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TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO

COMARCA DE SÃO PAULO


FORO REGIONAL III - JABAQUARA
4ª VARA CÍVEL
003.08.113533-7 - Reintegração / Manutenção de Posse

RELATÓRIO

1.1. INICIAL:

1... AÇÃO:

DE REINTEGRAÇÃO DE POSSE

Se impresso, para conferência acesse o site http://esaj.tj.sp.gov.br/esaj, informe o processo 003.08.113533-7 e o código 030000000UATV.
2... PARTES:

1.... AUTORA:

COOPERATIVA HABITACIONAL DOS BANCÁRIOS DE SÃO


PAULO - BANCOOP

2.... RÉU:

NEUSA ARAÚJO DOS SANTOS

3... CAUSA DE PEDIR:

Diz a autora que a Ré associou-se a ela com a finalidade de adquirir

Este documento foi assinado digitalmente por ANTONIO TADEU OTTONI.


uma unidade habitacional no empreendimento Vila Clementino conforme comprova
“Termo de Adesão e Compromisso de Participação”, que ao final da obra foi lhe
transmitida posse a título precário e que a posse definitiva somente seria outorgada
após adimplidas todas as obrigações por parte do cooperado, mas veio a se tornar
inadimplente, a partir da 1ª parcela de um total de 24 referente ao reforço de caixa do
imóvel, deixando assim de arcar com as obrigações contratuais, a partir do mês de abril
de 2007, vindo a ser notificada da sua eliminação dos quadros de associados da
Autora, conforme preceitua o artigo 17 do Estatuto Social da Entidade.

Aduz que após a exclusão da Ré dos quadros da associação, a autora


em mais de uma tentativa de não prejudicá-la, pois não é este seu objetivo, a ele enviou
uma notificação judicial com o fito de purgação de sua mora em relação as prestações
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em atraso no prazo improrrogável de 15 dias e em caso de não cumprimento da


notificação, que desocupasse o imóvel da autora no que não foi atendida

Esclarece que de acordo com o “Termo de Adesão e Compromisso


de Participação”, deverá ser autora indenizada, visto que a rescisão ocorreu por culpa
exclusiva da ré mediante valor ser fixado de 0,1% por dia, sobre o valor total do
imóvel à época da eliminação.

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4... PEDIDO:

Pediu, com a liminar, a reintegração de posse no imóvel e a aplicação


de multa diária e prazo para cumprimento da determinação judicial, no valor a ser
arbitrado por este juízo.

5... VALOR DA CAUSA:

Deu à causa o valor de R$ 1.000,00, alterado pela própria autora para


R$113.333,00 cf. despacho de fls. 58..

1.. RESPOSTA

A ré, antes que o juízo decidisse sobre a liminar, respondeu mediante

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contestação (fls. 87/97) e impugnação ao valor da causa (que foi julgada improcedente
cf. respectivo apenso), alegando:

a) que todas as parcelas contratadas com a autora foram pagas e que


a alegada mora, objeto da notificação, refere-se a débito relativo a aporte financeiro
extraordinário indevido, indevido e cuja a primeira parcela venceu em 04/2007 e que o
Juízo da 19ª Vara Cível da Capital nos autos da Ação Civil Pública que a Associação
de. Adquirentes de Apartamentos. do Residencial Vila Clementino intenta contra a
autora, deferiu liminar vedando-lhe cobrar bem como suspendendo os efeitos da mora
constituída por notificação da autora, de forma a que, sem a constituição em mora falta-
lhe interesse processual e diante da controvérsia quanto ao direito em receber aporte
falta a ela aparência do direito que respalda seu pleito.
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b) inépcia da inicial pois não havendo incorporação registrada não


basta a identificação da unidade condominial;

c) falta de interesse processual pois à sua caracterização não basta a a


pretensão possessória, exigindo o pleito rescisório e sua posse não é clandestina nem
de má fé.

1.2.2. RÉPLICA E TRÉPLICA

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Réplica às fls. 110/128 com tréplica a fls. 158 e sgts.

1.2.2.1. TENTATIVA DE CONCILIAÇÃO

Infrutífera a tentativa de conciliação (fls. 221),

1.2.3. IMPUGNAÇÃO AO VALOR DA CAUSA.

Em apenso, ao 2º vol., julgada improcedente.

3.. SANEADOR.

Saneador a fls. 226, rejeitando as preliminares e determinando a


produção de prova oral.

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4.. PROVAS:

1.4.1. DOCUMENTAL:

A autora juntou os docs. de fls. 16/57 e 181/203 e a ré os de fls.


99/102.

1.4.2. ORAL:

Em audiência (fls. 277 a 281) foram tomados os depoimentos


pessoais das partes.
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1.4.3. ALEGAÇÕES FINAIS:

As partes ofereceram alegações finais por memoriais, reiterando


respectivas teses e pretensões, a autora a fls. 341 a 346 e a ré a fls. 331 a 340, vindo os
autos conclusos para sentença.

1. FUNDAMENTOS:

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A ação não vinga..

Com efeito, a mora, em que pese afastada no saneador, mas


considerado o agravo retido contra a decisão saneadora, nessa parte, e a possibilidade
dele decorrente do juízo de retratação, não se encontra adequadamente caracterizada.

Ademais, cumpre ponderar que, ao considerar que a citação constitui-


se em uma das formas de constituição em mora, como fundamentado no despacho
saneador, agravado, não ficou o o juízo, por tal decisão, impedido, lógica e
juridicamente, de, em sede de sentença, analisar do exame das circunstâncias em que
realizada a citação no seu efeito indutivo da mora e, daí, sua validade eficácia
especificamente nesse aspecto teleológico.

A presente ação foi proposta em 18 de junho de 2008 enquanto que

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em fevereiro de 2009 fora deferida a tutela antecipada nos autos da Ação Civil Pública
proposta pela Associação dos Adquirentes de Apartamentos do Residencial Vila
Clementino para tornar insubsistentes os efeitos das notificações enviadas aos
cooperados.

Assim, embora a presente ação já estivesse proposta nessa época e


não se admita, assim como à lei, efeito retroativo à decisão judicial (no caso,
concessiva da tutela antecipada), certo é que a mesma (notificação), efetivamente,
continha imperfeições que dificultavam e mesmo obstavam sua eficácia na medida em
que, como se vê às fls. 48/9, -- única considerada pela autora para os fins legais,
embora na inicial mencione duas --, não contém ela qualquer demonstrativo do débito,
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circunstância que, no caso, ante o cabal questionamento deste que, como restou
incontroversamente assentado, constitui em aporte financeiro extraordinário, torna
ainda mais relevante a indicação das parcelas e, concretamente, os valores a serem
pagos.

Mais ainda: na inicial a autora, ao caracterizar o esbulho da ré,


reporta-se a notificação efetivada em 25 de junho de 2007.

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Porém traz, com a inicial, outra notificação, ou seja, lavrada em 12
de novembro de 2007 e entregue à ré em 23 daquele mês e ano, deixando, assim, de
apresentar documento essencial à propositura da ação possessória, já que, no caso a
posse é lícita, não clandestina nem de má fé, de forma a que para caracterizar sua
precariedade era essencial não só a notificação, para constituí-la em mora, como a
apresentação do respectivo instrumento desse ato.

No entanto, como visto, a autora não apresentou a notificação a que


se apega, na causa de pedir, para caracterizar a mora e a posse precária da ré, ou seja,
decorrido o prazo para purgar a mora e para desocupar o imóvel, configurar-se o
esbulho.

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Note-se ainda que, acaso se considerasse a notificação trazida com a
inicial (e à qual não se refere na causa de pedir), ainda assim, a deficiência formal da
falta de indicação de período e especificação de valores persistiria.

Tal possibilidade é considerada apenas por amor ao argumento, já


que tendo a autora aludido a determinada notificação como constitutiva da mora, era
imprescindível que apresentasse o instrumento daquela notificação e não de qualquer
outra, eis que seria necessário o exame dos aspectos materiais e formais de tal ato, face
a sua relevância à caracterização do, no caso, direito de ação possessória.

E o aludido vício formal, no caso sub judice não se supriria sequer


pela citação, que este juízo considerou meio e forma possível de constituição em mora.
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Com efeito, embora assim seja, nem por isso a constituição por esse
meio pode deixar de atender aos requisitos materiais legais para a efetiva constituição
em mora. No caso, oportuno ponderar, a inicial (cuja cópia integra a contra-fé do
mandado ou carta citatória) também não contém aqueles requisitos da notificação
válida aos fins da constituição em mora de devedor de quantia em dinheiro.

Daí infere-se que a ré, -- independente do quanto se tenha

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posteriormente (à propositura da ação) decidido judicialmente (na ação civil pública) a
respeito dos efeitos das notificações para constituições em mora encetadas pela
Cooperativa autora, e nas atuais circunstâncias, e mesmo nas reinantes ao tempo da
propositura da ação --, encontra-se na condição de detentora de posse justa e legítima e
contra a qual não prepondera a pretensão restitutiva da autora.

Não se caracterizou, pois, o esbulho possessório.

Daí a improcedência da ação no seu mérito.

2. DISPOSITIVO:
Isto posto, JULGO IMPROCEDENTE a presente ação e condeno a

Este documento foi assinado digitalmente por ANTONIO TADEU OTTONI.


autora ao pagamento das custas processuais e honorários advocatícios que arbitro em
10% (dez por cento) sobre o valor da causa.

P.R.I.C.

São Paulo, 28 de julho de 2010.

ANTONIO TADEU OTTONI


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