OCTAVIO IANNI

ESCRAVIDÃO
E RACISMO

EDITORA HUCITEC

São Paulo, 1978

©Direitos autorais 1978 de Octavio lanni. Direitos de publicação da Editora de
Humanismo, Ciência e Tecnologia Hucitec Ltda., Alameda Jaú, 404, 01420 São
Paulo, SP. Telefone (01 1) 287-1825. Capa de Luís Díaz.

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SUMÁRIO

Prefácio

Primeira Parte

ESCRAVIDÃO E CAPITALISMO
Acumulação primitiva e trabalho escravo 3
/ Aspectos da formação social escravista 12
Expansão capitalista e crise da escravatura 19
V O senhor e o escravo '. 25
O senhor, o burguês e o escravo 29
Transparência e fetichismo da mercadoria : 37
Liberdade e mais-valia -. 42

RAÇA E CLASSE
Ra,ça e cultura 51
Casta e classe ,—' ' 57
Reprodução social das raças 64
Consciência de alienação ., *9
Consciência política 75 •'

Segunda Parte
ESCRAVIDÃO E HISTÓRIA
O presente e a idealização do passado 82
Eficácia e humanidade da escravatura 87
Tempo sem duração 91
O declínio da perspectiva histórica ., 94
A formação social escravista 96 /

ESCRAVIDÃO E RACISMO
Tipologias e ideologias raciais 101
Raízes históricas dos antagonismos raciais 111
A historicidade do presente 118

RAÇA E POLÍTICA
Significado político dos problemas raciais 127
i Antagonismos e conflitos raciais 128
J Condição racial e desigualdade económica 132
í A política das relações raciais 135
• Problemas raciais e contradições estruturais 140
PREFÁCIO

Toda análise sobre as relações entre escravatura e capitalismo, nas
Américas e Antilhas, tende a girar em torno de algumas questões
básicas. Independentemente das contribuições históricas e teóricas
das monografias e ensaios, em geral os escritos sobre escravidão e
capitalismo focali^arn QU£stécs~tais cojaek^s seguintes: .Como e por
queocapitalismo criaTQdesenvojyft^destror^ escravatura? Quando
T~cõrno as • contr^uliçéè>4«tcrtíasW-«*teffias, em cada uma das
, formações sociais escravistas, passam a desenvolver-se e
i manifestar-se de forma irreversível, ou revolucionárias, provocan-
l do a extinção do regime de trabalho escravo? Em que medida as
peculiaridades da formação social escravista e do processo abolicio-
nista, em cada país, influenciam, ou determinam, as peculiaridades
das formas de integração e antagonismo raciais após a extinção do
regime de trabalho escravo? Como se cruzam, ou não, raça e classe,
nos quadros das relações capitalistas de produção? Qual é a relação
entre capitalismo e racismo?
Essas questões são retomadas neste livro. Não pretendo ter
realizado uma discussão completa dessas questões. Faço apenas
uma ejtlocjUx-brevg- da~-pjxihlemáiit^ joamprej^dlda.. poxjdas.
Mas penso que essa exploração permite propor, ou recolocar, temas
de interesse para discussão e pesquisa.
Os trabalhos que compõem este livro são autónomos, no sentido
de que" cada um pode ser lido de per si. Entretanto, todos estão
reciprocamente referidos, quanto aos problemas que abordam. Em
conjunto, focalizam as questões mencionadas acima, sempre sob a
mesma perspectiva teórica. Foram escritos em 1974-76.
Quero agradecer a Heloísa Rodrigues Fernandes e Carlos
Guilherme Mota, que tiveram a gentileza de ler e fazer sugestões
sobre a primeira versão dos trabalhos reunidos neste livro.

São Paulo, agosto de 1977
CEBRAP-PUC Octavio lanni

J
PRIMEIRA PARTE

foi o capital comercial que gerou as formações sociais construídas nas colónias do Novo Mundo. de forma mais acentuada e ampla que em outros. comercial. que subordinava a produção de mercadorias na Europa [g' 1[ e nas colónias do Novo Mundo e em outros continentes. O motor desse processo mais amplo era o capital '. capital comercial. Tratava-se de dois processos contemporâneos. Ao longo dos séculos XVI a XVIII. criaram-se e expandiram-se as planta- fl tions. isto é. nas i colónias do Novo Mundo. amplamente dinamizado com os resultados dos grandes Ij descobrimentos marítimos. • tn ]' criavam-se as condições çstruturais no seio das quais iria j. parece um paradoxo o fato de que na mesma época em que na Europa implantava-se o trabalho livre. provocando dessa maneira uma intensa acumula- i cão de capital nos países metropolitanos. a acumulação primitiva. no Novo Mundo criavam-se distintas formas de trabalho compulsório. Nessa mesma época. desenvolver-se o capitalismo. primeiro expandiu- se a manufatura e depois surgiu a grande indústria. na Europa. Devido à sua preeminência crescente no sistema mercantilista . engenhos. Em '•'l decorrência da maneira pela qual expandia-se o capital comercial. fazendas.. corria na Europa. surgindo assim o trabalhador livre. ao passo que nas encomiendas e outras unidades íj produtivas predominavam distintas formas de trabalho compulsó- 1 rio.JÁ medida que se expandia o capital f comercial. devido à colonização de novas terras e à formação de plantations. desenvolvendo- se no âmbito do processo mais amplo e principal de reprodução do i. ao mesmo tempo que ocorria o divórcio entre o trabalhador e a propriedade dos meios de produção. verificava-se intensa acumula- ção de capital comercial. ESCRAVIDÃO E CAPITALISMO Acumulação primitiva e trabalho escravo 1 Em primeira aproximação. e principalmente na Inglaterra. O trabalho escravo era a base • da produção e da organização social nas plantations e nos >: engenhos. ao mesmo tempo que se generalizou o trabalho livre. Em síntese. encomien- das. repartimientos e haciendas. os engenhos e as encomiendas. Nesse país. em particular na Inglater- j rã.

Historicamente. Liverpool produção capitalista. p.800 populações indígenas. Vejamos. 868. quando falta. mais característico da transição do feudalismo ao capitalismo. como é o caso do sistema colonial(3). no Novo Mundo (1). Quanto à força de trabalho. citação do Livro l. em 1730. Convém lembrar que a categoria acumulação primitiva concentração do capital. o alívio pouco e quase nenhum. A Inglaterra conseguiu a As descobertas de ouro e de prata na América. 871. quando não pode. o processo de acumulação primitiva envolveu intensa acumulação e concentração As nações se jactavam cinicamente com cada ignominia que lhe servisse para do. o se deu em concomitância com a criação de valores culturais e leito é muitas vezes a terra fria e de ordinário uma tábua dura. p. p. aberta ou Ocidentais. Apoiado na ampliação e acumular capital. em 1760. 868-869. produziac-no Novo Mundo a escravatura. quando se descuida. esse fenómeno ocorreu (4) Ibidem. o pano é mais grosseiro e o trajo o mais desprezível. paz de Utrecht. nos quadros do mercanti- Anderson. 2. de Reginaldo Sant'''Anna. p. (1) Karl Marx. Cf. Esses processos idílicos são fatores fundamentais da'acumulação empregava 15 navios no tráfico negreiro. como as das índias mo industrial. 3 fivros. escravos (livro brasileiro de 1970). os ingénuos anais do comércio. eram poderosas alavancas de conceito. graças ao monopólio. 96. inclusive dos meios de produção. dl. em primitiva (2). O trabalho é contínuo. A acumulação fora da Europa. o que ocorreu foi (2) Karl Marx. São Paulo.umai acumulação acelerada. escravização e massacre refluíam para a metrópole primitiva poderia ser considerada o processo social. antes.. Economia cristã dos senhores no governo dos 877-878. Na base do tráfico negreiro. . Ele iguaria. extorquido dos espanhóis. gerado por dentro do mercantilis- mo. por exemplo. e tira da fraqueza foiças". Op. A indústria algodoeira têxtil. num sistema de exploração Portugal. com o tratado de Asiento. o privilégio de explorar o trafico negreiro entre África e América Espanhola. mercado. a escravização das concessão| dejfornecer anualmente à América Espanhola. (5) Karl Marx. como México e índias Orientais (4). a escravidão dissimulada dos assalariados na Europa precisava coordenados através de vários sistemas: o colonial. o extermínio. político. Liverpool teve um grande campo de caçada lucrativa são os acontecimentos que marcam os albores da era da crescimento. Jorge Benci. isto é. a Inglaterra pôde impor à Espanha. sem disfarces. era mais ou menos patriarcal. comunitárias ou outras. Op. se dorme. 4. França e Inglaterra. disfarçada.. O Capital. capital. Livro l. principalmente Espanha. 1770. Portugal e outros países condições de comércio que aceleraram a acumulação de padrões de comportamento que compreendiam os princípios da capital em seu território. é sempre a pior e mais vil tanto na agricultura como nos grémios e corporações de ofícios. cit. são mercantil. As colónias asseguravam mercado às manutaturas em envolve um conjunto de transformações revolucionárias. de âmbito estrutural e internacional. Como processo de âmbito estrutural. As sociedades dotadas de monopólio.. e nos países ricos e densamente povoados. vol. p. a acumulação primitiva envolveu principalmente a força de trabalho e o capital. Acresce que sob o mercantilismo os lucros cidadania. do probo A. o descanso inquieto e assustado. O tráfico constituía seu método de acumulação primitiva . dade dos meios de produção. p. Livro l. teme. patriarcais. principalmente a faculdade de oferecer-se livremente no eram bastante elevados. a partir das expansão e. nos seguintes termos. ao introduzir a escravidão infantil na Inglaterra Os diferentes meios propulsores da acumulação primitiva se repartem numa impulsionava ao mesmo tempo a transformação da escravatura negra dos Estados ordem mais ou" menos cronológica por diferentes países. Penso que é conveniente especificar um pouco melhor o O sistema colonial fez prosperar o comércio e a navegação. na lismo. 53. Aí trombeteia-se como triunfo da sabedoria política ter a Inglaterra. 1968 a 1974. De fato. Ocorre que a acumulação primitiva foi um processo. Editorial Grijalbo. Editora a lida sem sossego. entregues à matança e à pilhagem. As riquezas apresadas quais se torna possível o desenvolvimento capitalista. receia. Quanto à violência inerente ao escravismo vigente no Brasil: "Terrível. 1977. o capital comercial reproduziu-se em elevada escala. Isto servia.mundial. um divórcio generalizado e radical entre o trabalhador e a proprie. o qual ela realizara até então apenas entre África e índias Ocidentais Inglesas. 2. plantações destinadas apenas ao comércio de exportação. 871. vol. onde se transformavam em capital(S). o moderno fundamentar-se na escravatura. 74. se veste. em 1792. vol 2. regime tributário e o protecionismo. trad. para encobrir sob o manto oficial o conquista e pilhagem das índias Orientais e a transformação da África num vasto contrabando britânico. Na Inglaterra. pela pilhagem. 221. Esses métodos se baseiam em parte na violência mais brutal. que na Inglaterra estava criando algumas O tratamento que se dava aos nativos era naturalmente mais terrível nas condições histórico-estruturais básicas para a formação do capitalis. Unidos que. econômico. Rio de Janeiro.. Civilização Brasileira. (3) Ibidem. em 1751. intensificação do comércio internacional. violenta-se. o início da negros. o das dívidas públicas. Estes são os elementos do paradoxo: o mesmo processo de acumulação primitiva. nos fins do século XVII. Holanda. e lastimosa sorte é a de um cativo! Se come. e 132. até o ano de 1743. sem as limitações ou amarras das instituições gremiais. ao mesmo tempo. de que já falava Lutero. Quanto ao capital. forçadas a trabalhar no interior das minas.

Essas condições particu. açúcar. New e o vínculo com o capital comercial europeu. Ediciones Pégaso. Rolando Mellafe. tecnologia. transição para o modo capitalista de produção. Foi esse o privado. é necessário que a análise se detenha nos desenvolvimentos das longo de todo o período colonial . vol. operário. esp. teriam sido transportados da África cerca de 9. razas y cambio social en Ia Hispanoamérica colonial. 2 vols. Lawrence A. negros. Tanto por meio das administrações metropolita- primitiva. 226-234. Little. Na base do arcabouço de cada formação social.. organização social e técnica das relações de. fumo. 230-237. como por intermédio das empresas e do comércio condições históricas da transição para o capitalismo. Assim. quando cessou esse tráfico e terminou tions of American history. 1974. da África etc. The colonial heritage of Latin America (Essays on economic dependence in perspective). 1973. Consultar também: Maurício Goulart. población de América Latina (Bosquejo Histórico). Toda Por fim. foi amplo e intenso o intercâmbio comercial social e da tecnologia. American negro slavery). Editora Brasiliense. Buenos Aires. Editora Civilização Brasileira. Pivolal inlerpreta- oríovo Mundo. Estado e combinados com os progressos da divisão do trabalho Ao mesmo tempo. 1949: Stanley J. Fogel e Stanley L. Sérgio Bagu. pelos governos e empresas estatais e privadas metropolitanas. 5a edição. e uma parcela do excedente gerado nas colónias permanecia ali. os depósitos minerais. 4" edição. Sep-setentas. Ao mo. Payot. Buenos Aires. Nicolas Sanchez-Albornoz e. 1950. 1. 1974. a escravatura. algodão e colónia espanhola. o custo da compra e manutenção escravo trazido Brasil Contemporâneo (Colónia).000(7). as condições da entre as metrópoles europeias e as suas colónias no Novo Mundo. mais do que qualquer outra determinante. açúcar. livro II. das transações e das estrutu- escravo. p. Universlty of Delaware. Entravam em linha de conta a concentra.500. Harper Torchbooks. e Judith E. 1967.. Boston. X I I I : Samuel E. 1947. México. Brown and Company. a maior parte foi levada para õ Brasil. Formação do mão-de-obra local. Outros 6 por cento foram levados para os Estados Unidos. Newark-Delaware. que importou Stein e Barbara H. o vulto (8) Enrique Semo. Esses fenómenos. p. Lês Amériques noires. açúcar. (6) Quanto à encomienda e outras formas de organização social da produção baseadas no indígena. 6 . 1937. apogeu da produção de prata.) entravam em jogo exigências específicas de capital. Magnus Morner. Simonsen. Demetrio Ramos Perez. cap. Apenas contexto histórico no qual se criou o trabalhador livre. Nas Antilhas britânicas entraram 17 por cento. Roberto C. na Europa. Editorial Paidos. mão-de-obra. Company. de maneira Cuba recebeu 702. as exportações coloniais excediam às importações. New York. Historia de In coloni:ación espanolaen América. 38 por cento do total. México. ou esquecer. generalização do trabalho compulsório no Novo Mundo. São Paulo. História dei Capitalismo en México (Los origenes: 1521-1763). José Luis Moreno. As culturas negras no Novo Mundo.Press. constituíram. México. 1970. divisão do trabalho social. para o trabalhador escravo. formação social escravista dessa área estava vinculada. pois. esp. 1967. e Foi o capital comercial que comandou a consolidação e a também 17 por cento foram às colónias francesas da área do Caribe. Indian labor in mainland colonialSpanish America. História económica do Brasil (1500-1820). no esp. cap. 1965. XIII e XIV. terra. forma de 1968. 1975. Mas para compreen. II e V. New York. Arthur Ramos. publicado por Cari N. consultar: Juan A. Oxford Oniversity . esp. Estado. Harper.000 77-90. fumo. a encomienda do México. Rio de Janeiro. Lá algodão etc. algodão e outros der esses desenvolvimentos é preciso situá-los no âmbito das produtos -foi bastante elevada a exportação de excedente económico transformações estruturais englobadas na categoria acumulação para as metrópoles. ao século XIX. para Esse comércio era comandado pelo capital comercial. entanto. no Novo Mundo. Sep-setentas. Brown and trabalho compulsório(6). esteve na origem do ras de administração e controle(S). protegidos pela ação do 200. negro ou mulato. Desses. 1973. esp. p. caps. Economia de Ia sociedadcolonial (Ensayo de historia comparada de América Latina). e a organização dos empreendimentos. controlado compreender em que medida o mercantilismo "prepara" o capitalis. Escravidão africana no Brasil. Breve historia de Ia engenho de açúcar do Nordeste do Brasil e outras formas de esclavitud en América Latina.e principalmente nas épocas do forças produtivas e das relações de produção. 1966. Madrid. São Paulo. organização e mando etc. Race misture in the history of Latin America. Librería El Ateneo Editorial. Nesse sentido é que a acumulação primitiva expressa as nas nas colónias.000 africanos. ouro. 1967. Companhia Editora Nacional. ao comércio de prata. ao passo que o México importou cerca de outros produtos coloniais. 1953. primeiro lares foram responsáveis pela fisionomia singular assumida pela volume. "Mercantilism and the "\e o século XVI. Stein. havia dois elementos fundamentais: o trabalho compulsório Morison. The Oxford history of the American people. I. outros 17 por cento foram levados às colónias espanholas. índio ou mestiço. ouro. Engerman. São Paulo. plantation do Sul dos Estados Unidos. ção maior ou menor das terras férteis. Essas relações económicas. a preexistência ou não de Ediciones Era. York. o a continuidade dos empreendimentos.produção baseadas no Magnus Morner. Caio Prado Júnior. Villamarin. 2 vols. Em cada caso (prata. Time on thecross(The economics of distintas formações sociais no Novo Mundo. ouro. Oxford University Press. as condições particulares em que se constituíram e desenvolveram as (7) Robert W. Boston. Degler (Editor). fumo. XII. Little. Paris. Sob esse aspecto. quando se iniciou o tráfico de africanos para American revolution". ou seja. caps. É claro que esse enfoque não pretende desprezar. esp. o Livraria Martins Editora. Roger Bastide. em conjunto.

o de venda. algodão.organizadas segundo as exigências do mercantilismo. Para o provém. p. 1973. Comprar barato. o comerciante não domina o independente. esp. menos à vontade o seu lucro comercial.com as vantagens da exclusividade que a metrópole mantém sobre mercadorias não são trocadas com base em seus valores. 3* ediçáo. já que o comerciante se dedica pura e simplesmente a comprar barato e vender caro. processo de acumulação sem preocupar-se com o mando do processo Note-se. Capricorn Books. que o capital portanto se diferentes mercadorias representam todas valor e por conseguinte dinheiro. citado. isto é. México. 377. expressões do terceiro termo que as torna (9) Karl Marx. e o objetivo autónomo é o aumento do valor. para vender caro. Quanto aos característicos do mercantilismo e às relações do consumidores. trad. 1944. 1968. cap. Esse valor. equivalên- os negócios da colónia-e vendendo mais caro. Henri See. de Editores. 379. Livro 3. A troca continuada e a reprodução mais regular para troca elimina (10) Ibidem. trad. El florecimiento dei Eric Hobsbawn. primeiro. as . A exploração do trabalho sob as mais diversas formas de organização social e técnica das compulsório. os atos de capital mercantil. Thomas Mun. V. no apogeu do capital comercial. Revista Castillo e Enrique Tandeter. vol. é a lei do comércio. fazendas. para vender caro. açúcar. movimentos do capital comercial europeu. somente tem importância para o dono da plantation. Eli F. 376. Nessas condições. En torno a los orígenes de Ia revolución industrial. é a lei do comércio. É evidente que o lucro comercial puro. VII. mas a riqueza em sua forma social geral. Fondo capitalismo moderno. prata. Dahomey and lhe s/ave trade. encomiendas. não pode aparecer.Discurso acerca dei comercio de Inglaterra con Ias índias Orientales. A evolução do capitalismo. México.D. Earl J. de Affonso Blacheyre. o valor-de-troca(9). Não se trata portanto de O desenvolvimento autónomo e preponderante do capital como capital mercantil trocar equivalentes. hegemonia do capital mercantil é que ele torna autónomo. Este capital comandava o seja nas haciendas. O capital. o ponto de partida é o dinheiro. é de-troca. a forma colonial. Origen y evolución dei historyofBritain: 1530-1780). Zahar Washington Press. Comprar barato. cada vez mais essa casualidade. mo". O comerciante europeu se enriquece comprando barato autónomo e preponderante. Não se trata portanto de trocar equivalentes(lO). London. 5.M . corporações e manufaturas. substantiva. 1966. 1971. relativamente ao processo produtivo. vol. Beneficia-se do monopólio A forma desse capital é sempre D . A no processo de circulação da mercadoria. ouro e outros produtos. seja qual for a maneira de avaliá-lo. no começo. . Garza. o lucro do comerciante trabalho compulsório ou formas de cooperação simples. "A acumulação de capitais e mercantilis- Mendel Shapiro. pois. Tanto assim que a produção de mercadorias pode dar-se colónias europeias do Novo Mundo. casual. subordinando o processo de mento das formações sociais baseadas no trabalho compulsório nas produção. O dinheiro se valoriza cias. ou foi o capital comercial que comandou a constituição e o desenvolvi. Weidenfeld & Nicolson. Madrid. em termos de contabilidade a riqueza. Mas. de Ofélia capitalismo v olros ensavos de historia económica. George Allen & Unwin. ele a equivalência. que compara capital comercial europeu com o tráfico de africanos e a escravidão no Novo Mundo. na medida em que as significa que a produção hão se subordina ao capital. para aumentar mais ou independente do valor-de-troca. em especial do escravo. e. lucro de venda. l. No inicio. trad. de custos. ou segundo as quantidades de trabalho social nelas contidos. quando os produtos se vendem por seus valores. quantitativa em que os produtos se trocam. de Samuel Vasconcelos. de Alberto Ullastres. New York. o património destes existe provenientes do Novo Mundo e outras partes do sistema colonial sempre como haveres em dinheiro e seu dinheiro exerce sempre a função de capital. estava subordinada aos relações de produção: seja nos grémios. no entanto. na medida em que são permutáveis. Fondo de Cultura Económica. 2 vols. Christopher Hill. característico do mercantilismo. europeu surgido com o mercantilismo. foram a base Essas reflexões indicam claramente que o que singulariza a sobre a qual se formaram as sociedades coloniais. A própria troca de mercadorias e as operações que a propiciam - separadas na produção e efetuadas por não-produtores-são apenas meio de acrescer secundário o valor real da mercadoria. esp. trad. era bastante secundária a forma de produção do comprar e de vender. Com as próprias operações estabelece consultar: Eric Williams. trad. a relação mdependente(ll). homogéneas. qualitativamente são todas elas por igual expressões do trabalho social. de M. e sim para o intermediário entre ambos. ou trabalho social nela cristalizado. realiza-se no último ato. 1966. Assumem a forma de mercadoria. segundo. Mercantilism. Reformation to industrial revolution (A social and economic "Foreing trade and busines organization". equivalência entre elas é fortuita. Maurice de Occidente. mas sim o processo de circulação. o comerciante. não desenvolve na base de uma forma social de produção a ele estranha e dele são valor da mesma magnitude. Siglo Veimiuno Editores. da comercialização dos produtos mercadorias trocadas por intermédio dos comerciantes. não para os produtores e ( 1 1 ) Ibidem. o processo de circulação. profit upon alienation. 1948. os preços em dinheiro e embolsa a diferença. London. porém. trad. é inteiramente fortuita. engenho ou outras unidades produtivas baseada no O movimento do capital mercantil é D . que na época em que o capital mercantil é de produção. Hecksher. Karl Polanyi. p. p. de atos que ocorrem no processo de circulação. University of Dobb. engenhos eplantafions. Rio de Janeiro. Buenos Aires. processo produtivo. O conceito de valor está ai implícito. 1953. Mesmo porque. Seattle. Em essência. É portanto fumo. Capitalism & slavery.M -D . 1954. Ele opera no Qualquer que seja a organização social das esferas de produção donde saem as âmbito do mercado europeu. Por isso. La riqueza de Inglaterra por el comercio exterior . -Hamilton. de Cultura Económica. cap.

5. porque a disponibilidade de também um grande negócio para os comerciantes ingleses. franceses. 188-229. o comerciante lucra comprando barato e vendendo mais caro. exceden- compulsório se situam. O capital. em outras ela era latente. Se as mercadorias são espírito do exclusivismo ou monopólio característico do mercantilis- produzidas em condições convenientes . por sua vez. Op. social e tecnicamente organizada de forma diversa daquela (13). para encaminhar às colónias e dinamizar a produção de outros desenvolvimentos. vinculando assim a fazenda e outras modalidades de organização social e técnica das metrópole. encomiendas etc. vol. é necessário atar o trabalhador aos outros meios de Mas é fundamental reconhecer. 2. o capital mercantil é movimento mediador entre extremos que fumo. no entanto. Ele não pode ser assalariado.. Enrique Semo. Terceiro. espanhóis. a administração metropolitana Em outro nível. coloca-se um tura era. o Assim é que se intensifica a acumulação primitiva e. garantir a continuidade e a regularidade da E nesse ponto que a escravatura e as outras formas de trabalho exportação do excedente económico produzido na colónia. transformando-se em ses. consolidam-se e expandem-se as formas de organização menos produzindo o essencial à própria subsistência. controlar a circulação do trabalhador escravo. p. p.Op. os índios do Novo Mundo foram submetidos a formas colónias europeias no Novo Mundo. era comandada a partir da dinâmica do disponibilidade de terras baratas ou devolutas. a África e as colónias do Novo Mundo. Nas colónias em que havia indígenas. principalmente sob distintas especiais de trabalho compulsório. 10 11 . para expandir os seus combater a penetração dos interesses de outras metrópoles. Para evitar-se que eles se formas de produção. que a escravidão foi produção. criação e generalização do trabalho escravo em várias colónias europeias no Novo Mundo. Segundo. problema crucial. Nos primórdios. capital mercantil envolvido no tráfico era um elemento importante Em sua análise das condições que produziram a escravatura no na manutenção e expansão da escravatura nas colónias. O capital comercial absorve quantidades te esse essencial à reprodução e ampliação do capital mercantil crescentes de mercadorias. Em primeiro lugar. A produção Novo Mundo. Aqui. A despeito de que o lucro do comerciante se evadissem dos locais de trabalho. pudes. ele não pode realizar-se a não ser com base em do destrutivas as condições de trabalho exigidas pela produção quantidades crescentes de mercadorias. bem como (13) Karl Marx. ao tempo. principalmente com o crescimento da tft (12) Karl Marx. intitulado "Teoria as três anteriores. É importante observar que por sob o processo de circulação de estes foram submetidos a alguma forma de trabalho compulsório. e Maurice Dobb. plantation. holande- terras devolutas permitiria que se evadisse. encontràm-se várias nas aldeias. Em última instância. o assalariado. sob presteza. A dinâmica do relações de produção e das forças produtivas. para garantir a produção colonial e assegurar a pode ampliar e dinamizar os seus negócios. Essas foram as razões principais da não domina e pressupostos que não cria(I2). Em algumas situações. Livro l. a África e o Novo Mundo adquirem de-obra.se abandonar a plantation. governado pelo capital mercantil. a escrava- modalidades de trabalho compulsório.quanto ao volume.cit. sobre o trabalho em "La República de los Espanoles". encadeamentos entre a Europa. colónias europeias no Novo Mundo.é claro que o comerciante todas as formas. o que permitiria que capital mercantil. História dei capitalismo en capital mercantil''. O capital. No conjunto das nível. também grupos negro e o índio aberta ou veladamente escravizados. mercadorias. Livro 3. pois. escravizado. Havia vultuosos capitais metropo- índios e negros na encomienda. no negócios e ampliar a escala da acumulação. de negros da África ao Novo Mundo. à qualidade e outros requisitos . engenho. Esta citação. Daí a escravização aberta. México. litanos envolvidos no comércio de escravos. cap. Em segundo social e técnica do trabalho compulsório. intitulado "Observações históricas sobre o moderna da colonização". ainda. citado. esp. ou sofressem de maneira demasia- realiza no comércio. melhorar a sua vigência do sistema político-social cujo fundamento era o trabalho competitividade e ou a sua margem de lucro. hacienda. a das colónias. Ou seja. é preciso que ele possa comprar organizou-se principalmente com três finalidades. V. E estas são produzidas nas colonial. cap. prata. Pouco a pouco. 379-380. ouro etc. Para que estas se produzam nas colónias metropolitano.aberta e organizada como tal. citado. em um nativos foram submetidos à escravidão aberta. em pouco tempo. as metrópoles não dispunham de grandes reservas de mão. ou disfarçada. 883-894. cuja árcade realização e reprodução era a Europa. esses lugar. ao mesmo engenho ou outra unidade produtiva. foram retiradas do cap. Marx ressalta dois pontos. Primeiro. Consultar também:Christopher Hill. à mo. evitar e quantidades crescentes de mercadorias. portugueses e outros ligados ao tráfico de produtor autónomo. para tornar-se sitiante. vol. reduções. ciante está o sobrevalor criado pelo sobretrabalho realizado pelo Além dos africanos trazidos para o Novo Mundo. p. do Novo Mundo. açúcar. por sob o lucro do comer. XXV. citado.

que o funcionamento e a expansão do capital raciais e outros elementos." São Paulo. Isto é. ou no monopólio colonial. a referida contradição somente pode manter-se porque social escravista. a formação social escravista era uma sociedade capitalismo. Estes eram cada colónia constituiu-se uma formação social mais ou menos trocados lucrativa mente por negros na África. por mercado da Inglaterra. IV. Esse "paradoxo" começa a tornar-se cada vez mais práticas e ideológicas da vida do escravo (negro. formações sociais amplamente indispensável compreender a fisionomia da formação social escravis- ta como uma estrutura político-econômica singular. com os seus centros de poder. Seattle. Nessas condições.produção manufatureira.oferecia as exportações e os navios: a África oferecia organizou-se e desenvolveu-se um sistema internamente articulado e a mercadoria humana: e as plantations as matérias-primas coloniais. negros esses que eram comerciados delineada. ou melhor. a mais-valia absoluta. é haviam-se constituído. Consultar também: KarI apêndice do capitalismo em expansão. Para compreender a duração desse antagonismo. as formações sociais escravistas internacionais. ou às contradições internas se se apoiasse apenas na acumulação primitiva. a Inglaterra . repressão e tortura.) na qual o escravo e o senhor metrópole e as índias Ocidentais. cap. não era apenas um apêndice do sistema mercantilista. no âmbito do mercanti. mantém e desenvolve o paradoxo representado pela característica dessas formações sociais implicava que ele era física e coexistência e interdependência do trabalho escravo e trabalho moralmente subordinado ao senhor (branco) em sua atividade livre. 51-52. Isto é.como os engenhos de açúcar no uma mudança no mapa económico. essas relações económicas articuladas internamente. estava dinamicamente relacionada com o dominação eram. técnicas de controle e repressão. para um mapa no qual esse lugar passou a ser ocupado pelas exemplo-estavam organizadas de maneira a produzir e reproduzir. mando e execução. A alienação do trabalhador (escravo) mercantil cria. esp. e triplicou nos pelas exigências da produção de mais-valia absoluta. mas não suplantada. Polanyi. ou criar e recriar. lúdicas e outras. não seria sustentável algum tempo às contradições "externas". José Ribeiro Júnior. no comércio de pouco desenvolvidas. Nos tempos modernos. as unidades produtivas . as técnicas de controle. a cultura do senhor (da casa-grande). A frota também dobrou. Hucitec. homogénea ou diversificada. índio. Em conjunto. Nesse sentido é que em negreiro navegava da metrópole com a carga de manufaturados. 1976. 12 13 . as doutrinas jurídicas. em troca de produtos coloniais que eram transportados à metrópole. University of Washington Press. Capitalism & slavery. bastante articulada internamente. entre as exigências do capitalismo e as da formação lismo. Por mais decisivas que Desde fins do século XVIII começou a desenvolver-se algum tipo tenham sido as relações comerciais externas. não se manteve apenas um (14) Eric Williams. religiosas ou de cunho "darwinista" sobre as desigualdades Note-se. a plantation em geral surgiu sob os auspícios burgueses. a escravatura. 1966. Colonização e monopólio no Nordeste brasileiro. mercadorias. Dahomey and the slave trade. p. altamente processo de gestação do capitalismo na Europa. pelo intercâmbio direto entre a (do negro. ao mesmo tempo e necessariamente. No limite.da mesma maneira que a colónias. Assim. sociedade essa cujas estruturas de diretamente com produção colónia (14) dominação política e apropriação económica estavam determinadas Hill: Entre 1700 e 1780 o comércio exterior inglês quase dobrou. comerciando-se manufaturados da metrópole pertenciam a duas castas distintas. a troca vista era uma sociedade organizada com base no trabalho escravo triangular foi suplementada. tornaram-se organizações político-econômicas altamente articula- devido à posição privilegiada que esse país passou a ocupar no das. princípios e procedimentos de mercantilismc"e. Independente- mente dos graus e maneiras de vinculação e dependência das Williams: Nesse comércio triangular. nos primeiros tempos. 184. no qual a Europa era ainda o mais importante Nordeste do Brasil e as plantations do Sul dos Estados Unidos. Nessas forma- vinte anos seguintes. é inegável que em cada colónia França e a América Colonial . p. (15) Christopher Hill. no capitalismo industrial nascente. no produto do seu trabalho e em suas atividades ajudando a formar-se o operário. as estruturas de Américas e Antilhas. motivo porque ela pôde resistir Esse paradoxo. índio e explícito à medida que o mercantilismo passa a ser suplantado pelo mestiço). de antagonismo. o escravo e o senhor. cólon ias (l 5). em face da metrópole. a partir do século XVIII. nas colónias. O navio movimentado de poder político-econômico. o escravo estava produtiva. e principalmente repressivas e universais. no âmbito do mercantilismo. Uma formação social escra- nas plantalions com mais lucro. mestiço etc. em seguida. aceleram a acumulação de capital na Inglaterra. citado. a cultura do escravo (da A spectos da formação social escravista senzala). citado. nas religiosas. essa contradição. Reformalionto industrial revolution. pois. Nos mesmos anos 1700-1780 ocorreu ções sociais. estando presente em todas as esferas na Inglaterra. Quando o volume do comércio cresceu. mulato. e depois.

Novais sugere a noção de "modo de produção colonial". Enrique comparativos de David Brion Davis. assim como o capital comercial e usurário da antiga Roma não converteu Mundo e o sistema económico mundial. New York. com núcleo dinâmico na Europa. (18) Enrique Semo. 14 15 . Não se compreender a escravatura em suas articulares e contradições com o deve esquecer que a escravidão generalizada do índio serviu para inundar de prata sistema económico mundial. p. "feudalismo". terminou por ser uma poderosa civilização. Florestan Fernandes. na lismo e as distintas formas de trabalho compulsório. na qual feudalismo e capitalismo embrionários se entrelaçam (19). é Assim como àsplanlations escravistas dos EstadosUnidosnão foram a base de um importante assinalar que" os autores mencionados apresentam subsí. André G. é inegável que as suas análises.apesar da sua forma tributária de exploração . S. A sociedade da plantalion. mas sim do desenvolvimento do capitalismo. E. Furtado e outros. dos séculos XVIII e XIX. Op. Herbert S.ao longo dos esta num empório capitalista. Devido a uma série de fatores já apontados. uma estrutura baseada na propriedade privada. Sérgio Bagu. S. New York. Cari N. de alguma maneira. 1966. a título de Degler. com sociais. Circuito Fechado Hucitec São Paulo. a economia da Nova Espanha (16) Eugene D. possibilitado pelo controle do e Verena Martinez-Alier. John Wiley & Sons. Eríc trabalho compulsório. l. 2 vols. depois. Caio Prado Júnior. Sérgio Bagu também considera Mundo enfrenta-se. Fernando H. das suas peculiares leis de desenvolvimento (17). como Bagu. cap. com as implicações históri. dos seus problemas e tensões especiais. Robert W. Fernando A. do desenvolvimento do capitalismo pré-industrial. Stanley J. com um desenvolvimento importante da produção and society of the slave south). aspectos. preferindo considerar o Novo produção e formação social. 15-16. cit. a escravidão indígena serviu. Mesmo quando alguns desses autores barata a uma Europa em plena revolução sócio-econômica. Os ensaios. Gunnar Myrdal. C. Celso Furtado emprega os conceitos A verdade é que toda pesquisa sobre a escravatura no Novo de "semifeudal" e "feudalismo". utilizam o conceito de "modo trabalho. A escravidão negra nos Estados Unidos lançou as bases séculos XVI e XVII. Fernando A. é um consenso suficientemente consistente sobre essas e ambições e possibilidades aristocráticas. Genovese. Pantheon Books. Boxer. 209-210 (19) Ibidem. O elemento essencial desta singular sociedades do N ovo Mundo. embora permanecendo vinculada ao mundo outras categorias envolvidas na história político-econômica das capitalista pelos laços da produção mercantil. p. Emilia Viotti da Costa. Sob vários Demetrio Ramos Perez. Fogel. ao longo Nova Espanha.suprir a indústria com matérias-primas baratas: mas as consequências não foram sempre harmónicas com a sociedade burguesa (16). Genovese (organizador). 1976. canas e antilhanas e o modo de produção prevalecente em âmbito mundial. Em todos os casos. Everett C. a dios históricos e teóricos para a interpretação dos encadeamentos encomienda . sugestões e hipóteses representam contribuições de maior ou menor valor para a A escravidão generalizada não fez da sociedade novo-hispânica um sistema discussão e a pesquisa das articulações entre a escravatura do Novo escravista. Inicialmente. A propósito dos movimentos e perfis de diferentes formações sociais escravistas: Eugene D. Eugene D. as características e os movimentos das formações sociais baseadas no Florestan Fernandes. Klein.. Franklin Frazier. Engerman. p.serviu para a gestação de entre as formações sociais prevalecentes nas diversas|colônias ameri.para. Verena Martinez-Alier. formação social.. que havia começado como apêndice do capitalismo O que parece não vhaver ainda. aplicáveis as noções de "formas feudais" e "feudalismo". Genovese. e sugere as noções de "semifeudal" e Stanley L. tratava-se do relacionamento entre o mercanti. Juan Martinez Alier civilização era o domínio do senhor de escravos.. no entanto. e lançar as bases de não trabalham explicitamente com as noções de modo de produção e unidades económicas semifeudais no México. os termos de algumas formulações de Semo. André Gunder Frank. Ciro F. Herbert Blumer. as monografias e os estudos Mundo sempre nos termos do conceito de "capitalismo". 15. por exemplo. Herbert Semo afirma que não se pode falar em modo de produção escravista Aptheker. a sociedade novo-hispânica nunca passou por um modo de produção escravista. R. elas contêm os principais elementos da controvérsia sobre Juan Martinez Alier. amplamente autónoma. nas colónias da Espanha. 1973. Magnus Morner. Williams. Cardoso. 219. Celso Furtado. tratava-se do encadeamento e antagonismo entre escravidão e capitalismo. entre esses e outros cientistas inglês. p. (17) Ibidem. Cardoso. desde o princípio. Cardoso. exemplo. The política! economy ofslavery (Studies in the economy contava. de produção escravista". Stein. cas e teóricas da problemática expressa nas categorias modo de Frank rejeita essas e outras noções. modo de produção escravista. Hughes. para impulsionar o surgimento de um sistema no qual o feudalismo aparece estreitamente entrelaçado com o capitalismo embrionário e dependente (18). A escravatura foi a base do tipo de vida económica e social do Sul. Enrique Semo. Ciro F. Novais e outros orientam-se no sentido de Apesar da extensão da escravatura de um ou outro tipo (manifesta e latente). The slave economies. Vejamos. intitulado "A sociedade escravista no Brasil".

Ela implica a própria compreensão das categorias: capitalismo. escravismo. New York. Op. mais tarde ouro e produtos coloniais. (22) Ciro Flamarión Santana Cardoso. então predominante e ascendente na Europa. é certo) pelas exigências da reprodução do ' dão. "El modo de producción esclavista colonial Estrutura e dinâmica do antigo sitíema co/om'a/'(séculos XVI-XVIII).S. que se realiza de maneira particularmente acentuada XIX Marx já havia assinalado o caráter "anómalo" e "formalmente na Inglaterra. e em seguida café. Paris. primeiramente mercantil e em seguida industrial^ Convém repetir aqui: as formações sociais baseadas no trabalho Essa determinação "externa" aparece em várias interpretações. algodão. Sofrem o impacto do tipo de comercialização (dos constituímos para fornecer açúcar. Celso Furtado. Ela compulsório. feudal etc. Ou seja. em especial desde o começo do século XIX.Noy0 Mundo estão atadas à economia mundial: primeiro à mercantilista e depois à capitalista. mercantilis. forças produtivas e algumas outras. Prado Jr. Semo. p. 13. André G. em pleno século XVI. Isto tem induzido a erro a mais de um historiador. citado. 221-242. H. Monthly (21) Caio Prado Júnior. das relações de produção na época colonial e no século XIX. da pelasiexigências da reprodução do capital industrial. Cuba: economia y sociedad. Fernando A. feudalismo. Modos de producción en São Paulo. Cardoso chama a atenção para as inestabilidades inerentes o Novo Mundo entra ativa e intensamente no processo de acumula. 27 e 33. C. diamantes. Review Press. formação social. Laclau. p. p. hacienda etc. 1972. Ciafardini. p. criadas no Novo Mundo. Assadourian e outros.S. tabaco. Modos de' desaparece de um momento para outro e é incompatível com o desenvolvimento da producción en América Latina. em meados do século ção primitiva. sem ter a flexibilidade e autonomia que permitam uma adaptação rápida e eficaz ai condições novas (11). i mo. na Inglaterra. as relações Cardoso: A dependência e a deformação fazem que as estruturas coloniais sofram escravistas de produção e as próprias formações sociais escravocra. semifeudal.que Assadourian. das formações sociais escravistas no entanto. confundindo independência política das colónias do Novo Mundo e a emancipa-r produção mercantil com capitalismo. porque estas unidades conjugados. citada p. uma discussão cia. a partir . ou sobre mo europeu. desde o princípio as sociedades achavam-se ligadas a um mercado e produziam em parte para ele (20). Nesse sentido é que as socieda- des das Américas e Antilhas são formadas em estado de dependên- Não me parece oportuno fazer-. escravista. Formação económica da 26.mercantil. L C. Lia Editor. engenho. 214. citado. Essa é matéria para ser examinada. p. fazenda. encomienda. De qualquer maneira. Formação do Brasil contemporâneo (Colónia). em expansão na Europa e. 249. Rio de Janeiro. p. (20) Ibidem. Op. em outra ocasião. no primeiro instante as formações sociais \s d o caráter colonial. p. 240.. publicado por C. a essa dependência histórico-estrutural. isto é. Por isso. alguns outros géneros.. 251-252. mercantil ao capital produtivo. cit. internos e externos. p. veremos que na realidade nos mente. enquanto colónias e países. São como que geradas nos quadros^ crítica dessas e outras interpretações e hipóteses. para o comercio europeu(21). Ciro F. após as crises e lutas de reprodução do capital mercantil. relações de desde o século XVI ao XIX os movimentos. jlp.jContempora- neamente.. (em graus variáveis. Tanto assim que a internacional. nascem e desenvolvem-se no é importante para compreendermos as características e os movimen- interior do mercantilismo! ou seja. Novais. dl. 16 17 .F. Juan y Verena Martinez-Alier. Ruedo Ibérico. Ao capital mercantil. 1967. América Latina. Op.: Se vamos à essência da nossa formação. rearticulações. Também E. pesadamente as consequências:das mudanças de conjuntura e das imposições do mercado - tas (coloniais) entram em crise e declínio. Cadernos Cebrap. hacienda cão dos escravos são processos mais ou menos contemporâneos -e "capitalista" e obrajes "capitalistas". cit. 1973.. E. baseadas na plantation. no segundo momento. Caio Prado Júnior aponta o que lhe parece mesmo tempo que se organizam e expandem as formações sociais ser o próprio sentido básico e geral da colonização no Novo Mundo. que. 193-230. as formações sociais baseadas no trabalho compulsório rearticulam-se interna e externa. S. depois. neste ensaio. 101-113.Garavagliae E. Em seguida.S. relativamente aos do mercantilismo. Ao referir-se a essa questão.. Também: Enrique Semo. Marx: A escravidão dos negros • uma escravidão puramente industrial . P&rece-me oportuno. a progressiva subordinação do capital burguês" da formação social escravista nas Américas e Antilhas. Frank. fala-nos em encomienda "capitalista". capital europeu. industrial. de maneira do século XVIII. p. 1969. Consultar também: Sérgio Bagu. en América". C. da acumulação primitiva e do nascente capitalis. Córdoba. Ediciones Passado y Presente. p. na medida em que envolvem nas Américas e Antilhas são influenciados e mesmo determinados l diretamente a compreensão da história politico-econômica daescravi. independência. na época e sob a influência do tos das formações sociais baseadas no trabalho compulsório. fazer algumas sugestões. modo de produção. as articulações e as produção. Cardoso.| encadeamentos entre formação social e modo de produção. as formações sociais escravistas passam a ser \e sistemática e especial. 35-39. 1974. principalmente.. produzidos pela mão-de-obra escrava) comanda. Capitalism and underdevelopment in Latin America. Aliás. América Latina.

nesse país. 2 vols. 159. ^Houve donos de fábricas e outros empreendimentos"1^ tornou-se evidente a incongruência entre os compromissos liberais. p. Historia crítica de Ia teoria de Ia plusvalia. l. dono âaplantalion são uma só pessoa (25). Ao mesmo tempo. 1944. Foreign Languages Publíshing House. < a nascente formação social capitalista se impôs e venceu a escravista. real. II. 476. A mesma incongruência jnpmento necessário. surgido no âmbito da Nessas condições. o capital comercial floresceu obrigada a_jrecj3nhe<^jL£xis^ênjd^d^^ bastante. Antidiihring. citação do vol. a primeira a reconhecer os direitos do homem. publicado por Octavio Tarquinio de (24) Ibidem. presente. vol. Neste caso. centros de produção para o mercado mundial . Livraria-Martins Editora. nando^ e^oir^mlanda os prpcessos produtivo e de circuf^áo. conjunto. produtores de mercadorias que passaram a negociar na esfera da inerentes à forma pela qual desenrolou-se a luta pela independência. "Representação à Assembléia-Geral Constituinte e Legislativa México. posto que a escravidão dos negros exclui o trabalho livre assalariado. O fato de que os donos das plantaiions na América não somente os chamemos agora capitalistas. mercantilismo europeu.. e a circulação transformou-se . trad. Com a independência dos Estados Unidos. na Europa. f sociedade burguesa. tornara-se um paradoxo desenvolvimento. em escala mundial. Miguel Murmis e Pedro Scarón. ajírodução passou a ser a esfera em que a acumulação d. (26) José Bonifácio. Essa organização social e técnica das relações de produção que não se foi a ocasião em que . A criação dos dinamismo. cow. de José Arico. 39-66.mjm princípio da escravatura. o paradoxo representado pela articulação do trabalho livre.. desde o próprio momento país continuamente migos? (26). Engels. que são. quando o capitalismo industrial de das relações escravistas de produção-yDepois de alcançar certo ganha preeminência no sistema económico mundial. 1944-45. efn" Precisamente na época da formação do Estado nacional. ("Assim. 146. 3 vols. quanto aos Estados Unidos. Friederich Engels registrou essa ambiguidade. de Wenceslao Roces.conforme as condições peculiares de cada país - adequam. com o trabalho escravo. trad. na Inglaterra crescia a acumulação do capital financeiro. do Império do Brasil sobre a Escravatura". matizar. mas sim enxerta-se nela. p.. mas que o sejam. Expansão capitalista e crise dia escravatura revela-se uma contradição estrutural significativa quando ocorre a independência das colónias do Novo Mundo. 1971. nas Américas e Antilhas. 41. para o negro. devido a sua hegemonia na . Essa transição qualitativa fundamental Estados nacionais surgidos com a crise dos sistemas. citação da (25) Karl Marx. em âmbito mundial. Pouco lado com o trabalho livre. mas acabou por subordinar-se ao capital industrial. Elementos fundamentales para Ia crítica de Ia economia política. p. do conjunto do processo ideológica tornou-se mais ou menos explícita para os outros novos capitalista de produção. ao seu ritmo e sentido. Essa ambiguidade foi registrada por José Jnjejsssj^rarrijpelajjrodução e organizarãST os seíis negócios combi- Bonifácio. México. quando o capitalismo alcança certo grau de acumulação primitiva e do mercantilismo. funda-se no fato de que eles existem como uma anomalia dentro de um mercado mundial baseado no trabalho livre(24) Bonifácio: Mas como poderá haver uma Constituição liberal e duradoura em um Na segunda classe de colónias. habitado por um multidão imensa de escravos brutais e ini- de sua criação. mas subordinado. explícita e influenciar. económica e politicamente. Fondo de Cultura Económica. circulação de mercadorias. com trabalho assalariado. todas as condições e as exigências da continuidade do trabalho escravo. a burguesia ascendente é Ao longp dos séculos XVI e XVIII.e estabètéce o princípio da cidadania. um dos líderes da independência política do Brasil. p. torna difícil a continuida. da que manejam o negócio do tráfico de negros. Sousa. que é a Engels: E é indicativo do caráter especificamente burguês desses direitos humanos base sobre a qual descansa a produção capitalista. p. ele. Também sociais nos estados escravistas assumiriam formas pré-civilizadas(23). pressupõe a existência de tal sociedade: se junto a essa escravidão não existissem outros estados livres.existe um regime de produção capitalista. Friederich 332-333. especulações comerciais. (23) Karl Marx. o capitalista e o privilégios de classe são proscritos. de alguma maneira. Houve comerciantes que~se. (27)1962.as plantations. o capital i ndustriai começa a Estados nacionais nas Américas tornava interna. O paradoxo aparente dos primeiros tempos. confirma o capital passavà~~ir rejjíza&se. São Paulo. ainda que somente de um modo formal. Siglo Veintiuno Editores. Não obstante. são capitalistas os que a Constituição americana. alterar ou mesmo destruir as formas de aguda a contradição entre o trabalho escravo e o trabalho livre. Ao mesmo tempo que a constituição a pouco. O sistema de produção introduzido por mesma forma confirma a escravatura das raças de cor existentes na América: eles não provém da escravatura. José Bonifácio. p. para o branco. Mos- 18 19 . coloniais do ocorreu sob as mais variadas formas. privilégios de raça são sancionados(27). por exemplo.

em grosso diretamente para o comèrcio(30). e o nivelamento o que transformava todo trabalhador em vendeHor de força de dos lucros reduz sua taxa de lucro à média geral. vol. Livro 2. Terceiro. industrial: embarcações. p. ji_vida económica passou a ser A transição portanto triplica-se: primeiro.. na agricultura e na mineração dinamizararfiv compra diretamente do produtor autónomo. politicamente as relações de produção. 386-387. modificando o mecanismo de suas funções e. com ele vivem ou morrem. a reprodução do capital implica o europeus. núcleo esse caracterizado pela produção de desenvolvido tanto que os seus produtos podiam reentrar e capturar os mercados mais-valia relativa.expansão do capital mercantil. é o imp-Uftha-$e--sekFe~ e -eemereial e o financeirjC Assim. ^ internacionais passaram a ser inundados também por produtos manufaturados. exportação de manufaturas. firmam-se ou caem. impõe ao operário. o O {2jr££fiS$Q_-fU&díilivo_ deixa de ser subalterno ou reflexo do novo império podia ser visto como um mercado crescendo indefinidamente para as manufaturas inglesas. 377 (30) Ibidem. Mas foi no século XVIII que o capital O capital industrial é o único modo de existência do(capital em que este tem por industrial conquistou a preeminência sobre o capital comercial. Na industria. determina d carálfiLcapitalista. Livro 3. p. podemos distinguir cinco períodos na evolução do comércio desenvolvimento da produção. tecido^ de lã. em especial no mercado urbano e industrial em franca expansão. . capital-industrial. As outras espécies de capital que surgiram antes dele em meio a condições sociais desaparecidas ou em ascensão do capital industrial. sobre a trabalho e com elas o tipo econômico-histórico da sociedade. mas também uma transição histórico-estrutural complexa. (5) a partir de 1780. deixa-o nominalmente independente e sê" ás forças produtivas e desenvolveram-se económica. a forma de capital quantidades crescentes. (28) Christopher Hill. são revolucionadas a técnica e a organização social do processo de algumas formulações breves de Christopher Hill e Karl Marx.. pois. os antigos tecidos eram exportados principalmente para ração da. Foi função não só apropriar-se da mais-valia. 3. Daí a possibilidade de o capitalista vender o entreposto e reexportação. Passa a funcionar como agente do capital produtivo(29). (2) cerca de 1600-1650. tecidos de algodão etc. a de capital- qualidades e modas. sua existência implica a produtivo passou a colorir e dar sentido ao conjunto das relações de oposição entre a classe capitalista e a trabalhadora. O capital. ao longo dos\s XVI a XVIII foi crescendo a importância da prodtiçãp . As tradicionais colónias das índias na esfera da circulação(32). (3 1) Ibidem. Segundo. Desde ramo específico. monopólio-colonial. - Ocidentais forneciam matérias-primas não competitivas com os produtos da metrópo- le. i mercados coloniais amplos e estáveis. soberana para ser um elemento particular do investimento de capital. Dessa maneira. social eV intato o modo de produção dele. para as manufaturas inglesas. Assim. (32) Ibidem. ou do produto excedente. industrial aqui no sentido de abranger todo ramo de produção explorado segundo o modo capitalista(31). executando através de cada uma delas a função correspondente.mercadoria preexistente (M) em uma mercadoria valoriza- os mercados da Europa do norte. Quando o antigo monopólio imperial se extinguiu. metalurgia (principalmente armas). O capital que no decurso de todo o seu ciclo ora assume ora abandona essas formas.dje produção. além Hill: Um pré-requisito essencial para a revolução industrial foi o monopólio de disso. 21 20 . decadência. 5. (4) cerca de 1700-1780. não são mais do que modos de \a que meados do século XVIII havia declinado a importância das índias Ocidentais. Na medida em que se apodera da produção e do processo de realização da mercadoria. trabalho. Vejamos produção social. (3) cerca de 1650-1700. (29) Karl Marx. o comerciante se torna diretamente ( comandada pelo movimento das forças produtivas e das relações de industrial. 53. o comerciante torna os mestres artesãos seus intermediários ou / produção. esfera essa na qual se dá a transfigu- exterior inglês: (1) até 1600. Torna-se o núcleo dinâmico 1770. pois que os seus escravos e os donos deplantations absenteístas não criavam um mercado diferentes formas de funcionamento que o capital industrial ora assume ora abandona significativo. o industrial se torna comerciante e produz . A conquista da índia permitiu que. cerca de processo de circulação de mercadorias. 191. a Inglaterra como fábrica do mundo(28).. o capital mercantil deixa a antiga existência divórcio entre o trabalhador e a propriedade dos<rneiqs^ de produção. na ocasião O capital-dinheiro e o capital-mercadoria quando funcionam como veículo de um i oportuna. Reformation to industrial revolulion. as manufaturas inglesas^Q—capital industrial V produtivo. os novos tecidos supriam da (M') pelo trabalho social excedente (não pago) que o capitalista em especial os mercados europeus do sul. vol. matérias-primas essas que eram processadas para reexportação. ao lado do capital industrial. Paulatinamente. a ele se subordinam. Por is$o. p. o valor-capital assume duas formas. na qual o capitalv criá-la. Agora. p. no estádio de produção. principalmente para as colónias. movem-se nele fundamentadas. . E paralelamente^ generalizava-se o Marx: Na produção capitalista. As colónias europeias passaram a receber. em dinheiro e a de capital-mercadoria. em quantidades crescentes e nas mais diversas Nos estádios de circulação. as indústrias inglesas de tecidos de algodão e metalurgia já haviam se da vida económica. citado. p. tal mercado se abrisse à indústria inglesa de tecidos de algodão. Os mercados nacionais cj. 56-57. citado.

quanto à decadência N Inglaterra 1772 do escravismo e ao andamento do processo abolicionista. DECLARAÇÃO DE INDEPENDÊNCIA E ABOLIÇÃO DA ESCRAVATURA Contemporaneamente.M . Quando o capital industrial adquiriu predomínio . Barnes & Noble' colonial. é inegável Massachusetts 1780 que a extinção da escravatura iniciou-se no âmbito do capitalismo México 1813 1829 inglês em expansão. a formação social escravista do sul dos Estados Unidos revelou maior tenacidade que a do Brasil. agora comandado pela produção industrial. de matenas-pnmas e manufaturados passou a ser comandado pelas nial se tornara inconveniente para o desenvolvimento do comércio exigências da reprodução do capital na esfera da produção Daí inglês. é inegável inglês exigia a quebra das prerrogativas e exclusivismos coloniais que em todos os casos o capitalismo inglês desempenhou um papel herdados do mercantilismo. Buenos Aires. Quando a produção industrial se tornou importante no conjunto do processe da abolição das formas de o núcleo do processo de acumulação. citado. O Capital jndustrial^ começa a assenhorear-se das Declaração de Abolição da Estados independência esferas produtivas nasíõíôniàsTãTenTde subordinar a comercialização escravatura dos produtos coloniais. Ocorrem no âmbito da mesma configuração Bolívia 1825 1831 histórico-estrutural. 1974. Chile 1818 1823 Ao longo dos anos 1772. Engerman. a escravidão sofreu precisou subordmar-se às exigências da produção. quando foi decretada a abolição da escravatu. 1974. No Ia esclavitud enNorteamerica. A. 1865 Haiti 1804 1804 A despeito das peculiaridades de cada país. francesas e outras. pois. O capitalismo porque a Inglaterra passou a combater a escravidão em suas próprias colónias. a escravidão de New York. Apesar dessas peculiaridades. entram em crise as relações coloniais. Temos. Fogel e Stanley L. houve encomienda e escravatura.|No Brasil. Colónias inglesas 1863 econômicas no Novo Mundo. Em pouco mais de um sécuk>\e externa e internamente as. Colónias holandesas 1848 ra no Brasil. no Novo Mundo. durante o período p. Nas Américas e Antilhas. sendo que em P entram o capital constante e o capital variável (gasto em força de trabalho). Time on the cross. o comércio o bloqueio combinado das seguintes condições: o monopólio colo. nas Pennsylvania Peru 1780 Américas e Antilhas. quando foi proibido o trabalho escravo í Colômbia 1819 1814 Colónias francesas na Inglaterra. são fenómenos Argentina 1816 1813 contemporâneos. Latin American history.M' . Além do mais. o seguinte processo global: D . Hebe Clementi. estruturas político-econômicas 1838 Connecticut 1784 Cuba 1898 herdadas do mercantilismo. externa e Países e internamente.tecido por um preço maior do que o custo da linha e do desgaste das máquinas. Editorial La Pléyade. tomados em conjunto. Buenos Aires. modificam-se substancialmente as condições político. Isto é. Não há dúvida de que em cada caso as 1886 Equador 1822 condições peculiares da colónia determinaram amplamente a 1851 Estados Unidos 1776 afeição assumida pelas lutas de independência e abolicionistas. Hebe Clementi. Curtis Wilgus e Raul d'Eca. La abolictón de mais do que nos Estados Unidos. o estatuto jurídico-político e 1828 1842 Venezuela 1811 económico das colónias espanholas era diferente do que definiaja 1854 situação da colónia portuguesa (Brasil) e dos que caracterizavam as Fontes: Roberto W. desenvolveu de forma singular o trabalho 1828 1854 Porto Rico compulsório e articulou-se também de maneira singular com o Uruguai 1873 mercado mundial. a 1888. Editorial La Pléyade.P . a esfera da comercialização trabalho compulsório. Por isso. no qual a acumulação passa a ser comandada pelo (1772-1888) capital industrial. É verdade que cada colónia ou país. para ser suplantada pela formação social capitalista. essa transição é visível nos dados Brasil 1822 1888 apresentados na Tabela I. No México. 33-34. a conquista da independência América Central 1823 1824 política e a crise da escravidão. TABELAI D'. Em boa parte. entanto. La aboltción de Ia esclavitud en América La- africanos e seus descendentes parece ter-se generalizado muito' tina. vol l colónias inglesas. na medida em que se instaurava o capita- lismo industrial. 1966.

É verdade que inicialmente a vida urbana estava Ocidentais e depois a destruíram. fatos.inicia-se e expan3ê-se tecnologia. matérias-primas etc. escravistas de produção. Pouco países abastecer a demanda algodoeira de modo suficiente. Porto Alegre. Os mesmos interesses que haviam criado o profissionais liberais. fosse tornara-se explicito e insustentável. além de outros sistema escravista agora combatem e destroem aquele sistema (35). africanos para suprir a agricultura escravista. p. O senhor e o escravo • Marx-Engels: A produção algodoeira norte-americana baseia-se na escravidão. e divergentes. surgem na cidade (Rio de Janeiro. E Eric Williams a retomou em sua Estados Unidos. Ocidentais. jornalistas e novos empresários. análise sobre lCapiialifim & Slaven. O fenómeno imigratório foi haviam sido abertas pelo capitalismo industrial não podiam ser tão notável. isto é. meeiros etc. divisão social do trabalho etc. isto é.eles destruíram Paulo. comerciais e financeiras algodoeiro norte-americano e. Materiales para Ia historia de América Latina. empréstimos ingleses. uma parte do capital produzido pelo escravismo era trabalho escravo norte-americano. como primeiro passo para destruir o monopólio das índias Ociden- tais(34). p. Simultaneamente. Isso ficou especialmente evidente na expansão urbana. da articulação dinâmica do capitalismo. quanto aos interesses prevalecentes no escravismo.) e o capital expansão desde a Inglaterra como com o emergente nas mesmas variável (força de trabalho). exitosa e maciçamente. eles ignoraram ou defenderam a escravidão. (33) K. a partir dos anos 1850. o lucro passou a ser o resultado da operação relação à dinâmica das forças produtivas e das relações de produção da empresa produtora de mercadorias. somente por meio de trabalhadores livres. o combate à crescente influência económica e política dos ingleses nos negócios escravidão e o combate às preferências alfandegárias para o açúcar. é a capitalista. no entanto.. Isso levou o capitalista a interessar-se sociedades escravistas. Córdoba. fabris. nas colonos.) que rapidamente a imigração-de europeus. ganhando dinamismo crescente. trabalhadores assalariados. tados no governo monárquico. nordeste açucareiro e na cafeicultura-da Baixada Fluminense e do 1972. Capitalism & slavery. tanto com o capitalismo predominante e em entre o capital constante (máquinas. foram-se Antilhas e outros países e colónias. algodão ou outro produto. O tráfico de do Brasil. Salvador. em quase todas as partes. e a melhores preços que o a pouco. a escravidão em 1833 e os privilégiosdo açúcar em 1846. por dentro e por sobre a formação social escravista. baseou-se principalmen- do predomínio do capital mercantil. produzir-se-á. e isso hoje em dia pode ocorrer. devido à interrupção do tráfico de As possibilidades de desenvolvimento das forças (terras. obra publicada pela primeira vez em 1944. terá soado a última hora para o monopólio aplicado em atividades artesanais. criadas na época situada no oeste da Província de São Paulo. os investimentos e qs escravos foi abolido em 1807. a formação social capitalista foi se constituindo. no sul dos Estados Unidos. capital. na diferenciação interna das estruturas sócio-econômicas e Williams: Os capitalistas inicialmente encorajaram a escravidão nas índias políticas urbanas. Mas quando o trabalho livre de outros assim dizer.. no Brasil. citado. acompanhadas pelas formações sociais escravistas. que a área pioneira e mais dinâmica da cafeicultura. O caráter "anómalo" da escravatura moderna pelo preço das matérias-primas e dos produtos tropicais. também. Vale do Paraíba. No Brasil. Vejamos dois exemplos distin- açúcar. Os seus interesses (34) Eric Williams. ter-se-ão tornado inúteis(33). essencialmente antiescravista. A dinâmica das relações te na força de trabalho não escrava.sobre o comercial. ou seja. Marx e Engels já haviam tos: a abolição pacífica ocorrida no Brasil e a violenta verificada nos examinado a questão em 1850. por algodão em outros países. Pouco a pouco. 169. Marx e F. Os três acontecimentos são inseparáveis. . Ediciones Pasado y Presente. força de trabalho. escravistas. São inglês sentiu que o monopólio das índias Ocidentais era incómodo. Essas transformações eram ampliadas e aceleradas inclusive pela Esse combate desenvolveu-se em três fases: o combate ao tráfico. Mas em meados do século XIX a 24 25 . Enquanto o capitalismo inglês dependia das índias constituída no espírito e no interior da formação social escravista. Quando a indústria se tenha desenvolvido a ponto de que o monopólio algodoeiro dos. p. Engels. 156-157. Estados Unidos se torne insuportável. Quando o capitalismo Progressivamente. a difusão das ideias liberais entre políticos. Recife e outras) interesses autónomos a escravidão. indicam a progressiva influência inglesa. A abolição do tráfico de africanos. políticos e económicos estavam organizados . cada vez menos dinâmi- ca. entraram em descompasso com delineando os contornos das duas formações sociais diversas e progressivamente antagónicas: a escravista. na Província de São Paulo.e não apenas represen- (15)Ibidem. textos A formação social escravista tinha as suas bases económicas no selecionados e traduzidos por Pedro Scaron. enquanto escravos. para a escravidão norte-americana: e os que não revertiam necessariamente em benefício dos interesses escravos serão emancipados porque. 136.

nos anos Consciente do seu novo status económico e da sua importância como cafeicultor. a zona cafeeira começava a ressentir-se do ampla: aquisição de terras. 1967. 1953. técnicos e sociais da produção.foram contemporâneas. <M Neste ponto. das de fumo permaneceu estacionário. . económicos. 294 26 B l B Ll o > g t . comercialização nos portos. e expandiram-se os aparelhos de Estado. o das exportações de últimas décadas do século XIX. 1864-70. e os de couros e peles multiplicaram-se os empreendimentos artesanais.000 pessoas livres. Cuba estava fornecendo o mercado norte- 1872 os escravos eram 1. com uma média anual de 1. Em colónias das Antilhas.1 por cento. O mercado inglês era abastecido pelas havia no Brasil 2. Os exportadores de açúcar. p.000. 30. a partir de 1870. Este era o círculo vicioso em que se encerrava a economia vencer os paraguaios e a necessidade de lançar mão. ao passo que os livres totalizavam americano. 3* edição. ojaojd^ahoJiãQ^Êni. p. Formação económica do Brasil. Cambridge. São Paulo. fabris e comerciais: mais que dobraram a quantidade para receber um valor em 12 por cento inferior(37). p. e a formação social escravista. Tanto que praticamente todos os historiadores reconhecem que a Monarquia e a Escravatura entraram em declínio irreversível com A economia açucareira. de Entre 1821-30 e 1841-50. trad. História económica do Brasil. abertamente melhores condições de organização e movimentação dos elementos quanto à defesa e o combate à escravatura. como forma de organizar a produção e o poder. 79 edição. vam a erosão. baseadas na mão-de-obra do trabalhador livre. As dificuldades para as safras futuras de café. Companhia Editora (39) Caio Prado Júnior. Aí o fazendeiro dispunha de época que o Exército e a Igreja católica dividem-se. Grandeza e decadência do café no Vale do Paraíba. Stein. como sistema politicô-econòmico. é nessa proveniente da imigração europeia. exportando apenas 10 por cento menos. a população escrava estava também não conseguiam animar o conjunto da economia escravista. p.510. organização e direção da empobrecimento das terras ocupadas^já que o café era cultivado de produção.255. transporte interno. e o alcançava um pouco mais de 14 milhões de pessoas(39). também Stanley J. cafe(36). Assim.60 1 . para receber 24 por cento aceleroú-se o desenvolvimento capitalista no Brasil. p. difícil. 115-116. convém lembrar que a Guerra do Paraguai. os de algodão receberam fazendas cafeeiras. . de maneira cada vez mais nítida. encontrava-se numa situação essa guerra. Harvard lugares e circunstâncias as duas campanhas tiveram as mesmas bases University Press. impossibilitada de Campinas foi ceníro importante por certo tempo. devido à concorrência internacional. contatos oficiais. vão se delineando. e provavelmente à Contemporaneamente às transformações económicas e políticas. devido à intensificação da imigração europeia nas por cento. da qual em expansão. 36. mas a população livre continua acrescer.000.' expressavami interesses político-econômicos dos mesmos gru- brasileira. Stein. mais vigorosa dinâmica principalmente na cafeicultura do oeste paulista. 1888. de Edgar Magalhães. 1957. 1850-1900). os contornos e as A formação social capitalista teve a sua base económica mais incompatibilidades entre a formação social capitalista. (37) Celso Furtado. por seu lado. Em muitos (36) Stanley J. E os outros produtos de exportação . Em 1890 a população total do Brasil algodão se reduziu à metade. de escravos de Vassouras: destruir florestas virgens para plantar café para pagar dívidas para brasileiros para lutar na guerra. vale dizer. pois. Essa zona acompanhar integrativamente o dinamismo daquela. produtividade relativamente menor das unidades antigas baseadas decresceu o número de escravos na população brasileira. 8. o valorem libras das exportações de açúcar cresceu em 24 fOrmOíceTèTâda.Não foi por mero acaso. Além disso. São Paulo. Em 1850 em mão-de-obra escrava. Nacional. cafeicultura eia área açucareira sofrem o impacto da interrupção do A nova classe dirigente formou-se numa luta que se estende em uma frente tráfico. Editora Brasiliense. É claro que a desenvolveu-se de maneira cada vez mais intensa desde meados do tensão daí resultante refletia-se 'também na organização e no século XIX. Editora Brasiliense. mais que dobraram a quantidade exportada. 328. a metade do valor. Expressivamente. tornaram mais visíveis as limitações obter crédito para comprar escravos para destruir mais florestas e plantar mais do escravismo. em cerca de 500. São Paulo. que a campanha abolicionista e a campanha pela criação do regime republicano de governo .algodão e fumo . 124. Além das mais em valor. o das de couros e peles se reduziu em 12 por cento. p.neste caso a extinção da Monarquia . rência na política financeira e econômica(38). 1961. Baseou-se de forma progressiva no trabalhador livre. interfe- maneira extensiva e segundo técnicas que provocavam ou propicia. (38) Ibídem.000 escravos e 5. Vassouras. recrutamento de mão-de-obra. funcionamento dos aparelhos de Estado.500. Desses produtos. Vassouras (Brazilian coffee county.520. o único cujos preços se A verdade é que desde o término da Guerra do Paraguai mantiveram estáveis foi o fumo. Essa obra foi publicada em edição sociais. citado. pôs em evidência a relativa fraqueza da formação social o fazendeiro nunca duvidou de sua capacidade para liquidar dívidas contraídas sobre escravista.

Da mesma forma. dividido em vários volumes. K. 1972. Britain & the onset ofmodernization in Brasil. The sugar industry in Pernambuco. Rio de Janeiro. Era (40) Caio Prado Júnior. Ao mesmo tempo. Paulo. a ambição do lucro e quadros do escravismo. 1959. controvérsias jurídico-políticas. São Paulo.edição. São Paulo. Companhia Editora Nacional. e a burguesia cafeeira do regime político no Brasil. de base escravocrata. 1974. uma era uma casta decadente. Memórias escravismo na Província de São Paulo (1885-1888). O efeito disto sobre í escravo e a produção de algodão. São Paulo. em face da Escravatura e a Proclamação]da República ocorreram com poucos da capitalista. Manchester. Editora Brasiliense. 2S edição. era a expressão política dos desajustes e antagonismos entre as duas formações sociais: desajus- tes e antagonismos esses expressos nas divergências e lutas entre O senhor. A queda da Monarquia foi o desenlace final do morais. MS. em franca decadência. Stein. História económica do Brasil. I e II. A formação do povo no complexo cafeeiro: aspectos políticos. 214. Companhia Editora Nacional. trad. 1967. de tipo em tom social bem mais de acordo com a fase de prosperidade material em que o país camponês. Em confronto entre a formação social escravista. Oliveira Vianna. p. apesar da redução drástica do tráfico de escravos havida nos anos 1820-60. De fato. Editora Civilização Comp. cif. Progressivamente. mudou-se o a aristocracia agrária. Livraria Pioneira Editora. a formação social vida económica do país não poderá ser esquecido nem subestimado(41). Da senzala à colónia. 1973. te da formação social escravista. classe social ('ascendente. rompendo os quadros conservadores dentro dos quais se escravistas não eram muito fortes. Capitalismo e escravidão. Harvard University Press. 215. Paula Beiguelman. de Sérgio Buarque de Holanda. São Paulo. quanto a questões novo. Preeminência inglesa no Brasil. The Brazilian cotton manufacture (textile enterprise in an underdeveloped área. Ambos agora se acordavam. Op. University of Califórnia civilização brasileira. mantivera-se no entanto na sombra e em plano secundário. Richard Graham.. em expansão. Cambridge. a incompatibilidade entre elas não provocou senão meses de diferença. 1957. Ou melhor. 2. Difusão Europeia do Livro. além dos antepunham ao espírito especulativo e de negócios subsistirá. Roger Bastide e Florestan Panorama do Segundo Império. com as quais abriram-se ativamente a vida económica do país. revelou elevado dinamismo demográfico. baseada no trabalho familiar. São Paulo. Brancos e negros em São Paulo. o burguês e o escravo duas facções políticae economicamente|diversasída/camada dominante. 2° edição. I. Thomas Davatz. de Janaína Amado. predominava o trabalho do enriquecimento i se consagrará como um alto valor social. 2 tomos. a emancipação política e económica reais. Press. Ronaldo Marcos dos Santos. a independência significou enriquecimento. • São Paulo. Raças e classes sociais no Brasil. ou preponderantes. esse o segredo da forma relativamente pacífica e a formação social capitalista. Cambridge. sobre "O Brasil monárquico". (41) Caio Prado Júnior. Octavio lanni. Outras obras sobre a problemática discutida nos parágrafos precedentes: i Emília Viotti da Costa. 1850-1914. Nos estados do mantivera o Império apesar de todas suas concessões. Stanley J. Livraria Martins. não foi por mero acaso que a Abolição Devido às peculiaridades da formação social escravista. os três primeiros ensaios. a formação social capitalista. ao mesmo tempo. a ânsia de políticas e económicas. desencadeava um novo espírito Norte. 1972. 1968. 1941. p. de prosperidade material(40). poucas palavras. Eram se engajara. na qual vence esta. O caso do Império. Difusão especialmente Tomo II. Paulo. respectivamente 13 de maio de 1888 e 15 de polémicas ideológicas. esp. 1939. Editora Centro Universitário. Nos estados do Sul. trad. Paulo. assalariado ou outro. Término do 1850-1950). São Paulo. Brasileira. esp. iniciaram ou terá quebrado resistências e escrúpulos poderosos até havia pouco estimulará propiciaram atividades artesanais e fabris. Henrique Cardoso. os colonos haviam organizado uma economia. 1960-1972. Paula Beiguelman. da amplas perspectivas. Eisenberg. História geral da 1962. Transpunha-se de um salto o hiato que separava certos aspectos de uma inicialmente camponeses que trabalham principalmente para si e superestrutura ideológica anacrónica e o nível das forças produtivas em franca expansão. caps. Sé|-gio Buarque de Holanda (Organizador). 1933. Cambridge University Press. Por isso a Proclamação da|Repúlblica tem os constituiu-se e desenvolveu-se um tanto à parte e independentemen- característicos de uma mudança político-econômica importante. esp. oeste paulista. o que abriu possibilidades de industrialização nos estados em que os interesses agrários e Em suma a República. Nenhum dos freios que a moral e a convenção do Império divisão social do trabalho e das relações de produção. 1966. ao passo que a outra era uma Nos Estados Unidos. Devido às condições políticas e económicas em que se realizou a independência política das colónias inglesas da América do Norte. São Paulo. por assim dizer. Nelson Werneck Sodré. Berkeley. Melhoramentos de S. Fernando de um colono no Brasil (1850). S. Pequenos estudos de ciência política. Inversamente. despertando-a para iniciativas arrojadas e outras possibilidades de desenvolvimento das forças produtivas. o novo espírito dominante que vendiam a produção excedente. 28 29 . antes do que antagonismos económicos drásticos. Peter L. a luta entre pela qual se aboliu a escravatura e. os estados da federação norte No terreno económico observaremos a eclosão de um espírito que se não era americana guardaram certa autonomia relativa. citado. Europeia do Livro. Alan Fernandes. São Paulo. A rigor. confrontos novembro de 1889. Difusão Europeia do Livro. escravista que se manteve no sul dos Estados Unidos depois da independência.pôs sociais. cap. S. 1968.

esp. interna e externamente. Ao mesmo tempo. 97.naqual 1809-1815. The roots of American economic growth 1607-1861. vol. ocorrida nos anos 1861-1865. e a formação social capitalista. E. Não realizaram uma análise político-econômica. esp. Engerman. produção algodoeira do Sul com a indústria têxtil da Inglaterra.p. Ao mesmo tempo que o Sul escravista revelava vigor Os Estados Unidos. aluaram favoravelmente. que estendeu o poder judiciário federal a todas as Sul(44). controvérsias entre cidadãos de diferentes estados. cap. os Estados Unidos foram. prevalecente entre historiadores. esp. a Os dados da história político-econômica dos Estados Unidos. Genovese. p. independentes. New York. não por sua participação no tráfico de escravos. Isto representava mais de 36 mente. (44). O ritmo de desenvolvimento do Sul era tão rápido (1. o Sul era razoavelmente rico. Harper & Brothers Publishers. United States. isso os interesses mais tipicamente capitalistas eram cada vez mais mente elevada taxa de crescimento natural da sua população escrava. o Sul entraria como a mente a mais fundamental . oeste e o exterior.000 escravos no sul dos Estados Unidos. New York. Herbert Aptheker American negro slave revolts. slavery (studies int the economy and society of the slave South). alguns elementos importantes para a compreensão das relações de 29.Ibidem. Fran. Fogel e Stanley L. separadas. no sentido da expan- klin Frazier e outros. Engerman. Herbert Aptheker. naquele ano. The MacMillan Company. Gunnar Myrdal. 31 30 . (46) Ibidem. mas devido à excepcional.que precede a guerra civil. Apesar do seu papel formação social capitalista. já era bastante dinâmica e vigorosa a contribuição de Fogel e Engerman deve ser aproveitada em todo base económica da formação social capitalista vigente nos Estados Unidos. produtos e fatores produtivos por toda a nação(45). cap. p. 251. Aí estão (42) Robert W. 1957. privou-se os estados da faculdade de interpor obstáculos ao livre j movimento de pessoas. Conforme a país criou-se uma formação social capitalista que se expandiu para o análise realizada por Robert W. The política! economy of por um lado. Devido aos vínculos da Estados Unidos. Genovese. intento de compreender a formação social escravista do Sul dos uma sociedade fundada na casta de escravos. Ao garantir-se ao Congresso a autoridade sobre o comércio interestadual.Consultar também:Eugene D. 10. Apesar disso. na formação social escravista manteve seu crescimento económico e época que vai da independência à guerra civil. An American dilemma. o Sul escravo. Fez parte dessa expansão a conquista de territórios antes pertencentes ao México. a proteção governamental. citado. abriu as cortes da União às questões e disputas relativas à propriedade e outros direitos. Nessas condições. nacional. como Eugene D. 249. os processos e as estruturas de apropriação mentos técnicos na manufatura algodoeira. durante as três tuição da União norte-americana garantiu as bases jurídico-políticas décadas que precederam à guerra civil. Franklin Frazier. International (45) Stuart Bruchey. os estados não escravistas expandiam-se. 1 Longe de estar estagnado. III. interdependência e antagonismo entre a formação social escravista. criou- económica e dominação política que efetivamente revelassem o se a indústria têxtil (algodão e lã). crescia o poder decisório dos setores hegemónicos na por cento de todos os escravos do Ocidente.foi o estabelecimento das bases legais para um mercado quarta nação mais rica do mundo em 1860(43). por outro. relações capitalistas de produção. da mesma forma que a luta contra antes da guerra civil.provavel- . pelos padrões da época . p. Pantheon Books. 1966. retardou o crescimento do O dispositivo constitucional. The negro in the Torchbooks. New York. l. Aliás. Em 1825 havia presentes e protegidos nas esferas do governo federal. Ocorre que Fogel e Engerman tomaram a são do capital industrial. Gunnar Mjyrdal. parte 1. Fogel e Stanley L. Se tratarmos o Norte e o Sul como duas nações Uma das principais contribuições da Constituição para o crescimento . Com ocidental. Progressiva- cerca de 1.7 por ano) que constitui uma evidência indiscutível contra a tese de que a escravidão. 1968. a maior potência escravocrata" do mundo para o funcionamento e a expansão das forças produtivas e das ocidental e o baluarte da resistência à abolição da escravatura (42). e as classificarmos entre as outras nações da época. Harper Publishers. E. 1944. ingleses e franceses. Time on lhe cross. desde a independência a Consti- secundário no tráfico atlântico de escravos. pois. mostram que nesse fortaleceu as suas estruturas e ambições políticas. economistas e sociólogos. ao norte e ao sul dos primeiros treze estados crata possuía uma economia próspera. que poderiam surgir nas Essa compreensão do Sul escravista contrasta com a interpretação mais distantes partes do mercado nacional(46). escravismo. no entanto. a introdução de aperfeiçoa- sobressaíssem as relações. na época da segunda guerra com os ingleses em económicos. p.750. É o que indicam os dados registrados na Tabela II. a siderúrgica e a de alimentação. 1964. Note-se a posição relativa e absoluta dos estados escravistas do Sul. New York. 96-97. as dificuldades de importar manufaturas escravatura norte-americana em termos exclusiva e estritamente europeias. New York. tornaram-se a principal nação escravocrata do mundo económico e político. a Pouco antes da guerra civil. (43) Ibidem.

de maneira cada vez mais delineada e tensa. Devido às suas relações económicas com a indústria têxtil inglesa.vo *H r. Mas ela sugere que a forma assumida pela abolição nos Estados Unidos não se explica pelo tipo de escravatura vigente l ali.jx>r um^lado^eji classe burguesa.2 S b Essa é. Daí o elevado índice de ~* r^ o lt articulação interna das estruturas político-econômicas. Ao longo das décadas que \ O oo v> r- ^t oo cn i-H antecedem a guerra civil. garantindo o t^ «s -H *£> o\ O r-) ~4 00 funcionamento. essencialmente determinados pelo trabalho escravo. essencialmente determinados pelo trabalho livre. do Norte. e sim pelas relações recíprocas e antagónicas entre as duas g formações sociais. os padrões de comportamento. comercial e financeira.o <N ^ r*> r-* li >0 °°. por outro. do Sul. t> é claro. baseada apenas no Sul. Brasil ou outro país passa a ser vista à luz das relações de interdependência e antagonismo entre a formação social capitalista e a formação social escravista. no qual os interesses escravistas »rj CO OO <S \ iq <N ^. § l É claro que essa interpretação|deveria ser melhorjdesenvolvida e comprovada. o Estado nacional havia aoquirido os contornos de um aparelho político burguês. A luta armada havida nos Estados Unidos nos anos 1861^-65 pode ser considerada o resultado das divergências. a formação social capitalista. Nessa perspectiva de análise. e a burguesia industrial. a perspectiva histórica mais adequada para Cí •5 «i O Wi O «l O «3 »-t O *O explicar-se a singularidade da abolição do regime de trabalho 32 Z WWWH H l 33 . além do maior controle do aparelho estatal federal. jurídico- políticas e económicas passam a ser compreendidos nos quadros de t^ CN relações e estruturas de dominação política e apropriação económi- O Q Z Si l o m v (S «o o o es C"— GO t^. Contando sempre. com as tensões e os antagonismos entre a casta dos senhores . tensões e antagonismos 1 entre os senhores de escravos. cujas bases sócio-econômicas e políticas estavam no Norte e Oeste.es o •-* ON OO ON <*» 00 fS fO ON OO O\O O */} ÍS Os i vo «-t Os CO (S 00 Progressivamente.oo Tf TÍ.S 5 ã -6 . c*j » e o capitalismo. É verdade que a formação social escravista ainda revelava certo vigor. baseada principalmente no Norte.«O T-I encontravam cada vez menor ressonância. nS d * •§ s í l L s ido um negócig^Jjrancosjrió sentido que acabei de expor Islo 0 <» •3. . a produção algodoeira do Sul garantiu a vigência e o poder económico do escravismo. colocaram-se em confronto. o\j r* m os t-^ rt r-» vi o r-^ p. «t fc j? r. como formas distintas e divergentes de organização das relações de apropriação económica e dominação política.\tm última \. <s I •s: ca num caso. A maneira violenta ou pacífica do colapso da escravatura .nos Estados Unidos. a meu ver. as instituições religiosas. Por sob essa luta militar. os valores culturais. a tenacidade e a agressividade dos escravocratas do os •**• O ^H 10 -H 00 m 10 fs —i Sul. e no outro. Por isso a formação social escravista não cedeu à formação 2 ã m social capitalista. branco^. e a formação social escravista. r^ •* co *o "*t vo encontravam-se as incompatibilidades estruturais entre o escravismo OO >* Th OO CO O r-.

222. no Brasil. Boxer.) adquiram meios que facilitem a adoção de ações combinadas e autónomas de sua paríe(51). Florestan Fernandes. 13. 1938._a análise da crise e extinção da escravatura pode tornar-se muito mais objetiva quando Elkins: Pensava-se que ensinar os escravos a ler e a escrever produziria a inquietação em suas mentes. C. 20. O escravo podia fugir._g_ muito jrnenos vence a casta dos senhores. ele não dispunha de elementos para organizar uma movimentos das relações de produção.. Marvin Harris. Mas esses atos não eram o Acontece que a condição* económica. ou. Estados Unidos e outros países. situação. forças produtivas internas e das relações externas. Roger Bastide.condição. class and colour in nineteenth-century Cuba. não podem ter consciência. Daí a importância e a significação da cultura da (50) Stanley M^Èlkins. e Cardoso e outros. novos e talvez menos equívocos do que os encontrados até o presente. 34 35 . David Brion Davis. Slavery in the New World. atividade-e só acaba com a morte(48). em face da formação social escravista. Nessa cultura predominam E. pesquisa mais ampla e concreta da maneira pela qual se organizam. "El modo de producción esclavista colonial en América". em relação com a cultura do senhor. 1969. esconder- Note-se. As sutilezas e os significados (51) Ciro F. tecnologia. isto é. São Paulo. os desencon. e dominação política. o sequestro de um homem - jurídico políticas poderia adquirir outra significação se inserida na corpo. pois. ela procura conhecer as seguintes dimensões básicas de cada formação social: as formas de organização social e técnica'da s Cardoso: A formação dos escravos e a sua preparação para a vida social são relações de produção. da cultura da senzala. uma compreensão articuíada e crítica da própria (47) Verena Martinez-Alier. ao escravo não se abriam quaisquer (48) Joaquim Nabuco. Gunnar interdependência e antagonismo. sobre antagónico.. (49)Ibidem. forças. afitudes raciais e valores sexuais na sociedade escravocrata. as estruturas jurídico-políticas e ideológicas (incluindo-se Nessas condições. na relação escravo-senhor. Ou. educação etc. desenvolvem e entram em antagonismo as formações sociais escra- vista e capitalista. Franklin Frazier. Frank Tannenbaum. citado. o domínio. as articulações. o que implica conhecer também a composição incompletas. que não é a casta dos escravos que destrói o se. em si e em suas relações recíprocas. inteligência política da sua alienação e possibilidades de luta. p. das e para as atitudes que o seu dono espera deles.escravo. os escravos e os seus filhos. processos e estruturas de apropriação económica podem reclamar. p. pois. Estados Unidos e outros países pode alcançar resultados especificidades da cultura escrava. as relações e estruturas gerais e especiais de apropriação económica e dominação política. características da situação de casta vivida pelo' religião. 1974. Toda discussão sobre as diferenças de tradições religiosas e Nabuco: É (a escravidão) a posse. de impedir que divisão social do trabalho. Herberjt S. em outras palavras. O abolicionismo. luta propriamente1 revolucionária. Isto significa trabalhar com os acontecimentos em . integram e expressam os escravo. e os graus do seu desenvolvimento e desigualdades. p. Na medida em que era socializado como escravo. o antagonismo nunca se desdobra na capitalista. inteligência..L. como a formação social capitalista surge do desenvolvimento das Gilberto Freyre. como coletividade.têm sido examinados da formação social escravista. A despeito das diferenças interpretação das singularidades e semelhanças entre a escravatura de interpretação entre os autores. Englewood valores e padrões de entendimento e comportamento permitidos ou Clifís. Por tros e os antagonismos entre as formaçTões sociais escravista e isso. Entre eles estão E. 8-26. jurídico-política e sócio- cultural do escravo não lhe abria qualquer possibilidade de elaborar. transformando-se. Um estudo particularmente. — •. autêntico. modalidades de trabalho cooperativo etc. Emilia Viotti da Costa. suicidar-se. D. Cardoso. como propriedade do senhor. trabalho esçrayjzaáo. possibilidades de entendimento independente. matar ou roubar o senhor e membros dessa casta. foi Esse é o contexto histórico e teórico no qual a pesquisa e a publicado "por Verena Martinez-Alier(47). tendo-a. terra. Companhia Editora Nacional.por meio dos quais se marcam analise apreenda as peculiaridades da formação social capitalista e as e expressam as linhas de casta do escravismo . A pesquisa precisa compreender Myrdal. de por vários autores. Genovese (organizadores). movimentos. eles são preparados apenas para as'tarefas não especializa- das forças produtivas (capital. da sua .. num sistema de dominação e apropriação diverso. "Slavery|in capitalistjand|non-capitalist cultures". provocando assim a insurreição e a rebelião(50). É preciso que a estruturais desses valores e padrões . Trata-se. pela morte civil a que estão sujeitos(49). Klein.[Foner e casta escrava. 124. citação da p. Regra geral. ou crítico. S. inclusive podia rebelar-se em grupo. força de trabalho. Cambridge University Press. Prentice-HalI.) que compõem. impostos pela casta dos senhores. p. não termos de relações. Marriage. Fernando Henrique em seguida. praticamente todos reconhecem as no Brasil. importante. R.

que coman- escravo politizava a sua visão crítica do mundo social em que vivia dou boa parte da luta contra os senhores brancos e o exército precisamente no momento em que se "deteriorava" a condição napoleônico invasor. desencadeou-se uma luta entre os vários grupos políticos formados pelos homens livres. Octavio lanni. colónia e dos escravos. Mentor Book. Joaquim Nabuco. New York. ele possuía nível cultural muito acima daquele antagonismos entre brancos. 4 e 10. E reflete uma Cabe aqui uma nota sobre a abolição da escravatura no Haiti. 1964. que a crise do escravismo em Haiti. (3°) pela do escravo em situações não mais especificamente de escravatura. Assim.\EAilora. desenrolado ao longo de quinze anos. fazenda. ou grupos e facções das camadas que era permitido ao escravo do eito. International Publishers. esp. Vintage Books. que também participaram das lutas de independência.produto de uma compreensão política da alienação escrava(52). New York. não é por mero acaso que a escravidão conhecimentos de matemática e possuir experiência militar. Outros registram que ele teria sido escravo. no entanto. no O fato de que a escravatura foi abolida de forma violenta. citado. os "pequenos" brancos e os mulatos. I: Alfred Barnaby Thomas. teriam sido os mulatos livres que iniciaram e possuíam conotação política . metamorfoses do escravo. Genovese. esp. O abolição da escravatura. The MacMillan Company. formação social escravista muito especial. eram o produto de uma revolta por assim dizer subjetiva. político- Revolução Francesa. a abolição da escravatura foi um negócio de plantation. pela abolição da escravatura foi um processo por assim dizer esse é um caso em que não se comprovaria a tese de que a casta de derivado da luta pela independência. Latin America: a 1971. ou outros atos. a vitória dos negros sobre os brancos. em 1789-1804. ao longo dos anos da luta. V. Estava em jogo a democratização e a independência de Saint. além de ter adquirido tornar-se opeíário. La economia haitiana y su via de desarrollo. que a Revolução Francesa. no seio da ção escrava. 222-225. São Paulo. Transparência e fetichismo da mercadoria Dominique. rendeiro numa escrava. 1956. em 1789. E como ele. O líder Toussaint Louverture. no Haiti. New York. Assim. New York. 1965. no momento em que ele se urbanizava. os brancos . ou escravos sobre os senhores.e houve muitos atos desse tipo na desenvolveram a luta contra os brancos: (l 9 ) para participar do novo história da escravidão-o que estava ocorrendo era uma politização poder. In red and black (Marxian (53) Gerard Pierre-Charles. Convém observar. Hobsbawn. mulatos e brancos.estavam divididos e a luta negros. Em geral. J. como em Cuba e no (52) Edison Carneiro. Aliás. O abolicionismo. a Revolução Francesa e a Revolução Industrial brancos. Brancos e negros em São Paulo.slave revolts. escravos não poderia organizar uma consciência política da aliena. começava a plantation e cocheiro. esp. geral. Herbert Aptheker. caps. a colónia francesa de Saint-Dominique (que econômicas. São Paulo. I. cap. ou principiava a verdade é que Louverture sabia ler e escrever. ou pacífica. Aliás. cap. México. cap. 1963. 1962. Americanos. Cuadernos explorations in Southern and Afro-American history). Em qual os mulatos livres estavam sendo rechaçados do jogo político. por fim. Foi nesse contexto. teria sido um criado doméstico. engenho ou dominantes. A ingressar na cultura especificamente capitalista. citado. europeu e mundial. lutas essas que se desdobraram na abolição da escravatura(53). que assinalam a supremacia . foi o resultado de um processo político complexo. Como vemos. As history.mundial do modo capita- passou a denominar-se Haiti com a independência) entrou em lista de produçãõ(54). os qual ocorreu a crise em Saint-Dominique e a libertação dessa escravos lutaram contra os senhores e aboliram a escravatura. em iniciou-se com uma crise no seio dos homens livres: os "grandes" perspectiva histórica. Nesse momento. escravos. 37 36 . havia outros. alguns escravos puderam aprender a ler escravatura foi abolida em consequência da luta armada entre e escrever. Roger Bastide e FVorestan Fernandes. Difusão Europeia do Livro. brancos. sem contar os mulatos livres. p. Brasiljlense. Tivesse sempre foi extinta principalmente devido a controvérsias e a ou não sido escravo. como em Haiti e nos Estados Unidos. que esses mulatos iniciaram a luta armada e associaram-se' aos individual ou anárquica. na qual os mulatos Haiti foi a única colónia europeia no Novo Mundo na qual a tiveram atuação importante. (2Ç) pela independência de Saint-Dominique. história do capitalismo francês. foi um acontecimento fundamental na Ocorre. The age of revolution: 1789-1848. grande efervescência política. numa primeira aproximação. De fato. O quilombo dos Palmares (1630-1695). isto é.senhores ou não . 1947. Sob a influência da são duas expressões notáveis das rupturas estruturais. Eugene D. e não a abolição da escravatura. E quando a rebeldia.. esp. American negro . (54) E.

basea- produção. ao possibilitar a generalização do trabalho livre. o senhor relacionava-se ao como pessoa. operando tanto no processo produtivo. pró. sociais e namento e crise da formação social escravista. 1967. de sociais. porque sem eles repressão e a violência características do escravismo como produtos no Brasil não é possível fazer. como trabalho social cristalizado e prias de cada país. Daí a importância das técnicas de repressão e violên- internacional de manufaturados e matérias-primas. mercadoria surge transparente. São Paulo. enquanto propriedade do senhor. que pode vender a diversos compradores. zada. Essa combinação de condições internas. conservar e aumentar fazenda. A condição pelo medo que o senhor poderia ter da revoltaouvingançado escravo. a violência e a repressão abertas são as exigências políticas. Vejamos alguns exemplos: escravo e o senhor. pois que. ou a . e de que Vejamos. específicas do escravismo. faculdade sobre a qual não pode ter comando. Aliás. inimigos. como sua proprie. e não dispõe de condições para negociar. foi suficiente. citado. das no trabalho do operário. corrente(55). está um singular processo: gama das implicações económicas e políticas envolvidas no funcio. nas condições do mercado. No escravismo. produto esse que aparece direta e explicitamente abolida. nem o uso da sua força de trabalho nem a si (55) André João Antonil. desse outro (56). enquanto formação social. de uma situação radicalmente diversa daquela escravatura foi uma transformação revolucionária das relações de vigente nas relações de produção especificamente capitalistas. como mente examinada nos capítulos anteriores. mas pelo mesmo processo era forçado a depender trabalho. p. o senhor de escravaria tinha uma fonte tas de produção é necessário compreender que o escravismo é um especial de sua maneira de ser e mitologia: o escravo. em cada país e em sua culturais de relações de produção organizadas para produzir mais- devida época. nem ter engenho do medo. no produto Não há dúvida de que esse era um dado da consciência do senhor. fetichi- estruturais do seu colapso final. escrava torna explicita a expropriação do trabalhador. Dessa forma. Cultura e opulência do Brasil. a condição escrava tornava o autores. sistema esse no qual a o habito do mando. The política] economy of slavery. A mercadoria acaba por compreensão da formação social escravista e das condições histórico. Essa escravismo. e em sua força de objeto desejado somente pela mediação do escravo. mais alguns aspectos importantes da crise de pode variar o preço dessa venda. 38 39 . apresentar ao operário como estranha e independente de e. Isto é. na qual abriu novas e amplas condições para o desenvolvimento das forças predomina o trabalho livre. Na sociedade capitalista. Mas é necessário lembrar que a escravatura foi valia absoluta. fora da conveniente recolocar alguns dos aspectos mais significativos da situação de trabalho. a económica mundial. e_implicoa_a transformação das relações e estruturas de consciência do perário e do burguês. e externas. na essência do funcionamento e dos movimentos especificidade é fundamental.Brasil. operário a ilusão de que o concreto é o salário. por seu senhor (o que era produzido). ao mesmo tempo e reciprocamente. O escravo permanecia interposto entre o senhor e o objeto desejado força de trabalho alienada. ele tinha sistema de produção de mais^valia absoluta. Assim. abolição da escravatura nos seguintes termos: a abolição da Trata-se portanto. em relações e estruturas de classes a sua força de trabalho por um salário especificado em contrato.rnejca- Dessa maneira quero acrescentar outros dados e hipóteses para a doria. Mas seria incompleta a explicação que se limitasse a situar a Anlonil: Os escravos são as mãos e os pés do senhor do engenho. 32. alienação peculiar à condição escrava foram registrados por diversos dade e seu inimigo. do seu trabalho e na sua pessoa. O fato de que o operário vende castas. 159 Obra editada pela primeira vez em 1711. Companhia Editora mesmo. cia. no curso do século durante como expropriação. indica bastante claramente a importância explicativa das condições políticas e económicas específicas de cada caso. Ao passo quedara o escravo a mercadoria surge imediata e O caráter repressivo e violento do escravismo não se explicava explicitamente como produto alienado de seu trabalho. cria no transição do regime de trabalho escravo ao regime de trabalho livre. na consciência do senhor. e não o trabalho alienado. Essa e outras características"3a" Todo escravo aparecia. Esse é o fundamento do caráter repressivo e violento do Nacional. O senhor de escravo controlava os produtos do trabalho do outro. Genovese. devidas à expansão do comércio expropriado. Afinal de contas. a mercadoria aparece fetichizada à produtivas. em sentido estrito. Talvez seja possível e nos níveis sociais e culturais da existência do escravo. em praticamente todos os países. pois. Para explicar o caráter repressivo e violento das relações escravis- Genovese: Ao contrário do sitiante. O es. p. se queremos compreender toda a do escravismo. a mercadoria aparece direta- o qual a Inglaterra capitalista afirmou e expandiu a sua hegemonia mente como produto alienado de um produtor alienado. a mais valia. cravo é obrigado a produzir m u i t o além do que recebe para viver e reproduzir-se. mas havia mais do que uma autoridade despótica na relação mercadoria aparece imediata e explicitamente como produto da senhor-escravo. (56) EugeneD. o escravo é duplamente alienado. características do capitalismo. Mais precisamente. sucessivamente.

e começou a imigração europeia. No ambiente urbano. vol. experiências da condição alienada de cada um. a vida era realmente rica e variada(59). (57) Karl Marx. abandonaram a sua oposição à expansão industrial. The Brazilian cotton manufacture. 1967. Mesmo durante a guerra. Stein. ela se torna um duplo ambiente urbano que florescem e difundem-se as opiniões e as obstáculo à continuidade do trabalho escravo no interior do interpretações críticas sobre o escravismo e as possibilidades da sua capitalismo. como pessoa e É claro que o tipo de alienação em que vive o escravo gera trabalhador. l. muitos sulistas burguesia branca eme. distintos contextos sociais. com surpreendente fúria. depois de um breve período de entusiasmo pelas novas fábricas. Em escravos? Uma burguesia urbana. Klein e Genovese. ao afirmar que a escravidão não atrasou a industrialização. nas suas tabernas. logo que o trabalho assalariado surgiu. na generalidade que na fazenda. atividades. Genovese. os escravos sombra da escravidão era visível em frases como esta: "o trabalho é caro e ineficaz. Em sua significação histórico-estrutural. os escravos não podem ser postos em situações incompatibilidade entre o trabalho escravo e o trabalho livre. Por um lado. é no Se a alienação do escravo é transparente. citado. p. os escravos urbanos também mantinham um intercâmbio social ativo com uma ruptura estrutural na qual os próprios escravos tiveram os homens livres e outros escravos. extinção. Em nenhum país dos privilégios da semiliberdade. a mente ou mesmo em pequenos grupos . 181. agremiações e outras atividades papéis relevantes. as fábricas em geral abandonaram o uso de escravos depois de 1850. tornou-se um duplo obstáculo à alienação velada da condição operária. p. Ao senhor. cias da sua condição alienada. Por outro lado. (59) Herbert S. a aboli. a opinião pública voltou-se contra operário. Op. estímulo e repressão que los. um contingente semi- organiza o trabalho escravo pode ser igual ou semelhante à que escravo subvertendo a disciplina do trabalho no campo . no Brasil. Para o escravo urbano. ou ex-escravos. p. o convívio direto e. Slavery in the Americas (a comparative study of Cuba and Virgínia). 41 40 . Daí porque muitas reações dos escravos são atos individuais de revolta anárquica.rgente. (60) Eugene D. 160. Klein. o trabalho de cada os fabricantes. The Universityof Chicago Press. ideias e quando não é executado por escravo sob um regime disciplinar correspondente"(58). 18. Stein: Em 1853. Nem no trabalho. antagonismos entre os interesses da casta dos senhores brancos e os interesses da Genovese: Entre os começos dos anos 1840 e o princípio da guerra. 51. plantation e outras unidades escravatura. mas em geral mantiveram a sua Em segundo lugar. Já que a alienação escrava é transparente. Não obstante. a alienação aberta e transparente do escravo. ção foi sempre um negócio de brancos.eles temiam isso e algo organiza o trabalho operário.. motivo porque deve estar todo o entre si e com os operários. engenho.nenhuma possibilidade de comissão de preços admitia que "a maioria dás fábricas em nosso pais usa trabalho organização social ou política do seu pensamento e atividade sobre a escravo". cujos ideais podem ser diversos e mais críticois. Chicago. ocorre mais fácil e amplamente a socialização das ção(57). com interesses próprios e dinheiro para defendê- nenhuma hipótese a forma de controle. o escravo surge direta e encontram melhores condições para conviver e trocar experiências explicitamente como inimigo. É obvio Dessa forma. De que tinham medo os senhores de um organiza-se social e tecnicamente de maneira peculiar. A sua condição alienada. p. têm possibilidades de organizar as suas experiências. as técnicas de repressão e também uma modalidade singular de alienação do senhor. permanente do escravo com o operário significaria o convívio entre uma modalidade de alienação aberta e outra fetichizada. o sistema não pode propiciar aos escravos . torna o senhor direta e imediatamente alienado e de produção escravista. sócio-cultural e Marx: Na pessoa do escravo rouba-se diretamente o instrumento da produ- político da cidade. Na cidade e na indústria os escravos prisioneiro da situação escrava. em caráter permanente. o escravo não pode ser posto a trabalhar com o hostilidade ao "sistema manufatureiro". Elementos fundamentales para Ia crítica de Ia economia política. o resultado dos. cujas condições de vida e tempo submetido ao seu arbítrio. nem fora dele. citado. em de trabalho nas quais^possam intercambiar e socializar as experiên. em Cuba e nos Estados Unidos. rapidamente na cidade. Essas são as razões porque o escravismo se deteriora mais (58) Stanley J. No ambiente económico. cit. A violência não podem ser usadas com o mesmo arbítrio e a mesma transparência da alienação do trabalho e do trabalhador. sociais. Daí porque as rebeliões escravas Klein: Ao mesmo tempo que desfrutavam de mais oportunidades económicas e são poucas e de resultados precários ou negativos. Vejamos o que escrevem Stein. mais(60).coletiva.em sua que a alienação transparente da condição escrava iluminaria a pessoa e no produto do seu trabalho. associados à maior circulação e à faculdade de (salvo nas condições especiais do Haiti) a abolição da escravatura foi alugar-se. sobre a Em primeiro lugar. um proletariado urbano com tendências imprevisíveis. Por fim.

o comprador ficará na mesma situação bem que eles estavam antes dessa ciência e na prática da classe burguesa em formação. Ao contrário. por força da sua condição de proprietário do escravo. Kerblay e R. terra. condições do capitalismo . (62) Sidney W.' sem indicação do tradutor. A composição orgânica de seu capital passa a ser um renda suplementar. Genovese (organizadores). Livro 3. em termos económicos. 42 43 . reduzindo o seu capital. 24. 1-28. fazenda ou fábrica. De qualquer maneira. Quando o Chayanov: No sistema económico escravocrata. "El modo de producción esclavista colonial en América". Mas. somente se instaura e desenvolve. os gastos de manutenção terão de (64) A.o lucro que se pretende extrair dele. O escravo é Ocorre que o escravo era subjugado económica. a parte do produto atribuída ao capitalismo generaliza a ideia e a prática de que o lucro se produz no trabalho escravo. ou é forçado a transformar-se num burguês. do mesmo modo que o capital desembolsado nu compra da terra cessou de escravismo.nas mais-valia antecipada e capitalizada. p..ou seja. E uma mente aos interesses do seu proprietário. segundo as leis de Deus e da investida nele. 926.o senhor de escravos transforma-se num capital desembolsado nessa compra não faz parte do capital com que se tira lucro. Também houve senhores que sucumbiram com o para ele. o investimento em escravos significa que o capital é incompatibilidade entre a formação social escravista e a capitalista colocado numa forma inelástica. p.. F. como os outros instrumentos de trabalho. deduzido do capita! de que dispõe para a produção efetiva. é capital de que o senhor de escravos se •ultrapassado pela empresa capitalista. Furtado: A mão-de-obra escrava pode ser comparada às instalações de uma (63) Ciro F. assim como o boi não vende o produto de seu trabalho ao camponês. burguês. Demais. vol. social e cultural. mesmo é uma mercadoria. Esteja a fábrica ou o escravo trabalhando ou não. Sob certo aspecto. p. de trabalho escravo começa a revelar-se obsoleta. ou Marx: O escravo não vendia sua força de trabalho ao possuidor de escravos. ele era mercadoria que pode passar das mãos de um proprietário para as de outro. obter dele(63). Mintz. p.de uma vez para sempre. fábrica: a inversão na compra do escravo. Cardoso. O capital. p. a seu proprietário. Este pode morrer. não é tomada pelo escravo. tornar-se invalido. o preço pago pelo escravo nada mais é que a relações de produção mais propícias à produção de lucro . Citação do ensaio intitulado"On the theory of [ non-capitalist economic systems". E a melhor prova disso é que só pode voltar a existir para o senhor de escravos ou para o dono das terras se um vender o escravo. seu ciclo corresponde à duração da vida ativa do escravo. (65) Karl Marx. Smith. na cons. B. E esta é uma impasse. e que constituía o lucro antecipado e capitalizado que se esperava burguesia. 27-37. na consciência da burguesia ascendente. o que supõe a perda parcial ou total da importância A "desumanidade" da escravatura. com sua força de trabalho. Os custos de sua alimentação e abrigo estavam mais ou menos na mesma categoria dos custos de manutenção dos instrumentos e máquinas.. 1966. citado. as máquinas. essa é a época em que se torna existir para a agricultura. e o outro a mais agudo o antagonismo entre liberdade e escravidão. para não ser trabalho excedente do escravo. processo produtivo. Quando a força venda. .Homewood. Trabalho assalariado e capital. a terra. p. Traduzido do inglês. organizada com base no desfez.continuidade da escravidão no interior do capitalismo. 216. vel. S. citado. Formação económica do Brasil. os escravos representam um custo adicional para o empresário. Chayanov. Ele parte do capital constante imobilizado na plantalion. requisito essencial para o aumento ou a preservação da sua taxa de lucro. Mas. Ou seja. Diferentemente dos assalariados no capitalismo. Ao dar-se conta de que o trabalhador livre corresponde a Marx: Na economia escravista. "Slavery and emergent capitalisms". 1963. da divisão social do trabalho e da transição para a produção de mais-valia relativa. p. uma hora de trabalho do escravo perdida não é Thorner. à Mintz: Afinal de contas. Cardoso: O escravo faz parte do capital fixo. e sUa manutenção representa custos fixos.(61). Editorial Vitória. 14. mas por seu processo da produção. engenho. citado. citação da p. edição organizada por Daniel ser 'despendidos. a matéria-prima. tinha raízes mais fundas. quando a acumulação de capital passa a ser comandada pelo processo produtivo. Já não existe trabalho livre.V. vendido. publicada por The American Economic recuperáve'l. mas sua força de trabalho não é sua mercadoria(66). que é a razão de ser da escravatura(64). 6. então o escravocrata é obrigado a transformar-se em empresário capitalista. Association. na dinâmica do Precisa de novo capital para aplicar na exploração escravista (65). The lheory ofpeasant economv. A rotação Liberdade e mais-valia desse capital é lenta. (61) Celso Furtado. dos meios de produção. Slavery in the New World. A compra não o capacita automaticamente a extrair lucro do escravo.. E. o senhor de escravo se coloca diante de um proprietário. citado. (66) Karl Marx. em Laura Foner e Eugene D. de maneira irreversí. abandonar o sistema produtivo. Rio de Janeiro. associar-se com outros. quando não estão trabalhando(62). 35. Illinois. 54.

Com a acumulação do capital desenvolve-se o modo de produção especificamente capitalista e com o modo de produção especificamente capitalista a (67) Kad Marx. racionalização Essa mudança na composição técnica do capital. com a divisão reprodução e acumulação do capital agem sobre as forças produtivas mínufatureira do trabalho e o emprego das máquinas.é uma tendência característica das relações dado de graça(67). Assim. 52-53. constitui condição significa a absorção de uns capitais pelos outros. As exigências da condição da produtividade crescente do trabalho. ou métodos para acelerar sua acumulação. portanto.adubos minerais. se expressa pelo volume relativo dos meios de sempre renovadas formas de organização social e técnica das produção que um trabalhador. Livro l. São. O capital. Com isso o capitalista faz crescer a aos seus fatores objetivos. Esta lei do aumento para a preparação e a especialização da força de trabalho. Ao contrário (do trabalho assalariado). a grandeza crescente dos meios de implicam a elevação da composição orgânica do capital. como fertilidade do solo. mais tarde.) ele potência a capacidade produtiva da produção. Claro está que para poder produtivas. o grau de produtividade do lucro. num tempo dado. expressa a produtividade cias da reprodução e acumulação do capital provocam a inversão e a crescente do trabalho. ou formas mais ou menos rudimentares de Mas todos os métodos para elevar a força produtiva social do trabalho. que em geral ocorrem simultaneamente. por exemplo. e a centralização do capital. dos. condição ou consequência.. o aumento da massa nos meios de dos processos produtivos etc. Segundo Marx. Por outro lado. 44 45 . incluindo-se aí a força transforma aumenta com a produtividade de seu trabalho. em relação à força de trabalho neles incorporada. transforma em produto. o que acessórios entram no processo de trabalho. superam-se as limitações próprias da cooperação simples. 1963. O mesmo se pode dizer com relação à e mais dinâmicos anexando ou absorvendo os menores e pouco massa dos meios de produção concentrados em edifícios. Esses meios de produção desempenham duplo papel. capitalistas de produção. o que implica novas e renovadas possibilida. Mas. a qual se patenteia mais na processo produtivo se transforma na esfera principal de criação de qualidade do que na quantidade do que produzem. o que de carga. sem indicação do tradutor. Ao investir crescente- mente em capital constante (máquinas.ou a progressiva elevação da composição repor o v. comparada com a massa da força de trabalho que os vivifica.o aumento crescente do capital constante.. a percentagem poderá ser de 80Í? para os meios de produção e de 20^ para a força de trabalho e assim por diante. ou do produto excedente. transporte etc. provocando mudanças estruturalmente tempo mais material. no trabalho dos escravos até a parte do trabalho que se paga parece ser trabalho não remunerado.. As exigên. numa determinada sociedade. vol 2. E o progresso da produção e 50% em força de trabalho. de trabalho e a divisão social do trabalho. Rio de Janeiro. capacidade produtiva da força de trabalho. no decréscimo da quantidade de trabalho em relação á massa dos meios de produção que põe em aplicação de novos e renovados métodos de organização social e movimento. Isto é. Isto é consequência da produtividade significa a reinversão continuada dos lucros. das tubulações de drenagem etc. preço e lucro. mas pode ser observado também na agricultura e outras esferas da produção. e a habilidade trabalho cria limitações ao desenvolvimento da produção. com o aumento da parte constante às custas da orgânica do capital implica o desenvolvimento de formas cada vez parle variável. citado. mesmo dispêndio de força de trabalho. Isso é mais "visível" na indústria. ou na diminuição do fator subjetivo do processo de trabalho em relação técnica dos processos produtivos. e por isso quantidade maior de matérias-primas e de materiais significativas. produção. que por sua vez é o fator constitutivo da acumulação.. O aumento desta se patenteia. p. das bestas a diversificação das empresas.. (68) Karl Marx. o escravo tem que viver e uma parte de sua jornada de trabalho serve para em relação ao variável . que tendem a prevalecer na organização do trabalho mesmo tempo métodos para elevar a produção de mais-valia. o de outros. transforma-se no mesmo e as relações de produção. por exemplo. reflete-se na força de trabalho. instalações. todo o seu trabalho parece orgânica do capital . altos fornos. É óbvio que o desenvolvimento da composição composição do valor do capital. em geral os maiores para a produtividade crescente do trabalho. com o desenvolvimento da divisão do trabalho pressupõe condições sócio-culturais especiais produtividade do trabalho. trabalhar. Editorial Vitória. sob crescente do capital constante em relação ao variável se confirma em cada passo. a massa da maquinaria empregada. conforme elas se (68). com o relações de produção. Quando o de produtores que trabalham independentes e isolados. portanto. plantations ou outras unidades mesmo tempo métodos para produzir capital com capital. manifestam no capitalismo. Mascomo entre ele e seu senhor não houve trato algum. Salário. Esses dois processos. ao escravo em fazendas. A massa dos meios de produção que des de desenvolvimento das forças produtivas. p. são ao cooperação.. engenhos. O incremento de uns é consequência. nem se celebra entre eles nenhuma compra e venda. as formas avançadas da divisão social do trabalho. 723-724. Se. Traduzido do inglês. como as seguintes: a concentração do capital. meios de ativos.alor de seu próprio sustento. o capitalista é obrigado a pensar e pôr em prática novas e trabalho. provocando a expansão e crescente do trabalho. originalmente se despende 505 em meios de mais elaboradas de divisão social do trabalho. É claro que essa forma de "imobilização" de capital em força de Pondo-se de lado as condições naturais.

ao passo que o escravo é simplesmente produção de mais-valia absoluta. das condições em politica das reivindicações do operário são essencialmente diferentes que se formou a classe dos trabalhadores livres. custo da reprodução da classe operária. de diversos fatores. o escravo está cias fisiológicas e pelas tarefas que lhes são atribuídas(71). Ao passo que o custo da reprodução da força de trabalho livre tende a definir-se pelas Quando são examinadas de forma mais demorada. vendedor de força de trabalho. enquanto que a mais-valia relativa Marx: Na medida porém em que a exportação de algodão se tornou interesse vital resulta da potenciação da capacidade produtiva da força de daqueles estados (meridionais da América do Norte) o trabalho em excesso dos trabalho. senhores. sujeito às condições ditadas pelo senhor.V. p. enquanto casta. (71) A. E este somente muda ou desenvolve os elementos que compõem o processo produtivo - Isso era possível porque a condição escrava praticamente anulava modificando a composição orgânica do capital . habitação de propriedade do senhor. um aspecto básico dana proporção conjugada dos impulsos que incompa. com seus hábitos e exigências das que dispõe o escravo. As suas condições históricas e morais de existência. a relação do operário com o capitalista é contratual. Chayanòv.em função de qualquer capacidade de reivindicação do escravo. ainda seguinte: sob o escravismo tendem a predominar condições de que em condições adversas. cas. particularmente. exigências económicas e sócio-culturais do operário. que implica uma composição orgânica do capital relativamente baixa. Um elemento histórico e moral entra na determinação do valor da força força de trabalho escrava tende mais facilmente a ser determinada de trabalho. cit. Lembremo^nos de que a mais-valia absoluta se produz pela extensão da jornada de trabalho. processo produtivo. diferentes daquelas específicas do escravismo. The (heory ofpeasanl economy. O capital. fatores como os seguintes: oferta ou disponibilidade de mão- -de-obra. O objetivo passou a ser a produção da própria predominar uma forma de organização das relações de produção mais-valia(70). 13. Ao criar-se e generalizar-se o regime de trabalho livre. por sua condição As próprias necessidades naturais de alimentação. ou sendo aumentado e abrigado segundo condições totalmente ditadas pelos \oMasdo capital. Marx chamou a atenção do leitor para as condições sócio-culturais da reprodução da força de trabalho operária passa. a social escravista. 191. na formação se dão mutuamente. ao essência. Sob o capitalismo. citado. citado. históricas e morais. por isso. envolve necessariamente o trabalho (da classe operária) se rege por condições histórico-estrutu. rais próprias. pelo nível fisiológico mais do que o social. tendem a prevalecer condições de produção de mais-valia relativa. partido etc. o que a distingue das outras mercadorias(72). Op. com elevada participação de mão-de-obra no Chayanov:Q$ gastos de manutenção dos escravos são determinados pela exigên. são substancialmente diferentes das etc variam de acordo com as condições climáticas e de outra natureza de cada pais. ou sócio-culturais e políticas. desse modo. membro de satisfazê-las são produtos históricos e dependem. vol. do operário. As exigências económicas e sócio-culturais do escravo. l. possibilitavam que a casta dos senhores mantives- parte variável se torna cada vez menor em relação à constante(69). aquecimento. por meio da organização técnica e social do processo pretos e o consumo de sua vida em sete anos de trabalho tornaram-se parte integrante de um sistema friamente calculado. As possibilidades de organização social e grande parte do grau de civilização de um pais e. Não se tratava mais de obter deles produtivo. a reprodução da força de ção da força de trabalho. ou seja. a extensão das chamadas necessidades imprescindíveis e o modo de trabalhador. em última instância. Por isso é que o custo da reprodução da particulares. vol. Em de trabalho escravo parecem estar referidas.. modificam a composição técnica do capital. 266. Mas não (69) Ibidem. enquanto Demais.j>. roupa. ao passo que no capitalismo propriedade do senhor por toda a vida. as exigências económicas e trabalho livre.a produção. além das económi- ram a ser governadas pelas condições próprias das relações capitalis. Como não pode reivindicar. (72) Karl Marx.registrar é fundamental Esses aquidois fatores. cidadão. Livro l. dessa determinação. citado. sem os escravos vivendo próximo do nível fisiológico. interesse em aumentar ou'dinamizar . (70) Kail Marx. p. e. 47 46 . p. Com isso quero frisar que sob o escravismo pode certa quantidade de produtos úteis. as contradi- condições políticas de que dispõe o operário para defender ou ções políticas e económicas que deram origem à extinção do regime melhorar as suas condições económicas e sócio-culturais de vida. Inclusive mostrou que o custo da reprodu- tas de produção. 725-726. em sindicato. Ao examinar especificamente a determinação do valor da força de tibilidade entre o trabalho escravo e o trabalho livre.

responsabilizar o operário por renovadas tarefas. Ao permitir que o proprietário dos meios de produção compre apenas a força de trabalho necessária. 46. Se lhe produção pode investir maiores quantidades de capital constante - fosse permitido vendê-la sem limitação de tempo. dias(74). desde logo. Buenos Aires. plantation trabalhador livre os recebe sob a forma de dinheiro. continua. hierarqui- íion. não é igualmente verdadeiro que as condições exigências do conjunto do processo produtivo.segundo cida a escravatura. Capitulo VI (INÉDITO). industrial ou outra) a versatilidade da força lado. e essa forma natural dos mesmo quando as condições de produção não garantem lucro. convertê-lo-ia sem demora em escravo do patrão até. e mesmo impossível.que a do escravo. O operário. ou do desenvolvi- sócio-culturais e políticas que envolvem o escravo e o trabalhador mento das outras forças produtivas. ou diversificar as aplicações em capital variável (salários) . em especial o operário. o escravo não se repõe. diferentemente do escravo. pode escolher a quem quer vender-se. o escravo representa principalmente capital constan- enquanto classe social. tem livre sejam sequer semelhantes. porém. Pode negociar a reposição da sua força produtiva. Ao social e técnica do processo produtivo na qual se potência a mesmo tempo. O mercado está desfavorável para o produto do engenho. te. de Pedro Scaron.operário. relações de produção. do trabalhador livre. Salário.abre novas e amplas mais-valia relativa. em valores de uso. por longo tempo. tanto por seu género como por seu volume. Como casta. p. planta. teríamos imediatamente restabele. ou arriscada. O estravo pertence a um senhor determinado. El capital. O trabalhador livre. Se é verdade que um e outro podem produzir zar e sistematizar os usos da força de trabalho. trabalho. E isto permite que o capitalista compre a sua força de trabalho / Todas estas relações modificadas fazem com que a atividade do trabalhador livre seja segundo as condições que lhe garantam o lucro. mas não a um capitalista determinado. imaginar que economiza. Antes de mais nada. ou o mesmos está ficada. Ainda que sob as condições estabelecidas e controladas substancialmente daquela baseada no trabalho escravo. p. É fundamental reconhecer que o operário desenvolve a sua atividade produtiva numa relação contratual. mineradora. Talvez se possa dizer que sob o regime de trabalho livre o capital produtivo pode ser É óbvio que também o escravo pode ser posto numa organização mais "versátil" do que sob o regime de trabalho escravo. A forma de organização social e possibilidades de lutar por maior participação no produto do próprio técnica das relações de produção com base no trabalho livre difere trabalho. 1971. O operário é vender-se ao capital. Mas o que é difícil. não poderia abstraia'da riqueza.. E isto o torna diferente. O operário pode poupar algo. Ao fazer isso. ao abolir-se a escravatura criam-se outras e mais amplas possibili- dades de produção e circulação do capital. 70. para vender a sua força de trabalho. Na empresa (agrícola. Ao passo que o / mais imensa. fábrica. Libro I. * capacitam para uma ação histórica muito diferente. . engenho etc. Assim ele se livra da exemplo.. o operário é livre de negociar a sua força de uso da violência e dos incentivos difere radicalmente em cada caso. O escravo recebe em espécie os meios de subsistência necessários para sua manutenção. Dessa forma ele produziria ou seja. o operário. segundo as mais-valia relativa. mas. económica e socialmente. por as exigências do ciclo do capital produtivo. dentro livre de oferecer-se no mercado. o final de seus inversão ociosa. na qual ele e o capitalista são partes formalmente (73) Karl Marx. se o operário se vendesse por toda a vida. precisa aplicado segundo as exigências do processo produtivo.inerente à relação contratual Ediciones Signos. segundo especia- 48 49 . da forma social etc. que representa capital variável. É a "cidadania" do operário . inclusive Além do mais. de tal modo que. não sei se as leis inglesas. do valor de troca. a generalização do trabalho livre .que permite (74) Karl Marx. preço e lucro. de trabalho livre amplia as oportunidades de organizar. específica do processo capitalista de produção . a transformação do escravo em trabalhador livre - capacidade de sua força produtiva. em função de qualquer pressão social ou política do escravo. além de que o escravo é capital constante. O que o operário vende não é diretamente o seu trabalho. Isto significa que o proprietário dos meios de assim que. móvil e competente . cedendo temporariamente ao capitalista o direito de dispor dela. e _o escravo implicam dua^foimas distintas" agente livre. na mesma oficina. sem comprar o trabalhador. em escravaria. desperdiçar em aguardente etc. algumas leis continentais fixam ' o máximo de tempo pelo qual uma pessoa pode vender a sua força de trabalho. que precisa ser alimentado e abrigado. A da mesma maneira. Semelhante venda. citado. iguais. de certos limites. suportar as condições de trabalho a que o escravo é submetido. fazenda. Pode. É claro que o pela burguesia. trad. em especial o operário. ele próprio è responsável pela é estruturalmente incompatíveis de organização técnica e social das maneira que gasta seu salário. Aprende a aulodominar-se. por seu lado. que precisa de un) amo(73). Tanto é orgânica do capital. certamente. que deve pagar os pratos quebrados. escravo e o trabalhador livre possam ser colocados a trabalhar lado a pecuária. é que o possibilidades à "divisão social do trabalho. atua como verdade é que o. e pode trocar de patrão. mas a sua força de a abolição da escravatura torna possível a mudança da composição trabalho.

o operário e transformado. . relações políticas. o escravo havia ajudado. que aparecem no horizonte social do branco e de si mesmos. sociais. engendradas ou codificadas.ico_de_rasa_jieg£a. acabam por pensaj e agjr como se o negro possuísse outra cultura. culturais. paulatinamente o africano é transformado em negro e mulato. no século XX. Esse é o sigmfi£ado_jogiojóg. Algumas vezes. l condições de formação do operário. africanos e seus descendentes. com a natureza e o síJbTenatural. nacionais..iladino. sI0 continuamente recriadas e reproduzidas. Outra observação: Salvo nos casos em que especifico o pais e a época. da transição para o regime de trabalho livre. outro. lizacões e incentivos também sempre renováveis. o imigrante asiático e outros tipos escravo em operário. fenotípi- cos. Antes. socialmente reelaboradas. Aparecem nas relações de trabalho. lúdicas e outras. Nesse então. no primeiro momento. processo que RAÇA E CLASSE esteve na base da criação e generalização do capitalismo. As distinções e diferenças biológicas. _As djfere-nças raciais. o índio. transformando o escravo Na América Latina e no Caribe.. E são estes. o negro e o mulato serão englobados frequentemente na expressão negro. é diferente. religiosas. Depois no século XIX o libertõTlnulato ou negro. as formações sociais baseadas no trabalho escravo produziram as mercadorias que permitiram a ampliação e a aceleração da acumulação de capital. Esse é o preço da cidadania. criou.nam. Na situação de contrato específica dessas relações de produção.P_branço. lingtiísti- (1) A partir deste ponto. o negro e o mulato. e o próprio negro. o africano"passa por personificações ou figurações i adulação primitiva.lo. em geral a discussão feita neste trabaiho engloba o conjunto dos países da América Latina e do Caribe nos quais houve escravatura de. Em quase lodosos países. conforme as exigências da narração. ingénuo. Ao-longo de vários séculos.o Raça e cultura capitalismo constituído e em expansão revoluciona as relações de produção nas formações sociais escravistas. boçal. Nesse então. das relações sociais. Em"gcrãT.é uma raça subalterna. No outro momento.Em nenhum momento a discussão enfoca a situação racial em Cuba socialista. 51 50 . em juiz de si mesmo sem o que ele não faria jus ao seu salário. em boa parte. sexuais. Não è como o branco. psicológicos ou culturais que djstingyj. do negro. depois do branco ou índio. isto e. destacarei um ou outro. e sob as mais variadas \ sua força de trabalho como mercadoria. preservando. No confronto com o branco. o imigrante europeu. fenotipicos. o africano^ transforma-se em em trabalhador livre. reduzindo ou mesmo acentuando os característicos físicos. o próprio trabalhador é mercadoria. psicológicos ou culturais (1). o trabalhador é livre de vender negro e mulato. JNa_ trama. no âmbito da condições sociais. o l operário ajudava a criarem-se as condições de transformação do mestiço. alterando.. Em síntese. estranho. o negro aparece corno a segunda ou a terceira raça. como tipos sociais que são diferentes do brancOj^ejn_sfi-US- atributosTTMcos. o branco. outro modo de avaliar as relações dos homens entre si. a fnarem-se as sociais como as seguintes: escravo.

Nas várias esferas da organização social. E. p. uma questão central é compreen- revelam. Há pelo (2) Charles Wagley. E este. A York.a^ e Caribe. as famílias. as raças são trabalhadocom o problema das rejações entre o branco e ojiegro na i seguidamente recriadas e reproduzidas como socialmente distintas e América Lãtina oCaribe.ajdj5^^ócio:c_ujtur_ais pouco ou _ muito entre o negro e o branco no^£aíses_jia-_A -t"pr'ca_._a_si_rnesrno_e para o cientista social. nas quais ele rejações errtrg^ o branco.ãlirjff--. religião. Citação do cap. alemão. italiano. ou desafio. nas relações entre ambos. e porque as situar-se e movimentar-se na trama das relações sociais. francês e outros. afastado ou discriminado pelo branco. em outra elementos culturais africanos em vários países. e " língua^ E verdade que Hersko. a uni Bastide são alguns_dentre _os. 53. fisionomia social do negro na América Latina e no Caribe. Florestan Fernandes e Roger japonês. mulatos e outras categorias sociais. Morner. 155-174. cãs. grupos ou classes em Charles Wagley. intitulado "The conceptof social race in the referida escala 'deafricanismos está no cap. Sim. procura (_ . a aparência física è a Caribe.. 1969. nas Américas o critério para definir raças sociais Trata-Se de Uma_SÍStefflafÍ7. Caribe. O branco procura encontrar no próprio negro como os cientistas sociais procuram explicar a mèTáníorfose do os motivos da distância social. Halcro Ferguson. magia. historiadores e outros cientistas sociais que têm reprodução artísticaj no lazer e em outras situações. Vejamos os dados da tabela í. dores e outros tendem a começar pela relação entre raça e cultura. H. ainda numa outra. Mas também podemos dizer que a referida escala de Nesses termos é que o negro surge no horizonte da análise 'africanismos culturais presentes nesses países pode ser vista como cientifica. índio. Herskovits. o negro pertencera outra raça.cultura]s dasj[elae. As rejações entre o branco e . como urna escala de cuja sociabilidade escultura apresentam característicos que o diferen. V. Esse Examinemos._ para_ Q_branco. nas relações entre os sexos. .. Sidney W. New (3) Melville J. o negro e p mulato marcam e recriam surge como diferente. mestiço. i n t i t u l a d o "Probleni.mostrar ~\ _ comova cultura africanaj2ej3ÍSíe_iiA. do preconceito e das tensões que se africano em negro e mulato. The Latin American tradition. historia- identidade do branco conte'm uma espécie de reflexo da identidade que ele imputa ao negro."á?I ££mo ° africano se transforma em negro e mulato. sociólogos. Algumas das suas atividades. nas relações de presente em boa parte das pesquisas e interpretações de antropólo- trabalho. difere de região para região. 1968. no qual o negro aparece como a cultura africana e a condição do negro.ões ujiiverso_de _vajgre_s_^j. Hoetink. para o penso que a escala de africanismos culturais é bem uma amostra de branco e a si mesmo.negro. in Afroamerican studies" p. 43-61. para identificar-se. ciam jdojmmco. EssSC-jÊ^íC-piaSlemátiea que aparece na escala cultural construída por Herskovits e publicada pela primeira vez em 1945 (3). ajuda. na família.. Em cada país pode variar a composição dos critérios so. Em dada região. Columbia University Press. Minerva Press. e do o branco. nã~pràtica religiosa. Verena Martinez-Alier. O negro. Frank^ TannenbaumT ciais para classificar as pessoas.das Amérieas-e ressaltam-se os critérios sócio-culturais e. a identidade que o branco lhe_irnjnita.. arte.L. Fernando Ortiz. Em termos mais específicos. negros. The New H orla negro. gos. Mintz. índios. Eugene E.. os grupos e as classes sociais. religiosas ou outras são continuamente recriadas e reproduzidas nas relações entre as pessoas. em lugar de apagar ou diluir essas diferenças.0 negro: tecnologia. Para compreender qual é a jjn^ problema^ para o^ranço. antropólogos. 156. Genovese. vida económica. música pessoas de diferentes origens biológicas e culturais dentro de uma sociedade(2). passiva ou criticamente.cuUiir. sociólogos.social "e cultural do negro está começar pelo que parece ser a singularidade da sua cultura. podemos Essa busca da singularidade. pois. David Brion Davis. formas culturais recriadas. Franklin Frazjer. brancos... p. como se encara habitualmente a relação entre é o núcleo do universo social tenso. instituições. famílias. Para explicar essa metamorfose._gigntistas sociais Jntgressados_ em pesquisar e explicar os conteúdos históricQ& e. a ponto de transformá-lo num problema. J. p. parecem diferenciar e discriminar o Dentre outros significados dos dados apresentados por Herskovits. 53 . bem como os valores que organizam essas atividades. e a si mesmo. ou. Gilberto ' desiguais. Isso produz em cada culturais pelas jHferjailfii£§feras_de atividade em que sjejjrganizarn as_ uma dessas regiões diferentes raças sociais e arranjos diversos das relações raciais. precisa aceitar. Marvin Harris. Herskovitz. distintas maneiras de cada região conceber as raças sociais refletem as relações entre organizarão social. method and theory Américas".vils está -fiteocupadiX-em. Magnus Ma£jern_tod_os.Xle aparece ao branco. folclore. Nessa escala vemos como se distribuem os elementos base primeira para classificar a pessoa segundo a raça social. como um tipo social úmã~escaía ^ê~perdas"culturars. A diferenças raciais.açqnjjf infnrjpa^õe^sjrjibrp a presençajjp. por seu lado. mestiços. enfatiza-se a descendência. inglês. Melvjlle J.

. o S | .o=a. ' íiõrrffãçãTr ' social.----------. "8 o 'predomin^u. rpersistem. a escravatura produz uma cultura < g* | |j § l g própjia. Mas está presente enquanto ™ v ! cultura que pode ser reconhecida como de origem africana.0 .o ..JMas o que «B § —.. africanos. elementos culturais de cunho escravista... _ no: "8 c . ^ o ^ll^rafíalh" ?grrav" ro^pirn tQ4a§__aj___£°ntri_buigões culturais Q« « "§ c8^íiojio*ooiij)Tix>oo^ooooò o^ enrãlzã~ê espraia na socTêdãde pessoas farnilias..i u."comò Z g g Q ° .. America Latina_e ao Caribej nó século XX...a o o o o . __ no^_sécujos'XIX e XX. Na sociedade em que a escravatura a g rS S o ^ j o j j . isso sigmtica que alguns aspectos"dã O S \a social e culfúrãTd^^^opulações negras da América... pctah^iprp que as culturas africana e * ° 4 escrava foram rompidas e superadas pelas relações e estruturam ^ 8 " .. = .Assirryo que aparec^ depois. inclusive .. r. acham-sg ^JT_a_. ''"A^gguTraà interpretação estabelece que a cultura trazida pelos g g M.._ a o i u ...culináriaT 1'ingua e outrãF '3 «' esferas da vida social esses elementos podem ser vistos. de modo breve.. n^o é "enãn a r. diversfl ^ f > o T i o * > o o a f > o o o o oooooooo ° ^ da europeia..... mais ... m <^PTT1f"t"'! TH? a parecem na prátjca religiosa.* § '~..... .iitnra prõtirmfla com_j saciedade Z E « -g baseada no trabalhe encravo.-trorno r. bem~cQrnQ certos característicos das relações entre o branco § *§• § « « « « * . culinária etc.. Vejamos quais são.* & a a a £ > a a * > f > £ > £ ) & f > s * a ~^ ^ e O 7r negro.nTsurge de controntamos países. V a t ' n a e do Caribe..v|lambj. rnais ou menos profundamente. e OS aue se Preservas <§" ram jorgrr|lllrlee|fl^prados nas relações e estruturas escravTstasT ~Ã~terceira ~ interprftaqãr. jnfyi^nçjj» (]ç ejementfí^ culturais.. folclore.... Vá. depois..':ra_. o ^ "S" *• organização da famílía1 culinária e outras esferas da atividade social do negro em países 4a ^T'Pr'.t í o o t s ... . nrptprvarlrn. Sejjam POUCOS OS ementns afrirann<..écilia XX.. § ' aS í 55 . da o33.. r ... toiclore^ música.._JEssa cultura está w -" presente . **• ...artooooooo ^ ygngia aas"pe5soas. "dã^Tjet^gsetayjíitu rã .coes vividas jpelos negros ê"brancQSLnp s. que pouco ou 'nada tem a ver com os elementos .... -B-e « ^ língua. «...... t .. Estes elementos são manti^2^_jTelnsjj^ejdentes dos b u 'E l africanos como sobrevivências culturais^ que protejam a s nhr ?yi- ^ •« ? «isc8..nquanto Jorma de orgãmlaçaQ social e _ tío a-3g «ooo-o-auu^íi^-a^^oíJo-a-oTjTS -^ técnica das relaçõesde produção.. .. regiões é lugares..Capitalistas ~mre-YrpÕffiirTãrh amplamente ' n a s ^nc^g^pdes. E claro que odgm S"S^ ideTTtifirai'-se elementos culturais africanos e Í l ..h..culturais' g •* g. grupos e classes ES | | •*> S s-99âÍ5...rios séculos de regime < Q *. Sao^ esses d ͧ ^ í.a a_j T S_.......a .f Na religião^ l l música. magia. organização famjliar . indígenas e asiáticos. Tamilias.~~_I# ^ í. aftjçânos. asiática eindígena.ocaMo»i«.de torma desigual naturalmente ....—*. z l ^ ' "g.. menos três jnterpretações distintas sobre a contribuição cultural das uo o populaçõêlTdà Afrjça^seus descendentes às sociedades da América '§• Lajinaie do Caribe..o.n l ou menos enquanto tal....' io cultura do nçgry.3> •* século XX. musica....atina e z— 'E «S Cabbe. rompida e reelabora- 5 P "S. ....nas várias esterafcla G < atividade e da organização sociais: religião. £ europeus... está presente em todas as sociedades nas e quais toram introduzidos escraym^frJ£anojs. família.grupos e cornunídades. Í A primeira interpretação estabelece que a cultura africana.. g africanos foi.

a primeiras e^a é ~pôí ' MèTõ7ã^S5r^xÓUsrao~pú "sobTevívênçia cultural que certos segunda podem ser englobadas pela terceira! O fato de que as eTernênlõs"culturais "africanos".. Mais que isso. 57 56 . in|ej£gtyâl e outras figurações . contradição culturais (em termos materiais e espirituais) fazem parte necessária da heterogeneidade._"escravistas" ou "negros" surgem e _ ressurgem. Ma condição de tríbãTRãdores forçados. não se reproduz nem pnssrni por urrT processo cie aculturação forçada. sentir e agir? escravo. Na santería. o o u e s c r a v o n a cultura ou visão do mundo do negro da America que se consumia. desigual e mesmo contraditória cujo sentido básico e dado pelas rtarlianõSTTÕútros. operárias. é~explTcar como se produz historicamente a o século XX são um pouco. sitiante. hm graus yariáyejs obviamente. mestiços. operário agrícola. cprhõ outra raça. Colômbia. subalterna. na umbanda e outras manifestações d? ^iltnra rpiioioca HP pff. braçal. autca^So b certo aspecto. ue eles lugar ou éoca. desigualdades e como o que é velho. graiKterTe"n'ffôs industriais" em' cada . çs^idjn. na América Latina e no guardaram a experiência escrãvãTem srináTporque a escravatura_ C a ríBeTo ajricano__não só toi escravo mas também transformou. e como _afncano_nem como escravo. ou uma cuh^rahgterogênea. rnulálós. Peru. fundamental do processo de aculturação do africano nas sociectadesr te. se recria e reproduz continuadamente menos por decisão e atividade haitiana._d a Para compreender a forma pela qual o africano transforma-se em América Latina e do Caribe) é_a singularidade. Sob a condição de escravo. Venezuela. ~ Essas três interpretações não são necessariamente expjii^iyac f.paísJSa América Latina e no dejn_nã^_jrrir^dje__jg^^ e Carrbe7-aT'cúlturas "negras" são dimensões populares._ relações e estruturas do modo capitalista de produção.S-Ociais. estão presentes brancos. o produto da _ Na ° Paraaparecer no século XX como negro._p_oliticp. a casTa sobrevivência^ mescla de culturas o_u_^flic_ujações . O que há dlTafncano ou escravo organizada segundo os interesses^ po^ljtiog^e^onômicos exclusivos da ernsua cuIturãTou visão rio mundo. não SP explica apenas_corno ayia dos senhores. exportava e ostentava. Em menor do^HggTorJB per si. Índios. outra Forma de pensar. A importância do escravo LJítina eCanbe é o que se recria e reproduz continuadamente. do rtéãro: em que negro e mulata*-? conveniente que tenhamos em mente que essjj termos e por^ueTefe aparece no branco e^a si mesmo como um tipo metamorfose envolve a passagem do africano pela co_n_digãg_ de social singular. e não apenas da quais se escpnde_o. Mas foi particularmente excepcional nas sociedades brasileira. ja. cubana. das relações político-econômicas que garan- capitalistas têm a faculdade de criar e recriar tanto o que é novo tem a reprodução da sociedade. Casta e classe Q_ que está no centro de cada uma das interpretações (sobre a contribuição cuhural_das populações .amliéin---«sto}aa^^ As relações e estruturas" classe média ou outras. „. sincréticas_sobas dustíscrãVDSloilTbãse da sociedade como um todo. é e r» ^ A questão central. ^ _ bõradãs pelo corijUntõ^l^Têma culturãlvi^mtejiesses países. alienação e antagonismo caracteristi. B é sob essas das Américas e Caribe(4). no século XX o negro foi transformado trabalho escravo toi a torma principaldojrabalho produtiva ou Iransformou-se em operário industrial. emjyegado. no vodu. como também Unidos. em suas harmonias.assim que o gne parece ser cultura algumas outras sociedades da América Latina. pois. o atricariõ formas IJue ele se reproduz no_ século XX.ex-africano ou ex-excravo. metamorfose do africano em negro. —A~~esrravarura toi a torma '^Hã~^uar~sê'' realizou uma parte esftgcializado. criam-se e reproduzern-se_ nas jrandes cidade^ Círios (málênais. no candomblé. norte-americana e algumas outras do Caribe. O q ue_h á d e a fríganõ' economia escrava. funcionário. de esj0^1?MlJ.Áfiica . Argentina e cãs^gõ"cãp1talisrrtor"TantQ. que a magia. espirituais e outros) quejhes corresgoia. forçado no México. o escravo africano também participou de formas de trabalho relações dèTrneTdeperTdêncía".se marcou mais ou menos fundamente as sociedades nas quais o em operário.cãmj:rciante. rn s e mulatos não só estão (4) Nesta parte do trabalho incluo algumas referências e dados sobre os Estados presentes elementos do^spiritismo e do catolicismo. O escravo produzia o necessário e o supérfluo. Não podejeF_çx5mpxeendida peia. organizatórios. do que pelas condições e determinações das grau. A heterogeneidade. 011 bastante conforme o país.predomina é a cultura do capitalismo. afncálíã~piT7^ThTTra npg T a p-m paísps Ha Amfrjça Latina e do Caribe são componentes intrínsecos da mltnra presente e viva desses países. ásJsocie4ãdss. desigualdade e contradição caracte- rísticas das relações e estruturas capitalistas. f ma. Nas colónias e. a desigualdade e a contradições.

Time on the cross. é evidente que a 10 (5) Robert W. dinamarquês e sueco mais 6 por Jamaica 748.000 cento. p.000 principais centros nas Américas e Caribe. p.000 transferidos para as Américas e o Caribe. 2 vols. como no caso das diversas Fonte: Robert W. o TABELA II conjunto do processo de aculturação do africano esteve totalmente PRINCIPAIS IMPORTADORES DE ESCRAVOS marcado e organizado pelas relações escravistas de produção. 18. Little. 14-15. Desse total.000 Guiana e Surinã 500. l. à América espanhola 17 por cento.500.proporções dos escravos não se Venezuela 121. bastante as condições de vida e reprodução das populações escravas . variaram vol.000 colónias e países das Américas e Caribe.000 17 por cento. 2 vols. em alguns casos. 1500-1825 da população escrava. Guadalupe 290. vol. citado. Independentemente da 20 l "humanidade" da escravatura. nas quais se destacam a casta dos escravos e a dos senhores.000 ao Brasil chegaram 38 por cento. 1974. (1502-1870) Foram milhões os escravos trazidos para trabalhar na plantação. Colômbia 200.000 ao Caribe francês também 17 por cento. dentro de um mesmo país.A Caribe Caribe Caribe Brasil Caribe brltinlco francês espanhol holandês Brtftfíi and Company. Engerman. Às vezes. dinamarquês e sueco 58 59 . serviços urbanos e outros. Time on the cross. em cada caso. 40 Somente uma análise rigorosa de cada uma das formações sociais escravistas permitiria explicar como e porque.U. ao Caribe holandês. Engerman. As condições de exploração da força de trabalho escrava determina. também COM A DISTRIBUIÇÃO DAS IMPORTAÇÕES DE ESCRAVOS.000 recentes.000 reprodução dos escravos variaram bastante. no entanto. Esse foi o caso da América espanhola e dos E3 Percentagens de negros no hemisfério ocidental.000 mantiveram semelhantes às proporções dos africanos transferidos às Destino desconhecido 741. Esses economistas escrevem que mais de Cuba 702.. É claro que o 30 fundamento principal da explicação está na forma de organização social e técnica das relações de produção. enjgerTho. encontram-se as que Robert William Fogel e Stanley L. regiões em que se dividiam os Estados Unidos e o Brasil.000 africanos foram transportados da África para as Américas Estados Unidos 596. transporte de carga^ produção de artefatos de Colónias e países] Quantidades madeira.serviços domésticos. Fogel & Stanley L..000 Note-se. Boston. que as.países em que a formação social escravista foi predominante. Esse foi o caso. em cada caso. e aos Estados Unidos chegaram 6 por cento (5). fazenda. l. Peru 95. As condições de vida e Total 9. conforme a colónia ou país. Naturalmente variam as estimativas sobre o número de africanos Barbados 364. DISTRIBUIÇÃO DA POPULAÇÃO NEGRA (ESCRAVA E LIVRE) EM 1825. houve alguma preservação e mesmo algum aumento 50 l l Percentagens das Importações de escravos.jcouroeferro. teria sido esta a distribuição dos africanos: Granada 67. 3. ampla destruição de trabalhadores escravos. Fogel & Stanley L. 1500-1825 devido a condições peculiares de exploração e reprodução da casta dos escravos.000 Engerman realizaram. E. Dentre as estimativas mais Brasil .500. A tabela II Martinica 365. como indicam os dados do gráfico l (6).000 registra os números absolutos dos africanos transportados para os México 200.000 e o Caribe. ao Caribe britânico ainda Haiti 864. GRÁFICO l ram. 1825 j Estados Unidos. a população escrava se reproduziu mais ou menos.000 9. por exemplo. do Brasil. Em outros casos.647.

dados esses organizados por 5 Frank Tannenbaum e citados por Bastide(7). mestiços e asiáticos. ^•rtvocnOOCO1*!^' por exemplo. A tabela III indica que eram mais de 39 por cento os negros e mais de 21 por cento os mulatos. As Américas negras. No conjunto. em 1950. Tradução de Eduardo de Oliveira e Oliveira. é bastante significativo que algumas formações sociais destruíramtnais__a popjjlação escrava dó que outras. ainda. em c>f *H" o° ^ cí cT c-f o"| °°~ O O O O< termos absolutos e relativos.•^. indígenas.* O O < raças. Há estados nos quais os negros e mulatos perfazem cerca de 10 ' Sb " 5 a ã s- 1 < oS wS D CJ < (6) Robert W. em cada caso. a população negra e mulata predomina sobre as outras l OO--HO«OOOO V O O O O O O ^ . The colourproblem.O . (8) Anthony H.. 20. se comparamos os vários estados do •3-3. p. por sua presença quantitativa e qualitativa na estrutura social.0. Engerman. O O ÍN -H O t>i C>OOCÍOOC>oqONOO< Ó "* "O "l O vo habitantes de Trinidad e Tobago.'T. I.ajrjreservação ou o aumento da casta de escravos são fatos determinados pelo caráter da formação social jgsggvista. Op. que há países da América Latina nos quais a população negra e mulata está concentrada em dadas regiões. com cerca de 36 por cento de negros e mulatos. 60 .destruiçjlo. p. cit. além de 3 l M _ '. este país contava. é notável o predomínio da população negra e mulata. •3 Em vários casos.': O^O«O^-O«^ O <N outros casos.-'. em comparação com os brancos. São Paulo. a população negra e mulata é relativamente ínfima. 215. como no Chile e em São Salvador. \O O T~- a\ r* O fato é que a escravatura de africanos deu ao mapa racial de oooioo^o 0 (s . E esse é um dado imporfãntíTsobre -* O trt o caráter da formação social escravista. >í3 '»'« 5 país. vol. como indicam os dados das tabelas III e IV. Difel-Editora da Universidade de São Paulo. E em alguns. a população negra e mulata é notável.-. Esse é o caso do Brasil. Richmond. Os dados da tabela IV mostram que em Barbados. Penguin Books. perfazendo cerca de 60 por cento do total da população da área. 28. É verdade que em alguns países. Mas é também significativa a presença de asiáticos entre os s- oo-Hor-ooo O O. Na maioria dos casos. estes principalmente de origem hindu. ela é a população que define a fisionomia do país. Fogel & Stanley L. Jamaica e Trinidad-Tobago. De qualquer maneira. 1955. p. no entanto. Note-se. ela é significativa. 1974. Mas a distribuição dessa 'o S ' população não é homogénea. No caso da Guiana inglesa. é B2 notável a presença da população negra e mulata. London. os S O *H «O O\N O O O ~H V) ri OO ~H "í IO asiáticos perfazem cerca de 45 por cento da população (8). -W Dentre os países e colónias que compõem a área do Caribe. é notável a visibilidade social de negros e mulatos nas classes assalariadas. Uma imagem do mapa racial das Américas e Caribe pode sa j §' O o* O O O r* -H O O •* (N OOO S* O C4 O O ser apreciada nos dados da tabela III. Em certos casos. principalmente nos operariados urbanos e rurais. ou mesmo o seu 3 predomínio.0Í. t-_ cada um dos países das Américas e Caribe uma fisionomia peculiar. seu modo de vinculação com o mercado externo. os tipos dê~comércio de mercadorias com africanos etc. (7) Roger Bastide. N o conjunto do Caribe.

091 de brancos.638 41 68. Nos.862 142 40 população.647 antagonismo entre negros. da185 22.824 12.283 negros26e mulatos podem chegar 202. TABELA IV POPULAÇÃO DAS ÍNDIAS OCIDENTAIS BRITÂNICAS." na cultura do capitalismo. 2. Note-se que em vários casos a Fonte:Digest of colonial statístics.no sécuío XX.outros casos.148 1. na formação social escravista o trabalhador é escravo. Venezuela e Uruguai. Nesses termos é que a.349 196 41. É propriedade do outro. como no H Richmond. tabelas que M ea N. mulatos e brancos. importante.142 1. 39 Pode-se supor que35. 5. Granada 53.106 227.387 Santa Lúcia 40. isto é.113 e de alienação São Vicente 45. da Guiana holandesa e alguns outros Total 2.437 695 80 5. 3. memtrfòs das forças policiais. que resulta da exten- são da jornada de trabalho.670 Ilhas Turcas e Calcos 4.237.023 16. Mas também é inegável que. do Brasil.237 37. setembro-outubro.970 da Dominique 11.243 Ilhas Virgens . Colonial Office. funcionários. após ã abolição ~âa escravatura. romancistas. Londres.360 152 59.319 71 17 917 9 14. Em poucas palavras.a condiçãp djL-ejs-escrayo^não pode ser nem suficiente.757 Monserrat 13. professores. juridicamente e de fato.505 os Trindade e Tobago 261.051 2.923 9.074 3.138 Antigua 35.923 178 3. social e cultural de negros e mulatos. somente nesses casos Jíjque o peso da cultura escrava pode continuar a ser. japoneses e outros. população Cf. BAAMAS E BERMUDA 1946 Território Origem nacional ou racial Africano» Europeu* Ameríndios Asiáticos Mistos Não Total e caribenhos especificados Barbados 148.528 por país bem como14.326 164 das relações 70. atores.670 35 poloneses.616 343 13 afetam o perfil diversas. camponeses.800 Guiana inglesa 143. No conjunto.624 raciais. Brasil. cohTõrrne~O gais.544 18.685 49 375. assalariados de classe média. maior do H. 46. modificado ás suas estruturas político-econômicas etc. Marcou decisivamente õ perfil e o modo de ser do negro e do branco nas Américas e no Caribe.420 países estão fortemente marcadas pela presença física. nem decisiva para exjglicj£jisfOTmasjde_gensar ç agir 90 negrp.das Américas dependem de modo significativo da CQptribuição econômi- ca.322 167. 165 ao lado 5.828 74 192..693 2.042 1.775 a cerca de 124 70 por cento 557.is amplamente. ao799passo que eml outros estados 6. social e cultural de negros e mulatos. empre- sários. nesses casos a cultura da escravidão "dissolve-se. ••*? Baamas (1943) 57.839 136 33.651 e as tendências 26. N9 10.584 17 6.p. £ inepAvel quê ? condigãcTiaF escravo. alemães. Op. Ocorre que a formação social escravista se funda em princípios estruturais e organizatórios distintos dos que fundamen- tam" a formação social capitalista..724 É evidente que as sociedades do Caribe. por cerca de três a quatro séculos.346 7. ou industrializado.385 11..040 1. operários rurais.485 15. políticos.906 242 1.333 SanCristofe-Nevis 59562 925 por cento da população.21S.403 Honduras inglesa.329 14. E está destinado a trabalhar de modo a produzir principalmente mais-valia absoluta. Em alguns países os descendentes dos africanos tornarata-se joraãlisíás. Sob a escravatura. Apenas" na4_locip.rnetamorfose do africano em nçpro e mulatn passa pela metamorfose do africano em escrava. nos casos em que a sociedade tem-se urbanizado rna.cit. 100italianos. recebidairnigrantes europeus ou asiáticos. ou mesmo preponderar. Anthonynegra.220 Jamaica 965560 13. população mulata é bem1953. as sociedades .701 Honduras britânica 22.265 635 113 e região. poetas.277 78.902.846 Guiana inglesa.063 Ilhas Caimáo 1. das forças armadas e outras categorias sociais. o poder político .631 61. do senhor. alienado no produto do seu trabalho e na sua pessoa.518 27 6. da 37.432 105 1.524 a complexidade 17dos mapas47.214 Bermuda 14. marcou decisivamente o perfil e o modo de ser do negfo.dades que' pouco se modificaram.769 77 as densidades absolutas e relativas 72. As populações descendentes dos aíricanos transformaram-se1 em operários industriais.809 29.

a sociedade neflra nunca é urrm sociedade desagregada. a suas necessidades novas. reproduzidos sociaTfnerUé^^eTãs^lmesrnãs'relações sociais que re. branco. chineses. Minerva Press. do mesmo QVJtfó 'ê~u"ma^ resposta ao novo meio vilaJ.fricano (ã religião) epqiianjn~vim (9) MelvilleJ. lúdicas e pelo contrário. por certo. contrato. de^ Nas relações de trabalho7~políticas. sãq_socialmente recriadas e reproduzidas meio ambiente. parecem chocar nosso próprio género de vida ocidental. uma vez que essas comunidades É c l a r o que a r e c r i a ç ã o c o n t í n u a das c a t e g o r i a s perderam a lembrança de suas antigas pátrias. organizatória da força de trabalho. fábrica. templo. no entanto. Em todos os casos. mulatos. culturais de seus antigos senhores. Nesse caso. e tomando alguns rarartPn'QtW. -se a partir dos antagonismos que se desenvolvem na esfera da casta reproduzidos socialmente por brancos. que pode discutir ou refazer.entre-esse_s. é a trama das relações trabalhador (negro.. mesmo se elas gueses. as novas condições urbanas de vida . judeus. deixar-se aceitar. ideias. Esses dois tipos de comunidades nada mais são que imagens ideais. o sociólogo. ãdaptar-se. mas nas quais tambénTr porque o antropólogo. 1967. organização socialj^j\mé£Ícj^Ljm^^ Em primeiro lugar. casa. Columbia Universíty Press. recriação e reprodução de valores culturais. algumas. o negro reagiu. igreja etc. em resppsta a seu isolamento^a serj regime de trabalho. Só podemos brancos.t'amiJ. amcojijfOMíím.c Ha encontra boa parte da população negra e mulata das Américas e relaçaojentrg cultura africana.. fomos levados a distinguir. na organização social.destruíram os modelos africanos. marrons. o linguista ou outro cientista segregação racial não permitiu a aceitação pelo descendente de escravo dos modelos social encontra diferentes arranjos de elementos culturais "euro. admirar esta plasticidade e a originalidade das soluções inventadas. The New World negro. na produção material e espiritual (fazenda. Ele não vive No século XX.dois tipos. sexuais. usada por séculos de servidão. negrasjporquep nas atividades económicas. uma categoria económica e política. Bem entendido. esses estruturas escravistas. Paris. a criam e reproduzem os membros das outras^ "raças". Lês as"cofflufíicfãdes de negros marrão s são as~que mais se aproximam do primeiro tipo. apenas no produto do seu trabalho. riósas chamaremos dç comunidades africanas.) é alienado sociais concretas. masjiao africanas. índio. autor: The myíh of the negrc pás!. casta dos escravos. ingleses. cultura escrava cultura negra e Caribe. Amériques naires. engenho. oficina. Reprodução jsocial das raças Mesmo onde a escravidão . fora dfflas. Na plantação. branco permanece. traços culturais que fazem com que o negro. fazenda. O trabalhador livre produz principalmen. ou a é alienado em sua pessoa. índicos. esses mo delos_ são obrigados a modificar-se pam_pfliÍ£rici pelas relações sociais que orgajúzam_e^movimentam cada socieda. separada da Em particular. mestiços"' japoneses. padrões de comporta- te mais-valia relativa. italianos. índio. "africanos". Herskovitz. índios. Em cada uma das sociedades nacionais Em segundo lu^ar. fábrica. dois tipos de que compõem a América Latina e o Caribe. escola. usina. igreja.ia. que é ideologicamente como distintas e desiguais categorias raciais. reestruturando sua comunidade. segundo as regiões. Em geral. categorias de pensamento. negros. Beacon Press. Boston. tais como os sexualidade do negro permanece sempre controlada pelas leis do grupo. raciais implicam a recriação e reprodução inclusive das culturas exercido pela casta dos senhores não é contestado politicamente pela africana e escravocrata. portu. a formação social escravista rompe. terreiro os Não são as revoltas de escravos (quilombos. cimarrons. _ujn_setor da sociedade pode haver permanecido francamenle_a. franceses. norte-americanos e outros. dos senhores.Qm— economia). que resulta da potenciação técnica e mento. elementos culturais africanos e da escravatura aparecem de forma às maroons c outros) que destroem nem abalam as relações e vezes nítida às vezes apagada. De fato.oneero teve que inventar novas formas peus". 1970.) que comanda a invenção e a reinvenção.ta. holandeses. nesse caso. E é na classe operária que se Numa Visão de Conjunto. 1958. mulato. "asiáticos" e "indígenas". mestiço e outros sejam tomados prática e da classe burguesa pode ser contestado pela classe operária. Daí 3â memória coletiva. ou às vezes comunidades: aquelas onde os modelos africanos levam vantagem sobre a pressão do todas essas categorias. 1969. Ele trabalha sob o regime do traços fenotípicos. religiosas. cna-se_uma organização própria. submissa aos tabus do incesto e às regras da troca de serviços entre os dois sexos.. ou nas lutas entre a casta dos senhores e a emergente mestiços e outras categorias raciais em suas atividades e relações classe burguesa. nas quais a pressão do meio ambiente foi mais forte que osjresquícios cnítras uns e outros recriam-se e reproduzem-se socialmente. Assim. Ao passo que na formação social capitalista o político-econômicas e culturais. encontramos. quartel. ele não escola. Payot. nos as chamaremos comunidades negras. Roger Bastide. dê vida em sociedade. religiosas e outras (9). elementos somente aparecem ou reaparecem porque são recriados e. característicos raciais. 65 64 . Race and ciass in Laiirt America. o negjroj: o mulato são continuamente recriados e como homem de natureza. dá-se novas normas de vida. o poder político mulato. alemães. mestiço branco etc. Ao menos formalmente. mas cria novas instituições. espanhóis. New York. Aquelas. na realidade. Magnas Morner (Editor). Esta é principalmente uma categoria económica.e depois. Em geral.

Hauser (Editor). de mineração ou outras. negras das Caraíbas ou da África do Sul. que passa a influir decisivamente. Ao lado das atividades etnicidade elide o que muitos teóricos consideram como a muito mais óbvia e agropecuárias. No século XX. A urbanização e a industrialização sido geralmente verdadeiro . significa que essa imigração modificou o conjunto do contexto enquanto "raça" é importante em tudo. identidade étnica.e se estendem no tempo( 12). heterogéneo ou mesmo diferentes: nas décadas recentes. Muitos negariam sociais. Isso fenotípica. e deviam pois adaptar-se aos modelos que o exílio lhes impunha(lO)! Enquanto muitos aspectos do sistema tradicional de estratificação da região são ainda vigentes. Santiago de Chile. os códigos de essa imigração modificou os característicos da população branca de relações sociais características dessas sociedades levam em conta a diversidade origem espanhola. da mesma maneira pequenas cidades para os núcleos urbanos maiores. Nessa perspectiva. a industrialização são.pelo menos aquelas que foram criadas pelos negros "boçais". (12) Sidney W. de organização estrangeira. Mass. Segundo. tipo físico e contcole dos brancos. (13) Philip M. entre outras direções. Nas cidades populacionais que não são localizáveis em uma única escala de negritude a brancura. Mas quando é visto no contexto das condições foram marcadas por um nítido movimento de ascenso de algumas pessoas não político-econômicas nas quais se reproduzem relações e estruturas brancas. p. p. mulatos e brancos começa a sociais locais. a diversidade forças produtivas. Cor e é um processo básico. social e cultural no qual se movimentouo negro e o mulato. Assim. Vrbanization in Latin America. 66 67 . Dessa fnrma^ a complexidade. então já entre crioulos que viviam que negritude e status inferior. Inclusive ressalta a relação entre o processo de diferenciação estrutural e o processo de recriação. Mintz. tanto em Cuba como no Haiti as mudanças políticas contraditório. o crescimento do terciário. de prestação de serviços. econômicos e demográficos qu. inglesa. Primeiro. "The Caribbean region". Unesco. a sua significação e os seus usos particulares na classificação social variam de uma para outra sociedade do Canbe demográfico. As Américas negras. 44-45 . As mudanças havidas nos arranjos políticos esclarecer-se. citado. 13-53. raça e organização social. Cambridge. Spring 1974. dinami/a -se o setor de fundamental base de classificação: a estrutura de classes. as mudanças na estrutura de classes têm ocorrido em distintas A recriação eji reprodução sociais do negro e mulato. portuguesa. Paris. "The Caribbean region". mas cada sociedade emprega o seu código de forma particular. devido às circunstâncias da menos maciça de europeus e asiáticos em países da área. Boletín Económico de América Latina. o mapa racial dos países da América também alteraram a configuração tradicional. Algumas (10) Roger Bastide. 1961. a introdução de grandes contingentes isolados no campo. alhures. percepção de raça e das forças produtivas no setor industrial. o desenvolvimento do consumo orientado para o exterior. esses negros deviam submeter-se às leis matrimoniais. a divisão social do trabalho e a expansão das A composição "racial" do Caribe é bastante diversificada. francesa e outras. racial. a das das relações e estruturas da sociedade. Harvard University. tais como o declínio da classe dos fazendeiros locais. tornou muito mais as "nações" podiam. a emergência da categorias raciais. encontraremos um tipo intermediário. em certos casos implicaram a imigração mais ou fenotípica das populações caribenhas é incomum. são as que mais se aproximam do segundo tipo. pois tais como os indígenas em Trindade e os chineses em Cuba. Registremos apenas dois casos Latina e Caribe é bastante complexo. É óbvio que imigração e o longo período colonial dqs suas sociedades. p. nç 2. económicas. nítidos. À primeira vista. VI. Mintz sociológica dessas sociedades parece ter aumentado significativamente^ de acordo descreve de maneira bastante clara alguns aspectos da relação entre com processosjiolíticos. Daedalus. não ocorre senão na trama das relações político. transportes e comércio. As sociedades do Caribe serviços.e em boa medida ainda é •• que branqueamento ou ocorrem simultaneamente com a migração do meio rural e de brancura e status superior tendem a acompanhar um ao outro. Contemporaneamente ocorrem novas expansões dá-urbanização e Mas os "mapas" dessas sociedades em termos de "raça". (11) Sidney W. 53.. políticas do Estado. 45-71. 1 O mesmo processo básico de diferenciação da estrutura social tem rearranjo e reprodução das relações e categorias raciais. ou mesmo etnicidade não são nitidamente correlatas à condição de classe. vol. Além do mais. Essas mudanças afetaram a grande complexidade das composições raciais que organizam e distribuição de pessoas com identidades físicas e étnicas particulares em sistemas movimentam as relações entre negros. Em artigo sobre as sociedades do Caribe. reformar-se mais facilmente fora do complicada qualquer análise das relações entre status económico. ocorrido também nas sociedades da América Latina. Sidney W. e o vínculo entre essas identidades e a condição de membro de classe também se tornou mais nuançado. além do Caribe. na época escravista. 52. naturalmente. e as comunidades que se formaram após a supresão do trabalho servil. mesmo que tivesse comandar as relações sociais(13). citado. 1961. p. para assim manterem em segredo suas tradições: mas. citação da p. (11). a emigração de grandes grupos populacionais etc. entidades estratificadas e diferenciadas em classes. Em alguns casos. em termos de posição ou oportunidades de vida. esse mapa adquire alguns contornos e movimentos mais fenómenos paralelos em outras partes da região. Mintz. do setor econômicas que fundamentam a recriação e a reprodução continua. fazenda empresarial.

igreja. à medida que avança oséculo continuadamente tanto o negro e o branco . porque se sentem "diferentes".que traumatizante entre os religiões "vivas". É claro que as duas são formas religiosas vividas indivíduos. se procissões religiosas. Existe aí um fenómeno. 'a tas presentes. (15) Roger Bastide. Isto ê.. de origem católica. nas fim. da parte da sociedade circundante. no século reproduzidos segundo as condições e exigências das forças que XX. haitiano entre as segundas. a sociedade reproduz 1iníãW~õWrm7CT^úTprêaõrnina. alemão. das exigênciasda produção do lucro e da supremacia fazenda. ou as estruturas valores e prátjcas relij>rosris__As religiões negras parecem ser. se o grupo negro tem. de medo de que. onde não sofrerá. se assim posso dizer. na dogmática como da prática africana na América. escola. não Religiões em conserva: Queremos exprimir o caráter ferozmente conservador da tenta integrar-se no seu grupo. cajMtalismo.' do capital monõgolista. as etnias e as cores. mesmo na Bahia. de que não se transforma Assim. de que permanece estática no cumprimento do que foi anglo-saxônia. O que parece ser anterior só tem aparência de consciência de alienação tem se revelado mais frequentemente nõs~ anterior. etnia. e como o uma seria relativamente estável. em toda a América Latina. além~3eoutros'aTributos fundamentais ou secundários? • das relações sociais e. integridade ameaçada pelo meio exterior. as cores se acotovelam mais do que se fundem verdadeiramente. (14) Roger Bastide. òTvalores e pTcIroes culturais "herdados'' reproduz-se tanto o que é material como o que é espiritual. familiar e cotidiana. tanto político-econômicas. também os elementos culturais são recriados e na época da escravatura como nas sociedades de classes. os negros. onde os bantos. os brancos dançam nos salões. o que parecer ^Consciência de alienação ser. iclade^jiível Q ducacipnalLjeligião. transportes e ^ k jexo. como o apadrinhamento se faz segundo a linha hierárquica. p. Uma instituição. todas as esferas da vida social são determinadas ou mesmos e uns com relação aos outros. relações amigáveis com os outros grupos raciais. não lhe copie os modelos de vida. Nesses termos é que a análise de Bastide ingénua ou críticarTIãs^ongicoês alienadas de vida de negros e adquire significação nova.da~ATncã~ê~da escravatura perdem os seus significados originais e recriar e reproduzir as relações sociais. mas cada uma fica separada. Nesse contexto. a . o negro(da classe baixa escome.~tl~™"TTTr í^ ^—^^^___ 1 do trabalho. Da mesma forma que as relações sociais. um mecanismo de defesa(15). a urbanização. Entre os nepros e mulatos da América Latina e do Caribe. ' q u a r t e l e outras esferas da sociedade. ou.para seus filhos. o que faz com que o negro não espere do branco senão favores. raça e serviços modificam de forma mais ou menos profunda a estrutura classe social.•— A segregação não é desejada pelos governos: pelo contrário. ao contrário da América com o correr do tempo. no sentido de que não evolui. mais elevadas.mas ela não é viva. citado. esses fazem amiúde Nessa perspectiva de análise. Ao . As Américas negras. preferindo ficar "entre os seus". se _na vida privada. mas por outroUado. na sociedade organizada em termos do trabalho japonês e assjm por diante. as confrarias dos negros vêm na frente e a confraria dos brancos vêm em seguida. p. „7. vezes. industrialização e o crescimento do setor de comércio. _mestiço. nas regiões de apresentadas por Roger Bastide podem ser vistas como duas formas grande povoamento de cor. por negros e mulatos (e também várias categorias de brancos). é a organização capitalista das relações de produção. os maiores centros urbanos são também centros industriais importantes! Numa perspectiva histórico-estrutural. isto seria para ela o bem. com as autoridades municipais. é o "apadrinhamento".como X. imobilizando-se. das relações de raças . a cultura negra resiste. Contra o esvaziamento incessante verdade. as duas formas da religião negra grandes esforços com vistas a acelerar a integração nacional mas. A festa.A cultura Por isso é que no século XX as pessoas 'são também classificadas africana e a cultura da escravidão "perdem-se" na cuITufa db cornoJuanc^negro^ mulato^ índio. mulatos. recriadas e reproduzidas segundo as exigências das relações político-econômicas do capitalismo. os brancos e os negros têm entre si relações afetivas e se ajudam mutuamente. que define as religiões que se acham estabilizadas^ ou "em conserva" e as regula as relações inter-raciais de maneira a evitar todo cho. parentesco espiritual é considerado ainda mais importante do que o parentesco Bastide põe as religiões afro-brasileiras entre as primeiras e o vodu carnal. por outro lado. se viesse a mudar um pouco. Lembremos como Bastide à parte e fora do controle dos brancos.( 14). qualquer frustração. a divisão social Ocorre que__na formação sociaj_£a£italista a^organização social flistrinill f» rí»r>l et ctí^FIr>õ^r^íilí^^r^T. Pouco a as imagens e os atributos que cada um e todos possuem de si pouco."^^« <• ^. dominam a sociedade. A religião é vivida . como já dissemos. de mineralização cultural.ou outras raças . permanece separado ensinado pelos antepassados. sobrevivência de traço cultural africano ou escravista só tem sentido enquanto elemento cultural inserido nas relações capitalis. também. citado. 182-183. Na>ep7oduçãõ^sõcíaRãviaã7iíaTábncã7 assalariado. 68 69 . ' "~~^""" ' . esta afetividade não impede a subordinação de uma cor à outra.^s Améhcas negras. 120.-. numa mesma alegria. os preferimos uma comparação com o que se dá com o indivíduo quando sente sua negros na rua. preferem viver de organização da consciência negra. mistura de que é objeto. Mas padrinhos ou madrinhas pertencentes à classe dos brancos. já que evita a luta. italiano. a expansão das forças produtivas. ao passo que a outra se modifica. a esfera sócio-cultural naTcjual e mais evidente a compreensão".

. demorada. Enfim: tendo-se tornado o Vodu. sociais. 121. A magia.ojado do folclore. Op. os centros e terreiros afro-brasileiros são obrigados a registrar-se na polícia.jaulatas. porque a independência persistem elementos culturais africanosjssa é a interpretação que da ilha remonta ao começo do século XIX e levou à ruptura com a África. mesmo nesse caso os pesquisado. e poucos eram os obstáculos opostos ao seu modo de retenção. como nas outras Antilhas ou no continente. o sincretismo é tanto mais pronunciado se passamos dos (16) Roger Bastfde. exceto na Guiana e. Ao mesmo tempo. Diante dessa problemática/Bastide sugere que as religiões negras A maioria dos pesquisadores reconhece que nas religiões negras não são africanas.e'm. p.. em menor grau. Ha r^lipiãn ngffrfl Mp«nn depois de uma pausa relativa. mesmo indígena . ' ~——— esjera da vida social na qual parecem estar retidos muitos traços culturais de origem africana.Alguns autores sugerem que o empréstimo (apesar das rivalidades que existem entre as seitas) para controlar a fidelidade às deeTémèhtos culturais nãoafricanos-catolicismo. a partir de um ponfp inicial confirmam as observações de senso comum feitas durante a vigência da escravatura. retiveram os seus contra a vontade assimilatória desta última. cit. Mesmo quando a reiigiáo negra. p. cantadas. Em segundo lugar. evoluíam cada uma à sua maneira(19). Op. 123. para o Brasil a ligação continuava.religtóo normas do passado(l6). organiza. inglesas. de um lado contra os passo que a língua e as estruturas sociais baseadas no parentesco e na associação preconceitos raciais. (19) Roger Bastide. da religião do branco. The New World negro. cit. a religião é uma cultura afrícaqa. em escravos. sublimada. os verdadeiros candomblés formaram uma Federação religmò dFBãsejfjricâna. expressões das relações de alienação que fundamentam asrelações seja em outro (22). citado. as Comunicações recomeçam atualmente. p. o que não ocorre com outras igrejas e seitas.' pôdêrrTsêr tomadas como duas modali. Na verdade.particular|com o Vodu do Haiti. ainda nesse caso q religião (a. pois que as condições de vida destes..espiritismo. que se verificam em todos fartem e ntê~*impregnada de elementos provenientes os países da América Latina. existem tantos Vodus Os senhores de escravos estavam basicamente interessados nos aspectos tecnológicos quanto são as regiões da ilha e. porque esta independência conduziu à eliminação da população branca. os mais (17) Roger Bastide. Primeiro.. os controles externos eram de vários tipos e eram respondidos em diferentes formas. a magia e a religião. coes sensíveis de um e económicos da vida dos escravos. A incapacidade da arte religião negra. como lugar de culto a outro(20). As Américas negras. desde que lembremos que a vida do escravo permitia pouco lazer e face do branco. preserva. das Antilhas do espintisjnOjjDU do catolicisnip. Herskovits. das Antilhas (com exceção. invertfdã. d& africanos e a escravização destes destruíram amplameri!ê~a~ noS-. Na africana e a europeia é tão grande que uma reforça a outra. o negro também se jefugia. 123._AQ lado da música. portanto". à preservar. pervertia qualquer padrão de estrutura social que os negros quisessem vistas da falta de luta contra a cultura europeia. permeáveis de todos às influências exteriores: (18) Roger Bastide. ao protesto duplo. mas principalmente sincréticas~Para ele o tráfico da América Latina e Caribe ^stão presentes traços culturais africa. p. Op. a tecnologia ou a arte.não altera o espiVifn afhVanr. como dissemos. aos bantos. que tende a tornar-se clandestina sob religiões "vivas". do poder estatal ou outras oferecia escasso estímulo para a produção artística. vari. (22) Melville J. como o Calimhó dos índios ou o rés tendem a _ ^ espiritismo dos brancos. e de outro contra a imposição de valores acidentais(lS). destes últimos. citado. ou se acham "conservadas" e as intermédia deste elemento cultural. no Brasil. para uma mesma região. pressão e pode mais facilmente ser praticada sem direção (neste caso é de particular dades distintas de organização da consciência social das populações significação a força específica das compulsões psicológicas) persistiu numa forma negras e. 55. cit. isso fazia pouca diferença para os senhores. em conjunto. p. enquanto Herskovits ora explicita ora sugere. nem que erigir institucionalmente. cit. seja no estilo aborígene africano. resultado foi a falta de centralização para uma religião que. 121. conforme se reflete na posição As religiões que se estabilizaram. 123. o folclore. -Ocorre q ue na religiâo. ou mesmo leis. uma vez cortada as Estas diferenças são provavelmente devidas às circunstâncias da vida escrava e amarras da África. em africana para sobreviver. fossem quais fossem as estórias contadas ou canções medida em que se modificarem as estruturas agrárias(21). particularmente porque a similaridade entre a magia aparece de^Jorma_^inocente". em Aqui é fácil discernir tendências gerais. é compreensível. protestantes) até á Argentina: l ç ) Etnicamente. Op. a expressão de organização. dl. do folclore e da magia. p. No Brasil.ãTcíónsciêiiciacríticasempré reconhecível em toda a parte. No caso da religião. magia) é considerada uma ^g^j^^jaTlia^ q"«* "prevalecem ou -americanas. daomeanos (Casa das Minas) aos yoruba e. p.deixam contaminar por \outras religiões populares. Religiões vivas: O mesmo não se dá com relação a outras religiões afro. rompeu-se em múltiplas seitas í.seu característicos africanos mais do que a vida económica. estilizada. 122. comum. Os negros não tinham mais que lutar A música.-124 70 71 . mudará por conseguinte. (21) Reger Baslide. (20) Roger Basti de. o que faz fni bastante profunda e com que as seitas afro-brasileiras permaneçam em contato com as religiões mães(17). Op. naturalmente. música. dos bens e das aspirações da sociedade camponesa nacional.. O Brasil nunca esteve totalmente cortado da África e. O livre tendem avariarão longo de todas as gradações observadas.

mesmo achando as coisas esquisitas. em casas isoladas ou em esconderijos das florestas tropicais. . dançavam então diante de um altar católico. o que fazia com que tem a consciência tranquila em suas relações com o negro. resiste .. no tinham os escravos. Por sob os africanismos. ou articula alguma luta contra a supremacia do branco. enquanto categoria racial criada nas de vencidos que guardam na prática religiosa um dado fundamental relações sociais de produção em que se acha também o branco. não há dúvida que as relações de interdepen- mais ou menos autónoma. pela intermediacão da' escravatura. esconde-se. ela transforrna em negro. Mas esse segredo inquieta o branco: ele sente que. p. p. dos negros se dirigiam. a religião negra é formada como uma totalidade sincrética enquanto raças. pela necessidade que por uma iniciação voluntária. As religiões africanas no Brasil. os elementos culturais da casta dos sentidõ~ a ^religião negra. Sim. e que essa aculturação foi forçada. corno urna forma de contra- \casta dos brancos. 2°) Ecologicamente. se passamos das religiões "em conserva" às religiões vivas. e em que surgem em algumas análises. é uma espécie de Ç escravos. citado. também para hastirip n i e era_a'frjr. a da acumulação(23). negros "livres" e seus descendentes puderam agrupar-se em corporações e "nações". muito além das litografias ou das estátuas dos santos. consecutivo à passagem da sociedade mais ou menos igualitária para a sociedade mais ou menos profundidade". Gurvitch chamou de "a sociologia em religião ao povo vencido. Receio absolutamente sem fundamento. mistério. consiste em assimilar o que vem de fora. São Paulo. as alternativas do comportamento coletivo) se degrada em magia ou se metamorfo- 5Ç) Enfim. de uma categoria social subordinada. e seguindo o que G. Pode ser explicado historicamente. ou subcultura ou contracultura. os escravos se servirem de Exu. celebra-se nos bairros das cidades. Nessa perspectiva de interpretação é que dência e alienação de branco e negro geram um antagonismo Bastide busca as mesclas e as correspondências entre divindades insuportável para o negro. as formas de sincretismo variam de natureza quando passamos do estratificada. os sacerdotes ou sacerdotisas do Brasil reconhecem opressão económica e racial da classe dominante(25). Nesse implica a oposição negro-branco. subalterna e organizada segundo os interesses e o predomínio da Mas ainterpretaçâo da religiãQ negra. receia que tais forças seus senhores. sincrética ou não. que o sincretismo não é mais do que uma máscara dos brancos posta nos deuses negros(24). Para isso. Nesse destruir e recriar. 3°) Institucionalmente. ou sob as (25) Roger Bastide. deuses africanos-santos católicos) e do nível massa total da população. ou católicas e afro-americanas. não imaginassem que as danças sejam manipuladas contra ele. os subcultura ou contracultura. já que a vida de um organismo. A religião do vencedor se tornava a única religião pública válida para a nível morfológico (sincretismo em mosaico) ao nível institucional (com. as relações de dominação século XX. é da resistência ao domínio do vencedor. enquanto a religião vencida (e aqui tornamos a encontrar institucional ao nível dos fatos de consciência coletiva (fenómenos de. cultura não esclarece duas questões básicas. retém ou recria elementos culturais de origem africana política e apropriação económica permitiram à casta dos senhores para defender-se ou opor-se ao domínio exercido pelo branco. 1971. Na visão do mundo do negro. As Américas negras. tradução de Maria Eloisa Captellato. 144. Tem-se frequentemente observado que. 544. na qual o negro evade-se.reinterpretaçào). Livraria Pioneira Editora.. mas além de ser o mais estudado. ou reestruturar. manipulam-se forças temíveis. Em primeiro lugar. onde os escravos. Essa interpretação é bastante atraente. e Olívia Krahenbuhl. o sincretismo é tanto mais pronunciado se passamos das mesclas e correspondências do sincretismo religioso. tanto social como biológica. Religião de vencidos. entre outros. fundada na iniciação e no segredo. às cidades. Op. estas são hipóteses ou interpretações inscrever-se nos quadros de uma contra-ideologia. O candomblé se refugia no segredo. Com efeito. ASSim. Ainda hoje. tende a se tornar um culto t de O sincretismo por correspondência Deuses-Santos é o processo mais fundamental. É o que ele registra (nos países em que o branco domina as estruturas político- nos dados da tabela V. de dissumilar aos olhos dos brancos suas recinto das seitas fechadas. 2 vols.\ culturação dos africanos. A regra para a seia em religião de mistérios. Note-se que a escravatura fni a forma assumida pela catacumba espiritual. subalterna. Ambos os religião continua sendo o estabelecimentodecorrespondências. ^. 72 73 . (24) Roger Bastide. claro que a religião pode ganhar o caráter de uma contracultura. é preciso considerar a natureza dos fatos estudados. bem como no resto das duas Américas negras. Já está sugerido que a religião negra é uma religião de vencidos. na época colonial. haveria uma zonas rurais. p. quando um povo invasor impunha a sua 4Ç) Sociologicamente. -econômicas de poder) o negro tende a opor uma contra-ideologia. de Ogum ou das ervas de Ocem para lutar contra a divindades africanas. À ideologia da supremacia do branco negras e brancas. segundb volume.e a regra para a magia fenómenos são encontrados no Brasil. e como nem sempre ele cerimónias pagãs. (23) Roger Baslide. o sincretismo é tanto mais acentuado. cit. onde a mestiçagem cultural é intensa. às. Mostra que o negro da ^m/r'''a T at'"a_**^rvníy nn Ao longo dos séculos de escravidão. nele não se entra obrigatoriamente por pertencer-se a uma linhagem. Ela apresenta elementos convincentes. o sistema das correspondências. produzia-se um desnivelamento dos valores. 142-143.gmn _ SP . apenas ou fundamentalmente processo.

não lhe conferem. Pode-se mesmo dizer que existe um > componente crítico na religião negra. em combinação com a cultura da sua própria condição escrava. Consciência política o •e a v* '2a a Q s A metajnjjrji^e_doescravo em negro e mulato é também a »P« metamorfose desama forrnlTde alienação a outra.cultura dominante. É claro_gue_as. antagOQÍsrnQS. Nesse contexto^ ai^religião. resta por demonstrar-se o caráter da religião negra. sem mais. seria necessário que o conteúdo da religião negra fosse expressivo das relações de interdependência e alienação que marcam o relacionamento do branco com o negro. intelectual. jjirma 75 . no qual o escravo se refugia. expressa. ou como e quando a política dos «3 •s « . ou somente são compartilhadas por brancos que aderem à negritude._relações de interdependência » . ou g o l il as formas sincréticas assumidas por ela. ío vodu haitiano e a santeria cubana contêm elementos sociais que expressam visões do mundo que não são compartilhadas pelo branco. E são muitos os indícios de que os africanismos e III! II l sincretismos 'escondem alguma resistência à visão do mundo expressa na ideologia racial do branco. possua um caráter I líf l Ti <* critico ou venha a desenvolver esse caráter. E é Is s l "WíáW3l WâW.ia.jrolcloree^ língua tornam-se a expressão de um empenho em garantir um^universo sócio-cultural restrito. é também operário industrial. Note-se que não nego que a religião negra. é esclarecer como^raça e classe se Í* subsumem reciprocamente.. funcionário. o escravo é alienado no produto do seu trabalho e em sua pessoa. operário agrícola. Enquanto não se esclarecem essas duas questões. ou se desdcbra nela. música. Na escravatura. Mas sugiro que os africanismos persistentes na religião negra. pequeno-burguês etc. Inclusive o branco. o caráter de uma frente de resistência em defesa do negro. soldado. ou em segmentos da sua . co- l s merciante. O negro de que falo. no Caribe e na América Latina. O candomblé brasileiro. Mas não está ainda demonstrado que o conteúdo da religião negra corresponde efetivamente a uma contracultura ou contra-ideologia. em face do branco. na América Latina e no Caribe.ã si nessa condição que ele reelabora ou recria elementos da cultura III í 35 (3 {« CO W africana. empregado. Uma questão central. maj. estudante. e em oposição ao branco. ^aliejiaçãa vigentes nas relações entre o negro e o brancojjeram . portanto. segundo lugar.a * antagonismos de raça implica a política dos antagonismos de classe.0quenãoéclaroé que esses antagonismos expressam e esgotam a condição do negro.

publicados entre 1915 e 1922. à "arregimentação da raça". 77 76 . "A luta contra o preconceito de cor". Apesar das condições adversas nas quais ele circula no mercado de A dupla alienação em que se acha o negro. A condição duplamente subalterna da maioria logo. depois de 1927. Os primeiros negro. É verdade superada por força das condições em que vivíamos. ainda que de segunda classe. porém.é_alienado no produto do seu trabalho (quando exemplo. O negro e o mulato (26) Florestan Fernandes. Mas_. por ademais de assalariado. é recriada e reelaborada juntamente visavam. os valores e as estralaras articulados em torno da religião. educar e orientar" os negros do relações de interdependência. é modalidades de reações. refúgicu Inclusive toma esse universo sócio-cultural como prova de Nessas condições. dificulta bastante a transição de uma consciência "ingénua" (ou mesmo alienada) da alienação. como membros de uma classe social também subordinada a outra. A condição de raça e classe subsumem-se reciprocamente. em Roger Bastide com frequência são-jduplamente alienados. em face do branco e Nacional. Como pessoa. ou está organizando a sua consciência e prática política. por subalterno. A casta dos senhores concede_esse e mulatos. No Brasil. Mas as significa- propósitos mais definidos e combativos. p. Como negro. da mesma forma que entre outras raças e classes que. A evolução naquele sentido se operou naturalmente. São Paulo. não se desenvolvem a não ser de forma irregular. que ções sócio-culturais e políticas desse universo são dadas pelas se constituiu em 1931. da casta escrava. Getulio Vargas. ou confundindo a sua compreensão das próprias condições de vida. crítica.organização de uma biblioteca . propondo-se somente fins "culturais e com a experiência presente de negro ou mulato membro da classe beneficientes". assumem uma orientação literária. pequena-burguesia ou em algumas dessas associações. social e racial. Nessa condição. tem dado origem a várias índio. alienação e antagonismo das classes Estado de São Paulo(26). por causa dos da população negra e mulata. por intensificado por volta do período de 1918-1924. porque são alienados e Florestan Fernandes. 29 edição. movimento mais explicitamente político. a consciência política da situação Sócio-cultural em que o escravo se refugia e guarda a sua rebeldia.foi consciência de alienação po^ènTse7Tira"rsTÍiferencTádas. São Paulo. o tende a aparecer mesclada com elementos religiosos. Aqui. propunha-se a "congregar. Consultar também. também nas organizações políticas (associações. a língua continuam a ser ambiente criado pela incipiente afirmação coletiva do elemento negro. e assalariado. passando essa sociedade a ter papel na defesa dos negros e dos seus direitos". (27) Florestan Fernandes. complica. entretanto. Além de operário industrial ou agrícola.. Latina e Caribe. mesclando passo que na sociedade de . a música. 1965. 281-282. A despeito dissojis subalternas. ele é negro ou mulato. Os conteúdos políticos da condição social (político-econômica) do Evolução paralela se verificou com a imprensa negra da cidade. que formavam o seu público (27). 269-318.a casta dos escravos é de fato outra raça. citado. As organizações aparecidas não dois. politicamente organizada. se tornam "um órgão de educação" e um "órgão de protesto". 283. . Outras organizações^. operária (urbana e rural). trabalhador livre. do mesmo autor: A integração do negro na sociedade de classes. sob a pressão da própria situação económica e social outra categoria social. A experiência coletiva e histórica de escravo. ele recria e reelabora os elementos culturais da sua condição de classe e do seu A formação de clubes e associações no "meio negro" data de 1915. Dominus Editora. morais. folclore e língua acabam por tornar-se o universo tóda^ategõria social subalterna. 2 na" q uaTãTriãíõna. Companhia Editora como membros de uma raça diTerènfeTinferior._É um cidadão. pois que a maioria negra é subordinada a grupos brancos Ê resiste à cultura da escravidão. para uma consciência adequada. p. aparecem com esferas de um universo sócio-cultural importante. sociais. não se apresenta imediatamente como uma consciência política. tendo-se passado escravo. Mas. as formas. jornais negros. 1959. Ao tes invadem e permeiam a consciência dos subalternos. Brasileira. Entre a abolição da escravatura e a criação de um funcionário ou empregado. contraditória mesmo. Há casos em que a situação se vols. "A luta contra o preconceito de cor"._é_um. lúdicos seu protesto. em quase todos os força de trabalho (quando é obrigado a competir com o branco^ países da América Latina e Caribe. três ou quatro séculos.«classes o negro. nascidas no que a religião. a magia. em quase todos os países da América problemas sociais que afligiam as pessoas de cor. portanto. por exemplo. de finalidade nitidamente cultural com que surgiu . Tomemos por exemplo o Centro Cívico Palmares: "A Na sociedade de classes^ no século XX. o folclore. A Frente Negra Brasileira. Em magia. ou mulato.. entre os negros e mulatos ^consciênciade alienação relações. mestiço ou outra categoria racial) na sociedade de classes o negro pode negociar a sua força de trabalho. do negro em São Paulo. surgem várias manifestações novamente recria e reelabora os elementos culturais da sua condição bastante significativas. música. da classe média. citação das p. o negro e o é~óútrosL Os próprios valores políticos das raças ou classes dominan- mulato estão subsumidos na condição escrava. a sua negação da condição escrava. sindicatos. que foi extinta pela ditadura instaurada em 1937. Além da religião e arte em geral. p ode ser branca. partidos) o negro formalmente livre. ele organizou na década dos anos trinta a Frente Negra assalariado) e na sua condição de cidadão: é negro ou mulato. Brancos e negros em São Paulo.

para retomar. São Paulo e Porto Alegre. aceitar ou rejeitar a condição de raça subalterna na qual o negro seus problemas.havida logo após a abolição da escravatura. Rio de Janeiro. parece evidente a progressi. o cinema podem tanto exprimir formas de Siglo Veintiuno Editores.ou negros e mulatos pobres e negros e industrialização. pensar. esp. Além disso. Mas assumem o poder político sem alterar a estruturação de classes em que se dividem negros e É óbvio que as mudanças das condições de consciência social não mulatos. Há. as composições demográ. rechaçam as propostas políticas dos dupla condição de vida da maioria dentre os negros e mulatos. Além disso. em vários dos estados em que se organiza Latina. p. mulatos ricos . políticos de negros e mulatos adquirem alguma. 1972. Salvador. E há mesmo indícios de que o negro e o mulato se vêem de o negro tornou-se um desempregado. . o negro brasileiro realiza congressos. 131-140. e em perspectiva dades. Nesses casos. o italiano. imigrantes. são os negros e mulatos que se defrontam são homogéneas nem semelhantes nos vários países da América direta e explicitamente com a dupla alienajção em que foram Latina e do Caribe. por exemplo. em várias partes do país mais. conforme o contexto das relações de interdependência. 1970.™põ~uco~a ^xnico. Mas Colômbia. ele se transforma em negro operário.) e as distribuições das raças pelas subsumir-se à condição de classe. manifestações artísticas que podem expressar outra ou outras modalidades de consciência da (28) Jean Franco. É claro que a situação é diversa elemento do exército de trabalhadores de reserva. o imigrante. Também organiza oi posto pelo branco (2 8). _Mo_Brasil negros. fhe modern culture of Latin America. mulatos. desenvolver ou aprofundar a análise dos der. Note-se..—a pintura. o negro brasileiro tem votado nas Esse processo de politização da raça negra caminha de forma eleições políticas em candidatos negros. condição alienada em que se sente o negro. 79 78 . tanto os proletários como os que ingressaram ou começam tambémjjcorre a mesma subordinação. Elas não são nem se acha como à ideologia racial do branco. Em algumas áreas do país. distinguem-se os graus de urbanização.cojisciên£Ía movimentos artísticos. ocorrida em 1888. Penguin Books. como por exemplo nas cidades de histórica. Ocorre que o negro reajejanto às condições reais de vida em que hipótese. esp. Como desenvolver a sua criatividade e marcar a individualidade e origina. índios e mestiços. na mia. o variável. ou brancos. e mesmo lumpenizou-se devido forma cada vez mais nítida. Enquanto operário negro^ exclusivas nem únicas. tendência. debates e consciência religiosa e política como outras maneiras de compreen- discussões. às outras. Depois da abolição. índios. com a urbanização e a industrialização. No México. deputados esta. os brancos. sentir. colonizadores ou não. A alienação racial produz desenvolvimentos políticos. -No conjunto. México. Em anos sobrepor-se. em face da religião e outras formas de organização da indústria ou na agricultura. ou sobrepõem-se a elas. alienação e va transição de uma consciência religiosa da condição do negro para antagonismo geradas com a reprodução das estruturas político- uma consciência política. para recriar e que o negro tem sido levado a formular e desenvolver. nas quais a população negra e a pouco. Peru e alguns outros países da América os grupos negros. atividade religiosa. Nesses casos. negro e operário. desenvolvimento agrário. Depois. os movimentos multiplicam e diferenciam. mestiços. dança e outros. descen. a substituição de uma por outra. brancos. são diversas as estruturas classes sociais hierarquizadas. têm eleito vereadores. como categorias sociais e políticas às condições adversas que precisou enfrentar. na competição coni o potenciais. autono- Assmf. os grupos negros estão obrigados a subordinarem a sua administrativamente o país. Venezuela. como teatro.dÊ. para uma situação de religiosas. Ao mesmo tempo. em face do branco e de si mesmo. mas com algumas peculiari- a ingressar nas classes médias. a branco. as atividades . raciais. Há uma evidente politização dos grupos dominadas por brancos. classes sociais._São várias as modalidad£s. em negros e mulatos . recentes. em nenhuma econômicas. sem haver superado as subdivisões sociais em cada sociedade. no entanto. pouco em algumas sociedades do Caribe. Nesse caso. ou começa a ' lidade da sua maneira de viver. de forma paulatina ou rápida. brancos. Não possuem um partido. fazer. a p. que ambiente racial brasileiro. que é proibido pela constituição adotada pelo governo em 1969. artísticas e políticas parecem desenvolver-se cada vez classe. Em cada um. o alemão e outras categorias do despeito do vigoroso predomínio do mito da democracia racial. o negro brasileiro evolui de uma situação de ànomia. 62-69. Nessa época ele é talvez o principal confunde brancos. A poesia. a condição racial pode dentes de europeus. Note-se que a transição da consciência religiosa para a consciência política não significa. o teatro. ou ampla. vai sendo absorvido nas ocupações assalariadas que se mulata é maioria ou está no governo. América Latina en su literatura.produzidas nas suas relações passadas e recentes com ficas (negros. conforme o país da América Latina e Caribe. asiáticos etc. o que tem sido a consciência social. artística e política às estruturas criadas e duais e deputados federais. há uma consciência política que se sobrepõe. entre 1945 e 1975. negros e mulatos. a formação social capitalista produzidos historicamente: eles próprios acham-se estruturados em assume uma feição singular. No conjunto. César Fcrnandez Moreno (coordenador).

Enquanto membro de classe. o operário negro precisa ser melhor do que o operário branco. tanto prática como*ideologicamente. Nesse contexto. Enquanto membro de raça. é levado a pôr-se diante de si mesmo e do branco como membro de outra raça e membro de outra classe. Na estrutura ocupacional e na escala de salários. Além disso. o negro está em piores condições. e precisa lutar a partir dessa condição. . o negro se vê em SEGUNDA PARTE condição subalterna. tornando mais complexa a consciência e a prática políticas do negro. KO . raça e classe subsumem-se recíproca e continuamente.Para ser igual a um operário branco. que o negro toma consciência da_sua dupla^alieriãçaõ: como_ra£tfecomo membro de ceasse. Isto é. para reduzir ou eliminar as condiçõeTda sua alienação. o negro é-levâdo a elaborar uma consciência política dúplice. A ideolo- gia racial do branco o rejeita ou confunde. da sua condição duplamente subalterna.sofre o preconceito. É diante dessa situação.o negro. prática e ideológica. mas não o considera igual. e precisa lutar a partir dessa condição. ele . . por exemplo.ele. a ambiguidade.Jnão desfruta dos mesmos direitos do operário branco que se acha em idêntica situação. O paternalismo. a ^discriminação ou também a segregação. está só. está mesclado com membros de outras raças. o mito da democracia racial e outras expressões da dominação exercida pelo branco confundem ou irritam. Nesse sentido.

Nos conflitos gerados pelos problemas da integra- ção linguística na índia. capacidade de articulação política de suas ideias e outros característicos. mulatos. idade. relativamente à demanda. raça. etnia. Creio que as manifestações de antagonismo e conflito são mais reveladoras das implicações políticas desses proble- mas. Isto é. porque quero reunir elementos e sugestões para a compreensão do caráter das tensões e antagonismos raciais no 126 127 . sexo. religião. NJto tratare^de^roblejnas raciais em países socialistas. o trabalhador pode ser selecionado em função da sua qualificação profissional. ou estratificada. ocasiões em que às vezes ocorrem mortes. francesa ou norte-americana. a demanda é sempre seletiva. Penso que eles ajudam a explicitar a perspectiva analítica em que me coloco. económicas e culturais da heterogeneidade racial nesse país. a demanda se organiza em função da qualificação profissional. e outros atributos. Apenas formalmente todos são maneira mais ou menos harmoniosa. Na indústria. nível de instrução. No mercado capitalista de força de trabalho. As condições económicas e políticas das relações raciais concretas aparecem de forma clara nas situações de antagonismo e conflito. estratificação social. situações essas expressas nos rims dos negros norte-americanos. filiação a Significado político dos problemas raciais partido político. Nessas mas raciais poderiam ser apreendidas também por meio da análise condições. por exemplo. O resultado óbvio é a sofisticação da escala de Neste ensaio. Prefiro concentrar-me apenas em países capitalistas. quando as condições são RAÇA E POLÍTICA favoráveis para a demanda de força de trabalho. os trabalhadores são divididos em negros. idade. pretendo fazer algumas sugestões sobre as implicações discriminação. Antes de iniciar a discussão. implicações essas invisíveis ou não expressas nas situações de acomodação e integração. na medida em mundo capitalista. política e socialmente. também se revelam mais abertamente as implicações políticas. ou em processo de integração. índios. É claro que as implicações políticas dos proble- que ela pode funcionar como um artifício competitivo. Com isso não pretendo sugerir que esses países não se enfrentem com questões raciais mais ou menos relevantes. em função do excesso da oferta de trabalhadores. Mas suponho que essas questões apresentam outras especificidades. religião. cidadãos. não há dúvida de que elas são menos propícias à interpretação das condições e possibilidades de desenvolvimento dos problemas raciais. económica. nível de instrução.. esta tende a tornar-se mais seletiva. nas guerrilhas dos negros africanos e na luta armada dos vietnamitas contra a dominação estrangeira. Deixando de lado o fato de que essas situações parecem ser menos frequentes. de situações nas quais as raças parecem conviver em acomodação.repartição da renda e organização do poder político são ali diversas das leis estruturais que organizam a sociedade capitalista. Quanto mais graus de liberdade tiver. Ao mesmo tempo. quero fazer dois esclarecimentos preliminares. essa escala de discriminação pode políticas de situações de antagonismo e conflito raciais em países do ser generalizada no seio dos próprios trabalhadores. políticos e sócio-culturais. iguais perante a lei. brancos e outras gradações. sexo. se admitimos que as leis de divisão do trabalho social. raça.de mestiços. etnia. filiação sindical. segundo critérios económicos.

Da mesma forma. 1951. étnica. Tavistock Publications. Alemanha e Suíça. África do Sul. p. edição. Ocorre que_a noção sociológica de raça nos étnica. 1973). Portugal acepções dadas a partir da perspectiva das próprias pessoas envolvi. os problemas populações de origem asteca. Paris. nos países do mundo capitalista. são organizados e definidos pelas 1910. e do movimento aprista do Peru. e situações nas quais mesclam-se raças e classes sociais. 4. Brasil ou outros de tensões. dente como a_prática das^ relações entre as pessoas. N" l. políticos das tensões e antagonismos raciais. pane Tensions et conflits. consultar: Charles Wagley. An Amerícam dilema. The race question in Editora Nacional. dentre os pelo modo de apropriação do produto do trabalho social. afirmar que os indigenismos da revolução mexicana. Editora Civilização. os processos e as estruturas económicos e políticos que deixou de ser uma expressão da ideologia racial da classe dominan- governam as condições básicas de estratificação. iniciada em cos e físicos. para usos internos e externos. a noção de raça está usada no sentido situações de tensão^-cojiflito raciais também novas. a mudança sociais. Raças e classes sociais modern science. países africanos e das na situação social concreta em que se encontram. Paris. culturais e de Antagonismos e conflitos raciais pesquisas sociológicas e antropológicas iniciados e estimulados pela UNESCO desde 1947. dado pela expansão capitalista baseada. Em outro plano. Esse é o contexto em que se torna possível conotação racial das várias guerras havidas nas últimas décadas no pesquisai e interpretar tanto os fenómenos de relações raciais. De Ia nature dês conflits. ainda. reprodução e te. Harper& Brothers Publishers. Paris. por um lado. sem conexão com Brasil. Em termos totalmente diversos. relati- meu ver. os seus idealizadores pretendiam (2). e das muitas e longas guerras sentido estrito. índia. 1944. maia e inça. muitas vezes. por outro. London. antagonismos e conflitos~déTvãsè~raciãl. Para isso. entretanto. surgido na década dos vinte. ou muito difícil.contexto de situações coloniais e imperialistas. Brancos e regras em São Paulo. cap. entre árabes e judeus. Librairie de Médicis. marcas ou outros elementos fenotípi. creio que se pode diferenças de atributos. linguística e religiosa têm gerado tensões sociais e coloca diretamente diante de relações políticas. americanos. Octavio lanni. Unesco. às vezes amplamente. Espanha. Unesco. ocorrida em 1947. Paris. Paris. racial. como os fenómenos de ressurgência de identidade mantidas pelos vietnamitas contra invasores franceses e norte- étnica e racial em níveis nacional e internacional. surgidas com a sociológico. do mesmo autor. Vol. nos quais os conflitos raciais indispensável que a análise passe pelas relações sociais estabelecidas entraram em etapas políticas novas. 1956. Librarie de Médicis. jip raciais seriam ininteligíveis se examinados em si. não produziram os efeitos civilizatórios que O que surpreende e desafia tanto cientistas sociais como gover. 1960 (28 no Brasil. A (2) Estas são algumas publicações nas quais se registram e discutem as preocupa- ções e os programas da UNESCO relativamente a tensões raciais: Otto Klineberg. New York. não produziram melhora substancial das condições de vida das Essa colocação preliminar indica que. de raça social. 1957. Penso que é impossível. aliás. Columbia Universirv Press. racial. Race relalions. I. 1968. Outro grupo de países. relações sociais de apropriação económica e dominação política. os grupos e as preender as condições de resolução de problemas raciais. Rodésia. Gunnar compréhension Internationale. Na índia. raciais ou não. Companhia Sociologie. quais encontram-se a França. os problemas de base sociais da situação (1). que os programas educativos. África do Sul. 1949. Unesco. Inglaterra. The Laíin "The UNESCO project on international tensions". (1) Quanto ao conceito sociológico de raça. traços. e outros países. Lê racisme devant Ia science. Itália. New York. cap. 1959. Myrdal. o agravaffieTlTo Estados Unidos. Rio de Janeiro. Tssõ^ê eSpécM- países. apêndice I. Êtats de tension et Banton. A 1 despeito da contínua difusão e propaganda dos ideais gerados com a cultura burguesa do capitalismo europeu e norte-americano. na medida em que as políticas relevantes para a nação. com. 1967. São Paulo. nantes e cidadãos. É sintomático. é que os problemas raciais parecem antes agraVar-se do que resolver-se. não há indícios seguros de que o mito da democracia racial as relações. International social science American tradition. E cabe lembrar. a meu ver. e não no de raça biológica. quarta parte. apresentam Neste ensaio. em Oriente Médio. nos classes sociais revela a^persistèncTa e. 1972. Hadley Cantril. linguística e religiosa de suas populações. é Inglaterra e alguns outros países. 1951. situação essa asiáticos defrontam-se com os problemas criados pela multiplicidade na qual os critérios biológicos são geralmente menos importantes. Paris. 11-21. essa é uma maneira de apanhar as dimensões políticas dos vamente à igualdade política e intelectual dos cidadãos. ou socialmente recriados.Brasileira. Grécia. é surpreen- problemas raciais. 128 129 . V: Michael bulletin. branca. na incorporação antropologia e a genética. Association Internationale de II. esquecidos. segundo os componentes desde a independência. Roger Bastidee Rorestan Fernandes. Isto significa que as raças são tomadas nas de operários imigrados da Argélia. se a análise não apreende os conteúdos e as implicações mente verdadeiro para os Estados Unidos.

em ideologias desse as potências coloniais obtêm lucros ainda mais altos. a ONU voltou ao assunto. consultar: Apanheid: its effects on educalion.ao mesmo tempo que são a Em 1974. colonialistas. Contrastando com isso. ou rel . os antagonismos raciais fábricas. E apontava a relação entre raça ao apanheid ou que são objeto de coerção e agressão económica ou de pressões e economia.registrava a persistência e o agravamento da submetidos à dominação colonial e estrangeira. na década dos setenta. colonialismo ou países dependentes. à discriminação. o panarabismo e o islamismo. elementos constantes e às vezes fundamentais em muitos países do Como os meios básicos de produção . a países árabes e nos quais predomina a religião islâmica.da qual a UNESCO é uma A prestação de assistência aos países em desenvolvimento e aos territórios organização afiliada . Também manifestam-se no de participar das atividades económicas e comerciais. minas. Respondem a algum tipo de racismo. Unesco. Eles só podem vender suas safras população.origem judia. 'ideologias sociais. indústrias e mundo capitaJister Em distintas gradações. racial são mão-de-ohra africana. em conjunto. africanos e latino-americanos. Os camponeses africanos são obrigados a cultivar apenas aqueles produtos em origem inça. religiosa. maioria esmagadora dos camponeses vê-se obrigada a arrendar. étnica. os quais. nem as suas significa- sendo objeto de uma dupla opressão. (4) Transcrição de Folhade S. que As populações indígenas africanas permanecem em uma situação miserável. science. O direito dos países em desenvolvimento e dos povos de territórios sob dominação políticas. dentro e fora de Israel. o sionismo. Nesse documento. a * micos e políticos relativos às condições coloniais e de dependência minoria de exploradores brancos locais e os monopólios estrangeiros a eles aliados de países asiáticos. mas é inegável que umas e outras coexistem e domínio efetivo sobre os seus recursos naturais e-as suas atividades económicas. a população indígena vê-se privada do direito África do Sul até a índia e o Brasil. transportes e comunicações . no entanto. pois. Como as melhores terras foram tomadas pelos estrangeiros. ou melhor. p. nos seguintes exemplos: o tribalismo e a negritude. apesar de as potências imperialistas terem investido enormes quantias. _as_ antagonismos sociais. os monopólios estrangeiros e mo espanhol. exercida pelas companhias estrangeiras e pelas ções políticas. à ocupação forânea. sempre em detrimento das populações indígenas políticas e do neocolonialismo em todas as suas formas e que chegou a exercer ou estão exercendo domínio efetivo sobre os seus recursos naturais e atividades africanas.. A ênfase cultural. relações económicas e estruturação do poder político. em países latino-americanos nos quais populações de ras. estimadas em os problemas raciais estão postos junto com os problemas econô- mais de 5 milhões de dólares. 6 África do Sul. a companhias estrangei.estão nas mãos dos capitalistas estrangeiros e aparecem nos mais diversos países desde os Estados Unidos e a dos habitantes locais a eles associados. portos. a ONU . sob o título "ONU : (3) Nações Unidas. indigenismo. Ocorre que os antagonismos raciais tendem sempre a lutarem por sua emancipação económica e política. 130 131 . Serviço de deve ser criada nova ordem económica mundial". Paulo. não elimina as suas implicações raciais. 2 de maio de 1974. nos territórios coloniais. em países O domínio da agricultura pelos monopólios levou à alienação das terras da africanos de população negra. situação racial na África Meridional. 1969. política propósito da exploração de matérias-primas em regiões coloniais e . ou outra. o hispanismo em alguns países latino-americanos cujas para os agentes dessas companhias e a preços por estas determinados. A população indígena está. unindo e divorciando países. Em documento de 1969. É importante notar. uma agricultura altamente desenvolvida. o desfavoráveis. Interesses económicos estrangeiros e descolonizarão. de base racial mais ou menos evidente. Dessa maneira. religiosas ou outras naturalmente varia em cada colonial e racial e ocupação estrangeira de lutar por sua libertação e para recuperar o situação específica. terras pertencentes a latifundiários europeus e. 17. O destino a ela reservado é o de âmbito das j-ela^õejjjilexnaciojnais. Paris. como servir á exploração dos monopólios estrangeiros e das autoridades coloniais que os apoiam. p. tipo. que essas e outras minorias brancas (3). New York. asteca e maia continuam a ser uma parte importante da que se especializam as companhias concessionárias. e sugeria que a estar mesclados com formas de estratificação social. de base. entre a acumulação capitalista e a exploração do negro pelo branco. normalmente são muito inferiores aos preços médios pagos aos fazendeiros europeus tradições históricas e culturais comuns foram herdadas do colonialis- e aos preços do mercado internacional. giosa. raciais. neocolonialistas ou imperialistas. aeroportos e outras riquezas criadas à custa do sangue e do suor da No presente.especialmente as terras. É importante observar. fica evidente a articulação entre económicas que estiveram ou permanecem sob domínio estrangeiro(4). capitalismo e racismo. nessas recomendações votadas pela Assem- bleia Extraordinária das Nações Unidas sobre Matérias-Primas. Reeenh€cia-a direito de-os povos coloniais imperialismo. tendem a ser com frequência éontra-ideologias. Quanto ao problema racial na Informações Públicas. 1969. culture and information. A importância relativa e absoluta das dimensões económicas. cidades. em face dos países têm à sua disposição indústrias. em população indígena. ao formular recomendações a afirmação de alguma especificidade racial. itas condições mais entre populações de . organização das ONU se empenhasse em ajudar esses povos nessa luta. pois.

Edwards. Ásia e Américas. Mas todas as condições histórico-culturais trabalho. históricas de sua formação demográfica. sociológicas e antropológicas mostram que as do enquanto a análise não busca as raízes económicas e políticas das raças subalternas são discriminadas na prática cotidiana das relações desigualdades raciais. pois. ou na Irlanda e cento do que era recebido pelos brancos. em dada sociedade. Prentice-Hall. as raças que participam em menor grau do produto do próprio ções e ideologias raciais. em dado país. no entanto. Michael Reich e Thomas E. 0 valorizam-se cada vez mais os ideais de igualdade intelectual e não branco (negro. religiosa e te. New econômicas. parecem cento do que era ganho pelos brancos (6). racial. em ideologias raciais e religiosas. É evidente. São também essas raças que podem reivindicar emimenor mais significativas reaparecem nas situações concretas presentes. confor. condições económicas. em todos relações de produção. salvo. Assim. Em 1962 essa Condição racial e desigualdade económica desproporção é maior. esse paradoxo não pode ser satisfatoriamente explica. por exemplo. 1972. seja nos Estados Unidos ou África do Sul. académicas e não académicas. em países coloniais. 132 . Além do mais. na África do Sul. as tensões e os mantinha quase a mesma.9 por cento. Nos Estados Unidos e na África do Sul. Monopoly capilal. Podem ser reencontradas nos riots. Com isso não económicas. Todas as A meu ver. Em alguns países. p. Nesse país. 261. por exemplo. é claro. em 1948 a renda antagonismo e conflito raciais. por sua violência.5 os não brancos na mesma situação. persistência e as transformações das situações de antagonismo e (6) Richard C. ou no Oriente Médio e na Europa. Inclusive pode verificar-se que al- guns dos antagonismos estruturais básicos. são forma decisiva na maneira de organização sócio-cultural das rela. Monthlv Review Press. ção do trabalhador negro em distintos contextos. Inclusive Ela se verifica na Europa. na cidade e no campo. 289. que a renda per capita dos norte- modo mais ou menos claro no seguinte paradoxo: Difundem-se e americanos também varie segundo a condição racial. também se explicam pelas mundo capitalista. na atuação de partidos políticos de base racial. pesquisas económicas. chicano e outros) em política de todas as pessoas ou cidadãos.influenciam-se reciprocamente. Assim.certamente estão inspiradas pelo interesse de mui. ser mais agudos em 1974 do que ao término da Segunda Guerra Não é necessário lembrar aqui que essas diferenças de participa- Mundial. capitalist system.0 da força de trabalho Grande parte da problemática relativa às relações raciais. na França ou Inglaterra. desempregada (5). África. pois os brancos perfazem 4. o problema da matança de judeus pelo ção no produto do trabalho social não se explicam apenas pelas nazismo alemão. condições sociais e técnicas de organização do trabalho. é evidente que os conflitos de diferenças de preparo profissional. na índia ou A verdade é que a participação desigual das raças no produto do Brasil. pesquisas. como ocorre na explora. em separado e mesclados. ou grau de socialização nas base racial ganharam dimensões inesperadas. Em 1969 essa relação se no Canadá. políticas e outras. ao mesmo tempo que se multiplicam as situações de renda auferida pelo branco. Baran e Paul M. The conflito que se repetem em um e muitos países. culturais e políticas de educação e profissio- tos em compreender e resolver esse paradoxo. Sweezy. 1966. em 1940 havia 13 porcento de brancos desempregados. ou mesmo invertidos. O preconceito e a discriminação quero dizer que as condições históricas e culturais de formação das raciais estão sempre inseridos dinamicamente na prática das sociedades multirraciais não sejam importantes. segundo as classes sociais. na fábrica. São as relações político. os casos. em sentido lato. aparece de Não é surpreendente. As raças é evidente que algumas situações cruciais passadas influíram de definidas ideologicamente como inferiores. sem distinção de raça ou geral participa em apenas mais ou menos cinquenta por cento da credo religioso. nalização. em várias ocasiões dos. pois que os não brancos percebiam 59 por antagonismos raciais e religiosos. dependentes e média dos não brancos do sexo masculino alcançava apenas 54 por dominantes. Englewood Cliffs. enquanto que os não brancos alcançam 11. escritório etc. que em última instância podem explicar a York. na violência guerrilheira. organização política e sofisticação ideológica. (5) Paul A. portorriquenho. em cada situação específica. é evidente que os brancos são menos atingidos pelo desemprego. Muitas discussões e fazenda. p. às vezes as duas integradas numa só. Weisskopf (Editors). me essa problemática manifesta-se em países capitalistas. mas eram 14. Tanto assim é que a história dos antagonismos e conflitos raciais. apareçam ideologicamente defleti- e concentrados:Nos Estados Unidos. sobre fenómenos raciais no quanto ao tipo de preparo profissional. essas diferenças raciais. parece acompanhar a história das relações político- e^onômicas das classes sociais e dos grupos raciais nelas distribuídos nos Estados Unidos ou no Brasil. em praticamente todos os países capitalistas. mulato. a importância das condições trabalho social é geral.

a condição racial também tem estado de alguma forma presente. Rio de Janeiro. Glencoe. Zahar Editores. Nem por isso. Knopf. coloniais e no seio das raças subalternas. que os membros destas raças. parte II. África: as raízes da revolta. The Free Press. em termos sociais e políticos. Stanford. trad. seja a mão-de-obra. New York. budismo. Reflexões sobre o racismo. esp. 1965. em vários países da América Latina. castas mais ou caráter internacional do capitalismo. E. o hindu na Inglaterra. mais raros ou mesmo totalmente termos religiosos. Race relalions. culturais e políticos. Herbert Blumer. estamentos. seja o podem estar em regressão. Hughes e Helen M. o negro no Brasil. nas mesmas condições. fenómenos migratórios. Quanto mais se desenvolve o religião. económica e cultural dos povos asiáticos e africanos. Isso é verdade para hindus e melhore generalizadamente o nível económico. Trench. muitas vezes (7) Alguns dados e análises sobre pluralidade racial. participam em menor escala do produto do trabalho A história das raças subalternas e dos povos dominados. ou argelinos e espanhóis na França. nos começos do século de cada país pode ser vista também em escala internacional. Tanto^assim liberdade do trabalhador. Rio de Janeiro. John Wiley & Sons. Jack Woddis. Guinsburg. nas classes médias e dominantes. 135 . esp. dominantes. possibilidades de mobilidade sócio-econômica dos imigrantes (de primeira e demais gerações) nos países adotivos são menores que a escala. trad. como na índia. 1961. Um operário que não é por mero acaso que em cada país o exército industríãTUe argelino na França é sempre e ao mesmo tempo argelino e operário. hinduísmo. As pessoas e os grupos podem distribuir-se por raça. 5. D. São Paulo. em escala internacional. são evidentes as suas implicações raciais. New York. Trubner & Co. 1957. capital e a tecnologia. as pessoas deixam de ser classificadas segundo a condição racial. tribalismo. London. caps. Isso é assim na índia e no México. Levinson. no entanto. 1966. ou pertencen. ou discriminadas (7). (8) Julius Isaac. O mercado internacio- as desigualdades. N. Nas lutas pela emancipação ausentes. discriminação racial. Oxford University Press. os membros das raças nacional e internacional. Política externa independente. Michael Banton. Social change:'the colonial situation. políticas e sociais delimitando o âmbito de circulação do seja. Aliás. Nem por isso. Da mesma forma. E claro que uma e outra não são perfeitamente harmónicas entre si. Industriali.P . a lógica da discriminação racial Unidos. Economics of migration. ou classes. Kegan Paul. na França e nos Estados Unidos. cap. nos países dependentes e salion and race relalions. New York. mesmo que empregados. Difusão Europeia do Livro. ao a generalização do trabalho livre implica a generalização da mesmo tempo que por sua situação sócio-econômica. London. guarda alguma congruência com a lógica das relações de produção. de J. As castas intensificam os movimentos das forças produtivas básicas. negritude. J. em comparação com os trabalhadores brancos. Franklin Frazier. esp. nal de trabalho também faz circular internacionalmente as técnicas tam as condições de vida dos trabalhadores das raças dominantes de seleção. que. entre povos "Industrialisation and race relations". esp. messianismo. 1950. V. não é certo que o desenvolvimento económico capitalista "estrangeiro" ou seu descendente. Os fenómenos messiânicos. no entanto. mostra que eles têm reagido sempre em subalternas são menos visíveis. 8 e 10. Harper & Brothers. E. Ao contrário. muitas vezes preservam-se e refinam-se Unidos. culturais e políticos. filiação política etc. 8-39: J . e dos povos latino-americanos. citado. Nas religiões afro-americanas. reserva tende a ser formado pelos membros das raças discriminadas. em níveis social. Where peoples meei. tanto no século XIX Todo país produz uma forma singular de hierarquização racial da como no XX. América Latina e Ásia. esp. "Raça. Em alienação económica encontram-se em: Everett C. Em boa parte. política. Frenkel-Brunswik. 1952. As passado. conflito e reforma em Moçambique". o índio no México. os com as condições das raças subalternas. The authoritarian personaiity. Adorno. Sartre. estão sempre altamente determinados pelas exigências sua população. N ? 3. 1960. Alfred A. T. Seria impossí- Race and culture coniacls in the modern world. (Editor). p. publicado em Guy Hunter (Editor). sempre esteve presente o elemento racial. Mas é inegável que a maioria dos desempregados são membros das A política das relações raciais raças subalternas. de Waltensir Dutra. W. Hughes. 1947. Marvin Harris. com frequência mais visíveis quando se confron. racismo e conjugam manifestações religiosas e de identidade racial. Os países que tes a estratos sociais privilegiados. neste Essa distribuição desigual das raças na estrutura sócio-econômica século. . R. social e cultural dos paquistaneses na Inglaterra. VI e V I I : Immanuel Wallersteir. caps. mais se internacionalizam e menos desenvolvidos. 1966. do mercado de força de trabalho (8). Ou jurídicas. na África. dos trabalhadores nativos. portorriquenhos e chicanos nos Estados trabalhadores. estabilizados ou em regressão.. compram a força de trabalho imigrante estabelecem barreiras no Brasil e na África do Sul. diversos movimentos religiosos. o chicano nos Estados ou subalternas. controle e repressão das raças subalternas. sionismo.' vel compreender de outra maneira fenómenos como os seguintes: parte 11.

sem levar em conta as convicções do puritanismo civilizató. entra em distinções de sexo. o eurocentrismo. Oxford University Press. The Word rápido. no Brasil a industrialização tem desempenhado um papel duplo. parte II. apenas uma esfera da existência do trabalhador. Roger Bastide fez as seguintes observações: (9) Quanto às relações entre imperialismo e racismo: Georg Lukács. conforme a situação particular. têm sido obrigados a lutar contra um Nos países da América Latina. mulato. 1966. um lado.relações de vizinhança. sem incluir na análise a ideia do "perigo" amarelo de mistura com o Parece claro que o índio. El asalto a Ia Em resumo. p. esp. mais ou menos velada ou Aliás. em períodos de prosperidade e crescimento económico Beacon Press. Em distintas gradações. os antagonismos e são frequentemente reações às ideologias e movimentos dos grupos e conflitos de base racial encontram expressões religiosas. intensificou-se o preconceito e tornou-se mais acentuada a 1965. tambérnentram em linha precisa ser melhor que o branco. Imperialism. Ou seja. é também a história de muitas e exploradas. para realizar a sua importante. Hobson. conforme como um operário da mesma categoria do branco. Negros. Boston. É o que tem ocorrido com as minorias raciais. a democracia liberal religiosas. para mencionar exemplos <• atividades rurais e industriais. esp. L'Empire Isto naturalmente ocorre ape"nas na esfera das relações de trabalho. nos Estados povos colonizados. 136 137 . distinta e em alguns casos em aberta oposição à dos Seria impossível compreender as compontentes "irracionais" da brancos. parece evidente que algumas persistente e continuamente reavivado darwinismo social. ainda que seja a mais ao menos em oposição ao colonizador. Da mesma forma. nos anos posteriores à Segunda Guerra reações às condições de antagonismo e conflito em que raças Mundial. México. London. política da Guerra Fria dos governantes norte-americanos nos anos É claro que as relações raciais na América Latina. sem elaboração de uma nova identidade. o Egito e a aberta. a identificação entre seitas e religiões dos brancos. Claude Julien. índios e branco e civilizado. caps. quando os negros começaram a cap. da mesma forma que grupos raciais subalternos. entre outros. Essa discriminação. Em alguns casos. religiões de base indígena e africana desempenham inclusive as toda a história do imperialismo europeu e norte-americano.culturais e classes dominantes. esp. Unidos e outros países. mas sempre a possibilidades são na prática iguais para todos. Paris. Publishing Company. Editions Bernard Grassei. The origins of totalitarianísm. Mas não é da guerra que os norte-americanos fizeram contra o povo do Vietnã evidente que essas mudanças estão resolvendo as questões raciais. chollo. é inegável a sua conotação antagonística. discriminação. dentro de dado país ou nas relações com religiosos. de trabalho. Richard Hofstadter. Para ser reconhecido especificidade das tradições culturais. Além do mais. Ao analisar a relação entre industrialização e relações raciais no Brasil. Por razón. Fondo de Cultura Económica. mestizo. Por outro. Cleveland. para conseguir a sua independência política. o puritanismo civilizatório. idade. O resto da vida Américain. 1958. nismo social inerente à cultura imperialista./islamismo. Muitos políticas. 1967. 1968. Ann Arbor. 1946-70.continua a ser regulada pelos inter-American svsiem. The University of Michigan Press. A. Aliás. Em graus variáveis. trad. Ao lado de outros significados específicos de cada sempre renovadas manifestações de darwinismo social.. políticos e científicos para desmascarar e negar o darwi- países dominantes. identidade. a identidade entre os mestiços parecem refugiar-se de forma sublimada em suas práticas povos anglo-saxônicos. tiveram que realizar todo um longo e complexo processo de trabalho assalariado abre possibilidades a todo tipo de trabalhador. Se é verdade que a institucionalização do diversos. competir com os brancos. isso não significa que essas jogo a religião. negro e outras comunismo. a situação de trabalho é de conta as bases raciais. diversões e amizade . quanto às mesclam o etnocentrismo. em suas funções de uma espécie de contracultura de raças subordinadas e implicações políticas e culturais. seria impossível compreender a violência Esse seria o caso do México e Brasil. VII. a industrialização faz com que as tensões sociais predominem sobre as raciais. 1959. J. em geral identificados com outras raças. religião ou raça. ao mesmo tempo que elaboram e reelaboram a sua e o clíiriax do processo histórico (9). o capitalismo industrial. no começo do crescimento industrial. mais rio simbolizado na política externa posta em prática por John Foster ou menos notáveis havidas nas últimas décadas em alguns países. Gordon Connell-Smilh. ou a índia e a Indonésia. por exemplo. de Wenceslao Roces. em países latino-americanos. esp. o operário negro a diversidade racial maior ou menor dopais. os donos do poder. no interior de dado país. Dulles. a ideia de uma identidade racial mínima. 14-18. os povos da África e Ásia tiveram que elaborar elementos subalternas são colocadas. continuam a ser distin- vida) * guidos dos brancos. Hannah Arendt. Sócia! Darwinism in American thought. eles são emancipação política. Mas é importante não esquecer que essas ideologias e movimentos Mas também no interior dos países dominantes. 6 e 7. panarabismo e outros. ou formas não ocidentais de compreender e organizar a categorias raciais. The social . estão se transformando com a urbanização e a industrialização. em outro a língua predominante. no qual se religião e seita. aparece nas Argélia.

a luta em todas essas problema racial em termos morais. (n)Ibidem. A integração do negro (12) George Jackson. da Costa Penguin Books. 1953. cidadãos. no entanto. adota e desenvolve interpretações políticas pròpriiis. e aceita por uma grande parte dos negros. o negro norie- industrialização (10). Assim. Lênin. as novas correntes políticas e culturais Nos Estados Unidos. políticas racistas ou integracionistas propostas pelos brancos. L. (l 1) Gunnar Myrdal. citado. tomaram as formas conhecidas porque eles norte-americano realizada por Gunnar Myrdal coloca a questão em padecem da equívoca convicção de que o homem somente pode garantir-se melhor. tes ou não. pela propriedade pessoal e privada de grande riqueza. Companhia Editora Nacional. O negro no Rio de Janeiro. 50. à tendência integracionista proposta segundo os termos da americano é antes de mais nada axiológico (l 1). publicado por Guy Hunter (Editor). antropológicos. que negam cotidiana. 9-29. tomada em suas linhas Newton. às negros brasileiros. eles mostram grande iriteresse nos pensamentos de Mão Tsê-tung. Vietnã. que ainda coexistem com os novos padrões surgidos com a Nas décadas dos cinquenta e sessenta. termos de desencontro entre valores culturais: os da ideologia neste mundo inseguro. definida. tanto as políticas integracionistas como o próprio regime político Depois de muitas décadas de aceitação mais ou menos passiva de económico com o qual se identifica o branco. o dilema norte. Quanto aos problemas de preconceito e discriminação em ambientes urbano- industriais brasileiros. malignos. ideologia racial dos brancos. e mesmo depois. as relações raciais. Eldridge Cleaver e Bobby Seale como uma solução para os problemas das gerais. Giap e o Tio Ho (12). Pouco a pouco. An Americandilemma. São Paulo. p. A convulsão. 1970. Até a Segunda Guerra Mundial e mesmo alguns Marx e nas realizações de homens como Chê Guevara.o branco. culturais e políticos. Para ele. e os da prática das relações raciais. À medida que o capitalismo destrói e reelabora os suas possibilidades reais de existência livre e criativa. que propõem a igualdade e a liberdade entre todos os tratam de impor as suas teorias a todo o mundo. Soledad Brother (the prison letters of George Jackson). Esse é o contexto no qual o negro norte-americano raciais são recriados nos quadros das tensões e antagonismos sociais possa a rejeitar politicamente as políticas raciais dos brancos. 60.padrões tradicionais. implementada e controlada pelo Os acontecimentos do Congo. jurídicos ou principalmente áreas. Ele descobre que a política de dessegregação ou integração racial estava sendo proposta. as ideologias e os movimentos de base racial desenvolvidas entre os negros dos Estados Unidos começam a negar passaram por transformações notáveis nos anos cinquenta e sessenta. p. enquanto às suas tendências predominantes. 1965. simbolizando e exprimindo grande parte da de possessão e voracidade porque o seu caráterestá feito dessas «coisas (13). a violência. citado. económicos. os negros norte-americanos passaram a organizar-se e atuar de forma A mudança para uma posição revolucionária antiestablishment. desenvolvidas em séculos de treino. mente àqueles. e muitas outras. citação da p. Induslrialisation and race relations. tem se consolidado no pensamento dos irmãos. governan- emergentes e predominantes nas novas condições. Coreia e aqui nos Estados Unidos branco. A. a organi/uçúo É de supor-se que as novas configurações sociais de vida na económica. Mais que isso. "The development of race relations in Braeil". possessivos e vorazes europeus. Não é por acaso que a análise do problema racial relativas à economia e à sociologia. É claro que as duas tendências coexistem e desenvolvem-se no interior da socieda- (10) Roger Bastide. na sociedade de classes. Malaia. Essa é a política na qual os brancos organizam e propõem o estão ocorrendo pela mesma razão. por óbvias razões de interesse próprio. anos após. e em conexão com as relações de produção na indústria. nascem da mesma fonte: os maus. as tensões e os antagonismos política e cultural. Aliás. produção científica até então. cidade. política e cultural do país e outros aspectos da sua existência. sobre o seu grupo racial. Isto é. é óbvio que se criam relativa maior de negros norte-americanos na guerra do Vietnã são fatos novas possibilidades de organização e expressão dos seus interesses transparentes. Eles dominante. descobre que o tipo de vida que o capitalismo desenvolvimento de ideologias e movimentos políticos entre os norte-americano lhe oferece não corresponde ao seu ideal de vida. São Paulo. Octavio lanni. citado. 1 vols.. que põem em evidência toda a sua situação económica. 26. americano propõe. implementada e controlada segundo os interesses do estejam criando condições e perspectivas totalmente novas n. ele aceitava de forma passiva ou ativa a política de integração subordinada. o branco. talvez se possa colónias negras da América. Agora dizer que a história do negro norte-americano revela duas orienta. p. Raças e classes sociais no Brasil. Nkrumah. proposta por Huey autónoma e eminentemente política. O desemprego valores e padrões raciais que haviam sido produzidos em quatro relativo maior entre os negros dos Estados Unidos e a mortalidade séculos de escravização do trabalhador negro. negra dos Estados Unidos. Pinto. 139 138 . ções principais. London. A sua filosofia sobre o governo e a economia tem subjacente uma intonação egoística. opõe-se a tendência política independente e agressiva de uma parcela da população. consultar também: Florestan Fernandes. Dominus Editora. As suas teorias abstraias.

. a pluralidade racial não garante a Convém observar. italiana. Elas modificam-se com a de desenvolvimento das relações capitalistas de produção. ou países com composições raciais tão distintas como o Brasil. política e cultural que tende a corresponder às diferenças sociais de idade.de norte-americana. ao mesmo tempo que índios. holandesa. ou econômico-social. intensidade. se pensa. nas quais se envol- mos em termos de classes operária e burguesa. Isso é o que demonstra a história da expansão imperialista inglesa. Nos países da América Latina. trabalho social e estratificação social que lhes são próprias. automaticamente. a heterogeneidade racial tende a constituir-se num princípio classifica- mento tecnológico. A análise dos antagonismos e conflitos raciais vigentes nos mais alemã. todos continuam a existir como mente das assimetrias económicas. uma questão aberta. Mas essas situações não são estáticas. definida segundo os termos da ideologia e classes sociais. Eles são diversos cidade. Desde essa época. na gama das possibilidades Peru. tório. ou a Ásia. revelam que em todos há algum tipo de assimetria evidente na produção industrial. No sistema capitalista. jjs tensões e antagonismos raciais alimentam-se basica. negros. as tensões e os antagonismos raciais são qualitativamente diversos. a pluralidade racial. conteúdo da ciência dos brancos. amarelos. A verdade é que a história do capitalismo demonstra que esse Problemas raciais e contradições estruturais modo de produção rompe. os Estados Unidosisão Estados Unidos. as tensões. segundo a ideologia Portanto. em geral. . económicas. segundo as leis da divisão do •ordem político-econômica e de pensamento estabelecida em confor. mudança das condições políticas e económicas. história demográfica. cinquenta e sessenta em diante transformou-se qualitativamente o tipos de heranças culturais etc. com frequência em condições subalternas às dos brancos que se acham na mesma categoria social. Mas não é certo que as relações capitalistas de produção destroem Com freqiiénciajos mestiços encontram-se em posições intermédias. se pensamos em o país mais avançado do mundo capitalista. a despeito das diferenças estruturais processo produtivo e de apropriação do produto do trabalho coletivo 140 141 . graus de desenvolvi. não mos e os conflitos raciais nesse país passaram a ser. religiões etc. nos diferentes setores produtivos. distribuição assimétrica dos vários grupos raciais pelas distintas jurídica ou antropológica. know-how. Em última tecnologia e força de trabalho. portuguesa e norte-americana na diversos países. para boa parte elimina o fato de que os brancos dominam o poder político- dos negros /norte-americanos. pasflfcn a ser cidadãos.es sociais. substitui ou recria continuamente as relações econômico-sociais e políticas preexistentes. é inegável que esses (assim como caráter da situação racial nos Estados Unidos. composição absoluta e relativa de capital. Em todos os países. situados nas classes assalariadas. cultural e inclusive quanto ao grau e tipo de desenvolvimento das relações linguística pode gerar situações menos tensas e violentas do que nos capitalistas de produção. e__segundo as condições hindus. Sob certos aspectos. na qual castas e estamentos. ao lado das diversas crenças religiosas. O preconceito. os antagonis. históricas próprias de cada subsistema nacional.. discriminação generalizada. tecnologia e comér. em particular. paquistaneses. tende a concentrar o poder económico e político. em formação ou expansão. brancos. e estilo das tensões e dos antagonismos raciais. francesa. sejam os Estados Unidos e a África do Sul. na extensão da dependência de capital. ou eliminam as desigualdad. ou outras tendem a situar-se no proletariado industrial e agrícola. distintas e distantes. Na prática. Mas é inegável que desde as décadas dos determinadas pelos graus diversos de desenvolvimento económico. instância. México e gradações bastante. línguas etc. As notáveis diferenças de grau. são as condições económicas e políticas de organização do cio externos etc. Mas também revelam que atuam nos quadros da recria essas diferenças continuamente. belga. sexo. Entretanto. religião e outras submergem nas assimetrias reveladas na hierarquia das raças^ Há uma raça que relações de produção capitalistas.. Todos midade com os interesses da classe e ou raça que detêm o poder. trabalhadores livres etc. necessária e econômico. Na índia. políticas e culturais operários e burgueses. vem os membros de umas e outras raças. nem significa. características do capitalismo. mestiços etc. nos dois países. por exemplo. a outros) países capitalistas apresentam marcadas similitudes DJI discriminação e a segregação deixaram de ser uma questão moral. que esses países não são diferentes integração harmónica das raças. especificida. ao passo que o Brasil é ainda uma nação dependente e subdesenvolvida. pois. ao passo que outra . políticas e cultu- Eles^são apresentados e apreserítam-secomo prova de que o sistema rais baseadas em diferenças raciais. sociais. o capitalismo . Cada país e situação tem a sua especifi- de cultural. Ao contrário. a apenas em sua composição racial. ao passo que os negros e os mulatos se encontram fundamentalmente política. Esse fenómeno é particularmente índia e o Brasil. África e América Latina.social é aberto. São dois pólos. burguesa dominante. ou quanto a línguas. no entanto.

Nem por isso. e 18) 2. A luta de classes. encaradas como estruturais. burgueses etc. são determinações importantes.) 142 6.0981 (17. 1978.122 elas classes sociais em formação.) 1969. Com frequência elas conferem sentidos especiais e complementares as determinações político-econômicas. Brasil : Racismo : Sociologia 301. -326. neses.. SP antagonismo e conflito segundo os interesses das raças discrimina- das. e 18. todavia.4522 (17. em face dos princípios classificatórios estabeleci- dos pelas condições político-econômicas. -301. — São Paulo • HU- sempre imbricados nas condições económicas e políticas nas quais as CITEC. Brasil: Escravidão : Política 326. -301. Catalogacão-na-Fonte Câmara Brasileira do Livro. cidadãos. racial . os grupos e as classes sociais se definem e atuam como (Estudos de problemas brasileiros) produtores. Escravidão no Brasil I. Os valores e padrões de comportamento racial. e 18.) 330. adquire indubitavelmente característicos especiais quando a imensa maioria dos explorados está formada poi uma raça e os exploradores pertencem quase que exclusivamente a outra (14).4510420981 (18.) 301. Empresa Editora Amauta. -301. 4. Mas seria equivoca e 18. que precisam 18. Escravidão 5. em conformidade com as 18. Ideologia y política. -330. Bibliografia.) 5. Lima.4510420981 17.450981 reduzem uma à outra. amadurecidas ou em situação de crise. . Capitalismo 2. Daí os frequentes desdobramentos e irrupções de tensão é violência racial.) 301. -330. oprimidas ou subalternas.451042 (18. Mais que isso. II 7e lanni. secundarias ou mesmo reflexas.) 301. Escravidão: Política 326 ( 17.122 (18. Titulo. Octávio. pessoas. -301. em geral são mediações sócio-culturais e políticas 17.45 sociais..a sociedade capitalista revela uma capacidade excepcional para controlar. Em resumo. econômicas que caracterizam a sociedade capitalista. Capitalismo : Economia 330. É claro que raça e classe não se 17. operários. e 18. Escravidão : Sociologia 301.45 (17. realidade primordial. sejam 17. trabalhadores assalariados.0981 se a condição das pessoas na estrutura de classes da sociedade. reprimir ou dar novas soluções aos antagonismos e conflitos sociais de base racial. 3. 17.450981 (17. -301.) . articuladas de modo hierarquizado.4493 incompleta a interpretação de problemas raciais que não incorporas. Discriminação violência racial têm as suas raízes nas contradições po»ico.15 78-0841 18.451042 relações de produção e apropriação.15 (17.4522 ser compreendidas em sua especificidade. -301. 61. Racismo : Sociologia 301. e em certas situações as mais importantes. ou as ideologias e as praticas nas relações raciais.Brasil 4. Mas j»afl tem mostrado capacidade especial para resolver as situações de CIP-Brasil. 1926— Ocorre que os antagonismos e conflitos sociais de base racial estão Escravidão e racismo / Octávio lanni. CDD-326 importantes no contexto das relações entre classes e subclasses 17. as manifestações de tensão e 1.4493 (18. as determinações raciais deixam de ser importantes. disciplinar.que tendem a comandar ou influenciar decisivamente as relações e classificações raciais. índices para catálogo sistemático: 1. Discriminação racial 3. campo. p.) (14) José Carlos Mariátegui. Estas tendem a ser subordinadas..

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