Você está na página 1de 531
eaten Uma sélida defesa da infalibilidade das Escrituras Tradugao Antivan Mendes Vida © organizador € autor das seguintes obras Eleitos, mas livres (Vida) Etica orista (Vida Nova) Obras em co-autoria . Fundamentos inabaldveis (Vide) Introdugao biblica: como a Biblia chegou até nds (Vida) Incvodugéo a flosofia: wma perspectiva criss (Vida Nova) Predestinagio e livre-arbitrio (Mundo Cristéo) Manual popular de diividas, enigmas ¢ “contradigoes” da Biblia (Mundo Cristéo) Reencarnagdo (Mundo Cristo) Amar é sempre certo (Candeia) ©1980, de The Zondervan Corporation Ticulo do original » inerrancy edicio publicada pela ZoNDERYAN PUBLISHING HOUSE (Grand Rapids, Michigan, 804) . Tados 08 direitos em lingua portuguesa reservados por Eprrora Vina Rua Julio de Castilhos, 280. © Belenzinho cer 03059-000 © Sao Paulo, sv Telefax 0 xx 11 6096 6814 ‘www.editoravida.com.br . PROIDIDA A REPRODUGKO POR QUAISQUER IOS, ‘SALVO EM BREVES CITAGOES, COM INDICAGAO DA FONTE. “Todas as citages biblicas foram excraidas da Nova Versio Internacional (wv), ©2001, publicada por Editora Vida, salvo indicagio em contritio. Dados Internacionais de Catalogagio na Publicagzo (cir) (Cimara Brasileira do Geisler, Notman 1, ~ inerrincia da Bi 0, 5, Brasil) ‘Norman I. Geisler (org); rradugio Antivan Guimaries Mendes — Sio Paulo : Editora Vida, 2003, ‘Tioula oviginsl: Inerrancy Varioaurores Iss 85-7367-632-9 1. Biblia~ Autoridade, restemunhos etc. 1, Geisler; Norman Ly Il Teulo : Um defesa da in 03-1212, ilidade da Biblia cpp 220.132 Indice para catdlog sistemico 1. Biblia + Inerincia 220.132 2. bla + Infilibilidade | 220,132 A meméria do dr. J. Barton Payne, cuja inspiragito, erudigao e pioneirismo levou a igreja ase debrucar sobre a importancia da Palavra inerrante. Sumario Preficio 1. Jesus ¢ as Escrituras John W. Wenham 2. Os apéstolos ¢ as Escrituras Edwin A. Blum 3. Supostos erros e discrepancias nos manuscritos originais da Biblia Gleason L. Archer 4. Aalta critica e a inerrincia biblica J: Barton Payne 5. Hermentéutica legitima Walter C. Kaiser, Jr. 6. Ainercincia dos autégrafos Greg L. Babnsen 7. Acsuficiéncia da linguagem humana James I. Packer 8. A autoria humana da Escritura inspirada Gordon R. Lewis 51 a 103 141 181 233 269 Mi. 12. 13. 14. O significado da inerrancia Paul D, Feinberg . Pressupostos filoséficos da inerrancia biblica Norman L. Geisler testemunho interior do Espirito Santo RC. Sproul A atitude da igreja perante a Biblia: da igreja primitiva a Lutero Robert D. Preus A aticude da igreja perance a Biblia: Calvino € os tedlogos de Westminster John H. Gerstner A Escritura: B. B, Warfield x G. C. Berkouwer Henry Krabbendam Apéndice 313 363 399 423 461 497 541 Prefacio Em outubro de 1978, a Conferéncia Internacional sobre Inerrancia Biblica (ICBI) reuniu em Chicago cerca de tre- zentos estudiosos, pastores ¢ leigos. Os catorze ensaios ali apresentados foram o ponto de partida para cada um dos capitulos deste livro. Tomando por base as palestras profe- ridas durante o evento, os participantes formularam a De- claragéio de Chicago, um documento de dezenove pontos (v. ‘Apéndice) que define o posicionamento biblico e histérico quanto a inerrancia das Escrituras. Como se verd mais adiante, os autores c os conferen- cistas provém das mais diversas formagées teoldgicas e denominacionais. Estao aqui representadas a Igreja Anglicana, a Batista, a Livre (Free Church), a Luterana, a Metodista, a Presbiteriana e outras — todas unidas na defesa da inerrancia da Sagrada Escritura. Talvez nenhu- ma causa teoldgica nos tempos modernos tenha conse- guido reunir tantos elementos diferentes da comunidade crista, e com tal espfrito de unio, como essa conferéncia que, assim como este livro, deixa muito claro que nao existe unidade verdadeira se nao em torno da verdade; ¢ que nao hd unidade na verdade fora da Palavra de Deus, que é a verdade (Jo 17.17). 10| A inerrancia da Biblia Este livro pretende expor 0 que é consensual no meio académico evangélico em relago 4 questao da inerrancia biblica, que ¢ de crucial importancia para a vitalidade pre- sente e futura da igreja crista. Este mesmo assunto ja foi tratado em outras publicagées, com chancela da ICBI, no intuito de sensibilizar ainda mais a consciéncia evangélica para o tema: The foundation of biblical authority [O funda- mento da autoridade biblica\ (James Boice, org., Zondervan), Does inerrancy matter? [A inerrancia é importante?| (James Boice, ICBI), Can we trust the Bible? (Podemos confiar na Biblia?\ (Earl Radmacher, org., Tyndale). Outros livros ain- da estao sendo programados para serem langados em breve: Biblical errancy: an analysis of its philosofical roots (Evro bibli- co: uma andlise de suas ratzes filosdficas| (Norman L. Geisler, org., Zondervan) e Commentary on the nineteen articles of the Chicago Statement [Comentario dos dezenove pontos da Declaragéo de Chicago| (R. C. Sproul, Tyndale). Outros pro- jetos do ponto de vista bfblico, histérico e teolégico esto em andamento. AICBI tem como objetivo explicito definir e defender a doutrina biblica da inerrancia, tomando-a ao mesmo tem- po como elemento essencial da autoridade das Escrituras e ingrediente necessdrio para a vitalidade da igreja de Cristo. Trata-se de um esforgo no sentido de restituir a igreja essa perspectiva histérica, e o propésito deste livro nao é outro senao o de oferecer uma contribuicao significativa para essa causa da méxima importancia. O conselho executivo da ICBI é formado pelos seguintes membros: Gleason L. Archer, James M. Boice, Edmund P. Clowney, Norman L. Geisler, John H. Gerstner, Jay H. Grimstead, Harold W. Hoehner, Don E. Hoke, A. Wetherell Johnson, Kenneth $. Kantzer, James I. Packer, Robert D, Preus, Earl D. Radmacher, Francis A. Schaeffer e R. C. Sproul. A sede nacional da ICBI, sob a direcao de Karen Hoyt, esté situada em Oakland, California (2. O. Box 13261, ZIP 94661). Jesus e as Escrituras John W. Wenham John W. Wenham é ministto ordenado da Igreja da Ingla- terra. E mestre em Artes* pela Universidade de Cambridge e bacharel em Teologia pela Universidade de Londres. Exerceu as seguintes fungées académicas: vice-diretor de Tyndale Hall, em Bristol, e diretor de Latimer House, em Oxford. Foi capelio da Forga Aérea Real e paroco da igreja de Saint Nicholas, em Durham. E autor, entre outros, de The elements of New Testament greek [Os elementos do NT grego\, Christ and the Bible (Cristo e a Biblia\ e The goodness of God [A bondade de Deus). *No sistema educacional brasileiro no hé um equivalente perfeito a0 inglés Arts. Nos Estados Unidos, arts (no plural) abrange uma infinidade de éreas que no Brasil normalmente sio consideradas isoladamente, por cexemplo, Letras, Historia, Geografia etc. (N. do E.) Resumo do capitulo A visio de Jesus sobre as Escrituras é muito clara para os que acreditam que os evangelhos, inerrantes ou nao, apre- sentam um relato bastante confidvel de seus ensinamentos. E vasto o material proveniente dos quatro evangelhos e de todas as suas principais citagées. H4 centenas de citac6es € de alus6es que aparecem espontaneamente em muitas situ- agées. De modo geral, elas revelam com muita clareza os pressupastos basicos de Jesus mais do que seus ensinamen- tos especificos, Cristo sempre trata as narrativas histéricas como registros objetivos de fatos, e a forca de seus ensina- mentos quase sempre depende da verdade literal delas. Ele usa os ensinamentos do Antigo Testamento (AT) como tri- bunal de apelagao em questdes controversas de doutrina e ética. Que esse era seu ponto de vista, e no uma condi¢ao ad hominem por ele adotada em beneficio de seus ouvintes, percebe-se pelo uso que faz da Escritura quando enfrenta o Diabo. Também nfo era conseqiiéncia de suas limitagbes humanas, como mostra a énfase que dé & Escritura depois da ressurreigao. Ele considera inspirada cada palavra da Es- critura, até mesmo “a menor letra” e “o menor trago” (Mt 5.18). Reconhece que os livros da Biblia foram escritos por autores humanos; para ele, porém, o autor por exceléncia 14 | A inerrancia da Biblia da Escritura ¢ 0 proprio Deus. Esse atestado de verdade dado ao relato verbal em todos os seus detalhes, aliado a verdade hist6rica e doutrindria, pressup6e a doutrina da inerrancia em questées histéricas e também doutrindrias. A suposta revogacao da Escritura por Jesus (como, por exemplo, no Sermao da Montanha), em que ele teria entrado em contra- dicdo, é decorréncia de uma compreensio errénea da passa- gem citada. Para Jesus, o AT era verdadeiro, inspirado ¢ dotado de autoridade; 0 Deus do AT era 0 Deus vivo, ¢ os ensinamentos contidos no AT provinham dele, Ler a Escri- tura era ouvir a voz de Deus. Jesus e as Escrituras John W. Wenham A HISTORICIDADE DO ANTIGO TESTAMENTO Dado o atual clima teolégico, alguns circulos exigem que se facam as seguintes perguntas: “E possfvel saber com certeza o que Jesus de fato ensinou? Scus ensinamentos nao es- tariam de tal maneira revestidos de elaboragbes teoldgicas e narrativas piedosas dos primeiros cristéos que se torna im- possfvel recuperd-los?”. Despertei recentemente para a pro- fundidade do ceticismo contemporaneo quando percorria a seco de livros de teologia do Novo Testamento (NT) na biblioteca de uma faculdade teoldgica. Encontrei muita coisa sobre a teologia de Paulo, de Lucas, Qe a do quarto evange- lho, mas quando procurei um livro que tratasse de modo substancial dos ensinamentos de Jesus, n4o encontrei prati- camente nada de novo. Muitos estudiosos acreditam que é impossfvel saber o que Jesus realmente disse. De modo geral, pode-se assumir uma das trés posigées seguintes em relacao 4 historicidade dos evangelhos: 1) Os evangelhos constituem um grupo de registros histéricos confidveis, avaliados ¢ aprovados por membros do corpo apostdlico e aceitos como tal pelos lideres das igrejas funda- das por eles. Essa visdo tradicional e “catélica” foi a posi¢ao oficial do cristianismo dominante até o final do século XIX. 2) Os evangelhos sio uma mistura de acontecimen- tos histéricos e nZo-histéricos. Essa foi a posigao adotada 16 | A inecrincia da Biblia pelo liberalismo do século XIX; hoje ainda é muito influente, 3) Os evangelhos so to incoerentes em sua teologia ¢ esto de tal modo entranhados do imagi- ndtio cristo primitive que no podem ser considerados fonte de informacao sobre Jesus nem sobre a igreja dos primeiros tempos. Considero 0 ceticismo da tiltima posicao um reductio ad absurdum. So- mente um Jesus como 0 Jesus dos evangelhos ¢ capaz de explicar o surgimento da igreja. Sem ele é impossivel compreender o nascimento da igreja e como ela péde criar a figura sublime retratada nos evangelhos. O fortalecimento recente da visio nao-histérica dos evangelhos é semelhante ao crescimento dos enfoques gnésticos dados aos evangelhos no século I. O gnosticismo conquistou muita influéncia, sobretudo entre os intelectuais, mas foi decidi- damente rejeitado pela igreja primitiva, que 0 tachou de inovador e de {ndo- le contréria 4 dos evangelhos. ‘Talvez essa questo pareca muito distante do debate em torno da inetrancia entre os cristaos conservadores. Na verdade, porém, é de extrema pertinéncia. No momento em que se aceita a idéia de que o quarto evangelho ou os evange- Thos sindticos (ou ainda o Pentateuco), nunca tiveram a pretensdo de ser tomados como relatos histéricos, até mesmo o cristo pode se ver impelido a acreditar que o ponto de vista mais genuinamente biblico peca pelo radicalismo. Nada mais natural do que pensar assim, por que nao é isso o que pretendem as Escritu- ras em seu significado original, a saber, que os evangelistas escreveram teologia, € nao histéria, e que as narrativas da infancia de Jesus, as histérias de “milagres” e os relatos “divergentes” acerca da ressurreigdo nao devem ser tomados literalmente?! Assim, é possivel sustentar as posigées criticas mais extremas e, a0 mesmo tem- po, dizer-se totalmente fiel 4 Biblia. Portanto, temos de nos precaver em relagao Aaceitagio passiva do criticismo biblico, porque nao sabemos aonde ele poderd nos levar. E importante que as Escrituras continuem a desfrutar da mesma acei- tagdo e entendimento que tinham na igreja primitiva e histérica? O debate entre os evangélicos est4 naturalmente mais preocupado com as posigdes 1 e 2 acima. Todos estamos inteiramente comprometidos "Trata-se de uma idéia, em minha opinido, sem nenhum fundamento, Nao parece haver prova alguma de que a igreja primitiva soubesse da posstvel intengao dos evangelistas de registrar outra coisa que nao fosse histéria, e os primeiros cristdos tem as credenciais necessérias para afitmé-lo. Sabemos que rejeitaram com veeméncia os prineipios especificos dlo gnosticismo, os quais tinham por infiéis a0 ensinamento apostélico. 2Para uma critica radical dos evangelhos, v, a “Nota adicional” na p. 45s para uma critica mais geral, consulte o cap. 4. Jesus e as Escrituras | 17 com a encarnagao do Deus Filho e com os milagres relatados nos evange- Ihos. Todavia, alguns dentre nds se perguntam se um método histérico coe- rente nao exigiria que purificdssemos essas narrativas de uma grande quantidade de fatos ndo-histéricos. Para outros, tudo o que consta dos evangelhos é verdade até que se prove o contrario. Os estudiosos que defendem esse pon- to de vista geralmente tém muitas diferengas em torno do que consideram provas. Felizmente, um grande ntimero delas permite determinar o que pen- sava o nosso Senhor sobre a historicidade de personagens e de acontecimen- tos do AT. Mesmo para aqueles que consideram muitas passagens dos evangelhos de autenticidade duvidosa, ha provas em abundancia. A verdade € que se nao for possivel saber 0 que Jesus disse a esse respeito, nao hd como ter certeza sobre o restante dos seus ensinamentos. Nao pretendemos, nesta altura da argumentagao, afirmar que o material de que se compée os evangelhos seja de étima qualidade histérica, muito menos que seja inerrante. Admitiremos apenas que sua historicidade ¢ boa o bastante para nos dar uma visdo muito nftida da atitude de Jesus em relagao as Escrituras. Contudo, uma apologética que se preze teria, em tiltima andli- se, de explicar como os evangelhos se relacionam, além de propor um racio- cinio claro e capaz de dar conta de suas semelhangas e diferengas. Existe hoje uma corrente de estudos académicos neotestamentérios centrados na ques- tao sinética, talvez bem mais do que em qualquer outra época desde o surgimento da era critica. Nao hé diivida de que a erudigao evangélica deva se colocar na linha de frente dessa reflexdo t4o importante. Acredito que os estudiosos de hoje, incluindo muitos evangélicos, tém a tendéncia de situar os evangelhos em um perfodo muito tardio,’ mas nao sou t4o otimista a ponto de pensar que conseguiremos converter rapida e facilmente o mundo académico a um outro ponto de vista. Por mais desejavel que seja essa con- verso em longo prazo, nao é necessdrio — para a nossa presente atrgumenta- géo — defender esta ou aquela visdo de historicidade integral dos evangelhos.‘ Colheremos provas do que pensava Jesus sobre o AT em todos os quatro evangelhos sem distingao. Com isso, volto a enfatizar, nao pretendo prejulgar 3Apesar de sedutor, nao pretendo me estender nesse tema. Creio que Mateus foi escrito em hebraico ou aramaico, entre 33 d.C. ¢42 d.C,; Marcos em cerca de 44 d.C., seguido pouco depois de uma tradugao grega de Mateus; Lucas é do inicio da década de 50 d.C. e Joao, de principios de 60 d.C. Ressalto, contudo, que néo hé nessa minha opiniao nenhum dogmatismo. “Muito do que se segue foi extraido do cap. 1 do meu livro Christ and the Bible (Downers Grove: InterVarsity, 1973). 18 | A inerrincia da Biblia os evangelhos, imputando a eles uma preciso absoluta, Sabemos que hé estu- diosos para os quais certos trechos dos evangelhos tém menos valor do que outros em termos histéricos. Exceto pelo ceticismo total, admitiremos neste ponto de nossa argumentacio uma grande variedade de conclusées criticas, Tudo 0 que um critico aceita e 0 outro rejeita é, de modo geral, fortemente influenciado por consideracées subjetivas ou por exigéncias de uma hipétese para a qual nao hé nenhuma prova conclusiva. Embarcar na discussao critica de qualquer pas- sagem controversa seria um esforco a um sé tempo drduo e inconclusivo. Pedi- mos apenas ao leitor que aceite em linhas gerais a historicidade dos evangelhos. Se desse enfoque resultar uma visdo consistente de Cristo, essa evidéncia deve confirmar por si mesma a historicidade do personagem apresentado nos evangelhos, e que o Jesus ali retratado nao é, como afirma a critica radical, a ctiagdo de miiltiplas mentes espalhadas por comunidades diversas. O leitor poderd, se quiser, subtrair da argumentac4o a seguir tudo o que seu melhor juizo critico lhe sugerir. Mesmo que tais subtragdes cheguem a ponto de redu- zit a imagem de Cristo nos evangelhos a um espectro, ainda assim nossas con- clusées nao poderiam ser refutadas; seriam talvez consideradas duvidosas, por falta de provas conclusivas. Quando nos voltamos para os ensinamentos de Jesus registrados nos evan- gelhos, deparamos com uma riqueza de dados pertinentes aos quatro evan- gelhos ¢ nas quatro principais citagées dos evangelhos sinéticos (Marcos, dados especificos de Mateus, de Lucas e dados comuns a Mateus ¢ a Lucas, normalmente chamado de “Q”). Nao estamos limitados a algumas poucas declaragées basicas. Temos uma grande quantidade de citagées ¢ alusées que aparecem em uma ampla gama de situagées. Esses relatos sao, em geral, os mais notdveis, uma vez que revelam os pressupostos bésicos de Jesus mais do que seus ensinamentos especificos. Podemos ouvir Cristo pregando as mul- tiddes e instruindo seus discfpulos, refutando os que se opunham a ele € respondendo a seus inquiridores. Podemos ouvi-lo em seu conflito pessoal com o tentador no infcio de seu ministétio e em suas instrugées finais antes da Ascensao. No desenrolar deste capitulo, ficard claro que no material evan- gélico como um todo, a visio de Cristo sobre o AT jamais se altera. Exami- haremos, sucessivamente, o que ele pensava da veracidade histérica dos evangelhos, da autoridade dos ensinamentos ali contidos e da inspiragéo de seus textos, As provas colhidas ao longo de nossa trajetéria nos levarao a uma conclusao fitme e objetiva. Veremos que Cristo considerava o AT historica- mente verdadeiro, dotado de plena autoridade e de inspiracao divina. Para cle,