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Irani Rolanda e a luva amarela

Irani Rolanda é uma jovem trabalhadora de uma rede multinacional de
supermercados cuja filial se localiza no centro da cidade de Calibã. Além disso, Irani
é uma assaz leitora da revista Fitgirl, fato esse que a fez vir a escrever uma carta
numa manhã de domingo; quinzenalmente ela adquire um exemplar desta revista,
consumindo-a com muito prazer em algumas de suas horas livres; ela tem preferência
particularmente das dicas de nutrição e beleza, e julga as fotografias simplesmente
excepcionais.
Irani Rolanda é uma pessoa definitivamente gorda. Mesmo pessoas queridas a
ela e com o intuito de lhe agradarem falariam o mesmo sem hesitar, e ela não se
incomodo mais de ouvir esta dura verdade. Quando Irani se senta em algum banco, - e
ela o faz bastante durante o dia, pois trabalha sentada – ela sente que as gorduras de
sua barriga correm para que se depositem juntamente às suas coxas suadas devido à
constante pressão da calça jeans, amolecendo ao redor de seu corpo rechonchudo. Do
modo como seu corpo é feito, Irani se cansa rapidamente se fica muito tempo em pé;
acontece regularmente quando está esperando a lotação ao fim do dia.
Recentemente houve um episódio de como a altiva e imponente ansiedade de
Irani, grande aliada de suas inúmeras células adiposas, comportava-se ao ter uma
pessoa em sua frente na fila para entrar na lotação. Seus movimentos lentos
retardavam a tão esperada sentada de Irani no banco, e o fato dela ser uma pessoa que
claramente não era dali deixava sua irritação mais aflorada: uma garota de pele
branquinha, roupas finas e perfume delicado se posicionou, antes de Irani, sendo a
primeira da fila de espera da lotação, lugar que era costumeiramente ocupado por
Irani. Ela era esguia, seu corpo era claramente fino como a roupa que trajava, e
igualmente eram seus modos, o que lhe deixou nos nervos, porque eles faziam-na ser
muito mais devagar que as outras pessoas. Irani tinha pressa para se sentar logo,
enquanto que ela tinha pressa em ser educada e atenciosa com as pessoas que saiam
da lotação pela porta da frente. Irani fungava alto um pouco para ver se ela se
percebia seu incômodo; sua educação importada não aceitava nenhuma intervenção
alheia. Quando Irani conseguiu atravessar a catraca e se sentar num lugar bem longe
dela, esparramou-me no banco mais que aliviada!
Um dia quando estava fazendo muito calor, Irani fiz um teste para saber as
habilidades que podiam ter as banhas anexas ao meu corpo, que pareciam já ser um

pegou a lotação e foi trabalhar. e. Irani também é uma pessoa muito criativa. Antes de mais nada. tampouco gosta de obedecer regras com as quais ela não concorda ou não entende. Irani foi trabalhar normalmente. cujo volume resultante de um dia de trabalho é bem grande. a forma visual extremamente atraente que elas adquirem. há alguns detalhes sobre Irani que precisam ser ditos: ela não sou uma pessoa adaptável a rotinas difíceis e não tem disciplina alguma. considerada por todos uma pessoa gorda. Por exemplo. tendo se esquecido completamente de existência da caneta ao longo do dia. Um dos objetivos que ela queria atingir com esta meta era que talvez o cheiro da luva pudesse enjoá-la de modo a deixá-la com . Quando voltou à noite. Porém. Além disso. principalmente no tocante a receitas que aprende em programas de confeitaria doce. e como esse cenário pode facilmente virar um céu psicodélico se salpicado com pequenos confeitos coloridos de chocolate. lembrou-se dela apenas quando se deitou na rede e foi espetada com sua fina ponta! Conseguiu tirá-la de si e viu que estava completamente encharcada. servindo de fundo ao amarelo pálido da maçã se desfazendo. Irani resolve escrever uma carta à Revista Fitgirl a fim de reivindicar conselho sobre modos de emagrecer. ela é uma pessoa muito carismática e com grande força de vontade. Ou até mesmo como a textura macilenta da maçã ao ser cozida pode combinar com as crostas crocantes de uma massa frita e crocante que. Outra experiência muito interessante feita por Irani foi tentar usar uma luva amarela nas mãos por algumas semanas. ela queria realmente um tipo de ajuda mais ostensiva e até mesmo pública. Neste dia. o que é um pouco surpreendente. para que ela então se sentisse realmente impelida a esta tarefa tão árdua. a cor de um glacê de morango contrastando com o verde de mousse de limão. em determinados lugares. encheria talvez uma daquelas pequenas garrafinhas de pimenta. Tirando esse pequeno detalhe. Apesar de. com um detalhe apenas: ela colocou uma caneta bic por entre suas espaçosas banhas a fim de saber por quantos metros ela poderia andar sem que a caneta caísse de seu corpo. Saiu de casa cedo. se diverte muito criando novas combinações de sabores. atingem uma cor amarronzada. até mais que isso. estando envolta por seu suor. Ela tem consciência de que há inúmeros outros meios aos quais ela poderia recorrer: artigos na internet falando sobre isso.corpo independente do seu se reunidas. caso fosse possível medir. ser definitivamente. profissionais que se dedicam a esta específica atividade e academias igualmente especializadas.

que vai se dedicar à medida que lhe seja possível. e por último. Irani encontrava-se exausta deitada no chão. Irani clama para que os editores da revista Fitgirl lhe dedicassem algum tempo e algumas páginas de sua revista. que fotos não fossem dispensadas pois elas sempre são importantes para a comparação do antes e depois. lambia-a e. uma entrevista.menos vontade de comer. também de diminuir sua mania de enfiar o dedo nos potes de comida da geladeira para lambê-los em seguida a fim de provocar delírios durante o tédio instaurado do dia. ela teve um grande esforço para desgrudar seu cabelo. frutas e caldas com todas as cores possíveis. De qualquer maneira. e seu aspecto quando ela manipulava os alimentos era muito suculento. mas nada que possa se dizer impossível. porque a cor forte amarela da luva era muito rara na cozinha. Assim. com a pia repleta de potes. de modo que seus hábitos fossem completamente expostos. Irani gostaria muito que isto se desse na forma de. acompanhada apenas pelos respingos açucarados e pela sua mais nova cúmplice. uma luva amarela mordiscada e sem alguns dedos que ela havia violentamente engolido. ou como ela pode adaptar sua colorida rotina com uma possível boa forma. o que produzia uma espécie de som abafado a cada raspar de comida diferente. Se devidamente acolhida e aconselhada. Esta mania estava prejudicando-a. em como podem lhe ajudar. Talvez Irani seja um caso um tanto difícil de se lidar. pois ela fazia isto no serviço com as marmitas alheias e algumas pessoas já estavam desconfiando que fosse ela a responsável. Ela era bem áspera. No fim da noite. uma dieta personalizada! Irani promete a ela mesmo. melecada e nua. pois não poderia ficar sem suas infinitas cores à base de glicose. sem lembrar que a luva era algo externo a ela. ao lado de um vidro de mel cujo líquido restante resultava numa poça no chão. . silenciosamente. a experiência da luva apenas desafiou Irani mais ainda: sua vontade de fazer e comer doces não diminuiu. durante a manhã seguinte. de onde. pode se tornar tão obediente quanto um bolo que cresce no forno após ter recebido uma perfeita e exclusiva porção de fermento. depois de muito experimentar. quem sabe. desejando dormir o resto da semana ali mesmo. Irani passou a noite ali mesmo.