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ORGANIZAÇÃO DA

SAÚDE PÚBLICA
Apostila- texto com os
Conteúdos de aula.
Faculdade Ipesu – 2010.2
Professor: José Eduardo silva

Professor José Eduardo Silva –

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Introdução.

O Sistema Único de Saúde é considerado como um dos maiores sistemas de saúde


público do mundo, também o único com o propósito de garantir o atendimento total e
gratuito para toda a população independentemente de qualquer condição.

Na Lei nº. 8080 de 19 de setembro de 1990, conhecida como a Lei Orgânica da


Saúde define-se o SUS como “o conjunto de ações e serviços de saúde, prestados
por órgãos e instituições públicas federais, estaduais e municipais, da administração
direta e indireta e das fundações mantidas pelo Poder Público, incluídas as
instituições públicas federais, estaduais e municipais de controle de qualidade,
pesquisa e produção de insumos, medicamentos, inclusive de sangue e
hemoderivados, e de equipamentos para saúde”.

O SUS permite ainda que haja a participação da iniciativa privada para as ações em
saúde. Porém em caráter complementar, desde que a rede tenha deficiências em
determinadas áreas da assistência à saúde. Desenvolve ações e procedimentos
cujo objetivo vem sendo alcançado no que dizem respeito a um atendimento
diferenciado e de qualidade, dentre estas ações em Pernambuco, temos as Centrais
do Parto e de Leite Humano.

Sistema de Saúde Brasileiro: um breve histórico.

No período que antecedeu a década de 70, o sistema de saúde brasileiro dava


ênfase às campanhas em massa de saúde pública contra as doenças. Durante os
anos 70, centra as atenções na assistência médica curativa e individual. Com a Lei
nº. 6229, em 1975, foi criado o Sistema de Assistência Nacional de Saúde que

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atuava em duas direções, uma voltada para as ações de atenção às pessoas e outra
voltada para as ações de saúde pública.

Dois anos mais tarde surge o Instituto Nacional de Assistência Médica da


Previdência Social – INAMPS, em 1977, cujo objetivo era prestar serviços apenas
para os cidadãos que possuíam a carteira de trabalho, ou seja, atendia aqueles que
estivessem trabalhando com a carteira de trabalho assinada. Enquanto que os
desempregados e os que residiam no interior eram de responsabilidade do poder
público federal e das secretarias estaduais de saúde. Evidencia-se então, o modelo
médico-assistencial privatista que nos anos 80 começa a ser mudado por um outro
modelo de atenção à saúde.

O processo de mudança se inicia em 1979 quando foi criado o Programa de


Interiorização das Ações de Saúde e Saneamento – PIASS, cujo foco de ação
pautava-se em projetos pilotos de medicina comunitária. No ano de 1983 foi
implantado a AIS (Ações Integradas de Saúde), este sistema caracteriza a
desconcentração, universalização da atenção à saúde.

A 8ª Conferência Nacional de Saúde foi realizada em 1986 e, no ano seguinte, foi


criado o Sistema Unificado e Descentralizado de Saúde – SUDS, evidenciando de
fato a descentralização das atividades do INAMPS para as Secretarias Estaduais de
Saúde. O Sistema Único de Saúde – SUS foi criado pela Constituição Federal de
1988, e dois anos mais tarde regulamentado pelas Leis: Lei nº. 8080 de 19 de
setembro de 1990 e Lei nº. 8142 de 28 de dezembro de 1990.

O decreto nº. 99060 de 07 de março de 1990 efetivou a mudança do Instituto


Nacional de Assistência Médica da Previdência Social (INAMPS) do Ministério da
Previdência para o Ministério da Saúde, marcando significativamente o cumprimento
constitucional de construção do SUS. No dia 27 de julho de 1998 o INAMPS através
da Lei nº. 8689 foi completamente extinto. Com isto as esferas Federal, Estadual e
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Municipal do SUS assumiram todas as atribuições, competências, funções e


atividades do órgão extinto.

Sistema Único de Saúde (SUS).

A Constituição Federal de 1988 deu origem a este modelo de saúde, o SUS. Sendo,
portanto, regulamentado pelas Leis orgânicas da saúde (Lei nº. 8080/90 e Lei nº.
8142/90), cuja finalidade preza pela eliminação da desigualdade na assistência à
saúde da população. Determinando o caráter para o atendimento público a todos os
cidadãos e, tornando proibida a cobrança de dinheiro em qualquer que seja a
situação.

É através do SUS que todos os cidadãos brasileiros têm direito aos diversos
procedimentos em saúde: consultas, exames, internações e tratamentos.
Procedimentos estes que devem ser oferecidos por todas as unidades de saúde
desde que estejam vinculadas ao SUS, sejam públicas em qualquer esfera (Federal,
Estadual e Municipal), ou privada quando contratada pelo gestor público de saúde.

O SUS é gerido com recursos oriundos de arrecadação por meio de impostos e


contribuições pagas pela população e, compõem os recursos do Governo Federal,
Estadual e Municipal. A meta do SUS é ser um mecanismo que promova a eqüidade
no atendimento das necessidades de saúde da população, desta forma deve
disponibilizar serviços adequados e com qualidade sem restrições quanto ao poder
aquisitivo dos cidadãos. Neste sentido são priorizadas ações preventivas e
conscientização da população sobre os seus direitos, bem como os riscos à sua
saúde.

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A rede privada participa do SUS na condição complementar, através de contratos e


convênios de prestação de serviços ao Estado. A condição complementar da rede
privada só torna-se efetiva quando as unidades públicas de assistência à saúde não
forem suficientes para garantir à população de uma região o atendimento
necessário.

A gestão do SUS é compartilhada, a Lei nº. 8142 de 28 de dezembro de 1990


determina duas formas de participação da população. Um delas através das
Conferências e outra através dos Conselhos de Saúde, desta forma os
representantes de cada comunidade participa ativamente opinando, definido,
fiscalizando, acompanhando todas as ações de saúde nos três segmentos (Federal
Estadual e Municipal).

Normas Operacionais do Sistema Único de Saúde (NOB-SUS)

O SUS está amparado no tripé formado pelas Constituição Federal (1988), a Lei nº.
8080 (19/09/1991) e a Lei nº. 8142 (28/12/1990). Com toda esta legislação ainda
conta com as normas operacionais.

A NOB-SUS 01/91 através da resolução nº. 258 (1991/INAMPS) institui a unidade de


cobertura ambulatorial com a finalidade de financiar as atividades ambulatoriais.
Criou uma modalidade para financiamento das internações hospitalares através da
Autorização de Internação Hospitalar (AIH). Também define recursos para
investimentos no setor saúde, para financiamento de programas em saúde e ainda
para custear a máquina administrativa do INAMPS.

A NOB-SUS 01/92 através da portaria nº. 234/1992/MS criou o Conselho Nacional


de Secretários de Saúde (CONASS) e o Conselho Nacional de Secretários
Municipais de Saúde (CONASEMS), em forma de segmentos gestores colegiados
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do SUS. Está NOB-SUS descentralizou tanto o planejamento como a distribuição


das AIH‟s pelas secretarias estaduais de saúde.

No ano seguinte surge a NOB-SUS 01/93 com a portaria nº. 545/1993/MS que edita
um documento que se chamava de Descentralização das Ações e Serviços de
Saúde. Expressava a ousadia do ministério no sentido de cumprir e fazer cumprir a
Lei. Neste período a municipalização ganha força, cria-se a Comissão Intergestores
Tripartite (CIT) e a Comissão Intergestores Bipartite (CIB). Estas comissões
funcionam como órgãos que prestam assessoramento técnico ao Conselho Nacional
de Saúde e aos Conselhos Estaduais de Saúde, respectivamente.

Com a portaria nº. 1742/1996/MS surge a NOB-SUS 01/96, que cria a Gestão Plena
Municipal da Saúde enfatizando a responsabilidade dos municípios pela saúde de
seus munícipes e os estados passam a atuar como mediadores do processo. Desta
forma a União normaliza e financia, cabendo aos municípios gerir e executar as
ações voltadas à saúde do cidadão. A NOB-SUS 01/96 cria também os níveis
Incipiente, Parcial e Semi-Pleno de gestão, o Piso de Atenção Básica (PAB) e a
Programação Pactuada e Integrada (PPI).

Cinco anos depois surge a NOAS-SUS 01/01 com a portaria nº. 95/2001/MS, passa
a ser chamada de Norma Operacional de Assistência a Saúde, tem ênfase na
regionalização caracterizando a otimização e deixa de focar a municipalização que
caracteriza a atomização. Os estados assumem o papel de coordenadores do SUS
no âmbito Estadual.

Por fim com a portaria nº. 373 de 27 de fevereiro de 2002/MS temos a NOAS-SUS
01/02, cujo foco é a ampliação da responsabilidade dos municípios com a atenção
básica. O processo de regionalização se intensifica numa modalidade estratégica de

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hierarquização dos serviços de saúde buscando cada vez mais a eqüidade no


atendimento. Com esta norma são criados métodos para uma melhor gestão do
SUS e também se estabelece novos critérios que conduzam a habilitação de
Estados e Municípios.

Municipalização.

A Constituição Federal promulgada em outubro de 1988 estabelece em seu artigo


30, VII, a municipalização no que concerne aos serviços de saúde. O processo
constitui-se de dois aspectos: 1 – Habilitação, os municípios têm que ser habilitados
pelo MS provando a capacidade e condições de assumirem a responsabilidade total
pela gestão do sistema de saúde no seu território. 2 – Descentralização da gerência
dos serviços de saúde e suas ações para os municípios.

É verdade que com a municipalização efetivada o município passa a exercer o poder


público como responsável imediato pelas ações em saúde aos seus munícipes.
Porém não é o único responsável, também outros poderes públicos participam do
processo como: União, Estados, Distrito Federal e a própria sociedade que atuam
como co-responsáveis pela saúde.

No âmbito federal a municipalização é determinada pela Comissão Intergestores


Tripartite (CIT) cujos representantes são: da União através do MS; dos Estados
através do Conselho Nacional de Secretários Estaduais de Saúde (CONASS) e dos
municípios através do Conselho Nacional de Secretários Municipais de Saúde
(CONASEMS). Em nível Estadual a municipalização é determinada pela Comissão
Intergestores Bipartite (CIB) representada pelo Estado (Secretaria Estadual de
Saúde – SES) e pelos municípios (Colegiado de Secretários Municipais de Saúde –
COSEMS).

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Neste sentido a municipalização gerencia o desenvolvimento de ações para a


assistência à saúde de seus munícipes. A Norma Operacional Básica do SUS (NOB-
SUS 01/96) diz que gerência é a administração de um serviço ou órgão de saúde
(posto de saúde, hospital, etc.) e, que gestão refere-se a administração de um
sistema de saúde (direção, comando, controle, auditoria, etc.).

O Estado assume a responsabilidade da gestão do sistema de saúde nos municípios


que não participarem do processo. Logo estes municípios assumem a gerência dos
serviços próprios ou descentralizados.

Descentralização.

Como já mencionamos anteriormente a Constituição Federal de 1988 efetivou a


relevante importância para criação e implantação de um sistema de saúde que
garantisse o acesso a todos os brasileiros. Sendo assim a Constituição Federal em
seu artigo 196, diz que “a saúde é um direito de todos e dever do estado, garantido
mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doenças e
de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para a sua
promoção, proteção e recuperação”.

As ações e serviços públicos de saúde devem integrar uma rede regionalizada e


hierarquizada, constituindo um Sistema Único. Uma das diretrizes do artigo 198 (CF
de 1988) refere-se a descentralização, com direção única nas distintas esferas do
governo. Para Júnior (1993), a descentralização significa “a transferência de
atribuições em maior ou menor número dos órgãos centrais para os órgãos locais ou
para pessoas físicas ou jurídicas. Centralização é a convergência de atribuições, em
maior ou menor número, para órgãos centrais”. (JÚNIOR, 1998. p. 4346 apud
GOMES, 2006. p. 01)

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A NOB-SUS 01/93, deu forte contribuição para o processo de descentralização da


gestão do sistema e serviços de saúde. Portanto, os municípios tornam-se
responsáveis pela gestão em três condições: incipiente, parciais e semi-plena. Os
Estados ficam na condição de gestão sob duas formas: parcial e semi-plena. A partir
desta nova reformulação na gestão do SUS é que surgem as Comissões
Intergestores Bipartite e Tripartite (CIB e CIT respectivamente). Todo o processo foi
implantado no final de 1994, neste período habilitaram-se 24 municípios na gestão
semi-plena, em meados de 1995 já existiam 43 municípios habilitados na mesma
condição.

Mais adiante a NOB-SUS 01/96 (6/11/96), trás significativas modificações


descentralizando os instrumentos gerenciais, dando ênfase as responsabilidades de
cada gestor, tendo como principal operador da rede de serviços do SUS o Sistema
Municipal de Saúde. Estabelece duas condições de gestão municipal: Gestão Plena
de Atenção Básica – GPAB e a Gestão Plena do Sistema Municipal – GPSM.
Também estabeleceu duas condições para a esfera estadual: Gestão Avançada do
Sistema Estadual – GASE e Gestão Plena do Sistema Estadual – GPSE.

No âmbito federal a NOB-SUS 01/96 determina quatro papeis: assumir a gestão do


SUS a nível nacional; dar condições e incentivar o gestor estadual no sentido de
prover o desenvolvimento dos sistemas municipais; fomentar a integração e a
harmonia dos sistemas estaduais de forma a compor um SUS nacional fortalecido;
exercer as funções de normalizador e coordenador no que concerne à gestão
nacional do SUS.

O processo de descentralização principia que os pacientes sejam tratados no local


em que vivem evitando assim grandes deslocamentos desnecessários. Isto quer
dizer que o município deverá prestar serviços de atendimento à saúde de seus
munícipes.

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Por fim com a NOB-SUS 01/2001, os municípios passam a ter maiores


responsabilidades na atenção básica, aprofundando o processo de regionalização
do sistema. Neste momento quase 100% dos municípios estavam habilitados nas
condições de gestão previstas na NOB-SUS 01/96.

Estabelece então, a implantação de um plano diretor de regionalização por


intermédio das secretarias estaduais de saúde. Surge a Gestão Plena de Atenção
Básica Ampliada – GPABA, definindo-se, por conseguinte as microrregiões
associadas a um conjunto de procedimentos de média complexidade como
referência intermunicipal.

Neste processo de descentralização é preciso que haja coerência política e


desenvolvimento de ações cuja ênfase seja o atendimento das necessidades do
cidadão brasileiro, conferindo autonomia aos municípios para condução do processo
sob rígido controle e acompanhamento técnico.

No fórum “saúde e democracia: uma visão de futuro para o Brasil”, realizado em


março/2006 no Rio de Janeiro, onde foi discutido sobre o pacto federativo no Brasil e
o futuro da saúde, o prefeito de Aracajú, Marcelo Deda disse:

Sem a descentralização e a municipalização, o SUS vai continuar sendo


uma utopia. Claro que tivemos diversos avanços durante esses 18 anos de
SUS, mas ainda precisamos resolver muitos problemas. Um dos principais é
definir como será feito o pacto federativo (DEDA, M. 2006, p. 01).

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Piso de Atenção Básica – PAB.

A portaria nº. 1882/GM de 18 de dezembro de 1997 estabelece o Piso de Atenção


Básica – PAB, que consiste em certo valor financeiro cujo destino é o custeio de
procedimentos e ações de atenção básica a saúde. O montante financeiro compõe
uma parte fixa voltada à assistência básica e outra parte variável para alocação em
desenvolvimento de ações no campo específico da atenção básica.

Todo recurso referente ao PAB é transferido para os municípios regularmente do


Fundo Nacional de Saúde ao Fundo Municipal de Saúde. Quando o município não é
habilitado, os recursos serão transferidos ao Fundo Estadual de Saúde para
atendimento exclusivo aos municípios. O valor referente a parte fixa é obtido pelo
resultado da multiplicação de um determinado valor per capita nacional pela
população do município, compreendendo entre R$ 10,00 e R$ 18,00, conforme o
limite fixado através de portaria do MS.

Dentre as ações custeadas pelo PAB temos:

 Vacinação;
 Consultas médicas com especialidades básicas;
 Atividades educativas a grupos da comunidade;
 Atividades de planejamento familiar;
 Pequenas cirurgias;
 Pronto atendimento.

Por outro lado a parte variável dos recursos do PAB destina-se às ações básicas de
vigilância sanitária, epidemiológica e ambiental, à assistência farmacêutica básica,
aos programas de agentes comunitários de saúde e de saúde familiar e outros.

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Os incentivos ao programa de agentes comunitários de saúde e programa de saúde


da família têm a finalidade de desenvolver ações que visem a construção de equipes
cuja prática enfatize as ações voltadas para prevenção de doenças e promoção da
saúde.

Os municípios terão repasse de recurso do PAB suspenso quando não processarem


as informações referentes a suas ações, através dos bancos de dados nacionais
junto à Secretaria Estadual de Saúde. Entre os bancos de dados temos:

 SIM - sistema de informações sobre mortalidade;


 SINASC – sistema de informações sobre nascidos vivos;
 SINAN – sistema de informações sobre agravos de notificação;
 SIA – sistema de informações ambulatorial;
 SIH-SUS – sistema de informações hospitalares.

Observa-se que o PAB é um sistema de financiamento do SUS criado para


promover um sistema de saúde mais eficiente no atendimento do cidadão, nas suas
diversas necessidades, que dê ênfase ao caráter preventivo.

Com o PAB implantado a população tem papel importante no que concernem as


ações do município, pois participa ativamente do controle dos recursos aplicados. O
PAB efetiva o processo de descentralização do SUS e transfere ao município a total
responsabilidade pela atenção básica à saúde de seus munícipes.

Para que o município receba o repasse financeiro do Fundo Nacional de Saúde, tem
que ser habilitado e para que isso ocorra é preciso que apresente condições
suficientes para gerir os serviços básicos de saúde aos seus munícipes e, que
atenda aos critérios:

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1. Criação de um Fundo Municipal de Saúde – FMS;


2. Apresentar um plano de saúde municipal;
3. Dispor de equipamentos e pessoal capacitado para operacionalizar o sistema
de internação hospitalar e o sistema de internação ambulatorial.

Programação Pactuada e Integrada – PPI

Refere-se a um processo no âmbito do SUS para a alocação dos recursos da


assistência à saúde nos Estados e Municípios do Brasil. Fruto da formalização e
negociação dos pactos entre os gestores, considerando as prioridades, metas,
critérios, métodos e instrumentos, definindo de forma transparente os fluxos
assistenciais bem como os limites financeiros para cada município.

A PPI tem como objetivo buscar a eqüidade, considerando que as pessoas são
diferentes, assim disponibilizando e facilitando o acesso da população as ações e
serviços de saúde. Também tem o papel de orientar a alocação dos recursos
financeiros federais considerando a lógica de atendimento às necessidades da
população. As Secretarias Estaduais de Saúde, neste processo, coordenam ações
como a regulação, o controle e a avaliação geral do sistema de saúde. Participa da
construção de critérios que devem ser utilizados na programação da assistência à
saúde.

Também cabe as SES definir os limites financeiros globais para todos os municípios,
de forma que os recursos componham uma parcela para o atendimento da
população própria do município exclusiva de seu território e outra parcela destinada
a programação das referências de outros municípios, considerando os termos do
artigo 33.4 da NOAS-SUS 2002. Neste sentido deve colaborar decisivamente para o
desenvolvimento de processos e métodos de avaliação dos resultados com ênfase
no controle das ações e dos serviços de saúde.
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As diretrizes da PPI buscam harmonizar as necessidades dos municípios e estados


de forma que garanta o atendimento a toda população brasileira. Procurando
integrar o processo de planejamento geral em saúde dos estados e municípios,
coerentemente com cada Plano Estadual e Municipal de Saúde. Todas as
prioridades, objetivos e os métodos para programação deverão ter a aprovação da
Comissão Intergestores Bipartite e aprovação da assistência entre os municípios.
Com a aprovação definem-se os limites financeiros destinados a todos os municípios
de cada estado.

Os recursos financeiros para garantir o atendimento da população nas categorias de


média e alta complexidade ficam sob a gestão municipal desde que o município
esteja na gestão plena do sistema de saúde. Do contrário ficam sob a gestão
estadual.

A Programação Pactuada e Integrada foi aprovada com a portaria nº. 1020/GM de


31 de maio de 2002. Ela normativa e regulamenta todos os dispositivos necessários
para que todos os municípios e estados construam o processo de forma segura.
Fica claro que todos os municípios podem aderir ao processo desde que cumpram
com os requisitos mínimos necessários.

Ações do SUS.

Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares – PNPIC.

O Conselho Nacional de Saúde (CNS) através da portaria nº. 971/2006 de 03 de


maio de 2006 autoriza o SUS a promover um atendimento especializado com ênfase
no caráter multiprofissional do atendimento. São as terapias alternativas como
acupuntura, fitoterapia, homeopatia e termalismo/crenoterapia.

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Esta ação faz parte de um conjunto de procedimentos que visam a integralidade na


assistência pública à saúde da população. Desta forma a Política Nacional de
Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC) reconhece a fundamental
importância destas terapias que podem ser bastante eficazes na prevenção de
doenças, promoção e recuperação da saúde.

A PNPIC objetiva uniformizar os procedimentos para tornar possível a prática da


integralidade e, assim, garantir qualidade, segurança e eficiência no atendimento.
Define em todo o processo a responsabilidade de todos os níveis de gestão para
facilitar a implementação das ações.

O caráter multiprofissional é evidente na medida em que as práticas integrativas


possam ser exercidas por profissionais de saúde das diversas áreas, desde que
estes profissionais sejam legalmente treinados e capacitados tecnicamente. Por
exemplo, a acupuntura, hoje em dia, está sendo realizada por profissionais da área
da biomedicina, enfermagem, farmácia, medicina, psicologia, e outras. A seguir
faremos uma breve abordagem sobre as terapias alternativas citadas:

 Acupuntura tem sua origem na tradicional medicina chinesa, a terminologia


vem do latim, acus = agulha e punctio = punção. São procedimentos
realizados para estimular alguns pontos do corpo com a inserção de agulhas
metálicas e muito finas. Para liberar no sistema nervoso central substâncias
que atuam no alívio da dor, na restauração de funções orgânicas e na
regulação do sistema de defesa do organismo;

 Fitoterapia refere-se ao uso de plantas medicinais no tratamento de diversas


enfermidades, o Brasil é um dos países com potencial elevado para este tipo
de tratamento, uma vez que possui a maior diversidade vegetal do mundo.

 Homeopatia principia que qualquer substância capaz de provocar sintomas


numa pessoa sã, será capaz também de curar estes mesmos sintomas numa

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pessoa doente. Foi desenvolvida no século XVIII, reconhece que uma pessoa
fica doente quando ocorre uma desarmonia em uma das dimensões do ser
humano (física, psicológica, social e cultural). Sua meta é encontrar um
medicamento capaz de atingir a totalidade das características de cada
paciente para que estimule o organismo a reagir satisfatoriamente contra a
enfermidade.

 Termalismo/crenoterapia está relacionada ao uso das Águas Minerais como


um procedimento para o tratamento de saúde, método este utilizado desde o
Império Grego. O termalismo, então, utiliza a água mineral sob diferentes
formas em tratamentos às enfermidades. Por outro lado a crenoterapia
condiciona o uso de águas minerais com finalidade terapêutica atuando de
forma complementar no tratamento de doenças.

Central do Parto.

A Central do parto foi instituída pelo Governo do Estado de Pernambuco, em 2000.


Refere-se a um serviço online que tem como objetivo facilitar a vida das mulheres
em trabalho de parto. Garantindo agilidade nos processos de internações,
transferências, reservas e altas hospitalares.

Com uma ligação telefônica gratuita através do número 0800 814100, a paciente
que esteja em trabalho de parto entra em contato com a Central, que por sua vez
informa onde fica a maternidade mais próxima de sua residência, com leito
disponível. Além de prestar tal informação, a Central do parto também encaminha a
reserva para o hospital indicado, de forma a garantir o internamento da paciente. O
leito reservado fica a disposição da paciente por um período de 4 horas, considerado
suficiente para o deslocamento da paciente de sua residência até o hospital.

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Existem 19 maternidades públicas e conveniadas ao SUS, compreendendo a Região


Metropolitana e Capital, interligadas à Central do Parto. O funcionamento da mesma
conta com o trabalho de 33 teledigifonistas que se reversam durante 24 horas,
atendendo às gestantes, trabalho esse realizado por meio de computadores
interligados em rede.

Fato importante a considerar é que quando uma paciente apresentar risco e não for
possível ser atendida no hospital encaminhado, este por sua vez, tem a
responsabilidade de providenciar a transferência da paciente para uma outra
maternidade de referência em Gestão de Alto Risco. Assim fica evidente que a
paciente não ficará a procura de vaga em hospitais, uma vez adentrado a uma
unidade de atendimento, passa a ser de responsabilidade do Sistema Único de
Saúde.

Algumas maternidades interligadas à Central do Parto:

 Agamenon Magalhães;
 IMIP;
 Oscar Coutinho;
 Cisam;
 Barros Lima;
 Tricentenário;
 Belarmino Correia;
 Hospital das Clínicas.

Central de Leite Humano.

Um serviço que visa combater a mortalidade infantil em Pernambuco. Funciona em


parceria com o Corpo de Bombeiros e Fisepe, desta forma as mães com leite
disponível liga para Central gratuitamente através do número 0800 2812350.

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Após contato um bombeiro, treinado, vai à residência da mãe doadora para apanhar
e transportar o produto a um dos Bancos de Leite credenciados. Existem cinco
maternidades interligadas que mantém um Banco de Leite: Barão de Lucena;
Agamenon Magalhães; Hospital das Clínicas; Cisan e IMIP.

O leite materno está sendo oferecido, prioritariamente, às crianças prematuras,


aquelas com baixo peso ou ainda para aquelas que apresentam algum tipo de
infecção. Desta forma a Secretaria Estadual de Saúde, procura manter o estoque
deste valioso produto, em quantidade disponível aos necessitados, nos bancos de
leite e, sobretudo, combater a mortalidade infantil no estado.

O serviço online também contribui para informar às mães doadoras sobre os


procedimentos adequados para estimular a produção de leite, bem como os
cuidados necessários com a higiene na hora de amamentar e retirar o produto para
a doação. A Central do Parto funciona 24 horas com uma equipa de profissionais,
entre teledigifonistas, supervisores e bombeiros. As coletas do leite são realizadas
em Olinda, Recife, Camaragibe e Jaboatão dos Guararapes.

Podemos observar que o Sistema Único de Saúde está amparado por uma farta
legislação que impõe condições e restrições para sua efetiva implantação, controle e
desenvolvimento. Ainda assim o SUS vem sendo tratado com desdém tanto por
profissionais das diferentes áreas como pela própria população. Por um lado temos
profissionais que de fato ainda não têm a consciência sobre a essência do sistema,
por outro temos a população que não conhece seus direitos e deveres perante o
sistema.

É possível acompanhar as enormes filas para atendimento nos hospitais, postos e


ambulatórios em todo o país, gerando críticas e insatisfações das mais diversas.
Possivelmente a ineficiência do sistema, enquanto processo de desenvolvimento
das ações, tem a contribuição de diversos fatores: profissionais mal remunerados e

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não capacitados, culminando em atendimento desumano; falta de informação para a


população no que concerne o quê, onde e como encontrar o tratamento de que
necessita; greves de servidores; falta de leitos; falta de medicamentos; entre outros.

Numa outra perspectiva temos um SUS em crescente atuação buscando qualidade


e efetivando o seu papel enquanto sistema integrado às ações e serviços prestados
a população, desta forma resulta em aspectos positivos como: a erradicação da
poliomielite e a queda vertiginosa do tétano acidental neonatal.

O SUS vem desenvolvendo ações no controle das doenças transmitidas por vetores
como: malária, leshimaniose e dengue. Realiza campanhas no controle das doenças
sexualmente transmissíveis como a AIDS. Outro trabalho que merece destaque é a
presença dos Centros de Atenção Psicossocial – CAPS, efetivando a humanização
da assistência à saúde mental, de forma qualitativa, otimizando o tratamento e
racionalizando o uso de medicamentos e redução das internações destes pacientes.

Observa-se ainda a concretização da descentralização, bem como a efetivação da


implantação do SUS que se mostram atreladas a critérios políticos, uma vez que o
processo como um todo se dá sob decisões políticas. Não se pode afirmar que o
SUS é inoperante ou ineficiente, mas que é preciso aprofundar as ações,
conduzindo-as à base de seus princípios: eqüidade, universalidade e integralidade.
Isto porque o SUS deve ser visto como um processo de construção social e por essa
razão não há receita pronta com início, meio e fim.

Acreditamos em um SUS que atue efetivamente em concordância com os anseios


da população e assim garantindo que as ações e procedimentos se desvinculem de
questões puramente políticas, contudo necessitando delas para a concretização da
descentralização e consumação de uma gestão pública e transparente.

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Queremos um SUS mais justo e imparcial com profissionais qualificados e


capacitados para melhor desempenho das funções e assim oferecerem um
tratamento digno aos cidadãos. Conscientes de que no ato de efetivação de um
registro para atendimento o indivíduo, enquanto paciente, passa a ser de total
responsabilidade do SUS, portanto, foco de toda a atenção e respeito.

Queremos um SUS que implante mecanismos para erradicar as quilométricas e


infindas filas a espera de por leitos, marcação de consultas (sobretudo, de
especialidades), vagas em UTI e etc. Enfim, um Sistema Único de Saúde que se
aproxime o máximo possível de seus cidadãos.

Acreditamos também que só com a conscientização e motivação conjunta (as três


esferas do governo e população) que engendre uma força motriz, o SUS passará a
ser reconhecido como um verdadeiro sistema integralizado garantindo a
universalização e eqüidade, base de seus princípios.

Devemos também exigir dos gestores do SUS, enquanto membros ou não dos
conselhos, o cumprimento de todas as metas estabelecidas. E que promovam ações
desencadeadoras de progresso e qualificação dos serviços como a criação em
Pernambuco das Centrais do Parto e do Leite Humano.

Infecção Hospitalar.

Os crescentes avanços da medicina, assim como a melhoria das instalações


hospitalares - especialmente em estabelecimentos privados localizados nos grandes
centros urbanos – ainda não foram o suficiente para eliminar de forma definitiva a
Infecção Hospitalar (IH). A Organização Mundial de Saúde (OMS) considera
aceitável um índice de infecção até 20%. Em países desenvolvidos esse índice é de
5%. Nos Estados Unidos fica em torno de 4%. Esse baixo índice decorre de efetivas

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ações controladoras realizadas principalmente em hospitais que instituíram as


Comissões de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH).

No Brasil não existem estudos estatísticos regulares sobre a incidência de infecção


hospitalar, porém, dados do Ministério da Saúde através da Agência Nacional de
Vigilância Sanitária (ANVISA) possibilitam pressupor que a situação brasileira está
bem distante dos países desenvolvidos. De 6.392 hospitais próprios ou
credenciados pelo Sistema Único de Saúde (SUS), localizados em diversos estados
brasileiros, apenas 1.670 possuíam CCIH.

Há vários fatores (quase todos controláveis) que contribui para o aparecimento de


infecções hospitalares: a suscetibilidade individual ou decorrente do estado clínico
do indivíduo a ausência de medidas preventivas na realização dos procedimentos;
manipulação inadequada de certas substâncias, como por exemplo: uso
indiscriminado de antibióticos e anti-sépticos (a elevada automedicação que
contribui para o surgimento de cepas resistentes, inclusive no ambiente hospitalar);
descuidos na preparação e conservação do sangue para transfusão; alimentação
parenteral e administração de substâncias através de cateteres ampliando a
possibilidade da transmissão direta de germes e bactérias no organismo do
paciente.

Outro fator considerável é o aumento do número de leitos e de internações.


Segundo o Ministério da Saúde (MS), com base em uma amostra realizada em 99
hospitais das capitais brasileiras, totalizando 8.624 pacientes com mais de 24 horas
de internação, revelou que a taxa de infecção hospitalar é de 13,1%. A contratação
de mais funcionários, bem como a realização de procedimentos com maior rapidez
para o atendimento da demanda ampliada, aumenta o risco de transmissão entre
pacientes, da mesma forma através da transferência de pacientes para outras
unidades de tratamento. Um maior trânsito de profissionais, familiares e visitantes
possibilita maior risco de infecções transformando-as em transmissores de infecção
a/ou fonte de contágio.

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No Brasil, aumentou o número de idosos que passou a demandar dos cuidados de


saúde diante das alterações imunológicas comuns a idade avançada tornando-os
naturalmente mais suscetíveis ao desenvolvimento de processos infecciosos. Por
outro lado, o crescimento da rede hospitalar é inversamente proporcional ao número
de internações decorrente do aumento do tempo médio de vida da população.
Conseqüentemente, além das dificuldades do sistema previdenciário, cresce as filas
nas unidades de saúde e a exposição à infecção hospitalar em ambulatórios e UTIs
lotadas.

São bastante elevados os custos decorrentes da infecção hospitalar. O principal


deles é a perda de vidas que poderiam ser evitadas. Os custos, de uma maneira
geral, são assim classificados: diretos, quando efetuados pelo hospital pelo paciente;
indiretos, quando há parada ou descontinuidade do trabalho e da produção
decorrentes do afastamento do paciente; intangíveis, que são relacionados às
alterações emocionais e psicológicas no paciente em conseqüência da doença.

Os hospitais podem ser acionados judicialmente em decorrência de infecção


hospitalar. De acordo com o artigo 129 do código penal, constitui em crime a ofensa
a integridade corporal ou á saúde de alguém. Em matéria penal, a ocorrência de IH
enquadra-se freqüentemente nas lesões corporais que podem ser caracterizadas
como leve, grave, ou seguida de morte.

O hospital é responsável pelo trabalho de seus funcionários. Caso seja considerado


culpado, além do dano à sua imagem, poderá ser obrigado a indenizar o paciente ou
familiares e por fim, perder o alvará de funcionamento. Os profissionais também
estão sujeitos a penalidades previstas na lei. O código civil, no artigo 1.545
determina que médicos, cirurgiões, farmacêuticos, parteiras e dentistas são
obrigados a satisfazer o dano sempre da imprudência, negligência ou imperícia em
atos profissionais que resultem em morte, inabilitação em servir ou ferimento. O
Código de Defesa do Consumidor também faz referência ao controle das infecções
hospitalares aumentando a responsabilidade legal de todos que direta ou
indiretamente prestem assistência aos pacientes.

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A infecção hospitalar é, na grande maioria dos casos, possível de ser evitada. Os


esforços neste sentido são recompensáveis em todos os níveis: possibilita maior
qualificação dos serviços médico-hospitalares; facilita o tratamento dos pacientes
sem a adição ao seu estado clínico de uma IH; contribui na redução do tempo de
permanência no leito; evita os transtornos decorrentes de processos judiciais, e
principalmente, garante melhor qualidade de vida e a uma atenção à saúde com
dignidade.

A Infecção Hospitalar na Prática.

São infecções relacionadas à hospitalização de um paciente ou aos procedimentos,


diagnósticos e terapêuticos praticadas, sendo em sua maioria endógena e
dependente do meio ambiente. Segundo o Centro de Controle das Doenças (CCD) o
diagnóstico da presença e localização de uma infecção hospitalar é pelo conjunto de
dados clínicos e laboratoriais. O tempo de acompanhamento do paciente também
define a infecção; 48 horas após a alta da UTI; 30 dias após cirurgias sem próteses:
infecção do neonato até 28 dias desde que a via não seja transplacentária.

Infecção hospitalar é qualquer processo infeccioso adquirido no ambiente


hospitalar, diagnosticado principalmente durante sua internação, mas que
pode ser detectado após a alta e atingir também qualquer outra pessoa
presente no hospital (CAVALCANTI, 2001).

Para Hinrichsem et al, 2001, a porta de entrada pode ser a via digestiva, a pele, a
conjuntiva ou o trato geniturinário, e a susceptibilidade à infecção está relacionada
ao patrimônio genético, a idade, à inibição dos mecanismos de defesa naturais e/ou
adquiridos, à integridade anatômica dos tecidos e ao sexo.

Indivíduos que trabalham em hospitais estão potencialmente expostos a uma


diversidade de doenças infecto-contagiosa e podem adquirir infecção hospitalar.

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Este tipo de infecção diz-se ocupacional. As infecções hospitalares estão


relacionadas à assistência prestada ao paciente e a diminuição de sua capacidade
de defesa, e pode ser endógena, exógena, cruzada e inter-hospitalar. Os agentes
etiológicos mais comuns encontrados nos processos infecciosos são as bactérias,
entretanto fungos, vírus ou protozoários podem ser igualmente freqüentes e graves.

Histórico das Infecções Hospitalares.

A infecção hospitalar é tão antiga quanto à origem dos hospitais e remonta ao ano
de 325. Durante séculos os doentes foram tratados sem serem separados quanto à
nosologia que apresentavam e os pacientes em recuperação conviviam lado a lado
com pacientes terminais infectados. Nos hospitais as condições sanitárias eram
precárias com abastecimento de água de origem incerta e o uso restrito a população
de baixa renda, já que os abastados eram tratados em casa com maior conforto e
menor risco (Couto, 1999).

No início do século XIX foi implementado o isolamento de algumas doenças e as


diferenças entre hospitais com e sem isolamento se tornaram evidentes. Introduziu-
se a lavagem das mãos antes dos procedimentos cirúrgicos, afim de diminuir a taxa
de inoculação acidental por contato das secreções de outros doentes do hospital.
Florence Nightingale em 1863, com sua participação na Guerra da Criméia em
hospitais militares, desenvolveu uma série de cuidados relacionados aos pacientes
com o objetivo de diminuir o risco de infecção hospitalar.

No início do século XX, disseminaram-se paulatinamente medidas preventivas de


infecção nos procedimentos cirúrgicos preconizando o uso de luvas, capote, gorro,
máscara e material cirúrgico estéril. A partir da década de 40 com a introdução do
uso de antibióticos surgiram as bactérias, fungos e vírus resistentes aos

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antimicrobianos com a pandemia de estafilococos e infecções resistentes por gran


negativos e fungos nas décadas de 50 e 60 respectivamente.

Por isso, ainda nos anos 60 foram criadas as comissões de controle de infecções
hospitalares formadas por enfermeiros e médicos treinados para minimizar o
aparecimento de doenças infecciosas. As décadas de 70, 80 e 90 foram marcadas
por conferencias sobre infecções hospitalares e validade de vigilância
epidemiológica para definição do real papel de controle de infecções hospitalares e
de todo o sistema de vigilância e prevenção de infecção alargando o campo da
epidemiologia hospitalar.

No Brasil, o problema só foi assumido pelo estado em 1983 com a portaria 196, que
tornou obrigatório a implantação de comissões de controle de infecção hospitalar
(CCIH) em todos os hospitais. Em 1992 através da portaria 930 foi criado o
programa de controle de infecção hospitalar que definiu a estruturas de
funcionamento e áreas de competência, além de detalhar os conceitos e critérios de
infecção hospitalar, a classificação das cirurgias quanto ao potencial de
contaminação, a vigilância epidemiológica além de normas de limpeza, desinfecção,
esterilização e anti-sepsia.

Em maio de 1998, o Ministério da Saúde publicou a portaria 2616 que passou a


nortear todo o sistema de infecção hospitalar, determinou a carga horária dos
profissionais, otimizando a utilização de recursos, contribuindo para melhorar a
prevenção de infecção no Brasil.

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Portaria 2616/GM de 12 e maio de 1998.

Conforme a Lei nº. 9431 de 06 de janeiro de 1997 todo o hospital brasileiro é


obrigado a manter um Programa de Controle de Infecção Hospitalar (PCIH). No ano
seguinte foi editada a portaria 2616/GM de 12 de maio de 1998 e publicada em
Diário Oficial no dia 13 de maio de 1998, esta portaria estabelece todas as diretrizes
e normas para prevenção e o controle das Infecções Hospitalares (IH).

A Portaria se apresenta na forma de cinco anexos regendo ações necessárias que


contribuam para a redução máxima possível da incidência das infecções dos
hospitais, a serem desenvolvidas nos Programas de Controle de Infecção Hospitalar.
Neste sentido cabe ao Ministério da Saúde (MS) apoiar as Secretarias Estaduais e
Municipais de Saúde, oferecendo cooperação técnica orientando-as sobre a
interpretação e cumprimento das normas aprovadas por esta Portaria. A seguir
faremos uma breve abordagem acerca de cada anexo.

ANEXO I

Este anexo trata do PCIH que para um melhor desenvolvimento das ações,
determina aos hospitais que constituam a Comissão de Controle de Infecção
Hospitalar (CCIH). A CCIH é composta por profissionais da área de saúde, com
formação a nível superior. Os membros da comissão podem ser consultores ou
executores e, o presidente deverá ser indicado pela direção do hospital.

Enquanto membros consultores serão representados pelas categorias: serviço


médico, de enfermagem e de farmácia; laboratório de microbiologia; administração.

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Quando o hospital tiver no máximo setenta leitos apenas os serviços médico e de


enfermagem farão parte dos membros consultores.

Enquanto membros executores serão representados por, no mínimo, dois técnicos


de nível superior para cada duzentos leitos e, que um deles seja enfermeiro. Estes
profissionais são encarregados da execução das ações proferidas pelo PCIH,
devendo compreender a carga horária/dia de seis horas quando enfermeiro e de
quatro horas paro outros profissionais.

Em hospitais com regime de internação do tipo paciente-dia, os profissionais terão


carga de trabalho de duas horas/dia para o enfermeiro e de uma hora/dia para os
demais profissionais, independentemente do número de leitos do hospital.

A CCIH deverá avaliar o PCIH adequando as necessidades da instituição,


desenvolvendo ações como:

 Implantação de um Sistema de Vigilância Epidemiológica das infecções


hospitalares (anexo III);
 Capacitação dos profissionais da instituição com base na prevenção e
controle da infecção hospitalar;
 Avaliar as informações do sistema de vigilância epidemiológica e aprovar as
medidas de controle sugeridas pelos membros executores;
 Divulgar para todas as chefias de todos os setores do hospital e, sobretudo,
para a direção geral os relatórios que revelem a situação do controle das
infecções hospitalares e, promover um amplo debate.

No âmbito do Ministério da Saúde, à Coordenação de Controle de Infecção


Hospitalar compete:

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 Definir as diretrizes de ações de controle de infecção hospitalar;


 Coordenar ações nacionais de prevenção e controle;
 Dar apoio a descentralização das ações de prevenção e controle;
 Criar normas gerais para a prevenção e controle das infecções hospitalares.

Neste sentido esta Coordenação promove apoio técnico aos Estados e Municípios,
desenvolvendo trabalhos nos mais diversos segmentos que venha contribuir para a
prevenção e controle das infecções hospitalares. São cooperações técnicas,
políticas e financeiras para aperfeiçoamento das ações dos Estados e Municípios no
que concerne a prevenção e controle das infecções hospitalares.

Na esfera Estadual as Coordenações de Controle de Infecção Hospitalar exercem


também o papel de colaboradores, uma vez que dão aos municípios suporte político,
técnico e financeiro. Com base na política nacional de controle de infecção
hospitalar, a Coordenação Estadual e Distrital define suas diretrizes de ação,
estabelecendo normas. Deve avaliar e divulgar os indicadores epidemiológicos de
infecção hospitalar e informar a Coordenação de Controle de Infecção Hospitalar, do
MS, este indicadores.

Por fim a Coordenação Municipal de Controle de Infecção Hospitalar desenvolverá


ações de prevenção e controle de IH na rede hospitalar do próprio município. Deve
conceder apoio técnico às CCIH dos hospitais e informar os indicadores de IH do
seu estado.

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ANEXO II

Este anexo corresponde aos conceitos e critérios diagnósticos das infecções


hospitalares:

 Infecção Comunitária (IC) – é aquela constatada ou em incubação no ato da


admissão do paciente, desde que não relacionada com internação anterior no
mesmo hospital. Considera-se ainda como IC aquela associada com complicação
ou extensão da infecção já existente no ato da admissão; a infecção em recém-
nascidos, cuja aquisição por via transplacentária é conhecida ou comprovada, que
ficou evidenciada logo após o nascimento (exemplo: herpes simples, rubéola,
toxoplasmose, citomegalovirose, sífilis e AIDS); a infecção em recém-nascidos
associada com bolsa rota superior a 24 horas.

 Infecção Hospitalar (IH) – é aquela adquirida após a admissão do paciente e que se


manifeste durante a internação u após a alta, quando puder ser relacionada com a
internação ou procedimentos hospitalares.

Os critérios para diagnostico da IH são baseados na evidencia clínica (observação


direta do paciente ou análise do prontuário) e, nos resultados de exames
laboratoriais (microbiológicos), pesquisa de antígenos, anticorpos e métodos de
visualização.

Outros critérios são estabelecidos para diagnostico das IH, entre eles temos:

 Aquelas manifestadas antes de 72 horas da internação, quando associadas


a procedimentos diagnósticos e/ou terapêuticas, realizados neste período;
 As infecções no recém-nascido são hospitalares, exceto as transmitidas de
forma transplacentária e aquelas associadas a bolsa rota superior a 24
horas;

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 Pacientes provenientes de outro hospital que se internam com infecção, são


considerados portadores de IH do hospital de origem.

Neste processo as cirurgias são classificadas por potencial de contaminação da


incisão cirúrgica. Assim as infecções pós-cirúrgicas deverão ser analisadas pelo seu
potencial de contaminação da ferida cirúrgica, levando-se em conta o número de
microrganismo presentes no tecido a ser operado.

A classificação deve ser feita pelo cirurgião, no final do ato cirúrgico conforme quatro
indicações:

1. Cirurgias Limpas – são realizadas em tecidos estéreis ou passiveis de


descontaminação, onde não há processo infeccioso, cirurgia eletiva com
cicatrização de primeira intenção e sem drenagem aberta. São cirurgias em
que não ocorrem penetrações nos tratos digestivo, respiratório ou urinário.
2. Cirurgias Potencialmente Contaminadas – realizadas em tecidos
colonizados por flora microbiana, cirurgias com drenagem aberta. Nesta
categoria ocorre a penetração nos tratos digestivo, respiratório ou urinário,
porém sem contaminação significativa.
3. Cirurgias Contaminadas – estas cirurgias são realizadas em tecidos
recentemente traumatizados e abertos, com abundante colônia por flora
bacteriana e grau máximo de dificuldade na descontaminação. Estão
inclusas nesta categoria a obstrução biliar ou urinaria.
4. Cirurgias Infectadas – aqui se enquadram todas as realizadas em qualquer
tecido ou órgão, na presença de processo infeccioso, em função da
superação local, podendo ou não ocorrer em tecido necrótico.

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ANEXO III

Refere-se a vigilância epidemiológica e os indicadores epidemiológicos das


infecções hospitalares. Vigilância epidemiológica das infecções hospitalares é a
observação ativa e contínua de sua ocorrência e distribuição entre pacientes
hospitalares ou não, e dos eventos e condições que afetam o risco de sua
ocorrência, com vistas à execução oportuna das ações de prevenção e controle.

A ausência de uma equipe pouco integrada e articulada na composição de


funcionários na vigilância epidemiológica de uma instituição de saúde diminui a
eficiência no controle e diagnóstico das infecções. Sendo responsável pela
desordenada elevação de casos de infecção.

A CCIH é a responsável pela escolha do método de vigilância epidemiológico mais


adequado às características do hospital. Observando as alterações de
comportamento epidemiológico que deverão ser objeto de investigação
epidemiológica específica. Os indicadores mais importantes a serem obtidos e
analisados periodicamente no hospital, especialmente os serviços de berçário de
alto risco, UTI (adulto/pediátrica/neonatal) e queimados são:

 Taxa de infecção hospitalar;

 Taxa de pacientes com infecção hospitalar;

 Distribuição percentual das infecções hospitalares por localização topográfica


dos pacientes;

 Taxa de infecções hospitalares por procedimento.

A inobservância quanto ao uso de indicadores epidemiológicos e confecção de


relatórios para registro de dados inviabiliza a fonte de informação para uso

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estatístico de prevalência e incidência de doenças e realização de medidas de


controle epidemiológico.

Quanto aos indicadores de uso antimicrobiano e analisado o percentual de pacientes


que o utilizaram no período considerado e a freqüência com que cada
antimicrobiano foi utilizado em relação aos demais. Sendo fundamental observar as
condições de armazenagem do produto, validades, manuseio e formas de utilização
nos pacientes, conscientizando-se que os próprios antimicrobianos podem se tornar
meios de cultura para patógenos e serem responsáveis pelo surgimento de
infecções hospitalares.

ANEXO IV

Diz respeito ao processo de lavagem das mãos.

A lavagem das mãos é a fricção manual vigorosa de toda a superfície das mãos e
punhos, utilizando-se sabão/detergente, seguida de enxágüe abundante em água
corrente. Dentre todas as formas de prevenção e controle de infecções hospitalares,
a lavagem das mãos é isoladamente a mais importante.

Um dos principais riscos é a falta de técnica correta quanto à lavagem das mãos
além da necessidade da lavagem antes e após os procedimentos e mesmo como
uso de luvas. Considerando que a lavagem deve ser realizada tantas vezes quanto
necessária, durante a assistência a um único paciente, entre cada uma das
atividades. A falta de observação quanto ao uso correto de anti-sépticos em
procedimentos invasivos, pacientes críticos, contato direto com feridas e dispositivos
invasivos também desencadeiam o surgimento provável de danos à saúde do
paciente pela exposição a riscos.

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Além de que os gestores hospitalares devem ser conscientizar sobre a distribuição e


localização das pias para lavagem das mãos em perfeitas condições para uso
profissional e da clientela. Além da necessidade de analisar as condições da água
hospitalar que muitas vezes são inadequadas sem condições de higiene para uso.

ANEXO V

São as recomendações gerais desta portaria.

A utilização dos anti-sépticos, desinfetantes e esterilizantes seguirá as


determinações da Portaria n° 15, de 23 de agosto de 1988, da Secretaria de
Vigilância Sanitária (SVS) do Ministério da Saúde e o processamento de artigos em
superfícies em estabelecimentos de saúde / MS.

Existe a necessidade de mais fiscalização perante os produtos empregados para


anti-sepsia nos pacientes, considerando que muitos produtos ainda utilizados
atualmente possuem caráter oncogênico, como por exemplo, substâncias contendo
mercúrio orgânico, éter e clorofórmio, sendo estas não recomendadas para
utilização.

Fatores Envolvidos na Infecção Hospitalar com base na Portaria 2.616/GM

Existem vários fatores envolvidos no processo de infecção hospitalar, podem ser


divididos em:

a) Intrínsecos – ocorrem quando há predisposição para a infecção e relacionam-se


ao estado imunológico e à doença de base do hospedeiro;

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b) Extrínsecos:

b.1.) Disponibilidade de técnicas invasivas;

b.2.) Metodologia da coleta de dados;

Importante na elaboração e no cálculo dos diferentes indicadores estatuídos no


Anexo III da Portaria 2.616, a coleta de dados depende, primariamente, da qualidade
dos dados apresentados e do correto preenchimento da ficha de infecção. Esse
preenchimento, por muitas vezes, é ineficiente ou incompleto, já que muitos
profissionais de saúde não preenchem a ficha de infecção, deixando de se
salvaguardar a si mesmo ou a unidade de saúde a que pertencem. A presença ou
ausência de infecção comunitária, definida também na portaria, a qual pode vir a
complicar todo procedimento médico realizado, passa despercebida ou
subnotificada, podendo levar a interpretações viciadas dos relatórios e dos
indicadores.

Compete à CCIH escolher o método de Vigilância Epidemiológica mais adequado às


características do hospital, assim estabelecido na Portaria, no anexo III.

b.3.) Grau de atuação e atualização do serviço de controle de infecção hospitalar;

Determinada pela portaria, a atuação da Vigilância epidemiológica das infecções


hospitalares consiste na observação ativa, sistemática e contínua de sua ocorrência
e de sua distribuição entre pacientes hospitalizados ou não, e dos eventos e
condições que afetam o risco de sua ocorrência, com vistas à execução oportuna
das ações de prevenção e controle. A utilização dos métodos de vigilância
epidemiológica estará a cabo da CCIH, que poderá recorrer a métodos prospectivos,
retrospectivos e transversais, além de métodos de busca ativa de coleta de dados.

b.4.) Qualidade técnica e nível de compromisso da equipe de saúde e higiene


hospitalar;

Em análise do Anexo I da Portaria 2.616, é estabelecido como competência da CCIH


todo o processo de elaboração, implementação, manutenção e avaliação do
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programa de controle de infecção hospitalar; No Capítulo das Competências, cabe


também à CCIH a capacitação do quadro de funcionários e profissionais da
instituição, no que diz respeito à prevenção e controle das infecções hospitalares,
cooperando, assim, com o setor de treinamento. Caberá à autoridade máxima da
Instituição fomentar a educação e o treinamento de todo o pessoal hospitalar – 4.8 -.

b.4.1.) Lavagem de mãos;

Com base na portaria 2.616/GM de 1998 e na determinação dos fatores propícios ao


aparecimento de infecção hospitalar, tem-se que a medida mais importante do
Programa de Controle de Infecção Hospitalar é a Lavagem das Mãos, merecedora
do ANEXO IV da referida Portaria. Para todo e qualquer procedimento em ambiente
hospitalar que envolva contato com o paciente, faz-se necessária a lavagem de mão
(5.1 do anexo 4 da referida Portaria), em especial nos procedimentos invasivos e na
prestação de cuidados a pacientes críticos; O uso de luvas não dispensa a lavagem
de mãos. Adicionalmente, é recomendada a lavagem com anti-sépticos na
realização de procedimentos invasivos, prestação de cuidados a pacientes críticos e
no contato direto com feridas ou dispositivos invasivos como drenos ou cateteres.

b.4.2.) Métodos de assepsia e anti-sepsia;

Em relação à utilização de anti-sépticos, desinfetantes e esterilizantes, como


também, ao cumprimento das normas de limpeza, desinfecção e esterilização, a
portaria 2.616 se referencia à Portaria de nº 15, de 23 de agosto de 1988 da SVS e
ao Processamento de Artigos e superfícies em Estabelecimentos de Saúde/MS, 2ª
edição, 1994;

b.4.3.) Limpeza ambiental;

b.4.4.) Desinfecção e esterilização do equipamento e instrumental;

No Anexo I, no Capítulo das Competências (3.1.4. e 3.6) fica claro que também é de
responsabilidade da CCIH o uso racional de germicidas e materiais médico-
hospitalares além de adequar, implementar e supervisionar a aplicação de normas e
rotinas técnico-operacionais que visem à prevenção e ao tratamento das infecções
hospitalares.
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b.4.5.) Qualidade do ar;

Regida pela Portaria ministerial 3.523 de 28 de agosto de 1998. Às CCIHs compete


o recebimento e análise dos relatórios enviados por firmas especializadas.

b.4.6.) Qualidade da água;

A qualidade da água é regida pela portaria ministerial 518 de 25 de março de 2004,


cabendo à CCIH o controle microbiológico em laboratório especializado da água da
Instituição. Os aspectos físico-químicos da água em Instituições nas quais não se
realizam hemodiálises podem ser avaliados anualmente, enquanto que, o teste
microbiológico é feito semestralmente.

Programa Saúde da Família (PSF).

A questão saúde deve ser concebida como um estado de completo bem-estar físico,
mental e social, pois não apenas é permissiva a noção de que saúde seja a
ausência de doença ou mesmo enfermidade.

A Declaração de Alma-ata, Conferência Internacional sobre os cuidados primários


de saúde de 1978, pois em alerta os governos de vários países sobre os aspectos
da saúde, do desenvolvimento e da comunidade mundial no que concerne a
promoção da saúde para todos os habitantes do mundo.

Esta conferência recorre à preocupação mundial para o desenvolvimento de ações


que devem ser aplicadas em todos os países, sobretudo, na forma de cooperação
técnica dos países mais desenvolvidos aos menos desenvolvido e em
desenvolvimento. Desta forma diversos atores sociais estão inseridos no processo

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que por sua vez devem prestar apoio solidário num compromisso com os cuidados
primários de saúde.

A família pode ser entendida como uma unidade básica da sociedade composta por
vários indivíduos de descendência em comum ou composta por indivíduos que
estejam ligados por fortes laços de afetividade. Veremos então, neste sentido, a
concepção de saúde da família no que concerne o PSF.

Como referência de operacionalização nosso trabalho de pesquisa de campo se deu


no PSF Santa Tereza, localizado no município de Olinda/PE, no qual além dos
aspectos inerentes ao programa abordamos os aspectos demográficos do próprio
município.

Origem do Programa Saúde da Família.

O Programa Saúde da Família (PSF) faz parte de um dos programas do governo


federal, proposto aos municípios, teve início em 1994, objetivando a implementação
da atenção básica.

O PSF está fundamentado como uma das principais estratégias de reorganização


dos serviços e reorientação das práticas profissionais nos âmbitos da assistência,
promoção da saúde, prevenção de doenças, bem como de reabilitação. Do ponto de
vista da reorganização dos serviços de saúde, o programa visa promover a mudança
de paradigmas no que concerne a atenção à saúde, desde a década de 70. Os
diversos atores sociais estão comprometidos com um novo modelo que dê ênfase a
valorização das ações de promoção e proteção da saúde, prevenção de doenças e,
sobretudo, atenção integral às pessoas.

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Quanto a reorientação visa a superação do modelo anterior em que as práticas da


medicina curativa, especializada e hospitalar eram supervalorizadas.
Conseqüentemente são explorados os procedimentos tecnológicos e
medicamentosos fragmentando o cuidado à saúde.

O PSF, hoje em dia tem sido difundido como uma Estratégia de Saúde da Família
(ESF), numa concepção de que como programa teria um começo e um fim. Porém,
como estratégia de reorganização da atenção primária não prevendo um tempo que
determine seu fim. No nosso país a origem do PSF remonta a criação do PACS em
1991, está relacionada diretamente ao processo de reforma do setor saúde,
objetivando o aumento de acesso ao sistema de saúde com a efetiva implantação de
ações no que tange a prevenção e promoção da saúde.

Com a consolidação do programa o governo emitiu a Portaria Nº 648 de 28 de


março de 2006, que estabelece o PSF como estratégia prioritária do Ministério da
Saúde para a efetiva organização da Atenção Básica, que por sua vez tem como
fundamentos possibilitar o acesso universal e contínuo a serviços de saúde de
qualidade, reafirmando os princípios básicos do SUS.

Características do PSF.

A Portaria nº 648 menciona as características do processo de trabalho das equipes


de atenção básica como também menciona as características do processo de
trabalho da Saúde da Família. Sendo assim elencamos a seguir algumas destas
características:

1. Manter atualizado o cadastramento das famílias e dos indivíduos e utilizar de


forma sistemática os dados para análise da situação de saúde considerando

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as características sociais, econômicas, culturais, demográficas e


epidemiológicas do território;

2. Definição precisa do território de atuação, mapeamento e reconhecimento da


área adstrita, que compreenda o segmento populacional determinado, com
atualização contínua;

3. Diagnóstico, programação implementação das atividades segundo critérios


de risco a saúde, priorizando solução dos problemas de saúde mais
freqüentes;

4. Prática do cuidado familiar ampliado, efetivado por meio do conhecimento da


estrutura e da funcionalidade das famílias que visa propor intervenções que
influenciem os processos de saúde doença dos indivíduos, das famílias e da
própria comunidade;

5. Trabalho interdisciplinar e em equipe, integrando áreas técnicas e


profissionais de diferentes formações;

6. Promoção e desenvolvimento de ações intersetoriais, buscando parcerias


integrando projetos sociais e setores afins, voltados para a promoção da
saúde, de acordo com prioridades e sob a coordenação da gestão municipal;

7. Valorização dos diversos saberes e práticas na perspectiva de uma


abordagem integral e resolutiva, possibilitando a criação de vínculos de
confiança com ética, compromisso e respeito

8. Promoção e estímulo à participação da comunidade no controle social, no


planejamento, na execução e na avaliação das ações;

9. Acompanhamento e avaliação sistemática das ações implementadas, visando


a readequação do processo de trabalho.

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Equipe de Profissionais e Suas Atribuições.

Segundo a Portaria nº 648 as equipes do PSF devem ser formadas por diversos
profissionais que são responsáveis por no mínimo três mil habitantes e no máximo
quatro mil habitantes. As equipes têm várias atribuições em comum, como por
exemplo:

 Participar do processo de territorialização e mapeamento da área de atuação


da equipe;

 Realizar o cuidado em saúde da população adstrita, prioritariamente no


âmbito da unidade de saúde, no domicilio e nos demais espaços comunitários
(escolas, associações, entre outros);

 Garantir a integralidade da atenção por meio da realização de ações de


promoção da saúde, prevenção de agravos e curativas,

 Realizar busca ativa e notificação de doenças e agravos de notificação


compulsória e de outros agravos e situações de importância local;

 Realizar a escuta qualificada das necessidades dos usuários em todas as


ações;

 Participar das atividades de planejamento e avaliação das ações da equipe, a


partir da utilização dos dados disponíveis;

 Promover a mobilização e a participação da comunidade, buscando efetivar o


controle social;

 Entre outras.

Enfermeiro do programa agentes comunitários de saúde:

 Planejar, gerenciar, coordenar e avaliar as ações desenvolvidas pelo ACS;

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 Supervisionar, coordenar e realizar atividades de qualificação e educação


permanente dos ACS, com vista ao desempenho de suas funções;

 Realizar consultas e procedimentos de enfermagem na unidade básica de


saúde e, quando necessário, no domicilio e na comunidade;

 Participar do gerenciamento dos insumos necessários para o adequado


funcionamento da unidade básica de saúde;

 Entre outras.

Enfermeiro:

 Realizar assistência integral (promoção e proteção da saúde, prevenção de


agravos, diagnósticos, tratamento, reabilitação e manutenção da saúde) aos
indivíduos e famílias na Unidade de Saúde da Família e, quando indicado ou
necessário, no domicílio e/ou nos demais espaços comunitários (escolas,
associações, etc), em todas as fases do desenvolvimento humano: infância,
adolescência, idade adulta e terceira idade; durante o tempo e freqüência
necessários de acordo com as necessidades de cada paciente;

 Planejar, gerenciar, coordenar e avaliar as ações desenvolvidas pelos ACS;

 Contribuir e participar das atividades de educação permanente do auxiliar de


enfermagem ACD e THD;

 Entre outras.

Médico:

 Realizar assistência integral (promoção e proteção da saúde, prevenção de


agravos, diagnósticos, tratamento, reabilitação e manutenção da saúde) aos
indivíduos e famílias em todas as fases do desenvolvimento humano:
infância, adolescência, idade adulta e terceira idade;

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 Realizar consultas clínicas e procedimentos na USF e, quando indicado ou


necessário, no domicilio e/ou nos demais espaços comunitários (escolas,
associações e etc);

 Participar do gerenciamento dos insumos necessários para o adequado


funcionamento da USF;

 Entre outras.

Auxiliar e Técnico de Enfermagem:

 Participar das atividades de assistência básica realizando procedimentos


regulamentados no exercício de sua profissão na USF e, quando indicado ou
necessário, no domicilio e/ou nos demais espaços comunitários (escolas,
associações, etc.);

 Realizar ações de educação em saúde a grupos específicos e a famílias em


situação de risco, conforme planejamento da equipe;

 Participar do gerenciamento dos insumos necessários para o adequado


funcionamento da USF.

Cirurgião Dentista:

 Realizar diagnóstico com a finalidade de obter o perfil epidemiológico para o


planejamento e a programação em saúde bucal;

 Realizar os procedimentos clínicos de Atenção Básica em saúde bucal,


incluindo atendimento das urgências e pequenas cirurgias ambulatoriais

 Coordenar e participar de ações coletivas voltadas à promoção da saúde e à


prevenção de doenças bucais;

 Contribuir e participar das atividades de Educação Permanente do THD, ACD


e ESF;

 Realizar supervisão técnica do THD e ACD;

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 Entre outras.

Técnico em Higiene Dental:

 Realizar a atenção integral em saúde bucal (promoção, prevenção,


assistência e reabilitação) individual e coletiva a todas as famílias, a
indivíduos e a grupos específicos, segundo programação e de acordo com
suas competências técnicas e legais;

 Coordenar e realizar a manutenção e a conservação dos equipamentos


odontológicos;

 Apoiar as atividades dos ACD e dos ACS nas ações de prevenção e


promoção da saúde bucal;

 Entre outras.

Auxiliar de Consultório Dentário:

 Realizar ações de promoção e prevenção em saúde bucal para as famílias,


grupos e indivíduos, mediante planejamento local e protocolos de atenção à
saúde;

 Cuidar da manutenção e conservação dos equipamentos odontológicos;

 Organizar a agenda clínica;

 Participar do gerenciamento dos insumos necessários para o adequado


funcionamento da USF;

 Entre outras.

Agente Comunitário de Saúde:

 Realizar o mapeamento de sua área

 Cadastrar as famílias e atualizar permanentemente esse cadastro;

 Identificar áreas de risco;

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 Realizar ações e atividades, no nível de suas competências, nas áreas


prioritárias da Atenção Básica;

 Realizar por meio da visita domiciliar, acompanhamento mensal de todas as


famílias sob sua responsabilidade;

 Traduzir para a ESF a dinâmica social da comunidade, suas necessidades,


potencialidades e limites;

 Identificar parceiros e recursos existentes na comunidade que possa ser


potencializados pela equipe;

 Entre outras.

Saúde da Família.

Diante do PSF, a saúde da família pode ser entendida como uma nova estratégia
que objetiva reorientar a concepção assistencial dos serviços de saúde. A estratégia
funciona a partir da implantação de equipes multiprofissionais nas diversas unidades
básicas de saúde.

Definitivamente implantadas, as equipes ficam responsáveis por um determinado


número de famílias em uma determinada área geográfica, promovendo o
acompanhamento das mesmas em sua totalidade nos aspectos de saúde.
Desenvolvendo ações no tocante a promoção da saúde, prevenção, recuperação,
reabilitação de doenças e agravos mais freqüentes, levando-se em consideração a
manutenção da saúde desta área.

É pertinente lembrar, que o atendimento das necessidades e anseios da população


configura no principal motivo para a criação do Sistema Único de Saúde. Neste
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sentido é imperativo que o Agente Comunitário de Saúde (ACS), seja um dos


moradores da própria comunidade e como tal conhecedor dos problemas,
dificuldades e peculiaridades sociais, econômicas, estruturais de sua comunidade,
que certamente contribuirá para resolutividade de ações junto ao PSF.

Saúde Bucal.

A saúde bucal faz parte da estratégia da saúde da família, e por sua peculiaridade
foram introduzidas novas equipes de trabalho visando o mais próximo
relacionamento com as famílias.

Conforme a Portaria nº 267 de 06 de março de 2001, na alínea „c‟, são elencados


várias características operacionais, das quais destacamos como mais relevantes:

 Caráter substitutivo das práticas tradicionais exercidas nas unidades básicas


de saúde;

 Integralidade de assistência prestada a população adscrita;

 Abordagem multiprofissional;

 Humanização do atendimento;

 Definição da família como núcleo central de abordagem.

Nos PSF‟s podemos encontrar dois tipos de equipe de saúde bucal, uma que
contém cirurgião dentista e auxiliar de consultório dentário e outra que contém
cirurgião dentista, auxiliar de consultório dentário e técnico em higiene dental. A
composição e necessidade para implementação de uma ou outra equipe
dependerão das condições e necessidade das respectivas comunidades.

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O Ministério da Saúde vem dando apoio para a implantação e manutenção destas


equipes, sendo que para equipe com o técnico em higiene bucal já foram fornecidos
779 novos consultórios dentários completos aos municípios, o que representou um
aporte financeiro na casa dos R$ 4,3 milhões. O incentivo do MS culminou em 2007
na elaboração do Caderno de Atenção Básica em Saúde Bucal.

O Programa de Saúde da Família instituído pelo Ministério da Saúde reflete a


preocupação política em garantir o acesso da população às ações de atenção
básica. Neste programa existe maior interação entre profissionais e comunidade, o
que permite diminuir os obstáculos impostos pelo meio social, cultural, econômico,
enfim condiciona a aproximação dos que necessitam aos que podem ajudar.

O principal desafio é assegurar o acesso permanente e progressivo de todas as


famílias residentes nas áreas coberta por meio das equipes multiprofissionais às
ações de promoção, prevenção. Neste sentido é bom lembrar que a capacitação de
todos os profissionais envolvidos se faz necessária, pois um efetivo processo de
bom atendimento não se dissocia da educação profissional de caráter permanente.

O Ambiente Hospitalar.

Podemos dizer que o Ambiente Hospitalar é o conjunto de condições humanas,


técnicas, físicas, químicas, biológicas, econômicas e sociais que influenciam a
saúde do indivíduo. Portanto, é inerente ao assunto considerar também as
condições de segurança no ambiente hospitalar. Considerando ainda como principal
objetivo de um hospital a prestação de serviços na área de saúde, com qualidade,
eficiência, eficácia e efetividade.

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Neste sentido faz-se necessário definir segundo a ANVISA:

1. Qualidade: aplicação apropriada do conhecimento disponível, bem como da


tecnologia, no cuidado da saúde. Denota um grande espectro de
características desejáveis de cuidados, incluindo eficácia, eficiência,
efetividade, eqüidade, aceitabilidade, acessibilidade, adequação e qualidade
técnico-científica.
2. Eficácia: a habilidade do cuidado, no seu máximo, para incrementar saúde.
3. Eficiência: a habilidade de obter o máximo de saúde com um mínimo custo.
4. Efetividade: o grau no qual a atenção à saúde é realizada.

No ambiente hospitalar as condições do ar, temperatura, água, alimentos, dejetos e,


os fatores físicos que rodeiam o ser humano podem interferir de alguma forma nos
seus sentidos, ou mesmo afetar seus tecidos superficiais. É preciso que haja
rigoroso controle frente as condições do meio, levando-se em consideração as
peculiaridades de cada atividade desenvolvida. Dar-se ênfase então, ao controle de
infecção, controle das radiações, do ruído, dos odores, dos efeitos visuais, da
qualidade da água, da temperatura, do controle de alimentos, do tratamento de
resíduos ou dejetos.

Todo este controle é inerente às atividades administrativas e técnicas da instituição


e que de seus resultados produzam um ambiente hospitalar favorável ou não,
propício ou nocivo, amigável ou hostil. Devemos ressaltar que no ambiente
hospitalar busca-se o bem-estar do indivíduo, considerando a saúde como o bem-
estar físico, psicológico e social do homem.

É de suma importância que os responsáveis técnicos pelo planejamento hospitalar,


estejam norteados pelos valores agregados ao bem-estar do indivíduo. Pois, só
assim terão clareza nas ações para os mínimos detalhes impedindo ou evitando
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transtornos como, por exemplo: má disposição do prédio em relação a influência dos


raios solares no que concerne a temperatura e iluminação interiores; exposição do
prédio a ruídos; acabamentos imperfeitos dificultando a limpeza correta de
laboratórios e salas de cirurgias; entre outros.

Compete a gerência ou administração do hospital zelar pela continuidade dos


trabalhos com base em critérios rígidos que levem a preservação do estado de bem-
estar do indivíduo. Desta forma são ressaltados os fatores como: organização,
regulamentação, vigilância, dentre outros, sobretudo, valorizar a educação
continuada de todos os funcionários do hospital, seja qual for o nível, dos visitantes
e pacientes sobre os cuidados com o meio ambiente.

Os cuidados com o ambiente hospitalar não devem se limitar as condições físicas do


ar ou o grau de contaminação por substâncias químicas ou elementos biológicos.
Devem-se considerar também outros aspectos como o ruído, a temperatura, etc.
Com isto o hospital deve promover ações com ênfase na vigilância das condições
inerentes ao ambiente anterior.

O Ar.

Indispensável à vida dos seres vivos, sua composição básica é de 78% de nitrogênio
+ 21% de oxigênio e menos de 01% de argônio, também contem em pequenas
quantidades alguns gases (hélio, néon, criptônio e xenônio). A enorme quantidade
de nitrogênio evita que o oxigênio queime os pulmões do seres humanos e animais.
O ar carrega muitas partículas em suspensão (madeira, poeira, vidro, pólen, fibras,
cinzas).

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Existem duas fontes de contaminação do ar: móvel, através de veículos automotores


(emitem monóxido de carbono e hidrocarbonetos) e, fontes fixas, sobretudo,
indústrias com exploração mineral, centros comerciais, lavanderias a seco (emitem
óxido de enxofre, de nitrogênio e outras partículas contaminantes). O total
contaminante do ar atmosférico é de 39% para as fontes fixas e de 61% para as
fontes moveis.

O ar interior do hospital pode ser afetado pelo ar exterior (contaminado), devido a


centrais elétricas deficientes ou má localizadas, isto se agrava com o iminente risco
de contaminação produzido por microrganismos e transmitidos por pacientes com
feridas contaminadas, ou eliminados por vias respiratórias. Estes se precipitam no ar
e depois se depositam em paredes, pisos, tetos e utensílios. Setores como
laboratórios, lavanderias e cozinhas podem contaminar o ar interior devido seus
procedimentos rotineiros e elementos químicos.

O risco iminente de contaminação por partículas encontradas no ar torna efetiva a


necessidade do hospital em cuidar da limpeza e desinfecção de ambientes
comprometendo-se com o processo de educação continuada dos profissionais
envolvidos, o trabalho deverá ter o caráter preventivo. O uso de germicidas é tarefa
complementar a limpeza e a higienização.

No ambiente hospitalar várias áreas merecem especial atenção nos cuidados com o
ar interior, são consideradas com áreas de alto risco de contaminação do ar como:
necrotério, lavanderia, unidade de isolamento, salas de endoscopia, de diálise, de
parto, UTI, CTQ, dispensas, cozinha, casa das máquinas, laboratório de análise
clínica.

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A Água.

Utilizada para consumo, asseio, limpeza e desinfecção, quando esterilizada é


utilizada para uso na parenteral, lavagem de cavidades internas e externas. Sem
dúvida indispensável para existência do hospital. O fornecimento da água deverá ser
previsto desde o planejamento hospitalar, evitando que sua possível falta prejudique
as necessidades básicas para asseio, limpeza e desinfecção, lavanderia, cozinha e
etc. Estima-se que metade da água consumida no hospital é na Lavanderia.

Apesar de a água fornecida para o hospital ser potável é preciso que este tome as
devidas providências no sentido de manter a sua qualidade. O engenheiro do
hospital é responsável pelo controle e qualidade da água, atua inclusive em conjunto
com a equipe da CCIH, determinando pontos de coleta para análises, limpeza
periódica dos reservatórios, tubulações. De forma geral buscando manter
efetivamente a qualidade para os diversos tipos de uso no ambiente hospitalar.

A portaria ministerial 518 (25 de março de2004) trata exclusivamente da água para o
consumo humano, estabelecendo diversos padrões, entre eles:

Padrão de turbidez para água pós-filtração ou pré-desinfecção.

(1)
Tratamento da água VMP

(2)
Desinfecção (água subterrânea) 1,0 UT em 95% das amostras

(2)
Filtração rápida (tratamento completo ou 1,0 UT
filtração direta)

(2)
Filtração lenta 2,0 UT em 95% das amostras

Notas: (1) valor máximo permitido.

(2) unidade de turbidez.

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Padrão microbiológico de potabilidade da água para consumo humano.

(1)
Parâmetro VMP

(2)
Água para consumo humano

Escherichia coli ou Ausência em 100ml


coliformes termotolerantes
(3)

Água na saída do tratamento

Coliformes totais Ausência em 100ml

Água tratada no sistema de distribuição (reservatórios e rede)

Escherichia coli ou Ausência em 100ml


coliformes termotolerantes
(3)

Coliformes totais Sistemas que analisam 40 ou mais amostras por mês:

Ausência em 100ml em 95% das amostras examinadas no mês.

Sistemas que analisam menos de 40 amostras por mês:

Apenas uma amostra poderá apresentar mensalmente resultado


positivo em 100ml.

Notas: (1) valor máximo permitido.

(2) água para consumo humano em toda e qualquer situação, incluindo


fontes individuais como poços, minas, nascentes, dentre outras.

(3) a detecção de Escherichia coli deve ser preferencialmente adotada.

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Padrão de potabilidade para substâncias químicas que representam risco à saúde.

(1)
Parâmetro Unidade VMP

inorgânicas

Antimônio Mg/l 0,005

Arsênio Mg/l 0,01

Bário Mg/l 0,7

Cádmio Mg/l 0,005

Cianeto Mg/l 0,07

Chumbo Mg/l 0,01

Cobre Mg/l 2

Cromo Mg/l 0,05

(2)
Fluoreto Mg/l 1,5

Mercúrio Mg/l 0,001

Nitrato (como N) Mg/l 10

Nitrito (como N) Mg/l 1

Selênio Mg/l 0,01

Orgânicas

Acrilamida Mg/l 0,5

Benzeno Mg/l 5

Benzo {a} pireno Mg/l 0,7

Cloreto de vinila Mg/l 5

1,2 dicloroetano Mg/l 10

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1,1 dicloroeteno Mg/l 30

Diclorometano Mg/l 20

Estireno Mg/l 20

Tetracloreto de carbono Mg/l 2

Tetracloroeteno Mg/l 40

Triclorobenzenos Mg/l 20

Tricloroeteno Mg/l 70

Agrotóxicos

Alaclor Mg/l 20,0

Aldrin e Dieldrin Mg/l 0,03

Atrazina Mg/l 2

Bentazona Mg/l 300

Clordano (isômeros) Mg/l 0,2

2,4 D Mg/l 30

DDT (isômeros) Mg/l 2

Endossulfan Mg/l 20

Endrin Mg/l 0,6

Glifosato Mg/l 500

Heptacloro e heptacloro epóxido Mg/l 0,03

Hexaclorobenzeno Mg/l 1

Lindano (y-BHC) Mg/l 2

Metolacloro Mg/l 10

Metoxicloro Mg/l 20

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Molinato Mg/l 6

Pendimetalina Mg/l 20

Pentaclorofenol Mg/l 9

Permetrina Mg/l 20

Propanil Mg/l 20

Simazina Mg/l 2

Trifluralina Mg/l 20

Cianotoxinas

(3)
Microcistinas Mg/l 1,0

Desinfetantes e produtos secundários da desinfecção

Bromato Mg/l 0,025

Clorito Mg/l 0,2

(4)
Cloro livre Mg/l 5

Monocloramina Mg/l 3

2,4,6 triclorofenol Mg/l 0,2

Trihalometanos total Mg/l 0,1

Notas: (1) valor máximo permitido.

(2) os valores recomendados para a concentração de íon fluoreto


devem observar à legislação específica vigente relativa à fluoretação da água, em
qualquer caso devendo ser respeitado o VMP desta tabela.

(3) é aceitável a concentração de até 10 Mg/l de microcistinas em até 3


(três) amostras, consecutivas ou não, nas análises realizadas nos últimos 12 (doze)
meses.

(4) análise exigida de acordo com o desinfetante utilizado.

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Contaminação do Ambiente por Microrganismo.

Várias ações são realizadas e promovidas para se obter um efetivo controle da


contaminação do ambiente hospitalar. A Comissão de Controle de Infecção
Hospitalar (CCIH) e também a Comissão de Vigilância Epidemiológica, desenvolvem
importantes trabalhos no sentido de orientar os funcionários, visitantes e pacientes
através de programas educativos acerca do risco de contaminação do ambiente
hospitalar. Dentre as ações temos:

 Instruir sobre formas de identificação e classificação dos dejetos de acordo


com seu nível de risco;
 Manter ativa uma equipe de suporte para controle, com apoio administrativo,
que é um requisito fundamental;
 Instruir sobre a manipulação de material de higiene e segurança pessoal.

É necessário que o administrador hospitalar estabeleça mecanismos de controle que


condicionem o cumprimento das normas de limpeza, desinfecção, desinsetização,
desratização, esterilização, etc.

A Temperatura.

A temperatura do ambiente hospitalar deve ser regulada com base na estrutura


física do prédio e com o uso de ar condicionado quando necessário. Oscilações de
temperatura, alta ou muito baixa, interferem na evolução dos problemas de saúde.
Faz-se necessário, portanto, uma permanente regulação da temperatura em áreas
de cirúrgicas para evitar a infecção de feridas ocasionada por precipitação de
partículas no campo cirúrgico.

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Insetos e parasitas encontram ambientes favoráveis cujas temperaturas sejam altas,


que condicionam também a decomposição de resíduos e matéria orgânica. Outro
problema gerado por altas temperaturas é a fadiga e o cansaço, prejudicando o
rendimento da produtividade.

Os Alimentos.

Os alimentos podem causar lesões nos indivíduos de duas formas: a infecção de


origem alimentar, quando transportam microrganismos que são ingeridos pelo
homem, multiplicando-se no tubo digestivo; a intoxicação de origem alimentar,
quando ocorre a ingestão de toxinas.

O ambiente hospitalar pode ser afetado pelos alimentos de várias maneiras, pois os
alimentos são portadores de microrganismos patogênicos, entram em fase de
decomposição mediante as condições de conservação ou manejo incorretos.

Fatores importantes a considerar para evitar a contaminação dos alimentos dizem


respeito ao resfriamento inadequado de alimentos cozidos, prolongada antecipação
no preparo dos alimentos antes do consumo, cocção ou tratamento térmico
inadequados, reaquecimento não adequado, o armazenamento em temperaturas
inadequadas, a contaminação direta por outros alimentos.

Portanto, trabalhos educativos devem ser desenvolvidos junto aos preparadores,


produtores, processadores, transportadores, aqueles que servem, e, público em
geral, que mantém contato direto com os mesmos.

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Resíduos dos Serviços de Saúde ou Dejetos.

O hospital é um grande gerador de resíduos, dos mais diversos tipos como:


patológicos, sangue e derivados, secreções, pérfuro-cortante, sobras de alimentos,
químicos, papel, plástico, entre outros. Normalmente os resíduos são classificados
quanto à sua origem; propriedades físicas, químicas ou biológicas; disposição final;
tratamento; etc. Os resíduos biológicos contêm os microrganismos patogênicos,
substâncias tóxicas que produzem distúrbios à saúde dos indivíduos, dos animais ou
afetar o ambiente hospitalar quando este entra em contado com os mesmos.

Podem-se dividir os resíduos biológicos em três grandes categorias:

 Infecciosos = causam doenças em pessoas ou animais, mediante contato


direto ou através de vetores que transportam os agentes patogênicos. Estes
resíduos são gerados em diversas unidades do ambiente hospitalar:
laboratórios, sala de cirurgia, consultórios, pediatria, etc. Os resíduos
infecciosos podem ser sólidos (seringas, recipientes, lâminas de bisturi,
sondas, material de curativo) e, líquidos (fluidos ou secreções corporais,
secreções vaginal, líquidos amniótico, líquido sinovial, produtos de
drenagens, etc).
 Não infecciosos = não são causa direta de doenças, nesta categoria temos
papeis e materiais usados na manutenção do hospital.
 Tóxicos = provocam distúrbios na saúde das pessoas ou animais, ou mesmo
interferem no meio ambiente diante das suas propriedades físico-químicas
(substâncias químicas, matérias radioativos, etc).

De acordo com a disposição final, pode-se classificar os resíduos em recicláveis


(vidro, papel, plástico) que são reutilizados como matéria-prima para outros
materiais. E os não recicláveis com características biodegradáveis ou não, gerados
nas áreas de isolamento, salas de parto e outros setores. Por outro lado, diante da

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procedência os resíduos classificam-se em comuns (materiais de construção, papel


etc) e sanguíneos (bolsas de sangue, cadáveres de animais de laboratórios etc)

Diante da imensa geração de resíduos os hospitais utilizam diferentes técnicas para


tratá-los, dentre as quais temos: desnaturação, incineração, inativação térmica,
desinfecção química, trituração, esterilização a vapor. Neste contexto todos os
órgãos geradores de resíduos dos serviços de saúde devem elaborar um plano para
o efetivo controle da geração e manuseio dos mesmos, isto é determinado pela
ANVISA através da RDC nº 306/2004 e pela CONAMA através da RDC nº 358/2005.

Na medida em que o administrador hospitalar dispensa esforços em controlar a


geração dos resíduos e dejetos e seu manuseio, evidentemente está preocupado
com os riscos que estes resíduos podem causar para o Meio Ambiente.
Considerando este risco como sendo a probabilidade da ocorrência de efeitos
adversos ao meio ambiente, decorrentes da ação de agentes físicos, químicos ou
biológicos, causadores de condições ambientais potencialmente perigosas que
favoreçam a persistência, disseminação e modificação desses agentes no ambiente.

Controle de Insetos e Roedores.

Evitar a presença de insetos e roedores no ambiente hospitalar é uma tarefa de


suma importância. Deve-se prioritariamente trabalhar em prol das condições de
limpeza, desinfecção e asseio invés de apenas trabalhar com o recurso de
programações para desinsetização, desratização. Estes programas podem causar
mal-estar aos pacientes por conta de alergias respiratórias ou cutâneas, muitas
vezes geram resistências aos artrópodes.

É necessária a colocação de telas de proteção nas portas e janelas para impedir o


acesso dos ectoparasitas em locais como depósito de alimentos, que por sua vez na
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presença destes pode contaminar os alimentos. Se não houver uma boa condição
de higiene e asseio nas dependências do hospital a presença de insetos e roedores
torna-se uma ameaça a saúde de todos, sobretudo, dos pacientes.

Portanto, é de muita importância que o hospital mantenha rígido controle na questão


limpeza e se necessário recorrer a ajuda das autoridades competentes no que
concerne aos programas de erradicação de insetos e roedores.

As Radiações.

Os efeitos da radiação variam de indivíduo para indivíduo, mediante a freqüência e o


período de exposição a ela. O risco a radiações é minimizado diante da tecnologia
dos modernos aparelhos existentes no mercado, favorecendo assim aos pacientes e
operadores.

Os fatores relevantes neste aspecto são:

1. Distância: a dose de radiação recebida é inversamente proporcional ao


quadrado da distância em que se encontra a fonte de radiação. Desta forma o
operador dispara o aparelho com o uso de controle remoto, se protegendo da
fonte e também protegendo o paciente ao receber poucos disparos e com alta
velocidade.
2. Proteção: deve ser dada especial atenção a adequação de portas, paredes e
tetos. A passagem da radiação é impedida diante de uma espessura
adequada de chumbo, tungstênio, concreto armado (barita). Para o técnico
que opera o equipamento existem normas que o obriga a utilizar avental de
chumbo, luvas e óculos de proteção apropriados, para os pacientes existem
alguns protetores de chumbo indicados a proteger determinadas partes do
corpo para não serem afetadas pela radiação. Também o operador e todos
aqueles que trabalham no setor devem usar o dosímetro que serve para

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medir o grau de exposição dos mesmos frente a radiações sob controle


periodicamente mensal.
3. Tempo: refere-se ao tempo dos focos de radiação, que devem permanecer
abertos o mínimo possível. Em alguns procedimentos (introdução de tubos de
endoscopia), este tempo é demasiado, isto provoca a contaminação do
ambiente causando risco aos funcionários do setor e, sobretudo, os
pacientes.
4. Disciplina: uma rotina excessiva de equipamentos emissores de radiação
pode condicionar o operador a não seguir corretamente as normas de
segurança. Isto é mais comum nas radiografias realizadas com urgência no
próprio leito do paciente, onde muitas vezes o operador não orienta as
demais pessoas do recinto sobre as normas de segurança e mesmo sequer
usa o avental de chumbo para proteger-se.

O Ruído.

Os diferentes tons nas mais diversas amplitudes e freqüências provocam os ruídos


indesejáveis no ambiente hospitalar. O ruído externo provém de veículos de
transportes, construções, indústrias e comércio, sobretudo, nos centros urbanos.
Estudos mostraram que nas grandes cidades, em horário de pico, o nível de ruído
alcança 93 decibéis, o que provoca danos a audição. Pois a partir de 75 decibéis o
ruído passa a afetar a saúde auditiva.

O ruído pode causar angústia e certamente é um fator de insônia em muitas


pessoas. Diante desta situação o administrador do hospital deve atentar para que o
uso de televisões e rádios seja definitivamente controlado. Assim como também
antes de promover qualquer reforma estrutural para melhoria da assistência aos
pacientes e que demandam altos ruídos, deve-se prioritariamente evadir todos os
pacientes para que os mesmos não sofram os efeitos dos ruídos gerados nas
reformas.
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Odores.

Odor desagradável pode ser resultado de um mau manuseio e controle dos dejetos
hospitalares, de um mau isolamento dos laboratórios, cozinhas e depósitos de
alimentos. Outro fator que produz maus odores é a localização de fornos
crematórios e a localização de alas para tratamento de doenças graves dos tecidos
superficiais ou mesmo lesões necrosantes como as queimaduras.

Para efetivar melhor controle destes odores deve-se considerar a instalação de


exaustores de ar e ventilação adequados. Os asseios de todas as dependências e a
efetiva limpeza contribuem significativamente para diminuir e evitar boa parte dos
odores indesejáveis no ambiente hospitalar.

A Amabilidade.

A forma com que todos os atores do ambiente hospitalar se comportam diante das
dificuldades, diferenças, da compreensão, da sensibilidade, revela os valores e a
imagem da instituição. A maneira amável de lhe dar com as pessoas (pacientes,
colegas de trabalho, dirigentes, etc) produz um ambiente harmonioso. Este clima de
boas maneiras tem base nos programas estabelecidos de educação continuada
sobre as relações humanas. Do contrário o ambiente pode ter uma imagem de
hostilidade, insatisfação na convivência humana.

O indivíduo perdoa os incômodos físicos da instituição, se recebe um


tratamento amável e considerado; do mesmo modo que guarda péssimas
lembranças e fala mal se for maltratado devido às agressividades dos
empregados, seja qual for a função que exerçam (LONDOÑO, 2006. p. 56).

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Além da competência profissional o paciente espera ser atendido com clareza,


compreensão, consideração, enfim espera ser bem recebido e tratado por todos.O
ambiente hospitalar, seja interior, seja exterior, deve ser tratado com fundamentos
pautados na qualidade, dedicação, seriedade, sobretudo, amor. Os princípios de
ética e respeito ao próximo devem nortear as decisões dos administradores em
todos os níveis da administração hospitalar.

É importante considerar que um bom programa de educação continuada, contribui


iminentemente para um bom atendimento ao paciente, bem como, promove a
valorização do ser humano enquanto pessoa ou membro de uma equipe
multiprofissional.

Um ambiente hospitalar estruturado administrativamente e operacionalmente é


condição necessária para se conduzir um atendimento humanizado e dedicado as
condições de vida dos enfermos, visitantes, funcionários, ou seja, a toda a
comunidade hospitalar.

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