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O BANQUETE

Concerto com música dos séculos XVI-XVII: os eternos temas da celebração do vinho, do amor, da música

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BANQUETE (detalhe: Alegoria do Amor Verdadeiro). Pieter Pourbus, Flandres, c.1547
BANQUETE (detalhe: Alegoria do Amor Verdadeiro). Pieter Pourbus, Flandres, c.1547

Heliogábalo zombava Das pessoas convidadas

E de sorte as enganava,

Que as iguarias que dava Vinham nos pratos pintadas! Não temais tal travessura Pois já não pode ser nova; Que a ceia está segura De não vos vir em pintura Mas há-de vir toda em trova.

Ceia não a papareis; Contudo, porque não minta Pera beber achareis Não Caparica, mas tinta

E

mil cousas que papeis.

E

vós torceis o focinho

Com esta anfibologia? Pois sabei que a poesia Vos dá aqui tinta por vinho

E papéis por iguaria.

Camões, Banquete dado a fidalgos

O banquete é, desde tempos imemoriais, uma forma nobre de homenagear convidados de particular

importância. Durante o Renascimento assumiu proporções de grande espectáculo nas mais destacadas Cortes –

de que não se exclui a dos reis de Portugal – podendo integrar manjares requintados e os mais afamados

vinhos, mas também criando uma atmosfera global de prazeres sensoriais, onde não faltavam as representações

de momos e entremezes, a música e a dança. Platão, no seu Diálogo com este título, dá particular destaque a

Eros – deus do Amor – salientando também os efeitos do vinho sobre os intervenientes no debate.

O programa de concerto O BANQUETE gira em torno destas ideias, tendo por base um repertório seleccionado

entre as obras dos mais notáveis compositores da época, como Lasso, Dowland, Morley, Costeley e outros.

São intérpretes um conjunto de instrumentistas diplomados por Universidades e Escolas Superiores de Música, estudantes, cantores do Coro Gulbenkian e outros coralistas, unidos em torno do estudo e da prática historicamente informada da Música Antiga. O grupo utiliza cópias de instrumentos da época, nomeadamente flautas renascentistas e transicionais, sacabuxa, alaúde e viola de mão (guitarra barroca).

A duração aproximada deste espectáculo é de 60 minutos (sem intervalo), podendo ser apresentado em salas

de concerto, auditórios ou espaços informais.

Mais informações

http://dolcimelo.com.sapo.pt/

http://dolcimelo.blogspot.com/

Contactos

dolcimelo@sapo.pt Isabel Monteiro, 96-523 85 24

Logo à terça-feira houve banquete, no qual houve infinitas e diversas iguarias e manjares, e muitas assinadas cerimónias. E quando levavam à mesa del-Rei as iguarias principais e de beber, iam sempre diante a dous e dous os oficiais de sua Casa. E o estrondo das trombetas, atambores, charamelas e sacabuxas e de todolos menistres era tamanho que se não ouviam, e isto se fazia cada vez que el-Rei, a Rainha, o Príncipe e a Princesa bebiam e vinham as primeiras iguarias à mesa. GARCIA DE RESENDE

Nas vésperas do Natal consoava el-Rei publicamente com todo o estado de porteiros de maça, reis d’armas, trombetas, atabales, charamelas, & enquanto consoava davam de consoar a todolos senhores, fidalgos cavaleiros & escudeiros que estavam na sala, na qual se ajuntavam naquele dia todolos que andavam na Corte, por saberem o gosto que

el-Rei levava em fazer este banquete.

DAMIÃO DE GÓIS

IL DOLCIMELO P O R T U G A L grupo de Música Antiga / Early Music consort

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