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TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO

COMARCA DE SÃO PAULO


FORO REGIONAL I - SANTANA
6ª VARA CÍVEL
AV. ENGENHEIRO CAETANO ÁLVARES, 594, São Paulo - SP - CEP 02546-
000

SENTENÇA

Processo nº: 001.08.116252-5


Classe - Assunto Monitória - Assunto Principal do Processo << Nenhuma informação
disponível >>
Requerente: Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo - Bancoop
Requerido: Daniel Alves da Silva

Juiz(a) de Direito: Dr(a). Marcus Alexandre Manhães Bastos

Se impresso, para conferência acesse o site http://esaj.tj.sp.gov.br/esaj, informe o processo 001.08.116252-5 e o código 010000001OGM5.
Vistos.

DANIEL ALVES DA SILVA interpôs os embargos monitórios, de


fls. 125-144, contra a COOPERATIVA HABITACIONAL DOS BANCÁRIOS
DE SÃO PAULO – BANCOOP, ao fundamento de que a ação monitória
ajuizada pela Embargada não procede. Destaca, preliminarmente, que o
pedido formulado na monitória é juridicamente impossível, pois o valor
pretendido não goza dos atributos da liquidez, certeza e exigibilidade.
Ademais, sustenta haver litispendência e conexão, pois há ação civil pública
em curso perante uma das varas cíveis do fórum central da Capital, na qual
se controverte sobre custos adicionais em construções promovidas pela
Autora desta ação monitória (a Embargada). Caso superadas tais alegações,

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afirma haver prejudicialidade neste contexto, o que justifica a suspensão
deste feito. No mérito, em suma, sustenta a irregularidade do procedimento
da Embargada, não havendo legitimidade na cobrança do suposto reforço de
caixa. Juntou documentos.
Devidamente intimada, a Embargada apresentou impugnação, de
fls. 180-204, aduzindo, em síntese, a regularidade do ajuizamento da ação
monitória para cobrança dos valores pretendidos, bem como que não há
litispendência ou conexão com outro feito. No mérito, afirma a legitimidade
de sua pretensão, esclarecendo que o Embargante se associou à cooperativa
Autora para o fim de adquirir determinada unidade habitacional, de modo que
as partes celebraram “Termo de Adesão e Compromisso de Participação”, na
data de 01 de maio de 1997. Afirma que houve necessidade de reforço de
caixa para custeio da integralidade da obra, o que justificou novo rateio
entre os cooperados do valor necessário para conclusão. Desta forma, o
Embargado deveria suportar o pagamento de mais algumas parcelas, de
determinado valor cada uma. No entanto, o Embargado ficou inadimplente
com estas parcelas adicionais, sendo devedor do valor indicado na petição

001.08.116252-5 - lauda 1
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inicial da ação monitória. Juntou documentos.


O Embargado se manifestou sobre os termos da
impugnação, às fls. 269-273.
Vieram os autos, pois, à conclusão.

É o relatório.
Fundamento e DECIDO.

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O feito prescinde de dilação de provas, havendo
plena convicção deste Juízo no sentido de que, para o deslinde da causa
posta, há necessidade, apenas, da aferição do direito, em cotejo com os fatos
noticiados, acrescidos dos documentos trazidos pelas partes, nada mais sendo
necessário. Desta forma, de rigor o pronto julgamento do feito, no estado em
que se encontra, na forma do artigo 330, inciso I, do Código de Processo
Civil.
Não colhe a alegação preliminar de inadequação da
ação monitória. Com acerto, cabe ação monitória para cobrar valores com
base em prova escrita, sem eficácia de título executivo, sendo esta a hipótese

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dos autos. Não verifico nenhum óbice a utilização desta via. Ademais,
firmado o contraditório, houve efetivo oferecimento de embargos, correndo o
feito como ação de conhecimento, sob rito ordinário.
Observo, ainda, não identificar a apontada
litispendência, bastando observar que as partes são distintas, além do fato de
a ação civil pública ter objeto genérico e mais amplo do que o contido neste
feito.
Quanto à alegação de conexão entre os feitos,
também entendo não ser o caso de determinar a reunião dos feitos, sobretudo
a se considerar que a vertente demanda se apresenta como apta para
julgamento, não havendo pertinência, neste momento, de reunião dos feitos.
Ademais, observo que a ação coletiva não impede o
ajuizamento de ações individuais, as quais correm independentemente do
desenvolvimento daquela, não havendo impeditivo ao pronto julgamento do
feito.

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Não havendo nenhuma outra questão de natureza


preliminar a apreciar e nem nulidades a sanar, passa-se ao julgamento do
mérito da causa posta.
E da atenta análise do processado, tenho por certo
que o pedido formulado nos Embargos Monitórios procede.
De início, importante observar que não há
controvérsia quanto ao fato de que houve celebração de contrato entre as
partes e que a Cooperativa Embargada instituiu adicional ao preço

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originalmente contratado, sob o título de reforço de caixa, cujo valor deveria
ser pago pelo Embargante em determinado número de parcelas. Não há
controvérsia, ainda, quanto ao fato de que o Embargado não cumpriu, nem
mesmo, com a primeira destas parcelas.
No entanto, mesmo diante deste contexto, de
reconhecida ausência de pagamento das prestações adicionais, a título de
adicional para reforço do caixa, tenho por certo que o direito não alberga a
pretensão inicial da ação monitória e, ao contrário, ampara a pretensão do
Embargante.
Isto porque a embargada, simplesmente, não

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comprovou (como deveria ter feito) a efetiva constituição do seu direito, de
imputar ao cooperado o dever de pagamento de saldo de diferença de custo da
obra.
Com acerto, no sistema cooperativo, na forma como
instituído, notadamente diante dos termos de constituição da cooperativa
Autora, bem como do contrato estabelecido entre as partes, há previsão de
cobrança de eventual custo adicional, de reforço de caixa, conforme leitura
do “Termo de Adesão e Compromisso de Participação”.
Ocorre, porém, que, para tanto, de todo rigor que a
Cooperativa atenda a determinados requisitos, essenciais para assegurar que
o direito do cooperado não está, de modo nenhum, sendo violado, bem como
de que os trabalhos correm regularmente. Desta forma, para a cobrança do
adicional pretendido, necessário que haja demonstração contábil detalhada da
necessidade de aditivo para custeio da integralidade da obra, não sendo
legítimo que a Cooperativa, simplesmente, estabeleça valores unilaterais e

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passe a cobrar de cada cooperado, ao seu livre alvedrio, o valor que entende
correto.
Importante destacar que, na causa vertente, apesar
das considerações da Embargada, no sentido de que houve aprovação da
gestão por auditoria independente, bem como do fato de apresentar relatório
com dados de custo da construção, valores recebidos e saldo remanescente, a
pagar, tudo isto foi produzido de maneira unilateral por ela mesma, sem que
se observasse o mínimo necessário para que uma cooperativa seja autorizada

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a principiar por cobrar valores adicionais para consumação das obras.
Vejamos.
O regime de realização de obra no cooperativismo
tem por premissa que o preço total dos bens alienados deve ser compatível
com o custo real da obra, acrescido dos valores necessários para custeio de
despesas administrativas (além, evidentemente, de ter que se incluir no custo
a eventual inadimplência de cooperados, ônus legais e regulamentares
perante o Poder Público etc.).
Este custo global deve contar com previsão inicial,
de modo que, no início da contratação, cada cooperado que adira ao

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empreendimento, tenha previsão de gastos na aquisição do bem.
No entanto, por óbvio que ao final do
empreendimento ou de alguma etapa, pode se verificar que o total do
montante arrecadado dos cooperados seja insuficiente para a quitação do
custo total da obra, de tal forma que, naturalmente, se haverá que identificar
o valor faltante, o qual deverá ser alvo de novo rateio, de modo que os
cooperados se responsabilizem pelo seu pagamento, afinal, são eles os únicos
beneficiários da conclusão do empreendimento.
Ocorre, porém, que, para tanto, a apuração do saldo
devedor tem que ser firmada através de procedimento transparente, mediante
contabilidade clara e aberta, a qual, necessariamente, tem que se submeter à
aprovação assemblear, em solenidade da qual cada cooperado deve ser
comunicado previamente, com acesso franqueado para sua participação.
Na espécie, a Cooperativa Embargada pretende
cobrar valores, sob o fundamento de que havia saldo a pagar, referente,

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precisamente, a adicional de reforço de caixa ou custo adicional, e que o


Embargante não efetuou o pagamento, nem mesmo, da primeira de diversas
parcelas adicionais que lhe caberiam.
Ocorre, porém, que a Embargada, já na inicial da
ação monitória, por se tratar de prova necessariamente documental, deveria
ter comprovado que houve elaboração de cálculos contábeis e que foi
realizada assembléia de aprovação destas contas, na época oportuna. Teria,
ainda, que demonstrar que o Embargante foi convocado para a Assembléia.

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Por se tratar de cooperativa, a postular a cobrança
de valores adicionais, que não foram inicialmente pactuados e apresentados
para o cooperado, teria que comprovar a legitimidade da pretensão adicional,
sob pena deste Juízo, caso acolhesse seu pedido, albergar causa de pedir
totalmente destituída de comprovação nos autos.
Na causa vertente a Embargada se restringe a
apresentar o contrato inicial, mas não há nada que demonstre haver o dever
do Embargante de cumprir com prestações derivadas de ato superveniente a
este contrato. Não há, assim, o mínimo de lastro de prova que possa amparar
a pretensão contida na peça inaugural.

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Sem a certeza de que havia um dever adicional a
cumprir, não há como afirmar a existência de qualquer débito, na forma como
pretendido pela Embargada.
Assinale-se, ainda, que a pretensão de convalidar
toda e qualquer prestação adicional pelo fato da existência de Assembléia
realizada em fevereiro de 2009 causa imensa perplexidade. Não identifico a
menor possibilidade de se pretender afirmar a legitimidade da aprovação de
cobranças adicionais diante de uma única assembléia, a cuidar das contas de
todos os empreendimentos imobiliários gerenciados pela Embargada, no largo
período compreendido entre os anos de 2005 e 2008, sobretudo a se
considerar que não observa os prazos legais e regulamentares para aprovação
de contas e, ademais de tudo, em bloco, sem o mínimo de garantia de que
houve efetiva análise particularizada, de cada empreendimento.
Acresce, ainda, que não há o mais remoto indicativo
de que o Embargante foi notificado ou comunicado, previamente, da

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ocorrência desta assembléia, com informe acerca da possibilidade de


participação ativa.
Destaque-se, por último, e de modo reiterado, que,
acima de tudo, não houve nenhuma comprovação cabal, transparente, do
efetivo custo da obra e, portanto, da necessidade de arrecadação adicional de
valores dos cooperados para finalização das obras.
De rigor, pois, o édito de procedência do pedido
formulado pelo Embargante nos Embargos Monitórios.

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Diante do exposto, com fundamento no artigo 269,
inciso I, do Código de Processo Civil, JULGO PROCEDENTE o pedido
formulado nos Embargos à Monitória e, conseqüentemente, JULGO
IMPROCEDENTE o pedido formulado na ação monitória.
Arcará a Cooperativa Autora / Embargada com o
pagamento das custas e das despesas processuais, bem como dos honorários
advocatícios da parte adversa, estes ora fixados, por equidade e com
moderação, na forma do artigo 20, § 4º, do Código de Processo Civil, no
valor de mil reais, a ser atualizado, a partir desta data, mediante aplicação da

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Tabela Prática do Egrégio Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo.
P.R.I.

São Paulo, 30 de junho de 2010.

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