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Internacional

SEGUNDA-FEIRA, 5 DE JULHO DE 2010

O ESTADO DE S. PAULO

estadão.com.br VISÃO GLOBAL Radar Global. Veja no blog os links das notas blogs.estadão.com.br/radar-global A
estadão.com.br
VISÃO
GLOBAL
Radar Global. Veja no blog os
links das notas
blogs.estadão.com.br/radar-global
A antiquada
estratégia da
‘Rolling Stone’
deveria ter sido bem explícita sobre o
caminho a tomar, e provavelmente
isso não teria incluído a transferên-
cia de seu marketing para outros veí-
culos.
Noentanto, seoseuprincipal obje-
tivoera aumentara publicidade,con-
seguir leitores e distribuir o conteú-
do, então deveria também ter ficado
claro que a publicação do material
era melhor do que nada.
O
imobilismo sugere que a revista
Rolling Stone definiu como meta po-
Revista não soube aproveitar entrevista exclusiva na qual
general McChrystal criticava governo de Obama
tencial do seu website vender revis-
tas. E a melhor maneira de vender
revistas,oujornais,nacabeçadealgu-
mas editoras, é estabelecer sua pre-
sençanainternet,masimpediraspes-
EMILY
soas de lerem seu conteúdo.
BELL
É
uma posição perfeitamente sen-
sata,masnãoexistenenhumaevidên-
THE GUARDIAN
A destituição do general
americano StanleyMc-
cia de que isso funciona da maneira
prevista pela Rolling Stone.
O
experimento do Times , de Lon-
Chrystal, no dia 25, te-
veoimpacto deum ovo
de
de
pterodáctilo caindo
10 mil metros de al-
tura sobre a imprensa noticiosa dos
Estados Unidos. Uma entrevista na
MARCOS MÜLLER/AE
revista Rolling Stone feita pelo jorna-
lista freelancer Michael Hastings do-
cumentou as atitudes insubordina-
das do generalem relação ao governo
do presidente Barack Obama, o que
provocou a sua demissão do coman-
do das forças americanas e da Otan
no Afeganistão.
Generais americanos, Rolling Sto-
ne, conflitos mal planejados, revis-
tas semanais decidindo o que vai ser
manchete; só faltou Joan Baez eWal-
ter Cronkite envolverem-se para
nos últimos 40 anos.
Embora sua propriedade do furo te-
nha ficado nítida, a rápida difusão da en-
trevista pela internet depois que a
Rolling Stone “atiçou” as agências noti-
ciosas com algumas cópiasadiantadas, a
revista ficou fora doassunto queela pró-
pria provocou.
Só divulgando a entrevista para os lei-
tores três dias após a demissão de Mc-
Chrystal,a RollingStone achavaque, pro-
vocando o “burburinho” em outros veí-
culos de comunicação, mas ocultando a
história dos seus leitores até a revista
chegar nas bancas, ela poderia ampliar
suas receitas.
Publicação erra ao não
estabelecer objetivos claros
para seu conteúdo na internet
tinha tomado conheci-
mento dela. O problema
enfrentado pela Rolling
completaressasensaçãodequeacor-
damos em 1968.
DesdeaépocadeHunterS.Thomp-
son a Rolling Stone jamais ficou tão
impopular perante a Casa Branca co-
mo agora. Mas uma análise da histó-
ria da revista levou analistas do setor
de mídia a achar que, na verdade, ela
pouco ou nada mudou, em essência,
Poderia ser o caso, mas ignorando to-
talmente a invenção da internet, a
Rolling Stone perdeu o controle de sua
Asagências no-
ticiosas, os blogs,
websites de jor-
nais, todos procu-
raram tirar vanta-
gem com a entre-
vista de McChrys-
Stone foi resultado dire-
to de sua falta de com-
preensãoquantoaoobjeti-
vodasuapresençanainter-
dres, de cobrar por seu conteúdo na
web, reduziu à metade o volume de
leitores imediatamente e seu núme-
ro deve cair mais ainda com o tempo.
Mas se as receitas ou as vendas do
jornal melhorarem, estão ficará pro-
vado que a estratégia funcionou. Al-
gumas revistas bem sucedidas – co-
mo a New Yorker e a Economist – usam
a internet como atrativo e uma ferra-
menta de marketing para seu produ-
toimpresso,e fazemissocombastan-
te imaginação e sucesso.
Enfim,a RollingStone deveriasebe-
neficiar da publicidade em todo o
mundoelembrar oleitor sériode que
pode fazer também um jornalismo
com impacto.
Mas da próxima vez que tiver um
furo que pode balançar o governo, e
isso pode ocorrer daqui a duas sema-
nas ou 20 anos, é improvável que ela
repita o mesmo tratamento. / TRADU-
própria matéria, que acabou ficando ex-
posta, e potencialmente comprometeu
tal,emboraowebsitedapró-
ÇÃO DE CELSO M. PACIORNIK
ospossíveisbenefíciosquepoderiaaufe-
pria revista não admitisse a existên-
cia da reportagem, apenas postando
rirem termos deleitores onlinee receita
provenientes da reportagem.
a
matéria sem muita convicção,
quando todo o mundo ocidental já
net. Se soubesse, para fazer
seu marketing – atrair mais as-
sinantes, chamar mais leitores,
anunciarseus redatores,darpis-
tas sobre seu conteúdo –, então
É DIRETORA DE CONTEÚDO DIGITAL DO
JORNAL ‘THE GUARDIAN’

Reconstruir a confiança para alcançar a paz

Parceria entre Obama e ‘Bibi’ é vital para avançar processo

MARTIN

INDYK

THE WASHINGTON POST

A atual turbulência nas

relaçõesEUA-Israelen-

cobre um desdobra-

mento surpreendente:

presidente Barack

o

Obama e o primeiro-

ministro Binyamin “Bibi” Ne- tanyahu, que se reúnem amanhã em Washington, estão começando a de- senvolver uma relação de trabalho construtiva sensível às preocupa- ções um do outro. Por exemplo, o Departamento de

Estatística de Israel reportou em maio que no primeiro trimestre não houve nenhum início de construção nos assentamentos da Cisjordânia – um pedido que Obama fizera no iní-

ciodeseugoverno.Desdeavisitaem-

baraçosa do vice-presidente Joe Bi- den a Jerusalém em março, Ne-

tanyahudiscretamentebloqueouno-

vaspropostasdeconstruçãoemJeru-

salém Oriental, demolições de habita-

ções palestinas e despejos de palestinos ali residentes. Em troca, Obama anunciou recente-

mente uma ajuda militar adicional de US$205milhões a Israel para pagar pela

instalaçãodesistemasdedefesaanti-fo-

guetes para cidades fronteiriças israe-

lenses.Nomêspassado,Netanyahuelo-

giou o governo Obama por assegurar a aprovaçãodamais recente resolução do Conselho de Segurança da ONU refor- çando sanções ao programa nuclear do Irã. Há um ano, os establishments de segurança nacional israelense e ameri- cano vêm coordenandoestreitamente a contenção das ambições nucleares ira- nianas. Os que veem Israel como um ônus e anseiam por um presidente que impo-

nha a paz a Israel não gostarão dessas

novidades.Masosquebuscamumavan-

çono processode paznoOrienteMédio

e a efetiva contenção das ambições nu-

salém Oriental por Netanyahu ajudam

tá sendo sério sobrea solução de dois Estados e não ganhando tempo até o começo do ciclo eleitoral america-

no?Alémdisso,Netanyahuconsegui-

cleares do Irã – incluindo líderes árabes moderados – devem receber de braços abertos o que parece ser um reconheci- mento por Obama e Netanyahu de que

aprepararocenário.Opoliciamentope-

la Autoridade Palestina da Cisjordânia sob seu controle para impedir ataques violentos contra israelenses começa a mostrar que há um parceiro palestino responsável. Mais ainda, a Liga Árabe endossou formalmente a entrada dos palestinos em “negociações indiretas” com Israel – um endosso que não será retirado a despeito da crise de Gaza. Embora poucos pareçam ter notado, esses fatores combinam-se para criar o ambiente mais propício para negocia- ções de paz desde o início da segunda intifada em 2000.

rá animar Obama a fazer sua parte

nenhumdelespodealcançarseusobjeti-

vos a menos que trabalhem um com o outro e não contra. Oincidente da Frota da Liberdade foi um teste importante desse recém-des-

coberto respeito. A canhestra intercep- tação do Mavi Marmara por Israel dei- xou Obama numa posição incômoda, obrigando-o a escolher entre condenar Israel, ganhando com isso crédito no

mundomuçulmano,oudefenderodirei-

paraisolar o Irã com oinício de nego- ciações de paz com a Síria e acalmar

as coisas no front setentrional de Is- rael? Dois gestos humanos simples po- deriam criar um ambiente para tes- tar as propostas.Quando Netanyahu

estiveremWashington,Obamadeve-

ria convidá-lo sozinho aCamp David para uma caminhada vespertina nos bosques. Por sua parte, como ele se espelha em Winston Churchill, Ne- tanyahu precisa fazer um esforço

to

de um aliado cercado de inimigos de

 

se

defender. Trabalhando estreitamen-

Pressão intensa. Mas em menos de

te

com Netanyahu – eles conversaram

quatromeses, a menos que sejam feitos

real para ganhar a confiança de Oba- ma,domesmomodocomoChurchill cortejou Roosevelt antes da entrada dos EUA na 2.ª Guerra. Se eles conseguirem construir um entendimento comum sobre uma

aomenos trêsvezes por telefone duran-

progressos em questões de fronteiras e

te

a crise – Obama forjou uma aborda-

segurançaecomecemnegociaçõesdire-

gem queimpediu a ruptura das relações turco-israelenses, deteve a condenação

tas, Netanyahu ficará sob intensa pres- são para descongelar as atividades de

doConselhodeSegurançadaONU,con-

assentamentos,eoendossodaLigaÁra-

figurou umainvestigação palatável para Israele seu afrouxamento do bloqueio a Gaza de uma maneira que atende aos requisitos da normalização de vida em Gaza sem desconsiderar as legítimas preocupações de segurança de Israel. Mas a proteção de Obama a direitos israelensesnummomentoemqueo res- tante do mundo vem se manifestando

contra as trágicas mortes de militantes por Israel tem um custo. Amão estendi-

be será retirado. Isso não pode ser do interesse de Ne- tanyahu ou de Obama na medida em que um batalha para superar a crítica internacional e o outro busca uma ino- vação num “interesse vital de seguran- ça nacional”. Persiste a dúvida sobre se eles conseguirão superar a desconfian- ça que permeou e envenenou seu rela- cionamento pessoal e construir uma parceria pela paz. Obama conseguirá convencer Netanyahu de que busca mais seu êxito como pacificador do que a queda da coligação de direita do outro e ele está falando sério quando diz que está “determinado a impedir que o Irã obtenha armas nucleares”? Netanyahu

conseguiráconvencerObamadequees-

maneiradeavançar,Netanyahudeve-

ria responder recebendo Obama em

Israel, onde ele pode ajudar o presi- dente a iniciar o atrasado processo de reconstruir a confiança do povo israelense na franqueza americana e abrandar seu sentimento de vítima

cercadadeinimigos.ComdisseChur-

chill: “Conversar é melhor que guer- rear.” Se Obama e Netanyahu pude- remaprenderaconversar, talvezeles

da

deObama aomundomuçulmano so-

tambémpossamalcançarumaverda-

freu um revés: a única coisa que pode compensá-lo é ummovimento sério pa-

deira paz. / CELSO M. PACIORNIK

ra

resolver o problema palestino.

Nesseaspecto,ocongelamentodoiní-

É VICE-PRESIDENTE DE POLÍTICA EXTER- NA BROOKINGS INSTITUTION E ESCRI- TOR

cio de construções na Cisjordânia e a ausênciadeaçõesprovocativasem Jeru-

Websfera

O melhor da internet

Rodrigo Cavalheiro

BLOOMBERG

Da prisão, Fujimori dá

dicas para eleger a filha

BLOOMBERG Da prisão, Fujimori dá dicas para eleger a filha Semanalmente, uma peruana de 35 anos

Semanalmente, uma peruana de 35 anos visita uma prisão per- to de Lima para pedir conselhos

a um condenado a 25 anos de

cárcere por corrupção e viola- ção de direitos humanos. Keiko

Fujimori busca junto ao pai, o ex-presidente Alberto Fujimori, dicas para conseguir votos para

as eleições presidenciais de 2011. “Ele recomenda que eu vá

às pequenas cidades e escute o que o povo tem a dizer”, relata a

deputada eleita em 2006 com votação recorde. Ao falar do go-

verno do pai nos anos 90, Keiko valoriza o combate ao Sendero Luminoso e a estabilização da economia. Não menciona os esquadrões da morte. A dez me- ses das eleições, ela tem 22%

das intenções de votos. Está em-

patada com o prefeito de Lima, Luis Castañeda.

ABC

Fazer política no Quênia dá dinheiro

Com os 18% de aumento sala- rial, os congressistas do Quênia ganharão cerca

de US$ 126 mil ao ano. A renda, pareci- da à dos parlamen- tares americanos,

já colocaria os polí- ticos quenianos en- tre os mais bem pa- gos do mundo. Mas o salário chama mais aten- ção porque é 172 vezes maior que o de um queniano comum.

EL PAÍS

Cidade multará em 600 quem usar burca

A prefeitura de Lleida, primeira cidade a proibir o uso da burca na Espanha, esti-

32,1% DOS USUÁRIOS DA WEB NO BRASIL TÊM MAIS DE 35 ANOS FONTE: comScore
32,1%
DOS USUÁRIOS
DA WEB NO BRASIL
TÊM MAIS DE 35
ANOS
FONTE: comScore

pulou multa para as mulheres que infrin- girem a lei. As mu- çulmanas que co- brirem o corpo dos

pés à cabeça em pré- dios públicos paga- rão entre 30 e 600. As autoridades da localida- de do noroeste espanhol prome- tem adverti-las primeiro.

URUGUAIAS

400 mil

computadores estão disponíveis a todos os alunos de escolas públicas do Uruguai

1

computador é reservado a cada estudante do Ensino Fundamental

FONTE: AFP

THE GUARDIAN

Políticos do Paquistão mentem sobre diploma

Pelo menos 1.100 políticos pa- quistaneses podem perder o mandato por falsificar seus di- plomas universitários. As autori- dades já contestaram 160 parla- mentares federais e estaduais e mandaram outros 850 pedidos de esclarecimento a universida- des do país. A lei que exige dos políticos o ensino superior com- pleto é de 2002. Foi aprovada pelo então presidente Pervez Musharraf, que desejava elevar o nível do Parlamento.