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Os índices de crescimento populacional são, há muito tempo, alvo de estudos e preocupações

por parte de demógrafos, geógrafos, sociólogos e economistas. Há, assim, diversos estudos e
apontamentos sobre o crescimento, a diminuição e a estabilização dos quantitativos
populacionais em todo o mundo. Para explicar, de uma forma sistemática, essas dinâmicas,
existem as teorias demográficas.
A primeira entre as teorias demográficas, ou a mais conhecida dentre elas, foi elaborada por
Thomas Robert Malthus, um pastor protestante e economista inglês que, em 1798, publicou
uma obra chamada Ensaio sobre o princípio da população. O seu trabalho refletia, de certa
forma, as preocupações de sua época, e é preciso melhor entender o contexto histórico sobre
o qual as premissas malthusianas foram elaboradas.
A Inglaterra do século XVIII havia iniciado o processo de Revolução Industrial, o que contribuiu
para um rápido crescimento das populações das cidades industrializadas, notadamente
Londres. O número de habitantes dobrava em algumas dezenas de anos, o que, somado aos
baixos salários e às precárias condições de trabalho e moradia, contribuía para o aumento da
miséria e da pobreza nos centros urbanos europeus.
Diante disso, Malthus, em sua teoria demográfica, considerou que os problemas sociais
estavam relacionados com o excesso de população no espaço das cidades. Além disso, Malthus
previu que a população tendia a crescer ainda mais rapidamente do que outrora, o que o fez
concluir que o crescimento demográfico seria superior ao ritmo de produção de alimentos.
A teoria malthusiana preconizava que o número de pessoas aumentava conforme uma
progressão geométrica (2,4,8,16, 32, 64, …), enquanto a produção de alimentos e bens de
consumo crescia conforme uma progressão aritmética, portanto, mais lenta (2, 4, 6, 8, 10, 12,
…). Assim, para evitar a ocorrência de grandes tragédias sociais, Malthus defendia o “controle
moral” da população. Dessa forma, os casais só deveriam possuir filhos caso tivessem
condições para sustentá-los. Nesse sentido, para o malthusianismo, os casais mais pobres não
deveriam casar-se e procriar, pois gerariam apenas miséria para o mundo.
As refutações à teoria malthusiana no contexto das teorias demográficas não tardaram em
aparecer. A principal delas atribui-se às derivações do pensamento de Karl Marx e recebeu o
nome de teoria reformista ou marxista. Para essa concepção, não era o excesso populacional
o responsável pelas condições de miséria e pobreza no espaço geográfico, mas sim as
desigualdades sociais, como a concentração de renda no contexto da produção capitalista.
Com o tempo, o que também se percebeu foi que Malthus errou por subestimar a capacidade
de produção de alimentos. Apesar do acelerado crescimento populacional que ocorreu na
Europa até a década de 1970, a produção de alimentos foi superior em razão das sucessivas
transformações tecnológicas proporcionadas pela segunda e pela terceira revolução industrial.
No entanto, após a Segunda Guerra Mundial (1949-1956), o pensamento de Malthus foi
retomado, naquilo que ficou conhecido como teoria neomalthusiana. A popularização dessa
teoria demográfica aconteceu porque, no pós-guerra, houve um rápido crescimento da
população, o que foi chamado de explosão demográfica ou baby boom, um período em que o
número de nascimentos foi muito superior ao número de mortes.
Nesse sentido, dotados das mesmas preocupações de Malthus, os neomalthusianos afirmaram
que era necessário estabelecer um controle do crescimento populacional. No entanto,
diferentemente do malthusianismo, o neomalthusianismo defendia o uso de métodos
contraceptivos, o que não era preconizado anteriormente em função da formação religiosa de
Malthus. Com isso, o neomalthusianismo foi amplamente adotado como política de governo
por parte de inúmeros países, incluindo o Brasil, que passaram a estabelecer políticas de
controle sobre o aumento de seus habitantes.
No entanto, uma nova teoria surgiu para diagnosticar o erro do neomalthusianismo, a teoria
da transição demográfica, que acusa os neomalthusianos de não considerarem o contexto
histórico e social relacionado com os fatores demográficos.

ao contrário de Malthus. Além disso. a questão é a desigualdade econômica. Esses problemas. seriam causados pela má distribuição de renda e do acesso aos bens de consumo. A humanidade estaria. doenças. desse modo. esses teóricos defendem que para controlar o crescimento populacional é necessário adotar métodos contraceptivos. Além disso. saúde e outras coisas. Às teorias elaboradas por Malthus e defendidas por muitas pessoas dá-se o nome de teoria malthusiana ou malthusianismo. como a distribuição gratuita de camisinhas. muitas pessoas ainda acreditam que problemas relativos à fome e à subnutrição no mundo sejam ocasionados pela falta de alimentos e pelo excesso de pessoas. O problema dessa teoria é que. provando assim que ele estava enganado. basta que se distribua de uma forma mais democrática a renda. epidemias. Teoria Reformista Existem aqueles teóricos que são totalmente contrários às ideias defendidas por Thomas Malthus e pelos Neomalthusianos. terão maiores condições para abandonarem a miséria. ele defendia a ideia de que a população pobre era a grande responsável pelo excesso de gente no mundo. Assim. Esses teóricos construíram suas ideias a partir do que dizia o economista e sociólogo alemão Karl Marx Nessa teoria. Malthus não imaginava que as tecnologias nas produções agropecuárias e industriais fossem se tornar tão avançadas. a venda de medicamentos anticoncepcionais sem a necessidade de prescrição médica. e não a falta de recursos. Malthus defendia o “controle moral”. Sendo assim. Neomalthusianismo Mesmo assim. o aumento da produção de alimentos seria menor do que o crescimento do número de habitantes no mundo. Esses métodos ainda hoje são muito adotados pelos países e pelas organizações internacionais. aqueles que impedem que novas pessoas nasçam. para os reformistas. logo não haveria mais alimentos para as pessoas. Mas. fome. Em outras palavras. Para resolver esse problema. é preciso evitar que os ricos ganhem cada vez mais e os pobres fiquem com cada vez menos. através de reformas sociais que melhorem as condições de vida das populações mais pobres. isto é.Malthusianismo O primeiro a fazer isso foi Thomas Robert Malthus. afirma-se que o problema da fome e da miséria no mundo não é a falta de alimentos para a população e também não é culpa do excesso de gente. eles são os reformistas ou marxistas. entre outros fatores. Para promover o fim da fome e da miséria ou para evitar que elas ocorram. As pessoas que defendem essas ideias são chamadas de neomalthusianas (a palavra “neo” significa “novo”). de acordo com essa teoria. entre outras ações. no século XIX. em que as pessoas deveriam abandonar as práticas sexuais para diminuir o número de nascimentos e controlar o crescimento total de habitantes. Essa evolução permitiu que a produção de alimentos fosse muito maior que o número de habitantes no mundo. condenada a passar por problemas como subnutrição. Para ele. na verdade. melhor educação. sendo necessário que cada pessoa tivesse somente o número de filhos que pudesse criar. se essas pessoas tiverem melhores condições de vida. .