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Falhas dos O’Rings

Introdução

Embora seja responsabilizado por alguns “desastres” , raramente o O’Ring falha. A maioria das pessoas res- ponsáveis pelo projeto, montagem e/ou manutenção é que comete pequenos erros.

A vida útil e a garantia só serão otimizadas, selecionan-

do o composto adequado, e tendo conhecimento pro- fundo de todos os fatores que afetam o funcionamento de um O’Ring. Na seqüência, trataremos das características das fa-

lhas mais freqüentes dos O’Rings, suas causas e quais

as medidas que se pode adotar para prevenir sua ocor-

rência.

Por que usar Vedações com O'Rings?

A eleição de um O’Ring como elemento de vedação se

deve à sua capacidade de selar uma pequena folga, sob uma combinação de condições, principalmente :

• Deformação (axial e radial)

• Temperatura

• Meio (fluido ou gás)

• Desgaste

• Variações de Pressão

• Envelhecimento

Todos estes parâmetros são suportados eficazmente pelos diversos elastômeros, em várias durezas, fabri- ca-dos pela Parker. Outros fatores adicionais, que podem influenciar a es- colha de um O’Ring, são :

• Custo razoável.

• Intercambiabilidade (disponibilidade internacional).

• Dimensões e tolerâncias normalizadas.

• Espaço reduzido para instalação.

• Simplicidade.

O O’Ring, com sua forma geométrica simples, é mol-

da-do por injeção ou prensa, com um alto grau de pre-

cisão e em uma ampla gama de dimensões padroniza- das. O mesmo ferramental pode ser utilizado para di- versos compostos.

Na fase de projeto, o projetista deve verificar comple- ta-mente a aplicação, para selecionar o elastômero que ofereça a melhor resistência às várias influências físi- cas e químicas. Se esta análise não for efetuada, a falha do O’Ring poderá ser inevitável. Se necessário, um especialista deve ajudá-lo nesta tarefa. As razões das falhas de um O’Ring, podem ser visualizadas por uma pessoa experi- mentada, através dos danos ocasionados na superfí- cie do O’Ring. A partir desse momento, o erro pode ser corrigido e documentado para se evitar a repetição no futuro.

O conhecimento profundo das condições de trabalho

dos equipamentos pode evitar a falha dos O’Rings. Este

conhecimento deve ser o objetivo de todo projetista, e desta forma, usá-lo para evitar problemas futuros. Os danos característicos de um O’Ring podem ser de várias formas:-

Extrusão - O Efeito da Pressão

A gama de pressões dadas pelo gráfico de extrusão

(veja página 80) foram obtidas por experimentação e dão boas indicações de como e quando é necessário utilizar-se os Parbaks ® Parker.

quando é necessário utilizar-se os Parbaks ® Parker. Antes da pressurização, o O’Ring se aloja deformado

Antes da pressurização, o O’Ring se aloja deformado entre as duas superfícies.

o O’Ring se aloja deformado entre as duas superfícies. Ao ser pressurizado, o O’Ring atua como

Ao ser pressurizado, o O’Ring atua como um fluido incompressível, exercendo uma pressão sobre o aloja- mento, proporcional à pressão do sistema.

sobre o aloja- mento, proporcional à pressão do sistema. A altas pressões, uma grande quantidade de

A altas pressões, uma grande quantidade de material

é forçada a entrar na folga, que por sua vez causa o dano ao O’Ring.

Falhas dos O’Rings

Pressão
Pressão

Um anel anti-extrusão Parbak ® Parker, colocado no lado não pressurizado do O’Ring, evita que o mesmo seja introduzido na folga.

A extrusão se caracteriza por um descascamento, ou por “mordeduras” na superfície do O’Ring, constituin- do-se na causa mais freqüente de falha dos O’Rings.

do-se na causa mais freqüente de falha dos O’Rings. O’Ring extrudado. O’Ring com “mordeduras” O’Ring

O’Ring extrudado.

mais freqüente de falha dos O’Rings. O’Ring extrudado. O’Ring com “mordeduras” O’Ring “descascado” No

O’Ring com “mordeduras”

O’Rings. O’Ring extrudado. O’Ring com “mordeduras” O’Ring “descascado” No ponto de extrusão, a

O’Ring “descascado”

No ponto de extrusão, a resistência interna do O’Ring

já não é suficiente para resistir ao inevitável - a folga entre os elementos do equipamento se fecham mais rapidamente do que o O’Ring se retrai. O O’Ring se corta, a folga se abre, e o material é forçado a introdu- zir-se nela.

A principal razão para essa falha é conhecida. O Depar-

tamento de Produção ( Usinagem ), necessita maiores

tolerâncias para conseguir uma fabricação econômica.

A outra razão, que normalmente passa desapercebida,

é a tendência à flexão das tampas, flanges e cilindros, assim como dos parafusos e tirantes de deformar-se

elasticamente quando submetidos às cargas de pressão.

A extrusão ocorre ao se forçar a seção transversal do

O’Ring a introduzir-se na folga. Este tipo de falha é mais pronunciado em aplicações dinâmicas, já que o mate-

rial é aprisionado na folga e cortado. Os elementos de máquinas que “respiram” ou funcio- nam com pressões altas ou pulsantes, são especial- mente suscetíveis à extrusão.

A resistência à extrusão dos materiais pode ser bas-

tante bem avaliada comparando-se com os valores do módulo a 100% de alongamento. Se este dado não for disponí-vel, pode-se então utilizar a Dureza IRHD para

selecio-nar o nível máximo de pressão que será supor- tado pelo O’Ring.

A falha por extrusão ocorre nas seguintes situações :

• Tolerâncias desnecessariamente abertas.

• Alta pressão.

• O’Ring muito “macio”.

• Variações físicas ou químicas que debilitam o O’Ring.

• Excentricidade.

• Cantos vivos nos alojamentos.

• Dimensões do O’Ring não apropriadas.

Falhas dos O’Rings

Para evitar essas falhas por extrusão as medidas cor- retivas são:

• Tolerâncias mais justas.

Utilização de Parbaks ® .

Aumentar a dureza do O’Ring.

• Verificar e comprovar a compatibilidade com o fluido.

• Evitar a excentricidade.

• Reforçar os componentes dos equipamentos para evi- tar a dilatação e contração por pressão (respiração).

• Manter os raios de cantos do alojamento dentro da faixa de 0,10 à 0,40 mm.

A gama de pressões e/ou folgas diametrais que necessi-

tam a utilização dos anéis anti-extrusores Parbak ® pode ser visualizada na página 80. Em equipamentos de duplo efeito, é necessário utilizar-se dois Parbaks ® .

Deformação Permanente

A deformação permanente é a perda total ou parcial da

memória elástica de um elastômero, e é também uma das falhas mais freqüentes dos O’Rings. Caracteriza- se por um duplo amassamento do O’Ring (radial ou axial) que pode facilmente ser observado quando se desmonta o O’Ring. Esse problema se deve unicamente à seleção de um composto incorreto. A elasticidade de um O’Ring não depende somente do composto, também há influência

da temperatura de trabalho, tipo e grandeza da defor- mação e envelhecimento provocado pelo meio (ex. ar, vapor, ácido, petróleo).

A deformação permanente pode ser descrita simples-

mente como: a perda de ligações transversais entre as cadeias moleculares, ou como: o surgimento de novas ligações (formadas por incidência de alta temperatu-

A de-

ra).

formação permanente,claramente visível em tempera- turas abaixo de zero, é geralmente reversível. A tem- peraturas mais altas, a elasticidade volta e as forças elásticas também voltam a atuar. As causas da deformação permanente a altas tempe- ra-turas e a perda de eficácia da vedação são conheci- das, e podem ser descritas conforme segue:

• O composto do O’Ring tem uma deformação perma- nente muito pobre (já na fase de escolha do

elastômero).

• Alojamento com dimensões incorretas.

• Temperaturas de trabalho mais altas que as previs-

tas

no projeto.

• Deformação alta devido ao pequeno volume do alo-

ja-

mento.

• Contato com um meio incompatível com o elastômero

selecionado (graxa de montagem ou fluido de traba- lho).

• O’Ring de qualidade irregular.

Esse tipo de falha pode ser evitado tendo-se em conta os seguintes pontos :

• Seleção de um elastômero já com baixa deformação permanente.

• Seleção de um elastômero compatível com as condi- ções de trabalho.

• Reduzir a temperatura do sistema que contém o
• Reduzir a temperatura do sistema que contém o

O’Ring.

• Comprovar se o composto do O’Ring é adequado.

• Redimensionar o alojamento. Deformação permanente característica. Grande deformação.

O'Ring Retorcido ou Falha Espiral

Essa é uma outra falha típica dos O’Rings, provocada parcialmente por deslizamento a seco. A superfície do

O’Ring se caracteriza pela presença de marcas em for- mato espiral que algumas vezes produz cortes profun- dos causando a falha. O fenômeno ocorre da seguinte forma:

• Em aplicações dinâmicas , o enrolamento do O’Ring

é produzido por causa de uma deformação variável

da seção transversal (excentricidade), ou quando o

filme de lubrificação se rompe, durante um curso lon- go, permitindo o contato metal x borracha a seco.

• Em aplicações estáticas, o O’Ring se retorce durante

a montagem. A causa principal é uma relação inade- quada entre diâmetros internos grandes e seções transversais de diâmetros muito pequenos.

Falhas dos O’Rings

Falhas dos O’Rings O’Ring retorcido com marcas espirais, ou com cortes espirais superficiais. As causas são:

O’Ring retorcido com marcas espirais, ou com cortes espirais superficiais.

As causas são:

• Peças excêntricas.

• Folgas grandes, o que significa que as partes móveis podem não estar concêntricas com as partes estáti- cas.

• Acabamento superficial inadequado.

• Lubrificação pobre ou inexistente.

• Material do O’Ring muito “macio”.

• Movimento lento associado a curso longo (ruptura do filme de óleo).

• O’Ring enrolado no ato da montagem.

Essa falha pode ser evitada tomando-se as seguintes providências:

• Evitando-se a excentricidade.

• Melhorando o acabamento superficial.

• Utilizando um O’Ring mais “duro”.

• Melhorando a lubrificação (lubrificação interna ou canais de lubrificação).

• Reduzindo a deformação da seção transversal.

• Selecionando um vedante com outro perfil.

Descompressão Explosiva

Sob altas pressões os gases se difundem em todos os

elastômeros, formando “bolhas” microscópicas entre as cadeias moleculares. Ao descomprimir-se rapidamen-

te

o gás, as “bolhas” se expandem rompendo o compos-

to

internamente e explodindo ocasionalmente na su-

perfície do O’Ring. É possível que o O’Ring inche ao ser descomprimido e retorne à sua forma original sem nenhuma evidência externa de falha ou ruptura.

sem nenhuma evidência externa de falha ou ruptura. O’Ring danificado por descompressão explosiva. Esse

O’Ring danificado por descompressão explosiva.

Esse problema pode ser solucionado providenciando- se o seguinte:

Aumentando o tempo de descompressão.

• Projetar a aplicação utilizando um O’Ring menor, de tal forma que o mesmo absorva menor quantidade de gás e que a ocupação do alojamento também seja menor permitindo maior expansão do O’Ring.

• Selecionar um material mais resistente para o O’Ring.

• Selecionar um composto com maior resistência à des- compressão explosiva. A Parker dispõe de dois compostos com boa resistência à descompressão explosiva:- o S 3018-70B e o N 3006-90B.

Abrasão (Desgaste)

O desgaste é provavelmente o tipo de falha mais com-

preensível nos elementos de máquinas com movimento

recíproco, rotativo ou oscilante. Para a compreensão des-

se tipo de falha há que se ter em conta que o atrito é pro-

porcional à deformação, e que a pressão aplicada e o desgate são proporcionais ao atrito, além de que o incre- mento da temperatura também é proporcional ao atrito.

Falhas dos O’Rings

Os parâmetros devem ser considerados conjuntamen-

te com o meio para se conseguir um compromisso óti-

mo. Em aplicações estáticas, o dano devido ao des- gaste é causado por pressões pulsantes, que provo-

cam a ero-são do O’Ring sobre superfícies relativamen-

te ásperas ou contra as bordas dos alojamentos.

As causas principais de desgaste são:

• Acabamento superficial inadequado.

• Lubrificação pobre.

• Incidência de alta temperatura.

• Presença de impurezas no fluido do sistema.

• Pressão alta e/ou pulsante em aplicações estáticas.

• Pressão alta e/ou pulsante em aplicações estáticas. O desgaste pode ser observado como um “achatamen-

O desgaste pode ser observado como um “achatamen-

to” de um dos lados do O’Ring.

Essa falha pode ser evitada usando:

• Acabamento superficial correto.

• Selecionando um processo de usinagem melhorado.

• Trocando o fluido do sistema por outro com melhores características lubrificantes.

• Selecionando um composto com maior resistência à abrasão.

• Selecionando um composto auto lubrificante.

• Limpar todo o sitema, trocando o(s) filtro(s) e o flui- do. Esse tipo de falha caracteriza-se pelo achatamento de um dos lados do O’Ring, diferentemente da falha por deformação permanente em que se observa o achata- mento de ambos os lados do O’Ring.

Montagem Inadequada

Mesmo que se cumpram todas as recomendações aci-

ma, ainda podem ocorrer falhas. Muitas dessas falhas têm origem na fase da montagem.

O anel O’Ring é um produto de precisão altamente sen-

sível e deve ser tratado com o máximo cuidado. Não deve ser manuseado inadequadamente. Somente uma montagem efetuada com grande cuidado, poderá pro-

porcionar um produto sem avarias garantindo um cli- ente satisfeito.

A

alternativa é um equipamento que pode falhar duran-

te

a garantia, ou pouco tempo depois.

As falhas de montagem podem ser facilmente ocasio- na-das por:

• Utilização de um O’Ring sub dimensionado (causan-

do

a falha por Efeito Joule ).

• O’Ring retorcido, “mordido” ou com cortes.

• Montagem sem dispositivos adequados.

• Montagem sem lubrificação.

Montagem sem as devidas condições de limpeza.

Essas falhas de montagem podem ser evitadas:

• Eliminando os cantos vivos do alojamento.

• Chanfrando as bordas dos furos e eixos da monta-

gem

com ângulos entre 15 ° e 20 ° .

• Garantindo a devida limpeza das contra peças e dis-

positivos de montagem.

• Confirmando o código (tamanho) do O’Ring antes do mesmo ser instalado.

A deterioração dos O’Rings pode ser causada por uma

combinação das causas acima citadas. Ao ocorrer a falha, todas estas possíveis causas devem ser verifi- ca-das. Em caso de dúvidas, consulte nosso Departamento de Aplicação de Produtos.