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Impostos de exportação e medidas de proteção, 1850-1930

O arquivo Tarifas de exportação 1850-1930 sumaria a evidência coletada no quadro de revisões

sucessivas de artigo co-autorado com Felipe Tâmega Fernandes, “Market Power, Protection and

Commodity Prices: Brazil, Chile and the United States 1820s-1930”,

quanto a impostos de exportação

cobrados pelo governo central e pelo governo do estado de São Paulo, de longe o mais importante

estado exportador de café no período em tela. O interesse se prende, nos dois casos, à relação entre

variações de alíquotas de impostos de exportação de café e de importação de insumos sobre a oferta

mundial de café e conseqüentemente, dado o peso do Brasil no mercado mundial de café, sobre os

preços mundiais de café. O impacto dos impostos de exportação sobre a oferta mundial de café era

percebido pelas autoridades brasileiras na década de 1870. Já o impacto do imposto de importação

é mais indireto: variações da tarifa afetam os custos relacionados às importações de insumos

relacionados à produção de café no Brasil e, conseqüentemente, a oferta mundial de café, dado o

peso da oferta brasileira. A economia política da proteção em um país que tem poder de mercado na

exportação de commodities é essencialmente diferente da economia política em economias que são

price takers (Costa Rica ou Colômbia, no mercado de café, ou até mesmo, a Argentina nos

mercados de carnes e grãos) . Uma parte substancial dos custos do protecionismo no Brasil era paga

pelos consumidores mundiais de café.

Quanto a medidas de proteção, os esforços concentraram-se na reavaliação do cômputo da razão

entre impostos de importação e valor das importações tal como registrado pelas estatísticas

brasileiras, medida de proteção utilizada anteriormente. É sabido que, durante boa parte do período,

as estatísticas brasileiras referentes às importações baseavam-se em valores oficiais que guardavam

relação tênue com os valores efetivos dos produtos transacionados.

Em princípio, faria sentido

utilizar as estatísticas comerciais do Reino Unido, maior parceiro comercial do Brasil durante boa

parte do período, referentes a exportações para o Brasil, pois desde o início da década de 1850 os

valores registrados correspondiam aos valores efetivos dos produtos transacionados. Se as duas

séries refletissem de forma adequada

os valores comercializados, as estatísticas de importação

brasileiras deveriam registrar valores algo superiores aos valores registrados pelas estatísticas de

exportação britânicas, para refletir a diferença entre valores CIF e valores FOB, essencialmente

fretes e seguros. Entretanto, como pode ser visto no arquivo Importações Brasil-Reino Unido as

razões entre os registros brasileiros e os registros britânicos de maneira geral excedem amplamente

os 12-15% que poderiam ser esperados como reflexo das despesas referentes a fretes e seguros,

especialmente nos anos iniciais da série, correspondentes à década de 1850.

Seria desejável, portanto, re-estimar as medidas de proteção ad valorem com base nas estatísticas de

exportação britânicas. Infelizmente há longas lacunas nas estatísticas brasileiras referentes a

importações por origem, inclusive do Reino Unido: 1867-68, 1868-69, e de 1875-76 a 1900. È

necessário proceder a interpolações com bastante audácia.