Wallysson Machado Dias 1
Prof. Mestre Roger Abdala 2
RESUMO
O tema desta pesquisa é a importância do uso de equipamentos de proteção
individual (EPI). O objetivo principal é analisar a relevância dos equipamentos de
proteção ao executar tarefas que oferecem riscos, e os objetivos específicos são
estudar as perdas com acidentes de trabalho, compreender a importância da saúde
do trabalhador e avaliar a relação entre o uso de EPIs e os riscos ocupacionais. A
metodologia utilizada é a revisão de literatura. Conclui-se que dentre os fatores que
contribuem para o acidente de trabalho, um dos que mais possui destaque é o uso
de modo inadequado e o desuso de equipamentos de proteção individual (EPIs),
minimizando e/ou eliminando as possibilidades de proteção à sua saúde e
segurança.
Palavras-chave: EPI. Saúde e Segurança. Trabalho.
ABSTRACT
The theme of this research is the importance of the use of personal protective
equipment (PPE). The main objective is to analyze the relevance of protective
equipment when performing tasks that pose risks, and the specific objectives are to
study the losses from work accidents, to understand the importance of worker's
health and to evaluate the relationship between the use of PPE and the risks
Occupational diseases. The methodology used is the literature review. It is concluded
that among the factors contributing to the work accident, one of the most prominent is
the inappropriate use and the disuse of personal protective equipment (EPIs),
minimizing and / or eliminating the possibilities of protection to their health and safety.
Keywords: PPE. Health and safety. Job.
1 Aluno do curso de Engenharia de Segurança do Trabalho (EAD), da Universidade Cândido Mendes
(UCAM), em Rondonópolis - MT.
2 Professor orientador do curso de Engenharia de Segurança do Trabalho (EAD), da Universidade
Cândido Mendes (UCAM), em Rondonópolis - MT.
Porém. o tema a ser estudado é a importância do uso de equipamentos de proteção individual na prevenção de acidentes. de modo a auxiliar os profissionais com informações que levem à adoção de atos seguros e que permitam a redução das exposições às condições perigosas. está o uso dos equipamentos de proteção individual (EPIs). de 08 de junho de 1978 (BRASIL. mantendo a integridade física das pessoas e prevenindo acidentes. ou determinadas atividades desempenhadas por alguns profissionais. por meio do atendimento às trinta e três Normas Regulamentadoras de Segurança e Medicina do Trabalho NR-1 a NR-33 (BRASIL. Para isso usa-se a prevenção e todos os cuidados que as normas de segurança do trabalho do país determinam. contemplada pela Lei Federal no 6. as regras referentes à segurança e à saúde do trabalhador. onde cabe ao empregador cumprir as disposições legais e regulamentares sobre o assunto e dar . 2007b). onde esse conhecimento nem sempre é seguido tanto pelos empregadores quanto pelos empregados. a problemática estudada é como o uso de equipamentos de proteção individual pode auxiliar na prevenção de acidentes? A identificação dos perigos e avaliação dos riscos por meio da delimitação dos ambientes. 2 1 INTRODUÇÃO Perigos nas várias profissões são previsíveis e o conhecimento das condições perigosas aos quais os profissionais podem expor-se em seu ambiente de trabalho é fundamental para a garantia da saúde dos mesmos. Dentre as principais ferramentas. do Ministério do Trabalho e Emprego. 2007c). possibilita a definição de procedimentos que podem ser adotados e de medidas de controle para a execução segura da profissão. Desta forma.214. Como é primordial a realização de estudos sobre a segurança no trabalho. Dentro de uma empresa sabe- se quais são os cenários críticos e os perigos aos quais os trabalhadores estão expostos. existem profissões.514 de 22 de dezembro de 1977 (BRASIL. objetos e situações passíveis de serem encontradas pelos profissionais no decorrer de suas funções. 2007a). no Brasil. objetivando evitar acidentes e danos à saúde. Nelas estão expressas as obrigatoriedades tanto do empregador quanto do empregado com relação à segurança e saúde do trabalho. A legislação brasileira vigente atribui à Portaria no 3.
É fundamental que o profissional esteja ciente dos perigos aos quais está sujeito no desempenho da sua profissão. (MARTINS et al. seja para uma manutenção corretiva ou preventiva. cabe a ele cumprir as disposições legais e regulamentares sobre segurança e medicina do trabalho. A prevenção de acidentes se traduz em ganhos de produtividade. além de colaborar com a empresa no atendimento a essas normas . pois cabe a ele fazer a opção de não aceitá-los. de qualidade. Quanto ao empregado. como uma contaminação ambiental. ou para introduzir uma medida de controle. Além dos elevados custos econômicos. ainda continue exposto à situação de risco não tolerável.. de imagem e de competitividade. ou em função de um acidente. através da pesquisa bibliográfica tendo como referencial teórico a legislação nacional e autores como Gonçalves (2003). 2010) . e os objetivos específicos são estudar as perdas com acidentes de trabalho. 2 AS PERDAS COM ACIDENTES DE TRABALHO Uma questão particularmente importante nas empresas em geral é o custo de uma possível parada de produção ou interrupção dos serviços. 3 ciência aos trabalhadores dos perigos que possam existir no local de trabalho. A metodologia utilizada é a revisão de literatura. caso verifique que. O objetivo principal é analisar a relevância dos equipamentos de proteção ao executar tarefas que oferecem riscos. A limitação do estudo está no fato de não conter uma pesquisa de campo (estudo de caso).por isso. inclusive as normas expedidas pelo empregador. A justificativa para esta pesquisa é a importância de que cada vez mais a exigência de atendimento às normas de segurança devam ser seguidas a fim de garantir a segurança e saúde do trabalho. compreender a importância da saúde do trabalhador e avaliar a relação entre o uso de EPIs e os riscos ocupacionais. há ainda os custos sociais e da imagem da empresa na administração de problemas legais. bem como os meios para prevenir e controlar sua exposição. Eles acontecem porque alguma coisa os provoca. mesmo com a adoção das medidas de segurança. Os acidentes não são uma fatalidade. é fundamental a utilização dos EPIs. Oliveira e Minicucci (2001) e outros.
deixa de acontecer o esperado acidente. mecânica. ou uma alteração ou interferência com uma função normal do corpo (câncer. uma fratura etc. Na definição de acidente. elétrica etc. Um incidente com um alto potencial de perda deve ser investigado tão a fundo quanto um acidente. (PACHECO JR. De acordo com Fantazzini (2005). O aspecto crítico que se torna . este é o resultado do contato com uma substância ou fonte de energia acima da capacidade limite do corpo humano ou de sua estrutura. pode resultar em incêndio. 4 Existem três aspectos importantes na determinação do acidente. 2000) Os efeitos danosos de contatos repetitivos como a tenossinovite. A norma OHSAS 18001 (BRITISH STANDARDS INSTITUTION. 2007) define incidente como evento que deu origem a um acidente e que tinha potencial para conduzir a um acidente. É usualmente o resultado do contato com uma substância ou uma fonte de energia (química. silicose. destruição. ingestão de asbesto. et al. pois evidenciam os perigos e desvios. acústica. as perdas ou as quase perdas na produção e na qualidade etc. um acidente pode ser definido como um evento não desejado que resulta em dano à pessoa. afogamento etc. incidente é um fato que ocorre.) acima da capacidade limite do corpo humano ou de uma estrutura. a perda auditiva etc. Em termos de pessoas. 102): Para compreender a sequência de eventos que podem levar a uma perda.. um deslocamento. os efeitos danosos de um contato único. uma fratura. De acordo com o International Loss Control Institute (1981) – ILCI (Instituto Internacional de Controle de Perdas). Os incidentes são de grande importância para as condições e meio ambiente de trabalho. são considerados como lesões. o contato pode resultar em um corte.. deformação etc. as falhas de proteção. uma escoriação. O fato não manifesta dano macroscópico. segundo Gonçalves (2003. é essencial compreender o que se está tentando prevenir ou controlar. Em termos de propriedade. uma amputação. uma queimadura ou outro evento. dano à propriedade ou perda no processo. O corpo humano tem níveis de tolerância ou limites à lesão para cada substância ou forma de energia. Esta definição inclui os acidentes. são considerados como doenças. com um grande potencial de dano.). térmica. Geralmente. uma queimadura. embora também possam ser produzidas como o resultado de um contato único. e de gerar os danos subsequentes. os quase acidentes. tal como um corte. Outro termo repetidamente usado sobre condições e meio ambiente de trabalho é a palavra incidente. mas por algum fator que não tenha ocorrido. p.
p. 2000) 3 A IMPORTÂNCIA DA SAÚDE DO TRABALHADOR Com o advento da Saúde do Trabalhador. 100). avançando para uma nova concepção desta. Em última instância. . p. Ambos envolvem as mesmas etapas: identificação das exposições. Assim. percebeu-se que essa concepção recebeu um enfoque diferenciado. destacam-se Laurell e Noriega (1989. os riscos como agentes nocivos isolados que podem causar doença” (LAURELL. mas antes de tudo como um processo social”. 1989. um campo de investigação mais amplo foi desenvolvido. 100). Tecendo as reflexões acerca dos riscos ocupacionais. sob a perspectiva da Saúde do Trabalhador. p. p. pois “se mostra como um tema privilegiado para a construção de um novo modo de entender e analisar a saúde-doença coletiva enquanto processo social”. NORIEGA. Define. pois “a medicina do trabalho utiliza a categoria ‘risco’ para dar conta dos elementos presentes no centro do trabalho que podem causar danos ao corpo do trabalho. o único valorizado. avaliação da gravidade e probabilidade da ocorrência. A Saúde do Trabalhador apresentou-se como inovação. enquanto processo social.. a novidade decorrente da problematização da saúde-doença. e desenvolvimento de controles adequados. dessa maneira. dentre outros. constitui-se em colocar “o nexo biopsíquico como a expressão concreta na corporeidade humana” (LAURELL. 21). ambos possuem os mesmos controles: a prevenção do contato ou sua redução a um nível em que não se produzam danos. et al. envolvendo. 1989. sendo necessário “entender a saúde-doença não somente como um processo biopsíquico. Para esses autores (1989. a saúde dos trabalhadores é uma área prioritária de investigação. 109). NORIEGA. adotando um entendimento diferenciado da relação saúde-trabalho do abordado pela medicina tradicional. ao afirmarem que coube à medicina social problematizar a saúde. 5 necessário compreender é que ambos. Nesse contexto. possuem um fator comum: o contato com uma substância ou fonte de energia acima da capacidade limite de uma parte ou de todo o corpo. (PACHECO JR. acidente e incidente. o entendimento do processo de trabalho e a valorização do saber do trabalhador articulado ao saber técnico – antes.
Nesse sentido. fraturas. feridas. NORIEGA. correspondendo aos riscos físicos. Essas cargas existem independentemente da corporeidade humana. uma analogia foi traçada entre a exemplificação das cargas de trabalho. posição incômoda. (ABREU. fumaça. uma vez que não adquirem importância em si mesmas. biológicas e mecânicas. 3) cargas mecânicas exemplificadas por contusões. alternância de turnos. ao contrário. 2) cargas biológicas exemplificadas pelos microorganismos. contemplando as fisiológicas e psíquicas. a saber: 1) cargas físicas exemplificadas pelo ruído e calor. . sendo importante destacar que as cargas de trabalho distinguem-se dos riscos ocupacionais em função do processo de investigação (LAURELL. precisa dela para adquirir materialidade externa ao corpo. 1989). vapores. as cargas de materialidade interna. MAURO. materialidade visível externa ao corpo humano. constituído pelas cargas físicas. verificou-se que as mesmas são congregadas em dois grupos distintos: as que possuem materialidade externa ao corpo. ao interatuarem com este. 2000) Segundo Laurell e Noriega (1989). conforme Laurell e Noriega (1989). químicas. e as cargas de materialidade interna ao corpo. correspondendo aos riscos de acidentes. mas pelas transformações de sua interação com o corpo e com os processos corporais. não apresentando. fibras. Essas cargas precisam de um corpo para materializar-se e não podem existir senão através da corporeidade humana. 4) cargas fisiológicas exemplificadas pelo esforço físico pesado. portanto. só adquirem materialidade no corpo humano ao se expressarem em transformações em seus processos internos. e a classificação dos riscos ocupacionais conforme Araújo (2005). cargas químicas exemplificadas por pós. adquirem uma nova materialidade interna. Ao estudar os tipos de cargas laborais. as cargas que possuem materialidade externa ao corpo. correspondendo aos riscos ergonômicos. sendo estas as mais visíveis ao corpo externamente. líquidos. 6 A noção de cargas de trabalho refere-se ao movimento dinâmico dos elementos do processo de trabalho com o corpo do trabalhador. porém. correspondendo aos riscos biológicos. correspondendo aos riscos químicos. Entretanto.
em determinas atividades. No que reporta à subcarga psíquica. à margem das condições que a geraram. Acerca dessa ideia. a consciência da periculosidade do trabalho. ressalta-se que os riscos são correspondentes e dependentes das atividades executadas no ambiente laboral. possibilitando inclusive um efeito cumulativo no corpo do trabalhador. acidentes e/ou doenças ao trabalhador. ao serem estudadas como um processo dinâmico global e interativo. exemplificadas pela monotonia e repetitividade. a 9ª Norma Regulamentadora reafirma esta concepção ao destacar que. as cargas. altos ritmos de trabalho. Todavia. “a atenção permanente. p. que redunda em monotonia e repetitividade”. 12-13) Assim. dentre outros”. esse tipo de carga somente adquire materialidade nos processos psíquicos e corporais do trabalhador. ser compreendida como riscos isolados. correspondendo também aos riscos ergonômicos. Laurell e Noriega (1989. não podendo. a parcelização do trabalho. em função da natureza dos riscos. assim como as outras. 4 EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL E RISCOS OCUPACIONAIS Sabe-se que no exercício profissional. p. (LAURELL. sendo socialmente produzidas. Assim. Nesse sentido. altos ritmos de trabalho. a supervisão com pressão. daí a importância do uso de equipamentos de proteção individual (EPI). NORIEGA. permitem a ideia de se apresentarem de forma associada. resultado da separação entre sua concepção e execução. esses mesmos riscos são capazes de causar danos à saúde . 13) afirmam que “torna-se facilmente compreensível que as cargas de um mesmo grupo podem se potenciar entre si de tal modo que não somente se somam como também incrementam seu efeito sobre os processos biopsíquicos humanos”. No que diz respeito às cargas psíquicas. 1989. 12) as agruparam em dois grupos. Laurell e Noriega (1989. ocorre a exposição a inúmeros riscos que podem causar danos à saúde. p. A exemplo dessas situações pode-se destacar. ressalta-se “a desqualificação do trabalho. no primeiro caso. concentração ou intensidade e tempo de exposição. de sobrecarga psíquica e subcarga psíquica. 7 5) cargas psíquicas.
a proteção esperada de um EPI é atribuída não apenas à sua adoção pelos profissionais. Os profissionais. 2006. Para Oppermann e Pires (2003). (BRASIL. p. bem como a sua relação com o ambiente no qual está inserido. bem como a realização periódica de treinamento em serviço com enfoque na Segurança do Trabalhador. 2003. "o EPI é o maior facilitador para a prevenção de acidentes. 01). o uso correto dos EPI sempre que necessário e o reconhecimento dos riscos ocupacionais a que possam estar expostos durante o processo de trabalho. 155). mas ao seu uso e manuseio corretos (TIPPLE et al. os EPI minimizam os riscos ocupacionais e contribuem para uma assistência de qualidade. p. 2004) A adesão ao uso do EPI está relacionada à percepção que os profissionais têm dos riscos a que estão expostos e da suscetibilidade a estes riscos. psicológica e social. FELLI. (2005). ainda pouco se sabe sobre o nível de conhecimento dos profissionais da área da saúde sobre o assunto. muitas vezes. como forma de melhorar as condições de trabalho o que se refletirá à qualidade do que for executado. A não adesão ou a baixa adesão às recomendações da utilização de barreiras de proteção é uma realidade. . p. do ambiente e os efeitos que a sua atividade possa refletir sobre a sua saúde. conhecer a realidade dos profissionais em sua prática diária no que se refere aos riscos ocupacionais e ao uso adequado dos EPIs. Segundo Alam et al. 77). Vale lembrar que não se deve dissociar o trabalhador do seu processo. podendo gerar consequências neste indivíduo nas esferas física.. na sua maioria. a resistência do profissional em utilizá-lo em decorrência da falta de adesão e ao uso incorreto são as principais barreiras para prevenir esses acidentes". 8 do trabalhador. 2003. banalizam os riscos ocupacionais e não são capazes. entretanto. o que leva a indagar sobre fatores que possam estar contribuindo para esse tipo de comportamento (BALSAMO. Estas informações serão úteis para a elaboração ou a reavaliação da padronização dos procedimentos sobre segurança. no entanto. são fundamentais. trará contribuições para as ações de saúde e na instituição. Segundo Teixeira e Valle (1996. de identificar as consequências decorrentes da inobservância do uso de medidas de prevenção (FLORÊNCIO et al. p. emocional. 347). Quando selecionados e usados segundo as recomendações. Entretanto.
A exemplo destes. p. Após consulta à literatura científica. . Nessa perspectiva. 145). irradiação. p. é possível depreender que essa classificação deriva do processo e organização do trabalho e dos riscos aos quais os trabalhadores se expõem. p. ambiente físico (temperatura. No que concerne à condição de trabalho. etc. mecânicos. 342). MAURO. (2004. Assim. fungos). 342) asseveram que “os estudos sobre riscos ocupacionais apontam que. pressão. altitude. etc.). condições ou métodos de trabalho. quando eles não são submetidos a controle. os riscos ocupacionais podem ser agrupados. barulho. bactérias. biológicos. de segurança e as características antropométricas do posto de trabalho. a redução de agravos à saúde do trabalhador exposto. vapores e gases tóxicos. 9 Alguns estudiosos têm comprovado a existência de diversos riscos ocupacionais presentes nos ambientes de trabalho. químicos. parasitas. o ambiente biológico (vírus. Nesta vertente. 2000. destacam-se Mauro et al. bem como os mecanismos de controle sobre os agentes biológicos. fumaças. em “físicos. (2004. constatou-se a importância de adotar mecanismos de controle sobre os riscos presentes no ambiente laboral. muitas vezes sem a orientação adequada. 142). físicos e mecânicos do ambiente hospitalar podem provocar efeitos adversos à saúde dos profissionais. 25) assinala que: É preciso entender. sendo o uso dos equipamentos de proteção individual um dos principais fatores evidenciados. as condições de higiene.). fisiológicos e psíquicos”. consequentemente. Abreu e Mauro (2000. sendo evidenciado pelas autoras que tais riscos “podem contribuir para aumentar a incidência de acidentes” (ABREU. químicos. favorecendo. p. poeiras. levam ao aparecimento de acidentes e doenças profissionais e do trabalho”. Mauro et al. p. visando a minimizar a intensidade de exposição. ao referirem que: os riscos ocupacionais têm origem nas atividades insalubres e perigosas. 139) destacaram que no contexto do trabalho os profissionais acabam sendo expostos a inúmeros riscos. p. Dejours (1992. Uma vez que o trabalho industrial se desenvolve em grande escala no Brasil e sendo este um setor que apresenta diversas situações de risco à saúde. aquelas cuja natureza. no estudo de Abreu e Mauro (2000. vibração. antes de tudo. ambiente químico (produtos manipulados.
armazenamento inadequado. os ergonômicos reúnem: esforço físico intenso. conforme sua natureza. Por último. levantamento e transporte manual de peso. biológicos. umidade. outras situações causadoras de estresse físico e/ou psíquico. p. ergonômicos ou mecânicos e psicossociais”. gases. biológicos. frio. Porém. CONCLUSÃO Pode-se concluir que dentre os fatores que contribuem para o acidente de trabalho. bacilos. 10 Assim sendo. levando à desatenção nas atividades desenvolvidas. destaca-se que além dessas autoras. 39). fumos. trabalho noturno. Mauro et al. ergonômico e de acidente. (2004) também se preocuparam com os riscos psicossociais. os riscos físicos contemplam: ruídos. controle rígido de produtividade. um dos que mais possui destaque é o uso de modo inadequado e o desuso de equipamentos de proteção individual (EPIs). o estresse e o cansaço sentido pelo . os riscos de acidentes. radiações não-ionizantes. neblinas. que agregam: arranjo físico inadequado. a preocupação com problemas familiares. parasitas. imposição de ritmos excessivos. em: físico. ergonômicos e psicossociais (decorrentes da organização e gestão do trabalho) e por último. químicos. químicos. bactérias. calor. destacam-se: a desatenção do profissional frente às suas atribuições laborais. verificou-se que os ambientes mencionados por Dejours equivalem aos riscos ocupacionais descritos por Araújo (2005). Tal classificação foi similarmente contemplada por Oliveira e Minicucci (2001. iluminação inadequada. vibrações. pressões anormais. químico. 82). ao classificarem os fatores de risco para a saúde e segurança dos trabalhadores presentes ou relacionados ao trabalho. p. minimizando e/ou eliminando as possibilidades de proteção à sua saúde e segurança. em cinco grandes grupos: físicos. probabilidade de incêndio ou explosão. que os dividem em cinco grupos. biológico. fungos. eletricidade. os biológicos agrupam: vírus. Entre os demais fatores. outras situações de risco que poderão contribuir para a ocorrência de acidentes. os químicos envolvem: poeiras. máquinas e equipamentos sem proteção. Segundo Araújo (2005. monotonia e repetitividade. substâncias compostas ou produtos químicos em geral. os riscos de acidentes. jornadas de trabalho prolongadas. ao destacarem que “os fatores nocivos do ambiente classificam-se em: físicos. animais peçonhentos. vapores.
n. a desorganização como característica individual do profissional que repercute desfavoravelmente no ambiente e na equipe de trabalho. n. M. 2000. fatores como múltiplos vínculos empregatícios. dentre outros elementos que. 4. p. Ciência e Saúde Coletiva. abr. REFERÊNCIAS ABREU. a insegurança na realização do trabalho. ALAM. deficiência de políticas de trabalho e emprego de enfermagem consolidada e implementada na prática laboral. Além disso. E. condições lesivas. do modo que está instituída. G. precarização do trabalho. C. envolvendo aí a conscientização do uso de EPIs. M.. a desorganização e a precarização do trabalho. insalubres e penosas impostas ao trabalhador concorrem para o acidente ocupacional.. Acidentes de trabalho com a equipe de enfermagem no setor de emergência de um hospital municipal do Rio de Janeiro. p. Nesse sentido. interferindo negativamente nas relações interpessoais e na realização das tarefas profissionais. sup.. 39-47. Escola Anna Nery Rev de Enferm. há diversos aspectos do trabalho que concorrem para os acidentes fruto de uma (des)organização laboral. v. A. ARAÚJO. CEZAR-VAZ. pois. V.. embora não dependam do sujeito. 1. Rio de Janeiro: Gerenciamento Verde. ALMEIDA. 5. a falta de habilidade técnica evidenciada entre os recém-ingressos na profissão. Estudo sobre os acidentes de trabalho com exposição aos líquidos corporais humanos em trabalhadores da saúde de um . afetarão sua saúde e subjetividade. prejudica e muito esse indivíduo. 2005. M. inadequadas condições de trabalho. A grande responsável pelas condições de trabalho adversas à saúde e segurança do trabalhador é a organização do trabalho. haja vista que a organização “imposta” ao trabalhador o “expõe” de modo nocivo como um todo. ed. e a falta de comunicação entre a equipe. v. T. que comprometem seu desempenho laboral. Normas Regulamentadoras Comentadas. 139-146. MAURO. 11 trabalhador. M. BALSAMO. 2005. A. Educacao ambiental e o conhecimento do trabalhador em saude sobre situacoes de risco. FELLI. 10.. Rio de Janeiro.
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