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O advento do Espiritismo permitiu que a

humanidade reencontrasse a essência do Cristianismo e aprofundasse o entendimento da mensagem cristã.

A revelação precisa e convincente da existência

do plano espiritual mostrou ao homem sua origem, explicou os porquês da vida e deu uma clara direção para a vivência correta do presente, que é certamente o melhor caminho para um futuro mais tranqüilo.

Em Iniciação ao Espiritismo, a consagrada autora Therezinha Oliveira apresenta de forma prática e objetiva
Em Iniciação ao Espiritismo, a consagrada
autora Therezinha Oliveira apresenta de forma
prática e objetiva os fundamentos da Doutrina
Espírita:
Deus; A Criação; Os Espíritos; Classificação dos
Espíritos e dos Mundos; Perispírito; Ação dos
Espíritos sobre os Fluidos; Milagre ou
Fenômeno?; Lei de Causa e Efeito; Livre-
Arbítrio e Progresso; Reencarnação; Sono e
Sonhos; A Prece; Desencarnação; A Escolha
das Provas; Desigualdades das Riquezas;
Estudo sobre o Batismo; O Espírita e o
Casamento; As Três Revelações (Moisés, Jesus
e o Espiritismo); A Doutrina Espírita e Suas
Práticas; Mediunidade e Seu Desenvolvimento;
As Parábolas do Semeador, da Candeia e dos
Trabalhadores da Última Hora.
O iniciante e o estudioso encontram em
Iniciação ao Espiritismo a melhor compreensão
da Doutrina Espírita, construindo assim um
caminho seguro para alcançar a mais pura
harmonia com a vida.
ISBN 978-85-7800-025-7
9 788578
000257

Ç79om mais de 45 anos de atividades lL/ininterruptas na seara espírita, Therezinha Oliveira já presidiu o Centro Espírita “Allan Kardec’’ e a USE de Campinas/SP.

Oradora brilhante, proferiu mais de duas mil palestras em todo o Brasil e até nos EUA.

É autora das sete obras (uma em co-autoria) da Coleção Estudos e Cursos, adotada com sucesso em diversas Casas Espíritas espalhadas pelo país e por aqueles que desejam sistematizar o estudo da Doutrina. Destacam-se ainda na sua produção:

Ante os que Partiram, Deixem-me Viver, Espiritismo - a Doutrina e o Movimento, Na Luz do Espiritismo, Na Luz do Evangelho e Parábolas que Jesus Contou e Valem para Sempre.

Suas obras já ultrapassaram a marca de 600 mil exemplares publicados, sendo 200 mil de livros e 400 mil de livretos.

Por sua experiência, conhecimento, ativa dedicação e fidelidade aos postulados espíritas, Therezinha Oliveira continua a contribuir de forma inestimável para a causa espírita.

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2009

Iniciação ao Espiritismo (14a ed.)

© Copyright 2009 by Editora Allan Kardec

Curso elaborado por Therezinha Oliveira para o Centro Espírita “Allan Kardec” (Campinas/SP)

CIP-Brasil - Catalogação-na-fonte Sindicato Nacional dos Editores de Livros, RJ

Oliveira, Therezinha, 1930- Iniciação ao Espiritismo (Estudos e Cursos; vol. 1) / The­ rezinha Oliveira, 14. ed. Campinas, SP : Allan Kardec, 2009.

256p.;21cm

ISBN 978-85-7800-025-7

1. Espiritismo. I. Título. II. Série.

CDD 133.9

CDU 133.9

Ia à 13a edição - 1993 a 2008 - 44,5 mil exemplares 14a edição - julho/2009 - 4 mil exemplares

Todos os direitos desta obra reservados à Editora Allan Kardec (Centro Espírita “Allan Kardec”)

CNPJ: 46.076.915/0007-77

ÏE: 244.119.654.117

Av. Theodureto de Almeida Camargo, 750 - Vila Nova

Campinas/SP- 13075-630

PABX: (19) 3242-5990

Impresso no Brasil - Printed in Brazil - Presita en Brazilo

Nenhuma parte desta obra pode ser reproduzida ou transmitida por qualquer forma e/ou quaisquer meios (eletrônico ou mecâ­ nico, incluindo fotocópia e gravação) ou arquivada em qualquer sistema ou banco de dados sem permissão escrita desta Editora.

O produto da venda desta obra destina-se à manutenç ão d a . obras sociais do Centro Espírita Allan Kardec, de Campina -, ‘4 ’

SUMÁRIO

Esclarecimentos preliminares

VII

PRIMEIRA U N ID A D E

1. Radiações ou vibrações

3

2. Deus 9

3.

4. Os Espíritos 23

5. Classificação dos Espíritos e dosmundos

6. Amor a Deus e ao próximo 37

7. Perispírito

8. Ação dos Espíritos sobre os fluidos 49

43

29

15

A Criação

9. O Evangelho no Lar

55

SEGUNDA U N ID AD E

10. Milagre? ou fenômeno?

63

11. Lei de Causa e Efeito

71

12. Livre-arbítrio e progresso

75

13.Os espíritas e o casamento

81

14. A confissão

e comunhão dos cristãos

91

15. Reencarnação

97

16. Argumentando sobre a reencarnação

103

17. Pais e filhos à luz da reencarnação

111

18. A família à luz da reencarnação

115

TERCEIRA U N ID A D E

19. Bem-aventurados os aflitos

123

21.

Provas e expiações

137

22. Desigualdade das riquezas

145

23. Um estudo sobre o batismo

153

24. Sono e sonhos

163

25. Fora da caridade não há salvação

169

26. A prece

175

27. A oração dom inical

183

28. Allan Kardec, o Codificador

187

QUARTA U N ID AD E

29. As três revelações 195

30. A Doutrina Espírita e suas práticas

203

31 .Mediunidade

e o seu

desenvolvimento

209

32.Mediunidade e Espiritismo

215

33. "De graça

recebestes, de graça dai"

221

34. Vigilância cristã

 

227

35. A parábola do Semeador

233

36. A parábola da Candeia

 

237

37. A

parábola

dos Trabalhadores da Última Hora

241

ESCLARECIMENTOS

PRELIMINARES

Pelo amor ou pela dor

Você veio a este curso trazido(a) pela dor? Ou pelo amor? Chega pela dor quem vem porque está sofrendo, com pro­ blemas físicos ou espirituais. Chega pelo amor quem vem porque quer conhecer as coi­ sas espirituais, aproximar-se de Deus, servir ao próximo.

Qualquer que seja o motivo que o(a) traz, você é bem- vindo(a) a este Curso de Iniciação ao Espiritismo, no qual, em aulas semanais, ao longo de um ano, lhe serão ofereci­ dos:

- melhor orientação para sua vida, à luz do Espiritismo, que esclarece: quem somos, de onde viemos, por que estamos na Terra, como devemos aqui nos conduzir e para onde iremos depois;

- convivência fraterna com pessoas que também buscam a fé e o equilíbrio espiritual;

- oportunidade de iniciar o exercício de suas faculda­ des espirituais, em vibrações que equilibram, confor­ tam e desenvolvem o nosso eu;

- ensejo de começar a servir nas tarefas assistenciais e administrativas do Centro Espírita, se assim o quiser.

◄VIII |

Iniciação ao Espiritismo | Therezinha Oliveira

Participe de tudo, ativa e interessadamente, para alcançar o que veio buscar: bem-estar, equilíbrio e aperfeiçoamento espiritual.

Dificuldades a superar

De início, você talvez encontre alguns obstáculos para sua freqüência ao curso. São dificuldades já esperadas, porque fazem parte das con­ dições de vida na Terra, mas poderão nos desviar de nossos bons propósitos se não estivermos atentos. Exemplos: oposição da família, mal-estar repentino, desâ­ nimo, visitas na hora de vir para o Centro, pensamentos per­ turbadores (como o de descrença, de que o esforço para o bem seria inútil). Tudo isso poderá estar acrescido pela influência de Espíri­ tos inferiores, que não querem a nossa melhora e o nosso pro­ gresso, e tudo farão para nos perturbarem e impedirem, se não nos firmarmos em nossa boa intenção. Esses naturais obstáculos serão superados, pouco a pouco, se mantivermos:

Vigilância: atenção, a fim de não perdermos as boas opor­ tunidades que aparecerem nem deixarmos que os descuidos nos prejudiquem. Boa vontade: disposição para entender e aplicar na vida diária o que aprendermos, a fim de nos melhorarmos e me­ lhorarmos nossa vida. Perseverança: firmeza e constância nos bons propósitos. Agindo assim:

- passaremos a nos interessar pelos assuntos e atividades do curso;

- a nos entrosarmos com os participantes do grupo;

Esclarecimentos preliminares

| IX

- a entendermos melhor a Doutrina Espírita;

- e nos firmaremos espiritualmente.

E, ao fim do curso, teremos melhor visão espírita da vida, sentindo-nos mais equilibrados e mais firmes em nossas con­ vicções. Teremos alcançado, enfim, a segurança, a tranqüili- dade e o progresso intelectual e moral, que só o tempo e o esforço próprio nos podem dar.

Preparo no dia da reunião

Para chegarmos bem dispostos à reunião e dela participar­ mos com proveito, precisamos nos preparar material e espiri­ tualmente. Materialmente: cuidar da higiene do corpo, não se desgas­ tar sem necessidade, evitar excessos de qualquer tipo, alimen­ tar-se frugalmente (especialmente a refeição que antecede a reunião). Espiritualmente: vigiar atos, pensamentos, palavras e ati­ tudes; orar, procurando manter, durante o dia todo, um clima de paz e de equilíbrio.

Freqüência e pontualidade

Atender ao horário programado pelo curso e apresentar-se 15 minutos antes do início da aula, para facilitar o registro de sua freqüência. Esse registro é importante para se avaliar o interesse do participante e saber a que aulas já assistiu. Não sair da aula para receber passe, a não ser em emergên­ cias. O passe poderá ser recebido em qualquer outro dia e horário, mas a aula é só uma vez por semana e de uma hora apenas, não deve ser prejudicada.

4

X |

Iniciação ao Espiritismo | Therezinha Oliveira

As aulas

Atendem a um nível doutrinário básico, inicial, e seguem uma necessária gradação de conhecimento. Sendo o grupo heterogêneo, não se poderá atender ao interesse particular de cada um por este ou aquele tema; a preferência no atendi­ mento será dada aos iniciantes no conhecimento espírita. Durante elas, prestar atenção às explanações, evitar con­ versas, movimentos ou ruídos que distraiam ou perturbem os demais participantes do curso. As perguntas sobre o tema exposto serão respondidas, de preferência, ao final das aulas, pelo expositor ou pela equipe dirigente do curso. Aquele que perseverar até o fim, será salvo. (Jesus - Mc

13:13)

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N I D A

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A harmonia que reina no univer­ so material, como no univer­ so moral, se funda

A harmonia que reina no univer­ so material, como no univer­

so moral, se funda em leis estabele­ cidas por Deus desde toda a eterni­ dade.

(O Livro dos Espíritos, questão 616)

RADIAÇÕES OU VIBRAÇÕES Ao final de cada aula deste curso, realizaremos alguns mi- nutos de

RADIAÇÕES OU VIBRAÇÕES

Ao final de cada aula deste curso, realizaremos alguns mi- nutos de vibrações. Com elas, você começará a exercitar me­ lhor suas faculdades espirituais.

O que são?

Radiação ou vibração (em linguagem espírita) é o ato de emitir e direcionar energias, usando para isso o pensamento e o sentimento.

Para que servem?

Com essas radiações, podemos influir sobre pessoas e am­ bientes, beneficiando-os. E também nos beneficiando, por­ que quem abre o pensamento e o coração para doar, imedia­ tamente:

- renova, também, o seu próprio ser (pensamentos, sen­ timentos e fluidos); e

- torna-se canal e zona atrativa para forças benéficas (“é dando que se recebe”).

4 |

Iniciação ao Espiritismo | Therezinha Oliveira

Sua eficiência e alcance

A eficiência das radiações depende da capacidade de amar

e sentir, bem como da vontade de emitir energias e dirigir o

pensamento. De início, somente conseguimos emitir radiação ao nosso redor. Mas com boa vontade e perseverança, poderemos exer­ citar essa capacidade e atingir distâncias maiores.

Como realizá-las?

Primeiramente, concentrar-se; isto é, desligar os sentidos do ambiente externo, orientar a mente para o mundo íntimo

e fixar o pensamento num ponto superior de interesse. Estando assim concentrado, procurar emitir, irradiar bons pensamentos e sentimentos, em favor de quem se quer bene­ ficiar.

A vibração coletiva

As radiações podem ser feitas por um grupo de pessoas. Então, são mais fortes, porque representam a soma das ener­ gias de todos que estão participando. Nas radiações coletivas, se cada participante ficar egoisti- camente interessado em vibrar só para si mesmo ou para os seus, não haverá doação verdadeira de ninguém e, conseqüen- temente, ninguém terá o que receber. Mas, se todos doarem fluidos, generosa e desinteressada­ mente, os bons Espíritos terão condições de trabalhar com esses fluidos, combinando-os e redistribuindo-os entre os pre­ sentes e outras pessoas (encarnadas ou não). Dessa forma, cada um dará o que pode e todos receberão o de que mais precisam, dentro dos recursos fluídicos existen-

Cap. 1 - Radiações ou vibrações | 1a Unidade

| 5

tes (como na multiplicação de pães e peixes, realizada por Jesus).

Sua direção

Nas radiações coletivas, alguém precisa usar a palavra para ir conduzindo o pensamento e sentimento de todos, a fim de se unirem e agirem a um tempo só e para um mesmo fim. Quem dirige a vibração deve falar:

- em tom de voz que seja alto apenas o suficiente para todos poderem escutar;

- com clareza e objetividade, para que todos entendam sobre o que se vai vibrar;

- pouco, só o necessário para lhes orientar o pensamento e o sentimento;

- com sincera emoção, para estimular o sentimento em quem ouve. Após dizer o objetivo de cada vibração, deve deixar al­ guns instantes de silêncio, durante os quais todos ficarão vi­ brando no sentido indicado. A duração de cada vibração de­ penderá da capacidade de concentração e emissão dos parti­ cipantes, variando ao redor de 20 segundos.

Roteiro para vibrações coletivas

Damos, a seguir, uma sugestão de temas para as vibrações a serem feitas. Não será preciso citar todos esses tópicos; sele­ cionar os que forem oportunos e acrescentar os que se torna­ rem necessários ante o que estiver acontecendo na comuni­ dade, no país e no mundo.

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Iniciação ao Espiritismo | Therezinha Oliveira

Preparação

Irmãos, é dando que se recebe. Ajudemos para sermos ajuda- dos. Vamos doar nosso pensamento e sentimento fraternos para quem precisa, para quem está carente de saúde e de paz. Vamos pensar em favor do próximo e Deus, que tudo vê, nos abençoará e ajudará.

Vibrações

Senhor, ampara nosso propósito de servir. Que em teu nome e com o auxílio dos bons Espíritos, possamos ajudar àqueles que estão mais necessitados do que nós.

Pai, há quem esteja muito infeliz. Mas, dentro da tua miseri­ córdia, há muitos meios de socorro, muitos recursos para reani­ mar as criaturas. De toda a alma te rogamos: abençoa os que sofrem! Dá a cada sofredor a suavização de suas dores, um bálsamo para suas triste­ zas! (Intervalo de silêncio para todos vibrarem.) Senhor, muitos de nossos irmãos estão nos vícios, no crime, nos grandes prejuízos físicos e morais. Tem piedade deles! Que possam se corrigir a tempo, para não virem a sofrer as duras con­ sequências de seus erros. Bons Espíritos, ajudai algum irmão nos­ so a sair desse estado de doença espiritual e voltar ao equilíbrio e à dignidade. (Intervalo de silêncio para todos vibrarem.) Nos hospitais, nos lares, os enfermos esperam um conforto e querem sarar. Senhor, que as nossas vibrações neste instante le­ vem até eles o alívio para seus males! E se for permitido por tua lei sábia e santa, que recuperem a saúde! (Intervalo de silêncio para todos vibrarem.)

Cap. 1 - Radiações ou vibrações | 1a Unidade

| 7

Agora, Deus bondoso, vibramos pelas crianças e pelos jovens:

que não lhes falte o amparo material e espiritual, o pão e a escola,

o amor e a orientação da alma!

(Intervalo de silêncio para todos vibrarem.) Ao léu, pelas ruas, muitos vagueiam sem lar, sem abrigo. Ve­ lhinhos sofrem abandono e desamparo no fim de seus dias. Se os encontrarmos, Senhor, inspira-nos para que saibamos lhes dar um pouco de ajuda, o que estiver ao nosso alcance. Mas neste mo­ mento, Pai, permite que os envolvamos em votos de paz e doemos

a eles um pensamento amigo e bom. (Intervalo de silêncio para todos vibrarem.) Guerra e violência ameaçam o mundo, mas em Ti, ó Deus, está a força suprema do bem e da paz que governa o universo. Confiamos em Ti e, sem temores vãos, faremos nossa parte afim de que haja paz no mundo, para todas as criaturas. Abençoa, Senhor, os dirigentes de todas as nações, especialmente os do nos­ so país. Que sob tua proteção, governem com amor e justiça, em favor do seu povo.

(Intervalo de silêncio para todos vibrarem.) Abençoa os maus, Senhor, afim de que se arrependam, pro­ gridam e se melhorem. Assim errarão menos e isso será benéfico para todos nós, para toda a humanidade. (Intervalo de silêncio para todos vibrarem.) Ampara, ó Pai, as criaturas que, cheias de amor e boa vonta­ de, querem praticar o bem, trabalhar em favor do próximo. Que consigam realizar todo o bem que desejam fazer! E que saibamos ampará-las e cooperar com elas em seus labores, em suas tarefas caridosas. (Intervalo de silêncio para todos vibrarem.) O lar é a primeira célula da sociedade. Nele, Deus reúne as criaturas que mais precisam estar juntas, para se reajustarem ou

i

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Iniciação ao Espiritismo | Therezinha Oliveira

ampararem mutuamente. Que a proteção divina se estenda a to~ dos os lares, ao nosso também! Que neles reinem o respeito, a harmonia, a ajuda mútua. (Intervalo de silêncio para todos vibrarem.) Quanto a nós, Senhor, pedimos perdão de nossas falhas. Aju~ damos a desenvolver as virtudes que colocaste dentro de nossa alma. Queremos cumprir bem nossos deveres para alcançarmos o aperfeiçoamento espiritual, pois somente assim poderemos ter a verdadeira felicidade. (Intervalo de silêncio para todos vibrarem.) Graças, Senhor, por todas as bênçãos que sempre nos dás. Por estes momentos de vibrações, em que pudemos nos doar e viver em clima espiritual tão belo, tão reconfortante! Que outras pesso' as também tenham momentos assim. Despedemos na Tua paz-

DEUS A prova de Sua existência Tudo o que existe tem uma causa. O efeito

DEUS

A prova de Sua existência

Tudo o que existe tem uma causa. O efeito nunca é supe­ rior à causa. E todo efeito inteligente tem uma causa inteli­ gente. Apliquemos estes axiomas (proposições evidentes) ao exa­ me do Universo. Coisas, seres, mundos o constituem. Tudo isso que existe é efeito, consequência de uma causa. A essa causa de tudo o que existe chamamos Deus.

Teria o Universo se formado por acaso?

Teria sido por puro acaso que os elementos existentes to­ maram certo impulso e direção, para dar início à formação de tudo? De onde teriam vindo, porém, os elementos iniciais para o acaso lhes dar algum impulso e direção, depois? E como poderia o acaso (que, pela própria definição, não é inteligente) produzir um efeito inteligente, como o Universo demonstra ser, em toda a sua organização?

◄10 |

Iniciação ao Espiritismo | Therezinha Oliveira

Não há acaso no Universo. Nele, tudo obedece a leis. A vida material é regida por leis físicas e a vida do espírito, por leis morais.

O acaso é, talvez, o pseudônimo de Deus, quando não

deseja assinar. (Théophile Gautier)

A Natureza se criou a si mesma?

Atribuir, às propriedades íntimas da matéria, a formação primária das coisas seria tomar o efeito pela causa, pois as propriedades são em si mesmas um efeito, que deve ter uma causa. (Kardec, ao comentar o item 7 de O Livro dos

Espíritos.)

O mundo me intriga e não posso imaginar que este reló­

gio exista e não haja relojoeiro. (Voltaire)

De fato, a presença de um relógio com seu maquinismo atesta a existência de uma inteligência que foi capaz de concebê-lo, montá-lo e colocá-lo em funcionamento.

O Universo pode ser comparado a um imenso maquinis­

mo e sua natureza, ordem e harmonia estão atestando que ele tem um Criador inteligente, de uma inteligência superior a qualquer outra que conheçamos, já que o próprio ser humano (ápice da inteligência na Terra) é, ele mesmo, uma criatura, um efeito desse Criador, e não tem a mesma capacidade de Deus, não é capaz de criar como Ele o faz.

Definição espírita de Deus

A mais simples, sucinta e profunda definição que, por en­

quanto, podemos formular e entender a respeito do Criador, está na resposta dos instrutores espirituais à primeira questão de O Livro dos Espíritos:

Cap. 2 - Deus | 1J Unidade

111

— Que é Deus?

— Deus é a inteligência suprema, a causa primária de to­ das as coisas.

A visão de Deus

“Ninguém jamais viu a Deus”, afirma João em sua epístola (ljo 4:12). Por que não? Porque “Deus é Espírito” (assim ensinou Jesus à mulher samaritana, em Jo 4:24) e, como tal, não pode ser percebido pelos sentidos comuns, materiais. Não podemos ver Deus com os olhos do corpo. Embora nos seja invisível, Deus não nos é totalmente des­ conhecido. Se não se mostra aos olhos do corpo, Ele se faz evidente ante nossa compreensão por todas as suas obras (a Criação) e podemos senti-Lo espiritualmente, nas vibrações do seu infinito amor. Quanto mais desenvolvermos nosso conhecimento e nos­ sa sensibilidade espiritual, mais “veremos” a Deus, perceben­ do, entendendo e sentindo sua divina presença e ação em tudo o que existe, em tudo o que acontece.

Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus. (Jesus - Mt 5:8)

Os Espíritos altamente evoluídos já “vêem” a Deus de um modo mais perfeito. E podem nos fazer revelações a respeito do Criador, sempre, porém, dentro do que já possamos enten­ der e sentir. Para Moisés, presenciar o esplendor das manifestações dos bons Espíritos que lhe falavam em nome do Altíssimo, obser­ var os mais belos efeitos luminosos que eles produziam, sen­ tir-se envolvido em suas sublimes vibrações e na grandeza da mensagem que davam, era “ver Deus face a face”.

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12 |

Iniciação ao Espiritismo | Therezinha Oliveira

Os atributos de Deus

vendo o que Ele absolutamente não pode deixar de ser

sem deixar de ser Deus, deduziremos o que Ele deve ser’’, nos

ensina Kardec. Poderemos, assim, fazer ao menos uma idéia de alguns dos atributos divinos.

“(

)

Deus é

Eterno: não teve começo e não terá fim. Se tivesse tido princípio, de onde teria se originado: do nada? de um outro ser? e se tivesse fim, que haveria depois dEle? Imutável: não muda, não se modifica. Se estivesse sujeito

a mudanças, as Suas leis (que regem o Universo) nenhuma

estabilidade teriam (seria o caos, a desordem, a confusão). Imaterial: se fosse material, também seria mutável, sujeito

a transformações, como a matéria é. Mas Sua natureza é dife­

rente de tudo que conhecemos como matéria. Por isso, não tem forma perceptível aos nossos olhos nem podemos formar dEle uma idéia material. Único: não há outro como Ele. Se houvesse outros deuses, não haveria unidade de objetivos nem de poder, na ordena­ ção de tudo no Universo. Onipotente: tudo pode. Ele tudo fez e, portanto, tem in­ teiro poder sobre a Sua Criação, sobre aquilo que criou. Soberanamente justo e bom: não podemos duvidar da jus­ tiça e bondade de Deus, porque a sabedoria providencial de Suas leis e a solicitude para com as Suas criaturas se revelam nas pequeninas como nas maiores coisas de tudo o que Ele criou. Todos esses atributos, essas perfeições, Deus os tem em grau infinito.

Conclusão

Cap. 2 - Deus | 1a Unidade

113 ►

O pouco desenvolvimento das faculdades do ser humano ainda não lhe permite compreender a natureza íntima de Deus. Quando na infância da humanidade, o homem fez de Deus representações antropomórficas e muitas vezes O confundiu com as criaturas, cujas imperfeições Lhe atribuiu. Mas, à medida que nele se desenvolvem o intelecto e o senso moral, seu pensamento penetra melhor no âmago das coisas; então faz da Divindade uma idéia mais justa e mais conforme à sã razão, mesmo que sempre incompleta.

) (

toda teoria, todo princípio, todo dogma, toda crença,

toda prática que estiver em contradição com um só que seja desses atributos (de Deus); que tenda não tanto a anulá- lo, mas simplesmente a diminuí-lo, não pode estar com a verdade.

Em filosofia, em psicologia, em moral, em religião, só há de verdadeiro o que não se afaste, nem um til, das quali­ dades essenciais da Divindade. A religião perfeita será aquela de cujos artigos de fé nenhum esteja em oposição àquelas qualidades; aquela cujos dogmas todos suportem a prova dessa verificação sem nada sofrerem. (Allan Kar- dec, A Gênese, cap. II, item 19.)

Por ora, ainda nos é muito difícil falar sobre Deus. O im­ portante é que O sintamos como nosso Pai Criador, bom e justo; e que esse conhecimento que temos de Deus venha a nos auxiliar em todos os momentos, ajudando-nos a ter fé, força e vontade para agirmos em todas as situações de nossa vida.

Aprendamos com Jesus que a verdadeira adoração a Deus se faz “em espírito (pelo exercício de nosso “eu” espiritual, usan­ do o pensamento, o sentimento e a vontade) e em verdade” (sinceramente e não só de aparência). (Jo 4:24)

«14|

Iniciação ao Espiritismo | Therezinha Oliveira

Adorar a Deus é fazer a vontade dEle, o nosso Pai, ou seja, cumprir as suas leis. (Jo 5:30 e 6:38)

Bibliografia:

De Allan Kardec:

- A Gênese, cap. II;

A CRIAÇÃO Como se deu a formação do Universo e como começou a vida na

A CRIAÇÃO

Como se deu a formação do Universo e como começou a vida na Terra?

O ser humano ainda não tem condições para conhecer

inteiramente o princípio das coisas, porque não está suficien­ temente desenvolvido intelectual e moralmente para isso.

À medida que progredir com seus estudos e pesquisas, des­

cobrirá e entenderá melhor as leis e os princípios da Nature­ za, conseguindo formular teorias mais próximas da verdade, a respeito da formação do Universo e do surgimento dos seres. Além das descobertas que fizer por si mesma, a Humani­ dade também poderá receber revelações espirituais a esse res­ peito (como já ocorreu no passado), dosadas ao seu grau de evolução.

Assim, aos poucos, será levantado o véu que, por enquan­ to, encobre os mistérios da Criação, a grande obra da vonta­ de divina.

4

16 |

Iniciação ao Espiritismo | Therezinha Oliveira

Que diz a Ciência?

A Ciência humana não cogita de um Deus Criador e, por­ tanto, não considera o Universo uma Criação Divina. Seu ponto de vista é materialista e agnóstico (declara ser o abso­ luto inacessível ao espírito humano), mas procura entender o princípio das coisas, através de diferentes estudos, tais como:

- Astronomia: estudo da constituição e movimento dos astros;

- Geologia: estudo da constituição física da Terra;

- Antropologia: estudo do homem e dos grupos huma­ nos;

- Paleontologia: estudo dos fósseis (restos ou vestígios de vida bem antiga), tanto de animais como de vegetais. Neste estudo, recorre a métodos de pesquisa que per­ mitem calcular, com relativa precisão, o tempo de exis­ tência de coisas e seres. Exs.: radioatividade, magnetis­ mo, microquímica, raios X, ultravioleta, infravermelhos, testes de carbono 14 e de flúor.

- Biologia: estuda a vida e todos os processos vitais que dela fazem parte, as leis naturais que a controlam, sua origem e sua evolução Eis algumas das principais conclusões da Ciência sobre a formação do Universo e a vida existente na Terra:

- O Universo resultaria de uma grande explosão (é o que se conhece como o Big-Bang), descoberta que coube ao astrônomo inglês Fred Hoyle. E uma teoria, mas a Ciência considera válida, pois os progressos da Física, da Matemática e da Engenharia possibilitaram a cons­ trução de aparelhos altamente sofisticados e, por meio deles, pode-se perscrutar, ou seja, explorar o espaço e, então, ouvir os ecos dessa explosão.

Cap. 3 - A Criação | 1â Unidade

117 ►

- A formação da Terra se iniciou há bilhões de anos, em processos que se estenderam por largos períodos e eras.

- A vida se manifestou na Terra em formas primárias e em épocas muito remotas, evoluindo, depois, para seres mais organizados.

- A espécie humana foi a última a surgir. Segundo a Ciência, o surgimento da espécie humana se deu:

Quando? Em suas formas mais primitivas, há pelo menos 1.750.000 anos. Por quê?

A explicação da Ciência é a de que o homem foi o resulta­

do natural da última etapa do processo de evolução orgânica,

o mesmo que deu origem a todas as espécies de organismos

vivos do planeta.

Um ramo da linhagem dos antropomorfos evoluiu em di­ reção ao hominídio (denominação dada ao homem mais pri­ mitivo, porque já pertencia ao gênero Homo; mas era menos evoluído, constituindo-se nos ancestrais mais próximos da nossa espécie Homo sapiens). Como?

A evolução não dá saltos, o processo foi contínuo, o que

se demonstrou pelos achados fósseis, os quais permitiram cons­

truir a filogenia humana. Faltava, porém, uma forma inter­ mediária entre os hominídeos (que antecederam o homem moderno) e o Homo sapiens (do qual se originou a nossa espé­

cie, o Homo sapiens sapiens). Essa forma foi descoberta em junho de 2003 em escavações feitas na Etiópia.

A evolução em direção ao ser humano pelas espécies que

o precederam foi relativamente rápida, muito mais que aque­

la que conduziu ao aparecimento de outras espécies animais

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Iniciação ao Espiritismo | Therezinha Oliveira

e, por isso mesmo, mereceu um nome especial de evolução quântica. A Ciência não pode explicar com certeza, mas de­ duz, pelos conhecimentos que já possui de todo o processo da evolução, que ocorreram mudanças em várias características de cada indivíduo ao mesmo tempo, e essas mudanças se re­ forçaram mutuamente. Dessa forma surgiu uma transição para um novo tipo de vida mais humana do que animal. Onde? Recentemente, a maioria dos cientistas optaram pela hi­ pótese da monogênese africana, ou seja, o Homo sapiens teria surgido unicamente na África e depois se espalhado, substi­ tuindo as outras espécies de hominídios existentes (sem hi- bridização). Todos os achados fósseis e o estudo dos vestígios humanos nas cavernas, onde viveram os homens mais primi­ tivos que antecederam a nossa espécie, parecem confirmar essa hipótese. No entanto, a porta continua aberta para no­ vas possibilidades e as pesquisas continuam para comprovar ou para encontrar novas possibilidades, como aquelas de exis­ tirem outros prováveis pontos de origem do ser humano.

Que diz o Espiritismo?

Dois são os elementos gerais do Universo, criados por Deus:

- o Princípio Inteligente: é dele que se originam, por pro­ cesso evolutivo, todos os seres espirituais;

- o Fluido Cósmico Universal: é a matéria primitiva, em seu estado mais elementar; em suas modificações e transformações, dá origem à inumerável variedade dos corpos da Natureza. O espaço universal é infinito e nele não existe o vazio, pois está todo preenchido pelo fluido cósmico universal em seus diferentes estados.

Cap. 3 -A Criação | 1a Unidade

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O Espírito atua sobre o fluido cósmico universal em seus diferentes estados, produzindo com isso variados efeitos.

Os mundos e os seres vivos

Os mundos são formados pela condensação da matéria dis­ seminada no espaço universal. Não sabemos quanto tempo os mundos levam para se formar nem quando desaparecerão. Mas é certo que Deus os renova, como renova os seres vivos. Os elementos orgânicos (que vêm a constituir organismos vivos) já existem em estado de fluido, na substância que preen­ che o espaço universal (e com a qual os mundos vêm a ser formados). Estão ali em estado latente, de inércia (tal como ocorre na crisálida e nas sementes das plantas). Quando, num mundo, as condições se tornam propícias ao seu desenvolvimento, surgem os seres vivos, que evoluem das formas mais simples para as mais complexas.

Origem e evolução da vida na Terra

Em certa fase da formação da Terra, surgiram em sua subs­ tância os elementos necessários à expressão da vida. Eles já existiam na atmosfera primitiva da Terra em formação. Asso- ciavam-se e dissociavam-se formando compostos e muitos deles eram materiais ou compostos orgânicos. Com as trans­ formações ocorridas no planeta, esses compostos, animados pelo elemento espiritual, desenvolveram-se, dando origem aos seres, que foram se diferenciando em espécies. Os seres de cada espécie absorveram os elementos necessários e, unindo- se uns aos outros, pela reprodução, transmitiram esses ele­ mentos aos seus descendentes. Sobre a evolução em direção ao ser humano, pelas espé­ cies que o precederam (que a Ciência não sabe explicar com

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Iniciação ao Espiritismo | Therezinha Oliveira

certeza), explica o Espiritismo que a causa da transformação não está na matéria, mas no espírito; ocorreu pelo desenvol­ vimento do elemento espiritual (alcançado pelo próprio in­ divíduo ou graças à interferência de Espíritos Superiores), vindo a repercutir numa completa reestruturação biológica, que formou os novos corpos físicos.

E a criação segundo a Bíblia?

Na Bíblia, a origem do Universo é relatada no Gênese ( = origem, em grego). Ali se afirma:

- que tudo foi criado por Deus, tanto o Sol como a Lua, as estrelas, a Terra com suas plantas e animais e, por fim, a espécie humana;

- que essa criação foi feita por um ato da vontade de Deus (ex.: “Faça-se a luz”) e em apenas seis dias;

- que Adão, o primeiro homem, foi feito do limo e Eva, a mulher, de uma sua costela. A data provável dessa cri­ ação teria sido 4-000 anos antes de Cristo. Desse casal descenderia toda a humanidade. Talvez haja, nessa narrativa bíblica, um simbolismo:

- 6 dias = eras ou períodos;

- limo = corpo humano foi constituído dos elementos ma­ teriais básicos deste planeta;

- costela = mulher é da mesma natureza do homem, não lhe é inferior, mas sua igual e o homem deve amá-la como parte de si mesmo. Se não entendermos simbolicamente, haverá incoerências difíceis de aceitar, tais como:

1) Adão e Eva eram os primeiros seres humanos e tinham dois filhos: Caim e Abel (outros filhos somente nasceriam

Cap. 3 - A Criação | I a Unidade

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mais tarde); quando Caim matou Abel, foi expulso do Éden (Paraíso), indo morar ao leste. Mas Caim:

- tinha medo de ser morto (“quem comigo se encontrar me matará”); por quem, se não havia ainda outras pessoas além deles?;

- nessa outra região, veio a se casar; com quem?;

- e estava construindo uma cidade; para quem? só para ele e sua família? 2) Narra-se também, no livro Gênese da Bíblia, que hou­ ve um dilúvio que exterminou todas as criaturas da Terra, menos Noé e sua família (e os animais da Arca), com o que teria recomeçado o povoamento do mundo. Se fosse verda­ de, como explicar a existência dos chineses, desde há cerca de 30 mil anos? E também a India e outras regiões do globo que apresentam habitação ininterrupta, em grande progresso e população, há mais de 10 mil anos? Deve ter sido, quando muito, um dilúvio parcial, apenas na região habitada pelos hebreus e outros povos bíblicos. (A Gênese, cap. XI, item 41). Adão, porém, não foi o primeiro nem o único homem a povoar a Terra, concordam a Ciência e o Espiritismo. Do pon­ to de vista espírita, o nome Adão pode ser símholo:

1) De um grupo humano que sobreviveu aos grandes cata­ clismos sofridos por parte da superfície do globo, em diferen­ tes regiões e épocas, e que veio a constituir o tronco de uma das raças que povoaram a Terra. 2) Ou de uma ou mais colônias de Espíritos que, há alguns milhares de anos, teriam vindo de outro planeta para a Terra, aqui encarnando através de outros povos que já a habitavam. Teriam aproveitado a hereditariedade existente, mas produ­ zido alterações por seu perispírito mais evoluído, dando ori­ gem a novos tipos físicos (raça ou raças adâmicas). Que eram mais evoluídos, seus conhecimentos e atos provam. Teriam

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Iniciação ao Espiritismo | Therezinha Oliveira

sido banidos do mundo melhor de onde vieram, porque lá não se haviam disposto a acompanhar o progresso moral. Aqui na Terra, ao mesmo tempo em que se reajustavam à lei divi­ na, ajudavam os nativos terrenos a progredirem.

O Espiritismo é:

1) Criacionista: admite um Deus Criador e o separa da sua Criação. Neste ponto:

- concorda com a Bíblia e discorda da Ciência, cujo

ponto de vista é materialista e agnóstico;

- discorda do Panteísmo, sistema filosófico que iden­

tifica a divindade com o mundo; e segundo o qual Deus

 

é

o conjunto de tudo.

2)

Evolucionista: admite as transformações progressivas.

Neste ponto:

- discorda da Bíblia (se tomada ao pé da letra) porque nela não fica bem claro o fato da evolução;

- concorda com a Ciência apenas em parte; porque a

Ciência fala somente da evolução nos seres corpóreos e

o Espiritismo afirma a evolução também para os Espíri­

tos que animam esses seres.

Bibliografia:

De Allan Kardec:

-

- O

A Gênese, caps. I, II e VI a XII; Livro dos Espíritos, Ia parte, caps. II, III

De Gabriel Delanne:

- Evolução Anímica.

De Léon Denis:

e IV.

OS ESPÍRITOS Que são? Espíritos são os seres inteligentes criados por Deus e que habitam

OS ESPÍRITOS

Que são?

Espíritos são os seres inteligentes criados por Deus e que habitam o Universo, quer estejam encarnados ou desencar­ nados. Todos nós, os seres humanos, somos Espíritos.

Origem

Os Espíritos:

- tiveram um princípio (não são eternos), mas não terão fim (são imortais);

- resultam da individualização do princípio inteligente (assim como os seres orgânicos são resultado da indivi­ dualização do princípio material). Do princípio inteligente já se individualizaram muitos Es­ píritos, outros estão se individualizando e outros ainda virão a se individualizar.

Neste sentido, a criação de Espíritos por Deus é perma­ nente; sempre os criou, continua criando e sempre os criará.

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Iniciação ao Espiritismo | Therezinha Oliveira

Como os Espíritos não foram criados todos numa mesma época (individualizaram-se em tempos diferentes), contam eles “idades” diferentes. Como terá sido essa individualização? Como será o pro­ cesso de se tomar um indivíduo, a partir do princípio inteli­ gente? E em que época se deu para cada um de nós? Isso, o grau de evolução em que nos encontramos ainda não nos per­ mite saber. Os Espíritos nos dizem: “Quanto, porém, ao modo por que nos criou e em que momento o fez, nada sabemos.” (Allan Kardec, O Livro dos Espíritos, item 78.)

Natureza

Os Espíritos são:

- incorpóreos: são alguma coisa, mas sua substância dife­ re de tudo que conhecemos com o nome de matéria e escapa inteiramente ao alcance dos nossos sentidos;

- indivisíveis: não podem se dividir, para estarem em dois lugares ao mesmo tempo. Podem dar a impressão de ubiqüidade (estar em dois lugares) por irradiarem suas forças e seus pensamentos, agindo com eles a distância.

Forma

Sendo de natureza diferente da matéria, o espírito não tem forma definida para nós, não podemos percebê-lo. Analisando-o por seus efeitos, podemos dizer que ele é um clarão, uma chama, uma centelha etérea, de coloração varia­ da, que vai desde o aspecto escuro e opaco até uma cor bri­ lhante e clara, conforme a sua evolução.

Sexo

O espírito não tem sexo (na forma como entendemos o

sexo, na sua estrutura e função no corpo físico).

Cap. 4 - Os Espíritos | 1a Unidade

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Os mesmos Espíritos podem animar corpos de homens ou de mulheres e não há, entre eles, nenhuma superioridade ou inferioridade, em função da forma sexual do corpo que ocu­ pem.

O Espírito encarna com o sexo que melhor convém à tare­

fa que necessita realizar naquela existência, e deve usar com equilíbrio, respeito e correção a forma corpórea que lhe foi concedida.

Movimentação

Os Espíritos podem movimentar-se com a rapidez do pen­ samento. Também podem percorrer mais devagar um espaço, observando o caminho percorrido.

A matéria (terra, água, fogo, ar etc.) não constitui obstá­

culo para o Espírito, embora os pouco evoluídos possam ter a impressão de que ela lhes oferece empecilhos. Carecem, por­ tanto, de fundamento espiritual, os livros e filmes de ficção científica ou orientação mística que mostram impedimentos físicos para os Espíritos, sua destruição pelo fogo ou outros meios materiais.

Desti nação

No conjunto da vida universal, cada ser tem uma função natural a desempenhar; função que, por mais simples que seja, é sempre valiosa e importante, pois Deus nada cria inutil­ mente. Criados por Deus, os Espíritos também têm um papel de­ terminado e útil dentro da Criação. A função que exercem é de acordo com sua capacidade; vão desde a simples animação da matéria até o executar das ordens de Deus para a manu­ tenção da harmonia universal.

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Iniciação ao Espiritismo | Therezinha Oliveira

Preexistência, encarnação e desencarnação

O Espírito préexiste ao corpo (não foi criado ao mesmo

tempo que ele, já existia antes). Para atuar num mundo material, o Espírito se une à maté­ ria desse mundo, formando com ela um corpo, que passa a animar. É a encarnação. Durante a vida do corpo, o Espírito pode transcender a ele e atuar como Espírito parcialmente liberto, em certos es­ tados especiais (desdobramento pelo sono, sonambulismo, transe mediiinico, êxtase etc.)

O Espírito pode encarnar neste ou em outros mundos que

correspondam ao seu grau de evolução. Seu corpo se formará de acordo com a matéria e as leis do mundo que vai habitar. No mundo em que encarna, o Espírito é um agente sobre a matéria de que esse mundo se compõe e sobre os seres que o habitam. Ao morrer o corpo, o Espírito se desliga dele e retoma a condição de Espírito totalmente liberto da matéria. É a de­ sencarnação.

Evolução

Exercendo seu papel no universo, os Espíritos evoluem, isto é, desenvolvem e aprimoram suas faculdades; quanto mais evoluem, mais usufruem das faculdades que desenvolveram. Deus (que é soberanamente justo e bom) estabeleceu igual­ dade no processo de evolução para todos os Espíritos, de tal modo que todos têm:

- um mesmo ponto de partida (todos são criados simples e ignorantes);

- as mesmas condições básicas (todos com as mesmas qualidades em potencial), a serem desenvolvidas com seu próprio trabalho e ao longo do tempo;

Cap. 4 - Os Espíritos | 1â Unidade

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- a mesma destinação (todos rumam para a situação de Espírito puro, em que possuem perfeição e desfrutam felicidade).

Ligação do espírito com a matéria

A ligação do princípio inteligente com a matéria, na Ter-

ra, começou há muitos milênios e produziu, de início, formas simples de vida, nas espécies inferiores. Enquanto se exercitava nas diferentes condições da vida corpórea, passando da irritação à sensibilidade, desta ao ins­ tinto e do instinto à inteligência, o princípio inteligente ia evoluindo. Quando alcançou o circuito completo da onda mental (“pensamento contínuo”, no dizer de André Luiz), o princípio inteligente atingia, finalmente, o estágio de espírito (princí­ pio inteligente individualizado), com a forma e qualidade da espécie humana.

Desse grau de humanidade, estamos rumando para um novo estado: a angelitude.

Erraticidade

É o estado em que se encontra o Espírito que está no plano espiritual, mas aguarda nova encarnação num mundo corpó- reo, ao qual ainda está ligado.

O Espírito errante (que está na erraticidade):

- é mais ou menos feliz, conforme tenha agido bem ou mal na sua existência no mundo material;

- pode ali permanecer apenas algumas horas, ou por dé­ cadas ou por milhares de anos;

- progride, pois adquire conhecimentos, exercita suas fa­ culdades, modificando suas idéias sobre a vida e os se­ res;

4 28 |

Iniciação ao Espiritismo | Therezinha Oliveira

- ainda terá de reencarnar (cedo ou tarde), para novas experiências no mundo material, onde irá pôr em prá­ tica o que tiver aprendido e cumprirá seu papel no Universo, continuando a progredir. Esteja o Espírito encarnado ou na erraticidade, a sua situa­ ção e as possibilidades de que desfrute decorrerão sempre de seu estado evolutivo, variando conforme o grau do seu pro­ gresso intelectual e moral.

Bibliografia:

De Allan Kardec:

- O Céu e o Inferno, Ia parte, caps. II, III

- O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. IV;

- O

De Gabriel Delanne:

- Evolução A nímica.

e IV;

Livro dos Espíritos, 2a parte, caps. I, II, IV e VI.

CLASSIFICAÇÃO DOS ESPÍRITOS E DOS MUNDOS Allan Kardec fez uma classificação: - dos Espíritos, pelo

CLASSIFICAÇÃO DOS ESPÍRITOS E DOS MUNDOS

Allan Kardec fez uma classificação:

- dos Espíritos, pelo grau de adiantamento deles (con­ forme as qualidades que já adquiriram e as imperfeições de que ainda terão de se despojarem);

- dos mundos, segundo o grau de evolução dos seus habi­ tantes. Essa classificação nada tem de absoluta. Visa, apenas, a facilitar o estudo e a referência às diferentes ordens de Espíri­ tos e de mundos habitados.

Escala espírita

Há e sempre haverá Espíritos em diferentes graus de evo­ lução, porque:

- é constante a individualização de Espíritos que se faz a partir do princípio inteligente;

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Iniciação ao Espiritismo | Therezinha Oliveira

- os Espíritos progridem uns mais e outros menos rapida­ mente, conforme se aplicam nas experiências e as apro­ veitam ou não. Imaginemos, então, uma imensa escada. No ponto inicial dela, o Espírito tal como foi criado (simples e ignorante). No topo da escada, estaria o Espírito puro. Entre eles, um núme­ ro imenso de degraus intermediários, pois são sem conta os estágios evolutivos pelos quais cada Espírito tem de passar. A mudança de um degrau para outro é quase imperceptível. Allan Kardec identifica três categorias gerais de Espíritos e começa a enunciar a classificação deles a partir dos menos evoluídos para os mais evoluídos.

Terceira ordem: Espíritos imperfeitos

Essa denominação não quer dizer que sejam defeituosos, mas sim que ainda não se desenvolveram intelectual e moral­ mente.

Observação:

É o que Kardec esclarece em "A Perfeição dos Seres Cria­

dos", Revista Espírita, março/1864): "Criados simples e ig­ norantes, por isso imperfeitos, ou melhor, incompletos, de­ vem adquirir por si mesmos e por sua própria atividade, a ciência e a experiência que de início não podem ter."

De modo geral, identificamos neles:

- predominância da matéria sobre o espírito;

- propensão ao mal;

- ignorância, orgulho, egoísmo e todas as paixões que lhe são conseqüentes;

- pouco conhecimento das coisas espirituais (ex.: podem acreditar que seus sofrimentos serão eternos).

Cap. 5 - Classificação dos Espíritos e dos mundos | 1á Unidade

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Dividem-se em cinco classes:

10a Classe: Espíritos Impuros Inclinados ao mal, que praticam por prazer, por aversão ao bem. São viciosos, sensuais, cruéis, desleais, hipócritas, am­ biciosos e avaros. 9a Classe: Espíritos Levianos Maliciosos, zombeteiros, irrefletidos. Sentem prazer em causar pequenas contrariedades de que se riem; em induzir maldosamente em erro, por meio de mistificações e de esper- tezas. (Ex.: Os Espíritos tidos como duendes, trasgos, gnomos, diabretes.) 8a Classe: Espíritos Pseudo-sábios Têm algum conhecimento, porém julgam saber mais do que realmente sabem. Neles, o orgulho, a vaidade, a presun­ ção fazem que se julguem superiores. No que dizem, há mistu­ ra de algumas verdades com os erros mais crassos, preconcei­ tos, idéias sistemáticas, que lhes revelam a presunção, o orgu­ lho, o ciúme e a obstinação. 7a Classe: Espíritos Neutros Nem bastante maus para fazerem o mal, nem bastante bons para fazerem o bem. Pendem para um como outro e não ul­ trapassam o comum da humanidade, quer no que concerne à moral, quer no que toca à inteligência. Apegados, ainda, à vida material. 6a Classe: Espíritos Batedores e Perturbadores A rigor, não formam uma classe distinta pelas suas quali­ dades pessoais. Podem caber em todas as classes da 3aOrdem. Geralmente manifestam sua presença através de efeitos físicos, como ruídos, deslocação de objetos etc. (poltergeist).

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Iniciação ao Espiritismo | Therezinha Oliveira

Segunda ordem: bons Espíritos

Neles há:

- predominância do espírito sobre a matéria;

- desejo do bem; são felizes pelo bem que fazem e pelo mal que impedem;

- compreensão de Deus e do Infinito (ou seja, da vida espiritual e universal, embora varie neles o grau dessa compreensão). Não têm más paixões, mas ainda estão sujeitos a provas. 5a Classe: Espíritos Benévolos Sem terem ainda grande conhecimento, a bondade é sua qualidade principal. 4a Classe: Espíritos Sábios (de Ciência) Destacam-se pelos seus grandes conhecimentos intelec­ tuais. 3a Classe: Espíritos de Sabedoria Aliam grandes qualidades morais a grande capacidade in­ telectual. Fazem juízo reto sobre homens e coisas. 2- Classe: Espíritos Superiores Reúnem em si a ciência, a sabedoria e a bondade. Quando encarnam em mundos como a Terra, é por missão.

Primeira ordem: Espíritos puros

Classe Única Neles, a matéria não exerce mais nenhuma influência. São puro espírito (O Livro dos Espíritos, item 170). Há superiori­ dade intelectual e moral absoluta em relação aos Espíritos das demais classes. Atingiram a perfeição (no grau maior em que a podemos conceber, pois que a evolução é incessante) e gozam de inalterável felicidade, porque não se acham subme­ tidos às necessidades nem às vicissitudes da vida material.

Cap. 5 - Classificação dos Espíritos e dos mundos | 1a Unidade

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Não ficam ociosos nem contemplativos. Sendo Espíritos altamente desenvolvidos, tornam-se os mensageiros, os mi­ nistros de Deus, executores de sua vontade.

Com o auxílio desse quadro, fácil será determinar-se a or­ dem, assim como o grau de superioridade ou de inferiori­ dade dos que possam entrar em relação conosco e, por conseguinte, o grau de confiança e estima que mereçam. É, de certo modo, a chave da ciência espírita, porquanto só ele pode explicar as anomalias que as comunicações apresentam, esclarecendo-nos acerca das desigualdades intelectuais e morais dos Espíritos. Os Espíritos, porém, não ficam pertencendo, exclusivamen­ te, a tal ou tal classe. Sendo sempre gradual o progresso deles e muitas vezes mais acentuado num sentido do que em outro, pode acon­ tecer que muitos reúnam em si os caracteres de várias ca­ tegorias, o que seus atos e linguagem tornam possível apre­ ciar-se.

Anjos, demônios, divindades

Deus não criou Espíritos em diferentes estados. Todos fo­ ram criados simples e ignorantes, com capacidade de progre­ direm até a perfeição. Mas, ante a manifestação dos Espíritos revelando os mais diferentes graus de evolução, os homens acreditaram que os Espíritos muito bons ou muito maus tinham sido sempre as­ sim e eram uma criação à parte, diferentes da humanidade. Os Espíritos puros, que já percorreram toda a escala evolu­ tiva, foram às vezes designados pelos nomes de anjos, arcan­ jos ou serafins. Os bons Espíritos têm sido chamados de bons gênios, gê­ nios protetores, Espíritos do bem. Tanto os Espíritos puros como os bons Espíritos foram considerados, em época de ig­ norância, divindades benfazejas.

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Iniciação ao Espiritismo | Therezinha Oliveira

Os Espíritos muito imperfeitos (como os impuros, da 10â classe) foram chamados de demônios, maus gênios, Espíritos do mal e até considerados como divindades maléficas. Entre­ tanto, embora atualmente ainda estejam voltados para a prá­ tica do mal, esses Espíritos também evoluirão, passando pelos degraus da escala evolutiva, atingindo finalmente a perfei­ ção.

Observações:

1) Primitivamente, tanto a palavra anjo (do latim, angelus ~ mensageiro) como as palavras gênio ou demônio (do grego, daimon) significavam apenas um ser espiritual (um Espírito), o qual podia ser bom ou mau (ex.: anjo bom, anjo mau; o daimon de Sócrates). 2) A Santíssima Trindade pode ser entendida como uma figura, representando a perfeita integração entre:

- Deus: o Criador, o Pai;

- Jesus: um puro Espírito, no mais alto grau da escala

evolutiva, mas filho de Deus, ou seja, criado por Ele, tanto quanto nós, seus irmãos menores;

- Espírito Santo: o conjunto dos Espíritos puros (que agem

no Universo como ministros de Deus, instrumentos de sua justiça e misericórdia), e dos bons Espíritos (que também servem à Providência Divina, embora em menor grau).

Pluralidade dos mundos habitados

Incontáveis são os mundos que existem no Universo e muitos deles também são habitados como a Terra, pois Deus não faz coisa alguma inútil. Jesus disse: “Há muitas moradas na casa de meu Pai.” (Jo 14:2) Não é sempre a mesma a constituição física dos diferentes mundos. Por isso mesmo, também é diferente a organização dos seres que os habitam, apropriada ao ambiente que cada um dos mundos oferece.

Cap. 5 - Classificação dos Espíritos e dos mundos | 1» Unidade

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Na Terra, por exemplo, temos seres que vivem no ar, na água, no solo e, até mesmo, no interior de coisas e de seres.

Classificação dos mundos

1) Primitivos: onde os Espíritos realizam suas primeiras encarnações. 2) De Expiações e de Provas: onde predomina o mal, porque há muita ignorância; aí, as pessoas sofrem as conse- qüências dos erros praticados (expiação) ou passam por expe­ riências, testes, testemunhos (provas). A Terra é um mundo assim. 3) De Regeneração: neles não há mais a expiação, mas ainda há provas pelas quais o Espírito tem de passar para con­ solidar as conquistas evolutivas que fez e desenvolver-se mais. São mundos de transição entre os mundos de expiação e os que vêm a seguir. 4) Ditosos ou Felizes: nestes mundos predomina o bem, porque seus moradores são Espíritos mais evoluídos; há muito bem-estar e progresso geral. 5) Divinos ou Celestes: onde reina o bem sem qualquer mistura e a felicidade é absoluta, como obra sublime dos seus moradores: os puros Espíritos.

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Iniciação ao Espiritismo | Therezinha Oliveira

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Bibliografia:

De Allan Kardec:

- O Céu e o Inferno, Ia parte, caps. VIII

e IX (“Anjos e

Demônios”); - O Evangelho segundo o Espiritismo, cap.

III (“Classifica­

ção dos Mundos”); - A Gênese, caps. VI, itens 58 a 61, e VII; - O Livro dos Espíritos, 2a parte, caps. I, II, III e IV, e 4a parte, cap. II, item 967; -O bras Póstumas, Ia parte, “Estudo sobre a Natureza do Cristo”.

AMOR A DEUS E AO PRÓXIMO O maior mandamento E eis que se levantou um

AMOR A DEUS E AO PRÓXIMO

O maior mandamento

E eis que se levantou um certo doutor da lei, tentando-o, e dizendo: — Mestre, que farei para herdar a vida eterna? E ele lhe disse: — Que está escrito na lei? Como a lês tu? E, respondendo ele, disse: — Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças, e de todo o teu entendimento, e ao teu próxi­ mo como a ti mesmo.

E disse-lhe: — Respondeste bem; faze isso e (Lc 10:25-28)

viverás.

Doutor da lei ou escriba: homem da seita dos fariseus muito conhecedor da lei de Moisés, dos ensinos dos profetas e de­ mais escrituras sagradas para os israelitas. Vida eterna: vida do Espírito (que não acaba como a do corpo), em plenitude e felicidade. Como alcançar esse estado? Foi o que o doutor da lei per­ guntou a Jesus, usando uma expressão daquela época: “herdar a vida eterna”.

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Iniciação ao Espiritismo | Therezinha Oliveira

Mas não estava querendo orientação espiritual e, sim, “ten­ tando” Jesus? ou seja, experimentando-o para ver se ele ensi­ nava alguma coisa contrária à lei judaica. Jesus não lhe ensinou nada de novo. Tirou a resposta do próprio doutor da lei, perguntando: “O que está escrito na lei? Como a lês tu?”. O doutor da lei citou as escrituras, que já mandavam: amar a Deus e ao próximo. Esse é o chamado maior mandamento, porque engloba e resume todos os outros. Quem ama a Deus, respeita seu nome e o procura santificar em si mesmo (em tudo o que fizer) e em tudo que Deus criou. E quem ama ao próximo, honra pai e mãe, não rouba, não mata, não adultera, não levanta falso testemunho nem cobiça coisa alguma de quem quer que seja. Jesus aprovou a resposta: “Respondeste bem”. E concluiu:

“Faze isso e viverás”. Mostrou, assim, que o doutor da lei tinha conhecimento, sabia o que fazer para viver bem e plenamen­ te a vida espiritual, bastando apenas que agisse de acordo com o que já sabia, que ao conhecimento fizesse seguir a ação. E nós, poderemos alegar que não sabemos esse mandamento maior? Acaso nunca ninguém nos esclareceu sobre as leis di­ vinas e o Evangelho?

Ele, porém, querendo justificar-se a si mesmo, disse a Je­ sus:

— E quem é o meu

próximo?

Em resposta, Jesus contou uma parábola. Parábola: pequena história, simbólica, comparativa, uma alegoria, sob a qual se esconde uma verdade importante e tem, na sua conclusão, um preceito moral ou regra de condu­ ta a ser seguida em determinado caso.

Cap. 6 - Amor a Deus e ao próximo | 1* Unidat

A parábola do Bom Samaritano

Descia um homem de Jerusalém para Jerico, e caiu nas mãos dos salteadores, os quais o despojaram e, espancan­ do-o, se retiraram, deixando-o meio morto. E, ocasionalmente, descia pelo mesmo caminho certo sa­ cerdote; e, vendo-o, passou de largo. E de igual modo também um levita, chegando àquele lu­ gar e, vendo-o, passou de largo. Mas, um samaritano que ia de viagem, chegou ao pé dele e, vendo-o, moveu-se de íntima compaixão; E, aproximando-se, atou-lhe as feridas, deitando-lhes azeite e vinho; e, pondo-o sobre a sua cavalgadura, levou-o para uma estalagem, e cuidou dele; E, partindo ao outro dia, tirou dois dinheiros, e deu-os ao hospedeiro, e disse-lhe: Cuida dele; e tudo o que demais gastares eu te pagarei quando voltar. (Lc 10:30-35)

Sacerdote: era o encarregado do culto judeu no Templo de Jerusalém. Levita: um auxiliar de serviços no Templo. Samaritano: da Samaria; os israelitas que habitavam essa região tinham deixado que seus costumes se mesclassem com os dos outros povos que moravam lá e eram gentios (= es­ trangeiros); por isso, passaram a ser considerados pelos judeus de Jerusalém como “gente de má vida”, eram hostilizados por eles e não podiam participar dos cultos no Templo de Jerusa­ lém.

Ao colocar um samaritano agindo bem, de acordo com as leis divinas, apesar de serem os samaritanos considerados igno­ rantes da religião, Jesus combate o preconceito orgulhoso dos judeus contra os seus semelhantes menos esclarecidos. Um homem: do assaltado, Jesus não diz qual a sua raça, família, religião ou situação social, não lhe dá nenhuma ca­

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Iniciação ao Espiritismo | Therezinha Oliveira

racterística especial, só a de um ser humano em necessidade. E o que basta pargi merecer nossa atenção e ajuda. Depois de contar a parábola, Jesus indagou ao doutor da

lei:

— Qual, pois, destes três te parece que foi o próximo da­ quele que caiu nas mãos dos salteadores? E ele disse: — O que usou de misericórdia para com ele. Disse, pois, Jesus: — Vai e faze da mesma maneira.

Conclusão

Interpretando esta parábola, aprendemos com Jesus:

- amar a Deus e ao próximo é o que devemos fazer para alcançar o progresso e a vida espiritual plena; é o man­ damento maior;

- saber isso é importante, mas não basta; não basta seguir uma doutrina religiosa, cumprir as obrigações de culto de sua igreja; é preciso concretizar seu conhecimento em boas obras em favor do próximo; — ser nosso próximo não depende da outra pessoa; não decorre dele ser nosso parente, amigo, do mesmo grupo social etc.; depende de nós, de nossa capacidade de amar, de sermos capazes de vencer o egoísmo, a inércia, os preconceitos e nos interessarmos pelas pessoas; aproxi- memo-nos dos nossos semelhantes para sermos frater­ nos com eles, fazendo-lhes o que queríamos que nos fizessem.

E tudo quanto quereis que os homens vos façam, fazei-o vós a eles. (Mt 7:12)

Quem ama a Deus, ama a criatura de Deus, que é o seu semelhante, e torna-se próximo dele, interessa-se pelo seu bem e o auxilia em tudo que lhe for possível.

Cap. 6 - Amor a Deus e ao próximo

| I a Unidade

| 41

Quem diz que ama a Deus e não ama a seu irmão é um mentiroso; pois quem não ama ao seu irmão, ao qual vê, como pode amar a Deus, a quem não vê? (1 Jo 4:20)

Bibliografia:

De Allan Kardec:

- O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XV.

De Cairbar Schutel:

- Parábolas e Ensinos de Jesus.

De Rodolfo Calligaris:

- Parábolas Evangélicas à Luz do Espiritismo.

De Therezinha Oliveira:

- Estudos Espíritas do Evangelho.

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1

1 PERISPÍRITO Que é? Perispírito é o envoltório semimaterial do espírito. Também o denominam de corpo

PERISPÍRITO

Que é?

Perispírito é o envoltório semimaterial do espírito. Também o denominam de corpo fluídico ou corpo espiri­ tual.

Origem e natureza

O perispírito tem sua origem no fluido cósmico universal, retirado do mundo ou plano ao qual o Espírito está relaciona­ do.

E também matéria, como o corpo de carne, mas em estado diferente, mais sutil, quintessenciada; não é rígida como a do corpo físico e, sim, flexível e expansível, o que torna o peris­ pírito muito plasmável sob a ação do Espírito. Assim como o corpo físico, o perispírito tem uma estrutu­ ra e fisiologia, mas não tem inteligência nem autonomia. Não é, pois, “um outro ser”, mas apenas um instrumento do Espí­ rito, tal como o corpo físico.

nem autonomia. Não é, pois, “um outro ser”, mas apenas um instrumento do Espí­ rito, tal

< 44 |

Iniciação ao Espiritismo | Therezinha Oliveira

Funções

1) Liga o espírito à matéria (neste como em outros mun­ dos) e a ele serve de instrumento para agir sobre o plano fluídico ou o material. 2) Guarda o registro dos efeitos de toda a ação do Espírito (sede da memória). 3) Permite que os Espíritos se identifiquem e reconheçam uns aos outros, no plano espiritual. 4) É o molde, a fôrma do ser corpóreo.

Perispírito e encarnação

O perispírito préexiste ao corpo físico. Para o Espírito encarnar: um laço fluídico (que é uma expansão do perispírito) se liga ao óvulo fecundado e vai pre­ sidindo à multiplicação das células, uma a uma, dirigindo a formação do corpo. Quando este se completa, está inteira­ mente ligado ao perispírito, “molécula a molécula”.

Observação:

Do ponto de vista espírita, portanto, desde a fecundação do óvulo, um Espírito se ligou a ele e está trabalhando para formar o corpo de que precisa para viver neste mun­ do e continuar sua evolução.

Sabendo disto, não provocar o aborto, para respeitar o di­ reito de viver do Espírito reencarnante, que é um nosso ir­ mão ante Deus. O uso de anticoncepcionais é preferível ao aborto, mas não deve levar ao sexo irresponsável. O sexo serve à procria- ção e à permuta de energias entre homem e mulher. Não deve ser reduzido a mero instrumento de sensações prazerosas nem deve ser exercitado excessiva ou promiscuamente, mas sem­ pre com equilíbrio e responsabilidade moral.

Cap, 7 - Perispírito | l 4 Unidade

| 45

Quem ignorava as implicações espirituais do aborto e o praticou, ou induziu à sua prática, ou de alguma forma a aju­ dou, procure compensar o mal feito da maneira que estiver ao seu alcance: favorecer o nascimento que antes impediu, ajudar gestantes carentes a terem seus filhos, amparar recém- nascidos, alertar e orientar quem estiver querendo praticar o aborto para que não o faça etc. Durante a encarnação: o perispírito serve de intermediá­ rio entre o espírito e a matéria, transmitindo ao Espírito as impressões dos sentidos físicos e comunicando ao corpo as vontades do Espírito.

Observação:

Quando o corpo é anestesiado ou sofre paralisia, não há nele sensibilidade e o perispírito nada terá a transmitir ao Espírito, quanto ao setor corpóreo insensibilizado. Se houver desdobramento, o perispírito temporariamente deixa de ter contato com o corpo e, durante esse estado, pouco ou mesmo nada transmitirá do Espírito ao corpo (ou vice-versa), dependendo do grau de desdobramento.

Ao desencarnar: quando o corpo morre, o perispírito dele se desprende e continua a servir ao espírito, como seu corpo fluídico que é e como seu intermediário para com o plano espiritual ou material. Preexistia ao corpo e a ele sobrevive. “Semeia-se corpo animal, ressurge corpo espiritual”, esclarece o Apóstolo Paulo, na sua I Epístola aos Coríntios (15:44). Sobrevivendo ao corpo, o perispírito vem a provar a imor­ talidade do espírito. E ele (e não o Espírito em si) que vemos nas aparições e visões; e é ele que serve de instrumento para as manifestações do Espírito aos nossos sentidos. Geralmente, a aparência que o perispírito guarda é a da última encarnação; ela poderá ser modificada (se o Espírito

< 46

Iniciação ao Espiritismo | Therezinha Oliveira

quiser e souber como fazer isso), porque a substância sutil do perispírito é maleável e plasmável.

Sua evolução

O perispírito acompanha o Espírito sempre, em todas as

etapas de sua evolução.

Vai se tornando mais etéreo, à medida que o Espírito se aperfeiçoa e eleva. Nos Espíritos puros, já se tomou tão etéreo que, para os nossos sentidos, é como se não existisse. Conforme a evolução do Espírito, seu perispírito apresen­ tará diferente:

- peso (o dos fluidos): que o fixa a um plano de vida espi­ ritual em companhia dos que lhe são semelhantes;

- densidade: que responde pela sua maleabilidade; a ex­ pansão do perispírito é tanto maior quanto mais rare- feito e mais sutil ele for;

- energia: que se revela na luminosidade e irradiação, maior quanto mais evoluído for o Espírito. Daí a ex­ pressão “Espírito de luz”, significando Espírito que já apresenta considerável grau de evolução.

A contextura do perispírito não é idêntica para todos os

Espíritos, ainda que sejam de um mesmo mundo. Isso porque a camada fluídica que envolve um mundo não é homogênea (toda igual) e o Espírito, ao formar seu perispírito, dela atrai­ rá os fluidos mais ou menos etéreos, sutis, segundo suas possi­ bilidades.

Espíritos inferiores têm perispírito mais grosseiro e, por isso, ficam imantados ao mundo que habitam, sem se poderem al­ çar a planos mais evoluídos. Alguns chegam a confundir seu perispírito (de tão grosseiro que é) com o corpo material e podem experimentar sensações comparáveis às de frio, calor, fome etc.

Cap. 7 - Perispírito | 1a Unidade

| 47 ►

Os Espíritos superiores, ao contrário, podem livremente ir a outros mundos, fazendo as necessárias mutações em seu pe­ rispírito, para adaptá-lo ao tipo fluídico do mundo aonde vão.

Bibliografia:

De Allan Kardec:

- A Gênese, caps. VI, XI e XIV;

- O

- O Livro dos Médiuns,

De Léon Denis:

Livro dos Espíritos, itens93-95,150-152,155,186-187;

2a parte, cap. I.

AÇÃO DOS ESPÍRITOS SOBRE OS FLUIDOS Os fluidos Em termos de Ciência, fluido é a

AÇÃO DOS ESPÍRITOS SOBRE OS FLUIDOS

Os fluidos

Em termos de Ciência, fluido é a designação genérica da fase não sólida da matéria, quando as moléculas cedem à menor pressão, movendo-se entre si com facilidade e se sepa­ rando, quando entregues a si mesmas. Em Espiritismo, porém, fluido é um dos muitos estados em que o fluido cósmico universal (a matéria elementar primiti­ va) pode se apresentar. É tipo de matéria ultra-rarefeita, imponderável, invisível, impalpável.

Observação:

Atenção para a emissão da voz na palavra fluido; deve ser como ditongo {ui ) e não como hiato (uí).

Atmosfera fluídica

Os Espíritos vivem numa atmosfera de fluidos. Dela ex­ traem o que necessitam, porque tomam dos fluidos e agem

* 50 |

Iniciação ao Espiritismo | Therezinha Oliveira

sobre eles (aglomeram, dispersam, dão forma, mudam propri­ edades).

É a “grande oficina ou laboratório do mundo espiritual”, no

dizer de Kardec. Numa comparação, diremos que, na Terra, estamos envol­ tos pela atmosfera e vivemos em meio a substâncias mate­ riais, que usamos e sobre as quais agimos. Agindo sobre os fluidos, os Espíritos influem: sobre si mes­ mos e sobre os outros Espíritos; sobre o mundo fluídico e so­ bre o mundo material.

Como agem?

É com o pensamento e a vontade que o Espírito age sobre

os fluidos. E o faz de modo inconsciente (basta pensar e sen­ tir algo para causar efeito sobre eles) ou consciente e volun­

tariamente (sabendo o que realiza e como o fenômeno se pro­ cessa).

Qualidade dos fluidos

Os fluidos, em si, são neutros, não possuem característi­ cas próprias. É o tipo do pensamento e sentimento do Espíri­ to que lhes imprime certas qualidades. Fluidos bons são o resultado de pensamentos e sentimen­ tos nobres, puros. Pensamentos e sentimentos inferiores, in­ corretos, impuros, geram maus fluidos. Entre si, os fluidos podem se combinar, ou repelir, ou mo­ dificar. Fluidos iguais se combinam; os contrários se repe­ lem; os fracos cedem aos mais fortes; os bons predominam sobre os maus Os fluidos se reforçam em suas qualidades boas ou más pela reiteração do impulso correspondente que recebem do Espí­ rito.

Cap. 8 - Ação dos Espíritos sobre os fluidos | 1* Unidade

| 51

As condições criadas pela ação do Espírito nos fluidos po­ dem ser modificadas por novas ações do próprio Espírito ou por ações de outros Espíritos.

Efeitos no perispírito e no corpo

O perispírito absorve com facilidade os fluidos externos

porque tem natureza idêntica (também é fluídico). Absorvidos, os fluidos agem sobre o perispírito, causando bons ou maus efeitos, conforme seja a sua qualidade. No caso de um Espírito encarnado (como nós), o perispí­ rito, por sua vez, irá reagir sobre o organismo físico, com o qual está em completo contato molecular. Então:

- se forem fluidos bons, produzirão no corpo uma impres­ são salutar, agradável;

- se forem fluidos maus, a impressão será penosa, de des­ conforto.

Se a atuação de fluidos maus for intensa, em grande quan­

tidade e de modo insistente, poderá determinar desordens fí­

sicas (certas moléstias não têm outra causa senão esta).

Os bons fluidos, ao contrário, beneficiam e podem até cu­

rar.

Aura

Com os seus pensamentos e sentimentos habituais, o Es­ pírito (encarnado ou não) influi sobre os fluidos do seu peris­ pírito e lhes dá características próprias. Como emana cons­ tantemente esses fluidos, que o acompanham em todos os seus movimentos, fica envolto neles, formando a sua aura, que Kardec chama de “atmosfera individual”.

< 52 |

Iniciação ao Espiritismo | Therezinha Oliveira

Há alguma diferença entre a aura do encarnado e a do desencarnado, porque:

- no desencarnado, a aura é resultante apenas das ema­ nações perispirituais;

- na aura do encarnado, a difusão dos campos energéti­ cos que partem do perispírito mescla-se com o manan­ cial de irradiações das células do corpo.

Observações:

- Os Espíritos que alcançam determinado tipo de evolu­

ção passam a produzir uma aura luminosa. Daí serem cha­ mados "Espíritos de luz".

- Conforme o tipo fluídico, as auras dos Espíritos se har­ monizam ou se repelem.

- Espíritos ou médiuns às vezes observam a aura de al­

guém, encarnado ou não. Mas nem todos sabem avaliar e interpretar bem o que ela está indicando; pode ser apenas um estado espiritual ou físico momentâneo (ex.: depres­ são, enfermidade) e não a condição usual da pessoa.

Sintonia e "brecha"

Pelo modo de pensar e sentir:

- estabelecemos um ajuste de comprimento de onda vi­ bratória, entre nós e os que pensam e sentem igual a nós (entramos em sintonia com eles);

- produzimos um certo tipo de fluido e os Espíritos que produzam fluidos semelhantes poderão “combinar” seus fluidos com o nosso (estabelecemos afinidade fluídi- ca). Quando oferecemos sintonia e combinação de fluidos para o mal, dizemos que estamos dando “brecha” aos Espíritos in­ feriores.

Cap. 8 - Ação dos Espíritos sobre os fluidos | Ia Unidade

| 53 ►

Vigilância e oração evitam ou corrigem a influência nega­ tiva de outros sobre nós ou de nós sobre outrem.

Observações:

Uma vida correta e fraterna produz uma aura de fluidos bons, a qual funciona como verdadeira couraça fluídica, repelindo ou, ao menos, neutralizando os fluidos maus que nos sejam endereçados. Esse é o verdadeiro meio de "fechar o corpo" para o mal. Convém evitar os ambientes maus, viciosos, porque os flui­ dos ali existentes nos serão prejudiciais. Se a eles não pu­ dermos fugir, ou se precisarmos enfrentá-los em tarefa assistencial ou de caridade, elevemos o pensamento, vigi­ ando e orando, procurando demorar neles o menos possí­ vel.

O passe

E uma transmissão voluntária e deliberada de fluidos (ener­ gias psicobiofísicas, diz Emmanuel) benéficos, de uma pessoa para outra. Quem possui fluidos abundantes pode transmiti-los a quem deles carece.

A ação fluídica se faz sem necessidade de quaisquer ape­

trechos ou aparatos, nem de posicionamento físico especial de quem emite ou recebe fluidos.

O efeito do passe é:

— bom, quando quem o recebe está receptivo e assimila bem os fluidos transmitidos; daí a necessidade de um preparo prévio da mente, do estímulo à fé e à oração, para estar apto a receber bem o passe;

- duradouro, quando o paciente mantém (pela boa con­ duta, pensamento e sentimento) o estado melhor que alcançou com o passe.

4 54 |

Iniciação ao Espiritismo | Therezinha Oliveira

Se a pessoa não modificar para melhor o seu modo de agir, voltará a sofrer desgaste fluídico e desequilíbrio espiritual.

Não peques mais, para que não te suceda algo pior. (Jesus -Jo 5:14)

Observações:

- O passe é como um remédio. Só devemos pedi-lo quan­

do não pudermos produzir fluidos melhores para nós mes­

mos, apesar de procurarmos elevar nossos pensamentos e usar nossa vontade, orando e fazendo o bem;

- Não é justo que fiquemos recebendo passes, que o pró­

ximo de boa vontade nos dá, e gastando essas forças sem

responsabilidade, sem nos esforçarmos por manter nosso equilíbrio físico e moral.

Bibliografia:

De Allan Kardec:

- A Gênese, cap. XIV, itens 13 a 21.

De André Luiz (psicografia de Francisco C. Xavier):

O EVANGELHO NO LAR

Para melhorar o ambiente afetivo e espiritual da família, faça reuniões de Evangelho no Lar. A prática do Evangelho no Lar:

1) Enseja um momento de paz e compreensão na vida fa­ miliar. 2) Une mais os elementos da família, pela atividade espi­ ritual em comum. 3) Amplia nos familiares o conhecimento e entendimen­ to do Evangelho, elevando-lhes o padrão vibratório e fortale­ cendo-os espiritualmente para as lutas da vida. 4) Higieniza o ambiente espiritual do lar, pelo cultivo de pensamentos e sentimentos cristãos. 5) Atrai a presença e assistência dos bons Espíritos e evangeliza os desencarnados carentes, que estejam no am­ biente do lar ou relacionados aos seus membros. Fazer o Evangelho no Lar é ajudar na formação de um mundo melhor na Terra, porque a evangelização estimula e acentua o sentimento de fraternidade existente em toda cria­

< 5 6 1

Iniciação ao Espiritismo | Therezinha Oliveira

tura e pode fazer germinar, em cada lar, as sementes do amor e da paz.

Providências preliminares

Para a realização da reunião de Evangelho no Lar, é preci­ so, antes:

1) Marcar um dia da semana e um horário (ambos fixos e certos) em que possa estar reunida toda a família (ou ao me­ nos os que a isso se dispuserem). Se os outros não se dispuse­ rem, comece você, mesmo sozinho, essa atividade. Esse dia e hora devem ser rigorosamente observados, para facilitar aos bons Espíritos nos prestarem sua assistência espi­ ritual (pois eles também têm suas ocupações na vida maior). 2) Designar quem dirigirá a reunião, podendo ser o chefe da casa ou a pessoa que, no grupo, tiver mais conhecimentos doutrinários. 3) Escolher o cômodo da casa que sirva melhor para essa atividade (por oferecer mais acomodação, estar menos sujei­ to a ruídos e menos exposto a interrupções). 4) Selecionar o livro a ser estudado em leitura metódica e seqüente. Recomenda-se começar com O Evangelho segun­ do o Espiritismo. Quando terminar o volume, se não quiser repeti-lo, poderá ser utilizado outro livro espírita de comen­ tários evangélicos. 5) Meia hora antes da reunião, desligar aparelhos de co­ municação (rádio, televisão e outros) para impedir a veicula- ção de idéias perturbadoras e agitantes no ambiente. Em seu lugar poderá ser utilizada música suave, em volume brando, favorecendo o ambiente para as preces e vibrações. 6) Se houver necessidade de fluidificação de água para alguém enfermo, debilitado ou aflito, colocá-la em recipien­ te adequado, para ser distribuída após o término da reunião.

Cap. 9 - 0

Evangelho no Lar | 1a Unidade

| 57 ►

Desenvolvimento da reunião

1) Prece inicial: pedindo a assistência e proteção espiri­ tual. Deve ser simples, sincera, breve, de preferência espon­ tânea e não decorada, proferida por um dos participantes e na qual, mais que as palavras, tenham valor os sentimentos.

2) Leitura doutrinária: metódica e seqüente, de pequeno

trecho no livro escolhido (estudo evangélico, de preferên­ cia), não excedendo a 10 minutos.

3) Comentários sobre a leitura: rápidos, buscando sem­

pre a essência dos ensinamentos de Jesus, para a sua aplica­ ção na vida diária.

Recomendações ao dirigente

a)

Colocar as lições comentadas ao alcance de todos os participantes, mesmo os de menor compreensão inte­ lectual.

b)

Incentivar a participação de todos os presentes:

-

nos comentários;

-

nas preces e leituras (por rodízio ou conforme as apti­ dões).

c)

Procurar fazer que todos mantenham a conversação em cunho edificante e apropriado, evitando sempre:

-

desviar para outros assuntos o tema em estudo à luz do Evangelho;

-

fazer dos ensinamentos críticas (diretas ou indiretas) a qualquer membro do grupo, da família ou a outras pes­ soas;

-

falar em desdouro de religiões, grupos ou pessoas;

-

qualquer polêmica ou discussão.

4) Vibrações: Algumas sugestões de pontos para serem colocados em vibração:

4

58 |

Iniciação ao Espiritismo | Therezinha Oliveira

a)

Pelo lar onde o Evangelho está sendo estudado, pelos participantes, seus parentes e amigos.

b)

Pela implantação e vivência do Evangelho em todos os lares.

c)

Pela cura ou melhoria de todos os enfermos, do corpo ou da alma, e minoração de seus sofrimentos e suas vi­ cissitudes.

d)

Pelo entendimento fraternal entre todas as religiões.

e)

Pelo amparo e incentivo aos trabalhadores no Bem e da Verdade.

f)

Pela paz na Terra (rogando também amparo para os governantes de todos os povos e nações).

g)

Pelos casos que, no momento, estejam preocupando os participantes e a comunidade (ex.: um desastre, uma calamidade etc.).

h)

Outras vibrações que o grupo achar convenientes. To­ dos do grupo, porém, deverão estar lembrados e cons­ cientizados de que não bastam somente vibrações para ajudar a fazer da Terra um mundo melhor. E preciso, também, que todos os cristãos concorram para isso, atra­ vés de seus pensamentos, palavras e atos, em todos os instantes e sem esmorecimento.

5)

Prece de encerramento: agradecendo a orientação e

amparo espirituais, recebidos durante a reunião e na vida co­ tidiana.

Cuidados a tomar

1) Não dizer Culto do Evangelho no Lar, mas apenas Evan­ gelho no Lar (para evitar conotação com rituais, que o Espi­ ritismo não adota).

Cap. 9 - 0

Evangelho no Lar | 1* Unidade

| 59 ►

2) Não prolongar a reunião além dos 20 a 30 minutos, no

máximo (para não ultrapassar o limite comum de atenção e participação de todos).

3) Não suspender a realização da reunião em virtude de:

- passeios adiáveis ou acontecimentos irrelevantes;

- chegada de visitantes; os quais devem ser convidados a participar da reunião (às vezes, foi para um encontro renovador com o Evangelho que seus mentores espiri­ tuais os encaminharam ao nosso lar); se não quiserem participar da reunião, poderão aguardar o seu término em outro aposento, ou retornar mais tarde;

4) Não deixar que o Evangelho no Lar se transforme em:

a) Ritual ou cerimônia religiosa. Ex.: Se realizado em tor­ no de uma mesa, não é necessário cobri-la com toalha especial nem colocar sobre ela flores ou qualquer obje­ to (imagens, retratos).

b) Reunião mediúnica, a qual deve ser feita nos Centros

Espíritas, que para isso recebem do Alto preparo e as­ sistência especial, por se destinarem a um serviço espi­ ritual constante, o que não ocorre nos lares, por mais bem protegidos que sejam. Passes poderão ser aplicados, eventualmente, a alguém do grupo ou do lar que esteja enfermo, se houver pessoa prepara­ da para ministrá-lo; mas não será prática usual. 5) Crianças só devem participar do Evangelho no Lar quando tiverem idade e mentalidade para acompanhar a reu­ nião sem inquietação ou fadiga. Então, podem colaborar ati­ vamente nas preces, leituras ou comentários, segundo sua capacidade e disposição.

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60 |

Iniciação ao Espiritismo | Therezinha Oliveira

Quando o ensinamento do Mestre vibra entre as quatro paredes de um templo doméstico, os pequeninos sacrifí­ cios tecem a felicidade comum.

A

observação impensada é ouvida sem revolta.

A

calúnia é isolada no algodão do silêncio.

A

enfermidade é recebida com calma.

O

erro alheio encontra compaixão.

A

maldade não encontra brechas para insinuar-se.

Eaí, dentro desse paraíso que alguns já estão edificando, a benefício deles e dos outros, o estímulo é um cântico de solidariedade incessante, a bondade é uma fonte inexau- rível de paz e entendimento, a gentileza é a inspiração de todas as horas, o sorriso é a senha de cada um e a palavra permanece revestida de luz, vinculada ao amor que o Ami­

go celeste nos legou. (Emmanuel, em Culto Cristão no Lar, psicografada por Fran­ cisco Cândido Xavier.)

( \ o Espiritismo, com os fa- • • • / tos, matou o materialismo

(

\ o Espiritismo, com os fa-

• •

• /

tos, matou o materialismo

Fosse este único resultado por ele produzido e já muita gratidão lhe deveria a ordem social. Ele, porém, faz mais: mostra os inevitáveis efeitos do mal e, conseguintemente, a ne­

cessidade do bem.

(O Livro dos Espíritos, conclusão, VIII)

MILAGRE? OU FENÔMENO? Que seria milagre? A palavra milagre significa: coisa admirável, extraordiná­ ria,

MILAGRE? OU FENÔMENO?

Que seria milagre?

A palavra milagre significa: coisa admirável, extraordiná­

ria, surpreendente. Popularmente, porém (sob a influência da teologia predominante no país), por milagre entende-se:

fato sobrenatural (que está além e fora da Natureza), algo inusitado e inexplicável, uma derrogação das leis da Natu­ reza, pela qual Deus daria mostra de seu poder.

Em princípio, Deus poderia fazer milagres, pois para Ele tudo é possível. Mas não o faz, não derroga nem anula as leis da Natureza, porque Ele mesmo as fez perfeitas e o que é per­ feito não precisa ser modificado.

A demonstração da grandeza, sabedoria e poder de Deus

não está em fazer milagres, mas, sim, em haver criado leis tão perfeitas, que nelas tudo já está previsto e providenciado, sem nada a corrigir nem improvisar.

A explicação espírita dos milagres

Antigamente, havia muitas coisas consideradas como ma­ ravilhoso ou sobrenatural. Algumas nem eram fatos reais, mas

J

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Iniciação ao Espiritismo | Therezinha Oliveira

apenas crendices ou superstições sem fundamento. Outras eram fenômenos verdadeiros (fatos naturais) e foram consi­ deradas milagres por estarem mal explicadas ou serem desco­ nhecidas as suas causas.

O círculo do maravilhoso ou do sobrenatural vem dimi­

nuindo ao longo dos tempos, pelo progresso do conhecimen­ to humano, através:

- da Ciência, que revela as leis que regem os fenômenos do campo material;

- do Espiritismo, que revela e demonstra a existência dos Espíritos e como agem sohre os fluidos, explicando cer­ tos fenômenos como efeitos dessa causa espiritual. As curas realizadas por Jesus, por exemplo, foram conside­ radas pelo povo como milagres, no sentido que a palavra ti­ nha na época: o de coisa admirável, prodígio. Atualmente, o Espiritismo esclarece que os fenômenos de curas se dão pela ação fluídica, transmissão de energias, inter­ venção no perispírito, e permite examinar e compreender as curas realizadas por médiuns (espíritas ou não) ou por pessoas dotadas de excelente magnetismo. Essa explicação não dimi­ nui nem invalida as curas admiráveis, feitas por Jesus; pelo contrário, leva-nos a reconhecer que Jesus tinha alto grau de sabedoria e ação, para poder acionar assim as leis divinas e produzir tais fenômenos.

Em conclusão

Os fatos tidos como milagres nada mais são do que fenô­ menos; fenômenos que estão dentro das leis naturais; são efei­ tos cuja causa escapa à razão do homem comum. Podem ocor­ rer sempre que se conjuguem os fatores necessários para isso.

Cap. 10 - Milagre? Ou fenômeno? | 2» Unidade

| 65 ►

Se há coisas que parecem inexplicáveis para nós, é porque nosso grau de evolução na atualidade ainda não nos possibili­ ta a compreensão desses fenômenos.

E se não produzimos com facilidade fenômenos como es­

ses, é porque ainda não desenvolvemos suficientemente as nossas faculdades espirituais. Mas tudo que acontece está sempre dentro de leis divinas. Leis que, sendo perfeitas e imutáveis, não podem nem preci­ sam ser derrogadas, anuladas.

Os milagres que o Espiritismo faz

O Espiritismo coloca ao nosso alcance muitos recursos es­

pirituais com os quais se torna possível acionarmos certas leis naturais e produzirmos alguns fenômenos que ajudem ao pró­ ximo e a nós mesmos.

Mas quem procurar o Espiritismo somente para obter cura imediata de seus males físicos e espirituais, ou para resolver de pronto seus problemas materiais, poderá ficar decepciona­ do.

Porque somente se realiza o que estiver dentro das leis di­ vinas. E o Espiritismo não tem por finalidade principal a rea­ lização de fenômenos, mas, sim, o progresso moral da huma­ nidade.

O maior milagre que o Espiritismo faz não é tirar proble­

mas e dores do nosso caminho. É explicar-nos o porquê das coisas e ensinar-nos: como podemos melhorar a nós mesmos para gerarmos efeitos felizes; como prevenir e resolver pro­ blemas espirituais, desde que empreguemos vontade e esfor­ ço no sentido do bem; ou ainda, como suportar aquilo que, por ora, não pode ser mudado porque nos serve de expiação ou de prova.

Iniciação ao Espiritismo | Therezinha Oliveira

As obras que podemos fazer

Jesus realizava coisas extraordinárias, devido à sua grande evolução espiritual. Afirmou, porém: “aquele que crê em mim, fará também as obras que eu faço e outras maiores fará, porque eu vou para junto do Pai." (Jo 14:12) De fato, Jesus apenas fez uma amostragem das realizações espirituais possíveis e, tendo ele retornado ao plano espiri­ tual, os Espíritos que continuam reencarnando na Terra po­ derão fazer aqui muitos fenômenos admiráveis, ainda mais que o ser humano está evoluindo e cada vez mais está apren­ dendo como lidar com as leis e forças do mundo espiritual. Para realizar fenômenos espirituais, porém, é preciso ter

fé.

Que é fé?

Fé é a convicção quanto às coisas espirituais, a certeza de que, não obstante escapem aos nossos sentidos comuns (por serem invisíveis e impalpáveis), elas existem, são reais e fun­ cionam. A fé vem como resultado do conhecimento que se tenha a respeito das coisas espirituais. Podemos adquiri-la:

- pela observação direta de fenômenos espirituais, obje­ tivos ou subjetivos, ocorridos com nós mesmos ou com outras pessoas;

- raciocinando sobre os fenômenos da vida universal, para deduzir deles as leis e fatos que transcendem aos nossos sentidos;

- por informações sobre as realidades espirituais que nos forem dadas por outros (encarnados ou não), que nos mereçam confiança e respeito, por sua sabedoria e au­ toridade moral.

Fé e ação

Cap. 10 - Milagre? Ou fenômeno? | 2d Unidade

| 67 ►

A fé constitui o ponto de apoio indispensável para a ação

espiritual. Tanto que Jesus dizia freqüentemente: “A tua fé te

salvou”.

A fé deve levar à ação, senão fica um conhecimento espi­

ritual inoperante, o que levou Tiago a dizer: “A fé sem obras é morta". (Tg 2:20)

Fé raciocinada

Para levar à ação acertada, a fé tem de ser esclarecida e bem fundamentada. Uma fé:

- que nos permita entender quem somos, de onde vie­ mos, por que estamos no mundo e para onde iremos após a morte; ou seja, que somos Espíritos filhos de Deus, vindos do plano espiritual, aqui encarnados para pro­ gredirmos, até retornarmos ao plano de onde viemos;

- que nos mostre que podemos agir sobre coisas e seres e como devemos fazê-lo;

- que nos leve a querer fazer o bem, porque é o único caminho bom para todos;

- que nos assegure amparo e auxílio divinos para as nos­ sas boas realizações espirituais, através de Jesus e dos bons Espíritos, seus emissários junto a nós;

- que nos dê coragem para perseverar no esforço evoluti­ vo e na prática do bem, pela certeza de que alcançare­ mos resultados satisfatórios, agora ou depois, aqui ou na imortalidade. Uma fé assim é que “transporta montanhas” (Mt 17:20), ou seja: faz suportar sofrimentos, superar dificuldades, transfor­ mar situações e pessoas.

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Iniciação ao Espiritismo | Therezinha Oliveira

A nossa fé

Já temos alguma fé (conhecemos alguma coisa da vida es­ piritual) e com essa fé, embora ainda pequena, já temos con­ seguido realizar alguma coisa, superar dificuldades, suportar situações. Mas, se a cultivarmos (pelo estudo, observação e exercício das coisas espirituais), nossa fé crescerá e nos permitirá fazer coisas mais difíceis e importantes, verdadeiramente admirá­ veis.

Senhor, aumenta-nos a fé. (Lc 17:5)

Tenhamos fé

Em Deus: sua bondade e poder são infinitos, não deixan­ do nenhuma de suas criaturas ao abandono; o que for real­ mente bom e necessário, Deus nos concederá, se fizermos a nossa parte. Em Jesus: como nosso Mestre espiritual, Guia de nossas almas e Luz em nosso caminho para Deus. Nos bons Espíritos: porque eles executam a vontade divi­ na dentro do que sabem e do que podem, amparam e socor­ rem as criaturas, conforme o merecimento ou a necessidade delas. Em nós mesmos: confiemos em nossas forças e possibili­ dades, pois somos criaturas de Deus.

Bibliografia:

De Allan Kardec:

Cap. 10 -

Milagre? Ou fenômeno? | 2a Unidade

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- O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XIX;

- A Gênese, cap. XIII.

De Therezinha Oliveira:

- Estudos Espíritas do Evangelho.

Definição

1r

Definição 1r LEI DE CAUSA E EFEITO Expressões como: “Está vendo? Deus te castigou!” são er­

LEI DE CAUSA E EFEITO

Expressões como: “Está vendo? Deus te castigou!” são er­ rôneas e não devem ser ditas. Deus não profere um julgamento a cada ato da pessoa. Ele criou leis naturais, físicas e morais, que regem a vida univer­ sal e é de acordo com uma dessas leis que as conseqüências de nossos atos vêm natural e automaticamente. Todas as nossas ações acarretam conseqüências, que serão boas ou más conforme o ato praticado. Não há uma única imperfeição da alma que não traga espiritualmente conseqüên­ cias indesejáveis; e não há uma só virtude que não seja fonte de alegria, de recompensa. Podemos, pois, dizer, de modo simbólico, que tudo é me­ dido e pesado na balança da justiça divina. Lei de Causa e Efeito ou Lei de Ação e Reação chama-se essa lei divina, pela qual, a cada ato do ser, corresponde um efeito, um estado, uma obra. Alguns a chamam também lei do retorno. E Jesus a ensinou, afirmando: “A cada um será dado segundo as suas obras.” (Mt 16:27)

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Iniciação ao Espiritismo | Therezinha Oliveira

Aparecimento dos efeitos

O retorno de uma ação, boa ou má, o aparecimento dos seus efeitos pode se dar:

- de imediato: pratica-se um ato e, logo, a curto prazo ou um pouco mais tarde, recebe-se a conseqüência, a rea­ ção, mas ainda dentro desta encarnação;

- após a morte: às vezes, o efeito do que fizemos como encarnados somente aparece na vida espiritual;

- na reencarnação: o que fizemos numa existência pode vir a se refletir em outra de nossas vidas, em outra reen­ carnação. Assim, certas falhas (que não parecem punidas nesta vida) e certas virtudes (que não parecem recompensadas) terão cer­ tamente os seus efeitos; se não for nesta vida, o será na vida espiritual ou em nova existência corpórea.

Sua duração

Os efeitos de uma ação (boa ou má) perduram enquanto

não terminar o impulso que os gerou. Ex.: Uma bola, atirada, rola até que termine a força do impulso que demos ao jogá-la; se o impulso foi forte, a bola tende a rolar mais tempo. No entanto, depois de a termos lançado, podemos colocar um obstáculo à sua frente, que ve­ nha fazê-la parar.

Assim, se sofremos as conseqüências de um ato mau que praticamos, podemos realizar ações boas; elas agem em senti­ do contrário a essas conseqüências, fazendo os efeitos dimi­ nuírem ou, até mesmo, desaparecerem.

A prática do bem é o obstáculo que impede o efeito do

mal de continuar o seu curso.

Cap. 11 - Lei de Causa e Efeito | 2* Unidade

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Disse Jesus: “Muito lhe foi perdoado porque muito amou, mas a quem pouco se perdoa é que pouco ama.’’ (Lc 7:47) Entendamos que, se alguém ama, age para o bem e melho­ ra sua situação compensando com o bem o mal que fizera. Se não ama, não faz o bem, por isso fica sofrendo os efeitos de seus atos maus, fica “sem perdão”. Repetindo o ensino do Cristo, Pedro esclarece em sua epístola: “O amor cobre a mul­ tidão dos pecados”. ( lPd 4:8)

Sua intensidade

Conforme a natureza da ação, será o tipo dos efeitos e o seu alcance. Ex.: Se esfregarmos um pouco a pele, ela pode se irritar; mas o efeito logo passa e o próprio organismo faz a sua recu­ peração. Mas, se cortarmos a pele, ultrapassando o limite de sua resistência normal, o sangue aparece, ficamos expostos a in­ fecções. Então, teremos de tomar medidas especiais: estancar o sangue, limpar o ferimento, aplicar remédio, proteger o lo­ cal e evitar feri-lo novamente, até que cicatrize. E, enquanto isso, não poderemos usar livremente o corpo ferido. Assim, também, conforme o empenho que pusermos num ato, teremos conseqüências leves ou mais profundas. Quando forem profundas, precisaremos agir mais no sentido da recu­ peração do que houvermos lesado (seja a nós mesmos, a pes­ soas, a sociedades ou a natureza). A questão da intensidade dos efeitos vale, também, para os atos bons. Sentir um pouco o bem e fazer um pouco o bem produz efeitos, mas leves; insistir no bem, colocar todo o sen­ timento e capacidade em sua prática, produz efeitos mais in­ tensos e profundos, mais difíceis de serem modificados pelos adversários espirituais, consolidando o bem em nós.

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Iniciação ao Espiritismo | Therezinha Oliveira

Ante a Lei de Causa e Efeito

Diante dos efeitos desagradáveis, pelos quais estivermos passando, nossa atitude deverá ser:

- de resignação, ante tudo o que não nos for possível mu- dar, aceitando sem revolta, por sabermos que é conse- qüência de nossos próprios atos ou, então, necessidade de aprendizado espiritual;

- de ação para o bem, não só para atenuar ou anular os efeitos maus que tenhamos causado e restaurar a har­ monia da vida em nós e ao nosso redor, mas, também, para semear novas e melhores condições de vida em nosso caminho, já e aqui (nesta existência), ou para o futuro (no mundo espiritual ou em novas encarnações). A justiça e misericórdia divinas estão harmoniosamente unidas nesta lei, que faz do próprio ser o árbitro, o juiz de sua sorte, para sofrer os efeitos duramente ou suavizá-los e até anulá-los, além de poder construir, mais e mais, sua própria felicidade.

Bibliografia:

De Allan Kardec:

- O Livro dos Espíritos, 3a parte, cap. X, e 4a parte, caps. 1e II;

- O Céu e o Inferno, cap. VII, “As Penas Futuras segundo o Espiritismo”.

LIVRE-ARBÍTRIO E PROGRESSO

I. LIVRE-ARBÍTRIO E DETERMINISMO

Filosoficamente, livre-arbítrio é a faculdade de livre de­ terminação da vontade humana. Liberdade de pensar, ajuizar e, conseqüentemente, de escolher como quer agir. E determinismo é o acontecimento de fatos sem que a pessoa possa ajuizar, escolher, usar a sua vontade, porque ou­ tras causas (internas ou externas) é que determinam o ato, mesmo que a pessoa tenha conhecimento de que é afetada pelo que acontece, sinta e reconheça a sua influência.

Os Espíritos, encarnados ou não, têm livre-arbítrio?

Em princípio, basicamente, sim. De outro modo, não te- riam responsabilidade pelo mal que praticassem nem mérito pelo bem que fizessem. Mas esse livre-arbítrio não é pleno, completo, em tudo e para tudo, porque é relativo à evolução do ser.

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Iniciação ao Espiritismo | Therezinha Oliveira

Nas primeiras fases da evolução anímica

O Espírito quase não tem livre-arbítrio e fica mais sujeito

ao determinismo. Isso porque o exercício acertado da vonta­ de requer conhecimento e experiência e, nessas primeiras fa­ ses de sua evolução, o Espírito não os tem; falta-lhe, então, capacidade para melhor avaliação e escolha.

Nessa fase, Deus (através dos Espíritos mais elevados) lhe supre a inexperiência, traçando-lhe o caminho que deve se­ guir.

O Espírito é colocado diante de situações que não foram

escolhidas por ele, mas planejadas por orientadores espirituais,

a fim de estimular seu desenvolvimento intelectual e moral. Ex.: Fica submetido ao instinto (que guia o ser aos atos necessários à sua conservação e a da sua espécie). Não esco­ lheu o instinto, não o quis por sua vontade, mas sua inteli­ gência ainda não desenvolvida não o poderia ajudar.

À medida que o Espírito evolui

Começa a adquirir experiência, desenvolver suas faculda­ des. Passa, então, a ter alguma liberdade de escolha. Esse li­ vre-arbítrio crescerá cada vez mais, até o Espírito não mais ficar submetido a determinismo algum. Mesmo porque, aperfeiçoado, o Espírito entende o plano divino e a ele adere, cooperando voluntariamente. Exemplo de Jesus: “Eu não busco a minha vontade e, sim, a vontade daquele que me enviou”. (Jo 5:30)

Ainda sofremos algum determinismo

Apesar de já estarmos na escala humana, há condições que nos são impostas pela Providência Divina, visando à conti­ nuidade obrigatória de nosso progresso.

Cap. 12 - Livre-arbítrio e progresso | 2a Unidade

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Ex.: Encarnar e desencarnar (Jesus já transcendia a isso - Jo 10:17-18); habitar determinado mundo; enfrentar certo tipo de experiência. É ainda por determinismo divino que, querendo ou não, estamos sujeitos à Lei de Causa e Efeito, ao receber as conse- qüências de nossos atos (bons ou maus), no mundo terreno ou no plano espiritual. Já tivemos o livre-arbítrio (ao agir) e, agora, a lei divina nos determina colhermos o resultado.

O determinismo em nossa vida

Podemos reconhecê-lo naquelas situações e acontecimen­ tos muito importantes em nossa vida, capazes de influir mui­ to em nossa evolução e que não provocamos nem tivemos oportunidade correta de avaliação e escolha. Parece que não exercemos nossa vontade, mas é que obedecemos a um pro­ grama divino. É o caso das expiações e, também, de certas provas: o mun­ do em que vivemos; grandes e inevitáveis sofrimentos; posi­ ção social e condições físicas em que nascemos; o encontro com certas pessoas, relacionadas ao nosso “destino”.

Não há determinismo nos atos da vida moral

Assim, como numa viagem que programamos há certos pontos que estão previstos, também na nossa encarnação há algumas situações e acontecimentos preestabelecidos. Entretanto, em qualquer caso, sempre temos liberdade para escolher o modo como enfrentar e reagir aos acontecimen­ tos. Ninguém é arrastado irresistivelmente para o mal; ninguém pratica o mal porque assim lhe esteja determinado.

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Iniciação ao Espiritismo | Therezinha Oliveira

A situação, o problema se apresentam, mas a decisão de

como agir é do Espírito; o bem ou o mal que fazemos é sempre

responsabilidade nossa.

II. LIVRE-ARBÍTRIO E PROGRESSO

Nosso progresso se faz no campo do intelecto e no campo moral. Começa com o desenvolvimento intelectual. Conhecer é o primeiro passo no progresso; pelo intelecto

é que tomamos conhecimento das coisas, pessoas, situações, causas e efeitos das ações. Nem sempre há necessidade de experiência pessoal e dire­ ta; observando também se aprende, toma-se conhecimento. Que, em seqüência, engendra, produz, gera o progresso moral.

Conhecendo, podemos compreender pelos efeitos o que é

o bem e o que é o mal; então, já com conhecimento de causa,

escolhemos o que vamos fazer. Entramos, assim, no campo moral, porque a inteligência, desenvolvida, aumentou nossa possibilidade de escolha. A u­ mentando o livre-arbítrio, aumenta, também, a responsabi­ lidade.

O progresso moral decorre, pois, do progresso intelec­ tual. Mas nem sempre o segue de imediato.

O homem não passa subitamente da infância à madureza.

Também o Espírito não passa, de súbito, de um estado moral

a outro mais elevado. Para entender se um ato é mesmo bom ou mau, é preciso que conheçamos seus efeitos mais ampla e longamente. Há coisas que, de momento, podem nos parecer boas, mas, de­ pois, se revelam más (ex.: as tentações).

Cap. 12 - Livre-arbítrio e progresso | 2* Unidade

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Às vezes, demoramos a estabelecer conotação entre uma causa e o seu efeito, por isso erramos repetidamente (ex.: o vício de fumar).

Enquanto estamos conhecendo (fase de experimentação), às vezes aplicamos a inteligência para a prática do mal, pen­ sando que é um bem. Mesmo havendo entendido que certo modo de agir é mau, teremos de lutar contra o hábito de praticá-lo, que havíamos cultivado. Mas, ao final, pelo melhor entendimento, abandonaremos

o mal e faremos apenas o bem.

O progresso é determinação divina (uma das leis natu­

rais). Por esse determinismo divino, o Espírito evolui até a per­ feição sem nunca retroceder.

O Espírito pode estacionar temporariamente em seu pro­ gresso, se não usar ou usar mal as suas faculdades; mas nunca retrocede, pois jamais perde sua natureza nem suas qualida­ des e conhecimentos adquiridos.

O progresso dos Espíritos é desigual, justamente porque

depende do livre-arbítrio de cada um (de como encara e apro­ veita ou não as experiências e de como reage ao que aconte­ ce).

A meta final é a perfeição, ou seja, o desenvolvimento de nossas faculdades no mais alto grau que podemos conceber. Os Espíritos chegarão à perfeição, mais ou menos rapida­ mente, de acordo com o seu empenho pessoal em progredir e

a sua aceitação à vontade de Deus.

Nascer, morrer, renascer ainda e progredir sempre, tal é a lei. (Frase inscrita no dólmen do túmulo de Kardec, em Paris, França.)

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Iniciação ao Espiritismo | Therezinha Oliveira

Bibliografia:

De Allan Kardec:

- O Céu e o Inferno, Ia parte, cap. III; - O Livro dos Espíritos, 2a parte, caps. I e VI, e 3a parte,

caps. VIII e X.

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| C A P Í T U L O ^1 OS ESPIRITAS E O CASAMENTO Casamento

C A P Í T U L O ^1

OS ESPIRITAS E O CASAMENTO

Casamento e evolução

Quando ainda no estágio de princípio inteligente e nas primeiras experiências na escala animal, os seres se acasala- vam guiados apenas pelo instinto, sem maior responsabilida­ de nem laços afetivos. Era o estado de natureza. Aos poucos e em certas espécies, já podemos notar mu­ danças consideráveis no relacionamento sexual dos seres, com

o desenvolvimento da afetividade, a responsabilidade pela

prole e, por vezes, a monogamia.

Mas é quando o espírito atinge a escala humana, que o seu comportamento sexual, que trouxera das experiências corpó- reas do reino animal, passa a sofrer grande modificação. Fisicamente, a força do instinto sexual ainda perdura, mas

o ser já desenvolveu a capacidade de amar, que está acima e

além da necessidade sexual corpórea. Para a união entre um homem e uma mulher, surgiram novas possibilidades e exigências. Embora haja seres humanos que, em seu pouco desenvol­ vimento evolutivo, ainda se unam sexualmente quase que só

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Iniciação ao Espiritismo | Therezinha Oliveira

pelo instinto, sem nenhuma necessidade ou preocupação de estabilidade do par, as uniões fortuitas, ocasionais, irrespon- sáveis não nos servem mais. Foram substituídas pelo casamento monogâmico (a união permanente de um homem e uma mulher), o qual permite alcançar realizações maiores, tanto para os cônjuges como para os filhos e a sociedade, mas requer do casal sejam sua união e colaboração mais profundas e duradouras.

O casamento à luz do Espiritismo

Examinado na ótica da Doutrina Espírita, o casamento é visto como:

- Um progresso na marcha da humanidade, represen­

tando um estado superior ao de natureza, em que vivem os

animais.

- Uma união não apenas física, mas de iniludível cará­

ter e implicações espirituais, pois:

Atende à afinidade (que unem os semelhantes), ou a ex- piações (para resgate ou correção de erros cometidos), ou a missões (que regeneram e santificam). Resulta de resoluções tomadas na vida do infinito (antes da reencarnação dos Espíritos), livremente assumidas (pelos que já sabem e podem fazê-lo) ou sob a orientação dos men­ tores mais elevados (os que não estão habilitados para isso). Deve se basear no afeto e na responsabilidade recípro­ cos e ser respeitado e mantido o mais possível, para que se atinjam os objetivos espirituais visados com o casamento.

Empenhemo-nos, pois, em nossos compromissos conjugais com toda a boa vontade, tolerância e devotamento.

Cap. 13 - Os espíritas e o casamento | 2' Unidade

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Divórcio: possível, mas não aconselhável

O casamento na Terra não é indissolúvel de um modo ab­

soluto (em 1857, O Livro dos Espíritos já informava assim), porque os Espíritos aqui encarnados geralmente são pouco evoluídos e, dispondo de certo livre-arbítrio, nem sempre aten­

dem ao que ficara planejado na vida espiritual e respeitam os compromissos que assumiram. Em conseqüência: casamentos que estavam programados espiritualmente podem deixar de ocorrer e outros podem se concretizar sem que fossem programados antes.

A impossibilidade de separação de um casal traria, em al­

guns casos, grandes danos morais e psicológicos aos cônjuges e poderia levar a atitudes desesperadas (suicídio, homicídio), sendo preferível, antes, a separação.

Respondendo aos israelitas sobre o divórcio, Jesus esclare­ ceu: “Moisés vos permitiu repudiar vossas mulheres por causa da dureza dos vossos corações, mas ao princípio não foi assim”. (Mt 19:3-12)

É, ainda, pela dureza dos corações humanos que muitos

casamentos se desfazem e o divórcio acontece.

Antes de concretizarmos uma separação conjugal

Recorramos a todos os recursos possíveis (de compreen­ são, harmonização):

- diálogo entre os cônjuges;

- aconselhamento de psicólogos experimentados em as­ suntos de casais;

- meditação, oração e reuniões de assistência espiritual (muitas vezes, a desarmonia do casal é provocada ou estimulada por nossos adversários espirituais).

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Iniciação ao Espiritismo | Therezinha Oliveira

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Caso a separação se torne inevitável, convém que os côn­ juges aguardem algum tempo sem assumirem novos interes­ ses ou compromissos afetivos (para não obstarem ou impedi­ rem uma possível reconciliação).

Quando o divórcio acontece

Se o objetivo espiritual daquele casamento ainda não foi alcançado, terá de ser retomado em outra oportunidade (tal­ vez em outra encarnação). O divórcio terá sido apenas um adiamento. Só que a situação poderá ter se agravado e ficado mais di­ fícil para o cônjuge faltoso: pelo ressentimento e desconfian­ ça que gerou; ou por haver perdido a condição mais propícia para concretizar aquele objetivo.

Cônjuges que souberem respeitar seu compromisso

terão a ganhar espiritualmente, pois:

Tolerando-se e ajudando-se mutuamente, além de terem triunfado em suas provas ou expiações e de bem haverem cum­ prido seus deveres junto aos filhos, terão desenvolvido ou so­ lidificado entre si laços de confiança e estima (invisíveis, mas duradouros) que os unirão de modo amigo e feliz, aqui e na vida do Além. Quem cumpre fielmente seu papel espiritual e material no casamento, mesmo que seu cônjuge não cumpra bem sua par­ te, ficará liberado, no plano espiritual, da obrigação que o trouxera a esse casamento aqui na Terra.

O casamento dos espíritas

Que forma social ou religiosa devem os espíritas dar ao seu casamento?

Cap. 13 - Os espíritas e o casamento | Unidade

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Deve estar faltando orientação sobre isso nos Centros Es­ píritas porque, quando chega o momento de casar, muitos espíritas ainda não se sentem suficientemente esclarecidos ou convictos a respeito. Examinemos, portanto, a questão. Faremos o estudo por etapas, pois apresenta diversos aspectos.

Quando os noivos são, ambos, espíritas

O casamento civil sempre será observado, pois o Espiritis­

mo, seguindo o evangélico preceito “dai a César o que é de César”, recomenda obediência às leis humanas que visam à ordem social. Mas nenhuma cerimônia religiosa deverá ser programada, pois o Espiritismo - que procura nos libertar das exteriorida- des para nos ligar diretamente à vida espiritual - não tem sacramentos, dogmas ou rituais quaisquer nem sacerdócio or­ ganizado para efetuá-los.

Isto não quer dizer que falte ao espírita, em seu casamento, o aspecto espiritual. Pelo contrário, a espiritualidade estará presente em tudo. Vejamos, por exemplo (relato ao final deste capítulo), como foi feito o casamento de Mário e Antonina, ambos espíritas, contado por André Luiz, no seu livro Entre o Céu e a Terra, psicografado por Francisco C. Xavier:

- houve cerimônia civil;

— não houve cerimônia religiosa;

- a comemoração espiritual não foi realizada em Centro Espírita (para não dar o caráter de cerimônia religiosa oficial);

— a prece foi proferida por um familiar dos noivos (para fazê-la, não é preciso convidar um presidente de Cen-

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Iniciação ao Espiritismo | Therezinha Oliveira

tro, um orador espírita, um médium, nem é preciso que um Espírito se comunique para “dar a bênção”);

- houve intensa participação espiritual dos noivos, dos familiares e convidados, bem como dos amigos desen­ carnados. Os noivos que forem verdadeiramente espíritas - mesmo que suas famílias não o sejam e queiram dar outra opinião - já sabem como se casar perante a sociedade e a espiritualidade. E nenhum Centro ou Sociedade verdadeiramente espírita deverá realizar casamentos (quer em sua sede, quer em casa dos noivos ou outro local), pois o Espiritismo não instituiu sacramentos, cerimônias, rituais ou dogmas.

Quando só um dos noivos é espírita

Neste ponto, vamos expender uma opinião pessoal, que formulamos buscando o melhor entendimento espírita para a atualidade que vivemos. Que esta opinião seja meditada pe­ los confrades e aceita ou não, segundo o livre-arbítrio de cada um. Inicialmente, é preciso considerar que vivemos numa so­ ciedade em que predominam, de longa data, idéias e fórmulas religiosas diferentes das verdades espíritas. Nessa sociedade, os espíritas verdadeiros são ainda minoria e é pequena a pro­ babilidade de que os seus pares para o casamento estejam na minoria de verdadeiros espíritas. E se nós, espíritas, não mais nos prendemos a essas idéias e fórmulas religiosas predomi­ nantes, outros (que são a maioria) ainda não conseguem se libertar delas. Por outro lado, é certo que o espírita precisa ajudar a reno­ vação das idéias religiosas, e não conseguirá isso se ocultar sempre o que já conhece e se ceder sempre aos atuais costu­ mes religiosos. Além do que, o espírita tem o direito de não

Cap. 13 - Os espíritas e o casamento | 2a Unidade

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ficar preso às formulas religiosas que nada mais lhe signifi­ cam. Como fará, então, o espírita, quando o par escolhido for de outra religião? Parece-nos que deverá:

- procurar, logo na fase de namoro, verificar o entendi­ mento religioso do futuro cônjuge;

- se houver possibilidade de concordância no parceiro, trazê-lo ao entendimento espírita;

- não havendo essa possibilidade, analisar se, mesmo as­ sim, os fatores de união persistem ou se é preferível não levar adiante o namoro. Se, apesar da divergência religiosa, os laços afetivos e com­ promissos anteriores (assumidos no plano do espírito, como diz Emmanuel) levarem ao casamento, então o espírita se defrontará com a questão da forma de realizar esse casamen­ to.

Quando o parceiro não-espírita tiver sincero fervor na re­ ligião que professa, a ponto de sentir-se “em pecado” e com traumas morais sem a cerimônia que o seu credo estabelece, parece-nos que o espírita (que está mais livre de injunções dogmáticas) poderá aceitar a forma externa do casamento segundo o costume da religião do seu cônjuge. Que “pecado” poderá haver, do ponto de vista espiritual, em comparecer­ mos a uma igreja qualquer e partilharmos de uma prece, feita ela deste ou daquele modo? Esta tolerância, porém, tem seus limites. Só se justifica diante de uma verdadeira necessidade espiritual do parceiro e não quando ele for religioso apenas de rótulo ou por conven­ ção social. Nem deverá ser concedida quando a exigência da cerimônia é feita pela família dos noivos, sem nenhuma ne­ cessidade espiritual destes.

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Iniciação ao Espiritismo | Therezinha Oliveira

Também não irá a tolerância ao ponto de o espírita aceitar os sacramentos individuais (batismo, confissão, comunhão) para a realização da cerimônia. Somos livres para acompa- nhar o cônjuge à cerimônia indispensável para ele, mas, tam­ bém, somos livres para não aceitar imposições pessoais, a que só com hipocrisia poderiamos atender. Caberá à outra parte conseguir a dispensa dos sacramentos individuais para o espí­ rita.

E o vestido branco?

Vestir-se a noiva de branco faz parte dos costumes e tradi­ ções de nosso povo, mas, a rigor, não é obrigatório nem mes­ mo na igreja católica. Case-se com esse traje a jovem que assim o quiser, usando- o no civil ou na festa familiar, sem precisar querer uma ceri­ mônia religiosa só para vestir o seu vestido branco, pois essa moda nada tem que ver com religião ou espiritualidade.

O casamento de Mário e Antonina

Mário e a viúva esperavam efetuar o matrimônio em bre­ ves dias. Visitamos o futuro casal, diversas vezes, antes do enlace que todos nós aguardavamos, contentes. Amaro e Zulmira, reconhecidos aos gestos de amizade e carinho que recebiam constantemente dos noivos, ofere­ ceram o lar para a cerimônia que, no dia marcado, se rea- • lizou com o ato civil, na mais acentuada simplicidade. Muitos companheiros de nosso plano acorreram à residên­ cia do ferroviário, inclusive as freiras desencarnadas que consagravam ao enfermeiro particular estima. A casa de Zulmira, enfeitada de rosas, regorgitava de gente amiga. A felicidade transparecia de todos os semblantes. À noite, na casinha singela de Antonina, reuniram-se quase todos os convidados novamente.

Cap. 13 - Os espíritas e o casamento | 2 ‘ Unidade

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Os recém-casados queriam orar, em companhia dos laços afetivos, agradecendo ao Senhor a ventura daquele dia inolvidável. O telheiro humilde jazia repleto de entidades afetuosas e iluminadas, inspirando entusiasmo e esperan­ ça, júbilo e paz. Quem pudesse ver o pequeno lar, em toda a sua expressão de espiritualidade superior, afirmaria estar contemplando um risonho pombal de alegria e de luz. Na salinha estreita e lotada, um velho tio da noiva levan­ tou-se e dispôs-se à oração. Clarêncio abeirou-se dele e afagou-lhe a cabeça que os anos haviam encanecido, e seus engelhados lábios, no abençoado calor da inspiração com que o nosso orientador lhe envolvia a alma, pronun­ ciaram comovente rogativa a Jesus, suplicando-lhe que os auxiliasse a todos na obediência aos seus divinos desígni­ os. (Do livro Entre a Terra e o Céu, de André Luiz, psico- grafado por Francisco C. Xavier.)

Bibliografia:

De Allan Kardec:

- O

- O Livro dos Espíritos, itens 695 a 701.

De Emmanuel (psicografia de Francisco C. Xavier):

Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XXII;

A CO N FISSÃ O E CO M U N H Ã O D O S CRISTÃOS

Que é confessar?

A palavra confessar tem dois sentidos principais:

1) Declarar, revelar: Jesus queria que os seguidores o “con­ fessassem” diante de todos (Lc 12:8-9), ou seja, que o reco­ nhecessem e o declarassem como o seu mestre espiritual.

2)

Reconhecer a realidade de uma ação, erro ou culpa:

neste significado é que mais costumamos empregar a palavra confissão. Importante é saber reconhecer o acerto ou erro de nossas atitudes ou atos, para, a seguir, perseverar no que for certo ou começar a corrigir o que estiver errado.

Os três modos de confessar

1) Intimamente (diretamente a Deus)

Examine-se, pois, a si mesmo o homem. (Paulo, 1Co 11:28)

Em uma parábola (Lc 18:9-14), Jesus conta que um publi- cano, em confissão íntima, fez justa avaliação de seu estado

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Iniciação ao Espiritismo | Therezinha Oliveira

espiritual, suplicou o amparo divino para se melhorar e, com esse proceder, alcançou o benefício que pedira.

A confissão íntima é feita quando o assunto não requer

maior comunicação com os nossos semelhantes, ou para não prejudicar ou sobrecarregar desnecessariamente a outrem com

aflições ou problemas.

2) U ns aos outros

Recomenda Tiago, em sua epístola (5:16): “Confessai, pois os vossos pecados uns aos outros e orai uns pelos outros, para serdes curados Essa confissão, benéfica e necessária ao convívio humano, é o diálogo fraterno e franco através do qual podemos:

- esclarecer ou prevenir mal-entendidos, aprofundando o entendimento e mantendo a harmonia;

- revelar arrependimento e desejo de reajuste e reconci­ liação;

- expor problemas e dificuldades a quem nos possa en­ tender e ajudar.

3) De público

a) Ela pode ser um apoio para não mais reincidirmos numa falta, porque, feita ante todos, com a promessa de não voltar a falir, o sentido de dignidade pessoal nos leva a procurar manter o compromisso publicamente assumi­ do. João somente batizava aqueles que confessavam publicamente o seu arrependimento. (Mt 3:6)

b) É necessária para reparar males que prejudicaram a ou­

tros de modo também público, pois faz que a verdade se restabeleça logo e amplamente. Em qualquer das três formas, temos a confissão cristã, que constitui uma comunicação nossa, mais sincera e aberta, com Deus e com o próximo. Confissão que nos libera de angústias,

Cap. 14 - A confissão e comunhão dos cristãos | 2» Unidade

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tensões, temores e complexos de culpa, renovando-nos as possibilidades diante de nós mesmos e dos outros. E é uma forma de caridade o saber ouvir, acolher, descul­ par, reanimar e orientar aos que nos procuram para uma con­ fissão fraterna.

A confissão auricular

Ela não existia entre os primeiros cristãos. Foi instituída posteriormente, sob a alegação de que Jesus teria concedido aos apóstolos um poder especial para a remissão dos pecados que lhes fossem confessados. Jesus absolutamente não concedeu a ninguém uma autori­ zação para, em lugar de Deus, decidir quanto aos erros huma­ nos. Quem, na Terra, teria condição de saber se uma confis­ são é completa e se a contrição é verdadeira? A consciência individual é sagrada e só depende de Deus, diretamente. Em que se teriam baseado para instituir o que chamam de sacramento da confissão? Numa afirmativa de Jesus: “tudo o que ligardes na terra, terá sido ligado no céu, e tudo o que desligardes na terra terá sido desligado no céu’’. Examinemos as duas passagens em que essas palavras fo­ ram registradas:

Mateus 18:18: o assunto é o perdão das ofensas. Neste caso, o que Jesus esclarece é que quem não perdoa fica ligado ao ofensor (por laços mentais, fluídicos, mágoa, ressentimen­ to, revolta). Se não for possível a reconciliação, perdoemos nós e procuremos esquecer tudo, para nos desligarmos do ofensor e não sofrermos prejuízos espirituais. Mateus 16:13-19: Pedro recebe por revelação espiritual que Jesus é o Cristo. Jesus afirma que sua igreja (agrupamen­ to) se apoiará em comunicações espirituais assim e que Pedro terá “as chaves do reino” (como médium, servirá ao intercâm­

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Iniciação ao Espiritismo | Therezinha Oliveira

bio mediúnico). Quem aprende a fazer o intercâmbio mediu- nico também terá, como Pedro, “as chaves do reino”, devendo utilizá-las de modo elevado. Só depois deste episódio é que vem a repetição da frase sobre ligar ou desligar na terra e no céu, que tem muito mais propósito na outra passagem. Neste texto de Mateus, fica pa­ recendo uma indevida interpolação, pois cada um é que se “liga” ou “desliga”, pelo que pensa, sente e faz, tanto na vida espiritual (céu), como na vida material (terra).

Jesus, o pão da vida

No capítulo 6 do evangelista João, Jesus fala de si mesmo e de sua missão: “sou o pão da vida”, “que desce do céu e dá vida ao mundo” (vs. 33 e 35). Disse, também que, para termos vida, devemos “comer” sua “carne” e “beber” o seu “sangue” (v. 53). Mas explicou que falava de forma simbólica (v. 63).

O significado é:

- Jesus veio de planos mais elevados (desceu do céu);

- para oferecer às criaturas na Terra a verdade, o ensino (pão) que nutre a alma;

- e, com isso, fazê-las viver espiritualmente (dar vida), pois geralmente vivemos quase que só para as coisas do mundo material;

- desde que as pessoas assimilem seu ensino, aprendam com seu exemplo, imitem sua vivência (comer sua car­ ne e beber seu sangue).

Que é comungar?

Disse ainda: “quem de mim se alimenta, por mim viverá” (Jo

6:56-57).

Cap. 14 - A confissão e comunhão dos cristãos | 2J Unidade

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A isto é que se chama comungar - ter comunicação, parti­ cipação em comum, união em crenças, idéias, conduta. Na ceia pascoal (já perto de deixar este mundo), Jesus usou de novo os símbolos pão (ensino) e vinho (essência espiri­ tual de sua vida, o seu exemplo), que reparte entre os discípu­ los, significando que estava dando sua vida por eles e “em favor de muitos”. E pede: “Fazei isto em memória de mim.” (Lc 22:19; ICo

11:23-25)

Seus seguidores atenderam o pedido; continuaram relem­ brando e seguindo os ensinos de Jesus, viviam em comunida­ de, partilhavam o que tinham com todos. Havia, pois, comu­ nhão entre os primitivos cristãos. (At 2:42-47)

Para comungar com Jesus

Jesus queria que os seus discípulos e apóstolos comungas­ sem com ele (Jo 15:10), mas orava para que também outras pessoas viessem a crer nele e a comungarem com ele, para serem todos “um com o Pai”. (Jo 17:20-21) Comunguemos com Jesus, ou seja, procuremos entender e viver os seus ensinos, seguir o seu exemplo, amar a Deus e ao próximo.

Assim, participaremos cada vez mais de suas idéias e de seus sentimentos e ações, unindo-nos a ele cada vez mais, até alcançarmos uma perfeita comunhão; e estando unidos a Je­ sus, estaremos unidos, também, à vontade divina.

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Iniciação ao Espiritismo | Therezinha Oliveira

Bibliografia:

De Cairbar Schutel:

- Parábolas e Ensinos de Jesus, “A Ceia Pascoal”.

De Léon Denis:

- Cristianismo e Espiritismo, cap. VIII, “Os Dogmas, Os Sa cramentos, o Culto”.

REENCARNAÇÃO

I. A VOLTA DO ESPÍRITO A VIDA CORPÓREA

a) Metempsicose Na Antigüidade, povos da Ásia (como os hindus), da África (os egípcios) e da Europa (gregos, romanos, celtas) acredita­ vam que o espírito do homem poderia voltar a viver na Terra em uma nova existência. Alguns deles acreditavam que pu­ desse vir a animar um corpo de animal e vice-versa, teoria esta denominada de metempsicose. Esclarece a Doutrina Espírita que essa volta em corpo ani­ mal é impossível, pois o Espírito nunca retrocede no grau de evolução alcançado, podendo apenas estacionar, temporaria­ mente.

b) Ressurreição Era crença entre os judeus antigos a idéia de que uma pes­ soa, depois de morta, podia ressuscitar, isto é, ressurgir, reapa­ recer neste mundo. Diziam ressurreição para qualquer mani­ festação do Espírito, fosse em vidência, aparição, materializa­ ção.

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Iniciação ao Espiritismo | Therezinha Oliveira

Algumas religiões atuais falam de ressurreição como a vob ta à vida no mesmo corpo.

A Ciência demonstra, porém, que a ressurreição da carne

é materialmente impossível já que, com a morte, o corpo en-

tra em decomposição e as substâncias que o compunham se transformam e são reaproveitadas dentro do ciclo biológico.

O apóstolo Paulo também já esclarecia que “a carne e o

sangue não podem herdar o reino dos céus” ( ICo 15:50), e que é “espiritual” o corpo (perispírito) com o qual continuamos a viver no Além e com o qual ressurgimos, reaparecemos, após

a morte física (v. 45). No Evangelho, encontramos menções a pessoas que te- riam sido “ressuscitadas” por Jesus: Lázaro; o filho da viúva de Naim; a filha de Jairo. E que, naquele tempo, confundiam com a morte os estados de catalepsia ou de letargia.

Observação:

Nesses estados anormais, há perda temporária da sensibi­ lidade e do movimento; na catalepsia, apenas parte do corpo é afetada e fica em rigidez muscular; na letargia, não há rigidez muscular, mas a perda ocorre de modo amplo, por isso esse sono patológico dá ao corpo uma aparência de morte. Jesus não "ressuscitou" aquelas pessoas; o que fez foi cor­ rigir com seu magnetismo superior o estado físico doentio, anormal, e ordenar, com sua autoridade moral, que o Es­ pírito retomasse a atividade normal através do corpo, que ainda não havia morrido e do qual, portanto, ainda não se havia desligado totalmente.

c) Reencarnação

A Doutrina Espírita não endossa a teoria da metempsicose

nem a da ressurreição da carne. O que o Espiritismo prega é a reencarnação, ou seja: o Espírito, sendo imortal, não se desfaz

Cap. 15 - Reencarnação | 2 à Unidade

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com o corpo físico, continua a viver com o seu próprio corpo espiritual (perispírito) e pode voltar a se ligar à matéria, for­ mando um novo corpo, para viver outra existência na Terra.

E uma ressurreição, um ressurgimento do espírito na car­

ne, mas não a ressurreição da carne.

II. PARA QUÊ, ONDE E ATÉ QUANDO

O ESPÍRITO REENCARNA?

Para quê?

Deus nada inútil faz. Se o Espírito reencarna, é para cum­ prir desígnios divinos. Reencarnando, o Espírito:

- coopera na obra da criação;

- adquire experiências (provas);

- expia erros passados (resgates);

- progride sempre (evolução).

A reencarnação, por mais difícil e trabalhosa, não consti­

tui um castigo. Somente assumirá esse aspecto quando o Es­

pírito não se esforçar por progredir.

Onde?

O Espírito reencarna muitas vezes num mesmo mundo, apropriado ao seu grau de evolução, ou em mundos seme­ lhantes, e em cada nova existência tem a oportunidade de dar um passo na senda do progresso, despojando-se de suas imperfeições.

À medida que progride, se nada mais tiver a aprender num

mundo, o Espírito passará a reencarnar em outro mundo mais evoluído. E, assim, sucessivamente. Poderá, também, reencarnar em mundo inferior ao seu grau de evolução, se for para executar ali uma missão que impul­ sione o progresso dos seus habitantes.

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Iniciação ao Espiritismo | Therezinha Oliveira

Até quando?

Muito numerosas são as reencarnações, porque o progres­ so do Espírito é lento, quase infinito, mas gradual e constan­ te.

E não há como delimitar o número de encarnações que cada um terá de cumprir em cada globo, pois o Espírito evolui mais depressa ou mais devagar, segundo o seu livre-arbítrio. Mas certamente há, no programa divino, uma previsão de tempo para que cada humanidade alcance determinado grau médio de progresso. Ao se atingir esse limite, os retardatários serão retirados do meio que progrediu mais e encaminhados para continuar o seu progresso em mundos inferiores, com os quais ainda se afinam. Quando se tornar um puro Espírito, o Espírito não reen- carnará mais, porque já terá alcançado todo o progresso pos­ sível nos mundos corpóreos, não mais precisará se ligar a um mundo material.

III. DE UMA ENCARNAÇÃO PARA OUTRA

Como, nas diversas encarnações, o Espírito é o mesmo, em sua nova existência o homem pode conservar semelhan­ ças de manifestações e traços do caráter moral das existências anteriores. Sofrerá porém, as modificações dos costumes de sua nova posição social. Ex.: Se de senhor ele se torna escravo, suas inclinações poderão ser diferentes e haveria dificuldade em reconhecê-lo, ante a influência do meio, da educação etc. Também poderá ter melhorado moralmente, poderá ter ocorrido um aperfeiçoamento considerável, que venha a mu­ dar bastante o seu caráter. Ex.: De orgulhoso e mau, pode ter- se tornado humilde e fraterno, desde que se haja arrependido por compreender o que é verdadeiro e bom.

Cap. 15 - Reencarnação | 2 à Unidade

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O novo corpo não tem nenhuma relação com o antigo, que foi destruído. Entretanto, o Espírito se reflete no corpo; embora este seja apenas matéria, é modelado pelas qualida­ des do Espírito, que lhe imprimem uma certa característica, principalmente ao semblante. Não se confunda, porém, be­ leza física, aparência corpórea, com qualidades morais e espi­ rituais.

Bibliografia:

De Allan Kardec:

- O Livro dos Espíritos, 2a parte, caps. III, IV, V e VII.

De Gabriel Delanne:

- A Reencarnação.

ARGUM ENTANDO SOBRE A REENCARNAÇÁO

I.

ARGUMENTOS FILOSÓFICOS

Acredita-se que cada pessoa que nasce seria um Espírito novo criado por Deus para, numa única existência terrena, alcançar a perfeição e a felicidade. Conseguindo, irá gozar para sempre o céu. Em caso contrário, penar eternamente no inferno.

Essas afirmativas

Não condizem com a justiça de Deus. Por isso mesmo, nos levam a indagações assim:

Deus teria se aperfeiçoado na arte de criar? Por que não

somos hoje como os homens das cavernas

E não seria in­

justo os homens primitivos não terem gozado das condições melhores, de corpo e de meio ambiente, como nós, os criados por último, estamos usufruindo?

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Iniciação ao Espiritismo | Therezinha Oliveira

II. ARGUMENTOS CIENTÍFICOS

Conquanto em todos os lugares e povos, e em todos os tempos, haja evidências sobre a reencamação, ainda não po­ demos dizer que ela esteja comprovada, segundo os atuais cânones da Ciência, que tudo reporta ao plano da matéria e precisa que os fenômenos se repitam de uma forma que o pes­ quisador os possa provocar e controlar para então observá- los, entendê-los e explicá-los.

A reencarnação, porém, é um processo que transcende a

vida física (embora parte dela se dê no mundo material). E é,

também, um processo de vida que não está nas mãos do ho­ mem fazer parar ou repetir, para observá-lo. Pesquisas modernas dão uma abertura neste campo e já se conseguiram dados significativos a respeito, por meio de:

a) Lembranças espontâneas

Há pessoas que, conscientemente ou em sonhos, se lem­ bram de algumas de suas existências passadas.

A esse respeito, destaquemos as pesquisas do Dr. Banerjee,

da índia, e do Dr. Yan Stevenson dos EUA, que escreveu 20

Casos que Sugerem Reencamação.

b) Regressão da memória pela hipnose

Hipnotizada, a pessoa passa a lembrar e relatar seu passado nesta encarnação e, em certos casos, chega a recordar uma ou mais existências anteriores, descrevendo fatos, acontecimen­ tos dessas encarnações passadas. Livros têm sido escritos a respeito dessas pesquisas, como o da psicóloga americana Helen Wanbach, intitulado Life Before Life. Mais recentemente, surgiu nos EUA uma técnica psicoló­ gica, lançada pelo Dr. Morris Netherton, para a regressão da memória a vivências passadas (desta ou de outras encarna­ ções) feita em estado de lucidez (não é por hipnose) e com

Cap, 16 - Argumentando sobre a reencamação | 2 ‘ Unidade

107 ►

finalidade terapêutica. É a Terapia de Vidas Passadas (TVP) ou Terapia Regressiva a Vivências Passadas (TRVP), porque nem sempre o que se detecta no paciente é da vida passada, mas desta existência.

c) Anúncios de reencamação futura Por revelações em sonhos, mediúnicas ou por via anímica (percepção do próprio encarnado), às vezes são feitos anún­ cios de que um determinado Espírito vai reencarnar e são da­ dos sinais precisos para a sua identificação, quando do nasci­ mento, o que se cumpre depois, conforme fora anunciado.

III. ARGUMENTOS RELIGIOSOS

Nas tradições e na literatura religiosa de muitos povos e épocas, encontraremos o registro da idéia da reencamação e ensinos a respeito. Como, no Brasil, nosso povo está mais ligado às idéias religiosas da Bíblia, a ela recorreremos. No Velho como no Novo Testamento, há passagens sobre reencamação. Citaremos, do Novo Testamento, uma passa­ gem em que Jesus a ensina teoricamente; outra em que indica estar reencarnado entre eles, naquela época, alguém que no passado fora muito conhecido e respeitado; e uma terceira em que reafirma essa reencamação.

1. O diálogo de Jesus com Nicodemos (Jo 3:1-12)

Ora, entre os fariseus, havia um homem chamado Nico­ demos, principal dos judeus, que veio à noite ter com Je­ sus e lhe disse:

— Mestre, sabemos que vieste da parte de Deus, porque

ninguém poderia fazer os sinais que tu fazes, se Deus não estivesse com ele.

— Em verdade, em verdade te digo: Ninguém pode ver o reino de Deus se não nascer de novo.

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Iniciação ao Espiritismo | Therezinha Oliveira

— Como pode nascer um homem já velho? Pode tornar a

entrar no ventre de sua mãe, para nascer pela segunda

vez?

— Em verdade, em verdade te digo: Se um homem não

nasce da água e do espírito, não pode entrar no reino de Deus. O que é nascido da carne é carne e o que é nascido

do espírito é espírito. Não te admires de que eu te haja dito ser preciso que nas­ ças de novo. O vento sopra onde quer e ouves a sua voz, mas não sabes de onde ele vem, nem para onde ele vai; o mesmo se dá com todo aquele que é nascido do espírito.

— Como pode isto fazer-se?

— Pois que! és mestre em Israel e ignoras estas coisas?

Digo-te em verdade que não dizemos senão o que sabe­ mos, e que não damos testemunho senão do que temos visto, entretanto, não aceitais o nosso testemunho. Mas, se não me credes, quando vos falo das coisas da Terra,

como me crereis, quando vos fale das coisas do Céu?

Neste diálogo, Jesus ensina teoricamente a reencarnação. Nicodemos pensou no mesmo corpo nascendo de novo (o que não é possível). Jesus corrigiu esse erro: “o que é nascido da carne é carne”, o corpo segue a lei natural da decomposição da matéria; reafirmou que para “entrar no reino de Deus” (al­ cançar planos espirituais elevados) há necessidade de renas­ cer tanto da água (símbolo da matéria) como do espírito; ou seja, reencarnar no mundo material, mas também renovar-se intimamente, progredir. Usou o ar (pneuma, símbolo do ele­ mento espiritual) como comparação para explicar que senti­ mos a presença e manifestação do Espírito reencamado, atra­ vés do seu novo corpo, mas não podemos identificar de onde veio (o passado é providencialmente esquecido) nem apon­ tar-lhe um futuro (vai depender do seu livre-arbítrio).

Cap. 16 - Argumentando sobre a reencarnação | 2a Unidade

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2. Jesus afirma duas vezes que João Batista era Elias reencarnado

a) Após dar seu testemunho sobre João Batista

Desde o tempo de João Batista até o presente, o reino dos céus é tomado pela força e são os que se esforçam que se apoderam dele; porque todos os profetas e a lei profetiza­ ram até João. Ese quereis reconhecer, ele mesmo é Elias que estava para vir. Ouça-o aquele que tiver ouvidos de ouvir. (Mt 11:12-

15)

b) Na transfiguração

Quando Jesus se transfigurou, apareceram ao seu lado, con­ versando com ele, Moisés e Elias, ambos Espíritos há muito desencarnados.

As profecias diziam que Elias tinha de vir antes do Cris­

to

Se Jesus era o Cristo, como é que Elias ainda estava no plano espiritual? Para esclarecerem essa dúvida, os discípulos perguntaram a Jesus:

— Não dizem os escribas ser preciso que antes volte Elias?

— É verdade que Elias há de vir e restabelecer todas as

coisas; mas eu vos declaro que Elias já veio e eles não o

reconheceram e o trataram como lhes aprouve. É assim que farão sofrer o Filho do Homem. Então, os discípulos compreenderam que fora de João Ba­ tista que ele falara. (Mt 17:10-13; Mc 9:11 -13)

Reencarnando como João Batista, Elias voltara à Terra e fizera o seu papel de precursor do Cristo. Depois, fora decapi­ tado e retornara ao mundo espiritual de onde agora se apre­ sentava de novo, ao lado de Jesus e à vista dos seus discípulos, num fenômeno de materialização.

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Iniciação ao Espiritismo | Therezinha Oliveira

IV.

CONCLUSÕES

Estudando racionalmente a teoria da reencarnação:

- encontramos argumentos filosóficos, científicos e reli­ giosos a embasá-la;

- reconhecemos ser ela uma lei divina a nos ensejar o progresso incessante (pois é porta sempre aberta aos nossos esforços evolutivos);

- verificamos que nela se evidenciam de modo sublime o poder, a justiça e a bondade de Deus.

Bibliografia:

De Allan Kardec:

- O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. IV;

- O Livro dos Espíritos, Ï- parte, cap. IV.

Da Bíblia:

- Novo Testamento.

De Gabriel Delanne:

- A Reencarnação.

De Torres Pastorino:

- A Sabedoria do Evangelho, 3e e 4a volumes.

C A P í T U

C A P í T U PAIS E FILH OS À LUZ DA REENCARNAÇÃO O que

PAIS E FILH OS À LUZ DA REENCARNAÇÃO

O que os pais transmitem aos filhos?

Não são os pais que criam o espírito de seu filho. Nem é verdade que os pais transmitam aos filhos parte de sua pró­ pria alma. Porque o corpo procede do corpo, mas o espírito não procede do espírito, vem de Deus que o criou.

O que os pais fornecem aos filhos é o material para a for­

mação do invólucro corpóreo. O corpo que se forma costuma

ter semelhança física e de disposições orgânicas com os pais,

devido à hereditariedade.

A essa vida animal que os pais transmitem aos filhos, uma

nova alma, a do filho, vem se juntar, trazendo a vida moral. Os pais jamais transmitem aos filhos a semelhança moral, porque se trata de Espíritos diferentes. As semelhanças mo­ rais que existem, às vezes, entre pais e filhos vêm do fato de

serem eles Espíritos simpáticos entre si, atraídos pela afini­

dade de suas inclinações. Podem ser, também, resultado da educação, pois o espírito dos pais exerce, e muito, influência sobre o espírito dos filhos, após o nascimento.

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Iniciação ao Espiritismo | Therezinha Oliveira

O Espírito na infância corpórea

As crianças não são almas recém-criadas por Deus. São Espíritos com certa experiência e desenvolvimento, pois já viveram muitas vidas anteriormente. Trazem, como bagagem espiritual, as conseqüências de seus acertos e, também de seus erros, o que pode estar simbolizado na antiga idéia de “peca­ do original”. Quando passa pelo estágio da infância física, o Espírito está como que num repouso de atividade mais intensa do seu eu. E torna-se mais acessível às impressões que recebe, por­ que o cérebro novo registrará novos informes e estímulos. Costuma apresentar-se mais dócil, porque se encontra depen­ dente para com seus pais ou responsáveis na vida terrena. Por isso, a infância é o momento ideal para o Espírito re­ ceber a ação educativa, moralizante, que muito poderá ajudá- lo a progredir nessa nova reencamação.

Educar é missão dos pais

E aos pais que cabe, em especial, a missão de desenvolver

o espírito dos filhos pela educação, procurando corrigir as ten­

dências más que trazem e cultivar neles as boas qualidades que têm em potencial, como criaturas de Deus que são. Os pais não poderão, pelos pensamentos e preces, deter­ minar para o corpo do filho que vão gerar, um bom Espírito em lugar de um Espírito pouco evoluído. Mas podem melho­ rar o Espírito da criança a que deram nascimento e que lhes foi confiada. Esse é o seu dever. Filhos maus são uma prova para os pais, ou uma oportuni­

dade de reajuste ante as leis dvinas, por terem contribuído, em vida anterior, para o desvio moral do Espírito que, agora,

é seu filho.

Cap. 17 - Pais e filhos à luz da reencarnação | 2‘ Unidade

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Também pode um Espírito mau ter pedido, e Deus lhe con­ cedeu, nascer com bons pais, na esperança de que seus conse­ lhos o dirijam por uma senda melhor. Assim, pais bons e vir­ tuosos podem ter um filho mau e até perverso como oportu­ nidade abençoada de cooperar para que ele se recupere mo­ ralmente. Educar os filhos é tarefa que Deus confiou aos pais e, se nela falharem, serão responsáveis. Mas, se fizeram tudo o que podiam e deviam pelo adiantamento moral de seus filhos

e estes é que não aceitam a boa orientação, os pais podem

ficar de consciência tranqüila. A amargura que sentem por não alcançarem o êxito esperado é suavizada pela certeza de

que, no futuro, ainda poderão concluir a obra agora começada

e que, um dia, os filhos ingratos os recompensarão com o seu

amor. Todas as pessoas que convivem com a criança também devem cooperar na sua educação, pois a fraternidade nos faz responsáveis uns pelos outros. Em complementação à tarefa educadora dos pais, os Cen­ tros Espíritas procuram organizar grupos para a educação moral da infância, para lhes transmitir os ensinos evangélicos, à luz do Espiritismo.

Semelhanças entre irmãos

Muitas vezes há semelhanças de caráter entre irmãos, so­ bretudo entre gêmeos, o que pode ser explicado por:

- influência da educação igual que tiveram e a que foram acessíveis; ou

- por serem Espíritos simpáticos e afins entre si.

Porém, não é regra geral essa semelhança. Às vezes, há aversão entre irmãos, mesmo gêmeos, porque são Espíritos

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Iniciação ao Espiritismo | Therezinha Oliveira

desafetos, diferentes ou maus, que precisam estar juntos para seu mútuo progresso no cenário da vida terrena. Gêmeos siameses são os que nascem com os corpos liga­ dos externamente ou, até mesmo, com certos órgãos em co­ mum. A Ciência, quando possível, promove a separação de seus corpos. Havendo duas cabeças pensantes, é que ali estão dois Espíritos habitando num mesmo conjunto físico. Somente serão semelhantes entre si, quanto a sentimento e comporta­ mento, se forem afins espiritualmente. Mas, geralmente, Es­ píritos que chegam a essa situação é porque trazem, de vida anterior, graves e profundos problemas no seu relacionamen­ to. Na existência atual, têm de se suportar e ajudar mutua­ mente para poderem sobreviver, o que deverá acabar reajus- tando-os espiritualmente. Se a Ciência conseguir separá-los ainda nesta encarnação, é porque já estão melhorados espiri­ tualmente pela experiência que sofreram e podem, de novo, prosseguirem independentes. Se a Ciência não puder separá- los, somente se libertarão ao término desta reencamação, e se de fato se houverem reajustado entre si; então, retomará cada qual o seu caminho.

Bibliografia:

De Allan Kardec:

- O Evangelho segundo o Espiritismo, caps. IV e XIV;

- O Livro dos Espíritos, 2- parte, cap. IV.

De Hermínio C. Miranda:

- Nossos Filhos São Espíritos.

A FAMÍLIA À LUZ DA REENCARNAÇÃO I. A FAMÍLIA ESPIRITUAL Encarnados ou não, todos somos

A FAMÍLIA À LUZ DA REENCARNAÇÃO

I. A FAMÍLIA ESPIRITUAL

Encarnados ou não, todos somos Espíritos criados por Deus e, portanto, irmãos. A humanidade inteira é, assim, uma só família. No espaço, os Espíritos formam grupos ou famílias, quan­ do se entrelaçam pela afeição, simpatia e semelhança das in­ clinações. Ditosos por se encontrarem juntos, esses Espíritos se bus­ cam uns aos outros. A encarnação apenas momentaneamen­ te e parcialmente os separa, porquanto, se uns encarnam e outros não, nem por isso deixam de estar unidos pelo pensa­ mento. Os que se conservam livres velam pelos que se acham em cativeiro. Os mais adiantados se esforçam por fazer que os retardatários progridam. E, ao regressarem à erraticidade, no­ vamente se reúnem como amigos que voltam de uma viagem. Muitas vezes até, uns seguem os outros na encarnação, vindo aqui reunir-se numa mesma família, ou num mesmo círculo de conhecimento e de amizades, a fim de trabalharem juntos pelo seu mútuo adiantamento.

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Iniciação ao Espiritismo | Therezinha Oliveira

Como vemos, a verdadeira família é a espiritual, em que os Espíritos estão unidos pela afinidade, antes, durante e de­ pois das encarnações. A uma família espiritual é que Jesus se referia, quando afir­ mou: “(•••) qualquer que fizer a vontade de meu Pai que está nos céus, esse é meu irmão, e irmã e mãe”. (Mc 3:31-35) Se queremos pertencer à família espiritual de Jesus, procu­ remos obedecer às lei divinas, como Jesus faz.

II. A FAMÍLIA CORPORAL

Ao reencarnarmos na Terra, formamos uma família cor­ poral (consangüínea e de parentesco). Nela poderemos ter alguns elementos que também sejam de nossa família espiri­ tual. Outra parte de nosso grupo espiritual, porém, continua habitando no mundo invisível, no Além. Com a reencarnação, a parentela aumentará indefini­ damente? É o que receiam alguns. Mas não é pelo fato de ter tido 10 encarnações, por exemplo, que alguém encontrará no mun­ do espiritual 10 pais, 10 mães, 10 cônjuges e um número pro­ porcional de filhos e novos parentes. Encontrará, apenas, aqueles com que estiver relacionado pela afinidade e pela afei­ ção, ou pela responsabilidade. A reencarnação destrói os laços de família? Assim julgam outros, porque, de fato, a idéia de pessoas unidas apenas entre si e unicamente por serem todas do mes­ mo sangue perde sua importância ante a lei da reencarnação. Mas não vemos que laços de sangue e parentesco terreno muitas vezes se extinguem com o tempo ou se dissolvem mo­ ralmente já nesta vida? Aos laços, porém, que unem a verda­ deira família espiritual a reencarnação não destrói, mas forta­ lece e aperta cada vez mais.

Cap. 18 - A família à luz da reencarnação | 2d Unidade

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A unicidade da existência, sim, é que romperia qualquer laço familiar porque, nesse caso, os familiares não estariam ligados antes do nascimento e poderiam não estar ligados depois, pela diferença da posição espiritual que viessem a ocu­ par e que seria para sempre, como pensam os que acreditam em céu e inferno.

III. A FAMÍLIA QUE TEMOS

Uma “família espiritual”, significando um grupo com o qual

a pessoa se sinta inteiramente bem e no qual nunca tenha

problemas, é coisa que ainda estamos construindo e que a maioria de nós não possui, nem aqui, nem no Além. A famí­ lia que temos é tal como a fizemos até agora ou tal como dela precisamos para nossa evolução. Nela há um variado tipo de pessoas (afins ou não conosco) e foi formada em função de nossas expiações, de nossa necessidade de aprendizado ou, ainda, de nosso desejo de realizarmos boas obras.

Nossos familiares são pessoas: Motivo da ligação conosco:

com as quais combinamos

bem;

- bem diferentes de nós (testam

nossas virtudes ou nos ensinam

aspectos diferentes da vida);

- às quais estamos ligados de vi­ das anteriores, porque devemos algo a elas ou elas a nós;

-

-

afinidade;

- provas e aprendizado;

—reajuste e reconciliação;

- precisam de nós (a quem po­ demos ajudar com nosso amor

e entendimento).

- oportunidade de servir.

« 118 |

Iniciação ao Espiritismo | Therezinha Oliveira

IV. COMO AGIR EM FAMÍLIA?

Ninguém possui sem razão esse ou aquele laço de paren­ tesco, de vez que o acaso não existe nas obras da Criação. Nos elos da consangüinidade, reavemos o convívio de to­ dos aqueles que se nos associaram ao destino, pelos vín­ culos do bem ou do mal, através das portas benditas da reencarnação. (Emmanuel, em Leis de Amor, psicografia de Francisco C. Xavier.)

Na família, pois, além das funções terrenas (que o conhe cimento humano já identificou e valoriza), o espírita vê mui to mais:

- uma ligação maior que a simples necessidade ou depen dência materiais;

- uma finalidade transcendente e não somente o objeti vo de uma existência. Para essa realização espiritual “em família”:

Devemos revestir-nos de paciência, amor, compreensão, devotamento, bom ânimo e humildade, a fim de aprender a vencer, na luta doméstica. No mundo, o lar é a primeira escola de reabilitação e do reajuste. (Emmanuel, idem.)

Teu lar é um ponto bendito do Universo em que te é pos­ sível exercer todas as formas de abnegação a benefício dos outros e de ti mesmo, perante Deus. Pensa nisso e o amor te iluminará. (Emmanuel, "Tarefas de Amor", do li­

vro No Portal da Luz.)

Mas se alguém não tem cuidado dos seus e, principalmen­ te, dos de sua família, negou a fé. (Paulo - 1Tm 5:8)

Bibliografia:

Cap. 18 - A família à luz da reencarnação | 2à Unidade

| 119 ►

De Allan Kardec:

- O Evangelho segundo o Espiritism o, cap. IV, itens 18 a 23,

e cap. XIV, item 8;

terceira

UNIDADE ►

◄ terceira UNIDADE ►
O segundo efeito (do Espiritis­ m o) é a resignação nas vicis­ situdes da vida.

O

segundo efeito (do Espiritis­

m o) é a resignação nas vicis­ situdes da vida. O Espiritismo dá a ver

as coisas de tão alto, que, perdendo a vida terrena três quartas partes da sua importância, o homem não se aflige tanto com as tribulações que a acompanham.

(O Livro dos Espíritos, conclusão, VII)

| CAPÍTU

| CAPÍTU BEM-AVENTURADOS O S AFLITOS I. AFLIÇÕES Reencamando na Terra, ao lado de bênçãos e

BEM-AVENTURADOS O S AFLITOS

I. AFLIÇÕES

Reencamando na Terra, ao lado de bênçãos e alegrias na­ turais, a vida vai nos ensejar aflições (situações de dores e dificuldades) que nos servirão de prova (experiência, teste­ munho) ou de expiação (resgate, reajuste). Tudo de acordo com nosso adiantamento e para nosso maior progresso.

Causas Atuais

Dos males que enfrentamos na vida, muitos podem ter sido causados por atos que praticamos nesta encarnação. Quantos são vítimas de sua própria ambição, de seu orgu­ lho, de sua imprevidência, de seu comodismo, de seu mate- rialismo, de sua agressividade! O próprio indivíduo reconhe­ ce, às vezes, a causa de seus sofrimentos e, não raro, diz: “Se eu tivesse ou não tivesse feito tal coisa, não estaria nesta situ­ ação”. De fato, quem planta colhe e, muitas vezes, já nesta existência.

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Iniciação ao Espiritismo | Therezinha Oliveira

Causas Passadas

Também experimentamos na vida aflições e sofrimentos que não são conseqüência de omissões ou erros atuais. Por­ tanto, a causa deles não está nesta existência. Exemplos: Doenças hereditárias, defeitos de nascença, contingências do meio em que se nasce, flagelos naturais, acidentes não provocados e inevitáveis. Mas todo efeito tem uma causa e a causa é sempre anterior ao efeito. Se a causa de nossas aflições e sofrimentos (quer sejam provas, quer expiações) não se encontra na existência atual, é porque pertence a uma existência anterior.

Em conclusão

O que fomos e fizemos em vidas anteriores (passado) acar­

retou conseqüências de gozo ou de sofrimento para a nossa atual existência (presente) ou acarretou a necessidade de novas experiências, a fim de que nosso progresso continue. E o que estamos fazendo agora está influindo para o bem ou para o mal em nossa vida, com conseqüências que se farão

sentir, de imediato, ou em médio e longo prazo.

II. INFLUÊNCIA E ESQUECIMENTO DO PASSADO

Reencarnando, esquecemos o passado, porque: estamos com um corpo e cérebro novos; a matéria atenua as vibrações das faculdades espirituais e a consciência fica fragmentária, parcial.

O esquecimento do passado é providencial, para que real­

mente o Espírito reencarnado recomece nas novas experiên­

cias, sem lembranças (nele ou nos outros) que viessem a:

a) humilhá-lo (por ter sido criminoso, ingrato, covarde, vicioso etc.);

Cap. 19 - Bem-aventurados os aflitos | 3a Unidade

1125 ►

b) exaltar seu orgulho (por já ter tido situações de desta­ que e poder);

c) dificultar seu novo relacionamento familiar e social. Ex.:

Por reconhecer em alguém um desafeto do passado, prin­ cipalmente na família; o ódio poderia reaparecer, não se dando a necessária reconciliação, que o esquecimen­ to temporário do passado favoreceria. O esquecimento do passado não é total nem significa que o Espírito tenha perdido as qualidades e o progresso já adquiridos, pois jamais perde seu patrimônio espiritual. As possibilidades pessoais do Espírito, embora ocultas:

a) Constituem sua vasta subconsciência, que os cientis­ tas estudam acuradamente.

b) Podem emergir nos estados em que há desdobramen­ to, emancipação parcial do Espírito em relação ao cor­ po, tais como: sono, sonambulismo, transe mediúnico, êxtase, hipnose profunda etc. Nesses estados e confor­ me a evolução que tenha, o Espírito pode, às vezes, lem- brar-se do passado, tomar consciência da realidade an­ terior (atos seus e de outros, locais e situações) e do tra­ balho que, em conseqüência, deve desenvolver na vida atual.

A influência do passado também se revela:

a) Nas idéias inatas, que são a vaga lembrança que o Es­ pírito guarda das percepções e conhecimentos adquiri­ dos em outras vidas; entre as idéias inatas, há algumas comuns a todas as pessoas, tais como: o sentimento ins­ tintivo da existência de Deus e da imortalidade da alma.

b) Nos pendores naturais, que são as tendências e apti­ dões que trazemos, resultantes do que gostamos e do que cultivamos anteriormente. Ex.: Crianças precoces ou geniais.

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Iniciação ao Espiritismo | Therezinha Oliveira

c) N as vicissitudes que enfrentamos, que são a prova ou expiação conseqüentes ao comportamento anterior. Assim, embora o encarnado não se lembre de tudo exata­ mente, observando suas idéias inatas, seus pendores, suas vi­ cissitudes, pode avaliar o que, em essência, foi e fez no seu passado. Simpatias ou antipatias também deixam transparecer a lembrança do passado, ainda que de forma imprecisa. Elas podem ter por causa a existência ou não de afinidade intelec­ tual e moral entre indivíduos que se estejam conhecendo; mas, também, pode ser porque esses Espíritos já tiveram rela­ ções em vidas anteriores e agora, ao se reencontrarem, embo­ ra não se reconheçam conscientemente, podem sentir atra­ ção ou repulsão, instantânea e aparentemente gratuita. Cla­ ro está que nos cabe superar as antipatias e cultivar a fraterni­ dade para com todos, simpáticos ou não.

III. PREPARANDO O FUTURO

Conforme encaremos a atual vida terrena, podemos sua­ vizar ou aumentar o amargor de nossos sofrimentos e dificul­ dades. Se acharmos que a vida é uma só e apenas corpórea, dare­ mos demasiada importância ao que é material e imediato, e as dores e dificuldades nos parecerão sem finalidade, sem alí­ vio e sem esperança. Reconhecendo que a vida corpórea é abençoado ensejo de resgate e aprendizado, compreendendo que ela é temporá­ ria e muito breve para nós, Espíritos imortais, suportaremos melhor revezes e decepções. E se soubermos que o bem que fizermos, a partir de agora, nos preparará um futuro me­ lhor, nos sentiremos animados e confiantes, apesar das lutas e das dores.

Cap. 19 - Bem-aventurados os aflitos | 3ÛUnidade

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Diz Jesus, no Sermão da Montanha (Mt 5): “ Bem -aventu­

rados os que choram , porque serão consolados” , referindo-se aos

que, afligidos pelo sofrimento, sabem sofrer com fé e amor, aceitando as consequências de seus atos, procurando melho­ rar-se e não revidando o mal que lhes façam. E nos convida:

Vinde a mim, todos vós que estais aflitos e sobrecarrega­ dos, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e achareis repouso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e leve o meu fardo. (Mt 11:28-30)

Esclarecidos pelo conhecimento espírita, atendamos ao convite do Mestre. Enfrentemos dificuldades e sofrimentos com humildade, paciência e resignação. Tiremos o melhor proveito espiritual das experiências que a vida nos enseja. Façamos um grande esforço perseverante para o Bem. Aprendamos, renovemo-nos, utilizemos nossas forças e co­ nhecimentos em benefício nosso e do próximo. Quem vive assim, resgata o seu passado, valoriza o seu pre­ sente e, com o amparo dos Espíritos consoladores, vai se redimindo para, um dia, aqui, ou no Além, usufruir da paz e felicidade que está fazendo por merecer.

Bibliografia:

De Allan Kardec:

- O Evangelho segundo

- O

Livro dos Espíritos,

398-399.

o

Espiritism o, cap. V;

itens 218-221, 386-387, 391-392 e

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I. DEFINIÇÃO

I. DEFINIÇÃO DESENCARNAÇÃO Ao encarnar, o Espírito se liga à matéria, através de seu perispírito e

DESENCARNAÇÃO

Ao encarnar, o Espírito se liga à matéria, através de seu perispírito e sob a influência do princípio vital. Quando o corpo morre, não mais oferece condições para que o Espírito o anime. Então, há o desligamento do perispí­ rito e o Espírito, liberto, retorna ao mundo espiritual. Desencarnação, portanto, é o processo pelo qual o Espíri­ to se desprende do corpo, em virtude da cessação da vida orgânica e, conservando o seu perispírito, volta a viver no plano espiritual.

II. SEPARAÇÃO DA ALMA E DO CORPO

O desprendimento do perispírito em relação ao corpo:

a) opera-se gradativamente, pois os laços fluídicos que o ligam ao corpo não se quebram, mas se desatam;

b) processa-se dos pés para a cabeça, sendo o cérebro o último ponto a se desligar.

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Iniciação ao Espiritismo | Therezinha Oliveira

No instante da agonia, quando esse desligamento está se processando, o desencarnante costuma ter uma visão pano­ râmica, rápida e resumida, mas viva e fiel, dos pontos princi­ pais da existência terrena que está findando. Logo após a desencarnação, o Espírito entra em um estado de perturbação espiritual. Como estava acostumado às im­ pressões dos órgãos dos sentidos físicos, fica confuso, como quem desperta de um longo sono e ainda não se habituou, de novo, ao ambiente onde se encontra. A lucidez das idéias e a lembrança do passado voltarão, à medida que se desfizer a influência da matéria.

III. O QUE INFLUI NO PROCESSO DA DESENCARNAÇÃO?

O processo todo da desencarnação e reintegração à vida espírita dependerá:

a) Das circunstâncias da morte do corpo Nas mortes por velhice, a carga vital foi-se esgotando pouco

a pouco e, por isso, o desligamento tende a ser natural e fácil

e o Espírito poderá superar logo a fase de perturbação. Nas mortes por doença prolongada, o processo de desliga­ mento também é feito pouco a pouco, com o esgotamento paulatino da vitalidade orgânica, e o Espírito vai-se prepa­ rando psicologicamente para a desencarnação e se ambien­ tando com o mundo espiritual que, às vezes, até começa a entrever, porque suas percepções estão transcendendo ao cor­ po.

Nas mortes repentinas ou violentas (acidentes, desastres, assassinatos, suicídios etc.), o desatar dos laços que ligam o

Espírito ao corpo é brusco e o Espírito pode sofrer com isso, e

a perturbação tende a ser maior. Em casos excepcionais (como

Cap. 20 - Desencarnação | 3dUnidade

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o de alguns suicidas), o Espírito poderá sentir-se por algum tempo, “preso” ao corpo que se decompõe, o que lhe causará dolorosas impressões.

b) Do grau de evolução do Espírito desencarnante

De modo geral, quanto mais espiritualizado o desencar­ nante, mais facilmente consegue desvencilhar-se do corpo fí­ sico já sem vida. Quanto mais material e sensual, apegada aos sentidos físicos, tiver sido sua existência, mais difícil e demo­ rado é o desprendimento. Para o Espírito evoluído, a perturbação natural por se sen­ tir desencarnado é menos demorada e causa menos sofrimen­ to. Quase que imediatamente ele reconhece sua situação, por­ que, de certa forma, já vinha se libertando da matéria antes mesmo de cessar a vida orgânica (vivia mais pelo e para o espírito). Logo retoma a consciência de si mesmo, percebe o ambiente em que se encontra e vê os Espíritos ao seu redor. Para o Espírito pouco evoluído, apegado à matéria, sem cultivo das suas faculdades espirituais, a perturbação é difícil, demorada, sendo acompanhada de ansiedade, angústia, e po­ dendo durar dias, meses e até anos.

O conhecimento do Espiritismo ajuda muito o Espírito na

desencarnação, porque não desconhecerá o que se está pas­ sando e poderá favorecer o processo, sem se angustiar desne­ cessariamente e procurando recuperar-se mais rápido da na­ tural perturbação. Entretanto, a prática do bem e a consciência

pura é que pode assegurar um despertar pacífico no plano espiri­ tual.

IV. A AJUDA ESPIRITUAL

A bondade divina, que sempre prevê e provê o que preci­

samos, também não nos falta na desencarnação.

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Iniciação ao Espiritismo | Therezinha Oliveira

Por toda a parte, há bons Espíritos que, cumprindo os de- sígnios divinos, se dedicam à tarefa de auxiliar na desencar- nação os que estão retornando à vida espírita. Alguns amigos e familiares (desencarnados antes) costu­ mam vir receber e ajudar o desencarnante na sua passagem para o outro lado da vida, o que lhe dá muita confiança, cal­ ma e, também, alegria pelo reencontro. Todos receberão essa ajuda, normalmente, se não apresen­ tarem problemas pessoais e comprometimento com Espíritos inferiores. Em caso contrário, o desencarnante às vezes não percebe nem assimila a ajuda ou é privado dessa assistência, ficando à mercê de Espíritos adversários e inferiores, até que os limites da lei divina imponham um basta à ação destes e o Espírito rogue e possa receber e perceber a ajuda espiritual.

V. DEPOIS DA MORTE

Após desligar-se do corpo material, o Espírito conserva sua individualidade, continua sendo ele mesmo com seus defei­ tos e virtudes. Sua situação, feliz ou não, na vida espírita, será conseqüên- cia da sua existência terrena e de suas obras. Os bons sentem- se felizes e no convívio de amigos; os maus sofrem a conse- qüência de seus atos; os medianos experimentam as situações de seu pouco preparo espiritual. Através do perispírito, conserva a aparência da última encarnação, já que assim se mentaliza. Mais tarde, se o puder e desejar, a modificará. Depois da fase de transição, poderá estudar, trabalhar e preparar-se para nova existência, a fim de continuar evoluin­ do.

Cap. 20 - Desencarnação | 3â Unidade

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Que significado ou valor espiritual pode ter a vida de alguém que desencarnou ainda bebê?

Essa curta vida teve também sua finalidade e proveito, do ponto de vista espiritual. Pode ter sido, por exemplo:

- uma complementação de encarnação anterior não apro­ veitada integralmente;

- uma tentativa de encarnação que encontrou obstácu­ los no organismo materno, nas condições ambientes ou no desajuste perispiritual do próprio reencamante; ser­ viu, então, para alertar quanto às dificuldades e ensejar melhor preparo em nova tentativa de encarnação;

- uma prova para os pais (a fim de darem maior valor à função geradora, testemunharem humildade e resigna­ ção), ou para o reencamante (a fim de valorizar a reen- carnação como bênção).

Qual é, no Além, a situação espiritual de quem desencarnou criança?

É a mesma que merecia com a existência anterior ou que já tinha na vida espiritual, porque na curta vida como crian­ ça, nada pôde fazer de bom ou de mal que modificasse sua situação evolutiva, que representasse um desenvolvimento, um progresso. Mas pode estar melhor na sua conscientização e no seu equilíbrio espiritual, e, também, ter reajustado, no processo de ligamento e desligamento com o corpo, algum problema espiritual de que fosse portador (anomalias, desajustes no pe- rispírito).

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Iniciação ao Espiritismo | Therezinha Oliveira

Como são vistos os Espíritos que desencarnaram criança?

Uns se apresentam “crescidos” perispiritualmente e até já em forma adulta, pois como Espíritos não têm a idade do cor­ po.

Se desejam se fazer reconhecidos pelas pessoas com quem

conviveram, podem se apresentar com a forma infantil que tiveram. í íi Se vão ter de brevemente reencarnar, poderão conservar a forma infantil no seu perispírito, que facilitará o processo de

h nova ligação à matéria. Existem no mundo espiritual “colô­ nias” em que essas “crianças” ficam aos cuidados de Espíritos benévolos e dedicados.

VI. COMEMORAÇÕES FÚNEBRES

Variados são os costumes, idéias e atitudes que a sociedade e a religião adotam, ante os corpos mortos e os Espíritos que os deixaram.

O espírita respeita tais procedimentos, mas nem a todos

aceita; e, nos que aceita, age sempre em função da realidade

espiritual e não das aparências. Assim, o espírita:

- Nos velórios: Não se desespera; mantém-se em atitude respeitosa, pois sabe que o Espírito desencarnante está em delicada fase de desprendimento do corpo e de trans­ formação de sua existência. Não usa velas, coroas, flo­ res, pois o Espírito não precisa dessas exterioridades; mas procura oferecer o que o desencarnante realmente precisa: o respeito à sua memória, orações, pensamen­ tos carinhosos em favor de sua paz e amparo no mundo espiritual. E fraterno com os familiares e amigos do desencarnante, ajudando-os no que puder.

Cap. 20 - Desencarnação | 3* Unidade

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-

Nos sepultamentos: Não adota luxo, nem ostentação, nem se preocupa em erigir túmulos; mas lembra sempre com afeto os entes queridos já desencarnados e procura honrá-los com atos bons e carinhosos em sua homena­ gem.

-

Ora sempre pelo bem-estar e progresso espiritual dos desencarnados, mas sabe que não é indispensável ir aos cemitérios para isso, porque o Espírito normalmente não ficará preso ao túmulo e as nossas vibrações o alcan­ çam, onde quer que ele esteja.

VII.

CREMAÇÃO DE CADÁVERES;

TRANSPLANTES DE ÓRGÃOS

O corpo é uma veste e um instrumento muito valioso e útil para o Espírito, enquanto encarnado. Depois de morto, nenhuma utilidade mais tem para o Espírito que o animou. Poderá vir a ser cremado ou lhe serem retirados órgãos para transplantar em quem os necessite, sem que nada disso traga nenhum prejuízo real para o Espírito desencarnado. Pensam alguns que se o seu corpo for queimado ou lesado, haverá prejuízo para a sua ressurreição no mundo espiritual. Entretanto, não é o corpo material que continua a viver além- túmulo nem é ele que irá ressurgir, reaparecer, mas sim o espí­ rito com o seu corpo fluídico (perispírito), que nada tem a ver com o corpo que ficou na Terra. No caso de cremação, é recomendável um intervalo ra­ zoável após a morte (Emmanuel diz 72 horas), a fim de se ter maior segurança de que o desligamento perispiritual já se com­ pletou. No caso de doação de órgãos, basta que as pessoas se acos­ tumem com a idéia de a fazerem de boa vontade e estejam bem esclarecidas a respeito. Encarnados doam órgãos por amor

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Iniciação ao Espiritismo | Therezinha Oliveira

para ajudar alguém, e não receiam nenhum sofrimento ou inconveniente que isso lhes traga. Por que não doar órgãos depois de estar morto o nosso corpo, quando eles já não nos servem mais nem sofreremos quando forem retirados do cor­ po que houvermos abandonado?

Bibliografia:

De Allan Kardec:

- A G ênese, cap. XI, itens 18-22;

- O

Livro dos Espíritos, itens 68, 149-165, 197-199 e 320-

329.

De Ariovaldo Cavarzan e Geziel Andrade:

- O Regresso (O Retom o tismo).

De Ernesto Bozzano:

- Experiências Psíquicas no

- N a Crise da M orte.

à V ida Espiritual segundo o EspirL

M om ento da M orte;

De Marlene Nobre:

- N o ssa Vida no Além.

De Richard Simonetti:

- Q uem Tem M edo da M orte?

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ir I C A P í T U L PROVAS E EXPIAÇOES As tribulaçôes que enfrentamos

I C A P í T U L

PROVAS E EXPIAÇOES