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PONTIFCIA UNIVERSIDADE CATLICA DO PARAN PUC PR

CURSO DE ESPECIALIZAO EM ANTROPOLOGIA CULTURAL

TRABALHO APRESENTADO DISCIPLINA DE DESAFIOS CONTEMPORNEOS DA


ANTROPOLOGIA, PROFESSORA DAYANA ZDEBSKY.

LEITURA E ANLISE PRELIMINAR DO ARTIGO


O NATIVO RELATIVO, DE EDUARDO VIVEIROS DE CASTRO.
PUBLICADO NA REVISTA MANA, N 1 VOL 8 NO RIO DE JANEIRO, EM ABRIL DE 2002.
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-93132002000100005

LIDIANE FATIMA GRTZMANN

CURITIBA, ABRIL DE 2016.


O NATIVO RELATIVO
Eduardo Viveiros de Castro

Neste artigo, o antroplogo Eduardo Viveiros de Castro problematiza e subverte


a noo de nativo em contraposio a noo etnocntrica do antroplogo no nativo.

A partir do olhar da antropologia tradicional, o olhar do antroplogo formado


por um largo arcabouo epistemolgico externamente e/ou academicamente adquirido.
Ele utiliza esse referencial como instrumento de interpretao da cultura do outro. Castro
percebe e afirma que o posicionamento do antroplogo como detentor do conhecimento,
como representante enviado da civilizao, causa grandes distores na compreenso do
discurso nativo, alm de reforar um posicionamento etnocntrico. Ento, Castro lana a
seguinte provocao: O que acontece se recusarmos ao discurso do antroplogo sua
vantagem estratgica sobre o discurso do nativo?

No sentido de responder a provocao, o autor afirma que o discurso do


antroplogo precisa estabelecer uma relao de sentido com o discurso do nativo Castro
chama essa relao de alteridade discursiva. Assim, o sentido do discurso do outro
aparece na medida em que se estabelece para com o outro uma relao de igualdade
ativa, ou seja, o antroplogo passa a se compreender tambm como um nativo e o nativo
passa a ser considerado um antroplogo.

As consequncias desta subverso so desafiadoras. A solidez dos conceitos


antropolgicos mais tradicionais, elaborados com auxlio da tradio filosfica,
sociolgica e psicanaltica posta em cheque. Se o nativo um antroplogo, ento, a
partir de suas compreenses de mundo que os conceitos devero ser compreendidos e
reestabelecidos. Quando, por exemplo, os ndios consideram o pecari como humano,
preciso questionar o que se entende por humano. Antes de considerar tal comparao
como uma ingenuidade ou um escndalo, preciso questionar a determinao impositora
da tradio conceitual que a palavra humano carrega em seu bojo.