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ANÁLISE

Nº 20/2017

BRASIL Superando a Economia Paralela

Joseph E. Stiglitz e Mark Pieth
FEVEREIRO DE 2017

Cresce o consenso de que os paraísos fiscais – jurisdições que solapam
as normas globais de transparência empresarial e financeira – represen-
tam um problema global por facilitarem tanto a lavagem de dinheiro
quanto a evasão e elisão fiscais, contribuindo assim com o crime e níveis
inaceitáveis de desigualdade global de riqueza.

Como lideranças econômicas, os Estados Unidos e a Europa têm a
obrigação de forçar os centros financeiros a cumprirem as normas glo-
bais de transparência. Que dispõem dos instrumentos para fazê-lo ficou
plenamente comprovado na luta contra o terrorismo. Que não o façam
com relação à luta contra a corrupção e a elisão e evasão fiscais é teste-
munho do poder dos interesses daqueles que se beneficiam do sigilo.

Em um mundo globalizado, se houver qualquer bolsão de sigilo, os
recursos fluirão através desse bolsão. É por isso que o sistema de trans-
parência precisa ser global. Os Estados Unidos da América (EUA) e a
União Europeia (UE) têm um papel-chave no reequilíbrio do jogo em
favor da transparência, embora isso seja tão somente o ponto de partida:
cada país deve desempenhar seu papel de cidadão global visando ao
fechamento da economia paralela; e é particularmente importante que
surjam líderes dos atuais paraísos fiscais que possam demonstrar que há
modelos alternativos de crescimento e de desenvolvimento.

Os países devem adotar uma postura proativa – não apenas cumprir
normas mínimas em vigor, mas também colocar seus modelos de desen-
volvimento econômico na vanguarda da evolução dessas normas. Cada
país deve considerar seriamente se quer participar da luta infindável que
é perseguir normas internacionais em constante evolução ou se quer
servir de modelo, estabelecendo normas que, ao final, os demais países
serão obrigados a adotar.

Sumário

PREÂMBULO 5

I. INTRODUÇÃO 7

II. SIGILO, REGIME FISCAL PRIVILEGIADO E A CORRIDA AO
FUNDO DO POÇO 9

III. NORMAS INTERNACIONAIS DE TRANSPARÊNCIA FINANCEIRA
E TRIBUTÁRIA 12
1) Transparência Financeira 12
a) Combate à Lavagem de Dinheiro 13
b) Combatendo o Financiamento do Terrorismo 14
c) Combate à Corrupção 15
2) Transparência Tributária 17
a) Intercâmbio de Informações para Fins Tributários 17
b) Relatórios País por País 19

IV. RECOMENDAÇÕES 20
1) Princípios 22
2) Recomendações 23
a) Cooperação Internacional Inclusiva na Definição e Execução de Normas 23
b) Identificação de Beneficiários Finais e Registros Públicos 24
c) Troca Automática de Informações Tributárias 24
d) Coleta, Divulgação e Comprovação de Informações 25
e) Supervisão de Intermediários 26
f) Transações Imobiliárias 26
g) Responsabilidades dos Agentes Fiduciários das Empresas 27
h) Capacidade Institucional, Operacionalização e Cumprimento da Lei 27
i) Proteção a Denunciantes 28
j) Lei de Liberdade de Informação 28
k) Processos de Revisão 29
l) Regime Fiscal Privilegiado 29
3) Exceções 30

V. O QUE ESTÁ EM JOGO NA LUTA CONTRA O SIGILO? 31

REFERÊNCIAS 33

.

na eventualidade de que o lavagem de dinheiro e ao mesmo tempo man. os advogados que arquitetam as impenetrá- veis redes de empresas e as autoridades públicas Os Panama Papers parecem ter reforçado essa que aprovam leis que garantem o sigilo possam imagem embora menos de 20% das empresas pensar que estão apenas “fazendo negócios” e fossem. panamenhas. todos contribuíram Este Relatório começa do ponto onde os Pana. regulamentando a Lei Nº 42 de 2 de outubro de 2000). sob o presidente Noriega nos anos 1980. ver também Governo do Panamá (2014). (emendando a Lei 47-2013 de 6 de agosto de 2013). o Panamá tem tido muito mais fácil identificar e processar os responsá. Canal do Panamá e sua localização geográfica. uma indústria e turismo saudáveis.Joseph E. Outras mudanças legais no arcabouço jurí- na esteira do escândalo dos Panama Papers em dico panamenho determinaram a custódia de ações ao portador 2016 para avaliar e recomendar reformas legais e a divulgação dos beneficiários finais para entidades jurídicas recém-constituídas. esses paraísos fiscais devem escritório de advocacia panamenho trabalhando ser vistos mais propriamente como coautores em múltiplas jurisdições.worldbank. Enquanto os Panama Pa- 1. o Panamá conseguiu reduzir a pobreza de 26.7%. cional quanto pelos paraísos fiscais. cos. De modo concreto. O Panamá também concordou em adotar o sustentável de longo prazo. a seus funcionários e a de que essa profusão de documentos viesse de um seu país a prosperar. view. o Panamá consoli- dou-se o como o centro logístico das Américas. A história e o fato ajudando a si próprios. Esses ganhos permitiram que o Panamá cortasse sua taxa de zer cumprir as leis e regulamentações dos países pobreza em 8% ao longo dos últimos seis anos do mundo conseguiam detectar – estavam sen- por meio de investimentos crescentes em políticas do usados para uma série de atividades nefastas. os pa. revelá-los. beneficiário final seja uma pessoa jurídica. de fato. Embora. sem dúvida escolhido por força da ali- teração de fácil memorização. dispo- nível em http://www. para colocar o Panamá no centro das atenções. A des- se os fluxos monetários fossem expostos. tipicamente. de sonegação fiscal a corrupção e até mesmo Ao mesmo tempo houve importantes reformas pornografia infantil. Visão Panorâmica do Panamá. 5 . Ainda que seu sistema bancário nem sempre tenha sido um modelo de transparência e boa regulamentação. este Relatório pergunta o que pode (e 18. os gerentes dos ban. Ver Lei Nº 18-2015 de 23 de abril de 2015 e institucionais que permitissem ao país desem.2% para sigilo.org/en/country/panama/over- deve) ser feito tanto pela comunidade interna. trabalho em superar sua história de “narcoestado” veis. cimento e a transformação do Panamá2. ceiros globais escondiam-se de formas tais que com o setor de serviços predominando ao lado de nem mesmo aqueles a quem se incumbiu de fa. período que engloba a crise financeira pers descrevem o que acontecia por detrás do global. mais o nome usado para desses crimes. públicas universais nas áreas de educação e saúde1. a corrupção e a tuições financeiras e os escritórios de advocacia identifiquem os beneficiários finais de seus clientes. seria peito desse progresso. a lei determina que ter-se em uma trajetória de desenvolvimento o processo de identificação prossiga até que uma pessoa natural seja identificada). Lei Nº penhar seu papel de bom cidadão global na luta 23-2015 de 27de abril de 2015 (determinando que as insti- contra a elisão e a evasão fiscal. ma Papers pararam. Os Panama Papers forneceram prova de algo de aproveitando as vantagens naturais oferecidas pelo que se suspeitava havia muito tempo: os paraí. Stiglitz e Mark Pieth | SUPERANDO A ECONOMIA PARALELA Preâmbulo Ao longo da última década. O sos fiscais – jurisdições em que os fluxos finan. Banco Mundial. a sua vez. em anos recentes foram instituídas reformas regulatórias para resolver Este Relatório decorre de nossa participação essas deficiências. Ver Decreto Presidencial Nº 55 de 1º de fe- em um Comitê de Especialistas Independentes vereiro de 2012 (emendando o Decreto Presidencial Nº 1 de criado pelo Presidente da República do Panamá 3 de janeiro de 2001. jurídicas que. Entre 2008 e 2014. 2. Panamá tornou-se uma economia diversificada. contribuíram para o cres- raísos fiscais facilitam essas atividades porque. intercâmbio automático de informações até 2018.

vidos que permitiram a continuidade de tais comportamentos reconhecem as forças políti. com seus de- fensores explicando seus benefícios e seus críticos suas práticas atuais. Nós havíamos exi- 3. O que buscamos foi tratar desse problema sistê- Nós tínhamos a esperança de que as nossas re. vador da cena global reconhece que o mundo Eles. nar o que é necessário para acabar com os paraí- namenha e seus esforços de desenvolvimento sos fiscais. da corrupção. um modelo a ser seguido pelos outros. em última instância. Nos últimos anos. Relatório. cáveis a todos os países para superar a economia tório descrevendo reformas para o Panamá que paralela e. 6 . entre os mais evi- enfatizando seus custos. que têm tido um papel tão grande na sustentável. Mas há um aspecto sobre desenvolvidos. a globalização vem sendo os holofotes não brilharam tanto continuariam submetida a controvérsias e críticas. já que outros sobre os quais lho. do narcotráfico e de outras atividades socialmente repugnantes ao fornecerem um porto seguro para No Panamá há quem compartilhe a preocupa. além de jurisdições dentro dos o qual há amplo consenso: os paraísos fiscais não próprios países desenvolvidos. sofreria uma desvanta. Há. jul- elisão fiscal e a lavagem de dinheiro. te hoje quanto à época em que iniciou seu traba- gem competitiva. como o movimento de terroristas através das muitas vezes é injusto. fosse tornado público depois de um tempo ade- ria tomar para se posicionar como cidadão glo. O Panamá gamos desejável seguir adiante de forma cons- tem que lidar com esses aspectos da Realpolitik. muitos dentes paraísos fiscais há dependências de países aspectos da globalização. mico e global fornecendo recomendações apli- comendações pudessem fazer parte de um rela. não saíssem a um custo significativo para o país e que. Tais sanções poderiam. fechá-la. Nós tínhamos que dar o exemplo3. rido por essa empreitada– de desenvolver uma girem ações efetivas para controlar a evasão e a agenda para combater os paraísos fiscais —. sentimo-nos ameaças sutis e nem tão sutis assim. por países do G20. o desafio para o Comitê – de determi- crescimento de longo prazo da economia pa. o preparassem para ser Este Relatório foi escrito com esse espírito. os recursos financeiros obtidos por meio dessas ção de que se o país tomasse ações agressivas atividades ilegais – continua sendo tão importan- para restringir o sigilo. quado ao governo para formular uma resposta. Qualquer obser- têm lugar em um mundo de globalização positiva. Aqueles países desenvol- globalização. Joseph E. que há muita hipocrisia fronteiras. trutiva por meio da publicação deste Relatório. sem dúvida. Quando o governo se estrangeiro. Acreditamos que desde o corte de relacionamento com bancos um relatório sobre transparência que não seja correspondentes em países desenvolvidos até ele mesmo transparente simplesmente não seria uma variedade de outras sanções ameaçadas crível. Stiglitz e Mark Pieth | SUPERANDO A ECONOMIA PARALELA O Comitê de Especialistas Independentes bus. Dado o investimento mental e de tempo reque- cas em jogo dentro de seus próprios países a exi. redução da pobreza e criação de facilitação da evasão e elisão fiscal. Entre- tanto. ver Stigliz e gido no início de nossas deliberações que nosso Pieth (2016). quaisquer que fossem seus achados. variando na obrigação de renunciar. Como pano de fundo havia ainda recusou a nos dar essas garantias. Para mais informação sobre nossa participação. De fato. bal de modo a permitir-lhe melhor cumprir seu Deixamos para o governo a decisão de quanto papel de centro logístico e atrair investimento tempo julgava necessário. isso não era para ser. estão entre os lados mais sombrios da e que o poder conta. cou entender que outros passos o país necessita. representar um golpe terrível para o Entretanto. por outro lado. ob- viamente. prosperidade compartilhada.

Adam Smith. um ramo desse campo desenvolveu-se com múltiplos agraciamentos de prêmios Nobel Se há algo errado com o regime regulatório dos pelo aprimoramento de nossa compreensão Estados Unidos ou da Europa que requer que das consequências da informação imperfei- certas transações ocorram em outros lugares. que queira permanecer como centro financei- para que existem centros financeiros no ex. muitas vezes. ta. contribuindo assim com o me elisão fiscal e de outras atividades “irregula- crime e para níveis inaceitáveis de desigual. res” em centros financeiros dentro do país. da sigla em inglês) da enor- e elisão fiscais5. 2ª ed. afinal. o que os países podem fazer para evitar torna- tuna? Ou haveria benefícios tributários ou de rem-se cúmplices de maus atores da economia outro tipo disponibilizados aos ricos por esses paralela? Em outras palavras. com infor- mação imperfeita – em particular.e. Stiglitz e Mark Pieth | SUPERANDO A ECONOMIA PARALELA I.. Mas se o que do mercado foram desenvolvidos a partir da está acontecendo é simplesmente uma maneira suposição de plena informação.. ylaundering. como é a boa ci- centros offshore e não para as demais pessoas? dadania global em termos de informação? É como se houvesse algo especial no sol das Ilhas Cayman ou dos outros centros offshore Nos últimos quarenta anos. foi estabelecido por Greenwald e Stiglitz (1986). De da falta de transparência. 7 . 5. i. com uma 4. Introdução de burlar o fisco e as regulamentações. o mundo passou que fizesse com que o dinheiro crescesse com a ter melhor compreensão das consequências mais rapidez do que em outros lugares. “Lavagem de dinheiro é o processamento de (.. Ver Glossário de Recomendações da FATF [Força Tarefa de Ação que é o significado de sigilo e falta de trans- Financeira].fatf-gafi. parência – a economia não é. os onshore. os cen- tros offshore não deveriam simplesmente ser fe- Cresce o consenso de que os paraísos fiscais – chados ou forçados a cumprir e a dar assistência jurisdições que solapam as normas globais de ao cumprimento de normas fiscais e regulató- transparência empresarial e financeira – repre. eficiente6. disponível em http://www. comunidade internacional e para qualquer país bal. Os teoremas-padrão acerca da eficiência esta deficiência deve ser tratada.. (Black’s Law Dictionary. de modo geral. Esse resultado. derrubando o “teorema da mão invisível” de legais.Joseph E. de [origem] criminosa para disfarçar sua origem ilegal”. 2001). rias nacionais e internacionais? A divulgação sentam um problema global por facilitarem pelo Consórcio Internacional de Jornalistas In- tanto a lavagem de dinheiro4 quanto a evasão vestigativos (ICIJ. dade global de riqueza. ao passo que a elisão fiscal é definida como a minimização do passivo tributário por meios 6. ro ativo dentro dessa comunidade: o que pode terior (offshore)? Os americanos querem saber ser feito a respeito do sigilo e da falta de trans- por que um de seus candidatos presidenciais parência? Que formas diversas o sigilo toma? de 2012 mantinha seu dinheiro em um cen. o problema é de falta de luz do sol. ilegais). todo fato.org/faq/mone. ou no exterior só fizeram aumentar a problemas globais representados pelo sigilo e percepção do público de que esses paraísos fis- pela falta de transparência vêm aumentando e cais estão fazendo coisas erradas – e aumentar a não é de surpreender que esse aumento venha pressão para que se faça algo. assim como os abusos cometi. acompanhado do crescimento das tentativas de refreá-los. Ao longo dos anos.e. Uma parte pode e. Na economia. Os cidadãos se perguntam: mas. Evasão fiscal é definida como a redução do imposto a pagar por meios fraudulentos (i.) proventos pessoa tendo informação que outras não têm. Não havia competência suficiente de transmissão e coleta global de informações e nos Estados Unidos para administrar sua for. Isso levanta toda uma série de questões para a dos pelo sistema empresarial e financeiro glo. Como seria um sistema globalmente eficiente tro offshore.

e. por sua vez. der-se-ia argumentar que há pouca necessi- Na Noruega. portanto. por exemplo.000 e de dois a véssemos um governo global. como diz o ditado: “o sol é o Isso. especialmente. ciedade – ocorre sob o manto do sigilo. A globalização resultou em uma economia 8. Em uma época anterior. educação. alguns indivíduos gostam de viajar de mais influentes dos Estados Unidos. Se os ganhos ilícitos do crime e. um dos senadores rém. todos têm 7. Po- vidade pecuniária nefasta. o sigilo é usado não apenas para esse tipo de ati- que contribuir com seu justo quinhão. corrupção e. Fos- que compra7. Ver Moynihan ocorra. O si- com que um governo receba menos do que gilo enfraquece ainda a capacidade de asse- deveria por ativos ou pague mais por aquilo gurar que todos estejam contribuindo. O sigilo é a base de quase toda a que se envolvem em tais atividades aumenta. para promover crescimento e para assegurar punindo aqueles que divulgam informações que os frutos desse crescimento sejam com- de contribuintes8. em que argumenta que o sigilo teve o blicos e de não pagar. Com a transparência. todo o contrato social poderá ruir. saúde. pesquisa básica e uma infi- vacidade não tivessem consequências sociais. Stiglitz (2002). Stiglitz e Mark Pieth | SUPERANDO A ECONOMIA PARALELA tira proveito da outra parte. po- afora em relação ao sigilo e à transparência. acarreta uma redução sig- melhor antisséptico”. por que não a divulgar? uma sociedade moderna e complexa. que os bancos e os demais operadores finan- 8 . A atitude deles é: o que as pessoas renda. partilhados com equidade. etc. com cada agricultor plantando seu próprio É marcante a diferença de atitudes mundo alimento e fazendo as próprias roupas. de aproveitar-se da oferta de bens pú- tante em que descreve as consequências do sigilo. muito do gas- têm a esconder? Se elas ganham sua renda to do governo ia para fazer guerras. investimentos em infraestrutura. nidade de outras necessidades comuns. Suécia e Finlândia. ele certamente cinco anos de prisão para funcionários do Escritório da Receita Federal (BIR) e de PHP 2. graça. semos ainda uma simples sociedade agrária. Florini (2007). na política e no governo corrupção puderem ser localizados e moni- aumentou a consciência quanto aos perigos torados. Ver. denominado com um simples Sigilo. Precisamos. mas não em um governo global. escreveu um livro impac. pouco custo ções de imposto de renda são publicadas na associado à não divulgação de informação de Internet. Se ti- uma penalidade de PHP 50. mas simplesmente para alavancar perspectivas políticas. quências são enormes. informações como invasão de privacidade. da Do mesmo modo. Por vezes.000 a PHP 100. que veem a divulgação de fazermos com que nossa sociedade funcione. Hoje há vasta literatura sobre o assunto. preci- Na outra ponta do espectro situam-se países samos levantar altas somas de dinheiro para como as Filipinas. Mas em de forma honesta. com penas severas des socialmente destrutivas – atividades que para garantir que haja veracidade nos dados enfraquecem o funcionamento da própria so- divulgados.. 8424 de 11 de de- zembro de 1997 (proíbe a divulgação de registros fiscais com global. Para que uma sociedade funcione bem. É por essa razão poderíamos deixar que cada indivíduo deci- que todos os países têm leis de fraude e divul. Daniel Moynihan. Se decisões relativas à transparência e à pri.000 e de seis meses a cinco anos para aprovaria uma forte legislação global exigindo indivíduos que divulguem dados). Ver Lei da República (Republic Act) Nº. Mas as conse- gação de conteúdos de produtos de consumo.g. Se permitirmos que isso efeito de prolongar e intensificar a Guerra Fria. nificativa dos incentivos para a participação não ocorreriam os acertos especiais que fazem em atividades socialmente destrutivas. Joseph E. Sti- glitz (2001). A maioria das ativida- valores mobiliários.. dade de um estado e. disse quanto e o que divulgar. a probabilidade de prender aqueles do sigilo. (1998). as declara.

Regime Fiscal por cento. mas muitos deles não mais agressivo. financeiros. as es- forçar outros a cumprirem suas normas sim. truturas através das quais recursos financeiros plesmente ameaçando cortar-lhes o acesso a ilícitos escapam à detecção. Alguns desses fluxos podem ser nas o primeiro passo de um confronto bem absolutamente legais. se houver qual- quer bolsão de sigilo. Swiss Leaks. Os Estados 10. legal sujeito às cortes britânicas. com o tempo. de fato. E.org/projects para descrições detalhadas. global visando ao fechamento da economia a Mossack Fonseca mudou suas principais operações para as Ilhas Virgens Britânicas (IVB). Os Panama Papers revelaram que os es- critórios de advocacia em questão10 – operan- Em um mundo globalizado. na que tem sido descrita como a era (UE) têm um papel-chave no reequilíbrio do de ouro das firmas offshore. Na ausência desse governo levem ao seu fechamento. depois que os Estados Uni- país deve desempenhar seu papel de cidadão dos invadiram o Panamá (deixando os investidores nervosos). muitos nos vidos nessa opacidade. para combatê-lo. do Poço devido à demora em colocar suas próprias casas em ordem. É por isso que o sistema de detalham o uso generalizado de jurisdições tributárias sigilosas. o fenômeno global dos paraísos fiscais. que não resta dúvida prossegui- intolerável a cada dia que passa.icij. Sigilo. em parte. Mas em sociedades com de. feche esses paraísos fiscais. 9. diversas agências internacionais. transparência tem que ser global. oferecemos recomenda- as normas globais (inclusive as jurisdições de ções a todos os países para o fechamento dos sigilo dentro de seus próprios territórios) e. Os Panama Papers e outros vazamentos de in- sigualdade crescente. Luxembourg Leaks e. Ver https://www. Nos anos seguintes a firma floresceu e criou vos de crescimento e de desenvolvimento. Mossack Fonseca começou a operar há mais de 40 anos. são. Ele perceberia o do sigilo e fornecer recomendações para a su- efeito corrosivo do sigilo e faria o que pudesse peração da economia paralela que. Há com uma perspectiva de por que tais medidas uma perspectiva amplamente compartilhada são necessárias para a sobrevivência da globa- de que esses paraísos só existem porque os Es. agora. as IVB tornavam-se sua paralela. Esses grandes players ainda preci. tados Unidos e a Europa olham para o outro lado – influenciados por seus próprios um II. aproveitando-se de uma legislação empresa- rial particularmente branda. Porém. Logo. canais globais de sigilo e a Seção V conclui efetivamente. eles de facilitador do obscurecimento dos fluxos sejam fechados: as iniciativas atuais são ape. há rão. Privilegiado e a Corrida ao Fundo sam se comprometer. oferecendo enorme segurança aos investidores. Unidos da América (EUA) e a União Europeia no final dos anos 1970. lização. esforços internacionais e as normas emergen- verno rompa todas as conexões com aquelas tes em curso que visam frear a economia pa- jurisdições que não estejam cumprindo com ralela. A Seção II explora global. A firma é popularmente conhecida no Panamá como o escritório de advocacia que começou os jogo em favor da transparência. A firma começou com a abertura de seja tão somente o ponto de partida: cada firmas no Panamá. de fato. o Bahamas Leaks vés desse bolsão. e os riscos envol- seu sistema financeiro. os principais players podem. Na Seção IV. Stiglitz e Mark Pieth | SUPERANDO A ECONOMIA PARALELA ceiros de todos os países cumprissem certas Este Relatório busca abordar esses aspectos normas de transparência. no final. embora isso serviços de contas offshore. isso se deve. demonstraram os riscos de fazer o papel a possibilidade real de que. isso é visto como mais formações9.Joseph E. tornando-se a quarta maior 9 . As Ilhas Virgens Britânicas tam- surjam líderes dos atuais paraísos fiscais que bém contavam com a vantagem adicional de terem um sistema possam demonstrar que há modelos alternati. os recursos fluirão atra. e é particularmente importante que maior jurisdição operacional. A Seção III descreve os Estados Unidos têm pedido para que o go. Portanto.

Vide Glossário de Recomendações da FATF. secretas autorizando tais estruturas. estupravam e vendiam compostas de empresas cujos donos e bene. “Mossack Fonseca: inside the firm that helps the super-rich hide their Some-se a isso o fato frequente de que os go- money” [Mossack Fonseca: Dentro da firma que ajuda os su. Ações ao portador são instrumentos negociáveis que trans. tipicamente em Ao mesmo tempo. grupo de casos expôs o uso dessas estruturas nais centros financeiros —abriram e pres. 8 de abril de 2016 (acessado em 12 de outubro de 2016). hediondos dos mais vulneráveis. operações se expandiam.org/glossary/a-c/. de prostituição infantil na Rússia cujos mem- nheiro flui. 13. Ver Obermayer e Obermaier (2016). a sua vez. estimulado esses abusos de cooperação com autoridades estrangeiras. artifícios para realização de transferências para o exterior. características dos paraísos fiscais12. trusts. inclusive em outros rupção e apropriação indébita. Ver Henry (2012). de fato. À medida que suas atividade econômica arque com o custo social. crescia também sua reputação. Portanto. ced argument for tax havens” [Um argumento mais nuançado 14. enorme riqueza que gira na casa dos trilhões de dólares14. como re- de enorme de abusos atrozes possibilitados velado pelos Luxembourg Leaks. Ver Luke Harding. As estruturas são organizadas por fiduciários. declarou que não era legalmente obrigado a tiplas contas bancárias em jurisdições com denunciá-lo13. Com a assistência de escritórios Ainda que houvesse usos legítimos de certas de advocacia e de contabilidade (e. Ver Christine Capilouto. fundações privadas e outras entidades para um cliente do escritório de advocacia pana- servirem como componentes integrantes das menho é o suposto chefe de uma quadrilha assim chamadas “estruturas” pelas quais o di. do. Em um caso particularmente alarmante. “A more nuan. baixa ou nenhuma tributação através de ma- lizaram-se dessas estruturas para encobrir nipulações de preços de transferência e outros conflitos de interesse ou mesmo propina. disponível em http://www. 12. Nota de pesquisa. na lavagem de proventos do crime organiza- taram serviço a empresas de fachada. Stiglitz e Mark Pieth | SUPERANDO A ECONOMIA PARALELA do em escala mundial. essas estruturas têm forte sigilo bancário e baixa probabilidade permitido e. Network) estima esse montante entre US$ 21 e US$ 32 trilhões. Um terceiro centros offshore. vo com os autores). além de grandes e tradicio. Joseph E.fatf-gafi. referidos in- por essas estruturas: além da própria fraude formalmente como os LuxLeaks). acusações de envolvimento de seu cliente. tificado de ações. Essas complexas construções são bros sequestravam. que. do inglês Tax Justice em prol dos paraísos fiscais]. nistração e ações ao portador)11. especiais livres de tributos e tratamento tri- ferem participação em uma entidade legal ao portador do cer. com o estabelecimento de zonas econômicas 11. cor. os Pana. essas estruturas são de- um contexto de baixa regulamentação. O ICIJ divulgou que. com múl. em sua maioria advogados. da atividade econômica para jurisdições com ministros e até mesmo chefes de estado uti. butário preferencial a empresas constituídas. quando ficiários são desconhecidos (escondidos atrás o escritório de advocacia tomou ciência das de membros nomeados ao conselho de admi. 1º de outubro de 2016 (em arqui. trazia mais negócios. meninas órfãs. ou. às vezes. fazendo assim com que o local da fornecedora de serviços offshore do mundo. e que senvolvidas e usadas por respeitadas empre- usam o privilégio da relação advogado-cliente sas globais para evitar a tributação de uma para encobrir a identidade de seus clientes. empresas tributária por pessoas físicas e empresas. de governos que oferecem decisões tributárias ma Papers lançaram luz sobre uma quantida. vernos complementam o uso dessas estruturas per-ricos a esconderem seu dinheiro]. 10 . multinacionais transferem os lucros do local tro grupo de casos indica que autoridades. Guardian. A Rede de Justiça Tributária (TJN.

portanto. setores financeiro e empresarial. Se um país optar por crescimento em todas as partes. dos trusts e lamentação mínima. etc. Portanto.Joseph E. gerando De uma perspectiva global. tam serviços. mas simplesmente inadequada. essa forma de mais exigências por fiscalização rígida e au- concorrência é destrutiva. os custos identidade dos beneficiários finais. legítimas preocupações com os custos do sigi- ber sua vantagem competitiva como parcial. tais estruturas não resultam em internacional quando a fiscalização se mostrar mais atividade econômica. explicamos com maior tamente de uma empresa que é persuadida a precisão em que a transparência implica para nele se estabelecer. em alguns casos. fundações. caso fosse registrada em um dos países onde gem. maior será a atração te problemático porque burla o cumprimen. o desen. dada em um centro financeiro offshore? Quais cros auferidos ilicitamente para paraísos fiscais são os benefícios que recebe e que não teria sigilosos não somente para esconder sua ori. investimentos em infraes. para a lavagem de dinheiro. metendo-os a um maior escrutínio. desde que não participem da ses daqueles que se beneficiam dos paraísos economia doméstica. mentando o risco de que o país sofra censura va tributária. o fiscalização condizente. terá de abrir todos os registros contábeis daqueles Quais. são os benefícios sociais des. isso requererá maior volvimento do Sul. O que possam gerar. monitoramento mais robusto e trutura. sub- mais aparente que há enormes custos sociais. alguns países continuam a perce. devidos e pagos em cada país. manter um Regime Fiscal Privilegiado. ocorre sua atividade econômica? A resposta da comunidade internacional às crescentes e Entretanto. A teoria é que mesmo fundações opacos. e daqueles que lhes pres- que um país não receba receitas fiscais dire. trusts. importantes leva a maior desigualdade e a piores serviços questões com relação às estruturas opacas dos públicos. De uma perspecti. apenas aparên. centros financeiros offshore devem ser levanta- culação com o sigilo: uma parte tradicional da das: por que a empresa/trust/fundação foi fun- lavagem de dinheiro é a transferência de lu. educação e. no entanto. Ainda mais preocupante é sua vin.) é gerada é benéfica e parte dela será tributada estabelecidas em uma jurisdição qualquer: a indiretamente. tal É importante reconhecer que quanto maiores tratamento tributário preferencial é altamen. Esses custos têm que ser levados em mudança da atividade de um local para em conta quando um país pesar os benefícios outro – ou. Contudo. ção de suas atividades econômicas. a atividade econômica que as entidades (empresas. a concorrência tributária mento fiscal preferencial ou não. que obtêm vantagens tributárias à inspeção ses arranjos complexos e opacos? É cada vez de toda a comunidade internacional. e custos da continuidade de tal tratamento cia de mudança da atividade de um local para preferencial. Porém. é que tudo isso é perfeitamente legal. Os esforços da 11 . se um to de legislação tributária de terceiros países e país escolhe conferir um tratamento fiscal prejudica o estado social do Norte. aspecto mais preocupante. preferencial indevido. No geral. tecnologia. transparência. Stiglitz e Mark Pieth | SUPERANDO A ECONOMIA PARALELA que são sujeitas. quer o país ofereça trata- outro. lo é exigir maior transparência de todos – dos mente decorrente de baixa tributação e regu. além dos rem a inovação doméstica e ao criarem uma montantes das receitas globais e dos impostos elite dentro do país para zelar pelos interes. Sobretudo. as vantagens tributárias. se algum. Abaixo. mas também para evitar sua tributação. contudo. a um regime de pouca fiscais e de qualquer investimento estrangeiro ou nenhuma exigência por parte do fisco. a localiza- superam em muito os benefícios ao dificulta.

“dura”. monitoramento politicamente engajados. a evasão fiscal e a opacidade financeira. Joseph E. A comunidade internacional adotou frida pelos muito pobres continua a infringir uma sequência de convenções marco para a seus direitos humanos (direitos sociais e eco. mesmo os países desenvol. as normas internacionais 15. Ver Banco Mundial. Ver Pogge e Mehta (2016). O fiscal que espolia os orçamentos públicos. ção das Nações Unidas contra a Corrupção Ao mesmo tempo. reforçada por severos mecanismos de 17. Transparência Financeira Cada vez mais as estruturas do sistema finan- ceiro global são percebidas como facilitadoras A queda do Muro de Berlim e a abertura do dos assim chamados fluxos financeiros ilícitos Oriente intensificaram a globalização eco- (comumente definidos como “dinheiro ilegal. re- 12 . a Conven- especial os dos países em desenvolvimento17. passando Vivemos em um tempo em que há capacida. exacerbam a desigualdade e impac. A regulamentação inter- fronteiras”)15. lavagem de lores da riqueza offshore e da agressiva elisão dinheiro e financiamento do terrorismo. a corrupção e as demais atividades ilegais facilitadas pelos III. tributária. nômica. área do crime econômico e organizado.org/en/topic/ são uma combinação de legislação “branda” e financialmarketintegrity/brief/illicit-financial-flows-iffs. em Estrangeiros da OCDE (1997). 16. Além disso. a Convenção sobre o Combate sistema global de paraísos fiscais para evitar o contra a Corrupção de Funcionários Públicos esgotamento dos orçamentos dos estados. 2003). ampliou-se a coor- Desde 2009. Illicit Financial Flows [Fluxos Financei. tempo. contra a lavagem de dinheiro e a corrupção ros Ilícitos]. mais e mais identi- normas que atendam a essas preocupações são ficada como um dos mais importantes pro- descritos na próxima seção. com consequências tanto positivas mente ganho. in- para efetivamente lidar com a extrema po. ganhando terreno a luta global contra a elisão fiscal. cionais é a prevenção do abuso do setor finan- bre o cumprimento voluntário da obrigação ceiro para fins ilícitos. ini- nômicos. Em face das crescentes Tributária exigências democráticas para que esses pro- blemas sejam resolvidos. e o efeito que têm para o cresci- De modo geral. ciada com a Convenção de Viena contra o Tráfico de Entorpecentes de 1988. (UNCAC. o denominador comum desses acordos interna- efeito corrosivo que tais vazamentos têm so. transferido ou usado que cruza quanto negativas. pela Convenção das Nações Unidas contra o de econômica. tecnológica e administrativa Crime Organizado Transnacional (2000).worldbank. dinheiro. Esses fluxos solapam o estado nacional nas áreas de combate à lavagem de de direito. de reformas no fico humano. Stiglitz e Mark Pieth | SUPERANDO A ECONOMIA PARALELA comunidade internacional para desenvolver mento da desigualdade. à corrupção e ao financiamento tam negativamente. onde a severa privação so. contudo. disponível em http://www. cluindo seus protocolos adicionais sobre trá- breza. Normas Internacionais de paraísos fiscais debilitam o próprio tecido de Transparência Financeira e todas as sociedades. sobretudo. blemas do mundo. 1. Ver Sepúlveda (2014). em face da crise internacional denação global visando o aumento da trans- e do esvaziamento dos cofres públicos. mais específicos sobre corrupção. os países em do terrorismo surgiu quase que ao mesmo desenvolvimento. vem parência tanto financeira quanto tributária. bem como civis e políticos)16. e vários outros acordos vidos tomaram consciência dos enormes va. Necessita-se.

em última informes sobre grandes transações em dinheiro24. Lei das Empresas 2006. 591 QPC de 21 de outubro de 2016. Atualmente. Empresa e Lei do Emprego. A peça central do sistema de combate à lava- sação é conduzida. é a proprietária ou controla um ativo ou entidade empresarial e/ou a pessoa natural em nome da qual uma tran. Stiglitz e Mark Pieth | SUPERANDO A ECONOMIA PARALELA finados por associações empresariais e grupos ciário final recai sobre os operadores financei- compostos por múltiplas partes interessadas. Pieth (2008b). Com efeito. mas agora fechou os registros dos trusts depois que o Conselho Constitu. e (6) 19. ção de transações suspeitas. por promotores e tribunais quando da defini- ção de responsabilidade empresarial pela lava. 24. tais como bancos. Convenção das Nações Unidas contra o Tráfico Ilícito de julho de 2016. dispo. o Reino Unido e a França clássicos da supervisão financeira: (1) identifica- criaram cartórios públicos de registros de pro. apêndice 3. mútua relevante. nomeado como proprietário legal19. Em 22 de 22.fatf-gafi. dades do governo) sobre os beneficiários finais de clientes de tral de beneficiários finais ou de “pessoas com controle signifi. Como ficará claro à medida que este relatório avançar. portanto. na Seção IV. a FATF desenvolveu é a pessoa natural que. ram. por fim.R. Ver 81 F. os Estados Unidos adotaram uma empresas do Reino Unido identifiquem e registrem seus donos/ regra do Tesouro (denominada de FinCEN) exigindo que os controladores. camos cada acrônimo na primeira vez em que é usado. 29397. (4) documentação relevante. Financial Action Task Force] ou Groupe d’ac- cial owner) tornou-se um requisito primordial tion financière23). Á diferença do proprietário francês Mitterrand e seu ministro de finanças. traduzida em regulamentação de informar as autoridades regulatórias21. 23. os seis requisitos ciários. ção de clientes e beneficiários finais. porém. Esse conjunto de normas é aplicado pandimos este assunto abaixo. aquelas pessoas que. (3) notifica- a obrigação primeira de identificar o benefi. convocou uma reunião sob os auspícios da For- ça-Tarefa de Ação Financeira (FATF [do inglês A identificação do beneficiário final (benefi. como parte do arsenal utilizado contra o como no combate à lavagem de dinheiro. o beneficiário final partir da Sommet de l’Arche. Ex- doméstica. (5) introdução de uma função de con- 18. O Reino operadores financeiros prestem informações (apenas às autori- Unido também se comprometeu a implantar um registro cen. Ver Pequeno Negócio. exercem o efetivo controle de uma entidade gem de dinheiro (AML. O beneficiário final de um ativo ou entidade empresarial refere-se à pessoa natural (ou pessoas naturais) que. Desde 6 de abril de 2016 passou-se a exigir que todas as 21. 13 . A nominal (nominal owner). Decisão n° 2016. diligência em transações incomuns. Ver Recomendações da FATF (1990). a criminalização da lavagem À primeira vista pode parecer óbvio exigir — de dinheiro proveniente de drogas. Em 11 de julho de 2016. Inclui. Ver Pieth (2007). de dinheiro. 1988. por outro. goza do uso suas 40 Recomendações para combater a lavagem e do título de propriedade – sem ter que ser. escritórios de advocacia e as comprovem (apenas por meio de cativo”. ao tráfico ilegal de drogas22. o cional julgou que tais registros resultam em uma “interferência trabalho nesta área é bastante intensivo em acrônimos. com acesso aberto ao público. laundering) da força-tarefa FATF é a identifica- nível em http://www.Joseph E. a França instituiu registros públicos de donos Entorpecentes e Substâncias Psicotrópicas (1988). Em uma primeira fase eles aborda- de fato. do inglês anti-money ou arranjo. Pieth (2008a). (2) maior prietários de empresas20. De modo geral. Identifi- desproporcional no direito à privacidade”. No ano seguinte o G7 financiamento do terrorismo e à corrupção. no internacional com a Convenção de Viena de nos) tem se mostrado efetivo em diversas áreas. Vide Glossário de Recomendações da FATF. cláusula 70. então liderada pelo presidente da transparência. de empresas e de beneficiários de trusts e fundações. formidade para intermediários financeiros. instância. a) Combate à Lavagem de Dinheiro gem de dinheiro e pela corrupção18. e. ros. o confisco de em escala mundial– de cartórios de registros ganhos ilícitos e assistência legal e administrativa de empresas sérios a identificação dos benefi. em última instância. documentação) até 11 de maio de 2018. por um lado. de fato. esse tipo de sistema de “corregulação” O tema da lavagem de dinheiro surgiu no pla- (que teve origem na área de direitos huma. 20. Ver Parte 21A. que têm a obrigação que é.org/glossary/a-c/.

incluindo todos os operadores financeiros. contrabando. Eles A partir de 1990. Embora as normas da FATF seus observadores. a exemplo de evasão fiscal. extração Dinheiro de 2005 (2005/60/EC). inclusive à corrupção. Joseph E. onze dos maiores bancos privados venção das Nações Unidas contra o Crime Organizado Trans. Ver FATF (2000). traduziram as Recomendações em acordos in- positivo que permite que gerentes seniores se. Primeira Diretiva da União Europeia contra a Lavagem de 26. 31. uma cota/ação. 14 . Terceira Diretiva da União Europeia contra a Lavagem de para outra ação criminosa. A Con. Wolfsberg (2002b). no entanto. as Nações Unidas redigi- trabalho em três direções: indo além dos recur. e 29. Ver Knobel e Meinzer (2016a). o Conselho da Europa30 e a União Europeia31 tema de combate à lavagem de dinheiro o dis. desenvolveu regras próprias a serem observadas minação da origem dos recursos. ternacionais tradicionais e as normas foram jam listados como beneficiários finais quando concomitantemente sendo adotadas pelas leis nenhuma outra pessoa é identificada. 32. adotar toda uma série de documentos derá todo delito do qual se derive um produto que possa passar especializados (sobre prevenção ao terrorismo. de imediato do ponto de vista profissional (a as- sim chamada “abordagem baseada no risco”)27. Europeia contra a Lavagem de Dinheiro de 2001 (2001/97/ 28. Dinheiro de 1991 (91/308/EEC). Pieth e Aiolfi (2003). b) Combatendo o Financiamento do Terrorismo A FATF continuou ampliando o escopo de seu A partir dos anos 1970. a exemplo do Grupo Wolfsberg. não apenas os bancos. Intimamente relacionada é a deter. correspondentes bancários e combate à co- sente Convenção”. A preocupação da sociedade civil e de ceiros relevantes. Tipicamente. O Grupo Wolfsberg. 12. abordagem a constituir matéria de um delito definido no Artigo 23 da pre. 24. e expandindo-se geogra- ciários finais (inclusive empresas. Convenção do Conselho da Europa sobre Lavagem. Um crime antecedente é uma ação que fornece recursos EC). se ne- alto o patamar de 25% de participação do be. organismos regionais como também enxergam como uma “brecha” do sis.). Wolfsberg (2002a). a e padrões não são suficientemente rígidos. esses instrumen- abranger todos os crimes antecedentes28 sérios. os observadores têm criticado como sões de países pares e monitoramento e. dotando-as de disso. os “bene. acompanharam esses desdobramentos de perto ficiários finais” identificados devem incluir e ajudaram a definir a agenda através de ações qualquer pessoa mencionada nos documentos coletivas. (isto é. etc. em seguida. por sanções comerciais contra países e neficiário final na definição proposta pela FATF territórios não cooperativos29. Apreensão e Confisco dos Produtos do Crime (ETS No. um indivíduo com menos de 25% de participação não precisa ser identificado). 25. Por verificação de seu cumprimento é feita por revi- exemplo. Recomendações 1 e 10. Stiglitz e Mark Pieth | SUPERANDO A ECONOMIA PARALELA ção e a comprovação da identidade dos benefi. Ver nota 24 acima. Wolfsberg (2006). os bancos em particular. (2000/2002/2012). tráfico humano. 30. começou seu trabalho desenvolvendo normas nacional (2000) no artigo 2(h) define crime antecedente como gerais de combate à lavagem de dinheiro para bancos priva- segue: “Por “delito determinante” [crime antecedente] se enten. Ver Recomendações da FATF (2012) 10. 141). cessário. ram vários instrumentos para combater e preve- sos provenientes do tráfico ilegal de drogas para nir o terrorismo. baseada em risco. No caso dos trusts. Segunda Diretiva da União 27. é que as normas ainda se baseiem em uma legislação branda. Em vez e regulamentações nacionais. Knobel e Meinzer (2016b). Pieth (2007). dos para. e 25. que do trust26. fundações e ficamente para abarcar todos os centros finan- trusts)25. O Artigo 6 regula a lavagem de dinheiro e rrupção. Cf. Wolfsberg visa aplicar-se ao mais amplo espectro de delitos antecedentes. Busca. propõem que um beneficiário final deva força de lei aplicável a todo o setor financeiro. ser qualquer pessoa (“natural”) com ao menos O setor financeiro. internacionais. ilegal de madeira. em particular abordando os riscos da lavagem de dinheiro e nos casos em que as transações e os padrões de da corrupção e incorporando normas interna- comportamento do cliente não fazem sentido cionais e leis nacionais32.

Convenção para a Supressão de Atos Ilícitos contra a em 17 de dezembro de 1997). bem como for- mas mais brandas de notas orientadoras40. inclusive ao seu financia. sobretudo por meio de nheiro com a inclusão de “financiamento do ter. de 10 de março de 1988 39. o Combate à Corrupção de Funcionários Públicos Estrangeiros 34. a comunidade interna. Complementar à Convenção para a Supres. Convenção Internacional das Nações Unidas para a Supres. a regulamenta- das Nações Unidas elaborou as assim chamadas ção da OCDE continuou sua regulamentação “sanções inteligentes”. Convenção Internacional geiros em Transações Comerciais Internacionais (adotada pelo contra a Tomada de Reféns. pelo Conselho em 27 de maio de 1994). declarou balhando para internacionalizar a FCPA através “guerra total ao terror”. a combinação combater a lavagem de dinheiro e aumentou a de recomendações e legislação severa foi aplica- lista dos crimes antecedentes à lavagem de di. Funcionários Públicos Estrangeiros em Transações Comerciais são de Apreensão Ilegal de Aeronave 1970. De novo. Pós-1990. 102. de forma unilateral– um estatuto roristas de organizações palestinas – visavam for. Corruptas no Exterior (FCPA. Além disso. de 15 de dezembro de 1997. usou medidas preventivas e punitivas contra a cor- ainda os acordos que havia desenvolvido para rupção no exterior38. 1267. Recomendação do Conselho da OCDE Para Continuidade gurança de Plataformas Fixas Localizadas na Plataforma Con- do Combate à Corrupção de Funcionários Públicos Estran- tinental. drogas e a outros crimes sérios. a comunidade in- ternacional introduziu restrições severas visando De 1990 a 1997. o Congresso dos Estados Unidos adotou na Itália (Brigadas Vermelhas) e a atividades ter. Estatutos 1107. etc. Lei Geral de Comércio e Competitividade. contra a aviação. O desenvolvimento de normas internacionais 37. Convenção da OCDE sobre Combate à Corrupção de vil Internacional. os Estados Unidos vêm tra- cional. do inglês Fo- plataformas de petróleo. uma ferramenta política. de 23 de de Funcionários Públicos Estrangeiros em Transações Comer- setembro de 1971. ca No. de 10 de março de 1988. não jurídica: monito- rorismo”. a Lei de Práticas mas de ameaça específicas (e. Depois que os ções Unidas acrescentaram uma convenção sobre principais concorrentes sinalizaram não deseja- o financiamento do terrorismo34. 100-418. Recomendação do Conselho da OCDE sobre Combate à Corrupção em Transações Comerciais Internacionais (adotada 33. assinada de 1988. as Na. e seu Protocolo para a Supressão de Atos Ilícitos contra a Se- 40. que têm por alvo o livre combinando sua Convenção com uma atualiza- movimento de capital de pessoas suspeitas35. ção da Recomendação de 2009. sobre corrupção no exterior. Em 1999. 95-213. EUA. o Conselho de Segurança ramento de país39. em Transações Comerciais Internacionais. Lei Pública No.)33. Convenção para a Supressão visada do Conselho da OCDE sobre Combate à Corrupção de Atos Ilícitos contra a Segurança da Aviação Civil. Convenção para a Supressão de Apreensão Ilegal de Aero. 198837. a OCDE desenvolveu duas prevenir o uso do sistema financeiro na prepara.Joseph E. Stiglitz e Mark Pieth | SUPERANDO A ECONOMIA PARALELA tos – adotados em resposta a atividades terroristas lar: em 1977. 38. – de início. UNSC Res. Estatutos 1494. depois do escândalo de Water- na Alemanha (Fração do Exército Vermelho) e gate. Em c) Combate à Corrupção 36. Anexo II: Guia da são do Financiamento do Terrorismo (1999). Boa Prática em Controles Internos. Protocolo para a Supressão de Atos Ilícitos ciais Internacionais (adotada pelo Conselho em 23 de maio de de Violência em Aeroportos que Prestem Serviço à Aviação Ci. Pieth e Eymann (2009). Segurança da Navegação Marítima. da por países membros. 15 . Ver Bonucci (2014). a Legislação (adotada em 18 de fevereiro de 2010). EUA.g. Lei Públi- anticorrupção seguiu um padrão bastante simi. Além disso. reign Corrupt Practices Act)36. Pouco depois. Ética e Conformidade com 35. de 24 de fevereiro Internacionais (adotada em 21 de novembro de 1997. liderada pelos Estados Unidos. Recomendação Re- nave. 1997). Anexo I: Guia da Boa venção Internacional para a Supressão de Atentados Terroristas Prática na Execução de Artigos Específicos da Convenção sobre com Bombas. 91. Con- Conselho em 26 de novembro de 2009). rem segui-la. de 17 de dezembro de 1997. Seguindo antigos modelos de combate às volvimento Econômico (OCDE). da Organização para a Cooperação e o Desen- mento. essa legislação foi emendada em após o 11 de Setembro. de 16 de dezembro de 1970. Lei de Práticas Corruptas no Exterior. Recomendações e uma Convenção abordando ção e no financiamento de atos terroristas. 1373.

Dordrecht et al. Convenção da União Africana para zações comerciais podem implantar para impedir que pessoas a a Prevenção da e Combate à Corrupção. Convenção de Direito Penal do Conselho da 48. os países intro- (UNCAC. 25 de abril de corrupção estava dentro de suas atribuições fi. ela associadas corrompam (seção 9 da Lei de Corrupção. mais uma internalizaram as políticas anticorrupção em vez.1997. Convenção Interamericana contra a Corrupção. o Conselho da Europa. outras organi. Corporate Criminal Liability. empresas e indivíduos com condutas fraudu- zações internacionais. A carta do Banco Mundial proíbe o envolvimento em ati- A revisão por países pares e o monitoramento vidades políticas. o documento do Banco Europeu para a Reconstrução e o Desenvolvimento. como a Organização dos lentas e corruptas44. Ver os Procedimentos de Sanções do Banco Mundial. e os Procedimentos de Sanções do Grupo do Banco Afri- cano de Desenvolvimento. cada vez mais. 43. os Procedimentos de Sanções do Banco Interame- tos internacionais. desenvolvimento decidiram que combater a Política e Procedimentos de Aplicação da Lei.1996. Wolfsberg (2007). e. pp. incluiu a identificação de estruturas e políticas institucionais. (A Resource Guide to the U. Amparado nos resultados de foram adotados gradualmente como forma de seu departamento de pesquisa. gente que incluiu parte dos instrumentos da OCDE para combate à corrupção no exterior. 9 de junho de 2015. Pieth e R. A Conven. 50 e ss e 393 e ss. Joseph E. Em tempos nacionais e de acordos (especialmente nos Es- mais recentes. elaboraram um guia Com o tempo. Con- nanceiros das comunidades europeias (OJ C 313. Ver. Foreign Corrupt Practices Act). 47. Princípios Empresariais para Combater o Suborno. Câmara de Comércio Internacional. Europeia para a Convenção sobre a proteção dos interesses fi. Stiglitz e Mark Pieth | SUPERANDO A ECONOMIA PARALELA nível de estado membro. críticas a governos por corru- pção eram vistas como políticas. pp. Lei de Corrupção do Reino Unido de 2010 c. normas gerais na definição da responsabiliza- ção das Nações Unidas contra a Corrupção ção empresarial48. anticorrupção47 que foi adotado pelos bancos rupção gradualmente se expandiu da salvaguar. os bancos multilaterais de ricano de Desenvolvimento. 2010). com destaque para o Grupo Wolfsberg. 25.S. Regras de Conduta to das evidências quanto aos efeitos adversos para Combater a Extorsão e a Corrupção. Por último. sob o economista-chefe Joseph assegurar sua aplicação por todas as organiza. Entidades empresariais45 Estados Americanos. a norma internacional da corrupção sobre o desenvolvimento43. 42. abril de 2012. Paralelamente. 2014. 16 . na União Europeia. que ções internacionais. Mais uma vez. risco particular e desenvolver e executar sistemas de conformi- Protocolo redigido com base no artigo III do Tratado da União dade customizados para não terem problemas. 1–11). 23.3 (2) 49. and Risk. da Transparência Internacional. 173. 23. 41. em inglês) pegou todos esses ele. e ONGs46 também escolheram as normas a União Europeia a Organização da Unidade emergentes. Guia da Lei de Práticas Corruptas no Exterior dos EUA (c) do Tratado da União Europeia sobre a luta contra a corru. Ivory (2011).. 15 de Concomitante ao surgimento dos instrumen. 18 de novembro de 2014. vergence. 11 de julho de 2003. deu início a uma grande campanha anticorrupção. a lógica do movimento anticor. suas operações e introduziram sanções contra lação nacional41. explicativas oficiais49. Stiglitz. Orientações sobre procedimentos que relevantes organi- 195. 29 de março de 1996. em parte como resposta ao aumen- 45. anteriormente. Eles como desenvolvida pela OCDE foi. membros e traduzido em normas internas des- da da concorrência justa para uma agenda de sas instituições. presariais do setor financeiro. decisões de tribunais desenvolvimento e boa governança. duciárias. duziram a norma comum nas diretrizes e notas mentos e desenvolveu uma abordagem abran. 44. as entidades em- ram seus próprios instrumentos legais42. Isso significa que as empresas têm de definir seu perfil de Europa sobre a Corrupção. M..g. o Banco Mundial. durante a presidência de James Wol- fensohn. traduzida em termos de legislação e regu. Wolfsberg (2011).6. Por fim. e a Convenção redigida com base no artigo K. 46. Emergence. 1–10).10. e a assim chamada “indústria da Africana – por suas próprias razões divergentes conformidade” foi consolidando suas regras – elegeram a questão da corrupção e elabora. Lei de Corrupção do Reino Unido de funcionários dos Estados Membros da União Europeia (OJ C 2010. os instrumentos anticorrupção e tados Unidos e na Alemanha) integraram as de direitos humanos convergiram. 14 pção envolvendo funcionários das Comunidades Europeias ou de novembro de 2012. ETS No.

Comentário sobre o number=38373. index. permitindo-lhes do como Fórum Global para Transparência e solucionar os problemas mais comuns de modo Troca de Informações para Fins Tributários. países da OCDE. enquanto o centenas de bilhões de dólares estadunidenses.pdf. esses vazamentos tornaram- -se aparentes demais para os líderes mundiais Já há um consenso global de que é necessária que. Na sequência da Cúpula de Londres sões públicas desde a divulgação dos acordos do G20. solicitaram à OCDE que uma maior cooperação tributária entre os paí. paraísos fiscais. Ela será divulgada assim que for limpa de quaisquer informações confidenciais”. abriga- a Dupla Tributação entre Países Desenvolvidos do na OCDE. Para uma discussão mais ampla sobre elisão artigo 26. 17 .org/ctp/policy-brief-beps-2015. Reforma da Tributação Empresarial Internacional (2015). 15 de julho de 2014. O parágrafo 1 do artigo 26 prevê a troca de os países da OCDE e criou uma “lista negra” informações de três maneiras diferentes (indi. apresentou uma agenda de trabalho para iden- toridades competentes dos estados contratan. tratados bilaterais de tributação não tem de- monstrado ser adequada para impedir as perdas No ano 2000. bem como 35 jurisdições de lhões ao ano51. http://ec. os abordasse em um relatório intitulado Con- ses. potencialmente prejudiciais e o fórum FHTP tretanto. Duas butários décadas atrás.eu/competition/elojade/isef/ 50. estimada regimes potencialmente nocivos dentro dos hoje pela OCDE entre US$100 e US$240 bi. A página da Comissão Europeia na web declara: “A versão momento em que este Relatório segue para a pública dessa decisão [SA38373] ainda não está disponível. inclusive com uma efetiva troca de infor. Em segundo lugar. da Comissão Europeia contra ambas)52. En. Tributação Global. no 52. fiscal por multinacionais. Em detalhe: Convenção Tributária Modelo da OCDE so.oecd. corrência Tributária Prejudicial (Harmful Tax mações entre os fiscos.Joseph E. lista negra. posteriormente renomea- venções tributárias bilaterais. Fórum Global assumia o trabalho de produzir a o que tem sido assunto de continuadas discus. http://www. através do G7. Stiglitz e Mark Pieth | SUPERANDO A ECONOMIA PARALELA 2) Transparência Tributária gráfica. Competition) de 1998. ciais” e depois aplicar essas normas a regimes seados na Convenção Modelo da OCDE para tributários privilegiados através de um Fórum Fins de Tributação da Renda e do Capital ou a de Práticas Tributárias Prejudiciais (FHTP. tificar tratamento tributário preferencial entre tes. em 2009. ver Comissão Independente para a 51. a troca de informações no âmbito dos aprofundou essas recomendações. Este relatório iniciou o a troca de informações para fins tributários esforço de definir “práticas tributárias prejudi- surge com os tratados tributários bilaterais ba. do Convenção Modelo das Nações Unidas sobre inglês Forum on Harmful Tax Practices). O relatório estabelece ain- vidualmente ou em conjunto): por solicitação. Ambos os modelos da aprimorar a troca de informações de cunho OCDE e da ONU servem como documentos tributário foi adotada pelo Fórum Global de de referência sempre que países elaboram con. da critérios para as leis tributárias preferenciais automaticamente ou espontaneamente50.cfm?fuseaction=dsp_result&policy_area_id=3&case_ bre Renda e Capital. O artigo 26 de ambos os modelos relatório Concorrência Tributária Prejudicial dispõe sobre a troca de informações entre as au. a agenda para e em Desenvolvimento. surpreen- dentemente para esta era da transparência. O uniforme. C(26)-9 e ss.europa. as duas partes continuam a recusar dar permissão para a divulgação pública da decisão a) Intercâmbio de Informações para Fins Tri. na qual os líderes do G20 se secretos entre a Irlanda e a Apple (e. o FHTP havia identificado 47 decorrentes da elisão fiscal agressiva. de paraísos fiscais. Apenas com a elisão fiscal mul. mas em seis anos todos exceto tinacional há uma perda de receitas na casa das um não havia sido retirado da lista. Em termos históricos.

incluindo os paraísos fis.irs. Ver OCDE. e. nos EUA. em 2010. e framework-for-the-crs/. países. Sob a FATCA. feitos a (a) IFEs não participantes. cedimentos de identificação e devida diligência com respeito 57.oecd. Financeira. o Fórum Global foi reestruturado com com os EUA no marco da FATCA. [lei] FATCA. número de contribuinte jun. os Esta. sim chamado relatório padrão comum (CRS. geiras (FATCA.org/tax/automatic-exchange/international- des estrangeiras com um patrimônio substancial nos EUA. ativos financeiros em nome de terceiros. Uma entidade que aceita depósitos no curso ordinário de individuais que deixem de fornecer informação suficiente para negócios bancários ou similares. 124 Estatuto 71. Embo- contribuintes estadunidenses ou por entidades ra mais de 85 países tenham assinado o Acor- estrangeiras de propriedade de contribuintes do Multilateral de Autoridades Competentes estadunidenses para a receita federal dos EUA (MCAA. do inglês Foreign Account Tax do inglês common reporting standard) visando Compliance Act)55. 18 . (3) reter e pagar à IRS 30% sobre quaisquer pagamentos de renda auferida de fonte nos EUA. OCDE (2015). G20 (2009). a Convenção foi emendada por Protocolo de 2011 para permitir a participação de todos os Por volta da mesma época. estipulado pelos acordos por país da lei de con- formidade tributária FATCA) sobre todos os De acordo com o CRS.” IRS. lizado acordos intergovernamentais bilaterais cais”53. firmas de inves- 53. (b) correntistas 60. alguns dis- um secretariado independente para monitorar põem sobre relatórios recíprocos. Portal de Troca Automática. o G20 deu um dos Unidos aprovaram unilateralmente a Lei mandato à OCDE para desenvolver um as- de Conformidade Tributária de Contas Estran. à troca automática de informação tributária. determinar se são pessoas dos EUA ou não. custodiantes59. Lei Pública No. a OCDE publicou o to à receita federal. a seus correntistas. (2) fornecer relatório anual à IRS [receita 58. 111-147. estadunidenses. Uma entidade que possui. Sumário dos Principais Dispositivos da 56. Sob os acordos do FATCA. disponível em https://www.) de contas mantidas por Manual de Implementação do CRS57. os correntistas estão su. ao emitir seu relató- pagamentos efetuados por essas contas e não rio cada instituição financeira (definidas como declarados ao fisco56. etc. que introduziu o rela- jeitos a uma multa de 30 por cento (imposta tório padrão comum. os Estados Unidos não pelas instituições financeiras estrangeiras como o assinaram58. como parte substancial de seu bruta da venda de títulos mobiliários que geram renda de fonte negócio. suficiente acerca da identidade de seus principais proprietários 55. O FHTP continuou dentro da Assistance in Tax Matters) tenha sido original- OCDE. caso contrário. ou (c) correntis- tas de entidade estrangeira que deixem de fornecer informação 54. Dois anos mais tarde. outros não. No momento em que es. do inglês Mutual Administrative as normas. endereço. OCDE (2015). Stiglitz e Mark Pieth | SUPERANDO A ECONOMIA PARALELA comprometeram “a tomar ações contra jurisdi. as institui. uma IFE [Instituição Financei. corporations/summary-of-key-fatca-provisions. mas ficou limitado apenas a analisar mente desenvolvida pela OCDE e pelo Con- os regimes fiscais preferenciais e a desenvolver selho da Europa em 1988. Authority Agreement). a pedido do G20 medidas defensivas contra eles54. bem como sobre a receita 59. depositários60. Joseph E. 113 países haviam rea- ções não cooperativas.gov/businesses/ ra Estrangeira] “participante” tem de: “(1) realizar certos pro. ções estrangeiras internacionais são obrigadas a chamada de Relatório Padrão Comum e De- divulgar um relatório com informações básicas vida Diligência para Informações de Conta (nome. crevemos este relatório. em 2015. o cumprimento das normas de transparência fiscal e para a troca de informações através de Embora a Convenção sobre Assistência mecanismos de revisão por pares. disponível em federal dos EUA] sobre correntistas estadunidenses ou entida- http://www. relatórios Administrativa Mútua em Matéria Fiscal por país e classificações de conformidade com (CMAATM. do inglês Multilateral Competent (IRS).

Isto é. os estados só podem pedir assistência com relação relatórios detalhados sobre cada uma das 15 a tributos e naquelas formas para as quais eles próprios estão preparados a dar assistência. e a transferência de lucros (BEPS. pois. e saldo ou valor da conta. 67. novas contas indivi. poucos meses de- preexistentes de menor ou maior valor. nanceiros. Stiglitz e Mark Pieth | SUPERANDO A ECONOMIA PARALELA timento61 e seguradoras especificadas62) deve Em reconhecimento a que certas medidas fornecer as seguintes informações das contas63: de coerção podem ser necessárias. embora o CMAATM e o relevante (muito embora os Estados Unidos acordo MCAA/CRS que introduz a Convenção não tenham assinado o acordo multilateral. ro de 2013. Uma conta é tratada como passível de divulgação de relató. 66. Isto é. desenvolveu um Plano de Ação para a duais. a no caso de correntista pessoa jurídica: nome. lor” e lidasse com a erosão da base tributária heiro. a informação trocada só pode ser usada para fins Lucros. particular- endereço. jurisdição de residência. 19 . devem cumprir ao menos dois dos dição de residência. o G20 como a depositária da informação66. do inglês 62. gestão de carteiras. do G20 de julho de 2017. mum até 2018. bem como nome. Resolvendo a Erosão da Base Tributária e a rio se identificada como tal conforme procedimentos inerentes à diligência devida que fazem distinção entre contas individuais Transferência de Lucros e. a OCDE publicou o relatório 63. compliant)” pelo Fórum Global.Joseph E. contas de entidades preexistentes. OCDE (2014). nistros de Finanças dos países do G20 com 65. o sejam instrumentos multilaterais. investimento em ativo financeiro e trading) em nome de terceiros. jurisdição de residência e TIN da mente aqueles classificados como centros fi- entidade. Em apenas dois anos. OCDE que prepare uma lista negra das ju- endereço. que funciona automática de informações fiscais. determinou que a OCDE liderasse os esfor- ços de reforma visando “realinhar tributação 61. que se comprometem b) Relatórios por País a observar confidencialidade. Para data de nascimento. 64. intergovernamentais no marco da FATCA). OCDE estabeleceu que os países. Erosão da Base Tributária e a Transferência de tidades. os Minis- tros de Finanças do G20 solicitaram ainda à no caso de correntista pessoa física: nome. que sejam classificados como cooperativos. Uma entidade que conduz como primeiro negócio certas com substância econômica e criação de va- atividades (venda e compra de instrumentos do mercado a din. a troca efetiva país dispõe de um amplo conjunto de acordos de informações é ativada também por e conduzi. e participação no CMAATM ou uma rede bilateral de troca de informações Deve-se notar que. e contas de novas en. juris. da bilateralmente entre autoridades competen- tes dos países signatários. especialidade64 e reciprocidade65 e a tramitar suas respectivas Além do movimento pela adoção da troca notificações por meio da OCDE. o compro- nome e número de identificação (caso haja) misso de troca automática de informações da instituição financeira responsável pelo em conformidade com o relatório padrão co- relatório. data a partir da qual inglês Taxpayer Identification Number) e “considerar-se-ão medidas defensivas”67. a OCDE apre- tributários a menos que o estado requerente concorde de forma sentou o pacote final da BEPS para os Mi- explícita com seu uso distinto. G20 (2016). TIN e data e local de três seguintes requisitos: uma classificação de nascimento dos controladores. Uma seguradora que emite um contrato para recebimento base erosion and profit-shifting). “em grande parte em conformidade (largely número da conta. Em feverei- de dinheiro ou um contrato de renda vitalícia. endereço. número risdições não cooperativas para a Cúpula do de identificação de contribuinte (TIN.

Ver Dougherty (2016). Uma lei recém-aprovada. do inglês Independent Commission disputas tributárias através do assim chamado on Reform of International Corporate Taxation). A participado em uma ampla discussão acerca de seus custos e benefícios – mas quaisquer 68. a Câmara dos Deputados dos EUA] H. que argumenta que essa agenda de reformas. impostos inclusive as normas do CbCR. Joseph E. relatórios por país68. um relançamento do processo de revisão por pares do FHTP A Comissão Independente para a Refor- visando práticas tributárias nocivas. será G20: dispositivos-modelo para a prevenção feita pelos membros do Marco Inclusivo. financeiro em sentido amplo. algumas texto. código de comércio. Para proceder à execução dos mínima de publicação de Relatórios por País relatórios por país (CbCR). Stiglitz e Mark Pieth | SUPERANDO A ECONOMIA PARALELA ações e recomendações para a reforma coor. inclusive dos relatórios CbCR. já as de abuso do tratado tributário. Agora essa lei vem recebendo apoio generalizado. requer que as multinacionais pelos custos. lucros. Os propostas de leis nacionais para os Relatórios Estados Unidos ainda não o assinaram. as medidas reformadoras do BEPS em escala O Projeto BEPS obteve consenso em quatro global: a revisão por pares das quatro normas normas mínimas que foram endossadas pelo mínimas. 69. não avançou o devidos/recolhidos. estes são eclipsados de Contas Empresarial de 2016. procedimento de acordo mútuo. para o por País (CbCR) têm exigido que os relatórios que necessitam aprovar legislação requerendo sejam públicos69. À época em que escrevíamos este regulatórias tenham acabado de surgir. euros em receitas) e que essas informações se- rios por País (CbC MCAA). a Lei de Transparência e Prestação que sejam os benefícios. lucros. e um ma da Tributação Empresarial Internacional acordo assegurando progresso na resolução de (ICRICT. bem como um jam acessíveis ao público. relatórios por “jurisdições relevantes” serão revisadas pelos país (CbCR. L. mas continua a enfrentar forte oposição da Câmara de Comércio dos EUA. Recomendações O status de “Associado ao BEPS” junto ao Comitê de Assuntos Fiscais da OCDE está Como ilustrado pela Seção anterior. 20 . embora essas exigências jurisdições. a tole- sendo oferecido a todos os países interessa. Pearl (2016). especificamente. a OCDE desen. A comunidade internacional tem em adotar a revisão por pares da BEPS. maticamente sobre receitas. empregados e os ativos de suficiente e. França. IV. Mas os Panama inclusive do setor financeiro. havia 49 signatários deste acordo. abordagem do “Marco Inclusivo” estenderá denada das regras tributárias internacionais. do inglês Country-by-Country pares quer participem do marco ou não. um grupo de influentes economistas e líderes de desenvolvimento.R. impostos e operações país por país em seus relatórios para a Securities and Exchange Commission. 6126 de 22 de setem. As recomendações formato eletrônico padronizado (CbC XML) ICRICT vêm recebendo forte apoio da comu- para o intercâmbio de Relatórios CbC entre nidade internacional e.225-102-4. Ver [lei da Nos primórdios da luta contra o sigilo. de capital aberto listadas em bolsa divulguem informações so- bre receita. Reporting) padronizados. publicou um documento Relatórios por país (CbCR) exigem que os dando as boas-vindas ao trabalho da BEPS em países troquem informações tributárias auto. atenção concentrava-se nos bancos e no setor bro de 2016. (CbCR) deve abarcar todas as empresas (não volveu o Acordo Multilateral de Autoridade apenas aquelas com mais de 750 milhões de Competente para o Intercâmbio de Relató. rância global com o sigilo está diminuindo ra- dos em comprometer-se com as normas e pidamente. que a exigência cada entidade.

Assim sendo. Que dispõem dos licença de operação. bem como das complexas nho do poder dos interesses daqueles que se teias de estruturas empresariais e daqueles que beneficiam do sigilo. Stiglitz e Mark Pieth | SUPERANDO A ECONOMIA PARALELA Papers ilustraram que se pretendemos resolver instrumentos para fazê-lo ficou plenamen- os problemas suscitados pelos paraísos fiscais. os Estados E a punição pela violação dessas leis deve ser Unidos e a Europa têm a obrigação de forçar severa. ou agente fiduciário de qualquer trust. dentro de suas próprias e vão enfrentar sérias consequências. o lado mais negro da globalização meios necessários para isso estão à disposição: – facilitado pelos paraísos fiscais – também. os paraísos fiscais: eles devem ser cortados do culo. ajudam a criá-las e a mantê-las. Enquanto países como o Reino Unido e os lamentações que previnam a opacidade. Fazer algo acerca de um local em par. empre- tica. Como lideranças econômicas. uma vez que aqueles que se ou empresa de um país cooperativo seja acio- beneficiam do sigilo dentro de seus países em nista. precisamos fazer algo a respeito dos arranjos Que não o façam com relação à luta contra a institucionais subjacentes que facilitam a fal. Um banco ou outra instituição finan- os centros financeiros a cumprirem as normas ceira que viole esses princípios deve perder sua globais de transparência. Se não tratada. seus cidadãos e seus tesouros mantenha relação de correspondência ou in- nacionais que sofrem com as atividades ilícitas teraja de alguma maneira com qualquer insti- que vicejam sob o sigilo. Os ritmo forte. fronteiras há bolsões de sigilo onde essas más práticas continuam. políticos dos paraísos fiscais talvez não tenham incentivo suficiente para adotarem uma fisca. sa ou fundação de um país não cooperativo. mentações sobre transparência. tuição financeira de um país não cooperativo. Mas com custos tão Se um determinado país não aplica as regula. Estados Unidos pregam sobre os malefícios ses cujos governos deixam de fazer isso devem dos centros offshore. os E deve fazê-lo de modo que incentive outros reguladores estadunidenses e europeus devem paraísos fiscais a adotarem uma fiscalização tratar os paraísos fiscais como vetores de uma rígida. Os ta em uma jurisdição não cooperativa. um advogado ou outro 21 .Joseph E. Podemos declarar ilegal que qualquer cida- bal acertadamente reconhecia nisso uma doen. be com esse estado de coisas. tante da comunidade global têm fortes incen- tivos para assegurarem uma fiscalização severa. Não foi só a globalização que avançou em sistema financeiro e econômico global. Podemos declarar ilegal que qualquer banco já que são eles. então a comu. Os governos estão sendo instados a adotar e a aplicar regu. Assim também deve ser feito com Este mundo mudou neste último quarto de sé. pode espa- ticular trará benefícios limitados a menos que lhar-se como um vírus virulento. os políticos em muito do res. a comunidade glo. à medida que isso ocorria. doença perigosa. e paí. que fazer com doenças contagiosas perigosas: quarentena. dão dos países “cooperativos” tenha uma con- ça que tem de ser atacada globalmente. membro de conselho de administração geral gozam de uma indevida influência polí. te comprovado na luta contra o terrorismo. corrupção e a elisão e evasão fiscais é testemu- ta de transparência. Podemos declarar ilegal que um indivíduo lização enérgica. E. Felizmente. cresce a demanda do público para que se aca- nidade internacional deve preencher esse vazio. transparentemente grandes para a sociedade. Sabemos o tomemos ações contra todas as localidades.

É fundamental termos conhecimento dos beneficiários finais das empresas. ainda. rão obrigados a adotar. Eles não 3. uma entidade listada em bolsa que cendo normas que. meira apresenta um conjunto de princípios am- plos que são descritos em maior detalhe na se- Há muito em jogo: se não pudermos mostrar gunda. tanto para assegurar a não apenas cumprir normas mínimas em vigor. em 2. O Regime Fiscal Privilegiado é um privilé- mente se quer participar da luta infindável que gio. em especial no setor financeiro. ao final. como esperar que abrangente. no entanto. efetiva- nas normas legais e regulatórias globais. Cada país deve considerar seria. bursátil. Joseph E. As que têm tido um papel central na criação de consequências de ser cortado dos benefícios da redes de empresas. os demais países se- deixe de declarar informações fiscais e patrimo. globalização. tação. Zonas livres de impostos 22 . estabele- a profissão. 4. baseado na obtenção de vantagens de brechas resolver a questão do sigilo significará. mas antes mostrar da vasta maioria. O fato é que há uma ampla oferta de bons atores. que não a nossos cidadãos que a globalização pode ser é intenção deste Relatório apresentar propos- moderada. Não paraísos fiscais: regras e regulamentos impensá. é perseguir normas internacionais em constante ses princípios deve perder a licença para exercer evolução ou se quer servir de modelo. pode haver nenhum lugar onde se esconder. O sigilo tem de ser atacado globalmente – no uma recomendação primordial com relação aos exterior (offshore) e dentro do país (onshore). não um direito. beneficiários e atividades ilícitas é uma nificativos. Eles não mente. internacional precisa adotar uma abordagem Se não pudermos fazer isso. criação de um modelo de negócios pautado pelo crescimento sustentável de longo prazo. lidar com todo o setor facilitador do si- podem continuar com um modelo de negócio gilo – inclusive com os escritórios de advocacia baseado em “arbitragem de transparência”. haverá uma reação contrária. veis a 25 anos atrás hoje são vistos como sendo apenas o começo. cessar o crime. a comunidade internacional não Esta seção foi dividida em duas partes: a pri- precisa incentivar os maus atores. se- riam devastadoras para esses países. Stiglitz e Mark Pieth | SUPERANDO A ECONOMIA PARALELA prestador de serviço profissional que viole es. fiquem à frente da curva através da responsabilidade global compartilhada. ou queremos – moderar a globalização. A coleta e troca de informações sobre tribu- especial os menores com centros financeiros sig. 5. Devemos enfatizar. para prevenir e pro- mas também colocar seus modelos de desenvol. Melhor buscar hoje uma niais anualmente deve ser desligada do mercado economia adequada às realidades do amanhã. a magnitude da tarefa diante da comunidade E a ordem do dia para adestrar a globalização é internacional e argumentar que a comunidade assegurar que os paraísos fiscais sejam fechados. que pode ser adestrada em benefício tas concretas de legislação. Conquanto os guardiões tradicionais des- podem continuar com um modelo de negócio sas informações sejam instituições financeiras. 1) Princípios A maioria das sugestões apresentadas abaixo é di- rigida à comunidade internacional. vimento econômico na vanguarda da evolução dessas normas. É vital que todos os países. bem como Os países devem adotar uma postura proativa – de suas contas bancárias. tributação quanto. Mas há ainda 1. que vá muito além daquelas incor- nossos cidadãos acreditem que somos capazes – poradas às práticas-padrão atuais.

Aqueles que se beneficiam das de formas e maneiras que assegurem pleno do sigilo e de uma aplicação pouco severa de conhecimento dos beneficiários finais e plena regulamentações visando à promoção da trans- conformidade com toda a legislação tributária. parência pressionarão os governos para que não apliquem essas regulamentações. 2) Recomendações tar os verdadeiros beneficiários finais – exige recursos além daqueles disponíveis às agências a) Cooperação Internacional Inclusiva para a de segurança. os países em que requer esforços globais. fomos firmes veis. A pressão é 7. O que importa não é só aprovar leis e re- nheiro e aqueles operando em tais zonas devem gulamentações. e (b) lutar efetivamente pela transparência – detec. mais altos de transparência e trabalhar para veriam ter permissão para conduzir arbitragem garantir que estes sejam aplicados de maneira regulatória e tributária. devem ser cortados da comunidade financeira A pressão pela continuidade desse processo internacional. como o G20. há 6. Stiglitz e Mark Pieth | SUPERANDO A ECONOMIA PARALELA fornecem oportunidade para a lavagem de di. A complexidade contribui para a falta de assimétrica: embora os ganhos sociais com a transparência. Ao fazê-lo. para o pouco rigor. Empresas. sobretudo. mais branda da lei. 10. São criadas para facilitar o bem-estar da em tomar o lado das sanções “duras” simples- sociedade e. não há um bem disso e criam redes complexas de empresas grupo natural fazendo lobby pela transparência e trusts para tornar mais difícil que as agências e. dades ilegais. Se os paraísos todos os países. deve manter-se forte até que todas as par- 23 . fundação ou outra entidade. trust. Definição e Execução de Normas 8.Joseph E. E esses fóruns devem ser abertos a efeitos positivos da globalização. como tal. urgência: mesmo que não se possa atingir de imediato um “primeiro e melhor” marco. não há outro lobby com os recur- policiais encontrem fluxos ilícitos de dinheiro sos daqueles fazendo lobby por uma aplicação e identifiquem os reais beneficiários de ativi. Os centros financeiros (tanto onshore quanto demonstrar a vontade de adotar padrões offshore) são criações da globalização – e não de. não têm direitos inaliená. e a manutenção dessas complexas redes. Aqueles que buscam o sigilo sa. dados. trusts e fundações são criações do passos intermediários que podem e devem ser estado – e. Mesmo as esferas exclusivas fiscais servem de centros de elisão e evasão fiscal de governança. A transparência é um bem público global Todos os países e. mas o cumprimento da lei. mente porque há muitos e fortes incentivos precisam ser reguladas globalmente – regula. rência sejam definidas e. Ao longo deste Relatório. para garantir que assim o façam. transparência possam ser enormes. de- vem ser ativos defensores de altos padrões. Isso tem duas implicações: (a) a comunidade internacional deve fazer o que As recomendações a seguir são oferecidas estiver ao seu alcance para impedir a criação diante desse pano de fundo. estão agindo como parasitas e mente excluir os países em desenvolvimento. estão começan- ou facilitam de alguma maneira a corrupção ou do a entender que não podem mais legitima- atividades ilegais. 9. debilitam os uniforme. em especial. todos os países devem manter registros os fóruns multilaterais relevantes onde nor- acessíveis ao público dos beneficiários de cada mas internacionais tributárias e de transpa- empresa. em o fazendo. Para facilitar esses desenvolvimento devem participar de todos esforços. Há ser responsabilizados.

quando quiseram. os países tituídas no país e de todos os trusts e fundações em desenvolvimento devem se inserir como estabelecidas dentro do país. Em particular. ção desses acordos na legislação nacional e for- de ilícita. gimento de governos e figuras públicas ao redor gistros Públicos do mundo. Os países desenvolvidos devem 24 . no en. de aplicar a lei. gência processaram volumes muito maiores de tanto. progredir no sentido de rias registros públicos abertos à pesquisa. o objetivo último da identificação do para permitir a troca automática de informa. em tese po. mesmo que os detalhes necessitem ser mais trabalhados nos fóruns internacionais. fazer isso. E é quase certo sempenhar um papel ativo na operacionaliza- que se reduzirmos os retornos de uma ativida. Sem prioridades nacionais e de desenvolvimento dúvida. beneficiário final deve ser o estabelecimento de ções quanto para prevenir a lavagem de dinhei. uma das razões para que aqueles que mentação e fiscalização deve ser a informação participam em atividades ilegais criem redes tributária por país dos registros dos beneficiá- complexas de empresas e trusts é precisamente rios finais. agências de segurança e seu comprometimento nição das normas. O acordo internacional vigente que bloquear a detecção dos fluxos de dinheiro. reduziremos o escopo dessa mesma talecer a capacidade das instituições nacionais atividade. beneficiários finais de contas e empresas tanto Portanto. mas também na defi. Se estabelece esse intercâmbio é a Convenção Mul- soubéssemos onde o dinheiro que foi roubado tilateral sobre Assistência Mútua Administrati- por algum ditador está escondido. Se as de participação multilateral devem ser apro. Aqueles que tiram participantes iguais nessas discussões e lutar proveito da rede de empresas para esconder ati- por sua inclusão não apenas na operaciona. ou se o fizeram. A criação de registros abertos à pesquisa já sariais nomeando os beneficiários (pelo menos. Stiglitz e Mark Pieth | SUPERANDO A ECONOMIA PARALELA tes interessadas tenham voto paritário nos Os governos nacionais devem estabelecer regis- processos de tomada de decisão. registros públicos idôneos de entidades empre- ro. Joseph E. Todos os países devem de- que facilitaram a corrupção. bem como tros dos nomes dos diretores. É c) Troca Automática de Informações Tributá- crucial. O que está claro é que escolheram não tributária e regulatória. em nossa visão. agentes registrados igual representação nas burocracias que dão e beneficiários finais de todas as entidades cons- apoio a esses fóruns. Registros abertos permitem que a sociedade civil e a mídia participem da compro- Como indicado acima. va em Matéria Tributária e os acordos do artigo deríamos recuperá-lo e responsabilizar aqueles 6 dessa Convenção. A base do intercâmbio automático de infor- A chave para parar atividades ilegais é detectar mação entre autoridades tributárias e outras os fluxos de dinheiro – e. do a massa de informação contida nos LuxLeaks ciar coletivamente normas que reflitam suas ou nos Panama Papers está aberto a debate. Todas as oportunidades com a plena transparência são limitados. agências governamentais poderiam ter processa- veitadas para construir os recursos e nego. como observamos na autoridades de governo incumbidas da regula- Seção II. não devem ser baseadas na arbitragem dados. as agências de inteli- – estratégias de desenvolvimento que. a é norma comum nas Recomendações FATF e partir de um dado patamar). é crucial identificar os vação da adequação da informação fornecida. no CRS. não tornaram as in- formações públicas. talvez em razão do constran- b) Identificação dos Beneficiários Finais e Re. vidades ilícitas sabem que tanto os recursos das lização e fiscalização.

interpretar e proteger finais. Para isso. B torna-se o beneficiário. qualquer empresa. uma Em seu relatório anual. A falta de coleta de tais informações to legal relacionando os beneficiários. o relatório d) Coleta. Se uma entidade operou em econômicas que ocorram em sua jurisdição.. Os agentes fiduciários. anuais e as taxas reduzem o número de em- não necessariamente baseado em reciprocidade. mas se A eliminando as entidades zumbis. os relatórios çando pelo compartilhamento de informações. o ano anterior e incluir as declarações de im- geiro em seu próprio país. não é dever de nenhum país de. O relatório anual em programas visando o fortalecimento de sua deve incluir as identidades dos beneficiários capacidade de receber. qualquer trust ou fundação deve regis- netrar a teia de empresas. trusts e fundações. por que declaração oficial por escrito de que não está deveríamos esperar que algum outro país seja sujeita à tributação naquela jurisdição. etc. como tuidores e todas as demais pessoas relevantes relacionadas nos trusts. eles podem ser cidadãos do ções de imposto de renda devem ser assinadas país A ou nele residirem – e o país B deveria ser por um funcionário sênior da empresa/funda- capaz de (e obrigado a) fornecer a informação ção ou instituidor do trust72. Cada país deve ser posto de renda fornecidas em cada jurisdição responsável pelo monitoramento das atividades em que operou. O instituidor (settlers) de um trust é a pessoa que institui ou doa propriedade que faz parte do trust a outra pessoa. rios ou potenciais71. daqueles detendo o controle efetivo. contador público a fim de atestar a veracidade da declaração de renda. Além disso. deveriam pagar uma documentos do trust também devem ser identificados. E é possível que econômicas. No caso dos trusts. seus ativos. 25 . de imposto de renda aí. Eis algumas beneficiários secundários e potenciais. capaz disso? Claro. nada beneficiário. 70. inclusive em nível doméstico é inaceitável. bem como o os beneficiários finais de uma empresa ou trust imposto que paga nessa jurisdição. Divulgação e Comprovação de In. O relatório anual deve relacionar todas as jurisdições em que a enti- Por outro lado. Stiglitz e Mark Pieth | SUPERANDO A ECONOMIA PARALELA ter um papel de apoio nessa capacitação. fundações. Além 72. insti- as empresas e outras entidades legais. taxa e apresentar um relatório anual. que podem ser usadas como com os países em desenvolvimento envolvidos distração em investigações70. formações e a avaliação de risco. trust empresa do país A pode alegar estar pagando ou fundação constituída no país deve estar obri- juros para alguém no país B) talvez requeira gada a divulgar a localização de suas atividades cooperação com outros países. trar-se e apresentar uma declaração de seus beneficiários finais e um passo decisivo poderia ser limpar essa teia. denomi- dos benefícios representados pela coleta de in. Do mesmo modo. Se uma dada jurisdição. bem como dos beneficiários secundá- tais informações. Por exemplo. mas não fez a declaração o país A não sabe dizer que atividade econômi. em alguns trusts. anual deve conter declaração assinada pelos di- formações retores relacionando os beneficiários finais. avaliar o significado pleno de uma atividade transfronteiriça (e. os representantes (trustees) e os Informações só podem ser trocadas se forem instituidores (settlers) devem assinar documen- coletadas. dade realizou atividades econômicas durante terminar as obrigações tributárias de um estran. 71. funcionários e lucros seja importante para o país A saber quem são em cada jurisdição em que opera. presas “mortas”. come. deve haver certificação atestando podem aprimorar sua capacidade de e desem- penho na coleta de informações: a fim de pe.g. morre. bem como por um para o país sede. o beneficiário é A. As declara- no país B – de fato. Em to- das maneiras pelas quais os paraísos fiscais dos os casos.Joseph E. deve apresentar uma ca ocorreu dentro de suas fronteiras.

a Lei de Crimes Fi- ciários e fundadores de empresas fora do campo nanceiros recém-aprovada na Câmara dos Co- tradicional do direito não gozam – de acordo muns do Reino Unido introduz o conceito de com as normas internacionais – de privilégios “compras por riqueza não explicada” (unexplai- legais. de de entidades de paraísos fiscais74. se houve 30. O relatório anual também deve declarar se houve alguma A força-tarefa FATF endureceu as normas con- mudança nas atividades de que a entidade participa ou qual. de pleno conhecimento. tra a lavagem de dinheiro (AML) com relação quer mudança nos membros de conselhos. etc. Trabalhos do Parlamen- incluir um certificado de que todos os impostos incidentes so. membros nomeados às transações em dinheiro em 2012. dagem pode ter sucesso no avanço contra o uso cia.uk/bills/2016-17/criminalfinances. Lei de Crimes Financeiros 2016–17. um a exigir a divulgação dos beneficiários finais de advogado deve ter a obrigação positiva de asse. e todos os países em que as em- planejada nos documentos de constituição da presas. services. Tal divulgação deve tornar-se para a existência da empresa e deve ser obriga. Propriedades fornecem um meio conveniente presariais. Além disso. çar o proprietário de um ativo a explicar como mário é evadir ou evitar o fisco ou ainda parti. re. Essa dupla abor- revogação de sua licença para exercer a advoca. Recen- sionar adequadamente os prestadores de servi. obteve os recursos para comprá-lo. maioria dessas propriedades seja de proprieda- cenciado que registre um negócio ou outra ati. ção tributária e financeira acima também de- ficiários e beneficiários finais73. de facilitação da lavagem de dinheiro. e) Supervisão de Intermediários f) Transações Imobiliárias Além de supervisionar bancos e entidades em. Por outro lado. Qualquer advogado. As compras cipar na lavagem de dinheiro deve estar sujeito por riqueza não explicada ajudariam ainda a re- à suspensão e. agências seguir transações financeiras para for- gistra uma empresa ou trust cujo propósito pri. Deve-se notar que advogados atuando declaração de todas as transações imobiliárias como intermediários financeiros. disponível em http:// bre tais transferências foram devidamente recolhidos. Ver Parlamento do Reino Unido. Joseph E. agente registrado ned wealth orders).000 tax haven companies. atividades ilegais. trusts. se estabelecem devem exigir empresa. à velar os donos dos imóveis76. Land Registry figures show UK real es- ou membros nomeados estão plenamente cientes das pessoas tate worth more than 170 billion pounds is held by more than naturais que são os beneficiários finais. vem estar sujeitos a sanções pertinentes. qualquer mudança nos beneficiários ou agentes fiduciários de um trust. Ver Story (2016). agentes fidu. Ver Departamento do Tesouro dos EUA (2016). Stiglitz e Mark Pieth | SUPERANDO A ECONOMIA PARALELA que todos têm conhecimento pessoal dos bene. 73. Agentes registrados que não cumpram os de imóveis na lavagem de dinheiro e em outras dispositivos relativos aos relatórios de informa. quaisquer pagamentos feitos relativamente a essas mudanças e 76. to. Já fizemos notar uma obrigação Nova Iorque e Londres sugerem que talvez a básica de um advogado ou qualquer agente li. essas mudanças devem ser declaradas juntamente com 75. no caso de múltiplos delitos. Os Estados vidade empresarial: atestar ter conhecimento Unidos responderam tardiamente ao passarem pessoal dos beneficiários finais.parliament. obrigatória – e fiscalizada pelas agências de se- do a declarar tal propósito juntamente com a gurança – para todas as transações imobiliárias localização pretendida da atividade econômica a dinheiro. Ver Garside (2016). 26 . a exemplo dos escritórios nheiro de apartamentos de luxo nas cidades de de advocacia. um estado também precisa supervi. Quanto à (nominees) ou outros indivíduos relevantes por meio de docu- mento atestando que a mudança foi conduzida de acordo com os estatutos da entidade e que os novos membros de conselho 74. Além disso. tes matérias jornalísticas sobre compras em di- ços intermediários. transações imobiliárias em dinheiro em certas gurar que haja um motivo econômico genuíno localidades75. Essas compras permitirão às ou outro ator que.html. a dinheiro.

diretores e gerentes torna-se inade- drão sistemático de violações por um escritório quado quando a participação é indevidamen- de advocacia ou uma corretora deve ser punido te limitada. Todas as instituições recursos disponíveis ao governo para monitora. Os sócios podem ser parte de informações e supervisionam instituições importante do processo de monitoramento. sível para um único agente – especialmente tores apresentar declaração de todas as compras alguém sem um adequado apoio de pessoal de imóveis feitas em dinheiro às autoridades tri.Joseph E. Stiglitz e Mark Pieth | SUPERANDO A ECONOMIA PARALELA tributação. corretor de imóveis ou outros corre. com a suspensão ou revogação permanente da licença de todos os advogados e/ou corretores h) Capacidade Institucional. discriminando o montante envolvido que. reguladoras que administram o intercâmbio mento são limitados. estrangeira ou nacional.) g) Responsabilidades dos Agentes Fiduciá. não há limite para o nú. contento obrigações fiduciárias de uma plêia- de de interesses. 27 . membros de conselho nomeados países tem (ou deveria ter) registros de imóveis ou mesmo diretores só deveriam ter permis- nacionais e o registro exigido para fazer valer são para participar em um número limitado direitos de propriedade. Assim. – cumprir suas responsabilidades. deveria ser obrigação de qualquer emprega. os capacidade institucional. membros do conselho de administração não tenham qualquer ligação real com as opera- 77. assumindo butárias. interesse que afetem os funcionários públicos mero de conselhos de administração de que e as autoridades governamentais incumbidos uma pessoa pode participar e é comum que da fiscalização77. têm de ter pessoal qualificado que atenda aos rios das Empresas mais altos padrões profissionais. É responsabilidade de todos os zação e Cumprimento da Lei profissionais de uma firma assegurar que só- cios e associados e/ou corretores e agentes não Outro requisito fundamental diz respeito à participem em tais atividades. lações fiduciárias assumidas por membros de ções similares. Operacionali- dessas firmas. na compra e o nome dos beneficiários finais da entidade compradora. já que é impossível cumprir a condição para o registro de propriedade. E é especialmente im- sentar” centenas senão milhares de empresas. Tais conflitos de interesse podem ser reduzidos pela divul- ções ou a propriedade da empresa. sempenhar suas tarefas. trusts e ou motoristas de um escritório de advocacia fundações não transparentes. um único agente pode “repre. assim como independência e recursos adequados para de- Atualmente. (2) divulgação de qualquer apoio apresentados como membros do conselho financeiro e/ou contribuição de campanha por qualquer par- de administração de uma empresa atendida ticipante do setor de serviços financeiros. agentes registrados. Novamente. especialmente de empresas. não gação das seguintes informações antes de uma contratação/ é incomum encontrar zeladores. Claro que a maioria dos Portanto. e (3) divulgação de contrato empregatício e/ou participação em outro conselho de pelo mesmo escritório de advocacia que os administração nos setores regulamentados. A divulgação completa de conselhos de administração ou diretorias e pública dos beneficiários finais deve ser uma de empresas. qualquer pa. claro. O desempenho dos deveres Já discutimos as obrigações que recaem sobre do cuidado e da lealdade implicados nas re- advogados que conduzam essas e outras transa. secretárias eleição: (1) divulgação do beneficiário final de qualquer entida- de. conselho. portante assegurar que não haja conflitos de Em muitos países. Do mesmo modo. etc. financeiras e seus prestadores de serviços (con- tadores. a entidade seja uma entidade real. advogados. Pareceria óbvio que é quase impos- advogado.

são elas próprias paraísos fiscais sigilosos. mui- seja pior do que aqueles de outras jurisdições. g. Joseph E. autoridades reguladoras limitem essa fraude. fundações e trusts cria- lei.F. e considerar que não constitui defesa legal privado dos setores regulamentados79.R. por si só. já que outras leis talvez sejam necessá. complexas para fugir do imposto de renda de pessoa jurídica global. empresas montarem estruturas empresariais mas fazê-las serem cumpridas. la- todo. i) Proteção a Denunciantes mesmo aquelas “onshore”. Ver Wolfe et al. 28 . deveríamos sempre ser cuidadosos o ex-funcionário da PwC Antoine Deltoure com relação a “transplantes legais”. 31 U. 1020.. Ver. rias para complementar ou dar suporte a leis diga algo” não deveria ficar reservado apenas aprovadas para promover a transparência – e à segurança pública. Por exemplo. (2014). algumas dessas jurisdições. bém expuseram as identidades dos proprie- ções reguladoras fortes e imparciais responsá. somente expuseram uma enorme elisão fiscal tro país não é. ta por vazar decisões tributárias tomadas por rídicos. Stiglitz e Mark Pieth | SUPERANDO A ECONOMIA PARALELA Alguns paraísos fiscais têm respondido à exi. a todos os casos de sigilo em que o interesse Além disso.S. com um forte serviço de proteção a denun- sos fiscais. está atualmente recorrendo de uma sentença mo leis similares podem ter consequências de um ano de prisão e 1500 euros de mul- bastante diferentes em diferentes sistemas ju.220 e 1026. o Luxemburgo que permitiram a mais de 340 que importa não é apenas a aprovação de leis. var dinheiro e esconder riqueza. mas tam- complementado por um judiciário e institui. O guardião do cumprimento da Faz-se necessário abordar ainda a burla do lei é o judiciário e os juízes detêm o poder de propósito das regulamentações – dispositivos antiabuso na legislação podem ser de gran. e talvez mais importante.220. “Se vir algo. Lei de Sigilo Bancário. 1051 e ss. atestados e obrigações do tipo gência por maior transparência pela mera “conheça seu cliente” devem exigir conheci- aprovação de leis cujos modelos são calcados mento direto e pessoal78. quer estes sejam onshore ou offsho. ciantes para funcionários públicos e do setor re. devem ser monitorados para determinar a necessidade de emendas. 78. e. Uma forte Lei de Liberdade de Informação ção em si mesma permita o cumprimento de (FOIA. Tais leis também precisam ajustar-se ao dos por meio de milhares de intermediários contexto do sistema legal do país como um em todo o mundo para evadir impostos. do inglês Freedom of Information Act) leis anticorrupção. de valia no provimento de meios para que as 1024. o impacto e a interação das leis público esteja em jogo. suficiente e deve ser por respeitadas empresas globais.220. No argumentar que um dado marco jurídico não entanto. em outras jurisdições aparentemente respei- táveis. EUA. Até mes. mas também aplicar-se outras leis talvez tenham que ser rejeitadas.C. todos os países devem contar relatório é que temos que controlar os paraí. A ideia central deste Finalmente. tas vezes os denunciantes são processados: Ademais. tários individuais de centenas de milhares de veis pela administração e o cumprimento da empresas de “fachada”. e as regulamentações em 31 C. 1023. está no cerne da transparência e da participa- ção cidadã. Por fim. Os denunciantes não Moldar as leis de um país com base nas de ou.220. em j) Lei de Liberdade de Informação alguns países é ilegal divulgar informações su- postamente secretas – mesmo que a divulga. Porém. em vez de serem protegidos. Por exemplo. 79.

Isso pode ser feito de diferentes maneiras. com o foco. o Regime Fiscal Privilegiado na forma de to o cumprimento da lei e para determinar se isenções e incentivos direcionados a atrair in- há diferenças entre as práticas dos países e as vestimento estrangeiro não somente traz be- melhores práticas e normas globais. em particular. cionais também poderiam ser intensificadas rência. com discriciona. Normas para revisar tanto a legislação quan. O setor privado é inovador na criação de no. Mais perniciosa- pos locais de pressão e deve compreender uma mente. transferências de lucros registrados em ou- 29 .Joseph E. normas internacionais e domésticas. Segundo uma l) Regime Fiscal Privilegiado abordagem. e propor um cronograma de ações para analisar e sanar essas deficiências A economia global é dinâmica e está em cons. é crucial manter um moni. em instituições de riedade judicial e prazos limitados. operações de lavagem de dinheiro. Em relação ao cumprimento tar sujeitos a minucioso escrutínio que busque da lei. ou ainda de autorizar Recursos deve fornecer uma avaliação pública que muitas partes do documento sejam supri. Stiglitz e Mark Pieth | SUPERANDO A ECONOMIA PARALELA bloquear ou de retardar em demasia a divul. Revisões por país por organizações interna- vas maneiras de ofuscar e impedir a transpa. empresas que recebam isen- Independente de Revisão de Recursos. As isenções renças entre o que as normas internacionais e os incentivos fiscais sobre o lucro de ativida- provavelmente serão nos próximos anos e a des em zonas econômicas especiais devem es- legislação atual. A Comissão de Revisão de Normas deve ain- da ser complementada por uma Comissão Além disso. como indi- cado pelo número de funcionários e o capital. to de interesses. nefícios limitados em termos de promoção pação [na Comissão] deve ser estruturada de do crescimento sustentável de longo prazo. anual quanto à falta de capacitação e de ou- midas/censuradas. Assim sendo. verificados para fins de confli. educação superior oferecendo treinamento a profissionais em assuntos jurídicos. atividades econômicas ocorridas. esse tratamento tributário preferencial composição mista com especialistas de dentro se combina com o sigilo para permitir e incen- e de fora do país. A partici. de recursos. a Comissão deve rever a estrutura. assim como as normas globais. contábeis k) Processos de Revisão e de auditoria. a legislação tros recursos que estejam impedindo a efetiva da FOIA deve incluir critérios claros para a regulação. ções e incentivos fiscais deveriam recebê-los mente composta de especialistas de dentro e apenas quando estes não sejam usados em de fora do país. um governo pode estabelecer uma Comissão Independente de Revisão de Como discutido na Parte II deste Relatório. supervisão e cumprimento da lei. A Comissão Independente de gação de informações. os estabelecer se os lucros contabilizados nessas recursos e o desempenho de todos os órgãos zonas são compatíveis com o nível das reais reguladores relevantes. com dados fornecidos por ONGs e universi- toramento constante da operacionalização das dades de todo o mundo. e deve identificar as diferenças entre as normas em muitos casos têm um papel na atração de internacionais e a legislação vigente e dife. divulgação das informações. Um relatório público anual tivar a elisão e evasão fiscal em larga escala. Portanto. desvantagem competitiva. nova. forma a evitar potenciais conflitos de interesse como também deixa as firmas nacionais em e a assegurar independência em relação a gru. tante evolução.

no direito do indivíduo primento da lei. o direito do indivíduo à priva- ficiário final tenha se associado à lavagem de cidade não é absoluto e deve passar a segundo dinheiro ou sido condenado anteriormente plano quando direitos humanos básicos são por evasão fiscal. não se deve oferecer tratamento fiscal diferenciado a qualquer empresa cujo bene. de Revisão Tributária deve avaliar se os be. 30 . junta. tais como responsabilidade li- advindos de tal tratamento preferencial. etc. Elas não são auto- risco de associação com elisão fiscal. mencionado no Princípio 6. em termos de geração de empregos e receitas tributárias indiretas Com relação à privacidade comercial. morar em uma casa de muitos milhões de dó- dação com uma substancial sobreposição de lares indica que o indivíduo está muito bem beneficiários ou membros de conselho. em alguns casos. Além de vida. Qualquer empresa Em relação à segurança pessoal. Com efeito. uma Comissão Independente de governos e o financiamento do terrorismo.. e da exposição do país ao têm direitos inalienáveis. de dotá-las com quaisquer direitos ou respon- tárias em um relatório público anual. Joseph E. estilo de vida de um indivíduo é um sinal sig- e essa perda de preferência tributária deve ser nificativamente muito maior de sua riqueza: estendida a qualquer empresa. o estado tem o direito fiscais preferenciais como despesas orçamen. Ver nota 7. mesmo quando não com essas “exceções”. especial (por exemplo. as empresas não ceitas tributárias. Stiglitz e Mark Pieth | SUPERANDO A ECONOMIA PARALELA tras jurisdições: o incentivo para argumentar vezes. mas como vidade econômica doméstica. o tenham sido. como tal. Essa Comissão como os indivíduos. De mais a mais. Mas o os benefícios de sua tributação privilegiada. corrupção Nesse tocante. é por demais tentador para muitas firmas resistirem. tornando à lavagem de dinheiro ou não) deve perder os indivíduos vulneráveis a sequestros. evasão maticamente dotadas de direitos humanos fiscal e lavagem de dinheiro). da perda de re. As empresas são criações de Revisão deve publicar todas as vantagens do estado e. o sigilo chega nefícios sociais e econômicos da tributação mesmo a enfraquecer a segurança nacional80. um dos argu- que tenha sido descoberta participando em mentos apresentados é que levantar o sigilo transferência sistemática de lucros (associados divulgaria detalhes sobre a riqueza. sabilidades que julgar servirem aos interesses mente com os benefícios sociais e econômicos da sociedade. comprometidos por uma rede global de sigi- lo que permite o tráfico humano. mitada. Um dos argumentos fala- à privacidade e em proteções comerciais de confidencialidade foram reiteradas inúmeras 80. as em- geradas pelas atividades incentivadas) valem presas podem argumentar que tal transpa- os custos (por exemplo. essas preocupações têm que os lucros foram auferidos em jurisdições sido exageradas e há meios pelos quais lidar com baixa tributação. proteções de patentes. de desviar-se da ati. Antes de tudo. disso. a defesa com base na toridades reguladoras responsáveis pelo cum- segurança pessoal. trust ou fun. 3) Exceções É importante notar ainda que nenhum dos Quando participamos de discussões com argumentos a favor do sigilo se sustenta no pessoas dos paraísos fiscais sobre os custos e caso da divulgação de informações para au- os benefícios do sigilo. e em cada caso deve haver uma análise custo-benefício. rência viola seus direitos básicos.

Há obviamente muito descon. evitar a tributação e alimenta uma corrida ao lo em todo o mundo. mas ainda e um marco jurídico superior –. mas.Joseph E. tringir o sigilo. cada vez mais em países desenvolvidos. Este Relatório e os relatórios da Comissão das feitas com essa perspectiva em mente. Nestas observações de fundo do poço na medida em que diferen- conclusão. mas. visamos colocar este Relatório na tes países competem para atrair negócios não perspectiva maior do debate atual sobre a de maneira positiva e saudável – como. O sigilo declarar propriedade sobre um ativo ou pagar traz prejuízos para toda a comunidade global. não somente a globalização contribuiu para o reito de impor restrições a qualquer país que crescimento da desigualdade. não somente mais bem-educada. o mesmo ocorre com as ruins – como o terrorismo. se tornando cada vez mais claro que. e a comunidade global. por globalização. antes. mas em termos absolutos também. O que está em Jogo na Luta ram dois dos aspectos mais sujos da globaliza- contra o Sigilo? ção. de fato. os efeitos distributivos superaram os como a Irlanda mostraram que por uma ni- efeitos do crescimento para amplos segmen. melhor infraestrutura ou nos países em desenvolvimento. Muitos cidadãos ir- Conquanto os benefícios da globalização se. nharia – um pequeno aumento nas taxas de tos da população: há muitos indivíduos que abertura de empresas e alguns poucos em- se veem pior de vida não apenas relativamen. apesar dos benefícios da globalização para o cresci. A Declaração da ICRICT mostrou como a transferência de preços no atual sistema tri- Este Relatório discutiu por que o sigilo tem butário empresarial propicia um arcabouço um efeito tão adverso e o que pode ser feito fácil dentro do qual as multinacionais podem para acabar com os paraísos fiscais e de sigi. é também claro que a globalização tem as informações estão sendo trocadas tenham a mostrado um lado mais sombrio: do mesmo capacidade de manter a confidencialidade da modo que as coisas boas se movem mais facil- informação. Stiglitz e Mark Pieth | SUPERANDO A ECONOMIA PARALELA ciosos apresentados é o de que a divulgação de mais de meio bilhão de pessoas da pobreza para certos governos levaria ao vazamento. inclusive com a retirada moralmente repugnante e muitos acionistas 31 . durante o último meio século e a disseminação mas uma condição para a troca automática de global de ideias e valores tais como direitos hu- informações é que as agências entre as quais manos. pelo menos em muitos se disposto a lançar mão desse marco. di- busca participar dos benefícios da globali. sua parcela justa dos impostos se mudarem Portanto. As recomendações nesta seção e em outras passagens deste relatório são to. Vem pela redução de seus impostos. para alguma jurisdição onde possam esconder têm tanto o direito quanto a obrigação de res. cada país. a comunidade global tem o di. de euros em receitas tributárias de seus assim chamados sócios na UE. países países. mente através das fronteiras. pregos – estavam dispostos a roubar bilhões te. Infelizmente. sua riqueza e elidir o fisco. Independente para a Reforma da Tributação Empresarial Internacional (ICRICT) destaca- V. Além disso. minuiu a capacidade dos governos de enfrentá- zação financeira – se o que eles fazem tem -la: é mais fácil para aqueles que buscam evitar efeitos adversos para outros países. exemplo. Finalmente. fornecendo uma força de trabalho tentamento com a globalização. governos irresponsáveis têm mento econômico. landeses consideraram a posição de seu país jam multifacetados.

Mas se queremos pará-las. Sabemos. de lidar globalmente com o sigilo e é preciso cem um lugar para que maus atores escondam haver tolerância zero com qualquer desvio das ambos sua atividade ilegal e seu dinheiro da normas globais estabelecidas. os paraísos fiscais forne. assim. 32 . paraísos fiscais permitem aos criminosos usu- passou a fronteira da moralidade. E os paraísos fiscais Este Relatório enfoca algo ainda mais corrosi. Stiglitz e Mark Pieth | SUPERANDO A ECONOMIA PARALELA da Apple corretamente entendem que o as. em outro paraíso fiscal e tanto agentes da ção e de atividades socialmente destrutivas e lei quanto jornalistas investigativos se veem moralmente repugnantes. veri- fiscal. Em uma global. mas também da lavagem de dinheiro – ficamos tratar-se de uma empresa registrada facilitando. persistirem. Quando descobrimos cais. todas as formas de corrup. por isso. fruir dos frutos de seu mau comportamento e. que essas atividades pecto mais importante da responsabilidade estão acontecendo. empresarial é o pagamento do quinhão justo precisamos saber quem está fazendo o que e de impostos de cada um. como o comércio e a forte quanto o for o seu elo mais fraco – o globalização financeira: não há benefício que membro menos transparente da comunidade compense os imensos custos sociais. a alíquota de nanceiros àqueles que delas participam. Joseph E. Esses impactos negativos da globalização di. que fornecem ampla oportunidade não quem é o dono de uma conta bancária na apenas para a facilitação da elisão e da evasão qual foram depositados fundos ilícitos. diante de um beco sem saída. claro.005% da Apple ultra. Embora haja desa. Disso surge uma lição maior: em nossa eco- ferem qualitativamente de outros aspectos nomia global. tornam virtualmente impossível penetrar na vo para a comunidade global: os paraísos fis. a transparência será tão mais comumente criticados. temos de remover os enormes incentivos fi- venças sobre o que seja justo. Os imposto de renda de 0. Há duas implicações principais: temos comunidade global. detecção. rede de maus atores.

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implementa- das pelos escritórios dos países vizinhos. 1313 agraciado com o Prêmio Nobel de Ciências Econômicas 01311-931  I  São Paulo  I  SP  I  Brasil em 2001 e com a Medalha John Bates Clark em 1979. Christine Capilouto. Julia Schnatz. e está comprometida com o ideário da Democracia Social. Gabriel Silva. Stiglitz é economista estadunidense e pro. . O uso comercial de material publicado pela Friedrich-Ebert-Stiftung não é per- mitido sem a autorização por escrito.Autores Responsável Joseph E. 2001 . Andres Knobel. e ex-membro e presidente do Conselho de Assessores Econômicos (da Presidência dos Estados Unidos). As opiniões expressas nesta publicação não necessariamente refletem as da Friedrich-Ebert-Stiftung. Friedrich-Ebert-Stiftung (FES) Brasil fessor da Universidade Columbia. Haiti e Paraguai. Friedrich-Ebert-Stiftung (FES) A Fundação Friedrich Ebert é uma instituição alemã sem fins lucrativos. Mark Pieth é professor suíço de Direito Penal. conj. Adriana Tache e Angela Mary Woodall. Mark Pieth recebeu o título de doutor hono- rário da Universidade de Sussex (Reino Unido). Jag- taran Singh.fes. através de programas de formação política e de cooperação internacional.13° andar. Realiza atividades na Alemanha e no exte- rior.org.br Banco Mundial. Seu mais recente livro é The Euro: How a Com- mon Currency Threatens the Future of Europe [em tra- dução livre. Stiglitz foi vice-presidente sênior e economista chefe do www. Os autores gostariam de agradecer à Fundação Friedrich Ebert por sua parceria neste projeto. Estendemos ainda nos- so caloroso agradecimento às seguintes pessoas por suas contribuições para a nossa pesquisa: Kathrin Betz. A FES conta com 18 escritórios na América Latina e organiza atividades em Cuba. especia- lizado em crime econômico e organizado. primeiro presidente democraticamente eleito da Alemanha. Paulista. Leva o nome de Friedrich Ebert. O professor Stiglitz foi Av. inclusive o de membro do Comitê Independen- te de Inquérito do Programa das Nações Unidas Petróleo por Alimento. O Euro: Como uma Moeda Única Ameaça o Futuro da Europa]. fundada em 1925. Ele presidiu o Grupo de Trabalho da OCDE sobre Suborno durante 24 anos e assumiu muitos cargos em organizações interna- cionais.