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Boletim de Iniciação Científica em Psicologia – 2006, 7(1): 82-111

CONSTRUÇÃO DE UM TESTE DE ALFABETIZAÇÃO CIENTÍFICA

SOBRE ENVELHECIMENTO SAUDÁVEL. UMA ANÁLISE DE

CONSTRUTO

Osni Alessandro Encenha Paloma Corine Andrioli Silva Paloma Toledo Pucca Renato Soares Ramos Riviane Borghesi Bravo Roberta Cassia Vaz da Costa Roberta Schwarz Lourenço Mendes Samira Figueiredo Domingues Shaila Virginia Bomfim Moreira Profa. Dra. Maria Cristina Triguero Veloz Teixeira Universidade Presbiteriana Mackenzie

Resumo: Com um grau adequado de conhecimentos a respeito do

processo de envelhecimento, a população poderia ter acesso a

métodos e informações a respeito da própria saúde, que resultaria no

aumento do bem-estar e qualidade de vida pessoal ao longo de toda

a vida. Ao mesmo tempo, um nível mínimo de alfabetização científica

sobre esta problemática, pode promover atitudes favoráveis em

relação a um envelhecimento saudável. O objetivo geral desta

pesquisa foi construir um instrumento piloto que permitisse avaliar o

índice de alfabetização científica que as pessoas adultas devem ter

em relação a um processo de envelhecimento saudável. O objetivo

específico foi validar este instrumento a partir de uma análise de

construto por critérios de juízes. Para executar essa análise, foram

calculados os índices de concordância em relação à adequação dos

itens aos construtos, conforme julgamento efetuado pelos peritos

(juízes). Os principais resultados apontaram que, dos 74 itens que

inicialmente o instrumento possuía, 50 obtiveram índices de

concordância acima de 70%. Os dados obtidos demonstram que a

maior parte dos itens ficou distribuída em quatro dos cinco construtos

definidos (Saúde Física, Saúde Mental, Bem Estar Social e Fatores

Multidimensionais). No caso do construto Atividades da Vida Diária,

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apenas um item obteve um índice de concordância acima de 70%. Em relação aos índices de clareza dos itens, avaliados pelos juízes, a maior parte ultrapassou 50% do total da amostra, o que permitiu inferir que, do ponto do vista do critério de equilíbrio, existe um certo contínuo entre a facilidade e a dificuldade dos itens em termos de sua compreensão. Finalmente, destacamos que este estudo piloto, cujo escopo foi a construção de um instrumento que avalia conhecimentos científicos sobre o envelhecimento saudável, está sendo desenvolvido simultaneamente em outros dois países, com os quais mantemos intercâmbios científicos. O objetivo futuro deste trabalho é desenvolver um instrumento padronizado, que consiga medir alfabetização científica em populações leigas, além de executar sua validação em três línguas. Palavras-chave: envelhecimento saudável, alfabetização científica, teste.

CONSTRUCTION OF A SCIENTIFIC LITERACY TEST ABOUT HEALTHY AGING. A CONSTRUCT ANALYSIS

Abstract: With an adequate amount of knowledge regarding the process of aging, the population would have access to methods and information about its own health, which would result in the increase of well-being and quality of personal life. At the same time, the minimum level of scientific literacy about the key issue, could promote favorable attitudes regarding healthy aging. The general objective of this research was to construct a pilot instrument that would allow the index of scientific literacy that adult people should have in relation to the process of healthy aging. The specific objective was to validate this instrument, based on an analysis of the construct by the criteria of judges. To perform this analysis one calculated the index of agreement of each of the construct items (Physical Health, Mental Health, Social Well-Being and Multidimensional Factors)

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according to the experts’ judgment. It should be noted that this research is being simultaneously conducted in two other countries. The aim is to develop an instrument able to assess the scientific literacy of lay populations validated in three languages. Keywords: healthy aging, scientific literacy, test.

Introdução Muito se tem pesquisado, ao longo de todo o século XX, sobre o envelhecimento e um dos fatores que tem contribuído tem sido o considerável aumento da população idosa no mundo (VERAS; RAMOS; KALACHE, 1987; RAMOS, 2003; RAMOS, 2004). A população em geral necessita de conhecimentos científicos adequados para poder compreender as múltiplas questões relacionadas a um processo saudável de envelhecimento. O conceito de envelhecimento, diferente do que é normalmente entendido, refere-se a um processo que se inicia com o nascimento e termina com a morte. Assim, o termo envelhecimento não é sinônimo de velhice; no entanto, um conceito depende do outro. Grande parte das vezes, uma velhice com qualidade estará em dependência de alguns fatores diretamente relacionados ao estilo de vida. Este estudo trabalhou com um construto teórico que tem adquirido reconhecimento internacional e identificado, até como um slogan, presente nas metas educacionais contemporâneas. O termo alfabetização científica refere-se à compreensão que o público em geral deve ter sobre diversos aspectos da ciência. Em alguns países é reconhecido como compreensão pública sobre ciência, alfabetização científica e, inclusive, na França, é reconhecido com o termo cultura científica (LAUGKSCH; SPARGO, 1996). No caso da alfabetização científica em áreas relacionadas com as ciências da saúde, o fenômeno da alfabetização é de extrema importância, pois condutas inapropriadas, em populações analfabetas, podem acarretar graves conseqüências. A popularização

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que a ciência tem tido com o desenvolvimento tecnológico da mídia começou na década de 50 do século XX. Desde essa época, o conceito de alfabetização científica começou a ser legitimado (LAUGKSCH, 2000). Como coloca Moscovici (1978, p. 26), a ciência penetrou na sociedade e os conhecimentos científicos entraram no laboratório da sociedade. Neste laboratório, nem sempre o critério que prevalece é o de demonstração e do rigor. Muitas vezes, os leigos processam informações científicas de diversas maneiras, que podem estar contaminadas com erros provenientes dos próprios conteúdos da imprensa, ou mesmo, pelas limitações intelectuais e culturais do indivíduo ao ler tais informações. O escopo deste estudo está, justamente, ao redor deste fenômeno. O tema do envelhecimento tem se constituído em uma área de pesquisa de suma importância na atualidade, dado o aumento do envelhecimento demográfico populacional (IMHOF, 1987; VERAS; RAMOS; KALACHE,

1987).

Outros conceitos que são confundidos dentro da população leiga são os de envelhecimento saudável e rejuvenescimento. É comum que algumas pessoas identifiquem o envelhecimento saudável com o rejuvenescimento. Stuart -Hamilton (2002) afirma que rejuvenescer geralmente significa mascarar a velhice e o processo de envelhecimento; a partir, muitas vezes, do uso de tecnologias cosméticas. Entretanto, envelhecer saudavelmente é muito mais complexo. Trata-se de um processo que deve ser estimulado desde a infância (e principalmente na juventude). Os principais objetivos do estudo foram: definir indicadores de alfabetização científica sobre o tema envelhecimento saudável; construir um instrumento que pudesse avaliar o índice de alfabetização científica acerca de um processo de envelhecimento saudável, que a população adulta deveria possuir e, finalmente, executar uma análise de construto da pertinência ou concordância

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dos itens aos fatores, utilizando a avaliação de juízes na área de gerontologia e geriatria.

Referencial teórico

Dimensões para um envelhecimento saudável. Modelo de Envelhecimento Para alcançar uma velhice em boas condições de saúde física, mental e psicossocial, é preciso, ao longo da vida, controlar as múltiplas variáveis pessoais e ambientais presentes no processo de envelhecimento. A definição de envelhecimento saudável inclui vários aspectos que serão operacionalizados a partir de três dimensões.

1. Dimensão de Funcionamento Mental Os acontecimentos emocionais, presentes durante a vida, podem ser sentidos durante a juventude de forma diferente de como seriam sentidos em uma idade mais avançada. Alguns dos fatores que contribuem para essas mudanças são: a diminuição das capacidades de adaptação da pessoa idosa, as inúmeras perdas sofridas, o surgimento de doenças comuns nesta fase da vida, entre outros. Aparece um fenômeno denominado por alguns autores como balanço entre perdas e ganhos na velhice (BALTES, 1991; BALTES; BALTES, 1990). Quanto ao aspecto cognitivo, sabe-se que com o envelhecimento surgem algumas perdas sensoriais e cognitivas como a diminuição nas capacidades de memória, linguagem, atenção, percepção e até mesmo de orientação. Entretanto, a estas perdas se acrescenta um importante ganho historicamente reconhecido que é o acúmulo de experiências, sinônimo de sabedoria. Por esse motivo, o envelhecimento bem sucedido pode ser visto como uma competência adaptativa, ou seja, uma capacidade

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generalizada para responder com resiliência aos obstáculos impostos

pelo corpo. Essa capacidade, segundo Néri (1995), remete à idéia de

que, apesar das perdas, é possível maximizar os ganhos através da

adaptação às situações.

Essa pragmática cognitiva, ou resiliência natural, segundo

Baltes (1991), traria efeitos compensatórios para as perdas físicas e

biológicas que afetam o desenvolvimento cognitivo a partir dos

múltiplos conhecimentos adquiridos na cultura. Já Bottino (2002)

enfatiza ainda mais estas possibilidades de resiliência referindo-se a

intervenções concretas. O autor apresenta o conceito de terapia de

orientação da realidade cujo objetivo é propiciar estímulos ambientais

que facilitem a orientação na qual estão inclusos os processos de

retenção e resgate das informações. Isto permite que o indivíduo

assuma a realização de atividades que sejam adequadas às suas

dificuldades e que possa interagir socialmente. Dessa forma, suas

habilidades cognitivas e de comunicação podem melhorar.

2. Dimensão Funcional

Esta dimensão se fundamenta em contribuições da medicina, e

especificamente da gerontologia, ao conceito de saúde. Esta não deve

ser medida apenas pela presença ou ausência de doenças, mas,

também, pelo grau de preservação da capacidade funcional do

indivíduo (RAMOS, 2003).

Daí a importância de associar indicadores de capacidade

funcional à presença ou não de doenças, tanto na velhice como em

outras fases do desenvolvimento. Segundo Kane e Kane (1993), este

paradigma de saúde é resultante da interação entre diversos fatores

ligados à saúde física, à saúde mental, à independência para a

realização das atividades da vida diária, à integração social, ao apoio

sócio-familiar e à independência financeira. Como resultado, o

indivíduo poderia alcançar o bem-estar, entendido como um estado

de saúde em um sentido mais amplo. Com isto, estar saudável não

deriva, necessariamente, da ausência de problemas ou de doenças.

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Para Gaspari e Schwartz (2005), adotar hábitos saudáveis de alimentação, praticar regularmente exercícios físicos, inserir-se em programas de convívio social, além de buscar atividades como uma forma de preservar e melhorar a vida, a saúde e o bem-estar; são práticas que vêm sendo paulatinamente adotadas pela população; sobretudo a idosa. Este pode ser indicador de um crescente processo de conscientização, no qual se busque um envelhecimento e uma velhice saudáveis, e não apenas um prolongamento da vida. Para isso, é necessário que as capacidades funcionais sejam preservadas. Como apontam Fernández-Ballesteros, Izal, Montorio, González e Díaz (1992, p. 146), a auto-suficiência no cuidado de si próprio, assim como do entorno, é uma das dimensões imprescindíveis qualquer que seja o conceito de qualidade de vida adotado.

3. Dimensão Social do Envelhecimento Segundo Carneiro e Falcone (2004), para interagir socialmente de modo eficaz, o indivíduo deve ser capaz de selecionar, de maneira acurada, informações úteis e relevantes de todo um contexto social, além de usar essas informações para a obtenção de relações sociais gratificantes. Dentro desta perspectiva, Kane e Kane (1993) definem o funcionamento social como um construto amplo que abrange todas as relações e atividades humanas dos grupos dentro da sociedade. Para um melhor entendimento do conceito ‘funcionamento social’, o construto foi operacionalizado a partir de outras variáveis. A saber: - as interações sociais e recursos (envolvendo a medição de aspectos da existência, natureza, freqüência e importância subjetiva das interações e atividades sociais no curso de vida de uma pessoa, assim como da magnitude dos recursos sociais); - a adaptação pessoal e bem estar subjetivo (com relação à vida, bens morais, felicidade, capacidade de adaptação, alegria, esperança, orientação futura e realização pessoal); - o ajuste ambiental (que envolve a

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habilidade das pessoas para lidar com as regras e dificuldades impostas pelo ambiente).

Principais patologias que incidem e prevalecem na velhice A influência de fatores genéticos, além dos sociais e psicológicos, no processo de envelhecimento humano; motivou uma introdução a este tema, resumindo as principais doenças e aspectos relacionados à biologia do envelhecimento, que podem comprometer a saúde. A saúde mental e a saúde física estão intimamente ligadas. Existe na velhice, assim como em outras fases da vida, uma relação muito estreita entre o bem estar físico, psicológico e social. Inclusive, devido a esta relação ser tão estreita, os geriatras enfrentam dificuldades para executar avaliações do estado de saúde dos idosos em algumas ocasiões. Por exemplo, Kane e Kane (1993) referem que, quando um idoso apresenta sintomas físicos e até restrições para realizar as atividades do dia-a-dia, isto pode ser um reflexo de problemas psicológicos ou sociais. A relação inversa também é verdadeira, um problema psicológico, como a depressão, pode repercutir seriamente no funcionamento físico da pessoa. Todas as informações referentes ao envelhecimento patológico, que serão resumidas nesta seção foram extraídas do Manual Geriátrico Maerk Sharrp & Dohme. Merck & CO: 2004, disponível no endereço eletrônico: http://www.msd- brazil.com/content/corporate/br.

Problemas relacionados com o uso de medicamentos na velhice A alta incidência de doenças na velhice pode aumentar o uso de medicamentos. Portanto, é necessário que o próprio idoso e o especialista de saúde compreendam que alguns medicamentos, que

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podem causar reações adversas com mais freqüência e intensidade nos idosos, devem ser evitados. A seguir, serão elencadas as principais patologias que podem afetar o idoso conforme uma classificação de sistemas biológicos:

doenças osteo-articulares, como osteoporose e osteoartrite; distúrbios cardiovasculares; doenças nos sistemas sensoriais, como perda auditiva e visual; distúrbios hormonais, como diabetes mellitus; distúrbios cerebrais associados a diversos tipos de demências, distúrbios do humor, entre outros, por exemplo, os transtornos depressivos e transtornos ansiosos. Independentemente de possíveis classificações diagnósticas que orientam o trabalho terapêutico de especialistas na atenção ao idoso, é de extrema importância que esse especialista compreenda a implicação que um problema de saúde pode ter nas capacidades funcionais do idoso.

Capacidade funcional na velhice Por haver uma relação muito estreita entre o bem-estar físico, psicológico e social; muitas vezes se torna difícil medir a saúde baseando-se somente em aspectos físicos. Faz-se necessária uma visão mais integral da saúde, na qual sejam focados aspectos da funcionalidade, ou seja, aspectos relacionados à capacidade da pessoa no desempenho das atividades da vida cotidiana. Embora o conceito de capacidade funcional seja bastante complexo, abrangendo outros como os de deficiência, incapacidade, desvantagem, bem como os de autonomia e independência, na prática, trabalha-se com o conceito de capacidade/incapacidade. A incapacidade funcional define-se pela presença de algum grau de dificuldade no desempenho de certas atividades da vida diária, ou mesmo pela impossibilidade total de desempenhá-las, sendo a capacidade o oposto disto (RAMOS, 2004).

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Existem duas formas de classificar a capacidade funcional: a básica e a instrumental. Kane e Kane (1993) referem-se à capacidade funcional básica como a independência da pessoa para executar algumas das seguintes atividades: banhar-se, vestir-se, ir ao banheiro em tempo, deitar-se/levantar-se da cama ou cadeira, alimentar-se sozinho, pentear-se, cortar as unhas dos pés, subir um lance de escadas, andar no plano, ou seja, atividades básicas para a manutenção corporal ou atividades pessoais. Entretanto, as atividades instrumentais da vida diária referem-se àquelas atividades que são básicas para um convívio social independente na comunidade, como por exemplo, preparar refeições, pegar ônibus, deslocar-se de um lugar a outro, tomar remédios, fazer limpeza de casa etc. A própria Organização Pan-americana da Saúde recomenda avaliar a saúde do idoso atendendo a esses critérios básicos e instrumentais da vida diária (Organización Panamericana de la Salud,

1992).

Podemos avaliar o estado de saúde geral de uma pessoa em vários aspectos: a saúde física propriamente dita, a saúde mental, o bem estar social, as redes de apóio social, a condição financeira, a capacidade de realizar atividades básicas de auto-cuidado no dia-a- dia e a competência para tarefas instrumentais associadas à vida independente. Não se pode avaliar o grau de independência de uma pessoa somente com base na medição da saúde física; é preciso explorar a interferência que a condição física tem sobre outras dimensões, por exemplo, sobre as capacidades funcionais. O ideal de um sistema de saúde seria preparar os indivíduos para os auto-cuidados. Conscientizar os responsáveis pelas políticas de saúde que são necessários cuidados constantes, de tipo preventivo, ao longo de toda a vida de uma pessoa. A prática de uma medicina curativa não é suficiente. As ações preventivas especificamente voltadas para certos fatores podem propiciar

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benefícios para o prolongamento do bem estar da população, mesmo em idades avançadas da vida.

Métodos de rejuvenescimento Foi incluído o tema rejuvenescimento, como o outro assunto a ser abordado dentro desta concepção de envelhecimento saudável, porque muitas pessoas acreditam no desenvolvimento tecnológico a favor do rejuvenescimento, confundindo este último com envelhecimento saudável. Devido a isto, submetem-se a processos cirúrgicos arriscados na procura de uma juventude física corporal prolongada. Mesmo conhecendo os segredos de uma vida saudável para um envelhecimento igualmente saudável, as pessoas continuam tentando interromper apenas os sinais externos da velhice, tomando cuidados com a saúde somente quando esta dá sinais claros de debilidade e, mesmo assim, adotam medidas de modo corretivo, e não preventivo, sem realmente adotar hábitos saudáveis. Em geral essas práticas em cosmiatria e medicina estética são cada vez mais freqüentes no mundo todo (DRAELOS, 1991; COLEMAN; BRODY, 1997; ODO; CHICHIERCHIO, 1998). Muitas dessas práticas, a favor de um envelhecimento físico estético, podem ser arriscadas quando não se têm em consideração outros aspectos que comprometem o envelhecimento natural da pele; por exemplo, exposições excessivas ao sol, consumo de álcool, fumo e hábitos alimentares não balanceados (VELASCO; OKUBO; RIBEIRO,

2004).

Método

Descrição e seleção da amostra

Para

este

estudo,

selecionou-se

uma

amostra

de

18

profissionais que atuam na área de saúde e trabalham com pessoas idosas, seja em ações preventivas como curativas. A amostra foi composta por geriatras, educadores físicos, fisioterapeutas,

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gerontólogos, psiquiatras e psicólogos. O critério de seleção dos sujeitos foi intencional, conforme a área de atuação profissional, para agir na qualidade de juízes na avaliação de cada um dos itens do instrumento piloto. O critério de inclusão desses sujeitos na amostra foi o fato de terem uma relação profissional direta com idosos que, necessariamente, exige conhecimentos sobre envelhecimento nas respectivas áreas de atuação. Tal conhecimento seria indispensável para avaliar a concordância dos itens aos construtos sobre o tema envelhecimento. Este projeto recebeu aprovação da Comissão Interna de Ética em Pesquisa com Seres Humanos sob o protocolo CIEP nº

197/11/05.

Procedimento de coleta de dados Foram entregues aos juízes participantes três tabelas. Uma delas com as definições constitutivas de cada um dos construtos ou fatores (com suas respectivas siglas) para os quais foram criados os itens do instrumento. Seguem abaixo as definições de cada um desses construtos:

Variáveis ou

 

Definição

Fatores

Atividades

da

vida

Avaliação das capacidades funcionais para a realização das atividades da vida diária e auto-cuidados (tomar banho, alimentar-se etc) e capacidades para realizar atividades instrumentais mais complexas (fazer compras, cozinhar, ir ao banco, passear).

diária (AVD)

Saúde física (SF)

Avaliação de diversos indicadores que interferem no processo saúde-doença do indivíduo, como a presença de doenças, sintomas, exames laboratoriais e clínicos anormais, hábitos de vida inadequados, uso excessivo de medicamentos, entre outros.

Saúde Mental (SM)

Avaliação de indicadores de capacidades cognitivas ou intelectuais e do estado afetivo-emocional.

Bem-estar

social

Avaliação de indicadores de satisfação, felicidade, bem- estar com o relacionamento social, relações humanas satisfatórias e apoio familiar.

(BS)

Fatores

Avaliação de conhecimentos gerais sobre envelhecimento, assim como da relação existente entre os aspectos físicos, sociais e mentais , durante o processo de envelhecimento na vida adulta.

Multidimensionais

(FM)

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A seguir, alguns exemplos de itens que compunham o

instrumento:

4. O uso de vários medicamentos na velhice é necessário para poder

combater as doenças que afetam a idoso.

5. Muitas doenças acarretam a perda de independência e autonomia

dos idosos.

11. Com o aumento da idade, algumas funções biológicas que ajudam

na eliminação de medicamentos diminuem.

17. Não importam os hábitos que a pessoa adotou no curso de vida.

O importante é se cuidar na velhice.

25. As pessoas de mais idade, em virtude de múltiplas perdas,

possuem redes sociais menores do que pessoas mais jovens.

34. Quanto mais rápido o idoso acostumar-se a viver solitariamente,

melhor viverá o resto de sua vida.

40. Todos os idosos possuem mais experiências vividas, porém,

raciocinam mais lentamente.

42. Qualidade de vida significa ter uma vida balanceada, com hábitos

alimentares saudáveis e exercícios físicos regulares.

49. Não é possível a prevenção de doenças na velhice, uma vez que

as mesmas são condições inevitáveis nesta fase.

68. Só com o aumento da idade é que as doenças tendem a aparecer

com maior freqüência. Por isso, cuidados e acompanhamento médico desde a juventude não são necessários.

69. Confusão sobre a hora do dia, a data, o local ou a própria

identidade é habitual durante a velhice.

71.

Envelhecimento não abrange uma única fase da vida.

74.

As doenças crônicas que fatalmente surgirão na velhice tendem

necessariamente a limitar e incapacitar os idosos de terem uma velhice saudável.

Os sujeitos envolvidos na pesquisa, além da concordância em

relação aos construtos descritos, responderam também sobre a

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clareza dos itens. Ou seja, efetuaram um julgamento sobre quão claro ou confuso estavam formulados os itens do instrumento. Estipulou-se que, para aceitar a qualidade de um fator, o índice de concordância mínimo seria de 70%. Todos os itens do instrumento foram elaborados segundo diferentes critérios referidos por Pasquali (2000), a saber: critério de objetividade ou desejabilidade; critério da simplicidade e da clareza; critério de relevância; critério da precisão; critério da variedade; critério da modalidade; critério da tipicidade; critério da credibilidade; critério da amplitude e critério do equilíbrio. Os resultados do instrumento foram observados e interpretados, assim como os comentários dos profissionais a respeito deste, mesmo que o critério de análise mais importante, dos itens elaborados em relação aos construtos, tenha sido o cálculo dos índices de concordância.

Discussão de resultados Segundo Pasquali (2000, p. 15), para se elaborar um instrumento de avaliação, é extremamente necessário que exista, previamente, uma sistematização teórica sobre os construtos que o instrumento mede, no caso deste estudo, a alfabetização científica. Embora o desenvolvimento teórico sobre o envelhecimento não seja fraco, a multiplicidade de avanços e descobertas científicas faz com que, constantemente, muitas pessoas tentem se conduzir baseadas em tais descobertas, o que pressupõe um mínimo de informações científicas sobre o tema. Entretanto nem sempre as informações científicas que chegam ao leigo são rigorosas, sobretudo porque a prevenção de problemas de saúde na velhice não deve ser praticada somente nesta fase e, sim, ao longo de todo o curso de vida. No corpo teórico introdutório do artigo procurou-se sistematizar as informações científicas sobre envelhecimento saudável. Acredita- se, como diz Pasquali (2000, p. 15), que a miniteoria desenvolvida guiou a elaboração do instrumento de medida do construto

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“envelhecimento saudável”. Nas páginas seguintes, discutir-se-ão os resultados da análise de construto, efetuada a partir dos critérios dos juízes participantes que avaliaram a pertinência dos itens aos construtos operacionalizados no instrumento. De 74 itens que o instrumento possuía, 45 receberam índices de concordância acima de 70 % e 29 itens receberam os índices de discordância, o que indica que 59,45% dos itens puderam ser julgados como adequados aos diversos construtos ou fatores que os juízes avaliaram.

Análise de pe rtinência dos itens ao construto Atividades da vida diária (AVD) Como mostra a tabela 1, no construto “Atividades da Vida Diária” (AVD), um único item foi classificado como pertencente por 83.33% dos profissionais pesquisados (item 35 – “Um indicador importante de saúde na velhice é a capacidade do idoso de realizar de maneira independente as atividades do dia-a-dia”). Os itens restantes distribuíram-se, apenas, entre os construtos “Atividades da Vida Diária” e “Fatores Multidimensionais” (FM), com 16,67%. Cabe salientar que o 83,33% dos juízes que avaliaram o item 35 como pertencente ao construto AVD tinha variado campo de atuação (médicos, educadores físicos, fisioterapeutas e médicos psiquiatras) e, 16,67% dos profissionais, que consideraram o item 35 como pertencente aos construtos FM ou AVD, tinham como profissão a medicina (psiquiatras) e a psicologia; no entanto isto não nos permite afirmar que a polarização tenha sido determinada pela profissão ou pela área de atuação. Um critério na construção deste item que merece destaque é o da precisão. Como se mostrou na definição operacional desses dois construtos, é provável que o item 35 contenha atributos que são válidos, tanto para o construto AVD quanto para o construto FM. De um lado, essa independência que o idoso deve ter para realizar atividades do dia-a-dia (descrito no item 35), aponta para o fator AVD

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propriamente dito e, de outro, esses conteúdos também devem fazer

parte de uma avaliação funcional integral (medido no construto FM),

pois como já foi dito, uma multiplicidade de fatores (bem estar social,

saúde física, saúde mental, estado emocional etc) incidem na

capacidade funcional, como um dos atributos que faz parte do

conteúdo do construto AVD.

Tabela 1. Itens com Índices de concordância e clareza acima de 70% no Construto Atividades da Vida Diária

Item

Concordância (%)

Clareza (%)

35

83,33%

100

A baixíssima quantidade de itens classificados como AVD sugere

duas hipóteses. A primeira delas deve-se ao fato dos colaboradores

não terem compreendido o que realmente se entende por Atividades

da Vida Diária dentro desta classificação, o que pode ser resultado

de uma operacionalização deficitária da semântica do construto. A

segunda hipótese é de que o item AVD tenha sido confundido com

FM, já que neste se encontram fatores multidimensionais que podem

ter induzido o participante da pesquisa a uma resposta mais provável,

onde se encaixam todos os itens, já que o mesmo engloba todos os

assuntos o que será mostrado posteriormente na discussão dos

resultados da análise de pertinência dos itens ao “Fator

Multidimensional”.

O julgamento da clareza do item 35 foi ótimo já que foi

classificado como item claro por 100% dos juízes.

Análise de pertinência dos itens ao construto Saúde Física (SF)

Dentro do construto “Saúde Física”, 15 itens (itens 4, 5, 11, 15,

18, 20, 28, 34, 37, 45, 53, 55, 56, 64, 73) foram classificados como

pertencentes à SF pelos juízes, com um índice de concordância acima

de 70% como mostra a tabela 2. De modo geral, os 15 itens

classificados como saúde física se referiam a indicadores do processo

de saúde-doença no indivíduo, presença ou ausência de doenças,

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Osni Alessandro Encenha, Paloma Corine Andrioli Silva, Paloma Toledo Pucca Renato Soares Ramos, Riviane Borghesi Bravo , Roberta Cassia Vaz da Costa Roberta Schwarz Lourenço Mendes, Samira Figueiredo Domingues Shaila Virginia Bomfim Moreira, Profa. Dra. Maria Cristina Triguero Veloz Teixeira

sintomas, exames laboratoriais e clínicos, hábitos de vida inadequados, uso de medicamentos, entre outros. Do total de 15 itens, 7 foram avaliados com índices de concordância de 77,78%; 2 itens obtiveram um índice de concordância de 88,89%; 2 itens com um índice de 72,22%; 3 itens obtiveram índices de 83,33% e apenas l item obteve 94,44%, atingindo este ultimo a pontuação mais alta dentro desse aspecto (item 18 - Os principais fatores de risco do Acidente Vascular Cerebral (AVC) são a hipertensão arterial, nível alto de colesterol, tabagismo e diabetes).

Tabela 2. Itens com Índices de concordância e clareza acima de 70% no Construto Saúde Física

Item

Concordância (%)

Clareza (%)

4

77,78

83,33

5

88,89

94,44

11

77,78

55,56

15

83,33

72,22

18

94,44

94,44

20

77,78

77,78

28

77,78

88,89

34

83,33

77,78

37

77,78

83,33

45

83,33

66,67

53

77,78

88,89

55

77,78

88,89

56

72,22

83,33

64

88,89

100

73

72,22

83,33

Dos 15 itens descritos na tabela 2, apenas dois foram classificados como não claros (itens 11 e 45). No item 11 (Com o aumento da idade, diminuem algumas funções biológicas responsáveis pela eliminação de medicamentos), ocorreu uma concordância de 77,78% das respostas como sendo referente ao fator “Saúde Física”, o que indica uma boa concordância entre os profissionais a respeito da avaliação da fidedignidade e precisão do item. No entanto, este não pareceu ser muito claro, pois apenas 10 dos 18 profissionais o avaliou desta forma.

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Construção de um teste de alfabetização científica sobre envelhecimento saudável. Uma análise de construto

A partir deste resultado, se faz necessário observar algumas

questões relacionadas com os critérios estabelecidos para a elaboração dos itens, principalmente no que diz respeito ao critério de simplicidade e clareza, pois os mesmos garantem ao item, não apenas a clareza, mas também a objetividade. Isto é, frases curtas, numa linguagem simples que facilite o entendimento do sujeito acerca da semântica do item e do construto ao qual ele pertence. É importante ressaltar que a validade aparente não basta para concluir se uma medida é de fato válida. Neste sentido, Pasquali (2000) afirma que um item não pode, apenas, dar a impressão de seriedade. Complementando a frase do autor, ele deve ser sério tanto no fenômeno quanto na sua essência. Embora não tenhamos proposto aos juízes executar uma análise semântica dos itens, acreditamos que na escrita do item 11 tenha prevalecido uma terminologia científica que determinou o julgamento do mesmo como pouco claro; tendo em vista que em um segundo momento será a população leiga quem responderá ao instrumento.

O outro item que, apesar de não demonstrar um verdadeiro

risco para a validade do instrumento, deve ser re-analisado com mais cuidado, foi o item numero 45 (O risco de isquemias e derrames na velhice não aumenta quando o indivíduo apresenta doenças como hipertensão arterial, aterosclerose, cardiopatias ou diabetes). Tal item obteve concordância de 83,33% entre os juizes no que diz respeito à sua pertinência ao fator SF, mostrando ser válido para o construto. Entretanto, o mesmo não poderia ser aplicado no aspecto clareza, pois, proporcionalmente falando, este item obteve um índice baixo em relação à mesma (tabela 2, item 45, 66,67% de índice de clareza). A partir desta analise, deve-se retomar um dos critérios utilizados na construção do instrumento, a saber, o próprio critério de clareza. O item não contém palavras totalmente simples ou leigas, pelo contrário, termos científicos que podem ser de difícil

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acesso à população em geral, daí o comprometimento que isto deva ter provocado na avaliação da clareza do mesmo. Como mostra a tabela 2, com relação à avaliação da clareza dos itens restantes julgados como pertencentes ao fator SF, os valores mais altos foram obtidos nos itens 18, 64 e 5. O item 18, além de obter o maior índice de concordância (tabela 2 – índice de 94.44%), atingiu também o mesmo índice de clareza. O item mais claro, segundo a avaliação dos juízes, foi o item 64 (A fraqueza muscular é um problema freqüente em indivíduos idosos), com 100% de concordância em relação à clareza. Na maioria dos sete itens avaliados com um índice de 77,78% de concordância em relação ao fator SF, a clareza foi, também, avaliada como satisfatória de acordo com a tabela 2, o que nos permite inferir que a elaboração dos mesmos condiz com o objetivo proposto na construção do instrumento. Este comentário também é válido na avaliação da clareza dos itens 4 e 37, pois ambos obtiveram um percentual de 83,33% quanto à clareza, indicando, também, terem sido de fácil entendimento e compreensão na avaliação efetuada pelos juízes. Chama a atenção o fato de que os itens que obtiveram 83,33% de concordância (itens 34 e item 45) atingiram menores índices em relação à clareza. Infere-se, pelos conteúdos dos itens, que é provável que a clareza tenha sido prejudicada pelo fato desses itens se referirem a mais de um assunto, por exemplo:

Item 15 (refere-se a exames de laboratório e a diagnóstico clínico): “Exames laboratoriais podem substituir um diagnóstico clínico”. Item 73 (refere-se a elementos de envelhecimento molecular e ao surgimento de doenças): “Na velhice, todas as doenças apresentam relação direta com os radicais livres”. Os índices de concordância obtidos neste construto indicaram que esses 15 itens parecem medir o construto “Saúde Física”.

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Construção de um teste de alfabetização científica sobre envelhecimento saudável. Uma análise de construto

Análise de pertinência dos itens ao construto Saúde Mental (SM)

Do total de 44 itens, com índices de concordância acima de 70%, 9 itens foram julgados como pertencentes a este fator. Observa-se na tabela 3 que os itens 8, 29 e 60 obtiveram 72,22% de concordância, os itens 9 e 57 obtiveram 88,89%, o item 67 obteve 77,78%, o item 38 obteve concordância de 94,44%, e 100% de concordância no item 44. Este alto nível de concordância entre os profissionais mostra que os mesmos atingiram seu objetivo no que se refere à concordância em relação ao construto SM.

Tabela 3. Itens com Índices de concordância e clareza acima de 70% no Construto Saúde Mental

Item

Concordância (%)

Clareza (%)

8

72,22

94,44

9

88,89

61,11

29

72,22

77,78

38

94,44

83,33

44

100

94,44

57

88,89

83,33

60

72,22

94,44

65

100

72,22

67

77,78

88,89

Todos esses itens julgados pelos sujeitos como válidos para medir a saúde mental obtiveram índices de clareza acima de 60%. O item 9 (“Para avaliar a saúde mental do idoso, deve-se levar em consideração, apenas, aspectos intelectuais”) foi julgado como o menos claro em relação ao total de 9 itens, com 7 dos 18 profissionais classificando-o como não claro. Uma revisão mais atenta a alguns critérios de tipicidade e precisão permite supor que o termo intelectual pode não ser muito claro para leigos no momento de entender o que isto significa. Os itens restantes atenderam satisfatoriamente ao critério de clareza (tabela 3).

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Conclui-se que, no que diz respeito aos 9 itens classificados

pertinentes ao construto “Saúde Mental”, 8 deles apresentaram-se

válidos, cumprindo a maior parte dos critérios exigidos para a

construção de um instrumento; como por exemplo, a possibilidade de

compreensão destes pela população leiga (avaliado pelo critério

“clareza”), a confiabilidade, a validade e a precisão dos itens dentro

do construto SM do instrumento (avaliado pelos índices de

concordância obtidos).

Análise de pertinência dos itens ao construto Bem Estar Social

(BS)

Na tabela 4, podem ser observados os itens que foram julgados

com índices de concordância acima de 70% para este fator. Do total

de 44 itens, 7 cumpriram este requisito.

Tabela 4. Itens com Índices de concordância e clareza acima de 70% no Construto Bem Estar Social

Item

Concordância (%)

Clareza (%)

7

77,78

94,44

21

83,33

94,44

24

77,78

66,67

32

72,22

77,78

50

94,44

44,44

62

77,78

100

70

77,78

94,44

O item 24 (“Pessoas idosas, em virtude de múltiplas perdas,

geralmente possuem menos amigos do que pessoas mais jovens”) e

o item 50 (“As redes de apoio social abrangem todas as relações

humanas do dia-a-dia”), que apresentaram respectivamente 77,78%

e 94,44% de concordância, obtiveram índices de clareza abaixo do

esperado (índices de clareza de 66,67% e 44,44%, respectivamente).

É possível que os itens apresentem conteúdos que afetem os critérios

de simplicidade e clareza. Quer dizer, expressões que não condizem

claramente uma única idéia. Como afirma Pasquali (2000), é provável

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que esses itens co ntenham palavras e termos pouco precisos para

pessoas leigas, por exemplo: “redes de apoio social”.

Análise de pertinência dos itens ao construto Fatores

Multidimensionais (FM)

A tabela 5 mostra os índices de concordância acima de 70%, que

os itens receberam em relação ao construto “Fatores

Multidimensionais” (FM). Dentro do fator “Saúde Física”, 20 itens

foram classificados pelos profissionais pesquisados como pertinentes a

este fator, sendo que apenas 2 foram classificados como não claros. A

saber, os itens 1 (Uma das metas da medicina geriátrica é o

tratamento de problemas físicos e mentais de maneira tal que eles

comprometam o mínimo possível o funcionamento social) e o item 33

(O envelhecimento demográfico depende, apenas, da redução da

mortalidade infantil). Os itens restantes atingiram avaliações de

clareza acima de 70%.

Tabela 5. Itens com Índices de concordância e clareza acima de 70% no Construto Fatores Multidimensionais

Item

Concordância (%)

Clareza (%)

1

77,78

55,56

3

72,22

100

6

88,89

88,89

14

72,22

77,78

25

100

77,78

33

77,78

50

39

100

88,89

46

94,44

100

54

88,89

100

59

100

94,44

61

72,22

83,33

68

94,44

100

69

94,44

83,33

Observa-se que, nos itens 1 e 33, apenas 55,56% e 50 % dos

juízes os consideraram adequados quanto à clareza. A maior parte

dos juízes que efetuaram este julgamento dos itens como não claros

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são médicos. Questionamos se a clareza dos itens não ficou prejudicada pela presença de termos muito técnicos, como por exemplo, envelhecimento demográfico e redução da mortalidade infantil. Em nosso entendimento, mesmo tratando-se de termos científicos, eles devem fazer parte de uma adequada alfabetização científica ao redor do tema envelhecimento saudável. Em futuras pesquisas, quando procedermos com a validação do instrumento, a precisão do item será testada. Itens como o número 39 (Uma avaliação de saúde do idoso deve abranger aspectos mentais e físicos, dispensando-se os sociais) e o número 59 (O envelhecimento tem relação direta com todas as fases da vida) obtiveram 100% de concordância em relação ao construto FM, segundo a avaliação dos juízes. Também a avaliação da clareza destes itens recebeu pontuações altas (88,89% e 94,44% respectivamente).

Análise dos índices de discordância obtidos nos itens do instrumento Cabe, nesse estudo, fazer uma análise também daqueles itens que obtiveram índices de concordância semelhantes em mais de um fator, isto é, predominantemente obtiveram índices de discordância. Pasquali (2000) aponta que, quando os juízes mostram alguma discordância quanto à aplicação do item a um ou outro construto, algumas discordâncias podem ser consideradas como concordâncias. Tratando-se de um instrumento piloto, esses itens podem ser reavaliados para verificar que regras não foram adequadamente seguidas na construção do item em questão, ou se os construtos a que eles parecem pertencer mantêm algum tipo de relação entre si.

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Construção de um teste de alfabetização científica sobre envelhecimento saudável. Uma análise de construto

Tabela 6. Itens com Índices de discordância inferiores a 70%

Item

AVD (%)

SF (%)

SM (%)

BS (%)

FM (%)

Clareza (%)

2

0

27,78

27,78

11,11

33,33

94,44

10

5,56

66,67

5,56

0

22,22

83,33

12

0

27,78

27,78

5,56

38,89

94,44

13

5,56

0

0

61,11

33,33

61,11

16

11,11

0

66,67

0

22,22

66,67

17

27,78

5,56

0

0

66,67

83,33

19

0

11,11

38,89

0

50

100

22

5,56

0

5,56

61,11

27,78

61,11

23

0

38,89

0

0

61,11

88,89

26

5,56

61,11

0

0

33,33

94,44

27

5,56

55,56

0

0

38,89

100

30

5,56

55,56

0

0

38,89

72,22

31

0

16,67

38,89

0

44,44

88,89

36

0

66,67

5,56

0

27,78

88,89

40

27,78

11,11

0

5,56

55,56

94,44

41

0

55,56

0

0

44,44

72,22

42

0

38,89

0

11,11

50

88,89

43

5,56

0

0

55,56

38,89

83,33

47

0

44,44

0

0

55,56

77,78

48

0

61,11

0

0

38,89

83,33

49

0

55,56

5,56

0

38,89

77,78

51

61,11

0

5,56

0

33,33

94,44

52

0

33,33

0

5,56

61,11

77,78

58

0

0

5,56

27,78

66,67

94,44

63

55,56

11,11

0

0

33,33

88,89

66

0

44,44

0

0

55,56

77,78

71

0

66,67

5,56

11,11

16,67

94,44

72

16,67

50

0

5,56

27,78

94,44

74

0

61,11

0

0

38,89

55,56

Na tabela 6 aparecem os 29 itens restantes do instrumento, cujos índices de concordância foram inferiores a 70%. Far-se-á uma análise de seis itens, cujos índices de concordância foram semelhantes em relação a dois fatores como máximo. Os itens são:

Item 27 - A eficácia de muitos dos tratamentos na velhice depende da detecção precoce de problemas de saúde. Item 30 - Na velhice, o tratamento de doenças torna-se mais eficiente do que a prevenção. Item 41 - Avanços médicos para curar uma doença podem deixar o idoso mais vulnerável à outra.

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Item 47 - Não é possível a prevenção de doenças na velhice, pois estas são condições inevitáveis nesta fase. Item 49 - Quando atingem certa quantidade, os radicais livres podem alterar as estruturas das proteínas e das gorduras, resultando, desta forma, em uma série de doenças que aceleram o processo de envelhecimento. Item 66 - Só com o aumento da idade é que as doenças tendem a aparecer com maior freqüência. Por isso, cuidados e acompanhamento médico desde a juventude não são necessários. Na tabela 6, observa-se que os índices de concordância de todos esses itens referiram-se, simultaneamente, aos construtos “Saúde Física” e “Fatores Multidimensionais”. Isto indica uma possível correlação entre esses dois construtos. De um lado a saúde física constitui um fator em que podem ser operacionalizadas as variáveis que interferem no processo saúde-doença, por exemplo, os aspectos físicos como sintomas e doenças. De outro lado, o construto “Fatores Multidimensionais” detém na sua operacionalização, também aspectos físicos. Inclusive, este construto foi definido para avaliar conhecimentos gerais sobre envelhecimento e sobre a relação existente entre os aspectos físicos, sociais e mentais durante o processo de envelhecimento na vida do adulto. É provável, que esses 6 itens sejam mantidos no instrumento piloto para, posteriormente, proceder com a validação do instrumento em uma amostra populacional. Com isso, o instrumento piloto, para essa validação, poderia ser composto por 50 dos 73 itens que inicialmente o compunham. Os itens, cuja clareza ficou comprometida, abaixo de 70%, porque não se atendeu adequadamente a alguns critérios na construção do instrumento, serão reavaliados e, se necessário, redigidos com o objetivo de melhorá-los. Na tabela 6 podem ser observados vários itens cujos índices de concordâncias ficaram distribuídos entre os cinco construtos.

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Construção de um teste de alfabetização científica sobre envelhecimento saudável. Uma análise de construto

Inferimos que essa discordância tenha sido causada pela falta de tipicidade de muitos deles, para se referir a um único construto isoladamente.

Considerações finais Destacamos que, para a construção do instrumento, foi realizada uma cuidadosa revisão bibliográfica das principais áreas que podem ser incluídas em uma alfabetização, ou cultura geral, orientada para um processo saudável de envelhecimento. É útil que os conhecimentos científicos estejam presentes na cultura geral das pessoas, sobretudo de um tipo de pessoa que, no século XXI, deve estar consciente de que a sua expectativa de vida pode ultrapassar os 70 anos de idade. Porém, não é suficiente atingir mais de 70 anos; também é necessário que as pessoas, desde jovens, desenvolvam hábitos saudáveis de vida para garantir um mínimo de qualidade na velhice. Sob esta perspectiva, foi construído este instrumento piloto, que foi avaliado por um grupo de juízes quanto à pertinência dos itens aos construtos que foram julgados essenciais para um processo científico de alfabetização que as pessoas leigas deveriam ter. Foi relevante o fato de poder inferir que, dos 74 itens que inicialmente compuseram o instrumento, 50 podem ser considerados para um futuro estudo de validação em uma amostra populacional de indivíduos adultos. Os dados obtidos mostram que a maior parte dos itens ficou distribuída em quatro dos cinco construtos definidos (SF, SM, BS e FM). No caso do construto AVD, apenas um item obteve um índice de concordância acima de 70%. Devido a esse dado, em uma fase posterior da pesquisa será reavaliada a quantidade de itens do instrumento, pois em outros construtos o número de itens foi razoável em detrimento dos itens do construto AVD. Finalmente, queremos salientar o resultado obtido em relação aos índices de clareza dos itens que foram avaliados pelos juízes.

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Percebe-se que a maior parte destes índices ultrapassou 50% do total da amostra. Geralmente, os pesquisadores da área da avaliação psicológica recomendam neste estudo sobre análise de construto a presença, no mínimo, de seis juízes. Neste estudo foram entrevistados 18 sujeitos e a maioria avaliou a clareza dos itens como razoável. Isto nos permite inferir que, do ponto do vista do critério do equilíbrio, existe um certo contínuo entre a facilidade e a dificuldade dos itens em termos de sua compreensão. Os itens discutidos que atingiram índices de concordância acima de 70%, mas cujos índices de clareza são inferiores a 50%, serão reavaliados quando se proceder com o estudo de validade do instrumento. De acordo com a discussão de dados, outro critério que ficou comprometido em alguns itens foi o critério de precisão. Com base nesses critérios executar- se-á uma nova avaliação desses itens, com a finalidade de melhorá- los.

Acredita-se que este trabalho possa ser relevante para profissionais de diversas áreas, que trabalham com a saúde das pessoas de maneira preventiva, visando a um prolongamento da vida humana com qualidade. Finalmente, queremos destacar que o estudo piloto direcionado para a construção deste tipo de instrumento, que avalia conhecimentos científicos sobre o envelhecimento saudável, está sendo desenvolvido simultaneamente em outros dois países; com os quais temos mantido alguns intercâmbios científicos. O objetivo futuro deste trabalho é desenvolver um instrumento padronizado que consiga medir alfabetização científica sobre o assunto em populações leigas e executar a validação do mesmo em três línguas.

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Construção de um teste de alfabetização científica sobre envelhecimento saudável. Uma análise de construto

Contato:

Maria Cristina Triguero Veloz Teixeira cris@teixeira.org

Tramitação:

Recebido em junho/2006 Aceito em novembro/2006

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