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if} iy : \ 4 ALYSSON LEANDRO MASCARO Bee aso SOCI@LOGIA po DirelTo eerevercanisePvers Cournss ons 00 Avro ites de Lape sii Brin ei (is Cie asin) ond Ene de Dini Earn Cae La) apie Doi Eines ue Lain) do Fi et Di Madera Cntr (an Abs) ‘Pili cde Di lance puter A) mrs esi ine 29 dense 200 ALYSSON LeAnoRO Mascano ure Lis Dan om Fie Tai Ge de Dini le SP soe wy sot es on LIGOES DE SocioLocia DO DirEITo Eos Quien Bel ‘Si ower de 207 satan grattin ae srevedinngetlincante EDITORA QUARTIER LATIN DO BRASIL Ru Sano Arar, 316 ~ Bela Via So Palo Dry dap: Sa Que Diagrams Reve: Mn A. Gore Lig eos do isn oP Goer 28 fad ua tg mi 1 ad: Shp Dae cnn nei Slip Nota Petia. ‘Aula = Inrodusi i sociologia do dio 0 testo do exo Aula2~A présociologa do dit 1. Acompreent socal dos gregoe Aviles Ormediesie ‘Aula3 ~A présocolgia da dso IL Da teologin§ rio 0 Absalom. © tluminisma O coneneusime. s ‘Aula 4 ~ Camte¢ Dusk. Auguste Come Emile Duk, - Sumario 3B M 38 4 ear. 8 2 4 38 6 o B Auli Max Weber lence pole. © indvidatime co tp ies! Celica esignagio. Asovilogia dod de Weber Aula 6 Karl Marx Marx Hg! Adal sauna sci lager de produsto isi Revolugao (0 ditcio em Mare Ada 7A socologia do dtc contemposinen conserved Laman Hbeomas Habermas eo dirs ‘Aula 8A socolgi do dtc contemporins extn ‘A Becala de Pankure Lille Bloch si Michel Foucault. ~ a 86 0 95 96 98 10s, 109 ey ur u7 9 139 us 7 135 160 ‘Aula 9—Asocolgia do dic bral I Feudalsmo ou capitalsmo? Aclvagen jurdica de clase. 0 public priv no disc bras 0 incerenconiome A moderszagioconseadors Aula 10 ~ A socologia do dito bras 1 a redemocratzagio a> neolibenismo, ‘Ac maass mundi. Bibliogrfs 169 m 176 179 182 186 189 189 195, 203, Nora A socologi do dire & certamente, uma dar discplinas mais importantes para a formas inteleccual do juris. Minka inrengin, nese obra, € de resgaae sus principsis eico €propor ina nova perspective para o seu entendimenco. - “Mancne,na mei do posse, 0 rom cologuil em ada as t= tes do texto, tendo em vita que o presente lio resulted da tasee- <0 de minhas aus na cadeia de Sociologia do Diteta no Cus de Mestrado em Direito Politico e Economica dt Universidade Presbieriana Macken. Junto com o iustie of Dr, Ari Maree Solon, por alguns anos rveramo-nor no ensino dessa discplins, 20 lado da eadeca de Flosofa do Direio,& qual sempre me dediquet ‘om mais expecifiidade. Para a escriea dese lv, grades, em espe «ico, 20 auxfio na oganizasio da ranscrigo do material de als por parte da Dea, Luciana Caplan, Embora voltado dreamente ts quests da flovola do dito, a ‘ociologia do dieito eambém em me acompanhsdo scademicamente, «isso desde os tempos de esudante na Faculdade de Dirsita da USP Durante muitos anos tiv a honra de estar 20 lado do eminent Prof, Dr. Fernando August Albuquerque Mourio, tendo sido seu profesor assstent, lcionando por longo perio no Largo de So Francico€ scompanhando-o nas sus pesquiss, orienta bancas de meso « doutorado no Departamento de Sociologia da FFLCH.USP. De ine o Prof. Mousdo a especial honra deter ldo debatido comigo os ovginais do presente text €peeficiado lv que or se publica. A ese notivelscilogo ejurisa, grande pensador do dicco ed pol 2, meu amigo econhecido inernacionalmente e que tants gers e alunos admicam, dedico ese lea, ‘Acs meus tants estimator unos © oreneandos do Mestado em. Dircico da Mackenaic, sinks especial suaacto plas sucessivos anos de compuniiamo, Ao me imo, Alex Antonio Mascaro, que me dda capecial hontae «alegtia de eamabém rr sido meu aluno de Sociologia do Diceica quando cursou o Mestrado no Mackenzie, ‘minha parscula dedicasrin Sto Paul, 2005-2006, Abpson Leandve Mascaro PRer&cIO [selina Lighr de Seve dy Dio, do Profesor Alsson Leandra Mascaro, urs dor posto a dence di espeito ao fo de et ‘ auror record sstematcamente losoia do disto tema qu jd teat em obrat anteriores ~ 3 ciéacia poles e, de certo modo, 3 ‘conomis, como eitncis social e moral - moral no sentido ofeecdo por Adam Smith em us obra The Theory of Mond Sesiment (1759) — 20 cate da socologia do dts, abeangendo no s6 0 dicito objei- ‘0, como 0 diteit subjeio, este como uma conguist do individuo ‘em socedade. Estavs, de ft, fend um texto bras, estabele- ‘endo ios evalusio da seniéncia dos pefodos da sociclogia do dlicito, como dando desaque 8 mecodalogia (em torno da propose tebricaofrecid po 20) Aimpotticia do ensino da sociologin do dieito eda flosoia do discita no pacific. Em relagioa est tina, regisramos uma cera resistencia dos ildsotoe edo jurists, ees taveepreoeupados em nao compromerer lei postiva, Em ago 3 sociologia 6 quadro é seme Thante.Acresce uma certa ambigtidade mesmo ao campo dos que defender a importncia do ensino da socologia eo deta eda flo sola do direio, primeira por nio tabalhaem com uma defnigio precisa do dizet, segundo, por aio ara, por exemplo, o que vem 2 ser fato social uma defiigfo bisica do campo da socilogia. Poe tro lado, fa-se mister concer as propostas dis mas varias esc las socioldgicas juris. Pra desfzerambigidades record um exo clésico de Thomas Hobbes, A Dialogue between phibsopher and student of comman lus of England. Nesta ob clisica, Hobbes, ev- sdencia claramenteo papel da flosofa eo do dieito, act porque era smultaneamente jurist ¢fileof,além de cienista politic. Regs- wes ainda que no mundo cisco amplo flésofos eram simuleans mente jurisase vice vers, Alyson Leandro Mascaro, um estudioso, tu homem de culara eeambém im pritico e testiea do dito, tanto como doceate tanto como advogido, no x6 entendeu a el ‘0, como Ihe deu tatamento no seu estudo, que reflete, deforma let, suas aulas de socioogis do dizcco, um dislogo conseraivo criador entre 0 profesor e seus dscentes, No campo da filosofia, em Metaphysiche Anfanpriinde der Reebslhre, Kaa, j ivera 0 cuidado de separa a filosoia juries do diceco natural, um tema presente em Hegel, ex Grundlinien der Pilerophie der Recs. socologa, coma cignca academic, € mais eecente. Mecodologicamente poucos autores tatam da rl «0 ent fico socal e Ditico; modemamente a atengfo resi nfo za eelagio com o diteto, mas com a justiga, com a jstiga social, sgerando-se aqui uma outea ambiglidade a telacto enue sociedad «© Direto, mas que sociedade no sentido de comunidad; que co- ‘munidade; isco em um tempo de cunho individualist, geando conscientemente out mesmo inconscientemente, ina leitura vice, uma situagio que agravou com uma cert postura de cunho pds-modernista de elencar 0 Estado como opeesor ¢, por ‘uto lado, po lade formasio uriica nas confusbes que se vém faxendo, aravés de exteanhas inerpreasbes,odicico aubjetivo com fo dleito objecvo, Bastaca ler Kane. A fla de reflesto, a par da cite das peti soca, no permite uma cet area em corn, por exemplo, do conceio de obigago. A norma, que resulta da cole Aiidade,nio € clara nos seus mecanisenos para muits,chocando-s apareatemente com a autonomia da vontade, por ves, inerpretads come de naareaindvidual, teas wens, coma oreuleida da vont: de de um grupo. Como caos? Vontae individual, do grupo, da ‘comunidade — que comunidade?-, ds sociedad e em que tipo de relago: do individuo com o grupo, com a comunidade, com 2 s0- edad, com o Estado? Denuncis-seabertamenteo poder do Endo, como presenta sh sciedade que designam como Estado opressot. Mas 0 poder do ‘grupo socal ds comunidade to propalado, no eflete um tipo de poder? Alds um poder mai extsto,repretentando um grupo eno a Sociedade gral, com tendéncis as impor a todos, em nome de wn ‘pupo soc. Ressesdo: nfo temas avangos, Como popultmente se diz, mos troca de tis por meia dina, Temos, em aome da justiga sia, ow por qualquce our motivo, uma imposigi de alm — trupo ~sobe alguém. O problema nfo esti no modelo, [No chamado divito pluralist, que € consderad para alguns autores como um campo amplo da Sociologia do Diseto, boa paste ‘fo esltece convenientementeo problema doreconhecimenco dit formas de dieiso por pacte do grupo social. Que grupo © qual a su amplitude. A comunidad, neste eso, que comunidade, A con- ‘ribuigfo da Sociologia Juridica €insuficiente e denota um certo odismo. ‘O sprofndamenta deste assunto é muito importante, até pore noe em un undo pluralita~ as Nages Unidas, 2 ives Sociedade das Nags, que sugin aps] Guerra Mundial equ elle ‘ia ainda uma onder mundial na perspetiva da cvlzagio ocidetal— refleem efeivamente uma ondem que tende a se plural, para tanto Insta dr atengo a qualquce foto da Assembéin Geral, onde eis mos epresentantes naconss de orig rca divers, deeulurs di ‘ers. O monopdlio di re ecidentaliconvive agora com outa co rents do universo. Comtudo,é bom lembeaz, que os eatadas econ veges so aprovados pelos Estados [Nas aus do Profor Alyson Leandro Mascaro i tansparcem, eclusées,centrando-se preferencalmente no phno empora esapundo sma centaso, malt evdente apa coereneeevoucionist, em sss Splieagbes is ncias soci, de encontrar um tipo de organizagio so- al Finalist através de urna ands fisumenceieoligca. O método puta Alyson Leandro Mascaro é essen (© avango da tecnologia un elemento real € concretono nosso iaciaatual Convivemos com jogos views, uma alert ce Tide. A intemetcoloca quests écar questées de ondem moral cho- cams com o principio da ierdade de cago e de opgio. Estamos ‘vendo a pasigem do sistem analgjeo para o sisema digit. Ape Tememente tratase de umn asunta de sucesso de técnica. Qualquer indviduo, com boa formas escola, principalmente os ovens, domi- ‘am anova éniea, Contd, as pestoa no param ainda para pen- sar nos desdabramentosdapetca do sistema digital. Vimos entra em {um mundo altamenteabusato, Como &que a pricia 0 pensamento jmico vio se adapta @ um sista abserato por natureza? O que ‘corer com a chamadnexpeetativa juries? Camo lidar com o sco fm mati juridca? tas de um frsainecieamente novo, em reagio| fo qual literatura ¢ ainda incipient Apenas alguns jurists escilo- fp slemcse nortcamercanos, ein apresentado elles a respeito, faiscomo Martin Hse, Risk al Vertggenrand, Ulich Beck, La toed le rioge, Niklas Liman, Stilo der Rs, além de Kal arena Cl Wilhelm Cannare, Edad J. Burge Jet [No campo da socilogiae das cincia sociais em geral, alguns autores comegam acolocto risco no cento da teoras sociiscon- temporineas, nomeadamente Ulrich Beck e Antony Giddens, pre- vendo-ze quidos antagbnicos no campo do capical edo trabalho. No campo do direito, mais precistmentena dra dos contrat, mot- mente no campo dos contrats internacional, regitramos avan {0s com o desenvolvimento da cragSoeaplicabilidade das chama- das regras de lexiilizag, com a introducio de cldusulas de forga ‘maiog estas jd com alguma tadigo e, mais recentemente, com a incusio de cliusulas de hendhip ede fnaton nos contatos, uma devorténeia, ent outta causa, dos avangostipidos da ceenoogia, dda supremacia ds finangas sobrea economia cos avangos da au- rnomia da vontade,além do alagamento do eecutso & medingio, 4 abieragem, reflcem-se hoje na composicio dos escritrios de ad- ‘vocacia, No campo da economia, os estudos mais ecentes sobre a ‘elag, do ponto de vista do comprado,ente prego e quantidade audquitidas, corre no mesmo seatido,registtandovs o faco de que 2 economia nio abrange a reoria do conscienre, nfo se deve con- Fundir“a marimiaago racional com cileuloconsciente", nas an‘ lise que teatam das celagdes do mundo econbmico com 0 (© mundo real tem levado a uma adequagio das cosrentes neoelsicas, inclusive no campo da sua coeréncia interna, rfletin- do igualmente os avangos da visio individuaita, com avangos do tema eda pritica da eicgncia, com car peejulzo do problema da repartigio. Norberco Bobbio, em A Ere das Diets, Ed. Campus, 1-60, aera que (.} a concepeio individuals significa que pri= fmeito vem 0 individuo (0 individuosingula, devo observa), que tem valorem st mesmo, ¢ depois em 0 Esado, endo vice-versa, jf (que 0 Estado € fio pelo indviduo e este nao € feito pelo Estado, ‘ou melhor, para citar o famosa artigo 2° da Declrago de 1789, conservagio das direitos natuais ¢ impresritives do homem, “€ ‘objetivo de toda a atsciagio politica’. Em relagio aos individuos, ddoravance vem os dieitos, depos ot deere; em relagio a0 Estado, primeizo os deveres, depos os dzeitos". (© probeina central que se ealeca no ensno da Sociologia do Di reito que esta refeeidologstecorrentes ocala, que mua onstantemente,enquat at corrente Blsificas so normalmente ‘mais estivels, Aston nacioni, elias, no campo da Sociologia do Dircto, por exemplo, Machado Neto, Mirands Rosa Pinheiro Cas- tuo, entie outros, refletem un aproximasio com a visio positivist (© suryimento do chamado Dirsito Alternativo, a0 recorer “(.) a caregaris produnidas pels citncis socas, segundo Horieio Wan- eset Rodsigucs (Enna Juris e Diets Alomatio, Ed. Acad 3 1993, p.168), ainda ndo conseguiu fugie 4 armadilh idolégica, sefletindo um certo modismo, Como fics 2 univerlidade do dicta com a emergéncia dos chamadbsdirios comunivos, no esquecendo 0 ito de cada eo rnidade tendera se considera centro de toda rel, estanha- do of “outos”e querendo, ceramente, impor ss gr, Pa Ou teas comunidades? (Com exceso das les imperacivas, mormente de orem pica, cm que a ei, ora correspond a um comando, ora €explicada por ‘uma flosofia do poder, ou recursos metafsco, ot simplesmente por necesidades do Esado, como é 0 cao do dicito ebutirio, a sociologa do dieto permite acompanharaevolugio de ets fatos socias que se tansformam em diceio.£ precio conhecer, com pre- sf, o que vem se fio social, como se chega eee, no campo do dlizeto, 0 que vee a ser norma juriica, Aexcla de Viena, ial co- becidaainda, no que diz respeito 2s suas contribigbes sobre a con- seica de nocna, tem algo a diver. Se nfo aabalharmos com precsio| de conceiase categoria iso recunda, mais de que uma contibui- ‘0 pobre, a posgdesequivocuds, Por outro lado, como ensina Jean Carbonnict (Saciologie Juridique, Arana Calin 1972, p.297),eoppation da finn droit ‘opposition mie de ee au deste.) My a an une antdse sable xr rete devine, ow, por esprimeren terme beies, ‘enn le Sin etl Salen” ‘Anse flarem individu, ermo ¢tomado em abstto, como ser dotad de vides 0 que as pedis ries poem em divida, ofe- recend o seus necessirosremédis para ques atin a stra, (© trabalho de Alysson Leandro Mascara reflet os mad recimento, mas uma postutsreflexiva em face da peemanéncia do confic, em rermos de uma constincis, quer da ponto de vista do individuo, que da sociedad. O tema centeal do confita € hoje substculo pelo recurso &chamada visio crkc, ta propalada mas ‘io mal tratada Para Alyson Leandeo Mascaro o centro da lagi ‘sti a sociedade e nfo no indviduo, o que lhe permite um melhor aproveitamento do recurs & histéea, sem se fxar em solugbes finalists, da alsa natureza evolutiva, aprofundando leturas mar- sistas e tratando o metodo dialsico sem os limites, ditos priticos, que a ideologis imps fileamente ao método, Para. autor, que de- finkivamentenio ¢ finalists, o confit & normal e permanente, em qualquer sociedade organinada, independentemence de tempo © espago. © individuo e outras formagies sous so sempre uma incégnita, © que & bom. © método dialético urilizada pelo aucor permite penecrar no Amago do process, pontuande seus momen- Alysson Leandro Mascaro, até porque domina os umos do ditei- 0, das idncias soca ds filosfia, de um sentido a texan conera- ‘©, normalmente eo maleatado em numerosos estudos cobs de di vulgagto e, notes, em um trabalho, reflesvo que efi, como que een uma gravagio de suas alas, seusdislogos com of alunos tewto fin-meelembrar ter ds alas do meu saudoso eslegs «amigo José Roberto Franca da Forse, mbém professor na Face dade de Dircco do Largo Sto Francisco, ede alguns de meus mestes do pats, Orlando de Carvalho e Manuel de Andrade deste d= ‘mo, a alas de Teoria Geral da Rela Juric, na Faculdade de Di- rei da Universidade de Coimbra ~ que em cinjunto com Tecra Ribeieo,exabelecim com clare as conexes ene ao jurio, faro social exo econdimico Acealigio nas telagbes ene Sociologia e Direito, que no cam- po di sociologia francesa, conto com a contribu de Emile Durkheim 0 que ext evidenciado no trabalho de Alysson Leandro Mascaro, contou ainda, ene outros coms Geotges Gurvitch Lidée tu Droit Social, Expéricnce juridique et Philosophie pluralist du ‘Druit, Elements de Saciologie Juridigue ec.) wm autor importance, hoje caquscido, que muito contribuiw para aclaar as reagbes entre as formas de sociabilidade eo Dit. -Aysson Leandro Mascaro, jntamence com Camilo Onoda Cal das, seu discipulo ao Mackensie,selembraram, ¢ bem, «contribu {do de Pachukanis (Teoria Gea! do Dire ¢ Marxiono), 20 ratat do Diseito em Mack. Alyson, que domina bem a obra de John Raw poderi, pats meu praze, te apovetado ess contribuigio impat do Alicia norte-americano, até porque em seu trabalho sobre sociolo- tia do citeio deu devda enecessea importincia& conribigto da Flsofia, © que no &comum nos vos que cata da sociologia do dirito, motivo pox que a consequem espeltar com clareraa lasso entre as dase disipims. ‘Alyson Leandio Mascaro anus de tudo, um humanist, que domina orci, sofia 3 sociologiae da uma armplacapaida- ‘de deas relacionar com objetvidade em ua visto universal, (© caminho seguido por Aston Leandro Mascaro 6 sem divi- dao mais seguro, O autor teva coragem de abonda orema através ‘do amploe exerno problema da controvéssia do social sem simpli ‘ages de mataes virias.E neste sentido que afirmo estar perante umn reac sco. ‘ara mim, escrever ets ees inka atu de refi, € mas do que hon, permito-e scons contibuigSes que Abson Leandro ‘Masco aseguro, duran aos, na qualidade de mew assistente na tradicional e sempre nove Faculdade de Divito da Universidade de ‘Sto Paul, nas suas eno convo comum com os estudantes nas v= ‘has arcadas do Largo Sio Francisco, Mais do que le, que o livzo de Alyson Leandro Mascaro aguce sua refledo, cao leo. Fernando Angra Albuguenzue Mourto PofeorTlarda USP AUIAT INTRODUGAO A SOCIOLOGIA DO DIRETO Logo de ini, quero dizer que um curso de sciologia do dic 10 pode se feito por meio de dois grandes caminhos, que a0 final se complementam. O primeio dees, o mais dif ~ mas ao mesmo rempo © mais imporeante para a formaséo da visso de mundo do jurista~ €0 da grande rellexo a espeio da sociedad, o que envlve ‘reflecio profunda 2 respeto das das norcendras da socologia do Aleit, a dscusio sobre seus poses mods evsbes de mundo, ‘Trae de uma parte mais complera, porque ensina 2s seahores coma posivel compreender sciologiamentso direitos ness parte pes 0 ve enti, os grandes socidogose ses métndos. A grande socilo- ado dre em que pasar pela discuss des seus maionspansndo 5, como Weber e Marx, por exemplo. Ua segunda etapa para umn cuts de socioogia do citio &0 de uma sciloga diretamente spi ceadaa quesees juries, Nee caso, tarsi de vera sociologia do Alircco nos problemas ecnicos do dito, sano plan inernicional, ‘ou ma perspectivainsicucional de cada sociedad, ou nae quests pot ‘exemplocelacionadas 8 sociolopia dos poderes judicios hoe, Este So questes mais pont, Mas para que o pensar da sociologa do dircco posachega a els, pects cle metodologia de sociolagia do icc, de uma visio exuturadaarespito do modo pelo qual com- preende a reacio entre arociedade eo drs, e exe &noso grande ropésio nee curs, ‘Os-crss de socologia do dict, em geal, padecem pel fa de «queseencamiaham dzecamente 3 consatagoesociolgicas emp, sein Sop to Boze Lao Mo «que se tpnam quase dados de oral: quantos anos em mia deme- se gmdamerao de um proceso em tal poder judiidio. quancos jos falam 3 Josiga Pera, coisas assim. Into € uma pequena d- Ihensio da socologia do dieito, & uma sociologi de informagbes hee poder judi, O fxn queestdatemos aqui a metodaogia Uhr rocsloga so dieio de eal modo que, depois que os senhores Saibam quai os grands méodos e visses de mundo sobre soceds lice decit,saibam usar aplicareais grandes métodos em 0100 ‘de quilquce problema sobre o qual veaham a tata. A socilogia do ‘deo serd important par qualquer um dos quadrantes expectficos ‘do drciv, qualquer peablema nas instcugbesudicis, nos ramos jridicos, mas eu ndo tratarei net cusso de nenhum problems pon- tual da socologia do dite, rio tatareiespeciticarent de dicta ambiental do consumidor, xieinal. Io €Fungio posterior do jris- tre do socidlogo, € sua rea de chegada, mas, para iso, € preciso ttlhar a grande escada inci, que comesa por porasesreitas que fizem entender a socologia nfo sd e meramente como uma ciéncia ‘eaten sim como uma espécie de Filosofia ~ em sentido Ito ~ dh compreensio da sociedade e do dite. A sociologia € wma hezmenduica ein da sociedad Quer, loge de comes afstat-me também dos vicios dos juris- tas quando titan deespeculage dit sodas. A socologa do dicio ‘eambém tomada por alguns, tridcionalmente, como uma reflexto de juris sobre a sociedad, sem umn mérodo propio tendo mes smenteem vista dseito posi eas insu. Enetanto, socio fogia do dircto€ uma rflxao a cig sobre o drei, que pode © dee ser fia também por juss, masa partir de outo prisms, mas ‘amplo que 0 mero dite postivo. Poranco, no € um pensanento ‘qualquer de jurist sobre sociedade; deera serum pensamento dos jurist e dos socdlogos a respeito de um objewo expecico que & Fenémena jusidico na sociedad (Os senhorespersberfo que eta abordagem da socologia do di- reito ser esponsitel por quilificar melhor 0s weemos desta refledo, rompendo, assim, com aqueles pensimentos que eram eoscumeiras aos jurists, Nas alas segues, mosrare come & que o juris, tadi- tamente, no pensantent grego.Arinétlsé seu principal construon deen dine sem somber de did ae até o advento dos pins pais socilogoscontemporineos, como Weber, Durkheim e Marx, in {Evi havieigualado, em importinda e acuidade, 0 pensamento svar. ‘Aelevanea do pensamenco soul ines oe dvs st otis ott, pias coniigbes soca da Grésinancign em especial de “enas. Pela prea vee, de forma estrruradae continu, dese tum perfodo no qual a democracialorescex,posstniando win i= investigagi arespeito dos nexorprofundos da propria socedade. riqueza das clases dominantes de Atenas prmatiuocempo ive park SS “ inlovss, passa nti ito da sociedad -Ecabido que o pensamento greg chegn «um auge no tempo de "eles, 0 chamado século de ouo atenense.O panteio deses ran “so pensore se inca com Séertes, etinde-se por Plat, até che- a Aristecles, cada qual isciplo do anterior. Porque nada csospuru, e agmainc parse doaue dele shesoebparmcip ‘Bcsctos de Pato xe pode serconideaaeananmdas sean, dessocilans da asigiad- Em obras como pilin ou La ‘lai expe um xsi bseanc original ,epeio da sociedad un foxmacto, organiza ¢ Bi Quen se abtar com os ohare modernos, do pensamento de Plato, cetamente ni conegunsenende a especie dea omens Plo € i pesado ina wis mao die rene os. alors, eu moGO Ge coca, a perspec | do, doa € verso de nom vio abe a socilade- Os tm os antiges nd sto capalisas pelo cota, © mod de produsio servant impoe aranjssocii e mudancs muito espectias. “Talven a principal desas diferengas exe no fo de que, en ‘quanto a visio social dos modeinos pate do individ para aociede cde, visto dos greens pated socidade pave o individu. Este ine ro distinc € causa da grande pecliaeade do pensamento grego cemfice de noso pensamento nodeen0, eS lebih eben prio concest social, da paliz Sendo a poli cdadeerada gga, € sendo a partir dela que se iniia a reflex social, pode-se dies, ex- to, qe 0 pensamento socal ego & pole, a passo que opens mento modeeno & indviduaina Pato, asim, expliarasociedadea paride fenémenos sodas, «no 3 pate do plano indivi. SHO Repu (Os modernos, que fagmentam os inviduos ds sociedad, con- sideram que hi sociedad injustase pessoas juss no meio dels. Un exemplo da visio moderna: sno Bra, uma pestoa pga seu impor 0s, ndo mata nem rouba 2 ninguém, enti ea ¢justa. Maso Bra visto no seu todo, € uma socedade injuta. Logo, para nossa visio modern, o individu ea sociedad so tomados de maneiea afd Log pee que ini, pic da ou cede copa, na lo ina inp cg bem ened uel de Pb edn clio. Nop de democrcia seen, Pinto efor o vines ene odo a parte. For io snd mt Republic, como des obras, Pato sponta pts. fo de qe ‘odes deveriam se esponsabilzr por tos, deta sorte que no how ‘ese 0 egos ds familia nemn a propriedadeindividualizada a a onto que apenas alguns das novas gorges wuftulsem as iquezss socits produzida plas geragSes anteriores, Protestando concra odi- ‘eit das sucesbes, das herngas flares, lao reforgava o ato de ‘que sua compreensfo da sociedad comeyava do todo soca, nf0 do individu, Os modecnos apts, para der que o individ tm a su prema em lagi sociedade, rato a tora do conto ora ue apregoaquea sociedad € rica conforme veremosna prima aul [No entamto, Patio desconhece ese tipo de eonseragio tei, Para le, bem como para Aistteles, hi um vlaculoindisoivelente os indiidvos ea sociedad Resale, no projeto de Plato, a sua radicaldade na andlise da sociedade. Nios conforma com a morte de seu mest, Socrates. Ndo se conforma coma desigualdade social. Querer transforma eu tem po. Dat que Patio nfo ¢ um mero eipestador do funcionamento da sociedad Sen legis, um proositor de noraseteutras soi, «por causa dis sua compreenso toca é ens, citi, egundo alguns, ber rotalitarismo, 2a media em que no acit 0 vicios € 1s Fraquezas pices da democacis, dos homens eds sociedad, A maior parce do pensamento de Po é eprovad pla aun cle Muitosoconsidecam toeicio poe dar muita primazia iced de em relagio a indviduo, Outros mais apontam para o fico de que seu pensamento conduz a dtadura do melhor, ponyue Plo ama que © mais sébio dette todos a saccdade deve seo govermane Algumas desis questes, no entamto, podem ser rebatidas, principal mente porque Pato deisa entender que, 4a sociedade perceber no jovernante um nio-bio, tem ea disco de isla do poder Dai que se poder lr, nas eneeinhas de Plo, see quiet, até mesmo 0 tema da deobediénca cil © Plato nfo-democitcn deve ser ido Ade miodo ponderdo. © faxo € que 0 pensimento de Plo é permeado por pois ‘Masa mar eas do eanhamento da socologia moderna em relagio a susie, jstatetc, no ito de que ele come sua reflrdo a puted pedis sociale, dando primaza ao todo em rela & pare © capialismo abomina qualquer eur socolgjea que assim proce, porque, no limite, poder contibir pra dizer que oineresse de todos ‘Stacia do inserese de alguns individuos apitaisas, Mas es, que 2 grande ojetiza des modernos em ras s Plo, € ma das maior vrnades deste. Esa visio plana € muito orginal. Pode vitumbrar ‘el a prpriaorgem ca sociolgi, que é2 expla da sociedad 3 parr delammesma Por comear dl cxplicisio social, pode-s consider To umgrande precursor dis citncisocogiss, muito mais gabariado «que a mae pare dos pré-socilogos medizvais emederes Anisrovetes Sem sombra de dvds, Aistteleséo maisimportante pensadot de toda a pré-soiologia do drei, Quist posse dizer que, 2 lado ‘de Durkheim, Weber © Mare, consi-se num dos mares socilo- 0+ da hissia, A qulidade e a seviedade de su pesquisa socioligea ptsaram muitos sculs e minis sem sere superadas. Fiho de ic, Ariel aprenden desde cedoosigoe da pes- quis de campo, Quando joer, vefiando animals doen, dise- ‘anda cadiveres, area sempesus tora na realidad prin, Tam- bbém quando se pos, jadulo, a pesquisr as quetée socais, proce com 0 mesmo senso detgoremplio. Fdsofo brhane tata quanto Plo, mest, Arias ina menos insposigo cont. aida que aude Plo tnha uma vio adie uansormadorada sociedad, Arittels, qe sip das i 1 de lt, inh wna visio mai compecnsvaerespeiosa em eyo via soca. Da que, oe tempos moderns, grande area de reas ta him ira ao conformisnoaritudco em elo 3 escraviio, pot xem, Pato, nese senido, a propugnar um govern idea, east vat exigincias roi a nies maioes (ob visco de ser ead hoje como policamente rr). Arséeles, no encanto, difeenga de Plato, cnha mais estbiiade e senso de eaidade em suas reflexes soci, 0 queo lev a consderr a ecravido mcutl. Mas, em outs ‘quests, lo era acesariamente um corsa, pelo conti, Comparithando de um mesmo horizonte de compreensio soci que o de Plato, Acsele ean tf a pimaria da scidade sobre ot indvidvoe, Ambo, asim, so igualmente opostos Fura visio spreeneada por modernos. Areétles& quem desemslve, na rica ¢ Micmac, uma sie de teflexbes a respita da juga social, resaltanda o uo de que ainjuiga se revel ma carénca eno excesso ‘aditribuigo dos hen soca Asociedade deve ser medida pelo todo social ¢ no pelos nds ioladaenee Aritices, nese set, chega a se anda mais expico que o priprio Plato, No seu importante live A Poli, tle a primera frande obra desocilogi do drei da bisa, Aviscteles aia que ‘homiem um zon polititon, so & um animal politico. Esa quali casio ¢fandamenta,Avsttles aia, com is, que os homens vi- ‘em necetsaiamente em sociedade, no porque querer, mas sm por- ‘que € da sua nature, Tanto no & uma esolha, mas sim um fio atural enecsiro, que Arsteles cham ao homem de anima pol tico Tl qual bebe, come e dorme pars snisfiter suas necesdades satura, © homem também vive em cidade (Os pensdores capitalists moderos se revalao contra esa v- so anotlica. Para ot moderns, oindivduo vive em socedade ape- ras porque quis io, porque fer um conmat social, Hobbes, por ‘exemple, sempre ionizou Ariséees pelo fata de que exe, a dint {que 0s homens vivem naturalmente em sociodade, equpstou-os 8s elas eB formigas, que asim eambém 0 Bem. A pré-socolgia moderna quer resaltar individualism, , portant, abomina avsso social aired Noseulivo Polos, Arstelsdlincia uma cspéci de ngani= aso em eamadas da vida social. Q homem & social porque nase, rnccesatiamente, de uma sociedad conjugal ~ da reso ente um hhomem e ums mulher. Daf que nunca poder sr individualsta no razcimento e ma aa ciao. Alm diso, os homens necesita de ‘uidados quando bebis, © mesmo quando adultos. Do as basilar elo soca, ami, so maiscomplexo, organinagio pola do Exeado, todas as firs de rela do indvidan so soci, Podese izes, entfo, ue a concepedo socioligiea de Avineles& eminent mente polls, no sentido da poi grega. Ni hears na qual ointe- rec do individuo posa se alienar do incense do rod, Ariatels,embém como Pliio, tendo se decade com sais bilhancsmo 3 flosofia que propriamente i rflexdet soci, deixou campo aberto na socologia. Mas acapcidade de se pensamento che pou sais dediscutir as Formas e regimes de goerno, at vite ot cos de eda qual dests. Modernamenc,diamos que suns invert {p55 desobraramse 20 mesmo tempo, pra o campo da anise dat instiuigesjridicas,paaaflosofia politic e pasa eocolgia, Mas, asa propria vst, Arittcles no sparava oconhecimento em ma. térias exanques, Ao cu modo, praica uma compreenso da soci dade a parce da coaidade Seo pensamento de Arseéelerdesgrada} moderidide por sex potencal de sociaizago, pla istincla na naatees sci do ho- ‘mem, agra as contemporineos, por outro lad, pelo senso de el ade queimprime’ sua sociologa. Nao ponder ums sociedad idea -Aponeadifrenas que usfcam a escravidio. Mas também €Fvors- vel a distbuigio pelo mest, & coreg de desigaldades ma dist buigio das siquess,, por iso, no balango, ence eu coaservadorsmo ‘metodoldgicoe eu porencalrevoluions, of socislogos modernos ‘odescartaio, porque no mie sua filoofaapresena sos estbil- dade individalsa do capitalism que srg nos tempos modernos. Os seepievats Se Artes foi um dos eampeses do penssmento socal na An- ‘ieuidade, mesmo nio se pode dizer dos que o sucederam. Ao tempo fem que ainda era vio, a Gréci foi invaida pele macedOnios, €@ unidade social que permitao seu orescimento intelectual perdeu. Grande pare das reflexes soisis de Plato © AristSteles pa 04 408 romanos, mas no na forma de uma totia social e sim de uma priveapolltics, Os romans era muito mais volts pri tea que os gregos, edesconsideravam, em grande pare, teat ea especulagzo, (Os gregs foram abate ds explo sci dos romanos duane mor pare de sua hist. O penssmento socal gro sé fi aban- donalo quando, ao final da Idade Anega, entrou emt cena uma nova cexplicago do mundo, a do etiam, Pode-se dace entio que, ¢ pati data pré-sociologia eno em nova vs, Logo deintcio, deve-e dine, no we poe eputa qu oristianis smo sj, necesriamente, a exteasio do pensamento das ato de Je sus Cristo, mas, sim, daquilo que os estos fram poseriormene eles Tano que em verde bebere na expliasioevangica, 0s ci tos explicario © mundo e a sciedadeprinipslmente por meio do Antigo Teaento ou dos textos de Paulo de Tro, em especial Epi eas Romanet, que demonstta snd um arraigao espiriv teolgico lichesco primi, Na Epsola aos Romanos, Paulo de Tso resales 0 fico de que o mundo ¢govenad a partir da vontade de Deus 0 que expen dass mazes ebenese sons, Enquanto Plato discutia respite doca- ter do bom governance €Aristteles perguira os meios pelos qua € tesla o problema da carincia edo exeso ra dsibuigo das sg ‘aso cistanismo de Paulo de To aftmava o fro de que todo poremnantedetém @ poder por wontade divin, © a disibuigio das foret¢diqueva na Tera nio pode ter por caus outra coisa que mio fo querer de Deus Assim sendo, logo de inicio, cristianismn raz { possbliade da aliemagio aunoma anc da filosofia quanto da Sociologia, porque ta er mais possivel dizer que as marcas da sci dade resltavam de caus humana, soci mas sim por alga desderato diving, Com iso, conou-se o ago que vinculava a socieds- dd is agbes humanas, 0 que fi tipico de Pao e Arist. A put socolgia empobreceuse [No final da Kade Antigae inicio da Idd Mi, Santo Ago rho desacarse at eno, como. mais importante pensador da ci fandade, Agostinho exava presionado pela sua formacio filosfica nero lies. pag, romana, e pla posterior conversio ao crisianis ro, Assit a derrocaa de Roma, ews compreenso social enxega- "so final do Impétio Romo, wm sna da incapacidade escatural fade nfo exist coma ale, porta, no era ira preoeupasio socio lagen. Mas, no inicio da Wade Moderna, figura do monare, dori dhquele que domingo Esta, passa er uma pega central aexpica- so socioigica ‘Seas feramentas da exlicago social meal lvavam tengas reolgies, agora, no info do eapaismo,€ preciso repens a rs thdes parr das tlages reas efetvas que ela ocoxrem. © comério fro Tuco nose explicam mas a pari das vlhas solos. Asim tendo, desc uma espéce de volta a pasado esrco, como forma de ‘buscar um eampolim melhor ao presence. Dante Alighieri, no fal da [dade Media, oma algumas questes politica da dade Anigh¢ dos lisicas. Maquive estudars a poltica romana, Nese mesmo tempo, fm outta cferainelectal ~ a ltrtuea~, Luis de Camdes, eo Os “Lutaas, no fala do santo medieval nem da figura do Dews medieval mas sim dos deusesclsicos ede sua mitologia. Dat chamnarse a ese movimento de renascentita, porque fiz rnascer a fas do mundo clisco geco-omano. 0 mathor pré-soctéloge dese perodo € Maquavel, 0 maisemansi- prude de toda metatsia medieval e,poranto, 0 mais oid pe ie ja, Seu pensarent esti no come doséulo XVI O Princip, sux obra teal amo, € um excmnplo de um pensamentojiberto das amas edie Sua obra politica mas imporae sho os Dicuss sabre a primeins dada de Tit Livi. 0 Pipe € uma obra mais dar, mas tristan, qui mais dit. E eambém seu lv mais conheido. Prcocupadlo com um quazo police no qual Fiagmentagto das dads da Peninsula ct condusia sa eagldads, Magusvel es tua as queries poltiasitalianas com grande realsmo, Seu pen- samento bem dar: seas cidades, seus vio prlncipesecdados no ‘ram caprzes de, por via propia, promoverem sus fins policos de ‘comb &desordem ede servidio, enti preciso que haja um princi- ‘pe unificador, contolador do poder e que imponha, por meio de sua Fons east, uma vontadesoberana Asim send, pats Maquavel, poitica do principe nto elimi tad por prectits marsisou telcos. A benefcio do Estado, opr spe deve tera coragem des alee dos mis cosiderdos mut pla ‘moral, porque seu esulado see proveitor, Caso nfo rena (mpeos pts ese embave plas vise da malo da violencia, nfo ter estan pats 0 governo, A rarefs police de governar no se mista be rege ‘moras ances, se les indiferente a Pereebam todos que ee liica de Maquiavel nada tem de cls tea Emancipado de eflesses que giravam em tomo do poder de Deus, “Maquisel por iso recebeu uma rputago infmante poe parte des reblog, e dal vento adjeiva maguiaelc. Mas, vale die ironica- mente, endo um reals, ler el ose mais eoetew no plano mol que os prin eslogs, porque Maquivel eputava apenas ao ho- ‘mem todas abides polis ea suas mazes einjusigas coe poncencs, eno & yontade de Deus 1 pre nasal, qs noe pes pierces un vu vgpros pensar, Espino, ex te sid o dno Elza talon a cnandiper de una expla soil told, Epinon ez ude de ura formar olin nil nen iid au elena sua capa dco conserraons egou uno to patname ra cplaco do monde pe nese he rete Cons isesace esto cqpegedle pines beeen taal dceaate eas Rada e cae it cia cent a NS! lagi, Espinass apna que atid, conscradora anais a eal de a partir de dado que se reputsvam por divnos, por mia de um plano afta do concreco do mundo, Thats, pois, de uma reflexio de transcendéncia, porque param de outro plano que noo da pe pra reaidade do homem em sociedad, A teolgise losofia mei: ‘al asim procediam para eaplicao mundo, a partir de Deus, endo do priprio mundo, A imantncia, peo cones, €aandlie da mundo a partic do préprio mundo. Ou sj, em eermos de comprensio socio legis, a sociedad sera said parti dela mes Enquanto a divisio proposta por Espinosa sera muito bem acita pelos socislogos modernos, fi, no entanco, mito mal-vise pelos de visio teoigica. Na apreciago dos teslagn, 0 métoda de Espino, manent, consideratia que Deus sets visto ao mundo, san abr, ¢ ‘0a pate dem pesma transcendente. Daf Espinosa tr sido pers: (ida por pantetsts ou até meam por acu ode-se der que, em termos socolgcos, os primeires sculos do capitalism esta procedeo uma trang: sldos da teolo fi, estavam agorsconstruiad uma soilogi racionlie, Mas ot ‘movletnos consderam see ezo algo muito peculas,conforme se ver rene, © AusowurisMo ‘Um dor mores pensadoces sobre sociedad, ness poss de tan sigio para a modetnidade, éThomas Hobbes, Su forma é bastante lei fundamen teolgica, «de cto modo, também éesranha 20 tipo de argumentagso postlado pelo Tlaminismo posterioemente, nos cus XVII eXVIIL O Leva a principal aba de Hobbes, uma releto a respito do Esado, eesapa do moralismo tradicional a me- sidaem quelevanso poder esttal como fundamental par apzigua os ‘confi ete of homens, que para cle sesiam mas por nacureza, Q poder esa, asim, ndo ¢ pstulado como um resultado democricco, mas sim como um poder abyoluto nas mos do soberano, Hiohbes postu, com contornos mui cars, formulas te ado Abelson, No emanto,iteligentemente, so coneio dae cor ‘entes erica maiko comuns nos éculos XVI eXVI, que Fundamen- tavam 0 poder do soberno absolutes na vontade ou no per de Deus, Hobbes stu ese poder absolut na din de um contrat sca conform ainda verenos, Para Hobbes, os individu, aim dese pe servarem, delegavam poder soberano a0 Estado. A perspectiva hobbesiana se constin numa versio muito peculiar do Absolutismo do coneraualismo, porque em geral este € sad conta quel, como ‘eremos logo em sega, eno em seu favor. No nei da dade Moderna, nos tempos em que Renasimento se desenvoba, ambém se consoliava o regime poiico absolut, ‘Mas, enquanta 0 movimento renasceniea ea humanist, & Absoli- «ism er, pelo conti, elramenteteoldgico,repreentando, asim, em crmos tees, uma conservgto dos velhos preceits medieras fem pena dade Modern, Pelo Absoluismo perpasse uma grande ambighidade sic: er via, logo em seu inicio, aos inrereses da burgusia,e depois, num segundo momento, seu mais importance empeciho,Veiamos como fo possvel esa esuanha ambigdade. O surgimento do Estado mo- demo, com grandes ertrios nacionsuniicados, quebrvao isola ‘mento ea autonomia produriva do eho sista feudal, propicando a ative mercado burgueses, Seo morara fost soberino, abso- Tuto nha poderespleno para esabelecer essa unio nacional. Por iso, num primero momento, o Aboluisme foi bendia &burguesa, por queber feualismo, 0 Absoluisme pass ser noentano, bastante sim ao ners bburgus na medida em que, consolidadaeconomicamente, pereebe a bunguesn que, poiicaene, a concentario de poderes na mio do toberano Ihe € psjuical. O rei distingue os nobres dos burguess, ‘dando privy aque © no a exes, immpedindo poranto o amplo ‘desenvolvimento mereanl burgué pr fla de condigies de igual Ade formal, Cosa is desigualdad os pevlgios polos advindos ‘do Absolutismo, aburguesia levantard uma nova concep police e sci Hamme. [A past esse momento, principalement partir da sunda me tade do sSulo XVIL, a grande briga ser tavada, em termos de treabougo de expliasso da scidade, set ente aida rola do ‘Abolutsmo sera una iia burguesaendvidvlisa do Thuminismo, © ILumvismo ‘A burguesia pasa a sr, a segunda metade da dade Moderna, 0 grande agente de mudangs histrica na sodedade europea, Sua x Pleo a respeit da sociedad ¢quase que totalmente xexpresio dos seus priprios inetestes potions e econdmins, (© movimenca rico que acompanka ese perido leva o nome de Haminismo. Tendo sinc no séeulo XVI, desponars toal- mente no século XVII, chegando a0 seu momento culinante na Revolusio Frances, que se deflagroua paride 1789. © lluminismo conheceu wma grande verente ances, com Voltaire, Monresquiw, Rousset mas também ingle, com John Locke, e mesmo alem, com Teamanucl Kane, am dete eesparamado por outros pies mis, como of Estados Unidos da América. Ef preciso lembras, logo de inicio, que © movimento iluminisa, aque se representa no apoges na Fran, ao tempo da Revolt, no final do slo XVII, conheceu, ben anes deste momento, um pio reito acendente na Revolug Liberal Ingles, que data de mais de ealo antes, © movimenta de sseensio ds csses burgucss 20 poder politico, na Inglaterea, fi acompanhado taibém de uma ilosofai- beral particular, mas pragmtiea que a fancesa. (0 grande inimigo treo do Tlaminisma é rologia. O pensa- mento teoligicoaustntava 0 Etado absolut, mas os burgueses ‘tuminises desjavam dereublo, No Abgolusmo, 0 monara er fort, de pore limtados~ a0 ri no erm dads limites juridins— esse cariterabaoluto do poder er ustntade por uma jusiicatira teoldgicn Teeiva-se da iden de que todo 0 poder nasce de Deus omni portant a deo (Osjusa above foram chamados a eplcar o Abscurism. [No dse dos jurists moder, o Absolut exprimiia una figura jidica: seria um conta pelo qual Deus delegava poderes 20 re Juidiamenre, atarse-ia de um mandato, uma procuasio de Deus 0 resem reserva de padres, Deut daia todo o poder 20 soberano€ ‘ste Fria o que bem entendeste a partido, ‘Tal igurajuriica ges ‘rm problema tclégico muito peel No ado catdio, era preciso ‘que © Papa coroase 0 sberano puta confirm como lego, jf ‘que o Papas pie na aucoridade de representate de Deus na Tera ~ tna espcie de carcéto que reconhecese «Firma de Deus, enfim. A teologjaprotestnte€ mas pragmtica que acadlica, nfo necesita dd de instmediro ds eonfemagio, porque, snd 0 ro soberno, jo porque Deus o quis se Deus noo qusesse,aquelenio seis © tei Ei ambos o ass, teloga letimavaa ordem social existent, © dito de que é melhor 0 impétio da ei do que o imptro dos homens fz pasted gic do Muminismo, na medida em que mina 0 pode aboluta do soberano, revenda que o govern do Bsado sea limsitado por norms, Ox bargsesbrigam conta o Absolutsm. Com 4 cota absolutes, porque o poder de Deus é dado ao re este eo the os seus prvegiads, a nobreta,economicament,cem um estofo jridico que no € dado & burgusia. Pars aabar com Absolute, a >urguesacem dus tarefs. Acabar como préprio poder absoluo do rei naharcom adda eobgica que fandamenta ese mesmo poder. Deve a burguesa destruir © Abslutsmo ea dourina solic, re quicios medieaisem tempos modesnos on irracional, wevoso ~ dat que, a0 arogar 3 sas lies da ro, 0 mov meno seju denominade luminit. Tara se iasurge conta 0 pretenso rmandato de Deus 20 soberan, preciso afastar a ese olga de racial burguesi toma patio desea conta aguela A rao, por 0, nlo etd na crena, nae sn no prépio homens, no ind, vinisme di que © Absolainmo é um pensrtento abscuro, Aqui comes 0 pimizo impasse que levaréo Thuminisme a sr, le também, uma espé&ie de metaflica. A tax apregonda pelos iluminisas nfo € cultural, no €adquirda por meio do conhecimento ‘do mundo, do contro com as demaispesoas, da convivenca com todosnasociedade Pelo conti, ela€ estes cera, erepous 0 sociedad, mas apenas em cada indviduo. ‘A rao que a burgucsialevanea contra fé do absolute € uma auto individuaitae que se julg, tl qual» eterna. Os modernos afstam a concep elisa, anciga arora, respec da rrSo Se se tomane concepcio mais simples e natural de que a rado € ui ‘produto do homem em sociedad, on burgursesreconheceram qu a precetos eolucm, madam, se ansformam confome a intra, Mat 1 burgusia nfo qutia iso. A rao devia et etetnamente a rio Dburguesa, eunea mudar. O projet da burguesiaalém de quebrar os preconectos absoluistas, cr também o de andar wma sociedad que tends as intcresiescconbmices polos do capialismo, Porta ‘to aburguesa no pedera abe guada, masa soceloga, a qualquer nova ro que vist, no Burro, a querer muda 0 pincpios que no presente cram tes burg Assim, a socologia do Huminismo €bitfone, Volee-se ao past: do, yaradeseruiro Absoltimo, marse vole também conte futur, 0 impodir qualquer carter conto (por exemple, sci) soci kde capitalista que éalmjada, Ente a exlicaso da sociedad com fandamento em Deas, como o ert no Absolut, ea expicagdo de sociedade com fundamen na prépia ociedade, como sei o cso no petodo pés-iluminisa, o¢ pensdares moderns Fctfo aura eta nha tangent: dio que arao a jusiga sm por medida o indo, no tomadosocialmente, mas comada de modo ioada, A defesa do individu, contra teologn conte a wciedade, €0 fandamenco do liberalism, do interes politico e jurdico burgués “rata da defesa das direiose dos priaipos do individu em fice do Brado ¢ da socedade, Que indvidao ett em mente nese mo ‘mento? Claramente, 0 individuo burgués. E a constraso do mundo da propriedade prvada do bugs contra todos o demas, eg ommes Seusinceresesjsicns: vende para quem quisese,liberdade ample de negcos, igualdade perante ale. Lake, als, eessaltava muito Imporencia da defesa iteansigente da propriedade piv, Porquea burgucsa no expica sociedad a patie dla mesnase sm a partir do individu? © eapitaliemo é um sistema que desea se slicergar na explorasSo da classe wabalhadoes pea clase barges portanco, seu discueso quer arenes apenas para um asta iteese os individuos no para o interes da sociedde em geral. Pata 6 uminismo, o indivduo cidadso henefciria da ssema eon mico ‘apts ser sempre o burgus- E por ize que of burgucses da Ide “Moderna rejeitam a explicate da sciedade a paced mesma, Masé iil de qualquer oem, poporum modelo deesplicaio da sociedade que comeceestetament plo individ, e fa pela pra sociedad, Arse os elissioe greg proceditm dientemene dos modesmos: a sociologa princi por tum bas soc estan © fio de que 0 homem é um anima poco. Mat, para os burgess tmodenos, 0 prgo des explicit a acedade pla pepria sociedad ea fave a nm etica ex Fe inj, desarmonioss ou desordenads, © Taminam foge de qualquer xia 3 scidade burgues. easlameno esamentsbugtssobicasodeale nab si aden Epa dito pn at peli. A Siliayos eel decoded der do ct gue ean dar tro Ablorbmo, mis lo cic que a ao dean ope pine rg eda capitan. Perio poe-e ato eine mapa dap da pr- oily dois gegen once a prime esl pe esl do dco; medias cara ua gua career de can lg xo kano quo eo roo ‘Rotts; ormoderos nna bre, desenvalero un Cres ml presi deep scl os ndamenos Sone modelo seit indiana cnt oe 0 conrraruatisuo (© individualisto decor obviamence das necesiadesecondmi- asburguesis. © capitlsma um sistema praduivo baseado na apr Drago do capital por alguns individu. Seus valores so individuss, Io 80 socns, A propsisdade nso é ober coeivo, soca, sim do ourgute apenas ‘Mas como exlicar que o valor maior da sociedad ja individual se todos os homens vvem neceisrimente em socedade? Como expla (que o er apenas pati é mai e mas justo que orepariccom todos? ‘Acxplcagio mezafsca dot medievas para iso era muito vulgar, ra medida en ques impucaraa Deuea vontde de terete asocieda- de de tal ou qual forma. Ora, ot madernosfagem dea explicagio e Fogern ramfsé da roa clive, ristorica, pela qua os homens sia aturaimente sci © individalismo lvard.oe moderos a explicarem a sociedad de modo distinc daquele anteiormente produzido, Surge, portato, a veora do contao soi Texase de uma iia ipicamente da Idade ‘Moderna, que oi verfcivel apenas ness empo, a beneficio da pd ria burguesis (Cesena desa tora de conta soci apregox que home oe ature, nde socal, Pela contro esa tori prego que o home, por naan. individual, vive sido, ola. Eno ocome que, por vontade de eda qual de tadasondvduo, ees dliberam por vive, em certo momento em sociedad, A soiedade, port, 10 seria a tural nem nous as indiiduos. Se houesse uma nature socal pea a0 homens, jf nacetim todos so tl condo. Mas, pra os ‘madesnosiluminiss, a sida aefial Resa dem con (Cato que & coria do contato social é um absurd, Batentarrio 8 reliade imaginar que oe ndviduos visit sozinhos, um cia sen ‘onirarim e vortam viver em soedsde. , 0 vor de umn omen valendo o mesmo queo de outo,éaburda imaginar que dete con- trato ent individ reslou estpulrem que alguns ai mandarko nos demas, se apropriaio da tera queers de todas e sero senbotes (Os individuoe nda cram por area individu, porque nto brotam indvidualmente, Necesramentenascem ese desenvoler em r= ‘o,em familia, em coletividade. E mais, no se pode pensar que haa ‘um eonerto soda sem que houvese, antes, inguagem comum para dela we extra um acondo, Porranto 0 contrta socal, se exis, 56 podria esido fio pela pris socedade. Emus naturale ccrad a ceora de Arsétls, de que o homer € um ser necessariament 0- cial, que a teora dar moderna, do individualism, ‘Ma, para rebacer etcs ox penstdores moderns, em sua mao sia dito que, na rrdade, concrato socal uma fro para comegat 2 explicar a sociedade, Max, ai entfo, reside outa grande problema dssa pé-sociologa 0 seu cater nitdamente metalisco, De dus una ‘uo contro soil Eapregoado como se fos uma realidad, «eno se rata de uma postulagio puri ou € apregoada como una feo, uma mentia tile eno se tras de uma explcagoignominios, [Na tcoria do contest socal, os indviduosvviam iolados,e ese seria o esa de nate. Por conta, passim a viver em vciedae, Vale lembrar que separa moderato esta de natusera a iwagio rarural € individual, para os disicos é socal Ans conta, 3 sociedade€ artifical, porque suge depois das ndivdus, apenas pela vontade deste. Ene individu esciedade,o valor mio ser poe ido €0 do individu —o bargute (Os iluminiscas contrasts dvd, ainda qu asociedade, para se organza insirucionalmente, precseéfundaeo Estado, como um «nt parte da vida socal dos individuos, a quem incumbe a diresso politica da sociedad. Por io, contuma-sechamat a sociedade, pola ‘eoria iluminista, de wcedade cv, porque hi uma ers que s in cumbe do governo, o Estado, que sera enti a sciedae politica Assim sendo, para os modernos burgucts, hd uma hieranuia dle inereses que rege a vida socal. Se o ext natural éo indvi= lua, sendo a sociedade uma instincia artificial, entio es valores rmaioresaserem procegidos na sociedad sf or do individuo, eno ‘ot sociais. Da mesma forma, © Esado tem sua rsio descr apenas ra garantia que dard aos inereies indvidusis, Por iso, para os rmovderes, como o Absolutisno ao respaldava a iberdade do in- dividuo burgués, er injusto, Caso queitamos fzer uma compaajo com a explcago social medieval veremos que dos modernosé, em ceta medida, a mesma, apenas em sentido totalmente coneiio, Ambas sho metafscs da ex pica soca, porque partem deinstincias nip-sciis, Mas, no caso madievale absoluista, dae a segue seqdéncia para vide svi Deus > Euedo - soiedade - individuo, Ja para os modernos ‘luminists, a seqhénca & indiidua ~ socedade civil > Extud, A csfera oli, pela qual pincipaletigio social dos medieais, ‘Mo existe na lgia iuminista [No entanco, a explicagio soc dos medis ea das modernos, por mas vers sejam nos propésitseaas suas eoreagées, contin am padecendo do vico de nfo expla a socedade humana por ea ‘mesma. Dai fio de seem tomadas ainda por pré-sociologis, ‘A segment da vida social moderna ces seta, a nid aly ada sociedade civil ea da socedade pois, Estado, & miro Denia pura os incre pics da burguesia, porque legiima 6 inividualismo e, 0 mesmo temp, confina a polkca mum campo muito esto ereduido da ao socal. Hi um costume asia, em ‘muita pessoas, de dizer: “eu mio sou pollco”. Mas como & pose alguém der que nio & politico, seviveem sociedade? Para Aristteles, isto € um absurd, Todo homem vive na pais, eneo todos so poll cos, ainda que nie quctam ou nem sibam, O que pose € que alguém que se declare nio-politico sia um alinado da politica, mas seralienado também é uma swag police. Asi, rodos ot socilo- 08 contemporineosafrmario que a individualism ou a reasa ca poli so também aiudes politics. ‘Mas, para a burgucsia moderna —a0 divi o todo da vida socal ‘em partes exanques, por mca da teria do contac social =a vida politic € apenas aguea ques efete a Estado. Quem no participa lo poder do Estado a é politico A teoria do contac social estar presente cm todo pensamento ‘europea no empo do Tminismo, Ea eos socioldgia de Hobbes, € ade Locke, éa de Rouseas, é de Kane Claro que, em cada qual se presea ineresies dings e tem expicagbes também diversas. Em Hobbes de forma muito peculiar 0 contrauaismo éa forma dejustifiar 0 poder abroluiea. Os indivduos deliberam por dlegar podees 20 monarca soberana, a fim de qe impenha a ordem que cabard com guerra de todos contra todos. J pra Locke, Rousseau ‘Kant o conrato soul 0 que dad fundamento para que asocicdade tompa com 0 Absoluimo, na media em que ese nfo respi nem farane os intersex mas profeados do indviduo burg Em Locke ¢em Kant fics eslict 9 atte eapitalisa da eoia o conta social, © mai alo inerese do individ, pare Locks, €3 ‘atani cla propiedad priv, pedpeio Kan, em suas tora pol tas, prope cliusulas cents que excuam o tabalhador eo ho: ‘mem coaum da partcipasi politica epreseracva CCertamente, de todos contrat, quem apresentaré at sia social mais rica coatundente e prixima de uma expcago tal mente social da sociedad seré Rousens, Pode consder-o, cer, tinico grande pensador bugués da modernidide que tinh remor- tos. Por soa eterna deconfianca dos burguses para com Rousseau ‘Avago cure inviscid no penton de Row ani peat quand compara com pessamert de Lace Katt sume Monts, um dobar Fan aa ousen, bs ta de dir qe as nie exangs € qu, tums indo vai dapos pres exla prs tise prt seo. uo contr, propa de conc Se Rosen odes, eprops O into deve vein, “ior ton poe enema agus do sta, um rio qe he “Ghee Ao ine, o in deve escotar no Estado Concrezago dee pops inte do interes eos, Teata-s, agi, de um conecito muito peulie de Rousseau, 2 iddia de voutade geal, A socedade eo Estado no devem ser aexpres so das vontadere interests de um apenas, de um wbetano absolu- to, nem aso da burguesa exclusivisa que tenciona acumularape rs para si Na verdad, € precio encontat a plenitude daguilo que «jt 0 melbor a codes. Por iso Routeau fo é um liberal no sentido da burguesia Francesa eradicional do sew tempo Pats cle, no i erfera estan ‘ques vida social, rampouco hi conformidade na soberania do Estado por conta meramente de regra legis que Ie canfram po- der, Rousseau, mais que liberal, principalmence democrat, por- fque prevé que Eeada sejaidentifiada com a vontade gers, « poreanca, nfo apenas com procedimentos formals que garancant ab instcuigdes, mas fandamentalmente, com vinculos profundos do individu com o tado social, que se veilictio, por exemplo, na ‘questo econdmica, Dat a ertea de Rousseau 20 egolemo da pro triedade privada, também sas reflexes a respeico da desigualda- de entre os homens Porque Roustea posta uma coneepeto distin daquela profes: sada pela mora dos Uberaisburgueses do uminismo, antecpa, de gum maneica, um certo modo de pensar asociedade a parte de suas roprnequestes, 0 que set prépro ds vindout socilogia, a parti do siculo XIX. Os justas, no entao, araigades no positivism da lee nos inrressesburguess,hio de se aproximar muito mais de ‘Montesqui ¢ de Kant, para os quis a6 expliagoes soca segue tum modelo bem menos exo. (© ponsamento burgés maderno, lumina, no consegus ols, cscapar da tiha de uma merase ds sciedade. Para a salvo dos ineerees do individu burguts,eebaixa a sociedad a um plano me- ‘or de compreenso, Auta 4 Conre © Durkieim 14 uma tradigo entre o socilogos em considera ou a Comte ‘ow Durkheim como o pai fundador da socilogia. Para © mundo Universi onsidra-se que x sociologia despontou na parte Real do século XIX com Durkheim, porque foi por meio deste que, pla primeira ver, universidade ances aesitou a nomenclaturs dad siplina eal qual a conhecemos a hoje. Mas issn no pode deixar perder de vista que os alcetcr da sciologiasurgram, na Eran, Adgcadas antes de Durkheim, com a pensamento de Auguste Comte Foi ete quem reclams, pela primeira ver de modo sistemaico, palvessocologa, (Comte ¢ Bukit representam, a Fang @ momento de supe- ‘ago da flsofiatuminisa, que ert 0 dkimo bastto metaico da ‘expicagio social. Mas, anes de ambos, na Aleanhajé se proceiaa uma superasao teria dos preeicos do lminisma, como o individ alamo eo eoncratualisme, Isto sedeu coma pensamento de Hegel, no final do ssulo XVIII e inicio do séeulo XIX. Por so, eromatmoa sociologia «partir da acepgo que eva em conta eealdade como 0 srande elemento da compreenso social, fi 0 préprio Hegel, com sus estudosfilossens, no iniio da lade Contemnpocines 0 gran. de iniciador da sciologia, © pensamento de Hegel adguire epi elev 5 levarmos est ‘omsderagio que fie pari dele que se desenvolveram aide de Kal Mars, Hegel se ditanciondavelhatraig lem, eno lanans, «de rodo 0 Tluminismo de um modo gral. Aa contro dos velhon smetafscose idealists, Hegel dsiou de separa rari da relia. Aé | hu, pensamento tern almentva una meas particular: 0 “eos dead nos comaniavam com o a eo. A rao indi ‘ila, expeelaa a paride quadeantes prépros. Commo a rario en. Toma por soberana, ea desonheceria a alidade. E por sv que no rninsno ao se inaugurou a soiloga. Nao havilastro na eldade “uetonrase a objeivdade de sas tenis sci, como ado contaro vrei xo porque para um ihuminit, no era nest expicar & tected a pti de ftos eis cones. Bastaria que o pesiment, nena ei s pri, fsse cneent raion ‘Mas Hegel represent ui grande mudang ilosia quando props que arzio ea relidadefssem considera no mes par Thar e que os problemas de uma eram também osc ox. Com iso, gel eonseriu um mtd, a diac, que posibiliou pla prime raver nos tempos contemposlins uma fetva expeclagio cena tobe os das soca, porque rociedade pasar a ser compreeni apart de sua pri elds. gel asin pce procder porque os tempos do século XIX ji rama novos, Queto com iso dizer que somente no século XIK foi posrvelosurgimento de um pensador que comesaseaanaisara soci ‘ade a parce dela mesma, nfo masa partic de uma rio asta fora da celdade.Vejamos a aio dso. ‘Anus do sculo XIX a burgusia no poderia consider vido 0 sudo da sociedae eno existent, porque estaeratbslutn. A bur- igesia devejavaa transformagio des socedade. Por iso a pré-sociolo fia burguese no pare da ralidad existent, Ela € uma especulagio lala a respeito de uma sociedad que ainda no exist Nos S- foe XVIe XVII, «burgueia do paises exropeusnio devia 0 poder poltico © juridico, por iso que luminismo separava a rast da realidad, edava primaria reo, Era precio penat numa socedade idea raion, coalmenceburgues, sem qu ela dependess, paresis ti, dar cons da eaidade exience, porque exert abso, Ox itunes conserva uma pob-sociologia meaica, ‘Mas, no tempo de Hege! 2 fisede combat do mini jas | sido superda, Hegel tna tempo no qual a burgusia hia oma doo poder politico, A Revolugio Frances, que represenou o apogeu das interes burgutscy, jhaviaoeneid Paris, ele pide der qua flosofia deve nals a waidade, porque na relidadeexaia ari, Come fisolo burgus que era, Hegel pererbera que nos tempos de inkio do séeulo XIX os dsejos burgess tnkum sid aleangads na reaidade. Em tempos desis, confoeme propugna sua dlc [No ra preciso mais pensar numa sociedad que fste apenas idea. A sociedad del burgues i exava ma recade europea do seu tempo. Asin sero, ea dsposigio pr inerpetara sociedad a panirde sm reid da Hoge a primazia do que pos sera conterporines| ‘eciloga. Mas Hegel no se debeugou com muita tengo nas qustes «que hoje chamariamos por sociolgies. O melhor uso da dilévca hegeliana se fio por Mars Eo pensimento de Mars por sua vee no ser simplemente uma etano de Hegel, mar sim uma supers ieprneer elea ae eee Avausrs Come Comecemos por Auguste Comte. © pensamenco de Come fi, cm Frang, embrio de toa ssociloga, Auguste Comte rompen defniivamencecom as ceeneasreligiosases abs idasiluminists| que até entio alimentavam a pré-socologia. Comte & umbém, derarne,um detains pore de iow {Soliica por se pioneitmo em romper com as velhasexpicigiex ‘roles ou iluminives, a Sanaa Auguste Come desenvlves seu pensamento na pritneicametade do séclo XIX, em gre parte ispeado pelo progreso da citciae sls ecnicas. Em toa Europa, vives o apogeu da Revlusio Indus- teal, com oadvento de ur mndoindustial, mecanizdo. A maquina comegavaa tomar seu lugar a ode ecomimica de seu tempo, Alun dda Escola Politécnica em Pars, Comte descou transplanta, pata © plan da sociologa da ilesofa, ado aquilo que se implantasa com ‘mito sucesso na evolusiotecnolégia de seu tempo. (© pensamento comtcano tem origens nas ids de foes © reformadoressocais frances do comeso do séeulo XIX, como (Conuorec Saint Simon. Em comum asst dois outros pensdores, ‘Auguste Comte no quis serapenar um pensidor da filasofae da soc clgia, mas, cima de tuo, detsou ser oatfice de wna completa reorganizagio da Sociedade. Para tanto, seu pensimento se esparr- mou por virias ras, flando da forms soci, da dang poica © social tratando inlusive das instwigbes — emboraspena areal te do dicto~ até chegat a corti emccstipcas da pscologi F certo que pensamento de Comte primeira que, ma rang, perdeu oF ljos com as antigas formas de interpret a vciedade do Tuminismo eda teolgia.Abominanda as expicagies que no part- am da propria realidad social, Comte prope ue ereconte a hisria a pati de ov etads, © conhecimento human ea propia avidade dos homens em socedade passim, necesiament, ports caps Tratrse de ws etados que ve consttuem nas etapae progress do conhecimento humano:oestado tole, 0 metalic 0 post, ‘Auguste Comte busca, com esa exalt do conhecimento vciol6 ico, mostrar a progresso do tipo de explcaio em relist socieda- de, Para ele, em geal, quanto mts primitive o pensamento, mas ele ‘std voltado as discusSer religions. Quanto mais avangdo, mais 0 | Pensamentoincorpora os dados da inci, Por iso, a sociologi seria lum produto apenas da Ldade Contempoines, porque, até enti, © «que havi seria uma pré-sciolegia, que nunc parti de dadosefetivos, cients, 'No prmeito dos estado, oteolgico o homer busca compreen ero munca parc de dvindades eprtos,Textase de um eonhe: ‘mento muito simplétio, que buss dar resposasabvolutas is ang ‘is humans, fornecendo um grande quo de certezs e cent partic do quale promove acoesio soci Pas Auguste Comte, ness capa teoldgica Ii rs diferentes fates de evolusto da compecensio ‘humana. Num primeiro momento, © homem explica 6 mundo por ni de femenosincomprensives da naturena (come os trove, 0 sola lua). Tas da ise ftchista. Num segundo momento, crise a iia dos deusese esptitos, que se encontraiam em um mud es veanho aquele da nacurexa eda sociedad, Trae da se polit [Numa lima fie, a eapa reoligca chega ao monotesmo, e, ness ‘east, todos os atibutes mga epoderess pasar ase reunieem un figura, pensadaagoes como endo a cridora univers. Do estado colin suede o estado metafsico, Nea etapa da eo Jugio do expirito human, no mats ie se uslinar a tenga eigiosa ‘como fundamento da expliagio dos fendmencs. Absaindo-e de fi ras, enidades sobrenaturase pesos, paste ctapa de considrat que baja Forgas naturals eles consents que onganizam e geen © ‘mundo ea socedade. O estado meta €uma cninudade do ex tad teoldgio, mas em grau de abstrago maior, sem ot abeandos das