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Rio, 31 de maio de 2010

Direito Civil

Prof. Rafael da Mota - rafaeldamota@gmail.com

Livros/autores recomendados:

Lições de Direito Civil - Guilherme Couto

Carlos Roberto, Caio Mário ou Gustavo Tepedino

Estudo mais importante para concurso de analista:

- Leitura de lei

- Jurisprudência

- Enunciados

Lei de Introdução ao Código Civil - Decreto-Lei 4.657/42

A LICC é uma norma atemporal. Serviu de introdução ao CC de 1916 e ao CC de 2002. Sua


função é ditar aspectos gerais quanto à interpretação e aplicação da norma.

Vigência apenas ocorre quando a lei é apta a produzir efeitos concretos.

Período entre a publicação e a vigência: 45 dias (princípio do prazo único, pois antes, em cada
lugar do Brasil, havia um prazo determinado).

Art. 1, pár. 1 da LICC - vacatio de 3 meses para vigência da norma no exterior.

Código Civil de 2002: publicado em 11/01/2002 com vigência em 11/01/2003

Corrente dominante - STJ: Início da produção de efeitos do CC se deu em 11/01/2003, com base
no art. 132, pár. 3 do CC - prazo em anos expira no mesmo dia. Como é norma específica,
prevalece sobre a LC referida abaixo.

Segunda Corrente - Nelson Nery - Inclusão da data de publicação e vencimento na vacatio. LC


95/98, no art. 8, pár. 1. Vigência em 12/01/2003.

Art. 2028 CC: serão os da lei anterior os prazos quando reduzidos por este código e se na data
de entrada em vigor do novo código já houver transcorrido mais da metade do tempo
estabelecido naquele.

Ex: Acidente em 1990. Prazo para ação de reparação civil pelo CC de 1916 era de 20 anos. O
prazo vai continuar regido pela lei antiga, pois o prazo foi reduzido e mais da metade já
transcorreu. Logo, a ação pode ser ajuizada até 2010. Para acidente no ano 2000, o novo prazo
de três anos para reparação civil estabelecido pelo Código de 2002 começa a correr a partir da
vigência, em 11/01/2003.

Se o prazo transcorrido houver sido exatamente da metade, aplica-se o código novo.

Prazo de dir. material: inclui o início e exclui o vencimento


Prazo de dir. processual: exclui o início e inclui o vencimento.

Art. 2 da LICC:

revogação parcial: derrogação

revogação total: ab-rogação.

A repristinação não é admitida, salvo se expressamente prevista em lei.

Regra de Direito intertemporal:

Código de 1916 - tratava a separação com o nome de desquite.

Princípio da irretroatividade da norma: Art. 5, XXXVI da CF, Art. 6 da LICC, Art. 2035,1a parte,
CC.

Princípio da retroatividade mínima: efeitos futuros de fatos pretéritos podem ser atingidos por lei
nova. Art. 2035, 2a parte, CC. A lei de 1977 não atinge o ato de 1920, mas sim os efeitos de
forma continuada (futuros do matrimônio): teoria de Roubier.

Aplicação do Direito no espaço: Regra geral - teoria do domicílio. Art. 7. Art. 8o ao 12. Exceções
à regra geral. Para os bens, p. ex., se aplica a lei de onde estiverem localizados.

Atenção: a lei 12.036/2009 alterou o art. 7, pár. 6 da LICC - tempo mínimo para ratificar divórcio
realizado no estrangeiro no Brasil: prazo de 1 ano.

Capacidade:

De direito (ou genérica): se confunde com o conceito de personalidade.

Parte Geral do Código Civil

3 livros: pessoa natural, pessoa jurídica e domicílio.

Personalidade (conceito):

1a - acepção clássica (viés patrimonial): personalidade é a capacidade de adquirir direitos e


deveres. A definição busca identificar os sujeitos de direitos: pessoa natural e pessoa jurídica.

2a acepção: moderna. personalidade é o conjunto de características do ser humano. Objetivo é


tutelar situações jurídicas existenciais. Direitos de personalidade tutelam essas características do
ser humano.

Fenômeno da despatrimonialização do Dir. Civil ou da despatrimonialização do ser humano.


PJ pode sofrer dano moral, dano à imagem? sim. Mas devido a aspectos materiais.

Direitos de personalidade não tutelam pessoas jurídicas. Enunciado 286 da jornada de Direito
Civil.

Art. 52 CC e Súmula 227 do STJ.

Os direitos da personalidade decorrem da dignidade da pessoa humana. Enunciado de 2006.

52 CC: não fala que a pessoa jurídica tem direitos da personalidade.

Súmula 227 STJ: pessoa jurídica pode sofrer dano moral. Tem direito à proteção de sua
imagem, mas não direito à imagem.

Para prova de múltipla escolha: pessoa jurídica tem direitos da personalidade.

Início da personalidade civil: nascimento com vida (art. 2 do CC)., mas os direitos do nascituro
estão protegidos desde a concepção. Pode ser feita doação a nascituro? Sim. Será um negócio
jurídico condicional. Nascituro hoje pode ser autor de ação, representado por sua mãe, para
reconhecimento de paternidade ou pedir alimentos (alimentos gravídicos). Por enquanto, DNA
em nascituro é muito complicado ou caro. Já ocorreu caso de nascituro como autor em ação de
dano moral contra o atropelador do pai.

Início da personalidade jurídica: Art. 45. RCPJ. Escritório de advocacia deve ter registro na OAB.

Fim da personalidade natural:

Morte presumida. Art. 6 do CC. Morte presumida na ausência: quando ocorre?

O objetivo do processo de ausência é declarar a morte presumida.

Ausência: indivíduo desaparece do local de domicílio sem deixar informações.

A ausência é formada pelo choque entre três presunções: está vivo, pode estar vivo ou morto ou
morto.Essas três presunções vão formar as fases da ausência. Na primeira fase, em que se
presume que o ausente esteja vivo, há a curadoria dos bens do ausente. Alguém administra
seus bens.

Na segunda fase, há a partilha (ou sucessão) provisória: herdeiros são imitidos na posse.

Terceira fase: sucessão definitiva.

1 ano: 1a fase

2a fase: 10 anos

3a fase: 10 anos.

Na abertura da sucessão definitiva, é que ocorre a morte presumida.

Obs: pode ser declarada a morte presumida sem decretação de ausência.

Antes da abertura de sucessão definitiva, deve ser dada a declaração de morte presumida
judicialmente, que deve ser registrada no RCPN (art. 8 e 9).

Personalidade: se inicia com o nascimento com vida.


Capacidade:

De direito: se confunde com a 1a acepção de personalidade (bebê tem essa capacidade, p. ex.).

Capacidade de fato: capacidade para a prática de atos jurídicos.

Relativamente incapaz: é assistido. Não pode praticar atos por si.

Absolutamente incapaz: é representado. Não pode praticar atos por si.

O menor entre 16 e 18 anos pode praticar que atos sem assistência?

- Depor como testemunha (art. 288, I do CC).

- Ser mandatário (art. 666 do CC).

- Celebrar testamento (art. 1860, pár. único).


- Votar.

Antecipação da capacidade plena: pela emancipação.

Art. 5, pár.único

Emancipação: antecipa a capacidade plena para o menor.

Emancipação voluntária: por meio dos pais.

- Mínimo de 16 anos,
- Concessão deve ser de ambos os pais, ou de um deles (no caso de ausência ou morte do
outro).
- Instrumento Público (deve ser registrado).
- Homologação judicial - tutor.

Obs: menor representado por seu pai, p. ex, pode propor ação de suprimento de vontade.

O STJ já admitiu que o menor propusesse a ação sozinho, para substituir a vontade dos dois.

Obs: responsabilidade civil por fato de terceiro. Art. 932 do CC. Quem responde são os
responsáveis (tutor, curador e pais). Essa responsabilidade é objetiva (art. 933 do CC). Porém,
existe uma hipótese em que o menor responde com seu patrimônio: quando ele tem os recursos
e os pais não os tem.

Art. 928 do CC - estabelece que a responsabilidade do menor é subsidiária.

Quem responde pelos ilícitos praticados pelo emancipado? A emancipação antecipa os efeitos
da maioridade, mas não gera maioridade. A responsabilidade civil de menor emancipado é
solidária a de seus pais.

Quando o menor pratica ato infracional, responde como devedor principal (Art. 116 do ECA). Ex:
homicídio culposo. Caso não tenha patrimônio: os pais. Menor que contrai obrigação falsamente:
devedor principal, subsidiariamente com seus pais.

Somente adolescente (12 a 18 anos) responde por ato infracional.

Idade mínima para casar: 16 anos (com autorização dos pais). Art. 1520: menor pode se casar
com menos de 16 anos? Sim, na hipótese de gravidez. Em regra, mesmo assim deverá ser
precedida de autorização dos pais.

Doutrina e STJ: união estável também emancipa.

Economia própria: segundo a jurisprudência, salário mínimo é o suficiente.

Emancipação é irrevogável.

Casamento putativo: é o celebrado de boa-fé. Se o casamento for anulado (p. ex: casamento
entre irmãos), a emancipação não é revogada.

Casamento entre irmãos: é nulo.

Incapacidade de índio:

Lei 6001/73: índio é absolutamente incapaz, salvo o já inserido na civilização. Funai representa o
índio.

Comoriência: Art. 8 do CC. Presunção de morte simultânea entre duas pessoas reciprocamente
herdeiras. Não há sucessão entre comorientes.

Ex: pai e filho morrem, sem esposa ou demais filhos. Os bens vão direto para os ascendentes.

Esposa só concorre na sucessão com os filhos, e depois os ascendentes.

Pessoa Jurídica:

Conjunto de seres humanos ou de bens constituído na forma da lei com personalidade jurídica
distinta da de seus integrantes. (princípio da separação, que é mitigado com a desconsideração
da personalidade jurídica).

Fundação: pessoa jurídica formada por um conjunto de bens.

Classificação da pessoa jurídica:

De direito público: interno ou externo.

De Direito Privado: as demais. Art. 44 do CC - Rol exemplificativo (E. 144 da Jornada de Direito
Civil).

Interno: União, Estados, Distrito Federal, Territórios, Autarquias, Fundações - Rol exemplificativo.
Segundo o Enunciado 141 da Jornada de Direito Civil, o pár. único do Art. 41 se refere às
fundações públicas de direito público e aos entes de fiscalização profissional (exceto OAB, que é
autarquia sui generis).

Externo: Art. 42. Ex: república federativa do Brasil (não se confunde com a União).

Teoria subjetiva da responsabilidade civil (teoria da culpa):

- Culpa
- Nexo causal
- Dano
Teoria objetiva (teoria do risco):

- Nexo causal
- Dano

Teoria da Culpa:

Teoria da culpa provada e da culpa presumida: a diferença é quem tem que provar.

Culpa provada: quem deve provar é a vítima

Culpa presumida: quem deve provar é o ofensor.

Culpa provada: aplicase-se na responsabilidade civil extracontratual: parte não tem dever jurídico
constituído. Art. 927 caput c/c 186 CC.

Culpa presumida: Art. 927 caput e 389 (responsabilidade civil contratual).

Teoria objetiva: prevista em lei ou oriunda da atividade desenvolvida que gere risco. Art. 927,
pár. único.

Código dos Direitos do Consumidor: responsabilidade objetiva (decorre de lei).

Art. 43 CC, Art. 37, pár 6: Resp. objetiva. CF não discrimina se ente externo ou interno.

Direito de regresso: responsabilidade subjetiva.

Prestadoras de serviço público: estatais não estão incluídas.

Art 43 do CC e 37, pár. 6: é extracontratual apenas. Em 1990, essa discrepância é consertada,


com o CDC. Art. 22 do CDC: é direcionado a PJD Privado ou prestadora de ser. públicos:
relação contratual - CDC.

Rio, 07/06/2010

Terceiro Ponto: entes despersonalizados (pessoas formais): não tem personalidade jurídica, mas
personalidade judiciária. É qualquer coletividade de pessoas ou bens que não possuem
personalidade jurídica própria.

Por que eles não possuem PJ?

Porque lhes falta a affectio societatis, ou seja, a intenção de estar junto com objetivo comum. Ex:
condomínio, massa falida, espólio, sociedade irregular.

S/A: tem personalidade jurídica própria, mas não tem affectio societatis. Foi a lei que impôs essa
característica À S/A.

Sociedade irregular possui affectio, mas não tem P.J própria, pois não preencheu os requisitos
legais, uma vez que não levou a registro seus atos constitutivos.

Pontos controvertidos:

1) Quem são os sujeitos de direito de um ente sem personalidade, como o condomínio? Os


condôminos, pois o condomínio não tem personalidade jurídica própria, não sendo possível a
aquisição por ele de deveres e direitos.

Obs: Condomínio edilício e incorporações - Lei 4.591/64. Art. 63, pár. III - penhora de
apartamento: o condomínio tem preferência para adquirir propriedade (vai de encontro às demais
disposições). Na verdade, o termo condomínio deveria ser substituído por "condôminos".

Condomínio não tem affectio societatis. Condomínio em regra é ente despersonalizado.

E. 90 JDC: O condomínio edilício tem personalidade jurídica própria (Doutrina Majoritária). Se


não fizer referência à doutrina: ente despersonalizado.

Desconsideração da personalidade jurídica: mitigação do princípio da separação das


personalidades.
A desconsideração da PJ permite que a execução alcance o patrimônio dos sócios.

2) A teoria dos entes despersonalizados adotada no Brasil não produz efeitos no âmbito
processual. O Art. 3 do CDC dispõe que os entes despersonalizados podem ser parte na
demanda. Ex: massa falida integrando relaçao jurídica processual.

Questão de prova: A teoria dos entes despersonalizados adotada no Brasil não produz efeitos
quan o espólio estiver em juízo: certa.

O condomínio tem direito de preferência na aquisição de propriedade. Assim, ele tem


personalidade de acordo com essa lei.

A desconsideração não anula nem desconstitui a PJ. A desconsideração apenas suspende os


efeitos da PJ.

A desconsideração no CDC (art. 28, caput): para desconsiderar com base nesse artigo, é
imprescindível a presença do elemento subjetivo fraude. Teoria subjetiva. O conteúdo probatório
deve ser maior (teoria maior).

Pár 5 do art. 28: outra teoria para desconsiderar. Também poderá ser desconsiderada. Não é
exigido o elemento fraude. É uma teoria objetiva da desconsideração. Teoria menor.

O pár. 1 foi vetado erroneamente. Executivo intencionava vetar o pár 5.

A doutrina, E. 7 da Jornada de Direito Civil: mitigar a aplicação do pár 5 e aplica-se a redação


vetada do pár 1. O STJ, atualmente, admite tanto a desconsideração pelo art. 28 e pár. 5. REsp
279273 SP.

Art. 50 do Código Civil: adota a teoria maior. A desconsideração não pode ocorrer de ofício pelo
juiz, a não ser na justiça do trabalho.

Obs1: não é necessária a comprovação de insolvência para que ocorra a desconsideração.

Obs2: É admitida a desonsideração de pessoas jurídicas de direito privado sem fins lucrativos.

Obs3: é admitida a desconsideração inversa. Credor de sócio pode requerer a desconsideração


da PJ para ser ressarcida a dívida.

Domicílio:

Diferença entre residência e domicílio:


Residência: estada habitual do indivíduo em determinada localidade sem o ânimo de ali
permanecer.
Domicílio: é a mesma coisa, mas com o ânimo de permanecer. É necessária análise do
elemento subjetivo.

O Brasil adotou a teoria da pluralidade domiciliar (Art. 71 do CC). Uma pessoa pode ter quantos
domicílios quiser.

Adônidas: pessoas sem domicílio. (art. 73 do CC). Seu domicílio é o local onde forem
encontradas.

Classificação do domicílio:

Domicílio profissional: Art. 72 do CC.

Domicílio da PJ: Art. 75 do CC.

Domicílio necessário: Art. 76 do CC. A impõe a certas pessoas determinado domicílio.


Ex:
Domicílio de servidor: lugar onde exerce permanentemente suas funções.

Militar: onde estiver servindo

Marinha ou aeronáutica: sede do comando em que está subordinado.

Domicílio do marítimo: lugar onde o navio estiver matriculado.

Domicílio especial: Art. 78 CC. Cláusula contratual. Em regra é válida, pois competência
territorial é relativa. Nas relações de consumo, muitas vezes essa cláusula é abusiva. Art. 51
CDC. Cláusula abusiva é um conceito jurídico indeterminado. É qualquer cláusula
manifestamente desfavorável ao consumidor.

Cláusula abusiva é nula. Nulidade absoluta.

Bens - ler do art. 79 ao 103

Obs:
Imóveis e móveis

Imóveis: por acessão ou por imposição legal


acessão: qualquer bem que está fixado no solo. Por força da natureza: acessão natural. Ação
humana: acessão artificial.

Não confundir com a acessão que é forma de aquisição da propriedade imóvel.

Imóveis por disposição legal (art. 80): direito à sucessão aberta, direitos reais sobre imóveis.

Navio: é bem imóvel.

Jazigo: bem imóvel por acessão artificial.

Art. 81: árvore retirada do local: durante o transporte, é bem imóvel. Navio, mesmo se
deslocando, é bem imóvel. Combinar esse artigo com o art. 84.

Bens Móveis:
- Propriamente ditos
- Semoventes
- Por imposição legal (art. 83)
- Por antecipação de uso: não está no Código. É construção doutrinária.

Art. 108 do CC: compra e venda de bens imóveis acima de 30 S.M. instrumento público, com
registro no RGI. Bens imóveis alienados com a intenção de serem extraídos do solo, como
plantação de trigo: é móvel por antecipação de uso.

Bem principal e acessório:

Bem: princípio da gravitação universal: acessório segue o principal.

Pertenças: são bens acessórios. Art. 93 do CC. Pertenças substituíram a categoria de "bens por
acessão intelectual". Era um bem que a vontade humana imobilizava.

Pertenças, de acordo com o art. 94, são os únicos bens acessórios que não seguem o principal.
Ex: tratores de uma fazenda.

Pertenças podem ser objeto de uma relação jurídica autônoma, tem valor econômico próprio.

Benfeitoria: qualquer melhoria no bem, mas que são partes integrantes.

Obs: compra e venda de porteira fechada: evita a discussão sobre pertenças x benfeitorias, com
lista expressa de todos os bens.

Fatos jurídicos (atos jurídicos lato sensu): é qualquer fato que cria, modifica e extingue direitos.

- Naturais
Podem ser ordinários: são os previsíveis. Ex: morte
Extraordinários: imprevisíveis. Ex: eventos da natureza.

- Humanos: abrange o ato ilícito, o ato jurídico (ou ato jurídico scrictu sensu) e o negócio jurídico.

Ato ilícito (conceito lato sensu): abarca o ato ilegal. Art. 187 do CC: fala do abuso de direito.
Ato ilícito é a principal fonte do dever de indenizar.
Art. 187 deu 4 limites ao exercício de direito (art. 51 do CDC). Direito deve ser exercido segundo
seus fins sociais, econômicos, boa-fé objetiva e bons costumes. Diálogo de fontes: art. 7 do
CDC. CC e CDC podem ser aplicados conjuntamente.

Diferença entre ato e negócio jurídico:

Ato jurídico: efeitos estão previstos em lei.


Negócio jurídico: efeitos decorrem da autonomia de vontade.

Pagamento é ato jurídico. Pagamento extingue a obrigação. Efeito previsto em lei.

O legislador destinou 1 artigo ao ato jurídico (art. 185 do CC), pois estes já estão disciplinados.

Negócio jurídico:

Estrutura interna (elementos):


1) Essenciais:
a) Gerais: são os elementos que devem estar presentes em todo e qualquer negócio jurídico.
São as partes, objeto e consentimento.
b) Especiais: sãp aqueles que devem estar presentes no neg. jurídico quando a lei determinar.
Ex: forma e solenidade.

2) Acidentais: estão no negócio quando as partes convencionam sua presença.


a) condição
b) termo
c) encargo

Elementos externos (planos do negócio jurídico).


1) Elementos: é inexistente quando não possui um dos elementos essenciais gerais. Ex: negócio
sem assinatura. Está ligado a presença dos elementos. Ex: venda de terreno no céu ou venda de
1 kg de cocaína é negócio existente.

2) Validade: invalidade (sinônimo de nulidade). Quando estão presentes os elementos essenciais


gerais, mas um deles está viciado. Quando a lei impõe a presença de um elemento essencial
especial e as partes não cumprem tal determinação. Essas nulidades são absolutas ou não.
(negócio nulo ou anulável).

Hipóteses de nulidade absoluta e relativa estão espalhadas por todo o código.

Nulos: 166, 167 e 170 CC.


Anulável: Art. 171 do CC.

Diferença entre nulidade absoluta e relativa:

- Quanto aos legitimados para requerer a nulidade: qualquer interessado (nulidade absoluta)
Nulidade relativa: somente as partes.

- Quanto aos prazos para o requerimento: por nulidade absoluta pode ser alegada a qualquer
tempo. Nulidade relativa: prazo decadencial em regra de 4 anos (art. 178).
- Quanto à sanabilidade do vício: insanável. Nulidade absoluta. Nulidade relativa: sanável.
- Quanto à natureza jurídica da sentença: natureza declaratória na nulidade absoluta. Nulidade
relativa: sentença tem natureza constitutiva.
- Quanto aos efeitos da sentença: efeitos ex tunc. Nulidade absoluta. Nulidade relativa: ex nunc.
- Quanto à possibilidade de reconhecimento de ofício pelo juiz: absoluta: sim. Relativa: não.

Hipóteses de nulidade absoluta: art. 166 do CC. Rol exemplificativo.


Art. 166, IV: instrumento particular quando deve ser público.
Art. 167: é nulo o negócio simulado... Há o negócio simulado e o dissimulado. Simulado é o que
se tentou esconder. É o falso negócio jurídico.
Ex: venda de imóvel de R$ 1.000.000 com preço na escritura de R$ 60.000. O vício não está
sendo sanado. Há um negócio nulo e outro válido.

Art. 160: Ex: não pode ser realizada escritura de compra e venda de imóvel de R$ 3.000.000.
Mas promessa de compra e venda, sim. A escritura passa a ser tida como promessa a partir daí.

Promessa de compra e venda deve ser registrada apenas para que surta efeitos em relação a
terceiros.

Hipóteses de nulidade relativa: art. 171 CC. São os chamados defeitos do negócio jurídico.

Art. 171, I - vícios relativos às partes.


Art. 171, II - objeto e consentimento.

Fraude contra credores: atinge o objeto.

Erro, dolo, coação, estado de perigo, lesão: atingem o consentimento.