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A Lança de Seth

O JORNAL DA ORDO TEMPLI ORIENTIS N° I (3) EQUINÓCIO DE OUTONO DE 2003 E.V.

93 U

Faz o que tu queres há de ser tudo da Lei.

697 U

R$ 1,50

CONTEÚDO

Fernando Liguori

A

Operação de Babalon

01

O

Estranho Espírito de Zos Vel Thanatos

04

Uma Brve História

08

Fernando Liguori

A LANÇA DE SETH 1 A OPERAÇÃO DE BABALON

“Quando o teu pó estiver na terra que Ela pisa, então talvez tu possas levar a impressão de Seu pé. E tu pensas em contemplar a Sua face!”

A Visão e a Voz, Aleister Crowley

Faz o que tu queres há de ser tudo da Lei.

O Equinócio de Outono marca o início do afastamento do Sol rumo

ao Inverno. As tradições mágickas do Ocidente associam este momento com o Elemento Água e o Pôr-do-Sol. As civilizações solares antigas acreditavam que o Sol morria no entardecer e era ressuscitado no dia seguinte. Durante a Noite, ele cruzava o Reino dos Mortos, levado, segundo os egípcios, em uma barca. Assim como a Renascença nos trouxe a Revolução Heliocêntrica, quando o homem descobriu que é a Terra que gira ao redor do Sol, ao contrário do que se supunha até então, o Sistema Thelêmico também propõe uma Revolução Antropocêntrica no processo de Iniciação: o Homem, ao invés de ser um ente imperfeito em jornada

através de um processo de purificação, a mercê de um Deus externo, é ele próprio um Ser Divino, submetendo-se de modo voluntário a um processo de ocultação no mundo, onde busca uma plenitude de auto-conhecimento e realização.

O Homem é intrinsecamente divino, Deus est homo, sendo uma

estrela de individualidade e curso próprio, que nunca morre. A morte é uma ilusão fisiológica, assim como o Pôr-do-Sol é uma ilusão astronômica. Por isto, no Rito de Passagem realizado na Loja Shaitan-Aiwaz, no dia 21 de Março passado, no Templo Secreto, sob a Abóbada de Nuit, o ápice dramático foi o momento em que a Sacerdotisa e o Hiereus proclamaram ao Hierofante, deitado na posição do Enforcado, que a Morte e o Sacrifício, considerados como sendo as Chaves de Iniciação do Æon passado, são apenas ilusões:

1 “A Lança de Seth” é uma série de crônicas Thelêmicas escritas por Fernando Liguori e publicado nos periódicos da O.T.O.

Não pense, ó rei, sobre esta mentira: Que Tu Deves Morrer:

certamente tu não deverás morrer, mas existir. Eu dou prazeres inimagináveis sobre a terra; certeza, não crença, enquanto em vida, sobre a morte; paz inenarrável, repouso, êxtase; Eu tampouco faço exigência de algo em sacrifício.

Líber AL vel Legis

Assim, o Hierofante se reergueu, consciente de que a busca da plenitude implica na realização e manifestação de todas as facetas

do seu ser, ao contrário do ideal falso da purificação, onde antes se buscava a supressão de características humanas consideradas inapropriadas pela cultura dominante; e conclamou os Iniciados de Thelema a lutarem contra todas as forças repressoras da

Humanidade:

Eu sou o guerreiro Senhor dos Quarenta: os Oitenta curvam-se perante mim & são humilhados. Eu vos trarei para vitória & prazer: Eu estarei em vossos braços na batalha & vós devereis deleitar-se em matar. Sucesso é vossa prova; coragem é vossa armadura; avançai, avançai, em minha potência; & vós não devereis retroceder a despeito do que for!

Líber AL vel Legis

O Reino do Oeste, onde o Sol parece se por, e onde se encontrava o

Altar, é associado ao Elemento Água. No Sistema Thelêmico, é o Quadrante onde se invoca Babalon.

Babalon é a divindade menos compreendida no Sistema Thelêmico. Não existe um capítulo para ela n’O Livro da Lei, e o seu nome não é citado pelo mesmo. Mas o Livro fala da Sacerdotisa como sendo a Mulher Escarlate, em quem todo o poder é dado. A referência é bíblica, pois é no Apocalipse, atribuído de modo errôneo ao apóstolo João, que encontramos a “grande prostituta, assentada sobre muitas águas”, “assentada sobre uma besta de cor escarlate”,

“a mulher vestida de púrpura e escarlata, e adornada com ouro, e

pedras preciosas e pérolas” que “tinha na sua mão um cálice cheio de abominações e da imundice da sua prostituição”, e estava “embriagada do sangue dos santos”. E o seu nome era “Mistério, a grande Babilônia”.

A menção à Mulher Escarlate levou Crowley ao nome de Babilônia,

que ele “corrigiu” para Babalon. Para o verdadeiro e desconhecido autor do Apocalipse, ela era na verdade uma cidade, a cidade de

Roma, que oprimia os cristãos e cuja queda era predita juntamente com a do seu regente, aquele cujo número seria 666.

A derivação bíblica é bem clara, por exemplo, no Capítulo 49 do

Livro das Mentiras, onde Crowley descreveu as antes só citadas Sete Cabeças da Besta sobre a qual sentava-se a prostituta:

Sete são as cabeças d’A BESTA sobre a qual Ela monta. A cabeça de um Anjo: a cabeça de um Santo: a cabeça de um Poeta: a cabeça de uma Mulher Adúltera: a cabeça de um

Homem de Valor: a cabeça de um Sátiro: e a cabeça de um Leão- Serpente.

A partir da citação nO Livro da Lei, entretanto, Babalon passou a

representar uma energia mágicka de natureza sexual. O Mistério dessa energia seria tão profundo que, no Capítulo 11 do seu livro Magick em Teoria e Prática, intitulado ‘De Nossa Senhora Babalon

e da Besta que Monta’, Crowley apenas escreveu que:

O conteúdo desta seção, que concerne a NOSSA SENHORA, é demasiado importante e sagrado para se imprimir neste tratado. Ele só é comunicado pelo Mestre Therion aos alunos escolhidos em seções privadas.

Crowley insinua nesta passagem a natureza sexual deste rito. Quando um membro da O.T.O. alcançava o VI° e Crowley o considerava um candidato adequado para os Mistérios mais Sublimes, ele o convidava a unir-se ao Soberano Santuário da Gnosis, onde se revelavam estes mistérios de Magick Sexual.

Assim, fica clara a natureza do poder dado através da Mulher Escarlate. A passagem dO Livro da Lei alude aos princípios de duas das mais importantes fontes do pensamento Thelêmico: o Tantra e

a Qabbalah.

No Tantra, a Mulher é considerada o veículo pelo qual a energia é trazida ao Homem, durante o ato sexual. Algumas linhas consideravam inclusive a mulher como um ser inferior, que deveria submeter toda a sua energia ao parceiro durante a cerimônia, e cuja única recompensa seria uma futura encarnação como um ser masculino. Babalon como Shakti, é a passiva, negativa corrente da natureza.

Ela é magnética e atrai para Si, a potencialidade da energia, esta ela absorve e armazena (no Santo Graal, a Taça de Babalon). Babalon também guarda profundas semelhanças com Kali, a destruidora. Kali é uma deusa de morte, cujos principais adoradores, os tugues, adoravam com o assassinato. Ela também é amante de Shiva, o qual

é, muitas vezes, representado como um cadáver sobre o qual copula

a Deusa, e o seu culto envolvia os mais profundos mistérios

Tântricos. Na Qabbalah, Malkuth, a Shekinah, é o elemento feminino da

Divindade, que recebia todos os poderes das demais Sephiroth, para transmiti-los ou dá-los ao mundo. É sumamente importante saber que o simbolismo Qabbalístico da Shekinah, principalmente delineado no Zohar, resgatou várias facetas perdidas das antigas divindades femininas, que podem ser agrupadas nos aspectos da castidade e promiscuidade, maternidade e sangüinolência. Assim eram as antigas deusas do Oriente Médio, deusas que regiam tanto

o amor quanto a guerra. A mais antiga delas era Inanna, a grande

deusa sumeriana, patrona de Uruk (cidade chamada na Bíblia de Erech). Ela era considerada uma virgem (a pura Inanna), mas, paradoxalmente, era também a deusa responsável pelo amor sexual,

pela procriação e pela fertilidade. Ela se entregou livremente ao rei Dumuzi (Tammuz), o primeiro rei mitológico da Suméria, e foi amante de todos os demais reis. Mas ela era também “a senhora da batalha e do conflito” que “tinha grande fúria em seu irado coração”. Estas mesmas características estavam presentes nas divindades femininas de outros povos, como a Ishtar da Akkadia, a Anath dos Cananeus e a Anahita dos Persas. Estas facetas da Deusa que moldaram o pensamento religioso do Oriente próximo durante milênios foram suprimidas pelo monoteísmo judaico-cristão com o seu deus descaradamente machista. Entretanto, elas ressurgem espantosamente na Shekinah dos Qabbalistas.

A Shekinah é a noiva e amante de Tiphareth, numa relação que

pode ser considerada incestuosa, pois ambos são o Filho e a Filha do TETRAGRAMMATON. O incesto entre deuses irmãos também

sempre foi uma característica comum das antigas divindades. Mas ela também é amante de vários heróis bíblicos, e, em determinadas circunstâncias, de Satan e dos Qlipphoth. Para a mentalidade do

Velho Æon, estes momentos eram desvios da norma divina. Para

nós, bravos e livres Thelemitas, representam aspectos da realidade e complexidade psíquica do homem tão válidos e necessários quanto os demais. Uma deusa age como quer, e o velho deus El diz, em um poema mítico ugarítico bastante Thelêmico, que “não existe restrição entre deusas”. Também a Shekinah, misteriosamente virgem e esposa do Rei ao mesmo tempo em que se prostitui com Satan e seus demônios, é mãe protetora dos homens e a comandante das hostes guerreiras e punitivas de Deus, que a colocou nessa posição após o Exílio dos judeus. Para nós, o importante é que Babalon possui também todas essas características. Mas a Shekinah é Malkuth e o Sistema Thelêmico identificou Babalon com a Sephira de Binah. Devemos notar, entretanto, que

a Qabbalah estabelece entre essas duas um identidade comum.

Binah é o primeiro He do TETRAGRAMMATON, e Malkuth o segundo. Assim, a Shekinah seria uma segunda manifestação de um mesmo princípio, que permitiria à Criação comungar com algo que está normalmente além do seu alcance. A Sacerdotisa, como Mulher Escarlate, cumpre este papel no ato sexual, permitindo ao seu parceiro experimentar algo do Mistério de Babalon. “E na sua testa estava escrito o seu nome: Mistério, a grande Babilônia”. Binah é a primeira Sephira depois do Abismo, a primeira manifestação do Pilar Esquerdo da Árvore da Vida. A dificuldade principal em defini-la deriva disto. Ela é o próprio Mistério, e só se revela aqueles que alcançam a sua morada. Crowley a descobriu no penúltimo Æthyr Enochiano, ARN, onde ela lhe revelou que:

Todo homem que me viu jamais me esqueceu, e eu apareço muitas vezes nas brasas do fogo, e sobre a suave pele branca de uma mulher, e na constância da cascata, e no vazio dos desertos e pântanos, e sobre grandes penhascos à beira-mar; e em muitos lugares estranhos, onde os homens não me buscam. E muitas milhares de vezes ele não me contemplou. E por fim Eu me lancei nele como uma visão golpeada em uma pedra e quem Eu chamo deve seguir.

Como deve, portanto, seguir Babalon aquele que sentiu o seu chamado, vislumbrando algo de Sua beleza no Mundo? Muitos

ordálios são necessários, e a primeira prova que o iniciado encontra é o Desespero. Na visão de ARN, Tifon, o Senhor da Tempestade, induz Crowley ao desespero, mostrando-lhe como são inúteis todas

as formas de adoração que ele conhecia:

Desespero! Desespero! Pois tu podes enganar a Virgem, e tu podes adular a Mãe; mas o que dirás à antiga Prostituta que está entronizada na Eternidade? Pois se ela não quiser, não há nem força e nem astúcia, nem qualquer saber, que possa prevalecer sobre ela. Tu não podes cortejá-la com amor, pois ela é amor. E ela tem tudo, e não precisa de ti.

E tu não podes cortejá-la com ouro, pois todos os reis e capitães

da terra, e todos os deuses do céu, derramaram o seu ouro sobre

ela. Assim ela tudo tem, e não precisa de ti.

E tu não podes cortejá-la com sabedoria, pois o senhor dela é

Sabedoria. Ela tem tudo isto, e não precisa de ti. Desespero!

Desespero!

Nem podes agarrar-te aos joelhos dela e pedir por piedade; nem podes te agarrar ao coração dela e pedir por amor; nem podes colocar teus braços ao redor do pescoço dela, e pedir por entendimento; pois tu tens tudo isto, e nada disto te serve. Desespero! Desespero! Nem podes vencê-la com a Espada, pois os olhos dela estão fixos sobre os olhos Daquele em cujas mãos está o punho da Espada. Desespero! Desespero! Nem podes vencê-la pela Serpente, pois foi a Serpente que primeiro a seduziu! Desespero! Desespero!

Ao Adeptus Exemptus, entretanto, Crowley entregou o texto

sagrado Liber Cheth Vel Vallum Abiegni como sendo a fórmula de

Realização da Grande Obra através da devoção a Nossa Senhora

Babalon. Segundo ele, o texto instrui o aspirante em como dissolver

a sua personalidade na Vida Universal:

1. Este é o segredo do Santo Graal, que é o sagrado vaso de nossa

senhora a Mulher Escarlate, Babalon a Mãe das Abominações, a

noiva do Chaos, que monta sobre nosso Senhor a Besta.

2. Tu deves derramar teu sangue que é tua vida na taça dourada

de sua fornicação.

3. Tu deves misturar tua vida com a vida universal. Tu não deves

reter uma gota.

Para Crowley, a carta da Força do Tarot, que ele renomeou Lust (luxúria, desejo, tesão), é uma representação de Babalon cavalgando

a Besta.

O entendimento que Crowley atingiu em vida sobre o Mistério de

Babalon deve muito às suas experiências com o sistema Enochiano. Curiosamente, apesar de todo o caráter religioso e monoteísta que John Dee deu a esse sistema, a leitura de seus diários revela que a

entidade por trás das comunicações era uma Deusa de características terríveis. O anjo feminino Madimi, que Crowley reencontraria quatro séculos depois em sua odisséia Enochiana, referia-se a Ela apenas como “minha Mãe”. Kelley nunca conseguiu ver a divindade

no cristal, mas ouviu a sua voz. quando ele perguntou o seu nome,

ela respondeu com ira: “EU SOU; que mais queres?”, e afastou-se como uma chama, enquanto Madimi se prostrava em temor e espanto. Em outras ocasiões, a relutância de Dee em obedecer certas imposições geravam terríveis ameaças, e até uma troca de esposas foi ordenada aos dois para que o trabalho mágicko tivesse a continuidade desejada. Dee não tinha como conhecer na época a série de textos Gnósticos

ainda enterrados em Nag Hammadi; caso contrário, teria certamente relacionado a resposta da Deusa dada diante da impertinência de Kelley a um texto chamado “Trovão: Mente Perfeita”, aparentemente uma fala da Sophia Gnóstica, que alguns chamavam de Barbelo:

Eu sou a honrada e a desprezada Eu sou a prostituta e a santa Eu sou a esposa e a virgem Eu sou o silêncio que é incompreensível e a idéia cuja lembrança é freqüente. Eu sou força e medo Eu sou guerra e paz Eu sou aquela que foi odiada em toda parte e que foi em toda parte amada Eu sou aquela a quem chamam de Vida e vós me chamaste Morte. Eu sou aquela a quem chamam de Lei e vós me chamastes Sem Lei.

Mais tarde, ao investigar o sétimo Æthyr, Kelley teria recebido uma mensagem que o aterrorizou a tal ponto, que seus experimentos com Dee chegaram a um fim. Para nós, é inevitável pensar na mensagem como sendo uma profecia daquela Deusa aos futuros Thelemitas.

É interessante notar a menção que o texto faz à Fortaleza, uma vez

que para Crowley a carta da Força do Tarot, que ele renomeou Lust (luxúria, desejo, tesão), é uma representação de Babalon cavalgando sobre a Besta. A carta da Força corresponde ao Caminho entre Chesed e Geburah, origem das forças mágickas Thelêmicas, e, segundo seu O Livro de Toth, “esta carta retrata a vontade do Æon”. A energia representada pela mulher embriagada com o sangue dos santos seria de uma natureza primitiva e criativa, completamente independente do criticismo da razão. “Existe nesta carta uma divina embriaguez ou êxtase.”

Em algumas operações mágickas sob a Abóbada de Nuit no Soberano Santuário da Gnosis na Loja Shaitan-Aiwaz, eu e Soror Maiat IX° em uma Operação que chamamos ‘Operação 156’ recebemos um Grimório ainda não publicado, mas que coloco aqui alguns trechos pertinentes:

1. Eu sou A Deusa. Eu sou espaço ao meio-dia. Eu sou as estrelas

que brilham a noite. Eu sou chamada o Útero do Bebê. A Senda

das Estrelas é o meu nome. Eu sou o Útero e eu sou a Tumba.

A energia representada pela mulher embriagada com o sangue dos

santos seria de uma natureza primitiva e criativa, completamente independente do criticismo da razão.

3. Meus três nomes são Beleza e Desejo e Magick. Tema-me no

meu nome Ela-que-é-a-beleza-da-noite. Venha a mim em meu

nome Ela-que-é-mais-desejada. Conheça-me em meu nome Ela- que-domina-o-universo. Veja, eu sou a Virgem na manhã, a Tentadora e Mãe ao meio-dia, e a Anciã na noite.

5. Cuidado! Eu sou o Basilisco no topo de sua escada de cinco

degraus. Ver-me nua e só é contemplar sua própria morte.

Babalon continua então sendo uma importante fonte de inspiração para os Magistas pós-Crowley. Um dos membros mais famosos da O.T.O., ainda na época em que a Grande Besta caminhava sobre este mundo, o cientista da NASA Jack Parsons, por exemplo, registrou em seus diários uma série de operações onde, segundo a sua compreensão, teria contatado a própria Babalon, de quem teria recebido a incumbência de dar à vida uma criança que seria uma encarnação desta divindade, a qual também teria lhe ditado o Quarto Capítulo dO Livro da Lei, onde se lê:

Sim, sou Eu, BABALON.

E este é o meu livro, que é o quarto capítulo d’O Livro da Lei. Ele completando o Nome, pois eu venho de NUIT por HORUS, a incestuosa irmã de RA-HOOR-KHUIT.

Coloque minha estrela em suas bandeiras e avancem em

alegria e vitória. Ninguém o negará, e ninguém ficará diante de

ti, por causa da Espada de meu Irmão. Invoque-me, chame-me, chame-me em suas convocações e rituais, chame-me em seus amores e batalhe em meu nome BABALON, onde todo poder é dado!.

] [

O Quarto Capítulo de Parsons, embora não seja aceito como uma

genuína revelação Thelêmica pelos Thelemitas ‘ortodoxos’, sem dúvida conseguiu reproduzir algo da beleza do original. É muito mais do que podemos dizer do monte de tolices escritas com o vaidoso objetivo de completar aquilo que já é perfeito. Existem tantas bobagens chamadas de ‘Quarto Capítulo’ quanto pseudo- encarnações de Crowley, ao ponto de Umberto Eco ter satirizado o

fato em sua obra O Pêndulo de Foucalt.

O Rito do Equinócio realizado pela O.T.O. no dia 21 incluiu,

portanto, uma invocação à Nossa Senhora BABALON. Enquanto o

coro dos Iniciados entoava o cântico “Aum. Aum. Et incarnatus est

de spiritu sancto ex Babalon omnibus mater et homo factus est.

Aum. Aum.”, e a Sacerdotisa servia a todos o Vinho no Cálice, o Hiereus invocou as energias do Æthyr ARN através da recitação da seção Água do Liber Samekh, cuja passagem “BABALON-BAL- BIN-ABAFT” foi interpretada por Crowley como significando “Babalon! Tu Mulher da Prostituição! Tu, Portal do Grande Deus ON! Tu Senhora do Entendimento dos Caminhos!”; e da leitura da Chave Enochiana dos Æthyrs. Foram também invocados os Governantes do Æthyr, DOAGNIS, PAKASNA E DIAIVOLA. Como a invocação do Equinócio atraiu forças que atuarão durante toda a estação sobre a Egrégora do Acampamento e sobre os seus membros, é importante sabermos as funções iniciáticas desses

Governadores:

DIAIVOLA (O deus onde está a vontade): ele inicia na realidade espiritual e nas doutrinas da Tradição Esotérica, cujas Raízes emanam do Mistério de Binah. PAKASNA (Ele que não muda com o tempo): inicia todos os que entram em ARN no significado do Amor e do Eterno Feminino. DOAGNIS (Ele que vem sem um nome): inicia todos os que

entram em ARN no significado do Amor e sobre a ilusão dos nomes

e títulos.

O Governador DOAGNIS, então, tem para nós, neste momento de

estabelecimento da Lei de Thelema e da O.T.O. Draconiana no Brasil, especial importância. A nossa Grande Obra precisa de pessoas dedicadas e cuja aspiração seja aprender, agora e sempre. Este Governador pode nos ensinar a não cairmos nas falácias que representam os títulos iniciáticos, muitas vezes comprados via Internet com material roubado de outras Ordens. Aquilo que nós não queremos em nosso meio são colecionadores de iniciações. Nós valorizamos, sim, aquelas pessoas que vêm na Ordo Templi Orientis uma oportunidade única de participarem de um real processo iniciático verdadeiramente Thelêmico, e que desejam contribuir para o desenvolvimento das condições onde este processo ocorre. Pessoas que queiram aprender conosco, lado a lado, de igual para igual, pois o verdadeiro Thelemita é o seu próprio Mestre, e não confia em cargos, títulos, no tempo ou na idade, para buscar e realizar a sua Verdadeira Vontade.

Amor é a lei, amor sob vontade.

FERNANDO LIGUORI

Equinócio de Primavera de 2003 e.v.

A LANÇA DE SETH 2 O EXTRANHO ESPÍRITO DE ZOS VEL THANATOS

Faz o que tu queres há de ser tudo da Lei.

Kenneth Grant no seu primeiro livro, The Magical Revival, nos mostra o trabalho diferenciado entre Crowley, Fortune e Spare. Enquanto Crowley buscava aprimorar um sistema onde a ‘hiper- consciência’ fosse atingida, Fortune desenvolvia seu maravilho sistema de ‘Personalidades Mágickas’. Já Spare desenvolvia um

sistema onde cada recanto o inconsciente fosse vasculhado e trazido, através da manifestação de atavismos por um sistema de sigilização,

a tona.

Um Magista necessita destes três processos, por isso Grant considera que estes três cultistas realmente trabalhavam em função

de ‘reviver’ um culto muito antigo.

Como Kenneth Grant ficou muito familiarizado com o sistema de Spare que ele mesmo ajudou a montar, o Culto Zos Kia, ele trabalha na mesma direção que Spare, i.e., vasculhando os recantos mais escondidos do inconsciente atrás de informações esquecidas pela humanidade. Baudelarie sugeriu que a exacerbação extrema dos sentidos pode causar um refinamento no limite da sensação e da visão que pode conduzir a um pressagio da pura estética. Rimbaud foi mais além e com um fim similar anunciou uma fórmula de total desorganização dos sentidos. Posteriormente Crowley adotou esta fórmula com diligencia e Austin Osman Spare – ou Zos vel Thanatos como é conhecido pelos iniciados – foi outro Alquimista estético desta classe. 3 Há um certo estado de consciência caracterizado por uma

2 “A Lança de Seth” é uma série de crônicas Thelêmicas escritas por Fernando Liguori e publicado nos periódicos da O.T.O. 3 Um expoente contemporâneo desta corrente, Michæl Bertiaux, descreve nas anotações do ‘Clude Choronzon’ as bruxarias cósmicas que produzem a suprema síntese que Baudelaire e outros aspiraram.

estranha perichoresis 4 em que os sentidos mundanos, exaltados e

infundidos com a Vontade magickamente carregada, i. e., dirigida, atræm influencias misteriosas do exterior.

A interação de elementos deste mundo com elementos de outro

Universo conhecido como Meon 5 criam uma realidade ultradimensional que só os artistas (ou Magos) mais sensíveis são capazes de responder de forma criativa. Austin Osman Spare mostrou visualmente o valor das recordações (nostalgias) reverberantes com meios de mimesis mágicka e de controle onírico. Proust também demonstrou o mesmo se

utilizando de instrumentos como a madeleine e as ‘frases curtas’ de Vinteuil como chaves vibratórias. Eu proponho aqui tratar da Bruxaria de Spare que teve suas origens nos Cultos Bruxais Ameríndios refletidos através de Yelg Paterson que clamava ser uma descendente das Bruxas de Salem. Ela possuía um Espírito Guia chamado ‘Águia Negra’. Esta entidade estava sob o ‘controle’

de várias juntas Bruxais, duas das quais foram dirigidas por Yelg

Paterson. Ela assegurava que a Águia Negra era de procedência de

Narragansett. Os leitores de Lovercraft farão alusão desta tribo em conexão com os ‘Outer Ones’. Não se sabe que se depois da morte

de Yelg Paterson a Águia Negra ‘enfocou’ através de Spare. Ele

acreditava que a Águia Negra inspirava muitos de seus trabalhos e ‘oráculos’, ainda que é improvável que ele considerava a Águia Negra algo além de um Espírito Guia, i.e., que é improvável que ele relacionasse esta entidade com o célebre Culto dos Antigos de Lovercraft, ainda que nos últimos anos de sua vida Spare tenha tido acesso a literatura de Lovercraft. Yelg Paterson foi o veículo entre este culto, cujos devotos ela conhecia com o nome de ‘Antigos

Ventos’, e vários escritores e artistas da Europa, Rússia e América, (tais como Blackwood, Rohmer, Lovecraft, Roerich. Hoje já se sabe que Roerich manteve tráfico com Extraterrestres e há razões para crer que Lovercraft experimentou contatos com além.) Como exemplo da afinidade deste culto com os Antigos relatados por Lovercraft, incluirei aqui um Ritual que me foi ditado por uma informante. Ele é conhecido como ‘O Jogo das Pedras’ que, como é comentado sobre ele, foi empregado antigamente pelos Índios Narragansett para manter o tráfico com os ‘Outer Ones’. Eu possuo em mãos os manuscritos de tal Rito utilizado por Spare. Nele não há comentários sobre o Ritual, mas aparece uma citação bíblica, não da mão de Spare. Em um preâmbulo do Rito, demasiado difuso para sua inclusão aqui, é declarado que o número

de pedras a se usar varia sobre a natureza e outras afinidades sobre

a entidade elemental evocada. São classificadas sobre quatro

elementos: 6 Para Água, Syth Ooloo, três pedras; para o Fogo, Syth Odowogg, seis pedras; para o Ar, Hru Syth, oito pedras; para a Terra, Shognigoth, cinco pedras, etc. Os nomes de cuja fonte Ameríndia é impossível de ser traçada, são provavelmente variantes, inclusive raízes de certos nomes chaves conectadas com o mito do

Necronomicon. Syth Ooloo sugere Cthulhu; Syth Odowogg pode ser Yog Sothoth ou Issadagowah; Hru Syth é uma simples metatesis de Hastur e Shognogoth até a Shub-Niggurath, bastante

satisfatório. Não só estes nomes apresentam semelhanças fonéticas como os elementos a eles designados são os mesmos dos mitos de Lovercraft. Essa sugestão é confirmada pelo número de pedras que estão em concordância com as entidades ‘involucradas’: 3, Binah- Saturno, a Grande Profundidade, morada de Cthulhu; 6,

4 Intercessão, Zona Comum.

5 Meon (MAON=166) na Arábia o mito foi “O Trono de Bel nos Céus”. A palavra também significa vulva que é representada pela vesica piscis, o Portal – neste caso a Porta de ingresso de forças Extraterrestres. Seu número, 166, indica Caligo Maxima, as mais obscuras profundidades (do Espaço Exterior). O Beth-Baal-Meon, segundo Inman, foi “um Templo de Ritos nocivos”, o que sugere a fórmula do Ágape (93).

6 Me abstenho de incluir as influências etéricas e sub-elementais que não são de nenhuma utilidade para o Magista que não tem nenhuma afinidade ou prática no ‘Ressurgimento Atávico’ de Spare ou de alguma fórmula semelhante.

Tiphareth-Sol | Fogo, Yog-Sothoth, raiz de 666, o Espírito da

Corrente Fálica-Solar; 8, Hod-Mercúrio | Ar, Hastur, o Mensageiro Alado; 5, Geburah-Marte, com a correspondência da Cabra de Mil Crias (Shub-Niggurath), parecido com um tipo de Cabra de Kali, diferente da cabra ‘Pãnica’ do Atu XV do Tarot. O número 5 é o ‘número da mulher’, e indica a terra como a carne congelada do sangue, mas também, o número por excelência dos ‘Great Old Ones’, o número sob o qual os Cultos completos e a arquitetura estão baseados.

O

texto do Ritual começa agora:

Ponto 1: Sente-se a esquerda do centro do Círculo composto por conchas marinhas. (O diâmetro do Círculo depende da natureza da entidade ou entidades invocadas.) Ponto 2: Cada pedra será chamada depois de sua reflexão na Grande Profundeza. Este ponto pode ser considerado cumprido quando uma forma definida parece emergir de cada pedra e assim a cobrir, a qual não se sucede se a imagem não for uma verdadeira emanação da pedra, senão uma simples construção mental ou astral. Ponto 3: Visualizar linhas de poder sendo emanadas das pedras. Isto criará um número específico de ‘vias’ que irão se converger sobre o operador. Ponto 4: Através do reflexo espectral do Espírito obtido pela projeção de um simulacro luminoso do Espírito de cada pedra, erguendo assim uma teia luminosa energizada pela Vontade 7 (Desejo) de penetrar nos espaços interiores que correspondem aos elementais (entidades) dos espaços exteriores como se estivessem encarnados no Bruxo. Ponto 5: Se converta em um cadáver, como é ensinado por Zos Kia, 8 e visualizar a resultante Hro 9 com uma explosão brilhante ao redor do centro da teia luminosa. 10 Ponto 6: Este Ritual manifesta a Vontade Mágicka do Bruxo no momento do Hro. Esta Vontade pode ser materializada em alguns dias, horas ou inclusive minutos. Não se necessita utilizar o Rito todos os dias, e quem sabe, é imprudente pensar sobre ele a não ser naqueles momentos que precedem o sono. O Ritual completo é visualizado ponto por ponto e o Trabalho deve ser selado com a Estrela 11 para abortar a manifestação prematura do sono. Ao contrário, se o sono é desejado, então a Estrela do Mar deve ser traçada 12 na atmosfera astral dobre o Círculo. Sendo uma concentração etérica requerida sobre as pedras, elas devem ser marinhas e colhidas sob a Lua Cheia dentro de um espaço entre os mares.

O

documento é remarcado ainda que não seja por outra razão que a

dos nomes das entidades invocadas. Parece pouco duvidoso que sejam variações dos nomes chaves encontrados no Necronomicon. Syth (Seth ou Suth) 13 tem o valor de 470. Ele é o número de DVR DVRIM, ‘entidade’, literalmente, ‘um ciclo de ciclos’ ou ‘um Æon de Æons’; e de Oth, ‘Tempo’ ou ‘um período de tempo’. 710 é a forma Caldea de ShIT, significando ‘seis’. Isto indica a Corrente Fálica-Solar da qual sua forma lunar é 666, o Espírito do Sol. 710 é também o número de IRK, ‘o muslo’, indicando assim a natureza Draconiana da Corrente. Esta é a representação mais poderosa no complexo Cristão do Pneuma Hagion (710) o ‘Espírito Santo’, que é de uma natureza feminina. 710 é também DRUK, o ‘Dragão do Trono’, totem do Culto dos Drukpas.

7 Vontade, Desejo e Crença é a Santa Trindade do Culto Zos Kia.

8 Isto recorda a ‘Postura da Morte’ de Zos. Ziska foi o nome dado por Sidney Horler a um Vampiro, em uma novela que sugere que Horler, com Sax Rohmer, eram conhecedores destes mistérios.

9 Cf. Hriliu. Ver Liber 418, 2° Æthyr.

10 I.e., ao redor do operador no Círculo Mágicko.

11 Poderia ser uma referência ao Ritual Menor do Pentagrama.

12 Pentagrama da Água.

13 “Seth, a Grande Fortaleza, Filho de Ra o Ombita, o escolhido de Ra- Herakhty” (i.e., Ra-Hoor-Khuit). Passagem do Livro dos Mortos. Ombo foi o local de Culto de Adoração a Seth e Tifon que foram adorados no Santuário de Sebek-Ra, cujo totem era o Crocodilo, i.e., o Dragão.

Há ainda que se destacar a recorrência nos nomes da letra Tau que se conhece como o selo de Seth. Crowley observa em Magick: “ShT (Seth) é a fórmula deste Æon em particular”, implicando assim o Æon de Horus. É observado também que Shognigoth contém a palavra Shoggoth, um tipo de zumbi que se encontra na recessão de Lovercraft para os mitos de Cthulhu. Syth ou Seth foi um sinônimo de Tifon e isso indica, segundo Plutarco, ‘voltar atrás’, e ‘sobre-passar’. A calda ou muslo foi uma figura que se converteu, na posterioridade, na Pluma de Maat que indica o fim do Æon de Horus. 14 Assim Seth retém uma parte de sua mãe (Tifon), seu excremento 15 por assim dizer, a cauda indica a fonte de manifestação e como tal forma a base da fórmula do XI° O.T.O. Deve ser enfatizado que esta fórmula não implica em homossexualidade. A boca do morto 16 era aberta pelo Sacerdote. Em um Ritual associado com o nome do Rei Amenophis I, o instrumento de abertura da boca é descrito como o Falo de Seth. Seth foi adorado como o ‘Deus da terra da fronteira’, não a causa de uma associação histórica com o deserto onde seus centros de Culto floresceram, senão a causa de sua afinidade com as forças do Exterior que transcendem os limites do Cosmos. Seth é o Deus do Trono (o perturbador da paz) e um ‘estrangeiro’, i.e., uma força Além ou Extraterrestre. Isso explica a veneração do Deus nas fronteiras terrestres. Seth é o forasteiro como o ‘Deus das fronteiras e dos países estrangeiros’. Segundo A.H. Gardiner, os Hiksos ou Hekshus, adoravam Seth:

O Rei Apófis converteu Set como o Senhor, e não servo de

nenhum outro Deus que existisse na terra exceto Seth. E ele construiu um Templo como uma casa perfeita e eterna junto ao palácio do Rei Apófis. Ele aparecia pela manhã para fazer

sacrifícios diários [

a Seth e os grandes vinham a sua presença

com oferendas, como se fazia no Templo de Ra-Herakhty.

]

Em seu ensaio sobre Seth, 17 Velde equivocadamente se esforça para igualar os Hekshus com os Semitas ao invés de reconhece-los como Draconianos originais. A especulação concernente a Seth como o “estrangeiro divino”, no sentido de um Deus importado para o Egito pelos Judeus é errada. Seth foi o Aliem, o forasteiro, só no sentido de uma influência do reverso da Árvore da Vida. Foi após a adoração de Seth ter sido ensombrada pelos cultos posteriores, passando a ser venerado como o “divino estrangeiro e o terrível iniciador na forma de uma existência diferente” que seu papel foi degradado como o inimigo ou um assassino demoníaco, um poder caótico. Com estas considerações em mente chega a ser possível analisar inteligentemente os nomes que aparecem no Rito das Pedras. 18 Syth Ooloo pode ser avaliado como 780, o número de ION, ‘um isolado animal do deserto, um nome de Baal correspondente a Pã’. ION é derivado do Egípcio ‘an’, um tipo de discurso. ION significa ‘pronunciar’, ‘falar’, ‘cantar’. Sepermeru, o centro de Culto de Seth no Alto Egito significa ‘cerca do deserto’. A fronteira do deserto é o local do chacal ‘ladrador’, um totem de Seth. Velde reproduz uma figura mostrando uma entidade com cabeça de asno com um arco em sua mão esquerda e uma flecha em sua mão direita, estes são símbolos de Sothis. Debaixo da figura aparecem as iniciais de palavras Coptas, traduzidas como “o terrível e feroz Deus ladrador”, formando um acróstico do nome de Seth. Esta deidade chegou a ser o bode expiatório do fervor religioso para os Deuses Nacionais Egípcios, primeiro como uma força estrangeira ou aliem e posteriormente como um demônio do deserto evocado somente pelos Bruxos.

14 Veja AL I:66.

15 I.e., seu DM ou materialização da Shakti (corrente menstrual | lunar).

16 A Palavra “morto” aqui significa matéria inerte representada pelo “excremento” de Tifon, o agente materializador que ressuscita os mortos.

17 Seth: The God of Confusion.

18 Um dos significados do nome Seth é ‘uma pedra erguida’.

Como no caso de Lovercraft, séculos depois, o terror subjacente não era motivado por humanos estrangeiros, mas os daquelas dimensões estranhas cujo Deus foi representado por Seth.

A conexão de Seth com o exterior é vista de uma maneira suja;

Copenague 19 foi transformada em uma imagem de Khnum, o divino

criador dos homens. Khnum tem a cabeça de uma rã e a rã é um totem dos ‘Deep Ones’ e das Câmaras Subterrâneas dos Caminhos

abaixo da Árvore da Vida. Finalmente, o nome Syth Ooloo (Sythulu) da 752, o número de Satã (Satan) que é o nome dado por aqueles que temem os Deuses do Exterior, Shaitan ou Seth.

O nome Syth Odowogg tem o valor de 936, um dos números mais

importantes da Gnosis Sethiana. Orthrus, vassalo de Tifon e Echidna e irmão do cachorro infernal Cérbero, também tem esta numeração tão significante e que devia ser estudado em conexão com o Æon de Maat. Orthrus é a Estrela Cão, Sírius, conectada também com o cachorro do inferno e com Osíris (uma metatesis de Sírius) o Deus dos ‘mortos’. 936 é também o número de Kether soletrado completamente, o qual é atribuído a Plutão, também

simbolizado por um cachorro. Outro número de Syth Odowogg é 696, o número de IPSOS, a palavra do Æon de Maat e de Nagriksamisha. Odowogg contém o Od e o Yog. O nome recorda a Sadowogguah, o sapo negro típico das Profundezas e dos batráquios Saltadores. Hru Syth é uma forma de Heru-Seth, o Deus duplo, uma variante

de Hastur dos Antigos Ventos, sendo o Ar o elemento de Horus

como o Falcão ou a Águia, e Seth como o Abutre ou o Corvo. O número de Hru Syth é 681, ThRVOH, ‘o som de uma trombeta’ (Rei dos instrumentos do Ar), e ‘um manto gasoso’ remanescente de hriliu, o ‘penetrante grito do orgasmo’. Hriliu é a Palavra da Pomba, o pássaro do Ar atribuído a Vênus. Sua associação com o Lamen da O.T.O. foi explicada no meu artigo “Mais além dos Pilares de ShTÆ”. Shognigoth é 906, ThVLOTh, ‘o Gusano’, o escavador de túneis e rondador de tumbas, simbolismo das interioridades terrestres, os espaços interiores constituindo a quarta dimensão do elemento terrestre. A conexão mortuária está enfatizada pela equação numérica com ChONChON, um pássaro noturno que se parece com o abutre, uma forma assumida pelas Bruxas pertencentes a um ramo secreto Bruxal Sul-americano. Soletrado como ShVGNIGVTh, Shognigoth é um a mais que 777, o número de

OVLM HQLIPVTh, ‘o Mundo dos Cascões’, e de DGON, Dagon, ‘Senhor das Profundezas’, neste caso, dos Intraterrestres. 778 é o número de STANAKU (Satanaku) ou Plutão, cujas cavernas secretas estão repletas de ‘abominações’. O número indica ao interior, a subterrânea natureza de Shognigoth. Desde a publicação do livro de Kenneth Grant, Images & Oracles em 1975, uma nova luz se deu sobre as afinidades ocultas de Spare com os Antigos. É provável que o nome de Yelga, até agora supostamente o primeiro nome da ‘Bruxa Mãe’ de Zos, a Sra. Paterson, é na realidade Yelder, e isso não é um nome mas sim uma designação. Spare sofria de maneira leve de dislexia, o que, ocasionalmente afetava seus discursos e escritos. Um exemplo disso era a má pronuncia do nome de sua amiga, Hannem Swaffer, como Swather. Como Crowley, Spare muitas vezes submergia nos trabalhos eruditos sobre Bruxaria produzidos por Rev. Montague Summers. Em sua obra, The Werewolfe, aparece uma referência a “yelder- eyed witches”. 20 A palavra ‘yelder’ poderia ser uma alusão a ‘Ye Elder’, o Antigo ou Antiga, que Spare indubitavelmente acreditou

se aplicar a anciã Sra. Paterson.

Sem dúvida, a palavra sofreu uma erosão e veio de seus lábios como Yelga. Em relação a conexão da Sra. Paterson com os Antigos ou

19 Glyphothek Ny Carlsberg AEIN 614. 20 ‘A Bruxa dos Olhos Anciões’.

com os ‘Great Old Ones’ 21 ou ‘Elders Gods’, 22 como se enfocaram através da Águia Negra, a aplicabilidade do termo me parece agora haver sido singularmente apropriada. O seguro é que através da Sra. Paterson, Spare foi capacitado para efetivar tráfico com

entidades ocultas que foram sobreviventes da antiga Bruxaria e por sua experiência com estas entidades, desenvolveu um sistema único

de Bruxaria.

Na página 186 do The Lurker at the Threshold aparece o seguinte:

O sábio Índio, Misquamacus, fez um ‘feitiço ao Demônio’, em um

fosso que uma vez havia sido o centro do círculo de pedra de Billington, aprisionado-o sob – as palavras são ilegíveis mas provavelmente seja ‘pedra’ ou algo similar, esculpida com o que eles chamavam de Sinal dos Antigos. Eles o chamaram de Ossadagowah, e explicaram que era o ‘filho de Sadagowah’, o que sugere instantaneamente uma das conhecidas entidades menores do panteão mitológico que estávamos examinando: Tsathoggua, conhecida as vezes como Zhothagguah ou Sodagui, o qual é descrito sem forma antropomórfica, negro e um tanto plástico, Protéico em origem, de adoração primogênita. Mas Misquamacus

o descreve como ‘algumas vezes pequeno e sólido como um

grande Sapo maior que muitos formigueiros, outras vezes, grande, sem forma, ainda que seu Rosto parecia-se com uma Serpente’.

Essa descrição poderia se adaptar a Cthulhu ou quem sabe, Nyarlathotep. Mas também se enquadra na descrição de Yog- Sothoth. Em uma de suas cartas, Lovercraft se refere a esta entidade como Tsathoggua (Sadoquæ). Os números destes nomes e suas variantes são iluminadoras, especialmente no que concerne a referência do “Círculo de Pedras de Billington”, que sugere uma conexão com o Ritual descrito. Ossadagowah é descrito como “O filho do Sadogowah” e um “espantoso espírito debaixo das estrelas”. Um dos números de Sadogowah é 251, é o Vrihl, a força mágicka e poderosa mencionada por Bulwer Lytton em The Coming Race. 251 é o número de MNB SNMT, o Pai de Ankh-af-na-Khonsu que sugere uma conexão com o Culto de Nuit e com o ambiente estelar de Ossadagowah. É também o número de REMU que é traduzido por Budge no Livro dos Mortos como ‘A cidade do Pé’, o qual é significativo em vista do fato de que 251 é o número de ‘Annedotus’, o ‘repulsivo’. 23 Um número alternativo de Ossadagowah é 281, que também é Restau, ‘a tumba, a morada dos mortos’ e dos gusanos ou serpentes da terra que guardam os corredores ou Túneis de Seth no Reino de Seker. 24 Os gusanos

“vivendo sobre corpos [

também é o número de Sang Pó, o vale em que Dikhoff e outros desenvolveram as fábulas de Shamballah, a cidade subterrânea. Como 461, Ossadagowah equivale a uma forma de Aussik, um

‘Antigo’ que no presente é enfocado como Canal-Vivo pelo O.H.O. da Ordo Templi Orientis, O.T.O. 26 Também é um nome de OAHSPE, uma moderna revelação que fala do tráfico com entidades Transplutonianas.

O nome Tsathoggua tem o valor de 574 que é o mesmo valor da

palavra Caldéia possuindo ‘um significado geral de movimento’ (IRChShVN) aplicável ao brincador com forma de sapo, outro vínculo com os ‘Deep Ones’. Uma forma variante de Sadogowah, o familiar de Ossadogowah; seu número é 220, como Agharta, uma

]

e se alimentando de corpos”. 25 281

21 ‘Os Poderosos Antigos’.

22 Também conhecidos como ‘Ancient Ones’ ou ‘Old Ones’.

23 Annedotus = Oannes. A Pomba, a Yoni e o Pé de Oannes são chamados de “sujos”, “imundos”, uma “abominação”. A imagem de um pé é descrita no Necronomicon em conexão com as “hordas de Demônios que atacam na noite”.

24 Veja o Ritual de Abertura do Templo utilizado pelos membros da Loja Shaitan-Aiwaz.

25 Livro dos Mortos.

26 Ordo Templi Orientis Draconiana.

forma de restau ou cidade subterrânea de gusanos e peixes, i.e., a Corrente Ofidiana ou Morada dos ‘Deep Ones’, os Deuses das Profundezas. 220 é também o valor de NPILIM, os filhos do Primogênito Gigante Anak. Para os Thelemitas o significado do número 220 é capital, sendo o número de versos em Líber AL. Este Grande Grimório foi realmente

e por aquela razão, designado como Líber CCXX antes que o

parte de sua reconstituição e reorganização foram inseridos no

Grimário de Zos.

Portanto, é necessário elucidar algo sobre o trabalho de Spare. A influência do The Equinox de Crowley é evidente em vários capítulos e passagens do Livro do Prazer que tratam sobre Magick,

usualmente ridicularizada. Por exemplo, capítulos intitulados como

‘A Missa Negra’, ‘Magick Negra com Proteção’, ‘Vampirismo’, são

posterior nome lhe fosse dado. É também o número de GRZI, ‘uma terra deserta ou lugar seco’, representando a morada de Seth. Finalmente, uma forma de Sadogowah Zhothaggua – tem o valor

de 501 e é descrito nos mitos de Lovercraft como a “anormalidade com forma de sapo de N’Kai”. N’Kai é descrito 27 como ‘negro’ e ‘luminoso’. “É de N’Kai de onde procede o espantoso Tsathoggua

indubitavelmente sugeridos pelo estranho caso da Sra. Horos, um relato que aparece no The Equinox. Sem dúvida, a principal influência na vida de Spare fluiu através da Bruxa Paterson. Os ensinamentos dela são facilmente concebíveis em capítulos

importantes como ‘Professia’, ‘Augúrios’, ‘Oráculos’, ‘Supertições’, ‘Estímulo do Amor’, ‘Uso de Feitiços e Encantamentos sobre

[

]

semelhante ao deus sapo mencionado em [

]

Necronomocon”.

Homens e Animais’. A influência mais poderosa na vida de Spare

O

número de N’Kai é 81. É o número místico da Lua e da Fórmula

também vem da Sra. Paterson, ainda que seja duvidoso que ela ou

da Bruxaria ‘presidida’ por Hecate. É o número de KSA, a ‘Lua Cheia’, o primeiro dia que representa ‘o ponto de regresso’. KSA

significa também ‘um trono’, símbolo de Isis e de KALKI, o Cavalo Branco sobre o qual o Deus Maitreya apareceu montado com a espada desembainhada e brilhante como um cometa. A Espada é Zain, o Cometa é o veículo (UFO) no qual o Avatar Æônico de

Spare tenham conhecido sua procedência. Esta foi a corrente encarnada pela Águia Negra, que transmitiu a influência dos ‘Old Ones’ ou ‘Antigos’. Esta influência formou as bases metafísicas da Bruxaria de Spare. O atmosférico ‘Kia’, o transcendental ciclo do Zos-Kia, o Alfabeto do Desejo e o sistema de Símbolos Sensíveis que nutrem a raiz da Fórmula do ressurgimento Atávico.

Maat voltara a Terra. Quando isto ocorreu, Cult-Hali (Cthulhu)

O

abutre, o pássaro da noite e totem do Kia, é a sombra da águia,

“morto, mas sonhado” se elevara das Profundezas. N’Kai é o

o

falcão dourado ou pássaro da luz. Eles representam a quinta-

profundo lugar escuro, o Ament dos Kamitas, o Kia de Spare, o mundo das sombras que é como o corpo de Osíris re-membrado no Ritual.

essência obscura ou brilhante, ou Kalas representados na Gnosis Kamita como Seth e Horus. A Águia Negra unia em uma imagem a obscuridade-luz, elementos da substância da sombra.

Além da Fórmula de Spare do ‘Ressurgimento Atávico’ existem

A

corrente Bruxal de Salem foi perpetuada através da Sra.

vários sistemas baseados sobre a ‘Memória Mágicka’. Eles parecem

Paterson. Esta corrente provinha diretamente – e se pode assegurar

se

relacionar predominantemente com as artes devido ao fato de que

que ela desconhecia o fato – da Bruxaria infinitamente antiga

as

memórias visuais e escritas pelos processos de invocação têm mais

representada pela terceira tendência relatada acima. Estas correntes

probabilidades de ‘supervivência’ que outras formas menos óbvias.

se

fundiram na Bruxaria da Sra. Paterson e muitas de suas idéias

Em sua novela, Marcel Proust demonstra a função da memória

foram transmitidas a Spare em formas de discos pintados e Yantras

Feiticeiros de Leng. Novamente em ‘O Modus Operandi no Deleite

‘inconsciente’ ou ‘involuntária’ desperta por sensações que evocam no presente uma nostalgia profunda, suficientemente poderosa para materializar ‘sonhos’. Nestas circunstâncias, sombras do ‘espelho protoplasmático’ podem ser evocadas.

circulares que são classificados em suas exibições como ‘Discos Voadores’. É facilmente verificável no capítulo intitulado ‘O Festival dos Super-Senssuais’ os indícios da abominável comida dos

A

teoria da revelação protoplasmática leva o mecanismos mágicko

do

Festival’ isso é facilmente percebido. Uma olhada nos catálogos

aos reinos da transformação fisiológica real. Isso é demonstrado nas

de

seu último período (1949-1955) é suficiente para dissipar

histórias de The Great God Pan e The Inmost Light.

No campo das artes visuais, Salvador Dali ocupa a primeira posição como um Mago que aperfeiçoa uma fórmula similar indicando, i.e., fazendo alusão ao processo de ‘atividade crítico-paranóica’ potencializada por obsessões delirantes e pertencentes, como no sistema de Spare, a estética erótica pessoal elaborado em um extraordinário corpo de arte místico-nuclear. Rimbaud, Baudeleire, Mallarmé, todos eles contribuíram com a corrente Mágicka. Rimbaud com seu sistema de transtorno dos sentidos para a produção da verdadeira visão poética; Baudeleire com sua teoria da ‘sinestesia’ e seu sistema de correspondências; Mallarmé com suas sutis evocações da presença através da ausência, um verdadeiro místico de Le Néant. Mais tarde, o escritor surrealista, André Breton, enunciou teorias de desenho e escrita automática (já enunciado por Spare), cintilando: “A Beleza será convulsiva ou não será”. A convulsão, o transtorno, o delírio, a

Estes foram os elementos

obsessão, a reversão, a nostalgia, êxtase

principais da Corrente. Spare encarnou o núcleo desta doutrina em seu Livro do Prazer. Naquela época (1909-1913), Crowley estava publicando seu The Equinox que aliás, Spare contribuiu com ilustrações. Todavia, somente duas destas ilustrações apareceram. Isso motivou Spare a na lista de capítulos e ilustrações do Livro do Prazer que foram omitidos no The Equinox. Spare havia utilizado as ilustrações, mas não chegou a escrever nenhum capítulo sobre elas. Esse material foi quase totalmente destruído durante a Segunda Guerra Mundial e

27 Esta palavra pré-humana foi encontrada em diversos dialetos africanos e chegou a ser o ‘Ankh’ Egípcio.

qualquer dúvida da origem do uso do termo usado por Spare de ‘Discos Voadores’. Ele se baseava nas descrições de Kenneth Arnold sobre os fenômenos que formavam as bases de uma nova ciência e

uma nova mitologia. Mas a adoção do termo por parte de Spare não foi um impulso caprichoso, mas um reconhecimento do renascimento daquela Bruxaria ancestral encarnada na corrente mágicka transmitida desde o ‘Exterior’ pela Águia Negra.

Em anos recentes o significado da Águia foi, quem sabe, melhor expressado por Carlos Castaneda em sua obra O Presente da Águia, ainda que o simbolismo do Abutre para mim não tenha sido relacionado com os ‘Antigos’ por nenhum autor.

A íntima associação de Spare com o Abutre parece ter sido

retificada mais além da dúvida quando seu braço direito foi paralisado pela explosão de uma bomba durante a Segunda Grande Guerra. Esta ave é o totem dos Feiticeiros de Leng e de seus festivais necrófilos. Também é um emblema da Postura da Morte, um fator capital na Fórmula do Ressurgimento Atávico ou Ressurreição, fator primordial na Bruxaria de Spare. A Postura da Morte não é o mero paralisar do sonho magnético Yogui, é o Ásana da negação que exclui todas as influências do ‘exterior’. É uma projeção positiva de todas as forças do Ament, o mundo dos ‘mortos’, as vibrações das quais foram celebradas por Spare na ‘Canção do Negar’. O título do livro que a contém destaca a terra infernal ou interior (Ament). O simbolismo do Abutre deve ser observado na equação semântica vult=vontade (vult vem da palavra inglesa

vult-ure ou Abutre). Em Pequenos Ensaior em direção à Verdade 28

28 Em breve na SATVRNVS.

Crowley identificou Chiah (Kia) com a Vontade (Thelema, 93). É significativo que o Kia de Spare, o ‘Eu Atmosférico’, tem o valor de 31 que é a ‘Chave’ dO Livro da Lei e que é a Fórmula Raiz da Trindade Superna AL LA LA vibrada por Frater Achad em 1926 com a Palavra do Æon de Maat. Sob esta luz, o Kia de Spare pode ser considerado como um augúrio do Novo Æon anunciado por Frater Achad dez anos depois e isso pode demonstrar a procedência dos primogênitos cujo focus foi a Águia Negra. Que a Sra. Paterson tenha sido escolhida para transmitir esta influência não é inesperado, e não como os meios sem precedentes dos Neo-Ufos, de onde o fenômeno se manifesta através de canais inverossímeis.

Amor é a lei, amor sob vontade.

FERNANDO LIGUORI

Ibitipoca Equinócio de Outono de 2003 e.v.

ORDO TEMPLI ORIENTIS DRACONIANA UMA BREVE HISTÓRIA

A ORDO TEMPLI ORIENTIS (O.T.O.) É UM CORPO DE

INICIADOS cujo objetivo, no exterior, é o estabelecimento da Lei

de Thelema. Esse é o nome aplicado à tradição arcana uma vez

conhecida como Sabedoria Estelar, que teve suas raízes na Lemúria. Depois da submersão de Atlantis a tradição foi perpetuada em mistérios do Norte, América Central e Sul e nos Cultos Marinhos da Polinésia. Porém ela alcançou sua apoteose no período pré- monumental da História Egípcia e em seu declínio foi transportada para dentro das Dinastias Draconianas, terminando com a XVIIIª, embora restos dela sejam traçados na XXVIª Dinastia. Nos últimos anos a Sabedoria reapareceu de forma fragmentada em certas Tradições do Extremo Oriente. Tornando-se mais acessível e, em tempos recentes, comparativamente a Corrente veio a tona novamente quando Jacques De Molay (cerca 1312) concentrou-a dentro da Ordem do Cavaleiros Templários, em conexão com os Mistérios de Santo Graal. Neste estágio, ela assumiu um molde Maçônico. No século 18, a tradição apareceu sob a liderança de Adam

Weishaupt (1748-1830); ela ficou então conhecida como a Ordem dos Illuminati. Mais tarde, no século 19, um Adepto Austríaco chamado Karl Kellner deu a ela um novo ímpeto e o nome Ordo Templi Orientis. Os elementos que compunham o corpo da Ordem

a chamavam de Fraternitas Lucis hermeticæ Em 1922 o Magista

Inglês Aleister Crowley, tomou a liderança chamando-a de Mysteria Mystica Maxima, tornando-se o terceiro Grande Mestre até sua morte em 1947. Por um longo tempo após a morte de Crowley, a Ordem ficou sob o comando do tesoureiro Karl Germer. Após a morte de Germer a Ordem se dispersou e vários líderes assumiram manifestações diferenciadas da O.T.O. O mais conhecido líder da Ordem foi um ocultista Inglês chamado Kenneth Grant que de 1955 a 1962 fundou e dirigiu a Loja Nova Ísis na Inglaterra. Em

2003, um Magista Brasileiro, Fernando Liguori, assumiu a liderança

da Ordem, dissolveu sua estrutura Maçônica porém não com suas

afiliações, e realinhou-a com a Sabedoria Estelar a qual originalmente ela foi inspirada. Ele em sua liderança chama-a de Loja Shaitan-Aiwaz para poder canalizar as transmissões extraterrestres e ela operará de 2003 a 2009. A Loja opera sob a Sabedoria Estelar e foi completamente alinhada com a Corrente de Thelema (93 U) com a qual o Ordem teve primeiro sido inspirada sob a liderança de Crowley. Um dos recentes assuntos da Ordem, é a formação de uma Célula especializada para implementar métodos de relação com as massivas

forças ‘nightside’, agora entrado em erupção no ambiente astral da Terra. Um método potente de encontro e investigação está agora, em conseqüência, operativo dentro da Ordem. Uma Célula especializada, foi recentemente formada para explorar

o Culto de Lam, uma entidade trans-mundana contatada por

Aleister Crowley no curso do Amalantrah Working. O trabalho dessa Célula é desenvolver técnicas Mágickas mais efetivas em promover um contato com Lam, um Portal significativo para núcleo de Magick, que está situado no tráfego com as regiões mais profundas e amplas da consciência. Um dos interesses imediatos da Ordem é a formulação de uma outra Célula especializada para implementar métodos de intercâmbio com as sólidas forças do ‘Lado Noturno’ surgindo agora no ambiente astral da Terra. Um potente meio de encontro e investigação é uma forma de æsthesis, e um corpo crescente de

iniciados-artistas está agora, em conseqüência, operativo no interior

da Ordem. Esse grupo interno é coordenado por Angel B. Norton,

no presente o único representante autorizado da O.T.O. na América. Um dos interesses imediatos da O.T.O. é a formulação de uma Célula especializada no caminhar dos Andarilhos do Deserto nos Túneis de ShTÆ através do Veículo Naual (Veículo Animalesco) formulada por várias técnicas, dentre elas, a prática de Griphet Nomurbæ (transformação em Therion) na forma de Nomurbæ Naual (Therion Animalesco). Um dos principais objetivos da caminhada pelo Qichi ShTÆ (Deserto de Seth) é receber o Epleraire Tajnadux, o Ataque da Águia ou Presente da Águia. É conhecimento comum que em um período de sua longa historia a Ordem foi acusada de práticas de Satanismo (o que quer que isso possa significar). Isso estava em conexão com os Cavaleiros Templários. Contudo ninguém naquele tempo, ou desde então, tem produzido retalhos de evidência genuínos, ambos para suportar a acusação ou fazer seu significado inteligível. A mesma forma pode ser dita de quaisquer acusações similares lançados

contra ela hoje. Tais acusações são trazidas por pessoas ignorantes do verdadeiro significado do simbolismo pertencente à Ordem e seus Mistérios.

A Ordo Templi Orientis tem em todos os tempos sobressaltado os

princípios da Liberdade individual, Fraternidade e Bendição Universal. Seus objetivos e suas doutrinas têm sido expostas nos sucessivos escritos dos Grandes Mestres, cada um dos quais redefiniram o programa da Ordem de acordo com o desenvolvimento das técnicas esotéricas e Mágickas.

Usado sob o Selo do Soberano Santuário da Gnosis, O.T.O., 31 de Julho de 2003 e.v.

AUSSIK AIWASS, 718 U

O.H.O. da O.T.O.

A Lança de Seth – I (3) Equinócio de Outono de 2003 E.V. Publicado por

A Lança de Seth – I (3) Equinócio de Outono de 2003 E.V. Publicado por SATVRNVS PUBLICAÇÕES Órgão Oficial de Divulgação da Ordo Templi Orientis (O.T.O.) Copyright © 2003 SATVRNVS PUBLICAÇÕES. Editores: Fernando Liguori & Rubens Bulad. Editorial: Interessados favor escrever para: SATVRNVS PUBLICAÇÕES|A Lança de Seth – Caixa Postal 666, centro, Juiz de Fora – Minas Gerais. Cep: 36001 970. satvrnvspublishing@yahoo.com.br

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