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PODER JUDICIÁRIO

TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO

 

Registro: 2013.0000008474

ACÓRDÃO

Vistos, relatados e discutidos estes autos de Apelação nº 0018694- 85.2008.8.26.0309, da Comarca de Jundiaí, em que é apelante RESIDENCIAL CITTA DI FIRENZE, é apelado PAULO REINALDO ROCHET.

ACORDAM, em 2ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo, proferir a seguinte decisão: "Negaram provimento ao recurso. V. U.", de conformidade com o voto do Relator, que integra este acórdão.

O julgamento teve a participação dos Exmos. Desembargadores ALVARO PASSOS (Presidente) e JOSÉ JOAQUIM DOS SANTOS.

São Paulo, 18 de dezembro de 2012.

Neves Amorim RELATOR Assinatura Eletrônica

PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO Apelante: Residencial Citta Di Firenze

PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO

Apelante:

Residencial Citta Di Firenze

Apelado:

Paulo Reinaldo Rochet

Comarca:

Jundiaí (1ª Vara Cível)

Voto n° 15954

EMENTA:

CONDOMÍNIO ALTERAÇÃO DE FACHADA INSTALAÇÃO DE CORTINA NO INTERIOR DO ENVIDRAÇAMENTO DA VARANDA QUE NÃO CONSTITUIU ALTERAÇÃO DA FACHADA DO CONDOMÍNIO - MATERIAL DE COR BEGE QUE É PRATICAMENTE IMPERCEPTÍVEL A MODO DE NÃO AFETAR A HARMONIA ARQUITETÔNICA DO PRÉDIO - AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO DA CONVENÇÃO DE CONDOMÍNIO - SENTENÇA DE IMPROCEDÊNCIA MANTIDA. RECURSO DESPROVIDO.

Trata-se de apelação interposta contra sentença que julgou procedentes os pedidos deduzidos pelo autor, para declarar a inexigibilidade das multas impostas pelo réu ao autor e, por via reflexa, determinou os respectivos cancelamentos. Em razão da sucumbência, condenou a ré ao pagamento das custas, despesas processuais e honorários advocatícios, fixados em R$ 1.000,00 (fls. 224/230).

Inconformado com a sentença, apela o Residencial insistindo na alegação de que o autor alterou a fachada do condomínio ao instalar cortina de PVC bege. Aduz que a única aprovação dos

PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO condôminos foi no sentido de

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condôminos foi no sentido de autorizar o fechamento das sacadas com vidro e , portanto, o apelado infringiu o art. 10 da Lei 4.591/64, a Convenção de Condomínio e o Regulamento Interno.

Regularmente processado o recurso, vieram aos autos as contrarrazões (fls. 257/260).

É o relatório.

Tratam-se de pedidos concernentes à nulidade das multas aplicadas pelo réu-condomínio ao autor, sob a alegação de que é proprietário de unidade autônoma e, nessa qualidade, foi multado por infração cometida pela não remoção de cortina na vidraça de seu apartamento.

Embora a fachada de um edifício seja propriedade comum dos condôminos e, portanto, não pode ser utilizada individualmente por cada coproprietário porque a ele não pertence com exclusividade, nos termos do art. 3º da Lei 4.591/64, os elementos constantes dos autos não demonstram ter havido alteração substancial na fachada do prédio.

De fato, a prova pericial levada a efeito constatou que “a

forma externa não foi mudada, as paredes não foram decoradas e as

esquadrias externas permanecem as mesmas (

proteção solar na cor bege, não distinguido, se proteção solar ou segurança, portanto a tela de proteção solar é da cor bege nas janelas e envidraçamento padronizado, destacando-se, ainda, que a tela de

é permitido a tela de

)

PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO proteção solar se encontra na

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proteção solar se encontra na parte interna da cortina de vidro” (fls.

171).

Mais adiante, a perita asseverou que “em uma análise técnica, concluo que a fachada do edifício em suas varandas, é o vidro padronizado, o que não foi alterado, e o que for colocado atrás do vidro, embora esse tenha certa transparência, não altera a fachada do edifício, seja uma cadeira, um vaso de flores, uma obra de arte, ou mesmo uma cortina” (fls. 198)

De fato, as fotografias de fls. 90/94 e 177/182 revelam que a cortina bege, instalada para o interior do envidraçamento padronizado da varanda é praticamente imperceptível, de modo que não se considera afetada a harmonia arquitetônica do edifício e nem alterada a fachada ante a pequena alteração efetuada.

Importa registrar que segundo o entendimento majoritário na jurisprudência: “ tem-se admitido pequenas alterações nas fachadas e seu aproveitamento para colocação, nas janelas e sacadas, de grades ou redes de proteção, persianas ou venezianas de material diferente (esquadrias de alumínio) do utilizado no restante da fachada, principalmente quando, com o passar do tempo, o material originariamente utilizado não existe mais no mercado ou quando seu uso se torna obsoleto” (RT 280/352 e 758/270).

Neste contexto, posicionou-se corretamente o MM. Juiz sentenciante ao considerar insignificante a modificação, consistente na

PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO instalação de cortina no envidraçamento

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instalação de cortina no envidraçamento da varanda e, portanto, “não

caracteriza alteração de fachada na interpretação cabível da disposição

do CC, artigo 1336, I, pois não implica em deformidade funcional e

nem estética, ou ainda contrária a postura municipal”.

Portanto, conclui-se que a bem lançada sentença recorrida

analisou corretamente as questões postas em julgamento mediante

criteriosa avaliação do conjunto probatório, conferindo à causa a mais

adequada e justa solução, razão pela qual resiste claramente às críticas

que lhe são dirigidas nas razões recursais. Qualquer acréscimo que se

fizesse aos seus sólidos fundamentos constituiria desnecessária

redundância.

A propósito, o Novo Regimento Interno do Tribunal de

Justiça do Estado de São Paulo, em vigor desde 4 de novembro de

2009, estabelece que, “nos recursos em geral, o relator poderá limitar-

se a ratificar os fundamentos da decisão recorrida, quando,

suficientemente fundamentada, houver de mantê-la”.

O Colendo Superior Tribunal de Justiça tem prestigiado

essa forma de julgamento:

"PROCESSUAL CIVIL. ACÓRDÃO PROFERIDO EM EMBARGOS DECLARATÓRIOS. RATIFICAÇÃO DA SENTENÇA. VIABILIDADE. OMISSÃO INEXISTENTE. ART. 535, I, DO CPC. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO. 1. Revela-se improcedente suposta ofensa ao art. 535 do CPC quando o Tribunal de origem, ainda que não

PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO aprecie todos os argumentos expendidos

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aprecie todos os argumentos expendidos pela parte recorrente, atem-se aos contornos da lide e fundamenta sua decisão em base jurídica adequada e suficiente ao desate da questão controvertida. 2. É predominante na jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça em reconhecer a viabilidade de o órgão julgador adotar ou ratificar o juízo de valor firmado na sentença, inclusive transcrevendo-a no acórdão, sem que tal medida encerro omissão ou ausência de fundamentação no decisum. 3. Recurso Especial não-provido." (REsp nº 662.272-RS, Segunda Turma, Rel. Min. JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, j. 04.09.2007).

No mesmo sentido: REsp n. 641.963-ES, Segunda Turma,

relator Ministro CASTRO MEIRA, DJ de 21.11.2005, REsp n. 592.092-

AL, Segunda Turma, relatora Ministra ELIANA CALMON, DJ de

17.12.2004 e REsp n. 265.534-DF, Quarta Turma, relator Ministro

FERNANDO GONÇALVES, DJ de 1.12.2003.

Destarte, nos termos do art. 252 do Regimento Interno,

ratifico os fundamentos da sentença recorrida, que fica mantida por se

revelar suficientemente motivada.

Assim, pelo meu voto, nego provimento ao recurso.

NEVES AMORIM Desembargador Relator