28/07/2017

PALESTRA ONLINE
Aroma, a história cultural dos odores

Constance Classen
David Holmes
Anthony Synnott

Tradução Álvaro Cabral

Jorge Zahar Editor
Rio de Janeiro, 1996

com Mayra Corrêa e Castro,
aromatóloga e linguista

Edição original
Aroma, the Cultural History of Smell (1994)

Kindle Amazon:
http://bit.ly/1Lv7937
(R$ 99,19 15/fev)

Livraria Cultura:
http://www.livrariacultura.com.br/p/aroma-
17460422?id_link=9284
(R$ 99,19 31/jan)

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Livro nasceu do projeto:
THE VARIETIES OF SENSORY EXPERIENCE: A COMPARATIVE STUDY OF THE INFLUENCE OF
CULTURE ON THE RATIO OR BALANCE BETWEEN THE SENSES (1988-1990)
http://www.david-howes.com/senses/Consert-Variety.htm (31/jan)

e gerou ainda outros livros

CONSERT – The Concordia Sensoria Research Team
Concordia University, Montral, Canada
mais financiamento de Olfactory Research Fund, Inc.
(fundada em 1981 pela The Fragrance Foundation)

Questionar a hipótese de que a linguagem determina como o mundo é percebido pelos sentidos:
Berlin and Kay (1970): tribo Dani da Nova Guiné possui apenas duas palavras para as cores,
mas isso não porque ele apenas percebam apenas duas cores, mas porque os sentidos da
audição e olfato são mais elaborados.

Objetivo foi criar uma visão abrangente de como a organização do sensório pode variar
culturalmente:
Os órgãos dos sentidos são ordenados mais hierarquicamente que igualmente.

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Introdução: Significado e Força
do Olfato
O olfato é poderoso.
Os odores nos afetam em nível físico, psicológico e social.
Anosmia
Os odores são pistas essenciais na criação e conservação de vínculos sociais
Pesquisa conhecida: identificar camiseta usada pelo cônjuge apenas pelo cheiro.
O papel cultural dos odores.

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Apesar da importância para nossas vidas emocionais e sensoriais, o cheiro é o
sentido mais subestimado no Ocidente.
Faro animal x olfato humano:
Ainda podemos reconhecer milhares de cheiros e perceber odores em
quantidades infinitesimalmente pequenas
Línguas europeias: descrevemos o cheiro por meio de metáforas
Os odores tampouco podem se registrados:
Não existe um processo eficaz de captar fragrâncias ou de armazená-las por
longo tempo. No domínio da olfação, temos que nos contentar com
descrições e reminiscências.

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Perguntas que ainda precisam ser respondidas?
O olfato é um ou dois sentidos?
Aquele que reage aos odores e ou aquele que reage a feromônios
(substâncias químicas transportadas pelo ar)?
O nariz é a única parte do corpo afetada pelos odores?
Como podem os cheiros ser medidos objetivamente?

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O olfato não é, contudo, um fenômeno somplesmente biológico e psicológico. É também um
fenômeno cultural e, por conseguinte, social e histórico.

OCIDENTE
OLFATO VISÃO
SÉCULOS XVII E XIX

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Parte 1 – Em busca das fragrâncias perdidas
Capitulo 1 – Os aromas na antiguidade (1º século da era cristã)

“O prazer o perfume está entre as mais elegantes e
também mais respeitáveis satisfações da vida.”

Importados da Arabia Felix

Susinum – lírios, óleo de noz behen, tifá doce, mel,
canela, açafrão e mirra.
Megalium – do romano Megallus, bpalsamo, escirpo,
junco, óleo de noz behen, cássia e resina.
Plínio, o Velho Kyphi – 16 ingredientes.
sec I d.C

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Mapas Olfativos das cidades
Cidades eram demarcadas por cheiros bons x cheiros ruins

Templos eram oásis olfativos, com aromas socados no próprio reboco (templo de
Minerva em Elis, argamassa preparada com leite e açafrão)

Termas romanas:
Sessão de transpiração – sudatorium
Banho morno – tepidarium
Esfriavam na piscina – frigidarium
Sala de unguentos – unctarium

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Banquete romano:
baixa distinção entre comida e perfume
perfumadoria coletiva

Nero:
tubulações instaladas no teto pra borrifar água de cheiro

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Perfume e erotismo:
Cleópatra e Marco Antônio (sec. I a.C)

Afrodite e Eros:
Deuses fragrantes do amor
Coroas de flores – santuários de
amor

Sócrates:
Óleo de ginástica

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Batalhas romanas:
Corpos ensanguentados
Odor de mortos
Cidades ardendo
Suor de rações a base de cebola e queijo

“Bota do exército bem gasta “Meus homens lutam igualmente bem qdo
como uma das piores catingas estão perfumados.” – Julio Cesar
do mundo.” - Marcial

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Perfume, remédio e o odor da morte:
Mumificação dos egípcios – trocar o odor da morte pelo suave aroma da
eternidade.

Ramsés II

Nero:
Queimou mais incenso que a Arábia poderia
produzir no funeral de Popeia

ALMA = HÁLITO

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Olimpo: fragrante versus Terra: pútrido

Zeus, mesmo envolto semore
numa nuvem de fragrâncias, foi
seduzido pelo perfume de Hera

Ovídio: Baco cheirava a açafrão e
mirra
Hades criou a flor de narciso para
seduzir Perséfone

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Teorias do Olfato na Antiguidade
Do latim: sagaz, sagax – olfato
Do latim: sapientia, inteligente arguto – sabor

Platão (IV a.C.) Galeno (II d.C.)
Odoro tem natureza semiformada, Não é o nariz que
Lucrécio (95-55 a.C.)
mais tênue que a água e mais densa percebe o cheiro, mas o
Todos os odores agradáveis são
que o ar. cérebro; odores são
formados de partículas planas e macias;
quentes, frios, secos ou
os desagradáveis de recurvas e ásperas.
úmidos.

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Parte 1 – Em busca das fragrâncias perdidas
Capitulo 2 – Farejando o Rastro da Idade Média à Modernidade

CRISTIANISMO SEC. IV PERFUMES NO IMPÉRIO ROMANO

Orígenes II-III d.C.
Incenso – acessório para o Sto. Isidoro II d.C. Bruxas e Hereges queimados:
demônio Cadáver exumado duas vezes odor de santidade x corrupção
cheirava fragrantemente moral

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Cidades fediam. E de quem era a responsabilidade?
Restos de comida, excrementos humanos e de animais; sangue de vísceras de
abates; cães e gatos mortos; sangue de cirurgiões barbeiros; lama pegajosa e
fétida que escorria para rios quando chovia.

“A cada um entrego o que lhe é devido:
A Deus dirijo minha reza, a ti a imundície.
A pura prece ascende até ao Céu, onde Ele habita.
E para baixo segue a sujeira, bem compatível contigo!”

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P
E
S
T
E
B
U
B
Sec. XIV a XVII – Causas:
Ô Arrotos sísmicos
N
Gases planetários
I
C
A

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“Eram adotados cuidados especiais
quando se entrava no quarto de um
doente. Um médico londrino
recomendou que o quarto do doente
tivesse ervas nas janelas, um fogo
aromático na lareira e o assoalho
borrifado com água-de-rosas e
vinagre, quando iam ser recebidas
visitas. Estas, por suas vez, eram
aconselhadas a bochechar com água-
de-rosas antes de entrar, a manter um
pauzinho de canela ou outra especiais
dentro da boca e, como simpatia
adicional, um bola de cheiro no bolso.
Ao despedir-se, era conveniente outro
Vinagre dos Quatros Ladrões bochecho com água-de-rosa. Por
Não se devia cheirar um doente com a vezes, os próprios médicos usavam
pesta negra. uma ‘bolsa nasal’ cheia de ervas e
espécies atada sobre o nariz quando
visitavam pacientes.”

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Versalhes Elizabeth I (sec XVI)

Eduardo VI (sec XVI) Jorge III (sec XVIII)

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Ervas do jardim x Especiarias do Oriente
Novas rotas comerciais

Sabores Perigosos – Andrew Dalby
(Ed Senac SP, 2010)
http://bit.ly/1IPisAU

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Banho
Passatempo sensual e decadente
Séculos XVI e XVII – auge da expressão do prazer de se perfumar

São Francisco de Assis (sec XIII)
“Imundícies são as insígnias da santidade”

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Elizabeth I (sec XVI)
Recebeu delegação francesa com canhões
de pos aromático e água perfumada Napoleão Bonaparte (sec XVIII-XIX)
Usava um vidro de Água de Colônia todas
as manhãs

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Londres, 1858
“Quem tinha direitos de propriedade sbre dejetos humanos – aqueles que os
produziam, aqueles que eram os donos da propriedade onde eram produzidos, ou
o Estado?”

Reformas sanitárias na Europa:
Final sec XVIII e inicio sec XIX

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Puritanismo e ascensão da burguesia

Louis Pasteur (sex XIX)
Não é o mau cheiro que causa
doenças, e sim as bactérias

Agora é legal tomar banho!

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Perfumes x Remédio
Edward Chadwick, grande reformador sanitarista do sec XX: “todo o cheiro é doença”.

Pobres fedem; aristocratas cheiravam demais.

Homem burguês
Neutralidade olfativa
Não gasta com perfume,
que é efêmero

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Cheiros de homens x cheiros de mulheres
Olfato é um sentido inferior

Mme. Bovary / Gustave Flaubert - 1857

Anna O. / Freud -
1882

Mlle. Chanel - 1920

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Reação à desodorização:
Relistas versus Simbolistas

Baudelaire - XIX

Balzac - XVIII-XIX

Mallarmé – XIX
Hugo - XIX

Verlaine - XIX

Wilde - XIX
Zola – XIX-XX

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olfato

sentimentalidade

I Guerra – 1914-1918
Descartes – XVI-XVII

olfato

teorias racistas

Darwin - XIX II Guerra – 1939-1945

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Parte II – Estudos sobre a Diferença Olfativa
Capítulo 3 - Universos de odores
Osmologias olfativas
Andames – Ilhas Andaman, Baía de Bengala, Índia
Odores definem o tempo e o espaço

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Dessanech – Etiópia, África
Calendário baseado em odores
Estação seca – aromas ruins sobrem ao céu
Estação úmida – aromas bons voltam com a chuva

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Umeda – Papua Nova-Guiné
Setnido da distância nas florestas é o olfato e não a visão

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Desanas – Amazônia colombiana
“wari” – povo que cheira

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Suiás (Kisêdjê) – Mato Grosso, Brasil
Três categorias de cheiro que definem a hierarquia social

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Bororos – Mato- Grosso, Brasil
Oito classes de cheiro
Jerimaga – vida, almiscarado
Rukore – espírito, doce

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Serer-Ndut, Senegal, África

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Negritos Bateks – Malásia
Regras para o que pode ou não pode ser cozido ou comido junto.

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Kapsikis – República dos Camarões
Cheiros definem o que cada classe social pode ou não comer.

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Vocabulário olfativo
“De fato,é possível que os odores tendam a ser processados de um modo direto, não-
verbal, pelo cérebro, e, assim, evitem a expressão através da linguagem.”

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Temiar, Malásia
Cheiro das pessoas está na lombar.

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Ongee – Ilhas Andaman, Índia
Cheiro vivifica o mundo orgânico

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Dogon – Mali
Odor e som são análogos, pois ambos viajam no ar.

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Chineses
Teoria dos Cinco Elementos – Ordem de produção mútua

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Capítulo 4 - Os Ritos do Cheiro

ATRAÇÃO
RITOS DE PASSAGEM

UNIÃO,
INTEGRAÇÃO
REPULSÃO

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Atração
Hinduísmo – rei que se perfumava com jasmim

Dessanech – Etiópia
Esterco de gado
Dogon – Mali
Cebola frita
Nauru – sul do Pacífico
Leite de coco

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Emirados Árabes Unidos
Extenso código olfativo
Rituais de visita com perfumes

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Marrocos – África
Djims, espíritos malignos que se alimentam de mau cheiro.

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Tzotzil – México
Sacrário aromaático. Cigarros dos deuses

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Ilhas Tanimbar (Moluco) – Indonesia
Recém-nascido deve ser socializado pelo cheiro.

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Menstruação

Huas – altiplanos de Papau-Nova Guiné
Cheiros determina o gênero.

Bororos – Amazônia brasileira
Cheiro da menstruação é contaminante.

Dessanech – Etiópia
Menstruação não tem cheiro. “Chuva da mulher”

Ongees
Menstruação é aptidão para controlar a quantidade
de cheiro no corpo.

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Caça e agricultura

Wamira – Papua Nova-Guiné
Inhame não gosta de certos cheiros.

Ilhas Trobiands
Carás são hipersensíveis aos cheiros.

Batek – Malásia
Canções de fruta.

Desanas – Amazônia colombiana
Caçar é se perfumar.

“Essas atividades de caçar, cultivar e coletar ressoam assim em muitos
domínios diferentes ao mesmo tempo, de modo que os carás têm nariz, os
animais da floresta são humanos amantes de perfumes e os territórios onde o
homem caça animais pelo cheiro são também territórios onde os espíritos
caçam o homem pelo cheiro.”

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Rituais olfativos terapêuticos

Shipibo-conibos – Amazônia peruana
Canções aromáticas que penetram pelas narinas.

Hausas - Nigéria setentrional
Bruxas penetram na alma pelo nariz e o
remédio são plantas que fazem espirrar.

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Odores fúnebres

Batek
Penduram mortos em árvores e fumigam
embaixo.

Emirados Árabes
Em velórios, apenas o falecido recebe
perfumes.

Ongess
O cheiro vital está nos ossos e por isso os
mortos são exumados.

Nova Irlanda – Papua Nova-Guiné
Estátuas servem para capturar o odor o
falecido.

Estátuas Nova Irlanda – Papua Nova-Guiné

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O cheiro em sonhos e visões

Umedas – Papua- Nova-Guiné
Palavra para sonho e
cheiro é.

Ongees
Sonho é quando o espirito se
liberta e vai aos lugares onde
ela esteve para recolher os
cheiros que foram deixados
para trás. A morte é quando o
cheiro não retorna.

Dasanas
Ayahuasca, a fumaça
aromática o precede.

Infusão Ayahuasca

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Capítulo 5 – Odor e Poder, a polítca dos cheiros

NEUTRALIDADE OLFATIVA

LIBERDADE DE CHEIRO

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“Cheiro das classes inferiores”

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Cheiros poluentes

moléculas antagonistas

status quo olfativo

“Os nazistas foram capazes de manter a visão e o som de
suas atrocidades dentro de impenetráveis muralhas, mas
cheiro escapou e espalhou a horrível verdade.”

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Utopias aromáticas
Ideal aromático: cinema, só com e áudio (e, agora, com cheiro controlado nas salas
4D)

“Não existe conciliação entre a fragrância da
civilização e o mau cheiro do mundo selvagem.”

Admirável Mundo Novo – Aldous Huxley, 1932
http://bit.ly/1L83khm

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Capítulo 6 – O Aroma da Mercadoria – a
comercialização do cheiro

Aura da mercadoria
Alan Tomlinson: compramos a
fantasia e não a função

Odor natural é estigmatizado.
Odoro artificial é desejado.

IFF: populações pobres e desnutridas
compram “cheiro de prosperidade”
Lojinha da Avon em Serra Pelada, Pará

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Olfato
Sentido pós-moderno

“Se a visão – panorâmica, analítica e linear – é o sentido da modernidade, será o cheiro – pessoal,
intruitivo e multidirecional – o sentido da pós-modernidade?”

MULHERES HOMENS

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Publicidade de perfumes
Publicidade de estado de espírito.

1857

1986

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Indústria do cheiro
Aromacologia
“O cheiro interessa às pessoas.”

Joy - limão

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Sabores de fantasia
Cromatografia gasosa
Flavorizantes

“Os sabores de frutas e legumes artificais estão disponíveis o ano inteiro e estarão sempre em seu auge.”

“Assim como a
nossa imaginação
audiovisual do
século XX foi
colonizada por
logotipos, slogans e
imagens
publicitárias, o que
faz parecer que a
nossa moderna
consciência olfativa
está cada vez mais
impregnada de
odores pertinentes a
perfumes com
1969 marca registrada –
o aroma das
mercadorias”

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Essências
Indicam a existência de algo que nunca existiu

PÓS-MODERNIDADE OLFATO

Perda de fé em mitos Pessoais e locais
universalistas
Efêmeros
Ênfase no pessoal e local
Tansitam no espaço
Saltos entre fronteiras
É uma sensação momentânea
Eterno presente

“Continuamos desejando sabores e cheiros, como antigos buscavam as especiarias
no Jardin do Éden, mas hoje os buscamos numa Disneylândia artificial.

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Agradecida!
WWW.CASAMAY.COM.BR MAYRA2@CASAMAY.COM.BR

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