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CAPÍTULO I

1- ADOÇÃO

A adoção é sempre um ato jurídico, que concede vinculo
civil entre pessoas que não os tem, criando assim os laços de uma relação
civil existente entre pais e filhos.

Cabe salientar que no instituto da adoção não existe
qualquer diferença entre filho consanguíneo e o filho adotado, os dois são
exatamente iguais, como preceitua a Constituição Federal de 1988, em seu
art. 227, § 6°: “Os filhos, havidos ou não da relação do casamento, ou por
adoção, terão os mesmos direitos e qualificações, proibidas quaisquer
designações discriminatórias relativas à filiação”1.

Assim, Diniz também leciona que:

“A adoção é o ato jurídico solene pelo qual,
observado os requisitos legais, alguém
estabelece, independentemente de qualquer
relação de parentesco consanguíneo ou
afim, um vinculo fictício de filiação,
trazendo para sua família, na condição de
filho, pessoa que, geralmente, lhe é
estranha.”2

Gonçalves entende que:

“adoção é um ato jurídico solene, pelo qual
alguém recebe em sua família, na qualidade
de filho pessoa a ela estranha”. Logo, a
adoção é a ligação jurídica entre as pessoas
que não possuem laços de sangue, com o

1
BRASIL. Constituição Federal, artigo 227, §6º, 1988 – Disponível em:
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicaocompilado.htm - Acesso em 01/05/2015.
2
DINIZ, Maria Helena. Curso de Direito Civil Brasileiro: Direito de Família. 19. ed. São Paulo:
Saraiva, 2004, v.5.p21

intuito de constituírem o instituto familiar
entre as mesmas.” 3

Da mesma forma, Venosa entende que:

“A adoção é modalidade artificial de
filiação que busca imitar a filiação natural.
Daí ser também conhecida como filiação
civil, pois não resulta de uma relação
biológica, mas de manifestação de vontade,
conforme o sistema do código civil de
1916, ou de sentença judicial, no atual
sistema.” 4

A adoção deve remediar as necessidades encontradas pelas
crianças e adolescentes, possibilitando que essas vivam com mais
dignidade, amor, carinho e afeto; o instituto também possibilita que pessoas
em que a natureza não agraciou com um filho, vivenciem esta sensação,
tornando possível a criação do instituto familiar entre adotante e adotado.

Para a língua portuguesa, adotar “é um verbo transitivo
direto”5, uma palavra genérica, que de acordo com a situação pode assumir
significados diversos, como: optar, escolher, assumir, aceitar, acolher,
admitir, reconhecer, entre outros.

Quando falamos da adoção de um filho, porém, esse termo
ganha um significado particular: Nesta perspectiva adotar significa acolher,
mediante a ação legal e por vontade própria, como filho legítimo, uma
pessoa desamparada pelos pais biológicos, conferindo-lhe todos os direitos
de um filho natural. Para além do significado, do conceito, está a
significância dessa ação, ou seja, o valor que ela representa na vida dos
indivíduos envolvidos: pais e filhos.

3
Gonçalves 2011 p 376
4
Venosa 2011p 273
5
FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Mini Aurélio: o dicionário da língua portuguesa;
FERREIRA, Marina Baird (coordenação de edição). 8.ed. Curitiba: Positivo, 2010, p.?????

Para os pais e mães, adotar um filho não se difere em quase
nada da decisão de ter um filho de sangue. Excluindo-se os processos
biológicos, todo o resto é igual. O amor, o afeto, a ansiedade, o desejo, a
expectativa, a espera, a incerteza do sexo, da aparência das condições de
saúde, dos problemas com a educação e o comportamento, os conflitos.
Tudo isso acontece nas relações entre pais e filhos independente de serem
filhos biológicos ou adotivos.

1.1 – Origem da Adoção

O instituto da adoção se reveste de contornos peculiares, já
existindo desde a antiguidade, e servia para perpetuar o culto doméstico.
Atualmente a adoção tem relevância jurídica, envolvendo pessoas sem
vínculo biológico mas enorme vínculo afetivo, contudo essa caracteristica é
comum nas adoções modernas.
Venesa descreve que :os hebreus já adotavam e na Grécia o
instituto era usado para que os homens dessem continuídade ao culto
familiar. A idéia central da adoção já existia, portanto, desde a Grécia
antiga, qual seja, a de conceder a quem não teve pela natureza um
descendente direto, e as vezes um homem necessariamente, para dar
continuidade a algumas tradições sociais, como o culto aos deuses-lares.6
Neste diapasão tinha-se que a adoção supunha a imitação da
natureza, obter de maneira artificial o que pela natureza não se obteve.
Silvio Venosa explica que: na Roma, contudo, a adoção torna-
se diferenciada das até então praticadas, pois agora a igreja e o Estado
intervinham no processo.O adotante na Roma antiga, deveria ter 60 anos,
idade mínima exigida, não podendo ter filhos homens naturais, e a
diferença de idade entre ambas deveria ser de no mínimo 18 anos, sendo
que o adotado deveria ser o mais novo. Inicialmente a mulher não poderia

6
VENOSA, Silvio de Salvo. Direito civil de família. 4ª ed. São Paulo: Atlas, 2004, p.329.

No início do século XIX. Na época de justiniano. a adoção buscava imitar a filiação natural. a segunda minus plena. pois ocorria apenas na hipótese de o adotante ser um ascendente que não tinha p átrio poder sobre o adotado. na França. p. surgem duas modalidades de adoção. 2004. a Lei de 1939 fixou a legitimação adotiva. Direito civil de família. assemellhando-se à filiação legítima. Tanto em uma quanto em outra o direito sucessórrio se mantinha. constante inclusive do Código de Napoleão de 1804. tornando-se herdeiros da nova família. 4ª ed. No Código Napoleônico a adoção tomava o adotado herdeiro da nova família. 2004. 8 VENOSA. final do século XIX. A primeira era considerada plena.2 . uma Lei francesa mexeu nos direitos do adotado. São Paulo: Atlas.adotar.7 Ainda na idade antiga. Durante a idade média. p. Silvio de Salvo.8 1.329. que passou a romper os laços familiares com a família original. Silvio de Salvo. São Paulo: Atlas. o que aconteceu na fase imperial mediante autorização do Imperador.329. sob forte influência do Direito Canônico. o instituto da adoção cai em desuso. Na França pós revolução. tomando força novamente após a revolução Francesa. mas persistia o vínculo de parentesco com a família de origem. como por exemplo o avô cujo neto fora concebido após a emancipação do pai. Direito civil de família. . 4ª ed. uma realizada entre parentes e outra entre estranhos. na Roma de Justiniano. Mais adiante. idéia que perpetuou-se nos séculos. muito embora com consideráveis restrições. Desta maneira o pai adotivo adquiria a “patria potestas”. A adoção plena provém do Direito Clássico. a adoção era admitida de forma ainda tímida.A Historia da Adoção no Brasil: características históricas e jurídicas 7 VENOSA.

9 SILVA. ser destacada a relevância da lei no Estado Democrático de Direito. José Afonso. ao império da lei. conforme já mencionado anteriormente nos estudos sobre os métodos. Sujeita-se. produzida segundo um procedimento constitucional qualificado”. e como consequência. após a formação do núcleo familiar no decorrer do tempo. 2005. dogmas com função diretiva. A lei é o ato oficial efetivo de decisão política e é por meio dela que o poder estatal impõe à sociedade. geral. a criação da lei para redimir conflitos. pois. como todo Estado de Direito . Considerando que.mas pela buscada igualização das condições dos socialmente desiguais. Deve. normas que regulassem os direitos e obrigações de cada indivíduo.9 Assim. ou exortações e que. o desenvolvimento de uma sociedade surgiu o Estado. determinado modo de conduta uma vez que a lei positiva equivale a dogmas. O princípio basilar do Estado Democrático de Direito.p. a ciência dogmática regulamenta o comportamento dos destinatários por meio de normas. A vigência e efetivação dessas normas são de grande relevância no Estado Democrático de Direito nas transformações políticas. “É da essência do seu conceito subordinar- se à Constituição e fundar-se na legalidade democrática. fórmulas persuasivas que influem por meio de recomendações. mas da lei que realize o princípio da igualdade e da justiça não pela sua generalidade . 24ª ed. obrigatório e modificativo da ordem jurídica existente. é o Princípio da Legalidade. possui função transformadora e direciona a realização dos interesses dos membros da sociedade. Curso de direito constitucional positivo. . mas também à sua função de regulamentação fundamental. orientações. não apenas quanto ao seu conceito formal de ato jurídico abstrato.121. São Paulo: Malheiros. naturalmente.

2010. afeto.adoptare). A história legal do Brasil passou por inúmeras alterações e aqui neste artigo científico faremos algumas reflexões sobre esta evolução. Isso é o normal nas relações entre pais e filhos independente de serem filhos biológicos ou adotivos. 8. Aurélio Buarque de Holanda. a palavra adotar é genérica e pode ter varios significados de acordo com a situação que é aplicada.vtd. É resguardar o interesse maior da criança e do adolescente que é assegurar-lhe o direito a saúde.ed.4.3 – A ADOÇÃO E A LEGISLAÇÃO BRASILEIRA. O instituto da adoção caracteriza-se por um ato de amor. Para o principal dicionário da lingua portuguesa. Pôr em pratica.econômicas e sociais. a ansiedade. o restante das sensações e emoções são iguais.Optar ou decidir-se por. educação. . p. Curitiba: Positivo. 10 FERREIRA.10 Adoção é um ato jurídico que cria o parentesco civil. Mini Aurélio: o dicionário da língua portuguesa.Aceitar. garantia de direitos e deveres e na busca da superação das desigualdades sociais e regionais e realizar a justiça social. FERREIRA. o desejo. Com exceção do fator consanguíneo.1. conservação de valores. 1. no qual. 2. as condições de saúde. soluções de conflitos. 3. se ganha um filho com todos os seus direitos e deveres. Marina Baird (coordenação de edição).19. É um ato jurídico bilateral que gera laços de paternidade e filiação entre pessoas para as quais tal relação inexiste naturalmente. escolher. o afeto. legalmente. escolher. O amor. a expectativa. Para Aurélio adotar pode ser: “(Lat. a preocupação em como educar são as mesmas. Para os pais adotivos. enfim a uma vida digna. perfilhar”. adotar um filho não se difere em quase nada a decisão de ter um filho de sangue. Atribuir a (filho de outrem) os direitos e tratamentos afetivo de filho próprio.

gov.655 em 1965.pdf . http://www. 1.Acesso em 26/09/2014 12 BRASIL.mg. Também se dissolve o vínculo da adoção: 11 BRASIL. 374. Art. Depois dessa iniciativa. e suas normas estão na Constituição Federal de 1988 e no Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA e na lei 12. Vejam como era o texto de um dos artigos deste capítulo no código de 1916.gov.planalto. podem adotar.071. O Modelo de Adoção que era previsto neste código era quase impraticável. Só os maiores de cinquenta anos. 368.010/200911. Lei n. Art.br/governo/ECA_atualizado_2010. Neste ordenamento. O adotante há de ser. dezoito anos mais velho que o adotado.3. previa como forma de constituição do ato a escritura pública. A Adoção no Brasil foi tratada pela primeira vez no Código Civil Brasileiro de 1916.697 de 1979 que estabeleceu o Código Brasileiro de Menores. 1990. da lei 4.htm . Código Civil. O instituto estava no título das relações de parentesco. ou legitimada. não podendo conter informações sobre o estado anterior do adotado. a partir do qual o oficial fornecia certidão apenas com os novos elementos. A mesma deveria ser levada ao Registro Público. tivemos a aprovação da lei 3. Hoje a adoção é legalizada. “Art. A adoção era regulamentada pelos artigos 368 a 378. Disponível em: http://www. incumbência atribuída ao Registro Civil das Pessoas Naturais. da lei 6.1 – CÓDIGO CIVIL DE 1916 – ADOÇÃO CIVIL O Código Civil de 191612 cedeu um capítulo para tratar da adoção. Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA.barbacena. pelo menos. de 1º de janeiro de 1916. 3.br/ccivil_03/leis/l3071. por meio de ato averbatório. sem prole legítima.133 em 1957. 369. Observa-se que a averbação era feita no assento primitivo.Acesso em 25/09/2014 .

377.2 – A LEI Nº 3. salvo se. 369. Quando o adotado cometer ingratidão contra o adotante. Art. pelo fato do nascimento. ficar provado que o filho estava concebido no momento da adoção”.3. no mínimo.071. I. Op. Neste momento. O adotante há de ser. de 1957). Lei n. “Art.133 DE 08 de Maio de 1957 – Adoção Civil Esta lei fez importantes alterações no Código de 191614.cit. Foram cinco artigos modificados.133. Só os maiores de 30 (trinta) anos podem adotar. necessitando de que o adotante tivesse. pelo menos. Ninguém pode adotar. de 1º de janeiro de 1916. (Redação dada pela Lei nº 3. A partir de 1957 a idade mínima do adotante. dezesseis anos a mais que o adotado. senão decorridos 5 (cinco) anos após o casamento. sendo casado. Parágrafo único.133. A adoção produzirá os seus efeitos ainda que sobrevenham filhos ao adotante. Art. de 1957). II. 3. 14 Idem . fazendo assim tem um crescimento significativo do número de adoções. 16 (dezesseis) anos mais velho que o 13 BRASIL. solteiro ou casado. qualquer que fosse a origem da filiação. (Incluído pela Lei nº 3. passa a ser de trinta anos.13 Sob todo esse prisma era praticamente inacessível efetuar a adoção. podendo adotar quem já tinha filhos concebidos ou nascidos. e não mais se requer a ausência de prole consanguínea. 1. 368. a função protetiva e assistencial da adoção passaram a ser atendidas. Quando as duas partes convierem.

Mas não incluía o adotado.071. de 1957). ou seja. Art. Ela previa a legitimação adotiva. Nos casos em que é admitida a deserdação. legitimados ou reconhecidos. de 1957). I.133. (Redação dada pela Lei nº 3. (Redação dada pela Lei nº 3. de 2 de junho de 1965.gov. 1. de 1º de janeiro de 1916. (Redação dada pela Lei nº 3. a lei 4.133. da conduta familiar (maus tratos) ou da sociedade (abandono).planalto.15 Admitia que os adotados adquirissem o nome do adotante.133.3. de 1957). adotado. e com até cinco anos de idade. (Redação dada pela Lei nº 3. 3. acrescendo ao de seus pais de sangue ou que o retirasse e substituísse pelo do adotante. 4. Exigia-se o consentimento dos pais do adotado e se constituía a adoção por decisão 15 BRASIL. Art. 374.3 – A LEI Nº 4. de 1957). Lei n.655 DE 02 de Junho de 1965 – LEGITIMAÇÃO ADOTIVA Devido o excesso de formalidade. aplicável aos menores em estado irregular.655/65 16 não teve muita aplicação prática.htm . Código Civil. Quando as duas partes convierem. Op. de 1957). Cit. II. 377.133. mas se houvesse filhos legítimos (biológicos) nada poderia herdar. Se fosse filho único herdaria todo o patrimônio. a relação de adoção não envolve a de sucessão hereditária. Quando o adotante tiver filhos legítimos. situação que pode ser resultante da própria conduta (infrações). Disponível em: http://www.Acesso em 25/09/2014 .br/ccivil_03/leis/1950-1969/L4655. Lei n. 16 BRASIL. Também se dissolve o vínculo da adoção: (Redação dada pela Lei nº 3. com a finalidade de igualar os direitos do adotado aos dos demais filhos do adotante.133.655. na sucessão hereditária.

Lei n. Curso de Direito Civil Brasileiro: Direito de Família. Equiparação à união estável.5. 4. Op. ano 7. 2004. São Paulo: Saraiva. n.br/ccivil_03/leis/l3071. Em que pese a evolução do instituto contida nessa lei. 21 . RIBEIRO. Maria Helena. Código Civil. esta modalidade era constituída por contrato. 2003 - http://www. 18 Idem 19 BRASIL. fev. 21 O adotado passava a usar o 17 BRASIL. de 1º de janeiro de 1916. 19.judicial. seu conteúdo não possuía muita aplicação prática.655/6518 e transformou a legitimação adotiva em adoção simples (restrita) e adoção plena.htm . Thaysa Halima Sauáia. inclusive. Os maiores de dezoito anos e menores de vinte e um anos necessitavam da assistência dos pais ou responsáveis legais para que fosse válida sua declaração de vontade. o filho postular alimentos em face do pai natural. Adoção e sucessão nas células familiares homossexuais.3. 20 Embora amplos os direitos do adotado. 3.br/portal/sites/default/files/anexos/9331-9330-1-PB. era regulada pelo Código Civil e aplicava-se aos maiores de idade. inclusive.4 – A LEI 6. Jus Navigandi. estando sujeita aos casos de extinção previstos pela legislação civilista então em vigor e. Teresina. v. ed.egov. Cit. Contudo. caso o pai adotivo não pudesse provê-los. podendo.ufsc.655. também denominada restrita.17 1. de 2 de junho de 1965.Acesso em 24/09/2014 . perdendo os pais biológicos apenas o poder familiar (o então pátrio poder) e não desaparecendo os impedimentos relativos ao matrimônio. 62. permanecendo válidos os requisitos e efeitos desta modalidade de adoção. por vontade das partes.gov. p. tal filiação não era definitiva ou irrevogável. A adoção simples.Acesso em 25/09/2014 20 DINIZ. O Código de Menores não revogou o Código Civil de 191619.planalto. O vínculo com os ascendentes naturais não se desfazia. 449. Lei n.071. devido ao excesso de formalismo. Disponível em: http://www.pdf . O vínculo advindo de tal modalidade de adoção dizia respeito apenas ao adotante e ao adotado.697 DE 1979 – CÓDIGO DE MENORES O Código de Menores revogou a lei 4.

exploração. com absoluta prioridade. à liberdade e à convivência familiar e comunitária.1988 No capitulo VII. a pessoa e o bem-estar do adotado menor. ao lazer. ao respeito. à saúde. 1. Somente era consentida pelos pais ou pelo representante legal do adotando e era precedida de estágio de convivência com a criança ou adolescente pelo prazo que o juiz fixasse. que trata da família. sem a qual não haveria a adoção. 227. “Art. Ao contrário da modalidade simples. assegurar ás crianças e adolescentes seus direitos básicos. Protegia-se assim. à educação. da sociedade e do Estado. à profissionalização.3. no artigo 227 estabelece como dever da família. por meio de autorização judicial. a adoção plena era irrevogável a partir do trânsito em julgado da sentença constitutiva. É dever da família. discriminação. à alimentação. pois sem intervenção estatal. da criança. observadas as peculiaridades de cada caso. esta precedida de instrução processual e também de uma instrução psicossocial. à cultura. A adoção plena é aquela que diz respeito ao adotando menor de idade. à dignidade. da sociedade e do Estado assegurar à criança. do adolescente e do idoso. Com a introdução do Código de Menores na legislação o Estado passou a ter uma participação mais ativa.5 – CONSTITUIÇÃO FEDERAL DO BRASIL . .sobrenome da família adotiva e o parentesco resultante era meramente civil e restrito. ao adolescente e ao jovem. o direito à vida. violência. além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência. não seriam preenchidas as formalidades necessárias para a consumação do ato adotivo.

havidos ou não da relação do casamento. Constituição Federal.ECA . terão os mesmos direitos e qualificações.069/1990 . crueldade e opressão. proibidas quaisquer designações discriminatórias relativas à filiação. (Redação dada Pela Emenda Constitucional nº 65.mg.069/90 foi evidenciada os interesses do adotando (filho) e estabeleceu como principal objetivo do processo de adoção assegurar o bem estar da criança e do adolescente conforme dispõe os artigo 43 e 44: “Art. Art.3. http://www. A adoção será deferida quando apresentar reais vantagens para o adotando e fundar-se em motivos legítimos. não pode o tutor ou o curador adotar o pupilo ou o curatelado. Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA. ou por adoção. 1990. Enquanto não der conta de sua administração e saldar o seu alcance.Acesso em 26/09/2014 .23 A principal mudança foi quanto à natureza da adoção. §6º.br/ccivil_03/constituicao/constituicaocompilado. No Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA através da Lei n.1988. Ela deixa de ser contratual e passa a ser por escritura pública e assistida pelo Estado. Constituição Federal. deste mesmo artigo.br/governo/ECA_atualizado_2010.gov.pdf . que deve ser plena. irrevogável e efetiva com a assistência do Poder Público.ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE. 24 BRASIL.6 – A LEI Nº 8. 1988. Este parágrafo também proibiu qualquer tipo de desigualdade e descriminação entre aos filhos.º 8. cit. artigo 227.Os filhos. 44. Op. estabelece equiparação dos direitos dos filhos adotivos aos filhos biológicos.planalto.htm .barbacena. § 6º . artigo 227. 43. 1. Disponível em: http://www.”24 22 BRASIL.gov. de 2010)”22 O paragrafo sexto.Acesso em 25/09/2014 23 BRASIL.

inscrita em registro civil.406/2002 . Nesse caso. e mesmo assim. ou seja.3. sem distinção de filho natural de filho adotivo. No ECA. No entanto. apenas . Passa o adotado a ter condições de filhos. os pais adotivos perdem o poder familiar e o Estado se responsabiliza pela guarda dos filhos encaminhando-os a uma instituição para menores desamparados até definir sua situação.7 . Lei 8. assim como ocorreria com os pais “de sangue”. este novo Código. Aline Veronica define de maneira sucinta o Código Civil para o instituto da Adoção: “No ano de 2002. a não ser em caso de maus tratos pelos pais. bem como de seus ascendentes. no tocante à adoção. a pedido deste poderá determinar a modificação do prenome.Lei 10. que consignará o nome dos adotantes como pais. a legislação civil brasileira foi reformada com a iminente vigência do novo Código Civil. O vínculo adotivo será dado mediante sentença judicial.010/09. A sentença conferirá ao adotado o nome do adotante e. 1.Código Civil Brasileiro de 2002. e com alterações introduzidas pela Lei 12. bem como não poderá haver nenhuma observação nas certidões de registro sobre a origem do ato. se restringiu a servir como norma meramente complementar. Uma vez concluído o processo de adoção ele é incontestável. conferem ao filho adotado os mesmos direitos dos filhos naturais. através do ato de adoção os pais. com isso cancela-se o registro original do adotado.069/90. ou os coloca sob a guarda de um parente que tenha condições de acolhê-los. suas normas apenas incidirão quando houver lacuna no ECA.

com/articles/15890/1/adoção-por-casaishomoafetivos- no. e mantém vínculos de afinidade e afetividade. inscrita em registro civil. 12.webartigos. Estatuto da Criança e do Adolescente. Adoção por casais Homoafetivos no Direito Brasileiro.direito . conforme o artigo 1º: “Art. Aline. bem como de seus ascendentes. o Estatuto da Criança e do Adolescente. de 13 de julho de 1990. Webartigos.010/2009 Esta lei enfatiza a proteção aos interesses das crianças e dos adolescentes através do direito à convivência familiar. 1. a pedido deste poderá determinar a modificação do prenome. constitua sendo a normativa do procedimento da adoção. 2009. Veja o Artigo 47 25 VERÔNICA.”26 O vínculo adotivo será dado mediante sentença judicial. na forma prevista pela Lei no 8.010.planalto. ampliando o conceito de família.069.8 – A NOVA LEI DA ADOÇÃO – LEI 12.Esta Lei dispõe sobre o aperfeiçoamento da sistemática prevista para garantia do direito à convivência familiar a todas as crianças e adolescentes. 1º . bem como não poderá haver nenhuma observação nas certidões de registro sobre a origem do ato.brasileiro>.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2009/lei/l12010. se não houver incompatibilidade com os princípios fundamentais deste. com isso cancela-se o registro original do adotado. de 3 de agosto de 2009. 24 mar. Disponível em: < http://www.Acesso em 26/09/2014 .”25 Ou seja. Código Civil. 26 BRASIL. a qual passa a ser considerada aquela formada por parentes próximos com os quais convivem os interessados. Acesso em: 25/05/2015.htm . que consignará o nome dos adotantes como pais.gov. Lei n. A sentença conferirá ao adotado o nome do adotante e. sem distinção de filho natural de filho adotivo.3. Disponível em: http://www. Passa o adotado a ter condições de filhos.

o que posso perceber é que o desenrolar do processo adotivo não acompanhou as mesmas transformações. bem como de obter acesso irrestrito ao processo no qual a medida foi aplicada e seus eventuais incidentes. Cit . § 3º a pedido do adotante. após completar 18 anos e normatiza a adoção internacional. de 3 de agosto de 2009. § 6º caso a modificação de prenome seja requerida pelo adotante. Lei n.”27 Esta lei trouxe mudanças e novidades para o processo adotivo no Brasil. a pedido de qualquer deles. Op. A idade mínima para adotar passou a ser de 18 anos. garante ao adotado. viúvo ou separado). O vínculo da adoção constitui-se por sentença judicial. neste caso previsto nos artigos 51 ao 52-D. independentemente do estado civil (casado. que será arquiva do. 27 BRASIL. 28 desta Lei. 47. § 1º a inscrição consignará o nome dos adotantes como pais. poderá determinar a modificação do prenome. 12. § 2º o mandado judicial. § 5º a sentença conferirá ao adotado o nome do adotante e.010. solteiro. que será inscrita no registro civil mediante mandado do qual não se fornecerá certidão. “Art. Com toda evolução que a legislação brasileira já teve no que diz respeito a adoção. é obrigatória a oitivado adotando. observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. bem como o nome de seus ascendentes. o direito de conhecer sua origem biológica. cancelará o registro original do adotado. § 4º nenhuma observação sobre a origem do ato poderá constar nas certidões do registro. o novo registro poderá ser lavrado no cartório do registro civil do Município de sua residência.

e esta demora acaba cada vez mais. O próprio judiciário deve ser modificado de uma forma que faça os casos de adoção ter prioridade. . Os prazos e trâmites descritos nas leis que foram citadas. não são as reais aplicadas. que são ditos como os protegidos pelo Estado. fazendo as crianças e adolescentes. Não são somente as leis que devem ser atualizadas. ficarem ainda mais tempo em abrigos e os fazendo perder um tempo precioso de convívio com as suas novas famílias. pois a infância é um período de extrema importância para a formação da criança e do adolescente.

base da sociedade.28 O ECA reforçou tal concepção e agregou o conceito de família substituta e família extensa ou ampliada. respeitado seu estágio de desenvolvimento e grau de compreensão sobre as implicações da medida. como por exemplo na questão patrimonial e na revogação do ato. nos termos desta Lei. como ocorria no passado. Constituição Federal.htm .planalto. e terá sua opinião devidamente considerada. como os efeitos por ela produzidos. tanto que a própria Constituição federal acabou por defini-la como sendo a comunidade formada por qualquer dos pais e seus descendentes. pois com a vigência do ECA. A família.gov. tutela ou adoção. e posteriormente do Código Civil e da Lei nº 12. § 2º tratando-se de maior de 12 (doze) anos de idade. também. § 4º Entende-se.br/ccivil_03/constituicao/constituicaocompilado. 226.010/09.Modalidade da Adoção A adoção é única assim. § 1º sempre que possível à criança ou o adolescente será previamente ouvido por equipe interprofissional. CAPÍTULO II 2. artigo 226. 28 BRASIL. tem especial proteção do Estado. com consequências jurídicas importantes decorrentes da separação.1988. 28.Acesso em 01/05/2015 . A colocação em família substituta far-se-á mediante guarda. alterando a sua forma de constituição. Disponível em: http://www. colhido em audiência. como entidade familiar a comunidade formada por qualquer dos pais e seus descendentes”. independentemente da situação jurídica da criança ou adolescente. “Art. onde se qualificava a adoção como simples ou plena.§4. “Art. será necessário seu consentimento. No entanto. não há mais qualquer distinção no instituto da adoção. a adoção reflete a evolução da família e esta mudou radicalmente.

Luiz Antônio Miguel. ou seja. Como a adoção pode ser concretizada por qualquer pessoa maior de 18 anos de idade. 2010. que.barbacena. apesar de ser única.br/governo/ECA_atualizado_2010. preferencialmente com o apoio dos técnicos responsáveis pela execução da política municipal de garantia do direito à convivência familiar. o homem e a mulher solteiros.mg.65 e 66. divorciados ou juridicamente separados. Disponível em: http://www. Procurando-se. ressalvada a comprovada existência de risco de abuso ou outra situação que justifique plenamente a excepcionalidade de solução diversa. realizados pela equipe interprofissional a serviço da Justiça da infância e da Juventude. São Paulo: Cortez. p. acabou por receber designações outras para especificar situações que interferem no modo da sua concretização. em qualquer caso.”29 Essa evolução acarretou características específicas na adoção. tutela ou guarda da mesma família substituta.1 – Adoção singular. §§. independente de seu estado civil. § 4º os grupos de irmãos serão colocados sob adoção. Adoção: guia prático doutrinário e processual com as alterações da Lei 12010. § 3º na apreciação do pedido levar-se-á em conta o grau de parentesco e a relação de afinidade ou de afetividade. 2. § 5º a colocação da criança ou adolescente em família substituta será precedida de sua preparação gradativa e acompanhamento posterior. Também podem adotar de forma singular os viúvos e os separados de fato.gov. Segundo Ferreira: “A adoção singular é aquela que pode ser realizada por qualquer pessoa maior e capaz. unilateral e conjunta. Trata-se de uma forma de constituição de família monoparental. de 3/8/2009. como se afirmou. evitar o rompimento definitivo dos vínculos fraternais.pdf . Artigo 28. aquela formada pelo pai e filho ou mãe e filho.” 30 29 BRASIL.Acesso em 01/05/2015 30 FERREIRA. 1990. verifica-se que a adoção singular representa uma adoção individual por uma única pessoa. Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA. . a fim de evitar ou minorar as consequências decorrentes da medida.

a estabilidade da família. desde que um dos requerentes tenha mais de 18 anos de 31 Eca artigo 41§1º 32 Gesse p. posto que o adotante tenha vínculos com o companheiro ou consorte genitor da criança. esta adoção pode ser requerida. em relação a esta última hipótese. refere-se à formalizada pelo marido e mulher ou por conviventes. é indispensável que os adotantes sejam casados civilmente ou mantenham união estável. comprovada a estabilidade da família. Esta definição está previsto no §2º do artigo 42 do ECA: “para a adoção conjunta. comprovando a união estável.” É a possibilidade legal de o padrasto e a madrasta se tornarem.”31 Verifica-se que a mesma ocorre quando o padrasto ou a madrasta vem a adotar o filho do seu companheiro. Apesar de posicionamentos contrários.” 33 Diferente da legislação passada.06 33 Eca artigo 42§2º . §1º: “ se um dos cônjuges ou concubino adota o filho do outro. deve-se comprovar a estabilidade da família. mas difere da adoção singular. mantêm-se os vínculos de filiação entre o adotado e o cônjuge ou concubino do adotante e os respectivos parentes. regularizando uma situação de fato concernente à posse do estado de família. A adoção conjunta. respectivamente. como o próprio nome está a designar. Contudo. Como afirma Gesse “a adoção unilateral é aquela levada a efeito pelo padrasto ou pela madrasta 32 em relação ao filho de seu consorte ou companheiro. pai e mãe do adotando. não há prazo mínimo de casamento ou de união estável para possibilitar ás partes o pedido de adoção. O ECA define a adoção unilateral em seu artigo 41. É caracterizada por ser uma adoção que é formalizada por uma única pessoa.

Segundo Ferreira.§7º): 34 Ferreira. 42§6º e 47. Nessa situação. art. b) Garantam o direito de visita àquele que não ficar com a guarda. nesse caso. o pedido pode ser deferido para concretizar o desejo do falecido. Nesta hipótese. nos termos do artigo 1584 do Código Civil. p. “Nessa hipótese.2 – Adoção Póstuma Quando o adotante vem a falecer no curso do procedimento judicial.69 e 70 . esta modalidade de adoção também pode ser requerida. ou seja. coincidindo com a abertura da sucessão (ECA. judicialmente separados ou ex-companheiros (ECA. se há relação de afinidade ou afetividade. há necessidade de atendimento de alguns requisitos específicos que: a) Estabeleçam acordo com relação á guarda da criança ou adolescente adotado. desde que demonstrado o efeito benefício em favor do adotado. arts. retroagem á data do óbito (ex tunc). 42. c) A criança ou o adolescente deve ter convivido com as partes antes da separação. §§4º e 5º). como os benefícios que a adoção trará ao adotado e se funda em motivos legítimos.idade e que sejam mais velho 16 anos do que o adotando. a guarda deve ser compartilhada. como exceção. pelos divorciados. o estágio de convivência deve ter sido iniciado na constância do período de convivência comum. d) Devam-se comprovar os vínculos de afinidade e afetividade como aquele não detentor da guarda” 34 2. outros requisitos devem ser analisados. Os efeitos da ação.

Disponível em: http://www. Suspende-se o processo: I . Código Civil. § 7º A adoção produz seus efeitos a partir do trânsito em julgado da sentença constitutiva. § 6º A adoção poderá ser deferida ao adotante que.I e §1° c/c o artigo 1055 do Código de Processo Civil. Art. Uma vez habilitados. vier a falecer no curso do procedimento.gov.055. os interessados houverem de suceder-lhe no processo. de 1º de janeiro de 1916.htm . Podem adotar os maiores de dezoito anos. 3.br/ccivil_03/leis/l3071.pela morte ou perda da capacidade processual de qualquer das partes. seguindo-se as regras do artigo 265. “Art. suspende-se o processo.071.Acesso em 01/05/2015 . 35 Eca 42§6° e 47§7° 36 BRASIL.”35 O processo neste caso ocorre da seguinte forma. 42. antes de prolatada a sentença. 47. 1. caso em que terá força retroativa à data do óbito. Lei n. após inequívoca manifestação de vontade. de seu representante legal ou de seu procurador. exceto na hipótese prevista no § 6º do art. que será inscrita no registro civil mediante mandado do qual não se fornecerá certidão. 265.planalto. Art. O vínculo da adoção constitui-se por sentença judicial. Com o falecimento do adotante. o feito prossegue até a decisão final. são necessários os seguintes requisitos: a) Tenha havido inequívoca manifestação de vontade do adotante. por falecimento de qualquer das partes. “Art. ”36 Para a concretização da adoção póstuma. quando á habilitação dos herdeiros. A habilitação tem lugar quando. 42 desta lei. independentemente do estado civil.

”37 A adoção internacional apresenta a vantagem de dar uma família permanente. Adoção internacional: material didático.Acesso em 01/05/2015 . estando o menor sob proteção estatal. e observados os requisitos para a concretização desta. Luiz Andrade. Disponível em: http://www. 38 BRASIL. à criança ou adolescente que não conseguem encontrar uma família adequada em seu país de origem. preceitua ainda em seu artigo 31 que: “ A colocação em família substituta estrangeira constitui medida excepcional. que estabelecerá casos e condições de sua efetivação por parte de estrangeiros”38. ou que os pais biológicos tenham falecido. 1990. 37 OLIVEIRA. Disponível em: http://www. Ainda. Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA.barbacena. 227.loveira. 2.br/ccivil_03/constituicao/constituicaocompilado. somente admissível na modalidade de adoção”39. em outro país. é necessário que exista sentença transitada em julgado que decrete a perda do poder familiar.pdf . a possibilidade de viver em um novo lar. Acesso em: 13/05/2015.htm.adv. O ECA faz referência ao instituto em seus artigos 51 a 52-D. 1988.htm . para que seja efetuada a adoção internacional.br/material/adocao1. b) O adotante venha a falecer no curso do processo.br/governo/ECA_atualizado_2010. elencando requisitos para que ocorra a adoção de criança ou adolescente brasileiros. § 5°: “A adoção será assistida pelo poder público. em seu art. Disponível em: http://www.Acesso em 01/05/2015 39 BRASIL. na forma da lei. Constituição Federal. A Constituição Federal preceitua.gov.gov.3 – Adoção por estrangeiro Oliveira diz que: “Adoção internacional é o instituto jurídico que concede a uma criança ou adolescente que se encontra em situação de abandono.mg. desde que obedecidas às normas do país do adotante e do adotado.planalto.

Maria Berenice explica que: “A adoção internacional. II). § 2°). Cabe salientar que os brasileiros residentes em outros países. o laudo de habilitação tem validade de. dessa forma. Até porque. após consulta aos cadastros nacionais (ECA 51. no Máximo. impedindo. VII) e só se dará a adoção internacional depois de esgotadas todas as possibilidades de colocação em família substituta brasileira. dentre outros. a venda ou o tráfico de crianças. de fato. os labirintos que foram impostos transformaram-se em barreiras intransponíveis para que desafortunados brasileirinhos tenham a chance de encontrarem um futuro melhor fora do país. e com respeito a seus direitos fundamentais. Direito civil. o ECA elaborou requisitos para que tal fato não ocorra: a criança deverá possuir sua situação jurídica definida. habilitação dos requerentes à adoção. Maria Berenice. estágio de convivência. prevenindo o sequestro.”40 É importante entender as necessidades de se criar medidas para garantia da adoção internacional. Depois a preferência é de brasileiros residentes no exterior (ECA 51. um ano (ECA 52. p. dificilmente. 483 .6. sendo ela realizada no interesse superior da criança ou adolescente. 40 DIAS. que o instituto da adoção internacional tenha o seu propósito corrompido. carecia de regulamentação. São Paulo: Revista dos Tribunais. conseguira alguém obtê-la. possuem preferência em relação ao estrangeiro que deseja adotar criança ou adolescentes brasileiros. v. A fim de afastar o possível tráfico internacional de crianças e adolescentes. Assim. 2011. Mas está tão exaustivamente disciplinada. há tantos entraves e exigências que.

a sentença será inscrita no registro civil mediante mandado.6. ele concorrerá. O envio de criança ou adolescente brasileiro para país estrangeiro deverá obedecer.ed.27. no caso de irmão adotar irmão. 2.4 . independentemente do estado civil. autorização judiciária prévia. As adoções devem ser realizadas somente através de organismos autorizados. e controlados pelos governos dos países dos adotantes. ou o juiz que exercer essa função.Adoção por ascendentes e irmão do adotado O art. Na inscrição constará o nome dos adotantes já como pais e o nome dos ascendentes. 42. não permite a adoção por ascendente e irmão do adotado: “Art. No entanto. Direito civil. Podem adotar os maiores de dezoito anos. mas próximo. para todos os efeitos. p. . 2002. §1º do ECA. A autorização judiciária prévia se refere ao juiz da infância e da juventude. Finalizando o processo e sendo julgado procedente o pedido.335. Silvio Pereira esclarece da seguinte forma: “A proibição de adotar um neto talvez se justifique na ideia de que o ato poderá afetar a legitimidade de herdeiro necessário.”41 A proibição desta adoção tem relação moral e também patrimonial e é uma das poucas restrições impostas pela lei.atualizada por Francisco José Cahali. respeitando a Lei de Organização Judiciária Local. como o seu próprio pai.”42 Como um dos objetivos da adoção é dar uma família para a criança ou adolescente que necessita na adoção dos ascendentes (avós ou 41 eca 42 RODRIGUES. § 1º Não podem adotar os ascendentes e os irmãos do adotando. Como o neto adotado assumirá a posição de filho. à sucessão do avô. 42. não se vislumbra nenhum inconveniente. v. Silvio. tal como o filho. São Paulo: Saraiva.

43 Eca artigo 44 44 Código civil artigo1620 45 BRASIL. 2.Acesso em01/05/2015 . O Código civil repete tal mandamento no artigo 1778.5 . 44 do ECA que: “Enquanto não der conta de sua administração e saldar o seu alcance. sem que ocorra uma confusão na relação de parentesco. a regra é fácil compreender. especificamente os avos ou os irmão estejam impedidos de ficar com o neto ou com o irmão. em seu art. por exemplo. o fato de a lei proibir esta modalidade de adoção não quer dizer que os ascendentes. já que a regra é a curatela aos maiores de 21 anos.44 Quanto ao tutor. Código Civil. Disponível em: http://www.620 conservou o mesmo princípio: ”Enquanto não der contas de sua administração e não saldar o débito. a questão fica mais delicada quando se analisa a situação do curador.gov. Lei n.655.htm . há como requisito preliminar a prestação de contas da administração e a quitação de seu alcance.planalto.1778 – a autoridade do curador estende-se à pessoa e aos bens dos filhos do curatelado. e não de adoção.Bisavós) ou dos irmãos esta situação não se verifica. No entanto.br/ccivil_03/leis/1950-1969/L4655.Adoção por tutor e curador Traz no art.5º. não pode o tutor ou curador adotar o pupilo ou o curatelado. 4. pois a família está constituída e pode-se garantir esta relação de outra maneira. transformando. não poderá o tutor ou curador adotar o pupilo ou o curatelado”. A relação que se deve firmar nestas hipóteses é de colocação em família substituta na modalidade de guarda ou de tutela. 1. ao prever: “Art. de 2 de junho de 1965.”45 Deste modo para que a adoção do curatelado por seu curador ocorra. Assim.”43 No Código Civil. observado o art. avós ou irmãos em genitores do neto ou do irmão.

b) das que vivem em união estável. § 3º Para efeito da proteção do Estado. mas de forma excepcional. é a patroa. basta 46 BRASIL. A omissão do legislador em sede de adoção não significa que não existe tal possibilidade. mas também não verdade. Ao contrario.Acesso em 01/05/2015 . Às vezes. em outros casos. uma retidão de caráter que a mãe acha que seriam os pais ideais para o seu filho. Constituição Federal. absolutamente nada. um casal de amigos que têm uma maneira de ver a vida. que não está prevista na lei.planalto.gov.”46 2.2.6 – Adoção por conviventes e concubinos É autorizada a adoção em conjunto. levando-se em conta os benefícios que trará ao adotando e os requisitos próprios do instituto.7 – Adoção intuitu persona Este tipo de adoção é quando os pais biológicos escolhem quem vai adotar o seu filho. È o que se chama de adoção intuiti personae.br/ccivil_03/constituicao/constituicaocompilado. A família. no entanto ela pode vigorar. 226. impede que a mãe escolha quem sejam os pais de seus filhos. posto que há interferência no cadastro dos pretendentes à adoção. Disponível em: http://www. em duas hipóteses: a) das pessoas casadas.1988. às vezes. Não há uma previsão legal quanto esta modalidade de adoção. Maria Berenice Dias afirma que: “Nada. base da sociedade. é reconhecida a união estável entre o homem e a mulher como entidade familiar. uma vizinha. devendo a lei facilitar sua conversão em casamento. O Concubinato não é citado e com isso afastando essa possibilidade e igualando para os efeitos de adoção o casamento e a união estável em cumprimento à regra constitucional previstas no artigo da Constituição Federal: “Art. tem especial proteção do Estado.htm .

se restar comprovado que a medida é vantajosa ao tutelado e que não existe outra pessoa em melhores condições de assumi-la. de 3/8/2009. se restar comprovado que a medida é vantajosa ao tutelando e que não existe 47 DIAS. § único. Daí porque não se pode aceitar esta modalidade de adoção sem qualquer ressalva. É um tipo de adoção que não pode ser praticada por estrangeiros. lembrar que a lei assegura aos pais o direito de nomear tutor a seu filho.”48 “Art.”47 A diferença das demais adoções é por conceber a possibilidade de indicação. em adoção. somente sendo deferida a tutela à pessoa indicada na disposição de última vontade. E se há possibilidade de eleger quem vai ficar com o filho depois da morte. p.com.br/uploads/1_-_ado%E7%E3o_e_a_espera_do_amor. Disponível em: http://mariaberenice. da que irá adotar o seu filho e a possibilidade da dispensa do prévio cadastro dos pretendentes à adoção. Nem se justifica a comparação com o instituto da tutela. Luiz Antônio Miguel. 37. não se justifica negar o direito de escolha a quem dar. 83 . Adoção e a espera do amor. São Paulo: Cortez. 2010. Adoção: guia prático doutrinário e processual com as alterações da Lei 12010. Na apreciação do pedido.pdf – Acesso em 16/05/2015 48 FERREIRA. FERREIRA salienta que: “deve-se destacar que a adoção deve sempre visar o que é melhor para a criança ou para ao adolescente. somente sendo deferida a tutela à pessoa indicada na disposição de última vontade. 28 e 29 desta lei. Maria Berenice. sendo que no confronto entre o que os pais acham melhore o que se apurou no procedimento em favor do adotando. por parte da mãe ou pai biológico. serão observados os requisitos previstos nos arts. posto que a nova legislação (Lei 12. esta última hipótese deve prevalecer. devem se enquadrar nas exceções previstas em lei.010/09) aponta que na apreciação do pedido serão observados os requisitos previstos nos artigos 28 e 29 do ECA.

e excepcionalmente até 21 fixando a diferença de 16 anos que deve existir como adotante e sua idade 49 BRASIL.8 – Adoção tardia e adoção inter-racial. Marlizete Maldonado. São Paulo: Casa do Psicólogo. ainda. p.mg. Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA. Vargas considera tardia a adoção de crianças com idade superior a dois anos.35 . Mas este está longe de ser o único aspecto definidor desta modalidade de adoção.”49 2. 1998.gov. abrigam uma minoria de órfãos”. segundo Vargas: “ou foram abandonadas tardiamente pelas mães. para a criança e adolescente ser adotado. 18 anos.br/governo/ECA_atualizado_2010. foram ‘esquecidas’ pelo Estado desde muito pequenas em ‘orfanatos’ que. e como percebemos. As crianças consideradas "idosas" para adoção. na realidade. é mais procurada pelas famílias postulantes à adoção. outra pessoa em melhores condições de assumi-la. 1990. A criança recém-nascida. ou.barbacena.50 As crenças que constituem a atual cultura da adoção no Brasil apresentam-se como fortes obstáculos à realização de adoções de crianças "mais velhas" e adolescentes.Acesso em 01/05/2015 50 VARGAS. que por circunstâncias pessoais ou socioeconômicas. que os julgou incapazes de mantê-las em seu pátrio poder. Salientamos que o ECA estabeleceu como idade-limite. Adoção tardia: da família sonhada à família possível. uma vez que potencializam crenças e expectativas negativas ligadas à prática da adoção enquanto forma de colocação de crianças e adolescentes em famílias substitutas.pdf . Disponível em: http://www. não puderam continuar se encarregando delas ou foram retiradas dos pais pelo poder judiciário.

Se uma criança afrodescendente. Assim. mesmo em sociedades em que ainda são fortes os sinais e as barreiras estabelecidas entre as diferentes etnias. 88. Criança não é objeto. desta ou daquela cor. 1996. muitas vezes. In: Boletim Adoção em Terre des Hommes. sentir-se e for sentida como um verdadeiro membro desta nova família. tamanho. Segundo Varela: “na adoção não pode haver escolha da criança. mas como um real membro de uma família que é. A adoção inter-racial é aquela que se verifica quando há diferença étnica entre adotante e adotado.. como um ato mercantilizável. Adoção. pela criança as características culturais e biológicas que ela adquiriu originalmente e. tratando a questão. etc. desta ou daquela forma. e que pode se considerar uma família multirracial. poder mostrar-se à sociedade que tanto a discrimina e a marginaliza – ao meio extra-familiar – não como um “hóspede” ou um filho “bastardo”. n. 02 . num clima recíproco de dignidade e respeito. que contribui e valoriza a 51 VARELA. ao se cadastrarem. Curitiba – PR. Ana Maria Gualtiéri. positivamente. out. que. ano VIII. a cor da sua pele. não há qualquer impedimento legal quanto a esta modalidade de adoção. em particular. adotada por pais brancos. Esta conscientização permitirá à criança afrodescendente. O preconceito racial no processo de adoção emerge através das exigências impostas pelos casais requerentes.”51 Numa adoção inter-racial é necessário que sejam vivenciadas e reconhecidas. saúde. adotada por pais brancos. será o prenúncio da possibilidade de constituição de uma família multirracial. expõem como idealizam e como desejam a criança. não é mercadoria que se pode apalpar ou rejeitar quando apresentar algum problema ou defeito. p.mínima de 18 anos.

sua prática configura um delito. prevalecendo os meios judiciais e o respeito ao Cadastro Nacional da Adoção. a adoção informal é realizada de forma direta. a paternidade. na posse da criança. . ela o doa a uma mulher que não consegue gerá-lo naturalmente. Mesmo antes da instituição do divórcio .já ocorria à chamada adoção à brasileira. conceituado pelo art. mesmo não havendo norma especial que a regule. maternidade e a filiação merecem proteção estatal. 242 do atual Código Penal brasileiro. Assim. 2. caracterizando uma espécie de fraude ao sistema jurídico. ressaltando a dignidade de crianças e adultos de todas as etnias. como próprio. ou seja.9 – Adoção a Brasileira. razão pela qual o Estado não pode deixar de tomar medidas para reprimir as condutas que possam violar o estado de filiação. o que desencadeou vínculos paternos e maternos afetivos . a mãe adotiva registra o filho no Cartório de Registro Civil. Embora antigamente. quando a mãe não consegue sustentar seu filho. Apesar do instituto da “adoção à brasileira” ser objeto de estudo do direito de família. porém só há pouco tempo ela tomou decisivo lugar na esfera jurídica. a adoção direta é proibida. Assim. a “adoção à brasileira” consiste basicamente na ausência de processo judicial competente. tal modalidade fosse comum. Na maioria das vezes.diversidade étnica. Essa repressão constitui na responsabilização penal dos pais na prática desta modalidade de adoção. Dentro das relações familiares. A filiação socioafetiva sempre existiu na realidade do Brasil. na legislação atual. sem respeitar qualquer aspecto jurídico ou moral da criança.quando surgiram novas relações como padrasto e madrasta.

Como diz Maria Berenice: “A homoafetividade vem adquirindo transparência e aos poucos obtendo aceitação social. Na tentativa de fugir do processo legal.848. registrar como seu o filho de outrem.gov.reclusão. tem ensejado inúmeras discussões e controvérsias.52 Em muitos casos. 1º . 242 do Decreto-lei nº 2. Parágrafo único .htm . ocultar recém-nascido ou substituí- lo. alguns pretendentes à adoção aproveitam-se da situação de mães que querem se desfazer logo do vínculo maternal e utilizam-se dessa prática ilegal. passa a vigorar com a seguinte redação: “Art. 242 . DECRETO LEI Nº 6. de um a dois anos.Dar parto alheio como próprio. a adoção à brasileira ocorre devido a certa demora no processo legal que trata do instituto da adoção e. de 07 de dezembro de 1940 . suprimindo ou alterando direito inerente ao estado civil: Pena . Com certeza esta não é a melhor forma de começar uma família. religioso e social.planalto. Cada vez mais gays e 52 BRASIL. essas famílias se colocam numa situação de ilegalidade e de risco.8998/88.Se o crime é praticado por motivo de reconhecida nobreza: Pena - detenção.10 – Adoção Homoafetiva Quando se trata de homossexualidade a questão da adoção é um assunto extremamente polêmico e tal situação. podendo o juiz deixar de aplicar a pena”. Disponível em: http://www.O art. seja nos meios jurídico. 2.Código Penal. de dois a seis anos.br/ccivil_03/leis/1980-1988/L6898.acesso em 17/05/15 . “Art.

A adoção é possível.barbacena. ”Art. Adoção Homoafetiva – Disponível em : http://www. é muito melhor para uma criança que vive na rua.pdf .Acesso em 01/05/2015 . Vã é a tentativa de negar ao par o direito à convivência familiar ou deixar de reconhecer a possibilidade de crianças viverem em lares homossexuais”53.br/ccivil_03/constituicao/constituicaocompilado. raça. em abandono ou sob maus tratos ter uma família a continuar vivendo em condições precárias. importando somente a convivência em um ambiente saudável. Disponível em: http://www.pdf. inciso 4º. Disponível em: http://www. Acesso dia 25/05/2015. p.gov.gov. impor eventuais limitações em face da orientação sexual dos pais acarreta injustificável prejuízo e afronta à própria finalidade protetiva à qual a Constituição outorga especial atenção.mariaberenice.planalto. cor.htm .”55 53 DIAS. sem preconceitos de origem.br/uploads/6_-_ado%E7%E3o_homoafetiva. tranquilo e duradouro. Maria Berenice.com. 3º Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil: IV . Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA. idade e quaisquer outras formas de discriminação. posto que em seu artigo 3º. “ a adoção poderá ser deferida quando apresentar reais vantagens para o adotando e fundar-se em motivos legítimos”54. 1990. Ou seja. seja ela de qualquer natureza. Ou seja. Assim. pois segundo o artigo 43 do ECA.br/governo/ECA_atualizado_2010. lésbicas estão assumindo sua orientação sexual e buscando a realização do sonho de estruturar uma família com a presença de filhos. Constituição Federal. sexo. proíbe e não admite qualquer forma de discriminação.mg. o que se deve levar em consideração para a adoção é o melhor interesse da criança.1988.promover o bem de todos. 02 54 BRASIL.Acesso em 01/05/2015 55 BRASIL.

Não há nenhuma Lei em nosso ordenamento jurídico que promova a devida proteção aos casos de adoção por casais homoafetivos. p. sempre visando o melhor interesse da criança. não há de se falar em impedimentos legais quanto ao adotante ser homossexual. logo é necessária uma maior atenção por parte do judiciário ao analisar o caso em concreto.pdf.br/uploads/6_-_ado%E7%E3o_homoafetiva.PROCEDIMENTO DA ADOÇÃO NO BRASIL 56 DIAS. 03 .”56 Assim. Por isso. Maria Berenice. É chegada a hora de acabar com a injustificável resistência a que indivíduos ou casais homossexuais acalentem o sonho de ter filhos. Acesso dia 25/05/2015. sob pena de infringir-se o mais sagrado cânone do respeito à dignidade humana. Adoção Homoafetiva – Disponível em : http://www.com. CAPÍTULO III 3 . A solução de casos como este. urge revolver princípios. o único impedimento encontrado é o preconceito de parte da sociedade. com diz Maria Berenice: “A adoção não pode estar condicionada à preferência sexual ou à realidade familiar do adotante.mariaberenice. rever valores e abrir espaços para novas discussões. não poderá ser baseada em preconceitos e posicionamentos particulares dos julgadores.

foram 195. Constituição Federal.gov. onde são disciplinadas as relações jurídicas entre crianças e adolescestes e também a família.”60 57 BRASIL. Conselho Nacional de Justiça. das 5.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2009/lei/l12010. de preencher um vazio provocado pela falta de filhos biológicos. a elaboração do Estatuto da Criança e do Adolescente .jus. podendo.010/2009)59 visando dar mais agilidade neste processo e fazendo esta lista de adoção diminuir.mg. Disponível em: http://www.Acesso em 01/05/2015 58 BRASIL. Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA. Disponível em: http://www. No banco de crianças disponíveis para adoção do DF. 4.barbacena. Em 2009 foi sancionada a Nova Lei Nacional de Adoção (Lei 12. Código Civil.br/governo/ECA_atualizado_2010. Lei n. No Cadastro Nacional de Adoção (CNA). crianças com menos de 12 anos são minoria. de 3 de agosto de 2009.br/programas-e- acoes/cadastro-nacional-de-adocao-cna .1988.htm .gov.gov. “segundo dados de outubro de 2013. O ato de adotar em nosso país sempre esteve relacionado como uma questão de caridade à criança. 1990. a Justiça do DF autorizou 167 adoções.htm . Disponível em: http://www. A realidade não é diferente nacionalmente.cnj.010. 12.planalto. a adoção passou a ser um instituto de proteção a criança e ao adolescente. somente com a verificação das reais vantagens para o adotando. só no ano passado. Ainda assim. A finalidade da adoção é realizar o direito da criança e do adolescente à convivência familiar sadia. limitando-se a esfera privada.planalto.pdf . Desde as inovações trazidas pela Constituição Federal de 198857. acessado em 16/05/2015 .3 mil (80%) estão na faixa etária acima de 9 anos.Acesso em 26/09/2014 60 BRASI.Acesso em 01/05/2015 59 BRASIL.ECA 58.br/ccivil_03/constituicao/constituicaocompilado. Em 2010. Disponível em: http://www. mas em 2015 percebemos que a lentidão e burocracia ainda fazem parte do sistema de adoção do Brasil. ser deferida.4 mil crianças e jovens para adoção. no intuito de atender as necessidades e desejos dos adotantes. Sociedade e Estado.

organizados e eficazes. pois há uma séria de formalidades e requisitos a serem cumpridos. dificultando então a vontade do adotante em adotar. . reconhecendo-a como seu próprio filho. ou seja. é necessário ressaltar que o essencial requisito é de natureza subjetiva. é notório que essa falta de agilidade do Estado faz com que todas estas crianças e adolescentes fiquem nesta longa espera que poderia ser agilizada caso tivéssemos procedimentos mais simples. oferecendo-lhe saúde. um caminho lento devido a sua morosidade e burocracia jurídica. Em abordagem à figura do adotante. no entanto. a vontade de adotar uma criança. Percebesse que em muitas das vezes o Estado fica tentando criar um laço de afinidade e carinho com parentes consanguíneos que não estão nem um pouco preocupado com o abandono destas crianças e adolescentes em abrigos. Estas tentativas além de criarem maiores frustações ao menor prolonga o processo de adoção dos mesmos. por medida de prevenção e segurança. tenham 16 anos a mais do que o adotado e ofereçam um ambiente familiar adequado. estão aptos a adotar os homens e as mulheres que sejam maiores de 18 anos de idade. lazer. Segundo o ECA. Não podem adotar os avós e irmãos do adotando.1 – Requisitos do Adotante. Sendo. Devido à morosidade no sistema de adoção que o país possui. O processo de adoção não será deferido a qualquer pessoa. 3. família educação e amor.

Inscrições de Pretendentes no Cadastro Nacional de Adoção – CNA O CNA disponibiliza uma guia que ensina o passo a passo para os adotantes se inscreverem no cadastro: 1. solteiras. após ter concluído o cadastro do pretendente. todos os juízes. mas não descreve as características do ambiente familiar adequado. Com a inserção no CNA. na avaliação psicossocial realizada pela equipe da Vara da Infância e da Juventude. inexistindo nela Vara Especializada. que é a presença de pessoas dependentes de álcool e drogas. viúvas ou divorciadas. “O pretendente à adoção somente poderá ser inserido no sistema pela Comarca de seu domicílio. de todo o país. Pessoas casadas. O próprio juiz ou seu auxiliar realizará o cadastro no sistema.3.069/90. terão acesso à relação dos pretendentes à adoção. Porém.1 . O Estatuto da criança e do adolescente define apenas um o que seja um ambiente familiar inadequado para adoção. 2. em união estável. O recibo de inclusão pode ser emitido a qualquer momento. 3. mas estáveis condições socioeconômicas podem candidatar-se à adoção. é considerada uma ampla categoria de aspectos que deem indícios de um ambiente saudável para a criança e para o adolescente. 50 da Lei Federal 8. Uma . Isso significa que o pretendente deve primeiro habilitar-se na Vara da Infância e da Juventude de sua Comarca ou. na Vara competente para o processo de adoção. nos moldes do art. com modestas.

O sistema não permitirá a duplicidade de inscrições e identificará as uma ocorrência por meio do CPF do pretendente. Vencido o prazo de inscrição sem que tenha sido finalizado o processo de adoção. com obrigatória atualização dos dados. da criação do é possível sua anotação no Cadastro. sob a rubrica “processo adicional. 4. Na hipótese de inscrições múltiplas ocorridas antes Cadastro Nacional de Adoção. . Clique e o recibo será gerado. conforme o item 6 deste manual. o sistema alertará o juízo da habilitação. caso tenha interesse. Nesse caso. 5. a renovação do seu pedido. 6. 3. o cadastro do pretendente poderá ser mantido caso seja realizada uma reavaliação. os pretendentes serão considerados como se domiciliados em mais de uma Comarca ou Foro Regional. na base da tela há o link: ‘Gerar recibo de cadastro’. As inscrições no CNA serão válidas por 5 (cinco) anos. Ultrapassados os 5 (cinco) anos. que poderá notificar o pretendente para providenciar. caso entenda pela necessidade de reavaliação do pretendente. prazo que poderá ser reduzido a critério do juízo da habilitação.vez aberta a tela com os dados do pretendente (menu: Consultar >> Pretendente).

63% das crianças e adolescentes abrigados no Brasil são negros. 2004.p. 62 SILVA.gov. p. caso entenda ser essa a melhor forma de proceder. apenas 35% brancos e 2% de indígenas e amarelos. Conselho Nacional de Justiça.%202 acesso em 16/05/15 . O perfil da criança e do adolescente nos abrigos pesquisados. há espera de ambos os lados.ipea. Enid Rocha da (coord. 41-70. deve alterar a situação do pretendente para inativo por determinação judicial. Para isso. Disponível em :http://repositorio. Guia do usuário. Foi realizado um estudo através do IPEA (O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada. 7. Brasília: IPEA/CONANDA. In: SILVA. Enid Rocha Andrade da. O direito à convivência familiar e comunitária: os abrigos para crianças e adolescentes no Brasil. A decisão sobre a reavaliação e a sua forma de realização são de competência do juiz responsável pelo processo. 62 61 BRASI. traçando o perfil do abrigado em nosso país e se comprovou que a maioria das crianças institucionalizadas é negra. a dos interessados em adoção que buscam as crianças que não puderam ter de forma convencional e o grande número de crianças e adolescentes no país esperando uma família.”61 3.br/bitstream/11058/3050/4/Livro_cap.10 e 11.).2 – Perfil do adotado Hoje coexistem duas realidades distintas. O magistrado tem liberdade para suspender os pretendentes por ele habilitados quando o prazo da habilitação ultrapassar o estipulado em seu Estado. E como o perfil de filho esperado pelos interessados em adoção é diferente do que encontramos nos abrigos brasileiros.é uma fundação pública federal vinculada à Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República) em todos os abrigos brasileiros. isto é. Cadastro Nacional de Adoção – Maio de 2006. 8.

”64 O estudo levantou duas hipóteses a respeito do referido fenômeno. pois não há poder familiar sobre eles. Disponível em :http://repositorio. Brasília: IPEA/CONANDA.7% das crianças e adolescentes abrigados estão em condições de estarem disponíveis para adoção. In: SILVA.7% dos abrigados estão na faixa de 0 a 3 anos de idade.respectivamente. sendo o maior número entre as faixas de 7 a 15 anos. apenas 11. O perfil da criança e do adolescente nos abrigos pesquisados. O direito à convivência familiar e comunitária: os abrigos para crianças e adolescentes no Brasil. 41-70. 61. 12. Na idade de 13 anos. Disponível em :http://repositorio. Na região sudeste.3%. Enid Rocha Andrade da. há 806 adolescentes negros para 392 adolescentes brancos. assim.gov. Enid Rocha da (coord.5%.ipea. 2004. A região sudeste concentra 14. supõe-se que as instituições de abrigo concentram tantas crianças negras pelo fato das condições socioeconômicas dos negros no Brasil ainda serem precárias. p. demonstrou.63 Esse estudo cruzou cor e faixa etária dos abrigados.).%202 acesso em 16/05/15 . In: SILVA. A pesquisa mostrou ainda que apenas 10. O perfil da criança e do adolescente nos abrigos pesquisados. 2004. Brasília: IPEA/CONANDA. Ressalta-se também que.%202 acesso em 16/05/15 64 SILVA.). O direito à convivência familiar e comunitária: os abrigos para crianças e adolescentes no Brasil.7% dos abrigados entre 7 e 15 anos. por exemplo.br/bitstream/11058/3050/4/Livro_cap. Na faixa etária seguinte. p. Uma vez que na: “faixa etária de zero a 1 ano incompleto a população negra é da ordem de 183 crianças. 63 SILVA. Enid Rocha da (coord. Na segunda hipótese.se uma tendência progressiva de aumento da população negra conforme avança a faixa etária dos abrigados. Enid Rocha Andrade da. o que faz as famílias negras deixarem seus filhos nos abrigos. no Brasil. enquanto que a população branca é de 215.br/bitstream/11058/3050/4/Livro_cap. 41-70.gov. a primeira diz respeito à preferência explícita das famílias brasileiras pela adoção de crianças de cor branca. o número de crianças negras nos abrigos já ultrapassa o número de crianças da cor branca: 230 e 202.ipea. de 2 anos. este número é um pouco maior.4% de crianças entre a faixa etária de 0 a 3 anos e 57.

52. com o passar dos anos. a criança ou o adolescente não tem resguardado seu direito à convivência familiar. Desta forma. em cada comarca ou foro regional um registro de crianças e adolescentes em condições de serem adotadas e outros de pessoas interessadas na adoção”. Ribeirão Preto. Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA. 2006. uma vez que se nota que as famílias não abrem mão do poder familiar quando a criança é abrigada.Formalidades no processo de Adoção quanto ao Pedido O primeiro passo a ser observado quanto à formalidade do pedido de adoção está descrito no artigo 50 do ECA.mg. Assim. 66 BRASIL. acaba fazendo parte da vida da criança ou adolescente por anos65 Segundo o estudo do IPEA. Ciências e Letras de Ribeirão Preto / USP.6% das crianças e adolescentes já vivem abrigados há mais de dois anos. Dissertação (Mestrado em Ciências – área: psicologia).66 Deve se dirigir ao fórum de sua cidade ou região.3 . 3.br/governo/ECA_atualizado_2010. o qual discorre que: “a autoridade judiciária manterá. assim. entrevistas serão 65 MARTINEZ. 240 p. Após análise e aprovação da documentação.barbacena. Receberá então informações iniciais a respeito dos documentos necessários para dar continuidade ao processo. pode-se levantar outro fato intrigante. Através desses dados. Faculdade de Filosofia.Acesso em 01/05/2015 . 1990. a criança já não está na idade em que os interessados em adoção buscam e nem houve retorno do vínculo com a família de origem. tem-se uma ideia do quanto complicada é a situação da adoção no Brasil. Disponível em: http://www. Por todos esses estudos. o abrigo que deveria ser temporário.pdf . 2006. Ana Laura Moraes. com o seu RG e com um comprovante de residência. Adolescentes no momento da saída do abrigo: um olhar sobre os sentidos construídos.gov.

modalidade de adoção em que se leva em conta a vontade dos pais . salvo nos casos de adoção intuito personae. Após este momento. que exige tanto uma despedida dos vínculos amorosos estabelecidos até então seja . De todo modo. composta por profissionais da área da psicologia e do serviço social. no abrigo ou no hospital. o pretendente poderá encontrar-se com ela na própria Vara. o tempo que transcorre até que a criança seja levada para o lar adotivo varia. Os candidatos aprovados. passam a integrar o cadastro de habilitados. cometeram faltas ou delitos graves e que representariam riscos para a criança que viessem a adotar. Estes são excluídos definitivamente do cadastro de pretendentes à adoção. Os inaptos são aqueles considerados insuficientemente preparados para a adoção. Salienta-se que a ninguém é dado o direito de adotar sem que haja prévia habilitação. Recomendasse uma aproximação gradativa. Os candidatos reprovados estão subdivididos em dois grupos: inaptos e inidôneos. depois de uma apreciação favorável da criança indicada pelos profissionais da Vara.realizadas com a equipe técnica da Vara da Infância e da Juventude. inicialmente. É muito mais fácil encontrar uma criança que se adapte ao perfil de um candidato que tenha poucas restrições quanto à criança e adolescente que se disponha a adotar. grupos de apoio e reflexão para candidatos à adoção e poderão ser reavaliados futuramente. O estudo psicossocial será confrontado com o cadastro de crianças disponíveis à adoção. Estes poderão ser indicados para alguns serviços de acompanhamento psicoterápico. seja na família guardiã .no abrigo. conforme a decisão do juiz. tendo em vista que a adoção é um processo mútuo.quanto um tempo de construção de novas relações. respeitando-se as condições da criança. Já os inidôneos são aqueles que apresentam importantes comprometimentos psíquicos.

Porém poderá haver inobservância dessa ordem nos casos em que houver prejuízo ao menor. Existem muitos julgados em que se indeferiu o pedido de adoção por casal que encontrou uma criança abandonada. Disponível em: http://www. Ainda em relação ao cadastro de adotantes.pdf .67 3.Acesso em 01/05/2015 . o juízo especial da Justiça da Infância e da Juventude. no sentido de que o adotando deverá ser colocado em uma determinada família substituta. e inciso III do Estatuto da Criança e Adolescente: “Art. não foi mencionado no Código Civil de2002.br/governo/ECA_atualizado_2010.gov. 67 BRASIL. O pedido de adoção encaminhado ao juízo competente. 1990. devido à ausência de habilitação dos adotantes ou da escolha dos pais biológicos. porém. “Art. pelo prazo que a autoridade judiciária fixar.biológicos do adotando. observadas as peculiaridades do caso. § 1º O estágio de convivência poderá ser dispensado se o adotando já estiver sob a tutela ou guarda legal do adotante durante tempo suficiente para que seja possível avaliar a conveniência da constituição do vínculo. tem-se a questão da ordem cronológica de inscrição. 148. Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA. previamente escolhida pelos próprios pais biológicos.barbacena.mg. conforme definido no artigo 148. sempre que possível. deverá ser respeitada. 46. a qual.4 – Estágio de Convivência O estágio de convivência está disciplinado no artigo 46. A adoção será precedida de estágio de convivência com a criança ou adolescente. A Justiça da Infância e da Juventude é competente para: III – conhecer de pedidos de adoção e seus incidentes”. neste caso. §§ 1º e 2 º do Estatuto da Criança e Adolescente.

Acesso em 01/05/2015 . Disponível em: http://www. não há fixação legal de prazo máximo ou mínimo. § 2º A simples guarda de fato não autoriza. este processo deverá ser ainda mais cuidadoso. a flexibilidade do prazo dar-se-á de acordo com as diversas situações existentes. Especialmente quando a criança e o adolescente está há muito tempo institucionalizado. cartas.barbacena.mg. de acordo com as peculiaridades de cada caso.pdf . para melhor responderem às diversas questões que poderão emergir nesse encontro. A partir disto a família pode reconhecer e acolher a criança com a sua história vivida. criança e família. 68 BRASIL.gov. a dispensa da realização do estágio de convivência. que são parte constituinte da sua subjetividade. normas e valores específicos. no entanto. com um sistema de regras.”68 A lei determina um estágio de convivência entre adotando e adotante. O prazo para o estágio de convivência será fixado pelo juiz. É importante respeitar o necessário processamento de ambos os lados. registros de sua vida anterior. como: álbum de fotografia. cartões e desenhos recebidos de outras crianças ou de educadores do abrigo. desenhos. bilhetes. relatos de momentos importantes de sua vida.br/governo/ECA_atualizado_2010. considerando-se que a separação do ambiente anterior e a criação de novos vínculos demandam tempo e processamentos psíquicos de lado a lado. por si só. 1990. pois ela foi constituindo sua identidade nesta instituição. Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA. Tem se mostrado um recurso bastante significativo para o favorecimento dos laços afetivos entre o adotando e a família adotante quando a criança tem a possibilidade de levar. já no estágio de convivência.

à profissionalização. corrigindo as injustiças e discriminações anteriores.br/ccivil_03/constituicao/constituicaocompilado. o direito à vida. com absoluta prioridade. havidos ou não da relação do casamento. 227. O artigo 227.Acesso em 01/05/2015 . ao lazer. da sociedade e do Estado assegurar à criança. Disponível em: http://www. à alimentação. O adotado assume legalmente uma filiação legal e o adotante.htm . suspensão ou destituição do pátrio poder dos adotantes não restaura o dos pais biológicos: “Art. ao adolescente e ao jovem.mg. 49. A morte dos adotantes não restabelece o poder familiar dos pais naturais. ao respeito. a paternidade. o adotado se desliga de todos os vínculos com sua família de origem. exploração. quanto aos direitos sucessórios. Importante é frisar que a extinção. 1988. à dignidade. “Art. Os principais efeitos pessoais são a filiação legal e a transferência do pátrio poder. além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência.”70 69 BRASIL. à saúde.5 – Efeitos da Adoção Existem efeitos pessoais e patrimoniais. discriminação. Disponível em: http://www.gov. ou por adoção. de 2010) § 6º Os filhos. As relações familiares se estendem à família do adotante. dando aos dois os mesmos direitos. à liberdade e à convivência familiar e comunitária.gov. crueldade e opressão. violência. proibidas quaisquer designações discriminatórias relativas à filiação.pdf . terão os mesmos direitos e qualificações. É dever da família.Acesso em 01/05/2015 70 BRASIL.” 69 Os principais efeitos patrimoniais gerados pelo instituto da adoção são os sucessórios e os relativos à prestação de alimentos. à cultura. 1990.3. Constituição Federal. Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA.planalto. (Redação dada Pela Emenda Constitucional nº 65. No contraponto.barbacena. § 6º da Constituição Federal de 1988 estabeleceu a isonomia entre os filhos adotados e legítimos.br/governo/ECA_atualizado_2010. à educação.

Código Civil. terão os mesmos direitos e qualificações.gov. definido no artigo 227. 3. terão os mesmos direitos e qualificações. 71 BRASIL. 1.pdf . sendo vedado qualquer tipo de discriminação. O Código Civil também explica sobre a isonomia que cabe a todos os filhos: “Art. salvo os impedimentos 72 matrimoniais. proibidas quaisquer designações discriminatórias relativas à filiação. inclusive sucessórios.barbacena. 41. 1990. §6º da Constituição Federal.Acesso em 01/05/2015 . havidos ou não da relação de casamento.Acesso em 01/05/2015 72 ______. ou por adoção. de 1º de janeiro de 1916. é tão filho como qualquer outro na condição de legítimo. Lei n. o ECA também traz a sua manifestação sobre o tema e dispõe sobre as suas condições: “Art.mg. Os filhos. 20.br/ccivil_03/leis/l3071. ao conferir tratamento isonômico aos filhos havidos naturalmente ou por adoção.596. havidos ou não da relação de casamento. Os filhos. ou por adoção. Disponível em: http://www.”71 E ainda.071. Não podemos falar em filhos ilegítimos.gov. Disponível em: http://www. Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA. desligando- o de qualquer vínculo com os pais e parentes. com os mesmos direitos e deveres. A adoção atribui a condição de filho ao adotado. O adotivo hoje. Art.br/governo/ECA_atualizado_2010.” Desse modo. sendo proibidas todas e quaisquer discriminações em relação à condição de filho adotado ou legítimo. é proibida a edição de leis que tratem tais indivíduos de maneira desigual. proibidas quaisquer designações discriminatórias relativas à filiação. visto que todos gozam dos mesmos privilégios.htm .planalto.

§ 1º A inscrição consignará o nome dos adotantes como pais.gov. Uma vez que se estabelece a adoção.pdf . § 5º). A adoção é irrevogável. 47. O vínculo da adoção constitui-se por sentença judicial.mg. poderá determinar a modificação do prenome. 1990. por sua vez. Como corolário. A inscrição do adotado no registro civil consignará o nome dos adotantes como pais. também. A adoção estatutária pressupõe perfeita integração do adotado em sua nova família. permitindo-se. bem como o nome de seus ascendentes. a pedido do adotante. Essa solução é tomada no caso da primeira adoção não ser bem-sucedida. perante a impossibilidade de sua revogação. a sua sentença somente pode ser rescindida de acordo com os princípios processuais. bem como o nome de seus ascendentes (art. 47.br/governo/ECA_atualizado_2010. Disponível em: http://www. obedecendo aos requisitos legais. pelo adotante. “Art. com desligamento de todos os vínculos biológicos com os pais e parentes naturais. a mudança de seu prenome (art. o pátrio poder é assumido. Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA. 47.barbacena. § 5º A sentença conferirá ao adotado o nome do adotante e.”73 73 ______. O menor pode ser adotado novamente. § 1º).Acesso em 01/05/2015 . que será inscrita no registro civil mediante mandado do qual não se fornecerá certidão. A morte dos adotantes ou do adotado não restabelece o vínculo originário com os pais naturais. juntamente com todos os deveres respectivos. a pedido de qualquer deles. suprimindo-se o pátrio poder dos pais biológicos a partir da sentença que defere a adoção.

podendo determinar a mudança de prenome. Código Civil. e vice-versa. O § 2º deste artigo diz o processo é arquivado e o registro anterior cancelado. é seu sobrenome que é conferido ao adotado. na esteira de razões morais. 74 ______. éticas e genéticas.htm .Acesso em 01/05/2015 . se menor. Disponível em: http://www. podendo determinar a modificação de seu prenome. os impedimentos atingem o adotado com relação a ambas as famílias. por força do parentesco biológico.”74 Se for a mulher casada que adota. “Art.br/ccivil_03/leis/l3071. de 1º de janeiro de 1916. A decisão confere ao adotado o sobrenome do adotante. 3. a adotante e a biológica. 1. Nesse sentido. O Código Civil estipula que a decisão que decreta a adoção confere ao adotado o sobrenome do adotante.O Registro de Nascimento do Adotado O artigo 47 do ECA. Tudo faz o legislador para que a integração do adotado na sua nova família seja a mais completa possível. rompendo os vínculos com a família natural. a pedido do adotante ou do adotado. a sentença judicial que concede a adoção será inscrita no Registro Civil mediante mandado do juiz prolator da sentença. O impedimento matrimonial. os impedimentos matrimoniais são ressalvados. como já dito.6 . e não o do seu marido. nos impedimentos matrimoniais. é irremovível. 3.planalto.627. a pedido do adotante ou do adotado. salvo.071. Embora a lei iguale todos os direitos do adotado aos do filho legítimo e insira-o integralmente na família do adotante. se menor. Lei n.gov.

§5º do ECA78. no que diz respeito à sua origem e adoção. É a partir do trânsito em julgado da sentença que a adoção produzirá seus efeitos.7 . que explica sobre adoção 75 ______.barbacena. 1990.mg.br/governo/ECA_atualizado_2010. a seu pedido. “Art. bem como de obter acesso irrestrito ao processo no qual a medida foi aplicada e seus eventuais incidentes. Parágrafo único. adotado e adotante. referisse ao direito de conhecer suas origens: “Art. § 2º O mandado judicial. Assim o § 4º do artigo 47 do ECA: “Nenhuma observação sobre a origem do ato poderá constar nas certidões de registro”. criando-se uma nova relação jurídica entre as partes. que será arquivado.”75 Importante salientar que haverá total privacidade para com o adotado. Disponível em: http://www. assegurada orientação e assistência jurídica e psicológica. 47. O adotado tem direito de conhecer sua origem biológica. cancelará o registro original do adotado.76 O artigo 48 do ECA.Acesso em 01/05/2015 76 Idem 77 Idem 78 Idem . com exceção ao artigo 42. ”77 3. O vínculo da adoção constitui-se por sentença judicial. a natureza da sentença é constitutiva. após completar dezoito anos.A Sentença proferida na Adoção e sua Natureza Jurídica No instituto da adoção. O acesso ao processo de adoção poderá ser também deferido ao adotado menor de dezoito anos. que será inscrita no registro civil mediante mandado do qual não se fornecerá certidão.gov. 48.pdf . com o objetivo de evitar a discriminação do adotado perante a sociedade. Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA.

Nos procedimentos afetos à Justiça da Infância e da Juventude fica adotado o sistema recursal do Código de Processo Civil. nesse caso ocorrerá o juízo de retratação do Magistrado. com as seguintes adaptações: VII – antes de determinar a remessa dos autos à superior instância. O vínculo da adoção é constituído somente através da sentença judicial. a criança e adolescente passará a ter uma certidão de nascimento na qual os adotantes constarão como pais.barbacena.Acesso em 01/05/2015 . poderá determinar a modificação do prenome.gov. No que tange à sentença concedente da adoção. O ECA definiu que não existe mais a possibilidade de adoção de criança ou adolescente por meio de escritura pública. Na sua nova certidão de nascimento ela passará a ter o nome escolhido pelos adotantes e seu sobrenome. § 5º do ECA79 dispõe que a sentença de mérito que concede a adoção conferirá ao adotado o nome do adotante e. os profissionais da Vara da Infância buscam intermediá-la. 198. Sendo lavrada a sentença. no caso de 79 ______. em seu inciso VII. e suas alterações posteriores. Disponível em: http://www. O processo judicial será arquivado e o registro original do adotado será cancelado. excepcionalmente. “Art. Este pedido se justifica na medida em que a criança e adolescente possa ter a necessidade de recuperar parte de uma história que não será apagada.mg. A criança pode solicitar autorização ao juiz para consultar os autos do processo a qualquer momento que desejar. prevê a possibilidade de.br/governo/ECA_atualizado_2010. O artigo 47. a pedido desse. Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA.869.pdf . o artigo 198 do Estatuto da Criança e Adolescente. 1990. Uma vez que a troca de nomes é uma operação bastante delicada. o juiz reformar a sua decisão. caso em que a sentença terá força retroativa à data do óbito do candidato à adoção. aprovado pela Lei nº 5. de 11 de janeiro de 1973.póstuma.

apelação, ou do instrumento, no caso de
agravo, a autoridade judiciária proferirá
despacho fundamentado, mantendo ou
reformando a decisão, no prazo de cinco
dias;”80

Neste caso, o juízo de retratação ocorrerá após a sentença de
mérito.
Se houver a interposição do recurso, a exemplo do Recurso de
Apelação, que pode ser interposto pelo membro do Ministério Público ou
pelos candidatos à adoção, o magistrado, antes de remeter os autos à
instância superior, irá proferir um despacho onde poderá manter a sua
decisão ou reformá-la, fundamentado no prazo de cinco dias. Então, correrá
o prazo de cinco dias para o juízo a quo reformar a sua decisão, contados a
partir do recebimento do recurso.
Conforme disposto no artigo 198, inciso VIII, do ECA,
“VIII – mantida a decisão apelada ou
agravada, o escrivão remeterá os autos ou
o instrumento à superior instância dentro
de vinte e quatro horas, independentemente
de novo pedido do recorrente; se a
reformar, a remessa dos autos dependerá
de pedido expresso da parte interessada ou
do Ministério Público, no prazo de cinco
dias, contados da intimação.”81
Agora, se o juízo da primeira instância reformar a sentença já
prolatada, a remessa dos autos para o juízo ad quem dependerá de pedido
expresso da parte interessada ou do Ministério Público, observando-se um
prazo de cinco dias, o qual será contado a partir da intimação dos mesmos.

3.8 - Recursos Cabíveis da Sentença de Adoção

80
______. Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA. 1990. Disponível em:
http://www.barbacena.mg.gov.br/governo/ECA_atualizado_2010.pdf - Acesso em 01/05/2015
81
Idem

Os recursos cabíveis a adoção, estão definidos o artigo 198 do
ECA, que adota o sistema recursal do Código de Processo Civil. Porém, as
disposições contidas no Código de Processo Civil relacionados aos recursos
que forem incompatíveis com as regras do ECA não podem ser aplicadas
aos referidos procedimentos.

““Art. 198. Nos procedimentos afetos à
Justiça da Infância e da Juventude fica
adotado o sistema recursal do Código de
Processo Civil, aprovado pela Lei nº 5.869,
de 11 de janeiro de 1973, e suas alterações
posteriores, com as seguintes adaptações:

I – os recursos serão interpostos
independentemente de preparo;

II – em todos os recursos, salvo o de
agravo de instrumento e de embargos de
declaração, o prazo para interpor e para
responder será sempre de dez dias;

III – os recursos terão preferência de
julgamento e dispensarão revisor;

IV – (revogado);

V – (revogado);

VI – (revogado);

VII – antes de determinar a remessa dos
autos à superior instância, no caso de
apelação, ou do instrumento, no caso de
agravo, a autoridade judiciária proferirá
despacho fundamentado, mantendo ou
reformando a decisão, no prazo de cinco
dias; ”82

Então, são recursos cabíveis no processo de adoção:

82
______. Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA. 1990. Disponível em:
http://www.barbacena.mg.gov.br/governo/ECA_atualizado_2010.pdf - Acesso em 01/05/2015

a) A apelação, prevista no artigo 513 do Código de Processo Civil,
sendo esta utilizada para requerer a improcedência ou a reforma de
uma sentença;
b) O agravo de instrumento (artigo 522 do CPC), que desafia as
decisões interlocutórias proferidas no processo;
c) Os embargos de declaração (artigo 535 do Código de Processo
Civil), sendo este utilizado em qualquer decisão ou sentença, desde
que haja a presença de omissão, obscuridade e contradição das
mesmas.

Uma questão que deve ser destacada é que, nos recursos
interpostos no processo de adoção, o preparo não é requisito de
admissibilidade do recurso, conforme ECA no inciso I do artigo 198 do:
“os recursos serão interpostos independentemente de preparo.” 83

3.9 - Morosidade Processual

A todos, sem exceção, no âmbito judicial ou administrativo, são
assegurados a razoável duração do processo e os mecanismos que garantam
a celeridade de sua tramitação, CF/88 art. 5º, LXXVIII. A norma deste
inciso é programática, idealiza um propósito, cuja realização dependerá da
existência de mecanismos para proporcionar a celeridade dos atos
processuais, alcançando assim, a razoável duração do processo.

“Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem
distinção de qualquer natureza,
garantindo-se aos brasileiros e aos
estrangeiros residentes no País a
inviolabilidade do direito à vida, à
liberdade, à igualdade, à segurança e à
propriedade, nos termos seguintes:
LXXVIII a todos, no âmbito judicial e
administrativo, são assegurados a razoável
duração do processo e os meios que
83
______. Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA. 1990. Disponível em:
http://www.barbacena.mg.gov.br/governo/ECA_atualizado_2010.pdf - Acesso em 01/05/2015

principalmente do princípio da efetividade. apoio. celeridade e instrumentalidade. carinho. garantindo a inafastabilidade do controle jurisdicional.Acesso em 01/05/2015 . garantindo os 84 BRASIL.br/ccivil_03/constituicao/constituicaocompilado. Todo o tempo e a demora no decorrer do processo de adoção acabam gerando uma angústia para quem aguarda o resultado. sem propiciar condições para que a prestação jurisdicional realmente atenda as expectativas com eficácia e celeridade. Trata-se de indivíduos com direitos juridicamente tutelados fundamentais elencados no artigo 5º da CF/1988. do contato de uma família presente e equilibrada imprescindível á saúde física e psicológica do ser humano.planalto. Constituição Federal. garantam a celeridade de sua tramitação. outros sequer chegaram a conhecê-los. Uma vez que o acesso à justiça se apresenta como princípio base da estrutura do sistema processual brasileiro. Disponível em: http://www. 1988.”84 No processo de adoção a celeridade se faz necessária para que sejam evitados sofrimentos desnecessários ao adotando. Pois não basta simplesmente possibilitar o ingresso das partes em juízo. esta garantia depende da realização. todos com carência de amor. No entanto. carinho.gov. A maioria dos casos são crianças ou adolescentes abandonados pelos pais biológicos.htm . Uma vez que o Estado Democrático de Direito é quem detém o poder e a responsabilidade de zelar pelo bem de todos. vínculo familiar sinônimo de garantia de direitos. como a necessidade de criação de novas estratégias que imponham celeridade ás resoluções dos conflitos. que em sua maioria encontra-se em abrigos sem contato verdadeiro de afeto duradouro.

Da mesma forma. à liberdade. é quem poderá promover mecanismos para mover a máquina do judiciário para possibilitar condições de celeridade dentro de um prazo razoável e efetivo juridicamente.direitos fundamentais e individuais em respeito à dignidade humana. igualdade. também não são desejáveis. enfim. acaba sendo violado quando o autor se submete a um processo lento. temos que conceituar o que é o poder Familiar. No processo de adoção o princípio da dignidade humana. a tutela jurisdicional deve considerar os elementos quantidade e qualidade. mas injustas. CAPÍTULO IV 4 – O PODER FAMILIAR Inicialmente. Para Carlos Gonçalves: “Poder Familiar é o conjunto de direitos e deveres . causando transtornos colocando em risco de perda do objeto da tutela jurisdicional. pois somente o equilíbrio entre ambas será capaz de produzir bons resultados ao adotante e o adotado. Por isso. ser efetivas e rápidas.

br/governo/ECA_atualizado_2010. 412.” Assim. O poder familiar também tem previsão legal no ECA. 2011. p. vol.” E para Eduardo de Oliveira Leite: “ Poder Familiar é um conjunto de direitos e Obrigações.1 .rev. 86 LEITE.br/ccivil_03/leis/l3071. que: “Os filhos estão sujeitos 87 ao poder familiar. Direito Civil brasileiro.Acesso em 01/05/2015 88 ______.htm .barbacena. 85 atribuídos aos pais. que virá naturalmente aos 18 anos ou com o advento da emancipação.mg. quanto à pessoa e bens do filho menor não emancipado. cabendo-lhes ainda.071.Suspensão do Poder Familiar 85 GONÇALVES. 4. conforme a previsto em lei. 3. Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA. de 1º de janeiro de 1916.Pressupostos para a Suspensão. no artigo 22. guarda e educação dos filhos menores.planalto. p.1 . os pais estão sujeitos ao exercício do poder familiar até a maioridade dos filhos. Adoção: aspectos jurídicos e metajurídicos. tendo em vista o interesse e a proteção do filho.”88 4. no tocante à pessoa e aos bens dos filhos menores. Carlos Roberto. para que possam desempenhar os encargos que a norma jurídica lhes impõe.pdf . Código Civil. 2005.atual. Os pressupostos estão definidos no Código civil e no Estatuto da Criança e Adolescente.gov. 8 ed. Eduardo de Oliveira.6: direito de família. 192 87 ______. o ECA traz a previsão de que aos pais: “incumbe o dever de sustento.gov. Lei n. por ambos os pais. Disponível em: http://www. em igualdade de condições.Acesso em 01/05/2015 .630 do CC. exercido. No tocante aos deveres. Perda e Extinção do Podes Familiar. – São Paulo: Saraiva.1. Rio de Janeiro: Forense. a obrigação de cumprir e fazer cumprir as determinações judiciais. 1990. enquanto menores. no interesse destes.”86 Estabelece o artigo 1. Disponível em: http://www.

sendo. portanto impraticável o exercício do poder familiar. A ação para destituição do poder familiar está previstos no Código Civil. Perderá por ato judicial o poder familiar o pai ou a mãe que: I . . A Lei n 12. Outra situação que acarreta a suspensão do poder familiar é a condenação criminal. O Ministério Público e os parentes do menor são as partes que possuem legitimidade para requerer judicialmente que sejam tomadas as medidas para proteção da pessoa e seu patrimônio. são eles: “Art.1. 4. 1. ou ainda.2 . A suspensão é temporária. A suspensão do poder familiar é determinada judicialmente quando os pais não cumprem os deveres inerentes ao poder familiar ou dissipar os bens dos filhos menores.Perda do Poder Familiar A perda do poder familiar ocorre quando os pais utilizam de práticas proibidas em relação aos filhos. A perda do poder familiar somente se dará por determinação judicial.638. ou seja. induzir repúdio a este. utilizando a denominação autoridade parental em seu artigo 6º VII. tais práticas violam o dever de educação e cuidado previsto na legislação que protege o direito da criança. no período determinado os pais serão proibidos de proceder ao exercício do poder familiar.318/2010 que dispõe sobre a alienação parental. os atos que pretendem afastar a criança do convívio com o genitor que não detém a guarda. determina que o poder familiar será suspenso quando caracterizados os atos de alienação. Neste caso a pena deve ser acima de dois anos de prisão.castigar imoderadamente o filho. O juiz irá determinar as medidas necessárias que poderão até consistir na suspensão do poder familiar. quebrar o vínculo existente.

” 90 Assim. IV . 3.Acesso em 01/05/2015 90 ______. 129. não perderão ou terão suspendo o exercício do poder familiar.mg.pdf .advertência.br/governo/ECA_atualizado_2010. nas faltas previstas no artigo antecedente. Disponível em: http://www. São medidas aplicáveis aos pais ou responsável: I .pdf . artigo 23. Disponível em: http://www. enseja a aplicação das medidas previstas no artigo 129 do ECA. VII .planalto. de 1º de janeiro de 1916.gov.praticar atos contrários à moral e aos bons costumes.destituição da tutela. X . Lei n. IX .barbacena. as medidas compreendem desde encaminhamento para tratamento até a perda do poder familiar.Acesso em 01/05/2015 91 ______. os pais que cuidam dos filhos da melhor maneira possível.htm . IV .obrigação de matricular o filho ou pupilo e acompanhar sua frequência e aproveitamento escolar. 1990. II . Código Civil.gov. VI . II .deixar o filho em abandono.mg.perda da guarda. VIII . reiteradamente.encaminhamento a cursos ou programas de orientação.suspensão ou destituição do poder familiar.071. O descumprimento dos deveres relativos à educação dos filhos.br/governo/ECA_atualizado_2010. sem justa causa. Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA.encaminhamento a tratamento psicológico ou psiquiátrico.Acesso em 01/05/2015 .inclusão em programa oficial ou comunitário de auxílio. determina que: “A falta ou a carência de recursos materiais não constitui motivo suficiente para a perda ou a suspensão do poder familiar. III .br/ccivil_03/leis/l3071.gov.obrigação de encaminhar a criança ou adolescente a tratamento especializado.barbacena. Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA.incidir. “Art. ”89 O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).”91 89 ______.encaminhamento a programa oficial ou comunitário de proteção à família. V . orientação e tratamento a alcoólatras e toxicômanos. 1990. III . independentemente dos poucos recursos. Disponível em: http://www.

635. conforme já verificamos anteriormente.2 . III . Extingue-se o poder familiar: I . na forma do artigo 1. V . O poder familiar se extingue com a perda por determinação judicial. a sociedade e Principalmente a Família. 1.Abandono de menores O Artigo 227 da Constituição Federal de 1980 nos informa que o Estado.Extinção do Poder Familiar O Código Civil estabelece quais são as hipóteses que geram a extinção do poder familiar. seja pelo matrimônio ou união estável. os pais perdem o poder familiar e o menor é encaminhado para adoção. 4. Da mesma forma ocorre para os pais que não tinham um relacionamento antes ou durante o nascimento do filho.3 .pela maioridade.pela morte dos pais ou do filho. parágrafo único. 5o. 4.pela adoção. A perda do poder familiar será determinada quando não houver mais possibilidade de o menor conviver com os pais. Esgotadas todas as tentativas de adaptações da criança na família. . tem o dever de assegurar à criança e ao a adolescente o direito a conviver em família e estarem a salvo de qualquer tipo de violência.pela emancipação. nos termos do art. II . IV .por decisão judicial.1.638” É importante observar que o poder familiar não fica suspenso ou extinto quando o pai ou a mãe estabelece nova relação. e também se extingue nos seguintes casos: “Art.

a artigo 129. à cultura.”92 Ocorre que. e isso faz com que os torne pessoas agressivas. à educação. tanto os pais como os responsáveis. além. e sempre.1988. sofrendo maus-tratos e agressões físicas. II – inclusão em programa oficial ou comunitário de auxílio. geralmente. “Art. a sociedade e do Estado assegurar à criança. Nesse caso. não praticam os direitos e garantias constitucionais que. o pai ou a mãe. é viciado em bebidas alcoólicas ou drogas. submetendo-se à vida nas ruas. violência. descreve a solução: “Art. nos casos em que se encontrem em situação de risco. como estarem sujeitos ao abandono. discriminação. à saúde. Disponível em: http://www. com absoluta prioridade. São medidas aplicáveis aos pais ou responsável: I – encaminhamento a programa oficial ou comunitário de proteção117 à família.br/ccivil_03/constituicao/constituicaocompilado. O principal motivo e a violência que acontece no próprio âmbito familiar onde.htm .Acesso em 01/05/2015 . à liberdade e à convivência familiar e comunitária. IV – encaminhamento a cursos ou programas de orientação. 92 BRASIL. ao respeito. ao adolescente e ao jovem. à profissionalização. deveriam ser observados de maneira prioritária. É dever da família. em alguns casos.227. de coloca-los a salvo de toda forma de negligência.gov. III – encaminhamento a tratamento psicológico ou psiquiátrico. orientação e tratamento a alcoólatras e toxicômanos. O ECA cuida da questão dos menores e discorre sobre medidas de proteção a estes.planalto. ao lazer. o filho é quem paga por esse vício. em relação à proteção do menor. Sabemos que existem muitos motivos que levam uma criança a abandonar o lar e se entregar à vida de menor abandonado nas ruas das cidade. 129. o direito à vida. à alimentação. Constituição Federal. exploração. inciso II. À dignidade. crueldade e opressão.

Acesso em 01/05/2015 94 VARELA. Disponível em: http://www. Parágrafo único. Muitas das vezes são os casos em que as 93 ______. Ana Maria Gualtiéri. ou obsta a sua inserção na vida familiar. n. In: Boletim Adoção em Terre des Hommes. Na aplicação das medidas previstas nos incisos IX e X deste artigo. 23 e 24. IX – destituição da tutela. 1990.gov.mg. VII – advertência. X – suspensão ou destituição do poder familiar.barbacena. 88. Curitiba – PR. VIII – perda da guarda. e sabemos que na verdade está somente começando e acarretando um grande problema social. p. Existe também o caso que a criança é abandonada desde os primeiros dias ou meses de vida. Nesse sentido Varella descreve: “A intervenção do Estado é necessária no próprio lar. A crueldade dos pais destrói o destino do filho. Passam por situações de risco em seu próprio âmbito familiar. o que renderia a intervenção imediata do Estado para identificação precoce entre pais e filhos.”93 O Estado tem o dever de intervir na vida familiar quando ocorrerem situações que coloquem em risco a vida do menor.br/governo/ECA_atualizado_2010. ano VIII. out.111. Adoção. o desmembramento da família e fazendo o menor achar que na rua seu sofrimento terminará.. 1996. Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA. observar-se-á o disposto nos arts. é omisso em muitas vezes no que diz respeito à proteção das crianças e adolescentes. levando.”94 Infelizmente. escolar ou social. percebemos que o Estado. VI – obrigação de encaminhar a criança ou adolescente a tratamento especializado.pdf . V – obrigação de matricular o filho ou pupilo e acompanhar sua frequência e aproveitamento escolar. para a proteção do direito à vida da criança. sobretudo ante a criança maltratada pelos próprios pais. .

se houver a possibilidade de alguma medida fazer com que o menor permaneça em sua família.3 .barbacena. 4. encontra-se 95 ______.mães passam o período da gestação.Acesso em 01/05/2015 . Mas. pois o que se retrata nas ruas. exploração.pdf . há que se fazer muito pelos menores do nosso país. em calçadas e praças. essa deverá ser tomada. que tratam dos assuntos referentes à infância e à juventude. O que deve ser observado e levado em consideração. opressão.Reestruturação Familiar No artigo 129. dormindo debaixo de viadutos. caso ela tenha a possibilidade de ser reestruturada. Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA.gov. e a suspensão ou destituição do poder familiar devido a negligência. A realidade social é bem contrária daquela dita pela Constituição Federal e pela o Estatuto da Criança e do Adolescente. é necessária uma análise fria. que vivem perdidos. e mesmo com a doutrina da Proteção Integral da Criança e Adolescente. 1990. IX e X do ECA95 é definido que a família pode perder a guarda do menor. é que. vagando pelos cantos da cidade. violência e crueldade que muitos menores são submetidos. Disponível em: http://www. Ainda com a Criação dos Conselhos Tutelares pelo Estatuto da Criança e Adolescente.br/governo/ECA_atualizado_2010. e esperam somente o nascimento do filho para abandoná-lo nas ruas ou em orfanatos. Quando um dos pais ou o responsável pela criança apresenta algum desequilíbrio emocional que possivelmente possa colocar o menor em situação de risco.mg. é o pleno abandono de jovens. pois o afastamento do menor de sua família poderá prejudicar os vínculos afetivos existentes entre pais e filhos. incisos VII. ter a destituição da tutela. no que tange à proteção e à absoluta prioridade dos menores.

em alguns casos.” 96 A que ser salientado que a reestruturação familiar é necessária nos casos em que se pode obter uma positiva mudança dos membros da família. agressões físicas. 96 idem . podendo ser mais de ano. ressalta-se. visto que se buscam todos os meios para que a criança ou adolescente permaneça em sua família. Sabemos que o ideal é que os menores fiquem com os seus pais biológicos. mas se o histórico de sofrimento deste menor perante aos seus responsáveis é de total negligencia.uma maneira de reestruturação familiar. de pais que não mudam seu caráter. então será. a filhos que sofrem abusos sexuais. necessária à medida de destituição do poder familiar. a que se fazer uma forma distinta e mais célere de análise de extinção de poder familiar. passará a existir a possibilidade de deixar o menor à disposição para colocação em família substituta por meio da adoção. ou seja. visto que apenas uma suspensão de nada adiantaria se não houvesse uma mudança positiva em relação aos pais. e o filho poderá desfrutar da convivência em família. maus-tratos reiterados. Pais e mães ou responsáveis através da assistência devida podem retomar a função do poder familiar a eles inerente. a medida contida no inciso III do artigo 129 do Estatuto da Criança e Adolescente: “encaminhamento a tratamento psicológico ou psiquiátrico. Porém. até chegar à extinção familiar passa-se muito tempo. O que podemos observar em toda pesquisa doutrinária feita. Havendo a destituição familiar que. e pela vivencia em minha própria família. é a última medida atinente ao poder familiar a ser utilizada. trazendo assim a total insegurança dos adotantes com relação ao seu filho adotado.

Neste trabalho. o real interesse da criança e adolescente dentro do instituto da adoção. dentre eles. foram destacados alguns tópicos de relevância nos procedimentos da adoção no ordenamento jurídico brasileiro. CONCLUSÃO O presente trabalho de conclusão de curso abordou a questão do longo e moroso Processo de Adoção no Brasil. .

O estudo feito da adoção nacional verificou que a mesma é um tanto quanto rígida e que muitas das exigências feitas pelos adotantes a tornam mais lenta. promotores. efetivando assim.069 de 13 de junho de 1990. . filiais. garantindo a eles o direito à convivência e à integração familiar. A adoção tem como finalidade principal. objetivando dar segurança à família e a criança a ser adotada. juízes. A criação do Estatuto da Criança e Adolescente. Lei 8. assim. ganhando contornos jurídicos e objetivos bem definidos de proteção integral à criança e do adolescente. o bem estar e a proteção do menor. pois não poderá ser desfeito. A diferença de sangue ou raça existente entre eles. cominado com o artigo 227 da Constituição Federal. de maternidade ou paternidade sejam formados. Conclui-se que a adoção dos dias de hoje é formada com os mesmos princípios de uma família que possui filhos biológicos. devendo ser amplamente refletido. Para melhorar a eficácia desse instituto é indispensável que os serviços auxiliares e os órgãos de colaboração estejam integrados. o poder familiar. Porém. estabeleceu a adoção no Brasil. inclusive no que diz respeito ao nome e aos direitos sucessórios. de 1988. para que a adoção seja bem sucedida. É um ato irrevogável. de todo e qualquer vínculo com os pais biológicos e parentes naturais. sua inserção em num novo núcleo familiar. não é motivo para impedir que laços afetivos. devendo sempre manter um constante diálogo entre técnicos. ofertando o apoio necessário e segurança que merece. de certa forma é necessária. e através dessa proteção o adotante assume de forma definitiva. ficou constatada que a morosidade existente. Desligando. O menor é integrado à família com os mesmos direitos e deveres dos filhos biológicos. advogado e agente de proteção.

É um ato de amor. incondicional ao próximo. Adotar uma criança ou um adolescente não é apenas realizar um sonho de ser pai ou mãe. .