova... E isto, precisamente, constitui a Providéncia e a infalibilidade da razio humana; assegura, no inte- rior mesmo do progresso, a imutabilidade do nosso ser; torna a sociedade, ao mesmo tempo. inalter&vel em sua esséncia e irtesis- tivelem suas revolugdes. As remissdes 4 Providéncia ou a infalibilidade da razao hu- mana apenas dissimulam a real incompreens&o tanto das categorias econdmicas quanto dos processos que elas denotam*. Com a redu- gao da complexidade do ser social posto pelo capitalismo a um somat6rio de antinomias excludentes (monop6lio/imposto, respon- sabilidade de Deus/responsabilidade do homem, etc., etc.), Prou- dhon, todavia, nao retrocede somente em relag&o ao nivel j& alcan- cado pela economia politica em sua versdo classica. Faz mais e pior: 0 seu fracasso tebrico incide sobre o seu proprio percurso politico e ideolégico — agora, j4 nao coloca como alternativa libertadora a supressdo do capitalismo pela abolic¢ao da propriedade, através da via revolucionéria. Ao contrfrio: a antinomia propriedade/comu- nidade resolve-se na sua conciliagdo — e eis que Proudhon pro- pugna pela mutualidade. Este novo fundamento para a sociedade futura, como é compreensivel, j4 ndo repousa mais na anteriormente glorificada “forca criadora revoluciondria”: a emergéncia da nova sociedade “‘ocorreré néo como novidade imprevista, inesperada, repentino efeito das paixdes do povo ou da habilidade de alguns homens, mas pelo retorno espontaneo da sociedade a uma pratica imemorial, momentaneamente abandonada..."’”*. A evolugao de Marx (1841/1846) Este é 0 perfil tebrico-ideologico do homem com o qual Marx polemiza em 1847: n&o mais o pensador que concitava a revolugao e sim 0 doutrinério que a rechaca por considera-la um apelo a for- ga”... Ora, quase no mesmo decurso temporal, Marx cumprira um itinerdrio inteiramente diverso: no dizer de Cornu, ele realizara 0 transito do liberalismo democratico ao comunismo. Assim, pois, 0 (24) Ibidem, p. 306/307. (25) Esta incompreensio — um dos objetos centrais da critica de Marx — & constante no texto de Proudhon. Veja-se um s6 dentre abundantes exemplos: “O monopblio existe em funcio da natureza e do homem: sua fonte reside, simultanea- mente no mais profundo de nossa consciéncia ¢ no fato exterior da nossa individua- lidade" (ibidem, p. 140). (26) Ibidem, p. 306. (27) Cfr. a carta de Proudhon a Marx, incluida nos Anexos deste volume. confronto era inevitével. Antes de mencion4-lo, contudo, devemos sugerir as grandes linhas da evolugao de Marx entre 1841 € 1846”; de fato, esta 6 a etapa em que se constr6i, nele, 0 tedrico e o revolucionério. Em sintese, ¢ a fase em que as suas experiéncias intelectuais, sociais ¢ politicas permitem-Ihe articular as bases do que, a partir de 1847/1848, constituira a moderna teoria social — desvelamento do modo de produc4o capitalista e proposta da sua ultrapassagem, com o proletariado urbano como agente da tran- sigdo socialista. Em 15 de abril de 1841, Marx doutora-se em filosofia. com a dissertagdo Diferenca entre as Filosofias da Natureza em Demécrito e Epicuro”. A tese, relevante na discussao académica que . a €poca, na Alemanha, travava-se no tocante 4 avaliacao do pensamento antigo, arranca dos lineamentos hegelianos sobre a hist6ria da filo- sofia e adquire uma ponderacao especifica quando conjugada a posterior evolucdo do autor: ja ento, com uma énfase positiva na significagao das idéias de Epicuro, a reflexio de Marx aponta para desenvolvimentos inéditos e originais » No entanto, 0 movimento de Marx, diferenciando-se da es- querda hegeliana, s6 comeca mesmo a se esbogar em 1842: assu- mindo a diregao da Gazeta Renana, Orgao liberal, ele tende a “rejeitar definitivamente a filosofia critica dos Jovens Hegelianos e a se separar deles'’! . Com efeito, é neste periodo que, pela primeira vez, Marx enfrenta questdes politicas” ¢ justamente estas questdes (28) O leitor compreende que ndo cabe aqui mais que um brevissimo excurso sobre 0 roteiro marxiano entre 1841 e 1846. Sobre esta polémica questo. a biblio- grafia é vastissima; registramos, como sugestAo: Léwy, M.: op. cit.; Lukécs, G.: 17 Giovane Marx, Roma, 1978; Vranicki, P.: Storia del Marxismo, Roma. I, 1973: Cornu, A.: Karl Marx et Friedrich Engels, Paris, 1, 1955; 11, 1988; III, 1962; Lefebvre, H.: La Pensée de Karl Marx, Paris, 1966; Althusser, L.: Andlise Critica da Teoria Marxista, Rio de Janeiro, 1967; Bottigelli, E.: op. cit.; Gianotti, J. A.: Origens da Dialética do Trabatho, So Paulo, 1966; Mész4ros, I.: Marx's Theory of Alienation, Londres, 1970; Markus, G.: A Teoria do Conhecimento do Jovem Marx, Rio de Janeiro, 1974; Mandel, E.: A Formagdo do Pensamento Econémico de Karl Marx, Rio de Janeiro, 1968; Rubel, M.: Karl Marx. Essai de Biographie Intellec- tuelle, Paris, 1957; McLelland, D.: Marx y los Jovenes Hegelianos, Barcelona, 1971; Vasquez, A. S.: “Economia y Humanismo', in Marx, C.: Cuadernos de Paris, México, 1974. (29) Edigao brasileira: Sao Paulo, s/d. (30) Comentando a evolugdo de Marx entre 1840 ¢ 1841, Lukacs ndo hesita em dizer que ‘'j4 estava presente em Marx o micleo da posterior superagdo critica da filosofia hegeliana” e chega até a afirmar que, na dissertac4o, existem embrides das Teses sobre Feuerbach (op. cit., p. 31 ¢ 35) (31) Cornu, op. cit., II, p. 1. Da produgae jernalistica de Marx, desta época, s6 hé algum material publicado no Brasil na antologia Marx, K.: 4 Liberdade de Imprensa, Porto Alegre, 1980. (32) Um bom resumo deste perfodo encontra-se em Léwy, op. cit., p. 38 € 35, 19