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GEOGEBRA: UMA PROPOSTA PARA O USO DE TECNOLOGIAS NAS AULAS DE

MATEMÁTICA

Juliana Batista Pereira1


Daniela Renata Jacobsen2
Gabriele Machado3

Resumo: Durante os estudos realizados na disciplina de Tecnologias Avançadas no Ensino de


Matemática do Curso de Licenciatura em Matemática, da Universidade Federal de Pelotas
(UFPel) desenvolvemos uma atividade com o intuito de proporcionar aos alunos condições
para identificar e aplicar o conhecimento de semelhança de triângulos, juntamente com o
auxílio do software gratuito de geometria dinâmica GEOGEBRA, à assuntos do seu dia-a-dia.
Tal programa reúne as ferramentas tradicionais de geometria, com outras mais adequadas à
álgebra e ao cálculo. É um ambiente que permite simular construções geométricas, dinâmicas
e interativas no computador, fazendo desse tipo de programa um excelente laboratório de
aprendizagem da geometria. A proposta para a realização desse tipo de tarefa originou-se a
partir de estudos sobre o uso de tecnologias na educação, onde podemos identificar seus
benefícios, tanto no campo da aprendizagem como no da prática de matemática. Dentre
algumas leituras destacamos os textos escritos pelos autores José Manuel Moran, Sonia
Kramer e Antônio Flávio Barbosa Moreira que salientam sobre as possibilidades desse uso
em salas de aula, como estimular o aluno a pensar, a ser capaz de argumentar, a construir e
confrontar suas idéias, a desenvolver o raciocínio lógico, além de buscar as soluções para

1
Discente do Curso de Licenciatura em Matemática da Universidade Federal de Pelotas e bolsista do Programa
Institucional de Bolsas de Iniciação a Docência (PIBID). julianap.ifm@ufpel.edu.br.

2
Discente do Curso de Licenciatura em Matemática da Universidade Federal de Pelotas e bolsista do Programa
Institucional de Bolsas de Iniciação a Docência (PIBID). djacobsen.ifm@ufpel.edu.br.

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Discente do Curso de Licenciatura em Matemática da Universidade Federal de Pelotas e bolsista do Programa
Institucional de Bolsas de Iniciação a Docência (PIBID). gabrielem.ifm@edu.br.

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problemas do seu cotidiano. Isso porque na educação é preciso encontrarmos um equilíbrio
entre a flexibilidade e a organização, para adaptarmos as diferenças individuais e os diversos
ritmos de aprendizagem, respeitando também o tempo e os conteúdos. O avanço no ensino se
dá se soubermos adequar os conteúdos previstos com a realidade dos alunos. E por fim,
Moran cita que esse avanço pode dar-se de forma mais eficaz e rápida com o auxilio de
tecnologias na sala de aula, propondo transformarmos a sala em um ambiente de investigação.
Para a efetivação dessa atividade, partimos do pressuposto de que os alunos não traziam
consigo alguns dos conhecimentos primordiais para tal realização, mas não por pensarmos
que os alunos são tabuas rasas, e sim por acreditarmos justamente ao contrário. Sabemos que
muitos alunos trazem essa bagagem, mas nem todos, por isso retomamos cada conceito que
seria necessário para tal concretização, já utilizando o software. Para a construção do conceito
de Semelhança entre Triângulos, tomamos como o principal objetivo orientar os alunos a
alcançarem de forma independente alguns dos requisitos fundamentais para a chegada em tal
conceito. A elaboração dessa pesquisa nos proporcionou novos e importantíssimos
aprendizados. Ela possibilitou-nos amplo contato com diversos softwares para o ensino e
prática da matemática, tornando nossas didáticas mais significativas e atrativas para os alunos.

Palavras-chave: Tecnologias na sala de aula. Geogebra. Semelhança de Triângulos.

INTRODUÇÃO

Como alunas do Curso de Licenciatura em Matemática da Universidade Federal de


Pelotas/RS, cursamos a disciplina de Tecnologias Avançadas no Ensino de Matemática, uma
disciplina que tem como objetivo trabalhar com softwares matemáticos desenvolvendo
atividades que podem ser aplicadas em sala de aula. Durante os estudos realizados nessa
disciplina, sobre o uso de tecnologias na educação, desenvolvemos uma aula para ser aplicada
no 1º ano do Ensino Médio sobre Semelhança de Triângulos, contando com o auxílio do
software GEOGEBRA, bem como a utilização de um recurso on-line. O objetivo geral dessa
atividade é proporcionar ao aluno condições de identificar e aplicar os conhecimentos de
semelhança de triângulos a assuntos do seu dia-a-dia.

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MATERIAIS E MÉTODOS

Apresentaremos aqui algumas referências que nos fizeram desenvolver essa atividade,
bem como todos os procedimentos utilizados para tal realização.

Algumas referências que nos trouxeram até aqui.

Pode-se considerar a educação como um processo de troca de conhecimentos e de


experiências, em que ambos os envolvidos nesse exercício se beneficiam, podendo assim
construir a própria personalidade e buscar também crescimento pessoal para sua auto-
realização. Tal decurso se dá através do "dar e receber". No entanto não é modificando o
outro que possibilitamos a ele o saber, mas sim o auxiliando para que ele próprio desenvolva
seus valores e objetivos, realizando-se assim por meio deles.
Segundo Manoel Moran, educar é colaborar para que professores e alunos
transformem suas vidas em processos permanentes de aprendizagem. Mas bem mais do que
isso, é ajudar o aluno na construção da sua identidade e do seu caminho pessoal e profissional.
Educar é um processo contínuo de aprendizagem, pois quando educamos estamos aprendendo
a relacionar o real e o imaginário, o passado e o presente visando um futuro, a razão e a
emoção.
Para Soraia Aparecida de Oliveira,

Ensinar Matemática é desenvolver o raciocínio lógico, estimular o pensamento


independente, a criatividade e a capacidade de resolver problemas. Nós como
educadores matemáticos, devemos procurar alternativas para aumentar a motivação
para a aprendizagem, desenvolver a autoconfiança, a organização, a concentração,
estimulando a socialização e aumentando as interações do individuo com outras
pessoas (2007, p.5).

Atualmente a escola que trabalha apenas voltada para o conteúdo, onde cada professor
acredita que seu compromisso maior é "cumprir o programa", certamente precisa repensar a
sua função. Ensinar a ler, escrever e, principalmente, contar e calcular são sem dúvida tarefas
essenciais.

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Para aprimorar tais habilidades a escola ainda tem de estimular o aluno a pensar, a ser
capaz de argumentar, a construir e confrontar suas idéias, a desenvolver o raciocínio lógico,
além de buscar as soluções para problemas. Concordam com tudo isso os autores Sonia
Kramer e Antonio Flavio Barbosa Moreira na citação:

Educar envolve o respeito, a crítica e a ampliação de horizontes e de tradições


culturais. Relevância, nesse enfoque, corresponde ao potencial que certos
conhecimentos e processos pedagógicos apresentam de tornar as pessoas aptas a
definir o papel que devem ter na mudança de seus ambientes e no desenvolvimento
da sociedade. Relevância sugere, então, conteúdos e experiências escolares que
concorram para formar sujeitos autônomos, críticos e criativos, capazes de
compreender como as coisas são, como assim se tornaram e como podem ser
transformadas por ações humanas.

Uma vez que para obter-se uma educação de qualidade não se trata apenas de ensinar
novas técnicas e algoritmos, o importante é que o espírito crítico esteja permeando a prática,
pois é através do desenvolvimento dessa capacidade que o aluno pode discutir suas dúvidas,
explicitar o próprio pensamento, construindo o seu conhecimento.
Para a educação é preciso encontrarmos um equilíbrio entre a flexibilidade, para
adaptarmos as diferenças individuais e os diversos ritmos de aprendizagem, e a organização,
para respeitarmos o tempo e os conteúdos. O avanço se dá se soubermos adaptar os
conteúdos previstos com a realidade dos alunos. E para Moran, esse avanço pode dar-se de
forma mais eficaz e rápida com o auxilio da tecnologia na sala de aula, principalmente a
internet e os seus vínculos. Ele propõe transformarmos a sala em um ambiente de
investigação.
As metodologias empregadas pelos educadores como quadro-negro, giz, vídeos e livros
didáticos já não são mais vistas como tecnologias educativas, pois elas limitam o acesso às
informações não suprindo todas as necessidades dos estudantes e professores. Isso quer dizer
que, tais metodologias ainda são muito usadas e serão por muito tempo, mas o que não
podemos é disfarçar não ver as novas Tecnologias de Comunicação e Informação que estão
presentes em nosso dia-a-dia e querendo estar inteiramente inseridas nas escolas.
O mais importante é a escola não parar, estar em constante busca, inovando para que
seus estudantes encontrem nela recursos tecnológicos que enriquecem o ambiente de
aprendizagem onde todos interagem com um fim comum, a busca do conhecimento. No
entanto, sabe-se que muitas escolas mudam lentamente em relação aos avanços tecnológicos
da sociedade, mas esta sente necessidade de proporcionar aos seus estudantes meios que

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possam ser utilizados para ampliar a aprendizagem, além de tomarem conhecimento dos
atuais recursos que fazem parte da realidade em que vivem.
Precisamos modificar nossa forma de ensinar, pois como ressalta Moran, “tanto
professores como alunos temos a clara sensação de que em muitas aulas convencionais
perdemos muito tempo”. O autor ressalta ainda que não podemos dar aulas iguais para alunos
diferentes, com motivações diferentes, precisamos modificar nossa metodologia a cada grupo.
Ainda seguindo na linha de pensamento desse autor, dentro de uma mesma sala de
aula ele destaca que podemos encontrar diferentes tipos de alunos, os que estão prontos para
aprender, os que estão interessados mas um pouco desmotivados e aqueles que realmente não
estão maduros ou estão distantes da nossa proposta, mas independente do tipo de aluno, é
preciso motivá-los, partindo do que eles valorizam, do que é importante para eles.
Moran (2008) afirma que:

As tecnologias são pontes que abrem a sala de aula para o mundo, que representam,
medeiam o nosso conhecimento do mundo. São diferentes formas de representação
da realidade, de forma mais abstrata ou concreta, mais estática ou dinâmica, mais
linear ou paralela, mas todas elas, combinadas, integradas, possibilitam uma melhor
apreensão da realidade e o desenvolvimento de todas as potencialidades do
educando, dos diferentes tipos de inteligência, habilidades e atitudes. Desse modo, é
difícil negar a importância do uso das tecnologias na escola.

É preciso fundamentalmente, que professores e educadores estejam extremamente


preparados para receber e lidar com esse processo, empregando essas tecnologias em
benefício da educação, fazendo com que os estudantes saiam da escola preparados para a
vida, para enfrentarem a competitividade do mercado de trabalho conscientes da realidade que
os espera. E para isso, tais profissionais precisam ininterruptamente estar complementando
sua formação, mantendo-se atualizados e em constante desenvolvimento.
Entendemos que, de uma certa forma, toda essa tecnologia tão avançada que permanece
em durável mudança pode vim a interferir no andamento do processo de formação de
professores e gestores. Na verdade, nenhum processo de transformação de âmbito social,
cultural, político ou econômico é capaz de originar exclusivamente benefícios para o meio
social. Contudo o que deve existir é, sobretudo, qualidade e modernização constante de
profissionais.
A interação com o meio, com a natureza, com um colega de trabalho, de escola ou
mesmo companheiro é essencial no processo de formação do profissional, aliás, por que não
permitir a inserção das tecnologias permeado à esse intercâmbio? É disso que as Instituições

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necessitam, permitir que os avanços sempre andem junto com metodologia já utilizada e tão
significante no processo de formação destes.

O Software GeoGebra

O software gratuito de geometria dinâmica GeoGebra foi criado em 2001 por Markus
Hohenwarterz. Tal programa reúne as ferramentas tradicionais de geometria, com outras mais
adequadas à álgebra e ao cálculo. Você pode realizar construções utilizando pontos, vetores,
segmentos, retas, bem como funções e alterar todos esses objetos dinamicamente após a
construção estar finalizada. Deste modo tem a vantagem didática de apresentar, ao mesmo
tempo, duas representações diferentes de um mesmo objeto que interagem entre si: sua
representação geométrica e sua representação algébrica. Por ter sido escrito em Java roda em
qualquer plataforma (Microsoft Windows, Linux, Macintosh, etc.).
É um ambiente que permite simular construções geométricas no computador, diferente
do que podem ocorrer utilizando ferramentas tradicionais como régua e compasso. Essas
construções são dinâmicas e interativas, fazendo desse tipo de programa um excelente
laboratório de aprendizagem de geometria.

A atividade

A atividade foi desenvolvida como parte das avaliações de uma disciplina da grade
curricular do curso de Licenciatura em Matemática, com o objetivo de ser aplicada nessa
mesma turma, para que todos os colegas compartilhassem das atividades desenvolvidas por
cada grupo. No entanto, ao planejar essa atividade, pensamos unicamente em uma turma de
1º ano do Ensino Médio, que estaria estabelecendo o primeiro contato com a matéria.
Embasados sobre os diversos recursos tecnológicos e a importância de uma aula atrativa
e significativa para os alunos, fomos em busca de um software que proporcionasse um
recurso visual do conteúdo e optamos por trabalhar com o Geogebra.
Após definido o recurso a ser utilizado, direcionamos nossa pesquisa aos conteúdos do
1º ano do Ensino Médio, dentre as diversas possibilidades, o que nos chamou mais a atenção
foi a Semelhança de Triângulos, pois com o auxílio do software os alunos podem ver
perfeitamente a relação entre os triângulos, suas proporções e suas diversas posições, coisas
que nem sempre ficam claras à todos os alunos apenas utilizando quadro negro e giz.

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Complementando a proposta da aula, encontramos na internet um site que trabalha a
Semelhança de forma on-line, onde os alunos por meio de cenários temáticos escolhem um
caminho para seguir, observando as figuras apresentadas e conhecendo a história referente ao
tema, efetuam as contas exercitando sobre o conteúdo e por fim descobrem a resposta certa.
Elaborando a aula, deparamo-nos com alguns conceitos prévios que os alunos já
deveriam ter, como congruência entre ângulos, ângulos internos de um triângulo e lados
homólogos, no entanto, para que a aula pudesse ser desenvolvida de forma mais proveitosa e
parelha entre os alunos, optamos por considerar que não haviam esses conhecimentos
anteriores, explicando cada detalhe.

A construção do conceito de Semelhança de Triângulos

Para a construção do conceito tomamos como principal objetivo orientar os alunos a


sozinhos alcançarem implicitamente alguns requisitos fundamentais para a chegada em tal
conceito.
Construímos num primeiro momento, com o auxílio do GeoGebra, dois triângulos
retângulos com as medidas dos lados já sugeridas.

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A partir dessa construção inicial, realizamos alguns questionamentos quanto às
semelhanças contidas em tais triângulos, como por exemplo, o fato de ambos conterem um
ângulo reto. Surge então outra questão, quais seriam os valores dos demais ângulos que
compõem essas figuras? Como essas medidas não estavam visivelmente indicadas,
propusemos que por meio de conhecimentos já trazidos na bagagem sobre relações
trigonométricas, os alunos buscassem tais valores.

Como já esperado, foram encontrados dois possíveis valores para cada ângulo restante
e por isso fez-se necessário relembrar a propriedade da soma dos ângulos internos de um
triângulo.
Seguindo de forma similar chegamos ao significado de lados homólogos, isto é, um
requisito fundamental para tal definição. Como conseqüência de todos os conhecimentos
adquiridos até então, obtivemos os critérios que julgamos necessários para a construção do
conceito de semelhança de triângulos. Porém, ainda antes de introduzir o conceito
matemático propriamente dito, dialogamos com os alunos sobre o que eles entendiam por dois
objetos serem semelhantes.
Explicitada a definição e introduzido os casos de semelhança, apresentamos aos alunos
uma página na internet em que eles puderam, de forma divertida, aplicar os conhecimentos
recém adquiridos.

CONCLUSÃO

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A elaboração dessa atividade nos proporcionou novos e importantíssimos aprendizados.
Ela possibilitou-nos amplo contato com diversos softwares para o ensino e prática da
matemática, tornando nossas didáticas mais significativas e atrativas para os alunos.
Também reafirmou-nos que há possibilidade de tornar um conteúdo básico em uma
atividade de construção de conhecimento, feita a partir da participação direta dos alunos
concomitante ao uso dos recursos provenientes do avanço tecnológico. E para que isso
ocorra de forma eficaz, notamos que é fundamental dedicação e uma constante atualização
por parte do docente.
Para a turma que interagiu nessa atividade, percebemos que o conhecimento dessa nova
alternativa de trabalho foi proveitoso para a prática desses futuros profissionais, validando
assim essa pesquisa e aplicação.

REFERÊNCIAS

MORAN, Jose Manuel. A educação que desejamos: novas desafios e como chegar La. 2ª
Ed. Campinas: Papiros, 2007
MORAN, José Manuel, MASETTO, Marcos & BEHRENS, Marilda. Novas tecnologias e
mediação pedagógica. 7a ed. São Paulo: Papirus, 2003.
MORAN, José Manuel. As mídias na educação. Disponível em:
<http://www.eca.usp.br/prof/moran/midias_educ.htm>. Acesso em 10 jun. 2009.
MOREIRA, Antonio Flavio Barbosa ; KRAMER, Sonia. Contemporaneidade, educação e
tecnologia. Educação & Sociedade,v. 28, n. 100, p. 1037-1057, out./jan., 2007.
OLIVEIRA,Soraia Aparecida de. O lúdico como motivação nas aulas de matemática.
Mundo jovem.Junho de 2007.p.5

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