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EDITORA 34 rors 34 Leda Ros Hingria, $92 Jardim Earope CEP 01455-000 lo - SP Brasil Telex (11) 3816-8777 www.edivora34.com.br ra coxtou com 0 spoio do Goethe-fnsinar, ‘Tilo orginal: Ristkogetellschaf: auf dm Weg in eine andere Moderne Prepsracio: Luciano Gatti Revisfo: Mell Bries 1 Baigho - 2010, 2° Ealigdo -2011, (CHP - Brasil. Cotalogasio ne Fonte Jo Ministrio das Relagées Exeriores de Alemarho. SOCIEDADE DE RISCO 7 ut Primeiza p No vurcko crvmizatoxio: 05 CONTORNOS DA SOCIEDADE DE RISCO .. 2 1. Sobre a lgice da distri da dstribuigo de riscos 2 2. Teosia politica do conhecimento da sociedade de isco a Segunda parte INpIVIDUALIZAGRO DA DESIGUALDADE SoctAt: SOBRE A DESTRADICIONALIZAGHO DAS FORMAS DE VIDA DA SOCIEDADE INDUSTRIAL. 105 3, Para além da classe edo estrato... 13 4, Ea sou eur sobre o um sem 0 outro, 149 189 6. Despadronizaco do teabalho a sobre 0 futuro da formacio 203 Teresa parte Mopennizagio nertexva: SOBRE A GENERALIZAGKO Da CHNCIAE DA POLITICA un. 229 7, Gitacia para além da verdade e do A propésito da obra Pobre em catdstrofes histéricas este século na verdade ndo foi: duas Harrisburg e Bhopal, ¢ agora ‘Cheraobyl, Isso exige preceucZoma escolha das palevras ¢ agusa o olhar para singulatidades histéricas, Todo 0 softimento, toda a miséria etoda a violéncia ue sores humanos infigiem «seres humans entéo reservados & , as prdprias quatro paredes — ateés das quais aqueles que aparentemente nfo eram afetados podiam: colber. Isso tudo continna 4 existir e, ao mesmo tempo, desde Chernobyl, deixou de exist. F. firs dos “ou vadas possibilidad lencia€«violéocia do petigo, que suprime todas as 2onas de protean e todas as diferenciagdes da modemidade. Essa dindmica que suprime ay fontezas do perigo nfo depende do grau as medi;Bes | afo fits sob a gulhotina da consernagao general atdnissio de una contaminagio nuclear perigosaequivale&adissio da inexistincia de qualquer saida pos 20s. Sobzeviréncia ¢ {te)conhecimento do perigo se contradizer, E ‘esse fato que toma a disputa em torno de medigdes, valores iéximos acei- ‘reise efeizos de carto ¢ longo prazo, algo candente pea a prépria existéa- S6 precisamos nos perguntar uma nica vez 0 que é que de fato poderia feito diferente se houvesse ocorrido uma contaminaslo do ar, da da fauna e dos seres humanos que alcancasse, também segundo pa 08 oficiais, uma propatcio acentuadamente perigosa. Neste cas0, a vida — respirar, comer, beber — seria interrompida ou restrita por uma Apropésito daotea 7 edo com variiveis “fatalistas” como vento, ia em relagio 20 local do acidente ete), & ir- nada? Podem (grapos de) paises ser mantidos em: ‘quarentena? Desencadeia-se um caos interno? Ou entio, mescno num caso desses, tudo acabaria precisando acontecer como aconteceu em Chernobyl? Perguntas como estas revelam o tipo de suscetibilidade objetiva aa qual 0 isguéstico do perigo coincide com a sensacio de inetutavel desamparo dian- te dele, ‘ure social em razio de suas prOprias escolhas e esforgos, emerge umm novo tipo de destino “adscrito” em fungio do perigo, do qual nenhum esforce permite escapar. Bste se assernelha mais ao desti ental da dade ME- dia que as posigées de classe do século XIX. Apesar disso, ndo se vé nele @ desigualdade dos estamentos (nem grupos mazginais, nem diferenga eatre ‘campo e cidade ou de origem nacional ov étaice, e por af afora). Difecente dos estamsentos oui das classes, ele nfo se encontra sob a égide da necessida- de, e sim sob 0 signo do medo; ele no € um “resicuo tradicional”, mas um produto da modernidade, partcularmente em seu estigio de desenvolvimento sais avangado, Usinas nucleares — 0 auge das forgas produtivas ¢ criativas humanas— converieram-se também, desde Chernobyl, em simbolos de uma moderna Idade Média do perigo. Blas designam ameacas que transformam 0 individualismo moderno, jé levado por sua vez ao limite, em seu tnais ex tzemo contrizio. Os zeflexos de uma outra €poca ainda estdo muito vives: como poderci , uma dependéncia experimentada em meio & ameaga e que suspeadeu todos 0s nosos conceitos de “emancipacio” ¢ “vids jonalidade, espaco e tempo. Longe daqui, no oeste de Unio a, de agora em diarte, em nosso entornd préximo, aconte- —tiada deliberado ou agresivo, na verdade algo que de fato cvitado, mas que, por seu cardter excepcional, também ¢ normal, ou mais, éhumano mesmo, Nao & 2 falha que produz « catéstrofe, as o¢ sistemas que traxsformam a frurnandade do erro em inconcebiveis Forgas destrutivas. Para a avaliagdo dos pecigos, todos dependem de insera- smentos de mediclo, de teoriase, sobretudo: de seu desconhecimento — ince 8 Sociedade de siseo sive os especialistas que ainda hé pouco haviem anunciado o império de 10 ‘mil anos da seguranga probai at6mica e que agora enfatizar, com uma seguranga renovads ¢& 3. que © perigo jamais seria agudo. Em tude isso, destaca-se 0 peculier amélgama de natureaa e sociedade pot meio do quel o perigo passa por cima de mudo o que Ihe poderia opor resiseéucia, De safda, o hibrido da “mvem atbmaica” — essa forza da civiliza- ‘fo invertida e convertida em forga da natureza, na qual bise6ria ¢ fendme- to atmostérico extram numa comunhéo tio paradoxal quanto avassaladorz, i havia erguido muros ¢ aren ferpe- ido isso para proteger suas fronteiras. ainda por cima chuva — que azarl —, eff se cevele a fuelidade de tentar proteger a sociedade da natuceza con- ‘taminada e joger 0 perigo nucleas para o “outro” do “meio ambiente”, ‘qué pot um instante chegou a esmnagar nosse forma impoténcia do sistema industrial mundial diante da te integrada ¢ contaminada, A oposicdo entre na- ‘ureza e sociedade é uma construgio do século XIX, que serve ao duplo pro- posito de controlar jgnorar a naturera. A nanureza foi subjugada e explo- ada no final do século KK e, assim, transformada de fendimeno externo em interno, de fenémeno predeterminado em fabricado. Ao longo de sua trans- Formagio tecnolégico-industral e de sua comercializagio global, « natureza foi absorvida pelo sistéma industrial. Dessa forma, ela se converte, 20 mes- mo tempo, em pré-zequisito indispensével do modo de vida no sistema in- dustrial. Dependéncia do consumo e do mercado agora também significam uum novo tio de dependéncia da “natureza”, ¢ essa dependéncia imanente da “namuceza” em relasiio ao sistema mercantil se converte, no € com o sis- tema mercantil, em lei do modo de vids na civilizacdo industrial. saa, apcendemos a construir caba- bas ea acumular conkecimentos. Diante das emescas da segunda natureza, cescondem-se por toda a parte e junto com o que bé de mais indispensével 8 mmésticos —, atravessam todas tego da modernidade. Quando, depois do acidente, agbes de defesa e prevengio jé nfo cabem, resta (aparen- ‘temente) uma nica atividade: desmentir, um apaziguemento que gera medo A peopésitn de obra ’ € que, essociado ao gran de suscetiblidade generalizada condenads & pass fy alimenta sua agressividade. Essa atividade residual, diante do riseo encontra na inconcebibilidade e impercepti- bilidede do perigo seus cimplices mais eficazes tacioaalidade centifica ruem, Governostombam. E tudo isso sem que a suscetbilidade das peas ver com suas agbes, ou suas ofensas com suas realizagées, € a0 mesmo tem- po em que a realidade segue inalterade diante de é fim do século XIX, 0 fim da sociedade industrial eldssica, com soberania do Estado Nacional, aurometismo do progress, classes, principio do desempenho, naturera, reali 0 discurso da sociedade {in te nesse sentido — enunciado hi de modo ainda argumentetivo — a indis- sdéncia do saber, sue suprénacionalida- i "a madanca repentina da normalidade em bsurdo ets. —, pode sr lide apés Chernobyl como ama trivial descrigdo do presente ‘Ah, pudesse ter continuado a sera evocagao de um furuco ser evitado! Ulrich Beck Bamberg, mato de 1926 10 Sociedade de ico Prefacio tema deste livr0 € 0 discroto piefino “pés”. Ele é a palavra-chave de sosta época. Tudo é “péa", Ao *pé-industialismao” jd uns acostumamos hé lo. Passado mais “pés” — amos, em verborrégica e obtusa ada. Uma ver que estes velhos ha mim também, por vezes que tive que pér para correr as objesées que faco a mim mesmo. Alpumas ‘Passagens poderio, assim, acabar soando estrideates, precipitadas ou exces- sivamente irGnicas, A usual ponderagdo académica, contaco, nfo bastaria pata escapas ao campo de gravidade cio hist6tica, pode-se dizer que foram escritos com a mesma perspectiva de tum observador do cendrio social no inicio do século XIX, que buseasse, por Peeficio n a repcesentatividade das argumentosindicaria uma allanga como passado e _acabaria obstruindo o olhar voltado para um fururo que j comera a despon- tar no horizoate do presents. Nesse sentido, este live contémm um pouco de tcoria social prospect, empiricamente orientada — mas sem todas as sal- -vaguardas metocoligices Ele se apoia na avaliagdo de que somos testemunkas oculares — sujcitos equilibrio entre as comadss de continuidade ¢ cesura na modernidade, qc se zefletom mais uma vez nas oposigdes entre modernidade e sociedade ‘industrial e entre sociedade industrial e sociedade de tisco. O fto de que essas difecenciagBes de época ainda hoje continuam ocorrendo na realidade €0 que pretendo mostrar neste liveo. Sobre como se deve diferencié-les detalhads- mente € algo que vereros a partir de propostas de desenvolvimento social 0 posta ser obtid, é preciso que A incerteza teética correspond: & ram ao esclarecimento, tal como ele se a pritica, Aqueles que se agas- ta em suas premissas do século ‘XIX, com o intuito de contrapor-ce 20 assalto da “izracionalidade do espiri- to do tempo, sfo peremproriamente contrariados, da mesma forma como aqueles que querem deixar que todo o projeto da modernidade, bem como ‘as anomualias que se acumulam, escoe tio da histéria ebsixo. ‘Nada resta a acrescentar 20 panorama assustador, sufcientemente di- fandido por todos os setores do mercado de opiniées, de uma cvilizagfo que amesca 2 si mesma; menos ainda 3s manifestagbes de uma Nova Perplexi- dade, que se extraviarem das dicotomias ordenadoras de um mundo do in- dustzialismo ainds “intacto” mesmo em suas contradigSes. O presente livro trata do segindo passo, daquele que se segue a iss0, Ele eleva esse pr6prio estado de coisas 2 objeto de explicagio. Sua questio é como & possvel en- tender © compreendec, em um pensamento sociclogicamente informado © ser mais facilmente exposta em uma analogia hiseérica: assim como culo XIX a modernizagio dissolves a esclerasada sociedade agriri mentale, 20 depuré-la, extrain a imagem estrutura da sociedad industrial, hoje a modernizagio dissolve os contornos da sociedade industrial e, ma con- tinuidade da modernidade, surge uma outra configuragdo social. Os limites desse analogia aportam simultancamente para as peculiari- dades dessa perspectiva. No século XIX, a modemnizagio se consumo contra © pano de fundo de sex contrério: um mundo tradicional e uma natureza que cabia conheces ¢ controlar. Hoje, na visada do século XXI, a modemizagio consume e perdeu seu contrério, excontrando-se sfinal asi mesma exa meio deseacantamento, hoje €o entendimento cientfico etecnolégico da industrial cléssica que passa pelo mesmo processo — as fo tcabalho na familia nuclear ¢ na profissdo, os paptisimodelo abordada por meio dae sec completamente imprevi cicindustrial serdo extintas a0 longo dessa recSm-iniciada eacionalizaco de segundo grat, jf se pode supor com algum fandamento que isso vale inclu- sive para “leis” aparentemente pétreas, como 2 da diferenciagZo funcional ‘ou da produgio em massa baseada na estrurure fabei, cleigGes democeéticas). B els vai mais longe ao afiemar que o ce timodemista” que atualmente inquieta 0 mado — critica da tecnologia, do progresto, novos movimentos socials — nfo contradiz 4 mo- moe 3 dermnidade, mas representa a expressio dle sea desenvolvimento ulterior, para : da sociedade industrial. geral da modernidade contrapse-se a suas incrustagies € jeto da sociedade industrial. O acesso 2 essa visdo ¢ bloquea- redagies do por um mito renitente, acé hoje pouco conhecido, ao qual o pensamento social no sécslo XIX se via fundanseatalmentepreso e que ainda continua @ langar suas sombras sobre o final do para além do que nada de razofvel existe que possa sequer ser mencionado. Esse mito tem muitas manifestagées. Entre suas modalidades mais eficazes, encontra-se 0 despropésito a respeito do fim da hist6ria social. Em varian- tes otimistas e pessimiscas, ele fascine justamente o pensamento da época ex que o perpetuado sistema de inovaglo comeya ase renovar gracas& dindmi- ca liberada nele mesmo. B por isso que sequer podemos conceber a possibi- lidade de uma transformac3o da configurasao social na modemidads, pois 08 teéricos do capitalismo socioindustrial convecteram essa configuracio histérica da modernidade, que em espectos. seu oposto no século XIX, em algo apriorfstico. Na pergunta, Kant, pelas condigées de possbilidade de sociedades modernas, 0s histori- ‘cemente contingentes contornos, linhas de confit e princfpios fancionais do capitalismo industeial foram elevados a condigbes necessérias da moderni- itncia — € 96 mais uma evidencia disso, ‘Mais urgeate do que nunca, precisamos de esquemes de interpretagdo ‘que nos fasam — sem nos lancar equivocamente 2 eterna e velba navidade, istas de novos conceitos, que jé se mostram em €cpreendimento diffe Para uns, soa a “mt dance sistémica” ¢ cai na area turva de comperéacia dos servigos de inveli- facia. Outros se encapsnlaram em couvicyées imevogéveise, diante de uma fidelidade 20s prinefpios sectérios susteatada mesmo contra 0 impulso mais 6 Sosiedede de seo ivo, especializac%o —, comegam agora a se bater contra tudo aqui- ‘bra o cheiro da dissidéncie extravieda. disso ov por isso mesmo: 0 mundo ado esté acabando, fo porque o mundo de século KIX esti acabando. Apesarde g sum exagero. E sabido que 0 mundo socal do séeulo XIK jam: vel. Muitas vezes ele jé ruiu — em pensamento. Na yerdade, er. Vivenciamos atual- familiares daj “clés. ‘cozinha e a0 quarto de commiz. Ou seja, o que hé muito tempo foi previsto acontece. B, apesar de tudo, acontece com um a dedos —algo entre meio sécule e um século ints 30, vivenciamos também — para zlém da antecipasdo literirie —0 fata de que é preciso continuar vivendo depois disso. Vivenciamos, por possivel que.uma era fnveira escorcegue para um expago stvado além das categocias atnis,sem que cssealém sje antes peccbidoe demarcado como a ‘procurar-se-4 retomar 0 fio do ponsamento hist6cico-social e estendé-lo para além da conceptuslidade da sociedade industrial (em todas as suas variant modemizagio reflex Ge riqueza domina a “l6gica” da producto de riscos, na sociedade de risco ssa relacdo oe inverte (Primeira Parte). Na reflexividede dos processos de modernizacio, 2s forgas produtivas perderam sua inocéncia, O acimmulo de poder do *progresso” tecnolégico-econdmico & cada ver mais ofuscado pela Peeicio 1s produgdo de riscos. Estes somente se deixam legitimar como “efeitos co- i Com sua universalizacio, ex piiblico « investigagao (anti ‘mem um significado novo ¢ fe seree humanos. Hes j6 no podem — como os ris no século XIX ena primeira metade do século XX: ficamente ou em fangdo de grupos especifcos. Pelo coat rica social e alin (Capfeulos 1 & cionais e iedependentes de classe. [Essas “ameagas sociais” e eu potencial cultural ¢ politico so, entretan- faz surgic ameacas globais swpraa to, apenas um lado da sociedade de tisco. O outro lado passa 2 ser visivel quando sio inseridas no centro da questo as contradigBes imanentes entre modernidede e contramodernidade presentes no plano geral da sociedade industrial (Segunda e Tecceira Partes): por um lado, a sociedade industrial & definida como sociedade de grandes 130 sentido de una sociedade de claszes on camadas sociais, isso outer, hoje ¢ para todo 0 sempre. Por outro ldo, as clases sociais pesmanccam depeadentes da validade de culturas e tradigBes aociais de classe, que slo justamente destradicionalizadas a0 lon- go ds modernizacio do Estado de Bern-Estar Social no perfodo de desenvol- lado, a faraia nuclear se apoia em alocagiies “estamentais sgéneco para homens e mulheres, lgo que se frgiliza justamente na dade dos processos de modemmizacio (integragdo das mulheres n2 educacdo eno mercado de trabalho, cifras crescentes de divércios etc.). Desse modo, talizagio tdotadas hoje em dia tim ex vita preisatente oe fandamentos do eequeme ordenador associado a ela flexibilizagbes da jornada e do local 1% Sociedade de sce de teabalho diluem as fronteiras entre trabalho € 6cio. A microsletrGnica permite reconectac stoves, empeesas ¢ consemidores a despeio dos eetorcs sistema eripeegeticio s2o *modemizadas go em massa é “integredo” eo sisters *subemprego plural” — com todos os {Capitulo 6) Por'um lado, na sociedade indusclal a ciéncie€ instinucionalizadac, com cla: também a divida metddica, Por outro lado, essa divida €(inicialmente) limitada & dimensao exte: investigados, enquanto os Funds- ments ¢ resultados do trabalho permanecem protegidor contra 0 ‘oportunidades implicados do “propresso” mantém-se na esfera de competéncia da economi cia eda tecnologia, em decorréncia do qual garantias democrétic cvidentes acabam Sendo suprimidas, Na coatinuidade dos proc ‘sso se toma problemético quando — em vista de forsas tivas potencializadas e arriscadas — a subpolitica iver subtraido & politica © papel dominante na configaragio social (Capitulo 8). pela reflexividade des 1 a5 itritacGes de époce dameatos da transformacto. Para poder chegar 2 conceber isso pressupos- 0 que a imagem de sociedade industrial seja evista. Segundo seu plaxo ge- ral, ela é uma sociedade semimoderne, cuja conjugeda contramodernidade Proticin wv nio é algo antigo ou tradicional, mas construto ¢ produto socioindustriais. A imagem estrutural da sociedade industrial se epoia em ume contradigfo entre o contetido universal da modemidade ¢ a malha funcional de suas ins- tubes, nas quas ela pode ser implementa soment de modo particular eet lo guise, post ‘modeenidade — semelbante ao que ovorvera na era da Reforms, quando elas foram *dispeasades” dos bracos seculares da Ince para abragar a sociea- mosbes assim desencadeadas comp6em o outro lado da sociedade 0. O sistema de coordenadas 20 qual a vida e 0 pensamento estdo su- jeitos na modernidade industrial — os eixos da familia e do emprego, a crenga ba ciéncia eo progresso — comeya a camnbilear, surge um novo creps- chegado apenas a um novo estégio intermediério. Isso evidencia ainda mais © caréter processual da argumentacio e de maneira alguma de ser enten- ido como cheque em branco para argumentos contrérios. Nisso encontra- 40 leitor a vantagem de poder ponderar cada capinulo também isoladamente ou em qualquer outra, ordem e demandar conscientemente 0 préprio en volvimento, oposigdo e cominuidade. Praticamente todas as pessoas préximas a mim foram confrontadas em algum momento com extensas verses preliminares deste cexto ecom a soi- >, no pode ser suficentemente estimads, nem no texto e nem aqui no precio. Ela se tornou para mim uma experitacia mosivadora sem prece- eases. Varias partes deste livro sio lteralmente pligios de conversas pes- ada rotiniro, pelasideias vividas ema co- ‘Maria Rertich, por muitos impulsos de -ados processamentos de material; Renate lcctual celestialmente contagiosa e por suas 48 Sosindede de sco inspiradoras visbes; Wolfgang Bonk, por coaversas especulativas coroadas de éxito sobre praticamente todas as partes do textos Peter Berger, pela fa deixada a mim de registrar por escrito sua prestativa contraciedades ‘edo de material bibliogrdfico ¢ bancos de dadoss Angelika Schacht e Gertinde Mallet, por a confabilidade ¢ sen enmmsiasmo 20 conrbis com a conep- gfoe a escrita do texto. Também pude contar com notivel encorejamento de meus colegas Karl Martin Bolte, Heinz Hartmann ¢ Leopold Rosenmayr, O que ainds res- tar de repetigdes © imagens inadequadas no texto, declaro serem sinal de imperfeigio deliberada, Nao se equivoca quem acreditar perceber aqui e ali entce 08 linkes 0 ciatilar de um lago, Largas porg6es do texto foram es ‘bre uma colina as margens do lago Staraberger, com set Assim, virios comentériosfeitos pela nz, pelo vento ou pelas nuveos de teabalho pouco asual — ‘ido por um céu quase sempre radiante — foi possibilitado pelo cuidado bospitaleiro de sre. Rub de soda aoe fami, que fzeram.com que ‘0 6cio sem o qual 2 aventura deste sem qualquer etribuigio de culpa por specialmente 0 € supor- iplados também aqueles que no perturbaram mex taram meu siléncio, Ulrich Beck Bamborg/Manigue, abril de 1986 PRIMEIRA PARTE No vulcdo civilizat6rio: os contornos da sociedade de risco capiruio x Sobre a Iégica da distribuigéo de riqueza e da distribuicao de riscos Na modemnidade tardia, a prodagto social de riqueza € acompanhade sistematicemente pela producio social de riscos. Consequentemente, aos pro- blemas ¢ confitos distibutivos da sociedade de escassez sobrepdem-se os problemas e conflivs surgidos a pactr da produgio, definigao e distibuizo de riscos cientfico-tecnologicamente produzidos, da distribuiso de riscos na modernidede tarda esté I s¢ pode econhecer ataalmente —, quando e da em que, através do nivel alcangado pelas forgas produtivas bismanas etec- nol6gicas, asim como pelas garantiase rogvas juridicas e do Estado Social, € objetivamente redurida e soctalment:isolada a aténtica carbcia material, ‘Em segundo lugar, ssa mudanca cetegorial deve-se sitausaneamante ao fato de que, a xeboque das forgas produtivas exponencialmente crescentes n0 pro czss0 de modernizagio, sio descacadeedos rscos e poteaciais de autoameasa numa medida até entio deseonhecida.? ‘Na medida em que t6rico de pensamento e lativizado ou recoberto por um outro. O ‘conceito de “sociedade industria!” ou “ce classes” (ae mais ampla vercente Sobct 2 ligies da ditibuigia de iquere 2 fomo da questio de como a riquera socialmente tribuida de forma socialmente desigual e ao mesmo o coincide com o novo paradigma da sociedade de ris lamentalmente na solugéo de um probleina simsilar € 10 entanto inveirame Como & possivel que as ameagas €riscos sis- tematicamente coproduzidos no processo tardio de modernizavio sejam evi- tados, minimizados, dramatizados, canalizados c, quando vindos & juz sob + forma de “efeitos colateraislatectes™ isoladose redistribuidos de modo tal {que nfo comprometam o processo de modernizago e nex as fronteiras do aque é (ecol6gica, medicinal, psicoldgica ou socialmente} “accitavel"? ‘Nao se trata mais, portanto, ou ndo se trata mais exelusivamence de urna alizagio econ®mica da nanareza para libertar as pessoas de sujeigfestradi- Cionais, mas também ¢ sobretudo de problemas decorzentes do préprio de- senvolvimento téenico-econémico. O processo de modernizacio torna-se "paflewivo™, convercendo-se a sisnesmo em tema e problema. As questSes do desenvolvimento ¢ do exprego de tecnologias (no émbito da natureza, da sociedade e da personalidade) sobrepdem-se questies do “manejo” politico t cientifico — administcagao, descoberta, integracio, prevensio, acober famento — dos riscos de recaologias efetiva ou poteacialments empregiveis, cendo em vista horizontes de relevancia a serem especificamente definides. ‘A promféssa de seguranga avanga com os riscos ¢ precisa sec, iante de ume ‘sfera pblice alerta e critica, contiauamentereforcads por meio de interven g6es cosméticas 04 efetivas no desenvolvimento téenico-econdmico. ‘Ambos os “pacadigmas” de desigueldade social estio sistematicamente relacionados a fates eapecificas do processo de modernizagao. A distibuigdo «oF confltos dstributivos em tomo da riqueza socialmente produzida ocupa- 40 o primeiro plano enquanto em pafses esociedades (atualmente, em gran- de parte do assim chamada Texceiro Mundo) 0 pensamento ea aco das pes sods forem dominados pela evidéncia da caréncia material, pela “ditadura da cscassea”. Em tais circunstincias, na sociedade da escassez, 0 processo de mor satra-se¢ consuma-se sob a pretensio de abrir com as chaves to cientffico-tecnol6gico 08 portdes que levam as recéndi- ueza socal. Essas promessas de liberta;io da pobreza © da sujcigdo imerecidas extdo na base da ago, do pensamenso ¢ da investigagio ‘com as caregorias da desigualdade social, abarcando, na verdade, desde @ Jedade estratificada, até a sociedade sociedade de classes, passando pela individualizads. ‘Nos Estados de Ben Estar eltamence deseavalvidos do Ocidenre, ocorre tum processo duplo: de um lado, « luta pelo “plo de cada dia” —em com- 4 No walefo dizateio paragio com a subsisténcia material até « primeica metade do século XX ¢ com o Tereciro Mundo, ameasado pela forme — deixa de ter a urgéacia de tum problema basico que langa sombre eobce tudo 0 mais, Em lugar de forme, srurgem, para mouitas pessoas, os “problemas” do “excesso de peso” (sobre o problema da *nova pobreza”, ver pp. 133 ss), Deste modo, porta, pro- casso de modernizacdo & privado de seu fendemento de legitimidade até ex to vigente: o combate & misé em razio d ana a azcar com certos efeitos colat para superar a misérie. Essa pégina negra, além do mais, ganha em impor- ‘ncia com o superdesenrolvimento das forgas produtivas. No processo de modemizagio, cada ver mais forgas destrativas tainbém acabam sendo de- sencadeadas, em tal medida que a imaginecio human: Giante delas. Amabas as fontesalimentam uma crescents ‘Go, que, ruidosa e conflitivamente, define os rumos das discussdes publicas. ‘Azgumentando siscematicamente, cedo ot tarde na histéria so ‘gama cocvergir na continuidade dos processos de modernizagdo as situagbes os confltos sociais de uma soci ibuiriqueze” com os de wma sociedade *que distribuiriscos”. Na Replica Federal, encontramo-nos — cesta é minha tese—, pelo menos desde os anos setente, no infcio dessa transi- «40. Quer dizer: sobrepem-se aqui ambos os tipos de temas econflites. Ain- da rdo vivemos numa sociedade de risco, ns tampowco somente ex meio a conflitos disributivos das sociedades da escassez. Na tiedida em que essa si 0, com efeto, uma transformacéo social aque se distancia das categorias. iruais de pensamento e aso. Oconceito de rico terare ortinca socio-histérica que the € aqui assinalada? Nao oe trata de um fea’meno origindrio de qualquer ago humana? Nao serio os riscos justamente we marca da eza industeial, em selagio & qual deveriamn see nesse caso isolados? & certo que os riscos no io uma inveagio modems, Quem — como Colombo —saiu em busca de no- -vas terras e continentes por descobeie assumit riscos, Estes eram, por, r8- cos pessoais,< nao sinuacbes de arseaca global, como as que surgem para tos a humanidade com a fisséo auclear ou com o actimulo de lixo auclear. A palevra “risco” tink, no contexto daquels época, um torn de ousadia e aven- ‘ura, ¢ néo 0 da ps “Tambén as florestas sio desmatadas hd muitos séculos —inicialmente acravés de sua conversdo em pastos ¢ em seguida através da exploragio in- Sobre éxice da distbulgto de auexa 35 ‘consequente da madeira. Mas o desimatamento contemporéneo acontece glo- Balmente — ¢ na verdade como consequéncia implicta da industrializagao — com consequéncias sociais¢ politicasinteicamente diversas. S40 afetados, por exemplo, também ¢ especialinente paises com axipla cobertura florestal (como Noruega e Suécia), que sequer dispéem de muitas indtstxias poluentes, sas que tém de pagar pelas emissdes de poluentes de ontros “Hig relatos de que marujos que caiam no Témisa no século XIK mortiam do afogados, mas intoxicados pelos vapores e gases t6xicos dessa cloaca Jondrina, Também um passeio pelos becos est deveria ser 0 = deter 0 nariz acoitado. fe uma cidade medieval ios atuaistipicamente escapam & percepcio, sobretado ns eslea das fbrmulasSsco-quimicas (por exeap alim iscos da moderizagio. Sio um produto de série do ma- dustrial do progresso, sendo sistematicamente agravados com set. —preadea a respiracio do sfeulo XIX. “Riscos de. ala” a saiide” jé cdo ha muito tema de proceso sim, aos rscos que em seguida serdo abordados era detale e que hi eliuuns anos inguietam © péblico coxzespo espeito & comodo que produzem, ees ji nio que foram gerados — a fibrica. De acordo coi smeagam a vida no planeta, sob todas as suas formas. Comparades com isto, os tiscos profissionais da industralizacio priméria pertencem a uma outra era. Os 26 No wuleto civiizatécio sa civilizatbcia sio o mais importante aqui. A argumentagéo pode ser ante- cipeda em cinco teses: (1) Riscos, da maneice como sio produsicos no estégio mais avancado do desenvolvimento das forges prodtives — refiro-me, em primeira linha, a radicatividade, que escapa completamente & percepedo human: causais, apresentan-se portanto tio somente no conhecimento (cieatiico ou saticientfico) que se tenha dees, podem ser alterador, diminuf tados, dramatizados ou minimizados no ambito do conhecimento ¢ estio, assim, em cerca medida, abertos a processas sociais de defimigo. Dessa for- re, instruments e posigoes da definigdo dos sscos tornam-se posigBes have em termos sociopoliticos. (2) Coma distribuigao e o incremento d 5, Sugem situagbes so- cizis de ameaga. Estas acompanbam, na verdade, em algumas dimensées, a desigualdade de posigdes de estrato e classe socias, fazendo valer enzetan- to uma légica distibutiva substencialmente distinta: o¢ ziseos da modecni- zacio cedo ou tarde acablum alcancando aqueles que os produziram ou que lucram com eles, Eles contém um efeito bumierangue, que implode o esque za de classes, Tempouco os rcos e poderosos esto seguros diante deles. sto nfo apenas sob a forma de ameagas a sade, mas também como ameasas i ‘esto tempo, os riscos produzem noves desnbeis intermacionais, de um lado entre © Terceiro Mundo e 0s paises in prios paises industeiais. Bles esquiv Estado Nacional. Diante da universal x0 de poluentes, a vide da folha de grama na floresta bavara passa a depen der da assinatura ¢ implementacio de acordosintemacionais, Sobre lgica da discigho de sigueza 7 (8) Ainds assim, « expantZo ¢ a mercantilizaclo dos riscos de modo al- gem romper com 2 idgicecapitalista de desenvolvimento, antes clerando-a big business. Eles so as ‘autoproduatvel, Com os riscos: nomia tomna-se “autorrefe das necessidades humanas, [sto significa, porém: com a canibalizaglo eco- ‘némica dos rscos que sio desencadeados através dela, a sociedade industrial pproduz as situagées de ameaga e 0 potencial politico da sociedade de risco. (4) Riquezas podem ser possuidas; em relacio aos risces, porém, somos afetedos; a0 mesmo tempo, cles slo airibuidos ex terinos cvilizat6rios. Di- 10 de forma iperbélica e esquematica: em situagées relatives a classe ou ca ‘mada social, a consciéncia € decetminade pela existéncia, enquanto, nas si- raagies de ameaca, é « consciéncia que determina a existincia. O conheci- ‘menzo adquire uma nova relevancia politica. Consequentemente, o potencial politico da sociedade de risco tem de se desdobrar e ser analisado numa 60 Cologia e numa teoria do suryimento e da disseminaglo do conbecimento ialmente reconhecidos, da maneira como emergem clara~ ver, no exemplo das discussBes em tomo do desma tamento, contém um peculiar ingredicnte 4 pouco era tido por epolitico torna-se pol processo de industrializagao, Subitamente, a € te dlaro, ness caso, do que realmente se trata a dispute definit dos riscas: néo apenas dos problemas de saiide resaltantes par: politico das catéstrofes. Sua prevengao ¢ scu manejo podem atabar eavel- ‘vendo uma reorganizagdo do poder e da responsabilidade. A sociedade de isco € uma sociedade catastréfica. Nele, o estado de exceséo amcage con vverter-se em normalidade. 8 No maleic ciilzrério x, DISTRIBUIGEO DE POLVENTES DE ACORDO Com AS CIENCIAS NATURAIS E SITUAGOES SOCIAIS DE AMEAGA ‘A discuss eat toro do teor de poluentes e toxinas no ar, na égua enos alimentos, assim como em: torno da destruicio da netureza edo meio ambien- te em geral, ainda € exclusiva ou predominantements conduzida de acordo com categorias « formulas das céncias naturais, Desse modo, permanece in- cégnito o fato de que 6 inerente 2s “féemules de pauperizagio” das citncias naturais tima relevancia social, enlearal e politica. Em decomrtncia, persste 0 periga de que uma discussio ambiental conduzida de acondo com catego- tas quimico-biol6gico-técnicas acabe sendo involuntariamente levada em consideragdo pelas pessoas unicamente como um mero dispositive orgaitic. Desse modo, porés, ela & ameacada pela sobreposicio do equtvoco oposto ‘20 equivoco pelo qual ela, com razao, repreendis 0 renitente otimismo com, 0 progresso industrial: atofiar-se nama dscussio da naturera Som serharna- so, sem questonar sen setido secialeculearal,Foram justamente as diseus- ‘argumentos exticos em expandido e representa e naturalists, Elas es- gotam-se na comutagio e invocagdo de substiincias t6xicas no ar, na agua ¢ xos alimentos, coeficientes de crescimento demogratfico, consumo de energia, caztacias alimencares, insuficiucia de matésias-primas etc, com um tal ar- dor ¢ incontrastabilidade, como se jameis tivesse hevido algaém — urn cer- to Max Weber, po: exemplo— que houvesse perdido seu tempo demonstran- do que, sem a integracio das estrazuras sociais de poder e de distribuigéo, das Dburoeracies, das normas ¢ racionalidades vigentes, isto tado seria razio ou absurdo, ou provavelmente ambas as coisas. Furtivamedate, insinuou-se ume concepgi segundo a qual 2 modernidade reduzida ao arcabougo da tecno- logia e da natuzeza no sentido de perpetradore vitima. Assim abordada, e5- capam a essa ideia (também vipica do movimento ambientalistz) os conted- dos econsequéacias sociais, politicos ecultucais dos riscos da modernizasio. ‘ustremos com um exeraplo. O conselho de especialistas para questOes ambientais aficm em sea laudo que “no lete materno sio frequentermente en contrados beta-hexaclorocidohexano, hexaclorobenzeno e DDT em ‘ragbes consideréveis” (Rat der Sachverstindigen fir Umeclage p. 33). Esses toxinas ram retirados de ci sia da citribuigta de riquesa » — a seguinte distibuigio: dois homens tfm das macés. Um come ambas. Logo, na média, cada um comes uma, Adaptada a distcibuicfo de alimen- es humanos aa Terza esto be 10s decorrentes da sobrenutrigdo acebaram por se transformar num 6nus de primeira ordem. Pode ser que em relacio a polucntes e toxinas essa afirma- [fo nao seja cinica. Que, portanto, a exposiga sido real de todos os grupos populacionais. Po 1 naturalidade com que sé demanda pela “édia". Quem demanda « média jestd desse modo excluindo as situagées socialmente desiguais de ameace, justamente disto que ndo se tem certeza? Existem talvez condigées de x de chumbo-e-todo-o-resto “na média inofensivo” represente um rsco de vida? A frase seguinte do laudo afrma: “somente nos arredores de emissores muradas por vezes concentragbescrticas de chumbo entre asim como em outros laudos de impactos ambienzats € que se destaca no € apenas a auséncia de rodo tipo de Enquanto ¢ sinuagio do meio ambiente tiver de sex apresentada assim, essa forma de representacio e de consideracio seci eridentemente adequads, Enquanto forem exiraidas dai consequéncias para as pessoas, @ 30 Nowaleio civiizatério concepeio de fundo entrerd em curto-circuito: ow bem se presume abran- sgencements que todas as pessoas — independent de renda, educagio, pro- fest e dos respectivoshabitoseposibilidads de alimectaio, abitasto ¢ dos sociais e calturais que elas Ihe impatam. Ao mesmo tempo, continua-se a desconsiderar o fato de que as mesmaas substancias toxicas podem ter um significado inteiramcate distinro para pessoas distinzas, conforme a dade, 0 sexo, 08 hébitos alimentares, 0 tipo de trabalho, os niveis de informago © educagio ete, ‘Um problema especialmente grave é que investigagSee voltadas unica- mente a substincias txicasisoladas jamais podem dar conta das concentra- ‘es toxicas no ser bumano, Aquilo que pode parecer * ‘num pro~ geral ou produtos isolados nZo tem condigées de responder & questo da inocuidade, de todo modo no enquanto “gravidede” oa “inocuida: ‘yerem algo 2 ver com com mais detalhe pp. 77 pace anular ou reforgar o ‘gras da matemézica — sempre mais inécuas? 2. Da DEPENDENCIA COGNITIVA DOS RISCOS DA MODERNIZAGKO Riscos, assim como riquezas, so objeto de Sobre a ligica da disebuigio desguese 3 entretanto, tanto nom como noutro e889, de um bem completamente distinto tc de uma outta controvérsia em torno de sta distribuigdo. No caso das «i- (quezas socizis, tata-se de bens de consumo, renda, oportunidades educacio- tals, propriedade ete, como bens excassos cobicados. En contraste, as amea- uum subproduto modernizacional de uma abundancia a ser evitada. wu erradicé-la ou entio negé-la, reinterpretandora. A logica positive da veis, tangivels, a existéncia ea distribuigao de ameac: das de modo invariavelmente argumentativo. Aquilo de cada um ¢, mesmo quando parega evidente aol 12 configuragio social, 0 jufzo comprovado de um sergio “objetiva”. Muitos dos novos riscos (con fermidades civilizacionais) escapam inteirament: & capacidade perceptiva humana sma estio no centro das aenges ameayas que com frequéncix nos 8 durante a vida dos afetados, e sim ne vida de seus descendeates, em todo caso ameagas que exigem os “6rglos sensoriais” da citacia — teorias, experimentos, instramentos de medigao — para que pos- iveis” ¢ interpretéveis como ameacss. O paradigma ‘os efeitos mutagénicos da radioatividade, que, impercep- des, acabam —como mostra 0 caso do acidente do reator — por submeté-los inteiramente, sob enozmes sobrecerges nervosas, 20 jufzo, aos equfvocos « 4s contcovéssias dos especialistas. Agrogando 0 dissociado: supasiges de causelidade Essa dependéncia cognitiva invisibilidade das situagSes de ameaga civilizacional no bastam, contudo, pare sua definigéo conceitu cont ea si novos composeaes,DeclaragSes a repeito de ae no leite materno” nfo chee a ser, como =e uma situagéo de ameaga ci- villzacioual, no mais que a concentragio de nitrato nos rios ov 0 teor de digsido de enxofse no az. B preciso que se adicione uma expiicagio causal _que fasa com que isto seja visto como produto do modo de produséo indus- ‘rial, como efeito colateral sistemético de Poco: de modernizagao, Nos poral. A niulher que, era seu apartamento de teés comados num subirbio de Neuperlech, amamenta seu pequeno Martin de rs meses de idade entcon~ trasse desse modo nums “relaglo imediata” com & industria quimaice, que Fabrice peicidas, com os agdeultores, que se veem obrigades, era zezio das copecializada e& sobrefertilizario, e por ai afore. Até onde se porter ou de- ‘vera buscar efsitos coleterais é algo que continua em grande medida incer- to, Até mesmo aa carne de pinguins antérticos foi encontrada recentemente uma superdose de DDT. Esses exemplos mostram duas coi zagdo emergem 20 mesmo tempo primeizo, que riscos da mo« ial e temporaimente apaztado acaba sendo causelmente cot cmd modo, além do mais, colocado simultaneamente numa relacio de: Dilidade sociale juice. Suposicdes causals, no entanio, por defi capam — como desde Hume jf sabemos — 8 percepséo. Elss sfo teotia Sempre tém de see conceitvalmente adicionades, presumidas como verdad 10s, acreditadas, Tambérn nesse sentido os riscos so invsiveis. A exusalidade suposta segue sendo algo mais ou menos incerto ¢ provisério. Trate-te, nes- cc sentido, também no que el respeito & consciéncia cotidiana do risco, de uma consciéncia teéries e portanto ciemtificiada. Etica implicita “Tempouco € suficiente esa concatenagio causal daquilo que est insti- tucionalmente apartado. Riscos vividos pressupOem win horizonte normative de certera perdida, confianga violada, Desse modo, os riscos, mesmo qua do irrompem calados, encobertos por cifras ¢ formulas, costinuam a estar em principio vinculados espacialmente, como a condensagéo matemética de visées danificadas da vida digna de ser vivida, Por sua ver, estes precisam ser Sabre Iégice da dscribuigto de squecs 8 acreditadns, isto &, 180 sto tangiveis por conta propria, Riscos sio, nesse seatido, imagens negativas objetivamente exapregadas de utopias nas quais Co lemento hamano, ou aquilo que dele restou, € conservado e revivido no proceso de modernizacio. Apesar de toda « desfiguracdo, ndo se pode af- nal evtar que esse h normative, no qual © que hi de arriscado no t visivel, eja tematizado ¢ experimentado, Por wis de todas as reifcacdes,cedo ou tarde emerge a questo da aceitagzo e, com ela, a velha nova quest20: como queremos viver? O que ha de humano no set hbumano, de natural na natureza, que & proteger? Nesse sentido, 0 P discuzso da “catdstrofe” & a expresso exagerada, radicalizada, objedivante de que tal procesto no é desejado. Essas velhas-novas quesides — 0 que €0 ser hummano? como segue adiane te com a netuceca? — podem sec jogadas para Ié e para cf entre 0 cotidiano, ‘politica ea ciéncia, No estigio mais avancado do processo civilizat6rio, elas voltam a gozar de proridade na order do dia — também ov ustarsonte nos ‘momentos em que se revistam com 2 cemmuflagem das férmulas mateméticas das controvérsias metodolégices. Const qual essurgesa — 108 nacurais, nas disciplinas, sgbes de risco sAo a forma soba cotidiana eespecializada, de ines apenas uma e nem apenas @ outra coi Ji nfo se podem mais especializar, isolar uma da outra, desenvolvendo e fi- xando sets prépcios padrées de racionalidade. Pressupdem uma colabora- ‘io para além das rincheisas de disciplinas, grupos comunais, empresas, adiministragio politica, ou entio —o gue & mais provével — acabatn por ‘explodir em meio a esses polos em definigbes contrapostas e litas em toro des definigoes Racionalidade cientifica e social Reside aqui a coasequéncia fundamental e decisiva: nas defnigbes de isco, quebra-se 0 monopdlia de racionalidade das ciéncias. Existem sempre ‘Pratensies, interesses ¢ pontos de vista concorreates ¢ conflitivos dos distin- 3 ‘No wisio cviliesttro jetivantes aumentam como que proporcionalmente 20 teor politico de suas ‘A pretensio de racionalidade ‘toot de risco do rsco refuta-s a si mesma permanentemente: ela bascia-se, por um lado, mum castelo de carta de conjecturas especulativas e move-te tunicamente no quadro de asserghes de probabildade, seguranca nfo podem, a bem da verdade, ser refutados sequer por ac reais, Por outzo lado, & preciso ter esstunido um ponto de vista avo! para chegar a poder falar de riscos com alguma propriedade, Constat de risco baseiam-se em passibilidades mateméticeseinteresses ociais, mesmo ¢ justamente quando se revestem de certeza téenica. Ao ocuparem-se com ris- os civilizacionais, as ciéncias sempre acabaram por abandoner sua base de ogica experimental, contraindo um casamento poligamo com a economia, « politica ea ética — on 5 conviver numa espécie de “concubinato nao declare: ssa heteconomia oculta na pesquisa sobre orisco acaba por revelar-se como um problema justamente por conta da continua pretensio dos cientis- tas 20 monopélio da racionalidade - -o da questo, Mesmo ma pro- demais quando wm acidente sig- ecifcidades do risco desempenham do nos estudos sobee ‘cam em jogo a vida das futuras gerasSes, Em outras palevres, tormam-se eri- dentes nas discussdes de risco as fissuras ¢ trincheiras entre racionalidade iontifica e social ao lidar com os potenciais de ameaca civilizacional. Todes Sabet e lgice da deesbuigdo de siquece 35 ignoram-se mutuamente, De um lado, si colocadas questdes que sequer cchegam a sec respondidas pelos outros, enquanto, de outro lado, sto ofere- cidas respostase perguatas que, desse modo, sequer chegam ao fulero daquilo uma da outra, mas ao mesmo temp seguem interpoladas c referidas demi tiplas maneiras uma na outra. Ri do toma-se cada vez menos pos do deseavotrimeato industrial continua igualmente a referir-se a horizontes axiol6gicos ¢ expectativas sociais, da mesma forma como, inversamente, a discussdo e percepgéo sociais dos riscos em relagéo aos argumentos cientifi- cos. Ao mesmo tempo, a pesquisa sobre o risco acompanha ruborizada os rastros de questionamento da “tecnofobia®, para cuja contengio foi con- ela experimentow nos dikimos anos um ao piiblica vivem funds- Sem argumentos cien- tificos e critica anticientifica de argumentos cientiicos, ela fica apdtica, ou pior: pode mesmo nem chegar a perceber o objeto eo procedimento, no mais lidade cientifica, cega, ‘Niko se esbocard desse forma uma imagem de harmonia universal. Ao 1 que se desticam, que sdo vecevelmentedefinidas ou mastides Se mum dos casos o primado de transformacio reside no modo de produgio industrial, no outro caso residird no manuseio tecnolégico des probabilidades de acidentes, e por af afora, Diversidade definitbria: cada vex mais riscos © contetdo tebrieo ¢ sefecenial exiolégico dos riseos condicionam fo de tiscos, que em parte se relativizam, em parte se complementamn, em pat ‘te invadem o terreno uns dos outros. Cade pont de vista interessado procura armar-se com definigdes de rsco, para poder dessa maneira rechacar 06 rs cos que ameacem seu bolso. Ameacas 20 sol ‘ccupam una posigfo especial nessa hua de to 36 ‘No valeio cirlizatério efinigdes de risco mais lucrativas, na medida em cue do especo ao bein co- mum ¢ 3s voats éaqueles que no tem vor propria (talrez s6 mesmo direitos clezorais ative passvos extends as ¢ minhocas sero capa- E menos claro se isto também afeca 2 interpretaydo do cor © neko causal gue se produz nos riscos entre as in ¢ relacionar nuda com sudo, decerto eng modernizagio como causa, dano como eftito colateral — for mantido. Muito no poder ser corsoborado. E mesmo o jé comrobora- eso areivcment condiges ole gu sf rasonadaa Er outs, Desaquemos o desatamento. Enguanto o besouro-do-pnhelo, “isco da moderni- Abre-se uma arena inteiramente distinta de causas ¢ culpados quando tum tal ecro de diagnéstico tipicamente locel, que sempre precisa ser con~ ficivamente ultrapassado pelos tisco é superado © 0 desmatamento é percebido e reconkecido como ura cfvizo da industrializagdo. Somente ento & que passa a ser um problema que cexige slugs de longo prezo, sisternicamente definidas, que no mais sjam A fs as que sejam antes politcas, Uma vez que uma se tena verificado, surge uma nova infinidade 2 €0 di6xido de enxofte, 0 niteogénio, seus campostos fo- to-oxidantes, 0 hidrocarbonetos ou qualquer outra coisa que ainda hoje n0s desconkecida o que afinal nos presentela com esse derre- ono — com a queda das folhes? Hssas formulas quimicas responder por simesmas. Por trés del ores industrials, grupos econdmices, c na linha de fogo da cx‘tica piblica, Pois to «ade, reduzem se as vendas, perdem-se mercados, a “confianga” dos consu- Sobre «pica da dsmibuigto de square 7 ridores preven ser reconquistade spanhas publicéras. E 0 atom ¢, em decorréacia, o verdadeiro “desmatac talar nas termoelétricas filtros de dessulfurizacio ¢ de desnitrificagao de qua~ lidade em sintonia com os padebes serio mais moderaos? rada por meio de grandes ¢ ca- atual *maculador nacional” "? Ou é preciso finalmente ins- fog0, por assim dizer; & preciso que os “bombeiros argumentativos”, rapi- damente mobilizados ¢ parcamente equipados, apaguem e salve, com tim forte jato de contrainterpretacdo, o que ainda der para apagare sal Quer quer que subitamente se veja exposto no pelourinho da producio de riscos, acabaré refutando, na medida do possivel, com uma “conta-ciéncia” paulatinamente institucionalizada em termos empresariais, os argumentos que 0 prendera 20 peloutrinho, trazendo outras causas ¢ portanto outros: A tons, A imagem diversfes-s, O aceito a inidiatoma-se crucial, A incer teza no interior da indistia 9 a ximo sob 0 holofore.dz moral ecol6gica. Bons argu argumentos capazes de se impor publicamente, conv ou pelo menos se em condico 08 “carpinteizos argumentativos”, tém sua grande chaace profissional. Correntes causcis ¢ circuitos daninhos: a ideia de sistema Para dizer expressamente uma vec mais: todos eases efeitos produzem- se independentemente do quio sélidas parecam as interpretagdes causais « partic de uma dada perspectiva cientifica. No mais das vezes, as opinides a respeito no interior das ciéncias ¢ das dreas em questdo distanciam-se consi- feito social das defiicbes de risca no depende portanto aqui os efeitos nocivos com fa xo complexo sistema do medo de pro« interdependéacia sistémica dos akamence especializedos atores da modemnizagio aa economia, 2, no dieito ena politica corresponde & auséacia de causas es- ¢ responsabilidades i € agricuimra que coctamina 0 solo 0 0s agricultores so apenas o elo mais fraco na corrente dos circuitos da- 8 [No vulefo irlizatério sins? Saco cles pena mseados dependent saheros pasa vada dstria quimica de racbes e ferilizantes, sendo nesse cas empreger a enxada para uma pradente descomtaminaséo dos autotidades poderiem b& muito ter proibido on drasticam cia, constantemente concedem patentes para “inofensivas” produgées de veneno, que cada ver trarreagbes. Isto confer social e popularidade Desse modo, evidencia-se exemplarmente onde re assim dizer, a prOpria revelia ¢ politicemente. O outro genera- livre” do sistema, E dessa maneira que se joga, diante do iminente desastre ecolégico, 0 “jogo do mico pzeto". O teor de risco: 0 ainda-ndo event que desencadeia a acio Riscos néo se esgotam, contudo, em efeitos ¢ danos jé ocorridos. Neles, exprime-se sobretudo um componente ficuro, Este baseia-se em parte na extensdo furura dos danos atualmente previsiveis ¢ em parte numa perda gerel de confianga ou mum suposto “amplificador do risco”. Riscos tém, correntes da ferlizaro com nitrogénio até o momenta infitrou-se pouco ou sequer chegou a se infltrar nas camadas profundas dos grandes aquiferos Sobre lies da dstigto de siguees 39 subterrineos dos quais extraimos nossa agua potivel. Hlas, om grande me- dida, decompBem-se no subsolo. Todavia nfo se sabe ainda como isto ocor- ree por quanto tempo ainda ocorrerd. Muitas razdes indicam que no se deve, sem mais reservas, projetar no futuro a continuidade do efeito fltrante das eamadas protetoras do subsolo. “Teme-se que, apés alguns anos on dé- ‘Em outras pelavras: « bomba-relégio esté armada, Nesse sentido, os riscos indicam um foruro que precisa ser evitado. Em oposisio & evidéncia tangivel das riquezas, os rscos acabam impli cando algo irreal. Num sentido decisiv detal proporedo que qualquer acio em respora a las se que, jf como supasicio, como ameaca furura, como prognés camnente prevéntvo, possuem e desenvolvem relevincia ava. oblemas ou crises do amanbd ou do depois de amanhi, para sugdes em relago a eles — ou ent justamente nfo, Em eéleulos , afunilamentos “progrosticados” do mercado de erabalho produ ‘em imediatamente um efeito sobreo comporramento educacional: 0 desem= aca definir e organizar nossa atuagao presente. Legitimagdo: “efeitos colaterais latentes” Isso pressupSec, além do mais, que os riscos tenham sido bem-sucedidos rnam processo de reconhecimento social. Contudo, ristos sio inicialmente bens de rejeisdo, cwia inexisttncia £ pressupasta até prova om contréri de acordo com 0 princlzio: “in dubio pro progress i Estd igualmente associado a difereacie claramente da distribuicio desigual de ‘podem pois ez legitimados pelo fato de que sua p foi nem previeta, nem desejada. As situag6es de amé 2a ciliagio ciensfcizade, romper o psvilégio da “efeito colaterel latente”, da ameaga. O que no tice, indesejada, sobre cue cinio esquematico do “efeito delicenga, um destino matur ce, distribui seletivamente e justifica hist6ria da disteibuigdo de siscos mostra que estes se iquezas, a0 esquema de classe — mas de modo iaverso: relagio ao risco. Essa “lei” da distribuicio dex social , em decorréaciz, do aprofundamento dos contrastes de classe atra~ da concentragio de rscos entre os pobres e débeis por muito tempo im- dos de moda desigual conforme a profissao. So seis ee vvitinhan- ‘gas mais acessireis aos grupos de meaor rena ds populagio, nas redondezas Sobre lice da divtctbuicto de siqueca a de cemtros de producdo industrial, que sio oneradas no longo prazo por conta de diversos polaeates no ar, na égua ¢ no solo. Com a ameaga da reducio da renda, uma maior tolerincia pode ser gecada, ‘Nesses casos, no € apenas esse fei, que produz inquietagies capacidades de lidar com do calgo financeiro de longo prazo pode tenrar 4s da escalha do local eda configuragdo da moradia (ou através de uma segunda moradia, frias etc.). O mesmo vale para a ali- meio, 4 educa epee a coreponde omplementados, relativizados {ou mesmo los aditivos t6xicos presentes na carne suina € wervem-se numa espécie de quimica alimentar ‘nmplicita, numa expécie de cozinha do diabo com pretnsio minimalizadora, se beim que conhecimentos bastante sofisticados sio necessérios para que se de contaminacio na impzensa e na tel ede vida “antiquimices”, dist embalada como produto secundério da ind! do avesso (e afinal ja fez isto} todos os dual amadas educadas, “couscicatcs em relacdo 2 alimentagao” e de maior renda. Poder-seia deduic « partir disto que, justamente em razio dessa postura refletida e financeira- ‘mente lastreada em relacSo aos riscos, velhas desigualdades sociais so con- solidadas num novo paramar, # justamente desse modo, contudo, que no se chegard & base da l6gica distributiva do: Paralelameate 20 aprofundamento das sitaagBes de risco, xeduzem-se 25 rotas de fuge ¢ as possibilidades compensattias de cardter privado, ao mes- 2 No valet ciiizatéio ‘estes daibles privados ainda ejudem em relagio a alguns alimento no fornecimento de agus estio todas as camadas sociais interigadas pelo ‘mesmo encanamento; e basta lancar um olhar 2s “forestas esqueléticas” dos “dios campescres”, distances das indsrias, para que fique claro que as baz- sciras espccifcas de classe caem também por conta dos teores tézicos do ar «que todos respiramos. A tnica protegdo realmente eficaz sob essas condicdes seria nio comer, nio beber, ndo respiras. E mesmo isto ajuda apenas em parte. Afinal todos sabem 0 que acontece as pedras — e'a0s cadaveres enterrados. 4, GLOBALIZAGHO DOS BISCOS CIVILIZACTONAIS ‘Redurido a uma férmula: a miséria ¢ hierdrquica, o smog é democrético, Cams anaaco dos tiseos da modemnizecdo — com a ameaga 3 natuceza, —;relativizain-se as diferengas €fronteiras socials 4 provocar consequéncias bastante diversas. OBjetiva- 5s produzem, dentro da mesma forma como seus contlitos nfo podem duzidas: cadeias alimentares interligam cada um a pr mais na face da Terra. Submersas, elas atravess acider do ar carcome no apenas esculvaras e ts smsito corroeu também os marcos de Frontera. Mesmo no Cana cama-se 05 mares, mesmo nos extremos setentrionais da Escandinavia mor- Sobce légica de dircibuigfo de siquezs 2 pot faz 0 péndalo dos animos oscilar em todas as diregdes. Agic € de todo odo algo ultrapassado. Talvez os ubiquos e perenes pesticides possam ser coztosnados com o rerorna aos insetos, ou com uma taca de champanhe? © efeito bumerangue reate explosivo: cedo ou tar . Em se tratando, no entanto, de possibilidades: uma insiua- 40 que esperamos que ndo se concretize. A falsidade da afirmagio reside portanto na intencao do progn6stico. Fla é uma pauperizacio invsivel con- frontando ums exuberante riqueza, em dltima medida com uma suscetibi- lidade global e sem sujeito politico. E sinds assim: clara ¢ inequivocamente 1ehd de comum e de dis- de mortos, registros de 8 indicadores em prol da olueateseestatisticas de acidente, bi ainda tese da pauperizagio, eae ree bertos de espuma, carcacas de anit arquitetBnica de edificios e monume de acidentes, escdindalos e catéstrofes causedas como 2 respectiva cobernura da midia ¢ res de subs:fncias poluentes e t6xicas nos alim¢ rnamtse cada vez mais extensos. Os diques representados pelos limites m&xi- mos assemelbam-se mais as cxigéncias em relacio ao queijo suigo (quanto snis buracos melhor) do que &s da prosecio a saide da popalagio. As ze- tratacbes desmentidas dos responséveis fazem sempre mais barwlho ¢ ape: 6 [No valle civiliatio que se agugaram cu se foi les, Ambos os lados coincidem, condicionam-ss, seforgam-se, iscos no conbecimento, duas coisas dstintas, mas ra de mortos da flora e da fauna a agugada cons- . Se as pessOaS 40 meNOS SOU téenicos sabem e como eles pensam, elas ficariam mais cal- ntrdzio, jd se podem considerar isremediavelmente isracfonais. “Teoria voice do conhecimeno da sociedade de isco ° Essa visio esté errada, Mesmo em seus trajes matematico-estatisticos on recnolégicos, declaragBes sobre 03 riscos contim assergbes do tipo: & asin que queremos viver — assexgbes, portanto, sobre as queis € possivel uma decisio tzolada apenas caso se rompam permanentemente as fronteiras entre natureza e ciéacias tecnol6gicas. Com isto, porém, vira-se a mesa: a rejeicao da definigio cientfica do sisco nao € algo que se possa reprovar & populagio justeza empftica de suas premissas axiol6gicas implicitas, 1 propésito de suas pressuposigies a respeito do que parece acsité- populagio e do que nio. O discarso sobre uma percepeio “errads e 1 “ircacionalidade” da populaclo, cuja concepcfo eles na verdade de- veriam averiguar ¢ assumir como fundamento de seu trabalho. ‘Tembém € possivel ver isso de outra maneira: 20 lider com 08 riscos, os cieatistas naturals acabacam, sem perceber e sem queree, privando-sea si rmesmos de um poco do seu poder, impondo-se a democracia. As sobre riscos envolvem, em suas concepcGes axiolégicas eculturais ‘tra introdugio do direito de voto — pode bem querer se defender por meio a reversio da suposicio de ircacionalidade, 2 prOprias pretenses & justeza empirice de suas sup A diferenciacio entre estipulagZo cietifica(¢ so (iracional) 60 risco também vita decabece para nalidade cientificae social no surgimento de uma conscitneiacivilizaci isco, Hla implica em um falseamento histérico. O conbecimento atuslmen- tereconhecido sobre os riscos e ameagas da civilizagio cientifico tecnolégica somente se imps inicialmente a contrapelo de nagagées massivas, enfrentan- do a resistencia frequenvemente encarnigada de uma “racionalidade cientif- co-tecnolégica” satisfeta consigo mesma e obtasamente embaracada na cren- ‘¢2 no progresso. Por todo o lado, a investigacdo cientifia do risco claudica no rastro da critica social do meio ambiente, do progresso da cultura dirigi- da ao sistema industrial. Nesse sentido, sem divida existe hoje no envolv- 7 Novuleto cvtzaréio rento ciatifco-tecnolégico com 0s siscos civilzacionais uma boa parcela de inconfesso proselitiono da ertica da eultera, ea preteasao das céncias tec. parte sobrepostas. Nao se pode pressupor uma hie racionalidade, mas se deve questionar, no exemplo da p como a “racionalidade” surge socialmente, como porta expelo social do pescepgiio social mesmo quando esta ¢& tecnologia excontra-se ndo na “irracionalidade” dos exticos, maso fra asso da racionalidade cieatifico-teenol6gica diante de riscos e amesgas ci- vilizacionais crescentes. Esse fracasso nfo € mero passado, sim um presente urgente e um futuro ameacador. Tampouco € o fracassa de disc entistasisolados, mes se encontra fundado sistematicamerrte na abordagem Insttucional-metndolégica das cidncias om relagio aos sis portanto, da maneira como estio constiufdas — em § divisio do trabalho, em sua compreensto de métodos terSnoma abstinéacia da préxis—, ndo estio em condig damente a0s riscos civilizacionais, de vez que tém destacado env em seu Sargimento e expansio, Antes de mais nada, elas tornem-se—em par- Come isso pode ser demonstrado? A conscitncia dos riscos da moder- unizayo impOs-se contra a resistencia da racionalidade cientifica. O camino até cla €Jargo ¢ esté coberto de exros cicatifcos, avaliagdes equivocadas € “Teoria politics do conhecimento da sociedade de isso n subsstimagies. A histéria da conscientizacio e do reconhecimento social dos siscos coincide com a histéria da desmsistifcagio das citacias. O outro lado do recoabecimenta é refutegia do “nade vejo, nada ouco, nada cheiro, nacla sei” cientitico, Cogusira econdmica em: relagio ao risco © erro origindsio a respeito do teor de rsco de uma tecnologia zeside na desconsideragio e subsstimacio dos riscos macleares. leitor de hoje no acreditaexa seus olbos quando Ié 0 que, era 1959, era aconselhado &s pessoas ‘num panfleto oficial do governo federal sobre “como s¢ conduzic em caso deataque afseo”: “Um clardo intensamente ofuscente€ 0 primi sinal da de- tonagio de uma ogive nuclear. O calor gerado provoca qucimachi- ras, Rottanio {..] partes sensireis do coxpo, como olhos, zosto, 1pescogo e maos devem ser imediatamente cobertas! Salter imediatamente mum buraco, fosso ou Se estiver num meio de transporte, agachar' chio do veicuo ¢,curvando-cecobre si mest, proteger r0st0 ¢ Se possivel, abrigar-se sob urna mesa sili Brite 0 pinico ea afobegio imprudente, mas aja!”! 3 Webrpalische Information, Wobrberictertarurg aus aller Welt, KBle, 1959, cin tudo em Guather Andes Die atomsare Bedrobung, Munigue, 1983, pp. 1333. n penta ‘A catdstrofe apocaliptca & devidamente ceduzida as dimensbes da “assi- rilabilidade privada”. O “fim do comparativo” (Guathes Anders), que re- side em toda ameage nuclear, é inteicamente ignocada e subestimada, conselhos seguem involuztariamente urna bem-humorada I6gica do he “Se voct extiver morto — Cuidado! O perigo € iminentel” (G. Anders, “Esse pecado original da fisica etecnologie nucleares nfo se dex por sca~ so. Nio foi especificamente indutido e tampouco representa de percuiso” excepcional de ume disciplina das Giéncias natura. roma, antes, de mais nada, justamente por conta de sua radical institucional dos equivocos da ciéncia tecnolégica no tratamento dos autoproduaidos: no esforzo pelo aumento da produtividade, sempre foram 20 deixados de lado os riscos implicados. A primeira prioridade da eurio- sidade cieatifico-tecnoldgies remete & utiidade produtiva, ¢ s6 ento, num segundo passo, eas vezes nem isto, & que se consideram também as ameacas implicadas, [A produgo de riscos esua interpretasdo cquivocada tém, portanto, sea némica” da racionalidade técnica primero fundamento mute “miopia com sex aparccimento “imprevisto” ou mestao “pre inversa, segundo a qual as vantageas produtivas so assumidas pecto como efeitos colaterais latentes “imprevistos” e “involuncdrios’ deliberado controle de risco estabelecido a desgeito des resistencias de uma citncia nataral orientada pelo risco, parece completamente absuda, Isto tor- na claro uma vez mais o grau de obviedade com que se valida histocicamente, no deseavolvimento tecnolégico condurido pelas ciéncias natures, uma (para citar Habermas) interesse cognitiva que avmenta a produtividade, que se refese& ldgica da produgio de riqueza e segue vineulade ela. As vores dos “efeitos colaterais” “Aguilo que por um lado gers efeitos gere por outro lado doenas. Os pais cnjs filhos sofrem de crises de laringite agudla batem com a cabece, até verter sangue, nas paredes da declaragio cientifica da inexisténcia de riscos da modesnizagio. Todos os que jd passaram a avite em claro, ouvindo seu “Teoria police do conkerimento da sociedad de seo B | filho tossir aos prantos ¢ vendo-o estirado em sua cama, com os olhos esba- galhados de pavor no esforgo de respirar, falam de uma angtstia infindével, A partir do momenro em que percebem que os poluentes do ar ameacam nZo somente dcvoces, solo ¢ agua, mas sobrenudo bebés ecriangas, eles deixam. de aceitar os ataques de torse como golpes do destino. Em 1984, eles se as- sociazam em mais de cem iniciativas coletivas através de toda a Fed: Sua demanda: “Mais dessulfurizacio, menos converse fiadat” [ver U.Kanig, Stern, abril de 1988). Fes nfo precisam refletic muito sobre a situago problemética em que se encontram. Aquilo que para a ciéncia so “efeitos colateraislateates” « “contextos inseguros sio para eles snas “criangas aos prantos”, que, quan. do quer que o tempo fique nebuloso, comegam a fcar roxas e a arquejar em busca de ar. Do seu lado da cerca, os “efeitos colatecais"tém voz, olhos, rosto « ligrimas. Iso faz com que a3 declarages de irelevancia tirubeiem, prati- camente virando as questdes do avesso. E, no eatanto, eles logo acabarn des- cobrindo que suas pr6pries declaragbes e experiéncias nfo tm qualquer ra lidade, enquanto estiverem ems conflito com a consagrada candura cientifica As vacas dos campo a recém instalada zeft sto ao for “cien- tificamente comprovado” nao se pode tocar ‘Assim, eles préprios acabam-se conve vyados e modestos, part Riscos para eles no s ninguém & competente tim um advogado: os pais ‘comesam 2 acumular dados e argumentes. Sob sua incidncia cogaitiva, xs “smanchas brancas” correspondentes 20 i posigo @ ums concentracdo de 200 microgra tmetro efbico de ar, as criangas adoecem co frequéncia de lain site aguda,tolera-se de acordo com os limites lemaniva um exo ue éo dobro disto, ou o quadruplo do que estipala a Organizasio Mundial da Satide como limite aceitével de curto prazo. Os pais demonsteazn que os res das medicées se encoutram na faixa do *tolerdvel” apenas por- que 0s picos de contaminago das dreas mais sobrecarregadas da cidade sio bl No -vlsio cilizsicio snitigados com valores das &reas habitacionais arborizadas, sendo dessa for- sma “totalizados pars longe do perigo”. * no adoecem em decoréncia d Arerelagio da “teapaga” de entre as recionalidades cients iferenca conceitual os riscas. mogio). Do lado dos afctados, a mesma coisa manife bem diferente. Um equivoco na definigio de limites de conforme © caso, danos irceversiveis a0 fig 3s eieatiscasinsistem na “qualidade” de scu trabalho e maatém cleva~ dos 0s eritéios e6rico-metodoldgicos, tudo pare essegurar suas carzeras e ct ircealizada e 0 perigo aumenta. Por meio da sientificidade, 0 eirculo dos riscos reconhe- ciagio dos riscos. reaa” da anilise cientifica condut & poluigao e contarinacao do ar, dos ali- “Existem nesse caso instrumentos cognitivos concrete. Algo que se reves de importincia decisiva ¢2 consttagio da suposicdo de causalidade inscita nos riscos da modernizaslo, coja comprovaco 6 por razBes teSrico-censiics, Teoria polica do conherimento de soeedade de ctco 1s se nfo imapossivel, bastante diff (para um sumério da questio, ver W. Steg- miller, 1970). O que interessa aqui € a controlabilidace do processo de re- conhecimento de tiscos causalidade: quanto mai santo menor serd o circu famento dos no reconbecic dos muros do reconhecimento, 05 riscos. dade” portanto uma construgto altamente eftcaz ¢ legitimada da melhor ‘maneira posstvel, detinada a conter e canalizar a torrente de risons da moder- nizagio, contando aliés com um anteparo embutido, que, em proporcao in- ‘versa & “refutagdo” dos rscos obtida, reforga a prdpria ampliacio dos riscos, ‘Uma liberalizagio da prova de causalidade equivaleria, nessas condi es, 20 rompimento de um digue ¢, consequentsmente, a uma inundagio de aameagas ¢ riscos « serem reconhecidos, que sacudiriam toda a estrutura so- cial e politica da Alemanhs com 2 amplitude de seu efeito. Desse modo, tam- bbém aqui e como sempre — nama delicada harmonia entre ciéncia e die =,0 suposto “princi mento ou refutagio: snail de sua estrutura, no podem se © principio de causacio. No mais das veres, nfio existe a causador, taimentepolueares no ac, vindos de muita chaminése, além dito, corelatos ia “alavanca de qualidade” da prova de fixados os ecitérios de qualidade, -onhecidos ¢ tanto maior o engarra- to; tapto mais se ampliam, por ts cia a respeito da “queli- de causazio” & uilizado como eclusa de reconbec- ‘0s rscos da modesnizacio, em de males inespecifcos, a respeico dos quais se consideram uma mukiplicidade de “causas”. Quem quer gue, sob tais condigdes, inssta numa prova causal sa, maximiza a refutagao ¢ minimiza o reconhecimento de contamina~ fermidades civlizacionais de origem industeial. Com a inocéncia da incia, os pesquisadores do risco defendem a “fina arte da demons- ‘tragGo causal”, bloqueiam assim protestos dos cidadfos, sufocam-nos ainda 1g ninho da “insuficiente” prova causal, parecem poupar custosindistria, livrar as costas dos politicos ¢ mancer na verdade as eclusas ebertas 2 uma ameaca generalizada a vida Isso simuleaneamente un bom exemplo de como a “racforalidade” tea mesma agio serem ‘ea relecdo & produsao trite é um nédulo da ciso nesse caso e para otros, vale dizer que ela perence co micleo axiolégico do ethos das ciéncias ‘aturais. Ao mesmo tempo, o entanto, esse principio deriva de outros con textos probleméticos e possivelmente de outra era conceitual, Seja como for, naturais. Para set mais pre- er complacente” consigo mesma e com os 7 No vuelo cvilzanio ndticos de que um computador &capat. Quem quiser is repudiando a conceetude das relagdes, que nem pot Poi, afinal, nfo 6 porque os ceatiaras aatrais 9 fons rats contac clays eenfecmidades especiicas puderem ser com: ivicem tais poluentes poderio entio ser judi- cislmente impotadas © condenadas a pagar as indenizegbes corcespondentes, Com base nist, no Japéo, uma série de empresas foram obrigadas @ pagar 40s aferados indenizag6es pigantescas em espetaculares provesios ambientais. ‘Aos afedos na Alemanka, a revogegdo causal dos danos ¢dores vividos deve parecer escfenio paro ¢ simples. Dianee do blogueio dos argumentos por eles compilados e apresentados, experimencam a perda de concretude de uma racionalidade e préxis cieticas, que de mais a mais sempre se manteve alhela e cage diante dos rscos « ameagas por ela mesina produzidos. Feitigo fajutor de tolerdncia Hii ainda outras * cognitivas venenosas™, em cujas valvulas se assentam os cientistas do les também recozrem 20 grande feitigo: abracadabra, abracadabral £ celebrado em certas regides também como *danca da chuvs dcida”. Em lingua clara: definigdo de limites de tolerdncia “Teoria pllce do cochecimento da cociedade deseo 7 on estiptlagzo de valoces méximos. Uma ontra pelavea para o fato de no termos a menor ideia. Dado que os centsts jamais deixam de er ideas, eles ‘tem muites palavras para quando ado tém idea, étodos, muitas cifras. Uma expressio fundamental para tancbé 0 lider com 08 riscos € tertio “limite de tolecancia”. Soleeremos. em relaséo distibuigio de rscos, um ‘ principio de desempeako do quio daainho seja. Pode muito hem ser que 0s limi tem 0 pior, mas ees nem por isto deixam de ser uma “li om pouguinho a natureze ¢ 0 sex humano, O que impoi grande pode chegar a ser esse “pouquiaho”. £ a questdo ou grande o pouguinho de veneno que flora, fauna ¢ aqui o fato de que originalmente os limites, no ecam uma questo de quimice, ¢ sim de ética. Teraos de lidar, portanto, com a “estipulacio de teores méximos produtos do tahaco” — na seca linguagem dos bur biolégica residual da civlizagzo industrial av. precisamente o eélebre e contraverso pouquinho. Nao se trata, assim, nessa “estipulagdo”, de uma vedacdo ao eavenenamento, ¢ sim da medida admis- sivel de envenenamento, O) com base nessa estipulags venenamento sea aduissfrel€ algo que, detolevancia, a exigéncia que na verdade pareceria Gbvia, de nio envencnar, € refutada como wtépica, ‘Com os limites de tolerancia, 0 “pouquinko” de cavenenamento a ser 7 No valefo civiinattro cstipulado convertese em normalidade. Hle desaparece por trés dos limites de tolerincia, Esesviablizam um racionamento de longo prazo do evenena- mento coletive normalizado. O eavenenameato que eles admitem € 20 mes- smo deseico por eles, na medida em que envenenamento que acontece é de- larado inofeasivo, Se quem envenena se mantézn dentro do quanto material téxico esteja de fato contido nos alimentos que ele produit Se Fudéssemos nos pér de acordo a respeito do prectito, nio de todo inrealista, de nfo nos envenenar de modo alg, nao haveria qualquer pto- blema. Tampouco seriam necessdrias quaisquer “estipulagBes de teores mie ximos”. O probleme reside, portanto, no cazéter de reeuo, na dupla morel, ivaléneia de uma “estipulagio de teores méximos”. Jé no é de ques. se tata, mas de até onde se pode it spasms bésicas da convivéncia—q [Em tltima instancia, trata-se de seber até onde envenenamento nio € enve- nenamento ¢a partir de onde envenenamsento passa a ger envencaataeato, E sem davida uma questao importente — importante demais para ser deixada uunicanmente aos especialistas. Dela depende, ni apenas em sentido figuss- do, 2 vide no planeta. Uma vez que se desga a escorregadia ladeica de umm co— dera 2 escolhe de “ser ou no sec” valores méiximos” — um documento tipi que se discutid aqui. Queremos langar-nos s ‘olerdacia e questionar sua Logica cu ilogia, ou se, que nela se enconte. contra nela, sequer chega a ser abarcado por ela, pode ser colocido om crculagto lore daseniendamente. O sleacio da es tipalagio de limites de 7 de sec registradas, revelam-se indicagbes no caminho de de longo prazo do ser humano eda natareza. A disputa em 7 6es, por mais inta-académica que ainda seja, tem mais ou menos conse- quéccias venenoses para todos, ‘Teoria politics do conhecimento de tocedede dexsco n