Você está na página 1de 896

Técnicas Cirúrgicas em Pequenos
Animais
André Lacerda de Abreu Oliveira
Professor Associado da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy
Ribeiro (UENF)

Mestre em Patologia Cirúrgica pela Universidade Federal Rural do Rio de
Janeiro (UFRRJ)

Doutor em Cirurgia Geral pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

Presidente do Colégio Brasileiro de Cirurgia e Anestesiologia Veterinária
(CBCAV) por duas gestões (2008-2010 e 2010-2012)

Presidente da Associação Brasileira de Ortopedia e Traumatologia Veterinária
(OTV – 2008-2010)

Professor Efetivo do Programa de Pós-graduação em Ciência Animal da UENF

Elsevier

Table of Contents

Instructions for online access
Cover image
Title page
Copyright
Dedicatória
Homenagens
Colaboradores
Prefácio
Apresentação
Capítulo 1: História e conceitos gerais
A história da cirurgia
Nomenclatura e conceitos
Conclusão
Capítulo 2: Ambiente cirúrgico
Introdução
Definição
Localização
Planejamento
Normas de circulação
Projeto piloto
Estrutura operacional
Dimensionamento
Componentes do ambiente cirúrgico
Vestuário
Técnica de uso

Conclusão
Capítulo 3: Equipe cirúrgica
Introdução
Composição
Funções
Conclusão
Capítulo 4: Material cirúrgico
Introdução
Instrumentos de diérese
Pinças de dissecção
Instrumentos de hemostasia
Instrumentos de síntese
Instrumentos especiais
Instrumentos de exposição
Afastadores manuais
Instrumentos ortopédicos
Instrumentos cortadores de ossos
Limpeza e cuidados com o material cirúrgico
Conclusão
Capítulo 5: Profilaxia da infecção
Introdução
Vestuário cirúrgico
Preparação cutânea
Colocação do avental cirúrgico
Técnica para calçar as luvas
Antibioticoterapia
Aspectos do uso racional da antibioticoterapia na cirurgia
Classificação dos antibióticos mais usados na clínica cirúrgica veterinária
Antibióticos betalactâmicos (penicilinas e cefalosporinas)
Conclusão

Capítulo 6: O trauma operatório
Introdução
Respostas fisiopatológicas
Fisiopatogenia (mecanismos de instalação)
Fatores que alteram a inflamação
Controle da inflamação
Dor
Efeitos hemodinâmicos do trauma cirúrgico
Conclusão
Capítulo 7: Cicatrização
Introdução
Fases da cicatrização
Cicatrização em diversos tecidos
Conclusão
Capítulo 8: Fios e suturas
Fios cirúrgicos
Suturas
Capítulo 9: Fases fundamentais da técnica operatória: diérese, hemostasia e
síntese
Introdução
Classificação das fases fundamentais da técnica operatória
Conclusão
Capítulo 10: Fundamentos de instrumentação cirúrgica
Introdução
Mesa cirúrgica
Funções do instrumentador
Etapas do ato operatório
Conclusão
Capítulo 11: Pré, trans e pós-operatório
Introdução

Identificação do animal
Anamnese
Exame físico e laboratorial
Exames laboratoriais
Divisões
Efeitos adversos das drogas
Anestesia geral barbitúrica, não barbitúrica e dissociativa
Agentes intravenosos não barbitúricos
Principais anestésicos inalatórios utilizados na medicina veterinária
Cuidados gerais
Conclusão
Capítulo 12: Drenagens, punções e sondagens
Drenagens
Sondagem
Punções
Capítulo 13: Eletrocirurgia
Introdução
Física da eletrocirurgia
Corrente elétrica
Monopolar
Bipolar
Efeitos
Coagulador de argônio
Eletrocirurgia ultrassônica
Complicações
Aplicação direta
Falha no isolamento
Falha na placa de retorno
Acoplamento direto
Acoplamento capacitativo

Conclusão
Capítulo 14: Acessos
Introdução
Laparotomia/celiotomia
Toracotomias
Acesso aos ossos longos
Capítulo 15: Tópicos em cirurgia dos anexos oculares
Introdução
Cirurgia dos anexos oculares
Procedimentos cirúrgicos das pálpebras
Doenças inflamatórias das pálpebras: tratamento cirúrgico
Procedimentos cirúrgicos da conjuntiva
Procedimentos cirúrgicos da terceira pálpebra
Considerações anatomofuncionais do sistema lacrimal
Sistema lacrimal
Considerações anatomofuncionais da órbita
Considerações sobre traumatologia dos anexos oculares
Capítulo 16: Odontologia e cirurgia bucomaxilofacial (cirurgia dentária e da
cavidade oral)
Introdução
Exodontias
Técnica cirúrgica
Particularidades dos diferentes grupos de dentes
Comunicação bucossinusal
Cirurgia dos defeitos do palato
Cirurgia das glândulas salivares
Cirurgia da língua
Cirurgia de maxila e mandíbulas
Coaptação com acrílico autopolimerizável
Conclusão

Capítulo 17: Pele
Introdução
Manejo de feridas cutâneas
Características da ferida e do paciente que interferem na orientação do
tratamento
Etapas do manejo e materiais utilizados nas feridas
Queimaduras
Abscesso e fleimão
Biópsia cutânea
Conclusão
Capítulo 18: Plástica reconstrutiva
Introdução
Linhas de tensão e alívio de tensão
Padrões de sutura
Princípios da plástica reconstrutiva
Enxertos cutâneos livres
Tipos de enxertos
Enxertos cutâneos vascularizados
Cuidados pós-operatórios
Conclusão
Capítulo 19: Técnicas operatórias do sistema reprodutor
Introdução
Ovariossalpingo-histerectomia na cadela e na gata
Orquiectomia no cão
Vasectomia no cão
Orquiectomia em felinos
Operação cesariana
Conclusão
Capítulo 20: Cirurgia torácica
Introdução

Lobectomia parcial ou segmentectomia
Lobectomia total
Cirurgia cardíaca
Pericardiectomia
Correção de persistência de ducto arterioso
Correção de anomalias de anéis vasculares
Técnica de Blalock-Taussig
Dilatação transventricular para correção de estenose pulmonar
Cirurgia de mediastino
Hérnia diafragmática
Hérnia peritoniopericárdica
Princípios da cirurgia vascular
Conclusão
Capítulo 21: Hérnias
Introdução
Aspectos gerais das hérnias
Classificação das hérnias
Anatomia e técnica cirúrgica
Capítulo 22: Cirurgia geral I – esôfago e estômago
Introdução
Anatomia cirúrgica do esôfago
Indicações
Cuidados pré-operatórios
Cuidados transoperatórios
Esofagotomia
Técnica cirúrgica para abordagem ao esôfago cervical
Técnicas cirúrgicas do estômago
Capítulo 23: Cirurgia intestinal
Introdução
Anatomia cirúrgica

Principais técnicas cirúrgicas
Cicatrização
Conclusão
Capítulo 24: Cirurgia de pâncreas, fígado e baço
Introdução
Cirurgia do sistema hepatobiliar
Cirurgias pancreáticas
Conclusão
Capítulo 25: Videolaparoscopia do sistema digestório
Introdução
Posicionamento dos pacientes
Estabelecimento e manutenção do pneumoperitônio
Introdução e posicionamento dos portais de trabalho
Avaliação do sistema digestório
Procedimentos cirúrgicos específicos
Cuidados pós-operatórios
Capítulo 26: Cirurgia oncológica
Introdução
Mandibulectomia
Maxilectomia
Conclusão
Capítulo 27: Fraturas e osteossíntese
Capítulo 28: Cirurgia articular
Capítulo 29: Princípios da neurocirurgia
Capítulo 30: Cirurgia de emergência
Capítulo 31: Cirurgia urológica
Capítulo 32: Métodos substitutivos para o aprendizado e a prática da
disciplina de técnica cirúrgica
Capítulo 33: Biossegurança na cirurgia veterinária
Índice

Front matter

Técnicas Cirúrgicas em Pequenos Animais

Técnicas Cirúrgicas em Pequenos Animais

André Lacerda de Abreu Oliveira

Professor Associado da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy
Ribeiro (UENF)
Mestre em Patologia Cirúrgica pela Universidade Federal Rural do Rio de
Janeiro (UFRRJ)
Doutor em Cirurgia Geral pela Universidade Federal do Rio de Janeiro
(UFRJ)
Presidente do Colégio Brasileiro de Cirurgia e Anestesiologia Veterinária
(CBCAV) por duas gestões (2008-2010 e 2010-2012)
Presidente da Associação Brasileira de Ortopedia e Traumatologia
Veterinária (OTV – 2008-2010)
Professor Efetivo do Programa de Pós-graduação em Ciência Animal da
UENF

Copyright

© 2013, Elsevier Editora Ltda.
Todos os direitos reservados e protegidos pela Lei 9.610, de 19/02/1998.
Nenhuma parte deste livro, sem autorização prévia por escrito da editora, poderá
ser reproduzida ou transmitida, sejam quais forem os meios empregados: eletrônicos,
mecânicos, fotográficos, gravação ou quaisquer outros.
ISBN: 978-85-352-6188-2
Capa
Melo & Mayer
Editoração Eletrônica
Thomson
Elsevier Editora Ltda.
Conhecimento sem Fronteiras
Rua Sete de Setembro, n° 111 – 16° andar
20050-006 – Centro – Rio de Janeiro – RJ
Rua Quintana, n° 753 – 8° andar
04569-011 – Brooklin – São Paulo – SP
Serviço de Atendimento ao Cliente
0800 026 53 40
sac@elsevier.com.br
Consulte também nosso catálogo completo, os últimos lançamentos e os serviços
exclusivos no site www.elsevier.com.br

Nota
O conhecimento médico está em permanente mudança. Os cuidados normais de segurança devem ser
seguidos, mas, como as novas pesquisas e a experiência clínica ampliam nosso conhecimento,
alterações no tratamento e terapia à base de fármacos podem ser necessárias ou apropriadas. Os
leitores são aconselhados a checar informações mais atuais dos produtos, fornecidas pelos fabricantes
de cada fármaco a ser administrado, para verificar a dose recomendada, o método e a duração da
administração e as contraindicações. É responsabilidade do médico, com base na experiência e
contando com o conhecimento do paciente, determinar as dosagens e o melhor tratamento para cada
um individualmente. Nem o editor nem o autor assumem qualquer responsabilidade por eventual
dano ou perda a pessoas ou a propriedade originada por esta publicação.

O Editor

CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO-NA-FONTE
SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ

O45t
Oliveira, André Lacerda de Abreu
Técnicas cirúrgicas de pequenos animais / André Lacerda de Abreu Oliveira. - 1.
ed. - Rio de Janeiro: Elsevier, 2012.
480 p. : il. ; 28 cm
Inclui bibliografia
ISBN 978-85-352-6188-2
1. Medicina veterinária de pequenos animais 2. Animais domésticos 3. Cirurgia
veterinária. I. Título.
12-7370. CDD: 636.0896075
CDU: 636.09

Dedicatória

Aos meus pais Lêda (in memorian) e Paulo (in memorian), pelo amor incondicional e
legado cultural.
Aos meus irmãos Jaqueline, Claudine, Paulo e Valéria (in memorian), pelo amor
eterno e momentos inesquecíveis.
Aos meus sobrinhos queridos, Clarissa, Felipe, Juliana e Jorge.
A minha segunda família Alexandre, Hernani (in memorian), Elisabeth, Luis Claúdio,
Rogério e Susie, pela confiança e carinho.
Aos meus filhos amados, Guilherme e Rodrigo, pois o brilho dos seus olhos é a chama
que aquece o meu coração.
A minha amada esposa Alessandra, pois quando as palavras necessárias para que se
possa expressar um sentimento se findam, restam apenas as ações como forma
inequívoca de um sentimento para todo o sempre.

Homenagens

A todos aqueles que de alguma forma marcaram minha carreira profissional,
inicialmente os médicos Dr. Paulo Barros e Dr. Rômulo Tassara, pelos grandes
exemplos a serem seguidos na minha profissão, Professores Ney Pippi, Ricardo
Junqueira Del Carlo, Alceu Raiser e Felipe Wouk. Aos meus queridos orientadores,
amigos e cirurgiões brilhantes, o Dr. Nelson Jamel e Dr. Haroldo Almeida. Aos
médicos que me serviram de exemplo, por serem brilhantes e diferenciados naquilo
que fazem, e que sempre me servirão como meta de excelência, Drs. Ricardo Zorrón,
Rogério Abrahão, Alan Tonassi e Renato Kalil.
Aos amigos anestesistas e intensivistas pelos quais tenho grande admiração:
Professores Fernanda Antunes, Juan Duque Moreno, Carlos Valadão e Flávio
Massone.
Aos amigos incondicionais de jornada, com os quais muito aprendi e guardo
profunda admiração: Drs. Marcelo Rios, Marcello Roza, Andrigo Barbosa de Nardi,
James Andrade, Hélia Zamprogno, Rodrigo Silva, Guilherme Monteiro, Mauricio
Brun, Carlos Afonso Beck e Richard Filgueiras.
A todos os meus alunos e ex-alunos, aos quais representam um pouco do
resultado do meu trabalho.
Aos meus queridos clientes e pacientes que souberam compreender que uma
relação médico veterinário-cliente deve ser baseada na confiança, cooperação e
amizade, pois individualizar um tratamento, compreendendo seus aspectos peculiares,
é essencial para o êxito.
Aos amigos biólogos Carlos Logullo, Arnoldo Façanha e Carlos Alfredo Franco
Cardoso, pesquisadores natos e grandes exemplos, que estimulam o meu gosto pela
pesquisa e investigação científica.

Colaboradores

Alceu Gaspar Raiser
Professor Titular de Cirurgia da Universidade Federal de Santa Maria
(UFSM)
Mestre e Doutor pela UFSM
Diplomado pelo Colégio Brasileiro de Cirurgia e Anestesiologia Veterinária
(CBCAV)
Bolsista de Produtividade do CNPq

Alessandra Castello da Costa
Médica Veterinária formada pelo Centro Universitário Serra dos Órgãos
Mestre em Ciência Animal pela UENF
Doutoranda em Ciência Animal pela UENF

Alexandre Mazzanti
Médico Veterinário formado pela Universidade Federal de Uberlândia
Residência Médica em Clínica e Cirurgia Animal pela Universidade Federal de
Uberlândia
Mestre em Cirurgia Veterinária pela Universidade Federal de Santa Maria
Doutor em Cirurgia Veterinária pela UFSM
Professor Associado na Universidade Federal de Santa Maria
Pesquisador de Produtividade do CNPq

Ana Paula Falci Daibert
Médica Veterinária formada pela Universidade Federal de Viçosa (UFV)
Mestre em Medicina Veterinária pela Universidade Federal de Viçosa (UFV)
Doutoranda pelo Departamento de Medicina Veterinária da UFV
Professora da Universidade Presidente Antônio Carlos (UNIPAC/JF)

Anderson Nunes Teixeira
Médico Veterinário
Mestre em Ciência Animal pela UENF

Médico Veterinário Responsável pelo Setor de Anestesiologia do Hospital
Veterinário 24 horas no Rio de Janeiro

André Lacerda de Abreu Oliveira
Professor Associado da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy
Ribeiro (UENF)
Mestre em Patologia Cirúrgica pela Universidade Federal Rural do Rio de
Janeiro (UFRRJ)
Doutor em Cirurgia Geral pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)
Presidente do Colégio Brasileiro de Cirurgia e Anestesiologia Veterinária
(CBCAV) por duas gestões (2008-2010 e 2010-2012)
Presidente da Associação Brasileira de Ortopedia e Traumatologia
Veterinária (OTV – 2008-2010)
Professor Efetivo do Programa de Pós-graduação em Ciência Animal da UENF

Andréa Pacheco Batista Borges
Médica Veterinária pela Universidade Federal de Viçosa (UFV)
Mestre em Medicina Veterinária pela Universidade Federal de Minas Gerais
Doutora em Ciência Animal pela Universidade Federal de Minas Gerais com
programa Sanduiche na Universitat Autonoma de BellaTerra – Barcelona,
Espanha
Diplomada em Cirurgia pelo Colégio Brasileiro de Cirurgia e Anestesiologia
Veterinárias (CBCAV)
Professora-associada da Universidade Federal de Viçosa (UFV)
Pesquisadora de Produtividade do CNPq
Editora-chefe da Revista Ceres

Antônio Filipe Braga da Fonseca
Médico Veterinário
Professor de Farmacologia da Universidade Federal Fluminense (UFF)

Antônio Felipe Paulino de Figueiredo Wouk
Especializado em Oftalmologia Veterinária pela Escola de Veterinária de
Toulouse – França
Mestre em Cirurgia Veterinária pela Universidade Federal de Santa Maria
Doutor em Biologia e Fisiologia Animal pelo Institut Nationale Polytechnique
de Toulouse – França

Pós-doutorado em Oftalmologia Veterinária pela Escola de Veterinária de Alfort – França Professor Titular da Universidade do Paraná Secretário Geral do Conselho Federal de Medicina Veterinária Cássio Ricardo Auada Ferrigno Médico Veterinário formado pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho Mestre em Clínica Cirúrgica Veterinária pela Universidade de São Paulo Doutor em Clínica Cirúrgica Veterinária pela Universidade de São Paulo Pós-doutorado pela Universidade da Florida Professor Livre-docente da Universidade de São Paulo Membro e Faculty da AO (Arbeitsgemeinschaft fur Osteosynthesefragen) da Association for the Study of Internal Fixation Chair Person da AOVET Latin America (06/2012 a 06/2014) Pesquisador de Produtividade do CNPq Cíntia Lourenço Santos Médica Veterinária formada pela Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro Mestre em Ciência Animal pela Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro Doutora em Medicina (Cirurgia Geral) pela Universidade Federal do Rio de Janeiro Membro do Laboratório de Investigação Pulmonar e do Laboratório de Cirurgia Experimental da Universidade Federal do Rio de Janeiro Pós-doutorado pelo Programa Nacional de Pós-doutorado/CAPES Cristiano Gomes Médico Veterinário Doutorando em Cirurgia Experimental pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) Daniela Fantini Vale Médica Veterinária Doutoranda do Programa de Pós Graduação em Ciência Animal da UENF .

Diego Vilibaldo Beckmann Médico Veterinário Mestre e Doutorando pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) Fabiane Azeredo Atallah Médica Veterinária formada pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) Mestre em Medicina Veterinária pela UFRRJ Doutoranda do Programa de Pós-graduação em Ciência Animal da UENF Fábio Ferreira de Queiroz Médico Veterinário Doutorando do Programa de Pós-graduação em Ciência Animal da UENF Fernanda Antunes Professora-associada de Anestesiologia Veterinária da UENF Mestre pela Universidade Federal de Viçosa (UFV) Doutora pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Pós-doutorado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Tesoureira do Colégio Brasileiro de Cirurgia e Anestesiologia Veterinária (CBCAV) Fernando Bilibio Riviera Médico Veterinário pela Universidade de Passo Fundo Residência Médica pela Universidade de Passo Fundo Especialização em Anesthesia and Critical Patient Care Internship pela University of Georgia Athens Especialização em Veterinary Anaesthesia and Critical Care pelo Royal College of Veterinary Surgeons Aperfeiçoamento em Curso de Atualização em Medicina Intensiva pela Universidade de São Paulo Anestesiologista e Intensivista da Clínica Veterinária Canne & Gatto no Rio de Janeiro Revisor de Periódico do Jornal Brasileiro de Ciência Animal Membro de Corpo Editorial do Jornal Brasileiro de Ciência Animal .

Giseli dos Santos Ferreira Médica Veterinária Doutoranda do Programa de Pós-graduação em Ciência Animal da UENF Guilherme Alexandre Soares Monteiro Médico Veterinário Responsável pelo Setor de Cirurgia e Terapia Intensiva da Clínica Veterinária Canne & Gatto no Rio de Janeiro Guilherme Lages Savassi Rocha Médico Veterinário pela UFMG Residência em Cirurgia e Obstetrícia de Pequenos Animais pela UFMG Mestre em Cirurgia Experimental pela UFSM Doutorando em Cirurgia na Faculdade de Medicina da UFMG Professor de Técnica Operatória. Cirurgia Geral e Obstetrícia Herbert Lima Corrêa Médico Veterinário Fundador da Marca Odontovet Mestre em Cirurgia Veterinária pela Universidade de São Paulo (USP) Conselheiro Consultivo da Associação Brasileira de Odontologia Veterinária (ABOV) Jorge Luiz Costa Castro Médico Veterinário Mestre em Medicina Veterinária pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro Doutorando em Cirurgia Experimental pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) Julia Maria Matera Médica Veterinária pela Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo Doutora em Cirurgia para Pequenos Animais – Tierärtzliche Hochschule Hannover – Alemanha Professora Titular do Departamento de Cirurgia da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo Presidente da Comissão de Pós-Graduação da FMVZ/USP .

Membro da Comissão de Câmara e Recursos da Pró-reitoria de Pós-graduação da USP Pesquisadora de Produtividade do CNPq Membro da Comissão de Ética e Bem-estar Animal do CRMV-SP Coordenadora do Programa de Pós-graduação Clínica Cirúrgica Veterinária Consultora ad hoc do Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal (CONCEA) – Ministério da Ciência e Tecnologia Jussara Peters Schefers Médica Veterinária Especialização em Clínica Médica e Cirúrgica pelo Instituto de Pós-graduação Qualittas Mestranda em Ciência Animal pela UENF Lívia Gomes do Amaral Médica Veterinária Bióloga Mestre em Biologia Marcello Rodrigues da Roza Médico Veterinário do Centro Veterinário do Gama Pós-graduação em Biossegurança pela escola Nacional de Saúde Pública (FIOCRUZ) Mestre em Ciências Médicas pela Universidade de Brasília Doutor em Ciência Animal na Universidade Federal de Goiás Presidente da Associação Brasileira de Odontologia Veterinária Conselheiro Efetivo do Conselho Regional de Medicina Veterinária Marco Antonio Ferreira da Costa Engenheiro Químico Doutor em Ciências Professor Pesquisador da Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV/FIOCRUZ) Marco Antonio Gioso Médico Veterinário formado pela Universidade de São Paulo .

Cirurgião-dentista pela Universidade de São Paulo Mestre em Clínica Cirúrgica Veterinária pela Universidade de São Paulo Doutor em Cirurgia pela University of Pennsylvania Doutor em Medicina Veterinária Cirúrgica pela Universidade de São Paulo Livre-docente da FMVZ-USP da Universidade de São Paulo Conselheiro do World Veterinary Dental Council e da Sociedade Paulista de Medicina Veterinária Consultor do Veterinary Oral Health Council e da Associação Nacional de Clínicos Veterinários de Pequenos Animais Maria Claudia Campos Mello Inglez de Souza Mestranda da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo (USP) Maria de Fátima Barrozo da Costa Engenheira Química Doutora em Saúde Pública Pesquisadora da Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca (ENSP/FIOCRUZ) Marta Fernanda Albuquerque da Silva Professora-associada de Cirurgia da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro Mestre em Medicina Veterinária pela Universidade Federal Fluminense Doutora em Clínica Cirúrgica Veterinária pela Universidade de São Paulo (USP) Maurício Veloso Brun Médico Veterinário pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul Mestrado em Ciências Veterinárias pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul Doutor em Medicina Veterinária pela Universidade Federal de Santa Maria Diplomado em Cirurgia pelo Colégio Brasileiro de Cirurgia e Anestesiologia Veterinária (CBCAV) Professor Adjunto da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM-RS) Diretor Científico do Colégio Brasileiro de Cirurgia e Anestesiologia Veterinária (CBCAV) .

Mônica Jorge Luz Médica Veterinária Doutoranda do Programa de Pós-graduação em Ciência Animal da UENF Ney Luis Pippi Médico Veterinario pela Universidade Federal de Santa Maria Mestre em Medicina Veterinária pela Universidade Federal de Minas Gerais Doutor em Cirurgia e Clínica Animal – Colorado State University Professor Titular da Universidade Federal de Santa Maria Pesquisador de Produtividade do CNPq Membro Fundador do Colégio Brasileiro de Cirurgia e Anestesiologia Veterinária (CBCAV) Olicies Cunha Médico Veterinário pela Universidade Federal do Paraná Mestre em Medicina Veterinária pela Universidade Federal de Santa Maria Doutor em Medicina Veterinária pela Universidade de São Paulo Professor de Clínica Cirúrgica Veterinária na Universidade Federal do Paraná Membro da AO (Arbeitsgemeinschaft fur Osteosynthesefragent) da Association for the Study of Internal Fixation Paula Alessandra Di Filippo Doutora em Cirurgia Veterinária pela UNESP de Jaboticabal Professora-associada de Cirurgia da UENF Renato Mourão Ramos Médico Veterinário Doutorando do Programa de Pós-graduação em Ciência Animal da UENF Renato Saliba Médico Veterinário Responsável pelo Setor de Anestesiologia do Centro Médico Veterinário de Ourinhos Ricardo Junqueira Del Carlo Médico Veterinário pela Universidade Federal de Minas Gerais .

Mestre em Medicina Veterinária pela Universidade Federal de Minas Gerais Doutor em Medicina Veterinária pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho Professor Titular da Universidade Federal de Viçosa Diplomado pelo Colégio Brasileiro de Cirurgia e Anestesiologia Veterinária (CBCAV) Pesquisador de Produtividade do CNPq Ricardo Siqueira da Silva Mestre e Doutor pela UFRRJ Professor Adjunto de Cirurgia da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro Richard da Rocha Filgueiras Médico Veterinário Doutor em Cirurgia Veterinária pela Universidade Federal de Viçosa (UFV) Responsável pelo Setor de Clínica Cirúrgica do Hospital Veterinário Clemenceau Diplomado pelo Colégio Brasileiro de Cirurgia e Anestesiologia Veterinária (CBCAV) Secretário do Colégio Brasileiro de Cirurgia e Anestesiologia Veterinária (CBCAV) Rogério Magno do Vale Barroso Médico Veterinário formado pela Universidade de Franca/SP Mestre em Ciências Veterinárias pela Universidade Federal de Uberlândia/MG Doutorando em Biomedicina pela Universidde de León – Espanha Professor da Associação Educacional de Vitória (AEV-FAESA) Rosmarini Passos dos Santos Médica Veterinária Mestre e Doutoranda pela Universidade Federal de Santa Maria Sebastian Bustamante Bustamante Médico Veterinário .

Mestrando do Programa de Pós-graduação em Ciência Animal da UENF Sérgio Santalucia Ramos da Silva Médico Veterinário Mestrando de Cirurgia Experimental do Programa de Pós-graduação do Curso de Medicina Veterinária da Universidade Federal de Santa Maria/RS Sheila Nogueira Ribeiro Médica Veterinária formada pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) Mestre em Ciência Animal (Clínica e Cirurgia) pela UENF .

André Lacerda de Abreu Oliveira e de seus colaboradores na ciência e na arte da cirurgia veterinária. Professor Doutor Maurício Veloso Brun Médico Veterinário pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul Mestre em Ciências Veterinárias pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul Doutor em Medicina Veterinária pela Universidade Federal de Santa Maria Diplomado em Cirurgia pelo Colégio Brasileiro de Cirurgia e Anestesiologia Veterinária (CBCAV) Professor Adjunto da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM-RS) Diretor Científico do Colégio Brasileiro de Cirurgia e Anestesiologia Veterinária (CBCAV) . A verdade em qualquer campo da ciência pode sofrer modificações na medida em que evoluímos. . Assim. Prefácio O livro Técnicas Cirúrgicos em Pequenos Animais é o resultado de um trabalho assíduo e ininterrupto do Dr. Iniciando pelas bases da técnica cirúrgica e navegando pela aplicação da cirurgia em diferentes sistemas e órgãos. a obra aqui apresentada é destinada não somente aos que iniciam seu desenvolvimento neste maravilhoso campo da medicina veterinária. o professor André Lacerda e sua equipe apresentam este conjunto de informações sem a pretensão de estabelecer conceitos imutáveis. mas também aos cirurgiões experientes. e sim com o intuito de oferecer uma pequena parcela de contribuição nessa importante e envolvente área da Medicina Veterinária brasileira. tem como base técnicas operatórias firmadas e princípios científicos estabelecidos. trazendo ainda inovações adquiridas ao longo dos anos. grande parte fruto colhido da experiência de quem é desafiado rotineiramente pelas diferentes e numerosas situações cirúrgicas. Os conceitos aqui trazidos. os quais podem utilizá-la como valiosa fonte de consulta e ferramenta de refinamento técnico.

Que esta obra sirva para auxiliar aos colegas que dela necessitem. acompanha um DVD. lembrando sempre que um bom profissional é sempre formado com dedicação. que ajudaram com sua experiência pessoal ao longo dos anos. servindo de ponte entre a teoria e a prática. Conta com a colaboração de diversos profissionais de grande conceito na cirurgia veterinária e áreas correlatas. perseverança. a enriquecer o valor técnico-científico desta obra. Apresentação A obra intitulada Técnicas Cirúrgicas em Pequenos Animais aborda de forma prática e de fácil entendimento as principais técnicas cirúrgicas que compõe a rotina do cirurgião veterinário. contando com observações de alguns aspectos relacionados com a técnica. Com o intuito de oferecer uma obra que seja facilitadora no processo de entendimento e aprendizagem das técnicas descritas. que serão facilitadores para a execução dos vários procedimentos operatórios. André Lacerda . que deverão servir de base à formação do médico veterinário e a aplicação das diversas técnicas abordadas. Aborda ainda temas básicos da técnica operatória. servindo ainda como objeto de estudo para os estudantes de graduação e pós-graduação em medicina veterinária. disciplina e trabalho. O livro reflete a experiência adquirida ao longo de 23 anos na prática cirúrgica. apresentando os aspectos práticos destas operações. com a filmagem de técnicas selecionadas. resultado de uma atividade laboriosa. como base para solução de problemas e facilitadora da aprendizagem.

Podemos dizer que operação corresponde ao ato cirúrgico propriamente dito. que havia estudado com destacados médicos da época e se considerava um servo do deus Asclépio. 2600 a. tendo oportunidade de lidar com graves ferimentos de batalha. o que muitas vezes fazia publicamente. Concluiu que o cérebro controlava a voz. no século VI a. as manobras e técnicas utilizadas para que se possa executar o ato operatório. Galeno. No Egito antigo. Isto envolve os procedimentos pré. lesões esportivas menores e outras afecções. No entanto. trans e pós-operatório. Atualmente podemos definir a cirurgia como todos os procedimentos que envolvem a terapêutica de uma determinada afecção que possa ter tratamento cirúrgico. eram leigos e realizavam pequenos procedimentos . Ele foi o responsável pelo primeiro tratado de cirurgia. o deus da cura na Grécia Antiga. que as artérias continham sangue e que cada órgão possuía uma função específica.C.C. engenheiro e arquiteto da história antiga. que não possuíam conhecimento médico. considerado o primeiro médico. Examinou as vísceras de gladiadores feridos estudou a anatomia de animais vivos por meio de vivissecção. Na Idade Média tivemos o aparecimento dos cirurgiões barbeiros. existiam referências a Imhotep. defensor da teoria do equilíbrio dos quatro humores: a bile negra e a amarela. o sangue e o pus. Ele escreveu o primeiro tratado médico. teve importante papel na história da cirurgia. ainda. ou seja. “Pai da Cirurgia”. foi um professor e cirurgião na cidade indiana de Kashi. ele imaginava que o coração era uma espécie de caldeira e que a pulsação das artérias era produzida por elas próprias. Ainda na idade antiga. existe uma diferença entre cirurgia e operação. no qual se refere a diversas doenças e tratamentos.. Apesar de constantemente os termos serem utilizados como sinônimos. Capítulo 1 História e conceitos gerais André Lacerda de Abreu Oliveira A história da cirurgia O termo “cirurgia” tem origem no grego kheirurgia e no latim chirurgia. Galeno tornou-se médico pessoal do imperador Marco Aurélio e muita coisa que deduziu em seu trabalho estava correta. Sushruta. no final do século I d. Era. Galeno era o médico dos gladiadores.C..

2. de maneira empírica. Com o passar do tempo foram adquirindo o conhecimento de anatomia. a cirurgia foi conceituada como a arte ou ciência que atua sobre o corpo humano. e por Christian Barnard. já na Idade Moderna.. responsável por cirurgias de anastomoses intestinais e cirurgias plásticas) e Avicena (981-1038 d. executando todas as ações necessárias para a cura. a infecção e o choque era um problema a ser vencido.C. passando por Alex Carrel. Os religiosos lecionavam a medicina baseada nos ensinamentos de Hipócrates e Galeno. No final do século XVII os cirurgiões foram reconhecidos por um decreto na Inglaterra. Em 1545. era um cirurgião de campanha e publicou o Tratado de feridos por disparos.C. Alguns cirurgiões barbeiros cursaram medicina e passaram a ser considerados médicos-cirurgiões. Tinham no geral baixa posição social e eram pouco valorizados. Vencer a dor.C. os médicos árabes Albucasis (932-1013 d. 4. O americano Willian Morton e o húngaro Semmelweis venceram as etapas relacionadas com a descoberta da anestesia e da infecção. grandes nomes se destacaram e a sua história está intimamente ligada ao Colégio Brasileiro de Cirurgia e Anestesiologia Veterinária (CBCAV).C. que realizou a sistematização do conhecimento e utilizava pelos de porco para realizar suturas). 3. respectivamente.. Prêmio Nobel e precursor de técnicas de cirurgia vascular. por toda a Europa. ser hábil. Ambroise Paré. a hemorragia. Temos ainda. foram criadas a Sociedade de Médicos-cirurgiões e a Sociedade de Cirurgiões Barbeiros. com reconhecimento do Conselho Federal de Medicina Veterinária. ter boas maneiras. Na cirurgia veterinária no Brasil. ser letrado. Naquela época. Atualmente o Colégio Brasileiro de Cirurgia e Anestesiologia Veterinária (CBCAV) é a organização que congrega cirurgiões e anestesistas veterinários no Brasil. e no século XVIII John Hunter desenvolveu a cirurgia experimental. considerado o pai da cirurgia moderna.cirúrgicos. . Desta época em diante o avanço da cirurgia foi marcante. Em 1363 d. as condições existentes determinavam alta incidência de infecções. surgiu a Companhia Única de Cirurgiões e Barbeiros. No século XVII. Um cirurgião deveria possuir algumas características: 1. sendo responsável pela certificação do título de especialistas nestas duas áreas. que treinava e licenciava os praticantes da arte cirúrgica. na Idade Média. e a mortalidade chegava a 60%. sendo que em 1540 d. que na África realizou o primeiro transplante de coração. ser engenhoso. Existiam nesta época os médicos que possuíam uma importância social maior.

• Carlos Alberto Daleck (diretor científico). O CBCAV entende que o médico veterinário atuante nas áreas de cirurgia e anestesiologia é fundamental à sociedade brasileira tanto pela manutenção da saúde . em Curitiba. • Lauro Antônio Canto Petrucci (tesoureiro). Na ocasião também ficou decidida a realização do I Congresso Brasileiro de Cirurgia e Anestesiologia Veterinária para o ano de 1994 (evento que é editado até a presente data bianualmente) e eleita uma nova diretoria. • Gilberto Obino Jobim. discutido e aprovado em reunião. • Ricardo Junqueira Del Carlo (vice-presidente). • Flávio Massone (secretário). Estavam presentes na reunião. • Carlos Alberto Wolle. de forma a contribuir para que os serviços prestados à sociedade brasileira sejam de elevado padrão técnico e ético. um novo regimento foi redigido. No ano de 1993. composta pelos seguintes médicos veterinários: • Ney Luis Pippi (presidente). foi criado em 6 de dezembro de 1972 devido ao elevado número de profissionais que na época dedicavam-se ao desenvolvimento dessa especialidade. congregando os profissionais da medicina veterinária que atuam nessas áreas. fornecendo-lhes educação continuada de alto nível e certificando- lhes de suas competências. No ano de 1992. em uma reunião realizada durante o Congresso Brasileiro de Medicina Veterinária. • Alceu Gaspar Raiser (tesoureiro). a qual ocorreu na Escola de Veterinária da Universidade Federal de Minas Gerais. A missão do CBCAV é promover o constante aprimoramento da cirurgia e da anestesiologia veterinárias. Inicialmente denominado Colégio Brasileiro de Cirurgiões Veterinários (CBCV). • Mauro Inácio Carneiro. • Gilceia Maria Banolas Jobim. • Gianni de Morais (secretária). o qual passou a ser denominado Colégio Brasileiro de Cirurgia e Anestesiologia Veterinária. • Walter Octaviano Bernis (vice-presidente). os médicos veterinários: • Ernesto Antônio Matera (presidente). • Romeu Sampaio. • Sérgio Amaro Guimarães Fialho. foi discutida a reativação do CBCV.

e o termo composto passa a ser “pericardiocentese”. executem trabalhos de cirurgia animal nas áreas de ensino. no seu todo ou em parte. promover o constante aprimoramento técnico-científico das atividades relacionadas com a cirurgia e a anestesiologia veterinárias por meio dos profissionais da medicina veterinária. d). conduzindo-a de forma técnica e ética e contribuindo. mas sim a um conjunto de regras etimológicas. pesquisa. ao designarmos uma punção realizada no pericárdio. A nomenclatura médica usada nas cirurgias não obedece a uma regra única. c). usamos o sufixo “centese”. organizar congressos. contribuindo para manter elevado o seu padrão técnico. Outros sufixos com significados diversos são utilizados. nacionais ou internacionais. divulgação. assim. educacionais. promover o intercâmbio de trabalhos. A sufixação agrega elementos referindo-se à palavra primitiva e oferecendo um novo significado. execução e divulgação de atividades pertinentes a cirurgia e anestesiologia veterinárias em todos os seus ramos e tem como finalidades: a). pesquisa. como: tomia (incisão). a fim de atender o disposto na alínea anterior. assessorar e colaborar com entidades culturais. A divisão pode ainda ser relacionada com o porte da cirurgia (pequena. científicas. palestras e outros. pesquisas e informações científicas inerentes a cirurgia e anestesiologia veterinárias. fatores imprescindíveis ao agronegócio e ao bem-estar humano. integrar os médicos veterinários especializados ou vinculados. conceder certificados de especialização em cirurgia e anestesiologia veterinárias a fim de qualificar membros dentro da profissão. pós-graduação (especialização. b). g). simpósios. Nomenclatura e conceitos Atualmente a cirurgia pode ser dividida em cirurgia geral ou cirurgia de especialidades. e). à cirurgia e anestesiologia veterinária. de direito público ou privado. técnicas. reuniões técnicas. para o desenvolvimento da ciência e da tecnologia em seus variados campos de atuação. sob qualquer título. .e do bem-estar animal. mestrado e doutorado). Por exemplo. f). como também pela sua inserção na experimentação animal. controle e fiscalização. assim como com referência ao programa de residência em cirurgia e anestesiologia veterinárias. média e grande) e a época de sua realização (eletiva ou urgente). execução. que. O CBCAV se destina ao ensino. assessorar cursos de cirurgia em nível de graduação.

clase (fraturar) e scopia (visualização). por exemplo. a cirurgia veterinária tem evoluído a passos largos. 338p . pexia (fixação). que vem do latim appendice e do grego itis. Conclusão Atualmente. que são compostos por palavras que empregam elementos de procedências linguísticas diferentes. Como exemplo temos a palavra “apendicite”. operação de Wertheim (histerectomia para remoção de tumor).1) e um incremento nas atividades de pesquisa nas universidades. cirurgia de Billroth. Finalmente há os termos híbridos. No Brasil temos vários grandes cirurgiões e a história nos tem ajudado a compreender melhor nosso papel e o melhor rumo para o desenvolvimento desta atividade. Já os sinônimos são termos médicos com grafias diferentes e mesmo significado. stomia (fistulização com a superfície da pele ou de outro órgão).P. ectomia (retirada). rafia (sutura). stasia (detenção ou parada). plastia (reconstrução). São Paulo: Sarvier. síntese (sutura). Figura 1. lise (dissolução).1 Centro cirúrgico veterinário. clise ou cleise (fechamento ou lavagem). como. centros cirúrgicos mais adequados (Figura 1. Geração Editorial. enxerto autólogo ou autoenxerto. Os epônimos representam a utilização de nomes próprios para a designação de algum procedimento ou instrumento. pinça de De Bakey. Técnica cirúrgica e cirurgia experimental. dese (fusão ou imobilização). p341 Magalhães H. 2011. Sangue e entranhas: a assustadora história da cirurgia. São Paulo: Ed. como. por exemplo. tripsia (esmagamento). com atenção especial a subáreas. Referências Hollingham R. 1993.

.

ficando separado da administração geral do hospital. é a Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) 50/2002 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Esta unidade é incumbida do preparo. equipamentos e . como estrutura física (layout). normas e rotinas. com o intuito final de evitar a contaminação e a infecção da ferida cirúrgica. da esterilização e da distribuição de todo o material esterilizado. Definição É a unidade hospitalar onde se realizam as intervenções cirúrgicas. Capítulo 2 Ambiente cirúrgico Daniela Fantini Vale. visando a prevenção e o controle de riscos.256. tanto da equipe de profissionais como dos aspectos técnico-administrativos. já que não dispõe de normas próprias voltadas para a saúde animal. o centro de material esterilizado é considerado uma unidade hospitalar autônoma. portanto todos os aspectos físicos e as manobras realizadas neste ambiente visam o bem-estar do paciente e o sucesso da operação. O setor administrativo do centro cirúrgico dispõe de área própria. A sala cirúrgica constitui um dos componentes do centro cirúrgico. inclusive centros cirúrgicos e clínicas. regimento. que também tange considerações para o desenvolvimento desses projetos. No conceito moderno. A dinâmica de funcionamento adequada deve estar bem delineada. equipamentos. André Lacerda de Abreu Oliveira Introdução Será abordada neste capítulo a estrutura necessária que deve compor o ambiente cirúrgico e as suas subunidades. A medicina veterinária tem se adequado às normas da ANVISA que lidam com a saúde humana. A norma que regulamenta todos os projetos físicos de estabelecimentos assistenciais de saúde humana. É uma área em que estão concentrados recursos representados por instalações. A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) instituiu a Norma Brasileira Regulamentadora (NBR) 7. O centro cirúrgico é a unidade hospitalar onde são realizadas operações cirúrgicas e que requer suporte adequado. local onde efetivamente se realiza o ato cirúrgico.

A criação destas áreas visa impedir a contaminação do ambiente cirúrgico por meio das rodas das macas. Localização . com observância de normas e rotinas próprias para controle e manutenção da assepsia. no controle e na transmissão das infecções hospitalares neste ambiente. Considerando este aspecto. equipamentos e a frequência necessária de limpeza. • área não restrita: é aquela de circulação livre no ambiente interno do centro cirúrgico. as salas de operação e as salas de subesterilização. anestesia. limpa e estéril. técnicos e demais elementos que trabalham no centro cirúrgico trocam suas roupas por uniformes próprios. enfermagem. Classificação No centro cirúrgico são consideradas três zonas distintas: de proteção. de modo a não interferir na rotina e manutenção da assepsia da área restrita. onde todos os integrantes das equipes de cirurgia. orienta o fluxo de pessoas. Tem ação direta na prevenção. A estrutura física também é dividida de acordo com o controle de assepsia que o ambiente requer. ela é dividida em: • área restrita: é aquela que compreende os limites definidos para circulação de pessoal e materiais. materiais. visando prevenir a ocorrência de contaminação cruzada e diminuir e/ou evitar a contaminação da ferida cirúrgica do paciente.materiais que possam ser utilizados com eficiência e segurança pela equipe cirúrgica durante os procedimentos cirúrgicos. • A zona limpa é composta por todos os demais componentes do agrupamento cirúrgico. As áreas de transferência são aquelas em que o paciente é transferido da maca que trafega pelas áreas semirrestrita e não restrita para a maca que trafega somente na área restrita do hospital. máscaras e propés de uso exclusivo no interior do ambiente cirúrgico. que subdivide funcionalmente as áreas. • área semirrestrita: é aquela que permite a circulação de pessoal e equipamentos. bem como colocam gorros. • A zona asséptica ou estéril é constituída pelas salas de operação e salas de subesterilização. • A zona de proteção é representada pelos vestiários masculinos e femininos. A classificação criada. que não os vestiários. e fica interposta entre as zonas de proteção e estéril.

Desta forma. o planejamento de qualquer unidade hospitalar nunca deve ser considerado definitivo e completo. o desenvolvimento e a administração dos hospitais é a centralização dos serviços. Além disso. bem como ampliações. temperatura e umidade. seja pela orientação adequada. Atualmente. outra ideia que deve nortear o planejamento. que é a parte da engenharia que aplica seus conhecimentos no campo da medicina. preferencialmente nos andares elevados. Os vestígios devem ser dispostos de tal modo que se constituam. na única forma de . sistemas de monitoração e de comunicação. Planejamento Nos hospitais modernos. no que se refere ao centro cirúrgico especifica que: “A unidade do centro cirúrgico deve estar localizada de modo a ficar livre do trânsito de pessoas e materiais estranhos ao trabalho que nele se realiza. o centro cirúrgico é a área que demanda maior atenção de planejamento. enfermeiros e administradores hospitalares. a posteriori.O ambiente cirúrgico deverá se localizar próximo às unidades que recebam casos cirúrgicos e também a terapia intensiva. As salas de operações devem estar protegidas de tal forma que recebam luminosidade sem insolação direta ou intermação. ou seja. médicos. Assim. programação. uma medida arbitrária que serve de base para regular as proporções que devem guardar entre si as diversas partes de qualquer área ou dependência do hospital. legislação brasileira que se refere ao regulamento técnico para planejamento. O planejamento e o desenvolvimento do ambiente cirúrgico devem ser fruto de um trabalho de equipe formada por arquitetos. ventilação. pronto-socorro e ambulatório. ao abrigo da poluição aérea e sonora e fora da interferência do tráfego hospitalar. todo o conjunto hospitalar deve ser projetado dentro da conceituação de módulos. o centro cirúrgico deve ser único e ter capacidade para atender aos diversos setores hospitalares: unidade de internação. evitando cálculos estruturais e profundas investigações que retardam ou encarecem o projeto. Com base na ideia de possíveis modificações e expansões. a bioengenharia desempenha um papel fundamental na elaboração dos seguintes aspectos de um ambiente cirúrgico: iluminação. O projeto desenvolvido dentro do conceito de módulos facilita sobremaneira futuras reformas. Entre os engenheiros é importante que pelo menos um elemento seja especializado em bioengenharia. obtêm-se maior eficiência. A RDC 50/2002. ou seja. ao conceito de ambiente cirúrgico cumpre também acrescentar a ideia de centralização. seja pela proteção por meios artificiais. elaboração e avaliação de projetos físicos de estabelecimentos assistenciais de saúde. Assim. com o intuito de. evitar defeitos permanentes que só possam ser reparados parcialmente. engenheiros. para o pessoal. segurança e economia.

rapidez e segurança. Ao se planejar a iluminação de uma sala de operação devem-se considerar os seguintes aspectos: iluminação adequada no campo operatório. Um elemento de grande valia para evitar o tráfego parasita e diminuir a circulação é a utilização correta dos meios de comunicação entre as diversas instalações do centro cirúrgico. Esta distribuição facilita o acesso às diversas salas cirúrgicas a partir dessa área de trabalho central.adentrar ao centro cirúrgico após troca de roupa. a luz artificial. ao sair da área limpa para a contaminada. . Porém. Portas entre áreas limpas e contaminadas devem ser mantidas fechadas. A iluminação poderá ser natural e artificial. A simples observação desta regra possibilita a acentuada redução da incidência de infecção na ferida cirúrgica. com todos os seus recursos. devem-se cobrir as roupas antes de sair e descartar esses itens ao retornar. Para cada duas salas cirúrgicas deve ser previsto lavabo com duas torneiras dotadas de características tais que permitam seu fechamento sem o uso das mãos”. na atualidade. reduzindo a contaminação. Normas de circulação É essencial o conceito de tráfego unidirecional sempre das “zonas limpas” para as zonas potencialmente contaminadas. Boa e adequada iluminação não significa exclusivamente abundância de luz. e sempre ocorrer da área de menor potencial de contaminação para as de maior potencial de contaminação. e alimentos e bebidas só são aceitos em áreas contaminadas. As orientações de fluxo de pessoal e instrumentos devem ser obedecidas por todos. Os pacientes devem ser depilados e aspirados numa área contaminada e só então podem ser transportados para dentro da sala de cirurgia. é a única que estabelece os padrões necessários para a iluminação do centro cirúrgico. pois um único elemento que infrinja tal dispositivo coloca em risco a segurança dos pacientes quanto à possibilidade de infecção. O objetivo da adequada iluminação é minimizar a tarefa visual da equipe e ao mesmo tempo oferecer condições para que a operação se processe com precisão. a ideia de tráfego unidirecional deverá ser conscientizada por todo o pessoal profissional. Portanto. As roupas sujas e o lixo devem ser mantidos numa área restrita do centro cirúrgico enquanto esperam sua saída. É fundamental evitar circulação desnecessária ou “parasita”. O protocolo para a circulação de pessoal e suprimentos no centro cirúrgico orienta que: pessoas oriundas de áreas contaminadas só devem entrar em áreas limpas após vestir trajes cirúrgicos adequados e que. Projeto piloto A iluminação de uma sala de operação é o problema mais difícil e provavelmente o mais importante do sistema de iluminação de um hospital.

Usualmente os tecidos orgânicos refletem apenas 8% a 10% da luz que incide sobre os mesmos. no ambiente cirúrgico. muitas vezes se tornando inviável. pode-se ter um fluxo laminar linear no sentido vertical de cima para baixo: teto-piso. forçando correntes de ar para fora. . eliminação do excesso de calor no campo operatório.eliminação das sombras. Porém esse sistema tem custo elevado. A relação entre a luz geral da sala e a do campo operatório assume grande importância na prevenção da fadiga visual e na eliminação de alguns pontos de reflexo. O sistema de ventilação de um centro cirúrgico deve abranger três aspectos fundamentais: 1. Esta ventilação feita de cima para baixo é 60 vezes mais eficiente na remoção de partículas contaminadas do que a ventilação com condicionamento de ar. diretamente sobre a mesa de operações. redução dos reflexos. A modulação da intensidade luminosa dependerá também dos reflexos dos tecidos orgânicos. O sistema de ventilação de um ambiente cirúrgico é certamente o aspecto que encerra a maior polêmica nos últimos anos dentro dos conceitos modernos de arquitetura. O foco de luz deverá. foi introduzido o conceito de fluxo laminar linear de ar para ventilação do ambiente cirúrgico. impedir a entrada. ser mudado de posição conforme a área a ser iluminada. e. 2. no início da operação. e deve permitir máxima facilidade de manobra. ou um fluxo laminar linear no sentido horizontal. dos instrumentos. suficiente iluminação geral na sala e proteção contra ocasional interrupção motivada por falta de energia elétrica. prover o ambiente de aeração em condições adequadas. É imperativa a existência de braços articulados que permitam o direcionamento das lâmpadas em praticamente qualquer ângulo e que permaneçam estáveis assim que as lâmpadas tenham sido posicionadas. remover as partículas potencialmente contaminadas liberadas no interior das salas de operações. uma vez que impede a constatação precoce da cianose de mucosas e extremidades. É preferível que haja duas lâmpadas direcionadas de ângulos diferentes ao serem pensadas as estruturas internas na sala de cirurgias. A luz fria deve ser contraindicada nas salas de operação e de recuperação anestésica. Outro aspecto que deve ser considerado é a cor da luz. Assim. O campo operatório é iluminado por um foco multidirecional a fim de eliminar a presença de sombras. por isso se torna muito importante seguir técnicas assépticas na redução da infecção operatória. dos campos e compressas cirúrgicos. de uma parede para outra. incidir perpendicularmente à ferida operatória. Visando menor turbulência. É preferível que a ventilação seja feita de cima para baixo e a pressão no interior da sala seja maior que a do exterior. de acordo com o desenrolar da cirurgia. porém as compressas brancas refletem de 75% a 80% e os instrumentos e afastadores polidos podem refletir até 90% da luz que incide sobre eles. A lâmpada cirúrgica é montada no teto. 3. de partículas potencialmente contaminantes oriundas de áreas adjacentes ao centro cirúrgico. a uma distância aproximada de 120 cm.

Portanto estes filtros deixam de reter apenas os vírus. Por outro lado. umidade relativa do ar acima de 70% constitui-se em ambiente propício para o desenvolvimento de bactérias. A importância na minimização do número de pessoas da equipe cirúrgica e a substituição da ventilação por turbulência demonstraram ter impacto na carga microbiana do ambiente. natureza e grau da atividade exercida pelas pessoas que ocupam um espaço físico são alguns determinantes do grau de contaminação do ar interior. impede a adequada conservação da temperatura corpórea por parte desses pacientes. porém agora muito mais rigorosa. Quanto à umidade relativa do ambiente cirúrgico.5 a 5 micra de diâmetro. Foi demonstrado em humanos que somente na temperatura entre 24 °C e 26 °C todos os pacientes terminavam a cirurgia normotérmicos. taxa de ventilação e ocupação. De acordo com as três funções principais do sistema de ventilação de um ambiente cirúrgico. Um dos requisitos mais importantes de um sistema de ar-condicionado é a filtragem. pois é por meio dela que se obtém a pureza do ar. Assim. sobre o padrão referencial de qualidade do ar interior em ambientes climatizados artificialmente de uso público e coletivo. por meio da Resolução n o 9. O ar passa primeiramente por um pré-filtro que irá reter as partículas de maior diâmetro. Existem filtros com eficiência de 99. em torno de 16. Um ambiente com baixo teor de umidade relativa favorece a propagação de faíscas elétricas e perda excessiva de água por parte do paciente devido à evaporação mediante grandes incisões. alguns aspectos devem ser considerados. A temperatura e a umidade no centro cirúrgico devem ser mantidas constantes. como halotano e narcóticos em geral. a umidade relativa de . A taxa de contaminação do sítio cirúrgico também esta relacionada com o tipo de ventilação dessas salas. e sua eficiência permanece entre 90% e 95% para partículas de 0. A atual legislação brasileira.7 °C a 20 °C de temperatura e 50% ou menos de umidade. a primeira função diz respeito ao fornecimento para a sala de operação de ar em condições adequadas de higiene e saúde. A utilização de filtros high efficiency particulate air (HEPA) em salas cirúrgicas remove a maioria das bactérias nesses ambientes. ou de 20 °C a 24 °C de temperatura e de 50% a 55% de umidade. Assim. Matéria particulada (poeira). estabelecendo limites aceitáveis de contaminação microbiológica apenas para fungos. elaborada pela ANVISA refere-se à avaliação da qualidade do ar. Posteriormente deverá sofrer uma nova filtração. ou de 20 °C a 25 °C de temperatura e de 45% a 55% de umidade. de 16 de janeiro de 2003.9% na retenção de partículas de até 5 micra de diâmetro. Um aspecto a ser considerado quando o animal está anestesiado é que o emprego de fármacos anestésicos que causam vasodilatação periférica. potencialmente contaminantes. ou durante cirurgias de longa duração. o fornecimento de ar deverá ser isento de partículas dispersas. entretanto os níveis referenciais considerados seguros ainda não estão estabelecidos.

Outro cuidado que deverá ser adotado é impedir que chegue ao paciente intensidade de corrente diretamente derivada da rede geral de energia elétrica. mais recentemente. podem desencadear processos de fibrilação cardíaca por “microchoques” e causar a morte do paciente por parada cardíaca. permanente e independente de energia elétrica. eletrocussão por micro e macrochoques. É fundamental para o bom funcionamento de um ambiente cirúrgico que o mesmo disponha de uma fonte geradora própria. 24 V e 0. bem como de válvulas secundárias distribuídas ao longo de toda a rede. explosões e. A temperatura de 21 °C e a umidade relativa de aproximadamente 50% proporcionam ambiente confortável. Deverá existir uma rede de extintores de incêndio e mangueiras conectadas a hidrantes estrategicamente dispostos para combater incêndio em qualquer dependência do centro cirúrgico. O acúmulo de gases favorece a possibilidade de explosões. monitores e aparelhos de comunicação. As tomadas elétricas devem estar situadas à altura da cintura por uma questão de conveniência. Os máximos valores de potencial elétrico e intensidade de corrente aplicáveis sem perigo ao ser humano são. todo o sistema de tubulações que veiculam gases anestésicos. Éter. e não como medida de segurança antiexplosão. estabilizadores de voltagem e condutor de proteção. . possibilitando a interrupção do fornecimento de gases para uma determinada área em situações de emergência. ao lado de bisturis elétricos. Com base nisso todo centro cirúrgico deve dispor de um esquema de instalações para combate a incêndios. No entanto potenciais elétricos de 10 mV e intensidade de correntes até 10 mA. Os riscos mais evidentes para os pacientes e profissionais do centro cirúrgico são: eletricidade estática.5 mA. como os aparelhos de raios X. No ambiente cirúrgico. álcool. benzina e gases anestésicos podem contribuir para o aparecimento de fogo. as medidas mais importantes são: fio terra. A eletricidade irá alimentar os sistemas de iluminação. Devem ser feitas previsões especiais para qualquer equipamento de 220 V. respectivamente. microscópios e trépanos elétricos. Em linhas gerais deve-se conectar todo e qualquer aparelho elétrico a um sistema que estabeleça em todo ambiente um potencial uniforme e que impeça diferenças de potenciais superiores a 10 mV. Assim. queimaduras. Esta situação é conseguida pela interposição de fio terra e condutor automático de proteção. O sistema de ventilação é fundamental na prevenção da poluição da sala cirúrgica por gases anestésicos. fogo.um ambiente cirúrgico deve situar-se entre 45% e 55%. Com base nisso. quando aplicados diretamente sobre o coração. Todos os equipamentos elétricos necessários na sala de cirurgia são de corrente 110 V. a possibilidade de incêndio é relativamente grande devido a um elevado número de materiais de fácil combustão. ventilação. controle de temperatura e umidade. considerando a pele íntegra e longe do coração. oxigênio e ar comprimido deverá dispor de válvula na central de gasoterapia do centro cirúrgico.

entre a laje e o forro e o piso do pavimento imediatamente superior. sendo inspecionada rotineiramente. para que sua limpeza e desinfecção sejam facilmente efetuadas. microscópios e outros aparelhos fixados a ela. fácil de limpar. A laje deverá ainda ser dimensionada para suportar o peso de focos de luz. O centro cirúrgico deverá ser pintado com uma cor que evite a fadiga visual. fácil manutenção e resistência a produtos de limpeza hospitalar. Qualquer fonte de energia auxiliar que possa ser utilizada deverá ser mantida em boas condições de funcionamento. Os pisos devem ser de material resistente. com fácil visualização da sujeira. não poroso. consequentemente. pois esta tinta possui alta durabilidade. Os pontos de luz. livre de ralos e frestas. energia elétrica. Pisos. As paredes devem ser de superfície lisa. sem fendas. são comumente utilizadas em instalações menores. o cansaço físico. que diminua os reflexos luminosos e que reduza a excitação nervosa e. pouco sonoro. Os materiais mais recomendados para as paredes são: azulejo fosco não facetado. principalmente. com cantos arredondados para facilitar a limpeza e evitar o acúmulo de poeira. Este espaço possibilita a instalação de novos equipamentos. cobertura de epóxi e. assim como a entrada do pessoal do serviço de manutenção hospitalar para revisões periódicas e reparação de eventuais problemas. O forro deverá ser de material não poroso para impedir a retenção de bactérias. agente fungicida. as salas cirúrgicas não devem possuir janelas e toda ventilação deve ser feita por meio de um sistema de climatização . deve-se conservar um espaço útil de no mínimo 80 cm de altura livre. Existem determinadas unidades hospitalares que têm necessidade vital de receber continuadamente suprimento de eletricidade. entretanto alguns trabalhos evidenciam que sapatos limpos e. paredes e tetos devem ser constituídos de material impermeável. baixo odor. Segundo as normas (NBR 7256) e a ANVISA. placas de fórmica. com ou sem ativação automática. Em qualquer unidade hospitalar. Deve ser de fácil limpeza e dotado de pequena condutibilidade. fundamentalmente bom condutor de eletricidade estática para evitar faíscas e construído de material à prova de fogo e capaz de suportar limpezas frequentes com desinfetantes fortes. As tomadas elétricas devem ser dotadas de dispositivos contra faíscas. O acabamento de um centro cirúrgico é a somatória de detalhes e pormenores que conjuntamente influirão na eficiência e segurança das atividades desenvolvidas no interior do mesmo. Unidades movidas a bateria. oxigênio e ar comprimido deverão distar 150 cm acima do piso para evitar a possibilidade de que faíscas eventuais inflamem gases anestésicos depositados junto ao piso. propés conferem barreira e menor contaminação do piso. uniforme. As paredes também podem ser pintadas com tinta hospitalar. e principalmente no centro cirúrgico. A contaminação do piso pela sola dos sapatos por profissionais da saúde parece não contribuir para a contaminação do ar de áreas hospitalares restritas. sem prateleiras. liso. mais recentemente. Todo hospital deverá dispor de um gerador próprio de energia elétrica dotado de partida automática conectada à rede geral. O centro cirúrgico inclui-se entre estas unidades.

o ar flui para fora da sala. A visão para o exterior é prejudicial. de modo que. profissionais. As portas devem ser de correr não embutidas. O objetivo fundamental da política de fluxos no interior de um ambiente cirúrgico é impedir o cruzamento de elementos ou instrumentos prontos para serem empregados em uma sala de operação com elementos ou instrumentos potencialmente contaminados. A higienização da sala pode ser feita mais facilmente se não existirem janelas. com visores de vidro para facilitar a visão entre os dois ambientes e evitar aberturas desnecessárias. inicialmente. A porta deve ter conexão com a sala de preparação. caso se faça sua exaustão para o exterior. Estas portas devem ainda ser suficientes para a passagem de uma mesa rolante e altas o bastante para que se possa passar com equipamentos volumosos. Em um ambiente cirúrgico podem-se considerar quatro tipos de fluxos: pacientes. uma vez que as mesmas possibilitam grande turbulência da corrente aérea do centro operatório. Para diminuir a turbulência das correntes de ar recomenda-se um de pressão positiva no interior das salas de operação. Contraindicam-se as portas apoiadas sobre dobradiças. materiais e equipamentos. que pode por vezes vir a servir de sala de tratamento. do planejamento físico do centro cirúrgico. O sol entrando pode refletir no olho do cirurgião de forma direta ou por um material refletivo. ou 15 trocas de ar por hora. É recomendável um mínimo de 25 trocas de ar por hora. As portas das salas de operação constituem um problema para os padrões de fluxos de ar nas salas cirúrgicas. quando a porta da sala cirúrgica é aberta. As portas de correr deverão realizar os seus movimentos apoiadas em um trilho superior e contra a face livre de uma parede. se o ar é recirculado. O conjunto de profissionais e auxiliares que prestam assistência direta ao paciente durante a permanência dele no centro cirúrgico compõe a equipe cirúrgica. O ar na sala de operações está submetido a leve pressão positiva. Estrutura operacional Cabe à instituição hospitalar definir em regimento interno os princípios administrativos do seu centro cirúrgico. o que provoca menor turbulência do ar. .específico com filtragem. Nele deverá ser definida a composição da equipe que nele atua e o mantém em condições de utilização. evitando o tráfego intenso. A implantação das linhas de tráfego depende. Diferença de temperatura entre dois ambientes separados por uma porta possibilita o aparecimento de uma corrente aérea entre os mesmos quando a porta for aberta. No entanto o regimento deve seguir as políticas estadual e nacional de saúde e a legislação vigente. A sala de operação deve conter uma única porta. e não para seu interior. além de observar o código de ética dos profissionais envolvidos na atividade. e principalmente as de vaivém. pois pode distrair a atenção da equipe em um momento vital.

Nesta sala. Componentes do ambiente cirúrgico A sala de recepção dos pacientes ou pré-operatório é o local que recebe os doentes para serem reavaliados. O tamanho ideal da sala cirúrgica vai depender da especialidade a que se destina. cirurgia cardíaca e neurocirurgia. Entre elas se destacam sala de operação. seção de material e suprimentos e seção de centro de material de esterilização. cateteres.Esta equipe é composta por: anestesiologista. pré-medicados e preparados para o procedimento cirúrgico (Figura 2. número de equipes cirúrgicas. sabões antissépticos. sendo vários os fatores para esta decisão: número de leitos hospitalares. especialidades hospitalares. álcool. sucção de oxigênio e medicamentos. abre-bocas. Mesas de aço inoxidável com pias embutidas são recomendadas. entre outros. que consistem em suporte para fluidos. sondas endotraqueais. recipientes de objetos perfurocortantes. Também devem estar disponíveis macas para transporte dos animais.1). agulhas e fluidos. Além disso. o número de salas cirúrgicas corresponde a 5% do total de leitos cirúrgicos. seringas e equipamentos de monitoração. montadas no teto ou na parede imediatamente adjacente. circulante. nos hospitais humanos. além dos equipamentos para administração de fluidos intravenosos. assistente ou auxiliar de cirurgia. laringoscópios. Deve haver boa fonte luminosa geral para toda a sala e um foco luminoso para cada mesa de preparação. deve haver lanterna. aspiradores. hospital de ensino. complexidade das cirurgias. enfermeiro e instrumentador. podendo ser pouco menor para oftalmologia e otorrinolaringologia e pouco maior para ortopedia. gaze. Em geral. . sala de recuperação pós-anestésica. quantidade de cirurgias diárias. Em geral recomendam-se ao redor de 35 m2. sendo que as substâncias controladas são mantidas numa caixa ou armário fechados. São apresentadas quatro seções do centro cirúrgico que são básicas para o funcionamento dessa unidade. devendo permanecer bastante tranquila para reduzir o estresse dos pacientes no período pré-operatório. Máquinas de tosquia estão localizadas no interior da sala. ou uma sala cirúrgica para cada 50 leitos de um hospital geral. Dimensionamento O primeiro aspecto a ser considerado no planejamento do centro cirúrgico é o seu dimensionamento. incluindo sangue e plasma. cirurgião. horário de funcionamento. balcões e superfícies de preparação devem ser impermeáveis e facilmente desinfetados. Deve conter todos os itens necessários para emergências. Está localizada adjacente á área cirúrgica. quais sejam: desfibrilador.

Lá deverá estar à disposição uniforme próprio do ambiente cirúrgico.2). Um sistema de alarme que seja ativado quando a pressão de oxigênio cair a níveis demasiadamente baixos também fará parte desta estrutura. Deve existir um cômodo separado para a paramentação e calçamento das luvas. de cor diferente dos usados nas demais áreas do hospital. Além disso. as pias nunca devem ser utilizadas para limpeza de equipamentos ou instrumentos.1 Sala de pré-operatório. Mesmo nas menores unidades. Os vestiários deverão ser dotados de dois sanitários completos. Os vestiários devem ser usados pela equipe para vestir os trajes adequados para adentrarem o centro cirúrgico. A sala de suprimentos estéreis está localizada na área limpa. A água das torneiras deve ter sua temperatura regulável. se for desejável. A pia de escovação deve ficar distante dos suprimentos estéreis. A sala de paramentação deve se localizar próximo às salas cirúrgicas. É ideal a existência de uma sala para desinfecção dos profissionais com pias profundas de aço inoxidável e com fluxos de água e recipientes de sabão operados por meio de alavancas de joelho ou cotovelos. ou seja: pijama cirúrgico. deve ser levada em consideração a instalação de uma linha de oxigênio. Também devem possuir um cesto grande para armazenar as roupas sujas. ou por pedais (Figura 2. entretanto. Além disso. gorro. Devem existir diversas caixas de instrumental agrupados de acordo com a necessidade para cada cirurgia. Os reservatórios de oxigênio devem ser fixados na parede. serem equipados com chuveiro e sanitários. estas etapas poderão ser cumpridas no interior da sala de operações. A equipe cirúrgica deve separar os itens necessários para a cirurgia e levá-los para a sala cirúrgica. Os indivíduos devem ter fácil acesso ao aparelho de limpeza de unhas e ao armário de escovas. máscara e protetores de sapatos (propés). Nesta sala estão os instrumentos e materiais esterilizados e embalados. pois estes podem ser contaminados com os respingos de água.Figura 2. . sendo um masculino e um feminino. Para tanto devem possuir armários fechados individuais e dotados de chave para a colocação de toda a roupa de cada elemento que irá trafegar no ambiente cirúrgico.

Em um projeto de centro cirúrgico. também deve dispor de uma mesa para o anestesista colocar todo seu equipamento e fármacos anestésicos. Além de conter o mínimo de duas mesas de instrumental com tamanho suficiente para que possa ser colocado todo o instrumental necessário à cirurgia. O tamanho deve ser o suficiente para que o pessoal paramentado se movimente ao redor dos equipamentos não estéreis e do pessoal não paramentado sem correr o risco de se contaminar. Esta mesma resolução define a quantificação de salas cirúrgicas e nela estabelece o critério de duas salas para cada 50 leitos não especializados e 15 para leitos cirúrgicos. . e salas de operação pequenas com espaço de 20 m2 com dimensão mínima de 3.65 m. com dimensão mínima de 5 m. São salas destinadas a cirurgias de especialidades gástricas. que é a indicada para cirurgias de especialidades como cardiovascular. Deve dispor de uma mesa de operação de aço inoxidável e ajustável quanto à altura e ao grau de inclinação.45 m.2 Sala de paramentação com pias profundas de aço inoxidável. com comando de movimentos centralizado na cabeceira.3). A sala cirúrgica é um dos componentes da chamada zona estéril (Figura 2. podendo causar um foco de riscos de acidentes físicos ou biológicos. Conforme Resolução n o 307/2002 da ANVISA. Não pode acontecer que uma sala de cirurgia ou qualquer outra sala de apoio sofra infiltrações ou problemas de natureza física. ortopédica e neurocirurgia. a sala de operação grande tende a ter em torno de 36 m2. as salas de cirurgia estão distribuídas ao redor da área de trabalho central.Figura 2. com espaço mínimo de 4. salas de médio porte têm um espaço em torno dos 25 m2.

como desfibriladores e eletrocautérios. Principalmente o centro cirúrgico dispõe de um corredor periférico ou contaminado pelo qual saem todos os elementos que entram nele: o paciente e todos os instrumentos utilizados na operação. . Os corredores. A sala de operação deve contar com espaço para todos estes móveis e acessórios. bem como para abrigar aparelhos que eventualmente estejam sendo utilizados. Com isso evita-se o cruzamento do fluxo de pessoas e instrumentos teoricamente não contaminados com pessoal e material potencialmente contaminados. devem ter um mínimo de 2. trépano elétrico e negatoscópio. os instrumentos. Objetivando a redução da incidência da infecção da ferida cirúrgica e a obtenção de maior economia. Também é importante um equipamento de sucção na sala cirúrgica.Figura 2. A disposição de tais aparelhos na sala tem que ser a mais funcional possível. Preconiza-se a disponibilidade de calhas em V portáteis e balde para descartar compressas sujas durante a cirurgia. Assim. para não bloquear a circulação e evitar movimentos parasitas. máquina de circulação extracorpórea. várias modificações ao longo dos anos foram introduzidas no desenho dos centros cirúrgicos. Essa conduta determina redução nítida da incidência de infecção da ferida cirúrgica. campos estéreis ou complemento de instrumental. mesa auxiliar para a enfermeira circulante colocar pacotes. aparelhos de anestesia e respiração conectados à rede de oxigênio e gases anestésicos. foco auxiliar. locais de grande disseminação de infecção. O aspecto de maior relevância nesse sentido foi a introdução do conceito de corredor periférico ou corredor contaminado. na área central do centro cirúrgico existe um corredor considerado limpo por meio do qual as equipes de trabalho.3 Sala cirúrgica. além de outros equipamentos.5 m de largura. eletrocardiógrafo. Deve ser projetada de maneira simples para facilitar a limpeza. como bisturi elétrico. o paciente. foco principal de luz. campos e aventais e aparelhos estéreis chegam à sala de operação. prateleiras para serem colocados fios e outros materiais que possam ser utilizados durante a operação.

como: aventais. Também ficam na área do depósito de material os fios de sutura. A sala de depósito de materiais também compõe a zona limpa. Até o início da década de 1940. Os dados referentes de expiração para itens esterilizados embalados em vários tipos de embalagens se tornaram controversos. sofás e eventualmente divã para um descanso maior de seus ocupantes. além de um sistema de climatização. do preparo. pacotes de campo. É caracterizada pela presença de uma autoclave de alta pressão e alta velocidade destinada à rápida e segura esterilização de instrumentos metálicos que acidentalmente se contaminam durante a cirurgia e cuja utilização seja imprescindível. da esterilização e da distribuição dos materiais hospitalares. A Central de Material e Esterilização (CME) é uma unidade de apoio dentro do estabelecimento de saúde destinada a receber material considerado sujo e contaminado. os itens esterilizados de hospitais que adotam garantia de esterilidade contra eventos apresentam vida de prateleira indefinida. um estar junto a esta. A sala dispõe de poltronas. caixas com instrumental cirúrgico. soros para hidratação. permanece em ambiente adequado e próprio. Todo centro cirúrgico deve dispor de sala de conforto ou descanso para as equipes que atuam no interior do mesmo. técnicos ou enfermeiras aguarda a ocasião para entrar em ação na sala de operação. biópsias. surgiram os centros de materiais parcialmente centralizados e a CME semicentralizada. Assim. da descontaminação. de preferência. enquanto uma equipe de médicos. Nesta área o material armazenado tem alta rotatividade devido à grande utilização. Para procedimentos cirúrgicos de pequeno porte. retirada de drenos e suturas. Esta deve ter uma saída para o chamado corredor periférico. que é o local onde fica armazenado todo o material esterilizado proveniente do centro de materiais esterilizados. A grande razão para a dúvida na expiração do tempo é que eventos. preconiza-se uma sala preferencialmente próxima à área de preparação anestésica. Cada unidade preparava seus materiais e encaminhava para serem esterilizados em um único local. todo centro cirúrgico deve possuir uma copa e. É responsável pela realização do controle. na qual parte dos instrumentos e materiais começou a ser preparada e esterilizada. todos esterilizados e prontos para utilização nas cirurgias. como dermorrafias. contaminam os produtos. Serve também como local de acondicionamento temporário de roupa estéril e complementos para a mesa de instrumentos. Sendo assim. o preparo e o armazenamento dos materiais eram realizados pela equipe de enfermagem das próprias unidades. tambores de gases. . A sala de subesterilização é um recinto anexo à sala de operação também da zona estéril. procedimentos dentários. a limpeza. entre outros. Segundo as normas (NBR 7256) para o relaxamento da equipe. A mesma deve estar equipada com equipamentos similares e possuir as mesmas características físicas da sala cirúrgica. e não o tempo. A dinâmica do serviço era descentralizada. Em meados da década de 1950.

desfibriladores. e pela esterilização dos mesmos. prontos para serem utilizados. respiradores e focos auxiliares. Com o avanço tecnológico e a evolução do edifício hospitalar. esterilização e armazenamento de materiais e roupas. trépano elétrico. A sala de equipamentos faz parte da zona limpa e é o local onde todos os aparelhos. condições para o atendimento direto e a assistência à saúde dos indivíduos enfermos e sadios. No entanto uma grande parcela dos hospitais públicos encontra-se em desacordo com esta determinação.surgiu a necessidade de um aprimoramento das técnicas e dos processos de limpeza. Nesta sala os pacientes são continuamente monitorados durante todo o período de recuperação anestésica. Com as CME funcionando eficazmente. A existência da sala auxiliar não é obrigatória. ainda. É o ambiente para onde o paciente é levado imediatamente após a conclusão da intervenção cirúrgica. com a supervisão de um enfermeiro. É empregada em geral para montagem de aparelho ou equipamento. especificamente na CME – a partir das últimas décadas do século XX . A sala de pós-operatório deve ser adjacente à sala cirúrgica e serve como unidade de recuperação pós-operatória. de 14 de novembro de 2002. proporcionando. eletrocardiógrafos. considera a CME uma unidade de apoio técnico que tem como finalidade o fornecimento de materiais médico-hospitalares adequadamente processados. A enfermaria da terapia intensiva situa-se imediatamente adjacente à enfermaria de recuperação cirúrgica. A sala de recuperação pós-anestésica dispõe de uma área de isolamento físico destinada a pacientes que foram submetidos a cirurgia contaminada. como uma máquina de circulação extracorpórea ou. Nesse local o paciente ficará em observação até que volte a si e não haja mais riscos de ocorrerem complicações decorrentes da anestesia. preparo. responsável pelo processamento de materiais. como bisturi elétrico. Na medicina veterinária emprega-se a mesma normativa que para os hospitais humanos e a realidade com relação à CME é semelhante. microscópio cirúrgico. ou seja. a CME torna-se centralizada. ficam guardados quando estiverem limpos. e passa a ser definida como uma unidade de apoio técnico a todas as unidades assistenciais. para indução anestésica. Nesta sala permanecem somente os aparelhos que estiverem em condições para utilização imediata. Os pacientes são liberados da sala de recuperação quando o anestesista responsável julgar conveniente. É uma sala anexa à de operação e não apresenta característica especial ou definida. Como consequência. comunicando-se com este aposento por meio de pequeno . A Resolução RDC n o 307. assim. para que não se constituam em foco de disseminação de infecção para todo o ambiente cirúrgico. Para tanto é necessária a disponibilidade de gaiolas individuais providas de fonte de oxigênio e com possibilidade de aquecimento. as taxas de mortalidades e de infecções hospitalares diminuíram e resultados positivos ficaram bastante visíveis. como instrumental e roupas cirúrgicas. testados e estéreis.

e principalmente os manômetros de pressão de gases.1 °C e 25 °C. de três serviços auxiliares: radiologia. Ela nada mais é do que uma área adjacente ao centro cirúrgico onde se situam os registros e manômetros de entrada das tubulações destinadas aos oxigênios. Todo ambiente cirúrgico necessita de área para a instalação. A central de gasoterapia é um dos integrantes da zona limpa do ambiente cirúrgico. técnica com potência suficiente para radiografias no transoperatório. materiais e medicamentos que possam ser necessários em uma emergência. em separado. anatomia patológica e laboratório clínico. Encanamentos de pressão negativa para eliminação de gases. Os equipamentos e materiais armazenados nessa área só devem ser usados para limpeza exclusiva do centro cirúrgico. É separada uma área para o armazenamento dos aparelhos/equipamentos de anestesia. Deve-se ter um “gabinete” para drenagem e secagem dos tubos e bolsas de reinalação. gases anestésicos e ar comprimido que alimentam todas as salas da cirurgia. Vestuário . bem como sala de recuperação pós-anestésica. A determinação de cores específicas para determinados tipos de gases é uma forma rápida de identificação. além de serviço de laboratório clínico para a realização de dosagens dos gases sanguíneos e outras determinações laboratoriais que possam fornecer dados importantes para a conduta no tratamento dos operados. a cinza para o vácuo e a azul-escuro para o óxido nitroso. fiquem sob controle direto e constante de pessoal habilitado. O serviço de anatomia patológica requer todo o aparelhamento para a realização de cortes de congelação no próprio centro cirúrgico para fornecer resposta pronta e segura aos casos duvidosos. com suas saídas apropriadas. A cor verde para oxigênio.laboratório de emergência. A temperatura desta sala deve ser maior do que a das salas cirúrgicas. A sala de material de limpeza é o local onde são guardados os materiais usados para limpar e descontaminar a sala e o centro cirúrgicos. o óxido nitroso e o encanamento de vácuo chegam até cada sala cirúrgica e até a enfermaria de terapia intensiva. Devem-se encontrar disponíveis equipamentos. a amarela para o ar comprimido. Também convém ter uma seleção de tubos orotraqueais e laringoscópio para o caso de emergência respiratória. O serviço de radiologia deve contar com aparelho de raios X portátil. Os torpedos e as tubulações deverão ter suas cores padronizadas para evitar conexões errôneas e perigosas. variando entre 21. estão presentes em todas as áreas onde sejam utilizados agentes anestésicos gasosos. especialmente nos períodos em que está ocorrendo a maior utilização do centro operatório. Há a necessidade de uma pia para limpeza de mangueiras e tubos orotraqueais. É importante que estes registros. O nitrogênio destinado aos equipamentos cirúrgicos movidos a gás.

proteger a incisão cirúrgica de possíveis contaminações. portanto. é considerado adequado aqueles com elásticos em toda a sua abertura e suficientemente resistentes para cobrir todos os tipos de cabelos. Para que tais objetivos sejam atendidos. pode-se considerar adequados desde aqueles de tecido de algodão reprocessáveis até aqueles de são de uso único. Constituem-se de: propés. com amarração abaixo da nuca e sem elástico. seja no design. porém levando-se em conta sua necessidade de cobrir todo o couro cabeludo. A questão. uniforme privativo (jaleco e calça). no mínimo ele previne a queda de cabelo dentro da ferida. Embora as evidências científicas sobre a efetividade do gorro na prevenção de infecções sejam poucas. a preferência é por máscaras descartáveis. O Centers for Disease Control and Prevention (CDC) dos EUA concorda com o uso de cobertura no cabelo e na face. Atualmente. seu uso também protege o profissional. sua circulação ficará restrita ao centro cirúrgico. A máscara justifica-se para evitar a liberação de microrganismos oriundos do nariz e da boca do profissional ao falar. Classificação Embora não exista normatização para a confecção de gorros cirúrgicos. tossir e respirar e. permitindo cobertura total do cabelo. Gorros ditos “masculinos”. Entretanto Staphylococcus aureus têm sido encontrados no cabelo de algumas pessoas do staff cirúrgico. cuja maioria não é de espécies patogênicas.Definição É o conjunto de peças que os membros da equipe cirúrgica irão vestir para que possam se adequar à entrada no centro cirúrgico. aquelas de tecido de algodão podem aumentar ou diminuir a capacidade de filtração conforme a porosidade de suas fibras e o número de reprocessamentos. têm sido consideradas adequadas máscaras de algodão (com controle do tecido e do . não se situa em ser descartável ou reprocessável. assim. Para isso a máscara deve permitir cobertura completa do nariz. avental. mais frequentemente naquelas que também os possuem no nariz. Uma vez vestidos com este traje. luvas e protetor ocular. da boca e das regiões laterais e apresentar capacidade mínima de filtração por determinado período de tempo. Correntemente. gorro. evitando que suas mucosas nasais e orais entrem em contato com secreções do paciente. Do mesmo modo. Além disso. Os cabelos soltos dispersam partículas carreadoras de bactérias. masculinos e femininos. mas na sua capacidade de retenção de microrganismos. dependendo do material com que são confeccionadas. são os que mais frequentemente deixam de fora grande quantidade de cabelo. máscara. Na composição do tecido. há que se atentar para a “qualidade” dos gorros que são utilizados. Contudo algumas delas oferecem pouca proteção. porém com porosidade semelhante aos dos tecidos de uniformes privativos. seja no que se refere ao tipo de tecido.

uma vez que os dispositivos atualmente utilizados (tamancos perfurados e propés) não evitam o ferimento dos pés com objeto perfurocortante. Apesar de não haver uma comprovação a respeito de sua eficácia na prevenção da contaminação do chão. O jaleco precisa cobrir todo o tronco. desde que secos. não estão livres de sofrerem desgastes. Alguns autores sugerem calças com . As preocupações se iniciam com sua qualidade (flexibilidade. Vários outros estudos também discutem a eficiência dos propés como barreiras. concluindo que os de tecido se sujam mais facilmente do que aqueles de plástico ou sapato privativo. principalmente aqueles de malha. além de sua observação frequente. protegendo contra a flora microbiana das mãos da equipe cirúrgica e também são meios de se evitar infecção pelo contato com sangue do paciente.reprocessamento) e máscaras descartáveis sanfonadas de fibra de lã de camada dupla. permitindo cobertura completa do tronco a partir do pescoço. Seu modelo deve permitir aderência à pele circunvizinha. É utilizado principalmente pelos membros da equipe cirúrgica que realizam o ato operatório. mesmo após sucessivas lavagens. A escolha de protetores oculares inclui viseiras bem amplas de acrílico ou vidro e protetores da face contra fluidos. com livre movimentação. cuja porosidade permite a passagem até de microrganismos multicelulares. a Occupational Safety and Health Administration (OSHA) dos EUA recomenda que o trabalhador os utilize para proteção contra contaminação por fluidos. furos e rasgos por decorrência do tempo e do tipo de cirurgia. de acordo com o tipo de tecido com que são confeccionados. longa o suficiente para não expor as axilas (área de grande densidade de flora microbiana). evitando o contato da mucosa ocular com sangue e outros fluidos e impedindo o embaçamento por penetração da expiração. Os propés ou sapatos privativos são justificados como barreira para prevenir a contaminação do chão de áreas críticas por microrganismos de áreas externas. O tecido do punho deve ser resistente ao esgarçamento. protegendo o trabalhador contra contatos e também evitando a liberação da flora de suas pernas e períneo. o ideal seria sapatos privativos fechados. É referido que tais máscaras têm uma vida útil de horas. são mais eficientes como barreira microbiológica do que a maioria dos descartáveis atualmente disponíveis. A calça comprida precisa garantir cobertura completa da cintura e dos membros inferiores. impermeabilidade e resistência ao tempo e movimentos cirúrgicos). Nesse caso. Os de brim. com adaptadores maleáveis de metal ao nariz. Mesmo assim. Entretanto há que se atentar também para a sua eficácia como barreira. que são carreados nas solas dos sapatos e podem ser liberados no ambiente. até o início do quadril. O avental cirúrgico deve possuir um sistema com fechamento em transpasse lateral (OPAS) e amarraduras. devendo ser trocadas após este período. Recomenda-se a troca das luvas a cada 2 horas de cirurgia. As luvas cirúrgicas são como barreiras protetoras para o paciente. membros superiores até os punhos e membros inferiores até os joelhos. O uniforme privativo deve atender a todos os manequins dos usuários. a sua manga.

pois a umidade transporta bactérias da superfície não estéril para a estéril (Figura 2. geralmente denominados de não tecido. Contudo ainda não se conseguiu determinar o número máximo permitido de reprocessamentos. que consideram antes o conforto que a sua performance como barreira microbiológica e proteção efetiva do corpo contra o sangue e outros fluidos orgânicos. Os aventais cirúrgicos têm papel importante na proteção da pele do corpo do profissional contra exposição a sangue e outras substâncias orgânicas do corpo do paciente. Geralmente. no que se refere à barreira para líquidos e penetração de microrganismos. quando a touca. de um lado. Descartáveis ou não. Em nosso meio. são colocados no vestiário. uma larga variedade na sua seleção e. O uso adequado da paramentação inicia-se pela sequência de sua colocação. seguida do jaleco e da calça comprida. a sua seleção é feita após limitada pesquisa com os próprios usuários. . Tal situação vem propiciando. de tecido ou impermeáveis. por outro.fechamento nos tornozelos como mais adequado para impedir a liberação dessa flora. Algumas tentativas de padronização de sua confecção. justificando o uso crescente de tecidos alternativos. O gorro deverá cobrir completamente o cabelo. vêm sendo efetuadas. Técnica de uso A paramentação é um conjunto de barreiras contra a invasão de microrganismos nos sítios cirúrgicos dos pacientes e para a proteção contra a exposição dos profissionais a sangue e outros fluidos orgânicos dos pacientes. A OSHA considera apropriadas roupas que não permitem a passagem de sangue e outros materiais potencialmente contaminados sob condições normais de uso e durante todo o procedimento. que não altere sua composição original. Não é aconselhável o uso do conjunto cirúrgico por cima da roupa comum. ainda não se chegou a um consenso que estabeleça a sua porosidade ideal.4). sob dadas condições. a maioria dos uniformes privativos. aventais e campos cirúrgicos é de tecido de algodão reprocessável.

Figura 2. como indução anestésica e aspiração). A troca de gorro. A máscara. conforme a função de cada categoria e o momento do ato operatório. máscara e propé.4 Indivíduo com pijama cirúrgico. gorro. O propé deve ser calçado ao se sair do vestiário ou da área comum de pessoas sem propés. anéis. Em hospitais humanos os óculos são usados em toda a cirurgia por cirurgiões e instrumentadores e. máscara e propés deve ser realizada a cada cirurgia. Os outros componentes da paramentação são colocados quando se inicia a cirurgia. é usada por todos os membros da equipe que entram e permanecem na sala de operações. pulseiras e cordões) no interior do centro cirúrgico. Não é aconselhável o uso de adereços (brincos. A colocação do avental ocorre na área restrita após a degermação e secagem das . para evitar sua colonização antecipada). transportada no bolso do uniforme (e não no pescoço. em alguns momentos. por anestesistas e circulantes (em procedimentos com risco de respingos de substâncias orgânicas.

elaboração e avaliação de projetos físicos de estabelecimentos assistenciais de saúde. 2 ed. sendo tocado somente em seu lado interno. membros superiores até o punho e inferiores até os joelhos).gov. Dispõe sobre regulamento técnico. o que significa estabelecer padrões mínimos de sua porosidade. principalmente. Tratamento de ar em estabelecimentos assistenciais de saúde (EAS) – Requisitos para projeto e execução das instalações. as luvas devem ser retiradas pelo avesso. o pessoal e. com cobertura completa do tronco (a partir do final do pescoço.br/legis/resol/2002/50_02rdc. RDC no 50 de 21/02/02. tamanhos variados que permitam a cobertura completa das regiões corporais e controle efetivo da aquisição e do reprocessamento daqueles reutilizáveis. os equipamentos. Devem estar esterilizados. descartáveis ou reprocessáveis. a vontade de servir o paciente da melhor maneira possível é que definem a qualidade do ambiente cirúrgico. Brasília: ANVISA. planejamento. portanto as instalações. A questão se encontra principalmente na sua eficácia como barreira de proteção. equipe que terá contato direto com os instrumentos e o paciente. São necessários tamanhos adequados aos diferentes manequins dos usuários. As luvas devem ser usadas com técnica asséptica para proteção do cliente. Denver: AANA Publications. totalmente impermeáveis. mãos e só compete ao cirurgião. 1988. O lado externo não deve tocar em superfícies não estéreis. design. programação. ANVISA.pdf > . ANVISA Agência Nacional de Vigilância Sanitária.anvisa. NBR 7256. na qualificação da paramentação cirúrgica. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Por conclusão. . Acesso em: 25 jan. O lado externo só pode tocar em superfícies estéreis e no sítio cirúrgico. Para proteção do profissional. 2011. dessa vez para proteger o profissional contra a contaminação ocorrida do lado externo. 2004. desdobrar e vestir o avental tocando somente no lado interno (que ficará em contato com o corpo). o que inclui abrir o pacote. Nas cirurgias infectadas preconiza-se a troca de luvas. Referências American Animal Hospital Association. 144p Disponível em: <http://www. 2005. Conclusão O conceito do ambiente cirúrgico envolve não só uma área dotada de instalações e equipamentos especiais destinados à execução das operações. ABTN. É retirado pelo avesso. Normas para Projetos Físicos de Estabelecimentos Assistenciais de Saúde. ao auxiliar e ao instrumentador. Manual of Standards for animal Hospitals. a principal questão não se encontra em decidir se ela deve ser confeccionada com tecidos de algodão ou não tecido. Associação Brasileira de Normas Técnicas. sendo tocadas apenas na sua superfície interna.

Disponível em: <www.R.gov. Fossum T. elaboração e avaliação de projetos físicos de estabelecimentos assistenciais de saúde. 2008.com/doc/20709410/Artigo-CME-Flavia- Leite > .pdf > . Centro cirúrgico. Ghuellere T. Diário Oficial da União.pdf > . Normas para projetos físicos de estabelecimentos assistenciais de saúde. Técnica cirúrgica: bases anatômicas.F. 136p Brasil. Acesso em: 25 jan.. Infecção hospitalar e suas interfaces na área da saúde. Disponível em: <http://www. Atheneu: São Paulo. Brasil. Norma Regulamentadora de Segurança e Saúde no Trabalho em Estabelecimentos de Assistência à Saúde. 2000:1307–1322. Fuller J.L.T.42:61–68. de 11 de novembro de 2005. 2010. Ambiente cirurgico – sala cirúrgica.br/legis/resol/2002/307_02rdc. fisiopatológicas e técnicas da cirurgia. 1999. Técnica cirúrgica e cirurgia experimental. Rio de Janeiro: Atheneu. Brasília: Ministério da Saúde. In: Fernandes A. Central de Material Esterilizado.G.br/legislacao/normas_regulamentadoras/nr_32. de 14 de novembro de 2002. 2011.Brasil. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Disponível em: <http://www. Secretaria de Assistência à Saúde. mitos e controvérsias. São Paulo: Atheneu.gov. Acesso em: 22 dez.A.L. Indoor Air. Cirurgia de pequenos animais. Florianópolis: Editora UFSC. Centro cirúrgico: aspectos fundamentais para enfermagem. Portaria no 485.. São Paulo: Sarvier. Surgical technology: principles and practice.A. 31p.S. programação.. 1993. Joaquim ED. J Hosp Infect. 1993.C. Correlation between surface and air count of particles carring aerobic bacteria in operating rooms with turbulent ventilation: an experimental study.S. Friberg S. 125p. 2003. Padrões referenciais de qualidade do ar interior em ambientes climatizados artificialmente de uso público e coletivo. 2010. Acesso em: 22 dez... In: Magalhães H. In: Goffi F. Philadelphia: WB Saunders Co. Lacerda R. Characterization of particulate emissions from occupant activities in offices.P. Resolução RE no 9. 2001.pucpr.br/publico/ppgeps/conteudo/dissertacoes/ElcioJoaquim.. Regulamento técnico para planejamento. NR 32. Análise de um novo centro cirúrgico para o Hospital Universitário Cajuru: estudo de caso baseado em simulação computacional 2005. 8p. Brasil. Antonio M.scribd. 134-163 Margarido N.P.A. Técnica cirúrgica: bases . Projeto de Reestruturação e Ampliação do Hospital Regional de Francisco Sá.produtronica. Coordenação-Geral de Normas. ed. Goffi F. 2003. de 16 de janeiro de 2003. Magalhães H. p. Acesso em: 22 dez.. Lacerda R. Disponível em: <http://www.htm > . 1994. RDC no 307. ed. Técnicas cirúrgicas. Leite FB. Batterman S.. 1994..anvisa. 2001.11:35–48. Friberg B. Ministério da Saúde.P.mte. São Paulo: Elsevier. Souza M.F. Ministério da Saúde.W. Burman L. Luoma M. ed. Conforti V. Controle de infecção em centro cirúrgico: fatos. 2010.

D.O.cirurgia.E.W. 2003.. III. Paramentação cirúrgica: avaliação de sua adequação para a prevenção de riscos biológicos em cirurgias. Aparelhos e circuitos anestésicos.unicamp. Universidade Federal da Bahia. Riscos de contaminação biológica em centro cirúrgico. et al.F.epsjv. Lacerda R. Rio de Janeiro.T. Acesso em: 22 dez. Escola de Medicina Veterinária.. Parte II: os componentes da paramentação. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan. Pereira R. Parte I: A utilização durante as cirurgias. Rev Esc Enf USP. 2007. São Paulo: látria.A. Possari J... Curso de Formação Técnica em Gestão em Serviços de Saúde. Watanabe E. 2002:13–17.. Rev Paul Enferm. In: Fossum T. ed. Centro cirúrgico.br/beb/Monografias2006/armando. Natal: Universidade Potiguar..pdf > Acesso em: 22 dez. III. ed. 2006 Disponível em: <http://www. 56 p. Rev Esc Enf USP. A esterilização na era da tecnologia: o futuro dos processos em esterilização no século XXI.. Seim H. Rosendo C. 2001:12–27. In: Fossum T.A.fiocruz.34(2):185–195. 2002 b:18–20. 2000.B. Paramentação cirúrgica: avaliação de sua adequação para a prevenção de riscos biológicos em cirurgias. In Planejamento. 2008. 76p.B. Massone F. Cirurgia de pequenos animais.pdf > . Secretaria de Assistência à Saúde. Acesso em: 5 fev. 2004. Série Saúde & Tecnologia – Textos de Apoio à Programação Física dos Estabelecimentos Assistenciais de Saúde – Arquitetura na Prevenção de Infecção Hospitalar. São Paulo: Manole. São Paulo: Roca. ed. Instalações.F..26(1):77–81. Quelhas MCF. São Paulo: látria. 2010.O. In Major problems in veterinary medicine.br/wpcontent/uploads/2008/09/1_claudio_2004_profilaxia. In: Massone F. et al. Profilaxia da infecção na estrutura e na rotina do centro cirúrgico do hospital veterinário de pequenos animais.. Lacerda R. Saunders. Rev Ciênc Farm Básica Apl.. Ministério da Saúde.9(3):103–108.B.. Anestesiologia veterinária: farmacologia e técnicas. 2005.A.W. Assistência de enfermagem na recuperação pós-anestésica. 2001.. 1996. Brasília. 106f Salzano S.. Fundação Oswaldo Cruz.hc. . 1995. The practice of small animal anesthesia.br/pacvisit/servint/departenferm/artigo3. Bioaerossóis bacterianos em um hospital. anatômicas. Oliveira AAC. organização e gestão. Disponível em: <http://www.S. São Paulo: Atheneu. et al. Silva A. equipamentos e equipe cirúrgicos..ufba. Paz M. p59 Seim H.. 1999:63–72. Salvador. Philadelphia: W.N. Monteiro C.S. Olivaes CG. Cuidados e manutenção do ambiente cirúrgico.E. 2010.. Possari J. Manual de cirurgia de pequenos animais. 1982.html.C.C. fisiológicas e técnicas da cirurgia. 2000. Cirurgia de pequenos animais. Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio. São Paulo: Roca. O trabalho de enfermeiro no centro de material. Ambrósio Júnior G.vet. Paz M.34(1):108–117. Disponível em: http://www. 2004. Sawyer D. Hospital veterinário: arquitetura hospitalar voltada para uma edificação de assistência veterinária.G. Slatter D. Reis D. Monteiro C.

5ª ed. Práticas Recomendadas da SOBECC. Education and Welfare. São Paulo: SOBECC. .C: Public Health Service. 2000. Minimum Requirements of Constrution and Equipament for Hospital and Medical Facilities.L. 2009. Washington. Health Resources Administration. revisada e atualizada. Tracy D. Small animal surgical nursing. 1982. D. St. US. Department of Health. Louis: Mosby.Sociedade Brasileira de Enfermeiros de Centro Cirúrgico Recuperação Anestésica e Centro de Material e Esterilização (SOBECC).

bioquímico (alanina aminotransferase [ALT]. radiografia. Antes mesmo do procedimento operatório. coagulograma. tendo continuidade no transoperatório. É necessário que os materiais usados no bloco cirúrgico estejam em conformidade . em algumas ocasiões. exames mais específicos de acordo com a detecção de possíveis alterações fisiológicas. e. As questões éticas relacionadas com a profissão devem ser respeitadas. sempre com bom desempenho. agilidade e concentração no procedimento. ou com a saúde comprometida. ureia e creatinina). técnicas específicas. logo a qualidade da atividade desenvolvida no bloco cirúrgico depende da qualidade de vida das pessoas que estão envolvidas. As atividades e responsabilidades de cada membro da equipe cirúrgica devem ser bem definidas. Capítulo 3 Equipe cirúrgica Sheila Nogueira Ribeiro. tornando o seu gerenciamento no trabalho um instrumento importante para alcançar os objetivos estabelecidos no desempenho do trabalhador. ecocardiograma. bem como as normas reguladoras. além de ordem na área cirúrgica. como eletrocardiograma. Quando as condições de trabalho não forem adequadas e se o profissional estiver desmotivado. Entre os exames rotineiramente requisitados estão hemograma. André Lacerda de Abreu Oliveira Introdução A atividade da equipe cirúrgica inicia-se no pré-operatório. Regras de conduta devem ser estabelecidas. Não é possível dissociar a condição humana do processo. as possibilidades de erros tornam-se evidentes. São exigidas dos profissionais que atuam no ambiente cirúrgico atenção constante. e termina apenas ao final do pós-operatório. assistenciais e administrativas que promovem diretrizes no gerenciamento setorial. a fim de integrar as ações individuais de forma organizada e esclarecida. Os membros da equipe devem buscar constantes atualizações a fim de manterem- se aptos na realização de diferentes procedimentos. seguidas com cuidado e executadas de forma estrita para assegurar um procedimento cirúrgico seguro e eficaz. aspartato aminotransferase [AST]. assegurando as ações desenvolvidas no centro cirúrgico. ultrassonografia. o paciente é avaliado de forma clínica e laboratorial pelo cirurgião e/ou anestesista. mielografia e até mesmo tomografia computadorizada e videolaparoscopias diagnósticas.

• volante. Em uma cesariana é preciso de um maior número de volantes. mas não eliminada. a dinâmica no trabalho de centro cirúrgico deve ser bem esclarecida. A equipe cirúrgica pode carrear diferentes tipos de contaminação para o ambiente cirúrgico e ao próprio paciente. pois as atividades são estressantes. essa equipe de profissionais é requisitada (Figura 3.1 Equipe cirúrgica básica. A: volante.1). uma vez que a contaminação no centro cirúrgico pode ser reduzida. Figura 3. dependendo do tipo de cirurgia realizada. Além disso. E: instrumentador. estando apenas aquelas realmente essenciais para a realização do procedimento.com as especificações técnicas e que os profissionais sejam capacitados físicos e emocionalmente para o desenvolvimento das tarefas ali realizadas. com características que condizem e contribuem para um grau de responsabilidade acentuada por parte dos profissionais nela inseridos. pois os filhotes . Composição A formação da equipe cirúrgica básica constitui-se por: • cirurgião. D: auxiliar. B: cirurgião. • instrumentador. podendo ser incluídos outros membros de acordo com as necessidades específicas do procedimento. um número reduzido de pessoas. • anestesista. • auxiliar ou assistente. É importante. Quando um paciente é submetido à cirurgia. caso não seja preparada adequadamente. predispondo todas as categorias ao estresse. além de uma preparação cuidadosa. C: anestesista. porém o número de membros varia.

A complexidade dos recursos tecnológicos. Figura 3. além de monitor. em caso de manipulação intracardíaca com implementação da circulação extracorpórea (CEC). Em procedimentos videocirúrgicos pode ser requisitado maior número de auxiliares. e da câmera de vídeo. a variedade das afecções e. porém os mesmos devem ser especializados nesta área. especializada em neonatologia.2).necessitarão de uma atenção especial e individualizada. A cirurgia cardíaca constitui um dos melhores e mais claros exemplos da importância do trabalho de equipe na área cirúrgica. frequentemente. A: auxiliar.2 Equipe de cirurgia cardíaca. C: intensivista. inclusive. podendo. E: instrumentador. as alterações fisiológicas súbitas e potencialmente letais requerem a total integração dos esforços individuais. que são diferenciados. . além de médicos veterinários intensivistas para acompanhamento do paciente no pós-operatório (Figura 3. má formação ou anomalia. ser convocada a presença de outra equipe. Na cirurgia cardíaca. insuflador e toda aparelhagem envolvida (Figura 3. pois são necessários conhecimentos sobre a manipulação dos instrumentais. além da presença de toda a equipe básica. D: cirurgião. é essencial a presença do perfusionista.3). B: anestesista. principalmente em pacientes prematuros ou que apresentem alguma disfunção.

trans e pós. sendo grande a sua responsabilidade sobre o procedimento. os tratamentos medicamentosos anteriores. o procedimento mais adequado para cada caso. além de conhecimentos profundos em relação às técnicas cirúrgicas. considerando os riscos da intervenção. • ser hábil. e conhecer a espécie e o paciente com todas . • a avaliação do paciente. Ele deve manter o equilíbrio emocional. tanto em condições normais como patológicas.Figura 3. • é preciso saber conduzir os períodos pré. semiologia. Entre as diversas funções podemos citar: • liderança da equipe e realização do procedimento operatório.3 Equipe cirúrgica videolaparoscópica. fisiologia. como anatomia. o estado geral do paciente. ter bom treinamento na execução dos procedimentos operatórios e ter criatividade para adaptação de técnicas. sempre observando os preceitos técnicos necessários.operatórios. caso necessário. Funções Cirurgião São diversas as funções do cirurgião. farmacologia. • possuir conhecimento das disciplinas básicas. a história clínica e a anamnese. clínica e radiologia. incentivar e promover o bom ambiente entre a equipe.

as suas particularidades e complexidade. Auxiliar ou Assistente A função de auxiliar cirúrgico deve ser proporcionada por um cirurgião veterinário. sem alterações no estado de consciência de seu paciente. mas ao domínio da função respiratória. • auxiliar no pré e pós-operatório. prevenção do choque. entre elas: • responsabilidade pela monitoração e pelo ajuste meticuloso do estado fisiológico do paciente durante a cirurgia. citando como exemplo o trabalho integrado destes dois profissionais nas cirurgias cardiotorácicas. supressão da dor e prestação de cuidados imediatos para correção de qualquer distúrbio funcional. • um anestesista experiente permite que o cirurgião se concentre no procedimento cirúrgico. Podemos citar como funções: • os assistentes devem empreender ações que colaborem com o cirurgião na realização de uma operação segura. no sentido de maximizar os bons resultados dos procedimentos operatórios. estando capacitado para substituir o cirurgião. promover hemostasia e manipular os instrumentais e tecidos em posição adequada para completar a tarefa cirúrgica. quando necessário. e facilita a manipulação cirúrgica. • saber efetuar o procedimento que está sendo realizado. São diversas as suas funções. Anestesista O anestesista é envolvido nas três fases da cirurgia: pré. • deve trabalhar em perfeita harmonia com o cirurgião. realizar os curativos e o acompanhamento inicial do paciente. • proporcionar o afastamento de órgãos. • tomar as decisões necessárias durante o procedimento operatório. • são exigidos o conhecimento e a execução simultânea do acesso vascular superficial e profundo e das vias aéreas superiores. Tem papel fundamental no resultado final da cirurgia. Instrumentador . A abrangência de suas funções o leva não apenas aos conhecimentos das técnicas usuais. aos cuidados com o sistema circulatório. trans e pós-operatório. bem como assumir as responsabilidades inerentes às atividades de sua equipe a aos resultados obtidos. manutenção dos sistemas vitais e controle dos equipamentos envolvidos com a monitoração e anestesia do paciente.

para evitar quedas e atraso no tempo operatório. • ao final da cirurgia deve realizar o curativo na ferida cirúrgica e separar o instrumental dos materiais perfurantes e cortantes. Volante As funções do volante ou circulante são: • é responsável pelo preparo da sala de operações.O instrumentador bem treinado e entrosado com a equipe cirúrgica realiza importantes funções no bom andamento do procedimento operatório. além de diversos materiais para curativos. o que se consegue conhecendo o instrumental. entregando-os ao assistente e ao cirurgião. medicações e soluções. • auxiliar na colocação dos campos que delimitam a área operatória. Perfusionista A profissão de perfusionista é relativamente nova em todo o mundo e está intimamente ligada à cirurgia cardíaca. materiais para procedimentos que requerem maior complexidade das ações. • organizar uma gama de equipamentos para monitorizar o paciente. o instrumentador é responsável por estes até que sejam encaminhados ao setor competente. • entregar os instrumentos sempre de maneira que o cirurgião o pegue na posição de uso imediato. • no caso de cirurgias em que são retirados materiais para exame. • antecipar os pedidos do cirurgião. no posicionamento do paciente na mesa cirúrgica e no preparo do campo operatório. • conservar o campo operatório sempre limpo e em ordem. • ajuda a equipe cirúrgica antes e durante a cirurgia nos cuidados com o paciente. • auxilia também o anestesista na obtenção de algumas medicações. • dispor na mesa o campo cirúrgico e o material da cirurgia. a fim de estar sempre um passo à frente do cirurgião. evitando o atraso no tempo operatório. o tempo cirúrgico e prestando atenção em cada etapa da cirurgia. verificando sua ordem e separando os fios que serão utilizados durante cirurgião procedimento. • deve auxiliar o instrumentador em caso de necessidade de algum material não previsto. Ele é um membro da equipe de cirurgia cardiovascular com pré-requisitos definidos nas áreas das ciências biológicas e da . evitando acidentes. São algumas das funções do instrumentador: • escolher o material específico para a cirurgia. sendo indispensável em locais que essa especialidade cirúrgica é praticada.

Universidade Federal da Paraíba. • os roletes e as bandejas onde ficarão expostos os tubos deverão ser limpos com benzina (remove resíduos de látex da utilização anterior). 2006. Seifert P. Cirurgia de pequenos animais. Enfermagem cirúrgica: atuação do profissional nos períodos intra e pós-operatório imediato. Fundamentos da circulação extracorpórea. somente quando são alcançadas essas características um grupo poderá ser denominado equipe. sanguínea e renal. • também verifica se a máquina está limpa. Rio de Janeiro: Centro Editorial Alfa . em sintonia com o anestesista e o cirurgião. • é o responsável pela montagem e pelo preparo da máquina de CEC. III. certificando-se de que todos os materiais que serão utilizados estão separados.. 2002:16–17. João Pessoa. Seim H. Cardiac surgery.. Monografia pós-graduação. III. neurológica. • a bomba deve ser posicionada em local amplo o suficiente para que seja possível circular ao seu redor.H. São Paulo: Roca Ltda.D. St Louis: Mosby. 1994.. exigindo a participação de cada indivíduo com informação.L.L. equipamentos e equipe cirúrgica.B.. porém só após a montagem e o preenchimento do circuito com solução.G. de centro cirúrgico e esterilização e com treinamento específico no planejamento e na condução dos procedimentos de circulação extracorpórea e correlatos.O. Hulse D. aptidão e integração no desempenho das etapas necessárias à realização da tarefa. Willard M.A.. Conclusão Uma equipe não é apenas um grupo de indivíduos. Portanto. Elias D. João Pessoa: Idéia. Carroll G.L. Qualidade de vida de profissionais de enfermagem que atuam em centro cirúrgico. saúde.. um trabalho em equipe pressupõe a obtenção dos melhores resultados possíveis.B.. Souza M. Podemos citar as seguintes funções do perfusionista: • é ele quem irá gerir os pulmões e o fluxo de sangue. mosbýs perioperative nursing series. A bomba de água e o permutador de calor também serão testados.J. No seu verdadeiro significado. Referências Arruda A.C. Instalações. com conhecimentos básicos de fisiologia circulatória.C. Miranda EP. Johnson A. o funcionamento de todos os roletes e se a bateria reserva está cheia. 2003. usando a máquina coração-pulmão. respiratória..S. sendo de extrema importância a presença da mesma num centro cirúrgico. e não apenas de um grupo com os melhores profissionais. In: Fossum C. Seim H.

2006.Rio. .

1). . eles são agrupados de acordo com sua função. O cabo de bisturi Bard-Parker n o 4 é destinado a lâminas n o 18 a 50 (Figura 4. sendo indicados para incisões em locais com maior profundidade. além de ser um fator fundamental para a execução de uma operação atraumática. Os cabos de bisturi n os 7 e 9 recebem as mesmas lâminas que o cabo n o 3. possibilitando incisões mais delicadas. O cabo de bisturi Bard-Parker número 3 é utilizado com lâminas pequenas (n os 9 a 17) com diversos formatos. A empunhadura e a disposição do material na mesa cirúrgica serão discutidas no capítulo sobre fundamentos da instrumentação cirúrgica. adaptados a determinada função. causando mínimo dano às estruturas adjacentes. São descritos neste capítulo os instrumentos cirúrgicos mais comuns utilizados na medicina veterinária de pequenos animais. Também existem bisturis com cabos e lâminas descartáveis. Os primeiros bisturis eram formados por um cabo com lâmina fixa. Capítulo 4 Material cirúrgico Renato Moran Ramos. Atualmente o bisturi é constituído por um cabo com encaixe em uma das extremidades para uma lâmina descartável. Devido à grande variedade de instrumentos cirúrgicos. entretanto apresentam maior comprimento. Instrumentos de diérese Bisturi O bisturi é um dos instrumentais cirúrgicos mais antigos. Instrumentos de melhor qualidade e bem conservados facilitam o procedimento operatório. É utilizado para realizar incisões precisas dos tecidos. André Lacerda de Abreu Oliveira Introdução Existe grande quantidade de instrumentos cirúrgicos disponíveis no mercado para o cirurgião veterinário.

duas hastes. não devendo ser utilizada na abertura da linha alba. As pontas podem ser romba-romba. A tesoura de Metzenbaum é usada para o corte e a dissecção de tecidos mais delicados. duas lâminas cortantes e duas pontas. cabos de bisturi nos 4 e 3. A lâmina deve ser encaixada no cabo com o auxílio de uma pinça de preensão. Tesouras cirúrgicas também são usadas para cortar fios cirúrgicos.2 Lâmina de bisturi sendo encaixada com auxílio de uma pinça de preensão. São amplamente . borrachas. plásticos etc. Para a retirada da lâmina o mesmo cuidado é empregado.Figura 4. uma articulação ou fulcro. dissecar.1 De cima para baixo. Direciona-se a extremidade para onde a lâmina é colocada (Figura 4. Figura 4. debridar ou divulsionar tecidos orgânicos. com diferentes finalidades. As funções das tesouras incluem cortar. As tesouras cirúrgicas mais amplamente utilizadas em medicina veterinária são as de Metzenbaum.2). romba-fina ou fina-fina. Mayo e tesouras cirúrgicas de uso geral. gaze. As tesouras são constituídas por dois anéis digitais. Tesouras Existem diversos modelos de tesouras cirúrgicas.

As tesouras de Mayo são mais robustas que as de Metzenbaum. Estas tesouras podem ser retas ou curvas. . fina- romba e romba-romba (Figura 4.3 Tesouras de Metzenbaum curva e reta. Podem ser retas ou curvas (Figura 4.3).utilizadas em cavidades. Figura 4. com pontas fina-fina. Figura 4.4). As tesouras cirúrgicas de uso geral são robustas.4 Tesoura de Mayo. sendo utilizadas para debridar e cortar tecidos mais densos.5). alcançando estruturas mais profundas. destinando-se a secção de fios ou outros materiais. como fáscias e músculos (Figura 4.

romba. variando em comprimento e formato das pontas. A tesoura de Littauer possui 14 cm de comprimento. sendo destinada ao corte de fios maiores que 4-0. Figura 4. sendo empregada para a remoção de suturas realizadas com fio de tamanho máximo 4-0. A tesoura de bandagem de Lister é utilizada para a remoção de ataduras e pensos.6). A tesoura para cortar fio metálico é pequena e robusta. São constituídas por dois segmentos metálicos (hastes) unidos em uma extremidade. As pinças com dentes de .6 Tesoura para cortar fio metálico.Figura 4. A tesoura de ponto de Spenser possui 9 cm de comprimento.5 Tesoura cirúrgica de uso geral com ponta romba. e é utilizada em cirurgias ortopédicas para o corte de fios de aço (Figura 4. As tesouras de Littauer e Spenser são destinadas à remoção das suturas cirúrgicas. Ambas apresentam uma concavidade em uma das lâminas que evita a tração excessiva do fio de sutura. Pinças de dissecção Destina-se à manipulação de tecidos.7). Uma de suas lâminas é maior e sua ponta apresenta um achatamento que permite a introdução da tesoura entre a pele e a atadura sem causar ferimentos. que podem ser com ou sem dentes de rato (Figura 4.

8). É encontrada nos tamanhos 14 cm a 16 cm de comprimento. Figura 4. Essas características lhe permitem o pinçamento de pedículos sem que estes deslizem. Pinça Hemostática de Crile A pinça hemostática de Crile é mais robusta do que a hemostática de Halsted. São instrumentos destinados a prevenir ou deter uma hemorragia ou impedir a circulação temporária de uma determinada região. Figura 4. nervos e parede de vísceras (Figura 4.rato são mais traumáticas. sendo utilizadas na preensão de tecidos mais densos como pele e aponeurose. As pinças sem dentes apresentam ranhuras transversais nas pontas devido ao seu pinçamento atraumático e destinam-se à manipulação de tecidos delicados como vasos.7 Pinças de dissecção com e sem dente de rato. . Instrumentos de hemostasia A palavra hemostasia originou-se da palavra grega haimóstasis (hemo = sangue. Possui ranhuras transversais em toda a porção preensora. stasis = deter).8 Detalhe das pontas das pinças de dissecção sem e com dente de rato.

12).10).10 Pinças hemostáticas de Kelly reta e curva. apresentando ranhuras transversais em toda a porção preensora (Figura 4.9). diferencia-se da pinça de Halsted apenas pelo tamanho 8 cm a 10 cm de comprimento.9 Detalhe das ranhuras dispostas transversalmente nos dois terços iniciais da garra das pinças hemostáticas de Kelly. Figura 4. A pinça Hartmann-Halsted. pode ser curva ou reta (Fig. Pinça Hemostática de Halsted É uma pinça mais delicada que as anteriores. .11) e podendo ser reta ou curva (Figura 4. com tamanhos entre 13 cm a 16 cm de comprimento.Pinça Hemostática de Kelly Apresenta ranhuras dispostas transversalmente nos dois terços iniciais da garra (Figura 4. 4. São indicadas para o pinçamento de vasos e fios calibrosos. é indicada para o pinçamento de vasos de menor calibre e reparo de fios. Com 11 cm a 13 cm de comprimento. Figura 4. também conhecida como mini-Halsted ou pinça-mosquito.

retas ou curvas.11 Detalhe das ranhuras da pinça hemostática de Halsted dispostas transversalmente em toda sua porção preensora. . tornando-a mais traumática.13). Esse design aumenta a capacidade de preensão. Figura 4. Apresenta-se em tamanhos variados.Figura 4. Pinça Hemostática de Kocher É uma pinça robusta com ranhuras transversais em toda a extensão da porção preensora e apresenta dentes de rato nas suas pontas (Figura 4.12 Pinças hemostáticas de Halsted reta e curva.

com uma fenda central em sentido longitudinal (Figura 4. .14).13 Detalhe das ranhuras transversais da pinça Kocher dispostas em toda a extensão da porção preensora com a presença de dentes de rato nas suas pontas. O mesmo porta-agulhas pode ser encontrado com a porção preensora das lâminas. Estas características ajudam a impedir a rotação da agulha quando uma força é aplicada.15). sendo semelhante a uma pinça hemostática (Figura 4. Possui ranhuras em sua parte preensora. feita com inserções de carboneto de tungstênio.Figura 4.16). Sua lâmina é mais curta e mais larga quando em comparação com uma pinça hemostática. Este modelo de porta-agulhas proporciona melhor preensão com uma durabilidade maior. Porta-Agulha de Mayo-Hegar É um dos porta-agulhas mais utilizados pelos cirurgiões veterinários. dependendo do tamanho da agulha e do tipo de tecido a ser suturado. Os porta-agulhas variam de tamanho e modelo. sem a presença da fenda central (Figura 4. Instrumentos de síntese São instrumentos destinados à aplicação de suturas. Este porta- agulha possui uma trava do tipo cremalheira situada distalmente ao polegar.

Figura 4.15 Detalhe da porção preensora do porta-agulha de Mayo-Hegar. Figura 4.16 Porção preensora das lâminas do porta-agulha de Mayo-Hegar feitas com inserções de carboneto de tungstênio. com ranhuras e uma fenda central. em sentido longitudinal. Porta-Agulha de Olsen-Hegar .Figura 4. sem a presença da fenda central.14 Porta-agulha de Mayo-Hegar.

17).17 Porta-agulha de Mathieu. Porta-Agulha de Mathieu O porta-agulha de Mathieu não possui anéis digitais. devido ao fato de não serem perfurantes não contaminam o campo cirúrgico ao serem movimentadas. Estas pinças penetram na pele. cabos de eletrocautério etc. Sua principal vantagem é diminuir o tempo da sutura. Também são utilizadas para fixar ao campo operatório mangueiras de sucção. Pinças de Campo Operatório São pinças projetadas para prender os panos de campo à pele do paciente.Este porta-agulha é similar ao de Maio-Hegar. As mais comuns são as pinças Backhaus (Figura 4. Uma possível desvantagem é que podem ocorrer cortes do fio de sutura durante a realização do ponto caso o cirurgião não tenha familiaridade com o instrumento. Possui uma trava com catraca posicionada no final das hastes. borrachas.18). As pinças de Lorna ou Edna são pinças de campo não penetrantes. devendo ser afiadas e sem farpas. Instrumentos especiais São instrumentos com funções variadas. Sua abertura é feita por uma mola em forma de lâminas (Figura 4. sendo muito utilizado por cirurgiões que operam sozinhos por ser uma combinação de porta-agulha e tesoura. Figura 4. impedindo que estes deslizem no campo operatório durante o ato cirúrgico. pois o cirurgião não precisa trocar de instrumento após o término do ponto. que é travada ou destravada ao exercer uma compressão sobre as mesmas. . sendo mais indicadas para fixar equipamentos aos panos de campo.

sendo indicada para uso em tecido conjuntivo ou planos fasciais.21). A pinça de Cheron possui sua porção preensora em formato oval. Estas pinças são encontradas em vários tamanhos. Está disponível nos tamanhos .18 Pinça Backhaus. A pinça de Foerster possui um formado de anel na extremidade de sua parte preensora (Fig. Pinça Allis É uma pinça de preensão traumática que possui dentes na sua superfície de preensão.20 e 4.Figura 4. Pinças de Tecidos São pinças destinadas à preensão de tecidos. não devendo ser utilizada em pele ou vísceras ocas (Figuras 4. com ranhuras transversais que auxiliam na preensão de gaze.19). podendo ser traumáticas ou atraumáticas. utilizadas durante a antissepsia do paciente. 4. Figura 4. podendo ser retas ou curvas.19 Pinça Foerster. Pinças para Antissepsia São pinças com hastes longas.

Figura 4. tendo em sua superfície de preensão pequenas estrias longitudinais. tendo como funções evitar a passagem de secreções para o campo operatório. tendo os seus ramos comprimento de 6 mm a 15 mm de largura.14 cm a 25 cm.25 cm a 22. além de promover a hemostasia temporária do local. É utilizada nas ressecções de segmentos do tubo digestivo. Está disponível em vários tamanhos. . podendo ser reta ou curva (Figura 4. Está disponível nos tamanhos de 16. Pinça Intestinal de Doyen É uma pinça de preensão atraumática com pequenos sulcos longitudinais na superfície de preensão. Também ajuda a posicionar os segmentos durante as anastomoses intestinais. Figura 4.21 Pinça Allis.20 Detalhe dos dentes na superfície de preensão da pinça Allis. Pinça Intestinal de Babcock Trata-se de uma pinça menos traumática aos tecidos do que a Allis.22).5 cm.

Os afastadores são divididos em manuais e autoestáticos. Instrumentos de exposição São utilizados para afastar tecidos. . A exposição é feita pela tração exercida pelo cirurgião ou auxiliar.23). Afastadores manuais Os afastadores manuais apresentam formatos variados.22 Pinças intestinais de Doyen reta e curva. subcutâneo e músculos superficiais. Seu uso é indicado para afastar pele.Figura 4. expondo os planos anatômicos ou órgãos de modo a facilitar a visualização do campo cirúrgico. Têm comprimento e largura variados e são constituídos por uma lâmina metálica com as extremidades dobradas (Figura 4. Afastadores de Farabeuf São amplamente utilizados na medicina veterinária.

São utilizados por cirurgiões que operam sozinhos ou que necessitam da ajuda do auxiliar durante a execução da operação.25). Afastadores Autoestáticos São afastadores que se mantêm estáveis após abertos devido à presença de diversos mecanismos de travas. ao exercer a tração. .Figura 4. sua lâmina afasta a musculatura para baixo e para fora. servindo de apoio ao dedo. com a presença de um bico na extremidade do instrumento (Figura 4. são indicados para o uso em cirurgias ortopédicas nas quais o seu bico é apoiado sob o osso e.24 Afastador de Hohmann. como pele. Afastadores de Hohmann Encontrados em vários tamanhos e lâminas largura variada. uma lâmina perpendicular ao eixo longitudinal do afastador. contendo. Possuem um mecanismo de trava que mantém as lâminas afastadas (Figura 4. Figura 4.24). Afastadores de Weitlaner Possuem em sua lâmina pontas múltiplas (2 × 3 ou 3 × 4) agudas ou rombas.23 Afastadores de Farabeuf. subcutâneo e musculatura superficial. Afastadores de Senn Possuem três dentes em uma das extremidades. São destinados a afastar tecidos superficiais. na extremidade oposta.

São encontrados nos tamanhos de 13. .26 Afastador de Gelpi.75 cm a 16. em suas extremidades superiores.26). Afastadores de Gosset Apresentam duas hastes paralelas. com lâminas laterais de 4 cm ou 6 cm. Figura 4.Figura 4. Afastadores de Gelpi Suas extremidades são anguladas com pontas agudas.27). Utilizado para afastar a parede abdominal. sendo uma fixa e outra deslizante sobre uma barra lisa. Não possui mecanismo de catraca (Figura 4. porções esféricas que visam limitar a profundidade de penetração no tecido (Figura 4.25 Afastador de Weitlaner.88 cm. possui envergadura de 10 cm ou 14 cm. Também podem apresentar.

sendo posicionado no espaço intercostal ou médio esternal. Figura 4. Instrumentos ortopédicos Elevadores Periosteais São utilizados para rebater a musculatura do osso por elevação dos ligamentos .28 Afastadores de Balfour. sendo mais robustos. também afasta as extremidades superior ou inferior pela ação da lâmina central.28). Possui uma engrenagem em sua barra transversa e sua envergadura está disponível de 15 cm a 30 cm. Afastador de Finochietto É um afastador utilizado durante a exposição da cavidade torácica.27 Afastadores de Gosset. Além de separar as paredes abdominais. Possuem uma lâmina central apoiada em um braço deslizante (Figura 4. Afastadores de Balfour São afastadores similares aos de Gosset.Figura 4.

29). manter a redução da fratura e posicionar o implante no local a ser fixado. Pinça de Redução Com Trava Rápida Utilizada para manter os fragmentos na posição desejada rapidamente (Figura 4. sendo utilizada para manter a redução nos ossos longos e pouco útil para manipular fragmentos ósseos. cortantes ou não. São indicadas para manipulação óssea.periosteais. Pinças Para Segurar Ossos Existem diversos tipos de pinças para segurar ossos disponíveis no mercado. Pinça de Lowman É uma pinça que possui um ramo com três ou quatro dentes.29 Pinça de redução com trava rápida. Elevador Periosteal de Langenbeck Possui lâminas que variam de 7 mm a 17 mm. Pinças de Kern e Lane São pinças semelhantes. Podem ou não apresentar cremalheira. com quatro dentes pontudos em suas extremidades. Pinça de Verbrugge É usada para fixação óssea. podendo ser rombas ou agudas. Tem sua utilidade limitada a ossos longos. Figura 4. Os elevadores de periósteo de Freer e Sayre são constituídos por extremidades duplas que podem ser retas ou curvas. principalmente de cães grandes. Ruginas . possuindo cremalheira e possibilitando uma rápida redução.

30 Ruginas de Lembert. A rugina de Stille-Luer possui ramos rombos. Sua utilização está indicada a neurocirurgia e durante a execução de cirurgias descompressivas. . Suas extremidades são agudas e cortantes. Ruginas de Lembert e Cicherelli São pinças de ação simples. enquanto a de Ruskin.30). Ruginas de Stille-Luer e Ruskin As ruginas de Stille-Luer e Ruskin são de dupla ação. Rugina de Kerrison É uma rugina de ação simples composta por uma lâmina superior cortante que desliza sobre uma lâmina inferior.31 Rugina de Kerrison. Figura 4. Figura 4. conferindo vantagem mecânica por necessitarem de menor esforço. pediculectomia etc. ramos mais afilados.São pinças com suas lâminas em formato de concha utilizadas para remover ou fragmentar pedaços de ossos. como laminectomia.31) Esta plataforma possui largura e ângulos variados. que termina em uma plataforma (Figura 4. hemilaminectomia. sendo a rugina de Lembert mais delicada (Figura 4.

Figura 4.32). alguns cuidados com a limpeza e a manutenção devem ser seguidos. planas ou retangulares. Para que ocorra o corte do osso é necessário o uso de martelos cirúrgicos. destinando-se à raspagem de tecidos variados. Curetas São instrumentos que possuem conchas redondas ou ovais com bordas afiadas. Suas conchas apresentam-se em uma vasta variedade de tamanhos. que cortam o osso sem esmagá-lo. Fio de Serra Gigli É composto por dois cabos em forma de T que têm como função segurar um fio de arame com filamentos serrilhados espirais.32 Cureta óssea de Spratt. Em neurocirurgia são utilizadas para remover o núcleo pulposo durante a fenestração do disco intervertebral. A mais utilizada na medicina veterinária é a cureta óssea de Spratt (Figura 4. variando no comprimento da haste e no modelo do cabo. sendo a Stille-Liston maior e mais robusta que a Ruskin.Instrumentos cortadores de ossos As pinças cortadoras de ossos possuem lâminas cortantes retas ou anguladas. A pinça de Stille- Liston e a Ruskin são de ação dupla. Limpeza e cuidados com o material cirúrgico Objetivando aumentar a vida útil do instrumental cirúrgico. podendo ser de ação simples ou dupla. debridar tecido ósseo e cartilagens. A pinça de Liston é de ação simples. Osteótomos São instrumentos semelhantes entre si. As superfícies de toque podem ser redondas. Ao se adquirir um instrumental . Podem ser utilizadas para a coleta de osso esponjoso.

M. 1998:385–425. p. pois prejudicam a esterilização por impedirem o contato com o vapor. et al. Nieves A. 1 Severo S. Bassert J. Caso isso não seja possível. pois alguns instrumentais vêm com produtos químicos para protegê-los durante o armazenamento e estes podem manchá-los durante alguns processos de esterilização. pois a água de torneira contém minerais que podem causar manchas.M. graxa e óleos de máquinas não devem ser utilizados. Técnicas operatórias básicas.M. SP: Manole.R. cirúrgico. Conclusão O conhecimento sobre o bom uso dos instrumentos cirúrgicos. Davidson J. Rio de Janeiro: Elsevier. e a compreensão pormenorizada de cada instrumento proporciona a execução da técnica operatória de maneira mais satisfatória. Barueri. é fundamental para o sucesso de uma operação. ed. proporcionando ao cirurgião um maior conforto durante o procedimento operatório e a conclusão de seus objetivos com sucesso. 2009. Tudury E. este deve ser previamente lavado com água destilada antes de ser esterilizado. 309 Fitch R. ou outros materiais sequem sobre os instrumentos. Referências Aescullap. Germany: B/Braun. p. 1ª Ed. devendo esta ser feita com lubrificantes hidrossolúveis específicos para este fim. tecidos. A limpeza também pode ser feita utilizando-se aparelhos ultrassônicos ou soluções enzimáticas. 2008. Com o instrumental limpo e seco recomenda-se que se realize a lubrificação antes de cada esterilização. Veterinar-Instrumente. o material deve ser seco imediatamente.A.. Para lavagem deve ser utilizada água destilada ou deionizada.M. Durante a lavagem é indicado o uso de sabão neutro com pH entre 7 e 8. Manual de cirurgia de pequenos animais. V. 3ª ed. 57-61 .M. O cirurgião deve possuir uma técnica refinada e instrumentos adequados para sua realização.A. impedindo que sangue. Potier G. Caso só seja possível a limpeza com água de torneira. Surgical Instruments and Aseptic Technique. 2007:185–198. Potier. cap.. eds. 4th ed.A. São Paulo: Medvet. Clinical Textbook for Veterinary Techinicians. Silicone. sendo contraindicado o uso de sabão para lavar louças ou roupa. 1999. 16 Fossum T. In: Slatter.W.. Tratado de técnica cirúrgica veterinária. Após o uso cirúrgico o instrumental deve ser imediatamente lavado.. eles devem ser mantidos úmidos até a sua limpeza..S. São Paulo: Medvet. Wagner D. Tratado de técnica cirúrgica veterinária. Tuduri E. In: Tudury. Cirurgia de pequenos animais. 2009:67–91. assim como sua conservação.. In: Mccurnin D. Rio de Janeiro: Elsevier. Instrumental cirúrgico.

Para minimizar a contaminação durante uma operação. gorro. que tenha durabilidade e apresente mínimo encolhimento (Figura 5. a equipe deve seguir parâmetros rigorosos. A camisa deve ser de manga curta para possibilitar a antissepsia de mãos e antebraço. devendo a camisa ficar por baixo da calça para evitar a contaminação do ambiente cirúrgico com a dispersão de conteúdo da descamação do corpo do indivíduo. Se possível. minimizando a ocorrência de contaminação. a equipe cirúrgica deve ser restrita às pessoas essenciais (cirurgião. A roupa cirúrgica é composta por pijama cirúrgico de material (tecido) que não solte fiapos e que proporcione conforto. máscara e propé. como usar as vestimentas cirúrgicas e antissepsia de mãos e antebraços. se for necessário sair do ambiente cirúrgico. anestesista e enfermeiro). ou material descartável (fibra).1a). O pijama cirúrgico não deve ser usado para outra atividade fora da sala de cirurgia. Vestuário cirúrgico Todas as pessoas. instrumentador. Estudiosos reconhecem que a maior contaminação da ferida operatória está correlacionada com origem endógena e que as vias aéreas superiores e as mãos dos cirurgiões são a segunda maior causa para essa contaminação. deve-se cobri-lo com um jaleco. devem estar trajadas adequadamente. auxiliar. A roupa deve estar sempre limpa e passada. independentemente se há cirurgia em curso ou não. ou seja. Conversação e movimentação dentro da sala cirúrgica devem ser evitadas. Capítulo 5 Profilaxia da infecção Lívia Gomes Amaral. usando pijama cirúrgico. Antônio Filipe Braga da Fonseca Introdução A equipe cirúrgica é uma importante fonte de contaminação microbiana durante um procedimento cirúrgico. . Os tecidos que atendem melhor a essas exigências são os compostos por 50% de poliéster e 50% de algodão. ao entrarem na sala de cirurgia.

gorro. tossem. Na área cirúrgica é permitido o uso de sapatos confortáveis e fechados. O material com que são fabricados não constitui barreira microbiológica eficiente. para proteger os profissionais de respingos de secreções do paciente durante o procedimento cirúrgico. pois os profissionais pisam em secreções orgânicas na sala de cirurgia e as disseminam para as outras áreas do centro cirúrgico. Apesar de não existirem estudos confirmando que o uso dos propés reduza os índices de infecção da ferida cirúrgica. Barbas e costeletas devem ser cobertas com um capuz. O uso dos propés deve ser feito ao se entrar pela primeira vez na área cirúrgica e também ao sair. onde transitam pessoas que utilizam ou não os propés. para minimizar a contaminação da sala de cirurgia e proteger os sapatos da contaminação de sangue e bactérias hospitalares. os propés são confeccionados de tecido reutilizável ou de materiais descartáveis e impermeáveis. e isso é importante em dois aspectos: para evitar a contaminação da ferida cirúrgica por microrganismos provenientes da boca e do nariz dos profissionais quando estes falam. máscara e propés. Em geral. trocar de propés imediatamente antes de entrar na sala cirúrgica pode diminuir a quantidade de pelos levados para dentro . sendo que máscaras de algodão deverão conter uma malha de filtro hidrofílico. Membros da equipe com cabelos longos e volumosos devem dar preferência ao uso das toucas. Recomenda-se que o gorro cubra todo o cabelo e os pelos do rosto para evitar a contaminação da ferida cirúrgica com o cabelo e a microbiota nele presente. e como equipamento de proteção individual (EPI). com luvas e avental cirúrgico estéreis. Novos propés devem ser usados ao se retornar para a área cirúrgica. usando pijama cirúrgico.1 Ilustração do integrante da equipe cirúrgica paramentado: A. B. Gorros e máscaras podem ser de material descartável ou de algodão. espirram e respiram.Figura 5. Porém a forma como os propés vêm sendo utilizados não colabora para o controle de infecção hospitalar. As máscaras devem cobrir a boca e o nariz.

1. ou com algodão de pima-270. impedir a passagem bacteriana quando molhado. Um bom antisséptico usado para a escarificação deve possuir ação rápida. Preparação cutânea A preparação cutânea ou escarificação cirúrgica consiste na escovação para obtenção da antissepsia das mãos e dos antebraços por todos que fazem parte da equipe cirúrgica esterilizada. largo espectro. possui rápida atividade e um tempo de contato reduzido quando em comparação com as soluções tradicionais. geralmente confeccionadas com algodão do tipo musselina-140. Essa vestimenta pode ser descartável (fibra) como olefinas e poliéster. sendo a alternativa que confere maior proteção. O avental deve possuir mangas que vão além dos dedos. iodopovidona e hexaclorofeno. uma vez que as bactérias se proliferam debaixo das luvas. tratado para ser impermeável e. uma vez que a eliminação é impossível. redução significativa ou eliminação da população bacteriana transitória da pele. Porém a combinação de uma preparação de álcool com gliconato de clorexidina é o meio mais efetivo para diminuir a população bacterina. Os antissépticos mais utilizados atualmente são gliconato de clorexidina. Também é desejável uma atividade química persistente. que é tramado firmemente resistente à penetração bacteriana. o cronometrado (5-10 minutos) e o método do número de escovações por área cutânea (10-20 movimentos). Geralmente essas soluções são utilizadas como suplemento à escovação inicial ou como uma escovação posterior à primeira do dia (reentrada). dessa forma. antecedendo a colocação do avental e das luvas cirúrgicas. o que permite a penetração bacteriana quando molhado. formando uma barreira contra a dispersão de bactérias levadas junto com células epiteliais que se desprendem da pele da equipe. Quando utilizado soluções à base de álcool. 50% poliéster e 50% algodão. ou reutilizáveis (fio).pela equipe cirúrgica. auxiliares e instrumentadores (equipe cirúrgica esterilizada) o avental cirúrgico. Devem-se evitar abrasões ou irritações cutâneas durante uma escovação excessiva e forçada. e impedir por um tempo determinado a multiplicação desses microrganismos residentes. Existem dois métodos para a escarificação com as soluções tradicionais. além de evitar o contato da pele com sangue e fluidos do paciente.1b). redução parcial da população bacteriana residente. Ainda faz parte da vestimenta de cirurgiões. em geral usam-se duas . que deve ser estéril. ter o comprimento da altura do pescoço até os joelhos e faixa de ajuste nas costas (Figura 5. As características dos principais antissépticos estão relacionadas na Tabela 5. Os objetivos da escovação são: retirada de sujidades e detritos. porém a mais onerosa. tramado frouxamente. não ser irritante e possuir ação bacteriostática eficaz. aumentando o risco de contaminação. uma vez que essas lesões exporiam as bactérias residentes das camadas mais profundas da pele para as superficiais. sendo os dois eficientes. Esta solução não precisa de escovação.

irritação tecidual e corrosividade . manchas. Independente do método de escovação escolhido.escovações de 90 segundos. Tabela 5. porém maior que a do iodopovidona • Pode ser neurotóxico e causar fotossensibilidade e dermatite em indivíduos sensíveis Iodóforos Penetra rapidamente pela parede celular • Início de ação rápido (iodopovidona) microbiana e inibe a síntese proteica • Atividade reduzida na presença de material orgânico • Requer no mínimo dois minutos de contato para destruir bactérias • Amplo espectro e atividade contra esporos (por tempo prolongado) • Não possui atividade residual • Uso limitado pelo odor. existe uma sequência de eventos que devem ser seguidos para uma correta escarificação.1 Principais antissépticos utilizados na escarificação cutânea e suas características Sabão atimicrobiano Mecanismo de ação Propriedades Gliconato de Ruptura da parede celular e precipita o • Início de ação rápido clorexidina conteúdo intracelular • Largo espectro (melhor contra bactérias gram-positivas). bom viricida • Permanece eficaz na presença de material orgânico • Excelente atividade persistente e residual • Causa irritação cutânea mínima Hexaclorofeno Ruptura da parede celular e precipita o • Início de ação lento conteúdo intracelular • É bacteriostático para cocos gram-positivos • Espectro de ação estreito • Não deve ser associado álcool (efeito anulado) • Permanece eficaz na presença de material orgânico • Atividade residual menor que a da clorexidina.

Em seguida devem-se pegar escovas de escarificação. Paraclorometaxilenol Ruptura da parede celular e inativação • Início de ação intermediário enzimática • Amplo espectro Triclosana Ruptura da parede celular microbiana • Início de ação intermediária • Amplo espectro (ineficaz contra Pseudomonas spp. realizar a limpeza prévia das mãos e antebraços e. espaços interdigitais. uma vez que as mãos já estão escarificadas. em seguida.) • Atividade minimamente reduzida na presença de material orgânico Soluções à base de Combinação das anteriores • Início de ação rápido álcool • Amplo espectro As unhas devem estar cortadas rentes. alianças. Nunca agite as mãos para se livrar do excesso de água. iniciar a escovação das unhas. naturais e saudáveis. deixando a água escorrer sempre da ponta dos dedos até os cotovelos. Nunca deixe as pontas dos dedos ficarem abaixo do nível dos cotovelos. deve-se enxaguar a escova debaixo da água e transferi-la para a mão não escarificada. pois são reservatórios para sujidades e microrganismos. anéis. o antebraço até cerca de 7 cm acima do cotovelo. repetindo o processo na outra mão e no antebraço. depois. É importante que as torneiras possam ser abertas e fechadas com os cotovelos ou com os pés.2. Ao finalizar a escovação de um dos antebraços. sabão antimicrobiano e limpadores de unha. pulseiras). Os passos da escarificação das mãos e antebraços estão ilustrados na Figura 5. e friccionar a palma e o dorso da mão e. de todas as faces digitais. . Devem-se retirar todos os acessórios (relógios. evitando assim que a água escorra da área mais contaminada para a menos contaminada. deixe que a água escorra pelos cotovelos. e as mãos e antebraços não podem estar com ferida. Somente após a escovação de ambas as mãos e antebraços é que se deve iniciar o enxágue. pois infecções cutâneas podem contaminar a ferida cirúrgica.

procedendo da mesma forma que no outro braço (Figura 5. primeiro dos dedos e depois do antebraço. veste-se o avental cirúrgico. as mãos mantidas acima do nível da cintura e. então. c) lateral da mão.3). g) face externa do antebraço. sempre deixando a água escorrer pelos cotovelos. A secagem das mãos deve ser feita com toalha esterilizada. . b) lateral dos dedos.2 Ilustração dos passos da escarificação: a) início da escarificação pelas unhas. Após a escovação as mãos devem ser mantidas mais altas e na frente do corpo para iniciar a secagem. e) face interna do antebraço. Com a mão seca deve-se pegar a parte inferior do lado oposto da toalha e trazê-lo para cima. A toalha deve ser jogada em local apropriado ou no chão. f) face externa da mão.Figura 5. d) palma da mão. A toalha deve ser segura pela parte superior de um lado e iniciar-se a secagem da mão livre e depois do antebraço. h) finalização com o enxágue.

Em seguida o assistente deve puxar as extremidades sobre os ombros e ajustar o avental com as faixas de amarra.4 Ilustração da colocação do avental pelo integrante da equipe cirúrgica: a) retirando o avental do tambor. ser de material que elimine a passagem de microrganismos entre áreas não estéreis para áreas estéreis (ver anteriormente). Para iniciar a vestimenta.Figura 5.3 Ilustração do método de secagem das mãos e antebraço: a) secagem da mão com um lado da toalha.4. b) estendendo o avental cirúrgico. Com as mãos ainda cobertas pelo punho do avental. O cirurgião pegará e levantará o avental pela faixa do colarinho. b) secagem do antebraço com o mesmo lado da toalha. Colocação do avental cirúrgico O avental cirúrgico deve ser longo. Técnica para calçar as luvas . c) colocando o avental cirúrgico. para que assim sirva como uma barreira entre a pele do profissional e o paciente. identificar as mangas e encaixar os braços. o cirurgião deve apresentar as faixas de amarra da região da cintura para que o assistente faça a amarração. a colocação do avental cirúrgico. Os passos para colocação do avental cirúrgico estão ilustrados na Figura 5. com as amarrações. estendê-lo segurando na altura dos ombros. ter mangas compridas com punho elástico. dando um passo para trás. c) virando a toalha para iniciar a secagem das mãos e antebraços do outro membro. Figura 5. o pacote ou tambor contendo os aventais deve estar aberto e estes devem estar dobrados com o lado interno para fora. É recomendada a troca de avental sempre que estiver visivelmente sujo com sangue ou outro fluido corporal potencialmente infectante. Avental e luvas devem ser vestidos fora da sala cirúrgica para evitar contaminação do paciente e dos instrumentos cirúrgicos. d) assistente finalizando.

5). Sobre a bainha do avental coloque- a com os dedos voltados para o cotovelo. previamente aberta. o passo seguinte será calçar as luvas cirúrgicas de látex.5-9). Com os dedos indicador e polegar da outra mão. Deve-se escolher o tamanho adequado. biópsia de medula óssea e cateterização urinária) ou mesmo durante a . O uso de duas luvas é recomendado para o cirurgião e o primeiro assistente em qualquer procedimento que durar mais que 1 hora e em cirurgias ortopédicas. ao puxar a luva. Figura 5. Método Fechado Nesse método o cirurgião calça as luvas sozinho. puxe também o avental em direção ao cotovelo. pois luvas folgadas ou apertadas dificultam a precisão dos movimentos durante a cirurgia. mas em que se dispensa o uso do avental cirúrgico (preparação estéril do paciente. também coberta pelo avental. Porém o risco de contaminação é maior que o do método anterior citado. por isso deve-se dar preferência a utilizá-lo (Figura 5. Existem luvas de variados tamanhos (6. porém com as mãos dentro da manga do avental. Esse método é mais indicado quando se necessita calçar luvas estéreis. e aumenta a exposição ao sangue.Após vestir o avental cirúrgico.5 Ilustração da colocação das luvas pelo método fechado: a) com a manga do avental cobrindo as mãos. pois há exposição das mãos ao meio externo. uma vez que estudos demonstraram que esses fatores influenciam a taxa de furos nas luvas. dessa forma sua mão nunca entra em contato com o meio externo do avental ou da luva. Faça o mesmo procedimento com a mão oposta. aberta e assistida. levante a bainha da luva sobre a bainha do avental e. b) com os dedos indicador e polegar pegue a bainha da luva e solte-a para frente. Método Aberto Nesse método o cirurgião também calça as luvas sozinho. O calçamento das luvas pode ser realizado de três maneiras diferentes: pelas técnicas fechada. com a finalidade de reduzir e prevenir o risco de exposição ao sangue. sendo um método muito seguro quanto à possibilidade de contaminação. pegue a luva da embalagem.

O auxiliar. deslizando a mão para o interior desta e desdobre a bainha. b) com a mão parcialmente enluvada. porém mantendo a bainha ainda dobrada. Mesmo que nesse método a mão do cirurgião fique momentaneamente em contato com o meio externo. por ser um método de execução mais simples. desdobre a bainha oposta.7). segura na parte externa do punho e a estica formando uma ampla abertura por onde o cirurgião desliza sua mão para dentro da luva.6). a) pegue a luva pela bainha interna.6 Ilustração da colocação das luvas pelo método aberto. Com a mão totalmente enluvada. acaba sendo o mais utilizado na rotina cirúrgica (Figura 5.cirurgia quando for necessário trocar luva contaminada. Método Assistido Nesse método o cirurgião não calça as luvas sozinho. Porém. . Figura 5. há menor chance de contaminação da parte externa da luva (Figura 5. deslize a mão oposta enluvando-a. já paramentado. deslize os dedos pela face externa da bainha da outra luva.

Fleming. Antes disso as únicas substâncias usadas para combate às infecções eram . Nesse ano. mediante várias tentativas empíricas. Antibioticoterapia Nós. investigou substâncias capazes de matar ou impedir o crescimento de bactérias nas feridas infectadas. a fim de evitarem-se baixas desnecessárias. Mary’s Hospital. e em decorrência do próprio conflito. na qual muitos combatentes morreram em consequência de infecção em ferimentos profundos e maltratados. procedendo da mesma forma com a outra mão. O assistente finaliza puxando a bainha da luva sobre a bainha do seu avental. desde sua descoberta por Alexander Fleming. em 1939. consideramo-nos a espécie mais evoluída e dona do planeta Terra. bacteriologista do St. seres humanos. de Londres. Nunca um fármaco salvou e salva tantas vidas como os antibióticos.7 Ilustração da colocação das luvas pelo método assistido. Um assistente já paramentado com luvas estéreis pega a luva pela face externa da bainha e a posiciona de forma a facilitar o deslizamento da sua mão por ela. Suas pesquisas justificaram-se pela experiência adquirida na Primeira Grande Guerra (1914-1918). Grande ilusão! A vida começou neste planeta com os microrganismos e até hoje a eles pertence o orbe. portanto temos que compreender que sempre teremos que buscar formas diferentes para combatê-los. foram ampliadas as pesquisas a respeito da penicilina e seu uso humano.Figura 5. Por falta de tratamento adequado não houve a preocupação em utilizar a penicilina para fins terapêuticos em casos de infecção humana até a eclosão da Segunda Guerra Mundial. Nenhum ser pluricelular tem capacidades tão adaptativas como bactérias e vírus.

sem a participação de algum tipo de microrganismo na sua origem. quando falamos de microrganismos como bactérias. como. porém. torna-se necessário que. Na medicina humana. como em enfermos com comprometimento imunológico. principalmente em ambiente hospitalar. O principal é fazer o uso racional dos antibióticos. sendo que o uso incorreto das drogas é que. sem dúvida é uma parte da farmacologia que jamais terá fim em termos de novas descobertas. fungos. Isto faz a diferença farmacológica entre um verdadeiro antibiótico e um quimioterápico. devido à grande rotatividade dos centros cirúrgicos. Esta. normalmente sinônimos de drogas antitumorais. para uma cirurgia de hérnia discal. são substâncias de origem puramente química. como fungos ou bactérias (embora hoje praticamente todos possam ser sintetizados em laboratório) já os quimioterápicos. O uso inadequado de antibióticos (na terapia humana e veterinária e na utilização como promotores de crescimento em animais que fazem parte da alimentação humana) conduz ao aparecimento de resistências. recebam antibióticos no pré e no pós-operatório a fim de evitar infecções hospitalares. Apesar de serem descritos de forma indistinta. os verdadeiros antibióticos são aqueles que têm origem em algum organismo vivo. animais que ingressem. No entanto muitas vezes a situação é exatamente contrária. sem dúvida. devido aos riscos de microrganismos extremamente patológicos e resistentes a vários antibióticos.quimioterápicos como as sulfas. Várias doenças não infecciosas podem ter a sua etiopatogenia e tratamentos definidos no futuro. transformação. tornando os agentes antimicrobianos menos eficazes. em dose de ataque (o dobro do usual – desde que não haja restrições por parte do paciente) e pelo menor tempo necessário. unidades de terapia intensiva e internações. conjugação. por exemplo. transdução e mutação. Na medicina veterinária devemos tomar como alerta o que já ocorre na medicina humana para não chegarmos a esta perigosa situação. A resistência antibiótica é a capacidade que têm os microrganismos de resistir aos efeitos de um antibiótico ou quimioterápico.. Antibioticoterapia Preventiva Nada mais eficiente contra infecções do que um paciente imunocompentente. a antibioticoterapia preventiva é indispensável. que envolvem um profundo conhecimento sobre a genética deste microrganismos. Pacientes que são submetidos a cirurgia podem sofrer desde desnutrição até comorbidades como diabetes. A antibioticoterapia preventiva deve ser radical: bactericidas associados. que levam a uma baixa imunológica. Tanto em uma cirurgia eletiva em um animal sadio. a capacidade de criar resistência às drogas é inesgotável. para não expor o paciente aos muitos efeitos colaterais . hipotireoidismo etc. A resistência pode ser adquirida de diversas formas. o que será abordado de forma sintética mais adiante. protozoários e vírus. propicia as mutações. por exemplo.

fazer o uso do antibiótico pelas vias sistêmicas indicadas. Quando não há infecção. as boas práticas de ambiente cirúrgico. Aspectos do uso racional da antibioticoterapia na cirurgia Juntos com antiparasitários. o animal possa ter alta sem prescrição antibioticoterápica. o que leva a perda da eficácia da droga e complicações maiores. anti-inflamatórios e vitaminas. a aderência dos orgãos cavitários. durante e depois do antendimento cirúrgico. como atuam na parede celular. intervalo de dose e duração de tratamento corretos. pois muitos animais que se tornam fonte de proteína para o consumo humano. de preferência. Antibioticoterapia em Cirurgias de Tecidos com Sinais de Infecção Sem dúvida a maioria das ocorrências cirúrgicas veterinárias de emergência e das eletivas é contaminada. Antibioticoterapia em Cirurgias de Tecidos sem Sinais de Infecção Como já citado com relação à terapia preventiva. tanto pela grande quantidade de doenças infecciosas a serem tratadas. por vezes o uso dos antibióticos torna-se necessário. portanto cabe a prescrição de antibióticos antes. mas também pela sua importância em saúde pública. é prudente que o cirurgião ou clínico primeiramente trate o quadro infeccioso para que posteriormente proceda ao ato cirúrgico. o que na maioria das vezes não ocorre principalmente porque. em que o Brasil se projeta entre os primeiros do mundo. Este grupo de fármacos merece destaque não só pela constância na prescrição. suspende o tratamento antes do recomendado. dependendo da gravidade do caso. por exemplo. apenas anti-inflamatórios e analgesia. no pós-operatório. os cuidados ficam por conta do proprietário. havendo necessidade. As drogas. após o procedimento correto. como. os antibióticos fazem parte das drogas mais prescristas em medicina veterinária. esterilização desinfecção e técnicas adequadas fazem que. sendo os betalactâmicos (penicilinas e cefalosporinas) os mais indicados.das drogas. e por não obedecerem às normas . Quando possível. é a de colocação in situ de drogas antibióticas em forma de solução ou pó para evitar infecções no local operado. mas é preciso que. são extremamente eficazes para que não se dê chance nem ao aparecimento das infecções nem à resistência bacteriana. como na suinocultura e avicultura. mesmo na ausência de sintomas de infecção a terapia seja feita com dose. Cabe resaltar que uma antiga prática errônea. quando necessário. e que hoje é inaceitável. que. O correto seria. não agridem as células do hospedeiro. ao observar a melhora do animal. como pelos vários tratamentos preventivos necessários à eficiência zootécnica. devem ser bactericidas (associadas ou não). já que.

devemos levar em consideração: espectro e mecanismo de ação da droga (de preferência bactericidas). Na ausência de sinais clínicos de uma infecção. Classificação dos antibióticos mais usados na clínica cirúrgica veterinária Os antibióticos podem ser classificados de diferentes formas: quimicamente . como cartilagens. em alguns casos. ex. baixa toxicidade e baixo custo. Quais São os Principais Requisitos Para se Empregar de Forma Racional um Antibiótico? À exceção da antibioticoterapia profilática ou preventiva. de 26 de outubro de 2010. portanto novas gerações de drogas antimicrobianas sempre terão que ser criadas. da venda de antibióticos somente sob prescrição médica. consideramos muito importante a decretação. os sintomas não são facilmente detectáveis. a correta conduta seria manter o paciente em observação e solicitar o apoio de diagnóstico laboratorial. metabolização e excreção regulares. sintomas suficientes para uma indicação de antibióticos. sob a alegação de que sem um diagnóstico conclusivo o problema possa se tratar de uma “virose”. Em função de todos estes fatores comentados. como o sistema nervoso central). então. informação valiosa dada pela epidemiologia. pois em função da capacidade de desenvolvimento da resistência bacteriana. o que nos permite suspeitar do(s) principal(is) agente(s) etiológico(s) envolvido(s) antes mesmo de um antibiograma (que deverá ser solicitado caso as primeiras tentativas antibioticoterápicas não surtam efeito). Havendo. nenhum aluno ou profissional da área da saúde pode se descuidar da constante atualização em antibioticoterapia. o requisito primordial para a prescrição de um antibiótico é um diagnóstico clínico de estado infeccioso. ou pelo tipo de infecção (p. podem ser prejudiciais à saúde do consumidor. o uso incorreto é o principal facilitador do desenvolvimento da resistência bacteriana. e outros possuem barreira. um diagnóstico conclusivo (clínico e/ou laboratorial). A seguir. farmacocinética (principalmente a capacidade de distribuição no tecido afetado. Em resumo. na RDC n o 44. devemos correlacionar o tipo de infecção com os agentes etiológicos mais comuns nestes casos. o que muitas vezes é a primeira coisa a ser negligenciada. pela ANVISA..da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). para a escolha do antibiótico. Inapetência e prostração são. piometra confirmada em cadelas) ou pelo tempo decorrido desde o começo dos sintomas até o atendimento veterinário. já que alguns são menos vascularizados. nunca venceremos esta guerra. já que. pois. como dissemos anteriormente. por vezes.

Em função desta constante capacidade de desenvolvimento de resistência bacteriana. graças a sua baixa toxicidade. a classificação mais importante é a por grupos nos quais as drogas têm o mesmo mecanismo de ação e semelhanças farmacocinéticas e toxicológicas. a parede celular. destroem os anéis betalactâmicos. já que atuam sobre estruturas não presentes em células de mamíferos. como sepse.). cefalosporinas e suas doses sugeridas. uso oral (penicilina V) e. Desde a descoberta das penicilinas naturais. para serem resistentes às penicilinases (ou betalactamases). por isso. para o cirurgião e o clínico. podendo ser usadas em altas doses. hoje temos penicilinas de quarta geração para aqueles casos de microrganismos ultrarresistentes. como para uso intravenoso (penicilina G cristalina). porém. Na verdade. A Tabela 5.2 Posologia de algumas penicilinas e cefalosporinas em cães (as doses são uma compilação de dados bibliográficos e experiência profissional de clínicos e cirurgiões) . além da eficácia. o das penicilinas é o 6-amino-penicilânico. O principal fato para que estes sejam os antibióticos mais utilizados tanto na medicina humana quanto na veterinária. o 7-amino- cefalosporânico. novas gerações de drogas deste grupo têm que ser sintetizadas. quando produzidas pelas bactérias. Tabela 5. acetatos etc. São estas estruturas que conferem a ação bactericida sobre as bactérias. de tempos em tempos. principalmente. drogas indispensáveis desde a profilaxia das infecções até o tratamento de quadros infecciosos graves.2 demonstra alguns tipos de penicilinas. sem dúvida alguma. é a sua baixa toxicidade. Antibióticos betalactâmicos (penicilinas e cefalosporinas) São polipeptídeos com um anel molecular denominado betalactâmico. impedindo a síntese da parede celular por inibição da enzima transpeptidase bacteriana. vários outros tipos foram sendo descobertos e desenvolvidos com diferentes finalidades. tornando- se resistentes a estes antibióticos. conhecidas como penicilinas G. açúcares. restrito) e o efeito (bactericida ou bacteriostático). que.(aminoácidos. No entanto não estão livres da resistência bacteriana. segundo o espectro (amplo. e o das cefalosporinas. por via intravenosa e combinadas com outros antibióticos. As celalosporinas são.

3 demonstra alguns tipos de aminoglicosídeos e suas doses sugeridas. acetiltransferases e adeniltransferases). O mecanismo de ação se baseia na síntese proteica defeituosa no nível da porção 30S ribossomial bacteriana. o que é favorável para hepatopatas e pacientes com infecção renal. originários inicialmente de fungos do gênero Strepmyces. Antibióticos aminoglicosídicos. Outras duas características apreciáveis destes antibióticos são que eles têm baixa taxa de biotransformação hepática e eliminação renal de forma ativa. Tabela 5. A resistência bacteriana ocorre por diversos mecanismos de produção enzimática (fosfotransferases. são bactericidas muito eficazes contra bactérias Gram-negativas e muitas vezes associadas aos betalactâmicos para maior eficácia e aumento do espectro. Sempre lembrar as questões toxicológicas que envolvem o uso destas drogas Droga Dose (mg/kg) Via/Intervalo de Dose ESTREPTOMICINA 8-12 IM/SC – 8 h CANAMICINA 4-8 IM/SC – 8 h AMICACINA 4-8 IM/SC – 8-12 h NEOMICINA 10 PO – 12 h GENTAMICINA 2-4 IM/SC/IV – 6-12 h TOBRAMICINA 1-2 IV/IM – 6-8 h NETILMICINA 4-8 IV/IM – 8-12 h ESPECTINOMICINA 20 IM – 12 h APRAMICINA 20 IM – 12 h Tetraciclinas . A Tabela 5.3 Posologia de alguns aminoglicosídeos para cães (as doses são uma compilação de dados bibliográficos e experiência profissional de clínicos e cirurgiões).

Tabela 5. O Tabela 5. IM 12 h Doxicilina 3-5/PO 12 h Minociclina 3-5/PO 12 h Antibióticos Macrolídeos Assim denominados devido às grandes cadeias carbônicas. A resistência ocorre principalmente por plasmídeo. sendo mais explorado em grandes animais e doenças hemoparasitárias. Seu mecanismo de ação se baseia na inibição da síntese proteica. impedindo a translocação do RNA-t e inibindo uma peptidiltransferase. carbomicina. oleandomicina.6 h Oxitetraciclina 10/IV. A Tabela 5. roquitamicina).5 demonstra alguns tipos de macrolídeos e suas doses sugeridas. micoplasma e Gram-positivo e agem ligando-se à porção 50S ribosomial. impedindo que o RNA-t se fixe na porção 30S ribossomial. claritromicina. distribuindo-se bem por diferentes tecidos e fazendo ciclo entero- hepático. riquétsias e protozoários.4 demonstra alguns tipos de tetraciclinas e suas doses sugeridas. alumínio. leucomicina. fliritromicina). como bactérias Gram-positivas.Estes antibióticos. clamídias. Gram-negativas.15/PO 12 h . Uma característica muito boa deste grupo é sua grande lipossolubilidade. IM . são bacteriostáticos de amplo espectro de ação. descobertos em 1955.5 Posologia de alguns macrolídeos para cães (as doses são uma compilação de dados bibliográficos e experiência profissional de clínicos e cirurgiões) Droga Dose (mg/kg)/Via Intervalo de Dose ERITROMICINA 10-20/PO . Como não poderia deixar de ser. O uso enteral destes fármacos sofre uma série de interferências com alimentos e medicamentos ricos em sais de cálcio. ferro e zinco.25/PO 6h-8h . Seu uso em cirurgia é limitado. roxitromicina. com 15 carbonos (azitromicina) e com 16 carbonos (espiramicina. classificam-se em: moléculas com 14 carbonos (eritromicina. A administração parenteral é dolorosa e os volumes de aplicação em um mesmo local devem ser limitados.4 Posologia de algumas tetraciclinas em cães (as doses são uma compilação de dados bibliográficos e experiência profissional de clínicos e cirurgiões) Droga Dose (mg/kg)/Via Intervalo de Dose Tetraciclina 10/IV. a resistência bacteriana existe e é induzida por plasmídeos ou enzimas. Todos são bacteriostáticos com espectro sobre anaeróbios. Tabela 5. magnésio.

terapêutica curta demais. cefalosporinas e aminoglicosídeos. aureus resistente à meticilina (MARSA). O que se seguiu foi um grande sucesso terapêutico devido à qualidade dos produtos. a primeira que passa a ocupar lugar de destaque nos receituários é a ciprofloxacina. tornando-se uma grande promessa terapêutica. as chamadas fluoroquinolonas. O mecanismo de ação é peculiar: inibe a enzima topoisomerase bacteriana tipo II (também chamada de DNA-girase. Porém. o surgimento do grande número de microrganismos resistentes tornou a droga muito pouco eficaz. um quimioterápico comum para o combate às infecções urinárias. a enrofloxacina. Proteus e Pseudomonas. finalmente. e tratamentos com doses mais elevadas e tempo de tratamento mais longo do que os inicialmente recomendados.12-24 h CLINDAMICINA 5-10/PO 8h Quinilonas Uma das primeiras drogas antimicrobianas a serem utilizadas em larga escala foi o ácido nalidíxico. com baixa metabolização hepática. Não demorou muito tempo para que problemas como indicações extrapoladas. como metronidazol. os de quarta geração compreendem os todos da terceira geração + outros anaeróbios. Este grupo de drogas ganha novo impulso com o surgimento das quinolonas de segunda geração. Brucella. O que mais tem sido feito são associações medicamentosas com outros antibióticos.6 demonstra alguns tipos de quinolonas e suas doses sugeridas. /à eficácia. e. S. uso sem prescrição médica e. O espectro de ação torna-se mais amplo de acordo com a geração: a primeira geração atua sobre E. Na medicina humana. são características bastante desejáveis. a baixa taxa de ligação às proteínas plasmáticas e o amplo volume de distribuição. que impede a desespiralização da dupla hélice do DNA) com efeito bactericida. dois produtos contendo o mesmo princípio ativo. finalmente. os primeiros problemas de resistência bacteriana aparecessem. . Entrobacterias. serem excretadas na urina e bile na forma de metabólitos ativos. Mycoplasma. coli. TILOSINA 20-30/IM 8-12 h ESPIRAMICINA 20/IM 24 h LINCOMICINA 15-20/PO 10-20/IM. Em termos farmacocinéticos. IV 8-12 h . na veterinária.positivo e Gram-negativo. Hoje já temos quinolonas de terceira e quarta gerações (gemifloxacina) com uso limitado. com o passar dos anos. principalmente em mulheres. à baixa toxicidade e à facilidade de administração. ao amplo espectro. a segunda geração tem ação sobre Gram.Chlamydia. pneumoniae. principalmente em função do custo. O Tabela 5. as de terceira geração atingem todos os da segunda geração + S. são lançados ao mesmo tempo no mercado nacional.

o que hoje chamaríamos de radicais livres. As doses de metronidazol variam muito em função da patologia e da espécie em questão. 10-2 5mg/kg/12 h/7 dias.5-5/IM-12 h Ruminantes 2. mas o conhecimento sobre estes fármacos torna-se importante dada à possibilidade de interações farmacológicas. em suínos.5/IM-12-24 h Cães e gatos 5-15/PO-12 h Ofloxacina 10-20/PO-12 h Cães e gatos Metronidazol Inicialmente conhecido como uma droga para combate contra protozoários. Seu mecanismo de ação. este derivado nitroimidazólico tem sido amplamente utilizado na prevenção e terapêutica de graves infecções. SC-12 h Cães e gatos 2. Outros antimicrobianos. não serão abordados. cloranfenicol e derivados. devido ao seu espectro e à possibilidade de altas doses por via intravenosa com boa tolerância pela maioria dos pacientes. em gatos. polimixina. pois normalmente não são drogas de eleição para prevenção e tratamento de infecções cirúrgicas devido à baixa eficácia. vancomicina.6 Posologia de algumas quinolonas em algumas espécies (as doses são uma compilação de dados bibliográficos e experiência profissional de clínicos e cirurgiões) Droga Dose (mg/kg)/Via Espécie Enrofloxacina 2. as doses podem ser de 15- 30 mg/kg/12 h/7dias. ainda não muito bem esclarecido. uma ação redutiva sobre o metabolismo celular. Gram-positivos esporulados e contra todos os cocos anaeróbios. portanto. Conclusão . principalmente associado a outros antibióticos. 5 mg/kg/8 h/10 dias.5/IM-12 h Equinos Norfloxacina 22/PO-12 h Cães e gatos Ciprofloxacina 2.5/IM-24 h Suínos 2. a segunda. este quimioterápico também possui atividade antibacteriana contra bacilos Gram- negativos anaeróbios. sugere que ocorra em etapas: a primeira seria a entrada da célula do microrganismo.Tabela 5. como sulfas. a terceira seria a produção de intermediários tóxicos reduzidos que culminam com a ação dos intermediários citotóxicos para o microrganismo. em cães. Para exemplificar podemos citar que.5-5/IM.

. et al..T. oral bioavailability and tissue distribution of azitromycinin cats. n18 Jang S. et al...M. Lacerda R.O. Centro cirúrgico.F..A. Correlation of extravascular Pharmacokinetics of azitromycin with in vivo efficacyin model of localized infection.. Rauramaa V..31:497–499. Domingues P. Queiroz F.17(suppl 1):3–12.M. As etapas necessárias para que se obtenha com sucesso a profilaxia da infecção são várias. Posologic evaluation of clindamycin. JAAHA. 2004. et al. 2000. 2001. levando a incidência cada vez menor deste tipo de complicação.48(7):1101–1105. Cien Rural. Dabaco L. Referências Associação Paulista de Estudos e Controle de Infecção Hospitalar.A. 1990..A. J Am Vet Med Assoc. Resistance to quinolones in gram-negative micoorganisms: mechanisms and prevention. Ribeiro Filho N.J. Camargo F. 2010. Eriksson A. que por si só aumenta a possibilidade de insucesso no tratamento do paciente. O preparo da equipe cirúrgica: aspecto relevante no controle da contaminação ambiental. Fernandes M. a infecção. Hunter R. J Vet Pharmacol Therap. Happonen I.210:1610– 1614..G. 1987. 2000:789–818. Feedind reduced the absorption of erythromycin in the dog. 1990...25(Suppl A):61–71.E.F.C. Hirsh D. Simpionato E. A compreensão e a observância das normas técnicas necessárias ao procedimento operatório proporcionam um pós-operatório com uma baixa taxa de uma das complicações mais temidas na cirurgia. Langoni H. 1997.. Cabral K.. Molecular modeling of betalactam antibiotics. Com estes cuidados relativos à mitigação da infecção no pós-operatório. com detalhes importantes. Lynch M. 1995. pois todas tem uma importância vital no resultado final da cirurgia.P. Am J Vet Res. Girard D. Cataneo C...A. Kunkle G. 8(1).. Rev Elet de las ciências médicas en cienfuegos. Adverse effects of oral antibacterial therapy in dogs and cats: an epidemiologic study of pet owners’ observations. É necessário que o cirurgião não negligencie nenhum delas. Rev Latino-Am Enfermagem. Organisms isolated from dogs and cats with anaerobic infections and susceptibility to selected antimicrobial agents.. Eur Urol. Sundlof S. Keisling K..A. Retsema J. Braden T. Ericson J. Girard A.C. Ramón G.D. 1990. Cagnin M. Prevenção da infecção de sítio cirúrgico. São Paulo (SP): APECIH. Breher J. Baquero F.S.. 1995:38–46.A. São Paulo: Atheneu. . Utilização da enrofloxacina no tratamento da mastite bovina estafilocócica. Pharmacokinetics.. Silveira C. Cruz E. J Antimicrob Chemother. o sucesso desses procedimentos será incrementado.12(2):283–286.V. Infecção hospitalar e suas interfaces na área da saúde.31:46–55. In: Fernandes A.. Medisur.C. Acta Vet Scand..E. using a canine model of posttraumatic osteomyelitis.30:167–170...

2007. Medicina. v. Galvão C. p. 15. p. 2009. Corniani F.M. Avaliação e preparação do paciente e da equipe cirúrgica.. São Paulo: Editorial Bolina. ed..G. Potier G. Tratado de técnica cirúrgica veterinária. Manual de cirurgia de pequenos animais. n.34(2):183–193. Slatter.. 162–176 Tuduri E.U. et al. 84-88 Nobre L..A. Evolução da farmacoterapia de antibióticos em pacientes com infecção hospitalar. Graziano K.Menezes F. Avaliação de indicadores de controle da contaminação ambiental da sala de operação: um estudo piloto. Shmon C. SP. Manole: Barueri.M. Medvet: São Paulo.F. 2001 abril. 4.. 57-61 . 2007. In Saúde Coletiva.A.

uma reação de defesa do organismo de forma geralmente local. Por definição dizemos que a inflamação é a resposta local do tecido vascularizado agredido. bem como por adaptações do tecido conjuntivo vizinho e que . o nosso enfoque será sobre a forma aguda deste evento. podendo ser classificada de diversas formas. compilando os conceitos e principais eventos envolvidos com a resposta do organismo ao ato operatório. Portanto. mas. Alessandra Castello da Costa Introdução Todo ato operatório promove injúria tecidual em maior ou menor grau. caracterizada por alterações do sistema vascular. por isso faremos uma abordagem direta destes eventos no intuito de suprir o cirurgião com as informações básicas para minimizar as respostas deletérias e indesejáveis. inflamação sistêmica e choque cardiogênico. em se tratando de trauma cirúrgico. assim. que podem evoluir para o óbito. inflamação e alterações hemodinâmicas. portanto. menor será a resposta do organismo com relação ao trauma (dor. Capítulo 6 O trauma operatório Antônio Filipe Braga da Fonseca. Consequentemente. que buscam conter e/ou destruir o agente agressor. Sebastian Bustamante Bustamante. principalmente vasculares. dos componentes líquidos e celulares. quanto mais correta e adequada a técnica operatória. não totalmente elucidados. A inflamação pode ser considerada. por vezes. que significa “atear fogo”) está sempre presente nos locais que sofreram alguma forma de agressão e que. A seguir faremos uma breve revisão. Os mecanismos destes eventos e as alterações por eles causadas são extremamente complexos e. O processo inflamatório visa compensar essas alterações de forma e de função por intermédio de reações teciduais. dependendo do procedimento em questão. como alterações cardiovasculares e hemodinâmicas. perderam sua homeostase e morfostase. Os principais eventos a serem abordados são dor. Respostas fisiopatológicas A inflamação (do latim inflammatio. menor a probabilidade de complicações graves. inflamação e estresse).

interferon. O calor é oriundo da fase vascular. radiação). é originada de mecanismos mais complexos que incluem compressão das fibras nervosas locais devido ao acúmulo de líquidos e de células. em última análise. como serotonina. agressão direta às fibras nervosas. que é um ácido graxo constituinte dos fosfolipídeos de membrana. a uma série de tipos diferentes de prostaglandinas. que por sua vez sofrem a ação de enzimas fosfolipases A2. impedindo a movimentação). A perda de função. bastando para isso que haja uma agressão tecidual (Figura 6. vírus e fungos). vasodilatação. Pela via das cicloxigenases o ácido aracdônico dará origem. vascular e exsudativa). tardiamente. dificultando as atividades daquela estrutura morfofuncional. aumento da temperatura local. como neutrófilos e eosinófilos na fase aguda.normalmente apresenta os sinais conhecidos como cardinais. que são tumor. sofre ação em cascata de dois tipos enzimáticos. e será abordada separadamente. é decorrente do tumor. O rubor ou vermelhidão também é decorrente desse mesmo fenômeno. juntamente com muitas outras aminas vasoativas. originadas dos tecidos e tipos celulares de defesa. bradicinina. químico (ácidos e bases fortes) ou microbiológico (bactérias. da própria dor e. O tumor é causado principalmente por uma fase exsudativa e outra produtiva-reparativa. mastócitos. histamina e outras substâncias. dando origem ao ácido aracdônico. de mononucleares (por exemplo. linfócitos e plasmócitos mais tardiamente. que são as cicloxigenases e as lipoxigenases. que pode ser causada por um agente físico (calor. muitas vezes. osteomielites supurativas) e inflamações agudas. infecções virais). deflagradoras e mantenedoras do processo inflamatório. Portanto a inflamação engloba pelo menos três fases (irritativa. e basófilios. calor. equivocada. fator de necrose tumoral alfa (TNF-α) e óxido nítrico. rubor. seguindo-se imediatamente uma série de eventos que se iniciam com a lesão celular e o consequente desprendimento dos fosfolipídeos de membrana. inflamações crônicas podem ter predominância de neutrófilos (por exemplo. A dor. hiperemia e. pelo processo fibrótico que caracteriza a cronificação do processo (principalmente em articulações. Em algumas situações. como interleucinas.1). por sua vez. por fim. que são as substâncias fundamentais. representadas pelo aumento de líquido (edema inflamatório) e de células. Fisiopatogenia (mecanismos de instalação) Qualquer tecido vivo do organismo é passível de sofrer inflamação. dor e perda da função. consequentemente. . A partir desta etapa o ácido aracdônico. macrófagos. É importante lembrar que a noção de que os polimorfonucleares são típicos de inflamações agudas e de que os mononucleares são característicos de inflamações crônicas é. em que se tem aumento de fluxo sanguíneo.

de forma leve e moderada. quimiotaxia e diapedese intensa.1 Esquema das vias que envolvem a fisiopatogenia da inflamação e a principal forma de sua modulação pelos anti-inflamatórios esteroidais (inibição da fosfolipase A2) e antinflamatórios não esteroidais (inibição das ciclo-oxigenases). Pela via das lipoxigenases. Essas fases caracterizam a inflamação do tipo aguda. Classicamente existem alguns fenômenos básicos comuns a qualquer tipo de inflamação e que independem do agente inflamatório. a seguir explicitados. a fim de que a resposta inflamatória pós- operatória seja minimizada. que são poderosos agentes quimiotáxicos e vasoativos. Deve-se lembrar de se que trata de um mecanismo fisiopatológico que. A divisão desses momentos em cinco itens. O objetivo maior do cirurgião no que diz respeito à inflamação é ultilizar a técnica mais apropriada para uma determinada cirurgia de forma menos agressiva para os tecidos. causando menos desconforto para o paciente. O resultado da liberação de todas estas substâncias de origem enzimática ou celular é um conjunto de alterações vasculares. .Figura 6. é meramente didática. Várias substâncias pró-inflamatórias e algogênicas são formadas. é útil ao restabelecimento da homeostase. a qual sempre antecede a inflamação do tipo crônica. que culminam com os sinais cardinais. as principais substâncias produzidas são os leucotrienos. sendo o destaque principal dado às prostaglandinas.

cada espécie ou indivíduo. ou seja. inflamações purulentas ou supurativas são originadas das chamadas bactérias piogênicas (estafilococos). o gênero e a espécie. 5. As características do agente agressor determinam reações inflamatórias típicas. já alguns bacilos. fase produtiva-reparativa: relacionada com a característica de hipermetria da inflamação. o composto ativo. A inflamação crônica. Fatores que alteram a inflamação Os fatores que alteram a inflamação envolvem o agente agressor e o organismo animal. devido à sua patogenicidade. 2. dependendo de suas características próprias e da relação com as características do agente agressor. os animais idosos podem ter baixa imunidade e acabam sendo mais suscetíveis a . podem originar inflamações granulomatosas. 3) fase exsudativa: característica do processo inflamatório. pois. O estado fisiológico. forma- se devido à maior permanência do agente agressor em contato com os tecidos do organismo. e há outros que atuam mais nas outras fases da inflamação. no caso dos agentes químicos. Esses dois elementos estabelecem uma inter-relação que assume características particulares. por exemplo. e a família. reversíveis ou não (neste caso. como idade. derivadas da ação direta do agente agressor ou das modificações funcionais e anatômicas consequentes das três fases anteriores. estados de lactação e gestação. menor a inflamação. Da mesma forma existem agentes químicos que causam necrose liquefativa logo que entram em contato com o tecido. Essas características envolvem principalmente a fonte geradora. raça. resultado das fases anteriores. Por exemplo. fase vascular: alterações hemodinâmicas da circulação e de permeabilidade vascular no local da agressão. exprime os aumentos de quantidade dos elementos teciduais. esse fenômeno compõe-se de exsudato celular e plasmático oriundo do aumento da permeabilidade vascular. Essa hipermetria da reação inflamatória visa destruir o agente agressor e reparar o tecido injuriado. entre outros. 4. Por exemplo. Fatores ligados ao animal podem influenciar os rumos do processo inflamatório. principalmente de células.Todos eles acontecem como um processo único e concomitante. no caso dos agentes físicos. não exacerbando a degenerativo-necrótica. manifestará um quadro inflamatório peculiar. fase irritativa: modificações morfológicas e funcionais dos tecidos agredidos que promovem a liberação de mediadores químicos. sexo. no caso dos agentes biológicos. estes desencadeantes das demais fases inflamatórias. quanto menor o tempo de exposição ao agente. A destreza do cirurgião no uso dos instrumentos de diérese. ou seja. originando um material necrótico). é em dos fatores que interferem no quadro inflamatório. o que caracteriza a inflamação como um processo dinâmico: 1. cauterização e tração de forma rápida interfere na resposta inflamatória. fase degenerativa-necrótica: composta por células com alterações degenerativas.

É importante que o cirurgião saiba que as características anatômicas e fisiológicas dos tecidos que compõem os parênquimas dos órgãos são diversas e determinam diferentes padrões de inflamação. as quais influenciam diretamente os vários momentos da inflamação. É o caso. Controle da inflamação Se considerarmos o processo inflamatório uma defesa do organismo. primeiro devem desenvolver neovascularização para depois iniciar seu mecanismo de defesa. . Os protoflogísticos aumentam a permeabilidade vascular (como prostaglandinas. nos tecidos ósseos não se observa edema. histamina e hormônio do crescimento) e os antiflogísticos. portanto o cirurgião deve ter em mente que o objetivo não é de abolir a inflamação. por exemplo. originando inflamações com características diversas. carência de vitaminas e de proteínas pode interferir no sistema de defesa do organismo.infecções e inflamações do que os mais jovens. facilmente se instalam fenômenos exsudativos plasmáticos. mas. uma vez que o processo inflamatório se instala mais rapidamente. pode promover eventos indesejáveis. vômito etc. ao contrário. indivíduos já portadores de outras doenças podem manifestar quadros inflamatórios mais graves. porém. catecolaminas). são mais comuns inflamações crônicas nesse local. principalmente. nos casos de inflamação crônica. cortisol. como pálpebra. característico das inflamações agudas. controlá-la. ao contrário. O método físico mais utilizado há séculos nos processos inflamatórios agudos é o resfriamento do local. o processo inflamatório é protetor. essas alterações vasculares já ocorreram e as modificações teciduais existentes não são passíveis de reversão por tal método. diminuem-na e fazem que haja menor exsudação celular (como hormônio adrenocorticotrófico [ACTH]. Quanto ao estado hormonal. indo desde dor até processos fibróticos e necrosantes. No entanto. como febre. quando se manifesta de forma exacerbada. No estado nutricional. Métodos físicos e. que visa diminuir as alterações vasculares que levam a edema e diminuição do grau de percepção da dor. Os tecidos não vascularizados. farmacológicos podem ser usados para o controle da inflamação e da dor. cujos portadores possuem dificuldade de reparação. Já nos tecidos mais frouxos. Quanto ao estado de saúde. como córnea e cartilagem. os tecidos vascularizados são mais responsivos à agressão. tosse. então por que combatê-lo? Assim como outros mecanismos protetores do organismo. existem hormônios que favorecem a inflamação (chamados de protoflogísticos) e os que evitam ou diminuem a inflamação (os antiflogísticos). Por exemplo. sim. promovendo o menor trauma tecidual possível. de portadores de diabetes mellitus.. principalmente por terem alterações metabólicas significativas. O controle se inicia já na adoção da técnica cirúrgica adequada e habilmente utilizada. por exemplo. Finalmente.

por meio da liberação de lipocortina-1 (mediador proteico anti-inflamatório). classificados basicamente em esteroidais (AIEs). não esteroidais (AINEs) e outras substâncias que podem interferir na inflamação. corticoides ou corticosteroides. As atividades de tais enzimas ainda não estão completamente elucidadas.1 Principais anti-inflamatórios esteroidais e algumas de suas características Os AINEs. atividade imunossupresora e capacidade de reter sódio e. observada na presença de corticoides. também conhecidos como glicocorticoides. Qualquer um desses mecanismos poderia contribuir para a redução na produção tanto do fator ativador de plaquetas quanto dos eicosanoides. Os glicocorticoides reduzem a transcrição de várias proteínas inflamatórias. Este fato faz com que as indústrias . chamadas de ciclo-oxigenase 2 (COX2). água no organismo. são agentes inibidores da produção de prostaglandinas e leucotrienos pela ação inibitória sobre a enzima fosfolipase A2. As principais diferenças farmacodinâmicas entre os AIEs estão relacionadas com potência anti-inflamatória. promovem inibição das enzimas denominadas ciclo-oxigenases. consequentemente. diretamente envolvidas na produção de prostaglandinas. tempo de duração do efeito. que tiveram seu uso disseminado a partir da descoberta do ácido acetilsalicílico.1). Tabela 6. mas sabe-se que existem enzimas constituti-vas que participam de uma série de eventos fisiológicos no organismo chamadas ciclo-oxigenase 1 (COX1) e outras induzidas mais diretamente associadas à gênese e à manutenção da inflamação. Os anti-inflamatórios esteroidais (Tabela 6. Estes medicamentos são denominados anti-inflamatórios. A lipocortina-1 atua por sequestrar o substrato fosfolipídico e/ou inibir diretamente a enzima. Esses efeitos explicam grande parte de suas ações farmacológicas. mas que não se encaixam nesta classificação. Em termos farmacológicos existem drogas capazes de interferir no processo reacional de defesa do organismo de modo a minimizar o dano (agressão por parte dos próprios tecidos frente ao agente agressor) e dar maior conforto ao paciente. O resultado final da ação destes anti-inflamatórios é a redução da liberação das prostaglandinas e também dos leucotrienos. como algumas citocinas e óxido nítrico sintetase induzida. sendo estas o alvo principal para a ação das drogas.

Os processos agudos normalmente respondem rapidamente ao uso das drogas (tanto esteroidais como não esteroidais). agregam também efeitos analgésico.. Quando isso não ocorre. promover efeitos gástricos e renais indesejáveis. celecoxib. sendo necessário tratamento cirúrgico corretivo e fisioterápico. já que a fisiologia destes órgãos depende da ação de prostaglandinas. como. Tabela 6. corpos estranhos etc. A existência de outras famílias de COX já é relatada em diversos trabalhos (como a COX3 e outras variantes). Algumas substâncias não têm ação específica sobre os mediadores inflamatórios. etoricoxib). que causariam a princípio menos efeitos colaterais.2). salvo raras exceções. não respondem bem à terapêutica farmacológica devido principalmente às alterações morfológicas das estruturas e dos tecidos invadidos por processos fibróticos e formação de redes de fibrina que não se desfazem com os fármacos. Já os processos crônicos. quando possível. Vale lembrar que os AINEs não interferem na geração de leucotrienos. além do efeito anti-inflamatório. o dimetilsulfóxido (DMSO). . auxiliando na redução do inchaço e da dor. O sucesso da terapêutica varia substancialmente quando comparamos as inflamações agudas e crônicas.farmacêuticas busquem moléculas de fármacos que possam ser mais seletivas para COX2. por exemplo. mantendo parte do processo inflamatório inalterado e ativo. ex. porém os estudos ainda não são totalmente conclusivos sobre a participação destas enzimas no processo inflamatório. a hialuronidase e os compostos à base de cânfora e mentol. em maior ou menor grau. também podem.2 Principais anti-inflamatórios não esteroidais e algumas de suas características Cabe lembrar ainda que tanto AIEs como AINEs. com reversão dos principais sintomas em 50% nos quatro ou cinco primeiros dias de tratamento. ao promoverem diminuição da produção de prostaglandinas. antipirético e anticoagulante (Tabela 6. normalmente de uso tópico. mas possuem ação antiflogística e/ou antiedematosa. principalmente no trato digestório dos pacientes (p. deverá o clínico ou cirurgião certificar-se do diagnóstico traçando um diferencial com tumores. Alguns destes fármacos.

o aumento nas concentrações sanguíneas de interleucinas (IL) 1 e 6. dirigindo classicamente a resposta ao estresse e aos sistemas simpático-medular e pituitário- adrenal. provavelmente tem servido para as diferentes vias evolutivas. hoje em dia. é a caraterística dos processos metabólicos depois do estresse de um trauma. gerando a secreção de cortisol. desde o hipotálamo. onde finalmente vão se traduzir os efeitos gerais do que começou com os estímulos álgicos provocados pelas injúrias. nas glândulas adrenais. Porém a secreção desses hormônios é governada pela concomitante secreção dos fatores liberadores pelo hipotálamo. Se pensarmos que essas funções são feitas para traduzir os sinais do meio externo. Dado que as vias neuro-hormonais entre a dor e o estresse são compartilhadas. o que culminará com a liberação de cortisol nas glândulas adrenais para o sangue e será distribuída por esta aos tecidos. degradação proteica e inibição das vias de sínteses . ocasionando um estado de catabolismo em resposta às injúrias. Fibras A e C transmitem a informação nociceptiva desde sítios viscerais e somáticos até o corno dorsal da medula espinal. produto da direta estimulação pelos neurônios pré-sinápticos. o sistema límbico e as estruturas corticais responsáveis pelas respostas afetivas e sensoriais. como também produzir uma cascata de eventos que podem finalizar na morte dos pacientes. Tais hormônios são diversos neste processo. produto do aumento na glicogenólise e gliconeogênese. conhecidos e introduzidos nas tabelas de avaliação da dor. as metabólicas e as autônomas. subindo pelas vias neuronais. falta de apetite ou agressividade. podendo chegar a manifestações deletérias como automutilação. integrada pelos núcleos paraventriculares. a continuação. A informação entra no sistema límbico pelo hipotálamo. até responder com os diversos componentes dos sistemas homeostáticos. é possível entender que os estímulos álgicos promovam uma liberação final de hormônios responsáveis pelas mudanças no metabolismo geral. mas a ativação do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal. produto de grandes injúrias. Paralelamente. Assim. ansiedade. as consequências da ativação das vias da dor podem se diferenciar em três grandes grupos: as devidas ao estresse com repercussão no comportamento. A destruição tecidual ativa nociceptores e inicia a resposta local inflamatória sustentada por múltiplos mediadores e células do sistema imune. passa a informação cranialmente para o tálamo. ativa diretamente na hipófise a secreção de corticotropina e vasopressina. Os efeitos comportamentais da dor são.Dor A dor é compreendida como uma sensação e experiência emocional de desconforto associada a um atual ou potencial dano de tecidos que envolve diversos mecanismos de transferência de sinais neuronais e mediadores de transferência de informações internas dos organismos. Catecolaminas são liberadas para a circulação. Tais processos compreendem estado de hiperglicemia. tanto fisiológicas quanto patológicas.

existem trabalhos que avaliam tais substâncias com o fim de aferir de forma objetiva todas as mudanças metabólicas produzidas pelo trauma tecidual após um ato cirúrgico. Nesse ambiente são promovidas também a lipólise. produto da vasoconstrição que é gerada por estes hormônios. técnicas de laparoscopia. pelo que deve ser tratado com as adequadas terapias analgésicas no transoperatório. como o respiratório. assim. com demonstrado efeito positivo em nossos pacientes. uma diminuição do fluxo em vísceras e músculos. produzem as maiores alterações e o aumento da morbimortalidade dos pacientes cirúrgicos. desencadeadas pelo estresse agudo. o que finalmente se traduz em um aumento no consumo de oxigênio pelo miocárdio. estabelecendo. seguido por aumento na resistência periférica e centralização do sangue em favor dos órgãos vitais como coração e cérebro. a produção de corpos cetônicos e a hidrólise de triglicerídeos como substrato para a gliconeogênese. sendo a principal causa de morte associada à dor junto com outras causas no pós- operatório de qualquer tipo de cirurgia. como a terapia analgésica preventiva. causando principalmente uma sobrecarga cardíaca pela ação da ativação do sistema nervoso autônomo. Dessa maneira os principais tecidos musculares do organismo são afetados. É por todos esses motivos que. que vão agir em diversos sistemas do organismo. Os efeitos cardiovasculares. Os processos de ativação catecolamínicos vão finalmente produzir importantes mudanças no sistema vascular caracterizadas por aumento da pressão arterial. administrando fármacos para sítios específicos periféricos ou centrais. Os efeitos da dor nos sistemas autônomos são caracterizados por reações de alerta e catabolismo governadas por hormônios como adrenalina e noradrenalina. que são representantes da liberação dos hormônios do estresse quando estes se elevam devido a um trauma. Finalmente. como na medula espinhal. Há diversas possibilidades terapêuticas novas ou redescobertas que. o digestivo e o cardiovascular. e isso é promovido pela ação do aumento paralelo das concentrações sanguíneas de adrenalina e noradrenalina. melhoram a entrega das drogas. São vários os estudos nos quais se comparam antigos métodos cirúrgicos com técnicas avançadas minimamente invasivas ou terapias para diminuir tais efeitos do estresse cirúrgico. que produz uma elevação inotrópica e cronotrópica. Entretanto. o que compromete o sistema imune e os processos de reparação tecidual.destas. assim aumentando o aparecimento de arritmias trans e pós-operatórias causadas por processos isquêmicos no miocárdio. o que pode ter sido a causa de um paciente ter que se submeter a um procedimento cirúrgico. na pesquisa veterinária. sepses ou choque cardiogênico. Métodos como bloqueios regionais. osteossíntese minimamente invasiva ou técnicas de fast-track nas cirurgias maiores na medicina humana demonstraram provocar menos estresse pós-cirúrgico mediante a avaliação destes hormônios e outros metabólitos como adrenalina e glicose. . sem dúvida. o preocupante desses processos é que acabam piorando outros processos primários como hemorragias.

e. havendo um aumento posterior na extração de oxigênio pelos tecidos (VO2) gerado provavelmente pela avançada disfunção circulatória que caracterizou os pacientes que não sobreviveram. Nesse caso. como o trauma cirúrgico. no caso de um trauma controlado. hemorragia e medo são os componentes chaves de um trauma. É por isso que alguns autores na literatura médica dão o nome de choque pós-operatório a esta disfunção circulatória. Para alguns autores esta é a diferença entre os pacientes que sobrevivem nas cirurgias de grande porte. tanto . a crença de que as reanimações com infusão de fluidos tinham que ser feitas até valores suprafisiológicos. DO2 (entrega de oxigênio para os tecidos) e VO2 (demanda de oxigênio pelos tecidos). podemos diminuir os estragos produzidos pela dor. porém hoje em dia é contraditório. considerou-se que tanto em sobreviventes como em não sobreviventes se produz uma queda significativa nos valores de índice cardíaco (IC). Logo após a reanimação se instaura um ambiente circulatório com valores supranormais chamados também “estado de hipermetabolismo”. diminuição da pressão arterial e redução no fluxo sanguíneo nos tecidos. nos quais os valores de IC. pelo concorrente aumento da taxa metabólica provocado pela própria injúria e pelos processos inflamatórios e metabólicos secundários a esta. pode ser um dos grandes exemplos de disfunção circulatória e choque. além dessas consequências previsíveis. que são as principais causadoras nos períodos operatório e pós- operatório imediato de queda no débito cardíaco. se for continuada. as anestesias. diante de ausência de alterações hemodinâmicas ou quando estas estavam controladas antes dos procedimentos cirúrgicos. Pela conhecida disfunção circulatória nos pacientes cirúrgicos são descritas. Logo nas seguintes 12 horas do pós-operatório esses valores aumentaram consideravelmente para valores supranormais. Injúria. DO2 e VO2 se mantiveram iguais ou menores em comparação com o período das cirurgias. caraterizado por um aumento rápido da frequência cardíaca e do débito cardíaco. a qual. por vários anos. o que manteve. com diferença dos pacientes que não sobreviveram. sendo esta diminuição ainda maior nos pacientes que não sobreviveram.utilizando combinações de técnicas e drogas. levará a morte por falha orgânica múltipla. Em uma série de estudos realizados em cirurgias de grande porte se estudaram os padrões hemodinâmicos e de transporte de oxigênio. ao diminuir a entrega de oxigênio nos tecidos. do ponto de vista hemodinâmico. dor. Eles se comportam com uma resposta constante de valores supranormais maiores que os que não sobrevivem. existe um fator que sempre vai provocar mudanças em nossos pacientes. Efeitos hemodinâmicos do trauma cirúrgico A intervenção cirúrgica representa uma forma controlada de trauma que. Tal disfunção circulatória é provocada principalmente pelo desequilíbrio.

a deficiência de oxigênio tecidual e o acúmulo de metabólitos são os responsáveis pelo dano celular em todo o organismo. Finalmente. produzindo uma série de espécies reativas de oxigênio (EROs). responsável pelo efeito secundário de hipovolemia e hemoconcentração.na medicina humana como na veterinária. finalmente. a inflamação e os distúrbios hemodinâmicos são as principais ocorrências . de “enlameado”. O quadro tem uma progressão pela adição de outras moléculas que são parte da reação ao trauma. falhas renais agudas logo depois do ato cirúrgico. que vão produzir um marcado aumento na permeabilidade capilar. como citocinas e óxido nítrico. assim. em que também é comprovada a recomendação de realizar monitorização e apoio hemodinâmico adequado. acompanhado da aglutinação de eritrócitos e plaquetas. sem dúvida. Conclusão A dor. que leva a um aumento de hipoxantinas. É por todas essas razões que. a hipoxemia sistêmica e a hipotensão podem gerar um déficit de oxigênio no endotélio. as medidas tomadas para diminuir o trauma nos tecidos e as consequências macro-hemodinâmicas do ato cirúrgico. o fluxo capilar com um aumento na pressão hidrostática nos tecidos. Mas os resultados do consumo de ATP produzem distúrbios na permeabilidade de membrana e nas bombas sódio-potássio-ATPase. Essa diminuição do ATP também gerará uma diminuição do monofosfato de adenosina cíclico (AMPc). que vão perpetuar e amplificar o dano celular até levar a um estado de não retorno na clínica desses pacientes com consequente falha orgânica múltipla. que vão se traduzir em um fenômeno chamado. o que é parcialmente compensado pela degradação de trifosfato de adenosina (ATP) dentro dessas células. com aumento do sódio intracelular e consequente tumefação celular que. sobretudo nos casos de alto risco para a vida. sobretudo em pacientes de cirurgias de grande risco para melhorar as funções renais nesses pacientes. pensando no ato cirúrgico como um processo controlado de trauma nos pacientes. Ainda repondo a estabilidade hemodinâmica. e dependendo do grau e da extensão do trauma. Esses processos são produzidos principalmente pela secreção de hormônios catecolamínicos que vão fazer que tanto arteríolas como vênulas se contraiam. em conjunto com um pronto atendimento e restabelecimento dos parâmetros fisiológicos. nos parênquimas e nas células imunes competentes. Porém atualmente trata-se de um problema mais preocupante o que acontece na microvascularização. Esse fenômeno vai desencadear obstrução na microcirculação e falha no transporte transcapilar. reduzindo. pela evidência científica. sendo esses efeitos os que vão fechar o círculo vicioso de progressão das lesões hemodinâmicas até produzir a morte por disfunção orgânica múltipla. levam ao sucesso os procedimentos operatórios. ativam os mecanismos de apoptoses e necroses celular. uma vez que se perpetua o cenário de disfunção circulatória nos nossos pacientes.

. Epidural anesthesia and analgesia – effects on surgical stress responses and implications for posoperative nutrition. Cashman J. Constitutive cyclooxigenase (COX-1) and inducible cyclooxigenase (COX-2): rationale for selective inhibition and progress to date. Kindt T. Journal of American Animal hospital Association. 1996.D.21(3):199–206.373:273–282. et al. Hall G.M. Kuby Imunologia. Acute Pain.H.. British Journal of Anesthesia. J Rheumatol.I.E. 2002. Osborne B. Clinical Nutrition. J Clin Pharmacol. 2010 May. 2002.. Spinal tumor necrosis factor alpha neutralization reduces peripheral inflammation and hyperalgesia and suppresses autonomic responses in experimental arthritis: a role for spinal tumor necrosis factor alpha during induction and maintenance of peripheral inflammation... Desborough J. aumentando a morbidade pós-operatória. Review article: COX-II inhibitors-a new generation of safer NSAIDs? Alimentary Pharmacol Therap. Carr D. são essenciais ferramentas para a recuperação de um animal após ser submetido a uma operação. Burton D. Waldron D..J..J. 2006.. Comparison of posoperative pain after ovariohysterectomy by harmonic scalpel-assisted laparoscopy compared with median celiotomy and ligation in dogs. Lanz O. . 1998. 2004.52(suppl 5):13–23. Hawkey C. Metabolic resonse to severe injury. 1988.. 1999.C.16(2):181–206. Holte K. Boynton C..39:391–396.. Medicinal Res Rev. Griswold D. Waltham Focus. Donnelly M. et al.353:2051–2058.18:120– 121. assim como o controle dessas respostas ao trauma. Referências Austin B. 4 ed. Arthritis Rheum.. Critical Care and Pain.. Hancock R. NSAIDs an overview. 1991. Efeitos do flunixin. Lanz O.4(5):144–147. British Journal of Surgery.J. Continuing Education in Anethesia.28:518–523.. carprofeno. Cervero F. Hamilton S. Dick C. O entendimento. Kehlet H. 1988.62(5):1308–1318..K. muitas vezes são negligenciados.253:2145–2148. Laird J. Bater D. 1996. Cruz M. 1999.11(2):227–236.A. Laparoscopic ovariohysterectomy in nine dogs. Adams J. Hill G.S. Mayor G. Visceral pain. et al.L.16(3):2–8.85:884–890. 2000.114:19–25. Brandt K. Drugs. Rio de Janeiro: Revinter. Hill A. Veterinary Surgery. 1997.T. Endocrine and metabolic response to surgery. Clinical pharmacology of NSAIDs. The stress reponse to trauma and surgery. relacionadas com o trauma cirúrgico.28:512–517. ketoprofeno. Lancet... Nicholson G. Lancet. 2002.F.N.L. A Hora Veterinária. The mechanisms of action of NSAIDs in analgesia. Goldsby R. Goudas L. et al. Gogny M.. buprenorfina e placebo para analgesia pós- operatória em cães submetidos a osteossíntese de fêmur. The mechanism of action of nonsteroidal anti-inflamatory drugs. J Clin Phamacol.. 2003.. 2005. Boettger M. Manejo del dolor en pacientes críticos.85(1):109– 117.

362:1921– 1928. 2006.S. The Many Roles of Chemokines and Chemokine Receptors in Inflammation Review Article.36:691–701.270(3 pt 1):g393–400. Schiochet F. 7 ed. Williams C. 1998.10(1):1–17. Rio de Janeiro: Elsevier..354:610–621. Cyclooxigenases 1 and 2.. Vet Clin North Am: Sm An Pract.38:97–120. Ann Rev Pharmacol Toxicol.R. DuBois R. Pairet M. Annals of Surgery.. Prostaglandin endoperoxide synthase: Why two isoforms? Am J Physiol.Israel F. Kehlet H. William F. .C.236(5):643–648. et al. Jeschke M.. Anesthesia. 2009. Kumar V..K. Lancet. 2000. 2009.22(1):489–502.30:773–781.. et al.. Pathophysiology of trauma. Keel M. Richard M. 1996. et al. surgery and challenges in posoperative recovery.. 2002. 1504 Livingstone A. Stedile R. Pesquisa Veterinária Brasileira. Engenlhardt G. Fudamental & Clin Phamacol. 2005. nutrition and drugs. Injury.R. Trentz O.. 1996. Wilmore D. 2003. Mechanism of action of nonsteroidalanti-inflamatory drugs.. p. Beck C. Robbins e Cotran: patologia: bases patológicas das doenças. Distinct isoforms (COX-1 and COX-2) of cyclooxigenase: possible physiological and therapeutic implications. Vane J. Fausto N.. Dahl J... Laparoscopic versus open splenectomy in dogs.N. Journal of American College of Surgeons. Chinkes D. N Engl J Med. 2005. From Cuthbertson to fast-track surgery: 70 years of progress in reduce stress in surgical patients.29(8):653–660.. Abbas A. Modulation of the hypermetabolic response to trauma: temperature.

Entretanto. nenhuma técnica cirúrgica seria possível (e este livro não estaria em suas mãos agora) se os organismos animais não fossem capazes de naturalmente recuperar seus tecidos lesados. quando o ambiente é favorável (com níveis adequados principalmente de oxigênio. Os estudos cada vez mais aprofundados de bioquímica do processo de reparação mostram que importantes grupos de substâncias (citocinas e fatores de crescimento). Capítulo 7 Cicatrização Marta Fernanda Albuquerque da Silva Introdução Os processos de cicatrização e regeneração são vitais e ocorrem nos seres vivos em muito maior escala do que se percebe rotineiramente. e a regeneração pode ser substituída por cicatrização em órgãos como fígado ou osso. a fibrose hepática é uma ocorrência comum. As lesões. frente a agressões repetidas. E é na prática cirúrgica. talvez mais do que em qualquer outra atividade do ser humano. são corrigidas pelo organismo com tecido original (regeneração) ou fibroso (cicatrização). produzidas e liberadas após a instalação de uma lesão e durante as diferentes fases da sua reparação. desde a Antiguidade. traumáticas ou cirúrgicas. como no caso de hepatites. o equilíbrio necessário entre estímulo e inibição não é mantido. por isso vem servindo como ponto de . É amplamente conhecida. a capacidade de regeneração do fígado. ressaltada na mitologia grega pela lenda de Prometeu1. que se depende do seu pleno desenvolvimento. Um exemplo desta interação entre capacidade mitótica característica do tecido e influências ambientais se dá na reparação de lesões hepáticas. nutrientes e pH). frente às influências ambientais impostas às células capazes de substituir o tecido lesado. Entretanto. como a derme ou a córnea. de acordo com a capacidade de multiplicação celular da(s) estrutura(s) afetada(s). demonstrando a importância das influências do microambiente sobre o funcionamento celular. Na verdade. A pele é o órgão no qual a cicatrização é mais facilmente observada. ou mesmo a cicatrização completa pode não ser obtida em estruturas que naturalmente são substituídas por tecido fibroso. estimulam ou inibem a atividade de vários tipos celulares de forma complexa e orquestrada. em ambiente desfavorável. tanto devido à sua extensão quanto à superficialidade.

Não é exagero afirmar que o descuido com o aprofundamento e a atualização dos conhecimentos nesta área implica atitudes que levam a desperdício de tempo e recursos na maioria das situações de rotina. a cicatrização ou regeneração em outros órgãos é comparada com os processos que ocorrem em derme e epiderme. Quando as margens não são aproximadas. Na verdade. quando não chega a causar atraso ou insuficiência de reparo nos tecidos lesados. ocorre formação de tecido de granulação que. Compostos vasoativos medeiam uma vasoconstrição transitória (duração de aproximadamente 5 min a 10 min) para diminuir a hemorragia e permitir a hemostasia. denominando-a “reação inicial” ou “hemostasia”. A reparação em outros tecidos será abordada no item seguinte. o que causa a ruptura de vasos sanguíneos e linfáticos com consequente extravasamento de sangue e linfa para o meio extracelular. esta última efetivada pelo processo normal de . Classicamente a cicatrização é dividida em três fases distintas: inflamatória. sofrendo contração. por motivos já descritos anteriormente. estimulantes ou inibidoras de vários mecanismos de reparação. reduz a área da ferida e é finalmente recoberto pelo tecido epitelial (cicatrização por segunda intenção). Fase Inflamatória Após estudos realizados a partir da metade do século passado sobre a atuação de células inflamatórias na produção de substâncias sinalizadoras. com mínimas granulação e contração (ferida cirúrgica). A fase inflamatória inicia-se imediatamente após a atuação do agente traumático. além de acúmulo de produtos da lise das células. A cicatrização de feridas cutâneas é dividida em fases bem descritas com base em estudos microscópicos. O entendimento dos eventos celulares e bioquímicos que ocorrem nos diferentes estágios da cicatrização determinam uma boa atuação do médico veterinário na condução do processo de reparo. de reparação e maturação. que será aqui incluída na fase inflamatória.partida para estudo e explicação dos fenômenos de reparação ao longo da história da pesquisa médica. Estas fases se sobrepõem e suas características e duração variam de acordo com fatores relacionados com o agente traumático. a área atingida e a resposta orgânica. Alguns autores incluem uma primeira fase. Fases da cicatrização A cicatrização de feridas cutâneas será utilizada neste texto como base para o entendimento do reparo tecidual. Considera-se que a cicatrização da pele ocorre por primeira intenção quando as margens da ferida são totalmente aproximadas. desvenda-se a cada dia a riqueza de eventos que se desenvolvem nesta fase e o seu papel fundamental na cicatrização.

permitiram o desenvolvimento de tecido de granulação (C) e formação da cicatriz (D). danificada ou retirada dos processos de limpeza da ferida. Não é incomum que a importância desta MEC provisória seja negligenciada em situações de rotina clínica e. mas também pela liberação de importantes mediadores. como neutrófilos e macrófagos. Atenção especial deve ser dada a este componente.coagulação orquestrado pelas plaquetas (ativadas quando se ligam ao colágeno exposto no endotélio vascular e na matriz extracelular durante a lesão). As plaquetas têm papel de destaque nesta etapa inicial da fase inflamatória não somente por promoverem a coagulação. Técnicas reconstrutoras de avanço promoveram a aproximação da pele à margem da órbita e. é considerado uma matriz extracelular (MEC) provisória por liberar substâncias quimiotáticas para leucócitos. O PDGF . em casos de dificuldade na cicatrização ou em grandes perdas teciduais (Figura 7. Forma-se naturalmente o coágulo. para direcionarem-se para a ferida (início da inflamação). porque sua integridade é necessária para o desenvolvimento normal de uma ferida e. que irá preencher a área lesada e estabilizar as margens da lesão. e ainda fornecer substrato mecânico para invasão e migração de células que irão formar a cicatriz. inadvertidamente. O fator de crescimento derivado de plaquetas (PDGF) e o fator de transformação de crescimento beta (TGF-β) recrutam células. mais ainda. envolvendo inclusive o olho direito com exposição da cavidade orbitária (A).1).1 Gato com ferida caracterizada por grande perda tecidual na cabeça. Figura 7. responsáveis pela iniciação e progressão do reparo por meio das fases subsequentes. fatores de crescimento (produzidos pelas plaquetas) que influenciam as fases iniciais e avançadas do reparo. cuidados para manutenção da MEC provisória no fundo da cavidade (B).

os neutrófilos. os macrófagos então sofrem transição fenotípica para um estado reparador. produtos de degradação da MEC provisória e proteínas inflamatórias. Em uma cicatrização normal. como elastase e metaloproteinases da matriz (MMPs). fator de crescimento epidérmico (EGF). de substâncias vasoativas pelos mastócitos. onde chegam aproximadamente 6 horas após o trauma e são uma primeira linha de defesa contra a infecção por fagocitarem bactérias. da mesma forma que as plaquetas. estas enzimas são liberadas em quantidades fisiológicas e não causam dano tecidual excessivo. TGF-α. e ainda atraem mais neutrófilos para o sítio da lesão. . dando início à ativação de fibroblastos e células epiteliais. e também regular a destruição proteolítica dos tecidos da ferida por secretarem não somente as MMPs. como PDGF. corpos estranhos e tecido necrótico remanescente. atraídos por citocinas liberadas pelos neutrófilos. mas também os seus inibidores (inibidores teciduais de metaloproteinases [TIMPS]). porém.também recruta fibroblastos e ativa a produção de colágeno e glicosaminoglicanos por estas células em fase um pouco mais avançada da cicatrização. excesso de debris ou em feridas crônicas há abundância de neutrófilos. Passadas aproximadamente 24 horas da injúria podem ser observados os sinais locais da inflamação devido à liberação. A função dos macrófagos inicialmente é remover bactérias residuais. destruindo a matriz e também alguns fatores de crescimento fundamentais. na presença de infecção. TGF-β. Mediadores na MEC provisória promovem marginação. TNF-α. Transformam-se nos macrófagos. Além de fagocitarem agressivamente material estranho e promoverem a morte bacteriana por meio da poderosa bateria de enzimas que produzem. Neste contexto situa-se a importância do debridamento e do controle da infecção nas feridas de cães e gatos para redução do tempo de cicatrização e do risco de possíveis complicações (Capítulo 19). componentes extracelulares danificados e corpos estranhos. Com a regressão da resposta inflamatória e estabilizado o microambiente da ferida. adesão e extravasamento de neutrófilos para a ferida. Para moverem-se através da MEC os neutrófilos liberam enzimas proteolíticas que causam rupturas na estrutura da MEC provisória. fator de crescimento fibroblástico (FGF). influenciam a fase seguinte da reparação por liberarem citocinas como interleucina 1 (IL 1) e fator de necrose tumoral alfa (TNF- α). fator de crescimento endotelial vascular (VEGF) e IL-6. que têm vida curta. Secretam grande quantidade de importantes fatores de crescimento e citocinas. Monócitos também migram para a ferida a partir de sangue periférico. que liberam quantidades massivas destas moléculas. como a histamina. poucas horas após a lesão. fator de crescimento semelhante à insulina 1 (ILGF-1). em similaridade aos neutrófilos. como PDGF e TGF-β. o que mantém o processo na fase inflamatória. possibilitando o movimento de neutrófilos dos vasos para o local da lesão. passando a predominar na ferida em substituição aos neutrófilos. causam vasodilatação e aumento do espaço entre as células endoteliais. que recrutam fibroblastos. Estas substâncias.

angiostatina. que tem seus níveis aumentados dentro das células endoteliais quando há um decréscimo dos níveis de O2 em seu entorno – o HIF liga-se então a sequências específicas de DNA para estimular a transcrição de VEGF e. Uma vez que os vasos dos tecidos periféricos à lesão são a origem da neoformação vascular na área da injúria. com isso. entre outras medidas. fatores locais que estimulam a angiogênese incluem baixa tensão de O2. Os níveis de oxigênio regulam diretamente a angiogênese por meio do fator induzível por hipóxia (HIF). angiogenina. é fundamental que a rede vascular seja suficiente e que as intervenções para manejo das feridas sejam direcionadas para sua preservação. conforme já exposto. inibição) da angiogênese é feita por uma combinação da atuação de fatores liberados por macrófagos e outras células (FGF. VEGF. Assim como as células endoteliais. endostatina e trombospondina). curativos e bandagens excessivamente compressivos devem ser evitados. devendo-se escolher preferencialmente as que provocam pouca isquemia. Fase de Reparação A fase de reparação ou proliferativa envolve. A angiogênese é o crescimento de novos capilares a partir de vasos preexistentes nas margens da ferida. promover a angiogênese. O início da angiogênese é estimulado pela atuação de mediadores liberados pelos macrófagos (TNF-α e FGF). que vão produzir as fibras colágenas (fibroplasia) e substâncias da matriz extracelular. caracterizando-se pela migração de colunas de células endoteliais capilares em direção ao local da injúria.células endoteliais e células do epitélio para o local da ferida para a deposição de matriz. regulando-se a força de aperto dos nós. Portanto considera-se que os macrófagos promovem a transição para a fase proliferativa (de reparação) da cicatrização. dando origem aos fibroblastos da ferida. também começa a proliferação das células endoteliais e. com isso. A regulação (estímulo vs. neovascularização e epitelização. novos capilares são formados dentro da ferida (na MEC provisória). com a mesma preocupação. angiopectina 1. trombospondina. os fenômenos de angiogênese (formação de novos vasos). também. epitelização (cobertura do tecido de granulação por células epiteliais) e. que devem ser rapidamente corrigidos pela neoformação vascular. O fibroblasto da ferida é único e difere do fibroblasto normal do tecido . células mesenquimais também migram para dentro da área preenchida por MEC provisória. baixo pH e altos níveis de ácido lático. TGFβ. desencadeando a transformação da MEC provisória em tecido de granulação. de contração do tecido neoformado. enquanto está acontecendo a invasão. Daí resulta a grande importância dos cuidados na execução de suturas das feridas cirúrgicas. fibroplasia (produção de colágeno e de uma nova MEC por atuação dos fibroblastos). É essencial para o suporte nutricional aos intensos processos metabólicos de divisão celular e síntese molecular na formação do novo tecido.

proliferação iniciada em período de um a dois dias. Sua coloração vermelho vivo característica e seu aspecto brilhante e regular denotam bom andamento da cicatrização. A observação de uma granulação saudável é um ponto importante no acompanhamento clínico da evolução das feridas cicatrizando por segunda intenção e. É assim denominado pelo aspecto granular na sua superfície. associada à neoformação capilar. Este tecido consiste em uma rede densa de capilares. Imediatamente após a injúria as células nas margens sofrem alterações. Os fibroblastos param então de produzir colágeno e há regressão do conteúdo de capilares no tecido de granulação. além de fibras colágenas desordenadamente depositadas. estas substâncias e o ácido hialurônico da MEC provisória desempenham importante papel no fornecimento de substrato para a migração celular. posteriormente. O ritmo mais alto de acúmulo de tecido conjuntivo ocorre entre os dias 7 e 14. Mediadores liberados por macrófagos e plaquetas estimulam a proliferação dos fibroblastos e sua migração através da MEC. provocando falta de aderência entre células dérmicas e epidérmicas e facilitando o movimento lateral das . desmina e vimentina. ausência de infecção e. que facilitam seu movimento através da matriz. item “Manejo de feridas cutâneas”). também secretam MMPs.mesenquimal (conjuntivo) sadio. assim como os neutrófilos e macrófagos. assim como proteínas filamentares intermediárias. promove gradualmente a substituição da MEC provisória pelo tecido de granulação. define a conduta clinicocirúrgica (maiores detalhes no Capítulo 19. na maioria das vezes. suficiência de suprimento sanguíneo. com filamentos contráteis abundantes. O tecido de granulação. grande quantidade de fibroblastos e macrófagos. uma vez que as células na ferida sofrem apoptose. A migração ocorre quando os fibroblastos expressam receptores para integrina. os quais ligam-se a fibronectina. uma célula acessória microvascular que corresponde à célula muscular lisa vascular dos vasos maiores. Uma das fontes para esta célula pode ser o pericito. vitronectina e fibrina da MEC provisória. Colagenases e MMPs produzidas pelas células epidérmicas induzem a dissolução de ligações hemidesmossômicas entre a epiderme e a membrana basal. Desta forma. torna-se uma cicatriz relativamente acelular. quantidades variadas de actina (uma proteína de músculo liso). que foi rico em fibroblastos. A produção de colágeno. dissolução da maioria dos desmossomos que fornecem conexões físicas entre as células e formação de filamentos de actina citoplasmáticos periféricos que permitem o movimento celular. Pode apresentar uma aparência miofibroblástica característica. proteoglicanas e glicoproteínas pelos fibroblastos. A atividade das células epidérmicas. após o que se estabiliza o nível de colágeno. Os fibroblastos. tem início logo após a lesão. com retração dos monofilamentos intracelulares. começando com migração para o leito da ferida e. como base de todo o processo. que vão promover a epitelização da granulação. que corresponde aos aglomerados de capilares neoformados circundados por matriz extracelular.

Migração e proliferação das células epidérmicas são estimuladas por mediadores como EGF. isto pode levar de semanas a meses. TGFα e fator de crescimento de queratinócitos (KGF). mesmo a despeito da frouxidão da pele circunjacente. ou até quando a tensão da pele iguala-se ou excede a força de contração. a cobertura da ferida pelo epitélio (epitelização) só é completada após a formação de tecido de granulação adequado. que ocorrem intensamente na fase de reparação da cicatrização (migração de fibroblastos.2). apesar de denso e bem estruturado. Quando for realizada a sutura da ferida (cicatrização por primeira intenção). Conforme ocorre a reepitelização. influenciada por mediadores incluindo TGF-β1. Os processos de migração celular. a atuação de miofibroblastos promove a contração da granulação. realizando-se. . então. Em algumas feridas uma baixa quantidade de miofibroblastos no tecido de granulação pode causar contração insuficiente. ou restrição à movimentação. células endoteliais e epitélio). são grandemente favorecidos na presença de um ambiente úmido. Assim como os fibroblastos. Em alguns casos a retração da ferida pode causar deformidades. mas. como fibronectina e vibronectina. além da percepção de que o tecido de granulação. o processo de migração. O conhecimento deste fato é uma das diretrizes na escolha de produtos e técnicas de manejo das feridas nesta fase. é formado por grande quantidade de células em alta atividade metabólica e colágeno mal organizado. em grandes feridas abertas. quando localizadas sobre articulações (Figura 7. sem ressecamento. Apesar do início precoce na atividade regeneradora. material de membrana basal acumula-se progressivamente sob as células em migração e as células epidérmicas revertem para seu fenótipo normal e tornam-se firmemente ligadas à membrana basal. TGF-β2 e PDGF. Quando as margens da ferida encontram-se separadas.células epiteliais. fibroblastos e macrófagos da ferida. quando a lesão está próxima a orifícios naturais. A contração começa a ser visível em torno do quinto ao 10° dia e progride até o encontro das margens. as células epiteliais expressam receptores de integrina que permitem a interação com uma variedade de proteínas da MEC. a epitelização pode estar completa 24 h a 48 h após a injúria. produzidos pelas próprias células epiteliais. Portanto é frágil e merece cuidados específicos.

que é o colágeno dominante na pele. recoberta pelo epitélio e tendo sofrido contração. Há também redução no conteúdo de colágeno. a contração da ferida ocorreu de forma significativa. O colágeno tipo III.2 O cão nesta figura sofreu extenso ferimento envolvendo a pele sobre a articulação úmero-rádio-ulnar direita. é gradualmente substituído pelo colágeno tipo I.Figura 7. e o máximo da força obtida por uma cicatriz é de 70% a 80% do tecido normal. conforme apresentado na Figura 7. O remodelamento é o “saldo” entre a expressão de MMPs e TIMPs. O conhecimento dos mecanismos envolvidos na fase de maturação da cicatriz pode ter forte significado clínico. com a granulação totalmente formada. A reorganização do tecido conjuntivo e dos feixes de colágeno pode levar meses a anos. a celularidade diminui conforme ocorre apoptose de fibroblastos e células endoteliais e o tecido de granulação transforma-se em cicatriz. células epiteliais e endoteliais e fibroblastos ainda presentes na MEC. Após a granulação. retomando o aspecto original do tecido (regeneração). resultando num aumento da resistência da ferida. a regressão do intenso metabolismo celular ocorre gradativamente. tórax lateral e região peitoral. na qual talvez a alteração mais expressiva ocorra no conteúdo. mostram mais ligações e assumem uma orientação específica ao longo das linhas de tensão. O epitélio que recobre a cicatriz estratifica-se progressivamente e a camada superficial é queratinizada. Fase de Maturação Depois de atingido o máximo da fase reparativa. mediante manobras mecânicas.3. o direcionamento do arranjo dos feixes de colágeno. reduzindo-se deformidades prejudiciais ao paciente. Um exemplo disso é a possibilidade de se influenciar. Os feixes das fibras de colágeno tornam-se mais espessos. na transformação e na organização das fibras colágenas. limitando sobremaneira o movimento articular. Tem início então a fase de maturação ou remodelação. . no qual a MEC tem um papel chave. principalmente em feridas nas quais a retração cicatricial é um problema para o organismo. depositado inicialmente na ferida e também conhecido como colágeno reticular. que é degradado por enzimas proteolíticas (MMPs) secretadas por macrófagos.

A Figura 7. na fase de maturação da cicatriz.3 Ferida por queimadura em cadela envolveu mais de 50% da superfície corporal.Figura 7. atingindo. apesar da extensa cicatriz formada ao final do processo (F).4 representa esquematicamente a cascata de eventos envolvidos na cicatrização das feridas cutâneas. as regiões peitoral e proximal dos membros torácicos. Obteve-se o retorno do membro à posição normal (E) com capacidade funcional. . de acordo com as linhas de tensão impostas à região. direcionando-se assim a organização dos feixes colágenos. em pelo menos três sessões diárias de exercícios. A opção terapêutica escolhida foi o movimento forçado do membro atingido. Após tratamento o processo cicatricial evoluiu com granulação (A) e contração (B). entre outras áreas. provocando deformidade e impotência funcional do membro torácico esquerdo (C e D).

diferenciação. com fases diferenciadas. os processos de migração. em semelhança à cicatrização na pele. Entretanto. devido à característica de tecido mineralizado.Figura 7. no osso o processo de reparo apresenta maior complexidade. estímulo e inibição por mediadores. . de reparação e maturação.4 Representação esquemática do processo de cicatrização das feridas em suas fases inflamatória. síntese de proteínas. As setas pontilhadas indicam as principais relações de regulação exercidas pelos tipos celulares. Cicatrização em diversos tecidos Cicatrização Óssea A cicatrização óssea também envolve. proliferação. através da produção de moléculas mediadoras.

envolvendo a formação preliminar de tecido fibroso e cartilagem. na cicatrização indireta. com formação de coágulo entre os fragmentos e inflamação. Tem características de ossificação endocondral. tendo as plaquetas e os macrófagos aqui também um papel de destaque na regulação. nos osteoblastos. Cada um deles participa mais ou menos intensamente. ressaltando-se especificamente o papel das proteínas ósseas morfogenéticas (BMPs). devido a níveis variados de movimentação no foco da fratura. bem como suas funções de síntese e secreção. ocorre quando são obtidas total estabilidade dos fragmentos da fratura e aproximação de suas extremidades. o periósteo. são aqui também reguladas pelas moléculas promotoras de cicatrização (citocinas. MMPs). desempenham papel crítico na regulação do crescimento. incluindo colágeno tipo II e proteoglicanas. A diferenciação. São produzidas por células mesenquimais. incluindo quimiotaxia. a cartilagem sofre hipertrofia e mineralização de forma espacial organizada – conforme ocorre invasão vascular. em conjunto com o periósteo. que são. dependendo do microambiente da fratura. diferenciação e apoptose de osteoblastos e condroblastos. com interações semelhantes às que ocorrem nas feridas cutâneas. proliferação e diferenciação de células osteoprogenitoras. osteoblastos e condrócitos da MEC óssea e induzem uma cascata de eventos. sem formação de calo ósseo. Os componentes locais que contribuem para o processo de cicatrização são o córtex. Com o aumento da estabilidade. ainda. Todos estes processos são regulados por substâncias mediadoras (citocinas. migração e multiplicação das células. a cicatrização direta. que sintetizam e secretam matriz específica da cartilagem. condroblastos e. De uma forma geral. MMPs). a fonte de células mesenquimais indiferenciadas que se transformam em fibroblastos. Após a lesão. o processo inicial é bastante semelhante ao que ocorre nas feridas de pele. fatores de crescimento. os condrócitos hipertróficos em calcificação são removidos por condroclastos e os osteoblastos promovem a formação de tecido ósseo organizado. Histologicamente a cicatrização de fraturas é classificada em direta (primária) e indireta (secundária). Quando um mínimo de estabilidade é conferido pelo tecido fibroso. além de controle da síntese de MEC. formação de tecidos de granulação e fibroso. surgem os condroblastos e condrócitos na área lesada (do 7° ao 21° dia). em fase subsequente. a medula óssea e os tecidos moles externos. invasão angiogênica. A cicatrização óssea indireta (secundária) ocorre mais comumente. fatores de crescimento. O suprimento sanguíneo principal para a fase inicial do reparo da fratura tem origem nos tecidos moles circunjacentes. há formação de calo ósseo e sua posterior remodelação. que é calcificada e substituída por tecido ósseo. principalmente em relação à estabilidade mecânica e ao suprimento sanguíneo. Diante da observação de seus efeitos osteoindutivos e do sucesso de sua utilização no estímulo da cicatrização óssea in vivo. visto que a maioria dos métodos de imobilização utilizados em ortopedia permite pelo menos o micromovimento no foco. tem sido incluída em protocolos .

que se inicia com a formação de cavidades de reabsorção constituídas por grupos de osteoclastos que formam “cones de perfuração” e avançam longitudinalmente.terapêuticos e parece ser. Estudos in vitro e in vivo estão sendo retomados nos últimos anos. A fonte de células parece ser o osso cortical. ou “cicatrização em fenda”. uma vez que a diferenciação de células mesenquimais se faz diretamente em osteoblastos. mas transitória. mas é mais provável que estimulem adicionalmente uma resposta extrínseca. Defeitos superficiais levam a reação inicial intensa. Formação óssea primária (cicatrização óssea direta) ocorre sob fixação rígida. a mais promissora para uso clínico. deteriorando-se rapidamente e levando à progressão de sintomas secundários de osteoartrite. ocorrendo simultaneamente a união e a reconstrução dos fragmentos da fratura. Há formação de calo ósseo (rígido). Cicatrização da Cartilagem Articular O tecido cartilaginoso é sabidamente uma estrutura de difícil recuperação. A ação sincronizada da reabsorção óssea e das células osteogênicas resulta na reestruturação direta dos ósteons. A ossificação intramembranosa é considerada cicatrização óssea indireta por alguns autores e. Ocorre normalmente a formação de fibrocartilagem em substituição ao tecido lesado. por outros. que não suporta as forças mecânicas fisiológicas encontradas dentro de uma articulação sinovial. quando uma pequena falha é inicialmente preenchida por tecido ósseo desorganizado (osteoide). quando não há espaço entre os fragmentos. Esta reação é caracterizada pela morte de condrócitos e. estes vasos são acompanhados por células mesenquimais e precursoras de osteoblastos que “forram” a cavidade. já se tendo considerado que uma cartilagem articular lesada não poderia ser recuperada. o periósteo a poucos milímetros do foco e a medula óssea na região da fratura. especialmente em indivíduos jovens. sendo considerada “cicatrização por contato”. entre as moléculas promotoras da cicatrização óssea. por uma onda de proliferação. os osteoclastos são seguidos por uma alça capilar que corre no centro da cavidade de reabsorção e. um tipo de cicatrização direta. na cartilagem em torno da lesão. com degradação simultânea. então. O processo comum aos dois tipos é o remodelamento harversiano. Entretanto estudos clínicos em humanos e experimentos em animais têm mostrado que pode ocorrer recuperação espontânea. provavelmente originada de um coágulo na base da lesão osteocondral. levando a aglomeração celular e produção intensa de MEC. Lesões de espessura total também estimulam uma resposta semelhante a partir do tecido cartilaginoso. transformam-se em osteoblastos e iniciam a produção de osteoide. mas raramente ocorre a recuperação. A eficiência de reparo destas lesões é variável. buscando-se . não sendo observados os estágios de tecidos fibroso e fibrocartilaginoso. por sua vez.

os quais se proliferam e sintetizam colágeno e componentes da MEC. Lesões envolvendo o estroma implicam a transformação de queratinócitos em fibroblastos. pode levar de duas a quatro semanas para a reconstituição de uma membrana basal e. esperando-se que o entendimento da participação destas moléculas no processo de cicatrização possa gerar melhores condições terapêuticas. Cicatrização da Córnea A córnea é composta por três camadas principais: epitélio. O reparo no endotélio ocorre por aumento de tamanho e difusão de células adjacentes. Após . que se mantêm em constante processo de renovação na córnea normal. que se apoia sobre a membrana basal. permitindo adesão celular e migração. Inicialmente os fibroblastos secretam fibronectina como MEC provisória. o colágeno estromal sofre alterações em suas ligações e ocorre síntese de proteoglicanas. aumentam de tamanho e perdem suas ligações hemidesmossômicas. estroma. Em lesões superficiais da córnea. A margem dianteira das células em migração é uma monocamada. após a reparação. o epitélio sobrejacente é deslocado pelas novas fibras colágenas e lamelas. as células da camada epitelial basal e queratócitos do estroma produzem fibronectina rapidamente após a injúria do epitélio. reinicia-se a mitose para restauração da espessura normal do epitélio. As células epiteliais. que geralmente são desorganizadas e podem resultar em formação de cicatriz. Uma vez que a ferida está fechada. composto por fibras colágenas. resultando em remodelação gradual da ferida. Em casos de injúria incisional.avaliar as situações individuais que permitem a recuperação espontânea. as interações entre as células têm que ser resistentes para suportar as forças do movimento de migração e as alterações no formato das células. A cicatrização é mais rápida quando a membrana basal não está rompida. e uma monocamada de células endoteliais situada acima da membrana de Descemet. É necessária a coordenação entre o desenvolvimento de adesões focais da célula à MEC provisória (mediadas pela integrina) na “dianteira” e a desmontagem das adesões na “retaguarda” da célula para efetuar-se a migração. a MEC sofre contração para reposição das margens por atuação de miofibroblastos. os mecanismos normais de troca ativa e a função de barreira se restabelecem. até 12 meses para o desenvolvimento completo de complexos de adesão normais entre as células e a membrana basal. permitindo a migração das células epiteliais e sua ligação à superfície da ferida. preparando-se para a migração. Uma vez que uma monocamada confluente esteja presente. A fibronectina age como uma MEC provisória. Conforme continua a proliferação de fibroblastos. cessam a mitose e retraem-se na margem da ferida. bem como relacionar os mecanismos de atuação das substâncias reguladoras mais recentemente identificadas em outros tecidos com o reparo na cartilagem. proteoglicanas e glicoproteínas e mantido por queratócitos.

que inibem o processo inflamatório que teve início na degeneração walleriana. Aumenta a permeabilidade sanguínea e macrófagos da circulação são recrutados para o local do nervo periférico afetado. resultando em degradação do tronco nervoso – em três a quatro semanas a maior parte da mielina desaparece. Cicatrização dos Nervos Periféricos Após a transecção do nervo periférico. fornecem trilhas para o crescimento axonal (bandas de Büngner). os axônios danificados podem desenvolver brotos no coto proximal poucas horas após a lesão. axônios e bainhas de mielina sofrem lise e são fagocitados. . sofre cromatólise – dilatação. No coto axonal distal ocorre degeneração walleriana poucos dias após a injúria. No processo de degeneração walleriana. quando há transecção parcial ou total do nervo. há aumento significativo na concentração de cálcio intracelular. provavelmente com participação das células de Schwann e macrófagos locais ativados pela injúria. dando-se o mesmo no coto proximal. O corpo celular. Apesar de as reações iniciais à injúria serem principalmente inflamatórias e degenerativas. no coto proximal os axônios se degeneram até o primeiro nódulo de Ranvier. mesmo distante da área lesada. como IL 10. o que ativa proteases sensíveis a este íon. As células de Schwann secretam fatores neurotróficos.procedimentos cirúrgicos que envolvem ressecção de fragmentos endoteliais. deixando um coto de nervo composto principalmente de células de Schwann e suas projeções citoplasmáticas dentro do espaço anteriormente ocupado pelos axônios. responsável por perda da função do endotélio. em lesões graves pode ocorrer a morte celular. a regeneração axonal é menos provável devido a rupturas das bainhas de tecido conjuntivo e à formação de cicatriz. a regeneração geralmente ocorre sem problemas. estimuladas por ação de macrófagos. além de expressarem citocinas anti-inflamatórias. que estimulam o alongamento citoplasmático no coto proximal. ocorrendo degradação granular do citoplasma do axônio. Estes “tubos de regeneração”. As células de Schwann iniciam a proliferação ao longo dos tubos do coto distal do terceiro ao quarto dia após a lesão e continuam por aproximadamente mais duas semanas. Os macrófagos ligam-se ao endoneuro para iniciar a fagocitose de axônios e mielina. pode ser produzida uma membrana fibrosa retrocorneal. Em conjunto com macrófagos elas secretam fatores mitogênicos ou agem sobre fatores de crescimento neurotróficos que induzem o crescimento axonal e a remielinização. como acontece em compressões leves. que resulta em edema e diminuição da claridade da córnea. como o fator de crescimento nervoso (NGF). dispersão dos corpúsculos de Nissl (retículo endoplasmático rugoso) e deslocamento do núcleo da posição central. formados pelas células de Schwann. ou em processos como queratopatia bolhosa. Quando não há ruptura da bainha endoneural. porém em pequena extensão.

o colágeno é produzido em maior parte pelas células musculares lisas do que pelos fibroblastos e. a cicatriz torna-se mais delgada. seguida de rápida reparação desta camada. mediante proliferação e diferenciação das células epiteliais num processo conhecido como “reposição epitelial”. a primeira fase da cicatrização do trato gastrointestinal começa com hemostasia. a avaliação da . causando danos que frequentemente ultrapassam os limites da lesão isquêmica inicial. o qual pode persistir por até duas semanas. Aposição da mucosa é importante para a rapidez deste processo (aproximadamente três dias). Injúrias de toda a espessura da parede visceral envolvem vários tipos celulares.Técnicas cirúrgicas de coaptação precisa. A camada epitelial está plenamente reconstituída após uma a duas semanas sobre uma rede granulomatosa submucosa de células musculares lisas e fibroblastos. quando em comparação com a eversão ou invesão da mucosa. No estômago a acidez reduz acentuadamente o número de bactérias. Forma-se rapidamente uma rede de fibrina na serosa. associadas ou não à proteção da sutura com barreiras mecânicas. para que seja obtido o efeito de vedação. aumento na permeabilidade vascular com diapedese de células inflamatórias e formação de edema. Durante a fase proliferativa é formado tecido de granulação na ferida. o que provoca risco de deiscência entre o terceiro e 10° dias após a sutura. Cicatrização do Trato Gastrointestinal Em lesões que envolvem somente a mucosa. porém mais resistente. elevando a resistência da cicatriz em formação. Com a maturação da rede colagênica. Os níveis significativamente mais altos de falha nas anastomoses de segmentos extraperitoneais (esôfago e reto) ressaltam a importância desta resposta. síntese e maturação do colágeno. a atuação de neutrófilos e macrófagos é bastante semelhante ao que ocorre na reparação da pele. no intestino. A cicatrização intestinal é drasticamente prejudicada pela isquemia. principalmente na região subepitelial da mucosa e submucosa. acentuada pela atividade de colagenases produzidas pela resposta inflamatória marcante em um ambiente contaminado. a recuperação é rápida. e a restauração do fluxo sanguíneo ao segmento isquêmico leva a injúria de reperfusão. respostas fibroblásticas e formação de cicatriz. Gradualmente a síntese do colágeno aumenta. indispensável para prevenir extravasamento e contaminação. com processo inflamatório. Em semelhança à cicatrização cutânea. tentam reduzir a invasão do espaço lesado por tecido conjuntivo e aumentar o índice de sucesso na reparação de nervos periféricos. e os níveis de colagenólise nesta fase não parece ser um problema. epitelização e produção de fatores de crescimento. Assim. sofre lise. vasoconstrição seguida de vasodilatação. A reparação é comprometida em vários aspectos – angiogênese.

Cicatrização no Fígado A cicatrização hepática é efetivada por meio dos mesmos mecanismos observados em outros tecidos – inflamação. Além de várias outras atividades. acerca dos mecanismos de reparação tecidual amplia progressivamente a sensibilidade dos cirurgiões para uma conduta mais precisa na condução do processo de cicatrização. 2009. com a permanência da agressão. Referências Carte R.P. mas. Este processo é regulado pelos miofibroblastos derivados das células hepáticas estreladas.L. Costa M. A utilização do tubo de ácido poliglicólico e FK506 na regeneração de nervos periféricos. degradam a matriz neoformada induzindo à regeneração tecidual.14(1):25–29. ativação de células produtoras de colágeno (miofibroblastos derivados das células hepáticas estreladas).F.. Conclusão A intensa produção de conhecimento. The role of integrins in corneal wound healing. sofrem alteração fenotípica e produzem moléculas que degradam a matriz hepática normal enquanto inibem a degradação da matriz colagênica. o entendimento cada vez mais profundo das interações celulares e bioquímicas pode permitir o desenvolvimento de “armas” terapêuticas capazes de auxiliar no tratamento de complicações ou na aceleração do processo fisiológico.12S1:2–9. nos dias atuais.. depende do equilíbrio entre formação e degradação da matriz extracelular produzida no processo de reparo. No intestino grosso a cicatrização é mais lenta em comparação com o segmento delgado. Vincent T. Acta Ortop Bras. maior número de bactérias e alta pressão intraluminal durante a passagem do bolo fecal sólido. fazendo-nos atuar cada vez mais como cooperadores nesta intrincada e ainda pouco conhecida rede de eventos complexos e perfeitamente estruturados. provavelmente devido a circulação mais pobre. Joint surface defects: clinical course and cellular response in spontaneous and .. Ainda.S. maturação e remodelação. expressam uma combinação de MMPs e TIMPs que. com alto risco de deiscência na fase inicial de colagenólise acentuada. produção de citocinas e fatores de crescimento. Veterinary Ophthalmology. que é acumulada levando à fibrose. em injúrias de curta duração. Cunha A. com aproximadamente 70% de hepatócitos (somente 30% de células não parenquimatosas) e pouco tecido conjuntivo. 2006. angiogênese. A recomposição original do tecido hepático. viabilidade circulatória é fundamental nas intervenções realizadas neste órgão. Silva C. Dell’accio F.T.

Molecular regulation of hepatic fibrosis. and the myofibroblast... Tissue repair.49(9):1359–1377. Elsharkawy A. Kilicoglu S. Horibe S. Diegelmann R. deixando-o amarrado a uma rocha por toda a eternidade enquanto uma grande águia comia todos os dias o seu fígado. Growth factors in cartilage and meniscus repair.275:2247–2250. Expert Rev Mol Med.A. Gabbiani G. Stages of wound healing and their clinical relevance. Oral Surg Oral Med Oral Pathol Oral Radiol Endod. Arq Bras Med Vet Zootec.. Injury.C. Wound healing primer. Surg Clin N Am. et al. Graça D. DiPietro L. Wound Repair Regen. Goldberg S.L. Tsiridis E.12S1:25– 27.. Upadhyay N. 2008. Fossum T. 2009. Int J Care Injured. 2008. Dig Dis Sci. Barbul A.E.13:7–12..W. European Cells and Materials. Ischemia-reperfusion injury of the intestine and protective strategies against injury. Cirurgia de pequenos animais...10(11):1–18. Wound healing and local neuroendocrine regulation in the injured liver.L. 2008. Knee Surg Sports Traumatol Arthrose..P. Desmouliere A.. Factors Affecting Wound Healing. Toritsuka Y. Myrna K.36(4):667–685.. Rio de Janeiro: Elsevier. Giannoudis P. Mann D.. 2010.R. J Biol Chem.90:1227–1236.P. 2009. Hosgood G. que crescia novamente nos dias seguintes. Yang W.A. experimental lesions. cola de fibrina ou bainha de BioFill® em ratos Wistar. 2010. Scar less: a review of methods of scar reduction at sites of peripheral nerve repair. Forriol F.109:357–366. Friedman S.55(5):557–561. 2003.16:843–848. Chaponnier C. Pot S. Zeus o teria punido por este crime. 2010.. World J Gastroenterol.. Torres M.H... Reparação microcirúrgica de nervo periférico por meio de sutura. contraction.R. Nakamura N. et al. Intra-abdominal healing: gastrointestinal tract and adhesions. 1 Na mitologia grega Prometeu é um titã que foi responsável por roubar o fogo de Zeus e dar aos mortais..117:524–529. 2008. Ebrahimkhani M. an integrated cellular response to tissue injury. Surg Clin N Am. 2006. Guo S.F.J. 2007. Kavalukas S. Winslet M.. Veterinary Ophthalmology.. Mallick I. Ngeow W.. 2005. 2007.40S3:S12– S16.A.S.M.20:210–217. Meet the corneal myofibroblast: the role of myofibroblast transformation in corneal wound healing and pathology. J Clin Invest.89(3):219–229... Ultrastructural view of colon anastomosis under propolis effect by transmission electron microscopy.A.. 2004. Munireddy S.38S1:S11–S25.L. 2000.L.C. Farias E. . Wynn T. Common and unique mechanisms regulate fibrosis in various fibroproliferative diseases. Veterinary Clinics of North America Small Animal Practice. Kilicoglu B. Erdemli E.14(30):4763–4770.90:1133–1146. 2010. The location-specific healing response of damaged articular cartilage after ACL reconstruction: short-term follow-up. J Dent Res. Murphy C.F. Molecular aspects of fracture healing: Which are the important molecules? Injury Int J Care Injured. 2010.

.

como. Podemos definir. desta maneira. Capítulo 8 Fios e suturas Fabiane Azeredo Atallah. de manuseio ou de reação tecidual. mas não ser elástico. considerando ainda o tipo de tecido e sua condição no momento do uso. por exemplo. A seguir . apresentar configurações e características diferentes. Este fio deveria ter um calibre fino e regular. que o fio cirúrgico é o material que utilizamos para a contenção ou fixação de estruturas orgânicas ou elementos utilizados em uma operação. isquemia e necrose. que seja adequado a todas as situações possíveis e com baixo custo. contaminação. André Lacerda de Abreu Oliveira Fios cirúrgicos Introdução Os fios cirúrgicos representam um dos componentes para a confecção de suturas e nós. como baixa memória e capilaridade. O fio ideal Ao longo da história tem-se buscado o fio ideal. também são importantes. a presença de processo infeccioso. e estas servem de base para a escolha do fio a ser utilizado em determinada situação. Estas características podem ser físicas. ser flexível. devendo ser flexível e de secção circular e composto por material adequado à finalidade à qual se destina. no entanto. e seu uso ser norteado de acordo com a sua indicação em diferentes situações e tecidos orgânicos. com finalidades diversas. Deve ainda apresentar boa pliabilidade. mas. Eles são compostos por material de várias origens. que podem ser orgânicos ou sintéticos. causando pouco dano tecidual. Outras características. apresentar uma grande resistência à torção e à tração. apresentar uma baixa taxa de indução de reação tecidual e ser fácil de esterilizar. Características do fio de sutura Os fios de suturas possuem diversas características importantes.

• capilaridade: é a capacidade de um fio absorver fluido quando apenas uma de suas extremidades estiver imersa em um meio liquido.relacionamos algumas características importantes. Fios com alta memória têm um manuseio mais difícil e maior possibilidade de desfazer o nó. que pode ser composto por um ou mais filamentos. • aderência bacteriana: é a capacidade do fio de promover a aderência de bactérias a sua superfície. • elasticidade: é a capacidade de distensão de um fio e seu retorno à forma original. • força tênsil: pode ser definida como a relação entre a somatória das forças necessárias para romper o fio e o seu diâmetro. diminuindo a possibilidade de seccionar as bordas da ferida. • memória: pode ser definida como a capacidade do fio de retornar a sua forma original. Existe uma faixa de calibre do fio de acordo com a sua numeração. .34. favorecendo a instalação do processo infeccioso. • pliabilidade: representa a facilidade do cirurgião em manusear o fio. maior a facilidade de deslizar pelos tecidos.35 a 0. um fio 2-0 absorvível apresenta uma faixa de calibre de 0. portanto nem todo fio com a mesma numeração apresenta o mesmo calibre. • reação tecidual: é a capacidade de um fio em induzir uma reação tecidual. menor é o fio.001 a 0. • coeficiente de atrito: é a capacidade do fio em deslizar pelos tecidos. Comercialmente isto é expresso com uma numeração específica utilizando-se o número de zeros. ocasionada pelo tipo de material utilizado no fio. estando relacionada com o coeficiente de atrito do fio. • quanto maior o número de zeros. A numeração dos fios varia de 12-0 (de 0. • diâmetro: é o calibre do fio determinado em milímetros. • força do nó: é a força necessária para que um nó escorregue. • absorção de fluidos: é a capacidade de um fio de absorver fluido quando estiver totalmente imerso neste meio. Esta característica também se relaciona com a resistência do material.40 mm.30 a 0.60 a 0. O ideal é que o fio tenha uma baixa absorção de fluido. entretanto também é maior a possibilidade de desfazer o nó. • configuração física: é relacionada com a configuração física do fio. • plasticidade: a capacidade do fio de se moldar à nova forma após ser tracionado. pelo trauma da passagem da agulha e pela isquemia provocada pela confecção do fio. Quanto menor o coeficiente de atrito. Por exemplo.01 mm) a 3 (de 0. Este fio se adapta melhor à sutura confeccionada. enquanto um fio 2-0 inabsorvível apresenta uma faixa de calibre entre 0.80 mm).

Tech-cott Biológico Linho (vegetal) Linho. Safil Multifilamentares Poliglactina 910 Vicryl/Tech-PGA Sintéticos Não absorvíveis Seda (animal) Seda. Catgut simples. Catgut cromado. Superlon. Monicron Não absorvíveis Poliamida Nurolon Multifilamentares Poliéster Mersilene. Policron • Polibutilato Vitalon. Tech-gut simples Monofilamentar Categute cromado Categute cromado. Caprofyl Monofilamentar Polidioxanona PDS Sintéticos Poligliconato Maxon Absorvíveis Ácido poliglicólico Dexon. Dafilon Monofilamentares Polipropileno Prolene. Tech-lin Não absorvíveis Poliamida Mononylon. bem como a reação orgânica do paciente.1 Classificação dos fios cirúrgicos absorvíveis e não absorvíveis Especificação/origem Fios Nomes comerciais Absorvíveis Categute simples Categute simples. Dacron Sintético Poliéster recoberto Ethibond Surgilene. Tech-gut Biológico cromado Absorvíveis Poliglecapona Monocril. Supralene. Tabela 8. Monicron Flexon Supramid Poliéster com algodão Aço Aço com teflon Perlon revestido com . Propilene.1). Ethiflex • Silicone Algofil • Teflon Aciflex. monofilamentares ou multifilamentares (podem ser torcidos ou trançados) (Tabela 8. Premilene Sintético Politetrafluoroetileno PTFE Polibutéster Novafil Aço Aciflex. Tech-sil Multifilamentares Algodão (vegetal) Algodão. Classificação Os fios podem ser absorvíveis ou não absorvíveis. Dermalon.• antigenicidade e alerginicidade: são características inerentes ao tipo de material que compõe o fio.

enquanto o fio de seda é absorvido por fagocitose em aproximadamente dois anos. entre 15 e 20 dias.2). de origem animal. não agulhado. apesar de sofrerem alterações em sua estrutura. benzoato de sódio e água. É um fio monofilamentar torcido. os fios não absorvíveis permanecem por tempo indeterminado nos tecidos. por exemplo. que sofre cerca de 20% de degradação enzimática por ano. Recebe um banho de sais de cromo. . O categute simples (Figura 8. perlon Os fios absorvíveis podem ser de origem animal (ou biológico) ou sintéticos. Ele é conservado em solução contendo álcool isopropílico. Figura 8.1 Fio de categute simples 0.1) é absorvido entre cinco e sete dias e o cromado (Figura 8. dietiletalonamina. como. o que lhe confere um tempo maior de absorção. Principais fios Categute É um fio produzido a partir de colágeno tratado e preservado. cortado em fitas e esterilizado por radiação iônica. sendo que os primeiros são absorvidos em curto espaço de tempo. Por definição. Não obstante esta classificação. enquanto os sintéticos são absorvidos em período intermediário ou longo. o náilon. alguns fios são biodegradáveis ao longo do tempo. de acordo com sua origem.

Sua absorção ocorre por hidrólise e possui boa pliabilidade. Entretanto perde a maior parte da força tênsil em torno de 28 dias.2 Fio de categute cromado 0. É indicado para tecidos com pouca resistência. Possui baixa força tênsil. Possui alta reação tecidual inflamatória. . agulhado. Não deve ser utilizado em aponeuroses. por digestão pelas enzimas proteolíticas dos lisossomos. procedimentos neurológicos ou cardiovasculares. sendo maior no categute simples. tecido edemaciado e contaminado. não devendo ser usado no pâncreas. Sofre ação da lípase e amilase.Figura 8. e. multifilamentar. Sua absorção é irregular e acontece por fagocitose pelos neutrófilos e macrófagos. devido a sua alta capilaridade. o nó tende a afrouxar. Sua contraindicação está relacionada com o uso sob tensão. ligaduras de vasos sanguíneos e vias urinárias. Ácido Poliglicólico É um fio absorvível sintético. A aderência bacteriana é baixa e pode ser usado em tecidos infectados. É um fio mais estável e possui pequena reação inflamatória. sendo absorvido entre 40 e 70 dias.3). Existe uma apresentação comercial que recebe um revestimento sintético conhecido como Dexon Plus ou Dexon II (Figura 8. estando mais sujeito a deiscência. principalmente em tecido edemaciado.

Sua utilização é indicada praticamente para todos os tecidos. baixa memória e pouca reação tecidual. É absorvido por hidrólise. Poliglactina 910 Apresenta características similares às do ácido poliglicólico.Figura 8. oftalmologia e cirurgia cardiovascular. neurologia. tem boa segurança no nó. apresentando boa pliabilidade.3 Fio de ácido poliglicólicon 2-0. microcirurgia. agulhado. força tênsil regular. sendo mais maleável que o anterior. Poliglecaprona É um fio sintético monofilamentar produzido a partir do ácido poliglicólico e da épsilon-caprolactona e absorvido por hidrólise. neurologia e cirurgia cardiovascular. Tem as mesmas indicações do ácido poliglicólico e é contraindicado para oftalmologia. sendo composta por ácido glicólico (90%) e ácido lático (10%). É absorvido entre 30 e 40 dias e possui boa pliabilidade. devido ao fato de receber um revestimento lubrificado. Induz uma pequena reação tecidual. As contraindicações de uso são: aponeurose. pliabilidade razoável e baixa memória (Figura . É absorvido entre 90 e 120 dias e tem indicações de uso similares às dos fios anteriores. É contraindicado para neurocirurgias e cirurgias cardiovasculares. que aumenta sua resistência tênsil por dificultar a absorção de fluidos. de forma similar ao ácido poliglicólico. Polidioxanona É um fio absorvível sintético com absorção em 180 dias. sendo que seu uso em aponeurose é controverso devido à perda de sua resistência tênsil em aproximadamente quatro semanas.

Seda É um fio multifilamentar trançado.5 e 8. Pode ser usado em cirurgia pancreática e em tecidos infectados. originário do casulo da larva do bicho-da-seda. É contraindicado para tecidos que requerem prolongada manutenção de aproximação. Tem baixa memória.8. Pode ser utilizado em todos os tecidos. É absorvido por hidrólise. produzindo menor arrasto tecidual. boa segurança dos nós. É produzido a partir da paradioxanona. Seu uso é adequado a quase todos os tecidos.6). baixa memória e boa força tênsil. Poligliconato É um fio absorvível sintético de monofilamento absorvido entre 120 e 160 dias por hidrólise. biagulhado. apresenta boa força tênsil e é monofilamentar. sendo de origem biológica. . baixa absorção de fluidos e baixa reação tecidual. para procedimentos neurológicos e próteses em geral. entretanto apresenta um alto custo. boa pliabilidade. não absorvível. que decai lentamente (Figuras 8. Figura 8. sendo o fio que apresenta a melhor força tênsil e o menor coeficiente de atrito.4 Fio de polidioxanona 6-0. cardiovascular. É de baixo custo e apresenta boa pliabilidade.4).

. sendo contraindicado para cirurgia do sistema urinário e quando houver sensibilidade ou alergia ao linho. Possui reação tecidual alta e pode potencializar processos infecciosos.Figura 8. Algodão É um fio não absorvível biológico e multifilamentar torcido. Apresenta boa pliabilidade e menor resistência que o fio de seda. agulhado. Figura 8. Apesar de ser um fio não absorvível. ele é biodegradado em aproximadamente dois anos. O fio de algodão pode vir associado ao poliéster (Figura 8.7). agulhado.5 Fio de seda preta 5-0. É indicado seu uso na cirurgia gastrointestinal e em ligaduras de vasos sanguíneos.6 Fio de seda preta 7-0. oftálmico.

monofilamentar ou multifilamentar trançado (Figura 8.Figura 8. Pode formar focos de abscessos que somente serão solucionados com sua remoção. aumenta sua resistência em 10%. Se o fio for umedecido previamente com solução fisiológica. Linho É um fio não absorvível biológico e multifilamentar. e. Apresenta as mesmas vantagens e desvantagens dos fios de seda e algodão. No entanto apresenta intensa reação tecidual e tende a desfiar. de forma similar à seda. Náilon É um fio inabsorvível sintético. Não deve ser usado em tecido infectado. É um fio com reação tecidual elevada e não deve ser usado em tecidos infectados.8). ocorre um aumento em sua resistência. Tem como grande vantagem ser de baixo custo. não agulhado (Sutupak). quando umedecido. Possui grande capilaridade e boa pliabilidade. Tem características similares às da seda e mesmas indicações de uso e contraindicações.7 Fio de algodão com poliéster 0. . aumentando a reação.

9). biagulhado. não induzindo a formação de trombos. É um fio bastante inerte e pouco flexível e pode ser utilizado em diversos tecidos. Figura 8. com coeficiente de atrito baixo.8 Fio de náilon 4-0. é inerte. É um bom fio para sutura intradérmica. com baixa reação tecidual. alta memória e elasticidade baixa. inclusive em anastomoses intestinais. sendo muito utilizado em anastomose vascular. baixa capilaridade e coeficiente de atrito baixo. . Polipropileno Fio não absorvível sintético e monofilamentar. cirurgia cardiovascular e neurocirurgia. boa força tênsil. É contraindicado seu uso em vias urinárias e em tecidos nos quais se requer manutenção permanente da força tênsil. tem alta memória.9 Fio de polipropileno 4-0. Devido a sua boa e estável resistência tênsil tem sido indicado para fixação de próteses cardíacas (Figura 8. cardiovascular. vias biliares. agulhado. boa plasticidade.Figura 8. Induz pouca reação tecidual. É um excelente fio que tem aplicação diversa.

2-0. Pode ser revestido por teflon. Aço É um fio não absorvível. pouca segurança do nó.10 Fio de poliéster trançado. o que permite que seja contínuo com a agulha de diâmetro diferente. mono ou multifilamentar. Apresenta reação tecidual baixa. propiciando hemostasia nas anastomoses vasculares. silicone e polibutilato ou. Sua contraindicação de uso é para o sistema urinário. Na sua fabricação. memória média. Figura 8. . a extremidade do fio é afilada. Poliéster É um fio não absorvível sintético multifilamentar trançado. ainda. não sofrer revestimento (Figura 8. siliconizado. torcido ou trançado (Figura 8.11). sendo o fio mais resistente depois do náilon e podendo ser usado para a síntese de aponeuroses.10). Quimicamente pode ser fabricado a partir da polimerização de um éster que resulta da reação entre o etilenoglicol e o ácido tereftálico.

podendo ocasionar lesões teciduais e levar. O custo do fio também deve ser levando em conta. devido a sua grande dificuldade de manuseio. A maior parte das suturas é difícil de ser confeccionada com este material. a necrose. levando em consideração os diversos aspectos que podem interferir no processo de cicatrização dos tecidos. se desejamos que a tensão da sutura se mantenha por um tempo maior. ocasionando a formação de cálculos. A escolha do fio O cirurgião deve pautar a escolha do fio para uma determinada operação. ou seja. Outros fatores como processo inflamatório. pois devemos inferir o tempo necessário para que o objetivo seja atingido. Tem baixa pliabilidade e é pouco flexível. É o fio que apresenta maior força tênsil e menor reação tecidual. Deve-se lembrar de usar sempre o menor fio possível para uma determinada situação. pois este pode ser um fator impeditivo em algumas situações. Outra recomendação está relacionada com órgãos com presença de fluidos corporais. devemos optar pela escolha de um fio não absorvível. inclusive. Agulhas Podem ser definidas como uma haste de aço com uma extremidade afilada e a outra . onde a presença de um fio não absorvível pode levar à precipitação de cristaloides. Se o fio é absorvível ou não representa outra característica importante.Figura 8.11 Fio de aço monofilamento 0. como a bexiga e a vesícula biliar. necrose tecidual. Inicialmente deve observar aspectos como a estrutura e a tensão necessária para aquele tecido. contaminação e infecção devem ser considerados.

aumentando a resistência a sua passagem) ou atraumática (neste caso os diâmetros da secção transversal são iguais aos do fio). Elas ainda podem ser retas. curva Urologia. curva Suturas totais e subtotais.2). o que se busca é a perfeita coaptação das bordas da ferida que foram promovidas por incisão cirúrgica ou por traumatismo. curva Microcirurgia e oftalmologia 10 a 15 mm. As agulhas podem possuir uma secção geométrica cilíndrica ou prismática. ⅜ de círculo e ⅝ de círculo. uma excelente cicatrização da ferida cirúrgica. de meio círculo. sua extremidade apresenta ¼ de círculo (Tabela 8.2 Indicações de uso de agulhas retas e curvas de acordo com seu comprimento Comprimento Usos mais frequentes 3 a 9 mm. e os fios agulhados como Sertix. curva Cirurgia geral e gastrointestinal 50 a 75 mm. Os fios não agulhados são também conhecidos com Sutupak. pele 40 a 60 mm. cardiovascular e gastrointestinal 25 a 40 mm. Os fios cirúrgicos podem ser apresentados comercialmente com ou sem agulhas. teremos. Tabela 8. ficando o fio dobrado em alça.possuindo um orifício por onde se posiciona o fio. retas. curva Cirurgia geral. e. cardiovascular. As agulhas curvas podem apresentar o comprimento de ¼ de círculo. . reta Gastrointestinal Suturas Introdução Na cirurgia veterinária. Se os princípios gerais das técnicas de suturas forem seguidos. plástica e neurologia 15 a 25 mm. A agulha sem olho ou atraumática pode ser perfurada ou com canal aberto. Durante a confecção da sutura. as suturas são de extrema importância para a recuperação da integridade dos tecidos. A traumática pode apresentar olho simples fechado. curvas ou mistas. curvas ou mistas. Na agulha mista. A sua extremidade com o orifício ou olho pode ser traumática (porque a área de secção transversal é maior em relação ao diâmetro do fio. olho duplo fechado. na maioria das vezes. olho duplo aberto ou olho na ponta com abertura lateral. quanto à forma do seu comprimento.

além de retardar a cicatrização. não ocasionando traumas adicionais. • escolha do material adequado para cada tipo de tecido e o tipo de fio mais indicado. de acordo com a sua extensão. secreções purulentas e outras). favorecendo o acúmulo de secreções sob a ferida e a instalação de um processo infeccioso. optar por um tipo mais indicado para suturas com tensão. • realização da limpeza da ferida (se a ferida estiver suja ou com tecidos necrosados. Confeccionamos o nó e logo em seguida cortamos o fio. passamos com o fio através delas. • hemostasia cuidadosa. Classificação das suturas As suturas podem ser classificadas em contínuas ou descontínuas. minimização da manipulação exagerada do tecido. • eliminação de espaço morto. além da região a ser suturada. quando não se puder evitar. o estado nutricional. na qual podemos perceber espaços entre os pontos. Como vantagens das suturas descontínuas podemos afirmar que elas contribuem . • evitação de tensão excessiva nas suturas. a 2 a 3 mm de distância da bordas. Suturas Descontínuas ou em Pontos Separados Podemos designar aquelas em que. a raça e o temperamento também deverão ser levados em consideração. • evitação do excesso de fio e nós de sutura. • regularidade nas bordas das feridas (eliminação de anfractuosidades). A experiência e a habilidade de cada cirurgião deverão ser levadas em conta. retirando tecidos necrosados. convertê-la em ferida limpa mediante limpeza rigorosa. Desta forma iremos agrupar os diferentes tipos de suturas de acordo com esta classificação. • a idade do animal. evitando permanecer sobre a incisão. De preferência os nós deverão ficar ao lado da incisão cirúrgica. ainda. a espécie. • reposicionamento dos tecidos anatomicamente de modo que as bordas da ferida fiquem bem coaptadas. Alguns autores consideram que a distância entre um ponto e outro deveria ser a mesma entre a passagem do fio de uma borda à outra da ferida cirúrgica. Com o objetivo de alcançarmos a integridade da ferida por meio de uma boa cicatrização devemos seguir as normas relacionadas a seguir: • cuidados com a assepsia e antissepsia. repetindo-se esse procedimento até o final da incisão. após colocarmos as bordas da ferida em aposição. Entre duas opções ele deverá escolher a que mais domina. corpos estranhos ou.

13 que o nó não está sobre as bordas da ferida. Figura 8. Sua desvantagem é o fato de geralmente ser mais dispendiosa. . intestino. Tipos de Suturas Descontínuas Sutura descontínua simples: técnica considerada fácil e rápida. pois o gasto de material é maior. cápsula renal. quando em comparação com a sutura contínua. Pode ser utilizada em pele. Observe nas Figuras 8. Podemos aferir ainda que este tipo de sutura possui grande habilidade em manter a sua resistência. Sua confecção demora um pouco mais. Figura 8. córnea. ureter. vaso sanguíneo. é uma das mais utilizadas. não se compromete a sutura em toda sua extensão. Após ser passada nas duas bordas confecciona-se o nó e corta-se o fio. nervo e diafragma.para a drenagem de líquidos e a diminuição de seroma entre os pontos. tende a provocar uma reação inflamatória mais intensa devido à quantidade de pontos. uretra. principalmente na pele. e. traqueia. fáscia muscular. caso haja a necessidade de retirar apenas um ponto para realizar ou mesmo intensificar a drenagem.12 e 8.13 Sutura descontínua simples. linha média. e.12 Sutura descontínua simples.

Pode ser utilizada em pele e fígado. Sutura de Donatti ou U em pé (longe-longe perto-perto): tem como referência a borda da ferida. também nos dois lados (2 mm). além da pele. Neste tipo de sutura o cirurgião deverá envolver também o tecido subcutâneo.16). Figura 8.15 e 8. 8.14.14 Sutura de Donatti. Formamos assim o U em pé (Figuras 8. Figura 8. .15 Sutura de Donatti. A agulha entra longe da borda (entre 7 mm e 10 mm) nos dois lados e depois retorna entrando perto da borda.

Tanto esta como a sutura de Donatti são indicadas para situações em que a sutura ofereça tensão.17). que é colocado de forma paralela às bordas da ferida. ou até mesmo gaze. evitando assim que corte a pele. Sutura encavilhada: As alças de cada sutura são apoiadas em um cilindro. Sutura de Wolff ou U deitado ou de colchoeiro: a agulha entra paralela nos dois lados da borda da ferida (Figura 8.: a agulha deverá entrar mais afastada da borda da ferida. já que este tipo de ponto é utilizado em suturas de alta tensão e. Obs. o fio poderá cortar a pele. ou silicone. Tem a mesma aplicação que a anterior.16 Sutura de Donatti. Pode ser utilizada em pele.17 Sutura de Wolf. suturas de hérnias ou aponeuroses e ferimentos extensos na pele. Neste tipo de sutura as bordas poderão everter.Figura 8. Sutura de Lambert: a agulha entra longe e sai perto em apenas uma borda da . se o cirurgião for usar o tubo. Sutura de Wolf captonada: durante a confecção do ponto Wolf utilizamos tubos de borracha. mas não diminui o aporte sanguíneo durante o processo de cicatrização. o que não oferece uma estética muito boa após a cicatrização. Figura 8. O fio fica protegido pelo tubo.

após cruzar a ferida. Sutura de Swift: a agulha entra pela mucosa e sai na adventícia.20). já que estará voltado para a luz do órgão. Pode ser utilizada em órgãos ocos como o pulmão e o intestino. e.18 Sutura de Lambert. da adventícia para a mucosa.19 e 8. de modo que o nó cirúrgico fique para dentro da luz do órgão (Figuras 8. depois de cruzar a borda.ferida e. pois não é perfurante total e é invaginante (Figura 8. . Pode ser utilizada em síntese de esôfago cervical. ou seja. volta no sentido contrário.18). no sentido de dentro para fora. o que atrapalharia a sua peristalse.19 Sutura de Swift. Sutura que evita contaminação. Evita aderências. pois alguns autores relatam a proximidade do nervo vago nesta região e este não será estimulado pela ponta do fio. entra perto e sai longe. Figura 8. Figura 8.

Sutura em X ou de Sultan: inicia-se como se fossem dois pontos simples paralelos passando através da ferida cirúrgica. Ao se confeccionar o nó uma figura em X é obtida (Figura 8. Pode ser utilizada na linha média e fáscia muscular. mas sem interromper. .Figura 8.20 Sutura de Swift.21 Ponto em X.21 e 8. Figura 8.22).

Sutura de Gelly ou de Halsted horizontal. o fio nunca é cortado antes de chegar ao final da ferida.Figura 8. em ambos os lados. como invaginante. Pode ser utilizada em suturas de hérnias umbilicais. é de execução fácil e rápida. As suturas também podem ser classificadas. Sutura em jaquetão ou técnica de sobreposição de Mayo. Sutura de relaxamento: após a confecção de dois ou três pontos simples faz-se outro ponto simples. após passarmos o fio nas bordas da ferida cirúrgica e darmos o nó inicial. Sutura de esmagamento ou Cushing: semelhante a uma sutura simples. Suturas Contínuas São aquelas que. Sutura de Bunnell e de Kessler: este é o tipo de sutura recomendado para o reparo de tendões e ligamentos. O cirurgião deve se certificar de que as bordas dos tendões estejam apostas. Pode ser utilizada em suturas que apresentam tensão e necessitem de diminuição de espaço morto. similar à sutura de Cushing. sendo ele apertado a ponto de provocar o esmagamento do tecido. Tipos de Suturas Contínuas Sutura contínua simples. A agulha entra na pele formando um ângulo reto em relação à incisão. Geralmente o ponto é feito apenas nas extremidades.22 Ponto em X. há uma sobreposição das bordas da ferida. A agulha entra longe em uma borda da ferida. Tem como indicação as suturas de estômago. de acordo com o posicionamento das bordas. A agulha entrará perto na outra borda. não são cortadas após cada repasse nas bordas. o fio atravessa todas as camadas da víscera. mesmo se houver uma interrupção na sutura contínua. ou. Quando o . evaginante ou de confrontamento (aposição). estando a outra logo abaixo. porém entrando e saindo com a agulha bem mais afastada da borda. só que interrompida.

com mais resistência. é uma modificação desta. e assim se repete o processo de ancoragem em todas as laçadas até o final (Figuras 8. Após a agulha passar pelas bordas da ferida o fio é ancorado na laçada anterior. Esse tipo de sutura é empregado quando se tem necessidade de tornar a sutura mais firme. o processo se repete até o final (Figuras 8. .cirurgião retorna para o outro lado. Pode ser utilizada em pele. À medida que a sutura avança.23 Sutura contínua simples. Sutura festonada ou de Reverdin: semelhante à sutura contínua simples. vesícula urinária e estômago. Figura 8. fáscia muscular. o fio vem obliquamente atravessando a borda. Figura 8.24).23 e 8. sendo apertado em seguida.24 Sutura contínua simples.26).25 e 8.

Pode ser utilizada em associação a outra sutura.25 Sutura de Reverdin ou festonada. contemplando apenas as camadas serosa e muscular. Sutura de Cushing: este padrão de sutura trabalha apenas a seromuscular das vísceras. A agulha é introduzida paralelamente à borda da ferida de um lado e do outro. Figura 8. é um tipo de sutura invaginante. .27). sendo o seu segundo plano.Figura 8. Quando ela é feita em dois planos.26 Sutura de Reverdin ou festonada. sendo seu retorno através da muscular e da serosa. portanto não oferece muito risco de contaminação. Pode ser utilizada em estômago e vesícula urinária (Figura 8.

perto-longe. de um lado e do outro. É um padrão de sutura invaginante. porém atravessa todas as camadas. Na segunda borda. Sutura em zigue-zague. É indicada para órgãos ocos.28 Sutura de Lambert. só que. incorporando inclusive a mucosa (padrão de seromucosa). desta vez. pois está abaixo da epiderme. como as plásticas. Sutura de Connell: semelhante à anterior. e apenas a seromuscular é incorporada à sutura.Figura 8. sendo indicada também para sepultamento de outra sutura (Figura 8. Sutura em zigue-zague intradérmica: a agulha penetra na derme nas duas bordas. No final o fio de sutura não fica visível. e sempre paralelas. mais perto da borda.28). Figura 8. pois este tipo de . entra perto e sai longe.27 Sutura de Cushing. A primeira perfuração é executada um pouco mais afastada da borda da ferida e sai ainda deste mesmo lado. Sutura de Lambert: na primeira borda o fio passa longe-perto e na segunda borda. Pode ser utilizado em cirurgias nas quais se quer ter um efeito estético excelente. Sutura em U contínuo ou barra grega. no mesmo nível. Pode ser utilizada em vísceras ocas.

31).29 Sutura de Schimieden.sutura não deixa cicatriz. também promove o fechamento de aberturas feitas por trocarte. . Sutura em zigue-zague subcutânea: bastante utilizada no tecido celular subcutâneo para a diminuição ou eliminação do espaço morto. especialmente em estômago. Figura 8. cabendo ao cirurgião a confecção de um segundo padrão sobre este (Figura 8. servindo ainda para fixação de drenos (Figuras 8. Quando o círculo é concluído.30 e 8. Sutura de Schimieden: realizada da mucosa para a serosa. Em animais pode ser utilizada com o objetivo de não se retirarem os pontos.29). Pode ser utilizada em fechamento de orifícios naturais como ânus. ela é ancorada mais profundamente. É um tipo de sutura compressiva. Em uma sutura dupla. As bordas das feridas se mantêm bem unidas. portanto considerada contaminante. evitando assim o sangramento. é utilizada para o primeiro plano de sutura de uma víscera. Utilizada em órgãos parenquimatosos como o baço. evitando contaminação e saída de líquidos para o campo operatório. Sutura de sapateiro ou de Vachetta: esse tipo de sutura é muito utilizado para conter hemorragias em órgãos ocos. aperta-se o fio e dá-se o nó. circundando uma abertura ou um orifício. Sutura em bolsa de tabaco: realizada em círculo.

a pinça é retirada lentamente e o fio. mas também evitar complicações no trans e no pós-operatório. Sutura de Parker-Kerr: é uma sutura em dois planos. sendo o primeiro plano confeccionado com um padrão de Cushing aplicado sobre uma pinça de hemostasia. pois estes tornam . Algumas regras o cirurgião deverá seguir para confeccionar os nós cirúrgicos com segurança: • optar por materiais de sutura que apresentem diâmetros menores. Após o término.31 Sutura em bolsa de tabaco. Técnicas para confecções de nós Os nós cirúrgicos são indispensáveis na maioria dos atos cirúrgicos.30 Sutura de tabaco.Figura 8. As bordas se invertem e. em seguida. Figura 8. O conhecimento e o treinamento adequado da técnica para a confecção de nós podem não só aprimorar a experiência. tracionado. É utilizada em coto uterino. faz-se uma sutura de Lambert contínua.

realizada com os instrumentos e com as mãos.47). • evitar a realização de vários nós (excesso de fio). com exceção dos vasos sanguíneos. Existem três tipos de técnica para a elaboração de nós. além de poder provocar isquemia nos tecidos.32 a 8. pois o fio de sutura poderá se romper. o que oferece risco no pós-operatório de hemorragias. A segunda é a técnica instrumental. • não apertar muito o nó durante sua confecção. • a ponta do fio que muda de lado após a execução do primeiro seminó deve voltar ao lado inicial para realizar o outro seminó. deve-se ter cuidado para não deixá-lo muito frouxo. • o nó poderá se soltar se o cirurgião tender a realizar o seminó apenas para um único lado. pois assim não se obterá a hemostasia desejada. Neste caso o cirurgião deverá apertar um pouco mais. apenas as mãos. que não utiliza material cirúrgico. a ligadura mais segura. na qual utilizamos material cirúrgico para a realização do nó. o que tornará o nó deslizante. apresentando a desvantagem de um maior gasto de material (Figuras 8. Em contrapartida. pois isso favorecerá uma reação inflamatória mais intensa. em nó simples ou duplo. . A técnica de Pauchet pode ser executada com o dedo médio ou o dedo indicador. sendo a primeira a técnica manual. A terceira é a mista. Para a execução correta dos nós devem-se ter como base as duas leis de Livingston ou lei dos nós: • movimentos iguais de mãos opostas executam um nó perfeito.

.

.

como descrito ao longo deste capítulo.. 2008. Manual de cirurgia de pequenos .P. Flo G. J Am Vet Med Assoc. In: Tudury E.. Potier G. Não devemos esquecer que o bom-senso deve sempre prevalecer.S. James T. Clarke K. como o tipo de fio. In: Slatter.197:95–97. a escolha da agulha. 2009:141–157.M. Figuras 8.. Fossum T. São Paulo: Medvet. Potier G.. Tudury E.A. Técnicas operatórias básicas. passa necessariamente pela observância de alguns critérios.47 Nó de cirurgião. ed.M. Middleton D. Conclusão A escolha adequada da técnica a ser utilizada. o padrão de sutura e as condições e o tipo de tecido. Síntese. 1ª ed. Devemos sempre optar por condições que nos permitam executar determinado procedimento com conhecimento. Mineralization of the supraspinatus tendon in dogs.L. Tratado de técnica cirúrgica veterinária. Referências Aleixo G.A.A.A.A.M. Rio de Janeiro: Elsevier..W. Cirurgia de pequenos animais.32 a 8. competência e êxito. já que temos diversas variáveis que interferem nas condições para que se atinja o êxito operatório. 1990.

44:811. SP: Manole. 2005:301–336.B. 1993. v. .G. Orthop Trauma. Pool R. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan.. cap. animais. Vet Comp. 3ª ed. Suturas.. 1992.5:51–57.G. Barueri. Wallace L.R. 2007:198–221. Effects of tendon transfer on the canine scapulohumoral joint. Jonhston G. 3rd ed. Vasseur P.. 1 cap.S. 15 Marques R.. Am J Vet Res. Klein B.R. An atlas of approaches to the bones and joints of the dog and cat. ed. Rivers B. 1983. Técnica operatória e cirurgia experimental. In: Marques R.L. Biceps tenosynovitis in the dog: radiographic and sonographic finding. Philadelphia: WB Saunders Co.. 31 Piermattei D.

divulsão e exposição dos tecidos e órgãos. em diérese cruenta e incruenta. tesouras e ruginas. a qual visa conter ou prevenir os sangramentos durante o ato operatório. . em função da perda significativa ou não de sangue. corte. André Lacerda de Abreu Oliveira Introdução Essenciais para a execução de qualquer ato operatório. que visa unir os tecidos seccionados ou ressecados durante o ato operatório. de bisturis e tesouras. Classifica-se. o campo operatório encontra-se ideal para a realização dos procedimentos específicos da cirurgia. a hemostasia e a síntese constituem as fases fundamentais da técnica operatória. Classificação das fases fundamentais da técnica operatória Diérese São manobras cirúrgicas que visam criar uma via de acesso adequada para manipulação de órgãos ou estruturas através dos tecidos. a diérese. vasos e nervos. faz-se necessária a hemostasia. Capítulo 9 Fases fundamentais da técnica operatória diérese. a qual tem início a partir da diérese. Pode ser criada mediante abertura. após o término destes. Compreende: • arrancamento: manobra manual visando o rompimento dos tecidos. utilizando-se porta-agulhas e fios cirúrgicos. Criadas essas vias. Diérese Cruenta Consiste na divisão dos tecidos acompanhada da perda de quantidade significativa de sangue. realiza-se a síntese. • curetagem: raspagem de superfícies orgânicas com auxílio de curetas. Os instrumentos mais utilizados para execução da diérese são bisturi. principalmente. hemostasia e síntese Paula Alessandra Di Filippo. objetivando a criação de vias de acesso através dos tecidos por meio. bisturi elétrico. e. Concluídos os tempos de diérese e hemostasia.

respeitar os planos e as estruturas anatômicas e ser magistral. Deve possuir extensão adequada. serra. costótomo e cisalha. • formação de fístula: exteriorização de um órgão oco. • punção-incisão: consiste na realização de pequena incisão introduzindo o bisturi pela ponta. em posição vertical. seccioná-los (p.: tiflocentese e cistocentese).1 Incisão da pele em um cão. Eixo longitudinal. . • descolamento: manobra manual ou com tesoura romba fechada.1) e a tesoura. com rotura dos elementos interfasciculares. contudo. • incisão: segmentação dos tecidos com o uso de instrumento cortante como o bisturi (Figura 9. • liberação de aderências: realizada manualmente ou com auxílio de tesouras rombas. geralmente no sentido longitudinal. • punção: consiste na introdução de agulha ou trocarte nos tecidos ou órgãos sem. Realizada com tesoura ou bisturi. execução de incisões muito pequenas ou penetração de órgãos ocos. Indicada para drenagem de coleções líquidas. abrangendo dois ou mais sentidos. massas tumorais e saco herniário. ex. realizadas em um único sentido. uma só manobra ou movimento. transversal ou oblíquo nas direções craniocaudal. com o uso de um bisturi. e combinada. • tecido ósseo: realizada com fio gigle.• debridamento: manobra realizada com auxílio de tesoura ou bisturi visando eliminar bridas. • exérese ou ressecção: eliminação de determinada estrutura anatômica. • escarificação: consiste na raspagem tecidual superficial realizada com cureta ou lâmina de bisturi. dorsoventral ou laterolateral. bordos nítidos. as incisões podem ser classificadas em simples. Quanto ao sentido. Figura 9. • divulsão: separação das fibras dos tecidos. purulentas.

do ângulo de incidência. Em virtude dessas propriedades. do tempo de exposição. e secundária. da distância entre a fonte e o material. do meio de transmissão (densidade. dessa forma. É consequência previsível. da constituição e da cor do material sobre o qual incide. pois é formado por ondas de vários comprimentos (luz policromática). Crile. do tratamento ineficaz da hemorragia primária. divergentes (o foco central é a fonte luminosa). cor etc. que se apresentam em vários modelos e tamanhos. o corte ocorre pela vaporização do tecido resultante da absorção de corrente elétrica de alta frequência. como as pinças de Kelly. criobisturi e. além de propiciar melhores condições técnicas para a realização do ato operatório. um grau variável de necrose térmica das bordas da ferida e a chamada incisão sem sangue. O resultado é a vaporização das células ao longo da linha de incisão. Halstead. atualmente. Os instrumentos mais utilizados para a execução da hemostasia são as pinças hemostáticas. Esse poder destrutivo depende do tipo de laser. Resulta. O laser difere da luz comum (solar. mesmo quando se realiza dissecção cirúrgica cuidadosa. na maioria das vezes. a perda excessiva de sangue do paciente. ora somando. Tipos de Hemostasia Cirúrgica .Diérese Incruenta Consiste na divisão dos tecidos sem perda significativa de sangue.). temporária ou definitivamente. Rochester e Kocher. o laser carrega quase o máximo de energia para uma radiação luminosa.). evitando. no caso de ter ocorrido dentro de 24 horas após a cirurgia. dependendo de seu conteúdo hídrico. • hemorragia retardada: denominada intermediária. lâmpada elétrica etc. em diferentes fases ondulatórias. Na eletrocirurgia. ora subtraindo energia. o sangramento ocasionado pela diérese. se ocorrer depois de transcorrido esse período. A alta quantidade de energia proporciona ao laser grande poder de destruição ao interagir com qualquer material. Esses instrumentos são identificados pelo nome de seus idealizadores. Hemostasia A hemostasia é o conjunto de manobras manuais ou instrumentais que visa prevenir ou interromper. raio laser. Tipos de Hemorragia • hemorragia primária: ocorre imediatamente após a ruptura traumática de vasos sanguíneos. A energia é focalmente transmitida ao tecido. Pode ser realizada por meio de bisturi elétrico. favorecer a cicatrização e diminuir a incidência de infecções e deiscências.

Figura 9. cauda ou vasos de grosso calibre para a interrupção total ou temporária da passagem de sangue. obtido por meio de circulação extracorpórea com hipotermia e o uso de vasoconstritores locais também podem ser utilizados para se alcançar a hemostasia temporária do campo operatório. também são exemplos de hemostasia temporária. diminuir o traumatismo ao sangue e reduzir a quantidade de tubos e conexões no campo operatório. após a realização de uma incisão. aplicação de grampos metálicos. Utilizada em vasos normalmente seccionados na diérese ou naqueles que perderam sua função.2 Hemostasia realizada em um cão. • hemostasia definitiva: procedimento na maioria das vezes cruento e que interrompe definitivamente a circulação do vaso sobre o qual é aplicado.2) são frequentemente utilizadas em artérias e veias de médio calibre. sutura. Compressão digital em troncos vasculares ou em grandes superfícies por meio de cintas de borracha ou balão inflável em vísceras ocas também pode ser realizada. fotocoagulação. Consiste em cauterização com bisturi elétrico. a parada circulatória utilizada em cirurgia cardíaca a fim de se obter campo exangue. podendo ser transversal ou perpendicular. esmagamento/torção . como em ressecção de tecidos ou órgãos.• hemostasia temporária: executada como primeiro tempo para uma hemostasia definitiva ou como meio auxiliar para a realização de determinada manobra cirúrgica. Pode ser cruenta (no campo operatório) ou incruenta (a distância do campo operatório). com o auxilio de uma pinça hemostática. manguito pneumático ou torniquete e faixa de Esmarch utilizados em membros. Ademais. A hemostasia temporária pode ser alcançada pela aplicação de garrote. Ligaduras falsas que consistem em dupla laçada em torno do vaso e tração contínua por meio de pinça (Figura 9. Oclusão endovascular com sonda provida de balão inflável na ponta e pinçamento por meio de clamps vasculares empregados em cirurgia vascular ou microcirurgia.

formando uma crosta sobre a lesão. de modo que o instrumento pode ser aplicado e deixado em posição para oclusão de vasos sanguíneos. O mecanismo de ação da droga se faz pela coagulação de proteínas dos vasos e outros tecidos. ligadura em massa. torção. ablação por eletrocoagulação ou termocauterização vascular. quando não é possível a individualização de um vaso. Prioriza a manutenção da contiguidade dos tecidos a . recompor e restituir a integridade de estruturas. o que interromperá temporariamente o sangramento e lesionará a parede vascular o suficiente para que seja ativado o mecanismo fisiológico da coagulação. Abrange também a utilização de pinças hemostáticas. O percloreto férrico é um agente hemostático muito utilizado por dermatologistas em biópsias e abrasões diagnósticas. vascular. em que a sutura hemostática torna-se difícil pela limitada quantidade de tecido. A maioria dos produtos disponibilizados comercialmente contém trombina e fibrinogênio humano purificado com diferentes quantidades de fator XIII. ligadura por laçada ou transfixação. Selantes de fibrina são derivados de componentes do plasma. As hemostáticas são providas de cremalheira. há a oclusão de pequenos vasos sangrantes. como artérias e veias de pedículos de órgãos. Deste modo. A ligadura é a técnica mais empregada para vasos arteriolares e também para vasos maiores. órgãos e tecidos que foram explorados. na compressão digital e na compressão indireta mediante o uso de algodão ou gaze. as pinças hemostáticas esmagam o tecido no ponto de aplicação. Métodos de Hemostasia • físico: consiste na compressão circular por meio de torniquetes e de faixa de Esmarch. • químico: consiste na utilização de produtos químicos tópicos (percloreto férrico) e biológicos (selantes de fibrina e fibrinogênio). agentes antifibrinolíticos e cloreto de cálcio. A polimerização dos monômeros de fibrina resulta na formação de um coágulo capaz de interagir com estruturas teciduais. o que é essencial para estimular a aderência dos fibroblastos e seu crescimento normal dentro do coágulo. Quando o fibrinogênio e a trombina são misturados durante a aplicação do selante na superfície da ferida. Quando determinados vasos sanguíneos devem ser sacrificados e não reparados. Em contraste com a oclusão atraumática dos vasos com pinças vasculares. o fibrinogênio é convertido em monômeros de fibrina. Síntese A síntese visa reconstruir. estas estruturas podem ser pinçadas com pinças hemostáticas. obturação vascular e ligadura.

bacteriostático. ser estável à temperatura corporal. que correspondem aos cianoacrilatos. Síntese sem Sutura Empregam-se adesivos cirúrgicos que representam uma alternativa às suturas convencionais. pinças anatômicas e dente de rato. Os adesivos são classificados. Classificação De acordo com o material utilizado na união dos tecidos. já que o órgão e/ou região anatômica submetida à cirurgia ficam menos tempo expostos ao ambiente. confrontamento anatômico e uso de material e técnica adequados. Contudo os adesivos ainda não são adequados para substituir completamente os fios de sutura por não possuírem força tensional suficiente. manter a adesividade mesmo em contato com umidade. não provocar lesão na região dos tecidos envolvidos no processo de cicatrização. quando utilizado como principal meio de contenção da ferida cirúrgica. apresentando vantagens como facilidade técnica e diminuição do transcirúrgico. É ato obrigatório na maioria dos procedimentos cirúrgicos utilizando-se de manobras manuais e instrumentais. a síntese pode ser classificada em síntese sem sutura. aspecto funcional e estético são necessários: rigorosa assepsia. com prótese e com sutura. para se conseguir um bom resultado sob o ponto de vista de segurança. o risco de contaminação. e não biológicos. agulhas e fios cirúrgicos. e coadjuvante. tem sido bastante utilizados como adesivo de pele e mucosa para uma diversidade de procedimentos. hemostasia. gelatina combinada a resorcina e adesivo derivado de colágeno. pelo uso de fios e outros materiais. em especial o metil-2-cianoacrilato. Devido a sua biocompatibilidade. além de reduzir o período de recuperação da ferida cirúrgica por facilitar a síntese tecidual. regularidade das bordas cirúrgicas. eventrações. embora sejam importantes em vários tipos de sutura e recomendados de maneira preferencial em alguns tipos de tecidos.fim de favorecer o processo de cicatrização cirúrgica. uma vez que reduzem o tempo despendido com a síntese. em biológicos. Independente do material utilizado. confrontamento anatômico. que visam restabelecer a condição anatômica funcional dos tecidos. não liberar calor em excesso. O adesivo ideal deve apresentar adesão rápida ao tecido submetido à sutura. quanto à composição. não ser potencialmente carcinogênico e ser passível de ser esterilizado. que são o fibrinogênio associado à trombina. Os instrumentos utilizados para a síntese são porta- agulhas. diminuindo. biodegradável. em: isolado. portanto. além de evitar herniações. além de promover a hemostasia e manter a posição dos tecidos lesados. quanto ao uso. eviscerações e minimizar as infecções pós-operatórias. É um material de grande potencial adesivo. O adesivo cirúrgico pode também ser classificado. utilizando-se de fios e grampos cirúrgicos. quando é associado a .

destacando-se. de colágeno. as próteses ou enxertos contribuem para o processo de cicatrização por protegerem mecanicamente a ferida cirúrgica. • agulhas cirúrgicas: as agulhas são utilizadas com a finalidade de transfixar os tecidos. fator fundamental. Os porta-agulhas mais utilizados são os de Mayo-Hegar e Mathieu. ex. Síntese com Sutura A sutura é uma etapa importante do ato cirúrgico.: malhas sintéticas de polipropileno. que podem ter origem biológica (p. à medida que a cicatrização se processa. que se caracterizam por serem constituídos. A escolha do material para estabelecer uma boa síntese de tecidos é extremamente importante para o sucesso pós. o pericárdio e o peritônio. A agulha é uma pequena e fina haste feita a partir de ligas metálicas que podem ser descartáveis ou reutilizáveis. Síntese com Prótese Quando se deseja reforçar os tecidos ou estruturas envolvidas no processo cirúrgico. como substância impermeabilizante. entre outras. e. tendo como objetivo manter os tecidos bem coaptados. Os tipos de agulha variam conforme seu formato e curvatura. favorecendo e tornando ágil a recuperação dos tecidos incisados. estilo de curvatura. Somente as agulhas retas e as de conformação em “S” dispensam o seu uso. o centro tendíneo. ex. são utilizados enxertos ou implantes. uma vez que a maioria das agulhas é curva e os espaços cirúrgicos são exíguos. os quais mantêm as bordas aproximadas e resistentes às trações e tensões. servindo de guia aos fios de sutura. porta-agulhas. fios cirúrgicos e elementos metálicos. facilidade de . • porta-agulhas: instrumentos fundamentais para a confecção das suturas.operatório. Entre os implantes biológicos utiliza-se comumente material de membranas obtidas de diferentes espécies animais. a dura-máter. tem sua função substituída pela própria cicatriz. a fáscia lata. quase que exclusivamente. Para a sutura são utilizadas agulhas. Devem apresentar custo compatível. Por fornecerem arcabouço para o desenvolvimento e a orientação de novos tecidos.outro tipo de sutura. Estes materiais deverão resistir às trações e tensões que ocorrerão sobre a ferida nas fases iniciais da cicatrização. adequada resistência tênsil. estilo de ponta e fundo. prevenirem a infecção e estimularem a neovascularização local. uma vez que as membranas utilizadas em implantes devem possuir a mesma constituição das estruturas do receptor.: membrana biológica) ou sintética (p. • fios cirúrgicos: utilizados em ligaduras vasculares e na aproximação dos tecidos. teflon e dacron). ou quando se faz necessária a reconstrução tecidual.

estes últimos geralmente indicados para tecidos que apresentam lenta cicatrização e que são submetidos a tensão significativa. assim como evidencia que o uso dos grampeadores é eficaz e seguro. Contudo as vantagens promovidas pela utilização dos grampeadores são muito apreciadas. os que apenas suturam e aqueles que suturam e cortam. O custo da utilização da sutura mecânica é elevado e sua indicação deve ser baseada na real vantagem de seu emprego. Assim. com as condições intrínsecas do paciente e com o conhecimento do cirurgião no uso dos aparelhos de sutura mecânica. vários estudos têm comprovado que não há substancial diferença entre o resultado final de uma sutura manual e a feita por grampeadores. As complicações mais frequentes do uso de grampeadores consistem no sangramento e na formação de fístula e de estenose. o que é bastante significativo para pacientes clinicamente graves quando submetidos a cirurgias. utilizados em anastomoses. Atualmente existem equipamentos concebidos para uso nos mais variados procedimentos. como nos casos de anastomoses retais baixas ou esofagianas. Da mesma forma. São de grande importância para o resultado final da sutura. em 1908 foi o primeiro a utilizar sutura mecânica com esta finalidade. • grampos metálicos: Humer Hultz. Apesar do grande sucesso na época. os grampeadores podem ser divididos em: simples (cutâneos. alguns cuidados como: hemostasia bem-feita. dissecção e preparo adequado das bordas a serem suturadas. Podem ser utilizados fios absorvíveis ou inabsorvíveis. Outra vantagem é o seu uso em anastomoses localizadas em regiões anatômicas desfavoráveis para a sutura manual. cirurgião húngaro. A escolha do fio de sutura deve levar em consideração suas características de comportamento físico e biológico em relação ao processo de cicatrização do tecido a ser suturado. boas condições de aporte sanguíneo e ausência de tensão na linha de sutura. Conclusão . de hemostasia ou de fixação). o dispositivo foi abandonado por apresentar peso excessivo e complexidade de uso. A sutura mecânica é mais rápida que a manual. seja a mesma realizada manual ou mecanicamente. maleabilidade e mínima reação tecidual. esterilização. Nestas condições. o que motiva pesquisas e o desenvolvimento de aparelhos de múltiplos usos. também levou ao desenvolvimento de novos aparelhos de sutura que possam ser usados neste tipo de acesso. englobando praticamente todas as especialidades cirúrgicas. a literatura mostra não haver diferenças significativas no aparecimento de complicações. A cirurgia laparoscópica. Estas complicações estão intimamente relacionadas com os cuidados prévios no preparo das bordas dos tecidos a serem suturados. com suas necessidades específicas. Isso reduz o tempo operatório.

S. 111p Dallan L. Duarte A..15(2):89–104. Figueira Neto J.M.M.Q.D. Biosci J. et al. Cirurgia de revascularização transmiocárdica a laser de CO2..A. bases anatômicas e fisiológicas e técnicas da cirurgia.G. Rio de Janeiro: Atheneu. Oliveira S.. 2009. Suturas mecânicas. Potier G. Técnica cirúrgica. Utilização de adesivos teciduais em cirurgias. Rev Bras Cir Cardiovasc.M.O..I. Fossum T. Técnicas Atuais em Cirurgia de Pequenos Animais. São Paulo: Roca.23(4):108–119. São Paulo: Manole.G.. 2007.G. 2008.71(8):658–661. São Paulo: Sarvier. 2005. Slatter D. 2005. Tratado de Técnica Cirúrgica Veterinária. Rev Col Bras Cir.L.29(5):300–303. Referências Bojrab M. American Surgeon. O aprendizado das fases fundamentais da técnica operatória representa o alicerce para que o cirurgião possa executar um determinado procedimento. Cirurgia de pequenos animais..A. São Paulo: Medvet. Santos A. 2001.S. Manual de técnica cirúrgica para graduação. 2007. Spotnitz W.J. Silva L. 2000. Absorbable cyanoacrylate as a vascular hemostatic sealant: a preliminary trial. 2006. 1024p Schenk W. Santos E.B.A..W.. Burks S. São Paulo: Roca.A. Manual de cirurgia de pequenos animais. 896p Cirino L. 2002. 2806p Tudury E. 1335p Goffi F. 447p . O cirurgião deve estar atento a esses fundamentos para que possa assim maximizar sua operação otimizando resultados satisfatórios.

André Lacerda de Abreu Oliveira Introdução Ao se projetar o centro cirúrgico. auxiliares. não irritantes e possuir efeito residual. Dessa forma. devem-se determinar os ambientes de circulação: áreas limpa. A equipe cirúrgica deve ser composta por cirurgião. área mista. instrumentador e anestesista. Cada membro da equipe deve conhecer claramente suas responsabilidades e funções. Essas regras orientam que: • os membros da equipe cirúrgica que estão vestindo trajes estéreis devem ficar dentro da área estéril. Mesa cirúrgica . segue regras rigorosas que objetivam minimizar o risco de contaminação cruzada. A preparação da equipe cirúrgica envolve lavagem das mãos. a área de processamento de instrumentos e suprimentos e as salas de serviços. mista e contaminada. • os membros da equipe que não estão paramentados não se devem encostar em superfícies estéreis. largo espectro. sala de paramentação e salas de materiais esterilizados. • a conversação durante a cirurgia e a movimentação na sala cirúrgica devem se restringir ao mínimo necessário. Entre os agentes empregados para tal finalidade estão o gluconato de clorexidina. Capítulo 10 Fundamentos de instrumentação cirúrgica Giseli dos Santos Ferreira. assegurando dessa forma o trabalho seguro e eficaz no centro cirúrgico. área contaminada. corredores entre as salas do centro cirúrgico. a de recepção do paciente e vestiários. Consideram-se área limpa salas cirúrgicas. Os sabões ou detergentes antimicrobianos devem ser de ação rápida. escovação e vestuário cirúrgico. A técnica asséptica é ferramenta fundamental para a realização do ato cirúrgico. O objetivo dessa lavagem é a remoção mecânica das sujidades mais visíveis e da oleosidade das mãos. a iodopovidona e o hexaclorofeno.

A lâmina é retirada com auxílio de uma pinça ou deixada na mesa cirúrgica montada (Figura 10. Funções do instrumentador O instrumentador é responsável pela organização da mesa cirúrgica. incisão.1). . São utilizados nesta fase do procedimento cirúrgico: bisturi. Etapas do ato operatório Diérese Essa importante etapa do ato operatório tem por definição a divisão. secção e separação.Há muitas formas de se disporem os instrumentos: em função do tipo de mesa. Bisturi A maneira correta de exposição da lâmina de bisturi da sua embalagem consiste na abertura da mesma pelo lado que contém abas livres. do tipo de cirurgia e até da preferência do instrumentador e/ou da equipe cirúrgica. punção e divulsão de tecidos. respeitando o método padrão de entrega do material. além de atender às necessidades do cirurgião e de seu(s) auxiliar(es). preservando planos anatômicos com finalidade terapêutica e diagnóstica. bisturi elétrico e tesouras. as quais são retraídas em direções opostas. pela assepsia da região operatória.

4). empregando-se a pinça ou porta-agulha para encaixar a mesma na extremidade do cabo. A lâmina é direcionada para um espaço vazio. Os mesmos cuidados devem ser adotados mediante a retirada da lâmina (Figuras 10. O posicionamento correto da lâmina no cabo é realizado com o auxílio de uma pinça de preensão reta ou porta-agulha de Mayo-Hegar.Figura 10.2. Figura 10. 10.3 e 10. .2 Indicação da posição correta da lâmina de bisturi para inserção no cabo.1 Exposição da lâmina de bisturi.

Existem duas empunhaduras corretas do bisturi: • o bisturi é apreendido entre as falanges terminais do polegar e dos dois dedos subjacentes.5). sendo o braço movimentado em bloco do ombro para baixo (Figura 10.4 Lâmina inserida no cabo de bisturi. Essa técnica é utilizada quando não há necessidade de pressão sobre o tecido a ser incisado (Figura 10. • bisturi pode ser apreendido como um lápis para cortes mais delicados.Figura 10.3 Inserção da lâmina de bisturi no cabo. Figura 10. . os movimentos laterais e verticais dependem da movimentação do punho.6). como arco de violino.

se o indicador e o polegar da mão não dominante do cirurgião lateralmente à linha previamente demarcada para a incisão. Figura 10. A tesoura deve ser manuseada colocando-se a extremidade do polegar e do anular nos anéis e apoiando-se o indicador nas lâminas do instrumento (Figura 10. dissecar. Para uma incisão precisa e firme a pele deve ser mantida relativamente imóvel. Essa “fixação” é conseguida posicionando. no caso de tesouras apropriadas para esses materiais.5 Empunhadura do bisturi em forma de arco de violino. Tesouras As funções desse instrumento de diérese consistem em cortar.6 Empunhadura do bisturi na forma de lápis. plásticos etc. borrachas. debridar ou divulsionar tecidos orgânicos e cortar fios cirúrgicos. proporcionando firmeza à incisão criada. gazes. .7).Figura 10. Os dedos se deslocam junto com o bisturi.

A primeira perdura apenas durante o procedimento cirúrgico. a pinça hemostática é removida de maneira a permitir que o nó seja apertado por completo e possa ser feito o segundo nó. Após o primeiro nó ser feito e estar sendo apertado. A hemostasia tem a finalidade de: • limpar a área operatória.7 Empunhadura correta da tesoura. A hemostasia definitiva pode ser feita com uso de eletrocautério. Os instrumentos utilizados nessa importante fase são as pinças hemostáticas. além de servir como meio de cultura para bactérias. • evitar a presença de coágulos nas bordas das feridas. • compressão indireta: pressão com gaze ou compressa utilizada para hemorragia capilar ou de vasos subcutâneos. É um hemostasia temporária. Existem dois métodos de hemostasia: Físicos • compressão digital: consiste num método hemostático preventivo. A hemostasia pode ser temporária ou definitiva. podendo ser realizada com pinças hemostáticas.Figura 10. de maneira que o vaso possa ser facilmente ligado. uma vez que a presença dos mesmos pode retardar a cicatrização. clipes metálicos ou utilizando-se ligadura com fios. Hemostasia Essa fase do ato operatório visa coibir a perda de sangue. . • pinça hemostática: pode ser temporária ou definitiva. O manuseio correto da pinça hemostática deve ser feito com a ponta da pinça voltada em direção ao cirurgião. facilitando dessa forma a visualização do campo cirúrgico pelo cirurgião.

É indicado para sutura de estruturas que oferecem pouca resistência à passagem da agulha. O porta- agulhas de Mathieu é utilizado preso à palma da mão. A sutura mecânica. O porta-agulha de Mayo-Hegar deve ser manuseado colocando-se a extremidade do polegar e do anular nos anéis e apoiando-se o indicador entre as hastes (Figura 10. Os porta-agulhas mais utilizados são os de Mayo-Hegar e de Mathieu. O movimento desse instrumento é mais suave que o de outros aparelhos. Os instrumentos utilizados nessa importante etapa são pinças denominadas porta-agulhas e agulhas. utilizada desde o início do século. Figura 10. ocluindo dessa forma pequenos vasos sangrantes. Síntese Esta fase do ato cirúrgico consiste na realização de manobras destinadas à reconstituição anatômica e/ou funcional de um tecido ou órgão e no fechamento da ferida cirúrgica mediante a aplicação de suturas. Estes são . Químico • perclorato de ferro: este método consiste na coagulação de proteínas dos vasos e outros tecidos. sendo representada pelo uso de grampeadores mecânicos. uma vez que possui hastes mais longas e a aplicação da força está mais distante do eixo de articulação dos ramos. é uma alternativa à sutura manual. fazendo um movimento de alavanca mais eficiente. promovendo a dessecação do vaso sanguíneo.8 Empunhadura correta do porta-agulhas de Mayo-Hegar.• eletrocoagulação: este método hemostático utiliza o calor da passagem da corrente elétrica pelo tecido.8). o que o faz abrir se inadvertidamente for empregada força excessiva durante a sua manipulação.

As vantagens apresentadas por essa técnica consistem em: • redução do tempo de cirurgia. Sinais de Instrumentação Todo instrumento cirúrgico de uso cotidiano possui um sinal manual que o representa.9). ginecológica e síntese de vísceras parenquimatosas como fígado.10). O instrumento será recebido pelo cirurgião com o cabo direcionado para a palma da mão e a lâmina voltada para cima (Figura 10.instrumentos acionados pelo cirurgião para aplicação de grampos metálicos. a ocorrência de reação tecidual. Deve-se apenas ficar atento para que esse instrumento seja utilizado corretamente quando relacionados tamanho dos grampos e do órgão a ser trabalhado. descrevendo com a mão um arco de círculo dirigido de fora para dentro (Figura 10. de maneira silenciosa e eficiente. • os grampos são constituídos de material inerte e não absorvível. . • pode ser executada em regiões anatômicas desfavoráveis para a confecção de sutura manual. principalmente por permitir a realização da cirurgia com vísceras praticamente fechadas. • diminuição do traumatismo tecidual devido a menor manipulação e exposição das estruturas. baço e pâncreas. reduzindo o tempo total da cirurgia. para que não ocorra esmagamento ou deiscência tecidual. torácica. Essa técnica de sutura está sendo amplamente utilizada em cirurgias vascular. Dessa forma o cirurgião transmite a informação de qual material precisa. • redução do risco de contaminação. evitando. como nos casos de anastomoses retais baixas ou esofagianas. Bisturi Para solicitar o bisturi os dedos do cirurgião devem estar semifletidos e reunidos pelas pontas. dessa forma.

o instrumento poderá descansar na mão do cirurgião ou auxiliar. imitando o movimento das lâminas da tesoura (Figura 10.Figura 10. para ser usada quando necessário (Figura 10. . A tesoura será recebida pelo cirurgião ou auxiliar com os anéis do instrumento voltados para a palma da mão dos mesmos. com as lâminas voltadas para a palma da mão do cirurgião em posição vertical. Figura 10. no momento em que a tesoura estiver sem uso.9 Solicitação de bisturi por meio de sinal manual.10 Entrega do bisturi pelo instrumentador e recebimento do instrumento pelo cirurgião ou auxiliar. para uso imediato (Figura 10.11). enquanto os demais estarão fletidos sobre a palma da mão. Ambos os dedos aproximam-se e afastam-se alternadamente.12).13). Tesoura Para solicitar a tesoura o cirurgião manterá estendidos os dedos indicador e médio. Durante o ato cirúrgico. estando este posicionado com um dos anéis localizados no dedo anular.

Figura 10. Figura 10.13 Maneira correta de o cirurgião recolher a tesoura quando não está em uso. Pinça Hemostática .12 Entrega da tesoura pelo instrumentador e recebimento do instrumento pelo cirurgião ou auxiliar. Figura 10.11 Solicitação de tesoura por meio de sinal manual.

.15 Entrega da pinça hemostática pelo instrumentador e recebimento do instrumento pelo cirurgião ou auxiliar. com os anéis voltados para a palma da mão do cirurgião ou auxiliar (Figura 10.14 Solicitação de pinça hemostática por meio de sinal manual.15). A recepção do instrumento pelo cirurgião é semelhante à recepção da tesoura. imitando dessa forma o movimento das pinças (Figura 10. estando o polegar.16). A recepção desse instrumento pelo cirurgião ou auxiliar consiste na entrega do mesmo pelo instrumentador por meio das hastes da pinça. o indicador e o médio estendidos e levemente paralelos (Figura 10. Figura 10.Para solicitação desse instrumento. os dedos anular e o mínimo são mantidos fletidos contra a palma da mão. Figura 10. aproximando-se e afastando-se. com a extremidade do instrumento voltada para a palma da mão do cirurgião (Figura 10.17).14). Pinça de Dissecção A solicitação desse instrumento exige que o polegar e o indicador fiquem estendidos.

18). Afastador de Farabeuf Para solicitar esse instrumento o dedo indicador é posicionado semifletido e os demais dedos completamente fletidos sobre a palma da mão. .17 Entrega de afastador de Farabeuf pelo instrumentador e recebimento do instrumento pelo cirurgião ou auxiliar.Figura 10. Uma das extremidades do instrumento é colocada na palma da mão do cirurgião durante a entrega desse instrumental (Figura 10. Figura 10.19).16 Solicitação de pinça de dissecção por meio de sinal manual. simulando um movimento de aproximação da mão de acordo com a função do instrumento (Figura 10.

18 Solicitação de afastador de Farabeuf por meio de sinal manual.Figura 10.21). O instrumentador deposita a compressa na mão do operador para uso durante o procedimento (Figura 10. . Compressa A solicitação da compressa pelo cirurgião ou auxiliar consiste na apresentação da mão espalmada em direção à peça (Figura 10.20). Figura 10.19 Entrega de afastador de Farabeuf pelo instrumentador e recebimento do instrumento pelo cirurgião ou auxiliar.

a parte prensora do porta-agulhas de Mathieu é depositada na palma da mão do operador.20 Solicitação de compressa por meio de sinal manual.22). pequenos movimentos de pronação e supinação (Figura 10. executando.21 Entrega de compressa pelo instrumentador e recebimento da peça pelo cirurgião ou auxiliar. pronta para uso. Figura 10. Porta-agulhas Para solicitar esse instrumento o cirurgião ou auxiliar sinaliza com os quatro últimos dedos mantidos juntos e em semiflexão. então.Figura 10. e o polegar semifletido do lado oposto. A recepção do porta-agulhas de Mayo pelo cirurgião ou auxiliar é semelhante à recepção da tesoura: com os anéis voltados para a palma da mão do cirurgião ou auxiliar (Figura 10.23). .

Pinça Backaus Para a solicitação desse instrumento. os dedos indicador. com os anéis voltados para a palma da mão do cirurgião ou auxiliar (Figura 10.Figura 10.22 Solicitação de porta-agulhas por meio de sinal manual. A recepção do instrumento pelo cirurgião é semelhante à recepção da tesoura.24). Figura 10.25). . médio e anular são fletidos e o polegar é interposto entre os dedos indicador e médio (Figura 10.23 Entrega do porta-agulhas de Mayo-Hegar pelo instrumentador e recebimento do instrumento pelo cirurgião ou auxiliar.

A solicitação e a entrega do instrumental cirúrgico por meio de sinais manuais torna a equipe cirúrgica treinada e agiliza o procedimento cirúrgico.25 Entrega de pinça Backaus pelo instrumentador e recebimento do instrumento pelo cirurgião ou auxiliar.V. Equipe cirúrgica.P. ed. Magalhães H. Referências Bellen B.. com a síntese bem executada encerrando o ato cirúrgico. uma diérese bem-feita. Figura 10. Conclusão A realização do ato cirúrgico necessita que sejam cumpridas todas as etapas dos períodos pré-operatório e transoperatório. É importante que sejam executadas corretamente todas as etapas do período transoperatório.24 Solicitação de pinça Backaus por meio de sinal manual. Figura 10. passando pela hemostasia correta durante todo o procedimento. sem que haja posteriores complicações para o paciente.P. Técnica cirúrgica e cirurgia . In: Magalhães H..

1998:164–173. 1964. In: Goffi F. Técnica operatória fundamental. In: Fuller J. Accetta I. Margarido N. Tracy D. 77–181 Tudury E. Busch S. Tecnologia cirúrgica: princípios e prática. Practical applications of aseptic technique.I.D. 2002:13–17.W. Tolosa E. 3ª ed.. São Paulo: Sarvier. 1987. Pereira P...B. Mosby:St. ed.R.A. 2nd ed.. 1ª ed. Técnica operatória e cirurgia experimental.M. 1999.A. Fuller J.F.L. 2000. Manual de cirurgia de pequenos animais.R. Cirurgia de pequenos animais. In: Slatter D. ed. Margarido N. Fossum T. ed.. Potier G. São Paulo: Roca. Louis. ed. Monsel’s solution.B.. Parra O. Equipe cirúrgica. São Paulo: MedVet. Técnica cirúrgica: bases anatômicas. 1994. In: Fossum T. 2005. Tecnologia cirúrgica: princípios e prática.M.A. Preparação da equipe cirúrgica.M.F. São Paulo: Atheneu. 2009. São Paulo: Manole. Rio de Janeiro: Atheneu.. São Paulo: Roca. Maya A.J. V. Tratado de técnica cirúrgica veterinária. 1ª..M. São Paulo: Atheneu. fisiopatológicas e técnicas da cirurgia. Seim H. Goffi F. Guimarães J. assepsia e anti-sepsia. São Paulo: Atheneu. equipamentos e equipe cirúrgicos..90:226–228. Wagner S. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan. 1ª ed.S.A.M. 1997. Parra O. Instalações. 2001:75–80. 2000:18–26. Esterilização..G. 2002:38–47. In Cirurgia de pequenos. 1ª ed. Metodização cirúrgica: conhecimento e arte. animais. 1993:37–41.... Margarido N.. Saad W. 4ª ed. 2001. III.S. . Small animal surgical nursing. Raizer AG. Organização do centro cirúrgico: pessoal e ambiente. Instrumentação cirúrgica. ed.F. Instrumentação cirúrgica. ed. Pippi NL. 2ª ed.R.R. Fuller J. Aspectos técnicos em cirurgia.. Epstein E. Maibach H. 3ª ed. 3ª ed.W. 1ª ed. 1ª ed.S. 2005.. Saad W. ed. II Marques R. Rio de Janeiro: Atheneu. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan.C. Manual de cirurgia veterinária. experimental.. Arc Dermatol. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan.. 1ª ed. Tiellet CAB..

Guilherme Alexandre Soares Monteiro Introdução A anestesiologia veterinária é uma ciência que exige conhecimentos integrados de outras áreas como clínica médica. diminuindo riscos inerentes ao procedimento anestésico. fisiologia. biologia celular e. Identificação do animal Devem-se ter à disposição os principais dados para a identificação do paciente. Alguns questionamentos não devem faltar para o início de uma boa avaliação: • O animal está com todas as vacinas em dia? • Há alguma alteração na cor. Capítulo 11 Pré. com o intuito de estabilizar as funções fisiológicas do paciente. cheiro ou textura das fezes do animal? • O animal está urinando mais ou menos vezes? Uma quantidade maior ou menor? Algum odor ou coloração diferenciada do aspecto normal? • Já ocorreu alguma doença no animal? Há quanto tempo? Qual foi o tratamento utilizado? Apresentou melhoria ou voltou porque o quadro continuou inalterado? • O animal é epilético ou já apresentou alguma convulsão durante a vida? • O animal faz uso de algum medicamento no momento? Por meio da anamnese serão obtidos diversos dados que auxiliarão o exame clínico do animal e conduzirão à requisição dos exames clinicolaboratoriais. A abordagem inicial será executada mediante a identificação do paciente e de uma boa anamnese (conjunto de informações obtidas pelo médico veterinário por meio de entrevista previamente esquematizada). principalmente. Com base nos exames pré-anestésicos serão determinadas e empregadas as melhores medidas terapêuticas. trans e pós-operatório Fernanda Antunes. bioquímica. Anderson Nunes Teixeira. Todos esses conhecimentos serão utilizados na primeira etapa do procedimento anestésico: o exame clínico pré-anestésico. como . farmacologia.

culminando em uma dificuldade de biotransformar os fármacos administrados. O mesmo ocorre com pacientes senis (acima de 75% da expectativa de vida). Whippet). devendo-se coletar exames laboratoriais com fins investigativos antes de elaborar o protocolo anestésico. Espécie De acordo com a espécie do animal. tornando deficientes a metabolização e a excreção de determinados fármacos. exigindo mais da via renal para excreção. Outro parâmetro importante a ser abordado diz respeito ao comportamento dos gatos. levando-se em conta a variabilidade fisiológica que existe entre as espécies. sendo necessária a realização de um procedimento anestésico para a canulação do acesso venoso ou até mesmo para a coleta dos exames laboratoriais. Em relação aos pequenos animais domésticos. mesmos não sendo braquicefálicos. Idade Animais idosos e filhotes apresentam grande dificuldade em manter a temperatura corporal. já que a redistribuição anestésica fica limitada. Os cães braquicefálicos como Pug. idade. porém o sistema enzimático hepático nesse caso já não apresenta a eficiência de um animal jovem. como hipotireoidismo. após a remoção da sonda endotraqueal. podem apresentar os mesmos problemas respiratórios. diabetes mellitus e cardiomiopatia degenerativa. principalmente no período de recuperação anestésica. Sexo . Os cães galgos (Greyhound. Os neonatos (até 8 semanas de idade) possuem o sistema enzimático hepático imaturo. exigindo do anestesista maior atenção e preocupação durante todo o procedimento anestésico. O Chow Chow e o Shar-Pei. Raça Algumas raças apresentam respostas farmacodinâmicas diferentes a determinados fármacos. As doenças de maior ocorrência em animais senis. principalmente no caso de ser aplicado o tiopental sódico. podem ter mais riscos durante a fase de indução anestésica. por apresentarem pouco tecido adiposo. o procedimento anestésico poderá mudar. Shih Tzu e Bulldog são predispostos a obstrução das vias aéreas e dispneia. os gatos apresentam uma capacidade limitada de conjugação e glucuronização hepática. sexo e estado reprodutivo. devem ser levadas em consideração mesmo que o animal não apresente sintomas clínicos. que muitas vezes são animais de difícil contenção. raça.espécie.

Rottweilers e outras raças podem apresentar comportamento mais agressivo. As fêmeas em cio podem ter maior risco de hemorragia intraoperatória. • hematológico (anemias. Yorkshire. as tetraciclinas e os aminoglicosídeos aumentam a duração de ação dos bloqueadores neuromusculares não despolarizantes. cansaço. já que irão apresentar níveis de proteína plasmática abaixo do normal (proteína plasmática total . pois muitas medicações. Animais muito agitados também podem ter problemas anestésicos em relação ao comportamento (Poodle. secreções). Todas as informações sobre possíveis medicações que estejam sendo administradas ao animal devem ser questionadas. • digestório (diarreias e vômitos). como os antibióticos. histórico de transfusão recente). ascite). já que possuem aumento de catecolaminas circulantes periféricas e taquicardia com elevação do consumo de oxigênio pelo miocárdio. Temperamento Algumas raças apresentam um comportamento individual mais dócil. tosse. traumas recentes na cabeça). desta forma. Anamnese O anestesista deve questionar o proprietário do animal sobre os diversos sistemas fisiológicos com o intuito de buscar informações que propiciem um exame físico e laboratorial mais direcionado. com fármacos anestésicos aplicados que promovem bradicardia e hipotensão arterial. convulsões. Devem ser pesquisados os diversos sistemas: • cardiovascular (síncopes. Essas alterações comportamentais podem modificar determinado protocolo anestésico. dispneia. interferem na ação dos anestésicos. devendo. havendo a necessidade da aplicação anestésica para a manipulação do animal. Labradores). Labradores. • sistema nervoso central (SNC) (epilepsias. no caso dos animais agressivos. • respiratório (tosse. Golden Retrievers. Exame físico e laboratorial O peso e o estado nutricional são os dados físicos iniciais do exame físico. Chow Chow. Os animais desnutridos constituem uma parcela importante no risco anestésico.É importante lembrar que as fêmeas gestantes apresentam alterações fisiológicas importantes no sistema cardiopulmonar que podem alterar as respostas anestésicas.

O status volêmico dos animais deve ser avaliado e intensificado nos animais anêmicos (Tabela 11. Tabela 11. 1994. Tabela 11.8 6.3-8.3 Gasometria (arterial) pH 7.2) ou com grandes perdas sanguíneas. No exame do sistema cardiovascular devem-se avaliar de maneira criteriosa a frequência cardíaca. o tempo de preenchimento capilar (TPC) e a pressão arterial.2 Estimativa do grau de desidratação e suas características A temperatura corporal deve ser aferida.1). Os animais hipotérmicos terão este efeito acentuado no decorrer do procedimento anestésico. Todo e qualquer déficit volêmico deve ser corrigido antes do início do procedimento anestésico com fluidoterapia ou transfusão sanguínea em pacientes com anemia severa ou hemorragias.43 PaO2 (mmHg) 91-97 91-115 PCO2 (mmHg) 30-43 28-43 Fonte: McKelvey & Hollingshead.36-7. o efeito farmacológico dos anestésicos é aumentado nos pacientes com hipoproteinemia. O agente anestésico que irá promover ação anestésica no organismo do animal é o fármaco livre de ligação proteica na circulação sanguínea. Por meio destes dados o paciente será encaminhado ou não para a .7-7. pois os anestésicos tendem a desequilibrar a homeostasia da temperatura corporal nos animais.46 7. a qualidade do pulso. desidratados (Tabela 11.< 4 g/dl ou albumina < 2 g/dl).1 Valores normais utilizados na avaliação do equilíbrio de fluido dos animais de pequeno porte Cães Gatos Hematócrito (%) 35-54 25-45 Proteína total (g/dl) 5.34-7. Desta forma.

radiografias etc. exame físico. • bioquímica sanguínea: creatinina. proteínas. desidratação moderada. Outros dados importantes são frequência respiratória. enquanto na função renal os dados a serem pesquisados são presença ou não de oligúria. • elementos anormais e sedimentoscopia (EAS) (urina): densidade. eletrólitos. • eletrocardiografia: pacientes com traumatismo e ritmo cardíaco irregular. (risco leve. anúria. percussão e possíveis obstruções das vias aéreas são importantes para a escolha mais adequada do anestésico a ser utilizado. Pesquisa de ruídos respiratórios. doença renal de . bioquímica (pH. fratura sem choque. bilirrubina e sangue). No sistema respiratório. a ausculta dos campos pulmonares é de grande relevância no exame.4) e tipo de procedimento a ser utilizado. poliúria e polidipsia. bactérias.3 Classificação do risco do paciente cirúrgico de acordo com a categoria e a condição física Categoria Condição física Exemplo de situação clínica Classe I Paciente normal. leucócitos. fosfatase alcalina. animais capazes de compensar. • outros testes: teste para diagnóstico de filariose em cães. hematócrito. profundidade respiratória e coloração das mucosas. classificação de risco anestésico (Tabelas 11. leve) sem sinais clínicos Classe III Paciente com enfermidade sistêmica Anemias. Outras provas laboratoriais são: • gasometria. (risco orgânica mínimo) Classe II Paciente com enfermidade sistêmica Animais neonatos ou geriátricos. corpos cetônicos. anorexia. • radiologia: tórax e abdômen. Em relação ao sistema hepático. castração. A avaliação mínima laboratorial consiste em mensuração de hemoglobina. hemácias.3 e 11. sem enfermidade Ovário-histerectomia. Tabela 11. glicose. células epiteliais e cristais).avaliação cardiológica previamente ao procedimento anestésico. Exames laboratoriais A seleção dos exames laboratoriais é baseada em anamnese. albumina e hemostasia. sais biliares. diabetes leve etc. o anestesista deve estar atento quanto à presença de icterícias ou coagulopatias. proteínas plasmáticas e número de plaquetas. pesquisa de sedimentos (cilindros. aspartato aminotransferase (AST) e aspartato alanina aminotransferase (ALT).

geralmente uma extremidade. • Anestesia regional – analgesia limitada a uma zona local. febre moderada etc. ureia. alto) Classe V Paciente moribundo que não se espera Casos avançados de doença cardíaca. embolia grave) sem operação pulmonar. (risco incapacitante com perigo de morte doença cardíaca descompensada etc. Há hipertonicidade muscular esquelética quando os fármacos são usados isoladamente. visuais ou dolorosos menores). glicemia. (risco grave que limita a atividade. • Anestesia dissociativa – é um estado do SNC caracterizado por boa analgesia periférica. • Anestesia geral – perda da consciência e da sensibilidade. doença cardíaca. proteína plasmática total. • Analgesia – perda da sensibilidade à dor. (risco que viva mais de 24 horas. creatinina e glicemia (para pacientes neonatos) IV e V Hemograma completo. . Inclui as seguintes características: narcose. alteração da consciência e catalepsia (estado em que existe uma rigidez maleável das extremidades e o paciente responde a estímulos auditivos.4 Sugestão de exames auxiliares de acordo com a ASA do animal Estado físico I e II Hematócrito. creatinina. • Anestesia local – analgesia limitada a uma área orgânica muito limitada. daí a importância de associação com fármacos relaxantes musculares e sedativos. analgesia. trauma severo etc. choque profundo. • Anestesia – perda total das sensações corporais induzida por um fármaco que deprime o SNC. moderado) incapacitante Classe IV Paciente com enfermidade sistêmica Desidratação severa. relaxamento muscular e hiporreflexia. uremia ou toxemia. intactos. choque. glicemia (para pacientes neonatos) III Hemograma completo. 1997. sem ser baixo grau. hepática. com ou pulmonar ou doença endócrina. Classe ou ASA (American Society of Anesthesiologists). Fonte: modificado de Muir & Hubbell. renal. Os olhos permanecem abertos e os reflexos de deglutição. anemia. hemogasometria e eletrólitos Definições • Acinesia – perda da resposta motora (movimento). ureia. Tabela 11.

Desta forma o anestesista veterinário deverá combinar múltiplas terapias (terapia multimodal da dor). Pode estar ou não acompanhada de analgesia. relaxamento muscular e alteração de reflexos autonômicos. A MPA também é usada para outros fins que não sejam para o preparo da anestesia geral. existem fármacos usados em MPA que não necessariamente sedam ou tranquilizam. • Sedação – grau leve de depressão do SNC em que o paciente está desperto. analgesia. mudanças comportamentais. O controle da dor deve ser executado de forma preventiva. com ou sem hipnose. 12 horas antes do ato anestésico e 2 horas de jejum hídrico. • Hipnose – sono induzido artificialmente do qual se pode despertar mediante um estímulo (moderada depressão do SNC). Para minimizar a ocorrência de vômitos durante o procedimento anestésico deve- se preparar o animal com um jejum prévio. Desta forma. com o intuito de garantir o máximo conforto para o paciente cirúrgico. Atualmente o protocolo de controle da dor está inserido no protocolo de medicação pré-anestésica. A MPA pode ser utilizada como forma de contenção química para a coleta de exames ou avaliação clínica de animais agressivos ou de gatos que não permitem a sua manipulação.• Anestesia balanceada – induzida por múltiplos fármacos. antes que ocorra o primeiro estímulo da dor. • Tranquilização – estado de tranquilidade em que o paciente encontra-se relaxado e indiferente a pequenos estímulos dolorosos. ausência de autolimpeza (gatos) e até mesmo óbito. e pode responder a estímulos dolorosos. A dor é responsável por inúmeros efeitos adversos sobre o paciente cirúrgico. automutilação. em conjunto com a medicação pré- anestésica. Para animais jovens o tempo de jejum pré-anestésico é reduzido para que não ocorra . A restrição de alimento deve ser feita. Também tem por finalidade evitar efeitos colaterais e reduzir a dose de fármacos usados na anestesia. • Narcose – estupor ou sedação induzidos por fármacos em que o paciente não tem consciência de dor. Divisões Medicação Pré-anestésica (MPA) A medicação pré-anestésica prepara o paciente para a anestesia geral. promovendo a tranquilização ou a sedação do animal. como apatia. mas tranquilo. em cães e gatos. O paciente não é facilmente despertado! • Neuroleptoanalgesia – hipnose e analgesia produzidas pela combinação de um neuroléptico e um analgésico. Torna o ato anestésico mais seguro e confortável tanto para o paciente quanto para o anestesista. seus componentes induzem perda de consciência.

3.02 a 0. anticolinérgicos. subcutâneo [SC]): 0. Os anticolinérgicos irão exacerbar este efeito. As principais diferenças são: • atropina x glicopirrolato: • custo = a atropina é mais barata. • provocam diminuição das secreções do sistema digestório. Um bom exame clínico do animal deve ser realizado previamente ao seu uso. Anticolinérgicos São utilizados com as seguintes finalidades: • bloquear os efeitos do nervo vago. Os anticolinérgicos não devem ser aplicados a pacientes que apresentem arritmias ventriculares. Previne a bradicardia severa durante a administração de agentes anestésicos gerais. produzindo um efeito cronotrópico positivo e a aceleração da condução atrioventricular. narcóticos e agentes sabidamente depressores da frequência cardíaca. 2. taquicardia durante a medicação pré-anestésica e com patologias que promovam hipoxemia. • barreiras hematencefálica e placentária = o glicopirrolato é mais resistente à passagem por estas barreiras e possui ação de maior duração. SC): 5 a 10 μg.kg-1. Em patologias que gerem hipoxemia. e da motilidade gastrointestinal. • causam diminuição das secreções nasais e traqueobrônquicas e diminuem a broncoconstrição. culminando em parada cardiorrespiratória por déficit de oxigenação do miocárdio. Os anticolinérgicos utilizados são a atropina e o glicopirrolato. • glicopirrolato (IV. intramuscular [IM]. como a saliva. opioides. como as contrações ventriculares prematuras.kg-1. como a xilazina. Durante a taquicardia há um consumo natural do oxigênio pelo miocárdio. O uso dos anticolinérgicos não deve ser feito de forma indiscriminada. Para o melhor entendimento. tranquilizantes. . neurolépticos e sedativos.quadro hipoglicêmico. dificultando a captação do oxigênio. As doses e as principais vias de medicação para pequenos animais são: • atropina (intravenosa [IV]. IM. • coração = a atropina tem sido associada a arritmias cardíacas como taquicardia sinusal e contrações ventriculares prematuras.04 mg. os anticolinérgicos produzem broncodilatação com consequente aumento do espaço morto anatômico. a medicação pré-anestésica é dividida em três classes: 1.

• Sistema respiratório: em doses clínicas. potencializadora e antiespasmódica. pois pode promover redução do limiar convulsivo. a qual frequentemente é compensada por um aumento no volume corrente. quando em doses muito altas. agindo em nível de substância reticular mesencefálica. São classificadas como derivados da fenotiazina. é . rigidez e catalepsia. os componentes do grupo possuem ação simpatolítica. antiflogística. • Principais fenotiazinas utilizadas na medicina veterinária • Acepromazina: na MPA. além dessas características. benzodiazepínicos e β-2 agonistas. como tremores musculares. Além destes. Ação Sobre os Sistemas • Sistema nervoso central: antagonizam com as neurotransmissões dopaminérgicas (antagonismo dopaminérgico). • Sistema cardiovascular: o mais importante efeito das fenotiazinas sobre o sistema cardiovascular é a hipotensão. Outro efeito importante das fenotiazinas é o efeito antiemético potente.se suas propriedades tranquilizante e antiemética. podendo desencadear. causam acentuada depressão do SNC. intervenções cirúrgicas. ansiolítica. bloqueando os receptores pré e pós-sinápticos aos efeitos da dopamina resultando em estado de tranquilização sem perda da consciência. Em pacientes com histórico de convulsões esta classe de fármacos deve ser evitada. também de origem central. O principal efeito central é a tranquilização em graus variáveis e redução da atividade motora. sintomas extrapiramidais. O pH. A termorregulação é deprimida pelas fenotiazinas provavelmente devido à redução de catecolaminas na região do centro termorregulador hipotalâmico. Este efeito é dose-dependente e pode ser visto com as doses usadas clinicamente. entretanto. Derivados da Fenotiazina As drogas tranquilizantes do grupo das fenotiazinas apresentam um amplo espectro de efeitos centrais e periféricos. o que não permite. a pressão parcial de dióxido de carbono (PCO2). proporcionam discreta analgesia. além de auferirem tranquilização e sedação. antissecretora. Com efeitos melhores no cão do que no gato. A hipotensão é usualmente atribuída ao bloqueio alfa- adrenérgico que causa vasodilatação e diminuição da resistência vascular sistêmica. em pequenos animais. Neurolépticos. mesmo esse efeito sendo questionável. a pressão parcial de oxigênio (PO2) e a saturação de hemoglobina não são alterados após administração de acepromazina. os efeitos sobre a respiração são mínimos e observa-se um decréscimo na frequência respiratória. Ansiolíticos e Sedativos São drogas que. derivados da butirofenona. interferindo no ciclo do sono e da vigília. anti-histamínica.Tranquilizantes. Tais drogas. destacam.

sendo a principal delas a atividade simpatolítica geral que contribui para vários dos efeitos comuns.5 mg. O aumento da dose das butirofenonas produz rigidez.2 a 0.05 a 0. Pertence à série adrenolítica. Interferem no centro termorregulador no SNC. diminuição do volume-minuto. O efeito máximo se verifica cerca de 10 minutos após injeção IV e 20 após IM. reverte facilmente a hipotensão produzida pelas butirofenonas. • levomepromazina (IV. . As doses e as principais vias de medicação para pequenos animais são: • acepromazina (IV. em pacientes estressados. as butirofenonas produzem tranquilização na forma de indiferença aos estímulos do meio ambiente e diminuição da atividade motora. tremor e catalepsia) são mais frequentes com as butirofenonas do que com as fenotiazinas em doses clínicas. como os barbitúricos. IM. é um típico tranquilizante fenotiazídico. • Clorpromazina: foi uma das primeiras fenotiazinas a serem utilizadas. culminando em queda da temperatura corpórea. SC): 0. razão pela qual elas são menos populares. A duração do efeito tranquilizante varia consideravelmente. no entanto os mecanismos parecem não ser os mesmos. • Levomepromazina: também conhecida como metotrimeprazina. Ação Sobre os Sistemas • Sistema nervoso central: assim como as fenotiazinas. • Sistema cardiovascular: as butirofenonas causam hipotensão em grau semelhante às fenotiazinas. IM.5 mg. SC. permanecer por até 6 horas. • clorpromazina (IV.kg-1 (VO). conhecido também por potencializar efeitos analgésicos e de outras drogas.kg-1. sendo considerada o protótipo do grupo e com a qual os outros componentes do grupo são comparados. o que leva a uma acidose respiratória.2 a 0. Derivados da Butirofenona As butirofenonas têm muitas propriedades em comum com as fenotiazinas. mas não reverte a causada pelas fenotiazinas. IM. 1 mg.kg-1. devem-se preferir as butirofenonas às fenotiazinas. Agente agonista alfa-simpático (fenilefrina). via oral [VO]): 0. utilizada principalmente para acalmar o animal. • Sistema respiratório: droperidol associado a fentanil promove. podendo. no cão. SC): 0. promovendo indiferença a estímulos do meio ambiente.2 mg. o que pode significar que. Possui efeito antiemético mais potente que as demais fenotiazinas.kg-1. tremores e catalepsia (os chamados sinais extrapiramidais). Os sinais extrapiramidais (rigidez. em alguns animais.

O início do ataque convulsivo envolve células de marca-passo.kg-1. uma dose única inicial é tentada para controlar os ataques. sensoriais. elas diferem de outras células nervosas no seu potencial de membrana instável. O objetivo das intervenções terapêuticas é estabilizar o potencial neuronal restante e. • ataques com ou sem modos de precipitação. Envolvem grandes e pequenas partes do cérebro. No entanto fármacos antiepilépticos são usados para prevenir ataques. A epilepsia é uma doença crônica de etiologia diversa. sendo necessário que sejam administrados cronicamente. • ataques com ou sem perda da consciência. como tranquilizantes. a corrente de despolarização persiste após o término da ação do mesmo. usualmente com benzodiazepínicos administrados IV ou até mesmo via retal. visando a potencialização mútua. As doses e as principais vias de medicação para pequenos animais são: • droperidol (IV. focal.2 mg. Os benzodiazepínicos são fármacos importantes na medicação pré-anestésica de animais epilépticos ou que tenham histórico de convulsões. Somente no caso do status epilepticus (uma sucessão de ataques clônicos-tônicos severos) é indicado o tratamento agudo com terapia anticonvulsivante. aumentando o risco de interações medicamentosas. Os ataques podem tomar várias formas. Em formas específicas de epilepsia. psíquicos e vegetativos. Na prática anestésica veterinária o uso destes compostos associados a outras drogas. isto é. anticonvulsivantes e redutoras da agressividade. . barbituratos. classificadas como: • ataque geral vs. IM): 1. Apenas quando a terapia com diferentes agentes se torna inadequada pode-se sugerir uma segunda linha de fármaco ou o uso combinado pode ser recomendado. Ambas as regiões do cérebro são afetadas e a causa de excitabilidade anormal pode diferir.1 a 2. É caracterizada por episódios paroxísticos de excitação não controláveis de neurônios cerebrais. então. miorrelaxantes de ação central. uma descarga elétrica é evidente no eletroencefalograma como uma atividade rítmica e manifestada pelo mesmo em fenômenos motores. diminuir a excitabilidade. é bastante comum. Ansiolíticos – Benzodiazepínicos As drogas desse grupo apresentam propriedades ansiolíticas. As doses são aumentadas até que os ataques não estejam mais presentes ou surjam efeitos adversos. analgésicos narcóticos e anestésicos dissociativos. sendo geralmente o valproato a droga de primeira escolha em crises generalizadas e carbamazepina a preferida para crises parciais (focal).

além de outros anticonvulsivantes (exceto gabapentina). a resposta pode estar reduzida pela inibição excitatória ou ativação de neurônios inibitórios. como neurolépticos. inibem. Carbamazepina. Receptores de glutamato são separados em três subtipos. dificuldade de concentração e atividade motora reduzida são comuns durante a terapia. Ataques múltiplos (mistos) associados a picos de ondas lentas (Lennox-Gastaut) podem responder ao valproato. isoniazida. devido ao desenvolvimento de resistência à droga. Para casos intratáveis de epilepsia em crianças vários outros agentes foram utilizados. podem tornar seu uso restrito. Alguns agentes parecem reduzir a excitabilidade neuronal por meio de vários mecanismos de ação.é aumentado. um precursor da síntese do GABA. levando à despolarização. e pode também atuar nos canais de K+. entre outros. primidona e fenitoína podem causar osteomalacia (vitamina D na profilaxia) ou anemia megaloblástica (folato na profilaxia). Combinações entre anticonvulsivantes e outras drogas podem resultar em interações clinicamente importantes. Este receptor é um ligand-gated ion channel que. fenobarbital. Sedação. e por isso são contraindicados para desordens desse tipo. além de seu potencial fatal para o fígado e toxicidade na medula óssea. induzem enzimas hepáticas responsáveis pela biotransformação. como os receptores n- metil-D-aspartato (NMDA) de maior importância terapêutica. a liberação de glutamato. Todas as substâncias antiepilépticas são conhecidas por produzirem efeitos adversos em diferentes graus. hematológicas e hepáticas podem recomendar a alteração na medicação. sob estimulação com o glutamato. tornando a dosagem enzimática dos níveis plasmáticos de rotina. A gabapentina pode aumentar a disponibilidade do glutamato. Alterações cutâneas. fenitoína. ou quando o paciente desenvolveu tolerância aos outros medicamentos. Fenobarbital. como o fenobarbital (e fenitoína). incluindo. abrindo-os. O influxo de íon Cl. Benzodiazepínicos e fenobarbital aumentam a ativação de receptores GABAA pela liberação de quantidades fisiológicas de GABA. Ação Sobre os Sistemas . Drogas antiepilépticas. mas. ou da dor neuropática. Em princípio. antibióticos beta- lactâmicos em altas doses. além de outras coisas. dexametasona. permite a entrada tanto de íons Na + quanto de íons Ca 2+ para dentro da célula. A maioria das células nervosas excitatórias utiliza o glutamato e a maior parte dos neurônios inibitórios utiliza o ácido gama- aminobutírico (GABA) como seus neurotransmissores. hormônio adrenocorticotrófico (ACTH) e glicocorticoides. O mecanismo de ação dessa classe de fármacos permanece incerto. Várias substâncias podem reduzir o limiar convulsivante. Outra finalidade de substâncias como a carbamazepina (anti-helmíntico) ou amitriptilina (agentes antidepressivos tricíclicos) é o controle da dor não tratável.

Exerce ação hipnoindutora anestésica no homem. benzoato de sódio ou ácido benzoico deve ser administrado por via intravenosa lenta. Essas drogas originalmente . que é um depressor da atividade cardíaca.kg-1.5 mg. não necessitando de solventes tóxicos. O fluxo coronariano aumenta após administração de diazepínicos. que é mediada pelo GABA. um solvente do diazepam. PaO2 e aumento da PaCO2 são observados somente quando se usam altas doses durante a anestesia. principalmente em pequenos animais. O consenso atual é de que a maioria. se não todas elas. Não é solúvel em água e as soluções possuem solventes como o propilenoglicol (40%). arritmias e hipotensão quando administrado por injeção intravenosa muito rápida. é um depressor da atividade cardiovascular. não deve ser misturado com diluentes ou outros fármacos. o que torna o seu uso benéfico na MPA nos casos de isquemia de miocárdio. Apresentando meia-vida de 1. como o diazepam. • Sistema cardiovascular: os efeitos depressores sobre esse sistema normalmente não são importantes quando se usam doses pequenas. Altas doses de benzodiazepínicos podem causar hipnose com pequena depressão cardiopulmonar.2 a 0. As doses e as principais vias de administração para pequenos animais são: • diazepam (IV. como. • Sistema respiratório: efeitos depressores sobre a ventilação.• Sistema nervoso central: grande parte das ações dos benzodiazepínicos pode ser atribuída a sua capacidade de deprimir o SNC.2 horas. a via oral pode também ser utilizada. IM): 0. O propilenoglicol. por exemplo. • Antagonista: flumazenil. O diazepam não deve também ser associado a outras drogas (fenotiazinas) numa mesma seringa. podendo provocar transtornos como bradicardia. e podendo ser associado às fenotiazinas numa mesma seringa para administração intravenosa. em cães com distensão gástrica. • midazolam (IV. resulta da potencialização da inibição neural.kg-1. Pela insolubilidade.2 a 0. • Midazolam: é considerado de baixa toxicidade por ser hidrossolúvel. • Sedativos – α2-agonistas Compõem um grande grupo de drogas sedativas – são substâncias analgésicas coletivamente denominadas alfa-2-adrenoceptor agonista. Sua via preferencial de administração é a intravenosa. O midazolam tem sido utilizado em cães e humanos para induzir anestesia geral. e etanol (10%). IM): 0. Principais Benzodiazepínicos Utilizados na Medicina Veterinária • Diazepam: é provavelmente a diazepina mais utilizada por sua boa ação miorrelaxante e ansiolítica.5 mg.3 a 2.

com prostração suave. • Medetomidina: α2-agonista desenvolvido para cães e gatos. tornando-se popular devido a sua habilidade em produzir profunda sedação. que é atribuída à estimulação dos receptores adrenérgicos α1 e α2 da musculatura vascular e que resulta em constrição arteriolar e venular. predispondo as vias superiores a obstruções e estertores em alguns cavalos. Suprimem o reflexo da tosse. devendo-se esperar que o fármaco produza efeito total antes de se . produz intensa sedação e analgesia. Para uso em pequenos animais. analgesia e relaxamento muscular. a xilazina apresenta acentuada ação miorrelaxante central. o que pode ser importante em cavalos que sofreram cirurgias em narinas e laringe. droga alfa-2-agonista central. Causam marcado relaxamento da musculatura nasal e da laringe. aumentando o acúmulo de material estranho no interior da traqueia. A pressão arterial apresenta duas fases. resultando em sedação. Ação Sobre os Sistemas • Sistema nervoso central: a estimulação dos adrenoceptores α2 no SNC hiperpolariza os neurônios e inibe o armazenamento e a liberação da noradrenalina e dopamina. A sedação é mais efetiva se o animal estiver calmo antes da administração. A frequência e o rendimento podem ser restaurados com o uso de anticolinérgicos. e outra que é traduzida por hipotensão e devida à bradicardia e à diminuição do tono simpático. Em cães são relatados bloqueios atrioventriculares de primeiro e segundo graus e.foram desenvolvidas por seus efeitos anti-hipertensivos no homem. Este efeito diminui a “descarga” dos neurônios centrais e periféricos. mais raramente. o período de latência é de 4 a 5 minutos após administração intramuscular. Principais α2-agonistas utilizados na medicina veterinária • Xilazina: além de suas atividades analgésica e sedativa. Ocasionalmente há o desenvolvimento de bradicardia sinusal com escape ventricular. uma hipertensiva inicial. analgesia e relaxamento muscular. • Sistema cardiovascular: há diminuição da frequência cardíaca. O rendimento cardíaco diminui marcadamente. tem muito pouco efeito sedativo e é usada como anti-hipertensivo no homem. Em cães e gatos. resultando em queda do volume-minuto e da PaO2. que é secundária a aumento do tono vagal e depressão simpática central. • Sistema respiratório: a xilazina e a detomidina produzem diminuição tanto da frequência quanto do volume corrente. a medetomidina tem sido bastante pesquisada e parece se adaptar mais a essas espécies. primeiramente desenvolvida. A clonidina. A ocorrência de vômitos é bastante frequente nestas espécies. A xilazina foi o primeiro componente deste grupo a ser usado clinicamente. de terceiro grau.

bem como promove certo grau de sedação. Durante o período de latência pode ocorrer êmese. como a buprenorfina. começar a manipulação. metadona e fentanil. porém deve-se levar em conta que os efeitos não desejados serão mais intensos. como morfina. Vários tipos e subtipos de receptores opioides foram identificados e produzem efeitos diversos quando um único agonista opioide se liga a vários deles ao mesmo tempo (por exemplo: um agonista opioide se liga a receptores de vários tipos. medula espinhal. como a naloxona. Cães pequenos geralmente requerem doses relativamente maiores que os de grande porte. como. São classificados em opioides agonistas.kg-1 (80 μg. opioides antagonistas.5 Receptores opioides e seus efeitos . opioides agonista-antagonistas (antagonistas parciais).kg-1 IM). SC): 0. As doses e as principais vias de medicação para pequenos animais são: • Xilazina (IV. Os agonistas opioides produzem suas ações farmacológicas ligando-se a receptores específicos (Tabela 11.5) largamente e irregularmente dispersos por todo o sistema nervoso (cérebro. gato: 50 a 150 μg. sistema nervoso autônomo e órgãos periféricos). Tanto no cão como no gato o uso da medetomidina como MPA reduz drasticamente a quantidade do agente indutor ou anestésico administrado a seguir. sendo a administração SC menos segura.2 a 1 mg. dependendo da duração de ação e potência da droga selecionada. É bem tolerada tanto por via IV como IM. depressão respiratória. butorfanol e pentazocina. IM): cão: 10 a 80 μg.kg-1 IM). trans e pós-operatória. e agonistas μ sintéticos.kg-1 (20 μg. como nalorfina. • Medetomidina (IV.kg-1. por exemplo.kg-1 IV ou 40 μg. como o tramadol. A sedação é dependente da dose. agonistas parciais. produzindo analgesia juntamente com depressão respiratória e aumento da atividade motora). entretanto dose maior que 40 μg produz apenas prolongamento do período hábil. Tabela 11. Seus efeitos são sinérgicos com os tranquilizantes e anestésicos. • Antagonista: Ioimbina. que é menos frequente do que com a xilazina. meperidina. que pode variar de 10 a 80 μg/kg no cão. IM. Opioides O emprego desse grupo de drogas como MPA contribui para a analgesia pré.

O butorfanol também é utilizado para reverter a depressão respiratória associada ao uso de opioides agonistas totais. vômito. causa estímulo vagal com bradicardia.kg-1. • Fentanil: é um opioide sintético cerca de 100 vezes mais potente que a morfina como analgésico. Exerce rápida ação por via intramuscular. Principais Opioides Utilizados na Medicina Veterinária • Morfina: é o mais importante alcaloide derivado do ópio (suco da planta Papaver sonniferum). • Meperidina: exerce ação hipnótica discreta. apresentando potência cinco vezes superior à da morfina. promove queda da pressão arterial e venosa. Os efeitos gastrointestinais que mais ocorrem são salivação. Devido a sua ação antagonista. muito comum em felinos. causa menor incidência de efeitos colaterais como depressão respiratória e constipação. Foi uma droga muito usada no passado. náuseas. Seu uso mais comum é associado ao droperidol para se estabelecer a neuroleptoanalgesia. causa depressão respiratória de pouca intensidade e pode provocar excitação. caiu no abandono frente a seus derivados sintéticos. A morfina libera histamina quando aplicada pela via intravenosa. eficazes e seguros. depressão respiratória. podendo ocasionar a eliminação de fezes. mais potentes. podendo gerar hipotensão arterial sistêmica. A sedação é acompanhada geralmente por miose no cão e midríase no gato. náusea. Produz discreta depressão respiratória. bradicardia (estímulo vagal) e hipotensão. defecação e salivação. o que pode ser evitado com a administração prévia de atropina e causa relaxamento dos esfíncteres. Tem como antídoto a nalorfina na dose de 0. A analgesia é conseguida com doses menores que as necessárias para sedação. mas. vômito e defecação. • Metadona: opioide sintético empregado comumente na Europa em pequenos animais. podendo ser empregada pela via intravenosa. além de distúrbios de comportamento.5 mg. Seu efeito analgésico ocorre . Possui potência similar à da morfina. porém não induz a liberação de histamina. Os efeitos cardiopulmonares mais evidentes são depressão respiratória dependente da dose (frequência e volume corrente). devido a vários efeitos colaterais. como excitação. • Tramadol: é um agonista μ sintético de pouca potência. • Butorfanol: apresenta ação antagonista nos receptores μ e forte ação agonista nos receptores κ. possui ação hipnótica com período hábil de cerca de 30 minutos e não causa vômito. reduz as secreções salivar e brônquica.

IM. IM. gato: 0. • nível de consciência do animal (excitado ou deprimido) quando se administra o fármaco.2 a 0. IM): 5 a 10 μg. SC): cão: 0.kg-1. por diversos mecanismos que afetam as vias noradrenérgicas e serotoninérgicas envolvidas na neuromodulação da resposta à dor. • via de administração (IM.kg-1. IM): 0.kg-1.kg-1. sua posologia é facilitada em animais de pequeno porte. intraperitoneal e IV).6 mg. • interações com outros fármacos. mas pode também causar efeitos inesperados que podem ser agrupados dentro de um grupo pequeno ou minoritário de efeitos colaterais ou dentro de grupos maiores de . As doses e as principais vias de medicação para pequenos animais são: • morfina (IV. e altas doses afetam a contratilidade do miocárdio canino.kg-1. IM): cão: 5 a 10 mg.5 mg.kg-1 • fentanil (IV. • metadona (IV.2 a 0. • tolerância ao fármaco. IM): cão: 0.1 a 0. gato: 2 a 5 mg. • tramadol (IV.1 a 1 mg. Fatores que determinam a velocidade de início e a intensidade da depressão: • fármaco anestésico utilizado.3 mg. • equilíbrio acidobásico e eletrolítico (a acidose potencializa a anestesia promovida pelo barbitúrico).1 a 0. gato: 0. • butorfanol (IV. • sistema cardiovascular do animal. Em felinos observam-se com relativa frequência inquietude e excitação.4 mg.kg-1.kg-1. • dose. VO): 1 a 2 mg.kg-1 • meperidina (IV. Efeitos adversos das drogas A principal função de um determinado fármaco é aliviar sintomas de doenças. desde sonolência e sedação suave até anestesia e coma. Anestésicos Gerais A anestesia geral pode produzir todos os graus de depressão do SNC. Por possuir formulação em gotas.

inibe o centro respiratório e causa apneia iminente. do grau de estímulo nociceptivo. De qualquer forma. adapta dinamicamente o plano de anestesia às exigências da situação cirúrgica. ou durante exposição a outros agentes depressores respiratórios. Fármacos neurolépticos. A margem de segurança indica o risco de toxicidade quando doses padrão são excedidas. é capaz de inibir a dor por meio das vias nociceptivas do SNC. Um exemplo clássico disso é a morfina. O nível necessário de anestesia depende da intensidade dos estímulos produtores de dor. à dor.efeitos adversos. e que. Fármacos anticolinérgicos. a curva dose-resposta é desviada para a esquerda e uma dose menor de morfina é suficiente para causar parada respiratória. e a distância entre estas curvas indica a diferença entre as doses terapêutica e tóxica. A anestesia geral é um estado que ocorre por inibição reversível da função do SNC durante o qual os procedimentos cirúrgicos podem ser realizados na ausência de capacidade de resposta à consciência. Anomalias congênitas genéticas de metabolismo também podem levar à hipersensibilidade. em neonatos. A ausência de seletividade acontece mesmo com a utilização de doses normais e sensibilidade normal. O aumento da sensibilidade acontece quando algumas funções do corpo apresentam hiper-reatividade. como a atropina. Os efeitos indesejáveis devem ser levados em conta na administração de cada droga. Desta forma. reações relacionadas com alterações genéticas e de hipersensibilidade devem ser diagnosticadas e separadas de alergias autoimunes. Então sua ação não é específica no órgão ou receptor. portanto. em casos de sobredosagem. O anestesista hábil. entretanto tais receptores estão presentes em diferentes órgãos. As consequências da ausência de seletividade podem ser evitadas se tais fármacos não necessitarem da administração intravenosa para atingir os órgãos-alvo ou se forem aplicados localmente como substâncias parassimpatolíticas na forma de colírios ou aerossóis. em doses terapêuticas. aos movimentos de defesa ou involuntários e de significativas respostas reflexas autonômicas. o que na maioria dos casos compromete a melhora do doente. Esses efeitos dose-dependentes podem ser obtidos mediante uma curva dose-resposta. O aumento da sensibilidade do centro respiratório à morfina ocorre em pacientes com doenças hepáticas crônicas. ou seja. Fármacos como a aspirina ou antimalária podem provocar hemólise em pacientes com deficiência da enzima glicose-6-fosfato desidrogenase. Efeitos indesejáveis podem ocorrer porque o fármaco não age especificamente no receptor. alterado ou doente. são capazes de interagir com tipos diferentes de receptores. A anestesia moderna emprega uma . como a clorpromazina. ligam-se apenas a receptores da acetilcolina do tipo muscarínicos. e efeitos não esperados podem acontecer mesmo quando doses usuais são utilizadas. que. As causas de efeitos adversos ou superdosagem estão relacionadas com a administração de doses maiores do que as requeridas para alcançar o seu efeito principal e atingir direta ou indiretamente outras funções orgânicas. podendo ocasionar o óbito.

os anestésicos gerais no sentido restrito são divididos em agentes injetáveis e inalatórios (gasoso ou volátil). em que encontramos o secobarbital e o pentobarbital sódico (Hypnol a 3%). Uma vantagem da anestesia inalatória em relação à injetável é que grande parte do anestésico é eliminada de forma inalterada pelo ar expiratório. Isso permite a realização de procedimentos breves ou preparar o paciente para a anestesia inalatória (intubação). Este procedimento. mantendo níveis plasmáticos constantes do anestésico. a escolha de adjuvantes refere-se à propriedade específica a ser explorada. Anestesia geral barbitúrica. Na anestesia regional (raquianestesia). Atualmente há um protocolo de manutenção anestésica apenas com anestésicos injetáveis chamado de anestesia total intravenosa (TIVA). da seguinte maneira: • duração ultracurta: de 5 a 15 minutos. É um protocolo seguro. A duração de ação da maior parte dos anestésicos injetáveis é limitada a alguns minutos. na qual se associam analgésicos opioides a um fármaco sedativo. Este procedimento é utilizado em doentes de alto risco (por exemplo. . no qual o anestésico geral é infundido no paciente por meio de uma bomba de infusão. • duração longa: de 8 a 12 horas. idade avançada.combinação de diferentes drogas para alcançar os objetivos da anestesia cirúrgica (anestesia balanceada). No mecanismo de ação dos barbitúricos têm importância: a lipossolubilidade elevada. De acordo com o seu modo de aplicação. enquanto os inalatórios são usados para manter a anestesia. Os anestésicos injetáveis são frequentemente utilizados para a indução anestésica. estando o fenobarbital e o barbital sódico incluídos. não barbitúrica e dissociativa Classificação dos Barbitúricos A classificação mais utilizada diz respeito ao seu tempo de duração anestésica. Este método reduz os riscos de anestesia. enquanto a consciência é preservada. • duração curta: de 45 minutos a 1. os mais comumente utilizados são o tiopental (Thionembutal) e o tiamilal (Surital).5 hora. não se enquadra na definição de anestesia geral. danos no fígado). A neuroleptanalgesia pode ser considerada uma forma especial de anestesia combinada. ketamina e tiletamina-zolazepam podem ser administradas pela via intramuscular. • duração moderada ou intermediária: de 2 a 6 horas. o uso do anestésico local elimina a nocicepção da região em que foi aplicado. o exemplo mais comum é o amobarbital. No caso dos anestésicos para inalação. A maior parte dos anestésicos injetáveis é administrada pela via intravenosa. portanto.

• Ligação com proteínas: devido à ligação com as proteínas plasmáticas. determinando queda rápida da mesma no plasma. sendo máxima em um pH em torno de 8. p. • Efeito cumulativo: o tiopental. Assim. a concentração dos tecidos ricamente vascularizados excede a circulação sanguínea. principalmente os tiobarbitúricos combinam-se com as proteínas plasmáticas. ex. o efeito cumulativo retarda a recuperação anestésica. na proporção de 65% a 75% da dose injetada. apresenta coeficiente de partição gordura/sangue igual a 11. A difusão da droga no sentido do sangue para o tecido gorduroso ocorre até que a sua concentração neste último seja 11 vezes maior que a do sangue. sendo a concentração máxima da droga nestes tecidos atingida em cerca de 30 segundos após a administração da droga. levando a um aumento da ação farmacológica do barbitúrico por haver maior quantidade de droga livre no plasma. Desta maneira.) captam rapidamente a droga. a diferença de concentração entre o sangue e os tecidos e o fluxo sanguíneo aos tecidos. também captam a mesma. A lipossolubilidade elevada permite que penetrem em todas as partes do organismo com facilidade. O equilíbrio da concentração plasmática com os músculos é alcançado ao redor de 20 minutos. grande porção do barbitúrico torna-se farmacologicamente inativa. desde a administração da droga. tecidos ricamente vascularizados (cérebro. • Fluxo sanguíneo aos tecidos: a distribuição dos barbitúricos é proporcional ao fluxo sanguíneo recebido pelo tecido. a passagem da droga em sentido inverso (da gordura para o sangue) ocorrerá lentamente e somente a partir do momento em que sua concentração sanguínea estiver abaixo da do tecido gorduroso. esta ligação varia principalmente com o pH do meio. O barbitúrico que retornou ao sangue irá se redistribuir agora para os tecidos menos vascularizados (inicialmente músculos e depois gordura). . Também nos estados de hipoproteinemia. devendo-se diminuir a dose utilizada para não prolongar a duração da ação anestésica. Como a quantidade de tecido gorduroso é grande e recebe fluxo sanguíneo relativamente pequeno. ocorrendo.a ligação com proteínas. por exemplo. evidenciando as características indesejáveis (hipotermia. bradicardia. Este fato é o responsável pela sonolência prolongada após o despertar da anestesia pelo tiopental. embora em proporção muito pequena. principalmente nos animais obesos. • Diferença de concentração do barbitúrico entre sangue e tecidos: após 2 minutos. principalmente a albumina. maior quantidade de barbitúrico livre estará no plasma. Quando são dadas doses complementares. por diferença de concentração. os quais. nos estados acidóticos existe menor ligação com as proteínas. um retorno da droga à circulação. movimentos de pedalagem. isto acontece em algumas horas. quando o barbitúrico retorna ao sangue e se redistribui no tecido gorduroso.

Não é a biotransformação que suprime seus efeitos.kg-1 25 mg. Inicialmente notar-se-á midríase passageira.5 mg. Gradativamente administra-se mililitro por mililitro até o desaparecimento completo dos reflexos interdigital e palpebral. mas sim sua redistribuição no organismo. tomando-se o cuidado para que a respiração qualitativamente permaneça costoabdominal e a pupila é miose puntiforme. aguardando-se 15 segundos aproximadamente para que a droga aja em nível de SNC. A excreção dos metabólitos se dá por via renal. Os barbitúricos são completamente metabolizados no organismo e os produtos de seu metabolismo são excretados. As doses e as principais vias de medicação dos barbitúricos para pequenos animais são: Tiopental Após MPA Sem MPA Pequenos animais 12. pesquisando-se os reflexos clássicos da anestesia.5 mg. o propofol distribui-se rapidamente para . A hipotermia e a depressão da função cardiovascular podem prolongar o metabolismo hepático dos barbitúricos. 10% a 15% da dose são metabolizados por hora no organismo. principalmente no fígado. Técnicas de Aplicação Para se evitar um possível período de excitação durante a fase de indução.kg-1 Tiamilal Após MPA Sem MPA Pequenos animais 12. A biotransformação dos oxibarbitúricos só ocorre no fígado. Os tiobarbitúricos sofrem degradação metabólica por dessulfuração e oxidação.kg-1 Pentobarbital Após MPA Sem MPA Pequenos animais 15 mg. podendo ocorrer bocejo (mais comum com tiobarbituratos).kg-1 30 mg. injeta-se rapidamente a metade da dose.kg-1 25 mg.kg-1 Agentes intravenosos não barbitúricos Propofol Por ser um composto altamente lipofílico.excitação e ganidos).

Estes compostos são comumente referidos como ciclo. é a estabilidade cardiovascular: mínima diminuição da PA e da resistência periférica acompanhada de pequena diminuição na frequência cardíaca. Apresenta alta ligação com proteínas plasmáticas e. onde se conjuga com o ácido glucorônico. contrações musculares involuntárias e alto custo. preferencialmente benzodiazepinas). capazes de produzir um estado de anestesia durante o qual o paciente tem uma aparente dissociação do seu meio ambiente (não toma conhecimento do que se passa ao redor). A anestesia . produzindo glucoronídeos de propofol solúveis em água e compostos conjugados que são excretados primariamente na urina.5 a 1 mg. relacionados entre si.cérebro e tecidos.kg-1 (utilizar MPA. As doses e as principais vias de medicação do propofol para pequenos animais são: • propofol (IV): cães e gatos: indução: 3 a 8 mg. atravessa rapidamente a barreira placentária. A recuperação da anestesia é rápida com administração em bolus ou infusão contínua indicando a ausência do efeito cumulativo. O propofol é metabolizado fundamentalmente no fígado.25 mg/kg/min (infusão contínua). o que determina a indução rápida da anestesia. Etomidato No sistema cardiocirculatório. o que também é uma vantagem.5 a 3 mg. a principal característica dessa droga. mesmo em administrações repetidas. Pode-se observar dor à injeção. Anestesia Dissociativa Este termo tem sido usado para descrever um estado anestésico induzido por fármacos que interrompem a transmissão ascendente para partes do cérebro responsáveis pela função da consciência pela depressão generalizada de todos os centros cerebrais. Os anestésicos dissociativos formam um grupo de substâncias químicas.kg-1 (administrar 25% da dose a cada 30 segundos até o efeito desejado). • Manutenção: 0. As doses e as principais vias de medicação do etomidato para pequenos animais são: • etomidato (IV): cães e gatos: 0.hexaminas.kg-1 a cada 5 minutos (administração intermitente) ou 0. por ser muito lipossolúvel. O etomidato deprime a contratilidade cardíaca e não sensibiliza o miocárdio às arritmias cardíacas induzidas por catecolaminas. As desvantagens são: analgesia pequena. porém não tem sido descrito qualquer efeito depressor nos recém- nascidos.

principalmente.5 a 5. edema ou necrose no local. analgesia e depressão. A droga tem uma alta lipossolubilidade. período de recuperação maior e mais tumultuado e reações musculares mais evidentes (rigidez). orais e deglutição). Devido ao seu pH baixo (3. sendo absorvida rapidamente após injeção. Existem variações entre as espécies animais relativas ao grau de resposta e as características das respostas do SNC e dos sinais externos deste estado anestésico. O mecanismo de ação do agente dissociativo é relacionado. o animal apresenta reação de dor à injeção intramuscular sem apresentar. Sua eliminação completa é lenta. por sua maior estereoafinidade pelo receptor fenciclidina no canal NMDA.5) é levemente irritante para os tecidos. sem perda dos reflexos protetores (oculopalpebrais. possui propriedades analgésicas e anestésicas mais potentes. analgesia superficial (somática) e catalepsia.caracteriza-se por profunda amnésia. poucos efeitos indesejáveis e período de recuperação mais curto em relação à fenciclidina. laríngeos. S(+) cetamina e tiletamina. Desde os primeiros ensaios (1969) verificou-se a impossibilidade deste agente vir a ser de utilidade como droga . S(+) Cetamina O isômero S(+) da cetamina (levógiro). com catalepsia (anestesia cataleptoide). Os níveis plasmáticos diminuem rapidamente devido a sua redistribuição para outros tecidos. de 4 a 8 horas. explicando o motivo pelo qual este anestésico conserva propriedades anti-hiperalgésicas mesmo em doses subanestésicas Os principais agentes dissociativos utilizados na medicina veterinária são: cetamina. com a inibição não competitiva dos receptores glutaminérgicos do tipo n-metil-D-aspartato (NMDA). É um agente dissociativo com as mesmas características da cetamina. Os olhos permanecem abertos e pode ser observado um leve nistagmo. Parece que o estado “dissociativo” é causado pela interrupção dos impulsos no SNC e depressão diferencial de várias áreas do cérebro. Cetamina Produz profunda analgesia. Tiletamina Também pertencente ao grupo das ciclo-hexaminas. Produzem imobilidade. porém apresenta efeitos mais proeminentes: período hábil cerca de três vezes maior. no entanto. apesar de exibir perfil farmacológico semelhante ao do isômero R(-) da cetamina (dextrógiro) e ao da cetamina racêmica. como no caso dos tiobarbituratos. inibe de maneira não competitiva a ativação do canal pelo glutamato e. em doses consideravelmente menores que aquelas necessárias para induzir anestesia cirúrgica.

única para a produção de anestesia.kg-1 por via IV.kg-1 por via IV. sendo exclusivamente de uso veterinário. • Possibilidade de indução direta (utilizando uma boa MPA e máscara.kg-1por via IM ou 0. 5 a 10 mg.15 a 0. o que dispensa o uso de barbitúricos e agentes dissociativos).20 ml. • A idade do paciente não é um fator limitante (animais velhos ou novos têm maior dificuldade de metabolizar drogas como os barbitúricos). • É econômica quando se usa um circuito fechado. Devido a essas reações o cloridrato de zolazepam (benzodiazepina com propriedade tranquilizante) foi combinado com a tiletamina. Isto é importante principalmente em pacientes de alto risco. O nível de anestesia é determinado diretamente pela concentração de anestésico . esta droga é encontrada associada somente ao zolazepam.20 ml. • Ausência de excitação na presença de MPA e indução. gatos: 0.kg-1 por via IV. Desvantagens • Requer equipamentos específicos para sua administração. As doses e as principais vias dos agentes dissociativos para pequenos animais são: • Cetamina: 2 a 5 mg.kg-1 por via IM. podendo alterar a profundidade da anestesia com prontidão. Esta combinação resultou em relaxamento muscular e anestesia dissociativa em cães.kg-1 por via IV.12 ml. gatos e várias espécies selvagens. • S(+) cetamina: 2 a 5 mg.kg-1 por via IM. Vantagens • Segurança: devido ao fato de os agentes anestésicos serem rapidamente exalados (eliminados).10 ml. • Exige permanência constante de pessoal qualificado para a administração. Anestésicos Inalatórios A anestesia inalatória ocorre por depressão irregular e reversível do SNC. • Eliminação rápida: a recuperação do paciente não depende exclusivamente dos mecanismos de desintoxicação. 5 a 10 mg. o anestesista tem um bom controle dos planos anestésicos e do tempo hábil. com absorção pulmonar e passagem imediata para a corrente circulatória. • Tiletamina: cães: 0. Na atualidade.kg-1 por via IM ou 0. produzida pela introdução de um produto ativo pela via respiratória.

Ela é definida como a concentração alveolar mínima de anestésico a uma atmosfera de pressão.6 Valores da CAM. Principais anestésicos inalatórios utilizados na medicina veterinária Halotano Propriedades farmacológicas: . como os de uma incisão cirúrgica. Deste modo existe uma relação de proporcionalidade entre a concentração alveolar e a cerebral. responsáveis pelas reações de oxidação. Tabela 11. caracterizadas por desalogenação e O-dealquilação. e não a concentração inspirada ou aquela demonstrada pelo vaporizador. uma parte é metabolizada pelo organismo e eliminada pelos rins. que produz 50% de imobilidade no homem e animais submetidos a estímulos dolorosos. em cães e gatos A CAM varia entre as diversas e espécies animais e. No processo de eliminação inverte-se o sentido das trocas gasosas. que por sua vez depende da concentração no sangue arterial e esta depende da concentração alveolar. obedecendo aos mesmos fatores citados na absorção e distribuição. em porcentagem.6). Como não é possível determinar a concentração cerebral do anestésico. concentração alveolar mínima. conhecendo-se a concentração de determinado anestésico para cada espécie animal. Os anestésicos inalatórios halogenados são biotransformados principalmente pelas oxidases de função mista. a concentração alveolar passa a espelhar o que acontece no SNC. Para se obter adequada concentração alveolar de anestésico depende-se fundamentalmente da concentração inspirada. pelo tubo digestivo e pela pele. isto é.no cérebro. com animais hígidos e sem a utilização de qualquer outro medicamento. A CAM de um anestésico é determinada em laboratório. de um modo geral. Deve ser enfatizado que a CAM reflete a concentração alveolar do anestésico. Os anestésicos inalatórios. da ventilação alveolar e da captação do agente anestésico pelo sangue. Para a comparação das potências anestésicas dos anestésicos gerais inalatórios foi introduzida a unidade denominada CAM (Tabela 11. são eliminados in natura pelos pulmões. pode-se estimar a concentração anestésica necessária para a indução e manutenção da anestesia.

contraindica novo emprego da droga. quando do uso do halotano. provoca vasodilatação periférica (bloqueio de gânglios simpáticos). permitindo facilmente a intubação. resultando em diminuição do volume-minuto. o uso deste halogenado é contraindicado a pacientes hepatopatas. • indução e recuperação rápidas. • sensibiliza o miocárdio ao efeito das catecolaminas. • diminui as secreções. alguns hepatotóxicos. sendo o anestésico de escolha nos casos de bronquite.• coeficiente de solubilidade sangue/gás = 2. inibição simpática e estimulação vagal). Sistema Respiratório • o odor agradável proporciona indução suave (boa aceitação). • deprime os reflexos laringotraqueais. Por diminuir o fluxo sanguíneo hepático. Sistema Cardiocirculatório • deprime o miocárdio (parece ser devido à inibição enzimática no músculo cardíaco). Sistema Digestivo • inibe a motilidade gastrointestinal por ação direta na musculatura lisa. Em animais estressados a indução com halotano deve ser feita com cuidado. Sistema Hepático • não se comprovou efeito hepatotóxico específico. • quatro vezes mais potente que o éter. com formação de produtos intermediários e finais. associado ao alto grau de metabolização da droga. • relaxa a musculatura brônquica. • não estimula secreções. resultando em hipotensão proporcional à sua concentração.3 (solubilidade média). e a incidência de lesão hepática associada ao halotano não é maior do que aquela associada a outros agentes. A ocorrência de icterícia pós-operatória. Sistema Urinário • redução da diurese causada por diminuição do fluxo plasmático renal e da filtração . empregando-se baixas concentrações. • deprime o volume corrente. aumentando a possibilidade de arritmias e o risco de fibrilação (desaconselhado o uso de adrenalina e noradrenalina para corrigir a hipotensão). • bradicardia (depressão direta do miocárdio.

• contratilidade do miocárdio permanece estável. • não causa arritmias. i. Medicamentos como cimetidina e anti-histamínico H2 podem modificar a biotransformação do halotano. que promove maior absorção de água nos túbulos contorcidos distais e coletores. quando adrenalina é utilizada. medula espinhal e centros bulbares. • indução rápida e suave. • 80% do enflurano administrado podem ser recuperados inalterados no ar expirado.9. Sistema Nervoso Central • os agentes anestésicos gerais determinam depressão irregular do SNC levando a um estado de anestesia. sem irritação de mucosa. havendo liberação dos sistemas excitadores. as arritmias são muito menos frequentes do que com o halotano. Biotransformação: taxa de 12% ocorre no sistema do citocromo P-450. • queda do volume corrente e certa estabilidade da frequência. Enflurano Propriedades farmacológicas: • propriedades farmacológicas próximas às do halotano. observando-se queda . • hipotensão proporcional ao plano anestésico (depressão do sistema nervoso simpático. Sistema Respiratório • depressão respiratória proporcional à concentração e de acordo com o plano. Sistema Cardiocirculatório • frequência cardíaca estável. núcleos da base e cerebelo. A ordem descendente da depressão é a seguinte: centros corticais e psíquicos. os anestésicos de indução lenta evidenciam uma fase de excitação traduzida por estimulação motora e exaltação dos reflexos. glomerular. Os sistemas inibidores cerebrais são os primeiros a serem deprimidos. • coeficiente de solubilidade sangue/gás = 1.é: inibição da secreção de catecolaminas pela medula suprarrenal). Ocorre também provável aumento da liberação de hormônio antidiurético. • seus vapores não reagem com a cal sodada. assim.

devem-se utilizar drogas miorrelaxantes e não aumentar a concentração do enflurano. • odor mais penetrante que o do halotano e do enflurano. • biotransformação: taxa de 2. • líquido volátil. • incolor. • coeficiente de solubilidade no sangue = 1. Relaxamento Muscular • o relaxamento muscular é suficiente. devido a um relatório que sugeria que ele apresentava propriedades carcinogênicas. Isoflurano Propriedades farmacológicas: Foi sintetizado em 1965.2. possui efeito disritmogênico três a cinco vezes menor que o do halotano. Sistema Respiratório • deprime a respiração proporcionalmente ao aumento da concentração alveolar. Sistema Digestivo • baixa incidência de vômitos e náuseas no pós-operatório. principalmente o abdominal. • na presença de adrenalina. do volume-minuto respiratório. • não é irritante para mucosas. • diminuição da resistência pulmonar em animais com broncoconstrição. Quando há necessidade de maior relaxamento. • indução e recuperação suaves. mas a ação dos não despolarizantes é marcadamente favorecida. • mantém melhor o débito cardíaco que o halotano e o enflurano. proporcionando boa estabilidade circulatória.4%. • não é inflamável. Sistema Cardiocirculatório • quase não altera a frequência cardíaca. . mas teve sua liberação para uso clínico somente em 1978. Todos os miorrelaxantes são compatíveis.

não apresentando nefrotoxicidade. Possui baixa taxa de metabolização (0.25%. sendo o halogenado de escolha para o paciente hepatopata. • indução e recuperação mais rápidas que do isoflurano.02%) e é eliminado pelos pulmões. • promove diminuição da resistência pulmonar em pacientes portadores de broncoconstrição. Sistema Urinário • diminui o fluxo sanguíneo renal. aproximadamente 0. laringoespasmo e. náusea e vômito. • não é hepatotóxico nem nefrotóxico. salivação. Sevoflurano . • desencadeia hipotensão e depressão respiratória dose. em alguns casos. • é necessário um vaporizador específico para o seu uso.42). Desflurano Propriedades farmacológicas: • possui baixo coeficiente de partição sangue:gás (0. sendo considerado o mais inerte dos agentes voláteis. possivelmente por sua pequena influência no fluxo sanguíneo hepático. • não sensibiliza o miocárdio à adrenalina. • como reações adversas podemos citar: tosse. com perfil cardiorrespiratório similar. apneia. Sistema Hepático • não produz lesão hepática. Farmacocinética • é distribuído mais rapidamente pelo organismo que outros anestésicos voláteis. • é um agente desencadeante potencial da hipertermia maligna em suínos de raça suscetível. havendo diminuição do volume corrente e certa estabilidade da frequência respiratória. • biotransformação: é pouco degradado. pequeno grau de biotransformação e pela formação de metabólitos não hepatotóxicos.dependente.

• apresenta taxa de recuperação e indução rápida. Cuidados gerais Monitoração do Paciente Durante a Anestesia Considerações gerais: a fisiologia e a homeostasia do paciente mostram-se alteradas pelos fármacos utilizados durante a anestesia e pelo processo fisiopatológico da enfermidade.1 Monitor multiparamétrico com traçado eletrocardiográfico. • Monitorizar mais de um sistema corporal e mais de um parâmetro por sistema corporal.Características: • possui coeficiente de partição sangue:gás = 0.69.1 a 11. (Figuras 11. • taxa de biotransformação: 5%. Princípios Básicos • Monitorizar as funções dos sistemas corporais sensíveis às alterações. • forma composto A com a cal sodada. • também não apresenta efeitos hepatotóxico e nefrotóxico. saturação de oxigênio e pressão arterial não invasiva. exatas e complementares. . • pressão arterial e sistema respiratório: idem ao desflurano. • Utilizar técnicas que sejam específicas. • Comparação das técnicas não invasivas (indiretas) com as invasivas (diretas).6) Figura 11.

Figura 11.2 Monitor multiparamétrico com complementação da avaliação da curva de capnometria.3 Monitorização não invasiva da pressão arterial (sistólica) por meio do aparelho de Doppler oscilométrico.4 Monitorização invasiva da pressão arterial (média) mediante a cateterização da artéria . que permite avaliar a retenção de CO2.Figura 11. Figura 11.

metatársica medial. perfusão capilar. padrão respiratório. sendo que muitas destas alterações ocorrem por problemas relacionados com anestesia: Tabela 11.7. • Sistema respiratório – frequência respiratória. Principais Alterações As principais alterações provenientes dos procedimentos anestésicos estão relacionadas na Tabela 11. Figura 11.7 Parâmetros monitorados habitualmente e causas potenciais de respostas anormais . • Termorregulação. • Sistema musculoesquelético – qualidade dos reflexos. • Sistema cardiovascular – frequência cardíaca. pressão arterial etc. tonicidade etc. Figura 11. Considerações Fisiológicas • SNC – observar a atividade reflexa para monitorizar o grau de depressão do SNC. com sistema arterial acoplado ao manômetro de pressão. oximetria etc.6 Traçado eletrocardiográfico em monitor multiparamétrico mostrando bloqueio atrioventricular de 3° grau. volume corrente.5 Monitorização da pressão arterial invasiva por meio de monitor multiparamétrico com transdutor de pressão arterial invasiva.

administração incorreta de drogas: a maioria dos agentes anestésicos apresenta uma pequena margem de segurança entre as doses terapêutica e tóxica. podendo ocorrer problemas ou mesmo a morte do animal.) Frequência respiratória Taquipneia Dor. hiperventilação. cetamina) Pressão arterial Hipotensão Hipovolemia. o proprietário pode estar com pressa ou a pessoa que conduziu o animal à clínica não saber informar. anemia. efeitos farmacológicos (cetamina) Reflexos corneais Hiperativos Dor. d) concentração errada (p. efeitos farmacológicos (cetamina) Hipoativos Depressão do SNC (anestesia profunda. b) erros matemáticos decimais.: calcula-se a dose da acepromazina a 0. paralisia musculoesquelética. hipoxemia. com experiência para reconhecer facilmente as anormalidades e capazes de tomar medidas apropriadas e rápidas em uma situação de emergência.2% e se utiliza a droga a 1%). efeitos farmacológicos (doxapram) Apneia Hipotermia. O protocolo anestésico instituído para um animal saudável pode ser impróprio para esse tipo de paciente. A indução anestésica e a monitorização do paciente devem ser conduzidas por pessoas bem treinadas. febre Bradicardia Hipertensão. tiobarbitúricos.: administração da dose IM de cetamina pela via IV). como. hipotensão) Falhas Humanas histórico do paciente e exame físico inadequado: quando o histórico é feito por outra pessoa que não o anestesista. cetamina etc. o anestesista pode não estar ciente de que o animal se alimentou recentemente ou está desidratado devido a vômitos e diarreias. acidose.: calcula-se a dose da xilazina e administra-se acepromazina). ex. c) medicação errada (p. ex. isquemia. narcóticos etc. hipotermia. que podem levar a uma dose calculada 10 ou 100 vezes maior. febre. Frequência cardíaca Taquicardia Dor. Nesses casos. anestesia inalatória) Hipertensão Dor. hipoxemia. efeitos farmacológicos (tiobarbitúricos. hipotensão. efeitos farmacológicos (propofol. efeitos farmacológicos (tiobarbitúricos.). hipertermia. informações importantes podem ser omitidas. confusão entre seringas preparadas para pacientes diferentes. hipotensão. falta de familiaridade com os equipamentos ou drogas utilizadas: tarefas simples. podem acarretar problemas se a pessoa não está habituada com aquele equipamento. Os erros mais comuns são: a) pesagem incorreta do animal. o ajuste de um vaporizador. sepse. por exemplo. ex. . reações anafilactoides agudas. via de administração incorreta (p. choque. efeitos farmacológicos (xilazina. podendo levar a resultados fatais quando incorretamente administrados.

saliva e muco. Falhas do Equipamento. cujos sinais incluem taquipneia. na Maioria das Vezes Relacionadas com Checagem Inadequada no Período Pré-anestésico filtro para remoção de CO2: quando não removido adequadamente do circuito. Em casos extremos pode haver ruptura de alvéolos. O exame dos grânulos de cal sodada revela se há alteração da coloração ou endurecimento dos mesmos. se um cão apresenta depressão respiratória durante uma anestesia inalatória e mostra queda gradual da frequência de 12 para 8 movimentos por minuto. o anestesista deve estar familiarizado com seu funcionamento e com o agente a ser utilizado. posicionamento inadequado (esôfago ou brônquio) e desconexão do aparelho. cansaço e preocupação do anestesista: são fatores que levam à desatenção. o que pode levar ao óbito do paciente em um curto período. pois. além de causar dificuldade respiratória. indicando sua exaustão. Se a depressão continua e a frequência cai para 4 movimentos. Por exemplo. seja injetável ou inalatório. é imperioso que a respiração seja monitorizada com atenção durante todo o tempo. vaporizador: um problema potencialmente perigoso é a colocação errônea de um agente em um vaporizador. a parada cardíaca ocorrerá facilmente. Quando for utilizado vaporizador universal. em alguns casos. sonda endotraqueal: embora não sendo parte do aparelho de anestesia. o CO2 causa hipercapnia. O anestesista deve estar familiarizado com os efeitos colaterais e . O protocolo anestésico deve refletir as reais necessidades do animal. a pressão dentro do circuito irá subir rapidamente. propiciando o diagnóstico tardio dos problemas que ocorrem durante a anestesia. o fluxômetro deve ser observado de 5 em 5 min. O uso de vaporizadores calibrados para um determinado agente deve ser restrito àquele agente. Para que essas mudanças que ocorrem gradualmente sejam bem interpretadas. fluxômetro fechado ou desconexão de algum conduto. diminui o retorno venoso ao coração. A detecção do problema é fácil se o anestesista observa frequentemente o balão reservatório. pressa. quando a frequência passar de 4 para 0. e o fluxo de oxigênio for maior que o consumo (aproximadamente 10 ml/kg/min). Este quadro. apresenta risco potencial e. taquicardia e arritmias cardíacas. o anestesista atento já deve considerar um ajuste do vaporizador para um valor menor. entre outros. Problemas associados às drogas utilizadas ou ao paciente: todo agente anestésico. com consequente diminuição do débito cardíaco e queda rápida da pressão arterial. o anestesista deve fechar completamente o vaporizador e oxigenar o paciente. válvula de alívio do circuito (pop-off): quando fechada. levam à morte do paciente. a sonda endotraqueal é um componente sujeito a vários problemas como obstrução por sangue. muitas vezes inadvertidamente. A diminuição progressiva do fluxo pode indicar esvaziamento do reservatório. reservatório de oxigênio: além da checagem prévia.

Os animais apresentados para a anestesia podem sofrer de enfermidades sistêmicas que aumentam consideravelmente o risco anestésico.. Effect of isolated anticonvulsant drug use and associated to midazolam as pre-anesthetic medication on the Bispectral Index (BIS) in patients with cerebral palsy. As técnicas referentes ao procedimento de ressuscitação cardiorrespiratória podem ser consultadas no Capítulo 30. a anestesia não é o principal problema nas cirurgias..O.. 2010.. Unusual perianesthetic malignant hyperthermia in a dog. • despertar prematuro ou plano anestésico profundo. Costa V.B. Rotinas de cuidados pós-anestésicos de anestesiologistas brasileiros. • taquipneia ou bradipneia. Awad I. Can J Anesth. Pacientes que obtiveram classificação pré-operatória III e IV são particularmente suscetíveis a problemas anestésicos. a intervenção deverá ser rápida e precisa. Referências Adami C. Factors affecting recovery and discharge following ambulatory surgery. • taquicardia ou bradicardia.A. • alterações na temperatura. et al. Oliveira S. Axiak S. sejam elas emergenciais ou não. Chung F.60:259–267. • entre outros.T. .. Mas o que realmente preocupa o anestesista é a parada ardiorrespiratória. Raith K. Filho G. como. Torres R. Rev Bras Anestesiol. Rev Bras Anestesiol.V. • hemorragias.R. associada a exame clínico adequado e cuidados na escolha e utilização dos fármacos e técnicas.53:858–872. por exemplo: • falta de energia elétrica. Uma anamnese criteriosa.240(4):450–453.. contraindicações das drogas pré-anestésicas e anestésicos gerais usados no hospital ou clínica. Saraiva R. é primordial para o sucesso dos procedimentos anestésicos e cirúrgicos. 2006. Existem algumas situações que são consideradas emergências dentro da sala cirúrgica.. J Am Vet Med Assoc. Conclusão Em resumo. Existe a necessidade de identificação prematura do problema (como bradicardia ou existência de arritmias). Nestes casos. 2012.V.

Himmelseher S.105(1):111–119...41(10):1790–1796. et al.V.R. Rev Col Anest. Intelizano T. Ferreira I. Nunes N. Nogueira L.... 2011. Suzuki M. glicemia plasmática. et al. Cortopassi S.611:60–71. Rincon D. Avaliação pré-anestésica e redução dos custos do preparo pré-operatório. Oliva V. Cognitive impairment after small-dose ketamine isomers in comparison to equianalgesic racemic ketamine in human volunteers.44:96–102.. A randomized. Complicaciones de la hipotermia transoperatoria.. Perioperative uses of low-dose ketamine for pain management..C. Isoni N. Brunt J.40:20–25.32(4):725–729.C. Santa Maria. Pain management guidelines for dogs and cats. Braz J Vet Res Amim. Sobrinho G. Anesthesiology.53(4):518–534.. Resende M. Maia C.C.96:357–366.N. Soares A.. Leite A.. Erb H. Durieux M.G.M.R.S.. 2006.. Rev Bras Anestesiol.38(4):320–327. clínico e analgésico promovidos pela injeção epidural preventiva de morfina. Anesthesiology.A. 2004. et al. Harper T. 2007. Efeitos comportamental.L.. Low-dose intravenous ketamina potentiates epidural analgesia after thoracotomy... 2011. 2003.B.C.G. et al.. Ludders J.R. Hellyer P.... 2002. Issa M.L..M.27(2):98–101. Guimarães S. 2007.M. Anestesia para mielografia em cães. Ciência Rural.A. Correlação de diferentes períodos de jejum com níveis séricos de cortisol. Guirro E. Plastic Surgical Nursing. Sessler D. em equinos. Efeitos do jejum alimentar pré-cirúrgico sobre a glicemia e o período de recuperação anestésica em cães. xilazina ou clonidina..43:235–248.W.32:185. blinded..R. 2011.A. Rodan I. Sugimoto K.N.P.. estado clínico e equilíbrio ácido-base em cães submetidos à anestesia geral inalatória.I... Ciência Rural.E. 2002. et al.N.. et al.D. Vet Anaesth Analg.F. . J Am Anim Hosp Assoc. et al. 2007. Santos L. Haraguti S. Sci.F.M. 2003. Brazilian Journal of Veterinary Research and Animal Science. controlled trial of the antiemetic effect of ondansetron on dexmedetomidine-induced emesis in cats. Santa Maria. Pfenninger E. Valero J.

a localização da ferida e os fatores relacionados com o paciente. e. quando sob pressão. Definição Drenos cirúrgicos são implantes colocados temporariamente para canalizar líquido ou gás de uma ferida ou cavidade corporal. fornecendo substrato para o crescimento bacteriano. embora regida por indicações gerais. Jorge Luiz Costa Castro Drenagens Introdução Os líquidos e exsudatos em uma ferida complicam a cicatrização. A sua utilização. e é deste que descende o atual dreno de Penrose. além do seu modo de ação. considerando as vantagens e desvantagens de sua aplicação. eficiência e custo.. interferindo na vascularização dos tecidos adjacentes. pela interferência no acesso dos macrófagos às bactérias no leito ferido. pois eles podem favorecer ou retardar o processo cicatricial. Classificação dos drenos Ao se optar por determinado tipo de dreno devem-se levar em consideração o volume e a viscosidade da coleção. em que Hipócrates os utilizou para tratar um empiema.C. O uso de drenos na medicina veterinária foi documentado em 1890 por Fleming e em 1899 por Frick et al. como estado nutricional e imunocompetência. Penrose desenvolveu um novo dreno em que seccionou a extremidade de um preservativo e colocou gaze em seu interior. Em 1890 o Dr. A citação mais antiga sobre o uso de drenos remonta ao período de 460-377 a. pois diminuem a resistência às infecções de diferentes maneiras: pela perda de opsoninas. deve ser adequadamente definida em cada situação. punções e sondagens Alceu Gaspar Raiser. Capítulo 12 Drenagens. .

mesmo contra a ação da gravidade. portanto. a ferida deve estar livre de material necrótico ou corpos estranhos livres que possam obstruí-lo. Os drenos de sucção ativos ou fechados podem ser adquiridos com dispositivos de sucção como frascos a vácuo (Vacutainer®) ou frascos sanfonados sem (Zammivac®) e com válvula antirrefluxo (Zammivac DL®). o que minimiza a possibilidade de sua obstrução. e devem. que são conectados a esses frascos de sucção ou a seringas em que se traciona o êmbolo que é bloqueado com uma agulha transfixada transversalmente para manter o vácuo desejado (Figura 12. A conexão da seringa com o equipo foi feita por meio de torneira de três vias. contínuo ou intermitente. Basicamente os drenos podem ser ativos ou passivos. aplicado por um dispositivo de vácuo que exerce sucção em um sistema tubular mais rígido. Ela mantém um fluxo ininterrupto. Nesse modelo de dreno. ser exteriorizados ventralmente ao ferimento. equipo de soro ou dispositivos de venóclise (butterfly). remover líquido ou gás.1 Confecção de dreno tubular com efeito de sucção. Elaboração a partir de segmento de equipo de soro. A sucção contínua deve ser aplicada com pressão inferior a 80 mmHg nas feridas para não lesionar os tecidos adjacentes à extremidade do dreno. Os passivos atuam por meio de um diferencial de pressão entre a cavidade a ser drenada e o meio externo. abdome e articulação. Figura 12. se necessário. diminui o tempo de manutenção e a necessidade de irrigação. Os fechados são mais utilizados em cavidades corporais como tórax.1). Apresentam a vantagem de aumentar a eficácia de drenos posicionados em declive e podem. seringa de 20 ml e agulha 18 G. Os drenos podem ser também abertos ou fechados. sob influência do acúmulo de líquido e da ação da gravidade. Eles podem ser preparados a partir de sonda uretral. abertos ou fechados. Os drenos ativos atuam por meio de um gradiente de pressão. Observar junto ao dorso do paciente que o dispositivo distal de conexão do equipo foi substituído por uma tampa de cateter. e o líquido ou .

Os drenos abertos têm sua coleção drenada para um chumaço de gaze absorvente que protege a extremidade exteriorizada e pode contribuir com certo grau de capilaridade. quando se associa um chumaço de gaze absorvente a sua extremidade externa. quando passivo. Drenos de Penrose não são apropriados para drenagem por sucção. mais calibroso. constituído de tubo de látex macio. mas também pelo lúmen. Drenos tubulares de silastic. perde a eficiência. polietileno ou polipropileno incitam menor resposta inflamatória que látex ou borracha vermelha. sendo um ou mais com diâmetro maior (lúmen principal). com diâmetro e comprimento variáveis. Quando fenestrado. pois se colabam facilmente. silicone. achatado. devendo ser preferidos nos casos de drenagens prolongadas. Podem ser elaborados. que permite o escoamento do líquido. Este último causa menor reação inflamatória e deve ser preferido nas drenagens crônicas para evitar a formação de sinus ou fístula em decorrência de proliferação fibrosa mais acentuada no trajeto de drenagem. Eles são constituídos de borracha. polietileno. Drenos de Penrose do tipo cigarro são preparados com a adição de uma gaze no seu lúmen. o líquido se desloca exclusivamente pelo lúmen. É passivo. quando ativo. Nesses casos há um potencial risco de infecção ascendente. e um de . cloreto de polivinila. a qual tem maior capilaridade e aumenta o volume do fluxo de escoamento. São fenestrados e possuem um lúmen com maior resistência ao colabamento. requerem fluxo de lavagem frequente. Dreno Tubular Drenos tubulares são feitos de tubos de borracha ou plástico e por cateteres de parede fina que não se colabem com facilidade e possuam ou não fenestração. e a drenagem ocorre principalmente ao seu redor. Nesse tipo de dreno. também. o líquido se desloca por gravidade no lúmen e por capilaridade na superfície externa. de látex fino que possua forma cilíndrica. mas. Dreno de Respiro Este dreno é formado por dois ou mais tubos. como ocorre com os drenos de Penrose. Como se obstruem com facilidade por fragmentos orgânicos.gás é coletado em um frasco coletor fechado (bolsa ou garrafa). Atualmente encontram-se no comércio drenos de Penrose de látex ou de silicone. náilon ou outros plásticos. aumenta a sua ação de capilaridade. ou drenam livremente para a superfície corporal. mas se colabam com facilidade. Dreno de Penrose Este é o mais popular tipo de dreno. Esse tipo de dreno pode ser confeccionado facilmente a partir de dedos de luvas cirúrgicas esterilizadas.

a uma seringa de 20 ml. Esses drenos estão disponíveis no comércio. se houver inevitável contaminação maciça. Princípios de Adaptação . c) manter um dreno passivo se forem removidas a tampa de cateter e a seringa com a torneira.menor diâmetro. O dreno de respiro pode funcionar como dreno passivo ou ativo. aumenta a drenagem do líquido sem que os tecidos adjacentes interfiram em sua patência. Um dreno pode ter diferentes classificações e funções. pode favorecer a contaminação pela aspiração de ar ambiente. como se observa na Figura 12. Para isso foi removido da borracha o dispositivo conector. pois o uso profilático de drenos pode favorecer a infecção ascendente. Essa extremidade ficou posicionada dorsalmente à área a ser drenada. seromas e higroma do cotovelo. recomenda-se associar o uso de drenos.1. com o fim de evitar acúmulo de sangue. Essa disposição permite várias opções: a) criar um dreno de sucção se mantiver a porção proximal ocluída com tampa de cateter e for tracionado e travado o êmbolo na extremidade ventral. algumas lumpectomias mamárias. como em feridas perianais ou esofagotomia com regurgitamento no transoperatório. por meio de uma torneira de três vias. quando houver viabilidade tecidual questionável. Exemplos de situações em que os drenos estão indicados: feridas por mordedura. por meio desses métodos. Quanto maior o número de lumens em um dreno. maior será a eficiência da drenagem. em que se removem o adaptador da seringa (tubo menor) e o balonete na extremidade oposta e se fazem fenestrações (tubo maior). para drenar coleções de líquido ou gás. o que pode ser efetuado por meio de suturas apropriadas e bandagens compressivas. A extremidade ventral foi conectada. mas pode- se confeccioná-los a partir de um cateter de Foley. como tendão e osso. No paciente dessa figura foi construído um dreno tubular a partir de um segmento distal de equipo de soro. Se. feridas decorrentes de excisões amplas. Quando um dreno de respiro é colocado no interior de um dreno de Penrose fenestrado (dreno de respiro Penrose). Indicações As indicações para o uso de drenos são múltiplas: quando o debridamento for incompleto e permanecerem corpos estranhos em estruturas que não poderão ser removidas. no caso de atuar como dreno ativo. b) permitir irrigação ativa intermitente ao se remover a tampa de cateter e conectar o dreno a um frasco de solução salina mantendo a seringa para criar o vácuo. no leito de feridas pós-mastectomia. Um dos princípios básicos da cirurgia reparadora é a abolição do espaço morto anatômico. não se conseguir adequada aproximação anatômica. lacerações cutâneas. Esta última indicação apresenta controvérsia. que funciona como um respiro para o ar e previne que o(s) tubo(s) principal(is) se colabe(m). adaptando-se uma tampa de cateter. soro ou ar.

verifica-se sua mobilidade e. Os drenos que apresentem apenas uma extremidade exteriorizada. transforma-se em transudato e diminui de volume. os orifícios de exteriorização são preparados com o auxílio de uma pinça hemostática que divulsionará um ou dois túneis (um proximal e outro distal) a partir do leito da ferida até uma área cutânea adjacente. Nos casos de evolução favorável. cada uma delas não devendo exceder um terço do diâmetro do dreno para evitar que se dobre ou rompa. manipulação asséptica com limpeza e troca de bandagem. o dreno pode ser removido. e esta deverá ser ventral. pois podem obstruir com mais facilidade e.Os princípios para adaptação de dreno requerem: tricotomia ampla ao redor da ferida e das extremidades exteriorizadas. Como regra geral. prevenção de prematura remoção ou perda do dreno pela colocação de um colar elisabetano e pontos de reparo fixando-o na pele. primeiro retiram-se todos os pontos de fixação cutânea. evitar contato do dreno com grandes vasos e áreas de anastomose. O dreno com apenas uma extremidade exteriorizada deve ser fixado por um ponto chinês ou sapatilha na pele. primeiro deve-se curetar o leito da ferida e irrigá-lo exaustivamente para remover todas as sujidades e fragmentos teciduais que possam obstruí-lo. dependendo da causa. naqueles de dupla exteriorização. à medida que precisem ser lavados. aproveitando a gravidade. Este último é feito na forma de ponto simples que fixa a extremidade interna do dreno à pele (o nó é exteriorizado) para ser removido no momento da retirada do dreno. sua permanência varia de três a 10 dias. Drenos adaptados em áreas de mobilidade com abundante tecido conjuntivo . junto ao orifício de exteriorização. procede-se à assepsia ou secciona-se a extremidade que passará pela intimidade dos tecidos durante sua retirada. Para adaptação do dreno. fenestras com formato oval. Isso não é fundamental para drenos ativos. A seguir. o exsudato purulento torna-se progressivamente menos viscoso. a extremidade ventral deve ser protegida por chumaço de gaze absorvente superposta por uma bandagem com camada interna também absorvente para evitar infecção ascendente. quando necessário. as pontas do dreno devem ser exteriorizadas por orifícios separados das bordas da ferida. remoção. ao ser efetuada a sutura do tecido subcutâneo e da pele. Após a fixação do dreno. especialmente se for dreno ativo. o que dificultará sua remoção futura. indicando resolução do problema. os resíduos no seu interior podem ser injetados de volta ao leito da ferida. deve-se tomar cuidado para evitar que algum ponto incorpore o dreno. Para removê-lo. Quando esse volume diminuído mantém-se de uma troca para outra. tão logo sua característica seja alterada e/ou diminua a drenagem. pois esta porção estará contaminada ou infectada. com fio de mononáilon 3-0 e outro na extremidade interna. menor diâmetro possível com o mínimo necessário de orifícios para permitir drenagem adequada. Esse tipo de dreno deve ter um conduto secundário para evitar a formação de vácuo no interior da ferida. são menos eficientes na drenagem. A disposição do dreno deverá seguir o sentido dorsoventral ou proximal-distal para obter o máximo de eficiência.

A infecção bacteriana é incomum em feridas abertas tratadas apropriadamente por debridamento e irrigação. A solução é instilada na extremidade proximal ou dorsal para que drene por gravidade na porção ventral. Em qualquer situação em que os tecidos estejam expostos a contaminação bacteriana. higromas. com fio inabsorvível. o contato do dreno com a linha de incisão ou de sutura deve ser minimizado. seromas. reduções de feridas decorrentes de mastectomia. feridas por mordedura de cão ou gato. Para adaptação do dreno de Penrose nessas regiões recomenda-se seguir as seguintes linhas de conduta: posicionamento vertical para aproveitar o escoamento por gravidade. seguida de sutura da pele. a ferida de exteriorização do dreno deve ser irrigada ao menos duas vezes ao dia.2). a ferida de exteriorização do dreno deve ser de uma e meia a duas vezes o seu diâmetro. Essa complicação pode ser prevenida pela associação de bandagem compressiva externamente. O uso de antibióticos em feridas abertas é contraindicado. . deve-se seguir a conduta básica de assepsia (evitar contato com pelo e proteger as extremidades com bandagem). o uso de antibiótico sistêmico tem pouco efeito e facilitará que ocorra resistência ao antibiótico empregado. Após adaptação do dreno é recomendável uma sutura de redução. Nas feridas em que haja necessidade de irrigação é melhor adaptar um dreno com as duas extremidades exteriorizadas e fixadas à pele por um ponto de sutura com fio inabsorvível (Figura 12. para reduzir parcialmente o espaço morto.frouxo no subcutâneo (axila e área inguinal) podem permitir a formação de enfisema. indicando-se sua remoção quando cessar o escoamento de líquido. particularmente aqueles com apenas uma extremidade exteriorizada. Indicações Específicas Drenagem de Feridas e Coleções A drenagem passiva com drenos de Penrose é a técnica mais empregada para complicações no tecido subcutâneo como abscessos. o paciente deve ser mantido em cama limpa e a duração da drenagem varia de dois a 14 dias.

A e B: apresentação da afecção com ampla tricotomia da área.2 Abscedação decorrente de mordedura na área cervical de um gato. D: adaptação de um dreno confeccionado de sonda uretral nª 8.3) contínuo ou intermitente. vigência de pneumotórax ou hemotórax de origem traumática. drenagem de efusões crônicas como quilotórax e hidrotórax. C: abordagem cirúrgica com debridamento e ressecção dos tecidos desvitalizados. E: apresentação após redução da ferida cirúrgica e adaptação de bandagem protetora. Os drenos torácicos estão indicados na presença de piotórax.Figura 12. Dreno Torácico Para drenagem da cavidade torácica são necessários drenos tubulares consistentes e ligados a um sistema de sucção (Figura 12. sangue ou líquido de irrigação no pós-operatório de toracotomias. a cujo tratamento adaptou-se dreno tubular. para drenagem de ar. .

antes de procedê-la deve-se drenar parcialmente o conteúdo no espaço pleural por meio de toracocentese. B: dreno torácico no 14F. A coleção pode ser drenada por acesso fechado mediante inserção do dreno pelo 6o. 10a. C: incisão cutânea e tunelização com pinça para introdução do dreno (D). Nos pacientes que requeiram anestesia geral. F: frasco coletor conectado ao dreno torácico. Para isso deve-se efetuar bloqueio costal proximal correspondente às 11a. E: fixação do dreno com fio de seda no 0 em ponto tipo sapatilha. . 7o ou 8o espaço intercostal do hemitórax comprometido.Figura 12. Na presença de piotórax em que o exsudato seja muito viscoso a drenagem só será possível por meio de agulha ou cateter calibroso (16 G ou 14 G). 9a e 8a costelas administrando-se 0.5 ml de uma associação de lidocaína com bupivacaína (1:1) na borda caudal de cada uma delas. A: frasco sanfonado para sucção que pode ser fixado ao paciente.3 Sequência de adaptação de um dreno torácico.

Considerando a parede costal.3F).3E). Se o conteúdo a ser drenado for líquido. A extremidade distal do dreno poderá ser conectada a uma torneira de três vias para sucção intermitente com auxílio de uma seringa de 60 ml ou conectada a um dispositivo de sucção contínua (Zammivac®) (Figura 12. A sucção fechada contínua está indicada quando houver acúmulo continuado de líquido ou gás no espaço pleural e se queira proporcionar o fechamento espontâneo de feridas parenquimatosas no pulmão.5 cm no nível do 10o espaço intercostal. a pressão negativa no espaço pleural será de 6 cm de água. a um aspirador. de modo que a hidrovedação favoreça a drenagem unidirecional (Figura 12. Alternativamente.4). sua exteriorização deve ser feita dois espaços intercostais craniais ou caudais ao espaço intercostal de acesso. nem próximo à coluna. que deve ser drenada imediatamente e repetida tantas vezes quantas sejam necessárias para que o líquido drenado seja claro. com o auxílio de uma pinça Rohester-Pean. pelo risco de traumatizar ramos arteriais da torácica interna. 9 cm a 11 cm de água. prepara-se.05 cm). um cão que possua 1. por meio de uma incisão cutânea de 1-1. Quando cessar o borbulhamento de ar no primeiro frasco. De imediato a pinça é posicionada perpendicular à parede costal e com um golpe adentra o espaço pleural. Do material colhido. colapso ou ruptura de lobo pulmonar. hemostasia ou reparação de duto torácico). um túnel subcutâneo até o 8o espaço intercostal (Figura 12. Assim. o que equivale a um dreno 20 F (1 French = 0. O primeiro frasco estará conectado à extremidade distal do dreno e o segundo. Com o afastamento de suas lâminas pode-se introduzir o dreno entre elas e fixá-lo por meio de um ponto chinês ou sapatilha junto à incisão da pele (Figura 12. podem-se efetuar irrigações intermitentes (a cada 6 h) da cavidade com solução salina morna (10 a 20 ml/kg). A seguir. perfuração de esôfago. são utilizados dois frascos interligados em que o primeiro (frasco de hidrovedação) conterá 3 cm a 5 cm de água e o segundo (frasco regulador). O diâmetro do dreno deverá ter aproximadamente dois terços do espaço intercostal.3C). Nos pacientes em que seja requerida a abordagem cirúrgica para remover o fator desencadeante (abscesso. efetuar exame bacteriológico e antibiograma. O sistema de drenagem em selo d’água consiste em adaptar um frasco contendo 3-5 cm de água à extremidade distal do dreno. torção. que é dada pelo diferencial entre os níveis hídricos nos dois frascos. O dreno deve ser mantido até que o exsudato cesse e a infecção esteja sob controle. deve-se . particularmente na reposição da pressão negativa após toracotomia. se o conteúdo for ar (pneumotórax). o dreno não deve ter penetração próxima ao externo. para evitar lesão de estruturas no mediastino. Nesse caso. O local de penetração é o terço médio da parede costal e sua extremidade é direcionada em sentido cranioesternal. após a drenagem do exsudato. No caso de piotórax.5 cm de espaço intercostal requer um dreno de 1 cm de diâmetro. o dreno é adaptado imediatamente antes do fechamento da cavidade torácica.

4 Frasco em selo d’água para restituição da pressão negativa intratorácica mediante o movimento inspiratório do próprio paciente. Para contornar esse problema recomenda-se a técnica de disposição de drenos de Penrose na cavidade abdominal. esquerda cranial e esquerda caudal) num total de 16 drenos. A remoção do dreno torácico é feita logo que perca sua integridade ou a efusão deixe de fluir. direita caudal. pancreatite) ou difusa que intercorra com abundante acúmulo de líquido. são facilmente obstruídos pela ação do omento. Pode ser adicionado um dreno tubular para introdução de líquido de . especialmente tubulares. perfuração intestinal. Para isso o ponto sapatilha é seccionado e o dreno removido em tração rápida para evitar que haja penetração de ar pela exposição progressiva dos orifícios na extremidade distal do dreno. Figura 12. Uma das extremidades de cada quatro drenos é exteriorizada por uma incisão em cada quadrante e outra extremidade fica disposta em leque na cavidade abdominal. O dreno mais indicado é o de Penrose com ou sem respiro. Para minimizar esse risco pode-se adaptar uma válvula unidirecional de Heimlich. Drenos na cavidade abdominal.interpor entre o dreno e o frasco de hidrovedação um frasco coletor para evitar que o líquido escoado altere o nível do selo de água. Dreno Abdominal O uso de dreno na cavidade abdominal está indicado para drenagem de peritonite localizada (abscesso prostático. em que quatro deles são exteriorizados por meio de incisão na parede em quatro quadrantes do abdome (direita cranial. Na condição de drenagem continuada do tórax é necessária monitoração continuada dos pacientes para evitar risco de pneumotórax iatrogênico por solução de continuidade nos drenos e/ou frascos coletores.

Nesse caso é adaptada uma bandagem absorvente na abertura ventral do abdome. Estes tubos são introduzidos por orifícios naturais (nasogástrico. ao menos uma vez ao dia. Nos casos em que o omento for preservado. Nessa eventualidade indica-se o uso de dispositivos que permitam restabelecer o aporte nutricional. O tratamento da peritonite envolve basicamente a estabilização sistêmica do paciente. Paciente com dreno deve ser mantido internado para monitoração. gastrostomia. alimento ou gás para órgãos tubulares por meio de tubos de diferentes características. No entanto. ou para a realização de lavagem gástrica em pacientes com sinais clínicos de intoxicação ou com distensão decorrente de sobrecarga ou dilatação volvogástrica (DVG). a qual deve ser trocada sempre que exceda a sua capacidade de absorção ou. A variabilidade na apresentação dos drenos permite ampla aplicação dos mesmos. pois não há risco de oclusão dos drenos. enterostomia. Sondagem Introdução Diferentes fatores ou enfermidades podem comprometer vias de condução fisiológica como o trato digestivo respiratório ou genitouirinário. a remoção da causa e a drenagem do líquido acumulado na cavidade abdominal. até a involução do processo. Sonda orogástrica A sondagem orogástrica é uma técnica comumente realizada para a administração de alimentos a pacientes neonatos. Os pacientes neonatos impossibilitados de serem amamentados pela mãe e que . ventilatório ou a drenagem de líquidos ou da excreta orgânica. Definição A sondagem basicamente consiste na administração ou drenagem de líquido. a drenagem contínua com a cavidade abdominal aberta é mais eficiente. orogástrico. além de instituir suporte nutricional. os drenos têm alta eficiência no escoamento do exsudato acumulado. o seu uso poderá redundar em fracasso. se não forem seguidas a técnica e a indicação apropriadas. por meio de ostomias (faringostomia. orotraqueal) ou neoformados. nos pacientes em que o omento tenha sido removido. além de acompanhamento continuado.lavagem na cavidade peritoneal. traqueostomia). Em relação à drenagem. nesse caso. quando será feita a sutura da parede abdominal. pois a remoção precoce ou a infecção ascendente podem trazer risco a sua sobrevivência.

após a introdução pela cavidade oral. As sondas utilizadas normalmente são as de Levine® ou de Foley. cerca de 5 ml/kg a cada 4 a 6 horas. para cães pequenos e gatos. É importante que a sonda seja untada com vaselina ou lidocaína gel para que facilite a evolução e vença a resistência muscular na orofaringe e no esôfago. deverão ser efetuados orifícios adicionais como na sonda Levine. mas pode-se adaptar a sonda uretral. esse paciente normalmente apresentará tosse. e um auxiliar mantém aberta a cavidade oral. . Normalmente os cães ingerem 10 ml/kg a cada 4 ou 6 horas e os gatos. O animal deve ser posicionado em decúbito esternal (anestesiado). retirada posteriormente. até a entrada da cavidade oral. ou aqueles portadores de enfermidades como fenda palatina ou lesões orofaríngeas que impeçam o ato de sucção. visualizada pela marcação no segmento proximal. entretanto. observando-se o movimento de deglutição para a evolução da sonda. O volume a ser administrado a neonatos varia com a espécie. e marcá-la com esparadrapo. com a drenagem de conteúdo gástrico e posterior lavagem com solução salina ou água aquecida no volume correspondente a 30 ml/kg repetidas vezes até a saída de todo o conteúdo (ingesta). sendo esse volume aumentado gradativamente até 50 ml/kg. são alimentados por sondagem orogástrica. O volume deverá ser administrado em um tempo de até 15 minutos e a sonda. se essa sonda entrar pela laringe em direção à traqueia. medir externamente colocando a extremidade distal da sonda na altura da 12a ou 13a costela (referência para o estômago). A sonda orogástrica está indicada também aos pacientes que necessitem de lavagem gástrica ou de esvaziamento gástrico emergencial.necessitem de aleitamento artificial. Antes da introdução. Pacientes agitados ou agressivos devem ser sedados ou anestesiados com anestésico de curta duração que possibilitem a passagem da sonda. estimulando a deglutição do paciente até a chegada ao estômago. Uma forma de proteger a sonda em pacientes levemente sedados é o uso de tubo de esparadrapo ou cone (Figura 12. que permite a passagem da sonda no seu interior. e até a sonda uretral 10-0 para filhotes de raças grandes ou gigantes. A sonda deverá ser retirada e reintroduzida. em diâmetro 4-0 e 6-0. na emergência. Essa sonda deverá ser introduzida até a marcação prévia. A complicação é a falsa via que pode ser evitada pela aferição do comprimento da sonda antes da execução e. Como essa sonda tem apenas um ou dois orifícios na extremidade distal. Essa sonda é lubrificada com óleo mineral e passada pela orofaringe de forma passiva com introdução sobre a língua e progressão. e a evolução da sonda também não chegará à marcação prévia. como no caso de DVG. uma vez que a carina (bifurcação da traqueia) localiza-se na altura do 5o espaço intercostal.5). ou na posição de cão sentado. poderá ser usada mangueira de chuveiro ou de lavagem de área comum. A sonda indicada é a de Levine.

. Instila-se lidocaína spray na entrada da narina a ser introduzida a sonda ou passa-se lidocaína gel na sonda nasoesofágica. Um cuidado importante a ser tomado é determinar a quantidade de líquido necessário para lavar toda a sonda nasoesofágica antes de introduzi-la. ela é muito utilizada na clínica médica de felinos e em animais de pequeno porte.6B). Outras complicações facilmente evitadas nesses pacientes são a lesão esofágica e a perfuração causada pela evolução traumática da sonda.Figura 12. óleo mineral ou gel de lidocaína.5 Sequência da sondagem orogástrica em cão usando como dispositivo auxiliar um tubo ou cone para evitar que morda a sonda. Está indicada para os pacientes que não se alimentem. A sonda é medida desde a entrada da narina até o 7o espaço intercostal. na altura em que a tuberosidade do olécrano se projeta no tórax (ponta do cotovelo). marca-se a sonda até esse ponto com o esparadrapo. com o sistema respiratório superior íntegro e não apresentem complicações no sistema digestório superior. Para essa técnica utilizam-se sondas nasogástricas com diâmetro compatível com o meato nasal ventral (espaço entre a concha nasal ventral e o assoalho da cavidade nasal formado pelo palato duro). Pela facilidade de sua aplicação. Quando o animal for anestesiado. não sendo necessária sedação ou anestesia geral. Sonda nasoesofágica A utilização de alimentação por sonda nasoesofágica é a conduta mais simples e fácil de ser realizada quando em comparação com as outras técnicas de sondagem. flexiona-se o cotovelo do paciente e. Sugere-se como alternativa a sonda uretral 4-0 ou 6-0. posicionando-se a cabeça semiflexionada (A Figuras 12. Na prática.6A e 12. está indicada a intubação orotraqueal com insuflação do balonete para evitar complicações como falsa via e sondagem traqueal errônea. que pode ser evitada pela lubrificação com vaselina.

sendo a sonda direcionada ao esôfago até a marcação externa do esparadrapo.6. D e E).Figura 12. Para verificação da localização da sonda pode ser usada solução salina estéril e. o que denotará a sua passagem (pode-se pressionar levemente a região da glote. Introduzir a sonda pela narina direcionando-a inicialmente em direção ventromedial (em direção ao septo nasal) e.6C a 12. lubrificação com lidocaína gel (B). estimulando a deglutição). A sonda pode ser fixada no alto da cabeça com pontos simples e fio inabsorvível. situação em que ela deve ser retirada e reintroduzida (Figuras 12. avaliação da viabilidade da sonda com solução isotônica de cloreto de sódio (F). em caso de falsa via. o paciente deglutirá. ao chegar à nasofaringe.F). ou com adesivo sintético à base de cianoacrilato entre as órbitas e em cima da cabeça.6 Gato anestesiado sendo submetido a sondagem nasogástrica em que se observam: demarcação da posição da sonda (A). o paciente irá expectorar ou tossir. . introdução na cavidade nasal até o ponto demarcado (C.

Também está indicada para aqueles que apresentem alteração na cavidade nasal que impeça a passagem da sonda nasoesofágica (como fraturas de palato e maxila e lesões neoplásicas). na região cervical ventral). ela deve ser reposicionada. o que é um indicativo de que a sonda nasoesofágica está passando pela cárdia. que são as veias maxilar e linguofacial (compressão digital na região cervical distal e observação do ingurgitamento da mesma no sulco da jugular. A alimentação deverá ser administrada pelo menos de seis a oito vezes ao dia. Também é importante identificar a veia jugular e suas tributárias. enquanto a esofagostomia somente poderá ser feita do lado esquerdo. Uma vantagem desta técnica em relação à sonda nasoesofágica é que ela viabiliza a introdução de uma sonda mais calibrosa. A complicação mais comum é a obstrução da sonda. a cada duas ou três horas. Quando se usa a sonda de Levine. A sonda utilizada pode ser a de Foley ou a de Levine. Esta técnica é realizada com grande frequência em pacientes com anorexia e inapetência e que não apresentem alteração no sistema digestório. o que permite administrar alimentação mais consistente. Contudo qualquer sonda com diâmetro compatível com o do esôfago poderá ser utilizada. à laringe e ao esôfago. a preferência é pelo n o 12 ou 14 G para pacientes até 10 kg e 20 a 22 G para animais acima de 10 kg. . pois o diâmetro é muito pequeno e a consistência da alimentação tem que ser fluida como a água. Outra complicação que pode se apresentar é o refluxo da alimentação. Sonda por faringostomia A faringe é uma região comum às cavidades nasal e oral. O tempo de permanência da sonda é. entretanto estes autores já a mantiveram por 60 dias em pacientes com cirurgia corretiva de fenda palatina. Nessa eventualidade. O tempo máximo de permanência da sonda é de uma semana. O conhecimento da anatomia na região é importante para evitar erro na introdução da sonda. em média. nasal e mandíbula) submetidos a osteossíntese e em pacientes portadores de neoplasia em cavidade oral submetidos a cirurgias ablativas. até 90 dias naqueles com fraturas múltiplas em ossos do crânio (maxila. sendo repetida pelo menos quatro vezes ao dia. de 15 dias. Quando forem utilizadas as sondas de Foley. indica-se a 14 ou 16 French para animais com menos de 10 kg e acima de 28 French para aqueles com mais de 10 kg.O uso de colar elisabetano protege a sonda e evita que ela seja removida pelo paciente. A identificação destas estruturas evita o risco de lesão vascular. bastando para isso fazer fenestras ao longo do seu segmento distal. Uma vantagem desta técnica em relação à esofagostomia é a possibilidade de realizá-la tanto do lado direito quanto do lado esquerdo da região cervical proximal. permitindo o refluxo do conteúdo estomacal.

A região cervical deverá ser tricotomizada (Figura 12. A importância da localização e identificação do osso hioide se baseia na função desse osso como responsável pela fixação da raiz da língua. ou em decúbito lateral esquerdo para a realização da técnica do lado direito. estando presente nos movimentos de deglutição. o que poderá ser feito com barbitúricos ou um anestésico venoso de curta duração (p. a língua é tracionada e. com isso. se a sonda ficar localizada cranialmente ao osso hioide. Após a antissepsia da região a boca é aberta.7A) e o paciente posicionado em decúbito lateral direito para a realização da faringostomia no lado esquerdo. . o osso hioide se projeta cranialmente.. ex. Para a realização da técnica o paciente deverá estar anestesiado. o propofol) associado a um opioide. o paciente a sentirá a cada movimento de deglutição e apresentará movimentos serpentiformes da língua.7B). facilitando a identificação pela palpação com o dedo médio ou indicador (Figura 12. Com isso.

F: fixação por ponto sapatilha. B: toque digital para identificar o hioide e conduzir a pinça hemostática pela orofaringe. A seguir uma pinça hemostática curva longa o suficiente para ultrapassar o osso hioide é introduzida pela cavidade oral e sua ponta projetada na região cervical craniolateral. C: local da incisão e exteriorização da pinça para preensão e tração cranial da sonda de Levine (D).7 Faringostomia em cão. em sentido aboral. H: proteção com bandagem.7C). G: proteção tópica com gaze embebida em iodopovidona. A pele e os tecidos subjacentes são incisados com bisturi sobre a ponta da pinça. dorsal à jugular e caudal à mandíbula. E: redirecionamento da extremidade distal da sonda. progredindo através da incisão e sendo exteriorizada pelo estoma (Figura 12. que fica limitada entre os dedos polegar e indicador (essa conduta permite que o dedo polegar afaste a vasculatura da incisão).Figura 12. . A: posicionamento e região de tricotomia para acesso. Concomitante com a incisão. já dimensionada. a pinça é forçada em sentido caudolateral.

Não há necessidade de sutura do estoma. A fístula deverá ser tratada com limpeza e curativo e protegida com bandagem conforme descrito anteriormente neste capítulo. a sonda deverá ser mantida fechada e o paciente poderá ser alimentado com a ração a que esteja adaptado. Caso o paciente já possa se alimentar por via oral. Após o fornecimento da . A água também poderá ser fornecida em vários momentos durante o dia.7F). se necessário. Recomenda-se o uso de colar elisabetano para proteção da sonda e não ministrar nada por via oral. Recomenda-se apenas a aplicação tópica de antisséptico. deixando exteriorizada apenas a sua porção proximal (Figura 12. mediante remoção do ponto de fixação e tração. A sonda pode ser retirada quando da liberação da ingestão oral. se o paciente não estiver intubado. a sonda retirada. Após exposição na cavidade oral ela é redirecionada para o lado esquerdo da cavidade orofaríngea (Figura 12. com a boca aberta. se o paciente está intubado. mantida e recolocada no lado contralateral. Na presença de sangramento deverá ser avaliado se a sonda está traumatizando as veias tributárias da veia jugular. essa conduta deverá ser adotada. A complicação mais comum é o refluxo gástrico pela cavidade oral ou nasal. direcionar a sonda para o lado esquerdo até a marcação feita previamente com esparadrapo. pois o tecido de granulação presente na área. A extremidade distal da sonda é então apreendida entre as pontas das lâminas da pinça e tracionada em direção à entrada da cavidade oral (Figura 12.7G) e uma bandagem com atadura de crepom é aplicada externamente para proteger a sonda. levando em conta sempre a capacidade máxima do estômago (50 ml/kg). sangramento e derrame de ingesta pelas cavidades nasal e oral.7E). recomenda-se posicioná-lo em decúbito esternal e. na recidiva do mesmo. Esse fato ocorre quando a sonda passa o esfíncter da cárdia e penetra no interior do estômago. É imprescindível a sua lavagem com água ao término do fornecimento da alimentação.7H). efetuar avaliação radiográfica de tórax e exame hematológico. que poderá acarretar pneumonia secundária a broncoaspiração. a área de ostomia deverá ser higienizada a cada 48 ou 72 horas. sendo contraindicada a ingesta por via oral enquanto o paciente estiver com a sonda. A sonda é fixada então com uma sutura trançada (ponto chinês ou sapatilha) com fio inabsorvível sintético (náilon 3- 0) (Figura 12. Poderão ocorrer complicações como secreção. e a sonda deverá ser retirada e. A presença de secreção é secundária à saída de alimento pelo estoma. batida em liquidificador com água e administrada pelo menos quatro vezes ao dia. O sangramento deverá ser avaliado e.7D). Quando não estiver em uso. Uma compressa de gaze embebida em antisséptico é colocada sobre o local do estoma (Figura 12. que causa flebite e possibilidade de ruptura vascular. ocluirá a abertura. esse processo de introdução ocorrerá facilmente. o proprietário deverá ser questionado quanto ao fornecimento de alimento por via oral. Constatada a presença de secreção e alimento no momento do curativo. em resposta à presença da sonda.

levando a peritonite e necessidade de anestesia geral do paciente. regurgitação. recomenda-se a faringe como o local primário para a colocação de tubo de alimentação. Além disso. sem a ocorrência de fístula esofagocutânea ou estenose. o tecido subcutâneo. após a introdução de uma pinça hemostática curva longa (tipo Kelly ou Crile) até o terço médio do esôfago cervical. a cicatrização por segunda intenção ocorre de maneira satisfatória sem qualquer complicação. segundo alguns autores. para aqueles que apresentem risco de broncoaspiração e os submetidos a cirurgia de DVG. Na presença de complicação como refluxo. A técnica de colocação de uma sonda gástrica por tubo é relativamente rápida e . por via endoscópica ou às cegas. A vantagem da realização desta técnica se resume na manutenção da alimentação nos pacientes por longos períodos (de semana a vários meses). o aumento do volume gástrico associado à contração gástrica leva ao refluxo pela sonda. A cicatrização ocorre por segunda intenção após a retirada da sonda.alimentação. Sonda por gastrostomia Essa sonda pode ser colocada durante uma intervenção cirúrgica abdominal. A técnica é realizada com o paciente anestesiado e em decúbito lateral direito. As recomendações. bem diferente do que é relatado na literatura básica. Entretanto. Como desvantagens podem ser relatados os riscos de vazamento do conteúdo gástrico. refluxo. Levine ou tubo gástrico) por entre as pontas da pinça com direcionamento distal até o terço médio do esôfago torácico (conforme marcação prévia realizada de forma idêntica à técnica de faringostomia). expondo a ponta da pinça. de acordo com a necessidade do paciente. A sonda será fixada à pele por pontos tipo “bailarina”. a posição da sonda deverá ser avaliada. os cuidados na alimentação e os curativos são os mesmos citados para a faringostomia. Sua extremidade distal deve ser posicionada cranialmente à junção gastroesofágica para evitar refluxo gastroesofágico e consequente esofagite. vômitos intermitentes. com a região cervical esquerda tricotomizada. se for considerado que o esôfago é pouco vascularizado e tem localização mais sinistra. incisam-se a pele. Na sequência se introduz a sonda (Foley. acarretam menos complicação do que as de faringostomia e as nasogástricas. sendo a faringe um órgão muscular. a musculatura e a parede esofágica. Elas são colocadas no esôfago médio cervical. Sonda por esofagostomia As sondas ou tubos de alimentação colocados no esôfago. Esta técnica fica reservada para pacientes que apresentam doença esofágica. pois este local permite o acesso tanto do lado direito quanto do lado esquerdo. segundo relatam alguns autores.

ou na parede lateral esquerda. que será introduzido pela incisão perfurante na parede abdominal após o bloqueio anestésico em “L” invertido na parede lateral direita. que conduzirá com ele o estômago (que ficará acoplado na parede abdominal). Suturas absorvíveis são pré-aplicadas entre o antro pilórico e a parede abdominal. O tubo será deixado no lugar durante sete a 10 dias. a musculatura da parede lateral (músculos oblíquos abdominais externo e interno e o músculo transverso do abdome) é divulsionada no sentido de suas fibras. formação de celulite ou retração cicatricial do estoma após remoção do tubo. Cuidados devem ser tomados para que não ocorra qualquer extravasamento de material gástrico. Antes de realizar a incisão na parede do estômago. e os peritônios visceral e parietal poderão ser escarificados na área para estimular a aderência. Embora alguns estudos recomendem a aplicação de segmento do omento em torno do tubo. É efetuada uma incisão perfurante na parede gástrica e a extremidade do cateter ou sonda de Foley é introduzido até o lúmen gástrico. o que requer o uso preventivo de bandagem por sete a 10 dias após a colocação. A vantagem da técnica está na fixação permanente entre a parede abdominal interna ao corpo do estômago e a possibilidade de descompressão gástrica emergencial em pacientes com dilatação gástrica ou volvogástrica. celulite ou peritonite local ou generalizada associada ao extravasamento do conteúdo gástrico em torno do tubo e drenagem persistente pelo estoma. evitando o risco de ocorrência da fístula . O bulbo do cateter de Foley é inflado com 10 a 12 ml de solução isotônica de cloreto de sódio (de acordo com a medida da sonda). para a prática de alimentação em pacientes com impedimento de alimentação oral ou por sonda esofágica. e a sutura em bolsa de fumo é fixada de modo a garantir a vedação segura em torno do tubo. caudal à ultima costela. e o peritônio é incisado expondo a parede do estômago normalmente dilatada devido aos conteúdos alimentar e gástrico. realiza-se bandagem para proteção da mesma. Aplica- se certa tração ao tubo. remoção do tubo pelo paciente. secundário a ruptura do balão (cuff). presentes quando do volvo ou sobrecarga. no lado esquerdo. o que na rotina consiste em incisar dois dedos caudalmente à 13a costela. Após a incisão na pele. próximo à região fúndica. A posição do cateter é verificada para certificar-se de que o balão não esteja obstruindo o piloro quando essa sonda for colocada no antro pilórico. A técnica requer o uso de sonda ou cateter de Foley 24 a 32 French.de simples execução. O local da incisão situa-se entre 4 cm a 10 cm aproximadamente. As desvantagens da técnica estão relacionadas com deslocamento precoce do tubo. Deve-se ter o cuidado de evitar a perfuração do balão do cateter de Foley durante a pré. uma sutura em bolsa de fumo é feita com fio absorvível 2-0 na camada seromuscular do antro pilórico (acesso pela parede lateral direita) ou no corpo do estômago. a qualidade da aderência é maior quando o omento não ficar interposto entre as paredes gástrica e abdominal. se for um atendimento emergencial de DVG. o que permitirá a formação de aderências fibrosas.aplicação das suturas. Após a aplicação e fixação da sonda.

Então serão fixados à pele (Figura 12.8G). sobrecarga ou desvitalização na parede do órgão está indicada a celiotomia mediana pré-umbilical. O paciente deverá ser alimentado com o volume proporcional ao seu requerimento diário. Depois disso é feita sutura em bolsa em sua curvatura maior (Figura 12. para exteriorização paracostal. . sendo fracionado em quatro a seis vezes ao dia.8F) e aposição de três a quatro pontos de Lambert para efetuar uma plicatura sobre a região de penetração da sonda (Figura 12.gastrocutânea. A seguir são adaptados dois pontos de reparo na seromuscular com fio de mononáilon 0 ou 1 (Figura 12.8C) e introdução de uma sonda de Foley 22-26 F (Figuras 12.8D e 12. Aos pacientes que apresentem volvodilatação gástrica. os quais transfixarão a parede abdominal. O estômago é total ou parcialmente exteriorizado (Figura 12. ou gastrectomia parcial (desvitalização) e gastrorrafia. que é iniciada após a estabilização do paciente. centese (Figura 12.8E).8I). A água poderá ser fornecida a cada 3 horas. juntamente com a sonda de Foley.8H). seguindo-se a oclusão da sutura em bolsa (Figura 12. cujo balonete é distendido com solução isotônica de cloreto de sódio.8A ) e esvaziado por centese (timpanismo) ou gastrotomia (sobrecarga).8B).

Após esvaziamento. O animal deverá ser submetido a celiotomia mediana retroumbilical para exposição da alça do jejuno. superposta por uma Lambert (G). Podem-se utilizar sondas ou cateteres de polietileno. A seguir foi introduzida.8 Gastrostomia em cão. A seguir é efetuada enterorrafia com fio sintético absorvível em plano único de sutura e a sonda é exteriorizada por meio de uma punção na parede abdominal lateral.9) são mais eficientes. Dois pontos de reparo (H) e a sonda foram transfixados pela região paracostal esquerda e fixados à pele (I). Para remoção da sonda (após sete a 10 dias) retiram-se os pontos de fixação externos e traciona-se a mesma.9 Sonda T para enterostomia. permite drenagem em caso de atonia e timpanismo recorrente e facilita a alimentação e hidratação. foi adaptada sutura em bolsa (B) e efetuada centese com lâmina de bisturi no 22 (C). incluindo o sistema biliar e o pâncreas. Essa técnica tem como vantagens: apresenta firme gastropexia.5 cm) em sua borda antimesentérica e introduzida pela mesma uma sonda T n o 20. como nos cateteres que podem atuar como . O estoma fechará em dois a cinco dias por retração. Exposição parcial de estômago distendido (A) em um cão com timpanismo por torção. Esta é fixada à parede abdominal com ponto sapatilha. pelo estoma. a extremidade distal de uma sonda de Foley (D e E) que foi contida por insuflação do seu balonete e pelo fechamento da sutura em bolsa (F). A vantagem no uso desse tipo de sonda é que dificilmente se desloca em função de sua conformação e não causa obstrução do trânsito intestinal. Sonda de jejunostomia A jejunostomia está indicada a pacientes com disfunção do trato gastrointestinal proximal. Recomendam-se apenas higienização tópica e proteção com vaselina ou glicerina tópicos nos primeiros dois dias para evitar dermatite por derrame de suco gástrico. As complicações podem ser mecânicas. Após proteção da cavidade abdominal por meio de compressas e ordenha do conteúdo na área de incisão a alça é incisada (1-1. A alça é fixada à parede abdominal por dois pontos de mononáilon 2-0 ancorados adjacentes à exteriorização da sonda.Figura 12. mas as sondas T (Figura 12. Figura 12.

O paciente com efusão pleural ou com pneumotórax apresenta sinais clínicos compatíveis com dispneia. Além da aplicação emergencial. cistocentese (punção vesical). Todo paciente com efusão torácica. Na ausência do exame radiográfico que indique o lado acometido com a presença de líquido ou gás. é essencial a monitorização da sonda e do paciente enquanto permanecer adaptada. Independente da opção.corpo estranho linear. em dispneia. poderá ser utilizada para diagnóstico de processos inflamatórios. edema e necrose por compressão na parede abdominal. a punção torácica é realizada bilateralmente. finalidades. Punções Introdução Em condições específicas em que se faça necessário o esvaziamento ou drenagem de coleções. Sondas ou cateteres de diferentes tipos. Toracocentese A toracocentese é um procedimento realizado na rotina da clínica veterinária de pequenos animais para estabilização emergencial e que permite elucidar as dúvidas quanto à presença de líquido ou gás na cavidade torácica. constituição e custo estão disponíveis no mercado. infecciosos ou neoplásicos. nódulo (punção aspirativa) ou tecido com auxílio de agulha ou trocarte. infecção local. a estrutura ou a região. está indicada a punção. cuja técnica pode variar conforme o órgão. deverá ser submetido ao procedimento ambulatorial de toracocentese e drenagem pleural antes de ser encaminhado para o diagnóstico por imagem. obstruir ou perfurar o intestino. Cabe ao profissional selecionar aquela que seja mais acessível em termos de custo e mais eficiente na prevenção de complicações. pois sofre o risco de apneia se for posicionado em decúbito dorsal para obtenção de radiografia ventrodorsal. dobrar. Definição A punção ou centese consiste em procedimento invasivo de cavidade. embora a literatura relate que o mediastino dos felinos apresenta comunicação entre os lados direito e . órgão tubular ou parenquimatoso. como em tumores ou nódulos. com padrão respiratório restritivo e cianose. Centese é também utilizada como sufixo indicador do local ou órgão: toracocentese (punção da cavidade torácica). que são inseridos temporariamente. ou ocorrência de celulite. ou quando se necessita de material diagnóstico.

a densidade do líquido pode impedir que a punção de um lado apenas possa drenar também o lado contralateral. O volume necessário é de pelo menos 30 a 50 ml de líquido no espaço pleural para se conseguir realizar a coleta. O líquido drenado é colocado em dois tubos. A agulha ou cateter é introduzido num ângulo de 45o em relação à parede costal. evitando com isso a lesão iatrogênica do parênquima pulmonar. sendo a junção costocondral para a coleta de líquido e o terço dorsal do tórax para a coleta de ar (Figura 12. A técnica realizada com o cateter não é muito eficaz. o bisel deve estar voltado para a parede costal. A punção é realizada com o paciente em expiração. Uma agulha 40-12 (18 G) também poderá ser usada.10). No paciente dispneico. favorecendo a gravidade no caso de efusão. definidos em contagem regressiva a partir do 12o espaço.10 Toracocentese em cão com auxílio de seringa. Figura 12. 7o ou 8o espaço intercostal. é feita antissepsia com iodopovidona ou clorexidina. na fase expiratória. independente do diagnóstico de efusão (quilotórax. torneira de três vias e agulha 18 G. A técnica deve ser realizada com o paciente em decúbito esternal. Observar os sentidos da torneira durante a tração do êmbolo (A) para drenar o tórax e a compressão do êmbolo (B) para esvaziar a seringa. um deles com anticoagulante e o outro sem. O material mais usado é o escalpe 19 ou 21 G. Na prática verifica-se que.esquerdo. a tricotomia é realizada na região definida anteriormente e. ao penetrar na cavidade. e. O procedimento é concluído no momento em que o conteúdo pleural for drenado. e enviado ao laboratório para avaliação bioquímica e citológica e comparação com a avaliação bioquímica sérica. A punção é realizada entre o 6o. o que se constata pela melhora no padrão respiratório e pela restituição da pressão . ou cateter 18 ou 21 G. piotórax ou hemotórax). contudo será maior o risco de lesão iatrogênica do parênquima pulmonar. após. pois durante os movimentos respiratórios a musculatura comprime o teflon ou o vialon do cateter após a remoção da agulha. conectado a uma seringa de 10 ou 20 ml por meio de uma torneira de três vias. e isso obstrui a saída do fluxo.

nos casos de trauma ou reação inflamatória. e neoplásicas. cisto intrapericárdico.negativa intratorácica atestada pelo êmbolo da seringa. Pericardiocentese A pericardiocentese está indicada a pacientes com diagnóstico de efusão pericárdica. uremia e insuficiência cardíaca congestiva direita. esse exame permite evidenciar a presença de líquido com celularidade separando o coração do saco pericárdico. e até mesmo pequena quantidade de líquido com aspecto anecoico circundando o coração permite a suspeita de efusão. em não neoplásicas. . que deve ser realizada de forma asséptica com tricotomia da região torácica entre o 4 o e o 6o espaço intercostal. compostas principalmente por hemangiossarcoma. quemodectoma e mesotelioma. processos infecciosos. Esse tamponamento dificulta o preenchimento das câmaras cardíacas (diminuição da pré-carga). no tórax. ou protocolo terapêutico na vigência de infecção. Esse procedimento se acompanhará de protocolo antimicrobiano profilático. os quais desenvolvem dispneia e cansaço secundários ao tamponamento cardíaco devido à pressão intrapericárdica. com congestão nas veias cavas e acúmulo de fluidos como ascite secundária. Os sinais clínicos são os mesmos da insuficiência cardíaca direita. entretanto. A retirada do escalpe ou do cateter deverá ser realizada de modo a manter a pressão negativa na cavidade. O exame radiográfico de um coração globoso e arredondado é bem sugestivo de efusão pericárdica. pulso de jugular. quanto a sua etiologia.11). cianose. expondo o tórax direito para a punção. O paciente deverá estar anestesiado e monitorado por eletrocardiograma para avaliar a presença de complexos ventriculares (Figura 12. e a ausculta cardíaca evidencia bulhas abafadas. quando esse aumento de fluido não for em volume significativo. representadas por efusão idiopática benigna. Nesse caso deverá ser realizado diagnóstico diferencial com hérnia frenicopericárdica e cardiomiopatia dilatada. Para a realização da pericardiocentese o paciente poderá ser posicionado em decúbito esternal ou lateral esquerdo. A ultrassonografia do abdome pode revelar a presença de líquido abdominal e. os sinais radiográficos poderão ser menos evidentes. As efusões pericárdicas podem ser classificadas. podendo o paciente apresentar síncope. resultando em baixo débito cardíaco. trauma.

momento em que deve ser interrompida a punção.Figura 12. G: imagem demonstrando a diminuição no espaço entre o pericárdio e o miocárdio próximo ao final da punção. H: fluido com aspecto de contaminação por sangue. observar a espessura do saco pericárdico e as câmaras cardíacas. O acompanhamento da punção pela ultrassonografia permite. também verificar o aspecto e a celularidade do líquido. A: paciente em decúbito lateral com hemitórax direito tricotomizado e monitorização eletrocardiográfica. B: uso do transdutor convexo para monitorar a pericardiocentese. com 12 anos. punção no 5o espaço intercostal direito próximo à junção costocondral. D e E: drenagem da efusão em que o cateter é mantido entre os dedos indicador e polegar e o líquido coletado para a realização do exame. F: imagem ultrassonográfica demonstrando a identificação da agulha no espaço com grande quantidade de fluido entre o pericárdio e o miocárdio. válvula de três vias e cateter 18 G.11 Efusão pericárdica em cão macho. com seringa. Também orienta a . sem raça definida. além de confirmar a suspeita de efusão pericárdica por visualização da presença e da quantidade de líquido intrapericárdico.

uma vez que o paciente está respirando e o coração. vigência em que a agulha de punção deverá ser retirada e o paciente medicado e monitorado até a estabilização. caudal à cicatriz umbilical para que não tenha o risco de ter uma punção negativa (pois na cicatriz umbilical tem o ligamento falciforme. auxiliando na visualização da vesícula urinária íntegra ou rompida e do fígado e baço. que pode variar de incolor a levemente amarelada. até que a agulha se aproxima do miocárdio. influenciando no aspecto do líquido. O paciente deverá ser posicionado em estação ou em decúbito lateral. tão logo se obtenham 2 ml a 3 ml de efusão na seringa. Para a realização desta técnica não há a necessidade de anestesia ou sedação do paciente. O risco em relação à coleta é evidenciado pela presença de arritmia e taquicardia ventricular demonstrada pelo eletrocardiograma. Quando drenar sangue na punção abdominal e ele coagular em 2 a 3 minutos. de límpido a turvo. sendo realizadas tricotomia e antissepia para uma técnica asséptica no local da punção. Essa punção permite a classificação do líquido em transudato. que pode obliterar o bisel da agulha de punção).drenagem do líquido. em pacientes com histórico de trauma (hemoperitônio ou uroperitônio) e naqueles com peritonite. ou causaria arritmias ou até o óbito do paciente. A drenagem é mantida. momento em que deverá ser suspensa mesmo restando um pouco de conteúdo no pericárdio. impede que o cateter toque no epicárdio ou perfure o miocárdio. A presença de sangue drenado na punção que não coagule em 3 a 5 minutos deverá ser encarada como um sangramento abdominal de origem a ser diagnosticada. e o cateter 20 G é introduzido posicionado entre os dedos indicador e polegar. transudato modificado ou exsudato séptico ou asséptico. batendo durante a punção. houve um erro durante . o que confere à punção segurança na sua progressão. A suspeita de efusão pode ser elucidada pelo exame ultrassonográfico. a centese é realizada próximo à junção costocondral. o que prejudicaria a punção pela contaminação da mesma com sangue. órgãos comumente relacionados com o hemoperitônio. sendo este também um local de depósito de gordura. Abdominocentese – Paracentese abdominal A abdominocentese é realizada sempre em suspeita de efusão abdominal. A fim de evitar que a amostra coletada sofra alguma contaminação. A avaliação citológica do líquido permite a contagem de células. ou de hemorrágico a esverdeado. Posteriormente a agulha será reposicionada no caso de a coleta ainda não tiver sido realizada. e o material utilizado para a punção se resume em uma seringa de 3 ml ou 5 ml associada a uma agulha 25 × 7 mm ou a um escalpe 19 G ou 21 G. Acompanhada pelo ultrassom. e a punção realizada. a avaliação quanto à cor. eles devem ser transferidos para tubos com e sem para envio ao laboratório. A torneira de três vias ou uma seringa é acoplada ao cateter. orientada pela ultrassonografia.

uma vez que somente as alças jejunais estão mais livres no abdome e não têm fixação rígida pelo mesojejuno. O líquido proveniente da punção deverá ser enviado para análise laboratorial em dois tubos (um com e outro sem anticoagulante) junto ao sangue coletado em um vaso periférico e enviado para a avaliação bioquímica. Tem localização pélvica e. Esse risco praticamente desaparece com o uso do escalpe. As complicações decorrentes da punção abdominal podem ser a de alça intestinal ou do baço. A vesícula urinária é dividida em três regiões. Em suspeita de lesão pancreática com peritonite. uma vez que a agulha desse dispositivo não consegue se aproximar do segmento intestinal. Entretanto também poderá ser realizada para alívio de pressão de urólitos vesicais sobre o óstio uretral e a uretra em pacientes caninos e felinos obstruídos. não estando fixas para a punção. Para a realização da técnica não há a necessidade de anestesiar ou sedar o . A centese de alça é um risco muito pequeno. em caso de nova negativa. a punção é definida como negativa apenas quando nas três regiões ventrais do abdômen não drenar líquido. sendo um diagnóstico positivo valores duas a três vezes maiores no líquido da efusão. realizar nova punção contralateral. Cistocentese A cistocentese é a técnica recomendada para a coleta de urina e realização de urocultura. Na suspeita de ruptura de ducto torácico a avaliação sérica e do líquido peritoneal deverá ser feita para a dosagem de triglicerídeos. essas alças acabam também se deslocando. a cistocentese é realizada às cegas. É palpável quando está repleta de urina. o corpo e o colo da vesícula urinária. sendo importante a sua fixação quando da realização da punção.a punção e os órgãos parenquimatosos (fígado ou baço) foram puncionados de forma iatrogênica. Quando não for possível a palpação. Em suspeita de uroabdome deverá ser avaliada a creatinina no líquido puncionado e no sangue. As análises serão realizadas de acordo com a suspeita clínica. de acordo com o volume (a capacidade é de 5 a 8 ml/kg) em seu interior. já que este procedimento permite a retirada de urina estéril sem contaminação. a avaliação de amilase também terá resultados duas a três vezes maiores no líquido quando em comparação com a avaliação sérica. Ou seja. sendo os ápices a porção livre cranial. A punção esplênica é constatada pela drenagem de sangue que coagula e pode ser evitada efetuando-se a punção com a agulha inclinada caudalmente em ângulo aproximado de 45o. Quando da penetração da agulha. com base na sua localização anatômica. que é a porção na qual se encontra o trígono vesical (a abertura dos dois óstios uretéricos e a saída da uretra). procedimento que é mais fácil em gatos. esse órgão pode se deslocar cranialmente no assoalho do abdome. A punção abdominal negativa realizada na linha média ventral deverá ser repetida em uma nova punção na linha inguinal direita ou esquerda e.

. In: Lipowitz A.J..L. Peritoneum and peritoneal cavity. In: Harari J. 414–418 Mauldin G.E.pdf?LA = 1 > .. 87–113 v. Slatter D. Proceedings Gainesville: NAVC. posteriormente. 1. A punção deverá ser realizada entre o corpo e o colo da vesícula urinária. Saunders:Philadelphia. 28 Bartges J. Textbook of small animal surgery. portanto ela deve ser cuidadosa e o paciente. Philadelphia: Saunders. cap. 1990. Kirby B.C.J.. uma nova tentativa.. cap. direcionada para a região púbica. In: Santos M. 2006. 2003. Available at: <http://www. 1463. O material utilizado para a punção é uma seringa de 10 ml com agulha 25 x 7 mm.196(1):42–44. The history of surgical drainage. In: North American Veterinary Conference. Diagnosis.org/proceedings/navc/2006/SAE/527. sendo importante apenas uma boa contenção física ao posicioná-lo em decúbito dorsal com o abdome ventral tricotomizado e preparado de forma asséptica. Complications in small animal surgery. Closed suction drains: options and applications. 2007.. pois poderá contaminar a urina posteriormente coletada. 2008:427–491. Emergências do trato urinário. Ferreira P. Saunders:Philadelphia. Essa é a posição mais utilizada. Fragata F. cap. paciente. pode ser que ela esteja localizada na cavidade pélvica. 3rd ed. Baltimore: Williams & Wilkins.W. Bases para o entendimento hospitalar. Slatter D.S. A agulha deve ser trocada a cada tentativa e o local deverá ser redirecionado ainda na linha média 1-2 cm caudais à punção anterior.M. Nutritional support of hospitalized cats and dogs. contudo pode-se posicionar o paciente também em decúbito lateral ou em posição esternal. 5 . Surgical drains. Referências Ávila A. Access on: 12 Feb. management and prevention. J Amer Vet Med Assoc. Conclusão Independente da técnica ou órgão acessado.. para se efetuar centese as adequadas contenção e assepsia são procedimentos fundamentais. Outro risco é a punção de alça intestinal. Nutritional support.. realizando. ed. uroabdome e peritonite secundária. sendo a urina colocada em um pote estéril e enviada para o laboratório. ed. 2006. cap. ed. 2003.C. Textbook of small animal surgery. São Paulo: Roca. 1993:319–347.D.. 3 Fowler D. O risco da punção vesical é a lesão da parede com ruptura. Davidson J. não se deve redirecionar a agulha. Uma boa alternativa é promover a diurese nesse paciente com uso de fluidoterapia intravenosa.M. bem contido. Caso a primeira punção não seja efetiva e a urina não seja coletada.ivis. Orlando. Tonini P. Surgical complications and wound healing in the small animal practice. No caso de não se conseguir puncioná-la. 1996:35–72.R. 14 Hosgood G. Hampel N. 3rd ed. Emergência e terapia intensiva veterinária em pequenos animais. Caywood D.

21 Shimizu R. 2008:236–249.T. Jr. Small animal wound management.W. Emergência e terapia intensiva veterinária em pequenos animais. Nutrition in critically ill animals. 2003.C.C. Yamamoto E. Xavier S. Slatter D. Emergência e terapia intensiva veterinária em pequenos animais. 15 Raffe M..F. cap.S. ed. 2002:145–165.. 2002:202–217. In: Santos M.F. cap. Cap. Raffe M. Baltimore: Williams & Wilkins. Crowe D.R..H. Principais condutas emergenciais no paciente com insuficiência cardíaca.F..C. Rabelo R.E. 3rd ed. Respiratory care. 2005:243–262. 47 Swain S. 1992. 2006.. Ciência Rural.R.. 1. Fundamentos de terapia intensiva veterinária em pequenos animais. Nutrição parenteral e nutrição enteral. Jr.Saunders:Philadelphia.. Fragata F. 244–249 v. In: Wingfield W. Rio de Janeiro: L. Santa Maria. São Paulo: Roca. Crowe D. Mazzanti A. Pleura and pleural space. 1. 1997.T.S. et al. 3rd ed... 2008:272–283. Slatter D.. Textbook of small animal surgery. 387–405 v. In: Wingfield W. Livros. Cuidados nutricionais na hospitalização intensiva.. McHugh D. Jr. Bases para o entendimento hospitalar. In: Rabelo R. Jackson Hole: Tenton Media. The veterinary ICU book.Miller C. 28 Patricio G. ed. Fundamentos da terapia intensiva veterinária em pequenos animais. cap. Bases para o entendimento hospitalar. In: Rabelo R. Condutas no paciente crítico.. Rio de Janeiro: L.. cap.G.K. Livros. cap. Saunders:Philadelphia. The veterinary ICU book. 2005:535–552. 19 Monnet E.A. White R.C. 12 Santos M. 25 Zimmermann M. Pract London. Cap. Jackson Hole: Tenton Media..F.36(5):1655–1663. .. Raiser A. Use of drains in small animal surgery. Peritonite em cães.. In: Santos M.M.H. Henderson R. 2ª ed.Y. cap.. 444p Williams J.14(2):73– 81. Textbook of small animal surgery.E. Raffe M..C.R. Abordagem aos ferimentos traumáticos.M. Bandages and drains. 2003. São Paulo: Roca. Fragata F.. 18 Proulx J.

a aplicação da eletrocirurgia nem sempre o foi na história da cirurgia. em diversos procedimentos cirúrgicos. Bovie no início da década de 1920. André Lacerda de Abreu Oliveira Introdução A eletrocirurgia é um dos instrumentos que se destacam como de grande utilidade para o cirurgião. porém. e a técnica e os cirurgiões foram posteriormente aceitos e receberam os devidos méritos na história da cirurgia moderna. A unidade de eletrocirurgia ou bisturi elétrico é um aparelho que transforma a corrente elétrica alternada de baixa frequência em corrente elétrica de alta frequência. Neste caso não há fluxo de corrente elétrica no material que está sendo queimado. ela passou pelo teste do tempo. Eletrocauterização é o uso da eletricidade para aquecer um instrumento que será usado para coagular ou queimar um tecido. Não se deve confundir eletrocauterização com eletrocirurgia. Na eletrocirurgia. complicações e variações. quando desenvolveu o instrumento utilizado pelo médico Harvey Cushing. Porém os cirurgiões já utilizavam o cautério e a eletricidade antes desta data. sem dúvida. Apesar de muito bem aceita atualmente. Fábio Ferreira de Queiroz. . Porém. suas indicações. Neste capítulo abordaremos as propriedades da eletrocirurgia. Os cirurgiões pioneiros desta tecnologia foram reconhecidos como charlatões por profissionais da área. desde o início do século XVIII. minimizando a perda sanguínea e reduzindo o tempo cirúrgico. Capítulo 13 Eletrocirurgia Mônica Jorge Luz. A unidade de eletrocirurgia foi criada pelo biofísico Willian T. a corrente elétrica é transmitida por meio de um eletrodo para os tecidos. Nela recorremos ao uso da corrente alternada de radiofrequência para cortar e coagular tecidos. A corrente de alta frequência é utilizada no corte e na coagulação de tecidos e vasos sanguíneos durante o procedimento cirúrgico. Existem várias aplicações da eletrocirurgia dentro de uma sala cirúrgica. produzindo calor. a cauterização é a mais utilizada. entretanto. apenas no instrumento ou objeto utilizado para queimar. como toda boa inovação.

aumentando à medida que a corrente passava pelo corpo. no qual a polarização muda ritmicamente. alternada e pulsada. O fluxo de elétrons é bidirecional. espasmos ou queimaduras. O fluxo da corrente é descrito pela lei de Ohm: Voltagem (V) é a força ou pressão necessária para empurrar os elétrons através de um elemento condutor e é medida em volts. a absorção de oxigênio e a eliminação de dióxido de carbono. e é isso que difere a eletrocirurgia da eletrocauterização. A corrente alternada (CA) é a corrente elétrica mais indicada para a eletrocirurgia. Este tipo de corrente não é utilizado na eletrocirurgia. O sentido da corrente varia periodicamente. Corrente elétrica Uma corrente (I) é formada por elétrons e. À medida que a corrente passa pelo tecido.Física da eletrocirurgia Em 1881 Morton observou que uma frequência de 100 kHz poderia passar pelo corpo humano sem induzir dor. A eletrocirurgia é descrita como corrente elétrica de alta frequência que é conduzida através dos tecidos para criar o efeito clínico desejado. este é aquecido. A corrente direta ou contínua (AC) é o fluxo contínuo e unidirecional de elétrons entre dois polos de cargas opostas (positivo e negativo). maior a distância que um elétron pode se movimentar. mas tem sido indicada na acupuntura em voltagens baixas. É uma quantidade relativamente alta de energia que é descarregada por períodos curtos de tempo. em 1891. dor e fibrilação ventricular. notou que uma frequência de 10 kHz influenciava diretamente a temperatura corporal. Essas correntes podem causar efeitos farádicos como contração muscular. pode produzir aquecimento ou destruição tecidual. A corrente pulsada é utilizada na eletromiografia e estimulação nervosa. pois despolarizam membranas. quando forçada a passar por um elemento condutor. É a taxa de passagem da carga através de área de seção reta de um condutor e é medida em ampères (A). Quanto maior a voltagem. e mais de 99% dos circuitos hoje em dia são formados por corrente alternada. Porém d’Arsonval. Um exemplo prático na medicina veterinária para se entender a lei de Ohm é a . em que a corrente elétrica aquece um instrumento e o efeito clínico é realizado quando o instrumento encosta no tecido. Existem três tipos de corrente elétrica: direta. Resistência (R) é a dificuldade à passagem ou impedância dos elétrons por um tecido e é medida em ohms. e o sentido de passagem de carga não varia.

: a resistência do sangue é menor que a do tecido nervoso. Podemos. Então a resistência do tecido não se mantém igual durante todo o procedimento operatório. pois o cirurgião pode seccionar o vaso supondo que este já está com total hemostasia. Débito Cardíaco = Pressão Sanguínea/Resistência Vascular A corrente elétrica passa através dos tecidos. que é menor que no tecido adiposo. ex. é menor que no tecido ósseo. se aplicada em uma lâmpada de 25 W. dividido pela resistência que o meio oferece a este movimento. considerar a seguinte fórmula: temperatura = ampère/cm2 = densidade da corrente2. teremos uma corrente de 10 A. a resistência aumenta e é necessária maior quantidade de corrente para cauterizar o tecido. R = V2/R. À medida que o tecido é aquecido. pois a voltagem de 120 V e a frequência de 60 Hz são as mesmas para os dois mecanismos. A corrente doméstica é de 120 V. A fórmula da densidade de corrente é: ampère/área = ampère/cm2. Devido a isso deve-se ter muito cuidado ao aplicar corrente em um vaso sanguíneo que precisa de hemostasia. O fluxo de uma substância é proporcional à força que empurra esta através de um meio. teremos 0. maior o efeito. que. Então a quantidade de calor gerada em um ponto de contato de 1 mm será 10. Também é inversamente proporcional à área da seção transversal do tecido. Circuitos elétricos . pois R = V2/W.000 vezes maior que a gerada em 1 cm. Se for aplicada essa corrente em um secador de cabelos de 1. A potência elétrica é medida em watts (W). À medida que se usa a eletrocirurgia em um tecido ou vaso. Então ela passa com mais facilidade nos tecidos que possuem mais água (p. Quanto menor a área de contato do eletrodo com o tecido visado. e é a energia produzida ou consumida em um determinado período. a água é evaporada e a resistência deste tecido à corrente elétrica é aumentada. pois a densidade da corrente é muito maior. e a resistência do tecido é inversamente proporcional à concentração de água no tecido. sendo definida como volt × ampère. que por sua vez é menor que nos músculos. O cálculo da potência é dado em joules por segundo e 1 J/s = 1 W. que possui pequena quantidade de água). O risco de eletrocussão é o mesmo para as duas correntes.21 A de corrente através da lâmpada. porém internamente ainda há partes ainda não cauterizadas. desta maneira. Neste caso o secador de cabelos tem menos resistência do que a lâmpada. W (I V) = (V/R).200 W. por fim. Isto explica o fato de que utilizar uma ponta mais fina de um lápis cirúrgico é mais eficiente do que fazê-lo com uma em forma de espátula. A produção de calor é o produto final da eletrocirurgia e é diretamente proporcional à resistência do tecido alvo.hemodinâmica cardiovascular.

1). é pequeno e possui várias formas. a distância entre os dois eletrodos é pequena e a corrente atravessa o tecido e volta para o eletrodo indiferente. tem o formato de uma placa e fica abaixo do corpo do paciente. Bipolar Em um circuito bipolar. utilizado para a realização dos procedimentos. pois o caminho de menor resistência é levado a um eletrodo indiferente. colocado em contato com a superfície externa do corpo. e o eletrodo de retorno ou indiferente é grande.1 Sistema de eletrocirurgia monopolar. Figura 13. podendo causar lesões em tecidos ao seu redor. e quanto maior o contato com o paciente. menor a probabilidade de ocorrerem lesões no tecido. . nos quais os elétrons saem do eletrodo e retornam ao fio terra para completar o circuito: o monopolar e o bipolar. Existem dois tipos básicos de circuitos elétricos. à medida que o tecido é dissecado. Na técnica monopolar o cirurgião aplica a corrente elétrica aos tecidos por meio de uma pinça (eletrodo ativo) de corte ou coagulação e esta volta ao gerador pelo eletrodo de retorno ou indiferente. Porém. Monopolar Na eletrocirurgia monopolar. a sua resistência aumenta e a corrente irá buscar formas alternativas para atravessar o tecido. O eletrodo ativo.2). pois menor será a densidade de corrente neste eletrodo. não lesando o tecido adjacente (Figura 13. os eletrodos permanecem com uma grande distância durante o procedimento cirúrgico (Figura 13. A localização do eletrodo indiferente deve ser a mais próxima possível do sítio do procedimento.

Figura 13. Devido a essa característica os instrumentos bipolares oferecem muito menos risco de dispersão da corrente. com os dois eletrodos ativados e de retorno funcionando no campo cirúrgico. À medida que a . A energia eletrocirúrgica não viaja através do paciente. empregando uma corrente de alta amperagem e baixa voltagem (ou contínua).2 Sistema de eletrocirurgia bipolar. Efeitos Hoje há diversas formas de aplicação para a eletrocirurgia. Os instrumentos bipolares parecem com fórceps cirúrgicos.3 Corte. mas a coagulação é sem dúvida a tecnologia mais comumente utilizada. dessecação e fulguração (Figura 13. mas. que direciona o calor para uma área muito limitada do tecido. O corte eletrocirúrgico divide o tecido com descargas elétricas. produzindo máxima densidade de corrente e entregando maior quantidade de calor em um tempo mais curto. fica confinada entre os eletrodos. sim. A eletrocirurgia pode produzir efeitos como corte. Figura 13.3). dissecação e fulguração. portanto a corrente passa através do tecido apreendido pela pinça e retorna diretamente ao aparelho sem contato com outros tecidos corpóreos.

até que se chega a uma temperatura maior que 100 °C e a célula se rompe. no qual o cirurgião aquece o tecido a um ponto em que ele possa cortar com um instrumento cirúrgico. O termo correto para este procedimento é dessecação. A fulguração requer uma voltagem alta para produzir as faíscas elétricas. É o próprio instrumento que. em que os líquidos evaporam até que o tecido esteja completamente seco. A fulguração é a coagulação do tecido sem que ocorra o contato com o eletrodo. Ele é utilizado juntamente com a eletrocirurgia monopolar para produzir fulguração. como também aumentar demais a pressão intra-abdominal. No verdadeiro corte eletrocirúrgico não existe contato entre o tecido e o instrumento que está a certa distância deste. é inerte. não combustível. formando um coágulo enquanto o tecido é evaporado. uma ponte entre o tecido e o eletrodo. irá cortar o tecido. de forma que o calor é limitado a uma gama de temperatura inferior. quando as proteínas perdem sua conformação quaternária e se solidificam. utilizado em eletrocirurgia. pois é mais condutor do que o ar atmosférico e. e sim a coagulação. porém necessita de baixa potência para que não ocorra o corte. em que a temperatura aumenta de forma lenta. Esta fonte de energia economiza tempo e minimiza a perda de sangue. Utiliza-se baixa densidade de potência.temperatura dentro da célula aumenta. Ocorrem períodos de bombardeio de elétrons no tecido. A pressão de gás argônio desloca oxigênio da área de combustão. O corte mais utilizado na rotina da eletrocirurgia não é o verdadeiro. a pressão e o volume também aumentam. É obtida com a elevação da temperatura de 45 °C a 80 °C. e sim o mecânico. após se aquecer. Eletrocirurgia ultrassônica O som é uma energia mecânica transmitida por ondas longitudinais através da . pressurizado e facilmente ionizado. assim. como na presença de sangue no campo operatório. Este raio de gás pressurizado também desloca sangue e fluido para longe da fonte de sangramento e permite uma fulguração mais precisa. oferecendo. Esta é a forma mais utilizada para corte na eletrocirurgia. A dessecação ocorre quando os eletrodos são ativados em contato com o tecido. com interrupção da corrente em aproximadamente 90%. Esta característica permite que se utilize a eletrocirurgia monopolar em regiões que antes não era possível coagular. Ocorre com o aumento da temperatura entre 80oC e 100oC. Porém a introdução de gás argônio na cavidade abdominal pode causar embolia gasosa. Coagulador de argônio O gás argônio.

Enquanto uma onda sonora se move pela matéria. A aplicação da energia ultrassônica permite a realização do corte e da coagulação sem a passagem da corrente elétrica pelo tecido.matéria. que eram próprios da unidade de eletrocirurgia. como proeminências ósseas.000 ciclos por segundo. Esta placa deve ser colocada em uma região próxima da área em que será realizado o procedimento cirúrgico. Além disso. estes equipamentos passaram a ser utilizados rotineiramente com o desenvolvimento de geradores em estado sólido e sistemas isolados. Ondas sonoras audíveis possuem frequência entre 20 e 20. Ondas ultrassônicas são produzidas por aplicação de energia eletromagnética em um transdutor piezelétrico. as moléculas vibram e colidem. porém se mantêm na mesma posição em relação às outras. O transdutor converte os campos elétricos em energia mecânica. Cuidados devem ser observados. Em níveis e densidades mais altos. Ler foneticamente Complicações Com o avanço da tecnologia nos equipamentos utilizados nas unidades de eletrocirurgia nos centros cirúrgicos. diminuindo a necessidade de utilizar fios de sutura ou clipes. Estas mudanças reduziram significativamente o risco de queimaduras e choque. Um bisturi ultrassônico ativado (UAS) é uma unidade de corte e coagulação na qual a energia elétrica é convertida em vibrações ultrassônicas (energia mecânica) transferidas ao tecido e pode ser utilizada por meio da técnica laparoscópica ou aberta. livre de pelos e seca. Estes efeitos são produzidos pela vibração mecânica da pinça. Devido a sua vibração e à pouca geração de calor. no mesmo lado do corpo e sobre uma ampla área de massa muscular. não causando efeito tecidual. Ondas sonoras que estão acima do som audível são chamadas de ultrassônicas. é rápido e fácil de usar e oferece hemostasia de veias e artérias com diâmetro ≤ 5 mm. a energia ultrassônica pode produzir dessecação. é livre de fumaça. A imagem ultrassonográfica utiliza ondas ultrassônicas de baixo poder. não permite a passagem da corrente elétrica para o paciente. causando menor risco de incêndios. contato do paciente com metais e tecidos escarificados. coagulação e corte de tecido. Depois do procedimento anestésico e do posicionamento cirúrgico a conexão entre o paciente e a unidade de eletrocirurgia é estabelecida. Entre 1970 e 1990 os casos relatados de injúrias causadas pela eletrocirurgia . colocando-se a placa dispersiva em uma área limpa. Este aparato tem como vantagem produzir menos calor e provocar menos efeito colateral no tecido que o laser ou cautério. Antes da utilização desta unidade entre um procedimento cirúrgico e outro os dispositivos de segurança devem ser inspecionados e testados no sentido de averiguar se os mesmos podem ser utilizados com segurança. menos tecido se adere ao instrumental ultrassônico em comparação com a eletrocirurgia.

Quando se utilizar eletrocirurgia monopolar em pacientes com próteses de articulações condutoras de eletricidade. no isolamento pode resultar na liberação da corrente em locais de defeito. onde toda a corrente é esperada. os esforços devem ser direcionados para a retirada da articulação do caminho do circuito. possivelmente causando lesões. Quando utilizamos o modo corte e o eletrodo em contato direto com o tecido. ele pode indevidamente ser ativado pela mão ou algum outro instrumento por aplicação direta. As principais causas de falhas são: aplicação direta.4): • zona 1. Aplicação direta Quando um instrumento eletrocirúrgico é colocado no campo operatório. podemos produzir efeitos hemostáticos e reduzir o . Qualquer defeito. Se o paciente possui uma prótese de quadril esquerda. aumentando a sua eficiência. menos na ponteira. onde é liberada a corrente. O entendimento das propriedades físicas dos instrumentos da eletrocirurgia pode ajudar o cirurgião e os auxiliares a reduzir a incidência de complicações. Embora materiais reutilizados tenham maior incidência de problemas. onde a falha está dentro do campo de visão do cirurgião. Embora raro. isso pode acontecer. Usuários de marca-passo ou cardioversores que irão ser submetidos à eletrocirurgia monopolar devem antes consultar os fabricantes para evitar interferência nos implantes e a potencial concentração nas pontas dos fios-guias. o eletrodo de retorno deve ser colocado no lado direito. os descartáveis também podem apresentar falhas de isolamento. visível ou não. acoplamento direto e acoplamento capacitativo. é liberada corrente.5%.2% a 0. mas não é o caso. Falha no isolamento O instrumento eletrocirúrgico é quase que completamente isolado. a corrente pode ser liberada em qualquer lugar da ponta do eletrodo até a mão do cirurgião. Porém um número exato desta incidência é difícil de ser encontrado e a maioria dos casos é causada pelo cirurgião.beiravam de 0. utilizando-se o modo coagulação. criando um potencial caminho alternativo para a corrente. que é comparativamente maior em voltagem em relação ao modo corte. Quando isto ocorre. pois a alta voltagem pode produzir faíscas em áreas não isoladas ou mesmo quebrar o arco por meio do fraco isolamento. falha de isolamento. Existe a concepção errada de que a corrente pode ser liberada apenas pela ponteira do eletrodo. A falha de isolamento no caso de cirurgias laparoscópicas pode ser classificada em quatro zonas (Figura 13. A falha de isolamento é considerada a causa mais comum de lesões eletrocirúrgicas durante um procedimento de cirurgia laparoscópica. A atenção do cirurgião geralmente estará na ponta do eletrodo. De fato.

• zona 2: possui as mesmas causas da zona 1. principalmente o cirurgião. potencial de falha de isolamento. porém só é percebida com inspeção detalhada. Figura 13. Falha na placa de retorno A placa de retorno deve estar em íntimo contato com o paciente em uma área extensa e de alguma forma longe de placas metálicas. Isto é particularmente desejável em procedimentos laparoscópicos em que o potencial para lesões fora do campo de visão é maior. Este necessita de uma área extensa em o contato com o paciente uniformemente para dispersar a corrente elétrica. Caso a placa não . e pode causar um buraco na luva. Causa estimulação muscular ou interferência no monitor de vídeo • zona 4: as lesões nesta zona não lesionam o paciente. o pessoal da sala de cirurgia. sim. mas.4 Zonas de falha de isolamento. • zona 3: é causada pelo arqueamento do eletrodo até a cânula e é detectada pelo aspecto da corrente de baixa frequência demodulada. Esta placa é o eletrodo de retorno ou indiferente da eletrocirurgia monopolar. de forma que esta se espalhe e nunca seja alta o suficiente para causar lesão.

O acoplamento capacitativo deve ser quase eliminado quando se utiliza a eletrocirurgia bipolar. Acoplamento capacitativo Um acoplamento capacitativo resulta da colocação de algo não condutor entre dois condutores num circuito elétrico. pois ocorre em locais de visão ampla. se a placa de aterramento não estiver completamente aderida. menor a probabilidade de o acoplamento acontecer. ou apenas pequena área do corpo esteja em contato com ela. com o raio do eletrodo ativo e com a constante dielétrica do isolador.esteja no local correto. durante a eletrocirurgia. Queimaduras distantes do campo cirúrgico são outra possibilidade de complicação. ela oferece uma área suficiente para dispersão da densidade da corrente que flui de volta do paciente para o gerador. O acoplamento capacitativo está diretamente relacionado com o comprimento da cânula como capacitor. Isto é facilmente prevenido. Um exemplo de acoplamento capacitativo ocorre quando a corrente elétrica fica acoplada no endoscópio e quer completar o circuito. mas o maior potencial é em cirurgias laparoscópicas em que metais energizados podem estar em contato fora do campo de visão. com o raio da cânula. ou ao acaso. Contrariamente. causando lesão na pele do paciente. Quando a placa de aterramento está completamente aderida à pele. Esta complicação é resultado de aterramento inapropriado. Acoplamento direto Acoplamento direto acontece quando a ponta do eletrodo entra em contato com outro material metálico enquanto a corrente está sendo liberada. Quanto maior a cânula ou menor o eletrodo ativo. quando esbarramos o eletrodo em um instrumento cirúrgico. O contato do eletrodo com um clipe cirúrgico ou uma placa metálica ortopédica pode causar necrose abaixo do material. Pode ocorrer queimadura no olho do cirurgião quando. quando aplicamos a ponta do lápis em uma pinça hemostática para causar hemostasia em um pequeno vaso sanguíneo. que só ocorrerá se o metal estiver entre os eletrodos ativo e de retorno da pinça bipolar. Esta energia pode resultar em lesões em qualquer momento em que a cânula fizer contato com o tecido. Pode ser intencional. a interface é comprometida e a densidade da corrente se torna muito alta . ele não está utilizando um sistema de câmera de vídeo. Esta característica também quase elimina totalmente a falha no isolamento e o acoplamento direto. a resistência do corpo será menos e a corrente passará com alta densidade. pois o fluxo de corrente nos eletrodos é tão próximo que qualquer corrente de escape é cancelada. utilizando outro caminho para retornar ao paciente.

Cosgriff N. Electrophysical properties of electrosurgery and capacitive induced current. Dissertação de mestrado – Universidade de São Paulo – Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto.L. Luvas cirúrgicas não oferecem isolamento para radiofrequências.J.P. Education and engineering solutions for potencial problems with laparoscopic monopolar eletrosurgery.R... Lesões eletrocirúrgicas podem também afetar o cirurgião. 2007. causando queimaduras em pontos remotos. Ainda são necessários mais estudos para a demonstração dessas interações. The American Journal of Surgery. Freeman L. 2005. Conclusão Para o total domínio da eletrocirurgia é necessário que o cirurgião tenha completo entendimento do aspecto biofísico da interação da energia eletrocirúrgica e do tecido.34:174–178. 2000. resultando numa queimadura. Vet Surg. 202(3). 2001. The American Journal of Surgery. Ohio: Mosby. quando a luva se torna condutora. Valleylab. Ou C.164:57–62. J Am Coll Surg. Ellison G. Cincinnati.W. Eletrocirurgia: evidências para o cuidado de enfermagem. Alternativamente.N. Use of an ultrasonically activated scalpel for splenectomy in 10 dogs with naturally occurring splenic disease.A. Voyles C. et al. 1992. principalmente na medicina veterinária. 2006.. Royals S. Complications and recommended practices for electrosurgery in laparoscopy. Access on: 10 March 2011. Slakey D. et al. Gan B..182:222–225. e elas podem acontecer de três maneiras: hidratação.D. Am J Surg. se o paciente não está devidamente aterrado. . Available at: <http://www.. Massarweh N. como cabos de eletrocardiograma (ECG).S. Latendresse K. Referências Brito MFP. 19. Veterinary endosurgery. Tuckey R.. a corrente pode procurar outros pontos aterrados.com > ... Wu M. num ponto da interface placa/pele.R.P..S. Adin C. Vilos G.valleylab. Principles of electrosurgery. Chen S. Electrosurgery: history. acoplamento condutivo e por ruptura da integridade. Ribeirão Preto. principles and current and future uses.. 1998.. porém as pesquisas que vêm demonstrando isto possuem resultados promissores para a eletrocirurgia.

A união pareada destas aponeuroses na região mediana ventral forma a chamada linha alba (linha branca). Rogério Magno do Vale Barroso Introdução Em qualquer procedimento operatório. observa-se a presença pareada dos músculos prepuciais que se fixam à parede prepucial dorsal. O músculo cutâneo do tronco é bastante delgado ventralmente e. a linha alba é mais larga e apresenta ampla visualização em toda a extensão da linha média ventral (Figura 14. O conhecimento da anatomia e das técnicas básicas da cirurgia possibilita ao cirurgião um acesso cirúrgico adequado à estrutura abordada com o menor trauma tecidual possível. a linha alba é mais bem visualizada junto à cicatriz umbilical e menos visível próximo ao púbis devido a uma ligeira elevação que ocorre nos músculos retos abdominais quando se aproximam de sua inserção no tubérculo púbico (Figura 14. As aponeuroses tendinosas dos músculos oblíquos externo e interno do abdome e transverso do abdome avançam externa e internamente ao músculo reto do abdome. a observância ao acesso da estrutura a ser operada constitui um fator preponderante para o sucesso da cirurgia.1). Nos gatos. . que se estende em direção craniocaudal ao longo da parede abdominal ventral. em cães machos. Capítulo 14 Acessos Richard da Rocha Filgueiras. Este capítulo traz as principais técnicas descritas para o acesso às cavidades torácica e abdominal e para os ossos longos. independentemente de sua complexidade. Em cães. Laparotomia/celiotomia Anatomia Cirúrgica A pele da região abdominal ventral de cães e gatos tende a ser mais flexível e glabra que a região abdominal lateral.2).

Músculos reto abdominais (asterisco).Figura 14. ureteres.1 Linha alba em cão (seta).1 Órgãos e estruturas abordados na cavidade abdominal de cães e gatos Artéria aorta abdominal Baço Bexiga Diafragma Estômago Fígado Glândulas adrenais . Juntas. formando o peritônio visceral. artéria aorta. que possui no abdome seu maior volume. Quadro 14.1).2 Linha alba em gato (seta). glândulas adrenais. veia cava e diafragma encontram-se envoltas em apenas uma superfície pelo peritônio parietal e são denominadas estruturas retroperitoneais (Quadro 14. Estruturas como rins. pélvica e escrotal é revestida por uma membrana serosa composta de células mesoteliais denominada peritônio parietal. A parede interna das cavidades abdominal. essas cavidades formam a cavidade peritoneal. O peritônio projeta-se também para a superfície dos órgãos abdominais. Figura 14.

A incisão realizada na linha média ventral pode ser préretroumbilical. O local de incisão vai depender do órgão ou estrutura que se quer abordar e. quando se estende por todo o abdome. e a laparotomia corresponde ao acesso à cavidade abdominal com incisão realizada pelo flanco. .histerectomia. a cistotomia e a enterotomia constituem técnicas operatórias que dependem deste acesso.3 a 14. de maneira geral. Classificações Celiotomia Mediana Constitui a abordagem cirúrgica padrão para a maior parte das estruturas abdominais. ou retroumbilical. a gastrotomia. podem-se realizar incisões nas linhas mediana e paramediana e também no flanco. quando realizada cranialmente à cicatriz umbilical. A celiotomia caracteriza-se pelo acesso à cavidade abdominal por meio de incisão na linha mediana. pré-umbilical.5). embora rotineiramente muitos profissionais utilizem o termo laparotomia para expressar qualquer acesso ao abdome. A ovariossalpingo. feita caudalmente à cicatriz umbilical (Figuras 14. Hiato esofágico Intestinos Linfonodos mesentéricos Ovários Pâncreas Próstata Ramos dos vasos mesentéricos Rins Ureteres Uretra cranial Útero Veia cava caudal Vesícula biliar Definições O acesso à cavidade abdominal é o procedimento mais frequente na cirurgia de pequenos animais.

. ovários. Cicatriz umbilical (círculo vermelho). polo caudal dos rins. Cicatriz umbilical (círculo vermelho). A incisão pré-retroumbilical é normalmente utilizada para a celiotomia exploratória por permitir amplo acesso ao abdome. bexiga. A incisão pré-umbilical é usada para acesso a diafragma. baço.Figura 14. Cicatriz umbilical (círculo vermelho).5 Abdome de gato. Incisão pré-umbilical (tracejado). Figura 14. pâncreas e polo cranial dos rins. Incisão retroumbilical (tracejado). duodeno.3 Abdome de gato. fígado.4 Abdome de gato. estômago. útero e próstata. A incisão retroumbilical é empregada para acesso a intestinos. Figura 14. ureteres. Incisão pré-retroumbilical (tracejado).

realizada pelo flanco. promove um excelente acesso ao órgão localizado abaixo da linha de incisão. em que uma incisão prépúbica paramediana fornece acesso ao testículo retido no interior da cavidade. Laparotomia (Acesso Pelo Flanco) A laparotomia. Observe o desvio na região prepucial (seta). . Possui como principais indicações a colocação de sonda de gastrostomia e o acesso às glândulas adrenais (Figura 14. Figura 14.6).Celiotomia Paramediana A celiotomia paramediana possui poucas indicações para cães e gatos. Em cães machos. a celiotomia mediana retroumbilical necessita ser associada à celiotomia paramediana para desviar do pênis e prepúcio (Figura 14. Associação de incisões mediana e paramediana em celiotomia retroumbilical. A principal constitui a criptorquidectomia. porém não permite a exposição e visualização de estruturas abdominais mais distantes.6 Abdome de cão.7).

Compressas umedecidas são postas nas bordas da ferida e um afastador autoestático de Gosset é utilizado para ampliar a abertura da cavidade. a representação das 12a e 13a costelas. Após a estocada com o bisturi.Figura 14. Na ausência destes adesivos. Localiza-se a linha alba e. Esta manobra é conhecida como “manobra de tenda” e evita que algum órgão seja atingido durante o movimento de estocagem do bisturi. Em cães machos o prepúcio deverá ser desviado lateralmente. a incisão é ampliada sobre o percurso da linha alba (Figura 14. ato contínuo. Técnicas Celiotomia Mediana A tricotomia deve ser realizada em toda a região ventral para prevenir a entrada de pelo no campo operatório. passando-se a agulha na bainha dos músculos retos abdominais sem englobar o peritônio. o que reduz o contato dos órgãos com a pele exposta. Em detalhe. pode-se utilizar uma segunda camada de panos de campo. A síntese é feita com fios monofilamentares absorvíveis. Promovem-se antissepsia e colocação de panos de campo. Incisão paracostal em laparotomia (acesso pelo flanco). Posiciona-se o paciente em decúbito dorsal e realiza-se cateterização vesical. O tecido subcutâneo é fechado com fio monofilamentar absorvível em padrão simples contínuo e a pele. Com uso de uma manobra magistral realiza-se a incisão de pele até atingir a tela subcutânea. Recomenda-se o uso de suturas interrompidas como simples interrompido ou Sultan (“X”) por apresentarem maior resistência. deixando o mínimo de tecido exposto. Em cães machos. com náilon monofilamentar em padrão simples interrompido ou intradérmico contínuo.9). apesar de trabalhos demonstrarem que suturas contínuas têm sido tão resistentes à deiscência quanto as interrompidas. amplia-se a incisão com uma tesoura de Mayo ou Metzembaun e verifica-se com os dedos se há presença de aderências.8). com o auxílio de duas pinças de Allis. além de deixar o campo operatório mais impermeável. Adesivos cirúrgicos estéreis repelentes de água são aplicados por sobre o tecido exposto. eleva-se a musculatura lateralmente ao primeiro acesso. . uma incisão paramediana deverá ser associada para desviar do pênis e prepúcio e ligaduras dos ramos das veias pudendas externas são realizadas antes de se incisar o músculo prepucial (Figura 14.7 Abdome de cão.

Veia pudenda externa (seta).8 Celiotomia em cão. Figura 14.Figura 14. Prepúcio (cabeça de seta). .9 Manobra de tenda (seta) e extensão da incisão sobre a linha alba com tesoura de Metzembaun. Músculo elevador do prepúcio (asterisco).

mediastino. O 13° par de costelas está livre na musculatura e denomina-se costela flutuante. pleura visceral. por se articularem com o esterno. que não se articulam com o esterno. situado ventralmente à aorta e à direita do esôfago. o esterno e a coluna vertebral formam o esqueleto torácico. após a incisão da pele e do subcutâneo. diafragmática e mediastinal. Incisa-se a pele e afastam-se os músculos oblíquos abdominais externo e interno e transverso do abdome no sentido de suas fibras. As costelas. faz-se a incisão da aponeurose do músculo reto abdominal e. Normalmente ocorre hemorragia dos vasos presentes no músculo reto abdominal. Frequentemente uma pequena bolsa serosa está presente no mediastino caudal. diafragma e parede torácica. processo xifoide. A cavidade pleural é envolta pela pleura. o mesmo é acessado mediante a técnica rotineira descrita anteriormente. Toracotomias Anatomia Cirúrgica O tórax ou cavidade pleural é o espaço compreendido entre os pulmões. É realizada a ligadura dos ramos da artéria ilíaca circunflexa profunda. pleura parietal. uma membrana serosa que recobre os pulmões.Celiotomia Paramediana O animal é posicionado em decúbito dorsal. e o restante da cavidade torácica. O primeiro segmento do esterno é denominado manúbrio e o último segmento. O peritônio é elevado e incisado com auxílio de uma tesoura de Mayo ou Metzembaun. Laparotomia Posiciona-se o paciente em decúbito lateral e a incisão é realizada no sentido dorsoventral. Para o fechamento utilizam-se fios monofilamentares absorvíveis e cada camada muscular é suturada separadamente em padrão simples contínuo. Nervos e veias intercostais correm de forma satélite às artérias intercostais. Os músculos do tórax desenvolvem não somente uma função estrutural. O esterno possui oito vértebras que se fundem somente nos cães e gatos senis. Os músculos intercostais internos compreendem os . mas também auxiliam a respiração. São utilizados fios absorvíveis monofilamentares para realizar a síntese. Subcutâneo e pele são suturados da mesma maneira que na celiotomia mediana. e quatro. Após a exposição do peritônio. o próprio músculo é incisado. dos quais nove são denominados verdadeiros (esternais). posteriormente. e as camadas musculares e de fáscias são suturadas separadamente. O suprimento sanguíneo à parede torácica é mantido pelas artérias intercostais que se alojam no sulco costal localizado na porção caudal de cada costela. falsos (asternais). A pleura parietal pode ser classificada em costal. No cão e no gato 13 pares de costelas estão presentes.

é dividido em lobos cranial (porções cranial e caudal) e caudal. A traqueia torácica percorre dorsocaudalmente até o 5°-6° espaço intercostal. As artérias pulmonares transportam sangue rico em CO2 para os pulmões e as veias pulmonares devolvem. no esterno e nas costelas. levantadores das costelas e diafragma. a maior parte do sangue dos pulmões e da pleura visceral. As fibras dos músculos intercostais externos correm caudoventralmente da borda caudal da costela cranial até a borda cranial da costela caudal e. o bloqueio neuromuscular seguido de ventilação controlada deve ser instituído para evitar a hipoxemia e também permitir ao cirurgião maior facilidade ao acesso das estruturas intratorácicas devido ao estabelecimento rítmico dos movimentos respiratórios. médio. Nesse momento. Os pulmões são os órgãos respiratórios que ocupam considerável parte do espaço da cavidade torácica. formando a carina traqueal. artéria aorta (hiato aórtico) e veia cava caudal (forame da veia cava caudal). A artéria pulmonar direita corre dorsalmente ao brônquio principal direito e as veias pulmonares direitas correm ventralmente a este. transverso do abdome. a pressão eleva-se e os pulmões entram em atelectasia. Suas fibras correm no sentido cranioventral e. de menor dimensão. O pulmão esquerdo. Além da ocorrência do barotrauma. O diafragma divide as cavidades abdominal e torácica e. Definições A toracotomia constitui a abertura da cavidade torácica por meio de uma incisão com fins diagnósticos ou terapêuticos. Em cães e gatos os pulmões estão divididos em lobos por profundas fissuras interlobares que possibilitam a ressecção de um lobo sem interferir na integridade do lobo adjacente. junto com os demais músculos respiratórios. auxiliam a fase de inspiração.mais profundos músculos da parede torácica. acessório e caudal. Após a abertura da cavidade torácica. . serrátil dorsal caudal e transverso do tórax. O pulmão direito possui quatro lobos: cranial. serrátil dorsal cranial. Sua inervação provém do nervo frênico que o atinge em cada antímero através do mediastino. onde se ramifica nos brônquios principais direito e esquerdo. juntamente com os músculos reto abdominal. Três aberturas permitem a comunicação com o abdome sem que haja elevação da pressão intratorácica: passagem do esôfago (hiato esofágico). juntamente com os músculos escaleno. oblíquos abdominais externo e interno. auxilia a manutenção da pressão negativa na cavidade pleural em torno de -5 cm/H2O. Animais com presença de atelectasia pré ou pós-operatória não devem receber pressões de ventilação superiores a 25 cm/H2O. enquanto as veias pulmonares esquerdas correm ventralmente a este. auxiliam o processo de expiração. para o átrio esquerdo do coração. Ele consiste em uma lâmina central tendínea circundada por músculo irradiante que se insere nas vértebras lombares. A artéria pulmonar esquerda corre cranialmente ao brônquio principal esquerdo.

entretanto elevam-se o tempo operatório e a dor pós- operatória.1 mostra as principais estruturas intratorácicas e sua relação com os espaços intercostais: Tabela 14. Antibioticoterapia profilática pode ser realizada com uso de 20 mg/kg de cefazolina 30 minutos antes do início da operação. A abordagem utilizada dependerá do processo patológico em questão e também da extensão exigida para o ato operatório. associada ao aumento da pressão intra-alveolar. 5 Lobo caudal 5-6 5-6 Esôfago Cranial 3-4 - Caudal 7-9 7-9 . uma tricotomia ampla de todo o antímero abordado deve ser realizada para uma eventual necessidade de toracotomia paralela. permite o aumento da permeabilidade vascular. A metilprednisolona tem sido o corticosteroide mais indicado para esta finalidade. que resulta em edema. A toracotomia pode ser realizada por acesso aos espaços intercostais ou por esternotomia. Classificação Toracotomia Intercostal Compreende o acesso à cavidade torácica por meio da incisão muscular entre as costelas. A Tabela 14.1 Espaços intercostais e estruturas intratorácicas relacionadas Estrutura Espaço intercostal esquerdo Espaço intercostal direito Coração 4-5 4-5 Ducto arterioso persistente 4-5 - Persistência do arco aórtico 4 - Válvula pulmonar 4 - Pulmões Lobo cranial 4-5 4-5 Lobo acessório . Independentemente.pressões elevadas podem provocar a formação de edema pulmonar por reexpansão. Animais submetidos a toracotomia devem receber corticoterapia no intuito de estabilizar as membranas capilares e evitar o edema por reexpansão. permitem-se maiores exposição e visualização das estruturas intratorácicas. Acredita-se que a liberação de radicais superóxido após a reoxigenação dos alvéolos colabados. No segundo caso.

No entanto complicações como osteomielite esternal. Devido a isto. Toracostomia O dreno de toracostomia é indicado para o tratamento de doença pleural ou para remoção de ar e líquido após procedimentos de toracotomia. Figura 14. 4 Veia cava caudal . Existem diversos modelos comerciais produzidos à base de polivinil e silicone que diminuem a reação tecidual (Figura 14. 6-7 Esternotomia Mediana A esternotomia mediana fornece amplo acesso aos dois hemitórax e é clinicamente indicada para procedimentos intratorácicos que requerem acesso bilateral ao pericárdio.10 Dispositivo de sucção em polivinil para toracostomia.11). dor mediastinal e deiscência esternal têm sido associadas a instabilidade esternal pós-operatória. Veia cava cranial . Eventualmente pode-se substituí-los por uma sonda nasogástrica que deverá ser previamente fenestrada pelo cirurgião e acoplada a um adaptador de três vias e uma seringa de 20 ml (Figura 14. redução anatômica do esterno e rígida estabilização devem ser realizadas no intuito de reduzir as complicações. Consiste na aplicação de um cateter fenestrado de grosso calibre que é posicionado na porção ventral do tórax. . e sua extremidade caudal é exteriorizada na pele para que o conteúdo seja coletado por meio de pressão negativa. lobos pulmonares e mediastino.10).

Foi descrito que suturas circuncostais são responsáveis por grande parte da dor pós-operatória devido a estímulo direto do fio sobre os nervos intercostais. Solicite ao auxiliar que aproxime as costelas e. Repita o mesmo procedimento no músculo intercostal interno e informe ao anestesiologista que a cavidade pleural está prestes a ser aberta. amarre todas as suturas. Após definição do espaço a ser abordado realiza-se a incisão de pele. Incise o músculo intercostal externo por deslocamento dorsal da tesoura no sentido transversal de suas fibras. então. absorvíveis ou não. rompa a pleura parietal. subcutâneo e músculo cutâneo do tronco. Com auxílio de instrumento rombo. insira um dreno de toracostomia (descrição adiante) e passe fios monofilamentares resistentes. Como alternativa podem ser realizadas suturas circuncostais associadas a suturas transcostais. Técnicas Toracotomia Intercostal O animal deve ser colocado em decúbito lateral para a realização da antissepsia. Com uma tesoura de Metzenbaum incise os músculos grande dorsal.12). escaleno e peitoral no sentido transversal de suas fibras. . Observe que neste momento os pulmões estarão atelectásicos (Figura 14.13).11 Dispositivoo de sucção com seringa e torneira de três vias para toracostomia. Neste momento não se deve ainda encerrar os nós. Amplie a incisão da pleura com auxílio de uma tesoura de Metzenbaum até obter a exposição necessária ao ato operatório. evitando-se a compressão do nervo intercostal alojado caudalmente a esta costela. em que a extremidade de um fio de aço monofilamentar é colocada ao redor da costela cranial e a outra extremidade é passada através de perfurações realizadas na costela caudal.Figura 14. Coloque compressas umedecidas nas bordas da incisão e posicione o afastador de Finochietto para deslocar as costelas lateralmente (Figura 14. Estenda a incisão desde as proximidades dos corpos vertebrais até o esterno. Aprofunde a incisão por meio da dissecção das fibras do músculo serrátil ventral até visualização do músculo intercostal externo. Depois de alcançado o objetivo para o acesso. ao redor das costelas. Neste momento a pleura parietal e o pulmão serão visualizados.

Suture o subcutâneo com fio absorvível em padrão simples contínuo e a pele com náilon monofilamentar em padrão simples separado. B: Incisão no 5o espaço intercostal esquerdo. .Suture os músculos serrátil ventral. C: Hemostasia e exposição do músculo cutâneo do tronco. Figura 14.12 A: Posicionamento e área de tricotomia para toracotomia em cão.13 Atelectasia pulmonar após exposição pleural. Proceda da mesma maneira com o músculo grande dorsal e aspire o ar residual com a sonda de toracostomia até atingir pressão negativa. escaleno e peitoral com sutura absorvível em padrão simples contínuo. Figura 14. D: Exposição da pleura e inserção do afastador de Finochietto.

Depois de alcançado o objetivo para o acesso insira um dreno de toracostomia (descrição adiante) e circunde as estérnebras com fio de aço monofilamentar (animais com mais de 15 kg) ou fio sintético não absorvível resistente (animais com menos de 15 kg) para realizar a aproximação da osteotomia (Figura 14. a área a ser incisada e. na crista óssea. sendo esta última preferencial por produzir menor trauma e um corte preciso ao osso (Figura 14. Para evitar excessiva instabilidade esternal pós-operatória mantêm-se intactas duas estérnebras em ambas as faces. Para realizar a osteotomia podem ser utilizados os seguintes instrumentos: cisalha de Lister. já aberta pela serra.14). O procedimento é finalizado posicionando-se um osteótomo no interior da crista óssea mediana. então. Prossiga a incisão através do subcutâneo e das fáscias dos músculos peitoral profundo e torácico transverso até visualização da crista óssea mediana. Diversos padrões foram descritos para encerrar o nó com aço cirúrgico. cranial e caudal. Suture as fáscias musculares com fio monofilamentar absorvível e retire o ar residual por meio do dreno de toracostomia.15). Feche o subcutâneo com fio absorvível em padrão simples contínuo e a pele com náilon monofilamentar em padrão simples separado. .Esternotomia Mediana Posicione o animal em decúbito dorsal e incise a pele na linha média por sobre o esterno. Entretanto o nó em figura “8” parece apresentar melhor resistência à torção que os demais. serra circular e serra oscilatória. do esterno. Coloque compressas umedecidas nas bordas da incisão óssea e posicione o afastador de Finochietto para deslocar as estérnebras lateralmente. abre-se a área marcada com uma serra oscilatória ou serra circular até o córtex profundo da estérnebra. Utilize eletrocautério para controlar a hemorragia. osteótomo. e com a aplicação de leves golpes de um martelo ortopédico sobre o osteótomo. Com auxílio de um bisturi demarca-se.

Insira o dreno na perfuração indicada e. A: Serra circular com motor de suspensão. Isso permite a formação de um túnel subcutâneo de forma que a abertura da pele não se sobreponha diretamente à abertura na parede torácica. evitando a entrada de ar na cavidade . antes de colocá-lo através da pele.14 Diversos instrumentos podem ser utilizados para se realizar uma esternotomia. B: osteótomo. Depois da esternotomia perfure a porção ventral do 7° ou 8° espaço intercostal. C: serra oscilatória e D: cisalha de Lister. puxe a pele cranialmente de forma que o dreno saia por ela aproximadamente quatro espaços intercostais caudais à incisão. Figura 14. O fio é passado por entre as estérnebras e torcido em“8”.Figura 14.15 Aproximação das estérnebras com fio de aço inoxidável. Toracostomia Após a toracotomia intercostal perfure dois espaços intercostais caudalmente ao espaço abordado para colocação do dreno.

e fixa-se o dreno à pele por meio de sutura de “armadilha de dedos chinesa” (Figura 14.torácica quando o dreno for removido. Proteção ao dreno deve ser realizada para evitar que o cão mastigue ou retire o dispositivo do local e provoque pneumotórax.16 Fixação de dreno de toracostomia com sutura em “armadilha de dedos chinesa” (seta). Acesso aos ossos longos Negligência à assepsia constitui uma das principais causas de osteomielite. Ar. a cada 6 horas até a retirada do dreno. Figura 14. com ataduras estéreis de algodão. na ausência destas. Emprega-se um adaptador de três vias na extremidade do dreno e com uma seringa aspira-se o conteúdo até atingir pressão negativa. Inicialmente repete-se a drenagem de hora em hora e. dependendo das técnicas descritas anteriormente. O preparo do membro poderá ser feito com auxílio de suporte em gancho posicionado no teto do centro cirúrgico (Figura 14. Procede- se ao fechamento do tórax. o que corresponde à formação de líquidos inflamatórios devido à irritação tecidual provocada pela presença do próprio dreno.18) ou mantido em suspensão pelo circulante. Opcionalmente podem-se utilizar dispositivos coletores com pressão negativa para captação dos líquidos. O dreno deverá ser removido quando a drenagem de líquidos estiver entre 2 e 3 ml/kg/dia. . depois.17) ou. Isto evita a manipulação excessiva do animal que ocorre quando se drena com a seringa. A drenagem intermitente normalmente atende aos propósitos pós-operatórios de uma toracotomia. O preparo do membro a ser abordado deve seguir rigorosa técnica asséptica e as extremidades deverão ser isoladas com compressas cirúrgicas e ataduras estéreis autoaderentes (Figura 14. Utilize ataduras ao redor do dreno e coloque colar elisabetano para evitar acidentes.16). É ideal que o dreno cruze o mediastino caudalmente ao coração para permitir melhor drenagem dos dois hemitórax. sangue e demais líquidos torácicos podem ser drenados de forma intermitente (com auxílio de seringa) ou contínua (com auxílio de sistemas de sucção comerciais).

Esta técnica auxilia a distração de fragmentos ósseos cavalgados após longo tempo de fratura.17 Preparo e isolamento de membro pélvico de cão com atadura autoaderente estéril. este capítulo demonstra as principais técnicas de acesso aos ossos longos de cães e gatos. .18 Mosquetão fixado por roldana no teto da sala de cirurgia para auxiliar o preparo do membro. A despeito dos novos conceitos de acesso aos ossos por mínima invasão. Figura 14.Figura 14.

Descrição: a incisão de pele se inicia no tubérculo maior e corre distalmente até o epicôndilo lateral do úmero. Pele e tecidos subcutâneo e adiposo são rebatidos até visualização da veia cefálica. tomando-se o cuidado de isolar a veia braquiocefálica (Figura 14.Principais Acessos aos Ossos Longos do Membro Torácico Úmero Acesso à diáfise umeral por meio de incisão craniolateral Indicação: redução aberta de fraturas umerais. Figura 14. deverá ser dada atenção ao forame supratroclear por onde passa o nervo mediano. Em gatos. Depois deste passo. B: Ligadura da veia omobraquial.20). . fazendo-se em seguida a elevação do periósteo para remover todas as inserções musculares ao redor do úmero (Figura 14. uma incisão periosteal é realizada na inserção óssea dos músculos peitoral superficial e braquiocefálico. Posicionamento: o paciente deverá ser posicionado em decúbito lateral com o membro lesionado voltado para o cirurgião. A fáscia braquial é rebatida ao longo da borda lateral do músculo braquiocefálico. Retrair caudalmente os músculos braquial e tríceps.19 A: Acesso craniolateral ao úmero esquerdo de cão. Incisão cutânea desde o tubérculo maior até o epicôndilo lateral do úmero.19). Identificando-se o nervo radial e protegê-lo durante as incisões. Realiza-se uma incisão entre a fáscia craniomedial do músculo braquial e a inserção da cabeça lateral do músculo tríceps.

Figura 14. B: Exposição da diáfise umeral. Rádio e Ulna Acesso à diáfise do rádio e da ulna por meio de incisão lateral Indicação: redução aberta de fraturas das diáfises do rádio e da ulna. Identifique e isole a veia cefálica e incise a gordura subcutânea e a fáscia antebraqueal superficial ao longo da borda cranial do músculo . Isolamento do nervo radial. Descrição: a incisão estende-se pela face lateral do rádio desde a cabeça radial até o processo estiloide da ulna.20 A: Acesso craniolateral ao úmero esquerdo de cão. Osteotomias do rádio e da ulna. Posicionamento: o paciente é posicionado em decúbito lateral com o membro lesionado voltado para o cirurgião.

retraia medialmente o músculo extensor radial do carpo. B: Identificação dos músculos extensores e isolamento da veia cefálica. Para melhor exposição da porção cranial da diáfise radial. retraia caudalmente os músculos extensores digital lateral e ulnar do carpo (Figura 14. .extensor digital comum (Figura 14. Para exposição da diáfise ulnar.21). Retraia caudalmente o músculo extensor digital comum para expor a porção lateral da diáfise radial. Uma incisão na origem do músculo abdutor longo do dedo I permitirá melhor exposição da porção distal do rádio e da ulna. Figura 14. Incisão de pele na face lateral desde a cabeça do rádio até o processo estiloide da ulna.22).21 A: Acesso às diáfises do rádio e da ulna esquerdos de cão por meio de incisão lateral.

A incisão da fáscia lata acompanha toda a extensão da incisão previamente realizada na pele (Figura 14. Afaste o músculo bíceps femoral caudalmente e observe a diáfise femoral. Incise a gordura subcutânea e a fáscia superficial para expor a fáscia lata.24). Principais Acessos aos Ossos Longos do Membro Pélvico Fêmur Acesso à diáfise do fêmur por meio de incisão lateral Indicação: redução aberta de fraturas da diáfise femoral. B: Exposição da fáscia lata.Figura 14. Incisão de pele na face lateral do fêmur desde o trocanter maior até o epicôndilo lateral do fêmur. Posicionamento: o paciente é posicionado em decúbito lateral com o membro lesionado voltado para o cirurgião. .23).23 A: Acesso à diáfise do fêmur esquerdo de cão por incisão lateral. Figura 14. Incise a fáscia lata ao longo da borda cranial do músculo bíceps femoral. Incise a fáscia do músculo vasto lateral que corre juntamente ao osso e afaste cranialmente os músculos vasto lateral e vasto intermédio para expor toda a diáfise femoral (Figura 14.22 Acesso às diáfises do rádio e da ulna esquerdos de cão após afastamento dos músculos extensores e elevação periosteal. Descrição: a incisão de pele é realizada ao longo da borda craniolateral do fêmur desde o trocanter maior até a patela.

Descrição: incise a pele na face medial da diáfise da tíbia. Tíbia Acesso à diáfise da tíbia por meio de incisão medial Indicação: redução aberta de fraturas da tíbia. Incise . B: afastamento dos músculos vasto lateral e bíceps femoral para exposição da diáfise femoral. A: Incisão da fáscia lata.Figura 14. para o cirurgião. Segunda opção: paciente colocado em decúbito dorsal e o membro lesionado rotacionado lateralmente.24 Acesso à diáfise do fêmur esquerdo de cão por incisão lateral. O membro sadio deverá ser tracionado caudalmente. estendendo-se desde a porção proximal da tuberosidade tibial até o maléolo medial. Posicionamento: primeira opção: paciente colocado em decúbito lateral com o membro lesionado voltado para a mesa cirúrgica e o membro sadio.25). Incise o tecido subcutâneo e identifique a veia safena medial e o nervo safeno (Figura 14.

. juntamente com o nervo safeno. B: a artéria e a veia safena medial. Afaste cranialmente o músculo tibial cranial e caudalmente os músculos flexores para expor toda a diáfise tibial (Figura 14.26).25 Acesso à diáfise tibial esquerda de cão por meio de incisão medial.a fáscia crural que envolve a diáfise medial da tíbia e libere-a com auxílio de um elevador de periósteo. Após incisão de pele desde a tuberosidade tibial até o maléolo medial observam-se: A: a fáscia crural. Figura 14.

Jr. Moores A. Vet Surg.... Freeman L. Christensen G.D. Mehl M.I. Comparison of stainless steel fascial staples and polypropylene suture material for closure of the linea alba in dogs.20:1488–1490.. Figura 14.. Vet Rec. Vet Surg. Hobson H.. Vet Surg.L.. Surgical approaches to the thoracic cavity. 2009. 1979. outcomes and complications following lateral thoracotomy in dogs and cats. Welch E. 2006.33:209–213. Proc Nort Am Vet Conf. et al.40(4):444–449. 2006. 2007..4:316–320....C.35:271–277. 1993..B. Kirpensteijn J. and blood-to-peritoneal fluid lactate and glucose differences in normal dogs. et al.D.E.R.J. et al. An atlas of surgical approaches to the bones and joints of the dog and cat. Retrospective analysis of the relationship between time of thoracostomy drain removal and discharge time.. Fingland R. Philadelphia: W. Tattersall J. Philadelphia: WB Saunders. Indications.. J Small Anim Pract.. Factors influencing the short-term outcome following thoracic surgery in 98 dogs..R.48:695–698.E.. . 3rd ed. Proc Nort Am Vet Conf. Garcia J.20:1426–1428. 2009. Median sternotomy closure in dogs: a mechanical comparison of technique stability.F. 2006. Slater M..L... prospective and histologic study. 1993.D.132(8):189–190.F.. Evaluation of postceliotomy peritoneal drain fluid volume. et al. 2nd ed.. et al. 2005.47:715–720. Simpson D. Miller’s anatomy of the dog.E.D. Johnson A.26 Acesso à diáfise tibial esquerda de cão por meio de incisão medial. Monnet E.E. Vet Surg. 2003. et al. Stuttgart: Thieme Verlag. Surgical approaches for minimally invasive plate osteosynthesis in dogs.. Neel J.C.. cytology.. Intercostal thoracotomy closure: transcostal sutures as a less painful alternative to circumcostal suture placement.22(6):464–472. J Small Anim Pract. Jermyn K. Johnson A. Current concepts in fracture reduction. Vet Surg.B. et al.2:59–66.. 2004.50:162–166. Evans H. Szabo S.. Marques A.J. 1993. Tissue reaction to suture material in the feline linea alba. Rico Rico. Davis K. Monnet E. Baines S. Mathews K.16:440–445.. Pettit G.21(6):452–457.L.L.D... Vet Comp Orthopaed. Exploratory celiotomy in 200 nontraumatized dogs and cats. Vet Comp Orthopaed..M.. Goldsmid S. Shaw D. et al. Boyer J.. Houlton J...W..... Piermatei D. AO principles of fracture management in the dog and cat. Saunders.G.J. Rooney M..J. Robinette J. Após afastamento dos músculos tibial cranial e flexor digital profundo observa-se a diáfise tibial..P..B. Muir P. Vet Surg. 1987. 1992. 2006. Roe S.J.C. A retrospective. Incisional swelling following celiotomy in cats. Cirugía básica del tórax. Pozzi A. Referências Boothe H.. Lewis D. 2011.. Halfacree Z. J Small Anim Pract.. Tattersall J.

O exame das glândulas requer magnificação e transiluminação. ulceração). túnica conjuntiva. que se localizam na conjuntiva tarsal. A conjuntiva palpebral é inspecionada na busca por cílios ectópicos. a posição e o movimento das mesmas. Cirurgia dos anexos oculares Considerações Semiológicas e Anatomofuncionais Pálpebras Quando é realizado um exame clínico das pálpebras. mas não fazem parte do bulbo do olho propriamente dito. alopecia. infecciosa. alteração na direção dos cílios/pelos (triquíase). massas (calázio/tumores) e corpos estranhos. Os anexos do olho ou órgãos acessórios do olho compreendem as seguintes estruturas: pálpebras. Em humanos. A dinâmica da pálpebra superior é mais importante do que a da inferior em . Eles mantêm entre si relações anatômicas e funcionais e por isso são absolutamente complementares. a maioria dos problemas dos anexos. inflamação (edema. os relacionados com as pálpebras. fáscias orbitárias e músculos do bulbo do olho. denominada plástica ocular ou oculoplástica. movimentos anormais (espasmo ou paresia) e corpos estranhos. vias lacrimais e órbita. A superfície externa é inspecionada quanto a má posição (ectrópio/entrópio). formam o campo de atuação de uma especialidade oftalmológica relativamente moderna e de crescente importância. tumores. Estas estruturas estão sujeitas a malformações congênitas e podem adquirir afecções de ordem inflamatória. aparelho lacrimal. exsudato. deve-se levar em consideração a integridade. ou seja. defeitos. Capítulo 15 Tópicos em cirurgia dos anexos oculares Antônio Felipe Paulino de Figueiredo Wouk Introdução Os anexos oculares constituem um grupo complexo de estruturas que estão relacionadas com o olho. Em seguida everte-se a pálpebra para observação das glândulas de Meibomiam. traumática ou neoplásica.

brilhante e semitransparente. Músculo orbicular do olho. A placa tarsal promove estabilidade para ancoragem da sutura e procedimentos cirúrgicos reparadores de defeitos das pálpebras. 7. Cílios da pálpebra superior. Tecido cartilaginoso da terceira pálpebra. 5. 3. 8. Os sinais de inflamação conjuntival são edema (quemose). Figura 15. hiperemia e secreção ocular. 10.virtude de seu papel fundamental na proteção e no umedecimento da superfície ocular. Conjuntiva bulbar. 2. Músculo elevador da pálpebra. Glândulas tarsais (Meibomian). âmbar). Fórnix. A placa tarsal fibrosa é uma estrutura muito importante nas intervenções cirúrgicas palpebrais. Glândulas de Zeiss. Células caliciformes. Outras anormalidades da conjuntiva cursam com espessamento . Conjuntiva A conjuntiva normalmente apresenta-se úmida. a pálpebra cicatriza rapidamente após traumas espontâneos ou cirúrgicos. O tecido palpebral tolera bem queimaduras térmicas. vista lateral. 1. Glândula da terceira pálpebra.1). por isso a criocirurgia pode ser empregada com sucesso para o tratamento de anormalidades dos cílios e tumores das pálpebras (Figura 15. 4. 6. 9. possibilitando apropriado fechamento e permitindo posicionamento preciso dos tecidos da margem. Devido à rica vascularização. particularmente por sustentar fisicamente a margem palpebral. A mudança da coloração da conjuntiva pode indicar anemia (pálida) e icterícia (amarela. conjuntiva e pele da pálpebra.1 Esquema da estrutura das pálpebras.

integridade da superfície e margem. A quemose aparece rapidamente após qualquer agressão às conjuntivas. a terceira pálpebra é inspecionada quanto a sua posição. macrófagos e fibrócitos transformam-se em fibroblastos para cobrir o defeito subepitelial. Normalmente. A ptose palpebral. ou ptose palpebral. folículos. assim como denervação simpática de tecidos perioculares (síndrome de Horner). A protrusão da glândula e a eversão da cartilagem da terceira pálpebra são anormalidades relativamente comuns em cães jovens. por ocupar um espaço importante na órbita ventromedial. São-Bernardo. todos os esforços devem ser feitos para preservar sua integridade. aderências ou massas. Procedimentos cirúrgicos das pálpebras Transtornos da Dinâmica Palpebral Blefaroptose Por definição.focal. podem envolver a terceira pálpebra. Conjuntivite infecciosa ou doenças inflamatórias não infecciosas (infiltrados plasmocíticos). granulomas e neoplasias. incluindo hiperplasia linfoide. Áreas maiores cicatrizam por granulação em quatro a sete dias. sua remoção em pequenos animais cria um espaço que pode ser ocupado por restos celulares e microrganismos e predispor a infecções secundárias severas. muitas lesões cicatrizam espontaneamente sem requererem suturas. histiócitos. grau de pigmentação e presença de folículos ou tumores. O uso de agentes anestésicos tópicos permite a manipulação da terceira pálpebra e o exame das duas faces para pesquisa de corpos estranhos ou outras anormalidades. Sharpei e Labrador. Lesões proliferativas. Terceira Pálpebra Ao exame. Basset Hound. blefaroptose. Em lesões maiores. designa a condição caracterizada pelo posicionamento anormalmente baixo da margem palpebral superior. Devido à contribuição da terceira pálpebra na produção e distribuição do fluido lacrimal pré-ocular. é vista com maior frequência em cães das raças Cocker Spaniel. uma condição que acomete animais de meia-idade a senis devido a causas mecânicas. Uma lesão primária da mucosa resulta em mitose das células epiteliais e rápida cicatrização. A amputação da terceira pálpebra deve ser sempre evitada. Além disso. Por causa das características de rápida reparação da conjuntiva. abrasões ou lesões cirúrgicas. em menos de 24 a 36 horas ocorre cicatrização de pequenos defeitos decorrentes de arranhões. permanecendo a indicação para sua realização em casos de tumores malignos ou de necrose extensa. Alguns atribuem a . podem resultar em proeminência da terceira pálpebra.

5 anos foram operados desta maneira (17 Cocker Spaniels. a qual teve início com 4 anos de idade. três Bassets Hound e dois São-Bernardos). As biópsias resultantes de dois destes cães indicaram amiloidose. Sob anestesia local. com quadro clínico similar àquele previamente descrito. A amiloidose renal foi recentemente descrita em cães da raça Sharpei. Em quatro Sharpeis de 8 meses de idade da mesma ninhada diagnosticou-se ptose mecânica das pálpebras superiores. Entretanto outras causas também podem estar envolvidas. O acesso ao grupo muscular é obtido mediante ritidectomia frontal em elipse. Sob luz polarizada. amiloidose sistêmica e gamopatia monoclonal. Suspeitou-se de amiloidose. a amiloidose do fórnix ou da conjuntiva tarsal dorsal é uma causa conhecida de blefaroptose mecânica. O acompanhamento pós-operatório foi realizado de quatro a 32 meses e em apenas quatro cães (18%) observou-se recorrência dois anos após o procedimento . tendo sido adotado o mesmo procedimento diagnóstico. a amiloidose está geralmente associada a doenças inflamatórias crônicas e acúmulo de células do plasma. portanto foi realizada biópsia conjuntival. pequenos fragmentos foram obtidos da conjuntiva do fórnix ou da placa tarsal dorsal. sem sinal de miopatia involucional. positivo para coloração vermelho Congo (congofilia). Em alguns Cocker Spaniel e Sharpei observou-se blefaroptose mecânica. O exame microscópico revelou uma conjuntiva com características histológicas normais juntamente com a presença de material amorfo homogêneo eosinofílico. Este achado é compatível com uma deposição anormal de proteína amiloide extracelular. a imagem microscópica colorida por vermelho Congo revelou uma refringência dupla verde (dicromismo). Por esta razão uma técnica de mioplastia foi desenvolvida em associação a ritidectomia (remoção cirúrgica de prega e/ou pele excessiva da porção dorsal do pescoço). a fim de obter-se uma correção mais fisiológica da blefaroptose. Entretanto. Acredita-se que outra causa de blefaroptose seja uma miopatia involucional senil da musculatura frontal dependente do músculo elevador das pálpebras superiores. São realizados três a cinco pontos interrompidos simples de poliglactona. Em humanos. Vinte e dois cães com idade média de 6. pode-se concluir que amiloidose da conjuntiva do fórnix e da placa tarsal dorsal pode causar blefaroptose mecânica em cães. Diante destes achados. Reportam-se cinco Cocker Spaniel adultos jovens (média de idade de 3 anos) com blefaroptose dorsal bilateral e espessamento da conjuntiva do fórnix ou da placa tarsal dorsal. em cães e gatos. A técnica consiste em promover a elevação frontal e da pálpebra por meio da sobreposição parcial da musculatura frontal sobre a musculatura auricular. Três deles tiveram hiperplasia do tecido linfoide da terceira pálpebra e todos apresentaram conjuntivite mucosa crônica. Em cães da raça Cocker Spaniel é descrita a associação a lesões de pele.blefaroptose exclusivamente à existência de excesso de pele ao redor da parte dorsal do pescoço que desliza sobre a face.

a lagoftalmia pode ocorrer em casos de buftalmia e em raças com a órbita rasa e o olho proeminente. blefaroespasmo. Algumas alterações. o tarso. conjuntivite e ceratite com ou sem ulceração de córnea. Fissura Micropalpebral É menos frequente que a lagoftalmia. A lagoftalmia pode se tornar complicada por evaporação excessiva da lágrima com consequente olho seco e entrópio de canto medial. São-Bernardo. Rottweiler. Chow-chow. Quando uma infecção bacteriana secundária está presente. Cocker Spaniel e Dálmata. Fissura Macropalpebral/Lagoftalmia O termo lagoftalmo refere-se à incapacidade do orbicular em ocluir a fenda palpebral. que pode ser de origem neural ou cicatricial. O procedimento cirúrgico envolve cantotomia seguida de uma cantoplastia lateral. Labrador. e também com dois anos de evolução. Qualquer técnica de plástica de canto medial normalmente é eficaz nestes casos. Basset Hound. a médio prazo. a fáscia capsulopalpebral). Pode-se concluir que.cirúrgico. ainda. o elevador palpebral. o entrópio. mas sem mioplastia. Sempre há déficit na dinâmica da pálpebra superior. Anomalias Marginais Posicionais Os principais fatores condicionantes da posição da margem palpebral são: ligamentos palpebrais medial e lateral. ou inversão das pálpebras. apresentaram 43% de recidiva. Sheepdog e Terrier. e na inferior. Ocorre como uma condição anatômica em raças braquicefálicas. As raças mais predispostas são Sharpei. a pele. o espástico (secundário a dor ocular) e o cicatricial (sequela de ferida na . por exemplo. é uma das mais frequentes e pode causar irritação ocular severa pela atrição dos pelos das pálpebras ou face que atingem a conjuntiva e a córnea. Um decréscimo na visão pode ser resultado do constante fechamento das pálpebras ou devido à opacidade da córnea. como. Pode ser observada em raças enoftálmicas. fotofobia. Comparativamente. retratores (na pálpebra superior. isoladas ou combinadas destas estruturas podem provocar eversões (ectrópio) ou inversões (entrópio) das margens palpebrais. Collie. Existem diferentes tipos de entrópio: o anatômico. a conjuntiva e o globo. predispondo os animais afetados a uma ceratite crônica que progride para infiltração pigmentar com ou sem ulceração corneana. observa-se secreção ocular purulenta. Entrópio Entre as afecções cirúrgicas dos anexos. músculo orbicular. outro grupo de 16 Cocker Spaniels que passaram pelo mesmo procedimento de ritidectomia. a técnica de ritidectomia associada a mioplastia para correção de blefaroptose mecânica é mais efetiva. Buldogue Inglês. Os sinais clínicos incluem epífora. Ou.

Múltiplas suturas do tipo Lembert são realizadas na porção afetada da pálpebra (Figura 15. O procedimento é utilizado para eversão temporária das pálpebras. A técnica cirúrgica mais comum de remoção localizada de pele da pálpebra é chamada de procedimento de Holtz-Celsus. Normalmente é utilizada em filhotes com entrópio anatômico. Figura 15. O material de sutura pode ser poli ou monofilamentar e também absorvível ou não absorvível. sendo utilizada em casos de entrópio simples da .pálpebra). Casos de entrópio crônico ou recorrente requerem correção cirúrgica definitiva. Para o procedimento é utilizado fio de sutura 3-0 ou 4-0 com agulha circular traumática de tamanho médio (3/8). A técnica de pregueamento palpebral é realizada quando o entrópio ocorre em animais jovens. particularmente no Sharpei.2 Ilustração da sutura de pregueamento para eversão das pálpebras em filhotes com entrópio.2).

Figura 15. Esta se diferencia pela incisão que se estende ao redor do canto lateral.pálpebra inferior. Nos entrópios temporais emprega-se a técnica de Holtz-Celsus modificada. envolvendo ambas as pálpebras (Figura 15.4). . Outra técnica que pode ser usada é a de ressecção musculocutânea (Figura 15.3 Ilustração da correção de entrópio pela ressecção musculocutânea.3).

4 Ilustração da correção de entrópio pela técnica de Holtz-Celsus modificada. Neste procedimento é feita excisão de 15 m a 25 mm de pele da pálpebra superior. a uma profundidade de 0.Figura 15.5 mm a 1 mm. normalmente há necessidade de procedimentos mais extensos ou técnicas cirúrgicas combinadas. . O procedimento de Stades é utilizado em casos nos quais a pele excessiva na pálpebra superior e os cílios longos resultam em severa triquíase com entrópio. A finalidade do procedimento cirúrgico é everter a pálpebra dorsal ao mesmo tempo em que se eliminam os cílios e os pelos.5). Em casos de entrópio complicado. realizando- se uma sutura incompleta de aproximação que deixa uma fenda de 5 mm exposta para cicatrização por segunda intenção (Figura 15.

para aliviar um pouco a tensão no canto lateral mediante reinserção do músculo retrator lateral após dissecção de duas faixas do músculo orbicular (Figura 15. .5 Ilustração da correção de triquíase da pálpebra superior pela técnica de Stades.6). denominado cantoplastia lateral. Para reparação de instabilidade palpebral de canto lateral desenvolveu-se um procedimento.Figura 15.

determinando epífora. A reparação do entrópio cicatricial requer dissecção da cicatriz e um procedimento de deslizamento denominado correção pela técnica “Y-V” (Figura 15. Apesar de ser uma afecção mais comum em raças braquicefálicas. .6 Ilustração da correção de entrópio de canto temporal com mioplastia. Este tipo de entrópio pode ser reparado satisfatoriamente com a plástica em “V” de canto medial com eversão total da área afetada. O entrópio de canto medial é uma forma relativamente comum de entrópio de pálpebra inferior no qual os pelos faciais irritam a superfície ocular e impedem a drenagem fisiológica da lágrima. também é observada com frequência em Poodles.7).Figura 15.

7 Ilustração da correção de entrópio pela técnica do Y-V. O ectrópio exacerba-se quando se associa a uma ceratoconjuntivite seca. Os sinais clínicos do ectrópio incluem conjuntiva exposta.8). como São- Bernardo. Ectrópio O ectrópio é a eversão das pálpebras. Cocker Spaniel e Basset Hound. . Esta afecção normalmente é um problema de conformação que acomete cães jovens de algumas raças predispostas. conjuntivite e ou ceratite. epífora. Uma técnica de correção indicada por vários autores é a de Kuhnt-Szymanowski modificada (Figura 15. Existe uma tendência anatômica de o relaxamento da pálpebra tornar-se mais pronunciado com a idade (pacientes geriátricos) devido à diminuição do tônus do músculo orbicular do olho.Figura 15.

O ectrópio cicatricial ocorre mais comumente após um procedimento cirúrgico exagerado para correção do entrópio e pode ser eficientemente tratado com a técnica do V-Y (Figura 15.9).8 Ilustração da correção de ectrópio pela técnica de Kuhnt-Szymanowski modificada. .Figura 15.

Prega Nasal Proeminente Em cães das raças Pequinês. Buldogue Inglês. . os pelos na dobra de pele podem atritar a córnea. cuidando-se para manter o padrão estético para a raça em questão. Pugs.: distiquíase e entrópio de canto medial). Trata-se eficientemente esta condição pela remoção do excesso da prega nasal. em alguns casos.Figura 15. Uma inspeção cuidadosa deve ser feita para eliminar outras causas de irritação (p. A prega nasal não deve ser removida se não for observada irritação da córnea. Boston Terrier e outras raças braquicefálicas. ex. Quando isto se combina com uma órbita rasa e um globo proeminente.9 Ilustração da correção de ectrópio pela técnica V-Y. a prega nasal pode ser protuberante. como consequência desta irritação surgem epífora e. úlcera de córnea recorrente com ceratite pigmentar.

resultando em menor alteração das características da raça. que emergem das glândulas meibomianas. Na remoção parcial apenas a porção medial da prega é removida. de forma parcial ou totalmente. Qualquer uma das formas de anomalia pode provocar dano permanente à córnea e diminuição da acuidade visual. Distiquíase. Figura 15. Apesar de esta afecção ocorrer em diferentes raças. e a ferida cirúrgica é suturada com pontos interrompidos simples com fio de seda 4-0. Utiliza-se o colar elisabetano no pós- operatório. a predisposição é maior no Cocker Spaniel e no Golden Retriever. As pontas dos fios devem ser cortadas próximas ao nó para prevenir irritação da córnea pelo fio.10).10 Ilustração da remoção total da prega nasal em raças braquicefálicas. Anomalias Marginais Ciliares As anomalias marginais do cílios são de grande importância clínica. cuja raiz é distichos (duplo). simples ou múltiplos. . O campo cirúrgico é preparado como de rotina e a excisão é feita com tesoura de Mayo curva. Removem-se ambas as pregas nasais (direita e esquerda). a que toca a córnea. é a presença de cílios anormais. A hemorragia local normalmente é mínima. como em todos os procedimentos oftálmicos (Figura 15. segundo o caso. um vocábulo originário do grego. A sutura é removida 10 dias após o procedimento.

são chamados de tricomegalia. que perdem o direcionamento normal e tocam a córnea. mas esta distiquíase atípica pode também se dar a partir de outros sítios conjuntivais. Cílios ectópicos são pelos anômalos também originários de folículos das glândulas de Meibomian. Em casos assintomáticos nenhum tratamento é necessário. muito comuns no Cocker Spaniel. Dá-se preferência à técnica de ressecção tarsoconjuntival (Figura 15. O termo triquíase origina-se do grego trichos (cabelo) e significa mal direcionamento dos cílios ou pelos perioculares. pois agridem diretamente a conjuntiva e a córnea. quando não tocam a córnea. Trata-se mediante exérese cirúrgica convencional. É comum ocorrer triquíase secundária a uma discreta inversão da .11 Ilustração da técnica de correção cirúrgica para distiquíase. blefaroespasmo e ceratoconjuntivite com vários graus de comprometimento da córnea. Cílios extremamente longos. Figura 15. As técnicas de crioepilação e eletroepilação podem ser utilizadas. epífora.11). com resultados variáveis. e. Os cílios ectópicos causam severa dor ocular. resumem-se a um problema estético. Em Poodles e raças braquicefálicas a distiquíase causa irritação.

A triquíase adquirida normalmente é causada por lesões nas pálpebras. contusas ou por arrancamento com grande perda de substância (estas. Cílio ectópico. requerem técnicas especiais de blefaroplastia). sendo a primeira mais comum em raças braquicefálicas. A triquíase pode ser congênita ou adquirida.12 1. Em traumatologia ocular. Havendo lesão conjuntival associada.12). 4. Distiquíase. este plano recebe uma sutura contínua simples com categute . Figura 15.margem palpebral. blefaroespasmo crônico e blefaroptose mecânica. 2. blefaroespasmo. Cílios normais. por vezes. de brigas com outros animais. A ressecção tarsoconjuntival é o tratamento definitivo indicado (Figura 15. na maioria das vezes. conjuntivite e ceratite. Sinais clínicos comuns incluem epífora. tomando-se o cuidado de manter as extremidades do nó distantes da superfície corneana. 3. Dá-se preferência ao fio de náilon (3-0 a 5-0). as feridas palpebrais resultam. Feridas simples sem perfuração conjuntival são suturadas com pontos em “8” ou isolados simples. Podem ser feridas incisas (laceração simples). Reconstrução Palpebral Algumas anormalidades congênitas e de conformação. Triquíase. neoplasias e lesões traumáticas podem exigir reconstrução palpebral.

Havendo luxação da glândula da terceira pálpebra. Na reconstrução das pálpebras. nas primeiras 24 horas e mornas a seguir ajudam a reduzir o edema. A ressecção em cunha é aplicada para remoção de tumores pequenos ou médios que não ultrapassem um terço da extensão da pálpebra. É utilizada para lesões ou neoplasias que atinjam mais de um terço da extensão da pálpebra (Figura 15. os pontos lacrimais devem ser respeitados. na pálpebra inferior. A sutura da pele é removida após 10 dias.simples (5-0 a 7-0). evita-se o emprego de corticosteroides. No período pós-operatório. promove-se um deslizamento de tecido mediante clivagem da pálpebra em dois planos: um conjutivotarsal e outro musculocutâneo. Indica-se a colocação de colar elisabetano para evitar que o paciente interfira no sítio cirúrgico. Em caso de córnea com teste de fluoresceína positivo. que não podem ser transfixantes. Compressas com chá de camomila gelado. neoplasias. Na reconstrução da terceira pálpebra. A plástica em H é uma técnica simples de deslizamento adaptável a diferentes locais tanto na pálpebra superior quanto inferior. na síntese de pele. em pontos isolados simples. o “pregueamento” do bordo livre palpebral. Em feridas com perda de substância (um terço do comprimento da pálpebra). que é um calmante das conjuntivas. O deslizamento entre os dois planos evita. Cliva-se com o bisturi sobre uma linha entre os cílios e os orifícios das glândulas de Meibomian. sendo aplicada para reparar defeitos na espessura total da pálpebra causados por traumatismos. promove-se o seu abaixamento com pexia no periósteo da órbita. Figura 15. devem-se respeitar o “T” cartilaginoso e as suturas. Deve-se ter cuidado com o preciso alinhamento do subcutâneo (sutura em “8”) e margem palpebral. a técnica para exérese de tumores que envolvem menos de um terço da pálpebra. Estes cuidados são comuns a .13 A ilustração mostra.13). Na pálpebra superior observa-se a técnica realizada quando os tumores atingem mais de um terço da pálpebra. A ressecção em cunha é a forma mais simples de reconstrução palpebral. faz-se uso de antibióticos e anti-inflamatórios tópicos. correção de ectrópio e reparação de incisão para cantotomia. pois eles potencializam em 14 vezes a colagenase e agravam a lesão tecidual.

sendo uma afecção mais comum em gatos. Neoplasias das Pálpebras Dos tumores das pálpebras em cães.14). como a aplasia palpebral. conjuntiva ou córnea. A agenesia palpebral é uma anomalia caracterizada por um defeito em uma porção da pálpebra. ou para exérese de tumores. com crescimento lento.todos os procedimentos cirúrgicos. estas lesões aparecem como predisposição genética em algumas raças como Pastor Alemão. O tratamento exige uma técnica de blefaropoiese. que ocorre em animais idosos. Figura 15. Rotweiller e em gatos da raça Burmese. o mais comum é o adenoma de glândula sebácea. como a do retalho de rotação (Figura 15. como na margem palpebral. Apesar de serem vistos esporadicamente em pequenos animais. na margem palpebral ou .14 Blefaroplastia para correção de anomalias importantes. São- Bernardo. ocorrendo em local atípico. Dermoides são tumores congênitos caracterizados por elementos epidérmicos normais.

não lese a córnea. O calázio é tratado pela incisão da conjuntiva palpebral e curetagem do exsudato lipídico remanescente. algumas vezes. o acúmulo de exsudato pode requerer drenagem cirúrgica e. porém tende a ser bem invasivo. como uma massa bege subconjuntival. Meibomite pode ocorrer como um componente da blefarite generalizada ou como uma condição inflamatória primária. Outros tipos de tumores de pálpebra em cães e gatos incluem histiocitoma. de preferência contínua. podendo atingir a conjuntiva. O calázio é caracterizado por aparência local elevada. Doenças inflamatórias das pálpebras: tratamento cirúrgico Apesar das doenças inflamatórias das pálpebras (blefarites) normalmente serem tratadas medicamente. pelo categute simples 5-0 ou 6-0. fibrossarcomas. pela rápida absorção. mastocitoma. As pequenas feridas não necessitam de sutura. Em nosso meio a radioterapia é de difícil execução. neurofibrossarcomas e melanomas. Abscessos nas pálpebras (hordéolo) podem exigir drenagem cirúrgica associada a terapia antibiótica e anti-inflamatória sistêmica. O adenocarcinoma das glândulas sebáceas ocorre com menos frequência. A meibomite crônica pode resultar em ruptura glandular acinar e liberação de secreção lipídica no tecido periacinar. causando ceratoconjuntivite e interferindo no fechamento da pálpebra. a qual resulta na afecção denominada calázio ou meibomite granulomatosa. Neoplasias exigem excisão ampla e blefaroplastia adequada. Procedimentos cirúrgicos da conjuntiva Feridas da Conjuntiva A presença de lacerações ou hemorragias conjuntivais deve conduzir à procura de lesões mais graves. A meibomite pode levar a uma ceratite superficial pela fricção constante das massas com a córnea ou por anormalidades na secreção da porção lipídica do filme lacrimal. Deve-se optar. excisão em casos de doenças supurativas ou granulomatosas. Dependendo do tipo do tumor. é indicado seguir com radioterapia e quimioterapia. Ajudam neste processo e proporcionam conforto ocular as compressas de chá de camomila gelado nas primeiras 48 horas seguidas de compressas quentes. . O hordéolo externo é uma abscedação dos folículos cutâneos e pode necessitar de drenagem externa. As hemorragias subconjuntivais resolvem-se em uma a três semanas. papiloma viral. e cuida-se para que o nó da sutura.próximo a ela. em caso de sutura. Já o hordéolo interno é uma abscedação de uma ou mais glândulas de Meibomian e a drenagem é pela parte conjuntival da pálpebra. carcinoma de células escamosas e de células basais.

Neoplasias da Conjuntiva A conjuntiva é um lugar incomum para neoplasias primárias. Triquíase da carúncula lacrimal: é recomendado canular os canalículos com material de sutura monofilamentar (náilon 2-0 ou 3-0) antes de iniciar o procedimento cirúrgico. ex. eletrocirurgia ou cirurgia convencional. As neoplasias conjuntivais secundárias podem aparecer de formas variadas. A remoção dos pelos pode ser feita mediante criocirurgia. Papilomas podem surgir na conjuntiva de cães. entretanto neoplasias secundárias oriundas de tecidos adjacentes são mais comuns. porém é raro em gatos. quando a glândula sai da sua posição normal. o que leva à recidiva. Embora incomuns. a exemplo dos demais. Neoplasias sistêmicas (p. sendo o primeiro método o de preferência. São procedimentos relativamente simples e de bom prognóstico. Devido à suscetibilidade racial do Beagle. elevadas e telangiectásicas na conjuntiva bulbar ou na superfície da terceira pálpebra.Desordens Congênitas Os dermoides conjuntivais. podendo lesar a córnea. Problemas clínicos associados à protrusão incluem . fibrossarcomas e neurofibrossarcomas perioculares são localmente invasivos e podem infiltrar-se na conjuntiva. Em cães os tumores vasculares são relativamente comuns como forma de neoplasia conjuntival primária. Procedimentos cirúrgicos da terceira pálpebra Desordens de Posicionamento Protrusão da Glândula da Terceira Pálpebra A protrusão da glândula da terceira pálpebra pode ocorrer em filhotes e em cães com menos de 1 ano de idade. O carcinoma de células escamosas origina-se do epitélio não pigmentado da conjuntiva e com frequência envolve as pálpebras. dependendo do sítio de origem e do tipo de tumor. Outros tumores primários da conjuntiva menos comuns incluem angioceratomas. Adenomas e adenocarcinomas normalmente surgem das glândulas tarsais.: linfossarcoma) podem invadir a conjuntiva e aparecerem como massas epibulbares localizadas ou difusas. do Poodle e de algumas raças braquicefálicas. mastocitomas e melanomas. do Boston Terrier. do Cocker Spaniel Americano. emergindo do bordo livre palpebral. Os hemangiomas ocorrem tipicamente como lesões pequenas. suspeita-se de um defeito anatômico herdado. são tratados mediante exérese cirúrgica cuidadosa no sentido de não permitir tecido remanescente. na sequência torna-se inflamada e edemaciada. entretanto estes tumores podem aparecer na glândula da terceira pálpebra.

Figura 15. seguida por terapia médica.15 Ilustração da correção cirúrgica da protrusão da glândula da terceira pálpebra pela . A técnica da bolsa conjuntival é a preferida atualmente pela maioria dos cirurgiões. que são. consegue apenas uma resposta temporária. A reintrodução cirúrgica é o tratamento definitivo.secreção ocular por conjuntivite e comprometimento estético. que consiste em antibiótico e agentes corticoides tópicos. suturados com fio inabsorvível (mononáilon 6-0 ou 7-0) de forma contínua (Figura 15. Um achado comum é a hiperplasia linfoide da terceira pálpebra. na sequência. Seu princípio baseia-se na criação. por dissecção romba. Com a reintrodução manual da glândula.15). de uma bolsa conjuntival constituída pelos folhetos conjuntivais externo e interno da terceira pálpebra.

A partir deste ponto realiza-se uma perfuração neste saco conjuntival e a agulha (de preferência reta) caminha por baixo do braço horizontal temporal do “T” cartilaginoso. caminhando por um túnel subcutâneo até o fundo de saco conjuntival ventral. inclui a cápsula da glândula em seus polos temporais.16 Ilustração da correção cirúrgica da eversão/inversão da cartilagem da terceira pálpebra.16). fundo de saco conjuntival. Periósteo. 1. dorsal e nasal. túnel subcutâneo e exteriorizando-se pela abertura na pele a sutura (Figura 15. retornando por debaixo do braço horizontal nasal do “T”cartilaginoso. Figura 15.técnica de ancoragem da glândula no periósteo. 2. Eversão da Cartilagem A eversão da cartilagem é uma anormalidade congênita na base da cartilagem que faz que a terceira pálpebra enrole-se em direção ao bulbo do olho. Glândula da terceira pálpebra. Técnica de ancoragem no periósteo: este procedimento realiza a pexia da glândula mediante uma sutura em “U” aplicada por meio de uma incisão subpalpebral ventral da pele de 1 cm. Existe uma .

Glândulas tarsais (Meibomian). O tratamento se dá pela remoção da porção afetada de cartilagem (Figura 15. Uma neoplasia local extensa envolvendo a terceira pálpebra constitui uma das raras indicações para remoção cirúrgica total da mesma. ex. além disso. Os tumores da terceira pálpebra que não surgem da conjuntiva incluem os adenocarcinomas/adenomas da glândula da terceira pálpebra. rapidamente. 3. hemangioma) e. em seguida. Problemas clínicos resultantes da eversão são lesão corneana por atrição crônica e diminuição da função da terceira pálpebra (p. processo zigomático. é drenada. Great Danes e Pointer). 6. Considerações anatomofuncionais do sistema lacrimal Quando se instila uma gota qualquer no saco conjuntival. Tecido cartilaginoso da terceira pálpebra. Este defeito na cartilagem também é visto com frequência em gatos Burmese.17). Figura 15. o protocolo terapêutico continua sendo o mesmo para outras neoplasias conjuntivais. 4. de modo que cerca de 80% do fluido instilado desaparecem do . Osso frontal. 1. A eversão pode ser exacerbada pela instabilidade ou posição anormal da glândula da terceira pálpebra. 2. ela escoa para a região do canto medial e. Neoplasias da Terceira Pálpebra Entre as neoplasias da terceira pálpebra são mais comuns as de origem conjuntival (carcinoma espinocelular. os fibrossarcomas e os linfossarcomas. 5. Newfoundlands.17 Ilustração da anatomia do sistema lacrimal.predisposição em raças de cães com enoftalmia anatômica (São-Bernardo. Glândula da terceira pálpebra. Fórnix. segundo uma função matemática complexa. Glândula lacrimal principal.: olho seco).

Entre as congênitas destacam-se a aplasia do ponto (puncta) lacrimal (Figura 15. Sistema lacrimal As afecções do sistema lacrimal em animais de companhia podem ser classificadas como congênitas (defeito de desenvolvimento) e adquiridas (inflamação. a tortuosidade dos canalículos em cães e gatos braquicefálicos e o entrópio de canto medial em raças miniaturas de cães com presença de pelos na região da carúncula (triquíase da carúncula – já discutida anteriormente). A cinética da drenagem lacrimal depende não só da atividade contrátil do orbicular. infecção ou trauma). a micropuncta. As vias lacrimais são constituídas pelas seguintes estruturas: pontos lacrimais (superior e inferior) e ducto nasolacrimal (Figura 15. O sistema de drenagem lacrimal é um processo ativo mediado pela função do orbicular e conhecido com o nome de bomba lacrimal.19) e o ponto ectópico. a dilatação cística do saco lacrimal e dos canalículos lacrimais. a atresia canicular. Figura 15.18). . mas também da integridade anatômica do conjunto de estruturas que permitem que a película lacrimal seja constantemente renovada: as vias lacrimais.olho em menos de 1 minuto. mais comumente causando obstrução.18 Ilustração da correção de imperfeição dos pontos lacrimais.

5. fístulas nasofaciais e oronasais. Sutura da cantotomia. III – 4. o corante devendo aparecer na narina ou na boca (raças braquicefálicas). Proptose do bulbo do olho. secreção conjuntival mucopurulenta. Inspecionam-se os pontos lacrimais com auxílio de uma lupa. II – 1. IV – 6.Figura 15. 2. Cantotomia temporal. Reintrodução do olho na órbita. agenesia ou atresia A permeabilidade do sistema pode ser avaliada mediante instilação de fluoresceína no fundo de saco conjuntival. As manifestações clínicas associadas a doenças do sistema lacrimal incluem epífora. a fim de determinar sua presença. I. manchas pronunciadas suboculares causadas pelas lactoferrinas do filme lacrimal e tumorações da face e região nasal. Injeção de corticoide retrobulbar. Injeção de corticoide subconjuntival bulbar. edema com hiperemia da região do canto ventromedial. 3. Blefarorrafia temporária. Outra forma de verificar se as .19 Etapas para reconstrução após proptose do bulbo do olho.

Em 2003 foi descrita a técnica de dacriocistorrinostomia em 12 cães com obstrução do sistema excretor da lágrima. A puncta inferior ipsilateral é canulada com o emprego de um dilatador de ponto lacrimal que é introduzido sob as fibras musculares até a perfuração do osso nasal. Para a síntese utiliza-se fio de poliglactina ou seda 5-0 em pontos interrompidos simples envolvendo pele. Hemorragias neste momento podem ser controladas com epinefrina diluída em solução fisiológica. Após a medição da cânula e a remoção do excesso do comprimento. ainda. empregou-se uma sonda uretral n° 6 ou 8. com um comprimento de aproximadamente 8 cm. No pós-operatório usam-se colírio . Com uma broca de 2 mm a 3 mm faz-se um orifício no osso nasal para acesso à fossa nasal. que a lágrima drene para a boca. para um cão de porte médio. pode ser ampliado em seu diâmetro com uma tesoura de Vanas em direção ao orifício no osso nasal por onde penetra o interior da cavidade por apenas 2 cm a 2. Este procedimento por vezes revela- se difícil ou mesmo impossível em raças braquicefálicas dada à tortuosidade dos condutos lacrimais em cães com este biótipo. Também é possível realizar o cateterismo lacrimal a partir dos pontos lacrimais até a emergência nasal ou oral. dos canalículos lacrimais. A principal recomendação operatória das vias lacrimais diz respeito ao emprego de anti-inflamatórios ou mesmo antifibróticos no pós-operatório de intervenções que visem a repermeabilização das vias lacrimais. sobretudo aquelas que visam à construção de um novo canal lacrimal. comercialmente disponível para o uso em seres humanos. A sonda utilizada deve estar adequada ao porte do paciente. cujo periósteo é removido utilizando-se elevador periosteal. podendo a sonda ser lacrimal de silicone. Com esta finalidade. como o cateterismo de demora. De fato a possibilidade da obstrução cicatricial nestas situações é grande.3% como agente antifibrótico. tem-se acesso ao osso nasal. ou confeccionada. ou. caso necessário. Ultimamente vem-se obtendo sucesso com o uso tópico de um colírio de ácido salicílico a 0. tecido celular subcutâneo e parte da musculatura.vias lacrimais estão pérvias e íntegras é por meio da dacriocistorrinografia com contraste iodado. assim. A conjuntivorralostomia (conjuntivobucostomia) consiste em colocar em comunicação a cavidade bucal com o fundo de saco conjuntival inferior. para evitar uma irritação na mucosa nasal. permitindo. ou mesmo a criação de uma nova via de drenagem para a lágrima.5 cm. se eles existirem. que.5 cm a 3 cm de comprimento a aproximadamente 1. ela é passada pelo túnel. A conjuntivorrinostomia tem por objetivo uma comunicação do fundo de saco conjuntival. com as fossas nasais. neste instante. como é o caso da dacriocistorrinostomia. no caso desta última deve ser previamente preparada e submetida a esterilização em formol. Após dissecção romba e hemostasia por angiotripsia. Técnica para dacriocistorrinostomia: realiza-se a incisão da pele e do tecido celular subcutâneo com 2. As referências sobre cirurgia do sistema lacrimal em medicina veterinária são escassas.5 cm do canto nasal e obliquamente a ele.

Neoplasias da Órbita Neoplasias da órbita geralmente ocorrem em animais idosos (idade média de 9. O procedimento é simples e vem sendo utilizado com sucesso. avaliada por meio da aplicação de fluoresceína e sua posterior visualização no assoalho da narina ipsilateral. porém exige o emprego de material cirúrgico especializado. o zigomático.5 anos) e são. a qual se estende aos músculos extraoculares e progride por sobre o bulbo do olho para formar a cápsula de Tenon. Estes tumores devem ser diferenciados de condições inflamatórias como abscesso ou celulites orbitárias. tumores primários (60% a 70%) e malignos (80% a 90%). Ela separa o olho da cavidade craniana e seus forames e fissuras determinam a via de acesso de sangue e nervos do cérebro para o olho. então. A sonda implantada permanece por 30 a 35 dias. Geralmente os tumores da órbita. A glândula lacrimal principal encontra-se abaixo do ligamento orbital na superfície dorsolateral. têm prognóstico ruim. sendo as . o esfenoide e o palatino. quando a localização for a porção anterior da órbita. A região operada fica protegida por colar elisabetano durante este período. em cães. que fica abaixo da conjuntiva. Considerações anatomofuncionais da órbita A órbita é uma cavidade em forma de cone que tem a função de proteger o bulbo do olho. A órbita é formada pela união dos ossos do crânio. com exoftalmia e protrusão da terceira pálpebra. pois evitou complicações como obliteração da sonda por alimentos e infecção ascendente a partir da boca. Algumas vezes estas neoplasias podem causar cegueira. A patência deste canal é. o maxilar. não dolorosos. Nos carnívoros domésticos a órbita é uma estrutura incompleta. A inervação sensorial é feita por um ramo oftálmico do V par de nervo craniano (trigêmeo). Clinicamente. permitindo que se forme em torno dela tecido cicatricial. na sua maioria. No cão e no gato a porção dorsolateral é preenchida por um tecido denso de colágeno denominado ligamento orbital. o lacrimal. Em relação à técnica de conjuntivorralostomia (conjuntivobucostomia). a dacriocistorrinostomia mostrou-se superior. os tumores orbitários retrobulbares caracterizam-se por serem geralmente unilaterais com evolução progressiva. constituindo-se. sendo eles o frontal. pode ocorrer enoftalmia. Ao contrário.antibiótico de amplo espectro e colírio corticoide por 10 dias. um novo trajeto permanente de drenagem da lágrima para a cavidade nasal. assim. O interior da cavidade orbitária é preenchido por tecido conectivo denominado de periórbita.

complicações oculares mais frequentes ceratite de exposição. Pode também ser realizada somente exérese do tumor quando este for circunscrito. tecido linfoide (linfossarcoma). sendo que 95% foram classificados como malignos. neuroblastoma). a única solução é a exenteração do bulbo do olho. carcinoma). diagnosticar a etiologia do tumor. afetando irremediavelmente a visão. Porém ainda não são exames realizados como rotina no Brasil. midríase. devido à agressividade local e à suscetibilidade a recidivas. Hendrix e Gelatt (2000) fizeram um estudo retrospectivo com 44 pacientes com neoplasias da órbita. em tecido nervoso (neuroma. Os tumores secundários podem se propagar até a órbita a partir dos seios ou nasofaringe (osteoma. histiocitoma). As neoplasias primárias da órbita são de grande diversidade histológica. e/ou descolamento de retina. das pálpebras (epitelioma baso e espinocelular. Neste estudo foram identificados 18 tipos de tumores. tecido conjuntivo (fibroma. da glândula zigomática (adenocarcinoma) ou do bulbo do olho (melanoma. a tomografia ou a ressonância magnética são as técnicas de escolha para a localização exata do tumor. tireoidiana. condrossarcoma. lipossarcoma). Apesar de haver a predominância por tumores de natureza conjuntival no cão e de natureza epitelial no gato. Na presença de tumores malignos. para avaliar sua densidade. . melanossarcoma). tecido muscular (rabdomiossarcoma). pois estas técnicas proporcionam mais detalhes de imagem dos tecidos da órbita e possibilitam a obtenção de maiores informações sobre a extensão do tumor. aumento moderado da pressão intraocular. uveíte. glioma. do cérebro (meningioma. linfossarcoma). A intervenção diagnóstica geralmente é tardia devido à malignidade e à capacidade rápida de disseminação dos tumores. neurofibrossarcoma). epitelioma meibomiano). tecido adiposo (lipoma. tecido vascular (angiossarcoma). osteossarcoma) e de glândula lacrimal. O diagnóstico pode ser realizado por diferentes técnicas de biópsia aspirativa. terceira pálpebra e glândula zigomática (adenocarcinoma). fibrossarcoma. No estudo de Hendrix e Gelatt (2000) o exame citológico por aspiração com agulha fina do espaço retrobulbar foi diagnóstico em 49% dos casos. para assegurar-se da ausência de metástase pulmonar. podem ter origem nas estruturas adjacentes. Após controle radiográfico do tórax. Segundo Dennis (2000) e Jegou (2002). escolher o tratamento adequado e dar com precisão o prognóstico. A orbitotomia lateral com osteotomia da arcada zigomática para chegar à fossa orbitária é certamente a técnica de escolha para neoplasias mais invasivas. adenocarcinoma. radiografia e ultrassonografia. Eles podem também surgir como metástases de tumores hematógenos (linfossarcomas e adenocarcinomas de origem renal. meninges (meningioma. tecido ósseo (osteoma. fibrossarcoma e adenocarcinoma nasal. O tratamento dos tumores orbitais muitas vezes não confere resultado algum. a quimioterapia e a radioterapia complementam a terapia cirúrgica. fibrossarcoma. pulmonar ou mamária). Os tipos mais comuns identificados foram osteossarcoma.

Considerações sobre traumatologia dos anexos oculares As urgências oculares possuem várias causas e seu tratamento rápido e preciso é a chave para se evitarem lesões irreversíveis que levam ao “óbito ocular”. Os procedimentos iniciais dizem respeito a limpeza. Impactos de alta velocidade provocam lesões de tecidos moles e duros. ou cirúrgicas. a possível preservação ou perda da visão já é determinada no momento do trauma. é importante que se determine o tipo de cinética de impacto (“onda de choque”) que causou a lesão. Uma avaliação clínica sempre tem início com a história. que a ferida por mordedura é anatomopatologicamente complexa. o olho. podendo se apresentar de diferentes formas. Lesões do forame orbitário podem ocasionar neuropatias sensoriais do trigêmeo. em casos de fratura. São bons exemplos as feridas por arma de fogo e por mordedura. diante de uma urgência ocular. bem como do estado geral do paciente. de tecidos moles e limitadas à região do choque. A impossibilidade de abrir a boca completamente pode ser devida a uma lesão de zigomático próximo ao processo coronoide da mandíbula ou por deslocamento para baixo dos dentes devido à fratura do maxilar (lembrar de causas não traumáticas. também. descontaminação e lubrificação do olho e seus anexos. podendo comprometer até a espinha cervical. Felizmente. faz que o proprietário. sobretudo. Assim. Impactos de baixa velocidade causam lesões. Um exemplo é a contusão causada por um chute que produz abrasão superficial. A cuidadosa avaliação radiográfica da cabeça é indispensável. sugere uma fratura de nasoetmoide. Via de regra. como os ângulos dos cantos. que podem causar. fundamentalmente a contusão e suas complicações. Vale salientar que frequentemente a extensão das fraturas da face é maior no trauma contuso do que nas extensas lacerações. também. se ela estiver aumentada. Quando indicada. as feridas das pálpebras e conjuntivas. No exame do esqueleto orbitário. os acidentes automobilísticos e as contusões com “onda de choque” veloz. pela sua nobre função. A distância intercantal normal é igual à distância entre as pálpebras. edema e contusão profunda com hemorragia. Sobre o trauma. podem estar deslocadas. referências anatômicas de tecido mole. As urgências traumáticas dos anexos oculares podem ser médicas. a reparação cirúrgica deve ser . Deve-se lembrar. além do risco funcional. procure rapidamente o veterinário. lesões intraoculares. como a miosite eosinofílica). uma vez que a energia da força de impacto é dissipada mais pelo esqueleto periorbitário do que pelos tecidos moles. Na maior parte dos casos. principalmente se houver necessidade de contenção química ou anestesia geral para facilitar o exame e/ou tratamento. causam dor e comprometimento da estética. a fim de permitir uma avaliação precisa da lesão. localização superficial e fragilidade. é possível postergar o tratamento definitivo por algumas horas. o canto temporal abaixo de sua posição normal sugere um deslocamento ventral do osso zigomático. Todas.

As respostas pupilares como elemento de avaliação não são úteis até 10 dias após o trauma. quando o globo fica contido apenas pelas suas ligações conjuntivais ou em casos de evisceração ocular maciça. A enucleação só estará formalmente indicada quando da ruptura do nervo óptico. Fraturas de Órbita São raras em cães e gatos. A resposta consensual é um sinal favorável. evitando a dessecação e auxiliando na redução de edema e . dolorosos (blefaroespasmo) e hemorrágicos (hemorragias subconjuntivais. Os primeiros músculos a se romper são o reto medial e o oblíquo ventral. Do contrário. As fraturas da arcada zigomática são as de maior incidência. Antes da redução devem-se avaliar o grau e o tipo de tecido ocular lesado: muscular. exoftalmia. pois não existe uma parede lateral orbitária óssea que é substituída pelo ligamento orbitário. O prognóstico funcional vai depender das complicações. dor. Luxação do Bulbo do Olho (Exoftalmia Traumática ou Proptose Ocular) Trata-se da consequência de violento trauma panfacial (brigas e acidentes automobilísticos). Uma pupila dilatada denota um trajeto parassimpático rompido (nervo óptico e/ou nervo oculomotor) de prognóstico reservado. A miose é de bom prognóstico. feridas. É de mau prognóstico o tamanho pupilar normal – ruptura do simpático e parassimpático. Os tecidos do globo e os vizinhos a ele vão se apresentar edemaciados (quemose). hifema e retrobulbares). Poderão ser constatadas equimoses e outras hemorragias. Não necessitam de tratamento cirúrgico as fraturas sem perda de alinhamento. o que causa um estrabismo divergente. deslocamento dos cantos. A redução da proptose inicia-se pela limpeza e umidificação do globo com chá de camomila gelado. O pronto reposicionamento do globo melhora o prognóstico visual. O blefaroespasmo impede o retorno do globo à posição original por causar obstrução venosa mecânica. enfisema subcutâneo (fratura da parede de seio facial). com pontos isolados simples ou em “8”. O hifema é um achado desfavorável pela possível lesão do corpo ciliar e risco de pthisis bulbi. Poderá ser constatada sintomatologia decorrente de trauma cranioencefálico e da espinha cervical (coma). As raças braquicefálicas são anatomicamente predispostas por possuírem órbitas pouco profundas. vascular ou nervoso. pois se trata da resposta normal de um olho irritado. mobilidade anormal com ou sem crepitação óssea. impossibilidade de abrir a boca até a “explosão” do globo ocular com evisceração. a osteossíntese é feita mediante cerclagem com fio de aço inoxidável 2-0 a 1.realizada assim que o paciente estiver estável. Sobrevém a dessecação da córnea por exposição.

41:105–108. Journal of Small Animal Practice. Patologia dos anexos oculares.A.V. Itakura C.N. Finalmente.20 Cão Pequinês adulto com proptose e estrabismo do bulbo do olho após trauma.N. Apocrine gland tumor of the eyelid in a dog. Prescrevem-se antibióticos tópicos (tobramicina ou ciprofloxacina) e um anti-hemorrágico à base de peptídeos derivados do fator VIII bovino (Figura 15.5 ml contendo partes iguais de atropina e de tobramicina é feita via subconjuntival bulbar.41:145–155. Sob anestesia geral.. Dennis R. realiza-se uma cantotomia temporal. Guimarães F. 2000. Referências Cruz A. Gellat K. Diagnosis. 34:3: 232-4. O globo é lubrificado com pomada oftálmica com antibiótico. 1997.5 ml de betametasona e promove-se a redução manual do globo.V. Veterinary Pathology. 1997.C. Philadelphia: Williams & Wilkins. Hirai T. Chahyd F. Use of magnetic resonance imaging for the investigation of orbital disease in small animals.H. Ribeirão Preto. Hendrix D.20). Kimura T. 2000. Simpósio: Oftalmologia para o clínico.. . Gelatt K. The canine eyelids. Outra injeção de 0. uma blefarorrafia temporária por duas a três semanas.N.30:36–56. 2nd ed. ed. treatment and outcome of orbital neoplasia in dog: a retrospective study of 44 cases.. hemostasia. Ochiai K. Figura 15. Medicina. In: Gellat K. Faz-se uma injeção retrobulbar de 0. Veterinary ophtalmology.. Journal of Small Animal Practice. Mubarak M. 1992:256–275.

Pratique Médicale e Chirurgicale de l’animal de Compagnie. In: Scott D. 1999 september. École Vétérinaire de Toulouse- France: Notes des Cours. 496-531 Slatter D. Scott D. Small Animal Practice. Lackner P. 1992. 2001 February. Lescure F.E.A. Equine Practice. B. 2001. Certificat d’etudes supérireures en ophtalmologie vétérinaire. Philadelphia: W.. 3rd ed. ed.H.H. Encyclopédie Vétérinaire.32(4):39–74.H. Saunders Company. Moore C.. 1986.H. Hereditary and congenital ocular disease in the cat. Jésupret C. In: Slatter D.. Ophtalmologie du Chat. B. Pathologie des paupières et de la membrane nictitante. Third eyelids.. claws. 1984. 1982. Pathologie des paupières. 3rd ed.W. Pratique Mèdicale et Chirurgicale de l’animal de Compagnie..P. surgical management of ocular disease.16(1):40–50. Miller W. 6th ed. Lignereux. Nafe L. Journal of Feline Medicine and Surgery.27(5):1011–1066. Affection de l’orbite (diseases of the orbit). 2001 march. Fundamentals of veterinary ophthalmology. 2001:225–236. ed.180(8):921– 926. Fundamentals of veterinary ophthalmology. 1992 a. Stades F. deuxième partie: pathologie de la membrane nictitante.W. Slatter D. Schmidt-Morand D. Diseases of eyelids. 1997.183(2):165–169. Amselgruber W. The cartilage of the third eyelid: a comparative macroscopical and histological study in domestic animals. Thecniques for surgical correction of adnexal disease. Fundamentals of veterinary ophthalmology. Pauletic M. Encyclopédie Vétérinaire.1(3):135–141. Cancerologie.C.27(3):385–392. p.32(4):39–74. Affections des paupières.P.P.. Philadelphia: W. Moore C.A. Saunders Company. Eyelid and nasolacrimal disease.M. Muller & Kirk’s – small animal dermatology. Pratique Mèdicale et Chirurgicale de l’animal de Compagnie. Affections des paupières. Schlegel T.C.2900:1– 7. Ophtalmologie. Pathologie des paupières et de la membrane nictitante. The Veterinary Clinics Of North America. 2001 b. Ophtalmologie du Chien. Mucocutaneous subdermal plexus flap from the lip for lower eyelid restoration in the dog. p. Philadelphia: W. Miller W. 2002. Journal of American Veterinary Medical Association. Confer A. B. Ophtalmologie du Chien. La pathologie de la troisième paupière. Slatter D. 2001:1185–1190. Schmidt-Morand D.. 2000. Pratique Médicale e Chirurgicale de l’animal de Compagnie. Narfstrom K.. Stades F. anal sacs and ears. Clin Tech Small Animal Practice. Encyclopédie Vétérinaire. 3rd ed. Griffin C. Saunders Company. première partie: pathologie dês .. 2000:1–7... Oeil et cancer (ocular tumors).8(3):449–519.. The Veterinary Clinics Of North America. Griffin C. ed. Ann Anat. B. 1997.M.W. Ophtalmologie du Chien. Clerc B.E. Jongh O.. Slatter D. Orbit. In: Schmidt-Morand D.21(6):417–418..H. 147-203 Slatter D. Surgery of the adnexa. Eyelids. Ophtalmologie.Jegou J.. Philadelphia: W. Constantinescu G.H.1900:1–8. Brehm H.H.H.M. 1997. Saunders Company.

29(5):1311–1323. Stades F. Wikie D. Conselho Regional de Medicina Veterinária do Mato Grosso do Sul. In: Abstracts of the XV Panamerican Veterinary Sciences Congress. sclera.C. Wouk A. 1999. Pratique Mèdicale et Chirurgicale de l’animal de Compagnie.1(1):19–22. I Simpósio Brasileiro e IV Encontro Latino-Americano de OFT Veterinária. Ribeirão Preto.A. In: Anais do II Congresso Brasileiro do CBCAV. Mato Grosso do Sul. 1988.A. Journal of the American Animal Hospital Association.116(supl. 1992 b. Palestra ministrada no Congresso Brasileiro do CBCAV. Ocular emergencies. Torres S. 56-60. 2003. The Veterinary Clinics of North America.P. MedveP. Ribeirão Preto. Ophtalmologie du Chien. Colégio Brasileiro de Cirurgia e Anestesiologia Veterinária.24:345–349. Kleiner J. p. p. . 2002. orbite and ocular globe in small animals. conjunctives.F. São Paulo. São Paulo. 23 a 27 de junho de 1996. 116-8. Ferreira FM. 1):405–435.M. Sterile nodular dermatitis in dogs. New surgical procedure for entropion correction: tarsal pedicle technique. Tratamento da obstrução das vias lacrimais em cães por meio da dacriocistorrinostomia. Tijdschr Diergeneeskd.. Wouk AFPF.F. 1991 april. 21 a 25 de outubro de 1996b. Sobre dois MÉTODOS DE CORREÇÃO CIRÚRGICA DO PROLAPSO DA GLÂNDULA DA 3ª PÁLPEBRA. Colégio Brasileiro de Cirurgia e Anestesiologia Veterinária. Campo Grande. Wouk AFPF. Small Animal Practice. Revista Brasileira de Medicina Veterinária – Pequenos Animais e Animais de Estimação. Traumatology of lids and cornea. Blepharoptosis surgery in Dogs. Wyman M. Blefarite em cães e gatos. Revista do Conselho Federal de Medicina Veterinária.27(3):369–383. Traumatic diseases of the eyelids.. I Simpósio Brasileiro e IV Encontro Latino-Americano de OFT Veterinária. 23 a 27 de junho de 1996a. Wouk AFPF. paupières. Farias MR. 8(27): ISSN 1517-6959 Wouk AFPF.F.

entre outros equipamentos. o anestesiologista envolvido no procedimento também deve possuir experiência na área odontológica. permitindo regulagem de altura e dotada de grade ou outro dispositivo que mantenha o corpo do paciente livre da água originada da maioria dos procedimentos. sistema de iluminação próprio e adequado e mesas auxiliares. Herbert Lima Corrêa. o que a torna diferente em alguns aspectos da maioria dos procedimentos cirúrgicos. Por esta razão recomenda-se o envolvimento de equipes multidisciplinares com médicos veterinários treinados em áreas distintas e complementares. Capítulo 16 Odontologia e cirurgia bucomaxilofacial (cirurgia dentária e da cavidade oral) Marcello Rodrigues da Roza. Além disso. bem como treinamento em odontologia. O centro cirúrgico ou a sala de cirurgias devem estar adequadamente equipados para procedimentos odontológicos. Importantes bloqueios anestésicos locais . que neste caso deve ser apropriada. O cirurgião que realiza procedimentos na cavidade oral deve possuir conhecimento da anatomia e fisiologia oral. gerando a necessidade de internação e cuidados especiais durante algum tempo. sistema para anestesia apropriada. material para cirurgias ortopédicas e bisturi eletrônico. aparelho de raios X odontológico. principalmente oncologistas e ortopedistas. possui uma rica flora bacteriana. a sala deve possuir pontos de oxigênio e ar comprimido. Além da mesa cirúrgica. Marco Antonio Gioso Introdução A cirurgia na cavidade oral é caracterizada por uma série de particularidades. O local deve ainda dispor de equipo odontológico. Além do cirurgião. a fim de minimizar eventuais danos às estruturas envolvidas ou circunvizinhas à área de intervenção. o que dificulta os padrões de assepsia e torna praticamente impossível o seu isolamento. O local deve ainda dispor de área adequada para cuidados pós-operatórios. Outro detalhe importante é conhecer as doenças e particularidades peculiares às espécies. já que muitas vezes procedimentos cirúrgicos longos e radicais são realizados. A cavidade oral é altamente vascularizada e constantemente banhada por saliva.

Um exemplo disso na rotina é quando se está diante de um dente fraturado com exposição da polpa. além do registro fotográfico e radiográfico são documentos importantes e não devem ser ignorados. bi ou trirradiculares). apicogênese completa ou incompleta. como número de raízes.são realizados na cavidade oral e analgesia pós-operatória deve ser provida. O paciente deverá estar devidamente anestesiado. Os anestésicos inalatórios conferem pouca ou nenhuma analgesia. esta poderá ser ponderada. sendo reservada a casos em que realmente o elemento dental está condenado ou em situações particulares. pois esta mobilidade pode ser resultante de fratura radicular. sendo altamente recomendável fazer uso dos bloqueios regionais ou opioides quando os bloqueios forem contraindicados ou não conferirem analgesia adequada. Se o responsável pelo paciente perguntar ou pedir pela extração. Em cães e gatos. As extrações podem ter algumas classificações. posicionamento e inclinações. Exodontias As extrações dentárias são frequentes na prática da odontologia veterinária. Portanto entende-se que o profissional deve indicar o tratamento endodôntico sem dar a opção da extração. Embora cães e gatos possam viver com razoável qualidade de vida sem um ou mais dentes. em geral. daí sim. O cirurgião deve ter pleno conhecimento anatômico das estruturas ósseas e dos tecidos moles adjacentes aos dentes. é necessário mais técnica do que força para extrair a maior parte dos dentes. mantendo-se conforto e bem-estar para o paciente. como também da anatomia e fisiologia dental. nas quais haja consenso entre o profissional e o responsável pelo paciente de que esta é a melhor opção. É importante. Pensa-se que alguns profissionais possam fazer uma abordagem equivocada de determinado caso quando oferecem a extração como uma opção de tratamento. formato. que se tenha o consentimento do responsável pelo paciente. ao número de dentes (unitária ou múltipla) e ao número de raízes (uni. e não da perda óssea como suposto. Para tal o cirurgião deve estar bem posicionado em relação . antes de qualquer extração. na indicação e no planejamento cirúrgico. pois em muitas situações a evolução de uma afecção está em um estágio muito avançado quando o paciente é levado ao serviço veterinário. O registro radiográfico é importante não apenas por constituir um documento. salvo alguma particularidade que o contraindique. Fichas clínica e de tratamento devidamente preenchidas com anotações pertinentes à indicação da extração. por exemplo. mas por auxiliar no diagnóstico. a indicação de extração não deveria ser banalizada. Mesmo dentes que apresentam grande mobilidade deveriam ser radiografados. O tratamento de escolha para estes casos é o endodôntico. como quanto à via de acesso (alveolar ou extra-alveolar). preferencialmente com anestesia inalatória e monitorização.

Nestas espécies. mas. O cirurgião deve avaliar com qual modelo e tamanho ele tem maior facilidade de trabalho para cada elemento dental ou raiz. deve-se tirar o epitélio aderido da gengiva.ao paciente. Movimentos de alavancagem nos dentes adjacentes podem ser realizados com cautela sob o risco de fraturá-los ou abalá-los. facilitando a luxação do dente. então.12% em abundância. é recomendável fazer uma profilaxia bucal. bem como dos dentes adjacentes. expondo o rebordo alveolar e o espaço periodontal. em especial do dente a ser extraído. A alavanca deve ser inserida no espaço periodontal e movimentos combinados de força em direção apical e de rotação da alavanca podem ser feitos até obter-se a luxação do dente. para. de forma que os movimentos sejam realizados preferencialmente alinhados ao longo eixo do dente ou raiz a ser extraída. Quando o dente ou raiz já apresenta certo grau de mobilidade. é interessante que o paciente esteja sob cobertura antibiótica de amplo espectro. segue-se a remoção do dente com auxílio de fórceps. Dependendo da experiência do cirurgião ou em casos de grande mobilidade dental. A anatomia da maioria dos dentes dos cães e principalmente dos gatos apresenta um estreitamento do colo dentário. tornando este ponto suscetível a fraturas. a luxação pode ser tentada diretamente com o uso do fórceps. para qualquer intervenção na cavidade oral deve-se proceder à antissepsia com clorexidina a 0. os dentes bi ou trirradiculados apresentam . • sindesmotomia: com auxílio de um sindesmótomo ou um esculpidor de Hollenback. As fibras periodontais são elásticas. se forçadas até o seu limite e mantendo-se a força constante por alguns segundos (cerca de 5 segundos). Além disso. • exame radiográfico. Há casos descritos de perfuração do globo ocular e trauma no cérebro. Existem vários modelos e tamanhos de alavancas que podem ser usados para luxação dos dentes. Pode-se fazer alavancagem entre as raízes do dente a ser extraído. • profilaxia oral: quando a causa de extração for doença periodontal. ou eventualmente uma lâmina de bisturi n° 15. Um princípio básico que deve ser seguido é segurar a alavanca com o dedo indicador bem próximo à ponta ativa para evitar trauma a estruturas adjacentes. Técnica cirúrgica Dente Unirradicular – Via Alveolar Os tempos cirúrgicos para a extração unitária de um dente unirradicular pela via alveolar são os seguintes: • exame clínico oral com explorador e sonda periodontal. elas se rompem. Em seguida. • luxação: é feita com o uso de alavancas. iniciar o procedimento de extração.

Cães . como em um caso de extração com a intenção de reabilitar o paciente por meio de um implante dentário. Quando há seu desprendimento. o que facilita o processo cicatricial. Para preencher o alvéolo ou até promover o aumento do rebordo alveolar pode-se fazer uso de materiais osteocondutores como osso liofilizado e hidroxiapatita ou materiais osteoindutores como osso autógeno. além de promover um ligeiro sangramento para que o alvéolo fique preenchido com sangue. antibioticoterapia e analgesia. havendo necessidade de curetagem (contraindicada por alguns autores). em algumas situações. o alvéolo deve ser curetado com o objetivo de remover eventuais resquícios dentários e todo tecido contaminado. tornando-o unirradiculado. pode ocorrer alveolite. a alveoloplastia pode ser feita rebaixando-se o bordo alveolar e ganhando-se gengiva para a sutura. compostos minerais (Consil®). Nos casos em que o alvéolo é largo e há dificuldade na coaptação dos bordos gengivais. proteína morfogenética bovina (BMP) e peptídios sintéticos (Pepgen P15®): • sutura: o principal objetivo da sutura é manter o coágulo dentro do alvéolo. • curetagem: após a extração do dente. por exemplo. A cureta de Lucas. Se houver evidência ou suspeita de fratura radicular. ainda há a necessidade de aumentar o rebordo alveolar. a perda óssea também passa a ser importante e. ruginas ou até mesmo brocas de carbide na alta rotação. de modo que mesmo em um dente com mobilidade pode ter suas raízes fraturadas se não for devidamente luxado e feita a secção da coroa. nos seus vários tamanhos. da mandíbula. • extração propriamente dita: uma vez que o dente ou raiz está bastante luxado. • alveoloplastia: pequenas irregularidades ósseas podem ser removidas com auxílio de curetas. que deve apresentar-se liso ao toque. conferindo-se se este se encontra íntegro e não houve fratura radicular. esta perda adicional pode ser significativa. É interessante também a sensibilidade tátil passando-se o dedo no ápice. Recomenda-se a inspeção visual do ápice radicular. uma divergência entre as raízes. Em outras situações. cuja coagulação servirá de base para a cicatrização com formação óssea para preencher o alvéolo e também reepitelização da gengiva sobre este. deve-se radiografar este dente para confirmação. Cuidado também deve ser tomado no sentido de não fazer compressão excessiva da coroa com o fórceps para evitar sua fratura. este pode ser finalmente extraído do alvéolo com auxílio de um fórceps. Em pacientes que tiveram grande perda óssea devido a doença periodontal. plasma rico em plaquetas (PRP). seca que é um processo bastante dolorido. é a mais comumente utilizada para esta finalidade. predispondo à fratura. respeitando-se o longo eixo da raiz por meio de movimentos combinados de tração e rotação. Após uma extração ocorre em geral ligeiro rebaixamento do bordo alveolar no processo de cicatrização.

o que traz conforto e facilita a cicatrização. uma sutura compressiva com pontos simples bem próximos em geral é suficiente. permitindo a adaptação dos bordos gengivais sem grande necessidade de descolamentos da gengiva ou mucosa. Deve-se fazer a sindesmotomia para expor a região da furca. A gengiva e outros tecidos moles devem ser cuidadosamente afastados. Embora raros. Em muitos casos a sutura pode ser dispensada. casos de hemorragia podem estar ligados a fatores sistêmicos e devem ser pesquisados. Em outras situações. Hemorragia não é comum após extração dos dentes. O resultado é dois ou mais dentes unirradiculares cuja extração é mais fácil (Figura 16. que são mais difíceis de serem usados e aumentam o risco de lesar estruturas adjacentes. é comum ter-se parte da superfície do alvéolo recoberta por epitélio. Dentes Multirradiculados – Odontossecção Para dentes bi ou trirradiculares é aconselhável fazer a secção da coroa em partes. Preconiza-se que o corte da coroa seja feito da região da furca em direção à área de menor volume da coroa. como na extração de dentes decíduos. Pequenos ajustes podem ser obtidos com alveoloplastia. e gatos não fazem pressão negativa para comer ou para beber água e não ficam passando a língua no sítio da extração como os seres humanos. Para que haja perfeita coaptação dos bordos gengivais pode haver necessidade de liberação da gengiva aderida ou retalho mucogengival. Outras opções de materiais para odontossecção são o disco de diamante acoplado à peça de mão e o fio-serra de Gigli.1). Caso isto não ocorra. a simples coaptação dos bordos gengivais por ligeira pressão digital é suficiente. Em geral. Pequenos sangramentos são normalmente interrompidos com pressão local. . que rebaixa o bordo alveolar. Um princípio geral que deve nortear a escolha de suturar ou não a gengiva após uma extração pode ser o de não deixar osso exposto e um excesso de gengiva sem suporte ósseo. usam-se pontos simples separados com fios absorvíveis como categute ou Vicryl. Acredita-se que isto possa contribuir para a baixa ocorrência de casos de alveolite seca quando em comparação com pacientes humanos. Quando o motivo da extração é a doença periodontal grave. 702 e 703 (KGS) acopladas à alta rotação com irrigação em abundância. Para realizar a odontossecção são utilizadas brocas do tipo FG Zekrya (Malleifer) ou Carbide FG 701.

1 Dentes terceiro e quarto pré-molares superiores esquerdos de gato após odontossecção. Pode-se tentar discreta alveoloplastia com brocas de carbide FG 701 ou 1C ou 2C para facilitar a visualização e remoção do fragmento.Figura 16. na maxila. A pulverização da raiz é outra opção. recomenda-se a extração pela via extra-alveolar. a despeito da destreza do cirurgião. perda de osso alveolar e retardo na cicatrização e.2). Caso não se obtenha sucesso com estas manobras ou o cirurgião previr o risco de empurrar o fragmento radicular para a cavidade nasal ou canal mandibular. Em gatos são muito comuns as reabsorções dentárias e anquiloses. podendo levar a trauma iatrogênico. Mesmo assim. desde que não haja indícios radiográficos de lesão periapical e estomatite. Em gatos é comum ter-se o terço apical de alguns dentes com diâmetro mais largo que o restante da raiz. tais fragmentos podem ser deixados. provocar uma comunicação com a cavidade nasal. Fratura Radicular Todo esforço deve ser feito para evitar a fratura radicular durante a extração. devendo tomar-se o cuidado de não empurrar o fragmento radicular para dentro do canal mandibular ou cavidade nasal. Tal particularidade não raras vezes culmina com a fratura da raiz. Deve-se de todas as maneiras tentar a remoção do fragmento radicular. pode ocorrer fratura devido a reabsorção dentária e anquilose. tornando um desafio a extração do dente mesmo após luxação. pois a remoção do fragmento é geralmente trabalhosa e mais traumática para o paciente. A remoção do fragmento radicular é muito difícil. situações que favorecem a fraturas a despeito da experiência e destreza do cirurgião. . tornando a diferenciação clínica e radiográfica difícil (Figura 16. Existem elevadores de raiz bem pequenos e delicados que podem ser utilizados na tentativa desta remoção. mas tem sido desencorajada. pois na mandíbula incorre-se no risco de cair no canal mandibular e lesar a artéria e o nervo alveolar inferior e. Nas reabsorções do tipo II (tipo substitutiva) ocorre a substituição de tecido dentário por tecido ósseo.

que consiste em elevar-se um flap (mais conhecido como retalho. mesial e distal. Figura 16. Deve-se tomar muito cuidado tanto na elevação deste flap quanto na sua manipulação e. no momento de remover o osso no sentido de preservá-lo. No caso de raiz palatina. também. remove-se o osso alveolar nas faces vestibular. No entanto. pois em animais as evidências de dor e desconforto são muito subjetivas e ainda não existe a cultura de reavaliações periódicas. Com auxílio de uma broca cirúrgica (carbide FG 701 ou 2C) acoplada à caneta de alta rotação com irrigação ou um pequeno cinzel e martelo remove-se o osso sobre a raiz. Após a remoção óssea. é preferível fazer a extração do fragmento radicular. não contribuindo para a valorização do profissional médico veterinário) da gengiva e mucosa alveolar expondo o osso alveolar.2 Radiografia da mandíbula de um gato evidenciando lesão de reabsorção dentária tipo II. com auxílio de alavancas e elevadores de raiz. se um fragmento radicular for deixado intencionalmente. trabalha-se nas faces mesial e distal até obter-se a . se a gengiva estiver cicatrizada e não houver indícios de lesão periapical. este deve ser acompanhado clínica e radiograficamente e o responsável pelo paciente deverá ser informado da decisão. a princípio este deve ser extraído. deixar este fragmento sob observação pode ser uma opção em algumas situações particulares. pois o mesmo deverá ser devolvido ao seu sítio original e suturado. no entanto este termo desagrega valor. deve-se optar pela via extra-alveolar. Se durante um exame radiográfico for achado um fragmento radicular. Nas reabsorções do tipo I em que há um componente inflamatório envolvido e geralmente existe doença periodontal concomitante. Técnica Extra-alveolar Quando por alguma razão não for possível remover o dente ou fragmento radicular pela via alveolar. Deve-se ter em mente que.pois o acompanhamento de vários casos mostrou que na maioria das vezes as raízes continuam sendo reabsorvidas. expondo-a.

devem-se suturar os bordos gengivais tomando-se o cuidado de que estes bordos sejam reavivados e estejam livres de tensão. regularizam-se as margens ósseas (alveoloplastia) e. Durante a sondagem periodontal na face palatina deve-se observar se há sangramento na narina do mesmo lado. a técnica preferencial é a extra-alveolar (Figuras 16. a indicação da extração deste dente se faz principalmente diante de uma doença periodontal grave em que há bolsa periodontal. Faz-se a sindesmotomia deste ponto em direção ao canino até na sua face mesial e rebate-se a gengiva e mucosa alveolar de modo a expor o osso alveolar que está sobre a raiz do canino. Se houver tal comunicação. desvio apical. Os terceiros incisivos. Particularidades dos diferentes grupos de dentes Incisivos Os incisivos de cães e gatos são unirradiculares. o que pode promover a fratura da tábua óssea alveolar que separa o canino da cavidade nasal. podem apresentar considerável curvatura radicular e. se necessário. eventualmente. e o movimento para sua extração deve acompanhar a curvatura e o eventual desvio radicular para evitar sua fratura. dificultando sua extração pela via alveolar. Cuidado deve ser tomado no sentido de não provocar uma comunicação oronasal com uso da alavanca na face palatina ou no momento da extração inclinando-se a coroa para vestibular. pode-se liberar o periósteo na base do flap incisando-o com lâmina de bisturi e divulsão com tesoura pequena. A ocorrência de sangramento neste momento ou durante a extração do dente é evidente sinal de comunicação oronasal.3D). perda óssea ou mobilidade. Quando o periodonto está hígido. para aliviar a tensão na linha de sutura.3A a 16. em seguida. Caninos Superiores em Cães O canino superior de cães tem a raiz curva. Deve-se proceder a uma boa luxação deste dente antes de usar o fórceps para sua extração. Com auxílio de uma broca cirúrgica acoplada à caneta de alta rotação ou de . Cureta-se o alvéolo e. Caso haja tensão. em especial de cães. Deve-se tomar cuidado com vasos e nervos provenientes do forame infraorbitário.o que dificulta sua extração. facilitando sua extração pela técnica alveolar. retração gengival. O movimento de extração deve sempre respeitar o longo eixo do dente e a curvatura radicular.luxação do dente ou raiz e posterior remoção. Uma incisão da mucosa alveolar é feita desde a região próxima ao ápice do canino até a região do 1o ou 2o pré-molares. em geral. No entanto. reposiciona-se o flap de volta ao sítio de origem para sutura com pontos simples separados. será necessário ampliar a sindesmotomia descolando-se a gengiva ou flap mucogengival. Se necessário. A via alveolar nestes casos pode ser tentada.

e cautelosamente na face palatina (evitar comunicação oronasal) para obter-se a luxação do dente. Uma opção seria usar material estéril. O alvéolo é cuidadosamente curetado e em seguida faz-se a alveoloplastia e o flap mucogengival é retornado à sua posição e suturado. Caninos Superiores de Gatos Os caninos superiores de gatos têm suas raízes menos curvadas que os de cães. no caso de extração do canino superior.um cinzel e martelo o osso sobre a raiz do canino deve ser removido. é removido pela face vestibular. uma vez que o ar e a água que saem da caneta não são estéreis. Outro motivo para utilizar-se a técnica alveolar é para preservar a tábua óssea vestibular que auxilia na manutenção do lábio mais afastado. embora rotineiro em odontologia veterinária. C: Remoção da tábua óssea vestibular com martelo e cinzel. D: Aspecto após sutura. Figura 16. Após a remoção do osso vestibular.3 Sequência de exodontia de dente canino superior esquerdo em cão. alavancas devem ser utilizadas nas faces distal e mesial. é discutível. Recomenda-se. por isso a técnica de escolha é a alveolar. ar estéril e irrigação com antissépticos no reservatório do equipo odontológico ou irrigação externa com solução fisiológica. evitando que o canino inferior venha a ocluir sobre este. que. O uso de brocas com alta rotação para esta finalidade. que seja feita odontoplastia preventiva na ponta da cúspide do canino inferior antagonista com o objetivo de minimizar um possível . então. B: Início da remoção da tábua óssea vestibular após rebatimento do tecido mucogengival. A: Dente fraturado.

cureta-se o alvéolo. pois existe o risco de fratura da mandíbula. a sua extração não deve ser feita pela via alveolar. Caninos Inferiores A não ser que estes dentes estejam abalados devido à doença periodontal avançada. ex. o que pode fragilizar a mandíbula. removendo-se pequenas quantidades gradativamente até que julgue suficiente para obter-se a luxação do dente. Primeiros Pré-molares Por serem dentes unirradiculares.: Singlebond 2. A odontoplastia deve ser mínima. suficiente apenas para arredondar a ponta da cúspide. no terço apical. O cirurgião deverá ponderar sobre esta remoção óssea. Pré-molares Birradiculados Deve-se proceder a sindesmotomia seguida de odontossecção a partir da região da furca. acompanhando-se a curvatura radicular. deve-se ponderar sobre o preenchimento com materiais osteocondutores ou osteoindutores. Devido à presença do forame mentoniano e do freio labial a incisão na mucosa é feita na face mesial do dente. e pode ser feita com discos de polimento acoplados à baixa rotação. deverá ser removida maior quantidade de osso. A via extra-alveolar é preferida. Esta deve ser seguida de selamento dos túbulos dentinários por meio de condicionamento ácido (10 a 15 s) e aplicação de adesivo para dentina (p. portanto. Em casos nos quais mesmo após odontoplastia venha a ocorrer o trauma oclusal. de modo semelhante aos incisivos. a técnica alveolar é a de escolha. 3M). deve-se ponderar a redução de coroa do canino inferior. Dependendo da situação e da quantidade de osso removida. contribuindo para o aumento da resistência óssea após a cicatrização e reparação óssea. O resultado é dois dentes unirradiculares que podem ser extraídos pela via alveolar. faz-se a alveoloplastia e sutura-se o flap mucogengival de volta ao local com pontos simples separados. Após a remoção. Cuidadosamente esta mucosa é elevada. expondo-se o osso alveolar sobre a raiz do canino que deverá ser removido. Para tal é recomendável fazer uma radiografia apenas da coroa do canino inferior (técnica do paralelismo) para ter-se uma noção da localização da câmera pulpar. tomando-se o cuidado de que estas incisões sejam ligeiramente divergentes no . O terço apical da raiz do canino inferior é deslocado em direção à face lingual da mandíbula. No caso de maior dificuldade ou fratura radicular. faz-se um flap mucogengival mediante incisões na gengiva e mucosa alveolar na mesial e distal do dente.trauma oclusal deste sobre o lábio superior.

Cuidado deve ser tomado nos casos dos pré-molares superiores para não causar uma comunicação oronasal iatrogênica pelo uso de alavancas na face palatina. pode apresentar-se com duas raízes definidas. equivalentes a três dentes unirradiculares. uma raiz supranumerária e o primeiro molar inferior já foi observado também raiz supranumerária.4 Odontossecção do dente quarto pré-molar superior direito de cão. O osso alveolar da tábua vestibular deve ser removido seguido de luxação dental com alavancas e sua remoção. A: Separação da raiz mesiodistal das mesiorrostrais. em alguns casos. O terceiro molar superior pode apresentar. Na raiz mesiopalatina deve-se tomar cuidado no uso de alavancas ou remoção óssea na face palatina para não causar uma comunicação oronasal. A raiz distal é maior. além de saber destas possíveis variações anatômicas. Após sindesmotomia. Figura 16. As raízes mesiais são menores e mais delicadas. B: Aspecto final após a separação das raízes mesiovestibular e . mas em aproximadamente metade dos casos mostrar-se com duas raízes fusionadas. O segundo pré-molar superior de gatos pode se apresentar com apenas uma raiz.3% dos casos.molar superior. Quarto Pré-molar Superior em Cães e Gatos Este dente possui três raízes. em cerca de 10.sentido apical e. deve-se proceder à odontossecção da coroa. O importante. Reposiciona-se o flap mucogengival e sutura-se com pontos simples separados. e. fraturá-las. evitando-se. no caso de pré-molares superiores. semelhante à descrita anteriormente.4A a 16. tomando-se o cuidado com vasos e nervos provenientes do forame infraorbitário. é tornar-se padrão o exame radiográfico antes da extração. Em cães também já foi observada raiz supranumerária no terceiro pré. devendo-se primeiro luxá-las com alavancas para depois utilizar o fórceps. Nos casos de maior dificuldade para extração ou fratura radicular pode optar-se pela via extra-alveolar. sendo duas mesiais (vestibular e platina) e uma distal. o que facilita sua extração com pequeno uso de alavancas e combinação de movimentos de rotação e tração do dente com o fórceps. dividindo-a em três partes (Figuras 16. não apresenta estreitamento no colo dentário e tem formato cônico expulsivo.4B). assim.

pois entende-se que. devendo ser luxadas antes da utilização do fórceps. pode-se optar pela amputação da raiz seguida por tratamento endodôntico das raízes mesiovestibular e distal. em situações especiais. Outra situação seria. sendo duas raízes vestibulares (mesial e distal) e uma palatina. Primeiro Molar Superior em Cães Trata-se de um dente trirradiculado.5 Aspecto final da odontossecção do dente primeiro molar superior de cão. como presença de bolsa periodontal na raiz mesiopalatina a ponto de condenar o dente. Figura 16. Geralmente neste dente não é feita sutura. seria o trauma para . para deslizar a gengiva para recobrir o alvéolo da raiz palatina maior. o que facilita sua extração com pequeno uso de alavancas e maior utilização do fórceps por meio de movimentos combinados de rotação e tração.5) As raízes vestibulares são mais delicadas.mesiopalatina. Uma solução seria a amputação da raiz mesiopalatina e tratamento endodôntico das demais raízes. Já a raiz palatina é maior. Neste dente. durante um tratamento endodôntico. não se conseguir acessar esta raiz mesial. sem estreitamento na região do colo e com formato cônico expulsivo. O dente deve ter sua coroa seccionada em três partes (Figura 16.

principalmente nos casos de doença periodontal severa. é preferível o uso de alavancas na face mesial. eventualmente. sendo comuns desvios radiculares e fusões. mas sem prejuízo ao paciente. requerendo cuidado especial na sua luxação e posterior extração. porém a raiz distal é bem delicada. após sindesmotomia. ou seja. Segundo Molar Superior em Cães Este dente é trirradiculado. Apenas o uso de alavancas já é suficiente para sua luxação e posterior extração com uso de fórceps. nem sempre estas raízes estão nesta disposição clássica. Deve-se ponderar sobre a utilização de materiais osteocondutores ou osteoindutores nesta região. Primeiro Molar Inferior Os primeiros molares inferiores têm duas raízes em cães e gatos. No entanto a perda óssea deve ser considerada fator de risco a uma fratura de mandíbula durante ou após a extração. Como este dente está no final da maxila e no seu limite distal pode existir uma delgada lâmina óssea. e para sua extração devem ter sua coroa seccionada em duas partes (Figura 16. tornando o resultado da odontossecção incerto. Em gatos. Primeiro Molar Superior em Gatos Este dente pode ser uni ou birradiculado e. fazendo-se uma alavanca até a completa luxação do dente. a raiz mesial é semelhante à dos cães. ter as raízes fusionadas. não necessariamente ser três dentes unirradiculares. . No entanto. podendo-se apoiar com cuidado no primeiro molar. não possuem estreitamento no colo e têm formato cônico.realização deste retalho que o benefício da sutura.6). sendo duas raízes vestibulares (mesial e distal) e uma palatina. pode haver fratura desta lâmina óssea. no entanto não há necessidade de odontossecção. tendendo a expulsivo. Em cães as raízes deste dente são avantajadas. o que facilita suas extrações com pequena alavancagem e uso de fórceps. onde existe maior suporte ósseo. que fica aderida à raiz vestibulodistal. Diante disso.

Devido a estas possíveis variações é importante o exame radiográfico prévio à extração. principalmente em raças pequenas. também influenciada por fatores locais. como é o caso do terceiro molar. a pressão de erupção dos dentes permanentes resulta em alguma destruição de raiz. Portanto. particularmente o ligamento periodontal. . o que significa perda de tecido de suporte do dente decíduo. na sequência. sendo contraindicada a odontossecção. Em gatos. Segundo e Terceiro Molares Inferiores Estes dentes estão presentes apenas nos cães.6 Odontossecção do dente primeiro molar inferior de cão. já foi vista a ocorrência de raiz supranumerária neste dente. de forma que as estruturas de suporte do dente. apenas uma raiz. Têm-se visto.Figura 16. a ausência do terceiro molar e a presença do segundo molar com raízes fusionadas. o segundo molar apresenta duas raízes e o terceiro. e a reabsorção do dente se inicia. ocorra a erupção do dente permanente. Acredita-se que fatores genéticos são determinantes. Em cães que apresentem comprometimento periodontal severo apenas na raiz distal deste dente. O normal e fisiológico é que o dente decíduo seja esfoliado e. ou seja. para o segundo molar recomenda- se a secção da coroa em duas partes e a extração como dois dentes de apenas uma raiz. que deverá ter seu canal tratado endodonticamente. as células estariam programadas para morrerem. pode-se optar pela amputação da raiz distal e manutenção da porção mesial do dente. se degeneram. Até o momento não se sabe o mecanismo exato que desencadeia a esfoliação dos dentes decíduos. O crescimento da face e dos ossos maxilares e a maior força dos músculos da mastigação provavelmente aumentam as forças aplicadas aos dentes decíduos. Obviamente. Dentes Decíduos A persistência dos dentes decíduos é bastante frequente em cães de raças pequenas e menos comum nos de raças grandes e em gatos. levando à esfoliação do dente decíduo. Em geral.

mesmo que venha a acontecer. O raciocínio de que este dente ainda poderá ser esfoliado dispensando a extração é errado. indicando a provável reabsorção radicular. o germe dentário de um dente permanente possa se desenvolver em uma posição anormal. pois o dente permanente acaba por erupcionar fora de posição. dente decíduo deverá ser extraído (Figura 16.7). e mais imediato. A despeito das possíveis causas. Tão cedo seja notado que o dente permanente começa sua erupção e o decíduo não apresente mobilidade. levando ao aparecimento precoce da doença periodontal. O segundo problema é a predisposição ao maior acúmulo de placa devido ao espaço reduzido entre os dentes. Seria ideal que fossem recomendadas reavaliações durante a troca dos dentes (principalmente entre o 4° e o 6° mês de vida). é a má oclusão. o que poderá levar a inflamação e destruição do aparato de sustentação de ambos os dentes. Dentes fora de posição predispõem a maior acúmulo de placa e consequente desenvolvimento da doença periodontal. Acredita-se que. acelerando-se o processo de esfoliação dentária.tornando-o menos capaz de suportar grandes forças mastigatórias. nada pode ser feito para evitar a persistência dos dentes decíduos. Culturalmente. Isto exige uma mudança no protocolo de atendimento de filhotes que geralmente têm alta. até onde se sabe. em raças pequenas. influenciando. o dente permanente pode ficar definitivamente em uma posição errada. e geralmente ocorre. assim. configurando uma má oclusão. o dente permanente pode ficar na posição errada. decíduo e permanente. Caso isto não ocorra. o atraso na sua esfoliação e levando a sua persistência. poder-se-ia diagnosticar precocemente uma situação de persistência em potencial. não exercendo pressão local no dente decíduo. portanto deve-se concentrar no manejo adequado diante da sua ocorrência. após o 4° mês de vida quando recebem as últimas doses de vacina. acredita-se que pouco se deva fazer além de esperar que estes dentes sejam esfoliados por si sós até 1 ano de idade. Portanto tais motivos são suficientemente importantes para que a troca dos dentes seja monitorizada pelo médico veterinário. estes dentes deverão ser extraídos. O primeiro. em média. A persistência de dentes decíduos pode levar a dois problemas. . na medicina veterinária. Dessa forma. pois. Mesmo que o dente decíduo venha a ser esfoliado mais tardiamente.

estão com rizogênese incompleta. Em algumas situações pode-se ter dúvida entre o dente permanente e o decíduo. bem como nos casos de fratura radicular. Quanto mais precoce for a extração. Deve-se evitar fazer alavanca no dente permanente ou trabalhar com alavancas em direção a ele. sobretudo nos casos precoces. mas também os pré-molares. Se não for possível a extração sem apoiar no dente permanente ou trabalhar com a alavanca em sua direção. O dente decíduo é mais delgado que o permanente correspondente e também apresenta um ápice fechado e canal mais estreito que o permanente. A técnica de extração é semelhante à dos dentes permanentes. mais fácil ela será.Figura 16. permitindo a luxação radicular com maior facilidade. Outra vantagem é que. sendo fundamental o exame radiográfico prévio que facilita esta diferenciação. Os dentes considerados mais persistentes são os caninos e incisivos. no entanto. após a extração precoce tem-se visto que é comum o dente ir para uma posição adequada e os outros dentes se encaixarem. é preferível extrair pela via extra-alveolar. a radiografia pode revelar agenesia do dente permanente. preferencialmente optando-se pela via alveolar. Outro motivo é que o dente não apresenta sinais de rizólise. Deve-se. é preferível deixá-lo a extraí-lo e ficar um espaço sem dente. pois os dentes permanentes.7 Presença concomitante dos dentes incisivos inferiores permanentes e decíduos em cão. Dentes Impactados . Por vezes. como o paciente ainda está em desenvolvimento. mesmo que um dente esteja fora de oclusão. embora possam parecer robustos nesta fase da troca. pois o osso alveolar ainda é mais maleável. Neste caso. sendo mais fácil extrair estes dentes sem fraturar suas delicadas raízes. se o dente decíduo encontra-se íntegro e não causando qualquer tipo de problema. sendo mais sensíveis a um possível trauma. alertar o responsável pelo paciente de que este dente decíduo pode ser esfoliado com o tempo.

Na presença de cistos. Dentes impactados devem ser extraídos. uma vez que o epitélio da gengiva se une ao epitélio da cavidade nasal. Comunicação bucossinusal A cavidade oral está muito próxima da cavidade nasal em cães e gatos. principalmente após alimentação ou ingestão de líquido. Espirros e descarga nasal. pode-se ponderar sobre a opção de não extrair o dente e acompanhá-lo radiograficamente.A ausência clínica de um dente deve ser confirmada radiograficamente para se saber se existe algum resquício radicular ou eventualmente um dente impactado. removendo-se todo o epitélio do cisto. Em Alguns casos a comunicação é bastante evidente e é uma sequela da perda do canino superior. Secreção nasal unilateral. e diante da inexistência de sinais de alterações radiográficas. No entanto o responsável pelo paciente deve participar desta decisão. Sinais Clínicos A comunicação bucossinusal pode ser visibilizada na grande maioria das vezes. podem estar presentes. ocasionalmente com pus e/ou sangue. A entrada de água e alimento provoca desconforto ao paciente e contaminação da cavidade nasal. Estas comunicações não se resolvem sozinhas. A doença periodontal leva a perda óssea e potencial comunicação bucossinusal. Considerações Pré-operatórias . também são fortes suspeitos de comunicação. Mas em outros ela não se apresenta evidente. completamente curetada. Cães idosos são mais acometidos por comunicações em função de doença periodontal e tumores. Se a presença de um dente impactado for um achado radiográfico durante um exame de rotina em um paciente mais velho. Na região dos caninos superiores até os terceiros pré-molares uma delgada lâmina de osso alveolar (tábua óssea alveolar) separa as raízes dentárias da cavidade nasal. pois podem originar lesões císticas. havendo necessidade de uma confirmação. Não há predisposição racial ou de sexo. espirros frequentes. o dente deve ser extraído e a cavidade. Causas traumáticas e lesões iatrogênicas acometem animais de qualquer idade. Na presença de bolsa periodontal profunda na face palatina deve-se suspeitar de uma comunicação. Em grandes defeitos ósseos deve-se ponderar sobre o uso de materiais osteoindutores ou osteocondutores para preencher o defeito. Sangramento nasal durante a sondagem de um dente nesta região é uma evidência irrefutável de comunicação. sobretudo na região dos dentes caninos.

com fios monofilamentares absorvíveis. Ela proporciona superfícies mucosas tanto no lado oral quanto no lado nasal da fístula. Se necessário. É importante levar em consideração que retalhos em áreas caudais devem envolver irrigação adequada. Radiografias não têm muito valor diagnóstico neste tipo de alteração. o que facilita a sutura durante o procedimento e minimiza o risco de deiscência. Tratamentos antibiótico local (clorexidina a 0. Técnica do Retalho Duplo Esta técnica é utilizada em áreas dentárias maiores e áreas centrais do palato. muitas vezes pela inclusão da artéria palatina maior no retalho. Lesões traumáticas podem requerer também estabilização. que consiste em debridar as margens da fístula. Dentes na área da fístula devem ser extraídos em procedimento anterior ao tratamento da fístula. Uma vez que muitos pacientes acometidos são idosos. . Um detalhe é a divulsão cuidadosa com instrumento rombo e de fragmento com tamanho necessário para ser deslizado e suturado. Técnica do Retalho Simples Ainda em lesões pequenas. Nesta técnica se eleva um retalho mucoperiosteal dorsalmente à fístula e perpendicular aos arcos dentários. Técnica de Aposição Direta Em lesões muito pequenas. muitas vezes detectadas por sondagem. o palato também pode ser deslocado e suturado. embora já visíveis (em torno de 2 mm a 4 mm). a técnica do retalho simples é bastante efetiva. onde deve ser suturado.O pré-operatório deve ser cuidadoso e utilizado como diretriz para a escolha da melhor hora para a operação. melhorando o estado da gengiva e das mucosas. reavivando-as e fazendo que sangrem. Técnica Cirúrgica O segredo na correção deste tipo de defeito é uma sutura bem ancorada e coaptada e livre de tensão. mas são utilizadas sobretudo nos casos de neoplasia ou raízes dentárias retidas. as avaliações clínica e laboratorial do paciente devem ser rigorosas e criteriosas. até que se possa fazer uma aproximação das mesmas e suturá-las em padrão simples interrompido ou colchoeiro (U em pé). Este retalho deve ser deslizado até a outra porção ventral da comunicação. pode-se utilizar esta técnica. sem que provoque tensão sobre a sutura.12%) e sistêmico devem ser instituídos.

o que é obtido por meio de um segundo retalho. muitas vezes levando à morte por choque ou pneumonia por aspiração. muitas vezes é necessário que se façam retalhos especiais em função da anatomia e da quantidade de tecido necessária ao fechamento da lesão. inclusive. A fenda palatina interfere na habilidade de sucção do neonato e permite a entrada de líquidos na cavidade nasal. seja por trauma. Raças braquicefálicas podem ter até 30% a mais de risco de ocorrência. As anomalias do palato primário (osso incisivo) aparecem como lábio leporino ou fenda labial e podem ocorrer isoladamente ou associadas a anomalias do palato secundário (palatos duro e mole) que ocorrem como fendas palatinas. A técnica de obtenção dos retalhos é semelhante àquela para deslizamento e o retalho deve ser maior (cerca de 4 mm) que o defeito. O defeito deixado no palato vai ser coberto por tecido de granulação em algumas semanas. em Raquete e Rotacionados) Muitas comunicações bucossinusais envolvem a região palatina. o que resulta em maior . Cockers Spaniels. o mesmo deve ser recoberto com mucosa oral.Deve-se fazer um retalho por eversão do palato por sobre o defeito. ferimentos por projéteis de arma de fogo ou outra causa. mucoso e por deslizamento. Schnauzers e Pastores de Shetland. Labradores. o defeito deixado pelo retalho palatino. Uma vez que este tipo de retalho vai expor mucosa nasal. Para a prevenção desta situação deve-se proceder à alimentação por meio de sonda até que tenham idade adequada e maior tamanho. o segundo só é visualizado à inspeção da cavidade oral e tem tratamento cirúrgico a fim de evitar consequências graves ao animal. Nesta área. recobrindo. Em cães há poucos dados específicos acerca do envolvimento genético na literatura disponível. As fendas podem ter origem embriogênica – defeito herdado ou alteração na fase do desenvolvimento fetal (25-28 dias) com não união das conchas que se fundem para separar as cavidades oral e nasal – ou ser adquiridas. Dachshunds. conforme destacado anteriormente. Retalhos Especiais (Avanço [U]. Cirurgia dos defeitos do palato Palatosquise ou fenda palatina é um dos defeitos congênitos mais descritos em humanos e em cães. Ainda nesta espécie a ocorrência de fenda palatina é mais frequentemente observada em Beagles. Enquanto o primeiro é visto externamente e tem tratamento com fins quase que estéticos. Cuidado especial deve ser dado à irrigação. Retalhos rotacionados ou avançados são obtidos dos palatos mole e/ou duro. choque elétrico.

Além disso. Sinais Clínicos Os sinais associam-se à idade do animal e cursam com dificuldade para deglutir. na linha média entre o bordo lingual e a fileira dentária. tosse. Radiografias de tórax podem ser úteis na avaliação de eventual pneumonia aspirativa. que emergem no forame palatino. e se possa proceder mais seguramente à cirurgia. Podem ocorrer pneumonia por aspiração. devem ser tomados em pacientes com idade inferior a 8 semanas. a cirurgia do palato deve obedecer a alguns princípios da cirurgia que não podem ser de forma alguma negligenciados. Duas são as técnicas utilizadas para a correção da fenda palatina. distalmente ao dente quarto pré-molar superior. e percorrem a cavidade oral em sentido rostral. corrimento nasal e infecções recidivantes do trato respiratório. Técnica Cirúrgica O paciente deve ser posicionado em decúbito dorsal e ter a cavidade oral mantida aberta por meio de abridores de boca. sob pena de falha no procedimento. Os exames pré-operatórios incluem hemograma completo e provas de função renal e hepática. fendas adquiridas em formatos e locais distintos devem ser tratadas por técnicas adequadas a .quantidade de tecidos para o reparo. preservando-se as artérias palatinas maiores. Caso o paciente não esteja sendo medicado com antibióticos. espirros. a sutura no plano central (retalhos deslizantes) e o retalho invertido. deve-se proceder à aplicação por via intravenosa no momento da medicação pré- operatória. Pode ser necessária a intubação por faringostomia a fim de melhorar a visibilização e o acesso cirúrgico. Bloqueios nervosos locais provêm excelente analgesia pós-operatória. lesões por sufocamento ou até mesmo choque. Cuidados especiais na anestesia. sobretudo no que diz respeito à hipoglicemia e à hipotermia. Cuidados Pré-operatórios O conhecimento da anatomia cirúrgica é indispensável. principalmente nas fendas que atingem a porção caudal da cavidade oral. a extensão e a localização do dano são as maiores responsáveis pelo conjunto de sinais clínicos que aparecem em consequência à lesão. O tubo endotraqueal deve ser preso às mandíbulas e deve-se colocar gaze na parte distal da cavidade oral. drenagem de leite por via nasal. Qualquer que seja a técnica escolhida. Por outro lado. em lesões adquiridas.

podem- se fazer incisões de relaxamento. sem uso de eletrocautérios. Por esta técnica deve-se elevar um retalho mucoperiosteal em um dos lados da fenda e fazer um retalho rotacional com tamanho suficiente para cobrir o defeito do outro lado. A técnica do retalho invertido ou superposto apresenta a vantagem de não deixar o retalho sobre o defeito palatino. Realizadas estas incisões e contida a hemorragia gerada pelas incisões. com pouca sustentação. que emergem próximas à região distal do dente quarto pré-molar superior. consequentemente. entre outros . pela facilidade de execução. Além dos reparos. pode-se lançar mão de próteses macias (silicone. Este retalho deve ser inserido por baixo do retalho mucoperiosteal e suturado por pontos em “U” horizontal. em toda a extensão do palato. Nos casos de operações em pacientes já submetidos a uma ou mais tentativas de correção cirúrgica que tenham falhado deve-se aguardar até o completa cicatrização dos tecidos. Esta técnica se inicia por duas incisões de relaxamento.cada lesão e. Figura 16. Os retalhos devem então ser suturados no plano central por pontos interrompidos simples. B: Aspecto no pós-operatório imediato. Se necessário. que devem ser realizadas paralelamente aos dentes. Um cuidado adicional é a identificação e manutenção da integridade das artérias palatinas maiores. Tensão em excesso é uma das principais causas de deiscência de sutura. A: Aspecto da lesão. muitas vezes. ela apresenta como inconveniente o fato de a sutura ficar sobre a fenda e. Apesar de a técnica da sutura central ser bastante utilizada para correção da fenda palatina. a fim de manter o contato entre as superfícies não queratinizadas dos retalhos.8 Fenda palatina em cão jovem.8B). pela adaptação de enxertos ou próteses. deve-se realizar a elevação mucoperiosteal do retalho na fenda com o auxílio de elevadores e descoladores. A incisão destes vasos é um fator prognóstico desfavorável à cicatrização da ferida cirúrgica. Os locais de relaxamento cicatrizarão por segunda intenção (Figuras 16. Um detalhe a ser sempre observado é procurar evitar tensão sobre as linhas de sutura.8A e 16.

O ducto da parótida drena na mucosa jugal. A . Obturadores palatinos. Nos gatos existem duas glândulas molares bem desenvolvidas. próximo ao ângulo da mandíbula. estão distribuídas por toda a cavidade oral e até mesmo fora dela. glândulas bucais. em raquete e na forma de U. neste mesmo capítulo. localizadas na submucosa da superfície ventral do palato mole. No cão tem-se a parótida. confeccionados em acrílico autopolimerizável. A glândula molar bucal localiza-se abaixo da mucosa. Estas são chamadas de glândulas menores. A secreção desta glândula também é seromucosa. geralmente em formato de V. A parótida produz saliva serosa. A glândula zigomática localiza-se ventralmente à porção cranial do arco zigomático. enquanto as glândulas menores estão distribuídas por toda a cavidade oral abaixo da mucosa. dentro de sua cápsula. localizadas cranialmente ao freio lingual no assoalho da cavidade oral. A porção monostomática que está intimamente ligada à glândula mandibular. que têm maior importância clínica e na produção de saliva e também são mais susceptíveis a alterações.materiais) ou rígidas (metais nobres) e implante de tecidos. A porção polistomática localiza-se mais cranial e drena por meio de vários ductos sublinguais menores na região entre a língua e o ramo mandibular. Outros defeitos palatinos adquiridos devem ser tratados com retalhos específicos como por deslizamento. que se localiza ventralmente ao pavilhão auricular. responsáveis pela produção de saliva. Seu ducto corre dorsalmente ao ducto mandibular e drena na região das carúnculas sublinguais. Sua secreção é seromucosa. Seu ducto drena na mucosa jugal distal ao último molar e sua secreção é seromucosa. A glândula sublingual é composta por duas porções. Na cavidade oral existem as glândulas linguais. Nos gatos esta porção pode estar ausente. após moldagem do defeito em alginato e confecção do modelo em gesso. Cirurgia das glândulas salivares As glândulas salivares. na região vestibular do primeiro molar inferior. também podem ser utilizados com resultado satisfatório. e glândulas palatinas.se na parte medial dos ramos mandibulares próximos à base da língua. localiza. glândulas labiais. abaixo do assoalho da boca. Existem também as glândulas maiores. e drena nas carúnculas sublinguais. estendendo-se cranial e caudalmente. A glândula mandibular localiza-se na região cervical. entre eles cartilagem da pina auricular. Estas glândulas podem ser localizadas cirurgicamente por estarem em locais restritos. localizadas na submucosa de toda a cavidade oral. na região do quarto pré-molar e do primeiro molar. localizadas na submucosa do lábio. podendo ter uma saída em comum com a do ducto da glândula mandibular. conforme o tópico comunicação bucossinusal. Seu ducto percorre a região medial da mandíbula. localizadas na submucosa e musculatura do terço caudal da língua.

Já os abscessos precisam ser drenados acompanhados de terapia antibiótica. Os sialólitos (Figura 16.9) são calcificações encontradas nas glândulas salivares ou nos seus ductos e podem causar obstrução ao fluxo de saliva. correspondem a 26% das afecções de glândula salivar. chamados de sialadenites. a complexidade das estruturas ao redor e a possibilidade de o tumor tornar-se extracapsular e metastatizar tornam o prognóstico reservado. podendo originar sialoceles. abscesso. Diante de um aumento de volume de uma glândula salivar deve-se fazer o diagnóstico diferencial entre sialólito. sendo o adenocarcinoma o mais comum. mucoceles. pois esta última é mais difícil de ser removida. cerca de 0. Podem ser vistos radiograficamente e uma sialografia pode ajudar na identificação da obstrução. As neoplasias não são frequentes. O tratamento é cirúrgico e na glandular mandibular tem melhor prognóstico que na parótida. São encontrados com mais frequência na glândula mandibular. Mesmo assim. linfoadenopatia reacional e sialadenite. Figura 16. Sua remoção é cirúrgica. sugerindo-se terapias coadjuvantes. linfoma. A incidência de afecção nas glândulas salivares é muito baixa.glândula molar lingual está localizada na região exatamente lingual ao primeiro molar inferior. Estas glândulas drenam saliva através de vários ductos menores. correspondendo a 30% das afecções gerais. Ocorrem com mais frequência em filhotes e respondem bem a terapia anti-inflamatória. Sinais Clínicos Os processos inflamatórios.9 Sialólitos em glândula salivar de cão. outras neoplasias. Considerações Pré-operatórias As sialoceles ou mucoceles da glândula salivar são retenções císticas de secreção .3%. ocorrendo principalmente na glândula mandibular seguida da parótida.

Mucocele na orofaringe pode causar dor e obstrução respiratória. flutuantes.10 Sialocele labial em gato. recomenda-se remover as duas porções da glândula sublingual e a glândula mandibular do lado afetado. Sialoceles da glândula mandibular caracterizam-se por aumento de volume abaixo da mandíbula. que consiste na remoção da porção dorsal do aumento de volume e sutura dos bordos ventrais à mucosa adjacente com o objetivo de deixar uma abertura permanente para drenagem salivar. Se houver recidiva. Rânulas são sialoceles da glândula sublingual localizadas na região sublingual. na região cervical. Devido à ampla distribuição das glândulas salivares. É comum a variação do tamanho de uma mucocele e até sua regressão e posterior recidiva.11C).salivar e apresentam-se como aumentos de volume. Não se sabe ao certo a causa das mucoceles. A glândula mandibular encontra-se entre a veia linguofacial e a veia maxilar antes de elas formarem a veia jugular. As glândulas mandibular. inflamação e causas desconhecidas. . em geral. como é o caso da mucocele labial (Figura 16.10). 16. levando a obstrução ou extravasamento de conteúdo salivar. Ramificação do nervo facial corre superficialmente à porção dorsocranial da glândula. Correspondem a cerca de 9% das afecções de glândula salivar. em geral ao lado da glândula afetada. além da presença de sialólitos. Figura 16. O aspecto é de uma bolha na mucosa sublingual.11B e 16. requerendo drenagem de emergência. próximos à região da glândula afetada. mas podem estar associadas a traumas diretos na glândula ou no ducto. Técnica Cirúrgica Rânulas podem ser tratadas por marsupialização (Figuras 16. mas pode também apresentar-se na região cervical média. sublingual e parótida podem ser removidas ou ligadas bilateralmente sem ter importância clínica. ficando difícil a identificação de qual lado é o problema. podem ocorrer mucoceles também em glândulas menores.11A.

Há ainda a . Entretanto. Se o lado afetado não for evidente.12B e 16.12A.Figura 16. pressionar o aumento de volume pode levar a uma dilação na região sublingual do lado correspondente. nem sempre seu acesso será pela via clássica. expondo a glândula. B: Sutura da porção remanescente da glândula ao assoalho bucal.11 Rânula em cão. C: Aspecto após cicatrização. após incisão da pele na transição entre o ângulo da mandíbula e o pescoço. Devem- se remover a glândula mandibular e as duas porções da glândula sublingual que se encontram em direção cranial acompanhando o ramo mandibular. Para a remoção da glândula mandibular (Figuras 16. chegar à glândula afetada. pelo seu interior. por causa das alterações anatômicas devidas à mucocele. A: Aspecto inicial da lesão. ou incisar a mucocele e. os músculos platisma e o parotidoauricular devem ser incisados. 16. ajudando na identificação.12C). Outra maneira é divulsionar ao redor da cápsula para chegar à glândula afetada.

C Aspecto final pós-operatório imediato. cranial e caudalmente ao pavilhão auricular. e o nervo facial está adjacente à glândula. Figura 16.12 Sialocele mandibular em cão. A glândula é bem superficial. A divulsão parcial do músculo platisma e do parotidoauricular já expõe a glândula. Faz-se ampla incisão ventral ao pavilhão auricular estendendo as incisões dorsal. B: Transoperatório. pois ela se encontra entremeada por vasos (veia auricular caudal e veia temporal superficial. que vão formar a veia maxilar e as ramificações da artéria carótida). A remoção da glândula parótida é mais difícil. A: Aspecto inicial da lesão.possibilidade da remoção bilateral das glândulas quando o lado afetado não é identificado. .

como no momento de seccionar um dente com a alta rotação ou se uma alavanca escapar do foco de extração e escorregar. A glândula zigomática também pode necessitar de ressecção. mastigação e deglutição dos alimentos. A inervação é complexa. Considerações Pré-operatórias Na prática da clínica veterinária os procedimentos cirúrgicos envolvendo a língua não são tão frequentes como os problemas odontológicos. A mucosa ventral é delgada. na sua porção dorsal. Um dos sinais mais característicos de mucocele da zigomática é a presença de exoftalmia. Da base ventral em direção ao assoalho da boca encontra-se o freio lingual. bordas ou margens. o paciente deve ser sedado ou anestesiado para um completo exame. Faz-se uma incisão na pele abaixo da órbita. Com auxílio de cinzel e martelo. corpo e raiz. O retorno venoso ocorre pelas veias linguais localizadas na superfície ventral. É composta por músculos intrínsecos e extrínsecos. A glândula zigomática encontra-se na fossa pterigopalatina. esta deve ser avaliada quanto a motilidade. Existe um grande número de glândulas salivares distribuídas na superfície da língua. na medida do possível. glossofaríngeo e vago. coloração. abre- se uma janela no processo zigomático do osso maxilar voltada para o músculo masseter. para tomar água e para o animal se lamber. cuidar de seus filhotes. perfurando ou lacerando a língua. Sinais Clínicos O exame clínico da língua não é fácil com o paciente acordado. É recoberta por mucosa que. é mais espessa e queratinizada e apresenta vários grupos de papilas de vários formatos e com função gustativa ou mecânica. presença de lesões ou corpo estranho. A função motora é feita pelo nervo hipoglosso e a função sensorial. pois o mesmo tende a retraí-la. Nesta região passa a veia facial profunda e logo abaixo se encontra a glândula zigomática. mas. por uma combinação dos nervos trigêmeo. Cirurgia da língua A língua é usada por cães e gatos principalmente para preensão. mas algumas alterações como ulcerações podem estar associadas. além de ajudar na troca de calor. integridade da mucosa. Diante de qualquer alteração que não possa ser completamente examinada. Anatomicamente é dividida em ponta. A irrigação principal é feita principalmente pela artéria lingual e também pela sublingual. A manipulação excessiva também pode levar a edema da mucosa . facial. lisa e não queratinizada. atrás da porção cranial do arco zigomático. divulsiona-se o músculo esfíncter profundo do pescoço parte palpebral. Lesões iatrogênicas podem acontecer durante os procedimentos odontológicos.

Para dessensibilização dos dentes de toda uma hemimandíbula utiliza-se o bloqueio na entrada do forame mandibular.sublingual. com o risco de o paciente se autotraumatizar no pós- operatório imediato.13C). Discute-se se tal alteração ocorreu apenas porque o bloqueio foi feito bilateralmente. A língua foi suturada e o paciente teve boa recuperação (Figuras 16. O nervo lingual corre exatamente nesta região. e mais medial corre o nervo hipoglosso. na prática. O bloqueio anestésico regional tem sido recomendado para analgesia durante os procedimentos odontológicos.13A. acaba-se por depositar o anestésico local próximo ao forame para bloquear um ramo do nervo maxilar que passa a se chamar nervo alveolar inferior quando entra no forame mandibular. . como as extrações. Porém sua localização é imprecisa e. Em apenas um caso de nosso atendimento em que foi feito um bloqueio bilateral no forame mandibular durante tratamento periodontal com extrações ocorreu este acidente durante a recuperação anestésica.13B e 16. os dois nervos podem ser dessensibilizados. 16. principalmente naqueles casos de extrações múltiplas de dentes em gatos com complexa gengivoestomatite.

13 Lesão autoinfligida em língua devido a bloqueio anestésico local. A: Aspecto inicial da lesão. Outra alteração descrita é a ocorrência de um freio lingual curto no qual é feita uma incisão para liberar a língua. Tem-se discutido se este conceito não poderia ser estendido a pacientes submetidos a mandibulectomia rostral bilateral que ficam com a língua pendendo. como uremia. substâncias cáusticas. podendo ser removida parte da porção livre da língua. picadas de insetos e . C: Aspecto final pós-operatório imediato. Alterações sistêmicas. Técnica Cirúrgica Alterações congênitas que podem ser corrigidas cirurgicamente incluem a macroglossia. B: Detalhe da lesão.Figura 16. removendo-se o “excesso” da língua.

podem causar ulceração e necrose da língua. trazem desconforto ao paciente. tomografia computadorizada e ressonância magnética podem auxiliar nestes diagnósticos. sendo. B Aspecto após cicatrização. Radiografia. Uma lesão frequentemente vista é a hiperplasia proliferativa com ulceração da mucosa sublingual. geralmente na região que fica em contato com os primeiros molares inferiores (Figuras 16.14 Hiperplasia proliferativa com ulceração da mucosa sublingual em cão.choques elétricos. cistos ou pólipos na orofaringe que comprometam o retorno venoso da língua e mucoceles. Terapia antibiótica e antissépticos bucais e de suporte devem acompanhar o tratamento. sobretudo nos casos em que o excesso de tecido leva ao autotraumatismo durante a mastigação. neste caso funciona bem uma sutura com fio absorvível como o Vicryl 5-0 em sutura contínua apenas das bordas de mucosa. Tais lesões. Em muitos casos. Os traumas na língua são comuns. necessário esperar alguns dias para que se definam as margens de tecido necrosado que deverá ser debridado e observado. os abscessos raramente se resolvem sem drenagem cirúrgica. Embora não recomendada para procedimentos orais. Aqueles com evidente solução de continuidade . ultrassonografia. Figura 16. preferencialmente. às vezes. Corpos estranhos necessitam de remoção cirúrgica e podem estar associados a formação de abscessos. embora benignas. abscessos. reações alérgicas. A: Aspecto inicial da lesão. um tesoura de ponta fina delicada corta-se a mucosa ao redor das margens da lesão. Abscessos e celulite têm aspecto clínico muito semelhante. Nem sempre o tecido se necrosa de imediato. Com auxílio de uma pinça anatômica eleva-se a lesão e com uma lâmina de bisturi # 15 ou. Diagnósticos diferenciais de glossomegalia incluem neoplasias. hematomas. celulite. Lesões semelhantes também podem ser vistas na mucosa jugal resultantes de traumatismo durante a mastigação. embora pouco frequentes.14A e 16. a presença de cálculo dental na face lingual destes dendes contribui para o seu aparecimento. sempre encaminhando o material para o histopatológico.14B). A ressecção é recomendada. podendo haver necessidade de nova intervenção dali a mais alguns dias. enquanto casos de celulite se resolvem com terapia antimicrobiana. porém.

da língua, ou quando há hemorragia persistente, devem ser avaliados sob anestesia e
suturados. A técnica consiste em limpar com excesso de clorexidina a 0,12%, se
houver necessidade, regularizar e reavivar as margens a serem suturadas com auxílio
de lâmina de bisturi # 15 ou tesoura delicada. Em seguida os tecidos devem ser
suturados com fio absorvível, como o Vicryl, sempre em pontos simples separados.
Sutura-se a musculatura em um ou dois planos, dependendo da espessura, e depois
sutura-se a mucosa. A opção de fazer uma sutura invertida (na qual os nós dos pontos
são fechados para dentro da ferida cirúrgica) é preferível, conferindo conforto ao
paciente e melhor estética. Dependendo da extensão e da gravidade da ferida, deve-se
ponderar sobre a colocação de sonda esofágica para evitar o uso excessivo da língua
durante a alimentação e ingestão de água. Um colar protetor também pode ser posto
para evitar que o paciente se lamba. Antibiótico de amplo espectro, clorexidina local,
anti-inflamatórios e analgésicos são importantes.
As formações na língua são menos comuns que em outros locais da cavidade oral.
O tumor mais frequente na língua é o carcinoma de células escamosas. Antes de se
realizarem grandes ressecções de tumores na língua é preferível fazer uma biópsia
incisional. Pequenas formações podem ser removidas por biópsia excisional. A incisão
na forma de cunha é recomendada, pois facilita a sutura. Lesões de granuloma
eosinofílico respondem bem à terapia medicamentosa, mas também podem ser
removidas cirurgicamente. A ocorrência de calcinose circunscrita tem sido relatada
em cães e gatos e deve ser removidas por biópsia excisional.
Ressecções de massas tumorais são mais bem toleradas em cães do que em gatos.
Nestes últimos, a atividade de se lamber é mais importante. As ressecções tumorais
também são mais bem toleradas quando envolvem a parte livre da língua ou a porção
dorsocaudal. No entanto estes não devem ser os critérios para se determinar a
extensão da ressecção, e sim o de remover completamente o tumor com margem de
segurança. Uma ferramenta da qual é interessante dispor, em especial em cirurgias de
língua, é o exame histopatológico transoperatório, ou seja, ter um patologista que
durante o procedimento fará o exame pela técnica de congelamento e dará o
resultado em minutos, sabendo-se, assim, se as margens estão livres ou não. Caso haja
comprometimento das margens, uma ressecção maior deverá ser feita seguida de novo
histopatológico das novas margens, e assim sucessivamente até obterem-se margens
livres.
Formações na borda livre rostral da língua podem ser removidas mediante a
seguinte técnica: com auxílio de uma pinça hemostática compatível com o tamanho
da língua pinça-se a porção livre da língua como um todo na região imediatamente
caudal à suposta margem cirúrgica livre. Incisa-se de uma só vez a mucosa e toda a
massa muscular. Afrouxa-se a pinça para identificação de vasos maiores que devem
ser ligados com fio absorvível. Em seguida sutura-se a mucosa dorsal na mucosa
sublingual. Deve-se tomar o cuidado de não fazer os pontos muito próximos às
margens sob o risco maior de deiscência (Figuras 16.15A, 16.15B, 16.15C e 16.15D).

Figura 16.15 Lesão na borda livre rostral da língua. A: Aspecto inicial da lesão, vista ventral. B:
Aspecto inicial da lesão, vista dorsal. C: Aspecto final pós-operatório imediato, vista ventral. D:
Aspecto final pós-operatório imediato, vista dorsal.

Pequenas formações nas bordas laterais e no corpo da língua devem ser
removidas por meio de incisão na forma de cunha seguida de sutura da camada
muscular e depois da mucosa.
Atualmente tem crescido a utilização do laser cirúrgico nas ressecções tumorais.
Além das vantagens da hemostasia, de menor edema no pós-operatório e menor
infecção, acredita-se que, por selar os vasos sanguíneos e linfáticos durante o corte,
diminuir-se-ia a possibilidade de microembolia durante o procedimento. O laser
também pode ser indicado como cirurgia paliativa de grandes massas em que a
ressecção cirúrgica seja inviável.
Outra modalidade de terapia oncológica que tem crescido na atualidade com
bons resultados é a eletroquimioterapia, que, a princípio, levaria a uma destruição
seletiva apenas das células tumorais.

Cirurgia de maxila e mandíbulas

Fraturas em mandíbulas e maxila ocorrem frequentemente na clínica de pequenos
animais e são resultantes, principalmente, de atropelamentos, brigas entre animais,
quedas de lugares altos (sobretudo em felinos). Além disso, fraturas em decorrência de
doença periodontal, neoplasias e doenças metabólicas também podem ocorrer e

lesões iatrogênicas, sobretudo nos procedimentos de exodontias, não devem ser
descartadas.
Com poucas exceções, estas fraturas são potencialmente contaminadas e
tratamento antibiótico de suporte adequado deve ser instituído.
Muitas são as técnicas de correção e algumas serão discutidas posteriormente
ainda nesta seção. Entretanto é necessário se pensar pelo lado da odontologia, no
sentido de procurar manter sempre todos os elementos dentários que forem possíveis,
inclusive pela aplicação posterior de outros tratamentos, como o endodôntico, em
dentes não vitalizados que forem mantidos para ajudar na ancoragem.
Desta forma, a preservação das raízes dos elementos dentários durante
procedimentos de perfuração e a prevenção do aquecimento dos elementos dentários
ao se trabalhar com resinas autopolimerizáveis, entre outros cuidados, devem ser
levadas em consideração.
Finalizando, deve-se procurar obedecer aos princípios básicos na correção destas
farturas, provendo-se correto alinhamento oclusal, conferindo estabilidade à fixação,
evitando-se danos aos tecidos subjacentes e elevação de tecidos moles das superfícies
ósseas e restabelecendo-se a função tão rápido quanto possível.

Sinais Clínicos
Entre os sinais e sintomas mais frequentes encontram-se edema, dor e crepitação ao
movimento da mandíbula, assimetria maxilar, hemorragia nasal e/ou oral, obstrução
nasal, além de sialorreia, às vezes com estrias de sangue. O paciente também reluta
em se alimentar.

Cuidados Pré-operatórios
Cuidadosa atenção deve ser dada ao diagnóstico e planejamento do procedimento
cirúrgico. A abordagem inicial se baseia em estabelecer uma via aérea livre e
estabelecer uma avaliação clínica e radiológica, com o paciente sob anestesia geral.
Pode ser necessária a realização de uma faringostomia a fim de se passar o tubo
traqueal, para que o mesmo não atrapalhe o ajuste da oclusão durante o
procedimento. Outras medidas como tubos cortados e encaixados também podem ser
efetivas neste sentido.
Ainda em relação à avaliação, o sentido da linha de fratura constitui um
importante indicador de prognóstico. Assim, fraturas com a linha de fratura no
sentido ventrorrostral têm prognóstico favorável, ao passo que fraturas ventrocaudais
ou transversas são mais difíceis de se estabilizarem. Isso se deve à inserção dos
músculos mastigatórios – masseter, pterigoide e temporal – na parte caudal do corpo
da mandíbula.
Outra consideração importante é a presença de dentes na linha de fratura.

Dentes que ainda apresentem certo grau de estabilidade e ajudem no alinhamento e
na fixação da fratura devem ser mantidos, sendo raspados apenas se houver doença
periodontal. Estes dentes podem não apenas contribuir para a estabilização da
fratura, mas também para a manutenção da oclusão.
A escolha do método de fixação vai depender de vários fatores, entre eles
localização e tipo de fratura, grau de habilidade do cirurgião, material disponível etc..
A avaliação radiográfica é indispensável ao planejamento e pode ser feita por
radiografias (preferencialmente intraorais), tomografia computadorizada e
tomografia computadorizada de feixe cônico. Em função da possibilidade de
sobreposição das estruturas em radiografias extraorais, as mesmas devem ser feitas
com quatro tomadas (anteroposterior, posteroanterior, laterolateral direita e
laterolateral esquerda). Sobretudo em fraturas cominutivas, frequentes nestas regiões,
a tomografia é um método diagnóstico que não deve ser negligenciado.

Técnica Cirúrgica
Antes de se falar em técnica cirúrgica há de se pensar no tratamento conservador em
fraturas mandibulares e maxilares. Em pacientes em bom estado e sem alterações
significativas da oclusão pode-se fazer a imobilização com focinheiras de
polipropileno ou pela confecção de funil esparadrapado.
A focinheira de polipropileno pode ser ajustada e receber algumas perfurações,
melhorando, assim, a ventilação e facilitando sua higienização, uma vez que os pelos
não se grudam nela, como no caso do esparadrapo. É importante ressaltar que a
focinheira é um excelente método também para imobilização provisória, sobretudo
para o encaminhamento do paciente a outro local ou repouso pré-operatório.
A focinheira de esparadrapo apresenta a vantagem de ser confeccionada no
focinho do paciente e, com isso, ter melhor ajuste. É útil em felinos e cães
braquicefálicos, nos quais o ajuste da focinheira comercial é muito difícil, e, em
alguns casos, impossível. Seu principal problema é que se suja com muita facilidade.
pela adesão de pelos. Para minimizar este problema deve-se confeccioná-la com
cuidado para que a face colante das tiras de esparadrapo não fique exposta. Outra
eventual complicação é a dermatite por contato que o esparadrapo pode causar.

Coaptação com acrílico autopolimerizável

Reduções de fraturas mandibulares com resina ou acrílico autopolimerizável são fáceis
de se fazer, desde que se tenha à mão o material adequado.
Deve-se ter critério na escolha da fratura a ser assim tratada. É necessário que se
tenha pelo menos um (o ideal seriam dois) dente bem ancorado de cada lado da
região da fratura que seja grande o suficiente para a adesão firme do material a ser

esplintado. No caso de fraturas distais de mandíbula, o segundo e o terceiro molares
são insuficientes para ancorar acrílico, razão pela qual, nas mandíbulas, esta técnica
não deve ser utilizada em fraturas muito distais.
Outro detalhe é o controle do aquecimento da resina durante sua manipulação.
Este calor pode causar lesões aos dentes ou tecidos adjacentes.
Um cuidado a ser observado é a oclusão em tesoura entre o quarto pré-molar
superior e o primeiro molar inferior.
A técnica indireta, com a confecção do molde e do modelo para o ajuste da
resina, tem se mostrado extremamente adequada e permite a minimização dos danos
causados pelo calor. Por esta técnica deve-se preparar um molde com alginato ou até
mesmo silicone e moldeira. Deve-se fazer o mesmo procedimento com o antagonista,
ou seja, moldar sempre superior e inferior. Após a obtenção do modelo simulando a
cavidade oral do paciente, deve-se manipular o acrílico transparente (acrílicos com
cor atrapalham a sua fixação posterior com resina fotopolimerizável). Realizada esta
etapa, aplica-se um separador sobre o molde, em duas demãos. Esta manobra impede
que o acrílico se grude ao gesso do molde. Após a secagem do separador, manipule a
resina e confeccione o aparelho sobre o molde, mantendo rígido controle da oclusão,
inclusive com o antagonista. Uma vez que o molde esteja bem ajustado, deve-se
transferi-lo para a boca do paciente.
Para esta transferência, limpe os dentes e faça um criterioso polimento com
pedra-pomes. Em seguida faça o ataque ácido (ácido ortofosfórico a 37%) dos
elementos dentários onde o molde será colado e, logo após lavagem, secagem e
enxágue, cole-o aos dentes com resina fotopolimerizável.
Ao final da transferência o aparelho deve receber acabamento com caneta e
brocas, a fim de evitar pontas que possam ferir a língua ou outras estruturas de
tecidos moles.
O aparelho é removido em algumas semanas, de acordo com a evolução do
quadro e o acompanhamento radiográfico, e durante esse período deve haver uma
higiene oral apropriada, uma vez que pode haver acúmulo de alimentos na região à
qual o acrílico está aderido. Ele é removido com brocas apropriadas e o dente deve
ser adequadamente polido após a remoção.
Na técnica direta deve-se ter rigoroso controle do aquecimento. Para esta técnica,
após limpeza e condicionamento ácido dos elementos dentários, a resina é
manipulada construindo-se o aparelho diretamente sobre os dentes. Alguns autores
sugerem que se faça a mistura do polímero e do monômero (pó e líquido) da resina
em uma seringa e se vá aplicando sobre os dentes. Esta manobra requer treinamento
em função da necessidade de se dominar profundamente o tempo de polimerização da
resina, evitando que a mesma endureça na seringa, desperdiçando material e,
sobretudo, tempo, uma vez que o paciente está anestesiado.
A resina é preparada pela adição de pó ao líquido, em recipiente de vidro,
aguardando-se sua polimerização. A agitação da mistura pode causar bolhas. O tempo

de presa varia, sobretudo de acordo com a temperatura local, sendo mais rápido em
locais mais quentes.
A aplicação deve ser feita em pequenas camadas, ajudando a minimizar o calor,
que também é controlado por aplicação de compressas de água fria e aplicação de
água durante todo o processo.

Utilização de Fios Metálicos
Embora não se configure em fratura, a disjunção ou separação da sínfise mentoniana
é amplamente tratada pela aplicação de fios metálicos. Para o tratamento, após
tricotomia e antissepsia da região submandibular, deve-se fazer uma incisão de
aproximadamente meio centímetro de extensão, no sentido craniocaudal, e afastar a
pele. Em seguida se insere uma agulha calibrosa ou um cateter entre os ramos da
mandíbula e a pele, de um lado ao outro. Por esta agulha se introduz um fio metálico
de calibre adequado às mandíbulas, passando por toda a agulha, que é retirada ao
final.
Em seguida, insere-se a agulha pela incisão submandibular, para dentro da boca,
bem paralelo e próximo tanto do final da sínfise quanto da mandíbula, tomando-se o
cuidado de proteger as estruturas intraorais, em especial os dutos das glândulas
salivares linguais, na base do frênulo lingual. Para esta manobra traciona-se a língua
para um dos lados e se introduz a agulha no sentido do outro. Insere-se o fio pela
ponta da agulha, até a face ventral da mandíbula, e se retira novamente a agulha,
repetindo-se o procedimento para o lado contrário.
Estando os dois fios passados, posicionam-se as partes do fio que ficam por sobre
as mandíbulas, de maneira que fiquem apoiadas entre dentes e não tenham muita
mobilidade, e, em seguida, fazem-se a torção e a finalização do procedimento com o
sepultamento do fio e o posterior sepultamento pela sutura da pele (Figuras 16.16A,
16.16B, 16.16C, 16.16D, 16.16E e 16.16F). O acompanhamento radiográfico deve ser
instituído e há casos, sobretudo de felinos acometidos por disjunção em função de
doença periodontal (perda óssea avançada), em que não se faz necessária a remoção
dos fios.

Figura 16.16 Disjunção de sínfise mentoniana em gato. A: Aspecto inicial da lesão. B: Incisão na
pele na região submentoniana e transfixação de agulha de calibre grosso. C: Fio para cerclagem, de
calibre adequado, passado pelo interior da agulha. D: Fio transfixado do interior da cavidade oral para
a região submentoniana. E: Aspecto após passagem dos fios nas mandíbulas para torção e fixação
submentoniana. F: Aspecto final após sepultamento do fio.

A fixação por meio de fios interdentais segue várias técnicas, entre elas Ivy, Stout
e Essig, e consiste na colocação de fios de aço trançados entre os dentes com aposição
ou não de resina ou acrílico sobre eles – técnica combinada. Os fios devem ficar
abaixo da linha do colo dentário e deve-se ter muito cuidado ao utilizá-los em dentes
afetados por doença periodontal, uma vez que a falta de sustentação óssea, além de
não possibilitar boa correção, pode levar à perda dentária dos elementos nos quais há
tensão do fio. Algumas vezes é necessário o uso de agulhas para se passarem os fios.
Os fios são escolhidos de acordo com o tamanho do paciente e devem ser

moldáveis, a fim de melhor se adaptarem ao dente quando da hora do aperto e ajuste.
Uma técnica que também pode ser utilizada, sobretudo em fraturas mandibulares
em animais menores, é a colagem de bráquetes ortodônticos nos dentes adjacentes
com a posterior colocação de um fio metálico entre eles, tomando-se o cuidado de se
colocar acrílico autopolimerizável sobre o fio, a fim de evitar que o mesmo se
movimente e movimente os elementos dentários. Para este procedimento os dentes
devem ser limpos e receber ataque ácido, para que se faça a colagem dos bráquetes
com resina fotopolimerizável. Os bráquetes devem ser orientados de forma que fiquem
no terço cervical dos dentes e, após a finalização da instalação dos fios, devem ser
recobertos com resina para que não causem trauma aos tecidos adjacentes (Figuras
16.17A e 16.17B).

Figura 16.17 Correção de fratura de mandíbula pela utilização de bráquetes e fios ortodônticos.
A: Aspecto após colagem dos bráquetes e fixação do fio. B: Aspecto final após adição de resina
fotopolimerizável ao fio para evitar movimentação.

Fios de aço interfragmentares podem ser utilizados isoladamente ou em conjunto
com a colocação de fios interdentais. Deve-se ter cuidado na perfuração dos orifícios a
fim de se preservar as raízes dentárias. São bastante utilizados em fraturas que se
localizem caudalmente em relação ao terceiro pré-molar e como alternativa em áreas
em que não há dentes para outros tipos de fixação.
Não devem ser utilizados em sítios nos quais há defeitos ósseos grandes, como é o
caso de regiões onde houve perda de elementos dentários, em função da dificuldade
de aperto e coaptação.
A estabilização deve ser feita de acordo com as linhas de fratura e o número de
fragmentos. Deve-se ter em mente que quanto mais calibroso é o fio, mais difícil se
torna a sua manipulação.
Pinos intramedulares não são recomendados para as mandíbulas, uma vez que a
curvatura mandibular normal torna difícil essa colocação sem invasão do canal
mandibular ou dano às raízes dentárias. Outra contraindicação é a tendência do pino
se dobrar em resposta à tensão dos fragmentos sobre ele, levando, assim, à má
oclusão.
Placas e parafusos promovem estabilidade adicional e maior compressão

interfragmentar quando em comparação com o uso do fio de aço e proporcionam
excelente estabilidade dos fragmentos. As maiores restrições são o custo, a exigência
de destreza por parte do cirurgião e a necessidade de material cirúrgico adequado ao
procedimento. Muitas empresas cedem o material cirúrgico para os procedimentos,
devendo o cirurgião pagar pelas placas e parafusos utilizados durante o ato.
A placa deve ser colocada ventralmente à borda alveolar para não comprometer
as raízes dos dentes e deve-se prover fixação adequada para evitar a flexão da
mandíbula. Esta fixação deve ser feita com fios interdentais ou uma pequena placa de
reconstrução na borda alveolar. Deve-se ter cuidado com a escolha das placas no
ramo vertical da mandíbula em função da pequena espessura óssea.
Outra possibilidade é a utilização de fixadores externos, sobretudo na presença de
fraturas cominutivas. Podem-se unir os pinos com a barra de conexão ou acrílico
autopolimerizável. Os cuidados são a perfuração, evitando lesões às raízes dentárias, e
o acompanhamento para evitar afrouxamento do aparelho.
Como se pode ver, a escolha do método adequado é um exercício que vai sendo
aprimorado a cada novo paciente. Um diagnóstico acurado e com imagens de boa
qualidade provê excelente apoio e não deve ser negligenciado.

Cirurgia da Articulação Temporomandibular
Lesões da articulação temporomandibular (ATM) são relativamente comuns na clínica
de pequenos animais e envolvem fraturas, luxações, displasia e anquiloses. Fraturas
dos côndilos e do processo zigomático também são alterações frequentes.

Sinais Clínicos
Alterações na ATM podem levar a problemas no movimento de abrir e/ou fechar a
boca, dependendo da alteração. O exame deve ser realizado com o paciente sob
anestesia e cuidadosa manipulação. No diagnóstico diferencial deve-se considerar
miosite dos músculos mastigatórios uma eventual causadora da impossibilidade do
paciente abrir a boca. O diagnóstico destas alterações é complexo e difícil de ser
realizado por radiografias convencionais.

Técnica Cirúrgica
A anquilose da ATM pode ser dividida em intra e extracapsular. O tratamento não
deve cursar com tentativas de abertura forçada da cavidade oral, uma vez que há
chance de ocorrência de fraturas de mandíbulas.
O tratamento de escolha é a condilectomia. Operar pacientes com anquiloses
antigas é sempre um desafio e muitas vezes não se consegue restaurar a função
normal. O acesso é feito por uma incisão de pele na borda ventral do arco zigomático

até a porção caudal da articulação temporomandibular e incisão do periósteo na
borda ventral do zigomático, com a liberação do músculo masseter.
O prognóstico é reservado devido à possibilidade de nova anquilose.
Luxações da ATM podem ocorrer isoladamente ou junto a outras lesões
traumáticas. Ocorre impossibilidade de o paciente fechar a boca e normalmente a
mandíbula se desvia para o lado oposto ao da luxação. A redução é feita com o
paciente anestesiado e por meio da introdução de um objeto cilíndrico, normalmente
uma caneta ou uma seringa, entre os molares superiores e inferiores. A mandíbula
deve ser tracionada rostralmente e posteriormente deslocada caudalmente a fim de
reposicionar o côndilo. Este movimento pode ter de ser repetido algumas vezes até
que se obtenha êxito. Alcançada a redução, normalmente não há necessidade de
imobilização por focinheira de polipropileno ou funil esparadrapado, salvo na
ocorrência de fraturas mandibulares ou maxilares concomitantes. Em caso de
recidivas frequentes a condilectomia é o tratamento de escolha.
Nos casos de displasia da ATM, sobretudo em Bassets Hounds e Cockers Spaniels,
raças mais suscetíveis, após diagnóstico preciso, o tratamento cirúrgico é a opção de
escolha.
A síndrome da boca aberta (open-mouth jaw locked) é uma alteração na qual o
processo coronoide da mandíbula, após o gato abrir a boca, fica travado no osso
zigomático. A lesão é mais frequente nos felinos, mas pode ocorrer em cães,
principalmente portadores de displasia de ATM. O tratamento de emergência consiste
em anestesiar o paciente, tentar abrir a boca e reposicionar o processo coronoide,
fechando-se a boca em seguida. Casos recidivantes devem ser tratados cirurgicamente
pela remoção de uma porção do zigomático.
Para isto, após identificação da porção a ser removida, deve-se fazer a incisão na
pele, afastar o periósteo com um elevador e remover a porção do zigomático que
trava o processo coronoide da mandíbula.

Conclusão

A cirurgia na cavidade oral envolve uma série de estruturas e procedimentos e exige
familiarização com a anatomia e as técnicas cirúrgicas. Muitas fraturas podem ser
tratadas conservadoramente e devem-se empreender todos os esforços no sentido de
se conservarem os elementos dentários viáveis.

Referências

Bean R., Kunz D.A., Cook C.R., et al. Use of three-dimensional computed tomography for diagnosis and
treatment planning for open-mouth jaw locking in a cat. J Am Vet Med Assoc. 2007;230(1):59–63.
Beckman B.W. Split palatal U-flap for repair of caudal palatal defects. J Vet Dent. 2006;26(4):267–269.

Bellows J. Feline dentistry. Iowa: Wiley-Blackwell; 2010.
Bellows J. Small animal dental equipment, materials and techniques, 1st ed. Iowa: Blackwell Publishing;
2004.
Bolson J., Pachaly J.R. Fístula oronasal em cães (Canis familiaris Linnaeus 1758) – Revisão da literatura.
Arq Cien Vet Zool UNIPAR. 2004;7(1):53–56.
Brunner C.H.M., Silveira L.M.G., Ferro D.G., et al. Eletroquimioterapia no tratamento de melanoma oral
em cão doméstico. Nosso Clínico. 14(79), 2011. No prelo
Collados J., Rodríguez B.A., Peña L., et al. Lingual calcinosis circumscripta in a dog. J Vet Dent.
2002;19(1):19–21.
Contesini E.A., Pippi N.L., Beck C.A.C., et al. Cartilagem homóloga conservada em glicerina para
restauração de fenda de palato duro experimental em cães. Rev Fac Vet Zoot Agron.
2004;11(1):128–139.
Crossley D. CT scans of canine molar teeth and salivar glands. J Vet Dent. 1996;13(3):106.
DeForge D.H. Evaluation of bioglass/perioglass (consil) synthetic bone graft particulate in the dog and
cat. J Vet Dent. 1997;14(4):141–145.
DuPont G. Crown amputation with intentional root retention for advanced feline resorptive lesions – A
clinical study. J Vet Dent. 1995;12(1):9–14.
Eubanks D.L. Anatomy and clinical examination of the tongue in the dog. J Vet Dent. 2007;24(4):271–
273.
Fossum T.W. Cirurgia de pequenos animais. São Paulo: Elsevier; 2008.
Gatineau M., El-Warrak A.O., Marretta S.M., Kamiya D., et al. Locked jaw syndrome in dogs and cats: 37
cases (1998-2005). J Vet Dent. 2008;25:16–22.
Gioso M.A. Odontologia para o clínico de pequenos animais. São Paulo: Ieditora; 2003.
Goelzer L.P., Raiser A.G., Gaiga L.H., et al. Acrílico autopolimerizável associado ou não a retalho
mucoperiosteal simples no tratamento de fístula oronasal experimental em cães. Arq Bras Med Vet
Zoot. 2003;55(5):550–556.
Gross J.S. Bone grafting materials for dental applications: a practical guide. Comp Contin Educ Dent.
1997;18:1013–1024.
Harvey C.E., Emily P.P. Small animal dentistry, 1st ed. St. Louis: Mosby; 1993.
Heo S.Y., Lee H.B., Lee K.C., et al. Reconstruction of temporomandibular joint ankylosis with temporalis
myofascial flap in a cat: a case report. Vet Medic. 2008;53(5):277–281.
Holmstrom S.E., Frost P., Gammon R.L. Veterinary dental techniques for the small animal practicioner.
Philadelphia: Saunders; 1992.
Ingwersen W. Congenital and inherited anomalies of the digestive system. In: : Kahn C.M., ed. The Merck
veterinary manual. 9th ed. Whitehouse Station: Merck & Co.; 2005:131–137.
Kelmer E., Kelmer G., Kerl M.E. Diagnosis and successful treatment of a caudal lingual abscess in a
geriatric dog. Can Vet J. 2007;48(8):852–854.
Kemp C., Thiele H., Dankof A., et al. Cleft lip and/or palate with monogenic autosomal recessive

transmission in Pyrenees Shepherd dogs. Cleft Palate Craniofac J. 2009;46:81–88.
Lantz G.C. Step-by-step – Regional anesthesia for dentistry and oral surgery. J Vet Dent.
2003;20(3):181–186.
Lee J., Kim Y., Kim M., Lee J., et al. Application of a temporary palatal prosthesis in a puppy suffering
from cleft palate. J Vet Sci. 2006;7(1):93–95.
Lobprise H.B., Wiggs R.B. Anatomy, diagnosis and management of disorders of the tongue. J Vet Dent.
1993;10(1):16–23.
Maas C.P., Theyse L.F. Temporomandibular joint ankylosis in cats and dogs. A report of 10 cases. Vet
Comp Orthop Traumatol. 2007;20:192–197.
Okuda A., Inoue E., Asari M. The membranous bulge lingual to the mandibular molar tooth of a cat
contains a small salivary gland. J Vet Dent. 1996;13(2):61–64.
Reiter A., Symphysiotomy. symphysiectomy and intermandibular arthrodesis in a cat with open-mouth
jaw locking--case report and literature review. J Vet Dent. 2004;21(3):147–158.
Reiter A.M. Anatomy and clinical examination of the tongue in the dog (author reply). J Vet Dent.
2008;25(2):84.
Roehsig C., Raiser A.G., Mazzanti A., et al. Redução de fenda palatina com resina acrílica
autopolimerizável em um gato. Hora Vet. 2001;21:50–52.
Roza M.R., Costa M.A.F., Costa M.F.B., et al. Biossegurança aplicada aos serviços de odontologia
veterinária. MEDVEP. Rev Cient Med Vet Peqs Anim Anim Estim. 2010;25:293–296.
Roza M.R. Cirurgia da cavidade oral. In: Roza M.R., ed. Odontologia em pequenos animais. Rio de
Janeiro: LF Livros de Veterinária, 2004. p. 167-90
Roza M.R. Dentística restauratória. In: Roza M.R., ed. Odontologia em pequenos animais. Rio de Janeiro:
LF Livros de Veterinária, 2004. p. 191-202
Roza M.R., Roehsig C. Mandibulectomia em cães. MEDVEP Rev Cient Med Vet Peqs Anim Anim Estim.
2010;8:624–629.
Roza M.R., Silva L.A.F., Januario A.L., et al. Tomografia computadorizada de feixe cônico na odontologia
veterinária: descrição e padronização da técnica. Pesqui Vet Bras. 2009;29:617–624.
Roza M.R., Silva L.A.F., Januário A.L., et al. Cone beam computed tomography in the diagnosis of
temporomandibular joint alterations in cats. J Fel Med Surg. 2011. in ahead of print
Scarfe W.C., Farman A.G., Sukovic P. Clinical applications of cone-beam computed tomography in dental
practice. J Can Dent Assoc. 2006;72:75–80.
Smith M.M., Smith E.M., La Croix N., et al. Orbital penetration associated with tooth extraction. J Vet
Dent. 2003;20(1):8–17.
Souza H.J.M., Amorim F.V., Gorgozinho K.B., et al. Management of the traumatic oronasal fistula in the
cat with a conical silastic prosthetic device. J Vet Med Surg. 2005;7:129–133.
Stickland N.C., Goody P.C., Done S.H., et al. Atlas colorido de anatomia veterinária do cão e do gato.
Barueri: Manole; 2002. v. 3
Sukovic P. Cone beam computed tomography in craniofacial imaging. Orthod. Craniofacial Res.

2003;6(suppl 1):31–36.
Ten Cate AR. Histologia bucal. Desenvolvimento, estrutura e função, 5a ed. Rio de Janeiro: Guanabara
Koogan; 2001.
Thomas R.E. Temporo-mandibular joint dysplasia and open-mouth jaw locking in a Bassett Hound: a case
report. J Small Anim Pract. 1979;20:697–701.
Tobias K.M. Manual of small animal soft tissue surgery. Iowa: Wiley-Blackwell; 2010.
Van den Berghe F., Cornilie P., Stegen L., et al. Palatoschisis in the dog: developmental mechanisms and
etiology. Vlaams Diergeneeskundig Tijdschr. 2010;79:117–123.
Verstraete F.J.M., Terpak C.H. Anatomical variations in dentition of domestic cat. J Vet Dent.
1997;14(4):137–140.
Wiggs R.B., Lobprise H.B. Veterinary dentistry – Principles & Practice. Philadelphia: Lippincott-Raven;
1997.

Capítulo 17
Pele

Marta Fernanda Albuquerque da Silva

Introdução

As afecções traumáticas passíveis de intervenção cirúrgica na pele ocorrem com
grande frequência em cães e gatos, com ampla variedade de apresentações – desde
pequenos ferimentos limpos, que necessitam de mínima intervenção, até lesões
extensas, com envolvimento sistêmico e de outras camadas da superfície corporal, que
podem levar até mesmo ao óbito do animal.
A maioria das técnicas em cirurgia, mesmo quando aplicadas para tratamento de
afecções de outros órgãos e sistemas, acabam por envolver a pele quando da
realização do acesso cirúrgico. Consequentemente, obtém-se uma lesão (ferida
cirúrgica) que deve ser conduzida de forma a colaborar com o organismo para que o
processo de reparo ocorra no máximo da sua eficiência.
Além da cirurgia na pele com finalidades terapêuticas, biópsias são
frequentemente requisitadas para a condução de tratamentos clínicos, devendo ser
realizadas com princípios técnicos básicos para obter-se acuidade diagnóstica.

Manejo de feridas cutâneas

Feridas são soluções de continuidade em tecidos que provocam a perda tanto da
função anatômica quanto fisiológica da região, implicando danos ao organismo
proporcionais a área, estruturas envolvidas e complicações adicionais.
Praticamente todos os dias cães e gatos são levados a atendimento com
ferimentos, fazendo da avaliação e do tratamento de feridas partes significativas da
prática veterinária de pequenos animais.
O direcionamento clínico da cicatrização de feridas é dividido em quatro
categorias: 1. primeira intenção – aproximação das margens com suturas,
envolvendo mínima formação de granulação; 2. segunda intenção – as margens da
ferida não são aproximadas, ocorrendo formação de tecido de granulação, contração e
epitelização (Capítulo 7); 3. primeira intenção com retardo – as margens são
aproximadas poucos dias após a instalação da lesão, quando há indícios do controle

da infecção; 4. terceira intenção – a ferida é fechada após a instalação e algum
progresso da granulação (também chamado fechamento secundário), por meio de
técnicas reconstrutivas (Capítulo 20).
Para a escolha da forma de direcionamento e de técnicas de manejo é primordial
o reconhecimento das características das feridas de cães e gatos e a avaliação de
fatores que possam interferir na evolução do processo.

Características da ferida e do paciente que interferem
na orientação do tratamento

Alguns dos fatores que influenciam mais diretamente a evolução do processo de
reparo da ferida devem ser considerados no histórico do trauma e na avaliação local
da lesão.
Aspectos envolvidos com o nível de contaminação da ferida são relacionados com
o agente traumático, a presença de sujidades e material estranho e o tempo de
instalação da lesão.
A veiculação de microrganismos pelos agentes traumáticos varia desde quase
nenhuma, no caso das feridas cirúrgicas produzidas com técnicas de assepsia ou nas
queimaduras, até um grande número de bactérias com alto grau de patogenicidade,
como nas feridas por mordeduras. Os próprios agentes causadores do trauma ou o
contato com solo e materiais alheios ao tecido podem depositar corpos estranhos,
aumentando o risco de contaminação. Um grande tempo (mais de 6 a 12 horas)
transcorrido entre a produção da ferida e a apresentação para o tratamento propicia
a multiplicação de microrganismos eventualmente presentes na lesão, mas não pode
ser tomado como o único parâmetro para a diferenciação entre ferida limpa e
contaminada, passível ou não de tratamento primário, ou como determinante do
desenvolvimento de infecção.
Materiais de síntese e implantes utilizados em cirurgias podem agir como corpos
estranhos, principalmente aqueles que provocam reação inflamatória do organismo;
mesmo quando inertes ou com baixo grau de antigenicidade, podem servir como
suporte para formação de biofilme bacteriano, dificultando a ação do sistema imune e
de antibióticos. Portanto os critérios de escolha do material adequado para a sutura
de feridas cirúrgicas devem ser rigorosamente respeitados e, em casos de fechamento
de feridas traumáticas (direcionamento por primeira intenção), os fios devem ser
preferencialmente monofilamentares e provocar um mínimo de reação orgânica.
Feridas muito extensas obviamente têm um tempo aumentado de reparo quando
orientadas para cicatrizarem por segunda intenção; entretanto a área da ferida não é
a única influência na conclusão do processo, devendo-se considerar, entre outros
aspectos, a localização e o envolvimento de estruturas subjacentes. Lesões localizadas
em regiões que sofrem movimentação ou pressão constante podem gerar uma situação

clínica complicada, uma vez que as forças mecânicas impõem sérios prejuízos à
vascularização do tecido em formação – seja por dificuldade de chegada e retorno do
sangue, como nas úlceras de pressão, seja por fragmentação repetida dos vasos
neoformados devido ao movimento. A expansão da injúria a regiões mais profundas
da superfície corporal pode prejudicar o suprimento sanguíneo, facilitar a infiltração
de microrganismos que venham, eventualmente, a favorecer-se de ambientes com
baixa tensão de O2 para sua multiplicação, além de expor superfícies sobre as quais o
tecido de granulação não encontra bom suporte para seu desenvolvimento, como
periósteo, fáscia, tendão e bainha de nervos (comum nas regiões distais de membros).
Deve-se ressaltar que muitas vezes ferimentos pequenos em extensão superficial
podem ter negligenciada a sua profundidade durante a avaliação, propiciando o
desenvolvimento de infecções severas por microrganismos anaeróbios e ampliação do
dano para áreas circundantes não afetadas previamente, como é o caso de feridas
perfurantes (Figura 17.1), inclusive por mordedura.

Figura 17.1 Gato que, depois de saída à rua, retornou ao domicílio com duas feridas aparentes –
na região abdominal ventral esquerda e na face lateral do membro pélvico esquerdo, com exposição de
fragmento fraturado da diáfise femoral (A). Em inspeção mais detalhada, sob anestesia geral,
observou-se comunicação entre as duas lesões superficiais (B), tratando-se então de uma ferida
profunda e perfurante. Após debridamento e limpeza, a fratura foi reduzida e os ferimentos puderam
ser suturados devido à colocação de um dreno de Penrose (C e D) e à terapia antibiótica pós-
operatória, com evolução favorável aos cinco dias (E e F) e até completa cicatrização.
Cortesia do Prof. Fernando Elisio Amaral Torres, Universidade Estácio de Sá, Rio de Janeiro.

A possibilidade de retração deve ser considerada em feridas muito extensas. Em
locais onde a pele é muito aderida, com pouca capacidade de distensão, a contração
da granulação em feridas cicatrizando por segunda intenção pode não ser suficiente
para a aproximação das margens, formando-se, então, uma grande área de cicatriz
coberta por epitélio, que geralmente é delgado e sujeito a traumatismos repetidos.
Por outro lado, a contração em áreas próximas a orifícios naturais ou articulações

movimentação intensa ou pressão). tanto na fase inflamatória quanto na proliferativa (ou de reparação). neutrófilos presentes na lesão respondem ao estímulo de citocinas e aumentam a atividade de produção de metaloproteinases.3). colocação de drenos e compressão das camadas teciduais separadas. por lesões contusas em regiões adjacentes (Figura 17. essencial para a mitose e a síntese de proteínas. No processo de cicatrização. devendo-se buscar sua redução por meio de suturas de aproximação (quando indicadas). os quais danificam as células endoteliais capilares. a condição de hipóxia na região preenchida pelo seroma reforça o prejuízo ao movimento celular. Insuficiência no aporte sanguíneo à ferida pode ocorrer devido a características de localização da injúria (como regiões de extremidade. as quais levam à degradação de fatores de crescimento e seus receptores. Conhecendo-se a cascata de processos que se operam nas fases da cicatrização (Capítulo 7). inclusive a ocorrência de deiscência das feridas cirúrgicas.pode levar a deformidades.2). por exemplo) ou por alterações sistêmicas que afetam a rede vascular. são aspectos que explicam o retardo acentuado ou o insucesso no fechamento de feridas sob condições de hipóxia tecidual. e de proteínas de adesão celular. fica fácil perceber o quanto o reparo das feridas depende de boa vascularização e suprimento sanguíneo. A presença de espaço morto com consequente acúmulo de líquido dificulta sobremaneira a migração das células. Além do impedimento mecânico. um importante mecanismo de reparo é a migração celular. . o controle de infecção e a produção de substâncias mediadoras). de forma iatrogênica (confecção incorreta de nós de suturas ou bandagens excessivamente apertadas. como fibronectina e vitronectina. quando várias camadas teciduais são atingidas (Figura 17. a disponibilização de substrato para os intensos processos de proliferação celular e síntese de moléculas e o fornecimento de níveis adequados de oxigênio. A chegada de células inflamatórias (fundamentais para a “limpeza” da ferida. levando a destruição celular. propagando-se um ciclo vicioso. prejudicando a adesão celular normal para fechamento da ferida. com prejuízo funcional para o paciente. deposição de fibrina nos vasos e incremento no prejuízo ao aporte de nutrientes e oxigênio. tanto em feridas cirúrgicas quanto traumáticas. Os leucócitos polimorfonucleares respondem à baixa tensão de oxigênio liberando proteinases e metabólitos tóxicos.

Rio de Janeiro. “enclausurando” o processo de reparo na fase inflamatória. várias lesões contusas (B) que certamente irão influenciar negativamente no aporte sanguíneo para reparação das feridas. entretanto. Figura 17. A simples presença de bactérias na ferida não afeta a cicatrização – pesquisas apontam um mínimo de 105 a 106 unidades formadoras de colônia por grama de tecido para caracterizar infecção. além da quantidade de microrganismos e. esperando-se. os fatores locais da ferida discutidos anteriormente e a capacidade sistêmica de resposta do organismo devem ser considerados. Rio de Janeiro. outros aspectos como a patogenicidade dos agentes. Fernando Elisio Amaral Torres. Universidade Estácio de Sá. Realizada a ampla tricotomia da região.2 Duas pequenas perfurações (A) foram observadas pelo proprietário na pele deste cão após episódio de briga com outro animal. tão importantes quanto.3 Ferida em membro pélvico esquerdo de cão que se estende para subcutâneo e musculatura. além de outras feridas perfurantes. verificam-se. Cortesia do Prof. neste caso.Figura 17. Universidade Estácio de Sá. Cortesia do Prof. as quais produzem destruição tecidual e estimulam ainda mais os neutrófilos a produzirem altos níveis de proteases. um nível significativo de dificuldade no suprimento sanguíneo. O desenvolvimento de infecção é grandemente facilitado quando há deficiência no suprimento de sangue às feridas – a resposta celular prejudicada durante a fase inflamatória permite uma quantidade aumentada de bactérias no local. . Fernando Elisio Amaral Torres.

Algumas vitaminas afetam diretamente a cicatrização. ocorrendo então a quebra de reservas proteicas para manutenção das funções basais e. Glicose é a fonte primária de energia para leucócitos e fibroblastos e sua deficiência pode afetar a formação de colágeno e a resistência da cicatriz. e abaixo de 5. em espécies dependentes de fontes exógenas. Entretanto a inflamação em traumas agudos e severos (como em muitos procedimentos cirúrgicos) provoca edema. Alterações sistêmicas no organismo de cães e gatos não devem ser subestimadas na condução do tratamento de feridas.5 g/dl há 70% de chance de deiscência da ferida. Protocolos pós-operatórios antigos incluíam a administração oral de zinco como adjuvante na cicatrização das feridas. também em doses elevadas. que pode ser ainda mais prejudicial e. O zinco é fundamental para a replicação de células epiteliais e fibroblastos. prolongando-se o tempo de cicatrização – níveis plasmáticos de 6 g/dl retardam a cicatrização. a indicação deste medicamento deve ser o resultado do confronto entre o risco e o benefício. em casos de retardo clínico na cicatrização. como a cobaia (porquinho-da índia) e o homem. facilitar o desenvolvimento de infecções e alterar negativamente os processos de mitose. Com a depleção das reservas proteicas a fibroplasia é diminuída. portanto. mas o trauma pode levar à redução dos níveis desta vitamina e. sua administração pode ser considerada. o processo de reparo da ferida fica lento. dietas pobres em vitamina C podem causar notável prejuízo ao reparo. incluindo a proliferação de fibroblastos e a síntese de colágeno. consequentemente. indispensáveis para o progresso da cicatrização em sua capacidade máxima. migração. A vitamina C é fundamental na síntese do colágeno e. o que causaria impacto na resposta inflamatória e no metabolismo das células. Os corticosteroides inibem a reparação por meio dos efeitos anti-inflamatórios globais e da supressão de respostas celulares na ferida. uma vez que fatores gerais podem provocar prejuízos na atuação de células inflamatórias. Em estados de nutrição insuficiente. mas hoje se sabe que altas concentrações podem inibir macrófagos. com efeito final negativo no processo de reparo. diminuir a fagocitose e interferir nas ligações entre as moléculas de colágeno. Os resultados de experimentos com anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) são conflitantes. o organismo não dispõe das fontes necessárias de proteína e energia (gorduras e carboidrato). e sua deficiência pode provocar baixa da força da ferida e prejuízo à epitelização. não é o caso de cães e gatos. Medicamentos de uso sistêmico que sabidamente influenciam a cicatrização de feridas são os corticosteroides e antineoplásicos. desestabiliza estas organelas e pode contrapor-se ao efeito prejudicial da vitamina E em excesso (e também de corticosteroides – ver adiante). levando à formação de tecido de granulação . porém é coerente concluir que podem reduzir a intensidade dos eventos inflamatórios iniciais. a administração de vitamina A. adesão e síntese pelas células na fase reparadora. Altas doses de vitamina E podem estabilizar lisossomos.

Entretanto os autores indicam a necessidade de cuidados para se evitar o risco de infecção com uso prolongado. Os efeitos do diabetes em seres humanos são bem conhecidos. em casos em que isto se observa. Estudos recentes em humanos têm mostrado que a aplicação tópica de baixas doses de corticosteroides em feridas crônicas pode ter efeito positivo por reduzir a dor e os exsudatos e suprimir a hipergranulação. altos níveis de metaloproteinases. com apresentações variáveis. metotrexato e doxorrubicina como tendo efeitos prejudicias. fibroblastos são diretamente afetados e o colágeno é produzido em menores quantidades. No hiperadrenocorticismo podem-se esperar complicações semelhantes àquelas da aplicação sistêmica de corticosteroides (ver anteriormente). Não é tão comum a observação de retardo na cicatrização de cães e gatos com diabetes. acabando por acelerar a cicatrização. disfunção nos fibroblastos e células epidérmicas. incluindo a menor disponibilidade de substrato para os processos de reparo. corticosteroides sistêmicos podem aumentar o risco de infecção da ferida. relacionados com vários fatores: hipóxia. as alterações são diretamente devidas à doença ou à maior suscetibilidade à infecção. o hiperadrenocorticismo e o hipotireoidismo podem ser causas de atraso na cicatrização. como infecções ou disfunções em outros órgãos ou sistemas. ciclofosfamida. a suspensão de aplicação aproximadamente 15 dias antes da cirurgia previne complicações na cicatrização. Os glicocorticoides inibem a produção de fator induzível por hipóxia (HIF-1). e muitas vezes conflitantes. com retardo na formação da matriz extracelular provisória. e os agentes antineoplásicos. Doenças debilitantes. Os resultados são variáveis entre os diferentes agentes. Entre as doenças sistêmicas o diabetes mellitus. resultando em redução da migração celular e da deposição de fibrina. com efeitos semelhantes aos da desnutrição e prejuízo à resposta imunológica. importante no estímulo à angiogênese (Capítulo 7). e ainda não está claramente definido se. na presença de desnutrição e depleção de proteínas. O hipotireoidismo também pode ter efeito negativo na cicatrização e deve ser uma suspeita em casos de feridas crônicas. Efeitos negativos são mais prováveis quando a injúria ocorre durante o uso dos medicamentos – no caso de feridas cirúrgicas. enquanto 5-fluoracil. azatioprina e vincristina teriam efeito variável ou ausente. angiogênese e neovascularização comprometidas. Além de efeitos sobre a repararação em si. diminuição da resposta imune e neuropatia.incompleta e contração reduzida. podem afetar drasticamente a evolução de feridas de várias formas. Doses únicas de corticosteroides sistêmicos não interferem na cicatrização. A cicatrização e o crescimento tumoral têm em comum muitos mecanismos celulares e moleculares. que facilita o desenvolvimento de infecção na lesão da pele. que têm como alvo as células em divisão acelerada. também inibem o reparo de feridas. os efeitos negativos são aumentados. . Estudo em cães classificou cisplatina. Muitas destas drogas impedem a resposta inflamatória e retardam ou bloqueiam diretamente a angiogênese.

com reparação total e evolução normal até um período de seis meses.4 Esta ferida extensa. e cuidados mais intensos foram adotados. a menos que afecções debilitantes como nefropatia ou cardiopatia estejam presentes. Exames clínicos e laboratoriais não demonstraram doença intercorrente que justificasse o insucesso da cicatrização. desafiam os resultados de investigações clínicas e laboratoriais criteriosas. quando uma incisão de pele suturada está normal à inspeção e. na cicatrização por segunda intenção.4). com granulação pálida (A). A idade avançada não parece ter um efeito direto na evolução de feridas. as feridas de gatos produzem menos fluidos. resultado de deiscência (por três vezes) após retirada da sutura. como a omentalização da ferida (Figura 17. O mesmo grupo de pesquisadores também concluiu que a preservação do tecido celular subcutâneo é muito importante para o bom andamento da cicatrização. em alguns casos. enquanto nos gatos inicia-se nas margens da ferida e avança lentamente pela superfície.5 dias para cães).5). localizava-se na face lateral do membro pélvico de um gato. e estão começando a explicar complicações observadas em feridas de pele nos gatos que. O animal sofreu fratura de fêmur. Experimentos provaram que a resistência tênsil em feridas suturadas de gatos é metade daquela de cães após sete dias da cirurgia. Após recidivas desta ocorrência podem ser necessárias técnicas adicionais de estímulo à reparação. a redução da área da ferida (resultado da contração e epitelização) é também mais lenta no gato. . que se consolidou adequadamente após a cirurgia de redução (primeiro episódio de deiscência da ferida na pele). apresentam menor nível de edema na fase inflamatória e demonstram granulação em menor quantidade e com aspecto muito mais pálido (Figura 17. em gatos. O quadro foi considerado de “pseudocicatrização” e optou-se por cobertura com omento pediculado (B). que se completa em período muito mais extenso que nos cães (média de 19 dias para gatos e 7. A cada intervenção para fechamento da pele os pontos eram retirados com mais tempo. O tecido de granulação nos cães se origina de todo o subcutâneo exposto. Os pontos de sutura da pele (C) foram retirados após 17 dias. Trabalhos comparando a cicatrização em cães e gatos demonstraram diferenças importantes entre as espécies. um processo que pode ser denominado “pseudocicatrização”. sobrevém deiscência total devido a forças habituais aplicadas à cicatriz. Figura 17. após a retirada dos pontos. Ocorre com relativa frequência.

gerando maior tempo de recuperação e consequente dedicação do proprietário (ou custo de internação). o leito da ferida é muito pálido e mais profundo em relação à superfície. Custos com anestesia e procedimento cirúrgico são uma realidade quando é necessário o debridamento na cicatrização por segunda intenção ou quando se opta pela orientação por primeira intenção. primeira intenção com retardo ou terceira intenção. locais e gerais. O tratamento de feridas abertas implica a troca de curativos e eleva o gasto com medicamentos e possíveis revisões frequentes. Fernando Elisio Amaral Torres. o qual deve ser apresentado e discutido com o proprietário do animal. de forma global. Mesmo em fase mais adiantada. a avaliação cuidadosa de todos os fatores.Figura 17. Desta forma.5 Ferimento no tronco de um gato com progresso da granulação a partir das margens. Cortesia do Prof. Rio de Janeiro. buscando-se obter. mostrando uma produção reduzida de granulação em relação aos cães. Etapas do manejo e materiais utilizados nas feridas . o sucesso na cicatrização das feridas de cães e gatos. com franca contração (B). sem ter completado o centro da ferida (A). que afetam a cicatrização deve fornecer um prognóstico o mais próximo da realidade. Outros fatores que completam as escolhas para orientação da cicatrização de feridas envolvem o custo e a possibilidade de envolvimento do proprietário. Universidade Estácio de Sá.

hipotensão. Especial atenção deve ser dada a feridas na região torácica. que traumatizam menos os tecidos.6) embebidas em solução estéril (solução fisiológica ou produtos em veículo absorvente. É necessária uma ampla área de tricotomia. Alterações sistêmicas relacionadas com o trauma que gerou a lesão de pele (como hemorragias. terra e outros corpos estranhos sejam conduzidos ao leito da ferida nestes procedimentos. os pelos nas margens da ferida podem ser cortados com tesoura cujas lâminas tenham sido imersas em óleo mineral para evitar a queda no leito da ferida. Para limpeza inicial e tricotomia a ferida deve ser protegida. Para tricotomia do entorno da ferida é preferível o uso de máquinas de tosa. A abolição da dor e o controle da ansiedade em cães e gatos são importantes para que se realizem os procedimentos. e áreas de tecido danificado por lesões contusas devem ser identificadas para uma avaliação abrangente do suprimento sanguíneo da ferida (ver subitem anterior). mas lâminas de barbear também podem ser utilizadas de forma cuidadosa. . Pode ser aplicado gel estéril (como lubrificante para sondas) sobre o tecido lesado ou colocadas compressas de gaze (Figura 17.Avaliadas as características da lesão e do paciente. inclusive diagnósticos. o manejo da ferida propriamente dito deve ser planejado com base em etapas sequenciais e complementares. quando não é indicada. de forma adequada e completa. Para realizar-se o debridamento cirúrgico a anestesia geral é preferível. permitindo que o procedimento seja realizado de forma segura e integral.) devem ser previamente corrigidas – geralmente o tratamento da ferida será o último procedimento. como polietilenoglicol). uma vez que ferimentos podem ser ocultados por pelos. evitando-se um volume excessivo de espuma produzida pelos líquidos antissépticos degermantes. áreas de ferimentos pequenos e isolados podem ser insensibilizadas pela infiltração subcutânea de anestésicos locais. aumentando o próprio tempo de limpeza e os “problemas” do organismo na fase inflamatória. obstrução em vias aéreas etc. pelo risco de envolvimento da parede e instalação de pneumotórax. evitando-se contaminação adicional e deposição de corpos estranhos – é inadmissível que pelos.

a solução de Ringer com lactato é uma boa opção. Antes da tricotomia e limpeza da região circundante. Além disso. seringa de 20 ml ou 35 ml e agulha (Figura 17. tem alto grau de citotoxicidade. sem provocar lesões mecânicas por níveis de pressão exagerados. evitando-se a queda de pelos e sujidades para o leito da ferida. debris necróticos. Terminadas a tricotomia e a limpeza das áreas circundantes. o ponto principal é que a lavagem é indispensável e deve ser abundante. mas a solução salina. as lesões foram cobertas com compressas de gaze (B). secreções. pH ácido e presença de oligoelementos tóxicos. não estando disponível o produto . Estudos indicam que a água de torneira. em grande volume e com pressão controlada. apesar da relevância destas considerações na escolha da solução. Soluções isotônicas são preferidas – apesar de a solução de Hartmann ser indicada na literatura por apresentar pH adequado e baixíssimos níveis de citotoxicidade. É prático o uso de torneira de três vias acoplada a equipo (ligado ao frasco da solução). retira-se a proteção da ferida e procede-se à lavagem com solução estéril. mesmo estéril. ainda é a mais utilizada pela ampla disponibilidade e seu custo reduzido. envolvendo o tronco (A). possivelmente devido a hipotonicidade.7). embora levemente citotóxica pela falta de um sistema tampão e pH ácido. coágulos contaminados e microrganismos. o que agiliza o procedimento e provê uma pressão de líquido adequada para a retirada de sujidades.Figura 17.6 Esta cadela sofreu queimadura em grande extensão da superfície corporal. além de outras regiões. Entretanto.

em camadas (Figura 17.mais adequado. a citotoxicidade não será tão deletéria neste “momento da ferida”. Músculo desvitalizado deve ser excisado até que se observe sangramento. a ponta de um equipo (ligado ao frasco de solução de lavagem. Antimicrobianos (iodopovidona a 0.05%) podem ser adicionados às soluções de lavagem em feridas muito contaminadas. diante do risco de acúmulo de material necrótico e corpos estranhos em áreas profundas (ver subitem anterior e Figura 17. .1). O animal é preparado para procedimento asséptico e os tecidos desvitalizados são retirados com bisturi ou tesoura.1% ou clorexidina a 0. Pode ser recomendado aguardar um período de aproximadamente 48 horas após a lesão para que a desvitalização fique evidente em toda a sua extensão. ou a saída da seringa para a agulha (esta última posição está demonstrada na figura). Em feridas perfurantes pode ser necessário exploração mais ampla. mas os sequestros ósseos devem ser retirados. quando as células presentes podem ter suas atividades muito mais prejudicadas pela presença de contaminantes. nervos e ossos. que não aparece na foto) e uma agulha de injeção estão conectadas às três saídas da torneira. tendões.8).9) – especialmente nos gatos deve-se ter cuidado com a retirada exagerada de tecido subcutâneo. preservam-se vasos. Figura 17. Deve ser realizada avaliação criteriosa da viabilidade tissular para que se evitem excisões excessivas (Figura 17.7 Sistema para lavagem de feridas. caso o animal apresente condições próprias para anestesia. O debridamento (ou desbridamento) cirúrgico é o passo seguinte na maioria das feridas traumáticas. com alargamento da ferida. mas não são indispensáveis. deve-se aquecer a solução de lavagem para que não ocorra hipotermia. A seringa de 20 ml. da superfície para a profundidade. permitindo que mudanças na direção da válvula promovam a entrada de líquido do frasco para a seringa. conforme discutido anteriormente. Em ambientes frios e quando áreas muito extensas são atingidas.

Figura 17. . o animal recebeu o debridamento cirúrgico das lesões (A: no membro pélvico direito e B: no membro torácico direito) com bisturi. Após lavagem abundante das feridas com solução fisiológica morna.6.8 Mesma cadela da Figura 17.

à esquerda e à direita da área apontada. escolha de fios e padrões de sutura. mas optou-se pela manutenção das três. também mostravam suspeita de desvitalização. caso necessário. levando-se em conta os fatores discutidos no subitem anterior. Duas regiões.Figura 17. e a diminuição do acúmulo de líquidos pode ser obtida com colocação de drenos (Figura 17. Redução do espaço morto com suturas de aproximação podem ser realizadas. O direcionamento clínico da ferida será então definido. Se for escolhida a cicatrização por primeira intenção. . Somente a área central menor se manteve viável com o progresso da cicatrização (B: região na altura do cotovelo) e certamente forneceu margem de migração epitelial para a cobertura da extensa área lesada nas proximidades e recuperação do animal (C).9 Sequência de debridamento no animal da figura anterior. apontada com a lâmina de bisturi (A).1e). mostrando área de aspecto duvidoso quanto à sua viabilidade. a aproximação das margens será realizada observando-se estritamente os critérios de assepsia.

sendo o preferível para feridas que não necessitam de debridamento extenso (cirúrgico) ou que estão progredindo na fase inflamatória com níveis baixos de contaminação ou mesmo infecção leve (tendo sido realizado ou não o debridamento cirúrgico prévio). As enzimas não digerem pele queimada. fibrinolisina. seu uso não está difundido na clínica e cirurgia de pequenos animais.optando-se por fios que causem pouca reação tissular e sejam absorvidos (fios absorvíveis sintéticos) para não agirem como corpos estranhos e suporte para biofilme bacteriano. usadas de forma adequada. com enzimas endógenas e fatores de crescimento. A ferida deixada aberta. por meio de curativos específicos. com constante morte tecidual. os debridamentos enzimático por medicamentos. São também indicados quando a ferida é deixada aberta. O debridamento autolítico é obtido quando substâncias hidrofílicas são aplicadas em ataduras oclusivas ou semioclusivas. a atuação de enzimas sobre o coágulo pode atrasar o reparo porque prejudica a matriz extracelular provisória. provavelmente pelo custo relativamente elevado em comparação com os curativos preparados manualmente. promovem um debridamento suave e mais próximo do fisiológico. quando a hipóxia mantém a ferida no ciclo vicioso que leva à permanência na fase inflamatória. com diferenças no custo e na praticidade de aplicação. nestes casos. papaína ou estreptoquinase) é degradar o tecido necrosado e dissolver o biofilme bacteriano e o coágulo. . permitindo a limpeza da ferida e ajudando na passagem da fase inflamatória para a reparativa. por condições gerais do animal ou quando a viabilidade tecidual é duvidosa e corre-se o risco de excisão excessiva. mantendo a ferida úmida. deve ser acompanhada com base nos conhecimentos da fisiologia da cicatrização (Capítulo 7) e na observação das influências locais e gerais. não danificam o tecido vivo. seja para direcionamento por segunda intenção ou quando se planeja um fechamento posterior (primeira intenção com retardo ou terceira intenção). a quebra dos tecidos desvitalizados pode favorecer a fagocitose. O papel dos medicamentos enzimáticos (contendo colagenase. ou a situações de insuficiência na irrigação sanguínea. O ambiente úmido favorece a migração celular e uma mudança progressiva da fase inflamatória para a regenerativa. com propostas bem definidas. osso necrosado nem tecido conjuntivo. Quando a ferida progride normalmente. A manutenção do próprio líquido da ferida ou exsudatos. mas pode ocorrer irritação local com alguns produtos. durante a fase inflamatória. Várias substâncias e preparados comerciais estão disponíveis para a promoção do debridamento autolítico. Seu uso deve ser restrito ao início da fase inflamatória. sem que ocorram atrasos no processo de reparação. e. Apesar de uma boa disponibilidade de curativos prontos no nosso mercado. conforme discutido anteriormente. podem ser utilizados. quando prevalecem os processos de lise. mas podem ser úteis em situações específicas. ou autolítico. importante substrato para migração celular e fonte de substâncias mediadoras fundamentais ao bom andamento do processo de cicatrização (Capítulo 7). Quando o debridamento cirúrgico não está indicado.

A camada primária. e devem ser preferidas. acolchoamento e proteção. Camadas primárias não aderentes promovem o debridamento autolítico. hidrogéis (água. e os curativos com alginato de cálcio. entretanto não são eficazes na proteção contra contaminação externa. por suas . com destruição de áreas de tecido sadio neoformado. sangue e soro contaminados. secundária – ou intermediária. permitindo trocas ou promovendo total oclusão. A camada primária é a que interage mais intimamente com o processo de cicatrização e será discutida extensivamente mais adiante. carboximetilcelulose e propilenoglicol) ou alginato de cálcio (derivado de algas marinhas) – os dois primeiros são indicados para feridas com exsudação leve a moderada. Materiais como ataduras de crepom ou fitas adesivas elásticas permeáveis são amplamente empregados e prestam-se adequadamente para a confecção da camada terciária. que tem o papel de fixar as outras camadas do curativo. quando é seca ou úmida aderente (compressa de gaze impregnada com solução fisiológica). que pode ser excessivo. Em casos em que é necessária a imobilização de membros para diminuição do movimento na ferida. uma vez que permitem a passagem de líquidos sem uma permeabilidade seletiva que impeça a entrada de microrganismos. absorve líquidos e adere a tecidos necróticos e ao leito da ferida. que tem funções de absorção. ou para proteção da camada externa. com todas as vantagens anteriormente discutidas. O algodão absorvente é o produto mais utilizado na confecção destas camadas e deve ser aplicado com pressão suficiente para eliminar os espaços entre a ferida e a camada primária (os quais poderiam acumular líquido em quantidades indevidas e promover maceração). observando-se cuidadosamente o risco de compressão e prejuízo vascular à ferida. na verdade. Estes materiais e outros com característica de porosidade são desejáveis por permitirem a evaporação. pectina e carboximetilcelulose sódica). A camada secundária dos curativos deve ser absorvente para armazenar agentes deletérios (como bactérias. ter capilaridade para a absorção e ser espessa o suficiente para o armazenamento. que fica em contato com a ferida. exsudato. com consequente prejuízo ao suprimento sanguíneo e à contração da ferida. mas a observação do período de troca tem de ser bem controlada. terciária – ou externa. para isto. O uso de materiais impermeáveis deve ser restrito a áreas onde é difícil o controle da infiltração por líquidos externos. que fixa o curativo ao local e deve controlar o contato do ambiente da ferida com o meio externo. Os principais curativos comerciais não aderentes disponíveis são compostos de hidrocoloides (camada interna composta de gelatina. Os curativos em geral são compostos basicamente por três camadas – primária. um debridamento mecânico a cada troca de curativo. promovendo. resíduos) distantes do leito da ferida. devendo. aparelhos como talas podem ser associados à camada terciária. mas não causar compressão excessiva. como nas extremidades dos membros. A camada terciária pode ser substituída por roupas bem adaptadas em algumas situações.

a sulfadiazina de prata. A clorexidina a 0. os custos podem vir a equivaler-se. por estas características. um efeito não aderente e debridamento autolítico satisfatório podem ser obtidos com compressas de gaze impregnadas em produtos à base de polietilenoglicol. que podem ser uma boa indicação para a camada primária de curativos preparados na clínica. que é uma substância hidrofílica e absorve os produtos da fase inflamatória. o que dificulta sua utilização em curativos. como nas pomadas antibióticas tríplices (bacitracina. sendo. o espectro de ação de associações é ampliado. tem amplo espectro e pode penetrar no tecido necrosado.1%. Uma desvantagem em relação aos curativos comerciais é que. os curativos preparados manualmente precisam de trocas pelo menos diárias. Substâncias com efeito antimicrobiano podem ser adicionadas à camada primária para permitirem maior controle da infecção. infectadas e excessivamente exsudativas. O debridamento é abrangente e não seletivo. o medicamento de escolha para queimaduras e feridas com muito . mas com atividade mínima contra Pseudomonas. e resistência que pode ser apresentada por alguns gêneros de bactérias (Proteus e Pseudomonas) não chega a contraindicar seu uso – encontram-se no mercado produtos compostos por clorexidina em veículo de polietilenoglicol.características de alta absorção. atividade residual prolongada (inclusive na presença de sangue) e baixa citotoxicidade. deve ser usado somente nos primeiros dias. com grande quantidade de secreção e debris. em uma ferida moderadamente exsudativa e que irá progredir para granulação. Iodopovidona tem amplo espectro de atividade antimicrobiana e baixa citotoxicidade em concentração de 0. mantém a umidade e permite quase nenhuma aderência da gaze ao leito da ferida. o que exige envolvimento do proprietário. de compressas de gaze impregnadas em solução salina hipertônica (cloreto de sódio a 20%) – a ação osmótica desseca bactérias e tecido necrosado e reduz o edema.05% também apresenta amplo espectro de ação. visitas frequentes ou internação e. uma boa opção para modificar este perfil exsudativo é a utilização. mas transforma rapidamente uma ferida de péssimo aspecto. necrosada. portanto. apesar de toxicidade comprovada in vitro contra queratinócitos e fibroblastos. como camada primária. enquanto alguns deles (como os compostos por hidrocoloides) podem ser trocados em períodos de até sete dias (em situações de pouca exsudação e quando o ambiente do animal é controlado). portanto.15% envolto por camada de tecido sem carvão ativado) estão disponíveis no comércio para feridas de odor fétido. Nos curativos preparados manualmente. com melhora da perfusão. devem ser aplicados em feridas com grande quantidade de exsudato. Em feridas muito contaminadas. mas seu efeito residual é de apenas 4 a 5 horas. neomicina e polimixina). baixa citotoxicidade e período de atividade prolongado. Antibióticos tópicos têm espectro de ação mais específico e efeito citotóxico mais pronunciado. Curativos com carvão ativado (tecido carbonizado e impregnado com nitrato de prata a 0. As características ideais do produto para este tipo de utilização são atividade de amplo espectro.

Quando é atingido o controle da infecção. com consequente estímulo à formação da granulação e epitelização. redução da inflamação. como açúcar e mel. pode-se optar pela aproximação das margens (primeira intenção com retardo). a melhor escolha é deixar a ferida cicatrizar por segunda intenção. Outros produtos têm sido utilizados nas fases iniciais do reparo. estímulo à angiogênese. Pode ser utilizada nas fases inflamatória e reparadora da cicatrização. compostos pelo gel de babosa. Não tem atividade antimicrobiana e deve ser associada a outros produtos quando do uso em feridas contaminadas. aumenta visivelmente o fluxo sanguíneo local e tem também o efeito de acelerar a contração da ferida.material desvitalizado (encontra-se como componente de alguns curativos comerciais). matriz extracelular provisória bem instalada e indícios de início da granulação. migração e mitose de células epiteliais e deposição de colágeno. A babosa (Aloe vera) é a planta medicinal com mais efeitos cientificamente comprovados no auxílio à cicatrização. Se outras influências (ver subitem anterior) impedem ou põem em dúvida esta decisão. exercem efeito grandemente positivo em queimaduras. O açúcar é aplicado em camada fina após a lavagem e debridamento. melhora na nutrição da ferida. a partir do momento em que a granulação preenche o leito da ferida com aspecto “saudável” e uniforme. suprimento sanguíneo adequado. apesar de seu amplo espectro antibacteriano (com pouca atividade contra Pseudomonas). Neste caso. Tem atividade inibidora seletiva de serotonina (antagoniza competitivamente a vasoconstricção e a agregação de plaquetas). aumentando a patência vascular e reduzindo a isquemia. Os curativos são trocados conforme o mel ou o açúcar são diluídos pelos exsudatos (geralmente duas a três vezes ao dia) e aplicados até que o debridamento esteja completo. com registro no Ministério da Saúde. Há indícios de efeitos estimulantes de moléculas contidas no mel. como redução do edema e inflamação. o mel pode ser impregnado em gaze estéril aplicada à ferida e recoberta igualmente com camada secundária absorvente. Sua atividade antimicrobiana (inclusive contra Pseudomonas aeruginosa) e na inibição de prostaglandinas e tromboxano. sob observação criteriosa devido ao risco de hipergranulação. com secreções “saudáveis” no leito da ferida. É apresentada no mercado em forma de gel. A nitrofurazona. podendo ser associado a produtos com polietilenoglicol (com a vantagem de preencher feridas profundas). possivelmente por atuação sobre os miofibroblastos. sendo então recoberto com ataduras (camada secundária). vem deixando de ser indicada porque retarda a epitelização de feridas e perde efeito na presença de matéria orgânica. A ketanserina é uma substância que pode ser de interesse em feridas com aporte sanguíneo prejudicado. favorecimento da migração celular e aumento no conteúdo de colágeno. Ambos exercem atividade antimicrobiana pela sua hipertonicidade. Há bons produtos no mercado. a . Foram relatados também efeitos de estímulo à secreção de interleucina-1 (IL-1) e fator de necrose tumoral (TNF) pelos macrófagos (com consequente aumento na proliferação de fibroblastos).

O tratamento das feridas cutâneas é dinâmico e depende. a maioria inclusive sob o título de “cicatrizantes”. deve-se ter ainda o cuidado de proteção ao epitélio recém-reconstituído até que seja capaz de suportar as abrasões constantes devidas às atividades normais. evitando-se desta maneira álcool. verificando-se a possibilidade de deformidades e prejuízo funcional a membros e orifícios naturais. com inúmeros mecanismos celulares e moleculares envolvidos nas diferentes fases (Capítulo 7) e. não sendo aplicáveis. se julgadas indispensáveis devido ao risco de contaminação externa. O conhecimento destas fases e de seus mecanismos protege o médico veterinário do risco de atuar como uma “influência negativa” no . Nestes casos. devem ter baixa toxicidade e estar disponíveis em veículos que não danifiquem o tecido de granulação nem prejudiquem a migração epitelial. manutenção do animal em ambiente com piso não abrasivo e colares protetores contra autotraumatismo. a cada momento. Substâncias antimicrobianas. na maioria das vezes. não cicatrizam uma ferida – devem dar somente o suporte adequado ao organismo do animal. Podem ser utilizados recursos como roupas de tecido macio. e intervenções realizadas pelo profissional da saúde. controlar influências e auxiliar organismos deficientes na sua atividade “cicatrizante” propriamente dita. Substituído o tecido de granulação por cicatriz fibrosa. O controle de áreas de movimentação continua importante nesta fase. técnicas reconstrutoras são indicadas (cicatrização por terceira intenção) ou. unguentos. Muitas substâncias e produtos estão disponíveis no mercado para aplicação em feridas. Esta denominação nos parece bastante equivocada. por exemplo. uma vez que o tecido é frágil e sujeito a fraturas. Além disso. Para isto continua-se o uso de curativos não aderentes e preferencialmente permeáveis que permitam um ambiente úmido e evita-se o uso de substâncias que possam retardar desnecessariamente o processo natural.3 do Capítulo 7). que possa estar sujeita a traumatismos constantes e rupturas. a cicatrização em si é um processo perfeitamente orquestrado e efetivado pelo próprio organismo. entre outros. sob influências locais e gerais as mais diversas (ver subitem anterior). ainda. visam. Em outras palavras: o médico veterinário. ações que permitam o direcionamento da organização do colágeno na fase de maturação da ferida podem favorecer melhor conformação anatômica e recuperação do movimento de membros em casos complicados (Figura 7. com o auxílio de produtos que agem sobre pontos específicos da reparação. ou “superdimensionada”. ou os medicamentos. Uma boa opção são os produtos à base de clorexidina em veículo de polietilenoglicol. óleos. ou a formação de cicatriz muito extensa.preocupação é proteger este tecido neoformado contra contaminação externa e traumatismos e favorecer a migração epitelial. uma vez que. A contração da ferida em áreas extensas deve ser acompanhada. fica claro que um mesmo produto dificilmente poderá ser um colaborador efetivo ao longo de todo o reparo. diante da complexidade do processo de reparação de feridas. pós. pomadas. da evolução das fases de cicatrização.

há edema na camada subcutânea e a inflamação é mais evidente. Quando a derme é atingida mais profundamente (segundo grau). especialmente em queimaduras profundas. Se não for realizado controle da infecção.processo de reparação. também contam com participação do epitélio dos anexos cutâneos. ou. que se instala a partir dos contaminantes superficiais e devido ao comprometimento na chegada de células de defesa. com tempo de reparo entre seis dias e três semanas. Raramente ocorrem complicações. altera drasticamente a vascularização da região em torno da lesão (zona de transição) pela formação de sedimento vascular com fluxo sanguíneo reduzido. além de provocar a destruição da área de contato (por desnaturação de proteínas celulares e coagulação dos vasos sanguíneos). Podem ser classificadas como superficiais (envolvimento da epiderme). as camadas de derme ainda íntegras na profundidade . Nas injúrias mais superficiais (primeiro grau). em que somente a epiderme ou também uma camada delgada de derme é comprometida. eritema. a partir de porções profundas dos anexos cutâneos. que. Sob esta ótica. mas ocorre por epitelização. com diversidade de lesões em locais distintos. Esta dificuldade vascular faz que a área lesada no momento do trauma estenda-se. de espessura parcial superficial (lesão na epiderme e camada superficial da derme). o profissional deve pautar seu comportamento na facilitação e modulação de um processo natural. e as seguintes correspondem às queimaduras de segundo e terceiro graus. A cicatrização pode demorar até meses. muito menos rico naquelas espécies. Estas lesões cicatrizam por epitelização. quando envolvem derme. evitando que utilize métodos e produtos impróprios ou dispensáveis. A apresentação clínica e a evolução de cada tipo variam consideravelmente e. muitas vezes divulgados amplamente sem uma base sólida de pesquisa e comprovação de atividade específica. espessamento da pele. Cães e gatos não apresentam um sinal clássico do ser humano. geralmente não há contração acentuada. A destruição adicional pode ser ainda aumentada se não houver controle efetivo da infecção. respectivamente. Classicamente. devido a diferenças no plexo sanguíneo da derme. os sinais são edema. que é a formação de bolhas. químicas. profundidades diferentes podem ser atingidas. descamação e dor. advindo dano tecidual progressivo. elétricas ou por radiação. a partir das margens da lesão. as queimaduras de primeiro grau correspondem às duas primeiras classificações. em queimaduras extensas. pelo menos nas 24 a 48 horas seguintes. obtendo desta forma os melhores resultados para seus pacientes. Têm como principal característica local a dificuldade de irrigação sanguínea provocada pelo agente traumático. de espessura parcial profunda (epiderme e camadas mais profundas da derme são atingidas) ou de espessura total (destruição de epiderme e espessura total da derme). Queimaduras As queimaduras podem ser térmicas (por calor ou frio). dependendo da profundidade.

progredindo para lesões mais graves de espessura total. com trombose vascular e permeabilidade profunda que provocam edema subcutâneo e necrose. uma vez que a profundidade não costuma ser uniforme e áreas de profundidade parcial são comuns. servindo como foco de infecção. há formação de crosta marrom escura endurecida. Entretanto. Autores relatam que. nas queimaduras por calor. sob a qual se desenvolve colonização bacteriana.podem ser destruídas. Há considerações importantes sobre a área da superfície corporal atingida e o prognóstico do animal. O debridamento cirúrgico precoce é fundamental nas queimaduras de profundidade total para minimizar infecção secundária e efeitos sistêmicos de endotoxinas bacterianas. Os pelos soltam-se facilmente e a lesão pode não ser dolorida devido à destruição nervosa. orelhas). Várias alterações sistêmicas podem advir em casos de queimaduras extensas. bolsa escrotal. por diminuir os efeitos inibitórios da sulfadiazina de prata. Outros produtos. dígitos. com manutenção das terminações nervosas. Conforme discutido em itens anteriores. Imediatamente após a injúria deve-se agir no sentido de retirar o contato com o agente traumático. porque o agente que danifica a pele também destrói os microrganismos. A dor pode ser intensa mesmo quando se observam queimaduras de terceiro grau. Nas primeiras 24 horas as queimaduras são estéreis. conforme discutido anteriormente. a sulfadiazina de prata é uma boa indicação para o controle da infecção e deve ser incluída na camada primária dos curativos. portanto mais de um procedimento pode ser necessário ou a cirurgia pode ser complementada com debridamento enzimático ou autolítico. também. Administração de analgésicos ao longo do acompanhamento do animal deve ser recomendada de acordo com a evolução clínica e o envolvimento sistêmico. portanto o animal deve receber tratamento adequado de suporte e monitoração cuidadosa. estimulantes do processo de reparo desde a fase inflamatória e. como o mel. Aguardam-se 48 horas após o trauma para que as alterações na zona de transição possivelmente se manifestem em lesões definitivas. no envolvimento de mais de 50% da . Pode ser adicionado o gel de Aloe vera devido a suas ações antimicrobianas. pode ser necessário um tempo maior com tratamento conservador (três a seis semanas) para que seja segura a distinção entre tecido viável e inviável. aquecimento (com água morna). lavando-se abundantemente com água nas queimaduras químicas. com risco de choque e falência múltipla de órgãos. O comprometimento de toda a derme (espessura total – terceiro grau) implica dano circulatório ainda mais acentuado. Nas queimaduras por frio (mais comuns em áreas sem pelo – glândulas mamárias. provocar resfriamento (com água ou compressas geladas) e nas lesões por frio. podem ser aplicados com ótimos efeitos. após este período a progressão da infecção é intensa e os esforços são concentrados no sentido do tratamento tópico da ferida (uma vez que o acesso sistêmico dos medicamentos ao local está prejudicado pelas alterações vasculares) adicionado do debridamento nas lesões profundas (ver adiante). A formação de crostas é constante na queimadura profunda.

10 Estas duas cadelas estavam presas sozinhas em uma moradia que pegou fogo e sofreram queimaduras extensas e profundas. O procedimento mais bem-sucedido para evitar-se este problema é a cobertura . Parece-nos que. abortou três dias após o acidente e. entretanto tivemos a oportunidade de tratar animais com mais de 60% de superfície corporal envolvida. que estava gestante. a outra (B). Uma delas (A). apesar da gravidade das lesões. a eutanásia pode ser indicada (as fórmulas para cálculo de superfície corporal atingida e as tabelas de conversão são facilmente encontrados em textos de clínica e patologia). respondeu bem ao tratamento. assim como em outros casos de ferimentos graves. Figura 17. com muitas áreas de lesão profunda. obtendo adequada recuperação.superfície corporal. veio a óbito em poucos dias. Uma questão relevante no progresso do reparo de queimaduras é a contração da ferida. provavelmente devido à instabilidade orgânica após o abortamento. apesar de receber os mesmos cuidados.10). a ocorrência de afecções concomitantes e as doenças sistêmicas são influências importantes na possibilidade de recuperação (Figura 17. com terapia sistêmica e local. a condição orgânica prévia do animal.

há impossibilidade de fuga ou deficiência sensorial do paciente. Quando o proprietário informa que o acidente foi recente. Lesões de queimadura por eletricidade acontecem mais comumente na cavidade oral e nos lábios.12) e gatos (com maior frequência nestes últimos).11). na maioria das vezes. como consequência da mastigação de fios elétricos. para a adoção de possíveis medidas que venham a minimizar a morbidade local. em grande percentual. Situações específicas estão ligadas ao tipo de agente que provocou a queimadura e devem ser ressaltadas. É alto o risco de lesões secundárias em língua. óleo lubrificante queimado. enxertos alógenos de doadores ou produtos complexos com células humanas e colágeno extraído de outras espécies. ou. Nas queimaduras térmicas. como bovinos e suínos. permanganato de potássio e outros. animais com déficits visuais ou tácteis devido a alterações sistêmicas ou senilidade (Figura 17. orofaringe e esôfago devido a lambeduras. também. deve-se questionar alguma dificuldade de o animal se resguardar da injúria. ficam restritos para quando as fontes autólogas (por técnicas cirúrgicas reconstrutoras) não estão disponíveis. Esta solução é prejudicada quando áreas muito extensas são atingidas e a fonte de pele saudável está muito diminuída. no caso do uso de colchões térmicos e outros aquecedores aplicados em contato com a pele da superfície corporal em estado de circulação periférica reduzida (animais anestesiados ou hipotérmicos nos quais ocorre constrição vascular).10) ou onde ficam sujeitos a temperaturas muito baixas. seja por aproximação das margens. ainda. aplicação de retalhos cutâneos ou enxertos livres (ver o capítulo Cirurgia reconstrutora). centros de informações toxicológicas podem ser consultados para evitar-se o risco de complicações sistêmicas adicionais à lesão cutânea e. Estes produtos são considerados caros e com efeitos muito variáveis e. podendo complicar o quadro do animal. animais presos em ambientes fechados onde ocorrem acidentes por fogo (Figura 17. e não é incomum o desenvolvimento de fístula oronasal. descargas de grande voltagem podem levar a óbito imediato por paralisia respiratória ou fibrilação . Incluem-se aqui cães e gatos submetidos a ação humana criminosa. que deverá ser corrigida apropriadamente. são recomendados o debridamento e a sutura de feridas extensas em lábios. como querosene. ao uso indevido de substâncias para o tratamento empírico de lesões cutâneas. mesmo na medicina humana. uma vez que tanto o frio quanto o calor são percebidos e desencadeiam o instinto de autoproteção. o animal deve ser observado quanto ao risco de edema pulmonar. As queimaduras químicas estão ligadas. por exemplo. Em casos de acidentes com substâncias de ação desconhecida. Portanto. Ocorre edema em um a dois dias e a extensão da área lesada pode aumentar em uma a duas semanas. o que predispõe a lesões graves ou extensas. principalmente em filhotes de cães (Figura 17. para aplicação principalmente na medicina humana. incluindo camadas com células autólogas reproduzidas em cultivo. Substitutos de pele ou coberturas provisórias vêm sendo desenvolvidos ao longo dos anos. com composição celular ou acelular.da área de granulação.

Tratamentos por radioterapia podem provocar queimaduras agudas na pele que.ventricular. escroto. Lesões crônicas podem ocorrer até meses ou anos após a conclusão do tratamento. ou pode-se utilizar retalho cutâneo ou musculocutâneo. uma vez que as alterações vasculares são severas e não permitem recuperação espontânea. Figura 17. . devendo ser excisadas e as margens suturadas. membros pélvicos e região perianal (A).11 Cão Poodle que sofreu queimaduras de profundidades variadas em prepúcio. O animal tinha idade avançada. bem como nos coxins pantares (B) após pisotear e cair sobre brasa derivada da queima de folhas em um quintal. com déficit visual e algum nível de desorientação. o que provavelmente impediu que se protegesse da sensação de calor e se movimentasse com agilidade. podem recuperar-se em 10 a 14 dias após o término das sessões. tratadas com antimicrobianos tópicos e proteção contra contaminação.

com relato pelo proprietário do costume de roer vários objetos.12 Este cão apresentava inapetência e atividade física diminuída. inclusive fios. com perda tecidual e deformidade nas margens linguais (D) associadas a episódio de mastigação de fio elétrico. na maioria das vezes com origem bacteriana e resposta orgânica resultante. capaz de restringir o processo infeccioso. Fleimões. A principal causa de abscessos subcutâneos em cães e gatos são as feridas por mordedura. Universidade Estácio de Sá. ocorrem pela infecção com resposta inflamatória difusa. ou celulites. Apesar da aparência normal (A). que sofreram necrose e posterior granulação. Cortesia do Prof. que pode se estender aos tecidos subcutâneos profundos e algumas vezes músculos. Rio de Janeiro. formando múltiplas pequenas coleções de pus de forma disseminada. estando frequentemente contaminados com flora oral. língua (C) e palato. Fernando Elisio Amaral Torres. bactérias da pele e . Abscesso e fleimão Os abscessos são caracterizados pelo acúmulo de pus em espaço delimitado por tecido conjuntivo inflamatório. a inspeção da cavidade oral demonstrou lesões em comissura labial (B).Figura 17.

a ferida é suturada (Figura 17. que provocam recidivas do quadro. Isto ocorreu .13 Várias perfurações são observadas no pescoço e ombro deste cão. que “exteriorizam” material contaminado e tendem. a formar tratos fistulosos.13) e a coleção de líquidos e tecido necrótico se instala nas regiões mais profundas. após três dias o aspecto das feridas era bom. principalmente de lesões no trato digestivo ou abscessos internos. Coleções subcutâneas de pus também podem originar-se de outros órgãos. de forma inadvertida ou precoce. Outras feridas penetrantes provocadas por material contaminado podem causar abscessos. inclusive.organismos do solo. provocadas por mordedura (A). As lesões foram limpas. resultando na posterior formação de abscesso (C). Figura 17. O pequeno orifício superficial pode se fechar naturalmente ou quando. inclusive com presença de corpos estranhos. lavadas e foi instituído tratamento tópico e antibioticoterapia sistêmica. e optou-se por debridamento e sutura das lesões (B). com quase nenhuma secreção.

Figura 17. Kátia Stracieri d’Oliveira. como compressão e dor. As regiões mais comuns de ocorrência de abscessos em cães e gatos são pescoço. provocando oclusão da pálpebra esquerda (A). O animal apresentava prostração e inapetência. ainda. Fernando Elisio Amaral Torres. . diagnosticada como abscesso após a punção de líquido purulento no espaço subcutâneo (B). porque alterações locais. Entretanto a intervenção é necessária porque há sempre o risco de disseminação e. prostração e marcada debilidade orgânica.14). Cortesia do Prof. Universidade Estácio de Sá. Cortesia do Profa. com impotência funcional. cabeça. peito. provavelmente devidas à dor pela compressão. Rio de Janeiro. Universidade Santo Amaro.certamente devido a insuficiência de drenagem e acúmulo de material contaminado em região profunda e com suprimento vascular prejudicado (em decorrência das lesões contusas associadas às feridas por mordedura). ombros e períneo (as mesmas para mordeduras). sendo reabsorvido.14 Tumoração de grande volume na região frontal de cão. membros. causam grande incômodo ao animal. Um abscesso sem tratamento pode ter resolução espontânea. São Paulo. Podem causar deformidades visíveis e de grandes proporções (Figura 17.

Uma apresentação grave e mais rara deste tipo de infecção disseminada é a fasciite necrosante. Abscessos recorrentes ou que geram tratos fistulosos devem ser mais bem investigados para a possibilidade de presença de corpos estranhos ou comunicação com estruturas internas. digerem barreiras de fibrina e destroem membranas celulares. No fleimão a lesão tende a disseminar-se pelos espaços tissulares e clivar planos devido à elaboração. amostras para cultura e antibiograma são recolhidas da parede interna da cavidade. antibióticos não têm acesso devido ao encapsulamento e porque não chegam ao centro necrótico. pelas bactérias. o qual corresponde geralmente a uma área de pele mais adelgaçada pela pressão do líquido. amplo debridamento. preferencialmente. Achados iniciais incluem eritema localizado. o que. após a lavagem. o interior é cuidadosamente debridado e a colocação de um dreno deverá acelerar a recuperação. não salva a vida do animal em muitos casos. permitindo a identificação de corpos estranhos. mas algumas vezes não é encontrada. produzindo trombose dos vasos subcutâneos e gangrena dos tecidos subjacentes. Tem evolução muito rápida e frequentemente progride para choque séptico. Uma lesão cutânea geralmente serve como porta de entrada para a infecção. sendo necessária a drenagem cirúrgica. A antibioticoterapia sistêmica e a terapia de suporte são necessárias e urgentes. em muitos casos. estado nutricional. desproporcional à . que não é incomum em mordeduras e outras perfurações. A coleção de líquido com restos necróticos e condições químicas adversas (pH muito baixo) não propicia a atuação de células de defesa e. mas dão poucas informações quando a alteração se restringe a tecidos moles. falência múltipla de órgãos e óbito se não for instituído tratamento precoce e agressivo. como segurança no caso de possível recorrência. entretanto. que envolve as fáscias superficial e profunda. além disso. O exame ultrassonográfico é mais conclusivo. comunicação com outras estruturas (cavidades. A área é preparada assepticamente e busca-se realizar incisão com bisturi em um “ponto de flutuação”. órgão ocos) e determinação da extensão da lesão antes da intervenção cirúrgica. incluindo limpeza cuidadosa e. Antibióticos devem ser administrados no pós-operatório para evitar-se a disseminação da infecção e. são fortes influências na incapacidade orgânica de isolar os agentes patogênicos. está claro que fatores do animal. bem como cuidados agressivos com a lesão. terapias imunossupressoras e afecções sistêmicas. Radiografias são importantes principalmente para evidenciar comprometimento ósseo. edema e dor extrema. ou no ponto de maior interesse para colocação de um dreno. de grandes quantidades de enzimas que quebram polissacarídeos da matriz. A cavidade é lavada abundantemente e a incisão pode ser alargada para facilitar a drenagem. como doenças concomitantes. Portanto antibioticoterapia não costuma ser eficaz como tratamento primário. Alguns textos usam a denominação de “doença comedora de gordura”. Além de fatores característicos dos microrganismos.

aparência da área afetada. entretanto o animal veio a óbito seis dias após a injúria. os parâmetros hematológicos podem estar normais ou pouco alterados. expondo necrose do tecido subcutâneo e fáscia superficial que progrediu no sentido cranial e para regiões mais profundas. sendo indispensável o debridamento cirúrgico agressivo dos tecidos necróticos para remoção de focos de bactérias e evitar a disseminação ao longo dos planos fasciais. Cortesia do Prof. A origem da fasciite necrosante é geralmente polimicrobiana. no período inicial. que foram tratadas corretamente com limpeza.15 Esta cadela sofreu lesões por mordedura em vários pontos da superfície corporal. lavagem. o que é uma das “chaves” do diagnóstico nesta fase. Quatro dias após o início do tratamento observou-se desprendimento da pele decorrente da simples manipulação na região dorsal. subcutâneo e. Concluiu-se que a associação de fatores dos microrganismos associados a alterações orgânicas propiciaram a instalação do “comportamento virulento”. Foi relatado que. debridamento. antibioticoterapia e suporte para manutenção das funções vitais. desencadeando o desfecho letal deste caso de fasciite necrosante. antibioticoterapia tópica e sistêmica e curativos apropriados. em alguns casos. Este quadro muda rapidamente. Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. mesmo camadas musculares desprendem-se sem resistência.15) nas quais pele. a partir da base da cauda. Fábio Barbour Scott. Terapia agressiva de suporte foi instituída. sendo Streptococcus . observando-se decréscimo acentuado da condição orgânica. Figura 17. com a instalação de amplas áreas de necrose (Figura 17. O exame de sangue pode alterar- se drasticamente em 24 horas (até com duplicação na contagem de leucócitos). a cadela tinha abortado espontaneamente e apresentava secreção vaginal. previamente ao episódio de briga. O tratamento inclui fluidoterapia. Febre é observada e.

Staphylococcus sp. o mesmo aplicando-se na colheita de material para microbiologia.16) com diâmetro de 6 mm ou 8 mm. que é mantida esticada ao redor com os dedos polegar e indicador. deixando-se em torno de 0.. A injeção de lidocaína a 2% (0. Anestesia local associada a sedação ou contenção mecânica são suficientes na maioria dos casos. respectivamente.5 ml a 1 ml) é feita próximo ao local da lesão. Escherichia coli e Pseudomonas sp. Esta definição deve estar bem clara antes da execução da técnica. e contato com o profissional que executará a análise pode ajudar. uma vez que raramente os contaminantes superficiais são de interesse para a análise (de qualquer forma. é preferível um bloqueio anestésico ou anestesia geral. no subcutâneo. não é feita antissepsia do local para maior confiabilidade da amostra. mas exames microbiológicos e parasitológicos também podem ser o foco da avaliação. mais da metade do espécime deve conter tecido anormal. posicionado perpendicularmente à superfície da pele. orelhas e patas.. quando se suspeita de alteração em derme ou epiderme – evitar injeção na derme porque a lidocaína pode dar ao tecido a aparência de edema. sobremaneira. nestes casos. A excisão do tecido cutâneo é realizada com um perfurador circular (punch) (Figura 17. Trabalhos recentes identificaram Acinetobacter baumannii e Serratia marcescens como agentes causadores em gato e cão. e. Normalmente a biópsia da pele anormal é suficiente. as bactérias mais comumente isoladas. Em casos de tumores. Deve-se evitar ultrapassar a dosagem de 4 mg/kg de lidocaína devido à possibilidade de efeitos tóxicos sistêmicos. o que é considerado uma endarterite obliterativa e provavelmente é a base dos eventos fisiopatológicos. em combinação com trauma local ou processos patológicos concomitantes. mas amostras de pele normal são úteis para comparação quando se avaliam distúrbios descamativos como seborreia primária. o preparo segue a rotina normal para intervenção na pele. sob a mesma ótica.5 cm de altura para evitar-se traumatismo à região da análise e. O preparo da região varia conforme as características da lesão – em afecções primordialmente dermatológicas. Biópsia cutânea Na maioria das vezes uma biópsia de pele visa a obtenção de material para análise histopatológica.sp. Acreditando-se haver envolvimento mais profundo. considerar as orientações do laboratório que vai realizar a avaliação – ver observação citada). na observação de detalhes que venham a influenciar no processamento e diagnóstico. com exceção para lesões em face. O aparelho é rotacionado enquanto é aplicada pressão moderada até que toda a . Acredita-se que a natureza polimicrobiana da infecção. os pelos são cortados cuidadosamente. permite o desenvolvimento de um “comportamento virulento” que resulta na liberação massiva de citocinas e formação de trombos nos pequenos vasos. lesões de despigmentação ou hiperpigmentação e alopecia.

Pinça de dissecção pequena e delicada (pinça de Adson. por exemplo) é então utilizada para suspender a pele e incisa-se a gordura com tesoura. Para avaliação microbiológica o frasco com meio apropriado deve estar disponível. com a epiderme para cima. fio monofilamentar e. preferencialmente. Pode ser necessária. A colocação no frasco com formol a 10% tamponado deve ser imediata. ainda. É então colocada sobre um papel firme ou abaixador de língua. da indústria e da atividade clinicocirúrgica. Quando há envolvimento do subcutâneo. que induza mínima reação tissular (como fio poliamida – náilon). de alguma forma. A amostra pode ser limpa suavemente com uma gaze para retirar excesso de sangue. é o alvo das mais antigas observações médicas. como maior e mais visível órgão do corpo do homem e dos animais domésticos. em lesões frágeis (como úlceras. em nódulos. o que pode ser feito com um ponto de fio inabsorvível.derme seja incisada. observando-se um volume de solução pelo menos 10 vezes maior que o do fragmento de tecido. testes . pode ser realizada incisão em elipse ou em cunha com bisturi ao redor da lesão ou na junção com tecido normal. pústulas ou vesículas). Geralmente um ou dois pontos simples são suficientes.16 Punch para obtenção de biópsia de pele nos tamanhos 6 mm e 8 mm. A busca do desenvolvimento de novos produtos e materiais para o tratamento das afecções traumáticas na pele é uma constante no universo da pesquisa. Figura 17. para evitar enrolamento excessivo quando for colocada no fixador. a marcação de algum local da amostra. Até hoje é sítio de uma grande parcela das afecções que levam cães e gatos ao atendimento veterinário e está envolvida. terapias de estímulo físico como laser de baixa potência e ultrassom de baixa intensidade. por orientação do patologista. A possibilidade de estímulo adicional à cicatrização vem sendo cada vez mais pesquisada. e seguem-se as orientações do laboratório quanto a conservação e envio. ou. Conclusão A pele. durante aproximadamente 1 minuto. e o uso de fatores de crescimento. na maioria dos procedimentos cirúrgicos. A pele é suturada com pontos interrompidos.

A. Fournier’s gangrene in a cat. 1982.W. Use of topical corticosteroids on chronic leg ulcers... Rio de Janeiro: Elsevier.C. Management of hard-to heal wounds. DiPietro L. Berube D. 2003. The Journal of Trauma.36(4):693–711.. 2010..A.11:747–757..W. Franco D.F. 2007..89(3):219–229. oferecendo conhecimentos aprimorados de fisiologia dos processos reparadores e interação com técnicas inovadoras e tradicionais para a boa condução de sua rotina médica. Comparison of the role of the subcutaneous tissues in cutaneous wound healing in the dog and cat. Factors affecting wound healing.D. Veterinary Surgery.49:200–203.44(1):66– 70.C...F.br/rcbc> Franz M. J Dent Res.E. Early history of wound treatment. 2006. o perfil do manejo de feridas e outras afecções..F. Veterinary Radiology Ultrasound. Referências Amalsadvala T.16:227–230. Feridas cutâneas: a escolha do curativo adequado. Swaim S. Infection and Critical Care. Malik Y. Forrest R. Ultrasonographic diagnosis of foreign bodies associated with chronic draining tracts and abscesses in dogs. Bohling M. Richters CD. et al.33:579–587. em um futuro próximo. 35(3).F. Radlinskdyv M..18:432–438. Curr Probl Surg... 68(2): 490-501. Journal of the Royal Society of Medicine. o veterinário de pequenos animais deve incluir-se.. Billerd D. et al. 2007. Armbrusdtv L. Cirurgia de pequenos animais. 2008. Henderson R. 2008... Cattin I. Injury. . Fossum T. J Vet Emerg Crit Care. Journal of Small Animal Practice. Disponível em: <http://www. Brachelente C. 2006. Veterinary Clinics of North America Small Animal Practice. Henderson R. Gonçalves L. 2008. et al. Wiener D. Rev Col Bras Cir.F. et al.44:691–763.scielo. Veterinary Surgery. Whelan M.. Cutaneous wound healing in the cat: a macroscopic description and comparison with cutaneous wound healing in the dog. Brusselaers N.35:3–14. Management of distal limb shearing injuries in cats. Robson M. Journal of Feline Medicine and Surgery.G.. J Wound Care. Optimizing Healing of the acute wound by minimizing complications. Moore K... Swain S. Corr S. Neste contexto. Pirayesh A. et al. 2009. 2010. 2007. Guo S.W.. Hoeksema H.. Steed D.20(1):148–154. Subcutaneous abscess caused by Clostridium perfringens and osteomyelitis in a dog.75:198– 205. Liehmann L. et al. Bohling M. Tater K. et al. Hofman D.. Veterinary Dermatology. Swaim S.L. com componentes de plantas medicinais e outros recursos abrem um universo de possibilidades que podem transformar. Skin replacement in burn wounds... A case of necrotizing fasciitis with septic shock in a cat caused by Acinetobacter baumannii.. 2010. 2004.. Ammon P.A. Cooper R. et al.

et al. Staphylococcus pseudintermedius necrotizing fasciitis in a dog... Juntes P. Zdovc I.Plavec T. et al.S. 2008. James F. Weese J. 2009.53(11):629–635. Veterinarni Medicina... Can Vet J..50:655–656. Poma R. Necrotizing fasciitis caused by Serratia marcescens after tooth extraction in a Doberman Pinscher: a case report.. .

as vezes. Defeitos extensos ou irregulares podem. Linhas de tensão e alívio de tensão Quando se planeja uma cirurgia reconstrutiva. enquanto enxertos e retalhos distantes requerem leitos vasculares (i. enquanto grandes defeitos no tronco quase sempre podem ser fechados pelo avanço de tecidos adjacentes. retorsão e comprometimento circulatório. Retalhos pediculados são tecidos parcialmente destacados do local doador com uma margem comum e mobilizados para cobrir um defeito. sendo importante escolher a técnica ou as técnicas apropriadas para que se evitem complicações e custos desnecessários. devem-se considerar a localização do ferimento.e. tecido de granulação saudável. por contração e epitelização pode ser preferível o fechamento. corrigir ou melhorar anomalias congênitas ou após a remoção de neoplasias. permitindo que esta se retraia espontaneamente. Retalhos locais desenvolvidos e transferidos de maneira adequada podem sobreviver em leitos avasculares. Embora as lesões extensas. Existem vários procedimentos reconstrutivos. por exemplo). a elasticidade do tecido ao seu redor. músculo. Uma quantidade pequena de pele pode ser mobilizada nas extremidades. Técnicas cirúrgicas meticulosas e atraumáticas e cuidadoso planejamento são necessários para evitar excesso de tensão. geralmente cicatrizem abertas. enxertos implicam transferências de um segmento de pele para um local distante (receptor). Defeitos extensos ou aqueles localizados nas extremidades podem exigir que se mobilize tecido de outros locais. particularmente aquelas no tronco. Prender e soltar a pele na área proposta para o enxerto ou retalho. o suprimento regional de sangue e a qualidade do leito da ferida. Z-plastia. Capítulo 18 Plástica reconstrutiva Ney Luis Pippi. serve para avaliar . Jorge Luiz Costa Castro Introdução Feridas reconstrutivas são comumente realizadas para fechar defeitos secundários a traumatismos. A quantidade de pele disponível para transferência varia entre locais de um mesmo animal e entre raças. ser fechados usando-se incisões relaxantes ou técnicas de “plastias” (V-Y plastia. periósteo e paratendão). A qualidade do leito do receptor influencia a escolha da técnica reconstrutiva.

Ponto de colchoeiro vertical. o ponto é passado 1 a 2 cm da borda da ferida. Ponto longe-perto-perto-longe. deixa-se que a ferida cicatrize por segunda intenção ou pratica-se a reconstrução com retalhos ou enxertos.3). e D. Os métodos para reduzir a tensão incluem divulsionar as bordas da ferida. B. Se esses métodos não permitirem justaposição primária. Aproximar as bordas da incisão com tensão excessiva provoca desconforto incisional e necrose de pressão. Ponto de colchoeiro horizontal transpassado em sonda cilíndrica de borracha para dissipar a tensão do nó sobre a pele. parcial ou completa. o animal deverá sempre estar posicionado para a cirurgia de maneira que a pele móvel não seja colocada contra a mesa – o que se consegue com almofadas e flexionando articulações apropriadas. Figura 18. . Além disso. esticamento de pele e expansão tecidual. (cortesia de Fabiana Meireles). Os pontos de alivio de tensão podem ser retirados com três dias de pós-operatório. A avaliação da quantidade de tensão que pode ser tolerada pelo tecido é subjetiva. escolher padrões de suturas apropriadas (Figuras 18.1 e 18. resultando em “corte” dos fios de sutura e deiscência incisional.1 Sutura de alivio de tensão externa são suturas realizadas para evitar a quebra do fio que normalmente ocorre quando excede a pressão da pele sobre o nó da sutura. Ponto longe-longe-perto-perto.2) e usar incisões de alívio de tensão (Figura 18.tensão e elasticidade da pele. A. C.

2 Padrão de sutura.Figura 18. . A. (cortesia de Fabiana Meireles). Subcuticular ou Intradérmico. B. Subcutâneo. São utilizadas para eliminar espaço morto e fazer aposição das bordas cutâneas.

divulsiona o tecido subcutâneo. Incisões devem ser feitas paralelamente as linhas de tensão (Figura 18. que direção deve seguir a linha de sutura (Figura 18. fecha a ferida principal e posteriormente fecha a incisão de relaxamento. as pequenas incisões fecham por segunda intenção. conformação. a fim de se determinar e. A tensão causa afastamento das bordas da pele incisada e alarga cicatrizes lineares. Realiza uma incisão paralela a lesão. foram mapeadas linhas gerais de tensão (Figura 18. (cortesia de Fabiana Meireles). Incisões feitas em ângulo em relação às linhas de tensão tomam uma fortuna curvilínea. Se a tensão for mínima. sexo e idade.5). Feridas por traumatismos devem ser fechadas numa direção que evite ou minimize a tensão. mas ocorrem variações de acordo com a raça. mais rapidamente e com resultados estéticos melhores. Em animais. Assim.3 Incisão de relaxamento. Incisões que atravessam as linhas de tensão requerem mais pontos para o fechamento e tem maior probabilidade de sofrer deiscência do que as feitas paralelamente as linhas de tensão. B.6). as bordas da ferida devem ser manipuladas antes do fechamento. Múltiplas incisões – após colocar uma sutura subdérmica de padrão continuo. Incisões e feridas ao longo das linhas de tensão cicatrizam melhor. enquanto as realizadas através de linha de tensão tendem a se abrir. realizam-se pequenas incisões ao lado da ferida principal com o objetivo de diminuir a tensão tecidual no local permitindo o fechamento da ferida principal. a ferida devera ser fechada . Linhas de Tensão As linhas de tensão são formadas pela tração predominante do tecido fibroso dentro da pele.Figura 18. A.4).

Figura 18.4 Linhas de tensão. diferente de C. Figura 18. . A. B. Incisões realizadas através de linhas de tensão. (cortesia de Fabiana Meireles).5 Linhas de tensão. As linhas de tensão que atuam na pele em todo o corpo. Incisão Perpendicular. Incisão Paralela a linha de tensão da pele. Incisão Obliqua. O clínico deverá observar o sentido da tensão tecidual no momento da sutura. apresentam maior tensão na linha de sutura (observar o sentido das setas) e exigem mais pontos de sutura para o fechamento.na direção de seu eixo maior. (cortesia de Fabiana Meireles). A direção do fechamento deve evitar ou minimizar a criação de “orelhas” ou franzidos nas extremidades.

Onde não existe a camada do panículo (porção distal e média das extremidades). para preservar as artérias cutâneas diretas. O sentido de menor tensão tecidual é aquele em que forma menor “orelha” dobras nas extremidades da ferida cirúrgica. A pele deve ser divulsionada profundamente em relação a camada muscular do panículo (Figura 18. (cortesia de Fabiana Meireles). para separar a pele ou o músculo do panículo.6 Avaliação das Linhas de tensão. para se preservar o plexo subdérmico. a pele deve ser divulsionada na fáscia aureolar. em vez de dissecar essas estruturas. para preservar plexos subdérmicos e vasos cutâneos diretos que ocorrem paralelamente à superfície da pele. do tecido subjacente.7). pinças de Allis. incluindo o corte da pele com uma lâmina de bisturi n° 11 ou 15 em vez de tesouras. Evita-se dano ao plexo subdérmico usando-se técnica cirúrgica atraumática. Com as mãos confronta as bordas da ferida e observar a formação de orelhas. Alívio de Tensão Divulsiona a pele com tesouras. A pele levantada deve incluir uma porção da fáscia superficial junto com a derme. uma porção da fáscia externa do músculo deve ser levantada junto com a derme. e por exemplo. Nas áreas em que a pele é fortemente associada a um músculo subjacente.Figura 18. Este procedimento libera a pele das ligações subjacentes de maneira que todo o seu potencial elástico possa ser usado à medida que a pele é esticada sobre a ferida. Para manipular a pele devem ser usadas . ou ambos. profundamente em relação à derme.

pinças de polegar de Brown-Adson. profundamente em relação ao plexo subdérmico. conforme a necessidade. fazendo secção dos tecidos. na junção entre a epiderme normal e o novo epitélio. a tensão cutânea e a aplicação de bandagem com ataduras geralmente controlam esses sangramentos e evitam a formação de seromas. A liberação da pele e do tecido subcutâneo é realizado de forma suave com a tesoura de Metzembaum. (cortesia de Fabiana Meireles). Normalmente o sangramento durante a divulsão é insignificante. através do tecido de granulação. Como alternativa. sem cortar. abrindo-se as laminas e retirando-se a tesoura na posição aberta. Separam-se as camadas de tecido com inserções repetidas de uma tesoura de Metzembaum com as laminas fechadas. Figura 18. Corta-se o tecido com a tesoura. avalia se o alívio da tensão está adequado. A incisão deve ser seguida. sob excessiva tensão. entretanto.7 Divulsão tecidual. Divulsionar áreas próximas a margens de feridas de fechamento retardado requer que a borda cutânea epitelizada seja separada do tecido de granulação. tentando periodicamente. técnicas cirúrgicas grosseiras e divisão de artérias cutâneas direta interferem . na linha normal de clivagem da fáscia subcutânea. A pele deve ser excisada com bisturi. aproximar as bordas da ferida. O sangramento excessivo pode ser controlado com eletrocoagulação ou ligadura. ganchos de pele ou suturas de apoio. Enquanto se executa a divulsão. liberando a pele e tecido subcutâneo ou pele e músculo do panículo do tecido subjacente para um fechamento sem tensão tecidual. Fechamento de feridas. a tesoura parcialmente aberta pode avançar ao longo do plano de clivagem.

Um dos locais onde podemos realizar esse tipo de sutura é próximo à região do períneo. Suturas móveis não penetram na superfície da pele. Fileiras sucessivas de suturas móveis fazem a pele avançar ainda mais em direção ao centro da ferida. poliglactina 910. a uma distancia mais próxima do centro da ferida do que o ponto através da fáscia subdérmica ou da derme profunda. Também denominada de “walking suture ou sutura de avanço”. poliglecaprona 25 ou poligliconato 3-0 ou 4-0 com nó oculto. pois esse local tanto próximo à região anal. colocando-se fileiras de pontos separados subcuticulares. Suturas Móveis Suturas móveis movimentam a pele através de um defeito. poliglecaprona 25 ou poligliconato 3-0 ou 4-0) deve ser aplicado através da fáscia da parede corporal. de edema e de infecções indica que houve melhora na circulação cutânea. Para suturas subcutâneas e subcuticulares usam-se fios de polidioxanona. para fazer a pele divulsionada avançar em direção ao centro. Suturas aplicadas no tecido subcutâneo ou subcuticular reduzem a tensão nas suturas cutâneas e aproximam as bordas da pele. A manipulação cirúrgica da pele recém-traumatizada deve ser iniciada induzida ao mínimo até que a circulação melhore. Para completar o fechamento usam-se suturas subcuticulares e cutâneas. O intervalo entre os pontos não deve ser menor do que 2 a 3 cm. A quantidade de pontos deverá ser reduzida ao mínimo para evitar a criação de veículos subcutâneos ou o comprometimento da circulação. obliteram espaços mortos e distribuem a tensão sobre a superfície da ferida. poliglactina 910. o que ocorre quando a pressão sobre a pele. Essas suturas também reduzem a formação de cicatriz. podendo provocar necrose de pele. deiscência ou infecção. A melhora clínica de contusões. Mobiliza se a pele em direção ao centro da ferida. O fio de sutura (polidioxanona. Suturas de Alívio de Tensão Externa Suturas de alívio de tensão externa ajudam a evitar que os fios de sutura sejam cortados prematuramente.na circulação cutânea. começando na parte profunda da ferida. A amarração da sutura faz a pele avançar em direção ao centro da ferida. . Padrões de sutura Suturas Subdérmicas A fáscia subdérmica é forte e suporta melhor a tensão do que a pele ou o tecido subcutâneo. quanto próximo a região de vulva (fêmea) ou escroto (macho) tem pouco liberação de tecido. Aplicam-se os pontos dos dois lados do defeito.

o sexo e a idade do animal e o posicionamento correto do paciente durante o procedimento cirúrgico. estes desaparecem em duas ou três semanas. A técnica modificada essa passagem é repetida e o fechamento do ponto aplica-se uma configuração como “X”. são as linhas formadas pela tração predominante exercida pelo tecido elástico. E retalho ou pedículo tem como definição o transplante tecidual em que o tecido mantém a sua nutrição através da área doadora. secundário ao trauma ou decorrente da ressecção de massa neoplásica. Contudo. seja usando a técnica simples ou uma modificada. perdendo totalmente o contato com a área doadora. quando o cirurgião está diante de grandes feridas com lesões extensas. sutura do caminhar. Enxertos cutâneos livres Os enxertos de pele são indicados quando há grande perda de tecido cutâneo ou pele. para diminuir e regularizar o formato do defeito. Estas suturas de avanço local da pele são para fechar defeitos grandes sem a necessidade de incisões adicionais de relaxamento. também está recomendado nos revestimentos de áreas onde houve queimaduras . a conformação. Princípios da plástica reconstrutiva Em uma cirurgia plástica reparadora é muito importante levar em consideração a localização das linhas de tensão. Tem sido utilizados materiais de suturas absorvíveis entre a pele e tecidos subjacentes. devemos utilizar as técnicas de enxertos ou retalhos para conseguir a cobertura cutânea. A técnica de “walking suture” simples é realizado com o fio de sutura ancorando na derme e na mesma direção na fáscia adjacente.Suturas de Redução de Espaço Morto (walking suture) Suturas de redução de espaço morto “walking suture” também denominado de sutura de avanço. deiscência dos pontos e necrose cutânea. Uma tensão excessiva durante o procedimento de rafia de uma ferida pode resultar em comprometimento circulatório local. entretanto. O enxerto é definido como o transplante tecidual em que o tecido transferido é nutrido pelo leito receptor. são utilizadas para defeitos maiores de pele sobre os troncos de cães e gatos. com retardo na cicatrização. no entanto. é muito importante para o resultado cicatricial da ferida. A tensão é distribuída em torno da ferida. As técnicas para alívio de tensão são métodos que proporcionam distribuição uniforme da mesma nas bordas da ferida e mesmo sendo uma avaliação subjetiva. esta sofre variação de acordo com a raça. em vez de uma concentração na borda da ferida. Walking suture também são usadas para obliterar o espaço morto porque a tensão na pele mantém o tecido subjacente contra não formando espaço morto.

se isso estiver presente é um bom sinal de vascularização na área receptora. A sobrevida do enxerto depende então da vascularização precoce. Fibroblastos. A aplicação de enxertos deve ser realizada em um paciente com boa condição nutricional. ou seja. somente em torno do 7° ou 8° dia da aplicação do enxerto que os processos regenerativos suplantam os processos degenerativos. uma rede de fibrina adere o enxerto ao seu leito e os filamentos de fibrina se retraem. Esta maturação é responsável por qualquer retração ocorrente no enxerto. mantendo o enxerto no leito receptor no pós-operatório. o que aumenta as condições de pega do enxerto. que não esteja debilitado. O leito receptor não deve apresentar sinais de infecção e se possível apresentar tecido de granulação. com baixa imunidade. Em cães. Ocorre o progressivo ganho de força entre o enxerto e o leito. Aderência/imobilização Após a aplicação. leucócitos e fagócitos invadem a rede de fibrina convertendo-a numa rede de tecido fibroso entre o enxerto e o leito. O leito receptor deve oferecer vascularização adequada para o enxerto. A complicação mais comum está relacionada a manutenção da bandagem. Com o tempo o colágeno passa por processo de maturação entre o enxerto e o leito. Uma avaliação importante é observar se o epitélio cresce sobre a área de granulação da ferida. onde a reconstrução com retalhos ou através do avanço de pele encontra maior dificuldade e os resultados não são tão satisfatórios. Entretanto. Fatores que Interferem na Pega do Enxerto Gerais Um enxerto começa a se degenerar após a sua retirada do local doador e começa a se regenerar a partir da introdução no leito receptor. o que viabiliza a “pega” desse enxerto. tracionando o enxerto ate que ocorra a íntima aposição com o leito. os enxertos têm sido mais utilizados para reparação de extremidades de membros. O ganho na força de aderência tem continuidade com a conversão da rede de fibrina em tecido fibroso. Isso depende do crescimento de conexões arteriais e venosas com o leito receptor. Considera a “pega” de um enxerto quando ele cicatriza no novo local de implantação. é muito importante o acompanhamento nas primeiras 72 horas avaliando a vascularização do enxerto e a sua movimentação. e o maior ganho de força se dá durante as primeiras 8 horas subseqüentes a aplicação do enxerto. o transplante de pele foi bem sucedido. até que esteja presente a união completa por volta do décimo dia de pós-operatório. É importante observar a presença de tecido de granulação. fator importante para drenar os produtos catabólicos decorrentes da degeneração tecidual. a retração é mais .dermoepidérmicas. o processo degenerativo acontece mais rapidamente do que o processo regenerativo.

Se um seroma ou hematoma separam o enxerto do seu leito. o líquido é eliminado do enxerto. O líquido absorvido também se difunde para os tecidos intersticiais do enxerto. mas é comumente observado entre 48 a 72 horas. e um liquido semelhante ao soro. isento de fibrinogênio. tendo então continuidade a proliferação do tecido de granulação. As anastomoses entre os vasos do enxerto e do leito. este efeito inibidor diminuirá. mas. O soro contendo eritrócitos e leucócitos polimorfonucleares. Embebição plasmática Depois que o enxerto foi removido da área doadora seus vasos sanguíneos sofrem espasmo e eliminam a maior parte dos elementos hêmicos pelas extremidades seccionadas dos vasos. A ação capilar traciona as células e o soro para os vasos dilatados do enxerto. poucos sobreviverão. e as células são absorvidas pelo enxerto. e o edema pode aumentar. Assim. produzindo edema. ocorrendo à regressão do enxerto. Assim. Ocorre remodelagem significativa no enxerto. Inosculação É a anastomose dos vasos enxertados com os vasos do leito receptor com diâmetro aproximadamente igual. e vice-versa. os vasos do enxerto podem proliferar ativamente. atingindo seu máximo por volta de 48 a 72 horas após a aplicação do enxerto. O fluxo sanguíneo está lento na vasculatura do enxerto por ocasião do terceiro ou quarto dia. acumula-se entre o enxerto e o leito do enxerto. mas o fluxo continuará a melhorar até que tenha sido atingida a velocidade normal. Muitos vasos fazem contato e se anastomosam. Este fenômeno ocorre até 22 horas depois da aplicação do enxerto. porem. A rede de fibrina que mantém fixo o enxerto no seu leito serve como estrutura de sustentação ao longo da quais brotos vasculares provenientes do leito de recepção do enxerto crescem e encontram as extremidades seccionadas dos vasos do enxerto. em decorrência do extravasamento de plasma das vênulas do leito do enxerto. A imobilização é imprescindível para que estes fenômenos aconteçam. o retorno venoso pode não ser adequado. por volta do quinto ou sexto dia.significativa nos delgados enxertos laminares do que nos espessos enxertos dermoepidérmicos. Além disto. como resultado das anastomoses aleatórias das artérias do enxerto com veias do leito receptor. isto manterá estes vasos dilatados até que o enxerto sofra revascularização. e o fluxo sanguíneo pelos vasos do enxerto exercem efeito inibidor na proliferação dos brotos vasculares no leito do enxerto. o enxerto volta ao seu peso normal por volta do 8° dia de pós-operatório. formando conexões entre o hospedeiro e o enxerto. e proporcionará a devida nutrição para os tecidos do enxerto. . Com a melhora das drenagens venosa e linfática. Os vasos dilatam-se depois da aplicação do enxerto. A circulação é restabelecida mais ou menos nesta ocasião.

ou seja. vênulas e capilares. ocorrerá anastomose resultando numa revascularização mais rápida. Os vasos recém-formados são tortuosos e irregularmente dilatados. Estes vasos podem crescer na derme. A maturação dos vasos começa dentro de 48 horas após o surgimento de capilares novos. faixas e camadas de pele. Devem ser usados somente sobre leitos de granulação. sendo este enxerto laminar contra indicado nesta espécie. cobrir grandes defeitos em superfícies flexoras e defeitos em extremidades distais. . tórax e o dorso da região cervical. visto que a pele dessa espécie é extremamente delgada. tampões. textura e elasticidade. este enxerto se assemelha a pele normal em relação ao crescimento do pelo. Estes enxertos de espessura total são mais viáveis do que o enxerto de espessura parcial. Este processo de maturação e diferenciação terá continuidade até que se tenha desenvolvido um novo sistema de arteríolas. ou no interior de vasos preexistentes no enxerto. Depois da cicatrização. Enxertos Laminares Este tipo de enxerto é indicado para evitar contratura em região flexora e na face distal dos membros. desde o leito até o enxerto. indiferenciados. Os vasos que recebem a maior parte da irrigação sanguínea forma arteríolas mediante processo de retificação e dilatação. As técnicas de espessura total incluem malhas. intermediários ou espessos dependendo da quantidade de derme existente no enxerto. O crescimento interno dos capilares novos ocorre numa velocidade aproximada de 0. para a drenagem linfática do enxerto. este tipo de enxerto não está indicado para os felinos. a cansativa remoção do tecido subcutâneo e de áreas sem viabilidade. As desvantagens incluem o planejamento. Se as células em seu processo de crescimento interno. Além dos vasos sanguíneos. contatam áreas de epitélio sobrevivente em antigos vasos do enxerto. que servem como condutores inviáveis para os novos vasos. O local doador é a pele da região lateral do tronco. entretanto. Tipos de enxertos Enxertos de Espessura Total Este tipo de enxerto é definido por se compor de epiderme e uma quantidade variável da derme. Os vasos do enxerto que não estão envolvidos na inosculação ou no crescimento interno de novos vasos degeneram e desaparecem. novos vasos linfáticos se formam. Estes enxertos são menos flexíveis e menos expansíveis quando comparados aos enxertos em malha. São classificados como delgados. A indicação para este tipo de transplante nos caninos é a reconstrução de grande área de perda tecidual.Penetração e crescimento interno de novos vasos Os enxertos também são revascularizados pelo crescimento interno de novos vasos. a cor.5 mm/dia.

Para enxertos em faixas. é removido o epitélio nas bordas das feridas. o tecido de granulação crônica deve ser completamente excisado. O defeito é revestido com esponja cirúrgica embebida em solução antisséptica (clorexidina a 0. O “topo” do tecido de granulação. enquanto o enxerto é coletado. até que surja o tecido de granulação sadio. Enxertos em Tampão. Neste ponto ficam indicados os curativos não aderentes. A parede torácica lateral é um bom local doador para os enxertos laminares. Alternativamente. Punção ou Semeadura e Enxertos em Faixas Também devem ser colocados em um leito com tecido de granulação. Em casos de estar presente. colhe os tampões de pele do local doador com um punch de 5 ou 6 mm.05%). Uma ferida recente é completamente debridada e lavada com solução antisséptica ou antibiótica.0 mm superficiais do tecido de granulação. pode ser escarificado.25% em solução. pode ser esfregada com compressa de gaze. orientando a troca de curativo (bandagem) após três até cinco dias após a sua aplicação. coletar tiras de pele com 5 mm de largura a mão livre. O efeito cosmético não é tão bom devido a formação de cicatrização epitelial e de crescimento pelo esparso. antes da aplicação do enxerto. curativos do tipo úmido-até-seco).Técnica O defeito é preparado para a aceitação do enxerto. enxertos em semeadura também podem ser usados com um bom resultado. Inicialmente. ou pode-se promover a excisão dos 0. Remover o tecido subcutâneo da derme. Na presença de tecido de granulação sadio. Feridas paralelas ao eixo maior do membro pode ser uma opção para o enxerto em faixa. São indicados para ferida em membros e feridas com baixo grau de infecção ou superfícies irregulares. como preparação para a aplicação do enxerto. sendo mais indicados para aplicação em local de menor intensidade de traumatismo ou tensão excessiva. a superfície do tecido de granulação. entretanto. São enxertos de difícil imobilização após o seu implante. ou levantar a pele em tenda com uma agulha hipodérmica ou uma agulha curva de sutura e ressecar um pedaço pequeno de tecido. e o enxerto será retardado até que se forme um leito com granulação sadia. com a ajuda de lamina de bisturi. Se permanecer quantidade mínima de tecido desvitalizado após o debridamento cirúrgico comumente poderá ser estabelecido em 5 a 7 dias um leito de granulação sadio para a aplicação do enxerto.5 a 2. o enxerto de semeadura . devido as suas grandes dimensões e à abundância da pele. comumente dentro de 4 a 5 dias. Uma alternativa consiste no enxaguamento da superfície da ferida com solução de neomicina a 0. Técnica O leito é preparado como uma ferida aberta. para que não ocorra qualquer lesão no tecido de granulação. são aplicadas bandagens aderentes (por exemplo. Para tampões. É aconselhável permitir que os processos hemostáticos naturais ocorram antes da aplicação do enxerto.

ressecção de pequenos pedaços de pele. realizar uma bandagem não aderente. A imobilização de Robert Jones é indicada por evitar a formação de edema e também a movimentação do retalho. Incisão puntiforme no leito receptor localizado no membro pélvico do paciente.8). Retirada do enxerto do local doador (região lateral do tórax). onde se realiza várias incisões (fenestras) paralelas e em fileiras. (cortesia do Dr. Pequena compressão de 2 a 3 minutos é realizada para controle do sangramento. A troca da bandagem deve ser realizada 3 a 5 dias após a aplicação. D. permitindo uma maior flexibilidade. B. Enxertos em Malha São enxertos de espessura total ou parcial. Crescimento dos enxertos e algumas áreas com tecido de granulação. drenagem. E. Fabiano Salbego e Drª. C. Figura 18.8 Enxerto em selo. Larissa Berté). A. hidrofílica e absorvente. O uso do punch de biópsia de pele também poderá ser usado na produção de fendas de 4 mm (2 mm a menos que o tamanho do enxerto – cerca de 2 mm) (Figura 18.deverá ser realizado pequenas incisões no tecido de granulação com 2 a 4 mm de profundidade e de 5 a 7 mm de distância (entre os tampões). Após a aplicação do enxerto. Colocação do enxerto na incisão puntiforme realizada no tecido de granulação. adaptação e . Fechamento completo da ferida no membro pélvico.

Também podem ser utilizados para o fechamento de . deverão ser empregadas técnicas de alívio de tensão. As fenestras realizadas com a mão permitem expansão somente em um sentido. por fita adesiva porosa ou material de bandagem elástica. Uma tala poderá ser confeccionada para manter a região da bandagem imobilizada. A aplicação de bandagem é realizada tanto no local doador e no local do enxerto. A indicação é para todas as indicações de aplicação de enxerto. contraturas e epitelização frágil da ferida. estando sua nutrição dependente exclusivamente de vasos da área doadora. É aplicado sobre o enxerto. como bandagem terciária. mas não através de todas as fendas adjacentes. As incisões são realizadas com uma lamina de bisturi n° 11 ou 15. A presença de fenestras faz com que a drenagem ocorra facilmente. Cuidados Pós-operatórios Um curativo protetor (acolchoado) absorvente. O enxerto será mais bem imobilizado mediante a aplicação de suturas interrompidas simples entre as fendas que foram criadas no enxerto. Este curativo é seguido por enfaixamento secundário absorvente e. principalmente em locais que necessitam cobertura ampla e os locais doadores são limitados. Caso haja necessidade de uso de tensão para a oclusão da ferida. não aderente e esterilizado. com delgada camada de pomada antibiótica. Enxertos cutâneos vascularizados Os retalhos são tecidos retirados de determinada área doadora e transferidos para o leito receptor. além de evitar formação excessiva de cicatrizes. tendões e ossos.expansão do retalho no leito receptor. Técnica Estes enxertos devem ser produzidos com uma área doadora maior do que o leito receptor. os retalhos podem ser utilizados para recobrir defeitos com má vascularização e defeitos nos quais ocorra a exposição de nervos. Estes retalhos podem prevenir problemas associados à cicatrização por segunda intenção diminuindo o tempo de recuperação da ferida e conseqüentemente a morbidade do animal. O local doador é ocluído mediante a divulsão e avanço conjunto das bordas da pele. o enxerto tende a diminuir em outro sentido. porque com a realização das fenestras para uma maior expansão em um sentido. seja de forma direta ou indireta através de técnicas microcirúrgicas. Ele tem bom efeito cosmético e elevada taxa de “pega” sucesso. locais onde o enxerto está situado sobre uma parte convexa ou côncava da superfície da ferida) e em outros locais intermitentes. produzindo fendas de 5 a 15 mm de comprimento e com 2 a 6 mm de distância sempre em fileira. facilitando o processo de cicatrização com o tecido de granulação vascularizando cada fenestra. em pontos estratégicos (isto é. Com base nesta definição.

hematoma ou compressão. troncocutâneo. que são liberados pelas células endoteliais dos capilares locais. sem infecção. Esta neovascularização depende do estímulo dos fatores de crescimento angiogênicos. no qual o pedículo mantém a circulação no retalho e a transfere para o leito receptor. devido à formação de camada de fibrina após o segundo dia. Retalhos Pediculados Locais O retalho cutâneo pediculado é composto de segmento de pele e tecido subcutâneo adjacente parcialmente descolados.defeitos criados após excisão tumoral ou defeitos traumáticos. que serve de apoio para a neovascularização que ocorre entre o terceiro e sétimo dias. É importante que se mantenha a relação de base:comprimento de 1:3. A relação entre o comprimento e a base para a maioria dos retalhos pediculados é de aproximadamente 1:1 até 3:1 (Figura 18. A circulação da pele em cães e gatos é realizada por vasos cutâneos diretos que se direcionam paralelamente à superfície da pele. Figura 18. E assim deverá ser observada de 2:6 e 3:9. esfíncter coli. são aqueles onde a circulação é refeita através da anastomose dos vasos do retalho com vasos do leito receptor através de técnica microcirúrgica. a vascularização conseguirá perfundir até 3 cm de comprimento. próximos ao defeito. para não se ter insucessos na . o plexo cutâneo ou médio e o plexo subpapilar ou superficial.9 Relação base x comprimento do Retalho. ou seja. Se tem uma base de retalho de 1 cm. Os ramos terminais destas artérias e veias suprem ou drenam os plexos que incluem o plexo subdermal ou profundo. Em cães e gatos. o plexo subdermal e os vasos cutâneos diretos estão associados ao músculo panicular platisma. Os retalhos locais englobam os retalhos realizados com tecidos circunvizinhos e os retalhos à distância correspondem a retalhos trazidos de outras áreas anatômicas direta ou indiretamente. prepucial e supramamário. Os retalhos pediculados são aqueles onde se mantém a vascularização original completa ou parcialmente. e os retalhos livres ou microcirúrgicos. Nos retalhos viáveis.9). ocorre aumento gradual do fluxo sanguíneo se o leito receptor for adequado.

Não se utiliza sutura em tecido subcutâneo pois dessa forma o tecido tem como avançar. Os retalhos de avanço devem ser descolados paralelamente às linhas de menor tensão.10).15). os de transposição e os de interpolação. Retalhos próximos ao leito receptor são denominados de locais e são classificados de acordo com a direção de transferência. . excisão circular resultando em cicatriz linear com ou sem formação de pregas em suas bordas (Figuras 18. Para evitar a formação de seroma é imprescindível o uso de bandagem reduzindo espaço morto. excisão elíptica resultando em cicatriz linear.14 e 18. excisão crescente resultando em cicatriz em “U”. porém quando se transpõe retalho sem circulação bem definida denomina-se de retalho ao acaso.13). na dificuldade de sua aplicação a walking suture deve ser realizada.11). Estes são métodos práticos para o fechamento de defeitos que não são aproximados somente com o divulsionamento e a sutura da pele. sendo comumente utilizado alguns pontos de sutura de avanço para minimizar o espaço morto e diminuir a tensão na sutura cutânea. os pontos de pele são realizados de forma simples separado. Retalhos pediculados que incorporam artéria e veia cutâneas diretas são denominados de retalhos de padrão axial. facilitando seu estiramento para frente sobre o defeito (Figuras 18. os rotacionais.aplicação de retalhos pediculados. excisão retangular resultando em cicatriz em “X” (Figura 18. os de avanço.12 e 18. ou seja. Retalhos Locais de Avanço – ½ H e a H-plastia são os mais Importantes e mais Comuns Podem-se utilizar retalhos de avanço com o intuito de recobrir feridas cutâneas de formatos irregulares através de excisão triangular resultando em cicatriz em “Y” (Figura 18.

A aba elevada irá incluir uma porção do círculo que inclui a borda externa deste defeito triangular.10 Retalho de rotação. . (cortesia de Fabiana Meireles).Figura 18. O retalho rotacional será posicionado para tirar proveito dessa pele solta. A pele é incisada até que a aba gire e se estende sobre o defeito sem tensão atuante no retalho e é fixada com uma sutura de padrão simples interrompido.

com ponto simples interrompido. sendo aplicado nos quatro cantos da ferida.12 Defeito circular. Figura 18. E. Ferida cirúrgica cicatrizada. D. A ferida apresentando fechamento parcial. Pode ser fechado de forma linear e simples. . Ressecção da pele e do músculo panículo cutâneo. B. C. F. Defeito circular. Corrigir as pequenas orelhas de cão formadas na extremidade da ferida. Aplicação do ponto simples interrompido na parte central do defeito. A. Fechamento da ferida após divulsão do tecido subcutâneo. C. A. Ferida cirúrgica completamente fechada.11 Plastia em X. após aplica-se pontos distribuindo de cada lado do ponto central. Incisão com margem de segurança. para distribuir a tensão.Figura 18. Paciente canino com lesão neoplásica cutânea. B.

Ferida cirúrgica completamente fechada. Aspecto da ferida cirúrgica após ressecção da lesão neoplásica. D. F. Incisão ao redor da lesão. H. Paciente canino com lesão neoplásica cutânea em dorso da região lombossacra.13 Plastia em incisão elíptica. . C. Marcação da pele para incisão com margem de segurança. respeitando as linhas de tensão da pele na região. sutura de padrão simples interrompido. G. Figura 18. E) Aplicação das incisões nas bordas para uma técnica de “V” combinado. B. Ferida cirúrgica cicatrizada no momento de retirada dos pontos com 14 dias de pós-operatório.(cortesia de Fabiana Meireles). A. Aspecto do local da pele cicatrizada após 6 meses.

permite o avanço do retalho.14 Defeito Triangular. .Figura 18. Pode se criar um ou dois retalhos rotacionais na borda do defeito. A sutura com padrão simples interrompido. semelhante ao retalho de rotação. (cortesia de Fabiana Meireles).

. Ressecção da lesão com margem e aspecto da ferida cirúrgica. a incisão em “V” tem a aparência ao final da sutura de um “Y” (Figura 18. B. D. Nesta técnica.16). Ferida cicatrizada. A.Figura 18. Avanço da pele do flanco e fechamento com sutura padrão simples interrompido. C.15 Retalho de avanço no flanco. Paciente canino com lesão neoplásica cutânea em região inguinal direita e ao lado do prepúcio. colocado um dreno de penrose na região caudal da ferida. A V-Y-plastia é composta de incisões de relaxamento que oferecem retalhos de avanço e é utilizada para fechar ferimentos crônicos ou aqueles que causam distorção das estruturas adjacentes se forem fechados sob tensão.

Proporciona um retalho de avanço.Figura 18. Aplica-se alguns pontos de alivio de tensão e fecha a ferida principal com sutura de padrão simples interrompido. Possuem forma semicircular e podem ser usados para cobrir defeitos triangulares sem criar outro secundário. (cortesia de Fabiana Meireles). aplica-se sutura de padrão interrompido simples nas bodas da ferida “V” de maneira que a configuração final será em “Y”. é realizado uma incisão em “V” e promovido uma divulsão do tecido soltando toda a pele. C. rotacionando e avançando através da parede lateral do flanco. Retalhos Locais Rotacionais São retalhos semicirculares girados sobre o defeito.16 Técnica V-Y. Ferida principal fechada. B. A.17). com o qual compartilham uma das bordas (Figura 18. . Os autores utilizam com frequência no fechamento da região inguinal em cães.

alongar cicatrizes restritivas e alterar a direção de cicatriz linear para padrão menos distinguível. devido à formação de dobras cutâneas. A técnica de Z-plastia é considerada um retalho de transposição modificado. Os ângulos do “Z” podem variar de 30° a 90°. deve realizar divulsão do tecido adjacente e aplicar sutura com padrão simples interrompido. O comprimento do retalho deve ser determinado medindo-se desde seu ponto central até o ponto mais distante do defeito. (cortesia de Fabiana Meireles). de modo a distribuir uniformemente a tensão na linha de sutura. Retalhos Locais de Transposição Os retalhos de transposição são retangulares e trazem pele adicional quando girados em até 90° para o interior de defeitos (Figura 18. Seu comprimento diminui à medida que se aumenta o arco de rotação além de 90°.Figura 18.18).17 Defeito Geométrico – Triangular e Retangular. sendo estes aplicados de forma continua em cada borda da ferida.19). Esta pode ser incorporada ao ferimento ou feita adjacente a este para facilitar seu fechamento sob menor tensão. A Z-plastia é utilizada para alterar a tensão adjacente à incisão. Os retalhos devem ser divulsionados antes da transposição e . A largura da base deste tipo de retalho deve ser igual à largura do defeito e o comprimento do retalho deve ser duas vezes maior que a largura do defeito. Para um fechamento simples. Uma desvantagem do retalho de transposição é a formação de dobras de pele em sua base – dog ears ou “orelha de cão” – e que seu reparo cosmético deve ser realizado numa segunda etapa para não comprometer o suprimento sangüíneo na base do retalho. mas aconselha-se 60° que gera ganho em extensão de 75% da cicatriz (Figura 18.

18 Retalho de Transposição. . (cortesia de Fabiana Meireles). A largura da base do retalho tem que ser pelo menos igual a base da ferida . Pode ser realizado para ferida quadrada ou retangular adjacente ao local de pele com mobilidade. Os autores obtiveram sucesso após uso de retalho de interpolação para recobrir defeito em região nasal após excisão tumoral em gato. Criar o retalho mais longo do que o defeito para não uma cobertura adequada sem tensão. o retalho é denominado de retalho de interpolação. por fim sutura a ferida resultante no local doador.da sutura. C. retalho rotacionado é suturado ao leito receptor com padrão simples interrompido. Figura 18. Quando a área doadora e o leito receptor não compartilham nenhuma de suas bordas.B. A.

diretos e úteis na reconstrução de defeitos cutâneos nas extremidades distais. E alterna os triângulos gerados pela incisão em “Z”. São indicados para feridas extensas de extremidades distais nas quais não há tecido cutâneo disponível para fechamento primário do defeito sem excesso de tensão. da criação do retalho e de sua cicatrização e liberação. Deve realizar divulsão do tecido até a incisão em Z. Pode ser realizado adjacente a ferida para promover o relaxamento de pele suficiente para fechamento. Para tal. O tórax e abdome laterais são as áreas doadoras disponíveis.Figura 18. Aplica-se sutura de alivio de tensão próximo a ferida principal. são feitas duas incisões paralelas formando uma bolsa onde o defeito é encaixado e fixado por meio de suturas de aproximação interrompidas. Retalhos Distantes Diretos e Indiretos Retalhos distantes são obtidos longe da região na qual se encontra o defeito cutâneo.19 Plastia em “Z”. O membro . necessitando de desbridamento e presença de granulação saudável no leito receptor. Retalhos Distantes em Bolsa – 2 Tipos Pedículo Único ou Duplo Os retalhos em bolsa ou em dobradiça são distantes. Aplicar sutura com padrão simples interrompido. Estes são subdivididos em diretos ou indiretos dependendo do método utilizado para transferir o retalho ao leito receptor. o membro do animal é posicionado contra a parede corporal ipsilateral. (cortesia de Fabiana Meireles).

ou o retalho pode ser de pedículo único. Entretanto.20). estes retalhos estão associados à alta taxa de sobrevivência. A. Retalhos Indiretos Tubulares Os retalhos tubulares tardios são utilizados para transferir pele da área doadora distante quando não há necessidade imediata de recobrir o defeito. O retalho bipediculado é confeccionado com duas incisões paralelas que permite a passagem do membro torácico. São retalhos distantes e indiretos. Figura 18. A área doadora é suturada por padrões de aproximação interrompidos (Figura 18. por meio de uma incisão ventral. O custo acaba sendo elevado para o proprietário devido ao número de procedimentos necessários. As bordas do retalho são suturadas também com . o retalho é apresentado ao leito receptor e fixado com suturas de padrão simples interrompido. Os retalhos distantes têm a desvantagem de requerer imobilização prolongada do membro afetado para assegurar sua sobrevivência e cicatrização do defeito. criados através de duas incisões paralelas na pele numa área em que se possam reaproximar as bordas remanescentes sem tensão excessiva para suportarem suturas de aproximação.20 Retalho direto de pedículo único ou bipediculado. B.deve ser preso com atadura contra o corpo durante 14 dias. (cortesia de Fabiana Meireles). sendo esta trocada a cada três ou quatro dias. Os gatos adaptam-se melhor que cães nesta técnica por seu tamanho. flexibilidade e elasticidade cutânea. a viabilidade do retalho é mantido pela vascularização (setas vermelhas) que vem dos dois pedículos.

. As desvantagens desta técnica são o número de etapas do procedimento e o tempo exigido para se conseguir o fenômeno retardado e o conseqüente fechamento do defeito. prazo em que ocorre melhora na circulação do retalho conhecido como fenômeno retardado. Figura 18. seu uso tem sido substituído nas medicinas humana e veterinária com o advento dos retalhos axiais. Fechar a pele no local doador. Por esta razão. criando-se um tubo preso por ambas as extremidades. (cortesia de Fabiana Meireles).21 Retalho pediculado tubulares. retalhos miocutâneos e técnicas mais desenvolvidas de enxerto (Figuras 18. Realizar duas incisões paralelas em região de pele com mobilidade.23). Após 18 ou 21 dias.padrão de aproximação.21 a 18. a extremidade proximal do tubo é incisada e transposta sobre o defeito. Criar um tubo suturando suas bordas ao local receptor.

Aspecto do retalho tubular após 14 dias. B. H. Fabiano Salbego e Drª. Aplicação da sutura padrão simples interrompido. Tração do retalho tubular para apresentação do leito doador.22 Retalho tubular indireto. A segunda incisão paralela a primeira. Larissa Berté). G. J. .Figura 18. O retalho tubular confeccionado. Apresentação das bordas do retalho para sutura. D. (cortesia do Dr. Incisão em um lado do retalho. Paciente canino com lesão em região do cotovelo esquerdo. Fechamento do leito doador com sutura padrão simples interrompido. Avaliação da mobilidade da pele no local doador do retalho tubular. F. Colocação de uma compressa cirúrgica interpondo a ferida doadora e o tubo confeccionado para aplicação da bandagem K. E. preparado para a segunda etapa do procedimento cirúrgico. A. Isolamento do retalho por uma compressa cirúrgica. C. I.

Incisão proximal do retalho e rotação para preenchimento da região do cotovelo. As complicações incluem drenagem do ferimento. mensuração e mapeamento cuidadosos da superfície cutânea para minimizar os erros. Fabiano Salbego e Drª. deiscência incisional. Avaliação da mobilidade do tubo confeccionado e aspecto da cicatrização do leito doador. necrose do retalho distal. Retalhos Pediculados de Padrão Axial Os retalhos axiais são retalhos pediculados que incorporam artéria e veia cutâneas diretas em sua base. braquial superficial. é possível girar o retalho insular em até 180° sobre o defeito. necrose de pele relacionada à ruptura de uretra. Existem oito retalhos axiais para uso clínico no cão baseados nas artérias cutâneas diretas auricular caudal. toracodorsal. ilíaca circunflexa profunda. B. São geralmente retangulares ou em forma de “L”. retornou para a segunda parte do procedimento. genicular e caudais laterais (Figura 18. através da separação cutânea completa e preservação dos vasos cutâneos diretos. infecções e formação de seroma.23 Retalho tubular indireto. As principais indicações para o uso clínico de retalhos axiais foram reconstrução de feridas após retirada de tumores ou após traumas. A. Os retalhos axiais devem ser levantados e transferidos para defeitos cutâneos dentro de seu raio. necrose cutânea idiopática e dermatite linfoplasmocítica crônica. . seroma pós-operatório e necrose distal do retalho. Existem retalhos insulares arteriais que são desenvolvidos a partir dos retalhos axiais. C. epigástrica superficial caudal. seu uso clínico de rotina é desnecessário com exceção de defeitos grandes que invadam a origem dos vasos cutâneos diretos. Larissa Berté). omocervical. As principais complicações observadas foram drenagem pós-operatória.24). As artérias toracodorsal e epigástrica superficial caudal possuem uso clínico em gatos. Nestas situações. sem tensão na linha de sutura. edema. feridas de difícil cicatrização. Os ramos terminais desses vasos suprem o plexo subdérmico. Paciente canino com tubo confeccionado há 14 dias. deiscência parcial. (cortesia do Dr. Embora estes possuam considerável mobilidade. Retalho fixado ao cotovelo e com mobilidade. Os retalhos axiais exigem planejamento.Figura 18.

Os autores utilizam muito esse retalho para a plastia após ressecção de massa tumoral em região de narina.escapular e se ramificam dorsalmente. maxila. Retalho Axial Omocervical O padrão axial omocervical inclui o ramo cervical superficial da artéria e veia omocervicais e os vasos originam-se adjacentes ao linfonodo pré. mandíbula. região de órbita e pavilhão auricular. Retalho Axial Auricular Caudal Para retalho em defeitos de cabeça e pescoço podem ser utilizados os ramos esternocleidomastóideos das artérias e veias auriculares caudais que se localizam entre a face lateral da asa do atlas e o canal auditivo vertical orientando-se caudodorsalmente. Este padrão é utilizado para correção de defeitos grandes em seu eixo de rotação que inclui face. É um retalho que permite uma base larga e com boa chance de pega no leito receptor. pescoço e axilas (Figura 18.24 Vasos cutâneos diretos usados em retalho de padrão axial. cranial à escápula. .25). ombros.Figura 18. cabeça. orelhas.

Figura 18. B. aspecto ao final da intervenção cirúrgica. Incisões paralelas para a liberação do retalho cervical. E. . G. Paciente canino com lesão neoplásica em região infraorbitária esquerda. (cortesia do Dr. Em felinos. C. Avanço do retalho e colocação da sutura de padrão simples interrompido. Lesão neoplásica acometendo região de pálpebra inferior e conjuntiva. cotovelos. Paciente com 60 dias pós-cirúrgico e excelente efeito cosmético do retalho.25 Retalho de avanço omocervical. axilas e tórax. Excisão da massa tumoral e enucleação. sendo uma boa opção nesta espécie para feridas em região de antebraço e braço. São baseados em ramo cutâneo da artéria toracodorsal e sua veia associada. localizado na depressão escapular caudal. Aplicação da sutura para finalizar a fixação do retalho. F. e toda a região cutânea infra orbital. Retalho Axial Toracodorsal Os retalhos axiais toracodorsais são utilizados para cobrir defeitos que envolvam ombros. A. membros torácicos. apresentando o retalho ao leito receptor. Cristiano Gomes). estes retalhos estendem-se até a região do carpo. Retalho fixado ao leito receptor. D.

A. Podem ser feitos de forma simples ou em “L” para a uma maior cobertura. . membro torácico.26 e 18. B. os cotovelos. a região axilar e o tórax. C. O retalho baseia em um ramo cutâneo da artéria toracodorsal e da veia associada localizados na fossa infraespinhosa caudal. paralelo a borda dorsal do acrômio.26 Retalho de padrão Axial Toracodorsal. caudal ou ventral.paralelamente à borda do acrômio (Figura 18. e reparar o espaço morto residual. (cortesia de Fabiana Meireles). São usados para cobrir defeitos envolvendo a região dos ombros. Poderão ser rotacionados ou avançados cranial.27). Figura 18.

Figura 18. A. Bandagem na região torácica e membro torácico esquerdo. . A tumoração abrange o aspecto caudal.28). e confecção do retalho toracodorsal esquerdo. Ferida cirúrgica no antebraço esquerdo após ressecção da tumoração. E. localizado três centímetros proximais à região da articulação úmero-rádio- ulnar. B. é necessária técnica cirúrgica meticulosa para preservação da microcirculação do retalho (Figura 18. D. Ferida cirúrgica cicatrizada. Paciente canino com lesão neoplásica cutânea em região de braço no membro torácico esquerdo. Fixação do retalho no antebraço e fechamento do leito doador com realização de pequenas incisões para relaxamento e drenagem de seroma.27 Retalho Toracodorsal. F. podem ser utilizados os retalhos axiais braquiais superficiais que dependem de pequeno ramo da artéria braquial. Devido a seu tamanho pequeno. Retalho Axial Braquial Superficial Para cobrir defeitos que comprometam o antebraço e o cotovelo. lateral e medial da região do cotovelo esquerdo. C.

protegendo a vasculatura no seu interior e permitindo a . prepúcio. períneo ou membros pélvicos. A. Na presença de tecido adiposo comumente encontrado nas mamas inguinais. C. O linfonodo poderá ser preservado.28 Retalho de padrão Axial Braquial Superficial. o retalho é confeccionado com duas incisões paralelas em direção ao tubérculo maior do úmero (B) e a base é próximo a região cranial do cotovelo. este retalho estende-se até a região metatársica. São usados para cobrir defeitos relacionado ao antebraço e o cotovelo. Em felinos. observar a relação base x. facilitando também a neovascularização na área. esse deve ser delicadamente divulsionado para não interpor entre a pele e o leito receptor. A rotação do retalho permite cobrir a região do antebraço próximo ao carpo. flanco. Em machos a realização desta técnica requer a configuração de um tubo para transpor sobre o seguimento do pênis.Figura 18. Esses retalhos dependem de um pequeno ramo da artéria braquial. (cortesia de Fabiana Meireles). Retalho Axial Epigástrico Superficial Caudal O padrão axial epigástrico superficial caudal é utilizado para recobrir defeitos que envolvam abdome caudal. Este retalho incorpora as últimas três ou quatro glândulas mamárias e seu suprimento sangüíneo é realizado pelos vasos epigástricos superficiais caudais que emergem no canal inguinal (Figura 18.29). comprimento de 1:3. recomenda-se a castração da fêmea canina ou felina. Importante lembrar que a função mamária não é afetada por sua posição heterotópica e por isso. sendo um meio de acompanhamento quanto à drenagem linfática.

vascularização do leito. (B) o retalho é apresentado e fixado a base (artéria epigástrica superficial caudal) na região inguinal. A rotação do retalho permite cobrir a região interna da coxa. . flancos.29 Retalho de padrão Axial Epigástrico Superficial. O retalho inclui as três glândulas mamárias caudais. observar a relação base x. períneo. prepúcio. São usados para cobrir defeitos relacionado a região caudal do abdome. Esse tubo pode ser ressecado com 14 dias de pós-cirúrgico (Figura 18. (cortesia de Fabiana Meireles). C. O retalho é confeccionado com duas incisões paralelas as mamas em direção cranial ao tórax.30). comprimento de 1:3. A. Figura 18. coxas e membros pélvicos.

cranioventralmente à asa do íleo. E. O retalho é confeccionado no lado contralateral. com incisão na cadeia mamária até a glândula torácica caudal. A artéria genicular estende-se cranialmente sobre o aspecto medial da articulação fêmuro-tíbio-patelar e termina sobre sua superfície craniolateral. A tumoração é resseccionada e o leito é lavado de forma copiosa.Figura 18. Retalho sendo transpassado sobre a base do prepúcio. Retalho Axial Genicular Os retalhos axiais geniculares são utilizados para recobrir defeitos na tíbia lateral e medial e na articulação tibiotársica. Retalho apresentado na base para a manutenção do pedículo vascular. Paciente canino macho apresentando tumoração em região inguinal direita. D. A ferida não consegue ser fechada de forma completa. O ramo dorsal. Aspecto final do procedimento com o pedículo sobre a base do prepúcio. coxas medial e lateral e região pélvica. mais curto. Estes se dividem em ramos dorsal e ventral que podem ser utilizados independentemente para formação de retalho axial. O ramo ventral por sua vez deve ser utilizado para cobrir defeitos na parede abdominal lateral e como retalho insular em defeitos pélvicos e sacrais. dependendo da conformação individual do paciente.30 Retalho de padrão Axial Epigástrico Superficial. Esta é . G. o tórax caudal. Retalho Axial Ilíaco Circunflexo Profundo Os vasos ilíacos circunflexos profundos exteriorizam-se na parede abdominal lateral. é aplicado em defeitos que envolvam o flanco ipsilateral. B. C. F. A. a região lombar lateral.

0cm proximal a paleta e 1. observa-se a presença de uma formação de orelha próximo a articulação do joelho. Nessa técnica após a finalização da sutura no leito receptor. outro fato importante é que essa “orelha” permite que o paciente flexione o joelho sem que aumente a tensão no local de sutura. A incisão segue normalmente a pele sobre o fêmur. São usados para cobrir defeitos relacionado a região medial e lateral da tíbia e região tibiotársica.31 Retalho de padrão Axial Genicular. (cortesia de Fabiana Meireles). pois isso poderá comprometer a vascularização do retalho. . O retalho é confeccionado mantendo a base 1. Figura 18.32).31 e 18.artéria delicada assim como a artéria braquial superficial (Figura 18.5cm distal a tuberosidade tibial. no aspecto lateral. essa pequena dobra não deve ser reparada. Esse retalho depende do ramo genicular da artéria safena e da veia safena medial. Após a rotação desse retalho a ferida do local doador é facilmente fechada com aproximação de subcutâneo com fio inabsorvível e ponto tipo Sultan. E a pele fechada com pontos simples e fio inabsorvível.

calcâneo e proximal de tíbia. Retalho Axial Caudal Lateral As artérias caudais laterais podem ser utilizadas para reconstruir áreas que envolvam defeitos na região caudodorsal do tronco. Aspecto da ferida com 30 dias de pós-operatório. O retalho é rotacionado e apresentado para o leito receptor. Retalho fixado com sutura de padrão simples interrompido. região distal de fêmur. A tumoração é resseccionada. calcâneo e metatarsos. O retalho é confeccionado.32 Retalho de padrão Axial Genicular. D. A. As artérias caudais laterais originam-se nas artérias glúteas e possuem vários ramos para anastomose com a artéria caudal mediana. com a incisão chegando até a região proximal da coxa. Pode-se também utilizar a pele caudal como retalho tubular para cobrir defeitos nos membros pélvicos. Ferida cirúrgica com 14 dias de pós-operatório apresentando necrose da porção distal do retalho. Paciente canino macho apresentando tumoração em membro pélvico esquerdo. B.Figura 18. demarcado a região de pele com margem. G. F. O uso desse retalho requer a amputação da cauda. e a ferida resultante a ser fechada compreende terço distal da perna. Os vasos caudais laterais são bilaterais e localizam-se no tecido subcutâneo da cauda. Paciente com cicatrização completa e repilação do local cirúrgico. H. observando a relação base x comprimento. C. Retalho de Conduto Safeno Reverso . E.

ou se o local estiver infectado. A angiografia pré-operatória assegura a presença e a função da artéria safena. especialmente na região metatársica. pode ser utilizada na imobilização local e para a moldagem do enxerto ao leito. diariamente). para que não ocorram lesões ao enxerto em decorrência dos movimentos e da contaminação. As trocas de bandagens são efetuadas cuidadosamente. Podemos utilizar um dos ou dois grampos metálicos para a fixação das suturas torcidas junto ao chumaço de algodão.Os retalhos de conduto safeno reverso são uma variação dos retalhos de padrão axial e possuem utilidade na maioria dos defeitos cutâneos no tarso ou distal a este. Podemos . a cerca de 1 cm da margem do enxerto. melhor. distalmente à articulação tibiotársica. Sempre estará indicada a contenção física do animal. que por sua vez é recoberta por um chumaço de algodão ou gaze esterilizados as longas extremidades das suturas pré-aplicadas são reunidas sobre o chumaço e torcidas em conjunto. Comumente a primeira bandagem é trocada 48 horas após a cirurgia. O fluxo sangüíneo reverso ocorre em decorrência de anastomoses entre o ramo cranial da artéria safena e a artéria metatársica perfurante. Uma proteção acolchoada não aderente é aplicada sobre o enxerto. o hematoma (ou o líquido) poderá ser removido por meio de incisão no enxerto e pela aplicação de compressão suave sobre o enxerto. da veia safena medial e dos vasos femorais. Devido o risco de contaminação ou de movimento do enxerto. Cuidados pós-operatórios A frequência em troca de bandagem depende do temperamento do animal e da limpeza da bandagem. Usar bandagem de fixação superior por sobre. São criados ligando e dividindo a conexão vascular entre artéria e veia femorais e artéria e veia safenas. ou ainda pelo uso de um conta-gotas ocular esterilizado ou cotonete para a remoção do soro ou do sangue. até que estejam comprimindo suavemente o chumaço contra o enxerto. Caso seja notado hematoma ou a presença de liquido por sob o enxerto durante a troca de bandagem. quando maiores forem os intervalos entre as trocas de bandagem. Varias suturas de náilon monofilamentar 2-0 ou 3-0 com extremidades longas são aplicadas na pele em torno do enxerto. caso fiquem contaminadas com fezes ou urina. Contudo pode haver necessidade de mudanças freqüentes de bandagem (isto é. se o animal desarranja a bandagem. ramo cranial da veia safena lateral e outras conexões venosas com os ramos cranial e caudal das veias safenas mediais. e também pode haver necessidade da contenção química. A sobrevivência deste retalho é dependente do fluxo sanguíneo venoso retrógrado.

.V. Cirurgia plástica – fundamentos e arte – princípios gerais. A suave elevação das bordas da bandagem de fixação superior por sobre entre alguns dos filamentos usados neste curativo permitirá a inspeção do enxerto.M.4(12):87–95.J.Sm Anim Pract. Skin flaps in reconstructive surgery.M. 1990. Vet Clin North Am – Sm Anim Pract. esparadrapo. 2006. São Paulo: Roca. Os autores enfatizam que o conhecimento e a habilidade na execução das técnicas são indispensáveis para quem trabalhar com cirurgia oncológica veterinária.. Place M. Cirurgia Reconstrutiva: Retalhos Cutâneos em Pequenos Animais. Cirurgia do sistema tegumentar.Rev Cientif Vet Pequenos Anim Esti.F. principais retalhos. Hedlung C. Beasley R. além da bandagem de fixação por sobre.43:497–500. 1993. Grabb and Smith’s plastic surgery. Herber S. ed. MEDVEP . Philadelphia: J.B. Referências Angeli A.A. Góes C.20:81–103. . Basic techniques and principles in plastic surgery.. Cirurgia plástica – fundamentos e arte – princípios gerais.M. para que seja conseguida maior proteção e imobilização. deveremos aplicar continuamente bandagens protetoras e algum tipo de imobilização até 21 dias depois da cirurgia.L.A. Princípios básicos da técnica em cirurgia plástica.S. As técnicas são variadas e a curva de aprendizado do profissional será menor quanto maior for o número de procedimentos realizados. Cirurgia de pequenos animais. classificação.B. Bellenger C.M. utilizar gaze. 2002:3–8. J Sm Anim Pract. Pavletic M. In: Mélega J. Flores L. Kawasaki M. Brandão C. seja para a reparação de feridas secundárias a traumas. Introdução à cirurgia plástica.. 2002:25– 37.H. 5th ed.M. Vet Clin North Am . 2002. Hardesty R.J. 1997:25–44. ed..S. Pavletic M. Em seguida.W. Retalhos cutâneos: fisiologia.S.. Mélega J.20:67–80.W. In: Fossum T. Surgical management of haemagiopericytoma involving the biceps femoris muscle in four dogs.M.R. Arantes H. Connery N. Geralmente as bandagens de fixação superior são removidas no terceiro ou quarto dia após a cirurgia.. Atlas of small animal reconstructive surgery. 1990.R.E. ou para reparo pós exérese de tumores cutâneos de cães e gatos.. Conclusão O uso de cirurgia plástico reparadora é uma prática cada vez mais exigida na rotina de clínica cirúrgica de pequenos animais. Freitas R.C.. Lippincott.. Thorne C. In: Mélega J. In: Mélega J. In: Aston S. Reiff A. 2002:107–120. ed.. New York: Lippincott. Rio de Janeiro: Medsi.H. ed. Cirurgia plástica – fundamentos e arte – princípios gerais. 2002:101–171. Johnston D. Rio de Janeiro: Medsi.S.P.C.. Rio de Janeiro: Medsi.M.L...M. Tension-relieving techniques. e uma tala ou aparelho.

Bauer M. Beasley R. Hauptman J. Bellah J.L.N. Smith R. Plast Reconstr Surg. Dean P.32:153–160. Smith B.. In: Aston S. J Sm Anim Pract. Patterson J.M. Pavletic M..C. Read R. Pardo A. Bowen C. 2002..W. Grabb and Smith’s plastic surgery. Jr.W.E.40:84–87.. Vet Surg.J.. Peterson S. Lemarié R. In: Slatter D. 1995.T. Salisbury S.W.. J Am Vet Med Assoc.D..F. Vet Surg. Calfee E. J Sm Anim Pract.. Using a transposition flap in the resection of a large facial tumor.182:380–389. 1997. Broadstone R.. Free omental tissue transfer for extremity coverage and revascularization... III.54:468–475.H. Microvascular free tissue transfer of the rectus abdominis muscle in dogs.. Textbook of small animal surgery. Rochat M..201:608–612. Watters J.. White R. Clinical evaluation of axial pattern skin flaps in dogs and cats: 19 cases (1981-1990)... Mathes S. Saunders. Pavletic M. 1999. ed.86:1100–1103.36:255–261.V. 1992. Ross W.. 1997:121–145. 1991...A. Thorne C. Fowler J. Remedios A.. Duncan R. 2003. Upton J.. et al. Management of a proximal pelvic limb skin laceration in a dog using a skin flap and an external fixator. 1991.D. Waldron D.M. Degner L. et al. 1990.W.25:292–299.S.12:125–129..20:105–125. 2nd ed..A.S.. Henry R.D.A. Maloney C. Degner D. Arnoczky S. J Am Vet Med Assoc... Hosgood G.. Omental pedicle used to manage a large dorsal wound in a dog.. Allen S.R. Evaluation of an omental pedicle extension technique in the dog. Principles of plastic and reconstructive surgery.Trevor P. Wages D. J Am Vet Med Assoc.A.D.C.. Vet Surg.R.G. Distant abdominal and thoracic pedicle skin flaps for treatment of distal limb skin defects. Haas K. 1996.V.. et al. Lewis D. Vet Med. 2003. Philadelphia: W. Am J Vet Res.B.B.K.W. Reconstruction of distal hind limb injuries in cats using the caudal superficial epigastric skin flap. Lanz O.36:267–270.P. 1983.. Transcutaneous oxygen monitoring for predicting skin viability in dogs.S. Bauer M.B. Degner D.Sm Anim Pract.L..B...J..M. Salisbury S..P.A. Axial pattern skin flaps in cats.. J Sm Anim Pract. Steficek B... Hedlund C. . Vet Clin North Am .. Wagner-mann C. Microsurg..I. 1993. Walshaw R. Muscle flaps and their blood supply. Evalutaion of the cranial rectus abdominus muscle pedicle flap as a blood supply for the caudal superficial epigastric skin flap in dogs. Repair of a facial defect with an interpolation skin flap in a cat. Swaim S.M.A.S. Mison M. 1993:280–294.T. Walshaw R.111:1899–1904. Smith M. Lee W. 1995. Hedlund C... Teunissen B. 1995. Pope E. Axial pattern flaps in small animal practice.K.R.F. 5th ed. et al. Vet Surg... Comparison of the effects of the CO2 surgical laser and conventional surgical techniques on healing and wound tensile strength of skin flaps in the dog.M.. Vet Comp Orthop Traum.J. Hosgood G.. Payne J.31:32–43.. Miller M.22:37–43.L. New York: Lippincott. Pace L.M.8:98–101. Reverse saphenous conduit flap in the dog.S. 1993.. Lavagnino M.A... Gibson K.A.210:1319–1321.

The Wound Management Manual. Lee Bok Y. ed.. London: Martin Duntz. 2002. Blacklick. 2004. 1999. 2001. . Use of a reverse saphenous skin flap for the excision of a grade II mast cell tumor on the hind limb of a dog. Pavletic M. 1999. London: BSAVA. Can Vet J.Briere C.43:620–622. Leitura Sugerida Falanga V. OH: McGraw-Hill Professional. Atlas of Small Animal Reconstructive Surgery. Philadelphia: WB Saunders.D. 2nd ed.M. BSAVA Manual of Canine and Feline Wound Management and Reconstruction. Cutaneous Wound Healing. Williams J. Fowler J.M..

2 mg/kg) Indução com propofol (4 a 6 mg/kg) Manutenção com isofluorano ou sIVofluorano Protocolo 2 Medicação pré-anestésica com acepromazina (0.2 mg/kg) associado à cetamina (6 mg/kg) Manutenção anestésica com isofluorano ou sevofluorano .1). eletrolíticas e acidobásicas que requerem monitoramento prévio e no trans e pós-operatórios. exames pré-operatórios cuidadosos são indispensáveis. vasectomia ou ovariossalpingo-histerectomia) e o animal encontra-se saudável. Entretanto procedimentos não eletivos são normalmente realizados em animais doentes portadores de anormalidades hídricas. prevenir ou tratar tumores influenciados por hormônios reprodutivos. Andréa Pacheco Batista Borges Introdução A indicação primária para uma cirurgia do sistema reprodutor é limitar a reprodução. A anestesia geral é recomendada para as cirurgias eletivas envolvendo o trato reprodutivo e. doenças localizadas em órgãos reprodutivos (piometra.05 mg/kg) associada à meperidina (3 mg/kg) Indução com propofol (4 a 6 mg/kg) Manutenção com isofluorano ou sevofluorano Protocolo 3 Indução com diazepam (0. metrite. prostatite) e na estabilização de doenças sistêmicas (diabetes e epilepsia). Capítulo 19 Técnicas operatórias do sistema reprodutor Ricardo Junqueira Del Carlo.4 mg/kg) associado ao midazolam (0. A maioria das cirurgias reprodutivas é eletiva (orquiectomia.1 Protocolos anestésicos recomendados para cirurgias eletivas envolvendo o trato reprodutivo de animais saudáveis Protocolo Drogas utilizadas Protocolo 1 Medicação pré-anestésica com butorfanol (0. mesmo nestas circunstâncias. A esterilização é realizada em alguns animais para prevenir ou alterar comportamentos anormais. Numerosos protocolos anestésicos podem ser usados nas cirurgias eletivas dos animais saudáveis (Tabela 19. mas também pode ser feita para a resolução de distocia. Tabela 19.2 a 0.

Protocolos anestésicos para cesariana estão apresentados na Tabela 19. raramente é suficiente para procedimentos cirúrgicos em cadelas se usada de forma isolada. Além disso. Tabela 19.2 mg/kg) Na operação cesariana.2 Protocolos anestésicos para cesariana em cadelas e gatas Protocolo Drogas utilizadas Protocolo Indução e manutenção com isofluorano 1 Anestesia epidural lombossacra com lidocaína a 2% em associação à bupivacaína 0. e é impraticável para as gatas domésticas.4).2 ml/kg) Manutenção com isofluorano ou sevofluorano Nos animais submetidos a procedimentos no sistema reprodutor. que são significativas para a escolha da técnica anestésica. hipovolemia. Os fármacos anestésicos atravessam a barreira placentária e também deprimem o feto. mistura volumétrica 1:1) Protocolo Medicação pré-anestésica com midazolam (0. apesar de segura para o feto.2 ml/kg. Nesse caso deve-se promover antibioticoterapia com drogas indicadas para o tratamento de distúrbios reprodutivos em cães e gatos (Tabela 19. Tabela 19.2 ml/kg) Protocolo Indução com propofol (4 a 6 mg/kg) 3 Anestesia epidural lombossacra com tramadol (1 mg/kg) em associação à lidocaína a 2% (até um volume total de 0.5% (0. A anestesia epidural. as pacientes apresentam variações fisiológicas.2 mg/kg) 2 Indução com propofol (4 a 6 mg/kg) Manutenção com isofluorano ou sevofluorano Anestesia epidural lombossacra com lidocaína a 2% com vasoconstritor (0.2. hipocalcemia e/ou toxemia podem estar presentes em cirurgias de emergência. Anestesia epidural lombossacra com lidocaína a 2% com vasoconstritor (0.3 mg/kg) Indução com tiletamina associada ao zolazepam (10 mg/kg) Anestesia epidural lombossacra com lidocaína a 2% com vasoconstritor (0. tanto nas cirurgias eletivas quanto nas terapêuticas.3 Fármacos recomendados no controle da dor pós-operatória de cães e gatos submetidos a procedimentos no sistema reprodutor . cuidados adequados devem ser dispensados ao controle da dor pós-operatória (Tabela 19.2 mg/kg) Protocolo 4 Medicação pré-anestésica com clorpromazina (0. Também induz hipotensão materna. hipoglicemia.3) e monitorados para presença de hemorragia e infecções. principalmente nos sistemas cardiovascular e respiratório. por esse motivo o tempo de anestesia deve ser mínimo e o retorno à consciência deve ser rápido.

A retirada cirúrgica apenas dos ovários recebe o nome de ovariectomia ou ooforectomia.4 Antibióticos recomendados para tratamento de distúrbios reprodutivos em cães e gatos Ovariossalpingo-histerectomia na cadela e na gata A ovariossalpingo-histerectomia (OSH) é o procedimento cirúrgico abdominal mais realizado em medicina veterinária e constitui-se na retirada cirúrgica de ovários. além de conveniência (para evitar cios. mas também o impulso sexual. piometra resultante de alterações hormonais e instalação secundária de infecção uterina. as fêmeas perdem não só a capacidade para a reprodução. presença de corpo lúteo funcional. Entretanto. entretanto a fêmea apresenta cio. de modo que após esta cirurgia o animal não apresenta cio. tubas uterinas e útero. com aumento de níveis de progesterona e consequente risco de hiperplasia cística do endométrio. Indicações A indicação primária é a esterilização eletiva. gestação indesejável) existem também as indicações terapêuticas: pseudogestação frequente. ou seja. Entretanto não é prática utilizada em cadelas e gatas. secreção do pró-estro. Mediante a castração. secundária a . ou histerectomia. evita a concepção.Tabela 19. controle da reprodução. porque o útero fica sem função e predisposto a contrair infecção por deficiência hormonal. A retirada cirúrgica apenas do útero.

dermatoses (sarna demodécica generalizada). espera-se que o desenvolvimento corporal relacionado com a raça já tenha sido alcançado.1). depois do primeiro cio. através do canal inguinal e do processo vaginal. estão localizados dentro de um saco peritoneal de parede fina. indo de encontro ao corno uterino ipsilateral. A tuba uterina passa através da parede da bolsa ovariana. O ligamento redondo corre pela borda livre do ligamento largo a partir do ovário. O pedículo ovariano canino apresenta mais gordura que o felino. O útero é constituído por um corpo curto e cornos longos. A cérvice é a parte caudal estreita do útero e é mais espessa que o corpo uterino e a vagina. controle de anormalidades endócrinas (diabetes. A vascularização do útero depende do ramo da artéria ovariana e da artéria uterina. principalmente gordura. Cada ovário está ligado pelo ligamento próprio do ovário ao corno uterino e. mas cadelas castradas precocemente. A vagina é longa e continua . ainda. cornos uterinos. enquanto o ovário esquerdo localiza-se dorsalmente ao cólon descendente e ao baço. a bolsa ovariana. O ligamento largo (mesométrio) é uma dobra peritoneal que mantém o útero suspenso. hiperplasia de solo vaginal recorrente e prevenção de neoplasias mamárias e ovarianas. A gata deve ser castrada quando adulta. As artérias ovarianas têm sua origem na aorta. à fáscia transversa localizada medialmente à última costela. para veia cava caudal. vagina. A veia ovariana esquerda drena para a veia renal esquerda e a veia direita. Os vasos sanguíneos ovarianos apresentam um caminho tortuoso ao longo do pedículo. previne o aparecimento de tumores mamários. apresentam maior risco de desenvolver incontinência urinária. Anatomia Aplicada Os constituintes anatômicos envolvidos incluem vulva. como consequência da castração anterior à puberdade a presença de vulva infantil e a indefinição social do animal. que é um ramo da artéria vaginal. quando realizada antes do primeiro cio. O ligamento suspensório é uma banda esbranquiçada e firme de tecido que diverge à medida que sai do ovário para se fixar nas duas últimas costelas. O pedículo ovariano (mesovário) inclui o ligamento suspensório com sua artéria e veia. Quando realizada após a puberdade. epilepsia). envoltos pela túnica albugínea. corpo do útero. localizada caudalmente ao polo de cada rim. Citam-se. A retração medial do mesoduodeno ou mesocólon expõe o ovário de cada lado. evitando-se a vasodilatação provocada pelo estrógeno e o risco de ocorrência de maior sangramento durante o procedimento. artéria e veia ovariana e uma quantidade variada de tecido conjuntivo. antes dos 3 meses de idade.distocias com alterações uterinas irreversíveis. A OSH. via ligamento suspensório. A cirurgia deve ser realizada fora do período de cio. Os ovários. ou seja. cérvice. tubas uterinas e ovários (Figura 19. O ovário direito ocupa uma posição mais cranial que o esquerdo e está localizado dorsal ou dorsolateralmente ao cólon descendente. tornando mais difícil visualizar a vascularização. após os 6 meses.

1 Disposição dos ovários. L: ligamento próprio do ovário.4). consultar a Tabela 19. F: Ligamento suspensório. diarreia. em cadelas. J: Mesométrio. OSH em cadelas portadoras de piometra. O acesso à água geralmente é livre e. faz-se a incisão retroumbilical. da cartilagem xifoide até o púbis. K: Vasos ovarianos. O consumo alimentar é restringido 6 a 12 horas antes da indução da anestesia. anorexia. tricotomia e antissepsia do campo operatório. vômito. preferencialmente. C: Corpo uterino. I: Mesovários. D: Cornos uterinos. Estes animais tendem a desenvolver depressão. O campo operatório é preparado com solução de polivinilpirrolidina e iodo ou com clorexidina. A: Vagina. poliúria e polidipsia secundárias a doença renal. Prepara-se a porção ventral do abdome. útero e ligamentos na cadela em decúbito dorsal. deve ser realizada após a estabilização da paciente. Técnica Operatória A abordagem é feita por meio de incisão mediana retroumbilical e sob anestesia geral. Para proceder à anestesia. a incisão . H: Bolsas ovarianas. quando não o for.com o vestíbulo vaginal a partir da entrada uretral até atingir a vulva. Em gatas e em cadelas pré-púberes.1. antibioticoterapia de largo espectro deve ser instituída (Tabela 19. estando o pré-operatório intimamente relacionado com a indicação da cirurgia.Vasos uterinos. Pré-operatório Indica-se um exame físico criterioso tanto para as cirurgias terapêuticas como as eletivas. no máximo por 4 horas. E: Ovário. Quando a cirurgia acontecer concomitantemente à presença de doença bacteriana. B: Cérvice. O pré-operatório imediato consiste na realização de jejum hídrico e sólido. Figura 19. g:. A incisão pode ser estendida cranial ou caudalmente para permitir a exteriorização do trato sem que haja tração excessiva. Identifica-se a cicatriz umbilical e.

2B). como uma banda fibrosa tensa na extremidade proximal do pedículo ovariano. C: Rompimento do ligamento suspensório. Um gancho de ovariectomia deve ser deslizado para o interior do abdome. estica-se ou rompe-se próximo ao rim sem romper os vasos . E: Local de secção do pedículo no sistema de três pinças. respectivamente. A parede abdominal esquerda é elevada com a utilização de um afastador. 2 a 3 cm caudalmente ao rim. após afastar as vísceras abdominais medialmente e localizar o corno uterino na face dorsal do abdome. As estruturas comumente liberadas na ferida cirúrgica por estas manobras são os ligamentos largo e redondo do útero. Com uma tração caudal e medial no corno uterino. facilita a exteriorização e a ligadura do corpo uterino.2 Ovariossalpingo-histerectomia. A: Posicionamento do gancho de ovariectomia para identificação do corno uterino. caudalmente aos seus respectivos rins. Quando o paciente é posicionado em decúbito dorsal na calha cirúrgica. além do corno uterino. o gancho deve ser girado medialmente e tracionado. F: Secção do pedículo entre a primeira e segunda pinças. Essa manobra pode ser realizada também com o dedo indicador do cirurgião (Figura 19. os ovários e os cornos uterinos caem nas goteiras lombares direita e esquerda. permitindo a apreensão e a exposição do corno uterino esquerdo. permite a abordagem da cavidade abdominal e. O ovário e o corno esquerdos são mais caudais e mais acessíveis que os direitos. encostado e voltado para a parede abdominal (Figura 19. D: Realização de orifício no mesovário caudalmente ao complexo arteriovenoso ovariano. B: Dedo indicador do cirurgião localizando o corno uterino.retroumbilical. identifica-se o ligamento suspensório por palpação. Figura 19. Ao tocar a parede dorsal. o omento deve ser deslocado cranialmente. Por conveniência. iniciando-se em torno de 2 cm caudalmente à cicatriz umbilical. Uma incisão na linha alba. em seguida. de 4 cm a 8 cm. Então. o ovário e o corno uterino esquerdos são removidos da cavidade abdominal em primeiro lugar.2A).

o corno até o corpo uterino. Em seguida. A ligadura é realizada abaixo da terceira pinça mais proximal ao abdome.3A) e o ligamento redondo rompido. A pinça proximal serve como um canal para o nó. adjacente ao corpo uterino e à artéria e veia uterinas. poligliconato ou a poliglactina 910). O cirurgião deve manter um contato digital constante com o ovário quando aplicar as pinças para assegurar que todo o ovário seja removido. . ácido poliglicólico. a média mantém o pedículo (como método de conferência da eficácia da ligadura) e a distal previne o refluxo de sangue após a transecção. Faz-se um orifício no mesovário. ou na presença de vasos sanguíneos calibrosos ou de tecido adiposo (Figura 19.0. deve-se remover o outro ovário e. O ligamento largo pode ser rasgado com o auxílio das mãos do cirurgião (Figura 19. onde se é permitido identificar o outro corno que servirá de guia até o ovário contralateral. faz-se uma janela no ligamento largo com auxílio de uma pinça hemostática.2C). Alternativamente. Então. O pedículo é secionado entre a primeira e a segunda pinças (Figura 19.3B).2E). polidioxanona. polidioxanona. para isso. colocam-se as pinças e realiza-se o mesmo procedimento descrito para a extração do primeiro ovário. com o ovário exposto. que é realizada entre a pinça média e a distal.2D). duas pinças hemostáticas podem ser colocadas no pedículo ovariano proximal. caudalmente ao complexo arteriovenoso ovariano (Figura 19. A ligadura deve ser realizada proximalmente ao abdome em relação à pinça mais distal ao ovário. Para isso usa-se o dedo indicador para aplicar uma tração caudolateral na região do ligamento suspensório enquanto mantém-se uma tração caudomedial no corno uterino. de acordo com o tamanho do animal. A ligadura do pedículo ovariano deve ser realizada com fios absorvíveis (categute cromado. que é liberada quando o nó é apertado. com auxilio de uma pinça. acompanha-se. digitalmente. Fazem-se ligaduras ao redor do ligamento largo se a paciente estiver no cio ou gestante. Um sistema de três pinças pode ser colocado distalmente ao ovário (Figura 19.ovarianos para permitir a exteriorização do ovário (Figura 19. cujo calibre pode variar do número 2 ao 2. Para separar os ligamentos redondo e largo do corno uterino.2F).

Aplica-se tração cranial no útero. e . pois a tração excessiva pode afrouxá-las. Métodos alternativos para ligadura do corpo uterino são: sutura Parker-Kerr (Figuras 19. as ligaduras dos pedículos ovarianos e do coto uterino não devem ser presas com instrumental. A: Ligamento largo rasgado com o auxílio dos dedos. Para a realização da ligadura do corpo uterino pode ser utilizada a técnica das três pinças (Figura 19. causando a sua transecção antes de realizar a ligadura. pode cortá-lo.3D) e verifica-se se não há hemorragia. craniais à cérvice. Em gatas. C: Três pinças aplicadas no corpo do útero próximo à cérvice.Figura 19. o clampeamento. e identifica-se a cérvice por meio de palpação. Promove-se a transecção do corpo uterino (Figura 19. ou duas pinças hemostáticas podem ser aplicadas no corpo do útero. Uma alternativa é a ligadura sem a colocação das pinças. realizada na presença de piometra ou infecção genital. Deve ser aplicada uma ligadura circundando os vasos uterinos de cada lado. expondo o corpo. Os pedículos ovarianos e o coto uterino devem ser avaliados quanto a sangramentos antes do fechamento abdominal. B: Ligaduras de vasos sanguíneos presentes no ligamento largo.4A-D) na OSH.3C). Nessa ocasião. A pinça hemostática é utilizada para colocar o coto uterino dentro do abdome.3 Ovariossalpingo-histerectomia. D: Ligadura circundando os vasos uterinos de cada lado. em vez de segurar o útero ingurgitado ou friável.

E: Transfixação do corpo uterino. padrão simples contínuo ou . poligliconato ou a poliglactina 910) ou em padrão de sutura contínuo simples com fio não absorvível (polipropileno ou náilon monofilamentar). B: Sutura tracionada à medida que a pinça é removida (setas). Ainda. A síntese do tecido subcutâneo e da pele consiste em sutura de aproximação. quando se realiza a sutura Parker-Kerr.4 Sutura de Parker-Kerr. Figura 19. Ligadura independente dos vasos sanguíneos uterinos (setas). as artérias e veias uterinas devem ser ligadas separadamente. polidioxanona. ácido poliglicólico. quando os vasos uterinos são calibrosos (Figuras 19. A: Camada única de Cushing executada sobre uma pinça.transfixação.4E e F). A incisão abdominal pode ser fechada em padrão simples interrompido com fio absorvível (categute cromado. C e D: Cobertura em uma camada contínua de Lembert. F: Confecção do nó final da transfixação. polidioxanona.

resultando em hidronefrose e predispondo a pielonefrite. de diâmetro relacionado com o porte do animal e fio inabsorvível. principalmente próximas ao complexo arteriovenoso ovariano. da evacuação pré-operatória da bexiga e de isolamento e ligadura cuidadosos dos vasos uterinos. A: Vista ventral. evitando- se o autotraumatismo. abscesso de ferida. B: Vista dorsal. Pode ocorrer hemorragia nos ligamentos largos e redondos do útero quando os vasos são salientes e não são ligados. e por ligadura aplicada de forma errada.X (Sultan). Pode-se observar íleo cirúrgico quando for realizada manipulação excessiva das vísceras durante o procedimento cirúrgico. Ligadura acidental de ureter pode ocorrer durante a ligadura do corpo uterino ou do complexo arteriovenoso ovariano. em padrão simples separado.5A e 19. O risco de ligadura ou esmagamento acidental do ureter estará diminuído pela ligadura do complexo arteriovenoso ovariano tão proximalmente ao ovário quanto possível. respectivamente. Piometra de coto uterino pode ocorrer quando não é removido todo o coto ou porções de qualquer dos cornos durante a OSH e os níveis sanguíneos de progesterona .5 Roupa confeccionada de pano de algodão para proteção da ferida cirúrgica abdominal. como o náilon. No período pós-operatório recomenda-se a proteção da ferida cirúrgica. Figura 19. Complicações A cadela e a gata estarão sujeitas a quaisquer das complicações comuns às cirurgias abdominais. por manobras inadequadas. como risco anestésico. cura retardada de ferida.5B). o que pode ser conseguido com o uso de colar elizabetano ou com a confecção de roupa com pano e fio de algodão como bandagem abdominal (Figuras 19. Hemorragias intra e pós-operatória podem ocorrer por queda da ligadura. com fio absorvível. infecção e automutilação.

É realizada com .estiverem elevados. acompanhados dos epidídimos e parte dos cordões espermáticos. A causa mais comum de tratos fistulosos sublombares em cadelas castradas é uma reação tecidual adversa ao material de sutura multifilamentar não absorvível utilizado para a ligadura uterina ou ovariana. A identificação de fragmentos em um lado não deve excluir a inspeção do outro sítio ovariano. comumente chamada de castração. mas acontece em média oito anos após a cirurgia. Teorias sugerem que os depósitos de gordura do corpo possuem receptores para hormônios esteroides específicos. Orquiectomia no cão Orquiectomia é a retirada cirúrgica dos testículos. seguida por uma dose de manutenção de 1 mg por semana. proveniente de tecido ovariano residual ou de compostos progestacionais exógenos. A fonte de progesterona pode ser endógena. por dia por três a cinco dias. estradiol. As cadelas afetadas apresentam perda de olfato e redução na agressividade. por aderências ou granulomas do coto uterino que interferem na função do esfíncter vesical e por fistulação vaginoureteral proveniente da ligadura comum da vagina e do ureter. resultando em hidronefrose e pielonefrite. então a deposição de gordura é facilitada ou bloqueada em resposta a testosterona. progesterona e cortisol. A inatividade e o aumento da ingestão de alimentos contribuem para o ganho de peso. na vigilância e no interesse pelo trabalho. A terapia recomendada é a administração oral de 0. A inflamação e o granuloma do coto uterino podem ser causados por ligadura com material de sutura inabsorvível. Podem estar presentes sinais clínicos associados a estro e atividade hormonal ovariana. A idade de início da incontinência é variável. A incontinência urinária após uma OSH pode ser causada por um nível estrogênico sistêmico baixo. Devem ser removidas todas as ligaduras ovarianas e uterinas.1 mg a 1 mg de dietilestilbestrol. Em algumas cadelas o tratamento com estrogênio associado à fenilpropanolamina pode ser mais eficaz. O intervalo entre a OSH e o aparecimento dos tratos fistulosos pode ser de vários anos. O estro recorrente geralmente resulta de um tecido ovariano residual funcional após uma OSH incompleta. A incontinência urinária responsiva a estrógenos ocorre em cadelas mais idosas que foram castradas em uma idade precoce. Os tratos ocorrem mais frequentemente nos flancos e na região inguinal e podem envolver o rim ou ureter proximal. A síndrome eunucoide ocasionalmente é observada nas cadelas de trabalho após uma OSH. O tratamento consiste na exploração cirúrgica e na excisão do tecido ovariano residual. técnica de assepsia deficiente ou quantidade residual excessiva de corpo uterino desvitalizado. mesmo as que não parecem envolvidas. A causa de ganho de peso excessivo após OSH é pouco compreendida e foi descrita em 26% a 38% dos casos operados.

O ligamento da cauda do epidídimo liga a sua cauda à túnica vaginal parietal. Cada testículo. comuns em cães velhos.6C) e internamente pela túnica albugínea (Figura 19. B: Detalhe da bolsa escrotal in vivo.se a fáscia espermática (Figura 19. sendo mais indicada após a maturidade sexual.6C). f representa a túnica vaginal parietal. que formam o plexo pampiniforme. vasos linfáticos. plexo testicular de nervos autonômicos simpáticos e túnica vaginal parietal. O objetivo eletivo é eliminar comportamento inadequado. Aderida à pele.6C). . O cordão espermático se estende do anel inguinal interno até o escroto e é constituído por artéria e veia testiculares. de fora para dentro: pele. O epidídimo. de orquite crônica e epididimite e para o traumatismo escrotal ou testicular grave. que é formada pelas fáscias transversa e abdominal superficial. que é uma bolsa especializada constituída pela pele (Figuras 19. composta por tecido fibroelástico e muscular liso e que representa a modificação do tecido conjuntivo subjacente nesses componentes.6A e 19. de criptorquidismo. envolto externamente pela túnica vaginal parietal (Figura 19.6B). separada medianamente por uma rafe longitudinal que marca a divisão entre os compartimentos direito e esquerdo. é dividido em cabeça. túnica dartos e fáscia espermática. g representa as seguintes estruturas. corpo e cauda e está envolto pela túnica vaginal parietal. ducto deferente com sua artéria e veia. epidídimos e túnicas no cão em decúbito dorsal. agressivo e prevenir coberturas indesejáveis. dorsal ao testículo. e representa o epidídimo. faixas de musculatura lisa. C: Corte longitudinal de B evidenciando as camadas que recobrem o testículo. A: Localização anatômica da bolsa escrotal (retângulo vermelho).6C). e t representa o testículo. Figura 19. internamente. As indicações terapêuticas são os casos de neoplasia testicular. vasos e nervos.fins eletivos e terapêuticos. é composto por parênquima. Situa-se na região perineal baixa no cão e perineal alta no gato.6 Anatomia da disposição de testículos. Anatomia Aplicada Os testículos são órgãos ovoides que estão localizados externamente à cavidade abdominal. dentro do escroto. encontra-se a túnica dartos (Figura 19. Também é recomendada como tratamento complementar de hérnia perineal e doenças da próstata. Deve ser realizada associada a amputação peniana e uretrostomia escrotal. Internamente a essa túnica encontra. A técnica pode ser realizada em animal de qualquer idade.

O acesso à água geralmente é livre e. quando não o for. além do estado geral do paciente e da estratégia de vacinação e vermifugação.7C). O campo operatório é preparado com solução de polivinilpirrolidina e iodo ou com clorexidina. De acordo com o local de incisão. indicada para cães de pequeno e médio portes. indicada para cães de grande porte. no máximo por 4 horas. O consumo alimentar é restringido 6 a 12 horas antes da indução da anestesia. principalmente.Pré-operatório Indica-se um exame físico criterioso tanto nas cirurgias terapêuticas como nas eletivas. a presença dos dois testículos na bolsa escrotal. mesmo que haja possibilidade de algum trauma e inflamação cutânea. O prepúcio deve ser lavado com solução antisséptica antes da preparação estéril da pele. . Técnica operatória O animal é colocado em decúbito dorsal na calha (Figura 19. consultar a Tabela 19.7B e 19. estando o pré-operatório intimamente relacionado com a indicação da cirurgia. Em ambas pode-se realizar a técnica aberta quando os testículos são removidos por meio de uma incisão na túnica vaginal parietal. A remoção dos pelos (tricotomia) deve ser feita. Para proceder à anestesia. tricotomia e antissepsia do campo operatório. a orquiectomia pode ser escrotal ou pré-escrotal.7A) e o campo cirurgico é demarcado com quatro panos (Figuras 19. Deve-se considerar. O pré-operatório imediato consiste na realização de jejum hídrico e sólido. o exame clínico local constatando.1. e a técnica fechada quando a túnica é removida com os testículos.

B: Campo cirúrgico demarcado com quatro panos (c) in vitro. que serão incisadas para expor o testículo recoberto pela túnica vaginal parietal. onde se promove a sua ligadura com fio inabsorvível como poliéster ou polipropileno. C: Campo cirúrgico in vivo. o poligliconato ou a poliglactina 910. . variando de 2-0 a 1. o ácido poliglicólico.7D e 19. o testículo. expondo testículo envolto pela túnica vaginal parietal. recomenda-se aquele que tem um período de absorção longo.7 Orquiectomia em cão. Após incisar a pele. por exemplo. Orquiectomia escrotal A orquiectomia escrotal consiste na exposição dos testículos por meio de duas incisões na pele da bolsa escrotal.8D).7F) e a fáscia espermática. o epidídimo e parte do cordão espermático. evidencia-se a túnica dartos (Figura 19. a polidioxanona. então. Removem-se. caracterizando os locais de realização das orquiectomias escrotal (e) e pré-escrotal (p).7E). Pode-se também utilizar fio absorvível e. uma de cada lado (Figuras 19. serão retiradas. A: Animal em decúbito dorsal na calha.Figura 19.8A e 19.8F) para maior segurança da ligadura. como. Em seguida o procedimento é repetido no lado oposto. Localiza-se o cordão espermático (Figuras 19. Pode-se utilizar a transfixação do cordão espermático (Figuras 19. realizando a ligadura abaixo da pinça proximal ao animal (Figuras 19. em seguida. nesse caso. Para facilitar a confecção da ligadura pode-se fazer uso de duas pinças hemostáticas aplicadas no cordão espermático. de acordo com o porte do animal. Essa técnica é conhecida como castração fechada. F: Exposição da túnica dartos e da fáscia espermática. A transecção é realizada entre as pinças que. E: Incisão in vivo. D: Incisão na pele da bolsa escrotal.8C e 19.8E e 19.8B).

E: Início da confecção da transfixação do cordão espermático.8 Orquiectomia fechada em cão. nervos e ducto deferente serão ligados. dando maior confiabilidade à ligadura.9D) por meio de tração manual ou. com a ajuda de uma tesoura. F: Término da confecção da transfixação do cordão espermático. A: Localização anatômica do cordão espermático (círculo vermelho). A túnica vaginal parietal aderida ao epidídimo em sua cauda (Figuras 19. B: Túnica aderida na base do epidídimo (seta). Dessa maneira.9 Orquiectomia aberta em cão. então. A: Incisão na túnica vaginal parietal (setas) in vivo.9A). somente os vasos.9B e 19. a técnica descrita passa a ser denominada de castração aberta. C: Colocação de duas pinças caudais ao testículo e ligadura abaixo da segunda pinça. D: . Quando se realiza uma incisão na túnica vaginal parietal (Figura 19. Figura 19. D: Detalhe da ilustração de C in vivo. C: Túnica aderida na base do epidídimo (seta) in vivo. B: Localização in vivo (círculo preto).C) deve ser desprendida (Figura 19.Figura 19. no sentido ventral em relação ao animal.

operatório mais rápido e resultado estético melhor. O testículo é deslocado subcutaneamente. nesta região.10 Orquiectomia com ablação da bolsa escrotal em cão. como o náilon. como descrito para o procedimento de orquiectomia escrotal. A:. com extensão de aproximadamente 4 cm.8).11C. favorecendo a drenagem e deixando a cicatrização ocorrer por segunda intenção. O cordão espermático deve ser identificado. pinçado e ligado (Figura 19. A pele será suturada com fio inabsorvível. em padrão . ainda. que continua sendo mantido pelos dedos do cirurgião (Figura 19. A incisão de pele é feita cranialmente à base da bolsa escrotal.11B). Duas incisões elípticas na base da bolsa escrotal. envolto pela túnica vaginal parietal. sob pressão. Esse procedimento permite um pós. em padrão simples contínuo ou X (Sultan). com ou sem sutura de aproximação no tecido subcutâneo. Então é realizada uma incisão na túnica dartos e na fáscia espermática (Figura 19. de diâmetro relacionado com o porte do animal.9 e observado na Figura 19. A síntese consiste em sutura de aproximação no tecido subcutâneo. C: Aspecto final da sutura de pele. como o náilon. então. Pode-se também realizar a castração aberta.11A). B: Dissecação cruenta para remoção do excesso de pele. Entretanto pode-se realizar a sutura da ferida cirúrgica com fio inabsorvível. Pode-se. Em seguida o procedimento deve ser repetido com o outro testículo sob a mesma incisão de pele. com fio absorvível. realizar a ablação total. para a linha de incisão e mantido. por meio de duas incisões elípticas na base da bolsa (Figura 19. remover parte da bolsa escrotal.7F). expondo o testículo.10).Túnica desprendida do epidídimo (seta) in vivo. A incisão de pele não é suturada. pelos dedos do cirurgião. Figura 19. com ótimos resultados em cães de grande porte. in vivo. padrão simples contínuo ou X (Sultan). como descrito na Figura 19. ou. Orquiectomia pré-escrotal Esta técnica tem por vantagem não deixar a bolsa escrotal exposta a contaminação e infecção pós-cirúrgica. na linha média (Figura 19. em padrão simples separado. de diâmetro relacionado com o porte do animal. com fio absorvível.

A castração aberta. A: Animal em decúbito dorsal na calha. Figura 19. Pós-operatório e Complicações Quando se opta por realização de sutura. Animais criptorquídicos são castrados por acesso inguinal.11 Orquiectomia pré-escrotal em cão.3. principalmente na orquiectomia escrotal.4. podendo evoluir para septicemia. C: Cordão espermático exposto pela incisão pré-escrotal (seta). Pode ocorrer hemorragia grave associada a ligadura inadequada do cordão espermático e infecção aguda do sítio cirúrgico. onde a linha tracejada representa o local de incisão. As técnicas descritas devem ser realizadas em animais que possuem os dois testículos localizados na bolsa escrotal. consultar a Tabela 19. está relacionada com a presença de edema. no caso de hérnia inguinal não diagnosticada previamente. Para prescrição de medicamento para controle da dor. os pontos de pele devem ser retirados entre oito a 10 dias após a cirurgia. além do risco de ocorrência de eventração ou evisceração pós- cirúrgicas. quando um ou dois testículos se localizam na região inguinal. Para prescrição de medicamento para controle da infecção.simples separado.escrotal protege o sítio cirúrgico tanto de sujidades oriundas de locais contaminados como da interferência do animal. A ablação total da bolsa escrotal impede o acúmulo de líquido proveniente de edema. seroma e hematoma escrotais. Notar a túnica vaginal parietal desprendida e depositada na base do escroto. As complicações estão relacionadas tanto com o ato operatório como com o pós- operatório. e acesso abdominal. quando um ou dois testículos se encontram na cavidade abdominal. B: Testículo envolto pela túnica vaginal parietal sendo mantido pelos dedos do cirurgião. O pós-operatório é classificado como normal por serem cirurgias eletivas. A sutura realizada na técnica de orquiectomia pré. . consultar a Tabela 19. seroma e hematoma escrotais.

que formam o plexo pampiniforme.1.12A. Anatomia Aplicada O ducto deferente. pois os hormônios sexuais masculinos continuam a ser produzidos pelas células de Leydig.12 Vasectomia no cão. os vasos linfáticos. entretanto espermatozoides podem ser detectados no ejaculado do cão por até três semanas e. identifica-se o cordão espermático na região inguinal direita ou esquerda. C: Ligadura do ducto deferente e secção de um fragmento de 0.Vasectomia no cão Vasectomia consiste na obstrução da passagem do sêmen pelo ducto deferente.5 cm entre as ligaduras (setas). Figura 19. A azoospermia acontece em aproximadamente uma semana após a cirurgia. Por meio de palpação. deste capítulo). procede-se à dissecação até . o plexo testicular de nervos autonômicos simpáticos e a túnica vaginal parietal. a artéria e veia testiculares. consultar a Tabela 19. Para proceder à anestesia. que se estende do anel inguinal interno até o escroto. que serão pouco alteradas. mantém-se o animal preso entre os dígitos e faz-se uma incisão de pele sobre o cordão espermático de aproximadamente 2 cm. A anatomia topográfica do cordão espermático está representada na Figura 19. Em seguida. É realizada com o objetivo de esterilizar o macho sem alterar seu padrão de comportamento. por sete semanas. B: Incisão da túnica vaginal parietal expondo o cordão espermático (setas). faz parte do cordão espermático. as faixas de musculatura lisa. Com a mão esquerda. Técnica operatória O animal é colocado em decúbito dorsal na calha.2. Ainda constituem o cordão espermático. Pré-operatório O pré-operatório é o mesmo descrito para a realização da orquiectomia no cão (item 3. com sua artéria e veia. A: Anatomia topográfica do cordão espermático (setas). no do gato.

e isso torna a técnica operatória diferente daquela usada para o cão. A síntese consiste em uma linha de sutura de aproximação na túnica vaginal parietal e outra no tecido subcutâneo. que se encontra numa posição perineal independente (Figura 19. às vezes. sendo.2. com fio absorvível. O pré-operatório é o mesmo indicado para a realização da orquiectomia no cão (item 3. perambular e brigar durante a noite é comportamento do macho felino. A pele será suturada com fio inabsorvível. como o náilon. que será incisada para expor o cordão espermático (Figura 19. deste capítulo). com fins eletivos e terapêuticos. necessária a orquiectomia.atingir a túnica vaginal parietal. em padrão simples separado. Identificam-se as estruturas e o ducto deferente é isolado com auxílio de uma pinça hemostática. Para proceder à anestesia. a polidioxanona. o poligliconato ou a poliglactina 910. de diâmetro relacionado com o porte do animal. .5 cm do ducto entre as ligaduras (Figura 19. Pode-se também utilizar fio absorvível e. nesse caso. No momento da incisão da túnica vaginal parietal deve-se atentar para que não ocorra lesão no plexo pampiniforme. Em relação à orquiectomia. cita-se a diferença quanto à localização da bolsa escrotal. A orquiectomia pode ser realizada em qualquer idade. sendo a indicação maior de sua execução a necessidade de mudanças de hábitos que permitam a maior permanência do animal no domicilio. que é controlado com sucesso quando o animal é castrado. Orquiectomia em felinos É realizada. consultar a Tabela 19. cuja hemorragia é de difícil controle. padrão simples contínuo ou X (Sultan). O hábito de caçar.12C). recomenda-se aquele que tem um período de absorção longo.1. que podem ser realizadas com fio inabsorvível como poliéster ou polipropileno número 2-0. O procedimento é repetido no cordão espermático contralateral. sendo mais indicada após a maturidade sexual.12B). como o ácido poliglicólico. As estruturas que compõem o aparelho reprodutor no gato são as mesmas que no cão. Deve-se ligar duplamente o ducto deferente e cortar um fragmento de 0. como nos cães.13A).

então. Procede- se a sua ligadura. como. Outra maneira de promover a ligadura é .13C e 19. Essa técnica é denominada de castração fechada. o ácido poliglicólico.8C e 19. O tamanho da incisão é importante e deve ser desde a região dorsal até a região ventral do escroto. recomendando-se os de período de absorção longo. C: Isolamento do ducto deferente. E: Início da confecção da ligadura com auxílio de pinça hemostática. Em seguida o procedimento será repetido no lado oposto. Como nos cães. A incisão deve aprofundar-se até a túnica dartos e a fáscia espermática. pode-se realizar a ligadura do cordão espermático com a utilização do ducto (Figuras 19. Os testículos são removidos mediante incisões sagitais realizadas a cada lado da bolsa escrotal (Figura 19. o poligliconato ou a poliglactina 910. O testículo será. por exemplo.Figura 19. A incisão de pele não será suturada. permitindo ampla drenagem pós- operatória.13 Orquiectomia no gato.13D) em formato de 8.8D). F: Ponta distal do cordão espermático dobrada sobre a pinça. de numeração 2-0. apertando-o até a oclusão dos vasos. G: Testículo por dentro da parte interna do cordão espermático. Pode-se também utilizar fio absorvível. Para realização da técnica operatória. a polidioxanona. a variação da técnica descrita passa pela abertura da túnica vaginal parietal e.13B). secção do cordão espermático e término do nó. que poderá ser auxiliada pela aplicação de duas pinças hemostáticas. como descrito para o cão (Figuras 19. O fio utilizado deve ser inabsorvível. ainda envolto pela túnica vaginal parietal. D: Ligadura do cordão espermático em formato de 8. o animal anestesiado é colocado em decúbito dorsal com os membros pélvicos tracionados e contidos cranialmente. B: Incisões realizadas na bolsa escrotal. com a utilização do ducto deferente. A: Localização anatômica da bolsa escrotal. deixando a cicatrização ocorrer por segunda intenção. como poliéster ou polipropileno. tracionado caudal ou caudoventralmente até uma considerável exposição do cordão espermático. nos gatos. ainda. H: Testículo passado mais uma vez por dentro da laçada.

pois a segurança da ligadura é inferior àquela realizada com fios cirúrgicos. O útero é suprido com sangue arterial proveniente das artérias ovarianas e uterinas. O cordão é seccionado próximo ao testículo e o nó é terminado (Figura 19. na secundária. A mucosa é a mais grossa das três camadas. geralmente é um procedimento de emergência. Mas. Dobra-se a ponta distal do cordão sobre a pinça. A inervação autônoma se dá pelos plexos pélvico e hipogástrico.13G). A túnica muscular é a camada de maior força tênsil.amarrando-se o cordão espermático nele mesmo. Pré-operatório O cirurgião e o cliente devem discutir. eles também flexionam e curvam o útero cranial e ventralmente sobre si mesmo. Os cornos uterinos encontram-se paralelos e em contato entre si. mais uma vez. com auxílio de uma pinça hemostática curva (Figura 19. À medida que aumentam de tamanho. túnica muscular (miométrio) e túnica mucosa (endométrio). pois uma distocia prolongada coloca em risco as vidas da mãe e/ou do neonato. O excesso de tecido é removido. A serosa é uma camada do peritônio que recobre todo o útero e é contínua com o mesométrio. A drenagem linfática é feita pelos linfonodos lombares e ilíacos internos. O útero é composto por três camadas: túnica serosa (perimétrio). passa-se o testículo por dentro da laçada.13H).13E). Tais procedimentos têm a vantagem de não usar material de sutura e de poder ser rapidamente realizados. Anatomia Aplicada O útero gravídico repousa no assoalho abdominal durante a última metade da gestação.13F e 19. mais profundo. O miométrio. nas distocias obstrutivas e quando a tração e remoção do feto não forem possíveis. Operação cesariana A cirurgia cesariana pode ser planejada e realizada antes do início do parto. contém vasos sanguíneos. passando o testículo pela parte interna do cordão (Figuras 19. na cadela e na gata. a natureza do procedimento . Em seguida abre-se a pinça hemostática e. Entretanto não são recomendados. por exaustão uterina. que aumentam de calibre durante a gestação e complicam potencialmente uma OSH realizada associada a uma cesariana. O cirurgião deve estar ciente de que o útero encontra-se próximo à parede abdominal. A cesariana está indicada na inércia uterina primária quando o potencial de contração do miométrio está comprometido. antes da cirurgia. nervos e fibras musculares circulares e oblíquas. que está fina e distendida nesta etapa.

assim.cirúrgico. deve ser realizada na linha média ventral. A extensão da incisão é determinada pelo tamanho do útero e o tecido glandular mamário deve ser evitado. Testes laboratoriais ajudam na avaliação da necessidade de fluidoterapia corretiva. inicialmente com o bisturi e estendida com uma tesoura até um comprimento suficiente para a remoção fácil dos fetos. em má condição fisiológica no momento da apresentação e devem ser cuidadosamente examinados. diminui o risco de contaminação da cavidade abdominal e favorece a retirada de um número grande de fetos. A incisão é realizada fora da zona de placentação. As fêmeas devem ser contidas em decúbito dorsal e uma incisão. neste momento.2. favorece a remoção de fetos em posições distócicas próximas à pelve. Para proceder à anestesia. consultar a Tabela 19. Nos cornos. evitando-se sua contaminação com fluidos fetais. Deve-se estabelecer. A incisão no corno uterino pode ser realizada no corpo do útero ou em cada corno separadamente (Figura 19. Se possível. reduzindo-se. antibioticoterapia endovenosa na presença de fetos mortos ou decompostos. A indução anestésica e a intubação devem acontecer no centro cirúrgico. frequentemente. . as suas complicações potenciais e a necessidade de OSH simultânea quando houver comprometimento da parede uterina. As radiografias abdominais são úteis na documentação da presença e do número de fetos. O cirurgião deve se lembrar de que o útero aumentado encontra-se próximo à parede abdominal aumentando o risco de perfuração. o tempo de anestesia total. os cuidados de assepsia devem ser realizados antes da indução anestésica. Técnica Operatória Preferencialmente. Os animais vindos de uma distocia prolongada encontram-se. Exterioriza-se primeiro um corno uterino e depois o outro (Figura 19. devem-se corrigir todos os déficits de volume antes de se iniciar o procedimento cirúrgico. A cavidade abdominal deve ser protegida com compressas.14B). iniciando-se na cicatriz umbilical.14A) por meio de elevação cuidadosa através da incisão. Quando feita no corpo.

sendo adequado o padrão de sutura .14C). Cada feto pode ser trazido à incisão por uma compressão suave no corno uterino. o útero começa a se contrair rapidamente.14E). mantendo a pinça proximal ao feto a aproximadamente 2 cm a 3 cm da parede abdominal (Figura 19. essa contração é importante no controle da hemorragia. Usa-se material de sutura absorvível. A: Exposição do corpo (c) e dos dois cornos uterinos (u) in vivo. na altura da cabeça. pode-se administrar ocitocina (5 a 20 unidades intramuscular [IM] ou endovenosa [EV]) ou maleato de ergonovina (0. Pinçam-se então os vasos umbilicais. por meio de tração suave na pinça. Uma vez que o feto se encontre próximo à incisão.Figura 19. C: Incisão no corno uterino in vivo. Antes da sutura o útero deve ser palpado desde os ovários até o interior da pelve. Se o útero não iniciar a contração no momento do fechamento. Removem-se os anexos associados por meio de uma tração suave na pinça para minimizar a hemorragia (Figura 19. in vivo. para permitir que se inicie a respiração.14 Operação cesariana na cadela. comprimindo-o cranialmente ao aumento de volume. À medida que se remove cada feto.14F). Coloca-se o neonato em uma compressa estéril que é passada para um assistente. D: Retirada do feto in vivo. certificando-se de que todos os fetos e anexos foram removidos. B: Incisões realizadas em corpo e cornos uterinos (linhas tracejadas). pode-se segurá-lo e aplicar uma tração suave para facilitar sua remoção (Figura 19. Uma vez que tenham sido removidos todos os fetos. com o número variando de 0 a 2-0 de acordo com o porte do animal. Repete-se este procedimento até que todos os fetos e seus anexos sejam removidos. seccionando-se entre elas. rompem-se os anexos fetais.1 mg/kg IM).02 a 0. F: Remoção dos anexos. E: Vasos umbilicais pinçados com duas pinças hemostáticas in vivo. em duas camadas. com duas pinças (Figura 19.14D).

Sucção na cavidade oral com auxílio de uma seringa com êmbolo. pode-se utilizar uma seringa com êmbolo para a sucção (Figura 19. Recoloca-se o omento sobre o útero e as outras vísceras abdominais. padrão simples contínuo ou X (Sultan). Se um aparelho de sucção não estiver disponível. de diâmetro relacionado com o porte do animal e fio inabsorvível. polidioxanona. Antes de retornar o útero ao abdome. como o náilon. O neonato deve estar respirando e chorando nesse estágio. Movimentação oscilatória suave do animal. com fio absorvível. Reanimação dos Neonatos O assistente que recebeu o neonato palpa e percebe a qualidade de seu batimento cardíaco e pulso e limpa a nasofaringe de muco e fluidos por meio de sucção suave ou cotonetes de algodão. A: Sucção na cavidade nasal com auxílio de uma seringa com êmbolo. poligliconato ou poliglactina 910) ou em padrão de sutura contínuo simples com fio não absorvível (polipropileno ou náilon monofilamentar). favorece a eliminação de líquidos por força centrífuga.simples contínuo no primeiro plano seguido de uma sutura invaginante em padrão contínuo do tipo Cushing ou Lembert. em padrão simples separado. Outros sinais favoráveis são as membranas mucosas rosadas e um pulso forte.15 Cuidados com o neonato. polidioxanona. A síntese do tecido subcutâneo e da pele consiste em sutura de aproximação. respectivamente. No caso de colapso cardiorrespiratório.01 mg/kg) e o estimulante respiratório doxapran (1 a 2 gotas via oral). ácido poliglicólico.15). O neonato deve ser vigorosamente seco. num movimento em arco direcionado para baixo. pode-se tentar uma intubação endotraqueal de . B. Figura 19. a ferida deve ser inspecionada e o útero limpo com gaze embebida em solução salina estéril morna. A incisão abdominal pode ser fechada em padrão simples interrompido com fio absorvível (categute cromado. As medidas de reanimação mais ativas incluem os antagonistas narcóticos (naloxona 0. pois a massagem cutânea estimula reflexamente o impulso respiratório.

que medeia a contração uterina. que deve ser ligado com categute cromado 3-0. A hemorragia persistente pode exigir uma OSH emergencial. No caso de hemorragia severa. As soluções utilizadas na antissepsia devem ser removidas das glândulas mamárias da mãe com água morna e deve-se retornar a fêmea à sua ninhada tão logo ela tenha se recuperado.15(2):88–93. . hipovolemia e hipotensão. Clinical Techniques in Small Animal Practice. Conclusão As cirurgias que envolvem o sistema reprodutor de cães e gatos são relativamente simples. 3ª ed.K. 2000. Obstetrical emergencies. nos quais doenças presentes podem não ser identificadas. Macintire D. Cirurgia de pequenos animais. são as complicações mais comuns. Também deve ser considerado que algumas indicações podem ser indesejadas para aqueles proprietários que desejam a perpetuação da linhagem. Quando os neonatos estiverem reanimados e secos. relacionadas com a natureza emergencial da operação. e o coto será submerso em solução de polivinilpirrolidina e iodo. a amamentação também estimula a liberação de ocitocina.. 2008. Além da transferência de anticorpos pelo colostro. A hemorragia de origem uterina deve ser controlada com ocitocina ou maleato de ergonovina. Elas representam grande parte dos procedimentos cirúrgicos realizados nos hospitais veterinários e cuidados devem ser tomados para que esta rotina intensa não induza a negligência que pode ser estabelecida principalmente nos pacientes indicados para cirurgias eletivas. 2005. São Paulo: Roca. emergência com um cateter endovenoso plástico (calibre 18 a 20). deve-se mantê-los em um ambiente aquecido. Complicações Pós-operatórias Hemorragia. Técnicas atuais em cirurgia de pequenos animais.W. 896pp Fossum T. a menos que haja quebra da técnica operatória ou contaminação abdominal com conteúdo uterino séptico. Referências Biddle W.J. 3ª ed. pode-se repetir a dosagem após 2 a 4 horas e iniciar uma transfusão sanguínea completa. Rio de Janeiro: Elsevier. Remove-se a pinça do cordão umbilical. Bojrab M. mas requerem treinamento. Este procedimento não afeta de forma desfavorável a produção láctea materna. que será mantida por prolactina e cortisol. A peritonite pós-operatória é rara.

Kirpensteijn J.Goethem B. Veterinary Surgery..R. Making a rational choice between ovariectomy and ovariohysterectomy in the dog: a discussion of the benefits of either technique. 2006..66(3):500–509.35(2):136–143. Determining the optimal age for gonadectomy of dogs and cats.172(1):154–159. Challenges in small animal parturition – Timing elective and emergency cesarian sections. .V. Journal of the American Veterinary Medical Association. 3ª ed.V. 2007.C.H. Yeon S. 2007.231(11):1665–1675.M. Effects of ovariohysterectomy on reactivity in German Shepherd dogs.O. 2007. Veterinary Journal. Howe L. Kim H. et al. 2006. Smith F. Okkens A. Kustritz M. Theriogenology. Slatter D.S.. Theriogenology. Surgical methods of contraception and sterilization. Houpt K.68(3):348–353. Manual de cirurgia de pequenos animais..A. 2006.. São Paulo: Manole.

No Brasil. Desta forma têm-se a lobectomia total cranial direita ou esquerda. bem como o desenvolvimento de novas técnicas. A lobectomia total ou completa é a designação para a remoção de um lobo pulmonar. a lobectomia total média direita. subsegmentares. sendo o primeiro relacionado com a cirurgia pulmonar. As artérias pulmonares seguem uma distribuição lobar e se localizam no aspecto . Dividiremos este capitulo em três blocos. o segundo com a cirurgia cardíaca e o terceiro referente à correção de hérnias e cirurgias de mediastino. a cirurgia torácica veterinária encontra-se na sua fase inicial. Cirurgia do Sistema Respiratório A pneumonectomia ou pneumectomia é um procedimento operatório para a retirada de todo o pulmão em um dos lados da cavidade pleural. e a lobectomia total caudal direita ou esquerda. que continuam com os ductos alveolares. sacos alveolares e alvéolos pulmonares onde ocorre a hematose. A lobectomia parcial ou segmentectomia é a remoção de uma área de um lobo pulmonar. em que a aplicação e a consolidação das técnicas existentes. que se dividem em brônquio lobares. que consiste na retirada do lobo médio do pulmão direito. alguns serviços despontam. na qual se tem a remoção do lobo caudal do pulmão direito ou esquerdo. em que o lobo cranial do pulmão direito ou esquerdo é extirpado. Capítulo 20 Cirurgia torácica André Lacerda de Abreu Oliveira Introdução Apesar de ser realizada há muito tempo. As lobectomias podem ser divididades de acordo com o lobo pulmonar a ser resseccionado. O interesse e o desenvolvimento desta área da cirurgia têm sido expressivos nos últimos anos. Nos cães e gatos a traqueia se divide em brônquios principais. iniciando um ciclo que promete ser próspero e de grande desenvolvimento. por sua vez. bronquíolos terminais e bronquíolos respiratórios. têm sido realizadas apenas em alguns centros. que. dividem-se em segmentares.

como. que fornecem sangue oxigenado para a via aérea e os bronquíolos terminais e terminam se anastomosando com as artérias pulmonares.3 e 20. acompanha a ramificação brônquica.2).6). O conhecimento da vascularização do pulmão é imprescindível para a realização de uma operação de ressecção pulmonar. Nos cães e nos gatos o pulmão esquerdo está dividido em dois lobos grandes. pneumotórax espontâneo (Figura 20.1 e 20. traumatismos pulmonares (Figuras 20. Figura 20. Lobectomia parcial ou segmentect