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Universidade Católica de Goiás

Departamento de Ciências Contábeis


2007/2

Tópicos de Matemática Atuarial

Prof.ª Ms. Elis Regina de Oliveira

Este trabalho reúne os conteúdos a serem trabalhados


em sala de aula, resultante de pesquisas em livros
mencionados na referência bibliográfica, em sites,
jornais, revistas especializadas e nas contribuições dos
alunos.

1
1 - Situação Atual da Previdência Social

2
Boletim Estatístico da Previdência Social - Vol. 12 Nº 06

01 GRANDES NÚMEROS DA PREVIDÊNCIA SOCIAL

FLUXO DE CAIXA DO INSS - 2006/2007 - (EM R$ MIL)


ACUMULADO
ACUMULADO
DISCRIMINAÇÃO Junho/2007 EM 12
EM 2007
MESES
7.521.47
1. Saldo Inicial 7.044.424 6.734.773
2
2. Recebimento Total 18.445.700 104.280.401 215.967.553
Arrecadação Líquida (1) 10.928.846 62.836.357 131.130.608
Demais Receitas 7.516.854 41.444.044 84.836.945
3. Pagamento Total 18.018.050 104.329.800 215.230.251
Benefícios do Regime Geral de Previdência Social - RGPS 14.315.282 83.620.209 175.004.267
EPU 67.723 398.790 759.523
LOAS e RMV 1.152.718 6.508.389 12.687.929
Transferências a Terceiros 1.083.148 6.459.630 11.152.322
Demais Pagamentos 1.399.179 7.342.783 15.626.210
4. Saldo Previdenciário (Arrecadação Líquida – Benefícios do RGPS) -3.386.436 -20.783.852 -43.873.659
5. Saldo Arrecadação Líquida – Total de Benefícios pagos -4.606.878 -27.691.031 -57.321.111
6. Saldo Operacional (Recebimento Total – Pagamento Total) 427.650 -49.399 737.301
7. Saldo Final 7.472.074 7.472.074 7.472.074
FONTE: Divisão de Programação Financeira do INSS.

PARTICIPAÇÃO DA ARRECADAÇÃO LÍQUIDA E DA DESPESA COM BENEFÍCIOS DO REGIME GERAL DE PREVIDÊNCIA SOCIAL
NO PIB – 2006
BENEFÍCIOS
PIB (R$ MIL) (4) ARRECADAÇÃO LÍQUIDA (R$ MIL) % NO PIB DO RGPS (R$ % NO PIB
MIL)
2.322.818.376 123.520.196 5,32 165.585.300 7,13
FONTE: Divisão de Programação Financeira do INSS e IBGE.

BENEFÍCIOS CONCEDIDOS BENEFÍCIOS EMITIDOS

2006 Junho/2007 Junho/2007


Clientela
Quantidade Valor (R$ Mil) Quantidade Valor (R$ Mil) Quantidade Valor (R$ Mil)
Total 4.238.816 2.454.719 337.182 209.492 24.833.584 13.539.676
Urbana 3.221.479 2.108.751 253.852 177.760 17.266.424 10.865.358
Rural 1.017.337 345.968 83.330 31.732 7.567.160 2.674.319
FONTE: DATAPREV, SUB, SINTESE.

DADOS POPULACIONAIS (2) - 2005

DISCRIMINAÇÃO TOTAL
População Residente 184.388.620
Urbana 152.711.363
Rural 31.677.257
População Economicamente Ativa 96.031.971
Ocupada 87.089.976
Desocupada 8.941.995
População Não Economicamente Ativa (3) 56.697.806
População Ocupada Segundo Posição no Trabalho Principal:
Total 87.089.976
Empregados 47.985.988
Com carteira de trabalho assinada 27.046.296
Funcionários públicos estatutários e militares 5.490.792
Outros e sem declaração 15.448.900
Trabalhador Doméstico 6.658.627
Com carteira de trabalho assinada 1.746.856
Sem carteira de trabalho assinada e sem declaração 4.911.771
Conta Própria 18.831.511

Empregador 3.683.355
3
Reflexões:

1) Qual é a situação Financeira da Previdência Social (deficitária ou


superavitária)?

2) Qual é o benefício com maior participação e crescimento?

3) Qual é a região do Brasil com maior número de benefícios ?

4) Qual é a região do Brasil com maior valor de benefícios ?

5) O valor médio da aposentadoria por tempo de contribuição


corresponde a sua expectativa de renda, no momento de sua aposentadoria?

2 - Situação da Previdência Complementar Fechada

4
DIST R IBUIÇÃ O DA QUA NTIDA DE DE B E NEFÍC IOS
C ONC EDIDOS, SEGUNDO A S GR A NDES R E GIÕE S

Sudeste
46,36%

Nordeste Sul
23,58% 19,62%
Norte Centro-Oeste
4,87% 5,56%

5
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1. Sistema de Previdência Privada
O sistema de previdência privada tem como principal finalidade a geração de renda
de aposentadoria, propiciando ao participante/segurado a manutenção do poder
aquisitivo, quando optarem por aposentar-se. O sistema de Previdência Social visa o
pagamento de benefícios básicos de aposentadorias e auxílios, regulamentados pela
Lei 8.213 de 24/07/1991 e Decreto 3.048 de 06/05/1999. O setor de previdência
oferece rendas assemelhadas às rendas da Previdência Social, tais como: renda de
aposentadoria por tempo de contribuição, por invalidez e pensão por morte. A Lei
Complementar nº 109, de 29.05.2001 e o Decreto 4.206, de 23/04/2002 são
atualmente as principais fontes de regulamentação sobre a previdência privada no
Brasil.

A Previdência Oficial no Brasil tem a seguinte estrutura:


 Regimes Próprios para os poderes: executivo, legislativo, judiciário e militar
 Previdência Social, para os celetista e contribuintes individuais
 Previdência Privada: - Entidade Abertas e Entidades Fechadas.

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A previdência privada aberta está disponível para todos os brasileiros, com poder
aquisitivo para manter o pagamento do prêmio, mantida as características específicas
de cada produto. São ofertadas pelas Seguradoras e, no Brasil, principalmente pelos
Bancos.

A previdência privada fechada está disponível para todos os empregados de empresa


(ou grupo de empresas) patrocinadoras do plano de previdência. Recentemente
também foi colocada à disposição de participantes filiados a uma entidade
representante de classes, como CRC, OAB, Sindicatos etc.

1.2 Estrutura do Sistema Nacional de Previdência Privada

1.2.1 Principais Instituições com vínculo com a Entidade de Previdência


Privada Fechada:

• MPAS – Ministério da Previdência e Assistência Social – Órgão Máximo de


Orientação, Controle e Fiscalização do sistema de Previdência;
• CGP – Conselho de Gestão da Previdência Complementar, vinculado ao
MPAS - responsável pela fixação de diretrizes e normas do sistema;
• SPC – Secretária da Previdência Complementar, vinculada ao MPAS –
responsável pela orientação, controle e fiscalização das Entidades de
Previdência Privada Fechada; (está em formação a Superintendência de
Previdência Complementar, já criada juridicamente e em estágio de
estruturação).
• ABRAPP – Associação Brasileira de Previdência Privada Fechada;
representa as entidades de previdência privada fechada;
• Legislação Básica que regulamenta o segmento:
• Lei 6.435 de 15/07/1977, revogada pela Lei Complementar nº 109, de
29.05.2001.
Decreto 81.240 de 20/01/78 revogado pelo novo Decreto 42.206, de 23/04/2002.

Previdência Privada
Fechada

MPAS - Ministério da Previdência


de Assistência Social

CGP – Conselho de Gestão da


Previdência Complementar
Presidente: Ministro da
Previdência

SPC – Secretaria de
Previdência Complementar
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ABRAPP – Associação
Entidades de Previdência Brasileira de
Privada Fechada ou Previdência Privada
Fundos de Pensão Fechada Previdência
Complementar

Artigo 1 - A nova Previdência Complementar


- Ricardo Berzoini e Adacir Reis
Folha de S. Paulo, 10 de junho de 2003
(parte do artigo)

Tradicionalmente, os fundos de pensão no Brasil, operados pelas entidades fechadas


de previdência complementar, juridicamente sem fins lucrativos, são criados a partir
do vínculo mantido entre empresas e trabalhadores.

Tal sistema conta atualmente com 2,3 milhões de participantes ativos e assistidos
vinculados a fundos de pensão, detentores de uma poupança previdenciária de
aproximadamente R$ 200 bilhões. Trata-se ainda de um número pequeno de pessoas
e de recursos, se levado em conta o potencial existente.
Com as recentes deliberações do Conselho de Gestão da Previdência Complementar,
órgão regulador do sistema de fundos de pensão fechados, já podem ser criados
planos de previdência por sindicatos e entidades de profissionais liberais,
aproveitando-se a identidade de grupo existente entre os associados de sindicatos e
entidades classistas e setoriais.

Tais planos devem se orientar pelas regras gerais dos fundos de pensão tradicionais,
subordinando-se ainda a condições específicas, a saber: os planos serão constituídos
na modalidade de contribuição definida, o patrimônio desses planos de previdência
deverá estar completamente segregado do patrimônio do instituidor e deverão contar
com uma gestão rigorosamente profissional.

O sindicato ou entidade de classe, denominado "instituidor", tanto poderá constituir


uma entidade fechada de previdência complementar própria, sem finalidade lucrativa,
como poderá, por meio de convênio de adesão, instituir um plano junto a uma
entidade fechada de previdência que já esteja em funcionamento. Considerando que a
nova legislação (LC 109/01) em vigor estabelece que os planos terão "independência
patrimonial", a tendência, sobretudo no caso dos planos criados por instituidores,
deverá ser a otimização de uma mesma estrutura administrativa, aproveitando-se os
fundos de pensão já existentes, com redução de despesas administrativas e, ao
mesmo tempo, com a maximização dos ganhos de escala.

Os planos de previdência criados pelos "instituidores" tanto poderão ser custeados


exclusivamente pelo participante, como poderão receber contribuições previdenciárias
do empregador, sem que este assuma, porém, a condição de "patrocinador" do plano.
Nas duas situações haverá mais liberdade para as partes contratantes. Na segunda
hipótese, as contribuições do empregador poderão ser eventuais, periódicas ou

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regulares, o que ficará convencionado por meio de contrato civil específico, dando aos
fundos de pensão maior flexibilidade e dinamismo.

Os empresários, por meio de negociações coletivas, serão convidados pelas entidades


associativas instituidoras de planos de previdência a aportar recursos para esses
planos de aposentadoria complementar, fato que ampliará consideravelmente as
hipóteses de novas modelagens de planos previdenciários.

O aproveitamento da identidade de grupo (vínculo associativo) para uma finalidade


previdenciária tem inúmeras vantagens, dentre elas, o estreitamento da relação entre
a direção dessas entidades e seus associados, custos de administração menores,
incentivos fiscais e maior rentabilidade, já que nos fundos de pensão fechados todo o
ganho obtido com as aplicações das contribuições são revertidas exclusivamente aos
participantes do plano previdenciário.

A criação de planos de previdência por sindicatos e demais entidades associativas


contribuirá para se construir no País uma cultura previdenciária cada dia maior,
independentemente de outros passos que estão sendo dados para a modernização da
estrutura previdenciária brasileira.

1.2.2 Principais Instituições com vínculo com a Entidade de


Previdência Privada Aberta:
 CNSP – Conselho Nacional de Seguros Privados, Órgão responsável pela
fixação de diretrizes e normas da política de seguros privados no Brasil. É
composto pelo Ministro da Fazenda, Superintendente da SUSEP, Presidente do
IRB, Presidente do Banco Central do Brasil, um representante do Ministério da
Justiça, um do Ministério do Planejamento, e quatro da iniciativa privada.

 SUSEP – Superintendência de Seguros Privados, vinculada ao CNSP –


responsável pela fiscalização, orientação e controle do segmento de
previdência aberta e seguros em geral.

 IRB – Brasil Resseguros S.A


Sociedade cuja finalidade é regulamentar o cosseguro, o resseguro, a
retrocessão e promover o desenvolvimento das operações de seguros no País.

Previdência Privada
Aberta

CNSP - Conselho Nacional de


Seguros Privados
Presidente: Ministro da Fazenda

SUSEP – Superintendência
de Seguros Privados

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IRB – Instituto de
Resseguro do Brasil

Seguradoras, Capitalização e
Previdência Privada Corretoras
os de Pensão

1.3 CONCEITOS:
1. O que é Ciências Atuariais? -
É o ramo do conhecimento que lida com matemática de seguros, incluindo
probabilidades. É usada para garantir que os riscos sejam cuidadosamente
avaliados, que os prêmios sejam estabelecidos adequadamente pelos
classificadores de riscos e para que se faça a adequada provisão para os
pagamentos futuros de benefícios. (Dictionary of Insurance Terms – Copyright 1995
by Barron’s Educantional Series, Inc).

2. Quem é o Atuário?
O atuário é o profissional preparado para mensurar e administrar riscos, uma vez
que a profissão exige conhecimentos em teorias e aplicações matemáticas,
estatística, economia, probabilidade e finanças, transformando-o em um verdadeiro
arquiteto financeiro e matemático social, capaz de analisar concomitantemente as
mudanças financeiras e sociais no mundo.
(Legislação relativa à regulamentação da profissão: DECRETO-LEI Nº 806 – DE 04 DE
SETEMBRO DE 1969)

Qual é o mercado de trabalho de um atuário?


Entidades de Previdência, Seguradoras, Instituições Financeiras, Empresas de
Capitalização, Órgãos Governamentais, Perícia Técnica Atuarial, etc.

Com quais disciplinas “Técnica Profissional Atuarial” está


correlacionada?
Disciplinas
º Contabilidade Introdutória I
Seminários
Método do Estudo e da Investigação Científica
Língua Portuguesa I
Instituições de Direito
Matemática Básica
º Introdução à Administração
Contabilidade Introdutória II
Matemática Financeira

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Direito Administrativo
Expressão e Comunicação
Métodos Quantitativos
º Computação Aplicada à Contabilidade
Finanças Públicas
Contabilidade Comercial
Teoria da Contabilidade
Tópicos de Filosofia
Estatística Aplicada
º Contabilidade de Instituições Financeiras
Contabilidade de Custos
Contabilidade Pública
Introdução à Economia
Direito Tributário
Direito Empresarial
º Contabilidade Tributária
Contabilidade de Serviços
Auditoria Contábil
Contabilidade Avançada
Contabilidade Industrial
Técnica Comercial
º Estágio de Prática Contábil I
Prática Contábil Atuarial / Contabilidade
Atuarial
Auditoria Contábil Aplicada
Ética Profissional e Legislação Aplicada
Contabilidade Rural
Legislação Social e Trabalhista
º Estágio de Prática Contábil II
Contabilidade Gerencial
Controle Orçamentário, Financeiro e Empresarial
Análise das Demonstrações Contábeis
Teologia e Ciências Sociais e Humanas Aplicadas
Inglês Instrumental
º Gestão Estratégica
Controladoria
Perícia Contábil
Estágio de Prática Contábil III
Antropologia e Modernidade

Para que você, aluno, tenha condições de compreender o conteúdo desta disciplina
será necessário buscar os conhecimentos já adquiridos de matemática básica e
financeira I e II, probabilidade, contabilidade securitária, e planilha eletrônica (excel).

Qual é o Perfil Desejado do Egresso do Curso de Ciências


Contábeis da UCG?

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“...o perfil desejado do egresso é o de um profissional com visão
empreendedora, ética, adaptável e socialmente responsável.” (Projeto
Político Pedagógico – CON/UCG)

Por que um aluno de contabilidade precisa ter noção de


matemática atuarial?
O contador atua, também, nas mesmas empresas que o atuário, assim para que
possa efetuar a contabilidade ou auditar empresas de previdência, seguradoras e
empresas de capitalização ele precisa ter noção dos cálculos que gera a conta mais
importante do passivo, “a reserva matemática”, e as variáveis que podem modificá-
la. Nestes últimos anos com as privatizações, aquisições e fusões de empresas que
possuem previdência privada fechada, também, tornou-se imprescindível o contador
analisar o fundo de pensão que compõe o passivo da empresa.

Texto 1 - O contador e a matemática atuarial – por Salézio


Dagostim
Contador CRC/RS 23.113 – consultado em
Presidente da Confederação Nacional dos Contadores

Uma questão que passou a ser objeto de debates é: por que o contador deve
ter pleno domínio da área atuarial, já que existe um curso que forma de
atuários?

O Conselho Nacional de Educação, através da Câmara de Educação Superior,


determinou, pela Resolução n°6, de 10.03.2004, que os cursos de Ciências
Contábeis devem “ensejar condições para que o profissional contábil esteja
capacitado a compreender as questões cientificas, técnicas, sociais,
econômicas e financeiras em âmbito nacional e internacional, nos diferentes
modelos de organização, assegurando o pleno domínio das responsabilidades
funcionais envolvendo apurações, auditorias, perícias, arbitragens,
domínio atuarial e de quantificações de informações financeiras,
patrimoniais e governamentais, com a plena utilização de inovações
tecnológicas, revelando capacidade crítico-analítica para avaliar as
implicações organizacionais com o advento da tecnologia da
informação” (grifos nossos).

Acontece que os conhecimentos na área de matemática atuarial, para o


contador, não devem ser vistos como conhecimentos básicos, como aqueles
que se adquirem quando ele estuda administração e economia, mas sim como
conhecimentos específicos.

O art. 1.188 da Lei n° 10.406/2002, Código Civil Brasileiro, estabeleceu que o


balanço patrimonial deverá exprimir, com fidelidade e clareza, a situação real
da empresa. Assim, que responsabilidade terá o contador ao aprovar o balanço
patrimonial das empresas que captam recursos com o objetivo de oferecer
serviços no futuro ou retribuí-los, devolvendo-os a título de pensão ou
aposentadorias e, ainda, repondo perdas por sinistros, se ele não possui
conhecimentos em matemática atuarial para elaborar os cálculos necessários?
Como se sabe, os valores arrecadados só se constituirão em receita se esta
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representar a contrapartida pela entrega de bens ou serviços, caso contrário,
esse recebimento correspondera a um passivo.

Evidentemente, está contido nestas parcelas arrecadadas um percentual de


taxa de administração que comportará a manutenção da empresa. Então, do
total arrecadado, parte é passivo e parte é receita. Assim, os conhecimentos
atuariais, para o contador, são indispensáveis para que ele possa calcular o
quanto desses valores representa receita e quanto representa passivo.

Ora, se o contador tem responsabilidade pela elaboração do balanço


patrimonial, pela expressão da real situação da entidade, como poderá
divulgá-lo se não tiver conhecimentos plenos da matemática atuarial? De igual
modo, ele não pode depender de alguém que faça os cálculos para ele. O
contador deve ter domínio dessa disciplina porque ela faz parte de seus
compromissos profissionais.

É por isso que devemos aplaudir a decisão do Conselho Nacional de Educação


de exigir que, no curso de Ciências Contábeis, o contador deve dominar a
matemática atuarial para que a sociedade saiba da real situação das empresas
que captam recursos públicos para retribuí-lo a título de aposentadoria,
pensão, seguro, etc., sem que, para isso, fique dependente do atuário.

Texto 2 - Evolução Histórica da Ciência Atuarial e dos Seguros


Elis Regina de Oliveira

Na antiga Roma, antes da era cristã, actuarius era o secretário do senado que
anotava e divulgava ao povo os assuntos analisados nas sessões senatoriais.
Posteriormente passou a ser extensiva ao escrivão público que tratava dos
registros de nascimentos e óbitos. Atingindo novo estágio, a palavra atuário foi
utilizada para identificar os pesquisadores que organizaram tábuas de mortalidade
e que, lançando mão de recursos estatístico-matemático, foram responsáveis pela
evolução do seguro de vida, que transpondo a barreira do empirismo passou a ser
operado em bases científicas.

Destacaram-se estudiosos de várias origens: Domitius Ulpianus, que tem o


primeiro título de atuário na história, segundo a bíblia do seguro de vida, e John
Grant, a quem foi dado o título de inventor da Ciência Atuarial. Vários foram os
atuários pioneiros, que muito contribuíram para o desenvolvimento desta área. No
entanto não poderíamos deixar de citar: Blaise Pascal, pelo desenvolvimento da
Teoria das Probabilidades e Dr. Edmund Halley, por ter construído cientificamente
a primeira tábua de mortalidade, em 1693. O seguro de vida e de previdência
foram os mais rapidamente beneficiados com a Teoria das Probabilidades.

A necessidade de mínima proteção à família e aos próprios tripulantes e aos donos


de embarcações, fez surgir o “contrato de seguro marítimo”.
O seguro pecuário de bovinos e o marítimo são conhecidos como os mais antigos.
No final da Idade Média teve início a formação do “Instituto do Seguro”, com o
aparecimento de contrato e emissão de apólice. Existem registros de contratos de
seguro realizado em Gênova em 1347. Entre 1367 a 1368 Portugal instituiu um

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seguro marítimo obrigatório sob a forma de mutualismo, para todos os navios de
mais de 50 toneladas existentes no País.

Na Idade Moderna (1453 a 1789), outras modalidades de seguros foram surgindo


sempre baseado na necessidade apresentada por alguma perda ou dano à vida ou
ao patrimônio. Intensificaram o seguro contra fuga de escravos, surgiram: o seguro
contra incêndio, após o grande incêndio que destruiu aproximadamente 13.200
casa e 89 igrejas em Londres, no ano de 1666; o seguro de responsabilidade civil
contra terceiros, o seguro contra acidentes pessoais, o seguro agrícola, etc.

Antes da Revolução Industrial, no século XVII, o trabalhador possuía os seus


próprios instrumentos de trabalho, a organização do trabalho era de forma familiar,
e sempre que a pessoa perdia a capacidade de trabalho, quer seja por idade
avançada ou doença, a própria família o amparava.

Com o surgimento das fábricas e o grande número de empregados, distanciados


de seus próprios instrumentos de produção, o desamparo ao trabalhador no
momento da velhice ou doença tornou-se uma realidade latente.
Na Alemanha, onde foi publicado pela primeira vez O Capital, de Karl Marx, vários
intelectuais com visão socialista, perceberam a insatisfação e o risco que os
trabalhadores corriam, e em conjunto com eles pressionaram o Governo para
ampará-los. Assim, em 1883, foi criado o seguro saúde estatal, e em 1889, por
força de lei foi criado o primeiro “seguro acidente de trabalho”, na forma de
benefícios de invalidez e “velhice”.
A Ciência Atuarial desenvolveu-se inicialmente de forma significativa nos países:
Inglaterra, Alemanha e França.

No Brasil, a prática de seguros e previdência era incipiente antes da vinda da


família real. O que existia era uma “assistência” de forma mutualista , sem bases
técnicas. A Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro, de Santos e de Salvador
prestavam assistência de modo geral, mantendo hospitais, casa de idosos,
orfanatos e casas de amparos aos seus associados e desvalidos.

Com a abertura dos portos em 1808 por D. João VI, houve campo para começar a
explorar o seguro marítimo.
Em 1828 foi criada a “Sociedade de Seguros Mútuos Brasileiros”. A promulgação
do Código Comercial, em 1859, regulando inclusive as operações de seguros,
trouxe maior confiabilidade ao sistema de seguros, permitindo inclusive a vinda de
empresas estrangeiras para trabalhar no Brasil.
Em 1916 foi promulgado o Código Civil Brasileiro, com o capítulo XIV dedicado
exclusivamente ao “Contrato de Seguros”, a partir de então foi liberada a prática de
seguro de vida individual e em grupo.
Com o governo de Getúlio Vargas (1931) o mercado segurador ganha um grande
impulso, inclusive o seguro social. Em 1932 foi instituído o primeiro sistema
completo de seguros sociais, cobrindo risco de invalidez, velhice e morte. A
Previdência Social, no Brasil, teve início com a Lei “Eloy Chaves” (1923), a partir de
então foram criadas várias Caixas de Aposentadorias e Pensões ( Ex. ferroviários,
bancários, comerciários, industriários, etc.), que em 1966 foram unificados,
surgindo o INPS – Instituto Nacional de Previdência Social.

Bibliografia consultada:

15
RAMOS, Severino G. – Noções de Previdência Aberta, 1988 – FUNENSEG, Rio de
Janeiro.
PÓVOAS, Manuel – Previdência Privada, 1985 – Ed. Fundação Escola Nacional de
Seguros – FUNENSEG, Rio de Janeiro.
FERREIRA, Weber J. - Coleção Introdução à Ciência Atuarial – Vol. I e II. Editado pelo
IRB, Rio de Janeiro, 1985.

Panorama da Previdência Social – Dezembro/2006

Déficit da Previdência é administrável, diz ministro - Gazeta do Sul - Santa Cruz do


Sul,RS,Brazil

O ministro da Previdência, Nelson Machado, afirmou nesta terça-feira que o déficit da


Previdência Social é administrável e pode chegar a um equilíbrio. Segundo ele, o rombo
da Previdência Urbana, que exclui os gastos com a Previdência Rural, fechará 2006 em
R$ 13 bilhões. De janeiro a novembro deste ano o déficit total da Previdência já está em
R$ 40,419 bilhões, número que é 23,6% maior que o mesmo período do ano passado.

Confira a entrevista "Mas se tirarmos a renúncia fiscal do Supersimples e das entidades


filantrópicas, chegaríamos a um déficit (da Previdência Urbana) de R$ 4 bilhões este ano.
Dá para buscar um equilíbrio", afirmou o ministro à rádio Bandeirantes.

Segundo ele, há analistas que ampliam o déficit "até as nuvens", e outros que o negam.
"A realidade está no meio. Nós temos que entender que a Previdência Social muitas
vezes é confundida com a seguridade, que envolve Previdência, assistência e saúde. Isso
gera muita confusão", disse.

O ministro afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu a ele a missão de
combater as fraudes e as filas no INSS. "Estamos trabalhando com um planejamento
estratégico, perseguindo esses dois objetivos", disse.

Segundo Nelson Machado, o recadastramento foi a principal ação contra as fraudes. "O
recadastramento é uma obrigação imposta pela lei desde a década de 90 e nunca foi
feito. Ele ainda não terminou, embora já tenhamos feito a maior parte". De acordo com
ele, o Ministério da Previdência irá cancelar em torno de 1% ou 0,8% da massa de
benefícios após a atualização dos dados. "Como temos um gasto de R$ 165 bilhões, se
for 1% isso significa uma economia de R$ 1,6 bilhão", calcula.

Previdência: participe do debate


Lula sabe que não conseguirá levar a situação em banho-maria por muito tempo. O déficit aumenta
consideravelmente, engessando a economia.
A sociedade civil parece que, enfim, começou a se mobilizar em busca de soluções para os problemas da
Previdência Social. Desde a reeleição do presidente Lula, diversos setores têm discutido propostas para
alterar a legislação atual e evitar que o rombo no setor alcance proporções incontornáveis. Em 2006, a
conta negativa deve atingir R$ 42 bilhões, abaixo das previsões do Planalto, mas assustadora pela
dimensão que pode atingir se nada for feito nos próximos anos.
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O cenário para a realização de uma ampla reforma na Previdência Social nunca foi tão favorável. Nas
últimas semanas, o debate esquentou. Análises, comentários, artigos e estudos universitários vieram à tona,
cada um com uma fórmula mágica que promete amenizar os efeitos das aposentadorias e pensões nos
cofres públicos. Em um aspecto, porém, todos parecem concordar: a reforma é prioridade, além do combate
à sonegação, às maracutaias e aos erros de gestão.
O presidente Lula ainda não se posicionou firmemente sobre o assunto. Em um momento, parece disposto
a negociar as mudanças nas regras das aposentadorias. No outro, mantém a discrição e joga a discussão
para o ano que vem. Dessa forma, evita o desgaste com companheiros de partido e com os aliados, que no
momento preocupam-se apenas com a Esplanada dos Ministérios. Mas Lula sabe que não conseguirá levar
a situação em banho-maria por muito tempo. O déficit aumenta consideravelmente, engessando a
economia.
Em meio ao aumento da longevidade, é impossível conceber que um trabalhador continue a se aposentar,
em média, com 53 anos. Mais do que nunca, está claro que deve haver uma definição de uma idade mínima
para que as pessoas deixem o mercado de trabalho. Tem gente que fala em 60 anos, 65, 67, e por aí.
Outro ponto polêmico deve se concentrar na indexação das aposentadorias ao salário mínimo. A regra atual
incide diretamente no cálculo dos reajustes do mínimo para quem está na ativa e causa impacto nas contas
públicas. Uma solução seria desvincular os pagamentos de aposentadorias, criando um índice específico
que não prejudique os 17 milhões de beneficiários que hoje integram o sistema previdenciário no país.
Como se vê, não se trata de uma equação simples de ser resolvida. Nos próximos meses, o debate deve se
intensificar. Os empresários e as entidades de classe já estão se mexendo, defendendo seus interesses
para evitar que alguns de seus direitos sejam suprimidos. Não fique alheio à discussão, mesmo que você
ainda esteja longe da aposentadoria. Aproveite o momento para se inteirar sobre o assunto e cobrar um
posicionamento firme daquele deputado que levou seu voto na última eleição. (MILTON DALLARI - Diário
da Tarde)

Defesa da Previdência
Os privatistas pregam que se deve privatizar a Previdência, porque há déficit e se vive muito. Propõem ou
impõem: reformas neoliberais, desvinculação entre aposentadoria e salário-mínimo, corte de benefícios
sociais e a alta-programada – que força o segurado doente a retornar ao trabalho.
Tentam impor a Super-Receita: golpe fatal do governo sobre a Previdência Pública. Falam em melhorar o
sistema, colocando os recursos da Previdência no caixa do Tesouro, mas querem é abocanhar mais de R$
400 bilhões (contribuições previdenciárias e créditos inscritos em Dívida Ativa da União) e ter mais recursos
para pagar juros, como fazem com os recursos da CPMF, que deveriam ir para a saúde, e com a DRU
(Desvinculação das Receitas da União) – 20% dos recursos da Seguridade Social e de outras áreas usados
para pagar juros das dívidas interna e externa.
Vale lembrar que:
- A Previdência Pública é o maior patrimônio construído com o dinheiro do povo brasileiro. O maior
programa social do país (20 vezes maior que o Bolsa-Família). Patrimônio dilapidado, por meio de desvios
legais e ilegais, sonegações e fraudes gigantescas;
- A previdência tem mais de R$ 250 bilhões a receber dos devedores;
- De cada três aposentados e pensionistas, dois recebem benefício de um salário mínimo;
- A aposentadoria rural reduz o êxodo rural;.
- Com a Previdência privatizada, os trabalhadores rurais e cerca de 40 milhões de trabalhadores informais
serão excluídos.
A Super-Receita visa a acabar com a Previdência Pública: retira do INSS o poder de fiscalizar, arrecadar e
cobrar administrativa e judicialmente as contribuições, que legalmente lhe pertencem. Ela coloca em risco
os serviços de saúde e assistência social e o pagamento de aposentadorias e pensões a 23 milhões de
pessoas.
Apesar do baixo crescimento, desemprego e descaso do governo, a Previdência não é deficitária.
O falso déficit considera as receitas de contribuição do empregador e dos trabalhadores, conforme a Lei de
Responsabilidade Fiscal - LRF. Não leva em conta a receita total da Seguridade Social, como determina a
Constituição: contribuição sobre a folha de pagamento, lucro, receita da Contribuição para o Financiamento
da Seguridade Social (Cofins), de loterias e a contribuição sobre a movimentação financeira (CPMF)).
Em 2004, a Previdência teve superávit de R$ 8,2 bilhões, e a Seguridade Social, de R$ 32 bilhões (Denise
Gentil, Jornal UFRJ, Jan/06).
Defenda a Previdência Pública. Diga não à Super-Receita e às reformas neoliberais! (Gazeta Online - Marli
Brígida é diretora do Sindprev/ES)

52% da população ocupada não paga Previdência


Mais da metade (52,4%) da população ocupada no País não contribui para Previdência Social, segundo os
Indicadores Sociais 2005 divulgados nesta quarta pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Entre os Estados, os maiores porcentuais de trabalhadores que não contribuem para a Previdência estão no
Piauí (80,4%), Maranhão (79,5%), Ceará (72,2%), enquanto o menor porcentual situa-se no Distrito Federal
17
(34,2%). Em São Paulo, o porcentual de trabalhadores que não contribuem para a Previdência é o segundo
menor depois do Distrito Federal, com 36,3%.
A gerente de indicadores sociais do IBGE, Ana Lucia Saboia, disse que todo ano o instituto tem alertado,
com suas pesquisas, "que a questão da Previdência vai se agravar não só pelos indicadores demográficos,
mas também sociais".
A pesquisa revelou também que o porcentual de trabalhadores formais no total de ocupados subiu de 43,2%
em 1995 para 47,2% em 2005. O porcentual de ocupados com carteira assinada no período subiu de 28,3%
para 31,1%. O rendimento médio da população ocupada caiu de R$ 922,10 em 1995 para R$ 804,80 em
2005. (Estaminas)

Idosos são quase 10% da população brasileira


Em 2005, os idosos eram quase 10% da população brasileira. As pessoas com 60 anos ou mais de idade
somavam 18,1 milhões ou 9,9% do total da população.
A população idosa de 70 anos ou mais chegava a 4,4% da população.
O número de pessoas com 80 anos ou mais apresentou os maiores índices de crescimento entre 1995 e
2005. Eles eram 2,4 milhões em 2005 e foram beneficiados pelos avanços na área de saúde.
O aumento da esperança de vida e a queda na fecundidade resulta no incremento em termos absolutos e
relativos da população idosa. A vida média ao nascer subiu 3,4 anos entre 95 e 2005.
A população de idosos no país hoje é maior, em números absolutos, que as da França, Itália ou Espanha. A
Alemanha tem cerca de 20 milhões de idosos, e o Japão, 33,7 milhões.
A pesquisa constata ainda que aumentou o percentual de idosos morando sozinhos. Eles eram 11,3% em
1995 e passaram para 13,3% em 2005. No Sudeste, esse percentual entre as mulheres idosas é de 18,5%.
No Nordeste, o percentual de mulheres idosas que moravam sozinhas caiu de 13,7% em 1995 para 11,7%
em 2005. (Clarice Spitz - Folha Online)

Um país com mais velhos. E 13,3% deles vivem só


Em uma década, o Brasil viu subir em quase 50% o número de idosos - um acréscimo de cerca de 6
milhões de pessoas com 60 anos ou mais de idade. Eles representam hoje 18,1 milhões de brasileiros, 10%
da população. Além disso, o grupo dessas pessoas que vivem sozinhas passou de 11,6% para 13,3%. Mais
de 15% dos idosos de Rio, Goiás e Rio Grande do Sul, assim como das regiões metropolitanas de Porto
Alegre e Rio, enquadram-se neste perfil, que é mais freqüente entre as pessoas com mais de 70 anos.
O fenômeno, porém, apresenta uma inversão no Nordeste, região com o maior número relativo de
aposentados do País (72,2%). Lá foi registrada queda na quantidade de idosos que moram sozinhos,
embora isso tenha se restringido ao universo feminino. 'Uma hipótese é o peso dos benefícios, como
pensões e aposentadorias. Sozinhas, já que, em geral, a mulher vive mais do que o homem, e com recursos
na mão, elas acabam agregando os parentes', explica Lúcia Maria Cunha, do IBGE. (O Estado de S.Paulo)

Cresce o número de idosos que trabalham


A idade avançada não livrou do trabalho homens e mulheres com mais de 60 anos. No Brasil, 3,4 milhões
de idosos mantêm algum tipo de atividade produtiva. A Síntese dos Indicadores Sociais 2006 não mostra se
eles continuam na lida para por opção própria ou por necessidade financeira. Mas o fato é que 21,8% dos
moradores de Minas Gerais que venceram a fronteira dos 60 anos têm ocupação, mesmo se aposentados.
No «degrau etário» seguinte, que inclui maiores de 70 anos, o percentual de trabalhadores ativos que
também recebem pelo INSS é de 17,9%, no Estado.
Sebastião Alves dos Santos é um dos 162.004 mineiros com mais de 70 anos que trocam o suor por um
reforço no orçamento, apesar de ter renda fixa. Ele recebe um salário mínimo por mês, graças à
aposentadoria. Trabalhou a vida inteira, na roça e como pedreiro. E, hoje, vende até 40 marmitas por dia em
Belo Horizonte, a R$ 3 cada. «Minha mulher também ganha um salário mínimo. Moramos em casa própria,
mas a marmita é a «valência» (sic) da gente. Só o salário não dá».
Para dar conta do serviço, Sebastião pula da cama às 4 horas, ainda de madrugada. Ajuda a esposa a
preparar a comida, embala as refeições e deixa Santa Luzia, na Região Metropolitana, rumo à capital. Traz
todas as «quentinhas» em uma caixa de isopor, carregada nos ombros. «Chego em casa às 16h30, mas
ainda vou fazer as compras de alimentos para o dia seguinte», diz Sebastião. Apesar da rotina pesada, sem
folga aos fins de semana ou feriados, ele diz que não agüentaria ficar sem trabalhar. «Se eu parar,
adoeço».
Mas Sebastião é minoria. Segundo a demógrafa Luciene Longo, do IBGE, a maioria dos idosos tem outra
ocupação porque precisa. «Para eles, o valor da aposentadoria não contempla as necessidades básicas.
Mas, em teoria, quem está nesta faixa etária já trabalhou o suficiente e deveria apenas desfrutar a velhice»,
diz.
O estudo do IBGE também mostra o perfil desta faixa etária. O Brasil tem hoje 18,2 milhões de pessoas
com 60 anos ou mais. Destes, 2 milhões vivem em Minas Gerais, o equivalente a 10,5% da população no
estado. Quase 37% deles são analfabetos ou estudaram por menos de um ano e 65,5% tem rendimento
mensal per capita entre 0,5 e dois salários mínimos. Além disso, 59,3% dos idosos mineiros são
18
aposentados, 13,8% são pensionistas e 7,6% são aposentados e pensionistas.
Colapso
Outra constatação é que a população do país está aumentando. Em 2010, serão 196,8 milhões de pessoas,
6,7% a mais que hoje (184 milhões). Quarenta anos depois, a massa de brasileiros chegará a 259,7 milhões
de habitantes, ou 40,9% a mais do que em 2005.
Projeções de especialistas indicam ainda que o grupo etário até os 29 anos será reduzido em número até o
ano 2050. A partir daí, a proporção de pessoas mais velhas no conjunto de habitantes começa a aumentar.
A maior diferença mostra que o Brasil vai envelhecer. Em 2005, homens e mulheres com mais de 70 anos
eram 4,4% da população. Em 2050, serão 13,2% - nada menos que 34,2 milhões de idosos.
A situação preocupa porque menos da metade da população (47,2%) que trabalha contribui para a
Previdência Social atualmente, conforme o IBGE. Em Minas Gerais, 50% dos trabalhadores não pagam
INSS e o índice só melhora na RMBH, com 63,2% de pessoas economicamente ativas e ocupadas
contribuindo. «Neste ritmo, a Previdência não vai dar conta de atender a todos», diz a demógrafa Luciene.
(Ana Paula Lima - Hoje em dia)

Previdência deverá fechar com déficit de R$ 42,5 bilhões


Em novembro, arrecadação foi de R$ 10,41 bilhões e despesas, de R$ 13,3 bilhões
As contas da Previdência Social fecharam novembro com déficit de R$ 2,89 bilhões, segundo dados
divulgados ontem. Para dezembro, é esperado um saldo negativo um pouco menor: R$ 2,4 bilhões.
Tradicionalmente, o último mês do ano registra grandes déficits, mas este ano será diferente porque parte
do 13º dos aposentados já foi paga em setembro, pouco antes das eleições. Ao mesmo tempo, as
contribuições ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) serão calculadas sobre o valor integral deste
benefício.
No ano, o déficit deverá ser de R$ 42,5 bilhões, estimou o secretário de Previdência Social, Helmut
Schwarzer. Apesar de elevado, o déficit é menor do que o previsto no início do ano, que era R$ 50 bilhões.
A melhoria foi resultado do combate às fraudes, da medidas para melhorar a administração e da
recuperação do mercado de trabalho. Em 2007, porém, as contas poderão piorar novamente por causa do
novo valor do salário mínimo. A ser mantido o valor de R$ 380 defendido pelas centrais sindicais, o "rombo"
chegará a R$ 50 bilhões. De janeiro a novembro, o déficit já atingiu R$ 40 bilhões.
Em novembro, a arrecadação foi de R$ 10,41 bilhões e despesas atingiram R$ 13,3 bilhões. O saldo
negativo registrou uma pequena melhora em relação ao igual mês de 2005, com queda de 7,1%, e também
uma redução de 5,5% em comparação a outubro deste ano. O desempenho foi resultado da melhoria de
arrecadação e recuperação de créditos judiciais. "Houve ainda um reflexo positivo do aumento das
contratações formais no mercado de trabalho", comentou Schwarzer.
As despesas do INSS poderão ser reduzidas em R$ 1,6 bilhão em 2007, com o corte de benefícios pagos
indevidamente. Essa é a projeção de economia com o censo previdenciário que, até junho do ano que vem,
recadastrará 17,5 milhões de segurados, informou o secretário.
Ações de melhoria de gestão da Previdência, como o censo, mais rigor na liberação de auxílios-doença,
revisão nas aposentadorias por invalidez e controle nos valores das pensões são a aposta do Ministério da
Previdência para controlar o déficit nos próximos quatro anos . "Há muitas medidas na gestão que podem
ser adotadas antes de voltarmos a tratar de revisão de regras de concessão de benefícios", disse o
secretário.
Schwarzer argumentou que foram as medidas de saneamento das contas tomadas ao longo deste ano que
fizeram a projeção inicial de um déficit R$ 50 bilhões já no final de 2006 cair para R$ 42,5 bilhões. "A nossa
estimativa é um corte de 1% dos benefícios com o censo, o que dará uma economia de R$ 1,6 bilhão ano
que vem e isso é pura gestão", afirmou. (Isabel Sobral - Agência Estado/Jornal do Commercio)

Previdência volta a registrar recorde de arrecadação


Necessidade de financiamento cai 5,5% em relação a outubro
No último mês, a arrecadação líquida da Previdência Social manteve o bom desempenho do ano e registrou
o segundo maior valor na série histórica, atingindo R$ 10,4 bilhões. O valor é inferior apenas ao mês de
outubro de 2006 e aos meses de dezembro, quando há aumento significativo da receita por causa do
recolhimento de contribuições sobre o 13º salário. A diferença entre arrecadação e pagamento gerou uma
necessidade de financiamento de R$ 2,9 bilhões, 5,5% menor que em outubro de 2006 e 7,1% se
comparado ao mesmo mês do ano passado.
O secretário de Políticas de Previdência Social, Helmut Schwarzer, atribui a queda ao aumento da
arrecadação e às medidas de gestão adotadas pelo governo, como combate à sonegação, recuperação de
créditos e desempenho do mercado de trabalho. “O resultado foi muito influenciado pela boa performance
na área de recuperação de créditos com o ingresso de aproximadamente R$ 80 milhões por meio de
decisões judiciais, além do pagamento de benefícios previdenciários que está estabilizado em R$ 13,1
bilhões em função principalmente da estagnação da quantidade de auxílios-doença pagos pela Previdência
Social”, afirmou Schwarzer.O bom desempenho da arrecadação líquida é explicado pelo comportamento da
arrecadação corrente, que teve o segundo maior valor da série histórica. Na comparação com novembro de
19
2005 as receitas correntes cresceram R$ 1,2 bilhão (+12,7%). A arrecadação corrente é fortemente
vinculada ao mercado de trabalho formal e ao esforço de combate à sonegação efetuado pela Secretaria da
Receita Previdenciária. A arrecadação líquida da Previdência Social em 2006, acumulada até novembro,
atingiu R$ 107,2 bilhões, 10,5% (+R$ 10,2 bilhões) superior ao registrado no mesmo período de 2005.
Benefícios - Dos 21,54 milhões de benefícios pagos aos segurados do INSS, 14,26 milhões são da área
urbana e 7,28 milhões da área rural. Além disso, por delegação da Assistência Social, foram
operacionalizados 2,94 milhões de benefícios assistenciais. É importante ressaltar que o valor destinado ao
pagamento dos benefícios assistenciais não está inserido nos R$ 13,1 bilhões que foram pagos em
novembro, uma vez que sua despesa é custeada pelo Tesouro Nacional. No último mês, 16,4 milhões
(67,0%) dos benefícios pagos tiveram o valor de até um salário mínimo. Os benefícios pagos pela
Previdência Social atingiram, em outubro, o valor médio de R$ 582,97. (AgPrev)

Janeiro de 2007
Governo dá mais clareza às contas da Previdência
A iniciativa do governo de, por medida provisória, separar o que é despesa da previdência social do que é
gasto com incentivos e renúncias de contribuições para políticas sociais, é bem-vinda como meio de dar
maior transparência às contas da previdência e da assistência social. Isso vai deixar mais clara a
compreensão sobre o quanto custa, de fato, a previdência do trabalhador do setor privado urbano e rural, o
que é essencial para a discussão do regime geral e da sua sustentabilidade futura.
Segundo dados do Ministério da Previdência, em 2006 a arrecadação líquida do Regime Geral da
Previdência Social (RGPS) somou R$ 123,52 bilhões. Desses, os trabalhadores urbanos contribuíram com
R$ 119,71 bilhões. Já os rurais, incorporados ao sistema pela Constituição de 1988, entraram com apenas
R$ 3,8 bilhões. Como benefícios, os trabalhadores urbanos receberam R$ 133,2 bilhões, gerando um
déficit, portanto, de R$ 13,5 bilhões.
Já o déficit produzido pelas contas dos trabalhadores do campo é bem maior - R$ 28,56 bilhões -
considerando que no ano passado eles receberam a título de benefícios R$ 32,36 bilhões.
A soma dos subsídios concedidos por meio de renúncias de contribuições previdenciárias em 2006 foi de
R$ 18,06 bilhões. Aí estão incluídos R$ 9,71 bilhões em incentivos do Simples às pequenas e micro
empresas, os concedidos às entidades filantrópicas e isenção da CPMF para uma parte dos benefícios
recebidos pelos aposentados; R$ 1,78 bilhões para a exportação da produção rural com a isenção do
pagamento da contribuição previdenciária; mais R$ 4,6 bilhões decorrentes de alíquota menor de
contribuição para o produtor rural autônomo; R$ 1,388 bilhão para o empregador rural, além de R$ 512
milhões para o empregador doméstico e R$ 57,3 milhões para os clubes de futebol.
Pelos dados oficiais, enquanto os aposentados urbanos foram responsáveis por 32,1% do déficit
previdenciário total de R$ 42,06 bilhões, em 2006, os rurais contribuíram com 67,9% desse resultado.
Conclusão: o peso maior do déficit decorre da incorporação dos trabalhadores rurais no regime geral, pela
Carta de 88, sem que eles tenham contribuído no passado o suficiente para tal. Sobre isso, não há muito o
que fazer.
Já no que se refere às renúncias de receitas previdenciárias, estas não só são políticas de Estado que
podem ser reavaliadas, como não faz sentido considerá-las no momento em que se for discutir as contas de
longo prazo da previdência social. Esse é, portanto, o mérito da separação contábil que o governo está
pretendendo fazer: mostrar que dos R$ 42 bilhões do déficit de 2006, R$ 18,06 bilhões são subsídios do
Tesouro Nacional que nada têm a ver com uma política atuarial.
Para se ter maior clareza da dimensão das contas do RGPS, ao se incluir receitas perdidas com os
subsídios previdenciários e de CPMF, o déficit produzido pelo trabalhador privado urbano cai para apenas
R$ 3,8 bilhões e o do rural, para R$ 18,33 bilhões.
Esses dados, confrontados com o regime especial de previdência do servidor público, indicam que as
preocupações mais imediatas do governo federal deveriam estar centradas na regulamentação do fundo de
pensão do funcionalismo público e na efetiva aplicação da isonomia entre trabalhadores do setor privado e o
funcionalismo. O déficit produzido pelo regime próprio dos servidores públicos atingiu, em 2006,
assombrosos R$ 35 bilhões, segundo dados do Tesouro. E a reforma constitucional, aprovada em 2003
para atacar esse privilégio, sequer foi regulamentada até hoje, por divergências inclusive entre os três
Poderes que, se não forem superadas, perpetuam uma situação perversa.
A separação contábil entre benefícios e subsídios é, assim, uma medida de profilaxia que não pode ser
confundida com as questões mais estruturais da previdência social. Ao desidratar o déficit de gastos alheios
a ela, um risco, porém, deve ser evitado: o de considerar que, por ser menor do que se imaginava, a
questão de longo prazo está resolvida e não requer reparos substantivos. Ela será útil para as discussões
do fórum que o presidente Lula pretende instalar em fevereiro para ser o local do debate sobre a
sustentabilidade da previdência diante do aumento da expectativa de vida dos brasileiros. (Valor Online,
janeiro/2007)

20
Contrabando previdenciário
Foi o filósofo Descartes quem primeiro ensinou que a compreensão das coisas começa pela busca de idéias
claras e distintas. É o que o povo entende quando diz que é preciso desmisturar problemas.
Alguém pode ter imaginado que este foi o caminho tomado pelo presidente Lula para equacionar o
problema da Previdência. Ele determinou que, nas finanças do INSS, seja separado o rombo previdenciário
propriamente dito do rombo social. Seria um bom começo se a distinção contribuísse para o encontro de
uma saída. Mas o risco é o de que a manobra não passe de enganação.
No enorme déficit da Previdência, que, apenas em 2006, foi de R$ 42,06 bilhões (2,1% do PIB) e tende a
crescer exponencialmente, nem tudo é de natureza previdenciária. Há nesse buraco, só ele o equivalente a
pouco mais do que o governo federal arrecada em CPMF ao longo de um ano, dois contrabandos atuariais.
Lá estão as despesas com aposentadorias rurais pagas a 7,3 milhões de beneficiários que nunca
contribuíram para o INSS; mais as pagas a 3,0 milhões de beneficiários da Lei Orgânica da Assistência
Social (Loas).
Um dos contrabandos foi enfiado nas contas previdenciárias pela Constituição de 1988 que resolveu pagar
aposentadoria pelo piso mínimo (salário mínimo) aos trabalhadores rurais que não puderam participar do
sistema. Outro foi criado em 1993 pela Lei 8.742, que instituiu aposentadoria por idade para quem nunca
contribuiu. O texto original concedia o benefício aos 70 anos. Remendos posteriores baixaram a idade
mínima para 65 anos.
Esses contrabandos produzem muitas distorções. Uma delas é dispensar o beneficiário do INSS da
contribuição. É só esperar completar os 65 anos que o sujeito ganha do INSS um salário mínimo por mês
mais o 13º. Para que contribuir se às 65 velinhas o benefício vem de qualquer jeito? Isso não é só uma
injustiça para quem contribui; é, também, chamá-lo de trouxa por contribuir.
Outra distorção é a de que toda essa gente tem direito a aposentadoria pelo salário mínimo. Ora, o salário
mínimo vai sendo reajustado bem acima da inflação. De 2000 para cá, aumentou 131%, enquanto a inflação
do período foi de 64,3%. A partir de abril, o salário mínimo será reajustado em 5,3%, enquanto a inflação do
ano passado foi de 3,14%.
Isso significa que está sendo repassado um polpudo reajuste real para gente que, na condição de
aposentada, não participa de eventual aumento da produtividade nacional do trabalho.
Há anos, o especialista em Contas Públicas Raul Velloso vem defendendo a separação, na contabilidade
geral da Previdência, entre as despesas previdenciárias e as despesas sociais. Mas, para ele, a separação
seria só o começo de um processo que desembocaria na diferença de tratamento a cada segmento: os
aposentados propriamente ditos seguiriam tendo o benefício mínimo reajustado pelo salário mínimo,
qualquer que fosse ele, e os segurados sociais (o pessoal da aposentadoria rural e da Loas) teriam seu
benefício reajustado pelo nível que fosse previsto na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) aprovada pelo
Congresso.
Para o presidente Lula, no entanto, a desmistura tem um único objetivo: o de deixar mais claro que
um pedaço enorme do rombo não é previdenciário, mas social e que, em sendo assim, xô reforma da
Previdência. Que o Tesouro se encarregue de pagar os compromissos assumidos em governos
passados e tal.
Determinar que o Tesouro assuma o que lhe cabe não muda nada, uma vez que já é o Tesouro que banca
o rombo inteiro, seja ele previdenciário ou social.
O presidente Lula determinou também a criação de um fórum para estudar uma solução. Ora, este é um
problema mais do que estudado. Será difícil garimpar idéia nova sobre um tema já tantas vezes e tão
profundamente discutido. O fórum tem tudo para não passar de um enterro de primeira classe para uma
questão que Lula não quer resolver.
Enfim, as coisas não mudam apenas com a separação do líquido em garrafas de cores diferentes e com a
criação de mais um grupo de trabalho.
O problema é que, previdenciário ou social, o rombo do INSS bloqueia a administração pública, não deixa
recursos para o investimento e é uma das travas citadas pelo presidente Lula que geram o crescimento
medíocre. (CELSO MING - O Estado de S.Paulo – janeiro/2007)

Texto 3 - A contabilidade e a Previdência – FEV/2007

Fernando Albino

A Previdência social brasileira está tecnicamente falida, o que exigirá constantes injeções de
recursos orçamentários
O Governo Federal manifestou sua intenção de promover uma separação contábil entre o déficit
da Previdência, que seria escriturado como tal, e a soma dos benefícios de assistência social que
21
seriam atribuídos diretamente ao tesouro nacional. Qualquer que seja a rubrica contábil escolhida,
o fato numérico é que o ano de 2006 terminou com uma falta de R$ 42 bilhões entre o arrecadado
e as despesas, o que foi suportado pelo contribuinte. As perspectivas só tendem a piorar. Os
números indicam uma contínua defasagem entre as obrigações dos benefícios e os valores a serem
arrecadados. A par disso, a estrutura demográfica da população brasileira não ajuda, pois ainda
temos um número grande de jovens fora da força de trabalho e um crescente envelhecimento a
sobrecarregar os compromissos previdenciários já assumidos pelo regime atual. Mesmo taxas
maiores de crescimento, ainda que aliviem, não seriam suficientes para reverter essa situação.
Em linguagem jurídica (e realista), a Previdência social brasileira está tecnicamente falida, o que
exigirá constantes injeções de recursos orçamentários, a serem custeados com os tributos. Esse
problema deve ser enfrentado com coragem pela sociedade, pois não podemos comprometer o
crescimento e as gerações futuras com uma atitude ilusória e irrealista.
Trata-se, assim, de conciliar a realidade numérica e os princípios que asseguram o direito
adquirido e a segurança jurídica. Desde logo, um conceito básico deve nortear qualquer reforma:
não se pode alterar um regime jurídico já consolidado em nome da necessidade de recursos. Essa
solução encontraria forte resistência perante o Poder Judiciário, além de ofender a garantia do
cumprimento do contrato, que deve caracterizar qualquer estado de direito. Resta, pois, arrumar o
futuro, o que significa conciliar o regime atual com as necessidades. Para tanto, várias alternativas
são possíveis. Todas elas implicam significativa mudança no regime atual, com sacrifícios para os
que ainda estão contribuindo.
A primeira decisão a ser tomada é a da convivência de regimes públicos com regimes privados.
Parece inatacável uma alternativa que deixe a cada um a escolha entre a previdência pública e a
privada. Essa solução desoneraria o Estado de uma parte do problema, que seria resolvido pelo
mercado. Note-se que essa solução seria de livre escolha dos particulares, sem que o Estado
tivesse de abrir mão de quaisquer de suas prerrogativas. O tempo de contribuição já existente seria
respeitado e assumido pelo Estado. Além disso, os planos privados seriam regulados pelo poder
público, que tomaria todas as providências para assegurar a boa saúde financeira das instituições
privadas.
Para aqueles que preferissem a previdência pública, a realidade indica que alguns remédios
amargos precisam ser tomados para que o paciente sobreviva. O primeiro deles é o aumento da
idade mínima para a obtenção do benefício da aposentadoria. Ainda que isso pareça desumano e
violentador do regime atual, uma maneira de fazer a mudança é a de postergá-la no tempo,
respeitados os direitos adquiridos até a data da alteração. Ou seja, a implementação da regra se
daria ao longo de alguns anos, de forma a que haja uma transição. Existem várias formas de
operacionalizar essa idéia, mas o fato é que a regra atual não coexiste com a realidade.
A segunda constatação é a de que só se pode receber aquilo para o qual se contribuiu. Nesse
sentido, tem razão o governo quando tenta separar o regime previdenciário propriamente dito com
a série de favores que ao longo do tempo foi sendo concedida. Um das razões da crise da
Previdência está na concessão por sucessivos governos de direitos sem contrapartida em efetivas
contribuições, como o caso das empregadas domésticas e, sobretudo, dos trabalhadores rurais.
Independentemente da justiça que lhes foi proporcionada e do caráter assistencial evidente das
medidas, o fato é que os números não suportaram essas benesses.
O terceiro aspecto é que de nada adianta o esforço da esfera federal de poder, sem que se resolvam
as pendências das previdências estaduais e municipais. A lei previdenciária há de ter caráter
nacional, obrigatória para estados e municípios. A reforma da Previdência vai exigir alteração do
texto constitucional e uma lei complementar aprovada pelo Congresso. Ou seja, a sociedade
deverá se engajar nesse esforço de colocar a casa em ordem para tranqüilidade de todos,
especialmente para desonerar o Estado das peias insuportáveis de suprir o sistema previdenciário
dos recursos para suportar benefícios impagáveis.
Resta saber até que ponto o atual governo irá enfrentar o problema. A atitude mais cômoda é a de
continuar vivendo como se nada estivesse acontecendo, aguardando um milagre da multiplicação
de recursos, que não virá mesmo com o crescimento. O comportamento sério é o de encarar o

22
problema e começar a discussão com a sociedade. Soluções não faltam e os especialistas aí estão;
o problema é só a decisão política. (DCI – Diário do Comércio, Indústria e Serviços –
www.dci.com.br 06/02)

07 de fevereiro de 2007 - 09:48

Texto 4 - Financial Times diz que PAC é ´tímido´ e cita reformas


Segundo o jornal britânico, País precisa implementar reformas na Previdência Social e nas leis trabalhistas para
alcançar taxas de crescimento maiores
João Caminoto

LONDRES - O jornal britânico Financial Times, em editorial publicado nesta quarta-feira, qualifica como
"tímido" o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e diz que o governo brasileiro precisa
implementar reformas na Previdência Social e nas leis trabalhistas para alcançar taxas de crescimento
econômico maiores.

"O presidente Luiz Inácio Lula da Silva começou seu segundo mandato de governo com um novo programa
e uma ênfase bem-vinda no problema econômico de seu país: a baixa taxa de crescimento", afirma o jornal
financeiro britânico. "Medidas para estimular o investimento em infra-estrutura são muito necessárias se o
Brasil pretende se expandir acima da média anual de 2,5% que registrou nos últimos anos. Mas a nova
política de Lula não chega nem perto do que é necessário."

Segundo o FT, se o Brasil pretende adquirir o mesmo dinamismo econômico que seus competidores
emergentes na Ásia e Europa, o presidente precisa resolver dois problemas estruturais: "o absurdamente
injusto sistema de seguridade social e as leis trabalhistas antiquadas do Brasil".

O jornal observa que embora o aumento do investimento previsto pelo PAC possa gerar uma pequena
redução no superávit primário de 4,25% do Produto Interno Bruto (PIB), o gasto adicional não representa
uma ameaça à ordem fiscal. "De qualquer maneira, o investimento em infra-estrutura é desesperadamente
necessitado", escreve.

"Certamente faz sentido melhorar a qualidade das estradas e dos portos para que os exportadores possam
tirar vantagem da forte demanda internacional, especialmente para produtos agrícolas altamente
competitivos como a soja, carne, etanol e valiosas matérias-primas."

O FT observa que outros elementos do pacote econômico, como a expansão das facilidades de crédito e os
incentivos fiscais para investidores também são positivos. "Como também são as medidas que o governo
pretende implementar que têm o objetivo de simplificar os procedimentos de registro de empresas e reduzir
a enorme complexidade do sistema tributário do Brasil - se elas se materializarem como prometido."

Mas o jornal diz que o presidente deveria ter sido mais corajoso. "Com elevados níveis de apoio popular e
condições favoráveis nos mercados internacionais, essa teria sido uma época ideal para iniciar uma muito
atrasada reforma das leis trabalhistas, entre as quais algumas são datadas dos anos 30", diz o jornal.
"Designadas para proteger os menos favorecidos, elas freqüentemente acabam beneficiando grupos
seletos de trabalhadores de elite nas estatais e do setor público e afastam os pobres de qualquer acesso
aos mercados trabalhistas formais." O jornal observa que Lula começou a reformar o sistema de
previdência social em 2003, mas obteve "pouco progresso" nessa área.

Segundo o FT, reformas nessas duas áreas não são consideradas prioritárias pelo governo. Mudanças no
sistema de seguridade social devem ser debatidas mas "parece improvável que ocorram; uma reforma
trabalhista está - como dizem ministros seniores - fora da agenda". Para o jornal isso "é uma pena", pois
sociais democratas no Chile e Europa beneficiaram seus países ao abraçarem reformas modernizadoras.
"Lula deveria fazer o mesmo", disse.

Texto 5 - “POR QUE NÃO TEMOS CULTURA DE SEGURO OU


PREVIDÊNCIA PRIVADA? “
Antônio Penteado Mendonça - O Estado de S.Paulo de 20/01/2003

23
Riqueza, poupança e seguro
Nenhuma nação do mundo é rica se não tiver uma sólida poupança interna. Como
poupança só pode ser feita através da acumulação de excedentes, ou seja, com a
economia do não comprometido com as necessidades da vida do cidadão, nenhuma
nação pode ser rica se não seguir o princípio básico do "dono da padaria": "se no fim do
dia entrar mais do que saiu, então, ganhei".
Infelizmente, a nação brasileira está no rol das sociedades sem poupança interna,
justamente porque a população não consegue poupar o excedente de sua riqueza, não
porque sejamos imprevidentes, mas, fundamentalmente, porque uma parte da população
não tem qualquer tipo de excedente, e a outra, que poderia eventualmente poupar, é
sacrificada por uma carga tributária injusta e mal dividida, que transfere para o governo
grande parte da riqueza gerada pelo trabalho da nação.
Se a contrapartida do governo fosse proporcional ao arrecadado, não haveria problemas,
o Brasil, como as nações escandinavas, teria acumulação de riqueza, já que o estado
proveria as necessidades básicas de infra-estrutura e condições de vida, como água,
esgoto, saúde, educação, alimentação, trabalho, seguro desemprego e moradia para a
população, que, precisando gastar muito pouco da própria riqueza para ter um padrão de
vida digno, pouparia os excedentes.
O problema é que a contrapartida do estado brasileiro é pífia e o resultado disto,
dependendo da área, pode ser definido como casos típicos de duplo pagamento, já que a
sociedade é obrigada a pagar, além do imposto alto, mas inútil, a água mineral, a fossa
séptica, a escola, o hospital, o remédio, a complementação da aposentadoria, etc., porque
o governo não faz a sua parte, gastando mal o dinheiro que arrecada.
Se a solução deste nó fosse fácil, há mais de um século nós estaríamos entre as nações
ricas do mundo. Acontece que não é, e a prova é que até agora continuamos discutindo
como resolver nossos problemas, sabendo que temos de fazer uma série de reformas
estruturais, que são as mesmas há décadas, mas sem saber como começar e onde está
a melhor solução.
Mas há um outro fator que diferencia a sociedade brasileira das sociedades ricas: a
prevenção. As nações ricas não são ricas só porque faturam muito vendendo produtos
caros e por isso poupam muito. Elas são ricas, também, e principalmente, porque tomam
as providências necessárias para evitar que os riscos da vida se transformem em
prejuízos que as ameacem.
E isto é feito através de ferramentas antigas como as primeiras civilizações e que hoje se
materializam nas apólices de seguros e planos de previdência privada. As nações mais
ricas do mundo são exatamente as que têm o percentual mais alto de seguros por
habitante. Seja através de seguros sociais ou de seguros privados, elas transferem os
encargos dos prejuízos que afetam o bem-estar de sua população para fundos
específicos, encarregados de suportar o custo da manutenção ou reposição da riqueza
nacional, sem onerar a sociedade, que assim preserva a capacidade de acumulação da
riqueza necessária para os projetos em curso ou para aumentar a poupança interna e
financiar a um custo barato os investimentos futuros.
O Brasil ainda está antes da metade do caminho para atingir o patamar de seguros dos
países latinos mais desenvolvidos. Enquanto a atividade seguradora nacional tem uma
participação de pouco mais de 2% no PIB, nestes países ela chega perto de 6%.
Mas estamos na rota certa e os últimos oito anos foram importantes para criar a
mentalidade necessária para avançarmos mais. Acelerar o processo depende do governo.
A reforma da previdência é um passo importante, capaz de gerar, através da previdência
privada, uma poupança interna de perto de um bilhão de reais em relativamente pouco
tempo. Mas há mais a ser feito, no campo dos seguros de vida, dos planos de saúde e
dos seguros privados em geral. E aí, as mudanças são apenas técnicas.

24
Texto 6 - A Falência do Baring: Uma Lição de Risco
Philippe Jorion, p.29

Na manhã do dia 26 de fevereiro de 1995, a rainha da Grã-Bretanha acordou com a


noticia de que o Barings PLC, um banco venerável de 233 anos, havia falido.
Aparentemente, o colapso foi causado por um único operador, Nicholas Leeson, de 28
anos, que perdeu US$1,3 bilhão com derivativos, fazendo desaparecer todo o capital
acionário do banco.
A perda foi motivada por uma grande exposição ao mercado de ações japonês, através
de contratos futuros. Leeson, que era o principal operador de futuros do Barings em
Cigapura, acumulara posições do Barings nas bolsas de Cingapura e Osaka atingiu a
estonteante marca de US$ 7 bilhões. Quando o mercado caiu mais de 15% nos primeiros
dois meses de 1995, os futuros do Barings sofreram enormes perdas, que se agravaram
ainda mais com a venda de opções, que refletiam aposta em mercado estável. À medida
que se avolumavam as perdas, Leeson aumentava o tamanho da posição, acreditando,
obstinadamente, que agia corretamente. Então, como não conseguiu saldas seus
compromissos com as bolsas, simplesmente abandonou tudo em 23 de fevereiro. Mais
tarde, enviou um faz a seus superiores, pedindo “sinceras desculpas pela situação em
que os deixei”.
Como o Barings era considerado um banco conservador, sua falência serviu como alerta
para as instituições financeiras do mundo. O desastre revelou uma incrível falta de
controle da instituição, pois Leeson controlava a mesa de operações e a retaguarda. A
função do back office é confirmar as operações e checar sua conformidade com diretrizes.
Em qualquer banco sério, os operadores transacionam com capital limitado e estão
sujeitos à supervisão minuciosa de seus “limites de reposição”. Para se evitarem conflitos
de interessem, as funções operacionais e de retaguarda são claramente delineadas.
Adicionalmente, a maioria dos bancos possui uma unidade independente de
administração de risco, que supervisiona os operadores. As bolsas de Cingapura e Osaka
também chamaram atenção por não terem atentado para o tamanho das posições.....
Um dos motivos de Leeson não ter sido supervisionado foi seu notável desempenho no
banco. Acredita-se que ele, juntamente com seus superiores, tenha recebido gratificações
consideráveis em 1994, por realizar lucro de US$20 milhões para o banco –
aproximadamente um quinto do seu lucro total. Naquele ano, seu salário foi de
US$150.000, com gratificação de US$ 1 milhão....
Uma auditoria interna, conduzida em 1994, também foi ignorada pela alta gerência do
banco. O auditor advertiu sobre o fato de Lesson “ter excesso de poder”.....
Os acionistas do Barings arcaram com todas as perdas. O preço das ações do banco
despencou a zero, fazendo desaparecer cerca de US$ 1 bilhão em ativos financeiros; os
detentores de seus títulos receberam cinco centavos por dólar. Perdas adicionais foram
arcadas pelo grupo de serviços financeiros holandês, Internationale Nederlanden Group
(ING), que ofereceu uma libra esterlina (cerca de US$1,50) para adquirir o Barings.
Posteriormente, Lesson foi extraditado para Cingapura, onde foi sentenciado a seis anos
e meio de prisão.

Atividade: Cada grupo fará uma análise crítica de um dos textos e apresentará para a
turma.
De acordo com os textos acima reflita: como está a situação da Previdência Social? Como
vocês conceituam previdência privada aberta e fechada? Qual é a finalidade da
previdência social? Qual é a finalidade da previdência privada?

25
1.4 - Primeiro trabalho:

Utilize um dos artigos abaixo:


Texto para Discussão nº 1050 de out/2004 – Diagnóstico da Previdência Social no
Brasil: o que foi feito e o que falta reformar (Fábio Giambiagi e outros). Faça um Resumo,
segundo as idéias do autor, quais os principais entraves da previdência social
atualmente e o que será necessário reformar. (Esse texto deverá ser original, ter
introdução, desenvolvimento e conclusão e em uma folha). (ver www.ipea.gov.br clique
em – texto para discussão)

Tendência de Aumento da Expectativa de Vida e a Solvência das Entidades Abertas


de Previdência Complementar (Betty Lílian Chan, Fabiana Lopes Silva e Gilberto de
Andrade Martins – USP). Disponível em: www.ucg.br (clique em site docente) (Esse texto
deverá ser original, ter introdução, desenvolvimento e conclusão e em uma folha)
Responda as questões abaixo:
1. Qual o problema que está sendo pesquisado?
2. Qual o objetivo da pesquisa?
3. Quais as premissas utilizadas no cálculo atuarial das rendas previdenciárias?
4. Qual é a importância da tábua biométrica para determinação dos valores relativos aos
compromissos futuros (pagamentos de renda)?
5. De acordo com a Tabela 2 explique as possíveis razões do aumento da expectativa de
vida desses grupos.
6. De acordo com os resultados da pesquisa uma Entidade de Previdência Privada estará
sendo conservadora se adotar a tábua AT-2000 masculina? Explique.

O Grupo, de no máximo 04 alunos, irá optar por um dos textos e preparar por escrito para
entregar para a professora e para apresentação oral.

Orientações para apresentação do Resumo Informativo:


Formatação:
• Papel: A$, cor branca;
• Fonte: Times New Roman
• Tamanho: 12
• Espacejamento: 1,0 entrelinhas (simples)
• Citar até 3 palavras chaves
• Margens: superior e esquerda 3 cm e inferior e direita 2 cm
• Partes do Resumo Informativo: identificação completa do artigo, texto relativo ao
resumo do artigo e Palavras-chaves.

O trabalho deverá ser entregue digitado e será discutido em sala, através de


dinâmica própria.

Observação: citar a bibliografia utilizada, usar aspas e referenciar o autor, quando


necessário.

Trabalhos copiados irão receber nota zero.

2. FUNDAMENTOS DE PROBABILIDADE:

26
O cálculo das probabilidades é utilizado para mensurar a influência do acaso
ou azar nos acontecimentos. Podemos classificar os acontecimentos segundo o
seu grau de probabilidade, dando-lhes as respectivas equivalências matemáticas
assim:
Acontecimento impossível - probabilidade =0

Acontecimento pouco possível - probabilidade <½


Acontecimento muito provável - probabilidade >½
Acontecimento provável - probabilidade =½
Acontecimento certo - probabilidade =1

Neste estudo, encontraremos a Probabilidade (freqüência) dividindo os casos


favoráveis de realização de um acontecimento sobre todos os casos igualmente
possíveis.

q = número de casos favoráveis / número de casos favoráveis + número de casos


contrários.

Buscando o que já foi apresentado na disciplina de Estatística Aplicada I

medida de probabilidade = medida de freqüência relativa

Portanto é obtida pela razão:


número de casos favoráveis / número de todos os casos possíveis.

Exemplo: moeda não viciada.

Suponhamos que uma moeda equilibrada é lançada uma única vez.


Quais são os possíveis resultados?
Ω = { cara, coroa } = todos os possíveis casos em um único lançamento.

Qual é a probabilidade de sair cara, neste único lançamento?


p(cara) = 1/2
onde: 1 = número possível de casos favoráveis
2 = número total de possíveis casos.

Propriedades básicas de Probabilidade:


 0 ≤ P(M) ≤ 1 a probabilidade de ocorrência do evento M ocorre no intervalo fechado
entre 0 e 1.
 P(Φ ) = 0  probabilidade de ocorrência de um evento impossível.
 P(Ω ) = 1  probabilidade de ocorrência de todos os eventos de um experimento.

Propriedades básicas:
 Se V e M são eventos exclusivos, ou seja (V∩M)= Φ e V∪M=Ω
então P(V) + P(M) = 1

logo P(V) = 1 - P(M) e P(M) = 1 - P(V)

Como será o cálculo se quisermos conhecer a probabilidade de uma pessoa com idade
20 anos alcançar viva a idade seguinte?

27
Suponha que em um grupo de 1000 pessoas com 22 anos, faleceram no decorrer do ano,
12 pessoas.
Qual é a probabilidade de vida para as pessoas desse grupo, supondo que todos
possuem a mesma qualidade de vida?
Lembrem-se probabilidade = freqüência

Qual é a probabilidade de morte para as pessoas desse grupo, supondo que todos
possuem a mesma qualidade de vida?

Exercícios:
1º) Encontrem a probabilidade de vida e de morte do grupo abaixo:
X lx dx qx px
15 10.000.000 3.610
16 9.996.390 3.699
17 9.992.691 3.807
18 9.988.884 3.916
19 9.984.968 4.044
onde: x = idade da pessoa; lx = número de pessoas vivas com idade x; dx = nº de
falecidos com idade x; qx = probabilidade de morte; px = probabilidade de vida

2º) Seja uma população de 100.000 pessoas durante o ano de 2.006. Neste ano
faleceram 380 pessoas.

Qual é a probabilidade ou freqüência de mortes ocorrida no ano de 2.006?


q = probabilidade de morte

Qual é a probabilidade de sobreviventes?


Número de sobreviventes = ?
p = probabilidade de sobreviventes.

Como o evento morte é contrária ao evento sobrevivência poderíamos ter encontrado a


probabilidade de sobrevivência pelo método direto ou seja:
p = 1-q ; refaça os cálculos usando essa relação e comprove os resultados.

Bibliografia consultada:
MORGADO, Augusto C. de O. e Outros - Análise Combinatória e Probabilidade - Coleção
do Professor de Matemática. Editora SBM, IMPA e VITAE - Rio de Janeiro 1991.
MORETTIN P.A & BUSSAB W.O - Estatística Básica, 3ª edição. Atual Editora, São Paulo
1985.
FERREIRA, Weber J. - Coleção Introdução à Ciência Atuarial. Editado pelo IRB, Rio de
Janeiro, 1985.

3. NOÇÕES DE MATEMÁTICA ATUARIAL

28
3.1 – Notações Básicas:

x = idade, em anos inteiros, de uma pessoa de uma população;


lx = número de pessoas da população que têm a idade x, desconhecendo-se se são ativas
ou inválidas;
dx = número de pessoas da população que morreram com idade x;

3.2 – Definições de algumas probabilidades imediatas ao nosso uso

px = lx+1 / lx = probabilidade de uma pessoa qualquer, ativa ou inválida, com idade x,


alcançar viva (ativa ou inválida) a idade seguinte x+1; é a proporcionalidade do número de
pessoas que alcançam vivas a idade x+1 para o número de pessoas que elas
compunham quando na idade x;

npx = lx+n / lx = probabilidade de uma pessoa qualquer, ativa ou inválida, com idade x,
alcançar viva (ativa ou inválida) a idade seguinte x+n; é a proporcionalidade do número de
pessoas que alcançam vivas a idade x+n para o número de pessoas que elas
compunham quando na idade x;

qx = dx / lx = probabilidade de uma pessoa qualquer, ativa ou inválida, com idade x, morrer


com essa mesma idade; é a proporcionalidade do número de pessoas que morrem com a
idade x para o número de pessoas que elas compunham quando vivas com idade x;

nqx = (lx - lx+n ) / lx = probabilidade de uma pessoa qualquer, ativa ou inválida, com idade x,
sobreviver até alcançar a idade x+n, e nesta mesma idade x+n, morrer; é a
proporcionalidade do numero de pessoas que morrem com a idade x+n para o número de
pessoas que elas compunham quando na idade x;

Antes de prosseguirmos na exploração de um grande número de probabilidade notáveis,


devemos fazer uma pausa para pensar sobre o lado da aplicação prática dessas
definições.
Isso porque, quando falamos de número de vivos e número de mortos de uma população,
para efeito de extração de algumas probabilidades de sobrevivência ou de morte,
devemos estar pressupondo a existência de uma população que tenha sido observada
durante algum tempo, para que possamos dispor de elementos concretos nesses
cálculos.

E, de fato, tais experiências são realizadas, permanentemente, em diversas partes do


mundo, para que os atuários tenham alguma base para as suas projeções. E essas
experiências são expostas em tabelas ajustadas, chamadas “tábuas biométricas”.

3.3 Tábuas Biométricas

“A tábua de mortalidade para uma dada população é uma ferramenta importante não
apenas em termos de estudos atuariais e demográficos em geral, como também para
políticas públicas e financiamento do setor privado para certos serviços ofertados no
mercado. É muito usada para situações de previsões e estudos de demanda para
estimativas de custo da seguridade social e de prêmios de seguros privados.” (p. 1, texto
para discussão nº 1047 – www.ipea.gov.br)

“A facilidade para contratar seguro de renda vitalícia se tornou possível a partir dos
estudos realizados, pela indústria de seguro de vida, das taxas de mortalidade e da
29
elaboração das tabelas de mortalidade.” (p.327, Princípios dos Seguros de Vida, Saúde e
Rendas Vitalícias – Harriett E. Jones e Dani L. Long)

As tábuas biométricas são tabelas contendo o número de pessoas vivas em cada idade, o
número de pessoas falecidas e as probabilidades de vida e morte. Elas podem ser
diferenciadas por sexo, e no caso de seguro de vida, também, podem classificá-la por
grupo de fumantes e não-fumantes. “O fumo tem um efeito tão dramático nas taxas de
mortalidade, que as companhias de seguro normalmente levam em conta este fator nas
tábuas de mortalidade que usam para calcular as taxas de prêmio do seguro de vida.”
(p.96, Princípios dos Seguros de Vida, Saúde e Rendas Vitalícias – Harriett E. Jones e
Dani L. Long)

Essas Tábuas podem ser construídas por método direto e indireto.

a) Método Direto ou Grupo Fechado – organiza-se um cadastro individual de um grupo


grande de pessoas, a partir de determinada idade (x) acompanhando-se o seu
decrescimento ano a ano, até sua extinção. Observa-se o número de óbitos ocorridos em
determinado ano e o número de vivos no início desse mesmo ano, mortos e vivos, todos
com a mesma idade .
A taxa de mortalidade será a relação entre os óbitos e o número de vivos.
Esse método é de difícil aplicação pois poderíamos levar mais de 100 anos para concluir
uma Tábua, perdendo assim, sua eficácia.
b) Método Indireto ou do Seguro – a taxa de mortalidade é calculada com base na
experiência das seguradoras. O método é aplicado a um grupo aberto selecionado, pois
os segurados são submetidos a um processo de seleção. Acompanha-se o grupo em um
ano, considerando as entradas e saídas, verificando-se a mortalidade em cada idade.
c) Método do Censo – a contagem da população pelo serviço censitário, fornecendo sua
classificação completa (sexo, idade, profissão, etc).

A Tábua de Mortalidade apresenta no mínimo, em colunas para cada ano, o número de


pessoas vivas, o número de pessoas falecidas, as probabilidades de morte e de
sobrevivência.
No momento, iremos trabalhar com as tábuas biométricas: AT-49 “Table Anuity”, GAM-83
“Group Anuity Mortality”, e a Tábua mais recente AT-2000, que reflete uma expectativa
de vida maior do que as demais. Além das tábuas acima mencionadas existem várias
outras no mercado,

Por essa experiência, foram determinadas as probabilidades de morte das pessoas, em


cada idade, desde a idade zero, até as idades mais avançadas.

Usando as probabilidades de morte dessa experiência, montamos, para nosso uso, uma
tábua, a partir da idade de 15 anos, com uma população de 10 milhões de pessoas nessa
idade, onde desenvolvemos a variação do número de pessoas vivas nas idades
subsequentes, o registro do número de pessoas mortas em cada idade e probabilidade,
em cada idade, de as pessoas sobreviverem até a idade seguinte.

Vale notar que, pela lógica, são evidentes as seguintes relações empregadas na
montagem da nossa tábua adaptada, partindo das probabilidades de morte da AT-2000:
dx = l x . qx
px = 1 - q x
lx+1 = lx - dx
lx+1 = px . lx = lx . (1-qx )

30
qx = dx / lx

VER ANEXO – I (Tábua AT-2000, idade variando de 15 a 115 anos)

Tábua de Entrada em Invalidez e de sobrevivência de Inválidos

Até aqui deixamos de levar em conta a diferenciação entre as pessoas estarem ativas ou
inválidas, na apuração das probabilidades delas morrerem ou sobreviverem ,
empregando, para esse fim as tábua AT-49, GAM-83 e AT-2000.

Mas, para os nossos propósitos, relativos a planos de previdência privada, é


indispensável que tratemos, também, das probabilidades das pessoas se invalidarem e
das probabilidades de morte/sobrevivência das pessoas inválidas.

Nesse sentido, passamos a definir :

ix = laix / laax = probabilidade de uma pessoa ativa com idade x tornar-se inválida antes de
alcançar a idade x+1;

qiix = diix / liix = probabilidade de uma pessoa já inválida quando alcançada a idade x morrer
antes de alcançar a idade x+1;

Igualmente, nesses casos, valemos-nos dos resultados de experiências já realizadas para


que possamos aplicar, na prática, as fórmulas apresentadas.

Para o nosso uso, adotamos a Tábua Álvaro Vindas/Hunter, para as probabilidades de


entrada em invalidez, e a experiência de sobrevivência de inválidos do ex-IAPC (Instituto
de Aposentadorias e Pensões dos Comerciários), hoje integrante do Sistema Nacional de
Previdência e Assistência, tábuas essas apresentadas em anexo.

Exercícios:
1) Uma empresa deseja conceder um auxílio de R$1.000 a cada empregado que se
invalidar. Para tanto o presidente da empresa solicita-lhe que calcule o quanto esse
benefício provavelmente custará no primeiro ano. Utilize a tábua de Entrada em
Invalidez, Álvaro Vindas/Hunter e o número de empregados por faixa etária, no
quando abaixo:
x lx ix Nº provável
de inválidos
23 5.500
33 5.500
43 5.500
53 5.500
63 5.500
Total 27.500

2) Suponha que uma clinica de deficientes físicos receba auxílio do governo, no valor de
R$100,00, para auxiliar no funeral dos pacientes. Com base na Tábua de Mortalidade
de Inválidos, EX-IAPC, calcular o número provável de mortes das pessoas abaixo:

x lx qi x Nº provável
31
morte de inv.
23 5.500
33 5.500
43 5.500
53 5.500
63 5.500
Total 27.500

3.4 Expectativa de vida

32
Comparaçãode Expectativasde
Vidas

70

60
AT-2000 – 1ª linha

50
AT-83 – 2ª
Expect.

40 AT2000
AT83
AT49
30 GAM-83

20
GAM-83 – 3ª

10
AT-49 – 4ª

0
111
63
15

27

39

51

75

87

99

idades

Qual Tábua apresenta maior expectativa de vida??

Qual Tábua apresenta menor expectativa de vida??

A função expectativa de vida é crescente ou decrescente??

O que você pensa a respeita da expectativa atual e suas conseqüências para


a previdência social e privada?
Artigo 1 - Longevidade, a maior contribuição do século
33
Artigo escrito pelo Dr. Gary S. Becker, prêmio
Nobel de Economia de 1992 e professor da
Universidade de Chicago.

Durante uma comemoração de Ano-Novo, em Nova York, perguntei a alguns convidados


qual teria sido a principal herança do século 20. Todos vieram com excelentes candidatos,
que iam desde a ascensão e queda do comunismo e a disseminação da democracia até o
advento dos computadores. Eu, no entanto, acredito que nada beneficiou tanto as
pessoas quanto o aumento da expectativa de vida.

Os avanços no campo da saúde de 1900 para cá são espetaculares. A média de


vida subiu de ralos 45 anos, no começo do século 20, para nada menos que 75 anos, no
limiar do século 21. Mais de 100 crianças e um número parecido de mães morriam em
1900, a cada 1.000 nascimento. Hoje, o índice de mortalidade infantil e de mortes de
mulheres no parto é quase irrelevantes. A incidência de doenças contagiosas e outras
moléstias também diminuiu, especialmente na segunda metade do século. O número de
ataques cardíacos caiu para menos da metade do que era em 1950, e o índice de
sobrevivência às várias formas de câncer cresceu muito.

Também impressiona a distribuição mais equânime da longevidade. No começo do


século passado, uma boa parte da população morria jovem de difteria, tuberculose, gripe
e outras doenças infecciosas. Hoje, qualquer pessoa nascida em um país
moderadamente próspero pode viver pelo menos 60 anos. As mortes prematuras são
mais freqüentemente causadas por fatores que podem ser evitados com mudanças de
comportamento, como por exemplo alcoolismo, fumo, drogas, Aids, suicídios e outros.
Embora a população de renda mais alta, de maior escolaridade e branca dos Estados
Unidos, por exemplo, ainda viva mais tempo do que outros segmentos; os desníveis já
não são tão grandes quanto eram um século atrás. O seguro-saúde e assistência médica
subsidiada pelo governo garantem aos mais pobres diagnóstico barato e pronto
tratamento na maioria das doenças.

A única exceção nesse quadro mais equilibrado é a crescente disparidade dos


índices de mortalidade entre homens e mulheres. A vantagem das mulheres sobre os
homens, que em 1900 era insignificante chegou a sete anos no século 20. É que as
mulheres são muito menos propensas a enfartes e derrames – dois dos maiores
assassinos do nosso tempo – embora a tendência da diferença, nesses dois casos seja
diminuir.

O benefício da longevidade não se restringe aos países mais ricos ou ocidentais,


mais espalha-se por todos os continentes e nações. Na verdade os índices de
expectativa de vida cresceram mais nos países mais pobres. Um indivíduo nascido na
Índia tem atualmente uma esperança de vida de 60 anos, contra 50 três décadas atrás, e
apenas 20 no começo do século 20. Um mexicano no fim da década de 30, vivia em
média 40 anos. Hoje a taxa de mortalidade, no México está muito próxima dos países
ricos.

A queda nos índices de mortalidade merece figurar no ranking das maiores


conquistas do século 20, porque é um item altamente valorizado pela população. Alguns
economistas projetaram o que as pessoas estariam dispostas a pagar por índices de
mortalidade menores, em várias faixas etárias. William Nordhans da Universidade de
Yale, pegou esses “índices de valorização popular da longevidade”, transformou-os em
unidade de renda e acrescentou-os aos números da renda norte americana nos últimos

34
50 anos. O resultado foi um crescimento anual de 2% mais rápido. E o que é mais
importante, visto que a queda da mortalidade foi maior nos países mais pobres, se
cálculos semelhantes fossem aplicados a todas as nações do mundo ficaria claro que a
renda desses países na verdade pode ter crescido mais que a comparação de rendas
brutas, sugere.

Alguns geriatras acreditam que o ritmo do crescimento das faixas de expectativa de


vida tende a diminuir nas próximas décadas, pois já se teriam chegado a um ponto em
que a maioria das mortes ocorre por doenças aparentemente intratável, típicas da velhice.
Pode ser, mais o mapeamento das estruturas genéticas está quase pronto e, com ele,
devem aparecer vacinas e terapias genéticas capazes de combater enfartes, o câncer e o
derrame cerebral – as três maiores ameaças da população idosa.

A longevidade nunca cresceu tanto quanto no século 20. Ainda sim, é possível
esperar que o novo século avance ainda mais na prevenção das doenças que atacam os
mais velhos. Pode ser que o septuagenários sejam jovens em 2100, e alguns de vocês
testemunharão a mudança como membros ativos e vigilantes de uma sociedade mais
madura.

2º Texto: “Existem vários tipos de tábuas atuariais, também conhecidas como esperança
de sobrevida, para medir a sobrevida, ou seja, quantos anos uma pessoa de determinada
idade provavelmente ainda vai viver, como a AT-49, AT55, AT71 a AT83 e AT 2000 – AT
quer dizer annuity table e o número referes-e ao ano em que as estatísticas passadas
começaram a valer. Para elaborá-las são usadas estatísticas demográficas levantadas há
muitos anos. Tábuas mais modernas, como a AT-2000, adotada em várias empresas no
Brasil, principalmente para planos mais flexíveis como o PGBL, embutem maior tempo de
vida média, reduzindo, assim, o valor do benefício pago pelas empresas.
Por exemplo, na AT49, tábua americana bastante usada nos planos mais tradicionais, a
expectativa de sobrevida para alguém com 60 anos é de 18,5 anos, na AT83 é de 22,6 e
na AT2000, 24,6. As tábuas mais modernas não devem ser vistas como injustas ou
benéficas apenas às seguradoras. Elas refletem as mudanças que a sociedade vem
sofrendo, como o aumento da expectativa de vida, melhores condições sanitárias e
avanços na medicina. Nos Estados Unidos, por exemplo, a quantidade de pessoas
centenárias passou de 4.000, em 1940, para mais de 61.000, em 1997. Se a empresa
trabalhar com tábuas desatualizadas, ela pode não ter como pagar no futuro a renda
mensal vitalícia aos beneficiários.
Esta questão é importante pois uma vez comprado o plano, o segurado carrega a mesma
tábua até o final. A empresa só poderá rever a escolha da tábua no caso dos planos
fechados, onde é possível a mudança de tábua no meio do caminha para adequá-la ao
equilíbrio atuarial e financeiro do fundo.”

Fonte: Novo Cálculo Atuarial Reduzirá a Renda, Folha de São Paulo, 15/11/1999, e Mais
Vida no Seguro, Louis Frankenberg, Revista Exame, 19/02/2000.

Artigo 2 - Mundo envelhecido, país envelhecido


Fonte: www.comciencia.br – consultado em 19/01/2006
O aumento da proporção de idosos na população é um fenômeno mundial tão profundo que muitos
chamam de "revolução demográfica". No último meio século, a expectativa de vida aumentou em
cerca de 20 anos. Se considerarmos os últimos dois séculos, ela quase dobrou. E, de acordo com
algumas pesquisas, esse processo pode estar longe do fim (veja box).
35
Segundo dados da ONU, a expectativa de vida ao nascer aumentou de 46,5 anos, em 1950-1955,
para 65, em 1995-2000 (gráfico 1). O Brasil acompanhou essa evolução, estando sempre um pouco
acima da média mundial: 50,9 anos em 1950-55 para 67,2 em 1995-2000 - mas um pouco abaixo da
média da América Latina (de 51,4 a 59,3 anos). A diferença entre os países mais e menos
desenvolvidos vem diminuindo: de uma distância de 25,2 anos entre as expectativas de vida dos
dois grupos em 1950-55 (41 contra 66,2 anos), a diferença caiu para 12 anos, menos da metade
(62,9 contra 74,9). Na verdade, essa queda é inevitável, dada à tendência de envelhecimento global,
pois as expectativas de vida dos países muito velhos crescem menos naturalmente. O recordista de
expectativa de vida é o Japão, com 80,8 anos.
Gráfico 1 - Expectativa de Vida, em anos:

azul = Mundo; marrom = América Latina; vermelho = Países mais desenvolvidos;


verde = Países menos desenvolvidos; amarelo = Brasil. Fonte: ONU.

Previdência Sobrecarregada
O resultado de tudo isso é um aumento sensível na quantidade de idosos na população mundial. Em
nível mundial, a população com mais de 65 anos aumentou de 5,2% em 1950-55 para 6,9% em
2000, um aumento de 33% nesse índice (gráficos 3 e 3a). É nos países mais desenvolvidos onde o
fenômeno é mais agudo: com 7,9% de idosos em 1950-55, hoje 14,3% da população tem mais de 65
anos, um aumento de 81% - enquanto, nos menos desenvolvidos, o aumento foi de 31% (de 3,9%
em 1950-55 para 5,1% em 2000). O Brasil não fica muito longe dos países desenvolvidos: aqui, a
proporção de idosos aumentou em 70% de 1950-55 para 2000 (de 3% para 5,1%).

Artigo 2 - Obesidade pode reduzir expectativa de vida nos EUA

Quarta, 16 de março de 2005, 20h55 – consultado em 19/01/2006

Pela primeira vez em várias gerações, a expectativa de vida dos norte-


americanos pode diminuir, devido à epidemia de obesidade. O alerta foi feito
nesta quarta-feira por pesquisadores com base num estudo publicado no The
New England Journal of Medicine.

36
Em uma análise que pode ter impacto sobre o debate da reforma da
Previdência, especialistas concluíram que o contínuo aumento na expectativa
de vida pode ser revertido nas próximas décadas, porque cada vez mais gente
estará morrendo prematuramente por doenças relacionadas ao excesso de
peso, entre elas, enfarte, diabete e insuficiência renal. Eles afirmaram que,
entre os adultos, a obesidade aumentou 50% por década nos anos 1980 e 90,
a ponto de que, atualmente, quase um em cada três norte-americanos é
obeso.

O grupo, liderado pela Universidade de Illinois, sugeriu que os métodos usados


para estimar a expectativa de vida, que leva em conta tendências históricas,
sejam refeitos para incluir a crescente população de obesos, o que seria
especialmente importante levando em conta que o problema cresce também
entre crianças e jovens.

"Podemos comparar a epidemia da obesidade infantil (que atinge 9 milhões de


crianças nos EUA) com um enorme tsunami dirigindo-se aos Estados Unidos",
disse David Ludwig, do Hospital Infantil de Boston e co-autor do estudo.
"Quando virmos as águas subindo na costa, será tarde demais para tomar
medidas preventivas. Sabemos que a onda está vindo."

Citando o crescente déficit da Previdência norte-americana, os pesquisadores


disseram que a questão da longevidade tem tanta importância política quanto
acadêmica. Os técnicos do governo estimam que a expectativa de vida nos
EUA vai continuar crescendo continuamente, atingindo cerca de 85 anos até o
final deste século, o que poderia quebrar de vez o sistema.

Mas os pesquisadores consideraram tal previsão equivocada, justamente por


não levar em conta os efeitos da obesidade. "As previsões sombrias sobre a
iminente falência da Seguridade Social, com base nas projeções de grandes
aumentos na sobrevivência nos últimos 65 anos, parecem prematuras",
disseram os especialistas no estudo.

Segundo eles, os norte-americanos podem estar inadvertidamente "salvando"


a Previdência ao se tornarem obesos, mas mesmo assim haverá um preço
elevado a pagar em termos de mortalidade e de custos com a saúde pública.
Os EUA gastam entre US$ 70 e US$ 100 bilhões por ano para tratar de
problemas ligados à obesidade.

Em editorial na revista, Samuel Preston, da Universidade da Pensilvânia, disse


que a avaliação do grupo pode ser "excessivamente sombria", porque muitos
norte-americanos estão adotando hábitos mais saudáveis, como deixar de
fumar, evitar o colesterol e praticar sexo seguro. Mesmo assim, ele admitiu
que não resolver o problema da obesidade pode impedir o aumento na
expectativa de vida.
Em Washington, o senador Tom Harkin citou as conclusões do estudo ao
apresentar um projeto de lei que prevê regras à comercialização de "junk food"
para crianças.

37
Artigo 3 - CRESCE O DEBATE SOBRE ADEQUAÇÃO ATUARIAL
Revista da ABRAPP, nº 303, abril/2005, p. 11
Enquanto não se chega a uma tábua de mortalidade brasileira, os fundos deveriam
aproveitar o momento econômico favorável e os superávits existentes para se
adequarem, migrando para tábuas mais consistentes e conservadoras.

O desconforto gerado pelo noticiário em torno do "rombo" da Petros e a posição da


Petrobras patrocinadora daquele fundo, recomendando urgente migração para um plano
no modelo de contribuição definida como alternativa para sanar os desequilíbrios atuariais
presentes e futuros da entidade pode ter, afinal, contribuído para incrementar o debate
sobre a atualização das premissas atuariais na indústria brasileira de previdência
complementar fechada.

Os freqüentes equívocos na utilização do termo "rombo" na impressa, em substituição à


idéia de déficit técnico, acabam por provocar inquietação entre os participantes,
patrocinadores e as próprias entidades de previdência complementar. Por outro lado,
aceleram o forte movimento que já existia no sistema em favor da adequação das
hipóteses atuariais. Nesse sentido, o "caso" Petros tem funcionado como alavanca para
estimular a discussão, entre os especialistas e dirigentes de fundações, sobre os
melhores modelos de tábuas de mortalidade e outros itens carentes de atualização,
incluindo a forma de comunicar assuntos técnicos à mídia. Parte do alarme gerado em
torno desses "rombos" deve ser creditado ao desconhecimento da sociedade sobre o que
é déficit técnico, confundindo com um prejuízo crônico em entidades do sistema de
previdência complementar. Os mais recentes movimentos dentro do sistema, que
acabarão dando origem às hipóteses especulativas, tiveram por objetivo justamente a
correção de alguns parâmetros atuariais de modo a evitar a necessidade de aportes
adicionais no futuro...
O que existe, e precisa ser corrigido, são casos de inadequação atuarial, provocada pela
má aderência de algumas tábuas utilizadas. Na opinião de atuários e de consultores
especializados, o panorama não é simples de se analisar porque existe diversidade muito
grande de planos e metodologias diferentes usadas pelas empresas que fazem o cálculo
atuarial. Boa parcela dos problemas, porém, deve-se ao fato de que muitas empresas
trabalham hoje com tábuas desatualizadas, o que pode elevar os riscos de déficit técnico.
A tábua de mortalidade AT-49 (criada em 1949), que atende aos requisitos legais, por
exemplo, trabalha com expectativa de vida de 78 anos.
Considerando que um participante comece a receber o benefício aos 60 anos, o fundo
deveria dispor de recursos para pagar o benefício durante 18 anos àquele participante.
Dados mais recentes, tanto no exterior como no Brasil, apontam, porém, para uma
expectativa de vida muito mais alta. A AT-83 (de 1983), para qual boa parte dos grandes
fundos está migrando, é mais conservadora, estimando uma uma longevidade de 83 anos
– ou seja, a expectativa é de 23 anos de pagamentos de benefícios. Outra que vem sendo
bastante usada é a AT-2000, que adota como base a expectativa de vida de 85 anos....
Pesquisas recentes realizadas pelo segmento mostram que a expectativa de vida do
homem brasileiro está em 80 anos e a das mulheres em 84 anos. Partir para tábuas mais
conservadoras está se tornando, mais do que recomendável, uma necessidade para a
saúde financeira dos planos.

Atividade: fazer leitura e responder:


1. Quais as conseqüências que o aumento da expectativa de vida traz para o sistema de
previdência?
38
2. O que ocorre com os passivos das empresas de previdência, quando a longevidade
de seus clientes aumentam?

3. Se você fosse contador de uma empresa de previdência e fosse convidado a opinar


sobre a alteração de tábuas biométricas, observando o critério de prudência, você seria
favorável mudar da AT-49 para a AT-2000. Justifique.

Metodologia de Cálculo do Benefício de Aposentadoria por tempo de


Serviço – INSS

Base de Cálculo = média aritmética de 80% dos maiores salários de contribuição ao


INSS, apurados no período de julho/94 até o último mês anterior ao da concessão da
aposentadoria.

Fator Previdenciário = {(Tc x 0,31)/Es } x {1+(Id + Tcx0,31)/100}


Onde: Tc = Tempo de Contribuição até o momento da aposentadoria
Es = Expectativa de vida
Id = Idade
Obs: As mulheres deverão somar cinco anos de tempo de contribuição

Salário de Benefício = base de cálculo x fator previdenciário

Exemplo:
Um homem que em dezembro de 2004 tenha 55 anos de idade, 36 anos de contribuição e
média salarial de R$1.000,00 e expectativa de vida de 21,30

Fator previdenciário = {(36 x 0,31)/21,30} x {1 + (55+36x0,31)/100} = 0,8706

Salário de Benefício = 1.000,00 x 0,8706 = R$ 870,6


Coeficiente de tempo de contribuição = 100%
Renda Mensal Inicial = 870,60 x 100% = R$ 870,60

Como calcular a expectativa completa de vida, estando com uma


Tábua Biométrica em mãos?

Aplicando a fórmula: e = 1/2 + ( ∑ lx + 1 + t ) / lx


o
x
t =o
ou

eox = 0,5 + ( lx+1 + lx+2 + lx+3 + ... +) / lx

Exemplo:
Com base na tábua abaixo, calcule a expectativa completa de vida para uma pessoa com
idade 94 anos.

x lx
94 950
39
95 690
96 590
97 420
98 120
99 51

eo94 = 0,5 + ( l94+1 + l94+2 + l94+3 + l94+4 + l94+5) / l94


eo94 = 0,5 + (690+590+420+120+51)/950 = 2,47

Essa pessoa com 94 anos tem uma expectativa de sobreviver mais 2,47 anos, logo se
estima que essa pessoa irá falecer com a idade aproximada de 97 anos.

Exercício: Com base na tabela acima, calcule a expectativa completa de vida para uma
pessoa com 96 anos de idade. Como você pode ler esse resultado?

Segundo trabalho
1) Com base no número de óbitos (dx) da tábua AT-83 FEM, anexa, construa as
probabilidade de morte, de vida, expectativa de vida das pessoas com idade x, D x e Nx,
usando taxa de juros de 6 e de 3% ao ano.

2) Faça um quadro comparando as expectativas de vida, através do crescimento


percentual da AT-2000 Masculina e AT-83 MAS, para as idades de 20, 30, 40, 50, 60,
70, 80, e 90 anos. Compare as expectativas de vidas apresentadas por meio de
gráfico linha, e com base em pesquisa faça um pequeno texto (no mínimo 20
linhas) com suas palavras explique as conseqüências do aumento da
expectativa de vida para as empresas de previdência. (cite fonte)

3) Cite as principais vantagens para os empregados e patrocinadores com a criação de


uma previdência privada fechada. Consulte sites de previdência privada, da Abrapp,
SUSEP, Secretaria de Previdência Privadas entre outros.

Observação:
O trabalho deverá:
• Texto original;
• Formatação igual ao resumo informativo, porém com conclusão, número de
páginas de até 4 folhas e citar a bibliografia utilizada (usar aspas e referenciar
o autor, quando necessário).

Trabalhos copiados irão receber nota zero.

3.5 RENDAS ALEATÓRIAS E CÁLCULO DE PRÊMIOS COM


PAGAMENTO À VISTA
Renda é o valor monetário, cujo pagamento é continuado por um prazo certo ou vitalício,
e a periodicidade pode ser mensal, trimestral, anual, etc. Esse valor é pago ao segurado
pela Seguradora.
40
Prêmio é o valor pago periodicamente pelo segurado à Seguradora, para fazer jus ao
valor da renda.

De acordo com as situações previstas anteriormente, as renda de que trataremos serão


relacionadas somente com pessoas ativas.

Quais são os principais tipos de rendas?


Renda Aleatória Imediata Antecipada Vitalícia
 Renda Aleatória Imediata Postecipada Vitalícia
 Renda Aleatória Imediata Antecipada Temporária
 Renda Aleatória Imediata Postecipada Temporária
 Renda Aleatória Diferida Antecipada Vitalícia
 Renda Aleatória Diferida Postecipada Vitalícia
 Renda Aleatória Diferida Antecipada Temporária
 Renda Aleatória Diferida Postecipada Temporária

Renda aleatória é aquela cujos os valores somente serão pagos em caso de


sobrevivência do segurado, e a ocorrência do falecimento do mesmo é um evento não
programado.

Renda aleatória imediata é aquela renda em que o segurado paga um prêmio único,
ou seja efetua o pagamento à vista do prêmio e já começa a receber o valor da renda.

Renda aleatória diferida é aquela renda em que o segurado paga o prêmio e


somente começa a receber, o valor da mesma, a partir de um determinado período. Esse
período entre a contratação da renda e o início do recebimento é conhecido como
diferimento.

Como elas podem ser compradas?


 Elas poderão ser compradas à vista, com pagamento do PRÊMIO
ÚNICO; ou
 A prazo, com pagamentos de PRÊMIOS PARCELADOS.

Estaremos estudando as rendas considerando que todas elas


inicialmente serão pagas à vista, ou seja a PRÊMIO ÚNICO Puros, porque
não trataremos de carregamento (taxa de administração, corretagem, etc.); ou quanto o
segurado deverá pagar, de uma só vez ou por determinado período, para fazer jús a uma
renda imediata ou diferida.
Ressaltamos que essa modalidade não é a mais usada no mercado brasileiro, e só a
utilizaremos para tornar a abordagem mais didática.

Qualquer que seja o plano de seguro, o prêmio anual é facilmente obtido partindo da
equação de equivalência das obrigações futuras do segurado e da empresa.

41
Obrigação do segurado = Obrigação da Empresa
P. valor atual das obrigações do segurado = valor atual dos benefícios futuros assegurado

1. Renda Aleatória Imediata Antecipada Vitalícia


Renda anual, paga no início do período, por toda a vida

No ramo de previdência privada a obrigação da empresa é equivalente à obrigação do


segurado, ou seja para determinarmos o quanto o segurado deverá pagar de uma só vez
(prêmio único), precisamos identificar qual é o valor presente das obrigações futuras da
empresa em pagar-lhe periodicamente o valor da renda.

Assim, o nosso objetivo imediato é determinar o Valor Atual das rendas futuras que serão
pagas ao segurado. Para efeito de desenvolvimento didático trabalharemos com período
anual.

Além disso consideraremos que será paga uma renda de R$1,00 a cada ano, pois, para
qualquer outro valor de renda, bastará multiplicar o valor da anuidade encontrada pelo
novo valor de renda desejado e estaremos determinando o valor do prêmio único para
aquela renda específica.

É o mesmo que se dizer, como em matemática financeira, que o nosso objetivo é


determinar o “valor atual” (que passaremos a designar por A), em uma época zero, das
anuidades unitárias que serão pagas enquanto a pessoas que as recebe estiver viva.

Isso pode ser visualizado, facilmente, no seguinte diagrama:

Renda 1 1 1 1 1 1 1
____I____I____I____I_________________I____I____I até o final da tábua
tempo 0 1 2 3 n-1 n n+1

Se fosse uma renda certa com pagamento indefinidamente, o “valor atual”, na época zero,
seria expresso pela seguinte igualdade:

VA = v0 + v1 + v2 + v3 + v4 + ... + vn-1 + vn + vn+1 + ....

Onde v = (1+i) –1 é o fator de desconto à taxa i de juros compostos.

(caso você sinta necessidade deverá rever o conceito básico de séries uniformes, de forma mais
profunda em um livro de matemática financeira)

Acontece porém que, no caso de renda aleatória, o pagamento de cada anuidade só se


realiza se a pessoas que a recebe estiver viva. Isto é, a probabilidade de cada pagamento
é a probabilidade da pessoa estar viva.
Assim, o problema passa a ter um outro enunciado: valor atual das anuidades pagáveis a
pessoa que, na época zero, tem idade x.

E, levando-se em conta as probabilidades dessa pessoa sobreviver nos anos


subsequentes o valor atual procurado, que designaremos por äx, será expresso por:

42
äx = valor atual (Prêmio Único) de uma série de pagamentos iguais à unidade de capital,
pagáveis a uma pessoa de idade x, enquanto viver e a partir da idade x. Ou prêmio Único
Puro de uma renda constante, imediata vitalícia e antecipada.

Podemos escrever o somatório das anuidades em função dos l x para cálculo das
probabilidades de sobrevivências:

Fórmula sintética: äx = ∑ vt . tpx
t=0

∞ ∞
äx = ∑ vt . tpx = ∑ vt .( lx+t/lx ); lembrando que npx = lx+n / lx
t=0 t=0

Fórmula:
äx = v0.0px + v1.1px + v2.2px + v3.3px + v4.4px + ... + vn-1.n-1px + ...até o final da tábua

Evidentemente, a apuração de somas, do tipo das indicadas acima, será muito


trabalhosa, se operada manualmente. E, a cada vez que se considerar uma idade
diferente para as pessoas, muitas dessas parcelas serão as mesmas já apuradas no
cálculo de outras somas.
Para poupar a repetição desse trabalho, os atuários mais antigos, que não dispunham de
máquinas operadoras como as que existem hoje em dia (planilha eletrônica tipo excel),
valeram-se de outros meios simplificadores. Os matemáticos criaram simplificações
chamadas de “Comutações”, umas relacionadas com sobrevivência, outras com a morte.
No momento, para fins didático, veremos apenas parte das tábuas de comutação vida,
porém você poderá ficar a vontade para usar planilha eletrônica para fazer os cálculos.

Vimos anteriormente que npx = lx+n / lx

äx = v0.0px + v1.1px + v2.2px + v3.3px + v4.4px + ... + vn.npx + ...


äx = v0.0px + v1. lx+1 /lx + v2 . lx+2 /lx + v3. lx+3 /lx + v4. lx+4 /lx+ ... + vn. lx+n /lx + ...

pode ser transformada na seguinte expressão:

lx . äx = v0.lx+0 + v1. lx+1 + v2 . lx+2 + v3. lx+3 + v4. lx+4 + ... + vn. lx+n + ... ; multiplicando por
vx,
tem-se:
vx . lx . äx = vx+0.lx+0 vx+1. lx+1 + vx+2 . lx+2 + vx+3. lx+3 + vx+4. lx+4 + ... + vx+n . lx+n + ...

Aparentemente a expressão tornou-se mais complicada. Mas, os referidos atuários


antigos designaram por Dx o produto lx .vx, que para cada idade, e com base em alguma
tábua de mortalidade e uma taxa de juros i pré-fixada, poderia ser apurado em caráter
permanente.
Assim a última igualdade transformou-se em:

Dx.äx = Dx+0 + Dx+1 + Dx+2 + Dx+3 + ... + Dx+n


Mesmo assim, ainda continuaria trabalhosa essa soma, que se estende até a última das
idades de uma tábua de mortalidade.

Para simplificar, designaremos por :


w-x
Nx = ∑ Dx+t ; onde w é a maior idade da tábua,
43
t =0

1) Construa os Dx e Nx usando a tabela abaixo e taxa de juros de 2,5% ano.


X lx Dx Nx
25 9.570.805
35 9.380.256
45 9.260.180
55 9.140.156

Portanto, poderemos calcular todas as rendas de forma mais rápida, através de


comutações, ou seja fórmulas simplificadas.
Se Nx = Dx+0 + Dx+1 + Dx+2 + Dx+3 + ... + Dx+(w-x) então

äx = ( Dx+0 + Dx+1 + Dx+2 + Dx+3 + ... + Dx+(w-x) ) / Dx => äx = Nx / Dx

Cálculo por Comutação para Renda Aleatória imediata antecipada


vitalícia:
anual ⇒ äx = Nx / Dx

mensal ⇒ äx(12) ≅ [ äx – 11/24 ]

para qualquer período r ⇒ äx(r) ≅ [ äx – (r-1)/(2r) ]

Exercício:

1) Uma pessoa com 55 anos compra uma renda anual de R$20.000,00, com recebimento
no início de cada ano, enquanto viver. Calcule o valor do prêmio único que ele deverá
pagar à seguradora para obter este produto. Use AT-2000 e i = 3% ao ano.

2) Uma pessoa, com 60 anos de idade, acumulou ao longo da vida R$200.000,00 e


deseja utilizar essa soma para pagar à vista por uma renda com as seguintes
características: receber de forma antecipada, por toda a sua vida. Calcule o valor
anual da renda que ele receberá. Use AT-2000 e i = 6% ao ano.

2. Renda Aleatória Imediata Postecipada Vitalícia


Renda, anual paga no final do período, por toda a vida
ax = valor atual de uma série de pagamentos iguais à unidade de capital, pagáveis a uma
pessoa de idade x, enquanto viver e a partir da idade x+1. Ou Prêmio Único Puro de uma
renda constante, imediata vitalícia e postecipada.
Fórmula Sintética:

ax = ∑ vt . tpx
t=1

Fórmula estendida:
ax = v1.1px + v2.2px + v3.3px + v4.4px + ... + vn.npx + ...até o final da Tábua.

onde se consideram as probabilidades de sobrevivência futura da pessoa que tem idade x


nesse exato momento, ou seja no momento atual.
44
Cálculo por Comutação para Renda Aleatória imediata postecipada
vitalícia:
anual ⇒ ax = Nx+1 / Dx

mensal ⇒ ax(12) ≅ [ ax + 11/24 ]

para qualquer período r ⇒ ax(r) ≅ [ ax + (r-1)/(2r) ]

Podemos observar que as séries são muito próximas, sendo a diferença exatamente no
primeiro ano, assim podemos transformar um série antecipada em postecipada e vice-
versa, exemplo abaixo:

äx = v0.0px + v1.1px + v2.2px + v3.3px + v4.4px + ... + vn-1.n-1px + ...


ax = v1.1px + v2.2px + v3.3px + v4.4px + ... + vn.npx + ...

v0 = 1; 0px = 1; lembrando que v0 = 1/(1+i)0; logo

äx = ax + 1

ax = äx – 1

Exercício:

1) Uma pessoa com 50 anos compra uma renda anual de R$20.000,00, com recebimento
no final de cada ano, enquanto viver. Calcule o valor do prêmio único que ele deverá
pagar à seguradora para obter este produto. Use AT-2000 e i = 3% ao ano

2) Refaça o exercício anterior utilizando GAM-83 e i = 6% ao ano. Análise as diferenças


de prêmios.

3) Uma pessoa, com 58 anos de idade, acumulou ao longo da vida R$250.000,00 e


deseja utilizar essa soma para pagar à vista por uma renda com as seguintes
características: receber de forma postecipada, por toda a sua vida. Calcule o valor
anual da renda que ele receberá. Use AT-2000 e i = 6%

3. Renda Aleatória Imediata Antecipada Temporária


Renda anual, paga no início do período, por um determinado prazo

Essa renda guarda as mesmas características da renda aleatória imediata


antecipada vitalícia, com uma única diferença ela tem prazo certo para findar-se.

Isso pode ser visualizado, facilmente, no seguinte diagrama:

Renda antecipada VITALÍCIA:


Renda 1 1 1 1 1 1 1
____I____I____I____I_________________I____I____I até o final da tábua
tempo 0 1 2 3 n-1 n n+1

45
Renda antecipada TEMPORÁRIA:
Renda 1 1 1 1 1
____I____I____I____I_________________I__
tempo 0 1 2 3 n-1

äx:n = Inäx = valor atual (Prêmio Único) de uma série de pagamentos iguais à
unidade de capital, pagáveis a uma pessoa de idade x enquanto viver, mas
no máximo em n pagamentos anuais e a partir da idade x. Ou Prêmio
Único Puro de uma renda constante, imediata, temporária de n pagamentos
e antecipada.
Fórmula sintética:
n-1
äx :n= ∑ vt . tpx
t=0

Fórmula estendida:
äx:n = v0.0px + v1.1px + v2.2px + v3.3px + v4.4px + ... + vn-1.n-1px

Transformando äx :n em ax :n

äx :n = 1 + ax :n-1 ou ax :n-1 = äx :n - 1

Cálculo de ax:n por recorrência:

ax:n = v.px(1 + ax+1:n-1) ; ou ax:n = v.px.äx+1:n

Cálculo por Comutação para Renda Aleatória imediata Antecipada


Temporária:
anual ⇒ äx:n = (Nx – Nx+n ) / Dx

mensal ⇒ äx:n(12) ≅ [ äx:n - (1 - Dx+n/ Dx ). 11/24 ]

para qualquer período r ⇒ äx:n(r) ≅ [ äx:n - (1 - Dx+n/ Dx ). (r-1)/(2r)

Exercício:

1) Uma pessoa com 50 anos compra uma renda anual de R$18.000,00, com recebimento
imediato e os demais no início de cada ano, até completar 55 anos. Calcule o valor do
prêmio único que ele deverá pagar à seguradora para obter este produto. Use AT-
2000 e i = 3% ao ano.

2) Refaça o exercício anterior utilizando AT-2000 e i = 6% ao ano. Análise as diferenças


de prêmios.

3) Uma pessoa, com 55 anos de idade, acumulou ao longo da vida R$200.000,00 e


deseja utilizar essa soma para pagar à vista por uma renda com as seguintes
características: receber de forma antecipada, por um período de 3 anos. Calcule o
valor anual da renda que ele receberá. Use AT-83 e i = 6%

46
4. Renda Aleatória Imediata Postecipada Temporária
Renda anual, paga no final do período, por um determinado prazo

Essa renda guarda as mesmas características da renda aleatória imediata


postecipada vitalícia, com uma única diferença ela tem prazo certo para findar-se.

Isso pode ser visualizado, facilmente, no seguinte diagrama:

Renda postecipada VITALÍCIA:


Renda 1 1 1 1 1
_______I____I____I_________________I_____I até o final da tábua
tempo 1 2 3 n n+1

Renda postecipada TEMPORÁRIA:


Renda 1 1 1 1
________I____I____I_________________I__
tempo 1 2 3 n

ax:n = Inax = valor atual (Prêmio Único) de uma série de pagamentos iguais à
unidade de capital, pagáveis a uma pessoa de idade x enquanto viver, mas
no máximo de n anos e a partir da idade x+1. Ou Prêmio Único Puro de
uma renda constante, imediata, temporária de n pagamentos e postecipada.
Fórmula Sintética:
n
ax:n = ∑ vt . tpx
t=1

Fórmula estendida:
ax:n = v1.1px + v2.2px + v3.3px + v4.4px + ... + vn-1.n-1px + vn.npx

Cálculo por Comutação para Renda Aleatória imediata Postecipada


Temporária:
anual ⇒ ax:n = (Nx+1 – Nx+1+n ) / Dx

mensal ⇒ ax:n(12) ≅ [ ax:n + (1 - Dx+n/ Dx ). 11/24 ]

para qualquer período r ⇒ ax:n(r) ≅ [ ax:n + (1 - Dx+n/ Dx ). (r-1)/(2r)

Exercício:

1) Uma estudante inicia seu mestrado, e por não ter conseguido uma bolsa de estudo,
paga à vista R$80.000,00, para obter uma renda anual postecipada enquanto durar o
curso. No momento dessa compra a estudante está com 22 anos e ela pretende
concluir o mestrado em 3 anos. Calcule o valor anual da renda que ela receberá. Use
AT-2000 e i = 6% ao ano.

47
2) Uma pessoa, com 55 anos de idade, deseja comprar uma renda de R$ 15.000,00
anuais a receber todo final de ano, durante 5 anos. Calcule o valor do prêmio único
que ele deverá pagar à seguradora para obter este produto. Use AT-2000 e i = 6% ao
ano.

3) Refaça o exercício anterior utilizando AT-83% e i = 6% ao ano.

5. Renda Aleatória Diferida Antecipada Vitalícia


Renda anual, paga no início do período, por toda a vida, após o diferimento
mIäx = valor atual da unidade de capital pagável a uma pessoa de idade x enquanto viver,
e a partir da idade x+m ou Prêmio Único Puro de uma renda unitária diferida de m anos,
vitalícia e antecipada.
Fórmula sintética:

mIäx = ∑ vt+m. t+mpx


t =0

Fórmula estendida:
m+0
mIäx = v . m+0px + vm+1. m+1px + vm+2. m+2px + vm+3. m+3px + vm+4. m+4px + ...

Isso pode ser visualizado, facilmente, no seguinte diagrama:

Renda 1 1 1
_____________________I____I____I__...até o final da tábua
tempo 0 1 2 m m+1 m+2

considerando m anos de diferimento

Inicia-se o pagamento da renda a partir do ano m.

Cálculo por Comutação para Renda Aleatória DIFERIDA Antecipada


Vitalícia:
anual ⇒ mIäx = Nx+m / Dx

mensal ⇒ m|äx(12) ≅ [m|äx - Dx+m / Dx . 11/24 ]

para qualquer período r ⇒ m|äx(r) ≅ [m|äx - Dx+m / Dx . (r-1)/(2r)

Exercício:

1) Um executivo programa sua aposentadoria fazendo uma previdência complementar,


de onde ele receberá uma renda, no início de cada ano, no valor de R$120.000,00. A
idade atual do mesmo é de 35 anos e ele pretende começar a receber o respectivo
valor a partir dos 55 anos de idade, enquanto viver. Calcule o valor do prêmio que o
mesmo deverá pagar à vista. Use AT-2000 e i = 3% ano ano.

2) Refaça o exercício anterior utilizando AT-2000 e i = 6% ao ano.

48
3) Uma pessoa, com 30 anos de idade, paga à vista R$50.000, para receber uma renda
antecipada, diferida por 28 anos e vitaliciamente. Calcule o valor da renda que a
mesma irá receber. Use AT-2000 e i = 3% ao ano.

6. Renda Aleatória Diferida Postecipada Vitalícia


Renda anual, paga no final do período por toda a vida, após o diferimento

Trata-se exatamente do tipo de renda que se concede às pessoas no momento da


aposentadoria por tempo de contribuição ou por idade, cujo pagamento se inicia um mês
após a cessação das atividades das pessoas, ignorando-se, a partir dali, se essas
pessoas continuarão ativas ou não. Ou seja as pessoas contribuem por um determinado
período para depois começar a receber, nesse caso o período de pagamento é
equivalente ao diferimento.

Mas, para iniciar o assunto, consideraremos que essas rendas são pagas uma só vez a
cada final de ano, sendo o primeiro pagamento ao final do ano em que as pessoas
desligam do serviço. (no Brasil, em geral, o benefício é pago no final do mês).

E essas rendas serão pagas enquanto as pessoas sobreviverem.

mIax = = valor atual da unidade de capital pagável a uma pessoa de idade x enquanto
viver, a partir da idade x+m+1 ou Prêmio Único Puro de uma renda vitalícia unitária
diferida de m anos.
Fórmula sintética:

mIax = ∑ vt+m+1 . t+m+1px


t =0

Fórmula estendida:
m+1
mIax = v . m+1px + vm+2. m+2px + vm+3. m+3px + vm+4. m+4px + ...

Isso pode ser visualizado, facilmente, no seguinte diagrama:

Renda 1 1 1
_____________________I____I____I__ ...
tempo 1 2 3 m m+1 m+2 m+3

Cálculo por Comutação para Renda Aleatória DIFERIDA Postecipada


Vitalícia:
anual ⇒ mIax = Nx+1+m / Dx; onde m = período de diferimento

mensal ⇒ m|ax(12) ≅ [m|ax - Dx+n / Dx . 11/24 ]

para qualquer período r ⇒ m|ax(r) ≅ [m|ax + Dx+m / Dx . (r-1)/(2.r) ]

Exercício:

1) O executivo do exercício anterior muda de idéia e resolve alterar o recebimento da


renda para o final de cada ano, mantendo as demais condições:
49
Idade atual = 35 anos; idade de recebimento da renda = 55 anos; valor anual da
renda = R$120.000,00, enquanto viver. Recalcule o valor do prêmio que o mesmo
deverá pagar à vista. Use a mesma tábua e taxa de juros.

2) Uma pessoa, com 25 anos de idade, paga à vista R$50.000, para receber uma renda
postecipada, diferida por 30 anos e vitaliciamente. Calcule o valor da renda que a
mesma irá receber. Use AT-2000 e i = 6% ao ano.
3) Suponha que um outro cliente, com 35 anos, deseje o mesmo produto que o cliente
do exercício 2. Calcule o prêmio para ele e análise as diferenças.

7. Renda Aleatória Diferida Antecipada Temporária


Renda anual, paga no início do período, por prazo determinado, após o diferimento

mIäx:n = = valor atual da unidade de capital pagável a uma pessoa de idade x enquanto
viver, mas no máximo por n anos, a partir da idade x+m+n ou Prêmio Único Puro de uma
renda unitária diferida de m anos, temporária de n anos e antecipada.
Fórmula sintética:
n-1

mIäx:n = ∑ vm+t. m+tpx


t =0

Fórmula estendida:
m+0
mIäx:n = v . m+0px + vm+1. m+1px + vm+2. m+2px + vm+3. m+3px + ... + vm+n-1. m+n-1px

Isso pode ser visualizado, facilmente, no seguinte diagrama:

Renda 1 1 1 1
_____________________I____I____I__...__I___
tempo 1 2 3 m m+1 m+2 m+n-1

considerando m anos de diferimento e (n-1) prazo de pagamento da renda

Cálculo por Comutação para Renda Aleatória DIFERIDA Antecipada


Temporária:
anual ⇒ mIäx:n= (Nx+m – Nx+m+n)/ Dx; onde m = período de diferimento e n = prazo de
duração da renda.

mensal ⇒ m|äx:n(12) ≅ [m|äx:n – (Dx+m – Dx+m+n) / Dx . 11/24 ]

para qualquer período r ⇒ m|äx:n-(r) ≅ [m|äx:n - (Dx+m – Dx+m+n)/ Dx . (r-1)/(2r) ]

Exercício:

1) Uma pessoa com 28 anos compra uma renda de anual de R$18.000,00, com
recebimento no início de cada ano, a partir dos 56 anos até completar 75 anos.
Calcule o valor do prêmio único que ele deverá pagar à seguradora para obter este
produto. Use AT-2000 e i=6% ao ano.

2) A pessoa do exercício anterior resolve mudar a data de recebimento da renda para 60


anos, mantendo as demais condições. Recalcule o valor do prêmio único. Use a
mesma tábua e taxa de juros.

50
8. Renda Aleatória Diferida Postecipada Temporária
Renda anual, paga no final do período, por prazo determinado, após o diferimento
mIax:n = = valor atual da unidade de capital pagável a uma pessoa de idade x enquanto
viver, mas no máximo por n anos, a partir da idade x+m+n+1 ou Prêmio Único Puro de
uma renda unitária diferida de m anos, temporária de n anos e postecipada.
Fórmula sintética:
n

mIax:n = ∑ vt+m+1 . t+m+1px


t =0

Fórmula estendida:
m+1
mIax:n = v . m+1px + vm+2. m+2px + vm+3. m+3px + vm+4. m+4px + ... + vm+n. m+npx

Isso pode ser visualizado, facilmente, no seguinte diagrama:

Renda 1 1 1 1
_____________________I____I____I__...__I___
tempo 1 2 3 m m+1 m+2 m+3 m+n

considerando m anos de diferimento e n prazo de pagamento da renda

Cálculo por Comutação para Renda Aleatória DIFERIDA Postecipada


Temporária:
anual ⇒ mIax:n= (Nx+1+m – Nx+1+m+n)/ Dx; onde m = período de diferimento e n = prazo de
duração do pagamento da renda
mensal ⇒m|ax:n(12) ≅ [m|ax:n + (Dx+m – Dx+m+n)/ Dx . 11/24 ]

para qualquer período r ⇒ m|ax:n(r) ≅ [m|ax:n + (Dx+m – Dx+m+n)/ Dx . (r-1)/(2r) ]

1) Uma pessoa com 28 anos compra uma renda de anual de R$18.000,00, com
recebimento no final de cada ano, a partir dos 55 anos até completar 65 anos. Calcule
o valor do prêmio único que ele deverá pagar à seguradora para obter este produto.
Use AT-2000 e i = 6% ao ano.

2) A pessoa do exercício anterior resolve mudar a data de recebimento da renda para 60


anos, mantendo as demais condições. Recalcule o valor do prêmio único. Use a
mesma taxa de juros e tábuas biométricas.

RESUMO DAS RENDAS COM PAGAMENTO A PRÊMIO ÚNICO

1. Renda Aleatória Imediata Antecipada Vitalícia anual ⇒ äx = Nx / Dx

2. Renda Aleatória Imediata Postecipada Vitalícia ⇒ ax = Nx+1 / Dx

3. Renda Aleatória Imediata Antecipada Temporária


anual ⇒ äx:n = (Nx – Nx+n ) / Dx

4. Renda Aleatória Imediata Postecipada Temporária


51
anual ⇒ ax:n = (Nx+1 – Nx+1+n ) / Dx

5. Renda Aleatória Diferida Antecipada Vitalícia


anual ⇒ mIäx = Nx+m / Dx

6. Renda Aleatória Diferida Postecipada Vitalícia


anual ⇒ mIax = Nx+m+1 / Dx; onde m = período de diferimento

7. Renda Aleatória Diferida Antecipada Temporária


anual ⇒ mIäx:n= (Nx+m – Nx+m+n)/ Dx; onde m = período de diferimento e n = prazo de
duração da renda.

8. Renda Aleatória Diferida Postecipada Temporária


anual ⇒ mIax:n= (Nx+1+m – Nx+1+m+n)/ Dx; onde m = período de diferimento e n = prazo de
duração do pagamento da renda

Tabela Progressiva Mensal Para o Imposto de Renda na fonte - 2007

Base de Cálculo em R$ Alíquota % Parcela a Deduzir do Imposto


em R$
Até 1.313,69 0 0
De 1.313,69 até 2.625,12 15 197,05
Acima de 2.625,12 27,5 525,19

Obs.: Dedução por dependente R$132,05.


Teto de contribuição INSS R$2.801,56 alíquota 11%.

Trabalho
1. Suponha que um grupo de 10.000 pessoas com idade de 40 anos deseja contratar
uma renda anual antecipada de R$3.000,00 pagáveis enquanto viver, mas no
máximo durante 5 anos, a partir da idade de 50 anos. As contribuições serão de
valor único, antecipado e será devido a partir da contratação do plano. Considere i
= 3% ao ano e tábua AT-2000 masculina. Determine o Prêmio.
2. Repita o exercício anterior utilizando a mesma tábua, porém com taxa de juros de
6% ao ano e análise o resultado. Comente a diferença no prêmio, quando
alteramos a hipótese de taxa de juros.
3. Um americano investiu ao longo de sua carreira, acumulando até os 65 anos de
idade uma soma de R$150.000,00. Ele procura uma seguradora para comprar uma
renda postecipada anual, desejando recebê-la por 25 anos. Calcule o valor da
renda anual que ele receberá, usando AT-83 e AT-2000 e explique a ele os
motivos das diferenças de rendas. Use a taxa de 6% ao ano em ambos os casos.
4. Uma senhora utiliza todas as suas economias para comprar um plano de
previdência pagando à vista a importância de R$120.000, para começar a receber
52
a renda no início de cada ano, quando completar 55 anos de idade. Hoje essa
pessoa tem 32 anos de idade. Calcule qual será o valor atual da renda que ela irá
receber, usando AT-2000 e i=3% ao ano.
5. Suponha que a senhora (do exercício 4) mudou a data de início de benefício para
quando completar 50 anos. Calcule o novo valor da renda anual que ela irá
receber. Comente a variação no prêmio, quando mudamos a data de início de
recebimento da renda.
6. O Banco Central sinaliza com papéis de longo prazo que a taxa de juros irá cair de
6% ao ano para em torno de 3%. Você é o Contador de uma Empresa de
Previdência Privada e é convocado para uma reunião com os atuários da empresa
para analisarem as conseqüências desta medida para os cálculos dos prêmios e
das reservas matemáticas. Com base no conhecimento já adquirido até o momento
e principalmente com o que vocês observaram nos exercícios 1 e 2, quais
argumentos vocês usariam para defender uma redução na taxa de juro utilizada
pela empresa.
7. Um cliente paga mensalmente de plano de previdência fechada a importância de
R$150,00. Ele recebe salário bruto mensal de R$3.500,00, e possui 3
dependentes para efeito de imposto de renda. Calcule o benefício fiscal que ele
está obtendo com a dedução da contribuição na base de cálculo do imposto de
renda.

3.6 RENDAS ANUAIS COM PAGAMENTOS DE PRÊMIOS


PARCELADOS
No mercado brasileiro é mais comum que o segurado compre uma renda para receber no
futuro, no momento de sua aposentadoria, e que pague por ela parceladamente,
enquanto estiver no período de diferimento da renda.

Quanto o segurado deverá pagar, periodicamente, para fazer jús a uma


renda?

1) Prêmio Parcelado para uma Renda Diferida Antecipada Vitalícia:


Se mIäx = tP (mIäx) . äx:t => tP(mIäx) = mIäx / äx:t
Deve-se ler: prêmio anual puro, pagável enquanto viver, o segurado de
idade (x), no período máximo de t anos, de uma renda unitária diferida de m
anos, vitalícia e antecipada.

O valor atual das obrigações futuras do segurador na assinatura do contrato,


é representado por mIäx, enquanto que a obrigação do segurado, à mesma
época, é de pagar o prêmio anual estipulado, enquanto viver ou no máximo
de t anos.

Em Comutação temos:
tP(mIäx) = Nx+m / (Nx – Nx+t)

2) Prêmio Parcelado para uma Renda Diferida Antecipada Temporária

Sua equação de equivalência é:


mIäx:n = tP (mIäx:n) . äx:t  tP(mIäx:n) = mIäx:n / äx :t
53
Em Comutação temos:
tP(mIäx:n) = ( Nx+m – Nx+m+n ) / (Nx – Nx+t)

3) Prêmio Parcelado para uma Renda Diferida Postecipada Vitalícia

mIax = tP (mIax) . äx:t  tP(mIax) = mIax / äx:t


Deve-se ler: prêmio anual puro, pagável enquanto viver uma pessoa de
idade (x), no período máximo de t anos, de uma renda unitária diferida de m
anos, vitalícia e postecipada.

Em Comutação temos:
tP(mIax) = Nx+1+m / (Nx – Nx+t)

4) Prêmio Parcelado para uma Renda Diferida Postecipada Temporária

mIax:n = tP (mIax:n) . äx:t  tP(mIax:n) = mIax:n / äx:t


Deve-se ler: prêmio anual puro, pagável enquanto viver uma pessoa de
idade (x), no período máximo de t anos, de uma renda unitária diferida de m
anos, temporária e postecipada.

Em Comutação temos:
tP(mIax:n) = (Nx+1+m – Nx+1+m+n) / (Nx – Nx+t)

RESUMO DAS RENDAS COM PAGAMENTO DE PRÊMIO DE


FORMA PARCELADA

1. Renda Aleatória Diferida Antecipada Vitalícia


anual ⇒ tP(mIäx) = Nx+m / (Nx – Nx+t), onde t = período de pagamento do prêmio e m = o
diferimento.

2. Renda Aleatória Diferida Postecipada Vitalícia


anual ⇒ tP(mIax) = Nx+1+m / (Nx – Nx+t), onde t = período de pagamento do prêmio e m = o
diferimento.

3. Renda Aleatória Diferida Antecipada Temporária


anual ⇒ tP(mIäx:n) = ( Nx+m – Nx+m+n ) / (Nx – Nx+t), onde t = período de pagamento do
prêmio, m = o diferimento e n = o período de recebimento da renda.

4. Renda Aleatória Diferida Postecipada Temporária


anual ⇒ tP(mIax:n) = (Nx+1+m – Nx+1+m+n) / (Nx – Nx+t), onde t = período de pagamento do
prêmio, m = o diferimento e n = o período de recebimento da renda

Exercícios
1) Calcular o prêmio puro anual que uma mulher de 42 anos deverá pagar durante 10
anos, para ter direito à renda antecipada anual de R$80.000, nas seguintes condições:
54
a) a partir de 60 anos e até aos 65 anos;
b) a partir dos 65 anos e até sua morte.
Usar a tábua AT-2000; taxa de juros de = 6% aa.

2) Uma pessoa física chega até ao balcão de uma Empresa de Previdência Aberta e
compra o seguinte plano: receber o valor anual de $80.000, postecipadamente a partir
dos 56 anos de idade. Calcule quanto esse cliente irá pagar de prêmio puro parcelado
durante 16 anos, considerando a Tábua GAM-83 e i = 6% aa e idade atual de 30 anos.

3) Repita o exercício 2 considerando a idade atual do cliente de 40 anos. Comente a


diferença de prêmios.

4) Calcular o valor atual do prêmio parcelado de um plano de renda anual a ser paga no
início de cada ano, no valor de R$ 80.000, com período de carência de 25 anos,
temporária de 20 anos, considerando idade atual de 35 anos e com pagamento dos
prêmios enquanto durar o diferimento. Tábua-AT2000-Fem; i = 6% aa.

5) Você foi contratado para fazer perícia em uma seguradora e iniciou com um contrato
de renda postecipada anual no valor de R$ 60.000,00; diferida por 15 anos e
temporária por 20 anos. O valor do prêmio parcelado está apagado e você não
consegue ler corretamente, refaça o cálculo para concluir o seu trabalho de peritagem.
Tábua AT-49 e i = 3% aa. Idade do cliente: 40 anos.

6) Suponha que um grupo de 10.000 pessoas com idade de 40 anos deseja contratar
uma renda anual antecipada de R$3.000,00 pagáveis enquanto viver, mas no máximo
durante 5 anos, a partir da idade de 50 anos. As contribuições serão anuais e
antecipadas e serão devidas a partir da contratação do plano até a idade do
recebimento do benefício. Para gins didáticos, considere um cenário sem inflação e, a
princípio, admita uma taxa de desconto de 6% ao ano e a AT-2000 masculina.

3.7 – Planos de Benefícios

1. Previdência Privada Fechada

O que é um plano de benefícios?


Plano de benefícios é o contrato que o participante e a entidade de previdência
estabelecem. O participante assume a sua responsabilidade, como por exemplo, o
pagamento das importâncias que irão custeia os benefícios, que a entidade está lhe
assegurando, conforme estabelecidos no plano. Nos planos de benefícios constam as
condições mínimas exigidas para que o segurado/participante venha requerer suplemento
ou renda de aposentadoria, as condições de cálculos das mesmas, entre outras
informações necessárias para assegurar os direitos dos segurados/participantes e as
obrigações das seguradoras/previdências.

Resolução CGPC nº 16/05 – Define Planos de Benefícios em três modalidade:

“Art. 2º Entende-se por plano de benefício de caráter previdenciário na modalidade de


benefício definido aquele cujos benefícios programados têm seu valor ou nível

55
previamente estabelecidos, sendo o custeio determinado atuarialmente, de forma a
assegurar sua concessão e manutenção.”

“Art. 3º Entende-se por plano de benefícios de caráter previdenciário na modalidade de


contribuição definida aquele cujos benefícios programados têm seu valor
permanentemente ajustado ao saldo de conta mantido em favor do participante, inclusive
na fase de percepção de benefícios, considerando o resultado líquido de sua aplicação,
os valores aportados e os benefícios pagos.

“Art. 4º Entende-se por plano de benefícios de caráter previdenciário na modalidade de


contribuição variável aquele cujos benefícios programados apresentem a conjugação das
características das modalidades de contribuição definida e benefício definido.”

“Plano de Benefício Definido” é o que é instituído para prover cada participante quando se
aposenta, com um benefício predeterminado no regulamento do plano; do ponto de vista
de estrutura do plano, o benefício é fator fixo, enquanto que a contribuição é o fator
variável. (Manoel Soares Povoas, Planos Empresarias, p.89)

Atualmente no mercado existem três modelos básicos de planos de Benefícios:

1) Plano de Benefício Definido (Defined Benefit Plans)


Esse modelo foi o único praticado no País até aproximadamente 1995, quando
começaram a surgir as outras modalidades de plano, assim, ainda é predominante no
mercado. De acordo com a Secretaria de Previdência Complementar, que regula o
sistema de previdência fechada, em 1998, 62% das Entidades de Previdência
Fechada eram vinculadas às Patrocinadoras do sistema privado, 14% vinculados às
Patrocinadoras do setor público e 24% eram entidades multipatrocinadas. Os planos
de benefícios definidos representavam 53% do mercado, os planos de contribuição
definida 19%, e os planos mistos representavam 28% do mercado. O Governo vem
incentivando, através da nova legislação, a migração de planos de benefícios definidos
para planos mistos.

 Características básicas do desenho do plano de benefícios definidos:


- as regras de cálculo, que determinam o benefício no futuro, são estabelecidas
de tal forma que é possível conhecer o valor previsto do benefício, no momento
do seu pagamento. Ex. (salário de benefício – aposentadoria paga pelo INSS)

- neste modelo de plano, a contribuição que o participante irá pagar será


determinado em função dos custos dos benefícios que são assegurados pelo
plano. Assim, se o custo dos benefícios aumentar, o valor das contribuições,
que são determinadas por avaliação atuarial do plano, também poderá
aumentar.

- O plano é avaliado atuarialmente, no mínimo uma vez por ano, para verificar se
há equilíbrio entre as contribuições dos participantes e o custo do benefícios.
Caso haja déficit a contribuição poderá ser elevada, ou em caso de superávit
ela poderá sofrer redução. A regulamentação da Lei nº 109/2001, irá determinar
os procedimentos legais para os casos de déficit ou superávit.

56
- Após a concessão do benefício ele será reajustado por um índice estabelecido
para repor a perda inflacionaria, independente do desempenho da rentabilidade
do plano. Assim, conforme legislação, não será permitido aumento real no valor
dos suplementos ou rendas, concedidos por planos de benefícios definidos.

- Os planos de benefícios definidos, com perfil mais tradicional, mantém o vínculo


direto com o INSS; normalmente o benefício somado com a aposentadoria da
Previdência Social, perfaz a 100% do última remuneração na ativa. Exemplo:
suplemento = (SB – INSS) * 100% ; onde salário de benefício eqüivale à média
aritmética dos 36 últimos salários de contribuição para o plano; e INSS
representa o valor da aposentadoria paga pela Previdência Social. Portanto
suplemento + INSS = média dos trinta e seis últimos salários. Assim, o
participante/segurado não perde poder aquisitivo.

- O plano de benefícios definidos, com perfil mais moderno, está vinculado


indiretamente com o INSS, ou seja o plano utiliza uma padrão de referência,
que inicialmente é idêntico ao teto de contribuição do INSS, porém a partir do
momento que o plano passa a vigorar, ele será reajustado por critérios
próprios, estabelecidos no mesmo.

- Nesse modelo de plano, o valor do benefício é proporcional ao tempo de


contribuição ao plano e existem vários controles e salvaguardas de proteção.

- Nos casos de déficit, normalmente a patrocinadora assumia a cobertura, do


mesmo, por completo até 16/dezembro/2000, a partir de então, no caso de
patrocinadoras ligadas ao Setor Público, o déficit terá que ser rateado entre
patrocinadoras e participantes, em proporções iguais.

- Esse modelo de plano de benefícios definidos apresenta custos bastante


variáveis. Exemplo: no caso da patrocinadora praticar um aumento real nos
salários, significa que os futuros benefícios de aposentadoria, também estarão
sendo reajustado, aumentando assim o valor da reserva matemática, que
espelha o compromisso da Entidade de Previdência; caso as aplicações dos
recursos garantidores não alcançarem a taxa atuarial exigida, implica que
haverá desequilíbrio no plano, etc.

3 Riscos difíceis de serem controlados:


- Comportamento da massa de participantes/dependentes: quando
a patrocinadora começa a demitir sistematicamente, sem efetuar novas
contratações, o perfil da massa poderá apresentar um envelhecimento
precoce e uma redução na quantidade de participantes, o que implica em
maior custo para o plano, pois os benefícios de risco, invalidez e morte,
nesse modelo de plano é custeado por todos os participantes do plano,
de forma solidaria; e com o envelhecimento da massa o risco de invalidez
e morte aumenta.

- qualidade de informações cadastradas: é com base nos dados


cadastrais tais como: salário, idade, tempo de plano, tempo de
patrocinadora, tempo de INSS, número e qualificação dos dependentes
por idade, sexo e possível duração do recebimento de pensão é que
formam os elementos necessários ao cálculo atuarial para definição da

57
reserva matemática e conseqüente taxa de contribuição para o plano.
Caso esses dados não espelhem a realidade do plano, todos os dados
deles derivados, também, estarão comprometidos. Assim, em caso de
auditoria esses dados deveriam ser os primeiros analisados.

- Evolução Salarial: é necessário que a patrocinadora tenha


consciência dos reflexos das alterações no plano de cargos e salários, no
caso de benefícios definidos. O plano deverá ser protegido contra
aumentos particularizados, dentro do período base de cálculo do salário
de benefício. Exemplo: O chefe querendo ajudar alguém próximo da
aposentadoria concede-lhe uma promoção que eleve substancialmente o
seu salário, nos três últimos anos antes de requerer benefício.

- Mortalidade e Invalidez: As tábuas utilizadas terão que representar


bem a experiência vivida pela massa de participantes. Ou seja as curvas
de mortalidade e de invalidez deverão apresentar desvios aceitáveis em
relação às curvas construídas com experiência de mortalidade e de
invalidez dos participantes da Entidade. Essa verificação já é uma
obrigatoriedade constante na Instrução Normativa nº 843/2001 da
Secretaria de Previdência Complementar, que regulamenta os
procedimentos de auditoria atuarial.

- Taxa de Juros: independente do desempenho das aplicações dos


recursos garantidores, o valor do benefício assegurado pelo plano será
pago ao participante. Caso o plano não alcance, no mínimo, a taxa
atuarial, ele sofrerá desequilíbrio.

Podem observar que nesse modelo de plano de benefícios definidos, os riscos são
assumidos pelo patrocinador, pois se qualquer um desses fatores desequilibrar o plano,
mesmo assim o participante terá assegurado o valor determinado pelas regras de cálculos
do plano, lógico podendo as contribuições sofrer alterações para ajustar esse
desequilíbrio.

2) Plano de Contribuição Definida (Defined Contribution Plans)


Está sendo usado a algumas décadas nos Estados Unidos e no Brasil várias Entidade
de Previdência Privada estão promovendo a mudança de benefício definido para
contribuição definida. O desenho desse plano é mais adequado à realidade de nosso
mercado de trabalho, no momento atual, onde os empregados não conseguem
vislumbrar uma carreira até o momento da aposentadoria em uma única empresa,
como foi anteriormente.

“O objetivo desta espécie de plano é proporcionar benefícios de aposentadoria, sem


os predeterminar no respectivo regulamento; o que ele tem de estabelecer é a fórmula
a que obedecerá o cálculo da contribuição que o empregador (e o empregado, se o
plano for contributivo) versará ao plano; geralmente, a fórmula é simples e traduz-se
num percentual da folha de salários, igual para todos os inscritos, ou variando com a
idade do inscrito, no momento da inscrição. “Plano de Contribuições Definidas” é,
assim, o que objetiva proporcionar a, cada participante, por acumulação de
contribuições recolhidas ao plano, devidamente capitalizadas, um montante de
dinheiro, que no momento da entrada em benefício de aposentadoria, se transformará
no benefício, calculado segundo as regras estabelecidas no instrumento do plano.
(Manoel Soares Povoas, Planos Empresarias, p.91-92)

58
3 Características Básicas do desenho teórico de plano de contribuição definida:
- Nesse modelo de plano, o percentual de contribuição é fixado, de tal sorte que o
participante pode ficar contribuindo com o mesmo percentual sobre o seu
salário, por todo o período até começar a receber o benefício, podendo
também, fazer contribuições avulsas quando for possível.

- Nessa modalidade o benefício é calculado com base no montante das


contribuições participante e patronal, acumuladas ao longo do período,
acrescidas da rentabilidade do patrimônio. Assim não é possível assegurar um
valor de benefício no futuro. O que é comum no mercado é determinar a taxa de
contribuição com base em uma projeção de valor de benefício futuro que o
participante iria receber, mas o plano não tem responsabilidade sobre essa
meta.

- É um modelo mais indicado para o perfil de empresa que não retém os seus
empregados até à aposentadoria, pois, oferece ao participante, no momento do
desligamento do plano, o valor de suas contribuições acrescidas dos
ganhos/perdas no mercado financeiro;

- As contribuições pessoais dos participantes são atualizadas pela variação do


patrimônio, assim caso o empregado seja demitido ele poderá sacar uma soma
mais significativa do que no modelo de BD;

- Os benefícios concedidos são reajustados de acordo com a variação do


patrimônio e o pagamento da renda é por período previamente determinado.

- Os Custos são mais controlados e os riscos envolvidos transferidos para o


participante.

3 Riscos envolvidos:
- Nesse modelo praticamente não há riscos para a patrocinadora.
- Para os participantes os riscos são:
- sobreviver além do prazo de recebimento da renda . Exemplo: a
renda é paga por um período certo de 20 anos. Se o participante sobreviver
mais 30 anos após o inicio do recebimento da renda ele ficará 10 anos sem
receber renda, o que séria grave pois estaria na faixa de idade mais
avançada.
- o valor do benefício concedido ser alterado mensalmente,
conforme variação patrimonial. Exemplo: enquanto a variação for positiva,
ótimo. E quando for negativa?
- caso a meta de acumulação de recursos ao longo da carreira não
seja alcançada, o participante poderá receber um benefício de
aposentadoria inferior às suas expectativas.
- caso o participante venha se invalidar ou falecer ainda jovem na
empresa ele não terá um benefício, cujo valor o ampare de forma digna, ou
a sua família.

3) Plano de Contribuição Variável

59
Ocorre quando um modelo apresenta características de contribuição definida e
benefício definido, simultaneamente. No Brasil, a maior parte dos novos planos são
Planos de Contribuição Variável. Normalmente possuem características de CD para os
benefícios programáveis como aposentadoria por tempo de contribuição, com
pagamento de renda vitalícia e BD para os benefícios de riscos: aposentadoria por
invalidez e pensão por morte. De acordo com a Lei nº 109/2001 os planos serão
considerados de contribuição definida pela SPC, quando apresentarem benefícios
programados calculados de acordo com as características de Contribuição Definida.
Assim, o mercado irá trabalhar na prática com dois grandes modelos: Benefício
Definido e Contribuição Definida, sendo esse último uma composição entre esses dois
tipos de plano.

Características Básicas desse desenho de plano:

- Benefícios programáveis (suplementos ou rendas de aposentadoria por tempo


de contribuição, idade, especial): será determinada em função da acumulação das
contribuições parte participante e patronal. Esse benefício, normalmente
representa a maior parte dos custos do plano, assim os riscos relativos a maior
parcela passa a ser mais controlados.
- Os benefícios programáveis serão reajustados, após a concessão, por um
índice que mede a inflação, por exemplo, INPC, IGP entre outros. Assim, elimina-
se o risco do participante ficar com renda variável no momento do recebimento da
mesma.
- Os benefícios programáveis são vitalícios. Assim, elimina o risco do participante
sobreviver ao final do período de recebimento da renda.
- Os benefícios de risco (invalidez e morte) serão calculados dentro dos critérios
de benefícios definidos, ou seja, com regra de cálculo específica. No mercado
atual, normalmente os planos apresentam o seguinte desenho: valor do
suplemento de aposentadoria por invalidez = (exemplo: (SB-INSS)*70% ), caso
esse valor seja inferior à renda determinada pelo montante das contribuições
acumuladas para o benefício programado, na data da invalidez, então paga-se o
maior valor.

O QUE DEFINE A OPÇÃO POR UM DESSES MODELOS?


 Perfil da empresa: capacidade de injeção de recursos, de assumir riscos, de política
de recursos humanos, setor de atividade, competitividade no mercado, entre outros.
 Perfil dos empregados: idade média, faixa salarial, setor de atividade, etc.
 Rotatividade dos empregados da empresa;

O modelo de plano sempre será definido levando-se em conta as possibilidades do


patrocinador e as necessidades dos empregados.

“PERSPECTIVAS MUITO DIFERENTES”, por Marcos Roberto Carnielli, Diretor


de Relações do Trabalho do Banco Itaú S/A

A previdência privada apresenta horizontes bastante distintos conforme as premissas que


estão envolvidas na estruturação de cada tipo de plano. Prova disso são dois termos –
Benefício Definido e Contribuição Definida – Aparentemente semelhantes, mas que
oferecem resultados muito diferentes. Vamos conhecê-los melhor?

60
1 . Benefício Definido 2. Contribuição Definida
Um plano baseado no Benefício Definido O modelo da Contribuição Definida (CD) é
(BD) é aquele em que o benefício é aquele no qual se estabelece de antemão o
previamente estipulado. Ou seja, o valor das contribuições, sendo que o
participante sabe exatamente qual o valor benefício só será conhecido no momento da
que irá receber no momento de sua aposentadoria – e não a qualquer tempo,
aposentadoria. Esse valor, em geral, é como no BD. O valor do benefício será
estabelecido com base em uma fórmula determinado a partir de três variáveis
matemática (por exemplo a média dos 12 básicas: o valor das contribuições e a
últimos salários anteriores à aposentadoria) rentabilidade obtida pelos investimentos
ou diretamente decorrente da última financeiros do plano.
remuneração na ativa. Um plano BD Nos planos CD, as reservas são
assegura um valor final para o benefício, individualizadas e cada segurado tem a sua
independentemente de oscilações nos itens própria conta previdenciária. Qualquer
que incidem sobre o seu custo (inflação, resultado negativo do plano - como uma
taxa de juros). Os riscos decorrentes eventual queda na rentabilidade – implicará
dessas oscilações serão do plano, o que lhe redução dos benefícios almejados
confere o caráter de solidariedade e (benefícios projetados, mas não
mutualismo. contratados). Da mesma forma, um
resultado positivo – por exemplo, se houver
desempenho financeiro maior do que a
meta – fará com que os benefícios sejam
aumentados. Assim sendo, o participante
poderá elevar ou diminuir suas
contribuições para buscar manter o mesmo
valor para o benefício projetado.

Resumindo......

No BD, o benefício tem seu valor contratado no instante de filiação ao plano.


No CD, o valor só será efetivamente conhecido na data de sua concessão e será função
da reserva matemática constituída individualmente.

No CD, a rentabilidade dos investimentos influência diretamente o valor da aposentadoria


no futuro. No BD, o complemento da aposentadoria é fixo, não podendo ser nem menor
nem maior do que o valor estipulado.

No CD, quanto maior o tempo de contribuição e o valor da contribuição, maior será o


benefício futuro. No BD, não é possível efetuar contribuições para elevar o complemento
da aposentadoria, como também não é considerado o tempo de serviço que superou o
limite definido pelo plano.

O CD permite o resgate das contribuições feitas pelo participante e pela patrocinadora,


em caso de desligamento. No BD, em função de seu caráter mutualista, só é possível o
resgate das contribuições feitas pelo participante.

2. – PLANO DE BENEFÍCIOS EM PREVIDÊNCIA ABERTA

Os Planos de Benefícios Definidos no Setor de Previdência Aberta são normalmente


chamados de planos tradicionais e caracterizam-se pelo compromisso que a Empresa
61
assume de efetuar pagamentos de renda continuada ao cliente, com valor conhecido no
momento da contratação do plano Exemplo: Cliente procura a Seguradora X e solicita um
plano de previdência que lhe pague uma renda de R$2.500,00 ao mês, a partir da idade
de 60. O cliente sabe o quanto irá receber e de acordo com o compromisso assumido a
Empresa calcula o valor do prêmio. Caso ocorra alguma oscilação nas hipóteses e
premissas atuariais, que não seja repassado para o prêmio, o ônus é da Empresa.

Os modelos comercializados atualmente têm caráter de contribuição definida, ou seja, o


cliente no momento da contratação escolhe com que valor quer contribuir em função de
uma estimativa de possível valor de renda ele terá, no momento da aposentadoria.
Exemplo: De acordo com sua receita líquida mensal, poderá contribuir com R$100,00 por
mês. Então ele procura um Banco Y e solicita um plano de previdência (PGBL ou VGBL),
o consultor de previdência lhe informará, que valor provável de renda que ele poderá
receber contribuindo com tal importância a partir de determinada idade.

Esses modelos atuais de contribuição definida foram nomeados pela SUSEP como Plano
Gerador de Benefícios Livres (PGBL) e Vida Geradora de benefícios Livres (VGBL), com
as seguintes características:
1. Carência de 6 meses para saque;
2. Resgate parcial da reserva matemática, com intervalos de 60 dias;
3. Aumento ou redução do valor da contribuição;
4. Suspensão das contribuições por período indeterminado;
5. Contribuições extraordinárias poderão ser efetuadas a qualquer momento;
6. Resgate total da reserva matemática, com encerramento do plano;
7. Em caso de falecimento durante o período de contribuição, a reserva matemática
ficará para os herdeiros legais; e
8. O plano poderá ser transferido para outra Empresa, desde que seja mantida a mesma
modalidade (Portabilidade). Exemplo: Você tem um PGBL no Banco Y e quer transferir
para o Banco W. Essa portabilidade é regulamentada pela SUSEP, desde que no
Banco W o plano de que você adquiriu também seja um PGBL.

Diferença básica entre PGBL e VGBL está no tratamento tributário.

A lei do imposto de renda permite a dedução de até 12% da renda anual bruta, em caso
de previdência privada. Assim, a pessoa que contratar um PGBL poderá utilizar esse
incentivo fiscal. O Governo difere o recolhimento, permitindo a dedução na base de
contribuição para o IRRF, durante o período de pagamento dos prêmios, porém no
momento do resgate da reserva matemática ou do recebimento da renda, incidirá a tabela
vigente à época.

“O VGBL é um plano híbrido, união de Previdência Privada e Seguro de Vida, onde parte
das contribuições feita pelo segurado vai compor a reserva para cobrir o risco de morte, e
outra parte, destinada à aposentadoria, será aplicada num fundo de investimento”.
(Arthur Bragança de Vasconcellos Weintraub, Ed. Quartier Latin, Previdência
Privada, p.91).

O VGBL, por ser tratado como um seguro de vida, não se enquadra neste incentivo
tributário. Esse produto é mais indicado para quem já deduz os 12% da renda bruta anual,
e quer efetuar valor ainda maior, ou para quem é isento de IRRF. Assim, no caso de
resgate da reserva matemática ou do valor da renda, incidirá imposto de renda somente
sobre o rendimento obtido.

62
Artigo 1 - PERDENDO DINHEIRO
Texto redigido por Paul Krugman –
The New York Times e publicado pelo
Jornal – O Estado de São Paulo, em
05/12/2001

“Quando uma empresa aparentemente rentável vai de repente à falência, algo deve servir
de lição. Quando essa empresa é a mais admirada nos Estados Unidos louvada pelos
teóricos do mundo dos negócios como a corporação-modelo do século 21, a gente fica
perguntando se isso não será a ponta de um iceberg. E quantos de nós compramos, sem
saber, passagens para viajar nesse Titanic?

Levará tempo para que toda a história da quebra da Eron seja conhecida. Maus uma
coisa já ficou clara> este caso demonstra como os executivos adeptos das corporações
estabelecem padrões de riscos para si mesmo e para os outros, principalmente os seus
empregados. Os diretores da Enron saem da débâcle machucados, mas riquíssimos.
Muitos funcionários da enron – entre eles, sem dúvida, os apaixonados pela a empresa
que me enviavam cartas iradas, cada vez que eu criticava essa companhia – perderam as
economias da vida inteira.

Por trás desse desastre o trabalhador comum deveria observar uma pouco notada
mudança no sistema de aposentadoria. Há 20 anos, a maioria dos trabalhadores estava
incluída nos planos de aposentadoria de “benefício definido” – ou seja, seus patrões lhes
prometiam uma pensão fixa. Hoje, a maioria dos trabalhadores participa de plano de
“contribuição definida”.

Eles investem dinheiro para a sua aposentaria e aceitam o risco de tais investimentos
serem malsucedidos. Normalmente, as contribuições para a aposentadoria são
subsidiadas pelos empregadores e recebem tratamento fiscal especial. Mas isso de nada
adiantará se, como no caso da Enron, os ativos que os trabalhadores comparem
perderem quase todo o seu valor.

É fácil fazer a defesa teórica dos planos de contribuição definida. Eles ampliam a
capacidade de escolha do trabalhador. Ele pode escolher quanto economizar e como
investir seu dinheiro. Ter mais opções geralmente é uma coisa boa.
Mas o triste destino desses empregados destaca a diferença entre a teoria e a prática.
Como assinalou Gretceh Morgenson, no The New York Times de domingo, trabalhadores
de todo o país estão sendo iludidos ou coagidos a manter uma alta proporção de seus
ativos para a aposentadoria em ações de seus próprios empregadores. A natureza
exploratória deste incesto financeiro foi enfatizada pelo agora famoso “bloqueio”, pelo qual
– por mera coincidência, segundo os executivos – novas regras forçaram os empregados
a continuar investindo em ações da companhia até o momento em que ela entrou no
espiral da morte. É demais para a liberdade de escolha.

E, mesmo quando os trabalhadores têm opções reais, caberá perguntar se eles realmente
querem correr riscos. A mudança do antigo sistema de aposentadoria coincidiu com a
enorme expansão do mercado acionário. Sem dúvida, muitos trabalhadores, que jamais

63
viram o preço das ações cair desde que se tornaram investidores, subestimaram o risco
da perda.

Esperemos que a quebra de empresas não se torne rotina. Mesmo assim, é muito
provável que milhões de trabalhadores americanos passarão por experiências
semelhantes aos da Enron, constatando, com tristeza, que grande parte da poupança
para a aposentadoria se evaporou. Eles ficarão dependendo do único programa de
benefícios definidos que restará: a Previdência Social. Isto é, se a previdência existir até
lá.

A comissão sobre a reforma da Previdência Social indicada pelo Governo Bush divulgou
seu mais recente relatório na semana passada, exatamente quando a Enron entrava em
agonia. A maior parte dos que criticam o trabalho da comissão – incluindo eu – percebeu
que a comissão usa os números de um modo parecido com o da diretoria da Enron. Os
números devem adaptar-se às conveniências da comissão. Assim, quando o sistema da
Previdência Social arrecada mais do que paga – como hoje em dia -, isso não é
importante. Você sabe, o orçamento federal é unificado, e não há nada demais quando
uma das partes do grupo apresenta superávit. Mas em 2016, quando a Previdência
começa a pagar mais do que irá arrecadar, surgirá uma crise. Mas você sabe, a
Previdência deve se virar sozinha.

Mas a comissão manipula números apenas para atingir seu objetivo final: transformar a
Previdência Social de um sistema de benefícios definidos, que garante aos aposentados
americanos uma certa renda básica, num sistema de contribuições definidas, em que o
indivíduo pouco esperto ou sem sorte poderá ficar na amargura, na velhice.
Alguns analistas que conheço acham que a Previdência vai transformar-se num sistema
de contribuições definidas, não porque isso seja uma coisa boa, mas porque a indústri
financeira – que tem enorme influência em nosso sistema político movido pelo dinheiro –
tem muito a ganhar com a conversão. Espero que eles estejam errados. Mas, se
estiverem certos, o destino dos pobres empregados da Enron, vitimados por uma equipe
administrativa que eles imaginavam estar do lado deles, poderá ser o modelo das coisas
que estão por acontecer. “

5. Regimes Financeiros
5.1. Regime de Repartição Simples
“Neste regime o custo normal é fixado com base no valor das despesas previstas no
período. Como as receitas são estabelecidas para se igualarem às despesas, não há
geração de reservas.” (toda receita arrecadada é destinada ao pagamento de despesas
do período em questão).”
Esse regime é adotado, no Brasil, pela Previdência Social e para benefícios de pequeno
valor e esporádicos, exemplo: pecúlios, auxílio funeral, auxílio natalidade, etc.
O custo do benefício varia conforme a evolução da idade média do grupo.
No caso de encerramento dos benefícios custeados por este regime, os ativos e
assistidos ficam totalmente desamparados.

5.2. Regime de Repartição de Capitais de Cobertura


“Neste Regime, o custo normal é igual ao valor atual dos fundos a serem constituídos
para garantia dos benefícios iniciados nos próximos 12 meses.”
“O custo normal, em qualquer ano, dependerá da distribuição de idade dos ativos e
tenderá a crescer à medida que a idade média dos empregados ativos se vá elevando,
64
mas poderá permanecer relativamente estável se houver um fluxo suficiente de novos
empregados.”
“Como neste regime os recursos de destinam à constituição de benefícios que se iniciarão
imediatamente, não há constituição de reservas de benefícios a conceder, mas apenas da
reserva de benefícios concedidos.” (despesas iniciadas no ano = contribuições no ano)
O custo do benefício varia de acordo com a evolução da idade média do grupo.
A reserva de benefício concedido permitirá investimento de longo prazo.
Em caso de paralisação do processo, os participantes que ainda não estejam em gozo de
benefícios ficam desamparados.
Esse regime é aplicado para os benefícios de auxílio doença, pensão por morte e pecúlio.

5.3. Regime de Capitalização

“Enquanto o regime de repartição simples não constitui reservas e o regime de repartição


de capitais de cobertura somente constitui na iminência da concessão do benefício, o
regime de capitalização induz ao financiamento gradual dos benefícios futuros ao longo
da vida ativa do participante.”
As vantagens deste regime são:
• Segurança para os inativos pela constituição da reserva matemática de benefícios
concedidos
• Segurança para os ativos pela constituição da reserva matemática de benefícios a
conceder
• Razoável estabilidade para as taxas de custeio.

No regime de capitalização existem diversas formas de distribuir o custo do benefício ao


longo dos anos de serviços do participante. A forma em que se dá essa distribuição define
o método de capitalização. Os métodos de financiamento mais comuns são:
• Crédito Unitário (custo normal = Valor atual dos benefícios/número de anos de
serviço prestado ao patrocinador e serviço passado igual a zero => CN = VAB/n e
S.Passado = 0)
• Crédito Unitário Projetado (custo normal = Valor atual dos benefícios/número de
anos de serviço prestado ao patrocinador e serviço passado igual ao custo normal
multiplicado pelo tempo em que permaneceu na patrocinadora sem estar vinculado
ao plano. => CN = VAB/n e S.Passado = t. VAB/n)

Os métodos acima são recomendados quando há novas entradas de participante


no plano, mantendo o perfil etário e a média salarial do grupo
As contribuições vertidas pelos participantes e patrocinadoras somente serão
suficientes para a cobertura dos benefícios concedidos e a conceder ao atual
grupo de participantes se os percentuais de contribuição forem crescentes ao
longo do tempo.
As reservas de benefícios a conceder e concedidos permitem investimentos de
longo prazo.
A cobrança de jóia atuarial aos novos participantes não impede a elevação do
custo do plano.

• Agregado – O montante necessário ao pagamento do benefício será constituído


pelas contribuições vertidas pelos participantes, patrocinadores até a data do início
do benefício. Custo Inicial CI = VAB/VAF
Reserva matemática = VAB – VAF.CI
• Agregado por Idade de Entrada – O montante necessário ao pagamento do
benefício será constituído pelas contribuições vertidas pelos participantes,
65
patrocinadoras até a data do inicio do benefício, sendo o custo separado em custo
normal e serviço passado. Custo Normal = VAB/n e serviço passado = VAB-
CV.VAF.

“Contribuições vertidas pelos participantes e patrocinadoras, mesmo com a


manutenção dos percentuais de contribuição, é suficiente para constituição dos
fundos necessários à cobertura dos seus benefícios concedidos e a conceder.”
“A reserva de benefícios concedidos e a conceder permitem investimento de longo
prazo.”
“Para que os novos participantes ao entrar no plano não o encareça, é necessário
cobrar jóia atuarial.”
“No método agregado não há a identificação do serviço passado. “

6. CÁLCULO DE SEGURO DE VIDA

6.1. Constante Com Pagamento Único

1) sem diferimento – efeito imediato


a) Seguro de Vida Inteira
Ax – Valor atual da unidade de capital pagável no fim do ano em que venha a falecer a
pessoa segurada de idade (x), qualquer que seja a época de seu falecimento.
w-x
Ax = ∑ Iqx.vt+1;
t onde w é a maior idade da tábua, Exemplo - CSO-58: 99 anos
t =0

Ax = v . äx – ax = v . äx – (äx-1) = 1 – (1-v) . äx => Ax = 1 – d . äx ; sendo d=(1-v)

Em Comutação temos:
Ax = 1 – {1-[1/(1+i)]} . Nx/Dx

b) Seguro Temporário de n anos

A1x:n = Valor atual da unidade de capital pagável no fim do ano em que venha a falecer a
pessoa segurada de idade (x), desde que não tenham decorridos n anos.

n-1
A 1
x:n = ∑ Iqx.vt+1
t
t =0

A1x:n = v . äx:n – ax:n

Em Comutação temos:
A1x:n = { (1/(1+i)) . [Nx – Nx+n / Dx ]} – { Nx+1 - Nx+1+n / Dx }

c) Seguro Dotal (Misto) de n anos

Ax:n – Valor atual da unidade de capital pagável no fim do ano em que venha a falecer a
pessoa segurada de idade (x), desde que não tenham decorridos n anos ou pagamento
de igual capital a ela própria caso sobreviva à idade x+n.

66
Trata-se da combinação de um seguro pago em caso de morte com um seguro pago
em caso sobrevivência.
Ax:n = A1x:n + Ax:n1

Ax:n1 = nEx = vn . npx = Prêmio Único Puro ou valor atual da unidade de capital pagável
a uma pessoa com idade (x) se sobreviver à idade (x+n) – Conhecido como seguro
por sobrevivência – Valor Único - observa-se que não é um somatório de parcelas.
Também é conhecido como fator de desconto atuarial, pois é composto somente
pelo fator de atualização financeira vn capitalizado com a probabilidade de uma
pessoa (x) sobreviver à idade (x+n).

Ax:n = 1 – äx:n . (1-v) => Ax:n = 1 – d . äx:n

Em Comutação temos:
Ax:n = 1 – [(1-(1/(1+i))]. [(Nx – Nx+n) / Dx]

5.2 Prêmios Parcelados ou Periódicos (anuais) – Puros


a) Prêmio Parcelado para um Seguro de Sobrevivência – Dotal

P(Ax:n1) = Prêmio parcelado anual puro do seguro de sobrevivência, pagável por uma
t
pessoa segurada com idade (x), enquanto viver, mas no máximo de n anos.

Sua equação de equivalência é:

Ax:n1 = tP(Ax:n1 . äx:n )  tP(Ax:n1) = Ax:n1 / äx:n

Em Comutação temos:
1
tP(Ax:n ) = Dx+n / (Nx – Nx+n)

b) Prêmio Parcelado para um Seguro Vida Inteira Vitalício, com pagamentos por
toda a vida.

Px = Prêmio anual parcelado, puro do seguro Vida Inteira, pagável por uma pessoa
segurada de idade (x) anos, durante toda a sua vida.

Sua equação de equivalência é:

Ax = P(Ax). äx  P(Ax )= Ax / äx  P(Ax) = (1 – d.äx ) / äx

Fórmula Sintética:
P(Ax)= 1/ äx - d

c) Prêmio Parcelado para um Seguro Vida Inteira Vitalício, com pagamentos de


prêmios anuais Temporários por t anos.

tP(Ax)= Prêmio anual puro do seguro Vida Inteira, pagável por uma pessoa segurada de
(x) anos enquanto viver, mas no máximo de t anos ou prêmio anual puro do seguro vida
com pagamentos limitados a t anos.

67
Sua equação de equivalência é:

Ax = tP(Ax). äx:t

Fórmula Sintética:
tP(Ax)= Ax / äx:t

d) Prêmio Parcelado para um Seguro Temporário de n anos com pagamentos de


prêmios durante t anos

P(A1x:n)= Prêmio anual puro do seguro Vida Temporário de n anos, pagável por uma
t
pessoa de (x) anos enquanto viver, mas no máximo de t anos;

Sua equação de equivalência é:

A1x:n = tP1x:n . äx:t  tP1x:n = A1x:n / äx:t

Fórmula Sintética:
1
tP x:n = (v. äx:n – ax:n) / äx :t Onde t < n

e) Prêmio Parcelado para um Seguro Dotal (misto) de n anos – com pagamento de


prêmios durante t anos

P(Ax:n) = Prêmio anual puro do seguro Dotal de n anos, pagável por uma pessoa
t
segurada de (x) anos enquanto viver, mas no máximo no período de t anos;

Sua equação de equivalência é:

Ax:n = tP(Ax:n). äx:t

Fórmula Sintética:
tP(Ax:n) = Ax:n / äx::t

f) Prêmio Parcelado para um Seguro Dotal (misto) de n anos – com pagamento de


prêmios durante n anos

P(Ax:n) = Prêmio anual puro do seguro Dotal de n anos, pagável por uma pessoa
t
segurada de (x) anos enquanto viver, mas no máximo de n anos;

Sua equação de equivalência é:

Ax:n = = nP(Ax:n) . äx:n  nP(Ax:n) = Ax:n / äx:n = (1- d . äx:n ) / äx:n

Fórmula Sintética:
Ax = 1/äx:n - d

Exercícios

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1) Calcular o valor do seguro (Prêmio Único) nas seguintes modalidades:
condições: pessoa com 25 anos; Tábua AT-49, i = 6% aa. Para uma indenização de
R$100.000,00
a) Vida Inteira
b) Temporário de 15 anos
c) Dotal (misto) com vigência de 15 anos

2) Repita o exercício acima com as seguintes condições: 28 anos; Tábua AT-49; i =


3%aa. Comente as diferenças de prêmios quando alteramos a hipótese de taxa de juros.

3) Calcule o valor do prêmio parcelado puro anual para obter um seguro cuja
indenização deverá ser paga, caso o segurado faleça no período de cobertura de 15
anos. O cliente esta com 55 anos. Use AT-49 e i = 6% ao ano. Valor R$100.000.

4) Recalcule o exercício anterior usando AT-2000-MAS e i = 6% ao ano.


5) Uma esposa muito dedicada resolve fazer um seguro temporário de 5 anos, para que
em caso de sua morte, deixe aos seus filhos e esposo, indenização de $100.000. Qual
o valor atual (prêmio Único) para pagamento à vista? Caso ela não tenha toda a
importância para efetuar o pagamento à vista, qual será o valor do prêmio parcelado
puro anual que ela deverá pagar, enquanto durar a cobertura do seguro. Tábua – AT-
49; i = 3% aa. Idade atual 45 anos.
6) Você foi enviado pela sua empresa para desenvolver um trabalho de pesquisa na
“Rocinha” – Rio de Janeiro, por prazo de 1 ano, temendo pela assistência à sua
família, você foi até a Seguradora “Sonho Dourado” é solicitou um seguro que em caso
de morte seja pago aos seus beneficiários o valor $70.000,00, e se no final da
cobertura se estiver vivo, você possa resgatar a importância segurada. Qual o valor do
prêmio parcelado puro anual que você irá pagar? Idade = 30 anos; Tábua AT-49 e i
= 6% aa.

7. Reserva Matemática
O pensamento sobre Reserva Matemática surgiu quando se idealizou o estabelecimento
de “prêmios nivelados” para os Seguros de Vida em substituição aos prêmios “naturais”.

Os Prêmios nivelados apresentam um comportamento constantes para seguros sobre a


vida humana, contratados por uma série de anos, ao passo que os prêmios naturais são
crescentes com o aumento da idade para seguros renováveis anualmente.

Suponhamos que uma associação de 1.000 pescadores façam o acordo de indenizar, no


valor de R$2.000,00, a família de cada associado que vier falecer neste ano.

Considere que todos os associados possuem a idade de 40 anos, pela CSO-58 teríamos
aproximadamente 4 falecimentos neste ano, o que geraria uma contribuição de R$8,00
(8.000/1.000), chamada também de prêmio de risco ou natural. A probabilidade de morte
cresce com o envelhecimento e consequentemente o prêmio de risco, também, pois o
número de óbitos cresce, a quantidade de pessoas vivas que irão custear a indenização
diminui. Desta forma tornaria muito oneroso para cada associado manter o acordo à
medida que o tempo passasse.

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O prêmio de risco é menor para idades mais novas e maior para as idades mais
avançadas, o prêmio nivelado vem para tornar o seguro mais acessível para as pessoas
quando atingirem as idades mais elevadas, cobrando um pouco mais além do prêmio de
risco, enquanto o segurado está mais novo e registrando esta diferença de prêmio em
uma conta chamada reserva, para cobrar um pouco menos quando o mesmo atingir
idades mais avançadas.

7.1 Em Ciências Atuariais Reserva é, além do Capital Social e a soma certa de dívidas
determinadas, tudo que figura no passivo de uma sociedade. Assim, reserva poderá
destinar-se:
a) à depreciação de certos elementos do ativo;
b) aos futuros pagamentos, cujos montantes são ignorados, mas cuja realização é certa;
ou
c) à cobertura de perdas futuras ou de estabilidade da sociedade seguradora.

Reserva sob o aspecto técnico abrange principalmente o sentido econômico, acrescido da


natureza aleatória que envolve os contratos de seguros.

Assim, RESERVA – “é a efetiva garantia das operações de uma sociedade seguradora,


destinada à formação do capital necessário ao compromisso de reparação dos sinistros
que possam ocorrer nos bens, responsabilidades e pessoas que estão sob sua
cobertura.”

“As reservas técnicas das sociedades seguradoras são constituídas de acordo com os
prêmios técnicos-atuariais – com parte dos prêmios recebidos. Essas reservas,
destinadas a garantir as operações de seguros, deverão ser aplicadas, obedecendo a
certos critérios de rentabilidade, segurança e liquidez, de maneira a permitir a aferição de
rendimentos que venham a fortificar o ativo das seguradoras.”

7.2 Tipos de Reservas Matemáticas (conta que figura no passivo)


a) Quanto à forma do segurado pagar seus compromissos:
- prêmio único : pagamento à vista
- prêmio periódico: pagamentos parcelados
b) Quanto à época do ano em que ela é calculada ela pode ser :
- terminal;
- média; ou
- inicial:
c) Quanto ao prêmio empregado pelo segurador, ela pode ser:
- inteira ou pura; ou
- carregada
d) Principais métodos de cálculo:
- Prospectivo;
- Retrospectivo.
e) Quanto ao destino:
- Reserva de Riscos Não Expirados (seguro ramos elementares): trata-se de
uma reserva que se destina a dar cobertura aos riscos dos contratos em vigor,
nos ramos elementares e de vida em grupo. Essas reservas são constituídas
mensalmente, observado o desdobramento para cada ramo ou modalidade de
seguro, correspondendo a uma porcentagem do montante, do total dos prêmios
retidos pelo segurador. Na apuração desse montante, do total dos prêmios
efetivamente arrecadados, relativos aos seguros, cosseguros, resseguros e
retrocessões, serão deduzidas as parcelas correspondentes às anulações e

70
restrições de prêmio e aos resseguros cedidos, no mesmo período, ao
ressegurador e às sociedades seguradoras congêneres. A Reserva é avaliada –
no que concerne aos seguros ramos elementares – em função do montante dos
prêmios retidos, aplicando-se uma porcentagem que varia de acordo com a
modalidade do seguro.

- Reserva Matemática (seguro de vida e previdência): corresponde a uma parte


do prêmio recebido para garantir o nivelamento do citado prêmio e, também,
para atender ao pagamento do capital segurado. Aplicada em seguros de longa
duração, previdência e saúde, com prêmios nivelados. RESERVA
MATEMÁTICA, subdivide-se em Reserva de Benefícios Concedidos e Reserva
de Benefícios a Conceder.

Outro conceito de reserva matemática:


“Reserva matemática é o valor, apurado atuarialmente, representativo dos
compromissos de uma entidade com o pagamento de benefícios futuros a
pagar.
No caso de aposentadoria já concedida, a reserva matemática é igual ao valor
atual daquelas rendas já em pagamento, supondo-se que, em relação a elas,
não há, ainda contribuições a receber.
No caso de aposentadorias ainda a conceder, a reserva matemática é a
diferença entre o valor atual daquelas rendas cujos pagamentos ainda não
foram iniciados e o valor atual das contribuições a receber, relativamente às
mesmas aposentadorias a conceder.
A soma das duas reservas matemáticas, de aposentadoria já concedidas e de
aposentadorias a conceder, representa o montante que a entidade pagadora
das aposentadorias deve possuir, no mínimo, em seus cofres, para a cobertura
desses benefícios”. (Atuário Hilton Van Der Linden)

- Reserva de Sinistro a Liquidar (ramos elementares): destina-se a garantir o


pagamento das indenizações por sinistros, ocorridos e ainda não liquidados, por
ocasião do encerramento do balanço. Essa reserva pode, também, ser
chamada de reserva a pagar, reserva de sinistros pendentes ou reserva de
sinistros não liquidados. Essa reserva será constituída mensalmente,
correspondendo, na data de sua avaliação, à importância total das indenizações
a pagar por sinistros ocorridos, deduzida a parcela relativa à recuperação de
resseguros cedidos. Para cálculo dessa reserva, devemos tomar por base:
- a) o valor convencionado, em caso de ajuste entre segurado e
segurador;
- b) o valor reclamado pelo segurado, quando não tenha sido
impugnado pelo segurador;
- c) o valor estimado pelo segurador, quando não tenha o segurado
indicado a avaliação do dano;
- d) o valor igual à metade da soma da importância reclamada pelo
segurado com a oferecida pelo segurador, no caso de divergência da
avaliação;
- e) o valor resultante da sentença transitado em julgado; e
- f) o valor máximo da responsabilidade, por vítima e por tipo de dano,
nos seguros obrigatórios de responsabilidade civil.

- Reserva de Seguros Vencidos (seguro de vida individual de longa duração):


trata-se de uma reserva destinada a garantir o pagamento das importâncias

71
devidas em conseqüência de vencimento de contratos; ela é aplicada
principalmente nos seguros de longa duração. Essa Reserva será constituída
mensalmente e corresponderá, na data da sua avaliação, à importância total
dos capitais garantidos a pagar em conseqüência do vencimento dos contratos,
deduzida a parcela relativa à recuperação do resseguro cedido.

7.2 Método Prospectivo


Reserva Matemática – de um seguro individual numa época qualquer, é a diferença
entre o valor atual dos compromissos parciais do segurador e o valor atual dos
compromissos parciais do segurado, na referida época, para o período até
expiração do contrato do seguro e questão.

Reserva Matemática (V) = somatório dos valores atuais das despesas futuras
do segurador menos o somatório dos valores atuais das receitas futuras do
segurador

K V = Ak - Päk

As Reservas Matemáticas podem ser:


1. Pura ou Inteira, quando sua constituição baseia-se no acúmulo de prêmios
puros dos seguros; e
2. Modificada, quando baseia-se no acúmulo dos prêmios puros com alterações,
para atendimento dos gastos indispensáveis no início do contrato de seguro. A
legislação brasileira permite que esses gastos sejam amortizados no máximo
até 5 anos, daí em diante a reserva seria denominada pura.

PLANO DE ENSINO de Prática


Profissional Atuarial

CURSO
: Ciências Contábeis
DISCIPLINA: Prática Profissional Atuarial
CÓDIGO CRÉDITO PERÍODO PRÉ –REQUISITO TURMAS ANO
CON1310 04 6º CON1310 – Prática Contábil A01/C01/ 2007/2
Atuarial C02

EMENTA

O mercado de seguros e de previdência privada, no Brasil, apresenta diversos produtos,


com a finalidade de preservar o patrimônio, o direito e a vida. Com a proposta de facilitar
o processo de ensino-aprendizagem, destacaremos o seguro de vida e as rendas de
previdência, com ênfase no cálculo atuarial, contextualizando-os com os benefícios
oferecidos pela Previdência Social.

OBJETIVOS
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1. Objetivo Geral:
Propiciar ao aluno de contabilidade conceitos e instrumentos de trabalho para
melhor compreensão das técnicas de cálculo e hipóteses atuariais, que influenciam
a contabilidade securitária, gerando procedimentos contábeis mais fundamentados
e confiáveis.

2. Objetivo Específico:
2.1 Contextualizar historicamente o mercado de seguros e previdência;
2.2 Compreender as tábuas biométricas a partir da construção das mesmas, extraindo
das variações análises consistentes;
2.3 Realizar cálculos atuariais de rendas de aposentadorias e analisar o impacto das
variações das hipóteses atuariais;
2.4 Conhecer as principais características dos planos de benefícios; e
2.5 Realizar cálculos de seguros de vida e analisar o impacto das variações das
hipóteses atuariais.

CONTEÚDO PROGRAMÁTICO CRONOGRAMA


CARGA HORÁRIA
UNIDADE I – Evolução histórica e estrutura do 4 aulas
Mercado de seguros e previdência

1. Apresentação do professor e dos alunos, da metodologia de 1 aula


trabalho ao longo do semestre, dos conteúdos e as respectivas
formas de avaliação. Com quais disciplinas Técnica Profissional
Atuarial está relacionada (analise da interdisciplinaridade entre
Prática Profissional Atuarial e as demais disciplinas que compõem a
matriz curricular). O que é atuária. Perfil do Egresso. Porque um
aluno de contabilidade precisa ter noção de matemática atuarial
(utilização do texto: O Contador e a Matemática Atuarial)

2. Panorama atual da previdência social e privada. Estrutura da 3 aulas


Previdência Privada, no Brasil, contextualizando-a com a previdência
social. Evolução histórica da Ciência Atuarial e dos Seguros.
Utilização dos textos 1 a 6.

UNIDADE II – Construção de tábuas biométricas 5 aulas

1. Fundamentos de probabilidade e notações básicas de 1 aula


matemática atuarial

2. Construção de Tábua Biométrica, com as funções de número de 2 aulas


pessoas vivas, número de óbitos, probabilidade de morte e
probabilidade de vida; 2 aulas

3. Cálculo de expectativa de vida, inclusão na Tábua. Utilizar os


textos: “Longevidade, a maior contribuição do século”; e “Mundo
envelhecido, país envelhecido” , e outros . Exposição sobre o
trabalho a ser realizado

UNIDADE III – Cálculo de prêmio para rendas de 10 aulas


aposentadorias

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1. Cálculo de prêmio único para renda aleatória imediata antecipada 3 aulas
vitalícia, renda postecipada vitalícia, renda antecipada temporária
e renda postecipada temporária. (fazer correlação com a série de
pagamentos antecipados – matemática financeira)

2. Cálculo de prêmio único para renda aleatória diferida antecipada 3 aulas


vitalícia, renda postecipada vitalícia, renda antecipada temporária
e renda postecipada temporária.

3. Informações sobre o trabalho a ser realizado sobre prêmio único, 2 aulas


Cálculo de prêmio parcelado para rendas aleatórias diferidas e
revisão para prova
2 aulas
4. Aplicação e revisão de prova.

UNIDADE IV – Planos de Benefícios 7 aulas

1. Planos de previdência constituídos por previdência privada 2 aulas


fechada: características de BD, CD e variável; Planos
constituídos por previdência aberta: PGBL e VGBL, com ênfase
no aspecto tributário
1 aula
2. Informações sobre os trabalhos a serem apresentados e
introdução ao seguro de vida com a utilização do texto “
Perdendo Dinheiro”. Introdução ao cálculo do seguro de vida
4 aulas
3. Apresentações dos trabalhos

UNIDADE V – Prêmios de seguros de vida e reserva 8 aulas


matemática
3. Cálculo de prêmio único e prêmio parcelado para seguro de vida 3 aulas
Inteira, Temporário e Dotal/misto

2 Conceitos de reserva matemática e o impacto das hipóteses 3 aulas


atuariais na determinação da mesma. Revisão de conteúdos

4. Aplicação e revisão/avaliação de prova 2 aulas

METODOLOGIA DE ENSINO

a) Didática e aula: (indicar necessidade de equipamentos áudio-visual)

Metodologia Justificativa
Unidade I – aulas expositvas, com auxílio de intermediar o conhecimento apresentados por
quadro negro, e retro projetor / data-show; diversos autores e os alunos. Estimular o trabalho
leitura e elaboração de análise crítica dos em equipe, através da leitura e análise crítica
textos em grupos; realizada em grupo.

Unidade II e III – aulas expositivas, com intermediar o conhecimento apresentados por


utilização de quadro negro, calculadora, diversos autores e os alunos. Estimular o trabalho
resolução de exercícios em dupla, planilha em equipe, através da soma de conhecimentos de
eletrônica e tábuas biométricas. cada aluno. Exposição de raciocino matemático,
com base nos conhecimentos já adquiridos de
probabilidade, matemática financeira e atuarial.

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Unidade IV e V – aulas expositivas, com Intermediar o conhecimento entre os diversos
utilização de quadro negro, data-show, autores e os alunos. Estimular o trabalho em
leitura e discussão de textos, pesquisa e equipe, através da leitura e análise crítica
apresentação de trabalho em grupo. Uso de realizada em grupo.
calculadora e tábuas biométricas.

Recursos Objetivo
Unidade I – quadro negro, e retro projetor / Utilização de recursos audiovisual para facilitar o
data-show processo de ensino-aprendizagem.
Unidade II e III – quadro negro, calculadora utilização de recursos audiovisual, para facilitar o
e planilha eletrônica. processo de ensino-aprendizagem, e de
calculadora e planilha eletrônica, para possibilitar
a realização de cálculos mais elaborados.

Unidade IV e V – quadro negro, data-show, utilização de recursos audiovisual para facilitar o


leitura e discussão de textos, pesquisa e processo de ensino-aprendizagem.
apresentação de trabalho em grupo.

AVALIAÇÃO:

NOTA 1 NOTA 2
TIPO DE AVALIAÇÃO Qtd Nota Peso Qt Nota Peso
d
Trabalho 03 10 30% 02 10 30%
Prova 01 10 70% 01 10 70%
N1 será composto por 30% da média dos três trabalhos realizados em grupo e por 70%
de uma prova individual; e
N2 será composto por 30% da média de um trabalho apresentado oralmente pelo
grupo e de exercícios realizados em sala de aula e por 70% de uma prova individual.
Os trabalhos e provas podem assumir valores de zero a dez.
Para todas as provas serão permitidas consultas à legislação pertinente, tábuas
biométricas e relação de fórmulas a ser preparada pelo próprio aluno.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Bibliografia básica
SILVA, Armindo Neves. Matemática das Finanças Vol. I, 1993 – Ed. McGrawHill,
Portugal.

CHAN, Betty L; SILVA, Fabiana L; MARTINS, Gilberto A. Fundamentos da Previdência


Complementar. São Paulo: Atlas, 2006,p.239

Bibliografia Complementar:
FERREIRA, Weber José – Coleção Introdução à Ciência Atuarial, 1985 – Ed. Instituto de
Resseguros do Brasil, Rio de Janeiro.
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RAMOS, Severino G. – Noções de Previdência Aberta, 1988 – FUNENSEG, Rio de
Janeiro.
VILANOVA, Wilson – Matemática Atuarial Vol I, 1969 – Ed Universidade de São Paulo,
São Paulo.
Harriett E. Jones; Dani L. Long, Princípios dos Seguros de Vida, Saúde e Rendas
Vitalícias, Atlanta-USA, 1999; comercializado em português pela Funenseg.
SOUZA, Silney de – Contabilidade, Atuária e Auditoria, 2001, Editora Saraiva – São
Paulo.

Sites recomendados para consulta:


Fenacor: http://www.fenacor.com.br
Fenaseg: http://www.fenaseg.org.br
IBA: http://www.actuary-iba.org.br/
Susep: http://www.susep.gov.br/
Legislação: www.senado.gov.br
Previdência Social www.previdenciasocial.gov.br
ABRAPP: www.abrapp.org.br
Society of Actuaries: www.actuariallibrary.org

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