Você está na página 1de 21

1

LUTA E ARTE MARCIAL: MOVIMENTOS QUE AJUDAM NO


DESENVOLVIMENTO PSICOMOTOR.

Guilherme Aurélio Machado Neto1

Resumo
O presente artigo diz respeito à luta e a arte marcial, como podem vir a ajudar no desenvolvimento
psicomotor, juntamente com uma proposta pedagógica para educação física. Devido aos poucos
trabalho sobre lutas, e poucas pesquisas, percebemos que é de grande relevância levar tais
resultados para os leitores, cujo foco principal é atingir os professores de educação física. Ao levar
tais resultados e conteúdo temos a intenção de fazer com que os professores despertem interesses
pelo mesmos, podendo ampliar ou incluir esses em seu trabalho.

Abstract
The present article has the objective to speak about the fight and the tourney martial. Also how the
fight and tourney martial help in the development psychic motor and a pedagogic proposal to physical
education. We acknowledge that there are few works about fights and few investigations. We perceive
the great importance to consider these results to the readers, whose objective principal is reach the
teachers of physical education. Our objective are awake the teachers of physical education to the
advantages of the fights and tourney martial and use their in your work.

PALAVRAS-CHAVE: Educação Física, Motricidade, Luta e Arte Marcial.

1. INTRODUÇAO
O homem desde seu nascimento tem a necessidade se desenvolver seus
fatores psicomotor para poder sobreviver em seus diversos meios, os movimentos
das lutas e das artes marciais tem tido uma grande contribuição para com aqueles
que as praticam. No início das artes marciais podemos notar que a mesma era
utilizada por diversas classes, desde o pacífico monge a guerreiros que duelavam
em combates mortais. Quando analisamos os diversos praticantes deste conjunto de
técnicas, fica evidente que todos eles tinham um aspecto moral, filosófico e
habilidades corporais, e que essa habilidade vem do treinamento contínuo, acima da
média, ou seja, aqueles que tinham um treinamento nas lutas ou nas artes marciais
desenvolviam alguns fatores psicomotor acima das pessoas que não as praticavam.
Podemos observar que no passar da história fica evidente que o objetivo
mais básico das artes marciais era atingir um elevado nível de habilidade motora e
controle emocional, para que a pessoa pudesse vencer o seu adversário.
A Educação Física vem crescendo juntamente com as lutas e artes
marciais, mesmo que não tenha se integrado devidos a vários motivos, não

1
Graduado em Licenciatura em Educação Física pela Universidade Federal de Goiás.
Pos-graduado em Psicopedagogia pela Universidade Estadual de Goiás.
2

podemos negar a grande contribuição que ambas tem uma com a outra.
Percebamos também que as faculdades de Educação Física na grande maioria não
compartilha desses conhecimentos, porém são poucas que oferecem em suas
grades curriculares Lutas ou arte marcial. Algumas as oferecem de forma optativa e
também com uma visão de treinamento e não como uma contribuição generalizada
da luta.
Situação que talvez tenha sido ocasionada devido ao campo relativamente
amplo do conhecimento que a Educação Física aborda. A questão é que muitos
conteúdos são negligenciados nas aulas. Um deles diz respeito às lutas, que é
sugerido nos PCN's. Podemos estar deixando de lado um dos conteúdos que ajuda
no desenvolvimento tanto de crianças, jovens, adultos, tanto motor quanto psíquico
além de promover o conhecimento entre o fator sócio-cultural.

2. CONSIDERAÇÕES HISTÓRICO E SÓCIO-CULTURAL.

É de suma importância uma abordagem histórica das lutas, pois somente


assim poderemos compreender sua evolução durante os tempos e sua importância
sócio-cultural. Buscamos apresentar, em primeiro momento, estudos e relatos
históricos que possam solidificar nosso estudo, abordando o início histórico das lutas
e realizando uma análise comparativa dos sistemas (gêneros) de algumas lutas
como a capoeira, judô, jiu-jitsu, karatê e taekwondo e essas foram escolhidas por
serem algumas das mais conhecidas.
Antes de relatarmos os aspectos históricos das lutas, consideramos
necessário explicitar o termo. Para BARSA (1997, p. 88): ‘’Luta é todo tipo de
combate corpo a corpo, sem armas e sem luva, em que dois contendores
procuraram pôr um ao outro no chão.’’
TABOADA (s/d) além de conceituar a luta ele faz uma diferenciação de
luta e briga sendo que:

...na luta, o homem trata de plasmar um ideal, e este deve tão forte que o
homem passa a converter-se em um elemento secundário e quase nulo no
que se refere ao individuo, e somente é levado em consideração à medida
que pode ser útil para lograr a consagração do mencionado ideal. (...) na
briga, ao contrário, somente se disputa por questões da personalidade;
aqui não existe o sacrifício, pois, se alguém briga, é para obter resultados
no que se refere a prestigio e privilégios que somente podem ser
desfrutados em vida.(76 e 77)
3

Neste trabalho, adotaremos o conceito de luta explicitado anteriormente,


sendo que a mesma pode ser tanto uma classificação de gêneros de combate como
um confronto direto entre duas ou mais pessoas, onde se demonstram as técnicas
do sistema de combate. Além disso, as lutas podem ser com armas (espadas, facas,
bastões, lanças etc.) ou não, no caso do nosso artigo, estaremos trabalhando com
sistemas que utilizam somente o corpo como arma.
Quando se trata de uma pesquisa histórica, principalmente numa época
na qual não se tinha costume e às vezes nem meios para transcrever os fatos da
época, torna-se difícil falar de épocas locais e principalmente de matérias
relacionadas às lutas, como afirmam os autores abaixo citados:

É imensa a dificuldade de pesquisar temas relativos à cultura chinesa,


mormente devido à barreira idiomática e, em se tratando de assuntos
concernente às artes marciais, a dificuldade se amplia por causa da
escassez de documentação fidedigna. Poucos são os registros de
procedência histórica e ainda menor o número de tradições verbais que se
mantiveram preservadas com o passar do tempo. (NATALI, 1984, p.17)

Por não haver praticamente nenhum material escrito sobre a história do


início do karatê, não sabemos quem o inventou e desenvolveu, e nem
mesmo onde teve origem e evoluiu. Sua história inicial pode apenas ser
deduzida a partir de lendas antigas que nos foram transmitidas oralmente, e
elas, como a maioria das lendas, tendem a ser criações imaginárias e
provavelmente incorretas. (FUNAKOSHI, 1975, p.42)

Segundo FONTEYN (1981), o homem desde sua existência já exercia


papel de caçador e de presa, devido a isso, para sobreviver, ele precisava correr,
saltar, escalar e até mesmo lutar. Durante todo o tempo, o homem teve a
necessidade de defender-se de predadores ou até mesmo de inimigos da mesma
espécie, e isso fez com que ele desenvolvesse diversos gêneros de luta, em
diferentes épocas e regiões, ressaltando que a grande parte dessas lutas é fruto da
observação e aprendizagem das técnicas de defesas dos animais.
A diferença de época e de local fez com que surgissem vários gêneros e
estilos de luta. REID e CROUCHER (1983) relatam a descoberta de alguns
desenhos de luta nas muralhas do Egito já no período de 4000~3000 a.C., e também
comprovou a existência da luta na Índia no século VI e V a.C., em Ebina no ano 470.
TABOADA (s/d) complementa dizendo que ‘’alguns dados que se referem a uma
4

‘’luta sem armas’’ e que remontam a 4000 anos a.C. estes dados abrangem ÍNDIA,
IRÃ, CHINA E TAMBÉM EGITO e MESOPOTÂNIA.’’ PAYNE (1997, p.70) também
descreve que já havia a criação de golpes de combate na Grécia, no século V a.C.,
ou seja, os ‘’antigos gregos praticavam diversos tipos de combate.’’
Mas até hoje temos a criação de alguns novos gêneros de lutas, o que,
segundo FUNAKOSHI, são meras fusões de estilos ou gêneros de combate.

Há também muitas pessoas que tentam misturar um pequeno conhecimento


de jiujitsu com um mínimo de estudo de karatê. O resultado é esdrúxulo e
não merece ser chamado de jiujitsu nem de karatê. Na mesma linha de
raciocínio, alguns homens andam por aí tentando vender suas próprias
combinações caseiras como tal e tal estilo de karatê ou tal e tal estilo de
kenpô. (FUNAKOSHI, 1988, p.29)

Segundo TEGNER (1999, p.9), ‘’ há uma considerável controvérsia a


respeito das origens e histórias das artes marciais. Há registros de métodos de lutas
similares sendo praticados em diversos países pelo menos desde 2000 a.C.’’
Entretanto, é certo que os vários gêneros de luta tiveram maior desenvolvimento no
Oriente e que, mais tarde, se espalharam mundialmente, não significa que não
houve desenvolvimento no oriente. Como já afirmado anteriormente, a grande
maioria dessas lutas é fruto da observação e aprendizagem de técnicas de defesas
dos animais, principalmente as lutas orientais como Kung-fu, o Karatê, o Taekwondo
e diversas outras conhecidas como artes marciais.

Muitos sistemas de artes marciais são baseados na observação minuciosa


das lutas realizadas entre os animais. Por não ter mente racional, o animal
move-se livre e espontaneamente quando ataca e quando se defende, o
que evidencia sua inteligência natural. (PAYNE, 1997, p.72)

Quando se fala de luta corpo-a-corpo, logo em seguida temos que falar de


‘’arte marcial’’, algo indispensável quando se fala de luta num aspecto amplo, como
o nosso. Segundo REID e CROUCHER (1983), arte marcial é um termo ocidental,
que deriva do nome latino ‘’Marte’’, o deus romano da guerra. Geoffrey Chaucer foi
quem escreveu pela primeira vez o termo, em língua inglesa no ano de 1357, se
referindo ao tourney marcial, da época medieval. ‘’Em 1430, o termo já era usado
em referência ao treinamento para guerra, aos próprios atos de guerra e também
aos esportes. ’’ (p.12). Para VELTE (1989), a arte marcial é um termo que designa
5

todas as artes de lutas utilizadas em guerra, numa alusão metafórica ao deus Marte,
que era o deus da guerra entre os gregos.
Já TEGNER (1999, p. 9) entende pelo termo o seguinte:

O termo “artes marciais’’, conforme é usado atualmente, abrange uma


ampla gama de atividades derivadas dos antigos estilos asiáticos de
combate corpo-a-corpo. Seria lógico incluir os estilos europeus e
americanos de boxe, luta livre, esgrima e arco e fecha entre as artes
marciais. Afinal também derivam das antigas técnicas de combate. Mas no
uso corrente somente as formas de lutas asiáticas estão incluídas nas artes
marciais.

TABOADA (s/d) tem um conceito bem complexo sobre a arte marcial,


sendo que essa e um conjunto (filosofia, religião, misticismos, ritual, natureza,
movimento e outros tantos elementos) sendo assim se prestarmos atenção a um só
coisa, se perde a natureza do conjunto. O autor diz:

‘’É como querer descrever o vôo de uma ave. É o agitar das asas?; a
velocidade de deslocamento? Ou talvez o momento da trajetória descrita
pela ave em movimento? Definitivamente não, o vôo é tudo isso.’’(p.8)

Pode-se perceber que as lutas no decorrer da história têm contribuído em


vários aspectos (físicos, abstrato e histórico), conservando elementos da cultura e
da filosofia da época. Muitos gêneros e estilos de lutas desapareceram juntamente
com as civilizações que as criaram, já outros gêneros tiveram o privilégio de
sobreviver durante os tempos chegando até os dias atuais, entre eles estão o boxe
chinês, mais conhecido como kung fu.
Segundo GIMENEZ (2002), alguns gêneros de lutas fizeram a diferença
na história e educação de seus países, como o karatê em Okinawa, kendô no Japão
e a capoeira no Brasil. Uma das grandes influências das lutas foi o Ken-jitsu (arte da
espada) no Japão, com várias batalhas e conflitos sangrentos e devastadores de
vidas, sendo que uma dessas batalhas ocorreu no período dos xugunatos.

O período dos Xogunatos foi marcado por conflitos sangrentos. O objetivo


do governo central, representado pelo xogun, era unificar o país. O dos
daimyô era defender a sua independência em relação ao xogun. A maior
batalha foi provavelmente, a se Sekigara, em 1600. Em seis horas de
confronto, morreram 35000 homens só do lado derrotado. (GIMENEZ, 2002,
p. 60)

Era uma época em que os confrontos, ou seja, as lutas aconteciam


homem a homem, onde as tecnologias de arma eram meras espadas, e o próprio
6

corpo e a agilidade eram objeto de combate, o que iria fazer a diferença entre
aqueles que treinavam artes marciais e os que não treinavam ou os que tinham
menos habilidades com esses ‘’objetos’’.
A capoeira, o jiu-jitsu, o judô, o karatê e o taekwondo são lutas de
combate que surgiram no decorrer da história. Pode-se notar que a capoeira e o
judô são os mais recentes desses citados. Segundo VIEIRA (2004), há controvérsia
em torno da história da capoeira, inclusive no período que surgiu, provavelmente no
século XVII e o século XIX, em que aparecem registros confiáveis. Para HISTÓRIA
(2004), a capoeira surgiu no século XVI, com a vinda dos negros, que eram trazidos
da África, para o uso do trabalho escravo.
‘’A capoeira é uma luta brasileira, a qual foi criada pelos negros africanos’’
(FERREIRA, s/d, p.14). Os negros criaram a capoeira com intuito de utilizá-la como
luta no movimento preciso para sua defesa e para os instantes de folga para se
divertirem, e também como forma de se preparar para fugas. Com as fugas dos
escravos, criaram os palmares, constituindo assim uma nova forma de vida e
cultura.
Vimos que as lutas têm várias dimensões e, de acordo com o local em
que surgem, têm finalidades e objetivos diferentes. PRUDÊNCIO (2000), embasado
em AREIAS (1983), vem afirmar que foi através da observação à mãe natureza que
os negros, aproveitando-se das horas livres no interior das matas e nas senzalas
onde dormiam ou eram encarcerados e até nos refúgios após a fuga, notaram as
brigas de alguns animais; assim, tentavam reproduzir tais movimentos para defesa,
os quais eram camuflados com a dança e o ritual.
No entanto, a capoeira vem se modificando e se dividindo através dos
tempos, como afirma VIEIRA (2004):

Esse processo de desenvolvimento da capoeira teve como figura chave o


capoeirista baiano conhecido como Mestre Bimba [...] Criou, por volta de
1930, a capoeira Regional, uma variação da capoeira tradicional (conhecida
como Capoeira Angola), que incluía uma série de inovações e métodos de
ensino.

Já o judô foi criado no Japão, com uma preocupação pedagógica e


esportiva, na década de 1880, pelo educador Dr. Jigaro Kano (TERGNER, 1999).
Porém, para melhor compreender o judô, temos que passar pelo Jiu-jitsu. Segundo
LASSERRE (1975) e TERGNER (1999), no século XVIII, um grande número de
7

sistema de lutas se desenvolveu no Japão (jiu-jitsu, yawara, taijitsu, wa-jitsu, toride,


kagusoku, etc.) conhecidos pelo termo genérico de Jiu-jitsu. Sendo assim, entre os
sistemas de Jiu-jitsu, há dezenas de estilos principais. Para TERGNER (1999, p.10),
o judô é ‘’um novo estilo de jiu-jitsu que envolve técnicas modernas.’’ Segundo o
mesmo autor, Jigoro Kano, na década de 1860, começou um estudo sistemático das
diversas formas de jiu-jitsu, essas não mais proibidas (hauve um tempo que essas
lutas eram proibidas). Jigaro Kano percebeu que grupos praticantes só conheciam e
apreciavam uma forma de luta, descartando as demais. ‘’Esses grupos defendiam
seu estilo próprio de luta, mais por ignorar outras técnicas do que pela convicção de
eficácia de seu sistema.’’ (p.16) Percebeu também que havia um grupo, que
considerava-se de elite, cultuando a luta como algo misterioso e nesse grupo não
havia teoria ou nem mesmo compreensão do trabalho, mas tudo isto era uma
questão de ‘’manha ou segredo’’, que passava do professor para o aluno.

‘’O Dr. Kano levou muitos anos estudando, avaliando, comparando e


praticando as antigas artes de luta. Até que, em 1882, sintetizou tudo que
havia aprendido, criando uma nova arte, conhecida como judô’’.
(TEGNER,1969, p.17)

Apesar da relação judô e jiu-jitsu ser bem aparente, ou seja, se encontram no


Japão, o jiu-jitsu é uma arte que remonta suas história na Índia, na época de Buda
(A HISTORIA, 2004).
No Brasil, o judô, o jiu-jitsu e o karatê chegaram com os imigrantes
japoneses na década de 1900. No princípio, é somente ensinado entre os imigrantes
japoneses, só mais tarde passou a ser praticado por poucos brasileiros. (INÍCIO,
2003). É bom lembrar que o jiu-jitsu praticado hoje no Brasil é bem diferente do
praticado no Japão durante o feudalismo. O jiu-jitsu que vemos hoje pode ser
considerado como uma arte desenvolvida no Brasil, com base no Jiu-jitsu oriental.
SAGAI (2000) descreve algumas características do jiu-jitsu japonês, nos deixando
clara a diferença entre o jiu-jitsu brasileiro que tem como características torções e
agarramento, e é uma luta de concentração no solo. Vejamos as características do
jiu-jitsu japonês descrito por SAGAI (2000 p.201): ‘’Esse fato propiciou o
desenvolvimento de métodos especiais de bater, de tocar ou cortar com as mãos,
8

dedos, cotovelo, punhos, chutes, joelhadas ou pontas de pés [...] as técnicas do jiu-
jitsu são as mais especializadas em termos de autodefesa.’’
Entre as lutas temos também o karatê e o taekwondo. E essas têm
origem okinawense e coreana; ambas usam um sistema de golpes de mão e de pés
parecidos. Tanto a Coréia como Okinawa mantiveram nos últimos mil anos um
contato próximo com a China e com o Japão, sendo assim, ambas as artes têm
contribuições chinesa e japonesa. (REID e CROUCHER, 1983).
No conceito de FERREIRA (s/d, p.42), o taekwondo tem algumas
dezenas de anos, mas com raízes que remontam há 2 mil anos, sendo o resultado
de vários estilos coreanos de combate. Segundo ORIGEM (2004), em 1909, embora
a Coréia fosse beneficiada industrialmente pela ocupação nipônica, os coreanos
queriam a liberdade. Durante a ocupação pelo Japão, a cultura coreana permaneceu
estagnada e os japoneses proibiram qualquer manifestação cultural, incluindo a
prática do Tae-kyon, ancestral do Taekwondo. Essa questão da proibição imposta
pela nação nipônica é bastante interessante, pois também ocorreu em Okinawa (ilha
que pertencia à China, onde se desenvolveu os diversos estilos de karatê), quando a
mesma passou a ser dominada pelos japoneses. Não esquecendo também que a
pratica da capoeira foi proibida no Brasil durante um período.

Quando o Japão foi derrotado na segunda Guerra Mundial (1945), os


coreanos voltaram a treinar o Tae-kyon de forma ostensiva (pois nunca
deixaram de treinar clandestinamente) e, dez anos depois, durante a guerra
da Coréia, um grupo, chefiado pelo general Choi Hong Hi, juntou esforços e,
após diversas dissidências, conseguiu em 1955 a união das diversas
escolas e estilos, sendo adotado o nome de Taekwondo. (FERREIRA, s/d,
p.43)

O taekwondo só chega ao Brasil em julho de 1970, com o mestre Sang


Min Cho, 8º dan, que o introduz em São Paulo e, em 1973, há o primeiro
campeonato de taekwondo, quatro anos depois do primeiro campeonato brasileiro
de karatê, que foi em 1969. (INÍCIO, 2003)
Segundo FUNAKOSHI (1988), a história do karatê remonta na Índia.
Estudos dizem que em 520 A.c. o monge budista indiano Bodhidarme (conhecido
também como Tamo e Duruma Taishi) viajou da Índia para a China, com objetivo de
ensinar o Budismo no Templo Shaolim, localizado na China. Esse, ao ensinar os
monges chineses, notou que diante dos longos períodos de meditação o corpo
enfraquecia; então, disse aos monges ‘’[...] a partir de amanhã, vocês vão levantar
9

cedo e treinar de acordo com o método seguinte’’ (FUNAKOSHI, 1988, p.22). Esse
método foi a forma original de treinamento das artes marciais.
Em Okinawa, no reinado do rei Shoshin, foi publicado um decreto
proibindo a prática das artes marciais e do uso de armas (NAKAYAMA, 1977). O
Tode (também chamado simplesmente de Te, que significa mão), ancestral do
karatê, era uma arte de defesa pessoal que há séculos estava sendo desenvolvida
em Okinawa. Essa teve bastante influência das lutas chinesas, devido à relação de
comércio de Okinawa e China, e também sua posição geográfica. (FUNAKOSHI,
1988; NAKAYAMA,1977).
Segundo REID e CROUCHER (1983), com o desarmamento na cidade de
Shuri, dois movimento nasceram em Okinawa.

Os nobres, por um lado, procuraram aprenderam e desenvolveram a arte de


combate do tê, que não faz uso de armas. Os agricultores e pescadores, por
outro lado, começaram a desenvolver sistemas de luta armada baseados no
uso combativo de ferramentas e instrumentos agrícolas. (p.189)

Toda tradição, fosse de luta armada ou não, era praticada em segredo e


permanecia restrita, cada qual em uma classe social. Como afirma FUNAKOSHI
(1975, p.42): ‘’[...] o karatê foi proibido pelo governo nos primeiros anos de Meiji,
quando eu ainda era pequeno. Não podia praticá-lo legalmente e, claro, não havia
dojos de karatê.’’ Na fala de REID e CROUCHER (1981, p.189), a prática de lutas
em segredo também fica clara: ‘’[...] muito embora a arte fosse praticada em
segredo, em lugares remotos, e principalmente à noite ou antes do amanhecer.’’
Somente na década de 1920 é que o Japão conhece o Tode. Esse foi difundido nas
Universidades Japonesas, nas quais foi bem aceito por todos.
Podemos notar que tanto o judô, o jiu-jitsu, o karatê e o taekwondo são
artes de luta provenientes da Ásia. Pode-se notar que essas e outras lutas
provenientes da Ásia influenciaram as lutas brasileiras, entre elas, a capoeira.
FALCÃO (1998, p.75) afirma que ‘’[...] é importante salientar que muitos golpes são
resultados de pequenas variações dos já existentes, outros são copiados de lutas
orientais.’’ Como já foi colocado anteriormente, a vinda dessas lutas para o Brasil
possibilitou a criação de um Jiu-jitsu brasileiro, mostrando sua capacidade de
influência a ponto de se criar novas lutas.
10

Enfim, acompanhamos alguns passos da história dessas lutas e pudemos


ver que são de origens diferentes, mas algumas com características semelhantes. O
processo de ensino das mesmas também vêm se modificando durante os tempos e
que cada sistema tem maneiras particulares de avaliação e classificação: umas
usam faixas coloridas, nas quais cada cor tem seu valor em graus, já outras utilizam
cordões coloridos também na cintura.
Hoje podemos encontrar a prática dessas lutas em várias academias e
entre outro ponto a escola, tem deixado a desejar essa pratica.
Diante desse breve histórico, podemos perceber que cada sistema
encaixa numa realidade, mas não deixa de estarem interligados, Por quê? Ambos os
sistemas tem a necessidade do homem como fator de desenvolvimento, ambas
fazem parte do movimento humano. Estamos diante de um mar de movimentos que
a cada dia vem desenvolvendo e crescendo e se aperfeiçoando.
A luta e a arte marcial têm movimentos riquíssimos e históricos. Esses
movimentos predeterminados podem contribuir de forma significante no
desenvolvimento psicomotor da pessoa sem dar ênfase em outros determinados
aspectos que podem ser de grande contribuição na formação do ser como um todo.
Os movimentos dessas lutas e os movimentos de lateralidade e de
coordenação motora estão bem relacionados, pois esses aspectos é um dos
principais itens no aprendizado das lutas. Para entender melhor essa ligação
veremos um pouco o contexto da motricidade.

3. CONTEXTO DA MOTRICIDADE

Ao fazer o levantamento do referencial, podíamos notar que o estudo da


psicomotricidade é recente. A psicomotricidade, nos seus primórdios, compreendia o
corpo nos seus aspectos neurofisiológicos, anatômicos e locomotores, coordenando-
se e sincronizando-se no espaço e no tempo, para emitir e receber significados.
Esse numa primeira fase tínhamos uma pesquisa que se fixou, sobretudo no
desenvolvimento motor da criança.
Nos dias atuais, o estudo da psicomotricidade ultrapassa os problemas
motores: pesquisa também as ligações com a lateralidade, espacial e a orientação
temporal por um lado e, por outro, as dificuldades escolares de crianças de
inteligência normal. FONSECA (1988) comenta que a psicomotricidade é atualmente
11

concebida como a integração superior da motricidade, produto de uma relação


inteligível entre a criança e o meio. É um instrumento privilegiado através do qual a
consciência se forma e se materializa.

3.1O QUE É PSICOMOTRICIDADE?

Atribui-se à educação psicomotora uma formação de base, indispensável


a toda criança (normal ou com problemas), que responde a uma dupla finalidade:
assegurar o desenvolvimento funcional, tendo em conta possibilidades da criança, e
ajudar sua afetividade a se expandir e equilibrar-se através do intercâmbio com o
ambiente humano.

É possível, através de uma ação educativa a partir dos movimentos


espontâneos da criança e das atitudes corporais, favorecer o início da formação de
sua imagem corporal, o núcleo da personalidade.

A educação psicomotora é um meio prático de ajudar a criança a dispor


de uma imagem do "corpo operatório", a partir da qual poderá exercer sua
disponibilidade. Esta conquista passa por vários estágios de equilíbrio,
que correspondem aos estágios da evolução psicomotora. (LE BOULCH,
1982, p. 18)

MOLINARI & SENS (2003) traz alguns conceitos de alguns autores como
Pirre vayer, que diz que a educação psicomotora é uma ação pedagógica e
psicológica que utiliza os meios da educação física com o fim de normalizar ou
melhorar o comportamento da criança, Jean Claude Coste, que trata como a ciência
encruzilhada, onde temos o cruzamento e onde se encontram múltiplos pontos de
vista biológicos, psicológicos, psicanalíticos, sociológicos e lingüísticos, Jean
Ajuriaguerra, também a vê como uma ciência é uma ciência do pensamento através
do corpo preciso, econômico e harmonioso.
Dessa forma, podemos definir psicomotricidade como a educação do
movimento com atuação sobre o intelecto, numa relação entre pensamento e ação,
englobando funções neurofisiológicas e psíquicas.

Como o comportamento físico da criança expressa, uma a uma, suas


dificuldades intelectuais e emocionais, pode-se dizer que a psicomotricidade é a
12

ciência do corpo e da mente. Ao vermos o corpo em movimento, percebemos a


ação dos braços, pernas e músculos gerada pela ação da mente. É necessário,
portanto, educar o movimento pela mente.
Numa visão educativa do movimento FREIRE (1989) vem dizer que:

Não há por que desenvolver habilidades (correr, saltar, girar, etc) que não
sejam significativas isto é, que não seja uma promoção de relações
aperfeiçoadas do sujeito com o mundo, de modo a produzir as ações que o
tornem cada vez mais humano, isto é, mais presente, mais consciente,
testemunha do mundo em que vive.

A psicomotricidade integra várias técnicas com as quais se pode trabalhar


o corpo (todas as suas partes), relacionando-o com a afetividade, o pensamento e o
nível de inteligência. Ela enfoca a unidade da educação dos movimentos, ao mesmo
tempo que põe em jogo as funções intelectuais. Podemos observar que as primeiras
evidências de um desenvolvimento mental normal são manifestações puramente
motoras.

3.2 CORRENTE EDUCATIVA EM PSICOMOTRICIDADE

Segundo LE BOULCH (1982), a corrente educativa em psicomotricidade


tem sua origem das insuficiências na educação física que não teve condições de
corresponder ás necessidades de uma educação real do corpo. Para o autor acima
nessa época o objetivo da educação física ‘’era o domínio do corpo, e na realidade
correspondia ao desenvolvimento das funções psicomotoras, fato que tem sido
relatado nos meus trabalhos. (p.23)
A educação física também tem algumas deficiências no que se refere as
lutas e artes marciais, se pegarmos as grades curriculares das faculdades de
Educação física de Goiás veremos que poucas são as que oferecem disciplina de
lutas, quando oferecem não são obrigatórias e é feita a escolha de uma luta e
aprendendo assim os movimentos restritos de um estilo ou de um tipo de luta.
FERREIRA (2006) traz um estudo onde coloca possibilidades de
compreender a utilização da abordagem psicomotora na educação física escolar.
Chegou a essa conclusão através de estudo bibliográfico de autores como Damasceno,
Le Boulch, Oliveira e Souza. Defende a idéia que ‘’a posição que podemos utilizar a
Psicomotricidade na aula de Educação Física, assim como podemos recorrer a práticas
13

da Educação Física nas sessões de psicomotricidade.’’(p.6) A psicomotricidade e a


Educação Física não são cargas opostas e incompatíveis, podem ser integradas e
que ao invés de serem inimigas podem ser instrumentos auxiliares, percebemos que
não se faz impossível a junção de uma metodologia com a outra, pois ambas podem
ser auxiliar e se completar.

3.4 EDUCAÇÃO E MOVIMENTO


Muitas das vezes utilizamos o movimento para explicar alguns aspectos
de algo que não seja o motor e vise verso, utilizamos de outros meios para chegar
ao movimento e na educação motora, não temos duvidas da importância do
movimento.
Segundo FREIRE(1989 p.83)

‘’O corpo, sem duvida alguma, tem uma infindável capacidade de educar-
se. Não se pode e nem se deve negar, sob pena de continuarmos a
prejudicar a educação das crianças, a inteligência corporal, componente
fundamental no processo de adaptação dos seres humanos ao meio
ambiente. Sem risco de incorrermos em erro poderíamos falar em
educação corporal como um dos objetivos a serem atingidos pela
Educação Física’’

O corpo tem uma grande capacidade de se adaptar tanto ao meio como


ao movimento. MOLINARI & SENS (2003) cita FONSECA(1988) esse vem dizer que
o movimento do homem é construído em função de um objetivo. E mais que, ‘’a
partir de uma intenção como expressividade íntima, o movimento transforma-se em
comportamento significante’’. Esse movimento é obtido através de três fatores,
esses que são os músculos, a emoção e os nervos, formados por um sistema de
sinalização que lhes permitem atuar de forma coordenada.
As atividades motoras exercem um papel importantíssimo, no ser ainda
mais nas fases iniciais da vida. Durante a primeira infância, até os 3 anos, a
inteligência é função imediata do desenvolvimento neuromuscular. Mais tarde, esta
associação é rompida e a inteligência e a motricidade se tornam independentes. Ela
se mantém somente nos casos de retardamento mental, em que a um quociente
intelectual diminuído corresponde um rendimento motriz também deficiente . LE
BOULCH (1982)
BARROS (1972) coloca que as estruturas psicomotoras básicas, é,
locomoção, manipulação e tônus corporal, que interagem com a organização
14

espaço-tempo, as coordenações finas e amplas, coordenação óculo-segmentar, o


equilíbrio, a lateralidade, o ritmo e o relaxamento. Essas estruturas pode ser
traduzida pelos esquemas posturais e de movimentos, como os de andar, correr,
saltar, lançar, rolar, rastejar, engatinhar, trepar e vários outras consideradas
superiores, como estender, elevar, abaixar, flexionar, oscilar, suspender, inclinar, e
outros movimentos que se relacionam com os movimentos da cabeça, pescoço,
mãos e pés. Temos na Educação Física esses movimentos como movimentos
naturais e espontâneos da criança. Baseiam-se nos diversos estágios de
desenvolvimentos psicomotor, assumindo características qualitativas e quantitativas
diversas.
MOLINARI & SENS (2003) posiciona que o movimento é o deslocamento
de qualquer objeto e na psicomotricidade o importante não é o movimento do corpo
como o de qualquer outro objeto, mas a ação corporal em si, a unidade
biopsicomotora em ação. Temos os movimentos voluntários e os involuntários esses
que são atos reflexos, comandados pela substância cinzenta da medula, antes dos
impulsos nervosos chegarem ao cérebro.
Temos no desenvolvimento psicomotor característica como uma
maturação que integra o movimento, o ritmo, a construção espacial; e, também, o
reconhecimento dos objetos, das posições, da imagem e do esquema corporal. As
lutas e artes marciais oferecem todas esses itens citados, podemos fazer uma
proposta onde ocorra com espontaneidade a educação física juntamente com a
psicomotricidade.

4. PENSANDO AS LUTAS NUMA PERSPECTIVA EDUCACIONAL.

Com esta proposta pretendemos não solucionar ou dar receita de como


trabalhar com as lutas, mas sim de romper com alguns paradigmas sobre a
utilização e aprendizados das lutas e artes marciais. Como podemos ver na primeira
parte desse trabalho, as lutas e artes marciais sofreram algumas transformações e
evoluções. Isso também continua acontecendo, pois para que essas modalidades
possam sobreviver é necessário que adapte com os tempos modernos.
O PCN (Parâmetro Curricular Nacional) do ensino fundamental traz as lutas
como conteúdo da Educação física, esse podendo ser trabalhado nessa disciplina, o
PCN conceituado da seguinte forma:
15

As lutas são disputas que o(s) oponente(s) deve(m) ser subjugado(s)


mediante técnicas e estratégias de desequilíbrio, contusão, imobilização ou
exclusão de um determinado espaço na combinação de ações de ataque e
defesa. Caracterizam-se por uma regulamentação específica a fim de punir
atitudes de violência e de deslealdade. (PCNs, 49)

O PCN cita alguns exemplos de lutas como cabo-de-guerra, braço-de-


ferro e as mais complexas capoeira, judô e caratê. Deve ser incluído nesse conteúdo
informações históricas sobre as origens e características fazendo junto sua
valorização e apreciação dessas práticas,fundamentada na primeira parte do artigo,
onde é feito um resgate histórico de algumas lutas, essa é a forma que o PCN de
Educação Física aborda e propõem tal conteúdo. No PCN do Ensino médio temos
uma proposta de que o desenvolvimento de um comportamento autônomo depende
de suportes materiais, intelectuais e emocionais. E que isso pode ser trabalhado
com uma atividade de luta,

‘’o professor poderá propor aos alunos que tentem levar seus oponentes para
fora de um espaço previamente delimitado. A repetição dessa atividade com
companheiros mais altos mais leves, mais fortes levará ao desenvolvimento
de pequenas estratégias da ataque e defesa.[...] nesse contexto, caberão
algumas técnicas desenvolvidas primariamente e que posteriormente,
poderão ser descobertas enquanto pertencentes às lutas já conhecidas,
entre elas o judô, o jui-jitsu e o sumô.’’(PCN, 163)

Mesmo assim, os professores de Educação Física não atentam por esse


conteúdo. Foi feito uma pesquisa de campo com onze professores de educação
física das escolas estaduais de Itaberaí-go, onde pudemos ver o não conhecimento
por uma grande parte dos professores.
Utilizaremos para identificar os professores os numerais Romanos de I a
XI. O instrumento de pesquisa utilizado foi o questionário aberto.
Entre os onze professores apenas um dizia trabalhar com o conteúdo de
lutas e arte marcial, e que ao trabalhar com esse conteúdo tinha o objetivo de ‘’levar
aos alunos à um conhecimento mais profundo sobre esta modalidade’’(prof. VI),
porém ao conceituar a luta é arte marcial o professor faz uma inversão dos conceitos
dados por alguns autores citados anteriormente, o professor conceitua a luta e a arte
marcial da seguinte maneira; ‘’Luta- tem como objetivo alcançar o perfeito equilíbrio
entre o corpo e a mente do atleta. Arte marcial – é luta ente pessoas, no intuito de se
sair uma delas vencedora.’’(prof. VI)
16

Temos que analisar com muito cuidado, pois não estamos procurando
quem esta certo ou quem esta errado, não é uma procura pelo culpado e sim como
ajudar a melhorar essa situação, como trabalhar esse conteúdo sem que haja
distorções de informações e também sem tirar o mérito dos especialistas de cada
luta ou arte marcial.
Ao questionar se já havia feito alguma leitura ou estudo sobre arte marcial
ou luta, apenas seis professores disseram que sim, só que dois dos seis professores
ao serem questionados se conseguiria conceituar o que é luta e o que é arte marcial
disseram que não era possível. Dos cinco professores que disseram que não fez
nenhum estudo ou leitura dois deles disseram conseguir conceituar mesmo não
tendo lido ou estudado, conceituaram da seguinte forma: ‘’Luta: tem vários tipos.
Arte Marciais são um conjunto de lutas.’’(prof. VII) O professor VIII antes de
conceituar ele ressalta que irá conceituar no que ele achava. ‘’Luta envolve mais
contato físico entre os competidores e arte marcial é um tipo de luta ou competição
onde os competidores utilizam de movimentos simulando a luta’’.
Esta pesquisa de campo vem mostrar a necessidade de levar mais
informações para os professores de Educação física, tanto informações teóricas
para dar-nos embasamento para fazer a ação ou a práxis. Pois a teoria vem ajudar a
compreender a pratica do movimento, seus benefícios e sua contribuição em varias
áreas, principalmente a educação física.
MOREIRA (2003) apresenta a arte marcial dizendo que é composta de várias
valências físicas, habilidades motoras básicas e, no passado, mesmo sem o
entendimento do que era a inteligência interpessoal, esta já poderia estar sendo
trabalhada, e acredita que este conjunto se refletia nos comandos das batalhas.
Os praticantes de várias lutas da antiguidade mesmo não tendo o
conhecimento da importância do movimento como uma forma educativa, já usufruía
de suas contribuições, pois o treinamento já exigia que fosse trabalhado ambos os
lados do corpo, tinha a necessidade de encontrar o equilíbrio e ter noção de espaço
e tempo.
MOREIRA (2003) chama a atenção para a importância dos movimentos
diversificados do kata, como meio da aprendizagem motora, que em adição ao
resgate social da historia do karatê, poderá desenvolver as áreas cerebrais
somáticas e, com certeza, um indivíduo crítico dentro e fora do contexto esportivo,
17

ou seja, através de uma prática de movimento juntamente com um resgate social


teremos mais do que crianças com boa educação motora.

“Entendo que a diversificação de modalidades é de suma importância para a


formação de uma base motora das crianças, e que o principal componente para
tal é o movimento. Assim sendo, acredito que os movimentos diversificados do
kata e os conteúdos socioculturais e filosóficos do karatê, possam desenvolver os
aspectos biopsiquicosociais e a criticidade do indivíduo”. (Moreira, 2003).

Não somente no karatê tem kata, ou seja nas outras artes também possui
uma forma estabelecida de movimentos, às vezes com menos ou mais movimento,
ou até mesmo com nomes diferentes. Esses movimentos estabelecidos seqüenciais
ou não tem uma grande parte a contribuir, com o desenvolvimento motor do
praticante, podendo ser utilizados de uma forma bem pedagógica e simplificada.
Podemos montar nossa própria seqüência criar nossos próprios movimentos de luta,
tendo um objetivo a ser atingido, mas como fazer isso?

Os katas do karatê envolvem movimentos em todas as direções, e, assim,


não tendem em nenhuma direção. Alem disso, os pés são usados tanto
quanto as mãos, e todos os tipos de movimentos, inclusive giros e saltos, são
empregados, de modo que os quatro membros se desenvolvam igualmente.’’
(Funakoshi, 1988, p.27)

Os professores podem aprender uma ou mais seqüência de movimento de


uma luta, e trabalhar com seus alunos, sendo que essas seqüências podem ser
modificadas para atender a faixa etária que esta sendo trabalhada e também ao
objetivo da aula.
Entendemos que ao elaborar uma seqüência deve se pensar não na
quantidade de movimentos mais sim no equilíbrio entre movimentos, que possam
ser equilibrados, esquerda, direita, para frente, para traz, movimentar membro
superior direito, membro superior esquerdo, movimentar membro inferior direito,
membro inferior esquerdo. E que possam fazer parte desde gestos simples como
saltar, andar para frente e andar para traz, até movimentos mais elaborados como
giros e mudança de direção, que permita o aluno terminar a seqüência no mesmo
lugar ou no mesmo ponto onde começou.
O movimento estático das lutas vem contribuir no que se refere ao
equilíbrio, atingindo também a dimensão e aspectos corporais podendo perceber que
os membros não reagem da mesma forma. Exemplos: pular com o pé direito ou com o
18

esquerdo; escrever com a mão direita ou com a esquerda; equilibrar com o pé direito com
pé esquerdo. Como fazer esse trabalho?
Propomos levar os movimentos como um jogo. Faz-se a separação em
duplas, desenhe dois circulo no chão de mais ou menos de com raio de vinte
centímetros com uma distancia de trinta centímetros entre os círculos, cada um dos
alunos entra em um dos círculos ambos tentam tirar o outro de dentro do circulo,
podendo fazer varias modificações como a troca de colegas, entrarem no circulo
somente com um dos pés, colocarem as mãos para traz ou poder utilizar somente
uma das mãos.
As lutas devem ser apresentadas dentro de uma aula de Educação Física,
onde deve ser elaborada como forma de atividades que tragam a idéia de jogos de
confronto, ou atividades de movimento ou de cooperação e assim por diante, sem
adentrar em diferenças a cerca das modalidades esportivas de lutas, assim que este
tema em forma de “luta genérica” for assimilado, assim devemos destacar as
diferenças entre as modalidades, assim como o futebol de campo é diferente do
futsal, o vôlei de quadra é diferente do vôlei de areia, as lutas também tem suas
diferenças como o Judô é diferente do Jiu-jitsu, o karatê é diferente do Taekwondo,
mostrando tanto no que diz respeito à origem, aos movimentos como nos aspectos
filosóficos e socio-culturais, sempre levando em conta que o mesmo deve seguir
uma linha pedagógica coerente para uma aula de Educação Física escolar.

5. CONCLUSÃO

Ao resgatar a historia das lutas estamos mais perto de compreender essa


realidade além de poder utilizar como recurso é conteúdo nas aulas de educação
física. Levando em conta que a razão do homem desenvolver métodos e técnicas de
autodefesa baseia-se também na observação de defesa para a sobrevivência dos
animais e hoje para a sua sobrevivência pessoal. E hoje é possível utilizá-las como
recurso e conteúdo nas aulas de Educação Física.
Podendo ser utilizadas para resgatar a auto-estima, confiança, equilíbrio,
socialização, autodefesa (de uma forma psíquica), movimentos rítmicos,
lateralidade, coordenação motora, para adquirir habilidades corporais e
reconhecimento do próprio corpo.
Além disso, consta do PCN (Parâmetro Curricular Nacional) do ensino
fundamental e médio – as lutas como conteúdo da Educação Física.
19

6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BARROS, Daisy Regina; BARROS, Darcymires. Educação física na escola primária.


4.ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1972.

BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria da Educação Fundamental. Parâmetros


Curriculares Nacionais: 5ª a 8ª série do Ensino Fundamental - Introdução dos
Parâmetros Curriculares. Brasília: MEC/SEF, 1998.

Brasil. Ministério da Educação e do Desporto. Parâmetros Curriculares Nacionais:


ensino médio. : bases legais. Brasilia: Ministerio da Educacao, 1999.

BRASIL. Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Médio – Ciências


Humanas e suas Tecnologias. Brasília, Ministério da Educação, 2000.

FALCÃO, José Luiz Cirqueira. Unidade didática 2 – capoeira. In: KUNZ, Elenor
(Org.). Didática de educação física. Ijuí: UNIJUÍ, 1998.

FERREIRA, Mauro. Capoeira com ginga e disciplina, e jiu-jitsu, a arte milenar de


usar os pés e as mãos na luta. Fight Magazine, São Paulo. n.01, ano 1.

FONSICA, Vitor da. Psicomotricidade. São Paulo: Martins Fontes, 1988.

FONTEYN. Margot. Tai-Chin Chuan e ginástica chinesa. São Paulo: Círculo do livro,
1981.

FERREIRA, Heraldo Simões. Psicomotricidade ou educação física? Romeu e Julieta


ou Montecchio e Capuleto?In: http://www.efdeportes.com/, em outubro de 2006.

FREIRE, João Batista. Educação de corpo inteiro: teoria e prática da educação


física. São Paulo: Scipione, 1989.

FUNAKOSHI, Gichin. Karatê-Do: o meu modo de vida. São Paulo: Cultrix, 1975.

__________________. Karatê-Do Nyumon: texto introdutório do mestre. Trad.


Euclides Luiz Calloni. São Paulo: Cultrix, 1988. (Tradução de: Karate-do – The
master introductory text.)

GIMENEZ, Karen. No fio da espada. Super interessante. São Paulo, 172 ed. p.58-
63, janeiro de 2002.

HISTORIA e origem da capoeira. In: http://.wwwcapoeira00.no.sapo.pt/historia.htm,


em 28 de abril 2004.

INÍCIO do karatê no Brasil. In: http://.www.kimpacto.hpg.com.br/, em setembro 2003.

KEIZI, Minami. Manual prático de judô. São Paulo: Sampa, 1995.


20

LASSERRE, Robert. Judô manual prático: segundo a técnica do Kodokan. Trad. Luiz
Darós. São Paulo: Mestre Jou, 1975. (Tradução de: Judo Manoel Pratique).

LE BOULCH, Jean. Desenvolvimento psicomotor: do nascimento até os seis anos.


Porto Alegre: Artes Médicas, 1982.

MOLINARI, Ângela Maria da Paz; SENS Solange Mari. A Educação Física e sua
Relação com a Psicomotricidade. Rev. PEC, Curitiba, v.3, n.1, p.85-93, jul. 2002-jul.
2003

MOREIRA, Sandro Marlos. Pedagogia do esporte e o Karate-dô: considerações


acerca da iniciação e da especialização esportiva precoce. Campinas,SP:
UNICAMP, 2003. Dissertação (Mestrado em Educação Física) – Universidade
Estadual de Campinas, Faculdade de Educação Física, 2003.

NAKAYAMA, Masatoshi. O melhor do karatê: visão abrangente-práticas. Trad.


Carmem Fischer. São Paulo: Cultrix, 1977.(Tradução de: Best karatê I –
comprehensive).

NATALI, MARCO. Nunchaku: a arma mortal do kung fu. Rio de Janeiro:


Ediouro,1984.

ORIGEM do taekwondo. In: http://www.angelfire.com/sk/tkd/origem.htm, em 28 de


abril 2004.

PAYNE, Peter. Artes marciais: mitos – deuses – mistérios. Rio de janeiro: Delprado,
1997.

PRUDÊNCIO, Sandra Regina. A capoeira na educação física escolar de Jataí. Jataí,


GO, UFG, 2000. Monografia (Licenciatura em Educação Física) - Campus Avançado
de Jataí, Universidade Federal de Goiás, 2000.

REID, Howard; CROUCHER, Michael. O caminho do guerreiro: o paradoxo das artes


marciais. Trad. Marcelo Brandão Cipolla. São Paulo: Cultrix, 1983. (Tradução de:
The of the Warrior: the paradox of the martial arts).

SUGAI, Vera Lúcia. O caminho do guerreiro I: a contribuição das artes marciais para
o equilíbrio físico e espiritual. São Paulo: Gente, 2000.

TABOADA, Francisco Andrés. Fundamentos históricos e filosóficos das artes


marciais. Belo Horizonte: Nova Acrópole, s/d.

TERGNER, Bruce. Guia completo de Jiu-jitsu. Trad. Pinheiro de Lemos. 5 ed. Rio de
Janeiro: Record, 1999. (Tradução de: Bruce tegner’s complete book of jiu-jitsu).

_______________. Guia completo de judô: do principiante ao faixa-preta. Trad.


Carlos B. Cavalcanti. 5 ed. Rio de Janeiro: Record, 1969. (Tradução de: Complete
Book of judô).
21

VALTE, Herbert. Dicionário de termos técnicos de judô. Rio de Janeiro: Tecnoprint,


1989.

VIEIRA, Luiz Renato. História da capoeira. In:


http://www.beribazuceilandia.hpg.ig.com.br/historiadacapoeira.htm, em 28 de abril
2004.