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DISCIPLINA: Conhecimento e Saber

PROFESSORA: Leonor N. M. Campos
AULA: O Sentido da vida de Rubem Alves e O Sentido Espiritual do
Conhecimento

Nesta aula vamos estudar Parte I - O Sentido da Vida e a Parte II - O Sentido
Espiritual do Conhecimento

PARTE I
O SENTIDO DA VIDA
(Trecho do livro "o que é Religião?" de Rubem Alves - Ed. Loyola) Rubem Alves é
Teólogo, poeta, educador, psicanalista e doutor em filosofia.

Um velho feiticeiro dizia ao seu aprendiz que o segredo de sua arte estava em aprender
a fazer o mundo parar. Tal conselho parece loucura, mas vira sabedoria quando nos
damos conta de que nosso mundo foi petrificado pelo hábito. Acostumamo-nos a falar
sobre o mundo de uma certa forma, pensamo-lo sempre dentro dos mesmos quadros,
vemos tudo sempre da mesma forma, e os sentimentos se embotam por sabermos que o
que vai ser é igual àquilo que já foi. Mas, quando brincamos de faz de conta, é como se
o nosso mundo repentinamente parasse à medida que a linguagem, o pensamento, os
olhos e o sentimento de outro fazem surgir um mundo novo à nossa frente.

A religião fala sobre o sentido da vida. Ela declara que vale a pena viver. Que é possível
ser feliz e sorrir. E o que todas elas propõem é nada mais que uma série de receitas para
a felicidade. Aqui se encontra a razão por que as pessoas continuam a ser fascinadas
pela religião, a despeito de toda a crítica que lhe faz a ciência. A ciência nos coloca num
mundo glacial e mecânico, matematicamente preciso e tecnicamente manipulável, mas
vazio de significações humanas e indiferente ao nosso amor. Bem dizia Max Weber que
a dura lição que aprendemos da ciência é que o sentido da vida não pode ser encontrado
ao fim da análise científica, por mais completa que seja. E nos descobrimos expulsos do
paraíso, ainda com os restos do fruto do conhecimento em nossas mãos...

O sentido da vida: não há pergunta que se faça com maior angústia, e parece que todos
são por ela assombrados de vez em quando. Valerá a pena viver? A gravidade da
pergunta se revela na gravidade da resposta. Porque não é raro vermos pessoas
mergulhadas nos abismos da loucura, ou optarem voluntariamente pelo abismo do
suicídio por terem obtido uma resposta negativa. Outras pessoas, como observou
Camus, se deixam matar por idéias ou ilusões que lhes dão razões para viver: boas
razões para viver são também boas razões para morrer.

Mas o que é isto, o sentido da vida? O sentido da vida é algo que se experimenta
emocionalmente, sem que se saiba explicar ou justificar. Não é algo que se construa,
mas algo que nos ocorre de forma inesperada e não-preparada, como uma brisa suave
que nos atinge, sem que saibamos donde vem nem para onde vai, e que experimentamos
como uma intensificação da vontade de viver a ponto de nos dar coragem para morrer,
se necessário for, por aquelas coisas que dão à vida o seu sentido. É uma transformação
de nossa visão do mundo, na qual as coisas se integram como em uma melodia, o que

Convicção de que. O sentido da vida é destruído. dos mais belos e profundos já produzidos pela literatura.. que poderemos alegar quando também o carrasco. Não. como se fosse um útero materno de dimensões cósmicas. ideologia. também os que fazem armas e guerra invocarem seus sentimentos como garantia de suas ações? Também eles sentem. nossos julgamentos éticos não descansam apenas em nossos sentimentos. se o “lá fora” que o pintassilgo cantou não existir? Afirmar que a vida tem sentido é propor a fantástica hipótese de que o universo vibra com nossos sentimentos. lágrimas rolando pela face torcida pelo medo. braços que abraçam. por detrás das coisas visíveis. Ele fala das mãozinhas. e trancado num quartinho escuro e frio. O sentido da vida é um sentimento. sofre a dor dos torturados. a ciência aprisiona dentro do poço pequeno e escuro da subjetividade e da sociedade: ilusão. poderiam ser invocadas para explicar e justificar aquela dor? A gente sente que aqui se encontra algo profundamente errado. Lembrei-me de um diálogo. se assim for. errado sempre. no universo inteiro. reverberando em eternidades e infinitos. A religião diz: “o universo inteiro faz sentido”. Ainda permanecem humanos. E é esta crença que explica os sacrifícios que se oferecem nos altares e as preces que se balbuciam na solidão.. pedindo para sair.. nos que terminaram seus dias em campos de concentração. Se a pretensão da religião terminasse aqui. É possível que tais imagens jamais tenham passado pela sua cabeça e que você se sinta perdido em meio às metáforas de que a experiência religiosa lança mão. . de comunhão com algo que nos transcende. tudo estaria bem. Tudo está ligado. como na famosa tela de Salvador Dalí. Poderíamos ir multiplicando os casos. presença amiga. “Ver um mundo em um grão de areia e um céu numa flor silvestre. interior e subjetivo. E sentimos igual quando pensamos nos torturados..nos faz sentir reconciliados com o universo ao nosso redor. possuídos de um sentimento oceânico -‘ na poética expressão de Romain Rolland -‘ sensação inefável de eternidade e infinitude. castigado pelos pais por haver molhado a cama.. numa hipótese acerca do universo. Podemos entender as razões por que o homem religioso não pode se satisfazer com o pássaro empalhado. É verdade que nos valemos deles. nas armas. Que razões. na velhice abandonada. Que razões trazemos conosco que nos compelem a dizer “não” a tais atos? Serão nossos sentimentos apenas? Mas. em que Ivan Karamazov argumenta com seu irmão Alioscha. O escândalo começa quando a religião ousa transformar tal sentimento. batendo na porta. Que poderá restar da alegria das rãs.. também o torturador. fora de casa. na vida animal que é destruída pela ganância. do princípio dos mundos até o seu fim. sem atenuantes. nos escravizados. eternamente errado... há um rosto invisível que sorri. nos executados. Porque não há leis que nos proíbam de sentir o que quisermos. na noite gelada. envolve e embala.. sorri com as crianças que brincam. Ao que a ciência retruca: “as pessoas religiosas sentem e pensam que o universo inteiro faz sentido”. nos que morrem de fome. invocando a memória de um menininho. chora a lágrima dos abandonados. segurar o infinito na palma da mão e a eternidade em uma hora” (Blake). Aquela afirmação sagrada que ecoava de universo em universo. sem fim..

que recebe o nome de Deus. Hiroshjma. Assim. perfeita. os salpicos da água fria. Tudo isso encolheria até quase desaparecer. valores e respeitos de que a ordem social depende.... Nenhum outro ser existe neste mundo que. Eis o problema. . Talvez você até criasse coragem para tirar os sapatos e entrar na água. anunciar que a vida tem sentido é proclamar que o universo é nosso irmão. enquanto o sono não vem..Mas verdade é também que invocamos o universo inteiro como testemunha e garantia de nossa causa.. diante do filho morto? Dizer que a vida foi curta. o canto de um pássaro. não é mais necessário lutar contra ela. e isso subverte as lealdades. Quando a morte é transformada em amiga. com símbolos. Entre as casas dos deuses e as dos mortos brilha a esperança da vida eterna para que os homens se reconciliem com a morte e sejam libertados para viver. A consciência da morte tem o poder de libertar.. “De um lado. E não será verdade que toda a nossa vida é uma luta surda para empurrar para longe os horizontes “aproximados e sem recurso”? A sociedade é um bando de homens que caminham. os ressentimentos conjugais.. em algum lugar. os rancores profissionais. a gritaria das crianças. os canhotos dos talões de cheque. uma preferência pela felicidade e pela liberdade . Vibra com o infinito a voz do coração. vez por outra. E isso não é acidental. O sentido da vida se dependura no sentido da morte. com carinho especial. e do outro a vaga incerta. pelas quais sacrifica o ócio.. as coisas que você considera importantes. Livres para morrer. em direção à morte inevitável.. inadiáveis.. Cremos que o universo possui um coração humano. completa apenas. E o presente ganharia uma presença que nunca teve antes. uma vocação para o amor. o barulho dos grilos.” (Cecília Meireles). templos e sepulcros. O acorde final nada interrompe. Suas rotinas diárias. os documentos para o IR.. a meditação. Depois do pânico inicial. Em vinte minutos. em esperança.tal como nós. os homens estariam livres para viver. A leitura de jornais. perto da fonte. a pós-graduação. âncora de sentimentos. E é assim que a religião entrega aos deuses os seus mortos. Porque a morte é aquela presença que. como nós. são os últimos: o quadro. roça em nós o seu dedo e nos pergunta: “Apesar de mim. mas bela? Como consolar aquele que se descobriu enfermo para morrer e vê os risos e carinhos cada vez mais distantes? E os milhões que morrem injustamente: Treblinka. a estrela eterna. crês ainda que a vida faz sentido?” Como afirmar o sentido da vida perante a morte? Que consolo oferecer ao pai. de erigir casas aos deuses e casas para os mortos.. Biafra? Tudo tão diferente de uma sonata de Mozart: curta. E é esta realidade. Pense no que você faria se lhe fosse dito que lhe restam três meses de vida. Colocando os sepulcros nas mãos dos deuses.. esquecido na parede. o brinquedo. A religião cuidou. as perspectivas da carreira. Que importaria o espanto das pessoas sólidas? Talvez encontremos aqui as razões por que a sociedade oculta e dissimula a morte. lutando. Ver e saborear cada momento... tudo o que deveria ter sido dito o foi. o cheiro de jasmim. tornando-a até mesmo assunto proibido para conversação. os seus mortos.. a religião obriga a inimiga a se transformar em irmã. Como afirmar o sentido da vida perante o absurdo da existência representado de maneira exemplar pela morte que reduz a nada tudo o que o amor construiu e esperou? “Aquilo que é finito para o entendimento é nada para o coração” (Feuerbach). erga súplicas aos céus e enterre.

De fato. abandonando todos os pontos de apoio.Mas o sentido da vida não é um fato. até nos altares. A visão é bela. Mas eu desejo ardentemente que assim seja. a alma religiosa tem de se lançar também sobre o abismo. perguntaria: “Mas. em que os valores mais altos são crucificados e a brutalidade triunfa. realidades por que se anseia. Ela se nutre de horizontes utópicos que os olhos não viram e que só podem ser contemplados pela magia da imaginação. Como o trapezista que tem de se lançar sobre o abismo. Porque é mais belo o risco ao lado da esperança que a certeza ao lado de um universo frio e sem sentido. O leitor. assim. com Ernest Bloch: “Onde está a esperança. em busca de uma certeza final. E talvez possamos afirmar. mas não há certezas. o jornalista insistiu para que ela respondesse à questão da motivação da sua escritura: . na direção das evidências do sentimento.” PARTE II O SENTIDO ESPIRITUAL DO CONHECIMENTO Adilson Schultz 1. perplexo.. Há grandes forças de matéria na terra no mar e no ar que se entrelaçam e se casam reproduzindo mil versões dos pensamentos divinos. da voz do amor. talvez seja esta a grande marca da religião: a esperança. ali também está a religião”. é ilusão proclamar a harmonia com o universo. Deus e o sentido da vida são ausências. trata-se de uma aposta apaixonada. Porque não me contenho nos limites do mundo. A matéria é forte e absoluta [Murilo Mendes – poesias] Eu hei de me precipitar em Deus como um rio. Nos caminhos de Pascal e Kierkegaard. [Murilo Mendes. SER FELIZ PARA QUÊ? Numa das raras oportunidades em que a escritora Clarice Lispector gravou uma entrevista televisiva. 1] 2. Salmo n. existe? A vida tem sentido? O universo tem uma face? A morte é minha irmã?” Ao que a alma religiosa só poderia responder: “Não sei. depende de um futuro. EM TODA PARTE. e Deus. Num mundo ainda sob o signo da morte. E me lanço inteira. ATÉ NOS ALTARES Em toda parte. A experiência religiosa. das sugestões da esperança. E o que é lançado sobre a mesa das incertezas e das esperanças é a vida inteira. dádivas da esperança.. como realidade presente.

que a liberdade de crer ou não crer é dada por Deus. sabe que no mais profundo a fé e o sentido dessa fé escapam dos condicionamentos da existência. onde está seu sentido. Todo mundo vive para ser feliz. no que você é e no que você pensa a respeito da vida. pode-se falar da dimensão espiritual da inteligência. Tomado desse ponto de vista. o jornalista finalmente sugere para ela uma resposta. Quem não é religioso é como se tivesse estacionado no meio da montanha. Clarice. etc. tem uma vida abrangente. Após um breve silêncio. o Sentido da existência. Não vai além das brumas. sociológico ou filosófico da vida. com a qual forjamos e organizamos o conhecimento da dimensão transcendental da existência. a escritora reagiu soturna: _ Mas ser feliz pra quê? Guardadas as devidas proporções e feitas as ressalvas necessárias. para aquilo que está além da vida comum. você escreve para ser feliz. a Psicologia. Talvez seja justamente porque é aí que escapamos da lógica ordinária da vida e somos resgatados do real para nos religarmos com aquilo que é essencial na vida. textos sagrados. a Filosofia. ou coisa meramente sociológica (“só os pobres vão à igreja”). não é mesmo? Em última análise. ou coisa filosófica (“só os ignorantes tem fé”). 3. Quem não crê não arrisca. doutrinas. Por isso tratam a espiritualidade e suas questões como coisa psicológica (“só os fracos tem fé”). Como se não estivesse satisfeito com as vagas respostas de Clarice. das coisas ditas imanentes. e aceita o fato psicológico. Já o crente. É certo que a sua fé o ajuda a se . imagens. “Não penso nisso”. etc. Muita gente confunde os elementos externos da espiritualidade – como fé. Quem vive a espiritualidade intensamente._Afinal. Clarice. para que você escreve? Qual é o sentido dos seus escritos? Qual é o objetivo final do seu trabalho? Clarice respondeu repetidamente à insistência do jornalista. especialmente a Teologia. O crente é aquela pessoa que busca sentido para além dos sentidos que a vida dá. sempre com algo como “escrevo por escrever”. as Artes e o Pensamento Complexo. aquilo ao que as pessoas recorrem quando fica escuro. e crê. O não crente está preso à sua condição de existência.”. essa aula busca uma resposta para a mesma questão colocada para Clarice Lispector: Qual é o sentido último do conhecimento? Qual é o sentido último da existência? Você já se fez essa pergunta alguma vez? Qual é o sentido da sua vida? Pense um pouco no que você faz. INTELIGÊNCIA ESPIRITUAL A inteligência espiritual é a área da vida na qual fazemos as perguntas essenciais sobre a existência: Para quê vivemos? Assim como existe a inteligência racional e a emocional (também relacional). A área do conhecimento que mais se ocupa com essas questões do sentido da existência é justamente o conjunto de Humanidades. no entanto. não aposta ir adiante. o seu sentido último. quem não é religioso seria um ilustre ignorante dos lugares mais profundos e mais bonitos da existência. porque precisa de um chão firme debaixo dos pés. A felicidade é o sentido último da existência. Formulado livremente seria assim: _ Mas veja que o sentido disso tudo é ser feliz – disse o jornalista. “Estou buscando nada. em primeiro lugar. O crente está livre para crer. transportando a existência para além dela mesma. do mundo real. para o transcendente. é um ser simplesmente imanente. – com a essência da espiritualidade. receoso de continuar a escalada do Monte. cultos. as dobras intangíveis da consciência e da inconsciência.

das frustrações e dos desejos dos fiéis. Confira a instigante observação do pensador Karl- Josef KUSCHEL. Deus não é uma ilusão (Freud). à espera de salvação? No entanto. mas uma alusão às coisas essenciais.. mas um significado... O SENTIDO DO SENTIDO O crente encontra na fé o Sentido do Sentido – o Supra-sentido. 5. Certamente a mão de Deus que tudo conduz é muito consoladora. quase um narcótico do qual se lança mão na hora do aperto. (. Aí teríamos que ver qual é o problema do nosso tempo. mas um sentido. mas formuladas por ela: se Deus é o criador do mundo. em Os escritores e as escrituras: A revelação cristã por certo contém muitas respostas. GRUND E ABGRUND – O CHÃO E O ABISMO DA EXISTÊNCIA A espiritualidade não tem exatamente respostas para o dilema humano do sentido. mas a característica dessas respostas reside justamente não em fazer calar as perguntas fundamentais da existência humana. não deixa de ser curioso que as igrejas e religiões de maior sucesso hoje são aquelas que veiculam o que se denomina espiritualidade da disponibilidade de Deus. para o sofrimento. que pede essa espiritualidade da urgência. no livro Im Spiegel der Dichter: “Deus é a pergunta pela ordem deste mundo e pelo sentido desta vida. As perguntas últimas do ser humano não são suspensas pela revelação. ela não pode medir Deus apenas a partir daquilo que dele se recebe. 4. à disposição dos sentimentos. Ela busca o sentido desse sentido. que forja e sustenta esse tipo de espiritualidade. Mas essa já é outra conversa. mas de uma dimensão mais abrangente.a fé não trata de uma dimensão superior ou inferior.) Se Deus enviou seu filho Jesus Cristo ao mundo "por amor". para a angústia. Mas não está aí a essência da sua espiritualidade. então por que o mundo é como é? (. instruído e instigado pelo religioso. mas um abismo (abgrund) de sentido. social e psíquica. Aquilo que é do não religioso é puxado. Mas a fé não tem aí seu fundamento. mas conduzi-las a uma perspectiva correta.. o pensador Kuschel dirá. Certamente as necessidades e demandas dos fiéis precisam de respostas urgentes. uma espécie de companhia de seguros contra as intempéries espirituais. ou um ópio (Marx). Não se trata de secular e religioso. O mundo da fé é o mundo . Deus ou um Ser Superior nunca é apresentado como uma resposta pronta para as coisas sem sentido. não é uma utilidade. A religião é a indagação pelo sentido da vida.. É uma espiritualidade supletiva. às vezes uma ferida latejante. A espiritualidade da disponibilidade de Deus pode ser vista como um sinal dos tempos atuais.) Deus não é um chão (Grund) de sentido.. para as doenças inexplicáveis.livrar das coisas que o atrapalha na vida. com templos lotados de pessoas atraídas por um deus utilitário. Uma pergunta aberta. até organiza a vida material. mas a formulação dessa necessidade social e pessoal da busca de sentido. elas certamente não são desprezíveis! Essa necessidade é também profundamente religiosa. Tomando o ponto de vista cristão. ou fora dela fundamentalmente . Não que o sentido esteja além desta vida. então por que milhões de pessoas em condição de total desolação. mas de instrução ou contaminação do secular pelo religioso. para as crises pessoais..” Deus não é uma resposta. Deus não é um tapa-buracos! A religião não é uma agência de consolação.. feita às pressas e na urgência.

). Insuportável não é sofrer. O mundo. são absolutos. Pode ser o trabalho. 2008. all. crise de sentido e desamparo espiritual). KUSCHEL. TILLICH. 1999. p. mas sim viver sem sentido. Os escritores e as escrituras: retratos teológico-literários. O poder é um meio. o sentido da existência está sempre à nossa frente. 2003. confundindo os fins com os meios. que nos fazer viver com sentido. A espiritualidade é a salvaguarda contra o mundo e contra nós mesmos. em Sede de sentido. pode ser a transcendência. É a dimensão da vida que nega que a realidade é absoluta. ROESE. a aceitação do sofrimento inevitável em nome de algo maior. Petrópolis: Vozes. São Paulo. É essa profunda certeza do sentido do sentido que levou Vitor Frankl a afirmar sobre sua experiência de sobrevivente dos campos de concentração nazistas: “Quando há um para quê viver. mas a sede de sentido. Religião. Anete. Coragem de Ser. o prazer é o produto. . 14 ed. 3 ed. Assim. e não dentro de nós: o amor a alguém. nem o conhecimento. Oikos. suporta-se qualquer como. É ali que o Transcendente transparece o imanente. para fora. São Paulo : Loyola. FRANKL. Bibliografia de base para a aula E outras sugestões para aprofundamento ALVES. 1991. Aquilo que é do ordinário é refletido no espelho do extraordinário. Por isso que a dimensão espiritual do conhecimento é necessária. São Paulo: Quadrante. manter a sacralidade de outros objetos e espaços de adoração e. Uma verdadeira obsessão. É aquilo que nos puxa e nos atrai para frente. Paz e Terra. No fim. Sede de Sentido. manter a integridade espiritual e a totalidade do seu ser”. FRANKL. O vazio existencial tem sua raiz na vida baseada no êxito e no prazer. EST: São Leopoldo.” Vitor Frankl Daí a conexão com o conhecimento: os educadores e as educadoras – assim também as cuidadoras e os cuidadores em geral . mas sobretudo a responsabilidade de viver. nem a busca do prazer. Vivemos para quê? É isso que cura e dá sentido. mas o fim é o sentido. o serviço a um ideal. para o futuro. Valério Guilherme (Et. sobretudo. Esse crente descobre aí o sentido da existência. crise de sentido e desamparo espiritual. 2001. a espiritualidade guarda em si a recusa fundamental do domínio do sem sentido.tem a tarefa de despertar nas pessoas não apenas o prazer de viver. Em busca de sentido. 1991. Rubem. não é a busca do poder. uma desesperada tentativa de manter o poder do sagrado – de manter-se no sagrado.da vontade de um sentido último. Viktor. pode ser o amor. Paul. Segundo o pensador Vitor Frankl. Insere nos nossos processos teóricos a crítica do Totalmente Outro. 35-48. “O atual movimento humano em função do sagrado e em torno das religiões e espiritualidade pode ser uma reação à profanação excessiva do mundo. plasmada em três experiências fundamentais que estão fora de nós. . Viktor. (Anete Roese – Religião. A teologia contemporânea na América Latina e no Caribe. In: SCHAPER. Karl-Josef. O que é religião? São Paulo : Loyola. São Leopoldo: Sinodal. para além de qualquer realidade.

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