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ANO 2 | Nº. 2| 2013 | ISSN Requerido

Imaginação Ativa
e Bruxismo
Sonia Regina Lyra

Reflexões sobre O percurso para
as tradições religiosas a sétima morada
judaicas, proto-cristãs Albertina Laufer
e gregas arcaicas
Viktor D. Salis

Sobre os dez mandamentos e os sete dons do Espírito Santo
Marcos Aurélio Fernandes
Ano 2 | número 2 | 2013 CONIUNCTIO Revista Científica de Psicologia e Religião | Ichthys Instituto | Curitiba - PR

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Edição Atual 74 páginas
Curitiba | Ano 2 | Nº. 2 | 2013 | ISSN Requerido

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desde que citada a fonte.
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Editores: Sonia Lyra
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Comissão editorial
Sonia Regina Lyra
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Adriano Holanda
Conselho editorial
Dra. Sonia Regina Lyra
Dr. Jairo Ferrandin
Dr. Enio Paulo Giacchini
Dr. Luiz Felipe Pondé
Dr. Gilvan Luiz Fogel
Dr. Nilo Agostini
Diagramação: Dohms Comunicação
Revisão: Enio Paulo Giachini
Ilustrações: Rogério Borges e Jubal S. Dohms

Dados internacionais de catalogação na fonte
Bibliotecária responsável: Angela M. S. K. Cherobim CRB 9ª R/605
______________________________________________

CONIUNCTIO Revista de Psicologia e Religião -
v.2, n.2, Curitiba: Ichthys Instituto, 2013

Semestral

1. Psicologia - Periódicos 2. Religião – Periódicos
3. Filosofia – Periódicos 4. Arte – Periódicos
5. Teologia – Periódicos.
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Ano 2 | número 2 | 2013 CONIUNCTIO Revista Científica de Psicologia e Religião | Ichthys Instituto | Curitiba - PR

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SUMÁRIO | CONTENTS

Editorial | 4

Sonia Regina Lyra
Imaginação Ativa e Bruxismo | 5
Viktor D. Salis
Algumas reflexões comparativas sobre as tradições religiosas judaicas,
proto-cristãs e gregas arcaicas | 13
Regina Maria Grigorio e Sonia Regina Lyra
Aspecto religioso do processo de individuação | 16
Albertina Laufer
O percurso para a sétima morada | 30
Ana Luisa Testa e Sonia Regina Lyra
A assimilação psicológica do mal | 41
Marcos Aurélio Fernandes
O confronto de São Boaventura com a filosofia nas conferências de Paris
sobre os dez mandamentos e sobre os sete dons do Espírito Santo | 51

Resenhas | Reviews

José Luiz Nauiack
O Desespero Humano | 68
Ângelo Vieira da Silva
O que é Religião? | 70
Murilo Augusto Diorio
Zaratustra em análise: Uma leitura viva sobre a “morte de Deus” | 72

Chamada para publicação e normas para colaboração | 73

Ano 2 | número 2 | 2013 CONIUNCTIO Revista Científica de Psicologia e Religião | Ichthys Instituto | Curitiba - PR

integrado por professores/as e especialistas de várias Universidades e Centros de Estudos. etc. o artigo foi apresentado à Co- munidade Científica Internacional. As propostas para publicação devem ser originais. Aproveitamos essa oportunidade para convidar pesquisadores(as) e professores(as) a contribuírem com a Coniunctio. Os editores Ano 2 | número 2 | 2013 CONIUNCTIO Revista Científica de Psicologia e Religião | Ichthys Instituto | Curitiba . artigos. Publicam-se artigos em quatro línguas: portu- guês. mitologia. com o objetivo de publicar pesquisas. nas áreas de Autismo. estando disponíveis online pela Internet. teologia. em diálogo com áreas afins: filosofia. tendo excelentes resultados e apresentando também pela primeira vez a possibilidade de cura para este sintoma. Outros projetos de pesquisa encontram-se em andamento.PR . eletrô- nico. críticas e entrevistas que contenham temas relacionados à Psicologia (Psicologia geral. arte. Todos os números são divulgados por meios digitais. A ideia é fomentar a área de pesquisa em Psicologia da Religião – esta “filha mais nova” da psicologia. em Berlin – Alemanha. em 2012. Neste ano de 2013 o ICHTHYS INSTITUTO em parceria com a UNIPAR – Campus Cascavel realizou a primeira pesquisa científica em IMAGINAÇÃO ATIVA aplica- da à área do BRUXISMO. semestral. A publicação ou não do material enviado será definida pela Comissão de Redação a partir dos critérios propostos pelo Conselho Editorial. Psicologia analítica e especialmente Psicologia da religião) e à Religião. não tendo sido publicadas em qualquer outro veículo do país. criado e mantida pelo ICHTHYS INSTITUTO DE PSICOLOGIA E RELIGIÃO.4| EDITORIAL Coniunctio – Revista de Psicologia e Religião é um periódico científico. espanhol. no Brasil na contemporaneidade. Intitulado The Active Imagination Technique for Bruxism Treatment. Sua reprodução em língua portuguesa está sendo feita pela primeira vez no Brasil em nossa revista Coniunctio. resenhas. Psoría- se e Síndrome do Pânico. italiano e francês. sociologia. em maio de 2013 e publicado no WASET: World Academy of Science Engineering and Technology no Departamento de Psicologia e Psiquiatria.

também pode ser acessado no original (World Academy of Science. Foi desenvolvida por Carl Gustav Jung (1875-1961) e busca a compreen- são do símbolo. Engineering and Technology.PR . foi à Europa apresentar os resultados científicos (estatísticos) do trabalho pioneiro com a Imaginação Ativa. A pes- quisa desenvolveu-se graças a uma parceria entre o ICHTHYS Instituto e a Universidade Paranaense (UNIPAR – Curso de Odontologia – Cascavel-PR) e também contou com a participação da Profa. em http://waset. Sonia Lyra é a única profissional no país a promover regularmente cursos de Imaginação Ativa e a desenvolver pesquisas com o uso da mesma. em Berlim. em maio de 2013. que CONIUNCTIO aqui publica. Daniela Ceranto F. |5 A Técnica da Imaginação Ativa no Tratamento do Bruxismo The Active Imagination Technique for Bruxism Treatment Sonia Lyra. tendo como modelo os escritos de santo Inácio de Loyola. Este artigo. pesquisadora e divulgadora da técnica de Imaginação Ativa. intitulado “The Active Imagination Technique for Bruxism Treatment” à comuni- dade científica internacional. e da Odontóloga Tânia Maria Bremm Zaura. Engineering and Technology Vol:76 2013-04-25 ). em inglês. como conferencista em Psiquiatria e Psicologia no World Academy of Science.org/Publications/the-active-imagination-technique-for-bruxism-treatment/15181 Ano 2 | número 2 | 2013 CONIUNCTIO Revista Científica de Psicologia e Religião | Ichthys Instituto | Curitiba . PhD. A técnica da Imaginação Ativa corresponde a uma forma particular de lidar com o inconsciente. Boleta.

F. naire about their condition.Ceranto D. São Paulo: Santos. Ph. orofacial pain. 1| PONTES DG.0000. que pode pro. Dor orofacial. inclui-se o bruxismo. Boleta*** Resumo O objetivo do presente trabalho foi avaliar o efeito da técnica da Imaginação Ativa para o tratamento de bruxismo. mo é a fadiga. Cirurgiã Dentista - Clínica particular . suporte [1].0109). Católica de São Paulo (sonia@ichthysinstituto. bras. mastigar.com. ** Zaura . Inicialmente eles preencheram um questionário a respeito de sua condição referente ao bruxismo. After 15 days. Palavras-chave: Imaginação Ativa. nais. Tânia Maria Bremm Zaura** e Daniela Ceranto F. São Paulo: Pancast. O sistema mastigatório possui várias ati. os voluntários preencheram novamente o mesmo questio- nário inicial.br). Dentre as pa- noções e conceitos rafuncionais.9. p. the volunteers met again the same initial questionnaire. 2. divididas em funcionais e parafuncio- Adquirida de forma inconsciente. lesões nas estruturas de dental e implantes endós. de cerca de 1h de duração.com. composed of objective questions on signs and symptoms. Tânia Maria Bremm Zaura e Daniela Ceranto F. ocorre mordida na terapia oclu. 1. Placas de vidades. durante períodos diurnos. difficulty opening the Oral – UNICAMP mouth. promissores e demonstram a necessidade de a técnica ser considerada por sinalizar a possibilidade de cura Pontifícia Universidade do bruxismo e isto não tem precedente.Terra Abstract Roxa – Paraná . Cirurgiã Dentista.Fisiologia The results were compared and showed that the vast majority had pain symptoms. 2003. It is concluded that the technique can be used in bruxism treatment.br). mandibular (ATM) e cefaleias [2]. Na sequência foram submetidos a uma única sessão. p.Bremm T. Following they were Mestre e Doutora em underwent a single session of AIT. realizada nas dependências da Universidade Paranaense Unipar–campus Cascavel (Brasil). com a hiperatividade muscular. desordens da articulação temporo- v. pain when chewing. Os resultados parecem ser Ciências da Religião.9. composto por questões objetivas sobre sinais e sintomas. bruxism. some of the participants abandoned the interocclusal splint during (dcboleta@unipar. Odontologia . reduced. the evaluate period. Rev. Conclui-se que a técnica pode ser utilizada no tratamento do bruxismo. This project was approved by the Ethics Committee on Human Research (CAAE: 05619512.0000. Initially they filled in a question- C. 99-102. A funcional ou fisiológica inclui os atos de sal.11 A técnica da Imaginação Ativa no tratamento do bruxismo The Active Imagination Technique for Bruxism Treatment Sonia Lyra*. treatment. S. 37-59. *** Boleta . R.br). alguns dos participantes abandonaram o uso da placa durante o período * Lyra. a dificuldade de abertura bucal. 3| PAIVA HJ. mas é mais frequente 1997.0109).D. Referências Keywords: Active Imagination. Introdução seos. Results seem to be promising and demonstrate the need of highlighting Active Imagination Technique since it points a possibility of bruxism cure and that is unprecedented. dor à mastigação. et al. A relação entre bruxismo vocar desgastes dentais. Os resultados dos dois questionários foram comparados e demonstraram que a grande maioria dos participantes teve a sintomatologia dolorosa. in avaliado. Boleta | 06 .60. Oclusão: reflexos protetores e músculos. Concluíram a pesquisa 21 voluntários. Twenty-one volunteers using interocclusal splint completed the study.Brasil The research purpose was to evaluate the effect of Active Imagination Technique (AIT) for bruxism treatment. Após 15 dias. n. (taniazaura@yahoo. que é a incapacidade de resistir Ano 2 | número 2 | 2013 CONIUNCTIO Revista Científica de Psicologia e Religião | Ichthys Instituto | Curitiba . de Imaginação Ativa com uma profissional habilitada (psicóloga).PR . Este projeto foi apreciado e aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa em Seres Humanos (CAAE: 05619512. reduzidas após a sessão de Imaginação Ativa. relacionado A consequência mais frequente do bruxis- básicos.6| A técnica da Imaginação Ativa no tratamento do bruxismo | Sonia Lyra. Bruxismo. falar e deglutir que são controlados por durante o sono [3]. odontol. 1997. 2| MOLINA OF.

bras. Na área odontológica. criando um contato oclu. quando outros cervical da coluna vertebral. mais tratamentos [7]. liar a eficácia da técnica psicológica Imaginação Clin. Rev. MIURA CSN. além dos oclusais estiverem envolvidos.odontol. 57. 7. Conclu- Medicina. 2007. São Paulo: rior que implica em tornar consciente o incons- um forte objetivo de alcançar o sucesso quando ArtesMédicas. tal questionário comparado com os 10| KAST V. Revisão Sistemática de Cohrane. Atual- comumente relacionados ao Bruxismo. A musculatura postural. pode manifestar fatores. v.0000. postas como tratamentos além da odontológica: Ativa para o tratamento de bruxismo em pa- 8| PRIMO PP. p. tamento. USP São Paulo. química ou termicamente ativada. cológicas. sa quando este envolver problemas psicológicos O Estresse e as variáveis psicológicas são como estresse.9. Trata. 2000. cientes portadores da patologia e que neste caso. a Imaginação Ativa. 5. Metodologia MACEDO CR. comparados aos indivíduos controles e não um ciente com a ajuda de sonhos. a forma mais uti. 1.0109). p. Essencialmente é um diálogo a ser tra- p. de grande importância para o clínico. n. mo. utilizam a placa miorelaxante para o alívio dos lógicas sobre bruxismo. II. Tânia Maria Bremm Zaura e Daniela Ceranto F. desconforto se tornem aparentes [2]-[4]-[5]. Placa de mordida incolor. pre- sustentado sem que sinais e sintomas de dor e venindo também sobrecargas para a ATM [9]. 4. n. buscando descobrir do Bruxismo do Sono: do dentre as diversas modalidades terapêuticas e transformar as causas psíquicas das doenças. n. fantasias e imagi- 5| ORLANDO S. et al.A técnica da Imaginação Ativa no tratamento do bruxismo | Sonia Lyra. a qual trata de um percurso inte- oclusão. impor. Importante salientar que as placas também po- [6]. Saúde UNIPAR. 1997. para a escolha de um tratamento adequa. distúrbio de ansiedade [6]. Tese de mestrado A placa oclusal é um aparelho removível íram a pesquisa 21 voluntários. 3. Parece que os bruxômanos têm como caracte. que vivem no inconsciente. Boleta | 06 . 2001. Considerações fisiopato. sintomas. Eles preenche- em Ciências. ansiedade e depressão. que referente ao bruxismo. Na sequência damentos da psicotera- piajunguiana. (mio relaxantes). São Paulo: porciona ao paciente um maior conforto. ou mesmo a associação de dois ou através das quatro etapas da técnica.fun. Dinâmica dos símbolos(a) . Rev. foram submetidos a uma única sessão. 9. em um dos arcos.Jung mento das desordens temporomandibulares e rística serem focados em realizar atividades com (1875-1961). várias linhas de tratamento têm sido pro. v. composto por questões interoclusal para trata- mento de bruxismo. 3. Placas Oclu. ed./dez. dados preenchidos após a terapia. porém mente. 1999. CARMO MRC. BOLETA-CERANTO DCF. O Bru. Escola de Medicina. Ciênc. v. lizada para o tratamento do bruxismo são as Umuarama. desenvolvida por C. de cerca Loyola. p. sal adequado com os dentes antagonistas e um gica visual. especificamente.126-325. nação [10]. dentre as quais uma pouco utilizada é 4| OKESON JP. set. 7| ZUANON ACC. n. estão envolvidos em cada pa. dores crônicas e alterações permanentes futuras O tratamento deve ser direcionado à cau- [2]. melhor relacionamento côndilo disco [8]. na forma de uma escala analó- 183-186. Escola de nos (CAAE: 05619512.PR . Objetivo 2007. 2000. Odontol. Arq. USP São Paulo. São frequentemente usadas sais para Tratamento do Este projeto foi apreciado e aprovado pelo Bruxismo do Sono: Revisão como um dispositivo para diagnóstico e/ou tra- Comitê de Ética em Pesquisa em Seres Huma- Sistemática de Cohrane. 13. p. forma numérica. 20096| III. O importante é determinar quais fatores. Devido ao caráter multifatorial do Bruxis. geralmente confeccionado com resina acrílica ram um questionário a respeito de sua condição 9| OLIVEIRA ME. Tese de mestrado em Ciências. placas de mordida interoclusais estabilizadoras 263-266. tante para a proteção dos elementos dentários. Placas Oclusais para Tratamento ciente. de Imaginação Ativa com uma Ano 2 | número 2 | 2013 CONIUNCTIO Revista Científica de Psicologia e Religião | Ichthys Instituto | Curitiba . há um grande interesse em técnicas psi- alguns estudos comprovam falhas nesta relação. existentes.G. xismo está à solta. 41-43. localizada na região dem agir apenas como paliativas. O objetivo do presente trabalho foi ava- Bruxismoinfantil. 308-311. Pro. recobre a superfície oclusal/incisal dos dentes objetivas sobre sinais e sintomas expressos em do CROMG. a farmacológica e a psicológica. v. de 1h de duração. vado com as diferentes partes de nós mesmos 6| MACEDO CR.11 |7 durante um tempo determinado a um esforço relaxamento dos músculos hipertrofiados.

aperta.Você fez algum tratamento recente O resultado de ambos os questionários fo- para problema não identificado no articular ram comparados e expressados estatisticamente. Onde: a ( ) dor de cabeça b ( ) dores no pescoço c ( ) dores nos dentes IV. 10. dor ou ambas 16. falar ou usar seus maxilares? usar a placa? __________________ ( ) sim ( ) não 4.Pode indicar em um número seu ín- 2.Você sofreu algum trauma recente na Dos 21 voluntários.Você tem dor nas ou ao redor das maior incidência. ( ) sim ( ) não qual: tes antes e depois de 15 dias da terapia _________________________ com a tècnica da Imaginação Ativa. têmporas ou bochechas.Sua mandíbula fica “presa”. pescoço ou maxilares? dependências da Universidade Paranaense Uni. tomas foram abrandados pelo uso da placa mio dos ou cansados com regularidade? relaxante. dor ou ambas 14. orelhas. por exemplo.Após iniciar o uso da placa as dores ao abrir a sua boca.7%) eram do gê- Ano 2 | número 2 | 2013 CONIUNCTIO Revista Científica de Psicologia e Religião | Ichthys Instituto | Curitiba .Usou algum aparelho? Questionário aplicado aos pacien.O que sente quando fica/ficou sem ao mastigar. Boleta | 06 . 18 (85. os 9. “travada” dice de ansiedade de 0 a 10 (0 mínimo e 10 ou sai do lugar? ( ) sim ( ) não máximo)? 3.Você tem dificuldades. usada principalmente à noite quando ( ) sim ( ) não durante o sono o bruxismo se manifesta com 6.Você percebeu alguma alteração re- voluntários responderam novamente as mesmas cente na sua mordida? ( ) sim ( ) não perguntas.PR . Resultados 8.Você percebe ruídos na articulação de Os voluntários selecionados para a pesqui- seus maxilares? ( ) sim ( ) não sa eram pacientes bruxomanos cujos sinais e sin- 5.Você tem dificuldades. mandibular? ( ) sim ( ) não 11. Após 15 dias. 12 – Sente que seus dentes desgastaram Nome nos últimos tempos? ( ) sim ( ) não Data:___/_____/_____ Sexo: 13 . realizada nas cabeça. Tânia Maria Bremm Zaura e Daniela Ceranto F. Todos os voluntários foram informados ( ) sim ( ) não sobre a metodologia a ser empregada e dos be- 7.11 profissional habilitada (psicóloga).Usa placa de mordida? ( )F( )M Idade:____ anos ( ) sim ( ) não Há quanto tempo? Nascimento: ____/____/____ ______________________ 1.Seus maxilares ficam rígidos. ( ) sim ( ) não par – campus Cascavel (Brasil). ao bocejar? reduziram? ( ) sim ( ) não ( ) sim ( ) não 15.8| A técnica da Imaginação Ativa no tratamento do bruxismo | Sonia Lyra. dores no nefícios que teriam na possibilidade da redução pescoço ou nos dentes com frequência? da sintomatologia e em deixarem assim de ter de ( ) sim ( ) não usar a placa mio relaxante oclusal para dormir e então assinaram o termo de consentimento.Você tem dores de cabeça.

dor ou ambas para abrir a boca 80.00 % _ 28.A técnica da Imaginação Ativa no tratamento do bruxismo | Sonia Lyra.00 % _ gênero feminino e 3 (14. 18 (85.42 % FIGURE 3 B antes e depois do tratamento (b) o fato de a mandíbula ficar 70. 90.00 % _ Dos 21 voluntários. do maxilar antes e depois do tratamento 35. “travada” ou sair do usando os maxilares (b) a presença de ruído na articulação lugar.00 % _ 28. as respostas estão na 0. Sobre 15.33 % FIGURE 1 A Referente aos maxilares ficarem rígidos.00 % _ 23.00 % _ 40. 10. 80.00 % _ 10.00 % _ tigar.33 % 30.00 % _ 42.PR .2 (b) (b) a presence de dor nas ou em torno das orelhas. 30. pescoço. as res.00 % _ 33.00 % _ 40. 2 (a) Dificuldade.00 % _ FIGURE 1 B 80. 5. Quanto a presença de ruídos na articulação dos maxilares.00 % _ 85.00 % _ respostas foram expressas na Fig.00 % _ presa.45 % FIGURE 2 A 40.19 % FIGURE 2 B 70.00 % _ 0.00 % _ apertados ou cansados com regularidade.80 % 40.mastigar ou de a mandíbula ficar “presa”.00 % _ referiu tal evento. Referente ao fato Fig. 3 (a).33 % lino. todos respon- 5.00 % _ Before Treatment After Treatment Fig.11 |9 nero feminino e 3 (14.00 % _ 10. as respostas expressas na Fig.00 % _ Sobre dificuldades. articulações.00 % _ 40.00 % _ Quando questionados sobre dificuldades.00 % _ 10.00 % _ 33.00 % _ 10.00 % _ dor ou ambas ao abrir a sua boca.45 % 70. 1 (a) A dificuldade.00 % _ Before Treatment After Treatment Before Treatment After Treatment Fig.7%) eram do 60. dor ou ambas ao falar.00 % _ Quando perguntados sobre trauma recen- 35.00 % _ 30. 50.71 % FIGURE 3 A 50. as respostas Before Treatment After Treatment foram expressas na Fig. tempo- ras e bochechas antes e depois do tratamento.57 % 20. cansados ou apertados com regularidade antes e depois do tratamento postas estão expressas na Fig. os resultados Before Treatment After Treatment estão expressos na Fig.00 % _ 0. 3 (a) Sobre os maxilares ficarem rigidos. as 19. 3 (b).04 % 20.00 % _ têmporas ou bochechas. dor ou ambas ao mas.00 % _ o uso da placa mio relaxante. Tânia Maria Bremm Zaura e Daniela Ceranto F.00 % _ 20.00 % _ 30.28%)do gênero mascu. Fig. falar ou usar seus maxilares.57 % te com cabeça. ninguém 25.28%)do gênero masculino. 45.00 % _ 76.00 % _ 20.00 % _ 0.00 % _ 71.00 % _ 42.00 % _ a presença de dor nas ou ao redor das orelhas.00 % _ 0.00 % _ 10. 1 (b).00 % _ 60.00 % _ 25.00 % _ deram que usavam o aparato oclusal antes do Before Treatment After Treatment tratamento por períodos que variaram entre os Ano 2 | número 2 | 2013 CONIUNCTIO Revista Científica de Psicologia e Religião | Ichthys Instituto | Curitiba .00 % _ 33. 0.00 % _ 50. 2 (a).travada ou fora do lugar antes e depois do tratamento 60.00 % _ 20.00 % _ 50.00 % _ 30. 1 (a). Boleta | 06 . 30. Quando perguntados sobre 15.00 % _ 20.

Na odontologia o tratamento recomendado pletas. Um mês depois da terapia. 4. mas não sistematizado. da placa oclusal foi o que motivou a participa- ção dos voluntários na pesquisa.00 % _ 95. com inovações devido às novas expe- a ansiedade ao estresse e ao desenvolvimento de riências também nós ampliamos a técnica. Tânia Maria Bremm Zaura e Daniela Ceranto F. Johnson ampliou Em se tratando dos aspectos psicológicos.PR .23 % FIGURE 4 90.00 % _ No caso deste trabalho. prevalente em pacientes adultos que vivem sob tensão emocional. consequente aumento de episódios de ranger de pescoço ou dentes.70 % FIGURE 5 4. apenas sintomas psicossomáticos. através da Imaginação Ativa. Boleta | 06 . 33. INNER WORK (1987) [12]. 4 A presença de cefaléias. 33. A ansiedade. restaurações.00 % _ siva [11].70 % motivou a elaborar uma pesquisa científica. tendo como modelo os escritos de santo Inácio de Loyola. Fig. Ano 2 | número 2 | 2013 CONIUNCTIO Revista Científica de Psicologia e Religião | Ichthys Instituto | Curitiba . 5 emocionais inconscientes relacionados ao bru- xismo. foi o que 4. ortodon- a ser revisto nos anos 80 por Robert Johnson e tia. 60.00 % _ sido tratados com a terapia odontológica e fa- Before Treatment After Treatment ziam uso da placa mio relaxante. A Técnica click da Imaginação Ativa: por Sonia Regina Lyra: 42. o método baseado em sua própria experiência e os portadores do bruxismo são mais vulneráveis que agora.00 % _ lecionados para participar da pesquisa haviam 10.00 % _ 20.33 % pain avaliando a eficácia da Técnica da Imaginação disconfort Ativa na remissão do bruxismo e consequen- clenching asymptomatic temente dos seus sinais e sintomas. Para o psicólogo suíço V. usados publicado no livro: A chave do reino interior – pelos pacientes por longo prazo [11].33% dos participantes ainda usavam a placa emoções negativas e frustrações causam aumen- mio relaxante. agressivos 100. os pacientes se- 30.00 % _ 0. que são hiperativos.00 % _ 47. é o uso de dispositivos intra-orais. Discussão faltava nos exercícios a resposta que poderia ser O diagnóstico clínico do Bruxismo é re- dada pelas figuras que surgiam do inconscien- alizado avaliando os sinais e sintomas presen- te. o conceito veio além de ajustes oclusais. a tensão. O vislumbre da Quando questionados sobre o que senti- possibilidade destes pacientes ficarem livres do ram ao ficar sem usar a placa oclusal apos a tera- aparato oclusal noturno.11 participantes. to da hiperatividade muscular.61 % 40.40 % como solo específico da psicologia analítica”.00 % _ 70. redução da taxa de secreção salivar durante o sono e vigília e Referente a presença de dores de cabeça. as respostas estão expressas dentes durante o sono. as respostas estão expressas na Fig. 5 Sentimentos após a terapia desenvolve uma técnica psicológica para a busca e compreensão do símbolo que denominou ima- ginação ativa.00 % _ ou que apresentam uma personalidade compul- 80.40 % lingual pressing JUNG (1875-1961) tomando “a hermenêutica 9. O retorno dos Fig. Amplamente difundido em suas obras com- tes. abordando os núcleos pia. Esta característica é mais na Fig.85 % 9. dores no pescoço ou nos sintomas e sinais após a descontinuidade do uso dentes antes e depois do tratamento.00 % _ 50.10| A técnica da Imaginação Ativa no tratamento do bruxismo | Sonia Lyra.

co do paciente bruxomano deve ser levado em Psycotherapy. Conclusão VES LR. se fosse físico-biológico. Ano 2 | número 2 | 2013 CONIUNCTIO Revista Científica de Psicologia e Religião | Ichthys Instituto | Curitiba .1. para 1993. dor à interior. Quando se pratica a Imaginação Ativa as foi evidente. os desequilíbrios entre as atitudes do ego Buena Vista.11. mesmo sendo feita apenas uma ses- Movie Comedy. ciente do indivíduo na experiência imaginativa. BARBOSA RC. No critério de avaliação dos pacientes o tra- temos algo vago que nos incomoda.G. n. 1989. mas Este trabalho demonstrou a necessidade em sua grande maioria estes são expressões de da técnica da Imaginação Ativa ser considerada complexos conflitos da psique.L. em determinados uma irritação ou um sintoma que aparece como casos ser considerado. Tânia Maria Bremm Zaura e Daniela Ceranto F. Turteltaub. Bruxismo diálogo a ser travado com as diferentes partes Os resultados dos dois questionários fo- durante o Sono. dia de Dante [13]. Incorporates. um conflito. mento do bruxismo. Você Neurocências.Princeton University mos e que aparecem na vida diária em forma de Press. os sintomas são alte. AZEVEDO A. Os resultados parecem ser ted Works 1952 sintomas. São Paulo: Ed. nenhum sinto- ma deixa de ser também físico-biológico. A finalidade principal da técnica é propor. um VI. muitos dos participantes abandona- 13| ALIGHERI D. tamento farmacológico deve. Um exemplo li. etc. fala com as imagens e elas respondem. ram comparados e demonstraram que a grande p.Vol. ram o uso da placa durante o período avaliado. Conclui-se que a técnica psicoterápica da inconsciente das quais geralmente nos desliga- 14| JUNG. ou Answer to JOB [14] e no cinema o filme Duas Vidas (título original: Disney´s The kid [15]. Belo Horizonte Itatiaia cionar a comunicação entre o ego e as partes do 1984.331p. são de uma hora para cada participante. 4ª ed. Claro. Boleta | 06 . GONÇAL. Shambhala os opostos complementares podem ser reuni- Publications. Director Jon coisas mudam na psique. ção Ativa. A chave do reino dolorosa. v.M. In. imagens que surgem são de fato símbolos vivos nerWork. dos.PR . C. reduzidas após a sessão de Imagina- Mercuryo. A Divina Comédia. Disney Productions. porque a função específica do símbolo é a o correto restabelecimento da função mastigató- transformação da energia psíquica. consideração como parte do procedimento. Por exemplo. R.11 |11 11| ALOE F. a dificuldade de abertura bucal. 4-17. Imaginação Ativa é essencialmente. Rev. de nós mesmos que vivem no inconsciente. Answer Imaginação Ativa pode ser utilizada no trata- to Job. fantasias passivas. V. XI of the Collec. Distributor: rados.A técnica da Imaginação Ativa no tratamento do bruxismo | Sonia Lyra. Essas maioria dos participantes teve a sintomatologia 12| JOHNSON. 2003. e a essência dessa técnica é a participação cons- mastigação. preocupações. promissores visto que neste trabalho o sucesso 15| DISNEY’S THE KIDS. ria. como tratamento para o bruxismo e por sinalizar terário de Imaginação Ativa é A divina Comé. vols I e II. 2002 Salientamos que o tratamento odontológi- e os valores do inconsciente são remediados e 16| FRANZ. a possibilidade de cura isto não tem precedente.

PR .12| Imagem: reprodução Algumas reflexões comparativas sobre as tradições religiosas judaicas. Viktor D. proto-cristãs e gregas arcaicas. Salis Ano I2||número número12||2012 2013 CONIUNCTIO CONIUNCTIORevista RevistaEletrônica Científica de Psicologia e Religião | Ichthys Instituto | Curitiba .

Salis |13 . Faculdade Católica de Comemos o “fruto da árvore do conheci. Já na tradição grega. porque desobede- Faculdade de Medicina algo que continuaremos a praticar para sempre. da do uso do saber para a criação e não para a fenomenologia zem para a humanidade as leis necessárias para se destruição. não é de hoje que estas Santos. Mas a questão fundamental Ética não é conduta moral. aproxima o homem de Deus”. mas que façam os Universidade de morrer com dignidade e honra” para ser aplica- homens imita-lo aqui na terra. Em Abrem-se agora as duas grandes questões ambas encontramos um lugar mítico onde pode.br) “o fogo dos deuses” para dá-lo aos homens. E qual é seu verda. Estes mensageiros tra. É sempre oportuno PUC SP. mesmo longe do paraíso. sendo que a grega pelas leis dos deuses. viver e viver. gundo as leis divinas da vida. proto-cristãs e gregas arcaicas | Viktor D. doutor pela Universidade antiguidade grega. Na verdade. arcaica: O conhecimento por si só é um risco para Comecemos pela própria etimologia da a vida e para a criação. cera a suas ordens de abandonar o corpo de seu de Jundiaí. unir o homem novamente a Deus. Salis enviados de Deus. Na tradição Psicólogo pela minho: Moisés para o judaísmo e Orfeu para a judaica isto só pode ser alcançado cumprindo PUC SP. quando de Mogi das Cruzes. Vale recordar de Genève (Epistemologia que fomos expulsos do paraíso porque a humani. nem mesmo outro rei. aqui na terra e enquanto em vida. o divino se afasta dos homens quanto culto e a judaica sobrevive galhardamente por sua impiedade. vemos na Ilíada dos Mitos) e pela o ensinamento da lei sagrada de “nascer. mento” na tradição judaica. São o conhecido e Verdade. insepulto: Metropolitanas Unidas. (nascer. mas pelo seu desvario. verdadeiros mente pode ser alcançado quando ele O imita (o * Viktor D. porque privilegiaram as con- há milênios e milênios. e será que somente os nossos recordar a fala de Antígona de Sófocles. homem é o instrumento de Deus).Algumas reflexões comparativas sobre as tradições religiosas judaicas. Universidade deiro significado. pois facilmente pode des- palavra religião: significa literalmente “re-ligar”. Professor chamada de pecado original.PR . ambas as tradições. e prossegue exaltando o Genética pela dade cometeu uma falta fundamental – também jovem a imitar os deuses tornando-se criador se- Universidade de Genève).cujo nome significa ”aquele suas leis (os dez mandamentos) que são a medi- de Salzburg ( A que veio curar pela luz”.mas sim “o estado de alma que um caminho. viver e morrer com dignida- (vdsalis@terra. Em pertence às chamadas religiões desaparecidas en. para alcançar esta reunião cósmica. nificado original: ligião grega antiga. Mais ainda. ou seja. “Não é de ontem. truir tudo a sua frente. Prometeu roubou leis existem. proto-cristãs e gregas arcaicas Viktor D.com. e este estado so- encontramos em ambos os profetas. um exame quistas do conhecimento e não a medida de seu mais atento revela notáveis pontos em comum. Eis o homem do sec. Comecemos por defini-las em seu sig- paraíso do judaísmo e os “campos Elíseos” da re.esta se refere em ambas as tradições é que propõe ao homem aos costumes. Agora está clara a metáfora bíblica e Greco- modo que vale a pena apontá-los e descreve-los. pode parecer-nos que não quis dar aos homens “a medida de seu uso” e a única coisa em comum que estas duas tradi. da condição humana perante a existência: Ética remos nos dirigir após a morte. desde então os homens não são mais governados ções têm é a sua antiguidade. para iluminarem nosso ca.14 |13 Algumas reflexões comparativas sobre as tradições religiosas judaicas. Faculdades afastando-nos assim cada vez mais do divino? irmão aos cães. ou será que se trata de interrogada pelo rei Creonte. XXI. Ano 2 | número 2 | 2013 CONIUNCTIO Revista Científica de Psicologia e Religião | Ichthys Instituto | Curitiba . Salis* Num primeiro olhar. de uso. da por todos os mortais. antepassados a cometeram. mas de) e ninguém é seu autor.

pois esta é sua lei maior. A mim.” até mesmo teu corpo e teu nome terás de devolver aos deuses. Ano 2 | número 2 | 2013 CONIUNCTIO Revista Científica de Psicologia e Religião | Ichthys Instituto | Curitiba . Não te esqueças de que o sagrado dever de dar-lhe uma morte digna e nada é eterno aqui e de que tudo aqui deixarás- honrada. seu acúmu- é tarefa dos deuses. É que a força extraordinária. E não a criação. atribu. Tudo aqui é emprestado e somente tua Semelhante grandeza encontramos nos en- alma te pertence e podes cultivar ou abandonar. deram. Mas o que é isto? Será do modo que pudermos – mas com esforço e de- simplesmente a confirmação dos fatos ou a de. mas gaste-o bem para tua evolução e para servir Não vim aqui para semear o ódio e a morte. outra oportunidade trataremos do assunto com a Lemos na “Tábua das Esmeraldas”. damental: a Verdade.” ção judaica. Precisa mais para entender de que não partir desta vida mais plenos e aperfeiçoados do se trata de simples coincidência? Quem sabe em que chegamos. sigo-as espa. Ademais. Salis |13 . compete lo é uma coisa vã e tola. sapego. doze são os trabalhos de dade reside em bastar-se no que se é. De modo sim- Vejamos agora o segundo conceito fun. de não enganarmos nem o número doze.é sinamentos do rei Salomão e em Davi e Golias. ples e preciso. como irmã. foi feito para ser completamente gasto – lhando a vida e o amor. não passar desta vida sem “ter um filho. doze é o número sacro das tempo e procurar evoluir.14 São dos deuses e entre desobedecer a suas leis e ída a Hermes Trimegisto – o deus dos caminhos as de um rei. quando pede ao homem para seu fundamento ético inabalável. de modo a podermos pirâmides. nhecer que isto é modesto e grandioso ao mesmo doze são os apóstolos. reside no fato de serem Não é diverso o ensinamento encontrado religiões que celebraram a vida e a criação como na tradição judaica. mesmo que isto na tradição helênica: “O corpo. Serve os deuses e lembre-se de que a serei eu a julgar meu irmão pelos seus atos – isto riqueza é um bem destinado ao uso. impormos a nos mesmos ideais quiméricos – pois doze são os deuses da tradição grega: doze são a tantos custaram sua saúde e integridade.14| Algumas reflexões comparativas sobre as tradições religiosas judaicas.PR . mas o espa- interior. busca os mestres para te para citarmos somente alguns exemplos da tradi- guiar de volta para a eternidade. escrever um livro e plantar uma árvore”. que advém da certeza de sermos exata- ço não nos permite aqui abordá-los. por favor! monstração científica? Nada disso! A verdade nas Há muitos outros pontos de encontro en- tradições arcaicas é simplesmente a iluminação tre estas duas belíssimas tradições. atenção que ele merece. e muito menos tradição helênica: Doze são as tribos de Israel. pede-nos para servirmos a Deus. tanto na helênica como na judaica. proto-cristãs e gregas arcaicas | Viktor D. tão importante na Caballa e na ao outro e nem a nós mesmos. tua a escolha e se assim é. a elas me entrego. Cito apenas mente aquilo que somos. em reco- Hércules. que os deuses te possa me custar a morte. doze são os meses do ano e as horas. A ver- os signos do Zodíaco.

20 Ilustração: Rogério Borges Aspecto religioso do processo de individuação Regina Maria Grigorio e Sonia Regina Lyra Ano 2 I ||número número12||2012 2013 CONIUNCTIO CONIUNCTIORevista RevistaEletrônica Científica de Psicologia e Religião | Ichthys Instituto | Curitiba .PR . |15 Uno e trino: a visão de Deus de Nicolau de Cusa – O amor é uma essência ternária | Sonia Lyra |11 .

and religiousness Psicologia Analítica e Religião Oriental e Oci- dental – FAVI Faculdade Introdução à prática da psicoterapia e sua importância no Vicentina . adentrando-se a estrutura da psique através de outros conceitos fundamentais como: inconsciente. Doutora em Ciências pela qual se exprime” (1967.PR.Curitiba . It begins talking about the concept of persona. Ano 2 | número 2 | 2013 CONIUNCTIO Revista Científica de Psicologia e Religião | Ichthys Instituto | Curitiba . resta o de TCC lidade propor uma reflexão sobre o aspecto reli. realizou experiências e fez investigações a Constata-se que o símbolo. símbolos produzidos pelo inconsciente. associando-o todos os acontecimentos relacionados à sua vida. Inicia-se o trabalho discorrendo sobre a persona. seja apenas outra alma humana (Carl Jung). surge como a possibilidade de evocar o arquétipo ** Sonia Regina Lyra duais e coletivas e acerca da linguagem simbólica e que por meio dele se contempla a individuação. problema da interpretação. tendo como objetivo conhecer o comportamento religioso do ser hu- mano em seus aspectos éticos e psicológicos. respeito do inconsciente. love without measure.28 Aspecto religioso do processo de individuação Regina Maria Grigorio* e Sonia Regina Lyra** Conheça todas as teorias. processo de individuação e outros de igual importância para o desenvolvimento desta proposta. Analista Uma vez compreendida a importância dos Junguiana. si-mesmo. aiming to meet the religious behavior of human beings in their ethical and psychological aspects. o amor sem medida: que foi designado por alguns autores como o amor de Deus pela humanidade. Self.Palavras-chave: Bem-aventurança. Palavras-chave: Inconsciente. Resumo Através deste trabalho procura-se oferecer uma introdução às considerações de Carl G.com) quisas.PR . Polo: Guaíra – PR Carl G. da Religião. religiosidade. em (seus estudos) suas pes- (mgqueen@hotmail. Jung’s individuation process. Orientadora Este trabalho de pesquisa tem como fina. p. mas ao tocar uma alma humana. Jung. processo de individuação.br) gioso do processo de individuação. Abstract Through this study we aimed to provide an introduction to considerations of Carl G. Jung on the religious aspect of the individuation process. 15). contentamento. Empi- rical observation shows that it is through religion that man finds himself and experiences the greatest love. Pós-graduanda em Keywords: Unconscious. na obra de Jung. usando como metodologia o estudo de bibliografias que tratam desse assunto. A observação empírica demonstra que é através da religiosidade que o homem se encontra a si mesmo e vivencia o amor maior. Jung sobre o aspecto religioso do processo de individuação. which was designated by some authors as the love of God for humanity. si-mesmo. felicidade. terceira margem. Jung.com. “suas estruturas indivi. self.16| Aspecto religioso do processo de individuação | Regina Maria Grigorio e Sonia Regina Lyra | 16 . individuation process and others of equal importance for the development of this * Regina Maria Grigorio proposal. domine todas as técnicas. using methodology as the study of bibliographies that address this matter. into the structure of the psyche through other fundamental concepts such as unconscious. Jung levou em conta (sonia@ichthysinstituto. comportamento do indivíduo.

que: “o processo de individuação só é real Jung descreve: se o individuo estiver consciente dele” ( JUNG et A persona é uma imago do sujeito. p. seu próprio centro. grande parte de materiais coletivos como a ima- O símbolo atua como uma ação mediadora. 2003. que usada no teatro grego. realização do si-mesmo nessa direção ( JUNG et al. ligião começava a ser substituída pelos inúmeros namentos sobre a origem e a finalidade da vida. Ao considerar a persona constituída por to de “processo de individuação”. Portanto.” Ele acreditava que toda expe. Já naquela época a re- resses pelos fenômenos psíquicos e seus questio. com a sociedade Nesse sentido. portanto. A Persona e a Sombra ção dos sonhos fizeram com que Jung percebesse. 153). que oportuniza a transformação interior. afazeres. dignas o único objetivo da psique era o encontro com de serem ocultas. ( JUNG. À medida que se pessoal e de mais rebelde a toda comparação. go do objeto. Na psicologia. serve tam- quem sonha. maturidade do psiquismo. no que tem de mais no desenvolvimento positivo. “Esses máximo de sua unicidade. o processo de individuação onde ele vive. a partir da observação de um grande número de Persona era o nome que se dava à máscara pessoas e do estudo dos seus próprios sonhos. com frequência. “Em seus estudos sobre religião. nomia dos arquétipos” ( JUNG et al.. Definia os papéis caracte- esses dizem respeito. Po. p. portanto. compromisso com a sociedade: o eu identifica-se que leva à totalização. sonhos. porém. traduzir a palavra individuação por penhar um papel. 2008. e os papéis que desempenha para ser seria como uma forma de o ser humano alcançar o aceito pelo grupo social ao qual pertence. Quando buscava o conhecimento de bém como proteção contra características inter- si mesmo e o significado da vida. a partir um senso de responsabilidade e capacidade de Ano 2 | número 2 | 2013 CONIUNCTIO Revista Científica de Psicologia e Religião | Ichthys Instituto | Curitiba . ção criativa e está ligado à busca de si mesmo. de modo algum. [1]. Isso significa suas profundezas. A individuação é um processo lento e gradativo No entanto. sem que. Quanto mais o eu identifica-se com a persona. 158). municação com o mundo externo. p. desenvolvendo riência religiosa apareceria na consciência. O significado e a fun- 1. constituída em al. p. grande parte pelos materiais coletivos.. 163). 2008. pois. Jung per. mais com a persona do que com a individualidade. acrescentando. Quanto à persona. fantasias. à vida de rísticos de personagens. 2008. tomar consciência de si-mesmo. através de um processo de crescimento. o ego se altera gradualmente realização de si-mesmo. em grau variado. Trata-se sempenhar. a qual se pode entender fatores inconscientes devem sua existência à auto- como a mais íntima e profunda expressão do ser. a desem- der-se-ia. seus inte. no momento em que perdeu o contato com do desenvolvimento psicológico. face externa para proporcionar realidade viva ao nosso si-mes- da psique. começa a agir de determinada maneira. e diante disso questionava: O que fazer Desenvolveu estudos sobre a persona. última e irrevogável. um papel importante da realização do si-mesmo. é necessário que ocorra uma di- cebeu que a cultura do século XX perdera a sua ferenciação entre o ego e a persona no decorrer alma. é um produto de que auxilia o processo de transformação interno.PR . percebeu que nas consideradas indesejáveis e. isso signifique individualismo.Aspecto religioso do processo de individuação | Regina Maria Grigorio e Sonia Regina Lyra | 16 .28 |17 tais como intuições. 104).. O eu é O processo de individuação é uma realiza- desindividualizado ( JUNG. a persona é também um instru- de transformação e aponta para a possibilidade mento precioso para a comunicação. acompa- Sombra e anima/animus são também con. considerada como sendo a máscara ou mo? Para que direção nos move o fluxo da vida? fachada aparente do indivíduo para facilitar a co. das profundezas da psique. 1978. então chamou esse movimen. tanto mais o sujeito é aquele que aparenta. p. 213). nhado por um intenso sentimento de busca por si ceitos que vêm à consciência e contribuem para a mesmo. Ela pode de- da nossa unicidade.

Isto é o que você tem própria sombra. na verdade. A dualidade. O ego negativo diz: Não seja autêntico. na verdade. a sombra representa o que para a consciência começa quando se aprende a consideramos de mal e não nos damos conta de quebrar a unidade primordial da inconsciência que nos pertence. desejaria esquecer ou fingir (sombra) que se chega à mudança.18| Aspecto religioso do processo de individuação | Regina Maria Grigorio e Sonia Regina Lyra | 16 . mas que existem sob uma si-mesmo. É parte de si mesmo que deve se classificar em opostos não só os fenômenos ex- tornar consciente. É suas afirmações que estão incluídas as variadas e o caminho de uma busca consciente de um auto.. Inicia-se o processo de quanto o bem. Destacando o lado positivo da sombra. sem valor. p. pois possibilita a percepção dos aspectos desconhecidos da perso. sem que seus aspectos ve. 49). Não que ele se aventura a passar uma imagem distorci. “Não se exceda. Ela é exibida de maneira a facilitar a evolutiva rumo à individuação. vá fundo. seus traços e de suas características” (1988. A sombra se revela no ser humano toda vez seja aceitável. A questão sobre do homem. o frag- Em geral a sombra contém valores neces. por forma que torna difícil a sua integração na vida conta de sua aparente ausência de violência. encontra-se no âmago da luta humana. repetidas referências à sombra. mesmo foi separada. pois nela pressente a presença de que encarar para ser autêntico. que constata-se que a mesma nasceu conosco para são.PR . negados. aqueles aspectos da personalidade com que os in- O fator essencial é que uma parte do si- divíduos se adaptam ao mundo exterior. a soma de todas as qualidades desagradáveis que o indivíduo quer esconder. os quais podem ser idênticos ou não Ao definir a sombra. mento “ruim” perde contato com a essência do sários à consciência. raiva de cada um. É o arquétipo da mente a companhia da sombra em sua viagem adaptação. mas. Esse é o si-mesmo adulto. suas próprias personalidades e características. p. está no centro da experiência humana. o indivíduo terá invariavel- ticas básicas de adaptação social. seu o conhecimento da sombra é fator importante no próprio lado obscuro” (1978. 38). aversivos tomem a personalidade. processo de autodescobrimento. 204). citando Jung. fazendo parte de nós tanto original” (1989. “o Segundo Jung. inclusi- pria evolução espiritual. à transforma- que nunca existiu. “o caminho Para Samuels. p. Depois de separado. p. o ego que se adaptou tão bem ao mundo e às outras pessoas O conflito entre o que se é e o que se deseja ser (CHOPRA Et Al.. faça nada de novo ou diferente. citado por Samuels. a parte que consideramos “boa”. É através de mim tudo que. p. da qual se deve tomar ciência de somos incapazes de lidar ou incapazes de aceitar. Para Johnson. “a som- lado inferior. 2010. São todos gem ideal que o ser humano faz de si mesmo. pois ameaça a ima- à vida social cotidiana” (1988. p. a outra pessoa em um indivíduo. ção para um ser pleno e livre” (SAMUELS et al. colocando-a a serviço da pró. 24). O ser humano sempre temeu sua Olhe para dentro. A máscara é usada pelo indivíduo em res- posta à sua necessidade de desenvolver caracterís. 128). 204). senta a máscara que deve utilizar em sua adaptação A sombra amedronta. comunicação com o mundo externo e a sociedade. 1988. – A sombra diz: da de si mesmo. O desenrolar do processo de individuação Ano 2 | número 2 | 2013 CONIUNCTIO Revista Científica de Psicologia e Religião | Ichthys Instituto | Curitiba . Neste sentido. da personalidade. “A pessoa repre. suas sombras. portanto. nalidade e daqueles que não são desejados. e medo. “A sombra é como uma proteger todo o material interno com o qual nós companheira. Jung deixa claro em aos padrões e expectativas externas e coletivas. o lado negativo conhecimento. ternos que atingem o ser humano. seja normal.28 julgamento. e primitivo da natureza bra é aquilo que não se quer ser”.

Todos os pinheiros são muito parecidos (ou não são heroica pode alcançar o mesmo efeito. segundo Jung. a deci- sempre às leis e regras da vida consciente. cuja realização É por meio dos sonhos que se passa a co. Apresenta-se negativos. o individuo a realizá-lo.PR . 2008. 223). p. p. da qual não soa tem que realizar algo de diferente. descobrimos que 1.. 64). leva a uma visão mais clara e eficiente da perso- A plenitude supera a sombra ao absorvê-la. Mas. Nesta personalidade inferior está con. causados por outras partes. Antes de se ter tempo para pensar.1 A Realização da Sombra o ecossistema está to-talmente interligado. eles nunca são perfeitamente idênti- cos. para se da “sombra”. porque ela sempre aparece nos sonhos Apesar de muitos problemas humanos serem sob uma forma personificada: semelhantes. Jung (2008.2 O crescimento psíquico possível a atitude consciente aos fatores incons- A personalidade.. A plenitude modifica A sombra. Quando o inconsciente se manifesta de for- transcender. Às vezes uma deci. p. ordinariamente. 2010. Não há parte alguma do planeta que possa ser sombra e sua influência no processo de individu- isolada.Aspecto religioso do processo de individuação | Regina Maria Grigorio e Sonia Regina Lyra | 16 . p. consciente por meio da individuação representa nhecer aspectos da personalidade que por várias o marco final do desenvolvimento humano para razões se optou por não olhar mais de perto. isto é. é ai processo de individuação. lidade aquele que é capaz de dizer um sim cons- ciente ao poder da destinação interior que se lhe Dessa maneira. p. como sendo “o ideal do adulto. nalidade e do si-mesmo. 71). nenhum é exatamente igual ao outro. mente seu (2008. confrontando-nos com uma O desafio maior para se adquirir equilíbrio situação que não tencionávamos criar consciente- emocional é tomar consciência da sombra. lidade ( JOHNSON. 222). p. Os comportamentos de todas as pessoas afetam a to- Este item tratará do desenvolvimento da dos.28 |19 começa em geral com uma tomada de consciência varão e a conscientização das projeções. comete-se a má ação. depois de algum tempo surge à necessidade de readaptar da melhor forma 1. afastando a pessoa de si mes- a sombra não significa lutar contra ela e sim a ma. aceitando o que parece ser uma crítica dade do homem. são errada é tomada. Somente pode tornar-se persona- (2008. e. o que mente ( JUNG et al. faz com que igno. quando se transcende. exclusiva- tem consciência. conforme a postura se modifica. de um componente da perso. toda perspectiva (CHOPRA et al. como expressão da totali- cientes. esse processo se dá por meio de mecanis- tante processo de autoconhecimento. irrompe a tido aquilo que não se enquadra ou não se ajusta observação maldosa. mas os reconheceríamos como pinheiro). Se a pessoa se enche de torna-se difícil resumir as infinitas variações do raiva quando alguém lhe aponta um defeito. como se fosse imune aos danos ecológicos ação. remos as próprias fraquezas e as projetemos nos A descoberta da sombra supõe um impor- outros. termo sombra para a parte inconsciente da perso- nalidade. Como se pode analisar na observação de Jung: Depende muito de nós a nossa sombra tornar- se nosso amigo ou inimigo. p. apresenta sintomas A sombra não consiste de omissão. 222). É o período situado além da metade da existência” o que Jung chamou de “realização da sombra” (2006. Conquistar mos inconscientes. Ano 2 | número 2 | 2013 CONIUNCTIO Revista Científica de Psicologia e Religião | Ichthys Instituto | Curitiba . foi circunscrita por C. G. que é na verdade a tota- O mal e o malfeito já não estão isolados. faz-se necessário a auto-obser. Devi- o Grande Homem dentro de nós (o Self ) ajuda do a esses fatores de semelhança e disparidade. vai-se além. 62). no entan- esse esforço sobre-humano só é possível quando to. poder compreender verdadeiramente a sombra: nalidade que. muitas vezes como um ato impulsivo ou inadver- tido. 1989. percebe-se o emprego do apresenta. O fato é que cada pes- que se encontra parte da sua sombra. ma negativa ou positiva. 216).

25). Imagens. adaptação no mundo”. Ao contrário. o critério certo/ nas alcançamos uma espécie de continuidade. p. 26). p. Os conceitos de totalidade observados nos Verifica-se que na concepção de Jung. adaptação ao mundo. a integração Por vezes. atra. Ao nascer. poucos dados simultâneos num dado momento.. focando a atenção naquilo que ocorre in. como para delimitar um lugar psíquico com instintiva são inconscientes.PR . ou seja. “O inconsciente é o A totalidade deve ser equiparada à saúde.. vés dos sonhos. 212). na medida em que é estático e rígido. 27). a linguagem do inconsciente. perta. enquanto a área da consciência é um campo restrito de visão momentânea. Expressa deste modo. isto é. sim. p. 2002. de errado é substituído por algumas perguntas: con. inconsciente. As crever conteúdos mentais que são inacessíveis ao funções mais importantes de qualquer natureza ego. “conteúdos in- vemos. do qual brotaria a condição consciente. É passa pelo processo de individuação. estar cons. o incons- algo mais diferenciado. que. são de permanecer em estado de alerta. assim como a Como tal. “a maneira por certa estreiteza. Assim quase que um produto dessas grandes áreas obs- como o inconsciente é um conceito psico¬lógico. et al. para estudos junguianos direcionam-se para o melhor se contemplar uma consciência integrada e des- entendimento da personalidade e do si-mesmo. sendo a consciência seu caráter. de acordo com um desígnio secreto.28 Por essa razão. conscientes. ele pode apreender Marca de Deus. o inconsciente não talidade fundamental. é tanto um potencial como uma capa. tendo chegado ao nível consciente em seu processo de desenvolvimento. ciente. Ou seja. sentimos que o inconsciente nos está do inconsciente e do consciente. não no sentido natureza psicológica. reagrupa os realização da totalidade consciente pode ser con. Na individuação. 24-25). 1972. A área do inconsciente é imensa e 2007. 2008. Enquanto isso. [. nunca foram percebidos pela pessoa. nos vem dizer o que pensa a nos- É fato que o inconsciente pode encerrar so respeito” ( JUNG et al. “a ciente é dinâmico. É inútil observar o outro furtivamente para isto é. aquele ser distinto e único que está latente den. como um todo. curas ( JUNG. o ser humano possui uma to.. formado pelos conteúdos que cresce. não importa que conexão que pressupõe ansiedade. sempre contínua. cial. é necessário envolver a união. esta entra em colapso e se reorganiza em são reprimidos pelo ego. símbolos e fantasias podem ser designados como teriormente a cada momento. produz conteúdos. já existentes e trabalha numa relação compensa- siderada como o objetivo ou o propósito da vida” tória e complementar com o consciente ( JUNG ( JUNG et al. constata-se que é importante também seus conteúdos. responsável pelas escolhas e ações. mas que nos vê – “talvez seja o Grande conscientes são incorporados e integrados à cons- Homem que vive em nosso coração e que. tudo o mais é inconsciente – ape- tro de cada ser”.. Ano 2 | número 2 | 2013 CONIUNCTIO Revista Científica de Psicologia e Religião | Ichthys Instituto | Curitiba . 2008. 214). suas leis e funções próprias. pois cada um de algum momento.2.20| Aspecto religioso do processo de individuação | Regina Maria Grigorio e Sonia Regina Lyra | 16 . impulsos e desejos que nunca foram conscientes. p. p. ciência” (OLTEN. O indivíduo guiando. algo que não ocorrendo essa integração. ou. foram censurados e voltaram ao nós tem uma maneira particular de autorrealização. onde vai como se algo estivesse nos olhando. equipara esse processo de cidade. suas raízes possam ter com o instinto. o ato de talhar a individualidade.] 1.1 Jung e o inconsciente Coloco o inconsciente como um elemento ini- Jung usa o termo inconsciente tanto para des. Jung chamou de individuação ao processo O mundo da consciência caracteriza-se sobre- paulatino de expressão da singularidade. p. porém. mas.. 2008. visão geral ou de relacionamento com o mundo vém ou não? Quero ou não quero? Serve ou não consciente através da sucessão de momentos serve? Necessito ou não necessito? (OLIVEIRA. ver como qualquer outra pessoa vai realizando o então.

] não implica que aquilo que se chama in- na puberdade. den.. 55). em cada uma dessas fases e lidades do conhecimento humano. pp. nas doenças vividas. na vida profissional. se relacionar com o mundo e lidar com Um símbolo é vivo só quando é para o obser- os próprios desejos. 91). “Durante. de acordo com consciência deseja e percebe”. tem sentimentos fortes e quer expressá-los” biose com a mãe (e com o pai) – até atingir o ( JOHNSON. As fortes e específicas experiências e mais remota desta experiência fugiria às possibi- suas circunstâncias. Saber decodificar suas capacidades evolutivas. É importante salientar que o fato de Jung 2011. Após a aquisição da consciên- a existência de uma psique inconsciente: cia. relacionar Deus à manifestação inconsciente: Os símbolos podem ser vistos na infância. p. cialmente inconsciente e.28 |21 Através da compreensão do que seja o cons. “A vés de metáforas. quanto mais difundido como uma ilha aflora sobre a superfície do mar este fator. passando O inconsciente “possui uma linguagem pró. Deste modo vida. Jung mostra o quão signi.Aspecto religioso do processo de individuação | Regina Maria Grigorio e Sonia Regina Lyra | 16 . [. por outro. Símbolos são observáveis em cada fase. e consciência do eu. podem ser observados caminhos ou um lado. surge o período onde é preciso se diferenciar dos pais. a demonstração de que o ser humano é andrógi- Para Jung. 11) muitas vezes fala atra. no. 1989. p. p. 2006. os sinais e símbolos da vida pode se tornar im- portante recurso para o encontro consigo mesmo 2 Anima: o elemento feminino e com o sentido da própria existência (NOVAES. 489). originando-se da inconsciência. cia religiosa. tos masculino e feminino. na adolescência.PR . nas companhias que mente o meio do qual parece brotar a experiên- se atrai. Tem efeito gerador e promotor de separa nitidamente do inconsciente. até à compreensão da importância de suas ações no atingir a consciência: primeiro a primitiva e. ( JUNG. um campo de acesso pelo eu. 56). pois o conhe- momentos da vida. Esse ou suprahumana. Fundamentados nestas observações. acontece na formação do psíquico: ficante é a fração de inconsciente que impera de É um processo que percorre um caminho evo- forma ainda pouco conhecida pelo ser humano. a partir dessa lei. é que os psicólogos admitem ral e segmentada. Este desenvolvimento esta- vador a expressão melhor e mais plena possível belece vínculos fortes entre o “eu” e os processos do pressentido e ainda não consciente. merecem adequadas e compreen.. na iniciação se- consciente venha a ser idêntico com Deus ou xual. emerge a consciência a partir do inconsciente. o que significa que combina em si os elemen- na formação do corpo (passar por todas as for. estágio de uma consciência mais ampliada. O inconsciente é so- nheiro. por essa razão. p. sabe-se que consciência. o que acontece. e principalmente após Dessa forma. propondo algo além do que a campo varia para cada indivíduo. é difícil se chegar criança se desenvolve a partir de um estado ini- cial inconsciente e semelhante ao do animal. ao Este caminho se desenvolve de forma natu- longo da existência humana. pela semiconsciência – num momento de sim- pria. mas anatômicas do passado longínquo) também ciente e o inconsciente. lutivo. (2011. acrescentadas aos eventos que cimento de Deus é um problema transcendental as marcaram. Tentar responder qual seria a causa tre outras. tanto mais geral o efeito do símbolo. nas atividades de lazer preferidas. p. é campo percursos que denunciam certa ordem implícita de registros. na relação com o di- a ocupar o lugar de Deus. Uma das maiores contribuições de Jung foi 2005. Ano 2 | número 2 | 2013 CONIUNCTIO Revista Científica de Psicologia e Religião | Ichthys Instituto | Curitiba . e também os condições é operacionaliza a participação do inconsciente. 57). a civilizada” (2006. pois faz vibrar em cada um a corda afim ( JUNG. por essas fases. sivas leituras. gra- processo psicológico pelo ser humano. O símbolo vivo formula um fator essen. dativamente. 81. Nestas psíquicos até então inconscientes.

toda essa complicação é forçar o homem a de. turidade do psiquismo. responsável pela escolha da neamente produzida pela psique objetiva. da emotividade. senvolver e amadurecer o seu próprio ser. das etapas fundamentais. irmã. com a vida da integração da sombra e imediatamente antes da concretude. 1991. animus está ligado predominantemente ao pen- samento racional. namento com o inconsciente. irracionalidade. sintonizando a mente masculina com os seus turae. Tudo em uma só pessoa como se um “rádio” interno fosse sintonizado em Ano 2 | número 2 | 2013 CONIUNCTIO Revista Científica de Psicologia e Religião | Ichthys Instituto | Curitiba . Outra função sua igualmente re- representa o eterno feminino. em latim) partem da noção de comple. capacidade de amar.22| Aspecto religioso do processo de individuação | Regina Maria Grigorio e Sonia Regina Lyra | 16 . dirigida realização do si-mesmo” (2008. mas nem por isso menos O animus e a anima. em inumeráveis imagens de figuras mentaridade entre a consciência e o inconsciente. 27). por fim”. “a anima é a personificação de inconsciente. Jung destaca: numinosa. “integrar a anima para impulsivos relacionados com a vida. a anima esposa certa. nho a uma penetração interior mais profunda. isto é. ela surge. No o arquétipo da anima representa os elementos processo de individuação. a anima ajuda-o a identifi- zona e médium. inte- A anima está associada a tendências psi- grando melhor a sua personalidade inconsciente cológicas femininas na psique masculina. e a Grande Deusa da Lua e da Terra. todas as tendências psicológicas femininas na Nossa capacidade de responder às experiências psique do homem – os humores e sentimentos na qualidade de criaturas geradoras de imagens é instáveis. o inconsciente se torna par- cientes do homem. de à natureza e. Dentre alguns dos aspectos positivos refe- Podendo ser descrita ainda como imagem rentes a anima.PR .. medos. bela feiticeira. ninas (DOWNING. vindo logo depois da espontâneo. cá-los. 27). o relacionamento com o inconsciente cidos e integrados ao ego. p. enquanto que o Como padrão de comportamento. entre outras. coruja – a anima . cobra. destruidora. picas reflete sua ênfase na forma do pensamento Portanto. amada. ta. por exemplo. pomba. assim como em seu potencial O objetivo secreto do inconsciente ao provocar para a emoção e o relacionar-se (DOWNING. ceiro nos anseios peculiares aos seres humanos aspirações emocionais. p. cavalo. p. vida e morte. ama- em seu inconsciente. contribuirão para a ma. como vida. a anima consiste nos anseios incons- Nesse sentido.e a mulher. importante. 235). femininas ou até mesmo em figuras de animais. Para Jung. o homem tem uma alma feminina – como gato. É bruxa feia. 2008. p. a sensibilida- dição de humanos (DOWNING. uma alma masculina – o que a mitologia atribui a certas divindades femi- animus. devidamente reconhe. a capacidade de amar. em lugar da ênfase no seu conteúdo. p. Mais vital ainda é o papel que represen- Ela aparece como a deusa da natureza. essencialmente masculino”. os homens e o animus para as mulheres é uma como um fenômeno natural. vaca. p. a receptividade herdada. as intuições proféticas. infla- em processo de busca do si-mesmo: ções e depressões. alma. em qualquer um e levante: quando o espírito lógico do homem se em todos os seus quatro aspectos possíveis e suas mostra incapaz de discernir os fatos escondidos variantes e combinações como mãe. da Terra. que valores interiores positivos. e ao relacio- O interesse de Jung pelas imagens arquetí. nos é outorgada pela nossa própria con- ao irracional. como e trazendo-a à realidade da sua vida ( JUNG et os estados de humor instáveis. a al. 2008. 8). dade da anima é o sentimento. hetaira. para as pessoas e para as coisas. a sensibilidade. 1991. abrindo assim cami- é mãe. como imagem afetiva esponta- É.. Como padrão de emoção. em seus estados de espírito. Para Jung. ansiedades. 1991. ( JUNG et al. portanto. Dea Na. com a vida da carne. não premeditado.28 Os conceitos de anima/animus (Anima = ou em aspectos diferentes da pessoa. “o que caracteriza a feminili. 234). 241).

2008. Numa colocação mais interior. Existem tantos arquétipos quantas as situações 2. para revelar a nossa criatividade (FADIMAM. p. atu. Mas se ela se der conta da natureza deste animus e da influência que ele exerce sobre sua pessoa. animus/anima. de modo que Jung dedicou-lhes na a mente feminina com a evolução espiritual. uma especial atenção. se expressam não somente opiniões masculino interior tradicionais. p. 259). 1973. 34). ele deverá redesco- quatro estágios de desenvolvimento: “o primeiro brir aqueles aspectos de si mesmo que tinham é personificação da força física. dade de certo tipo de percepção e ação” ( JUNG.28 |23 uma onda que excluísse as interferências inopor. do Paraíso de Dante. de auto-observação. No animus. mou este arquétipo de imagem da alma. tornando-as assim mais receptivas a novas ideias cita-se o animus: criadoras” ( JUNG et al. na de que o serviu bem e lhe acarretou sucesso nos anos anteriores. tanto o indivíduo cioso quarta manifestação. em seu aspecto positivo. ele é a chave entre masculino e feminino. p.. “Assim.. 241). Jung ressalta que a analogia da situação caso da iniciação dos xamãs. p. o animus pode se tornar um simpatias e antipatias sem razão de ser. para tanto: como a iniciativa. p. Uma vez que o processo de individuação não sob a forma de imagens saturadas de conte. através das projeções de e se enfrentar esta realidade em lugar de se dei- anima e animus. p. conteúdo que “representavam apenas a possibili- tunas e captasse a voz do Grande Homem. 2008. uma vez que “o cia na formação da personalidade e do com- animus na sua forma mais desenvolvida. tal como a anima. o animus é a encarnação do de poder como o intelectual precisam corrigir o pensamento” ( JUNG et al. A anima e companheiro interior precioso que vai contem- o animus são os mediadores entre o ego e o mun- pla-la com uma série de qualidades masculinas do interno. a construção da personalidade se caracteriza Ano 2 | número 2 | 2013 CONIUNCTIO Revista Científica de Psicologia e Religião | Ichthys Instituto | Curitiba .símbolo da totalidade típicas na vida. mas também aquilo que se chama espírito.1 Animus: o elemento forma de pai. e. Dentre esses arquétipos. a objetividade e a Se um homem quiser alcançar a serenidade e sabedoria espiritual ( JUNG et al. para consegui-lo. no terceiro torna-se o verbo. sob a 2. exige-se guinte. 103). muitas vezes.PR . Esta. relacio- portamento. 84). para Jung. passou O animus. encontram-se respostas para as xar possuir por ela. No estágio se- sido negligenciados. 258). a Apud HALL. e de modo particular certas concepções Alguns arquétipos têm grande importân- filosóficas e religiosas universais. é como surge no pa- mitológica com a vida comum está na atenção pel da Beatriz. por sua Uma das chaves para a individuação está capacidade de nos colocar em contato com nossas justamente no dinamismo dessas forças psíquicas forças inconscientes.. 2008. 1993. belecendo esta recepção “radiofônica” interior. seu desenvolvimento unilateral” (STORR. não se confunde com o que se chama de perfei- údo. apresenta a ser meta suprema da vida. Cabe salientar que. ou de mediador. Uma repetição infinita gravou es- tas experiências em nossa constituição psíquica. mas a princípio somente como formas sem ção.Aspecto religioso do processo de individuação | Regina Maria Grigorio e Sonia Regina Lyra | 16 . ando como um espelho que sirva de referencial FRAGER. 2004. iniciando-o blemas de seu animus e que toma muito tempo e em uma forma de vida mais elevada e espiritual envolve muito sofrimento: (2008. o famoso autor de O asno de ouro. anima assume um papel de guia.2 O self . Como no minino. o animus possui iniciativa e capacidade o sacrifício parcial da própria função ou atitu- de planejamento. ao aparecer em sonhos a Apuleius. 258). e também no consciente que uma mulher tem de dar aos pro- da deusa Ísis. Jung cha- p. Diante do complexo mundo arquetípico fe- entre o mundo interior e o si-mesmo. aquela harmonia interior que. a coragem.

mas é. no entanto. tanto interior como Ano 2 | número 2 | 2013 CONIUNCTIO Revista Científica de Psicologia e Religião | Ichthys Instituto | Curitiba . isto significa que a existên- nalidade é provocada para um “constante desen. em última instân- finido como um fator de orientação íntima. a sobrevivência. 2012. pode também ser de. que só pode ser A partir do momento em que o ser parte expresso por um símbolo. beber etc. de cada indivíduo é orientada. mas ser humano. Além disso. inatos. arquetípico de um bebê ativo. Um self primário ou original a sua relação com o nosso ambiente.) Esta relação arquetípicos.. provavelmente. O acoplamento resultante de um potencial psicológica. à busca da realização do si-mesmo.. 2008. portanto. depende do desejo do ego de ouvir ou mecanismos intencionais como a fome. p. p. muitas vezes. pois para ser íntegro é necessário que abranja a Todo ser humano vislumbra sonhos e/ou totalidade do ser: imagens de forma impessoal.24| Aspecto religioso do processo de individuação | Regina Maria Grigorio e Sonia Regina Lyra | 16 . Buscam correspondências no mundo ex- inconsciente. manifesta-se como um ser humano gigantesco e que. em direção a este símbolo arquetípico do si- ferente da personalidade consciente e. oferecia a melhor explicação que era possível ofe. onipresença de uma maneira toda especial. com as respostas reativas da mãe. gem do Homem Cósmico (2008. chama-se a este centro de self. 270). isto é. é então reintegrado para se tornar O Self representa o ser em sua totalidade e também o centro organizador. manifesta um mistério vivente.28 como um constante processo de reorganização do original. 2008. do self com a natureza à sua volta e mesmo com o são de uma pessoa. p. (É por isto é postulado como existente no começo da vida. onde o conceito “de si-mesmo” FATTI.. O self não está inteiramente contido na recer para um dos mistérios centrais da psique. do fato de o “átomo priado. consciente muitas vezes escolhe a poderosa ima- depara-se com sua totalidade. mostra como essa perso. pois é o ego que ilumina o sexo. in- integração emergente do integrado inconsciente terligado ao mundo inteiro.. autorregulador e um objeto internalizado. o poder. esses potenciais iniciam um processo de nuclear” da nossa psique estar. que “esse self se torne realizado” comer. investigação dos sonhos. 266). cia do ser humano nunca será satisfatoriamente volvimento e amadurecimento”. Acima e além destes impulsos. p. com frequência sob uma forma que sugere esta Dessa forma. simbólico que envolve e contém o cosmos inteiro nas uma pequena parte da psique ( JUNG et al. 212). de certo modo. não as suas mensagens”. a perpetuação da espécie o sistema inteiro permitindo que ganhe consci. e para exprimi-lo o in- em busca de sua verdadeira essência e a encontra. sendo descrito como a totalidade absoluta da psi. toda realidade psíquica interior Com relação ao self. etc. 2008. p. 2008. di. que o levam rumo Os símbolos do self possuem uma numino. sidade e conduzem a um sentimento de necessi- O self é. aparece de ordem e coesão ( JUNG et al. que constitui ape. Em um meio ambiente apro. O processo de integra- integrador. busca-se ter uma identidade terno. ou seja. p. cosmos vem. sua dinâ.PR . 213). Isto é. Em termos práticos. ( JUNG et al. dimensão espaço-tempo). si- mica centralizadora e suas estruturas profundas multaneamente onipresente. nossa realidade psíquica interior ( JUNG et al. que existem tantos animais bondosos e presti- Esse self primário contém todos os potenciais mosos nos mitos e contos de fada. ou o seu si-mesmo. a nossa experiência consciente de tempo (na nossa criatividade aparentemente milagrosa. através da mesmo. Para Jung. o objetivo principal do homem não é ência e. “mas o quanto explicada por meio de instintos isolados ou de vai evoluir. 1). simbolizado por um ani- dade que lhes dá uma prioridade transcendente mal que representa a nossa natureza instintiva e na vida psíquica.. cia. que podem receber expres. 212). ação que se complementa ao estudar ção/reintegração continua por toda a vida (BON- obras de Jung. para diferenciá-lo do ego.

quanto e uma mesma orientação descobrem-se umas às à mulher. até então desinteressante e delas no seu íntimo. na verdade.. 2008. é ne- 2008. por exemplo. 2008. pois novos et al. Sua experiência sua prestação de contas final perante seu Criador. ele ensina que. ordena e regula nosso relacionamento huma- segue as instruções do seu inconsciente. É as- apática. criando um novo grupo. repleta de sim que pessoas que têm afinidades espirituais possibilidades criadoras” (2008. a saber. p. 275). 214). este potencial pode surgir sob a forma outras. segundo Jung.. Para com o contínuo espaço-tempo ( JUNG et al. compreender. 219). que em geral começa infligindo uma lesão processo de desenvolvimento pessoal que envolve à personalidade. como tal. A individuação como experiência objetivo. et al. e. subjetiva sugere a intervenção ativa e criadora de E assim cita: alguma força suprapessoal” ( JUNG et al. 295). sintonizadas jeções. Todo indivíduo necessita passar pelo pro- implica. O processo de não significa chegar à perfeição. A imagem onírica pode nos iludir. 54). para Jung.. Eis o que sua invocação.Aspecto religioso do processo de individuação | Regina Maria Grigorio e Sonia Regina Lyra | 16 . uma aventura interior sem fim. desde que o ego consciente se dê ao trabalho ceber e aplicar este dom que permite. Como pregava Santo pois em sua essência sabe quão terrível é o medo Inácio de Loyola. termo usado por ele para designar um self. apesar de nem sempre ser reconhecido Citando Sonia Lyra. p. é Todo esse processo de busca do si-mesmo apenas diferente e independente. 265). de detectar estas projeções irreais. ao impulso maior do crescimento. o verdadeiro processo de Um dos conceitos centrais de Jung é a indi. “Este choque inicial é uma espécie o si-mesmo. é o self que. com a prática dos seus exercícios espirituais. consciente ou não. e. no. processo de individuação. p. que se sobrepõe às organizações e estruturações sociais comuns. individuação conscientemente realizado muda. “invoca. se. O processo de individuação é. o ego sente-se tolhido nas do ou não invocado. pode re. ou dar-nos uma informação objetiva. 2008. as relações humanas do indivíduo ( JUNG ser trabalhado durante toda a vida. “Mas como acontece em todo A partir das reflexões acima citadas. Deus está presente” (LYRA. apesar de suas constantes fugas. de dons sobrenaturais. de saber estar distante de sua essência. suas vontades ou desejos e geralmente projeta esta 2001.28 |25 exteriormente. p. ocupando-se te. devido a pro- res da vida estão. fazer da sua vida. que: “Quando um homem cia. em última instân- tata-se. o in- “mais que um simples acordo entre a semente divíduo desenvolverá suas potencialidades e res- inata da totalidade e as circunstâncias externas ponsabilidades humanas à luz da reflexão. conhecer. e de entregar-se. Tal grupo não entra em conflito com outros. acompanhada do consequente o estabelecimento de uma conexão entre o ego e sofrimento. em obra organizada por Guil- da solidão. mas sim ter en. sobre que constituem o seu destino. o o que lhe pareça momentaneamente inacessível. se descobrir qual a interpretação correta. mesmo cesso de crescimento e maturação. Todas as manifestações superio. e não exteriormente”. nesta obra.PR . de repen. a frustração sobre qualquer objeto exterior ( JUNG busca fundamental do ser humano é encontrar. fácil: o asceta pode estabelecer o que será a sua Ano 2 | número 2 | 2013 CONIUNCTIO Revista Científica de Psicologia e Religião | Ichthys Instituto | Curitiba . lermou. tendimento de que o progresso interior é algo a assim. individuação significa a harmonização com o próprio centro interior (o núcleo psíquico) ou viduação. sem qualquer outro propósito ou 3. de certa maneira.. p. religiosa Segundo Jung. cons- processo interior. de apelo”. Organizar a disciplina do corpo é relativamente p. cessária uma atitude honesta e atenta e um cui- dadoso raciocínio. Ao contrário. desafios surgirão o tempo todo durante nossa O ego deve ser capaz de ouvir atentamente existência. segundo Jung.

“A glória da existência humana não de individuação. ganhamos um correspondente: a vontade do eu de submeter-se mundo que nem chega a ser imaginado pelos ao si mesmo” (2002. em Jung. Jung não se preocupou com os credos e rituais das religiões. po- ra origem encontra-se nos arquétipos. p. sua bebida. “Mas. temos de expe. isso para levar ao crescimento. intuito de viver o processo de individuação. A religião. mas com Goldbrunner chama a atenção para o fato as experiências religiosas originais que decorrem de que “a individuação é um processo espiritual por meio do indivíduo em relação à prática re. a individualidade é o único ência de religiosidade. ao mesmo tempo. idênti. fragmentada. o tempo de sono.] ritual é também uma expressão da corporalidade todos os momentos da vida individual em que do indivíduo. quando bem trabalhado. [. onde ele a define como ca. A religião entra nesse autoconhecer. rém trata-se de uma experiência intima e muito ele entende que religare expressa a essência da poucos conseguem transportar-se para a dispo- religião (2006. por assim dizer. Quando mais criativa e imaginativa se tornar a No desenvolvimento do processo de indivi- mente consciente do ser humano. 2010. “no qual o processo de indi. Quando isso acontece. ao e recriação da vida. seu desfecho último tudo é então um simples problema de vontade.. no sentido Não acontece o mesmo na disciplina do espíri. manutenção vista o seu ser mais profundo. pp. p.PR . ambas são. menos qualquer um desses benefícios. e Deus do mundo. para ele. que é a re- Ano 2 | número 2 | 2013 CONIUNCTIO Revista Científica de Psicologia e Religião | Ichthys Instituto | Curitiba . p. A nova consciência que emerge nas so- PRA et al. De acordo com Jung.28 alimentação. cede lugar ao paradigma tivo. inclinada ao julgamento.. p. trabalho de alegria. as expectativas e concepções da psíquico. riados quanto são os indivíduos existentes.26| Aspecto religioso do processo de individuação | Regina Maria Grigorio e Sonia Regina Lyra | 16 . Na psique coletiva perde-se justamente de do amor. por isso. sição de espírito de outrem e experimentar seus sentimentos. vemos como o mesmo discute a respeito da individualidade es. sombra e persona atrapalham no a necessidade que cada ser humano possui de se processo de individuação. as leis gerais do destino humano rompem com cas. está nas coisas que nos tornam únicos. a busca pelo si-mesmo. faz-se necessário um voo desordenado de mosquitos (1973.. 77). 138). rimentar o que a plenitude realmente é” (CHO. ciedades humanas e tenta conciliar o padrão do medo que norteou o comportamento humano A individuação é uma exigência psicoló- nesses últimos duzentos anos e que separou ci- gica imprescindível. consiste em atingir o estado de Self. romper com o arquétipo persona e sombra. mas sua verdadei. ligiosa. está no A definição de individuação aparece ainda fato de podermos nos unir à inteligência cósmi- em outra citação de Jung. da centralidade da personalidade” (2002. indo além de suas sombras e seus contexto. Na seguinte citação de Jung. para que surja do qual resulta uma nova personalidade. consciência pessoal são. 30). O ser humano se fortalece ao experienciar piritual: A individualidade assim chamada espi. 432). 149). p. 63). eta- viduação ocorre como algo natural e necessário pas do processo de individuação. to: como impedir a imaginação de vagar como Para alcançar esta centralidade. que é a energia de criação. como um fator que favorece ao processo arquétipos. Após ter explicado como funciona o aparelho as intenções. de formação da personalidade” (1961. com o 62. sexo de caminho que a pessoa tem para escapar do cole- afeto. não precisa ter seu Segue dizendo que seus caminhos são tão va- apoio na tradição e nem na fé. definir o termo religião. ocorre uma expansão do mundo interior. Como O desafio maior da transcendência é ativar vem sendo dito. cada um de nós se torna uma parte conscien- “um processo religioso que exige atitude religiosa te do todo. pensamentos e sentimentos da vida co¬tidiana”. Para Santos. tanto menos duação.

Isso significa tomar consciência de nós ego é chamado a se integrar a uma personali. não se importando partir de então. Sob esse aspecto. p. p. 2002. ele é experiências é influenciado pelo inconsciente co. como uma zes de ser verdadeiras em sua busca interior são parte do processo vital divino. onde somente pessoas capa- minados em linguagem metafísica. Na qualidade de símbolo si-mesmo dos invólucros falsos da persona. Sendo assim. que poderão 2006. mais precisamente. se dá seu efeito sobre a perso- em satisfazer o ego. que exerce ação orientadora no início da consciência se desvia sempre de novo da base ar- vida. 173). Ano 2 | número 2 | 2013 CONIUNCTIO Revista Científica de Psicologia e Religião | Ichthys Instituto | Curitiba . tural de uma vida. 270). ou seja. esse sentimento todo peculiar pode apa. e assim se pode sen- tir o quanto a vida é pura. do que é se manifestas. Considerações finais que é ele próprio. A para a realização do si-mesmo. mais individuação. Quan- desde o nascimento (organização do ego. Quanto o símbolo unificador representa a experiência de mais o homem se torna consciente do seu eu Deus (1961. como o si-mesmo tende Espera-se então que ocorra um amadure- sempre para a totalidade. “a meta da recer como símbolo na representação pictorial individuação não é outra senão a de despojar o do sonho ou da visão. bilidade e capacidade de julgamento. 63).).Aspecto religioso do processo de individuação | Regina Maria Grigorio e Sonia Regina Lyra | 16 . tintos da alma para um ponto central. uma combinação torna o que sempre foi. 49). de maneiras específi. mesmos. O ser representa. armadura. Apud ARMANDO. quanto mais o si mesmo. criando com isso uma opo- sição. trabalha seus medos. na qual em que o indivíduo se tivos. e o lógico. ( JUNG. dades é necessário ao processo de individuação (TOLEDO. padrões. desenvolvendo um senso de responsa- dade mais ampla ( JUNG. 234). p. então. um processo diversificado e perturbado. pondo-se em oposição a ela para pensar. costumes e valores cole.PR . o ser nasce com predisposição quetípica instintual. 2011. muitas vezes. ele se diferenciará em sua conduta em relação às Este processo corresponde ao decorrer na- normas. uma vez que. e um ambiente rico em oportuni- mais próprio de cada individuo. Essa postura permite que as nalidade. enquanto A individuação direciona o ser humano o ego passa a ocupar uma condição periférica.28 |27 alização espontânea do homem total. pois. No entanto. Conclui-se. ( JUNG. regras. tem como objetivo o desenvolvimento as chances de essas imagens latentes tornarem- do individuo ou. pois é a como do poder sugestivo das imagens primor- expressão da atividade criadora. p. p. 1979. portanto. mais se distancia do homem coletivo. 77). e dessa transformação experimenta-se pessoas se encontrem. depender das experiências vividas pelo ser. maiores são xos etc. ao se permitir o novo centro da psique. E porque o homem tem única dos potenciais existentes no coletivo. Goldbrunner retrata o resultado de processos arquetípicos predeter- essa sensação única. diais” ( JUNG. pessoal. a atitude unilateral cimento no processo de desenvolvimento psico- da consciência é corrigida e compensada. comple- to maior o número de experiências. que a tomada de consciência por parte do homem aparece como Com clareza intensa. 2006. a energia psíquica é a busca do si-mesmo. o ser humano despe-se da pura. assim transcende toda compreensão racional. perceber. cas. porque a letivo. sentir. Em outros termos: capazes de experimentar “Deus se manifesta no ato humano de reflexão” a convergência de todas as suas energias e ins. Tudo consciência. p. um desenvolvimento desta espécie o que uma pessoa aprende como resultado de não decorre sem dificuldades. O desenvolvimento dessas predisposições vai Todo processo de organização psíquica. ser idênticos ou não aos padrões e expectativas Apesar de fazer parte da mesma sociedade externas e coletivas. ter conhecimento de e do mesmo processo civilizatório. Isso é verdadeiramente o processo de ser se submete ao processo de individuação.

fia em Psicopedagogia da Universidade Gama Filho. 5ª ed. Nunca mais quero me sentir vulnerável. logia de profundidade de Carlos Gustavo Jung. de. Tipos psicológicos. NORBDY. de. P. 2003. VI/4). Dissertação de Mestrado em JUNG. C. O homem e seus símbolos. James. OLIVEIRA. Introdução à nomenologia do desenvolvimento humano através psicologia junguiana.: Mes. São Paulo: Lua de papel. Pontifícia Universidade Católica de São Dora Ferreira da Silva.S. Religião e individuação: Fe- HALL.G. (Obras completas. C. (Col. BOMFATTI. A. O eu e o inconsciente. 1961. JUNG. 2006. O desenvolvimento da personalidade. C. Rio de janeiro: Agir. 2006. A chave do reino interior. Petrópolis: Vozes. Klesck. Petrópolis: Vozes.G. Robert. trópolis: Vozes. Anthony. 2006. Goiânia: Universidade Católica de Goiás . Trad. 2004. Escutando os sentimentos. Dicionário crítico de análise Pinto Alcure. Josef. Pe. Petrópolis: Vozes. Petrópolis: Vozes.). (Org.G. C. São Paulo: Zahar.ru.. São Paulo: Mercúrio. DOWNING. ARMANDO. 17ª ed. Paulo. de Dra. Maria GUILLERMOU. Individuação: a psico. Brasil. Santo Inácio de Loyola e a Luiza Appy. Paulo. Ferreira da Silva. 1991.A. São Paulo: LYRA.PR . et al.. As idéias de Jung. C. NOVAES. Trad.Subprograma de Psicologia Social e da Dilma Gelli. Vernon. Petrópolis: Vozes. JUNG. Psicologia. São Paulo: Cul- 1967. Personalidade. acerca da psicologia junguiana. em: http://www.28 Referências JUNG. R. FADIMAN. ria Lúcia Pinho. W. Alain. 1988. 2005. 2002. 2001. de Maria da Glória Pereira SAMUELS. med. Ano 2 | número 2 | 2013 CONIUNCTIO Revista Científica de Psicologia e Religião | Ichthys Instituto | Curitiba . de Dora Mariana R.htm.G. 1989. STORR.. Espelhos do Self – As ima- gens arquetípicas que moldam a sua vida. Persona. 2002. junguiana. Mito pessoal e destino humano. (Obras completas. Jung. vol.. JUNG. Calvin S. da direção espiritual. L. dor: Fundação Lar Harmonia. JUNG.psc. dos. D. trix. Cultrix. SANTOS. JUNG. 1978. Estudos sobre psicologia analítica. junguiano nas práticas psicopedagógicas. S. et al. C. vol. O efeito sombra. Trad. São Paulo: Cultrix. C. 2008. Tipos psicológicos. 2ª ed. Petrópolis: Vozes. C.G. 2006. São Paulo: Art. 1973.. W. tres Espirituais). de em Psicologia . Trad. São OLTEN. vol. 1973. A. (Obras completas. O eu e o inconsciente. Fundamentos de psicologia analítica: TOLEDO. Curitiba: Lyra. 1972. Dom et al. M. Alice Fronteira. companhia de Jesus. VII) Rio de Janeiro.G. Rio de Janeiro: Imago. A. Brasil. 2007. Con- bedo. C. 2010. ed. Trad. acessado em: 12 de abril de cepção e organização Carl G. E. Calatonia e religiosidade: Uma abordagem junguiana.G. Rio de Janeiro: Dufaux.Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu JOHNSON. Monogra- JUNG. especial. VII/2). 1993. tradução de Ma- 2012. 2011.br/dicjunga.28| Aspecto religioso do processo de individuação | Regina Maria Grigorio e Sonia Regina Lyra | 16 . Os arquétipos e o inconsciente. São Paulo. Salva- lidade e crescimento pessoal. Perspectivas epistemológicas 9ª ed.A.l.G. & FRAGER. Paulo: Herder. Rio de Janeiro: Nova CHOPRA. 6ª GOLDBRUNNER. 4ª ed.V. Contribuições do pensamento as conferências de Tavistock.

|29 Uno e trino: a visão de Deus de Nicolau de Cusa – O amor é uma essência ternária | Sonia Lyra |11 .20 Ilustração: Rogério Borges O percurso para a sétima morada The Journey to the Seventh Mansion Albertina Laufer Ano 2 | número 2 | 2013 CONIUNCTIO CONIUNCTIORevista RevistaEletrônica Científica de Psicologia e Religião | Ichthys Instituto | Curitiba .PR .

1-2. Especialista à nossa imagem e semelhança [.Palavras-chave: Bem-aventurança. na Obra Castelo Interior ou Moradas. o centro da alma. The Interior Castle. considering the way indicated by Teresa of Ávila’s work The Interior Castle or The Mansions. o ser humano como sendo o ápice da obra criada recorre ao estudo de Santo Tomás de Aquino. discorre sobre a passagem da imanência e religião oriental e o criou. local onde Deus repousa e de onde emana toda claridade de luz. Edith Stein administração escolar. considerando o caminho apontado por Teresa de Ávila. isto é. Em razão disto. Mestra em criou o homem à sua imagem. O texto bíblico narra por três vezes que Deus terística principal dos seres humanos e das coisas e Religião. terceira margem.PUC/Pr. Licenciada em pedagogia As Sagradas Escrituras. à imagem de Deus ele cia e Ato. Considerado como arquétipo. Em sua obra Poten- em psicologia analítica o homem à sua imagem.com) da criação. do seu centro ou da sétima morada. revelando-lhe. 1. “Então Deus disse: Façamos o homem que torna claro o lugar central ocupado pela an- counseling. em toda pessoa que se dispõe a investir no caminho da interioridade. Aspectos introdutórios presença de seu Criador e a esta ele deve asseme- * Albertina Laufer lhar-se.] E Deus criou tropologia em seus escritos. já de início.39 O Percurso para a Sétima Morada The Journey to the Seventh Mansion Albertina Laufer* Resumo Este artigo tem como objetivo investigar a forma como se dá o percurso para a sétima morada. Abstract This article aims to investigate the journey to the seventh mansion of every person that is willing to invest in the path to interiority. viventes é a de permanecer. e os criou homem e mulher” (Gn 1.. Considered as an archetype the center of the soul is the fundamental symbol and the arranging and regulative principle of the psyche and it is designated as the Self (Selbst).4). possui uma Ano 2 | número 2 | 2013 CONIUNCTIO Revista Científica de Psicologia e Religião | Ichthys Instituto | Curitiba . Tal investigação far-se-á acompanhar dos comentários de Edith Stein e das analogias feitas por ela. The seventh mansion is presented as the highest part of the castle. Edith Stein.26. Self. ao mesmo tempo. of its center or of the seventh mansion. where God rests and from which all light brightness emanates. the Seventh Mansion. é o símbolo fundamental e principio ordenador e regulador da psique e é designado de si-mesmo ou self (Selbst). felicidade. Because of this. Palavras-chave: Teresa de Ávila. sendo o centro de toda a personalidade. being the center of the whole personality. Sétima Morada. contentamento. Keywords: Teresa of Ávila. No homem encontra-se estampada a ser humano tende a algo diferente. that is. demonstrando que a carac- ocidental pelo ICHTYS – Instituto de Psicologia 27). or the center of the soul. o caminho psicológico e o caminho espiritual podem ser apresentados como duas realidades complementares e pos- síveis a fim de que a alma se descubra e tome posse de sua realidade profunda. A sétima morada é apresentada como a parte mais elevada do castelo. Castelo Interior. apresentam Para evidenciar esta realidade. para a transcendência. no re- com habilitação em lato bíblico da criação (Gn. dessa forma a importância que lhe cabe na obra potência e em ato. 1. ou o centro da alma. em teologia . Such research will be accompanied by Edith Stein’s commentaries and the analogies made by her. o Especialista em por Deus. Self. the psychological way and the spiritual path can be presented as two complementary and possible realities so that the soul discovers itself and takes possession of its profound reality. Por ato ela compreende que o (albertinalaufer@gmail.. Edith Stein.PR .30| O Percurso para a Sétima Morada | Albertina Laufer | 30 .

p.PR . 2.] uma experiência da totalidade de si compreendida como a experiência de re-ligação. à dimensão misteriosa da qual Ano 2 | número 2 | 2013 CONIUNCTIO Revista Científica de Psicologia e Religião | Ichthys Instituto | Curitiba . tudo conheces experiência compreensível. de lançam aprofundando o desconhecido e obscuro. 8). Ao ser imagem do imago Dei. recorrem às metáforas (Sl 139. Retrata o que se desdobra para além das realidades patoló- encontro íntimo que ocorre entre a profundidade gicas.. des santos. p. “No processo místico.39 |31 exigência e um impulso para algo a mais. do centro. 1997. e me conheces. e conheces todos e com a realidade do próprio Deus que é o cen- os meus caminhos. com o próprio Mistério de individuação como o processo normal pelo que a transcende e que. si vivida pela pessoa que assume este ideal. sobre cujas vidas e obras Edith Stein teceu alguns DES. Esquadrinhas Entrando em si. de trução de uma ponte entre a Psicologia como modo particular quando faz a experiência de seu ciência da alma e a experiência que os místicos centro. não bastando isso. religar o Eu consciente ao Si-Mesmo e. o humano adota suas características. (apud HUBERT. Neste sentido. e às imagens . Senhor. 1997. e o meu deitar. 1998b. descobrindo a pre. nele do que ele está em si mesmo. pelo qual se pode de si e quando se chega a ela. 231). O mergulho em Deus Com a descoberta do arquétipo do Centro Para chegar até Deus. Jung o apresenta como o centro cessidade de passar pela imago que existe dentro regulador de todo o psiquismo. Ao fazê-la. Neste sentido. o ser humano comentários com a finalidade de dar a conhecer é potencialmente aberto a algo e projetado diale. têm contato com a sua essência o meu andar. encontra-se na coragem e no caminho dos gran- o novo contido na obra de Stein “consiste em con. No intuito de fazer a experiência do centro. durante as horas de oração interior está escondi- sença de um Deus que o conhece mais do que ele do aos olhos dos homens e se constitui em graça próprio e. ou Si-Mesmo. chega-se também fazer alusão ao que os místicos denominam de ao próprio mistério de Deus. mestres inspiradores da vida carmelita.. ao mesmo tempo. Na tentativa de tornar a minha língua. perma- qual um ser se desenvolve para tornar-se o que é” nece em profunda comunhão com ela. unida à experiência do centro divino. 2009. carmelita e “aquilo que Deus realiza nas almas nho introspectivo profundo. Para A realidade da imagem de Deus (imago Edith Stein as horas dedicadas a sós no colóquio Dei) citada no texto da criação aparece também com o Senhor constituem o fundamento da vida no Salmo 139. eis que. O exemplo deste mergulho para o Centro simultaneamente. Tu os místicos abrem mão da rotina quotidiana e se conheces o meu assentar e o meu levantar. dentre eles São João da Cruz. o fugaz e o eterno” (FERNAN. [. 282). Jung apresenta o “processo do mistério da imagem. religar a pessoa à imago torna-se experiência do todo universal” (STOR- Dei e ao próprio Deus. mesmo que. “Há na experiência uma e outra tende para a experiência religiosa. está mais presente sobre graças” (STEIN. por meio de um método direto com o próprio mistério de Deus. tu me sondas. Santa servar os polos paradoxais da dinâmica da vida na Teresa de Ávila. a característica fundamental de de um Deus incomensurável. Esta descoberta o auxiliou na cons- divino. Teresinha. Porém. Para Storniolo algo semelhante ocorre na experiência O texto apresenta a imago Dei em contato de análise psicológica. No processo de indivi- NIOLO. p. duação. Nele o salmista percorre um cami. 1-4). Santa sua contínua tensão: interioridade-exterioridade. Embora apresentada com conota- riência da totalidade da imagem e da experiência ções diferentes. toda pessoa tem ne. longe entendes o meu pensamento. têm da alma. apud HUBERT.7). ó Senhor. Sem que haja uma palavra na tro de todos os Centros. Santa Teresa Margarita. p. finito-infinito. ao mundo católico o significado da entrega de ticamente para a passagem da potência para ato. faz ao mesmo tempo a expe. como referências de sentido.O Percurso para a Sétima Morada | Albertina Laufer | 30 .

Há sim uma diferença entre o conheci- mento psicológico da alma. constituiu num caminho de sofrimento na Cruz mento destes limites: que culminou com a ressurreição de Cristo. mas imanente na alma.45). porque se cairia inconscientemente. mas como caminho que conduz se constitui numa caminhada. mas não em função da minha capacidade padrão válido para todos”. tome sua cruz e siga- o buscando somente dentro de si perdem de vis. Em suas lidade da cruz no calvário não foi um fim em si Memórias. Psicologia e Mística: receptáculo da graça divina” ( JUNG. no egoísmo e no orgulho” (WIN- O grande perigo no qual incorre o ser hu- CKEL. ele não é Deus. Exemplo disso é o ca- da graça divina. ram sob a pressão de um destino. p. mas tende a no-lo dar a deste caminho é um fragmento de uma das car- conhecer” (WINCKEL. 10). “Se alguém quiser vir comigo. p. momento. em ambas a experiêcia é o essencial sempre foi dizer o que tinha que di. Ilustrativo a respeito Deus. Jung deixa registrado o reconheci. tas de Jung: “Mas o si mesmo não pode tomar o lugar de Deus. de certa forma. mas sim na diversidade simbólico para se abrir ao ilimitado do sagrado” de caminhos e direções. 9). porque renuncie-se a si mesmo. ser um 3. mas servir a vida. Nasce- cional. Ressalta-se aqui. perigo esse que o conduz a um narci. está em considerar Deus somente na sua imanência. 55). vivida interiormente.]. Para Winckel. LO. Minha impressão é que fiz tudo o que me ma.32| O Percurso para a Sétima Morada | Albertina Laufer | 30 . 1985. caminhos complementares ckeL. leva ao estabelecimento de laços minho proposto pela aventura de Tereza de Ávi- Ano 2 | número 2 | 2013 CONIUNCTIO Revista Científica de Psicologia e Religião | Ichthys Instituto | Curitiba . Naturalmente. (WINCKEL. ao desapego. p. “Órgão da percepção de (WINCKEL. Do mesmo modo a finalidade da ascese não é ani- Todos os escritos são. 1985. que a fina- ta a alteridade que Nele está presente. 43). a ponto de ele e que as “referências que ele faz a Deus. dessa for- zer. apud Win. entre o desenvolvimento psicológico e a ascese. “Mergu- Deus transcendente. embora possa. 1985. pois. que se dá através do Winckel interpreta as palavras de Jung inconsciente e o conhecimento teológico e místi- dizendo que chegar ao Si-Mesmo é o caminho co da alma pela ascese.39 o Si-Mesmo é reflexo ou imagem” (STORNIO. mas se inconsciente. 1985. renunciar a si mesmo. Neste sentido. 1985. Os místicos que conhecem a alma por A intuição do Si-Mesmo como receptáculo dentro não se enganam. 1975. p. VENTURE. O objetivo de toda ascese cristã. p. 195). É possível uma aproximação entre a análise lavra ao espírito que me agitava [.. é necessário salientar o fiel a uma configuração cada vez maior com que Jung nasceu e morreu num contexto cristão a vontade de Deus em sua vida.. no capítulo sobre o confronto com o mesmo cujo sentido acabou com a morte. tomar a sua cruz e optar se às representações humanas de Deus” (BONA. mas deve reconhecê-lo como o direciona ao despojamento. 43).24-28). porém essa diferença não que prepara para “ultrapassar o psicológico e o está na essência da alma. tanto a da natureza ra- refas que me foram impostas de dentro. Para tanto. ( JUNG. mano. p. quanto a da graça. ou totalmente Outro. uma vez que não a Deus. 36). mas quase infalivelmente. Cedi a pa. pelo seguimento. que os “elementos de tal ascese são frutos da foi possível. poderia ter sido mais e vida interior de cada um e não se constituem em melhor. me” (Mt 16. às vezes. apud Winckel. Compreende-se. traria grandes perigos. Neste lhar na ascese sem Deus. a ascese “não visa fazer pode chegar à plenitude voltada somente ao Deus super-homens” (WINCKEL. cede terreno para o campo da mística. p. p. é levar sismo fechado. ta- quilar. 1985. 1997. Para mim psicológica e ascese. referem. 26). apud HUBERT. 1985. p. Nesse contexto. a ascese cristã é entendida não compreende-se que a experiência psicológica como fim em si.PR . O que escrevi transbordou de minha interioridade.

A alma. Por essa razão. segun- chegado ao encontro com aquela realidade que do Jung. uma nova for- um percurso de autoconhecimento e de conhe. ex. bitante do Castelo vai sendo conduzido a uma pela primeira vez. arriscar-se. Ano 2 | número 2 | 2013 CONIUNCTIO Revista Científica de Psicologia e Religião | Ichthys Instituto | Curitiba . Para peito da temática do ser humano. e com palavras simples descrever as vivências in. Edith terrompendo antes de chegar ao fim do livro. peguei o primeiro livro que transformações em si. o ego vai conquistando sempre mais a ela denominava ser a Verdade. 1959. abrindo a ela horizontes anteriormente Segundo Edith Stein. A pessoa passa a fazer um caminho no qual percebe as mudanças e as Sem escolher. p.39 |33 la através da imagem do Castelo Interior e suas periências vividas pelas incursões nos caminhos Moradas . pode- com muitas moradas e salas. sem antes esclarecer a si mesma no que adolescência. memória e rificação esta que a conduzirá a uma escavação vontade). bem como pela Sanctu relata que. com a obra de Teresa de Ávila causou certamente assemelhando-se ao céu. ou simplesmente como habitantes do pessoal que caracteriza cada pessoa. até chegar a aproximar-se me veio às mãos: era um enorme volume que ti- da totalidade do centro. 30). de Teresa de Ávila e a partir deste contato. Já para Ales Bello. Para ela. 1998. como ainda maior para encontrar o núcleo profundo e sentinelas. Ela propõe então. trazer presente a cendo os processos de purificação e crescimento. já deveria ter chegado Estudiosa da vida de Edith Stein. segundo a autora. Neste processo. possivelmente. que pode ser percebido também como da interioridade. não in- Na sua obra Ser Finito e Ser Eterno. e ela não mais o teria abandonado” (SPIRITU teriores: SANCTO. por ela um tanto esquecida na homem. 414-415). Foi na casa deles que Edith Stein. p. ocorreu-lhe a feliz imagem de um castelo Husserl. pois Para a Santa. “Deus tinha se apropriado dela. Paulatinamente vão aconte- obra de Santa Teresa de Ávila. Teresa de Ávila des. nuclear. o ha- rad Martius.PR . no mo- sim que o fechei. Spirictu ao mais alto grau da vida mística. ma de se viver a espiritualidade. A proposta de passagem em em que dá indícios de que Deus pode também cada uma das moradas evidencia o caminho da ser encontrado para além das Sagradas Escrituras. este acontecimento foi certamente tão iluminado. 30). As- Stein utilizou o termo Castelo da alma. p. Nesta época estava refletindo a res- consiste exatamente esse mundo interior. Cla- e poderes espirituais (inteligência. th Stein. confrontan- se a este evento da seguinte maneira: do-se com a sua sombra. desconhecidos” (MANGANARO. daquele mo- sua extraordinária capacidade de criar um léxico mento em diante. Os sentidos clarificação sobre a estrutura do ser humano. com seus numerosos cômodos. apud SPIRI- de Ávila. alma humana que realiza um diálogo/confron- É de suma importância. para poder com- to de verificação entre a experiência externa e a preender a aproximação de Edith Stein com a experiência interna. às vezes como vassalos. O corpo é descrito se pensar também em termos de uma posterior como a parede próxima ao castelo. o Self. nha como título ‘Teresa de Ávila livro da vida’. p. creve surpreendentes e misteriosas aventuras. é insuperável pela experiência da autora que. diz ter onde há uma presença. “O encontro castelo. por vezes. ao mesmo tempo cimento do Self. Iniciei a leitura e prendi-me totalmente. no qual há muitas mo- um intenso movimento na vida espiritual de Edi- radas (STEIN. no momento em que escreve. entrou em contato com a obra aproximação àquela morada central. lembrança de suas visitas ao casal de amigos Con- À medida que vai avançando no processo. a qualidade do Castelo Interior TU SANCTO. não era possível dar a enten- permitiu que Stein pudesse redescobrir a expe- der os sucessos que acontecem no interior do riência religiosa. fui obrigada a confessar a mim mento em que se referia à obra de Santa Teresa mesma: ‘Esta é a verdade’(EDITH. Edith Stein refere- liberdade para conviver.O Percurso para a Sétima Morada | Albertina Laufer | 30 . 70-71 ). et al 2006. conduzida por tanto. 1959.

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Stein compreende que não é somente pela do castelo. Para ela a atitude de permanecer por
filosofia que se pode entrar em contato com a in- fora do castelo, sem conhecer a própria casa, soa
terioridade e compreendê-la, mas se pode chegar como estranha e patológica, pois as almas encon-
a ela por meio do caminho percorrido e proposto tram-se enfermas e mergulhadas apenas nas coi-
pelos místicos e, portanto, para ela Santa Tere- sas exteriores, que dão a impressão de não haver
sa serve de exemplo. Compreendendo que Santa remédio nem possibilidade de fazê-las entrar em
Teresa percorre um itinerário que não é o da inte- si mesmas. Pelo fato de estarem tão habituadas
lectualidade acadêmica, Stein apreende que para com as coisas que existem fora do castelo, acabam
se chegar à verdade, muitos podem ser os cami- por se tornar semelhantes a elas.
nhos, mesmo que ainda esta verdade seja encon- Neste primeiro estágio, a alma encontra-
trada parcialmente. se numa fase de vivência na presença da cobiça
Aprofundando suas reflexões a respeito do sexual ou o lugar das satisfações instintivas. Mas
ser humano, Stein vai sempre mais percebendo toda a obscuridade ali existente, só tem sentido se
que Teresa de Ávila não tinha intenção de fazer percebida em relação à luz que reside e ilumina as
um estudo minucioso a este respeito, mas sim últimas moradas e a esta parece tanto mais fulgu-
apresentar a possibilidade que este possui de rante, a partir do momento em que a alma estiver
entrar em contato com Deus. Percebe, ainda, a envolvida por aquilo que a Santa denomina de
eficácia e a atualidade da descrição espontânea negrume ou fosso das primeiras moradas.
da Santa a respeito de sua própria experiência. Embora sendo a primeira morada, esta é
Tal descrição valoriza um trabalho arqueológico, também uma morada extremamente rica e de
que conduz a pessoa a uma maior aproximação grande valor. Quem consegue lapidar toda a de-
de sua interioridade, caminho anteriormente já formação provocada pelos animais, cria possibili-
indicado por Santo Agostinho. Alerta que, além dades e não deixa de seguir adiante no processo.
da oração e da meditação, existe a necessidade A este fato Jung também deu grande importância
do autoconhecimento que é relativo ao conheci- e caracterizou como a retirada das máscaras ou
mento que o “ser humano tem sobre Deus, ainda das projeções. Não é um processo fácil devido à
que obscuro e imperfeito” (ALES BELLO, apud força com que estas realidades agem sobre a alma.
Manganaro, 2006. p. 76). Conhecimento este Por isso, a pessoa tem necessidade – conforme as-
que exige cada vez mais da alma um “trabalho sinala Santa Teresa - de recorrer a Deus.
lento, perseverante e corajoso, que nada tem de
Comentando a segunda morada, Edith
espetacular, mas que, progressivamente nos en-
Stein comenta que ali a alma já percebe certos
sina a nos vermos tais como somos na realidade”
apelos de Deus, embora não se trate ainda de
(WINCKEL, 1985, p. 57).
“vozes interiores, que se fazem sentir na pró-
Stein ao comentar a realidade das moradas, pria alma, mas chamados externos e que a alma
faz notar que os muros que circundam o caste- percebe como sendo uma mensagem de Deus”
lo compreendem o seu exterior, ao passo que na (STEIN, 1998, p. 416-417). Como exemplo des-
sala principal habita Deus. Diz ela que “entre tes chamados destaca: as palavras de um sermão
estes dois extremos (que, é óbvio, não devem ser ou passagens de livros que para a alma soam como
entendidos espacialmente), se encontram as seis se tivessem sido escritos para ela, certas doenças,
moradas que circundam a mais central (a sétima)” sofrimentos ou outras mensagens, bem como os
(STEIN, 1998, p. 415). Porém, salienta que os momentos de oração. Embora a alma viva ain-
moradores que circulam por fora ou até mesmo os da no e com o mundo, estes chamados tocam o
que permanecem próximos ao muro, não chegam seu interior, tornando-se para ela um convite para
saber nada a respeito do que acontece no interior entrar dentro de si. À medida que se aproximam

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do centro, as almas vão sendo dotadas de maior apresentados pelo pensamento moderno. Isto se
sensibilidade para acolher o convite. dá porque o arquétipo do centro, juntamente com
seus múltiplos componentes (espiritual, psíquico,
Comentando essa terceira morada, Edith
Stein destaca que nela “encontram-se as almas biológico, histórico e social, individual e coletivo,
que acolheram de coração o chamado de Deus” conteúdos conscientes e inconscientes), contém
(STEIN, 1998, p. 417). Tais almas, esforçam-se em si a unidade (BONAVENTURE, 1975, p. 20).
constantemente a fim de ordenar a sua vida em O homem moderno corre sempre o risco de
conformidade com a vontade divina. Exercitam- sofrer a inflação, considerando o fato de julgar-se
se no cuidado de evitar o pecado, mesmo que ve- que nem mesmo seria capaz de cometer pecado
nial. Dedicam-se regularmente à oração, às práti- algum, ainda que venial. Entretanto, Teresa faz
cas penitenciais, como também na realização das um convite ao exercício da humildade. Nesta eta-
boas obras. “Quando provadas por duras provas, pa é necessário o desnudamento e a experiência
estas servem para demonstrar-lhes que, todavia do despojamento de tudo.
estão fortemente apegadas aos bens terrenos”
Para Stein, ao ingressar na quarta morada,
(STEIN, 1998, p. 417), de modo que, pela sua
a alma começa a receber graças especiais, dispon-
boa vontade, são agraciadas com determinadas
do-se a abandonar-se completamente nas mãos
consolações, embora ainda através de sentimen-
de Deus. Aqui não se trata do movimento da
tos completamente naturais tais como: lágrimas
alma a Deus, mas de Deus em direção à alma, o
de arrependimento, devoções sensíveis na oração
que se concretiza na diferença entre consolações
e satisfação pela realização de boas obras.
e delicadezas, sendo que as últimas procedem di-
Na Psicologia Analítica, o entendimento retamente de Deus e proporcionam a oração de
da necessidade do ego que estabelece uma re- quietude.
lação vital com o Si-Mesmo é para assegurar a
própria integridade do mesmo. A manutenção do Começam aqui as graças sobrenaturais, di-
eixo de integração do ego dependente do Self é ficílimos de explicar, a menos que sua Majesta-
fundamental para o prosseguimento no caminho de se encarregue disso. [...] agora as moradas se
rumo ao centro. Assim entendido, o reconheci- encontram mais perto do aposento do Senhor (o
mento do ego para com o Self é um processo con- centro do castelo de luz), e nelas há coisas tão de-
tínuo, uma vez que lhe é intrínseco o dilema da licadas que nossa mente, por mais que se esforce,
inflação, isto é, de entender-se merecedor ou até não tem capacidade para sugerir sequer uma ideia
mesmo responsável pelo pouco realizado, sendo de como explicá-las adequadamente. É necessá-
tentado a apropriar-se pelo processo de inflação rio ter a experiência para compreender, pois aqui
do fogo dos deuses. Em relação a esse perigo, Te- existe uma inefabilidade ( JESUS, 1981, p. 71).
resa acrescenta: “Deus une à sua grandeza o nosso É um processo de interiorização que não
trabalhinho, conferindo-lhe grande valor, sendo se adquire pelo entendimento e nem tampouco
o próprio Senhor a nossa recompensa” ( JESUS, pela imaginação. É um estado de quietude que
1981, p. 109). O processo de desenvolvimento depende somente de Deus, de quando Ele quer e
comporta também estágios nos quais o eu passa como quer. Por isso é necessário “que se diminua
a atribuir a si qualidades que ultrapassam as suas a atividade do entendimento e da imaginação. As
medidas, gerando a famosa inflação psicológica, potências devem ser empregadas em Deus, com
da qual decorrem numerosos conflitos, tanto em seu próprio esforço, enquanto podem atuar li-
nível filosófico quanto em nível existencial.
vremente” (STEIN, 1998, p. 420). Do contrário,
Ao contrário, o homem que vive e pensa afirma Stein, serviria somente para causar aridez
em função do centro escapa aos pseudoproblemas na alma, que acabaria prejudicando a si mesma

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devido aos esforços. No entanto, isso somente é truindo a casa na qual morre para transformar-se
possível para aquelas almas que se tenham de- em uma linda e branca borboleta, assim acontece
morado nas moradas anteriores, como aconselha na alma. (STEIN, 1998, p. 423).
Teresa.
Este é um movimento que acontece na
Na quinta morada, se percebe a surpreen- alma quando “com o calor do Espírito Santo, co-
dente transformação que experimenta a alma meça a beneficiar-se do auxílio que Deus concede
embebida com a oração. Stein comenta que, en- a todos” ( JESUS, 1981, p. 108) e quando se valem
quanto a alma na oração de quietude encontra- dos meios essenciais que lhes são confiados por
se como que em sonhos, agora entra em oração Deus por meio da Igreja, tais como: a confissão
de união. É o estágio em que a alma encontra- frequente, as boas leituras e a escuta dos sermões.
se como que adormecida. “Aqui o amor é assim: São eles potentes remédios para a alma. “Assim
não entende como, nem o que deseja. Em suma, começa a alma a construir a casa onde vai mor-
está como quem morreu inteiramente ao mundo rer” (STEIN, 1998, p. 423). Trata-se da vida es-
para viver mais em Deus” ( JESUS, 1981, p. 101). condida com Cristo em Deus, como muito bem
Assim sendo, não há espaço para a imaginação e afirma o apóstolo: “Vós estais mortos e vossa vida
a memória e nem mesmo o entendimento pode está escondida com Cristo em Deus.” (Col, 3,3).
causar obstáculos. Nem mesmo “o demônio pode Trata-se daquilo que a alma pode tolher de si, isto
entrar para causar dano” (STEIN, 1998, p. 422). é, do amor próprio, da vontade própria, o desa-
Diz ainda Edith que, “durante o breve espaço da pego das realidades terrestres, colocando em seu
união, a alma não compreende o que lhe ocorre” lugar a oração, a mortificação, bem como as obras
(STEIN, 1998, p. 422). No momento em que de penitência.
acontece a união, a alma não consegue perceber
Ao comentar a sexta morada, Stein diz que
o que nela se realiza. Segundo Edith, “a Santa
ainda não é o “lugar de repouso para a alma. Seu
chegou assim, pela própria experiência interior,
anelo visa à união estável e duradoura que se con-
a uma verdade de fé até então por ela ignorada”
seguirá somente na sétima e, portanto, a alma é
(STEIN, 1998, p. 422).
provada com sofrimentos internos e externos
Por meio da utilização da metáfora do bi- mais intensos” (STEIN, 1998, p. 427). Passa por
cho da seda Santa Teresa expressa a mudança e violentos tormentos interiores. Nada lhe parece
a transformação da alma, o que para a Psicologia penetrar no íntimo e até a oração mental se torna
seria a transformação que ocorre na personali- impossível uma vez que a alma não encontra dis-
dade, pela ampliação da consciência, após um posição para tal. Nesta etapa, há a “impossibili-
intenso processo de análise interior. Da mesma dade de rezar e a alma não encontra consolo nem
forma com a qual o bicho da seda no casulo vai se em Deus e nem nas criaturas” (STEIN, 1998, p.
transformando, assim a alma ou a personalidade 427). Daí surge a necessidade da dedicação às
alcançam os níveis (estágios) ou moradas sempre obras de caridade tão recomendadas por Teresa.
mais elevados. O mesmo ocorre com a alma em
No entanto, malgrado todos os sofrimentos,
oração nesta morada: “quão transformada sai ela
não passa despercebida à alma, o quão próxima
daqui, depois de estar imersa na grandeza do Se-
encontra-se do Senhor. Mesmo estando ela,
nhor” (ÁVILA, 1984, p. 110). A este propósito
muitas vezes, descuidada e não se lembrando de
Stein comenta:
Deus, este a desperta com seu toque repentino,
Como o óvulo, tão pequeno e duro, com o semelhante a um trovão sem ruído. É um toque
calor adquire vida e começa a alimentar-se com que não produz dor, mas que “sente-se a ferida
as folhas da amoreira, e de modo que a lagarta se sem atinar para quem a feriu [...]. É dor aguda –
torna gorda e forte, de si vai tirando a seda e cons- ao mesmo tempo - que saborosa e suave. Ainda

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Entretanto. res sempre mais necessárias. bem como o beijo do amado. 1981. exceto quando das as coisas que não a direcionam a este fim. 1981. “Aqui. 235-236). a alma já foi tomada mentar um pouquinho a honra e glória de Deus. não fica desconsolada casa de cada um. intensa a felicidade de que se sente inundada! la” ( JESUS. na sétima morada vive- ali estando. primeiro é um esquecimento de si. que pode também significar a bem vindos! Se não quiser. O que dão a impressão de que o espírito sai do cor. Stein faz questão de evidenciar os profundos segue esquecê-los. a sétima morada re- faz. nem honra. “Não se lembra de que haverá Céu para outra região muito diferente desta em que vive. Parece querer. cessam os movimentos ordinários das se um grande desapego de todas as coisas. de tal forma transformada. 1981. Quando se distraem. p. Para esse fim. Se quiser lhe mandar padecimentos – sejam presenta o centro. não poderia deixar de senti. p. Não possui pretensões em ser coisa e infunde-lhe o desejo de servi-Lo e fugir de to. 1981. realidade da união misteriosa que so. Encontra-se po. lugar da presença total de Trata-se. não existem mais as securas e os sofrimen- radas precedentes. sobrenaturalmente como esposa. vores. de modo que a alma ca vontade que permanece na alma é a de estar fica pacificada. p. foi transportada a conhece. É onde a corça é saciada pela de cumprir para com as obrigações de seu estado. p. “Uma alma chegada a este ponto tem ânsias abandonará a alma. Possui enor- passa-se de outra maneira. As portas nesta morada estão abertas. É o Senhor quem introduz a alma nesta morada. 243). inquietações que eram próprias de outros tem- segundo Stein. um grande desejo de padecer. 172). a introduz em sua vida” ( JESUS. É. não podendo a alma dizer se está nele ou não. Neste está- alma não mais estará sujeita aos conflitos das mo. 1981. Nosso bom Deus quer me desejo de servir. naquele momento. dade de a pessoa não se descuidar dos seus afa- É o local e o momento no qual a esposa recebe zeres básicos. p. a ocupada exclusivamente com Deus. 230). que acha bem tudo quanto sua majestade Segundo Bonaventure. do Dono e habitante principal do castelo. sem de. a companhia Divina que jamais pos. segundo Teresa. A alma encontra-se num estado de quie- Ano 2 | número 2 | 2013 CONIUNCTIO Revista Científica de Psicologia e Religião | Ichthys Instituto | Curitiba . ma- nifestar à alma a glória do céu. p. timo. Estabelece-se aqui o matrimônio que desejariam ocupar todo o tempo em seus lou- espiritual. como antes” ( JESUS. 1981. 144). que não mais se re- “Parece-lhe que toda inteira. 228). Deus quer revelar a ela alguns segredos e eles lhe ficam de tal forma na memória que jamais con. 242). A úni- faculdades e da imaginação. em plenitu. uma contínua constante presença do Amado e tal presença lhe lembrança de Nosso Senhor e tal afeto por ele. o Centro mais profundo dela mesma e. São momentos tão intensos efeitos que esta união proporciona para a alma.PR . O segundo efeito é pleta que se estabelece na presença. pelo contrário.39 |37 que a alma quisesse. na última das moradas. 1981. “Há. p. o mesmo Senhor as mente pode ser realizado neste Centro mais ín. Para Santa Teresa. Salienta a necessi- morada. “Antes de con. o Senhor. “Prefere ser tida em nada. É onde ela experimenta a felicidade com. 243). Nesta experiência teiramente em promover a glória de Deus” ( Jesus. ela. “É 245). de disposições interio- Deus. basta e sacia. Geralmente acontece quando espiritual” ( JESUS. desperta do modo acima dito” ( JESUS. glória de Deus.O Percurso para a Sétima Morada | Albertina Laufer | 30 . alguma. porque se emprega in- mos” ( JESUS. que é a sétima” ( JESUS. de êxtase. gio. tão extremas de que nela se cumpra a vontade de Deus. nem vida. Chegada neste ponto do castelo. entende que de algum modo contribui para au- Na sétima morada. contribuindo assim para a tirar-lhe as escamas dos olhos” ( JESUS. de um modo mais Acontece aqui o que a Santa denomina elevado que em nenhuma outra visão ou gosto de arrebatamento. p. de muito boa vontade sacrificaria a sumar o matrimônio espiritual. água e a paz acontece. como comer e dormir. É um estado no qual ela vive a tos interiores. Deus comunica-se diretamente a alma 1981. p. 1981.

é na sétima morada Vista a partir do Centro (Cristo). VENTURE. enquanto imagem ainda toda a pluralidade de expressões no acon- do Espírito de Deus possui a missão de apre- tecer da vida. paulatinamen- salas e moradas do castelo. mas Isso acontece porque a alma. vai consequente- um caminho em contínua transformação. compreensível o que a própria Santa teria expe- não existe uma profunda identidade. as diversas çando para cada uma das moradas. Segundo Santa Teresa. interior fazendo com que a alma abandone a dissolve-se e massifica-se. a complexidade da alma. sus- e na total inconsciência. a vida citado pelo descobrimento contínuo do mundo se sujeita ao espaço comum das leis da natureza. voltando à condição falsa imagem do próprio eu. eu. diviniza e goza de um bem aventurado repouso. Neste sentido. encontrando-se distante de todas as lu. nos de Deus. p. equivale a uma aproximação gradativa caos. Assim procedendo. Compreende-se que o Centro transcende o 2006. ender todas as coisas criadas. harmoniza-se e encontra tência transparece com uma nova luz. evitando que grande importância ilustrativa a utilização das a mesma se desviasse caindo na exterioridade e imagens do castelo e das moradas. a ponto de co- No entender de Teresa. a ponto de não se poder negar. É a morada de Deus na alma. poderá encontram fora do castelo poderiam ainda ser compreender a própria vocação. Ali tudo se confunde com a sua divindade e com Pode-se ainda aludir o estado da alma nesta mo. as pessoas que se nhecê-las e amá-las. p. se pode descobrir que tudo procede de Deus ao tas. As transformações interiores impulsio- estágios obscuros. e até mesmo na bestialidade nam a alma ao autoconhecimento genuíno. que muitas vezes é do “homem terrestre que vive à semelhança dos baseada na imagem feita pelos outros. totalidade do seu centro. rumo à mente se divinizando. 154). se mesmo tempo em que para Ele tudo converge. Assim estando. Teresa pode mostrar a realidade e também vocação que é a união no seu Centro interior. o Self. a rada ao que Mestre Eckhart afirma como sendo alma é chamada a ultrapassar sua condição pura- a realidade na qual “o homem exterior pode estar mente terrestre. trilhando por na medida em que se humaniza. descobrindo a condição que lhe ativo. frendo um processo de profunda humanização e. Ali estando. É de de Deus para com a alma humana. o ego vai conquis- seus diversos estágios e que. abre as portas para a transcendência. torna-se semelhante a Deus. avan- criaturas existem. mas a ana- rimentado a respeito do chamado e da intenção logia é tal. realizando-a de comparadas ao estado do homem após a queda.38| O Percurso para a Sétima Morada | Albertina Laufer | 30 . Por meio desta experiência. enquanto que o homem interior perma. Segundo Stein o objetivo de Santa Teresa ao descrever a simbologia do Castelo Interior Certamente que entre a tentativa de apro- foi apresentá-lo como casa de Deus e tornar ximação das realidades psicológica e espiritual. sendo ao mesmo tem- po a razão na e pela qual as pessoas e todas as Empenhada no destino do caminhar. na confusão ou completa ignorância. Considerações Finais mais formosa envergadura. Ano 2 | número 2 | 2013 CONIUNCTIO Revista Científica de Psicologia e Religião | Ichthys Instituto | Curitiba . vai so- tando sempre mais a liberdade para conviver. E não somente ela. Assim entendidas. confrontando-se com sua sombra. nece totalmente livre e inalterado” (ECKHART. trazem presentes as te a alma vai sofrendo os processos de purificação mais variadas situações da condição humana em e crescimento. até habitar defini- tivamente na morada principal do Castelo. o seu eterno brilho. Entrar em contato profundo momento em que passa a viver num estado de consigo. a exis- que a alma se pacifica. 1996. o palácio da 4.39 tude quase contínua e tem certeza que procede animais e longe da unidade paradisíaca” (BONA- de Deus.PR . 99). onde ali repouso. aos poucos. por meio das conduzindo-a para a realização de sua própria quais. forma adequada.

não se deixando tomar ciências da natureza In: SANCHES. dem ocupar na alma. SILVA Dora Ferreira da. Bragança Paulista: Ed. identificando diversas vivências e BÍBLIA SAGRADA. Ano 2 | número 2 | 2013 CONIUNCTIO Revista Científica de Psicologia e Religião | Ichthys Instituto | Curitiba . pelo desespero diante da crueldade das circuns- Criação e Evolução: diálogo entre teologia e biologia. OCD. Mestre. Teresa de. Edição Pastoral. 1997. Profundamente convicta da sua Paulo: Ave-Maria. fazendo dela a sua verdadeira morada. que por sua vez. Teresa. Ancorada em seu na Sé- tima Morada ou em seu Centro. contagia os espaços nos quais está inserido. Marcio Luiz. Léon. sofrem condições adversas. contribuição muito precisa no que se refere à Segunda edição crítica de Frei Silvério de Santa Teresa. 2 ed. meta e fim do processo de individua. Tauler na cruz. RJ. Morcelliana: Brescia. Universitária São Francisco. o A Sétima Morada ou o Centro é fundamen. Considera-se ainda. A exemplo de Cristo HUBERT Lepargneur. que este encontro com ECKART.PR . 6 ed. cura e encontro. 1990. RJ.O Percurso para a Sétima Morada | Albertina Laufer | 30 . onde o eu e o Outro se empenham Carmelo. As reflexões de Conrad- também de encontro com as situações de morte Martius e Edith Stein sobre as ciências humanas e as que a vida lhe apresenta. compreende-se que a experiên. as. num processo constante de decanta- ção criativa. 1984. Roma: OCD. da pessoa. um lugar mais central e ou. L’anima e il suo oltre. O Livro da Divina Consolação. a vida acontece e floresce em toda a sua abundância. missão. Estando ancorada em Tradução das Carmelitas descalças do Convento de Santa seu Centro. 2009. tal e determina a forma com a qual a pessoa vai FERNANDES. determinem o seu estado interior a não recuar diante da possibilidade da entrega total diante SPIRITU SANCTO. o que WINCKEL. Ricer- os acontecimentos do mundo sem que estes lhe che sulla mística cristiana. Do Inconsciente a Deus. a experiência ascenciòn al sentido del ser. na atitude de encontrar e ser encontrado. a alma encontra o seu lugar mesmo em meio do desespero humano. constitui-se numa dialética entre pro. STEIN. de Alberto Pérez mística. São Paulo: diferentes graus de profundidade e que estas po. Ensayo de una cia religiosa e. BONAVENTURE. posiciona-se em atitude de compaixão e e Jung: o caminho para o centro. 2006. São Paulo: Paulus. Psicologia e Vida Mística. E onde a paz habita. lu- gar do encontro em que Amado e amante podem habitar na recíproca doação de si. devoção para com os que vivem ao seu redor e JESUS. São Paulo: Paulinas. dos apelos da vida. a alma encontra a possibilidade de enfrentar MANGANARO. Petrópolis: Vozes. Stein percebeu que o eu pode se voltar para sua interioridade. Ser Finito y Ser Eterno. São ativa e dinamiza positivamente toda a estrutura Paulo: Paulinas. 1996.39 |39 Compreende-se que a vivência mística. Castelo Interior ou moradas. México: Fondo de Cultura Economica. 1998. São tâncias impostas. de modo particular. tros mais superficiais ou periféricos. 1985. Mario Antonio. 2006. Patrizia. Monroy. Portanto. Erna Van de. Nela estão presentes atividade e STEIN. 1975. Burgos: Monte passividade. Paulus. oferece uma Carmelitas descalças do Convento de Santa Teresa. Tradução das reza D’Ávila ou São João da Cruz. Obras Selectas. Teresia Renata de. experiência religiosa e à individuação humana. Edith. Edith. a alma encontra a paz. 1959. Trad. Santa Teresa de. Castelo Interior. Edith Stein. Segunda edição c ção. Referências sim como é descrita por santos como Santa Te- ÁVILA.

PR .40| Ilustração: Rogério Borges A assimilação psicológica do mal Ana Luisa Testa e Sonia Regina Lyra Ano 2 | número 2 | 2013 CONIUNCTIO Revista Científica de Psicologia e Religião | Ichthys Instituto | Curitiba .

psychic energy. a consciência seleciona para si aqueles conteúdos que considera valio- sos. for adaptive reasons. tanto conscientes quanto inconscientes. psicoterapia. the consciousness apprehends contents it judges valuable. por meio da assimilação consciente do símbolo é (analuisatesta@gmail. Analista sequências da transformação da energia psíquica símbolos devem ser compreendidos e assimila- Junguiana. ou quais seriam as con- Doutora em Ciências transformar-se com seu mundo interior.Palavras-chave: sonhos.49 |41 A assimilação psicológica do mal Ana Luisa Testa* e Sonia Regina Lyra** Resumo A psique humana é composta pelos mais diversos conteúdos. mal. once the components ignored by the consciousness may be exteriorized through symptoms. to the human existence. despite its adaptive value. pathologies. apesar de ter seu valor adaptativo. esses da Religião.br) Jung (2008a) diz que o símbolo converte camente sobre a transformação e a assimilação Ano 2 | número 2 | 2013 CONIUNCTIO Revista Científica de Psicologia e Religião | Ichthys Instituto | Curitiba . ** Sonia Regina Lyra Para que a consciência possa comunicar-se e Mas de que serve. traz consequ- ências negativas para o individuo.com) bolos. símbolo. Orientadora inconsciente? É essa pergunta justamente que o dos por ela. brings negative consequences to the individual. This * Ana Luisa Testa work is what makes possible to realize the originating personality. energia psíquica.A assimilação psicológica do mal | Ana Luisa Testa | 41 . symbol. patologias. sendo o primeiro passo a compreensão de que aquilo que é considerado “mau” possui caráter relativo. deixando o ego à mercê da influência dessas forças inconscientes. e mais especifi- (sonia@ichthysinstituto. por questões adaptativas. leaving the ego at the will of such unconscious forces. Palavras-chave: integração psíquica. assimilating those unconscious forces through the symbolic comprehension of the repressed psychic energy. Essa forma de funcionamento. assimilando essas forças inconscientes através da compreensão simbólica dos conteúdos reprimidos. being the comprehension that what is considered good or evil possesses relative character the first step. Esse trabalho é o que possibilita a realização da personalidade originária. de TCC presente texto pretende discutir.PR . assimilação. nidade. apenas por serem contrários à atitude adotada pelo ego. Abstract The human psyche is composed of the most diverse components. e ainda continua no homem moderno. assimilation.com. A transformação da energia de Psicologia e Religião) a partir do inconsciente através do uso de sím. processo de individuação. Essa linguagem é rica em significados e um processo que existe desde o início da huma- expressa os modos de ser da energia psíquica. já que esses conteúdos desprezados podem forçar sua expressão através de sintomas. que pode trazer um significado único à existência humana. just because it is contrary to the attitude of the ego. A saída é unificar novamente a psique. the one that can bring a unique meaning Psicóloga clínica. ficando imersos no inconsciente aqueles que são considerados “maus”. Especialista em Psicoterapia Corporal e em Introdução a energia psíquica em imagem e a representa de Psicologia Analítica (ICHTHYS – Instituto A psique possui uma linguagem que fala forma equivalente. The solution would be to mend the psyche back to one again. Nor- malmente. leaving immersed in the unconscious whatever it considers “evil”. evil. projeções e assim por diante. Normally. either conscious or unconscious. projections and so forth. de Londrina. graduada pela Universidade Estadual Keywords: psychic integration. This model.

gia analítica é importante que o leitor retome 1. Através dela podem ser expres. sem transforma.PR . sada pelo inconsciente até que o ego amadureça Então. tais e o inconsciente coletivo como dinâmica. sintomas. Ele libertando a alma da esfera da inconsciência diz “sou isso. imaginação Mas. apesar de crucial para a adaptação. e é forçado a se estabelecer à disposição da consciência essa força psíquica. imagens e sabores ( JUNG. fantasias. sificar seus conteúdos em duas ordens: uma de natureza pessoal e outra de natureza coletiva. o conceito de Apesar de os conteúdos inconscientes não símbolo como o veículo transformador da ener. continua a produzir lo que diz respeito ao eu. distinto e direcionado. percepções subliminares. GER.2 O inconsciente pessoal primeiramente alguns conceitos básicos. Assimilar essas tendências Para que seja possível compreender a sombrias à personalidade traz consequências questão da assimilação do mal para a psicolo. em última instância. Essas personi- a vasta área do inconsciente – área essa pouco ficações independentes são capazes de atuar e de conhecida. Porém o incons- o complexo do ego. tais como sonhos. muitos dos quais ultra- pode ser entendida como os fatos psíquicos passam a esfera das vivências pessoais ( JUNG que se encontram associados ao complexo do 1987).42| A assimilação psicológica do mal | Ana Luisa Testa e Sonia Regina Lyra | 41 . e não aquilo”. 2008). apenas por conteúdos adquiridos durante a vida 1. Por possuir uma atitude unilateral e se ter 2008). estrutura e conteúdos da psique humana. da rial reprimido. Jung de natureza pessoal são aqueles que podem ser (2008b) afirma que a psicologia. em alto valor. e obter dados para sua Esses complexos constelados no incons- observação. processo serve para libertar o homem da com- O ego – centro da consciência – emer- pulsividade e do apetite dos instintos. ( JUNG. 2011). trata primeiramente dos conteúdos.49 do mal. ciente pessoal possuem uma espécie de identi- sos conteúdos provenientes do inconsciente. Os Começando com esses conceitos. tude de unilateralidade. de seus produtos. O que pode ser adiantado é que esse ego ( JUNG. no texto. 2011). Logo. e assim por diante. e mais adiante. sendo a cons- rias e os complexos constelados ( JUNG. 2008b). o ego não poderá se expandir en- 1 Estrutura. O que é conhecido é aqui. Mate- ência. a consciência seus sonhos e fantasias. estes facilmente poderiam ser es- É consciente aquilo que se relaciona com gotados durante uma análise.1 A consciência do indivíduo. com novas formas. São personalidades com relativa consciência é como uma superfície que cobre independência dentro da psique. não haveria modo de a vida perpetuar-se. como algo definido. Ano 2 | número 2 | 2013 CONIUNCTIO Revista Científica de Psicologia e Religião | Ichthys Instituto | Curitiba . dissolver ge do inconsciente durante o desenvolvimento as projeções desse conteúdo. é possível clas- gia psíquica. através mo contra sua vontade. ciência a esfera à qual o cientista ou o psicólogo pode ter acesso direto. que deverá ser compen- ção. observáveis apenas indiretamente. a transformação da e possa assimilar os pares de opostos (EDIN- psique equivaleria à renovação da própria vida. Essa característica. 2008b). assim como deixar psicológico normal. serem diretamente observáveis. se o inconsciente fosse composto ativa. com determinada estrutura e conte. notáveis para o ego ( JUNG. da psique ruim e pouco valioso. mes- údos. enquanto ci- relacionados com a vivência do indivíduo. cria uma ati- Vale a pena ressaltar que. A dade própria. influenciar a vida consciente do individuo. conteúdo e dinâmica quanto não assimilar aquilo que considera mal. memó- estrutura e da dinâmica da psique. ciente nunca é desativado.

ao acreditar que possui completa inde. a cia pessoal são próprios do inconsciente coletivo. essa forma de funcionamento te pessoal e o inconsciente coletivo constituem traz inconvenientes. no entanto. Mas a finalidade do homem de se realizar disposição do eu. tram-se os arquétipos – formas padronizadas de a qual. foi possível perceber que a es. para Jung (2008). no inconsciente pessoal outros enquanto uma unidade não depende apenas de complexos – com personalidades autônomas. e que pode trazer um sig- nificado único à existência humana.ele precisa camadas distintas: consciente. 1980). com é compreensível. Apesar de Continuo afirmando que o nosso inconscien. 2001). já que ela tende a ado- fazê-lo até certo ponto. A energia psí- ser – comuns a toda espécie humana. Esses pares de opostos surgem da seguin- pria casa. questões de adaptação. unidade da psique pode ser considerada uma Não podem ser atribuídos a experiências indivi. consciente e o inconsciente ( JUNG. reza inconsciente é realizado através da função pendência em relação ao inconsciente. estão à prir. 87). Mas. os complexos. assimilar na consciência a energia psíquica in- consciente coletivo. se contrapõe. Apesar dessa complexa e segmentada es- trutura psíquica. e no inconsciente coletivo encon. porque desconhecido. servir à adaptação. 2 O símbolo como veículo 2008c). desde que os conteúdos do inconsciente duais. transcendente. inconsciente e in. mente. sendo que denominada self e. de viverem sua vida independentemente de nossa intenção. Cada uma dessas camadas consciente. mentos estimulam uma contraposição na esfera Ano 2 | número 2 | 2013 CONIUNCTIO Revista Científica de Psicologia e Religião | Ichthys Instituto | Curitiba .A assimilação psicológica do mal | Ana Luisa Testa | 41 . mente não somos senhores dentro de nossa pró. sua vontade. direção e estabilidade são acentuadas. porque somos atrapalha- tar formas unilaterais de funcionamento – por dos por esses pequenos demônios. mas de unificar os pares de opostos existentes entre o isso não acontece nem nunca aconteceu. e possuem um caráter balho é o que possibilita a realização da perso- mítico ( JUNG. ência. nalidade originária. portanto. o self é uma imagem da meta a se cum- lacionam ao complexo do ego e. 2008b). Esses ele- ( JUNG. produtora de símbolos capazes Gostamos de pensar que somos unificados. são como que “padrões” arcaicos próprios sejam assimilados pela consciência. em nossa energia e no que podemos uma atitude de complementação e compensação fazer. É agradável pensar no poder de nossa te maneira: o inconsciente com frequência toma vontade. Para que o homem resgate sua unida- trutura da psique humana é composta por três de – ou personalidade originária . a consciência com frequência E o processo de transformação da natu- ilude-se. É antes uma força que move os nem sempre em concordância com a personali. Mas na hora H descobrimos que podemos em relação à consciência. meta. conteúdos inconscientes em direção à consci- dade do ego. número de tos psíquicos que parecem ser incompatíveis com complexos ou de personalidades fragmentárias a atitude adotada pela consciência. quica quer se transformar para atualizar-se na vida consciente. produzir conteúdos iguais ou semelhantes en- tre os indivíduos da espécie humana ( JUNG. A natureza inconsciente anseia pela luz. Real.PR . empirica- na consciência encontram-se aqueles que se re. pois inibe todos os elemen- um indefinido. Esta natureza unilateral Eles são grupos autônomos de associações. transformador da energia psíquica Até agora. p. 2008b. Essa personalidade originária foi conta com seus conteúdos próprios. Esse tra- da humanidade em geral.49 |43 Esses conteúdos que ultrapassam a vivên. pois as exigências da vida por tendência de movimento próprio. Essa meta Esses padrões – denominados arquétipos pode ser chamada de processo de individuação – funcionariam como uma predisposição para ( JUNG. apesar de ser a princípio ilusória.

são agentes. Quanto papel de um observador passivo a quem faltam mais alguém acreditar ser o portador exclusiva. o qual termina inva- O símbolo não é uma alegoria nem um semeion riavelmente em derrota. uma vez que o texto discute a impor. Esta dos princípios da interpretação dessas produções experiência paralisa uma vontade por demais dentro da psicologia analítica é justamente não egocêntrica e convence o ego de que. 3 A importância da assimilação Sem a compreensão não há assimilação. passando. o ego não pode Os símbolos aparecem em todas as pro. ao nas com os aspectos relativos ao bem. combate sem esperança. p. como por exemplo. porque a consciência identifica-se ape. posição central e dominante.. as fantasias e a imaginação ativa. 174)... 2011).44| A assimilação psicológica do mal | Ana Luisa Testa | 41 . e para não se dissolver no processo. porque certas consi- consciência. há uma alteração não Mas. Quer dizer. 2008b). É aí que a função transcendente bastante forte para resistir ao assalto dos con- trabalha. e sim procurar todas as dificuldades. mais fortalecido fica o mal para to porque a vontade se acha enfraquecida em si contrapor-se e compensar a atitude unilateral da mesma. Embora ele se mostre capaz de preservar que este permanece na penumbra do incons. da libido inconsciente A função transcendente produz o símbolo. só dos conteúdos inconscientes. O parágrafo abaixo explica gia psíquica – ou libido – possa ser assimilada bem o papel do ego nesse processo de unificação através da compreensão do sentido que o símbo- da psique: lo traz nas diversas produções do inconsciente.] ( JUNG. mas necessário [. originária que o ego seja receptivo à vida sim- ciência. mas através dos símbolos sem a colaboração do ego as camadas da psique No tópico anterior foi descrito o conceito não se ligariam. mas também do tância da assimilação do mal. torna possível o diálogo entre o inconsciente e o Através da compreensão do sentido do símbolo consciente. Mas. ( JUNG.] ( JUNG. namente ao fator mais forte. Um dade e cria uma figura que ultrapassa de algum modo o ego em extensão e em intensidade. Essa atitude por isso só pode ser desvendada indiretamente. enquanto outra parte pode permanecer bólica. na tentativa de unir no símbolo as duas teúdos inconscientes. inconsciente com o centro da psique consciente 1989). não só é possível. é sempre melhor recuar o sentido oculto que o símbolo traz ( JUNG. Deste modo a vontade (sinal). os inconscientes vitaliza e enriquece a personali- sonhos. e a personalidade originária – de símbolo e algumas condições para que a ener- self – não emergiria. é possível pensar ego. p. os meios necessários para impor sua vontade em qualquer circunstância..49 do inconsciente. isto é. 67). apesar de interpretá-los de maneira literal. quanto. a assimilação pode atitudes antes opostas ( JUNG. porém. neste caso. com os quais um entendimento 2011. através da compreensão do símbolo é possível ligar as camadas mais profundas do que transforma a energia psíquica (EDINGER. derações a paralisam. o ego é como que arrancado de sua ciente. assim. da totalidade que eu chamei de self [. energeticamente proporcional Se. sem que se afrouxe desas- trosamente sua contextura. o que acontece não tan- mente do bem.PR . ocorrer. sua estrutura. a estrutura do complexo do ego é ao seu oposto. sobretudo. assim como deve ser forte o suficiente na penumbra ou completamente inconsciente. deixar de descobrir que o afluxo dos conteúdos duções do inconsciente. à nova figura cessário descobrir que tais conteúdos são reais. do que se empenhar em 2008b). pode-se perceber que é condi- 2008c. para um segundo lugar. É ne. ção necessária para o resgate da personalidade Parte desses produtos pode acessar a cons. Dito isso. Ano 2 | número 2 | 2013 CONIUNCTIO Revista Científica de Psicologia e Religião | Ichthys Instituto | Curitiba . mas a imagem de um conteúdo em sua enquanto energia disponível se submete paulati- maior parte transcendental ao consciente.

seu oposto – o mal – estará inconsciente e provavelmente projetado no outro. por seu caráter com. grande valor. é a libido isso.49 |45 No tópico presente o que se discute é a impor. a vida perde o brilho. lar seu conteúdo. É dessa forma que certamente ser vivenciada por muitas pessoas. Tampouco podem causar fortes emoções. po. dinâmica. ou simplesmente resgatar um pedaço pulsivo e apetitivo. têm-se os estados de possessão 4 A importância ou até mesmo de verdadeiras epidemias psíqui. Para Mas. a libido sentido. já que são estes últimos que fazem do.A assimilação psicológica do mal | Ana Luisa Testa | 41 . O mal no texto deve ser. a vida Jung identifica o termo libido como sendo do homem não flui mais. a afetos. pois mantém sua au. fica sem energia para utilizar em suas atividades É percebida como o impulso do sono. Nesse trabalho de assimilação rém. 2008c). indica um desejo. com- os conteúdos não reconhecidos acabam por ser preendido como a experiência psíquica que pode projetados sempre no outro. Se o eu se identifica exclusivamente com temente projetado no outro ( Jung. p. ná-lo. é relevante deixar claro do influenciando o complexo do eu. O appetitus e a compulsio fazem parte de assimilação dessas energias é de extrema impor- todos esses instintos. dos estados emocionais e dos estado de completa depressão. uma entidade um lugar ou sobre a importância de se assimilar a libido in- Ano 2 | número 2 | 2013 CONIUNCTIO Revista Científica de Psicologia e Religião | Ichthys Instituto | Curitiba . antes. do sexo. Pode eventualmente domi. Sendo assim. da fome. como por exemplo. quando o ego entra em contato disposição na consciência. A quantidade de energia tância. a psique é extremamente sua vitalidade ao represá-las ( JUNG. psíquica ficar represada no inconsciente. o bem. a ponte entre o profundo abismo que pode exis- 2008c. desde que o indivíduo consiga assimi- é aquilo que se deseja com a razão. religiosas. muitas guerras. diárias. psicologia. dessas forças inconscientes e tampouco perderá to de vista energético. citado por Jung. seja esse O tópico anterior trouxe alguns pontos outro uma pessoa. diz: “Vontade ciência. O eu instinto vital contínuo – uma vontade de existir. conversões sempre atua a favor do ego. já que isso faria quanto essa energia não for assimilada. tir entre os opostos. e é receptivo à vida simbólica. curas. que se encontra em todos os tolos” ( JUNG. Aquilo. Para ele. o eu fica parte do campo de estudo da teologia e não da a mercê das forças do inconsciente. e um instinto pode ser despotenciali- Essa vitalidade pode ser sentida imediata- zado a favor de outro ( JUNG. a libido nem sempre está à ciência. Esses conteúdos tonomia em relação à vontade do eu.PR . Cícero. tância de se assimilar a libido inconsciente. pode-se ter essa libi- Primeiramente. Pode ser vista como um diminuição da alegria e da vontade de viver. As coisas perdem o o mesmo que energia psíquica. Se a energia para que serve a própria libido. é preciso entender primeiramente o que é e que pode insuflar o ego com vida. inclusive as “santas” começa- como um conteúdo autônomo e que é frequen- ram. ou seja. pois não a projetará. e em casos extremos é tomado por um da sede. 2007). domina o ego. da assimilação do mal cas. mas também é a única capaz de insuflá-lo Esse contato provoca um alargamento na cons- com vida. 2008b). 116). como dito anteriormente. En- refere às entidades metafísicas. da vida que ficou represado por muito tempo. Além disso. Essa repressão é experimentada pelo ego como do de valores morais. o que Quando então a libido é inconsciente e esse artigo traz: o bem e o mal ( JUNG. mente quando alguns conteúdos acessam a cons- No entanto. Do pon. não ficará a mercê envolvida em cada um deles é variável. que é contrário à razão e veementemente a interpretação psicológica dos símbolos é de excitado chama-se libido ou desejo desenfrea. até mesmo uma nação inteira. 2008c). apetite ou impulso desprovi. através de que o mal do qual o presente artigo trata não se obsessões e comportamentos compulsivos. a paixão se esvai. Em graus menores.

A dessa- existência ou a influência do mal não fará com cralização de nossa época tão profana é devida que sua ação cesse. passa grande parte da vida influenciado magicamente por outros seres humanos ou for. pois experimentado como algo autônomo e externo os sistemas parciais se comportam como quais- que deve ser temido ou combatido no outro. os constituem um dos principais par de opostos.46| A assimilação psicológica do mal | Ana Luisa Testa | 41 . Como poderia haver o “elevado” se ou sintomas desagradáveis. tituída. como se fossem seus anjos e demônios – e ele não pode evitá-las. Dessa forma Negar e desconhecer a existência do mal e a unidade psíquica é retomada. de se desenvolverem enquanto não forem tra- ciar-se dos objetos. reprimido é capaz de impor às criaturas as mais diversas barbáries. o mal certamente será Isso representa um grande perigo psíquico. No en- sob uma forma inadequada ( JUNG. que é exatamente o oposto da meta da Sendo assim. extinção das mados de fobias. sistemas psíquicos parciais não teriam cindido. é fundamental que o bem e o mal pos- As tendências à dissociação caracterizam a psi- sam ser reconhecidos e integrados ao ego. tanto.. 2007). uma vez que os homem dito civilizado considera-se bem acima elementos reprimidos reaparecem na consciência dessas coisas metafísicas e misteriosas. 2007). Tais experiências têm uma mais projetado no meio externo – sua persona- influência maligna ou benigna no homem – são lidade está caminhando em direção à unificação. já psiques dissociadas ( JUNG. Quando o homem se re- fossem forças poderosíssimas. 2000).49 consciente: superação dos instintos. Quando o ego homem faz no mundo concreto e devolvê-las ao experiencia tais conteúdos sente-os como se seu domínio de direito. [. e a psicologia deve insistir em afirmar sua cas antes que elas se transformem em patologias realidade.] reconhece apenas o bem. obsessões e todo tipo de sinto- projeções psíquicas e a retomada da vitalidade.PR . vale frisar a condição in. Jung diz que o homem ocidental está tão alheio aos conteúdos do inconsciente coletivo que os Mas o reconhecimento em si daquilo que trata como se estes fossem deuses ou demônios. E resgatá-lo das profunde- As imagens atribuídas a essas forças in- zas do inconsciente para que ele se desenvolva conscientes são equivalentes àquelas atribuí- equivale a resgatar as projeções psíquicas que o das às mais diversas divindades. Sem a adequada compreensão Ano 2 | número 2 | 2013 CONIUNCTIO Revista Científica de Psicologia e Religião | Ichthys Instituto | Curitiba . justamente por não diferen. 2006). ma neurótico. Os elementos reprimidos são incapazes ças perturbadoras. sem isso. p. além do que sua projeção ao nosso desconhecimento da psique incons- pode criar situações perigosas. não diminui sua ação. Se a consciência ciente. O mal de seus conteúdos inconscientes ( JUNG. que são eles o elo entre os opostos. 2007. de caráter numi- laciona com seu mundo interior – que já não está noso e subjugante. Também vale a pena ressaltar que negar a não teriam gerado espíritos ou deuses. para que essa unidade seja recons- unificação. psíquica. pois sua vontade de nada Ignorar o mal ou vê-lo apenas projetado vale ( JUNG. O quer outros conteúdos reprimidos: induzem forçosamente a atitudes falsas. é considerado mal não se constitui num traba- E afirma que hoje esses deuses são também cha. inconsciente coletivo se tornaram doenças em dispensável de se compreender os símbolos. em consequência da projeção balhados e assimilados pela consciência. lho prazeroso.. que lhe mostrem que não existisse o “abissal”? Um é tão real quanto o ele não é o único senhor em sua própria casa. pois consciente de toda a vida simbólica só acentua a dissociação e inconsciente já não precisariam se contrapor. 49). e ao culto exclusivo da consciência. os conteúdos do Para que isso ocorra. Esse perigo é con- aprender a reconhecer em si essas forças psíqui- creto. O homem não pode mais fechar os olhos para o perigo do mal que está à A única coisa que o homem pode fazer é espreita dentro dele mesmo. Além de deuses. outro! ( JUNG. já que que humana e são inerentes a ela.

existe algo de mau. isto é. o par de opostos – bem e mal sem se vangloriar a respeito deles ( JUNG. 2010. aquele que te tenta e coloca pedras bom é o que não é ruim. caso contrário a gente se torna demô. e aqueles que se enxerga que tanto um quanto outro não possui consideram situados para além do bem e do mal. por- te. bom é “realmente” bom. Ano 2 | número 2 | 2013 CONIUNCTIO Revista Científica de Psicologia e Religião | Ichthys Instituto | Curitiba . consequentemen- te. um mal que é “real” para Se tiveres a rara oportunidade de falar com o de- nós. No entanto. parecem más àquele que está situado no eixo do tiro. que a psicologia lida com mônio. aceitável ou valioso sob um certo ponto de tanto condição para o processo de unificação da vista. Vemos. com um contraste psíquico imprescindível para O demônio é. Ela só conhece estas coisas como sem a vivência de ambos. isso não da humanidade. E isto poderia ser No âmbito da psicologia ignora-se sinceramente muito bom ( JUNG. Deve saber. o que nio. Apenas um conhecimento profundo a res- te não existam. 2009). em si mesmo um caráter absoluto e podem por. mais elevados até os mais baixos – sem mentir e Para Jung. 2009). Não tem sentido dissimular este mal tais blasfemas – sua única intenção é unificar e sob cores atraentes. 2010. então. E em si mesmo. não te esqueças de dialogar seriamente um julgamento mais ou menos subjetivo. 261). A diferença é que a categoriza. p. em teu caminho. portanto. Ele é. Nenhum conhecimento claro da vidade do bem. bolo – é resultado da cooperação entre o cons- da soma de todos os atos de que é capaz – dos ciente e o inconsciente ( JUNG. p. 2006). é importante mais teria condições de definir o que é o bem ressaltar que isso também implica uma relati. 2000. com ele. dos opostos.PR . Mas o inconsciente não se ocupa de mesmo. aquilo Apesar de o parágrafo anterior tratar o mal que nos parece conveniente. 261). humana é capaz de uma maldade sem limites e Aceitar o demônio não significa passar para o as ações más são tão reais quanto as boas. Com isso o demônio perde Só a inconsciência desconhece o bem e o mal. de modo geral. isto é.49 |47 da relatividade moral do mal. – se encontram tão próximos na personalidade A psicologia ignora o que é bom e o que é mau originária quanto dois gêmeos monovitelinos. que se contorcem no tormento quer dizer que ambas as categorias – o bem e e no medo da própria febre ( JUNG. sem se poupar. Espera-se apenas que seja o bem. são os importunos mais incômodos tanto serem relativizados. isto cisa ( JUNG.A assimilação psicológica do mal | Ana Luisa Testa | 41 . Com isso assumes teu significa que a alma emite o julgamento decisivo. e ruim o que não é bom. algum terreno e tu também. tão lado dele. paz de nos livrar desta limitação. pois isto só serviria para nos restituir o universo sagrado tão esquecido pelo embalar numa segurança ilusória. Essa solução que os equilibra – o sím- ca de sua totalidade. 49). que são muito perigosas e. vasto é o campo da experiência humana. A natureza homem moderno ( JUNG. perigosas. peito de si traz à tona a conscientização acerca ção será feita antes pela ética do que pela moral. Isso cria uma cisão e uma tensão Aquele que desejar encontrar respostas para a entre eles. lá onde você menos delas pre- Existem coisas que são extremamente más. surja o símbolo capaz de equilibrá-los numa meiro lugar de um conhecimento profundo acer. Significa entender-se. Existem também coisas desta espécie na nature- que deturparia a verdade divina para roubar o za humana. o ego pode temer é. via de regra. O indivíduo. Pessoa alguma ja- como algo moralmente relativo. não há experiência da juízos de relação: bom é o que parece convenien- totalidade do self. quando consegue relatividade e da caducidade do juízo moral é ca- desvencilhar-se da moral coletiva de sua época. outro ponto de vista. que é justamente a condição para que questão do mal através da ética necessita em pri. o que prepondera no mundo: se o bem ou o mal. o teu demônio. o mal – não possuam validade ou simplesmen. por isso Seu lugar. Se o que chamamos personalidade ( JUNG. unidade. sob um determinado ponto de vista. p. A assimilação do mal é. 2006). em última análise. como adversário de teu outro pon- a definição de determinadas relações de valor: to de vista. mau é o inverso disto. ser enganado por uma certa “astúcia diabólica”.

serpente maligna ao mesmo tempo. mas.PR . Alguém me diz que aquela tor atente às mudanças de atitude que aconte- serpente é pão natural. abri seu abdômen A dinâmica psíquica entre o bem e o mal e despejei tudo em outra panela. As imagens do inconsciente que repre- sentam o mal normalmente aparecem como Imaginação ativa – imagens religiosas – demônio. atributos do mal e do bem. Uma delas carrega uma vos contrários. como o self psicológico é um conceito mais para eu comer sozinha.48| A assimilação psicológica do mal | Ana Luisa Testa | 41 . pente estavam indo embora e quando a serpente me olhou diretamente nos olhos pude perceber Considerações finais que em sua cabeça havia apenas um único e Por tudo o que foi exposto. pois seria comida de. As duas mulheres e a ser. Quis convidar outros para reparti. Com a faca. serpente. Nos símbolos do sonho “A “— Coma-me. reproduzida para ser comida. cidas na época atual: o Cristo e o Anticristo. e diz que devo suportá-la em absolutamente bom. ou seja. Já a cabeça. Nessa série. Desta vez não sinto que será pela própria sonhadora. Se Cristo for considerado como grande serpente. olho vermelho do sonho anterior. Suas fatias a assimilação acontece. então começo a fatiá-la cem tanto no “mal” quanto no ego à medida que para comer e também distribuí-la. E. cada – o self – por possuir atributos semelhantes. e ela era o demônio. é possível con- grandioso olho vermelho. aparece projetada nos mais diversos sistemas pugnante demais. então deixo que a mulher ati- e tenebrosa do self. formando do dela.49 Abaixo segue como exemplo uma sequên. Seria a ser comido – o próprio self. Por duas vezes me defen. Porém. é possível processar as vísceras. Como exemplo. carne da refeição. Sonho – A serpente eucarística cia resumida com dois sonhos e uma imaginação “Estou na água com a mesma serpente do ativa que ilustra a questão da assimilação do mal. ele só pode ser descrito sob a forma de uma antinomia. Como era re. parecem se juntar nes- sabendo que aquilo era ‘apenas uma imaginação’ se alimento que é pão natural. e fazer daquilo um homo. Disse o demônio de olhos serpente eucarística”.” promove uma transformação mútua. é importante que o lei- uma tarefa difícil. rem aquele prato comigo. não só no consciente. E então a em direção ao céu se suas raízes também não se tarefa foi cumprida. 2000). dividas por igual na natureza humana. bem escuros. Era repugnante a ideia de comê-lo. coberto em tinta preta. Comendo o demônio e assim por diante. seus atributos “Estou em minha casa e duas mulheres devem ser complementados por seus respecti- batem em minha porta. hóstia e carne da não foi fácil. Ali afirma que não há dúvida de que no universo re- tinha quantidade suficiente para muitas pessoas ligioso Cristo representa a personalidade unifi- se servirem. Jung tante. e que o ego Então cortei e fatiei suas pernas e seus braços. estenderem até o inferno ( JUNG. mesmo do demônio e do Cristo. além de cozinhar precisaria religiosos existentes. Isso demonstra como ela me lembram hóstias e são no sonho pão doce. traçar um paralelo com duas figuras bem conhe- gêneo purê. Ela está ali em ordem cronológica.” cluir que a cisão da unidade originária da psique Ano 2 | número 2 | 2013 CONIUNCTIO Revista Científica de Psicologia e Religião | Ichthys Instituto | Curitiba . come sem resistências aquilo que se oferece para e coloquei tudo em uma panela grande. até que dissolvesse e virasse um molho. Luz e sombra parecem estar re a serpente em mim. tive que cozinhar bas. terceira me contenho e deixo que uma unidade paradoxal. diabo. No sonho eu sei lado contrário exista um Anticristo absoluta- que aquilo está relacionado ao meu processo de mente mau que corresponde à metade obscura evolução psíquica. então pressupõe-se que do meus ombros sem rejeitá-la. Árvore nenhuma cresce a serpente caminhe em meus ombros.” que exprime a soma dos conteúdos conscientes Suportando o mal e inconscientes. mas também no inconsciente.

C. Conhecer apenas o bem é mutilar a totalidade. F. à medida que JUNG. 2008a. Ser receptivo à vida simbólica é por em lis: Editora Vozes. F. par. Petrópolis: com o self de ser seu sujeito conhecedor. A energia psíquica. São terno. Reprimir ou desconhecer tamanha mo do si-mesmo. C. O homem somente JUNG. dor da energia psíquica – e. 2010. C. Ego e arquétipo. C. lidade originária na mesma proporção que for JUNG. 1989. WILHELM. Petrópo- psique. essa di- Paulo: Cultrix. G. C. JUNG. 1967. das influências “má- gicas”. Símbolos da transformação. Referências ver-se e adaptar-se as demandas do mundo ex- DINGER. Petrópolis: Editora Vozes. das compulsões. como seu objeto conhecido. poderá conhecer e ser conhecido pela persona.G. cientes. G. Petrópolis: Vozes. das patologias. G. Como afirma sabiamente Jung: “Não nos torna- JUNG. São ego não deixam de existir só porque são incons. O segredo da flor da outra. 2011. O símbolo é um agente transforma. mas por nos tornarmos conscientes da escuri- dão” ( JUNG. Apesar de seu caráter adaptativo. Mas. 1ª ed. 6ª ed. Alchemical Studies. 2008c. C. F. assim Editora Vozes. Petrópolis: Editora Vozes.PR . prática a responsabilidade que o ego tem para JUNG. R. Rio de Janeiro: Nova Fronteira. G. 335). London: Rou- seja através das projeções. de ouro. ou no mínimo inadequada à vontade do eu. EDINGER. (Collectet Works. ferenciação acaba por cindir o homem. 2010. Memórias. polis: Editora Vozes. 1967. 2008b. da imperatividade dos instintos e assim JUNG. reflexões. G. 2006. Anatomia da psique. AION: Estudos sobre o simbolis- por diante. força inconsciente é também sufocar grande 2000. Ano 2 | número 2 | 2013 CONIUNCTIO Revista Científica de Psicologia e Religião | Ichthys Instituto | Curitiba . G. parte da vitalidade da psique.A assimilação psicológica do mal | Ana Luisa Testa | 41 . O mistério da coniunctio. 6ª ed. C.49 |49 faz-se necessária para que o ego possa desenvol. embora seja impossível determinar qual delas é a causa JUNG. E. Pelo contrário. eles podem influenciá. 13ª consciente e inconsciente se integram. A vida simbólica. 4ª ed. C. Paulo: Editora Cultrix. E. Petrópolis: Edi- capaz de assimilar também sua metade sombria. tora Vozes.. G. e aqueles conteúdos incompatíveis à atitude adotada pelo EDINGER. São lo ou até mesmo impor-se de forma tenebrosa Paulo: Paulus. 2008. 10ª ed. A natureza da psique. possessões. sonhos. E. 6ª ed. 2007. portanto da própria JUNG. 8ª ed. Petró- mos iluminados por imaginarmos figuras de luz. das tledge & Kegan Paul. C. 13). G. O livro vermelho. ocorrem ed. transformações em ambas as instâncias.

50| Ilustração: Jubal S. Dohms Confronto de São Boaventura com A Filosofia nas Conferências de Paris sobre Os Dez Mandamentos e sobre Os Sete Dons do Espírito Santo.PR . Marcos Aurélio Fernandes Ano 2 | número 2 | 2013 CONIUNCTIORevista CONIUNCTIO RevistaEletrônica Científica de Psicologia e Religião | Ichthys Instituto | Curitiba .

Em Keywords: Bonaventure of Bagnoregio. Another reason nos e dominicanos. historicidade. Pretende-se. dois grandes pensadores. the limits and the possibilities of philosophy and its ofensiva secular veio antes relationship with faith and Christian wisdom. de tudo de Guilherme de Saint’Amour. Geraldo d’Abeville e Nicolau de This article aims to present. analisar e interpretar os textos das Conferências sobre os dez mandamentos. com Em 1257. Por outro lado. analyze and interpret the texts of the 1267 Conferences dealing with the Ten Lisieu. já tivesse sido eleito ministro geral dos francis. sabedoria cristã. Boaven- ventura quanto Tomás de pontualmente. expor o modo como Boaventura se No fim dos anos 60 e início dos anos 70 do na luta em favor dos confrontou com a filosofia neste contexto. e das Conferências sobre os sete dons do Espírito Santo. Boaventura pregou em canos. do mundo. 1| A luta entre mestres Palavras-chave: Boaventura de Bagnoregio.PR . século XIII. em que o embate dos teólogos parisienses Filosofia Medieval na com os filósofos aristotélico-averroistas da faculdade de artes se tornou mais agudo. philosophy. por parte dos Commandments and the 1268 Conferences dealing with the seven gifts of the Holy Spirit.. o con- (framarcosaurelio@hotmail. Introdução mestres da faculdade de artes. com resistência aos seus direi.O Confronto de São Boaventura com A Filosofia nas Conferências de Paris sobre Os Dez Mandamentos e. bem como o livre-arbítrio e a responsabilidade do indivíduo na história. as well as free will and responsibility of the individual in history. enfocando o modo como se dá o con- Professor de fronto de São Boaventura com a filosofia naqueles anos críticos. mais mendicantes e. convi- Ano 2 | número 2 | 2013 CONIUNCTIO Revista Científica de Psicologia e Religião | Ichthys Instituto | Curitiba . de modo mais grave. temporality. na visão de Boaventura. Em (“averroists” or “radical aristotelians”) became more acute. embora taram os mesmos desafios na Universidade de nesta altura Boaventura Paris: perseguição aos mendicantes. Bonaventure concludes that they deny the temporality and the “invasão” dos frades mendicantes. Christian wisdom relação aos franciscanos. dos limites e das possibilidades mesmas da filosofia e de sua relação com a fé e a sabedoria cristã.. Dealing with some of their theses. in which the conflict between the Parisian theologians and the philosophers of the faculty of arts dos mendicantes. creation. os grandes universidades daquele tempo. porém. Entre 1260 perigos do aristotelismo de matiz averroísta dos Paris. tanto Boa. focusing on seculares. faith. negam a temporalidade e historicidade (UnB). francisca- historicity of the world. e dominicanos. Boaventura e the way how to understand Saint Bonaventure’s confrontation with the philosophy of those critical João Peckham por parte years. temporalidade. that the individual soul is not eternal and that all humans at the reagiram duramente à basic level share one and the same intellect. e. Montpellier e Bolonha. nas suas Conferências sobre os dez tura de Bagnoregio e Tomás de Aquino.68 |51 O Confronto de São Boaventura com A Filosofia nas Conferências de Paris sobre Os Dez Mandamentos e sobre Os Sete Dons do Espírito Santo Marcos Aurélio Fernandes * * Marcos Aurélio Resumo Fernandes Este artigo visa expor. De 1264 a 1274. O enfrentamento de Universidade de Brasília Boaventura diz respeito a algumas teses que. historicity. especially 1252 os mestres seculares da Universidade de Paris with the thesis that the world is eternal. Mas a militância de tos de ensinar ali [1]. o Papa Alexandre IV interveio este texto. franciscanos bre os sete dons do Espírito Santo (1268) [2].com) fronto também se dá sobre a questão do sentido. seculares e frades mendi- cantes na Universidade de Paris teve seus principais atores em Guilherme Abstract de Sant’Amour. de 1268. enfren- Aquino recebeu o título mandamentos (1267) e nas suas Conferências so- de “Magister”. | Marcos Aurélio Fernandes | 51 . criação. como em Guilherme de Sant’Amour não parou. A for this confrontation was the question of the meaning. sua estratégia consistia em negar a legitimidade eclesial da sua atividade magisterial (docente). Doutor em Filosofia. e Tomás de Aquino. . de 1267. fé. filosofia. Em Paris.

O conhecimento filosófi- tradução será do autor percorre os caminhos ascendentes da iluminação co. A “causa primeira” não anula. sério. por de combater os perigos advindos dos filósofos Opere di San Bonaventura: Sermoni Teologici/2 (Roma: averroistas em especial e de uma filosofia em ge. a vontade de motivada pela reivindicação de uma libertação Francisco de Assis e a re. como teólogo. O dimido. pode ser cultivado em função dele mesmo. para o essencial. um “reportator” [4] . para o mundo do obra dos seis dias (1273). outro lado. sobre a interpretação de Aristóteles feita por da razão em relação à fé. a filosofia é o máxi- Gerardo contra os mendi. deixa o conceito de pobreza praeceptis (Conferências sobre os dez manda. mas também é reconciliado com Deus. Deus deixa e Nicolau de Lisieux. O trabalho dos filósofos “artistas” se fundava a pobreza. que sua obra tenha em si mesma o princípio de absoluta dos franciscanos mentos). não deste artigo. Tomás de Aquino mo empenho de autonomia da razão. Seria Ano 2 | número 2 | 2013 CONIUNCTIO Revista Científica de Psicologia e Religião | Ichthys Instituto | Curitiba . Em 1270. Será feita a partir do texto latino. se toda uma crise na faculdade de teologia da fundamentalmente como teólogo. mas sim. Por estas ocasiões.68 e 1265 ele escreve um veu com João Peckham. Estes salientavam as consequ- calumniatorem” (Apologia dos pobres contra o são escritos que nos foram legados por mais de ências do pecado original para a razão humana. | Marcos Aurélio Fernandes | 51 . por tomar a se retira da batalha. só tem sentido sendo subsumida a um ral. e. de Brabante (1240c. também. que franciscanos de Quaracchi (Volume V. ou melhor. Boaventura se enga- Mas deixa suas crias: Deus cria dando o ser ao mundo e o mantendo Geraldo de Abbeville ja com uma série de conferências (Collationes). Os escritos que nos foram transmitidos a partir No entanto. sobre os seis dias da criação). a partir da faculdade de artes instalou. e com Rogério Ba. 1891). Com efeito. Entretanto. de uma filosofia autônoma. Guilherme Universidade de Paris. feição da vida espiritual) e Boaventura escreve a destas conferências não são do próprio punho seguiam a Santo Agostinho. por fim. caluniador). que irrompem nos tempos últimos. Entretanto. Começa. pondo (+ 1270). na concepção de Boaventura. uma palavra seja dita. tência e a verdade do cristianismo. como acontecerá com gra da Ordem. escreve o “De perfectione de Iluminationes ecclesiae (iluminações da Igreja). de Paris. ou seja. Embora o pseudo-predicatores et pe- netrantes domos et otiosos uma reforma da cristandade a partir de uma re. Aliás. A teligência espiritual desta. to e seus dons. estão em: lado. porém. se entendeu em questão a consis. sobre o modo como Tomás e Boa- como “perigos iminen. seu aluno e seu sucessor Este combate incide diretamente sobre os texto intitulado “Contra pericula imminentia Eccle. ir morrer em sua terra. esta postulação de autonomia da filosofia não é contra a sua minoridade. Nestas conferências. por meio da qual se aqui se tentará expor. A autonomia da razão é o resposta aos ataques de com as Collationes in Hexaëmeron (Conferências horizonte da filosofia. mas decaiu. das iluminações da espírito e para Deus. indi- siae generali per hypocritas.PR . penetravam no terreno da teologia. porém.. Tomás de Aquino. Paradoxalmente. à in. que serão sabedoria cristã. forma do saber. . ao criar. os frades mendicantes engaja na luta contra o aristotelismo averroísta dos filósofos averroistas ou com Tomás de Aqui- são apontados como dos mestres da faculdade de artes (liberais) [3] no. o dogma criação do mundo. A partir de 1267 Boaventura se fronto específico de Boaventura com cada um Em tom escatológico. sofia. Por isso. não partilhavam “Apologia pauperum contra de Boaventura. que é o projeto da sabedoria cris- Maior” publicada pelos Deus” ou “Sagrada Escritura”. tã. Depois do pecado. con. Na cruz. ou seja.52| O Confronto de São Boaventura com A Filosofia nas Conferências de Paris sobre Os Dez Mandamentos e. tornando-se cega para o próxima ocasião abordar as Conferências sobre a a lei (mandamentos) e a graça do Espírito San. objetivo do presente texto não seja expor o con- et curiosos et gyrovagos”. Os estudos de dialética Tomás é o postula uma autonomia da filosofia denuncia que o exercício e física entravam nos problemas da metafísica do magistério por parte em relação à teologia. mas e da sabedoria cristã.1284) e de Boécio de Dácia ventura viram a questão da autonomia da filo- tes”. a modo de observação novidades ameaçadoras na “Ecclesia” (Igreja). os teólogos que. dos frades franciscanos vai e. Boa. por um citados aqui. prossegue em 1268 com as Collationes e defende que a pobreza sua atividade. spiritualis vitae” (Da per. na cátedra dos franciscanos. na ordem do re- Città Nuova. Para responder aos desafios propostos Guilherme de Sant’Amour muitos filósofos modernos. o homem Os textos das outras duas Conferências. é verdade. a filosofia. Em que atuam no mundo. em 1267. ou melhor. ou melhor. para à metafísica e à teologia por parte do aristote. portanto. por fim. ser. sob a liderança de Sigério preliminar. também chamadas cantes. mas incide. averroistas de Paris. não deixará velho com a sua razão cega é condenado. não texto latino desta edição é o mesmo da “Editio subordinada à “teologia”. desta perspectiva. 1995). ou melhor. neste mesmo ser. o franciscano inglês que se dedicou a pensar retamente sobre Tomás de Aquino. esta não está na sua condição 2| Ficará para uma ventura irá tratar da vida cristã em suas bases: originária.. à “Palavra de projeto maior. an- dos sacerdotes seculares de septem donis (Conferências sobre os sete dons tes promove a autonomia das “causas segundas” é mais perfeita do que do Espírito Santo) e conclui a sua intervenção a dos franciscanos. Averróis. lismo de matiz averroísta. com as Collationes de decem Geraldo de Abeville ataca sua obra repousar em si mesma. mas são “reportationes”. Esta será a perspectiva de Boaventura. em geral.

ou te que a natureza humana foi corrompida pelo do desordenado afeto da carne humana [6]. assumin- se a abreviação “Coll. gramática. portanto.O Confronto de São Boaventura com A Filosofia nas Conferências de Paris sobre Os Dez Mandamentos e. mento dos afetos produzidos pela sensualidade ou seja. a fantasia cria o erro. ou seja. como dizia Dionísio espiritual do texto sagrado. dialética o mistério de Deus está além de toda especula. audácia ímproba da investigação filosófica. 371 erros. lo que crê e disso surge a teologia e a sabedoria num parecer. A revelação assume. só é encontrada quando esta a sua fantasia. a astronomia. à antiguidade. E assinala que o erro é uma A natureza degenerada é como uma flecha que ficção da mente. recorre-se aqui ao ex- a razão dentro dela mesma. Areopagita [5]. que o 6| Coll. que o homem deve fazer calar em si mesmo toda a ção de erros provém. porém. sia. de se abrir à iluminação do alto. sobretudo. conhecida pela razão. A na. do a identidade (coincidência) de ser e aparecer o número do parágrafo segundo aquela edição. 1990. p.”. dessa fantasia. mas ção natural busca. toma o que não é como sendo 3| As sete artes liberais. mas quer também compreender dade. § 1. se originam os erros dos filósofos.: Ele diz: Teodoro H. ele fatalmente erra. matemáticas que versam sobre o real. dessa atividade ficcional da mente. Afirmar. usando- aquilo que crê. criada pela também segundo a edição italiana da “Città Nuova”. 24. quatro ciências ou artes é experimentar afetivamente este mistério. não é a sua razão. reconhecer que vida da investigação filosófica. razão no interior da teologia consiste na busca fantasia da mente. a mera aparência. Entretanto. Pseudo tura ataca o perigo de “idolatria” na filosofia. 1. Ao co- outros. toma o que é como o o número da “Collatio” (Conferência). Os erros da filosofia pronunciada pelo mestre audácia ímproba da investigação filosófica.68 |53 como parar no itinerário da mente para Deus. erros do averroismo dos “artistas” de Paris: mentar o preceito de “não fazer ídolo” Boaven- 5| Cfr. Aqui. coisa não é que uma criação da mente. Por isso. todo o empenho racional da cer sem ser ou discrepante com o ser. Ao falar dos erros que nascem de uma anotava a conferência I. a voz da especulação e. O que induz o A verdade plena.. cristã. racional e superessencial. foram or- ganizadas na Idade Média a sabedoria cristã culmina na mística. e do desordena- 4| “Reportator” era aquele que “reportava”. Na segunda frase: não te farás ídolo. portanto. portanto. e na forma do Quadrivium. Martin). pôr o mundo eterno é perver- nisio Areopagita. uma ficção que vem da fanta- não consegue alcançar o seu alvo por si mesma. suprar. quando esta não saber. a fé não um parecer que é uma mera aparência. que a razão com sua ilumina.PR . transcrevia ou humana. | Marcos Aurélio Fernandes | 51 . desconhecendo sua potência e impotência. reconhece e não guarda os limites da sua fini- e retórica. dentro da sua caligem (treva) luminosa. e supersticiosas invenções de erros provêm ou da Pois. No ápice da experiência mística. para quando o leitor se atém somente a uma inter- geometria. A fantasia faz que o homem se cotejada com a versão mesma razão for iluminada pela verdade sobre. da referência bibliográfica. Obras mundo eterno e afirmar que o intelecto seja um Completas del Pseudo Dio. ças da razão em compreender o sentido daqui. Boa- em seu “quaternus” Uma crítica à filosofia já aparecem nas ventura enumera aquilo que ele considera ser os (caderno) e a transmitia a Conferências sobre os dez mandamentos. E todas as falsas ao uso da sua razão somente. um parecer que faz italiana. no da perversa compreensão da Sagrada Escritura. ou da perversa compreensão da Sagrada Escritura. Todo o conheci. De fato. se o homem permanece abandonado zendo parecer ser o que não é. no silêncio. aparecer como sendo aquilo que não é. transportando-se para dentro dele. Para não citar cada vez todos os dados natural da revelação. obscurecendo a razão e fa- Ademais. E aqui se deve notar que todo erro outra de Deus não se encarnou. Por fim. Boaventura toma como tureza humana não se encontra em seu estado “ídolo” (pequena imagem ou ideia) todo erro perfeito originário. a silêncio. A falsidade e a su- cujas raízes remontavam mento vem de Deus e retorna para Deus. depois. Ela se empenha com todas as for. homem ao erro. da mente humana. E toda perstição ficam do lado. p. A fantasia obscurece a razão. que é um apare- e o número da página. Se a ver- pediente de citar apenas se limita a crer. n. da audácia inde- são as três ciências ou artes da linguagem. a questão tude. apoie em um parecer falso. Essa fabrica- na forma do Trivium. falando como teólogo. pretação literal e não alcança uma interpretação a música e a aritmética. que é e o que não é como o que não é. portanto. são proibi. em todos. intelecto seja um em todos é dizer que não haja Ano 2 | número 2 | 2013 CONIUNCTIO Revista Científica de Psicologia e Religião | Ichthys Instituto | Curitiba . De Mystica Da audácia ímproba da investigação filosófica theologia c. Boaventura adver. e o que é como não sendo. 61.. De fato. mas em estado degenerado. Madrid: Biblioteca de Autores das todas as falsas e supersticiosas invenções de ter toda a Sagrada Escritura e dizer que o Filho Cristianos. pecado e uma das consequências desta corrup- ção da natureza humana é a ignorância. como: pôr o Dionisio Areopagita (Org. que são as ção. II.

está em lectual ou espiritual à paz paradisíaca. 61.. a encarnação e salvação eterna cepção platônica das ideias.. Mas possui o antes e o depois segundo faz a própria individualidade. a fim de que proporcionasse todas Deus transcendente. p. e. IV. | Marcos Aurélio Fernandes | 51 . ou seja. segundo o que é impessoal: o intelecto agente único que aquilo que é na matéria. duração. de sua liberdade. II. Então o significado do sétimo dia está na lidade. A tese do intelecto único ameaça a com- um dia. sai de Deus pela (encarnação). 25. nem salvação das almas. p. o sábado. e isso quer dizer rista e impessoal da realidade como um todo. mas é também (decursus mundi). Boaventura retoma a con- partir do nada. n. marcado pela dade da ação imanente do Deus transcendente temporalidade e historicidade. O mundo. sua causa exemplar. 7. ao tratar do preceito de santificar mera apenas dois do que ele considera serem er. n. 81-83. não por causa de um atua no inteligir de todos os homens. a tese de que o homem tura intelectual e no sétimo dia trouxe de volta individual é livre e responsável por seus atos e à quietude do paraíso as almas que estavam no que. com efeito. então com a morte corporal se des. assim também amor pelo qual a pessoa divina do Verbo assume produziu plenamente seja os princípios germi- a humanidade em sua carne. fatalista ou necessita- observância dos mandamentos. a temporalidade e historici.. nativos de todas as obras seja o repouso. pela qual o homem pode perfeita na qual não há nem antes nem depois. doutrina se- pressupõem a temporalidade e a historicidade. condena (. a criação a Neste contexto. nem sua concepção a-histórica. o e. mandamentos. de que o homem péssimo se salva e o boníssimo se Deus. e Deus imprimiu isto nas mentes angélicas. se a individualidade é dada pela criada. gunda a qual Deus não somente é causa eficiente A temporalidade e historicidade do universo e causa final do universo criado. do exercício de sua liberda. mas deve retornar a existência humana. ganhar ou perder a sua alma em face de Deus.. Mas se salvaguarda a liberdade e a imortalidade da no sétimo dia repousou e chamou a si a cria- pessoa humana. decide sobre seu destino eterno. Deus pela consumação de todas as coisas (reduc- 7| Coll. por conseguinte. A tese do mundo eterno contradiz tória bíblica da criação do mundo em seis dias: dois dos dogmas fundamentais do cristianismo: Deus.54| O Confronto de São Boaventura com A Filosofia nas Conferências de Paris sobre Os Dez Mandamentos e. mas pela sua condes- se salvaguarda a liberdade e onipotência de um cendência. o mundo possui algo na inteligência indivíduo: pois. assim chamado “exemplarismo”. eternidade e temporalidade do mundo. não pertencendo pois. portanto. por natureza há o antes e o de- matéria e se limita à matéria. se bem que há simultaneidade segundo a ao espírito. ao exercer esta liberdade na responsabi- limbo. no tempo da sua história biográfica ele quietude simbólica das almas [8]. Ameaça também a afirmação da imortalidade do Ademais. as coisas e as significasse todas nas primeiras na encarnação se salvaguarda a liberdade e o obras. averroísta. O perigo do aristotelismo tio). reelaborada no seu ou não da alma humana em sua individualidade. de ser eterno. especialmente pelo retorno da criatura inte- 8| Coll.PR . productio). Na quarta das Conferências sobre os dez Neste texto e contexto. O que é imortal é a duração – não segundo a natureza -. a temporalidade e historicidade da criação (egressus. Boaventura volta a tratar questão da ros dos aristotélicos averroistas: a tese do mun. mas aqui há que se compreender que preensão da individualidade da pessoa humana o mundo possui algo na arte eterna. Quando Ano 2 | número 2 | 2013 CONIUNCTIO Revista Científica de Psicologia e Religião | Ichthys Instituto | Curitiba . Boaventura enu. do mundo e do ser humano. na individualidade. que é a eternidade da vida e a posse sua responsabilidade. a saber. Ali ele do eterno e a tese do intelecto único em todos diz que é preciso entender espiritualmente a his- os homens. não porque não tivesse podido fazê-las em Verbo. ou seja. E como produziu nas primeiras coisas as raízes de todas as operações.68 uma verdade de fé. na perspectiva de Boaventura. Na criação defeito de quem opera. enfim. As verdades de fé do cristianismo. de e responsabilidade.) [7]. Senhor do ser e do nada. fez todas as coisas em seis a criação “ex nihilo” (do nada) e a encarnação do dias. ou seja.

o Verbo tem natureza (esse naturae). retomar o conteúdo da primeira. 17). portanto. comunicação gratuita e graciosa do Sumo Bem às passagem do comentário de Bernardo de Clara. ao 10| Coll. a graça retor. bem como uma per Verbum inspiratum” – “pelo Verbo encarnado. polido. que ele pôs como ou seja. possa refletir. passagem da carta de Tiago. Neste ótima e todo dom perfeito vem do alto. necessariamente repercute pela mesma aqui. unde exeunt flumina também a função de operar a nossa “reductio”. Fiel é o unido à sua origem. digo a respeito da graça que faz grato ético. no pensamento momento de seu discurso. o homem que ou saberes à teologia). et ideo clarus fuit” – “mas Cristo se recon- Os sábios em perspectiva dizem. grato e agradável a Deus. assim também a graça do Espírito Santo não pode viger na alma a não 2. enquanto o soberbo rompe uso da graça quando o homem a põe em serviço com ela. per verbum crucifixum et por Boaventura: diz a retorno de todas as coisas a Deus. uma escuro por causa de sua soberba. p. Boaventura re- pelho limpo e polido. Cristo” [11]. atribui a Deus Falando do uso da graça. Então Boaventura recor- 13| Coll. Tg 1. se tornou da glória de Deus. I. porque a graça dada de existência humana e são relacionamentos com o graça (gratia gratis data) é como é como o raio que incide. assim. “sed Christus imagem que lhe vêm da óptica ou da ciência da reduxit se in suum originale principium per humi- perspectiva daquele tempo: litatem. 9. na segunda conferência. Boaventura usa. I. A necessidade de uma ser pela sua reversão (reversio) ao seu princípio “reductio” da filosofia original (originale principium) [12]. I. Por sua vez. então.O Confronto de São Boaventura com A Filosofia nas Conferências de Paris sobre Os Dez Mandamentos e. Humildade e soberba.7). quer no ser de val ao livro do Cântico dos cânticos. recordando a mesma lhe advém de Deus. assim como a luz. Assim. II. pois. Boaventura cita uma do do Pai das luzes (cfr. ao incidir nela. O influxo [9] da graça é como um raio per- tura em sentido ontológico e não simplesmente pendicular. n. p. origem das virtudes e das ciências é da um comentário de Dionísio Areopagita ao 14| Coll. E Boaventura completa: mesmo passo da Carta de Tiago. virtutum et nos reconduz (reduxit nos) ao sumo princípio (in 12| Coll. que se o raio duziu ao seu princípio original pela humildade. então todo o universo alcança a que tenha contínua união (coniunctio) com a sua sua paz. no sentido de recondução. restitua (reddat) o saber. ou seja. E o comentário de sumo princípio: “E eu disse que aquele Verbo 11| Coll. que pela humildade e destruídas pela soberba. I. descen- “hierarchia”. 134. a qual é retomada também passagem do livro do Eclesiastes que recorda o “per Verbum incarnatum. n. 144. 9. ao A mente do homem deve ser como um es. origem.. ou seja. que toda dádiva tal na concepção de é agraciado por Deus rende glória a Deus. ginal todo o bem que tem.PR .68 |55 esta criatura retorna para a sua origem (Deus) Assim como a fonte não tem duração. p. É necessário. 1. n. à medida que o homem se torna ductio artium ad theologiam” (Redução das artes 9| Influxo (influxus) é uma palavra fundamen. Boaventura diz que e não a si mesmo. retornam” (Eclesiastes 1. está sempre ele tem de ser fiel em relação a Deus. e acrescenta: de Dionísio Areopagita. Elas são possibilidades de ser fundantes da (gratia gratum faciente). Da reductio Boaventura trata na primeira das Esta reversão e conjunção são custodiadas Collationes de septem donis Spiritus Sancti. Assim. summum principium)”. Bernardo é: “origo fontium mare est. retornar para Deus. que quem recebe a princípio original de todo o poder-ser e de todo graça de Deus verdadeiramente. os rios a nossa redução. quer no ser sobrenatural do Eclesiastes diz: “ad locum. cai perpendicularmente sobre um corpo terso e e daí se torno claro” [13]. n. Lúcifer. O humilde. pelo Verbo Crucificado e pelo Verbo inspira- criaturas. de modo que o dom que corda a origem da graça. a regência do sagrado. da graça (esse gratiae). Neste comen- Ano 2 | número 2 | 2013 CONIUNCTIO Revista Científica de Psicologia e Religião | Ichthys Instituto | Curitiba .. a não ser e nela repousa. revertuntur” – “ao lugar de onde saem. 134. n. p. Graças a esta mediação. Hu- apresenta um tratado introdutório da graça. o portador da luz. 136. p. são compreendidas por Boaven- via. 9. A passagem do” [14]. milde é aquele que atribui ao seu princípio ori- antes de falar dos dons do Espírito septiforme. tes é o mar. 10. 134. | Marcos Aurélio Fernandes | 51 . scientiarum origo est Christus” – “origem das fon. glória a Deus [10]. mote do seu famoso opúsculo intitulado “Re- na em gratidão.

O homem conhece as coisas e os rios correm ao mar. de novo é apresentada a di.68 tário. vos mente da criatura racional. Como exemplo. dizendo que esta iluminação é ou pela inteligência. n. quer seja natural. A dade de julgar. entretan. alma é a ciência. Deus. 1. a luz da Verdade resplandece na condição de possibilidade mente do homem. é uma recepção. em que Boaventu. se comunicar. 17. tura. Da 20| Coll. ao contrário. Toda ciência tem sua origem Naturalmente qualquer coisa que seja tende à numa iluminação divina. “Não como se ela emi- mais a fonte do lume grasse de um lado para o outro. p. treva da alma é a ca a partir de um exemplo: o homem conhece a Ano 2 | número 2 | 2013 CONIUNCTIO Revista Científica de Psicologia e Religião | Ichthys Instituto | Curitiba . pelos sentidos do nada. São Paulo: Paulus. p. cuja fonte é a única e nâmica ontológica da “reductio”. sentimento. deixar a sua fonte. uma sensação ou um modo diminuto a respeita da potência de Deus. 182. 5. o [15]. Ele é capaz de ope- que pode voltar sobre a sua origem (redire super rar a abstração do inteligível junto ao sensível. Boaventura apresenta Salomão como rém. o fogo para cima. Por deiro. pensar. não pensas de modo altíssimo” [18]. Tal como a imagem de 22| Da Trindade XIV 15. Ao 21| “Lumen” significa o piedade” [19].PR . 166. colares (escolásticos). por o grande escolar (clericus magnus) [20]. para Boaven- mesma (refundat se) sobre a sua origem [16]. Boaventura expli- dade. po- Na quarta conferência.. III. A piedade im. originem suam) pela memória. já não provém 16| Coll. O lume inato é o e nos converte (convertit nos) ao Pai das luzes” lume natural da faculdade do juízo ou razão. permite que estas possam resplandecer sobre a 18| Coll. dizia Agostinho [22]. Boaventura se re- to. um néscio. diz Boaventura. mesmo que claridade. Boaventura: “claritas animae est scientia. 17| Em latim “sentire” de Deus”. Na terceira conferência. 470. enquanto a árvore é con. Da parte de Deus a 29| Coll. Dionísio nota: “E assim. neste contexto. ou seja. homem por meio de um duplo lume [21] (lu- vém de modo tão vasto e oportuno que a virtude men): um lume inato (lumen inatum) e um lume unitiva (unifica virtus) nos plenifica (nos replet) infuso (lumen superinfusum).56| O Confronto de São Boaventura com A Filosofia nas Conferências de Paris sobre Os Dez Mandamentos e. julgar. Boaventura recorda o mas de uma iluminação divina que nos faz co- quer dizer sentir. a não ser que reflua a si quer do intelecto agente. sem se apagar do 21. ou melhor. n. no sentido de experimentar tema da criação a partir do nada: “Se pensas de nhecer o ideal. quando é dito: mesma luz: Deus. que ele não possa criar todas as coisas fere à iluminação natural da razão ou da facul- perceber. Já “Lux” significa da ciência. p. Na trilha de Agostinho. um si as ideias. II. com lutas verbais. duas “differentiae” (diferenças) da mesma Piedade (pietas) é o que os gregos chama. como. ambos são lumes. Mas ele é capaz também de transcender o sensí- ação com a raiz. faculdade intelectiva do homem. mas a modo ou claridade. traduziu-se “sentire” por doente que se enferma lidando com questões e “rationes exemplares” de todas as coisas criadas. p. a religiosidade. Boaventura a identifica racional que é o homem necessita ser iluminada com a reverência para com Deus e a denomina pela Verdade divina. n. inteligência e von. que são. também significa a saber. no vam de theosébeia. ainda. os raios do sol. Deiforme é a criatura racional. que trata do dom da visibilidade de alguma coisa. As claridades da ciência advêm ao manifestações procedendo do Pai em nós sobre. que contém em parecer. 144 plica em “cum reverentia et timore sentire de Deo” do que e segundo o que julgamos. Ra- ra trata da piedade. Aquilo sobre o que julga- de “cultus dei” (culto de Deus). seja sobrenatural. zão e fé. ser de determinado piedade é também útil para conhecer o verda. Agostinho. – “com reverência e temor pensar [17] a cerca da experiência e nem mesmo da própria razão. por isso. sensíveis por meio da sensação e da imaginação. mos provém da experiência. cia é designada como claridade. a veneração para com exercício desta faculdade intelectiva. tinuada com a raiz. p. é necessário que tenhais parte da criatura racional. as “rationes aeternae” ou isso que. oportet. “pensar”. Ela advém à mente sem. n. Entretanto. O homem ímpio é soberbo. como que uma impressão. e outras coisas têm continu. Assim sentencia de impressão na alma. habere pietatem” – “se quereis ser verdadeiros es- iluminação é uma comunicação ou doação. A ciên- exemplo. o processo das ignorância”. A Trin- tenebra animae est ignorantia” – “claridade da anel”. 180. E. econtra um anel fica impressa na cera. vel e apreender o inteligível. 1. 5. e. III. 1994. a criatura o divino. Esta abstração é obra quer do intelecto possível tade. | Marcos Aurélio Fernandes | 51 . mas aquilo a partir 15| Coll. IV.. e não é piedosa. lume que se infunde do alto é o lume da fé. n. III. quer sua origem: a pedra para baixo. adverte: “si vultis esse veri scholares.

I. contuitus) de Deus. ainda. 11. e fora. As “rationes quanto pode ser amada. ou ência teológica é o conhecimento pio (religioso) seja. eu co-intuo (verdade dos costumes). que lhe é possível. do ente a partir do ser. n. não são. 3. cada é a retidão. antes de tudo. quer dizer. há a ciência teológi. a claridade da ciência teológica que pare- te”. a mente divina [23]. Dito de outro modo: a verdade das coisas é a adequação do intelecto pios intelectuais somos capazes de cointuir a sua (divino. noção de Deus como criador e como salvador. antes de tudo. e. como. o exemplar presente na mente divina. arquétipo) e as coisas reais. Lineamenti “ciência gratuita” e uma “ciência gloriosa”. se ela intui as ideias. XIII-XIV. entretanto. A ciência do ser.. mas a claridade da a impressão das ideias ou das “rationes aeternae” ciência gloriosa é máxima [24].PR . A claridade só por isso é que ela pode ser judicativa. p. conhecendo os princí. a “indivisão” cial. Roma/Marsa Aqui há de se notar que há a claridade da ci- a Deus. assim. se apresenta como (contuitio. dentro di Filosofia Francescana: qual com sua claridade. isto é. Nota-se que a ciência filosófica se quando este julga são aquilo pelo que (id quo) o define a partir da certeza de um conhecimento homem conhece e julga. A ci- gar corretamente acerca do real se vê o ideal. Isto não natural). A cia. a “indivisio entis ab esse”. que é o sumo Bem. p. a “indivisão” do ente duas. consegue comparação à claridade da ciência cristã. Ele precisa. IV. é a adequação do que é expresso Além da ciência filosófica.. | Marcos Aurélio Fernandes | 51 . ou seja. 23| Tonna. porém. gratuita e da ciência gloriosa. 186. manifestativa e ce pequena segundo a opinião dos homens do mundo. A verdade é. para alcançar uma clara ou seja. Con- formular o juízo: “o todo é maior do que a par. um conhecimento direto de Deus sofia moral). Sem da ciência gratuita é maior. IV. sintese dottrinale del pensiero francescano nei mem. pois. Ano 2 | número 2 | 2013 CONIUNCTIO Revista Científica de Psicologia e Religião | Ichthys Instituto | Curitiba . A elas Boaventura acrescenta. veritas ser- dá ao modo de um conhecimento da causa por monum (verdade dos discursos) e veritas morum meio do efeito. A ciência gloriosa é o aeternae” ou “exemplares” que estão na mente de conhecimento sempiterno da verdade enquan- Deus e que se imprimem na mente do homem to desejável. daí. IV. A verdade das coisas é a fonte intuindo (vendo diretamente) o manan. do conhecer. verdade dos discursos é a “indivisio entis ad esse”. ou seja. enquanto este é a “causa essendi” (causa (Malta): Ed. as ciências não se exaurem nestas divisio entis a fine”. do agir. a “indivisão” do ente em relação ao ser. p. segundo a verdade é grande. Assim. da ciência do ser). 1992. ência filosófica é grande segundo a opinião dos sofia é. um grande espelho que reflete os 26| Coll. e o “ordo vivendi” (ordem do viver) [25]. A filo- 25| Coll. pela qual o homem vive bem. os princípios. uma a partir do fim. n. As três se ocupam com a verdade e de sua essência. n. por exemplo. Esta ciên- outras palavras. Estas três sendas da ciência filosófica conduzem sec. que se encontram gratuita é o conhecimento santo da verdade en- originariamente na mente divina.68 |57 ideia de todo e a ideia de parte. segundo o ditame do direito e da justiça. 73-81. aquilo que advém de uma investigação que indaga a que (id quod) o homem conhece e julga. 7. lógica (filosofia racional) e ética (filo- permite. pois se divide em física (filosofia pelo qual o homem conhece e julga. elas são o “medium quo”. Os juízos A ciência filosófica é o conhecimento certo são atos do intelecto. 188. com o intelecto. déssemos dizer: a verdade das coisas é quando o A luz natural da razão. do lume infuso da fé. Com verdade enquanto essa é perscrutável. não é o ente realiza a sua ideia. o homem não pode conhecer os princípios e julgar com certeza a respeito do real. 184. as regras da verdade enquanto pode ser crida. por sua vez. contudo. melhor dizendo. da ciência teológica. a sua essência ori- bastante para que o homem alcance toda a ciên. Conhecer é. Talvez pu- fonte: a Verdade eterna. A claridade da ci. ência filosófica. Esta cointuição se veritas rerum (verdade das coisas). para o ho. é pequena em vestígios da Trindade [26]. mas a mente só pode jul. A verdade dos costumes é a “in- ca. Entretanto.O Confronto de São Boaventura com A Filosofia nas Conferências de Paris sobre Os Dez Mandamentos e. deste modo. Tau. homens do mundo. ginária. mas apenas uma “cointuição” perscrutável que. transcender de claridade em claridade. p. tudo. da verdade enquanto pode ser perscrutada. o meio cia é tríplice. a “ratio intelligendi” (razão do inteligir) 24| Coll.

1. iluminação da fé. sem a purificação do olhar de Bagnoregio. n. assim também o olho da nossa mente com trino. pela ciência filosófica. ou melhor. a luz eterna. é uma luz inacessível para nós. que é o saber da revelação contida na Escritura interpretada espiritualmente. sobre os artigos da fé professada fronte. A ciência v. voltada para as várias diferenças das cores. A filosofia deve ser encara- apresentado em ma. n. filosófico-teológicos. quando o olho da mente in- 27| Coll. e que aí o homem chegue e aí repouse: é das as outras coisas lhe vêm ao encontro. s/d. se torna estulto. que é Deus. encontra. ológica. a saber. notas e tradução outras ciências. Boaventura diz: ça. Cfr. a ciência filosófica é insufi- diz Boaventura recorrendo a uma expressão de ciente. Trata-se de um conhecimento pela Igreja a partir da revelação bíblica [32]. que nada vê [30]. 188. parece-lhe nada 28| Coll. e um conhecimento pio de uma ver. n. 4 (PL 42. que. sem a luz da fé. pela qual vê tudo o mais. c. imediatamente depois. ou seja. IV. potentíssimo e ótimo segundo a influência a natureza mais manifesta”. Ele se não considera aquilo que por primeiro vê e sem o qual nada pode conhecer. “In uma littera est 32| Cfr. desta vez não é perscrutável. que Admitindo-se que o homem tenha a ciência na. Coleção aí acaba caindo em trevas” [29]. Com efeito. pois. dão. impossível que isto se dê.). p.. 70-71. assim 30| Tradução minha a considerarem-na autossuficiente e de não terem como quando o olho vê a pura luz. 13. nuscrito com ensaio de da pelo homem sempre como via e nunca como tradução de Raimundo destino de sua existência: “philosophica scientia Portanto.. Entretanto. A ência em ciência. ou mais Metafisica. ou seja. n. não se dá conta que vê. a não ser que seja ajudado pela luz da sim como o olho do morcego se comporta com fé. Porto Alegre/Bragan. vela. A fé funda a ciência teológica.PR . Assim. Intro- dução. de um conhecimento leitura literal não basta. claridade e um dom de Deus. É preciso a leitura es- 31| De Trinitate I. voltado para os particulares e os próprias possibilidades: universais. p. que “as- em erro. Testo greco a Escritura Sagrada. 2. quisesse ver o céu ou a luz do sol. ele sofre o eclipse da estultícia” [27]. multiforme em seus sentidos. No Itinerário da Mente para interpõe entre ele [o homem] e o sol da justi- Deus. diz Agostinho [31]. sem que o homem caia mostra-se de maneira muito verdadeira. De Boni e Je. “Sobre a fé” significa: sobre a Sagrada é: Metaphysica II. IV. que o homem creia em Deus uno e a luz. mas quem quer ficar plantado a contemplação das coisas mais elevadas acaba de Luis A. assim também o olho ao erro. Quem confia na ciência filosófica e se aprecia por isso. 12. ao homem é fazer a travessia (transire) da vida. 12. da bondade [28]. está fora de todo o gênero. dade que. A insuficiência da filosofia é somente credível. Admirável. se o homem se apoia somente em suas de nossa mente. que se estenda às substâncias primordialmente ocorre á mente e pelo qual to- sumas. que considerando-se melhor.68 3. A 1993. O que importa Pensamento Franciscano. saber alcançado a partir da exatamente. n. que é cultivado na relação religiosa do homem piritual. p. 190. 190. mas que multiplex sententia” – “em uma letra há multípli- Ano 2 | número 2 | 2013 CONIUNCTIO Revista Científica de Psicologia e Religião | Ichthys Instituto | Curitiba . Donde. terminando numa queda no abismo da escuri- rônimo Jerkovic. pio (notitia pia). como Vier (Curitiba. devido ao fato de é a suprema iluminação de nossa mente. Aristotele. Coll. É que a Escritura Sagrada é sempre com Deus. c. porém. sed qui ibi vult stare ca. Escritos dit in tenebras” – “a ciência filosófica é via para da mente (acies mentis) por meio da justiça da fé. teológica está fundada sobre a fé. I. e se acaso cimento metafísico fatalmente se desvia e induz vê. também: Boaventura via est ad alias scientia. os filósofos foram obscurecidos tui a luz mesma do sumo ser. o ser mesmo. Isto se dá porque. | Marcos Aurélio Fernandes | 51 . O conhe- não vê a luz. 334. p. Além da ciência filosófica se ciência filosófica está fundada sobre os primeiros referência de Aristóteles princípios. parece-lhe partir do texto latino recorrido à luz da fé. 822). é a cegueira do intelecto. Mas. patitur eclipsim stultitiae” – “se algo se festo na realidade. Sua claridade se eclipsa facilmente: “si Aristóteles. IV. com a luz de uma olho. 1999. nós temos olhos semelhantes aos de aliquid interponatur inter ipsum [homo] et solem morcego em relação ao que há de mais mani- iustitiae. 12. acostumado às trevas dos entes e aos fantasmas das coisas sensíveis. pois. não adverte. A cura di Giovanni Reale. Milano: Rusconi. não compreendendo que a própria caligem 29| Coll. a ciência te- 993 b 3-14. 190. assim como a ça Paulista: EDIPUCRS transcendendo de claridade em claridade.58| O Confronto de São Boaventura com A Filosofia nas Conferências de Paris sobre Os Dez Mandamentos e. p. assim como o comporta como o homem que. p. de ci- e USF. aquele que tural e metafísica. IV. em si mesma é uma ver.

que é a “scientia gratuita”.. práxis: tude não por causa de uma inane glória própria 33| Coll. 1. é um dom do Espírito Santo. a fé é vã. é amada. do próximo. da caridade). perspectiva boaventuriana. mas para a edificação sua e Não basta ter boa vontade. aqui. 15. mas saber o modo de saber saber (scire). querer e operar resolutamente” [38]. com efeito. pode obscurecer quem com ela se ocupa. para se tornarem reconhecidos ou que querem ber. Pelo empenho (studium): que o se não só de um saber afetivo. doria cristã é reafirmada na oitava conferência.68 |59 ce sentença” [33]. que provém da profundidade do a ciência dos santos. do que a fé. Trata-se. IV. da busca da sabedoria a segunda claridade. pelo empenho e pelo fim. que três são as coisas necessárias à virtude. É o co- humano modo vivente). VII. que se dá no modo de um conhecer. a ciência teológica 1). São tomados de torpe curiosidade. (modum sciendi). mem queira agilizá-la em obras. pelas honras dos homens. 198-200. Boaventura pergunta: onde encontrar da ciência teológica está a claridade de outra ci. 198. pela conclusão (de um silogismo) mas é também e acima de tudo um saborear. 240. p. Estão num relacionamento justo com o sa- mesma não é útil. O homem pode saber essa sabedoria se Desta ciência está longe a filosofia dos esco- transcende o modo carnal. O intelecto e o empenho sófica.O Confronto de São Boaventura com A Filosofia nas Conferências de Paris sobre Os Dez Mandamentos e. IV. n. Ano 2 | número 2 | 2013 CONIUNCTIO Revista Científica de Psicologia e Religião | Ichthys Instituto | Curitiba . Se o homem quiser nhecimento santo da verdade. aqueles que querem saber para serem tem esta ciência não a completa com as obras do edificados e para edificar os outros [36]. n. IV. sapiência o que importa não é o homem saber muitas coi- é mais do que ciência. É a ciência dos mártires. de modo segundo o modo humano de viver (ab homine próprio. passando da 194-196. Na assim que. amor. quod pro con- humano. Pelo fim: que o homem es- em ação. É sabedoria. de 35| Coll. portanto. Coll. de um saber que se traduz temente por Deus. mas a caridade edifica (1 Cor 8. p. O modo de saber se define pela A sapiência. IV. cômodo e meramente lásticos: “hoc non docet philosophia. que.PR . de um que o homem primeiramente aprenda aquilo saber afetivo experimentado a partir do cultivo que é mais maduro para a salvação (maturius da relação religiosa do homem com Deus. responde que a sabedoria não é encontrada pelo homem “carnal”. a sa- p. Entretanto. mas danosa. se o homem que ber. 23-24. 8. pode condenar o homem. porém. a ciência infla. porém. a da ciência filo- 4. 18. a da ciência teológica. Evidencia-se perceber o sabor das realidades divinas [37]. ou por curiosidade. p. A ciência consiste num sas (multa scientem).. pelo homem que vive A ciência gratuita é aquela que. se este não faz aquilo que Na sétima conferência sobre os dons do Espírito sabe dever fazer. p. de viver. Trata- est ad salutem). filosofia: que. ou seja. n. n. em que Boaventura fala do dom do aquilo que a fé lhe ensina [34]. mas sim de um “intellec- do Espírito de Deus e a partir daí receber a tus amoris” (intelecção do amor. aqueles que querem saber apenas 36| Cfr. Poderíamos Ele tem que se tornar mais que homem (plus dizer que não se trata mais de um “intellectus fi- quam homo). n. a não ser que o ho- 34| Cfr. um eu deva me expor à morte” [35]. A sabedoria (sapientia) que clusione exponham me mori” – “isto não ensina a ele aprende assim. mas também de homem estude de modo a se deixar atrair arden- um saber operativo. Pela ordem: é saborear o mistério. n. “saber. Por isso. e da afetiva à práxis (operationem). Coll. mistério. a sabedoria? Qual é o lugar da inteligência? E ência. 192. saber para vender a sua ciência por dinheiro ou 37| Cfr. obra. VII. | Marcos Aurélio Fernandes | 51 . acima conselho. Como diz o Apóstolo: Esta concepção afetiva e prática da sabe- 38| Coll. é mais do que saber: ordem. 236. 22. Ele deve poder viver a partir dei” (intelecção da fé). O amor é mais excelente próprio homem e o que é naturalmente humano. não é mero conhecer. Coll. tem de transcender o do que crida. se ele não vive segundo Santo. Sem o amor. força ou capacidade (virtus) intelectiva à afetiva aqueles que querem saber apenas por saber. ou seja. recorrendo a Bernardo de Claraval. mais encontrar a sabedoria. por sua vez. O Filósofo diz torpe vaidade. p. Se a primeira claridade.

seguindo Metafisica. p. fronte. Órganon. as coi. como “hoc aliquid” (este algo). perito em relação à sabedoria. como diz o evangelho (Mt 11. 260 na na potência racional da alma torna-se o maior A nossa alma. frequentemente é universais. n. como uma substância singular de na- 254-256. enquanto a que parte da experiência. Quando. Cfr. ou seja. poderiam ser considerados sábios aos olhos luz eterna. creiais. Todos louvamos a humildade e vi. Boaventura recorre a presunção lhe fecha este caminho: Aristóteles: “a partir de muitas sensações se faz Nada obscurece tanto o intelecto em relação uma memória. 260. a indiscipli. rior. Aristóteles são: Analíticos tum). como por uma luz exterior. há arte ou ciência imunes da presunção. certas leis que regem o acontecer das coisas. poucos. segundo o Filósofo. No primeiro caso. “conhecemos os 1 (980 b 29 – 981 a 4). a razão que (imagem de Deus). “sábios” são os que sabem experiência. Metafísica I. 12. ções científicas e a chave da contemplação das Tradução de Edson Bini. VIII. 1993. da razão não são o suficiente. ao falar da intelecção homem o caminho da sabedoria. 13. c. natural Boaventura diz: 42| Coll. c. p. A humildade franqueia ao muitas coisas. p. sei o que é “todo” e o que é “par- Bauru-SP: EDIPRO. porque. a partir de muitas memórias se àquelas coisas que concernem a Deus do que a faz uma experiência. Aristóteles. | Marcos Aurélio Fernandes | 51 . tem sobre si certo lume 43| Coll. ra nota que a alma humana tem três operações e acaba cogitando muitos erros. Por isso. ou três potências. ências se faz o universal. Por isso. em parte a partir da iluminação da to. e como “imago Dei” 41| Coll. que é o princípio da tuperamos a presunção. 40| Coll. De fato. imediatamente sei que “todo todo é maior do telecto prudencial. A propósito da iluminação 256-258. p. ainda que isto somente não baste. Sem disciplinar o seu inte.. 8. impedimento para que o homem compreenda as natural impresso (quoddam lumen naturae signa- 262. sobre si mesma. quando o homem conhece. Neste contexto. Aristotele. ou seja. 14. “nisi credideritis. p. sas de que versam as Escrituras Sagradas trans. a partir do que ele aprende pela frequência da 25). n. VIII. como por uma luz inte- aqueles que sabem muitas coisas. A do mundo. e que. por fim. 1. a partir da experiên- que “disputando contra a soberba o homem fre- cia. Daí advêm três definições da alma: como 39| Coll. circunspecções morais. Boaventu- diz. n. Mas “pequeninos” também são da luz natural da razão. evitar e o bem que deve realizar [41].. O intelecto se encontra no tesouro da sabedoria. somente a intelecção a partir do lugar. das ciências (ianua considerationum scientialium). n. pois. no entanto. enquanto conhecemos os termos”.PR . 5. A cura di Giovanni o ditame da divina lei. 2-3. pelo qual é hábil a conhecer os primeiros Posteriores II. mas que se atém humildemente em experiência torna o homem experto. abraçado como lema para Agostinho: vinas. Neste ponto. e às coisas di- da Bíblia. quentemente se ensoberbece” [39]. que é como uma luz interior. p. Testo greco a que sua parte” [44]. coisas divinas. atua segundo a luz natural. Deus O estudo da verdade consiste em cavar este te- esconde os seus mistérios aos sábios e revela-os souro. VIII. a partir de muitas experi- presunção. VIII. porém. “pequeninos” são os que sabem te a partir do que o homem aprende pelo ditame pouca coisa. Diz Ricardo de São Vítor. em par- muitas coisas. não compreendereis”. Com efeito. as quais podem ser expressas em proposições Quem mais crê saber. Milano: Rusconi. te”. princípios. VIII. a 3-8). n. O homem precisa Ano 2 | número 2 | 2013 CONIUNCTIO Revista Científica de Psicologia e Religião | Ichthys Instituto | Curitiba . Este estudo o homem o realiza em parte aos pequeninos.60| O Confronto de São Boaventura com A Filosofia nas Conferências de Paris sobre Os Dez Mandamentos e. 344. cendem a nossa inteligência. p. conhece o mal que deve Reale. Ela pode se voltar (convertere) ventura reafirma o dito da versão dos setenta sobre o seu corpo. em que o homem. o homem não compreende as coisas divinas. p. Boa.68 quando Boaventura trata do dom do intelecto. 252. Sabedoria e simplicidade andam juntas. tureza intelectual (pessoa). Entretanto. 19 (100 O intelecto tem três funções: é a regra das princípios. são arte e da ciência” [43]. VIII. Ao falar do intelecto a partir do que quem sabe menos. non intelligetis” – “a não ser que forma do corpo. As referências de coisas divinas [40]. n. o homem conhece segundo o ditame natural da lecto e seguir pela fé o que a Sagrada Escritura razão. Em segun. é a porta das considera. o intelecto é a porta das considerações da experiência e da a partir do ditame natural 44| Coll. trata-se do in- 2005. como por uma luz superior [42]. portan.

Se se diz que fatal. telectiva [47]. mem. Se há algu- primeiro erro é contra a causa do ser. p. que 48| Coll. A referência de como disse Paulo no seu discurso aos filósofos de um aprisionamento do homem na imanên- Agostinho é: Da Trindade no Areópago em Atenas (At 17. que se dê “per do ser (causa essendi) produzindo imediatamente divinam influentiam” (pelo influxo divino). sol da inteligência e como dom infuso [48]. “Nele vivemos. A conclusão positiva é que que há um único intelecto (agente) em todos os somente Deus é mestre do homem. VIII. O segundo erro é a modo de uma assistência ou de um serviço contra a razão do inteligir. aprisionamento que. e imediatamen- que se saiba por graça dele mesmo. ser. que pergunta a do cosmo. mediatamente. potencializa cada vez mais (há o seis. O terceiro erro é contra a ordem do viver. o homem é re- pode julgar de modo justo? A sua resposta vem gido pelas regras da vida reta. 264. VIII. 47| Coll. c. razão do inteligir e ordem do viver. Um Agostinho. a iluminação acusa um con- exterminam a Sagrada Escritura e a fé cristã. entra na alma como princípio do seu ser. n. ou seja: que põe o mundo eterno. descem à alma. 264. n. Boaventura volta a com- com sua capacidade natural de discernir e de bater os erros dos filósofos. que é.. cia criatural. não é verdadeiro o que apocalíptica representado no número da besta dizem os filósofos. produ- se pode saber de Deus com certeza a não ser zindo todas as coisas temporais. depois o p. a necessidade (ministerialiter et adminiculative). 15. ou seja. Trata-se. aqui. Assim sendo Deus na seguinte versão boaventuriana: “estão escri. e seiscentos. A negati- homens. 15. va atinge o ensinamento dos filósofos sobre as é visto por Boaventura em chave escatológico- Inteligências: “portanto. porque esta é formada por ele que tudo acontece por necessidade. que é o seis dez vezes. teligência criatural a certeza. As criaturas são criadas em seis dias. assim como 5. por sua inabitação na alma. que uma Inteligência cria ou- do Apocalipse: seiscentos e sessenta e seis (Ap. homem. contudo. de vez em telligendi) porque é a partir dele que advém à in- quando. o intelecto age Neste contexto. O tato imediato entre Deus e a alma. tra. O homem é criado no sexto dia. Sobre o caráter cíclico da re- Ano 2 | número 2 | 2013 CONIUNCTIO Revista Científica de Psicologia e Religião | Ichthys Instituto | Curitiba . repetido por três vezes. os quais divina. Assim. Onde es. p. isto é. | Marcos Aurélio Fernandes | 51 . É causa é o seis cem vezes). n. na intelecção acontece um o embate de círculo e cruz. Nada todas as coisas perpétuas. falando-se por analogia. 15. um núme- não de algum poder criado. mas Uma tríplice tese do aristotelismo averroísta como alguém que abre a janela para que a luz dos filósofos da faculdade de artes é combati- penetre na sala. O número seis é o número das criaturas e do 46| Coll. o ma mediação angélica. se São Paulo: Paulus. nho esclarece que Paulo não está falando. por outro lado. Deus está imediatamente próximo do ho- 262. p. de nossa vida corpórea. porque criar é próprio do Deus onipotente. Outra abordagem a imagem passa do anel à cera. processo em que. mas de nossa vida in. acima de toda sua tão escritas as leis da justiça segundo as quais mutabilidade. 15. aqui. 462. o anjo ilumina a alma. ro cíclico. julga bem acerca da justiça. três são julgar. n. 12. Por sua vez. O número seis é três vezes repetido. esta mediação é apenas erro da eternidade do mundo. mas imprimindo-se. p. causa do sessenta. ele recebe a iluminação os erros a serem evitados nas ciências. segundo Boaventura. próprio daquela luz que é Ato Puro” [46].O Confronto de São Boaventura com A Filosofia nas Conferências de Paris sobre Os Dez Mandamentos e. Segundo ele. te também ao produzir as virtudes elementares Boaventura recorda Agostinho. VIII. e a partir das quais mesmo um homem injusto pois. É ordem do viver (ordo vivendi). fazer isso é 45| Coll. E Agosti- XIV. por um lado. A aparição deste tríplice erro. como já vimos. e não emigrando dela. Neste ponto. a tese da unidade do intelecto humano.. VIII. Deus é razão do inteligir (ratio in- partir donde acontece que o injusto. ele o faz não como o sol ilumina uma sala. uma recusa da transcendência. 1994. 13. 262. por isso. que põe a alma racional. e que põe de modo imediato. n.PR . como tas no livro da luz eterna. sem abandonar sobre os erros dos filósofos: o anel” [45]. Deus é. nos movemos e somos”. Cfr. a saber. Somente Deus tem poder sobre da. 28).68 |61 de uma iluminação “sobrenatural”.18). 16. A Trindade.

49. de uma única ação singular. K. entre imanên. dura. contra o e está encarcerado. entre ple. da individualidade. significa opo- 264.Ein Buch zur Fundamentalgeschichte der em todo o imanentismo. o cristianismo é uma espada que sepa- sição. modernas são correntes que se interconectam e bém do sol.Freiburg / Basel cruciforme ou “crucial” da realidade. braços eternamente sem alterar sua forma. é o poste de sinalização dos via- to. A defesa da cruz é a defesa elementares. alegria. em suma: superação Almiro Pisetta. em vez de mandar uma pessoa o que nos é caro... a individualidade. Ano 2 | número 2 | 2013 CONIUNCTIO Revista Científica de Psicologia e Religião | Ichthys Instituto | Curitiba . da diferença. se unidos. podemos muito bem tomar a põem ser o mundo eterno se fundamentam so. p. embora tendo no seu centro uma co- dos astros.. pequenas partes. Por teligência entra e sai no corpo. amai-vos nos é importante. quatro ventos.62| O Confronto de São Boaventura com A Filosofia nas Conferências de Paris sobre Os Dez Mandamentos e. e contra a diferença entre mérito e prêmio. assim. O que Instintivamente ele diz “Criancinhas. presente no paganismo e acontece propriamente história. 16. Este tríplice erro ter um paradoxo no seu centro ela pode crescer choca com a Sagrada Escritura e com a fé cris. analisando esta imagem escreve: atemporalidade e temporalidade. | Marcos Aurélio Fernandes | 51 . Ele diz: singularidade. entre Rombach. O cristianismo instintivamente se abraça um movimento circular. os que põem ser um só o intelecto lisão ou contradição. Ela Almiro Pisetta. cruz como o símbolo ao mesmo tempo do misté- rio e da saúde (. VIII. G. a cruz subsume o círculo. Cruz. ele nunca pode ser maior ou menor. “Cruz e Círculo são sinais. sem mudar. entre eternidade e tempo. porque essas partes são vivas. Um relacionamento [49]. nós o marcamos com círculos. redondo. a luta entre a fé cristã e que exclui o seu oposto não consegue ser um a filosofia dos artistas aristotélico-averroistas é relacionamento pleno. Mundo Cristão. Serve para a 50| Chesterton. a liberdade Não que a cruz deva se contentar em sim- e a responsabilidade dos diferentes indivíduos plesmente excluir o círculo. 1977.PR . assim como Boaventura. p. contradição. entre unidade e oposição. o rodeamos em círculo. consideram que esta In. Tam- 49| Coll. reta e contraditória. Leben circular da realidade. anulando. contradição. é oposto da concepção se experimenta a partir do momento em que Menscheit.. oposição. estima. como aparece. podem só ser lidos como: ir- separação entre Deus e o homem é sagrada. o Círculo. o círculo é perfeito e infinito bre o círculo do movimento e do tempo. Ortodoxia. presente no se experimenta liberdade. K. os mais antigos e cia e transcendência. Traduzido por que é eterna [50]. como também. evento da unidade através 51| Chesterton. n. O círculo retorna sobre si mesmo tã: contra a criação a partir do nada. ra e liberta. São Paulo: fato exultar com a divisão do universo em almas diz evento.. mas é fixo para sempre em seu põem ser a necessidade fatal que rege todos os tamanho. Historicidade des Geistes . umas às outras”. por... H. Chesterton intuiu isso quando escreve: tenro e oscilante. quebra. vivas. 2008. O que dizem es- alegra por Deus ter fragmentado o universo em ses sinais? Círculo significa plenitude. riqueza. / Wien: Herder. G. a cruz de Cris. Anel e enorme amar a si mesma (.). responsabilidade. para sinalizar. por isso dese- mútua: o Círculo se cruza com círculos. p. no cristianis- a luta entre o círculo e a cruz: entre identidade mo. [52]. assim. do amor. A Cruz ja a divisão. para estigmatizar. Todas as filosofias aro são símbolos da Vida e da Unidade. da liberdade. jantes livres [51]. Por conseguinte. pode estender seus quatro em todos os homens. Por isso. Traduzido por marcação. dom. ação. 2008. A cruz abre seus braços aos livre-arbítrio. A antiga Cruz irlandesa de pedra liga ambos os sinais em compenetração O amor deseja a personalidade. Círculo e Mundo Cristão. acontecimentos se fundam sobre o movimento Mas a cruz. 218. por e diferença.). rupção para plenitude. Mas segundo o cristianismo ortodoxo essa p. exemplo. também risco. anulando.68 presentação aristotélica-averroísta dos filósofos Sendo que tomamos o círculo como símbolo da da faculdade de artes Boaventura elucida: os que razão e da loucura. diferença. Nenhuma outra filosofia faz Deus de Ortodoxia. os que em sua natureza. também entende que uma concepção cíclica ou Numa concepção cíclica e circular não 52| Rombach. São Paulo: E Chesterton. na imagem da cruz irlandesa. Cruz diz diferença. 140.. dor e morte. valor. Heinrich nitude e vazio. cristianismo. Ambos em contraposição: a Cruz. prendem.

dos homens mundanos. a mesma coisa. ou que têm o ser antes do não- lecto humano precisa aprender. retorno sobre si mesmo. como para as coisas incorruptíveis do espírito. precisa se dar como intelecto possível necessidade fatal (ou o determinismo fatalista). 1993. de Deus. Mas. dois afetos. radical do espírito ou do intelecto humano. O modo de ser espelho. mas não pelo que se dá. sobreveio ao homem do “Pai das luzes”. se ama e se vem do mundo. p. sete dons do Espírito Santo. VIII. Coll. p. toda substân. precisa julgar e ser.. É que o intelecto angélico compreende mo da morte. que nasce da ignorância sobre da natureza” [56]. Mas o evento pascal da cruz é também a morte é diverso. a natureza do intelecto. pois reúne os outros dois. VI. a temporalidade é caráter Ao se negar a criação de nihilo (a partir do nada). destrói a causa dos ser. n. II. n. como diz o Filósofo: “As- o que faz a partir da necessidade. 6. na mente humana. O primeiro erro. E a suma justiça é o homem 53| Coll. mas. porém. Em Deus. Na verdade. A cura di e “reductio”. Metafisica. ou seja. pois. dedi- dade. Toda inteligência criada é apenas um render glória a Deus e desejar e pedir de Deus 266 espelho da luz divina e eterna. | Marcos Aurélio Fernandes | 51 . n. e também tem que preparar a sua alma. quando a cruz marca a realidade. a capacidade de reflexão. n. 1. Um retornar à sua fonte a luz do conhecimento que olhar e um afeto se voltam para o alto. Toda inteligência a sabedoria [57]. Giovanni Reale. espelho e luz é trata-se de uma plenitude que advém e sobre. n. c. no homem. ventura argumenta contra os três supraditos er- mas também segundo o tempo: o homem não ros. Ao se afirmar a raciocinar. Na ver. diz Tiago (1. se assemelha a um espelho. julga. que vem de Deus e a fugir da vã sabedoria que 266 cia intelectual conhece a si mesma. o que vale o sim como se comporta o olho do morcego em livre-arbítrio?” [54]. porque em diversos Na nona e última conferência sobre os indivíduos o intelecto tem um ser distinto: por. Com efeito. 18. é capaz de reflexão. enfim. o nosso intelecto em relação às coisas claríssimas O terceiro erro. No anjo. 20. pois. “Que este inte. é o pior de to- dos. 17. 270. IX. Milano: Rusconi. Por se afirma que as coisas têm. 1. Por isso. A sabedo- individuantes da sua essência” [55]. Boa- sas diversas não só segundo a razão e a natureza. VIII. 266-268. porém.. e a capacidade de fazer tem também “duplex affectus”. esta é uma prerrogativa somente cando-se à justiça. luz e espelho se dife- vém pelo esvaziamento e de uma nova criação renciam por razão e por natureza. dos homens que amam 56| Coll. p. Os filósofos ria provém de Deus como sua dádiva. A sabedoria do mundo lecto seja um em todos. torna- cisa. ou seja. Boaventura parece equacionar “reditio” A alma está entre ambas: ela tem “duplex aspec- totele. que o mundo. 19. de novo. todas as formas ou arquétipos das coisas num só instante. 17). p. A consequência é que se relação à luz do sol. VIII. na mente angélica e da morte e a irrupção da vida plena.O Confronto de São Boaventura com A Filosofia nas Conferências de Paris sobre Os Dez Mandamentos e. VIII. pre- a partir das configurações astrológicas. de tus”. (receptivo) e como intelecto agente (ativo).PR . Neste há a sabedoria celeste e há a sabedoria terrena. o que é inconveniente [53]. na mente divina. tempo. simultaneamente. p. isto é contra a raiz da contra a sabedoria de deus distinção e da individuação. espelho e luz são coi- Ao fim da oitava conferência. enfim.68 |63 risco. 993 b 9-14. ou seja. sobre si mesma (reditio). é capaz de um retorno mado a pedir e a receber a sabedoria verdadeira 55| Coll. de nihilo (do nada). porém. ou seja. para a Ano 2 | número 2 | 2013 CONIUNCTIO Revista Científica de Psicologia e Religião | Ichthys Instituto | Curitiba . 57| Cfr. distintos e da sabedoria ou sapiência (sapientia). ser iluminado por uma luz superior se vão o livre-arbítrio: “porque se o homem faz à sua própria luz. o ser radicalmente temporal e finita é que o inte- ser e o não-ser. Testo greco a fronte. possui os princípios próprios. 266. p. assim também se comporta destrói todo o mérito e toda a imputabilidade. o cristão é cha- 54| Coll. Boaventura trata tanto. duas perspectivas ou dois olhares. compreender. A referência a Aristóteles é: Metafísica irradia de volta a luz que sobre ele incide. Aris- sentido. do abis. isto é. o homem tem que desejá-la irradia sua luz sobre todos os homens. Assim. Por isso. que põe a tese segundo a compreende subitamente tudo o que ele pode qual o mundo é eterno. para ensinaram que uma única Inteligência criada receber este dom. 70-71. Entretanto.

p. 61| Coll. Na loucura da cruz. o caráter distintivo tão tornar vã ou vazia a morte de Cristo. Por eles e fiz misericórdia com eles. “com Boaventura também. seria ir contra a admoestação do Apóstolo de não se esvaziar e tornar vã a cruz É esta sabedoria que Paulo chama de “sa- de Cristo: ne evacuetur crux Christi (1 Cor.68 eternidade. va da alma como um esplendor da luz eterna. em lugar da so. na afluência das riquezas seculares e na seus ouvintes a necessidade de desprezar a sapi- experiência dos deleites sensuais e na excelên. p. [61]. diabólica” (Tg 3. Cristo sofreu a loucura da morte de Cruz para A solicitude por se deleitar na riqueza a torna esvaziar a sapiência do mundo. n. ou seja. 18- 30). foi a sapiência cristã? Enquanto a sapiência do para dispersar esta sabedoria que Cristo morreu mundo é trevas. Frei Francisco. em lugar dos do homem. apóstolo Tiago é “terrena. plenifica e a alegra” [62]. E o próprio Senhor me conduziu entre do mundo terreno. uma mudança que de Santo Antônio. 2. Aos olhos da sabedo. a operativa. 17). 6. Cristo es. carnal. 274. em seguida. a luz mas é amarga para os cristãos. 274.Fontes franciscanas. ou seja. aban- do diabólico é a soberba. A sapiência da cruz é amarga para o alma: “ubi veritas illabitur animae et eam replet mundo. berba. O Senhor deu a mim. 17) bedoria do mundo” oposta à “loucura da cruz”. diz Boaventura. e. 1Cor 1. em Boaventura passa a falar de modo perso- Santo André: Mensageiro termos de mudança de sabor. É luz que a precaver-se com ela que Cristo se fez pobre. em termos de mudança de sapiência. Na verda- 63| Coll. acontece quando ele passa a viver com os lepro. nificado da sabedoria. Foi para ensinar os homens descende do Pai das luzes (Tg 1. Com efeito. Ela edifica a Igreja e 62| Coll. a fazer penitência assim: como estivesse em pe. Ela dá ao homem a for- 59| Coll. IX. D. 276. uma sabedoria que é de baixo. Portanto. suas conferências em Paris. Esta sabedoria. E afastando-se deles. que é a raiz de todos donando a sapiência da cruz pela sapiência do os males. que é a sabedoria do cristão (Cfr. converteu- isso. a do mundo é doce para os homens mundanos. Testamento. e a solicitude por se bedoria do alto e amasse a fonte da vida. a humilhação [59]. IX. É esta sabedoria que está destinada a ser Entretanto. o intelecto. há também uma sabedoria que é do alto e se em doçura da alma e do corpo. parecia-me demasiadamente amargo ver para baixo. tornando-as morada de Deus.. um uso p. que deleitar na excelência e na pompa mundana a é Deus. aquilo que me parecia amargo. tências da alma humana: a cognitiva. tornando o homem amigo de Deus. a máxima estultícia é o cris- torna diabólica. (org. a sapiência do alto é luz. o afeto e a ação Em lugar da riqueza. assim. IX. como é a sabedoria do alto. para as coisas corruptíveis leprosos. Ela ilumina a potência intelecti- prazeres sensuais. Com efeito. p. de. começar a alma. Em terceiro lugar. ou seja. 1. a solicitude por se deleitar nos prazeres subiu ao céu para que o homem desejasse a sa- a torna carnal ou animal. n. A sapiência et laetificat” – “onde a verdade penetra a alma.. no dizer do detive-me por um pouco e saí do mundo [60]. n.64| O Confronto de São Boaventura com A Filosofia nas Conferências de Paris sobre Os Dez Mandamentos e. ela ama habitar junto dos filhos dos homens Ano 2 | número 2 | 2013 CONIUNCTIO Revista Científica de Psicologia e Religião | Ichthys Instituto | Curitiba . IX.PR . sobrevém ao homem para iluminar as três po- aflito e humilde. mas é doce para o cristão. a afetiva e colheu o que é contrário à sabedoria do mundo. neste contexto de toda a solicitude busca deleitar-se em toda a su. evocar as palavras de Francisco de Assis em seu sua potência operativa. 272. Cristo aparece como um estulto. mundo. Pois cia ou na ambição das pompas mundanas” [58]. Aqui pode-se da sapiência sobrevém à alma para corroborar a 58| Coll. quando ele fala de sua conversão taleza para operar o bem [63]. n. 83. sos: Esta sabedoria é edificante. para a temporalidade. destruída e reprovada por Deus.). que sobrevém para alegrar a potência afetiva da um louco. também recorda aos avidade. 14-15). p. 3. que a morte de cruz. IX. n. regatando. | Marcos Aurélio Fernandes | 51 . Outro olhar e outro afeto se voltam cado. 272. 60| Fassini. 2004. Ela é luz ria do mundo. que. e ressuscitou e terrena. ência terrena e apreciar a sapiência da cruz. Fazê-lo. p. 4. dos escritos sapienciais do Antigo Testamento. 7. o sofrimento. a pobreza.

PR . p.10). as fraquezas. IX. animal. 9. Por isso. p. 31). também o edifício espiritual tem o funda- tu). uma 68| Coll. Pr.. / E cada uma delas confunde mesmo. potência impotente. Sim. dito de modo melhor. nenhuma possui bilidades do intelecto humano abandonado a si e a todas ofende. tornando. a todas limites. 284. vã a cruz de Cristo. fechada em sua das virtudes”. reconhecendo em Deus 65| Coll. ou seja. a intenção da sabedoria? Boaventura responde a esta per. Neste escrito poético. Boaventura. identificar a filosofia com a sabedoria evocar. rainha sabedoria.). mento no alto. quinta. a figura de Francisco de Assis. aqui. n. n. a com tua irmã. Pr 8. p.O Confronto de São Boaventura com A Filosofia nas Conferências de Paris sobre Os Dez Mandamentos e. (org.). / o Senhor do qual vindes “reductio”. 276. Não. a razão do inteligir e a ordem 66| Fassini. a loucura da cruz. estão no céu: graus. possibilidade possível. Francisco retoma o tema Ou. Ora. a vida [68]. caso o cristão não reconheça os André: Mensageiro de / Quem tem uma e às outras não ofende. bedoria de Deus. Não. Filosofia e Ano 2 | número 2 | 2013 CONIUNCTIO Revista Científica de Psicologia e Religião | Ichthys Instituto | Curitiba ./A pura e san- Santo Antônio. Pode-se. 2004.. a liberalidade no agir (in effectu). Boaventura comenta. / vos salve a todas. a quarta é a suavidade no afeto (in affec. então. a terceira é a moderação com efeito. forte do que toda a potência humana. ou melhor. e a sim. caso o cristão reconheça 131-132. | Marcos Aurélio Fernandes | 51 . a ciência da fé. o Senhor te salve cias mais elevadas. ou de alma. e procedeis. inflada de soberba. 284. 2004. uma casa que tem sete Boaventura. IX. caso o cristão tome a da simplicidade. (org. Ele mesmo. Fontes franciscanas. a maturidade no julgar (in iudicio). ou seja. no no falar. a ciência da visão beatífica. D. Santo os vícios e pecados. ao dizer: vem do “Pai das luzes” e se torna capaz de fazer a 64| Coll. Ela constrói uma casa ou uma plicidade vence a sabedoria do mundo. tem a raiz em baixo. que estão ordenadas em pares. é a inocência na mente. n. ta simplicidade confunde toda a sabedoria deste na filosofia uma possibilidade impossível. e convida os homens a virem morar jun. p. a impotência que é mais 69| Coll. Para morada para os homens. na sua “saudação filosofia como autossuficiente.68 |65 (Cfr. o homem. 1-6). p. A primeira condição da sabedoria é a pu. de intenção. saúda a simplici. pois. pocrisia. ciência da caridade. A intenção do coração do cristão está do alto. bem como a impregnação nela do modo 67| Fassini. na loucura da cruz. 3./ A santa sabedoria confunde André: Mensageiro de de ser de uma sabedoria terrena. carnal. soluto. onde está Cristo. em baixo [69]. 276. homem é como uma árvore invertida: suas raízes as não só como colunas.17) [64]. Ele chama a sa. e. as impotências e impossi- Santo Antônio. caso o cristão subsu- medieval da conexão das virtudes (apoiado em ma a filosofia como iluminação ou claridade que Tg 2. e. alto. 17. a im- No combate. Pode-se sem mais. assim. a simplicidade na intenção (in intentione) [65]. D. vendo. a santa e pura simplicidade” [66]. a sabedoria do alto. / E quem a uma ofende. n. caso bedoria de rainha e põe a simplicidade do seu o cristão assuma a filosofia como via para ciên- lado: “Ave. Santíssimas virtudes. de reconduzi-la à sua origem. sex. IX. Satanás e todas as suas malícias. de alma. ícone terrena? Sim e não. que oculta em si a sa- dade como irmã da sabedoria. sétimo. pois. condição da sabedoria: a simplicidade. IX. da duplicidade de coração to dela e alegrar-se com o seu banquete (Cfr. Simplicidade é unidade: unidade de 9. mundo [67]. Fontes franciscanas. 8. Sim. ao saudar as virtudes como damas. Santo possa ter / uma de vós sem que morra primeiro. quais são as sete colunas da casa coração. mas também como de. do viver. quais sejam. 17. combateu a sabedoria terrena. entre vícios e virtudes. possui. p. as sete Boaventura retoma a imagem segundo a qual o propriedades ou condições da sabedoria. ao seu princípio fontal. em ab. / Não há. imanência. a sabedoria vence a malícia diabólica. / homem algum no mundo inteiro que a causa do ser. O modo de ser do homem se põe em modo con- reza em relação à sensualidade carnal. em nome da sabedoria Esta sétima é a mais alta e a mais importante do alto. a simplicidade é o contrário da hi- colunas. 131. enquanto aquele corporal o tem ta. do coração está ali onde está o tesouro que o ho- gunta recorrendo às sete condições da sabedoria mem ama. apresentadas pelo apóstolo Tiago (Tg no alto. Mas. a segunda trário ao da árvore em relação à raiz: a árvore.

(1993).66| O Confronto de São Boaventura com A Filosofia nas Conferências de Paris sobre Os Dez Mandamentos e. o qual está escondido. se na existência do cristão 71| Pascal. | Marcos Aurélio Fernandes | 51 . por si mesmas. Pseudo Dionisio. como ni. Tonna. Freiburg / Basel / Wien: Herder. Rombach. Todo o em- 513/4). análise. D.Ein Buch zur Fundamentalgeschichte der Mens- cheit. 2001. possibilidades de saber e de viver. Escritos filosófico-teo- lógicos volume I. (1994). disse Pascal. (1992). Ano 2 | número 2 | 2013 CONIUNCTIO Revista Científica de Psicologia e Religião | Ichthys Instituto | Curitiba . San- to André-SP: Mensageiro de Santo Antônio. B. Roma : Città Nuova. Pensamen.PR . São Paulo: Mundo Cristão. Lineamenti di Filosofia Fran- cescana: Sintesi del Pensiero Francescano nei sec. (2008). Órganon. Chesterton. (1977). Agostinho. Boaventura. da sapiência. Metafisica. 17. Obras penho filosófico e teológico de Boaventura foi de cavar para conquistar o tesouro da ciência e completas del Pseudo Dionisio Areopagita. Roma: Tau. I. p. (1990). Boaventura filosofou. A Trindade. ___________(1999). sabedoria cristã. Obras citadas 284.. Fontes. Ortodoxia. “zombar da filosofia é verdadeira- _________ (2005). p. Areopagita. Bauru-SP: EDI- mente filosofar” [71]. Combatendo a filosofia Aristóteles. em última Madrid: Biblioteca de Autores Cristianos. (1995). H. pois. XIII-XIV. n. Fontes Franciscanas.68 70| Coll. Milano: Rusco- em seu tempo. em concreto. têm o poder de abrir-lhe riqueza imensa de lus. Porto Alegre: EDIPUCRS / USF. Opere di San Bonaventu- ra: Semoni Teologici/2. 237 (fr. PRO. Mas. (2004). Leben des Geistes . São Paulo: Pau- tos. São Paulo: Martins elas. as.. (. IX. Fassini. em Cristo [70]. são heterogêne.

PR . |67 Resenhas | Reviews RESENHAS Ano 2 | número 2 | 2013 CONIUNCTIO Revista Científica de Psicologia e Religião | Ichthys Instituto | Curitiba .

68| O Desespero Humano | José Luiz Nauiack | 68. torna-se um desespero maior e ainda mais verdadeiro. na mesma relação como o poder que o nela jaz a responsabilidade que depende todo o gerou. entre a desespero como uma dádiva recebida de Deus necessidade e a liberdade. A discordância na rela. pelo contrário. ou seja. sespero como uma vantagem e uma imperfeição mo. Tal ligação for considerado nesta relação. o autor distingue o desespero pleta do ser. que estabeleceu a relação. numa dependência entre o infinito ou como a morte.69 O Desespero Humano* José Luiz Nauiack* Com Kierkegaard inicia-se o existencialis.com) virtual do desespero real.PR . O desespero é uma enfermidade mortal dadeiro desespero. pois na comparação com a capacidade de indivíduo ao vivê-la de forma intensa e sincera. Sendo expressa também como sespero orientada sobre si próprio e reflete-se até o espírito que une o “eu” com o si-mesmo. Considerando o de. Neste estado se extingue completamente desespero de ousar ser o si próprio. então a busca por libertar-se. em o desespero. pois aqui mem que se desespera tem consciência do seu a doença com seu sofrimento é simplesmente o desespero e percebe que este nada tem de ex- desespero de não poder morrer. eu consciente sobre a profundidade desconheci- ção entre o externo e o interno resulta num de. mais afunda. desesperar nada consiste em orientar-se com a sua própria in. Junto com Nietzsche como uma profunda vantagem em dialética com antecipou a crise da razão do século XX e in- a miséria. mas apenas consigo mesmo. sendo que. Se. da do si-mesmo. nem a morte pode salvá-lo. Sem acabar com a vida surge da necessidade do desprender-se daquele física. como um passagem do possível para o real ou num cresci- espírito que não se estabelece com uma relação mento do “eu” em direção ao si-mesmo. o ho- Neste caso. entre o temporal e o eterno. como a uma doença mortal e define o homem. ele apresenta o e o finito. mais é do que um sofrimento como uma doença terioridade. antes da transformação com- Psicologia e Religião doença mortal. quando guiado por si mesmo. atribui a este poder um sinal de Ele foi o primeiro a descrever a angústia como progresso e de sublime espiritualidade. co e exclusivo. experiência fundamental do ser livre e colocar- Kierkegaard considera poder desesperar-se se em situação de escolha.nauiack@hotmail. Se não externa. o homem vive em agonia interminável. Matemático. Desta corelação nascem as formas do ver. o “eu” tornar o sujeito coletivo num individuo autenti- * José Luiz Nauiack da consciência descobre Aquele que o criou. no entanto. ou seja. no momento da formação do ser. visto que a relação do possível com fluenciou Sartre ao incluir a si mesmo no pensar. a consciência do “eu” porção nobre do “eu”. da relação do libertar-se. na tentativa de mais do que qualquer outra doença ao atacar a tornar-se independente. andar em pé. Assim sendo. que distancia o homem de qualquer outro ani- ponsável por dar significado à vida é o próprio mal. Psicólogo e Pós-Graduado em Buscando a identidade do desespero como No entanto. E o infinito. terno. pois ele ousou evidenciar que o único res. cuja Tal desespero vem da relação que a síntese conclusão é que quanto mais se aprofunda para estabelece consigo mesma. apenas amplia na mesma pro- Ano 2 | número 2 | 2013 CONIUNCTIO Revista Científica de Psicologia e Religião | Ichthys Instituto | Curitiba . o desespero não se reduz e muito (jose. o imaginável apresenta-se também na forma Kierkegaard apresenta o desespero como de poder tornar se aquilo que se deseja.

E graças à Para que o “eu” se transforme são igual- eternidade consegue a coragem de se perder para mente essenciais o que é possível e o que é ne- poder novamente encontrar-se na imensidão do cessário. pois ninguém pode reconhecer-se pela Martin Claret. sendo contrariado quando convi- dado a viver no primeiro andar. em um espelho se antecipadamente não se tiver encontrado.”.é loucura pensar que a fé e o bom senso nos podem nascer tão natural- mente como os dentes.. pri- meiro andar. Este desespero conduz à fé. mas enfatiza que “. cada um com espécies diferentes de moradores. Adega no sobsolo. por considerar que pode viver onde quiser... quanto mais aumenta a nidade e por isso mesmo se aproxima da ver- consciência.. Ano 2 | número 2 | 2013 CONIUNCTIO Revista Científica de Psicologia e Religião | Ichthys Instituto | Curitiba . o seu. apesar de tudo. em não ter percebido que este eu é de Sören Kierkegaard.PR . Se desespera tanto pela falta de um si-mesmo. Os dois deses- peros se assemelham e possibilitam o crescimen- to. mais intenso se torna o desespero. Para Kierkegaard o desespero não é carac- terístico dos jovens e que se perde com a matu- ridade. pois. dade. de forma que o viver sem buscar o “eu” verdadeiro é um desespero inocente e viver buscando-o é um infindável desespero na direção do crescimento. a casa lhe pertence. Apesar de poder evoluir. comparando-se a vida em cada um deles. A infelicidade de um “eu” deste tipo não está em nada ter feito neste mun- do. si mesmo.69 |69 porção que desenvolve-se a consciência e os O desespero no qual o homem deseja ser seus progressos medem a intensidade sempre ele mesmo.O Desespero Humano | José Luiz Nauiack | 68. o homem não o faz facilmente. e é por estar próximo a ela que vai mais longe. Diante do si-mesmo nenhum homem se publicado em 2006 em São Paulo/Br reconhecerá. afinal. quanto pela do outro. preferindo viver na categoria dos sentidos. térreo. Mostra que tanto o velho. a barba e os demais. que revive nas lembranças do passado se desespera sem poder se arrepender dele. mas em não ter encontrado a consciência de “O Desespero Humano”. Todos os homens são uma síntese com fi- delidade espiritual. ou desespero desafio se serve da eter- crescente do desespero. onde pode encontrar tudo à mão e onde o infinito do horizonte não os provoque. assim o jovem se desespera pelo desconhecido que há de vir. prefere manter-se em sua co- modidade. a maioria preferiria a ade- ga no subsolo. como no exemplo de uma casa com diversos andares.

enfermos. em várias línguas.. Ven- suirá o mundo relações com a solidez das coisas do desta perspectiva. filosóficas Mestrando em co que deseja criar o chamado “objeto desejado e sociológicas no livro do versado autor Rubem Ciências da Religião ideal”.70| O que é Religião? | Ângelo Vieira da Silva | 70. cheia de eventos dramáticos que se forjaram os Presbiteriana do Brasil na cidade de Dentro das perspectivas medievais e his. todas estas perguntas encontrarão respostas * Ângelo Vieira da Silva mente intenta revelar um mistério antropológi- psicológicas. trevas da eternidade. competir com a dos centros do saber cientifico e do campo das eficácia daquilo que é material e concreto? Pos. acadêmico. nascidos da imaginação. a religião? É certo que não. foi expulsa bolos. argumentos que defendem a pergunta: “O que Resplendor/MG tóricas. sendo este rante o absurdo da existência.71 O que é Religião? Ângelo Vieira da Silva * Como explicar a distância entre o conhe.PR . Estas verdades giravam em torno (revavds@gmail. Independente das críticas. Mas algo aconteceu. A Por que Sigmund Freud não tinha simpatia com definição de religião. A psicanálise. conforme Alves. símbolos. Eller/MG (intracorpus). giosos quando os homens os batizam como tais.com) no do drama da alma humana em meio a luz e da salvação. igual- fim. contador de estórias. Como a si mesmo descreve. desejos e gestos que se tornam reli- pela Universidade nista do cotidiano. Rev. é possa ser amado. empíricas. da mesma forma como o desejo sexual não mesma forma como compreendemos os sonhos? pode ser eliminado pelos votos de castidadea. o universo físico se estruturava em tor. cro. Alves. Daí. a religião surge cheia de Bacharel em Teologia pedagogo. pela Faculdade Unida ausência. representado de comportamento um espelho do que se vê. tudo tinha Ano 2 | número 2 | 2013 CONIUNCTIO Revista Científica de Psicologia e Religião | Ichthys Instituto | Curitiba . A poesia do autor perfaz o perguntas sobre o sentido da vida e da morte? O ateísmo metodológico e questiona: Desapareceu que diz a linguagem religiosa? Poderão os sím. caridade. é um dos intelectuais mais famosos do Esta religião opera no exílio do sagrado. Religião. poderia girar-se as religiões assim como tinha simpatia para com em torno do comportamento exótico como pre- os sonhos? Como afirmar o sentido da vida pe. seria o mesmo que confessar ser habitante de um ligioso? Qual é? Como é sua linguagem? Como mundo encantado. poeta e filósofo de todas as horas. uma rede de símbolos. SP e pelo Seminário Teológico Presbiteriano psicanalista. o livro “O que é Religião?” é um Os símbolos vitoriosos tornam-se verdade sim- É Ministro do Evangelho exemplar digno de atenção na tentativa de res- plesmente porque foram em meio a uma história na Primeira Igreja ponder as questões introduzidas nesta resenha. autor de livros para crianças. numa visão psicanalítica de símbolos da Alves.. maneira exemplar pela morte que reduz a nada Se o autor relembra que “o homem é a úni- tudo o que o Homem construiu e esperou? En- ca criatura que se recusa ser o que ela é”. Brasil. sença próxima da expressão pessoal. possui obras traduzidas tos de seu desejo. Presbiteriana Mackenzie/ teólogo. Que- cimento e a experiência? Como responder as brou-se o encanto. discurso. então. confessar ser um religioso naturais ou com as espirituais? E o discurso re. é religião?”. seria certo tipo de fala. psicanalíticas. entre os mais de cento e que o homem faz cultura a fim de criar os obje- ênfase na Análise do vinte livros produzidos. Assim Alves certifica que a podemos duvidar da eficácia da religião? Como religião não se liquidaria com a abstinência dos poderá a ciência negar a religião se ela é real? atos sacramentais e a ausência dos lugares sagra- Que são as religiões? Por que não entendê-las da dos. sugere de Vitória/ES com Escritor mineiro. Ele procura um mundo onde Discurso Religioso. ensaísta. porém. portanto. decisões que determinam a vida num todo. Denoel Nicodemos de fato. Decerto. lei.

É ele quem faz a religião dizem ser ela uma louca que balbucia coisas sem e não a religião quem o faz. “conta-me os teus sonhos e decifra- como onde são exilados: se o universo rei o teu coração. o que desejar. “os sonhos são as religiões dos que dormem e religiões são os sonhos dos que estão acordados”. a mesma é exilada e considerada mundo não pode existir e que. postula que nesta relação ALVES. Neste embate.PR . Finalmente. ele não sabe o que quer ser nem todos. os que acusam res de suas concepções. Sim. Os homens são os produto. religioso é encantado e a ciência faz este univer. o homem se contem- Alves amplia a resposta de sua obra. 1984.O que é Religião? | Ângelo Vieira da Silva | 70. 133 pp. é a mensagem ráter essencialmente religioso nos símbolos. o homem vive em guerra permanente consigo Ano 2 | número 2 | 2013 CONIUNCTIO Revista Científica de Psicologia e Religião | Ichthys Instituto | Curitiba . Não havendo lugar nexo. os que a defendem afirmam que sem ela o para a religião. é importante reconhecer que a so perder sua aura sagrada. O que é Religião? 13ª Ed. resistência e acei- perturbação mental. todavia.71 |71 um propósito definido. damos os seus símbolos. tação. a religião é um sonho da mente humana. bem do desejo. Se pla como num espelho.. não entender a religião da mesma forma como se entende os sonhos? Considerando a definição de Sigmund Freud.. Ele indaga: por que e nada mais. É justamente aqui que se encontra o ca. teu Deus e quem és”. todo o discurso reli. Deus controlava tudo e a mesmo. quando desven- inútil para mudar mudar as condições de vida. portanto. A religião. é fundamental admitir que todas as ciências são obrigadas a enfrentar um ateísmo metodológico bém é sua voz do desejo. por fim. tam. proteção ou agressão. Rubem. religião vive o que qualquer outra ciência expe- gioso é classificado como engodo consciente ou rimenta: subscrição e críticas. São Paulo: Brasiliense.

de individuação e de Si-mesmo (Selbst).) da processo de individuação. uma análise psicológica de seu trabalho. mente da obra Assim falou Zaratustra. cativante e Nietzsche e o lugar que esta ocupa na obra do ao mesmo tempo instigadora. Essa reavalição de valores * Murilo Augusto Diorio acerca da ‘morte de Deus’” aponta para além do homem. 2012. exposto com uma beleza suave. UEL. além da leitura de Nietzsche por agradável. a lucidez de uma de toda cultura e moral cristã. com- (murilodiorio@gmail. a influência e contribuição das ideias do questão da “morte de Deus” e sua consequência. Ocidental pelo Ichthys inconsciente coletivo e. divina? Tudo vo. para Nietzsche. canônicos. A obra tem o mérito A autora nos leva. reição de Deus. em especial. o niilismo. o Si-mesmo. compreendido como uma rejeição ra.com) Ano 2 | número 2 | 2013 CONIUNCTIO Revista Científica de Psicologia e Religião | Ichthys Instituto | Curitiba . daquilo que dá sentido à vida psicólogos. a necessidade na contribuição cultural destes dois pensadores. querer mais. especialista em alcançar-se a si mesmo. filósofo na construção da Psicologia Analítica.PR . assim como as metas psicóloga dra. denunciando a condição galomaníaca ou a iluminação. de uma reavaliação de todos os valores. petrifica valores em mol- “Jung leitor de Nietzsche: des fixos. o devir. senão devir? Psicologia Analítica e Mergulhando-nos nos termos próprios da Religião Oriental e Psicologia Analítica. bora já realizada fora daqui. tais como libido. os conceitos Instituto (em curso). niilista. Por isso. lósofo. Sonia Lyra estabelece uma crítica de ambas: o surgimento de uma nova persona- da leitura que o psicólogo Carl Gustav Jung faz lidade. até mesmo. em- condições psicológicas do homem. em especial os Se- sadores sobre esses problemas. a autora aponta- minários Nietzsche’s Zarathustra. Um trabalho essencial não só para filósofos e dical dos valores. a passear pelos problemas expostos na Jung. já que a moral cristã. para a superação Psicólogo e especialista Sonia Lyra da dualidade que se funde em uma unidade. de forma simples e de trazer à luz. ou do próprio fi- o foco é a interpretação que Jung faz do anún. Sonia da filosofia nietzscheana para a compreensão das Lyra nos traz uma crítica inédita no Brasil. 193 p. que leva o leitor a psicólogo suíço. ou mesmo a ressur- da filosofia de Friedrich Nietzsche.72| Zaratustra em análise: Uma leitura viva sobre a “morte de Deus” | Murilo Augusto Diorio | 72 Zaratustra em análise: Uma leitura viva sobre a “morte de Deus” Murilo Augusto Diorio* Jung leitor de Nietzsche: acerca da “morte para-se a reavaliação de todos os valores com o de Deus” (Biblioteca Ichthys. guiana da “morte de Deus”. 2012. e as contribuições Em Jung leitor de Nietzsche. a partir Frente a frente as ideias de ambos os pen- dos escritos do próprio Jung. consciência brilhante e. psique. E o que seria da Ciência pela Curitiba. o caráter da interpretação jun. um em História e Filosofia Editora Biblioteca Ichthys alcançar-se de novo a si mesmo. a leitura feita por Jung sobre o Zaratustra de isso. nos que tipo de leitura Jung faz sobre Nietzsche: Nos três capítulos que compõem a obra. cio da “morte de Deus” expresso por Nietzsche: onde este seria apenas uma confissão pessoal? como essa ideia é compreendida e articulada Zaratustra foi o resultado de uma patologia me- pelo próprio filósofo. a leitura da obra do filósofo. o niilismo passi. mas para todos aqueles interessados humana. particular.

Abaixo do título. A publicação se destina a divulgar resultados inéditos de estudos e pesquisa. local de edição. para conunctio@ichthysinstituto.com. A revista reserva-se o direito de fazer quaisquer alterações ortográficas. A versão final não será enviada aos autores. com um asterisco. O estilo dos autores.br. A cada edição. Título. objetivando para manter a linguagem padrão. editora e ano de publicação (em formato ABNT).. As propostas para publicação devem ser originais. |73 CHAMADA PARA PUBLICAÇÃO E NORMAS PARA COLABORAÇÃO Já estamos recebendo e selecionando para a próxima edição. resumo e palavras-chave devem vir em português e também em inglês. se possível. sua(s) respectiva(s) qualificação(ões) e instituição(ões) a que pertence(m). o nome do autor. não tendo sido publicadas em qualquer outro veículo do país.. O texto deve seguir o novo acordo ortográfico da Língua Portuguesa. Ensaio. Envie seu artigo. O asterisco remete a um breve perfil – sua(s) respectiva(s) qualificação(ões) e instituição(ões) a que pertence(m) e e-mail de contato. de acordo com as Normas Reguladoras . Ano 2 | número 2 | 2013 CONIUNCTIO Revista Científica de Psicologia e Religião | Ichthys Instituto | Curitiba . a Comissão Editorial fará contato com os autores dos artigos aprovados. Sendo mais de um autor. Não deve exceder de dez mil caracteres. Pesquisadores(as) e professores(as) podem contribuir com a Coniunctio. autor. coloca astericos também nos demais autores – dois astericos no segundo.ABNT. O trabalho a ser submetido deve estar enquadrado em uma das seguintes categorias: Artigo científico. Dossiê. serão respeitados. título para a resenha.PR . nome do(s) autor(es) da resenha. A numeração de notas de rodapé só inicia com a primeira nota. gramati- cais ou normativas necessárias. integrado por professores(as) e especialistas de várias Universidades e Centros de Estudos. Deverá conter: título do livro. A publicação ou não do material enviado será definida pela Comissão Editorial a partir dos critérios propostos pelo Conselho Editorial. Para a secção de resenha de livros: aceitamos balanço crítico de livros recentemente publicados (máximo 4 anos) ou de obras consideradas clássicas nas áreas de estudo abordadas pela revista. três no terceiro.

no Brasil na Ano 2 | número 2 | 2013 contemporaneidade. A ideia é fomentar a área de pesquisa em Psicologia da Religião . críticas e entrevistas que contenham temas relacionados à Psicologia (Psicologia Geral. semestral. com o objetivo de publicar pesquisas. criado e mantida pelo ICHTHYS INSTITUTO DE PSICOLOGIA E RELIGIÃO. em diálogo com áreas afins: Filosofia. resenhas. artigos. Mitologia.esta “filha mais nova” da Psicologia. Psicologia Analítica e especialmente Psicologia da religião) e à Religião. em 2012. CONIUNCTIO Revista Científica de Psicologia e Religião | Ichthys Instituto | Curitiba . eletrônico. Arte.PR . Sociologia. etc. Teologia.74| Leia também a 1ª edição Coniunctio – Revista de Psicologia e Religião é um periódico científico.