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Lúpus eritematoso na odontologia
w w w .boasaude.com Domingo 25 de Julho de 2010 Última Modificação: Segunda-feira 23 de Janeiro de 2006

Lúpus eritematoso na odontologia
Equipe editorial Bibliomed Neste artigo: Introdução Etiologia Manifestações bucais Tratam ento e prognóstico Conclusão Referências bibliográficas

"Exemplo clássico de condição imunologicamente mediada mais freqüentemente encontrada em mulheres. Possui causa desconhecida, embora fatores genéticos e ambientais estejam associados à sua etiologia. O envolvimento bucal, principalmente da língua, dos lábios, do palato e da mucosa, é variável e depende da gravidade do quadro clínico." Introdução O Lúpus Eritematoso é uma doença um tanto comum, de etiologia desconhecida, descrita de longa data. A palavra latina lupus significa lobo e estabelece uma analogia entre as erupções faciais da doença e as marcas observadas na face de alguns lobos. O lúpus é considerado uma das enfermidades do colágeno e seu caráter auto-imune é responsável pelas várias manifestações clínicas encontradas, que podem ser mucocutâneas e estar ou não acompanhadas de manifestações sistêmicas. O termo auto-imune refere-se à produção de autoanticorpos dirigidos a componentes celulares do próprio organismo ou reatividade de linfócitos a um antígeno também próprio. A sintomatologia é semelhante para homens e mulheres. Entretanto, o mesmo não pode ser dito a respeito da prevalência por sexo, uma vez que se observa maior predominância para o gênero feminino. Sob o ponto de vista clinicopatológico, o Lúpus Eritematoso é subdividido em Lúpus Eritematoso Sistêmico; Lúpus Eritematoso Cutâneo Crônico e Lúpus Eritematoso Cutâneo Subagudo, sendo que todos eles podem apresentar manifestações bucais. O Lúpus Eritematoso Sistêmico é o mais grave e envolve vários sistemas, com uma variedade de manifestações cutâneas e bucais. Nessa variante, ocorre um amento na atividade da parte humoral do sistema imune em conjunto com as funções normais do linfócito T. Embora seja clara a participação de um componente genético em sua patogênese, a causa precisa é desconhecida. O Lúpus Eritematoso Cutâneo Crônico pode representar um processo diferente, mas relacionado. Apresenta-se com lesões limitadas à pele e à mucosa bucal, com um bom prognóstico. A terceira forma da doença, o Lúpus Eritematoso Cutâneo Subagudo, apresenta características clínicas intermediárias entre o Lúpus Eritematoso Sistêmico e o Lúpus Eritematoso Cutâneo Crônico. Deve ser salientado que certos dados laboratoriais são comuns a todas as variantes, como presença de anticorpos antinucleares, globulinas séricas anormais, fator reumatóide positivo, velocidade de sedimentação elevada e teste sorológico falso positivo para sífilis. O tratamento de pacientes portadores da doença é inespecífico, cabendo ao profissional definir a melhor estratégia para cada caso. O acompanhamento deve ser multidisciplinar, devem ser administrados medicamentos e evitar ao máximo os fatores que podem estimular o seu surgimento. Dessa forma, torna-se necessária a capacidade, por parte do cirurgião-dentista, de reconhecer e diagnosticar as lesões bucais do lúpus eritematoso, uma vez que a presença de manifestações bucais nesta patologia é de grande incidência, surgindo, muitas vezes, antes das manifestações cutâneas. Logo, é passível de ser realizado o diagnóstico precoce da enfermidade, e o paciente encaminhado o quanto antes para a realização do tratamento mais adequado. Etiologia Independentemente do fato de serem consideradas entidades mórbidas separadas, ou formas de uma mesma doença, têm sido considerados os mesmos fatores etiológicos para o Lúpus Eritematoso Sistêmico, Lúpus Eritematoso Cutâneo Crônico e Lúpus Eritematoso Cutâneo Subagudo. Embora apresente, entre outras alterações imunológicas, a produção de auto-anticorpos, o lúpus eritematoso ainda não tem sua etiologia definida, sendo considerado uma doença multifatorial.

boasaude.uol.com.br/…/emailorprint.cf…

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o diagnóstico baseado no aspecto clínico não deve ser estimulado. Os exercícios físicos devem fazer parte desta etapa. devendo. O envolvimento da mucosa bucal é relatado entre 20 e 50% dos casos de Lúpus Eritematoso Cutâneo Crônico. para que se tenha uma boa qualidade de vida. Estas não devem ser confundidas com úlceras aftosas. caracterizadas por lesões eritematosas localizadas no palato duro. O auto-exame da cavidade bucal e visitas periódicas ao dentista (a cada 3 ou 6 meses) para cuidados preventivos são de grande importância. estimulando as células mutadas reativas para que se proliferem. e que estas. os cortiesteróides tópicos geralmente são bastante eficazes. É importante ressaltar que as mais importantes manifestações bucais do LES são as úlceras no palato. Como a maioria das manifestações do Lúpus Eritematoso Cutâneo Crônico são cutâneas. os agentes antimaláricos sistêmicos ou baixas doses de talidomida podem produzir uma boa resposta. às vezes ligeiramente elevadas. Infecções virais podem levar a uma ativação policlonal sustentada dos linfócitos B nos indivíduos com predisposição genética para tal. o próprio vírus da hepatite C (HCV) poderia facilitar o surgimento ou modificar a história natural do Lúpus Eritematoso. As lesões bucais começam como áreas eritematosas. em lábios. Dentre os fatores ambientais envolvidos na etiologia desta doença. Alguns pacientes podem apresentar uma regulação homeostática inadequada. com a destruição progressiva dos ácinos das glândulas salivares. uma vez que os pacientes com esta doença normalmente possuem parentes próximos com alguma doença que envolve o colágeno. Para os casos de resistência à terapia tópica. Quando na língua. apresentando-se erosivas ou atróficas. também podendo ser usados no tratamento das lesões bucais. porém na maioria das vezes deprimidas. Uma reação imunológica pode ser plenamente desenvolvida. quando aparece. Raramente pode ocorrer artrite dos maxilares. o que permite supervivência de muitas células modificadas (clonagem proibida) nascidas por mutação no tecido linfóide. Devido ao comprometimento articular. usualmente sem endurecimento e tipicamente com pontos brancos. como a hidralazina. às vezes. Por esta razão. as quais podem induzir uma resposta LESsímile. em que foi relatado que as lesões que haviam sofrido transformação em lesões semelhantes a leucoplasia. uma regulação homeostática fraca poderá depender de predisposição genética. a produção da saliva decresce e pode chegar ao ponto crítico dificultando a deglutição. mesmo mostrando características histopatológicas semelhantes a leucoplasia. a hiperemia e a extensão das lesões são por muitas vezes bastante acentuadas. O edema. que podem ser observadas nos estágios mais avançados da doença.br/…/emailorprint. determinados medicamentos se destacam. As células que foram lesadas pelas células mutadas liberam mais antígenos. essas estruturas devem ser bem cuidadas. a procainamida. Os medicamentos mais indicados.com. lisas e circunscritas. na condição sistêmica.uol. com grande tendência ao sangramento. assim. Além disso. não eram precedidas pelo Lúpus Eritematoso. bloqueadores solares. são os corticoesteróides. As lesões bucais associadas ao lúpus eritematoso sistêmico são inespecíficas. Estudiosos salientaram a existência de grande variação nas lesões bucais. embora haja controvérsias sobre o uso dos imunossupressores em função de seus grandes efeitos colaterais. bochechas. Também têm sido relatadas a superposição de monilíase bucal e xerostomia. sempre. Os pacientes com fotossensibilidade devem evitar a exposição ao sol e usar. Tratam ento e prognóstico O tratamento do lúpus eritematoso é inespecífico. Esse dado foi comprovado por estudo que acompanhou por longo tempo 52 pacientes com Lúpus Eritematoso Cutâneo Crônico. se for suposto que qualquer célula do corpo que sofra destruição por envelhecimento sirva de combustível antigênico. freqüentemente. As sulfas. Além disso. a fonação e a limpeza mecânica e química dos elementos boasaude. principalmente leucoplasia e líquen plano. pois não existe um protocolo padrão para todos os pacientes. disseminando-se. pelos músculos da mesma. criando. Várias medidas são empregadas. os anticoncepcionais orais e as penicilinas podem disparar a doença. devendo-se ficar atento para o aparecimento de máculas avermelhadas no assoalho bucal. como a aspirina e a dipirona. nas quais há ausência de papilas ou estas se apresentam como placas esbranquiçadas semelhantes à outras alterações. Desta maneira. simulam outras doenças. pode ocasionar movimentos limitados com dor ao longo das laterais da face. Os antiinflamatórios não esteróides.no controle de artrite e problemas de pele (cloroquina e hidroxicloroquina) .e os imunossupressores são também utilizados no tratamento desta enfermidade. ser evitados. As lesões são associadas a estrias. Os pacientes com Lúpus Eritematoso Sistêmico devem evitar exposição à luz solar. sendo os dentes raramente atingidos por esta artrite.24/7/2010 Lúpus eritematoso na odontologia Há uma hipótese plausível para tal condição patológica: a "clonagem proibida". entre medicamentos e normas. provocando uma produção de anticorpos em pacientes susceptíveis. tal alteração ocorre como áreas avermelhadas. circundadas por pápulas hiperceratóticas ou estrias. evitando lesões. a D-penicilamina e a hidrazida. pois as radiações ultravioleta podem precipitar a atividade da doença. palato e língua. assim.cf… 2/3 . um círculo vicioso. entretanto. os antimaláricos . Deve ser sempre feito o uso de filtros solares. Manifestações bucais O acometimento da face ocorre em 40% a 50% dos pacientes diagnosticados com Lúpus Eritematoso Sistêmico e caracteriza-se por um exantema em forma de asa de borboleta que se desenvolve nas áreas malar e nasal.

B.uol. et al. G. visto que a cavidade bucal representa uma região de relevante interesse clínico para o diagnóstico desta patologia. W.1990. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan. 1982. O prognóstico para os pacientes com Lúpus Eritematoso Sistêmico é variável. – Patologia Oral & Maxilo Facial. Patol. Além disso.Tratamento Referências bibliográficas: 1. Palavras-chave: Lúpus Eritematoso – Manifestações bucais – Líquen plano – xerostomia . K. abr. C. O índice de sobrevida pra os pacientes que estão sendo tratados hoje é de 95%. em alguns casos. 2. Copyright © 2006 Bibliomed. . Bras. Dam m . em 15 anos o índice cai para 75%. Em cerca de 50% dos pacientes com Lúpus Eritematoso Cutâneo Crônico. Levy. O diagnóstico das lesões orais baseia-se em dados laboratoriais associados a características clínicas e histopatológicas. o problema se resolve somente após vários anos. Len. Guanabara Koogan. J. Geralmente a forma crônica permanece confinada à pele. Hine. mar. Tom ich. et al. E. 2. A. 2004. . H. Brás. Galvão. 5. A possibilidade de manifestação da doença sob forma agressiva. Finalmente o prognóstico depende de quais órgãos foram afetados e da freqüência de reativação da doença. o prognóstico é consideravelmente melhor do que o Lúpus Eritematoso Sistêmico. Bouquot.. entretanto. E.... C. o tratamento dentário deverá ser interrompido ou adiado. 4.Lúpus eritematoso sistêmico juvenil e infecções orais . 2004. com grave comprometimento renal e cardíaco. requer atenção e diagnóstico precoce. D. Conclusão O lúpus eritematoso é uma doença autoimune desencadeada por uma série de fatores. o papel do cirurgião-dentista é fundamental.Rev. M. A.-jun. et al. .Patologia básica da cavidade bucal. 2004. Neville. 3. porém pode persistir e ser bastante incômoda. M.. tanto genéticos como ambientais. Em caso de crise. M. só devendo ser executadas quando extremamente necessárias. C. 1985 6. Cantazaro-Guim arães. agravar o lúpus. Allen. S. B.br/…/emailorprint.Rev. Inc. 4. Mérida.. principalmente as cirurgias. – Tratado de Patologia Oral. Por razões desconhecidas. Outro ponto importante é quanto à administração de antibióticos como as penicilinas que podem.24/7/2010 Lúpus eritematoso na odontologia dentários. o prognóstico é pior pra os homens do que para as mulheres. C..com. a causa mais comum de morte é a insuficiência renal. Shafer. . embora possa ocorrer a transformação pra essa variante em aproximadamente 5% dos casos. Oral. boasaude. Odontol.cf… 3/3 . em que o envolvimento da mucosa oral ocorre tanto na forma sistêmica como na crônica.Estudo de lesões orais associadas a doenças dermatológicas . Tendo em vista a melhoria nas condições de vida destes pacientes. os pacientes lúpicos devem ser orientados a ter uma higiene oral redobrada. No caso do Lúpus Eritematoso Cutâneo Crônico.The lupus erythematosus in dentistry – Odontol dia. ed. Em virtude disso. W. D.ed. H.

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