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TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO TC 011.538/2015-5 GRUPO I – CLASSE V – Plenário TC 011.538/2015-5

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

TC 011.538/2015-5

GRUPO I CLASSE V Plenário TC 011.538/2015-5 Natureza: Relatório de Auditoria Órgãos/Entidades: Caixa Econômica Federal; Ministério das Cidades (vinculador); Prefeitura Municipal de São Paulo/SP. Responsáveis: Carlos Antonio Vieira Fernandes (274.608.784-72); Dario Rais Lopes (976.825.438-68); Elton Santa Fé Zacarias (063.908.078-21); Maria Beatriz de Marcos Millan Oliveira (073.610.538-74); Miriam Aparecida Belchior (056.024.938-16); Osvaldo Misso (860.279.058-91); Ricardo Pereira da Silva (355.420.126-04); Roberto Nami Garibe Filho (112.313.258-52) Interessados: Congresso Nacional (vinculador); Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana e Obras de São Paulo

(46.392.171/0001-04)

Representação legal: Luiz Carlos de Souza, representando Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana e Obras de São Paulo; Guilherme Lopes Mair (32261/OAB-DF) e outros, representando Caixa Econômica Federal; Jose Mauro Gomes, representando Prefeitura Municipal de São Paulo - SP.

SUMÁRIO: FISCOBRAS 2015. RELATÓRIO DE AUDITORIA NAS OBRAS DE IMPLANTAÇÃO DO CORREDOR DE ÔNIBUS PERIMETRAL ITAIM PAULISTA-SÃO MATEUS, LOCALIZADO NO MUNICÍPIO DE SÃO PAULO/SP. IRREGULARIDADES DE SOBREPREÇO (IG-P), RESTRIÇÃO À COMPETITIVIDADE, INSUFICIÊNCIA DE RECURSOS DO TERMO DE COMPROMISSO E AUSÊNCIA DE PARCELAMENTO DO OBJETO. CONCESSÃO DE MEDIDA CAUTELAR. OITIVAS. REVOGAÇÃO DO EDITAL. PERDA DE OBJETO DA MEDIDA CAUTELAR. RECLASSIFICAÇÃO DAS IRREGULARIDADES DE IG-P PARA OI. CIÊNCIA AOS RESPONSÁVEIS.

RELATÓRIO

Trata-se de auditoria efetuada pela Secretaria de Fiscalização de Infraestrutura Urbana deste TCU (SeinfraUrbana) nas obras de implantação do Corredor de Ônibus Perimetral Itaim Paulista-São Mateus (Município de São Paulo), no período compreendido entre 8/6/2015 e

31/7/2015.

  • 2. O volume de recursos fiscalizados alcançou montante da ordem de R$ 524 milhões. Essa

quantia equivale ao valor total orçado e analisado para as obras deste lote, conforme orçamento enviado pela Caixa. O empreendimento foi planejado para receber recursos do Ministério das Cidades, com acompanhamento da Caixa Econômica Federal.

  • 3. No âmbito do Município de São Paulo/SP, estão diretamente envolvidas com tal projeto de

infraestrutura: a São Paulo Transportes S/A (SPTrans, encarregada do anteprojeto); a Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana e Obras de São Paulo/SP (Siurb/SP, responsável por projeto básico e licitação da obra); e a São Paulo Obras S/A. (SPObras, empresa pública a quem caberá a futura gestão contratual da obra).

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO TC 011.538/2015-5 4. No caso deste objeto de auditoria, cabe notar

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TC 011.538/2015-5

  • 4. No caso deste objeto de auditoria, cabe notar que um mesmo edital (Edital RDC Presencial

003/2015) é composto de dois lotes distintos: um refere-se ao Corredor Radial Leste - trecho 3 (cuja

auditoria foi abordada no TC 011.535/2015-6); o outro refere-se ao Corredor Perimetral Itaim Paulista- São Mateus (de que cuida a presente auditoria).

  • 5. O procedimento licitatório como um todo (englobando os dois lotes) foi inicialmente

suspenso em virtude de determinação exarada pelo Tribunal de Contas do Município de São Paulo e de

cautelar de minha lavra no âmbito do TC 011.535/2015-6.

  • 6. Posteriormente, revogado o edital, a referida cautelar perdeu seu objeto.

  • 7. No âmbito do presente processo de fiscalização, efetuada a auditoria no edital do Corredor

de Ônibus Perimetral Itaim Paulista-São Mateus, foram identificadas as seguintes irregularidades:

  • a) sobrepreço decorrente de preços excessivos frente ao mercado;

  • b) ausência de parcelamento do objeto;

  • c) termo

de compromisso

relacionadas à obra; e

firmado em valores insuficientes para cobrir as despesas

  • d) restrição à competitividade da licitação decorrente de critérios inadequados de habilitação

e julgamento.

  • 8. Registro que os elementos que materializam esses achados estão detalhadamente descritos e

evidenciados no relatório de auditoria (peça 72).

  • 9. No Acórdão 2.731/2015-TCU-Plenário, o Tribunal enquadrou os indícios de sobrepreço no

conceito de irregularidade grave com recomendação de paralisação (IG-P), nos termos do art. 112, § 1º, inciso IV, da Lei 13.080/2015 (LDO 2015), e autorizou a realização das oitivas dos órgãos e entidades envolvidos.

  • 10. A seguir, transcrevo, no essencial, a instrução da SeinfraUrbana em que foram examinadas

as manifestações apresentadas (peça 115):

“5. Os indícios de sobrepreço detectados pela equipe de auditoria totalizaram R$ 81.310.374,94 (data-base julho/2014), o que corresponde a cerca de 18,37% do valor total orçado de R$ 523.999.995,60 (data-base julho/2014) e a 29,03% da amostra analisada, a qual perfez 68,97% do valor total (peça 72, p. 14-15).

  • 6. Ademais, ficou constatado que o Edital de RDC Presencial 3/2015/SIURB trouxe cláusulas com

o potencial de restringir a competitividade, sendo elas: (i) realização de licitação presencial no RDC, contrariando a regra de licitação eletrônica, sem a justificativa adequada; (ii) exigência de garantia de

fiel cumprimento do contrato concomitante com apresentação de patrimônio líquido mínimo; (iii) restrição à funcionalidade de atestado de obra nas exigências de habilitação técnico-operacional; (iv) limitação de atestados para atender às exigências de habilitação técnico-operacional; e (v) ausência de publicação das peças técnicas da licitação em sítio eletrônico da internet, importando em ônus desnecessário para potenciais interessados (peça 72, p. 23).

  • 7. Cumpre esclarecer que esse achado, relativo à restrição à competitividade, foi tratado no bojo do

processo TC 011.535/2016-6.

  • 8. O objeto do edital em tela perfaz a execução de obras e serviços integrantes do Plano Municipal

de Mobilidade Urbana da Secretaria Municipal de Transportes, compreendendo: lote 1 (Corretor Perimetral Itaim Paulista/São Mateus Trechos 2 e 3 e Terminal Itaim Paulista) e lote 2 (Corredor Leste Radial Trecho 3). Observa-se que, no caso do lote 1, foram agregados dois trechos do corredor de ônibus, além da construção do Terminal Itaim Paulista (peça 72, p. 34). Entendeu-se que

seria possível o parcelamento do lote 1, conforme manda o art. 4º da Lei 12.462/2011 (RDC).

  • 9. Destaca-se que, apesar da conexão entre este processo e o TC 011.535/2015-6, o achado de falta

de parcelamento não é tratado naquele, pois o lote 2 não apresentou tal característica.

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO TC 011.538/2015-5 10. Conforme as evidências coletadas pela equipe de auditoria,

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TC 011.538/2015-5

10.

Conforme as evidências coletadas pela equipe de auditoria, a Prefeitura de São Paulo/SP

publicou o edital de RDC sem que houvesse previsão de recursos orçamentários suficientes para assegurar o pagamento das despesas relativas às obras licitadas (peça 72, p. 36).

11.

As obras do corredor Perimetral Itaim Paulista-São Mateus são objeto do instrumento de

transferência de recursos federais Termo de Compromisso 0445.950-17/2014-SP (peça 19), o qual previu montante de R$ 529 milhões, sem previsão de contrapartida municipal. Entretanto, o orçamento-base do edital de licitação orçou as despesas de execução das obras em R$ 596.708.066,99 (cf. peça 23, p. 4). Em outras palavras, há uma diferença de aproximadamente

R$ 67 milhões entre o valor disponível para a obra e seu orçamento.

12.

Ademais, em vista da relevância material do indício de sobrepreço detectado, do potencial

prejuízo ao erário e do desvio aos princípios constitucionais da legalidade e da eficiência,

classificou-se esse achado como proposta de irregularidade grave com recomendação de paralisação (pIG-P), conforme previsto no art. 112. § 1º, inciso IV da Lei 13.080/2015 (LDO 2015) peça 72, p.

42.

13.

Assim, o teor dos trabalhos de auditoria foi encaminhado ao gestor a fim de colher sua

manifestação preliminar no prazo improrrogável de 15 dias, nos termos do art. 112, § 9º, da Lei

13.080/2015 (LDO 2015) e do item 9.5 do Acórdão 3.143/2013 c/c item 9.12 do Acórdão 448/2013, ambos do Plenário. Essa oitiva tratou exclusivamente do achado referente ao indício de sobrepreço, conforme destacado no ofício de comunicação (peça 75).

14.

Em resposta à aludida oitiva, a Siurb/SP protocolou suas ponderações e alegações no dia

6/10/2015, por intermédio do Ofício 245 Siurb/ATAJ (peça 82), observando o prazo estabelecido. Vale dizer que a resposta foi analisada por esta Unidade Técnica nas peças 86-87.

15.

Ao analisar os argumentos da Siurb/SP, verificou-se a procedência parcial deles. Dessa forma, o

sobrepreço global foi reduzido para R$ 59.020.900,56 (data-base julho/2014), o que corresponde a 12,69% do valor total referencial e 19,52% da amostra analisada. A amostra analisada alcançou 68,97% do valor global da obra (peça 86, p. 42).

16.

Nesse contexto, propôs a SeinfraUrbana que fosse mantida a classificação do indício de

sobrepreço detectado como IG-P (peça 86, p. 43). O Plenário do Tribunal, conforme o Acórdão 2.731/2015 (peça 92), anuiu às análises feitas pela Unidade Técnica. Assim, em 6/11/2015, por meio do aviso 1.267-GP/TCU (peça 101), a Comissão Mista de Planos, Orçamentos Públicos e Fiscalizações do Congresso Nacional foi comunicada sobre a classificação como IG-P do sobrepreço identificado no Corredor Perimetral Itaim Paulista-São Mateus.

17.

Ainda, foi proposto pela SeinfraUrbana (peça 86, p. 43-44), e acolhido pelo TCU no Acórdão

2.731/2015 (peça 92), que se realizassem oitivas da Secretarial Municipal de Infraestrutura Urbana e Obras de São Paulo/SP (Siurb), do Ministério das Cidades e da Caixa Econômica Federal.

18.

As oitivas da Siurb/SP e do Ministério das Cidades dizem respeito ao indício de sobrepreço, à

ausência de parcelamento da licitação e ao valor do convênio, o qual não cobre as despesas relativas às obras. Por sua vez, a da Caixa Econômica Federal é relacionada apenas ao sobrepreço e ao valor

 

do convênio.

19.

Os ofícios de manifestação se encontram nas peças 95-97.

20.

Cabe ressaltar que esta Corte de Contas, por meio do Acórdão 3.064/2015 (peça 112), ainda

prorrogou o prazo de resposta até 7/12/2015, conforme solicitado pelo Ministério das Cidades (peça

106).

 

EXAME TÉCNICO

21.

Ante o que consta nos autos, a presente instrução se dedica a analisar as alegações e argumentos

dos órgãos defendentes, conforme a seguir.

I. Oitiva do Ministério das Cidades

I.1 Resumo dos argumentos do Ministério das Cidades (peça 111)

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO TC 011.538/2015-5 22. A resposta do Ministério das Cidades à oitiva

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TC 011.538/2015-5

  • 22. A resposta do Ministério das Cidades à oitiva realizada foi encaminhada à SeinfraUrbana por

meio do Ofício 3.838/2015/AECI/GM/MCIDADES, em 8/12/2015, conforme consta da peça 111. Os pronunciamentos do Ministério relativos aos indícios de irregularidade são apresentados a seguir.

I.1.1 Argumentos do Ministério das Cidades quanto ao sobrepreço (peça 111, p. 2-4)

  • 23. Em síntese, o Ministério alega que, de acordo com o Manual de Instruções para Contratação e

Execução dos Programas e Ações do Ministério das Cidades (MICE), é de responsabilidade da

mandatária, a Caixa Econômica Federal, analisar e aprovar a documentação técnica, inclusive o plano de trabalho, institucional e jurídica das propostas selecionadas pelo Ministério.

  • 24. Ainda, é ressaltado que o MICE também determina que é de responsabilidade da mandatária

verificar a realização do procedimento licitatório pelo compromissário.

  • 25. Por fim, é apresentado que, de acordo com o Ofício 2.073/2015/Secretaria Nacional de

Transferências de Recursos Públicos, encaminhado ao TCU (peça 110), a Caixa teceu considerações a respeito do BDI adotado pela Prefeitura de São Paulo/SP, comparando-o com parâmetros estabelecidos no Acórdão TCU 2.622/2013. É ressaltado que a Caixa ratificou o valor do BDI como atendendo plenamente ao Acórdão TCU 2.622/2013.

  • 26. Cabe destacar que o referido Ofício 2.073/2015 apresenta as argumentações da Caixa

Econômica Federal em resposta à oitiva promovida. Tal documento será analisado em detalhes em item próprio desta instrução.

I.1.2 Argumentos do Ministério das Cidades quanto à falta de parcelamento do objeto (peça 111, p.

4)

  • 27. O órgão defendente assinala que, de acordo com o Manual de Instruções para Contratação e

Execução dos Programas e Ações do Ministério das Cidades (MICE), é de inteira responsabilidade do compromissário realizar o processo licitatório conforme os termos da Lei 8.666/1993 ou da Lei 12.462/2011 (lei do RDC).

  • 28. É ressaltado que, conforme os parágrafos 256 e 257 do relatório de auditoria (peça 72), já foi

realizada uma oitiva prévia para que a Siurb se manifestasse quanto aos indícios de irregularidade da

licitação e que tais argumentações seriam analisadas. Ainda, é registrado que a Siurb foi oficiada para que informasse a Secretaria Nacional de Transporte e da Mobilidade Urbana (Semob) sobre medidas e manifestações referentes ao processo em tela.

I.1.3 Argumentos do Ministério das Cidades quanto à insuficiência de recursos para cobrir as despesas relacionadas à obra (peça 111, p. 4-8)

  • 29. O Ministério alega que, conforme o Manual de Instruções para Contratação e Execução dos

Programas e Ações do Ministério das Cidades (MICE), é de responsabilidade do compromissário assegurar disponibilidade de contrapartida, quando for o caso. Da mesma forma, é de responsabilidade do proponente apresentar à Caixa a comprovação de disponibilidade orçamentária da contrapartida, quando houver.

  • 30. Ainda, conforme o MICE, seria de responsabilidade da Caixa analisar a conformidade do

percentual de contrapartida e a comprovação de que os recursos estão segurados pelos proponentes. Novamente, é anexada a resposta da Caixa referente ao Ofício 2.073/2015/Secretaria Nacional de

Transferências de Recursos Públicos, a qual explicita que ‘tal planilha ainda não teve a análise concluída pela CAIXA em função da necessidade de ajustes nos quantitativos dos serviços e nos

itens de Administração Local e Canteiro de Obras’ (grifo nosso).

  • 31. Por fim, é registrado que foi solicitado à Caixa que informe à Semob sobre medidas adotadas

afetas ao empreendimento em tela.

  • 32. Convém ressaltar que o Ofício 2.073/2015/Secretaria Nacional de Transferências de Recursos

Públicos trata da resposta da Caixa à oitiva realizada pelo Tribunal (peça 110). Portanto, tal documento será analisado em detalhes, na íntegra, no campo atinente à oitiva da Caixa Econômica

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO Federal. I.2 Análise TC 011.538/2015-5 33. Nos três itens questionados na

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Federal.

I.2 Análise

TC 011.538/2015-5

  • 33. Nos três itens questionados na oitiva, o Ministério das Cidades colacionou o Manual de

Instruções para Contratação e Execução dos Programas e Ações do Ministério das Cidades (MICE). De acordo com o referido Manual, é de responsabilidade da Caixa Econômica Federal: (i) a análise técnica da proposta selecionada pelo Ministério das Cidades; (ii) a verificação do procedimento licitatório pelo compromissário; e (iii) a análise do percentual de contrapartida e comprovação de que os tais recursos estão devidamente assegurados pelo proponente, quando houver.

  • 34. Da mesma forma, conforme apresenta o órgão, o referido manual estabelece que é dever do

compromissário: (i) realizar, sob sua inteira responsabilidade, o processo licitatório nos termos da Lei 8.666/1993 ou da Lei 12.642/2011, para optantes do RDC; e (ii) assegurar a disponibilidade de

contrapartida quando for o caso.

35.

Além

disso,

em

relação

ao

sobrepreço, o Ministério indica trecho do

Ofício 2073/2015/Secretaria Nacional de Transferências de Recursos Públicos referente à ratificação pela Caixa do BDI utilizado, que, segundo a empresa, estaria ‘de acordo com os manuais normativos da Caixa, que fundamenta a análise de engenharia, e que tal valor atende plenamente ao Acórdão

2.622/2013 do TCU’.

  • 36. Cumpre frisar que os indícios de sobrepreço apurados não se resumem à diferença entre o BDI

referencial (de 21,4%) e o licitado, haja vista que o exame dos preços unitários se deu por meio da comparação entre preços e não entre somente taxas de BDI. Portanto, mesmo que o BDI referencial utilizado fosse de 26,97%, como o considerado na licitação, ainda assim, o sobrepreço apurado em R$ 59.020.900,56 (data-base julho/2014) passaria a ser de R$ 49.229.471,39 (data-base julho/2014), o que ainda representaria 10,37% do orçamento referencial e 15,77% da amostra.

  • 37. Portanto, o argumento apresentado, além de não justificar o fato de o BDI estar acima do

referencial, não elide o sobrepreço apurado.

  • 38. Ainda, fica claro que é de responsabilidade da Caixa Econômica Federal, no papel de

mandatária da União, analisar se o compromissário assegurou a disponibilidade de eventual contrapartida financeira. Entretanto, a necessidade de contrapartida ainda não teria sido avaliada, pois a planilha do empreendimento ainda estaria sob análise.

  • 39. Como a planilha orçamentária do empreendimento é um dos componentes de seu projeto básico

(art. 6º, IX, ‘f’, da Lei 8.666/1993), sobressai um indício de irregularidade relativo ao não

cumprimento do disposto no Acórdão 2.099/2011-TCU-Plenário, uma vez que, em seu subitem 9.1.2, é exigido que, antes de abertura de licitações de empreendimentos que contem com repasse de recursos federais, haja a aprovação do projeto básico pela Caixa. Dessa forma, a publicação do Edital RDC Presencial 3/2015 sem projeto aprovado pela mandatária é indevida.

  • 40. Além disso, embora o edital de licitação (peça 23) apresente um preço maior do que os recursos

previstos no Termo de Compromisso (peça 19), não existe previsão de aporte de contrapartida pelo município, o que traz dúvidas se haverá completa disponibilidade financeira para a conclusão do

empreendimento.

  • 41. Entende-se, portanto, que a ausência de contrapartidas suficiente não é uma mera omissão

formal, uma vez que, conforme o disposto no art. 3º, inciso VII, da Lei 11.578/2007, o qual dispõe sobre as transferências de recursos financeiros no âmbito do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), caso o custo total do empreendimento não esteja a cargo do órgão concedente, é necessário que o Município beneficiário apresente comprovação de que dispõe de recursos próprios para executar o objeto.

  • 42. Ou seja, no caso concreto, nem o Ministério das Cidades nem a Caixa realizaram verificações

acerca da suficiência e das garantias de dotações orçamentárias a cargo da Prefeitura de São

Paulo/SP para concluir o empreendimento. Não há certeza se os recursos municipais estão realmente assegurados.

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO TC 011.538/2015-5 43. Por isso, é importante que o termo de

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  • 43. Por isso, é importante que o termo de compromisso para repasse dos recursos federais cubra o

valor total do empreendimento, incluindo recursos federais e de contrapartida, uma vez que, nesse caso, a Caixa terá que avaliar se a Prefeitura de São Paulo/SP realizou a necessária previsão orçamentária dos recursos de contrapartida, o que reduz os riscos futuros de que o empreendimento venha a ser paralisado por falta de recursos financeiros.

  • 44. Por fim, ressalta-se a responsabilidade do Ministério das Cidades como concedente, definidos

no art. 5º da Portaria Interministerial 507/2011, a qual determina que, dentre outras atribuições, deve promover a gestão dos programas, projetos e atividades, mediante monitoramento, acompanhamento

e fiscalização do convênio, além da avaliação da execução e dos resultados.

II. Oitiva da Caixa Econômica Federal

II.1 Resumo dos argumentos da Caixa (peça 110)

45.

A

resposta

da

Caixa

à

oitiva

foi

encaminhada à SeinfraUrbana pelo Ofício

2.073/2015/Secretaria Nacional de Transferência de Recursos Públicos, em 25/11/2015. Seus argumentos são resumidos a seguir. II.1.1 Argumentos da Caixa sobre o BDI Paradigma (peça 110, p. 1-2)

  • 46. Em relação ao BDI Paradigma adotado pela equipe de auditoria, de 21,4%, a Caixa alega que o

utilizado no orçamento-base da licitação, de 26,97%, teria sido calculado ‘seguindo estritamente os parâmetros estabelecidos pelo Acórdão 2.622/2013’ (cf. peça 110, p. 1). Segundo a Caixa, o próprio

relatório de auditoria indicaria que esse valor estaria aderente ao 3º quartil do Acórdão, acrescido da alíquota de 2% de INSS no BDI em função do regime de desoneração de mão de obra.

  • 47. Por essa razão, a Caixa aduz que a taxa de BDI paradigma foi adotada ‘arbitrariamente’ (cf.

peça 110, p. 1) como o valor médio do Acórdão 2.622/2013, não tendo sido demonstrado como foi calculado o acréscimo da alíquota de INSS de 2% em função do regime de desoneração de mão de obra. Por isso, aquela empresa pública alega que a equipe propõe imputar sobrepreço mesmo tendo sido utilizado o 3º quartil do Acórdão 2.622/2013.

  • 48. Em adição, a Caixa assinala que a diferença de 5,57% entre as taxas de BDI do TCU e a adotada

pela Prefeitura de São Paulo/SP representaria R$ 29.186.000,00, ou 49,45% do valor total indicado como sobrepreço apurado.

  • 49. A Empresa também coloca que a taxa de BDI de 26,97% está de acordo com seus normativos e

que ‘atende plenamente ao Acórdão 2.622/2013’ (cf. peça 110, p. 2).

II.1.2 Argumentos da Caixa relativos aos preços unitários (peça 110, p. 2-7)

  • 50. Inicialmente, a Caixa afirma que, como referência para análise, ‘conforme disposto nos artigos

3º, 6º e 7º do Decreto 7.983/2013’, foram utilizadas as planilhas do Sinapi e, nos casos de

inviabilidade de definição dos custos pelo Sinapi/Sicro, as tabelas de Infraestrutura e Edificações da própria Siurb/SP. Em seguida são apresentados os endereços eletrônicos para os referenciais citados.

  • 51. Adiante, os argumentos são apresentados para cada item.

II.1.2.1 Fornecimento e aplicação de concreto usinado para pavimento rígido (fcmt, k=4,5 mPa), inclusive cura química 7 dias (peça 110, p. 2-3)

  • 52. Para este serviço, a Caixa aborda que, em seu normativo, consta orientação para utilização do

Sicro como referencial de obras rodoviárias. O mesmo normativo também prevê que, para serviços e obras de pavimentação urbana, o Sinapi deve ter a preferência, uma vez que as referências desse sistema são específicas para serviços realizados em ambiente urbano.

  • 53. A Caixa ainda afirma que, conforme seu normativo, as produtividades aferidas nas composições

do Sinapi estão mais aderentes às ineficiências típicas decorrentes das interferências causadas pelo

ambiente urbano na execução dos serviços, a exemplo de: ‘transporte público/privado, redes de água,

esgoto, gás, telecomunicações, drenagem urbana e proximidade de habitações’ (cf. peça 110, p. 2).

  • 54. A empresa pública também faz alusão a diferenças entre as especificações técnicas da

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO TC 011.538/2015-5 composição paradigma utilizada na auditoria (Sicro) e a do

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composição paradigma utilizada na auditoria (Sicro) e a do projeto, sem especificar quais, o que, em

seu entender, ‘inviabiliza a comparação entre a composição adotada pela Prefeitura e a existente no Sicro’ (cf. peça 110, p. 2).

  • 55. Por fim, a Caixa informa que, como não existe referência deste serviço no Sinapi, a composição

tomada como parâmetro pela Mandatária da União foi a elaborada pela Prefeitura de São Paulo/SP, pois estaria considerando as especificidades locais e de projeto (peça 110, p. 3).

II.1.2.2 Armadura em aço CA-50 (peça 110, p. 3)

  • 56. Acerca desse item, a Caixa alega que, ‘conforme o relatório do TCU indica’, a Prefeitura

Municipal de São Paulo/SP utilizou na planilha do orçamento-base da licitação a composição 74254/1 do Sinapi como referência, cujo custo unitário é de R$ 6,14/kg.

  • 57. De acordo com a Caixa, o preço unitário do orçamento-base foi de R$ 7,68/kg para esse item e

incluiria o BDI de 26,97%. Ao passo que, excluindo-se o BDI, o custo unitário do serviço no orçamento-base seria de R$ 6,05/kg.

  • 58. Portanto, de acordo com a Caixa, não haveria sobrepreço neste item, uma vez que o critério do

Sinapi foi respeitado.

  • 59. Além disso, a Caixa pondera que, se o entendimento desta Corte de Contas for mantido no

sentido de que uma perda de 10% do aço na composição é desarrazoada, caberia realizar um

‘questionamento específico à composição de preços do Sinapi’ (cf. peça 146, p. 4).

  • 60. Por essas razões, conclui a Caixa que o preço unitário deste item estaria aderente ao Sinapi de

julho/2014, utilizado como referência de preço de mercado.

II.1.2.3 Descarte de material de demolição de bota fora licenciado, material solto (classe II B) e descarte de solo inerte em bota-fora licenciado, material solto (peça 110, p. 3-4)

  • 61. Primeiramente, a Caixa colaciona o art. 6º do Decreto 7.983/2013, o qual estabelece que, em

não existindo composições similares nos sistemas referenciais Sicro e Sinapi, poderão ser utilizados dados contidos em tabela de referência formalmente aprovada por órgãos ou entidades da administração pública federal, em publicações técnicas especializadas, em sistema específico

instituído para o setor ou em pesquisas de mercado.

  • 62. Em seguida, a Caixa menciona seu próprio normativo, no qual se dispõe que eventuais

pesquisas de mercado para cálculo de preços deverão consistir em, no mínimo, três cotações, que devem ser apresentadas por meio de quadro resumo de informações, assinada pelo responsável técnico pelo orçamento, indicando necessariamente as fontes de consulta (com no mínimo nome da empresa, CNPJ, telefone, nome do contato e data). O preço referencial a ser adotado, segundo o normativo da Caixa, deverá ser igual ou inferior à mediana dos valores cotados.

  • 63. A Caixa justifica então que o tomador apresentou mapa de cotações efetuadas, indicando a

mediana de R$ 18,63/t para descarte de solo inerte e R$ 23,45/t para descarte de material de

demolição. Por sua vez, o TCU teria adotado como paradigma que ambos, por serem classificados como inertes, teriam o preço de R$ 18,63/t.

  • 64. Por fim, a defendente pondera que, apesar de ambos poderem ser classificados como material

inerte, as empresas apresentariam preços diferentes para os dois tipos de materiais, pois há diferença de produtividade no manuseio deles. Assim, os preços estariam de acordo com a pesquisa de

mercado utilizada como referência.

II.1.2.4 Remoção de terra além do primeiro km (peça 110, p. 4-5)

  • 65. Em síntese, a Caixa coloca, novamente, que, nos termos de seu normativo interno, as

composições do Sinapi são mais apropriadas para avaliar serviços de pavimentação urbana, enquanto a equipe de auditoria utilizou o Sicro como referência.

  • 66. Por isso, segundo a Caixa, o preço do serviço no orçamento-base, o qual estaria referenciado a

um ‘sistema específico’ (cf. peça 110, p. 4), estaria de acordo com o art. 6º do Decreto 7.983/2013.

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO TC 011.538/2015-5 67. Ademais, a Caixa alega que o preço unitário

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TC 011.538/2015-5

  • 67. Ademais, a Caixa alega que o preço unitário do item está referenciado em composição da tabela

Siurb/SP, a qual se adaptaria melhor às interferências que ocorrem no trânsito da cidade de São

Paulo/SP, ‘principalmente quanto à velocidade média de deslocamento de um veículo pesado na cidade de São Paulo’ (cf. peça 110, p. 4).

  • 68. Em seguida, é exposto que o auditor do TCU concorda que a velocidade média paradigma de 40

km/h realmente não seria factível, o que inviabilizaria a utilização do Sicro. Entretanto, alega que, o

auditor ‘faz uma série de argumentações e adota como paradigma a velocidade de 34,3 km/h’, o que

altera o preço paradigma para R$ 1,13/m³ (cf. peça 110, p. 4-5).

  • 69. Por fim, é argumentado que o Decreto 7.983/2013 não prevê a possibilidade de realizar

estimativas de produtividade a fim de determinar preços unitários de referência, e orienta a adoção de preços inseridos em sistema específico instituído para o setor. Em outras palavras, não caberia, no

caso concreto, um estudo relativo à velocidade média de transporte ao bota-fora, mas sim a adoção direta de preços inseridos em sistemas referenciais.

II.1.2.5 Base de Binder denso (sem transporte) (peça 110, p. 5)

  • 70. A defendente expõe que, ao analisar a oitiva preliminar, o sobrepreço neste item foi elidido pela

equipe de auditoria.

II.1.2.6 Base de brita graduada tratada com cimento BGTC (peça 110, p. 5)

  • 71. Novamente, a Caixa aborda que, em seu normativo, consta orientação para utilização do Sicro

como referencial de obras rodoviárias. O mesmo normativo também determina que, para serviços e obras de pavimentação urbana, o Sinapi deve ter a preferência, uma vez que as referências desse sistema são específicas para serviços realizados em ambiente urbano.

  • 72. A Caixa ainda afirma que, conforme seu normativo, as produtividades aferidas nas composições

do Sinapi estão mais aderentes às ineficiências típicas decorrentes das interferências causadas pelo ambiente urbano na execução dos serviços, a exemplo de: ‘transporte público/privado, redes de água, esgoto, gás, telecomunicações, drenagem urbana e proximidade de habitações’ (cf. peça 110, p. 5).

  • 73. A Empresa também faz alusão a diferenças entre as especificações técnicas da composição

paradigma (Sicro) e a do projeto, sem especificar quais, o que, em seu entender, ‘inviabiliza a comparação entre a composição adotada pela Prefeitura e a existente no Sicro’ (cf. peça 110, p. 5).

  • 74. Portanto, por não haver este serviço no Sinapi, o município utilizou a composição de preço

unitário elaborada pela própria prefeitura. II.1.2.7 Disposição final de resíduos classe II A não inertes, em aterro sanitário (peça 110, p. 5-6)

  • 75. Novamente, a Caixa colaciona o art. 6º do Decreto 7.983/2013, o qual estabelece que, em não

existindo composições similares nos sistemas referenciais Sicro e Sinapi, poderão ser utilizados dados contidos em tabela de referência formalmente aprovada por órgãos ou entidades da administração pública federal, em publicações técnicas especializadas, em sistema específico instituído para o setor ou em pesquisas de mercado.

  • 76. Em seguida, menciona seu próprio normativo, no qual se dispõe que eventuais pesquisas de

mercado para cálculo de preços deverão consistir em, no mínimo, três cotações, que devem ser apresentadas por meio de quadro resumo de informações, assinada pelo responsável técnico pelo orçamento, indicando necessariamente as fontes de consulta (com no mínimo nome da empresa, CNPJ, telefone, nome do contato e data). O preço referencial a ser adotado, segundo o normativo da Caixa, deverá ser igual ou inferior à mediana dos valores cotados.

  • 77. Feitas essas ponderações, é alegado que a equipe de auditoria teria cometido dois equívocos no

cálculo do preço paradigma: (i) a conversão de unidades; e (ii) o valor da densidade utilizado. A conversão de unidades teria, de forma equivocada, dividido o preço (inicialmente em R$/ton) pela densidade do material (ton/m³), enquanto o correto teria sido a multiplicação. Além disso, o valor da densidade aparente do material inerte seria de 1,6 ton/m³, segundo o Sicro, enquanto a equipe de auditoria teria considerado como 1,33 ton/m³.

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO TC 011.538/2015-5 78. Ainda, é alegado que, ao se adicionar o

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TC 011.538/2015-5

  • 78. Ainda, é alegado que, ao se adicionar o BDI no custo cotado pela Siurb, o preço da licitação

seria de R$ 129,89/m³, o que seria inferior ao usado como paradigma.

II.1.2.8 Demolição de pavimento asfáltico, inclusive capa, inclui carga no caminhão (peça 110, p. 6)

  • 79. A defendente expõe que, ao analisar a oitiva preliminar, o sobrepreço neste item foi elidido pela

equipe de auditoria. II.1.2.9 Eletroduto de polietileno flexível, alta resistência – 4’ (peça 110, p. 6-7)

  • 80. A Caixa aduz que a composição 86168 do Sinapi utilizada como referência faz parte apenas do

Banco Nacional do Sinapi e não integra o Banco Referencial, conforme pode ser observado em

consulta à planilha disponível no sítio eletrônico mencionado na peça 110, p. 6.

  • 81. Em vista disso, a Caixa informa que seus normativos preveem que a utilização do Sinapi, o que

‘significa adotar exclusivamente os custos unitários do banco referencial de composições de custos’

(cf. peça 110, p. 6).

  • 82. Alega-se, ainda, que as composições do Banco Nacional do Sinapi foram avaliadas pela Caixa.

Porém, apenas as que foram consideradas consistentes passaram a fazer parte do Banco Referencial.

  • 83. Por isso, conclui a Caixa que as composições que não constam do Banco Referencial ‘não estão

disponíveis publicamente e não podem ser utilizadas como referência para definição dos custos das obras que utilizam recursos dos orçamentos da União’ (peça 110, p. 6 – destaques acrescidos).

  • 84. Dessa maneira, aquela empresa pública pondera que, na falta de uma composição constante do

Banco Referencial do Sinapi, a referência utilizada pela Prefeitura de São Paulo/SP está de acordo

com o art. 6º do Decreto 7.983/2013, uma vez que se baseou em ‘sistema específico instituído para o setor’ (peça 110, p. 7).

  • 85. Por essas razões, finaliza a entidade defendente que o preço unitário do serviço está de acordo

com a tabela Siurb/SP de julho/2014, a qual foi utilizada como referência de preço.

II.1.2.10 Demais itens não detalhados (peça 110, p. 7)

  • 86. Por fim, os argumentos da Caixa referentes aos demais itens não detalhados com indícios de

sobrepreço constam de tabela anexada (peça 110, p. 9-13). Em resumo, é argumentado que as diferenças de preço residem no fato de o TCU considerar: (i) o BDI diferente; (ii) o Sinapi nacional, enquanto que o correto seria o uso do Sinapi referencial; (iii) o Sicro para obras urbanas no município de São Paulo/SP, o que, segundo a Caixa, seria inadequado; (iv) o mesmo preço unitário para itens diferentes; e (v) preços paradigmas utilizando composições do Sinapi com especificações diferentes das do projeto.

II.1.3 O valor do convênio não cobre as despesas relativas à obra licitada ou é superior às despesas efetivas relacionadas à obra licitada (peça 110, p. 7-8)

  • 87. Inicialmente é aduzido que a planilha analisada pela Caixa corresponde a um valor total de

R$ 524 milhões, o qual seria completamente coberto pelos recursos previstos no TC 0445.950- 17/2014, no montante de R$ 529 milhões. Ainda, é ressaltado que tal planilha não teve análise concluída pela Caixa em função da necessidade de ajustes nos quantitativos dos serviços e nos itens de Administração Local e Canteiro de Obras.

  • 88. A seguir, é destacado que, de acordo com a legislação pertinente, compete à Caixa a verificação

da necessidade de contrapartida pelo Tomador. Porém, somente após a conclusão da análise da planilha pela Caixa e a emissão do Laudo de Análise de Engenharia que a necessidade de contrapartida seria avaliada.

  • 89. A Caixa esclarece então que, conforme explicitado antes, como não foi finalizada a análise da

planilha, ainda não teria sido analisada a necessidade ou não de aporte de contrapartida pelo Tomador.

  • 90. Dessa forma, caso seja constatada a necessidade de contrapartida pelo Tomador, será feita a

solicitação à Prefeitura para apresentação de Declaração de Previsão de Orçamento de Contrapartida.

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO TC 011.538/2015-5 É ressaltado ainda que não houve nenhum repasse de

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TC 011.538/2015-5

É ressaltado ainda que não houve nenhum repasse de recurso pela União, tampouco houve desembolso de recursos para o ente municipal.

II.2 Análise

II.2.1 BDI Paradigma

  • 91. Inicialmente, cabe ressaltar que a análise dos preços unitários nestes autos seguiu a

jurisprudência do Tribunal (cf. Acórdãos 2.827/2014, 3.239/2011, 1.804/2012, 93/2009, 1.913/2011 e 1.053/2009, todos do Plenário), na medida em que a comparação dos preços do orçamento-base não incidiu, isoladamente, sobre custos diretos ou sobre o BDI, mas sim sobre os preços unitários,

lembrando que preço unitário = custos diretos x (1+BDI%).

  • 92. A Caixa alega que o BDI do orçamento-base da licitação de 26,97% estaria aderente ao Acórdão

2.622/2013-TCU-Plenário, na medida em que segue os parâmetros do 3º quartil das distintas rubricas. Porém, uma leitura atenta do Acórdão deixa claro que o Plenário do Tribunal determinou às Unidades Técnicas que usassem os parâmetros da tabela do subitem 9.1. Tal tabela apresenta os valores de BDI de referência para diferentes tipologias de obras públicas, e não os valores de referência para as rubricas de forma isolada.

  • 93. Ou seja, segundo o referido Acórdão, o BDI paradigma da equipe deve ser aquele que consta da

tabela do subitem 9.1 e não a operação matemática das distintas rubricas mostradas no subitem 9.2.

  • 94. Aliás, de acordo com o subitem 9.2, apenas quando a taxa de BDI do orçamento em análise

estiver fora dos patamares estipulados no subitem 9.1 é que deverá ser realizado exame pormenorizado das rubricas que compõem o BDI.

  • 95. Portanto, verifica-se que o procedimento adotado pela equipe de auditoria está de acordo com a

jurisprudência do Tribunal e que não há necessidade de revisão do BDI Paradigma adotado pela equipe.

  • 96. Cabe também notar que não assiste razão à Caixa quando aduz que o BDI paradigma foi

estimado ‘arbitrariamente’ (peça 110, p. 1), já que o valor foi proveniente do Acórdão 2.622/2013- TCU-Plenário. No entender da equipe de auditoria, não se verificaram elementos que justifiquem a adoção de taxa de BDI superior à média prevista nesse Acórdão. Ainda, a Instituição não apresentou argumentos que esclarecem essa questão.

  • 97. Também não prospera a alegação da Caixa no sentido de que a diferença de 5,57% entre as

taxas de BDI explicaria parcela significativa, aproximadamente 49%, do sobrepreço identificado. Ao se computarem os custos direto paradigma e adicionar o BDI de 26,97%, o mesmo considerado no

orçamento, o sobrepreço passaria de R$ 59.020.900,56 para R$ 49.229.471,39 (data-base julho/2014), o que ainda representaria 10,37% do referencial e 15,77% da amostra.

  • 98. Ou seja, mesmo que fosse acolhido o BDI utilizado na licitação, que não é caso, ainda restaria

sobrepreço significativo. II.2.2 Preços unitários

II.2.2.1 Fornecimento e aplicação de concreto usinado para pavimento rígido (fcmt, k=4,5 mPa), inclusive cura química 7 dias

  • 99. Primeiramente, a Caixa alega que seu normativo prevê que, em obras e serviços de

pavimentação urbana, deve ser utilizado o Sinapi como sistema referencial. Porém, como não haveria composição similar no Sinapi para este serviço, entendeu adequado o uso de composição elaborada pela Prefeitura de São Paulo/SP como referência de preço.

100. As alegações da Instituição não prosperam, uma vez que violam o disposto no art. 4º do Decreto 7.983/2013, o qual deixa claro que, em havendo referências no Sicro para obras de infraestrutura de transportes, independentemente de serem em ambiente urbano, as composições desse sistema devem ser utilizadas.

101. A jurisprudência desta Corte de Contas também deixa claro que o Sicro não pode ser desprezado como referencial de preço de obras públicas, mesmo aquelas localizadas em ambiente

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO TC 011.538/2015-5 urbano, como demonstra o Acórdão 2.329/2011-TCU-Plenário, no qual o

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TC 011.538/2015-5

urbano, como demonstra o Acórdão 2.329/2011-TCU-Plenário, no qual o Plenário anotou que:

As obras em vias urbanas ou em rodovias custeadas, total ou parcialmente, com recursos da União devem observar o Sistema de Custos Rodoviárias (Sicro) como referencial de preços dos serviços a serem contratados, inclusive no que se refere aos Benefícios e Despesas Indiretas (BDI). O vinculado detalhamento destes encargos indiretos deve constar tanto no orçamento de referência da administração quanto na proposta das licitantes, e os eventuais custos diretos ou indiretos acima deste paradigma justificados em memorial próprio. (grifo nosso)

  • 102. Esta Corte de Contas também já se pronunciou no sentido de que, inexistindo referências no

Sinapi, o Sicro deve ser utilizado (cf. Acórdão 2.668/2013-TCU-Plenário). Além disso, o TCU firmou entendimento de que os sistemas Sicro e Sinapi possuem preferência frente a outros sistemas de custos e eventuais cotações de mercado (cf. Acórdão 3.272/2011-TCU-Plenário).

  • 103. Além do mais, a Caixa faz menção genérica a uma diferença entre as especificações técnicas da

composição paradigma do Sicro e do serviço que será executado. Vale destacar que aquela empresa

pública não diz quais seriam essas diferenças nem traz elementos comprobatórios de sua afirmativa.

  • 104. Na falta de elementos que demonstrem eventuais diferenças de especificações técnicas, entende-

se que o referencial paradigma da equipe, baseado no Sicro, está adequado, consoante linha de

entendimento adotada pelo Acórdão 3.061/2011-TCU-Plenário.

  • 105. Portanto, neste item, permanece o sobrepreço total de R$ 10.188.190,73 (cf. peça 86, p. 16).

II.1.2.2 Armadura em aço CA-50

  • 106. De acordo com a Caixa, teriam sido atendidas as exigências do Decreto 7.983/2013 na fixação

do preço unitário deste serviço, haja vista que foi adotada composição Sinapi 74254/1 como

referência.

  • 107. Porém, a equipe de auditoria estimou seu preço paradigma efetuando adaptações na aludida

composição do Sinapi 74254/1, reduzindo as perdas de aço de 10% para 5%.

  • 108. A Caixa alega que esse procedimento não é razoável, pois, nesse caso, deveria ser feito

questionamento específico à composição do Sinapi. Em adição, a Caixa pondera que a maior parte

do sobrepreço detectado pode ser atribuído à diferença entre as taxas de BDI.

  • 109. Primeiramente, a jurisprudência do TCU é no sentido de que os preços unitários dos serviços

devem refletir as condições de execução do serviço. Nesse sentido, não é pertinente a adoção de composições dos sistemas referenciais sem um juízo crítico do orçamentista acerca de eventuais peculiaridades do caso concreto e que possam ensejar diminuição dos custos (cf. Acórdãos 1.923/2011, 723/2012 e 753/2015, todos do Plenário).

  • 110. Nesse diapasão, entende-se que, no caso do Corredor Itaim Paulista-São Mateus, estão presentes

as condições que permitem a redução das perdas incidentes no aço CA-50, haja vista que é bastante provável que seja adotado corte e dobra industrial para os serviços de armação.

  • 111. Esse tipo de execução do serviço é mais eficiente e vem sendo cada vez mais utilizada no

mercado, segundo evidências colacionadas pela equipe de auditoria (peça 72, p. 17-18). Trata-se, portanto, de uma prática comum de mercado, sendo, inclusive, reconhecida pela jurisprudência do

TCU (cf. Acórdãos 1.624/2009, 3.650/2013, todos do Plenário).

  • 112. Portanto, não se trata de questionar a composição Sinapi, mas adaptá-la à realidade do projeto

em tela.

  • 113. Além disso, a redução das perdas de aço ao mínimo possível é exigência do art. 3º e art. 4º,

inciso III, e § 1º, todos da Lei 12.462/2011, na medida em que a legislação do RDC exige que haja

respeito ao (i) princípio do desenvolvimento nacional sustentável; e (ii) a diretriz de ‘busca da maior vantagem de natureza ambiental, inclusive no que tange (ii.1) ao ‘desfazimento de bens e resíduos’, respeitando as normas de ‘disposição final ambientalmente adequada aos resíduos sólidos gerados pelas obras contratadas’, de modo a privilegiar (ii.2) o uso de metodologias executivas que

comprovadamente reduzam o consumo de recursos naturais.

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO TC 011.538/2015-5 114. Em adição, cabe comentar que a diferença de

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

TC 011.538/2015-5

114.

Em adição, cabe comentar que a diferença de preços detectada pela equipe não pode ser

integralmente atribuída à diferença de BDI, haja vista que, mesmo que fosse acolhido o percentual de 26,97% para o BDI, o que não ocorreu, restaria ainda sobrepreço de R$ 1.105.211,97 neste serviço. Portanto, também não procede o argumento de que o sobrepreço seria devido ao BDI paradigma adotado pela equipe de auditoria.

115.

Portanto,

considera-se

que

a

Caixa

não

logrou

êxito

em elidir

o sobrepreço apontado

inicialmente, de R$ 1.853.341,44, neste item (cf. peça 72, p. 17).

 

II.2.2.3 Descarte de material de demolição de bota fora licenciado, material solto (classe II B) e descarte de solo inerte em bota-fora licenciado, material solto

116.

Como verificado anteriormente, ambos os materiais podem ser classificados como inertes.

Dessa forma, a equipe de auditoria utilizou o mesmo preço referencial para os dois tipos de material.

Contudo, conforme apontado pela defendente, o mercado praticaria preços diferentes para os materiais, visto que seus manuseios seriam também diferentes.

117.

Entende-se que acorre razão ao gestor da Caixa. De fato, os materiais a serem retirados

possuem características diferentes e, provavelmente, seu manuseio implicará custos distintos. Dessa

forma, o sobrepreço antes apurado nestes itens fica elidido. II.2.2.4 Remoção de terra além do primeiro km

 

118.

Acerca da alegação da Caixa de que seu normativo interno prevê apenas o uso do Sinapi como

sistema referencial válido em obras e serviços de pavimentação urbana, cabe retomar a mesma análise já empreendida em itens anteriores desta instrução.

119.

As alegações da Caixa não prosperam, uma vez que violam o disposto no art. 4º do Decreto

7.983/2013, o qual deixa claro que, em havendo referências no Sicro, as composições desse sistema devem ser utilizadas para obras de infraestrutura de transportes, independentemente de serem em ambiente urbano.

120.

A jurisprudência desta Corte de Contas também deixa claro que o Sicro não pode ser

desprezado como referencial de preço de obras públicas, mesmo aquelas localizadas em ambiente

urbano, como demonstra o Acórdão 2.329/2011-TCU-Plenário.

 

121.

Esta Corte de Contas também já se pronunciou no sentido de que, inexistindo referências no

Sinapi, o Sicro deve ser utilizado (Cf. Acórdão 2.668/2013-TCU-Plenário). Além disso, o TCU firmou entendimento de que os sistemas Sicro e Sinapi possuem preferência frente a outros sistemas de custos e eventuais cotações de mercado (cf. Acórdão 3.272/2011-TCU-Plenário).

122.

Entende-se

que

o

Sicro

é

aplicável

ao caso concreto.

Por isso,

nos termos do Decreto

7.983/2013 e do Acórdão 3.272/2011-TCU-Plenário, seu uso como sistema referencial deve ter

preferência.

 

123.

Por fim,

não prospera o argumento

da defendente

de

que não

caberia uma

análise de

produtividade pelo gestor a fim de determinar preços unitários. O art. 8 o do Decreto 7.983/2013 determina essa avaliação ao dispor que:

Art. 8º Na elaboração dos orçamentos de referência, os órgãos e entidades da administração pública federal poderão adotar especificidades locais ou de projeto na elaboração das respectivas composições de custo unitário, desde que demonstrada a pertinência dos ajustes para a obra ou serviço de engenharia a ser orçado em relatório técnico elaborado por profissional habilitado.

124.

Adicionalmente, a jurisprudência do TCU preconiza que os preços unitários dos serviços devem

refletir suas condições de execução. Nesse sentido, não é pertinente a adoção de composições dos

sistemas referenciais sem um juízo crítico do orçamentista acerca de eventuais peculiaridades do caso concreto e que possam ensejar diminuição dos custos (cf. Acórdãos 1.923/2011, 723/2012 e 753/2015, todos do Plenário).

125.

Portanto, permanece o sobrepreço apurado pela equipe de auditoria de R$ 2.850.505,38 (cf.

peça 86, p. 25).

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO II.2.2.5 Base de Binder denso (sem transporte) TC 011.538/2015-5 126. Conforme

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

II.2.2.5 Base de Binder denso (sem transporte)

TC 011.538/2015-5

126. Conforme

exposto

pela

defendente,

os

indícios

de

sobrepreço

haviam

sido

elididos

anteriormente por esta Unidade Técnica, cf. peça 86, p. 25-31.

II.2.2.6 Base de brita graduada tratada com cimento BGTC

  • 127. Neste item, a argumentação da Caixa é idêntica à feita no item ‘Fornecimento e aplicação de

concreto usinado para pavimento rígido (fcmt, k=4,5 mPa), inclusive cura química – 7 dias’.

  • 128. Sob os mesmos argumentos do aludido item, refuta-se a alegação da defendente, permanecendo

o sobrepreço de R$ 263.775,03 (peça 86, p.32).

II.2.2.7 Disposição final de resíduos classe II A não inertes, em aterro sanitário

  • 129. Em suma, a defendente alega que, neste item, o sobrepreço seria devido a um equívoco na

conversão de unidades utilizada para o preço paradigma. Além disso, que a densidade aparente do material, segundo o Sicro, seria 1,6 ton/m³, enquanto a equipe de auditoria utilizou a densidade aparente de 1,33 ton/m³.

  • 130. De fato, procede a alegação sobre a densidade aparente do material inerte que, segundo o Sicro,

é de 1,6 ton/m³. Cabe então refazer o cálculo da conversão de unidade.

  • 131. Para manter a consistência com o preço paradigma anteriormente utilizado, mantém-se o valor

de R$ 80,00/ton para o descarte. Convertendo as unidades para o descarte por metro cúbico e adicionando 26,97% de BDI, o novo valor paradigma resulta em R$ 155,39/m³, acima do que foi orçado pela Siurb no orçamento-base da licitação.

  • 132. Dessa forma, fica elidido o sobrepreço anteriormente apontado para a disposição final de

resíduos classe IIA não inertes, em aterro sanitário.

II.2.2.8 Demolição de pavimento asfáltico, inclusive capa, inclui carga no caminhão

  • 133. De forma similar ao item ‘Base de Binder denso’, a defendente expõe que a análise da oitiva

preliminar referente ao sobrepreço elidiu o sobrepreço, cf. peça 86, p. 32-34.

II.2.2.9 Eletroduto de polietileno flexível, alta resistência – 4’

  • 134. A Caixa pondera que a composição Sinapi 86168, adotada pela equipe de auditoria como

paradigma, não consta do banco Caixa Referencial. Alega ainda que seu normativo interno não permite a utilização de composições do Sinapi que não pertençam ao banco referencial.

  • 135. Porém, conforme já ressaltado, o fato de uma composição não constar no banco de dados Caixa

Referencial não cria empecilhos à sua utilização, visto que o art. 5º, parágrafo único, do Decreto

7.983/2013 admite inclusive composições que façam parte de outros sistemas referenciais preferencialmente federais, na falta de composições do Sinapi ou do Sicro. Nota-se que o Decreto não diferencia o Sinapi em referencial e nacional. Dessa forma, não existe vedação legal da utilização do Sinapi Nacional.

  • 136. No caso concreto, sequer houve justificativa de que a composição constante da Siurb seria mais

adequada que aquela constante do Sinapi Nacional. A fim de preterir este sistema referencial em favor daquele, deveria haver, no mínimo, a comprovada explicação técnica para sua adoção, o que não ocorreu.

  • 137. Cabe ressaltar que, conforme explicado na peça 86, para manter a coerência entre as análises

efetuadas nos presentes autos e no TC 011.535/2015-6, que trata do Corredor de Ônibus Radial Leste Trecho 3, a composição paradigma foi alterada para a Sinapi 85075 – ‘Fornecimento e instalação de duto subterrâneo de 4’, ref. Kanaflex ou similar (PRF-MG) cf. peça 86, p. 35. Destaca-se ainda que tal alteração tornou a análise mais conservadora.

  • 138. Ante ao exposto, verifica-se que as alegações da Caixa não tiveram êxito em elidir o sobrepreço

verificado neste item, mantendo-se o indício de R$ 733.593,39 (cf. peça 86, p. 35).

II.2.2.10 Demais itens não detalhados

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO TC 011.538/2015-5 139. Segundo a Caixa, o sobrepreço nos diversos itens

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TC 011.538/2015-5

  • 139. Segundo a Caixa, o sobrepreço nos diversos itens não detalhados se dariam em razão de: (i) o

BDI diferente; (ii) o Sinapi nacional, enquanto que o correto seria o uso do Sinapi referencial; (iii) o Sicro para obras urbanas no município de São Paulo/SP; (iv) o mesmo preço unitário para itens diferentes; e (v) preços do Sinapi mesmo com especificações diferentes.

  • 140. Portanto, cabe

procedem.

a

análise de cada um desses

itens a fim de se

verificar se os argumentos

  • 141. Como já analisado nessa instrução, a análise de preços nesse processo seguiu a jurisprudência

do Tribunal (cf. Acórdãos 2.827/2014, 3.239/2011, 1.804/2012, 93/2009, 1.913/2011 e 1.053/2009, todos do Plenário), visto que a comparação de preços não incidiu isoladamente sobre custos ou BDI, mas sim sobre o valor global do orçamento.

  • 142. Ainda, conforme o Acórdão 2.622/2013-TCU-Plenário, o Tribunal instruiu as Unidades

Técnicas que usassem os parâmetros da tabela do subitem 9.1. Assim, o BDI paradigma deve ser o apresentado na tabela do subitem 9.1, não os valores isolados das rubricas apresentadas no subitem

9.2.

  • 143. Cabe ressaltar, novamente, que, se a taxa do BDI paradigma fosse alterada para 26,97% (a

mesma utilizada na licitação), o sobrepreço anterior, calculado em R$ 59.020.900,56, passaria a ser

de R$ 49.229.471,39, ainda materialmente relevante. Nota-se que a diferença entre o BDI paradigma e o utilizado no edital não é a única causa de sobrepreço.

  • 144. Os argumentos relativos à utilização da referência do Sinapi equivocada também não

prosperam. Conforme já argumentado, o fato de uma composição não constar do banco de dados Caixa Referencial não cria empecilhos à sua utilização, visto que o art. 5º, parágrafo único, do

Decreto 7.983/2013 admite inclusive composições que façam parte de outros sistemas referenciais preferencialmente federais, na falta de composições do Sinapi ou do Sicro. Ou seja, composições integrantes do Sinapi, ainda que não do banco Caixa Referencial, podem ser utilizadas.

  • 145. Da mesma forma, não procedem os argumentos relativos à impossibilidade de utilização do

Sicro devido à inadequação à realidade do Município de São Paulo/SP. Tais alegações não prosperam, uma vez que violam o disposto no art. 4º do Decreto 7.983/2013, o qual deixa claro que, em havendo referências no Sicro, as composições desse sistema devem ser utilizadas para obras de infraestrutura de transportes, independentemente de serem em ambiente urbano.

  • 146. A jurisprudência desta Corte de Contas também deixa claro que o Sicro não pode ser

desprezado como referencial de preço de obras públicas, mesmo aquelas localizadas em ambiente

urbano, como demonstra o Acórdão 2.329/2011-TCU-Plenário.

  • 147. Esta Corte de Contas também já se pronunciou no sentido de que, inexistindo referências no

Sinapi, o Sicro deve ser utilizado (Cf. Acórdão 2.668/2013-TCU-Plenário). Além disso, o TCU firmou entendimento de que os sistemas Sicro e Sinapi possuem preferência frente a outros sistemas de custos e eventuais cotações de mercado (cf. Acórdão 3.272/2011-TCU-Plenário).

148. Entende-se que o Sicro é aplicável

ao caso concreto.

Por isso,

nos termos

do Decreto

7.983/2013 e do Acórdãos 3.272/2011 e 2.329/2011, ambos do Plenário, seu uso como sistema

referencial deve ter preferência.

  • 149. Dessa forma, mantem-se o sobrepreço apurado nos seguintes itens não detalhados: (i)

fornecimento, fabricação, pintura e montagem de estrutura metálica para estações de parada em aço código CPU-148; (ii) demolição de concreto armado código 85100; (iii) escavação mecânica, carga e remoção de terra até a distância média de 1,0 km código 41100; (iv) remoção de entulho além do primeiro km código 88600; (v) fornecimento e aplicação de concreto usinado fck=10 Mpa, bombeado código 82400; e (vi) estaca raiz diâmetro de 310mm código 20163.

  • 150. Portanto, resta a análise dos seguintes itens: (i) piso em granito branco código 72138; (ii)

estaca raiz 310mm, com perfuração em rocha código CPU-509; (iii) execução de passeio em concreto código 73892/001; (iv) concreto usinado bombeado fck=30 MPa, inclusive lançamento e adensamento código 74138/004; (v) escoramento de valas descontinuo código 83867; (vi) forma para estruturas de concreto código 84217; (vii) poste reto em aço código 411042; e (viii) poço de

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO TC 011.538/2015-5 visita tipo 1 (1,4m x 1,4m x 1,4m) –

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

TC 011.538/2015-5

visita tipo 1 (1,4m x 1,4m x 1,4m) código 61801. Esses itens serão analisados de forma isolada.

  • 151. De acordo com a Caixa, uma parcela apurada no sobrepreço desses itens seria devido à

divergência de valores no referencial Sinapi utilizado pela equipe de auditoria. Ao se analisar a alegação, tal divergência foi realmente constatada, pois não havia sido considerada a tabela

desonerada. Assim, havia uma diferença devido à taxa de encargos sociais associados aos serviços.

  • 152. Portanto, após a correção no preço referencial, se ajustando à planilha Sinapi de julho/2014,

foram alterados os preços referenciais dos seguintes itens: (i) piso em granito branco código 72138; (ii) execução de passeio código 73892/001; (iii) concreto usinado bombeado fck=30 MPa,

inclusive lançamento e adensamento código 74138/004; (iv) escoramento de valas código 83867; e (v) forma para estruturas de concreto código 84217.

  • 153. Além disso, foi argumentado que as especificações técnicas de três itens não seriam aderentes

ao utilizado no edital, a saber: (i) estaca raiz com fixação em rocha; (ii) poste em aço; e (iii) poço de visita.

  • 154. Ao se analisarem os argumentos, verificou-se que realmente os preços utilizados como

paradigma para esses três serviços não são adequados para esses três serviços devido à falta de

aderência entre as especificações técnicas dos itens no orçamento e do referencial Sinapi.

  • 155. A estaca raiz considerada como paradigma tem fixação em solo, sendo, portanto, inadequada a

comparação com o serviço de fixação em rocha. De forma similar, existe uma diferença de altura entre a especificação técnica do poste em aço considerado no orçamento da siurb/SP (12 metros) e o constante no Sinapi (9 metros). Ainda, em relação ao posto de visita, as dimensões consideradas no orçamento são de 1,4 m x 1,4 m x 1,4 m, enquanto que o paradigma tinha 0,6 m de diâmetro com 1,4 m de profundidade.

  • 156. Por essa razão, a equipe técnica decidiu retirar da amostra, ante a falta de outras referências

pertinentes nos sistemas pesquisados, os seguintes serviços: (i) estaca raiz com perfuração em rocha; e (ii) poste em aço com 12 metros.

  • 157. Entretanto, de forma conservadora, como preço paradigma para o poço de visita de 1,4 m x

1,4 m x 1,4 m, passou-se a utilizar o valor referencial Sinapi para o poço de visita 1,4 m x 1,4 m x 1,5 m, código 72124/005, com custo unitário direto de R$ 2.801,24 (data-base julho/2014).

II.2.3 O valor do convênio não cobre as despesas relativas à obra licitada ou é superior às despesas efetivas relacionadas à obra licitada

  • 158. Ao argumentar que a planilha referente ao empreendimento ainda não teve sua análise concluída

pela Caixa, fica clara a irregularidade da publicação do Edital RDC 3/2015 por parte da Prefeitura Municipal de São Paulo/SP. Tal publicação viola o disposto no Acórdão 2.099/2011-TCU-Plenário,

uma vez que, em seu subitem 9.1.2, é exigido que, antes da abertura de licitações de empreendimentos que contem com repasse de recursos federais, haja aprovação do projeto básico pela Caixa.

  • 159. O fato de não ter sido finalizada a análise demonstra que não houve a devida aprovação do

projeto, sendo, portanto, irregular a publicação do Edital RDC 3/2015.

  • 160. Ainda, segundo a Caixa, a necessidade de contrapartida não teria sido analisada e, por esse

motivo, nenhum montante foi apontado pela empresa pública. Dessa forma, mais uma vez, resta claro que não poderia o edital ter sido publicado sem a análise da Caixa Econômica Federal, mandatária da União.

  • 161. Convém destacar que a ausência de contrapartidas não é uma mera omissão formal, uma vez

que, conforme o disposto no art. 3º, inciso VII, da Lei 11.578/2007, a qual dispõe sobre as transferências de recursos financeiros no âmbito do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), devendo o ente beneficiário comprovar que os recursos próprios para complementar a execução estão devidamente assegurados.

III. Oitiva da Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana e Obras de São Paulo/SP (Siurb/SP)

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO III.1 Resumo dos argumentos da Siurb/SP (peça 109) TC 011.538/2015-5 162.

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

III.1 Resumo dos argumentos da Siurb/SP (peça 109)

TC 011.538/2015-5

  • 162. A Siurb, em resposta à oitiva promovida, se manifestou por meio do Ofício 283/2015/Siurb/Ataj

(peça 109), em 24/11/2015.

163. O referido

Ofício

trata

de

três

pontos

principais:

esclarecimentos relativos à revogação; e (iii) da oitiva.

(i)

da

revogação

do

edital;

(ii)

dos

  • 164. Um resumo de cada um desses tópicos será feito a seguir.

III.1.1 Revogação do edital (peça 109, p. 1)

  • 165. A Siurb informa que, em face do disposto nos itens 9.1 e 9.1.1 do Acórdão TCU 2.731/2015

(peça 92), resolveu promover a revogação da concorrência RDC Presencial 3/2015. Ademais, é informado que se encontram em desenvolvimento estudos para a publicação de novos editais a fim de atender ao referido Acórdão.

  • 166. Dessa forma, requer a Siurb que: (i) seja feita a retirada da classificação de Irregularidade Grave

com Recomendação de Paralisação (IG-P) do lote 1 do edital, visto que o edital já não subsiste no

mundo jurídico; e (ii) seja comunicada a Comissão Mista de Planos, Orçamentos Públicos e Fiscalização do Congresso Nacional sobre a reclassificação do objeto ou, pelo menos, sobre protocolização da revogação do edital.

III.1.2 Dos esclarecimentos relativos à revogação (peça 109, p. 4-6)

  • 167. Inicialmente, a prefeitura esclarece que a republicação dos editais estaria condicionada a uma

ampla revisão do orçamento. Em seguida, são apresentados diversos argumentos relacionados ao BDI.

  • 168. A Prefeitura argumenta que, de R$ 59.020.900,56 apurados como sobrepreço após a primeira

oitiva, R$ 24.842.259,14 (42%) seriam relativos ao BDI diferente. A diferença seria devido ao fato de a equipe de auditoria ter utilizado o percentual de 21,4% do Acórdão 2.622/2013-TCU-Plenário, enquanto a Prefeitura, ao utilizar os valores das rubricas individuais, obteve 26,97%.

  • 169. Argumenta-se então que, ao serem utilizadas as rubricas individuais, a faixa média seria de

25,35%, enquanto o terceiro quartil seria 28,50%. Assim, o BDI adotado na licitação, 26,97%, seria

menor do que o terceiro quartil permitido.

  • 170. Adiante, a defendente expõe que o BDI seria um tema controverso, colacionando jurisprudência

do Tribunal referente ao Acórdão 325/2007-TCU-Plenário, que traria um referencial limite de

30,31%.

  • 171. Em seguida é colacionado o Acórdão 2.622/2013-TCU-Plenário. Esse Acórdão traz as obras

classificadas por tipo de empreendimento. Contudo, no entendimento da Prefeitura, as obras do tipo mobilidade urbana não estariam devidamente caracterizadas dentre os tipos contemplados pelo Acórdão. Essa omissão do Acórdão, segundo a Prefeitura, teria levado a equipe de auditoria a comparar o empreendimento em questão com uma obra rodoviária, o que seria incorreto, no julgamento da defendente.

  • 172. A prefeitura justifica que, por ser a obra implantada em uma área densamente povoada da

cidade de São Paulo/SP (cf. peça 109, p. 3), há diversas interferências que influenciam na

produtividade das atividades inerentes a ela. Argumenta-se então que intervenções urbanas em áreas densamente povoadas deveriam ser enquadradas no terceiro quartil dos referenciais do Acórdão

2.622/2013.

  • 173. Finda a questão teórica sobre o BDI da obra, é apresentada uma tabela (cf. peça 109, p. 4) na

qual são apresentados os detalhamentos do sobrepreço encontrado no relatório de auditoria (peça 72)

e o apurado após a oitiva preliminar (peça 86).

  • 174. Essa tabela, segundo a defendente, mostra que, ‘sendo esclarecida e acatada a questão do BDI’,

o sobrepreço inicial de R$ 41,2 milhões (excluindo-se os serviços não detalhados) seria reduzido para R$ 12,3 milhões, o que seria uma redução de 71% (cf. peça 109, p. 4).

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO TC 011.538/2015-5 175. Por fim, é argumentado que, apesar de haver

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

TC 011.538/2015-5

  • 175. Por fim, é argumentado que, apesar de haver sobrepreço em diversos itens, também existem

preços subavaliados. Na visão da Prefeitura, apesar de o TCU considerar irrelevante os preços inferiores aos de mercado, não poderia o gestor fazer o mesmo, sob pena de produzir orçamentos inexequíveis. Em outras palavras, o entende que o uso do método da limitação do preço global (MLPG) seria mais adequado do que o método da limitação dos preços unitários ajustados (MLPUA).

  • 176. Ainda, é feito o registro da discordância da alegada mitigação do dano reverso em razão de estar

a obra em fase de licitação. Na visão do órgão municipal, como o principal motivo da obra é permitir

a melhoria na mobilidade do enorme contingente populacional que habita a região, essa obra deveria ser resolvida no menor tempo possível.

  • 177. Portanto, a decisão de revogar a licitação, segundo a prefeitura, teria sido feita como alternativa

de se iniciarem as obras ‘com a menor perda de tempo possível’ (cf. peça 109, p. 6).

III.1.3 Da oitiva

  • 178. A prefeitura, em atendimento ao Acórdão 2.731/2015-TCU-Plenário, esclarece que: (i) os

valores do orçamento serão objeto de revisão antes da publicação de um novo edital; (ii) a questão do

parcelamento do objeto também será analisada previamente ao edital; e (iii) quando for publicado o novo edital, haverá esclarecimento sobre uma eventual necessidade de complementação dos recursos federais objeto do termo de compromisso.

  • 179. Feitas essas ponderações, a Prefeitura requer então que: (i) seja retirada a classificação de IG-P

do empreendimento; e (ii) a reclassificação seja tempestivamente comunicada à Comissão Mista de

Comissão Mista de Planos, Orçamentos Públicos e Fiscalização CMO. III.2 Análise

  • 180. Da mesma forma que os outros defendentes, a Prefeitura de São Paulo/SP alega que a diferença

de BDI seria de grande relevância para o sobrepreço apurado pela equipe de auditoria. Cabe ressaltar que a análise de sobrepreço não é feita isoladamente sobre o BDI ou sobre o custo direto, mas sim de forma conjunta, sobre o preço resultante. Convém relembrar que preço = custos diretos x (1+BDI%).

  • 181. Assim, ao se fazer a análise sobre o preço final orçado, a equipe técnica agiu de acordo com a

jurisprudência do Tribunal (Acórdãos 2.827/2014, 3.239/2011, 1.804/2012, 93/2009, 1.913/2011 e

1.053/2009, todos do Plenário).

  • 182. Portanto, não cabem os argumentos de que o sobrepreço apurado teria cerca de 42% de seu

montante total referente à divergência da taxa de BDI.

  • 183. Caso o sobrepreço apurado na peça 86, no montante de R$ 59.020.900,56 (data-base julho),

tivesse seu BDI incidente alterado para 26,97%, o mesmo considerado na licitação, o sobrepreço

apurado seria de R$ 49.229.471,39, e ainda representaria 10,37% do referencial e 15,77% da amostra.

  • 184. Ainda, cabe ressaltar que o percentual de BDI paradigma utilizado pela equipe de auditoria foi

devido à determinação do Acórdão 2.622/2013-TCU-Plenário, em seu subitem 9.1.

  • 185. Vale também um esclarecimento quanto ao Acórdão 325/2007-TCU-Plenário, o qual, segundo a

prefeitura, fixaria a taxa 30,31% como um limite referencial para o BDI. O referido Acórdão trata de obras de linhas de transmissão e subestações de energia elétrica. Resta claro, portanto, que não seria

conveniente a utilização de tal decisão como referencial máximo para uma obra de mobilidade urbana.

  • 186. Ressalta-se que o Acórdão 2.622/2013-TCU-Plenário apresentou o estudo desenvolvido por

uma equipe interdisciplinar para adoção de parâmetros de valores referenciais de taxas de BDI para diferentes tipologias de obras públicas, incluindo a construção de rodovias. Esse Acórdão, em seu item 9.1, traz uma tabela referencial a ser utilizada pelas unidades técnicas do Tribunal. Ainda, é destacado que essa tabela será utilizada em substituição aos referenciais presentes nos Acórdãos 325/2007 e 2.369/2011, ambos do Plenário do Tribunal.

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO TC 011.538/2015-5 187. O último ponto trazido pela Prefeitura referente ao

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

TC 011.538/2015-5

187.

O último ponto trazido pela Prefeitura referente ao BDI diz respeito ao enquadramento do

empreendimento na tipologia de rodovias e sobre as interferências que influenciariam na produtividade das atividades inerentes a ela. No entanto, esse argumento já foi analisado em detalhes na peça 86, p. 4-6, e se verificou a adequação de tal escolha

188.

Podem ser citados como argumentos para o enquadramento do empreendimento na tipologia de

rodovias os seguintes fatos: (i) o sistema viário no qual serão executados os serviços já fizeram parte

do plano rodoviário municipal; (ii) o alto volume de tráfego não descaracteriza a obra como rodovia; (iii) o DNIT utiliza os referenciais do Acórdão 2.622/2013-TCU-Plenário para anéis rodoviários em ambiente urbano; e (iv) os principais serviços executados na obra são condizentes com obras rodoviárias, como movimentação de terra, pavimentação e obras de artes especiais, sendo esses serviços, inclusive, responsáveis pela maior parcela técnica e financeira do empreendimento (cf. peça 86, p 4-6).

189.

Ademais, a taxa de BDI não remunera valores referentes à produtividade dos serviços. Essas

ponderações devem ser feitas no cálculo dos custos unitários de cada serviço.

190.

Também não são adequados os argumentos da Prefeitura quanto a utilização do método da

limitação dos preços unitários ajustados (MLPUA). Nessa metodologia não são subtraídos eventuais subpreços do sobrepreço global. Já o método da limitação do preço global (MLPG), defendido pela Siurb/SP para o caso, considera o efeito dos descontos no sobrepreço global.

191.

No Acórdão 3.443/2012-TCU-Plenário, o Ministro Relator conclui pela aplicabilidade do

MLPUA aos editais e aditivos para inclusão de serviços novos. Como no caso concreto o empreendimento se encontrava em fase de edital, resta adequado o uso do MLPUA pela equipe

técnica.

 

CONCLUSÃO

192.

As oitivas instauradas tinham como propósito que os gestores se manifestassem quanto aos

indícios de irregularidades em três pontos: (i) sobrepreço decorrente de preços excessivos frente ao mercado; (ii) ausência de parcelamento do objeto; e (iii) o valor econômico do convênio não cobrir

as despesas relativas à obra licitada.

193.

Destaca-se que o quarto achado de auditoria, referente à restrição à competitividade da licitação

decorrente de critérios inadequados de habilitação e julgamento, foi tratado nos autos do TC 011.535/2015-6.

194.

De pronto, é válido destacar que, conforme a peça 109, a Prefeitura de São Paulo/SP informou

sobre a revogação do Edital de RDC Presencial 3/2015. Ainda, foi informado que a nova publicação do edital ocorrerá após estudos e análises referentes aos apontamentos feitos pelo Tribunal no

Acórdão 2.731/2015-TCU-Plenário.

195.

Em relação ao achado de sobrepreço decorrente de preços excessivos frente ao mercado, ficou

evidenciado, a partir das respostas às oitivas realizadas, o acolhimento de parte das alegações carreadas pelos defendentes, o que levou o sobrepreço global constatado no Corredor de Ônibus Perimetral Itaim Paulista-São Mateus e Terminal Itaim Paulista para o valor de R$ 47.655.943,24, o que corresponde a 10% do valor total orçado e a 15,68% da amostra analisada. A representatividade da amostra foi de 67,09% do valor total da obra, que é de R$ 596.708.066,99.

196.

Considerando a revogação do edital de licitação e a consequente perda do objeto fiscalizado,

convém reclassificar o achado de sobrepreço de IG-P para OI, comunicando essa decisão ao Congresso Nacional e aos órgãos interessados.

197.

Portanto, alvitra-se dar ciência do sobrepreço remanescente detectado à Siurb/SP, para que

efetue correções na planilha de orçamento-base de eventual futura licitação da obra.

198.

Quanto ao parcelamento do objeto, a Prefeitura de São Paulo/SP se manifestou que serão feitos

novos estudos e análises referentes ao parcelamento do objeto. Assim, a publicação de um novo edital estaria sendo estudada de forma a atender o Acórdão e desdobrar o objeto em três licitações.

199.

Acerca da irregularidade relativa à inexistência de garantia de contrapartida municipal, a Caixa

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO TC 011.538/2015-5 argumenta que a análise da planilha orçamentária do empreendimento

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

TC 011.538/2015-5

argumenta que a análise da planilha orçamentária do empreendimento ainda não teria sido finalizada e, por isso, ainda não se teria verificado a necessidade de aporte municipal.

  • 200. Entende-se que a ausência de previsão de contrapartida não é uma falha meramente formal, pois

os órgãos que deveriam analisar a questão da suficiência dos recursos orçamentários para a obra não

se pronunciaram, sendo certo que os recursos federais previstos até o momento não são suficientes para a conclusão do empreendimento.

  • 201. Além disso, constatou-se então que o edital foi publicado sem a sua análise finalizada pela

Caixa. Assim, tal publicação viola o disposto no Acórdão 2.099/2011-TCU-Plenário, uma vez que, em seu subitem 9.1.2, é exigido que, antes da abertura de licitações de empreendimentos que contem com repasse de recursos federais, haja aprovação do projeto básico pela Caixa.

  • 202. Por essa razão, convém dar ciência ao Ministério das Cidades, à Prefeitura Municipal de São

Paulo/SP e à Caixa Econômica Federal sobre a ausência de contrapartida no termo de compromisso do Corredor de Ônibus Perimetral Itaim Paulista-São Mateus e Terminal Itaim Paulista, de modo que iniciem gestões no sentido de celebrar aditamento ao aludido instrumento, prevendo as necessárias contrapartidas financeiras municipais, e verificando, nessa ocasião, a suficiência e a garantia de disponibilidade desses recursos.

  • 203. Além disso, cabe também dar ciência às referidas entidades sobre a necessidade de aprovação

pela Caixa Econômica Federal do edital de licitação antes da sua publicação, conforme o prevê o

Acórdão 2.099/2011-TCU-Plenário.

  • 204. Por fim, cabe dar ciência à Caixa Econômica Federal sobre a desconformidade de seu normativo

com o Decreto 7.983/2013. Como parte de sua alegação, a Caixa aduz orientação contida no Manual

Normativo Caixa AE 099010, item 3.3.10.4.1.3, transcrita a seguir:

‘O Sicro é recomendado para obras rodoviárias enquanto que, para serviços e obras de pavimentação

urbana deve-se utilizar o Sinapi, cujas referências são específicas para serviços realizados neste ambiente, pois a produtividade aferida dos serviços e os custos dos dos equipamentos apropriam as ineficiências típicas devidas às interferências de serviços presentes nas cidades, tais como: transporte público/privado, redes de água, esgoto, gás, telecomunicações, drenagem urbana e proximidade de

habitações.’

(cf. peça 110, p. 2)

  • 205. Fica claro o conflito de tal normativo com o a instrução contida no art. 4º do Decreto

7.983/2011. Esse Decreto determina que o custo global de referência dos serviços de obra de infraestrutura de transportes será obtido a partir das composições dos custos unitários no projeto devem ser menores ou iguais aos do Sicro. Portanto, independentemente se em ambiente urbano ou não, o Sicro deve ser utilizado como referência de custos para obras de infraestrutura de transporte.

INFORMAÇÕES ADICIONAIS

  • 206. Convém mencionar que, em processo correlato (TC 011.535/2015-6) foi enviada cópia dos

autos para o Ministério Público Federal - MPF (cf. TC 011.535/2015-6, peça 165) e para o Departamento de Polícia Federal - DPF (cf. TC 011.535/2015-6, peça 164), bem como para a

Comissão de Serviços de Infraestrutura do Senado Federal (TC 011.535/2015-6, peça 163). No entanto, neste processo, não foram enviadas informações a esses órgãos. Por essa razão, entende-se não ser necessário expedir comunicação para o MPF ou para o DPF.

  • 207. Entretanto, a cópia dos autos deste processo (TC 011.538/2015-5) foi enviada para o Tribunal

de Contas do Município de São Paulo (cf. peça 98). Visando fornecer informações atualizadas sobre os autos, propõe-se enviar cópia da deliberação que vier a ser proferida neste processo, acompanhada de relatório e voto, a esse órgão.

  • 208. Vale destacar que a revogação do edital de licitação RDC Presencial 3/2015 também afeta a

classificação de achados de auditoria do tipo IG-P relacionados a obra do Corredor de Ônibus

Radial Leste Trecho 3, cuja fiscalização consta do TC 011.535/2015-6.

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO PROPOSTA DE ENCAMINHAMENTO TC 011.538/2015-5 209. Ante o exposto, submetem-se os

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

PROPOSTA DE ENCAMINHAMENTO

TC 011.538/2015-5

209. Ante o exposto, submetem-se os autos à consideração superior, propondo:

  • a) determinar à SeinfraUrbana/Siob que, em relação à obra do Corredor de Ônibus Perimetral Itaim

Paulista-São Mateus e Terminal Itaim Paulista, reclassifique, no sistema Fiscalis, o achado

‘Sobrepreço decorrente de preços excessivos frente ao mercado’, referente ao edital de licitação

RDC Presencial 3/2015, de IG-P para OI, em função da revogação do edital de licitação;

  • b) comunicar à Comissão Mista de Planos, Orçamentos Públicos e Fiscalização do Congresso

Nacional que os indícios de irregularidades graves do tipo IG-P, apontados no Edital de Licitação RDC Presencial nº 3/2015, relativos aos serviços de elaboração de projeto executivo e execução das obras do Corredor de Ônibus Perimetral Itaim Paulista-São Mateus e Terminal Itaim Paulista São Paulo/SP, que recebem recurso federais por meio do Termo de Compromisso 0445.950-17/2014, não mais se enquadram no inciso IV do § 1º do art. 112 da Lei 13.080/2015 (LDO 2015), tendo sua classificação sido alterada para OI (gravidade intermediária ou formal), em função da revogação do edital de licitação;

  • c) dar ciência ao Ministério das Cidades, à Caixa Econômica Federal e à Secretaria Municipal de

Infraestrutura Urbana e Obras de São Paulo/SP (Siurb/SP), com fundamento no art. 7º da Resolução

TCU 265/2014, sobre as seguintes impropriedades/falhas, para que sejam adotadas medidas internas com vistas à prevenção de ocorrência de outras semelhantes:

c.1) sobrepreço decorrente de preços excessivos frente ao mercado no valor global de R$ 47.655.943,24, correspondente à 10% do valor total de referência e a 15,68% da amostra analisada, identificado no orçamento-base da licitação RDC Presencial 3/2015 Corredor Itaim Paulista-São Mateus e Terminal Itaim Paulista, o que afronta o disposto no art. 8º, § 3º, da Lei 12.462/2011 e os arts. 3º e 4º, ambos do Decreto 7.983/2013;

c.2) ausência de parcelamento do objeto da licitação, considerando que o edital previa, no mesmo objeto, a execução de obras relativas a corredores e terminais de ônibus, afrontando o art. 4º, inciso VI, da Lei 12.462/2011 (RDC) e a jurisprudência do TCU (cf. Acórdãos 2.593/2013, 1.998/2013, 2.293/2013, 336/2008, 159/2003, todos do Plenário, embasados na premissa objeto da Súmula 247).

c.3) realização de licitação de obra com recursos federais sem que a Caixa Econômica Federal houvesse concluído suas análises técnicas, identificada no edital de licitação RDC Presencial 3/2015, o que afronta o disposto no Acórdão 2.099/2011-TCU-Plenário;

c.4) valor insuficiente do convênio para cobrir as despesas da obra licitada, identificado no Termo de Compromisso 0425.746-09/2013, o que afronta o disposto na legislação (cf. art. 3º, inciso VII, da Lei 11.578/2007) e na jurisprudência do TCU (Acórdãos 3.071/2008, 299/2010 e 1.832/2010, todos do Plenário);

  • d) dar ciência à Caixa Econômica Federal, com fundamento no art. 7º da Resolução TCU 265/2014,

sobre a inconformidade do item 3.3.10.4.1.3 do Manual Normativo Caixa AE 099010 em relação ao preconizado no art. 4º do Decreto 7.983/2011;

  • e) enviar cópia da deliberação que vier a ser proferida, acompanhada do relatório e voto que a

fundamentarem, ao Tribunal de Contas do Município de São Paulo;

  • f) arquivar o presente processo, com fundamento no art. 169, V, do Regimento Interno do TCU.”

É o relatório.

VOTO

Em análise relatório de auditoria efetuada pela Secretaria de Fiscalização de Infraestrutura Urbana deste TCU (SeinfraUrbana) no edital referente às obras de implantação do Corredor de Ônibus

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO TC 011.538/2015-5 Perimetral Itaim Paulista-São Mateus (Município de São Paulo), no

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

TC 011.538/2015-5

Perimetral Itaim Paulista-São Mateus (Município de São Paulo), no período compreendido entre 8/6/2015 e 31/7/2015.

  • 11. A auditoria constatou as seguintes irregularidades:

    • a) sobrepreço decorrente de preços excessivos frente ao mercado;

    • b) ausência de parcelamento do objeto;

c) termo

de compromisso

relacionadas à obra; e

firmado em

valores insuficientes para cobrir as despesas

  • d) restrição à competitividade da licitação decorrente de critérios inadequados de habilitação

e julgamento.

  • 12. Conforme historiado no relatório precedente, este processo já foi objeto de apreciação deste

colegiado, ocasião em que o Tribunal enquadrou os indícios de sobrepreço no conceito de irregularidade grave com recomendação de paralisação (IG-P), nos termos do art. 112, § 1º, inciso IV, da Lei 13.080/2015 (LDO 2015), e autorizou a realização das oitivas dos órgãos e entidades

envolvidos (Acórdão 2.731/2015-TCU-Plenário).

  • 13. Nesta oportunidade, submeto à Corte o exame da resposta às oitivas

acerca dos três

primeiros achados listados acima, visto que a restrição à competitividade foi tratada no

TC 011.535/2016-6 (que versa sobre outro lote do mesmo edital).

  • 14. Após analisar toda a documentação oferecida não só pelo Município de São Paulo, mas

também pela Caixa Econômica Federal e pelo Ministério das Cidades, propõe a SeinfraUrbana dar ciência aos responsáveis acerca das irregularidades e arquivar o processo, eis que o edital de licitação foi revogado.

  • 15. No essencial, e a partir dos elementos constantes dos autos, manifesto-me de acordo com a

proposta sugerida pela unidade instrutiva.

  • 16. Empreendido o exame das oitivas e acolhidas parcialmente as alegações oferecidas, os

indícios de sobrepreço apontados pela unidade instrutiva atingiram a quantia de R$ 47 milhões, o que perfaz um percentual de 16% de sobrepreço (numa amostra de 69% do orçamento). De se observar que esse montante de sobrepreço representa algo em torno de 10% do valor global da obra.

  • 17. Conforme já ponderei no âmbito deste processo, essa análise consistiu em cotejar orçamento

auditado e preços paradigmas estipulados com base em sistemas de referência, promovidas as devidas

adequações às especificidades da obra, conforme tradicionalmente realizado nas auditorias realizadas pelo Tribunal.

  • 18. Após a manifestação das partes quanto ao preço estimado para a obra, poder-se-ia objetar

que restaram alguns pontos pendentes de melhor aprofundamento, a exemplo da análise dos reflexos das alterações na política de desoneração da folha de pagamento (as mais recentes, inclusive, ocorreram posteriormente à própria auditoria).

  • 19. De qualquer forma, com a revogação do edital, tanto a Secretaria Municipal de

Infraestrutura quanto a Caixa poderão implementar eventuais correções e avaliar todas essas questões,

levando em conta os entendimentos do Tribunal sobre a matéria.

  • 20. A equipe de auditoria apontou ausência de parcelamento do objeto (o lote 1 engloba dois

trechos do corredor de ônibus em conjunto com a construção do Terminal Itaim Paulista).

  • 21. O parcelamento proporciona maior participação no certame, razão pela qual sua adoção é

impositiva sempre que a natureza do objeto tenda a reduzir o universo de licitantes (Acórdão 2.593/2013-TCU-Plenário, entre vários outros).

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO TC 011.538/2015-5 22. Em sua manifestação, a Siurb informa que analisará

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

TC 011.538/2015-5

  • 22. Em sua manifestação, a Siurb informa que analisará tecnicamente a questão previamente ao

relançamento do novo edital, de modo a adequar o procedimento licitatório à legislação e à

jurisprudência do Tribunal.

  • 23. As oitivas também não afastaram o apontamento acerca do risco de insuficiência de

recursos, visto que o valor do termo de compromisso (R$ 529 milhões) não seria suficiente para cobrir as despesas relacionadas à obra (da ordem de R$ 597 milhões), o que afronta o art. 7º, § 2º, inciso III, da Lei 8.666/1993 e a Portaria Interministerial 507/2011. De se registrar que a jurisprudência do Tribunal condiciona a realização do processo licitatório à existência de recursos orçamentários

suficientes, dado o histórico de obras inconclusas por falta de verbas.

  • 24. Por fim, a análise das oitivas revelou que a licitação foi lançada antes que a Caixa tivesse

concluído suas análises sobre a documentação técnica relativa ao empreendimento. Deveras temerário tal modo de proceder na medida em que eventual ausência de recursos federais poderia vir a acarretar, inclusive, a paralisação das obras.

  • 25. Deixo de acompanhar unicamente a proposta da SeinfraUrbana de dar ciência à Caixa acerca

de suposta divergência entre seu normativo e a instrução contida no art. 4º do Decreto 7.983/2011. A

unidade instrutiva fundamenta seu apontamento no entendimento de que “independentemente se em ambiente urbano ou não, o Sicro deve ser utilizado como referência de custos para obras de infraestrutura de transporte.

  • 26. A boa técnica de engenharia de custos e a legislação (em especial, o Decreto 7.983/2013, art.

8º) preconizam que as especificidades do projeto e da obra sejam consideradas na escolha na melhor composição de custos. E, de fato, podem ser vislumbradas situações em que o ambiente urbano

influencie de maneira preponderante os custos praticados. Considerando que as conclusões deste caso concreto não podem ser extrapoladas para todas as obras analisadas pela Caixa, não vislumbro motivos para indicar alteração no normativo, ao menos no âmbito deste processo, sem análises mais substanciais.

  • 27. Como as principais alegações dos gestores quanto aos apontamentos foram analisadas pela

unidade instrutiva e o edital foi revogado, com o compromisso de se implementarem correções no procedimento licitatório, creio que a presente ação de controle cumpriu a finalidade a que se destinava. Pode, portanto, ser encerrada com a comunicação das constatações aos órgãos e entidades envolvidos.

  • 28. A ação preventiva do Tribunal, ao alcançar o empreendimento ainda na licitação, permite

que o gestor possa considerar os elementos identificados pela auditoria para o aprimoramento do novo

edital.

  • 29. Não vislumbro maiores riscos de que as irregularidades permaneçam sem solução, visto que,

dentro das funções que lhe competem, poderá a Caixa Econômica Federal verificar toda a

documentação à luz dos apontamentos relatados.

  • 30. Registro que, com a revogação do edital, perde objeto a classificação das irregularidades

como IG-P posição que deve ser comunicada à Comissão Mista de Orçamentos, conforme proposto

pela unidade técnica.

  • 31. Pelos motivos declarados, a deliberação que proponho acolhe, na sua essência, a proposta da

SeinfraUrbana de dar ciência das irregularidades aos órgãos e às entidades responsáveis e arquivar o processo.

  • 32. Em vista do exposto, voto no sentido de que o colegiado aprove a minuta de acórdão que

submeto à sua consideração.

TCU, Sala das Sessões Ministro Luciano Brandão Alves de Souza, em 24 de fevereiro de 2016. Ministro BRUNO DANTAS

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO Relator TC 011.538/2015-5 ACÓRDÃO Nº 358/2016 – TCU – Plenário 1.

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

Relator

TC 011.538/2015-5

ACÓRDÃO Nº 358/2016 TCU Plenário

  • 1. Processo nº TC 011.538/2015-5.

  • 2. Grupo I Classe de Assunto: V - Relatório de Auditoria (Fiscobras 2015)

  • 3. Interessados/Responsáveis:

    • 3.1. Interessados: Congresso Nacional (vinculador); Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana e

Obras de São Paulo (46.392.171/0001-04)

  • 3.2. Responsáveis: Carlos Antonio Vieira Fernandes (274.608.784-72); Dario Rais Lopes

(976.825.438-68); Elton Santa Fé Zacarias (063.908.078-21); Maria Beatriz de Marcos Millan Oliveira (073.610.538-74); Miriam Aparecida Belchior (056.024.938-16); Osvaldo Misso (860.279.058-91); Ricardo Pereira da Silva (355.420.126-04); Roberto Nami Garibe Filho (112.313.258-52).

  • 4. Órgãos/Entidades: Caixa Econômica Federal; Ministério das Cidades (vinculador); Prefeitura

Municipal de São Paulo/SP.

  • 5. Relator: Ministro Bruno Dantas.

  • 6. Representante do Ministério Público: não atuou.

  • 7. Unidade Técnica: Secretaria de Fiscalização de Infraestrutura Urbana (SeinfraUrbana).

  • 8. Representação legal:

    • 8.1. Luiz Carlos de Souza, representando Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana e Obras de

São Paulo.

  • 8.2. Guilherme Lopes Mair (32261/OAB-DF) e outros, representando Caixa Econômica Federal.

  • 8.3. Jose Mauro Gomes, representando Prefeitura Municipal de São Paulo/SP.

    • 9. Acórdão:

VISTOS, relatados e discutidos estes autos de Relatório de Auditoria realizada no lote 1 do Edital RDC Presencial 003/2015, referente às obras de implantação do Corredor de Ônibus Perimetral Itaim Paulista-São Mateus (Município de São Paulo), no âmbito do Fiscobras 2015.

ACORDAM os Ministros do Tribunal de Contas da União, reunidos em Sessão do Plenário, ante as razões expostas pelo relator, em:

  • 9.1. determinar à SeinfraUrbana/Siob que, em relação à obra do Corredor de Ônibus

Perimetral Itaim Paulista-São Mateus e Terminal Itaim Paulista, reclassifique, no sistema Fiscalis, o

achado ‘Sobrepreço decorrente de preços excessivos frente ao mercado’, referente ao edital de

licitação RDC Presencial 3/2015, de IG-P para OI, em função da revogação do edital de licitação;

  • 9.2. comunicar à Comissão Mista de Planos, Orçamentos Públicos e Fiscalização do

Congresso Nacional que os indícios de irregularidades graves do tipo IG-P, apontados no Edital de Licitação RDC Presencial nº 3/2015, relativos aos serviços de elaboração de projeto executivo e execução das obras do Corredor de Ônibus Perimetral Itaim Paulista-São Mateus e Terminal Itaim Paulista São Paulo/SP, que recebem recurso federais por meio do Termo de Compromisso 0445.950- 17/2014, não mais se enquadram no inciso IV do § 1º do art. 112 da Lei 13.080/2015 (LDO 2015), tendo sua classificação sido alterada para OI (gravidade intermediária ou formal), em função da revogação do edital de licitação;

  • 9.3. dar ciência ao Ministério das Cidades, à Caixa Econômica Federal e à Secretaria

Municipal de Infraestrutura Urbana e Obras de São Paulo/SP (Siurb/SP), com fundamento no art. 7º da

Resolução TCU 265/2014, sobre as seguintes impropriedades/falhas, todas identificadas no edital de licitação RDC Presencial 3/2015 Corredor Radial Leste Trecho 3, para que sejam adotadas medidas internas com vistas à prevenção de ocorrência de outras semelhantes:

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO TC 011.538/2015-5 9.3.1. sobrepreço decorrente de preços excessivos frente ao mercado,

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

TC 011.538/2015-5

  • 9.3.1. sobrepreço decorrente de preços excessivos frente ao mercado, identificado no

orçamento-base da licitação RDC Presencial 3/2015 Corredor Itaim Paulista-São Mateus e Terminal Itaim Paulista, o que afronta o disposto no art. 8º, § 3º, da Lei 12.462/2011 e os arts. 3º e 4º, ambos do

Decreto 7.983/2013;

  • 9.3.2. ausência de parcelamento do objeto da licitação, considerando que o edital previa, no

mesmo objeto, a execução de obras relativas a corredores e terminais de ônibus, afrontando o art. 4º,

inciso VI, da Lei 12.462/2011 (RDC) e a jurisprudência do TCU (cf. Acórdãos 2.593/2013, 1.998/2013, 2.293/2013, 336/2008, 159/2003, todos do Plenário, embasados na premissa objeto da Súmula 247);

  • 9.3.3. realização de licitação de obra com recursos federais sem que a Caixa Econômica

Federal houvesse concluído suas análises técnicas, o que afronta o disposto no Acórdão 2.099/2011- TCU-Plenário;

  • 9.3.4. valor insuficiente do convênio para cobrir as despesas da obra licitada, identificado

no Termo de Compromisso 0425.746-09/2013, o que afronta o disposto na legislação (cf. art. 3º, inciso VII, da Lei 11.578/2007) e na jurisprudência do TCU (Acórdãos 3.071/2008, 299/2010 e 1.832/2010, todos do Plenário);

9.4.

enviar

cópia

desta

deliberação,

acompanhada

do

relatório

e

do voto que a

fundamentam, ao Tribunal de Contas do Município de São Paulo; 9.5. arquivar o presente processo, com fundamento no art. 169, V, do Regimento Interno

do TCU.

  • 10. Ata n° 5/2016 Plenário.

  • 11. Data da Sessão: 24/2/2016 Ordinária.

  • 12. Código eletrônico para localização na página do TCU na Internet: AC-0358-05/16-P.

  • 13. Especificação do quorum:

    • 13.1. Ministros presentes: Raimundo Carreiro (na Presidência), Walton Alencar Rodrigues, Benjamin

Zymler, José Múcio Monteiro, Ana Arraes, Bruno Dantas (Relator) e Vital do Rêgo.

  • 13.2. Ministro-Substituto convocado: Augusto Sherman Cavalcanti.

  • 13.3. Ministros-Substitutos presentes: Marcos Bemquerer Costa e Weder de Oliveira.

(Assinado Eletronicamente)

RAIMUNDO CARREIRO na Presidência

(Assinado Eletronicamente)

BRUNO DANTAS Relator

Fui presente:

(Assinado Eletronicamente)

LUCAS ROCHA FURTADO Procurador-Geral, em exercício