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Comitê de Especialistas para Análise da Ruptura da Barragem de Rejeitos de Fundão

Relatório sobre as Causas Imediatas da Ruptura da Barragem de Fundão

APÊNDICE K

Potenciais Modos de Falha e Gatilhos

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Relatório sobre as Causas Imediatas da Ruptura da Barragem de Fundão

Apêndice K

Potenciais Modos de Falha e Gatilhos

ÍNDICE

K1

TRIAGEM DOS MODOS DE FALHA

1

K1.1

Galgamento

1

K1.2

Erosão Interna

2

K1.3

Escorregamento na Fundação ou Aterro do Dique de Partida

3

K1.4

Liquefação

4

K2

GATILHO DE LIQUEFAÇÃO

5

K2.1

Árvore de Falhas

5

K2.2

Liquefação Cíclica

7

 

K2.2.1

Vibração de Equipamento

7

K2.2.2

Detonações na em Mina

7

K2.2.3

Abalos Sísmicos

8

 

K2.3

Liquefação Estática

10

 

K2.3.1

Aumento de Poropressão Estática

10

K2.4

Poropressão Excessiva adicional na Lama

13

K2.4.1 Colapso da Galeria Secundária

14

K2.4.2

Colapso de Cavidades

18

K2.4.3

Ruptura do Rejeitoduto

20

K2.4.4 Mecanismos de Gatilho Restantes

21

 

Lista de Tabelas

Tabela K2- 1

Abalos sísmicos e detonações na em mina pré-ruptura em 5 de novembro de 2015 (por exemplo, Atkinson 2016)

Lista de Figuras

 

8

Figura K1- 1

Precipitação diária pré-ruptura

2

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Relatório sobre as Causas Imediatas da Ruptura da Barragem de Fundão Apêndice K – Potenciais Modos de Falha e Gatilhos

Figura K1- 2

Erosão interna em 2009 do Dique de Partida de Fundão. (a) Delta de material transportado no talude a jusante [23] . (b) Filtro defeituoso [23]

3

Figura K1- 3

Perfil geológico sob o Dique de Partida [66]

4

Figura K2- 1

Árvore de falhas para gatilho de liquefação na ombreira esquerda

5

Figura K2- 2

Desempenho sísmico de barragens de rejeitos em operação (segundo Conlin 1987; Lo et al. 1988)

9

Figura K2- 3

Comparação pós-liquefação das seções da ombreira direita (acima) e esquerda (abaixo)

10

Figura K2- 4

Locais de Localização dos piezômetros na ombreira esquerda

11

Figura K2- 5

Leituras de Piezômetro, Seção 01

11

Figura K2- 6

Leituras de Piezômetro, Seção 02

12

Figura K2- 7

Leituras de Piezômetro, Seção 03

12

Figura K2- 8

Excesso de Poropressão adicional nas lamas

13

Figura K2- 9

Alinhamento da Galeria Secundária sob o recuo da ombreira esquerda

15

Figura K2- 10

Sumidouro sobre a Galeria Secundária, 25 de novembro de 2012, do relatório ITRB de abril de 2013

16

Figura K2- 11

RestanteRemanescentes da Galeria Secundária pós-ruptura (foto de 1 de março de 2016)

16

Figura K2- 12

Depressão de nos rejeitos resultante da ruptura na Galeria Principal [25]

17

Figura K2- 13

Cavidades mapeadas (círculos) e litologias associadas nas proximidades de Fundão

19

Figura K2- 14

Localização de filito ferruginoso nas redondezas imediatas de Fundão (vide Figura K2-13)

20

Figura K2- 15

Local do duto de rejeitos

21

Figura K2- 16

Gatilhos de liquefação restantes (amarelo)

22

Lista de Anexos

Anexo K1

Relatório de Cavidades por TÜV SÜD

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K1

TRIAGEM DOS MODOS DE FALHA

Uma metodologia sistemática foi utilizada para a identificação dos potenciais modos de falha – mecanismos conhecidos por terem causado outras rupturas de barragem de rejeitos, conforme aplicado às condições específicas de Fundão. Cada modo de falha proposto foi examinado detalhadamente para determinar se poderia ou não ter sido ser o modo ativo, seguindo essencialmente um processo de eliminação. Aqueles que restaram após esta triagem inicial foram, em seguida, submetidos a uma análise mais detalhada. Para fins de triagem, uma ruptura é definida como colapso da barragem, resultando em uma liberação descontrolada dos rejeitos acumulados e água.

A identificação inicial do modo de falha inicial produziu os seguintes mecanismos e processos:

1. galgamento

2. erosão interna

3. escorregamento na fundação ou aterro do dique de partida

4. liquefação

Os mesmos estão considerados abaixo.

K1.3.2

Galgamento

O galgamento pode ocorrer sob condições operacionais ou de inundação. Galgamentos por inundação resultam de fluxos de precipitação que excedem a capacidade disponível de armazenagem e/ou descarga, permitindo que a água flua sobre a crista da barragem, cause erosão e rompa a mesma. O galgamento operacional produz os mesmos efeitos por causa de práticas de manejo da água inadequadas.

A Figura K1-1 apresenta a precipitação diária registrada na estação da Barragem Germano de 1

de outubro de 2015 até a data da ruptura, em 5 de novembro de 2015. O último evento de precipitação significativo ocorreu em 27 de outubro, nove dias antes da ruptura. O galgamento por inundação como modo de falha causador pode ser descartado com base nestas informações.

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Figura K1- 1 Precipitação diária pré-ruptura Precipitação (mm)
Figura K1- 1
Precipitação diária pré-ruptura
Precipitação (mm)

Da mesma forma, por galgamento operacional, a crista da barragem na ombreira esquerda, em 5 de novembro de 2015, estava na elevação 901,1 m e o nível d’água na elevação 892,5 m, deixando 8,6 m de borda livre. O galgamento operacional, portanto, não ocorreu.

K1.3.2

Erosão Interna

A erosão interna é um processo de transporte de partículas por infiltração percolação

concentrada para produzir que produz vazios e cavidades que operam retrocedendo até o a partir do ponto de descarga da infiltração, e se ampliam e causam ruptura da barragem. A

erosão interna pode ocorrer devido a filtros inadequados ou em associação com tubos

ou

caminhos preferenciais condutos que penetram o maciço.

A erosão interna foi manifestada no dique de partida de Fundão durante o incidente de piping de 2009, conforme evidenciado pelo depósito de materiais transportados e defeitos de filtro visíveis na Figura K1-2. Além disso, o ITRB relatou que cavidades dentro do Dique de Partida foram evidenciadas por investigações geofísicas após o incidente.

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Fonte d’água Elevação 797,75 • Ausência de transições para brita 6” • Brita 0 em
Fonte d’água
Elevação 797,75
• Ausência de transições para brita 6”
• Brita 0 em contato com a brita 6”

Figura K1- 2

talude a jusante [23] . (b) Filtro defeituoso [23] .

Erosão interna em 2009 do Dique de Partida de Fundão. (a) Delta de material transportado no

Durante as fases iniciais da ruptura, duas testemunhas oculares no pé da barragem, não muito longe do local da Figura K1-2(a), relataram uma coloração escura ou avermelhada na água empoçada ali. No entanto, eles também informaram que o Dique de Partida permaneceu intacto, mesmo quando rejeitos lançados de cima estavam jorrando sobre seu veículo automotor. Estas observações indicam que a erosão interna dentro do Dique de Partida não iniciou a ruptura.

Além disso, não há relatos de testemunhas oculares de sumidouros ou elementos relacionados feições relacionadas para sugerir que a erosão interna se desenvolveu de forma independente na ombreira esquerda ou dentro do aterro em torno da descarga da Galeria Secundária. Baseado nisto, a erosão interna está excluída como a causa da ruptura.

K1.3.2

Escorregamento na Fundação ou Aterro do Dique de Partida

Uma ruptura pelo escorregamento da fundação teria se manifestado no Dique de Partida e exigiria a presença ou desenvolvimento de planos de cisalhamento dentro dos materiais do terreno natural da fundação. Isto diz respeito, em particular, ao xisto filítico e xisto filítico intemperizado, já que solos residuais sobrepostos foram retirados de baixo do Dique de Partida, antes de sua construção. O perfil geológico de pré-construção, através da fundação do Dique de Partida na Figura K1-3, indica a localização e a extensão desses materiais.

Da mesma forma, o deslizamento do aterro envolveria o desenvolvimento e propagação de planos superfícies de cisalhamento dentro do próprio aterro do maciço.

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Fundão Apêndice K – Potenciais Modos de Falha e Gatilhos Figura K1- 3 Perfil geológico sob

Figura K1- 3

Perfil geológico sob o Dique de Partida [66]

Mais uma vez, as mesmas testemunhas oculares no pé do Dique de Partida informaram que o

mesmo não se mexeu durante o início da ruptura, descartando uma ruptura da fundação como

o mecanismo causador. O mesmo é verdade válido para deslizamento dentro dos materiais de aterro do maciço do Dique de Partida.

K1.3.2

Liquefação

A liquefação é o processo através do qual um material sem coesão perde sua resistência e flui

como um líquido. Três condições devem estar presentes para que a liquefação ocorra. Em primeiro lugar, o material deve ser contrativo, com uma propensão para reduzir de volume durante o cisalhamento. Em segundo lugar, o cisalhamento deve ocorrer com rapidez suficiente para desenvolver condições não drenadas. E em terceiro lugar, o material deve estar saturado. Todas essas condições estavam presentes para os rejeitos na ombreira esquerda. Um flowslide (deslizamento fluido) é a manifestação física de liquefação e constitui prova irrefutável de sua existência ocorrência.

Sem exceção, as descrições de testemunhas oculares são consistentes com a liquefação dos rejeitos e consequente deslizamento fluido. Particularmente indicativo da transformação de sólido para fluido são relatos de que a ombreira esquerda teria descido "como uma onda" e "derretendo". A turbulência violenta da massa fluidizada "dando cambalhotas" caracteriza, gráfica e inequivocamente, o comportamento de materiais liquefeitos. Uma testemunha disse ter "nadado" nos rejeitos liquefeitos, enquanto se agarrava a uma árvore.

Com base nestes relatos, concluiu-se que liquefação foi o modo de falha ativo na Barragem de Fundão.

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K2

GATILHO DE LIQUEFAÇÃO

K2.3.2

Árvore de Falhas

Além das condições antecedentes descritas acima, a liquefação exige algum processo ou mecanismo para iniciar, ou desencadear, a transformação de fase sólida para fluida. Vários desses mecanismos foram propostos, principalmente com relação a rupturas por liquefação anteriores. O entendimento da ruptura por liquefação de Fundão exige que o seu mecanismo de gatilho ativo seja identificado. Isso é ajudado e ilustrado pela árvore de falhas para gatilho de liquefação, fornecida apresentada na Figura K2-1, restrita à ombreira esquerda, onde a ruptura ocorreu se iniciou.

ruptura por deslizamento fluído por liquefação do fluxo liquefação estática liquefação cíclica saturação da
ruptura por deslizamento fluído por
liquefação do fluxo
liquefação estática
liquefação cíclica
saturação da
Recuo de
aumento da altura do recuo
devido a atraso
saturação da
areia
expansão da praia e
deposição de lamas
alinhamento
areia
eventos e
colapso da Galeria
Secundária
(sumidouro)
construção construção de de tapete tapete
drenante drenante para para elevação elevação 940 940 m m
condições
sobrecarga da
projeto alterado com o tapete
drenante 826
Galeria Secundária
ruptura do dreno de fundo do
Dique de Partida
conceito de projeto de “pilha
drenada”
colapso de
aumento da
poropressão
colapso da
aumento de
ruptura do
vibração de
detonação
abalo
excessiva na
Galeria
cavidades
poropressão
carga
rejeitoduto
equipamento
sísmico
na mina
estática
lama
Secundária
estática
cisalhamento não
extrusão por
drenado
deformação
com abalo sísmico sem abalo sísmico
com abalo sísmico
sem abalo sísmico
mecanismos gatilho mecanismos de gatilho

Figura K2- 1

Árvore de falhas para gatilho de liquefação na ombreira esquerda

A árvore de falhas da Figura K2-1 é um diagrama de lógica e é usada para ajudar a estruturar o processo de identificação e triagem de gatilhos de liquefação. Ela faz o caminho inverso da sequência de falha, começando com a falha, então, através dos acontecimentos que contribuem e das condições necessárias para a ocorrência da falha, e, finalmente, dos acontecimentos básicos que iniciaram o processo de falha. Desenvolvida como uma ferramenta para análise de confiabilidade do sistema, as manipulações algébricas relacionadas e a simbologia formal de que necessita não são necessárias ou aplicadas aqui. Em vez disso, como feito antes para a triagem do modo de falha, a árvore de falhas é usada como um dispositivo heurístico, primeiro para levantar potenciais mecanismos de gatilho e, em seguida, para determinar qual pode ser eliminado como gatilho ativo.

Na Figura K2-1, o evento principal é a ruptura por fluxo de liquefação. Logo abaixo, a próxima camada de eventos retrata os dois possíveis mecanismos pelos quais a liquefação pode ocorrer:

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liquefação cíclica e liquefação estática. A liquefação cíclica é o processo pelo qual o carregamento cíclico, uma série de inversões de direção nas quais as tensões aplicadas agem, causa o aumento da poropressão a tal ponto que o material perde a sua resistência por completo ou passa por deformações muito grandes e essencialmente irrestritas. A liquefação estática, por outro lado, representa o mesmo resultado final, perda de resistência e/ou mobilidade ilimitada, porém sem as inversões de tensão inerentes ao carregamento cíclico.

No quadro da Figura K2-1, a liquefação estática e liquefação cíclica são mutuamente exclusivas; isto é, a falha pode ser atribuída a uma ou a outra, mas não ambas. No entanto, mesmo que a liquefação cíclica não tenha sido a causa exclusiva da ruptura, o carregamento cíclico ainda pode ser um fator contribuinte para um ou mais gatilhos de liquefação estática.

A saturação dos rejeitos arenosos é uma condição necessária para a liquefação cíclica, apresentada pelo evento destacado em azul. Visto que existe saturação, mecanismos de gatilho potenciais estão dispostos na parte inferior da Figura K2-1 como eventos básicos. Aqui, três gatilhos possíveis estão identificados:

vibração de equipamento;

detonação na em mina; e

abalo sísmico.

Voltando Mudando para a liquefação estática, há quatro eventos subsidiários destacados em azul. Da esquerda para a direita, são eles: saturação dos rejeitos arenosos; deposição de lamas devido à expansão da praia; o recuo de alinhamento; e aumento da altura do recuo da ombreira esquerda do maciço. Eventos relacionados ao recuo de alinhamento e aumento da altura são mais desmembrados em acontecimentos responsáveis pela sua ocorrência.

Potenciais gatilhos de liquefação estática ao longo da parte inferior da Figura K2-1 foram identificados a partir de rupturas e acidentes anteriores de barragens de rejeitos anteriores e acidentes. Esses incluem:

aumento de poropressão estática;

poropressão excessiva adicional na lama;

colapso da Galeria Secundária;

colapso de cavidades; e

ruptura do rejeitoduto.

Um gatilho adicional, aumento de carga estática, é subdividido em dois mecanismos possíveis, os quais podem ocorrer com ou sem quaisquer efeitos de poropressão induzidos por

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carregamento

seguinte maneira:

cíclico.

Este desmembramento da

aumento de carga estática:

cisalhamento não drenado:

carga estática pode ser estruturado da

com poropressão cíclica (por exemplo, abalo sísmico); e

sem poropressão cíclica.

extrusão por deformação:

com poropressão cíclica (por exemplo, abalo sísmico); e

sem poropressão cíclica.

Cada um desses potenciais gatilhos de liquefação retratados na Figura K2-1 é discutido individualmente nas seções seguintes.

K2.3.2

Liquefação Cíclica

K2.3.6

Vibração de Equipamento

Equipamentos pesados, como escavadeiras, deixados em ponto morto sobre rejeitos saturados, têm sido conhecidos por afundar nos rejeitos, devido à liquefação local causada pela vibração do motor. Isto já fez com que a vibração de equipamentos fosse proposta como uma causa de rupturas por liquefação de grande escala, embora casos bem documentados sejam raros ou inexistentes.

Quando a ruptura de Fundão ocorreu, os trabalhadores no recuo da ombreira esquerda estavam em horário de descanso e havia apenas um equipamento pesado presente. Por outro lado, a maioria dos equipamentos e atividades de construção estavam concentrados no dreno da ombreira direita, que não foi onde a ruptura iniciou. Além disso, os equipamentos pesados estavam rotineiramente presentes no maciço de Fundão em todas as fases de sua construção e a vibração de equipamentos não causou a ruptura por liquefação em nenhum outro momento anterior. A vibração de equipamentos como o gatilho de liquefação ativo está, portanto, descartada.

K2.3.6

Detonações na em Mina

Duas detonações na mina próxima operada pela Vale foram registradas por instrumentos em 5 de novembro de 2015, antes da ruptura, e registros de detonações da Samarco e da Vale confirmam que estas foram as únicas detonações desse tipo naquele dia. O horário, magnitude do momento e distância destas detonações de em relação a Fundão, junto com os três abalos sísmicos subsequentes, estão apresentadas na Tabela K2-1 abaixo.

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Tabela K2- 1 Atkinson 2016)

Abalos sísmicos e detonações na mina pré-ruptura em 5 de novembro de 2015 (por exemplo,

 

Magnitude do momento M w

Distância de

 

Horário Local

Fundão

Identificação

13:01:49

2,1

2,6 km

Detonação na mina

13:06:06

2,3

2,6 km

Detonação na mina

14:12:15

2,2

< 2 km

Abalo precursor

14:13:51

2,6

< 2 km

Abalo principal

14:16:03

1,8

< 2 km

Abalo Secundário

15:45

 

Ruptura da

Barragem

Embora as magnitudes e as distâncias das detonações na mina sejam semelhantes aos dos abalos sísmicos, as detonações ocorreram quase três horas antes da ruptura e, aproximadamente, uma hora antes da sequência de abalos sísmicos. A ideia de que as próprias detonações na mina tenham desencadeado a liquefação cíclica depois de uma demora de três horas é considerada improvável, especialmente considerando suas pequenas magnitudes. Além disso, quaisquer efeitos de carregamento cíclicos produzidos pelas detonações na mina teriam sido ultrapassados por aqueles dos abalos sísmicos subsequentes, que ocorreram muito mais próximo do horário da ruptura. Baseado nisso, as detonações na mina foram descartadas como gatilho de uma liquefação cíclica.

K2.3.6

Abalos Sísmicos

O carregamento cíclico produzido por abalos sísmicos é uma causa bem conhecida de ruptura por liquefação para barragens de rejeitos alteadas a montante. O desempenho de barragens de rejeitos em operação durante a ocorrência de abalos sísmicos, predominantemente no Chile e no Japão, está resumido na Figura K2-2.

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NENHUM DANO REPORTADO DANO PEQUENO, NENHUMA RUPTURA ESTUTURAL RUPTURA REPORTADA DISTÂNCIA DO EPICENTRO
NENHUM DANO REPORTADO
DANO PEQUENO, NENHUMA RUPTURA ESTUTURAL
RUPTURA REPORTADA
DISTÂNCIA DO EPICENTRO

Figura K2- 2

Desempenho sísmico de barragens de rejeitos em operação (segundo Conlin 1987; Lo et al.

1988)

Como visto na Figura K2-2, é digno de nota que nenhuma ruptura de barragem de rejeitos alteada pelo método de montante tenha sido relatada para magnitudes inferiores a 5,5, apesar do grande número de tais barragens expostas a abalos sísmicos menores, especialmente, mas não exclusivamente, em áreas altamente sísmicas.

Conforme descrito no Apêndice B, uma revisão sistemática de imagens pós-ruptura em áreas afetadas pela ruptura de Fundão foi realizada, a fim de identificar a presença de erupção de areia provocada por liquefação cíclica. Os resultados foram inconclusivos. No entanto, é importante notar que nenhum dano foi relatado em qualquer uma das outras barragens de rejeitos no complexo de Germano a partir em consequência dos abalos sísmicos de 5 de novembro, 2015, inclusive estruturas com estratigrafia de fundação de rejeitos e condições de saturação pelo menos tão favoráveis à liquefação cíclica quanto Fundão.

O processo de liquefação cíclica reduz a resistência não drenada inicial para uma resistência muito menor pós-liquefação. A Figura K2-3 mostra análises de estabilidade realizadas pelo Comitê que atribuem uma relação de taxa de resistência não drenada pós-liquefação de 0,07, para rejeitos saturados, para as seções das ombreiras direita e esquerda. O fator resultante de segurança na ombreira direita mais íngreme (0,37) é menor do que o da esquerda (0,44). Assim, se o carregamento cíclico tivesse desencadeado a liquefação, a ombreira direita teria rompido antes da esquerda, o oposto do que realmente ocorreu.

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Distância (m) Distância (m) Elevação (m) Elevação (m)
Distância (m)
Distância (m)
Elevação (m)
Elevação (m)

Figura K2- 3

Comparação pós-liquefação das seções da ombreira direita (acima) e esquerda (abaixo)

Com base nesta evidência, a liquefação cíclica por si só foi descartada como mecanismo de gatilho ativo. Entretanto, isso não elimina alguma contribuição do carregamento cíclico em outros mecanismos, conforme explicado posteriormente.

K2.3.2

Liquefação Estática

K2.3.6

Aumento de Poropressão Estática

O experimento clássico de Eckersley (1990) mostrou como o aumento da poropressão devido a uma superfície piezométrica crescente pode desencadear liquefação estática, mesmo quando a

carga aplicada externamente permanece inalterada. Este gatilho potencial foi avaliado através

da análise de tendências piezométricas na ombreira esquerda antes da ruptura.

A Figura K2-4 mostra os locais dos piezômetros na ombreira esquerda nas três seções

designadas 01, 02 e 03.

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Imagem aérea de 27 de outubro de 2015 da Samarco
Imagem aérea de 27 de outubro de 2015 da Samarco

Figura K2- 4

Locais de piezômetros na ombreira esquerda

As figuras nas páginas seguintes mostram as leituras desses instrumentos, com leituras realizadas após agosto de 2015 destacadas em azul.

Precipit. El. Reserv. Figura K2- 5 Leituras de Piezômetro, Seção 01 ESTA FIGURA ESTÁ DIFERENTE
Precipit.
El.
Reserv.
Figura K2- 5
Leituras de Piezômetro, Seção 01 ESTA FIGURA ESTÁ DIFERENTE DO ORIGINAL EM
Nível Piezométrico / Elevação do Reservatório (m)
Precipitação (mm)

INGLÊS

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Precipit. El. Reserv. Nível Piezométrico / Elevação do Reservatório (m) Precipitação (mm)
Precipit.
El.
Reserv.
Nível Piezométrico / Elevação do Reservatório (m)
Precipitação (mm)

Figura K2- 6

Leituras de Piezômetro, Seção 02

Precipit. El. Reserv. Figura K2- 7 Leituras de Piezômetro, Seção 03 Nível Piezométrico / Elevação
Precipit.
El.
Reserv.
Figura K2- 7
Leituras de Piezômetro, Seção 03
Nível Piezométrico / Elevação do Reservatório (m)
Precipitação (mm)

O comportamento piezométrico antes da ruptura é semelhante em todas as três seções. Apesar do aumento contínuo do nível do reservatório indicado pela linha azul superior nas figuras, as leituras chegam ao máximo logo após o início de agosto de 2015, e depois permanecem constantes ou diminuem ligeiramente. Este efeito é atribuído à influência do tapete drenante recém-construído na ombreira esquerda na elevação 860 m, quando o mesmo interceptou e

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interrompeu a elevação da superfície piezométrica em um momento que coincide com as leituras de pico.

Assim, o tapete drenante da elevação 860 m impediu esse gatilho de liquefação, porque evitou elevação adicional na superfície piezométrica dentro da ombreira esquerda. Baseado nisto, o aumento da poropressão estática é descartado como um gatilho de liquefação estática.

K2.3.2

Poropressão Excessiva Adicional na Lama

Um potencial gatilho de liquefação potencial é a geração de poropressões em excesso adicionais dentro das camadas individuais de lama. Essas poropressões inibem o ganho de resistência não drenada que de outra forma ocorreria, ao mesmo tempo em que a carga aplicada do talude aterro sobrejacente estivesse aumentando. Uma vez que a taxa de dissipação da poropressão varia com o quadrado da dimensão da camada vertical, a espessura das camadas individuais de lama é um fator chave nesta avaliação.

Ao simular o histórico de carregamento do recuo da ombreira esquerda do maciço a partir de 2012, o modelo de adensamento descrito no Apêndice F calcula o excesso de a poropressão adicional que seria induzida em camadas de lama de diferentes espessuras. Os resultados estão apresentados na Figura K2-8.

Os resultados estão apresentados na Figura K2-8. Figura K2- 8 Excesso de P oropressão adicional nas

Figura K2- 8

Excesso de Poropressão adicional nas lamas

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Os Apêndices B e C mostram que o registro da maior espessura documentada de camada de lama distinta abaixo do maciço da barragem é de aproximadamente 2 m no furo SP-07. A Figura K2-8 mostra que as poropressões excessivas adicionais correspondentes em tal camada abaixo do maciço nda elevação 840 m até elevação 850 m seriam de menos de 1% da tensão efetiva de sobrecarga real, uma quantidade insignificante. Com base nisso, a poropressão excessiva adicional nas camadas de lama não é um gatilho a considerar para a liquefação estática.

K2.3.6

Colapso da Galeria Secundária

A Galeria Secundária está localizada sob o recuo da ombreira esquerda onde a ruptura se

iniciou, tornando-se um fator de interesse que merece atenção especial. Especificamente, pode-se supor que, se a galeria tivesse colapsado para permitindo a entrada de rejeitos, um aumento do índice de vazios induzido rapidamente na massa circundante de rejeitos saturados poderia ter desencadeado liquefação generalizada dentro da mesma.

A Figura K2-9 mostra o recuo da ombreira esquerda no momento da ruptura e o alinhamento

da Galeria Secundária enterrada. Para referência, a galeria segue aproximadamente o contorno do terreno natural na elevação 810 m, a área do platô está aproximadamente na elevação 860

m e a crista da barragem está na elevação 901 m.

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Imagem aérea de 27 de outubro de 2015 da Samarco Resto visível pós-ruptura Seção enterrada
Imagem aérea de 27 de outubro de 2015 da Samarco
Resto visível pós-ruptura
Seção enterrada pós-ruptura
Parte não preenchida
da Galeria Secundária
Preenchimento da
Galeria Secundária

Figura K2- 9

Alinhamento da Galeria Secundária sob o recuo da ombreira esquerda

Vários eventos e condições são relevantes para este mecanismo potencial de gatilho. Conforme

jusante da galeria é relatada como tendo sido preenchida com

concreto para que pudesse resistir às tensões que seriam impostas com a elevação do maciço à sua altura máxima de projeto na elevação 920 m. Entretanto, o recuo da crista da barragem na elevação 920 m não foi contabilizado levado em conta no estabelecimento do conceito final desta seção preenchida com concreto, o que resultou em um que o aterro ficou aproximadamente 60 m acima da parte aberta e não preenchida da galeria.

apresentado na figura, a parte

a
a

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Outro fator é a ruptura na Galeria Secundária, que ocorreu em 25 de novembro de 2012, no local indicado na Figura K2-9. O sumidouro em si está apresentado na Figura K2-10, que ilustra

a propagação ascendente do vazio resultante até a superfície dos rejeitos sobrejacentes.

resultante até a superfície dos rejeitos sobrejacentes. Figura K2- 10 Sumidouro sobre a Galeria Secundária, 25

Figura K2- 10

Sumidouro sobre a Galeria Secundária, 25 de novembro de 2012, do relatório ITRB de abril de

2013

Também é de interesse o piezômetro 16LI017, no local apresentado nas Figuras K2-9 e K2-4. O instrumento consistentemente mostrou leituras anormalmente baixas, aproximadamente 11 m

a 13 m abaixo dos piezômetros vizinhos 16PI014 e 16PI015, um em cada lado. Se tal dado for

preciso, tal depressão na superfície piezométrica poderia ser indicativa de um vazio ou cavidade subjacentes.

Esses e outros fatores são considerados nas seguintes discussões.

1. Remanescentes da Galeria Secundária. Vários segmentos expostos da Galeria

Secundária permaneceram intactos após a ruptura, como mostrado nos locais da Figura K2-9, um dos quais está apresentado na Figura K2-11. Estas seções intactas demonstram que o colapso da galeria não ocorreu e, portanto, que o gatilho de liquefação relacionado não poderia ter acontecido nestes locais específicos.

não poderia ter acontecido nestes locais específicos. Figura K2- 11 Restante da Galeria Secundária pós-ruptura

Figura K2- 11

Restante da Galeria Secundária pós-ruptura (foto de 1 de março de 2016)

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2. Preechimento da Galeria Secundária. Para verificar se o preenchimento da seção

indicada da Galeria Secundária de fato ocorreu, o Comitê calculou o volume aberto desta seção

como sendo 1396 m 3 com base nos desenhos de projeto. Isto foi comparado aos volumes de concreto relatados nos relatórios de construção QC [67-79] , que somavam 1199 m 3 , para resultando uma diferença de 197 m 3 . Isso deixa 14% do volume aberto sem justificativa. Pelo menos uma parte deste déficit pode ser explicada pelo volume ocupado por escoras, tubos e vazios superficiais. O mesmo também pode ser resultado de erros de registros. Em qualquer caso, uma perda equivalente de rejeitos provavelmente não seria suficiente para desencadear liquefação generalizada na massa de rejeitos circundante.

3. Piezômetro 16LI017. Entrevistas pós-ruptura e informações pós-ruptura fornecidas pela

Samarco indicam que a elevação deste piezômetro estava errada. A depressão aparente da superfície freática, portanto, também é espúria enganosa.

4. Comportamento anterior. O comportamento dos rejeitos durante dois eventos

anteriores na galeria fornece informações sobre a propensão de tais eventos para desencadear liquefação generalizada. Uma ruptura na Galeria Secundária, apresentada na Figura K2-10, resultou na formação de vazios que foram propagados até a superfície, mas não produziu uma redistribuição de vazios mais generalizada que desencadeasse liquefação nos rejeitos saturados em maior profundidade. O segundo caso foi um colapso da Galeria Principal, em 9 de julho de 2010, que permitiu a entrada de rejeitos e produziu um vórtice na água acima. A característica que permaneceu está apresentada na Figura K2-12. É aparente que o fluxo de rejeitos para o interior da Galeria deixou uma depressão cônica, mas não afetou os rejeitos circundantes, ou produziu uma liquefação mais generalizada, além dos limites dos materiais que fluíam.

generalizada, além dos limites dos materiais que fluíam. Figura K2- 12 Depressão de rejeitos resultante da

Figura K2- 12

Depressão de rejeitos resultante da ruptura na Galeria Principal [25]

5. Relatos de testemunhas oculares. Não há relatos de testemunhas oculares sobre a

formação de sumidouro ou depressões da superfície em ocasiões anteriores à entrada de rejeitos nas Galerias.

Para resumir os fatores relevantes relacionados ao gatilho da liquefação pela ruptura da Galeria Secundária:

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A evidência disponível indica que a ruptura não ocorreu dentro dessa parte da Galeria Secundária que estava preenchida com concreto ou, se de fato ela ocorreu, que o volume resultante teria sido pequeno demais para ter desencadeado liquefação generalizada na massa de rejeitos ao redor.

Incidentes anteriores indicam que, se tivesse ocorrido colapso da parte não preenchida da Galeria, o efeito da entrada de rejeitos teria sido a propagação de vazios à superfície, ao invés de redistribuição generalizada de vazios, desencadeando a liquefação. Nenhuma dessas indicações de propagação de vazios foi relatada por aqueles que testemunharam o início da ruptura.

Da mesma forma De acordo com o acima descrito, a ruptura da Galeria Secundária foi descartada como mecanismo desencadeador de liquefação.

K2.3.6

Colapso de Cavidades

O Anexo K1 deste apêndice descreve a ocorrência regional e local das cavidades de dissolução, sua morfologia e litologia e sua configuração geológica geral.

Cavidades formadas pela dissolução de rochas solúveis existem no Quadrilátero Ferrífero de Minas Gerais e 1226 foram documentadas. Se estivessem presentes sob a ombreira esquerda de Fundão, o colapso das mesmas poderia ter causado os mesmos efeitos postulados acima para a ruptura da Galeria Secundária: redistribuição de índice de vazios e desencadeamento de liquefação nos rejeitos saturados sobrepostos.

Conforme detalhado no Anexo K1, lateritas ricas em ferro ou canga (ferricrete) constituem o ambiente mais propenso para formação de cavidades, sendo responsáveis por quase metade de todas essas ocorrências. Por outro lado, a área de Fundão está assentada principalmente sobre filitos com baixo potencial cárstico.

Há 238 cavidades mapeadas dentro de um raio de 5 km da Barragem de Fundão. As mais próximas estão apresentadas na Figura K2-13.

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Inserção, Figura K2-14 Barragem de Fundão Litologia Barragem de Germano Quartzito Sem dados Talus Itabirito
Inserção, Figura K2-14
Barragem de
Fundão
Litologia
Barragem de Germano
Quartzito
Sem dados
Talus
Itabirito
Rochas Ferrosas Inespecíficas
Canga (Ferricrete)
Xisto
Filito Ferruginoso
Conglomerado
Formação Ferruginosa
Filito

Figura K2- 13

Cavidades mapeadas (círculos) e litologias associadas nas proximidades de Fundão

Nas imediações de Fundão, a Figura K2-14 mostra que filitos ferruginosos, que poderiam ter fornecido um ambiente mais favorável para a formação de cavidades, são encontrados principalmente na área da Grota da Vale. Para investigar ainda mais a presença de cavidades, mais de 300 furos de sonda foram analisados. Destes, houve 41 testemunhos com litologias favoráveis à formação de cavidades, mas nenhum estava embaixo da Barragem de Fundão ou dos rejeitos. Não foi encontrada evidência de cavidades em furos de sonda feitos para a Barragem de Fundão ou em estudos de espeleologia realizados na área.

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Barragem de Fundão Filito Ferruginoso
Barragem de Fundão
Filito Ferruginoso

Figura K2- 14

Localização de filito ferruginoso nas redondezas imediatas de Fundão (vide Figura K2-13)

Com referência ao material relacionado no Item K2.3.3 deste apêndice, evidências sobre o colapso da cavidade como um potencial gatilho de liquefação podem ser resumidas como se segue:

Estudos geológicos e registros de furos de sonda não fornecem nenhuma indicação da presença de cavidades abaixo da ombreira esquerda de Fundão.

Se cavidades estivessem presentes e tivessem colapsado, o efeito provável teria sido a propagação de vazios até a superfície, manifestando-se como sumidouros, ao invés redistribuição generalizada de índice de vazios na massa sobrejacente de rejeitos saturados. Testemunhas oculares não relataram esses efeitos.

Com

base nisso, o

colapso de

cavidades é descartado

como

mecanismo de

gatilho da

liquefação.

K2.3.6

Ruptura do Rejeitoduto

A ruptura dos dutos de distribuição de rejeitos e ou linhas de água de retorno na crista historicamente tem sido a causa de rupturas e acidentes envolvendo barragens de rejeitos. Por conseguinte, a ruptura ou vazamento do rejeitoduto poderia ter erodido a crista da Barragem de Fundão, rompendo-a e desencadeando a liquefação na massa de rejeitos sem sustentação atrás dela.

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A Figura K2-15 mostra que rejeitos estavam sendo lançados na ombreira esquerda antes da ruptura a partir de um rejeitoduto localizado na praia de rejeitos na borda a montante da crista da barragem.

Imagem aérea de 27 de outubro de 2015 da Samarco Espigotamento em 5 de novembro
Imagem aérea de 27 de outubro de 2015 da Samarco
Espigotamento em 5 de
novembro de 2015
Rejeitoduto

Figura K2- 15

Local do duto de rejeitos

No momento da ruptura, a superfície piezométrica estava pelo menos 15 m abaixo do rejeitoduto, de modo que a erosão teria que se estender a esta profundidade ou mais, antes de alcançar e liberar rejeitos saturados. Isso teria levado um tempo considerável, permitindo ampla oportunidade de que fosse observado ao longo do tempo. Dos muitos observadores na barragem, nenhum relatou uma brecha causada por erosão na crista. Ao contrário, foi consistentemente relatado que a ruptura começou “de baixo para cima”, começando com as bancadas inferiores, ao invés da crista, onde uma brecha erodida pela ruptura de duto poderia ter se iniciado. Com base nisto, conclui-se que ruptura de duto não provocou a liquefação.

K2.3.6

Mecanismos de Gatilho Restantes

É útil rever a árvore de falhas da Figura K2-1, reproduzida abaixo como Figura K2-16, a fim de avaliar o estado dos diversos mecanismos de gatilho de liquefação propostos. Todos os

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potenciais gatilhos sombreados em cinza foram considerados e rejeitados justificadamente de acordo com discussões anteriores e os gatilhos propostos que sobreviveram ao processo de eliminação estão sombreados em amarelo.

ruptura por deslizamento fluído por liquefação do fluxo liquefação estática liquefação cíclica Recuo de
ruptura por deslizamento fluído por
liquefação do fluxo
liquefação estática
liquefação cíclica
Recuo de
saturação da
areia
expansão da praia e
deposição de lamas
aumento da altura do recuo
devido a atraso
saturação da
alinhamento
areia
colapso da Galeria
Secundária
(sumidouro)
construção de tapete drenante
para elevação 940 m
eventos e
condições
projeto alterado com o tapete
drenante 826
sobrecarga da Galeria
Secundária
ruptura do dreno de fundo do
Dique de Partida
conceito de projeto de “pilha
drenada”
colapso de
vibração de
aumento da
poropressão
colapso da
detonação
aumento de
ruptura do
abalo sísmico
cavidades
equipamento
poropressão
excessiva na
Galeria
carga estática
na mina
rejeitoduto
estática
lama
Secundária
cisalhamento não
extrusão por
drenado
deformação
com abalo sísmico
sem abalo sísmico
sem abalo sísmico
com abalo sísmico
mecanismos gatilho

Figura K2- 16

Gatilhos de liquefação restantes (amarelo)

O único gatilho restante na Figura K2-16 deriva do aumento de carga estática (como distinta da carga dinâmica) e ele pode ser subdividido em dois modos. Um deles é o cisalhamento simples não drenado, pelo qual a carga imposta pelo alteamento do maciço aumentou até ultrapassar a resistência contra cisalhamento dos rejeitos não drenados. O outro, chamado de extrusão (Jefferies e Been 2016), é um processo de deformação pelo qual distensões induzidas por carga desencadeiam liquefação. Na medida em que a resistência e a deformação são intrinsicamente interligadas, estes dois mecanismos são complementares e não mutuamente exclusivos. Ambos são detalhados no texto deste relatório. A Figura K2-16 mostra também que ambos os mecanismos podem ou não ter sido significativamente influenciados pela sequência de abalos sísmicos descrita na Tabela K2-1 e esta avaliação também é detalhada posteriormente.