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Supremo Tribunal Federal

Secretaria de Controle Interno


Coordenadoria de Auditoria e Fiscalização

NOTA TÉCNICA Nº 1/2007 – SCI


Brasília, 13 de dezembro de 2007.

Assunto: Definição de limites para BDI nas contratações de serviço com locação de
mão-de-obra: 26,44% para o regime de incidência cumulativa de PIS e
de COFINS e 34,69% para o regime de incidência não-cumulativa de
PIS e de COFINS.

O objetivo desta Nota Técnica é apresentar diretrizes à Administração


do Supremo Tribunal Federal para a elaboração das planilhas estimativas de custos
a serem utilizadas nas contratações realizadas por esta Corte, no que se refere à
definição de parâmetros aceitáveis para as Bonificações e Despesas Indiretas (BDI).

1. INTRODUÇÃO
1.1. Apesar de ter havido um estudo em 2003, que passou a ser aplicado
para a maioria dos contratos e licitações efetuadas a partir de 2004, não houve uma
definição clara quanto aos procedimentos e à efetiva aplicação dos percentuais
propostos no Parecer 103/2003, uma vez que se tratava de um caso específico.
Essa ausência de definição, aliada às mudanças na legislação tributária, motivou a
realização de contratações cujos percentuais de BDI ficaram acima dos 30%
propostos em 2003.
1.2. Nesse sentido faz-se necessário um novo estudo, que apresente a
revisão do trabalho anterior, que abarque as mudanças da legislação tributária e que
reflita uma melhor adequação dos percentuais propostos com a realidade das
contratações efetuadas pelo STF.
1.3. Esse novo estudo tomou por base o citado Parecer SCI nº 103/2003,
os percentuais atualmente vigentes no Ministério Público da União e no Governo do
Estado de São Paulo, assim como a análise de contratos de prestação de serviço
firmados pelo STF entre os exercícios de 2004 e 2007.
1.4. O emprego dos dados de 22 contratos realizados a partir do estudo de
2003 tem por objetivo incluir, na análise, um componente que espelhe a realidade
das contratações do próprio STF, além de comprovar a viabilidade dos percentuais
que serão definidos.

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1.5. Propõe-se, desde logo, que os percentuais máximos para o item


Bonificações e Despesas Indiretas nas planilhas de custos das contratações de
serviços com locação de mão-de-obra, no âmbito do STF, sejam os seguintes:
1.5.1. Para serviços cujas receitas das empresas sejam tributadas pelo
regime de incidência cumulativa de PIS e de COFINS: 26,44%.
1.5.2. Para serviços cujas receitas das empresas sejam tributadas pelo
regime de incidência não-cumulativa de PIS e de COFINS: 34,69%.
1.6. Destaca-se, todavia, que esse estudo apresenta limites de percentuais
máximos cuja aplicação prática poderá ensejar a utilização de percentuais mais
adequados.
1.7. A seguir apresentaremos, detalhadamente, a análise que motivou a
fixação desses percentuais.

2. CONCEITO E FORMA DE APLICAÇÃO DO PERCENTUAL DE BDI


2.1. BDI é uma sigla que se refere às Bonificações (ou Benefícios) e
Despesas Indiretas nas planilhas de custos e que identifica um percentual a ser
aplicado sobre os custos diretos com o intuito de financiar os demais custos
envolvidos na realização de serviços ou obras.
2.2. Esse percentual visa estimar, o mais próximo possível da realidade,
aqueles custos que não possuem relação direta com a execução do serviço, por
exemplo, os custos de manutenção do escritório da empresa, assim como os
tributos incidentes sobre o faturamento da empresa e o próprio lucro do negócio.
2.3. Originalmente utilizada nos orçamentos de obras de construção civil, a
aplicação desse conceito tem sido ampliada para outros serviços, no caso desse
estudo, trata-se especificamente dos contratos para os quais exista a alocação de
profissionais em postos de trabalho.
2.4. A aplicação do percentual definido nesta Nota Técnica deve ser feita
tanto nos contratos de terceirização com mão-de-obra mensalista, quanto nos
contratos de prestação de serviços por hora trabalhada. Esse percentual deve ser
utilizado para a elaboração das planilhas de formação de preço dos serviços a
serem contratados.
2.5. Observa-se que a base para aplicação do BDI compõe-se dos custos
envolvidos efetivamente na execução do serviço, ou seja, os custos diretos. Nesse
mesmo sentido, o Tribunal de Contas da União considera que “o BDI é definido
como um percentual aplicado sobre o custo direto para chegar ao preço de venda a
ser apresentado ao cliente” (Decisão 255/1999 – TCU – 1ª Câmara).
2.6. Os custos diretos envolvem os gastos com mão-de-obra
(salários, adicionais e encargos sociais), usualmente definidos como “Montante A”, e
os insumos para a execução do serviço (uniformes, vale-refeição, vale-transporte,
entre outros), denominados “Montante B”.

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2.7. Assim, a fórmula de aplicação do percentual de BDI para se obter o


preço final do serviço é a seguinte:
Quadro I
PF = CD x (1 + BDI), onde:
PF = Preço Final do Serviço;
CD = Custos Diretos (Montante “A” + Montante “B”); e
BDI = Taxa para apuração estimada das despesas indiretas,
tributos e lucro, a fim de se obter o preço final.

3. ESTRUTURA DO BDI
3.1. O percentual de BDI tem sua estrutura básica composta dos seguintes
itens: Despesas Financeiras, Despesas Administrativas, Lucro Bruto e Tributos
sobre o Faturamento.
3.2. A seguir serão apresentados percentuais para os itens que compõem o
BDI.

4. DESPESAS FINANCEIRAS
4.1. “Despesas financeiras são gastos relacionados à perda monetária
decorrente da defasagem entre a data do efetivo desembolso e a data da receita
correspondente”1.
4.2. Esses gastos estão vinculados a pagamentos que a empresa deva
fazer em período anterior ao recebimento da fatura e, normalmente, são mais
representativos nos contratos de obras, onde alguns insumos são custeados
previamente pela construtora.
4.3. Já para os contratos de serviços, não vislumbramos a necessidade
desse custo, uma vez que não existem significativos desembolsos prévios
vinculados à execução do contrato. Assim, este item não foi considerado no
presente estudo.

5. DESPESAS ADMINISTRATIVAS (5,00%)


5.1. Despesas Administrativas são um percentual incluído no contrato para
suprir gastos gerais que a empresa efetua com a sua administração, tais como:
aluguel da sede, salários dos funcionários da sede, material de expediente, entre
outros.
5.2. A definição de um valor real para essas despesas é inviável, visto que
até empresas de um mesmo ramo de atividade podem possuir despesas totalmente
distintas em razão de diversos fatores como localização da sede, quantitativo de
funcionários e nível de automação do escritório.

1
“Revista do TCU”, Brasília, v. 32, n. 88, abr/jun 2001

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5.3. Faz-se, então, necessária a definição de um percentual sobre os


custos diretos a fim de que se possa estimar razoavelmente esse dispêndio.
5.4. A planilha a seguir apresenta alguns dos percentuais utilizados para
esse fim para alguns tipos de serviços.
Tabela I
Percentuais de Despesas Administrativas
Serviços de Limpeza, Asseio e Conservação Predial
5,81%
Governo do Estado de São Paulo
Serviços de Vigilância/Segurança Patrimonial
6,62%
Governo do Estado de São Paulo
Serviços de Vigilância Armada/Desarmada
4,38%
AUDIN/MPU
Serviços de Limpeza e Conservação
4,38%
AUDIN/MPU
Parecer 103/2003
7,30%
SCI/STF
Percentual Médio nas Contratações do STF
2,99%
22 contratos entre 2004 e 2007
Definição do Presente Estudo
5,00%
CAUF/SCI
5.5. Como se observa, a média para o item Despesas Administrativas nas
contratações feitas a partir da emissão do Parecer 103/2003 foi de 2,99%; contudo,
por se tratar de percentual máximo, a fim de manter o caráter competitivo das
licitações, assim como abarcar as diversas áreas a que será aplicado esse
percentual, considera-se aceitável e define-se o percentual máximo de 5,00% para
as Despesas Administrativas, incidente sobre os custos diretos (Montante “A” +
Montante “B”).

6. LUCRO BRUTO (10,00%)


6.1. A previsão de lucro na contratação é calculada pela aplicação de uma
taxa percentual sobre o total dos custos e despesas (inclusive as despesas
administrativas), excluídas, apenas, as despesas fiscais sobre o faturamento,
conforme definidos no item 7.
6.2. O Governo do Estado de São Paulo utiliza o percentual de 7,2% como
taxa de lucro para serviços, obtido por levantamento das Demonstrações
Financeiras de fornecedores cadastrados nos órgãos da administração pública do
Estado de São Paulo. Para verificar a verossimilhança dos resultados obtidos, os
dados foram confrontados com o percentual encontrado em estudo da Fundação
Getúlio Vargas - FGV, calculado a partir da média aritmética das relações
Lucro/Vendas na Demonstração de Resultados Financeiros e Contábeis das 309
maiores empresas de construção civil (Conjuntura Econômica nº 09)2.
6.3. Estudo publicado pela Revista do TCU nº 88 (abr/jun/2001), por sua
vez, considera adequada uma margem de lucro bruto entre 7,0% e 8,5%.

2
“Estudos de Serviços Terceirizados” – Publicações – Versão Fev/07 – Ver. 12 – Abr/07 - Volume I (“Prestação de Serviços
de Vigilância/Segurança Patrimonial”) e Volume III (“Prestação de Serviços de Limpeza, Asseio e Conservação Predial”).

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6.4. Observe-se que esses estudos utilizam percentuais de “Lucro Bruto”,


ou seja, antes das deduções referentes a tributos sobre o lucro (Contribuição Social
sobre o Lucro Líquido – CSLL e Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ). Assim,
os referidos percentuais já contemplam tais tributos.
6.5. Essa orientação está em conformidade com o Acórdão-TCU 950/2007-
Plenário, de 28/5/2007, o qual determina que todas as entidades integrantes do
Sistema de Serviços Gerais da Administração Federal se abstenham de “fazer
constar dos orçamentos básicos das licitações (...) parcelas relativas a gastos com
os tributos IRPJ e CSLL, não podendo ser aceitas também propostas de preços
contendo custos relativos aos tributos citados, seja na composição do BDI, seja
como item específico da planilha ou orçamento”.
6.6. Destaca-se que, recentemente, em 24/10/2007, o TCU publicou novo
acórdão3 ratificando o entendimento citado no parágrafo anterior.
6.7. Além desses percentuais, utilizou-se, nesse estudo, as taxas fixadas
pela Auditoria Interna do Ministério Público da União; porém, os parâmetros
definidos pela AUDIN/MPU consideram percentuais de Lucro Líquido, ou seja,
individualizam o percentual de Lucro e os percentuais de IRPJ e CSLL, assim, para
viabilizar a comparação entre os diversos órgãos, foram feitas as adaptações
necessárias.
6.8. A tabela a seguir apresenta os percentuais apurados e a proposta
desse novo estudo.
Tabela II
Percentuais de Lucro Bruto
4
Serviços de Limpeza, Asseio e Conservação Predial
7,20%
Governo do Estado de São Paulo
4
Serviços de Vigilância/Segurança Patrimonial
7,20%
Governo do Estado de São Paulo
5
Serviços de Vigilância Armada/Desarmada
11,33%
AUDIN/MPU
5
Serviços de Limpeza e Conservação
6,81%
AUDIN/MPU
Parecer 103/2003
9,00%
SCI/STF
Percentual Médio nas Contratações do STF
6,33%
22 contratos entre 2004 e 2007
Definição do Presente Estudo
10,00%
CAUF/SCI

3
Acórdão TCU nº 2251/2007 – Plenário, de 24/10/2007
“9.3.2. exclua, em licitações futuras, as rubricas relativas ao IRPJ e à CSLL de suas estimativas de preços e dos formulários
utilizados por licitantes para preenchimento de propostas, bem como faça constar dos editais de licitação que tais tributos
não podem ser incluídos nos preços propostos de bens e serviços, seja na composição do BDI, seja como item específico da
planilha ou orçamento, inclusive, para os casos de dispensa e inexigibilidade de licitação;”
4
“Estudos de Serviços Terceirizados” – Publicações – Versão Fev/07 – Ver. 12 – Abr/07 - Volume I (“Prestação de Serviços
de Vigilância/Segurança Patrimonial”) e Volume III (“Prestação de Serviços de Limpeza, Asseio e Conservação Predial”).
5
Dados extraídos do sítio da Auditoria Interna do Ministério Público da União <www.audin.mpu.gov.br> em 18/10/2007,
adaptados para a incorporação ao Lucro dos valores estimados para IRPJ e CSLL, a fim de que seja possível a comparação
com os demais índices.

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6.9. Conforme apurado nos contratos vigentes entre 2004 e 2007, a taxa
média de lucro (6,33%) ficou pouco acima do dobro da taxa média de despesas
administrativas (2,99%).
6.10. Assim, optou-se por ajustar o percentual referente à lucratividade em
relação à taxa de despesas administrativas demonstrada no item 5, o que resultou
na fixação do percentual máximo de 10,00% para o item Lucro Bruto. Percentual
esse considerado razoável se comparado com aqueles indicados na Tabela II e se
analisado em conjunto com os percentuais máximos de BDI definidos no item 9.

7. TRIBUTOS SOBRE O FATURAMENTO (8,65% - CUMULATIVIDADE E 14,25% NÃO-CUMULATIVIDADE)


7.1. Tributos sobre o faturamento são aqueles que incidem no preço final
do serviço, quais sejam: Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISS),
Contribuição para os Programas de Integração Social (PIS) e Contribuição para o
Financiamento da Seguridade Social (COFINS).
7.2. Quanto ao Imposto sobre Serviços de qualquer natureza – ISS6, será
utilizada a alíquota geral de 5,00% sobre o faturamento ou preço final; contudo, caso
a licitação seja para alguns dos setores em que a legislação tributária estipule
percentual menor, deve haver a adequação do percentual de BDI para refletir a real
tributação, conforme detalhado no item10 desta Nota Técnica.
7.3. No que se refere aos percentuais de Contribuição para Programas de
Integração Social – PIS7 e para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS8,
apesar de existirem diversos regimes especiais de apuração, serão tratados neste
estudo apenas as duas regras gerais de apuração, quais sejam: incidência não-
cumulativa e incidência cumulativa.
7.4. As alíquotas do PIS e da COFINS, para as pessoas jurídicas sujeitas à
incidência cumulativa são, respectivamente, 0,65% e 3,00%, no caso das pessoas
jurídicas sujeitas à incidência não-cumulativa, as alíquotas são: 1,65% para o PIS e
7,60% para a COFINS.
7.5. Na incidência cumulativa, não há dedução de custos sobre a base de
cálculo do tributo, ou seja, as alíquotas são aplicadas sobre o total do faturamento
da empresa. Assim, as alíquotas devem compor o BDI pelo seu valor integral, ou
seja, 0,65% e 3,00%.
7.6. Por outro lado, a incidência não-cumulativa implica que determinados
créditos tributários apurados com base em alguns custos, despesas e encargos
possam ser deduzidos da base de cálculo do tributo, como por exemplo: energia
elétrica, aluguéis, aquisições de ativos etc. Assim, normalmente a alíquota não deve
ser aplicada em sua totalidade.
7.7. Para a definição do percentual máximo de BDI para o regime de
incidência não-cumulativa, considerou-se a totalidade dos tributos, ou seja, 7,60%
para a COFINS e 1,65% para o PIS. Contudo, a Secretaria de Controle Interno
entende que a empresa não deve cotar esses percentuais máximos, mas aqueles

6
Regulamento do ISS - Decreto 16.128 – GDF, de 04/12/1994.
7
Lei nº 10.637, de 30/12/2002.
8
Lei nº 10.833, de 29/12/2003.

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que representem a média das alíquotas efetivamente recolhidas nos últimos doze
meses, conforme será detalhado no item 10.
7.8. Como comprovante, as empresas deverão apresentar declaração
pública de que os percentuais de PIS e de COFINS cotados correspondem à média
dos recolhimentos dos últimos doze meses, apurada com base nos dados do
Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais – DACON.
7.9. Diante do relatado, tem-se que o percentual máximo para custeio dos
“Tributos sobre o Faturamento”, ora sugerido, é de 8,65%, para as licitações que
envolvam atividades cujo regime de incidência do PIS e da COFINS seja
cumulativo, e de 14,25%, para as licitações que envolvam atividades cujo regime
de incidência do PIS e da COFINS seja não-cumulativo.
7.10. Tais percentuais correspondem ao somatório das alíquotas dos
tributos mencionados, conforme demonstrado a seguir:
Tabela III
Percentual Máximo dos Tributos sobre o Faturamento
Regime de Incidência Cumulativa de PIS e de COFINS
Tributo Alíquota
ISS 5,00%
COFINS 3,00%
PIS 0,65%
TOTAL 8,65%

Tabela IV
Percentual Máximo dos Tributos sobre o Faturamento
Regime de Incidência Não-Cumulativa de PIS e de COFINS
Tributo Alíquota
ISS 5,00%
COFINS 7,60%
PIS 1,65%
TOTAL 14,25%

7.11. A redução dos percentuais do PIS e da COFINS, pela aplicação da


média citada nos itens 7.6 e 7.7, não poderá ser acrescida a nenhum outro
componente do BDI, conforme será melhor detalhado no item 10 desta Nota
Técnica.

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8. FÓRMULA DO BDI
8.1. A fórmula para cálculo do BDI é:
Quadro II
(1 + A) x (1 + B)
BDI = – 1, onde:
(1 – C)

A = Taxa de Despesas Administrativas


B = Taxa de Lucro Bruto
C = Taxa dos Tributos sobre o Faturamento

8.2. É oportuno reafirmar que o percentual de BDI deve incidir sobre os


custos diretos para que seja obtido o preço final, ou seja, sobre o total do Montante
“A” somado ao total do Montante “B”. Por outro lado, os componentes relativos aos
Tributos sobre o Faturamento encontram-se no denominador, justamente porque
suas taxas incidem sobre o preço final.

9. PERCENTUAIS MÁXIMOS DE BDI (26,44% - CUMULATIVIDADE E 34,69% NÃO-CUMULATIVIDADE)


9.1. Consolidados os percentuais sugeridos com a aplicação da fórmula
apresentada no Quadro II, temos os seguintes percentuais de BDI:
Tabela V
Percentual Máximo de Bonificações e Despesas Indiretas - BDI
Regime de Incidência Cumulativa de PIS e de COFINS
ITEM %
Despesas Administrativas 5,00%
Lucro Bruto 10,00%
( 1+ 5,00%) x (1 + 10,00%)
Tributos s/ Faturamento 8,65% BDI = –1
(1 – 8,65%)
ISS 5,00%
COFINS 3,00%
PIS 0,65%
BDI = 26,44%
BDI 26,44%

Tabela VI
Percentual Máximo de Bonificações e Despesas Indiretas – BDI
Incidência Não-Cumulativa de PIS e COFINS
ITEM %
Despesas Administrativas 5,00%
Lucro Bruto 10,00%
( 1+ 5,00%) x (1 + 10,00%)
Tributos s/ Faturamento 14,25% BDI = –1
(1 – 14,25%)
ISS 5,00%
COFINS 7,60%
BDI = 34,69%
PIS 1,65%
BDI 34,69%

9.2. A seguir apresentamos dois comparativos entre os percentuais de BDI


aplicados pelo Governo do Estado de São Paulo para serviços de Limpeza e
Vigilância, o percentual constante do sítio da Auditoria Interna do Ministério Público

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da União, dessas mesmas áreas, assim como o BDI médio de 22 contratos firmados
com o STF, o constante do Parecer 103/2003, além do proposto pela SCI nesta
oportunidade.
Tabela VII
Comparativo de Percentuais de BDI
Incidência Cumulativa de PIS e COFINS
Percentuais de BDI
9 Média das
Vigilância 10 Parecer Proposta
Item Vigilância Contratações
Estado de 103/2003 Atual
AUDIN/MPU 22 Contratos
São Paulo SCI/STF SCI/STF
STF
A – Despesas Administrativas 6,62% 4,38% 7,30% 2,99% 5,00%
B – Lucro Bruto 7,20% 6,81% 9,00% 6,33% 10,00%
C – Tributos s/ o Faturamento 8,65% 9,03% 10,03% 11,68% 8,65%
BDI (fórmula do Quadro II) 25,12% 22,55% 30,00% 23,99% 26,44%

Tabela VIII
Comparativo de Percentuais de BDI
Incidência Não-Cumulativa de PIS e COFINS
Percentuais de BDI
9 Média das
Limpeza 10 Parecer Proposta
Item Limpeza Contratações
Estado de 103/2003 Atual
AUDIN/MPU 22 Contratos
São Paulo SCI/STF SCI/STF
STF
A – Despesas Administrativas 5,81% 4,38% 7,30% 2,99% 5,00%
B – Lucro Bruto 7,20% 11,33% 9,00% 6,33% 10,00%
C – Tributos s/ o Faturamento 14,25% 9,03% 10,03% 11,68% 14,25%
BDI (fórmula do Quadro II) 32,28% 27,74% 30,00% 23,99% 34,69%

9.3. Conforme exposto no decorrer desse estudo, as alterações em relação


aos parâmetros definidos no estudo de 2003 tiveram por base as alterações na
legislação tributária e o confronto com dados estatísticos de contratações do próprio
Supremo Tribunal Federal.

10. EXEMPLOS DE CÁLCULO DO PERCENTUAL DE BDI


10.1. A seguir serão apresentados dois exemplos de cálculo do percentual
de BDI, no intuito de demonstrar os efeitos que as alterações nos seus componentes
devem refletir no percentual global.
10.2. O primeiro exemplo trata da redução do percentual de ISS motivada
por alterações na legislação tributária ou pela classificação do serviço no
regulamento do citado imposto.

9
“Estudos de Serviços Terceirizados” – Publicações – Versão Fev/07 – Ver. 12 – Abr/07 - Volume I (“Prestação de Serviços
de Vigilância/Segurança Patrimonial”) e Volume III (“Prestação de Serviços de Limpeza, Asseio e Conservação Predial”).
Obs.: Os percentuais de Tributos s/ o faturamento foram alterados para possibilitar a comparação, uma vez que o ISS da
cidade de São Paulo é de 2%, ao passo que o de Brasília é 5%.
10
Dados extraídos do sítio da Auditoria Interna do Ministério Público da União <www.audin.mpu.gov.br> em 18/10/2007,
adaptados para a incorporação ao Lucro dos valores estimados para IRPJ e CSLL, a fim de que seja possível a comparação
com os demais índices.

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10.3. Suponha-se que, para determinado serviço a ser contratado, a alíquota


prevista no Regulamento do ISS11 seja de 2% e não de 5% como definido neste
estudo. Nesse caso, os percentuais máximos de BDI seriam:

Incidência Cumulativa de PIS e de COFINS Incidência Não-Cumulativa de PIS e de COFINS


ITEM % ITEM %
Despesas Administrativas 5,00% Despesas Administrativas 5,00%
Lucro Bruto 10,00% Lucro Bruto 10,00%
Tributos s/ Faturamento 5,65% Tributos s/ Faturamento 11,25%
ISS 2,00% ISS 2,00%
COFINS 3,00% COFINS 7,60%
PIS 0,65% PIS 1,65%
BDI 22,42% BDI 30,14%

10.4. O segundo exemplo apresenta as alterações na composição do BDI


provocadas pela aplicação dos percentuais médios de PIS e COFINS para os casos
de incidência não-cumulativa desses tributos.
10.5. Como dito no item 7.11, o efeito da redução dos percentuais de PIS e
de COFINS, pela média apurada dos recolhimentos dos últimos doze meses, não
deve recair sobre nenhum dos outros componentes do BDI.
10.6. As tabelas a seguir apresentam exemplos de apuração desses
percentuais médios.
Apuração do Percentual Médio de Recolhimento de PIS
FATURAMENTO CONTRIBUIÇÃO CRÉDITO CONTRIBUIÇÃO PERCENTUAL
MÊS MENSAL APURADA APURADO DEVIDA EFETIVO
A B = A x 1,65% C D=B-C E=D/A
MÊS 1 1.200.000,00 19.800,00 2.750,00 17.050,00 1,42%
MÊS 2 1.300.000,00 21.450,00 2.800,00 18.650,00 1,43%
MÊS 3 1.350.000,00 22.275,00 2.700,00 19.575,00 1,45%
MÊS 4 1.180.000,00 19.470,00 2.850,00 16.620,00 1,41%
MÊS 5 1.450.000,00 23.925,00 4.000,00 19.925,00 1,37%
MÊS 6 1.400.000,00 23.100,00 3.300,00 19.800,00 1,41%
MÊS 7 1.250.000,00 20.625,00 3.700,00 16.925,00 1,35%
MÊS 8 1.330.000,00 21.945,00 3.560,00 18.385,00 1,38%
MÊS 9 1.340.000,00 22.110,00 3.230,00 18.880,00 1,41%
MÊS 10 1.270.000,00 20.955,00 2.650,00 18.305,00 1,44%
MÊS 11 1.380.000,00 22.770,00 2.850,00 19.920,00 1,44%
MÊS 12 1.270.000,00 20.955,00 2.770,00 18.185,00 1,43%
PERCENTUAL MÉDIO DO PERÍODO 1,41%

11
Regulamento do ISS - Decreto 16.128 – GDF, de 04/12/1994.

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Apuração do Percentual Médio de Recolhimento de COFINS


FATURAMENTO CONTRIBUIÇÃO CRÉDITO CONTRIBUIÇÃO PERCENTUAL
MÊS MENSAL APURADA APURADO DEVIDA EFETIVO
A B = A x 7,60% C D=B-C E=D/A
MÊS 1 1.200.000,00 91.200,00 12.600,00 78.600,00 6,55%
MÊS 2 1.300.000,00 98.800,00 13.500,00 85.300,00 6,56%
MÊS 3 1.350.000,00 102.600,00 14.700,00 87.900,00 6,51%
MÊS 4 1.180.000,00 89.680,00 12.700,00 76.980,00 6,52%
MÊS 5 1.450.000,00 110.200,00 15.200,00 95.000,00 6,55%
MÊS 6 1.400.000,00 106.400,00 17.200,00 89.200,00 6,37%
MÊS 7 1.250.000,00 95.000,00 15.000,00 80.000,00 6,40%
MÊS 8 1.330.000,00 101.080,00 15.500,00 85.580,00 6,43%
MÊS 9 1.340.000,00 101.840,00 13.500,00 88.340,00 6,59%
MÊS 10 1.270.000,00 96.520,00 12.800,00 83.720,00 6,59%
MÊS 11 1.380.000,00 104.880,00 14.000,00 90.880,00 6,59%
MÊS 12 1.270.000,00 96.520,00 15.000,00 81.520,00 6,42%
PERCENTUAL MÉDIO DO PERÍODO 6,51%

10.7. Os dados de “faturamento mensal”, de “contribuição apurada”, de


“crédito apurado” e de “contribuição devida” devem ser extraídos do Demonstrativo
de Apuração de Contribuições Sociais – DACON12.
10.8. A composição do BDI para esse exemplo, considerando que o ISS
mantenha sua alíquota máxima prevista, é a seguinte:
Regime de Incidência Não-Cumulativa de PIS e de COFINS
Ajuste pela média das contribuições nos últimos doze meses
ITEM %
Despesas Administrativas 5,00%
Lucro Bruto 10,00%
Tributos s/ Faturamento 12,92%
ISS 5,00%
COFINS (percentual adaptado pela média dos últimos 12 meses) 6,51%
PIS (percentual adaptado pela média dos últimos 12 meses) 1,41%
BDI 32,64%

12
No sistema DACON SEMESTRAL 1.0, fornecido pela Secretaria da Receita Federal, esses dados constam das seguintes fichas:
PIS
Faturamento Mensal: Ficha 07A – Cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep (Regime Não-Cumulativo) – Coluna “Base de
Cálculo”
Contribuição Apurada: Ficha 15B – Resumo – Contribuição para o PIS/Pasep (Regime Não-Cumulativo) – Total da
Contribuição Apurada para o PIS/Pasep no mês
Crédito Apurado: Ficha 13 – Créditos Descontados no Mês - PIS/Pasep (Regime Não-Cumulativo) – Total de Crédito
Apurado no Mês
Contribuição Devida: Ficha 15B – Resumo – Contribuição para o PIS/Pasep (Regime Não-Cumulativo) – Total da
Contribuição para o PIS/Pasep Devida no mês
COFINS
Faturamento Mensal: Ficha 17A – Cálculo da Cofins (Regime Não-Cumulativo) – Coluna “Base de Cálculo”
Contribuição Apurada: Ficha 25B – Resumo – Cofins (Regime Não-Cumulativo) – Total da Cofins Apurada no Mês
Crédito Apurado: Ficha 23 – Créditos Descontados no Mês - Cofins (Regime Não-Cumulativo) – Total de Crédito Apurado no
Mês
Contribuição Devida: Ficha 25B – Resumo – Cofins (Regime Não-Cumulativo) – Total da Cofins Devida no mês

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10.9. Como se observa, o percentual total do BDI deve ser sempre inferior
ao máximo estabelecido nesse estudo para o regime de incidência não-cumulativa
de PIS e de COFINS, uma vez não ser aceitável que empresas sob o esse regime
não possuam créditos tributários, por menores que sejam.

11. CONCLUSÕES
11.1. Diante dos dados apresentados e das análises efetuadas, propõem-se
que os percentuais máximos para o item Bonificações e Despesas Indiretas nas
planilhas de custos das contratações de terceirização de mão-de-obra no STF sejam
os apresentados no item 9, quais sejam:
11.1.1. para serviços cujas empresas sejam tributadas pelo regime de
incidência cumulativa de PIS e de COFINS – 26,44%;
11.1.2. para serviços cujas empresas sejam tributadas pelo regime de
incidência não-cumulativa de PIS e de COFINS – 34,69%.

RAPHAEL YANI MARTINS NETO


Assistente II

FRANCISCO SANDOVAL BARBOSA DA SILVEIRA


Analista Judiciário

EDUARDO MARTINS DOS SANTOS


Coordenador de Auditoria e Fiscalização

EDNA PRANDINI
Secretária de Controle Interno

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