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UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS INSTITUTO DE CIÊNCIAS HUMANAS COMUNICAÇÃO E ARTE HISTÓRIA - LICENCIATURA IGOR

UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS INSTITUTO DE CIÊNCIAS HUMANAS COMUNICAÇÃO E ARTE HISTÓRIA - LICENCIATURA

IGOR FELIPE OLIVEIRA BITENCOURT

TEORIA SOCIOLÓGICA

MACEIÓ ALAGOAS

2017

A ÉTICA PROTESTANTE E O ESPÍRITO DO CAPITALISMO

Um golpe de mestre para a implementação do sistema capitalista foi sem sombras de dúvida a reforma protestante. Este foi um movimento do século XVI que visava reformar as doutrinas e práticas da Igreja Católica e que resultou na criação das igrejas protestantes.

O início da reforma é frequentemente citado como sendo o ano de 1517, quando o

teólogo alemão Martinho Lutero lançou seu protesto contra a corrupção do papado e da igreja Católica. De fato a maior parte dos movimentos reformistas enfatizou não a renovação, mas a volta à simplicidade cristã primitiva. As doutrinas Católicas da transubstanciação, do celibato, clerical e da supremacia papal foram duramente atacadas por Lutero. Ele também exigiu a reforma radical das ordens religiosas.

A ética protestante caiu nas graças da nova burguesia, que almejava cada vez mais o

aumento dos lucros. Essa ética aprovava e louvava o espírito capitalista, sendo mais adequada a obtenção de altos ganhos, sem que os burgueses sentissem qualquer peso na consciência. Em seu mais famoso livro "A ética protestante e o espírito do capitalismo", Max Weber faz um estudo detalhado da relação entre o sistema capitalista e a doutrina ascética protestante, que privilegia a gestão e racionalização do trabalho. Além disso o livro trata do conceito de vocação para o trabalho, e de como este conceito é tratado de forma diferente depois da reforma, como um estilo de vida. A moral protestante valoriza a busca pela riqueza e a completa racionalização do trabalho, encarando a vida de forma lógica e coerente. Ser pobre, portanto significa na ótica da ética protestante (principalmente na doutrina de Calvino), ter sido abandonado pelas graças divinas e estar longe do chamado de Deus para a sua glorificação.

Em "A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo", Weber enxerga uma imbricação histórica que fez confluir uma prática religiosa ascética, a "ética protestante", e o que ele chamou de "espírito do capitalismo" o impulso ao cálculo econômico minucioso, ao reinvestimento do lucro na empresa, à contenção dos desperdícios de toda forma etc.

A racionalização, ou o "desencantamento do mundo" outro traço marcante do

pensamento de Weber define o desenvolvimento histórico do Ocidente, no qual os meios mágicos extra-racionais foram dando lugar aos meios metódicos e calculados em todos os setores sociais. A racionalização atingiu também o domínio do Estado moderno, criando a dominação baseada em leis abstratas e efetivada por um corpo técnico-administrativo especializado, que Weber denomina burocracia.

É dessa forma que o sociólogo pode falar de um processo de racionalização que ocorre também na esfera da religião. Aqui, a forma específica do fenômeno é o progressivo abandono do misticismo experiência em que a divindade se mistura ao corpo do indivíduo em favor de uma prática ascética que leva à separação definitiva entre homem e Deus. O autor alemão argumenta que esse processo é levado a cabo com o protestantismo europeu, mais especificamente com o calvinismo, fazendo menção ao reformador João Calvino (1509-1564)

"A conduta moral do homem médio foi, assim, despojada de seu caráter não- planejado e assistemático, e sujeita, como um todo, a um método consistente", escreve Weber. Em tal sistema de crenças, o lucro foi entendido como frutificação do trabalho, sinal de predestinação à salvação, desde que não utilizado com usura, para satisfação de prazeres da carne, o que, na prática, resultou num estímulo para a reaplicação do excedente na produção.

Tudo o que o trabalho considerado fim em si mesmo, "vocacional" gera é sinal de aprovação divina, que deve ser novamente aplicado ao ciclo de produção para gerar mais trabalho, mais lucro, mais sinais de graça.

Weber percebeu que esse espírito existia na idade média nos mosteiros, mas que entre a população comum dos fiéis católicos essa crença não penetrava. A vida do fiel católico não era estável, vamos assim dizer, mas era uma sucessão de atos de caridade e de pecados. No caso do fiel pecar, sempre haveria o sacramento da confissão para redimi-lo. No protestantismo, especialmente no calvinismo, isso não existia. Só havia a opção da salvação ou da danação eterna. Calvino exigia que o fiel deveria viver uma vida coerente e estável do começo ao fim de sua vida. Não havia o padre para perdoá-lo.

Weber notou que Lutero tirou a sua noção de vocação não da Bíblia, mas de um místico da idade média. Tanto Lutero quanto Calvino evitaram escrever sobre questões metafísicas, mantendo a herança católica nessa questão. O que Calvino fez foi transformar todo o fiel em monge. O ascetismo saiu dos mosteiros e passou a fazer parte da vida do fiel comum. Calvino e os puritanos transformaram o trabalho diário em um meio de se glorificar a Deus.

Os puritanos, por exemplo, davam grande importância à poupança e abominavam toda a noção feudal de propriedade e ostentação. Para eles o dinheiro e o trabalho eram um meio de expandir a obra de Deus e rejeitavam a tese de um capitalismo de expansão da guerra

e da burocracia do governo. Calvino iria libertar as consciências a respeito da legitimidade de se cobrar juros.

A diferença com a mentalidade católica ficaria evidente daí por diante. As nações

protestantes prosperaram e atingiram grande riqueza, enquanto as nações católicas ficaram para trás. Ao meu ver, isso tem outras causas também. Por exemplo, a Inglaterra adotou suas ideias sobre liberdades civis não do direito romano, como aconteceu com as nações católicas, mas sim da Carta magna medieval.

Outra questão importante foi que as nações protestantes impulsionadas pelo capital deram mais importância às matemáticas e à técnica.É claro que existe também o fator da educação, e aí aparece a ideia protestante de que todo o fiel deve ler a Bíblia. No catolicismo isso não existe, e até hoje o analfabetismo inexiste nos países protestantes, mas é alto nos países católicos.

Weber busca definir o capitalismo como uma característica típica do mundo ocidental.

Max Weber buscou vincular a economia capitalista ao conteúdo doutrinal do protestantismo — “este último caracteriza-se por uma racionalidade específica, para a qual concorreu a noção de trabalho como vocação e ascese intramundana, gerada no calvinismo. Sem postular uma causalidade estrita, o autor demonstra haver uma afinidade entre ambos.

O livro é fundamental para o entendimento da origem do capitalismo na sociedade

moderna, porém esta obra é um estudo de apenas uma das muitas variáveis que fez florescer

o sistema capitalista