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PROCESSO PENAL – PRÁTICAS FORENSES MESTRADO

FORENSE

PROCESSO PENAL – PRÁTICAS FORENSES

FACULDADE DE DIREITO DA UNIVERSIDADE CATÓLICA PORTUGUESA

MESTRADO FORENSE

2013/2014

20 de Setembro – Aula 1 e 2

Apresentação.

ESTRUTURA DA MARCHA DO PROCESSO

O Processo Penal possui várias formas:

i. CÓDIGO DO PROCESSO PENAL

• Comum (a que iremos estudar!)
• Abreviado (artigo 391.º e ss)
• Sumário (artigo 381.º e ss) PROCESSOS ESPECIAIS
• Sumaríssimo (artigo 392.º e ss)

ii. Legislação avulsa (formas especiais)

• Processo Penal Militar (caracteristicas quantitativas diferentes)
• Infracções Tributárias
• Crimes de Mercados de Capitais

A forma comum do Processo Penal possui várias fases:
Processo Penal Preliminar=Processo Penal Preparatório
i. Inquérito Fases Declarativas
Processuais ou de
Fases Preliminares – Título VI CPP
ii. Instrução Fundo

iii. Julgamento Processo Principal

iv. Recursos (Princípio da Recorribilidade – art. 399.º CPP – não é uma garantia
constitucional; a CRP só consagra alguns casos de tal garantia)

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FORENSE

v. Execuções (reconhecimento do direito declarado na sentença condenatória) –
artigo 467.º e ss.

O réu em processo civil é diferente do arguido em processo penal, o que justifica a
existência de fases preliminares e de julgamento neste último caso: o arguido só vai a
julgamento se existirem indícios suficientes de que ele comenteu a prática do crime –
art. 283.º e 308.º CPP.

O art. 283.º/2 CPP consagra a noção de indícios suficientes, ou seja, consiste na
existência de prova para o julgamento além da dúvida razoável.

Na opinião do PROF. GERMANO MARQUES DA SILVA existem indícios suficientes
quando a possibilidade de condenação é superior à posssibilidade de absolvição. Trata-
se de um juizo probalístico.

Segundo o PROF. CASTANHEIRA NEVES ‘’O grau de certeza tem de ser igual, a
base de que se parte é que é diferente’’.

Nos termos do Ac. 439/2002 do Tribunal Constitucional é necessário, na análise da
indiciação suficiente, tomar em atenção o indubio pro reu, tem de existir uma
possibilidade razoável de o arguido ter praticado o crime para poder ser submetido a
julgamento. É necessário tomar sempre em atenção a CRP. É errado afirmar que o
arguido é culpado, cuja culpa ainda não se provou, a fim de o submeter a julgamento.

24 de Setembro – Aula 3

Enquanto que para a constituição do arguido é necessária uma suspeita fundada, para a
submissão do arguido a julgamento são necessários indicios suficientes, ou seja que
exista uma prova para além da dúvida razoável.

O INQUÉRITO

A finalidade e o âmbito do inquérito encontram-se consagrados no artigo 262.º/1.
Quanto à competência do mesmo: a regra, nos termos do artigo 267.º, assenta em tal
caber ao MP. Contudo, existem desvios:

• Competência do Juíz de Instrução Criminal, nas situações em que está em causa
a aplicação do artigo 32.º/4 CRP e o artigo 268.º (Juíz de Instrução pratica estes

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uma vez que estamos face a funções essenciais do MP (nos termos do artigo 53. a). • N.º CPP (juíz de instrução ordena estes actos. nos termos do artigo 270. Os princípios gerais do inquérito assentam no facto de se tratar de uma fase inquisitória e de ser uma fase escrita. com fundamento no interesse da investigação ou tutela dos interesses dos sujeitos processuais. mas o artigo 86. (2) manutenção da direcção e funções essenciais nos termos do artigo 53.º e ss. • N. sendo que quem os pratica é o MP ou os órgãos de polícia criminal)..º4 e N.º/6: Caducidade do Segredo.º2: A requerimento dos sujeitos processuais com fundamento no prejuízo para os seus direitos e por decisão irrecorrível do JIC.º CPP. nos termos do artigo 270. sujeita a validação do JIC.º/2 etc. a regra constante no artigo 86.º/2. nos termos do artigo 275. a fase do inquérito passou a não ser secreta. Com a Revisão de 2007.º/2 al.º admite excepções: • N. • Poderá existir delegação nos OPC.PROCESSO PENAL – PRÁTICAS FORENSES MESTRADO FORENSE actos) a 269. mas mesmo nestas situações existem limites: (1) indelegabilidade de actos.º3: Por decisão do MP.º5: Levantamento do Segredo. Deste modo. isto é durante o inquérito e instrução todos os actos que se prendam com direitos fundamentais são da competência do JIC. nos termos do artigo 86. a CRP impõe tal quando diz que cabe ao MP exercer a acção penal).º/1 é a da publicidade. Maria Luísa Lobo – 2013/2014 Page 3 . uma vez que é isto que fundamenta o juízo final. • Artigo 89.º/1.

PROCESSO PENAL – PRÁTICAS FORENSES MESTRADO FORENSE Acórdão do STJ n..º/1 al.  Queixa. nos termos do artigo 49.º ess e artigo 53. o que este acórdão vai afirmar é que o prazo objectivo pode ser superior a três meses.º/6 do CPP. sem estar limitado pelo prazo máximo de três meses.. a). primeira parte. referido na mesma norma  ou seja. as modalidades de notícia do crime podem ser: • Conhecimento próprio. nos crime semi públicos e particulares.º ess Maria Luísa Lobo – 2013/2014 Page 4 . nos termos do artigo 242. Quanto à notícia do crime e à consequente abertura do inquérito é necessário atender ao que de seguida se expõe. • Denúncia (lato sensu). Nos termos do artigo 241. nos termos do artigo 53.º/1 al. é fixado pelo juíz de instrução pelo período de tempo que se mostrar objectivamente indispensável à conclusão da investigação. Tramitação do inquérito MP A b e r tu r a N o tíc ia d o c r im e E n c e r r a m e n to A c to s d e in q u érito   arquivamento (277º ) ENCERRAMENTO (crimes públicos)   indícios suficientes  acusação (283º )  . a) CPP:  Denúncia stricto sensu.º 5/2010: o prazo de prorrogação do adiamento do acesso aos autos a que se refere a segunda parte do artigo 89. • Por intermédio dos OPC.º CPP.

º/6). nos termos do artigo 262. quanto ao inquérito.º/2 al. mas existe um desvio: obrigatoriedade do 1.º/2 (ver ainda: artigo 108. Acórdão do STJ n. sendo possível a notificação.º CPC.púb.º/2. → Notificação (285º ) → ACUS. Maria Luísa Lobo – 2013/2014 Page 5 .º 1/2000: a falta de interrogatório como arguido.º/1./semi . constitui a nulidade prevista no artigo 120. no inquérito.º/1 CPP.º CPP a adesão posterior do MP à acusação deduzida pelo assistente relativa a crimes de natureza pública ou semi pública e fora do caso previsto no artigo 284. PART.    indiciação e outros pressupost os →    280º       ALTERNATIV AS 281º-2º (276º ) MP    392º              crimes partic. a abertura do inquérito encontra-se sujeita ao princípio da legalidade. de pessoa determinada contra quem o mesmo corre. d) CPP. 27 de Setembro – Aula 4 O encerramento do inquérito  Falta de pressupost os → ARQUIVAMEN TO (277º-279º )        ACUSAÇÃO (283º )       crimes púb. são prazos máximos. mas meramente ordenadores. do mesmo diploma legal. Os prazos referentes no artigo 276.º e ss.PROCESSO PENAL – PRÁTICAS FORENSES MESTRADO FORENSE Nos termos do artigo 262.º interrogatório do arguido. nos termos do artigo 272.º1/2000: integra a nulidade insanável da alinea b) do artigo 119. O seu conteúdo encontra-se dependendente do princípio da necessidade. artigo 89. Acórdão do STJ n.

o MP teria de acusar ou arquivar. nos termos do artigo 277.º.º/3. Por sua vez.º.º CPP encontra-se regulado o arquivamento sendo que existe: • A possibilidade de intevenção hierárquica. 281. Tradicionalmente.º/2 não existe caso julgado. a acusação subordinada é a do MP que não tem legitimidade para acusar por factos substancialmente diferentes daqueles pelos quais o arguido foi acusado pelo assistente.º CPP.º CPP importa dizer que só poderá ser aplicado quando o MP considerar que a pena em concreto não é privativa da liberdade. Note-se que nos termos do artigo 283.º. Ou seja. Maria Luísa Lobo – 2013/2014 Page 6 . quando esta norma refere ‘’pode’’ qual é o critério de decisão? É necessário conjugar com o artigo 74. Nos termos do artigo 285. (1) o juiz de julgamento pode conhecer destas nulidades (≠insanáveis) e (2) são fundamento de acusação manifestamente infundada.º e 392.º/3 CPP consagra-se uma nulidade atípica: nos termos do artigo 311. segundo o Princípio da Oficialidade.º CPP. Por sua vez. nos termos do artigo 279. verificados certos pressupostos. nos sistemas em que o arquivamente do MP estava sujeito a validação pelo juiz. De acordo com o Princípio da Legalidade. O conteúdo da acusação encontra-se consagrado no artigo 283.º. No nosso ordenamento jurídico vigora o princípio do acusatório. todos do CPP. nos termos do artigo 278. como também tem de obedecer a certos pressupostos gerais e específicos. Actualm ente. o julgamento irá trazer algo de novo para as finalidades de prevenção? Quanto ao Processo sumarissimo consagrado no artigo 392. a acusação assenta numa noção material e formal. fazendo um juizo de prognose: vale a pena ou não. Contudo. ou seja não existe qualquer manifestação do juiz quanto ao arquivamento. existem alternativas à acusação formal que se encontram consagradas no artigo 280. sendo inferior a 5 anos.º CPP. nos termos do artigo 280.PROCESSO PENAL – PRÁTICAS FORENSES MESTRADO FORENSE Nos termos do artigo 277.º CP . nomeadamente a indiciação suficiente. a decisão adquiria a força de caso julgado formal. • Definitividade rebus sic standibus. para a acusação é necessário (1) a recolha de prova suficiente da prática do crime e (2) quem foi o seu agente.

não é passível de recurso. visando a suspensão provisória do processo.. se verificam as condições e pressupostos que condicionam tal suspensão pelo que lhe é perfeitamente lícito discordar da proposta do MP. o MP não pode reabri-lo.º CPP. designadamente o arquivamento dos autos.1998: o juiz de instrução. de suspensão provisória do processo. que apenas rege para as hipoteses em que não chega a apurar-se a existência de crime ou a identidade dos seus agentes  atendendo ao artigo 280.   req. inst. Acórdão da Relação do Porto. por o juíz de instrução não poder impor outra solução processual e.inq. assim. nos termos e para os efeitos do n. part  abstenção  ARG : req.º1 do artigo 281. pois. Acórdão do STJ n.º CPP. e de. ter o poder-dever de apreviar se. Se se verificar essa discordância. C PÚB/SPÚB       req. quer quanto à pedida suspensão.. (287º /1/a)   . (287º /1/b)    arquivamen to (277º ) → ASS :    req. ter de intervir na plenitude da sua jurisdição.PROCESSO PENAL – PRÁTICAS FORENSES MESTRADO FORENSE Acórdão da Relação de Lisboa de 26. no caso concreto.10. não pode ser reaberto porque já existiu uma decisão sobre o fundo da causa. nesse caso. no caso. e a proposta deste Magistrado. em virtude de..04.º CPP. quer quanto ao próprio âmbito da incriminação ou da qualificação dos factos acusados. (287º /1/a)       acusação (284º )    ASS →    acusação (283º )   . o processo seguirá o seu curso normal. (278º /2)        Maria Luísa Lobo – 2013/2014 Page 7 . inst. não está vinculado a aceitar esta última.º CPP.2003: arquivado o inquérito antes da acusação. não tem aplicação o artigo 279. de 22. reab.º 16/2009: a discordância do juíz de instrução em relação à determinação do MP. A reacção dos outros sujeitos processuais   acusação  MP (285º /3) :  C PART → notificação (285º ) → ASS : acus.     ARG : req. ao apreciar a acusação deduzida pelo MP. nos termos do artigo 280. inst. (287º / 1/ b)      MP : enc. inst.. com dispensa da pena.

Contudo. nos termos do artigo 287.º CPP. Caso contrário. O requerimento de abertura de instrução por parte do assistente equivale a uma acusação. uma vez que nestes último caso pode existir um defesa de fundo e na primeira situação tal consubstancia um meio processual: não se discute se é inocente ou culpado. uma vez que em ambas as situações se encontrem asseguradas as garantias processuais do arguido. pode existir alteração não substancial dos factos e alteração da qualificação. decide- se apenas se isso é discutivel ou não. O requerimento de abertura de instrução pelo arguido é diferente de uma contestação. na fase do inquérito. do ponto de vista do arguido representa um acto de defesa processual. ambos do CPP. ou então existe acusação e o arguido vai a julgamento. Quanto às suas modalidades. o arguido não pode requerer a abertura da instrução. Caso a instrução não seja requerida. não acusa). porque não há indicios. sendo que muitas vezes é a única acusação que existe no processo (nos casos em que o MP. porque depende de requerimento.º/2 é facultativa.º e 309.º.º. tal violaria o Princípio do Acusatório. a fim de o submeter a julgamento.º CPP. do ponto de vista do defensor representa uma acusação em sentido material.PROCESSO PENAL – PRÁTICAS FORENSES MESTRADO FORENSE 1 de Outubro & 4 de Outubro– Aula 5 a 7 A INSTRUÇÃO Note-se que quando o MP arquiva. Maria Luísa Lobo – 2013/2014 Page 8 . A instrução visa apurar se existem ou não indicios suficientes da prática do crime pelo arguido. ou existe um despacho de arquivamento em que em princípio se fica mais ou menos por alí. A instrução tem uma finalidade imediata e última. Nos termos do artigo 288. Na relação objecto do processo e instrução estamos face a uma vinculação temática: não pode existir alteração substancial dos factos quanto (1) à acusação ou (2) do requerimento de abertura de instrução por parte do assistente – artigo 303.º/1 CPP. é uma fase jurisdicional sendo que: • Nos termos do artigo 286. sem prejuízo do disposto no artigo 279. nos termos do artigo 286.

º..º. b) e c)) Maria Luísa Lobo – 2013/2014 Page 9 . quando existam razões de discordância.)  O conteúdo da instrução é: • Comum  Necessariamente. Esquema da instrução JUIZ DE INSTRUÇÃO (evtl.º6. • Nos termos do artigo 303. • Nos termos do artigo 86º. é pública. em matéria de facto e probatória  Actos de instrução/Meios de Prova/Factos a Provar  Arguição de nulidades cometidas durante o inquérito • RI do Assistente: narração dos factos e indicação das disposições legais aplicáveis (artigo 283. despachode não pronúncia   (.  Eventualmente.º/2 al. mas tendo em atenção a alinea a) do n.PROCESSO PENAL – PRÁTICAS FORENSES MESTRADO FORENSE • Nos termos do artigo 289.. tem um objecto invariável.) ACTOS DE INSTRUÇÃO DEBATE INSTRUTÓRIO Requerimento Encerramento Despacho de abertura  despachode pronúncia   decisão instrutória (307º /308º ) ENCERRAMENTO . é contraditória.

º/2. 2ª parte. pelo que se colocou a questão de saber se o juiz podia ordenar ou não o aperfeiçoamento. ambos do CPP.º. Quem decide irrecorribelmente dos actos a praticar. a seu pedido. mas era omisso relativamente aos factos: é inexistente. Do artigo 289. artigo 99. ou seja existe um caracter complementar.º 7/2005: não há lugar a convite ao assistente para aperfeiçoar o requerimento de abertura de instrução.º/2.º e 305. nos termos do artigo 292.PROCESSO PENAL – PRÁTICAS FORENSES MESTRADO FORENSE Acórdão do STJ n. da conjugação do artigo 288. A resposta do STJ foi negativa. No sistema alemão por incidente. A competência para a instrução encontra-se regulada no artigo 290.º/3 resulta a não repetição. ao contrário do que sucede no sistema portugues. resulta a sua estrutura contraditória.Auto).º . Maria Luísa Lobo – 2013/2014 Page 10 . Estamos face a um contraditório fraco: os sujeitos processuais estão presentes e tem o direito de fazer perguntas. É raro os actos de instrução serem ordenados oficiosamente pelo juiz. na instrução.º/2 CPP.º/4 com o artigo 289.º/1. o juiz pode ordenar que o MP acuse ou reformule. cabendo esta ao juíz de instrução.º/2 e do artigo 283. nos termos do artigo 287. Além disso. do artigo 291. são escritos (artigo 296.º: cross examination). nos termos do artigo 291. mas quem decide é o juiz (≠ artigo 348.º. resulta a sua não obrigatoriedade: • Reclamação do despacho que indefere a sua realização a decidir por despacho irrecorrível. apresentado nos termos do aritgo 287. é o juiz. A delimitação do objecto do julgamento assenta na narração dos factos e na indiscação das disposições aplicáveis. b) e c). considerando que estamos face a uma ‘’jurisprudência da guilhotina’’ que serve apenas para matar processos. Relativamente aos actos de instrução. Quanto ao seu regime. mas há quem (nomeadamente o professor) que considere isto errado. sendo que a finalidade é a mesma do que a dos actos de inquérito. estes encontram-se sujeitos ao acusatório/contraditório.º/3 al. quando for omisso relativamente à narração sintética dos factos que fundamentam a aplicação de uma pena ao arguido  resolveu a questão de saber o que fazer quando o assistente vinha ao processo dizer apenas que não estava de acordo. • Excepto interrogatório do arguido.º/2.

Quanto ao debate instrutório. mas é impugnavel por reclamação. b) CPP). Acórdão do Tribunal Constitucional n. A regra é a de que não existe repetição dos actos praticados no inquérito. Pois bem: os argumentos então aduzidos. que mantêm inteira validade. mas é diferente da prévia audiência de julgamento (sistema jurídico italiano) Nos termos do artigo 302. deste acórdão resulta não ser inconstitucional a irrecorribilidade do despacho do juiz que indefere o requerimento de realização de diligências instrutórias  não é insconstitucional a irrecorribilidade do despacho do juiz.º al. sendo o igualmente o interrogatório do arguido se ele o suscitar no requerimento de instrução. a sua finalidade encontra-se expressamente consagrada no artigo 298. O debate instrutório é semelhante a uma audiência de julgamento no que concerne às alegações orais.  Situação indiciária. nos termos do artigo 120.º/2 alinea d) CPP (≠ no inquérito. são inteiramente transponíveis para a questão de constitucinalidade que agora nos ocupa.º/3 trata da notificação do despacho que designa data.º/3 (atenção ao que a lei diz: artigo 356. Os actos instrutórios são todos aqueles que o juiz de instrução conside necessário: o acto não é recorrivel. conclui-se que a ‘’irrecorribilidade da parte do despacho de pronuncia que decide questões prévias ou incidentais não é contrária à CRP. a estrutura do debate instrutório é a seguinte: • É essencial a discussão sobre:  Resultados do inquérito e da instrução. é obrigatório o interrogatório do arguido quando exista fundada suspeita). sob pena de nulidade. sendo que o artigo 297. Maria Luísa Lobo – 2013/2014 Page 11 .PROCESSO PENAL – PRÁTICAS FORENSES MESTRADO FORENSE O debate instrutório é obrigatório. uma vez que o juiz pode os tomar em consideração.º CPP.º 371/00: E assim.º CPP. salvo nos casos do artigo 291. conduzindo igualmente a um juízo de não inconstitucionalidade da norma ora objecto de recurso  ou seja.

o MP não pode deduzir nova acusação pelos mesmos factos e com a mesma prova.º CPP?  QUERELA • PROF. PAULO DE ALBUQUERQUE E PROF. Breves Considerações 1. nos termos do artigo 302. Após despacho de não pronúncia. Acórdão da Relação de Coimbra de 29.º/1. pelo que o processo não pode ser reaberto nos termos do artigo 279. ao contrário do que sucedia no CPP anterior em que: (1) a sentença absolutória formava caso julgado material (falta de condições processuais) e (2) a falta de prova formava caso julgado formal. DESPACHO DE NÃO PRONÚNCIA O CPP não tem regulamentação expressa e autonoma do caso julgado.  Recorribilidade do despacho que indefira. nos termos do artigo 307. as suas modalidades.03: Tendo a instrução terminado por decisão de não pronúncia.º/1 e 308. tendo o tribunal declarado findo o processo e determinado o seu arquivamento. o mesmo só pode ser reaberto através do recurso de revisão.10.PROCESSO PENAL – PRÁTICAS FORENSES MESTRADO FORENSE • É eventual a produção de prova indiciária suplementar. isto é. ambos do CPP. o MP pode reabrir o processo nos termos do artigo 279. podem ser uma de duas: pronúncia ou não pronúncia.º CPP. uma vez que tal forma caso julgado formal.  O regime específico dos actos instrutórios praticados durante o debate:  Contraditoriedade. Quanto à decisão instrutória. Maria Luísa Lobo – 2013/2014 Page 12 . Contudo. FREDERICO COSTA PINTO: o despacho de não pronúncia é jurisdicional pelo que tem forma de caso julgado material.º e ss:  Objecto: questões concretas controversas definidas pelo juiz.

pelo que se aplica analogicamente o artigo 279.02: O caso julgado da decisão instrutória apenas abrange tal decisão com referência aos indicios existentes no momento em que foi proferida. ou seja pode ser reaberto desde que surja nova prova.º/1 al. O argumento do legislador para encontra-se expressamente consagrado no artigo 449. O processo.º. Contudo.  CRÍTICA A ESTA POSIÇÃO: enquanto que o despacho de não pronúncia é da competência de um juíz pelo que consubstância um decisão judicial. GERMANO MARQUES DA SILVA: o despacho de não pronúncia não tem força de caso julgado material. deve então ser reaberto desde que tenham surgido novos elementos de prova que invalidem os fundamentos da anterior decisão de não pronúncia. o PROF. o despacho de não pronúncia. assentarem no mesmo fundamento que são os indicios suficientes. mesmo que conjugados com os anteriomente examinados. aqueles ou as partes dos meios de prova que foram declarados falsos. Maria Luísa Lobo – 2013/2014 Page 13 . quer a decisão de encerramento do inquérito.º CPP. Ou seja. não ofende o caso julgado pela anterior decisão instrutória de que não houve recurso. A decisão que verse sobre novos indicios. a) e b): não há prova nova se não podia reabrir nos termos do artigo 279. contudo. não se estava face a uma prova nova. d) CPP consagra-se que o despacho de não pronúncia pode ser objecto de recurso de revisão.03. o encerramento do inquérito é da competência do MP.º CPP. é uma decisão meramente processual. GERMANO MARQUES DA SILVA defende que o despacho de não pronúncia tem força de caso julgado formal. pelo que não incidindo sobre o mérito da causa. Acórdão da Relação do Porto de 20. A analogia assenta no facto de quer a decisão instrutória. Para quem não concorda com tal.º/1 al. na norma referida não existe um reconhecimento de tal força de caso julgado. Em suma.PROCESSO PENAL – PRÁTICAS FORENSES MESTRADO FORENSE • PROF. nos termos do artigo 450. não tem força de caso julgado. pelo que se assim é tal deve-se ao facto de ter força de caso julgado. Contra este argumento poderia ser dito que. pelo que não se podia aplicar o artigo 279.

uma vez que consubstância uma questão prévia. mas existindo uma decisão sobre o mérito/fundo da causa. só quando esteja em causa uma decisão condenatória (al. se o arguido vai a julgamento e é absolvido de acordo com o in dubio pro reo tal tem força de caso julgado material. Quanto à reabertura.º é necessário distinguir: (1) recurso de revisão pro societate (aliena a) e b) e (2) não pode ser invocável para decisões favoráveis ao arguido. Contudo. existem excepções: • Excepção Directa: artigo 310.º CPP: considerando que o despacho de não pronúncia tem força de caso julgado formal.º/1 CPP (âmbito: toda a decisão e não só o juízo de indiciação) • Excepção Indirecta: artigo 309. Não pode haver acusação pelos mesmos factos segundo o referido artigo. HENRIQUE SALINAS coloca a seguinte questão: como é que isto permite mais paz ao arguido do que a sequer inexistência de indicição suficiente para submissão a julgamento? Atendendo ao artigo 282. Quanto à impugnação da decisão instrutória. d)). o Princípio Geral. nos termos do artigo 279.PROCESSO PENAL – PRÁTICAS FORENSES MESTRADO FORENSE Coloca-se então a questão de saber em que é que ficamos.º/1 e 2 e artigo 310. 2. podendo o MP acusar pelos mesmos factos. constante no artigo 399. Tal consubstancia uma nulidade: o juiz conhece dela antes da pronúncia. tem força de caso julgado material. ambos do CPP. Verificando tal. é o da Recorribilidade. Maria Luísa Lobo – 2013/2014 Page 14 . não é uma decisão jurisdicional sequer. Quanto ao recurso de revisão nos termos do artigo 449. ou seja que não foi realizado o primeiro interrogatório do arguido. DESPACHO DE PRONÚNCIA Imagine-se que o arguido não foi ouvido no inquérito. o processo volta para o inquérito.º/2.º/3 CPP.º CPP. O PROF.

º/1 CPP. é admissivel que o legislador determine a irrecorribilidade de outros actos judiciais desde que não atinja o conteúdo essenciais das garantias de defesa e a limitação seja justificada por outros valores relevantes no processo penal. Só existe irrecorribilidade da decisão instrutório de pronúncia quanto a pronúncia tiver por objecto os factos imputados ao arguido na acusação do MP.º CPP. dominus do inquérito. em duas fases do processo: pelo MP. de modo coincidente. a questão da recorribilidade só se coloca quanto à decisão de pronúncia. Assento n.PROCESSO PENAL – PRÁTICAS FORENSES MESTRADO FORENSE Ou seja. encontrando fundamento na existência de indicios comprovados. Maria Luísa Lobo – 2013/2014 Page 15 . Sendo certo que o n.º 610/96: a irrecorribilidade da decisão instrutória que pronunciar o arguido pelos factos constantes da acusação do MP. durante o processo. não é regime arbitrário. As nulidades sanáveis que tiverem ocorrido durante o inquérito podem ser conhecidas até ao debate instrutório. e pelo juíz de instrução. uma vez que quando a decisão seja de não pronúncia a decisão é sempre recorrível por força do artigo 399.º CRP impõe que se consagre o direito de recorrer de decisões condenatórias e de actos judiciais que.º 6/2000: a decisão instrutória que pronunciar o arguido pelos factos constantes da acusação do MP é recorrível na parte respeitante à matéria relativa às nulidades arguidas no decurso do inquérito ou da instrução e às demais questões prévias ou incidentais  é necessário atender à alteração sofrida em 2007 no artigo 310.º1 do artigo 32. tenham como efeito a privação ou a restrição de liberdade ou de outros direitos fundamentais do arguido. Acórdão do Tribunal Constitucional n.

º.º instância (admissibilidade de recurso em qualquer caso). O despacho liminar é da competência do presidente.º).º: antes do inicio da audiência. nos termos do artigo 311.º/1 CPP. jurisdição em sentido estrito) em 1. assenta no saneamento do processo (≠processo civil: só existe um único momento para sanear. ou seja do Tribunal Singular ou do Tribunal Colectivo ou do Tribunal de Juri. 316º ss. (2) julgamento. que é após a fase dos articulados).: arts. A tramitação é muito complexa: (1) decisão instrutória. A competência é exclusiva dos tribunais com jurisdição penal. sendo que o seu objecto. juízo. segundo aplicação do critério quantitativo ou qualitativo. (3) artigo 338. uma vez que é no julgamento que se diz se o arguido é ou não culpado. por oposição ao processo preparatório ou preliminar (inquérito e instrução). quando o arguido invocar uma questão prévia na contestação. (4) artigo 351. Maria Luísa Lobo – 2013/2014 Page 16 . É a fase jurisdicional por excelência. A sua finalidade assenta na sentença final (julgamento. Esquema do julgamento TRIBUNAL DE JULGAMENTO (singular/colectivo/júri) ACTOS AUDIÊNCIA SENTENÇA PRELIMINARES Despacho liminar: 311º Contestação: 315º Etc.PROCESSO PENAL – PRÁTICAS FORENSES MESTRADO FORENSE 8 de Outubro & 11 de Outubro– Aula 8 a 10 JULGAMENTO O julgamento corresponde ao processo principal. despacho liminar (artigo 311.

nos termos do artigo 312. Não se pode dizer que este acórdão ainda se encontre em vigor de forma totalmente livre. actualmente já não é assim devido ao n.º. contudo.º e ss CPP. sendo que não é. nos termos do artigo 312.º) e al. Tribunal Constitucional n. no caso de não ter havido instrução. não viola as garantias de defesa do arguido e não atenta contra o princípio da presunção de inocência.º/2 e 3 CPP. nomeadamente por não proceder à inversão de qualquer ónus de probatório em desfavor do arguido. d): tipicidade dos factos descritos na acusação e só estes). Segundo o Princípio da Imediação.º e ss CPP.º/3 CPP que veda ao juíz de julgamento a possibilidade de rejeitar a acusação manifestamente infundada por insufiência da prova indiciária. uma enumeração taxativa. a acusação –decisão sobre o recibimento das acusações em julgamento (recebimento: (1) designação de dias para a audiência. o despacho de pronúncia – designação de dias para a audiência. o objecto assenta: • Tendo havendo instrução. • Não tendo havido instrução.artigo 311. a). podendo até à decisão final ser dela tomado conhecimento  ainda não existia a disponibilidade que consagra tal no CPP (decisão genérica . b) e c): vícios formais da acusação (artigo 283. mas se existir uma lacuna tal será resolvida por recurso à analogia (al.º 2 do artigo 311.º 4/93: a alinea a) do n.PROCESSO PENAL – PRÁTICAS FORENSES MESTRADO FORENSE Acórdão n. o tribunal só pode decidir com base na prova produzida em em audiência de julgamento e não com base na prova do inquérito. (2) rejeição. sendo que se visa que o juiz actue de forma imparcial e objectiva. Contudo. nos termos do artigo 311.º 101/01: a norma do artigo 311. Deste modo. Assento n. Ac. Maria Luísa Lobo – 2013/2014 Page 17 .º/1 – não tem força de caso julgado formal).º/1 do CPP sobre a legitimidade do MP não tem o valor de caso julgado formal.º3 do artigo 311.º CPP inclui a rejeição da acusação por manifesta insuficiência da prova indiciária  acusação manifestamento infundada enquanto manifestamente insufiente de prova indiciária.º 2/95: a decisão judicial genérica transitada e proferida ao abrigo do artigo 311.

: arts. Produção da prova: 341º Leitura: 372º/3. 2 Etc. A falta de contestação. 316º ss. Contestação: 315º Chamada e abertura: 329º Elaboração: 372º/1. Exposições introdutórias: 339º Estrutura: 374º ss. A contestação consubstância um direito do arguido e não um ónus. Esquema do julgamento TRIBUNAL DE JULGAMENTO (singular/colectivo/júri) ACTOS AUDIÊNCIA SENTENÇA PRELIMINARES Despacho liminar: 311º Actos introdutórios: Deliberação: 365º ss. 373º Alegações orais: 360º Últimas declarações e encerramento: 361º Estrutura da Audiência de Julgamento 1. a não impugnação especificada e a confissão possuem todas irrelevância probatória. uma vez que é a unica forma de alterar o objecto: os factos passam a integrar o objecto do processo e o juiz tem de se pronunciar e mesmo que considere não provados o arguido pode recorrer da sentença. 2. Maria Luísa Lobo – 2013/2014 Page 18 .PROCESSO PENAL – PRÁTICAS FORENSES MESTRADO FORENSE A contestação encontra-se consagrada nos termos do artigo 315. Actos Introdutórios: chamada e abertura e exposições introdutórias (sujeitos processuais dizem quais os factos se propoem provar). Produção de Prova: dar a palavra ao arguido. sendo que o seu conteúdo assenta numa defesa (processual e) material e pode existir requerimento de meios de prova. Sempre que o arguido quiser invocar factos que possam alterar a sua situação deve contestar.º CPP. Se o tribunal não se pronunciar sobre os factos invocados na contesção a sentença é nula. prova da acusação e prova da defesa.

Última declarações de encerramento. 4. o da concentração e continuidade (artigo 328. 339. actualmente a prova é gravada.º11/2008). Alegações Orais: tem por objecto quer a metéria de facto quer a matéria de direito. o não cumprimento do prazo conduz a que a prova produzida em audência de julgamento perda eficácia. A audiência de julgamento possui como princípios estruturais o contraditório (artigo 32. Maria Luísa Lobo – 2013/2014 Page 19 . mormente no que concerne à prova da defesa para o efeito da escolha e da medida da reacção criminal a aplicar.º) ou não substancial (artigo 358. que pode ser substancial (artigo 359. Acórdão do STJ n.º/1 e 2) e Alteração da Qualificação Jurídica (artigo 358. Outros princípios relevantes são ainda o da investigação (artigo 340. pode ser ordenada a sua repetição. pode admitir ou não a confissão. 327. STJ n. Acórdão do STJ de 9.º 3 do artigo 344.º e 379.º 11/2008: nos termos do artigo 328. assim.º CPP – quer no caso de confissão parcial ou com reservas.º).10. 359.PROCESSO PENAL – PRÁTICAS FORENSES MESTRADO FORENSE 3.º/5 CRP.º) e o da identidade do objecto do processo (artigo 358. devendo-se a razões de celeridade processual. o tribunal mantém intacta a sua liberdade de apreciação e. o da oralidade e o da publicidade (artigo 321. Tal perda de eficácia ocorre independentemente da existência de documentação a que alude o artigo 363. E .º.º/2 e 360. Quanto ao Objecto do Julgamento existem dois grandes temas: Alteração dos Factos.º/6 do CPP. consequentemente.1991: Quer na hipotese de confissão integral e sem reservas – com ou sem a verificação dos óbcides descritos no n. o da imediação.º do mesmo diploma  atendendo ao artigo 328. a confissão do arguido – mesmo no caso de ser admitida – não impede necessariamente a produção de prova em audiência. o adiamento da audiência de julgamento por prazo superior a 30 dias implica a perda de eficácia da prova produzida com sujeição ao princípio da imediação.º.º).º/3).º/6 CPP.º.º).º/6 e ac. consagra-se a garantia quanto aos meios de prova. Nos termos do artigo 355.

quanto à qualificação. de 29 de Agosto. O MP factos que não constavam da acusação. através de acusação do MP (crimes públicos e semi públicos) ou de acusação do assistente (crimes particulares) ou (2) no requerimento de abertura de instrução (crimes públicos e semi públicos). os mesmos. isto é o conhecimento de factos novos. interpretada no sentido de que. resultante de factos novos que não sejam autonomizáveis em relação ao objecto do processo – opondo-se o arguido à continuição do julgamento pelos novos factos – o tribunal não pode proferir decisão de extinção da instância em curso e determinar a comunicação ao Ministério Público para que este proceda pela totalidade dos factos. na redacção resultante da Lei n. acusa pelo crime de furto: existe um erro Exemplo: A foi acusado por furto simples. f) CPP. Acórdão do TC n.º CPP. mas os factos são mas veio-se a apurar que existiu violência.PROCESSO PENAL – PRÁTICAS FORENSES MESTRADO FORENSE O objecto do processo é delimitado (1) no encerramento do inquérito.º 226/2008: pelo que se conclui pela não inconstitucionalidade da norma do artigo 359. só são possíveis se estiverem previstos na lei.º 48/2007. Tal funda- se no Princípio do interesse da descoberta da verdade material (dos factos) e no Princípio do Acusatório. perante uma alteração substancial dos factos descritos na acusação ou na pronúncia.º al. Prévia alteração dos factos. A noção de alteração substancial dos factos encontra-se expressamente consagrada no artigo 1. pelo que tal consubstância um crime de roubo. ALTERAÇÃO (SUBSTANCIAL) DOS ALTERAÇÃO DA QUALIFICAÇÃO FACTOS JURÍDICA Corresponde a factos que são ‘’O arguido apontou uma arma à vítima acrescentados ao objecto do processo. Maria Luísa Lobo – 2013/2014 Page 20 . Todas as alterações posteriores à delimitação do objecto do processo. Existe uma requalificação daqueles factos. para se apoderar do seu ipad’’.

em vez de ser por ofensa à integridade física (tal como o arguido havia sido acusado) por tentativa de homicidio. nos termos constantes do acórdão lavrado pelo STJ em 27 de Janeiro de 1993 e publicado. quanto a ela. Além disso.º 248.º/3. todos do CPP.º/3.º al. f) não trata da alteração da qualificação jurídica. não constitui alteração substancial dos factos descritos na acusação ou pronúncia a simples alteração da qualificação jurídica (ou convolação). Maria Luísa Lobo – 2013/2014 Page 21 . f) apenas se refere a alteração substancial dos factos e não à alteração da qualificação jurídica.º/1 e 2 e 379.º1 do artigo 32.º CPP.º 2/93: para fins dos artigos 1. c). Tribunal Constitucional n.º 445/97: declara inconstitucionalidade. em conjugação com os artigos 120. 359. 309. sob a designação de Assento n. b) do mesmo Código. 359. no sentido de não constituir alteração substancial dos factos descritos na acusação ou na pronúncia a simples alteração da respectiva qualificação jurídica.º/1 e 2 e 379.º1 do artigo 1. GERMANO MARQUES DA SILVA: a alteração da qualificação jurídica devia ficar sujeita ao mesmo regime da alteração substancial dos factos. 120. Ac. O artigo 1. 309.º al. 303.º al. 303. sendo que o que lhe interessa são os factos e poder de aplicar a lei aos factos encontrava-se na função jurisdicional dos tribunais. pelo que o tribunal de julgamento. quando interpretada. uma vez que a alteração da qualificação jurídica não é indiferente para o arguido.º/2.º/1. mas tão somente na medida em que. a norma insita na aliena f) do n. não possuindo qualquer direito de defesa quanto a esta modificação.º. o artigo 1.º al. perante uma alteração dos factos.º/1. conduzindo a diferente qualificação jurídica dos factos à condenação do arguido em pena mais grave.º CRP -.º. ainda que se traduza na submissão de tais factos a uma figura criminal mais grave  a alteração da qualificação jurídica seria livre. O arguido não tinha de ser advertido da alteração da qualificação jurídica.º 279/95 do Tribunal Constitucional -. alinea f). com força obrigatória geral – por violação do princípio constante no n. poderia condenar.PROCESSO PENAL – PRÁTICAS FORENSES MESTRADO FORENSE Teses quanto a este tema: • PROF. • Assento STJ n. na 1ª Série-A do Diário da República de 10 de Março de 1993 – aresto esse entretanto revogado pelo Acórdão n. não se prevê que esteje seja prevenido da nova qualificação e se lhe dê.º/2.º 2/93. 248.

Além disso. que é melhor para ele. Segundo o PROF. para que o mesmo pudesse organizar a respectiva defesa. DAMIÃO DA CUNHA. Segundo o PROF. uma vez que quando falamos em alteração da qualificação jurídica não falamos em factos novos. desde que previamente desse conhecimento e. prazo ao arguido da possibilidade de tal ocorrência. até ao encerramento). É uma inconstitucionalidade assente na interpretação do assente e não propriamente nele mesmo. era estranho o tribunal ficar vinculado aqueles factos. ainda que em figura criminal mais grave. pois iria julgar por um crime não cometido e passava impune o outro. sendo que se dispensa a produção de mais prova. Segundo o PROF. HENRIQUE SALINAS. o tribunal. O grande problema daquele assento assenta na questão relativa ao direito de defesa. não devia poder haver alteração da qualificação jurídica. devia ter-se adiantado isso para o despacho do artigo 311. o arguido já não pode requerer o tribunal de jurí (poderia fazê-lo. Contudo. Assento n. Esta alteração só pode ter lugar se o direito de defesa. quando esta existisse.º2/93.º3/2000: na vigência do regime dos CPP de 1987 e de 1995. se o arguido for acusado por um crime a que corresponde uma pena de prisão entre 1 a 5 anos e depois existir uma alteração da qualificação jurídica em que o crime passa a ser punível com pena de prisão até 12 anos.º CPP. Existindo uma alteração da qualificação jurídica. ao enquadrar juridicamente os factos constantes da acusação ou da pronúncia. mas apenas num erro da qualificação jurídica. se não fosse a alteração da qualificação jurídica. fazer uma confissão livre e sem reservas. for respeitado. além de ser reconhecido. podia proceder a uma alteração do correspondente enquadramento. GERMANO MARQUES DA SILVA. se o arguido for acusado por ofensa à integridade física simples com pena de prisão até 3 anos poderá entender. Desclara inconstitucional com força obrigatória geral o Assento STJ n. passando a ser uma tentativa de homicidio o arguido fica numa situação muito delicada.PROCESSO PENAL – PRÁTICAS FORENSES MESTRADO FORENSE oportunidade de defesa  fica a meio das duas teses anteriores. se requerido. Maria Luísa Lobo – 2013/2014 Page 22 .

º do CP. não pode ser aplicada a pena acessória de proibição de conduzir ali prevista. como não se encontra a nulidade prevista nos termos do artigo 309.º CPP. Acórdão do STJ n. entre as disposições legais aplicáveis. nos termos dos n. nos termos estabelecidos na aliena a) do n.º1/94: as nulidades da sentença enumeradas de forma taxativa nas alienas a) e b) do artigo 379. não exigindo a explicitação do processo de formação da convicção do tribunal. ambos do CPP. b) CPP. na interpretação segundo a qual a fundamentação das decisões em matéria de facto se basta com a simples enumeração dos meis de prova utilizados em 1:º instância. quando conjugada com a norma das alienas b) e c) do n.º/1 al. sem que ao arguido seja comunicada. também da CRP.º. sob pena de a sentença incorrer na nulidade prevista na aliena b) do n.º2 do artigo 374. a alteração da qualificação jurídica dos factos daí resultantes.º do mesmo diploma processual.º CPP a consequência é a da irregularidade.º do CPP não têm de ser arguidas. não constando da acusação ou da pronúncia a indicação. a sentença é nula. por violação do dever de fundamentação das decisões dos tribunais previsto no n.º 680/98: julga inconstitucional a norma do n. enquanto que na instrução.º 1 do artigo 69. o exercício do direito de defesa implica a possibilidade de produzir prova (exemplo: prova de que é um crime de criação política e que não sabia).º2 do artigo 410. Maria Luísa Lobo – 2013/2014 Page 23 . ainda. Acórdão do STJ n.º1 e 3 do artigo 358.º. b) CPP.º1 do artigo 205. Acórdão Tribunal Constitucional n.º 1 do artigo 379.º3 do artigo 120. por violação do direito ao recurso consagrado no n.º da Constituição. necessariamente.º deste último diploma legal. bem como. podendo sê-lo. do n.º e 359.º do mesmo Código.º1 do artigo 32. nos termos do artigo 379. em motivação de recurso para o tribunal superior  na alteração da qualificação jurídica se esta não for cumprida nos termos da lei.º/1 al.º do CPP de 1987.º 7/2008: em processo por crime de condução perigosa de veículo ou por crime de condução de veículo em estado de embriaguez ou sob a influência de estupefacientes ou substâncias psicotrópicas. Quanto à alteração dos factos: se a sentença conhecer de factos novos para além dos artigos 358.PROCESSO PENAL – PRÁTICAS FORENSES MESTRADO FORENSE Segundo o TRIBUNAL CONSTITUCIONAL. no julgamento tal consubstância uma nulidade da sentença nos termos do artigo 379.

mas o MP abriria o inquérito quanto aos factos novos. f). pois é uma absolvição da instância e não do arguido. Maria Luísa Lobo – 2013/2014 Page 24 . Formalmente não havia violação do princípio do ni bis in idem.º al. Nos outros. É necessário distinguir entre: • FACTOS NÃO AUTONOMIZÁVEIS: factos que não podem ser conhecidos em novo processo. Gera uma violação do princípio do acusatório pois é da iniciativa do juíz que se gera o processo autónomo. ambos do CPP). o processo continua inalterável.º. Factos novos não geram a absolvição da instância. como os relacionados com as medidas de coacção. mas hoje já se encontra melhor esclarecido.PROCESSO PENAL – PRÁTICAS FORENSES MESTRADO FORENSE • ALTERAÇÃO NÃO SUBSTANCIAL DOS FACTOS: todos os factos que não agravam o limite máximo da pena e não imputam ao arguido crime diverso. Influencia apenas a medida da pena concreta.º CPP: pelos factos não autonomizáveis não havia influência no processo pendente. Esta última situação não é uma alteração dos factos do objecto existente: é a descoberta de factos que levam a um novo e distinto objecto processual. inquisitório e sumaríssimo. pois permitia a utilização de factos novos para nova acusação. DOUTRINA DA CLÁSSICA CONSAGRADA DEPOIS NO ARTIGO 359. nos termos do artigo 1. não há dúvidas que existem vários objectos distintos. O arguido nunca vai deixar que se conheçam factos novos que vão dar origem a processo autónomo. Nos casos de apensação dos processos por conexão (artigo 24. pelo que o processo tem de continuar pelos factos que constituem o ‘’actual’’ objecto processual. há graves problemas práticos. • ALTERAÇÃO SUBSTANCIAL DOS FACTOS: foi a alteração que gerou maior polémica e discussão.º e 25. • FACTOS AUTONOMIZÁVEIS: factos que já podem ser conhecidos em novo processo. O regresso do processo ao inquérito respeita o direito de defesa do arguido e a descoberta da verdade material. No entando.

PROCESSO PENAL – PRÁTICAS FORENSES MESTRADO FORENSE Note-se que um crime complexo é. furto com introdução em casa alheia. por exemplo. e que um crime sui generis é. Maria Luísa Lobo – 2013/2014 Page 25 . por exemplo. O que está em causa é a alteração do objecto pré existente. Se se descobrem novos factos há um novo processo que pode ser apensado ao anterior. um roubo.