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Período Regencial - Políticas interna e externa

Prof. Robson Santiago

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1) POLÍTICA INTERNA

Angelo Agostini. As fraudes eleitorais são satirizadas


durante o Segundo Reinado.
Biblioteca Municipal de São Paulo
a) O Ministério e as Eleições:
Após o “Golpe da Maioridade” (1840) D. Pedro II nomeou o que seria o primeiro Ministério liberal,
chamado de “Ministério dos Irmãos”.

O Ministério organizou as primeiras eleições do II Reinado, que ficaram conhecidas como “Eleições do
Cacete”, devido à violência e métodos corruptos utilizados para garantir a vitória liberal no pleito.

A vitória foi dos liberais, porém contestada pelos conservadores, que junto a sua influência veio a
requerer de D. Pedro II a anulação dessas eleições.

O Imperador anulou as “Eleições do Cacete”, e as maiores províncias liberais - São Paulo e Minas Gerais
– se revoltaram.

b) O “Parlamentarismo às avessas”:
O Imperador D.Pedro II adotou a partir de 1847 – com a criação do cargo de Presidente do Conselho de
Ministros – o Parlamentarismo no Brasil. Mas ao contrário do que ocorreu no modelo inglês, no Brasil, a
escolha do Primeiro Ministro não se deu pelo Partido Majoritário nas eleições e sim pela nomeação do
Imperador antes das eleições (por isso foi chamado de “Parlamentarismo às avessas”).

Esta solução conciliou no poder Liberais e Conservadores, o que trouxe a paz política para o segundo
reinado, sendo esta inexistente tanto no primeiro reinado quanto no período regencial.

2) POLÍTICA EXTERNA

Durante o segundo reinado, a política externa brasileira pautou-se pela busca da afirmação nacional,
desenvolvendo uma “política de prestígio” frente aos interesses europeus (notadamente inglês), e
intervencionismos na região do Prata, na tentativa de buscar o equilíbrio na região, mas também
exercendo uma faceta imperialista como no caso da Guerra do Paraguai.

Neste contexto dois eventos de grande importância ocorreram, a Questão Christie e a Guerra do
Paraguai.

A Questão Christie

A “Questão” na realidade foi o ponto mais agudo nas relações que já vinham tensas entre Brasil e
Inglaterra, devido ao não cumprimento por parte do Brasil do acordo que levaria ao fim o tráfico negreiro;
a Tarifa Alves Branco que aumentava o valor dos produtos ingleses na alfândega; e a Bill Aberdeen por
parte da Inglaterra que aprisionava os navios negreiros.

As relações entre os dois países se deterioraram ainda mais quando houve o naufrágio de dois navios
ingleses no Brasil, que tiveram sua carga saqueada pela população e pela prisão de dois oficiais ingleses
que acabaram desrespeitando autoridades brasileiras.

No caso dos navios, o Embaixador Sir Willian Dougall Christie exigiu indenizações, no caso dos oficiais,
exigiu sua soltura e um pedido de desculpas das autoridades brasileiras.

Christie mandou sua marinha aprisionar cinco navios brasileiros. O governo chegou a pagar as
indenizações, mas levou o caso para ser arbitrado por Leopoldo II, Rei da Bélgica, que deu causa
favorável ao Brasil. A Inglaterra não se retratou, e por isso, as relações diplomáticas foram rompidas em
1863.

A retratação inglesa ocorreu em 1865, retomando a diplomacia entre Brasil e Inglaterra necessária para a
eclosão da Guerra do Paraguai que ocorreria no mesmo ano.

O MOVIMENTO REPUBLICANO E A CRISE DO IMPÉRIO

Convenção de Itu em 1870, em que foi redigido o Manifesto Republicano

1) O Movimento Republicano:
A partir da segunda metade do século XIX o café transformou-se no principal produto de exportação do
Brasil, ao atingir o Vale do Paraíba em 1820 e a região do Oeste Paulista em 1850, trouxe uma mudança
significativa em termos sociais e políticos (formando uma elite moderna no Oeste Paulista) resultando em
atritos com o Governo Imperial, por querer maior participação política no país.
Em 1870 foi lançado o Manifesto Republicano no jornal do Rio de Janeiro “A República”.

Em 1873, na Convenção de Itu, os republicanos da Província de São Paulo orientariam a formação do


Partido Republicano Paulista – PRP.

Os Militares, simpáticos ao republicanismo, e a aliança com os civis representados pelo PRP, derrubaram
a Monarquia em fins do século XIX.

2) A Crise do Império – Desgaste e Fim:


O Império paulatinamente, no decorrer da segunda metade do século XIX, vinha se envolvendo numa
série de conflitos que acabara lhe desgastando, e ao perder o seu prestígio abriu caminho para que o
republicanismo se instalasse no Brasil.

Seu desgaste ocorre devido ao enfrentamento de 3 Questões:

a) Questão Religiosa:
Como já é sabido, a Igreja era submetida ao poder Imperial, fato este confirmado na Constituição de 1824
através do Padroado e Beneplácito.

Diante do poder do Beneplácito, o Imperador não concedeu o placet (visto de autorização) à Bulla
Syllabus, que enviada pelo Papa, queria separar católicos de maçons. Dois Bispos (de Olinda e de
Belém) desacataram a decisão do Imperador e acabaram sendo presos. Apesar da soltura, este episódio
levou a Igreja a romper com o Império.

b) Questão Militar:
Ao voltar da Guerra do Paraguai com os ideais Positivista e Abolicionista, o Exército passou a questionar
a sua condição de exclusão política, chegando a ter dois de seus oficiais participando de eventos na
Imprensa para criticar esta situação. Porém, como esta atitude era proibida e vista como indisciplina,
acabou resultando em prisões, o que levou o marechalDeodoro da Fonseca a assinar um violente
manifesto que junto ao corpo de militares se colocaram em oposição ao governo de D. Pedro II.

c) Questão Social:
A luta dos negros contra a escravidão ganhava cada vez mais adeptos na sociedade já que neste
período, o sentimento abolicionista estava presente em diversos setores como intelectuais e os oficiais do
Exército, além da própria opinião partidária completamente favorável ao fim da escravatura.

Em 13 de Maio de 1888, é assinada a Lei Áurea abolindo definitivamente a Escravidão.

Ocorreu que, não houve indenizações aos proprietários que insatisfeitos, romperam com o Império
entrando no PRP, sendo chamados por isso de Republicanos de última hora.
Sessão do Conselho de Estado em que a Princesa Isabel assina a Lei Áurea

3) A queda do Império:
Na manhã do dia 15 de Novembro de 1889, a união entre Civis (cafeicultores articulados em torno do
PRP) e Militares, chefiados pelo Marechal Deodoro da Fonseca depõe o Ministério Imperial e prendem
seu Presidente, Visconde de Ouro Preto. Era o golpe da República, que seria proclamada solenemente
na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, pondo ao fim a Monarquia brasileira que se iniciara em 1822.
Proclamação da República, na praça da Aclamação, hoje Praça da República, RJ.

Conclusão:
Vários seriam os fatores que derrubaram o Império no Brasil, como por exemplo, a própria imobilidade do
Império diante das grandes transformações pelas quais passavam a política, economia e a sociedade a
partir de meados do século XIX, o constante desgaste a que vinha sendo submetido e a difusão de idéias
liberais e positivistas em favor de um governo republicano como era o caso da Argentina e Uruguai,
países vizinhos que adoram este modelo para resolverem seus problemas, além dos Estados Unidos que
era o exemplo para toda a América Latina. Somou-se a esses fatos a aversão dos cafeicultores de um
Terceiro Reinado ser comandado pelo Conde d`EU (Gastão de Orleans), marido da Princesa Isabel.