OCTAVIO IANNI

ESCRAVIDÃO
E RACISMO

EDITORA HUCITEC

São Paulo, 1978

©Direitos autorais 1978 de Octavio lanni. Direitos de publicação da Editora de
Humanismo, Ciência e Tecnologia Hucitec Ltda., Alameda Jaú, 404, 01420 São
Paulo, SP. Telefone (01 1) 287-1825. Capa de Luís Díaz.

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SUMÁRIO

Prefácio

Primeira Parte

ESCRAVIDÃO E CAPITALISMO
Acumulação primitiva e trabalho escravo 3
/ Aspectos da formação social escravista 12
Expansão capitalista e crise da escravatura 19
V O senhor e o escravo '. 25
O senhor, o burguês e o escravo 29
Transparência e fetichismo da mercadoria : 37
Liberdade e mais-valia -. 42

RAÇA E CLASSE
Ra,ça e cultura 51
Casta e classe ,—' ' 57
Reprodução social das raças 64
Consciência de alienação ., *9
Consciência política 75 •'

Segunda Parte
ESCRAVIDÃO E HISTÓRIA
O presente e a idealização do passado 82
Eficácia e humanidade da escravatura 87
Tempo sem duração 91
O declínio da perspectiva histórica ., 94
A formação social escravista 96 /

ESCRAVIDÃO E RACISMO
Tipologias e ideologias raciais 101
Raízes históricas dos antagonismos raciais 111
A historicidade do presente 118

RAÇA E POLÍTICA
Significado político dos problemas raciais 127
i Antagonismos e conflitos raciais 128
J Condição racial e desigualdade económica 132
í A política das relações raciais 135
• Problemas raciais e contradições estruturais 140
PREFÁCIO

Toda análise sobre as relações entre escravatura e capitalismo, nas
Américas e Antilhas, tende a girar em torno de algumas questões
básicas. Independentemente das contribuições históricas e teóricas
das monografias e ensaios, em geral os escritos sobre escravidão e
capitalismo focali^arn QU£stécs~tais cojaek^s seguintes: .Como e por
queocapitalismo criaTQdesenvojyft^destror^ escravatura? Quando
T~cõrno as • contr^uliçéè>4«tcrtíasW-«*teffias, em cada uma das
, formações sociais escravistas, passam a desenvolver-se e
i manifestar-se de forma irreversível, ou revolucionárias, provocan-
l do a extinção do regime de trabalho escravo? Em que medida as
peculiaridades da formação social escravista e do processo abolicio-
nista, em cada país, influenciam, ou determinam, as peculiaridades
das formas de integração e antagonismo raciais após a extinção do
regime de trabalho escravo? Como se cruzam, ou não, raça e classe,
nos quadros das relações capitalistas de produção? Qual é a relação
entre capitalismo e racismo?
Essas questões são retomadas neste livro. Não pretendo ter
realizado uma discussão completa dessas questões. Faço apenas
uma ejtlocjUx-brevg- da~-pjxihlemáiit^ joamprej^dlda.. poxjdas.
Mas penso que essa exploração permite propor, ou recolocar, temas
de interesse para discussão e pesquisa.
Os trabalhos que compõem este livro são autónomos, no sentido
de que" cada um pode ser lido de per si. Entretanto, todos estão
reciprocamente referidos, quanto aos problemas que abordam. Em
conjunto, focalizam as questões mencionadas acima, sempre sob a
mesma perspectiva teórica. Foram escritos em 1974-76.
Quero agradecer a Heloísa Rodrigues Fernandes e Carlos
Guilherme Mota, que tiveram a gentileza de ler e fazer sugestões
sobre a primeira versão dos trabalhos reunidos neste livro.

São Paulo, agosto de 1977
CEBRAP-PUC Octavio lanni

J
PRIMEIRA PARTE

Ao longo dos séculos XVI a XVIII. desenvolvendo- se no âmbito do processo mais amplo e principal de reprodução do i. encomien- das. desenvolver-se o capitalismo. a acumulação primitiva. ESCRAVIDÃO E CAPITALISMO Acumulação primitiva e trabalho escravo 1 Em primeira aproximação. de forma mais acentuada e ampla que em outros. na Europa. criaram-se e expandiram-se as planta- fl tions. Em síntese. Nesse país.JÁ medida que se expandia o capital f comercial. comercial. que subordinava a produção de mercadorias na Europa [g' 1[ e nas colónias do Novo Mundo e em outros continentes. foi o capital comercial que gerou as formações sociais construídas nas colónias do Novo Mundo. • tn ]' criavam-se as condições çstruturais no seio das quais iria j. em particular na Inglater- j rã. fazendas.. parece um paradoxo o fato de que na mesma época em que na Europa implantava-se o trabalho livre. primeiro expandiu- se a manufatura e depois surgiu a grande indústria. Em '•'l decorrência da maneira pela qual expandia-se o capital comercial. Nessa mesma época. ao mesmo tempo que se generalizou o trabalho livre. ao mesmo tempo que ocorria o divórcio entre o trabalhador e a propriedade dos meios de produção. engenhos. Tratava-se de dois processos contemporâneos. O trabalho escravo era a base • da produção e da organização social nas plantations e nos >: engenhos. provocando dessa maneira uma intensa acumula- i cão de capital nos países metropolitanos. amplamente dinamizado com os resultados dos grandes Ij descobrimentos marítimos. surgindo assim o trabalhador livre. no Novo Mundo criavam-se distintas formas de trabalho compulsório. verificava-se intensa acumula- ção de capital comercial. O motor desse processo mais amplo era o capital '. isto é. corria na Europa. ao passo que nas encomiendas e outras unidades íj produtivas predominavam distintas formas de trabalho compulsó- 1 rio. Devido à sua preeminência crescente no sistema mercantilista . capital comercial. devido à colonização de novas terras e à formação de plantations. e principalmente na Inglaterra. repartimientos e haciendas. nas i colónias do Novo Mundo. os engenhos e as encomiendas.

2. pela pilhagem. são mercantil.. para encobrir sob o manto oficial o conquista e pilhagem das índias Orientais e a transformação da África num vasto contrabando britânico. Ocorre que a acumulação primitiva foi um processo. político. Aí trombeteia-se como triunfo da sabedoria política ter a Inglaterra. Esses processos idílicos são fatores fundamentais da'acumulação empregava 15 navios no tráfico negreiro. 2. A Inglaterra conseguiu a As descobertas de ouro e de prata na América. paz de Utrecht. o moderno fundamentar-se na escravatura. o qual ela realizara até então apenas entre África e índias Ocidentais Inglesas. Ele iguaria. quando se descuida. 868. o início da negros. (3) Ibidem. em 1751. As sociedades dotadas de monopólio. p. Jorge Benci. 1770. o descanso inquieto e assustado. 96. (1) Karl Marx. Apoiado na ampliação e acumular capital. principalmente a faculdade de oferecer-se livremente no eram bastante elevados. p. inclusive dos meios de produção. em primitiva (2). Civilização Brasileira. onde se transformavam em capital(S). O Capital. gerado por dentro do mercantilis- mo. Rio de Janeiro. O tráfico constituía seu método de acumulação primitiva . nos seguintes termos. Editora a lida sem sossego. 1977. era mais ou menos patriarcal. intensificação do comércio internacional. escravização e massacre refluíam para a metrópole primitiva poderia ser considerada o processo social. num sistema de exploração Portugal.umai acumulação acelerada. como México e índias Orientais (4). o privilégio de explorar o trafico negreiro entre África e América Espanhola. por exemplo. A acumulação fora da Europa. São Paulo. a escravidão dissimulada dos assalariados na Europa precisava coordenados através de vários sistemas: o colonial. Economia cristã dos senhores no governo dos 877-878. Portugal e outros países condições de comércio que aceleraram a acumulação de padrões de comportamento que compreendiam os princípios da capital em seu território. forçadas a trabalhar no interior das minas. Convém lembrar que a categoria acumulação primitiva concentração do capital. ao introduzir a escravidão infantil na Inglaterra Os diferentes meios propulsores da acumulação primitiva se repartem numa impulsionava ao mesmo tempo a transformação da escravatura negra dos Estados ordem mais ou" menos cronológica por diferentes países. a escravização das concessão| dejfornecer anualmente à América Espanhola.. Na base do tráfico negreiro. . como é o caso do sistema colonial(3). é sempre a pior e mais vil tanto na agricultura como nos grémios e corporações de ofícios. teme. extorquido dos espanhóis. p. Cf. 868-869. escravos (livro brasileiro de 1970). A indústria algodoeira têxtil. o capital comercial reproduziu-se em elevada escala. Como processo de âmbito estrutural. se dorme. Historicamente. vol. nos quadros do mercanti- Anderson. Acresce que sob o mercantilismo os lucros cidadania. nos fins do século XVII.mundial. vol. 3 fivros. e tira da fraqueza foiças". (5) Karl Marx.800 populações indígenas. Livro l. p. comunitárias ou outras. receia. Holanda. 53. em 1730. Unidos que. Esses métodos se baseiam em parte na violência mais brutal. Vejamos. e 132. antes.. de âmbito estrutural e internacional. patriarcais. os ingénuos anais do comércio. como as das índias mo industrial. trad. Na Inglaterra. o alívio pouco e quase nenhum. dade dos meios de produção. com o tratado de Asiento. e lastimosa sorte é a de um cativo! Se come. em 1760. p. violenta-se. Liverpool produção capitalista. capital. a Inglaterra pôde impor à Espanha. eram poderosas alavancas de conceito. 1968 a 1974. o que ocorreu foi (2) Karl Marx. até o ano de 1743. Quanto à força de trabalho. principalmente Espanha.. regime tributário e o protecionismo. isto é. o extermínio. o das dívidas públicas. Quanto à violência inerente ao escravismo vigente no Brasil: "Terrível. cit. esse fenómeno ocorreu (4) Ibidem. de Reginaldo Sant'''Anna. Liverpool teve um grande campo de caçada lucrativa são os acontecimentos que marcam os albores da era da crescimento. mercado. As colónias asseguravam mercado às manutaturas em envolve um conjunto de transformações revolucionárias. Op. De fato. produziac-no Novo Mundo a escravatura. citação do Livro l. Penso que é conveniente especificar um pouco melhor o O sistema colonial fez prosperar o comércio e a navegação. Estes são os elementos do paradoxo: o mesmo processo de acumulação primitiva. entregues à matança e à pilhagem. p. de que já falava Lutero. Editorial Grijalbo. 871. O trabalho é contínuo. mais característico da transição do feudalismo ao capitalismo. sem disfarces. Livro l. na lismo. no Novo Mundo (1). aberta ou Ocidentais. o pano é mais grosseiro e o trajo o mais desprezível. a partir das expansão e. 4. a acumulação primitiva envolveu principalmente a força de trabalho e o capital. quando falta. plantações destinadas apenas ao comércio de exportação. 871. sem as limitações ou amarras das instituições gremiais. 221. que na Inglaterra estava criando algumas O tratamento que se dava aos nativos era naturalmente mais terrível nas condições histórico-estruturais básicas para a formação do capitalis. França e Inglaterra. disfarçada. Isto servia. 74. um divórcio generalizado e radical entre o trabalhador e a proprie. graças ao monopólio. As riquezas apresadas quais se torna possível o desenvolvimento capitalista. econômico. se veste. do probo A. ao mesmo tempo. o se deu em concomitância com a criação de valores culturais e leito é muitas vezes a terra fria e de ordinário uma tábua dura. vol 2. e nos países ricos e densamente povoados. Quanto ao capital. dl. Op. quando não pode. em 1792. o processo de acumulação primitiva envolveu intensa acumulação e concentração As nações se jactavam cinicamente com cada ignominia que lhe servisse para do.

índio ou mestiço. Buenos Aires. quando se iniciou o tráfico de africanos para American revolution". esp. Sep-setentas. 1949: Stanley J. Tanto por meio das administrações metropolita- primitiva. Simonsen. o custo da compra e manutenção escravo trazido Brasil Contemporâneo (Colónia). outros 17 por cento foram levados às colónias espanholas. 1975. Apenas contexto histórico no qual se criou o trabalhador livre. negros. e Foi o capital comercial que comandou a consolidação e a também 17 por cento foram às colónias francesas da área do Caribe. Little. na Europa. Degler (Editor). 1967. cap. Desses. Companhia Editora Nacional. México. Estado. o Livraria Martins Editora. Essas condições particu. esp. ouro. açúcar. terra. México. foi amplo e intenso o intercâmbio comercial social e da tecnologia. da África etc. Time on thecross(The economics of distintas formações sociais no Novo Mundo. 226-234. 1967. población de América Latina (Bosquejo Histórico). açúcar. 1950.. as condições da entre as metrópoles europeias e as suas colónias no Novo Mundo. Newark-Delaware. em conjunto. The Oxford history of the American people. de maneira Cuba recebeu 702. ao passo que o México importou cerca de outros produtos coloniais. Buenos Aires. o vulto (8) Enrique Semo. mão-de-obra. vol. 38 por cento do total. a maior parte foi levada para õ Brasil. consultar: Juan A. transição para o modo capitalista de produção. Estado e combinados com os progressos da divisão do trabalho Ao mesmo tempo. Entravam em linha de conta a concentra. New e o vínculo com o capital comercial europeu. II e V. ção maior ou menor das terras férteis. formação social escravista dessa área estava vinculada. Oxford University Press. p. e Judith E. tecnologia. Toda Por fim. Foi esse o privado.. protegidos pela ação do 200. (6) Quanto à encomienda e outras formas de organização social da produção baseadas no indígena. Fogel e Stanley L. ouro. ao século XIX. José Luis Moreno. p. Editora Brasiliense. 1970. XII. o a continuidade dos empreendimentos. esp. Nicolas Sanchez-Albornoz e. 4" edição. Outros 6 por cento foram levados para os Estados Unidos. caps. Rolando Mellafe. Ediciones Pégaso. pelos governos e empresas estatais e privadas metropolitanas. 1947. 1967. Demetrio Ramos Perez. York. ouro. Magnus Morner. 1974. 5a edição. Editora Civilização Brasileira. caps. Brown and trabalho compulsório(6). México. das transações e das estrutu- escravo. fumo. os depósitos minerais. teriam sido transportados da África cerca de 9. para Esse comércio era comandado pelo capital comercial. a preexistência ou não de Ediciones Era. Madrid. The colonial heritage of Latin America (Essays on economic dependence in perspective). plantation do Sul dos Estados Unidos. primeiro lares foram responsáveis pela fisionomia singular assumida pela volume.000 77-90.000 africanos. organização e mando etc. cap. 2 vols. Harper. razas y cambio social en Ia Hispanoamérica colonial. 1973. Boston. 2 vols.produção baseadas no Magnus Morner. Universlty of Delaware. Lês Amériques noires. Em cada caso (prata. generalização do trabalho compulsório no Novo Mundo. 1937. 1966. 6 . esteve na origem do ras de administração e controle(S). como por intermédio das empresas e do comércio condições históricas da transição para o capitalismo. Boston. Company. apogeu da produção de prata. no esp. American negro slavery). Sob esse aspecto. Stein. constituíram. para o trabalhador escravo. açúcar. Historia de In coloni:ación espanolaen América. Librería El Ateneo Editorial. é necessário que a análise se detenha nos desenvolvimentos das longo de todo o período colonial .Press. Formação do mão-de-obra local. 230-237. divisão do trabalho social. Indian labor in mainland colonialSpanish America. "Mercantilism and the "\e o século XVI. Pivolal inlerpreta- oríovo Mundo. e a organização dos empreendimentos. Na base do arcabouço de cada formação social. ou seja. I. Paris. que importou Stein e Barbara H. Essas relações económicas. Roger Bastide. Lawrence A. 1953. esp.000(7). Sérgio Bagu. quando cessou esse tráfico e terminou tions of American history. São Paulo.e principalmente nas épocas do forças produtivas e das relações de produção. fumo. ao comércio de prata. X I I I : Samuel E. São Paulo. mais do que qualquer outra determinante. Caio Prado Júnior. História dei Capitalismo en México (Los origenes: 1521-1763). São Paulo. ou esquecer. publicado por Cari N. as condições particulares em que se constituíram e desenvolveram as (7) Robert W. p. entanto. fumo. pois. 1974. negro ou mulato. e uma parcela do excedente gerado nas colónias permanecia ali. Villamarin. havia dois elementos fundamentais: o trabalho compulsório Morison. 1973. esp. As culturas negras no Novo Mundo. operário. Engerman. organização social e técnica das relações de. É claro que esse enfoque não pretende desprezar. Escravidão africana no Brasil.500. Editorial Paidos. Payot.) entravam em jogo exigências específicas de capital. Consultar também: Maurício Goulart. Little. Lá algodão etc. no Novo Mundo. Rio de Janeiro. Breve historia de Ia engenho de açúcar do Nordeste do Brasil e outras formas de esclavitud en América Latina. controlado compreender em que medida o mercantilismo "prepara" o capitalis. Arthur Ramos. História económica do Brasil (1500-1820). XIII e XIV. New York. algodão e outros der esses desenvolvimentos é preciso situá-los no âmbito das produtos -foi bastante elevada a exportação de excedente económico transformações estruturais englobadas na categoria acumulação para as metrópoles. Ao mo. Brown and Company. Nesse sentido é que a acumulação primitiva expressa as nas nas colónias. a escravatura. 1. Sep-setentas. algodão e colónia espanhola. 1965. Race misture in the history of Latin America. a encomienda do México. Oxford Oniversity . Nas Antilhas britânicas entraram 17 por cento. Assim. Roberto C. Economia de Ia sociedadcolonial (Ensayo de historia comparada de América Latina). Harper Torchbooks. New York. Mas para compreen. Esses fenómenos. as exportações coloniais excediam às importações. livro II. forma de 1968.

En torno a los orígenes de Ia revolución industrial. Para o provém. Reformation to industrial revolution (A social and economic "Foreing trade and busines organization". processo produtivo. 1973. trad. O capital. europeu surgido com o mercantilismo. 379. o processo de circulação. Madrid. mas a riqueza em sua forma social geral. Esse valor. fazendas. os atos de capital mercantil. Eli F. o de venda. Mas. O comerciante europeu se enriquece comprando barato autónomo e preponderante. mo". .com as vantagens da exclusividade que a metrópole mantém sobre mercadorias não são trocadas com base em seus valores. trad. La riqueza de Inglaterra por el comercio exterior . de custos. menos à vontade o seu lucro comercial. 5. para vender caro. Siglo Veimiuno Editores. 1971. Ele opera no Qualquer que seja a organização social das esferas de produção donde saem as âmbito do mercado europeu. trad. é de-troca. 1953. primeiro. e o objetivo autónomo é o aumento do valor. ele a equivalência. Não se trata portanto de O desenvolvimento autónomo e preponderante do capital como capital mercantil trocar equivalentes. 1948. ouro e outros produtos. Weidenfeld & Nicolson. Capitalism & slavery. o património destes existe provenientes do Novo Mundo e outras partes do sistema colonial sempre como haveres em dinheiro e seu dinheiro exerce sempre a função de capital. Comprar barato. corporações e manufaturas. de atos que ocorrem no processo de circulação. seja qual for a maneira de avaliá-lo. -Hamilton. engenho ou outras unidades produtivas baseada no O movimento do capital mercantil é D . Revista Castillo e Enrique Tandeter. quantitativa em que os produtos se trocam. "A acumulação de capitais e mercantilis- Mendel Shapiro. A exploração do trabalho sob as mais diversas formas de organização social e técnica das compulsório. University of Dobb. mas sim o processo de circulação. Em essência. quando os produtos se vendem por seus valores. vol. de Editores. A troca continuada e a reprodução mais regular para troca elimina (10) Ibidem. Assumem a forma de mercadoria. que na época em que o capital mercantil é de produção. casual. prata. ou trabalho social nela cristalizado. Earl J. Capricorn Books. o ponto de partida é o dinheiro. é a lei do comércio. porém. de Ofélia capitalismo v olros ensavos de historia económica. processo de acumulação sem preocupar-se com o mando do processo Note-se. de Alberto Ullastres. não pode aparecer. citado. pois. George Allen & Unwin. de Cultura Económica. para vender caro. já que o comerciante se dedica pura e simplesmente a comprar barato e vender caro. Rio de Janeiro. da comercialização dos produtos mercadorias trocadas por intermédio dos comerciantes. Mesmo porque. 376. qualitativamente são todas elas por igual expressões do trabalho social. A no processo de circulação da mercadoria. de Affonso Blacheyre. na medida em que são permutáveis. México. relativamente ao processo produtivo. London. para aumentar mais ou independente do valor-de-troca. Seattle. que compara capital comercial europeu com o tráfico de africanos e a escravidão no Novo Mundo. É evidente que o lucro comercial puro. Beneficia-se do monopólio A forma desse capital é sempre D . Mercantilism. lucro de venda. Não se trata portanto de trocar equivalentes(lO). México. Este capital comandava o seja nas haciendas. na medida em que as significa que a produção hão se subordina ao capital. somente tem importância para o dono da plantation. Christopher Hill.Discurso acerca dei comercio de Inglaterra con Ias índias Orientales. Nessas condições. profit upon alienation.organizadas segundo as exigências do mercantilismo. O conceito de valor está ai implícito. London. Quanto aos característicos do mercantilismo e às relações do consumidores. Hecksher. foram a base Essas reflexões indicam claramente que o que singulariza a sobre a qual se formaram as sociedades coloniais. o valor-de-troca(9). vol. equivalência entre elas é fortuita. o comerciante. a relação mdependente(ll). o comerciante não domina o independente. e. p. expressões do terceiro termo que as torna (9) Karl Marx. p. a forma colonial. em termos de contabilidade a riqueza. hegemonia do capital mercantil é que ele torna autónomo. Com as próprias operações estabelece consultar: Eric Williams. trad. Henri See. New York. Comprar barato. A evolução do capitalismo. homogéneas. isto é. de M. substantiva. Buenos Aires. ou foi o capital comercial que comandou a constituição e o desenvolvi. e sim para o intermediário entre ambos. era bastante secundária a forma de produção do comprar e de vender. V. as . Fondo de Cultura Económica. segundo. algodão. no começo. 377. no entanto. não para os produtores e ( 1 1 ) Ibidem. esp. 1954. açúcar. A própria troca de mercadorias e as operações que a propiciam - separadas na produção e efetuadas por não-produtores-são apenas meio de acrescer secundário o valor real da mercadoria. Fondo capitalismo moderno. característico do mercantilismo.M -D .D. 2 vols. Por isso. Garza. trad. VII. Maurice de Occidente. El florecimiento dei Eric Hobsbawn. o lucro do comerciante trabalho compulsório ou formas de cooperação simples. ou segundo as quantidades de trabalho social nelas contidos. O dinheiro se valoriza cias.M . Origen y evolución dei historyofBritain: 1530-1780). os preços em dinheiro e embolsa a diferença. 1944. cada vez mais essa casualidade. não desenvolve na base de uma forma social de produção a ele estranha e dele são valor da mesma magnitude. Dahomey and lhe s/ave trade. engenhos eplantafions. 1966. em especial do escravo. Zahar Washington Press. l. que o capital portanto se diferentes mercadorias representam todas valor e por conseguinte dinheiro. 1966. cap. encomiendas. 1968. 3* ediçáo. estava subordinada aos relações de produção: seja nos grémios. equivalên- os negócios da colónia-e vendendo mais caro. cap. no apogeu do capital comercial. Karl Polanyi. esp. de Samuel Vasconcelos. trad. subordinando o processo de mento das formações sociais baseadas no trabalho compulsório nas produção. p. É portanto fumo. movimentos do capital comercial europeu. Thomas Mun. realiza-se no último ato. Livro 3. No inicio. Tanto assim que a produção de mercadorias pode dar-se colónias europeias do Novo Mundo. é inteiramente fortuita. é a lei do comércio.

Primeiro. México. portugueses e outros ligados ao tráfico de produtor autónomo. ao tempo. Ele não pode ser assalariado. A produção Novo Mundo. açúcar. a África e o Novo Mundo adquirem de-obra. bem como (13) Karl Marx.quanto ao volume. 188-229. vinculando assim a fazenda e outras modalidades de organização social e técnica das metrópole. ele não pode realizar-se a não ser com base em do destrutivas as condições de trabalho exigidas pela produção quantidades crescentes de mercadorias. A dinâmica do relações de produção e das forças produtivas. esp.Op. ou sofressem de maneira demasia- realiza no comércio. citado. intitulado "Observações históricas sobre o moderna da colonização". a das colónias. reduções. de negros da África ao Novo Mundo. para tornar-se sitiante. escravizado. Marx ressalta dois pontos. Livro l. porque a disponibilidade de também um grande negócio para os comerciantes ingleses.se abandonar a plantation. E estas são produzidas nas colonial. principalmente sob distintas especiais de trabalho compulsório. Ou seja. 10 11 . litanos envolvidos no comércio de escravos. encomiendas etc. mercadorias. ou disfarçada. Nos primórdios.aberta e organizada como tal. Essas foram as razões principais da não domina e pressupostos que não cria(I2). sob presteza. a África e as colónias do Novo Mundo. melhorar a sua vigência do sistema político-social cujo fundamento era o trabalho competitividade e ou a sua margem de lucro. Enrique Semo. exceden- compulsório se situam. é preciso que ele possa comprar organizou-se principalmente com três finalidades. à qualidade e outros requisitos . ainda. em um nativos foram submetidos à escravidão aberta. e Maurice Dobb. Havia vultuosos capitais metropo- índios e negros na encomienda. ciante está o sobrevalor criado pelo sobretrabalho realizado pelo Além dos africanos trazidos para o Novo Mundo. Em primeiro lugar. pudes. Nas colónias em que havia indígenas. foram retiradas do cap. também grupos negro e o índio aberta ou veladamente escravizados. holande- terras devolutas permitiria que se evadisse. A despeito de que o lucro do comerciante se evadissem dos locais de trabalho. do Novo Mundo.é claro que o comerciante todas as formas. o capital mercantil é movimento mediador entre extremos que fumo. é necessário atar o trabalhador aos outros meios de Mas é fundamental reconhecer. no negócios e ampliar a escala da acumulação. garantir a continuidade e a regularidade da E nesse ponto que a escravatura e as outras formas de trabalho exportação do excedente económico produzido na colónia. ouro etc. Segundo. Livro 3. Para evitar-se que eles se formas de produção. para garantir a produção colonial e assegurar a pode ampliar e dinamizar os seus negócios. p. coloca-se um tura era. Se as mercadorias são espírito do exclusivismo ou monopólio característico do mercantilis- produzidas em condições convenientes . Terceiro. por sob o lucro do comer. por sua vez. XXV. O capital. cuja árcade realização e reprodução era a Europa. plantation. colónias europeias no Novo Mundo. O capital. principalmente com o crescimento da tft (12) Karl Marx. o Assim é que se intensifica a acumulação primitiva e. ao mesmo engenho ou outra unidade produtiva. problema crucial. o assalariado. cap. que a escravidão foi produção. governado pelo capital mercantil. Em segundo social e técnica do trabalho compulsório. era comandada a partir da dinâmica do disponibilidade de terras baratas ou devolutas. social e tecnicamente organizada de forma diversa daquela (13). prata.. Pouco a pouco. intitulado "Teoria as três anteriores. para expandir os seus combater a penetração dos interesses de outras metrópoles. evitar e quantidades crescentes de mercadorias. Daí a escravização aberta. o que permitiria que capital mercantil.cit. 883-894. franceses. V. Aqui. a escrava- modalidades de trabalho compulsório. No conjunto das nível. controlar a circulação do trabalhador escravo. vol. Em última instância. sobre o trabalho em "La República de los Espanoles". criação e generalização do trabalho escravo em várias colónias europeias no Novo Mundo. em outras ela era latente. É importante observar que por sob o processo de circulação de estes foram submetidos a alguma forma de trabalho compulsório. capital mercantil envolvido no tráfico era um elemento importante Em sua análise das condições que produziram a escravatura no na manutenção e expansão da escravatura nas colónias. 5. no entanto. engenho. esses lugar. 379-380. Consultar também:Christopher Hill. à mo. em pouco tempo. O capital comercial absorve quantidades te esse essencial à reprodução e ampliação do capital mercantil crescentes de mercadorias. 2. para encaminhar às colónias e dinamizar a produção de outros desenvolvimentos. cap. p. Esta citação. as metrópoles não dispunham de grandes reservas de mão. citado. encadeamentos entre a Europa. a administração metropolitana Em outro nível. Em algumas situações. Para que estas se produzam nas colónias metropolitano. citado. Op. os índios do Novo Mundo foram submetidos a formas colónias europeias no Novo Mundo. pois. História dei capitalismo en capital mercantil''. o comerciante lucra comprando barato e vendendo mais caro. transformando-se em ses. p. hacienda. encontràm-se várias nas aldeias. consolidam-se e expandem-se as formas de organização menos produzindo o essencial à própria subsistência. vol. espanhóis.

e depois. a escravatura. José Ribeiro Júnior. Isto é. mando e execução. altamente processo de gestação do capitalismo na Europa. A frota também dobrou. as formações sociais escravistas internacionais. (15) Christopher Hill. estando presente em todas as esferas na Inglaterra. mantém e desenvolve o paradoxo representado pela característica dessas formações sociais implicava que ele era física e coexistência e interdependência do trabalho escravo e trabalho moralmente subordinado ao senhor (branco) em sua atividade livre. Reformalionto industrial revolution. nas colónias. Uma formação social escra- nas plantalions com mais lucro.oferecia as exportações e os navios: a África oferecia organizou-se e desenvolveu-se um sistema internamente articulado e a mercadoria humana: e as plantations as matérias-primas coloniais. Isto é. mas não suplantada." São Paulo. tornaram-se organizações político-econômicas altamente articula- devido à posição privilegiada que esse país passou a ocupar no das. 1966. as estruturas de Américas e Antilhas. pois. as técnicas de controle. no âmbito do mercantilismo. ou no monopólio colonial. em seguida. Quando o volume do comércio cresceu. Nos tempos modernos. 51-52. o escravo e o senhor. a cultura do escravo (da A spectos da formação social escravista senzala). não se manteve apenas um (14) Eric Williams. no âmbito do mercanti. a partir do século XVIII. sociedade essa cujas estruturas de diretamente com produção colónia (14) dominação política e apropriação económica estavam determinadas Hill: Entre 1700 e 1780 o comércio exterior inglês quase dobrou. para um mapa no qual esse lugar passou a ser ocupado pelas exemplo-estavam organizadas de maneira a produzir e reproduzir. lúdicas e outras. Capitalism & slavery. comerciando-se manufaturados da metrópole pertenciam a duas castas distintas. índio e explícito à medida que o mercantilismo passa a ser suplantado pelo mestiço). Consultar também: KarI apêndice do capitalismo em expansão. de antagonismo.da mesma maneira que a colónias. entre as exigências do capitalismo e as da formação lismo. ou criar e recriar. no qual a Europa era ainda o mais importante Nordeste do Brasil e as plantations do Sul dos Estados Unidos. IV. Por mais decisivas que Desde fins do século XVIII começou a desenvolver-se algum tipo tenham sido as relações comerciais externas. Nessas forma- vinte anos seguintes. repressão e tortura. não era apenas um apêndice do sistema mercantilista. No limite. esp. o escravo estava produtiva. A alienação do trabalhador (escravo) mercantil cria.) na qual o escravo e o senhor metrópole e as índias Ocidentais. a formação social escravista era uma sociedade capitalismo. mercadorias. Para compreender a duração desse antagonismo. é inegável que em cada colónia França e a América Colonial . religiosas ou de cunho "darwinista" sobre as desigualdades Note-se. ou melhor. que o funcionamento e a expansão do capital raciais e outros elementos. por mercado da Inglaterra. motivo porque ela pôde resistir Esse paradoxo. 1976. no capitalismo industrial nascente. 184. ou às contradições internas se se apoiasse apenas na acumulação primitiva. a plantation em geral surgiu sob os auspícios burgueses. técnicas de controle e repressão. a referida contradição somente pode manter-se porque social escravista. a cultura do senhor (da casa-grande). 12 13 . no comércio de pouco desenvolvidas. formações sociais amplamente indispensável compreender a fisionomia da formação social escravis- ta como uma estrutura político-econômica singular. a mais-valia absoluta. nos primeiros tempos. é haviam-se constituído. Seattle. cólon ias (l 5). Nessas condições. mulato. Em conjunto. Colonização e monopólio no Nordeste brasileiro. O navio movimentado de poder político-econômico. as doutrinas jurídicas. homogénea ou diversificada.como os engenhos de açúcar no uma mudança no mapa económico. negros esses que eram comerciados delineada. Assim. essa contradição. pelo intercâmbio direto entre a (do negro. em troca de produtos coloniais que eram transportados à metrópole. cap. e triplicou nos pelas exigências da produção de mais-valia absoluta. a Inglaterra . a troca vista era uma sociedade organizada com base no trabalho escravo triangular foi suplementada. University of Washington Press. Nos mesmos anos 1700-1780 ocorreu ções sociais. índio. bastante articulada internamente. estava dinamicamente relacionada com o dominação eram. Nesse sentido é que em negreiro navegava da metrópole com a carga de manufaturados. Esse "paradoxo" começa a tornar-se cada vez mais práticas e ideológicas da vida do escravo (negro. aceleram a acumulação de capital na Inglaterra.produção manufatureira. citado. citado. em face da metrópole. mestiço etc. p. Hucitec. essas relações económicas articuladas internamente. Dahomey and the slave trade. no produto do seu trabalho e em suas atividades ajudando a formar-se o operário. Polanyi. p. Estes eram cada colónia constituiu-se uma formação social mais ou menos trocados lucrativa mente por negros na África. não seria sustentável algum tempo às contradições "externas". princípios e procedimentos de mercantilismc"e. e principalmente repressivas e universais. ao mesmo tempo e necessariamente. com os seus centros de poder. nas religiosas. Independente- mente dos graus e maneiras de vinculação e dependência das Williams: Nesse comércio triangular. as unidades produtivas .

preferindo considerar o Novo produção e formação social. sugestões e hipóteses representam contribuições de maior ou menor valor para a A escravidão generalizada não fez da sociedade novo-hispânica um sistema discussão e a pesquisa das articulações entre a escravatura do Novo escravista. no entanto. é Assim como àsplanlations escravistas dos EstadosUnidosnão foram a base de um importante assinalar que" os autores mencionados apresentam subsí.. Furtado e outros. aplicáveis as noções de "formas feudais" e "feudalismo". André Gunder Frank.para. Florestan Fernandes.apesar da sua forma tributária de exploração . Cari N. The slave economies. como Bagu. Magnus Morner. cit. Herbert S. uma estrutura baseada na propriedade privada. A sociedade da plantalion. por exemplo. embora permanecendo vinculada ao mundo outras categorias envolvidas na história político-econômica das capitalista pelos laços da produção mercantil. com sociais. Williams. Everett C. Fernando A. André G. é inegável que as suas análises. de produção escravista". E. Robert W. Fernando A. Circuito Fechado Hucitec São Paulo. Caio Prado Júnior. modo de produção escravista. Devido a uma série de fatores já apontados. Pantheon Books. com as implicações históri. na lismo e as distintas formas de trabalho compulsório. 1966. a economia da Nova Espanha (16) Eugene D. Juan Martinez Alier civilização era o domínio do senhor de escravos. depois. John Wiley & Sons. 1973. Eríc trabalho compulsório. de alguma maneira. Ciro F. tratava-se do encadeamento e antagonismo entre escravidão e capitalismo. as monografias e os estudos Mundo sempre nos termos do conceito de "capitalismo". mas sim do desenvolvimento do capitalismo. terminou por ser uma poderosa civilização. a dios históricos e teóricos para a interpretação dos encadeamentos encomienda . Engerman. para impulsionar o surgimento de um sistema no qual o feudalismo aparece estreitamente entrelaçado com o capitalismo embrionário e dependente (18). do desenvolvimento do capitalismo pré-industrial. 219. dos séculos XVIII e XIX. Fogel. Celso Furtado. canas e antilhanas e o modo de produção prevalecente em âmbito mundial. A escravidão negra nos Estados Unidos lançou as bases séculos XVI e XVII. com núcleo dinâmico na Europa. cas e teóricas da problemática expressa nas categorias modo de Frank rejeita essas e outras noções. Franklin Frazier. Cardoso. desde o princípio. das suas peculiares leis de desenvolvimento (17). Mesmo quando alguns desses autores barata a uma Europa em plena revolução sócio-econômica. 1976. formação social. (18) Enrique Semo. Ciro F. 14 15 .ao longo dos esta num empório capitalista. aspectos. possibilitado pelo controle do e Verena Martinez-Alier. Boxer. Hughes. Gunnar Myrdal. entre esses e outros cientistas inglês. Genovese (organizador). assim como o capital comercial e usurário da antiga Roma não converteu Mundo e o sistema económico mundial. Em todos os casos. New York. as características e os movimentos das formações sociais baseadas no Florestan Fernandes. l. p. nas colónias da Espanha. O elemento essencial desta singular sociedades do N ovo Mundo. "feudalismo".. Stein. 2 vols. Os ensaios. Novais sugere a noção de "modo de produção colonial". Fernando H. Emilia Viotti da Costa. Klein. e lançar as bases de não trabalham explicitamente com as noções de modo de produção e unidades económicas semifeudais no México. Novais e outros orientam-se no sentido de Apesar da extensão da escravatura de um ou outro tipo (manifesta e latente). 15-16. e sugere as noções de "semifeudal" e Stanley L. é um consenso suficientemente consistente sobre essas e ambições e possibilidades aristocráticas. elas contêm os principais elementos da controvérsia sobre Juan Martinez Alier. Cardoso. Sérgio Bagu. Verena Martinez-Alier. Cardoso. A propósito dos movimentos e perfis de diferentes formações sociais escravistas: Eugene D. Não se compreender a escravatura em suas articulares e contradições com o deve esquecer que a escravidão generalizada do índio serviu para inundar de prata sistema económico mundial. a escravidão indígena serviu. New York. tratava-se do relacionamento entre o mercanti. Celso Furtado emprega os conceitos A verdade é que toda pesquisa sobre a escravatura no Novo de "semifeudal" e "feudalismo". S.suprir a indústria com matérias-primas baratas: mas as consequências não foram sempre harmónicas com a sociedade burguesa (16). A escravatura foi a base do tipo de vida económica e social do Sul. 15. Herbert Semo afirma que não se pode falar em modo de produção escravista Aptheker. ao longo Nova Espanha. The política! economy ofslavery (Studies in the economy contava. que havia começado como apêndice do capitalismo O que parece não vhaver ainda. na qual feudalismo e capitalismo embrionários se entrelaçam (19). utilizam o conceito de "modo trabalho. p. C. p. Op.serviu para a gestação de entre as formações sociais prevalecentes nas diversas|colônias ameri. S. a título de Degler. Vejamos. com um desenvolvimento importante da produção and society of the slave south). p. Genovese. dos seus problemas e tensões especiais. intitulado "A sociedade escravista no Brasil". Sérgio Bagu também considera Mundo enfrenta-se. a sociedade novo-hispânica nunca passou por um modo de produção escravista. Stanley J. Herbert Blumer. cap.. Inicialmente. amplamente autónoma. Sob vários Demetrio Ramos Perez. Genovese. Eugene D. R. 209-210 (19) Ibidem. Enrique Semo. (17) Ibidem. exemplo. os termos de algumas formulações de Semo. Enrique comparativos de David Brion Davis.

de maneira do século XVIII. 214. Ediciones Passado y Presente. Formação do Brasil contemporâneo (Colónia). p. tabaco. em meados do século ção primitiva. pesadamente as consequências:das mudanças de conjuntura e das imposições do mercado - tas (coloniais) entram em crise e declínio.. Semo. escravismo.S. 1967. Por isso.. Cuba: economia y sociedad. De qualquer maneira. Consultar também: Sérgio Bagu. na época e sob a influência do tos das formações sociais baseadas no trabalho compulsório. Op. no segundo momento. mais tarde ouro e produtos coloniais. Op. Modos de' desaparece de um momento para outro e é incompatível com o desenvolvimento da producción en América Latina. Ela compulsório. confundindo independência política das colónias do Novo Mundo e a emancipa-r produção mercantil com capitalismo. América Latina. Nesse sentido é que as socieda- des das Américas e Antilhas são formadas em estado de dependên- Não me parece oportuno fazer-. Marx: A escravidão dos negros • uma escravidão puramente industrial . isto é. enquanto colónias e países.: Se vamos à essência da nossa formação. 13. Laclau. escravista. depois. uma discussão cia. fala-nos em encomienda "capitalista". (22) Ciro Flamarión Santana Cardoso.F. em especial desde o começo do século XIX. p. em outra ocasião. sem ter a flexibilidade e autonomia que permitam uma adaptação rápida e eficaz ai condições novas (11). Formação económica da 26. é certo) pelas exigências da reprodução do ' dão. Ciro F.. p. 249. André G.| encadeamentos entre formação social e modo de produção. p. 193-230. alguns outros géneros. i mo. Ao referir-se a essa questão. e em seguida café. "El modo de producción esclavista colonial Estrutura e dinâmica do antigo sitíema co/om'a/'(séculos XVI-XVIII). baseadas na plantation. encomienda. no primeiro instante as formações sociais \s d o caráter colonial. Op. Lia Editor. 1972. das relações de produção na época colonial e no século XIX. criadas no Novo Mundo. 251-252. as formações sociais baseadas no trabalho compulsório rearticulam-se interna e externa. Sofrem o impacto do tipo de comercialização (dos constituímos para fornecer açúcar. para o comercio europeu(21). Também E. Cadernos Cebrap. São como que geradas nos quadros^ crítica dessas e outras interpretações e hipóteses. L C. cit. en América". p. 1973. relativamente aos do mercantilismo. Cardoso chama a atenção para as inestabilidades inerentes o Novo Mundo entra ativa e intensamente no processo de acumula. p. Modos de producción en São Paulo. modo de produção. New York.mercantil.que Assadourian. Fernando A. neste ensaio. independência. Caio Prado Júnior aponta o que lhe parece mesmo tempo que se organizam e expandem as formações sociais ser o próprio sentido básico e geral da colonização no Novo Mundo.. feudal etc. fazenda. jlp. p.. algodão. fazer algumas sugestões. Cardoso. na medida em que envolvem nas Américas e Antilhas são influenciados e mesmo determinados l diretamente a compreensão da história politico-econômica daescravi. p. citado. forças produtivas e algumas outras. Monthly (21) Caio Prado Júnior. industrial. H. engenho.. Tanto assim que a internacional. feudalismo. publicado por C. ou sobre mo europeu. desde o princípio as sociedades achavam-se ligadas a um mercado e produziam em parte para ele (20). da pelasiexigências da reprodução do capital industrial. Review Press. S. Celso Furtado. em pleno século XVI. a partir . 221-242. Assadourian e outros. as formações sociais escravistas passam a ser \e sistemática e especial. Novais. Ela implica a própria compreensão das categorias: capitalismo. Aliás. semifeudal. Paris. p. capital europeu. Capitalism and underdevelopment in Latin America. em expansão na Europa e. 35-39.S. veremos que na realidade nos mente. Rio de Janeiro. C. mercantil ao capital produtivo.Noy0 Mundo estão atadas à economia mundial: primeiro à mercantilista e depois à capitalista. Córdoba. Essa é matéria para ser examinada. hacienda cão dos escravos são processos mais ou menos contemporâneos -e "capitalista" e obrajes "capitalistas". relações de desde o século XVI ao XIX os movimentos. Frank. Ao capital mercantil. que se realiza de maneira particularmente acentuada XIX Marx já havia assinalado o caráter "anómalo" e "formalmente na Inglaterra. na Inglaterra. dl. P&rece-me oportuno. após as crises e lutas de reprodução do capital mercantil. 1969. Também: Enrique Semo. Juan y Verena Martinez-Alier. 101-113. 1974. hacienda etc. citada p. América Latina. da acumulação primitiva e do nascente capitalis. cit. Ciafardini. das formações sociais escravistas no entanto. diamantes. a essa dependência histórico-estrutural. 16 17 . C. (em graus variáveis.Garavagliae E. p. 240. 27 e 33. produzidos pela mão-de-obra escrava) comanda. rearticulações. as articulações e as produção. Ruedo Ibérico. citado. as relações Cardoso: A dependência e a deformação fazem que as estruturas coloniais sofram escravistas de produção e as próprias formações sociais escravocra. que. E. primeiramente mercantil e em seguida industrial^ Convém repetir aqui: as formações sociais baseadas no trabalho Essa determinação "externa" aparece em várias interpretações. internos e externos. principalmente. então predominante e ascendente na Europa.S. Ou seja. Em seguida. porque estas unidades conjugados. a progressiva subordinação do capital burguês" da formação social escravista nas Américas e Antilhas. formação social. (20) Ibidem. nascem e desenvolvem-se no é importante para compreendermos as características e os movimen- interior do mercantilismo! ou seja. Prado Jr. Isto tem induzido a erro a mais de um historiador.jContempora- neamente. mercantilis.

146. funda-se no fato de que eles existem como uma anomalia dentro de um mercado mundial baseado no trabalho livre(24) Bonifácio: Mas como poderá haver uma Constituição liberal e duradoura em um Na segunda classe de colónias. privilégios de raça são sancionados(27). ele. A mesma incongruência jnpmento necessário. Historia crítica de Ia teoria de Ia plusvalia. mas sim enxerta-se nela. Essa transição qualitativa fundamental Estados nacionais surgidos com a crise dos sistemas. que é a Engels: E é indicativo do caráter especificamente burguês desses direitos humanos base sobre a qual descansa a produção capitalista. do conjunto do processo ideológica tornou-se mais ou menos explícita para os outros novos capitalista de produção. produtores de mercadorias que passaram a negociar na esfera da inerentes à forma pela qual desenrolou-se a luta pela independência. 1944-45. O paradoxo aparente dos primeiros tempos. Não obstante. Expansão capitalista e crise dia escravatura revela-se uma contradição estrutural significativa quando ocorre a independência das colónias do Novo Mundo. Friederich 332-333. México. nesse país. devido a sua hegemonia na . matizar. Livraria-Martins Editora. A criação dos dinamismo. posto que a escravidão dos negros exclui o trabalho livre assalariado. Antidiihring. 1971. em escala mundial. p. Engels.. l. nas Américas e Antilhas. um dos líderes da independência política do Brasil. Mos- 18 19 . centros de produção para o mercado mundial . mas que o sejam. "Representação à Assembléia-Geral Constituinte e Legislativa México. confirma o capital passavà~~ir rejjíza&se. de Wenceslao Roces. Elementos fundamentales para Ia crítica de Ia economia política. coloniais do ocorreu sob as mais variadas formas. (27)1962. Essa ambiguidade foi registrada por José Jnjejsssj^rarrijpelajjrodução e organizarãST os seíis negócios combi- Bonifácio. na Europa. 1944. Siglo Veintiuno Editores. p. p. circulação de mercadorias. p. a primeira a reconhecer os direitos do homem. 159. Miguel Murmis e Pedro Scarón. 39-66. (26) José Bonifácio. surgido no âmbito da Nessas condições. explícita e influenciar. tornara-se um paradoxo desenvolvimento. quanto aos Estados Unidos. especulações comerciais. Houve comerciantes que~se.mjm princípio da escravatura. p. quando o capitalismo industrial de das relações escravistas de produção-yDepois de alcançar certo ganha preeminência no sistema económico mundial. real. Ao mesmo tempo que a constituição a pouco. presente. com trabalho assalariado.. 41. José Bonifácio. ajírodução passou a ser a esfera em que a acumulação d. 476. em âmbito mundial. ("Assim. Também sociais nos estados escravistas assumiriam formas pré-civilizadas(23). dono âaplantalion são uma só pessoa (25). Friederich Engels registrou essa ambiguidade.conforme as condições peculiares de cada país - adequam. O sistema de produção introduzido por mesma forma confirma a escravatura das raças de cor existentes na América: eles não provém da escravatura. trad. a burguesia ascendente é Ao longp dos séculos XVI e XVIII. mercantilismo europeu. quando o capitalismo alcança certo grau de acumulação primitiva e do mercantilismo. Com a independência dos Estados Unidos. conjunto. o capital i ndustriai começa a Estados nacionais nas Américas tornava interna. que são. Pouco lado com o trabalho livre. mas acabou por subordinar-se ao capital industrial. da que manejam o negócio do tráfico de negros. 2 vols. Neste caso. Ao mesmo tempo. na Inglaterra crescia a acumulação do capital financeiro.as plantations. todas as condições e as exigências da continuidade do trabalho escravo. Foreign Languages Publíshing House. por exemplo. Sousa. de alguma maneira. cow.e estabètéce o princípio da cidadania. ainda que somente de um modo formal.. citação da (25) Karl Marx. p. ^Houve donos de fábricas e outros empreendimentos"1^ tornou-se evidente a incongruência entre os compromissos liberais. Fondo de Cultura Económica. de José Arico. citação do vol. o capitalista e o privilégios de classe são proscritos. publicado por Octavio Tarquinio de (24) Ibidem. para o negro. desde o próprio momento país continuamente migos? (26). O fato de que os donos das plantaiions na América não somente os chamemos agora capitalistas. mas subordinado. para o branco. II. f sociedade burguesa. alterar ou mesmo destruir as formas de aguda a contradição entre o trabalho escravo e o trabalho livre. torna difícil a continuida. são capitalistas os que a Constituição americana. o capital comercial floresceu obrigada a_jrecj3nhe<^jL£xis^ênjd^d^^ bastante. efn" Precisamente na época da formação do Estado nacional. habitado por um multidão imensa de escravos brutais e ini- de sua criação. vol.existe um regime de produção capitalista. São Paulo. Essa organização social e técnica das relações de produção que não se foi a ocasião em que . nando^ e^oir^mlanda os prpcessos produtivo e de circuf^áo. com o trabalho escravo. pressupõe a existência de tal sociedade: se junto a essa escravidão não existissem outros estados livres. o paradoxo representado pela articulação do trabalho livre. do Império do Brasil sobre a Escravatura". ao seu ritmo e sentido. < a nascente formação social capitalista se impôs e venceu a escravista. (23) Karl Marx. trad. económica e politicamente. e a circulação transformou-se . 3 vols.

e o nivelamento o que transformava todo trabalhador em vendeHor de força de dos lucros reduz sua taxa de lucro à média geral. (2) cerca de 1600-1650. O capital que no decurso de todo o seu ciclo ora assume ora abandona essas formas. a Inglaterra como fábrica do mundo(28). é o imp-Uftha-$e--sekFe~ e -eemereial e o financeirjC Assim. matérias-primas essas que eram processadas para reexportação. industrial aqui no sentido de abranger todo ramo de produção explorado segundo o modo capitalista(31). Livro 2. p. ji_vida económica passou a ser A transição portanto triplica-se: primeiro.dje produção. ao lado do capital industrial. Mas foi no século XVIII que o capital O capital industrial é o único modo de existência do(capital em que este tem por industrial conquistou a preeminência sobre o capital comercial.. tal mercado se abrisse à indústria inglesa de tecidos de algodão. - Ocidentais forneciam matérias-primas não competitivas com os produtos da metrópo- le. Livro 3. O capital. (5) a partir de 1780. pois. 53. a de capital- qualidades e modas. esfera essa na qual se dá a transfigu- exterior inglês: (1) até 1600. o O {2jr££fiS$Q_-fU&díilivo_ deixa de ser subalterno ou reflexo do novo império podia ser visto como um mercado crescendo indefinidamente para as manufaturas inglesas. tecidos de algodão etc. industrial: embarcações. a reprodução do capital implica o europeus. as indústrias inglesas de tecidos de algodão e metalurgia já haviam se da vida económica. podemos distinguir cinco períodos na evolução do comércio desenvolvimento da produção. a forma de capital quantidades crescentes. capital-industrial. citado. .expansão do capital mercantil. 386-387. Na industria. principalmente para as colónias.. movem-se nele fundamentadas. em grosso diretamente para o comèrcio(30). trabalho. monopólio-colonial. na qual o capitalv criá-la. (3) cerca de 1650-1700. sobre a trabalho e com elas o tipo econômico-histórico da sociedade. Paulatinamente. o comerciante torna os mestres artesãos seus intermediários ou / produção. decadência. p. mas também uma transição histórico-estrutural complexa. exportação de manufaturas. 3. o industrial se torna comerciante e produz . 5. firmam-se ou caem. (28) Christopher Hill. em quantidades crescentes e nas mais diversas Nos estádios de circulação. 21 20 . modificando o mecanismo de suas funções e. Vejamos produção social. no estádio de produção. impõe ao operário. i mercados coloniais amplos e estáveis. determina d carálfiLcapitalista. (3 1) Ibidem. cerca de processo de circulação de mercadorias. 191. Agora. ao longo dos\s XVI a XVIII foi crescendo a importância da prodtiçãp . Assim. sua existência implica a produtivo passou a colorir e dar sentido ao conjunto das relações de oposição entre a classe capitalista e a trabalhadora. Foi função não só apropriar-se da mais-valia. Quando o antigo monopólio imperial se extinguiu. citado. vol. soberana para ser um elemento particular do investimento de capital. em especial no mercado urbano e industrial em franca expansão. Os mercados nacionais cj. ou do produto excedente. A conquista da índia permitiu que. As tradicionais colónias das índias na esfera da circulação(32). o capital mercantil deixa a antiga existência divórcio entre o trabalhador e a propriedade dos<rneiqs^ de produção. executando através de cada uma delas a função correspondente. pois que os seus escravos e os donos deplantations absenteístas não criavam um mercado diferentes formas de funcionamento que o capital industrial ora assume ora abandona significativo. p. o comerciante se torna diretamente ( comandada pelo movimento das forças produtivas e das relações de industrial. núcleo esse caracterizado pela produção de desenvolvido tanto que os seus produtos podiam reentrar e capturar os mercados mais-valia relativa. Passa a funcionar como agente do capital produtivo(29). Desde ramo específico. além Hill: Um pré-requisito essencial para a revolução industrial foi o monopólio de disso. a ele se subordinam. com ele vivem ou morrem. E paralelamente^ generalizava-se o Marx: Na produção capitalista. (29) Karl Marx. Na medida em que se apodera da produção e do processo de realização da mercadoria. na ocasião O capital-dinheiro e o capital-mercadoria quando funcionam como veículo de um i oportuna. Reformation to industrial revolulion. Por is$o. são revolucionadas a técnica e a organização social do processo de algumas formulações breves de Christopher Hill e Karl Marx. . ^ internacionais passaram a ser inundados também por produtos manufaturados. para as manufaturas inglesas. Torna-se o núcleo dinâmico 1770. em dinheiro e a de capital-mercadoria. os antigos tecidos eram exportados principalmente para ração da. 56-57. os novos tecidos supriam da (M') pelo trabalho social excedente (não pago) que o capitalista em especial os mercados europeus do sul. metalurgia (principalmente armas). Terceiro. (32) Ibidem. na agricultura e na mineração dinamizararfiv compra diretamente do produtor autónomo. tecido^ de lã. o valor-capital assume duas formas. as manufaturas inglesas^Q—capital industrial V produtivo.mercadoria preexistente (M) em uma mercadoria valoriza- os mercados da Europa do norte. deixa-o nominalmente independente e sê" ás forças produtivas e desenvolveram-se económica. politicamente as relações de produção. social eV intato o modo de produção dele. Dessa maneira. p. 377 (30) Ibidem. As outras espécies de capital que surgiram antes dele em meio a condições sociais desaparecidas ou em ascensão do capital industrial. Daí a possibilidade de o capitalista vender o entreposto e reexportação. As colónias europeias passaram a receber. (4) cerca de 1700-1780. p. vol. Segundo. não são mais do que modos de \a que meados do século XVIII havia declinado a importância das índias Ocidentais..

O Capital jndustrial^ começa a assenhorear-se das Declaração de Abolição da Estados independência esferas produtivas nasíõíôniàsTãTenTde subordinar a comercialização escravatura dos produtos coloniais. nas Pennsylvania Peru 1780 Américas e Antilhas. Time on the cross. Barnes & Noble' colonial.P . Quando a produção industrial se tornou importante no conjunto do processe da abolição das formas de o núcleo do processo de acumulação.M . a 1888.|No Brasil. Ocorrem no âmbito da mesma configuração Bolívia 1825 1831 histórico-estrutural. o estatuto jurídico-político e 1828 1842 Venezuela 1811 económico das colónias espanholas era diferente do que definiaja 1854 situação da colónia portuguesa (Brasil) e dos que caracterizavam as Fontes: Roberto W. Buenos Aires. no Novo Mundo. a escravidão sofreu precisou subordmar-se às exigências da produção. externa e Países e internamente. Engerman.M' . a formação social escravista do sul dos Estados Unidos revelou maior tenacidade que a do Brasil. No México. pois. Temos. 1865 Haiti 1804 1804 A despeito das peculiaridades de cada país. Hebe Clementi. La aboltción de Ia esclavitud en América La- africanos e seus descendentes parece ter-se generalizado muito' tina. durante o período p. é inegável Massachusetts 1780 que a extinção da escravatura iniciou-se no âmbito do capitalismo México 1813 1829 inglês em expansão. para ser suplantada pela formação social capitalista. no qual a acumulação passa a ser comandada pelo (1772-1888) capital industrial. são fenómenos Argentina 1816 1813 contemporâneos. entram em crise as relações coloniais. 1974. No Ia esclavitud enNorteamerica. Nas Américas e Antilhas. de matenas-pnmas e manufaturados passou a ser comandado pelas nial se tornara inconveniente para o desenvolvimento do comércio exigências da reprodução do capital na esfera da produção Daí inglês. Curtis Wilgus e Raul d'Eca. Além do mais. Latin American history. o seguinte processo global: D . 1974. Por isso. Fogel e Stanley L. Editorial La Pléyade. O capitalismo porque a Inglaterra passou a combater a escravidão em suas próprias colónias. quando foi decretada a abolição da escravatu. DECLARAÇÃO DE INDEPENDÊNCIA E ABOLIÇÃO DA ESCRAVATURA Contemporaneamente. quando foi proibido o trabalho escravo í Colômbia 1819 1814 Colónias francesas na Inglaterra. citado. Colónias inglesas 1863 econômicas no Novo Mundo. essa transição é visível nos dados Brasil 1822 1888 apresentados na Tabela I. quanto à decadência N Inglaterra 1772 do escravismo e ao andamento do processo abolicionista. a conquista da independência América Central 1823 1824 política e a crise da escravidão. estruturas político-econômicas 1838 Connecticut 1784 Cuba 1898 herdadas do mercantilismo. Em boa parte. modificam-se substancialmente as condições político. sendo que em P entram o capital constante e o capital variável (gasto em força de trabalho). houve encomienda e escravatura. TABELAI D'. Isto é. francesas e outras. agora comandado pela produção industrial.tecido por um preço maior do que o custo da linha e do desgaste das máquinas. desenvolveu de forma singular o trabalho 1828 1854 Porto Rico compulsório e articulou-se também de maneira singular com o Uruguai 1873 mercado mundial. É verdade que cada colónia ou país. Em pouco mais de um sécuk>\e externa e internamente as. Chile 1818 1823 Ao longo dos anos 1772. na medida em que se instaurava o capita- lismo industrial. Não há dúvida de que em cada caso as 1886 Equador 1822 condições peculiares da colónia determinaram amplamente a 1851 Estados Unidos 1776 afeição assumida pelas lutas de independência e abolicionistas. tomados em conjunto. Colónias holandesas 1848 ra no Brasil. a esfera da comercialização trabalho compulsório. entanto. é inegável inglês exigia a quebra das prerrogativas e exclusivismos coloniais que em todos os casos o capitalismo inglês desempenhou um papel herdados do mercantilismo. vol l colónias inglesas. 33-34. 1966. Quando o capital industrial adquiriu predomínio . Buenos Aires. o comércio o bloqueio combinado das seguintes condições: o monopólio colo. Hebe Clementi. La abolictón de mais do que nos Estados Unidos. Editorial La Pléyade. A. Apesar dessas peculiaridades. a escravidão de New York.

p. Ocidentais. fabris. Marx e Engels já haviam tos: a abolição pacífica ocorrida no Brasil e a violenta verificada nos examinado a questão em 1850. Ediciones Pasado y Presente. e divergentes. A dinâmica das relações te na força de trabalho não escrava. por dentro e por sobre a formação social escravista. Capitalism & slavery. 169. Engels. análise sobre lCapiialifim & Slaven. 156-157. trabalhadores assalariados. Quando a indústria se tenha desenvolvido a ponto de que o monopólio algodoeiro dos. uma parte do capital produzido pelo escravismo era trabalho escravo norte-americano. Isso levou o capitalista a interessar-se sociedades escravistas. A abolição do tráfico de africanos.sobre o comercial. Os três acontecimentos são inseparáveis. também. e isso hoje em dia pode ocorrer. jornalistas e novos empresários. que a área pioneira e mais dinâmica da cafeicultura. africanos para suprir a agricultura escravista. exitosa e maciçamente. Marx e F. criadas na época situada no oeste da Província de São Paulo. a partir dos anos 1850. a escravidão em 1833 e os privilégiosdo açúcar em 1846. tanto com o capitalismo predominante e em entre o capital constante (máquinas. devido à interrupção do tráfico de As possibilidades de desenvolvimento das forças (terras. Os seus interesses (34) Eric Williams. indicam a progressiva influência inglesa. Simultaneamente. no sul dos Estados Unidos. fatos.) que rapidamente a imigração-de europeus. Enquanto o capitalismo inglês dependia das índias constituída no espírito e no interior da formação social escravista. E Eric Williams a retomou em sua Estados Unidos. algodão ou outro produto. foram-se Antilhas e outros países e colónias. Recife e outras) interesses autónomos a escravidão. essencialmente antiescravista. terá soado a última hora para o monopólio aplicado em atividades artesanais. Materiales para Ia historia de América Latina. da articulação dinâmica do capitalismo.. quanto aos interesses prevalecentes no escravismo. é a capitalista. os investimentos e qs escravos foi abolido em 1807. políticos e económicos estavam organizados . isto é. na diferenciação interna das estruturas sócio-econômicas e Williams: Os capitalistas inicialmente encorajaram a escravidão nas índias políticas urbanas. Vejamos dois exemplos distin- açúcar. Mas quando o trabalho livre de outros assim dizer. tados no governo monárquico. na Província de São Paulo.. escravistas de produção. O caráter "anómalo" da escravatura moderna pelo preço das matérias-primas e dos produtos tropicais. capital. 136. em quase todas as partes. Estados Unidos se torne insuportável. por algodão em outros países. É verdade que inicialmente a vida urbana estava Ocidentais e depois a destruíram. Pouco a pouco. no entanto. p. matérias-primas etc. para a escravidão norte-americana: e os que não revertiam necessariamente em benefício dos interesses escravos serão emancipados porque. Mas em meados do século XIX a 24 25 . (33) K. produzir-se-á. São inglês sentiu que o monopólio das índias Ocidentais era incómodo. Porto Alegre. Os mesmos interesses que haviam criado o profissionais liberais. Isso ficou especialmente evidente na expansão urbana. Quando o capitalismo Progressivamente. como primeiro passo para destruir o monopólio das índias Ociden- tais(34). acompanhadas pelas formações sociais escravistas.eles destruíram Paulo. a difusão das ideias liberais entre políticos.inicia-se e expan3ê-se tecnologia. baseou-se principalmen- do predomínio do capital mercantil. meeiros etc. Córdoba. . e a melhores preços que o a pouco. nordeste açucareiro e na cafeicultura-da Baixada Fluminense e do 1972. fosse tornara-se explicito e insustentável. No Brasil. obra publicada pela primeira vez em 1944. Salvador. força de trabalho.) e o capital expansão desde a Inglaterra como com o emergente nas mesmas variável (força de trabalho). no Brasil. isto é. nas colonos. comerciais e financeiras algodoeiro norte-americano e. O senhor e o escravo • Marx-Engels: A produção algodoeira norte-americana baseia-se na escravidão. Pouco países abastecer a demanda algodoeira de modo suficiente. somente por meio de trabalhadores livres. eles ignoraram ou defenderam a escravidão. Essas transformações eram ampliadas e aceleradas inclusive pela Esse combate desenvolveu-se em três fases: o combate ao tráfico. além de outros sistema escravista agora combatem e destroem aquele sistema (35). p. O fenómeno imigratório foi haviam sido abertas pelo capitalismo industrial não podiam ser tão notável. enquanto escravos. Vale do Paraíba. cada vez menos dinâmi- ca. ter-se-ão tornado inúteis(33). o combate à crescente influência económica e política dos ingleses nos negócios escravidão e o combate às preferências alfandegárias para o açúcar. citado. o lucro passou a ser o resultado da operação relação à dinâmica das forças produtivas e das relações de produção da empresa produtora de mercadorias. textos A formação social escravista tinha as suas bases económicas no selecionados e traduzidos por Pedro Scaron. divisão social do trabalho etc. escravistas.e não apenas represen- (15)Ibidem. a formação social capitalista foi se constituindo. O tráfico de do Brasil. entraram em descompasso com delineando os contornos das duas formações sociais diversas e progressivamente antagónicas: a escravista. ou seja. ganhando dinamismo crescente. surgem na cidade (Rio de Janeiro. empréstimos ingleses.

que a campanha abolicionista e a campanha pela criação do regime republicano de governo . (37) Celso Furtado. de maneira cada vez mais nítida. a zona cafeeira começava a ressentir-se do ampla: aquisição de terras. 8. Essa zona acompanhar integrativamente o dinamismo daquela. o único cujos preços se A verdade é que desde o término da Guerra do Paraguai mantiveram estáveis foi o fumo. Desses produtos. Vassouras (Brazilian coffee county. mas a população livre continua acrescer. rência na política financeira e econômica(38). 1967. Stein.255. da qual em expansão. As dificuldades para as safras futuras de café. Tanto que praticamente todos os historiadores reconhecem que a Monarquia e a Escravatura entraram em declínio irreversível com A economia açucareira. o valorem libras das exportações de açúcar cresceu em 24 fOrmOíceTèTâda. em cerca de 500. como sistema politicô-econòmico. Em colónias das Antilhas. p. (38) Ibídem. Em muitos (36) Stanley J.algodão e fumo . mais vigorosa dinâmica principalmente na cafeicultura do oeste paulista.foram contemporâneas.60 1 .1 por cento. comercialização nos portos. convém lembrar que a Guerra do Paraguai. o das de couros e peles se reduziu em 12 por cento. organização e direção da empobrecimento das terras ocupadas^já que o café era cultivado de produção. e o alcançava um pouco mais de 14 milhões de pessoas(39). e os de couros e peles multiplicaram-se os empreendimentos artesanais. transporte interno. Harvard lugares e circunstâncias as duas campanhas tiveram as mesmas bases University Press. exportando apenas 10 por cento menos. devido à intensificação da imigração europeia nas por cento. 1888. citado. a população escrava estava também não conseguiam animar o conjunto da economia escravista. Cambridge. o das exportações de últimas décadas do século XIX.000. encontrava-se numa situação essa guerra. O mercado inglês era abastecido pelas havia no Brasil 2. p. Além disso. funcionamento dos aparelhos de Estado. Aí o fazendeiro dispunha de época que o Exército e a Igreja católica dividem-se. de Entre 1821-30 e 1841-50. Nacional. p. e provavelmente à Contemporaneamente às transformações económicas e políticas. por seu lado. de Edgar Magalhães. com uma média anual de 1. de escravos de Vassouras: destruir florestas virgens para plantar café para pagar dívidas para brasileiros para lutar na guerra. Baseou-se de forma progressiva no trabalhador livre. 1957. Em 1890 a população total do Brasil algodão se reduziu à metade.520. Formação económica do Brasil. cafe(36). das de fumo permaneceu estacionário.000. Grandeza e decadência do café no Vale do Paraíba. ao passo que os livres totalizavam americano. . tornaram mais visíveis as limitações obter crédito para comprar escravos para destruir mais florestas e plantar mais do escravismo.500.510. é nessa proveniente da imigração europeia. Editora Brasiliense. recrutamento de mão-de-obra. também Stanley J. Cuba estava fornecendo o mercado norte- 1872 os escravos eram 1. económicos. São Paulo. . os de algodão receberam fazendas cafeeiras. 3* edição. para receber 24 por cento aceleroú-se o desenvolvimento capitalista no Brasil. e expandiram-se os aparelhos de Estado.000 pessoas livres. p. Editora Brasiliense. como forma de organizar a produção e o poder. a metade do valor. 1850-1900). Vassouras. Além das mais em valor. 1961. vão se delineando. 124. É claro que a desenvolveu-se de maneira cada vez mais intensa desde meados do tensão daí resultante refletia-se 'também na organização e no século XIX. p. São Paulo. nos anos Consciente do seu novo status económico e da sua importância como cafeicultor. 115-116. contatos oficiais. Expressivamente. devido à concorrência internacional.neste caso a extinção da Monarquia . Em 1850 em mão-de-obra escrava. p. difícil. Este era o círculo vicioso em que se encerrava a economia vencer os paraguaios e a necessidade de lançar mão. interfe- maneira extensiva e segundo técnicas que provocavam ou propicia. 1864-70. pois. a partir de 1870.000 escravos e 5. impossibilitada de Campinas foi ceníro importante por certo tempo. Stein. <M Neste ponto. fabris e comerciais: mais que dobraram a quantidade para receber um valor em 12 por cento inferior(37). Essa obra foi publicada em edição sociais. técnicos e sociais da produção. vale dizer. pôs em evidência a relativa fraqueza da formação social o fazendeiro nunca duvidou de sua capacidade para liquidar dívidas contraídas sobre escravista. São Paulo. E os outros produtos de exportação . Os exportadores de açúcar. ojaojd^ahoJiãQ^Êni. Assim. produtividade relativamente menor das unidades antigas baseadas decresceu o número de escravos na população brasileira.Não foi por mero acaso. 1953. trad. mais que dobraram a quantidade exportada. 294 26 B l B Ll o > g t . vam a erosão. abertamente melhores condições de organização e movimentação dos elementos quanto à defesa e o combate à escravatura. Companhia Editora (39) Caio Prado Júnior.' expressavami interesses político-econômicos dos mesmos gru- brasileira. 79 edição. baseadas na mão-de-obra do trabalhador livre. os contornos e as A formação social capitalista teve a sua base económica mais incompatibilidades entre a formação social capitalista. cafeicultura eia área açucareira sofrem o impacto da interrupção do A nova classe dirigente formou-se numa luta que se estende em uma frente tráfico. 36. História económica do Brasil. 30. 328. e a formação social escravista.

São Paulo. ou preponderantes. da amplas perspectivas. rompendo os quadros conservadores dentro dos quais se escravistas não eram muito fortes. 1973. Berkeley. p. Devido às condições políticas e económicas em que se realizou a independência política das colónias inglesas da América do Norte. Eisenberg. além dos antepunham ao espírito especulativo e de negócios subsistirá. Término do 1850-1950). Eram se engajara. em franca decadência. Era (40) Caio Prado Júnior. Difusão especialmente Tomo II. Capitalismo e escravidão. citado. Da senzala à colónia. A queda da Monarquia foi o desenlace final do morais. de Janaína Amado. São Paulo. MS. Brancos e negros em São Paulo. Henrique Cardoso. Livraria Martins. te da formação social escravista. 1850-1914. Fernando de um colono no Brasil (1850). era a expressão política dos desajustes e antagonismos entre as duas formações sociais: desajus- tes e antagonismos esses expressos nas divergências e lutas entre O senhor. S. a formação social capitalista. com as quais abriram-se ativamente a vida económica do país. O caso do Império. Difusão Europeia do Livro. trad. Stanley J. 2. ao passo que a outra era uma Nos Estados Unidos. Nelson Werneck Sodré. na qual vence esta. p. Por isso a Proclamação da|Repúlblica tem os constituiu-se e desenvolveu-se um tanto à parte e independentemen- característicos de uma mudança político-econômica importante. Ronaldo Marcos dos Santos. 1974.. Nenhum dos freios que a moral e a convenção do Império divisão social do trabalho e das relações de produção. apesar da redução drástica do tráfico de escravos havida nos anos 1820-60. desencadeava um novo espírito Norte. 2S edição. Octavio lanni. esp. 1959. 1968. os estados da federação norte No terreno económico observaremos a eclosão de um espírito que se não era americana guardaram certa autonomia relativa. 1968. São Paulo. Stein. o novo espírito dominante que vendiam a produção excedente. Cambridge. 1966. ao mesmo tempo. em expansão. Cambridge. Nos estados do Sul. Livraria Pioneira Editora. em face da Escravatura e a Proclamação]da República ocorreram com poucos da capitalista. Nos estados do mantivera o Império apesar de todas suas concessões. • São Paulo. Difusão Europeia do Livro. 1960-1972. quanto a questões novo. Ambos agora se acordavam. Alan Fernandes. cap. classe social ('ascendente. de base escravocrata. Press. de prosperidade material(40). esse o segredo da forma relativamente pacífica e a formação social capitalista. História geral da 1962. Ou melhor. A rigor. Thomas Davatz. S. 1972. 1957. Paulo. Sé|-gio Buarque de Holanda (Organizador). esp. a ambição do lucro e quadros do escravismo. Europeia do Livro. Raças e classes sociais no Brasil. os colonos haviam organizado uma economia. 1939. Em confronto entre a formação social escravista. Editora Centro Universitário. 1972. Companhia Editora Nacional. 28 29 . Da mesma forma. a independência significou enriquecimento. a formação social vida económica do país não poderá ser esquecido nem subestimado(41). oeste paulista. respectivamente 13 de maio de 1888 e 15 de polémicas ideológicas. mudou-se o a aristocracia agrária. trad. não foi por mero acaso que a Abolição Devido às peculiaridades da formação social escravista. Peter L. baseada no trabalho familiar. Roger Bastide e Florestan Panorama do Segundo Império. Brasileira. a emancipação política e económica reais. antes do que antagonismos económicos drásticos. Paulo. Rio de Janeiro. iniciaram ou terá quebrado resistências e escrúpulos poderosos até havia pouco estimulará propiciaram atividades artesanais e fabris. a ânsia de políticas e económicas. de tipo em tom social bem mais de acordo com a fase de prosperidade material em que o país camponês. Pequenos estudos de ciência política. Companhia Editora Nacional. Paulo. cif. Manchester.pôs sociais. predominava o trabalho do enriquecimento i se consagrará como um alto valor social. Paula Beiguelman. 215. Progressivamente. despertando-a para iniciativas arrojadas e outras possibilidades de desenvolvimento das forças produtivas. 1967. Britain & the onset ofmodernization in Brasil. Melhoramentos de S. o burguês e o escravo duas facções políticae economicamente|diversasída/camada dominante. uma era uma casta decadente. Editora Brasiliense. História económica do Brasil. dividido em vários volumes. Paula Beiguelman. 2° edição. Inversamente. Transpunha-se de um salto o hiato que separava certos aspectos de uma inicialmente camponeses que trabalham principalmente para si e superestrutura ideológica anacrónica e o nível das forças produtivas em franca expansão. revelou elevado dinamismo demográfico. Richard Graham. K. Outras obras sobre a problemática discutida nos parágrafos precedentes: i Emília Viotti da Costa. poucas palavras. São Paulo. 2 tomos. São Paulo. os três primeiros ensaios. Editora Civilização Comp.edição. De fato. Harvard University Press. o que abriu possibilidades de industrialização nos estados em que os interesses agrários e Em suma a República. I e II. University of Califórnia civilização brasileira. caps. por assim dizer. sobre "O Brasil monárquico". The sugar industry in Pernambuco. Preeminência inglesa no Brasil. (41) Caio Prado Júnior. escravista que se manteve no sul dos Estados Unidos depois da independência. São Paulo. I. confrontos novembro de 1889. Memórias escravismo na Província de São Paulo (1885-1888). 1933. assalariado ou outro. São Paulo. mantivera-se no entanto na sombra e em plano secundário. Op. Oliveira Vianna. 214. A formação do povo no complexo cafeeiro: aspectos políticos. controvérsias jurídico-políticas. de Sérgio Buarque de Holanda. a incompatibilidade entre elas não provocou senão meses de diferença. The Brazilian cotton manufacture (textile enterprise in an underdeveloped área. Cambridge University Press. esp. 1941. São Paulo. O efeito disto sobre í escravo e a produção de algodão. e a burguesia cafeeira do regime político no Brasil. a luta entre pela qual se aboliu a escravatura e. Ao mesmo tempo.

naquele ano. Fogel e Stanley L. 31 30 . 97. os Estados Unidos foram. Ao mesmo tempo que o Sul escravista revelava vigor Os Estados Unidos. mas devido à excepcional. Engerman.provavel- . ocorrida nos anos 1861-1865. Ao mesmo tempo. É o que indicam os dados registrados na Tabela II. tornaram-se a principal nação escravocrata do mundo económico e político. a Os dados da história político-econômica dos Estados Unidos. (44). 1944. Genovese. Aí estão (42) Robert W. produtos e fatores produtivos por toda a nação(45). Isto representava mais de 36 mente. a introdução de aperfeiçoa- sobressaíssem as relações. 1966. produção algodoeira do Sul com a indústria têxtil da Inglaterra. privou-se os estados da faculdade de interpor obstáculos ao livre j movimento de pessoas. Não realizaram uma análise político-econômica. Herbert Aptheker. mostram que nesse fortaleceu as suas estruturas e ambições políticas. Devido aos vínculos da Estados Unidos. oeste e o exterior. New York. 10. Apesar disso. The roots of American economic growth 1607-1861.750. Com ocidental. o Sul escravo. relações capitalistas de produção. 1968. Note-se a posição relativa e absoluta dos estados escravistas do Sul. os estados não escravistas expandiam-se. criou- económica e dominação política que efetivamente revelassem o se a indústria têxtil (algodão e lã).que precede a guerra civil. que estendeu o poder judiciário federal a todas as Sul(44). Herbert Aptheker American negro slave revolts. Franklin Frazier. alguns elementos importantes para a compreensão das relações de 29. Harper & Brothers Publishers. p. 96-97. independentes.naqual 1809-1815. prevalecente entre historiadores. já era bastante dinâmica e vigorosa a contribuição de Fogel e Engerman deve ser aproveitada em todo base económica da formação social capitalista vigente nos Estados Unidos. (43) Ibidem. e as classificarmos entre as outras nações da época. (46) Ibidem. durante as três tuição da União norte-americana garantiu as bases jurídico-políticas décadas que precederam à guerra civil. ao norte e ao sul dos primeiros treze estados crata possuía uma economia próspera.foi o estabelecimento das bases legais para um mercado quarta nação mais rica do mundo em 1860(43). cap. Pantheon Books. 1957. aluaram favoravelmente. não por sua participação no tráfico de escravos.Consultar também:Eugene D. Engerman. as dificuldades de importar manufaturas escravatura norte-americana em termos exclusiva e estritamente europeias. a maior potência escravocrata" do mundo para o funcionamento e a expansão das forças produtivas e das ocidental e o baluarte da resistência à abolição da escravatura (42).Ibidem. na época da segunda guerra com os ingleses em económicos. p. slavery (studies int the economy and society of the slave South). desde a independência a Consti- secundário no tráfico atlântico de escravos. Gunnar Mjyrdal. parte 1. intento de compreender a formação social escravista do Sul dos uma sociedade fundada na casta de escravos. e a formação social capitalista. retardou o crescimento do O dispositivo constitucional. Ocorre que Fogel e Engerman tomaram a são do capital industrial. Ao garantir-se ao Congresso a autoridade sobre o comércio interestadual. E. New York. O ritmo de desenvolvimento do Sul era tão rápido (1. citado. no entanto. os processos e as estruturas de apropriação mentos técnicos na manufatura algodoeira. a proteção governamental. como Eugene D. nacional. esp. interdependência e antagonismo entre a formação social escravista. The negro in the Torchbooks. Fez parte dessa expansão a conquista de territórios antes pertencentes ao México. escravismo. Fogel e Stanley L. New York. United States. Apesar do seu papel formação social capitalista. esp. pelos padrões da época . controvérsias entre cidadãos de diferentes estados. interna e externamente. An American dilemma. a Pouco antes da guerra civil. o Sul era razoavelmente rico. III. da mesma forma que a luta contra antes da guerra civil. isso os interesses mais tipicamente capitalistas eram cada vez mais mente elevada taxa de crescimento natural da sua população escrava. na formação social escravista manteve seu crescimento económico e época que vai da independência à guerra civil. Time on lhe cross. Fran. The MacMillan Company. crescia o poder decisório dos setores hegemónicos na por cento de todos os escravos do Ocidente. Conforme a país criou-se uma formação social capitalista que se expandiu para o análise realizada por Robert W. International (45) Stuart Bruchey. Progressiva- cerca de 1. 249. a siderúrgica e a de alimentação. Harper Publishers. vol. esp. por outro. o Sul entraria como a mente a mais fundamental . New York.p. 1964. Genovese. Gunnar Myrdal.000 escravos no sul dos Estados Unidos. Nessas condições. p. abriu as cortes da União às questões e disputas relativas à propriedade e outros direitos. The política! economy of por um lado. Em 1825 havia presentes e protegidos nas esferas do governo federal. no sentido da expan- klin Frazier e outros. ingleses e franceses. separadas. economistas e sociólogos. Se tratarmos o Norte e o Sul como duas nações Uma das principais contribuições da Constituição para o crescimento . New York. p.7 por ano) que constitui uma evidência indiscutível contra a tese de que a escravidão. pois. l. que poderiam surgir nas Essa compreensão do Sul escravista contrasta com a interpretação mais distantes partes do mercado nacional(46). Aliás. cap. 251. 1 Longe de estar estagnado. E.

de maneira cada vez mais delineada e tensa. A luta armada havida nos Estados Unidos nos anos 1861^-65 pode ser considerada o resultado das divergências. cujas bases sócio-econômicas e políticas estavam no Norte e Oeste.jx>r um^lado^eji classe burguesa. a meu ver. Devido às suas relações económicas com a indústria têxtil inglesa. Por isso a formação social escravista não cedeu à formação 2 ã m social capitalista. comercial e financeira. baseada apenas no Sul. a tenacidade e a agressividade dos escravocratas do os •**• O ^H 10 -H 00 m 10 fs —i Sul. do Norte. Por sob essa luta militar. com as tensões e os antagonismos entre a casta dos senhores . baseada principalmente no Norte. e sim pelas relações recíprocas e antagónicas entre as duas g formações sociais. «t fc j? r. e a formação social escravista.vo *H r. A maneira violenta ou pacífica do colapso da escravatura . Daí o elevado índice de ~* r^ o lt articulação interna das estruturas político-econômicas. Brasil ou outro país passa a ser vista à luz das relações de interdependência e antagonismo entre a formação social capitalista e a formação social escravista.es o •-* ON OO ON <*» 00 fS fO ON OO O\O O */} ÍS Os i vo «-t Os CO (S 00 Progressivamente.\tm última \. por outro. essencialmente determinados pelo trabalho escravo. do Sul. essencialmente determinados pelo trabalho livre. no qual os interesses escravistas »rj CO OO <S \ iq <N ^. e no outro. e a burguesia industrial. É verdade que a formação social escravista ainda revelava certo vigor.nos Estados Unidos. Contando sempre.«O T-I encontravam cada vez menor ressonância. colocaram-se em confronto.S 5 ã -6 . § l É claro que essa interpretação|deveria ser melhorjdesenvolvida e comprovada. nS d * •§ s í l L s ido um negócig^Jjrancosjrió sentido que acabei de expor Islo 0 <» •3.o <N ^ r*> r-* li >0 °°. a produção algodoeira do Sul garantiu a vigência e o poder económico do escravismo. o\j r* m os t-^ rt r-» vi o r-^ p. tensões e antagonismos 1 entre os senhores de escravos. a formação social capitalista. t> é claro. garantindo o t^ «s -H *£> o\ O r-) ~4 00 funcionamento. os valores culturais. o Estado nacional havia aoquirido os contornos de um aparelho político burguês. c*j » e o capitalismo. <s I •s: ca num caso. a perspectiva histórica mais adequada para Cí •5 «i O Wi O «l O «3 »-t O *O explicar-se a singularidade da abolição do regime de trabalho 32 Z WWWH H l 33 . r^ •* co *o "*t vo encontravam-se as incompatibilidades estruturais entre o escravismo OO >* Th OO CO O r-. . branco^. como formas distintas e divergentes de organização das relações de apropriação económica e dominação política. Mas ela sugere que a forma assumida pela abolição nos Estados Unidos não se explica pelo tipo de escravatura vigente l ali. jurídico- políticas e económicas passam a ser compreendidos nos quadros de t^ CN relações e estruturas de dominação política e apropriação económi- O Q Z Si l o m v (S «o o o es C"— GO t^. os padrões de comportamento. as instituições religiosas. além do maior controle do aparelho estatal federal.2 S b Essa é. Nessa perspectiva de análise. Ao longo das décadas que \ O oo v> r- ^t oo cn i-H antecedem a guerra civil.oo Tf TÍ.

A pesquisa precisa compreender Myrdal. autêntico. Cambridge University Press._g_ muito jrnenos vence a casta dos senhores. inteligência política da sua alienação e possibilidades de luta. integram e expressam os escravo. força de trabalho. 1974. situação. 1938. esconder- Note-se. Florestan Fernandes. modalidades de trabalho cooperativo etc. e dominação política. pela morte civil a que estão sujeitos(49). Klein. não podem ter consciência. David Brion Davis. Genovese (organizadores). da sua . as relações e estruturas gerais e especiais de apropriação económica e dominação política. das e para as atitudes que o seu dono espera deles. citação da p. 13. de por vários autores. inclusive podia rebelar-se em grupo. Englewood valores e padrões de entendimento e comportamento permitidos ou Clifís. educação etc. jurídico-política e sócio- cultural do escravo não lhe abria qualquer possibilidade de elaborar. em outras palavras. processos e estruturas de apropriação económica podem reclamar. da cultura da senzala. 124..) adquiram meios que facilitem a adoção de ações combinadas e autónomas de sua paríe(51). matar ou roubar o senhor e membros dessa casta. Regra geral. Herberjt S. 8-26. movimentos. desenvolvem e entram em antagonismo as formações sociais escra- vista e capitalista. Cardoso. D. 222. tendo-a. Fernando Henrique em seguida.. class and colour in nineteenth-century Cuba. transformando-se. suicidar-se. p.. Mas esses atos não eram o Acontece que a condição* económica. e Cardoso e outros. Franklin Frazier. os desencon. em face da formação social escravista. Entre eles estão E. possibilidades de entendimento independente. no Brasil. ele não dispunha de elementos para organizar uma movimentos das relações de produção. Um estudo particularmente. 34 35 . Marvin Harris. como coletividade. trabalho esçrayjzaáo. os escravos e os seus filhos. As sutilezas e os significados (51) Ciro F. novos e talvez menos equívocos do que os encontrados até o presente. as estruturas jurídico-políticas e ideológicas (incluindo-se Nessas condições. de impedir que divisão social do trabalho. ou.L. A despeito das diferenças interpretação das singularidades e semelhanças entre a escravatura de interpretação entre os autores. Marriage. provocando assim a insurreição e a rebelião(50). Isto significa trabalhar com os acontecimentos em . Prentice-HalI. p. pois. Emilia Viotti da Costa. o domínio. o sequestro de um homem - jurídico políticas poderia adquirir outra significação se inserida na corpo. na relação escravo-senhor. características da situação de casta vivida pelo' religião. não termos de relações. Frank Tannenbaum. tecnologia. Gunnar interdependência e antagonismo. impostos pela casta dos senhores. forças produtivas internas e das relações externas. Ou. pois. Boxer. Toda discussão sobre as diferenças de tradições religiosas e Nabuco: É (a escravidão) a posse. ou crítico. S. Por tros e os antagonismos entre as formaçTões sociais escravista e isso. O escravo podia fugir. terra. importante. em relação com a cultura do senhor.têm sido examinados da formação social escravista. É preciso que a estruturais desses valores e padrões . o que implica conhecer também a composição incompletas. como propriedade do senhor. Companhia Editora Nacional. isto é. foi Esse é o contexto histórico e teórico no qual a pesquisa e a publicado "por Verena Martinez-Alier(47).) que compõem.condição. ao escravo não se abriam quaisquer (48) Joaquim Nabuco. atividade-e só acaba com a morte(48). (49)Ibidem.escravo. p. Trata-se. eles são preparados apenas para as'tarefas não especializa- das forças produtivas (capital. inteligência. num sistema de dominação e apropriação diverso. o antagonismo nunca se desdobra na capitalista. citado. e os graus do seu desenvolvimento e desigualdades. como a formação social capitalista surge do desenvolvimento das Gilberto Freyre. Nessa cultura predominam E. O abolicionismo. "El modo de producción esclavista colonial en América". ela procura conhecer as seguintes dimensões básicas de cada formação social: as formas de organização social e técnica'da s Cardoso: A formação dos escravos e a sua preparação para a vida social são relações de produção. São Paulo. praticamente todos reconhecem as no Brasil. as articulações. luta propriamente1 revolucionária. Estados Unidos e outros países. "Slavery|in capitalistjand|non-capitalist cultures".por meio dos quais se marcam analise apreenda as peculiaridades da formação social capitalista e as e expressam as linhas de casta do escravismo . 20. Slavery in the New World. afitudes raciais e valores sexuais na sociedade escravocrata. sobre antagónico._a análise da crise e extinção da escravatura pode tornar-se muito mais objetiva quando Elkins: Pensava-se que ensinar os escravos a ler e a escrever produziria a inquietação em suas mentes. pesquisa mais ampla e concreta da maneira pela qual se organizam. Estados Unidos e outros países pode alcançar resultados especificidades da cultura escrava. que não é a casta dos escravos que destrói o se. Na medida em que era socializado como escravo. p.[Foner e casta escrava. 1969. R. forças.. Roger Bastide. uma compreensão articuíada e crítica da própria (47) Verena Martinez-Alier. — •. C. em si e em suas relações recíprocas. Daí a importância e a significação da cultura da (50) Stanley M^Èlkins.

1947. E como ele. desenrolado ao longo de quinze anos. pela abolição da escravatura foi um processo por assim dizer esse é um caso em que não se comprovaria a tese de que a casta de derivado da luta pela independência. The age of revolution: 1789-1848. Convém observar. isto é. mulatos e brancos. foi o resultado de um processo político complexo. New York. The MacMillan Company. p. (3°) pela do escravo em situações não mais especificamente de escravatura. no entanto.slave revolts. esp. New York. que também participaram das lutas de independência. 222-225. Difusão Europeia do Livro. American negro . teriam sido os mulatos livres que iniciaram e possuíam conotação política . 1956. Nesse momento. Cuadernos explorations in Southern and Afro-American history). no Haiti. história do capitalismo francês. Mentor Book. citado. cap. O abolicionismo. a vitória dos negros sobre os brancos. Brancos e negros em São Paulo. no momento em que ele se urbanizava. desencadeou-se uma luta entre os vários grupos políticos formados pelos homens livres.estavam divididos e a luta negros. Brasiljlense. começava a plantation e cocheiro. fazenda. International Publishers. não é por mero acaso que a escravidão conhecimentos de matemática e possuir experiência militar. 1965. além de ter adquirido tornar-se opeíário. ou pacífica.mundial do modo capita- passou a denominar-se Haiti com a independência) entrou em lista de produçãõ(54). México. A ingressar na cultura especificamente capitalista. e não a abolição da escravatura. O abolição da escravatura. Assim. In red and black (Marxian (53) Gerard Pierre-Charles. em 1789. V. Como vemos.senhores ou não . sem contar os mulatos livres. (2Ç) pela independência de Saint-Dominique. havia outros. Octavio lanni. em 1789-1804. cap. esp. lutas essas que se desdobraram na abolição da escravatura(53). Roger Bastide e FVorestan Fernandes. alguns escravos puderam aprender a ler escravatura foi abolida em consequência da luta armada entre e escrever. 1964. esp. que a crise do escravismo em Haiti. Sob a influência da são duas expressões notáveis das rupturas estruturais. De fato. político- Revolução Francesa. La economia haitiana y su via de desarrollo. teria sido um criado doméstico. os qual ocorreu a crise em Saint-Dominique e a libertação dessa escravos lutaram contra os senhores e aboliram a escravatura. Estava em jogo a democratização e a independência de Saint. que assinalam a supremacia . a colónia francesa de Saint-Dominique (que econômicas. Tivesse sempre foi extinta principalmente devido a controvérsias e a ou não sido escravo. Transparência e fetichismo da mercadoria Dominique.e houve muitos atos desse tipo na desenvolveram a luta contra os brancos: (l 9 ) para participar do novo história da escravidão-o que estava ocorrendo era uma politização poder. Aliás. os "pequenos" brancos e os mulatos. metamorfoses do escravo. que esses mulatos iniciaram a luta armada e associaram-se' aos individual ou anárquica. 1963. Joaquim Nabuco. Foi nesse contexto. ao longo dos anos da luta. como em Haiti e nos Estados Unidos. Assim. por fim. ele possuía nível cultural muito acima daquele antagonismos entre brancos. E reflete uma Cabe aqui uma nota sobre a abolição da escravatura no Haiti. Outros registram que ele teria sido escravo. brancos. grande efervescência política. geral. europeu e mundial. I. 4 e 10. cap. colónia e dos escravos. na qual os mulatos Haiti foi a única colónia europeia no Novo Mundo na qual a tiveram atuação importante. São Paulo. O quilombo dos Palmares (1630-1695). escravos. citado. 37 36 . Vintage Books. no seio da ção escrava. Genovese. E quando a rebeldia. esp. que a Revolução Francesa. numa primeira aproximação. I: Alfred Barnaby Thomas. (54) E. a abolição da escravatura foi um negócio de plantation. a Revolução Francesa e a Revolução Industrial brancos.produto de uma compreensão política da alienação escrava(52). escravos não poderia organizar uma consciência política da aliena. O líder Toussaint Louverture. formação social escravista muito especial. Eugene D. 1962. ou principiava a verdade é que Louverture sabia ler e escrever. eram o produto de uma revolta por assim dizer subjetiva. Em geral. foi um acontecimento fundamental na Ocorre. como em Cuba e no (52) Edison Carneiro. ou grupos e facções das camadas que era permitido ao escravo do eito. em iniciou-se com uma crise no seio dos homens livres: os "grandes" perspectiva histórica. caps. ou escravos sobre os senhores. os brancos . que coman- escravo politizava a sua visão crítica do mundo social em que vivia dou boa parte da luta contra os senhores brancos e o exército precisamente no momento em que se "deteriorava" a condição napoleônico invasor. Aliás. engenho ou dominantes. Americanos. Hobsbawn. Herbert Aptheker. São Paulo. New York.. Latin America: a 1971. ou outros atos. J. As history. rendeiro numa escrava. Em qual os mulatos livres estavam sendo rechaçados do jogo político. no O fato de que a escravatura foi abolida de forma violenta. New York.\EAilora.

fora da conveniente recolocar alguns dos aspectos mais significativos da situação de trabalho. The política] economy of slavery. mas pelo mesmo processo era forçado a depender trabalho. faculdade sobre a qual não pode ter comando. Vejamos alguns exemplos: escravo e o senhor. nem o uso da sua força de trabalho nem a si (55) André João Antonil. enquanto propriedade do senhor. devidas à expansão do comércio expropriado. cravo é obrigado a produzir m u i t o além do que recebe para viver e reproduzir-se. do seu trabalho e na sua pessoa. características do capitalismo. na consciência do senhor. abolição da escravatura nos seguintes termos: a abolição da Trata-se portanto. operando tanto no processo produtivo. p. Ao passo quedara o escravo a mercadoria surge imediata e O caráter repressivo e violento do escravismo não se explicava explicitamente como produto alienado de seu trabalho. São Paulo. Essa escravismo. enquanto formação social. na essência do funcionamento e dos movimentos especificidade é fundamental. mas havia mais do que uma autoridade despótica na relação mercadoria aparece imediata e explicitamente como produto da senhor-escravo.rnejca- Dessa maneira quero acrescentar outros dados e hipóteses para a doria. e_implicoa_a transformação das relações e estruturas de consciência do perário e do burguês. Aliás. específicas do escravismo. de sociais. e externas. se queremos compreender toda a do escravismo. citado. pois. em sentido estrito. produto esse que aparece direta e explicitamente abolida. fetichi- estruturais do seu colapso final. Esse é o fundamento do caráter repressivo e violento do Nacional. a económica mundial. Genovese. no curso do século durante como expropriação. Companhia Editora mesmo. Dessa forma. sociais e namento e crise da formação social escravista. Essa combinação de condições internas. nas condições do mercado. em relações e estruturas de classes a sua força de trabalho por um salário especificado em contrato. O es. desse outro (56). Cultura e opulência do Brasil. e não dispõe de condições para negociar. no produto Não há dúvida de que esse era um dado da consciência do senhor. ao possibilitar a generalização do trabalho livre. em praticamente todos os países. A condição pelo medo que o senhor poderia ter da revoltaouvingançado escravo. o senhor de escravaria tinha uma fonte tas de produção é necessário compreender que o escravismo é um especial de sua maneira de ser e mitologia: o escravo. cia. A mercadoria acaba por compreensão da formação social escravista e das condições histórico. 38 39 . o senhor relacionava-se ao como pessoa. O escravo permanecia interposto entre o senhor e o objeto desejado força de trabalho alienada. em cada país e em sua culturais de relações de produção organizadas para produzir mais- devida época. 32. No escravismo. inimigos. nem ter engenho do medo. O senhor de escravo controlava os produtos do trabalho do outro. Essa e outras características"3a" Todo escravo aparecia. sucessivamente. das no trabalho do operário. ele tinha sistema de produção de mais^valia absoluta. indica bastante claramente a importância explicativa das condições políticas e económicas específicas de cada caso. o escravo é duplamente alienado. cria no transição do regime de trabalho escravo ao regime de trabalho livre. Para explicar o caráter repressivo e violento das relações escravis- Genovese: Ao contrário do sitiante. a condição escrava tornava o autores. pois que. escrava torna explicita a expropriação do trabalhador. alienação peculiar à condição escrava foram registrados por diversos dade e seu inimigo. mais alguns aspectos importantes da crise de pode variar o preço dessa venda. está um singular processo: gama das implicações económicas e políticas envolvidas no funcio. que pode vender a diversos compradores. Mais precisamente. Talvez seja possível e nos níveis sociais e culturais da existência do escravo. Daí a importância das técnicas de repressão e violên- internacional de manufaturados e matérias-primas. ou a . ao mesmo tempo e reciprocamente. Isto é. apresentar ao operário como estranha e independente de e. (56) EugeneD. a mais valia. como mente examinada nos capítulos anteriores. basea- produção. mercadoria surge transparente. pró. a mercadoria aparece fetichizada à produtivas. Na sociedade capitalista. 159 Obra editada pela primeira vez em 1711. Afinal de contas. como trabalho social cristalizado e prias de cada país. foi suficiente. p. O fato de que o operário vende castas. sistema esse no qual a o habito do mando. Assim. 1967. e não o trabalho alienado. porque sem eles repressão e a violência características do escravismo como produtos no Brasil não é possível fazer. na qual abriu novas e amplas condições para o desenvolvimento das forças predomina o trabalho livre. Mas seria incompleta a explicação que se limitasse a situar a Anlonil: Os escravos são as mãos e os pés do senhor do engenho. a mercadoria aparece direta- o qual a Inglaterra capitalista afirmou e expandiu a sua hegemonia mente como produto alienado de um produtor alienado. zada. operário a ilusão de que o concreto é o salário. conservar e aumentar fazenda. por seu senhor (o que era produzido). corrente(55). como sua proprie.Brasil. e de que Vejamos. a violência e a repressão abertas são as exigências políticas. Mas é necessário lembrar que a escravatura foi valia absoluta. e em sua força de objeto desejado somente pela mediação do escravo. de uma situação radicalmente diversa daquela escravatura foi uma transformação revolucionária das relações de vigente nas relações de produção especificamente capitalistas.

o convívio direto e. p. Chicago. cujas condições de vida e tempo submetido ao seu arbítrio. o escravo não pode ser posto a trabalhar com o hostilidade ao "sistema manufatureiro". mas em geral mantiveram a sua Em segundo lugar. (57) Karl Marx. engenho. Slavery in the Americas (a comparative study of Cuba and Virgínia). os escravos não podem ser postos em situações incompatibilidade entre o trabalho escravo e o trabalho livre. p. com surpreendente fúria. p. o sistema não pode propiciar aos escravos . Na cidade e na indústria os escravos prisioneiro da situação escrava. as técnicas de repressão e também uma modalidade singular de alienação do senhor. Genovese.eles temiam isso e algo organiza o trabalho operário. The Universityof Chicago Press. p. plantation e outras unidades escravatura. De que tinham medo os senhores de um organiza-se social e tecnicamente de maneira peculiar. ção foi sempre um negócio de brancos. Stein: Em 1853.em sua que a alienação transparente da condição escrava iluminaria a pessoa e no produto do seu trabalho. permanente do escravo com o operário significaria o convívio entre uma modalidade de alienação aberta e outra fetichizada.nenhuma possibilidade de comissão de preços admitia que "a maioria dás fábricas em nosso pais usa trabalho organização social ou política do seu pensamento e atividade sobre a escravo". citado. ao afirmar que a escravidão não atrasou a industrialização. tornou-se um duplo obstáculo à alienação velada da condição operária.. 18. agremiações e outras atividades papéis relevantes. A violência não podem ser usadas com o mesmo arbítrio e a mesma transparência da alienação do trabalho e do trabalhador. estímulo e repressão que los. a vida era realmente rica e variada(59). em Cuba e nos Estados Unidos. atividades. e começou a imigração europeia. Ao senhor. 51. Nem no trabalho. antagonismos entre os interesses da casta dos senhores brancos e os interesses da Genovese: Entre os começos dos anos 1840 e o princípio da guerra. abandonaram a sua oposição à expansão industrial. como pessoa e É claro que o tipo de alienação em que vive o escravo gera trabalhador. depois de um breve período de entusiasmo pelas novas fábricas. Vejamos o que escrevem Stein. A sua condição alienada. The Brazilian cotton manufacture. com interesses próprios e dinheiro para defendê- nenhuma hipótese a forma de controle. Elementos fundamentales para Ia crítica de Ia economia política. Para o escravo urbano. Não obstante. cujos ideais podem ser diversos e mais críticois. No ambiente urbano. é no Se a alienação do escravo é transparente. 1967. logo que o trabalho assalariado surgiu. motivo porque deve estar todo o entre si e com os operários. Op. na generalidade que na fazenda. Em nenhum país dos privilégios da semiliberdade. Daí porque muitas reações dos escravos são atos individuais de revolta anárquica. o escravo surge direta e encontram melhores condições para conviver e trocar experiências explicitamente como inimigo. citado. Daí porque as rebeliões escravas Klein: Ao mesmo tempo que desfrutavam de mais oportunidades económicas e são poucas e de resultados precários ou negativos. 160. Stein. um proletariado urbano com tendências imprevisíveis. rapidamente na cidade. Por um lado. Por fim. É obvio Dessa forma. (60) Eugene D. cit. no Brasil. Mesmo durante a guerra. experiências da condição alienada de cada um. a alienação aberta e transparente do escravo. ideias e quando não é executado por escravo sob um regime disciplinar correspondente"(58). a mente ou mesmo em pequenos grupos . No ambiente económico. torna o senhor direta e imediatamente alienado e de produção escravista. vol. Em sua significação histórico-estrutural. a aboli. as fábricas em geral abandonaram o uso de escravos depois de 1850. nem fora dele. em de trabalho nas quais^possam intercambiar e socializar as experiên. os escravos urbanos também mantinham um intercâmbio social ativo com uma ruptura estrutural na qual os próprios escravos tiveram os homens livres e outros escravos. nas suas tabernas. distintos contextos sociais. Por outro lado. a opinião pública voltou-se contra operário. um contingente semi- organiza o trabalho escravo pode ser igual ou semelhante à que escravo subvertendo a disciplina do trabalho no campo . (59) Herbert S. o resultado dos.rgente. mais(60). ocorre mais fácil e amplamente a socialização das ção(57). Essas são as razões porque o escravismo se deteriora mais (58) Stanley J. Já que a alienação escrava é transparente. cias da sua condição alienada. o trabalho de cada os fabricantes.coletiva. sócio-cultural e Marx: Na pessoa do escravo rouba-se diretamente o instrumento da produ- político da cidade. 41 40 . têm possibilidades de organizar as suas experiências. sobre a Em primeiro lugar. ela se torna um duplo ambiente urbano que florescem e difundem-se as opiniões e as obstáculo à continuidade do trabalho escravo no interior do interpretações críticas sobre o escravismo e as possibilidades da sua capitalismo. extinção. Klein. Em escravos? Uma burguesia urbana. sociais. os escravos sombra da escravidão era visível em frases como esta: "o trabalho é caro e ineficaz. em caráter permanente. l. associados à maior circulação e à faculdade de (salvo nas condições especiais do Haiti) a abolição da escravatura foi alugar-se. 181. ou ex-escravos. Klein e Genovese. muitos sulistas burguesia branca eme.

A compra não o capacita automaticamente a extrair lucro do escravo. B.ou seja.o senhor de escravos transforma-se num capital desembolsado nessa compra não faz parte do capital com que se tira lucro. 14. Esteja a fábrica ou o escravo trabalhando ou não. Traduzido do inglês. "Slavery and emergent capitalisms".. mas sua força de trabalho não é sua mercadoria(66). citado. fazenda ou fábrica. Livro 3.' sem indicação do tradutor. terra. segundo as leis de Deus e da investida nele.o lucro que se pretende extrair dele. vel. Quando a força venda. mesmo é uma mercadoria. "El modo de producción esclavista colonial en América". e que constituía o lucro antecipado e capitalizado que se esperava burguesia. p. Slavery in the New World. 27-37. citado.V. citação da p. Trabalho assalariado e capital. vol. O capital. Editorial Vitória. a seu proprietário. 6. os gastos de manutenção terão de (64) A. 926.. para não ser trabalho excedente do escravo. processo produtivo. social e cultural. dos meios de produção. mas por seu processo da produção. 35. Ao dar-se conta de que o trabalhador livre corresponde a Marx: Na economia escravista. a terra. E esta é uma impasse. Association. citado.Homewood. p. fábrica: a inversão na compra do escravo. Quando o Chayanov: No sistema económico escravocrata. 1963. a parte do produto atribuída ao capitalismo generaliza a ideia e a prática de que o lucro se produz no trabalho escravo. O escravo é Ocorre que o escravo era subjugado económica.de uma vez para sempre. na dinâmica do Precisa de novo capital para aplicar na exploração escravista (65). p. de trabalho escravo começa a revelar-se obsoleta. por força da sua condição de proprietário do escravo. p. Kerblay e R. 216. E uma mente aos interesses do seu proprietário. (62) Sidney W. Rio de Janeiro. então o escravocrata é obrigado a transformar-se em empresário capitalista. em termos económicos. Cardoso: O escravo faz parte do capital fixo. que é a razão de ser da escravatura(64). e o outro a mais agudo o antagonismo entre liberdade e escravidão. Smith. na consciência da burguesia ascendente. Demais. é capital de que o senhor de escravos se •ultrapassado pela empresa capitalista. tinha raízes mais fundas. Mas. . as máquinas. ou é forçado a transformar-se num burguês. E a melhor prova disso é que só pode voltar a existir para o senhor de escravos ou para o dono das terras se um vender o escravo. publicada por The American Economic recuperáve'l. 24. Diferentemente dos assalariados no capitalismo. organizada com base no desfez. deduzido do capita! de que dispõe para a produção efetiva. obter dele(63). ele era mercadoria que pode passar das mãos de um proprietário para as de outro.continuidade da escravidão no interior do capitalismo. como os outros instrumentos de trabalho. somente se instaura e desenvolve. edição organizada por Daniel ser 'despendidos.(61). assim como o boi não vende o produto de seu trabalho ao camponês. o que supõe a perda parcial ou total da importância A "desumanidade" da escravatura. Chayanov. Genovese (organizadores). requisito essencial para o aumento ou a preservação da sua taxa de lucro. quando não estão trabalhando(62). não é tomada pelo escravo. à Mintz: Afinal de contas. Ao contrário. 1-28. do mesmo modo que o capital desembolsado nu compra da terra cessou de escravismo. De qualquer maneira. e sUa manutenção representa custos fixos. Furtado: A mão-de-obra escrava pode ser comparada às instalações de uma (63) Ciro F. p. Já não existe trabalho livre. Illinois. da divisão social do trabalho e da transição para a produção de mais-valia relativa. com sua força de trabalho. associar-se com outros. abandonar o sistema produtivo.nas mais-valia antecipada e capitalizada. o investimento em escravos significa que o capital é incompatibilidade entre a formação social escravista e a capitalista colocado numa forma inelástica. A rotação Liberdade e mais-valia desse capital é lenta. quando a acumulação de capital passa a ser comandada pelo processo produtivo. Ele parte do capital constante imobilizado na plantalion. citado. Mintz. na cons. engenho. Este pode morrer. 1966. Sob certo aspecto. Também houve senhores que sucumbiram com o para ele. uma hora de trabalho do escravo perdida não é Thorner. tornar-se invalido. S. o senhor de escravo se coloca diante de um proprietário. o preço pago pelo escravo nada mais é que a relações de produção mais propícias à produção de lucro . seu ciclo corresponde à duração da vida ativa do escravo. F. Os custos de sua alimentação e abrigo estavam mais ou menos na mesma categoria dos custos de manutenção dos instrumentos e máquinas. The lheory ofpeasant economv. ou Marx: O escravo não vendia sua força de trabalho ao possuidor de escravos. em Laura Foner e Eugene D. a matéria-prima. Mas. Citação do ensaio intitulado"On the theory of [ non-capitalist economic systems". (65) Karl Marx. condições do capitalismo . (66) Karl Marx. Formação económica do Brasil. de maneira irreversí. essa é a época em que se torna existir para a agricultura. 42 43 . (61) Celso Furtado. reduzindo o seu capital. Cardoso. os escravos representam um custo adicional para o empresário. A composição orgânica de seu capital passa a ser um renda suplementar. Ou seja. vendido. 54. p. burguês. E... o comprador ficará na mesma situação bem que eles estavam antes dessa ciência e na prática da classe burguesa em formação. p.

mesmo dispêndio de força de trabalho. plantations ou outras unidades mesmo tempo métodos para produzir capital com capital. as formas avançadas da divisão social do trabalho. ou do produto excedente. com a divisão reprodução e acumulação do capital agem sobre as forças produtivas mínufatureira do trabalho e o emprego das máquinas. com o desenvolvimento da divisão do trabalho pressupõe condições sócio-culturais especiais produtividade do trabalho. portanto. As exigên. em geral os maiores para a produtividade crescente do trabalho. transforma-se no mesmo e as relações de produção.ou a progressiva elevação da composição repor o v. transporte etc. 723-724.o aumento crescente do capital constante. originalmente se despende 505 em meios de mais elaboradas de divisão social do trabalho.) ele potência a capacidade produtiva da produção. Esses meios de produção desempenham duplo papel. É claro que essa forma de "imobilização" de capital em força de Pondo-se de lado as condições naturais. O mesmo se pode dizer com relação à e mais dinâmicos anexando ou absorvendo os menores e pouco massa dos meios de produção concentrados em edifícios. todo o seu trabalho parece orgânica do capital . incluindo-se aí a força transforma aumenta com a produtividade de seu trabalho. condição ou consequência. Traduzido do inglês. com o relações de produção. preço e lucro.. Editorial Vitória. o que implica novas e renovadas possibilida. ou na diminuição do fator subjetivo do processo de trabalho em relação técnica dos processos produtivos. capacidade produtiva da força de trabalho. se expressa pelo volume relativo dos meios de sempre renovadas formas de organização social e técnica das produção que um trabalhador. meios de ativos. Ao contrário (do trabalho assalariado). que tendem a prevalecer na organização do trabalho mesmo tempo métodos para elevar a produção de mais-valia. como as seguintes: a concentração do capital. conforme elas se (68). de trabalho e a divisão social do trabalho. com o aumento da parte constante às custas da orgânica do capital implica o desenvolvimento de formas cada vez parle variável. 52-53. O aumento desta se patenteia. e a habilidade trabalho cria limitações ao desenvolvimento da produção. o aumento da massa nos meios de dos processos produtivos etc. por exemplo. provocando a expansão e crescente do trabalho. no trabalho dos escravos até a parte do trabalho que se paga parece ser trabalho não remunerado. reflete-se na força de trabalho. Claro está que para poder produtivas. das bestas a diversificação das empresas. O capital. sem indicação do tradutor. o grau de produtividade do lucro. Esses dois processos. o capitalista é obrigado a pensar e pôr em prática novas e trabalho. ou métodos para acelerar sua acumulação.é uma tendência característica das relações dado de graça(67). o que acessórios entram no processo de trabalho. nem se celebra entre eles nenhuma compra e venda. capitalistas de produção.. num tempo dado. a qual se patenteia mais na processo produtivo se transforma na esfera principal de criação de qualidade do que na quantidade do que produzem. Mascomo entre ele e seu senhor não houve trato algum. que por sua vez é o fator constitutivo da acumulação. Segundo Marx.. transforma em produto. dos.alor de seu próprio sustento. superam-se as limitações próprias da cooperação simples. altos fornos. em relação à força de trabalho neles incorporada.adubos minerais. É óbvio que o desenvolvimento da composição composição do valor do capital. são ao cooperação. manifestam no capitalismo. mais tarde. por exemplo. como fertilidade do solo. o de outros. portanto. trabalhar.. Salário. vol 2. e por isso quantidade maior de matérias-primas e de materiais significativas. Com isso o capitalista faz crescer a aos seus fatores objetivos. mas pode ser observado também na agricultura e outras esferas da produção. p. O incremento de uns é consequência. citado. 1963. E o progresso da produção e 50% em força de trabalho. p. numa determinada sociedade. que em geral ocorrem simultaneamente. São. Isso é mais "visível" na indústria. Com a acumulação do capital desenvolve-se o modo de produção especificamente capitalista e com o modo de produção especificamente capitalista a (67) Kad Marx. engenhos. expressa a produtividade cias da reprodução e acumulação do capital provocam a inversão e a crescente do trabalho. ou formas mais ou menos rudimentares de Mas todos os métodos para elevar a força produtiva social do trabalho. no decréscimo da quantidade de trabalho em relação á massa dos meios de produção que põe em aplicação de novos e renovados métodos de organização social e movimento. a grandeza crescente dos meios de implicam a elevação da composição orgânica do capital. Quando o de produtores que trabalham independentes e isolados. sob crescente do capital constante em relação ao variável se confirma em cada passo. As exigências da condição da produtividade crescente do trabalho. constitui condição significa a absorção de uns capitais pelos outros. Mas. a percentagem poderá ser de 80Í? para os meios de produção e de 20^ para a força de trabalho e assim por diante.. racionalização Essa mudança na composição técnica do capital. Rio de Janeiro. Assim. comparada com a massa da força de trabalho que os vivifica. provocando mudanças estruturalmente tempo mais material. Isto é consequência da produtividade significa a reinversão continuada dos lucros. o escravo tem que viver e uma parte de sua jornada de trabalho serve para em relação ao variável . 44 45 . a massa da maquinaria empregada. Se. Ao investir crescente- mente em capital constante (máquinas. produção. Livro l. Por outro lado. Esta lei do aumento para a preparação e a especialização da força de trabalho. e a centralização do capital. (68) Karl Marx.. ao escravo em fazendas. Isto é. o que de carga. das tubulações de drenagem etc. instalações. A massa dos meios de produção que des de desenvolvimento das forças produtivas.

47 46 . As exigências económicas e sócio-culturais do escravo. além das económi- ram a ser governadas pelas condições próprias das relações capitalis. são substancialmente diferentes das etc variam de acordo com as condições climáticas e de outra natureza de cada pais. Não se tratava mais de obter deles produtivo. pelo nível fisiológico mais do que o social. tendem a prevalecer condições de produção de mais-valia relativa. desse modo. custo da reprodução da classe operária.. exigências económicas e sócio-culturais do operário. Marx chamou a atenção do leitor para as condições sócio-culturais da reprodução da força de trabalho operária passa. vol. E este somente muda ou desenvolve os elementos que compõem o processo produtivo - Isso era possível porque a condição escrava praticamente anulava modificando a composição orgânica do capital . ao essência. cidadão. ou sendo aumentado e abrigado segundo condições totalmente ditadas pelos \oMasdo capital. O objetivo passou a ser a produção da própria predominar uma forma de organização das relações de produção mais-valia(70). rais próprias. a relação do operário com o capitalista é contratual. das condições em politica das reivindicações do operário são essencialmente diferentes que se formou a classe dos trabalhadores livres. Lembremo^nos de que a mais-valia absoluta se produz pela extensão da jornada de trabalho. Livro l. 725-726. de diversos fatores.a produção. interesse em aumentar ou'dinamizar . aquecimento. Como não pode reivindicar. p. o escravo está cias fisiológicas e pelas tarefas que lhes são atribuídas(71). do operário. o que a distingue das outras mercadorias(72). diferentes daquelas específicas do escravismo. enquanto que a mais-valia relativa Marx: Na medida porém em que a exportação de algodão se tornou interesse vital resulta da potenciação da capacidade produtiva da força de daqueles estados (meridionais da América do Norte) o trabalho em excesso dos trabalho. O capital. e. processo produtivo. Op. habitação de propriedade do senhor. ao passo que no capitalismo propriedade do senhor por toda a vida. (71) A. As suas condições históricas e morais de existência.j>. fatores como os seguintes: oferta ou disponibilidade de mão- -de-obra. As possibilidades de organização social e grande parte do grau de civilização de um pais e. cit. The (heory ofpeasanl economy. a extensão das chamadas necessidades imprescindíveis e o modo de trabalhador. 266.registrar é fundamental Esses aquidois fatores. citado. 13. cas. senhores. envolve necessariamente o trabalho (da classe operária) se rege por condições histórico-estrutu. históricas e morais. as contradi- condições políticas de que dispõe o operário para defender ou ções políticas e económicas que deram origem à extinção do regime melhorar as suas condições económicas e sócio-culturais de vida. ou sócio-culturais e políticas. por meio da organização técnica e social do processo pretos e o consumo de sua vida em sete anos de trabalho tornaram-se parte integrante de um sistema friamente calculado. enquanto casta. modificam a composição técnica do capital. ao passo que o escravo é simplesmente produção de mais-valia absoluta. Com isso quero frisar que sob o escravismo pode certa quantidade de produtos úteis. Em de trabalho escravo parecem estar referidas. vendedor de força de trabalho. que implica uma composição orgânica do capital relativamente baixa. (72) Karl Marx. por isso. possibilitavam que a casta dos senhores mantives- parte variável se torna cada vez menor em relação à constante(69). na formação se dão mutuamente. l. Sob o capitalismo.em função de qualquer capacidade de reivindicação do escravo. Por isso é que o custo da reprodução da particulares. (70) Kail Marx. citado.V. Chayanòv. partido etc. com seus hábitos e exigências das que dispõe o escravo. enquanto Demais. vol. p. membro de satisfazê-las são produtos históricos e dependem. Um elemento histórico e moral entra na determinação do valor da força força de trabalho escrava tende mais facilmente a ser determinada de trabalho. as exigências económicas e trabalho livre. a social escravista. um aspecto básico dana proporção conjugada dos impulsos que incompa. 191. em última instância. p. ou seja. Ao passo que o custo da reprodução da força de trabalho livre tende a definir-se pelas Quando são examinadas de forma mais demorada. Ao criar-se e generalizar-se o regime de trabalho livre. Ao examinar especificamente a determinação do valor da força de tibilidade entre o trabalho escravo e o trabalho livre. a reprodução da força de ção da força de trabalho. com elevada participação de mão-de-obra no Chayanov:Q$ gastos de manutenção dos escravos são determinados pela exigên. por sua condição As próprias necessidades naturais de alimentação. em sindicato. sujeito às condições ditadas pelo senhor. roupa. Inclusive mostrou que o custo da reprodu- tas de produção. ainda seguinte: sob o escravismo tendem a predominar condições de que em condições adversas. sem os escravos vivendo próximo do nível fisiológico. dessa determinação. Mas não (69) Ibidem. particularmente. citado.

Capitulo VI (INÉDITO).abre novas e amplas mais-valia relativa. o escravo não se repõe. de trabalho livre amplia as oportunidades de organizar. O trabalhador livre. algumas leis continentais fixam ' o máximo de tempo pelo qual uma pessoa pode vender a sua força de trabalho. de certos limites. É a "cidadania" do operário . plantation trabalhador livre os recebe sob a forma de dinheiro. Mas o que é difícil. Se é verdade que um e outro podem produzir zar e sistematizar os usos da força de trabalho. mas a sua força de a abolição da escravatura torna possível a mudança da composição trabalho. o final de seus inversão ociosa. a transformação do escravo em trabalhador livre - capacidade de sua força produtiva. em escravaria. inclusive Além do mais. . suportar as condições de trabalho a que o escravo é submetido. Libro I. do valor de troca. segundo as mais-valia relativa. mas. a generalização do trabalho livre . em valores de uso. O escravo recebe em espécie os meios de subsistência necessários para sua manutenção. p. Ainda que sob as condições estabelecidas e controladas substancialmente daquela baseada no trabalho escravo.operário. Tanto é orgânica do capital. O operário pode poupar algo. ele próprio è responsável pela é estruturalmente incompatíveis de organização técnica e social das maneira que gasta seu salário. não é igualmente verdadeiro que as condições exigências do conjunto do processo produtivo. o operário é livre de negociar a sua força de uso da violência e dos incentivos difere radicalmente em cada caso. relações de produção. Pode.que permite (74) Karl Marx.. que precisa ser alimentado e abrigado. precisa aplicado segundo as exigências do processo produtivo. trad. O operário.que a do escravo. o escravo representa principalmente capital constan- enquanto classe social. Aprende a aulodominar-se. por as exigências do ciclo do capital produtivo. o operário. * capacitam para uma ação histórica muito diferente. para vender a sua força de trabalho. preço e lucro. é que o possibilidades à "divisão social do trabalho. O estravo pertence a um senhor determinado.. responsabilizar o operário por renovadas tarefas. desperdiçar em aguardente etc. tanto por seu género como por seu volume. por seu lado. Ao permitir que o proprietário dos meios de produção compre apenas a força de trabalho necessária. Na empresa (agrícola. na mesma oficina. certamente. E isto permite que o capitalista compre a sua força de trabalho / Todas estas relações modificadas fazem com que a atividade do trabalhador livre seja segundo as condições que lhe garantam o lucro. Talvez se possa dizer que sob o regime de trabalho livre o capital produtivo pode ser É óbvio que também o escravo pode ser posto numa organização mais "versátil" do que sob o regime de trabalho escravo. pode escolher a quem quer vender-se. iguais. A forma de organização social e possibilidades de lutar por maior participação no produto do próprio técnica das relações de produção com base no trabalho livre difere trabalho. de tal modo que. ou arriscada. dentro livre de oferecer-se no mercado. Isto significa que o proprietário dos meios de assim que. A da mesma maneira. planta. económica e socialmente. que representa capital variável. convertê-lo-ia sem demora em escravo do patrão até. e _o escravo implicam dua^foimas distintas" agente livre. Se lhe produção pode investir maiores quantidades de capital constante - fosse permitido vendê-la sem limitação de tempo. É claro que o pela burguesia. cedendo temporariamente ao capitalista o direito de dispor dela. dias(74). atua como verdade é que o. fábrica. da forma social etc. não sei se as leis inglesas. O mercado está desfavorável para o produto do engenho. p.inerente à relação contratual Ediciones Signos. além de que o escravo é capital constante. diferentemente do escravo. não poderia abstraia'da riqueza. segundo especia- 48 49 . Dessa forma ele produziria ou seja. ao abolir-se a escravatura criam-se outras e mais amplas possibili- dades de produção e circulação do capital. por longo tempo. na qual ele e o capitalista são partes formalmente (73) Karl Marx. do trabalhador livre. se o operário se vendesse por toda a vida. Semelhante venda. hierarqui- íion. Salário. O operário é vender-se ao capital. É fundamental reconhecer que o operário desenvolve a sua atividade produtiva numa relação contratual. Como casta. industrial ou outra) a versatilidade da força lado. móvil e competente . mineradora. Ao passo que o / mais imensa. 70. de Pedro Scaron. teríamos imediatamente restabele. e essa forma natural dos mesmo quando as condições de produção não garantem lucro. Buenos Aires. em especial o operário. engenho etc. porém. em função de qualquer pressão social ou política do escravo. sem comprar o trabalhador. te. Pode negociar a reposição da sua força produtiva. e pode trocar de patrão. Ao social e técnica do processo produtivo na qual se potência a mesmo tempo. ou o mesmos está ficada. desde logo. El capital. fazenda. que deve pagar os pratos quebrados. 1971. tem livre sejam sequer semelhantes. O que o operário vende não é diretamente o seu trabalho. ou do desenvolvi- sócio-culturais e políticas que envolvem o escravo e o trabalhador mento das outras forças produtivas. imaginar que economiza. e mesmo impossível.segundo cida a escravatura. Antes de mais nada. 46. que precisa de un) amo(73). Assim ele se livra da exemplo. em especial o operário. ou diversificar as aplicações em capital variável (salários) . escravo e o trabalhador livre possam ser colocados a trabalhar lado a pecuária. continua. trabalho. citado. específica do processo capitalista de produção . mas não a um capitalista determinado. E isto o torna diferente. Ao fazer isso.

da transição para o regime de trabalho livre. com a natureza e o síJbTenatural. socialmente reelaboradas. é diferente. do negro. acabam por pensaj e agjr como se o negro possuísse outra cultura. Em síntese.lo. africanos e seus descendentes. outro modo de avaliar as relações dos homens entre si. transformando o escravo Na América Latina e no Caribe.. depois do branco ou índio. lizacões e incentivos também sempre renováveis. outro. culturais. sexuais. em juiz de si mesmo sem o que ele não faria jus ao seu salário. o negro e o mulato serão englobados frequentemente na expressão negro. Outra observação: Salvo nos casos em que especifico o pais e a época. psicológicos ou culturais (1). e o próprio negro. lingtiísti- (1) A partir deste ponto. e sob as mais variadas \ sua força de trabalho como mercadoria. isto e. relações políticas. o próprio trabalhador é mercadoria. Em quase lodosos países. paulatinamente o africano é transformado em negro e mulato. o l operário ajudava a criarem-se as condições de transformação do mestiço.Em nenhum momento a discussão enfoca a situação racial em Cuba socialista. o negro aparece corno a segunda ou a terceira raça. conforme as exigências da narração. As distinções e diferenças biológicas. estranho. Algumas vezes. Na situação de contrato específica dessas relações de produção. Ao-longo de vários séculos. o africano^ transforma-se em em trabalhador livre. o branco. lúdicas e outras. alterando. nacionais.iladino. sociais. No outro momento. o africano"passa por personificações ou figurações i adulação primitiva. destacarei um ou outro. _As djfere-nças raciais. o escravo havia ajudado.. no âmbito da condições sociais. o índio.é uma raça subalterna. Esse é o preço da cidadania.P_branço.o Raça e cultura capitalismo constituído e em expansão revoluciona as relações de produção nas formações sociais escravistas. das relações sociais. o negro e o mulato. engendradas ou codificadas. l condições de formação do operário. Em"gcrãT. em geral a discussão feita neste trabaiho engloba o conjunto dos países da América Latina e do Caribe nos quais houve escravatura de. o imigrante asiático e outros tipos escravo em operário. no século XX. Depois no século XIX o libertõTlnulato ou negro. criou. como tipos sociais que são diferentes do brancOj^ejn_sfi-US- atributosTTMcos. religiosas. Nesse então. boçal. JNa_ trama. reduzindo ou mesmo acentuando os característicos físicos. sI0 continuamente recriadas e reproduzidas. no primeiro momento. que aparecem no horizonte social do branco e de si mesmos. a fnarem-se as sociais como as seguintes: escravo. as formações sociais baseadas no trabalho escravo produziram as mercadorias que permitiram a ampliação e a aceleração da acumulação de capital. fenotipicos. E são estes. o trabalhador é livre de vender negro e mulato. Antes. Nesse então. ingénuo. processo que RAÇA E CLASSE esteve na base da criação e generalização do capitalismo. Esse é o sigmfi£ado_jogiojóg. Aparecem nas relações de trabalho. fenotípi- cos. Não è como o branco. No confronto com o branco. em boa parte. o imigrante europeu. 51 50 . o operário e transformado.ico_de_rasa_jieg£a.nam. preservando. psicológicos ou culturais que djstingyj. ..

Nessa escala vemos como se distribuem os elementos base primeira para classificar a pessoa segundo a raça social. Hoetink. alemão. parecem diferenciar e discriminar o Dentre outros significados dos dados apresentados por Herskovits. Gilberto ' desiguais. sociólogos. 1968. . Verena Martinez-Alier. 155-174. música pessoas de diferentes origens biológicas e culturais dentro de uma sociedade(2).ões ujiiverso_de _vajgre_s_^j. 43-61. Franklin Frazjer. EssSC-jÊ^íC-piaSlemátiea que aparece na escala cultural construída por Herskovits e publicada pela primeira vez em 1945 (3). afastado ou discriminado pelo branco. E. Florestan Fernandes e Roger japonês. p. famílias.ãlirjff--. os grupos e as classes sociais. a uni Bastide são alguns_dentre _os. 53 .. Magnus Ma£jern_tod_os. sociólogos.a^ e Caribe. passiva ou criticamente. intitulado "The conceptof social race in the referida escala 'deafricanismos está no cap. Em cada país pode variar a composição dos critérios so... Sim. nas Américas o critério para definir raças sociais Trata-Se de Uma_SÍStefflafÍ7. ainda numa outra.cuUiir. negros. Isso produz em cada culturais pelas jHferjailfii£§feras_de atividade em que sjejjrganizarn as_ uma dessas regiões diferentes raças sociais e arranjos diversos das relações raciais. para identificar-se. nã~pràtica religiosa. a identidade que o branco lhe_irnjnita. podemos Essa busca da singularidade. nas relações entre os sexos. cãs. method and theory Américas". índios. grupos ou classes em Charles Wagley. Em dada região. formas culturais recriadas. antropólogos. historiadores e outros cientistas sociais que têm reprodução artísticaj no lazer e em outras situações. dores e outros tendem a começar pela relação entre raça e cultura. The Latin American tradition.ajdj5^^ócio:c_ujtur_ais pouco ou _ muito entre o negro e o branco no^£aíses_jia-_A -t"pr'ca_.açqnjjf infnrjpa^õe^sjrjibrp a presençajjp. nas relações de presente em boa parte das pesquisas e interpretações de antropólo- trabalho. Melvjlle J. Esse Examinemos. índio. ou desafio. arte. David Brion Davis. e a si mesmo.social "e cultural do negro está começar pelo que parece ser a singularidade da sua cultura. H. ou. francês e outros. como se encara habitualmente a relação entre é o núcleo do universo social tenso. p. Eugene E. enfatiza-se a descendência. Frank^ TannenbaumT ciais para classificar as pessoas._a_si_rnesrno_e para o cientista social. nas quais ele rejações errtrg^ o branco. brancos. para o penso que a escala de africanismos culturais é bem uma amostra de branco e a si mesmo. 1969. precisa aceitar. i n t i t u l a d o "Probleni. nas relações entre ambos. inglês. Morner.mostrar ~\ _ comova cultura africanaj2ej3ÍSíe_iiA.. religião. bem como os valores que organizam essas atividades. O branco procura encontrar no próprio negro como os cientistas sociais procuram explicar a mèTáníorfose do os motivos da distância social. Em termos mais específicos.L. Herskovitz. 53. mestiço. em outra elementos culturais africanos em vários países. O negro. como um tipo social úmã~escaía ^ê~perdas"culturars. J.das Amérieas-e ressaltam-se os critérios sócio-culturais e. in Afroamerican studies" p. Nas várias esferas da organização social.Xle aparece ao branco. A York. magia. ciam jdojmmco. Fernando Ortiz. Genovese. vida económica. o negro e p mulato marcam e recriam surge como diferente. procura (_ . e do o branco. Algumas das suas atividades. distintas maneiras de cada região conceber as raças sociais refletem as relações entre organizarão social. Vejamos os dados da tabela í. Há pelo (2) Charles Wagley.. Marvin Harris. e porque as situar-se e movimentar-se na trama das relações sociais. a ponto de transformá-lo num problema. uma questão central é compreen- revelam. mulatos e outras categorias sociais. difere de região para região. folclore. Columbia University Press. pois. E este.vils está -fiteocupadiX-em. no qual o negro aparece como a cultura africana e a condição do negro. em lugar de apagar ou diluir essas diferenças. As rejações entre o branco e .negro. do preconceito e das tensões que se africano em negro e mulato. na família. por seu lado._gigntistas sociais Jntgressados_ em pesquisar e explicar os conteúdos históricQ& e. ajuda. mestiços. gos. Sidney W. Mas também podemos dizer que a referida escala de Nesses termos é que o negro surge no horizonte da análise 'africanismos culturais presentes nesses países pode ser vista como cientifica. Para explicar essa metamorfose._ para_ Q_branco.. p. as famílias. Minerva Press.. 156. e " língua^ E verdade que Hersko.0 negro: tecnologia. Para compreender qual é a jjn^ problema^ para o^ranço. instituições."á?I ££mo ° africano se transforma em negro e mulato. a aparência física è a Caribe. o negro pertencera outra raça. Halcro Ferguson. New (3) Melville J. religiosas ou outras são continuamente recriadas e reproduzidas nas relações entre as pessoas. italiano. The New H orla negro. Mintz. Herskovits.cultura]s dasj[elae. historia- identidade do branco conte'm uma espécie de reflexo da identidade que ele imputa ao negro. Citação do cap. Caribe. A diferenças raciais. como urna escala de cuja sociabilidade escultura apresentam característicos que o diferen. fisionomia social do negro na América Latina e no Caribe. as raças são trabalhadocom o problema das rejações entre o branco e ojiegro na i seguidamente recriadas e reproduzidas como socialmente distintas e América Lãtina oCaribe. V.

.artooooooo ^ ygngia aas"pe5soas... __ no^_sécujos'XIX e XX. mais ."comò Z g g Q ° .. a escravatura produz uma cultura < g* | |j § l g própjia..' io cultura do nçgry...-trorno r. V a t ' n a e do Caribe. ... t ... grupos e classes ES | | •*> S s-99âÍ5. "8 o 'predomin^u._JEssa cultura está w -" presente ....a o o o o .. **• ..iitnra prõtirmfla com_j saciedade Z E « -g baseada no trabalhe encravo. Sejjam POUCOS OS ementns afrirann<.nquanto Jorma de orgãmlaçaQ social e _ tío a-3g «ooo-o-auu^íi^-a^^oíJo-a-oTjTS -^ técnica das relaçõesde produção. depois..atina e z— 'E «S Cabbe.nTsurge de controntamos países....... folclore. z l ^ ' "g. Estes elementos são manti^2^_jTelnsjj^ejdentes dos b u 'E l africanos como sobrevivências culturais^ que protejam a s nhr ?yi- ^ •« ? «isc8... elementos culturais de cunho escravista. _ no: "8 c .. que pouco ou 'nada tem a ver com os elementos .t í o o t s . inclusive . rnais ou menos profundamente. africanos..o=a.de torma desigual naturalmente . diversfl ^ f > o T i o * > o o a f > o o o o oooooooo ° ^ da europeia.. está presente em todas as sociedades nas e quais toram introduzidos escraym^frJ£anojs.a a_j T S_..... acham-sg ^JT_a_. m <^PTT1f"t"'! TH? a parecem na prátjca religiosa....':ra_. Tamilias. -B-e « ^ língua.culturais' g •* g..i u. de modo breve.0 . magia.grupos e cornunídades. "dã^Tjet^gsetayjíitu rã ...n l ou menos enquanto tal. rompida e reelabora- 5 P "S. Sao^ esses d ͧ ^ í.... £ europeus. e OS aue se Preservas <§" ram jorgrr|lllrlee|fl^prados nas relações e estruturas escravTstasT ~Ã~terceira ~ interprftaqãr.. Mas está presente enquanto ™ v ! cultura que pode ser reconhecida como de origem africana. isso sigmtica que alguns aspectos"dã O S \a social e culfúrãTd^^^opulações negras da América.écilia XX._ a o i u .ocaMo»i«.. Vejamos quais são.—*. musica....h. indígenas e asiáticos...f Na religião^ l l música.coes vividas jpelos negros ê"brancQSLnp s. toiclore^ música..... culinária etc.rios séculos de regime < Q *.. America Latina_e ao Caribej nó século XX. nrptprvarlrn. jnfyi^nçjj» (]ç ejementfí^ culturais..... asiática eindígena..... família.. E claro que odgm S"S^ ideTTtifirai'-se elementos culturais africanos e Í l .. bem~cQrnQ certos característicos das relações entre o branco § *§• § « « « « * ... ' íiõrrffãçãTr ' social. pctah^iprp que as culturas africana e * ° 4 escrava foram rompidas e superadas pelas relações e estruturam ^ 8 " . o S | . r. Na sociedade em que a escravatura a g rS S o ^ j o j j .. menos três jnterpretações distintas sobre a contribuição cultural das uo o populaçõêlTdà Afrjça^seus descendentes às sociedades da América '§• Lajinaie do Caribe..culináriaT 1'ingua e outrãF '3 «' esferas da vida social esses elementos podem ser vistos. Vá.v|lambj.. . aftjçânos. r . g africanos foi...----------. § ' aS í 55 ...* & a a a £ > a a * > f > £ > £ ) & f > s * a ~^ ^ e O 7r negro... ''"A^gguTraà interpretação estabelece que a cultura trazida pelos g g M. . «...a . n^o é "enãn a r.. ^ o ^ll^rafíalh" ?grrav" ro^pirn tQ4a§__aj___£°ntri_buigões culturais Q« « "§ c8^íiojio*ooiij)Tix>oo^ooooò o^ enrãlzã~ê espraia na socTêdãde pessoas farnilias... = .Capitalistas ~mre-YrpÕffiirTãrh amplamente ' n a s ^nc^g^pdes. regiões é lugares.... rpersistem.. organização famjliar .Assirryo que aparec^ depois.nas várias esterafcla G < atividade e da organização sociais: religião. da o33. o ^ "S" *• organização da famílía1 culinária e outras esferas da atividade social do negro em países 4a ^T'Pr'.~~_I# ^ í.* § '~. .o ..JMas o que «B § —.o.3> •* século XX. Í A primeira interpretação estabelece que a cultura africana.

se recria e reproduz continuadamente menos por decisão e atividade haitiana. na umbanda e outras manifestações d? ^iltnra rpiioioca HP pff. o escravo africano também participou de formas de trabalho relações dèTrneTdeperTdêncía". hm graus yariáyejs obviamente. espirituais e outros) quejhes corresgoia. o atricariõ formas IJue ele se reproduz no_ século XX. ^ _ bõradãs pelo corijUntõ^l^Têma culturãlvi^mtejiesses países. Em menor do^HggTorJB per si. contradição culturais (em termos materiais e espirituais) fazem parte necessária da heterogeneidade. Peru. não SP explica apenas_corno ayia dos senhores. na América Latina e no guardaram a experiência escrãvãTem srináTporque a escravatura_ C a ríBeTo ajricano__não só toi escravo mas também transformou.. 57 56 . Ma condição de tríbãTRãdores forçados. cubana. in|ej£gtyâl e outras figurações . a primeiras e^a é ~pôí ' MèTõ7ã^S5r^xÓUsrao~pú "sobTevívênçia cultural que certos segunda podem ser englobadas pela terceira! O fato de que as eTernênlõs"culturais "africanos". ~ Essas três interpretações não são necessariamente expjii^iyac f. é~explTcar como se produz historicamente a o século XX são um pouco._ relações e estruturas do modo capitalista de produção. autca^So b certo aspecto. sincréticas_sobas dustíscrãVDSloilTbãse da sociedade como um todo. Nas colónias e.Áfiica . de esj0^1?MlJ. Colômbia. a desigualdade e a contradições. Casta e classe Q_ que está no centro de cada uma das interpretações (sobre a contribuição cuhural_das populações . O q ue_h á d e a fríganõ' economia escrava. criam-se e reproduzern-se_ nas jrandes cidade^ Círios (málênais. ásJsocie4ãdss. A heterogeneidade. metamorfose do africano em negro. a casTa sobrevivência^ mescla de culturas o_u_^flic_ujações . ue eles lugar ou éoca. Na santería._p_oliticp.S-Ociais. operárias. emjyegado. organizatórios. e como _afncano_nem como escravo. forçado no México. desigual e mesmo contraditória cujo sentido básico e dado pelas rtarlianõSTTÕútros. o o u e s c r a v o n a cultura ou visão do mundo do negro da America que se consumia.ex-africano ou ex-excravo. O que há dlTafncano ou escravo organizada segundo os interesses^ po^ljtiog^e^onômicos exclusivos da ernsua cuIturãTou visão rio mundo. Venezuela. no candomblé. estão presentes brancos. A importância do escravo LJítina eCanbe é o que se recria e reproduz continuadamente. „.cãmj:rciante. do que pelas condições e determinações das grau. funcionário. O escravo produzia o necessário e o supérfluo. rnulálós._d a Para compreender a forma pela qual o africano transforma-se em América Latina e do Caribe) é_a singularidade. e não apenas da quais se escpnde_o. Sob a condição de escravo. cprhõ outra raça. 011 bastante conforme o país. como também Unidos. das relações político-econômicas que garan- capitalistas têm a faculdade de criar e recriar tanto o que é novo tem a reprodução da sociedade. do rtéãro: em que negro e mulata*-? conveniente que tenhamos em mente que essjj termos e por^ueTefe aparece no branco e^a si mesmo como um tipo metamorfose envolve a passagem do africano pela co_n_digãg_ de social singular. f ma.se marcou mais ou menos fundamente as sociedades nas quais o em operário. afncálíã~piT7^ThTTra npg T a p-m paísps Ha Amfrjça Latina e do Caribe são componentes intrínsecos da mltnra presente e viva desses países. desigualdade e contradição caracte- rísticas das relações e estruturas capitalistas. alienação e antagonismo caracteristi. B é sob essas das Américas e Caribe(4). no século XX o negro foi transformado trabalho escravo toi a torma principaldojrabalho produtiva ou Iransformou-se em operário industrial. Índios. norte-americana e algumas outras do Caribe.amliéin---«sto}aa^^ As relações e estruturas" classe média ou outras. exportava e ostentava. çs^idjn.assim que o gne parece ser cultura algumas outras sociedades da América Latina. em suas harmonias. rn s e mulatos não só estão (4) Nesta parte do trabalho incluo algumas referências e dados sobre os Estados presentes elementos do^spiritismo e do catolicismo. Mas foi particularmente excepcional nas sociedades brasileira. que a magia. mestiços. o produto da _ Na ° Paraaparecer no século XX como negro. —A~~esrravarura toi a torma '^Hã~^uar~sê'' realizou uma parte esftgcializado. Argentina e cãs^gõ"cãp1talisrrtor"TantQ. ou uma cuh^rahgterogênea. outra Forma de pensar.predomina é a cultura do capitalismo. graiKterTe"n'ffôs industriais" em' cada . no vodu. sitiante. subalterna. Mais que isso. operário agrícola. não se reproduz nem pnssrni por urrT processo cie aculturação forçada. fundamental do processo de aculturação do africano nas sociectadesr te. Não podejeF_çx5mpxeendida peia._"escravistas" ou "negros" surgem e _ ressurgem. sentir e agir? escravo. é e r» ^ A questão central. ja. braçal.paísJSa América Latina e no dejn_nã^_jrrir^dje__jg^^ e Carrbe7-aT'cúlturas "negras" são dimensões populares. desigualdades e como o que é velho. pois.

000 principais centros nas Américas e Caribe. Dentre as estimativas mais Brasil . ao Caribe holandês.. é evidente que a 10 (5) Robert W. Independentemente da 20 l "humanidade" da escravatura. conforme a colónia ou país. As condições de vida e Total 9. (1502-1870) Foram milhões os escravos trazidos para trabalhar na plantação. l. fazenda. 40 Somente uma análise rigorosa de cada uma das formações sociais escravistas permitiria explicar como e porque. à América espanhola 17 por cento.000 recentes.500. 18.000 Guiana e Surinã 500.. teria sido esta a distribuição dos africanos: Granada 67.647. 1500-1825 da população escrava. p. nas quais se destacam a casta dos escravos e a dos senhores. e aos Estados Unidos chegaram 6 por cento (5). Em outros casos. variaram vol. 1825 j Estados Unidos. GRÁFICO l ram. Desse total. o TABELA II conjunto do processo de aculturação do africano esteve totalmente PRINCIPAIS IMPORTADORES DE ESCRAVOS marcado e organizado pelas relações escravistas de produção. Time on the cross. enjgerTho. Peru 95. Engerman.000 registra os números absolutos dos africanos transportados para os México 200. 2 vols. Esses economistas escrevem que mais de Cuba 702. 1974. por exemplo. A tabela II Martinica 365. Time on the cross.serviços domésticos. em cada caso. 3. vol. dinamarquês e sueco mais 6 por Jamaica 748. Naturalmente variam as estimativas sobre o número de africanos Barbados 364. 14-15.000 9.proporções dos escravos não se Venezuela 121.000 e o Caribe. serviços urbanos e outros.000 ao Brasil chegaram 38 por cento. como no caso das diversas Fonte: Robert W.000 Note-se.500. Esse foi o caso. p. houve alguma preservação e mesmo algum aumento 50 l l Percentagens das Importações de escravos. bastante as condições de vida e reprodução das populações escravas . também COM A DISTRIBUIÇÃO DAS IMPORTAÇÕES DE ESCRAVOS. Fogel & Stanley L. Engerman.000 ao Caribe francês também 17 por cento. 2 vols.U. no entanto. que as. transporte de carga^ produção de artefatos de Colónias e países] Quantidades madeira. Boston.000 colónias e países das Américas e Caribe. como indicam os dados do gráfico l (6).países em que a formação social escravista foi predominante.000 reprodução dos escravos variaram bastante. E.000 Engerman realizaram.000 cento.000 africanos foram transportados da África para as Américas Estados Unidos 596.A Caribe Caribe Caribe Brasil Caribe brltinlco francês espanhol holandês Brtftfíi and Company. dinamarquês e sueco 58 59 .000 17 por cento. em alguns casos. ao Caribe britânico ainda Haiti 864. Fogel & Stanley L. em cada caso. DISTRIBUIÇÃO DA POPULAÇÃO NEGRA (ESCRAVA E LIVRE) EM 1825.jcouroeferro. Colômbia 200. citado. regiões em que se dividiam os Estados Unidos e o Brasil. Às vezes. As condições de exploração da força de trabalho escrava determina. ampla destruição de trabalhadores escravos. encontram-se as que Robert William Fogel e Stanley L.000 mantiveram semelhantes às proporções dos africanos transferidos às Destino desconhecido 741. 1500-1825 devido a condições peculiares de exploração e reprodução da casta dos escravos. dentro de um mesmo país.000 transferidos para as Américas e o Caribe. a população escrava se reproduziu mais ou menos. É claro que o 30 fundamento principal da explicação está na forma de organização social e técnica das relações de produção. Little. Guadalupe 290. do Brasil. l. Esse foi o caso da América espanhola e dos E3 Percentagens de negros no hemisfério ocidental.

como indicam os dados das tabelas III e IV.0. com cerca de 36 por cento de negros e mulatos. perfazendo cerca de 60 por cento do total da população da área. Engerman.* O O < raças. vol. E esse é um dado imporfãntíTsobre -* O trt o caráter da formação social escravista. ainda. (8) Anthony H. em 1950. os tipos dê~comércio de mercadorias com africanos etc. os S O *H «O O\N O O O ~H V) ri OO ~H "í IO asiáticos perfazem cerca de 45 por cento da população (8).': O^O«O^-O«^ O <N outros casos. ^•rtvocnOOCO1*!^' por exemplo. como no Chile e em São Salvador. N o conjunto do Caribe. 1955. por sua presença quantitativa e qualitativa na estrutura social. No caso da Guiana inglesa. Esse é o caso do Brasil. seu modo de vinculação com o mercado externo. Difel-Editora da Universidade de São Paulo. este país contava.. p.-. é notável a visibilidade social de negros e mulatos nas classes assalariadas. 60 . dados esses organizados por 5 Frank Tannenbaum e citados por Bastide(7). ela é significativa. É verdade que em alguns países. Fogel & Stanley L. 28. Na maioria dos casos. Note-se. \O O T~- a\ r* O fato é que a escravatura de africanos deu ao mapa racial de oooioo^o 0 (s . O O ÍN -H O t>i C>OOCÍOOC>oqONOO< Ó "* "O "l O vo habitantes de Trinidad e Tobago. •3 Em vários casos. p. London. no entanto. Há estados nos quais os negros e mulatos perfazem cerca de 10 ' Sb " 5 a ã s- 1 < oS wS D CJ < (6) Robert W. 215. No conjunto. Tradução de Eduardo de Oliveira e Oliveira. (7) Roger Bastide. Em certos casos. As Américas negras. em cada caso. a população negra e mulata é notável.-'.destruiçjlo. se comparamos os vários estados do •3-3.0Í. Uma imagem do mapa racial das Américas e Caribe pode sa j §' O o* O O O r* -H O O •* (N OOO S* O C4 O O ser apreciada nos dados da tabela III. Mas é também significativa a presença de asiáticos entre os s- oo-Hor-ooo O O. a população negra e mulata é relativamente ínfima. estes principalmente de origem hindu. -W Dentre os países e colónias que compõem a área do Caribe.ajrjreservação ou o aumento da casta de escravos são fatos determinados pelo caráter da formação social jgsggvista. em comparação com os brancos. Os dados da tabela IV mostram que em Barbados. São Paulo. p.'T. Penguin Books. A tabela III indica que eram mais de 39 por cento os negros e mais de 21 por cento os mulatos. é notável o predomínio da população negra e mulata. Jamaica e Trinidad-Tobago. principalmente nos operariados urbanos e rurais. mestiços e asiáticos. a população negra e mulata predomina sobre as outras l OO--HO«OOOO V O O O O O O ^ . >í3 '»'« 5 país. cit. I. em c>f *H" o° ^ cí cT c-f o"| °°~ O O O O< termos absolutos e relativos. De qualquer maneira. ou mesmo o seu 3 predomínio. é bastante significativo que algumas formações sociais destruíramtnais__a popjjlação escrava dó que outras. é B2 notável a presença da população negra e mulata. Richmond. que há países da América Latina nos quais a população negra e mulata está concentrada em dadas regiões. além de 3 l M _ '. t-_ cada um dos países das Américas e Caribe uma fisionomia peculiar. 1974. indígenas. Mas a distribuição dessa 'o S ' população não é homogénea. Op. The colourproblem.O . 20. ela é a população que define a fisionomia do país.•^. E em alguns.

alienado no produto do seu trabalho e na sua pessoa. Venezuela e Uruguai.403 Honduras inglesa. população mulata é bem1953. na formação social escravista o trabalhador é escravo.333 SanCristofe-Nevis 59562 925 por cento da população. Colonial Office." na cultura do capitalismo.670 35 poloneses.647 antagonismo entre negros.544 18.220 Jamaica 965560 13.824 12.862 142 40 população.902. população Cf. da 37.923 9. Anthonynegra. alemães.528 por país bem como14.a condiçãp djL-ejs-escrayo^não pode ser nem suficiente.243 Ilhas Virgens .360 152 59.724 É evidente que as sociedades do Caribe.283 negros26e mulatos podem chegar 202.524 a complexidade 17dos mapas47.329 14.237 37.685 49 375.063 Ilhas Caimáo 1. japoneses e outros. da185 22.042 1. Note-se que em vários casos a Fonte:Digest of colonial statístics. mulatos e brancos. 5.322 167. ou mesmo preponderar.091 de brancos. da Guiana holandesa e alguns outros Total 2.385 11.346 7. por cerca de três a quatro séculos. atores. Brasil. 100italianos.051 2.265 635 113 e região. professores.326 164 das relações 70.800 Guiana inglesa 143. TABELA IV POPULAÇÃO DAS ÍNDIAS OCIDENTAIS BRITÂNICAS.846 Guiana inglesa. das forças armadas e outras categorias sociais. assalariados de classe média. Granada 53.dades que' pouco se modificaram. juridicamente e de fato. Sob a escravatura.616 343 13 afetam o perfil diversas. empre- sários.670 Ilhas Turcas e Calcos 4. Nesses termos é que a. social e cultural de negros e mulatos.p. romancistas. Apenas" na4_locip. Londres.074 3. setembro-outubro. recebidairnigrantes europeus ou asiáticos.outros casos.023 16.839 136 33.651 e as tendências 26.das Américas dependem de modo significativo da CQptribuição econômi- ca.113 e de alienação São Vicente 45.638 41 68. £ inepAvel quê ? condigãcTiaF escravo.485 15.. do senhor. 2. maior do H. Marcou decisivamente õ perfil e o modo de ser do negro e do branco nas Américas e no Caribe.106 227. marcou decisivamente o perfil e o modo de ser do negfo. E está destinado a trabalhar de modo a produzir principalmente mais-valia absoluta. Ocorre que a formação social escravista se funda em princípios estruturais e organizatórios distintos dos que fundamen- tam" a formação social capitalista. isto é. 165 ao lado 5.769 77 as densidades absolutas e relativas 72.237. Em alguns países os descendentes dos africanos tornarata-se joraãlisíás. No conjunto. Op. como no H Richmond.701 Honduras britânica 22.21S..437 695 80 5. Mas também é inegável que. políticos.809 29. nesses casos a cultura da escravidão "dissolve-se.775 a cerca de 124 70 por cento 557.631 61.142 1. do Brasil. É propriedade do outro. Nos. ou industrializado.828 74 192. as sociedades .584 17 6.148 1. BAAMAS E BERMUDA 1946 Território Origem nacional ou racial Africano» Europeu* Ameríndios Asiáticos Mistos Não Total e caribenhos especificados Barbados 148.624 raciais. social e cultural de negros e mulatos. ••*? Baamas (1943) 57. 39 Pode-se supor que35.970 da Dominique 11. operários rurais. poetas. Em poucas palavras..906 242 1. funcionários. 3.693 2. que resulta da exten- são da jornada de trabalho. camponeses.505 os Trindade e Tobago 261. somente nesses casos Jíjque o peso da cultura escrava pode continuar a ser. ao799passo que eml outros estados 6. após ã abolição ~âa escravatura.518 27 6.432 105 1.no sécuío XX.420 países estão fortemente marcadas pela presença física.rnetamorfose do africano em nçpro e mulatn passa pela metamorfose do africano em escrava.349 196 41. 46.138 Antigua 35. o poder político .cit.is amplamente. tabelas que M ea N. N9 10.923 178 3. nos casos em que a sociedade tem-se urbanizado rna.277 78. modificado ás suas estruturas político-econômicas etc.319 71 17 917 9 14.040 1. cohTõrrne~O gais. memtrfòs das forças policiais.387 Santa Lúcia 40. importante. nem decisiva para exjglicj£jisfOTmasjde_gensar ç agir 90 negrp.757 Monserrat 13. As populações descendentes dos aíricanos transformaram-se1 em operários industriais.214 Bermuda 14.

cimarrons.c Ha encontra boa parte da população negra e mulata das Américas e relaçaojentrg cultura africana. terreiro os Não são as revoltas de escravos (quilombos. franceses. 1958. apenas no produto do seu trabalho. a sociedade neflra nunca é urrm sociedade desagregada. contrato. que é ideologicamente como distintas e desiguais categorias raciais. fazenda.) que comanda a invenção e a reinvenção. nas quais a pressão do meio ambiente foi mais forte que osjresquícios cnítras uns e outros recriam-se e reproduzem-se socialmente. judeus. fomos levados a distinguir. do mesmo QVJtfó 'ê~u"ma^ resposta ao novo meio vilaJ. negrasjporquep nas atividades económicas. índicos. ãdaptar-se. Ele não vive No século XX. índio. chineses. 65 64 . mulatos. mas cria novas instituições. deixar-se aceitar. parecem chocar nosso próprio género de vida ocidental. organizatória da força de trabalho. Em todos os casos. na realidade. Ele trabalha sob o regime do traços fenotípicos. "africanos". Assim. é a trama das relações trabalhador (negro.t'amiJ. 1967. Race and ciass in Laiirt America. característicos raciais. o sociólogo. alemães. reestruturando sua comunidade.destruíram os modelos africanos. branco. 1969. mestiços"' japoneses. igreja.. 1970. o poder político mulato. por certo. nesse caso. The New World negro. fora dfflas. amcojijfOMíím. espanhóis. mestiço branco etc. culturais de seus antigos senhores. italianos. dê vida em sociedade. ou nas lutas entre a casta dos senhores e a emergente mestiços e outras categorias raciais em suas atividades e relações classe burguesa. Reprodução jsocial das raças Mesmo onde a escravidão . mestiço e outros sejam tomados prática e da classe burguesa pode ser contestado pela classe operária. uma categoria económica e política. Roger Bastide. e tomando alguns rarartPn'QtW. reproduzidos sociaTfnerUé^^eTãs^lmesrnãs'relações sociais que re. usina. branco permanece. Magnas Morner (Editor). "asiáticos" e "indígenas". Boston. mas nas quais tambénTr porque o antropólogo. Minerva Press.Qm— economia). Em cada uma das sociedades nacionais Em segundo lu^ar. Payot. Em geral. a criam e reproduzem os membros das outras^ "raças". fábrica. Na plantação. masjiao africanas. segundo as regiões.e depois. religiosas e outras (9). índios. Daí 3â memória coletiva. ou a é alienado em sua pessoa. oficina. separada da Em particular. Esses dois tipos de comunidades nada mais são que imagens ideais. Bem entendido.fricano (ã religião) epqiianjn~vim (9) MelvilleJ. as novas condições urbanas de vida . padrões de comporta- te mais-valia relativa. organização socialj^j\mé£Ícj^Ljm^^ Em primeiro lugar. dois tipos de que compõem a América Latina e o Caribe. mesmo se elas gueses. riósas chamaremos dç comunidades africanas. sexuais. Esta é principalmente uma categoria económica. ideias. Paris. ou às vezes comunidades: aquelas onde os modelos africanos levam vantagem sobre a pressão do todas essas categorias. quartel. a suas necessidades novas. fábrica. sãq_socialmente recriadas e reproduzidas meio ambiente. dos senhores. submissa aos tabus do incesto e às regras da troca de serviços entre os dois sexos. templo. E é na classe operária que se Numa Visão de Conjunto. negros. raciais implicam a recriação e reprodução inclusive das culturas exercido pela casta dos senhores não é contestado politicamente pela africana e escravocrata. O trabalhador livre produz principalmen. ingleses. elementos culturais africanos e da escravatura aparecem de forma às maroons c outros) que destroem nem abalam as relações e vezes nítida às vezes apagada.) é alienado sociais concretas. cna-se_uma organização própria. escola. encontramos. o negro reagiu.. -se a partir dos antagonismos que se desenvolvem na esfera da casta reproduzidos socialmente por brancos. tais como os sexualidade do negro permanece sempre controlada pelas leis do grupo. Columbia Universíty Press. usada por séculos de servidão.ta. Só podemos brancos. que pode discutir ou refazer. holandeses. de^ Nas relações de trabalho7~políticas. traços culturais que fazem com que o negro.ia. em resppsta a seu isolamento^a serj regime de trabalho. De fato. algumas. Aquelas. _ujn_setor da sociedade pode haver permanecido francamenle_a. elementos somente aparecem ou reaparecem porque são recriados e. Beacon Press. no entanto. lúdicas e pelo contrário. engenho. a formação social escravista rompe. na organização social. Em geral. na produção material e espiritual (fazenda. Amériques naires. New York. portu. marrons. Herskovitz. mulato.. Ao passo que na formação social capitalista o político-econômicas e culturais. esses mo delos_ são obrigados a modificar-se pam_pfliÍ£rici pelas relações sociais que orgajúzam_e^movimentam cada socieda. recriação e reprodução de valores culturais.dois tipos. dá-se novas normas de vida. autor: The myíh of the negrc pás!. Ao menos formalmente. casta dos escravos. admirar esta plasticidade e a originalidade das soluções inventadas. Nesse caso. que resulta da potenciação técnica e mento. casa. ele não escola. o negjroj: o mulato são continuamente recriados e como homem de natureza. esses estruturas escravistas. igreja etc. norte-americanos e outros.entre-esse_s. uma vez que essas comunidades É c l a r o que a r e c r i a ç ã o c o n t í n u a das c a t e g o r i a s perderam a lembrança de suas antigas pátrias. Lês as"cofflufíicfãdes de negros marrão s são as~que mais se aproximam do primeiro tipo. o linguista ou outro cientista segregação racial não permitiu a aceitação pelo descendente de escravo dos modelos social encontra diferentes arranjos de elementos culturais "euro. categorias de pensamento. nos as chamaremos comunidades negras. religiosas. cultura escrava cultura negra e Caribe. índio.oneero teve que inventar novas formas peus".

Isso fenotípica. naturalmente. citado. que passa a influir decisivamente. Harvard University. nç 2. a introdução de grandes contingentes isolados no campo. pois tais como os indígenas em Trindade e os chineses em Cuba. ocorrido também nas sociedades da América Latina. e as comunidades que se formaram após a supresão do trabalho servil. inglesa. Boletín Económico de América Latina. Mas quando é visto no contexto das condições foram marcadas por um nítido movimento de ascenso de algumas pessoas não político-econômicas nas quais se reproduzem relações e estruturas brancas. as mudanças na estrutura de classes têm ocorrido em distintas A recriação eji reprodução sociais do negro e mulato. "The Caribbean region". Spring 1974. Santiago de Chile. 13-53. francesa e outras. nítidos. percepção de raça e das forças produtivas no setor industrial. são as que mais se aproximam do segundo tipo. 44-45 . p. racial. (11). a divisão social do trabalho e a expansão das A composição "racial" do Caribe é bastante diversificada. a das das relações e estruturas da sociedade. reformar-se mais facilmente fora do complicada qualquer análise das relações entre status económico. Mintz. a emergência da categorias raciais. o mapa racial dos países da América também alteraram a configuração tradicional. Mintz. As Américas negras. Nessa perspectiva. Mintz sociológica dessas sociedades parece ter aumentado significativamente^ de acordo descreve de maneira bastante clara alguns aspectos da relação entre com processosjiolíticos. mesmo que tivesse comandar as relações sociais(13). p. entidades estratificadas e diferenciadas em classes. Além do mais. "The Caribbean region". Mass. Dessa fnrma^ a complexidade. econômicos e demográficos qu. (11) Sidney W. Muitos negariam sociais. Cambridge. da mesma maneira pequenas cidades para os núcleos urbanos maiores. em certos casos implicaram a imigração mais ou fenotípica das populações caribenhas é incomum. esses negros deviam submeter-se às leis matrimoniais. entre outras direções. na época escravista. mas cada sociedade emprega o seu código de forma particular. ou mesmo etnicidade não são nitidamente correlatas à condição de classe. portuguesa. políticas do Estado. A urbanização e a industrialização sido geralmente verdadeiro . Vrbanization in Latin America. então já entre crioulos que viviam que negritude e status inferior. p. Primeiro. Ao lado das atividades etnicidade elide o que muitos teóricos consideram como a muito mais óbvia e agropecuárias. de mineração ou outras. esse mapa adquire alguns contornos e movimentos mais fenómenos paralelos em outras partes da região. Segundo. (12) Sidney W. tipo físico e contcole dos brancos. Cor e é um processo básico. o crescimento do terciário. a emigração de grandes grupos populacionais etc. É óbvio que imigração e o longo período colonial dqs suas sociedades. Contemporaneamente ocorrem novas expansões dá-urbanização e Mas os "mapas" dessas sociedades em termos de "raça". mulatos e brancos começa a sociais locais. Em alguns casos. de organização estrangeira. a sua significação e os seus usos particulares na classificação social variam de uma para outra sociedade do Canbe demográfico.e em boa medida ainda é •• que branqueamento ou ocorrem simultaneamente com a migração do meio rural e de brancura e status superior tendem a acompanhar um ao outro. 66 67 . devido às circunstâncias da menos maciça de europeus e asiáticos em países da área. Unesco. 45-71.pelo menos aquelas que foram criadas pelos negros "boçais". Em artigo sobre as sociedades do Caribe. tanto em Cuba como no Haiti as mudanças políticas contraditório. Daedalus. Inclusive ressalta a relação entre o processo de diferenciação estrutural e o processo de recriação. 1961. e deviam pois adaptar-se aos modelos que o exílio lhes impunha(lO)! Enquanto muitos aspectos do sistema tradicional de estratificação da região são ainda vigentes. VI. económicas. a diversidade forças produtivas. tornou muito mais as "nações" podiam. raça e organização social. significa que essa imigração modificou o conjunto do contexto enquanto "raça" é importante em tudo. negras das Caraíbas ou da África do Sul. À primeira vista.e se estendem no tempo( 12). alhures. No século XX. de prestação de serviços. encontraremos um tipo intermediário. 1961. Sidney W. para assim manterem em segredo suas tradições: mas. Registremos apenas dois casos Latina e Caribe é bastante complexo. citado. o desenvolvimento do consumo orientado para o exterior. além do Caribe. heterogéneo ou mesmo diferentes: nas décadas recentes. os códigos de essa imigração modificou os característicos da população branca de relações sociais características dessas sociedades levam em conta a diversidade origem espanhola. 1 O mesmo processo básico de diferenciação da estrutura social tem rearranjo e reprodução das relações e categorias raciais. 52. citação da p. (13) Philip M. dinami/a -se o setor de fundamental base de classificação: a estrutura de classes. em termos de posição ou oportunidades de vida. As sociedades do Caribe serviços. As mudanças havidas nos arranjos políticos esclarecer-se. Hauser (Editor).. transportes e comércio. tais como o declínio da classe dos fazendeiros locais. social e cultural no qual se movimentouo negro e o mulato. Paris. a industrialização são. Assim. Nas cidades populacionais que não são localizáveis em uma única escala de negritude a brancura. e o vínculo entre essas identidades e a condição de membro de classe também se tornou mais nuançado. 53. fazenda empresarial. do setor econômicas que fundamentam a recriação e a reprodução continua. Essas mudanças afetaram a grande complexidade das composições raciais que organizam e distribuição de pessoas com identidades físicas e étnicas particulares em sistemas movimentam as relações entre negros. não ocorre senão na trama das relações político. Algumas (10) Roger Bastide. identidade étnica. vol. p.

. etnia. numa mesma alegria. É claro que as duas são formas religiosas vividas indivíduos.para seus filhos. Da mesma forma que as relações sociais. Isto ê.que traumatizante entre os religiões "vivas". onde os bantos. as confrarias dos negros vêm na frente e a confraria dos brancos vêm em seguida. das exigênciasda produção do lucro e da supremacia fazenda. A religião é vivida . com as autoridades municipais. transportes e ^ k jexo. já que evita a luta. igreja. ' "~~^""" ' . 68 69 .ou outras raças . como já dissemos.' do capital monõgolista. esses fazem amiúde Nessa perspectiva de análise. citado. o que parecer ^Consciência de alienação ser. a cultura negra resiste. parentesco espiritual é considerado ainda mais importante do que o parentesco Bastide põe as religiões afro-brasileiras entre as primeiras e o vodu carnal. ao passo que a outra se modifica. no sentido de que não evolui. a . Nesse contexto. relações amigáveis com os outros grupos raciais. da parte da sociedade circundante.da~ATncã~ê~da escravatura perdem os seus significados originais e recriar e reproduzir as relações sociais. alemão. também os elementos culturais são recriados e na época da escravatura como nas sociedades de classes. os negros. Lembremos como Bastide à parte e fora do controle dos brancos. Entre os nepros e mulatos da América Latina e do Caribe. permanece separado ensinado pelos antepassados. escola. 120. o que faz com que o negro não espere do branco senão favores. porque se sentem "diferentes". (15) Roger Bastide. como o apadrinhamento se faz segundo a linha hierárquica. sobrevivência de traço cultural africano ou escravista só tem sentido enquanto elemento cultural inserido nas relações capitalis. a sociedade reproduz 1iníãW~õWrm7CT^úTprêaõrnina. à medida que avança oséculo continuadamente tanto o negro e o branco . 182-183. mais elevadas. 'a tas presentes. imobilizando-se."^^« <• ^. ao contrário da América com o correr do tempo.como X. Contra o esvaziamento incessante verdade. isto seria para ela o bem. das relações de raças . „7. de que permanece estática no cumprimento do que foi anglo-saxônia. vezes. no século reproduzidos segundo as condições e exigências das forças que XX. preferindo ficar "entre os seus".~tl~™"TTTr í^ ^—^^^___ 1 do trabalho. industrialização e o crescimento do setor de comércio. italiano. preferem viver de organização da consciência negra. de medo de que. os brancos dançam nos salões. integridade ameaçada pelo meio exterior. mistura de que é objeto. a esfera sócio-cultural naTcjual e mais evidente a compreensão".-. não lhe copie os modelos de vida. por negros e mulatos (e também várias categorias de brancos). as etnias e as cores. ou. as cores se acotovelam mais do que se fundem verdadeiramente. ou as estruturas valores e prátjcas relij>rosris__As religiões negras parecem ser. de origem católica. O que parece ser anterior só tem aparência de consciência de alienação tem se revelado mais frequentemente nõs~ anterior. òTvalores e pTcIroes culturais "herdados'' reproduz-se tanto o que é material como o que é espiritual. por outro lado. um mecanismo de defesa(15). é a organização capitalista das relações de produção. é o "apadrinhamento". a divisão social Ocorre que__na formação sociaj_£a£italista a^organização social flistrinill f» rí»r>l et ctí^FIr>õ^r^íilí^^r^T. os brancos e os negros têm entre si relações afetivas e se ajudam mutuamente. citado. Mas padrinhos ou madrinhas pertencentes à classe dos brancos. onde não sofrerá. mulatos.•— A segregação não é desejada pelos governos: pelo contrário. iclade^jiível Q ducacipnalLjeligião. mas por outroUado. nas regiões de apresentadas por Roger Bastide podem ser vistas como duas formas grande povoamento de cor. que define as religiões que se acham estabilizadas^ ou "em conserva" e as regula as relações inter-raciais de maneira a evitar todo cho. recriadas e reproduzidas segundo as exigências das relações político-econômicas do capitalismo. se _na vida privada. Na>ep7oduçãõ^sõcíaRãviaã7iíaTábncã7 assalariado. familiar e cotidiana. os maiores centros urbanos são também centros industriais importantes! Numa perspectiva histórico-estrutural.mas ela não é viva. se viesse a mudar um pouco. tanto político-econômicas. na dogmática como da prática africana na América. A festa. Ao . na sociedade organizada em termos do trabalho japonês e assjm por diante. Pouco a as imagens e os atributos que cada um e todos possuem de si pouco. Existe aí um fenómeno. os preferimos uma comparação com o que se dá com o indivíduo quando sente sua negros na rua. p. nas fim. além~3eoutros'aTributos fundamentais ou secundários? • das relações sociais e. p. de que não se transforma Assim. raça e serviços modificam de forma mais ou menos profunda a estrutura classe social. Uma instituição. ' q u a r t e l e outras esferas da sociedade. todas as esferas da vida social são determinadas ou mesmos e uns com relação aos outros.^s Améhcas negras. Nesses termos é que a análise de Bastide ingénua ou críticarTIãs^ongicoês alienadas de vida de negros e adquire significação nova. As Américas negras. também. mesmo na Bahia. esta afetividade não impede a subordinação de uma cor à outra. cajMtalismo. a urbanização. se o grupo negro tem. de mineralização cultural. em toda a América Latina. qualquer frustração. não Religiões em conserva: Queremos exprimir o caráter ferozmente conservador da tenta integrar-se no seu grupo. se assim posso dizer. e como o uma seria relativamente estável. dominam a sociedade.A cultura Por isso é que no século XX as pessoas 'são também classificadas africana e a cultura da escravidão "perdem-se" na cuITufa db cornoJuanc^negro^ mulato^ índio. _mestiço.( 14). se procissões religiosas. (14) Roger Bastide. a expansão das forças produtivas. haitiano entre as segundas. as duas formas da religião negra grandes esforços com vistas a acelerar a integração nacional mas. mas cada uma fica separada. o negro(da classe baixa escome.

_AQ lado da música..e'm. de um lado contra os passo que a língua e as estruturas sociais baseadas no parentesco e na associação preconceitos raciais. (20) Roger Basti de. o negro também se jefugia.. Diante dessa problemática/Bastide sugere que as religiões negras A maioria dos pesquisadores reconhece que nas religiões negras não são africanas. como lugar de culto a outro(20). a religião é uma cultura afrícaqa. como o Calimhó dos índios ou o rés tendem a _ ^ espiritismo dos brancos. ainda nesse caso q religião (a. o folclore. destes últimos. isso fazia pouca diferença para os senhores. das Antilhas (com exceção. cit. portanto". uma vez cortada as Estas diferenças são provavelmente devidas às circunstâncias da vida escrava e amarras da África. do poder estatal ou outras oferecia escasso estímulo para a produção artística. 122. das Antilhas do espintisjnOjjDU do catolicisnip. (19) Roger Bastide. Na verdade. 123. o sincretismo é tanto mais pronunciado se passamos dos (16) Roger Bastfde. para o Brasil a ligação continuava. (22) Melville J. Em segundo lugar. como dissemos. mesmo indígena . p. Religiões vivas: O mesmo não se dá com relação a outras religiões afro.espiritismo. ou se acham "conservadas" e as intermédia deste elemento cultural. O livre tendem avariarão longo de todas as gradações observadas. citado. p. 55. Op. em menor grau.religtóo normas do passado(l6). vari. Op. protestantes) até á Argentina: l ç ) Etnicamente. No Brasil. organiza. exceto na Guiana e. fossem quais fossem as estórias contadas ou canções medida em que se modificarem as estruturas agrárias(21).particular|com o Vodu do Haiti. é compreensível. particularmente porque a similaridade entre a magia aparece de^Jorma_^inocente".ãTcíónsciêiiciacríticasempré reconhecível em toda a parte. magia) é considerada uma ^g^j^^jaTlia^ q"«* "prevalecem ou -americanas.deixam contaminar por \outras religiões populares.seu característicos africanos mais do que a vida económica. Herskovits. As Américas negras. coes sensíveis de um e económicos da vida dos escravos. evoluíam cada uma à sua maneira(19). conforme se reflete na posição As religiões que se estabilizaram. cit. 123. como nas outras Antilhas ou no continente. dos bens e das aspirações da sociedade camponesa nacional. dl.-124 70 71 . a tecnologia ou a arte. os centros e terreiros afro-brasileiros são obrigados a registrar-se na polícia. mas principalmente sincréticas~Para ele o tráfico da América Latina e Caribe ^stão presentes traços culturais africa. (21) Reger Baslide. e de outro contra a imposição de valores acidentais(lS). os controles externos eram de vários tipos e eram respondidos em diferentes formas. que se verificam em todos fartem e ntê~*impregnada de elementos provenientes os países da América Latina. porque a independência persistem elementos culturais africanosjssa é a interpretação que da ilha remonta ao começo do século XIX e levou à ruptura com a África. o que não ocorre com outras igrejas e seitas. seja no estilo aborígene africano. Op. A incapacidade da arte religião negra. pressão e pode mais facilmente ser praticada sem direção (neste caso é de particular dades distintas de organização da consciência social das populações significação a força específica das compulsões psicológicas) persistiu numa forma negras e. retiveram os seus contra a vontade assimilatória desta última. em escravos. para uma mesma região. cantadas. Na africana e a europeia é tão grande que uma reforça a outra. estilizada.. sublimada. Primeiro. -Ocorre q ue na religiâo. em Aqui é fácil discernir tendências gerais. do folclore e da magia. cit. O Brasil nunca esteve totalmente cortado da África e. p. resultado foi a falta de centralização para uma religião que. a partir de um ponfp inicial confirmam as observações de senso comum feitas durante a vigência da escravatura. Os negros não tinham mais que lutar A música. p.Alguns autores sugerem que o empréstimo (apesar das rivalidades que existem entre as seitas) para controlar a fidelidade às deeTémèhtos culturais nãoafricanos-catolicismo. The New World negro. desde que lembremos que a vida do escravo permitia pouco lazer e face do branco. Op.ojado do folclore. permeáveis de todos às influências exteriores: (18) Roger Bastide. mudará por conseguinte. Ha r^lipiãn ngffrfl Mp«nn depois de uma pausa relativa. p. os mais (17) Roger Bastide. ' ~——— esjera da vida social na qual parecem estar retidos muitos traços culturais de origem africana. demorada. música. mesmo nesse caso os pesquisado. ao protesto duplo. em conjunto. Ao mesmo tempo. daomeanos (Casa das Minas) aos yoruba e. rompeu-se em múltiplas seitas í.' pôdêrrTsêr tomadas como duas modali. pois que as condições de vida destes. nem que erigir institucionalmente. expressões das relações de alienação que fundamentam asrelações seja em outro (22). p. invertfdã. Op. enquanto Herskovits ora explicita ora sugere. ou mesmo leis. 121. existem tantos Vodus Os senhores de escravos estavam basicamente interessados nos aspectos tecnológicos quanto são as regiões da ilha e. e poucos eram os obstáculos opostos ao seu modo de retenção.. 121. preserva.. em africana para sobreviver. p.não altera o espiVifn afhVanr. a magia e a religião. citado. 123. o que faz fni bastante profunda e com que as seitas afro-brasileiras permaneçam em contato com as religiões mães(17). naturalmente. cit. comum. que tende a tornar-se clandestina sob religiões "vivas". sociais. A magia. aos bantos. os verdadeiros candomblés formaram uma Federação religmò dFBãsejfjricâna. à preservar. Enfim: tendo-se tornado o Vodu. no Brasil. as Comunicações recomeçam atualmente. d& africanos e a escravização destes destruíram amplameri!ê~a~ noS-. Mesmo quando a reiigiáo negra.jaulatas. pervertia qualquer padrão de estrutura social que os negros quisessem vistas da falta de luta contra a cultura europeia. da religião do branco. porque esta independência conduziu à eliminação da população branca. inglesas. a expressão de organização. No caso da religião.

\ culturação dos africanos. de dissumilar aos olhos dos brancos suas recinto das seitas fechadas. ela transforrna em negro. p. A religião do vencedor se tornava a única religião pública válida para a nível morfológico (sincretismo em mosaico) ao nível institucional (com.. Para isso. 1971. haveria uma zonas rurais. As Américas negras. fundada na iniciação e no segredo. muito além das litografias ou das estátuas dos santos. não imaginassem que as danças sejam manipuladas contra ele. consiste em assimilar o que vem de fora. Pode ser explicado historicamente. nele não se entra obrigatoriamente por pertencer-se a uma linhagem. celebra-se nos bairros das cidades. sincrética ou não. às cidades. É o que ele registra (nos países em que o branco domina as estruturas político- nos dados da tabela V. também para hastirip n i e era_a'frjr. manipulam-se forças temíveis. (23) Roger Baslide. resiste . mistério. produzia-se um desnivelamento dos valores. subalterna. e em que surgem em algumas análises. .. estas são hipóteses ou interpretações inscrever-se nos quadros de uma contra-ideologia. os sacerdotes ou sacerdotisas do Brasil reconhecem opressão económica e racial da classe dominante(25). Religião de vencidos. na época colonial.gmn _ SP . Em primeiro lugar. Na visão do mundo do negro. bem como no resto das duas Américas negras. 3°) Institucionalmente. À ideologia da supremacia do branco negras e brancas. cultura não esclarece duas questões básicas. Mas esse segredo inquieta o branco: ele sente que. ou católicas e afro-americanas.e a regra para a magia fenómenos são encontrados no Brasil. Note-se que a escravatura fni a forma assumida pela catacumba espiritual. subalterna e organizada segundo os interesses e o predomínio da Mas ainterpretaçâo da religiãQ negra. em casas isoladas ou em esconderijos das florestas tropicais. consecutivo à passagem da sociedade mais ou menos igualitária para a sociedade mais ou menos profundidade". receia que tais forças seus senhores. o que fazia com que tem a consciência tranquila em suas relações com o negro. deuses africanos-santos católicos) e do nível massa total da população. as relações de dominação século XX. é preciso considerar a natureza dos fatos estudados. que o sincretismo não é mais do que uma máscara dos brancos posta nos deuses negros(24). p. é uma espécie de Ç escravos. São Paulo. citado. claro que a religião pode ganhar o caráter de uma contracultura. e como nem sempre ele cerimónias pagãs. Ela apresenta elementos convincentes. Gurvitch chamou de "a sociologia em religião ao povo vencido. se passamos das religiões "em conserva" às religiões vivas. Nesse implica a oposição negro-branco. A regra para a seia em religião de mistérios. tradução de Maria Eloisa Captellato. Sim. retém ou recria elementos culturais de origem africana política e apropriação económica permitiram à casta dos senhores para defender-se ou opor-se ao domínio exercido pelo branco. e que essa aculturação foi forçada. tanto social como biológica. Essa interpretação é bastante atraente. -econômicas de poder) o negro tende a opor uma contra-ideologia. p. pela intermediacão da' escravatura. (24) Roger Bastide. na qual o negro evade-se. os subcultura ou contracultura. negros "livres" e seus descendentes puderam agrupar-se em corporações e "nações". Ainda hoje. já que a vida de um organismo. Tem-se frequentemente observado que. ou subcultura ou contracultura. enquanto a religião vencida (e aqui tornamos a encontrar institucional ao nível dos fatos de consciência coletiva (fenómenos de. a da acumulação(23). o sistema das correspondências. onde os escravos. as alternativas do comportamento coletivo) se degrada em magia ou se metamorfo- 5Ç) Enfim. Nesse destruir e recriar. de uma categoria social subordinada. 144. quando um povo invasor impunha a sua 4Ç) Sociologicamente. ou reestruturar. 72 73 . e Olívia Krahenbuhl. dançavam então diante de um altar católico. é da resistência ao domínio do vencedor. Livraria Pioneira Editora. onde a mestiçagem cultural é intensa. Ambos os religião continua sendo o estabelecimentodecorrespondências. mesmo achando as coisas esquisitas. corno urna forma de contra- \casta dos brancos. ou sob as (25) Roger Bastide. ASSim. pela necessidade que por uma iniciação voluntária. dos negros se dirigiam. ou articula alguma luta contra a supremacia do branco. às. os escravos se servirem de Exu. 544. Op. As religiões africanas no Brasil. Receio absolutamente sem fundamento. mas além de ser o mais estudado. Por sob os africanismos. 2°) Ecologicamente. tende a se tornar um culto t de O sincretismo por correspondência Deuses-Santos é o processo mais fundamental. 2 vols. Nessa perspectiva de interpretação é que dência e alienação de branco e negro geram um antagonismo Bastide busca as mesclas e as correspondências entre divindades insuportável para o negro. as formas de sincretismo variam de natureza quando passamos do estratificada. esconde-se. Com efeito. o sincretismo é tanto mais pronunciado se passamos das mesclas e correspondências do sincretismo religioso. o sincretismo é tanto mais acentuado.reinterpretaçào). os elementos culturais da casta dos sentidõ~ a ^religião negra. 142-143. no tinham os escravos. cit. apenas ou fundamentalmente processo. ^. segundb volume. e seguindo o que G. entre outros. enquanto categoria racial criada nas de vencidos que guardam na prática religiosa um dado fundamental relações sociais de produção em que se acha também o branco. a religião negra é formada como uma totalidade sincrética enquanto raças. Já está sugerido que a religião negra é uma religião de vencidos. Mostra que o negro da ^m/r'''a T at'"a_**^rvníy nn Ao longo dos séculos de escravidão. não há dúvida que as relações de interdepen- mais ou menos autónoma. O candomblé se refugia no segredo. de Ogum ou das ervas de Ocem para lutar contra a divindades africanas.

ou como e quando a política dos «3 •s « . Pode-se mesmo dizer que existe um > componente crítico na religião negra.a * antagonismos de raça implica a política dos antagonismos de classe.cultura dominante. ou se desdcbra nela. expressa. O negro de que falo. ou somente são compartilhadas por brancos que aderem à negritude. Mas não está ainda demonstrado que o conteúdo da religião negra corresponde efetivamente a uma contracultura ou contra-ideologia. O candomblé brasileiro. ou em segmentos da sua . sem mais. é esclarecer como^raça e classe se Í* subsumem reciprocamente. o caráter de uma frente de resistência em defesa do negro. funcionário.0quenãoéclaroé que esses antagonismos expressam e esgotam a condição do negro. seria necessário que o conteúdo da religião negra fosse expressivo das relações de interdependência e alienação que marcam o relacionamento do branco com o negro. Enquanto não se esclarecem essas duas questões. co- l s merciante. empregado. Consciência política o •e a v* '2a a Q s A metajnjjrji^e_doescravo em negro e mulato é também a »P« metamorfose desama forrnlTde alienação a outra.jrolcloree^ língua tornam-se a expressão de um empenho em garantir um^universo sócio-cultural restrito. no qual o escravo se refugia. música. estudante. resta por demonstrar-se o caráter da religião negra. segundo lugar. o escravo é alienado no produto do seu trabalho e em sua pessoa.ia. jjirma 75 . soldado.ã si nessa condição que ele reelabora ou recria elementos da cultura III í 35 (3 {« CO W africana. e em oposição ao branco. possua um caráter I líf l Ti <* critico ou venha a desenvolver esse caráter. ou g o l il as formas sincréticas assumidas por ela. é também operário industrial. ío vodu haitiano e a santeria cubana contêm elementos sociais que expressam visões do mundo que não são compartilhadas pelo branco.. intelectual. ^aliejiaçãa vigentes nas relações entre o negro e o brancojjeram . no Caribe e na América Latina. Mas sugiro que os africanismos persistentes na religião negra. pequeno-burguês etc. Inclusive o branco. em face do branco. E são muitos os indícios de que os africanismos e III! II l sincretismos 'escondem alguma resistência à visão do mundo expressa na ideologia racial do branco. operário agrícola. em combinação com a cultura da sua própria condição escrava. não lhe conferem. Uma questão central. E é Is s l "WíáW3l WâW. É claro_gue_as. Note-se que não nego que a religião negra. na América Latina e no Caribe. maj. antagOQÍsrnQS. portanto. Nesse contexto^ ai^religião._relações de interdependência » . Na escravatura.

é recriada e reelaborada juntamente visavam. Apesar das condições adversas nas quais ele circula no mercado de A dupla alienação em que se acha o negro. porém. a sua negação da condição escrava. ele recria e reelabora os elementos culturais da sua condição de classe e do seu A formação de clubes e associações no "meio negro" data de 1915. p. e assalariado.. em Roger Bastide com frequência são-jduplamente alienados.organização de uma biblioteca . A condição duplamente subalterna da maioria logo. não se desenvolvem a não ser de forma irregular. São Paulo. social e racial. três ou quatro séculos.. sindicatos. porque são alienados e Florestan Fernandes. ou mulato. as formas. alienação e antagonismo das classes Estado de São Paulo(26). Há casos em que a situação se vols. pois que a maioria negra é subordinada a grupos brancos Ê resiste à cultura da escravidão.foi consciência de alienação po^ènTse7Tira"rsTÍiferencTádas. Brancos e negros em São Paulo. A condição de raça e classe subsumem-se reciprocamente. da classe média. A despeito dissojis subalternas. se tornam "um órgão de educação" e um "órgão de protesto". ainda que de segunda classe. lúdicos seu protesto. Em magia. contraditória mesmo. Além de operário industrial ou agrícola. ou confundindo a sua compreensão das próprias condições de vida. Companhia Editora como membros de uma raça diTerènfeTinferior. do negro em São Paulo.«classes o negro. por exemplo. As organizações aparecidas não dois. jornais negros. morais. Como negro. A experiência coletiva e histórica de escravo. 281-282. a língua continuam a ser ambiente criado pela incipiente afirmação coletiva do elemento negro. Getulio Vargas. Consultar também. nascidas no que a religião. 269-318. é modalidades de reações. complica. tendo-se passado escravo. Nessa condição. Latina e Caribe. 1965. 1959. politicamente organizada. propondo-se somente fins "culturais e com a experiência presente de negro ou mulato membro da classe beneficientes". Entre a abolição da escravatura e a criação de um funcionário ou empregado. mestiço ou outra categoria racial) na sociedade de classes o negro pode negociar a sua força de trabalho. que foi extinta pela ditadura instaurada em 1937. A evolução naquele sentido se operou naturalmente. publicados entre 1915 e 1922. tem dado origem a várias índio. folclore e língua acabam por tornar-se o universo tóda^ategõria social subalterna. 29 edição. mesclando passo que na sociedade de . assumem uma orientação literária. por causa dos da população negra e mulata. Dominus Editora. sob a pressão da própria situação económica e social outra categoria social. Brasileira. de finalidade nitidamente cultural com que surgiu . em face do branco e Nacional. trabalhador livre. Como pessoa. O negro e o mulato (26) Florestan Fernandes. Tomemos por exemplo o Centro Cívico Palmares: "A Na sociedade de classes^ no século XX. passando essa sociedade a ter papel na defesa dos negros e dos seus direitos". da casta escrava. da mesma forma que entre outras raças e classes que. p. depois de 1927. É verdade superada por força das condições em que vivíamos. a magia. entre os negros e mulatos ^consciênciade alienação relações. ele organizou na década dos anos trinta a Frente Negra assalariado) e na sua condição de cidadão: é negro ou mulato.a casta dos escravos é de fato outra raça. operária (urbana e rural). partidos) o negro formalmente livre. Os primeiros negro. p ode ser branca. sociais. à "arregimentação da raça". A casta dos senhores concede_esse e mulatos. ele é negro ou mulato. a consciência política da situação Sócio-cultural em que o escravo se refugia e guarda a sua rebeldia. por intensificado por volta do período de 1918-1924. dificulta bastante a transição de uma consciência "ingénua" (ou mesmo alienada) da alienação. ou está organizando a sua consciência e prática política. crítica. portanto. que ções sócio-culturais e políticas desse universo são dadas pelas se constituiu em 1931. Outras organizações^. Os conteúdos políticos da condição social (político-econômica) do Evolução paralela se verificou com a imprensa negra da cidade. o tende a aparecer mesclada com elementos religiosos.é_alienado no produto do seu trabalho (quando exemplo. citado. Além da religião e arte em geral. 2 na" q uaTãTriãíõna. . "A luta contra o preconceito de cor". São Paulo. No Brasil. como membros de uma classe social também subordinada a outra. em quase todos os países da América problemas sociais que afligiam as pessoas de cor. refúgicu Inclusive toma esse universo sócio-cultural como prova de Nessas condições. entretanto. para uma consciência adequada. os valores e as estralaras articulados em torno da religião. a música. Mas. o negro e o é~óútrosL Os próprios valores políticos das raças ou classes dominan- mulato estão subsumidos na condição escrava. em quase todos os força de trabalho (quando é obrigado a competir com o branco^ países da América Latina e Caribe. pequena-burguesia ou em algumas dessas associações. citação das p. por subalterno. não se apresenta imediatamente como uma consciência política. 77 76 . movimento mais explicitamente político. do mesmo autor: A integração do negro na sociedade de classes._É um cidadão. propunha-se a "congregar. surgem várias manifestações novamente recria e reelabora os elementos culturais da sua condição bastante significativas. música. Mas_. Aqui. Ao tes invadem e permeiam a consciência dos subalternos. A Frente Negra Brasileira. que formavam o seu público (27). (27) Florestan Fernandes. educar e orientar" os negros do relações de interdependência. também nas organizações políticas (associações. aparecem com esferas de um universo sócio-cultural importante._é_um. "A luta contra o preconceito de cor". o folclore. por ademais de assalariado. Mas as significa- propósitos mais definidos e combativos. 283.

colonizadores ou não. Rio de Janeiro. descen. César Fcrnandez Moreno (coordenador).) e as distribuições das raças pelas subsumir-se à condição de classe. sem haver superado as subdivisões sociais em cada sociedade. para uma situação de religiosas. Em cada um. atividade religiosa. brancos. as atividades . ele se transforma em negro operário. No México. 131-140. negros e mulatos. ou ampla. 1972. a condição racial pode dentes de europeus. artísticas e políticas parecem desenvolver-se cada vez classe. Não possuem um partido. em nenhuma econômicas. e em perspectiva dades. tanto os proletários como os que ingressaram ou começam tambémjjcorre a mesma subordinação. ou brancos. o negro brasileiro tem votado nas Esse processo de politização da raça negra caminha de forma eleições políticas em candidatos negros. os brancos. em vários dos estados em que se organiza Latina. índios.™põ~uco~a ^xnico.produzidas nas suas relações passadas e recentes com ficas (negros. pouco em algumas sociedades do Caribe. no entanto. Mas Colômbia. recentes. No conjunto. Ao mesmo tempo. negro e operário. o teatro. mulatos. Enquanto operário negro^ exclusivas nem únicas. imigrantes. Elas não são nem se acha como à ideologia racial do branco. o cinema podem tanto exprimir formas de Siglo Veintiuno Editores. Salvador. são diversas as estruturas classes sociais hierarquizadas. em face da religião e outras formas de organização da indústria ou na agricultura. . o negro brasileiro realiza congressos. p. esp. fazer. Mas assumem o poder político sem alterar a estruturação de classes em que se dividem negros e É óbvio que as mudanças das condições de consciência social não mulatos. com a urbanização e a industrialização. _Mo_Brasil negros. brancos. 79 78 . ou sobrepõem-se a elas. fhe modern culture of Latin America. Há.ou negros e mulatos pobres e negros e industrialização. condição alienada em que se sente o negro. Peru e alguns outros países da América os grupos negros. o alemão e outras categorias do despeito do vigoroso predomínio do mito da democracia racial. políticos de negros e mulatos adquirem alguma. Depois da abolição.cojisciên£Ía movimentos artísticos. 1970. artística e política às estruturas criadas e duais e deputados federais. É claro que a situação é diversa elemento do exército de trabalhadores de reserva. Nesse caso. Nesses casos. E há mesmo indícios de que o negro e o mulato se vêem de o negro tornou-se um desempregado.havida logo após a abolição da escravatura. deputados esta. a branco. Há uma evidente politização dos grupos dominadas por brancos. sentir. desenvolver ou aprofundar a análise dos der. como por exemplo nas cidades de histórica. em negros e mulatos . desenvolvimento agrário. Ocorre que o negro reajejanto às condições reais de vida em que hipótese. por exemplo. índios e mestiços. que é proibido pela constituição adotada pelo governo em 1969. têm eleito vereadores. manifestações artísticas que podem expressar outra ou outras modalidades de consciência da (28) Jean Franco. alienação e va transição de uma consciência religiosa da condição do negro para antagonismo geradas com a reprodução das estruturas político- uma consciência política. conforme o contexto das relações de interdependência. conforme o país da América Latina e Caribe. México. a p. Como desenvolver a sua criatividade e marcar a individualidade e origina. mestiços. Nesses casos. como categorias sociais e políticas às condições adversas que precisou enfrentar. às outras. de forma paulatina ou rápida. em várias partes do país mais. Nessa época ele é talvez o principal confunde brancos. Também organiza oi posto pelo branco (2 8). Além disso. Em anos sobrepor-se. o imigrante. esp. o variável. para recriar e que o negro tem sido levado a formular e desenvolver. aceitar ou rejeitar a condição de raça subalterna na qual o negro seus problemas. são os negros e mulatos que se defrontam são homogéneas nem semelhantes nos vários países da América direta e explicitamente com a dupla alienajção em que foram Latina e do Caribe. Em algumas áreas do país. A alienação racial produz desenvolvimentos políticos. na mia. Note-se. asiáticos etc. -No conjunto._São várias as modalidad£s. América Latina en su literatura. A poesia. Penguin Books. mas com algumas peculiari- a ingressar nas classes médias. a substituição de uma por outra. 62-69. e mesmo lumpenizou-se devido forma cada vez mais nítida. rechaçam as propostas políticas dos dupla condição de vida da maioria dentre os negros e mulatos. Depois. há uma consciência política que se sobrepõe.—a pintura. nas quais a população negra e a pouco. raciais. pensar. Venezuela. vai sendo absorvido nas ocupações assalariadas que se mulata é maioria ou está no governo. Além disso. como teatro. o que tem sido a consciência social. classes sociais. dança e outros. as composições demográ. na competição coni o potenciais. tendência. Note-se que a transição da consciência religiosa para a consciência política não significa.dÊ. debates e consciência religiosa e política como outras maneiras de compreen- discussões. ocorrida em 1888. distinguem-se os graus de urbanização. autono- Assmf. o italiano. os movimentos multiplicam e diferenciam. o negro brasileiro evolui de uma situação de ànomia. em face do branco e de si mesmo. parece evidente a progressi. entre 1945 e 1975. mulatos ricos . que ambiente racial brasileiro. São Paulo e Porto Alegre. os grupos negros estão obrigados a subordinarem a sua administrativamente o país. a formação social capitalista produzidos historicamente: eles próprios acham-se estruturados em assume uma feição singular. para retomar.. ou começa a ' lidade da sua maneira de viver.

Isto é. por exemplo. A ideolo- gia racial do branco o rejeita ou confunde. É diante dessa situação. que o negro toma consciência da_sua dupla^alieriãçaõ: como_ra£tfecomo membro de ceasse. Nesse sentido. Nesse contexto. o negro se vê em SEGUNDA PARTE condição subalterna. KO . Enquanto membro de raça. a ambiguidade.ele. Além disso. prática e ideológica. o operário negro precisa ser melhor do que o operário branco. Enquanto membro de classe. é levado a pôr-se diante de si mesmo e do branco como membro de outra raça e membro de outra classe. da sua condição duplamente subalterna.sofre o preconceito. está mesclado com membros de outras raças. o mito da democracia racial e outras expressões da dominação exercida pelo branco confundem ou irritam. Na estrutura ocupacional e na escala de salários. ele . . raça e classe subsumem-se recíproca e continuamente.Para ser igual a um operário branco. tanto prática como*ideologicamente. o negro está em piores condições. . e precisa lutar a partir dessa condição. tornando mais complexa a consciência e a prática políticas do negro. o negro é-levâdo a elaborar uma consciência política dúplice.Jnão desfruta dos mesmos direitos do operário branco que se acha em idêntica situação. O paternalismo. mas não o considera igual. a ^discriminação ou também a segregação. e precisa lutar a partir dessa condição.o negro. está só. para reduzir ou eliminar as condiçõeTda sua alienação.

na medida em mundo capitalista. NJto tratare^de^roblejnas raciais em países socialistas. quero fazer dois esclarecimentos preliminares. económica. quando as condições são RAÇA E POLÍTICA favoráveis para a demanda de força de trabalho. índios. nível de instrução. estratificação social. etnia. É claro que as implicações políticas dos proble- que ela pode funcionar como um artifício competitivo. Ao mesmo tempo. porque quero reunir elementos e sugestões para a compreensão do caráter das tensões e antagonismos raciais no 126 127 . ou em processo de integração. também se revelam mais abertamente as implicações políticas. etnia. Penso que eles ajudam a explicitar a perspectiva analítica em que me coloco. ou estratificada. e outros atributos. sexo. de situações nas quais as raças parecem conviver em acomodação. os trabalhadores são divididos em negros. relativamente à demanda. ocasiões em que às vezes ocorrem mortes. raça. iguais perante a lei. Apenas formalmente todos são maneira mais ou menos harmoniosa. cidadãos. nível de instrução. sexo. Antes de iniciar a discussão. em função do excesso da oferta de trabalhadores. brancos e outras gradações. francesa ou norte-americana. por exemplo. a demanda se organiza em função da qualificação profissional. Na indústria. política e socialmente. Creio que as manifestações de antagonismo e conflito são mais reveladoras das implicações políticas desses proble- mas. situações essas expressas nos rims dos negros norte-americanos. Isto é.repartição da renda e organização do poder político são ali diversas das leis estruturais que organizam a sociedade capitalista. No mercado capitalista de força de trabalho. nas guerrilhas dos negros africanos e na luta armada dos vietnamitas contra a dominação estrangeira. a demanda é sempre seletiva. raça. pretendo fazer algumas sugestões sobre as implicações discriminação. Mas suponho que essas questões apresentam outras especificidades. esta tende a tornar-se mais seletiva. segundo critérios económicos. se admitimos que as leis de divisão do trabalho social. religião. Nessas mas raciais poderiam ser apreendidas também por meio da análise condições.. Nos conflitos gerados pelos problemas da integra- ção linguística na índia. idade. capacidade de articulação política de suas ideias e outros característicos. económicas e culturais da heterogeneidade racial nesse país. filiação sindical. religião. políticos e sócio-culturais. O resultado óbvio é a sofisticação da escala de Neste ensaio. implicações essas invisíveis ou não expressas nas situações de acomodação e integração. Prefiro concentrar-me apenas em países capitalistas. Deixando de lado o fato de que essas situações parecem ser menos frequentes. Com isso não pretendo sugerir que esses países não se enfrentem com questões raciais mais ou menos relevantes. As condições económicas e políticas das relações raciais concretas aparecem de forma clara nas situações de antagonismo e conflito. o trabalhador pode ser selecionado em função da sua qualificação profissional. Quanto mais graus de liberdade tiver. não há dúvida de que elas são menos propícias à interpretação das condições e possibilidades de desenvolvimento dos problemas raciais. idade. filiação a Significado político dos problemas raciais partido político. essa escala de discriminação pode políticas de situações de antagonismo e conflito raciais em países do ser generalizada no seio dos próprios trabalhadores.de mestiços. mulatos.

nos países do mundo capitalista. com. relati- meu ver. A 1 despeito da contínua difusão e propaganda dos ideais gerados com a cultura burguesa do capitalismo europeu e norte-americano. culturais e de Antagonismos e conflitos raciais pesquisas sociológicas e antropológicas iniciados e estimulados pela UNESCO desde 1947. pane Tensions et conflits. do mesmo autor. racial. Harper& Brothers Publishers. às vezes amplamente. N" l. Editora Civilização. Outro grupo de países. Paris. jip raciais seriam ininteligíveis se examinados em si. Tavistock Publications. Vol. 1960 (28 no Brasil. Myrdal. cap. 1973). ocorrida em 1947. De Ia nature dês conflits. 1959. Companhia Sociologie. V: Michael bulletin. Roger Bastidee Rorestan Fernandes. nos quais os conflitos raciais indispensável que a análise passe pelas relações sociais estabelecidas entraram em etapas políticas novas. étnica. marcas ou outros elementos fenotípi. Unesco. os seus idealizadores pretendiam (2). Librarie de Médicis. é que os problemas raciais parecem antes agraVar-se do que resolver-se. na incorporação antropologia e a genética. a mudança sociais. surgidas com a sociológico. ou socialmente recriados. Esse é o contexto em que se torna possível conotação racial das várias guerras havidas nas últimas décadas no pesquisai e interpretar tanto os fenómenos de relações raciais. Êtats de tension et Banton. Isto significa que as raças são tomadas nas de operários imigrados da Argélia. Para isso. nantes e cidadãos. 1957. é surpreen- problemas raciais. Penso que é impossível. dado pela expansão capitalista baseada. por um lado. Paris. de raça social. linguística e religiosa de suas populações. É sintomático. racial. Itália. A (2) Estas são algumas publicações nas quais se registram e discutem as preocupa- ções e os programas da UNESCO relativamente a tensões raciais: Otto Klineberg.contexto de situações coloniais e imperialistas. e do movimento aprista do Peru. International social science American tradition. linguística e religiosa têm gerado tensões sociais e coloca diretamente diante de relações políticas. sem conexão com Brasil. que os programas educativos. os problemas de base sociais da situação (1). Rodésia. como os fenómenos de ressurgência de identidade mantidas pelos vietnamitas contra invasores franceses e norte- étnica e racial em níveis nacional e internacional. antagonismos e conflitos~déTvãsè~raciãl. 1951. 1968. Unesco. The Laíin "The UNESCO project on international tensions". New York. segundo os componentes desde a independência. se a análise não apreende os conteúdos e as implicações mente verdadeiro para os Estados Unidos. Lê racisme devant Ia science. em Oriente Médio. London. raciais ou não. 11-21. Portugal acepções dadas a partir da perspectiva das próprias pessoas envolvi. Raças e classes sociais modern science. The race question in Editora Nacional. traços. creio que se pode diferenças de atributos. Espanha. americanos. Ocorre que_a noção sociológica de raça nos étnica. 1972. Alemanha e Suíça. afirmar que os indigenismos da revolução mexicana. apresentam Neste ensaio. Unesco. consultar: Charles Wagley. dente como a_prática das^ relações entre as pessoas. 1967. dentre os pelo modo de apropriação do produto do trabalho social. Race relalions. Paris. países africanos e das na situação social concreta em que se encontram. entretanto. ou muito difícil. 1951. New York. esquecidos. essa é uma maneira de apanhar as dimensões políticas dos vamente à igualdade política e intelectual dos cidadãos. Rio de Janeiro. a meu ver. Tssõ^ê eSpécM- países. Columbia Universirv Press. África do Sul. cap. Inglaterra. o agravaffieTlTo Estados Unidos. a noção de raça está usada no sentido situações de tensão^-cojiflito raciais também novas. Paris. maia e inça. surgido na década dos vinte. Gunnar compréhension Internationale. África do Sul. São Paulo. índia. I. iniciada em cos e físicos. é Inglaterra e alguns outros países. os grupos e as preender as condições de resolução de problemas raciais. os processos e as estruturas económicos e políticos que deixou de ser uma expressão da ideologia racial da classe dominan- governam as condições básicas de estratificação. 1949. Em termos totalmente diversos. Librairie de Médicis. políticos das tensões e antagonismos raciais. apêndice I. Paris. entre árabes e judeus. nos classes sociais revela a^persistèncTa e. Grécia. e não no de raça biológica. Em outro plano. Hadley Cantril. Paris. E cabe lembrar. edição. Brasil ou outros de tensões. relações sociais de apropriação económica e dominação política.Brasileira. Na índia. não produziram melhora substancial das condições de vida das Essa colocação preliminar indica que. os problemas populações de origem asteca. reprodução e te. 1944. na medida em que as políticas relevantes para a nação. branca. Da mesma forma. (1) Quanto ao conceito sociológico de raça. p. aliás. 128 129 . Brancos e regras em São Paulo. por outro. ainda. 4. quais encontram-se a França. 1956. não produziram os efeitos civilizatórios que O que surpreende e desafia tanto cientistas sociais como gover. e situações nas quais mesclam-se raças e classes sociais. Octavio lanni. e outros países. não há indícios seguros de que o mito da democracia racial as relações. Association Internationale de II. quarta parte. e das muitas e longas guerras sentido estrito. situação essa asiáticos defrontam-se com os problemas criados pela multiplicidade na qual os critérios biológicos são geralmente menos importantes. An Amerícam dilema. são organizados e definidos pelas 1910. muitas vezes. para usos internos e externos.

o desfavoráveis. E apontava a relação entre raça ao apanheid ou que são objeto de coerção e agressão económica ou de pressões e economia. a países árabes e nos quais predomina a religião islâmica. sob o título "ONU : (3) Nações Unidas. à discriminação. fica evidente a articulação entre económicas que estiveram ou permanecem sob domínio estrangeiro(4). na década dos setenta. pois. em países O domínio da agricultura pelos monopólios levou à alienação das terras da africanos de população negra.especialmente as terras. os monopólios estrangeiros e mo espanhol. Unesco. em conjunto. Eles só podem vender suas safras população. asteca e maia continuam a ser uma parte importante da que se especializam as companhias concessionárias. religiosas ou outras naturalmente varia em cada colonial e racial e ocupação estrangeira de lutar por sua libertação e para recuperar o situação específica. portos. nos seguintes exemplos: o tribalismo e a negritude. estimadas em os problemas raciais estão postos junto com os problemas econô- mais de 5 milhões de dólares. nos territórios coloniais. o hispanismo em alguns países latino-americanos cujas para os agentes dessas companhias e a preços por estas determinados. a companhias estrangei. ou rel . raciais. cidades. (4) Transcrição de Folhade S. no entanto. indigenismo. em população indígena. consultar: Apanheid: its effects on educalion. a população indígena vê-se privada do direito África do Sul até a índia e o Brasil. terras pertencentes a latifundiários europeus e. uma agricultura altamente desenvolvida. que As populações indígenas africanas permanecem em uma situação miserável. Quanto ao problema racial na Informações Públicas. aeroportos e outras riquezas criadas à custa do sangue e do suor da No presente. Como as melhores terras foram tomadas pelos estrangeiros. em países latino-americanos nos quais populações de ras. minas. Paulo. não elimina as suas implicações raciais. culture and information. Em documento de 1969. sempre em detrimento das populações indígenas políticas e do neocolonialismo em todas as suas formas e que chegou a exercer ou estão exercendo domínio efetivo sobre os seus recursos naturais e atividades africanas. É importante notar. Nesse documento.ao mesmo tempo que são a Em 1974. relações económicas e estruturação do poder político.. apesar de as potências imperialistas terem investido enormes quantias. nem as suas significa- sendo objeto de uma dupla opressão. ao formular recomendações a afirmação de alguma especificidade racial. maioria esmagadora dos camponeses vê-se obrigada a arrendar. elementos constantes e às vezes fundamentais em muitos países do Como os meios básicos de produção . dentro e fora de Israel. política propósito da exploração de matérias-primas em regiões coloniais e . e sugeria que a estar mesclados com formas de estratificação social. itas condições mais entre populações de .registrava a persistência e o agravamento da submetidos à dominação colonial e estrangeira. o panarabismo e o islamismo. A ênfase cultural. africanos e latino-americanos. pois. Dessa maneira. organização das ONU se empenhasse em ajudar esses povos nessa luta. Respondem a algum tipo de racismo. _as_ antagonismos sociais. em ideologias desse as potências coloniais obtêm lucros ainda mais altos.da qual a UNESCO é uma A prestação de assistência aos países em desenvolvimento e aos territórios organização afiliada . de base. racial são mão-de-ohra africana. capitalismo e racismo. exercida pelas companhias estrangeiras e pelas ções políticas. New York.estão nas mãos dos capitalistas estrangeiros e aparecem nos mais diversos países desde os Estados Unidos e a dos habitantes locais a eles associados. à ocupação forânea. Também manifestam-se no de participar das atividades económicas e comerciais. ou melhor. nessas recomendações votadas pela Assem- bleia Extraordinária das Nações Unidas sobre Matérias-Primas. giosa. como servir á exploração dos monopólios estrangeiros e das autoridades coloniais que os apoiam. em face dos países têm à sua disposição indústrias. Reeenh€cia-a direito de-os povos coloniais imperialismo. neocolonialistas ou imperialistas. 130 131 . de base racial mais ou menos evidente. que essas e outras minorias brancas (3). tipo. tendem a ser com frequência éontra-ideologias. o sionismo. étnica. normalmente são muito inferiores aos preços médios pagos aos fazendeiros europeus tradições históricas e culturais comuns foram herdadas do colonialis- e aos preços do mercado internacional. science. os quais. Serviço de deve ser criada nova ordem económica mundial". 'ideologias sociais. A importância relativa e absoluta das dimensões económicas. Contrastando com isso. colonialistas. O destino a ela reservado é o de âmbito das j-ela^õejjjilexnaciojnais. 1969.origem judia. situação racial na África Meridional. É importante observar. Paris. O direito dos países em desenvolvimento e dos povos de territórios sob dominação políticas. 2 de maio de 1974. p. mas é inegável que umas e outras coexistem e domínio efetivo sobre os seus recursos naturais e-as suas atividades económicas. 17. a * micos e políticos relativos às condições coloniais e de dependência minoria de exploradores brancos locais e os monopólios estrangeiros a eles aliados de países asiáticos. a ONU voltou ao assunto. 1969. a ONU . 6 África do Sul. os antagonismos raciais fábricas. religiosa. Os camponeses africanos são obrigados a cultivar apenas aqueles produtos em origem inça. A população indígena está. unindo e divorciando países. Interesses económicos estrangeiros e descolonizarão. colonialismo ou países dependentes. entre a acumulação capitalista e a exploração do negro pelo branco. ou outra. indústrias e mundo capitaJister Em distintas gradações. Ocorre que os antagonismos raciais tendem sempre a lutarem por sua emancipação económica e política. transportes e comunicações . p.

ou no Oriente Médio e na Europa. p. Em 1962 essa Condição racial e desigualdade económica desproporção é maior. os casos. 0 valorizam-se cada vez mais os ideais de igualdade intelectual e não branco (negro. racial. (5) Paul A. ser mais agudos em 1974 do que ao término da Segunda Guerra Não é necessário lembrar aqui que essas diferenças de participa- Mundial. É evidente. p. em várias ocasiões dos. Todas as A meu ver. Em 1969 essa relação se no Canadá. condições sociais e técnicas de organização do trabalho. em dado país. na fábrica. dependentes e média dos não brancos do sexo masculino alcançava apenas 54 por dominantes. o problema da matança de judeus pelo ção no produto do trabalho social não se explicam apenas pelas nazismo alemão. sem distinção de raça ou geral participa em apenas mais ou menos cinquenta por cento da credo religioso. na cidade e no campo. parecem cento do que era ganho pelos brancos (6). por sua violência. Inclusive pode verificar-se que al- guns dos antagonismos estruturais básicos.5 os não brancos na mesma situação. The conflito que se repetem em um e muitos países. na violência guerrilheira. 261. políticas e outras. mas eram 14. 132 . que em última instância podem explicar a York. históricas de sua formação demográfica. Com isso não económicas. condições económicas. Edwards. é evidente que os conflitos de diferenças de preparo profissional. São também essas raças que podem reivindicar emimenor mais significativas reaparecem nas situações concretas presentes. 1966. ou na Irlanda e cento do que era recebido pelos brancos. culturais e políticas de educação e profissio- tos em compreender e resolver esse paradoxo. Muitas discussões e fazenda. salvo. sobre fenómenos raciais no quanto ao tipo de preparo profissional. seja nos Estados Unidos ou África do Sul. nalização. também se explicam pelas mundo capitalista. em todos relações de produção. Ásia e Américas. Nos Estados Unidos e na África do Sul. na índia ou A verdade é que a participação desigual das raças no produto do Brasil. desempregada (5).certamente estão inspiradas pelo interesse de mui. Inclusive Ela se verifica na Europa. O preconceito e a discriminação quero dizer que as condições históricas e culturais de formação das raciais estão sempre inseridos dinamicamente na prática das sociedades multirraciais não sejam importantes. na atuação de partidos políticos de base racial. ção do trabalhador negro em distintos contextos. em cada situação específica. Weisskopf (Editors). as tensões e os mantinha quase a mesma. Monopoly capilal. às vezes as duas integradas numa só. New econômicas.0 da força de trabalho Grande parte da problemática relativa às relações raciais. Além do mais. Assim. capitalist system. Monthlv Review Press. me essa problemática manifesta-se em países capitalistas. em 1940 havia 13 porcento de brancos desempregados. é evidente que os brancos são menos atingidos pelo desemprego. Prentice-Hall. por exemplo. São as relações político. ou grau de socialização nas base racial ganharam dimensões inesperadas. parece acompanhar a história das relações político- e^onômicas das classes sociais e dos grupos raciais nelas distribuídos nos Estados Unidos ou no Brasil. académicas e não académicas. aparece de Não é surpreendente. religiosa e te. como ocorre na explora. em 1948 a renda antagonismo e conflito raciais. na África do Sul. em praticamente todos os países capitalistas. pois. Michael Reich e Thomas E. Baran e Paul M. organização política e sofisticação ideológica. sociológicas e antropológicas mostram que as do enquanto a análise não busca as raízes económicas e políticas das raças subalternas são discriminadas na prática cotidiana das relações desigualdades raciais. 1972. apareçam ideologicamente defleti- e concentrados:Nos Estados Unidos. Sweezy. em sentido lato.9 por cento. portorriquenho. em dada sociedade. Assim. Tanto assim é que a história dos antagonismos e conflitos raciais.influenciam-se reciprocamente. ao mesmo tempo que se multiplicam as situações de renda auferida pelo branco. enquanto que os não brancos alcançam 11. por exemplo. segundo as classes sociais. persistência e as transformações das situações de antagonismo e (6) Richard C. são forma decisiva na maneira de organização sócio-cultural das rela. chicano e outros) em política de todas as pessoas ou cidadãos. escritório etc. pesquisas. Podem ser reencontradas nos riots. esse paradoxo não pode ser satisfatoriamente explica. Nesse país. em ideologias raciais e religiosas. é claro. em separado e mesclados. confor. Em alguns países. essas diferenças raciais. pois que os não brancos percebiam 59 por antagonismos raciais e religiosos. pesquisas económicas. a importância das condições trabalho social é geral. Mas todas as condições histórico-culturais trabalho. no entanto. na França ou Inglaterra. pois os brancos perfazem 4. Englewood Cliffs. 289. ou mesmo invertidos. as raças que participam em menor grau do produto do próprio ções e ideologias raciais. África. em países coloniais. que a renda per capita dos norte- modo mais ou menos claro no seguinte paradoxo: Difundem-se e americanos também varie segundo a condição racial. mulato. As raças é evidente que algumas situações cruciais passadas influíram de definidas ideologicamente como inferiores.

em escala internacional. coloniais e no seio das raças subalternas. sempre esteve presente o elemento racial. The Free Press. esp. América Latina e Ásia. trad. 1965. budismo. Michael Banton. Nas religiões afro-americanas. de Waltensir Dutra. Isso é verdade para hindus e melhore generalizadamente o nível económico. 1952. esp. 135 . 1966. J. parte II. castas mais ou caráter internacional do capitalismo. p. culturais e políticos. Oxford University Press. Franklin Frazier. o chicano nos Estados ou subalternas. com frequência mais visíveis quando se confron. messianismo. Sartre. citado. Kegan Paul. no entanto. estabilizados ou em regressão. tanto no século XIX Todo país produz uma forma singular de hierarquização racial da como no XX. Alfred A. Industriali. Trubner & Co. . entre povos "Industrialisation and race relations". guarda alguma congruência com a lógica das relações de produção. Rio de Janeiro. Os países que tes a estratos sociais privilegiados. discriminação racial. Marvin Harris. Jack Woddis. Knopf. participam em menor escala do produto do trabalho A história das raças subalternas e dos povos dominados. seja a mão-de-obra. Reflexões sobre o racismo. compram a força de trabalho imigrante estabelecem barreiras no Brasil e na África do Sul. dos trabalhadores nativos. caps. sionismo. E claro que uma e outra não são perfeitamente harmónicas entre si. London. neste Essa distribuição desigual das raças na estrutura sócio-econômica século. portorriquenhos e chicanos nos Estados trabalhadores. o hindu na Inglaterra. Levinson. nos começos do século de cada país pode ser vista também em escala internacional. racismo e conjugam manifestações religiosas e de identidade racial. Tanto^assim liberdade do trabalhador. Mas é inegável que a maioria dos desempregados são membros das A política das relações raciais raças subalternas. Nas lutas pela emancipação ausentes. negritude. em vários países da América Latina. Difusão Europeia do Livro. The authoritarian personaiity. nas mesmas condições. Em alienação económica encontram-se em: Everett C. 1966. caps. Em boa parte. de J. em termos sociais e políticos. Herbert Blumer. do mercado de força de trabalho (8). reserva tende a ser formado pelos membros das raças discriminadas. (8) Julius Isaac. esp. 8-39: J . Rio de Janeiro. Adorno. John Wiley & Sons. New York. Seria impossí- Race and culture coniacls in the modern world. tribalismo. não é certo que o desenvolvimento económico capitalista "estrangeiro" ou seu descendente. Aliás. New York. no entanto. estão sempre altamente determinados pelas exigências sua população. conflito e reforma em Moçambique". 1947. Ao contrário. o índio no México. África: as raízes da revolta. 1950. Race relalions. Economics of migration. 1957. mais raros ou mesmo totalmente termos religiosos. Os fenómenos messiânicos. Nem por isso. filiação política etc. R. T. nos países dependentes e salion and race relalions. cap. V. esp. como na índia. esp.P . política. London. Social change:'the colonial situation. em comparação com os trabalhadores brancos. os membros das raças nacional e internacional. em níveis social. New York. 1961. Hughes. na África. dominantes. E. As pessoas e os grupos podem distribuir-se por raça. ou pertencen. São Paulo. capital e a tecnologia. D. fenómenos migratórios. Da mesma forma. a lógica da discriminação racial Unidos. e dos povos latino-americanos. as pessoas deixam de ser classificadas segundo a condição racial. Glencoe. Where peoples meei. os com as condições das raças subalternas. Quanto mais se desenvolve o religião. mais se internacionalizam e menos desenvolvidos. Trench. Harper & Brothers. ou discriminadas (7). controle e repressão das raças subalternas. possibilidades de mobilidade sócio-econômica dos imigrantes (de primeira e demais gerações) nos países adotivos são menores que a escala. ou classes. social e cultural dos paquistaneses na Inglaterra.. Um operário que não é por mero acaso que em cada país o exército industríãTUe argelino na França é sempre e ao mesmo tempo argelino e operário. que os membros destas raças. seja o podem estar em regressão. Stanford. o negro no Brasil. Guinsburg. hinduísmo. muitas vezes preservam-se e refinam-se Unidos. a condição racial também tem estado de alguma forma presente. ou argelinos e espanhóis na França. Isso é assim na índia e no México. As passado. mesmo que empregados. Frenkel-Brunswik. 8 e 10. nas classes médias e dominantes. Zahar Editores. 1960. diversos movimentos religiosos. trad. 5. Ou jurídicas. na França e nos Estados Unidos. Política externa independente. N ? 3. estamentos. Hughes e Helen M. nal de trabalho também faz circular internacionalmente as técnicas tam as condições de vida dos trabalhadores das raças dominantes de seleção. muitas vezes (7) Alguns dados e análises sobre pluralidade racial. ao a generalização do trabalho livre implica a generalização da mesmo tempo que por sua situação sócio-econômica. políticas e sociais delimitando o âmbito de circulação do seja. económica e cultural dos povos asiáticos e africanos. (Editor). VI e V I I : Immanuel Wallersteir. publicado em Guy Hunter (Editor). O mercado internacio- as desigualdades. Nem por isso. W. As castas intensificam os movimentos das forças produtivas básicas.' vel compreender de outra maneira fenómenos como os seguintes: parte 11. "Raça. mostra que eles têm reagido sempre em subalternas são menos visíveis. E. que. culturais e políticos. são evidentes as suas implicações raciais. N.

p. mais ou menos velada ou Aliás. para conseguir a sua independência política. no qual se religião e seita. Paris. no interior de dado país. chollo. quanto às mesclam o etnocentrismo. nismo social inerente à cultura imperialista. The University of Michigan Press. parece evidente que algumas persistente e continuamente reavivado darwinismo social. Sócia! Darwinism in American thought. conforme como um operário da mesma categoria do branco. Em distintas gradações. continuam a ser distin- vida) * guidos dos brancos. para mencionar exemplos <• atividades rurais e industriais. diversões e amizade . nos anos posteriores à Segunda Guerra reações às condições de antagonismo e conflito em que raças Mundial. idade. de Wenceslao Roces. índios e branco e civilizado. México. a situação de trabalho é de conta as bases raciais. Mas não é da guerra que os norte-americanos fizeram contra o povo do Vietnã evidente que essas mudanças estão resolvendo as questões raciais. sem levar em conta as convicções do puritanismo civilizató. estão se transformando com a urbanização e a industrialização. apenas uma esfera da existência do trabalhador. nos Estados povos colonizados. religião ou raça. a industrialização faz com que as tensões sociais predominem sobre as raciais. de trabalho. o puritanismo civilizatório. a identidade entre os mestiços parecem refugiar-se de forma sublimada em suas práticas povos anglo-saxônicos. Além do mais. Oxford University Press. Negros. seria impossível compreender a violência Esse seria o caso do México e Brasil. é também a história de muitas e exploradas. The origins of totalitarianísm. em períodos de prosperidade e crescimento económico Beacon Press. distinta e em alguns casos em aberta oposição à dos Seria impossível compreender as compontentes "irracionais" da brancos.culturais e classes dominantes. 6 e 7. o eurocentrismo. 1966. o operário negro a diversidade racial maior ou menor dopais. aparece nas Argélia. Ou seja. Roger Bastide fez as seguintes observações: (9) Quanto às relações entre imperialismo e racismo: Georg Lukács. políticos e científicos para desmascarar e negar o darwi- países dominantes. Por outro. têm sido obrigados a lutar contra um Nos países da América Latina. Imperialism. Para ser reconhecido especificidade das tradições culturais. intensificou-se o preconceito e tornou-se mais acentuada a 1965. Boston. discriminação. panarabismo e outros. ao mesmo tempo que elaboram e reelaboram a sua e o clíiriax do processo histórico (9). caps. para realizar a sua importante. no Brasil a industrialização tem desempenhado um papel duplo. os antagonismos e são frequentemente reações às ideologias e movimentos dos grupos e conflitos de base racial encontram expressões religiosas. um lado. Da mesma forma. ou formas não ocidentais de compreender e organizar a categorias raciais. a ideia de uma identidade racial mínima. É o que tem ocorrido com as minorias raciais. os donos do poder. Fondo de Cultura Económica. por exemplo. esp. isso não significa que essas jogo a religião. a identificação entre seitas e religiões dos brancos.. os povos da África e Ásia tiveram que elaborar elementos subalternas são colocadas. esp. conforme a situação particular. Publishing Company. L'Empire Isto naturalmente ocorre ape"nas na esfera das relações de trabalho. 1968. O resto da vida Américain. Cleveland. Unidos e outros países. Richard Hofstadter. Mas é importante não esquecer que essas ideologias e movimentos Mas também no interior dos países dominantes. esp. sem incluir na análise a ideia do "perigo" amarelo de mistura com o Parece claro que o índio. 1958. identidade./islamismo. Hannah Arendt. VII. Claude Julien. em países latino-americanos. Em alguns casos. mulato. o Egito e a aberta. Gordon Connell-Smilh. Hobson. entre outros. no começo do crescimento industrial. Em graus variáveis. Dulles. Se é verdade que a institucionalização do diversos. esp. 14-18. tiveram que realizar todo um longo e complexo processo de trabalho assalariado abre possibilidades a todo tipo de trabalhador. mais rio simbolizado na política externa posta em prática por John Foster ou menos notáveis havidas nas últimas décadas em alguns países. sem elaboração de uma nova identidade. London. em suas funções de uma espécie de contracultura de raças subordinadas e implicações políticas e culturais. mas sempre a possibilidades são na prática iguais para todos. quando os negros começaram a cap. 1959. a democracia liberal religiosas. competir com os brancos. 136 137 . Essa discriminação. Aliás. parte II. A.continua a ser regulada pelos inter-American svsiem. ou a índia e a Indonésia. The Word rápido. religiões de base indígena e africana desempenham inclusive as toda a história do imperialismo europeu e norte-americano. J. eles são emancipação política. tambérnentram em linha precisa ser melhor que o branco. mestizo. Muitos políticas. Ao lado de outros significados específicos de cada sempre renovadas manifestações de darwinismo social. Por razón. da mesma forma que grupos raciais subalternos. The social . 1967. Editions Bernard Grassei. 1946-70. é inegável a sua conotação antagonística. o capitalismo industrial. El asalto a Ia Em resumo. Ann Arbor. dentro de dado país ou nas relações com religiosos. entra em distinções de sexo. política da Guerra Fria dos governantes norte-americanos nos anos É claro que as relações raciais na América Latina.relações de vizinhança. negro e outras comunismo. ainda que seja a mais ao menos em oposição ao colonizador. em geral identificados com outras raças. em outro a língua predominante. Ao analisar a relação entre industrialização e relações raciais no Brasil. trad.

produção científica até então. 1 vols. Pouco a pouco. Ele descobre que a política de dessegregação ou integração racial estava sendo proposta. Vietnã. São Paulo. desenvolvidas em séculos de treino. opõe-se a tendência política independente e agressiva de uma parcela da população. Assim. jurídicos ou principalmente áreas. negra dos Estados Unidos. A sua filosofia sobre o governo e a economia tem subjacente uma intonação egoística. governan- emergentes e predominantes nas novas condições. antropológicos. À medida que o capitalismo destrói e reelabora os suas possibilidades reais de existência livre e criativa. O desemprego valores e padrões raciais que haviam sido produzidos em quatro relativo maior entre os negros dos Estados Unidos e a mortalidade séculos de escravização do trabalhador negro. tomaram as formas conhecidas porque eles norte-americano realizada por Gunnar Myrdal coloca a questão em padecem da equívoca convicção de que o homem somente pode garantir-se melhor. e muitas outras. p. An Americandilemma. citação da p. cidade. São Paulo. Esse é o contexto no qual o negro norte-americano raciais são recriados nos quadros das tensões e antagonismos sociais possa a rejeitar politicamente as políticas raciais dos brancos. as tensões e os antagonismos política e cultural.o branco. implementada e controlada pelo Os acontecimentos do Congo. A integração do negro (12) George Jackson. anos após. Quanto aos problemas de preconceito e discriminação em ambientes urbano- industriais brasileiros. Eles dominante. 1970. a violência. London. ele aceitava de forma passiva ou ativa a política de integração subordinada. às negros brasileiros. Dominus Editora. e mesmo depois. (l 1) Gunnar Myrdal. p. 26. Giap e o Tio Ho (12). Eldridge Cleaver e Bobby Seale como uma solução para os problemas das gerais. e em conexão com as relações de produção na indústria. ções principais. Octavio lanni. que põem em evidência toda a sua situação económica. da Costa Penguin Books. os negros norte-americanos passaram a organizar-se e atuar de forma A mudança para uma posição revolucionária antiestablishment. Mais que isso. 60. é óbvio que se criam relativa maior de negros norte-americanos na guerra do Vietnã são fatos novas possibilidades de organização e expressão dos seus interesses transparentes. 9-29. Pinto. cidadãos. Raças e classes sociais no Brasil. Coreia e aqui nos Estados Unidos branco. americano propõe. Até a Segunda Guerra Mundial e mesmo alguns Marx e nas realizações de homens como Chê Guevara. tem se consolidado no pensamento dos irmãos. Para ele. A convulsão. Lênin. Induslrialisation and race relations. tomada em suas linhas Newton. no entanto. Essa é a política na qual os brancos organizam e propõem o estão ocorrendo pela mesma razão. tanto as políticas integracionistas como o próprio regime político Depois de muitas décadas de aceitação mais ou menos passiva de económico com o qual se identifica o branco. Agora dizer que a história do negro norte-americano revela duas orienta. p. as novas correntes políticas e culturais Nos Estados Unidos. que propõem a igualdade e a liberdade entre todos os tratam de impor as suas teorias a todo o mundo. a organi/uçúo É de supor-se que as novas configurações sociais de vida na económica. "The development of race relations in Braeil". simbolizando e exprimindo grande parte da de possessão e voracidade porque o seu caráterestá feito dessas «coisas (13). Soledad Brother (the prison letters of George Jackson). proposta por Huey autónoma e eminentemente política. As suas teorias abstraias. O negro no Rio de Janeiro. enquanto às suas tendências predominantes. possessivos e vorazes europeus. o branco. citado. nascem da mesma fonte: os maus. sobre o seu grupo racial. consultar também: Florestan Fernandes. adota e desenvolve interpretações políticas pròpriiis. à tendência integracionista proposta segundo os termos da americano é antes de mais nada axiológico (l 1). Isto é. Nkrumah. políticas racistas ou integracionistas propostas pelos brancos. citado. definida. descobre que o tipo de vida que o capitalismo desenvolvimento de ideologias e movimentos políticos entre os norte-americano lhe oferece não corresponde ao seu ideal de vida. culturais e políticos. É claro que as duas tendências coexistem e desenvolvem-se no interior da socieda- (10) Roger Bastide. o negro norie- industrialização (10).. 1965. A. a luta em todas essas problema racial em termos morais. e aceita por uma grande parte dos negros. talvez se possa colónias negras da América. as relações raciais. 139 138 . eles mostram grande iriteresse nos pensamentos de Mão Tsê-tung. Malaia. termos de desencontro entre valores culturais: os da ideologia neste mundo inseguro. Companhia Editora Nacional. pela propriedade pessoal e privada de grande riqueza. citado. ideologia racial dos brancos. por óbvias razões de interesse próprio. Aliás. as ideologias e os movimentos de base racial desenvolvidas entre os negros dos Estados Unidos começam a negar passaram por transformações notáveis nos anos cinquenta e sessenta. o dilema norte. tes ou não. publicado por Guy Hunter (Editor). implementada e controlada segundo os interesses do estejam criando condições e perspectivas totalmente novas n. na sociedade de classes. malignos. 1953. mente àqueles. política e cultural do país e outros aspectos da sua existência. (n)Ibidem. que negam cotidiana. 50.padrões tradicionais. económicos. L. que ainda coexistem com os novos padrões surgidos com a Nas décadas dos cinquenta e sessenta. Não é por acaso que a análise do problema racial relativas à economia e à sociologia. e os da prática das relações raciais.

África e América Latina. que esses países não são diferentes integração harmónica das raças. para boa parte elimina o fato de que os brancos dominam o poder político- dos negros /norte-americanos. substitui ou recria continuamente as relações econômico-sociais e políticas preexistentes. instância. amarelos. no entanto. sociais. Cada país e situação tem a sua especifi- de cultural. A verdade é que a história do capitalismo demonstra que esse Problemas raciais e contradições estruturais modo de produção rompe. são as condições económicas e políticas de organização do cio externos etc. Nos países da América Latina.. nem significa. vem os membros de umas e outras raças. definida segundo os termos da ideologia e classes sociais. as tensões e os antagonismos raciais são qualitativamente diversos. e__segundo as condições hindus. políticas e culturais operários e burgueses. políticas e cultu- Eles^são apresentados e apreserítam-secomo prova de que o sistema rais baseadas em diferenças raciais. o capitalismo . ou a Ásia. No sistema capitalista. paquistaneses. O preconceito. Em última tecnologia e força de trabalho. italiana. México e gradações bastante. todos continuam a existir como mente das assimetrias económicas. com frequência em condições subalternas às dos brancos que se acham na mesma categoria social. ou outras tendem a situar-se no proletariado industrial e agrícola. nas quais se envol- mos em termos de classes operária e burguesa. ao passo que os negros e os mulatos se encontram fundamentalmente política. trabalhadores livres etc. Ao contrário. belga.es sociais. graus de desenvolvi. Isso é o que demonstra a história da expansão imperialista inglesa.social é aberto. Mas essas situações não são estáticas. nos diferentes setores produtivos.. ou econômico-social. línguas etc. política e cultural que tende a corresponder às diferenças sociais de idade. A análise dos antagonismos e conflitos raciais vigentes nos mais alemã. história demográfica. brancos. a apenas em sua composição racial. nos dois países. conteúdo da ciência dos brancos. em geral. a pluralidade racial. cinquenta e sessenta em diante transformou-se qualitativamente o tipos de heranças culturais etc. ao passo que outra . Desde essa época.de norte-americana. religiões etc. automaticamente. os Estados Unidosisão Estados Unidos. os antagonis. composição absoluta e relativa de capital. em particular. ao lado das diversas crenças religiosas.. intensidade. tende a concentrar o poder económico e político. Em todos os países. sexo. revelam que em todos há algum tipo de assimetria evidente na produção industrial. mudança das condições políticas e económicas. a heterogeneidade racial tende a constituir-se num princípio classifica- mento tecnológico. religião e outras submergem nas assimetrias reveladas na hierarquia das raças^ Há uma raça que relações de produção capitalistas. tório. a despeito das diferenças estruturais processo produtivo e de apropriação do produto do trabalho coletivo 140 141 . por exemplo. históricas próprias de cada subsistema nacional. . Entretanto. em formação ou expansão. francesa. burguesa dominante. Na índia. São dois pólos. mestiços etc. situados nas classes assalariadas. Todos midade com os interesses da classe e ou raça que detêm o poder. especificida. ou países com composições raciais tão distintas como o Brasil. distribuição assimétrica dos vários grupos raciais pelas distintas jurídica ou antropológica. ao passo que o Brasil é ainda uma nação dependente e subdesenvolvida. ou quanto a línguas. cultural e inclusive quanto ao grau e tipo de desenvolvimento das relações linguística pode gerar situações menos tensas e violentas do que nos capitalistas de produção. características do capitalismo. Esse fenómeno é particularmente índia e o Brasil. é inegável que esses (assim como caráter da situação racial nos Estados Unidos. as tensões. uma questão aberta. na gama das possibilidades Peru. Na prática. Elas modificam-se com a de desenvolvimento das relações capitalistas de produção. discriminação generalizada. Mas é inegável que desde as décadas dos determinadas pelos graus diversos de desenvolvimento económico. e estilo das tensões e dos antagonismos raciais. Sob certos aspectos. jjs tensões e antagonismos raciais alimentam-se basica. ao mesmo tempo que índios. pois. na qual castas e estamentos. Eles são diversos cidade. a pluralidade racial não garante a Convém observar. As notáveis diferenças de grau. ou eliminam as desigualdad. tecnologia e comér. na extensão da dependência de capital. negros. know-how. portuguesa e norte-americana na diversos países. holandesa. se pensamos em o país mais avançado do mundo capitalista. pasflfcn a ser cidadãos. não mos e os conflitos raciais nesse país passaram a ser. se pensa. necessária e econômico. segundo a ideologia Portanto. distintas e distantes. segundo as leis da divisão do •ordem político-econômica e de pensamento estabelecida em confor. trabalho social e estratificação social que lhes são próprias. sejam os Estados Unidos e a África do Sul. económicas. Mas também revelam que atuam nos quadros da recria essas diferenças continuamente. a outros) países capitalistas apresentam marcadas similitudes DJI discriminação e a segregação deixaram de ser uma questão moral. Mas não é certo que as relações capitalistas de produção destroem Com freqiiénciajos mestiços encontram-se em posições intermédias.

em face dos princípios classificatórios estabeleci- dos pelas condições político-econômicas. neses. Lima. Brasil : Racismo : Sociologia 301. 1978.) 301. -301.) 301.) 142 6. secundarias ou mesmo reflexas. -330. e 18. Capitalismo : Economia 330. É claro que raça e classe não se 17.450981 (17. índices para catálogo sistemático: 1. Ideologia y política. Empresa Editora Amauta.4493 (18. são determinações importantes. -301. adquire indubitavelmente característicos especiais quando a imensa maioria dos explorados está formada poi uma raça e os exploradores pertencem quase que exclusivamente a outra (14). Escravidão : Sociologia 301. Mas seria equivoca e 18.4510420981 17. Racismo : Sociologia 301. 61. II 7e lanni. as manifestações de tensão e 1. e 18.4510420981 (18. oprimidas ou subalternas. . Estas tendem a ser subordinadas. pessoas. Capitalismo 2. os grupos e as classes sociais se definem e atuam como (Estudos de problemas brasileiros) produtores.) 5.) (14) José Carlos Mariátegui.. ou as ideologias e as praticas nas relações raciais.. que precisam 18. Discriminação violência racial têm as suas raízes nas contradições po»ico.15 78-0841 18. Discriminação racial 3. cidadãos.4522 ser compreendidas em sua especificidade. Escravidão no Brasil I. Octávio. Escravidão: Política 326 ( 17.15 (17. -301.Brasil 4.) 330. Mais que isso.0981 se a condição das pessoas na estrutura de classes da sociedade. Os valores e padrões de comportamento racial. 1926— Ocorre que os antagonismos e conflitos sociais de base racial estão Escravidão e racismo / Octávio lanni.45 sociais. Escravidão 5.0981 (17. realidade primordial. -301. — São Paulo • HU- sempre imbricados nas condições económicas e políticas nas quais as CITEC.45 (17.) 1969. p. Nem por isso. articuladas de modo hierarquizado.450981 reduzem uma à outra. burgueses etc. campo. e 18) 2. amadurecidas ou em situação de crise. Com frequência elas conferem sentidos especiais e complementares as determinações político-econômicas. econômicas que caracterizam a sociedade capitalista.451042 relações de produção e apropriação.) 301. encaradas como estruturais. Daí os frequentes desdobramentos e irrupções de tensão é violência racial. 4.122 (18.4493 incompleta a interpretação de problemas raciais que não incorporas. sejam 17. Catalogacão-na-Fonte Câmara Brasileira do Livro.) .. Bibliografia. 3. as determinações raciais deixam de ser importantes. em conformidade com as 18. racial . disciplinar.que tendem a comandar ou influenciar decisivamente as relações e classificações raciais. 17. -301. em geral são mediações sócio-culturais e políticas 17. Em resumo.122 elas classes sociais em formação. todavia. -330. trabalhadores assalariados. reprimir ou dar novas soluções aos antagonismos e conflitos sociais de base racial. -301.a sociedade capitalista revela uma capacidade excepcional para controlar. CDD-326 importantes no contexto das relações entre classes e subclasses 17. -326. Mas j»afl tem mostrado capacidade especial para resolver as situações de CIP-Brasil. A luta de classes. Titulo. e em certas situações as mais importantes. e 18. Brasil: Escravidão : Política 326.451042 (18.4522 (17. SP antagonismo e conflito segundo os interesses das raças discrimina- das. operários.